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Disciplina 1 - Concepção e Avaliação da 
Deficiência Intelectual 
 
 
 
Erenice Natália Soaresde Carvalho 
2 
 
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE: 
 
 
Unidade 1 ....................................................... 03 
Unidade 2 ........................................................ 05 
Unidade 3 ....................................................... 09 
Unidade 4 ....................................................... 14 
Conclusão ...................................................... 17 
Referências ...................................................... 17 
3 
 
 
Iconografia 
 
Ao longo do texto básico, você encontrará alguns ícones. Eles representam recursos que 
podem ser encontrados na Aula Virtual e que complementam o tema abordado. Veja o que 
significa cada um: 
 
 
Unidade 1- Concepção de Deficiência Intelectual 
A concepção de deficiência intelectual adotada neste capítulo é a proposta pela 
Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimental − AADID1 , 
(AADID, 1992, 2002, 2010), privilegiada neste texto pela amplitude de suas 
considerações e a pluralidade de elementos envolvidos no conceito, em uma perspectiva 
multidimensional. A AADID dispõe de um modelo conceitual organizado e sistêmico, 
que se coaduna com a complexidade do fenômeno que denominamos atualmente 
deficiência intelectual (DI). 
 
A AADID é sediada em Washington−EUA e foi fundada em 1876. Desde então, 
dedica−se ao estudo da deficiência intelectual (DI), formulando definições, 
terminologias, conceitos, informações, orientações e sistemas de classificação na área. 
Suas produções são divulgadas, dentre outras, em revistas cientificas próprias e mediante 
a publicação de manuais sucessivos, sendo o primeiro editado em 1921 e o mais recente 
em 2010. 
 
A AADID propõe o modelo conceitual de funcionamento humano, ilustrado na 
Figura 1, que contém os elementos essenciais do conceito de DI e fundamenta, 
teoricamente, o diagnóstico, a avaliação e as bases para os apoios individualizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
¹ American Association on Intellectual and Developmental Disabilities−AAIDD (nome adotado desde 
2007). Antes conhecida como American Association on Mental Retardation_AAMR. A designação atual, 
que pode ser traduzida por Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimental ou 
Associação Americana de Deficiência Intelectual e do Desenvolvimento, diz respeito à DI e deficiências 
do desenvolvimento relacionadas (DIƒDD). 
4 
 
 
 
 
As cinco dimensões descritas na coluna direita do modelo contido na Fig. 1 
constituem os parâmetros do sistema multidimensional de classificação da AADID. 
Pressupõe, com base no enfoque ecológico, que o funcionamento humano é influenciado 
por essas dimensões e pelo provimento de apoios individuais. O modelo retrata, também, 
a abordagem funcional que a Associação propõe sobre a DI, fundamentando sua definição 
oficial2, assim formulada: 
A deficiência intelectual é caracterizada pela limitação significativa no 
funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, expresso em um conjunto de 
habilidades conceituais, sociais e práticas. A deficiência origina−se antes dos 18 anos de 
idade. (AADID, 2010, p. 1). 
O sistema apresentado pela AADID agrega os funcionamentos intelectual e 
adaptativo e as influências ambientais, que integram o conceito anteriormente citado. Ao 
mesmo tempo, essa visão situa a DI como um fenômeno desenvolvimental, com início 
demarcado até os 18 anos de idade. 
Segundo a abordagem ecológica, que constitui a base do modelo da AADID, o 
desenvolvimento humano é definido como “o conjunto de processos através dos quais as 
particularidades da pessoa e do ambiente interagem para produzir constância e mudança 
nas características pessoais, no curso da sua vida” (BRONFENBRENNER, 1989, p.191). 
 
 
 
² Essa definição operacional adota premissas que a complementam e contribuem para o seu esclarecimento 
e aplicação, a saber: a) As limitações no funcionamento atual da pessoa devem ser consideradas em relação 
aos contextos comunitários típicos de seus pares de mesma cultura. b) O ser humano coexiste com forças e 
fraquezas. 
5 
 
 
 
Essa abordagem relaciona os processos psicológicos às múltiplas determinações 
ambientais, considerando a importância dos fatores biológicos nos processos do 
desenvolvimento humano, ao mesmo tempo em que destaca a importância das relações 
interpessoais e das vivências da pessoa, em diferentes níveis sistêmicos, desde a família 
até o macrossistema sociocultural. 
Essas concepções, que representam as bases teórico−conceituais da AADID, são 
convergentes com a Psicologia Funcionalista, que privilegia os processos conscientes e a 
adaptação voluntária da pessoa ao meio ambiente, mediante suas relações funcionais. 
Pautado nessa visão, o Funcionalismo tem interesse pelos processos e as operações 
psicológicas implicados nas interações adaptativas (GOUVEIA, 2013). As funções 
consideradas em sua dimensão individual referem−se ao modo como os processos 
mentais operam no ser humano, ao longo do desenvolvimento ontogenético. 
O conceito de Funcionalismo agrega, também, aspectos sociais e sociológicos, 
entendendo que todo fenômeno sociocultural é funcional e constitutivo da dinâmica da 
sociedade como um todo e do seu equilíbrio. Desse modo, o Funcionalismo implica a 
ideia de interdependência entre os padrões comportamentais de pessoas e grupos e as 
instituições inseridas nos sistemas sociais, visando à sua sobrevivência e continuas 
transformações. Concebido dessa maneira, o Funcionalismo compreende aspectos 
biopsicossociais, sujeitos a mudanças cíclicas pela ação compartilhada e interativa de seus 
atores. 
O modelo funcional e multidimensional, proposto pela AADID, permite 
considerar diferentes aspectos da deficiência intelectual, dentre os quais processos 
avaliativos que orientam o diagnóstico e o desenvolvimento de sistemas de apoio 
individual para a pessoa no curso da vida. Considera, ainda, categorizações, que podem 
alinhar−se com outros sistemas de classificação aplicados à DI, por parte de outros 
órgãos, a exemplo da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e 
Saúde − CIF (OPAS; OMS, 2003). Esses aspectos são tematizados a seguir. 
 
Unidade 2: Avaliação e diagnóstico da pessoa com deficiência 
intelectual 
Observando a Fig.1, que ilustra o modelo conceitual de funcionamento humano, 
verificam−se cinco dimensões implicadas no funcionamento da pessoa, dando−se aqui 
destaque para a DI: habilidades intelectuais, comportamento adaptativo, saúde, 
participação e contexto, sendo essas dimensões significativamente influenciadas pelos 
sistemas de apoio. Todas elas integram o diagnóstico da DI e a avaliação da pessoa em 
diferentes contextos e momentos. Para entendimento dos conceitos, seguem algumas 
definições: 
Funcionamento é um construto que remete aos comportamentos funcionais da 
pessoa, levando em conta fatores contextuais que os circunscrevem. Evidencia o exercício 
das capacidades individuais nos contextos de atuação. A DI, nesse entendimento, deixa 
de ser vista como um estado ou condição da pessoa e passa a ser concebida como um 
estado de funcionamento individual no contexto sociocultural. 
Habilidades intelectuais referem−se ao funcionamento intelectual, ou seja, ao 
que se considera comportamento inteligente. Esse dependente de características pessoais 
e de outros fatores individuais: comportamento adaptativo, saúde física e mental e 
participação em atividades relevantes nos contextos de convivência da pessoa. O 
6 
 
 
 
funcionamento intelectual reflete acapacidade para compreender o ambiente e reagir a 
ele adequadamente. Constitui um dos critérios para o diagnóstico e a compreensão do 
conceito de DI. Testes psicológicos são utilizados para avaliar o funcionamento 
intelectual, sendo observada sua validade e sua aplicação por profissionais qualificados3. 
Conquanto seja uma informação meramente estatística e criticada por estudiosos 
do assunto, o uso dos testes de inteligência é recomendado pela AADID. Os valores 
abaixo da média, em dois desvios padrões, constituem o ponto de corte indicador da DI, 
ressaltando−se a insuficiência desses resultados como critério único para o diagnóstico. 
Este requer também a avaliação do comportamento adaptativo e estabelece o período 
anterior aos dezoito anos de idade como marco para o aparecimento dos indicadores da 
DI, por considerá−la um fenômeno do desenvolvimento. Os períodos iniciais do ciclo 
vital são aqueles nos quais os processos de mudanças são mais visíveis, optimais e 
relevantes para a constituição da pessoa. 
A expressão limitação significativa no funcionamento intelectual indica que as 
limitações pessoais podem representar significativas desvantagens para a pessoa em 
situação de deficiência na sociedade. Considera que a inteligência continua sendo um 
elemento relevante para o diagnóstico, apesar de não exclusivamente. 
O comportamento adaptativo reúne as habilidades conceituais, sociais e 
práticas4 aprendidas pelas pessoas, capacitando−as para atuar efetivamente no cotidiano 
e responder às demandas do ambiente de forma convergente e satisfatória. Há testes 
padronizados5 para mensuração do comportamento adaptativo6, cujos resultados são 
indicativos de limitações ou pontos fortes na avaliação e análise dessas habilidades. 
Limitações significativas no comportamento adaptativo são definidas, quando os 
resultados situam−se em dois desvios padrões abaixo da média, em um ou no conjunto 
dos resultados avaliativos obtidos na aferição das habilidades sociais, conceituais e 
práticas. 
Usualmente, a avaliação do comportamento adaptativo se complementa com 
informações de respondentes confiáveis, familiarizados com a pessoa avaliada, além de 
outras fontes, como registros escolares e história profissional. Esses recursos são 
utilizados, também, quando não for possível o uso de testes padronizados7, 
recomendando−se: entrevistas; registros e documentos; depoimentos e observações 
diretas, rigorosamente analisados. 
Alguns aspectos estão implicados no comportamento adaptativo: (a) sua avaliação 
baseia−se no desempenho tipico da pessoa, durante a rotina diária e em situações de 
mudanças no ambiente; (b) as limitações nas habilidades adaptativas coexistem com 
pontos fortes em outras áreas; (c) pontos fortes e limitações, nas habilidades adaptativas 
da pessoa, devem ser considerados nos contextos da comunidade e na cultura tipica de 
seus pares, vinculando−se às suas necessidades individuais de apoio. 
Saúde refere−se ao estado de bem−estar fisico, mental e social, segundo a 
Organização Mundial da Saúde − OMS (1993). O estado de saúde de uma pessoa pode 
afetar seu funcionamento em todos os aspectos. Problemas de saúde compreendem 
desordens, doenças ou injúrias orgânicas, podendo ser categorizadas pela Classificação 
 
3 No Brasil, os psicólogos são legalmente reconhecidos para essa função. 
4 As habilidades conceituais referem−se à linguagem; à leitura e escrita; ao conhecimento e uso do dinheiro; à autodireção, etc. As 
habilidades sociais dizem respeito às relações interpessoais; às atitudes; ao conhecimento e ao cumprimento de regras e normas, etc. 
As habilidades práticas remetem às atividades de vida diária e ao uso de recursos comunitários. 
5 Site da AADID: h1p://aaidd.org/intellectual−disability#.U9ZHa_ldU_w 
6 Site da AADID: h1p://aaidd.org/intellectual−disability/diagnostic−adaptive−behavior−scale#.U9ZH5vldU_w 
7 No Brasil ainda não foram criados ou padronizados esses instrumentos. 
7 
 
 
 
de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID−108 (OMS, 1993) e a 
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde − CIF (OPAS; 
OMS, 2003). Outro referencial para classificação da saúde, proposto pela Associação 
Psiquiátrica Americana−APA focalizando os transtornos mentais, é o Manual 
Diagnóstico e Estatistico de Transtornos Mentais − DSM−59 (APA, 2014). Os referidos 
sistemas internacionais são alinhados com a AADID. 
A avaliação das condições de saúde da pessoa com DI requer a compreensão de 
aspectos etiológicos multicausais e interativos, cuja implicação envolve fatores 
biomédicos, sociais, comportamentais e educacionais10. A saúde da pessoa com DI 
influencia a facilitação ou a inibição do seu funcionamento, razão pela qual ressalta−se a 
importância de compreender os fatores de risco que comprometem suas vivências 
coletivas. No diagnóstico, é importante atentar para os fatores de risco que representam 
indicadores de DI. 
Uma boa saúde envolve e colabora para a maior participação da pessoa nas 
atividades sociais e comunitárias (trabalho, lazer, recreação, etc.). Por outro lado, 
limitações na saúde (indisposições, baixa resistência, doenças, problemas de nutrição e 
mobilidade, etc.) restringem suas atividades e participação social. 
A participação diz respeito ao desempenho da pessoa na vida social e comunitária. 
Implica papéis que desempenha em diferentes contextos; suas interações na vida familiar, 
no trabalho, na educação, no lazer, bem como nas atividades espirituais e culturais. 
Avaliar a participação requer habilidade para a observação direta e ampla dos 
envolvimentos e engajamentos da pessoa nas suas vivências comunitárias cotidianas. 
Requer, ainda, observação direta, depoimentos da própria pessoa com DI e de outras que 
a conhecem e com as quais convive. Alinhada com a CIF (OPAS; OMS, 2003), a AADID 
avalia a participação, relacionada ao desempenho11 e à capacidade12 da pessoa nos 
seguintes domínios: 
 
8 A CID−10 apresenta o diagnóstico da DI com base apenas nos escores de quociente intelectual (QI), 
mediante um sistema de códigos representados pela letra F70, com categorização em leve, moderado, grave, 
profundo e não especificado. Sua categorização faz uso de linguagem estigmatizante e traz poucos 
elementos de natureza funcional. Site: 
h1p://www.medicinanet.com.br/pesquisa/cid10/nome/retardo_mental.htm 
9 O DSM−5 alinha−se com a classificação da AADID, considerando o “déficit nas capacidades mentais 
gerais” (relacionadas às limitações intelectuais), resultando em “prejuízos no funcionamento adaptativo” 
que comprometem a “independência das pessoas e a responsabilidade social, em um ou mais aspectos da 
vida social”, ocorrendo na fase do desenvolvimento. O DSM−5 define o comportamento adaptativo como 
indicador para a classificação dos níveis de gravidade (e não o QI), considerando que o funcionamento 
adaptativo é o que determina a demanda de apoios necessários. O diagnóstico se baseia na avaliação clínica 
ou em testes padronizados das funções adaptativa e intelectual. Os níveis de gravidade são assim 
classificados: leve, moderada, grave e profunda, categorizadas em três dimensões: domínio conceitual, 
domínio social e domínio prático, com descrições detalhadas de cada categoria diferencial. 
10 Exemplos dos fatores relevantes indicados: 1) Biomédicos: processos biológicos, como problemas 
genéticos e nutricionais; existência de acompanhamento médico, de avaliação fisica e psicológica. 2) 
Sociais: interações familiar e social, tais como, estimulo, confiança, atenção e responsividade dos demais. 
3) Comportamentais: situações de risco, como exposição ao perigo, situações de abuso e de exploração. 4) 
Educacionais: educação precoce, acessibilidade aos apoios educacionais, desenvolvimento de habilidades 
adaptativas. 
11 O desempenho na CIF significa o que o indivíduo faz no seu ambiente habitual, ou seja, as experiências 
vividas nos diferentescontextos. 
12 Na CIF, o termo capacidade refere-se à habilidade para executar uma tarefa ou realizar uma ação. 
http://www.medicinanet.com.br/pesquisa/cid10/nome/retardo_mental.htm
http://www.medicinanet.com.br/pesquisa/cid10/nome/retardo_mental.htm
http://www.medicinanet.com.br/pesquisa/cid10/nome/retardo_mental.htm
8 
 
 
 
• Aprendizado e aplicação dos conhecimentos. 
• Tarefas e demandas gerais. 
• Comunicação. 
• Mobilidade. 
• Cuidado pessoal. 
• Vida doméstica. 
• Interações e relacionamentos interpessoais. 
• Principais áreas da vida. 
• Vida comunitária, social e cívica. 
 
Restrições na participação, dizem respeito ao envolvimento da pessoa e às dificuldades 
na vida diária, em determinados ambientes. Remete à funcionalidade que ela apresenta, nos 
nove domínios mencionados anteriormente. Essa avaliação pode ser feita com ou sem 
dispositivos de apoio, uma vez que esses dispositivos podem reduzir ou remover as limitações 
na funcionalidade (OPAS; OMS, 2003). 
O contexto abrange as múltiplas e inter−relacionadas condições nas quais a pessoa vive 
seu cotidiano. É constituído de fatores ambientais de natureza física e social. Envolve 
influências atitudinais e fatores pessoais (gênero, idade, raça, história de vida, escolarização, 
etc.), que constituem o background de cada um. Seu impacto é considerável na constituição 
da pessoa e no seu funcionamento, devendo ser considerado nos processos avaliativos. O 
contexto envolve, pelo menos, três níveis: (a) espaço social imediato (família, cuidadores); 
(b) vizinhança, comunidade, escola, serviços de apoio e; (c) influências culturais, 
sociopolíticas e societais mais ampla. 
A avaliação dos fatores contextuais pela AADID coaduna−se com os parâmetros da CIF 
(OPAS; OMS, 2003, 
p. 28), levando em conta o “histórico completo da vida e do estilo de vida de um indivíduo”. 
Considera dois componentes − fatores ambientais13 e fatores pessoais. Os fatores ambientais 
influenciam, positiva ou negativamente, o desempenho na sociedade e a capacidade da pessoa 
para realizar tarefas ou executar ações. Podem, ainda, impactar sua saúde. A influência desses 
fatores se dá no ambiente imediato (lar, trabalho, escola) ou no âmbito social (estruturas 
sociais, regras de conduta, sistemas comunitários e societais). 
Quanto aos fatores pessoais, eles podem influenciar as condições de saúde da pessoa, suas 
atividades e sua participação. Na CIF, dois conceitos requerem entendimento: (a) 
incapacidade, significando limitação ou impedimento da atividade e da participação; (b) 
funcionalidade, referindo−se a aspectos não problemáticos (neutros) da saúde e dos estados 
relacionados à saúde. Em relação a esses conceitos, tanto a incapacidade como a 
funcionalidade da pessoa implicam a “interação dinâmica entre os estados de saúde (doenças, 
distúrbios, lesões, traumas, etc.) e os fatores contextuais” (OPAS; OMS, 2003, p. 20). 
É importante considerar, ainda, que o conceito de funcionamento humano (ou sua 
funcionalidade) abrange um conjunto de atividades da vida diária, englobando as funções e 
as estruturas do corpo, bem como as atividades da pessoa e sua participação social (idem, 
ibidem). Nesse sentido, as limitações no funcionamento precisam ser consideradas, em 
relação ao funcionamento humano geral típico, bem como à faixa etária e à cultura típica do 
grupo de referência. 
 
13 Na CIF, fatores ambientais são externos e constituem o ambiente fisico, social e atitudinal que cercam a pessoa e direcionam sua 
vida. Os fatores pessoais constituem o histórico de vida e do estilo de vida da pessoa, englobando suas características não alusivas à 
saúde (sexo, idade, raça condição fisica, estilo de vida, hábitos, criação, modos de enfrentamento, profissão, antecedentes sociais, 
instrução, eventos prévios e atuais da vida, comportamento, caráter, dentre outros). 
9 
 
 
 
Iguais considerações constituem as premissas que orientam o diagnóstico e a 
avaliação da pessoa com DI, segundo a AADID (2010): 
Para que um processo de avaliação seja considerado válido, deve levar em conta 
a diversidade cultural e linguística do avaliado, além de suas peculiaridades (e diferenças), 
nos aspectos comunicativos, sensoriais, motores e comportamentais. Essas premissas 
indicam que os testes ou instrumentos de avaliação, sejam objetivos ou subjetivos, não 
podem ignorar os aspectos mencionados, sob pena de terem sua validade questionada. 
A identificação de limitações de uma pessoa justifica−se, quando utilizada para 
indicar os apoios de que necessita, bem como seu provimento. Se assim não for, essa 
indicação pode resultar apenas em rotulagem e exclusão. 
Os sistemas de apoio, também integrantes do modelo conceitual de 
desenvolvimento humano (Fig. 1), será contemplado em seção própria, a seguir. 
 
Unidade 3: Sistemas de apoio que favorecem a aprendizagem e 
o desenvolvimento humano 
A importância dos apoios para a pessoa com deficiência é reconhecida e 
determinante nos dispositivos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência (BRASIL, 2010), que integra a Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988, com status de emenda constitucional. No Art. 19 da Convenção, os apoios 
são determinados como garantia para a inclusão social da pessoa com deficiência e sua 
participação na vida comunitária. Igual determinação é afirmada no Art. 24, visando a 
garantir que a pessoa com deficiência tenha facilitada sua efetiva educação. Para isso, 
enfatiza o provimento de apoio individualizado, com vistas a maximizar seu 
desenvolvimento acadêmico e social. 
Anteriormente, documentos internacionais, como a Declaração de Salamanca 
(UNESCO, 2014) e o Informe Mundial, produzido pela Inclusion International (2009), 
destacaram a emergência de prover os apoios necessários ao estudante, contribuindo para 
seu êxito escolar. Ao mesmo tempo, organizações nacionais e internacionais, 
profissionais, estudiosos e pesquisadores na área de educação especial e da educação 
inclusiva também afirmaram a necessidade de apoios, para facilitar a aprendizagem, o 
desenvolvimento e a participação social, comunitária e cidadã das pessoas com 
deficiência (AAIDD, 1992, 2002, 2010; BEYER, 2006; BOOTH; AINSCOW, 2002; 
CARNEIRO, 2011; CARVALHO, 2004; FEAPS, 2009; FENAPAES, 2007; GLAT; 
PLETSCH, 2011; GONZÁLEZ, 2002; MITTLER, 2003). 
Atualmente, o reconhecimento da essencialidade dos sistemas de apoio está 
consolidado em âmbito nacional e internacional. O Ministério da Educação −MEC 
(BRASIL, 2007, p. 18) recomenda seu provimento, na forma de atendimento educacional 
especializado − AEE, para os estudantes com necessidades educacionais especiais, 
ponderando que esses, “muitas vezes, para poderem se relacionar com o ambiente, 
necessitam de instrumentos e apoios que os demais alunos não necessitam”. Essa 
recomendação é reforçada na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva (BRASIL, 2014). 
10 
 
 
 
Internacionalmente, o provimento de apoios destacou−se no Sistema 1992, da 
Associação Americana de Retardo Mental − AAMR, atual AADID, sendo o conceito 
expandido significativamente no Sistema 2010. Esse avanço resultou do impacto que os 
sistemas de apoio vêm exercendo na atenção às pessoas com DI, principalmente no 
diagnóstico, na avaliação da intensidade de apoios individuais recomendados à pessoa, bem 
como nas estratégias e serviços que promovem seu funcionamento pessoal no curso da vida. 
Por apoio, entende−se “o conjunto de recursos e estratégias − incluindo indivíduos, 
agências, tecnologias assistivas, ambientes, fundos e ativos − que capacitam as pessoas com 
deficiências desenvolvimentais a viver na comunidade”14 (AAIDD, 2014). Podem ser 
propiciados por familiares, amigos, profissionais de diferentes áreas, agências e serviços de 
atendimento, dentre outros. O pressuposto básico é que os apoios individualizados, quando 
necessáriose disponibilizados de modo adequado e pelo tempo suficiente, são capazes de 
melhorar a vida funcional da uma pessoa com DI e contribuir para sua inclusão nos vários 
contextos e aspectos da vida. 
Para provimento de apoios, a AADID recomenda a avaliação de sua necessidade e a 
intensidade para a pessoa com DI, aplicando−se em diferentes áreas: proteção e segurança; 
educação e ensino; vida familiar e comunitária; emprego; saúde; comportamento adaptativo; 
vida social; desenvolvimento humano e autodefesa. Alguns exemplos especificam como, em 
que aspectos e com que metas os sistemas de apoio podem atuar: 
 
Desenvolvimento humano 
 
• Promover oportunidades para o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, emocional 
e social. 
• Ampliar a autoconfiança, a autoestima, a autonomia e a iniciativa. 
• Educação e ensino 
• Oportunizar a aprendizagem de habilidades e de competências interpessoais e de 
autodeterminação. 
• Promover a aprendizagem de estratégias para tomar decisões, resolver problemas. 
• Adotar metodologias e tecnologias eficientes para o ensino−aprendizagem 
curricular, nas diferentes áreas do conhecimento. 
 
Atividades de vida diária 
 
• Usar o toalete e realizar higiene pessoal. 
• Cuidar e utilizar apropriadamente o vestuário. 
• Preparar e cuidar dos alimentos. 
• Aprender os cuidados domésticos. 
• Usar aparelhos eletrodomésticos e equipamentos tecnológicos. 
• Ter lazer em casa. 
 
Atividades da vida comunitária 
 
• Usar transportes. 
• Participar de atividades de lazer e de recreação no grupo social. 
 
14 Site AADID: h1p://aaidd.org/sis/supports−and−sis#.U9ZJUfldU_w 
11 
 
 
 
• Fazer visitas a amigos e familiares. 
• Usar espaços públicos. 
• Fazer compras. 
• Interagir com membros da comunidade. 
 
Trabalho e emprego 
 
• Aprender e utilizar habilidades laborais. 
• Interagir com colegas de trabalho e chefes. 
• Realizar as tarefas laborais com rapidez e qualidade. 
• Seguir as normas adotadas no trabalho. 
• Ter acesso à assistência ou à intervenção, em crises. 
 
Saúde e segurança 
 
• Evitar risco e danos à saúde. 
• Ter acesso a serviços terapêuticos. 
• Usar adequadamente medicação prescrita. 
• Comunicar−se com cuidadores. 
• Acessar serviços emergenciais. 
• Alimentar−se adequadamente. 
• Manter a saúde. 
• Obter bem−estar psicológico. 
 
Comportamento 
 
• Desenvolver habilidades comportamentais assertivas. 
• Aprender e tomar decisões apropriadas. 
• Ter acesso a tratamentos de saúde. 
• Controlar a raiva e evitar as condutas impulsivas. 
• Ter acesso a tratamentos para abuso de substâncias, quando ocorrer. 
• Levar em conta decisões que correspondam ao interesse pessoal. 
 
Atividades sociais 
 
• Socializar−se na família e fora desse contexto. 
• Participar em atividades de lazer e de recreação. 
• Tomar decisões apropriadas. 
• Fazer e manter amigos. 
• Comunicar suas necessidades especiais. 
• Engajar−se em relacionamentos. 
• Oferecer e receber apoio. 
12 
 
 
 
Proteção e autodefesa 
 
• Defender−se e aos outros. 
• Manejar dinheiro e finanças pessoais. 
• Proteger−se de exploração. 
• Exercer direitos e responsabilidades legais. 
• Pertencer e participar de organizações de autodefesa e de apoio à pessoa com 
deficiência. 
• Obter serviços legais. 
 
Desde o Sistema 92 (AAMR, 1992), a Associação passou a classificar a intensidade dos 
apoios, levando em conta: condições pessoais, situações de vida, faixa etária da pessoa 
contemplada e duração dos apoios demandados. A classificação dos apoios foi assim 
estabelecida (AAMR, 2002): 
 
Apoio intermitente − demandado circunstancialmente pela pessoa. Ou seja, não diária e 
continuamente, mas oferecido de maneira episódica e momentânea, ocasional e 
periodicamente, por exemplo: 
• Em momentos de transição do desenvolvimento: infância, pré−adolescência, 
adolescência, 
• vida adulta, etc., conforme as demandas de cada fase. 
• Na aquisição e troca de emprego. 
• Em situações exigidas para superar episódios de crises recorrentes. 
 
Apoio limitado - requerido por tempo limitado, visando ao cumprimento de uma meta, de 
um aprendizado ou da solução de problema, envolvendo a pessoa com DI. Caracteriza−se, 
portanto, pela delimitação da temporalidade. Exemplos: 
• Orientação para aprender a reconhecer dinheiro. 
• Apoio para lidar com orçamento ou aplicação do salário. 
• Definição de papéis para participar de atividades domésticas. 
• Treinamento para exercer determinada função no emprego. 
 
Apoio continuo (extensivo) − caracterizado pela regularidade, ou seja, aplicado diária, 
semanal, mensal, anual, etc., em um ou mais ambientes (trabalho, escola, lar e outros). Não é 
limitado no tempo, podendo estender−se a longo prazo. Pode ser necessário em uma área, 
mas não se aplica, necessariamente, a todas as áreas da vida da pessoa. Exemplos: 
• Atendimento itinerante, domiciliar e em sala de recurso, durante a escolarização. 
• Acompanhamento terapêutico. 
 
Apoio pervasivo − apoio constante, aplicado em todos os ambientes e áreas, podendo incluir 
medidas de manutenção da própria vida. A pessoa que necessita desse apoio demandará 
assistência ampla, em aspectos básicos do cotidiano, em diversos ambientes. Caracteriza−se 
pela constância e alta intensidade. Envolve, tipicamente, mais recursos humanos, sendo mais 
invasivo do que os apoios extensivos ou limitados. Exemplos: 
 
• Atendimento do tipo home care. 
• Intervenção 
13 
 
 
 
• Apoio de cuidadores que se sucedem, de modo a garantir supervisão constante, em 
todas as atividades de vida diária. 
 
A adequada avaliação da intensidade dos apoios é relevante para o seu planejamento, 
realizando−se de acordo com quatro passos: 
 
• Identificação de áreas relevantes para seu provimento. 
• Identificação das atividades que requerem apoios relevantes para cada área. 
• Avaliação do nível ou intensidade dos apoios necessários. 
• Registro do plano individualizado de apoio. 
 
O modelo de apoio apresentado pela AADID (2010), para a pessoa com DI, na Fig. 2 
apresentada a seguir, é consistente com a abordagem socioecológica, segundo a qual o 
crescimento, o desenvolvimento e o ajustamento da pessoa dependem dos fatores que lhe são 
relacionados, em contextos específicos, implicando a inter−relação entre as condições 
pessoais e os ambientes em que atua. 
Fig. 2. Modelo de apoios. Fonte: AADID (2010, p. 112). 
 
A Fig. 2 demonstra como os apoios atuam no funcionamento da pessoa, em relação a 
aspectos como: independência; estabelecimento de relacionamentos; comportamento 
cooperativo; participação escolar e comunitária e qualidade de vida em geral. Nessa 
perspectiva os apoios: 
• São recursos e estratégias aplicados de acordo com as demandas individuais. 
• Capacitam a pessoa a ter acesso a recursos, a informações e a relacionamentos, em 
ambientes integrados e inclusivos. 
• Resultam em participação crescente e em melhoria no desenvolvimento pessoal. 
• Podem ser avaliados, a partir dos resultados de sua utilização. 
14 
 
 
 
A abordagem socioecológica de deficiência adotada pela AADID (2010) defende o 
seguinte paradigma de apoio, convergente tanto com o modelo conceitual do 
funcionamento humano (Fig. 1) como com o modelo de apoios representado na Fig. 2: 
A diferença mais relevante observada entre as pessoas com deficiência intelectual e 
deficiências do desenvolvimento, associadas em relação às demais pessoas da população 
geral, é a natureza e a extensãoƒintensidade dos apoios que elas necessitam, para 
participar plenamente da vida comunitária. AADID (2010, p. 110). 
Esse paradigma evidencia a centralidade dos apoios, para compreender o próprio 
conceito de DI. Considera como os apoios podem impactar positivamente o 
funcionamento da pessoa no seu meio fisico e social, contribuindo para superar ou 
minimizar o modo como suas limitações intelectuais e de comportamento adaptativo se 
expressamno cotidiano. Essa ideia de funcionamento está presente na CIF (OPAS; OMS, 
2003), que passamos a considerar na seção seguinte. 
 
Unidade 4: A Deficiência Intelectual segundo a CIF 
A CIF é uma classificação da saúde e dos aspectos relacionados à saúde (OPAS; 
OMS, 2003). Foi publicada em 2001, contando, para sua elaboração, com a participação 
de movimentos sociais de e para pessoas com deficiência. Esse documento representou 
um avanço na área, porque relativizou a natureza exclusivamente organicista desse 
conceito, por parte da OMS. Ou seja, a deficiência deixou de ser entendida como 
consequência de doença, para integrar o domínio mais amplo da saúde, uma categoria que 
envolve o corpo, o indivíduo e a sociedade (DINIZ, 2007). A integração dos vários 
componentes da CIF encontra−se ilustrada na Fig. 3. 
 
Fig. 3. Interações entre os componentes da CIF. 
Fonte: Organização Panamericana da Saúde − OPAS e Organização Mundial da Saúde − OMS (2003, p. 
30). 
 
O modelo da CIF evoluiu em relação ao modo como a OMS relacionava funcionalidade e 
incapacidade na versão anterior da Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e 
Limitações − ICIDH de 1980, passando a adotar um modelo multidimensional e interativo desses 
processos. A versão atual permite a classificação da funcionalidade ou incapacidade de modo 
15 
 
 
 
interativo, envolvendo diferentes fatores. Os componentes da CIF (OPAS; OMS, 2003, p. 
21) contidos na Fig. 3 são definidos a seguir. 
 
Componentes da Funcionalidade e Incapacidade: 
• Funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas do corpo (inclusive 
funções psicológicas). 
• Estruturas do corpo são as partes anatômicas do corpo como órgãos, membros e 
seus componentes. 
• Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo. 
• Participação é o envolvimento em situações de vida diária. 
 
Componentes dos fatores contextuais: 
• Fatores ambientais compõem o ambiente físico, social e de atitude, no qual as 
pessoas vivem e conduzem sua vida. 
• Fatores pessoais são o histórico particular da vida e do estilo de vida de um indivíduo 
e englobam as características do indivíduo, que não são parte de uma condição de 
saúde ou de estados da saúde [...] podendo incluir sexo, raça, idade, outros estados de 
saúde, condição física, estilo de vida, hábitos, criação, estilos de enfrentamento, 
antecedentes sociais, nível de instrução, profissão, experiência prévia e atual (eventos 
prévios e atuais da vida), padrão geral de comportamento e caráter, ativos 
psicológicos pessoais [...]. 
 
Os quatro componentes: funções do corpo, estruturas do corpo, atividade e participação 
fazem parte das categorias funcionalidade e incapacidade. Isso significa que a pessoa pode 
ter integridade funcional e/ou estrutural, atuando e participando plenamente nos seus espaços 
de convívio. Verifica−se, nesse caso, uma situação de funcionalidade. Por outro lado, o 
oposto também pode acontecer e ela apresentar deficiências, um conceito que envolve as 
funções e estruturas do corpo, bem como limitações da atividade e/ou restrição na 
participação, caracterizando, nesse caso, uma situação de incapacidade. 
Por sua vez, os dois componentes: fatores ambientais e fatores pessoais integram a 
categoria dos fatores contextuais. Os fatores ambientais podem ser facilitadores em relação 
ao mundo físico, social e atitudinal circundante, exercendo um impacto positivo sobre a 
funcionalidade da pessoa. Por outro lado, podem ser limitadores dessas mesmas 
características, constituindo barreiras e obstáculos para a funcionalidade da pessoa, tendo 
como resultado sua incapacidade. 
Os fatores pessoais representam influências internas e, como tais, têm impacto sobre a 
funcionalidade ou a incapacidade da pessoa, em decorrência de seus atributos individuais. 
Essas considerações demonstram que a funcionalidade de alguém ou sua incapacidade 
resultam da interação / relação entre os estados ou condições de saúde e fatores contextuais 
implicados. 
Pode−se observar que as deficiências não aparecem no diagrama da Fig. 3, uma vez que 
não se trata de um componente, mas de uma condição da pessoa, relacionada às funções e às 
estruturas do corpo, como conceitua a CIF (OPAS; OMS, 2003, p. 21): “deficiências são 
problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, com um desvio significativo ou uma 
perda.” Considerando que as funções mentais ou psicológicas são incluídas nas funções do 
corpo, a DI caracteriza−se como uma deficiência nesse componente. 
A deficiência, na concepção da CIF (idem, ibidem) é um conceito de base orgânica e 
representa manifestações de patologias, que podem ser avaliadas nas funções física e 
16 
 
 
 
mental, podendo ser graduadas em termos de severidade, obedecendo aos qualificadores 
da CIF. No entanto, as deficiências assim consideradas, 
 
não indicam necessariamente a presença de uma doença ou que o indivíduo deva 
ser considerado doente [...] Por exemplo, a perda de uma perna é uma deficiência 
de uma estrutura do corpo, mas não um distúrbio ou doença.” (OPAS; OMS, 
2003, p. 24). 
O conceito de deficiência intelectual remete ao de incapacidade na CIF (OPAS; 
OMS, 2003), relacionando− se às funções mentais. Melhor especificando, refere−se às 
funções intelectuais, identificadas pelo código b117, sendo assim definidas: 
Funções mentais gerais, necessárias para compreender e integrar de forma 
construtiva as diferentes funções mentais, incluindo todas as funções cognitivas 
e seu desenvolvimento ao longo da vida. [...] Inclui: funções de desenvolvimento 
intelectual, retardo intelectual, retardo mental, demência [...] Exclui: funções da 
memória, funções do pensamento, funções cognitivas superiores (OPAS; OMS, 
2003, p. 66). 
O conceito de deficiência na CIF, portanto, considera o que na Convenção sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência (BRASIL, 2010), corresponde ao termo 
“impedimentos”, conforme o Art. 1 da legislação que define: 
Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de 
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com 
diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade 
em igualdade de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2010, p. 91) 
As considerações conceituais anteriormente pontuadas não distanciam a CIF da 
AADID, no que concerne à natureza multidimensional dos modelos adotados, nem na 
consideração do funcionamento individual como resultado da interação pessoa x 
ambiente, paradigma também enfatizado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência. Os conceitos de barreiras e de participação também integram o quadro 
conceitual dessas referências. 
Enfim, a CIF refere−se às pessoas com deficiência como pessoas com 
incapacidades, lembrando que “incapacidade é um termo que abrange deficiências, 
limitações de atividades ou restrição na participação.” (OPAS; OMS, 2003, p. 13). 
Portanto, trata−se de uma categoria mais abrangente. Inclui os aspectos mais destacados 
do modelo conceitual de funcionamento humano da AADID (Fig. 1) e os elementos do 
conceito de pessoas com deficiência da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência (BRASIL, 2010). 
Desse modo, observa−se uma evidente aproximação entre as propostas 
envolvendo entidades e documentos citados neste texto, o que representa consenso em 
aspectos significativos, que implicam áreas de conhecimento e de atuação como: 
pesquisa; prevenção e promoção da saúde; educação; assistência social, jurídica e outras, 
passíveis de causar impacto nos direitos humanos e na formulação de políticas públicas 
de atenção às pessoas com deficiência. Assim considerando, são também fontes de 
conhecimentos no campo da deficiência intelectual, justificando a inclusão desses 
estudos, reflexões e propostas, em atividades formativas de profissionais que nele atuam. 
17 
 
 
 
ConclusãoA deficiência intelectual é um fenômeno complexo e explicado por diferentes 
vertentes teóricas. Diversas concepções atuais convergem para sua compreensão, dentro 
de uma perspectiva ecológica, multidimensional e funcional. As vantagens dessas 
concepções é de propor sistemas que respondem às demandas da sociedade, quanto à 
orientação das práticas sociais voltadas ao diagnóstico e ao atendimento das pessoas com 
deficiência intelectual e fomentam ações e propósitos essenciais como : provimento de 
sistemas de apoio; prevenção e atenção à saúde; educação; assistência social; trabalho; 
pesquisa; captação de recursos; planejamento de serviços; formulação de políticas 
pública; apoio institucional e outras iniciativas capazes de favorecer a inclusão social e 
comunitária dessa população específica e de propiciar apoio às suas famílias. 
 
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