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2 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Apresentação Caro educador, É uma honra ter você no nosso time! A partir de hoje, vamos adquirir o conhecimento adequado sobre o que é Educação Especial e Inclusiva. Nosso objetivo é auxiliá-lo a compreender e a conceituar as necessidades especiais e as deficiências. Apesar de serem sinônimos ambas necessitam de uma metodologia diferenciada a fim de atender as demandas de cada indivíduo. Atingindo esse objetivo estaremos evoluindo para a compreensão do que realmente é uma dificuldade na aprendizagem e assim definir adequadamente o que é Educação Especial de Inclusão. Visando essa estrutura, procuraremos ao longo desta apostila, compreender as deficiências inerentes ao ser humano e analisar diferentes atitudes face às dificuldades de aprendizagem que poderão surgir em decorrência desses fatores e, também, levá-los a refletirem sobre a conduta dos educadores diante de alunos com necessidades educacionais especiais. Lembramos que toda e qualquer criança tem o direito a uma educação que lhe permita realizar o seu máximo potencial humano, independente da sua capacidade de aprendizagem! Esperamos que ao longo do curso, dúvidas sejam sanadas e mentes sejam abertas para uma área que tanto cresce e se desenvolve em todo o mundo. Bons Estudos! Atenciosamente, Equipe Só Educador. 3 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Sumário 1. EDUCAÇÃO ESPECIAL .................................................................................................... 5 2. NECESSIDADES ESPECIAIS ....................................................................................... 15 2.1 Distúrbios de aprendizagem ................................................................................... 17 2.2 Dificuldades de aprendizagem ............................................................................... 18 2.3 Síndrome ................................................................................................................... 18 2.3.1 Síndrome de Down ........................................................................................... 18 2.4 Transtornos Globais do Desenvolvimento ............................................................ 19 2.4.1 Transtorno do Espectro Autista (TEA) .......................................................... 20 2.4.2 Síndrome de Asperger ..................................................................................... 27 2.4.3 Síndrome de Rett .............................................................................................. 27 2.4.4 Transtorno Desintegrativo da Infância (TDI) ................................................ 29 2.4.5 Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra Especificação (TID- SOE) 29 2.4.6 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ...................... 30 2.5 Pessoas com altas habilidades/superdotadas (AH/SD) ..................................... 31 2.5.1 Quociente de inteligência (QI) ........................................................................ 35 2.5.2 Técnica de autoidentificação .......................................................................... 35 2.6 Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) ............................................................... 38 2.6.1 Falta de limites ou Opositivo desafiador? ..................................................... 40 2.6.2 O ambiente é importante para o desenvolvimento do TOD? .................... 43 2.6.3 TOD e autismo: existe diferença? .................................................................. 45 2.6.4 TOD x TDAH. .................................................................................................... 45 2.6.5 Atividades para crianças com TOD ............................................................... 46 2.7 Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) ....................................... 47 2.7.1 As causas do DPAC ......................................................................................... 47 2.7.2 O DPAC na escola ........................................................................................... 49 3.0 Deficiências ......................................................................................................................... 51 3.1 Processo de Avaliação.................................................................................................. 52 3.2 Sistemas sensoriais ....................................................................................................... 53 3.2.1 Deficiência Visual ................................................................................................... 56 3.2.2 Deficiência auditiva ................................................................................................ 58 3.2.3 Deficiência Física.................................................................................................... 60 3.2.4 Deficiência Mental .................................................................................................. 63 4 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 4.Inclusão X Exclusão ............................................................................................................. 65 5. Integração ............................................................................................................................. 68 5.1 O que torna uma escola integrativa? .......................................................................... 69 6. Educação especial: Dos primórdios ao século XXI ........................................................ 71 6.1 Educação Especial no Brasil........................................................................................ 73 6.2 Educação Especial no Brasil: Desafios e perspectivas de organização ............... 75 6.3 Educação Especial e os desafios ao direito à educação pública ........................... 81 7.0 Organização Educacional ................................................................................................. 86 7.1 Atendimento Educacional Especializado – AEE ....................................................... 88 7.2 Avaliação do aluno com Deficiência Intelectual: O conceito do AEE .................... 97 7.3 Política, O AEE e a Deficiência Intelectual .............................................................. 100 8. Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) .................................................................. 103 8.1 Processo de desenvolvimento do PDI ...................................................................... 104 8.2 Exemplo de PDI ........................................................................................................... 110 9. Dificuldades encontradas atualmente na implementação da Educação Inclusiva .. 114 10. A Política, Concepções e Avaliação do Atendimento Educacional Especializado para alunos com Deficiência................................................................................................. 116 10. Propostas de Atividades ................................................................................................. 121 10.1 Atividade 01: Cócegas do Personagem Favorito ................................................. 121 10.2 Atividade 02: Passeio no Super-carro .................................................................... 124 10.3 Atividade 03: O Sapo Comedor de Bolhas ............................................................ 127 10.4 Atividade 04: A TV Musical ...................................................................................... 129 10.5 Atividade 05: Dado das Brincadeiras ..................................................................... 132 10.6 Atividade 06: Fazendo a história .............................................................................135 10.7 Atividade 07: O show das Charadas (sessão a 3) ............................................... 138 10.8 Atividade 08: A aventura da Caça ao Tesouro ..................................................... 142 10.9 Atividade 09: O Seu Próprio Jogo de Tabuleiro ................................................... 146 10.10 Atividade 10: Atividades para o apoio do aluno com Autismo ......................... 149 11. O saber frente a formação e inclusão na escola ........................................................ 154 12. Dicas de filmes e séries sobre Educação Especial .................................................... 155 13. REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 159 5 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 1. EDUCAÇÃO ESPECIAL O termo necessidades educacionais especiais refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem. Crianças com necessidades especiais são aquelas que, por alguma espécie de limitação requerem certas modificações ou adaptações no programa educacional, a fim de que possam atingir seu potencial máximo. Essas limitações podem decorrer de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem como de condições ambientais desfavoráveis (ZACHARIAS, 2007, p. 1). No início, a educação direcionada as pessoas que apresentem qualquer tipo de necessidade (deficiência) foi realizada separada da educação que era oferecida para aqueles que não apresentavam nenhuma característica fora do “normal”. A educação tinha um campo de atuação comum e específica. Essa separação causou uma repartição do sistema de ensino, culminando de forma incisiva a separação dos locais dos alunos matriculados em um ensino regular. (Kassar, 2011) É importante salientar que estudos de Basílio de Magalhães já concluíram que a convivência de crianças com necessidades especiais era benéfica, sob a perspectiva emocional e econômica. (Magalhães, s/d) 6 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Segundo a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), no mundo há quase 240 milhões de crianças com deficiências. E que em cada 10 crianças, uma passa por privação em indicadores de: bem-estar, incluindo saúde, educação e proteção. Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF falou o seguinte: “Esta nova pesquisa confirma o que já sabíamos: as crianças com deficiência enfrentam desafios múltiplos e muitas vezes complexas na realização de seus direitos. Do acesso á educação em casa, as crianças com deficiência têm menos probabilidade de ser incluídas ou ouvidas em quase todas as medidas. Com muita frequência, as crianças com deficiência são simplesmente sendo deixadas para trás.” O relatório da UNICEF exemplifica as barreiras que crianças com deficiência enfrentam para que possam participar na sociedade de forma plena e com isso gera em resultados sociais e de saúde negativos. E o acesso á educação é um dos assuntos abordados, pois, mesmo com toda abrangência, as crianças com deficiência têm um significativo atraso em relação as demais. Lutar pelos seus direitos não é algo fácil apesar de hoje contarmos com leis e diretrizes, que visam garantir uma assistência qualificada. Ainda é desafiador integrar sociedade, educação e necessidades. Contudo necessitamos entender que a transformação das instituições de ensino em espaço de inclusão social é tarefa de todos que regem a sociedade. Percebe-se que a garantia constitucional que resultou do compromisso liberal do Estado brasileiro de educar a todos, sem qualquer discriminação ou exclusão social e o acesso ao ensino fundamental para os educandos, em idade escolar, sejam normais ou especiais, passou a ser, a partir de 1988 (com nossa nova constituição) um direito público subjetivo, isto é, inalienável, sem que as famílias pudessem abrir mão de sua exigência perante o Poder Público. Segundo Zacharias (2007), no começo da década de 1990, em todo o mundo, iniciou-se um processo de reintegração da criança portadora de deficiências ou distúrbios de aprendizagem na Escola e classes comuns. O nome desse movimento 7 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva mundial é Educação Inclusiva, que propõe o atendimento da criança em classes comuns, garantindo-se as especificidades necessárias, com um atendimento de um professor especialista ao professor da classe comum. O mais importante documento que norteia a Educação Inclusiva é a Declaração de Salamanca, que é, ao mesmo tempo, uma Declaração de Direitos e uma proposta de ação. Surgiu na Conferência Mundial, patrocinada pela UNESCO, em junho de 1994, em Salamanca, na Espanha. Tem como objetivo maior, garantir o direito a todos os alunos com qualquer grau de deficiência ou distúrbio de aprendizagem, ao que comumente chamamos de Educação Comum. Crianças em idade escolar apresentam dificuldades de aprendizagem, as quais podem ser transitórias ou permanentes, decorrentes de condições individuais, econômicas ou socioculturais. Visando garantir seus direitos, a Constituição em caráter da Lei N° 13.146, de 6 de julho de 2015, regula a inclusão do deficiente como um todo, descrevendo direitos fundamentais, como também garantir que os crimes e infrações administrativas cometidas contra os deficientes sejam autuados e os seus direitos possam ser garantidos. Segue abaixo os artigos 1°, 2° e 3°: Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno. Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, e interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-186-2008.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/CONGRESSO/DLG/DLG-186-2008.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5%C2%A73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5%C2%A73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6949.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D6949.htm 8 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: (Vigência) (Vide Decreto nº 11.063, de 2022) I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III - a limitação no desempenho de atividades; e IV - a restrição de participação. § 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. (Vide Lei nº 13.846, de 2019) (Vide Lei nº 14.126, de 2021) (Vide Lei nº 14.768, de 2023) § 3º O exame médico-pericial componente da avaliação biopsicossocial da deficiênciade que trata o § 1º deste artigo poderá ser realizado com o uso de tecnologia de telemedicina ou por análise documental conforme situações e requisitos definidos em regulamento. (Incluído pela Lei nº 14.724, de 2023) Art. 2º-A. É instituído o cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas. (Incluído pela Lei nº 14.624, de 2023) § 1º O uso do símbolo de que trata o caput deste artigo é opcional, e sua ausência não prejudica o exercício de direitos e garantias previstos em lei. (Incluído pela Lei nº 14.624, de 2023) § 2º A utilização do símbolo de que trata o caput deste artigo não dispensa a apresentação de documento comprobatório da deficiência, caso seja solicitado pelo atendente ou pela autoridade competente. (Incluído pela Lei nº 14.624, de 2023) Art. 3º Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se: I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm#art124 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Decreto/D11063.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art39p https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14126.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14126.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14768.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14724.htm#art15 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14624.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14624.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14624.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14624.htm#art1 9 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva II - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva; III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social; IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo; b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação; e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas; f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias; V - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação 10 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações; VI - adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais; VII - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico; VIII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e quaisquer outros de natureza análoga; IX - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso; X - residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas adequadas, que possam contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, que 11 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares fragilizados ou rompidos; XI - moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com estruturas adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de jovens e adultos com deficiência; XII - atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIII - profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas; XIV - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desempenhar as funções de atendente pessoal. Outro órgão que visa garantir seus direitos é a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, através dosartigos 58 á 60 da lei n° 93/94/96. Art. 58. Entende-se por educação especial, para efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio, especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela da educação especial. § 2ºO atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições 12 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3ºA oferta de educação especial, nos termos do caput deste artigo, tem início na educação infantil e estende-se ao longo da vida, observados o inciso III do art.4o e o parágrafo único do art.60 desta Lei. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicas, para atender as suas necessidades; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como os professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no mercado de trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; 13 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculadas na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento. Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializados e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro para o Poder Público. Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. Podemos observar através de pesquisas e leis que vários são os subsídios que garantem o acesso a uma educação de forma qualificada e atendendo às necessidades gerais de toda criança, já que também no ECA 14 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva (Estatuto da Criança e do adolescente), traz a educação com objetivo de promover o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente para exercer o direito de cidadania. Para que isso aconteça, o conhecimento se torna a palavra chave para desenvolver técnicas de ensino de forma qualificada. Mas a pergunta é a seguinte: O que é necessidade e o que é deficiência? 15 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 2. NECESSIDADES ESPECIAIS Primeiro, precisamos entender o seguinte, Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) ou Portador de Necessidades Especiais (PNE) são termos inadequados e não devem ser utilizados, pois não condiz com a realidade daquele que possui deficiência. Em 13 de dezembro de 2006, pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), definiu-se o termo: Pessoa com deficiência. Foi ratificado no Brasil, na emenda constitucional, pelo decreto legislativo n° 186/2008 e promulgado pelo decreto n° 6.949/2009. Devido a necessidade da Organização Mundial da Saúde – OMS – em fazer a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID), em 1989, definiu-se deficiência como sendo: Toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica ou anatômica; a incapacidade como toda restrição ou falta – devida a uma deficiência – da capacidade de realizar uma atividade na forma ou na medida que se considera normal a um ser humano; e a desvantagem como uma situação prejudicial para determinado indivíduo, em consequência de uma deficiência ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de um papel que é normal em seu caso (em função da idade, sexo e fatores sociais e culturais). Entende-se que essa definição veio com o propósito de defender a igualdade de condições, melhorias na condição de vida, em razão do desenvolvimento e do progresso socioeconômico; e estabelecendo inúmeras diretrizes que assegurassem direitos individuais e sociais a serem seguidas, uma vez que somente na década de 60 é que o mundo passou a perceber a existência desses direitos para os portadores de deficiência. Segundo o MEC (Brasil, 1994, p. 22), a pessoa portadora de necessidades especiais é aquela que: Apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas 16 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva habilidades, necessitando, por isso, de recursos especializados para desenvolver mais amplamente o seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades. No contexto escolar, costumam ser chamadas de pessoas portadoras de necessidades educativas especiais. Valente (2009) nos fornece um quadro simplificado com os tipos mais comuns de necessidades especiais, que é de extrema importância, tanto para diagnóstico quanto para diferenciação e entendimento do leitor, uma vez que se observa grande desinformação e confusão por parte da sociedade no tocante ao conceito de portador de necessidade especial. Essas necessidades serão vistas com pormenores mais adiante. A OMS estima que mais ou menos 10% da população em qualquer país em tempo de paz possui algum tipo de deficiência, sendo: • 5% com deficiência mental, quando as funções intelectuais estão significativas inferior à média, sendo manifestada antes dos dezoitos anos e apresentando limitações em áreas de habilidades adaptativas, como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer e trabalho. • 2% com deficiência física, , caracterizada como uma alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, se apresentando através de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraplegia, tetraparesia, Mental Física Auditiva Multipla Visual 17 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputaçãoou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto deformidade adquiridas de forma estética e aquelas que não impactam em dificuldades para o desempenho de qualquer função. • 1,5% com deficiência auditiva, apresenta-se com perda parcial ou total da audição, variando em graus e níveis da seguinte forma: de 25 a 40 decibéis (db) – surdez leve; de 41 a 55 db – surdez moderada; de 56 a 70 db – surdez acentuada; de 71 a 90 db – surdez severa; acima de 91 db – surdez profunda. • 0,5% com deficiência visual, caracterizada por pessoas que apresentam uma acuidade visual igual ou menor a 20/200 no melhor olho, após feita correção de alto nível, ou um campo visual de apenas 20° (tabela de snellen – um diagrama utilizado para avaliar a acuidade visual de uma pessoa), podendo também acontecer ambas as situações. • 1% com deficiência múltipla, associação de duas ou mais deficiências. Apesar de parecer uma porcentagem pequena, estima-se que no Brasil 16 milhões de pessoas apresentam alguma deficiência. Em todo caso, nos concentraremos nas deficiências mentais. Normalmente caracterizados por uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamentos anormais exemplificados como depressão, o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e outras psicoses, demências intelectual e transtornos de desenvolvimento, incluindo o autismo. Hoje em dia temos uma demanda bem significativa de população em idade escolar, chegando de 7 á 10%, com idade escolar necessitando educação especial. Vamos aqui conhecer as principais: 2.1 Distúrbios de aprendizagem São aqueles que um problema ou doença acomete o aluno sendo de forma individual e orgânica. 18 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Discalculia: dificuldade em raciocínio logico devido problemas no desenvolvimento neurológico. • Dislexia: Dificuldade em desenvolver a escrita e a leitura devido aos problemas no desenvolvimento neurológico. • Disgrafia: dificuldades na escrita havendo troca de letras e até mesmo aglutinação devido aos problemas psicomotores. 2.2 Dificuldades de aprendizagem É um sintoma que engloba quatro fatores: • Orgânicos • Específicos • Psicógenos • Ambientais 2.3 Síndrome Uma condição particular evidenciada através de sinais e sintomas específicos. 2.3.1 Síndrome de Down Fonte: Getty imagens 19 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Uma alteração genética no cromossomo 21 (um terceiro cromossomo no par). A causa ainda é desconhecida, sendo identificado um fator importante para o mesmo. Costumam apresentar dificuldades cognitivas, de comunicação e hipotonia (redução do tônus muscular), como também sofrer com problemas de coluna, tireoide, olhos, aparelho digestivo, e ser acometido com anomalias cardíacas e etc. Embora pesquisas mostrem que tratamentos e terapias como a fisioterapia e fonoterapia tem auxiliado em caráter substancial o desenvolvimento e desempenho social. Moreira et al (2000), diz o seguinte: “Deve ser também ressaltado que as habilidades intelectuais do Down têm sido historicamente subestimadas. Estudos contemporâneos mostram que a maioria dos Down tem um desempenho na faixa de retardo mental entre leve e moderado.” 2.4 Transtornos Globais do Desenvolvimento Os transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), é um distúrbio em interações sociais de atividades recíprocas, tendo padrões de comunicação padronizados e continuados, além de redução significativa nos interesses e nas atividades. Essas alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, causam comprometimento sejam nas relações sociais, comunicativas ou motoras, sendo sinalizadas nos primeiros cinco anos de vida. Vasques e Baptista (2014), fala o seguinte sobre o assunto: “As deficiências e os TGD são descritos não só com alterações orgânicas estruturais ou funcionais, mas como decorrentes também das relações humanas, econômicas, sociais etc. Na constituição do sujeito como deficiente, deficitário, ou não, sublinha-se a força dos encontros, da cultura, das políticas como possibilitadoras ou limitadoras do humano.” Fazem parte dos TGD: • Transtorno do Espectro Autista (TEA) • Síndrome de Asperger • Síndrome de Rett 20 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Transtorno Desintegrativo da Infância • Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra Especificação (TID-SOE) • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) 2.4.1 Transtorno do Espectro Autista (TEA) Fonte: Portal Lunetas O autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma síndrome do comportamento que compromete o desdobramento motor e psiconeurológico que dificulta a linguagem, cognição e a interação social da criança. Pinto et al, (2016) declara que a estimativa da prevalência de mundial do TEA seja de 70 casos a cada 10.000 habitantes, sendo que a sua prevalência é maior em meninos. A síndrome está relacionada a diversos aspectos aos quais estão incluídas as alterações nos critérios de diagnóstico, maior conhecimento dos pais e da sociedade em relação as manifestações clinicas e o desenvolvimento dos serviços especializados em TEA. O TEA afeta a capacidade de comunicação, estabelece relacionamentos e tem resposta apropriado ao ambiente. A sua manifestação por se apresentar de formas variadas podem também ser designada como espectro autista, que abre várias possibilidades para os sinais e sintomas. É importante salientar que apesar de serem limitados em alguns aspectos cognitivos, apresentam inteligência e falas intactas, enquanto outras podem apresentar retardos importantes a respeito do desenvolvimento da linguagem. Segue-se abaixo uma tabela com uma lista de sintomas que é recomendado por especialistas para ser feito o diagnóstico do TEA. Vale 21 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ressaltar que todo diagnóstico deve ser feito por profissionais devidamente habilitados para tal atividade. Essa lista é baseada pelos critérios estabelecidos pelo ICD-10 (WHO,1992) ou DSM-IV-TR (APA,2003). Normalmente a criança até os 3 anos de idade começa a exibir alguns atrasos significativos, como: • Interação social • Linguagem para fins de comunicação social • Brincadeira ou jogos simbólicos ou imaginários O conhecimento e o interesse tem sido o grande diferencial para o entendimento sobre o transtorno nos últimos anos, toda essa compreensão tem gerado diversas novas terapias em busca de incluir esses indivíduos na sociedade e torná-los independentes. 22 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Ischkanian, (2020) fala que: “Todo autista é uma estrelinha azul que nasceu para brilhar neste lindo planeta azul chamado Terra. Porém, compete a todos nós mediarmos os saberes necessários ao seu desenvolvimento.” 2.4.1.1 Mitos e verdades sobre o TEA MITO VERDADE Pessoas com autismo não olham nos olhos! Muitas vezes, é comum ouvir dizer que o profissional de saúde não o diagnosticou com autismo devido a criança olhar nos olhos. Isso é um erro! Olhar nos olhos não é uma característica para diagnostico, por não ser um fator determinante. A verdade é que muitas pessoas com autismo se sentem desconfortável em manter o contato visual. Algumas não fazem contato nem com pessoas mais próximas! Isso faz parte de um conjunto de características que pode mudar de um indivíduo para outro. Somente meninos têm autismo! É obvio que existem meninas com autismo! Esse mito infelizmente ainda é ensinado em faculdades, graduações em Pedagogia, Educação Física ou outros cursosque visam preparar para o mundo acadêmico, mas sem foco para 23 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva falar sobre as múltiplas deficiências. A verdade é que a cada 04 meninos, uma menina nasce com autismo. Apesar de haver mais meninos, o autismo não é uma exclusividade desse gênero. Não se sabe o porquê de haver mais meninos acometidos do que meninas, contudo, existem estudos em andamento. Toda pessoa com autismo tem inteligência acima da média! Uma pesquisa feita pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) nos Estados Unidos revelou que 38% das pessoas com autismo apresentam deficiência intelectual. Sim, temos autistas com a inteligência acima da média, contudo, também temos com deficiência intelectual. Existem pessoas até com a Síndrome de Savant, Asperger e etc. A inteligência não deve ser medida somente por testes de QI, mas por capacidades diferenciadas que algumas pessoas apresentam. Vacinas causam autismo? O autismo é genético, ou seja, há uma interação dos genes com o ambiente em que vivemos. Apesar de relatos de pais que 24 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva tem relação a vacina com o autismo, até hoje não houve nada que comprovasse a respeito. Há pessoas com autismo que nunca nem foram vacinadas! Não vacinar uma criança temendo que ela se torne autista é ter uma roleta russa apontada para essa criança, pois ela não estará imunizada contra outras doenças que podem matar, como o sarampo. Glúten e caseína causam autismo? O glúten é um alimento proibido para pessoas celíacas. Nem todo autista é celíaco e nem celíaco é autista. O Glúten e a caseína causam muitos malefícios a qualquer pessoa que os consuma em excesso ou que tenha tolerância a eles. Evitar alimentos ricos em gorduras trans, excesso de açúcar, muitas frituras, produtos industrializados, temperos prontos, refrigerantes e sucos de caixinha é sempre bom. Uma boa alimentação é essencial para o bom desenvolvimento da criança. Autismo tem cura? O autismo não é uma doença. Então, não existe cura! É mais algo comportamental. 25 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva É importante entender que existem vários tipos de autismo e diferentes formas de serem trabalhadas, pois o que funciona para um, provável que não funcione para outro. Muitos apresentaram melhoras tão significativas que levam uma vida normal, com poucas características. Todas as pessoas com autismo são capazes de se desenvolver! O único problema desta questão é a expectativa x realidade. O desenvolvimento de cada um é individual, então, tem haver o respeito frente as habilidades e dificuldades de cada indivíduo. Existem pessoas que não falam uma palavra, mas são independentes dentro de casa. Outros casam e tem até filhos. Tem alguns que se tornam doutores aos 14 anos! É importante entendermos que cada um se desenvolve dentro de suas capacidades! Autismo é genético? Já foram descritos centenas de genes conhecidos ligados ao autismo, e provavelmente muitos outros ainda serão descritos, com a evolução no 26 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva conhecimento da genética. Mas lembre- se que nem toda alteração genética é hereditária, ou seja, passado de pai para filho. Já existem tratamentos milagrosos! Nunca existiu e nem vai existir! Infelizmente crianças já perderam suas vidas devido a pais desesperados procurarem por uma cura que nunca veio. Existem tratamento não invasivos, que vão trabalhar o comportamento, interação social e sensorial e etc., para que ela possa ser inserida na sociedade. Todas as informações que encontramos na internet são verdadeiras! Nem todas são verdadeiras e muito menos confiáveis! Não existe um tipo de autismo e muito menos um tratamento para todos. Existem fontes de pesquisas confiáveis na internet e que trazem informações relevantes. Contudo, nada substitui o acompanhamento de profissionais especializados para trabalhar na especificidade de cada indivíduo. FUJA, de sites que tragam curas e soluções milagrosas, nenhum relato sem comprovação 27 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva cientifica as é confiável. 2.4.2 Síndrome de Asperger Fonte: Instituto NeuroSaber A síndrome de Asperger (SA), está associada a prejuízos na interação social, como também em interesses e comportamentos bem limitados. Apesar de parecer muito com o TEA, ele se diferencia pelo fato de não apresentar retardo clínico na fala ou na percepção da linguagem, ou no desenvolvimento cognitivo. Normalmente costumam apresentar-se com dificuldade de interagir socialmente (mas não são inibidos na presença de demais pessoas), sem empatia, interpreta literalmente a linguagem, tem dificuldades com mudanças e muito apegado a comportamentos estereotipados. Muitas vezes eles podem apresentar o desejo de se comunicarem com os demais, contudo, por apresentarem um comportamento muitas vezes desajeitado e insensibilidade em relação a sentimentos e emoções de outras pessoas, apresentando até um comportamento implícito, sentem a dificuldade da comunicação em meio a sociedade. 2.4.3 Síndrome de Rett 28 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Fonte: Unidade Avançada: Neuro, coluna e dor. Uma anomalia genética no gene MECP2, causando desordens neurológicas (atrofia cerebral). Estando presente mais em crianças do sexo feminino, essa síndrome compromete de forma progressiva as funções motoras e intelectuais criando distúrbios no comportamento e na dependência. Hagberg & Witt-Engerström definem em quatro estágios: Primeiro: Uma estagnação precoce, dos 6 a 18 meses, com uma desaceleração no desenvolvimento e crescimento no perímetro craniano e isolamento social. Segundo: de forma rápida e destrutiva, inicia mais ou menos aos 3 anos de idade e pode durar de semanas a meses, tendo regressão psicomotora, choro imotivado e extrema irritabilidade, perda da fala, disfunções respiratórias e até crises convulsivas podem se manifestar. Terceiro: comumente chamado de pseudo-estacionário, ocorre alguma melhora dos sinais e sintomas, incluindo o de interação social. Alguns estudos relatam que houve significativa perda de peso, contudo, aqui no Brasil já foi identificado uma alta taxa de sobrepeso. Quarto: Tendo início por volta dos 10 anos de idade, se caracteriza por deterioração motora tardia, tem lenta progressão dos déficits motores, presença de escoliose e severa deficiência mental. 29 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 2.4.4 Transtorno Desintegrativo da Infância (TDI) Fonte: Psicopedagogia Letícia Paranhos Uma condição extremamente rara, é um transtorno invasivo apresentando perda muito grave das habilidades comunicativas e sociais. Facilmente diagnosticado na infância ou adolescência, tem uma regressão bem agressiva no início, mas ao chegar a um status quo, tem deixado um impacto enorme no desenvolvimento da criança ou do adolescente. O desenvolvimento do transtorno pode apresentar as seguintes características: ✓ Perdas das habilidades já adquiridas (linguagem expressiva ou receptiva); ✓ Habilidades sociais ou comportamento adaptativo; ✓ Controle esfincteriano ✓ Jogos ✓ Habilidades motoras 2.4.5 Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra Especificação (TID-SOE) “O TID-SOE é uma categoria diagnóstica de exclusão e não possui regras especificadas para sua aplicação. Alguém pode ser classificado como portador de TID-SOE se preencher critérios no domínio social e mais um dos dois outros 30 www.soeducador.com.brEducação especial e inclusiva domínios (comunicação ou comportamento). Além disso, é possível considerar a condição mesmo se a pessoa possuir menos do que seis sintomas no total (o mínimo requerido para o diagnóstico do autismo), ou idade de início maior do que 36 meses.” (MERCADANTE, 2006) 2.4.6 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) Fonte: Docctor Med Sendo considerado o transtorno de maior incidência tanto na infância como na adolescência, apresenta-se em 5% da população escolar. Caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, esse transtorno possui quatro tipos de classificação: ✓ Tipo desatento: não ver detalhes, comete erros com facilidade, tem dificuldade em manter a atenção em algo, tem tendencia a não ouvir, não seguir instruções, desorganizado, não gosta de tarefas que exigem esforço mental, tem distrações com facilidade e tem tendencia a esquecer atividades diárias. ✓ Tipo hiperativo/impulsivo: inquieto, mexe sempre as mãos e os pés, se remexe na cadeira, não gosta de permanecer sentado, corre sem expectativa de chegada, sobre em móveis e muros, tem dificuldade de se 31 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva concentrar em atividades, tem necessidade de sempre falar, responde perguntas antes mesmo de serem formuladas e se intromete em conversas. ✓ Tipo combinado: quando o indivíduo apresenta os conjuntos de desatento e imperativo/impulsivo. ✓ Tipo não especifico: quando as características são insuficientes para se chegar a um diagnóstico, mesmo os sintomas desiquilibrando a rotina diária. É o transtorno neuropsiquiátrico mais diagnosticado na infância, persistindo até a idade adulta em torno de 60 a 70% dos casos. Acomete aproximadamente de 3 a 5% das crianças, sendo mais usualmente encontrado em meninos do que meninas, numa proporção de 3:1. (SENO,2010) 2.5 Pessoas com altas habilidades/superdotadas (AH/SD) Fonte: Estradão Espresso São pessoas que tem potencial elevado, apesar de ainda não serem inseridas adequadamente no contexto escolar. Nesse intuito faz-se a necessidade de obter conhecimento adequado para que a inserção deles não aconteça de forma disfuncional. Infelizmente nesse contexto ainda encontramos dificuldade para interação social entre alunos, professores e até mesmo familiar. O Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 32 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Teixeira, declarou que o número de crianças com AH/AS tem avançado em número absolutos. Normalmente apresentam alto grau de potencial, seja isoladamente ou combinadas, nas seguintes áreas: ✓ Intelectual ✓ Acadêmica ✓ Liderança ✓ Artes ✓ Psicomotricidade ✓ Criatividade ✓ Aprendizagem Como também em atividades ao qual apresente grande interesse. Vale ressaltar que apenas em 1994, foi que as pessoas com AH/SD foram consideradas Portadoras de Necessidades Educacionais Especiais (PNEE), através disso foi que houve o incentivo para a criação de atividades especializadas afim de desenvolver as habilidades e ajuda-las a superar as possíveis dificuldade ao longo do caminho. Tentaremos identificá-los e mostrar como podemos atendê-los no cotidiano da escola, mas primeiro, vamos a alguns conceitos e definições que auxiliarão muito na detecção dessas crianças: PRECOCIDADE – Chamamos precoce a criança que apresenta alguma habilidade específica prematuramente desenvolvida em qualquer área do conhecimento. GÊNIO – É aquele que não apenas possui um talento relevante como também utiliza de forma produtiva, gerando obras de valor. A superdotação intelectual não pode ser tratada como sinônimo de genialidade, pois indica apenas um dado tipo de capacidade mental, enquanto que a genialidade resulta de uma condição de intelecto, condições socioeconômicas culturais, motivação e trabalho duro (AVELAR, 2009). 33 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva SUPERDOTADOS – seriam, de acordo com essa definição, aquelas pessoas que apresentam traços consistentemente superiores em relação a uma média e que sejam permanentes, podendo ser identificados em épocas diferentes (AVELAR, 2009). No Brasil, em 1995, a partir das Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades, Superdotação e Talentos, estabelecidas pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e Desporto, foi proposta a seguinte definição: “Altas habilidades referem-se aos comportamentos observados e/ou relatados que confirmam a expressão de “traços consistentemente superiores” em relação a uma média (por exemplo: idade, produção ou série escolar) em qualquer campo do saber ou do fazer. Deve-se entender por “traços” as formas consistentes, ou seja, aquelas que permanecem com frequência e duração no repertório dos comportamentos da pessoa, de forma a poderem ser registradas em épocas diferentes e situações semelhantes” (BRASIL, 1995, p. 13). Podemos ressaltar que essa definição destaca os traços e comportamentos acima da média relacionando-os à permanência e duração dos mesmos. A definição de superdotação que consta na Política Nacional de Educação Especial de 1994 diz que crianças superdotadas e talentosas são as que apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados. Observe no quadro abaixo essas potencialidades: Capacidade Intelectual Geral Capacidade que envolve rapidez de pensamento, compreensão e memória elevadas, capacidade de pensamento abstrato. Aptidão acadêmica especifica Atenção, concentração, rapidez de aprendizagem, boa memória, motivação por disciplinas acadêmicas do seu interesse, capacidade de produção acadêmica. 34 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Pensamento criador ou produtivo Originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas de forma diferente e inovadora. Capacidade de liderança Sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo. Talento especial para as artes Alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas. Capacidade psicomotora Desempenho superior em velocidade, agilidade de movimentos, forçam resistência, controle e coordenação motora. Um superdotado pode se destacar em uma área ou combinar várias, pode também apresentar graus de habilidades diferenciadas. Destaca-se aqui a questão das características e dos perfis individuais que são aspectos relevantes com relação à superdotação. Assim como nós, os superdotados podem apresentar sentimentos, atitudes e comportamentos diversificados, o que os caracteriza e os diferencia enquanto pessoa. Conhecer esses perfis e tipos é importante, pois, a partir deles o educador poderá traçar objetivos educacionais apropriados para o aluno superdotado e talentoso. Joseph Renzulli foi pioneiro ao dizer que os comportamentos de superdotação consistem de inter-relação de três traços humanos que são: 1. Habilidade acima da média em alguma área do conhecimento. Não necessariamente muito superior à média; 2. Envolvimento com a tarefa – motivação, vontade de realizar, perseverança, concentração; 35 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3. Criatividade – pensar algo diferente, ver novos significados, retirar ideias de um contexto e usá-las. Para ele, superdotação são aqueles que possuem esse conjunto de traços concomitantemente. Segundo estudos de Guenther (1995), para identificar um superdotado pode-se usar o teste de QI e a técnica de autoidentificação,conforme conheceremos a seguir: 2.5.1 Quociente de inteligência (QI) Até algumas décadas atrás, o processo de identificação era relativamente fácil, pois para tanto bastava-se aplicar os testes de inteligência (QI). Entretanto, nos últimos anos, observou-se a ineficácia desses testes, pois como diz Winner (1998, p. 15): Os testes de QI medem uma estreita gama de habilidades humanas, principalmente facilidade com linguagem e número. Há poucas evidências de que superdotação em áreas não acadêmicas, como artes ou música, requeiram um QI excepcional. Nesse sentido, há uma parcela da população que não está incluída nessas estatísticas, já que os testes padronizados não privilegiam áreas mais subjetivas, por exemplo, habilidades sinestésicas. A partir desse conhecimento, percebe-se que para a identificação de crianças superdotadas, múltiplos critérios devem ser utilizados considerando-se informações obtidas de fontes variadas, incluindo tanto a criança, como seus professores, pais e colegas, além, naturalmente, daquelas obtidas pelo psicólogo através do uso de testes. Além disso, existem muitos fatores que podem afetar sua pontuação, como o cansaço, doenças ou distração. Talento musical, artístico e vários outros não são medidos, mas os testes dão uma boa indicação de sua habilidade de pensar, raciocinar e resolver problemas, o que acaba sendo um fator crítico para o sucesso na vida. 2.5.2 Técnica de autoidentificação A técnica de autoidentificação é uma das técnicas sugeridas por Guenther (1995) para ajudar nesse processo de identificação. Ela consiste em perguntar 36 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva à criança sobre seus hobbies e interesses principais, as atividades desenvolvidas fora da escola, formas de pensamento preferidas, bem como reações a elementos de seu ambiente. A nomeação pelos companheiros de sala de aula, dos alunos que se destacam em alguns traços é outro critério que deve ser utilizado no processo de identificação. É muito importante o julgamento, a avaliação e a observação do professor. Este desempenha um papel significativo no processo de identificação, no sentido de atender às necessidades desses alunos e favorecer o seu desenvolvimento. Para facilitar essa identificação, Antipoff (1992, p. 23) sugere ao professor atentar-se: ✓ Ao melhor aluno; ✓ Àquele com vocabulário maior; ✓ Ao aluno mais criativo e original; ✓ Ao aluno com maior capacidade de liderança; ✓ Ao aluno com pensamento crítico mais desenvolvido; ✓ Ao aluno com maior motivação para aprender; ✓ Ao aluno que os colegas mais gostam; ✓ Ao aluno com maior interesse nas áreas das ciências; ✓ Ao aluno que está mais avançado na escola em relação à idade. Winner (1998) ressalta também algumas características apresentadas em relação às habilidades escolares, algumas atitudes às quais todo professor deve ficar atento: ✓ Leitura precoce por volta dos quatro anos, ou antes, com instrução mínima; ✓ Fascínio por números e relações numéricas; ✓ Memória prodigiosa para informações verbais e/ou matemáticas; ✓ Frequentemente brincam sozinhas e apreciam a solidão; ✓ Preferem amigos mais velhos, próximos a ela em idade mental; ✓ Se interessam por problemas filosóficos, morais, políticos e sociais; ✓ Apresentam alto senso de humor em decorrência de habilidades verbais. 37 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Visto que o conceito de superdotação é multidimensional, deve-se observar também aqueles alunos que se destacam em artes, criatividade, esporte, dança, música e não somente em talentos acadêmicos (AVELAR, 2009). Existem muitos mitos com relação às crianças superdotadas e talentosas tais como: elas conseguem se desenvolver sozinhas sem ajuda, elas são fisicamente fracas, são emocionalmente instáveis, elas não são produtivas por muito tempo, ou seja, o talento desaparece na vida adulta. Dizem também que a criança nasce assim e nada poderá modificá-la, que a criança superdotada continuará a demonstrar habilidade intelectual superior independentemente das condições ambientais, que a boa dotação é sinônimo de alta produtividade na vida, que superdotação é um fenômeno muito raro, sendo poucas as crianças e jovens de nossas escolas que podem ser de fato consideradas superdotadas. (WINNER, 1998). Para Avelar (2009), esses fatos precisam ser revistos e repensados por todos e cabe aos professores-educadores, uma parcela importante no sentido de reconhecer capacidades e talentos especiais dos alunos. É preciso que se aprenda a educar no sentido de orientar as crianças superdotadas de modo a aumentar, desenvolver, crescer e aperfeiçoar sua capacidade e talento. Segundo Gallagher (apud Guenther, 2000), três elementos são de uma maneira geral essenciais para atender a esses alunos dentro do contexto educacional: 1.Modificação do ambiente -agrupar os alunos mais capazes em grupos compatíveis, para a realização de atividades paralelas ou integradas no trabalho regular da sala de aula. 2.Modificação da postura do professor -o professor na maioria das vezes procura e oferece respostas para problemas, conceitos e conteúdos colocados em sala de aula, essa posição deve ser revista. Por que não colocar questões para os alunos ao invés de oferecer respostas prontas e acabadas? Desta maneira eles procurarão por soluções. O ensino deve ser centrado na compreensão da natureza do problema ao invés de respostas certas. 38 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3.Modificação do conteúdo ensinado- os conteúdos devem enfocar temas maiores, ideias abrangentes que integram uma gama maior de conhecimento, dentro de diversas matérias e disciplinas do currículo. As estratégias mais comuns para modificação do conteúdo curricular estão centradas na aceleração, no enriquecimento, sofisticação e novidade. Muito pode ser feito para os alunos superdotados talentosos. Avelar (2009) nos dá boas dicas: Caso você seja um professor consciente e deseja estimular ao máximo o potencial e talento de seus alunos mais capazes com ações que desenvolvam a criatividade, que estimulem a vontade do querer aprender e conhecer sempre mais e mais, nunca se esqueça de respeitar os interesses, características e áreas de talentos de cada um pois, somente dessa maneira, você poderá oportunizar que as potencialidades desses alunos germinem por todo o sempre. 2.6 Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) Fonte: CuidarPsi O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é um transtorno neuropsiquiátrico que afeta o comportamento do indivíduo sendo caracterizado com um perfil de desobediência, hostilidade e até ameaça, ocasionando problemas ligados a como o individuo reage as situações do cotidiano. Esses prejuízos sejam eles sociais ou afetivos, escolares ou laborais, faz com que haja 39 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva a necessidade de buscar ajuda afim de que se reduza o impacto que pode ser gerado na vida do sujeito. A criança que apresenta TOD, costuma sofrer no ambiente familiar e social porque pode ser considerada inadequada, rude e sem responsabilidade pelos seus atos. Caso não seja tratada adequadamente, a longo prazo pode apresentar desagregação familiar, evasão escolar, problemas de inserção social, podendo assim gerar problemas até mais sérios como delinquência, distúrbios na conduta e até uso de drogas. Mais comum em meninos e tendo uma abrangência de 1% a 11% da população geral, o TOD, pode surgir na fase da pré-escola e continuar até a adolescência. Esse comportamento vai trazer dificuldades em vários âmbitos, podendo ser facilmente identificado pela família e escola. (SERRA-PINHEIRO; SCHMITZ; MATTOS; SOUZA, 2004). Classificado pelo Manual diagnósticoe estatístico de transtornos mentais (DSM-5), como um grupo de transtorno de conduta. As crianças costumam serem birrentas e não sabem lidar com a frustação. Segundo o DSM-5, o paciente deve ser avaliado por pelo menos 6 meses e deve apresentar no mínimo 4 sintomas, separados nas categorias a seguir: Tendencia vingativa, desafiadora/questionadora ou humor irritável/raivoso quando se relaciona com outras pessoas. Comportamento Raivoso/irritável Comportamento Questionador/desafiante Índole vingativa • Com frequência, perde a calma. • Com frequência, é sensível ou facilmente incomodado. • Frequentemente, questiona figuras de autoridade ou, no caso de crianças e adolescentes, adultos. • Frequentemente, desafia acintosamente ou se recusa a obedecer a regras ou pedidos de figuras de autoridade. • Foi malvado ou vingativo, pelo menos duas vezes nos últimos seis meses. 40 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Com frequência, é raivoso e ressentido. • Frequentemente, incomoda deliberadamente outras pessoas. • Frequentemente, culpa outros por seus erros ou mau comportamento. Para que realmente haja o diagnóstico de TOD, o médico especialista terá que excluir os possíveis transtorno mentais: ✓ Transtorno disruptivo da desregulação do humor ✓ Transtornos do humor ✓ Transtorno de conduta ✓ Transtorno bipolar ✓ Deficiência intelectual ✓ Transtornos de linguagem ✓ Fobia social ✓ Transtorno explosivo intermitente ✓ Transtornos psicóticos ✓ Uso de substancias Devido à falta de informação e conhecimento, existem muitos educadores que podem confundir transtorno com imaturidade infantil ou até mesmo falta de limites da criança. Por isso o saber se torna tão importante dentro do processo ensino-aprendizagem, o saber vai nos proporcionar identificar possíveis situações que necessitem de uma assistência de profissional especializado para que a criança possa ter um desenvolvimento cognitivo comportamental. 2.6.1 Falta de limites ou Opositivo desafiador? 41 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva As crianças estão em fase de desenvolvimento e descobrimento, aprendendo a comunicação e a como se portar no meio social, consequentemente é natural apresentar comportamentos imaturos e que podem ser confundidas como opositoras ou desafiadoras. Precisamos entender que existe todo o contexto ao qual a criança está inserida e que vai refletir na sua linguagem, comportamento e em como ela vai lhe dar com as frustações. De 4 á 5 anos é normal a criança apresentar comportamentos que possam ser estranhos até mesmo para os pais, como agressividade, choros intensos, agir como o do “contra” quando for impedida de fazer algo que quer, refletindo em comportamentos de birra e intensa irritação. Entenda que birra é um choro forte e intenso, com movimentos exaltados (espasmos), normalmente uma criança que quer chamar a atenção. A birra não tem relação nenhuma com o TOD e com o tempo a própria criança começa a se autolimitar, se autorregular, assim a birra desaparece. E importante lembrar que os pais não devem “valorizar” esse tipo de comportamento, para que ela não se estenda por mais tempo. Crianças opositoras são mais intensas e constante, agressivas, choram por qualquer motivo, são reativas e ficam irritadas com facilidade, não controlam a raiva, são vingativas, agridem outras crianças e não escolhem quem vai ser atingida, podendo ser direcionado a uma autoridade ou a alguém da mesma idade. As crianças com TOD podem apresentar. • Atraso no desenvolvimento motor e de linguagem • Problemas de alimentação e sono • Hiperatividade e impulsividade Após ser diagnosticado, é importante saber como a criança age e pensa para que possa auxiliar no seu desenvolvimento e convívio social. A família e a escola precisam conhecer bem as características de cada criança com esse transtorno. (PINHEIRO; HAASE; DEL PRETTE; AMARANTE; DEL PRETTE, 2006). 42 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Crianças opositoras, sempre buscam uma oportunidade para alcançarem o que desejam independente dos valores morais ou éticos, são consideradas difíceis e teimosas, são rejeitadas no convívio social. Tudo isso abre portas para que elas queiram ter um comportamento de vingança. Dentre elas temos as seguintes características do indivíduo opositor: ✓ Tem a forma de pensar diferente por achar que toda opinião alheia não tem valor ou que autoridades podem ser ignoradas, pois pensa que sua posição é a única valida e que deve ser seguida. ✓ Tem pensamentos fixos, mesmo que desrespeitem a maioria das pessoas ou as regras presentes. ✓ Sempre acha formas e jeitos de justificar o que fala, mesmo que sejam percepções erradas e fadadas ao fracasso. ✓ Insiste e cria situações de forma que tudo ocorra do jeito dela e apresenta um argumento sempre com resposta oposta. ✓ Insiste em quebrar regras e não enxerga que pode aprender com seus fracassos, repetindo os mesmos desafios e causando os mesmos problemas. ✓ Acha que sempre poderá derrotar uma figura de autoridade. ✓ Espera que os outros sejam justos com ela, independentemente de como ela os trata. ✓ Quer ter sempre a primazia, mais direitos que os outros. ✓ Acha que não precisa se explicar nem se desculpar. ✓ Age de forma a demonstrar poder, muitas vezes contrariando os valores dos seus pais. 43 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ✓ Costuma responder frequentemente “Eu não sei” como forma de ignorar o que os outros pedem. ✓ Costuma agir com ironia ou com silêncio para irritar o outro. ✓ Costuma pôr a culpa nos outros. ✓ Evita novas responsabilidades. Os sintomas incomodam e desarticulam a vida da criança ou do adolescente sejam em grupos, família, amigos ou instituições. Tudo isso causa um impacto na sociedade, relacionamentos afetivos, vida acadêmica e interação com as pessoas. 2.6.2 O ambiente é importante para o desenvolvimento do TOD? Estatísticas mostram que crianças e adolescentes que vivem em instituições, famílias negligentes ou agressivas, famílias que possuem algum transtorno psiquiátrico, podem apresentar potencial para o desenvolvimento do transtorno. Hostilidade com a criança, falta de limites, falta de orientação na vida e na sociedade, atitudes negativas ou até mesmo agressivas dos pais para com os filhos podem potencializar a aquisição do transtorno. Caso a escola apresente um ambiente pouco amistoso, desorganizado, com vocabulário limitado e baixo nível de crescimento social, existe grande possibilidade do desenvolvimento do TOD. Além do comportamento tanto familiar como social serem fatores importantes para o desenvolvimento do transtorno, estudos mostram que ela tem predisposições biológicas. Níveis médios de andrógenos mais elevados e a frequência cardíaca elevada e um também um dos fatores. O nível do cortisol apresenta-se baixo e assim cérebro diminui as suas atividades em áreas 44 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva subcorticais de funções que executam a atenção, planejamento, execução, controle de emoções, resolução de problemas e autocontrole. O tratamento para o TOD acontece de forma multidisciplinar e se baseia nas seguintes etapas: abordagem médica, terapia de manejo parental (TMP) – uso de medicações, abordagem escolar e a estrutura familiar. A escola e a família têm papel fundamental com a comunicação em relação a esse fator para que os princípios e valores possam ser estabelecidos. Todo combinado deve ser mantido e o dialogo deve ser forma efetiva para que as normas e as regras possam ser cumpridas com respeito. Toda escola necessita desenvolver formação continuada para queos professores e todo corpo docente saibam lidar com a criança com TOD, pois como haverá resultados convincentes se professores e gestores não souberem o que significa e muito menos como agir com essas crianças. É normal os pais dessas crianças apresentarem baixa tolerância ao temperamento delas, mas o encorajamos a mudar essa percepção negativa e reavaliar suas atitudes estimulando novos comportamentos, vendo a longo prazo a oportunidade de reduzir o risco para uma evolução de transtorno de conduta. Dicas para pais e cuidadores: 1 – Dedique um tempo ao seu filho diariamente. 2 – Converse com ele e realize atividades esportivas ou de lazer. 3 – Estimule a prática de eventos sociais e a participação em grupos específicos. 4 – Esclareça muito bem regras e instruções. 5 – Explique as consequências em caso de indisciplina e as cumpra. 6 – Apoie-se em técnicas de manejo de comportamentos opositores. 7 – Proponha acordos e privilégios em caso de condutas adequadas. 8 – Elogie atitudes positivas e ações espontâneas de boa índole. 9 – Retire privilégios em caso de mau comportamento. 10 – Comunique-se com a escola regularmente. 45 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 2.6.3 TOD e autismo: existe diferença? O TEA pode ser facilmente confundido com TOD pois apresentam características parecidas. Apesar de serem casos diferentes, elas podem estar associadas. Lembre-se de que no caso doa autismo há o fator genético. As crianças desse espectro podem manifestar sintomas de oposição e desafio devido às alterações na regulação emocional, baixa tolerância á frustação e inflexibilidade. 2.6.4 TOD x TDAH. Assim como no autismo, o TDAH, também pode ser de fator genético. Esses dois transtornos têm mais diferenças entre ambas, pois uma criança com TOD tem certos padrões como agressividade e irritabilidade, e já quem tem TDAH, não apresenta esse tipo de comportamento. 46 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Fonte: Faculdade de Medicina UFMG 2.6.5 Atividades para crianças com TOD Atividade físicas: correr bastante, jogar bola, dançar, tudo isso faz com que ela gaste suas energias se divertindo e se concentrando nessas brincadeiras. Música: a música tem o poder de concentrar a atenção e estimular o cérebro de uma criança com TOD, sem contar que é muito divertida. Ela pode cantar, ouvir, tocar um instrumento, como a sua imaginação mandar! Arte: Pinturas, desenhos e brincadeiras com massinha de modelar são boas opções. Além de também ajudarem na concentração, podem até despertar um novo hobby. 47 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Animais: cuidar de um pet ajuda a aliviar o estresse e a ansiedade das crianças. Caso não tenham restrições, que tal brincar com um ou até mesmo adotar? 2.7 Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) Fonte: Somos Mães O Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC), e caracterizado por afetar as vias centrais da audição, as áreas cerebrais relacionadas com as habilidades auditivas que são responsáveis pelo conjunto de processos de detecção e interpretação das informações sonoras. Na maior parte dos casos, o sistema auditivo periférico (tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo) estão totalmente preservados, a dificuldade está no processamento das informações captadas pelas vias auditivas. Ou seja, a pessoa fala claramente, mas encontra dificuldades de interpretar a mensagem recebida. Segundo Ademir Antônio Comerlatto Júnior, fonoaudiólogo, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e profissional consultor da Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear (Adap), as habilidades envolvidas no processamento auditivo são: detecção, localização e lateralização, discriminação, reconhecimento, aspectos atemporais da audição (resolução, integração, mascaramento e ordenação) e escuta com estímulos degradados ou competitivos. O DPAC pode atingir uma ou várias dessas habilidades em diferentes graus. 2.7.1 As causas do DPAC 48 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva As causas podem ser variadas e muitas vezes até desconhecidas, os mais comuns são de origem genética, otites de repetição, lesões cerebrais seja por anoxia ou traumatismo craniano, presença de outros distúrbios neurológicos, atraso maturacional das vias auditivas do sistema nervoso central ou envelhecimento natural do cérebro. Comerlatto listou os principais sintomas que são percebidos na criança com DPAC: • Dificuldade de memorização em atividades diárias. • Dificuldades acadêmicas para ler e escrever. • Fadiga atencional em aulas ou palestras. • Troca de letras na fala ou na escrita. • Demora em compreender o que foi dito. • Dificuldades em compreender informações em ambientes ruidosos. • Desatenção e distração. • Solicitação constante da repetição da informação. • Agitação. • Dificuldade para entender conceitos abstratos ou de duplo sentido. • Dificuldade para executar tarefas que lhe foram solicitadas. O DPAC pode ser acompanhado de outros distúrbios, normalmente pelo TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e hiperatividade. Mas não é sempre que isso pode ocorrer e tem que haver um cuidado para que o DPAC não venha a ser confundido com o TDAH. Mangili, 2024, trouxe um relato da mãe Gilda Viana sobre a situação: “O DPAC é complicado, pois a criança não consegue aprender, entender, e isso acarreta muitas coisas que as pessoas desconhecem. Já vi relatos de grupos de indivíduos que descobriram o distúrbio somente quando adultos, e isso ocasionou uma vida escolar inteira de reprovas e dificuldades. Muitas pessoas passam por psicólogos e são tratadas como se tivessem outros distúrbios, como a hiperatividade, e, na realidade, não é nada disso.” Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, melhor é para que sejam superadas as dificuldades principalmente no período escolar. Com o tratamento feito pelo fonoaudiólogo e a equipe pedagógica, a criança obterá mais chances 49 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva de um desenvolvimento escolar, pois o nosso cérebro durante a infância tem uma grande flexibilidade no seu desenvolvimento chamado de plasticidade neural. O diagnóstico de DPAC é feito por audiometria-padrão, teste de PAC (discriminação, temporais, dicóticos, monóticos, baixa redundância, eletrofisiológicos e eletroacústicos) e da avaliação do desenvolvimento linguístico e do comportamento auditivo. Tudo isso é importante para que possa ser feito a diferenciação adequada da perda auditiva no órgão sensorial (ouvido). É indicado ser feito a partir dos 7 anos e feitos pelo próprio fonoaudiólogo, com ou sem o uso de cabine acústica, apesar de não serem muito comuns e não fazerem parte das rotinas nos hospitais públicos brasileiros. Poucos convênios cobrem tais procedimentos. Os exames realizados vão apontar quais habilidades auditivas a criança apresenta dificuldade e isso vai auxiliar para a escolha dos exercícios e técnicas de treinamento auditivo. Comerlatto, 2024, diz o seguinte: “O treinamento auditivo é um dos métodos terapêuticos utilizados na reabilitação auditiva no DPAC e pode ser definido como o uso de um conjunto de tarefas acústicas predeterminadas com objetivo de ativar e/ou modificar o sistema auditivo. Existem dois modelos de treinamento auditivo: o informal, que se refere a intervenções terapêuticas sem o uso de equipamentos específicos para o controle dos estímulos acústicos trabalhados – muitas vezes, é indicado para crianças menores, por conta de fatores como atençãoe motivação, visto que a atividade pode ser conduzida com maior facilidade por meio do lúdico, como jogos e brincadeiras; e o formal, que se refere ao processo terapêutico em que são utilizados equipamentos eletroacústicos que possibilitam o controle dos estímulos utilizados em sua duração, frequência e intensidade – este modelo pode ser conduzido, por exemplo, com o uso de um computador e em cabina acústica com o uso de audiômetro.” 2.7.2 O DPAC na escola Devido às dificuldades adquiridas, o aluno com DPAC enfrenta grandes dificuldades no modelo de ensino tradicional brasileiro, já que as aulas são 50 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ministradas oralmente pelo professor. Adiciona a isso a falta de conhecimento das escolas sobre o distúrbio e a falta de treinamento dos profissionais, dificultando mais ainda as vivencias do aluno no ambiente e acarretando baixa autoestima e dificuldades de socialização. A importância de um trabalho multidisciplinar aonde a família, escola, fonoaudiólogo e psicopedagogos trabalhem no objetivo de auxiliar o aluno oferecendo alternativas e estimulando o aprendizado é essencial. É recomendado que coloquem os alunos nas primeiras cadeiras, quando falar olhar diretamente para o rosto do aluno e próximo a ele, verificar se ele realmente entendeu os comandos, conceder mais tempo para realização da avaliação e caso necessário fazer a leitura da avaliação. Infelizmente as escolas não dão a devida atenção às necessidades de com cada aluno com distúrbio auditivo, muitas vezes por falta de conhecimento, e acabem taxando o aluno de “preguiçoso” ou até mesmo “incapaz”. Existe um sistema chamada Frequência modulada (FM) que é uma boa opção para auxiliar a criança na escola. Esse equipamento pode ser utilizado em indivíduos sem perda auditiva periférica. O FM amplia a voz do professor, fazendo com a criança tenha a sua atenção para a explicação em sala de aula. O fonoaudiólogo Comerlatto, 2024 dá algumas orientações sobre como professores podem ajudar as crianças com DPAC em sala de aula: “Em momentos importantes da vida da criança, como na alfabetização e nos demais processos acadêmicos, os professores não só podem como devem utilizar estratégias que facilitem o input (entrada) da informação auditiva a crianças com diagnostico de DPAC – como, por exemplo, proporcionar menor distancia entre ele e a criança; evitar posicionar a criança próximo a portas e janelas; procurar falar de forma clara e pausada, de frente para a criança; evitar falar em momentos de muito barulho; e sempre que possível fornecer as instruções e atividades próximo a ela. O controle acústico do ambiente onde a criança está exposta deve ser o mais silencioso e menos reverberante possível, objetivando a compreensão da informação com o de ruido mascarante.” 51 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3.0 Deficiências Assim como visto anteriormente, existem vários tipos de deficiências. No primeiro momento focamos naquelas que são de origem mental, agora iremos falar um pouco sobre as deficiências físicas que também necessitam de uma atenção especial e de atividades adequadas para o exercício do mesmo. Todo esse estudo surgiu da intenção de atenuar ou neutralizar a acepção negativa das terminologias adotadas para distinguir os indivíduos em suas singularidades por apresentarem limitações físicas, motoras, sensoriais, cognitivas, linguísticas ou ainda síndromes variadas, altas habilidades, condutas desviantes etc. Tal denominação foi rapidamente difundida e assimilada, talvez, pela amplitude e abrangência de sua aplicabilidade. Nessa perspectiva, podemos dizer que indivíduos cegos apresentam necessidades consideradas especiais, porque a maioria das pessoas não necessitam dos recursos e ferramentas por eles utilizados para ter acesso à leitura, à escrita e para se deslocar de um lado para outro, em sua rotina. Essas pessoas necessitam, por exemplo, do sistema braile, de livros sonoros, de ledores, de softwares com síntese de voz, de bengalas, cães-guia ou guias humanos. O mesmo raciocínio se aplica às pessoas que necessitam de muletas, cadeiras de rodas ou andadores para sua locomoção. Da mesma forma, os surdos valem-se da linguagem gestual e da experiência visual em sua comunicação. Existem também aqueles que necessitam de cuidados especiais para a alimentação, o vestuário, a higiene pessoal e outros hábitos ou atividades rotineiras. Em tais casos, essas pessoas necessitam desenvolver habilidades, funções e aprendizados específicos. Algumas dessas necessidades podem ser temporárias ou permanentes, dependendo da situação ou das circunstâncias das quais se originam. A literatura especializada a este respeito, particularmente representada pelos estudos de TELFORD & SAWREY (1978), é ilustrativa do longo e enviesado caminho percorrido para se chegar a uma conceituação que fosse mais precisa, científica e qualitativamente aceitável. Para esses teóricos: "A tendência atual é empregar termos menos estigmatizantes, mais gentis e menos carregados emocionalmente, em substituição aos mais antigos, que 52 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva adquiriram conotações de desamparo e desesperança. (...). Embora a redenominação de antigas categorias reflita em parte as concepções cambiantes e a maior precisão na definição e classificação, ela é antes um reflexo de nossa ênfase cultural na crença democrática de que todas as pessoas nascem iguais e de nossa tentativa de evitar as conotações de inferioridade intrínseca que eventualmente se acrescentam aos termos empregados com referência a grupos de pessoas percebidas como deficientes. Embora os rótulos sejam necessários para alguns fins, há uma tendência a utilizá-los tão pouco quanto possível, em vista dos estigmas associados a muitos deles (...)." (ROSSMAN, 1973). "É paradoxal que, quanto mais aprendemos acerca das pessoas excepcionais, menos confiantes nos tornamos quanto a nossa capacidade de classificá-las de maneira útil." (BOGDAN e TAYLOR, 1976). Esses estudos representam uma contraposição à arbitrariedade e ao cunho preconceituoso e depreciativo que impregnavam a terminologia circulante entre pais, especialistas e o público em geral com referência às limitações física, motora, sensorial, cognitiva, às diferentes síndromes ou ao sofrimento mental. Tais proposições revelam uma mesma tendência, isto é, a preocupação em explicitar por meio de palavras ou expressões politicamente corretas, as virtudes e intenções de paradigmas ou concepções vigentes no decorrer das últimas décadas. Note-se que a conclusão apontada pelos autores sugere um movimento dinâmico, pouco satisfatório e, por isso, sujeito a incessantes indagações. Assim, as manifestações de certas características, peculiaridades ou diferenças individuais inspiraram a denominação corrente de pessoas com deficiência para designar o que antes era concebido como grupos ou categorias de indivíduos excepcionais. 3.1 Processo de Avaliação O aprofundamento dessa temática mostra a persistência de um movimento dinâmico e paradoxal de adesão, contraposição e desconfiança, quando se trata de estabelecer categorias ou classificações de seres humanos. Para desmistificar, são utilizadas várias formas para a identificação adequada de cada deficiência, como diagnósticos, classificações, avaliações e testagens, feitos por médicos, psicólogos, educadores e etc. É importante 53 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ressaltar que cada profissional deve estar devidamente habilitado dentro de suas áreas para se fazer tal avaliação ou diagnostico. O diagnostico educacional consiste na utilização de recursos, meios e técnicas para analisar e avaliar as situações educacionais, os problemase as dificuldades dos alunos, bem como, tomar conhecimento de suas causas para preveni-las e corrigi-las, quando possível. Todo diagnóstico tem duas funções básicas: 1- Localizar e analisar as causas das dificuldades dos alunos em todas as áreas das suas atividades; 2- Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, tanto as positivas, quanto as negativas. Zacharias (2007) diz que embora sejam muitas as desvantagens e desvios existentes na classificação de pessoas em categorias, elas acabam tornando-se necessárias, principalmente do ponto de vista da administração do Sistema Educacional, e apresenta a classificação abaixo, a qual decorre do modelo clínico, combinado sempre que possível ao modelo educacional. Para falarmos das diferentes necessidades especiais, faz-se necessário uma breve introdução aos nossos sistemas sensoriais com os quais conhecemos e nos relacionamos com o mundo que são: a gustação; o olfato; o tato; a audição; a visão e a propriocepção. 3.2 Sistemas sensoriais “Como seres vivos, e em particular como seres humanos, possuímos uma fronteira que nos distingue: a nossa pele que separa o eu do tu e das coisas. Nosso contato com o mundo ocorre por meio dos sistemas sensoriais, que constantemente informam o cérebro sobre tudo o que ocorre no meio externo e interno”. (Malachias, 2013) Várias são as deficiências que um ser humano pode apresentar. Dentre elas temos as deficiências sensoriais, que serão nosso ponto de partida para refletirmos sobre a relação existente entre elas e práticas pedagógicas para 54 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva promover a educação inclusiva. Outro objetivo deste capítulo é refletir sobre a utilização dos sentidos para conhecimento e relacionamento com o mundo, além de valorizarmos o desenvolvimento da acuidade sensorial no sistema educativo. Dentre as deficiências sensoriais analisaremos a deficiência auditiva e a visual, mas também há a múltipla deficiência sensorial onde acontece a associação entre surdez e/ou deficiência visual a outras deficiências (intelectual e/ou física). Figura 1: Os sentidos Fonte: http://www.afh.bio.br/sentidos/sentidos1.asp Legarda e Miketta (2008, p. 20) destacam três aspectos importantes e que estão relacionados aos sistemas sensoriais: 1. O uso integrado que fazemos dos sentidos em nossos primeiros anos de vida vai decrescendo com o passar dos tempos, devido à desvalorização da acuidade sensorial em nossa cultura e sistema educativo. Lamentavelmente, os 55 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva currículos de estudo de crianças com mais de seis anos, descuidam, quase que completamente, desse importante aspecto do desenvolvimento que não se restringe apenas a uma forma de conhecer o meio ambiente, mas é também uma maneira de conhecermos a nós mesmos; 2. Os sentidos são nossa primeira fonte de conhecimento. No nascimento, não há o pensamento simbólico e nem o raciocínio lógico, somente o mundo sensorial e perceptivo. Assim sendo, estímulos variados são fundamentais nos primeiros anos de vida; 3. Nós, humanos, mostramos diferenças em nossos padrões sensoriais e em nossa capacidade de aprender por meio de um ou outro sentido, ou seja, alguns utilizam melhor a visão, outros a audição. O sentido do paladar ou gustação encontra-se nos receptores localizados na língua, as papilas gustativas. Esse sentido distingue quatro sabores básicos: amargo (parte posterior da língua); azedo e salgado (bordas da língua) e doce (ponta da língua). A gustação é nosso sentido mais fraco, devido a língua ter de cumprir outras funções como articular a fala, por exemplo. O sentido do olfato funciona com quimiorreceptores localizados no nariz e que captam as substâncias voláteis dispersas no ar. Há uma estreita relação entre gustação e olfato, o que pode ser experimentado cheirando e degustando ao mesmo tempo um pedaço de bolo. Os mesmos autores destacam que existe uma associação entre olfato e as lembranças e que essa relação pode ter um fundo adaptativo para nos proteger de perigos como alimentos venenosos, por exemplo, mas é uma associação pouco explorada no contexto pedagógico. O tato é um dos primeiros sentidos a amadurecer, tendo seus receptores na pele, onde há células especializadas para a percepção do calor, do frio e da dor. É importante no desenvolvimento emocional, no conhecimento do corpo e na formação de vínculos afetivos (Legarda e Miketta, 2008). A sensibilidade auditiva proporciona não só o reconhecimento objetivo dos sons ambientais (chuva, sons de instrumentos musicais, entre outros), mas participa efetivamente no processo de comunicação entre os indivíduos e, deste modo, constitui um importante elemento da linguagem. A perda da sensibilidade auditiva ou a surdez dificulta esse aspecto da relação humana, pois o nosso principal meio de comunicação é através da linguagem falada. O próprio 56 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva mecanismo de aprendizado da linguagem falada depende da audição (NISHIDA, 2007). Nabuco e Cortez (2005) esclarecem que, no início, os recém-nascidos enxergam apenas borrões. Entre a 4ª e 6ª semana de vida, passam a fixar o olhar em objetos, uma vez que se completa a formação da região da retina que permite visualizar detalhes. A partir dos dois meses, as imagens que eram acinzentadas ganham matizes de vermelho, branco e azul. A visão evolui rápido, de modo que ao completar quatro meses a criança já distingue as demais cores e segue os objetos com os olhinhos. O passo seguinte é apanhar os objetos que vê. Posteriormente, passa a reconhecer as pessoas e estranham rostos e locais diferentes. Geralmente, até os cinco anos a criança atinge o desenvolvimento total da visão. A propriocepção é definida por Legarda e Miketta (2008, p. 19) como “aquele sentido que informa sobre a localização de uma parte móvel do corpo, a mão, por exemplo, em relação a outra de posição fixa, o tronco”. A propriocepção acontece por meio de diversos sensores específicos espalhados pelo corpo que reconhecem as mudanças de posição e de movimento. A propriocepção nos ajuda a manter a posição adequada em uma cadeira, segurar utensílios tais como uma caneta ou um garfo de maneira adequada, a julgar a distância que estamos de um objeto para não bater nele, quanta pressão precisamos fazer para evitar quebrar um lápis (Dutra, 2007). Apresentados os sentidos, vamos partir para as deficiências que podem acometer o ser humano. 3.2.1 Deficiência Visual A deficiência visual pode ser hereditária (de pais para filhos) como, por exemplo, catarata, glaucoma, albinismo e etc., como também adquirida, seja através de acidentes, doença, deficiência de vitamina e entre outros. Existem dentre esses casos que podem ser prevenidas e cuidados ao longo do tempo. Lembre-se que o diagnóstico deverá ser realizado por um profissional capacitado, como o médico oftalmologista, para um adequado acompanhamento e tratamento. 57 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva A deficiência visual é uma situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ ou cirúrgico e uso de óculos convencionais. A deficiência visual inclui dois grupos: cegueira, visão subnormal (FIOCRUZ, 2009). 3.2.1.1 Cegueira Segundo Hardman et al., 2005, somente 20% das pessoas são acometidas com cegueira total, os outros 80% conseguem ter pelo menos a percepção da luz. Já Conde, 2002, fala que a cegueira não é a total incapacidade de ver, mas um desgaste a níveis incapacitantes de realizar as atividades rotineiras. Havendo ou não a capacidade de percepção da luz, todo os que apresentam tal desgaste ocular, necessitam se adaptar a sua condiçãoutilizando metodologias a fim de quem melhore a sua socialização. Dentre os métodos utilizados, temos o Braille. Contudo, é importante incentivar o uso dos demais sistemas sensoriais, como também a usar o resíduo visual que cada indivíduo possa ter. 3.2.1.2 Visão subnormal ou Baixa Visão É considerado portador de baixa visão aquele que apresenta desde a capacidade de perceber luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfira ou limita seu desempenho. Sua aprendizagem se dará através dos meios visuais, mesmo que sejam necessários recursos especiais. Entre suas definições, a visão subnormal pode ser caracterizada como perda acentuada da visão, sem correção por tratamento clínico ou cirúrgico, e nem com uso de óculos convencionais. Pode se apresentar também como qualquer grau de enfraquecimento visual que gere incapacidade funcional e diminuição do desempenho visual (Carvalho, Gasparetto, Venturini & Melo, 1994). Tanto a cegueira total quanto a visão subnormal pode afetar a pessoas em qualquer idade. Bebês podem nascer sem visão e outras pessoas podem 58 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva tornar-se deficientes visuais em qualquer fase da vida (FIOCRUZ, 2009). Ela também ocorre independentemente de sexo, religião, crenças, grupo étnico, raça, ancestrais, educação, cultura, saúde, posição social, condições de residência ou qualquer outra condição específica. A deficiência visual interfere em habilidades e capacidades e afeta não somente a vida da pessoa que perdeu a visão, mas também dos membros da família, amigos, colegas, professores, empregadores e outros. O mais importante é criar o ambiente propício para a criança com deficiência visual conseguir alcançar um desenvolvimento compatível com o estágio de vida que se encontrar até que possa ter a capacidade de se tornar independente e ativa socialmente. Para tanto, é extremamente importante que pais, amigos, professores e profissionais de saúde formem uma "equipe humana", o qual cada um terá seu papel na estimulação precoce da criança, inserindo-a verdadeiramente na circunstância social em que se encontre (HADDAD, SEI, BRAGA, 2009). 3.2.2 Deficiência auditiva A audição além de ser muito importante tem função essencial, já que ela funciona como uma ponte entre o mundo a nossa volta e o nosso sistema nervoso adaptando os sons e as percepções do exterior. Qualquer alteração em sua funcionalidade altera a percepção do ambiente e também a formação psicofisiológica do mundo. (Lafon,1989) Sem a audição, todo individuo perde a parte vital dos estímulos, pois o som da voz é que traz a percepção da linguagem e a ativação do pensamento. Uma pessoa surda fica restrita aos sons comuns, como a música, canto dos pássaros ou a buzina de transportes. (Gregory, 1995) As pessoas com surdez, por sua vez, são extremamente visuais, o que favorece o domínio de uma linguagem visual-espacial. Também é importante considerar as pessoas que apresentam resíduo auditivo e que, portanto, carecem de estímulos dessa natureza (FIOCRUZ, 2009). Deficiência auditiva é considerada como a diferença existente entre o desempenho do indivíduo e a habilidade normal para a detecção sonora de acordo com padrões estabelecidos 59 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva pela American National Standards Institute (ANSI - 1989). Considera-se, em geral, que a audição normal corresponde à habilidade para detecção de sons até 20 dB N.A (decibéis, nível de audição). A audição desempenha um papel principal e decisivo no desenvolvimento e na manutenção da comunicação por meio da linguagem falada, além de funcionar como um mecanismo de defesa e alerta contra o perigo que funciona 24 horas por dia, pois nossos ouvidos não descansam nem quando dormimos. Foram realizados vários estudos sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças surdas nos anos 70, em cima da proposta de Piaget. No qual Marchesi (1996), após vários estudos concluiu que: ✓ Que não há atrasos nos fatores que configuram o desenvolvimento sensório-motor, pois os surdos apresentam uma inteligência aparente ao ouvinte, menos em imitação vocal. ✓ Há uma sequência de aquisição de diferentes conceitos, em operações concretas, igualando-se a ouvintes, embora haja uma defasagem em respeito a aqueles que são ouvintes. ✓ Quando o pensamento é hipotético ou dedutivo, em relação aos adolescentes a um maior atraso comparado a adolescentes ouvintes. ✓ Costumam ter um pensamento mais próximo daquilo que é diretamente percebido, diminuindo a probabilidade de pensamento abstrato ou hipotético. Dentre os tipos de deficiência auditiva temos a condutiva, sensório-neural, mista, central ou surdez central. Condutiva: Quando ocorre qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através de tratamento clínico ou cirúrgico. Essa deficiência pode ter várias causas, entre elas podem-se citar: corpos estranhos no conduto auditivo externo; tampões de cera; otite externa e média; malformação congênita do conduto auditivo; inflamação da membrana timpânica; perfuração do tímpano; obstrução da tuba auditiva; entre outras. 60 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Sensório-Neural: Quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da orelha interna ou do nervo auditivo. Esse tipo de deficiência auditiva é irreversível. A deficiência auditiva sensório-neural pode ser de origem hereditária, como problemas da mãe no pré-natal tais como a rubéola, sífilis, herpes, toxoplasmose, alcoolismo, toxemia, diabetes, entre utros. Também podem ser causadas por traumas físicos, prematuridade, baixo peso ao nascimento, trauma de parto, meningite, encefalite, caxumba, sarampo, entre outros. Mista: Quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução aérea. Central ou Surdez Central: Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de diminuição da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral (SNC). Entre os muitos instrumentos usados para comunicação não oral, figura a linguagem dos sinais, criada por um monge beneditino francês, morador de um mosteiro onde imperava a lei do silêncio. Adotada há mais de cem anos, no Brasil é chamada de Libras. Segundo a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS, um indivíduo que já tenha nascido com deficiência auditiva pode levar um ano para aprender a linguagem. Já alguém que ouve bem ou que perdeu a capacidade auditiva depois de adulto, pode levar um pouco mais de tempo para aprender, por ter se habituado à linguagem oral (FIOCRUZ, 2009). 3.2.3 Deficiência Física 61 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva A deficiência física se refere ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema Osteoarticular, o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir grandes limitações físicas de grau e gravidades variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida (BRASIL, 2006, p. 28). Essa definição nos leva a entender que a função física pode ficar comprometida quando faltar algum membro (quando houver amputação), sua má-formação ou deformação (alterações quecomprometam o sistema muscular e esquelético). Quanto às lesões motoras decorrentes de lesão do sistema nervoso, estas podem ser de diferentes tipos, como alterações de: • ordem muscular – hipertonias, hipotonias, atividades reflexas, movimentos descoordenados e involuntários; • ordem nervosa, no que diz respeito à sensibilidade e à força muscular – hemiparesias, paraparesia, monoparesia e tetraparesia (BRASIL, 1999). Ainda encontraremos alterações funcionais motoras decorrentes de lesão do Sistema Nervoso e, nesses casos, observaremos principalmente a alteração do tônus muscular (hipertonia, hipotonia, atividades tônicas reflexas, movimentos involuntários e incoordenados). As terminologias “para, mono, tetra, tri e hemi”, diz respeito à determinação da parte do corpo envolvida, significando respectivamente, “somente os membros inferiores, somente um membro, os quatro membros, três membros ou um lado do corpo” (BRASIL, 1999). Dentre as causas da deficiência física temos: • Lesão cerebral (paralisia cerebral) - A paralisia cerebral é uma das causas mais frequentes que encontramos como deficiência física e que chega até a escola, portanto, faz-se necessário dar uma atenção especial ao seu estudo. As crianças que sofrem dessa patologia são motivo de grande preconceito e discriminação na escola, principalmente porque as pessoas pensam que é uma deficiência mental, o que é um grande equívoco. Muitas 62 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva dessas crianças têm dificuldades de se comunicar e expressar devido às suas limitações motoras e não cognitivas e demonstram um comportamento alheio à realidade, por falta de oportunidades e de mediações que lhes auxiliem na expressão de toda sua vontade. A principal característica da paralisia cerebral é o déficit motor, entretanto, quase sempre se pode encontrar um ou outro distúrbio decorrente da lesão neurológica como: convulsões que podem levar ao déficit cognitivo, alterações oculares e visuais, distúrbios de deglutição, comprometimento auditivo, alterações nas funções corticais superiores, distúrbios do comportamento (BRASIL, 2007). Importante ressaltar que esses distúrbios que acompanham a paralisia cerebral podem ser decorrentes também do meio em que a criança vive, suas condições de higiene, nutrição, tratamentos e oportunidades em geral. Como causas da paralisia cerebral que podem ocorrer isoladas ou associadas, Braga (1995 apud Brasil, 2007) sintetiza assim: ➢ Pré-natais – infecções intrauterinas (rubéola, toxoplasmose, citomegalia, herpes e sífilis), anoxia fetal, exposição à radiação ou a drogas, erros de migração neuronal e outras malformações cerebrais; ➢ Perinatais – complicações durante o parto (traumatismo cerebral ou anoxia em trabalho de parto difícil ou demorado), prematuridade, nascimento com baixo peso, entre outros; ➢ Pós-natais – traumatismos cranioencefálicos, infecções do sistema nervoso central (encefálicos e meningites), anoxia cerebral (devido a asfixias, afogamentos, convulsões ou paradas cardíacas) e acidente vascular cerebral. • Lesão medular; • Miopatias (distrofias musculares); • Patologias degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla); • Lesões nervosas periféricas; • Amputações; • Malformações congênitas; • Distúrbios posturais da coluna; • Reumatismos inflamatórios; • Acidentes; 63 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Traumatismos cranioencefálico. 3.2.4 Deficiência Mental Na procura de uma compreensão mais global das deficiências em geral, em 1980, a Organização Mundial de Saúde propôs três níveis para esclarecer todas as deficiências, a saber: deficiência, incapacidade e desvantagem social. • Deficiência – refere-se a uma perda ou anormalidade de estrutura ou função. É relativa a toda alteração do corpo ou aparência física, de um órgão ou de uma função, qualquer que seja sua causa. • Incapacidade – refere-se à restrição de atividades em decorrência de uma deficiência. Incapacidades refletem às consequências das deficiências em termos de desempenho e atividade funcional do indivíduo. • Desvantagem – refere-se à condição social ou prejuízo resultante de deficiência e/ou incapacidade. As desvantagens dizem respeito aos prejuízos que o indivíduo experimenta devido à sua deficiência. Sua deficiência e incapacidade refletem, pois, a adaptação do indivíduo e a interação dele com o seu meio. Em 2001, essa proposta, revista e reeditada, introduziu o funcionamento global da pessoa com deficiência em relação aos fatores contextuais e do meio, restilando-a entre as demais e rompendo o seu isolamento. A deficiência mental constitui um impasse para o ensino na escola comum e para a definição do Atendimento Educacional Especializado, pela complexidade do seu conceito e pela grande quantidade e variedades de abordagens do mesmo. A dificuldade de diagnosticar a deficiência mental tem levado a uma série de revisões do seu conceito. A medida do coeficiente de inteligência (QI), por exemplo, foi utilizada durante muitos anos como parâmetro de definição dos casos. O próprio CID 10 (Código Internacional de Doenças, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde), ao especificar o Retardo Mental (F70-79), propõe uma definição ainda baseada no coeficiente de inteligência, classificando-o entre leve, moderado e profundo, conforme o comprometimento. Também inclui vários outros sintomas de manifestações 64 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva dessa deficiência, como: a “[...] dificuldade do aprendizado e comprometimento do comportamento”, o que coincide com outros diagnósticos de áreas diferentes. O diagnóstico da deficiência mental não se esclarece por supostas categorias e tipos de inteligência. Teorias psicológicas desenvolvimentistas, como as de caráter sociológico, antropológico têm posições assumidas diante da deficiência mental, mas ainda assim não se conseguiu fechar um conceito único que dê conta dessa intrincada condição (MANTOAN, 2004). A Psicanálise, por exemplo, traz à tona a dimensão do inconsciente, uma importante contribuição que introduz os processos psíquicos na determinação de diversas patologias, entre as quais a deficiência mental. A inibição desenvolvida por Freud pode ser definida pela limitação de determinadas atividades, causada por um bloqueio de algumas funções, como o pensamento, por exemplo. A debilidade, para Lacan, define uma maneira particular de o sujeito lidar com o saber, podendo ser natural ao sujeito, por caracterizar um mal-estar fundamental em relação ao saber, ou seja, todos nós temos algo que não conseguimos ou não queremos saber. Mas também define a debilidade como uma patologia, quando o sujeito se fixa numa posição débil, de total recusa de apropriação do saber (BRASIL, 2007). É importante que o professor fique atento as causas da deficiência mental, pois podem beneficiar seus alunos com um trabalho mais seguro, pautado no conhecimento e no profissionalismo. Algumas causas da deficiência mental seriam: • Doenças neurológicas; • Erros inatos do metabolismo; • Deficiências visuais e auditivas (por falta de estimulação e trabalhos adequados); • Asfixia perinatal; • Prematuridade; • Hiper bilirrubinemia; • Infecções congênitas; • Malformações congênitas; • Síndromes genéticas. 65 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Todas essas informações são essenciais para compreendermos as limitações que cada criança pode apresentar-se ao longo da sua vida e assim você tenha o conhecimento adequado para prestar uma assistência qualificada, garantindo uma melhor atuação e discernimento perante as atividades prestadas. Agora partiremos para a perspectiva de como incluir essa criança no ambiente escolar!4.Inclusão X Exclusão Fonte: Diário da Inclusão Social A nossa sociedade vive uma época em que o respeito às diferenças e a garantia de que os direitos a participação social, independente de gênero, etnia, religiosidade, situação econômica, física ou psicológica, tem sido de grande importância. A inclusão social tem surgido como uma questão ética, aonde promove uma sociedade mais justa e igual para todos, onde a sociedade integra e acolhe a diversidade em todas as atividades e nos seus relacionamentos, garantindo estrutura para atender as diferentes necessidades. (Werneck, 1998) Odom e Diamond (1998, p. 5) falam, que “não há uma definição comum sobre inclusão, havendo uma imensa diversidade de pessoas que a evocam como garantia de direitos”. 66 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva De acordo com Abbamonte (2009), a palavra Inclusão não significa promover a adequação ou a normatização de acordo com as características de uma maioria, seu significado está mais próximo à possibilidade de fazer parte, conviver e não se igualar. Portanto, é com grande cautela que devemos levantar a bandeira da inclusão escolar de crianças com graves problemas de desenvolvimento. Ao invés de tomarmos o assunto partindo de um ideal, do que diz a lei, é mais apropriado levar em consideração a própria criança, verificar o problema que ela apresenta e, a partir daí, avaliar a maneira de ingressá-la numa ou noutra sala de aula. A colocação da autora é muito pertinente e leva a refletir sobre a responsabilidade que se tem à frente quando se trata de avaliar uma criança, pois uma vez que a criança é colocada na escola, todos os profissionais estão assumindo um compromisso com ela. Em Sassaki (1997, p.41), encontra-se que a inclusão é: [...] um processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas ainda excluídas e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. Após as devidas conceituações, podemos inferir que existe uma diferença importante entre integrar e incluir. O primeiro pressupõe adaptar o aluno à escola, e incluir, vai muito além, é preparar a escola, como um todo, em seu espaço físico, na formação do corpo docente, entre outros, para receber o aluno portador de qualquer que seja sua necessidade. Observa-se no primeiro conceito que na integração, a escola abre as portas para o aluno, mas não disponibiliza os meios para que este possa locomover, acompanhar, aprender. Já na inclusão, que é completamente mais justa, quem se movimenta, quem se prepara para receber o aluno é a escola. Segundo Fischer e Marques (2001), a exclusão social remonta à Antiguidade Grega, onde escravos, mulheres e estrangeiros eram excluídos, mas o fenômeno era tido como natural. A exclusão torna-se visível e substanciosa quando ocorre uma evidência da pobreza após a crise econômica 67 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva mundial da idade contemporânea. Sobre a origem do termo exclusão social, as mesmas autoras pontuam que tomou vulto a partir do livro Les Exclus (1974) de Lenoir, o qual define os excluídos como aqueles indivíduos concebidos como resíduos dos trinta anos gloriosos de desenvolvimento da França. Para Jaguaribe citado por Dupas (1999), exclusão tem “feições de pobreza”. Já Buarque citado por Nascimento (1996), infere que a partir da década de 80, a exclusão social passou a ser vista como um processo presente, visível e que ameaçava confinar grande parte da população num apartheid informal, expressão que dá lugar ao termo “apartação social”. Em essência, a exclusão é multidimensional, manifestando-se de várias maneiras e atingindo diferentes sociedades, mas evidentemente, os países pobres são afetados em maior profundidade. Embora provocada pelo setor econômico, tem também seus meandros passando pela falta de vontade política e social. Os principais aspectos em que a exclusão se apresenta dizem respeito à falta de acesso ao emprego, a bens e serviços, e também à falta de segurança, justiça e cidadania (Fischer e Marques, 2001), ou seja, suas manifestações aparecem no mercado de trabalho, no acesso à moradia e aos serviços comunitários, aos bens e serviços públicos, entre outros. Os excluídos, entre outros são: os idosos, os sem-terra, os portadores de deficiência, os analfabetos, os grupos étnicos minoritários. Roriz et al, 2005, relataram em seus estudos que três fatores afetam significativamente as experiências que as crianças tem no meio social. O primeiro é a percepção negativa da sociedade perante a deficiência. O segundo seria a família, que deveria garantir uma poderosa influência na sociedade perante as experiencias adquiridas da criança, situação muitas vezes dificultosa devido a superproteção que os pais normalmente adquirem em certas situações. O terceiro é a escola, que é fundamental para influenciar nas qualidades das experiências sociais de cada criança. Diante de tudo que já foi exposto, precisamos entender que não podemos falar de inclusão, sem que haja o entendimento de como integrar todas as pessoas/crianças que apresentem alguma deficiência. Seja ela de origem hereditária ou adquirida com o passar o tempo. Contudo, é importante salientar 68 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva que, o respeito é a base para que todo entendimento e discernimento sobre o assunto se torne compreensível. Então, vamos falar sobre integração? 5. Integração O que se torna fundamental no processo de integração é a informação, sendo avaliada o impacto produzido no processo de integração organizacional, e perante essa avaliação, as pessoas adquirem papel importante. (Andrade e Roseira, 2017) Segundo o Ministério da Educação e Cultura (Brasil, 1994, p.18), “integração é um processo dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua integração nos grupos sociais, implicando reciprocidade”. Para Mazzotta (1998), integração pressupõe a ampliação da participação nas situações comuns para indivíduos e grupos que se encontram segregados, ou seja, para aqueles alunos que necessitam e utilizam os serviços de educação especial, justifica a busca Segundo o Ministério da Educação e Cultura (Brasil, 1994, p.18), “integração é um processo dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua integração nos grupos sociais, implicando reciprocidade”. Para Mazzotta (1998), integração pressupõe a ampliação da participação nas situações comuns para indivíduos e grupos que se encontram segregados, ou seja, para aqueles alunos que necessitam e utilizam os serviços de educação especial, justifica a busca. 69 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 5.1 O que torna uma escola integrativa? A resposta é muito simples. A INCLUSÃO! De acordo com a Declaração de Salamanca - Espanha (1994), nascida da Conferência Mundial sobre Educação Especial, UNESCO: O princípio fundamental é que todas as crianças deveriam aprender juntas, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de aprendizagem, assegurando uma educação de qualidade a todos através de currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com a comunidade [...] Dentro das escolas inclusivas, as crianças com necessidades educacionais especiais deveriam receberqualquer apoio extra que possam precisar, para que se lhes assegure uma educação efetiva. Mediante os conceitos para educação inclusiva, a instituição escolar é facilmente relacionada a um ambiente onde vamos buscar uma educação justa, igualitária e de qualidade. Relacionando o processo inclusivo à instituição escola, pode-se definir que ela será inclusiva quando procurar educar todos os alunos em salas de aula regulares. Isso significa permitir a educação e a frequência de todos na escola regular, bem como oferecer a todos uma série de desafios e oportunidades que sejam adequadas às suas habilidades e necessidades, tema tão debatido por Perrenoud nos fins dos anos 90. Desse modo, o primeiro passo para a escola ser inclusiva é o reconhecimento e a aceitação das diferenças individuais, pois a necessidade educativa especial pressupõe outras estratégias de ensino aprendizagem que não as usadas rotineiramente com a maioria dos alunos. Sobre a Escola Inclusiva, Gil (2007) citando Staimback (1999, XII) afirma que ela é um lugar do qual todos fazem parte, em que todos são aceitos, onde todos ajudam e são ajudados por seus colegas e por outros membros da comunidade escolar, para que as suas necessidades educacionais sejam satisfeitas. Nesse sentido, Mrech (2009) aconselha que para uma escola apresentar-se como inclusiva deveria ser direcionada para a comunidade, ser 70 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva vanguardista, buscar padrões de excelência, ser colaborativa e cooperativa, além de ainda, mudar os papéis e responsabilidades da equipe, estabelecer infraestrutura de serviços, como promoção do acesso físico, tornar o ambiente educacional flexível, promover parceria com os pais, montar estratégias baseadas em pesquisas, estabelecer novas formas de avaliação e, por fim, levar todos os participantes da escola a buscarem sempre desenvolvimento profissional. Esse sentido amplo dado à Escola Inclusiva leva a concordar com o pensamento de Sá (2009) quando diz que a educação é para todos, isto é, a educação inclusiva é uma educação que visa reverter o percurso da exclusão ao criar condições, estruturas e espaços para uma diversidade de educandos. Portanto, a escola será inclusiva quando conseguir transformar não apenas a rede física, mas a postura, as atitudes e os pensamentos dos educadores e da comunidade escolar em geral, para aprender a lidar com a heterogeneidade e conviver naturalmente com as diferenças. Para conceituar a educação inclusiva é preciso expressar, pelo menos, algumas de suas funções, ou seja, a escola inclusiva precisa cuidar, integrar, reconhecer, relacionar-se com crianças e pessoas de um modo geral, com necessidades especiais (MACEDO, 2009). É uma tarefa nova, restrita até poucos anos, à família ou a alguma pessoa que, por alguma razão, assumia esse papel. Na atualidade, espera-se que as escolas fundamentais incluam crianças que apresentem limitações. A educação inclusiva é uma educação democrática, comunitária, pois supõe que o professor saia da sua solidão, arrogância, falso domínio e tenha a coragem de dizer não sei, tenho medo, nojo, vergonha, pena, não respeito, quero aprender ou rever minhas estratégias pedagógicas, pois não consigo ensinar para certos tipos de criança, não sei controlar o tempo, não seria ajudar – não no sentido da Co dependência, mas no sentido da interdependência, – não sei respeitar meu aluno (MACEDO, 2009). Educação especial e inclusiva embora sejam duras e ásperas, as declarações de Macedo (2009) são reais e pertinentes ao que acontece com as escolas e seus profissionais quando se propõe a exercer o sentido amplo de educação inclusiva. De acordo com Mrech (2009), “Por educação inclusiva se entende o processo de inclusão dos portadores de necessidades especiais ou 71 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva de distúrbios de aprendizagem na rede comum de ensino em todos os graus”. Como se observa na fala de Mrech (2009), seu pensamento vai além, quando coloca no processo de inclusão, os portadores de distúrbios de aprendizagem, que até certa época não eram considerados para essa educação. A melhor e mais simples conceituação para educação inclusiva é vê-la como um processo de inclusão de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na rede comum do ensino em todos os seus graus ou série, e deste modo, conquistar o objetivo maior da educação: educação de qualidade e para todos. 6. Educação especial: Dos primórdios ao século XXI A história da educação inclusiva passa pela história da educação especial que surgiu por volta de 1500, quando se iniciaram na Europa os primeiros movimentos para ensinar a pessoa deficiente. Até então, os deficientes ficavam em asilos, protegidos, pois não se acreditava em seu desenvolvimento. Famílias de boa situação financeira contratavam professores particulares que se interessavam em se tornar preceptores de crianças com deficiência, inicialmente com crianças surdas (CARMO, 2007; FRAGELLI, 2005). Em 1700, houve a expansão para o trabalho com crianças cegas, contudo, as crianças com problemas mentais continuavam internadas. As primeiras instituições especializadas surgiram na França, em 1760 – Instituto Nacional de Surdos-Mudos e em 1784 – Instituto dos Jovens Cegos, mas ainda sem apoio da sociedade (CARMO, 2007; FRAGELLI, 2005). Nessas escolas, a educação dos cegos era voltada para trabalhos manuais, e dos surdos, comunicação por gestos. Não preconizavam o aprendizado da leitura, da escrita, dos cálculos nem das artes, algo que veio acontecer somente por volta de 1824. Ambos se sustentavam da venda dos trabalhos realizados. Já para as pessoas com deficiências físicas, o primeiro instituto surgiu na Alemanha, em 1832. Em 1848, nos Estados Unidos, passam 72 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva a ter atendimento oficial para aprenderem comportamentos sociais básicos (CARMO, 2007; FRAGELLI, 2005). Sahb (2004) pontua a II Guerra Mundial como um marco para a preocupação com os portadores de necessidades especiais, quando os países centrais começaram a se preocupar em identificar os sub e superdotados, com o objetivo de encaminhá-los para um tipo de educação mais condizente com seus dotes intelectuais. O mesmo autor (2004, p.3) cita as considerações de Edler (2000, p.15): Historicamente, a educação especial tem sido considerada como a educação de pessoas com deficiência, seja ela mental, auditiva, visual, motora, física, múltipla ou decorrente de distúrbios invasivos de desenvolvimento, além das pessoas superdotadas que também têm integrado o alunado da educação especial. As classes especiais, dentro das escolas regulares, só apareceram a partir de 1950 e, evidentemente, a partir de movimentos organizados pelos pais que lutavam pelos direitos dos seus filhos (CARMO, 2007; FRAGELLI, 2005). Esses primeiros movimentos para atender às pessoas portadoras de deficiência que refletiam as mudanças significativas, em termos educacionais, e que estavam nascendo nos grupos sociais, foram concretizadas primeiramente na Europa e depois se expandiram para os Estados Unidos, Canadá e, recentemente, para o Brasil. Mazzota (1996, p. 15) enfatiza que: A defesa da cidadania e do direito à educação das pessoas portadoras de deficiência é atitude muito recente em nossa sociedade. Manifestando-se através de medidas isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o reconhecimento de alguns direitos dos portadores de deficiência podem ser identificados como elementos integrantes de políticas sociais, a partir de meados deste século. Enfim, pode-se constatar que a mobilização da sociedade moderna é um fenômeno recente que deve muito mais a homens, mulheres, leigos ou profissionais, deficientes ou não, que se envolveram nas questõessociais ligadas aos direitos sociais e humanos, mais especificamente ao atendimento às pessoas deficientes, buscando o direito à qualidade de vida dessas pessoas, do que aos governos, os quais deveriam ser os promotores de fato da implantação e efetivação desse direito de cidadania, oportunidade e igualdade. 73 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 6.1 Educação Especial no Brasil O ano de 1854 marca o início do atendimento aos portadores de deficiência no Brasil, quando foi criado, no Rio de Janeiro, o primeiro instituto para surdos (CARMO, 2007). Inicialmente esses institutos tinham como objetivo somente oferecer abrigo e proteção para os deficientes, tendo sido reproduzidos, de acordo com modelos europeus. No período entre 1905 a 1950, a grande maioria dessas instituições eram particulares e com caráter assistencialista. E, mesmo existindo alguns oficiais, não resolviam o problema da demanda de portadores de deficiência existente. Em relação aos serviços públicos, estes eram prestados através das escolas regulares, as quais ofereciam classes especiais para o atendimento aos deficientes (CARMO, 2007). A mobilização social começa nas décadas de 50 a 60 com o surgimento e fortalecimento de algumas organizações e de movimentos educativos como os trabalhos de Paulo Freire. O governo brasileiro assume, em 1957, a educação do deficiente, a nível nacional e, em 1961, quando já vigorava a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 4.024/61, em seu título X, os artigos 88 e 89 faziam referência à educação dos excepcionais, garantindo, assim, a educação aos deficientes: Art. 88. A educação de excepcionais, deve, no que for possível, enquadrar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na comunidade. Art. 89. Toda iniciativa privada considerada eficiente pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação de excepcionais, receberá dos poderes públicos tratamento especial mediante bolsas de estudo, empréstimos e subvenções. (LDBEN nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961). Há que ressalvar o seguinte: existia a lei, mas de fato, a história mostra que a escola não funcionava bem assim, embora no artigo 89, encontra-se que o governo ajudará a iniciativa privada prestar serviços às pessoas deficientes, ou seja, a escola regular não estava preparada nem recebia de fato os portadores de necessidades especiais. Nas análises dos artigos citados, 74 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva observa-se que existe uma ambiguidade, ou seja, ao mesmo tempo em que propõe atendimento integrado na rede regular de ensino, delega às instituições sob administração particular, a responsabilidade de parte do atendimento, através de apoio financeiro. A LDBEN nº 5.692, de 11 de agosto de 1971, para os ensinos de 1º e 2º graus, faz referência à educação especial em apenas um artigo (artigo 9), deixando claro que os conselhos estaduais de educação garantiriam aos deficientes o recebimento de tratamento especial nas escolas. Hoje, é claramente observável que a educação especial ficou a cargo de instituições filantrópicas, algumas subsidiadas com apoio do governo, outras buscando parcerias com a iniciativa privada e que, nas escolas regulares, embora seja lei, as condições mínimas necessárias, tanto em relação ao suporte financeiro, pessoal qualificado e estrutura física adequada ao recebimento, não condizem, portanto, a escola se esquiva de sua parcela de compromisso. Com a Constituição Federal de 1988, vários capítulos, artigos e incisos sobre educação, habilitação e reabilitação da pessoa deficiente, além da sua integração à vida comunitária foram inseridos. A ambiguidade do dever do estado é novamente observável na CF/88 (artigo 205) e na nova LDBEN/96 (artigo 58): Art. 205 - A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (CF/88) Art. 58 - Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação" (LDBEN/96). Voltando ao olhar para o surgimento da educação inclusiva e o caminho que tem seguido nos dias atuais, nota-se uma evidente preocupação em igualar as oportunidades ao acesso ao ensino escolar, em proporcionar continuidade dos portadores de necessidades especiais na escola regular. 75 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva A política educacional inclusiva, integradora, pressupõe um modo de se construir o sistema educacional que considere as diferenças e necessidades de todas as crianças, jovens e adultos, sem discriminá-los ou segregá-los por quaisquer dificuldades ou diferenças discriminatórias que possam ter. A escola inclusiva pressupõe uma nova escola, comum na sua organização e funcionamento, pois adota os princípios democráticos da educação de igualdade, equidade, liberdade e respeito à dignidade que fortalecem a tendência de manter na escola regular os alunos portadores de necessidades especiais (SAHB, 2004, p.6). A legislação educacional vigente não é completamente clara e específica, mas o Brasil segue pelo caminho que busca meios adequados e justos para que as instituições promovam o acesso e a permanência nas escolas regulares, de forma democrática. 6.2 Educação Especial no Brasil: Desafios e perspectivas de organização No Brasil, o atendimento educacional direcionado às pessoas com deficiências foi construído separadamente da educação oferecida à população que não apresentava diferenças ou características explícitas que a caracterizasse como “anormal”. Dessa forma, a educação especial constituiu-se como um campo de atuação específico, muitas vezes sem interlocução com a educação comum. Esta separação materializou-se na existência de um sistema paralelo de ensino, de modo que o atendimento de alunos com deficiência ocorreu de modo incisivo em locais separados dos outros alunos. A formação de uma educação especial brasileira deu-se dentro de um contexto de pouca atenção à educação pública em geral. Schwarcz (1998 apud VEIGA, 2008) informa que o recenseamento do ano de 1872 registrou 84% da população brasileira como analfabeta. Essa restrita atenção em relação à educação pode ser explicada por vários motivos, dentre os quais, ressaltamos: 1. A organização econômica do Brasil nos períodos da Colônia e Império não necessitava da alfabetização e da instrução da massa trabalhadora (grande parcela da população vivia na zona rural e a economia baseava-se, inicialmente, 76 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva na exploração de bens naturais e, posteriormente, na produção de monoculturas em grandes latifúndios); 2. Havia pouca atenção à educação também por parte de nossos colonizadores, pois registros de Portugal apontam que naquele país, no século XIX, grande parte da população não tinha acesso à instrução e era analfabeta; 3. Apesar de a educação ser prevista a “todos os cidadãos” (na Constituição de 1824), a massa de trabalhadores era composta de maioria escrava. Com a República, a preocupação com a instrução tornou-se mais marcante, embora acanhada, de modo que a taxa de matrícula da população brasileira foi crescendo gradativamente nos centros urbanos durante o século XX. Romanelli (1989) mostra a evolução populacional e de escolaridade brasileira na primeira metade do século XX. Em 1920, a taxa de escolarização era de 8,99% da população e em 1950 chega a 26,15% (cf. ROMAELLI, 1989). Esse período, pesquisas desenvolvidas nos países Europeusapontavam a preocupação com os alunos que frequentavam a educação pública, mas não se beneficiavam totalmente dela. Alfred Binet (1857-1911) e Theodore Simon (1872-1961) iniciaram seus trabalhos de mensuração da inteligência das crianças francesas matriculadas em suas escolas. Publicaram, em 1905, uma escala de inteligência, cujo objetivo foi medir o desenvolvimento da inteligência das crianças de acordo com a idade (idade mental). Esse momento, acreditava- se que a separação de alunos “normais” e “anormais” traria benefício para todos no processo educativo. Monarcha (2007) informa que, no Brasil, tal escala foi aplicada sob a orientação de Clemente Quaglio (1872-1948), na capital paulista. Os resultados foram publicados na obra A solução do problema pedagógico social da educação da infância anormal de inteligência no Brasil, em 1913. A preocupação em identificar “normais” e “anormais” foi difundida na ciência médico-pedagógica de vários países. Como exemplo dessa preocupação, apresentamos o trecho de um artigo do italiano Ugo Pizzoli (1863- 1934), publicado no Brasil em 1914, em revista de educação da época: O aspecto eterno (atitude geral, a fisionomia, o vestuário, a postura espontânea) caracteriza e revela a condição psicológica da criança [...] O primeiro cuidado do professor será distinguir o tipo inteligente normal médio do 77 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva tipo débil de espírito (imbecilidade, deficiências por paradas de desenvolvimento, atrasos, etc.) (PIZZOLI, 1914, p. 2). A prática de identificação de possíveis alunos “anormais” era solicitada ao professor para organização de salas de aulas homogêneas. Rocha (1979) identifica duas obras fundamentais para a educação dos “anormais” nesse momento: Educação da Inteligência Anormal no Brasil, de Clemente Quaglio e Tratamento e educação das crianças anormais de inteligência, de Basílio de Magalhães, ambas dos anos de 1910. Apesar de registros da existência de matrículas de alunos com deficiências em escolas privadas e estaduais desde o final do século XIX, é possível dizer que, no país, a organização de instituições especializadas foi a referência para o atendimento a essas pessoas. Em 1933, o decreto que instituiu o código da educação no estado de São Paulo deixou clara essa preferência e indicou a implantação de classes especiais quando isso não fosse possível: Parte VII: Da educação especializada Art. 824 Dos tipos de escolas especializadas: a) escolas para débeis físicos b) escolas para débeis mentais c) escolas de segregação para doentes contagiosos d) escolas anexas aos hospitais e) colônias escolares f) escolas para cegos g) escolas para surdos-mudos h) escolas ortofônicas i) escola de educação emendativa dos delinquentes Onde não for possível a instalação de escolas especializadas autônomas [...] serão organizadas classes para esses fins especiais nos grupos escolares. (DECRETO 5.884, de 1933). 78 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Sob a supervisão de organismos públicos de inspeção sanitária, a organização das classes especiais públicas e o encaminhamento para instituições especializadas ocorreram a partir da justificativa científica de separação dos alunos “normais” e “anormais”. Esse período, o Brasil estava passando por um processo de transformação econômica com a instalação de seu parque industrial e o início do movimento de crescimento das cidades, que passaram a receber a população que vivia anteriormente no campo. Com isso, ocorreu o aumento progressivo do número de matrículas nas escolas brasileiras (como mostrado anteriormente). A frequência da população pobre nas escolas públicas ficou mais evidente e as leis da época registraram a preocupação com o estado dessa população. Art. 826 - As escolas de débeis físicos se destinam às crianças desnutridas ou em crescimento em atraso as quais convenha regime especial de trabalho escolar, com o fim de reintegrá-las na normalidade física (DECRETO 5.884, de 1933). A preocupação científica de identificação e tratamento dos “anormais” também estava presente na formação de Helena Antipoff (1892–1974), que a partir dos anos de 1930, marcou a educação especial brasileira. Em 1932, Helena Antipoff, que veio para o Brasil a convite do governo de Minas Gerais, criou a Instituição Pestalozzi de Minas Gerais. Esse Instituto impulsionou a educação especial naquele estado e influenciou as ações ligadas à educação em todo o país. À época, as crianças deveriam ser agrupadas seguindo critérios estabelecidos pela aplicação de testes de inteligência: Conforme dissemos, o primeiro passo no sentido de individualizar o ensino é agrupar os alunos, tendo em vista o ritmo de desenvolvimento mental. O processo mais empregado hoje em dia é a seleção das crianças e sua concentração em classes homogêneas de valor forte, médio e fraco, organizadas em escalas de idades mentais. São numerosos os testes de inteligência global, de aplicação individual e coletiva, destinados às crianças em idade escolar. [...] 79 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva O critério do Quociente Intelectual, como a experiência demonstrou, é superior ao simples critério da idade mental, para a formação de classes homogêneas [...] (BOLETIM. 14 PUBLICAÇÃO DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO – MG, 1934 apud ATIPOFF, 1974, p. 56). Esses critérios serviram tanto para a organização de classes homogêneas das escolas públicas quanto para a formação das classes especiais: As classes organizadas, considerando os vários critérios apontados acima, passaram a ser denominadas: classes A, B, C, AB, BC, Br, Cr, e ainda D e E. [...] As classes D e E foram chamadas Classes Especiais. Elas, foram colocados os excepcionais de toda a espécie, que frequentavam a escola pública: retardados mentais, deficientes sensoriais, e de linguagem, crianças com distúrbios de motricidade, orgânicos (classe D) e com desvios de comportamento (Classe E). (BOLETIM. 14 PUBLICAÇÃO DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO – MG, 1934 apud ATIPOFF, 1974, p. 58). Vemos, pelo decreto do estado de São Paulo e pelo Boletim da Secretaria de Educação do estado de Minas Gerais, ambos dos anos de 1930, que na história da educação brasileira a separação foi constituindo-se como preferência e não exceção. Dessa forma, a separação de crianças foi (e talvez ainda seja) uma prática pedagógica proposta para a educação em geral. Partindo do pressuposto de adequação dos espaços segregados e com escassas escolas públicas no país, durante a primeira metade do século XX, pais e profissionais de pessoas com deficiências passaram a se organizar e formar instituições privadas de atendimento especializado. Essas instituições acabaram ocupando um lugar de destaque na Educação Especial brasileira, chegando a confundir-se com o próprio atendimento público, aos olhos da população, pela gratuidade de alguns serviços. Assim surgiram a Pestalozzi do Brasil no Rio de Janeiro em 1945, a Pestalozzi de Niterói em 1948, ambas com o apoio e colaboração de Helena Antipoff. Seguindo essa tendência, em 1954, também no Rio de Janeiro, a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE – foi 80 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva organizada e se desenvolveu ocupando “o espaço vazio da educação especial como rede nacional” (SILVA, 1995, p. 36). Essas e outras instituições alcançaram no Brasil uma grande amplitude, de forma que Jannuzzi (1997) afirma que muitas decisões da política da educação especial são frutos de pressões dessas associações. Mesmo quando o governo brasileiro passa a legislar a Educação Especial para todo o país, na LDB (Lei de Diretrizes e Bases) de 1961, não deia de contemplar a existência e o financiamento das instituições particularesespecializadas (cf. ART. 89 da LDB/1961). Apesar de a escolarização obrigatória brasileira ser de apenas quatro anos, referente ao antigo curso primário, até a década de 1960, sua cobertura era pequena, reduzida a uma pequena parcela da população. Um relatório da UNESCO, datado de 1963 e publicado no Brasil apenas em 1982, confirmou essas informações, alertando que, enquanto muitos países europeus já haviam atingido a universalização no ensino obrigatório e registravam grande expansão do ensino de 2º grau, outros países não conseguiam “escolarizar mais do que a minoria das crianças em idade de frequentar a escola primária” e estavam “longe de haver ensinado toda a população a ler e escrever” (UESCO, 1982, p. 11). A legislação sobre as diretrizes e bases da educação nacional foi revista e, em 1971, a Lei Educacional n.º 5.692 passou a obrigatoriedade da escolarização brasileira para oito anos, com a instituição do 1º grau. Em relação à Educação Especial, a Lei 5.692/71, no Artigo 9º, definiu a caracterização dos alunos de Educação Especial como aqueles “que apresentem deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados”. A partir desse momento, registrou-se um aumento significativo do número de classes especiais nas escolas estaduais nos diferentes municípios brasileiros (cf. BRASIL, 1975). Pela especificação da Lei 5.692/71, foi atribuída à educação especial a responsabilidade de atendimento de crianças sem a necessidade de diagnóstico de deficiência. Em 1973, para a implantação do Centro acional de Educação Especial – CEESP – foram convidados como assessores técnicos James J. Gallagher, da Universidade de Carolina do Norte, e David M. Jackson, da Superintendência da Educação Pública em Springfield, Illinois, ambos dos 81 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Estados Unidos da América. O presidente da República era Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e o discurso corrente sobre a educação era de investimento para a formação de recursos humanos e para o desenvolvimento do país (JAUZZI, 2004). Gallagher (1974) defendia que: [...] um retardado e internado entre as idades de 10 e 60 anos, nos Estados Unidos, para ser cuidado, custa ao Estado US$ 5.000 ao ano, ou um total de US$250.000 durante toda a sua vida. O mesmo indivíduo recebendo educação e tratamento adequados pode tornar uma pessoa útil e contribuir para a sociedade. Assim, o custo extra que representam os custos extras com educação especial pode ser compensador quanto a benefícios econômicos maiores. Há um estudo segundo o qual um adulto retardado e educado poderia ganhar US$ 40 para cada dólar extra despendido com sua educação. (GALLAGHER, 1974, p. 100). A citação acima aponta para a incorporação da Teoria do Capital Humano na educação especial na década de 1970, que já fazia parte do discurso educacional brasileiro (SAVIAI, 2008), e que a justificativa para a implantação de tais serviços pautou-se, ao menos em parte, na sua função econômica (ARRUDA; KASSAR; SATOS, 2006), evidenciando a preocupação com a relação custo-benefício direcionando a política educacional. Esse momento, o CEESP divulga os princípios de normalização e integração das pessoas com deficiências na educação que passam a marcar a educação especial brasileira. 6.3 Educação Especial e os desafios ao direito à educação pública A Constituição Federal de 1988 configurou-se como um novo estatuto jurídico para o país. Contando com o envolvimento da sociedade civil organizada, essa Constituição caracteriza-se por uma ênfase nos direitos sociais e pelo estabelecimento dos princípios de descentralização e municipalização para a execução das políticas sociais, inclusive na educação, que passa a ser considerada direito subjetivo. Constitucionalmente implicado, o Governo Federal desde a década de 1990 tem implantado e/ou fomentado um conjunto de ações nas várias áreas dos serviços públicos como parte do sistema de proteção social. No entanto, também a partir dessa década, o governo brasileiro passou 82 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva claramente a adequar-se à organização do mercado mundial globalizado na expansão do modelo econômico capitalista. Desde o governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), tornou-se constante um discurso sobre a modernização da economia com críticas à ação direta do Estado, principalmente nos setores de proteção social. A continuidade dessa tendência, Fernando Henrique Cardoso (19941998; 1998-2002) assumiu o governo brasileiro e seu discurso sustentou-se na construção de uma “terceira via”, expresso desde a aprovação do Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado (BRASIL, 1995). Essa reforma, setores importantes como a educação e a saúde deveriam ter como corresponsáveis o “terceiro setor”, através da ação das instituições públicas não estatais. O quadro político e econômico constituído no Brasil, a partir do final dos anos 1990, passa a estabelecer uma tensão: de um lado o estabelecimento constitucional de políticas sociais universais (da educação, saúde), que teriam como pressuposto a ação direta do Estado; de outro um contexto de regulação e restrição econômica, sob um discurso de solidariedade e de necessidade de retração do setor público (com a participação do terceiro setor). Em 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien – Tailândia –, e coube ao país, como signatário da Declaração Mundial sobre Educação para Todos, a responsabilidade de assegurar a universalização do direito à Educação. Desse compromisso decorreu a elaboração do Plano Decenal de Educação para Todos, concluído em 1993, que tinha como objetivo assegurar, até o final de sua vigência, a todos os brasileiros “conteúdos mínimos de aprendizagem que atendam necessidades elementares da vida” (BRASIL, 1993, p. 13). O movimento de Educação para Todos atinge, de certa forma, as pessoas com deficiências. No entanto, parece-nos que as propostas direcionadas a essa população têm também alguns elementos específicos. Mel Ainscow, consultor da UESCO, faz um histórico interessante da Educação Especial no mundo e afirma que nos anos 1970 mudanças importantes ocorreram em muitos países, que culminaram com as proposições atuais. Ainscow (1995) apresenta um levantamento realizado por esse órgão na década de 1980 em 58 países, em que foi verificado que a organização da Educação Especial se dava 83 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva predominantemente em escolas especiais separadas, que atendiam um número reduzido de alunos. A partir dessas informações, o relatório da UESCO indica que diante das “proporções da demanda e os escassos recursos disponíveis, as necessidades de educação e formação da maioria das pessoas deficientes não pode satisfazer-se unicamente em escolas e centros especiais” (UESCO, 1988 apud AISCOW, 1995, p. 18). A partir dessa constatação, o autor afirma que [...] é necessário introduzir mudanças tanto nas escolas especiais como nas regulares [...]. Há muitas indicações de que em um número elevado de países de todo o mundo a integração é um elemento central na organização da educação especial [...]. Esse projeto parece adequado para os países do Terceiro Mundo, dada a magnitude das necessidades e as inevitáveis limitações de recursos disponíveis (AISCOW, 1995, p. 18). Os argumentos registrados no relatório da UESCO em 1988 são os mesmos encontrados em um documento que marcou a Educação Especial no Brasil: A Declaração de Salamanca, fruto da “Conferência Mundial sobre necessidade Educativas Especiais: acesso e qualidade”, ocorrida na Espanha, em 1994. A experiência, sobretudo nos países em via de desenvolvimento, indica que o alto custo das escolasespeciais supõe, na prática que só uma pequena minoria de alunos [...] se beneficia dessas instituições...[...]. Em muitos países em desenvolvimento, calcula-se em menos de um por cento o número de atendimentos de alunos com necessidades educativas especiais. A experiência [...] indica que as escolas integradoras, destinadas a todas as crianças da comunidade, têm mais êxito na hora de obter o apoio da comunidade e de encontrar formas inovadoras e criativas de utilizar os limitados recursos disponíveis (DECLARAÇÃO DE SALAMACA, 1994, p. 24-25). Essa declaração enuncia que diante do alto custo em manter instituições especializadas as escolas comuns devem acolher todas as crianças independentes de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outros. Dois anos mais tarde, a Lei de Diretrizes e Bases da 84 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Educação acional em 1996 – LDB/96 – é promulgada, propondo a adequação das escolas brasileiras para atender satisfatoriamente a todas as crianças. Diferenças étnicas, sociais, culturais ou de qualquer ordem passam a ser foco do discurso de inclusão escolar. Os comentários de Ainscow e os registros da UESCO trazem à tona preocupações de ordem econômica direcionando as proposições acerca do atendimento às pessoas com necessidades educacionais especiais, como também registradas na década de 1970, por ocasião da implantação do CEESP. Sob o impacto desses documentos e dentro de um conjunto de políticas sociais, um discurso de “educação inclusiva” toma corpo no país, de modo que profissionais que atuavam na Educação Especial passam, pouco a pouco, a utilizar o termo “inclusão” no lugar da bandeira da “integração”. Essa mudança ocorre em vários países, como registrado por Ortiz González, ao analisar a inclusão na Espanha: “O termo inclusão está sendo adotado nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, com a ideia de dar um passo à frente do que pretendeu a proposta integradora, que não tem servido para dar respostas à diversidade que se origina no seio da comunidade como se havia pretendido...” (GOZÁLES, 2005, p. 14). Sem desconsiderar os movimentos em prol de situações menos segregadoras para as pessoas com deficiências, acreditamos que a implantação de uma política de “educação inclusiva” deve ser analisada no contexto completo das políticas sociais nas sociedades capitalistas. A história do país, a relação estabelecida na legislação entre poder público, instituições privadas e rede de ensino, no que se refere às responsabilidades no atendimento de alunos com deficiências, caracterizou-se por uma complementaridade de ações, sem superposição de serviços: os grupos privados, como as Sociedades Pestalozzi e as APAEs, responsabilizaram-se pelo atendimento aos alunos mais comprometidos e as classes especiais públicas atenderam a população menos comprometida. Essa relação de atendimentos fez com que as instituições especializadas assumissem uma posição de atores principais na Educação Especial brasileira. o decorrer dos anos 2000, essa posição começa a mudar quando o governo brasileiro, mais enfaticamente com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006; 2007-2010), passa a implantar uma política 85 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva denominada de “Educação Inclusiva”. Pressionado por oferecer atendimento aos alunos que possuem deficiências, desde 2003 o Governo Federal opta pela matrícula dessa população em salas comuns de escolas públicas, acompanhado (ou não) de um atendimento educacional especializado, prioritariamente na forma de salas de recursos multifuncionais. Para sustentação dessa política, o Decreto 6.571/2008 dispõe sobre o atendimento educacional especializado e modifica as regras do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUDEB) para garantir recursos àqueles alunos que efetivamente estejam matriculados em escolas públicas e recebendo atendimento educacional especializado. Em 2009, a Resolução n.º 4 institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial, e estabelece as formas possíveis desse atendimento: Art. 1º Para a implementação do Decreto nº 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos (BRASIL, 2009, grifos nossos). A política de “Educação Inclusiva” vai materializando-se, também, com a constituição de um conjunto de programas e ações: “Programa acional de Formação Continuada de Professores na Educação Especial” e “Formação de Professores para o Atendimento Educacional Especializado”, que atente a formação continuada de professores, prioritariamente na modalidade à distância; “Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social” (BPC), que realiza acompanhamento e monitoramento de acesso e permanência nas escolas dos alunos beneficiários do BPC, até 18 anos; “Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais”; “Escola Acessível”, para adaptação arquitetônica das escolas; “Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade”; “Programa Incluir”. Esses programas formam, hoje, um conjunto articulado que propõe a 86 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva atingir os estabelecimentos de ensino dos diferentes municípios do país. Para mensurar a abrangência pretendida dessas ações, tomamos o Programa “Educação Inclusiva: Direto à diversidade” que, segundo a secretaria de Educação Especial do MEC, hoje atinge mais de 5.564 municípios, que corresponde a 100% dos municípios brasileiros. Com esse Programa, o Governo Federal brasileiro se compromete a fomentar a política de construção de “sistemas educacionais inclusivos”, formando educadores num sistema de multiplicadores. A Secretaria de Educação Especial do MEC informa que: Os resultados do Censo Escolar da Educação Básica de 2008 apontam um crescimento significativo nas matrículas da educação especial nas classes comuns do ensino regular. Do total de matrículas na educação especial básica, 53,7% são de estudantes com deficiência intelectual (952.954). Em seguida, estão os estudantes com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), com 636,202 matrículas. Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Educação Especial, em princípio, a política proposta tem alcançado seus objetivos. No entanto, faz-se necessário olhar dentro da escola e identificar diferentes desafios. 7.0 Organização Educacional 87 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva São muitos os enfoques e abordagens para a educação de pessoas com deficiência. Geralmente, cada escola desenvolve uma proposta de trabalho diferente, de todo modo, é preciso um projeto pedagógico que atenda à todas as diferenças. Traçar um diagnóstico da clientela, delinear qual perfil do seu aluno, quantos são, quais as suas necessidades, bem como os recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis são passos importantes para iniciar um trabalho pedagógico efetivo. [...] a inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar específicas para esta ou aquela deficiência, mas sim recursos, ferramentas, tecnologias que concorrem para diminuir/eliminar as barreiras que se interpõem aos processos de ensino e de aprendizagem (MANTOAN, 2007, p. 49). Como se observa, não há como falar de necessidades especiais sem adentrar no campoda inclusão. E nesse sentido, Mantoan (2004) ressalta que a aprendizagem é o centro das atividades escolares e o sucesso dos alunos são metas da escola. Acolher as diferenças não é aceitá-las com suas possibilidades, mas sim a receptividade diante dos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças e jovens. Segundo Zacharias (2007), é de extrema importância que sejam consideradas primeiramente todas as possibilidades de utilização da escola comum, como um recurso integrado com outras formas de atendimento que o aluno tenha necessidade. Nos estados e municípios do Brasil, com suas extremas diferenças de estrutura e distribuição de renda, encontramos locais com boas situações de atendimento a esses alunos, até aqueles locais que quase não dispõem de condições de atendimento adequado à faixa de sua população escolarizável, quanto mais a alunos portadores de alguma deficiência. Os recursos mais encontrados são: 1. Ensino Itinerante – Prestação de serviços, por um professor especializado, que visita várias escolas comuns que recebem alunos excepcionais. Esse professor especializado atende tanto aos professores, para orientá-los, quanto aos próprios alunos; 2. Sala de Recursos – É uma sala que conta com materiais e equipamentos especiais, na qual o professor especializado, fixo na escola, auxilia os alunos nos aspectos específicos em que precisam de ajuda para 88 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva manterem-se na classe comum. Na maioria dos locais esse profissional também presta atendimento aos professores das classes comuns, aos demais profissionais da escola e à família dos alunos; 3. Classe Especial – Instalada em escola comum, caracteriza-se pelo agrupamento de alunos classificados como da mesma categoria de excepcionalidade, que estão sob a responsabilidade de um professor especializado. Tem sido mais utilizada para alunos deficientes mentais educáveis; 4. Escola Especial ou Educação Especial – É aquela que foi organizada para atender específica e exclusivamente a alunos excepcionais. Algumas atendem apenas a um tipo de excepcionalidade, outras já atendem a diferentes tipos. Apesar dos órgãos educacionais serem criticados por reduzir o convívio do aluno excepcional com outras crianças não portadoras de desvios, bem como pelo estigma de que são objetos tanto a escola, como seus alunos. É importante lembrarmos que sempre existirão alunos que necessitam desse tipo de atendimento (BRASIL, 1995). Vamos discorrer um pouco mais sobre o Atendimento Educacional Especializado – AEE. 7.1 Atendimento Educacional Especializado – AEE Fonte: Gestão Escolar Esse atendimento existe para que os alunos possam aprender o que é diferente dos conteúdos curriculares do ensino comum e que é necessário para 89 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva que possam ultrapassar as barreiras impostas pela deficiência. As barreiras da deficiência mental diferem das barreiras encontradas nas demais deficiências. Trata-se de barreiras referentes à maneira de lidar com o saber em geral, fato que reflete preponderantemente na construção do conhecimento escolar. A educação especializada tradicional, realizada nos moldes do treinamento e da adaptação, referente a deficiência desse aluno. Essas formas de intervenção mantêm o aluno em um nível de compreensão que é muito primitivo e que a pessoa com deficiência mental tem dificuldade de ultrapassar – o nível das chamadas regulações automáticas, descritas por Piaget: É necessário que se estimule o aluno com deficiência mental a avançar na sua compreensão, criando-lhe conflitos cognitivos, ou melhor, desafiando-o a enfrentá-los. Deve propiciar aos alunos com deficiência mental condições de passar de um tipo de ação automática e mecânica diante de uma situação de aprendizado/experiência – regulações automáticas para um outro tipo, que lhe possibilite selecionar e optar pelos meios que julguem mais convenientes para agir intelectualmente – regulações ativas. (BRASIL, 2006). O Atendimento Educacional Especializado para tais alunos deve, portanto, privilegiar o desenvolvimento e a superação de seus limites intelectuais, exatamente como acontece com as demais deficiências, como exemplo: para o cego, a possibilidade de ler pelo braile; para o surdo, a forma mais conveniente de se comunicar e para a pessoa com deficiência física, o modo mais adequado de se orientar e se locomover. O Atendimento Educacional Especializado para as pessoas com deficiência mental está centrado na dimensão subjetiva do processo de conhecimento. O conhecimento acadêmico refere-se à aprendizagem do conteúdo curricular; o Atendimento Educacional Especializado, por sua vez, refere-se à forma pela qual o aluno trata todo e qualquer conteúdo que lhe é apresentado e como consegue significá-lo, ou seja, compreendê-lo. É importante insistir que o Atendimento Educacional Especializado não é ensino particular, nem reforço escolar. Ele pode ser realizado em grupos, porém é preciso atentar-se para as formas específicas de cada aluno se relacionar com o saber (BRASIL, 2007). Não é indicado realizá-lo em grupos formados por alunos com o mesmo tipo de problema (patologias) e/ou desenvolvimento. Pelo 90 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva contrário, esses grupos devem ser constituídos de alunos da mesma faixa etária e em vários níveis do processo de conhecimento. Alunos com síndrome de Down, por exemplo, poderão compartilhar esse atendimento com colegas, com outras síndromes, sequelas de paralisia cerebral e ainda outros com ou sem uma causa orgânica esclarecida de sua deficiência e com diferentes possibilidades de acesso ao conhecimento (BRASIL, 2007). No caso da deficiência física, para que o educando com deficiência física possa acessar ao conhecimento escolar e interagir com o ambiente ao qual ele frequenta, faz-se necessário criar as condições adequadas à sua locomoção, comunicação, conforto e segurança. É o Atendimento Educacional Especializado, ministrado preferencialmente nas escolas do ensino regular, que deverá realizar uma seleção de recursos e técnicas adequados a cada tipo de comprometimento para o desempenho das atividades escolares. O objetivo é que o aluno tenha um atendimento especializado capaz de melhorar a sua comunicação e a sua mobilidade. Por esse motivo, o Atendimento Educacional Especializado faz uso da Tecnologia Assistiva (TA) direcionada à vida escolar do educando com deficiência física, visando a inclusão escolar. A Tecnologia Assistiva, segundo Bersch (2006, p. 2), “deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência”. Assim, o Atendimento Educacional Especializado pode fazer uso das seguintes modalidades da Tecnologia Assistiva, visando à realização de tarefas acadêmicas e a adequação do espaço escolar, preconizadas no decreto nº 3298/99 (cita quais são os recursos garantidos às pessoas com deficiência). Equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente desenhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência; elementos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência; elementos especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para pessoa portadora de deficiência; equipamentos e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora de deficiência; adaptações 91 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ambientais e outras que garantam o acesso, a melhoria funcional e a autonomiapessoal. A TA se organiza em modalidades ou especialidades e essa forma de classificação varia conforme diferentes autores ou instituições que trabalham com a TA. A organização por modalidades contribui para o desenvolvimento de pesquisas, recursos, especializações profissionais e organização de serviços. Podemos citar como modalidades: ✓ Auxílios para a vida diária e vida prática; ✓ Comunicação Aumentativa e Alternativa; ✓ Recursos de acessibilidade ao computador; ✓ Adequação Postural (posicionamento para função); ✓ Auxílios de mobilidade; ✓ Sistemas de controle de ambiente; ✓ Projetos arquitetônicos para acessibilidade; ✓ Recursos para cegos ou para pessoas com visão subnormal; ✓ Recursos para surdos ou pessoas com déficits auditivos; ✓ Adaptações em veículos. Temos ainda a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). A Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA – é uma das áreas da TA que atende pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Busca, então, através da valorização de todas as formas expressivas do sujeito e da construção de recursos próprios dessa metodologia, construir e ampliar sua via de expressão e compreensão. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (desenhos representativos de ideias), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar seus questionamentos, desejos, sentimentos e entendimentos. A alta tecnologia nos permite também a utilização de vocalizadores (pranchas com produção de voz) ou do computador, com softwares específicos, garantindo grande eficiência na função comunicativa. Dessa forma, o aluno com deficiência, passa de uma 92 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva situação de passividade para outra, a de ator ou de sujeito do seu processo de desenvolvimento. (BERSCH e SCHIRMER, 2005, p. 89). Dizemos que a comunicação é aumentativa quando o sujeito utiliza um outro meio de comunicação para complementar ou compensar deficiências que a fala apresenta, mas sem substitui-la totalmente. E que comunicação é alternativa quando utiliza outro meio para se comunicar ao invés da fala, devido à impossibilidade de articular ou produzir sons adequadamente (TETZCHNER e MARTINSEN,1992, p. 22 apud BRASIL, 2007). O objetivo da CAA é tornar o sujeito com distúrbio de comunicação o mais independente e competente possível em suas situações comunicativas, podendo assim ampliar suas oportunidades de interação com os outros, na escola e na comunidade em geral (SCHIRMER, 2004, p. 46). O MEC elaborou um guia pedagógico, explicitando diferentes materiais e instruções para a utilização dos recursos nas salas de recursos e, quando for o caso, nas salas de aula regulares. Eles devem ser solicitados à Secretaria de Educação, conforme especificações de especialistas da área. A título de enriquecimento, abaixo apresentamos figuras que mostram alguns dos usos da CAA, das adequações dos materiais didático-pedagógicos, da acessibilidade arquitetônica, de recursos de informática e mobiliários adequados. 93 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 1 – Uso de CAA 94 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 2 – Materiais didáticos-pedagógicos 95 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3 – Recursos de Informática 96 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Podemos através desses exemplos refletir que a articulação entre o ensino regular e atendimento educacional especializado precisa acontecer conforme a necessidade de cada caso, sem pensar que o desempenho escolar do aluno com deficiências venha em primeiro plano. Em relação aos professores e pais que queiram criar um ambiente de linguagem, que realmente favoreça o desenvolvimento da comunicação alternativa, terão realmente que modificar seus pensamentos e flexibilizarem suas atitudes. Eles deverão, acima de tudo, modificar algumas ideias ultrapassadas sobre o ensino de linguagem, buscando transcender a compreensão do papel de instrutores. Linguagem não é algo que se treina. A comunicação, quando em um ambiente favorável, variado e agradável, ocorre o tempo todo. Por fim, não podemos nos esquecer dos recursos humanos necessários para a efetivação das TAs que englobam toda uma parceria dos profissionais das Secretarias de Educação, gestores escolares, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, arquitetos, engenheiros, todos em prol da aprendizagem e desenvolvimento da qualidade de vida do educando. 97 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 7.2 Avaliação do aluno com Deficiência Intelectual: O conceito do AEE Avaliar é sempre um processo complexo, pois envolve o julgamento de alguém sobre algo, no caso, o julgamento do professor sobre as condições de aprendizagem do aluno com deficiência intelectual; por conseguinte, por mais que queiramos ser objetivos, é um processo permeado pela subjetividade daquele que observa ou avalia. Isso quase nos obriga a buscar parâmetros ou indicadores que possam centrar a atenção do avaliador em alguns pontos específicos e, na escola, a avaliação pedagógica deve ter como referência a aprendizagem, a qual se sustenta na proposta curricular delineada no Projeto Político-Pedagógico de cada escola. “Os educadores deveriam reinstaurar a pedagogia como o eixo nuclear quando se trata de responder às necessidades dos alunos” (GONZÁLEZ, 2002, p.111), pelo fato de, na atualidade, buscar-se compreender o processo de aprendizagem do aluno e levantar suas necessidades educacionais especiais, as quais precisam de respostas educativas adequadas, a serem construídas pela escola. Aqui se observa, desse modo, uma importante mudança de foco de análise: da deficiência para as necessidades educacionais provenientes dela. No entanto, temos que cuidar para não restringir ou limitar a ideia de pedagogia e mais especificamente de currículo, como se fosse apenas o somatório ou o conjunto de conteúdos disciplinares a serem aprendidos pelos alunos. Não! É preciso apreender o sentido do currículo, alargando nosso entendimento sobre ele, principalmente na perspectiva de uma escola inclusiva, visto que será o currículo que nos dará sustentação para que não percamos o foco do trabalho na escola e sua função específica, de possibilitar às gerações mais novas a apropriação do conhecimento acumulado pela história e pela cultura dos homens, que estão sintetizados nos conteúdos curriculares. Contudo, esse é o foco da classe comum. É o professor da classe comum que deve ser capaz de avaliar as competências do aluno com deficiência intelectual quanto aos conteúdos escolares. E o professor do AEE, o que avalia? Qual seu foco? Como buscar parâmetros para não se correr o risco de centrar-se na deficiência, em vez de se centrar-se no processo pedagógico? 98 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Antes mesmo de nos debruçarmos nessa questão, é indispensável mencionar que a avaliação deve se caracterizar como um processo compartilhado, de múltiplas dimensões e no qual todos da escola devem se envolver. Não se trata de isolar a avaliação nesse ou naquele contexto, mas de olhar para o aluno de forma integral, considerando-se todos os espaços educacionais compartilhados. Portanto, como já anunciado pelo próprio Ministério da Educação de nosso país (BRASIL, 2003), devem ser avaliados, ao menos, três âmbitos: o educacional (escola e ação pedagógica), o aluno (nível de desenvolvimento e condições pessoais) e a família (ambiente e convívio familiar). Oliveira, em documentos elaborados para a Secretaria Municipalde Educação de São Paulo (SÃO PAULO, 2008; 2012), também insiste na premente necessidade de uma avaliação abrangente, que considere a instituição escolar (conhecimentos prévios sobre o aluno, recursos e materiais específicos, definição de cronograma de ações), a ação pedagógica (a sala de aula, os recursos e materiais de aprendizagem, as estratégias metodológicas) e o aluno (suas características funcionais e suas competências curriculares). Crespo et al. (2008), em documento do Ministério da Educação de Portugal e em relação à própria elaboração do Programa Educativo Individual (PEI), enfatizam a importância da avaliação, comum e especial, e o trabalho em equipe, o qual permite [a] partilha de informação relativa ao funcionamento do aluno em vários contextos; uma compreensão comum, por parte de todos os intervenientes, dos facilitadores e barreiras ao desempenho do aluno; uma implicação mais ativa e responsável, por parte de todos, incluindo os pais ou encarregados da educação; uma intervenção contextualizada e concertada (p.27). Dessa forma, é importante que não se perca a ideia de todo e de contexto e a de que o aluno é da escola e que a responsabilidade de avaliação e intervenção é de todos e não apenas do professor do AEE. Temos que demarcar fortemente essa ideia coletiva de intervenção, portanto, a articulação entre classe comum e AEE é imprescindível para que se garanta um trabalho efetivo, capaz de beneficiar o processo escolar do aluno com deficiência intelectual. Documento específico sobre deficiência intelectual publicado pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2010) retoma igualmente a ideia de diferentes 99 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva âmbitos de avaliação: a dos processos de aprendizagem e da inclusão do aluno na escola, a das salas de recursos multifuncionais, a da sala de aula e a da família. Como estratégia de avaliação, aponta o estudo de caso, com vistas a construir um perfil do aluno e, da mesma forma, indica aspectos a serem avaliados em cada um dos âmbitos, embora centre na figura do professor do AEE o levantamento de informações, com o objetivo de elaboração do Plano de Desenvolvimento Individual – o PDI. Nesse sentido, aqui chegamos à encruzilhada: o que avaliar? Se o professor da classe comum avalia a competência curricular, tendo como referência as expectativas do ano escolar no qual o aluno está matriculado, o que avalia o professor do AEE? Como seu papel é de suporte e de ser o ponto de apoio para aprendizagem, deverá avaliar os aspectos que comporão o PDI, que, no caso da deficiência intelectual, relacionam-se com as funções cognitivas ou intelectuais, porém, ao mesmo tempo, relacionam-se com a proposta curricular. Assim, deverá avaliar: 1. função cognitiva: percepção, atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico; 2. função pessoal-social: estado emocional, reação à frustração, isolamento, medos; interação grupal, cooperação, afetividade. Os aspectos ligados à função cognitiva relacionam-se diretamente às funções psicológicas superiores (percepção, atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico) e às associadas à conduta do aluno (aspectos emocionais, afetivos e sociais), sendo que todos eles são necessários para o seu desenvolvimento escolar e curricular. Esses aspectos serão diferenciados conforme a faixa etária do aluno e nível de ensino – Infantil ou fundamental (ciclos 1 e 2). Se, na Educação Infantil, os referenciais de percepção, por exemplo, ainda estão ligados aos aspectos de discriminação básica (formas, cores, espaços, desenhos, etc.), no Ensino Fundamental já devem se encontrar em situações mais sofisticadas dos próprios processos perceptivos (distinção entre letras e números, quantidades, conjuntos, relações, gêneros textuais, etc.). 100 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Dessa maneira, embora não seja o currículo em si, isto é, não se avalia a matemática, a língua portuguesa ou outros componentes específicos, examinam-se competências necessárias para o desenvolvimento desses conhecimentos e que se relacionam diretamente com a aprendizagem dos conteúdos. Por exemplo, sua possibilidade de estabelecer relações, de compreender quantidades, de resolver situações-problema, de realizar operações; ou, de perceber diferenças entre os gêneros literários, entre palavras, produzir textos (mesmo que simples e com ajuda), certamente favorecerá notadamente sua atuação em sala de aula e sua competência curricular. Desse modo, fica evidenciada a relação entre a classe comum e o AEE, a especificidade da avaliação e a intervenção em um e outro espaço educativo, sem que se perca a referência escolar: o currículo. 7.3 Política, O AEE e a Deficiência Intelectual As diretrizes nacionais de implantação e implementação do AEE no cenário brasileiro enfatizam repetidamente a ideia de apoio e de superação das barreiras impostas pela deficiência, para que os alunos possam participar efetivamente da prática escolar e da perspectiva pedagógica do ano escolar em que estão matriculados. Insistem no estabelecimento da ação do professor do AEE “[...] sobre as peculiaridades de certos alunos, provendo recursos, meios, equipamentos, linguagens e conhecimentos que os apoiam no acesso e participação no ensino comum” (MANTOAN, 2010, p.14). Há a tentativa de superar velhas práticas e implementar uma nova concepção do suporte pedagógico especializado, visto que, muitas vezes, as salas de recursos assumiam um papel de “reforço escolar”, atuando nos limites e dificuldades dos alunos com deficiência intelectual, o que não os impulsionava a acessar novas formas de funcionamento intelectual e, portanto, novas formas de aprendizagem. A política atual impõe uma visão complementar do AEE e uma proposta de trabalho que estimule e favoreça suas possibilidades de iniciativa e autonomia de pensamento e ações. Todavia, quando falamos na deficiência intelectual, certamente, estamos nos referindo a processos bastante complexos do 101 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva desenvolvimento, principalmente, do ponto de vista escolar. Se, por um lado, a perspectiva atual é não centrar o foco na deficiência – e é mesmo o que deve ocorrer – por outro lado, não se pode desprezá-la. Assim, de partida, já se anuncia uma problemática: o equilíbrio entre a condição primeira – a da deficiência intelectual – e a condição secundária – a dos processos de mediação, no caso, educacional. Para o professor, nem sempre fica claro como lidar com posições que, supostamente, podem parecer dicotômicas ou contraditórias. No entanto, Vygotsky (1997) já apontava a relação entre deficiência primária e secundária, evidenciando o quanto as dificuldades enfrentadas por aqueles com deficiência relacionam-se muito mais aos aspectos secundários do que aos primários. Assim, tudo se torna, de fato, muito complicado, pois não falamos de uma diferença qualquer e sim de uma condição que traz implicações ao desenvolvimento do sujeito e dificuldades na aprendizagem escolar, o que não significa, de maneira alguma, que a escola não tenha como lhe garantir a escolarização inclusiva e novas formas de relacionamento com o conhecimento ou com os diferentes componentes curriculares que compõem o currículo escolar. Nesse sentido, sem desconsiderar a condição da deficiência intelectual, a escola deve dar ênfase ao ato educativo, ao ensino, à mediação que se faz entre os alunos, o conhecimento e a aprendizagem. E é nisto que a escola deve centrar sua atenção: como se podem criar possibilidades de aprendizagem no contexto escolar, interpondo um substancial mudança de foco, onde as dificuldades não são aprendidas simplesmente como fatores inerentes à condição biológica, mas como, também, provenientes das limitações do contexto social, nocaso, escolar (OLIVEIRA, 2012, p.18). Precisamos apreender o sentido da diferença, para que possamos reconhecer e valorizar o potencial de aprendizagem dos alunos com deficiência intelectual. Garcia (2012) ressalta que: [...] esses alunos não podem apenas contar com oportunidades semelhantes, mas devem ter seus direitos iguais e garantidos como seres humanos e participantes das diferentes esferas sociais. Sendo assim, devem receber condições diferenciadas de desenvolvimento e educação, possibilitando maior dignidade para sua existência e vivência cultural (p.81). 102 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva A escola brasileira ainda apresenta dificuldades para apropriar-se de uma concepção mais interacionista da deficiência intelectual e, além disso, de compreender quais seriam as compensações educativas possíveis de igualarem o direito e a oportunidade, na esfera educacional. Certamente, até isso passa pelas concepções, pois, se não concebermos seu processo educativo como diferente ou particular, corremos o risco de usar os mesmos referentes para análise de sua trajetória escolar. É preciso, primeiramente, reconhecer, acolher e compreender a diferença e, feito isso, possibilitar sua participação plena nos contornos pedagógicos, oferecendo-lhes o máximo de oportunidades, reconhecendo-os como sujeitos, concretos, porque presentes em nosso tempo e história, vinculados às práticas culturais e, portanto, plenamente capazes de efetivamente cumprirem a linha do desenvolvimento escolar, sem restrições, embora diferentes. Carvalho e Maciel (2003), em relação ao próprio conceito de deficiência intelectual, afirmam que as condições intelectuais desses sujeitos devem ser culturalmente significadas e qualificadas no interior de suas práticas sociais, ou seja, em seu contexto, porque a interpretação sobre sua condição e possibilidades depende diretamente das concepções, percepções e valores presentes no meio social e cultural. Tudo isso é importante para que possamos refletir sobre a avaliação pedagógica e escolar, em função do papel que exerce na definição de estratégias, práticas, métodos e recursos educacionais e, mais do que isso, sermos capazes de diferenciar a avaliação na classe comum e no AEE. Salienta González (2002, p.109): “[...] parece bastante difícil traçar a linha entre educação especial e comum de maneira convincente”, visto o caráter de interdependência entre uma e outra. Árdua tarefa que nos anuncia a contemporaneidade: a de compreender, dialeticamente, a relação entre um e outro espaço de aprendizagem – o comum e o especial –, para não cometer os mesmos erros do passado, de simplesmente repetir lições, ou reforçar o aluno, mas, sim, desafiar os limites colocados pela condição da deficiência intelectual que, sendo primária, deve ocupar um espaço secundário na definição das metas educacionais e nas propostas pedagógicas. Assim, entendemos que não se trata de superar a deficiência, já que é condição; 103 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva todavia, superar a concepção que a interpreta como localizada no sujeito, portanto, individual e fora da esfera social ou educacional. É isso que temos a superar! Velhas concepções, porém, históricas, cristalizadas em nosso pensamento e que apenas a convivência com eles, as ações concretas e atos pedagógicos iluminados pelas possibilidades poderão nos conduzir a uma nova forma de pensar e conceber a deficiência intelectual. 8. Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) O plano de Desenvolvimento Individual (PDI), é frequentemente compreendido no mundo institucional, como um planejamento norteador de desenvolvimento de um profissional, de ações e estratégias voltadas para almejar competências e assim assumir funções de uma organização. O PDI deve atender aos interesses de uma empresa, como também aos anseios profissionais e pessoais de cada colaborador. (MARQUES, 2015, p.1). O que contribui para dificuldades no processo de elaboração do PDI nas instituições é que não há uma explicação clara e objetiva a respeito do instrumento, obtemos apenas a importância e a responsabilidade da instituição escolar em sua elaboração e aplicação. No parecer CEE n° 424/2003 revogado em 2013, diz o seguinte sobre a utilização do PDI nas escolas: “As escolas [...] devem organizar suas propostas curriculares de acordo com o plano de desenvolvimento individual, traçado para o aluno favorecendo aprendizagens [...]” (CEE, 2003, p.6). É proposto no PDI que a escola deve estabelecer: “competências a serem desenvolvidas, os comportamentos que precisam ser eliminados, substituídos e formados, os resultados que se espera alcançar, a integração entre equipe e família, bem como estratégias gerais propostas.” (CEE, 2003, p.8). Existe a resolução n° 451/2003, revogada em 2013, em que o PDI é citado no art. 8° e art. 14. Mas neles não há nenhum detalhamento, segue abaixo: Art. 8° - O atendimento ao aluno na Educação Especial será efetivado com bases nos seguintes procedimentos: [...] V – Plano de desenvolvimento individual do aluno. Art. 14 – A certificação especial de conclusão de etapa ou curso de educação básica oferecido ao aluno com necessidades educacionais especiais, 104 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva no que e como couber, descreverá as habilidades e competências a partir de relatório circunstanciado e plano de desenvolvimento Individual [...]. Parágrafo único – As escolas deverão manter arquivo com a documentação que comprove a necessidade de emissão da certificação especial, incluindo o relatório circunstanciado e o plano de desenvolvimento individual do aluno, para garantia da regularidade da vida escolar do aluno e controle pelo sistema de ensino. De acordo com SD n° 01/2005, especificamente no item 4 – Avaliação de Aprendizagem do aluno – O PDI é uma forma inovadora de acompanhar e avaliar o aluno alvo da educação especial devidamente matriculado na rede regular de ensino, se tornando, até mesmo, “um desafio pedagógico, [...] constituindo em instrumento importante para a escola e a família no acompanhamento da trajetória do aluno.” (SEEMG, 2005, p.4). “As escolas, ao organizarem o PDI, devem fazê-lo desde o início da vida escolar, para cada aluno com deficiência e condutas típicas, e atualizá-lo continuamente, em função de seu desenvolvimento e aprendizagem alcançados para que a sua ação educacional tenha um plano norteador e as informações Intercursos, Ituiutaba, v. 18, n. 2, Jul-Dez. 2019 – ISSN 2179-9059 205 sobre o aluno sejam discutidas e registradas sistematicamente. [...]. A organização do PDI vem criar para as escolas a oportunidade de ouvir o aluno, a família e, mediante parceria, outros profissionais que atuam com o aluno, também durante o processo avaliativo. [...].” (SEEMG, 2005, p. 5). 8.1 Processo de desenvolvimento do PDI O PDI é um instrumento de percurso avaliativo de forma processual e descritiva, se constituindo um recurso de grande valia para a regulação da aprendizagem. Necessitamos de ações e estratégias pertinentes às carências de cada aluno, existem habilidade que devem ser levadas em consideração, tipo: • Ações e estratégias feitas de acordo com a conformidade com o Projeto Político e Pedagógico da instituição. 105 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Ações e estratégias que se enquadrem na realidade da escola. • Ações e estratégias elaboradas de acordo com a necessidade educacional especial de cada estudante. • Ações e estratégias que aumentem a competência do aluno. • Ações e estratégias que promovem a melhoria da imagem e participação do discente tanto no espaço escolar como social. • Ações e estratégias visam a levar o aluno a ter resultados significativos no seu percurso escolar. • Ações e estratégiasque levem em consideração os desejos e preferências do estudante, assim como dos responsáveis. Pereira, 2019, trouxe um roteiro de como fazer a elaboração do PDI. Segue o quadro abaixo: Etapas Definições 1.Matrícula do aluno na escola regular De acordo com a Resolução CEE nº 460/2013, Art. 8º, – A instituição deverá acolher e matricular todos os alunos, quaisquer que sejam suas condições físicas, sensoriais, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas, dentre outras, devendo a matrícula ser feita prioritariamente em classes do ensino regular, em todos os níveis e modalidades de ensino ou em escolas de educação especial, quando essa alternativa for considerada a mais apropriada para o educando, respeitada à decisão da família. 2.Solicitação de documentos e/ou relatórios referentes ao diagnóstico e ao tratamento realizado ou em desenvolvimento a De acordo com a NOTA TÉCNICA nº 04/2014/MEC/SECADI/DPEE e o entendimento contido no caderno Projeto Incluir/livro 2/SEEMG/2006 (p. 106 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva família e/ou responsáveis pelo aluno. 103), a exigência do diagnóstico clínico dos estudantes com Deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento, Altas Habilidades/Superdotação, para declará-lo, no Censo Escolar, público alvo da educação especial e, por conseguinte, garantir-lhes o atendimento de suas especificidades educacionais, denotaria imposição de barreiras ao seu acesso aos sistemas de ensino, configurando-se em discriminação e cerceamento de direito. 3.Elaboração e aplicação da Avaliação Educacional, com o objetivo de identificar as necessidades educacionais especiais2. A Avaliação Educacional é o primeiro passo para identificar as barreiras que dificultam o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno na sua trajetória escolar. Ela é considerada um instrumento relevante para o levantamento da situação atual do aluno, identificando os pontos fortes, os fracos e as dificuldades existentes no contexto escolar. Para a avaliação educacional é importante que a escola leve em consideração:1) O Contexto Educacional: refere-se à Instituição Educacional Escolar na sua filosofia: valores e crenças e na sua estrutura organizacional. 2) Funcionamento Organizacional: refere-se a ação pedagógica que contempla: o professor; a sala de aula; recursos de 107 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva ensino e de aprendizagem; estratégias pedagógicas utilizadas para o ensino dos conteúdos curriculares e estratégias avaliativas. 3) O Aluno: refere-se ao nível de desenvolvimento contendo as características funcionais (social, linguagem, motora, cognição) e as competências curriculares. Também as condições Pessoais no tocante a natureza das necessidades educacionais especiais. 4) A Família: refere-se as características do ambiente familiar - condições físicas da moradia; a cultura, valores e atitudes; a expectativa de futuro; e ao convívio familiar - as pessoas que convivem com o aluno; as relações afetivas; a qualidade das comunicações; a oportunidade de desenvolvimento e da conquista da autonomia. 4.Coletânea de outros documentos que contribuirão na elaboração do PDI. Nesse momento, reúnem-se outros documentos caso a escola os tenha, como: PDI de outros anos, relatórios e documentos que a escola possui em relação ao apoio dado ao aluno público alvo da Educação Especial na Educação Básica, por outros setores sociais 5.Reunião com a equipe responsável pela elaboração do PDI - levantamento de dados. A equipe responsável pela elaboração do PDI se constitui de professor, especialista, diretor e os responsáveis 108 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva O professor de AEE não elabora o PDI. Ele elabora o Plano de AEE. Quando o aluno for matriculado no AEE e o professor especializado estiver integrado à equipe pedagógica da escola, o mesmo poderá participar da reavaliação e reorganização do PDI. (SEEMG, 2014, p. 11). pelo aluno, devendo, conforme o momento, a presença do estudante. Caso seja necessário, a presença da Inspeção Escolar e da Analista de Educação dos Sistemas de Ensino. A reunião destina-se a identificar os dados mais significativos e que trazem dificuldades para o acesso do discente a proposta da escola. Sentindo necessidade, a equipe responsável pela elaboração do PDI poderá convidar profissionais de outros setores sociais para contribuir na discussão do caso, como: saúde, esporte, trabalho, assistência social etc. É importante que a equipe faça as seguintes perguntas, depois da coleta de dados, antes de elaborar o PDI: As informações obtidas propiciaram uma visão abrangente da situação do aluno? Foram discutidos e/ou vislumbrados os pontos positivos e negativos da situaçãoproblema? Foi evidenciado o potencial do estudante, ou apenas suas dificuldades? O que foi levantado para a elaboração do PDI contribuirá com o crescimento, desempenho, desenvolvimento e aprendizagem do discente, elevando sua autoestima, a autoconfiança e o acesso ao currículo da escola? 6.Elaboração do PDI Neste momento, a equipe responsável pela elaboração do PDI 109 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Importante frisar que não há um modelo de PDI, no caderno Projeto Incluir (SEEMG/ 2006, p. 103) há indicação de um cabeçalho. deve ter um instrumento que acolha: a) os elementos considerados prioritários, b) os objetivos, c) as metas e resultados esperados, d) as estratégias e ações, e) distribuição de responsabilidades e prazos. O PDI a ser elaborado deve estar de acordo com a realidade da escola, do aluno e da família. 7.Monitoramento, avaliação do processo e reavaliação do PDI Toda proposta deve ser monitorada para verificar se os resultados esperados estão sendo alcançados e, caso não estejam, a equipe responsável deve se organizar para reavaliar e reorganizar o PDI. Como o PDI é elaborado para um determinado período, sua avaliação constante irá indicar a necessidade de reformulação ao final de cada ação, objetivando sua adequação às novas situações que surgem e a inclusão de mais prazos para a sua realização. A reavaliação deverá ser feita coletivamente, considerando a visão das diversas pessoas que dele participam. Após as reflexões, é necessário registrar as conclusões no PDI, alterando os campos que forem necessários e incluindo novos objetivos, metas e ações. Reavaliado o PDI é hora de detalhar as ações que serão iniciadas, definindo tarefas, responsabilidades e prazos. Esses 110 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva procedimentos serão repetidos a cada momento em que a equipe considerar necessário, de forma a manter o PDI sempre atualizado, como instrumento fundamental para dar acesso ao aluno público alvo da Educação Especial na proposta pedagógica da escola. Pereira, 2019. 8.2 Exemplo de PDI O instrumento sugerido não é obrigatório, é apenas uma proposta, um modelo técnico pedagógico para auxiliar. A instituição é livre para criar o seu instrumento, de acordo com as necessidades e o contexto nela inserido. O que realmente importa é que haja nela as informações básicas para implementação, monitoramento e avaliação. (Pereira, 2019) A seguir estará um exemplo do formato de PDI, os dados são fictícios, servem apenas como apoio e entendimento da instituição e Educador. Fonte: Pereira, 2019 Quadro de Barreira/Prioridade Fonte: Pereira,2019 111 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3 O AEE foi instituído pelo inciso 3º, doart. 208, da Constituição Federal/1988 e definido no §1º, art. 2º, do Decreto nº 7.611/2011, como conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos, organizados institucionalmente e prestados de forma complementar ou suplementar à escolarização. Conforme Resolução CNE/CEB nº 4/2009, que dispõe sobre as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, a função desse atendimento é identificar e eliminar as barreiras no processo de aprendizagem, visando à plena participação. (Nota Técnica nº 24/2013; MEC/SECAD/DPEE). Quadro de Registro Fonte: Pereira, 2019 4 Para apoiar o desenvolvimento inclusivo das redes públicas de ensino, visando assegurar a matrícula, organizar e disponibilizar os serviços da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB prevê valor diferenciado de 1,20, no mínimo, para estudantes público alvo da educação especial matriculados nas classes comuns do ensino regular das redes públicas e 2,40, no mínimo, para a dupla matrícula, ou seja, uma na educação básica regular e outra no atendimento educacional especializado. (Nota Técnica nº 04/2014/MEC/SECAD/DPEE). 112 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 113 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva OBS – Deve ser comprovada a realização de todas as ações e estratégias, podendo ser por atas, relatórios e outros documentos. Esses documentos devem ser anexados ao PDI. 114 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 9. Dificuldades encontradas atualmente na implementação da Educação Inclusiva Várias são as dificuldades encontradas no âmbito escolar no atual século, dentre eles iremos elencar os principais e mais relatados por profissionais na área da educação. São eles: ✓ Formação de professores e mediadores ✓ Escassez de material adequado ✓ Acesso a acessibilidade ✓ Ausência dos profissionais de saúde (neurologista, psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais) ✓ Uso de metodologias adequadas Esse conjunto nos possibilita uma melhor compreensão de como devemos exercer todos os direitos até então garantidos perante leis. Isso não é fácil já que além de dificuldades em estruturas físicas, apresentamos dificuldades em qualificação (já que em muitas escolas não há a disposição de mediadores ou cuidadores para essas crianças), como também de materiais para exercício das atividades. Bringel e Souza, 2023, ressalta o seguinte: “Vale salientar que a lei brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015) é um conjunto de dispositivos destinados a assegurar e a promover, em igualdade de condições com as demais pessoas, o exercício dos direitos e liberdades fundamentais por pessoas com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania, no entanto para que a inclusão realmente aconteça de forma que a criança tenha todos seus direitos contemplados é necessário que seja assegurado, que seja fornecida as condições necessárias para que de fato os direitos destas pessoas sejam contemplados e atendidos.” É bem precário a situação escolar em quesitos de garantir que esses direitos sejam garantidos na prática, já que o engajamento dos professores não é em suma suficiente para que esses alunos obtenham o ensino adequado e 115 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva assim possa estar em sinônimo de igualdade ao demais alunos do ensino regular. Investimentos estruturais, obtenção de materiais lúdicos e dinâmicos, qualificações voltadas as práticas do exercício e pessoal capacitado para tal atividade é essencial em meio a mediação de inclusão. Os profissionais da saúde acabam sendo fundamentais na estratégia de inclusão já que eles nos garantem os CID’s (Classificação de Doenças), o qual auxilia no conhecimento da deficiência de cada indivíduo e na obtenção de estratégias adequadas para cada caso, o que observamos hoje em dia é que apesar de os municípios disponibilizarem esse recurso, muitas vezes o acesso é difícil ou então demorado (uma pausa de 2, 4 ou até 6 meses) para uma próxima consulta. Sem a devida preocupação e fiscalização dos órgãos responsáveis, a repercussão é que o ensino continue apresentando falhas e aqueles indivíduos que possuem algum tipo de deficiência não usufruam de uma educação voltada a potencializar e aperfeiçoar seus conhecimentos. 116 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10. A Política, Concepções e Avaliação do Atendimento Educacional Especializado para alunos com Deficiência. Desde 2008, com a publicação da nova Política da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva pela Secretaria de Educação Especial – Ministério da Educação (SEESP/MEC) – (BRASIL, 2008), é notória a mudança que as escolas vêm empreendendo para adequação de seus espaços físicos, mobiliários, materiais, recursos, currículos e, principalmente, formação de sua equipe escolar. A Política tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais, garantindo a transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; o Atendimento Educacional Especializado; a continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; a formação de professores para o Atendimento Educacional Especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; a participação da família e da comunidade; a acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas (BRASIL, 2008). De acordo com a Política, os alunos com deficiência intelectual, deficiência auditiva, deficiência física, deficiência visual, altas habilidades/ superdotação e transtornos globais do desenvolvimento devem frequentar as salas comuns de ensino com os demais alunos e receber o Atendimento Educacional Especializado (AEE), no turno oposto ao seu horário escolar, nas Salas de Recursos Multifuncionais: As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (BRASIL, 2008, p.10). Para tanto, o próprio Ministério da Educação (MEC) tem fornecido às escolas de todo o território brasileiro os materiais específicos, a fim de que essas 117 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva salas sejam equipadas e montadas para o funcionamento do atendimento especializado a todos os alunos com necessidades educacionais especiais, bem como tem investido na formação dos professores que atuarão nessas salas. É necessário que se diga, no entanto, que este contexto de mudanças potenciais mostra a importância do professor especializado em Educação Especial para que se garanta a existência de percursos escolares satisfatórios e desafiadores para os alunos com deficiência. Essa importância respaldasse na centralidade da sala de recursos como o dispositivo pedagógico prioritário na política de Educação Especial contemporânea, considerada sua característica de não substituição do espaço da sala de aula comum para a escolarização. Além disso, as atribuições que implicam conexões/ articulações entre o docente especializado e o professor do ensino comum abrem espaço paraa discussão curricular necessária nos processos inclusivos (BAPTISTA, 2011, p.66). A formação especializada também é referida no documento como sendo necessária para o professor atuar na educação especial, devendo ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área: Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado, aprofunda o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial (BRASIL, 2008, p.11). Em termos práticos, o que podemos observar é que efetivamente o MEC distribuiu os materiais e recursos para a abertura das Salas de Recursos Multifuncionais, na grande maioria dos municípios que fizeram tal solicitação, entretanto, muitas dessas salas ainda não se encontram em funcionamento, principalmente porque não há professores especializados no atendimento de alunos com deficiência intelectual e outras deficiências. Para solucionar tal problemática, o Ministério da Educação tem investido ainda na formação em serviço dos professores das redes públicas de ensino, por meio da oferta de Cursos de Especialização em Atendimento Educacional 118 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Especializado, tanto na modalidade presencial, como a distância, em parceria com universidades públicas brasileiras. Um exemplo dessa forma de investimento foi a oferta do Curso de Especialização em Atendimento Educacional Especializado, na modalidade a distância, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Marília, São Paulo, em parceria com o Ministério da Educação, a 1031 professores/cursistas de 185 municípios das regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, durante 18 meses, no período de 2010 a 2012. Em pesquisa recente, realizada durante o desenvolvimento do referido curso, no módulo que tratou sobre a deficiência intelectual, 55,9% dos 961 professores/cursistas que responderam à enquete aplicada durante o módulo relataram que as escolas às quais estão vinculados já possuem o Atendimento Educacional Especializado para alunos com deficiência intelectual, embora muitas delas ainda sem funcionamento (MILANEZ et al., 2012). Os dados das mesmas autoras apontam também que as dificuldades no Atendimento Educacional Especializado para alunos com deficiência intelectual parte da premissa de que muitos professores ainda não têm clareza quanto ao conceito da deficiência intelectual e suas implicações para o desenvolvimento e aprendizagem desse alunado. Observa-se que os professores ainda permanecem presos à ideia de que só é possível trabalhar com o aluno com hipótese diagnóstica de deficiência intelectual a partir do momento em que existe um laudo médico que efetivamente confirme essa hipótese. Partindo-se do pressuposto de que a deficiência intelectual é definida como “[...] uma incapacidade caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas) como no comportamento adaptativo, abrangendo habilidades sociais, cotidianas e práticas e originando-se antes dos 18 anos de idade” (AAIDD, 2010), verificamos que existe, portanto, apenas uma limitação no funcionamento intelectual, mas não uma ausência completa dele. Dessa forma, constatamos que essa dificuldade apresentada pela maioria dos professores quanto à conceituação e compreensão da deficiência intelectual 119 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva limita a atuação deles com os alunos com deficiência intelectual, tanto nas classes comuns como no Atendimento Educacional Especializado, pois imaginam só ser possível algum tipo de intervenção com base no rótulo que é dado ao aluno. Para pensarmos o Atendimento Educacional Especializado de alunos com deficiência intelectual, é necessário desvencilharmo-nos dos rótulos, dedicarmos a devida importância ao diagnóstico da deficiência intelectual, sem perdermos de vista o próprio aluno, suas dificuldades, porém, primordialmente, seu potencial de aprendizagem. Portanto, esse Atendimento Educacional Especializado com foco no aluno com deficiência intelectual implica considerarmos não apenas recursos que poderão ser utilizados em seu processo de aprendizagem, mas, acima de tudo, a avaliação do aluno com deficiência intelectual que será a norteadora do processo de ensino e aprendizagem desse aluno na sala comum e na sala de recursos multifuncionais, estabelecendo-se, assim, a parceria necessária entre os professores da sala comum e da especializada. 120 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 121 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10. Propostas de Atividades As atividades redigidas abaixo são formas de como procurar elaborar exercícios de viés educativo e divertido, com o objetivo de promover o desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas de pessoas com diagnósticos de TEA, Transtornos Globais do Desenvolvimento, Síndrome de Asperger e características similares. O objetivo é que haja inspiração da pessoa com dificuldade de interação e comunicação e assim ela queira dentro deste contato, aprender novas habilidades. Elas podem ser realizadas no ambiente familiar e/ou escolar, observando a que melhor se encaixa em cada ambiente. 10.1 Atividade 01: Cócegas do Personagem Favorito Interesses: Cócegas, suspense, vozes de personagens, máscaras, personagem favorito da criança (por exemplo, o Pablo do desenho animado Os Backyardigans). Metas principais: • Estimular a comunicação verbal. • Desenvolver período de atenção compartilhada de 5 minutos ou mais. Ação motivadora (o papel do adulto): O adulto veste uma máscara, age e fala como o Pablo – personagem dos Backyardigans favorito da criança – enquanto faz cócegas na criança. Solicitação (o papel da criança): A criança falar a palavra cócega para pedir que o adulto faça cócegas nela. Estrutura da atividade: 122 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva O adulto fantasiado informa que ele agora é o Pablo, imita a voz e os trejeitos do personagem e, com animação, anuncia que vai fazer cócegas na criança. Se a criança permitir a aproximação do adulto, ele faz cócegas nela sem pedir nada em troca, apenas faz cócegas e nomeia sua ação dizendo de forma clara e divertida: “Cócega!”. O adulto estabelece uma atividade cíclica em que ele faz cócegas por alguns momentos, afasta-se fazendo suspense e, de forma previsível, volta a fazer cócegas novamente, repetindo diversos ciclos sem pedir nada á criança, apenas fazendo a ação motivadora de graça, pausando por alguns segundos, fazendo a ação novamente, pausando, e assim por diante. O adulto continua dizendo para a criança a palavra cócega enquanto faz cócegas e enquanto faz cada pausa com suspense. Quando a criança encontra-se altamente motivada, demonstrando este interesse através de olhares, sorrisos, gestos, sons ou palavras, o adulto passa a solicitar durante a pausa da ação que a criança fale a palavra cócega. A solicitação é um convite animado, e não uma ordem. O adulto estimula a criança a falar e responde a qualquer tentativa de fala com uma celebração e a volta da ação desejada por ela. Desta forma, o adulto mostra para a criança a função de sua comunicação verbal, o poder de seus sons e palavras. Nos próximos ciclos da brincadeira, enquanto a criança continua motivada, o adultoa estimula a falar a palavra de forma a comunicar o desejo dela pela continuidade da ação. Variações: Podemos ajustar o grau do desafio desta atividade quando a criança já consegue falar cócega com facilidade e constância e solicitar que ela fale uma combinação de 2 a 3 palavras, por exemplo, “Quero cócega”, ou “Faça cócega”, ou “Cócega na barriga”, ou “Cócega na perna”. Estabelecemos uma combinação de palavras de acordo com o contexto, passamos a modelar essa sentença ao oferecer a ação para a criança e, na pausa, solicitamos que ela fale aquela sentença. No exemplo da atividade acima, o adulto então passa a falar “Quero cócega” enquanto faz cócega na criança e quando pausa a ação esperando que ela fale. Pode parecer estranho, mas, neste momento, estamos oferecendo um modelo de sentença exata que a criança poderia falar. 123 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Para ajudá-la a manter-se motivada e prolongar o tempo de duração da atividade, podemos inserir em alguns ciclos pequenas variações na ação motivadora, por exemplo: oferecer diferentes formas e intensidades de cócegas; fazer cócegas em diferentes partes do corpo; trazer objetos ou fantoches para que estes façam cócegas na criança; andar em câmera lenta; andar a passos largos; andar a passos miudinhos; cantar; dançar; espirrar dramaticamente; e até cair no chão antes de fazer cócegas na criança. Comédia-pastelão costuma ser bem recebida por muitas pessoas com autismo de todas as idades. Caso a criança não se interesse pelo personagem Pablo, podemos manter a atividade original e modificar o personagem de acordo com os interesses dela, por exemplo, transformando-nos em um pato ou cachorro que faz cócegas se estes forem seus animais favoritos. Se ela gosta dos personagens da animação Carros, da Disney, podemos ser o McQueen ou o Mate que adora andar pelo quarto “acelerando seus motores” e fazendo cócegas nela. Se a criança se interessa por cócegas e pelo Pablo, mas desejamos trabalhar uma meta diferente da comunicação verbal – como ajudá-la a participar fisicamente de uma atividade interativa -, podemos manter a brincadeira das cócegas do Pablo, mas modificar o papel dela na atividade. Em vez de solicitarmos que ela fale uma palavra ou sentença para pedir por nossa ação, explicamos e mostramos que ela pode tocar no botão vermelho desenhado na cartolina para que voltemos a fazer cócegas nela. Ainda na área de participação física, podemos fazer cócegas, deixar que o nosso chapéu caia no chão e, então, pedir que a criança coloque o chapéu do Pablo em nossa cabeça para que nos transformemos no personagem e voltemos a fazer cócegas nela. Se nossa criança não se interessa por cócegas naquele momento, podemos manter a mesma estrutura da brincadeira das cócegas e oferecer uma ação motivadora diferente, como o Pablo fazer massagem/carinho na criança ou leva-la para passear de cavalinho em suas costas. Se a criança não gosta ou tem medo de máscaras, não utilizamos a máscara do Pablo nesta atividade. A diversão é a chave da interação e do subsequente aprendizado! 124 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10.2 Atividade 02: Passeio no Super-carro Interesses: Brincadeiras físicas: ser puxado sobre um colchonete, rodar, cócegas, massagens, bolhas de sabão, personagens favoritos de sua criança (por exemplo, os carros McQueen e Mate, da animação Carros). Metas principais: • Estimular a comunicação verbal. • Desenvolver período de atenção compartilhada de 10 minutos ou mais. Ação motivadora (o seu papel): Levar a criança para passear pelo quarto sobre um colchonete, edredom, lençol ou Lycra, com ou sem travesseiro. Você, utilizando o colchonete, representará o personagem McQueen, que levará a criança para variados tipos de passeios no quarto e estacionará em diferentes locais da cidade, como o Lava-Rápido (para uma massagem), a Sorveteria de Pistache do Mate (para fazer cócegas) e o Trator das Bolhas (para estourar/fazer bolhas de sabão). Solicitação (o papel da criança): Falar a palavra passear para pedir por mais passeio no carro do McQueen. Preparação da atividade: Você pode se caracterizar de McQueen vestindo-se de vermelho e prendendo um cartaz do McQueen em sua camiseta. Se você tiver uma caixa de papelão com dimensões de cerca de 50cm x 50cm x 40cm, você pode decorar as laterais como sendo o carro do McQueen, abrir o fundo para poder entrar dentro dela e “vesti-la”. Desenhe ou faça colagens com impressões da internet 125 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva em 3 cartazes que representarão os diferentes locais que vocês visitarão: a figura de uma lava rápida com um carro dentro, a figura de um sorvete com o Mate ao lado e a figura de um trator fazendo bolhas de sabão. Cole cada cartaz em uma parede diferente do quarto. Estrutura da atividade: Anuncie com animação que você agora é o McQueen e que gostaria de levar sua criança para passear no colchonete pelo quarto para todos esses lugares incríveis. Explique o que acontecerá no carro e nos diferentes lugares. Se a criança não se sentar no colchonete, mas estiver interessada em você, coloque um boneco ou fantoche em cima dele e mostre para ela como a brincadeira funciona. Quando ela se sentar no colchonete, puxe-o pelo chão do quarto e comece a modelar a palavra passear. Faça pausas e observe os sinais da criança demonstrando querer ou não a continuidade da brincadeira. Variar a velocidade e o trajeto do passeio pode trazer mais diversão. Ofereça passeios rápidos, lentos, com tronquinhos, com pulinhos (buracos na estrada!), curvas mais radicais, paradas inesperadas no repentino farol vermelho, fantoches e bonecos como acompanhantes no carro. Você dá várias voltas pelo quarto puxando a criança no colchonete e alterna as paradas nos diferentes locais. Ao visitar o Lava-rápido, você oferece á criança massagem com os panos que lavam o “carro”. Na sorveteria de Pistache do Mate, ela ganha um sorvete de pistache que, na verdade, e pimenta e causa um “ataque de cócegas” que você faz nela. No Trator das Bolhas, você faz bolhas de sabão e ajuda a criança a pegar cada uma delas. Quando a criança estiver altamente motivada, solicite que ela tente falar a cada palavra passear antes de cada novo ciclo. Celebre e imediatamente dê a ação de passear como resposta a qualquer tentativa da criança para falar a palavra, mesmo que ela ainda não consiga falar claramente. Variações: Se a sua criança está começando a falar em sentenças ou já fala em sentenças de 4 a 5 palavras, você pode solicitar que ela diga em uma sentença qual o tipo de passeio ou para que local deseja ir. Modele e solicite uma sentença 126 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva apropriada ao estágio de desenvolvimento da comunicação verbal de sua criança. Você pode adaptar essa atividade para um adolescente ou adulto substituindo o colchonete por uma cadeira giratória com rodízios (rodinhas) e trocando a temática da animação Carros por uma temática de interesse da pessoa. A cadeira pode ser um trem, um avião, um foguete, uma máquina do tempo, uma montanha-russa, um portal mágico, um caminhão de bombeiros, o que for interessante para o seu parceiro de brincadeira. Em vez de solicitar que a criança ou adulto fale a palavra passear, você pode pedir que a pessoa escolha o local aonde deseja ir entregando a você um dos cartões ou cartazes fixados na parede. Observações: Simplifique! Você não precisa confeccionar nada, não precisa ser nenhum personagem e nem inventar diferentes estações no quarto para oferecer novas ações motivadoras durante a brincadeira. Simplesmente convide sua criança para passear no colchonete! Faça pausas animadas, solicite que ela comunique de alguma forma quequer passear de novo e a leve para passear novamente. Divirta-se dessa maneira! Depois de algumas sessões, você pode começar a adicionar novos elementos na brincadeira. E, se a sua criança ainda não apresenta uma média do período de atenção compartilhada de 5 minutos ou mais, esta versão simplificada é a mais recomendada para ela. 127 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10.3 Atividade 03: O Sapo Comedor de Bolhas Interesses: Bolhas de sabão, movimentos corporais amplos, onomatopeias, efeitos sonoros, expressões faciais exageradas, suspense, animais. Metas principais: • Estimular a comunicação verbal. • Promover o contato visual. • Desenvolver período de atenção compartilhada de 5 minutos ou mais. Ação motivadora (o seu papel): Fazer bolhas de sabão e, com suspense e animação, manusear o fantoche do sapo para que ele “coma” as bolhas. 128 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Solicitação (o papel da criança): Falar a palavra bolha. Em algumas regiões brasileiras, a bolha de sabão é chamada de bola de sabão. Se sua criança reside em uma dessas regiões, modele e solicite que ela tente falar a palavra bola. Preparação da atividade: Traga um potinho de fazer bolhas de sabão e um fantoche de sapo para o quarto. Se o fantoche for daqueles que abrem a boca, fica mais interessante ainda! Estrutura da atividade: Apresente o potinho e comece a soprar bolhas para a criança. Se ela se interessar, faça mais. Modele a palavra com a qual a criança poderá pedir por mais bolhas de sabão: você diz bolhas diversas vezes enquanto sopra-as e durante a pausa. Pegue o fantoche do sapo e diga a criança que ele come bolhas e que está com muita fome. Procure pegar cada uma das bolhas com a boca do sapo. Faça um suspense antes de soprar as bolhas e antes de o sapo comê-las. Utilize movimentos amplos pelo quarto, exagere suas expressões faciais, imite o pulo e o som (onomatopeia) do sapo. Faça um som interessante ou diga a palavra bolha de forma divertida no momento exato em que o sapo for comer cada uma. Essas técnicas poderão deixar a brincadeira mais divertida, darão mais motivos para a criança querer olhar para você – em vez de olhar apenas para as bolhas – e poderão estimular uma maior qualidade e duração de atenção por parte da criança. Quando a criança estiver altamente motivada por sua ação, demonstrando quere mais de sua ação (através de gestos, olhares, sorrisos, sons), passe a solicitar durante as pausas que ela tente falar a palavra bolha para comunicar quere mais. Aguarde a resposta da criança, celebre qualquer tentativa para falar a palavra e responda aos sons oferecendo imediatamente a ação desejada por ela. Ao sermos responsivos às comunicações da criança, mostramos a função de suas comunicações e a inspiramos a quere utilizar e desenvolver cada vez mais suas habilidades de comunicação. Variações: 129 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Um dos movimentos favoritos de muitas das crianças que conhecemos é o movimento de pernas do “ninja” que ataca as bolhas. O adulto finge ser um ninja, posiciona-se em posição de ataque e então pula em direção a bolha alternando rapidamente o chute com as duas pernas. O movimento fica completo com o som de “Iiiiiiiáááááá!”. 10.4 Atividade 04: A TV Musical Interesses: Canções infantis, gestos com os dedos para acompanhar as canções, danças, programas de TV, vídeos (por exemplo, vídeos musicais da Galinha Pintadinha, etc.). Metas principais: • Estimular o contato visual. • Incentivar a imitação e participação física. Ação motivadora (o seu papel): 130 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Ser um coelho que canta as canções infantis favoritas da criança dentro de uma tela de Tv de papelão. Fazer gestos com os dedos e mãos para acompanhar a letra das canções. Solicitação (o papel da criança): Olhar nos olhos do adulto para demonstrar interesse na continuidade da atividade interativa. Preparação da atividade: Confeccione uma TV de papelão. Utilize uma caixa de papelão de dimensões de cerca de 50 cm x 50 cm x 40 cm de forma que na tela de sua TV (buraco na caixa) caibam a sua cabeça, parte do busto e suas mãos. Você pode colar alguns círculos coloridos de papel ou Eva abaixo da tela representando os botões da TV de volume e de canais. Orelhas de coelho feitas de papel ou tecido ajudam a caracterizar seu personagem. Estrutura da atividade: Entre na TV vestido de coelho e explique que você vai cantar as canções favoritas de sua criança nessa TV muito especial. Cante a primeira canção com animação e expressividade. Experimente variar o volume, ritmo e timbre de sua voz ao cantar. Exagere suas caras e bocas dando motivos para a criança querer olhar para você. Utilize os seus dedos e mãos para fazer gestos que correspondem à mensagem da letra da música. Por exemplo, na música Dona Aranha, seus dedos sobem a parede imaginária. Se a criança imitar espontaneamente os seus gestos ou cantar com você, celebre-a por isso. Ao termino da primeira canção, faça uma pequena pausa e anuncie a próxima. Ao termino da segunda canção, pause por alguns segundos e, se a criança olhar espontaneamente para você, agradeça-a pelo olhar e explique que, como ela está olhando, você sabe que ela quer mais canções. Sem pedir nada, inicie a terceira canção. Quando você a terminar, faça uma pausa e, caso a criança não esteja olhando para você, solicite que ela olhe para lhe informar querer mais músicas. A cada pausa, celebre o olhar espontâneo ou solicite que ela olhe para você. Quando ela olhar, celebre e volte a cantar. 131 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Variações: Você pode estimular uma maior duração dos olhares da criança associando diretamente o seu ato de cantar com o olhar dela: quando ela olha, você canta; quando deixa de olhar, você vai ficando sem forças (ou sem bateria!), começa a cantar e agir em câmera lenta até que “congela” em uma posição silenciosa. A ideia seria mostrar que a TV é movida pelo olhar da criança. Quando começa a ficar sem forças, explique para a criança que, assim que ela olhar, você ficara forte de novo e voltará a cantar. Se você quiser que a principal meta da atividade seja a imitação dos seus gestos, não solicite que ela olhe em seus olhos, mas apenas que ela imite-o utilizando as mãos e os dedos durante as canções. A criança também pode participar fisicamente tocando no círculo (botão no canal) que representa a canção desejada por ela. Cole de 3 a 5 círculos a TV, de cores diferentes, e próximo a cada um cole uma figura que representa claramente cada canção que você pretende cantar. Por exemplo, para a música Brilha, Brilha Estrelinha, cole uma estrelinha próxima a um botão. No início da brincadeira, você mesmo aperta um dos botões e canta a música correspondente. Após demonstrar em alguns ciclos os diferentes botões e suas canções, solicite que a criança escolha a canção apertando um dos botões para você cantar. Uma outra forma de a criança participar fisicamente seria através de um controle remoto de papelão confeccionado por você. O controle pode ter apenas um botão, o botão que liga a TV. No início, você mesmo liga a sua TV apertando o botão do controle remoto. Após alguns ciclos, você faz uma pausa entre as canções e solicita que a criança aperte o botão para ligar a TV. Adapte a atividade de acordo com os interesses de sua criança. Se ela não se interessa por coelhos, mas adora os vídeos da Galinha Pintadinha, substitua o personagem do coelho pelo personagem da galinha. 132 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva10.5 Atividade 05: Dado das Brincadeiras Interesses: Brincadeiras físicas: pular, rodar, cair, balançar, massagem com diferentes pressões, andar de cavalinho nas costas do adulto, jogar objetos para cima e vê-los cair. Metas principais: • Desenvolver atenção compartilhada de 15 minutos ou mais. • Estimular a flexibilidade. • Incentivar a participação física. 133 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Ação motivadora (o seu papel): Oferecer 6 diferentes ações motivadoras para a criança de acordo com a faceta sorteada de um dado gigante. A seguir, algumas sugestões de ações. ✓ Pular: ajudar a criança a pular bem alto segurando-a pelo tronco, ou segurando em suas mãos enquanto ela pula em uma pequena cama elástica, ou ainda pulando sentada em cima de uma bola de pilates ou de fisioterapia. ✓ Rodar: girar em torno do próprio eixo com a criança em seu colo. ✓ Cair: levantar a criança e gentilmente deixa-la cair em segurança sobre um conjunto de almofadas, pufes ou colchões. ✓ Balançar: balança-la em seus braços para um lado e para o outro, ou balança-la para a frente e para trás em seu colo enquanto vocês estão sentados em uma bola de fisioterapia, ou ainda a balançar em uma rede no quarto. ✓ Apertar: oferecer massagens com diferentes tipos de movimentos e intensidades de pressão nas diversas partes do corpo da criança. ✓ Cavalgar (ou passear): levar a criança para andar de cavalinho em suas costas. Solicitação (o papel da criança): Jogar o dado gigante. Preparação da atividade: Confeccione um cubo grande, de pelo menos 20 cm de aresta. Você pode utilizar o material de uma simples caixa de papelão ou um tecido impermeável preenchido com espuma rígida. Cada faceta do dado contem afixado um cartão confeccionado por você com uma palavra e possivelmente uma figura correspondente. As palavras e figuras representam as ações motivadoras. Estrutura da atividade: Faça suspense, exagere sua expressividade facial, gestual e de voz ao anunciar com animação e então jogar o dado para cima. Aponte para a faceta de cima e leia a palavra sorteada. Convide a criança para brincar dessa ação. 134 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Não a manipule fisicamente sem que ela lhe dê permissão, apenas a convide para subir em seu colo ou em suas costas (de acordo com a ação a ser oferecida) e espere até que se aproxime de você demonstrando querer experimentar a brincadeira. Ofereça a ação de graça, sem lhe pedir nada, por pelo menos 1 minuto. Faça uma pausa, explique que você vai jogar o dado novamente para ver em qual brincadeira vai cair. Jogue o dado dramaticamente e a convide a brincar daquilo que foi sorteado. Após alguns ciclos, quando a criança estiver altamente motivada e tiver compreendido a estrutura da brincadeira, solicite que jogue o dado para sortear cada ação. Diante de qualquer tentativa dela para jogar o dado, celebre seu esforço e participação social e imediatamente ofereça a ação sorteada por ela. Variações: Se a sua criança já está começando a ler, você pode solicitar que ela leia a palavra sorteada. Você pode substituir as ações motivadoras da atividade acima por brincadeiras com estímulos visuais e auditivos. Por exemplo, o dado pode conter figuras de animais e, para cada uma delas, você oferece uma encenação imitando os movimentos e os sons daquele animal ou então uma canção ligada a ele. Você pode utilizar máscaras e fantasias para a caracterização de cada animal. Se a sua criança gostar muito de uma das ações representadas e não quiser o sorteio do dado (demonstrando querer brincar de apenas uma atividade), permita que ela faça essa escolha e brinque da forma que ela quiser. Brincadeira forçada não é brincadeira. Brincadeira é sinônimo de diversão. Se ela só quiser brincar de rodar em seu colo, você pode alterar a meta e solicitar que, nas pausas entre os giros, ela faça um destes papeis sugeridos: fale a palavra rodar; olhe em seus olhos; aponte para a palavra rodar no dado; escreva a palavra rodar no quadro; escreva a letra r de rodar no quadro enquanto você escreve o resto da palavra; etc. Estabeleça um papel para a criança na brincadeira que seja apropriado para o atual estágio de desenvolvimento de suas habilidades, sendo este papel o próximo passo para ela adquirir uma habilidade especifica dentre as metas estabelecidas por sua equipe multidisciplinar. 135 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Observações: Nessa atividade, tenha em mente que aceitar a regra do sorteio da ação motivadora através do dado já é um desafio de flexibilidade para sua criança. Inicialmente, dê o controle a ela quando você apresentar este tipo de dinâmica e permita-a que explore o dado e inclusive coloque-o na faceta preferida. Recomendamos também que este tipo de atividade com múltiplas ações motivadoras seja introduzido quando a criança já apresentar, em média, um período de atenção compartilhada de no mínimo 10 minutos. Com as diversas ações motivadoras unidas por uma estrutura ainda simples do dado, este é um exemplo de atividade intermediária que utilizamos na transição entre atividades de estrutura simples e cíclica (que contam com a repetição de uma mesma ação motivadora em todos os ciclos) e atividades de estrutura complexa e fluxo contínuo (aquelas em que há múltiplas ações motivadoras e diferentes etapas unidas por uma estrutura complexa porém previsível, como uma caça ao tesouro ou um jogo de tabuleiro avançado). 10.6 Atividade 06: Fazendo a história Interesses: Animais, meios de transporte, efeitos sonoros e onomatopeia. Metas principais: • Acompanhar e compreender uma sequência narrativa. • Incentivar a participação física. 136 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Ação motivadora (o seu papel): Contar uma história para a criança utilizando a sequência narrativa de um livro caseiro personalizado. Utilizar sua expressividade facial, corporal e de voz em breves encenações para ajudá-la a manter-se atenta e motivada durante toda a história. Oferecer opções de cartões para que a criança complete a história. Solicitação (o papel da criança): Escolher o cartão que completará cada trecho da história do livro. Preparação da atividade: Confeccione um livro personalizado utilizando papel de tamanho A3 e deixe espaços em branco no texto para que cartões possam ser encaixados de forma a completar a história. Confeccione de 2 a 4 cartões diferentes como opções para cada espaço. Eles podem conter apenas fotos/desenhos, fotos/desenhos e palavras ou apenas palavras, dependendo do estágio de desenvolvimento das habilidades cognitivas de sua criança. Plastifique tanto o livro como os cartões e cole uma fita de velcro no verso dos cartões e nos trechos em branco do livro para que os cartões possam ser encaixados desta forma. Abaixo, um exemplo de história e de cartões: “Era uma vez um... • Gato • Cavalo • Tigre • Sapo Que morava em uma casa... • Vermelha • Amarela • Azul • Verde Um dia, ele foi passear de... 137 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva • Carro • Trem • Helicóptero • Caminhão E ele chegou na... • Escola • Praia • Floresta • Piscina Ali, ele encontrou seu amigo... • Pato • Leão • Macaco • Urso E eles comeram juntos uma deliciosa e gigante... • Banana • Laranja • Melancia • Maçã Estrutura da atividade: Quando você começar a contar a história, mantenha todos os cartões em uma prateleira e mostre á sua criança apenas os 2 a 4 cartões referentes a primeira página. Seja o modelo para sua criança, escolha um dos cartões e coloque você mesmo o cartão no espaço com velcro do livro, sem pedir nada a ela. Guarde na prateleiraos cartões daquela página que não foram utilizados. Continue a história utilizando sua expressividade e animação, encenando e oferecendo efeitos sonoros relativos aos meios de transporte e onomatopeias dos animais. A cada espaço em branco, mostre os novos cartões e estimule a criança (caso ela esteja altamente motivada) a ajuda-lo a escolher um cartão e 138 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva encaixá-lo no livro. Lembre-se que o momento em que solicitamos algo da criança também faz parte da diversão. Traga leveza e animação para esse momento demonstrando sua empolgação em escolher os cartões e montar a história. A criança não precisa escolher e colocar os cartões no livro. Se uma criança que ainda não adquiriu a habilidade de seguir sequencias narrativas orais ou escritas conseguir manter-se atenta e acompanhar toda a história, isso já é fantástico. E, se ela participar escolhendo e colocando os cartões no livro, lembre-se de celebrar muito! Variações: Se a sua criança gosta de música, você pode fazer uma história cantada. Com uma melodia conhecida, você pode confeccionar o livro escrevendo a letra original ou uma letra modificada para montar a sua história e também deixar espaços em branco para a criança completar com os cartões. Observações: Algumas crianças podem se beneficiar de uma história com menos espaços em branco para completar – ou até nenhum – caso eles e os cartões a distraiam, dificultando a compreensão da história narrada. Se este for o caso, invista em livros personalizados confeccionados por você com os interesses dela, com texto simplificado e ilustrações atraentes, para que você possa simplesmente contar a história com animação e expressividade. 10.7 Atividade 07: O show das Charadas (sessão a 3) Interesses: Personagens favoritos da criança, responder a perguntas, demonstrar seu conhecimento (ser o perito), programas de perguntas de televisão. Metas principais: • Desenvolver interesse em informações pessoais. • Estimular a flexibilidade 139 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Ação motivadora (o papel do adulto coordenador): Ser um apresentador de programa de televisão que sorteia e lê o cartão com as dicas de cada charada para os 2 participantes. Modelo social (o papel do adulto assistente ou de 2° criança): Ser um dos participantes do jogo e, com animação, atender ás instruções do adulto coordenador ouvindo as perguntas e tentando adivinhar a charada em sua vez, agindo como o modelo para a sua criança. Solicitação (o papel da criança): Ouvir as perguntas e tentar adivinhar a charada, seguir as regras do jogo, alternar a vez. Preparação da atividade: Confeccione uma série de cartões. Cada cartão deve conter 10 dicas referentes a uma pessoa ou a um personagem a ser adivinhado. As pessoas podem ser personalidades do mundo, familiares, amigos ou personagens de filmes, animações, livros ou gibis. Utilize acessórios divertidos para se caracterizar como um apresentador de televisão com forte personalidade. Chapéus, óculos gigantes, gravatas, bigodes postiços e roupas coloridas podem tornar seu personagem mais atraente. Estrutura da atividade: Explique que você será o apresentador de um programa de TV e que cada participante terá a sua vez para ouvir até 10 dicas e tentar adivinhar quem é a pessoa da charada. Enquanto um participante estiver em sua vez, o outro apenas observará e aguardará. De forma animada, faça suspense para criar antecipação diante de cada cartão a ser sorteado e cada dica lida por você. Utilize grandes movimentos corporais e um sotaque diferente. Quando o participante da vez tentar adivinhar e errar, você o celebrará pela tentativa e o estimulará a tentar de novo fornecendo mais dicas. Não há um limite de tentativas; se o participante já ouviu as 10 dicas e já fez várias tentativas para 140 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva adivinhar em sua vez, mas não descobriu a charada, ajude oferecendo pistas mais claras. A ideia é incentivar cada participante a sentir-se curioso e a adivinhar a resposta! O esforço de todas as tentativas e de todas as descobertas será celebrado, tanto na vez de um participante como de outro. Estimule o participante que está aguardando a vez a também celebrar o amigo em suas tentativas e descobertas. Cada vez que o participante descobrir a charada, além da celebração conjunta, os participantes podem imitar aquele personagem ou aquela pessoa em uma pequena encenação. O participante também pode ganhar o cartão contendo as dicas e a figura representativa (foto ou desenho) do personagem ou da pessoa em questão. Variações: As charadas podem ser sorteadas simplesmente de uma pilha de cartões ou de um saco plástico. Você também pode inserir cada cartão dentro de um envelope, colar os envelopes em um mural, ou diretamente na parede, e convidar o participante da vez a arremessar uma bola em qualquer um dos envelopes para, dessa forma, sortear o cartão que trará sua charada. As charadas podem ser usadas como tarefas dentro da estrutura de um jogo de tabuleiro. Cada vez que os participantes descobrem a charada, eles movem sua pecinha no caminho do jogo. Esta atividade também pode ter a estrutura do jogo de tabuleiro Perfil. Quanto menos dicas a pessoa precisar para adivinhar, maior será a quantidade de casas que ela andará no tabuleiro. Observações: A atividade pode ser divertida sem precisar de competição. O suspense, as celebrações, a curiosidade para adivinhar, o prazer de tentar e prazer de jogar junto podem ser muito divertidos sem que um precise ganhar e o outro perder ou sem que um fique em primeiro lugar e o outro em segundo. Muitas de nossas crianças, adolescentes ou adultos com diagnósticos do espectro autista e síndrome de Asperger tendem a se interessar por informações factuais, em detrimento de informações pessoais. Por exemplo, focam em informações sobre as bandeiras de cada nação, informações sobre a geografia 141 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva de cada país, fazem lista com nomes de lugares e objetos, etc. Se nesta atividade a sua meta é ajudar a criança, o adolescente ou o adulto a interessar- se por outras pessoas e aprender a observar os gostos e características pessoais de cada um, invista em perguntas que estimulem esse foco. Por exemplo, no cartão sobre a “Mamãe”, escreva dicas como: “Ela gosta de comer sorvete de goiaba”, “A cor favorita dessa pessoa é o azul”, “Ela adora as músicas de Marisa Monte”, “Ela gosta de jogar vôlei”. Alterne charadas sobre familiares, amigos e conhecidos com charadas sobre os personagens favoritos da criança. 142 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10.8 Atividade 08: A aventura da Caça ao Tesouro Interesses: Suspense, comédia-pastelão, encontrar objetos escondidos, tesouros, personagens favoritos da criança (por exemplo, a turma do Peter Pan). Metas principais: • Estimular a participação física em jogo simbólico. • Incentivar a flexibilidade – participação em jogo com diversas etapas, estrutura complexa e um conjunto de regras. • Desenvolver período de atenção compartilhada de 20 minutos ou mais. • Promover a solução de problemas. • Encorajar a comunicação verbal. Preparação da atividade: Confeccione um mapa do tesouro. O mapa consiste no tracejado de um caminho que passa por cerca de 5 ou 6 lugares imaginários antes de chegar ao esconderijo do tesouro. Cada lugar tem um nome e uma figura pictórica representativa. Numere os lugares de acordo com a sequência a ser seguida. Por exemplo, o trajeto do mapa tem o início no lugar 1, que é a casa da Wendy. O lugar 2 pode ser a árvore oca onde os meninos perdidos moram; o lugar 3, a 143 www.soeducador.com.brEducação especial e inclusiva aldeia dos índios; o lugar 4, o barco do Capitão Gancho; o lugar 5, a parte do mar onde mora o crocodilo Tique-Taque; e o lugar 6, a gruta do tesouro. Confeccione também, antes da sessão 6 pistas escritas em tiras de papel ou em cartões. As pistas informarão quais aventuras os participantes enfrentarão a seguir (tarefas que eles cumprirão juntos) para conseguir chegar ao próximo lugar no mapa e receber a nova pista. Esconda as pistas pelo quarto em meio aos acessórios que representarão cada um dos locais mencionados no mapa, como um lençol azul em um canto do chão (que será o mar do crocodilo), almofadas ou uma rede (que representarão o barco pirata), uma caixa de papelão (que será a árvore oca), etc. Traga para o quarto duas mochilas (uma para você e uma para a criança) com acessórios para a aventura, como uma lanterna, óculos de natação, comidinhas de plástico, copos de plástico, uma corda, um lençol, kit infantil de médico para primeiros socorros, kit infantil de ferramentas, papel e caneta, meias, capas e diferentes peças de vestimentas. Ideias para o que poderia ser o tesouro: uma capa mágica que, quando vestimos, nos ajuda a voar; o pó (glitter) de pirilimpim-pim da Sininho, também para nos ajudar a voar; a boneca ou figura da Sininho que foi presa pelo Capitão Gancho, e nossa missão será salva-la; um objeto ou um alimento favorito; um copo contendo suco imaginário mágico que, ao beber, você fica tão forte que consegue jogar a sua criança para o alto várias vezes, rodá-la em seus braços, fazer coceguinhas, dar vários abraços ou o que quer que seja motivador para ela. Estrutura da atividade: Escolham que personagens da turma do Peter Pan cada um quer ser. Vistam fantasias e pendurem nas costas suas mochilas com os acessórios. Se a criança não quiser vestir nada ou carregar uma mochila, você pode levar a mochila dela. Explique para ela o que significa o mapa, como vocês encontrarão as pistas e que tipo de tesouro estará no final. Procure considerar o que você acredita ser mais motivador para sua criança saber desde o início qual será o tesouro ao manter-se o mistério em relação ao conteúdo dele. 144 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Analisando o mapa juntamente com a criança, dirijam-se para o local no quarto que representará o lugar 1 do mapa, a casa da Wendy. Lá, você encontrará a primeira pista e lerá para a criança (ela poderá ler se já tiver adquirido essa habilidade). A pista os instruirá a cumprir uma tarefa de forma a chegar ao próximo lugar do mapa. Exemplos de tarefa: • O seu amigo vai cair no mar. Salve o seu amigo do crocodilo Tique- Taque. Você pula no mar (no lençol azul que está no chão) e sugere que a criança use a corda que está na mochila dela pra içá-lo da água. • Pergunte ao macaco onde a Sininho escondeu o pó de pirlimpipim. Você é o modelo social e faz você mesmo a pergunta para o boneco do macaco ou ajuda a sua criança a fazer a pergunta. • Vá até o barco pirata nadando, mas tome cuidado com o Tique- Taque, pois ele está com fome! Vocês vestem os óculos de natação e nadam em cima do lençol azul, mas quando ouvem o som de Tique-Taque da barriga do crocodilo, fogem nadando o mais rápido possível, ou fogem surfando em uma onda, ou então oferecem a ele uma comidinha de plástico que trouxeram na mochila. • O seu amigo queimou a perna na fogueira dos índios. Faça um curativo na perna dele. Vocês escolhem quem machuca a perna na fogueira e o outro então usa o kit infantil de médico para fazer uma atadura, passar pomada, usar o estetoscópio, dar remédio, etc. Celebre as participações sociais da criança, suas comunicações verbais, participações físicas, ideias que ela compartilhar para contribuir na atividade e para solucionar problemas, sua atenção, olhares, sorrisos e sua flexibilidade para seguir as regras do jogo e aceitar as sugestões oferecidas por você. As celebrações (e a diversão) estarão presentes no decorrer de toda a atividade interativa, e não somente quando vocês cumprirem as tarefas e chegarem ao tesouro. Variações: 145 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Muitas das crianças, adolescentes e adultos atualmente se interessam mais pela temática da série Piratas do Caribe, da Disney, do que pela turma do Peter Pan. Se este for o caso da pessoa para quem você está confeccionando a atividade, os personagens e lugares do seu mapa estarão relacionados a turma do Jack Sparrow e seus companheiros. Observações: Divirta-se com o faz de conta entrando a fundo no mundo da imaginação. Ande com muito cuidado quando vocês estiverem na beira de um precipício, sinta o cheiro e o calor da fogueira, delicie-se com a maçã gigante e suculenta que vocês vão comer com os meninos perdidos, interaja com o ambiente do quarto como se todos aqueles lugares do mapa estivessem mesmo ali. Demonstre para sua criança essa interação com o ambiente imaginário, exagerando os movimentos de seu corpo, as expressões em sua face e o uso de sua voz. 146 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10.9 Atividade 09: O Seu Próprio Jogo de Tabuleiro Interesses: Conquista de objetivos, demonstrar seu conhecimento (ser o perito) em seu assunto favorito, suspense/antecipação, aventuras com os personagens favoritos (por exemplo, a turma do Batman). Metas principais: • Incentivar a flexibilidade – ajudar a criança, o adolescente ou o adulto a participar de um jogo com diversas etapas, estrutura complexa e um conjunto de regras. • Desenvolver período de atenção compartilhada de 20 minutos ou mais. • Estimular a participação física em jogo simbólico. • Promover a comunicação verbal. Preparação da atividade: Desenhe em uma cartolina o caminho do jogo todo dividido em casinhas nas quais os jogadores moverão suas peças. Inclua um início e um fim. Pinte as casinhas com 3 cores diferentes alternadas. Plastifique o tabuleiro para que ele fique mais resistente e para que possa ser reutilizado em outras sessões com outras temáticas. Cole figuras em alguns pontos do caminho para representar a aventura do Batman, como a Batcaverna, o Batmóvel, a Mulher-Gato, o esconderijo da Charada. Confeccione até 30 cartões divididos em 3 categorias representadas pelas mesmas cores do tabuleiro. Se você pintar as casas do tabuleiro de vermelho, azul e amarelo, pinte o verso dos cartões nessas mesmas cores, 10 de cada. Escreva nos cartões as tarefas para os jogadores que você acha que serão motivadoras para a criança, adolescente ou adulto e que podem incentivar a pessoa a desenvolver habilidades sociais como o contato visual, a conversação, a flexibilidade, período de atenção compartilhada e outras que façam parte das metas educacionais do seu programa de desenvolvimento. 147 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Sugestões para as categorias de cartões: Uma pilha de cartões pode conter várias tarefas que trabalhem os desafios de comunicação verbal, a outra propõe tarefas físicas (incluindo habilidades de motricidade fina e ampla), a última pode trabalhar habilidade cognitivas, como a identificação de formas geométricas, leitura e matemática. Se a sua criança gosta de informações factuais de história e geografia, por exemplo, adicione perguntas sobre essa área de interesse. Se ela é fascinada por dinossauros ou pelos filmes do Hulk ou Batman, inclua uma categoria de cartões que fazem perguntas sobre esses temas. Exemplos de tarefas: Imitar um gorila; andar fingindo que está com o pé doendo; inventar uma sentença utilizando uma determinada palavra; contar algo que aconteceu na última viagem; fazer uma pergunta para o outro jogador e ouvir a resposta (exs.: “Qual é a sua comida preferida?”;“Quanto é 4 + 37?”; “Quem fica forte verde quando fica bravo?”). Traga para o quarto peças que vocês moverão pelo tabuleiro (se você tiver bonequinhos da turma do Batman, melhor ainda) e um dado tradicional ou um dado gigante confeccionado por você. Estrutura da atividade: Convide a criança a participar do jogo de tabuleiro com você. Demonstre sua empolgação para entrar nessa aventura mencionando os detalhes que você acredita que serão motivacionais para a criança, como o momento em que vocês chegarão na Batcaverna e o momento em que vão descobrir o esconderijo do Charada e pegar de volta o Batmóvel que ele roubou. Explique as regras do jogo e esteja aberto para negociar com sua criança novas regras sugeridas por ela. Cada participante tem a sua vez para jogar o dado, andar o número de casinhas sorteado, retirar um cartão da pilha correspondente á cor da casinha e cumprir a sua tarefa. Você pode ajudar sua criança a cumprir as tarefas e pedir que ela lhe ajude também nas suas. Para trazer ainda mais diversão e leveza, faça uma cara engraçada ou levante-se da cadeira/chão para fazer a sua “dança da sorte” antes de jogar o 148 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva dado, faça uma festa animada para qualquer que seja o resultado do dado, fale com a voz de algum personagem interessante, levante-se e encene com a criança o que está acontecendo com os personagens do jogo, comemore todas as vezes que vocês cumprirem as tarefas, celebre as participações dela na atividade. Dê ênfase a diversão. Quando o primeiro jogador chegar ao final do tabuleiro, isso será motivo de celebração. O segundo jogador continuará jogando até que ele chegue ao final; ele também será celebrado. Retire a ênfase da competição e do ganhar ou perder. O importante não será chegar primeiro, e sim jogar junto, divertir-se e esforçar-se para chegar ao final. Variações: Para estimular a natureza cooperativa ao invés de competitiva do jogo, estabeleça desde o início que os dois jogadores trabalharão em parceria (em uma aliança de super-heróis!) para, por exemplo, resgatar o Batmóvel roubado pelo Charada. Somente quando os dois chegarem ao final, como um time, eles conseguirão conquistar o objetivo do jogo. Observações: Algumas crianças gostam de jogos que seguem à risca o enredo de um de seus filmes prediletos. Crie, então, um jogo de tabuleiro seguindo o roteiro do filme, e, durante as tarefas, vocês terão diversas oportunidades para praticar habilidades de flexibilidade e encenar trechos originais (novos) com os personagens conhecidos. 149 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 10.10 Atividade 10: Atividades para o apoio do aluno com Autismo Conteúdo: Nome próprio (foco na alfabetização). Atividades: 1) Jogos concretos e por fichas. 2) Exercícios de organização/pareamento. 3) Estimulação dos sentidos. 4) Valorização dos movimentos. Objetivos: • Proporcionar o reconhecimento do nome próprio e das letras do alfabeto. • Estimular e incentivar a escrita de diferentes formas. • Propiciar a comunicação (verbal e não verbal). Etapa 1: Escreva o nome da criança e faça uma plaquinha (informação visual). A plaquinha pode ser colocada junto com uma foto dela. Use o material dentro de sala de aula para consulta, fixado no mural ou como crachá. Além da sala de aula, você pode expor a plaquinha em locais onde a criança costuma frequentar. Por exemplo: um aluno que tem mais dificuldade de atenção gosta de ir ao balanço do parque da escola durante as atividades. A plaquinha exposta no balanço serve como estímulo, memorização e associação do nome. Dica: é importante aproveitar o material que se tem para ressignificar certos comportamentos da criança. 150 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Etapa 2: Explore o tato: toque e ensine o seu aluno a tocar em pessoas e objetos. Para ensinar o nome, por exemplo, você pode utilizar letras com texturas em lixa; pode dizer “VOCÊ É O JOÃO!” e sinalizar com o dedo tocando-o. Etapa 3: Cante músicas envolvendo o nome das crianças. A música do “roubou pão” é uma boa alternativa. - Gabriela roubou pão na casa de João! - Quem eu? - Você! - Eu não! - Então quem foi? - Foi a Isabele! Etapa 4: Faça uma brincadeira! Cole, no chão da sala de aula ou em outro lugar que preferir (quadra, parque), diversos nomes, inclusive o da criança em questão. O jogo consiste em deixar a criança correr e pular sobre o seu nome quando o encontrar. Você poderá adicionar uma foto ou não. Isso dependera do desafio que se quer proporcionar ao aluno (atividade que proporciona a informação visual + o movimento corporal). 151 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Etapa 5: Valorize movimentos repetitivos! Alguns alunos com autismo costumam balançar as mãos ou o corpo com bastante frequência. Ofereça estímulos sonoros associando as letras do nome/alfabeto. Exemplo: garrafas sensoriais com as letras do nome coladas nelas ou potinhos com areia dentro seguindo a mesma proposta. Assim, a criança explora o objeto realizando seus movimentos repetitivos, sendo despertada por algo novo, com significado. 152 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Etapa 6: Explorar diferentes jogos concretos que possam trabalhar com o nome próprio. Letras móveis de madeira e fichas plastificadas são excelentes opções, já que possuem mais durabilidade e correm pouco risco de serem danificadas. Use e abuse de fichas ou cartões com figuras, letras e palavras. Etapa 7: Aproveite os recursos da estimulação sensorial para incentivar a escrita/registro (areia do parque, massinha, tinha, entre outros materiais). 153 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Etapa 8: Atividades de organização/pareamento. Crianças com autismo costumam gostar de atividades em que a organização e o pareamento são os objetivos principais. 154 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 11. O saber frente a formação e inclusão na escola Paulo Freire sempre especificou que não existem educação sem amor, pois todo o conhecimento que vem pelo amor possuí a excelência da perfeição. Hoje em dia, grandes são os desafios enfrentados para a formação acadêmica, e sozinha, ela não suficiente para superar as barreiras do ensino-aprendizagem. Todas os dias são enfrentados medos, exaustão, egoísmo, fracasso e frustação. Uma educação social não é relativa há superior e inferior, mas a intensa participação de todos. Indagações como: o que faz uma pessoa passar horas em frente a um videogame e não suportar alguns minutos em sala de aula? O que podemos fazer para ter um melhor aproveitamento digital em sala? Qual material conseguiria chamar a atenção do meu aluno? Cunha, 2016 fala o seguinte: “São os diversos estímulos que as suas dimensões afetivas recebem. Na dialética da alma, a nossa incompletude é superada através do que é qualitativo. Dos diversos predicados que nos sensibilizam, o saber se completa quando é alcançado pelo desejo.” A ação do mestre só se torna realizador a partir do momento em que ele não se acomoda, acredita, concretiza e sente a necessidade de ensinar. Os processos educacionais inclusivos, são conquistados a partir das propriedades humanas conquistadas. É necessário entendermos que a escola deve ser próxima daquilo que é cotidiano da criança e aplicar as atividades de forma prazerosa, afim de que possaser adquirido habilidades. “Ademais, para além da subserviência a paradigmas pedagógicos, deverá haver a formação de pessoas criativas e dotadas de habilidades que possam transcender a visão restritiva de um currículo e, de maneira multidisciplinar e interdisciplinar, formar cidadãos para a vida. Nada é mais humano do que a vida.” (Cunha, 2016). 155 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 12. Dicas de filmes e séries sobre Educação Especial Deficiência Física 1. Amargo regresso 2. As sessões 3. Carne trêmula 4. Dr. Fantástico 5. Espíritos indômitos 6. Feliz ano velho 7. Ferrugem e osso 8. Gaby, uma história verdadeira 9. Inside I’m Dancing 10. Intocáveis 11. Johnny vai á guerra 12. Mar adentro 13. Meu pé esquerdo 14. Munderball 15. Nascido em 4 de julho 16. O Homem Elefante 17. O óleo de Lorenzo 18. The Best Years of Our Lives 19. The Other Side of the Mountain – Uma janela para o céu (Parte 1 e 2) Deficiência Auditiva 1. A música e o silencio 2. Mr. Holland – Adorável Professor 3. And now tomorrow 4. And your name is Jonah 5. Black 6. Cop Land 7. Filhos do silencio 8. Los amigos raros 9. O segredo de Beethoven 10. O país dos surdos 11. O piano 12. O segredo de Beethoven 13. Personal effects 14. Querido Frankie 15. Sweet nothing in my ear 16. The dancer 17. Tortura silenciosa Deficiência Intelectual 1. Benny & Joon: corações em conflito 2. City down 156 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 3. Dominick and Eugene (Nicky and Gino) 4. Eu me chamo Elisabeth 5. Forrest Gump: o contador de histórias 6. Gaby, uma história verdadeira 7. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador 8. Inside I’m Dancing 9. Meu filho, meu mundo 10. Meu nome é Radio 11. Loucos de amor 12. O enigma de Kaspar Hauser 13. O guardião de memórias 14. O oitavo dia 15. O óleo de Lorenzo 16. O primeiro da classe 17. Shine – Brilhante 18. Simples como amar 19. Uma lição de amor Deficiência Visual 1. À primeira vista 2. Além dos meus olhos 3. Castelo de gelo 4. Dançando no escuro 5. Demolidor 6. Eu não quero voltar sozinho 7. Jennifer 8 – A próxima vitima 8. La symphonie pastorale 9. O sino de Anya 10. Perfume de mulher 11. Quando só o coração vê 12. Ray 13. Um clarão nas trevas 14. Vermelho como o céu Deficiências Múltiplas 1. Amy 2. Black 3. As borboletas de Zagorsk 4. Cegos, surdos e loucos 5. Experimentando a vida 6. Helen Keller and Her Teacher 7. O escafandro e a borboleta 8. O milagre de Anne Sullivan 9. Sob suspeita 10. The unconquered (Helen Keller in Her Story) 11. Uma lição de amor 157 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Autismo 1. A lenda do pianista do mar 2. A menina e o cavalo 3. A mother’s courage: talking back to autismo 4. Á sombra do piano 5. Adam 6. Arthur e o infinito: um olhar sobre o autismo 7. Autismo: o musical 8. Ben X: a fase final 9. Código para o inferno 10. Experimentando a vida 11. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador 12. Loucos de amor 13. Mary e Max: uma amizade diferente 14. Amargo pesadelo 15. Meu filho, meu mundo 16. Meu nome é Khan 17. O garoto que podia voar 18. O nome dela é Sabine 19. Ocean Heaen 20. Prisioneiro do silencio 21. Rain man 22. Ressurreição 23. Retratos de família 24. Sei que vou te amar 25. Tão forte e tão perto 26. Temple Grandin 27. Testemunhas do silencio 28. Um amigo inesperado 29. Um certo olhar 30. Um time especial 31. Uma viagem inesperada 32. White frog 158 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva Altas Habilidades/superdotação 1. Academia de gênios 2. Amadeus 3. Billy Elliot 4. Codigo para o inferno 5. Encontrando Forrester 6. Escola de rock 7. Gênio indomável 8. Hackers – Piratas de computador 9. Infinity – um amor sem limites 10. Lances inocentes 11. Mentes que brilham 12. Meu pé esquerdo 13. Miss Potter 14. Música do coração 15. O céu de outubro 16. O jogo da imitação 17. O som do coração 18. Piaf – um hino amor 19. Prenda-me se for capaz 20. Prova de fogo – uma história de vida 21. Ray 22. Serie Netflix: Scorpion 23. Shine – Brilhante 24. Sociedade dos poetas mortos 25. Uma mente brilhante Fonte: Construir Notícias, 2020 159 www.soeducador.com.br Educação especial e inclusiva 13. REFERÊNCIAS ABBAMONTE, Renata. Inclusão escolar: do que se trata? Disponível em:<http://www.netpsi.com.br/artigos/060405_inclusao.htm#>. Acesso em: 18 set. 2009. ACAMPORA, Bianca. Inclusão e aprendizagem: novos rumos. Construir Notícias. Ano 16 – n°90. Setembro/Outubro 2016 – ISSN 2236-3505. AISCOW, M. Necesidades especiales en el aula. Guía para la formación del profesorado. Paris: UESCO; Madrid: ARCEA, 1995. ALBUQUERQUE, R.N. Imaturidade infantil ou sintomas opositores? Falta de limites ou opositivo desafiador? O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Construir Notícias. Ano 24 - #134 Março/Abril 2024. ISSN 2236-3505. 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