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Amanda Rocha 1 Memoria • Memórias são armazenadas no cérebro pela variação da sensibilidade básica da transmissão sináp8ca, entre neurônicos, como resultado de a8vidade neural prévia • As vias novas ou facilitadas são chamadas “traços de memória” e uma vez que são estabelecidos podem ser, sele8vamente, a8vados pelos processos mentais para reproduzir as memórias MEMÓRIA POSITIVA E NEGATIVA • O cérebro tem a capacidade de aprender a ignorar informação sem consequências. Isso resulta da inibição das vias sináp8cas para esse 8po de informação (HABITUAÇÃO) → memória nega8va N A habituação é a forma mais simples de aprendizagem • A informação que entra no cérebro e que causa consequências importantes, como dor ou prazer, o cérebro tem a capacidade automá8ca de realçar e armazenar os traços mnemônicos. Isso resulta da facilitação das vias sináp8cas (SENSIBILIZAÇÃO) → memória posi8va • A memória pode ser classificada em: memória a curto prazo, memória de prazo intermediário e memória a longo prazo • Além disso, podem ser classificadas de acordo com o 8po de informação armazenada Memória de trabalho • Inclui principalmente a memória de curto prazo, é usada durante raciocínio intelectual mas é finalizada conforme cada passo do problema for resolvido APG 12: “Engramação Mnésica” Amanda Rocha 1. Entender a fisiologia e as alterações patológicas da memória; N Abordar as alterações patológicas qualita8vas e quan8ta8vas da memória; 2. Compreender a epidemiologia, e8ologia, fatores de risco, fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnós8co e tratamento da Doença de Alzheimer; N Abordar os mecanismos de ação dos principais fármacos usados no tratamento INTRODUÇÃO CLASSIFICAÇÃO DAS MEMÓRIAS Amanda Rocha 2 Memória Declara@va • Significa basicamente memória dos vários detalhes de pensamento integrado • Por exemplo, memória de experiência importante que inclui: N Memória do ambiente N Memória das relações temporais N Memória de causas da experiência N Memória do significado da experiência N Memória das deduções que ficaram na mente do indivíduo Memória de Habilidades • É frequentemente associada a a8vidades motoras do corpo da pessoa, como: andar de bicicleta, amarrar o sapato, escrever • Além das habilidades percep8vas, como: percepção dos braços e das pernas enquanto joga um jogo aprendido previamente MEMÓRIA A CURTO PRAZO • Memórias que duram por segundos ou, no máximo, minutos → se não forem conver8das em memórias a longo prazo N Por exemplo, aquela memória que se tem de 7 a 10 dígitos de um número de telefone, por alguns segundos ou minutos, mas que dura somente enquanto a pessoa es8ver pensando nos números • Uma explicação possível para essa memória é a facilitação ou inibição pré- sináp8ca → ocorre em sinapses que ficam em fibras nervosas terminais, imediatamente antes que formem sinapses com o neurônio subsequente N As substâncias neurotransmissoras liberadas em tais terminais, frequentemente causam facilitação ou inibição que duram segundos ou minutos MEMÓRIA DE PRAZO INTERMEDIÁRIO • Podem durar por muitos minutos ou até semanas, mas, por fim serão perdidas se os traços de memória não forem a8vados o suficiente para tornarem mais permanentes • Podem resultar de alterações temporárias químicas, fsicas ou ambas, tanto nos terminais pré-sináp8cos quanto nas membranas pós-sináp8cas Mudanças Químicas • Existem dois terminais sináp8cos, um vem de um neurônio sensorial e termina diretamente na superfcie do neurônio que deve ser es8mulado → TERMINAL SENSORIAL. O outro terminal é a terminação pré-sináp8ca que fica na superfcie do terminal sensorial → TERMINAL FACILITADOR • Quando o terminal sensorial é es8mulado repe8damente, sem es8mulação do terminal facilitador, a transmissão do sinal inicialmente é grande e se torna menos intensa com a es8mulação repe8da, até a transmissão chegar perto de desaparecer (HABITUAÇÃO) →8po de memória nega8va que faz o circuito neuronal perder sua resposta a eventos repe8dos e insignificantes Amanda Rocha 3 • Por sua vez, se um esjmulo nocivo excitar o terminal facilitador no mesmo momento em que o terminal sensorial for es8mulado, em vez do sinal transmi8do ao neurônio pós-sináp8co se tornar cada vez mais fraco, a facilitação da transmissão se tornará cada vez mais forte e permanecerá forte por minutos, horas, dias ou, com treino mais intenso, cerca de 3 semanas → o esjmulo nocivo faz com que as vias de memória pelo terminal sensorial fiquem facilitadas nos dias e semanas seguintes Mecanismo Molecular da Memória Intermediária • Mecanismo para habituação: N A nível molecular, o efeito de habituação no terminal sensorial resulta do fechamento progressivo de canais de cálcio na membrana terminal N Quan8dades menores que as normais de cálcio → menos neurotransmissor é liberado pelo terminal sensorial • Mecanismo para a facilitação: N Es8mulação do terminal pré-sináp8co facilitador, ao mesmo momento em que o terminal sensorial es8mulado causa liberação de serotonina no terminal facilitador N A serotonina age em receptores serotoninérgicos na membrana do terminal sensorial e esses receptores a8vam a enzima Adenil ciclase do lado interno da membrana → essa enzima causa a formação de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) também no terminal sensorial pré-sináp8co N O AMPc a8va uma proteinocinase que causa a fosforilação de proteínas que fazem parte dos canais de potássio, isso bloqueia a condutância de potássio pelos canais → o bloqueio pode durar minutos ou algumas semanas N A falta de condutância de potássio leva a potencial de ação bastante prolongado na terminação sináp8ca N O potencial de ação prolongado leva à a8vação prolongada dos canais de cálcio, permi8ndo a entrada de grande quan8dade desse íon no terminal sináp8co sensorial N Esses íons cálcio levam à liberação aumentada de neurotransmissor pela sinapse, facilitando a transmissão sináp8ca para o neurônio seguinte • Assim, de forma indireta, o efeito associa8vo de es8mular o terminal facilitador no mesmo momento em que o terminal sensorial é es8mulado, leva a um aumento prolongado da sensibilidade excitatória do terminal sensorial e isso estabelece o traço de memória MEMÓRIA A LONGO PRAZO • Não existe uma demarcação estabelecida entre as formas mais prolongadas de memória de prazo intermediário e a verdadeira memória de longo prazo • Em geral, se acredita que a memória a longo prazo resulte de alterações estruturais reais (não somente químicas) nas sinapses e que realcem ou suprimam a condução dos sinais Mudanças Estruturais nas Sinapses • O desenvolvimento da memória a longo prazo depende da reestruturação fsica das próprias sinapses de forma que mude sua sensibilidade para transmi8r sinais neurais • As mais importantes entre as mudanças estruturais fsicas são: Amanda Rocha 4 N Aumento dos locais onde vesículas liberam substância neurotransmissora N Aumento do número de vesículas transmissoras N Aumento do número de terminais pré- sináp8cos N Aumento do número das espinhas dendrí8cas que permitem a transmissão de sinais mais fortes Número de Neurônios e Conec@vidades • Durante as primeiras semanas ou até o primeiro ano de vida, muitas regiões do cérebro produzem grande número de neurônios, que emitem ramificações axônicas para fazer conexões com outros neurônios • Se os novos neurônios não conseguirem se conectar aos neurônios, células musculares ou glandulares, os novos axônios desaparecerão • O número de conexões neuronais é determinado por fatores de crescimentoneurais específicos liberados retrogradamente pela células es8muladas • Quando não há conec8vidade suficiente, todo neurônio que está emi8ndo as ramificações axônicas pode desaparecer • Portanto, no primeiro ano de vida ocorre o princípio de “uso ou perda” que regula o número final de neurônios e suas conec8vidades no SN • Esse é um 8po de aprendizado • Pesquisas recentes sugerem que nos adultos o mecanismo é o mesmo, até certo grau • Dida8camente, a a8vidade da memória é dividida em 3 fases: a fixação (aquisição ou codificação),a conservação (retenção ou armazenamento) e a evocação (rememoração ou recuperação) FIXAÇÃO • Refere-se à aquisição de novas informações • Depende da preservação do nível da consciência (vigilância), da atenção, da sensopercepção e da capacidade de apreensão (apercepção) • Fixam-se, mais facilmente, as informações que despertam nosso interesse e possuem maior conotação emocional, as que tem caráter de novidades, as que podem ser associadas às informações anteriormente adquiridas e as que envolvem ao mesmo tempo mais de um canal sensorial (ex. visão, audição) CONSERVAÇÃO • Refere-se à manutenção, em estado de latência, das informações que foram fixadas • As informações conservadas, ao longo do tempo, vão sofrendo um processo lento de desintegração → LEI DE REGRESSÃO MNÊMICA DE RIBOT ETAPAS DO PROCESSO MNÊMICO Amanda Rocha 5 N De acordo com essa lei, a perda de informações armazenadas se faz das mais recentes para as mais an8gas, das mais complexas para as mais simples e das menos organizadas para as mais organizadas EVOCAÇÃO • Corresponde ao retorno, espontâneo ou voluntário, à consciência das informações armazenadas • É a expressão, no comportamento, do aprendizado prévio • Fatores afe8vos podem influenciar a evocação → nos esquecemos mais facilmente do que nos desagrada ou angus8a • Assim como a percepção não é uma cópia fiel do mundo externo, a evocação também nunca é idên8ca à imagem percep8va fixada → cada vez que evocamos, estamos reconstruindo, sempre com alterações, a imagem armazenada • Para a conversão da memória a curto prazo para a memória a longo prazo, que pode ser evocada semanas ou anos depois, ela precisa ser consolidada N A memória a curto prazo, se a8vada repe8damente promoverá mudanças químicas, fsicas e anatômicas nas sinapses responsáveis pela memória a longo prazo N Esse processo requer 5-10min para consolidação mínima e 1 hora ou mais para consolidação forte • Ao longo de certo período, as caracterís8cas importantes das experiências sensoriais ficam cada vez mais fixadas nos bancos da memória N Isso explica por que a pessoa pode lembrar de pequenas quan8dades de informação estudada profundamente muito melhor que grande quan8dade de informação estudada superficialmente N Também explica por que a pessoa com sono adequado pode consolidar memórias muito melhor que a pessoa em estado de fadiga mental • Uma das caracterís8cas mais importantes da consolidação é que novas memórias são codificadas em diferentes classes de informação • Durante esse processo, 8pos semelhantes de informação são re8rados dos arquivos de armazenamento de memórias e usados para ajudar a processar a nova informação • Assim, as novas memórias não são armazenadas aleatoriamente no cérebro, mas sim em associação direta com outras memórias do mesmo 8po CONSOLIDAÇÃO DA MEMÓRIA Amanda Rocha 6 Alteracoes Patologicas Quantitativas • Os termos amnésia, hipomnésia e hipermnésia significam abolição, diminuição e aumento da capacidade mnêmica, respec8vamente • As alterações quan8ta8vas da memória podem ser classificadas de duas formas: N Quanto ao tempo em que pertencem as lembranças: anterógradas, retrógradas e retroanterógradas N Quanto à extensão e ao conteúdo das recordações: generalizadas, lacunares e sele8vas AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA ANTERÓGRADA • Também denominadas amnésia ou hipomnésia de fixação • Consiste na impossibilidade (amnésia) ou dificuldade (hipomnésia) de formar novas lembranças de longo prazo → adquirir novas informações, a par8r do momento em que o agente patogênico começou a atuar • Primariamente ocorre no transtorno amnésico e nos quadro demenciais • Também pode ocorrer nos quadros de delirium → atenção e apreensão da realidade (apercepção) prejudicadas • Nos estados de ansiedade e de agitação psicomotora (incluindo a mania) → relacionados a uma diminuição na capacidade de concentração • Na maioria dos pacientes com retardo mental grave, por uma lesão cerebral, e de uma dificuldade de apercepção • E na depressão, pelo prejuízo na atenção provocado pelo desinteresse N Nos blackouts, que são lacunas de memória referentes a episódios de embriaguez alcoólica, o distúrbio se dá na fixação • Indivíduos com hipomnésia anterógrada frequentemente perdem objetos, pois não sabem onde os colocam. Não conseguem guardar recados que deveriam transmi8r. Esquecem-se dos nomes e das faces de pessoas que acabaram de conhecer. Perdem-se na rua, pois não se lembram por onde passaram antes de chegar ali e têm dificuldade em registrar a data recorrente AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA RETRÓGRADA • Também conhecidas como amnésia ou hipomnésia de evocação • Refere-se à impossibilidade (amnésia) ou dificuldade (hipomnésia) de recordar eventos anteriores à atuação do fator causal do distúrbio mnêmico • Não se consegue recuperar memórias de longo prazo, as quais 8nham sido adequadamente fixadas • A amnésia retrógrada afeta mais a recordação de eventos recentes que os remotos N Uma forma pura de amnésia retrógrada (não associada à amnésia anterógrada) é rara Amanda Rocha 7 • Ocorre principalmente em quadros dissocia8vos histéricos, sendo encontrada em trauma8smos cranioencefálicos, na intoxicação por monóxido de carbono e em lesões talâmicas AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA RETROANTERÓGRADAS • É a forma mais comum • Refere-se ao esquecimento dos fatos ocorridos antes e depois da causa determinante • Trata-se de uma alteração simultânea da fixação e da evocação • Encontra-se nos casos graves de demências e de trauma8smos cranioencefálicos • O an8go termo psicorrexe, pouco usado atualmente, se refere à amnésia de instalação súbita e total, privando o indivíduo da capacidade de compreensão e orientação no tempo e espaço AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA GENERALIZADA • São afetadas todas as regiões de grande parte do passado, compreendendo os úl8mos meses ou anos, ou até mesmo a vida inteira • Trata-se de um distúrbio mnêmico pouco frequente • Pode ocorrer após um grave TCE, em fase terminal de demência e em transtornos dissocia8vos histéricos (fuga psicogênica) AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA LACUNAR • Também chamada de localizada • A falha da memória compreende especificamente determinado espaço de tempo, de limites rela8vamente precisos, durante o qual houve um prejuízo na capacidade de fixação N Todos os eventos anteriores e posteriores a esse período foram normalmente fixados e são normalmente evocados • Ocorre após um estado de coma (como nas crises convulsivas malignas) ou de delirium, estados crepusculares epilé8cos e histéricos, graves agitações maníacas ou psicó8cas, ataque de pânico ou um evento psicológico traumá8co AMNÉSIA & HIPOMNÉSIA SELETIVA • Também chamada de sistemá8ca • Nesse caso, as lembranças têm conteúdo e significado afe8vo em comum • É observada em quadros dissocia8vos histéricos (como amnésia psicogênica) HIPERMNÉSIA ANTERÓGRADA • Hipermnésia de fixação, também chamada de hipertrofia de memória • Consistena capacidade exagerada de armazenamento de novas informações Amanda Rocha 8 • Geralmente está restrita a uma habilidade específica, como: N Memorizar uma grande quan8dade de números ou nomes N Reproduzir uma música ou um texto extenso após terem sido ouvidos uma única vez • Pode ocorrer em qualquer pessoa, porém é mais frequente em indivíduos com retardo mental e, mais ainda, em au8stas HIPERMNÉSIA RETRÓGRADA • Hipermnésia de evocação • Pode ser observada na síndrome maníaca • Ocorre um excesso de recordações em pouco espaço de tempo • Embora mais numerosas, as lembranças, em geral, são pouco claras e precisas, não havendo controle voluntário sobre elas • Além disso, há ao mesmo tempo, hipomnésia de fixação • Outra forma de hipermnésia de evocação pode ser encontrada em estados crepusculares epilép8cos e histéricos, no transe hipnó8co, no sonho, no delirium e na intoxicação por alucinógenos N Consiste em súbito ressurgimento de recordações que estavam aparentemente esquecidas ou em uma alteração transitória em que certos eventos autobiográficos são recordados de forma mais vivida, detalhada e exata que o habitual (ACROMNÉSIA) HIPERMNÉSIA LACUNAR • É observada em pacientes com transtorno de pânico, especialmente em relação à rememoração do primeiro ataque, e no transtorno de estresse pós-traumá8co, em relação ao evento traumá8co HIPERMNÉSIA SELETIVA • Ocorre na depressão, quanto a fatos dolorosos ou que despertem o sen8mento de culpa. Na mania, quanto a sucessos e realizações pessoas. Nos quadros delirantes, quanto a fatos que pareçam confirmar o juízo patológico Alteracoes Patologicas Qualitativas ALOMNÉSIA • Também conhecida como ilusão de memória, por se tratar de uma alteração análoga à que ocorre na sensopercepção • As recordações de um evento real são deturpadas, distorcidas pelo indivíduo de forma involuntária • Pode ocorrer em qualquer pessoa e em situações patológicas, como: N No delirium N Demência N Na mania e na melancolia (transtorno bipolar) N Na esquizofrenia N No transtorno delirante Amanda Rocha 9 PARAMNÉSIA • Também conhecida como alucinação de memória, pois se trata de uma alteração análoga à que ocorre na sensopercepção • Trata-se da recordação de algo que não ocorreu, de uma falsa lembrança → embora para o paciente ela seja verdadeira • Pode ocorrer na esquizofrenia, devido à a8vidade delirante • Também pode ocorrer na pseudologia fantás8ca → o indivíduo passa a acreditar na veracidade das próprias men8ras CRIPTOMNÉSIA • Consiste na falha rela8va ao reconhecimento passado • As recordações voltam à mente do indivíduo, mas não são reconhecidas como passadas, parecendo a ele ideias novas, criações originais suas N É o mecanismo dos casos de plágio involuntário ECMNÉSIA • Representa também um distúrbio quanto ao reconhecimento como passado • Trata-se da presen8ficação do passado → a recordação é tão intensa, quase alucinatória, que o paciente se comporta como se o evento do passado es8vesse acontecendo naquele momento, como se ele es8vesse vivendo em uma época anterior da sua vida Doenca de Alzheimer • A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenera8va caracterizada por uma síndrome demencial, caracterizada por prejuízo cogni8vo e prejuízo da funcionalidade • A DA é a forma mais frequente de demência em idosos e a sua prevalência aumenta significa8vamente com a idade • Estudos epidemiológicos mostram que as taxas de prevalência de demência em geral e da DA em par8cular, dobram a cada 5 anos a par8r dos 60 anos • No caso do Brasil, dois estudos concluíram que a DA foi responsável por 55,1% dos casos de demência iden8ficados em uma coorte de 1.656 idosos com 65 anos ou mais e por 59,8% dos casos em idosos com idade acima de 60 anos • A prevalência passou de 0,16% em indivíduos de 65 a 69 anos para 23,4% na faixa etária de 85 anos ou mais • A incidência também se eleva bastante com a idade INTRODUÇÃO EPIDEMIOLOGIA Amanda Rocha 10 • Um estudo brasileiro confirmou a incidência anual de 7,7 casos. 1.000 habitantes • Em um estudo mais recente, a taxa de incidência anual foi ainda mais elevada, de 14,8% dos casos/1.000 habitantes • O avançar da idade é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de DA • No entanto, outros fatores de risco estão associados, tanto caracterís8cas adquiridas ao longo da vida, quanto histórico familiar e fatores gené8cos • Entre os fatores adquiridos, destacam-se: N HAS; Obesidade N Níveis elevados de LDL e baixos de HDL na meia-idade N DM N Tabagismo N TCE N Níveis elevados de homocisteína • Deve-se destacar a par8cipação de condições vasculares, que não apenas estão relacionadas aos processos fisiopatológicos da DA, como condicionam maior risco para a ocorrência de lesões cerebrovasculares, que podem exercer efeito sinérgico às lesões degenera8vas e, assim, contribuir para a expressão clínica da demência GENÉTICA • A maioria dos casos de DA é de ocorrência esporádica • Formas familiares, em que há padrão de herança autossômica dominante, também são descritas, porém compreendem menos de 2% do total de casos da doença N Nesses indivíduos já foram iden8ficadas mutações nos cromossomos 1, 14 e 21, condicionando o início dos sintomas usualmente antes dos 65 anos (DA pré- senil) e mais frequentemente antes dos 60 anos • O gene que codifica a proteína precursora do amiloide encontra-se no cromossomo 21, e a síndrome de Down, em que há trissomia desse cromossomo, leva ao desenvolvimento de alterações patológicas caracterís8cas da DA a par8r de certa idade • Os cromossomos 14 e 1, por sua vez, relacionam-se com as proteínas pré- senilinas 1 e 2, respec8vamente • Entre os casos de DA familiar, em que anormalidade gené8cas são iden8ficadas, a maior parte ( cerca de 50% dos casos) decorre de mutações no gene pré-senilina 1, no cromossomo 14 N Embora as mutações gené8cas sejam responsáveis por uma pequena parcela dos casos, elas permitem compreender alguns mecanismos moleculares importantes relacionados à fisiopatologia da doença • Outro fator gené8co importante é a presença do alelo E4 do gene da Apolipoproteína E, proteína plasmá8ca relacionada com o transporte de colesterol • O gene codificador apresenta 3 alelos (E2, E3 e E4 e 6 genó8pos possíveis FATORES DE RISCO Outros fatores são considerados protetores contra o desenvolvimento da DA, como alta escolaridade, a7vidade intelectual produ7va, a7vidade 8sica e fatores alimentares. Os efeitos da escolaridade e da a7vidade intelectual jus7ficam a teoria da “reserva cogni7va”, que se refere à habilidade de processar estratégias cogni7vas alterna7vas e recrutar redes neurais análogas a fim de compensar os déficits resultantes das alterações patológicas da DA. Amanda Rocha 11 • Estudos epidemiológicos demonstram que pacientes com DA, a frequência do alelo E4 é desproporcionalmente alta, tanto em pacientes com doença esporádica de início tardio, quanto familiar • A presença de um alelo E4 aumenta o risco de desenvolvimento da doença em 2-3X, enquanto a homozigose para esse alelo aumenta o risco em 5-15x • Considera-se que o acúmulo do pepjdeo b-amiloide no tecido cerebral seja o evento fisiopatológico primordial na DA N Ocorre deposição de pepjdeo b- amiloide sob a forma de placas neurí8cas e emaranhados neurofibrilares contendo proteína tau hiperfosforilada • Esse pepjdeo é formado a par8r da clivagem da proteína precursora do amiloide (codificada por um gene localizado no cromossomo 21, pelas enzimas B e Y secretases) N Emsituação fisiológica, a proteína precursora é clivada pela a-secretase, dando origem a um fragmento não amiloidogênico (não tóxico) • Na DA, atuam 2 outras secretases (B e Y), com produção e liberação do pepjdeo B- amiloide que se deposita no espaço extracelular, inicialmente sob a forma de oligômeros solúveis (pequenos fragmentos da proteína B-amiloide) e, posteriormente, de placas difusas que contêm formas insolúveis do pepjdeo N Os oligômeros têm efeito neurotóxico e promovem uma cascata de eventos (inclusive com a par8cipação de mediadores inflamatórios) que resultam na formação das placas neurí8cas • Essas representam lesões maduras em que densos depósitos do pepjdeo B-amiloide se acumulam na região central da placa, circundados por axônios, dendritos degenerados e micróglia a8vada • O processo bioquímico que se inicia com a clivagem anômala da proteína precursora do amiloide e que ocasiona a formação das placas neurí8cas é modelizado na “teoria da cascata amiloide” → principal modelo explica8vo da fisiopatologia da DA N Segundo essa teoria, após processo amiloidogênico, ocorre a patologia neurofibrilar, de natureza neurodegenera8va N Os emaranhados neurofibrilares têm como cons8tuinte molecular a principal proteína tau hiperfosforilada N A proteína tau em condições fisiológicas, está associada aos microtúbulos, par8cipando da formação estrutural do citoesqueleto neuronal, responsável pelo transporte axonal FISIOPATOLOGIA Amanda Rocha 12 N Essa proteína é codificada por um gene localizado no cromossomo 17 N Na DA ocorre hiperfosforilação da proteína, que deixa de se ligar aos microtúbulos e forma filamentos helicoidais pareados insolúveis, que se agregam formando os emaranhados neurofibrilares N Porém, a densidade de emaranhados neurofibrilares é maior nos pacientes com DA, que em indivíduos sem a doença da mesma idade, nos quais a patologia neurofibrilar é restrita às estruturas límbicas • O córtex entorrinal e a formação hipocampal são as primeiras áreas cerebrais acome8das pelos emaranhados • Posteriormente, há comprome8mento de núcleos colinérgicos localizados no prosencéfalo basal (par8cularmente do núcleo basal de Meynert), acarretando perda de inervação colinérgica para o córtex cerebral • Em fase posterior, o processo patológico se dissemina para área neocor8cais associa8vas, com rela8va preservação dos cór8ces primários • Os sintomas da DA se instalam de forma insidiosa, com piora progressiva • Na maioria dos casos, a principal caracterís8ca inicial é o déficit de memória esporádica, muitas vezes sob a forma de comprome8mento cogni8vo leve amnésico e de outros domínios, como: N Orientação temporo-espacial N Linguagem N Função execu8va (planejar e executar uma ação) N Praxia (capacidade de coordenar os movimentos para tarefas específicas) A densidade de emaranhados aumenta com o envelhecimento, tanto em indivíduos com demência quanto sem demência QUADRO CLÍNICO Amanda Rocha 13 • Esse perfil clínico reflete a distribuição topográfica da patologia neurofibrilar nas fases iniciais, com comprome8mento do córtex entorrinal e da formação hipocampal • Posteriormente, com o envolvimento de áreas neocor8cais associa8vas frontais, temporais e parietais, surgem as demais alterações cogni8vas e comportamentais • Os sintomas da DA em seus estágios iniciais são caracterís8cos do déficit de memória esporádica e incluem: N Dificuldade em se lembrar de acontecimentos recentes, recados, compromissos N Repe8ção de perguntas frequentes N Perda de objetos pessoas • Desorientação espacial em locais menos conhecidos, disfunção execu8va e dificuldades de cálculo também são frequentes nas fases leves a moderadas • Alguns pacientes podem apresentar manifestações clínicas ajpicas, inclusive sem comprome8mento significa8vo de memória nas fases iniciais N Esse perfil ocorre, principalmente, em casos de início pré-senil, em que formas de apresentação não amnésica podem surgir em mais de 1/3 dos casos • As 3 principais apresentações ajpicas são: N Variante frontal ou disexecu8va: apresenta manifestações cogni8vo- comportamentais que imitam a demência frontotemporal N Atrofia cor8cal posterior: com proeminente acome8mento visual- espacial precoce N Afasia logopênica: com déficit de linguagem em primeiro plano • As alterações cogni8vas geram comprome8mento funcional significa8vo, primeiro em a8vidades instrumentais da vida diária como cozinhar, gerenciar as finanças pessoas ou os próprios medicamentos • É comum haver anognosia (falta de consciência da própria doença e sintomas) • Além das alterações cogni8vas, ocorrem sintomas comportamentais em cerca de 80% do casos • Embora esses aspectos comportamentais se modifiquem com a doença, os mais comuns são apa8a, depressão e agitação • Alucinações, delírios (principalmente de roubo) e agressividade também são observados, especialmente nos estágios moderado a avançado da doença • Com a progressão da doença, há deterioração de múl8plos domínios cogni8vos e comprome8mento de a8vidades básicas da vida diária, como higiene pessoal, acarretando dependência crescente • Podem ocorrer alterações do ciclo vigília- sono Na doença de Alzheimer, o indivíduo precisa apresentar déficit cogni;vo + perda da funcionalidade em maior ou menor grau. Caso haja apenas déficit cogni;vo, não é considerado ainda DA e sim Déficit cogni;vo leve. Amanda Rocha 14 • Mioclonias (contração muscular breve parecida com um choque), parkinsonismo, disfagia, incon8nência esfincteriana e, mais raramente, crises epilép8cas, ocorrem nas fases avançadas • O diagnós8co de DA, par8cularmente quando já há demência, é essencialmente clínico N Avanços significa8vos vêm ocorrendo nos úl8mos anos com o desenvolvimento de marcadores biológicos que permitem a detecção da DA mesmo em suas fases pré- demencias • No entanto, na prá8ca atual, o diagnós8co se baseia na presença de alterações cogni8vas, comportamentais e funcionais, avaliadas por meio de instrumentos específicos (como o mini-mental) e na exclusão de outras causas de demência, por meio de exames laboratoriais e de neuroimagem estrutural • Os exames complementares têm como obje8vo principal descartar causas potencialmente tratáveis de demência ou eventuais comorbidades • O Departamento Cienjfico de Neurologia Cogni8va e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia considera como obrigatórios na inves8gação complementar de pacientes com demência os seguintes exames laboratoriais: N Hemograma completo N Crea8nina N TSH N Albumina N Transaminases hepá8cas N Vitamina B12 N Ácido fólico N Cálcio N VDRL (sífilis) N Sorologia HIV: em pacientes com idade inferior a 60 anos, com apresentações clínicas ajpicas ou com sintomas suges8vos • Biópsia do LCR está indicada em casos de demência pré-senil, com apresentação ou curso clínico ajpicos, com hidrocefalia comunicante e quando há suspeita de doença inflamatória infecciosa do SNC • A ressonância magné8ca de crânio, por meio de análise qualita8va ou quan8ta8va (volumetria), pode mostrar atrofia de estruturas temporais mesiais (formação hipocampal) e consequente dilatação do giro temporal dos ventrículos laterais O óbito normalmente ocorre após evolução de 7-15 anos (podendo ser maior), geralmente por complicações comuns em pacientes acamados, como pneumonia aspira;va, infecções do trato urinário com sepse ou TEP DIAGNÓSTICO O exame neurológiconão possui padrão jpico em estágios leves a moderados da DA, de modo que a iden8ficação de anormalidades ao exame (hemiparesia, parkinsonismo), principalmente em casos leves, deve levantar a suspeita de outra e8ologia demencial Amanda Rocha 15 • Em relação à neuroimagem, a TC por emissão de pósitrons (PET) com a flurodeoxiglicose como marcador pode revelar hipometabolismo temporarietal posterior, padrão considerado jpico da DA N Elevado custo e pouco disponível na prá8ca • A avaliação cogni8va é fundamental para o diagnós8co da DA, podendo ser feita com testes de rastreio (MEEM) e complementada por testes de avaliação breve ou mesmo por avaliação neuropsicológica formal, par8cularmente nos casos que apresentam comprome8mento leve ou com perfil cogni8vo ajpico • Considerando o tempo de 30 minutos para avaliação cogni8va durante uma consulta, o DCNCEABN indica os seguintes instrumentos como válidos para uso no nosso meio: • Para avaliação dos sintomas comportamentais, o Inventário Neuropsiquiátrico pode ser empregado, enquanto o desempenho funcional pode ser avaliado por meio de escalas específicas de avaliação funcional Amanda Rocha 16 • O diagnós8co da DA até 2011, se baseava nos critérios estabelecidos pelo Na8onal In8tute of Neurological and Communica8ve Disorders and Stroke and Related Disorders Associa8on (NINCDS- ADRDA), publicados em 1984 • Com os avanços dos conhecimentos a respeito da fisiopatologia e da evolução clínica da doença, bem como das aplicações dos biomarcadores, o NIAAA (EUA) publicaram recentemente uma revisão desses critérios N Foram propostas modificações dos critérios diagnós8cos de demência, seguidos dos níveis de probabilidade diagnós8ca • O tratamento da DA, deve envolver medidas não farmacológicas e farmacológicas TRATAMENTO FARMACOLÓGICO • O tratamento farmacológico atualmente disponível para a DA é de natureza sintomá8ca, com drogas que atuam nas vias coligérgicas (inibidores da colinesterase ou IChE) ou glutamatérgicas (antagonistas dos receptores NMDA do glutamato) IChE • Três são u8lizados na prá8ca clínica, sendo indicados para o tratamento da DA leve a moderada: N Donepezila: DA grave N Galantamina: doença cerebrovascular associada N Rivas8gmina • As 3 drogas inibem a ace8lcolinesterase (e, no caso da rivas8gmina, também a bu8rilcolinesterase), enzimas responsáveis pela ina8vação da ace8lcolina, aumentando a disponibilidade do neurotransmissor na fenda sináp8ca TRATAMENTO Como é comum haver anosognosia, é essencial a obtenção de histórico clínico junto a um familiar ou acompanhante que convive com o paciente. Não há evidências de um agente terapêu8co sobre o outro. Amanda Rocha 17 • Os principais efeitos adversos decorrentes da es8mulação colinérgica periférica são: N Náuseas N Vômitos N Diarreia • O aumento da dose de forma lenta e gradual é a medida mais efe8va na redução desses efeitos N A recomendação é de que as doses sejam aumentadas a cada 4 semanas, ou mesmo após períodos maiores, dependendo da ocorrência de eventos adversos • Os IChE podem causar síncope e bradicardia em pacientes suscejveis, de modo que é recomendável que indivíduos com antecedente de arritmias cardíacas ou com anormalidade no ECG sejam avaliados por cardiologista antes da introdução do medicamento • Nas fases moderada a grave da doença, a meman8na (antagonista não compe88vo dos receptores NMDA do glutamato) é eficaz, levando à melhora cogni8va e funcional e redução do grau de dependência N A posologia inicial recomendada é de 5mg/dia, com aumento de 5mg/dia a cada semana N A posologia final recomendada é de 10mg a cada 12h (ou 20mg/dia) • A meman8na pode ser combinada a qualquer um dos 3 IChE em paciente com DA moderada a gravde, oferecendo benefcios clínicos e funcionais superiores ao efeito do IChE isoladamente, sem maior incidência de eventos adversos • Sintomas comportamentais (apa8a, delírios, alucinações, agitação psicomotora e agressividade) podem melhorar com o uso de IChE ou, ocasionalmente, também com meman8na N Portanto, essas drogas devem ser consideradas como a primeira opção no tratamento farmacológico desses sintomas • An8depressivos (principalmente os inibidores sele8vos da recaptação de serotonina – sobretudo o citalopram) podem ser úteis em quadros de depressão associada, ou até em alguns pacientes como irritabilidade e agitação • Em situações com piora comportamental aguda, é fundamental excluir causas clínicas (infecções), ou neurológicas, não relacionadas ao processo neurodegenera8vo de base (hematoma subdural ou AVE), passíveis de tratamento específico • O acompanhamento do paciente com DA por equipe mul8profissional (enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neuropsicólogos e terapeutas ocupacionais etc.) complementa o tratamento farmacológico N Traz benefcios significa8vos no manejo da doença, melhorando a qualidade de vida dos envolvidos, reduzindo a carga sobre o cuidador e o índice de ins8tucionalização Amanda Rocha 18 ARTIGO: A DA deriva da morte de neurônios causada pela resposta inflamatória excessiva do SNC promovida pela micróglia e neutrófilos, que liberam substâncias como as citocinas, que es;mulam o astrócito-neurônio mais próximo a produzir maiores quan;dades de um pepWdeo chamado β-amilóide 42 (Aβ42) aumentando sua dispersão e produção em várias partes do encéfalo (5), tais como neocórtex, hipocampo, área entorrinal, amígdala, tálamo anterior, núcleo basal e núcleos monoaminérgicos do tronco cerebral (locus ceruleus) A Doença de Alzheimer de início precoce e seus aspectos gené;cos A DAIP apresenta um curso clínico inicial aWpico, comumaspectoclínicomuitomaisagressivo .Afeta mais áreas de função execu;va, função visual-espacial e de habilidades motoras e menor comprome;mento da memória. Entretanto mostra uma maior densidade de placas amilóides e um padrão de distribuição mais difuso do que na DAIT. A DA precoce tem uma hereditariedade que varia de 92 a 100%. De 35 a 60% dos pacientes com Alzheimer Precoce têm pelo menos 1 familiar de primeiro grau afetado. A maioria das variantes gené;cas associadas com a DAIP têm transmissão autossômica dominante As mutações monogênicas com padrão autossômico dominante da DAIP prejudicam a codificação e a função correta de diferentes proteínas, entre elas a Proteína Precursora Amilóide (APP), os genes da Presenilina (PSEN1 e PSEN2), a Proteína Tau, além de polimorfismos do alelo E4 da Apolipoproteína E (APOE) Mutações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 levam à clivagem anormal e/ou agregação da Proteína Precursora Amilóide, resultando na forma mais Wpica de amnésia, entretanto os pacientes podem demonstrar outras caracterís;cas dis;ntas como mioclonia precoce, paraparesia espás;ca, convulsões, efeito pseudobulbar, angiopa;a amilóide mais extensa e morfologia e distribuição aWpicas das placas amilóides Tais genes sofrem mutações missenses que acabam por alterar suas funções, sí;os de clivagem e expressões, causando principalmente o aumento de agregados de Aβ na parede externa dos neurônios e a formação de emaranhados neurofibrilares (NFTs) de uma maneira precoce, antes dos 65 anos, caracterizando a Doença de Alzheimer de Início Precoce A APOE é formada por 317 aminoácidos, sinte;zada pelo ggado que produz a maior parte da APOE plasmá;ca, principalmente através dos astrócitos, sendo, portanto, cons;tuinte de algumas lipoproteínas plasmá;cas de alta densidade (HDL) esuas funções consistem em realizar reparos de danos excessivos aos neurônios e garan;r a homeostase lipídica Inicialmente, a APOE estava associada somente à DA de ocorrência tardia. No entanto, diferentes estudos vêm demonstrando que o alelo E4 está também associado ao desenvolvimento da DAIP, uma vez que a presença desse alelo causa uma acumulação acelerada do pepWdeo Aβ formando placas mais densas, especialmente em indivíduos com DAIP cujo padrão de herança não é autossômico dominante A liberação de colesterol ocorre pela interação da APOE associada a uma parWcula lipídica com a Aβ solúvel, onde ocorrerá endocitose por receptores e a digestão das lipoproteínas por enzimas lisossomais. Uma fração é degradada enquanto o restante con;nua junto com a Aβ, provocando a agregação das fibrilas amilóides que são lançadas para o meio extracelular novamente. A aceleração deste processo ocorre na presença do alelo E4 por ter maior afinidade com a proteína beta-amilóide A grande quan;dade de pepWdeo Aβ no meio cerebral acaba se tornando tóxica e causa alterações na proteína Tau, que perde sua capacidade de manter os fusos neurofibrilares, resultando na fragmentação dos microtúbulos, formação dos NFTs e morte dos neurônios. É importante ressaltar que a simples presença do alelo E4 não é o bastante para causar DA, apenas aumenta o risco de desenvolver a doença, que somado com fatores ambientais podem ajudar no processo patológico. RIBEIRO, Helem F.; DOS SANTOS, Jéssica Scarlet F.; DE SOUZA, Julyanne N. Doença de Alzheimer de início precoce (DAIP): caracterísLcas neuropatológicas e variantes genéLcas associadas. Revista de Neuro-Psiquiatría, v. 84, n. 2, p. 113-127, 2021.