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1 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 2 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 3 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino Revisão Ortográfica: Clarice Virgilio Gomes / Bianca Yureidini Santos PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 6 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professora: Milena Barbosa de Melo 7 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S A deficiência intelectual é uma aquisição lenta e incompleta de habilidades cognitivas durante o desenvolvimento humano, o que acaba por levar a limitações substanciais no desenvolvimento atual. Caracteriza-se por um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, que ocorre paralelamente às limitações associadas em duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: co- municação, cuidados pessoais, vida doméstica, habilidades sociais, utilização da comunidade, autogoverno, saúde e segurança, habilida- des acadêmicas funcionais, lazer e trabalho. Assim, a deficiência inte- lectual pode ser definida como a deficiência que apresenta limitações importantes no funcionamento da pessoa, tanto no desempenho cog- nitivo como na adaptação ao grupo e seu desempenho social. Inclusão. Deficiência Intelectual. Acessibilidade. 9 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA MENTAL Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 13 44 22 Conceito de Retardo Mental e suas Implicações Educativas _____ Implicações Educacionais ______________________________________ Deficiência Mental de Diferentes Modelos e Teorias ______________ CAPÍTULO 02 CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL AINDA TÊM DIFICUL- DADES DE INCLUSÃO A Perspectiva Histórico-Cultural e a Educação Especial __________ 32 28Recapitulando ________________________________________________ Recapitulando _________________________________________________ 47 CAPÍTULO 03 CAUSAS DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E AS ALTERAÇÕES SENSO- RIAIS E MOTORAS Transtorno do Desenvolvimento: Deficiência Intelectual _______ 51 Quadros Clínicos Associados à Deficiência Intelectual ___________ 56 Recapitulando ________________________________________________ 66 Considerações Finais __________________________________________ 70 10 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Fechando a Unidade ____________________________________________ 72 Referências _____________________________________________________ 75 11 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Esta disciplina é projetada para você que terá duas ou três crianças com necessidades educacionais especiais para deficiência in- telectual entre seus alunos. Mas é claro que também pode atender os professores especialistas da área, especialistas em pedagogia terapêu- tica e, em geral, qualquer membro da comunidade educacional de um centro que esteja interessado em conhecer um modelo de atenção para esse tipo de alunos no sistema educacional. Vamos falar sobre os alunos com deficiências intelectuais (DI – Deficiência Intelectual) que temos, mas você verá que a maior parte do que é dito aqui é aplicável a qualquer aluno com deficiências em geral, e até mesmo a muitos alunos de ensino. Sua tarefa é cuidar desses alunos com D.I. e, além de seus vinte e seis ou vinte e sete companheiros diante de quem você tem todos os dias o compromisso de fazer avançar a classe, cobrindo todos e tentando educar-se e aprender o conteúdo em sua programação em sala de aula. Não é um trabalho fácil. Hoje, em cada aula, a diversidade de circunstâncias pessoais que afetam o aprendizado aumenta. A generalização da educação, a conquista fundamental de uma sociedade moderna, levou as escolas a aceitar a maior parte dos problemas da população em idade escolar que antes era excluída à medida que os cursos progrediam. Isso já é uma realidade; O que não é tão importante é que os recursos necessários para responder a essa realidade social estejam disponíveis para os profissionais docentes. Devemos reconhecer que o progresso tem sido feito neste domí- nio, mas também tem que manter dizendo que mais recursos, especial- mente humanos e uma maior capacidade de lidar com a complexidade com que um professor na sala de aula é, são obrigados a adotar medidas organizacionaise metodologias ajustadas às necessidades de cada cen- tro educacional e de cada criança em particular. Mas fazer esta declara- ção não deveria significar de nossa parte permanecer na mera denúncia. Os educadores têm uma missão a assumir. É conveniente co- nhecer a natureza desta missão, suas implicações e os meios com os quais temos ou com os quais podemos ser capazes de dizer se formos claros sobre o que devemos pedir. Isso é o que queremos nestas pá- ginas: que você tem uma ferramenta útil para ajudá-lo a refletir sobre o papel que você enfrenta e aspectos envolvendo: psicológica, educacio- nal, pedagógica, organizacional. Nossa esperança é que esta reflexão irá ajudá-lo a ter ideias claras, ou seja, o terreno que você pisa, a natureza do seu trabalho, os campos que você deve levar em conta e explorar. Também para avaliar o alcance real de suas possibilidades e identificar o que não é possível 12 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S ou é muito difícil, para que você possa permanecer calmo quando você não o alcança. Nós gostaríamos de ajudar, no final do dia, ou em momentos de reunião ou de avaliação. Após os anos de experiência que estamos acumulando, cresce a nossa certeza de que a educação é uma tarefa em equipe, síncrona e diacrônica. Gostaríamos de desmantelar os orçamentos presentes na mentalidade da Administração Educacional e na engenhosidade de muitos profissionais, incluindo alguns professores, segundo os quais o tutor deve ser um especialista, não só na psicologia evolucionária de alunos de diferentes idades a quem o grau tem o direito de ensinar, e no campo científico e metodológico dos ensinamentos que ele transmite, mas também no amplo espectro de alterações, patologias, síndromes que podem ser aceitas em sua escola e em todos os aspectos relacio- nados a técnicas terapêuticas e reeducação. Na exposição que você encontrará aportes importantes. No fi- nal, expomos claramente as fontes sobre as quais apoiamos nossos argumentos. 13 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A SCONCEITO DE RETARDO MENTAL E SUAS IMPLICAÇÕES EDUCA- TIVAS O realismo considera que o mundo social existe "lá fora", inde- pendentemente da apreciação individual e é tão concreto quanto o mun- do físico. O nominalismo, por outro lado, considera que o mundo social externo à cognição individual é composto de nomes, conceitos e rótulos que servem como ferramentas para descrever, interpretar e administrar o mundo externo. O positivismo tenta explicar e prever eventos sociais investigando regularidades e determinando relações causais. O crescimento do conhecimento é visto como um processo es- sencialmente cumulativo, no qual novas informações são adicionadas ao conjunto de conhecimentos existentes, e nas quais falsas hipóteses INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA MENTAL D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 13 14 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S são eliminadas. O antipositivismo, ao contrário, considera que o mundo social é essencialmente relativista, compreensível apenas do ponto de vista dos indivíduos diretamente envolvidos nas atividades investiga- das. O determinismo considera que os seres humanos respondem de maneira mecânica ou mesmo determinista diante das situações com as quais se encontram em seu mundo externo. O voluntariado atribui aos seres humanos um papel mais criati- vo. Assume livre-arbítrio, autonomia e considera que os seres humanos são capazes de criar seus próprios ambientes e controlá-los, em vez de serem controlados por eles. Metodologias nomotéticas são adotadas por cientistas sociais que tratam o mundo social como se fosse uma realida- de objetiva e externa. Procuram-se leis universais para explicar e gover- nar a realidade social, concreta e objetiva, cuja existência é assumida. Metodologias ideográficas são adotadas por aqueles que assu- mem a importância da experiência subjetiva dos indivíduos no processo de construção de mundos sociais. Sua preocupação é entender as ma- neiras pelas quais os indivíduos constroem socialmente, modificam e interpretam o mundo social em que se encontram. Os paradigmas objetivos consideram a deficiência mental como algo real e inerente à pessoa, que pode, portanto, ser medida e diagnosticada. Pelo contrário, para os paradigmas subjetivos, a defici- ência mental não existe em sentido absoluto, é interativa e é o reflexo de uma situação concreta. Nesse sentido, As pessoas com deficiência têm oportunidade de preparar-se para a vida na comunidade, os professores melhoram suas habilidades profissionais e a sociedade toma a decisão consciente de funcionar de acordo com o valor social da igualdade para todas as pessoas (STAINBACK et alli,1999, p. 21) Assim, como uma pessoa mentalmente deficiente se vê e se define é condicionada por significados socialmente construídos. A socio- logia da regulação, a posição dominante no Ocidente, reflete a posição dos teóricos preocupados em explicar a unidade e a coesão subjacen- tes na sociedade. Os teóricos da sociologia da mudança radical vêem a sociedade moderna caracterizada por conflitos, modos de dominação e contradição. Eles se preocupam com a emancipação do povo em rela- ção às estruturas sociais e ideológicas existentes. Os paradigmas de regulação e consenso consideram a defi- ciência mental como um comportamento disfuncional, de modo que os programas de tratamento visam tornar o comportamento das pessoas com deficiência mental mais funcional para a sociedade. Muitas das 15 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S preocupações dos paradigmas de consenso como a solidariedade, a in- tegração social e atender as necessidades são refletidas em muitas das propostas do movimento integracionista a normalização, protecção dos direitos humanos e cidadãos do, integração escolar deficiente mental como um instrumento para a integração social, as necessidades educa- tivas especiais e a responsabilidade da escola em satisfazê-las. A sociologia da mudança radical ou conflito considera o com- portamento, a linguagem e as regras de um grupo socialmente subor- dinado deficientes mentais, considerados, não são adequados para a plena participação na sociedade e são consideradas como excesso de população, traduzindo pesquisa em temas como poder e discriminação. A deficiência intelectual é caracterizada pelo funcionamento cognitivo que não corresponde à média esperada, ou seja, que esteja abaixo do que é con- siderado normal. A dúvida de pais e mães se deve aos campos que podem ser direta ou indiretamente afetados pelo desempenho cerebral da criança, por exemplo.A questão em si não deve se pautar pela suposição, mas pela certeza de um diagnóstico que seja certificado por um profissional de saúde. Por se tratar de uma limitação que atinge determinadas habilidades da pes- soa, é sempre bom lembrar que os casos devem ser analisados de forma iso- lada pelas peculiaridades que cada paciente tem. (ANTUNES, 2012, p. 24) - Questionam a deficiência mental como uma categoria de diagnóstico, especialmente a etiologia sociocultural, argumentando que em muitos casos deficiência mental não responde a características ine- rentes alunos, mas com os valores e expectativas da escola. - investigar o comportamento de resistência e de estudante não-conformidade para o sistema escolar enraizado em sentimentos de indignação estudante moral e política, considerando que muitos de "a" chama deficiências "responder a tais respostas em vez de uma disfunção real. - Consideram que agrupamentos de estudantes por habilidades homogêneas, praticadas regularmente por educação especial, respon- dem mais a razões sociopolíticas do que à própria habilidade do sujeito. - Consideram que a deficiência mental é produzida não apenas por déficits orgânicos, mastambém por interações sociais; Assim, os déficits apresentados pelos sujeitos com deficiência mental podem ser aumentados ou minimizados pela interação social, consequentemente, a educação deve preocupar-se principalmente com a ordenação das condições sociais de instrução. - A partir da teoria da "zona de desenvolvimento proximal" ana- lisar a negociação de significado (professor-aluno), resistência à autori- dade, a exclusão de determinadas atividades e não-identificação e des- motivação dos alunos com deficiência para trabalhar com o professor. 16 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Ao unir todas as dimensões: objetiva-subjetiva, macroscópica- -microscópica (ordenconflicto), um mapa conceitual de quatro paradig- mas do pensamento social científica, cada um dos quais tem uma visão mutuamente exclusivos do mundo social e como ela pode ser investiga- da ocorre. São paradigmas funcionalistas, interpretativos, humanistas e estruturalistas. O paradigma funcionalista tem sido o predominante na educa- ção especial. Apoiado por uma visão fundamental da ciência, é a base de práticas educacionais desenvolvidas tanto em centros específicos quanto no primeiro período do movimento integracionista. conceito de- ficiência mental desta abordagem, educação especial assume que a deficiência mental é uma característica intrínseca do assunto, o que pode ser medido e diagnosticado, e sua ação é destinado para reabilita- ção e cura déficits com objetivo de tornar os sujeitos mentalmente defi- cientes mais funcionais dentro da sociedade, utilizando exclusivamente metodologias individualizadas e exclusivas para deficiência mental, por meio de um currículo específico ou compartilhando-o com um currículo comum em algumas áreas do conhecimento. Implicações curriculares. A figura 01 traz os paradigmas funcionalistas: Figura 1 – Paradigma funcionalista Fonte: Elaborado pela autora (2019) A base científica deste tipo de educação especial no conheci- mento médico e psicológico e envolve: - Um ensinamento de diagnóstico-prescritiva, projetando pro- gramas de instrução com base nos resultados de testes de diagnóstico. O desenvolvimento de competências específicas, desenvol- vendo os objetivos instrucionais em subcapacidades, que serão en- sinados através do uso de uma hierarquia de procedimentos para a aquisição de uma determinada capacidade. Em relaçãp às implicações organizacionais, o modelo funcionalista tem sido o apoio de uma orga- nização escolar burocrática na educação exclusiva já desacreditada em centros específicos, bem como as primeiras propostas integracionistas. 17 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S A primeira revolução da educação especial nos anos setenta (integração escolar) não questiona a organização burocrática da esco- la, mas o seu objectivo é a excelência e melhoria da organização. Para isso, visa aumentar a racionalidade e a padronização no ambiente de trabalho. Ele defende um objetivos de ensino, estabelecendo uma con- tinuidade de serviços (serviços diferenciados), medição interdisciplinar, o envolvimento dos pais, planejamento individualizado e escolher o am- biente menos restritivo possível. Reproduz as classes especiais nos centros comuns como uma nova maneira de reproduzir e entender a forma burocrática de organi- zação. Os serviços comunitários são fragmentados, desconectados e descoordenados, e visam atender a uma necessidade específica. As características das organizações burocráticas são: - Elas são baseadas em conhecimento objetivo. O cientista é considerado um observador neutro e desapaixonado. Os profissionais utilizam o conhecimento objetivo para resolver os problemas e fazer uma aplicação desinteressada dos mesmos no interesse do cliente. A relação entre profissionais e clientes está na forma de um monólogo e eles aceitam as prescrições dadas pelos especialistas. - Elas desenvolvem formas padronizadas de trabalho e seu ob- jetivo é aperfeiçoar o produto ou serviço. A interdependência de seus membros é baseada em um arranjo hierárquico e corpos separados de conhecimento. - Simplificar o trabalho (racionalidade), as tarefas são analisadas dentro das subtarefas e cada uma pode ser realizada separadamente por um membro da organização; A divisão do trabalho é baseada na espe- cialização e a atribuição de clientes é feita a partir desse ponto de vista. A coordenação entre seus membros é profissionalizada e rígida. Assim, nas organizações burocráticas, o objetivo é aperfeiçoar um produto ou serviço através da padronização dos processos de tra- balho e do comportamento do trabalhador; A relação entre os membros da organização é baseada em um arranjo hierárquico e monológico de corpos de conhecimento e habilidades separadas. Essas organizações estão focadas no cliente, de tal forma que os profissionais sempre pos- sam saber o que é melhor para seus clientes. Isso significa que uma criança, cujo resultado tenha sido positivo para a deficiência, apresenta essa característica no desempenho por um ou dois motivos; dos mais variados possíveis. Há que se lembrar que o transtorno tem como ponto de partida o fato de caracterizar uma alteração no desen- volvimento do cérebro do paciente. As causas podem ser originadas, então, por fatores genéticos, problemas ocorridos durante o parto ou na gestação. Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo 18 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, pessoas com deficiência intelectual ou cognitiva costumam apresentar dificuldades para resolver pro- blemas, compreender ideias abstratas, estabelecer relações sociais, com- preender e obedecer a regras, e realizar atividades cotidianas - como, por exemplo, as ações de autocuidado.A capacidade de argumentação desses alunos também pode ser afetada e precisa ser devidamente estimulada para facilitar o processo de inclusão e fazer com que a pessoa adquira indepen- dência em suas relações com o mundo. (ANTUNES, 2012, p. 28) As organizações burocráticas defendem agrupamentos homo- gêneos por capacidade, currículo por nível, serviços fora da sala de aula comum para alunos com deficiência mental, educação especial por catego- rias, programas de educação compensatória para estudantes bilíngües e emigrantes ea distinção entre educação especial e ordinária. O paradigma estruturalista ainda tem pouco impacto no campo da deficiência mental. Os paradigmas: contrutivista e a concepção construtivista crí- tica da deficiência mental. Os paradigmas subjetivos, consideram que a deficiência mental não existe em sentido absoluto, é interativa e é o reflexo de uma situação concreta. Implicações Curriculares.- A partir das teorias do construtivismo social no ensino, destaca-se a importância do contexto, da opinião dos alunos, da aprendizagem colaborativa, todos baseados no princípio da inclusão. O currículo para alunos com deficiência mental deve ser o geral com as adaptações curriculares correspondentes tanto no que ensinar, quando, como ou na avaliação. Defende o uso de metodologias gerais sempre que possível e o ensino cooperativo, relega o ensino de habilida- des para desenvolver uma aprendizagem mais funcional e significativa. Em relação ao contexto, os descritores que melhor definem o ensino são os seguintes: ensino "baseado em atividades", "ecológico", "holístico", "baseado na comunidade". Supõe-se que o aluno é mais bem sucedido em sua aprendizagem quando a instrução tem significa- do, está relacionado à sua experiência e as atividades são cuidadosa- mente projetadas. Os professores devem projetar tarefas que envolvam a solução de problemas e cujas soluções tenham mais de uma resposta correta; motivar os alunos a compreender e explicar seu próprio pensamento e desenvolver habilidades e estratégias em contextos holísticos enatu- rais. Deste ponto de vista, a educação especial deve trabalhar as habili- dades básicas, para que elas sejam funcionais para o contexto em que o aluno se desenvolve. Assim,. Stainback (1999) Quando existem programas adequados a inclusão funciona para todos os alu- nos com ou sem deficiências, em termos de atitudes positivas, mutuamente 19 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S desenvolvidas, de ganhos nas habilidades acadêmicas e sociais e de prepa- ração para a vida em comunidade. (STAINBACK; STAINBACK, l999, p. 86). Da mesma forma, o contexto tem sido tomado como um ponto de referência para a compreensão do comportamento de alunos com transtornos e seus estilos de vida, a fim de planejar os apoios necessá- rios. Isso implica a adoção de abordagens contextuais, holísticas e eco- lógicas para analisar o comportamento de alunos com deficiência. Isso dá grande importância à comunidade, na qual os deficientes vivem e são apoiados, e os deficientes são considerados parte integrante dessa comunidade. Em relação à opinião dos alunos sobre a aprendizagem, o princípio da aprendizagem auto-regulada através do diálogo foi desen- volvido. Esse aprendizado é baseado em modelos metacognitivos. A figura 02 traz os paradigmas da compreensão Figura 2 – Compreensão e comportamento Fonte: Elaborado pela autora (2019) O papel do professor é modelar os processos de pensamento e as estratégias dos alunos por meio do diálogo, de modo que sejam posteriormente internalizados por eles. O diálogo com os pares é muito importante, pois oferece aos alunos a oportunidade de fazer perguntas e desenvolver funções regulatórias na solução de problemas. No campo do ensino especial, o trabalho também começou com essas premissas. Outro conceito-chave é o da autodeterminação, entendida como um conjunto de atitudes e habilidades necessárias para direcionar nossas vidas e tomar decisões para alcançar uma boa qualidade de vida. A autodeterminação começa quando o controle da nossa vida é assumido e é uma característica disposicional, um conjunto de habilidades e atitudes aprendidas ao longo do ciclo de vida. Em relação à colabora- ção. O processo de colaboração é estendido à participação de alunos com suas famílias e irmãos no desenvolvimento do currículo. A aula é entendida como uma comunidade de aprendizagem, composta por professores e alu- nos, na qual através de um diálogo mútuo em atividades práticas, holísticas 20 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S e funcionais, processos psicológicos superiores são aplicados. A construção do conhecimento é uma aventura da classe como um todo, e não o resultado de uma comunicação individual entre o pro- fessor e o aluno. A colaboração implica respeito pela diversidade, do ponto de vista cultural, gênero, habilidade e reconhecimento das dife- renças dos estudantes como um valor em si, e não como problemas que devem ser vividos juntos. No que diz respeito à inclusão (a escolarização da criança com deficiência mental ligeira e média na classe ordinária), a escola deve dar a oportunidade de trabalho colaborativo entre pais, alunos e professores especiais e gerais, bem como satisfazer as necessidades educativas de todos os seus membros. ambientes comuns e dinâmicos. Nas escolas inclusivas, os alunos com deficiência não perdem nenhum serviço, não têm apoio, mas ganham a oportunidade de se tornarem membros da sociedade, com plena participação e crescerem de forma funcional e significativa nos contextos sociais. Uma comunidade de aprendizagem inclusiva é uma comunidade verdadeiramente democrática. Implicações Organizacionais.- Esses paradigmas são a base do chamado movimento escolar inclusivo ou escola para todos; Este movi- mento é uma tentativa de substituir a estrutura burocrática profissional da escola por uma adhocracia ou "organizações de aprendizagem". Rejeita os programas por categorias e destina-se exclusivamente a sujeitos com deficiência mental e elimina a distinção entre educação geral e especial. Propõe colaboração, ajustamento mútuo e acoplamento dis- cursivo, e desenvolve organizações orientadas para o consumidor, for- mas interdisciplinares de profissionalismo e estrutura pós-industrial. Os serviços comunitários são coordenados, não há acesso gratuito a eles e eles não são categorizados; todos eles fazem parte de um sistema integrado (educação, saúde, emprego, moradia, assistência social, pro- teção de crianças e idosos, religião, etc.) e geralmente estão vinculados a projetos de apoio local e seu objetivo é a prevenção de riscos. Assim, seguindo as características da organização adhocrática são: - Questionam a objetividade do conhecimento científico em que as práticas profissionais se basearam. O conhecimento depende do contexto cultural, seu significado e interpretação. O cientista cons- trói conhecimento de forma participativa. Essas organizações partem da ideia do consumidor versus o cliente (os consumidores são capazes de fazer julgamentos sobre o que é bom para eles). Assim, o profissional conversa com o consumidor e compartilha o poder e o conhecimento na tomada de decisão; o profissional e o consumi- dor constroem e reconstroem o conhecimento. - Fingir inventar novos pro- 21 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S dutos ou serviços; para isso, precisam da colaboração entre os membros da organização e a personalização, isto é, a colaboração entre os membros da organização e os consumidores. As formas de interdependência são la- terais, dialógicas e democráticas, e os especialistas são de pouca ajuda. - Eles visam resolver problemas complexos, inventar novas práti- cas e desenvolver um trabalho ambíguo que requer habilidades que ainda são desconhecidas. A divisão do trabalho é substituída pela colaboração em um projeto interdisciplinar no qual os membros trabalham em colabo- ração e assumem a responsabilidade por isso juntos. A coordenação é en- tendida como ajuste mútuo, comunicação informal e interdependência para resolver problemas de forma reflexiva. Assim, orientam-se para a inovação de novos produtos e serviços, através da criação de equipes de colabora- ção e estão focados no profissionalismo do consumidor e interdisciplinar. A invenção requer: - Resolução reflexiva de problemas e estabelecimento de proces- sos colaborativos nos quais a opinião e participação de cada membro con- tribui para a construção de novos conhecimentos na organização. Nesse tipo de organização, a interdependência entre seus membros é discursiva, lateral e dialogante. Um discurso em que os participantes se expressam em pé de igualdade, com diferentes conhecimentos e habilidades. - Equipes interdisciplinares que participam de um discurso de diálogo, constroem novos corpos de conhecimento e habilidades e re- constroem o conhecimento existente. São organizações holísticas, construtivas e orientadas para a inovação que, para serem bem-sucedidas, devem combinar as diferen- tes habilidades e reflexões dos membros do grupo e são mais do que a soma de suas contribuições individuais. - A personalização das necessidades do consumidor. Supõe um processo de colaboração entre os profissionais e o consumidor e constitui um requisito indispensável para a sobrevivência das organiza- ções pós-industriais. - Integração de todos os serviços comunitários em um único sistema, de forma que seja estabelecida uma relação de interdependên- cia democrática entre a organização, os consumidores e a comunidade. Paara que haja um real processo de inclusão, deve-se pensar no programa curricular que conforme disposto na obra de Stainback deve ser: • Ter ênfase na construção dos alunos a partir de suas poten- cialidades; • à medida que os alunos se envolvem com a aprendizagem, que haja tratamento das deficiências e dos déficits; • um currículo voltado ao aluno com projetos e atividadessig- 22 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S nificativas à vida real; • o professor como mediador dos alunos e da aprendizagem; • ambiente cooperativo encorajando a participação de todos, independentemente da origem, dos interesses, das experiências e ca- racterísticas de aprendizagem DEFICIÊNCIA MENTAL DE DIFERENTES MODELOS E TEORIAS Características do Modelo Médico Este modelo considera que o deficiente mental é uma pessoa doente, que se manifesta através de um conjunto de sintomas psicopa- tológicos. Toda doença tem uma etiologia orgânica e o processo de des- coberta da etiologia é o diagnóstico. Descobriram as causas podem fa- zer um prognóstico sobre a possibilidade e os resultados do tratamento aplicáveis e o referido prognóstico é determinista e pessimista quando realizada em dano neurológico irreversível, com tratamento farmacoló- gico essencialmente, cirúrgico ou reabilitação. (ANTUNES, 2012) Os termos utilizados pelo modelo médico são os de síndrome e transtorno. Uma síndrome é definida pela causa que a produz, pela sin- tomatologia que apresenta e pelo prognóstico sobre as possibilidades de tratamento. Essas síndromes ou distúrbios, a menos que tenham possibilidades de cura, são permanentes no indivíduo ao longo de sua vida. O modelo médico tem contribuído para o campo da deficiência mental a classificação das diferentes síndromes e a lista de medidas preventivas aplicáveis. Classificação - A Associação Americana de Retardo Mental agrupa as causas da deficiência mental em dez categorias diferentes: a) Infecciosa. b) Agentes tóxicos. c) Lesões. d) Distúrbios metabólicos. e) Aberrações cromossômicas. f) Neuroinformações. g) Influências pré-natais desconhecidas. h) Causa desconhecida com sinais neurológicos. i) Causa desconhecida sem sinais neurológicos. j) Várias causas. A figura 03 traz os paradigmas da Associação Americana 23 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Figura 3 – Associação Americana do Retardo Mental Fonte: Elaborado pela autora (2019) a) Deficiência mental devido a causas infecciosas - Dentro des- ta categoria é necessário distinguir entre as deficiências que ocorrem no período pré-natal ou pós-natal. No período pré-natal, a ação patogênica dos microrganismos ocorre ao atravessar a barreira placentária. Entre as embriopatias infecciosas mais nocivas, temos: - Rubéola - Esta doença produzida por um vírus tem sua ação patogênica durante os três ou quatro meses de gestação. Causa ano- malias oculares, cardíacas, auditivas e cerebrais graves. - Sífilis congênita - Adquirida pelo feto no momento do nasci- mento. Apresenta distúrbios dermatológicos, surdez e retardo mental. - Toxoplasmose.- Produzido por um parasita chamado Toxo- plasma de Gondi, que afeta humanos e outros animais, especialmente cordeiros. Ao nascimento, hidrocefalia ou microcefalia, calcificações in- tracranianas, convulsões e deficiência mental, que podem ser agrava- das à medida que a criança cresce. No período pós-natal meningite e encefalite ou formas mistas ocupar um lugar de liderança como determinantes da deficiência men- tal, geralmente associada a vários distúrbios neurológicos: epilepsia, paralisia, distúrbios sensoriais, etc. Esses distúrbios dependem das áre- as afetadas na infecção: meninges ou encéfalo. b) Deficiência mental devido a agentes tóxicos. - Encefalopa- tias da bilirrubina - São as mais importantes, não só pela sua frequência, mas também pela grave doença cerebral que habitualmente produzem. Eles são devido a incompatibilidade Rh ou ABO fetal-materna. Causam aumentos anormais de bilirrubina no sangue, de modo que não pode ser tolerada pelo corpo e começa a ser muito tóxico: - Atravessam a barreira hemato-encefálica e danos no cérebro, principalmente os gânglios basais. - Envenenamento por metais pesados - Metais pesados (chumbo, ferro, cobre) podem levar a casos 24 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S de deficiência mental devido à sua ação cerebrotóxica direta. - intoxi- cação por drogas - A toxicidade das drogas é maior nos primeiros três meses de gravidez. Exemplos: talidomina, fenotiazinas, barbitúricos, sulfonamidas, canamicina, etc. - Álcool - Embora sua ação tenha sido discutida pode-se dizer que entre os filhos de alcoólatras há um maior número de deficiências leves. c) Deficiência mental por trauma - Trauma pré-natal: - Irradia- ções - Sua ação é muito mais prejudicial nos primeiros três meses de gestação. A radiação pode causar danos ao tecido celular, alterações nas células nervosas e tumores cerebrais. Essa ação é causada pela ação dos raios X e pelo tratamento radioativo: - Disfunção placentária - A placenta pode apresentar uma série de anomalias, como mal posicionamento, malformações, descolamentos par- ciais, hemorragias, etc. que podem alterar a nutrição do feto e causar uma oxigenação deficiente dos tecidos (anoxia) que pode danificar o cérebro. - Tentativa de aborto - Várias manobras intra-uterinas para cau- sar aborto podem ser um veículo para infecções exógenas que agem direta ou indiretamente sobre o feto. - Trauma peri-natal: - Anoxia.- Deficiência respiratória do tecido do recém-nascido devido a várias causas. O tecido mais sensível à anoxia é o nervoso, portanto, alguns minutos de falta de oxigênio podem causar a morte das células nervosas e danos cerebrais, como paralisia, retardo mental, epilepsia, distúrbios sensoriais, etc. - Trauma cerebral pós-natal. d) Distúrbios metabólicos- São doenças que são transmitidas geneticamente e são caracterizadas pela incapacidade das células de metabolizar certas substâncias (lipídeos, protídeos e carboidratos) e, como consequência, uma série de produtos intermediários são produzi- dos. Eles se acumulam no organismo e perturbam as células nervosas: - Fenilcetonúria- Transtorno ligado ao metabolismo dos amino- ácidos. Se não for detectado no momento do nascimento, acaba produ- zindo retardo mental. - Galactosemia- Transtorno ligado ao metabolismo dos carboi- dratos. - Neurolipidose- Transtorno ligado ao metabolismo dos lipídios. Também pode incluir aqueles causados por deficiências hormonais, como hipotireoidismo. - Hipotireoidismo - É causado pela ausência de hormônios da tireoide. Quando esta ausência é congênita, pode produzir cretinismo e deficiência mental. e) Aberrações cromossômicas - São doenças genéticas produ- zidas por alterações cromossômicas, tanto nos 22 pares autossômicos, quanto no par ligado ao sexo ou heterossomo. a. Síndromes autossô- 25 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S micas específicas: - Síndrome de Down (trissomiado 21). Eles têm três cromos- somos mais curtos no par 21 em vez de dois. - Síndrome de Edwards (trissomia E, 18) Alterações no par 18. Apresentam retardo mental, mi- crocefalia, hipertonia e anoftalmia. - Síndrome de Patau (trissomia D1, trissomia 13). - Alteração no par. Eles têm retardo mental grave, microcefalia, anoftalmia ou microftalmia. - Síndrome de Leujeune ou gato miau (cromossomo 5). Dele- ção dos braços curtos de um dos cromossomos do par 5. Os bebês têm um choro semelhante ao miau do gato, daí seu nome. Apresenta hipoto- nia, atraso motor e várias malformações. - síndrome de Wolff-Hirschorn (cromossomo 4). Deleção dos braços curtos do quarto par. Apresentam retardo psicomotor, anomalias craniofaciais e microcefalia. - Todas essas síndromes têm deficiência mental. - Deleção do cromossomo 7. - Deleções do cromossomo D (13,14,15). - Deleções do cromossomo 18. - Deleções do grupo G (21,22). c. Síndromes Gonossômicas.- - Síndrome x Frágil - Deficiência mental. - Síndrome de Turner - Consiste na perda de gnose x ou y. É raramente associado à deficiência mental. - Síndrome de Klinefelter (XXY). Consiste em um excesso de cromossomo X no macho. Há sempre retardo mental.- Síndrome xxxy.- É uma variante da síndrome de Klinefelter e consiste em um excesso de três x gnoses. - Polissemia Y. Consiste em um aumento do cromossomo Y. Apresentam graves afecções físicas e mentais. - Trissomia X ou síndrome do triplo X. Apresentam retardo mental não grave com dificuldades de linguagem. f) Neomalformaciones.- são devidos a uma malformação do sistema nervoso: - Neurofibromatose- é uma doença hereditária que é caracteri- zada pelo desenvolvimento de múltiplos tumores nos nervos espinhais e cranianos. - Esclerose tuberosa ou doença de Bourneville.- É uma doença de origem hereditária É caracterizada por deformidades congênitas no sistema nervoso. Produz epilepsia e retardo mental. - Angiomatoseencefalotrigeminal - é uma doença causada por um tumor benigno dos vasos sanguíneos que abastecem o cérebro. g) Os fatores desconhecidos no pré-natal: - Anencefalia- de- senvolvimento fetal anormal caracterizado pela ausência dos ossos cra- nianos e atrofia cerebral. - Lisencefalia- Lisencefalia que caracterizada por microcefalia 26 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S e atraso mental - hereditária congênita. - Hidrocefalia ou anormalidade congénita caracterizado por patologicamente aumentada fluido cerebrospinal dentro dos ventrícu- los cerebrais. É caracterizado por um tamanho maior da cabeça. Pode causar retardo mental e distúrbios neurológicos, sensoriais e motores. - Microcefalia - É uma alteração que afeta o volume e o desen- volvimento do cérebro. É caracterizada por um crânio anormalmente pe- queno e outras malformações associadas. Eles têm deficiência mental. h) Causa desconhecida de sinais neurológicos: - Epilepsia - é uma condição crónica de etiologia diversa, caracterizada por crises re- correntes devido à descarga excessiva de neurónios cerebrais (convul- sões). - Disfunção cerebral estrutural. - Leucoencefalite de Bogaert- É produzido por um processo in- flamatório cerebral agudo que afeta a matéria branca do cérebro. Apre- sentam paralisia, distúrbios motores, convulsões e deficiência mental. i) Causa desconhecida sem sinais neurológicos. - O retardo mental pode ser causado por um ambiente desfavorável ou por um am- biente familiar e cultural deficiente. Prevenção da deficiência mental - As medidas preventivas serão desenvolvidas nos seguintes períodos: a) Período pré-concepcional. Eles se referem a: - Idade ideal da concepção. - Planejamento familiar. - Reconhecimento precoce da situação de risco. - Conselho genético. b) Período prenatal. - De 12 a 16 semanas de gestação fetal podem realizar estu- dos de cromossomas, bioquímica e visor que pode estabelecer o diag- nóstico precoce de metalopatias hereditárias cerca de 100, cerca de 30 desordens monogénicas e várias anormalidades cromossómicas. Da mesma forma, o monitoramento de gestações de risco pode evitar o dano neurológico e a subnormalidade dos fetos. c) Período perinatal - Neste período, serão levados em consi- deração: - Assistência neonatal em termos de prematuridade, anóxia, desconforto respiratório, icterícia neonatal e infecções. - Exame físico e testes de triagem neonatal. - Tratamento de distúrbios neonatais. d) Período pós-natal- Neste período, são desenvolvidas medi- das para evitar desnutrição, infecções e privação ambiental. É predo- minante no período das instituições, que é deficiente são colocados em casas com um modelo de funcionamento do hospital, os profissionais que os servem são os profissionais de saúde eo tratamento aplicado é médico exclusivamente. Também influenciou o período de integração escolar, no cha- 27 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S mado modelo de assistência médica. Baseado no modelo de medicina comunitária, foi desenvolvido nos países escandinavos que desfrutam de cuidados hospitalares de alta qualidade. Este modelo de integração faz as seguintes propostas: - Setorização de serviços. - Equipes multiprofissionais. - Programas de prevenção (estimulação precoce). - Algumas áreas são desenvolvidas através de reabilitação mé- dica em colaboração com escolas. Logo, os programas educacionais se concentram nos assun- tos acadêmicos básicos (leitura, escrita, aritmética) e devem ser muito estruturados. Eles podem atingir um sexto ano de forma independente ou semi-independente. Adultos com retardo mental leve desenvolvem habilidades sociais e comunicativas semelhantes às de seus pares não retardados; Muitos não são reconhecidos como retardados fora da es- cola ou depois de terminar sua educação. 28 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova: PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior Analise com base em Stainback. Uma escola inclusiva é aquela que educa todos os alunos em salas de aula regulares. Educar todos os alunos em salas de aula regu- lares significa: I - Que todo aluno recebe educação e frequenta aulas regulares. II - Que todos os alunos recebem oportunidades educacionais ade- quadas, que são desafiadoras, porém ajustadas às suas habilida- des e necessidades. III - Que todos os alunos recebem o apoio e ajuda de que eles ou seus professores possam necessitar para alcançar sucesso nas principais atividades. IV - Que essa escola é um lugar do qual todos fazem parte, em que todos são aceitos, onde todos ajudam e são ajudados por colegas e outros membros da comunidade escolar. Completam corretamente a proposta da questão os itens da alter- nativa: A) II, III e IV, apenas. B) I, II, III e IV. C) III e IV, apenas. D) II e IV, apenas. QUESTÃO 2 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova: PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior Em sentido mais amplo, o ensino inclusivo é a prática da inclusão de todos – independentemente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou origem cultural em escolas e salas de aula pro- vedoras, onde todas as necessidades dos alunos são satisfeitas. Educando todos os alunos juntos: I - as pessoas com deficiência têm oportunidade de preparar-se para a vida em comunidade. II - os professores melhoram suas habilidades profissionais. III - a sociedade toma a decisão consciente de funcionar de acordo com o valor social da igualdade para todas as pessoas, com con- sequentes resultados de melhoria da paz social. Segundo Stainback, marque: A) se apenas os itens I e II completarem corretamente a proposta. 29 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S B) se apenas os itens I e III completarem corretamente a proposta. C) se apenas os itens II e III completarem corretamente a proposta. D) se todos os itens completarem corretamente a proposta. QUESTÃO 3 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova: PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior Há três componentes básicos, práticos, interdependentes no ensi- no inclusivo: I - O primeiro deles é a rede de apoio – componente organizacional que envolve a coordenação de equipes e de indivíduos que apoiam uns aos outros através de conexões formais e informais. II - O segundo componente é a consulta cooperativa e o trabalho em equipe – componente do procedimento, que envolve indivíduos de várias especialidades trabalhando juntos no planejamento e im- plementação de programas para diferentes alunos em ambientes integrados. III - O terceiro é a aprendizagem cooperativa – o componente do ensino, que está relacionado à criação de uma atmosfera da apren- dizagem em sala de aula em que alunos com vários interesses e habilidades podem atingir o seu potencial. Segundo Stainback estão corretos os componentes relacionados nos itens da alternativa: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) I e III, apenas. D) I, II e III. QUESTÃO 4 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova:PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior As feições da escola, em tempos de grandes transformações sociais estão mudando e os professores “precisam adquirir novas habilida- des para trabalhar com alunos acadêmica e socialmente diferentes”. Nessa transformação os professores têm oportunidade de desen- volver suas habilidades profissionais em uma atmosfera de cole- guismo, de colaboração e de apoio dos colegas. Os benefícios são muitos: I - Oportunidade de planejar e conduzir a educação como parte de uma equipe. II - A consulta aos colegas ajuda os professores a melhorar suas habilidades profissionais. 30 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S III - A tomada de conhecimento dos progressos na educação leva-os ao conhecimento dos progressos na educação, conseguindo ante- cipar mudanças e participar do planejamento da vida escolar diária. Segundo Stainback, estão corretos os itens da alternativa: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) I, II e III. D) I e III, apenas. QUESTÃO 5 Ano: 2016 Banca: IBADE Órgão: SEDUC-RO Prova: IBADE - 2016 - SEDUC-RO - Técnico Educacional - Cuidador Para a pessoa com deficiência mental, a acessibilidade não depende de suportes externos ao sujeito, mas tem a ver com o acesso e apro- priação ativa do próprio saber, com a saída de uma posição automa- tizada, passiva, diante da aprendizagem para o acesso e apropriação: A) contemplativa B) coletiva. C) cooperada D) isolada. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Apesar de todos os avanços em relação à educação inclusiva, por que a prática da inclusão ainda é considerada um grande desafio para as escolas? TREINO INÉDITO Assunto: Inclusão Sobre o processo de inclusão de crianças portadoras de necessi- dades especiais, assinale a alternativa correta. a. A equipe diretiva precisa estar alinhada nas ações para formar pro- fessores, tirar dúvidas e entrar em ação em casos de bullying, para que o processo de inclusão seja estabelecido; b. A equipe diretiva não precisa estar alinhada nas ações para formar professores, tirar dúvidas e entrar em ação em casos de bullying, para que a criança seja autônoma dentro de suas dificuldades. c. A equipe diretiva precisa estar alinhada nas ações para formar profes- sores, tirar dúvidas, mas não entrar em ação em casos de bullying, pois fortalece o instinto de defesa da criança citada. d. A equipe diretiva precisa estar alinhada nas ações para formar pro- fessores, entrar em ação em casos de bullying, mas não precisa tirar dúvidas, pois a mesma é capaz de aprender. 31 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S e. Não há que se falar em alinhamento da equipe diretiva NA MÍDIA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL AINDA TÊM DIFI- CULDADES DE INCLUSÃO Theo, Carol, Rafael e Alessandra. Em comum, têm a força de vontade para enfrentar dificuldades diárias e frequentar escolas regulares com um sorriso largo no rosto. A deficiência e os transtornos intelectuais que cada um deles apresenta é apenas um detalhe para quem, desde cedo, se habitua a batalhar por inclusão e direitos. No âmbito da educação, o Brasil possui diversas legislações que preveem o direito do atendimento educacional especializado a pessoas com deficiência no ensino regular. Fonte: R7 Data: 12/10/2018 Disponível em: https://noticias.r7.com/sao-paulo/criancas-com-deficien- cia-intelectual-ainda-tem-dificuldades-de-inclusao-12102018 NA PRÁTICA INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MENTAL: UM DESAFIO À ESCOLA O presente trabalho tem por objetivo discutir a questão da inclusão es- colar de alunos com deficiência mental, enfatizando-se a problemática de todas as mudanças necessárias para que se efetive este paradigma no contexto educacional. Tem um enfoque teórico. Inicia-se com a preo- cupação de conceituar deficiência mental e tecer comentários acerca do seu diagnóstico, classificação e etiologia. Discute-se a questão da edu- cação de pessoas com deficiência mental ao longo da História e pros- segue-se ao estudo da inclusão escolar, procurando relacioná-la com o conceito de integração. Enumeram-se as barreiras que impedem a sua efetivação e discorre-se também sobre os principais benefícios advin- dos da inclusão escolar de alunos com deficiência mental. Conclui-se, admitindo que o sistema educacional deve reestruturar-se, visando a aceitação plena e educacional dos alunos com deficiência mental. Disponível em :http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/re- ducacaoemancipacao/article/download/5357/3249 PARA SABER MAIS Filme sobre o assunto: O filho eterno Peça de teatro: Os 4 distintos Disponível em: https://youtu.be/44r7OX26NVo https://youtu.be/W1qVdKTtStA 32 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S A PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL E A EDUCAÇÃO ESPECIAL A partir da década de 90 o interesse pela inclusão social e escolar das pessoas com deficiência aumentou significativamente expressando-se em políticas públicas, programas e orientações muito diversas e direciona- das para favorecer esse processo. Além disso, os movimentos e organiza- ções sociais que lutam pelos direitos e pelas oportunidades educacionais e trabalhistas desse segmento da população, tradicionalmente subestimado e marginalizado, aumentaram e se consolidaram nos últimos 20 anos. Independentemente do caráter intrinsecamente excludente da sociedade contemporânea, seus sistemas educacionais implementam ações destinadas a aumentar o acesso à educação para pessoas com deficiência. A adoção do termo mais amplo de pessoas com "necessida- DEFECTOLOGIA NA PERSPECTIVA VIGOTSKIANA D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 32 33 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S des educacionais especiais", hoje bastante difundida, expressa a inten- ção de expandir o público que deveria ser objeto de atenção educacional especializada, embora muitas vezes seja usado apenas para designar pessoas com deficiência. Aparentemente, usar essa expressão minimiza a conotação negativa que o termo deficiência historicamente carrega. Apesar de reconhecer o significado para o desenho de estraté- gias educacionais diferenciadas de uma conceituação ampla do que pode- riam ser consideradas necessidades educacionais especiais, interessa-nos neste trabalho enfocar a atenção no subgrupo de pessoas com deficiência, que historicamente se constituiu o foco da Educação Especial. Essa modalidade educacional, na perspectiva hoje amplamen- te aceita de Educação Inclusiva ou Educação para Todos, é considera- da, em muitos países, como uma modalidade de ensino interdisciplinar que atravessa os diferentes níveis em que os sistemas educacionais estão estruturados. É necessário reconhecer que, apesar dos esforços feitos, os resultados do trabalho educacional com pessoas com defici- ência não são muito lisonjeiros. As reais possibilidades de aprendê-las e desenvolvê-las depen- dem da complexa configuração de fatores muito diversos entre os quais ocupam um lugar relevante, do nosso ponto de vista, a concepção que temos da deficiência e as possibilidades de aprendizagem das pessoas deficiente, bem como os princípios gerais que devem constituir os eixos norteadores das práticas educativas. Dependendo da importância que atribuem os fundamentos teóricos de práticas educativas, pretendemos principal objetivo deste artigo destacar a importância do desenvolvimento humano histórico-cultural para delinear estratégias educativas que con- tribuem perspectiva, efetivamente, aprendizagem e desenvolvimento de pessoas consideradas pobres. De contribuições S L. Vygotsky neste campo, as contribuições da teoria da subjetividade feita a partir dá a pers- pectiva histórica e cultural e os resultados do trabalho. LS Vigostky (1986-1934), já na primeira metade do século XX, foi um crítico severo da maneira pela qual a educação de criançascom deficiência foi realizada e baseada, a partir de sua concepção históri- co-cultural do desenvolvimento das funções. Por exemplo, ele criticou a ênfase no aspecto comum sentido em estratégias crianças educacio- nais com retardo mental, escreveu: E toda a ortopedia psicológica e cultura sensorial foi desenvolvido a partir de um absurdo tal: colocar os pontos com uma rapidez crescente, moven- do recipientes cheios de água, cordões de contas em colares jogam anéis, desfazem colares, acompanham o traçado das letras, comparam as mesas, fazem uma postura expressiva, estudam os cheiros, comparam sua intensi- dade, repetem repetidos exercícios durante várias salas de aula. Quem pode 34 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S educar tudo isso? Isto não se torna criança normal mentalmente retardado mais rápido do que você desmontar a criança mentalmente retardada, os mecanismos de comportamento da psique e personalidade, não preso pela roda de engrenagem da vida? (MOSCARDINI, 2011, p. 43) Infelizmente, nossa experiência de trabalho neste campo nos permitiu observar que na Educação Especial as concepções de apren- dizagem às quais Vygotsky se refere ainda não foram completamente superadas e ainda há o risco de sua transferência para as condições da chamada Educação Inclusiva, em que a Educação Especial tem, por razões históricas, sociais e pedagógicas, um forte impacto. Vygotsky nos apresenta uma nova concepção de deficiência, destacando sua dimensão social e uma nova concepção dos proces- sos de aprendizagem e desenvolvimento das pessoas com deficiência. Seus Fundamentos de trabalho de Defectologia reúne diversos traba- lhos em um campo que foi essencial para suas elaborações teóricas: o estudo ea educação das crianças e jovens pobres. Neste trabalho suas reflexões teóricas articular com sua expe- riência de trabalho com crianças com diferentes tipos de deficiências e um conjunto de ideias e conceitos extremamente importantes para uma nova representação da deficiência e oportunidades educacionais para crianças e crianças pobres estão expostas, processo que em seu tempo foi concebido de forma naturalista e reducionista, abordagem ainda hoje expressa de formas muito diversas e sutis. Assim a figura 04 traz a evolução das formas de pensar a pes- soa com deficiência: Figura 4 – Formas Fonte: Elaborado pela autora (2019) 35 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Vale a pena notar que a pesquisa e prática obra de Vygotsky crianças deficientes também provou ser extremamente produtivo para algumas de suas construções teóricas mais gerais, especialmente para suas elaborações em relação ao desenvolvimento cultural na infância, entre funcionalidade de consciência, unidade do afetivo e cognitivo e da compreensão da personalidade. Destacaremos aqui cinco aspectos que consideramos de in- dubitável valor para o trabalho educativo em Educação Especial: Para Vygotsky, o defeito primário é aquele da natureza biológica diferente da deficiência secundário que é aquele que se origina da deficiência primá- rio de acordo com a maneira pela qual o contexto em que o indivíduo está inserido é estruturado pela inadequação dos processos educacio- nais às necessidades especiais causadas pela defeito primário. Para Vygotsky, o defeito primário, de natureza biológica, não implica necessariamente uma "deficiência". O defeito primário constituirá uma deficiência ou não, dependendo do significado que essa deficiência assume no contexto cultural e sócio-relacional em que as crianças estão relacionadas, bem como os meios disponíveis no contexto para superar a deficiência . Que uma pessoa nasce cega, isto é, com uma deficiência primário (falta de visão neste caso) não implica necessariamente que seja deficiente, que tem menos possibilidades de aprendizagem, desenvolvi- mento e desempenho do que outras crianças e outras meninas com visão. Se, no contexto cultural em que está incluído, tiver os recursos mediacionais e educacionais necessários (sistema braille, software espe- cífico, educação especializada, etc.), terá as mesmas possibilidades de aprendizado, desenvolvimento e desempenho que o resto de seus pares. Neste caso, os defeitos secundários não são construídos na de- ficiência principal. Ao analisar o desenvolvimento de funções psicológicas elementares e funções psicológicas superiores em crianças com deficiên- cia mental, Vygotsky expressa: O desenvolvimento insuficiente de funções superiores está relacionado ao desenvolvimento cultural insuficiente da criança com retardo mental, com seu desaparecimento do ambiente cul- tural circundante. e com o abandono da "alimentação" do meio ambiente. Devido à insuficiência que a criança não experimentou as influ- ências do ambiente circunvizinho oportunamente. Por isso, seu atraso se acumula, peculiaridades negativas e complicações complementares se acumulam na forma de desenvolvimento social insuficiente e aban- dono pedagógico. Tudo isso, que são complicações secundárias, mui- tas vezes resulta de uma falta de educação. Nessa situação em que a criança se desenvolve, recebeu me- nos do que podia, ninguém tentou vinculá-la ao ambiente e, se a criança estiver pouco ligada ao ambiente e de maneira fraca com o grupo infan- 36 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S til, complicações secundárias podem surgir aqui. Para Vygotsky o objetivo da educação especial é a integração social total e o integral de crianças e meninas pobres e considera me- todológica conceito diretriz deve fornecer crianças mediações (sinais, símbolos, instrumentos) capazes de suportar o seu desenvolvimento de acordo com sua estrutura particularmente psicológica. Na verdade, para Vygotsky o objectivo de educação das crianças deficientes é para evitar defeitos de secundárias defeito primário, essas, que como já mencio- nados, não são derivados defeito primário directamentedel resultantes, mas originam das impossibilidades do contexto sócio-cultural para lidar adequadamente com este defeito. A partir da consideração de formação cultural das funções mentais superiores, a deficiência com base Vygotsky é uma constru- ção social. É delinear precisamente o contexto em que o indivíduo está imerso nele e concepções dominantes que dá um significado negativo para o déficit que o indivíduo possui. Este défice aparece como uma limitação para o desempenho e desenvolvimento do indivíduo por causa da maneira que o contexto é estruturado. Em outras palavras, são as características do contexto, o que dá a conotaçãa deficiência biológico de deficiência. Neste sentido Vy- gotsky afirma que" a criança não se sente diretamente sua ausência por dificuldades percebidas resultantes da deficiência ". Reforçando a ideia da construção social de Vygotsky expressa deficiência: É provável que a humanidade triunfará sobre cegueira, surdez e retardo mental, mais cedo ou mais tarde. Mas expira em nível social e pedagógico muito an- tes do fundo biológico e médico. Pode ser que a cegueira e surdez definitivamente desapare- çam. Mas muito antes de elas serem derrotadas socialmente, devemos reconhecer que o sistema dominante de valores na sociedade de hoje, caracterizada por um biólogo e pela representação quantitativa da defi- ciência, ainda está focado no que o indivíduo com uma deficiência tem "menos" em comparação com os seus pares, ignorando não só a gêne- se desta situação, mas também as possibilidades de desenvolver alter- nativas de recursos de mediação que fornecem o contexto. Para Vygotsky, a deficiência não determina linearmente os caminhos específicos do desenvolvimento infantil. O desenvolvimento pode assumir diferentes formas, dependendo dos contextos culturais e sócio-relacionais em que as crianças participam. As posições de Vy- gotsky nos permitem compreender a necessidade de centrar a análise sobre o assunto emsua totalidade, especialmente no que a criança ou a criança tem e em relação à qual pode ser estruturado estratégias edu- cacionais que ajudam a promover a aprendizagem e desenvolvimento. 37 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S É um erro se concentrar a análise da pessoa recém-nascido com uma deficiência no que a criança ou a criança não tem, ou o que você tem que menosen relação aos seus pares, ainda tendência muito comum entre aqueles preocupados com a educação neste população. Vygotsky observou que "a reação do organismo e personalidade da criança antes da deficiência é o fato central, fundamental, a única reali- dade que é defectologia". Esta declaração exprime claramente a ideia de Vygotsky que a deficiência é um elemento envolvido na estruturação de todo o sistema de funcionamento psicológico das crianças, daí a necessidade de en- tender e colocar em primeiro plano o modo de operação peculiar para poder desenhar as estratégias educacionais necessárias. O desenvolvi- mento de técnicas, estratégias, métodos e até instrumentos para corrigir as deficiências específicas realmente não foi acompanhada, na prática, uma representação das pessoas com deficiência na sua totalidade, in- cluindo nela as suas chances de realização, produtividade e criativida- de. Nesse sentido, Vygotsky advertiu que os problemas da educação de crianças deficientes podem ser resolvidos apenas como problemas da pedagogia social (...) você tem que educar não apenas uma criança cega, mas uma criança por completo. Assim, a teroria de Vygotsky comprende (ver figura 05): Figura 5 – Vygotsky Fonte: Elaborado pela autora (2019) Vygotsky diz que o conceito de compensação para explicar parti- cularidades do desenvolvimento e educação de crianças que apresentam algum tipo de defeito orgânico ou funcional. Quanto à educação destes alerta: Educação de crianças deficientes diferentes deve ser baseada no fato de que, simultaneamente, com a deficiência também são dadas ten- dências psicológicas na direção oposta, eles têm a possibilidade de com- pensação para superar a deficiência e que precisamente essas possibilida- des são apresentadas em primeiro plano no desenvolvimento da criança e devem ser incluídas no processo educacional como sua força motriz. Estruturar todo o processo educativo na direção das tendências naturais para super-compensação não significa atenuar as dificuldades decorrentes da deficiência, mas a tensão todas as forças para a com- 38 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S pensação e, especificamente referindo-se ao conceito de compensação para explicar processos de desenvolvimento em defeitos infantescon explica: ela pode e não deve concordar com Adler, em que ele atribuiu à importância universal processo de compensação em qualquer desen- volvimento psíquico, mas aparentemente atualmente nenhuma defecto- logista que nega a importância de primeira ordem de reação personali- dade para os processos padrão e compensação em desenvolvimento, isto é, a imagem extremamente complexa das influências positivas da deficiência, formas indiretas de desenvolvimento, seus zigszags com- plexos , da imagem que observamos em cada criança deficiente. O mais importante é que junto com a deficiência orgânico são dadas as forças, tendências e desejos para superá-lo ou equilibrá-lo. Precisamente essas tendências para o alto desenvolvimento não foram percebidas pela defectologia anterior. Enquanto isso, precisamente es- ses desejos transmitir a particularidade de defeito desenvolvimento da criança e fazer com que as formas criativas, infinitamente diversas e, por vezes, de desenvolvimento muito caprichosa, iguais ou semelhan- tes aos observados em desenvolvimento típico criança normal. E mais tarde, como qualquer maturidade e controle de proces- sos, a compensação também pode ter dois resultados: a vitória ea der- rota, entre os quais todos os graus possíveis de trânsito têm um pólo para outro. O resultado depende de muitas causas, mas basicamen- te do fundo de compensação. Mas seja qual for o resultado esperado do processo de compensação sempre e em todas as circunstâncias, o desenvolvimento complicado pela deficiência constitui um processo criativo (orgânico e psicológico) de construção e reconstrução da perso- nalidade da criança com base na reorganização. de todas as funções de adaptação, de formação de novos processos, isto é, superestructores, substitutos e equilibradores, originados pela deficiência, e do surgimen- to de novas rotas de desvio para o desenvolvimento. O conceito de compensação, como usado por Vygotsky, é im- portante porque expressa as possibilidades que o própria deficiência gera para o desenvolvimento. Embora a compensação não seja um pro- cesso natural, mecânico, mas esteja intimamente relacionada ao tipo de comunicação e às relações de estimulação estabelecidas com a crian- ça no seu contexto social, é na sua possibilidade de ocorrência que o caráter ativo da criança ou menina e o aspecto positivo da deficiência mostram sua importância para o desenvolvimento integral. A questão da criatividade e sua relação com a deficiência tem sido pouco abordada na literatura científica. Já Vygotsky, ao enfatizar a importância de considerar o deficiente bebê em sua integridade, abriu a possibilidade de concebê-lo como sujeito de ações criativas. No en- 39 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S tanto, Vygotsky foi ainda mais longe e deu outra importante contribuição para entender o funcionamento psicológico das crianças cujo desenvol- vimento é afetado por uma deficiência e para compreender a heteroge- neidade e a complexidade da criatividade. Ele apresenta nos Fundamentos da Defectologia a ideia de que a criatividade é consubstancial ao processo de desenvolvimento e que constitui uma necessidade para o sujeito em desenvolvimento. Neste trabalho, a criatividade aparece intimamente associada ao que considera como formas alternativas de desenvolvimento. Quando se refere ao desenvolvimento infantil deficientes, Vy- gotsky defende a tese de que "a criança cujo desenvolvimento foi com- plicado por uma deficiência não é simplesmente menos desenvolvida do que seus pares normais, é uma criança, mas desenvolvida de outra forma". É nesse quadro que a expressão usa formas "criativas" de de- senvolvimento ou caráter "criativo" de desenvolvimento. A ênfase no processo e não no produto, um aspecto inerente à sua compreensão da criatividade como uma produção de novidade, é evidente quando ele defende a presença de processos criativos no lac- tente mentalmente retardado. Nesse sentido, afirma: Do ponto de vista psicológico, também é incorreto negar a presença de processos criati- vos na criança com retardo mental. Esses processos geralmente são mais altos na criança mentalmente deficiente do que na normal, não em termos de produtividade, mas em termos da intensidade de seu curso. A fim de alcançar o mesmo que a criança normal, o retardado mental deve mostrar mais criação. E aprofundando essa ideia, mais tarde explica: O mais significativo é o caráter criativo do desenvolvimen- to da criança mentalmente retardada; A pedagogia antiga pressupunha que as causas externas influenciavam automaticamente o caráter do desenvolvimento da criança com retardo mental. Acontece que a adição do criador de palavras sonoras às pe- quenas realizações que ele desempenhou como parte daquela criança estava incorreta. Realmente dominar as quatro operações aritméticas para os deficientes mentais fracos é um processo muito mais criativo do que para a criança normal. O que é dado quase como capacidade (não formada) para a criança normal, pois a criança mentalmente retardada é uma dificuldade e é uma tarefa que requer a superação de obstáculos. Desta forma, a conquista dos resultados é o que apresenta um caráter criativo. Pensamos que isso éo mais essencial no mate- rial sobre o desenvolvimento da criança com retardo mental. De fato, para Vygotsky, o próprio processo de desenvolvimento, quando assume certas características, é uma atividade criativa. Também é interessante analisar como, em Vygostky, a consideração da criatividade como pro- 40 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S dução de novidade e como parte constitutiva do desenvolvimento está associada aos processos de estruturação e reestruturação da persona- lidade, que são considerados por ele como processos criativos. Essa ideia já foi expressa na citação apresentada anteriormen- te quando se explica o processo de compensação afirmou que "o desen- volvimento complicado pela deficiência constitui um processo criativo (orgânico e psicológico) de construção e reconstrução da personalidade da criança". A ideia do caráter criativo dos processos de reestruturação da personalidade é retomada ao analisar os processos de compensa- ção em bebês cegos. Referindo-se ao que ele considerava o caminho para a compreen- são psicológica de cegueira diz: Essa idéia é resumida em que a cegueira não é só a falta de visão (o padrão de um órgão particular), mas também faz com que uma grande reorganização de todos forças do organismo e da personalidade. Cegueira, para criar uma formação de personalidade par- ticular, revive novas forças, muda as direções normais das funções e de forma criativa e orgânica, remakes e moldar a psique da pessoa. Consideramos importanteaclarar que as ideias e conceitos que temos destacadas aqui são apenas uma parte do conjunto inicial de idéias, teses e conceitos desenvolvidos por Vygotsky que se conferem uma importância significativa na formação do trabalho educativo com pessoas com deficiência. também integrar esse definir muitas outras ideias e conceitos mais conhecidos, tais como zona de desenvolvimen- to proximal, situação desenvolvimento social, senso, experiência, siste- mas funcionais, etc., todos os quais mostra o valor heurístico da pers- pectiva teórica que Vygotsky é um dos principais expoentes do trabalho no campo da Educação Especial. A contribuição da teoria histórico-cultural de histórico-cultural pers- pectiva do desenvolvimento humano subjetividadLa tem desenvolvido con- tinuamente produtos de várias duplicações da teoria dos germes de Vygot- sky, gerando novos conceitos, alguns dos quais têm não só valor heurístico para a compreensão os processos de aprendizagem e desenvolvimento das pessoas com deficiência, mas também uma importância prática para o delineamento de estratégias e ações educativas com essa população. Especialmente neste capítulo, vamos nos referir ao significado da Teoria da subjetividade desenvolvida no âmbito dessa perspectiva teórica. A categoria subjetividade não era uma categoria explicitamente pelo Vygosky utilizado, entre outros fatores, o desenvolvimento da psi- cologia no momento histórico em que ele fez o seu trabalho. No entanto, a maneira como ele entendia a unidade do cogniti- vo e afetivo, a inter funcionalidade da consciência e sentidos como uma expressão desta, Vygotsky contribuiu para o desenvolvimento de uma 41 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S categoria que pode avançar a compreensão das maneiras complexo em que o psicológico é constituído nos seres humanos a partir de suas condições sociais de existência. A teoria da subjetividade significa uma tentativa de entender os processos psicológicos humanos em sua complexidade constitutiva, ele pode ser considerado uma expressão de paradigma da complexidade em Psicologia, pela forma dinâmica, configuracional, contraditória, recursiva e singular em que se compreende o psicológico socialmente constituído. Subjetividade é conceituada como a organização dos proces- sos de significado e significado que aparecem e são organizados de di- ferentes maneiras e em diferentes níveis no sujeito e na personalidade, bem como nos diferentes espaços sociais nos quais o sujeitos sujeitos. Vale destacar dois aspectos principais nessa categoria. Primeiro, a ten- tativa de compreender o psicológico humano não pela separação e re- dução a formas de expressão e processos relativamente fragmentados e simples (por exemplo: autoestima, motivação, identidade etc.), mas como processos de sentido e significado. apontam para a multidimen- sionalidade e complexidade da constituição psicológica. E, segundo, a maneira pela qual a subjetividade articula o indi- víduo e o social. Compreensão da subjetividade, como sentidos e signi- ficados aparecem simultaneamente em nível individual e social, permite uma representação diferente da articulação entre o social eo indivíduo, quebrando a concepção de subjetividade como intrapsíquico e univer- sal, concepção dominante tanto senso comum como nas teorias que utilizaram essa categoria a partir de outros referenciais teóricos. Na teoria histórico-cultural da subjetividade, a aprendizagem escolar, como uma forma complexa de aprendizagem especificamente humana, é concebida como um processo de subjetividade irredutível a habilidades e processos intelectuais. Pelo menos três razões permitem basear esta afirmação. O primeiro deles é o reconhecimento das configu- rações de significado que participam do processo de aprendizagem. Na aprendizagem, diferentes dimensões são articuladas: cognitivo-intelectu- al, afetivo-relacional, personológica, etc, constituindo formações dinâmi- cas, complexas e integradoras que constituem configurações de sentidos subjetivos que têm um papel importante na qualidade da aprendizagem. A figura 06 traz a perspectiva da Teoria 42 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Figura 6 – Teoria Fonte: Elaborado pela autora (2019) O conceito de sentido subjetivo central na Teoria da Subjetivi- dade, refere-se à integração dinâmica de processos simbólicos e emo- cionais produzidos pelo sujeito em seus diferentes momentos de ação e interação. No processo de aprendizagem, os significados e as emoções que se tornam parte integrante da criança são atualizados e gerados na criança e são essenciais para entender como a aprendizagem ocorre. A aprendizagem escolar não é um produto direto do nível de desenvolvimento das operações cognitivas da população estudantil ou de seu nível de motivação para o assunto, mas depende de articulações complexas desses e de outros elementos, dentre os quais se destacam os sentidos subjetivos. gerado no processo de aprendizagem, sentidos subjetivos que podem nem estar necessariamente relacionados ao pro- cesso de estudo. Significados e experiências emocionais de outras áre- as da vida e da experiência do aluno podem ser elementos importantes de significado na aprendizagem. Considerar o pensamento como uma função do significado nos leva a considerar a aprendizagem também como um processo de sig- nificação, o que implica considerar o sujeito que aprende no caminho singular de sua aprendizagem, através dos afetos produzidos naquele processo aqueles que não são micro. Localizado na sala de aula. Por meio da categoria de significado, que aparece como uma produção sub- jetiva, integram-se em cada momento concreto da ação do sujeito, sen- tidos subjetivos produzidos em outros contextos e em outros espaços de sua história pessoal, que coloca o sujeito e sua vida afetiva. em um lugar privilegiado para a compreensão da aprendizagem. Como veremos mais adiante, a compreensão da participação de outros sentidos subjetivos, na configuração do sentido subjetivo de apren- dizagem, é especialmente importante para o trabalho educacional com alunos com deficiências. Uma segunda razão é a consideração da apren- dizagem escolar como uma função do sujeito, uma categoria essencial para a compreensão do momento conjuntural e interativo da subjetividade individual. A categoria sujeito refere-se ao "indivíduo concreto, portadorde personalidade que, como características essenciais e permanentes de sua condição, é atual, interativo, consciente, intencional e emocional". A aprendizagem escolar pressupõe a ação intencional ativa, 43 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S consciente, interativa e emocional do sujeito que aprende e, dependen- do do modo como essas características são expressas, o processo de aprendizagem dependerá em grande medida. A intencionalidade do su- jeito nesse processo, seu caráter ativo e as experiências emocionais positivas que experimentam no processo de aprendizagem, por exem- plo, podem efetivamente mediar esse processo. A terceira razão é que a aprendizagem escolar expressa não apenas a subjetividade individual (configurações subjetivas e os sen- tidos subjetivos individuais, condição do sujeito), mas também a sub- jetividade social. A aprendizagem escolar não é apenas um processo individual, mas também um processo social e, mais especificamente, relacional. A aprendizagem escolar expressa uma rede de significados culturalmente construídos com os quais as crianças entram em contato mesmo antes de entrarem na escola. Esses significados são apropriados e reconstruídos de forma in- dividualizada, a partir dos sistemas relacionais em sala de aula e de outras experiências de vida do sujeito nos outros contextos sociais que participam da constituição de sua subjetividade e que contribuem para a formação do sujeito. sentidos subjetivos singulares associados ao processo de aprendi- zagem. Assim, a subjetividade social da escola e, principalmente, a subjeti- vidade social da sala de aula, em sua subjetivação por parte do sujeito que aprende, também fazem parte do processo de aprendizagem. O processo de aprendizagem escolar é um processo relacional, no qual o Outro, em suas diferentes formas de expressão, características e formas de ação, participa de diferentes maneiras. Esta dimensão rela- cional e comunicativa da aprendizagem escolar demonstra a importância da relação pedagógica na aprendizagem. Na relação professor-aluno e na comunicação nos processos de ensino-aprendizagem, há uma ampla produção científica. No entanto, em grande parte, o Outro aparece de for- ma simplificada como um facilitador ou como uma barreira, como alguém externo ao processo e não como parte constituinte dele. Em outro sentido, existem posições que, considerando o outro como uma parte essencial do processo de aprendizagem fundamental- mente desconsiderándolo conceberás instrumentalmente em sua sub- jetividade, não valorizar o espaço de intersubjetividade necessária para a aprendizagem. Uma das críticas ao conceito de zona de desenvolvi- mento proximal de Vygotsky é, precisamente, a forma simplificada em que o Outro aparece. Embora o conceito de ZDP (Zona de Desenvolvimento Pro- ximal) ajudou a dar visibilidade à dimensão social dos processos de aprendizagem e especialmente o papel da aprendizagem no desen- volvimento nos outros surge como um instrumento que contribui para 44 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S aqueles que tem o aluno para aprender. Esse conceito não é consi- derado claramente que a outra parte mais experiente do processo de aprendizagem, não só através das medidas tomadas, mas pelo espaço comunicativo-emocional que ajuda a criar e em que as ações tomadas parte na produção de sentidos singulares no sujeito que aprende. A pesquisa desenvolvida a partir da teoria histórico-cultural da subjetividade cujo objeto de aprendizagem escolar estudo provaram promissora no sentido de fazer avançar a compreensão da complexi- dade deste tipo de aprendizagem, destacando a importância que tem a sua dimensão subjetiva. IMPLICAÇÕES EDUCACIONAIS Como a perspectiva histórico-cultural pode contribuir, incluindo a teoria da subjetividade desenvolvida a partir dela na organização dos processos de ensino-aprendizagem na Educação Especial e de forma mais abrangente, nas condições da educação inclusiva? Do nosso pon- to de vista, esta perspectiva ganha significado especial se considerar- mos a forma dominante tem sido considerada pessoas com deficiência de aprendizagem, e que tem sido caracterizada por: - Pessimismo sobre as possibilidades de aprendizagem e de- senvolvimento essas pessoas. Que o pessimismo tem na sua base, entre outros fatores, a concepção de deficiência, bem diferente do entendimen- to de que são essenciais para a aprendizagem escolar, funções mentais superiores são incorporadas nos processos de processo natural apro- priação, inerente ao indivíduo cultural mediada pela relação pedagógica; - Ênfase no padrão e não no sujeito, nos seus procedimentos operacionais em sua constituição subjetiva, e especialmente sobre seus pontos fortes e suas características mais positivas, elementos essen- ciais para delinear estratégias de ensino; - Ênfase no déficit cognitivo como uma explicação das dificul- dades de aprendizagem. Há ainda, no contexto escolar, a tendência a considerar a aprendizagem como uma expressão relativamente di- reta do desenvolvimento cognitivo, sem levar em conta as complexas articulações do cognitivo em sistemas mais complexos de configura- ção psicológica; A consideração de que a população infantil deficiente tem formas de aprendizagem qualitativamente diferentes de seus pares considerados normais e que para o trabalho pedagógico com eles sem- pre requer pessoal especializado. Essa consideração limita as possibili- dades de ação dos professores e constitui uma das principais barreiras para o delineamento das ações educativas necessárias. 45 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S O outro é concebido essencialmente como um simples facilitador de um processo de aprendizagem que se presume limitado pelo próprio déficit. As atividades educativas são adaptadas ao nível de desenvolvi- mento alcançado pela população estudantil e não são considerados como importantes forças motrizes para habilitar novos aprendizados e novos ní- veis de desenvolvimento acreditam que a compreensão dos processos de aprendizagem e desenvolvimento, a partir da perspectiva teórica que apre- sentamos aqui, pode ajudar a focalizar aspectos mais claramente impor- tantes da aprendizagem para crianças com deficiência e apontar aspectos essenciais que devem orientar a organização do trabalho pedagógico. As pesquisas mostram a relevância da perspectiva teórica a partir do qual começamos e endossar os norteadores princípios de prá- ticas pedagógicas que enfatizam a seguir, segundo Vigotsky (2001): Incentivar a criação de espaços comunicativos / relacionais com o objetivo de contribuir para gerar novas produções de sentido na infância sobre a aprendizagem e sobre a deficiência. Os sentidos sub- jetivos e os significados associados à aprendizagem constituem, como tem sido demonstrado em diferentes investigações, elementos essen- ciais nesse processo. Qual é a rede de significados que meninos e me- ninas atribuem à sua ação de aprender? Quais são os significados que eles atribuem à escola e as demandas que ela impõe a eles? Quais são as emoções que as crianças experimentam quando estão nesse espaço e quando são solicitadas a aprender alguma coisa? Comumente estas não são preocupações importantes quando se trata de delinear estratégias pedagógicas no contexto escolar. Isso se deve em grande parte à desconsideração dos alunos como sujeitos e à falta de reconhecimento do significado que os sentidos subjetivos têm no processo de aprendizagem.Como já mencionado, o sentido sub- jetivo da aprendizagem como uma integração de elementos simbólicos e emocionais, que se configuram em relação a esse processo, inclui, geralmente, outros sentidos subjetivos que, constituídos por outras ex- periências em outros espaços da vida do sujeito, integram a este parti- cipando de sua configuração. É especialmente importante para a compreensãoda aprendiza- gem das pessoas com deficiência, o sentido subjetivo que a deficiência tem para elas e como se configura no sentido subjetivo de sua aprendizagem. Na subjetividade social dominante a deficiência é representa- da como um déficit que o indivíduo possui, que não só o diferencia dos demais, mas também o coloca em uma situação de inferioridade em relação a eles. Geralmente, a deficiência está associada a experiências emocionais negativas, como tristeza, gravidez, pessimismo, rejeição, etc., todas importantes para a compreensão do sentido subjetivo de que 46 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S a deficiência contribui para a produção social. Pessoas com deficiência, suas famílias, seus professores e seus colegas participam dessa subjetividade social. Todos os consti- tuem e simultaneamente são constituídos por ela, embora de forma di- ferenciada e singular, em função das diferentes trajetórias de vida e, conseqüentemente, das diversas formas de constituição e expressão da subjetividade individual. A sensação de deficiência como parte do senso subjetivo de deficiência, experimentado por algumas pessoas com deficiência, pode ser integrada ao sentido subjetivo de aprendiza- gem, limitando as possibilidades reais de aprendizagem. Por fim, na análise que fazemos aqui, o sentido subjetivo negativo da deficiência, configurado no sentido subjetivo da aprendizagem, pode constituir uma deficiência secundário que deve ser evitado a partir de uma ação educativa efetiva. É necessário desenhar estratégias e ações que favoreçam espaços comunicativos / relacionais gerando potencialmente novas produções de sentido em relação à aprendizagem e à deficiência. Desmistificando a ideia de que, necessariamente pobre popu- lação tem dificuldades de aprendizagem e criando espaços gerando ex- periências emocionais positivas em relação à aprendizagem são princí- pios importantes para o trabalho educativo em sala de aula com todos os alunos e, especialmente, com alunos com deficiências. O trabalho intencional com o grupo de alunos nos endereços indicados também é importante para introduzir mudanças na subjetividade social da sala de aula, contexto social essencial para o processo de aprendizagem de toda a população estudantil, dentre elas pessoas que possuem algum tipo de de deficiência. (VIGOTSKY, 2001) Um contexto social específico em que a subjetividade social não reforça a subjetividade social dominante pode tornar-se, para as crianças pobres, um contexto alternativo importante em relação àqueles contextos em que os sentidos subjetivos negativos associados à apren- dizagem e à deficiência foram previamente constituídos. 47 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2019 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Florianópolis - SC Prova: Professor - Anos Iniciais De acordo com a Teoria Histórico-Cultural, o primeiro aspecto que necessita ser observado quando se tem por objetivo obter uma resposta para o problema das forças motrizes que conduzem o de- senvolvimento do psiquismo da criança é: A - A forma como ela memoriza os conteúdos escolares. B - A mudança de lugar que ela ocupa no sistema das relações sociais. C - O processo de assimilação e acomodação das novas aprendizagens. D - Como a criança reproduz linearmente os padrões de condutas dos adultos. E - De que maneira a criança elabora espontaneamente os assuntos ensinados. QUESTÃO 02 Ano: 2020 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Linhares - ES Pro- vas: IBADE - 2020 - Prefeitura de Linhares - ES - Professor de Edu- cação Básica II - Artes Os estudos de Vygotsky sobre o aprendizado decorrem da com- preensão do homem como um ser que se forma em contato com a sociedade. "Na ausência do outro, o homem não se constrói ho- mem", escreveu o psicólogo. Ele rejeitava tanto as teorias inatis- tas, segundo as quais o ser humano já carrega ao nascer as carac- terísticas que desenvolverá ao longo da vida, quanto as empiristas e comportamentais, que veem o ser humano como um produto dos estímulos externos. Para Vygotsky, a formação se dá numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade a seu redor - ou seja: A - a criança se desenvolve em contato com os objetos do ambiente. B - o desenvolvimento se dá em comunicação com outros seres. C - o indivíduo em permanente interação com o seu próprio Eu. D - o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. E - a cultura determina o progresso de todos os organismos vivos. QUESTÃO 3 Ano: 2019 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Água Santa - RS Provas: Professor de Língua Portuguesa A teoria histórico-cultural foi criada por qual pensador? A -Rousseau. 48 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S B - Montaigne. C - Dewey. D - Pestalozzi. E - Vygotsky. QUESTÃO 4 Ano: 2019 Banca: IF-PA Órgão: IF-PA Prova: Pedagogo A teoria da aprendizagem em Vygotsky tem como uma de suas pre- missas a seguinte: A) vinculado às tradições positivista e funcionalista, Vygotsky considera que as mudanças que ocorrem em cada um têm sua raiz no pensamen- to autônomo. B) A relação do indivíduo com o mundo é independente do outro, pois para fazer essa mediação o homem se utiliza exclusivamente de sua inteligência. C) O desenvolvimento cognitivo se dá pela assimilação do objeto de conhecimento a estruturas anteriores presentes no sujeito e pela aco- modação dessas estruturas em função do que vai ser assimilado. D) A aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento e tem pouco impac- to sobre ele, além disso, papel da interação social é quase insignificante. E) Com o tempo, a utilização de marcas externas vai dar lugar a pro- cessos internos de mediação, chamados de processo de internalização. QUESTÃO 5 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova: PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior A elaboração e a execução do plano de Atendimento Educacional Especializado são de competência dos professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de AEE: I - em articulação com os demais professores do ensino regular. II - com participação das famílias. III - em interface com serviços setoriais da saúde. IV - em interface com serviços da assistência social. V - em interface com outros serviços necessários ao atendimento. Completam corretamente a proposta da questão os itens: A) I, II, III, IV e V. B) I, II e III, apenas. C) I, II e IV, apenas. D) I, II, III e V, apenas. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Considerando a amplitude do conceito “compensatório” estudado e 49 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S analisado, explique o que seria o processo de compensação descrito por Vygotski e qual sua dimensão considerando os efeitos sociais da pessoa com deficiência. TREINO INÉDITO Assunto: Defectologia Tendo em vista o amplo estudo de Vigotski, assinale a alternativa que identifica seu quadro principal quanto ao entendimento da de- fectologia e o papel da compensação. a. O campo da defectologia estuda as pessoas que apresentam algum tipo de “defeito”, mas levando em consideração o quadro social acima da questão biológica do sujeito com deficiência. b. O campo da defectologia estuda as pessoas que apresentam algum tipo de “defeito”, endossando aqueles que não se enquadram nos parâ- metros da anormalidade, seja sob uma condição física ou por uma con- dição psicológica. c. O campo da defectologia estuda as pessoas que apresentam algum tipo de “defeito”, ou seja, apenas levando em consideração o seu “de- feito” quanto à biologia, não levando em consideração aspectos do am- biente em que vive. d. O campo da defectologia estuda as pessoas que não apresentam algum tipo de “defeito”, ou seja, aqueles que não se enquadram nos parâmetros da normalidade, por entender que “defeitos” não existem no sujeito com deficiência. e. Não há estudos sobrea defectologia. NA MÌDIA A DEFECTOLOGIA DE VIGOTSKI E A EDUCAÇÃO DA CRIANÇA CEGA O presente trabalho, inserido nas atividades do grupo de estudos Vigotski e a Defectologia, abrigado no Instituto de Estudos e Pesquisas do Movi- mento Operário da Universidade Estadual do Ceará (IMO/UECE), tem como objetivo compreender os fundamentos da defectologia em Vigotski, particularmente seus estudos acerca da criança com deficiência visual. Trata-se de uma pesquisa teórico-bibliográfica, a qual tem como eixo cen- tral de análise o Tomo V das Obras Escolhidas de Vigotski - Fundamentos de Defectologia. No livro supracitado, o autor discute o desenvolvimento de crianças complicado por uma deficiência, atestando que da deficiência se origina estímulos para a formação da compensação. No referido de- senvolvimento complicado, a insuficiência orgânica teria um duplo papel: por um lado, a deficiência como uma limitação, debilidade, diminuição do desenvolvimento e, por outro, a deficiência como estímulo ao desenvolvi- 50 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S mento a partir das dificuldades provocadas pelo mesmo. Fonte: Marcel Lima Cunha; Niágara Vieira Soares Cunha; Natália Ayres da Silva Data: 2015 Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S1517-97022011000400012 NA PRÁTICA CONTRIBUIÇÕES PARA UMA HISTORIOGRAFIA DA DEFECTOLO- GIA SOVIÉTICA O objetivo deste artigo é resgatar o processo histórico de desenvolvimento da Defectologia soviética, tendo em vista as contribuições desse ramo da ciência para a educação, a Psicologia e a Filosofia. Para tanto, retomou- -se o surgimento da Educação Especial na Rússia czarista, para chegar ao crescimento e incremento dos estudos relacionados às deficiências no período posterior à Revolução de Outubro. O artigo centra seus esforços em apresentar um panorama das obras dos principais estudiosos da de- fectologia na URSS especialmente aqueles que se dedicaram ao estudo e à educação de pessoas com deficiências múltiplas, principalmente a cegueira e a surdez. Nessa perspectiva, foram contempladas as obras de Vigotski, Sokolianski, Meshcheriakov, Ilienkov e Yarmolenko e suas devidas contribuições ao incremento da Defectologia. Disponível em: http://revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances/article/ view/2156 51 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A STRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO: DEFICIÊNCIA INTELEC- TUAL O termo deficiência intelectual (DI) está sendo usado cada vez mais em vez do retardo mental. A DI é entendida como a aquisição lenta e incompleta de habilidades cognitivas durante o desenvolvimento hu- mano, o que implica que a pessoa pode ter dificuldades para entender, aprender e lembrar de coisas novas, que se manifestam durante o de- senvolvimento e que contribuem para o nível de inteligência. geral, por exemplo, habilidades cognitivas, motoras, sociais e de linguagem. A Associação Americana de Deficiências Intelectuais e do De- senvolvimento (AAIDD) descreve o DI como uma série de limitações sig- nificativas no funcionamento, bem como no comportamento adaptativo, CAUSAS DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E AS ALTERAÇÕES SENSORIAIS E MOTORAS D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S 51 52 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S conforme manifestado nas habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas. Esta deficiência tem origem antes dos 18 anos. Em geral, o termo de DI aplica-se aos mesmos indivíduos que foram previamente diagnosticados com retardo mental em categoria e nível, duração e ne- cessidade de serviços e apoio. Cada indivíduo que é ou foi elegível para um diagnóstico de retardo mental é elegível para um diagnóstico de DI. Várias pesquisas foram realizadas para determinar a preva- lência de DI em todo o mundo, com estimativas que variam de 1% a 3%. Uma metanálise recente concluiu que a prevalência média de de- ficiência intelectual encontrada nos estudos foi de 1%. A prevalência é maior em homens, adultos e crianças e adolescentes. Entre os adultos, a razão entre mulheres e homens varia de 0,7: 1 a 0,9: 1, enquanto em crianças e adolescentes varia de 0,4: 1 a 1: 1. A proporção varia de acordo com o nível de renda econômica; há uma proporção maior em países de renda baixa e média, onde as taxas são quase duas vezes maiores do que em países de alta renda (Maulik et al, 2011). Outra meta-análise que considerou estudos publi- cados em países europeus entre 1980 e 2008 encontrou estimativas globais que variaram entre 0,4% e 1,4%. A prevalência de DI na Ásia é comparável à dos países ociden- tais: 0,06% -1,3%. A pesquisa nacional sobre deficiências realizada em 2006 na China estimou uma prevalência de DI de 0,75%. A prevalência nas áreas urbanas foi menor (0,4%) do que nas áreas rurais (1,02%). A etiologia do ID é heterogênea. Como conseqüência do pro- gresso no pré-natal, lesões, infecções e toxinas são causas menos fre- qüentes. Pelo contrário, fatores genéticos se tornaram predominantes. Em 40% dos casos, não é possível identificar uma causa específica, especialmente na ID leve. Influências ambientais (por exemplo, desnu- trição, privação emocional e social, como em orfanatos mal administra- dos) também podem causar ou agravar a DI. Conhecer a etiologia da DI melhora a possibilidade de tratamento ou prevenção em alguns casos e permite prever dificuldades específicas em outras. Muitos fatores que são causais ou associados à DI foram iden- tificados. Esses fatores, que influenciam o desenvolvimento e funciona- mento do cérebro da criança no período pré-natal, perinatal ou pós-natal, podem ser divididos em três grupos: orgânico, genético e sociocultural. A trissomia do par 21 e o cromossomo X frágil são as causas genéticas mais freqüentes da deficiência intelectual. É improvável que todos os casos de deficiência intelectual se encaixem em qualquer um desses três grupos, já que em muitos casos os fatores genéticos, am- bientais e socioculturais se sobrepõem. Em quase dois terços dos ca- sos leves e um terço dos casos graves, nenhuma causa específica é en- 53 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S contrada, o que evidencia a necessidade de novas investigações. Uma lista mais detalhada das causas está disponível no site da Organização Mundial de Saúde. Alguns deles são descritos em mais detalhes abaixo: Coeficiente Intelectual (CI) ou (QI) é uma pontuação derivada de uma série de testes ou testes. Existem muitos tipos de testes cujo objetivo é medir habilidades gerais e específicas: leitura, aritmética, vocabulário, memória, conhecimento geral, raciocínio abstrato, habilidades visuais, ha- bilidades verbais, etc. Entre o teste de medição da CI estão a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças, o Stanford-Binet, a Bateria de Avalia- ção Kaufman para crianças e Escala de Matrizes Progressivas de Raven. Tradicionalmente, o QI foi obtido dividindo a idade mental da pessoa (o grupo de idade obtidos de um meio resulta em uma amostra aleatória de população geral), por idade cronológica multiplicado por 100. No entanto, este método possui limitações (por exemplo, não pode ser usado em adultos). Atualmente os resultados dos testes são padro- nizados em uma amostra representativa da população; As pontuações de QI para crianças são relativas a crianças da mesma idade. O resultado médio é definido como 100 e um desvio padrão é de 15 pontos. Portanto, 95% da população tem pontuações dentro de dois desvios padrão da média (ou seja, dentro de um intervalo de QI de 70 a 130). Para que o IC seja preciso, o teste deve ser padronizado em uma população culturalmente similar à da pessoa que está sendo avaliada. Por exemplo, o uso de normas obtidas em uma população bra- sileira produziria resultados tendenciosos se a pessoa avaliada fosse birmanesa. Embora o QIpossa mudar um pouco com a idade, é um conceito surpreendentemente robusto e fortemente preditivo de con- quistas pessoais. O QI tem um grande componente hereditário, mas os fatores ambientais também têm um efeito importante. A herdabilidade aumenta com o aumento da idade: pode ser tão baixa quanto 0,2 na infância, 0,4 na adolescência e até 0,8 na idade adulta. Embora o QI pareça um conceito simples, ela foi marcada por controvérsias. Por exemplo, alguns autores acreditam que a inteligência é uma combinação aprendida de múltiplas habilidades e habilidades, en- quanto outros assumem que a inteligência é um traço fortemente deter- minado pela genética, até mesmo outros acreditam que existem gran- des diferenças étnicas ou raciais. Os testes de QI são diferentes dos testes de conhecimento, os últimos buscam quantificar as habilidades e conhecimentos aprendidos (por exemplo, linguagem, aritmética), geral- mente através da escolaridade; Os testes de QI medem habilidades e habilidades mais do que o conhecimento atual. Enquanto no passado houve uma ênfase na "inte- ligência geral", as atuais teorias consideradas inteligência como um con- 54 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S junto de competências adquiridas em diferentes áreas (musical, mecânica, física, social), que pode diferir consideravelmente no mesmo indivíduo. As DI são caracterizados por um atraso no desenvolvimento do funcionamento intelectual e dificuldades no funcionamento social adaptativo. De acordo com a gravidade do atraso do funcionamento intelectual, as dificuldades no funcionamento adaptativo e social, e o CI, as classificações psiquiátricas descrevem quatro níveis de gravidade: • Profunda O QI está abaixo de 20. A deficiência intelectual pro- funda representa o 1% a 2% de todos os casos (Ver figura 07). Esses in- divíduos não podem cuidar de si mesmos e não possuem linguagem. Sua capacidade de expressar emoções é limitada e difícil de entender. Convul- sões, deficiências físicas e uma expectativa de vida reduzida são comuns. Figura 7 – DI profunda Fonte: Elaborado pela autora (2019) • QI severo entre 20 e 34. A deficiência intelectual grave repre- senta entre 3% e 4% de todos os casos. Todos os aspectos do desen- volvimento estão atrasados, têm dificuldade em pronunciar palavras e têm um vocabulário muito limitado. Com prática e tempo considerável, eles podem adquirir habilidades básicas de autocuidado, mas ainda precisam de apoio na escola, em casa e na comunidade. IC moderado entre 35 e 49, representando aproximadamente 12% de todos os casos. Eles demoram a alcançar os marcos do desenvolvimento inte- lectual; Sua capacidade de aprender e pensar logicamente é diminuída, mas eles são capazes de se comunicar e cuidar de si mesmos com algum apoio. Com supervisão, eles podem realizar trabalhos não espe- cializados ou semi-especializados. • Suave O QI está geralmente entre 50 e 69 e representa apro- ximadamente 80% de todos os casos. O desenvolvimento durante os primeiros anos é mais lento do que em crianças da mesma idade e os marcos do desenvolvimento estão atrasados. No entanto, eles são 55 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S capazes de se comunicar e aprender habilidades básicas. Sua capaci- dade de usar conceitos abstratos, analisar e sintetizar é afetada, mas eles podem ler e calcular em uma terceira a sexta séries. Eles podem fazer tarefas domésticas, cuidar de si mesmos e executar trabalhos não especializados ou semi-especializados. Em geral, eles exigem algum apoio. Em se tratando dos sinto- mas clínicos, destaca-se: Linguagem Crianças com DI geralmente têm um atraso na aquisição de linguagem e dificuldades em falar e se expressar. A gra- vidade depende do nível de habilidade intelectual. Casos leves podem atingir um desenvolvimento de linguagem que é apenas um pouco me- nor que o de crianças com desenvolvimento típico. Casos sérios ou profundos dificilmente podem se comunicar, ou podem apenas dizer algumas palavras. Percepção Crianças com DI demoram a perceber e reagir a estímulos ambientais. Eles têm dificuldade em distinguir pequenas di- ferenças de tamanho, forma e cor. Cognição A capacidade de analisar, raciocinar, entender e calcular e abstrair o pensamento é afetada em maior ou menor grau, dependendo da gravidade. Crianças com DI leve são capazes de alcançar habilidades de leitura e matemática em aproxi- madamente o nível de uma criança de 9 a 12 anos de idade (Daily et al, 2000). Pessoas com DI grave ou profunda não conseguem ler, calcular ou até mesmo entender o que os outros estão dizendo. Concentração e Memória A capacidade de concentração é bai- xa e restrita. Em geral, a memória é fraca e demoram muito tempo para serem lembradas, embora haja exceções (por exemplo, crianças sábias ou savants). Eles também têm dificuldade em lembrar e muitas vezes suas memórias são imprecisas. Emoção As emoções costumam ser in- gênuas e imaturas, mas podem melhorar com a idade. A capacidade de autocontrole é pobre e o comportamento impulsivo e agressivo não é incomum. Alguns são tímidos e retraídos. Movimento e Comportamento As crianças com DI muitas vezes têm dificuldades significativas na coordenação, podem ser desajeitadas ou mostrar movimentos excessivos. Em casos graves, muitas vezes é ob- servado movimentos sem propósito ou estereotipado (ponto de ebulição, balançando, batendo a cabeça, mordendo, gritando, quebrando suas rou- pas, puxar cabelo, brincando com seus órgãos genitais). Você também pode observar comportamentos destrutivos, agressivos e violentos. No caso de DI moderada e grave, comportamentos autolesivos podem ocorrer (por exemplo, bater ou morder). Problemas de saúde associados à deficiência intelectual Em comparação com crianças com desenvolvimento típico, as pessoas com DI apresentam maior risco de 56 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S apresentar outros problemas de saúde. Os quadros clínicos mais preva- lentes: epilepsia (22%), a paralisia cerebral (20%), distúrbios de ansie- dade (17%), transtorno de oposição desafiante (12%), e do espectro do autismo (10%) do transtorno. Epilepsia • Entre 1% e 13% das crianças com síndrome de Down têm epilepsia • 85% dos pacientes com síndrome de Angelman apresentam epilepsia durante os primeiros três anos de vida, freqüentemente e difí- cil de controlar • Doentes com síndrome do X frágil são altamente propensos a desenvolver epilepsia com problemas comportamentais em crianças com DI são sintomas comportamentais comuns, tais como inquietação ( eles estão constantemente em movimento, eles não podem sentar-se), falta de concentração, impulsividade, acessos de raiva e lágrimas, com- portamentos disruptivos tais como agressividade, comportamento au- to-prejudicial (como bater a cabeça) e balanço repetitivo (veja a seção sobre problemas de comportamento). (PLETSCH, 2012) Quando esses sintomas são graves e persistentes, são uma fonte de estresse para as famílias. Portanto, é necessário abordar esses sintomas e incluí-los como objetivo do tratamento. Dificuldades sensoriais 5% -10% das crianças com DI apresentam problemas visuais e auditivos. Em alguns casos, esses problemas podem ser resolvidos com o uso de aparelhos auditivos ou óculos, ou com cirurgia de catarata. Como observado acima, juntamente com o DI, outras deficiên- cias de desenvolvimento, como paralisia cerebral, problemas de lingua- gem e sintomas do espectro do autismo, podem ocorrer. Pessoas com comorbidades são um desafio para o atendimento médico. QUADROS CLÍNICOS ASSOCIADOS À DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Síndrome de Down, também conhecida como Trissomia 21 é um distúrbio cromossômico causado por uma cópia extra de material genético no cromossomo 21 que afeta o desenvolvimento do corpo e do cérebro. Foi descrita pela primeira vez pelo médico inglês John Lang- don Down, e em1959, Jerome Lejeune descobriu que sua causa foi uma Trissomia 21. A incidência da síndrome de Down é de aproximadamente uma 57 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S em cada 1000 recém-nascidos e é influenciado pela idade materna. Mu- lheres com 35 anos de idade ou mais têm um risco significativamente maior. A síndrome de Down pode ser diagnosticada por meio de uma análise cromossómica pré-natal ou pós-natal, de acordo com o qual po- dem ser classificados em quatro subtipos: trissomia 21, mosaicismo, translocação e duplicação de uma porção do cromossoma 21. As carac- terísticas clínicas da síndrome de Down são: • Deficiência intelectual, geralmente leve; têm boas habilidades sociais • A aparência característica, incluindo braquicefalia,epicanto, palpebrais oblíquas fissuras até, estrabismo, manchas de Brushfield na íris, nariz pequeno com a base afundado, orelhas arredondadas, pesco- ço curto, braquidactilia, clinodactilia do quinto dedo, impressões digitais atípicos e separação permanente dos dois primeiros dedos, conhecido como o retardo do sinal sandália • Peso (baixa estatura, membros curtos e ligamentos frouxos) • Muitas vezes acompanhada diferentes problemas médicos, incluindo doença cardíaca congênita, atresia duodenal, perda de audi- ção, problemas oculares, hipotireoidismo, cedo demência início e leu- cemia. A síndrome de Down podem ser detectados por meio de triagem pré-natal. Os procedimentos de rastreio mais comuns são: (a) a medi- ção de soro materno alfa-fetoproteína (AFP), gonadotrofina coriónica humana (hCG), o estriol não conjugado e alfainhibina (INHA) em 15-20 semanas de gestação; (B) Teste de translucência da nuca usando um ultra-som fetal (TN), com uma medição de soro de beta-hCG e plasma materno gravidez associada à proteína à 10-13.5 semanas de gesta- ção; ou (c) ambos (a) e (b). Nas famílias em que há um alto risco de ter uma criança com síndrome de Down pode ser mais apropriado para executar um teste de diagnóstico mais invasivo e mais preciso no pri- meiro semestre e início do segundo, como a amniocentese, a biópsia de vilocorial ou uma amostra percutânea de sangue do cordão umbilical. Síndrome X Frágil Também conhecida como síndrome da síndrome Martin-Bell Escalante é uma doença ligada ao cromossoma X, e é uma das formas mais comuns de incapacidade mental herdada. Também está associado ao transtorno do espectro do autismo. Martin e Bell descrito pela primei- ra vez esta desordem em 1943, e em 1969, Herbert Lubs identificado que nestes casos foram associadas com uma área frágil no cromosso- ma X mutação que provoca a síndrome afeta uma região do cromosso- 58 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S ma X, onde é a Gene FMR1. A síndrome X frágil é caracterizada por uma expansão de sequ- ências longas mais de 200 repetições trinucleotídicas CGG numa região não traduzida anterior (UAS) para o gene FMR1, localizado na banda q27.3 do braço longo do cromossomo X (Xq27,3). Em pessoas não afe- tadas, o número de repetições nesta região constitui um polimorfismo, com valores entre 5 e 55 repetições sendo comuns. A mutação consiste, portanto, na amplificação do número de repetições do tripleto CGG, que silencia a transcrição do gene. Sua in- cidência é cerca de 1 por 2000-5000 povo, e é 30% mais comum em homens do que em mulheres. A síndrome do X frágil é um tipo domi- nante ligada ao X desordem, que é transmitida por mulheres, mas é mais comum em homens, que têm apenas uma cópia do cromossomo X. Esta mutação não expressa imediatamente, mas evolui ao longo das gerações, aumentando a sua penetração e expressividade à medida que as gerações passam. As manifestações clínicas da síndrome do X Frágil variam de leve a grave nos aspectos físico, cognitivo, emocional e comportamen- tal. Geralmente as mulheres apresentam uma forma menos grave do transtorno do que os homens. O fenótipo físico inclui uma face estreita longa com um testa proeminente e as orelhas salientes, hipermobilida- de associada com displasia tecido conjuntivo, os polegares dupla articu- lados, pés planos e machos macroorquidismo após a puberdade. Assim, a figura 08 apresenta o fenótipo: Figura 8 – Fenótipo Fonte: Elaborado pela autora (2019) Os indivíduos com síndrome do X-frágil geralmente apresen- tam dificuldades cognitivas (com um QI que varia de normal ou limítrofe a severamente baixo), bem como problemas na memória de trabalho, funções executivas e nas habilidades de matemática e visuoespacial. Há também evidências de um atraso no desenvolvimento da linguagem 59 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S na primeira infância. Os distúrbios emocionais e comportamentais são comuns, incluindo transtornos de ansiedade e de humor, sintomas de hiperatividade de déficit de atenção, distúrbios compulsivos (por exem- plo, ações ou frases repetitivas) obsessivos, agressivo e auto agressivo, e um temperamento difícil. A síndrome do X-frágil é uma causa comum de transtornos do espectro do autismo, e frequentemente problemas neurológicos, como convulsões, também são observados. Além disso, acredita-se que as pessoas que apresentam uma pré-mutação (quando o número de repe- tições CGG varia de 55 a 200) apresentam um distúrbio clínico carac- terizado por dificuldades de aprendizado leves, problemas emocionais, falência ovariana prematura e, nos idosos, distúrbio neurodegenerativo denominado síndrome de ataxia / tremor associado ao X frágil, que ge- ralmente se manifesta na idade adulta. O diagnóstico da síndrome X frágil é realizada por meio de tes- tes genéticos das expansões repetidas CGG no gene FMR1 por PCR e análise de transferências Southern, e deve ser feita a todos aqueles que apresentam um atraso no desenvolvimento, capacidade intelectual faixa limite, deficiência intelectual e transtorno do espectro do autismo. Se é um comprimento normal da repetição CGG, considerar a realização de um FMR1 sequenciamento para excluir a possibilidade de eliminação. Se a pré-mutação ou mutação completa é detectada, sugere- -se que o aconselhamento genético para toda a família. Embora o acon- selhamento genético não pode evitar a síndrome do X frágil, é essencial para informar sobre a reprodução, e começar a intervenção apropriada durante a primeira infância. Fenilcetonúria (PKU) foi descoberta pelo médico norueguês Ivar Asbjørn em 1934. É produzido por uma enzima de mutação do gene de hidroxilase- -fenilalanina (FAOH) ou genes que codificam para enzimas envolvidos na biossíntese de cofactor de tetra-hidrobiopterina (BH4), o que provoca uma disfunção do metabolismo de fenilalanina e de um excesso de substâncias últimos e afins no sangue, cérebro e urina. A presença excessiva e crônica da fenilalanina no cérebro é tóxico e pode causar danos cerebrais graves. A prevalência de fenilcetonúria varia amplamente em todo o mundo por razões étnicas e sociais (por exemplo, frequência de con- sanguinidade). Na Europa, a prevalência é de aproximadamente um caso por 10.000 nascidos vivos na Turquia, um em 4000 na América Latina, um em cada 25.000 a 50.000, e em algumas regiões da China, um em cada 100.000 nascidos vivos (Blau et al, 2010). A Fenilcetonú- riaé diagnosticada, se houver uma alta concentração de fenilalanina na análise de aminoácidos de sangue (>120 mol / L). Para determinar se o paciente com um défice hiperfenilalanine- 60 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S mia tem na biosíntese ou regeneração de BH4, uma medição de pteri- nas urinária ou redutasediidropteridina em células vermelhas do sangue deve ser realizada por um filtro de papel amostra de sangue, ou um teste de carga de BH4 (Blau et al, 2005). Padrões de pterinas urinário pode diferenciar os vários tipos de PKU: • PKU clássico com uma deficiência de PAH: pterinas totais são elevados, mas a proporçãode neopterina e biopterina é normal ciclohidrolase • Deficiência GTP I (GTP-CH): biopterinas totais são muito bai- xos ou não detectado • Sintetase 6-piruvil-tetrahydropterin (6-PTS): neopterina é ele- vada, mas biopterina é diminuída • Deficiência pterina-4a-carbinolamina desidratase: neopterina é elevada, enquanto que biopterina é baixa ou limítrofe, e primapterina é alta • Redutase Deficiência diidropteridina (DHPR): neopterina está na gama normal e de biopterina é alta. Bebês com PKU não apresentam sinais da doença no momento do nascimento, mas durante os primeiros meses surgem progressiva- mente dificuldades de desenvolvimento, muitas vezes acompanhado por uma pele, cabelo e olhos mais leves, erupção eczematosa, "mofo" odor, dificuldades motoras, convulsões, de comportamento e um transtorno do espectro do autismo. Triagem, diagnóstico e intervenção precoce podem impedir que indivíduos com PKU tenham sérios danos cerebrais. Em recém-nascidos, um teste de triagem sanguínea de PKU é realizado 3 a 7 dias após o nascimento e repetido aproximadamente duas semanas depois para confirmar o resultado. Se o resultado for po- sitivo, testes adicionais são realizados. O tratamento deve começar as- sim que a PKU for confirmada. A intervenção mais importante e eficaz é a restrição da fenilalanina na dieta: leite de fórmula livre de fenilalanina com baixo nível de proteínas; evite alimentos ricos em proteínas (como carne, peixe, leite, ovos, pão comum, a maioria dos queijos, nozes e sementes) e aqueles que contenham aspartame (farinha, soja). Para pacientes com o tipo responsivo a BH4, identificado pelo tes- te de carga BH4, podem ser prescritos preparados contendo BH4. Outras abordagens, como o tratamento de aminoácidos longos e neutros, o uso de fenilalanina-amônia-liase e terapia gênica, ainda estão em estudo (Blau et al, 2010). Para melhores resultados, a fenilalanina sérica deve ser monito- rada regularmente ao longo da vida, caso seja necessário fazer alterações no tratamento. Hipotireoidismo congênito O hipotireoidismo congênito é uma doença endócrina causada por uma deficiência do hormônio tireoidia- no após o nascimento, e pode ser permanente ou transitória. O hipotiroidismo congênito permanente está geralmente asso- 61 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S ciada a disgenesia da tiroide, a disfunção da biossíntese ou metabolis- mo da hormona da tiroide, ou uma deficiência de hormona estimulan- te (TSH), enquanto transiente hipotiroidismo congênito é causada por uma deficiência iodo, por consumo materno de antitireoidiano, ou por transferência placentária de anticorpos que bloqueiam os receptores da tirotropina (TRB-Ab). O hipotireoidismo congênito ocorre em aproxima- damente um em 2.000 a 4.000 nascidos vivos (Rastoget al, 2010). O hipotireoidismo congênito é diagnosticado pela dosagem de TSH sérico e T4 livre ou total de T4, em conjunto com a captação de T3 com resina. De acordo com as gamas de idade referência normativo, um hipotiroidismo congênito primário é confirmado se a TSH é elevado T4 livre ou T4 é diminuído ou normal, e um hipotiroidismo congênito se- cundário (central) é confirmada se T4 é baixo, mas TSH não é elevado. Há outros testes de diagnóstico para determinar a etiologia, en- tre os quais incluem a medição da captação urinária iodo e radionuclídeo cintilografia, ultra-som da tiroide, medição de tiroglobulina, a determina- ção de anticorpos da tiróide, deficiência de avaliação outros hormônios hipofisários, ressonância magnética do cérebro e testes genéticos. As características clínicas de hipotiroidismo congênito em lac- tentes são: icterícia persistente, diminuição da ingestão, excesso de sono, obstipação, a baixa temperatura excessiva corpo tranquila, choro invulgar, hérnia umbilical, bradicardia, hipotonia e reflexos retardados. Alguns têm um bócio palpável. A aparência física inclui uma fontanela posterior ampla, face inchada, nariz achatado, olhos com pseudo-hiper- telorismo e boca aberta com macroglossia. Sem tratamento, o hipotireoidismo congênito causa estagna- ção de peso, incapacidade intelectual permanente e problemas cardía- cos. Testes de triagem e intervenção precoce são essenciais para evitar o desenvolvimento de ID no hipotireoidismo congênito. A triagem é re- alizada através de uma amostra de sangue obtida do calcanhar do re- cém-nascido por meio de um filtro especial que detecta o nível de TSH e que é realizado entre o segundo e o quinto dia de vida. Um segundo teste também pode ser realizado entre a segunda e a sexta semana de vida, particularmente em prematuros e os gravemente doentes com um "atraso no aumento do TSH". Se a TSH inicial é mais do que 30mu / L no soro ou sobre 15mu / L no sangue inteiro, testes confirmativos adicio- nais devem ser realizados para confirmar o diagnóstico. Uma vez que o diagnóstico de hipotiroidismo congênito é rea- lizado, ele deve iniciar o tratamento imediatamente tiroxina oral e cui- dadosamente monitorizados, especialmente durante as primeiras 2 ou 3 anos, que são cruciais para o desenvolvimento neurológico positivo. O uso de doses elevadas de levotiroxina para normalizar T4 soro e TSH é 62 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S recomendado o mais rapidamente possível, e deve ser perto de monitori- zação para ajustar a dose de levotiroxina se os resultados são anormais. No entanto, em crianças com centro congênito deve começar com uma dose baixa de levotiroxina e gradualmente aumentar com a administração de doses fisiológicas de cortisol para prevenir a ocorrên- cia de uma hipocortisolismo. No hipotireoidismo congênito transitório, o tratamento pode levar vários anos, enquanto no hipotireoidismo con- gênito permanente, o tratamento é vitalício. Em famílias em risco de ter um bebê com hipotireoidismo congênito, é necessário considerar o aconselhamento genético e o diagnóstico pré-natal. A Síndrome de Prader-Willi A síndrome de Prader-Willi é uma doença genética rara que afeta o cromossomo 15q11-13. Foi descrito pela primeira vez em 1956 por Andrea Prader e Heinrich Willi. Os sin- tomas incluem um tônus muscular fraco, dificuldade em comer, baixa estatura, desenvolvimento sexual incompleto, dificuldades cognitivas e uma sensação crônica de fome que pode levar a excessos e obesidade. Sua incidência é de aproximadamente um em 25.000 para um em cada 1.000 nascidos vivos (Killeen, 2004). Indivíduos com síndrome de Pra- der-Willi são propensos a ter dificuldades de aprendizagem e atenção. Estudos sugerem que a maioria (50% -65%) deles possui in- teligência de baixo nível / limite ou deficiência mental leve. Tradicio- nalmente, a síndrome de Prader-Willi foi diagnosticada com base em suas características clínicas, mas atualmente é feita através de testes genéticos. A síndrome de Prader-Willi não tem cura; O diagnóstico precoce permite uma intervenção precoce ideal. Essas crianças devem receber tratamento específico para melhorar o tônus muscular, além de terapia ocupacional e de linguagem. Em crian- ças em idade escolar, sugere-se proporcionar um ambiente de apren- dizagem altamente estruturado e, se possível, uma educação especial. O uso de injeções diárias de hormônio de crescimento recombinante também pode ser benéfico. A síndrome de Angelman é uma doença genética complexa caracterizada por atraso no desenvolvimento, defi- ciência intelectual, as principais dificuldades de linguagem, convulsões, ataxia, batendo, e um comportamento alegre e agitado com sorrisos e gargalhadas frequentes. Foi descrita pela primeira vez por Angelman (Ver figura 09) em 1965. 63 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Figura 9 – Síndrome de Angelman Fonte: Elaborado pela autora (2019) Sua prevalência é de aproximadamente um em 10.000 para um em cada 20.000 nascidos vivos. A síndrome de Angelman é causada pela perda da contribuiçãomaterna normal em uma região do cromossomo 15, na maioria das vezes por uma deleção de um segmento desse cromosso- mo. O diagnóstico baseia-se na combinação das características clínicas, nos resultados dos testes genéticos moleculares e na análise citogenética. Existem critérios diagnósticos consensuais para a síndrome. Uma análise das impressões de metilação do DNA específicas para DNA na região 15q11.2-q13 do cromossomo detecta aproximadamente 78% dos indivíduos com síndrome de Angelman; menos de 1% tem uma reorganização visível citogeneticamente. A análise da sequência UBE3A detecta mutações em outros 11%. Como consequência, tes- tes genéticos moleculares identificam alterações em aproximadamente 90% dos indivíduos com síndrome de Angelman. Atualmente, a síndrome de Angelman não tem cura e seu tra- tamento é sintomático (por exemplo, controle da epilepsia por meio de drogas antiepilépticas). Galactosemia é uma doença autossômica re- cessiva do gene único associado com uma disfunção de enzimas que convertem a glicose da galactose, resultando na acumulação de quanti- dades tóxicas de galactose no sangue e tecidos, causando atraso men- tal e danos em múltiplos órgãos. Foi descrito pela primeira vez por Goppert em 1917, e em 1956, Herman Kalckar identificou-o como uma deficiência no metabolismo da ga- lactose. Sua prevalência é de um para cada 60.000 nascidos vivos. De acordo com a enzima que é afetada, podem ser classificados em três tipos: • Tipo I, galactosemia clássica, devido a uma deficiência de galactose-1 - fosfato uridiltransferase (GALT). • Tipo II, devido a uma deficiência de galactoquinase (GLK) • Tipo III, devido a uma deficiência da epimerase UDP- galac- tose (GALE). O diagnóstico de galactosemia é feito por meio de um exame de sangue ou urina para detectar a atividade das três enzimas mencio- nadas acima e quantificar os níveis de galactose. Agora existem testes 64 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S genéticos moleculares (Elsas, 2010). As crianças com galactosemia têm sintomas inespecíficos como vómitos, diarreia, ingestão inadequada, ic- terícia prolongada, hepatomegalia, retardo de crescimento, letargia e diátese hemorrágica. Se não for tratada a tempo, pode causar sepse, insuficiência hepática, deficiência intelectual, retardo de crescimento e, finalmente, morte. Quando são mais velhos, crianças e adultos podem apresentar complicações crônicas ou secundárias, incluindo casos com tratamento precoce e adequado, como retardo de crescimento, mau funcionamento intelectual, dificuldades de linguagem, problemas motores, dificuldades de aprendizagem e insuficiência ovariana. Para evitar as manifestações primárias da galactosemia, é muito importante realizar testes de triagem em todos os recém-nascidos e, naqueles afetados pela doença, restringir alimentos e medicamentos que contenham lactose. Os sintomas melhoram rapidamente e o prog- nóstico é positivo se a dieta sem lactose for iniciada nos primeiros 3 a 10 dias de vida. Também é necessário realizar avaliações de rotina do acúmulo de galactose para ajustar o tratamento. Outras intervenções incluem suplementos de cálcio, exames oftalmológicos e avaliações de linguagem e desenvolvimento. Em famílias em risco de ter um filho com o transtorno, é acon- selhável realizar aconselhamento genético e um diagnóstico pré-natal. Síndrome alcoólica é a forma mais grave de desordens do es- pectro alcoólico fetal, é uma causa evitável de deficiência intelectual. A síndrome alcoólica fetal ocorre quando a mãe consome álcool durante a gravidez, especialmente durante os primeiros três meses de gravidez, causando danos significativos para o feto em desenvolvimento, espe- cialmente o cérebro. A prevalência e a incidência variam de acordo com o consumo de álcool na população. Nos Estados Unidos, estima-se que 0,2 a 1,5 por 1.000 nascidos vivos tem síndrome alcoólica fetal. Muitos profissionais de saúde têm pouco conhecimento des- te quadro clínico, e, portanto, sua detecção é baixa e muitas crianças afetadas não são diagnosticados. Além de uma história de consumo de álcool da mãe, os profissionais de saúde olhar para os seguintes sinais e sintomas de fazer o diagnóstico: • Características faciais anormais • Problemas no sistema nervoso central • Problemas de crescimento. Eles estão a ser investigados mais eficaz para ferramentas de detecção precoce de diagnóstico que utilizam biomarcadores, tais como ésteres etílicos de ácidos gordos em mecónio, mas que ainda não estão disponíveis. Logo, os sintomas clínicos variam de acordo com a quantidade, 65 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S frequência e duração da exposição ao álcool e influências maternas e ge- néticas. Lactentes e crianças com síndrome alcoólica fetal, muitas vezes têm atrasado o desenvolvimento e uma mistura de anomalias craniofaciais que são a marca da doença, incluindo um pequeno sulco nasogeniano não marcado, um lábio superior fino, fissuras palpebrais estão incluídas, um nariz curto, orelhas e malformações em uma mandíbula subdesenvolvida. Também apresentam problemas no sistema nervoso central, incluindo mi- crocefalia, convulsões, falta de coordenação, perda auditiva neurossenso- rial, cognitivo e dificuldades funcionais estão incluídos. Por fim, além disso, a síndrome alcoólica fetal pode predispor ao desenvolvimento de problemas de saúde mental e uso de substâncias. A única maneira de prevenir a síndrome alcoólica fetal é não consumir álcool durante a gravidez. É por isso que a psicoeducação é fundamental em mulheres grávidas ou em mulheres que planejam engravidar. 66 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2015 Banca: CAIPIMES Órgão: Prefeitura de Diadema Prova: PEB –– Deficiência Intelectual ou Mental Nível: Superior Para planejar o seu fazer pedagógico e estabelecer objetivos, o pro- fessor precisa conhecer as necessidades de seus alunos. Mas sua ta- refa como permanente avaliador não se encerra na identificação das referidas necessidades, pois, a partir do seu conhecimento, dentre outras, fazem-se necessárias, na escola, outras providências para: I - reorientar o processo ensino aprendizagem. II - garantir formação continuada de todos os que trabalham na comunidade escolar. III - encaminhar os educandos aos atendimentos de que necessi- tam, em benefício de sua aprendizagem e participação. IV - prover os recursos necessários à melhoria da qualidade de sua resposta educativa. V - criar as condições necessárias à inclusão, a partir da mudança de atitudes frente às diferenças, pois a valorização da diversidade está na base de todos os movimentos pela inclusão. Completam corretamente a proposta da questão os itens: A) II, III, IV e V, apenas. B) I, II, III e V, apenas. C) II, III e V, apenas. D) I, II, III, IV e V. QUESTÃO 2 Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: SEJUS-ES Prova: Médico - Psi- quiatria Síndrome que é uma causa de retardo mental, classificada no gru- po das anormalidades cromossômicas por ser resultante de uma deleção no cromossomo 15. Tem uma prevalência menor que 1 em 10 000 indivíduos. Esses indivíduos apresentam retardo mental, comportamento alimentar compulsivo, obesidade com frequência, hipogonadismo, estatura baixa, hipotonia e mãos e pés pequenos. As crianças com frequência apresentam um comportamento de oposição e desafiador. O nome desse quadro é A) Síndrome deTurner. B) Síndrome de Down. C) Fenilcetonúria. D) Transtorno de Rett. E) Síndrome de Prader-Willi. 67 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÃO 3 Ano: 2015 Banca: VUNESP Órgão: SAP-SP Prova: Médico psiquiatra A respeito do retardo mental, é correto afirmar que A) quanto maior o grau de retardo mental, mais frequentes e intensos são os componentes autodestrutivos, como por exemplo, atos de auto-mutilação. B) em geral, crianças com retardo mental leve a moderado só são identi- ficadas no ensino médio, quando as demandas acadêmicas aumentam. C) o retardo mental profundo é frequente, mas dificilmente tem a sua causa identificada. D) indivíduos com retardo mental moderado raramente apresentam au- toimagem negativa e baixa autoestima, já que não têm muita crítica a respeito de seu estado mórbido. E) as síndromes genéticas como a de Down e a de Prader Willi estão associadas a retardo mental de início tardio. QUESTÃO 4 Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: Prefeitura de Anápolis - GO Pro- va: Técnico em Enfermagem São sinais e sintomas de hipotireoidismo: A) fadiga, unhas quebradiças, queda de cabelo, ganho de peso. B) palpitações, nervosismo, unhas quebradiças, ganho de peso e pele úmida. C) nervosismo, palpitação, perda de peso e pele úmida. D) fadiga, exoftalmia, ganho de peso e pele úmida. E) exoftalmia, palpitações, queda de cabelo e pele seca. QUESTÃO 5 Ano: 2017 Banca: IBFC Órgão: EBSERH Prova: Médico - Psiquiatria A Síndrome do X-frágil caracteriza-se por uma alteração do gene FMR1 (Xq27.3). Sobre esta síndrome não é correta a seguinte afirmação: A) Retardo mental costuma estar presente B) É mais frequente em homens C) Quando ocorre em mulheres tende a ser mais grave D) Pode manifestar-se com hiperatividade e deficit de atenção E) Características faciais típicas e atraso na fala podem estar presentes QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE No que tange os casos de deficiência intelectual desenvolvidos na for- mação do feto e em caso de uma mulher gestante desenvolver varicela, quais são as consequências para o bebê? Explique. 68 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S TREINO INÉDITO Assunto: Citomegalovírus Considerando a abrangência dos estudos em relação aos casos de agentes infecciosos que participam da formatação da deficiência intelectual. Assinale a alternativa correta. A) O Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, po- dendo ocasionar retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, co- rioretinite, surdez, mas não retardo no desenvolvimento neuropsicomo- tor e hepatoesplenomegalia. B) O Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, po- dendo ocasionar retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, co- rioretinite, mas não surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomo- tor e hepatoesplenomegalia. C) O Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, po- dendo ocasionar retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, mas não corioretinite, surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. D) O Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, po- dendo ocasionar retardo no crescimento intra-uterino, microftalmia, co- rioretinite, surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e hepa- toesplenomegalia. E) Não há relatos sobre ligação do citomegalovírus e as doenças mentais. NA MÌDIA DISCRIMINAÇÃO E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Pessoas com deficiência física e intelectual muitas vezes são vítimas de preconceito e discriminação. Costumam não receber o mesmo tipo de tratamento e ter a liberdade de ir e vir prejudicada pelas más condi- ções de vias de acesso público e privado. Todavia, além da existência desse tipo de relacionamento abalado por falta de preparo público e so- cial, também há formas de discriminação mais graves, como o crime de ódio.O crime de ódio contra pessoas com deficiêcnia é de extrema gra- vidade e desumanidade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa claro que todas as pessoas devem ser tratadas fraternalmente, independente de deficiências. A mesma Declaração também assegura que pessoas com deficiência devem ter todos os tipos de necessidades especiais levadas em consideração no desenvolvimento econômico e social. No caso específico do Brasil, a Constituição Federal define como meta a busca do bem-estar de todos, sem quaisquer tipos de discrimi- nação. Fonte: Inclusive Data: 17/10/2012 69 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Disponível em: https://www.inclusive.org.br/arquivos/23639 NA PRÁTICA ALTERAÇÕES SENSORIAIS EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO O quadro clínico de crianças com transtorno do espectro do autismo é caracterizado por déficits de interação social e comunicação, bem como por interesses e atividades repetitivos. As alterações sensoriais são uma característica muito frequente que geralmente não é percebida devido às dificuldades de comunicação desses pacientes. Nesta análise narrativa, resumimos as principais características de alterações sensoriais e as res- pectivas implicações para a interpretação de vários sinais e sintomas do transtorno do espectro do autismo e, portanto, para seu manejo. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2017.08.008. 70 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S Não é possível fingir a evolução e o progresso contínuo das crianças sem levar em conta e envolver suas famílias. Trabalhar com alunos com D.I requer colaboração com os pais. Os pais das crianças com deficiência experimentam, a partir do momento em que são infor- mados dos problemas dos filhos, uma situação traumática para a qual ninguém está preparado. É muito delicado geralmente descrevem o processo em que participar, porque uma criança com deficiência traz seus pais e parentes próximos sentimentos contraditórios muito fortes e nem sempre é fácil de aceitar e reconhecer. Pais com filhos deficientes merecem imenso respeito; portanto, as declarações que fazemos sobre as circunstâncias que podem atravessar fazer a partir da consciência de que a generali- zação é muitas vezes injusto e deixa de fora toda a riqueza de atitudes, abordagens e desafios com cada família individualmente, de frente para a situação e bem-vindo seu filho. Mas estaríamos escondendo uma parte importante do que você deveria saber, antecipar e administrar se observarmos essa seção tão fun- damental para o amadurecimento e desenvolvimento das crianças com DI. Os pais, em maior ou menor grau, experimentam uma sensa- ção de dor e fracasso quando são informados da deficiência de seus filhos. A partir desse momento, podem passar por diferentes estados de espírito: estupor e descrença, negação inicial, aceitação do problema e necessidade urgente de soluções eficazes. Independentemente de ajuda que fornecem, normal é que, desde o nascimento de seus filhos deve começar uma árdua jornada em que terá que lutar contra muitos inconvenientes, muitas dúvidas e decepções por não obter os resulta- dos que deseja para eles. Portanto, não é incomum quando atingem a fase educacional em que você terá que trabalhar com eles, desenvolveram uma maneira de lidar com profissionais envolvidos com as crianças caracterizadas por ceticismo, o uso excessivo e alguns insatisfação permanente. Tudo pode parecer pouco para os seus filhos, ter lido e ouvido muito sobre os problemas que sofrem e podem viver mal o ambiente de uma escola re- gular em comparação com o "normal" que a partir do momento em que seus filhos começam a sua escolaridade eles devem assumir dia após dia. Longe de querer alarmá-lo, queremos transmitir a você que você deve cuidar do relacionamento com os pais de seus alunos com NEE e você precisa de uma preparação para levá-lo adiante. A experiência que você acumulou ao lidar com o resto dos pais de seus alunos será útil, mas poderá ser insuficiente a qualquer momento. Logo, mais uma vez, o trabalho em equipe e a coordenação 71 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S com o professor são essenciais. Os pais devem receber informações e orientações consistentes de ambas as partes. Nosso conselho é que você tenha o apoio do departamento de Orientação e que, em todos os momentos, coordene todas as ações da escola com as famílias. 72 D E F ICIÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA A prática da inclusão, porém, ainda é um desafio para as escolas, pois envolve não só a mudança dos espaços para o acesso dos alunos, como também a adaptação das práticas pedagógicas para uma Educa- ção mais inclusiva. Para isso, é fundamental que o gestor escolar esteja preparado para auxiliar a equipe nesse processo. “A busca para um espaço escolar mais inclusivo passa pela formação continuada dos pro- fessores”, destaca Tatiana Pita, psicopedagoga e assessora pedagógi- ca do Grupo Somos Educação. Para ela, também é necessário buscar o apoio de psicopedagogos para identificar adaptações necessárias e auxiliar no diálogo com as famílias e nas formações docentes. TREINO INÉDITO Gabarito: A Justificativa: A letra A é correta. Toda a comunidade escolar precisa es- tar alinhada para prevenir os casos de bullyng. A letra B erra ao descon- siderar a importância do alinhamento da equipe. A letra C erra ao dizer que a equipe diretiva deve ser omissa ao bullyng. A letra D erra ao dizer que a equipe diretiva deve ser omissa no caso de dúvidas. Por fim a letra E erra ao não reconhecer a equipe diretiva. 73 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Noutras palavras, a compensação, para Vigotski (1989), como forma fun- damental de desenvolvimento da criança deficiente, não se trata de um mecanismo simplesmente biológico, mas, essencialmente, social. Assim, através de meios culturais adequados, apresenta-se a principal via para compensar a deficiência orgânico. Nessa direção, Vigotski (1989, p. 24) assevera que para a criança deficiente alcançar o mesmo que a criança normal deve-se utilizar “meios absolutamente especiais”. O educador, por exemplo, que deve ter como função a transmissão do conhecimento his- toricamente acumulado, enquanto núcleo central do processo aprendiza- gem-desenvolvimento do ser social, precisa buscar meios para que a crian- ça com deficiência, tal como as demais, possa adquirir esse conhecimento. TREINO INÉDITO Gabarito: A Justificativa: A letra E é correta, pois a dectologia ainda considera a pes- soa com deficiência como pessoa “com defeito”. A letra B erra ao não reconhecer que a dectologia contribui para a existência de um padrão de anormalidade. A letra D erra ao considerar que a decfotologia não considera pessoas com deficiência. Por fim, a letra E erra ao engar a existência da defectologia. 74 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Infecções por varicela podem acarretar, dependendo da idade gesta- cional, alterações musculares e retardo no desenvolvimento neuropsi- comotor. Contato com Toxoplasma gondi pode ter como repercussão a toxoplasmose, e da mesma maneira, dependendo da idade gestacional, ter como conseqüência a toxoplasmose congênita com a manifestação da tétrade de Sabin (deficiência mental, microcefalia, calcificações intra- cranianas e corioretinite). Para a prevenção da toxoplasmose deve-se evitar carne crua e o contato com animais. TREINO INÉDITO Gabarito: D Justificativa: A letra D é correta, pois, o Citomegalovírus é um dos agentes infecciosos mais comuns, podendo ocasionar retardo no crescimento in- tra-uterino, microftalmia, corioretinite, surdez, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia. A letra A erra ao não reconhecer que o Citomegalovírus pode causar retardo no desenvolvimento. A letra B erra ao não reconhecer que o Citomegalovírus pode causar surdez. A letra Cerra ao não reconhecer que o Citomegalovírus pode causar coriorentite. A letra E erra por não reconhecer a existência do Citomegalovírus 75 D E F IC IÊ N C IA IN TE LE C TU A L - G R U P O P R O M IN A S ANTUNES, K. C. V. História de vida de alunos com deficiência intelec- tual: percurso escolar, e a constituição do sujeito. 2012. Tese (Doutora- do em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2012. BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Es- pecial na Perspectiva da Educação Inclusiva. 2008. Disponível em: . Acesso em: 25 maio 2012. _______. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá ou- tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2011. ________. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Diário Oficial da União, Brasília, 2015. CARNEIRO, M. S. C. Deficiência Mental como Produção Social: uma discussão a partir de histórias de vida de adultos com Síndrome de Down. 2007. Tese (Doutorado em Educação) –Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2007. MOSCARDINI, S. F. Trabalho docente com alunos com deficiência inte- lectual em salas comuns e no atendimento educacional especializado: análise do processo inclusivo. 2011. 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