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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3 2 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL .................................................................... 4 2.1 Causas da deficiência intelectual ......................................................... 7 2.2 Sinais indicativos de deficiência intelectual ........................................ 10 2.3 Indicadores da deficiência intelectual ................................................. 12 2.4 Deficiências Múltiplas ......................................................................... 12 3 OS PRINCIPAIS TIPOS DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ..................... 13 3.1 Algumas definições da AADID sobre a deficiência intelectual ............ 18 3.2 Comportamento adaptativo e necessidade de apoio ......................... 23 3.3 Diretrizes da política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva ................................................................................................ 43 3.4 O atendimento educacional especializado: operacionalização da educação especial na escola regular ..................................................................... 46 4 O DESENVOLVIMENTO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 51 4.1 Alfabetização e letramento dos alunos com deficiência intelectual .... 53 4.2 As salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades 54 4.3 Composição das salas de recursos multifuncionais ........................... 59 4.4 A relação professor-aluno como um indicativo social para a construção de uma sala de aula inclusiva ................................................................................ 61 4.5 Educação inclusiva: professor, escola e família ................................. 63 4.6 As práticas educativas como indicadoras de pertenças sociais ......... 65 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 69 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno, O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL O paradigma relacionado às pessoas com deficiência intelectual tem sido continuamente reconsiderado, resultando em revisões da definição, avaliação e diagnóstico desse grupo (ALMEIDA, 2004; THOMPSON 2009). Almeida (2004) explana que, inicialmente, aqueles que não se conformavam com os critérios de inteligência e desempenho acadêmico da época eram categorizados como tendo essa condição. A definição inicial da condição foi estabelecida em 1908, descrevendo-a como um estado de ‘defeito mental’ que surgia desde o nascimento ou na infância inicial, resultando na incapacidade da pessoa em executar tarefas e integrar-se adequadamente na sociedade (TREGOLD, 1908). Após alguns anos, o autor Tregold (1937) revisou sua definição anterior, descrevendo a deficiência intelectual, como um estado de desenvolvimento inadequado que resultava na incapacidade da pessoa de se ajustar ao ambiente sem a necessidade de supervisão, controle e apoio externo. Em 1941, uma nova definição foi proposta por Doll (1941), que descreveu a deficiência intelectual como um estado de inaptidão social, que poderia ser de origem hereditária ou adquirida, e que era considerado incurável e irreversível. Como ressaltado por Almeida (2004), todas essas definições enfatizavam a ideia da incurabilidade e da condição permanente da deficiência. Naquela época, já havia sido desenvolvida a Escala Binet-Simon, que tinha como propósito avaliar o quociente de inteligência (QI) das pessoas. Essa medida era aplicada por profissionais de psicologia e categorizava os indivíduos como ‘normais’ ou ‘anormais’ com base nos resultados obtidos. Isso destacava ainda mais a ênfase na ideia da incurabilidade e da natureza permanente da deficiência (ALMEIDA, 2004). De acordo com as observações feitas por Carneiro (2007) e Pessotti (1984), o propósito original do teste Binet-Simon, era estritamente pedagógico. Seu objetivo era fornecer uma medida que indicasse o nível de desempenho educacional de um indivíduo em relação à sua faixa etária, avaliando o grau de realização de uma função específica, em vez de medir seu potencial. 5 Assim sendo, a Escala Binet-Simon originalmente não tinha a intenção de aplicar rótulos ou limitações por meio de avaliações psicométricas. No entanto, ao longo do tempo, passou a ser amplamente empregada para classificar estudantes com base em suas habilidades de aprendizado, dividindo as pessoas em categorias de ‘aprendizes’ e ‘não aprendizes’. Esse uso gerou a falsa percepção de que as pessoas com deficiência intelectual eram ineficazes, desacreditadas e improdutivas (DIAS, 2004; GOULART, 2015). Em 1959, o presidente da época da American Association on Mental Deficiency (AAMD), Heber, argumentou contra a utilização exclusiva do QI como critério de diagnóstico para deficiência intelectual. Ele observou que o QI nem sempre refletia adequadamente o nível geral de adaptação de um indivíduo à sociedade (Heber, 1959). Como resultado dessa consideração, Heber (1961) definiu a deficiência intelectual como um estado de funcionamento intelectual geral abaixo da média, que se manifesta durante o período de desenvolvimento e está associado a dificuldades no comportamento adaptativo. Essa definição representou um marco na história da deficiência intelectual, pois a desvinculou do conceito anterior de incurabilidade. A partir desse ponto, ocorreram diversas discussões sobre a definição da deficiência intelectual ao longo dos anos, com revisões das próprias definições anteriores, com o objetivo de alcançar maior confiabilidade e alinhamento entre teoria e prática (ALMEIDA, 2004). Em 1992, a American Association on Mental Retardation (AAMR), anteriormente conhecida como AAMD, estabeleceu uma nova definição para o diagnóstico de ‘retardo mental’ termo empregado na época. Essa definição considerava três dimensões: a capacidade da pessoa, o ambiente em que ela vivia e sua necessidade de apoio (LUCKASSON et al., 1992). Esta nova definição representou mudanças significativas, como a mudança do foco da deficiência para a ênfase nas necessidades de suporte, eliminando a categorização da gravidade com base no QI. Além disso, essa abordagem substituiu o modelo de déficit pelo modelo de suporte (ALMEIDA, 2004). Desde 2002 e até os dias atuais, a American Association on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD), anteriormente conhecida como AAMR, formulou uma definição para a deficiência intelectual. Segundo essa definição, a deficiência intelectual é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual, 6 que se manifestam antes dos 22 anos. Isso envolve a capacidade mental geral, abrangendo habilidades como aprendizado, raciocínio e resolução de problemas. Além disso, também inclui limitaçõesno comportamento adaptativo, que engloba habilidades conceituais, sociais e práticas. Essas habilidades adaptativas são aquelas necessárias para a realização de atividades da vida diária estabelecidas pela sociedade, que requerem aprendizado para que cada indivíduo possa executá-las de forma autônoma (AAIDD, 2021). Para o diagnóstico da deficiência intelectual, é necessário levar em consideração as limitações no funcionamento do indivíduo em contextos que sejam típicos para pessoas da mesma faixa etária e, especialmente, da mesma cultura. Além disso, é importante considerar fatores adicionais, como a diversidade linguística do ambiente em que a pessoa está inserida, bem como, avaliar os pontos fortes do indivíduo nos quais o nível de funcionamento na vida cotidiana pode ser aprimorado por meio de apoio personalizado. Esses princípios estão de acordo com as diretrizes da American Association on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD, 2021). Nessa definição, também se determina o grau de severidade da deficiência intelectual com base no funcionamento adaptativo da pessoa. Isso significa avaliar a capacidade da pessoa em atingir os padrões de comportamento esperados em sua comunidade, levando em conta sua autonomia pessoal e responsabilidade social em relação a indivíduos da mesma faixa etária e cultura. Com base nessa avaliação, é possível determinar o nível de suporte necessário para o indivíduo, conforme descrito no DSM-V (2014). Dessa forma, é evidente que o diagnóstico da deficiência intelectual enfatiza a avaliação do comportamento adaptativo, que engloba habilidades conceituais, sociais e práticas. Isso é fundamental para determinar o nível de gravidade da condição e identificar a necessidade de apoio apropriado para a pessoa afetada, conforme orientações da AAIDD (2021) e do DSM-V (2014). Segundo Brites (2019), a deficiência intelectual (DI) se caracteriza pelo funcionamento cognitivo que se encontra significativamente abaixo do nível esperado para a idade correspondente, não representando, no entanto, uma barreira insuperável para o desenvolvimento satisfatório dessas crianças. Isso pode ser 7 alcançado por meio de intervenções educacionais, com apoio das salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Essa abordagem atual prioriza a avaliação das necessidades de suporte das pessoas em vez de se concentrar apenas em suas deficiências, o que tem implicações significativas tanto na elaboração de estratégias quanto na melhoria do desempenho nas atividades da vida cotidiana. 2.1 Causas da deficiência intelectual As causas subjacentes à Deficiência Intelectual foram um tema de especulação e incerteza por várias décadas devido à falta de estudos detalhados e pesquisas abrangentes sobre a condição. Isso resultou em especulações não substanciadas e diversas teorias sem uma base sólida. Atualmente, compreendemos que várias causas podem contribuir para a Deficiência Intelectual, e não há uma única explicação definitiva. Entre essas causas, incluem-se danos genéticos, fatores que afetam o desenvolvimento no útero, lesões ocorridas no parto ou logo após o nascimento, acidentes, doenças e fatores sociais, entre outros. Essas causas podem resultar em indivíduos que enfrentam desafios devido à presença da Deficiência Intelectual e devem aprender a conviver com as limitações associadas a ela. A Deficiência Intelectual, pode se manifestar nos primeiros anos de vida das crianças, mas a aplicação de testes de QI nesse estágio inicial não é viável, uma vez que o QI não pode ser considerado como o único fator determinante. Além disso, a idade das crianças não permite uma avaliação precisa por meio desses testes, especialmente antes dos cinco anos de idade. Portanto, em casos de crianças que não alcançaram os marcos de desenvolvimento esperados para sua faixa etária, a condição pode ser descrita como atraso no desenvolvimento. Esse atraso pode ser causado por dificuldades tanto na adaptação social quanto no aprendizado das crianças. É importante observar que o diagnóstico da Deficiência Intelectual é frequentemente associado a possíveis atrasos no desenvolvimento da linguagem. Portanto, é fundamental que os profissionais de atenção básica que lidam com essas crianças estejam atentos a essas características, bem como a outros sinais, como 8 déficit auditivo, atraso na fala e problemas na interação social. Esses aspectos devem ser cuidadosamente investigados para determinar se estão relacionados à Deficiência Intelectual (BRASÍLIA, 2018). Conforme o manual de Genética Médica para não especialistas, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina, é importante reconhecer os sinais e sintomas associados à Deficiência Intelectual: A prevalência global de DI varia de 1% a 3%, ficando em torno de 1% nos países com renda alta, e de 2 a 3% nos de renda baixa e média, onde se concentra a maior parte da população infantil mundial e onde fatores deletérios do ambiente devem contribuir para aumentar o risco de ocorrência. Um total de 85% dos casos corresponde a DI leve, 10% a DI moderada, 4% a DI grave e 2% a DI profunda. Na maioria dos registros há um predomínio do sexo masculino, com razão de sexo de 1, 5:1. No Brasil, conforme dados do censo demográfico de 2010, há pelo menos 2,6 milhões (1,4%) de pessoas com DI, sendo estimado que 800 mil têm DI de causa genética (BRASÍLIA, 2018, p.17). O manual apresenta algumas das características relacionadas à prevalência da Deficiência Intelectual, demonstrando que em países com baixo índice de desenvolvimento, a incidência de pessoas afetadas pela DI é significativamente maior em comparação com países de renda elevada. Além disso, destaca que a maioria das pessoas com DI se encontra no grau leve, e ressalta que a causa genética é a principal responsável pela incidência da DI no Brasil. A etiologia da Deficiência Intelectual requer atenção e cuidado no processo de investigação. Inicialmente, essa avaliação é geralmente realizada na atenção básica por profissionais como pediatras, clínicos gerais e médicos das equipes de saúde da família. Nessa etapa, são conduzidas anamneses e exames físicos de rotina, considerando a avaliação abrangente do indivíduo. Além disso, busca-se a realização de exames dismorfológicos, que envolvem uma avaliação minuciosa em busca de sinais que possam indicar a presença de uma síndrome genética. A suspeita de Deficiência Intelectual geralmente surge com base na identificação de diversos sinais, como atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, hipotonia, atraso na fala, déficit cognitivo e distúrbios de comportamento. Esses indicadores servem como alertas que direcionam os cuidadores e profissionais a procurar métodos para abordar as deficiências em áreas específicas. O diagnóstico é mais comum nos primeiros anos de vida, durante a idade escolar, quando as dificuldades de aprendizagem se tornam mais evidentes. 9 As manifestações mais comuns, conforme a faixa etária, encontram-se na tabela abaixo 1: Tabela 1. Manifestações mais comuns de atraso do desenvolvimento/DI conforme a faixa etária - Manual de Genética médica para não especialistas: o reconhecimento de sinais e sintomas, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina, Brasília (2018). Fonte: https://shre.ink/nLw6 As crianças que nascem com síndromes genéticas carregam implicitamente a possibilidade de desenvolver Deficiência Intelectual, a qual pode manifestar-se à medida que essas crianças progridem em seu desenvolvimento. Isso se reflete tanto nos aspectos cognitivos quanto nas interações sociais, tornando a presença da deficiência mais facilmente identificável. Portanto, é essencial iniciar imediatamente a busca por estratégias de inclusão e apoio que permitam um desenvolvimento mais significativo e reduzam progressivamente as dificuldades associadasà Deficiência Intelectual. O sucesso no diagnóstico da Deficiência Intelectual, depende da minuciosa observação do desenvolvimento dos indivíduos, permitindo encaminhá-los para os serviços apropriados visando tratamento. Progressivamente, esse processo também https://shre.ink/nLw6 10 visa promover a inclusão dessas pessoas na sociedade, incluindo o contexto educacional. A Deficiência Intelectual é categorizada em quatro níveis - leve, moderada, severa e profunda - com base no funcionamento intelectual de cada indivíduo. De acordo com a American Psychiatry Association - APA (2014), o nível de apoio necessário é determinado pelo funcionamento adaptativo, e essa abordagem enfatiza a importância do suporte para melhorar a condição, não a considerando como uma deficiência estática. Apoio intermitente o apoio é oferecido conforme as necessidades do indivíduo. É caracterizado de natureza episódica, pois a pessoa nem sempre necessita de apoio. O apoio geralmente se faz necessário por períodos curtos durante transições ao longo da vida, como, por exemplo, perda do emprego ou uma crise médica aguda. O apoio intermitente pode ser de alta ou baixa intensidade. Apoio limitado a intensidade de apoio é caracterizada por consistência ao longo do tempo. O tempo é limitado, mas não de natureza intermitente, podendo exigir poucos membros do staff e de custo menor, se comparado com outros níveis de apoio mais intensivos. São exemplos desse tipo de apoio o treinamento para o emprego no mercado competitivo por um tempo limitado ou o apoio na transição da vida escolar para a vida adulta. Apoio amplo o apoio amplo é caracterizado pelo apoio regular (por exemplo, apoio diário) em pelo menos alguns ambientes (por exemplo, no trabalho, na escola) e não por tempo limitado (por exemplo, apoio permanente nas atividades de vida diária). Apoio permanente, apoio caracterizado pela constância e alta intensidade. É oferecido nos ambientes onde a pessoa vive e é de natureza vital para sustentação da vida do indivíduo. O apoio permanente tipicamente envolve mais membros do staff e é mais intensivo que o apoio por tempo limitado ou apoio amplo em ambientes específicos (ALMEIDA, 2012, p. 58). É crucial não depender apenas de instrumentos padronizados para avaliar os comportamentos adaptativos e determinar os níveis de apoio necessários durante o desenvolvimento. Os testes de QI não são suficientes para identificar todas as limitações relacionadas ao comportamento. Em vez disso, é essencial considerar diversos tipos de suporte, uma vez que os indivíduos estão inseridos em ambientes variados, todos requerendo adaptações para promover a inclusão eficaz. 2.2 Sinais indicativos de deficiência intelectual Conforme explicado no site Instituto Neuro Saber (2017), alguns dos sinais indicativos de deficiência intelectual são: ➢ Falta de interesse pelas atividades dadas em sala de aula; ➢ Pouca interação com os colegas e com a professora; 11 ➢ Dificuldade em coordenação motora (grossa e fina); ➢ Dificuldade para identificar letras, desenvolver a fala de maneira satisfatória (a comunicação é uma das faculdades afetadas); ➢ Dificuldade em se adaptar aos mais variados ambientes; ➢ Quando a criança perde ou esquece o que já havia aprendido (e demonstrado habilidade). De acordo com a pesquisa de Ferreira (2014), elucida que, em 1959 identificou- se que a Deficiência Intelectual (DI) envolvia alterações no processo de maturação, aprendizagem e ajuste social ocasionando um déficit intelectual e danos no comportamento adaptativo das pessoas. Assim, o quadro da DI é essencialmente marcado por um nível intelectual geral comprometido, ocasionado por um restrito raciocínio lógico, uma reduzida capacidade de planejamento, com soluções de problemas deficitários, com dificuldades para o pensamento abstrato, uma memória comprometida e por dificuldade nas interações sociais. Devido a esses fatores, as pessoas com DI podem apresentar dificuldades em entender, aprender, e realizar atividades consideradas comuns por outras pessoas. Além disso, pode haver dificuldades de estabelecer a comunicação que decorre da não estruturação das representações simbólicas. Pode ocorrer, ainda, atenção limitada, dificuldade na aquisição da fala e baixa criatividade em decorrência das defasagens nas ações intelectuais. Entende-se, também, que nas crianças com DI, as habilidades sociais são deficitárias, e esse indicador acaba sinalizando a existência de problemas comportamentais, déficits de habilidades pró-sociais e agressão que pode desencadear um relacionamento empobrecido com seus pares, entre outros. Nesse sentido, compreende-se que a existência de dificuldades específicas, que causam um impacto no funcionamento social, como por exemplo, a dificuldade em interpretar adequadamente as situações sociais, incluindo compreender os sinais sociais verbais e não verbais. Além disso, tem sido sugerido que as crianças com DI podem apresentar níveis mais baixos de interações sociais durante o jogo com os seus pares e consequentemente mais isoladas durante o jogo, o que proporciona dificuldades no relacionamento com seus pares (FERREIRA, 2014). 12 2.3 Indicadores da deficiência intelectual A deficiência intelectual está definida como um prejuízo na funcionalidade caracterizada por importantes limitações, tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo (conceitual, social, prático) (GONÇALVES; MACHADO, 2012; ALMEIDA, 2012). Para compreender os fundamentos que orientam os profissionais da área da saúde na identificação de critérios para o diagnóstico de deficiência intelectual, buscou-se orientações no DSM (Manual diagnóstico e estatístico), que, em sua 4ª edição, define o termo “deficiência intelectual” como “Retardo Mental”, ou seja, quando a pessoa tem funcionamento intelectual consideravelmente inferior à média, associado a limitações no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das áreas de habilidades: comunicação, autocuidado, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, autossuficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (DSM-IV, 2014). No DSM-V (2014), o termo ‘Retardo Mental’ foi substituído por ‘Deficiência Intelectual’ e se enquadrou dentro dos ‘Transtornos do Neurodesenvolvimento’, apresentando como uma de suas características o déficit no desenvolvimento. Essa característica provoca prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional, manifestando-se antes da idade escolar. A literatura nacional e internacional indica que não existe uma concordância em relação ao conceito da DM, o que implica na dificuldade de sua compreensão, definição e nas próprias características da deficiência (TEIXEIRA; NAGLIATE, 2009). Contudo, pode-se dizer que DM “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2006, p. 47). 2.4 Deficiências Múltiplas Para os autores Oliveira e Rocha (2009), uma pessoa é considerada com deficiência múltipla quando ela tem mais de uma deficiência simultaneamente. Isso pode acontecer, por exemplo, com uma pessoa que tem paralisia cerebral e, além dos déficits físico-motores, desenvolve dificuldades na produção da linguagem. No 13 entanto, a surdocegueira é classificada de forma diferente, pois se trata de uma única deficiência que envolve a perda simultânea da visão e audição, e não pode ser considerada apenas como a soma das deficiências visual e auditiva A Associação Gaúcha de Pais e Amigos de Surdocegos e Multideficientes (Agapasm) conforme Sassaki (2007) define a surdocegueira da seguinte forma: A surdocegueira é uma deficiência única que apresentaa perda da audição e da visão de maneira que a combinação dos defeitos não permita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa dificuldade extrema na consecução dos objetivos educacionais, profissionais, recreacionais e sociais para o acesso à informação e a compreensão do mundo que rodeia a pessoa”. E o próprio nome da instituição distingue os “surdocegos” dos “multideficientes (SASSAKI, 2007, P.04). Os professores precisam entender o assunto; e ter o conhecimento sobre deficiências múltiplas e surdocegueira, para poderem considerar a maneira correta de proceder, em relação ao trabalho a ser desenvolvido com essas pessoas. Isso é primordial, para que os professores entendam as limitações e habilidades das pessoas com múltiplas deficiências e desenvolvam métodos apropriados de ensino e comunicação. O planejamento deve ser feito caso a caso, dependendo do tipo e extensão do envolvimento (SASSAKI, 2007). Como você viu, as deficiências são um conjunto de uma repercussão imediata da doença sobre o corpo, impondo uma alteração estrutural ou funcional ao nível tecidual, ou orgânico. Assim, torna-se uma incapacidade de uma redução ou falta de capacidade de realizar uma atividade num padrão considerado normal, para o ser humano, em decorrência de uma deficiência. Contudo, você conseguiu compreender também sobre o termo correto a ser mencionado, quando se refere a uma pessoa com deficiência, portanto, usa-se PcD, pessoa com deficiência. Agora, que você pôde compreender sobre as deficiências, vamos abordar sobre as salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades. 3 OS PRINCIPAIS TIPOS DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Os principais tipos de Deficiência Intelectual (DI) causada por fatores genéticos são as síndromes de Down, do X frágil, de Prader-Willi, de Angelman e de Williams. As causas dessas limitações na inteligência são variadas e, em muitas situações, desconhecidas. 14 ➢ Síndrome de Down: A síndrome de Down (SD) é uma doença crônica que apresenta muitos desafios não só para a criança acometida, mas para toda a família. É uma anormalidade cromossômica, a trissomia do cromossomo 21, ocorre a uma frequência de 1:750 nascidos vivos, sendo a idade materna avançada o principal fator de risco 35 anos (CAPONE, 2004; PUESCHEL, 1999). Dessa forma, entende-se que a síndrome de Down, também conhecida como SD, é uma condição genética caracterizada por anomalias que ocorrem durante o desenvolvimento do feto no útero materno. Essa condição é considerada a mais comum entre as anomalias genéticas. De acordo com Kirk e Gallagher (1996, p. 130), a síndrome de Down ocorre em cerca de 1 a 2 nascimentos a cada 1000. É causada por uma cópia extra do cromossomo 21, conhecido como trissomia do 21, e não por um acidente O diagnóstico clínico pode ser feito com base nas características físicas (fenótipo) das crianças nas primeiras horas de vida e posteriormente confirmado pela análise citogenética do cariótipo de acordo com a metáfase. As pessoas com SD podem apresentar: hipotonia, baixa estatura, hipermobilidade das articulações, mãos pequenas e largas com linhas de palma únicas, face larga e plana, olhos bem separados, nariz pequeno com assoalho nasal plano, baixa implantação das orelhas, língua para fora língua boca, palato alto, doença cardíaca congênita, hipoplasia genital, excesso de pele na nuca, cabelos lisos e ralos (PUESCHEL, 1999; SCHWARTZMAN, 1999). No entanto, nem todas as pessoas que possuem essa síndrome apresentam esse fenótipo. A deficiência intelectual é o único aspecto presente em todos os casos, de acordo com Antonarakis et al. (2004). A identificação das pessoas afetadas desde o nascimento possibilita intervenção precoce, envolvendo também os familiares. Além das manifestações mencionadas, indivíduos com síndrome de Down também apresentam desenvolvimento de linguagem prejudicado, sendo este mais lento. É nessa área que as crianças afetadas apresentam um atraso maior, de acordo com Antonarakis et al. (2004). Conforme esse breve conceito de síndrome de Down, mencionado acima, no próximo tópico vamos falar da relação desta síndrome com a educação especial, pois, 15 sabemos que a inclusão de crianças com síndrome de Down no ambiente escolar é muito importante, porque, é uma lei que garante o direito de todas as pessoas, sem diferenciação de cor, etnia, religião ou qualquer tipo de necessidade especial. As escolas devem fornecer para crianças com síndrome de Down, um lugar onde as diferenças devem ser notadas e respeitadas por todos, independentemente de serem ou não, portadoras da Síndrome de Down, ou não. ➢ Prader-Willi: Síndrome de Prader-Willi: doença hereditária rara que influencia no desenvolvimento do cérebro. No período neonatal e na primeira infância, as alterações mais prevalentes são: hipotonia, que melhora habitualmente entre os 8 e os 11 meses, dificuldade de sucção, dismorfia craniofacial, mãos e pés pequenos, hipogenitalismo, atraso de desenvolvimento psicomotor, que se apresenta muitas vezes depois dos dois anos, assim como alterações psicológicas (BEXIGA, 2010). É uma condição genética rara que afeta diversos sistemas do corpo, incluindo o sistema endócrino e neurológico. Caracteriza-se por hipotonia (fraqueza muscular) ao nascimento, dificuldade na alimentação, atraso no desenvolvimento motor e cognitivo e uma alta probabilidade de desenvolvimento de obesidade na tenra idade. Além disso, a síndrome está associada a características particulares e distúrbios de comportamento, como obsessão por comida e comportamento impulsivo. É causado por uma anomalia genética no cromossomo 15, que resulta em uma falha na expressão de genes paternos na região afetada. O tratamento geralmente envolve gerenciamento da alimentação, acompanhamento médico e apoio à saúde mental e emocional para lidar com os desafios comportamentais associados à síndrome. ➢ Angelman: A síndrome de Angelman, também conhecida como “síndrome da boneca feliz”, é causada por uma anomalia em um gene transmitido pela mãe. A maioria dos casos dessa síndrome ocorre quando uma parte do cromossomo 15 materno é apagada. 16 Trata-se de uma perturbação neurológica que proporciona atraso mental, alterações do comportamento e algumas características físicas distintivas. Afeta o desenvolvimento físico e mental, que é gravemente atrasado, e a fala é ausente. Normalmente, as pessoas que apresentam síndrome de Angelman têm como problema mais grave acometimentos epilépticos, perturbação do sono, do movimento e problemas na marcha, com pernas rígidas, braços levantados e joelhos e cotovelos fletidos, hipotonia do tronco e ataxia, podendo perder a sua capacidade de andar, e motricidade grossa e fina atrasada (MATOS, 2013). Características clínicas: as pessoas com síndrome de Angelman geralmente apresentam características clínicas específicas, incluindo: - Atraso no desenvolvimento: A maioria das crianças com Angelman não começa a andar ou falar até mais tarde do que o esperado. - Movimentos motores descoordenados: Movimentos corporais desajeitados e instáveis são comuns. - Sorriso frequente e risada: Um sorriso frequente e um riso contagioso são características marcantes. - Dificuldades de comunicação: A comunicação verbal é geralmente limitada, e a comunicação não verbal, como expressões faciais e gestos, é mais comum. - Hiperatividade e distúrbios do sono: Muitas pessoas com Angelman apresentam hiperatividade e distúrbios do sono. - Epilepsia: Convulsões epilépticas são comuns e podem começar na infância. A pesquisa sobre a síndrome de Angelman continua avançando, e os cientistas estão explorando terapias potenciais que visam corresponder à expressão do gene UBE3A. Esses avanços podem abrir portas para tratamentos mais eficazes no futuro.➢ A síndrome de Williams: A síndrome de Willimans é considerada uma doença rara que traz como características as constrições e alterações vasculares, especialmente próximas ao coração, bem como características faciais peculiares, como fronte alargada, depressão temporal, hipoplasia malar — desenvolvimento defeituoso dessa região, edema supraorbitário, nariz curto e arrebitado, com a ponte nasal deprimida e filtro 17 longo, lábios espessos e queixo pequeno, bem como estrabismo, baixa estatura, atraso no desenvolvimento motor e na fala (SUGAYAMA, 2001). Também conhecida como Síndrome de Williams-Beuren, é uma condição genética rara que afeta diversas áreas do desenvolvimento de uma pessoa, incluindo aspectos físicos, cognitivos e comportamentais. A síndrome recebe esse nome em homenagem aos médicos que a descreveram pela primeira vez em 1961, John CP Williams e Alexander L. Beuren. Vamos explorar alguns aspectos importantes sobre a Síndrome de Williams: 1. Causa Genética: A Síndrome de Williams é causada por uma microdeleção de um segmento do cromossomo 7. Essa alteração genética resulta na ausência de cerca de 25 a 28 genes na região afetada. A maioria dos casos é esporádica, ou seja, não possui histórico familiar da síndrome. 2. Características Físicas: As pessoas com Síndrome de Williams geralmente apresentam características físicas específicas, como rosto de aparência "elfo", que inclui um nariz pequeno e pontiagudo, lábios carnudos, dentes afastados e orelhas pequenas e com lóbulos proeminentes. Eles também podem ter dificuldades com o ganho de peso. 3. Desenvolvimento Cognitivo: Embora as pessoas com Síndrome de Williams frequentemente tenham uma personalidade cativante e socialmente agradável, elas podem apresentar atrasos no desenvolvimento cognitivo. O QI médio das pessoas com essa síndrome está na faixa de nível de atraso intelectual moderado. 4. Habilidades Sociais: Uma característica notável da Síndrome de Williams é a tendência das pessoas a serem extrovertidas, com habilidades sociais profissionais. Elas costumam ser amigáveis, carinhosas e comunicativas, o que pode criar relações interpessoais fortes e significativas. 5. Desafios na Aprendizagem: Embora se destaquem em habilidades sociais, as pessoas com Síndrome de Williams enfrentam desafios na aprendizagem, incluindo dificuldades de leitura, escrita e matemática. No entanto, elas tendem a ser motivadas e dispostas a aprender. 6. Problemas Cardíacos: Anomalias cardíacas são comuns na Síndrome de Williams, e exames cardiológicos regulares são necessários para monitorar a saúde cardíaca. 18 7. Hipersensibilidade Sensorial: Muitas pessoas com síndrome têm hipersensibilidade sensorial, o que pode torná-las mais sensíveis a sons, luzes e texturas. 8. Tratamento e Intervenção: O tratamento da Síndrome de Williams envolve abordagens multidisciplinares, incluindo terapia da fala, terapia ocupacional, terapia física e educação especial. A terapia comportamental também pode ser útil para lidar com questões de ansiedade e comportamentais. 9. Contribuições para a Sociedade: Muitas pessoas com a Síndrome de Williams levam vidas produtivas e significativas. Eles encontram emprego, se envolvem em atividades artísticas e culturais e podem participar ativamente em suas comunidades. 10. Conscientização e Inclusão: A conscientização sobre a Síndrome de Williams é fundamental para promover a inclusão e a compreensão. A sociedade deve valorizar as habilidades e contribuições únicas que as pessoas com essa síndrome trazem para o mundo. É uma condição genética complexa que afeta vários aspectos do desenvolvimento. A educação, o apoio e a inclusão desempenham um papel fundamental no empoderamento das pessoas com a Síndrome de Williams para alcançar seu potencial máximo na vida. 3.1 Algumas definições da AADID sobre a deficiência intelectual A transformação do termo levou à adoção da expressão ‘deficiência intelectual’, que é mencionada em diversos documentos, incluindo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-V, cuja última edição foi em (2014), American Association on Mental Retardation – AAMR que agora é conhecida como American Association on Intellectual and Developmental Disability – AAIDD ou seja (Associação Americana em Deficiência Intelectual e do Desenvolvimento) na qual desempenhou um papel importante na definição da DI, pois, foi criada a partir disso. Esta associação foi fundada em 1876 e teve como primeiro presidente Séguin (1786- 1875). Ao longo dos anos, publicou vários manuais e revisões, incluindo os anos de 1908, 1937, 1941, 1957, 1959, 1961, 1973, 1977, 1983, 1992, 2002 e o manual atual 19 de (2010), que contribuíram para a evolução do entendimento da deficiência intelectual. A Associação Americana em Deficiência Intelectual e do Desenvolvimento (AAIDD), uma entidade de pesquisa dedicada à investigação da DI, exerce uma influência significativa sobre as definições atualmente adotadas em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. Portanto, apresentamos a seguir um resumo cronológico das definições fornecidas pela AAIDD. Dessa forma, conforme documentado por Alles, Castro e Boueri (2019): Em 1908 Tredgold definia como um estado de deficiência mental de nascença ou a partir de tenra idade, devido à desenvolvimento cerebral incompleto, em consequência do qual a pessoa afetada é incapaz de realizar seus deveres como membro da sociedade na posição da vida para a qual ela nasceu. Em 1937 Tredgold definia como a deficiência mental é um estado de desenvolvimento mental incompleto de um tipo e grau que o indivíduo é incapaz de se adaptar ao ambiente normal de seus companheiros, de maneira a conseguir levar sua vida independentemente de supervisão, controle ou apoio externo. Em 1941 Doll definia um estado de incompetência social obtido na maturidade, ou provável de se obter na maturidade resultante de uma parada no desenvolvimento de origem constitucional (hereditária ou adquirida); a condição é essencialmente incurável através de tratamento e irremediável através do treinamento. Em 1959 Heber O retardo mental refere- se a um funcionamento intelectual geral abaixo da média que se origina durante o período desenvolvimental e está associado a uma deficiência em uma ou mais das seguintes: áreas (1) amadurecimento, (2) aprendizagem e (3) ajustamento social. Em 1961 O retardo mental refere-se a um funcionamento intelectual geral abaixo da média que se origina durante o período desenvolvimental e está associado com deficiência no comportamento adaptativo. Em 1973 Grossman definia O retardo mental refere-se a um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, existente ao mesmo tempo com déficits no comportamento adaptativo e manifestado durante o período desenvolvimental. Em 1983 Grossman definia O retardo mental refere-se ao funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, resultando em ou associado a deficiências concomitantes no comportamento adaptativo e manifestado durante o período de desenvolvimento. Em 1992 Luckasson et al definia O Retardo mental refere-se a limitações substanciais no funcionamento atual. É caracterizado por um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, existente ao mesmo tempo com limitações relacionadas em duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas aplicáveis: comunicação, autocuidado, vida doméstica, habilidades sociais, uso da comunidade, autodirecionamento, aprendizagem funcional, lazer e trabalho. Em 2002 Luckasson et definia O retardo mental é uma incapacidade caracterizada por importantes limitações, tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo, está expressa nas habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas. Em 2010 Shogren et al definia A deficiência intelectual é caracterizadapor limitações significativas tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo como é expresso nas habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas. O resumo apresentado abrange a evolução histórica das terminologias relacionadas às pessoas com deficiência, refletindo debates e discussões que 20 resultaram na substituição dos termos de ‘deficiência mental’ e ‘retardo mental’, sendo substituído por ‘deficiência intelectual’. Essas mudanças contribuíram para uma transformação na maneira como as pessoas com DI são percebidas e tratadas, promovendo uma visão mais atualizada e inclusiva dessa população. O conceito atual, conforme descrito na 11ª edição do manual, já adotava a terminologia que havia sido estabelecida desde a Conferência sobre Deficiência Intelectual realizada no Canadá pela OMS em 2004. Essa conferência resultou na Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão, que trouxe a alteração significativa na edição de 2010 em relação à edição anterior de 2002, que consistiu na substituição do termo ‘deficiência mental’ pelo termo ‘deficiência intelectual’. Isso reflete uma mudança importante na abordagem e no entendimento da condição. Conforme a 11ª edição da AAIDD a caracterização de deficiência intelectual é caracterizada por: Limitações significativas tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo como é expresso nas habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas. Essa deficiência se origina antes dos 18 anos AAIDD (2010, p. 5). A Deficiência Intelectual (DI) afeta o funcionamento intelectual e adaptativo das pessoas, resultando em desafios relacionados ao pensamento, habilidades sociais, aprendizado e na execução de tarefas diárias, entre outros aspectos. Esses impactos geralmente surgem antes dos 18 anos de idade. Portanto, é essencial realizar um diagnóstico precoce para que as limitações causadas pela deficiência não impeçam o desenvolvimento adequado das habilidades naturais ao longo da vida das pessoas afetadas. A Deficiência Intelectual (DI) não é exclusivamente caracterizada por aspectos físicos ou biológicos, exigindo uma avaliação abrangente do indivíduo. É crucial utilizar testes padronizados para avaliar elementos relacionados à capacidade cognitiva ou psicométrica, como o Quociente de Inteligência (QI). Para indivíduos com um QI inferior a 70, esses testes de QI são considerados adequados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) adota esses testes e classifica a gravidade da DI em quatro níveis, variando de leve a profunda. Veja o exemplo na tabela 2: classificação da deficiência intelectual de acordo com o quociente de inteligência. 21 CLASSIFICAÇÃO QI FREQUÊNCIA DI leve entre 50 a 69 85% DI moderada entre 35 e 49 10% DI grave entre 20 e 34 3% a 4% DI profunda inferior a 20 1% a 2% Fonte: https://shre.ink/nLw6 A Deficiência Intelectual (DI) começou a utilizar a mensuração do Quociente de Inteligência (QI) como um meio de avaliar o grau da deficiência e determinar as áreas que necessitam de intervenção. Isso permitiu uma descrição mais detalhada das especificidades que ocorrem em cada grau da DI, de acordo com as diretrizes da AAIDD (2012). A DI leve é muitas vezes diagnosticada tardiamente ou nem sequer é diagnosticada, já que na maioria das vezes ela se apresenta de forma não sindrômica ou associada a elementos dismórficos menores, que passam despercebidos durante uma avaliação médica. Ela é caracterizada por dificuldades de aprendizagem que não são muito graves. Muitos adultos com este sinal são propensos a trabalhar e adquirir boa autonomia pessoal e independência social A DI moderada está associada com dificuldades significativas de aprendizagem. Ela se caracteriza pela aquisição de competências simples, permitindo a comunicação social, um certo grau de autossuficiência e uma vida semi independente. As noções básicas de leitura e escrita são raramente adquiridas. Já a DI grave é acompanhada por uma completa dependência para a realização das tarefas e ações cotidianas. Enquanto que a DI profunda é caracterizada por uma redução severa do potencial de comunicação e de mobilidade (AAIDD, 2010, p. 12). A avaliação completa da Deficiência Intelectual (DI) é essencial, e o diagnóstico desempenha um papel crucial nesse processo. Os testes de Quociente de Inteligência (QI) são considerados adequados para avaliar o potencial intelectual e são adotados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (2020), que classifica a gravidade da DI em quatro níveis, variando de leve a profunda, como indicado na tabela N° 2 acima. Outro documento de grande relevância que teve um impacto significativo na vida das pessoas com Deficiência Intelectual (DI) foi o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, conhecido como DSM-5 (2014), publicado pela Associação Americana de Psicologia em 2014. Este manual forneceu uma descrição e definição detalhadas da DI, além de explicar os prejuízos que podem afetar o desenvolvimento integral desses indivíduos. https://shre.ink/nLw6 22 Segundo o DSM-5, a Deficiência Intelectual é descrita como um transtorno do desenvolvimento que se manifesta durante o período de crescimento e envolve déficits funcionais, abrangendo tanto aspectos intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático. Para o diagnóstico deste transtorno, é necessário que sejam atendidos os três critérios a seguir: Déficits em funções intelectuais como raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência confirmados tanto pela avaliação clínica quanto por testes de inteligência padronizados e individualizados. Déficits em funções adaptativas que resultam em fracasso para atingir padrões de desenvolvimento e socioculturais em relação a independência pessoal e responsabilidade social. Sem apoio continuado, os déficits de adaptação limitam o funcionamento em uma ou mais atividades diárias, como comunicação, participação social e vida independente, e em múltiplos ambientes, como em casa, na escola, no local de trabalho e na comunidade. Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento DSM-5 (2014, p. 77). Conforme as diretrizes do DSM-V (2014), é salientado que a utilização de medidas baseadas no QI não é adequada por si só para proporcionar uma avaliação precisa do nível de funcionamento de cada indivíduo. É enfatizado que os escores de QI servem como estimativas do funcionamento conceitual, mas podem ser inadequados para avaliar o raciocínio em situações da vida cotidiana e o desempenho em tarefas práticas. O DSM-5 (2014) classifica a Deficiência Intelectual em quatro níveis de gravidade: Leve (317 ou F70), Moderada (318.0 ou F71), Grave (318.1 ou F72) e profunda (318.2 ou F73), utilizando siglas que são padrão na área médica para especificar a classificação de cada indivíduo. É enfatizado que esses níveis de gravidade devem ser determinados com base no funcionamento adaptativo, não se baseando unicamente em escores de QI, uma vez que o funcionamento adaptativo é o fator determinante para estabelecer o nível de apoio necessário. Além disso, é observado que as medidas de QI são menos confiáveis quando aplicadas a indivíduos no extremo inferior da variação desse coeficiente. Entretanto, o funcionamento adaptativo emerge como o fator crítico no que se refere ao desenvolvimento global das pessoas com Deficiência Intelectual. Os seguintes domínios e níveis de gravidade, conforme o DSM-5 (2014), esclarecem como os níveis de gravidade para o Transtorno do Desenvolvimento Intelectual podem ser definidos: 23 Leve: Em crianças pré-escolares, pode não haver diferenças conceituais óbvias. Para crianças em idade escolar e adultos, existem dificuldades em aprender habilidades acadêmicasque envolvam leitura, escrita, matemática. Comparado aos indivíduos na mesma faixa etária com desenvolvimento típico, o indivíduo mostra-se imaturo nas relações sociais. Por exemplo, pode haver dificuldade em perceber, com precisão, pistas sociais dos pares. Moderada: Durante todo o desenvolvimento, as habilidades conceituais individuais ficam bastante atrás das dos companheiros. Nos pré-escolares, a linguagem e as habilidades pré-acadêmicas desenvolvem-se lentamente. O indivíduo mostra diferenças marcadas em relação aos pares no comportamento social e na comunicação durante o desenvolvimento. A linguagem falada costuma ser um recurso primário para a comunicação social O indivíduo é capaz de dar conta das necessidades pessoais envolvendo alimentar-se, vestir-se, eliminações e higiene. Grave: Alcance limitado de habilidades conceituais. Geralmente, o indivíduo tem pouca compreensão da linguagem escrita ou de conceitos que envolvam números, quantidade, tempo e dinheiro. A linguagem falada é bastante limitada em termos de vocabulário e gramática. A fala pode ser composta de palavras ou expressões isoladas, com possível suplementação por meios alternativos. O indivíduo necessita de apoio para todas as atividades cotidianas, inclusive refeições, vestir-se, banhar-se e eliminação (DSM-V 2014, p. 78,79 e 80). As definições mencionadas detalham os déficits presentes em indivíduos com Deficiência Intelectual nos diferentes níveis em que se encontram, facilitando a compreensão de que algumas áreas específicas serão afetadas e indicando como as deficiências de determinados sujeitos podem ser abordadas. Isso proporciona aos profissionais uma compreensão mais sólida, permitindo a implementação de intervenções direcionadas às áreas que demandam maior estímulo. Assim, o conhecimento das estratégias apropriadas impulsiona o progresso no processo de inclusão e desenvolvimento abrangente das pessoas afetadas pela Deficiência Intelectual. Ao mesmo tempo, oferece a oportunidade de colaboração entre profissionais e o ambiente escolar para atenuar substancialmente as deficiências causadas pela condição. Dessa no próximo tópico vamos tratar sobre o comportamento adaptativo e a necessidade e apoio da pessoa com deficiência intelectual. 3.2 Comportamento adaptativo e necessidade de apoio O processo histórico que envolveu a incorporação do conceito de comportamento adaptativo na definição da deficiência intelectual, trouxe consigo mudanças significativas tanto em termos institucionais quanto conceituais, que tiveram início a partir da metade do século XX (ALARCÓN-LEIVA E SEPÚLVEDA- DOTE, 2014). A primeira vez em que o conceito de comportamento adaptativo foi 24 aplicado ao contexto da deficiência intelectual ocorreu quando Heber questionou a utilização exclusiva do QI como método de avaliação e propôs uma nova definição para o que era então chamado de retardo mental, estabelecendo uma conexão entre o retardo mental e o comportamento adaptativo (HEBER, 1961; ALMEIDA, 2004). Com o tempo, o conceito de comportamento adaptativo foi refinado e ganhou maior importância à medida que foi incorporado pelo DSM-IV (1995) e mantido em sua última edição, de 2014. Isso levou à necessidade de desenvolver instrumentos de avaliação do comportamento adaptativo e explorar oportunidades de intervenção com base nessa avaliação (ALMEIDA, 2004; ALARCÓN-LEIVA & SEPÚLVEDA-DOTE, 2014). No entanto, esses autores também apontam a escassez de estudos que abordem a avaliação e validação desses instrumentos. Em 2002, a AAMR promoveu uma redefinição do conceito de comportamento adaptativo, definição que se mantém na última edição (AAIDD, 2021). De acordo com essa redefinição, o comportamento adaptativo compreende um conjunto de habilidades conceituais, sociais e práticas que as pessoas aprendem e aplicam em suas atividades cotidianas. As habilidades conceituais englobam aspectos relacionados à linguagem e alfabetização, compreensão de dinheiro, noção de tempo e números, bem como a capacidade de auto-orientação. As habilidades sociais abarcam competências interpessoais, responsabilidade social, autoestima, discernimento, confiança, solução de problemas sociais e habilidade de seguir normas. Já as habilidades práticas incluem cuidados pessoais (como alimentação, mobilidade, vestimenta, uso do banheiro), habilidades ocupacionais, cuidados com a saúde, transporte, gestão de horários, rotinas, segurança, manuseio de dinheiro e uso do telefone. Continuando na mesma perspectiva, as últimas duas edições enfatizam os critérios para avaliar o comportamento adaptativo. Isso inclui a necessidade de definir um propósito claro e intenções bem delineadas para a avaliação, garantindo que ela seja tecnicamente apropriada para o indivíduo em questão. Além disso, é enfatizada a importância de utilizar métodos de avaliação múltiplos. O suporte ou apoio são compreendidos como "recursos e estratégias destinados a facilitar o desenvolvimento, a educação, os interesses e o bem-estar pessoal, visando melhorar o funcionamento individual" (LUCKASSON et al., 2002, p.151). A necessidade de apoio é vista como um conceito psicológico que se refere 25 ao tipo e à intensidade de assistência que uma pessoa necessita para se envolver em atividades consideradas normais no funcionamento humano. Esse conceito parte do princípio de que o funcionamento humano é influenciado pelo alinhamento entre a capacidade individual e o ambiente externo. A falta de harmonia entre as habilidades de uma pessoa e seu ambiente circundante resulta em diferentes tipos ou graus de necessidade de apoio, variando de acordo com cada indivíduo. Garantir esse alinhamento requer compreender os diversos elementos que compõem o funcionamento humano, determinar o perfil e a intensidade das necessidades específicas de cada indivíduo e, por fim, fornecer os recursos necessários para melhorar o funcionamento de acordo com essas necessidades (THOMPSON et al., 2009). A definição da AAIDD (2021) inclui quatro níveis de apoio: intermitente, que é fornecido conforme necessário, de forma episódica; limitado, em que o apoio é limitado no tempo, mas não é intermitente em natureza; amplo, que envolve assistência regular em vários ambientes; e permanente, caracterizado por apoio constante, de alta intensidade e importância vital. De acordo com Thompson et al., (2009) e AAIDD (2021), é fundamental analisar as prioridades da pessoa em relação às áreas de necessidade antes de planejar e fornecer suporte. A abordagem propõe, em primeiro lugar, a identificação das aspirações e necessidades da pessoa, considerando suas preferências e interesses. Em seguida, é recomendado determinar o perfil e as exigências de suporte, utilizando métodos que meçam essas necessidades, como medidas quantitativas, observações e entrevistas, envolvendo tanto a pessoa em questão quanto indivíduos de seu círculo social. Depois, desenvolver um plano de ação que se concentre em atividades típicas da semana da pessoa. O processo deve ser continuamente supervisionado de forma sistemática, com ajustes sendo feitos conforme necessário. Por fim, é crucial avaliar os resultados obtidos. Conforme descrito, a avaliação do comportamento é crucial para determinar as características e necessidades de suporte da pessoa com DI. Em relação à avaliação desse comportamento, Ferreira e Munster (2015) conduziram uma revisão dos estudos sobre o tema e constataram que existem três métodos principais de avaliação: 70% dos estudos utilizaram instrumentos padronizados, 20% empregaram 26 instrumentos não padronizados, como observação direta e indireta, entrevistas ou análise do cenário comportamental, e 10% adotaram abordagens combinadas. Além disso, nas investigações realizadas, as autoras identificaram a existência de 11 instrumentos padronizados destinados à avaliaçãodo comportamento adaptativo. Nota-se que apenas um desses instrumentos foi adaptado para a realidade brasileira, que é a Vineland Adaptive Behavior Scales (VABS). Inicialmente, essa escala foi desenvolvida por Doll (1935) e tinha o nome de Vineland Social Maturity Scale, sendo sua versão mais recente publicada por Sparrow, Cicchetti e Balla (2008). No entanto, Ferreira e Munster (2015) observaram que, apesar da adaptação para a língua portuguesa, não há estudos de origem brasileira que tenham utilizado essa escala. Eles apontam, assim como Gusmão (2019), para a falta de instrumentos adequados para avaliar o comportamento adaptativo no contexto brasileiro. Essa deficiência na avaliação é uma preocupação compartilhada por Veltrone (2011). Na experiência de Gusmão (2019), foi evidenciada a falta de instrumentos que pudessem ser úteis na avaliação de pessoas com deficiência intelectual. Ele destaca que essa ausência é uma das principais preocupações compartilhadas por profissionais da área de saúde e educação, o que, por sua vez, cria obstáculos para o desenvolvimento de abordagens eficazes no trabalho com indivíduos com deficiência intelectual (PLETSCH; GLAT; STELMACHUK; MAZZOTTA, 2012). Embora as políticas públicas brasileiras, tenham adotado as definições da AAIDD (2021) em relação à deficiência intelectual, a falta de instrumentos adaptados, padronizados e validados para a realidade local resulta na utilização de instrumentos não validados (ZUTIÃO et al., 2016). Em alguns casos, a avaliação ainda é realizada por meio de testes psicométricos de inteligência, apesar de sua limitada utilidade na elaboração de planos de ensino para alunos (Mendes, 1995; Oliveira & Campos, 2005; Brasil, 2006;), ou por meio de avaliações subjetivas (MENDES, 1995; VELTRONE, 2011; ALMEIDA, 2004). Uma pesquisa conduzida por Zutião et al. (2016) com o propósito de validar a escala Assessment of Adaptive Areas (AAA) (BRYANT; TAYLOR; RIVERA, 1996) foi realizada em uma escola de educação especial mantida por uma instituição filantrópica. O objetivo era avaliar as áreas adaptativas de jovens e adultos com deficiência intelectual. 27 O estudo envolveu a participação de 13 jovens e adultos com idades variando entre 16 e 43 anos, além da professora, do monitor da turma e da coordenadora da escola. No que diz respeito aos resultados quantitativos do estudo, todos os alunos apresentaram um desempenho inferior. Isso se deve, em parte, ao fato de que algumas atividades da escala nunca haviam sido ensinadas a eles ou porque não tinham tido a oportunidade de realizá-las de forma independente. Além disso, as autoras do estudo observaram que as atividades realizadas eram de natureza infantilizada, como a pintura de desenhos infantis e brincadeiras na cama elástica ao som de músicas infantis. A professora e o monitor da turma frequentemente executavam as atividades em nome dos alunos, e havia uma carência de planejamento e adaptações adequadas para atender às necessidades individuais devido à falta de uma avaliação apropriada do desenvolvimento integral de cada um dos participantes (ZUTIÃO et al., 2016). As autoras enfatizam que as áreas adaptativas avaliadas desempenham um papel fundamental na capacitação das pessoas com DI para uma participação ativa na sociedade. Portanto, destacam a importância e a necessidade de desenvolver planos de ensino que facilitem a aquisição dessas habilidades. Elas observam que, no Brasil, há uma escassez de estudos que proponham programas nesse sentido (ZUTIÃO et al., 2016). Nesse contexto, Gusmão (2019) conduziu uma avaliação de 450 prontuários de indivíduos com DI em uma instituição filantrópica no Brasil. O estudo identificou fragilidades e lacunas nos registros, além de prontuários que não continham informações claras sobre o diagnóstico e outras informações dos usuários. Essa falta de documentação eficaz e a incapacidade de criar planos de intervenção adequados para pessoas com DI eram preocupações comuns entre os profissionais da área. Além disso, na realidade brasileira, está em curso um projeto liderado por Almeida (2013) que visa à tradução, adaptação e validação da Support Intensity Scale (SIS) (THOMPSON et al., 2004). Atualmente, os dados de validação estão em processo de análise. Essa escala tem como objetivo determinar a intensidade de apoio necessária para pessoas com DI com idade acima de 16 anos nas áreas de comportamento adaptativo. Essa determinação da intensidade do apoio permitirá o desenvolvimento de programas de atividades personalizados, com os suportes adequados, com base em entrevistas realizadas com a própria pessoa ou com seus 28 responsáveis ou cuidadores (ALLES; CASTRO; MENEZES; BOUERI; ALMEIDA, 2015). Portanto, essa escala fornece uma visão clara e objetiva das áreas que requerem diferentes níveis de suporte, capacitando os profissionais a criar planos de apoio individuais para indivíduos com DI (ALLES et al., 2015). Isso se traduz em um investimento na qualidade de vida e no apoio à inclusão social dessas pessoas, ao promover o desenvolvimento de habilidades e fomentar a autonomia. ➢ Autonomia: A palavra autonomia tem sua origem na expressão grega ‘auto’, que significa ‘próprio’, e ‘nomos’, que denota ‘norma’, ‘regra’ ou ‘lei’ (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2008). Ao longo do tempo, essa ideia recebeu diversas designações, como o ‘princípio do respeito à pessoa’, o ‘princípio do consentimento’ ou o ‘princípio da autonomia’, e tem servido como um fundamento ético para a formulação de políticas públicas voltadas para a proteção de grupos vulneráveis (ALBUQUERQUE; GARRAFA, 2016). A autonomia representa a liberdade e a habilidade de um indivíduo para tomar decisões ativas sobre si mesmo, envolvendo a capacidade de determinar livremente suas ações e construir seu próprio caminho na vida (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2008). Carvalho-Freitas, Tette, Paiva, Nepomuceno e Silva (2018) complementam essa definição, descrevendo-a como a capacidade que cada pessoa possui para autodeterminar-se e agir de acordo com suas próprias normas e princípios que considera relevantes para si mesma. Dessa forma, uma pessoa autônoma é aquela com a capacidade de tomar decisões conscientes em questões pessoais. O respeito à autonomia de um indivíduo implica considerar seus valores, opiniões e ações, não interferindo em sua liberdade de agir, a menos que isso cause prejuízos a outras pessoas. Além disso, é fundamental fornecer todas as informações necessárias para que a pessoa possa formar seu próprio julgamento (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2013). Seguindo essa abordagem, Fleury-Teixeira et al., (2008) destacam a autonomia como um elemento essencial da democracia, caracterizado pelo reconhecimento do direito à diversidade, da livre expressão e da liberdade de ação, desde que não resultem em prejuízos para outras pessoas. 29 Essa oportunidade de exercer a livre escolha em suas vidas é tão crucial que o lema central dos movimentos sociais das pessoas com deficiência é ‘nada sobre nós, sem nós’ (CHARLTON, 1998). Isso reflete a demanda por plena participação das próprias pessoas com deficiência, uma reivindicação que se originou de uma longa história em que o grupo era tradicionalmente visto como incapaz e cuidado por outros (FINKELSTEIN 1980; BARNES, 2012). Essa capacidade está intimamente relacionada com necessidades humanas essenciais, incluindo a necessidade de expressão genuína do indivíduo, o que se torna fundamental para a promoção de sua saúde e vitalidade (FLEURY-TEIXEIRA, et al., 2008). Segundo a Convenção Nacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto nº 6.949, 2009), os direitos da pessoa com deficiência incluem a autonomia, independência, liberdade de escolha, não discriminação, igualdade de oportunidades e participação plena na sociedade. No entanto, aefetivação desses direitos tem enfrentado diversos obstáculos, especialmente no acesso à educação e ao emprego. No contexto da deficiência intelectual, apesar das mudanças conceituais em sua definição, ainda persistem crenças e atitudes que perpetuam a exclusão (MAZZOTTA; D'ANTINO, 2011). Comparada a outras formas de deficiência, a deficiência intelectual enfrenta desafios peculiares, em grande parte devido às crenças e estereótipos dominantes na sociedade. Essas crenças frequentemente associam a deficiência intelectual à ideia de eterna infantilização, dependência e incapacidade de autodeterminação, o que nega a essas pessoas o direito a uma vida autônoma e plena cidadania (DIAS; OLIVEIRA, 2013). Essa perspectiva representa uma violação dos direitos fundamentais dessas pessoas, conforme estabelecido na Declaração de Montreal sobre deficiência intelectual (2004). Além disso, devido à prevalência do modelo de deficiência centrado no indivíduo, muitas vezes negligencia-se o potencial de desenvolvimento que é inerente a todas as pessoas com deficiência intelectual. Por outro lado, o modelo social da deficiência concebe a incapacidade como uma questão intrinsecamente ligada à funcionalidade manifestada pela pessoa com deficiência. Nesse contexto, a funcionalidade abrange não apenas as funções e estruturas do corpo, mas também as atividades e a participação social. Enquanto o 30 potencial de desenvolvimento é uma característica inerente ao ser humano, a funcionalidade está diretamente relacionada às condições que a sociedade oferece, as quais podem facilitar ou dificultar a inclusão das pessoas com deficiência em diversos contextos da vida social. Portanto, cabe à sociedade criar as condições necessárias para possibilitar a plena participação das pessoas com deficiência (OMS, 2004), uma vez que a concepção de deficiência está intrinsecamente ligada à organização da sociedade (DIAS; OLIVEIRA, 2013). A transição para a vida adulta requer a implementação de meios que proporcionem condições para uma vida independente, levando em consideração a autodeterminação e os desejos das pessoas com deficiência (JENARO, 1999). Diversas pesquisas ressaltam a importância de uma abordagem mais atenciosa em relação à população jovem e adulta com deficiência intelectual, enfatizando a necessidade de políticas públicas que reconheçam o desenvolvimento singular de cada indivíduo e garantam o direito à vida autônoma e à participação plena na sociedade. O desenvolvimento da autonomia está intrinsecamente ligado a fatores externos ao indivíduo, embora ele também desempenhe um papel na formação dessas circunstâncias. Esses fatores englobam aspectos sociais, legais, educacionais, de saúde, econômicos, culturais e os valores presentes no ambiente em que o indivíduo está inserido. Portanto, a capacidade de oferecer e acessar educação e informações desempenha um papel fundamental na promoção da autonomia, permitindo que os cidadãos se tornem mais reflexivos e críticos, características essenciais para o exercício da autonomia (CAMPOS; CAMPOS, 2006). Nesse contexto, Garrafa (2005) adverte sobre os riscos de dar excessiva ênfase ao conceito de autonomia em detrimento de outras perspectivas, o que poderia resultar na ideia de que a abordagem individual é a única forma legítima de resolver conflitos. Ele destaca a importância de encontrar um equilíbrio entre o respeito pela individualidade e o perigo do individualismo extremo, que se baseia no egoísmo e negligencia a importância de uma visão coletiva na luta contra as injustiças sociais. A chamada segunda geração do modelo social, surgida nos anos 1990 e 2000, aprofundou ainda mais o debate sobre o respeito à individualidade. Enquanto a primeira geração de teóricos questionou o modelo individual e buscou substituir instituições segregacionistas por oportunidades de plena participação na sociedade 31 para pessoas com deficiência, entendendo essa experiência como uma forma de opressão, a segunda geração, composta por teóricos feministas, colocou em destaque temas como cuidado, dor, lesão, dependência e interdependência. A crítica central das feministas recaiu sobre a ideia de que a simples eliminação de barreiras, sejam elas sociais, arquitetônicas ou de transporte, seria suficiente para garantir a inclusão das pessoas com deficiência. Elas argumentaram que focar apenas em questões de acessibilidade para liberar o potencial produtivo dessas pessoas não era o bastante. Em vez disso, enfatizaram que a organização social capitalista também desempenha um papel significativo ao impedir a experiência de independência das pessoas com deficiência na sociedade. A segunda geração do modelo social critica a ideia de que a simples eliminação de barreiras seria suficiente para garantir a inclusão das pessoas com deficiência, argumentando que essa abordagem não leva em conta a diversidade de experiências de deficiência. Reconhecem que, mesmo com a remoção de barreiras, algumas pessoas com deficiência podem não possuir as mesmas habilidades ou capacidades que as pessoas sem deficiência. Além disso, as teóricas feministas apontaram a ausência de discussões sobre formas específicas de deficiência, incluindo a deficiência intelectual, dentro do modelo social (THOMAS, 1999). Assim, observou-se que o princípio de igualdade baseado na independência foi moldado de acordo com valores masculinos que enfatizavam a produtividade, a saúde e a força como elementos essenciais para a formação de um cidadão completo e autônomo. A bandeira política defendida pela primeira geração, que afirmava que as limitações eram sociais e não individuais, não abordava completamente todas as demandas de justiça dos diversos grupos de pessoas com deficiência. É fundamental destacar que a crítica feminista à primeira geração do modelo social não a considera como uma oposição, mas sim como parte de um processo de revitalização e expansão desse modelo, com o objetivo de aprofundar e enriquecer suas questões de forma abrangente. Portanto, a ideia de igualdade baseada na interdependência é considerada o princípio ético mais relevante e apropriado ao abordar questões de justiça relacionadas à deficiência, uma vez que reconhece que todas as pessoas podem ser dependentes em algum momento da vida, seja na infância, na velhice ou devido a doenças, entre outras circunstâncias (Diniz, 2007). 32 Kittay (1999), uma filósofa dos Estados Unidos e mãe de uma pessoa com paralisia cerebral grave, argumenta que a condição humana, por sua própria natureza, está intrinsecamente ligada à interdependência. Ela enfatiza que as relações de dependência desempenham um papel fundamental na estrutura das interações humanas e são uma parte inegável da jornada de vida das pessoas. Portanto, para alcançar a busca por igualdade na sociedade, é essencial adotar uma abordagem de justiça baseada na ética do cuidado, em vez da ética dos direitos, levando em consideração a premissa da interdependência como a base para a noção de igualdade entre os seres humanos (ALMEIDA, 2019). Davy (2015), uma pesquisadora especializada em equidade, diversidade e deficiência, introduz o conceito de autonomia como uma característica inerente a todas as pessoas, que serve como base para o respeito interpessoal e o direito de ser tratado com dignidade. Ela argumenta que não devemos enxergar obstáculos que impeçam as pessoas de desfrutar dessa possibilidade. De acordo com Freire (2018, p. 58), "o respeito à autonomia e à dignidade de cada indivíduo é uma obrigação ética e não um ato de benevolência que podemos ou não conceder uns aos outros". Portanto, é crucial reconhecer a necessidade de implementar medidas adicionais ou diferenciadas para assegurar a participação das pessoas com deficiência intelectual nesse contexto. Nesse sentido, componentes como apoioe defesa devem ser considerados, pois podem beneficiar as pessoas com deficiência, contribuindo para seu bem-estar e grau de autodeterminação, tanto individualmente quanto como grupo. O reconhecimento da importância do apoio é fundamental para capacitar as pessoas com deficiência intelectual a advogarem por si mesmas e a desenvolverem habilidades, como a capacidade de se expressar, compreender seus direitos e fazer escolhas em suas vidas. Davy (2015) enfatiza que relacionamentos de apoio desempenham um papel crucial, especialmente para indivíduos com deficiência intelectual, e concorda com Kittay (1999) ao afirmar que esses relacionamentos são essenciais para promover a autonomia de qualquer indivíduo. Segundo a autora, a capacidade de operar de forma independente por qualquer pessoa depende da presença de várias modalidades de suporte, incluindo apoio emocional, financeiro, prático e baseado em experiência, fornecido por familiares, amigos, a sociedade e as estruturas governamentais. 33 Para ilustrar essa afirmação e enfatizar a importância do apoio que deve ser oferecido às pessoas com deficiência intelectual para respeitar sua individualidade e preservar sua dignidade, Davy (2015) apresenta o exemplo de um jovem profissional do sexo masculino que desfruta de estabilidade econômica, tem a capacidade de traçar seu próprio caminho e tomar decisões de forma independente, idealmente sendo considerado autônomo. No entanto, a autora destaca que por trás desse quadro aparentemente autônomo existem intervenções prévias e não visíveis de cuidado, assistência, apoio e recursos, bem como vantagens materiais, sociais, políticas, estruturais e culturais que contribuíram para seu desenvolvimento e facilitaram sua habilidade de exercer autodeterminação, autogovernança e autorrealização de forma contínua. Portanto, os princípios relacionados à autonomia devem incorporar a perspectiva das pessoas com deficiência intelectual e de seus cuidadores, levando em consideração tanto os facilitadores quanto as barreiras que impactam seu exercício. Isso implica reconhecer as noções de interdependência e apoio como elementos essenciais para o desenvolvimento dessas pessoas. Nessa abordagem, a autonomia é vista como uma capacidade a ser cultivada e fortalecida ao longo da vida, valorizando as características individuais de cada pessoa, os recursos disponíveis e fatores internos como autoconfiança, dignidade e segurança. Essa concepção de autonomia se alinha com o modelo social da deficiência, que a entende como uma possibilidade que se concretiza por meio de relações de apoio e interdependência, com foco nas interações sociais que podem facilitar ou dificultar o desenvolvimento do indivíduo (DAVY, 2015). Apesar das várias reflexões existentes na literatura sobre esse conceito, há um consenso em relação a duas condições fundamentais para respeitar o princípio da autonomia. A primeira é a liberdade de escolha, que requer que a decisão do indivíduo não seja influenciada por outras partes. A segunda é a capacidade de agir intencionalmente, o que implica compreender a situação. É responsabilidade do profissional envolvido garantir que todas as informações necessárias estejam disponíveis para que a pessoa possa tomar uma decisão informada (DURAND, 2003). Portanto, é crucial realizar avaliações contínuas das intervenções, com o objetivo exclusivo de promover a transformação social, em oposição a impor um estilo de vida ou comportamento (DIAS; OLIVEIRA, 2013). 34 Considerando as declarações sobre o conceito de autonomia, considera-se que qualquer intervenção que aumente a capacidade das pessoas de agirem sobre os fatores que influenciam sua saúde (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2008) e outros aspectos da vida é geradora de autonomia. A expansão do controle sobre esses fatores está intrinsecamente ligada à ampliação da autonomia e é parte fundamental de um processo de empoderamento. O empoderamento envolve o desenvolvimento de estratégias que promovem a participação das pessoas, com o objetivo de aumentar sua capacidade de autogestão e, ao mesmo tempo, contribuir para uma maior justiça social e melhoria da qualidade de vida (CARVALHO, 2004). Além disso, esse processo envolve a capacidade de tomar decisões com informações adequadas (KAR; PASCUAL; CHICKERING, 1999). Portanto, os autores (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2008) mencionam exemplos de processos que promovem a autonomia em nível local, tais como mecanismos de participação deliberativa, redes de apoio mútuo e respeito à diversidade de comportamentos. Esses processos estão fundamentalmente ligados à oportunidade de desenvolver habilidades. ➢ Competências: O conceito de competência é amplamente empregado em diversas áreas do conhecimento e está sujeito a várias definições e interpretações que variam de acordo com o campo de estudo e o contexto em que é aplicado (SÁ; PAIXÃO, 2013). Neste contexto, vários autores oferecem definições que se alinham com ao tema relacionado deficiência. De acordo com Perrenoud (2001) a competência se apresenta como a capacidade de lidar com situações complexas que requerem tomada de decisão e solução de problemas, utilizando uma variedade de recursos. Ele a descreve como um conhecimento em ação, ou seja, um conhecimento que se manifesta por meio das ações em contextos específicos. Segundo o autor, esse entendimento de competência está ligado ao desenvolvimento da autonomia, ou seja, ao desenvolvimento de indivíduos capazes de agir de forma independente em diversos cenários, o que é essencial para a educação e o crescimento pessoal. 35 Roldão (2005), em consonância com Perrenoud (2001), aborda a competência como um conhecimento em ação. Ela descreve que a aplicação plena do conhecimento ocorre na prática em diversas esferas da vida individual e social, onde o conhecimento é essencial para agir de forma inteligente. Além disso, Galvão, Freire e Oliveira (2006) compartilham dessa perspectiva, alegando que a competência permite a utilização de diferentes conhecimentos adquiridos em novos contextos de ação. Por sua vez, Zabala e Arnau (2007) definem competência como a capacidade ou habilidade de realizar tarefas de maneira eficaz, ou seja, as condições e recursos que um indivíduo possui para enfrentar situações e alcançar os resultados desejados em suas ações. Segundo Le Boterf (2005), embora seu enfoque esteja mais relacionado ao campo das competências profissionais, concebe a competência como uma disposição para agir de acordo com circunstâncias específicas. Isso requer a capacidade de coordenar ações, indo além da simples aplicação de conhecimentos, apontando para a necessidade de um saber combinatório que envolve os elementos do triângulo ‘saber agir, querer agir e poder agir’. Nessa perspectiva, a compreensão do conceito abrange a integração entre os domínios do conhecimento e da ação, envolvendo a mobilização de conhecimentos, habilidades e técnicas. Além disso, a competência é considerada no contexto do sujeito e do ambiente em que ele se encontra, e requer a habilidade de integrar diversos elementos necessários para executar uma tarefa. Também é importante destacar que a competência pode ser analisada tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, considerando sua dimensão social. Na mesma perspectiva, Alonso et al., (2002) argumentam que o desenvolvimento de competências capacita as pessoas a compreenderem e participarem na sociedade. De acordo com esses autores, o conceito de competência possui uma abordagem construtivista e integrada, envolvendo a capacidade de agir e reagir de maneira apropriada em situações diversas, que podem variar em complexidade. Isso é alcançado por meio da mobilização e combinação de conhecimentos, atitudes e habilidades pessoais em um contexto específico, que é informado por valorese possui significado. 36 No contexto desta pesquisa, o conceito de competência refere-se à capacidade de aplicar conhecimentos, habilidades e atitudes nas atividades cotidianas, visando a autonomia, ao mesmo tempo em que busca estabelecer relações de interdependência com a família, cuidadores e a escola, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos os envolvidos. Nesse contexto, no que diz respeito ao público de pessoas com deficiência intelectual, Gunzburg (1957) enfatizou a importância do desenvolvimento e da avaliação de competências sociais abrangendo diversas áreas, como autocuidado (incluindo hábitos alimentares, higiene pessoal, cuidados com a vestimenta e saúde); comunicação (englobando linguagem, habilidades financeiras, compreensão de tempo e medidas, leitura e escrita); interação social (abrangendo iniciativa social, atividades financeiras, auxílio em tarefas domésticas, etiqueta social e compras); e ocupação (envolvendo habilidades manuais, atividades de lazer, aplicação, qualidade e precisão no desempenho, velocidade e produtividade, confiança na execução, pontualidade e cuidado com ferramentas e materiais). E para tal avaliação, o autor desenvolveu um instrumento denominado Progress Assesment Chart (PAC), traduzido no Brasil como Perfil de Avaliação de Competência Social (PEREIRA, 1973). ➢ Avaliação de competência social: Gunzburg (1957), um psicólogo que atuava no Monyhull Hospital de Birmingham, na Inglaterra, iniciou suas pesquisas sobre deficiência intelectual em 1948, quando trabalhava no primeiro Centro de Treinamento e Educação do hospital onde estava empregado (PEREIRA, 1973). Ele chegou à Inglaterra vindo de Viena como refugiado político antes da Segunda Guerra Mundial. Gunzburg (1957) foi profundamente impactado pelos eventos ocorridos antes e durante a guerra, especialmente em um período de recursos limitados e prevalência do pensamento eugenista, que promovia a ideia de melhorar a raça humana por meio do controle dos chamados ‘indivíduos inadequados’. Sua influência foi significativa na promoção de uma visão mais humanizada por parte dos profissionais e da sociedade em geral em relação às pessoas com deficiência intelectual na Inglaterra (JACKSON, 2013). 37 Além disso, ele é amplamente reconhecido como um pioneiro na área de estudos relacionados a esse tema (MITTLER, 1995; JACKSON, 2013). Desde o início de sua carreira, Gunzburg (1957) se dedicou a promover e advogar pela implementação de políticas que visavam aprimorar as competências sociais das pessoas com deficiência intelectual. Ele sustentava a ideia de que era possível ensinar essas habilidades, que decorriam das dificuldades de adaptação social. Em 1952, ele apresentou a proposta de um serviço psicológico destinado às pessoas com DI, que prestou assistência a toda a região de West Midland, e desempenhou um papel fundamental na colaboração com a Midland Mental Deficiency, o primeiro corpo profissional e multidisciplinar dedicado à DI na Inglaterra (JACKSON, 2013). Em 1955, ele estabeleceu o periódico ‘The Journal of Mental Subnormality’, que atualmente é conhecido como ‘International Journal of Developmental Disabilities’. Tanto ele quanto sua esposa trabalharam incansavelmente no periódico e em pesquisas na área. Enquanto ele era psicólogo, sua esposa era arquiteta, e juntos escreveram um livro sobre competência social e ambiente físico (GUNZBURG; GUNZBURG 1973). Em 1957, Gunzburg afirmou que ao avaliar uma pessoa com DI apenas do ponto de vista psiquiátrico, sua condição permanecerá inalterada. No entanto, ao considerá-la a partir de uma perspectiva social, essa condição pode ser temporária. Com a implementação de programas de intervenção e a adaptação do ambiente, a pessoa pode se ajustar socialmente e lidar satisfatoriamente com o ambiente ao seu redor. Portanto, ele advoga a promoção de programas educacionais, que visem oferecer apoio e gradualmente abrir o sujeito a novas experiências estimulantes. Esses programas são projetados especificamente para superar a influência historicamente prejudicial que recaiu sobre as pessoas com DI. O autor sustenta a ideia de que, por meio de contatos e testes, é viável adaptar o ambiente de acordo com as necessidades e habilidades individuais de cada pessoa. Gunzburg (1957) enfatiza que a questão das pessoas com DI é fundamentalmente uma questão social e advoga pela implementação de programas de intervenção em vez da segregação contínua. Ele argumenta que os profissionais têm o papel de criar ambientes que permitam que as pessoas com DI se desenvolvam de acordo com seu potencial individual, usando métodos personalizados e eficazes. Além disso, o autor se opunha firmemente ao uso exclusivo de testes de QI como 38 critério principal para diagnóstico e prognóstico de DI. Ele destacava em seus escritos exemplos de sucesso no ensino de habilidades relacionadas à adaptação social que não dependiam apenas do QI, mas também de experiência, formação adequada e, sobretudo, da motivação e disposição para aprender. O Gunzburg (1957) advoga pelo direito das pessoas com DI de fazerem escolhas, semelhante ao direito de escolha de qualquer outra pessoa. No entanto, ele ressalta que essas escolhas só podem ser feitas quando a pessoa com DI está familiarizada com seu contexto e comunidade. Nesse sentido, programas sociais podem oferecer oportunidades de escolha, aumentando a independência e promovendo a aceitação, enquanto evitam a infantilização e a superproteção. No entanto, o autor expressou a necessidade de realizar mais investigação e experimentação para entender melhor como o conhecimento social pode ser ensinado. Embora tenha levantado mais perguntas do que respostas, suas contribuições estabeleceram metas a serem alcançadas e direções a serem seguidas em pesquisas futuras. É evidente o pioneirismo do autor, especialmente considerando que os primeiros escritos do Modelo Social da Deficiência datam de 1960, ganhando mais influência em 1972. É importante notar que a Deficiência Intelectual só foi abordada em sua segunda geração nos anos 1990. Com base nesses conceitos, o autor concebeu o PAC (Perfil de Avaliação da Competência), com o propósito de avaliar o grau de autonomia em áreas como autocuidado, comunicação, interação social e ocupação. Esse instrumento foi desenvolvido em três versões: o P-PAC, voltado para crianças em idade pré-escolar; o PAC-I, destinado ao período escolar, incluindo a adolescência; e o PAC-II, voltado para adultos e as últimas fases do desenvolvimento (PEREIRA, 1973). As áreas analisadas nesse instrumento têm notável semelhança com o que atualmente é descrito como comportamento adaptativo. Para fins de esclarecimento, foi elaborada uma tabela comparativa entre a definição contemporânea da AAIDD e as áreas avaliadas pelo PAC-I e PAC-II, veja o exemplo no quadro 1. Quadro 1. Comparativo entre a definição atual de comportamento adaptativo e as áreas avaliadas pelo PAC. 39 Fonte: https://shre.ink/nLmC No Brasil, o instrumento foi traduzido por Olívia Pereira em 1966, em colaboração com a Sociedade Pestalozzi do Brasil (SPB). Durante esse processo, foram conduzidos estudos em estreita colaboração com Gunzburg, na Inglaterra, com a participação de estagiários de universidades brasileiras, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Pontifícia Universidade Católica do Rio, bem como grupos de alunos envolvidos em oficinas pedagógicas na SBP. Essa adaptação implicou em pequenas alterações na descrição das habilidades, considerando a necessidade de avaliação dentro de uma cultura específica, intrinsecamente relacionada ao ambiente social em que a pessoa está inserida. Além disso, os estudos da psicóloga evidenciaram a possibilidade de https://shre.ink/nLmC 40 desenvolvimento de indivíduoscom DI, mesmo na idade adulta, e destacaram que o QI não é o único critério relevante para a elaboração de programas de intervenção (PEREIRA, 1973). O instrumento foi concebido como um ponto de partida para a criação de programas de intervenção personalizados, identificando áreas que carecem de desenvolvimento e requerem maior atenção. Além disso, permite a avaliação do progresso da pessoa ao longo do tempo, à medida que as intervenções são implementadas, e também possibilita a avaliação da eficácia da própria intervenção. Além de psicólogos, educadores e outros profissionais da área podem aplicar esse instrumento. Além disso, essas informações podem ser compartilhadas com os pais, criando um canal de comunicação e colaboração entre os profissionais e os pais, o que possibilita a continuidade da intervenção em casa e na comunidade. Isso contribui para a estruturação da adaptação social (PEREIRA, 1973; GUNZBURG, 1978). Além da avaliação, o PAC também propõe uma avaliação pessoal na qual são listadas algumas características individuais com o objetivo de avaliar os comportamentos da pessoa com DI. O instrumento inclui um diagrama que funciona como um mapa ou relatório visual. Esse diagrama permite uma identificação visual das áreas em que a pessoa possui habilidades mais avançadas e daquelas que necessitam de desenvolvimento (Figura 1). Cada item do questionário é representado por um quadrado no diagrama. Os itens com habilidades desenvolvidas são sombreados de forma mais intensa, enquanto os itens com habilidades ainda não desenvolvidas são sombreados de forma mais leve. Portanto, o diagrama pode ser utilizado tanto antes de uma intervenção para realizar uma avaliação inicial da pessoa com DI, quanto durante ou após a intervenção para reavaliar o progresso com base no plano de desenvolvimento estabelecido. Figura 1. Mapa de avaliação do desenvolvimento (PAC-II) 41 Fonte: https://shre.ink/nLmC A pesquisa mais recente, tanto em nível nacional quanto internacional, que empregou o PAC, foi conduzida no Brasil (PÉREZ-RAMOS et al., 2004). O estudo tinha como objetivo investigar a relevância da avaliação da competência social como parte do processo de avaliação de pessoas com DI. Os resultados desta pesquisa apontaram para a promissora contribuição dessa estratégia na valorização pessoal das pessoas com DI e na redução da discriminação, o que poderia facilitar sua inclusão em contextos educacionais e profissionais. Além disso, o estudo destacou a necessidade de programas psicopedagógicos, voltados para o desenvolvimento de habilidades, revelando deficiências significativas entre os jovens com DI. Adicionalmente, a pesquisa confirmou a eficácia do PAC nas áreas avaliadas. https://shre.ink/nLmC 42 Enfim, o ‘mapa de avaliação do desenvolvimento’ para pessoas com deficiência intelectual é uma ferramenta utilizada para avaliar o progresso das habilidades em diferentes áreas da vida de indivíduos que enfrentam desafios relacionados à deficiência intelectual. Essa ferramenta é especialmente relevante na avaliação e no acompanhamento do desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual, pois permite uma análise abrangente e visual das habilidades em várias dimensões. Assim, você pôde compreender que o mapa é geralmente representado graficamente, com áreas específicas de habilidades listadas, como cuidados pessoais, comunicação, socialização e ocupação. Cada área é representada por um espaço no mapa, que pode ser sombreado de diferentes maneiras para indicar o grau de desenvolvimento alcançado pelo indivíduo. Por exemplo, áreas com habilidades mais avançadas podem ser sombreadas de forma mais intensa, enquanto áreas com habilidades menos desenvolvidas podem ser sombreadas mais suavemente. Essa ferramenta é valiosa para profissionais da área de saúde, educação e psicologia, pois permite uma avaliação visual rápida e eficaz do progresso das habilidades de uma pessoa com deficiência intelectual. Além disso, o mapa pode ser utilizado tanto antes como depois de intervenções ou programas de desenvolvimento, auxiliando no acompanhamento do progresso ao longo do tempo. Dessa forma, o ‘mapa de avaliação do desenvolvimento’ para pessoas com deficiência intelectual é uma abordagem personalizada e flexível que pode ser adaptada para atender às necessidades individuais de cada pessoa, fornecendo uma visão holística do seu desenvolvimento e identificando áreas que podem necessitar de suporte adicional. Assim, diante da complexidade da Deficiência Intelectual (DI) e da necessidade de abordagens individualizadas, fica claro que o atendimento especializado desempenha um papel crucial no desenvolvimento e na inclusão das pessoas com DI em relação a educação especial e inclusão. No próximo tópico, exploraremos como a educação especial desempenha um papel fundamental na promoção do aprendizado e da adaptação desses indivíduos em ambientes educacionais e sociais. 43 3.3 Diretrizes da política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva A educação especial é um modelo de ensino que permeia todos os níveis, etapas e modalidades, presta atendimento educacional especializado, disponibiliza serviços e recursos específicos para esse atendimento e orienta os alunos e seus professores para o uso desse atendimento nas classes comuns do ensino regular (CHAVES, 2013). O atendimento educacional especializado, se desenvolve por identificação, elaboração e organização de recursos pedagógicos e de acessibilidade para remover barreiras à participação total do aluno, considerando as necessidades específicas do aluno. As atividades realizadas no atendimento educacional especializado diferem das classes comuns porque não substituem o ensino. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a educação do aluno para independência e autodeterminação na escola e fora dela. O atendimento educacional especializado fornece programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, auxílios tecnológicos e tecnologia assistiva, entre outros serviços. Este serviço deve ser integrado com as questões pedagógicas do ensino comum. A inclusão escolar começa na educação infantil, durante a qual são lançadas as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa fase, o brincar, o acesso a diferentes formas de comunicação, a estimulação do enriquecimento físico, emocional, cognitivo, psicomotor, social e a convivência com as diferenças facilitam o relacionamento, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de intervenção precoce, destinados a otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em articulação com os serviços de saúde e assistência social (CHAVES, 2013). Em todas as etapas e modalidades da educação básica, a organização de atendimento educacional especializado para apoiar o desenvolvimento dos alunos constitui uma disposição obrigatória do sistema educacional, devendo esse serviço 44 educacional ser realizado em escolas ou centros profissionalizantes em oposição às aulas comuns. Portanto, as ações de educação especial podem ampliar as oportunidades educacionais, a formação para a vida prática e a efetiva participação social na forma de educação de jovens e adultos e formação profissional. A articulação da educação especial com a educação dos povos indígenas, do campo e quilombola deve garantir a oferta de recursos educacionais especializados, serviços e atendimento em programas educativos baseados nas diferenças sociais e culturais desses grupos. No ensino superior, a transversalidade da educação especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e aparticipação dos alunos. Essas ações envolvem o planejamento e a organização de recursos e serviços para promover a acessibilidade arquitetônica, a comunicação, os sistemas de informação, o ensino e os materiais didáticos, que devem ser disponibilizados, pesquisados e divulgados no processo seletivo e no desenvolvimento de todas as atividades que envolvam o ensino e a aprendizagem (CHAVES, 2013). Para a inclusão de alunos surdos em escolas públicas, educação bilíngue - Língua Portuguesa / LIBRAS, promove o desenvolvimento do ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, como já mencionado anteriormente, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos, os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino dá, libras para os demais alunos da escola. O atendimento educacional especializado, fornece serviços educacionais profissionais, tanto na modalidade oral e escrita, quanto na língua de sinais. Devido às diferenças linguísticas, os alunos surdos devem dividir as aulas com outros colegas surdos em escolas regulares, tanto quanto possível. O atendimento educacional especializado é desenvolvido por meio de conhecimentos específicos no ensino de língua brasileira de sinais, da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua, sistema Braille, soroban, orientação e movimento, atividades de vida autônoma, comunicação alternativa, desenvolvimento de processos mentais superiores, planejamento de enriquecimento curricular, adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva entre outros. 45 Cabe aos sistemas de ensino, sistematizar a educação especial no ponto de vista da educação inclusiva, possibilitar as funções de instrutor, tradutor/intérprete de Libras e guia intérprete, assim como, disponibilizar um monitor ou cuidador aos alunos com determinada necessidade de apoio nas atividades que fazem parte do dia a dia, tais como, higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. Neste contexto e, de acordo com esta definição, entende-se que o AEE deve ser ofertado aos alunos de forma complementar e/ou suplementar ao ensino regular, tendo em conta as particularidades e necessidades de cada indivíduo, e não substituindo o ensino regular. Assim, inclui uma atuação diferenciada, não reproduzindo o mesmo conteúdo nem tampouco a metodologia adotada pela escola comum. O AEE é baseado nas necessidades e idiossincrasias do aluno. Ou seja, o AEE deve ocorrer em turno contrário ao horário escolar regular do aluno, em favor do trabalho do outro. Assim, o AEE pode ser caracterizado por uma gama de atividades, recursos instrucionais e de acessibilidade, e adaptações curriculares grandes e pequenas. Essas ações podem ser realizadas em pequenos grupos ou em turnos individuais, ao contrário da escolarização. Em relação aos objetivos do AEE o Decreto n° 7.611 (BRASIL, 2011) dispõe: Art. 3º São objetivos do atendimento educacional especializado: I – Prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados conforme as necessidades individuais dos estudantes; II – Garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; III – fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e IV – assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino (BRASIL, 2011, p. 2). É importante destacar que o AEE especializado deve incorporar o Projeto Político Pedagógico (PPP) institucional da escola e envolver as famílias para garantir o engajamento e o desempenho dos alunos. O referido atendimento necessita ocorrer atrelado às demais políticas públicas. Contudo, para atuar na área de educação especial, os professores devem passar por uma formação inicial e continuada baseada tanto nos conhecimentos gerais da docência quanto nos conhecimentos específicos da área. 46 Esta formação possibilita o ingresso no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o ensino regular em salas de aulas gerais, salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, centros de acessibilidade de instituições de ensino superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. Esta formação deverá incluir conhecimentos sobre gestão de sistemas de educação inclusiva com vista ao desenvolvimento de projetos em cooperação com outras áreas que visem a construção de acessibilidades, cuidados de saúde, promoção da assistência social, trabalho e ação judicial. Até aqui, você tomou conhecimento das diretrizes das políticas nacionais do AEE e sobre a inserção da educação inclusiva, pois, através dela deve-se incluir conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos dentro das suas especificidades, bem como, as suas necessidades conforme alunos que precisam de um apoio especializado. Portanto, no próximo tópico vamos abordar sobre o AEE em relação a suas atividades na educação especial, dentro da escolar no ensino regular (CHAVES, 2013). 3.4 O atendimento educacional especializado: operacionalização da educação especial na escola regular A Política Nacional de Educação Especial, na visão da educação inclusiva, trouxe o atendimento educacional especializado - AEE como uma de suas inovações, possibilitando que alunos do público-alvo da educação especial recebam atendimento de acordo com suas particularidades em espaços comuns de aprendizagem e participem de atividades educativas regulares, garantindo que todos tenham acesso à educação de direito. Os alunos são conceituados, como o público-alvo da educação especial do ponto de vista da educação inclusiva, portanto, os alunos que devem matricular-se nas classes de ensino regular e AEE, são alunos com deficiências, assim como, os alunos com transtornos do espectro autista – TEA e com altas habilidades/superdotação. Assim, a matrícula no ensino regular permite efetivamente que os alunos obtenham o AEE, mas a obrigatoriedade do AEE para alunos ou para os seus responsáveis é facultativa. Portanto, a participação ou não do aluno no AEE 47 não influencia a restrição, ou impedimento da sua matrícula no ensino comum (FÁVERO et al., 2007). De acordo com SEESP/MEC (1998), o papel da AEE é identificar, desenvolver e organizar os recursos pedagógicos e o acesso à educação para eliminar as barreiras à plena participação dos alunos, tendo em conta as suas necessidades específicas. Aulas de caráter complementar e/ou suplementar as intervenções pedagógicas, ou seja, não substitui a escolarização, mas agrega outras atividades para apoiar o desenvolvimento do aluno visando sua independência dentro e fora da escola. Em outras palavras, o AEE atua como suporte e diálogo com a classe regular por meio da implementação de práticas educativas específicas que ajudem a garantir o acesso e as condições de aprendizagem de alunos com necessidades especiais nas escolas comuns. Quanto à oferta preferencial do AEE nas escolas comuns, Fávero et al. (2007, p.26) afirma que o atendimento educacional especializado deve ser fornecido em todos os níveis de ensino, de preferência nas escolas comuns da rede regular. Este é o ambiente escolar mais adequado para garantir o relacionamento dos alunos com os pares da mesma idade e facilitar os tipos de interações que podem melhorar o seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional. O AEE é melhor realizado em escolas regulares, ou seja, nas escolas comuns, na sala de recursos multifuncionais, no turno contrário ao da classe comum. Caso o AEE não esteja disponível na própria escola, estedeve ser organizado em um centro especializado público ou filantrópico prestador desse serviço educacional, visto que tais serviços são complementares e não substituem a escolarização oferecida na rede regular de ensino. No entanto, a partir do texto constitucional de 1988, vários são os motivos pelos quais esse atendimento ocorre nas escolas comuns, pela LDBEN (Lei n.º 9394/96) e, principalmente, para a singularidade de cada aluno seja reconhecida e atendida neste espaço de formação comum a todos (FÁVERO et al., 2007; ROPOLI et al., 2010). Como primeiro passo, as escolas devem garantir a oferta do AEE, por meio, da institucionalização e conforme o projeto político-pedagógico, deve ser desenvolvido com a participação de todos os professores e de toda a comunidade escolar, considerando: organização de salas de recursos transversais, perfil e função do corpo docente atuante no AEE, desenvolver planos de bem-estar estudantil, comunicação 48 entre a equipe da AEE e os responsáveis das instituições, entre outras coisas. A sala de recurso multifuncionais, é uma sala destinada a realizar as intervenções do AEE para o público-alvo de alunos de educação especial e não uma sala privada destinada a substituir a educação. Salas de recursos multifuncionais são ambientes da escola onde se desenvolve as atividades do atendimento educacional especializado para todos os alunos com necessidades educativas especiais através do desenvolvimento de estratégias de aprendizagem que se centram em novas atividades educativas que facilitam a construção do conhecimento das crianças e apoiam o desenvolvimento de programas de aprendizagem e participação na vida escolar (ALVES et al., 1998). A sala de recursos multifuncionais é composta por móveis, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos, que atendem alunos direcionados à educação especial, em oposição à escolarização. Nestas salas, os alunos podem frequentar individualmente ou em pequenos grupos, tendo em conta o tipo de necessidades educativas dos alunos. A frequência da semana, a duração do atendimento, o tipo de recurso a ser utilizado, tudo será definido pelo professor segundo a individualidade dos alunos para mantê-los engajados e aprendendo nas atividades (ROPOLI et al., 2010). A fim de fornecer os serviços educacionais oferecidos pela educação especial para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos, os professores devem seguir uma formação especializada, obtida por meio de cursos de graduação, pós-graduação ou cursos de formação continuada, se especializando com aprofundamento em áreas específicas da educação especial (ROPOLI et al., 2010). A Resolução n. º04/2009, em seu artigo 13º, essa resolução permite a articulação entre o professor do AEE e os professores do ensino regular, bem como, o diálogo com as famílias, interlocução com o serviço de saúde, assistência social, dentre outros. Desta forma, este mesmo documento prevê que o professor tem como atribuições: I – Identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial; II – Elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade; III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais; 49 IV – Acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola; V – Estabelecer parcerias com as áreas Inter setoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade; VI – Orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno; VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva para ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação; VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. Entende-se que a formação dos professores para atuar no AEE considera o conhecimento de sua função e as necessidades específicas dos alunos envolvidos em seu atendimento. Nesse caso, o espaço se torna primeiro um local de formação quando os professores passam a utilizá-lo como um ambiente propício à pesquisa, sendo que a finalidade da pesquisa é sempre aprofundar e compreender os problemas que ali surgem. Pois, conforme Garcia (2001, p.64), "fazer as coisas com ousadia é o caminho para abrir o reino do possível. É esse tipo de ação - com seus erros e acertos - que nos permite construir algo consistente". No que lhe concerne, o papel da educação especial constitui-se com suporte para o trabalho realizado na sala de aula regular e, em diversos momentos, beneficia a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos especiais. Vale ressaltar que o trabalho realizado no AEE não é organizado segundo a sequência e a lógica pré- definida do conteúdo a ser absorvido, ou seja, a produção do conhecimento está desvinculada do planejamento sistemático da escola. Portanto, o processo de construção do conhecimento no AEE não visa avançar o conhecimento acadêmico, mas sim estabelecer novos padrões relacionados ao desempenho do aluno no enfrentamento dos desafios da construção do conhecimento Ou seja, os métodos de ensino no AEE diferem dos oferecidos nas escolas comuns e não devem ser confundidos com uma mera aula de reforço (repetição da prática educativa da sala de aula), nem com atendimentos clínicos ou espaços sociais. Nesse caso, as dificuldades de aprendizagem não são relacionadas às deficiências ou condutas típicas e não são pertinentes ao AEE, mas ao cotidiano da sala de aula, o que significa que as respostas pedagógicas da professora da classe comum foram suficientes para atender às solicitações específicas feitas pelos alunos em suas trajetórias de aprendizagem, oferecendo suporte eficaz e eficiente (GARCIA, 2001). 50 Percebe-se que há diferenças no trabalho dos professores comuns e dos professores da educação especial. Um professor responsável por uma sala comum tem que sistematizar o ensino dos conteúdos curriculares e o professor do AEE tem que se manter em uma condição que complemente o ensino regular, por isso sua prática é baseada na construção de "conhecimentos e recursos específicos que removam barreiras que impedem ou limitam sua participação com autonomia e independência nas turmas comuns do ensino regular” (ROPOLI et al., 2010, 10 p.19). Neste contexto, o AEE precisa ser um trabalho dinâmico e interativo entre o professor da sala de aula regular e o professor da sala de recursos multifuncionais, local onde acontece o AEE. Dessa maneira, a interface entre o AEE e as escolas regulares será baseada nas necessidades de cada caso, isso é crucial para o esforço de ambos os professores em entender as construções de conhecimento dos alunos para que eles possam atuar como mediadores do conhecimento. Vale ressaltar que esse esforço conjunto não se caracteriza por uma forma de instrução instrucional dos professores do AEE aos professores generalistas ou vice-versa, mas sim pela busca de soluções que beneficiem os alunos de todas as formas possíveis (ROPOLI et al., 2010). Como todos sabemos, garantir que todos os alunos com deficiência ingressem nas escolas comuns, significa uma mudança no rumo da educação especial, ou seja, a premissa é eliminar as barreiras que as escolas comuns e as escolas de educação especial, estabelecem como as escolas dos diferentes, uma para alunos “normais” e a outra paraalunos “especiais”. Neste contexto, a proposta é uma organização pedagógica das escolas gerais e das práticas pedagógicas voltadas para oportunizar todas as oportunidades possíveis para que alunos com a determinada deficiência se tornem agentes capazes de gerar conhecimento/significado (ROPOLI et al., 2010, p.16-17). Por esta razão, é necessário formular uma gestão escolar conjunta entre as escolas em conjunto com a educação especial, encurtar a distância, atender e compartilhar a responsabilidade de ensinar e aprender, ou seja, as responsabilidades de ensino e aprendizagem mútua. No entanto, “a integração entre ambas não deve descaracterizar as respetivas características, abrindo espaço para a intersecção de capacidades protegidas pelos condicionalismos operacionais que as designam” (ROPOLI et al., 2010, p.18-19). 51 Porém, para a aprendizagem e desenvolvimento do aluno com deficiência não basta a escola oferecer o AEE, é preciso também mudar a prática pedagógica na perspectiva dos alunos, professores, currículo e gestão para promover a construção escolar. Um novo modelo de educação: uma pedagogia dialogada e interativa que considera as habilidades e possibilidades de aprendizagem de todos os alunos. Isso se configura como um dos grandes desafios da escola contemporânea, o de (re) significar e (re) pensar a diversidade que se encontra em seu cenário (ROPOLI et al., 2010). Até aqui! Você compreendeu que o AEE é um atendimento proporcionado por um professor de educação especial, que consegue identificar as barreiras existentes no ambiente escolar comum que impedem ou dificultam a convivência, o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes com deficiência ou algum tipo de transtorno. Assim, o profissional pretende identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da educação especial. 4 O DESENVOLVIMENTO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Conforme pesquisa apresentada por Pletsch e Glat (2012), as dificuldades quanto ao desenvolvimento dos alunos com algum tipo de deficiência intelectual, está inteiramente ligada à falta de formação ou conhecimentos dos docentes, os autores citam que ‘é preciso levar em consideração a supervalorização das habilidades cognitivas presente nas concepções dos educadores que torna esses sujeitos, em suas percepções, inelegíveis à aprendizagem formal’. Os resultados das investigações realizadas por Pletsch e Glat (2012) evidenciaram que as contradições e dificuldades vivenciadas pelos professores para desenvolver propostas educacionais com desenvolvimento e aprendizagem para alunos com deficiência intelectual. ➢ Mitos e preconceitos do desenvolvimento das crianças com DI: Conforme explica Teles (2010), ainda, existem mitos e preconceitos em relação ao desenvolvimento e a aprendizagem das crianças com o diagnóstico de deficiência intelectual. Muitos educadores acreditam que a deficiência é algo que impossibilita o 52 indivíduo, tendo como base para a compreensão um ponto de vista puramente biológico. Para Vigotski (2007), a aprendizagem é considerada a mola propulsora do desenvolvimento, pois é responsável pelo despertar de processos internos e pela formação das funções psicológicas superiores, que são culturalmente organizadas e especificamente humanas. Mendonça (2013) elucida que a criança com deficiência apresenta um desenvolvimento peculiar. Assim, para obter avanços em seu aprendizado, ela percorre caminhos diferentes, utilizando, de modo distinto, diversos meios e ferramentas mediacionais. Por isso, Santos e Barbato (2006) ressaltam que o professor precisa estar atento às possibilidades de cada criança para construir, com ela, estratégias de compensação em seu desenvolvimento. Por muito tempo, até se efetivarem as propostas de uma educação inclusiva, os alunos com deficiência intelectual foram segregados em instituições de ensino especial por apresentarem um desenvolvimento cognitivo diferenciado ou em desacordo com os padrões esperados. Segundo Glat e Fernandes (2005), de um modo geral, o modelo médico e clínico plantou os fundamentos educacionais e norteia o atendimento aos sujeitos com deficiência intelectual, até os dias de hoje. Acreditava-se, na década de 1960, por exemplo, que a pessoa com deficiência intelectual necessitava de terapias individualizadas, em instituições especializadas, o que gerou a criação acelerada de centros de reabilitação. A ideia central era de que as habilidades suprimidas pela deficiência poderiam ser ativadas e de que era preciso melhorar as pessoas deficientes para adequá-las à sociedade. A partir da década de 1970, com a institucionalização da educação especial, houve uma mudança do modelo médico para o modelo educacional no atendimento às pessoas com deficiência. Na busca de uma afirmação prático-teórica, apreenderam-se os avanços da pedagogia e da psicologia da aprendizagem, especialmente o enfoque comportamental, adotando-se métodos e técnicas de ensino baseadas na modificação de comportamento e no controle de estímulos. Os pressupostos eram de que o meio poderia oferecer condições adequadas para promover a aprendizagem e de que o deficiente tinha condições de aprender (GLAT & FERNANDES, 2005). 53 Vigotski (1998) afirma que: para a educação da criança com deficiência intelectual é importante conhecer o modo como ela se desenvolve. Não importa a deficiência e a insuficiência em si mesmas (ou o defeito), mas a reação de sua personalidade em desenvolvimento no enfrentamento das dificuldades decorrentes da deficiência Vigotski (1998, p. 104). Para este psicólogo, a aprendizagem escolar promove o desenvolvimento da pessoa com deficiência e o professor é a figura que desempenha papel primordial, enquanto mediador no processo de construção do conhecimento, no desenvolvimento cognitivo e na formação de conceitos científicos. 4.1 Alfabetização e letramento dos alunos com deficiência intelectual A alfabetização e o letramento de alunos com deficiência intelectual, são processos fundamentais para o desenvolvimento dessas pessoas, visando a sua participação ativa na sociedade e a construção de autonomia. Atualmente, o procedimento para alfabetização e letramento de alunos com deficiência intelectual envolve abordagens e estratégias específicas, que podem variar de acordo com as necessidades individuais de cada aluno, mas geralmente incluem os seguintes aspectos: Avaliação Individualizada: antes de iniciar qualquer processo de alfabetização, é essencial realizar uma avaliação individualizada do aluno com deficiência intelectual. Essa avaliação leva em consideração o nível cognitivo, as habilidades de comunicação, as dificuldades específicas e os interesses do aluno. Com base nessa avaliação, é possível planejar um programa de alfabetização adequado às necessidades do aluno. Metodologias Diversificadas: a alfabetização de alunos com deficiência intelectual muitas vezes requer o uso de metodologias diversificadas e adaptadas. Isso pode incluir o uso de recursos visuais, materiais concretos, atividades práticas e estratégias de ensino diferenciadas. Comunicação Alternativa: para alunos com deficiência intelectual que têm dificuldades significativas de fala e linguagem, a comunicação alternativa pode ser uma abordagem eficaz. Isso inclui o uso de símbolos, quadros de comunicação, dispositivos de comunicação assistiva (como tablets com softwares de voz) e outras 54 ferramentas que ajudam o aluno a se comunicar e participar ativamente das atividades de alfabetização. Inclusão em Ambientes Regulares: a inclusão de alunos com deficiência intelectual em ambientes regulares de ensino é uma prática recomendada sempre que possível. Isso permite que esses alunosinterajam com seus colegas sem deficiência, aprendam com seus pares e desenvolvam habilidades sociais e acadêmicas em um ambiente mais inclusivo. Adaptação Curricular: é comum adaptar o currículo escolar para atender às necessidades dos alunos com deficiência intelectual. Isso pode envolver a simplificação de tarefas, a definição de metas e objetivos específicos e o fornecimento de suporte individualizado. Apoio de Profissionais Especializados: profissionais da educação especial desempenham um papel importante no processo de alfabetização e letramento de alunos com deficiência intelectual. Eles podem fornecer orientação aos professores, adaptar materiais, trabalhar diretamente com os alunos e colaborar com a equipe escolar para desenvolver estratégias eficazes. Avaliação Contínua: a avaliação contínua do progresso do aluno é fundamental. Os educadores e profissionais de educação especial devem monitorar o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita do aluno, ajustando as estratégias conforme necessário. É importante lembrar que cada aluno com deficiência intelectual é único, e as abordagens de alfabetização devem ser adaptadas de acordo com suas necessidades individuais. Além disso, o apoio da família desempenha um papel fundamental nesse processo, com a criação de um ambiente de apoio em casa e a participação ativa no desenvolvimento da alfabetização do aluno. 4.2 As salas de recursos multifuncionais: conceituação e especificidades As Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) foram implantadas para disponibilizar AEE através do programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, visa apoiar o sistema de ensino geral da sua instituição e disponibilizar AEE para promover a inclusão escolar nas classes comuns de ensino. Essas salas são espaços compostos por equipamentos de informática, assistência técnica, 55 material didático e mobiliário adaptado para atender às necessidades educacionais especiais dos alunos (BRAGA, 2018). Para facilitar a implantação desse serviço, o MEC disponibiliza um manual de instruções: Programa de Implantação de Sala de Recursos Multifuncionais, contendo objetivos e ações, critérios de implantação, atendimento, matrícula e orientações escolares, composição da sala e orientações para acesso a materiais e recursos técnicos. As SRMs foram fornecidas para os estados e municípios, encarregando aos gestores responsabilidade de indicar as escolas a serem contempladas, conforme a necessidade, demanda com os critérios estabelecidos pelo programa. A entrega e a instalação dos equipamentos são monitoradas pelo MEC. Neste contexto, o MEC explica os conceitos, as definições, os objetivos e a quem se destina o trabalho realizado pelo atendimento educacional especializado nas salas de recursos multifuncionais, portanto, são espaços nas escolas onde são prestados serviços educativos, ou seja, o atendimento educacional para alunos com necessidades educacionais desenvolvendo estratégias de aprendizagem com foco em novas abordagens pedagógicas que facilitem a construção do conhecimento do aluno e apoiem sua participação no desenvolvimento curricular e na participação escolar (BRAGA, 2018). Os serviços oferecidos no AEE visam formar alunos com deficiência, permitindo-lhes participar das atividades diárias do centro, integrando-o no processo de ensino e aprendizagem de acordo com suas condições específicas, e alcançar um desenvolvimento cognitivo, social e acadêmico. As intervenções são desenvolvidas na interface com o trabalho desenvolvido na sala de aula comum, em contraposição às mudanças escolares, mas em diálogo entre os professores envolvidos. Os espaços físicos são projetados para atender a muitos requisitos diferentes, um espaço organizado com materiais e equipamentos de ensino e aprendizagem, bem como, os profissionais capacitados para atender as necessidades educacionais dos alunos deficientes. Contudo, este espaço pode ser utilizado para satisfazer as mais diversas necessidades educativas e para desenvolver diferentes complementos ou suplementos curriculares. A disposição do espaço deve atender às necessidades educacionais do seu público alvo, ou seja, alunos com deficiência, transtorno, altas habilidades, favorecendo o acesso ao conhecimento. É importante ressaltar que a matrícula de 56 alunos com deficiência no AEE é instruída à matrícula no ensino regular. Este serviço está disponível em centros de atendimento de educação profissional em redes públicas ou privadas sem fins lucrativos. Os centros devem estar em acordo com os aspectos disponibilizados pela Política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva (PNEE-PEI), como também, sobre as diretrizes operacionais da educação especial para o atendimento educacional especializado na educação básica. Os professores responsáveis pelo atendimento aos alunos nas salas, recursos multifuncionais, devem seguir as orientações estabelecidas em documentos expedidos pela Secretaria de educação especial (BRAGA, 2018). Os serviços no AEE devem ter em conta as circunstâncias únicas dos alunos com deficiência em termos de diferentes aos ritmos e estilos diversos de aprendizagem, bem como o desenvolvimento da independência e a promoção de processos inclusivos por recursos educativos, pedagógicos e de acessibilidade. É importante desenvolver um dinamismo de trabalho alinhado com as potencialidades desses indivíduos, facilitando o desenvolvimento de competências que potenciem a aprendizagem numa sala de aula inclusiva. O AEE pode ser feito em aulas individuais ou em pequenos grupos conforme as necessidades dos alunos. Atuar no AEE requer um caráter interativo e interdisciplinar. Portanto, é necessário fiscalizar o trabalho das classes regulares e também das salas de recursos e centros de atendimento, dos centros de acessibilidade das instituições de ensino superior e das classes hospitalares de prestação de serviços e recursos de educação especial. Todos os planos ou programas e ações do governo federal com respeito aos estados e municípios e Distrito Federal pressupõem um mecanismo cooperativo que atribui responsabilidades a cada rede de ensino quanto ao sistema de ensino no que se refere ao Programa Implantação salas de recursos multifuncionais. O MEC garante que sejam tomadas as seguintes ações dentro de sua área de responsabilidade como acesso aos recursos das salas; salas disponíveis e normas adotadas, fiscalização da entrega de materiais às escolas, sistema de orientação e ensino, cadastro de escolas com recursos multifuncionais, formação continuada dos professores do AEE, encaminhamento, assinatura e publicação dos contratos de doação, dualização dos recursos das salas implantadas pelo Programa e apoio à 57 acessibilidade. Essas e outras ações são realizadas por meio de políticas públicas, leis e programas de apoio à diversidade nas escolas, (BRAGA, 2018). Contudo, de acordo essa temática da inclusão, pesquisas mostram a relevância das atividades que se traduzem no dia a dia escolar, em relação ao fazer pedagógico diário e nas possibilidades de viver experiências com a diversidade. Embora a legislação e as políticas públicas afirmem o direito dos alunos de frequentar escolas públicas regulares, sabemos que ainda existem muitas lutas para efetivar as condições por vários motivos, o governo não garante todos os recursos, as escolas ainda não apresentam experiência suficiente com a inclusão, os profissionais estão em processo de formação contínua e os desafios aparecem cotidianamente. O trabalho docente é realizado diariamente, tanto teoria quanto a prática se somam buscando acolher a diversidade e o AEE se insere no processo como espaços de referência para a educação especial nas escolas comuns. Portanto, acreditamos que a organização do AEE é relevante para o processo de inclusãoeducacional e é necessário utilizar múltiplos recursos: materiais, físicos, humanos e pedagógicos, instrumentos para que os alunos com deficiência, possam ter acesso ao currículo como uma forma garantida de aprender. Com base nas informações fornecidas no documento MEC/SECADI/2013, de 2005 a 2013, foram implantadas 4.000 salas em todo o país, totalizando 41.801 Salas de Recursos Multifuncionais ao nível nacional MEC/SECADI (MEC, 2013, p. 09) por meio da Portaria Ministerial n. º 13/2007, que integra o Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE e o Programa Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite, respeitando as seguintes características: ➢ Dar suporte a organização para a educação especial direcionado a perspectiva da educação inclusiva; ➢ Garantir o total acesso dos alunos que são públicos alvo da educação especial no ensino regular em igualdade criando condições com os demais estudantes; ➢ Possibilitar os recursos pedagógicos e prover a acessibilidade as escolas regulares da rede pública de ensino; ➢ Possibilitar o desenvolvimento profissional e a inclusão da comunidade escolar; 58 Para atingir esses objetivos, o MEC (SECADI, 2013) empreende as seguintes ações: ➢ A obtenção dos recursos que constituem as salas; ➢ Informações sobre a disponibilidade referente as salas e das regras adotadas; ➢ Acompanhamento da entrega e instalação dos itens às escolas; ➢ Orientar sobre os sistemas de ensino para organização e oferta do AEE; ➢ Foi implementado o cadastramento escolar para salas de recursos multifuncionais implantadas; ➢ A progressão da formação continuada de professores para atuação no AEE; ➢ Publicação dos termos de doação; ➢ O desenvolvimento da formação continuada de professores para atuação no AEE; ➢ Suporte financeiro, através do PDDE escolas acessíveis, para adequação arquitetônica, considerando, a promoção de acessibilidade nas escolas, com salas implantadas. Segundo Braga, (2018), a implementação das salas de recursos multifuncionais é definida pelos gestores como o planejamento de ofertas de AEE e indicação de escolas a serem consideradas, conforme as necessidades da rede, atendendo aos seguintes critérios programáticos: ➢ A secretaria de educação a qual se vincula a escola deve ter elaborado o Plano de Ações Articuladas – PAR, registrando as demandas do sistema de ensino com base no diagnóstico da realidade educacional; ➢ A escola indicada deve ser da rede pública de ensino regular, conforme registro no Censo Escolar MEC/INEP (escola comum); ➢ A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno (s) público alvo da educação especial em classe comum, registrado (s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala Tipo I; ➢ A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno (s) cego (s) em classe comum, registrado (s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala de Tipo II; A escola deve ter disponibilidade de 59 espaço físico para o funcionamento da sala e professor para atuação no AEE. ➢ O governo pretende, as ações direcionadas às escolas e às secretarias de educação, assim, sua função está em organizar a implantação de novas salas de recursos multifuncionais com atividades voltadas para escolas e secretarias de educação. Essas são ações articuladas entre o Censo, MEC e o INEP. No entanto, é importante lembrar da responsabilidade da administração escolar, não apenas o espaço ou o cadastramento da SRMs no MEC, bem como, a organização do orçamento escolar, recursos comuns como papelaria, jogos didáticos, adaptação de materiais pedagógicos, entre outros. ➢ Segundo documento do MEC (BRASIL, 2010), a formação das Salas de Recursos Multifuncionais, pretende atender às necessidades do sistema educacional. A tipologia da sala é caracterizada na fundamentação dos dados do Censo escolar, classificadas como sala do tipo I e sala do tipo II, que serão apresentadas no próximo tópico. 4.3 Composição das salas de recursos multifuncionais Segundo Braga (2018), as Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) são denominadas por Tipo I e Tipo II, sendo compostas por equipamentos, tais como, móveis e materiais didáticos pedagógicos (Tipo I) e ferramentas e materiais didáticos pedagógicos destinados especificamente a alunos com cegueira e deficiência visual (Tipo II). As Salas de Recursos Tipo I são constituídas pelos seguintes itens: Quadro 1- Composição de Salas de Recursos Multifuncionais Tipo I 60 Fonte: SECADI, (2012). As salas de recursos relacionadas ao Tipo II consistem em todos os recursos da sala do Tipo I, adicionados os recursos de acessibilidade para alunos com deficiência visual, conforme abaixo: Quadro 2- Composição de Salas de Recursos Multifuncionais Tipo II. Fonte: SECADI, (2012). Com base nas especificações de cada sala de aula, é necessário que as escolas públicas reservem espaço físico para funcionamento da SRM onde serão realizados os Atendimentos Educacionais Especializados - AEE. Possuem mobiliário, 61 materiais didáticos e materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e equipamentos específicos para atender alunos direcionados à educação especial e alunos que necessitam de AEE no contra turno escolar. A organização e gestão deste espaço é da responsabilidade da direção escolar, devendo os professores que exercem este serviço educativo estarem formados para lecionarem ao nível básico e adquirirem conhecimentos específicos da educação especial em programas de aperfeiçoamento e especialização (BRAGA, 2018). Enfim, afirmamos que os serviços oferecidos pelo AEE à SRM não devem se limitar a como um guia, mas sim como uma proposta de planejamento do AEE para complementar ou completar as atividades escolares. O plano AEE serve como base para um plano de aula ou serviço e contém todos os objetivos e recursos destinados a fornecer atendimento individual aos alunos. Deve ser dominado de forma flexível segundo as necessidades específicas de cada disciplina, dando ênfase em suas potencialidades e condições de acesso a oportunidades de aprendizagem. Assim, você conseguiu identificar os aspectos e características da sala de recursos multifuncionais do tipo I e tipo II e as suas composições. 4.4 A relação professor-aluno como um indicativo social para a construção de uma sala de aula inclusiva Como parte integrante da escola, o professor deve ter uma responsabilidade e uma obrigação para com o aluno, dando apoio para que esses se tornem um cidadão participativo na sociedade em sua totalidade. Bessa (2011) e Libâneo (1994) afirmam que a característica mais importante da atividade profissional do professor é a mediação entre os alunos e a sociedade. Segundo Morales (2001), a relação professor-aluno em sala de aula é complexa e multifacetada, ou seja, não pode ser reduzida a uma relação educacional fria ou a uma relação humana calorosa. Mas toda a relação professor-aluno deve ser encarada por um modelo simples e diretamente relacionado com a motivação, mas deve incluir tudo o que acontece na aula, devendo ser desenvolvidas atividades motivacionais. Assim, a relação entre professor e aluno envolve comportamentos intimamente relacionados em que o comportamento de um desencadeia ou facilita o comportamento do outro. Dessa forma, os alunos não se tornam repositórios de conhecimento memorizado como fichários ou gavetas. Um aluno é uma pessoa que 62 pensa, reflete, discute, expressa opiniões, participa e decide o que fazer e o que não quer. Para facilitar essa relação professor-aluno em sala de aula, é preciso que professores e alunos contribuam para a melhoria de todos os alunos com deficiência que exigem uma inclusão justa e satisfatória desses professores, entre outros fatores precisam de empatia e aceitação dos professores e demais componentes escolares.A aceitação ou consideração positiva incondicional do professor pelo aluno inclui uma atitude de aceitação e respeito irrestritos pelo aluno, que acolhe suas diferenças e respeita sua singularidade porque ele é digno de confiança. Nesse sentido, é a questão da aceitação incondicional que merece atenção, o que nos remete à estrutura da consistência, pois a aceitação incondicional dos alunos às vezes compromete o princípio da autenticidade. Nesse sentido, merece atenção a questão da aceitação incondicional, o que nos remete à estrutura da coerência, uma vez que a aceitação incondicional dos alunos pode, por vezes, comprometer o princípio da autenticidade. Segundo Rogers (1971) a aprendizagem significativa é provável quando o professor consegue ler as respostas íntimas de seus alunos, quando eles têm um forte senso de como os alunos percebem o processo de ensino e aprendizagem. Porém, colocar-se no lugar do outro e enxergar as situações pelos ‘olhos’ de nossos alunos é uma atitude rara em nossas escolas. Para alguns professores, construir uma relação empática pode ser difícil, pois ‘sair’ do seu lugar, assumindo para si, algumas atitudes dos alunos, nem sempre. Assim, seja qual for o motivo (real ou imaginário), um aluno fica aquém das expectativas, ou não está andando no ritmo esperado, evidencia uma série de sentimentos conflitantes com os quais os professores devem lidar em sala de aula. O conflito é a base das relações humanas. Assim, embora reconhecendo que as relações docentes são facilitadas pela presença de certas atitudes, seria utópico esperar que os professores sejam empáticos em todas as situações. Vale ressaltar que as instituições de ensino têm avançado na inclusão de alunos com deficiência, levando os professores a buscarem novos paradigmas de ensino e novas formas de ensinar a fim de incluir todas as pessoas no ensino regular e aumentar a autonomia e independência desses alunos. Os professores têm a responsabilidade de realizar um trabalho que se concentre na igualdade e de oportunidade a todos, e isso não requer uma abordagem única de educação, mas a 63 capacidade de fornecer a cada indivíduo uma abordagem educacional que melhor atenda às suas necessidades, com base em suas características, interesses e habilidades (ROGERS,1971). Formar um ensino que respeite e aprenda com a diversidade das pessoas, valendo-se do conhecimento que cada indivíduo constrói numa perspectiva de crescimento interpessoal, pois a probabilidade dessas pessoas aprenderem está diretamente relacionada à intenção de aprender, influenciada pelos professores e todas as disciplinas pertinentes, independentemente de sua necessidade e/ou habilidade, adquiram novas funções cognitivas fundamentais para suas trajetórias escolares. A inclusão implica uma mudança de políticas e programas educacionais de exclusão para inclusão, criando um ambiente em que as práticas não precisam ser confinadas a sistemas educacionais paralelos. Para que os professores possam atuar na educação inclusiva, são necessárias reformas estruturais e pedagógicas que quebrem barreiras e abram portas para alunos com diferentes tipos e graus de dificuldades e habilidades. Por fim, aponta-se a importância do professor nesse processo, pois por meio dele, os alunos aprendem a conviver com as diversidades e diferenças em sala de aula, de forma que o ensino foque na compreensão e no respeito mútuo, sem discriminação, pois não existem pessoas melhores e nem piores devidos às suas particularidades, o que existe são diferenças que precisam ser superadas (ROGERS,1971). Para finalizarmos esse conteúdo, vamos abordar sobre educação inclusiva, professor, escola e família, pois, é importante que você saiba que no contexto da educação inclusiva, essa relação família-escola-professor, ajuda a suprir as necessidades da escola, empodera e estimula a autonomia das crianças com deficiência, capacitando-as a superar barreiras e cristalizar o processo de ensino, uma vez que as famílias que sabem podem proporcionar aos educadores sua história e necessidades da criança por meio de entrevistas, estabelecendo mecanismos que auxiliem no processo de ensino e aprendizagem da criança. 4.5 Educação inclusiva: professor, escola e família A educação está em todos os lugares, casas (famílias), indústrias, escolas, instituições esportivas, hospitais, em todos os cantos do mundo. Nessa visão, Freire 64 (1999, p. 25) apontou: “ensinar não é disseminar conhecimento, mas criar possibilidades para a produção ou construção do conhecimento”. Neste contexto, deve-se entender a educação como um progresso dinâmico e flexível, que possibilite ao ser humano interagir diretamente com a sociedade, desenvolver suas potencialidades, decidir sobre seus objetos e ações. Assim, as famílias, por sua vez, empoderadas e conscientes das deficiências e de seus direitos e responsabilidades, podem trabalhar com informações e ideias e participar das tomadas de decisões, contribuindo assim para a mudança de hábitos e aprimoramento da tecnologia para o processo de ensino e aprendizagem, levando em consideração ter em conta as diversas características dos alunos com deficiência e a necessidade da inclusão escolar como um direito fundamental destes alunos, fundamentalmente num ambiente escolar inclusivo para alunos com deficiência. Nesse sentido, a educação deve ser entendida como uma progressão dinâmica e flexível, permitindo que as pessoas interajam diretamente com a sociedade, desenvolvam seu potencial, definam seus objetivos e ações. Assim, Carvalho (2000, p. 164), afirma que a “transformação social é a transformação das condições concretas da vida humana” É um processo histórico condicionado pelas condições de vida e pelos resultados das ações históricas humanas. Os autores supracitados apontam que não há necessidade de colocar essa responsabilidade nos professores, apenas para reconhecer que eles desempenham um papel importante nesse sentido. Para cumprir essa responsabilidade, eles precisam de conhecimentos estritamente relacionados às disciplinas ensinadas. Eles precisam ter a capacidade de contribuir para a educação, não apenas para a transmissão de conhecimento. Entende-se que a escola é de todos, independentemente de sua origem social, país ou etnia de origem. Alunos com necessidades educacionais especiais recebem atenção individualizada para que possam superar as dificuldades. A experiência escolar mostra que a inclusão é favorecida quando são observados os seguintes aspectos: preparação e dedicação do professor; fornecimento de apoio dedicado aos que precisam e a realização de adaptações curriculares e de acesso ao currículo, se pertinentes (CARVALHO, 1999). 65 4.6 As práticas educativas como indicadoras de pertenças sociais Segundo Edgar Morin (1997), desde do final da década de 1980, o conceito de cultura foi acentuado como um agrupamento de diferentes formas de fazer as coisas, definidas por grupos sociais, e pelas estratégias utilizadas e representadas em situações sociais específicas. Na perspectiva do autor, O termo ‘cultura’ na sociedade atual oscila entre o significado total e o significado residual, entre os significados sócio etnográficos e moral-estéticos sendo a primeira tendência, derivada do estruturalismo, e a segunda fundamentada no plasma existencial. A fim de compreender as mudanças culturais que ocorreram no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, ele sugeriu a análise cultural como um programa de estudos. Em outra corrente de pensamento, oriunda da década de 1960 tematizada nos textos de Edgar Morin, que impactaram na Europa e nos Estados Unidos, compreendem as teorias sistêmicas, como um conjunto variado de modos de fazer e proceder. Para este autor, um sistema não é uma unidade dada objetivamente, mas sim o resultado de uma ação seletiva de observadores,determinados por padrões culturais, de acordo com seus interesses cognitivos e pressupostos teóricos. As formas culturais na sociedade são construídas e se tornam situações cotidianas, embora no momento da interação, serem possíveis processos de transformação mediado pelos chamados meios de comunicação, isto é, a verdade, o amor, o dinheiro, o direito e o poder. Nos sistemas sociais, a comunicação não ocorre apenas por meio da linguagem, mas também pode ser moldada por instituições complementares relacionadas à linguagem, como modos de comunicação e expectativas mútuas de vida, através de símbolos concretos de vivência da atualidade (MORIN, 1997). Atualmente, o tema do multiculturalismo, como conceito e como projeto, ocupa cada vez mais espaço nos debates no campo da educação, colocando em evidência o problema da diversidade cultural no mundo moderno, um dos grandes desafios da educação básica é lidar com precisão com a diversidade que existe em todas as suas formas, nível socioeconômico, gênero, raça, etnia, orientação sexual, religião, idade, deficiências, entre outros. No contexto atual, a educação tem se mostrado um terreno fértil para analisar as questões da diversidade, muitas vezes sob a ótica das diferenças étnicas, culturais e linguísticas (MORIN, 1997). 66 O princípio da educação intercultural é a interação entre as diversas formas de expressão cultural que compõem a sua paisagem, e não basta saber reconhecer as diferenças, requer a interação entre elas, a consciência e vivência da diferença. É sempre bom lembrar que viver em sociedade envolve situações inesperadas e por vezes difíceis de absorver e entender pelo estranhamento vivido. A relação com o outro, apesar da dificuldade de convivência não é impossível, pois nos deparamos com o problema de respeitar a diferença e a convivência em sociedade, e neste caso é preciso tratar o outro com igualdade e honestidade. É sempre bom lembrar que viver em sociedade é conviver com pessoas Situações inesperadas e por vezes difíceis de assimilar e compreender por nós (MORIN, 1997). O pensamento de Michel Foucault também é bastante pertinente para a discussão sobre as relações de poder presentes na escola e sua relação com a cultura ou culturas que caracterizam um ambiente escolar. Em suas obras, Foucault propõe uma análise crítica das instituições sociais, mostrando como elas estão inseridas em um sistema de poder que atua de forma difusa e muitas vezes invisível. Nas palavras de Foucault (1999, p. 181) “na escola, não são só as relações de poder, habilidade e a fonte de lidar com as coisas, mas também os meios de mecanismos de comunicação que constituem os sistemas regulados e ajustados”. No caso da escola, Foucault argumenta que o poder não está concentrado apenas nas figuras de autoridade, como os professores e diretores, mas está presente em toda a estrutura da instituição. Isso inclui os mecanismos de comunicação, como as regras, normas e procedimentos que são usados para regular o comportamento dos alunos e garantir a ordem na sala de aula. Contudo, você precisa observar a conexão entre os conteúdos e a relação do autor com os outros. Foucault é situado por Morin o campo do estruturalismo. Uma escola é uma instituição regida por um conjunto de normas e regras, eles procuram unir e determinar a ação de seus sujeitos. Por pertencerem a uma estrutura social mais ampla que inclui crianças pobres e crianças com maior poder aquisitivo e privilégio, as escolas acabam por representar mais uma cultura de classe privilegiada, vista no conceito de normas e regras. A função social da escola é preparar os alunos com esses valores, é possível percebê-los, invertê-los e redimensioná-los de acordo com suas reais proporções e consequências. É primordial que uma escola observe, ouça, perceba e identifique as 67 ideias, conhecimentos, atitudes, princípios e cultura de sua população em suas atividades cotidianas. As escolas devem se adaptar a seus alunos, pais e comunidades dessa maneira e realizar seu próprio processo educacional (FOUCAULT, 1999). A escola é um espaço disciplinar cuja função é desenvolver os alunos levando em consideração as formas, valores, interesses e normas que prevalecem na sociedade também é considerado um espaço autoritário, individualista, excludente, bem como, um espaço de resistência por parte dos alunos. Assim, as respostas dos alunos indicarão se são necessárias alterações na estrutura. Conforme Foucault (1997), a disciplina é um meio de exercício do poder, uma técnica de poder nascida e desenvolvida na sociedade moderna. O poder da atividade disciplinar ocorre em diferentes ambientes sociais: em instituições especializadas, tais como, prisões ou instituições corretivas, em instituições onde é utilizado como ferramenta essencial para uma finalidade específica, como as instituições de ensino, hospitais, em instituições que a preexistem e a incorporam a família, o aspecto administrativo cuja função é fazer prevalecer a disciplina na sociedade, a polícia. Professores e alunos têm ideias e expectativas diferentes sobre relacionamentos e conteúdo em sala de aula. Precisamos entender onde essas pessoas estão e quais são as suas respectivas atividades e interesses. Os professores podem ser boas pessoas, desenvolver relacionamentos muito próximos com os alunos e até atuar como facilitadores das interações em sala de aula, mas não abrem mão de seu papel de autoridade, fazendo a diferença entre os objetivos propostos e a vida real. Os papeis sociais são delimitados como fator de posicionamento e normatização (FOUCAULT, 1997). Para enfatizar que a aprendizagem não se limita apenas ao ambiente escolar, muitos outros espaços têm sido reconhecidos como locais de interação social e de cultura. Segundo Bourdieu (1979), a cultura é um sistema com significados hierárquicos e um campo de batalha entre grupos que buscam preservar benefícios exclusivos. Observa-se, assim, que a cultura é uma prática social que ocorre em esferas de experiência distintas, devido à coexistência de diferentes culturas e práticas organizadas que são dominantes, testemunhando a existência de uma especialização crescente dos agentes culturais legitimados em símbolos presentes na cultura 68 dominante. Dessa forma, as práticas culturais, incluindo suas formas de produção e consumo, tendem a identificar o pertencimento social segundo uma lógica de distinção. Portanto, embora o termo ‘cultura escolar’ seja frequentemente considerado único, ele engloba uma miríade de áreas específicas do funcionamento escolar. A cultura escolar não é apenas um conceito teórico, mas também envolve implicações práticas. Vários estudiosos têm enfatizado que essa compreensão tem agregações positivas e carrega esperança, especialmente diante dos desafios enfrentados diariamente nas escolas. A abordagem antropológica reconhece a existência de culturas exclusivas e confere autoridade à diversidade de expressões culturais e suas diferentes manifestações na definição do conceito de cultura escolar. Nesse sentido, podemos dizer que a cultura escolar é construída no ambiente escolar. No entanto, a relação entre cultura e escola ocorre de forma espontânea e é implementada por meio de grupos sociais. Assim, a cultura e a escola caminham juntas com o propósito de melhorar a vida escolar (WALTEROVÁ, 2001). 69 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAIDD. 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