Prévia do material em texto
1 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 2 2 A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA AS NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECÍFICAS ................................................................................ 3 3 ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ...... 4 3.1 Entendendo a deficiência intelectual .................................................... 5 3.2 Classificação ........................................................................................ 7 3.3 Etiologia ................................................................................................ 9 3.4 Compreendendo os aspectos gerais da deficiência intelectual .......... 11 3.5 Cuidados Especiais para Pessoas com Deficiência Intelectual .......... 14 4 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO .......................................................................... 18 5 ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO EM SALA DE AULA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES ................................................................ 28 5.1 Abordagens Teóricas na Identificação das (AH/SD) .......................... 32 5.2 Modelos Tradicionais.......................................................................... 34 5.3 Modelos atuais ................................................................................... 35 5.4 Estratégias no Processo de Identificação Educacional ...................... 36 5.5 Processo de Identificação, na Prática, ............................................... 38 6 A INCLUSÃO SOCIAL DE INDIVÍDUOS COM AH/SD: DESAFIOS E AVANÇOS ................................................................................................................ 40 2 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro — quase improvável — um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para ser esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é o mesmo. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 3 2 A RELEVÂNCIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA AS NECESSIDADES EDU- CACIONAIS ESPECÍFICAS A Educação Integradora vem ganhando uma relevância significativa no cenário educacional brasileiro. A partir de 2008, com a divulgação da Política Nacional de Educação Especial com Enfoque na Educação Integradora pelo governo brasileiro, as discussões sobre esse movimento educativo têm se intensificado. As orientações desse direcionamento reafirmam o direito dos estudantes, independentemente de suas necessidades educacionais específicas, a participarem plenamente e construí- rem conhecimento na escola regular. Essa abordagem busca fomentar a igualdade de oportunidades e o respeito à diversidade, tornando a educação um direito acessível a todos os alunos (BRIDI, 2018). Com a implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspec- tiva da Educação Inclusiva em 2008, ocorreu uma transformação significativa no pa- norama educacional. Nesse novo contexto, a equiparação entre a educação especial e o ensino comum foi substituída, permitindo que a educação especial fosse estabe- lecida como uma modalidade de ensino própria, com um serviço específico oferecido conhecido como Atendimento Educacional Especializado (AEE). Essa mudança pro- moveu o reconhecimento da inclusão educacional, compreendendo a importância de proporcionar uma educação de qualidade para todos os alunos, independentemente de suas necessidades educacionais especiais. Sob essa perspectiva, a Educação Especial reconhece que as particularidades individuais fazem parte da diversidade humana e, por isso, a aprendizagem deve ser adaptada às necessidades de cada pessoa. Nesse contexto, o termo "necessidades educacionais especiais" é usado para descrever os alunos cujas demandas são influ- enciadas por suas habilidades ou dificuldades no processo de aprendizado. Essas dificuldades podem estar relacionadas a questões cognitivas, físicas, emocionais, sensoriais ou sociais. Portanto, é crucial implementar estratégias e modificações pe- dagógicas para permitir que os estudantes aprendam e desenvolvam suas capacida- des de maneira apropriada. Essa abordagem busca criar um ambiente inclusivo e ga- rantir que todos os alunos tenham igualdade de oportunidades no processo educaci- onal. (BRIDI, 2018). 4 3 ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL No contexto da deficiência intelectual, os procedimentos diagnósticos são con- duzidos tanto pela área médica quanto pela psicologia. Quando a abordagem é mé- dica, o diagnóstico é fundamentado em concepções orgânicas da deficiência, com ênfase na dimensão biológica e na etiologia. Por outro lado, na abordagem psicoló- gica, os diagnósticos são realizados por testes psicométricos (CORREIA, 1999). No âmbito conceitual, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1993) oferece uma visão clínica da deficiência intelectual que engloba dois elementos fundamentais: a idade cronológica e a cultura social. Basicamente, o indivíduo deve apresentar um funcionamento intelectual substancialmente inferior à média, evidenciando-se desde os primeiros estágios da infância, aliado a uma dificuldade em se ajustar às demandas culturais da sociedade. É relevante destacar que a definição e o diagnóstico da deficiência intelectual podem variar dependendo da abordagem adotada e das orientações de cada órgão responsável, como a OMS. Tais abordagens visam compreender as dificuldades e necessidades das pessoas com deficiência intelectual, viabilizando a implementação de intervenções e apoios adequados para promover sua inclusão e desenvolvimento. Ao utilizar uma abordagem clínica para definir a deficiência, torna-se evidente que o foco está na avaliação das limitações do indivíduo. Em outras palavras, é ne- cessário que a pessoa apresente restrições tanto no funcionamento intelectual quanto na adaptação comportamental, na comunicação, nos cuidados pessoais, nas habili- dades sociais, no desempenho familiar e comunitário, na independência, na locomo- ção, na saúde e segurança, no desempenho escolar, nas atividades de lazer e no trabalho. Compreender a deficiência intelectual requer uma reflexão sobre suas defini- ções conceituais e uma análise do processo de aprendizagem desses indivíduos no ambiente escolar, considerando que eles representam a maior proporção de alunos atendidos pela educação especial (CORREIA, 1999). 5 3.1 Entendendo a deficiência intelectual Ao longo dos diferentes períodos históricos, a história da deficiência intelectual (DI) tem sido um reflexo do contexto social da época. Durante a Idade Média, a soci- edade apresentava uma atitude ambivalente em relação aos indivíduos chamados de "pessoas com deficiência intelectual". Essas pessoas eram acolhidas pela igreja, que as interpretava como sujeitas a castigos divinos, associando a "deficiência intelectual" a uma dimensão religiosa (PESSOTTI, 1984). Com o passar do tempo e os avanços na medicina, surgiu a concepção de que a deficiência intelectual, assimcomo outras deficiências, estava relacionada a proble- mas médicos, sendo considerada uma fatalidade herdada ou congênita (PESSOTTI, 1984). Essa mudança de paradigma em relação à deficiência intelectual foi solidificada por meio de estudos sobre desenvolvimento e estímulo, que gradualmente evoluíram para ações educacionais. Nesse período, emergiram os primeiros movimentos de ins- titucionalização em conventos e hospícios para o tratamento desses indivíduos (ARA- NHA, 1995). Em um curto espaço de tempo, a deficiência intelectual (DI) despertou o inte- resse de vários educadores, levando a sociedade a defender a criação de organiza- ções segregadas onde essas pessoas pudessem receber um atendimento mais ade- quado, mesmo que com recursos limitados. No entanto, somente a partir do século XIX é que se observou uma atitude de responsabilidade pública em relação às neces- sidades das pessoas com DI (SILVA; DESSEN, 2001). Durante os séculos XIX e XX, os estudos sobre a DI adquiriram um caráter mais científico, buscando uma tentativa de uniformização do conceito. Durante esse período, houve esforços para definir e classificar a DI de maneira mais precisa, a fim de compreender suas características e necessidades específicas. No Brasil, as primeiras iniciativas direcionadas especificamente às pessoas com deficiência intelectual ocorreram durante o século XX. Na década de 1950, dis- cussões sobre os objetivos e a qualidade dos serviços educacionais especiais ganha- ram destaque no cenário mundial. Enquanto isso, no Brasil, a falta de serviços ade- quados e a negligência do poder público resultaram no surgimento de movimentos comunitários que levaram à criação de escolas especiais privadas. 6 A partir da década de 1970, houve uma abordagem mais assertiva por parte do poder público em relação a essa questão, com a ampliação do acesso à escola para a população em geral e a implementação de classes especiais na educação básica (JANNUZZI, 2004). Na segunda metade do século, várias instituições sem fins lucra- tivos foram criadas com foco no atendimento de pessoas com deficiência intelectual, sendo a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e a Sociedade Pes- talozzi (PEREIRA, 2009) exemplos proeminentes. Até os dias atuais, essas institui- ções desempenham um papel crucial na história dessa deficiência, buscando alinhar seus projetos com a proposta de inclusão social adotada no Brasil desde a década de 1990. A história da deficiência intelectual sugere que sua existência e desenvolvi- mento como categoria social são extremamente complexos. A mutabilidade, a varia- bilidade e a inconsistência conceitual, além das lutas contra a opressão ao longo do tempo, indicam que ainda não existe uma base sólida para uma identidade social con- solidada. No ano de 2018, a deputada federal Rejane Dias (PT-PI) apresentou uma pro- posta de emenda à Constituição, identificada como PEC n.º 427/18. A Câmara dos Deputados analisa a proposta que altera a Constituição para padronizar a denomina- ção de pessoas com deficiência. Diversos dispositivos constitucionais as tratam como "pessoas portadoras de deficiência", enquanto a nomenclatura adequada atualmente é "pessoas com deficiência" (AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS, 2019, documento online). O primeiro modelo é o do "entendimento socioecológico da deficiência intelec- tual". Esse modelo aborda a pessoa considerando suas restrições no funcionamento individual dentro de um contexto social. Ele não encara a deficiência como um pro- blema centrado na pessoa em si, mas como um desajuste entre as capacidades do indivíduo e as demandas do ambiente ao seu redor. Sob essa perspectiva, a origem da deficiência intelectual pode estar relacionada a fatores orgânicos e/ou sociais. Es- ses fatores podem resultar em limitações funcionais que afetam tanto o funcionamento pessoal quanto o desempenho de papéis e tarefas esperados para um indivíduo em seu ambiente social (PEREIRA, 2009). 7 O próximo conceito é o "enfoque multidimensional", que considera o funciona- mento humano por meio de cinco dimensões: habilidades intelectuais, comportamento adaptativo, saúde, participação e contexto. As habilidades intelectuais dizem respeito às capacidades mentais gerais, como raciocínio lógico, pensamento abstrato e ideias complexas. Segundo a AAIDD (2010), essas habilidades devem ser avaliadas por meio de testes padronizados. O comportamento adaptativo engloba um conjunto de habilidades conceituais, sociais e práticas que uma pessoa utiliza em suas atividades diárias. A participação refere-se ao desempenho da pessoa em atividades reais nos diferentes aspectos da vida social, como trabalho, lazer, vida espiritual e atividades culturais. A saúde é ava- liada considerando o histórico clínico do indivíduo, contemplando seu bem-estar físico, mental e social. Quanto ao contexto, avaliações devem ser feitas em relação ao am- biente (físico, social e atitudinal) e às características pessoais, como motivação, esti- los de aprendizagem e estilos de vida (DIAS; OLIVEIRA, 2013). O último conceito estabelecido pela AAIDD (2010) diferencia uma "definição operacional" de uma "definição constitutiva" da deficiência intelectual. A definição ope- racional estabelece os limites do termo, separando o que está incluído do que não está incluído, enquanto a definição constitutiva estabelece o construto em relação a outros conceitos, fornecendo fundamentos teóricos mais claros. 3.2 Classificação Três critérios devem ser observados em relação à deficiência intelectual: funci- onamento intelectual, comportamento adaptativo e idade de início das características. Conforme a definição da AAIDD (2010), o funcionamento intelectual e o comporta- mento adaptativo devem apresentar limitações significativas, e as manifestações da deficiência intelectual devem ter se iniciado antes dos 18 anos. Nesse sentido, é importante ressaltar também que, embora a linguagem de- sempenhe um papel evidente ao longo do processo de avaliação da deficiência inte- lectual, na definição em si, não há uma referência direta a ela, criando um silêncio preocupante. 8 Quadro 1 - Classificação da deficiência intelectual adaptada — CID-10 (2010) F.70 — Retardo mental leve • QI entre 50–69. • Provável dificuldade de aprendizagem esco- lar. • Adulto capaz de trabalhar. • Relacionamento social satisfatório. • Subnormalidade mental leve. F.71 — Retardo Mental Moderado • QI entre 35–49 • Provável atraso (acentuado) do desenvolvi- mento durante a infância. • Graus variados de suporte para viver e traba- lhar na comunidade durante a vida adulta. • A maioria dos indivíduos desenvolve certo grau de independência quanto aos cuidados pessoais, às habilidades acadêmicas e à co- municação. • Subnormalidade mental moderada F.72 — Retardo Mental grave • QI entre 20–34. • Provável necessidade de assistência contí- nua. • Subnormalidade mental grave F.73 — Retardo Mental Profundo • QI < 20 • Limitações graves relacionadas aos cuidados pessoais, à comunicação e à mobilidade. • Subnormalidade mental profunda Fonte: Adaptado de Lago (2013). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) da Ameri- can Psychiatric Association (APA, 2014) propôs critérios para caracterizar o “retardo 9 mental”, termo anteriormente utilizado para se referir à deficiência intelectual. Esses critérios incluem verificar um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, manifestando-se antes dos 18 anos, juntamente com limitações ou déficits no comportamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas: comunicação, autocuidado, vida doméstica, habilidades sociais, uso de recursos comunitários, habi- lidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança (APA,2014). Por outro lado, a AAIDD (2010) apresenta um modelo de classificação da defi- ciência intelectual baseado em uma abordagem multidimensional. Esse sistema de classificação caracteriza-se por limitações significativas tanto no funcionamento inte- lectual quanto no comportamento adaptativo, expresso em habilidades conceituais (por exemplo, alfabetização, conceito de números, dinheiro e tempo, etc.), habilidades sociais (por exemplo, relacionamento interpessoal, autoestima, obediência às regras, etc.) e habilidades práticas (por exemplo, atividades de vida diária, cuidados pessoais, qualificação profissional, etc.). Essas limitações devem ter origem antes dos 18 anos. 3.3 Etiologia A etiologia da Deficiência Intelectual (DI) é diversificada e resulta de uma vari- edade de processos patológicos que interferem no funcionamento do sistema ner- voso. Alguns fatores de risco podem ser identificados desde a fecundação até o nas- cimento. A fase pré-natal, que abrange o período entre a fecundação e o segundo mês de gestação, apresenta a maior probabilidade de ocorrência de anormalidades graves e defeitos fisiológicos no embrião. Os fatores externos vividos pela mãe podem afetar o feto através da placenta, causando reações negativas como deformidades físicas e disfunções intelectuais e comportamentais. Entre as causas mais conhecidas, podemos listar a síndrome de Down, a desnutrição, a síndrome alcoólica fetal, a síndrome de Rett, a síndrome do X frágil e malformações cerebrais (GONZÁLEZ et al., 2013). A DI pode ser considerada multifatorial, composta por quatro categorias de riscos: biomédicos, sociais, compor- tamentais e educacionais. O Quadro 2 apresenta essas categorias, distribuídas em seus períodos de ocorrência. 10 OCOR- RÊNCIA FATORES BIOMÉDI- COS FATORES SOCI- AIS FATORES COMPORTA- MENTAIS FATORES EDUCACIO- NAIS Pré-natal Distúrbios cromossô- micos Distúrbios de gene único Síndromes Distúrbios metabóli- cos Digênese cerebral Doenças maternas Idade dos pais Pobreza Má nutrição ma- terna Violência domés- tica Falta de pré-natal Uso de drogas ou álcool pelos pais. Pais fumantes Imaturidade dos pais Deficiência cognitiva dos pais sem apoio Falta de pre- paração para serem pais. Perinatal Prematuridade Lesão no nascimento Distúrbios neonatais Falta de acesso aos cuidados no nascimento. Rejeição dos pais à criança Abandono da criança pelos pais. Falta de en- caminha- mento mé- dico Pós-natal Lesão cerebral trau- mática Má nutrição Meningoencefalite Distúrbios convulsi- vos Distúrbios degenerati- vos Cuidador incapa- citado Falta de estimula- ção Pobreza Doença crônica institucional Abuso ou negli- gência Violência do- méstica Insegurança Privação social Comportamen- tos difíceis Incapacidade dos pais Diagnóstico tardio Intervenção tardia Educação inadequada Apoio familiar inadequado 11 3.4 Compreendendo os aspectos gerais da deficiência intelectual A convivência e as relações familiares que envolvem uma pessoa com defici- ência intelectual tendem a ser bastante complexas, uma vez que a presença diária de alguém com DI afeta o funcionamento familiar. Muitas mães de crianças com DI as- sumem integralmente a responsabilidade pelos cuidados de seus filhos, dedicando- se intensamente ao papel de cuidadoras (FAVERO-NUNES; SANTOS, 2010). Ao longo das épocas, o mundo passa por transformações impulsionadas pelas dinâmicas culturais, resultando em implicações políticas, sociais e científicas que in- fluenciam os caminhos do desenvolvimento e orientam as práticas sociais nos campos da educação e da saúde (DIAS; OLIVEIRA, 2013). Essas transformações moldam as trajetórias de desenvolvimento com impacto significativo nas experiências das famílias com membros que possuem deficiência intelectual. A partir do século XX, surgiram concepções inovadoras de desenvolvimento baseadas em abordagens dialógicas e culturais, o que permitiu redirecionar a com- preensão da deficiência intelectual. A deficiência deixou de ser vista como uma im- possibilidade de desenvolvimento intelectual e passou a ser entendida como uma das alternativas possíveis de desenvolvimento humano. No convívio social, as interações podem gerar situações desafiadoras ou difi- culdades de comunicação. No entanto, cada pessoa elabora suas dificuldades de forma única e ao longo do tempo desenvolve processos compensatórios distintos, de- pendendo das situações que surgem, das dificuldades específicas associadas à defi- ciência e da educação recebida (PEREIRA, 2009). No entanto, é crucial romper as barreiras existentes para ir além do conheci- mento das características da deficiência ou de seus aspectos quantitativos. Trata-se, portanto, de construir metodologias e práticas que coloquem em seu horizonte a fina- lidade de conhecer a pessoa em si, investigar o lugar que a deficiência ocupa em sua vida, como sua subjetividade se organiza diante dessa deficiência e quais mudanças pessoais foram produzidas ou se apresentam como. O foco está em valorizar a sin- gularidade de cada indivíduo e superar as limitações impostas pelas barreiras sociais e culturais. 12 3.5 Os principais tipos de deficiência intelectual e a vivência singular dos su- jeitos. Os principais tipos de deficiência intelectual causados por fatores genéticos in- cluem as síndromes de Down, do X frágil, de Prader-Willi, de Angelman e de Williams. As causas dessas limitações na inteligência são diversas e, em muitos casos, ainda desconhecidas. A síndrome de Down é o tipo mais comum de deficiência intelectual, causada pela presença de um cromossomo extra no material genético da pessoa, resultando em trissomia do cromossomo 21. Esse cromossomo extra é resultado de uma altera- ção na divisão do material genético durante a formação do gameta feminino ou mas- culino. A síndrome do X frágil é causada por uma anomalia genética no cromossomo X, que leva a alterações comportamentais e de aprendizado. Essa síndrome pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres, mas os sintomas tendem a ser mais graves nos homens. A síndrome de Angelman, também conhecida como “síndrome da boneca feliz”, é causada por uma anomalia em um gene transmitido pela mãe. A maioria dos casos dessa síndrome ocorre quando uma parte do cromossomo 15 materno é deletada. Já a síndrome de Prader-Willi é causada por uma alteração no cromossomo 15 paterno durante a concepção. Essa condição se caracteriza por hipotonia (baixo tônus mus- cular) ao nascimento, deficiência intelectual, ingestão excessiva de alimentos (hiper- fagia), baixa produção de hormônios sexuais, estatura baixa e atraso no desenvolvi- mento psicomotor (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). A sexualidade é um aspecto importante a ser considerado em relação às pes- soas com deficiência intelectual. Ela deve ser compreendida em sua ampla abrangên- cia, afetando o indivíduo em diversas dimensões — biológica, psicológica, social e cultural. A sexualidade é um direito inerente a todos os indivíduos e deve ser respei- tada, permitindo que cada pessoa viva sua sexualidade de acordo com sua individua- lidade, e isso inclui as pessoas com deficiência intelectual (MAIA; CAMOSSA, 2003). É equivocado pensar que as pessoas com deficiência intelectual não possuem sexualidade ou que possuem deficiência emocional, o que as tornaria incapazes de estabelecer relacionamentos amorosos profundos e duradouros. Essas concepções são baseadas em estereótipos e preconceitos, e é fundamental desafiá-las. Assim como qualquer outra pessoa, as pessoas com deficiência intelectual têm o direito de 13 explorar e vivenciar sua sexualidade de maneira saudável e consensual, com o devidoapoio e orientação adequada (MAIA; CAMOSSA, 2003). Os comportamentos afetivo-sexuais, desde abraços, beijos e palavras até a masturbação e a relação sexual, são considerados normais e aceitos pela sociedade em geral. No entanto, quando expressos por pessoas com deficiência intelectual, mui- tas vezes são vistos de forma preconceituosa e desviante, sendo considerados into- leráveis e aberrantes (MAIA, 2001). Essa atitude revela a existência de estereótipos e preconceitos que precisam ser superados. O nível de socialização das pessoas com deficiência intelectual está direta- mente relacionado ao investimento que suas famílias fazem na promoção de sua au- tonomia e identidade. Esses fatores podem ter um impacto significativo no desenvol- vimento psicossocial e sexual desses indivíduos. Embora muitos jovens com deficiên- cia intelectual possuam características físicas semelhantes às dos jovens sem defici- ência, eles podem não estar preparados para as demandas da vida independente (GLAT; FREITAS, 1996). É essencial desafiar as visões estereotipadas e promover a autonomia sexual das pessoas com deficiência intelectual. Isso envolve fornecer apoio adequado, edu- cação sexual inclusiva e criar um ambiente que respeite suas escolhas e consenti- mento. A inclusão e o respeito à diversidade sexual são fundamentais para garantir que todas as pessoas, independentemente de sua condição, tenham o direito de ex- pressar sua sexualidade de forma saudável e satisfatória. Recentes avanços nos campos científico, educacional, social e jurídico, junta- mente com mudanças nos valores e a disseminação da cultura inclusiva, têm propor- cionado às pessoas com deficiência intelectual uma maior participação social e acesso prolongado à educação. A política de educação inclusiva tem contribuído para o aumento do número de jovens com deficiência que concluem o ensino médio e estão qualificados para fazer a transição para o ensino superior ou para o mercado de tra- balho (DIAS, 2012). No entanto, ao analisarmos os diferentes tipos de deficiência, é perceptível que as conquistas alcançadas não são igualmente compartilhadas por todos. A deficiência intelectual, em particular, incluindo as formas não sindrômicas, apresenta caracterís- ticas peculiares que podem influenciar a trajetória educacional e social dos indivíduos. 14 Embora tenham ocorrido avanços significativos no sentido de promover a inclu- são e proporcionar oportunidades educacionais para as pessoas com deficiência in- telectual, é necessário continuar a enfrentar os desafios específicos associados a essa condição. É fundamental investir em estratégias de apoio e acompanhamento individualizados, bem como em programas de capacitação e conscientização para professores, profissionais e a sociedade em geral, a fim de garantir uma inclusão efe- tiva e igualdade de oportunidades para todas as pessoas com deficiência intelectual. As pessoas com deficiência intelectual frequentemente enfrentam limitações em suas interações com o mundo social, como a desvalorização de seus papéis como jovens e adultos, bem como expectativas reduzidas em relação à sua capacidade de adaptação, solução de problemas, reflexão e autorreflexão — características essen- ciais do funcionamento cognitivo mais desenvolvido (CARVALHO, 2006). Em diversas perspectivas, as pessoas com deficiência são frequentemente abordadas como se estivessem distantes da posição de adultos. São comparadas e tratadas como crianças grandes, sendo consideradas incapazes de agir, tomar deci- sões, fazer escolhas ou liderar, como as pessoas sem deficiência. Essa abordagem limitada resulta na privação de diversas oportunidades, como inserção no mercado de trabalho e acesso à educação em níveis mais elevados, prejudicando o seu desenvol- vimento pessoal (DIAS, 2012). É essencial superar esses estereótipos e promover o potencial das pessoas com deficiência intelectual. Elas possuem habilidades, talentos e capacidades únicas que podem contribuir de maneira significativa para a sociedade. É necessário garantir que sejam tratadas com respeito, dignidade e igualdade de oportunidades, permitindo que desenvolvam suas habilidades, adquiram autonomia e alcancem seu pleno po- tencial. Isso requer criar ambientes inclusivos, a valorização de suas contribuições e o apoio adequado para poderem participar ativamente na sociedade como cidadãos de direitos plenos. 3.6 Cuidados Especiais para Pessoas com Deficiência Intelectual Cuidados especiais para pessoas com deficiência intelectual são fundamentais para promover o bem-estar, desenvolvimento e inclusão dessas pessoas na socie- dade. Esses cuidados abrangem uma série de aspectos que vão desde a saúde física 15 e emocional até a educação, socialização e autonomia. Aqui estão alguns dos princi- pais pontos a considerar ao fornecer cuidados especiais para pessoas com deficiência intelectual: ✓ Saúde e Bem-Estar: Pessoas com deficiência intelectual podem ter ne- cessidades de saúde específicas que requerem atenção. É importante garantir que elas tenham acesso a cuidados médicos regulares, vacina- ções e exames preventivos. Além disso, cuidados odontológicos e acom- panhamento de condições médicas crônicas devem ser considerados. ✓ Apoio Educacional: Para crianças e jovens com deficiência intelectual, é fundamental proporcionar um ambiente educacional inclusivo e adap- tado às suas necessidades. Isso pode envolver planos de educação in- dividualizados, professores especializados e estratégias de ensino dife- renciadas. ✓ Desenvolvimento de Habilidades: Oferecer oportunidades para o desen- volvimento de habilidades sociais, comunicativas e de vida diária é es- sencial. Isso pode incluir terapias ocupacionais, fonoaudiologia e ativi- dades que promovam a autonomia, como aprendizado de habilidades domésticas e de autocuidado. ✓ Socialização e Integração: Incentivar a participação em atividades soci- ais e comunitárias é crucial para a inclusão das pessoas com deficiência intelectual. Isso pode envolver clubes, grupos recreativos, esportes adaptados e outras oportunidades de interação social. ✓ Apoio Emocional e Psicológico: Pessoas com deficiência intelectual po- dem enfrentar desafios emocionais e psicológicos. Oferecer apoio tera- pêutico, orientação emocional e estratégias para lidar com o estresse é importante para a sua saúde mental. ✓ Autonomia e Vida Independente: Dependendo do grau de deficiência, trabalhar na promoção da autonomia e vida independente é um objetivo 16 importante. Isso pode incluir treinamento em habilidades sociais, de co- municação, de transporte público e de busca de emprego. ✓ Apoio Familiar: A família desempenha um papel crucial nos cuidados de pessoas com deficiência intelectual. Oferecer orientação e apoio às fa- mílias, bem como conexão com grupos de apoio, pode ajudar a enfrentar os desafios e compartilhar experiências. ✓ Acessibilidade: Garantir que os ambientes sejam acessíveis é vital para a inclusão. Isso envolve a adaptação de espaços físicos, transporte pú- blico e tecnologias para atender às necessidades das pessoas com de- ficiência intelectual. ✓ Planejamento a Longo Prazo: Planejar o futuro é importante para garan- tir a continuidade do cuidado e do apoio. Isso pode envolver a criação de planos de apoio para a vida adulta, considerando emprego, moradia e relações sociais. ✓ Promoção dos Direitos: As pessoas com deficiência intelectual têm di- reito à igualdade, dignidade e participação plena na sociedade. Promo- ver a conscientização sobre esses direitos, combater a discriminação e a estigmatização é fundamental. É importante lembrar que cada pessoa é única, e os cuidados especiais devem ser adaptados às necessidades individuais. Além disso, envolver as próprias pessoas com deficiência intelectual nas decisões relacionadasaos seus cuidados é essencial para respeitar sua autonomia e preferências. No cenário brasileiro, existem medidas governamentais que têm o propósito de expandir, aprimorar e diversificar as abordagens destinadas ao cuidado das pessoas com deficiência física, auditiva, intelectual, visual, ostomia e múltiplas deficiências. Essas medidas visam criar uma rede de serviços integrados, coordenados e eficazes em diversos pontos de atendimento para suprir as necessidades das pessoas com deficiência. 17 Além disso, essas iniciativas têm como objetivo implementar intervenções de reabilitação e prevenção precoce de incapacidades desde os estágios iniciais (BRA- SIL, 2012, conforme informações online).Através da Portaria n.º 793, datada de 24 de abril de 2012, foi estabelecida a criação da Rede de Cuidados voltada para atender às necessidades da pessoa com deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS). Os objetivos principais dessa Rede de Cuidados são (BRASIL, 2012, documento online): I — Ampliar o acesso e qualificar o atendimento às pessoas com deficiência temporária ou permanente; progressiva, regressiva ou estável; intermitente ou contínua no SUS; II — Promover a vinculação das pessoas com deficiência auditiva, física, in- telectual, ostomia e com múltiplas deficiências e suas famílias aos pontos de atenção; e III — garantir a articulação e a integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento e clas- sificação de risco. O modelo multidimensional, utilizado pela AAIDD, utiliza diferentes níveis de suporte para pessoas com deficiência intelectual. A abordagem da AAIDD promoverá uma interação entre as limitações funcionais individuais desses indivíduos e as possi- bilidades de adaptação presentes em seu ambiente diário. As cinco dimensões apre- sentadas por esse modelo abrangem aspectos relacionados ao indivíduo, seu funcio- namento pessoal no ambiente físico e social, o contexto em que está inserido e os sistemas de suporte disponíveis (AAIDD, 2010). As famílias que possuem membros com deficiência intelectual enfrentam desa- fios ao longo da vida. Um desses desafios é encontrar intervenções adequadas e sa- tisfatórias, especialmente no contexto brasileiro (PEREIRA-SILVA; DESSEN, 2005). Além da família, outros ambientes de socialização desempenham um papel funda- mental ao atender e incluir pessoas com deficiência intelectual, especialmente a es- cola e o ambiente de trabalho. A educação e o trabalho são considerados grandes contextos de desenvolvimento e inclusão social (DALLABRIDA, 2007), e cabe à famí- lia promover a conexão entre seus membros com deficiência e esses contextos. O vínculo entre a família e os programas de atendimento é uma premissa importante para favorecer a inclusão (OGAMA; TANAKA, 2003). É importante destacar que muitas vezes existe uma lacuna entre os serviços oferecidos pelas instituições especializadas e as expectativas das famílias, que geral- mente esperam mais do que essas instituições podem oferecer. Portanto, é necessá- 18 rio obter um melhor entendimento sobre a deficiência intelectual antes de fazer julga- mentos prévios, rotulando uma pessoa como incapaz, anormal ou inferior. As pessoas com deficiência intelectual têm necessidades semelhantes às das pessoas sem defi- ciência, porém requerem cuidados abrangentes de uma equipe interdisciplinar. Com estímulos e intervenções adequadas, é possível promover uma interação máxima en- tre o indivíduo, o ambiente e as tarefas, facilitando o desenvolvimento de suas habili- dades. 4 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDO- TAÇÃO É de suma importância que o educador com expertise em Altas Habilidades/Su- perdotação assuma a responsabilidade de traçar os contornos e investigar os limites desse domínio, bem como adquirir informações acerca do reconhecimento desses in- divíduos no ambiente escolar. Ao proceder dessa maneira, o educador estará simpli- ficando o desenvolvimento de uma abordagem educacional mais apropriada para sa- tisfazer suas necessidades particulares. A pesquisa no âmbito das Altas Habilida- des/Superdotação tem explorado uma extensa gama de descrições e definições rela- cionadas ao tópico e às pessoas que manifestam essas características. Conforme Tourón, Peralta e Repáraz (1998), as primeiras investigações foca- das na inteligência foram inauguradas por Galton, que sustentava a perspectiva de que a genialidade se caracterizava por um grau notável de proeminência, situando esses indivíduos como verdadeiramente extraordinários. Dentro desse cenário, surge o conceito de inteligência inata, passível de ser avaliado através de avaliações. No período compreendido entre 1925 e 1959, Terman conduziu um estudo longitudinal, empregando testes e identificando 1528 crianças superdotadas, cujo quociente inte- lectual (QI) ultrapassava 140. Essas crianças continuaram sob observação ao longo de suas trajetórias de vida. Guilford (1967) elaborou um conceito inovador de habilidade cognitiva, ultra- passando os modelos anteriores que eram predominantemente unidimensionais e ba- seados nos testes de QI. Da mesma forma, Torrance (1974) desenvolveu os conceitos de criatividade, fluência, flexibilidade, originalidade e elaboração, contribuindo para a compreensão abrangente da inteligência (TOURÓN; PERALTA; REPÁRAZ, 1998). 19 Sob essa perspectiva multidimensional da inteligência, o Relatório Marland de 1972, produzido pelo Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar dos Estados Unidos, apresentou a primeira definição de superdotação, propondo um conceito mais abran- gente, delineando seis áreas gerais. Nas palavras contidas no próprio documento (1972): Crianças superdotadas e talentosas são aquelas identificadas por profissio- nais qualificados, em virtude de suas habilidades que se destacam e de seu alto rendimento. Estas crianças requerem programas de educação diferenci- ada e serviços distintos dos proporcionados habitualmente por um centro co- mum para poderem realizar sua contribuição a si mesmas e à sociedade. As crianças capazes de altos rendimentos encontram-se inclusas dentre aquelas com rendimentos demonstrados e/ou nas capacidades potenciais em qual- quer das seguintes áreas, podendo ser em uma ou em várias: 1) capacidade intelectual geral, 2) aptidão acadêmica específica, 3) pensamento criativo ou produtivo, 4) capacidade de liderança, 5) artes visuais e manipulativas, 6) ca- pacidade psicomotora. É presumível que a utilização destes critérios para a identificação de sujeitos superdotados e com talento incluirá um percentual mínimo de 3 a 5% da população escolar” (Relatório Marland, do Departa- mento de Saúde, Educação e Bem-Estar dos Estados Unidos, 1972). No trecho mencionado, fica claramente expressa tanto uma definição do termo, abrangendo seis áreas mais gerais, como a necessidade de profissionais qualificados para identificar esses indivíduos. Além disso, o documento prevê a implementação de programas educacionais diferenciados, visando oferecer atividades que possam con- tribuir para o desenvolvimento desses sujeitos e da sociedade. Contudo, é importante observar que esse conceito já não é tão atual, considerando todos os estudos e pes- quisas que têm sido realizados atualmente. Conforme Alencar e Fleith (2001), no Brasil, o atendimento a alunos com Altas Habilidades/Superdotação e o estudo sobre esse tema experimentaram um cresci- mento significativo, principalmente na década de 1970, impulsionados por dois acon- tecimentos marcantes. O primeiro foi a promulgação da Lei n.º 5.691, de 1971, tam- bém conhecida como Lei de Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, que estabeleceu a obrigação de prover atendimento específico para alunos superdotados. O segundo evento relevante foi a realização do primeiro Seminário sobre os Superdo- tados no país, tambémocorrido em 1971. Nesse evento, ressaltou-se a necessidade de: • Realizar um diagnóstico precoce do superdotado. • Organizar um sistema de educação específico para atender às necessi- dades do superdotado. 20 • Preparar um pessoal especializado capaz de atender adequadamente esse grupo. • Adotar um conceito operativo de superdotado (ALENCAR; FLEITH, 2001). Observa-se que, desde 1971, houve um movimento de organização para pro- porcionar atendimento diferenciado a esses alunos, ao mesmo tempo, em que espe- cialistas começaram a se destacar na área. Entre esses especialistas, merece desta- que a professora Helena Antipoff, uma pesquisadora de origem russa que chegou ao Brasil em 1929 e dedicou-se a estudos sobre inteligência. Em 1945, ela reuniu grupos de pessoas com potencial superior no Instituto Pestalozzi do Rio de Janeiro para rea- lizar estudos nesse campo. Além disso, em 1962, na Fazenda do Rosário, em Minas Gerais, ela iniciou um programa de atendimento aos alunos talentosos da área rural e das periferias urbanas (ALENCAR; FLEITH, 2001). Essas iniciativas pioneiras contri- buíram para a evolução e a consolidação do atendimento aos alunos superdotados no Brasil. Em 1973, a criação do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) re- presentou um importante passo para o apoio e desenvolvimento de iniciativas relaci- onadas ao trabalho com alunos superdotados. Em 1977, o “II Seminário sobre o Su- perdotado” foi realizado no Rio de Janeiro, e no ano seguinte, em 1978, a Associação Brasileira para Superdotados foi fundada, promovendo eventos periódicos na área desde então. Esses marcos foram essenciais para o fortalecimento e a consolidação das ações voltadas para o atendimento e o desenvolvimento dos alunos superdotados no Brasil. A partir desse ponto, diversos estudos e propostas de atendimento para alunos com Altas Habilidades/Superdotação começaram a se disseminar no Brasil, com apoio das políticas públicas educacionais que reconhecem esses alunos como parte do público da Educação Especial, com características e necessidades educacionais distintas. No cenário brasileiro, atualmente, existem diferentes concepções teórico/epis- temológicas que fundamentam a compreensão e o atendimento dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação. O Documento das Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades, Superdotados e Talentosos traz a seguinte definição: 21 […] altas habilidades referem-se a comportamentos observados ou relatados que confiaram a expressão de ‘traços consistentemente superiores’ em rela- ção a uma média […] em qualquer campo do saber ou do fazer. Deve-se entender por traços as formas consistentes, ou seja, aquelas que permane- cem com frequência e duração no repertório dos comportamentos da pessoa, para poderem ser registrados em épocas diferentes em situações semelhan- tes (BRASIL, 1995, p.13). Essa descrição auxilia a compreender que esses comportamentos surgem com frequência e persistência específicas, manifestando-se em diferentes fases da vida das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação. Portanto, é essencial acompanhá- los para identificá-los, observando seus potenciais ao longo do tempo. Conforme a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educa- ção Inclusiva (BRASIL, 2008), os alunos com Altas Habilidades/Superdotação fazem parte do público das ações de Educação Especial e do Atendimento Educacional Es- pecializado (AEE) e são caracterizados da seguinte maneira: Alunos com Altas Habilidades/Superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (BRASIL, 2008, p. 9). Como é possível notar, os critérios mencionados nesse registro são semelhan- tes aos descritos no Relatório de Marland (1972), abrangendo diversas áreas gerais, as quais podem ser identificadas de forma isolada ou combinadas nos talentos excep- cionais dos indivíduos com altas habilidades/superdotação. Adicionalmente, a carac- terização do sujeito com Altas Habilidades/Superdotação, presente nesse registro, que também destaca a criatividade e o engajamento com as tarefas como comporta- mentos a serem observados, alinha-se aos conceitos propostos por Renzulli (2004), que têm sido objeto de estudo no contexto brasileiro. Ademais, embora as políticas educacionais não abordem explicitamente esse aspecto, existem diversas terminologias empregadas para referir-se a esses alunos, presentes nos diferentes documentos oficiais, tais como superdotados, talentosos, com potencial superior, bem-dotados e, na Política Nacional (BRASIL, 2008), como Altas Habilidades/Superdotação, sendo também mencionado posteriormente como al- tas habilidades ou superdotação. Essa diversidade de termos evidencia as divergên- cias conceituais que permeiam esse campo de estudo, bem como algumas correntes teóricas associadas. 22 Nesse contexto de debate, recorre-se ao referencial e às contribuições teóricas apresentadas pelo pesquisador norte-americano Joseph S. Renzulli, que é docente de Psicologia da Educação na Universidade de Connecticut, onde exerce também a função de Diretor do Centro de Pesquisa Nacional sobre superdotados e talentosos. Debatendo sobre como identificar esses indivíduos com Altas Habilidades/Su- perdotação, Renzulli (2004) propõe a concepção dos “Três Anéis” da superdotação, apresentando esse conceito por meio de uma representação gráfica em forma de in- terseção de três círculos — conhecido como Diagrama de Venn — que representam três traços considerados essenciais para identificar a superdotação. Inicialmente, o modelo dos três anéis focalizava apenas os fatores intrínsecos ao sujeito, o que resultou em críticas. Assim, Renzulli (1986) promoveu uma alteração no modelo original, inserindo uma rede para enfatizar a importância dos aspectos da personalidade desses indivíduos, além dos aspectos genéticos e sociais, os quais in- fluenciam a manifestação das características. Quando o conceito foi apresentado, enfrentou certa resistência devido às con- cepções prevalecentes na época. Apesar de algumas pessoas terem começado a questionar a predominância de um único critério — o escore de QI — para identificar alunos para os programas especiais, as diretrizes e regulamentações estaduais exis- tentes ou em vigor ainda faziam referência ao trabalho de Lewis Terman e à crença de que um certo nível de inteligência, medido tradicionalmente, era equivalente à su- perdotação. Essa visão de superdotação, inicialmente divulgada em 1978, contribui para a compreensão dos comportamentos mencionados, pois “esse diagrama tem o objetivo de representar graficamente as propriedades dinâmicas do conceito; ou seja, aquelas características de movimento, interação, mudança e energias contínuas, e não uma condição fixa e estática” (RENZULLI, 2004). Os atributos que compõem o comportamento de superdotação, conforme o que foi mencionado por Renzulli, são: habilidade acima da média, dedicação à tarefa e criatividade. A "habilidade acima da média" refere-se à demonstração de proficiência notável em áreas específicas de conhecimento ou habilidades, excedendo as expec- tativas usuais. Essas habilidades podem abranger uma variedade de campos, como acadêmicos, artísticos, esportivos ou práticos. A presença de habilidades altamente 23 desenvolvidas é um indicativo chave da superdotação, destacando os indivíduos su- perdotados em comparação com seus pares. A "dedicação intensa à tarefa" destaca a persistência, a motivação e o empe- nho excepcionais que os indivíduos superdotados direcionam para aprimorar suas ha- bilidades e atingir seus objetivos. Essacaracterística frequentemente os impulsiona a mergulhar profundamente em áreas de interesse, buscando o domínio e a excelência. A dedicação fervorosa à busca do conhecimento ou da realização é uma característica distintiva desses indivíduos. A "criatividade excepcional" se refere à capacidade única de pensar de maneira original, gerar ideias inovadoras e abordar problemas de maneiras não convencionais. Os superdotados muitas vezes apresentam uma habilidade distinta para fazer cone- xões entre informações aparentemente desconexas e para produzir soluções criativas para desafios complexos. A criatividade é um componente vital que diferencia a su- perdotação e contribui para o impacto que esses indivíduos podem ter em seus cam- pos de interesse. A combinação desses atributos cria uma sinergia que define a superdotação e influencia positivamente as realizações e contribuições desses indivíduos em diversas esferas da vida. O primeiro aspecto, a habilidade acima da média, abrange, conforme descrito pelo autor, tanto habilidades gerais como específicas, representando o nível de desempenho significativamente superior em relação a uma média. De acordo com Virgolim (2007) A habilidade geral envolve a capacidade de usar o pensamento abstrato ao processar informações e integrar experiências para produzir respostas adequadas e adaptáveis a novas situações. Essas habilidades são geralmente avaliadas em testes de aptidão e inteligência, como raciocínio verbal e numérico, relações espaciais e fluência verbal. Por outro lado, as habilidades específicas consistem na capacidade de aplicar diversas combinações das habilidades gerais em uma ou mais áreas especializadas do conhecimento, ou desempenho humano, como dança, fotografia, liderança, matemática, composição musical, entre outras. Por outro lado, o engajamento com a tarefa diz respeito ao empenho do indivíduo em uma área específica de desempenho, envolvendo perseverança, paciência, autoconfiança e crença em suas habilidades. A criatividade, por sua vez, destaca-se pela capacidade de inovar em um campo determinado (RENZULLI, 2004). 24 Esses traços do “comportamento de superdotação”, conforme sugerido por Renzulli (2004), são manifestos em áreas gerais ou específicas, conforme as potencialidades do indivíduo, e não é necessário que estejam presentes simultaneamente e em mesma proporção no comportamento do sujeito. Desse modo, valoriza-se as diversas áreas do conhecimento e o que cada indivíduo demonstra no processo social, de aprendizado e criação. Dessa forma, percebe-se que o comportamento do sujeito com Altas Habilidades/Superdotação pode ser identificado em diferentes áreas, isoladas ou combinadas, nem sempre relacionadas ao ambiente acadêmico. No entanto, os traços do comportamento de superdotação, conforme descritos anteriormente, também são considerados. Renzulli (2004) também faz uma distinção entre dois tipos de superdotação: acadêmica e produtivo-criativa. A superdotação acadêmica pode ser facilmente ob- servada por meio de testes padronizados e abrange habilidades valorizadas no con- texto do aprendizado escolar. Assim, é fundamental que empenhemos todos os es- forços para implementar ajustes apropriados para os alunos que apresentam habili- dades para avançar além do conteúdo do currículo regular, demonstrando um ritmo e compreensão superiores em relação aos seus colegas (RENZULLI, 2004). A superdotação produtivo-criativa, por outro lado, refere-se aos aspectos da atividade e do envolvimento humano que estimulam o desenvolvimento de ideias, pro- dutos e expressões artísticas originais, bem como áreas específicas do conhecimento (RENZULLI, 2004). Conforme o próprio pesquisador, existem diferenças nos perfis dos indivíduos com superdotação acadêmica e produtivo-criativa, uma vez que o aluno deixa de ser apenas “aprendiz de lições pré-determinadas e consumidor de in- formações” para desempenhar um papel diferente, onde ele ou ela atua como um investigador em primeira mão (RENZULLI, 2004). Algumas vezes, o indivíduo pode manifestar comportamentos dos dois tipos mencionados — acadêmico e produtivo- criativo —, os quais podem estar relacionados. Esses conceitos apresentados por Renzulli (2004) são relevantes, pois os indi- víduos com Altas Habilidades/Superdotação têm perfis distintos entre si, com carac- terísticas expressas de maneiras diversas. O mesmo autor ressalta que esse compor- tamento de superdotação é influenciado por fatores de personalidade e ambientais 25 (escola, família), os quais podem contribuir ou limitar o desenvolvimento dos traços que compõem a superdotação. Compreende-se que esses indivíduos podem não demonstrar um desempenho elevado em todos os momentos de suas vidas, mas sim em épocas distintas e situa- ções semelhantes. Seguindo a Concepção de Superdotação de Renzulli (2004), os três traços mencionados são fundamentais para reconhecer uma pessoa com com- portamento de superdotação. Considerando a realidade educacional de cada institui- ção, bem como os elementos culturais e sociais que permeiam esse ambiente, é im- portante que os professores ampliem seu olhar para identificar esses indivíduos nos espaços educacionais, evitando representações equivocadas que dificultam o reco- nhecimento de suas particularidades. Contudo, também existem outras características que se evidenciam nesses in- divíduos, de acordo com suas áreas de interesse e com seu tipo de superdotação. As pessoas com superdotação acadêmica podem apresentar ainda as seguintes carac- terísticas (Quadro 1), citados por Virgolim (2007). Quadro 1 - Características das pessoas com superdotação acadêmica Fonte: Virgolim (2007). Ainda que Virgolim mencione essas características como características pró- prias do tipo acadêmico, algumas delas são indicadoras de ambos os tipos — acadê- 26 mico e produtivo-criativo. Esses indicadores descritos podem ser observados em mui- tos dos indivíduos com Altas Habilidades/Superdotação, o que pode auxiliar na iden- tificação desses sujeitos. Por outro lado, as pessoas que apresentam a superdotação produtivo-criativa exibem as seguintes características (Quadro 2), conforme a sugestão de Virgolim (2007): [continuação da informação não fornecida na pergunta original. Quadro 2 - Características das pessoas com superdotação produtiva criativa. Fonte: Virgolim (2007). Ao considerar essas concepções e comportamentos em relação ao trabalho com alunos que possuem Altas Habilidades/Superdotação, destacam-se característi- cas de um novo paradigma na educação desses indivíduos. Feldman (1992), menci- onado por Tourón, Peralta e Repáraz (1998), apresenta um quadro que diferencia o paradigma tradicional do paradigma contemporâneo na educação desses alunos (Quadro 3): Quadro 3 - O paradigma tradicional e paradigma atual na educação de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação. 27 Fonte: Tourón, Peralta e Repáraz (1998). Acredita-se, portanto, que a abordagem das Altas Habilidades/Superdotação deve ser incorporada nos ambientes escolares para poder ser mais amplamente com- preendida e para romper com visões errôneas sobre esses alunos. Além disso, isso contribuirá para expandir as concepções desse novo paradigma, não se limitando ape- nas ao âmbito acadêmico, possibilitando uma melhor compreensão desses sujeitos nesses contextos. Além disso, ainda persistem conceitos equivocados em relação aos termos “precoce,” “prodígio” e “genialidade,” o que requer mais discussões e esclarecimentos para um currículo adequado poder ser desenvolvido para atender a esse público. Para prever e organizar um currículo de qualidade para esses alunos, é essencial conhecer profundamente esses indivíduos e suas reais necessidades educacionais. Conforme Chacón e Paulino (2011), o conceito de precoce é aplicado a crian- ças que exibemalgum talento específico altamente desenvolvido, podendo manifes- tar-se em diversas áreas do conhecimento, como música, disciplinas escolares, lin- guagem, esporte ou leitura. Já o termo prodígio sugere algo extremamente raro e sin- gular, ou seja, fora do curso normal da natureza. Se esses indivíduos contribuem de forma extraordinária para a humanidade, revolucionando suas áreas de conheci- mento, são então denominados gênios. Nessa perspectiva, observa-se que existem algumas distinções entre esses ter- mos. Conforme Virgolim (1998) expõe, os precoces começam a demonstrar habilida- 28 des em determinada área em uma idade menor do que a média, avançando rapida- mente porque sua aprendizagem naquela área ocorre com grande facilidade. A autora também afirma que “as crianças superdotadas são precoces” (WINNER, 1998). A mesma autora menciona que o prodígio é “uma versão mais extrema de uma criança superdotada, uma criança tão talentosa que realiza em determinado domínio em um nível equivalente ao de um adulto” (WINNER, 1998). Assim, evidencia-se que há uma população significativa de indivíduos com Al- tas Habilidades/Superdotação, os quais apresentam características distintas, porém requerem orientação e educação adequadas para seu desenvolvimento. Seguindo as informações do Relatório de Marland, estima-se que o percentual de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação situa-se entre 3% e 5% da população, considerando aquelas com QI acima da média, que geralmente se destacam nas áreas linguística, lógico-matemática e espacial. Conforme mencionado por Pérez e Freitas (2011), em- bora o Brasil não disponha de estatísticas oficiais sobre a população de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação, com base nesse índice, podemos estimar que exis- tem, em média, mais de 8 milhões de brasileiros com essas características. Contudo, considerando que esse percentual de estudantes com Altas Habilida- des/Superdotação é de grande relevância, surge a indagação sobre onde esses su- jeitos se encontram em nossas instituições educacionais. Por que não estão sendo identificados e reconhecidos em relação aos seus potenciais? Essas questões nos levam a refletir sobre a urgente necessidade de oferecer formação docente para ad- quirir conhecimentos no campo, a fim de possibilitar avanços na identificação e aten- dimento das necessidades específicas desses alunos. 5 ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO EM SALA DE AULA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES Em diversas ocasiões, os professores deparam-se com alunos que se desta- cam por suas “diferenças” em sala de aula. No entanto, devido à falta de informações detalhadas sobre esses estudantes, muitos educadores sentem-se inseguros sobre como ensiná-los e enfrentam dúvidas sobre como melhor apoiá-los em suas jornadas acadêmicas. Esses são os alunos que, frequentemente, concluem suas tarefas rapi- 29 damente, fazem perguntas instigantes ou trazem contribuições valiosas para a discus- são em aula. Suas ideias podem se destacar e, às vezes, desviar-se do tema abor- dado, o que pode dificultar o andamento da aula conforme planejado pelo professor. Além disso, eles podem corrigir informações fornecidas pelo professor, demonstrar uma grande curiosidade intelectual e apresentar trabalhos ou propostas excepcional- mente criativas. Infelizmente, essas atitudes são, em muitos casos, erroneamente as- sociadas a problemas de comportamento. Por outro lado, também existem alunos que se mostram mais introvertidos em sala de aula, mas sofrem com apelidos pejorativos, como “nerd”, “gênio da lâmpada quebrada”, “Einstein de araque” e outros. Seja qual for o perfil desses alunos, é im- portante saber que eles são estudantes da Educação Especial e são classificados como tendo Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Mesmo que não tragam um “di- agnóstico” formal que ateste suas necessidades educacionais, como outros alunos da Educação Especial, eles também requerem um olhar específico dos professores para poderem desenvolver plenamente seus potenciais e aprofundar-se em suas áreas de interesse. Isso é fundamental para evitar que esses alunos se evadam do ambiente escolar. É essencial que os educadores estejam cientes de que alunos com Altas Habi- lidades/Superdotação frequentam as escolas comuns e podem ser encontrados em diversas salas de aula. Por isso, é importante que os professores se capacitem para identificar e compreender melhor esses estudantes, a fim de fornecer-lhes um ambi- ente de aprendizagem enriquecedor. Um olhar sensível e adaptado às suas necessi- dades pode ser fundamental para o desenvolvimento pleno desses alunos e para al- cançarem todo o seu potencial acadêmico e criativo. Com um ambiente inclusivo e acolhedor, os alunos com Altas Habilidades/Superdotação têm a chance de se sentir valorizados, compreendidos e estimulados, contribuindo positivamente para o enri- quecimento da experiência educacional e para a construção de uma sociedade mais diversificada e inclusiva. A identificação dos estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) é um aspecto fundamental em qualquer programa de atendimento a esse grupo de alu- nos. Entretanto, os métodos utilizados para reconhecer suas características nem sem- pre abrangem todas as suas potencialidades. Em muitos casos, as intervenções pa- dronizadas, como testes psicológicos de inteligência, focam em áreas valorizadas pelo 30 sistema acadêmico, apoiando-se em critérios estatísticos fixos para determinar limites numéricos de desempenho. Embora essas ferramentas sejam úteis para identificar certos aspectos das AH/SD, elas não conseguem captar outras habilidades valiosas, como talentos artísticos, expressões criativas, musicalidade e outras formas de des- taque. Por outro lado, a utilização de procedimentos não estandardizados, como ques- tionários, fichas e provisão de desafios, pode trazer mais incertezas do que respostas concretas. Essas abordagens exigem um processo contínuo e criterioso ao longo do tempo, embasado na observação direta das habilidades naturais manifestadas no co- tidiano dos estudantes. Segundo Gerson e Carracedo (1996), a detecção de uma cri- ança superdotada ocorre melhor quando ela é observada, ouvida e sentida em ação, se for em um ambiente de liberdade. Diante dessa perspectiva, surge a questão: como identificar efetivamente as Altas Habilidades/Superdotação? É importante buscar um equilíbrio entre as aborda- gens padronizadas e não estandardizadas, considerando uma avaliação holística dos alunos. Os professores desempenham um papel crucial nesse processo, ao podarem perceber os talentos e habilidades especiais dos estudantes em sala de aula, por meio de uma interação mais próxima e uma observação atenta. Além disso, é essencial envolver os pais e responsáveis nesse processo de identificação, ao podarem forne- cer informações valiosas sobre o desenvolvimento e comportamento dos alunos fora do ambiente escolar. Ao adotar uma abordagem mais abrangente e sensível, as escolas têm a opor- tunidade de identificar de maneira mais precisa e completa os alunos com Altas Habi- lidades/Superdotação. A partir dessa identificação adequada, será possível oferecer um atendimento mais personalizado, estimulando o desenvolvimento pleno das po- tencialidades desses estudantes e proporcionando-lhes desafios intelectuais alinha- dos com suas áreas de interesse e aptidões. Dessa forma, a educação torna-se mais inclusiva e enriquecedora para todos, promovendo um ambiente que valoriza e nutre o talento em todas as suas manifestações. O objetivo primordial do procedimento de reconhecimento das Altas Habilida- des/Superdotação (AH/SD) não é rotular os indivíduos, mas sim fornecer informações para estabelecer uma intervenção educacional apropriada conforme as necessidades educacionais, sociais e emocionais desses alunos. Em outras palavras,o processo 31 de identificação não visa a uma seleção prematura de trajetórias educacionais restri- tas, pois sua finalidade é ampliar as opções e oportunidades disponíveis, em vez de limitá-las (GARDNER; FELDMAN e KRECHEVSKY, 2001). Para alcançar esse propósito, é crucial que essa intervenção seja devidamente registrada no projeto político-pedagógico da instituição escolar. Esse registro desem- penha um papel importante ao oficializar a oferta do Atendimento Educacional Espe- cializado (AEE) aos alunos com AH/SD nas escolas, além de estabelecer como esse atendimento deve ser planejado e realizado. A inclusão dessa abordagem no projeto político-pedagógico garante que a escola esteja comprometida em proporcionar a de- vida atenção e suporte necessário para atender às necessidades específicas desses estudantes excepcionais. É relevante esclarecer que as abordagens de intervenção destinadas aos alu- nos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) se fundamentam em dois pressu- postos teóricos essenciais: a concepção de inteligência e a compreensão da identi- dade desses indivíduos. Esses pressupostos têm passado por importantes mudanças nas últimas décadas, influenciados, conforme apontado por Alencar e Fleith (2001), por quatro aspectos distintos: as transformações nas concepções de inteligência; os avanços na área da criatividade; a influência dos estudos culturais e linguísticos; e as diversas abordagens no processo de identificação. Esses aspectos têm contribuído significativamente para uma visão mais abrangente das AH/SD, ampliando a compre- ensão sobre quem são esses indivíduos. Contudo, a natureza multidimensional desse perfil torna o processo de identificação mais complexo. Costa, Sánchez e Martínez (1997) destacam que a temática da identificação das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação é um dos tópicos mais debatidos no campo educacional, envolvendo diversas áreas do conhecimento, como a psico- pedagogia, a sociologia, a política e a ética. O debate sob a perspectiva sociológica, ética e política levanta questões sobre a necessidade de valorizar e aproveitar ao má- ximo o potencial humano, considerado atualmente como uma das maiores riquezas de uma nação. No âmbito educativo, a identificação desses sujeitos possui dois pro- pósitos fundamentais: o avanço do conhecimento por meio de estudos e pesquisas que contribuam para a melhor compreensão desse grupo social; e o desenvolvimento 32 de métodos adequados para sua intervenção educacional. Esses objetivos visam as- segurar uma abordagem educativa mais eficaz e alinhada às necessidades específi- cas dos alunos com AH/SD. 5.1 Abordagens Teóricas na Identificação das (AH/SD) O processo de reconhecimento das AH/SD é embasado em dois conceitos que não possuem interpretações ou definições únicas: inteligência e AH/SD. A existência de diferentes concepções de inteligência indica que, além de aprendermos a resolver problemas, também aprendemos culturalmente quais problemas devem ser aborda- dos e quais soluções são consideradas adequadas para eles (GARDNER; KORNHA- BER; WAKE, 1998). Portanto, visto que a inteligência é um conceito sem uma defini- ção única, sua compreensão será influenciada pelas percepções e representações culturais, bem como pelas teorizações desenvolvidas sobre o assunto, considerando os papéis desempenhados na cultura, os métodos utilizados para a conceituação, os níveis de análise envolvidos e as crenças e valores presentes. Além disso, é comum que a identificação dos indivíduos com AH/SD aconteça por testes psicométricos de inteligência. Contudo, os estudos relacionados à criativi- dade e ao pensamento divergente incentivam a busca por alternativas que permitam critérios variados e versáteis no processo de reconhecimento dessas pessoas. Apesar disso, os testes ainda desempenham um papel predominante, pois ao fornecerem um resultado objetivo e numérico, conferem ao profissional uma certa “segurança” em relação aos resultados obtidos com suas intervenções. Em suma, existem dois principais métodos encontrados no processo de identi- ficação: aqueles baseados em medidas objetivas e aqueles apoiados por procedimen- tos subjetivos. No entanto, de acordo com Reyes e Chapela (2010), independente- mente dos procedimentos adotados, o processo de identificação envolve: a aplicação de atividades sistemáticas para coletar dados sobre o indivíduo avaliado; o uso de instrumentos específicos; a necessidade de interpretar os dados coletados; a formu- lação de uma avaliação de valor; e, do ponto de vista educacional, a orientação para o planejamento do atendimento ao aluno. 33 Com o intuito de sistematizar e orientar a discussão sobre um tema contro- verso, como os modelos teóricos de identificação das AH/SD, apresentamos no Qua- dro 1 as características dos processos de identificação tradicional e atual, conforme Reyes; Chapela (2010). Esses elementos são significativos, ao comprovarem que as diferenças entre os dois modelos sempre estiveram presentes (e continuam), mas a evolução de suas concepções e ideias está diretamente relacionada aos estudos e pesquisas, especialmente no campo da inteligência. Destaca-se, portanto, a importância de deixar claro o embasamento teórico que orienta a intervenção junto aos alunos, ao ser a teoria que define a prática, sendo fundamental que haja coerência entre ambas. Quadro 4 - Contrastes nos modelos de identificação nos paradigmas tradicio- nais e atuais. Fonte: REYES; CHAPELA, (2010) Após apresentar as principais e distintas características dos modelos tradicio- nais e atuais que embasam o processo de identificação, nos próximos subtítulos serão discutidos detalhadamente cada um desses modelos. 34 5.2 Modelos Tradicionais Os métodos empregados pelos modelos tradicionais, principalmente através da psicometria, têm a característica de mensurar o potencial intelectual humano. Os tes- tes de inteligência foram originalmente desenvolvidos para prever o desempenho aca- dêmico, razão pela qual geralmente enfocam as habilidades valorizadas pelo sistema educacional. Ao examinar os modelos tradicionais descritos no Quadro 1, podemos concluir que os aspectos mencionados — ênfase nos resultados dos testes, o critério de normalidade estatística e a perspectiva unidimensional da inteligência — têm sido predominantes nessa abordagem. A análise dos modelos tradicionais apresentados no Quadro 4 revela que os aspectos destacados — a valorização dos resultados em testes, o critério único base- ado no QI e o enfoque na capacidade intelectual — enfatizam principalmente as com- petências reconhecidas pelo sistema educacional, como habilidades lógico-matemá- ticas e linguísticas. Isso acaba deixando em segundo plano alunos que possuem ta- lentos em outras áreas, como música, expressão corporal e espacial, sendo assim, suas potencialidades têm poucas chances de serem reconhecidas. Além disso, a ava- liação em um momento específico pode negligenciar as diferentes situações emocio- nais e cognitivas que influenciam o comportamento dos indivíduos. Essas limitações apontam para a necessidade de adotar abordagens mais abrangentes e sensíveis para identificar as Altas Habilidades/Superdotação. Gardner, Feldman e Krechevsky (2001) argumentam que os exames psicomé- tricos, assim sendo, são culturalmente enviesados, requerendo uma familiaridade con- siderável com o vocabulário, expressões orais e normas sociais da cultura predomi- nante. Quando perguntas padronizadas são propostas e pontuadas estatisticamente, de forma que apenas algumas respostas são consideradas “corretas”, como então avaliar alguém que responde de maneira criativa e imaginativa, fornecendo respostas originais? Da mesma forma, como medir o tempo gasto por um estudante que analisa uma pergunta com profundidade, demorando para dar uma resposta única?Como determinar quem é ou não “superdotado” baseando-se apenas em um QI igual ou superior a 130? Além disso, os testes exigem funções mentais descontextualizadas das atividades cotidianas dos indivíduos, e muitas características utilizadas na reso- 35 lução de problemas — como liderança, habilidade de interação, determinação e ima- ginação — não são avaliadas pelos testes tradicionais de inteligência (GARDNER; FELDMAN; KRECHEVSKY, 2001). Em suma, é importante destacar que Gardner (2000) sustenta a ideia de que as inteligências não são diretamente observáveis nem facilmente mensuráveis. Ele as concebe como potenciais neurais, localizados em áreas específicas do cérebro, que podem ser ativados ou não pelas influências culturais onde o indivíduo está inserido. Isso nos permite entender que as Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) podem se manifestar em um ou em alguns domínios da inteligência, sendo raro o desenvolvi- mento excepcional em todas as áreas. 5.3 Modelos atuais Gardner, Feldman e Krechevski (2001) questionam a noção de que todas as crianças aprendem da mesma maneira e com os mesmos conteúdos, ao reconhece- rem que as mentes humanas não são uniformes e que existem diferentes formas de compreender e interpretar o mundo. Segundo esses autores, quanto mais os profes- sores e as escolas conhecerem seus alunos e as diversas maneiras pelas quais eles aprendem, mais poderão ajudá-los a desenvolver as habilidades que eles valorizam (GARDNER; FELDMAN; KRECHEVSKY, 2001). Nesse contexto, as abordagens contemporâneas valorizam mais os métodos qualitativos que, em geral, não estão vinculados aos rigorosos procedimentos técnicos e estatísticos dos modelos tradicionais. No entanto, essas abordagens são fundamen- tadas em princípios teóricos importantes, tais como: uma concepção atualizada de inteligência; um enfoque no indivíduo, em suas atividades espontâneas e no contexto natural em que ele se encontra; e a oferta de múltiplas perspectivas para o currículo, promovendo uma ampliação, aprofundamento e estímulo ao interesse dos estudan- tes, favorecendo a curiosidade e a construção de significados (GARDNER; FELD- MAN; KRECHEVSKY, 2001). Outros aspectos relevantes que embasam um modelo contemporâneo no pro- cesso de identificação são: enfatizar as capacidades individuais, valorizando todo o conhecimento que o sujeito possui; apresentar aos alunos e professores uma visão diferenciada dos canais de aprendizagem, destacando a importância da criatividade, 36 do uso do corpo, da música, do espaço e das interações interpessoais no processo de ensino e aprendizagem, além dos aspectos linguísticos e lógico-matemáticos. Esses pressupostos, portanto, alteram a concepção tradicional das AH/SD, abolindo a distinção entre “superdotação” e “talento”, pois ao introduzir diferentes do- mínios das inteligências, atribui o mesmo valor a todas as competências humanas, sem discriminar nem hierarquizar algumas como mais importantes que outras. Desse modo, é essencial haver uma estreita relação entre a concepção de AH/SD e os pro- cedimentos adotados para identificar esses sujeitos. Portanto, a perspectiva atual em- bute o uso de procedimentos com critérios múltiplos, a identificação contínua e flexí- vel, e uma maior valorização dos processos em detrimento dos resultados. Por fim, é importante ressaltar que não é viável abordar todos os modelos teó- ricos utilizados no processo de identificação, uma vez que a ampla diversificação exi- giria uma obra dedicada exclusivamente a essa temática. Portanto, o objetivo desta discussão é enfocar procedimentos de identificação que valorizem as capacidades e talentos desses sujeitos em várias dimensões, considerando que as habilidades su- periores podem se manifestar em qualquer idade e área do desenvolvimento humano, além de enfatizar que tais identificações podem e devem ser realizadas na escola, por professores capacitados na área. 5.4 Estratégias no Processo de Identificação Educacional Identificar pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) não é uma tarefa simples, pois esses indivíduos não constituem um grupo uniforme, mas sim uma coletividade caracterizada por uma variedade de perfis. Desta maneira, antes de dis- cutirmos as fases e os métodos empregados no processo, é imprescindível refletir sobre alguns princípios fundamentais que embasam nossa ação. Essa reflexão é ne- cessária para esclarecer as bases teóricas que sustentam todo o procedimento e, as- sim, fornecer uma base sólida para a intervenção proposta. Nesse contexto, em primeiro lugar, é importante ressaltar que a identificação dos indivíduos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) é essencialmente edu- cacional e adota uma abordagem qualitativa, em vez de quantitativa. Ou seja, ao final do processo, não teremos uma medida numérica, mas, sim, um perfil narrativo do 37 aluno, destacando suas habilidades e áreas a serem desenvolvidas. Por isso, é pos- sível e recomendável que a identificação seja realizada na escola, com o auxílio de professores capacitados e o apoio da equipe gestora da instituição. Em segundo lugar, compreendemos que o processo de identificação se baseia na definição de um conjunto de características que promovem a identidade de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos (VIEIRA, 2005). Portanto, como mencionado anteriormente, a identificação deve ser fundamentada em uma concepção de inteli- gência e em um modelo abrangente de Altas Habilidades/Superdotação. A interação dessas duas concepções orientará a intervenção proposta. Nesse sentido, a concep- ção de inteligência e AH/SD adotada neste capítulo segue as perspectivas de Gardner (2000) e Renzulli (2004), cujos conceitos já foram apresentados em capítulos anterio- res desta obra e não serão discutidos novamente aqui. Contudo, ressaltamos a im- portância de retornar a esses capítulos sempre que necessário para melhor compre- ensão do tema em questão. Em terceiro lugar, as características propostas por Renzulli (2004) podem con- tribuir significativamente para definir quem é o sujeito com AH/SD dentro de cada uma das competências, a partir de uma abordagem multidimensional das inteligências de Gardner (2000). Portanto, ao considerarmos a diversidade das inteligências, os três traços que constituem a pessoa com Altas Habilidades/Superdotação em interação com o contexto deverão estar potencialmente presentes em cada um dos domínios das diferentes expressões da inteligência. Sendo assim, para identificar o sujeito com AH/SD na área musical, por exemplo, seria necessário considerar os indicadores da capacidade acima da média, da criatividade e do comprometimento com a tarefa no domínio musical. Essa abordagem amplia a visão de identificação desses sujeitos e implica a inclusão de profissionais de outras áreas nesse processo. Portanto, é justi- ficada a afirmação anterior sobre a importância de convidar os demais professores da escola para participar do processo de identificação. Não existe uma maneira ideal para identificar as AH/SD. Sendo assim, é ne- cessário buscar procedimentos que evidenciem o potencial dessas pessoas na própria atividade, e não somente em situações tradicionais de testagem. A identificação das AH/SD, baseada nas duas teorias mencionadas, oferece um perfil narrativo desse aluno, destacando, dentro do possível, suas áreas de conhecimento e capacidades. 38 Funciona, então, como um guia para os tipos de atividades que podem alimentar e apoiar a gama particular de capacidades apresentadas pelo indivíduo. 5.5 Processo de Identificação, na Prática As observações e os registros das atividades e dos comportamentos dos alu- nos baseiam-se em dois tipos de dados, de acordo com Renzulli (2004) a informação da situação, que engloba todo o conhecimento prévio sobre as habilidades e/ou po- tenciais dos indivíduos,como notas escolares, percepção dos professores, opinião da família e dos colegas; e a informação da ação, que se refere ao conhecimento obtido ao observar o aluno engajado em atividades relacionadas à sua área de interesse e que representa as “interações dinâmicas que ocorrem quando uma pessoa se sente extremamente interessada ou entusiasmada com um tema, área de estudo, ideia ou evento”, podendo ocorrer tanto dentro como fora da escola (RENZULLI, 2004). Esse modelo de identificação é denominado por Freeman e Guenther (2000) como identificação pela provisão, e envolve oferecer experiências que estimulem e desafiem os estudantes. Antes de iniciar a atividade, o mediador tem o papel de sele- cionar os instrumentos objetivos que serão utilizados (fichas, questionários, escalas, etc.), planejar os desafios com base nas oito inteligências múltiplas, organizar o es- paço físico e escolher o material a ser utilizado pelos alunos. Durante a atividade em si, o mediador deve estabelecer as regras que guiarão o trabalho, facilitar e incentivar a interação com os materiais fornecidos e entre os participantes. Quatro aspectos são relevantes destacar numa abordagem de identificação pela provisão: o primeiro deles é a flexibilidade de articular e modificar as técnicas de coleta das informações na identificação das Altas Habilidades/Superdotação, consi- derando os diversos fatores observados no próprio ambiente. Com isso, conclui-se que não há fórmulas prontas no processo de identificação. Ele é adaptado conforme as particularidades de cada grupo ou aluno a ser identificado. O segundo ponto a destacar é a relevância da congruência entre a proposta de identificação oferecida e a visão de mundo do professor capacitado. Fala-se muito da importância dos elementos externos no processo de identificação, como recursos físi- cos e materiais utilizados, instrumentos de avaliação selecionados, metodologias de 39 trabalho e referenciais teóricos adotados, entre outros. No entanto, pouco se tem fa- lado sobre a importância dos próprios profissionais nesse processo. Vieira (2005) en- fatiza a influência dos fatores afetivos dos professores na aprendizagem de seus alu- nos. Da mesma forma, destaca-se aqui a importância desses fatores influenciando a identificação, ao haver um envolvimento maior ou menor por parte dos profissionais que fazem parte do processo. O terceiro ponto está relacionado a consideração de uma perspectiva natural e espontânea para as atividades, pois ao vivenciarem situações vinculadas ao seu co- tidiano e com materiais familiares, os sujeitos têm oportunidades de demonstrar sua compreensão em diferentes condições de interação com os colegas, materiais e brin- quedos ou jogos. Da mesma forma, possibilita o exercício de respostas diversas às situações propostas. O quarto ponto enfatiza a análise dos fundamentos teóricos que sustentam esse processo de identificação das AH/SD, é a compreensão de que se trata de um processo contínuo, garantido pelo acompanhamento dos sujeitos ao longo do tempo e em diferentes situações de sua vida diária. Esse entendimento resulta em um perfil narrativo de cada aluno, no qual os pontos fortes são incentivados e os pontos que precisam ser aprimorados (pois também estão presentes) são desenvolvidos. Cabe ressaltar que, em concordância com a concepção dos três anéis de Renzulli (2014), a influência do ambiente e dos fatores pessoais na elaboração desse perfil deve ser valorizada, reconhecendo, assim, a presença da rede na constituição dos indicadores identificados. Em suma, destaca-se um último aspecto essencial para o crescimento global e harmonioso das pessoas com AH/SD: seus comportamentos devem ser considerados como parte integrante e não como “elementos centrais” da vida desses indivíduos, uma vez que todas as áreas que compõem a pessoa — afetiva, cognitiva, social e psicomotora — são significativas e nenhuma delas deve receber mais valorização que as outras. Essa abordagem de identificação, ao distinguir-se de uma “avaliação formal” baseada em resultados estatísticos e positivistas, levanta mais questionamentos do que certezas. No entanto, são precisamente essas incertezas que nos impulsionam a procurar mais métodos que estimulem os indicadores de AH/SD e aprimorar nossa capacidade de identificar esses indivíduos. Muitas vezes, nos ambientes acadêmicos, 40 a intuição é desconsiderada. No entanto, sob uma perspectiva qualitativa, essa intui- ção é fundamentada na prática e nos conhecimentos que sustentam essa prática. Quando a identificação é guiada, principalmente, pela observação e compreensão dos comportamentos e habilidades dos alunos, ela pode revelar-se valiosa e eficaz. Freire (1995) utilizou perspicaz mente a palavra “saber” e essa ideia pode ser aplicada neste contexto, ao refletir o processo de certezas e incertezas que moldam o “saber” e o “fazer” na perspectiva do processo de identificação pela provisão: sei que tenho o desejo de aprender/fazer cada vez mais e melhor o que ainda não sei/fiz; sei desejar compartilhar o que já aprendi/fiz; sei que posso aprender/fazer o que ainda não sei/fiz; e que posso construir novos conhecimentos/habilidades, pois, ao descobrir o prazer de conhecer, refletir e investigar minha prática diária, não é mais possível retroceder. 6 A INCLUSÃO SOCIAL DE INDIVÍDUOS COM AH/SD: DESAFIOS E AVANÇOS No decorrer dos anos 1970, a inclusão social de indivíduos com necessidades especiais já era considerada um direito social fundamental, estando presente em do- cumentos legais e normativos. A partir desse período, e especialmente durante os anos 1980, houve um crescimento significativo das discussões em torno da inclusão social ao nível global, visando impulsionar políticas públicas e movimentos sociais. De acordo com Mazzotta e D'antino (2011), a inclusão social é compreendida como a participação ativa em diversos grupos sociais. Trata-se de uma abordagem que acolherá pessoas com necessidades especiais, permitindo o desenvolvimento de novas políticas públicas que reforçam a premissa de que todos somos iguais e pos- suímos o direito de estar e conviver em todos os espaços. A inclusão de indivíduos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) é fun- damental não apenas no ambiente escolar, mas também em todos os espaços por onde eles transitam. O ato de acolher envolve uma abordagem abrangente, que en- globa dimensões éticas, relacionais, técnicas e políticas. Na dimensão ética, há o compromisso de reconhecer e respeitar a singularidade do outro, compreendendo suas dificuldades, potencialidades e, acima de tudo, seu modo de vida. A dimensão relacional envolve o desenvolvimento de habilidades que permitem receber, ouvir e 41 atender às demandas dos indivíduos com AH/SD, estabelecendo uma relação de con- fiança, essencial para o acolhimento adequado. No âmbito técnico, é necessário articular diferentes conhecimentos para iden- tificar as necessidades específicas das pessoas com AH/SD durante o processo de acolhimento. Isso implica em utilizar abordagens e estratégias adequadas para aten- der às suas particularidades. A dimensão política requer um compromisso coletivo para potencializar a autonomia e o protagonismo das pessoas com AH/SD. É neces- sário promover ações e políticas que garantam a participação ativa desses indivíduos, possibilitando que eles exerçam seu pleno potencial e contribuam para a sociedade. Dessa forma, o acolhimento de sujeitos com AH/SD abrange diversas dimen- sões e demanda um esforço conjunto para criar ambientes inclusivos que valorizem e respeitem as suas necessidades e habilidades. Para promover um acolhimento ade- quado, é essencial que as políticas públicas funcionem de maneira efetiva. Além disso, a empatia de todos os envolvidos nesse processo desempenha um papel fun- damental. De acordo com Moreira, Torrentée Jucá (2018), uma abordagem instituci- onal pressupõe a criação de um ambiente estético e relacional que facilite o senti- mento de pertencimento, segurança e acolhimento, proporcionando condições ade- quadas para a expressão autêntica do sujeito e demonstrando disponibilidade para um cuidado incondicional. Embora exista uma vasta bibliografia sobre sujeitos com Altas Habilidades/Su- perdotação (AH/SD) no contexto escolar, são poucos os estudos que se dedicam a compreender seu cotidiano em outros ambientes. É necessário, portanto, estimular o sentimento de pertencimento de todos os sujeitos na sociedade, para proporcionar oportunidades de participação e inclusão em diferentes espaços públicos, para além do ambiente escolar. Dessa forma, é essencial que as políticas públicas promovam um acolhimento que valorize a singularidade e as necessidades dos sujeitos com AH/SD, visando à criação de ambientes inclusivos e acolhedores em todas as esferas da sociedade. Isso implica garantir que esses sujeitos possam estabelecer relações de traba- lho saudáveis, desfrutar de atividades de lazer em shoppings, parques e cinemas, bem como utilizar o transporte público. Esses são apenas alguns exemplos, ao exis- tirem inúmeras possibilidades de interação social em todos os espaços, o que nos fortalece enquanto seres humanos e cidadãos. O contato com o outro é fundamental 42 para conhecermos e superarmos os preconceitos institucionalizados em nossa cul- tura. Portanto, é de suma importância avançar com pesquisas que retratem o cotidiano desses sujeitos, a fim de identificar quais são as medidas necessárias para promover uma inclusão efetiva de todos. As Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) vão além da inteligência acadê- mica, abrangendo um sistema cognitivo que envolve oito tipos de inteligência distintos, os quais podem se manifestar de várias formas, como musical, corporal-sinestésica, espacial, naturalista, entre outras. É importante ressaltar que essas inteligências nem sempre são identificadas por meio de testes de QI. Essa compreensão é fundamental para promover o convívio social entre as pessoas com AH/SD e a comunidade em geral. Para isso, é necessário contar com profissionais capacitados que possam trabalhar e desenvolver as potencialidades des- ses indivíduos. Entre esses profissionais, destacam-se os psicólogos, pedagogos, es- pecialistas em educação especial e outros que possuam a formação adequada para atuar nessa área. A Educação Especial é uma resposta à necessidade de garantir a igualdade de oportunidades educacionais para todos os indivíduos, e sua criação foi impulsionada pelas mudanças no atendimento às pessoas com deficiência e, posteriormente, às pessoas com altas habilidades. Um dos princípios fundamentais desse campo é o respeito às diferenças individuais e o direito de todos terem igualdade de oportunida- des, sem privilégios ou discriminações (BRASIL, 2001, citado por ANTIPOFF; CAM- POS, 2010, p. 303). De acordo com Antipoff e Campos (2010), a elaboração de políticas públicas na área da Educação Especial visa assegurar o direito à educação para todos, visando combater as desigualdades sociais e democratizar o acesso aos bens e serviços pú- blicos, incluindo a educação. Góis, Santos e Santos (2012) discutem como os indivíduos com necessidades especiais eram historicamente tratados em nossa sociedade e também abordam as mudanças que estão ocorrendo nesse cenário. É importante refletirmos sobre como podemos incluir as pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) em nosso convívio social, uma vez que desde a infância esses sujeitos circulam por diversos ambientes e, em algum momento, ingressarão no mercado de trabalho. Segundo eles: 43 Ao longo da história, o portador de necessidade especial foi visto como um ser incapaz, devendo ser isolado por não possuir condições necessárias de contribuir produtivamente com a sociedade, e o atendimento dado a ele era baseado em modelo médico assistencial, na qual o ‘doente’ deveria ficar sob responsabilidade familiar ou interno em instituições ‘protegidas’, segregado do resto da população (GÓIS; SANTOS; SANTOS, 2012, p. 6). Ainda atualmente, muitas famílias tendem a esconder os indivíduos que pos- suem alguma necessidade especial, incluindo aqueles com Altas Habilidades/Super- dotação (AH/SD). No entanto, é importante ressaltar que o cenário está passando por mudanças significativas, visando uma prática social mais inclusiva que abrangerá a todos. De acordo com Glat e Cândida (1996) somente a partir da segunda metade do século XX, em meados da década de 50, surgiram propostas alternativas para o aten- dimento de indivíduos com necessidades especiais, impulsionadas pelo desenvolvi- mento da psicologia, da aprendizagem linguística, da análise experimental do com- portamento e de outras ciências relacionadas”. Essas abordagens alternativas abriram caminho para um maior entendimento e suporte aos portadores de necessidades es- peciais. 44 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALENCAR, E. M.; FLEITH, D.S. Superdotados: determinantes, educação e ajusta- mento. São Paulo: EPU, 2001. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual diagnóstico e estatís- tico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. ANTIPOFF, C. A.; CAMPOS, R. H. F. Superdotação e seus mitos. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, v. 14, n.2, 2010. ARANHA, M. S. F. Integração social do deficiente: análise conceitual e metodoló- gica. Temas em Psicologia, Ribeirão Preto. 1995. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/po- liticaeducespecial.pdf. Acesso em: 19 jul. 2023. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 5.691, de 11 de agosto de 1971. Lei de diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus. Brasília, DF: MEC, 1971. Dispo- nível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto- 1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em: 19 jul. 2023. BRASIL. Ministério da Educação. Política nacional de educação especial na pers- pectiva da educação inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 19 jul. 2023. BRASIL. Portaria nº 793, de 24 de abril de 2012. Institui a Rede de Cuidados à Pes- soa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Presidência 45 da República, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudele- gis/gm/2012/prt0793_24_04_2012.html. Acesso em: 13 jul.2023 BRIDI, F. R. S. Processos de identificação e diagnóstico: os alunos com defici- ência mental no contexto do atendimento educacional especializado. Tese (Dou- torado) –. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018. CARVALHO, M. F. Educação de jovens e adultos com deficiência mental: inclusão escolar e constituição dos sujeitos. Itatiba: Horizontes, 2006. CORREIA, L. Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regu- lares. Porto: Porto, 1999. COSTA, J. L. C.; SÁNCHEZ, M. D. P.; MARTÍNEZ, A. R. Modelos y estrategias de identificación del superdotado. In: SÁNCHEZ. M. D. P. Identificación, evaluación y atención a la diversidad del superdotado. Málaga: Aljibe, 1997. DALLABRIDA, A. M. As famílias e a classe especial em um colégio de elite. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília. 2007. DIAS, S. S. Construção de significados e posicionamentos de jovens adultos com deficiência intelectual egressos do ensino médio. 2012. Qualificação de pro- jeto de tese (Doutorado em processos de Desenvolvimento Humano e Saúde) — Ins-tituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2012. DIAS, S. S.; OLIVEIRA, M. C. S. L. Deficiência intelectual na perspectiva histórico- cultural: contribuições ao estudo do desenvolvimento adulto. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 32, n. 1, Marília, 2013. FAVERO-NUNES, M. A.; SANTOS, M. A. Itinerário terapêutico percorrido por mães de crianças com transtorno autístico. Porto Alegre: Reflexão e Crítica , 2010. FREIRE, P. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d’Água, 1995. GARDNER, H. ; FELDMAN, D. H. ; KRECHEVSKI, M. Projeto Spectrum: a Teoria das Inteligências Múltiplas na Educação Infantil - Utilizando as competências das cri- anças. Porto Alegre :Artmed, 2001. GARDNER, H. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. GERSON, K. CARRACEDO, S. Niños dotados em acción. Buenos Aires: Tekné, 1996. GLAT, R.; FREITAS, R. C. Questões atuais em educação especial. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996. GÓIS, T. B.; SANTOS, S. C. A.; SANTOS, E. O. O serviço social como mediador na ressocialização de portadores de necessidades especiais. Revista Vozes dos Vales, 2012. 46 GONZÁLEZ, G. et al. Avances en la identificación etiológica del retraso mental. Rev. De Neurología, v. 57, n.1 Barcelona, 2013. GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de medicina de família e comu- nidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2019. JANNUZZI, G. S. M. A educação do deficiente no Brasil: dos primórdios ao início do século XXI. Campinas: Autores Associados, 2004. LAGO, E. R. J. Ensino de futsal para pessoas com deficiência intelectual. 2013. 105 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. MAIA, A. C. B. Reflexões sobre a educação sexual da pessoa com deficiência. Re- vista Brasileira de Educação Especial, v.7 n.1, Marília, 2001. MAIA, A. C. B.; CAMOSSA, D. A. Relatos de jovens deficientes mentais sobre a sexualidade através de diferentes estratégias. Paidéia, Ribeirão Preto, 2003. MAZZOTTA, M. J. S.; D’ANTINO, M. E. F. Inclusão social de pessoas com deficiências e necessidades especiais: cultura, educação e lazer. Revista Saúde e Sociedade. 2011. MOREIRA, C. P.; TORRENTÉ, M. O. N.; JUCÁ, V. J. S. Análise do processo de aco- lhimento em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil: considerações de uma investigação etnográfica. Revista Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 2018. OGAMA, M. A. G.; TANAKA, E. D. O. Família e instituição para portadores de defici- ência mental – da expectativa do primeiro contato à realidade. In: MARQUEZINE, M. C. et al. (Orgs.). O papel da família junto ao portador de necessidades especiais. Londrina: Eduel, 2003. PEREIRA, R. Diversidade funcional: a diferença e o histórico modelo de homem padrão. História, Ciência e Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, 2009. PEREIRA-SILVA, N. L.; DESSEN, M. A. Intervenção precoce e família: contribuições do modelo biotecnológico de Bronfenbrenner. In: DESSEN, M. A.; COSTA JUNIOR, A. L. (Orgs.). A ciência do desenvolvimento humano: tendências atuais e perspec- tivas futuras. Porto Alegre: Artmed, 2005. PÉREZ, S. G. B.; FREITAS, S. N. Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilida- des/Superdotação (AGAAHSD). (Orgs.) Altas Habilidades/Superdotação: respostas a 30 perguntas. Porto Alegre: Redes, 2011. PESSOTTI, I. Deficiência mental: da superstição à ciência. São Paulo: Edusp. 1984. RENZULLI, J. A concepção de superdotação no modelo dos três anéis: um modelo de desenvolvimento para a promoção da produtividade criativa. In: VIRGOLIM, Â. R.; 47 KONKIEWTZ C.E. (Org.) AH/SD, inteligência e criatividade: uma visão multidiscipli- nar. Campinas, SP: Papirus, 2014. RENZULLI, J. S. O que é esta coisa chamada Superdotação e como a desenvolve- mos? Uma retrospectiva de vinte e cinco anos. Educação, [S. l.], v. 27, n. 1, 2004. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/arti- cle/view/375. Acesso em: 23 ago. 2023. REYES, M. T. F.; CHAPELA, M. T. S. Como detectar y evaluar a losalumnos com altas capacidades intelectuales. Guia para professores y orientadores. Sevilha, ES: Psicoeduca, Díada, Eduforma, 2010. SILVA, Nara Liana Pereira; DESSEN, Maria Auxiliadora. Deficiência mental e família: implicações para o desenvolvimento da criança. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Bra- sília, v. 17, n. 2, p. 133-141, maio/ago. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/sci- elo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722001000200005&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 18 jan. 2021. TOURÓN, J. PERALTA, F. REPARAZ, C. La Superdotación Intelectual: modelos, identifi cación y estrategias educativas. Pamplona: EUNSA - Ediciones Universidad de Navarra, S.A. 1998. VIEIRA, N. J. W. “Viagem a Mojáve-Óki”! Uma trajetória na Identificação das Altas Habilidades/Superdotação em crianças de quatro a seis anos. Tese (Doutorado). Fa- culdade de Educação. Programa de Pós-graduação em Educação Universidade Fe- deral do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2005. VIRGOLIM, A. M. R. Altas habilidades/superdotação: encorajando potenciais. Bra- sília: MEC/Secretaria de Educação Especial, 2007. WINNER, Ellen. Crianças superdotadas: mitos e realidades. Trad. Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.