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Direito Penal I 
3.º Ano – Dia – Turmas A e B 
Regência: Professora Doutora Maria Fernanda Palma 
Colaboração: Professor Ricardo Tavares da Silva, Mestres Catarina Abegão Alves, Mafalda Moura 
Melim e Rita do Rosário, e Licenciados Nuno Igreja Matos e Inês Vieira Santos 
Exame – 7 de janeiro de 2022 
Duração: 120 minutos 
 
Os negócios de Ada 
Ada arrendava o seu apartamento a mulheres estrangeiras que se dedicavam à prostituição em 
Portugal há vários anos. Ada estava a par dessa atividade, mas entendia tratar-se de um negócio 
legítimo, pois o seu advogado informara-a de que o Tribunal Constitucional não o tinha 
considerado criminoso. 
Efetivamente, em março de 2020, o Tribunal Constitucional julgou inconstitucional a 
criminalização de uma conduta de aproveitamento lucrativo da prostituição, no âmbito de um 
recurso, em sede de fiscalização concreta da constitucionalidade. 
Entretanto, Beatriz, uma das pessoas que utilizava o apartamento para a prostituição, testou 
positivo à Covid-19. Porém, tendo ficado assintomática, continuou a praticar a prostituição 
durante o período de isolamento. 
 
Responda de modo fundamentado às perguntas seguintes: 
1 – Ante o princípio da legalidade, é legítima a interpretação que inclui o comportamento de 
Ada no âmbito da incriminação do lenocínio prevista no artigo 169.º do Código Penal? Considere 
o problema de constitucionalidade suscitado por essa norma incriminadora. (4 valores) 
2 – Ada poderia ser punida por algum crime relacionado com a violação do dever de 
isolamento e a propagação da Covid-19? (3 valores) 
3 – Suponha que a Assembleia da República altera a descrição do crime previsto no artigo 
169.º do Código Penal, passando a exigir a prova da exploração de uma situação de carência da 
pessoa prostituída. Nesse caso, Ada seria punida pelos factos praticados antes da entrada em 
vigor da nova lei, se soubesse que Beatriz era explorada por um proxeneta? (3 valores) 
4 – Se um decreto-lei do Governo, aprovado sem autorização da Assembleia da República, 
viesse a qualificar como contraordenação o contrato de arrendamento ou hospedagem destinado 
à prática de prostituição, Ada poderia ser punida ao abrigo desse decreto-lei por atos praticados 
antes da sua entrada em vigor? (2,5 valores) 
5 – Se Ada fosse membro de uma rede de tráfico de pessoas com sede na Alemanha, ser-lhe-
ia aplicável a lei penal portuguesa? E Portugal teria de executar um mandado de detenção europeu 
emitido pela Alemanha quanto a esse crime ou poderia antes aplicar a lei penal portuguesa? (3,5 
valores) 
6 – Se Ada fosse funcionária de uma embaixada de um país estrangeiro e mantivesse esse 
negócio, poderia ser punida? (2 valores) 
Ponderação global: 2 valores.

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