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1 SEMANA 6. APG 
Demência é um comprometimento generalizado, 
adquirido e geralmente progressivo da função 
cognitiva. Essa condição difere de outros distúrbios 
da função cognitiva, como o coma ou os estados 
confusionais, pelo fato de que o nível de consciência 
(vigília ou excitabilidade) está preservado na 
demência. 
A doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de 
demência, sendo responsável por 50 a 70% do total 
de casos. Pode ser estimado um total de 1.200.000 
brasileiros com a doença, com previsão de aumento 
acelerado decorrente do envelhecimento da 
população. 
A maior parte dos casos de DA tem início a partir dos 
65 anos de idade, com crescimento exponencial até 
em torno dos 85 a 90 anos, quando a probabilidade 
de desenvolvimento da doença cai discretamente. Não 
são raros casos antes dos 65 anos, mas, em 
particular antes dos 60, existe maior chance de 
tratar-se da forma familiar da doença, que é bem 
mais rara que a forma esporádica, correspondendo a 
5 a 8% do total de casos. 
Mulheres e homens são afetados com igual 
frequência, quando ajustados por idade. No entanto, 
como as mulheres vivem por mais tempo, elas 
representam cerca de dois terços dos pacientes com 
Alzheimer. 
 
Os fatores de risco mais conclusivamente associados 
a doença de Alzheimer são idade mais avançada, sexo 
feminino e genótipo APOE4. Outros fatores que 
podem estar ligados a doença: 
 História familiar; 
 Depressão; 
 Baixa nível escolar; 
 Tabagismo; 
 Diabetes; 
 Hipertensão; 
 Dieta gordurosa; 
 Outros genes além do APOE4, porém causam 
menos efeitos. 
Não existem evidências definitivas de que o risco 
de doença de Alzheimer pode ser reduzido por dieta, 
fármacos ou alterações no estilo de vida. No entanto, 
engajamento cognitivo, atividade física, uma dieta 
com baixo teor de gorduras e rica em vegetais, e uma 
ingestão leve a moderada de álcool são medidas 
apoiadas por alguns dados. 
 
A progressão da doença possui uma fase pré-
sintomática de até cerca de 10 anos, caracterizada 
pela deposição de placas amiloides, seguida por uma 
fase sintomática de cerca de 10 anos, durante a qual 
ocorre a formação de emaranhados. 
Manifestações precoces: o termo leve 
comprometimento cognitivo (LCC), algumas vezes, é 
usado para descrever a fase precoce do declínio 
cognitivo, observado em pacientes que mais tarde 
recebem um diagnóstico de doença de Alzheimer. O 
comprometimento da memória recente, em geral, é o 
primeiro sinal de doença de Alzheimer pode somente 
ser notado por familiares. Com a progressão do 
distúrbio de memória por meses a vários anos, o 
paciente se torna desorientado no tempo e no espaço. 
Afasia, anomia e acalculia podem se desenvolver. A 
depressão aparente nos estágios iniciais do distúrbio 
pode dar lugar a um estado inquieto e agitado. 
Seguem-se apraxias1 e desorientação visuoespacial, 
levando o paciente a se perder com facilidade. 
Comumente se encontram reflexos primitivos. Um 
distúrbio de marcha do lobo frontal pode se tornar 
aparente, com passos curtos, lentos e arrastados, 
postura em flexão, com base larga e dificuldade para 
iniciar a marcha. 
Manifestações tardias: em estágios mais 
avançados, perde-se a desenvoltura social que 
previamente estava preservada, e sintomas 
psiquiátricos, incluindo psicose com paranoia, 
alucinações e delírios, podem ser evidentes. 
Convulsões ocorrem em alguns casos. Nesse estágio, 
o exame pode demonstrar rigidez e bradicinesia2. 
Características raras e geralmente tardias da doença 
incluem mioclonia3, incontinência, espasticidade, 
respostas plantares extensoras e hemiparesia. 
Mutismo, incontinência e um estado acamado são 
manifestações terminais. Problemas de alimentação, 
episódios febris, dispneia, pneumonia e dor são 
complicações frequentes nos meses finais da vida, e o 
óbito normalmente ocorre 5 a 10 anos após o início 
dos sintomas. 
A perda neuronal e a degeneração sináptica são os 
principais achados neuropatológicos na Doença de 
Alzheimer, junto com o acúmulo de duas lesões 
principais, sendo elas as placas neuríticas (ou 
amiloides) e os emaranhados neurofibrilares. 
Placas neuríticas (senis) são depósitos extracelulares 
que contêm beta-amiloide (Ab) e outras proteínas, 
incluindo presenilina 1, presenilina 2, alfa 1 
 
1 SEMANA 6. APG 
antimicrotripsina, apolipo-proteína E, alfa 2-
macroglobulina e ubiquitina. 
Emaranhados neurofibrilares são depósitos 
intracelulares contendo tau hiperfosforilado (uma 
proteína associada a microtúbulos) e ubiquitina. 
A doença é um distúrbio degenerativo progressivo, 
causado por um defeito genético em casos raros (ver 
adiante), mas costuma ser esporádica e de causa 
desconhecida. Metabolismo anormal, deposição ou 
depuração de duas proteínas – Ab e tau – parecem 
estar intimamente ligados à patogênese. 
1. Genética: em cerca de 1% dos pacientes vai 
ser um distúrbio familiar que resulta de uma 
mutação em uma de três proteínas de 
membrana relacionadas funcionalmente: 
proteína precursora beta-amiloide (APP, de 
amyloid precursor protein), presenili-na 1 
(PS1), ou presenilina 2 (PS2). O início da 
doença nesses pacientes costuma ocorrer 
entre os 30 e os 60 anos. Pacientes com 
síndrome de Down (trissomia 21) também 
desenvolvem doença de Alzheimer 
precocemente (média de início aos 50 anos), o 
que parece estar relacionado com uma cópia 
extra do gene APP localizado no cromossomo 
21. 
O risco de doença de Alzheimer também é 
influenciado pelo padrão hereditário de 
isoformas do gene da apolipoproteína E 
(APOE) E2, E3 e E4. O risco aumenta em 
cerca de três vezes, com um alelo 
apolipoproteína E E4 (APOE4) e, em cerca de 
12 vezes, com duas cópias de APOE4; cada 
cópia de APOE4 também reduz a idade de 
início em cerca de cinco anos. Diferente de 
APOE4, APOE2 parece conferir uma proteção 
relativa contra a doença de Alzheimer. O 
mecanismo pelo qual o genótipo APOE 
modifica a susceptibilidade à doença de 
Alzheimer é desconhecido, mas pode envolver 
a ligação da proteína APOE à ABeta. 
 
2. ABeta e placas neuríticas: a ABeta é o 
principal constituinte das placas neuríticas e 
também está depositada nos vasos 
sanguíneos cerebrais e meníngeos na doença 
de Alzheimer. A Abeta é um peptídeo de 38 a 
43 aminoácidos, produzido por clivagem 
proteolítica da proteína transmembrana APP. 
O processamento normal de APP (proteína 
responsável por estimular o neurônio a 
crescer e se reparar em caso de lesão) envolve 
sua clivagem pela enzima alfa-secretase, que 
não produz Abeta, e pela beta-secretase 
(BACE; local beta da enzima de clivagem APP) 
e gama-secretase, resultando principalmente 
em um fragmento de 40 aminoácidos (Ab40), 
que é secretado e depurado pelo cérebro. Na 
doença de Alzheimer, é produzida uma 
quantidade desproporcional de Abeta42, uma 
forma mais longa da molécula, com um 
aumento da tendência de agregação. As 
presenilinas 1 e 2 contribuem com a atividade 
da gama-secretase. 
 
Evidências para um papel causal da Abeta na 
doença de Alzheimer incluem o envolvimento 
de mutações de APP em alguns casos 
familiares e a neurotoxicidade de Abeta em 
algumas circunstâncias. No entanto, existe 
pouca correlação entre a extensão da 
deposição de placas amiloides no cérebro e a 
gravidade da demência na doença de 
Alzheimer. Uma explicação para essa 
disparidade é que os oligômeros solúveis 
Abeta, mais do que as placas insolúveis, 
podem ser o agente tóxico. Outra 
possibilidade é que a agregação Abeta produz 
doença de Alzheimer indiretamente, por meio 
da promoção da formação de emaranhados 
neurofibrilares contendo tau. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Tau e emaranhados neurofibrilares: Tau é 
uma proteína citoplasmática que liga a 
tubulina e estabiliza os microtúbulos, 
estruturas citoesqueléticas que ajudam a 
manter a estrutura celular e facilitam o 
transporteintracelular. Na doença de 
Alzheimer e em outras tauopatias, a tau se 
torna hiperfosforilada e se dissocia dos 
microtúbulos; os microtúbulos desmontam, e 
agregados de tau hiperfosforilada se unem 
para formar os emaranhados neurofibrilares. 
Um papel causal para a patologia da tau na 
doença de Alzheimer é apoiado pelas 
observações de que a abundância de 
Resumindo: fisiologicamente, a APP é clivada pela 
enzima alfa-secretase, sendo então transformada em 
fragmentos menores sem ação tóxica. Na DA, a 
liberação do peptídeo beta-amilóide ocorre a partir 
da atividade das enzimas beta-secretase e gama-
secretase, resultando na agregação e deposição 
desse peptídeo no córtex cerebral podendo, dessa 
forma, interferir nas sinapses. 
 
1 SEMANA 6. APG 
emaranhados neurofibrilares se correlaciona 
bem com a gravidade da doença e de outras 
tauopatias (p. ex., demência frontotemporal), 
nas quais o processamento de Abeta é 
normal, mas também pode produzir 
demência. 
 
4. Disfunção sináptica: A doença de Alzheimer é 
acompanhada por disfunção precoce e perda 
de sinapses, afetando principalmente a 
transmissão excitatória no hipocampo e no 
córtex cerebral. Essas alterações podem 
contribuir com a perda da memória. 
 
5. Perda neuronal e atrofia cerebral: Certas 
populações neuronais são preferencialmente 
perdidas na doença de Alzheimer, incluindo 
os neurônios glutamatérgicos no córtex 
entorrinal e o setor CA1 do hipocampo, assim 
como os neurônios colinérgicos no 
prosencéfalo. Nas áreas afetadas, observa-se 
atrofia cerebral focal. 
 
6. Envolvimento vascular: A extensão com a 
qual a patologia vascular pode contribuir com 
a doença de Alzheimer é controversa. 
Evidências dessa conexão incluem a 
sobreposição entre os fatores de risco para 
doença vascular e doença de Alzheimer 
(incluindo genótipo APOE) e o envolvimento 
de vasos sanguíneos na angiopatia amiloide. 
 
A DA pode ser abordada como uma síndrome, isto é, 
um conjunto de alterações cognitivas, 
comportamentais e funcionais, ou como uma doença, 
isto é, com um padrão de alterações de marcadores 
biológicos que indicam a fisiopatologia subjacente, e 
síndrome e doença nem sempre se superpõem. Os 
novos critérios sugeridos para a DA1 classificam a 
doença a partir de alteração nos marcadores 
liquóricos e por neuroimagem, focalizando a doença. 
Isto significa que estes critérios não estadiam a 
doença e, portanto, não deveriam, como claramente 
indicado na publicação, ser usados na clínica, já que 
seu objetivo é o uso em pesquisa. 
O estágio inicial tem uma apresentação típica de 
progressivos lapsos de memória. O início dos 
sintomas pode ser difícil de precisar, porque pode 
haver uma passagem de lapsos do envelhecimento 
normal para a DA. Algumas vezes, a consulta médica 
ocorre por dificuldade de memória “a partir” de um 
evento, como perda de cônjuge, mudança de casa ou 
intercorrência clínica, mas uma investigação mais 
cuidadosa mostra que lapsos já precediam o evento 
por um período variável. Já na coleta da história, 
alguns sinais podem ajudar a suspeitar de DA, como 
alterações na memória, na personalidade e nas 
habilidades visuais e espaciais. Nesse momento, é 
importante determinar se há ou não 
comprometimento funcional, essencial para o 
diagnóstico de demência da DA. O comprometimento 
funcional aparece primeiro em duas situações: 
atividades mais complexas, como controle das 
finanças e uso de novos equipamentos domésticos, e 
adaptação a situações novas, como viagens ou 
mudança de casa. Em situações mais cotidianas, 
pode haver dificuldade com medicação e enganos ou 
falhas com compras. 
Uma vez coletada a história, deve ser realizado o 
exame neurológico, que, nas fases iniciais da DA, é 
normal. Na realidade, a presença de sinais focais, 
parkinsonismo ou reflexos primitivos deveria sugerir 
outros diagnósticos. A etapa seguinte é a do exame do 
estado mental, que pode começar com um teste de 
rastreamento, como o miniexame do estado mental, 
sempre lembrando que este tipo de teste pode ser 
insuficiente para pessoas altamente intelectualizadas 
e tem um viés educacional, isto é, pode levar a 
resultado falso-positivo em pessoas com baixa 
escolaridade e a falso-negativo em pessoas com alta 
escolaridade. 
 
A avaliação pode ainda ser complementada com o 
teste do desenho do relógio e fluência verbal. Esta 
avaliação pode ser insuficiente e, neste caso, deveria 
ser realizada uma avaliação neuropsicológica mais 
completa, que costuma ser necessária na demência 
inicial e em pessoas altamente intelectualizadas. Em 
geral, a memória é afetada primeiro e de modo mais 
intenso, mas precocemente podem ser afetadas a 
função executiva e a linguagem, por exemplo, como 
dificuldade para encontrar palavras. 
A etapa seguinte é a moderada, na qual 
acontecimentos mais triviais podem ser esquecidos 
no mesmo dia e algumas atividades, como o controle 
das finanças, têm que ser totalmente abandonadas. 
No final desta fase, isto é, na fase moderadamente 
grave, começa a dependência para atividades básicas, 
com necessidade de supervisão para o banho e a 
troca de roupa. 
Quando a dependência para as atividades básicas é 
completa, trata-se de fase grave, momento em que 
tanto as pessoas como o ambiente podem não ser 
reconhecidos e ocorre perda do controle dos 
esfíncteres. 
 
1 SEMANA 6. APG 
A fase seguinte é a da doença muito grave ou 
terminal, na qual o paciente não consegue manter-se 
sentado e fica restrito ao leito, sem contato com o 
ambiente, em dependência total e emitindo sons 
inarticulados. 
 
 
 
 
Considerações gerais e diagnóstico diferencial, a 
investigação geral (hemograma, bioquímica, 
hormônios) pode identificar comorbidades, mas não 
faz diagnóstico de demência, e menos ainda seu 
diagnóstico diferencial. Para a investigação da DA e o 
diagnóstico diferencial com outras demências, são 
importantes o diagnóstico por imagem e marcadores 
específicos, sempre lembrando que estes exames não 
têm muito significado sem a correlação com os 
achados clínicos. 
O melhor exame é a ressonância magnética de crânio, 
pode-se observar atrofia nos hipocampos e córtex 
entorrinal, ainda na fase anterior à demência 
propriamente dita. Com a evolução da doença, a 
atrofia passa a acometer a porção basal dos lobos 
temporais, giro do cíngulo e pré-cúneo. Pode ser feita 
avaliação volumétrica dos hipocampos, com 
resultados mais acurados, mas este método requer 
programas especiais e maior consumo de tempo. Uma 
avaliação semiquantitativa pode ser feita a partir dos 
cortes coronais, usando a escala de atrofia temporal 
mesial. 
A tomografia por emissão de fóton único (SPECT) 
mostra redução na perfusão, e a tomografia por 
emissão de pósitrons marcada por 18-
fluorodeoxiglicose (FDG-PET) mostra alteração no 
metabolismo da glicose. Com ambos os métodos, 
observa-se redução nas regiões temporoparietais, e 
alterações nos lóbulos parietais inferiores e pré-cúneo 
são particularmente indicativas da doença. Ambos os 
métodos estão disponíveis em muitos lugares. Mais 
recentemente, mas com acesso muito restrito, está 
disponível o estudo de deposição de amiloide (PET-
amiloide), para o qual existem diferentes marcadores, 
mas deve-se ter em conta que aumento de carga 
amiloide não é exclusividade da DA e pode ser 
observado em outras condições, como na demência 
com corpos de Lewy e angiopatia amiloide. 
 
 
 
 
 
O tratamento vai ser medicamentoso específico, 
tratamento não medicamentoso e tratamento das 
alterações do comportamento. O tratamento implica 
um plano terapêutico individualizado e seu efeito 
deveria ser avaliado sobre a cognição, a 
funcionalidade e o comportamento. O tratamento 
específico baseia-se em duas alterações de 
neurotransmissores demonstrada na DA: o déficit de 
atividade colinérgica e a hiperatividadeglutamatérgica. 
Para o déficit colinérgico, foram introduzidos os 
inibidores das colinesterases, dos quais estão 
disponíveis donepezila, galantamina e rivastigmina. 
Embora compartilhem o mesmo efeito, há diferenças 
significativas entre estas drogas. 
Ao iniciar o tratamento, é importante deixar claro 
qual o efeito esperado, que pode ser de melhora muito 
discreta, mas mais provavelmente estabilização dos 
sintomas por um período variável de paciente a 
paciente. 
Considerando o risco de bradiarritmia, é 
recomendável realizar eletrocardiografia (ECG) antes 
da primeira administração, iniciar sempre com dose 
mínima e aumentar a intervalos de 2 ou 
preferencialmente 4 semanas. Em caso de efeito 
colateral significativo, retornar à dose anterior, se 
necessário acrescentando sintomático (p. ex., 
antiemético) e tentar aumentar novamente a dose, 
após o desaparecimento do efeito colateral. Esperar 
um intervalo de 8 a 12 semanas para avaliar a 
resposta e considerar que não houve resposta apenas 
após dose e intervalo adequados e, neste caso, tentar 
outro inibidor. Caso haja substituição, atentar à 
possibilidade de piora. Um declínio rápido pode 
indicar que havia uma resposta e que esta está sendo 
perdida e não há resposta ao novo inibidor. Neste 
caso, é recomendável o retorno imediato à medicação 
anterior. Estas drogas são indicadas para fase leve a 
moderada da DA (todos) e moderadamente grave 
(donepezila). 
 
 
 
Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, 
vômitos, desconforto epigástrico, tontura e cefaleia. É 
mais grave a possibilidade de bradiarritmia. Não 
existe contraindicação formal, mas atenção deve ser 
dada às seguintes comorbidades, pelo potencial de 
piora: hipertensão, hipotensão, história prévia de 
sangramento gástrico, asma e incontinência urinária. 
Outra alteração na DA é a manutenção dos canais de 
íons dos receptores NMDA semiabertos, com 
atividade glutamatérgica contínua, o que leva a um 
influxo constante de cálcio suficiente para prejudicar 
a detecção de sinal na sinapse, interferindo com os 
 
1 SEMANA 6. APG 
processos de aprendizado e memória. Adicionalmente, 
o aumento da concentração intracelular de cálcio 
desencadeia uma série de reações que levam a morte 
neuronal. A memantina é um antagonista 
glutamatérgico de baixa afinidade, suficiente para 
inibir a ação da liberação em baixo nível de 
glutamato, mas não o sinal, ou seja, são criadas 
condições mais próximas à fisiológica. Foi 
demonstrado efeito da memantina em estágios 
moderado a grave da DA. Não há evidência de que a 
droga funcione na fase leve. A memantina pode ser 
associada a inibidores quando a resposta a estes 
declina e tal associação tem um efeito sinérgico. A 
droga é bem tolerada e, na realidade, houve mais 
eventos adversos nos grupos placebo que nos 
tratados nos estudos que levaram a sua aprovação, 
mas sem diferença estatística quanto a este ponto, 
sendo mais comuns confusão e cefaleia. A droga pode 
ser iniciada em 10 mg/dia, aumentando para 20 
mg/dia em dose única ou fracionada em 2 vezes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nomes técnicos: 
1. Apraxia: incapacidade para realizar tarefas 
que exijam recordar padrões ou sequências de 
movimento. 
2. Bradicinesia: dificuldade em realizar 
movimentos voluntários e promove a 
lentificação de reflexos e movimentos do 
corpo. 
3. Mioclonia: contração muscular breve, 
semelhante a um choque, que pode variar em 
termos da gravidade e distribuição 
 
 
 
 
 
É a capacidade de registrar, armazenar e reter 
informação, podendo estar prejudicada por doença 
cortical difusa ou doença bilateral do lobo temporal. 
Do ponto de vista clínico, a memória é avaliada por 
meio do teste da memória imediata, da memória 
recente e da memória remota. 
Didaticamente, a atividade da memória é dividida em 
três fases: 
 Fixação: refere-se à aquisição de novas 
informações. Fixam-se mais facilmente as 
informações que despertam o nosso interesse 
e possuem maior conotação emocional, as que 
têm um caráter de novidade, as que podem 
ser associadas às informações anteriormente 
adquiridas e as que envolvem ao mesmo 
tempo mais de um canal sensorial. 
 Conservação: manutenção, em estado de 
latência, das informações que foram fixadas. 
As informações conservadas vão, ao longo do 
tempo, sofrendo um processo lento de 
desintegração, que segue a lei de regressão 
mnêmica de Ribot. De acordo com esta, a 
perda das informações armazenadas se faz 
das mais recentes para as mais antigas, das 
mais complexas para as mais simples e das 
menos organizadas para as mais organizadas 
 Evocação: corresponde ao retorno, 
espontâneo ou voluntário, à consciência das 
informações armazenadas. Assim como a 
percepção não é uma cópia fiel do mundo 
externo, a evocação também nunca é idêntica 
à imagem perceptiva fixada: cada vez que 
evocamos estamos reconstruindo, sempre 
com alterações, a imagem armazenada 
 
 
As memórias são classificadas: 
1. De acordo com sua função; 
2. De acordo com o tempo que duram; 
3. De acordo com seu conteúdo. 
Há basicamente dois tipos de memória de acordo com 
sua função. 
Memória de trabalho: também pode ser chamada de 
memória operacional, ela é muito breve e fugaz, serve 
para “gerenciar a realidade” e determinar o contexto 
em que os diversos fatos, acontecimentos ou outro 
 
1 SEMANA 6. APG 
tipo de informação ocorrem, se vale a pena ou não 
fazer uma nova memória disso ou se esse tipo de 
informação já consta dos arquivos. Mantém, durante 
a aquisição e durante mais alguns segundos, no 
máximo poucos minutos, a informação que está 
sendo processada no momento. Ajuda a saber onde 
estamos ou o que estamos fazendo a cada momento, 
e o que fizemos ou onde estávamos no momento 
anterior. Dá continuidade, assim, a nossos atos. A 
memória de trabalho depende, simplesmente, da 
atividade elétrica dos neurônios dessas regiões: há 
neurônios que “disparam” seus potenciais de ação no 
início; outros, no meio; e outros, no fim dos 
acontecimentos, sejam estes quais forem. As células 
que detectam o início e o fim dos acontecimentos 
denominam-se neurônios on e neurônios off, 
encontrados não só no córtex pré-frontal, mas 
também em todas as vias sensoriais. 
As regiões corticais pré-frontais são importantes para 
a integridade da memória de trabalho. Nas tarefas 
verbais, há maior envolvimento das áreas pré-frontais 
esquerdas, assim como das áreas de Broca (frontal 
esquerda inferior) e de Wernicke (temporal esquerda 
superior). Nas tarefas visuoespaciais (seguir mapas 
mentalmente, sair de labirintos gráficos e montar 
quebra-cabeças), há maior implicação das áreas pré-
frontais direitas, assim como de zonas visuais de 
associação do carrefour temporoparietoccipital 
direito. Quando o córtex temporal é lesado, há 
prejuízo da memória de trabalho visual (mas a 
memória de trabalho espacial é preservada); quando 
há lesão dos lobos parietais, ocorre o oposto. 
Pacientes com lesões nas áreas cerebrais associadas 
aos conhecimentos semânticos (sentido das palavras), 
como o córtex dos lobos temporais laterais e 
temporoparietais, têm prejuízos nos desempenhos da 
memória de trabalho verbal. 
Memória declarativa: memórias que registram fatos, 
eventos ou conhecimento, porque nós, os humanos, 
podemos “declarar” que existem e descrever como as 
adquirimos. Ela pode ser separada em semântica e 
episódica. 
 Semântica: quase sempre, as memórias 
semânticas (por exemplo, o inglês) são 
adquiridas por meio de memórias episódicas. 
Se refere ao aprendizado, à conservação e à 
utilização do arquivo geral de conceitos e 
conhecimentos do indivíduo (os chamados 
conhecimentos gerais sobre o mundo). 
Também, cabe assinalar, a memória 
semântica diz respeito ao registro e à retenção 
de conteúdos em função do significado que 
têm. Ela é um componente da memória delongo prazo que inclui os conhecimentos de 
objetos, fatos, operações matemáticas, assim 
como das palavras e seu uso. Corresponde às 
capacidades de nomeação e categorização. 
Depende, de forma estreita, das regiões 
inferiores e laterais dos lobos temporais, 
sobretudo no hemisfério esquerdo 
(diferentemente da memória episódica, que 
depende das regiões mediais desses lobos, 
sobretudo dos hipocampos). 
 Episódica: as memórias episódicas são todas 
autobiográficas. Existem uma vez que 
sabemos pessoalmente sua origem. Trata-se 
de memória explícita, de médio e longo 
prazos, relacionada a eventos específicos da 
experiência pessoal do indivíduo, ocorridos 
em determinado contexto e local. A perda de 
memória episódica obedece à lei de Ribot 
(perdem-se primeiro os elementos 
recentemente adquiridos e, depois, os mais 
antigos). Esse tipo de memória depende, em 
essência, de mecanismos relacionados às 
regiões da face medial dos lobos temporais, 
particularmente o hipocampo e os córtices 
entorrinal e perirrinal. Quando tais áreas se 
deterioram, por exemplo, com o avançar da 
demência de Alzheimer, o paciente perde 
totalmente a capacidade de fixar e lembrar 
eventos ocorridos há poucos minutos ou 
horas, inclusive situações marcantes e 
significativas para ele. Os pacientes com 
síndrome de Wernicke-Korsakoff têm déficits 
graves na memória episódica, uma condição 
relacionada a danos no diencéfalo, 
primariamente nos corpos mamilares, no 
trato mamilo-talâmico e no tálamo anterior. 
 
Memória procedural: memórias de capacidades ou 
habilidades motoras e/ou sensoriais e o que 
comumente chamamos de “hábitos”. Exemplos típicos 
são as memórias de como andar de bicicleta, nadar, 
saltar, soletrar, tocar em um teclado, etc. É difícil 
“declarar” que possuímos tais memórias; para 
demonstrar que as temos, devemos executá-las. A 
localização da memória de procedimentos está 
relacionada com o sistema motor e/ou sensorial 
específico envolvido na tarefa. As principais áreas 
envolvidas são a área motora suplementar (lobos 
frontais), os núcleos da base (sobretudo o striatum) e 
o cerebelo. 
De acordo com estudos recentes, essa memória 
pode ser dividida em dois tipos: 
 Implícita: mais ou menos automática, e 
sem que o sujeito perceba de forma clara 
que as está aprendendo: mostra-se difícil, 
senão impossível, descrever de forma 
coerente (e, portanto, tornar explícito) 
cada passo da aquisição da capacidade de 
andar de bicicleta. (geralmente dura a 
vida toda); 
 Explícita: adquiridas com plena 
intervenção da consciência. 
 
1 SEMANA 6. APG 
A memória de curta duração (dura até seis horas) e a 
memória de longa duração, memória principal ou 
primária (dura mais de seis horas ou mais depois de 
adquirida). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Memória sensorial 
Dura menos de um segundo. Permanece ativa apenas 
o tempo necessário para se dar a percepção. É muito 
frágil e possui uma capacidade muitíssimo limitada. 
É mais propriamente uma função da atenção do que 
da memória. 
 
Memória de longa duração 
Levam tempo para serem consolidadas. Nas primeiras 
horas após sua aquisição, são lábeis e suscetíveis à 
interferência por numerosos fatores, desde 
traumatismos cranianos ou eletrochoques 
convulsivos até uma variedade enorme de 
substâncias ou, mesmo, à ocorrência de outras 
memórias. A exposição a um ambiente novo dentro 
da primeira hora após a aquisição, por exemplo, pode 
deturpar seriamente, ou até cancelar, a formação 
definitiva de uma memória de longa duração. 
Uma liberação moderada de hormônios do estresse 
(adrenalina, corticoides) nos minutos seguintes à 
aquisição pode melhorar a consolidação da memória 
de longa duração; uma liberação excessiva ou a 
administração desses hormônios em doses elevadas 
podem resultar em amnésia. A administração de 
vários inibidores de enzimas importantes no 
hipocampo pode impedir a fixação de memórias nas 
primeiras seis ou mais horas depois da aquisição. 
As memórias de longa duração não ficam 
estabelecidas em sua forma estável ou permanente 
imediatamente depois de sua aquisição. O processo 
que leva a sua fixação definitiva de maneira que mais 
tarde poderão ser evocadas nos dias ou nos anos 
seguintes denomina-se consolidação. 
 
Memória de curta duração 
Aquela que dura entre 1 e 6 horas, justamente o 
tempo necessário para que as memórias de longa 
duração se consolidem. Possui uma capacidade de 
armazenamento limitada e dura de segundos a 
minutos. A memória de trabalho (ou operacional) 
corresponde à memória de curto prazo. Refere-se ao 
armazenamento temporário de informações para a 
realização de tarefas cognitivas. 
A memória de curta duração requer as mesmas 
estruturas nervosas que a de longa duração, mas 
envolve mecanismos próprios e distintos. É bastante 
resistente a muitos dos agentes que afetam os 
mecanismos da consolidação da memória de longa 
duração. 
 
Memória remota 
Memórias de longa duração que duram muitos meses 
ou anos. Um ser humano de 70 anos é capaz de 
lembrar, até com detalhes, episódios importantes de 
sua infância. 
 
Memória psicológica (cognitiva ou neuropsicológica): é 
uma atividade altamente diferenciada do sistema 
nervoso, que permite ao indivíduo codificar, conservar 
e evocar, a qualquer momento, os dados aprendidos 
da experiência. 
Memória genética e epigenética: abrange conteúdos 
de informações biológicas adquiridos ao longo da 
história filogenética da espécie e ao longo das 
vivências do indivíduo e de seus ancestrais, contidos 
no material biológico. 
Depois de passar pela memória de trabalho (MT), a 
informação se armazena formando memórias de curta 
duração (MCD) e/ou de longa duração (MLD). Em 
princípio, a primeira poderia corresponder a uma fase 
inicial da segunda. Porém, por meio de vários 
tratamentos, pode-se suprimir a MCD sem alterar a 
MLD. Em consequência, a MCD obedece a um sistema 
separado e paralelo ao da MLD; seu papel é manter a 
memória “viva” enquanto a MLD está sendo formada. 
Os retângulos que representam a MT, a MCD e a MLD 
não estão desenhados em escalas proporcionais à sua 
duração, que é de segundos ou poucos minutos para a 
MT, de 1 a 6 horas para a MCD, e de muitas horas, 
dias ou até anos para a MLD. Doze horas após a 
aquisição, inicia-se a intervenção do(s) mecanismo(s) 
que regula(m) a persistência da memória. Há pelo 
menos dois mecanismos desse tipo: um que age 12 
horas depois da aquisição; outro que age 
reiteradamente a cada 24 horas depois da aquisição. 
Ambos são diferentes do ponto de vista bioquímico e 
agem independentemente do sono. 
 
 
 
1 SEMANA 6. APG 
Memória imunológica: esse tipo de memória reúne 
informações registradas e potencialmente 
recuperáveis pelo sistema imune de um ser vivo. 
Memória coletiva, social ou cultural: envolve 
conhecimentos e práticas sociais e culturais 
(costumes, valores, práticas, linguagem, habilidades 
artísticas, conceitos e preconceitos, ideologias, estilos 
de vida, rituais, gesticulações, etc.) produzidos, 
acumulados e mantidos por um grupo social. 
 
Para a formação das unidades de memória, as 
estruturas límbicas temporomediais, principalmente 
relacionadas ao hipocampo, à amígdala e ao córtex 
entorrinal, são fundamentais. Elas atuam, em 
especial, na consolidação dos registros e na 
transferência das unidades de memória de curto e 
médio prazos (intermediária) para a de longo prazo 
(estocagem da memória remota). 
O substrato neural da memória de longo prazo 
(registros bem consolidados) repousa basicamente no 
córtex cerebral, ou seja, nas áreas de associação 
neocorticais, principalmente frontais e 
temporoparietoccipitais. Nas memórias recentes, há 
mudanças e consolidações de sinapses neuronais 
relacionadas a complexas cascatas de eventos 
moleculares e celulares necessárias para a primeiraestabilização de informações recentemente 
adquiridas, nas redes neuronais coordenadas pelo 
hipocampo. Em contraste, nas memorizações lentas e 
de longo prazo, a consolidação das memórias se 
baseia em processos de nível sistêmico (redes 
neuronais), lentos, tempo-dependentes, que 
convertem os traços lábeis de memória recente em 
formas mais permanentes, estáveis e ampliadas, 
baseadas na reorganização de redes neurais de 
suporte à memória, também coordenadas pelos 
hipocampos. 
A interrupção bilateral do circuito hipocampo-
mamilo-tálamo-cíngulo pode determinar a 
incapacidade de fixação de novos elementos 
mnêmicos, produzindo, assim, a síndrome amnéstica, 
de maior ou menor intensidade. As estruturas mais 
importantes para a memória são, certamente, os 
hipocampos. 
1.Excitação repetida das células hipocampais por 
meio da estimulação de receptores glutamatérgicos do 
tipo AMPA, assim chamados porque respondem tanto 
ao glutamato como a uma substância denominada 
ácido alfa-amino-3-hidroxi-metil-5-4-
isoxazolpropiônico. Os receptores GABAérgicos do 
tipo A inibem a indução de potenciação de longa 
duração. 
 
2.Essa excitação leva a uma despolarização 
persistente da célula; esta obedece ao ingresso de 
sódio à célula por meio do próprio receptor AMPA. 
3.Como consequência da despolarização, a célula 
expulsa o íon magnésio que normalmente obtura o 
receptor glutamatérgico de tipo NMDA, assim 
chamado porque é capaz de responder tanto ao 
glutamato quanto a seu análogo, o ácido N-metil-D-
aspartato. Uma vez “desentupido”, o receptor NMDA 
passa a ser “funcional” e a permitir o ingresso de 
cálcio à célula através dele. 
4.Em algumas áreas cerebrais, ativam-se também 
receptores glutamatérgicos metabotrópicos que, por 
meio de processos metabólicos, aumentam a 
concentração do cálcio intracelular. 
5.O aumento de cálcio intracelular estimula direta ou 
indiretamente uma série de enzimas chamadas 
proteinoquinases, das quais há vários tipos: as 
proteinoquinases cálcio/calmodulina-dependentes 
(CaMKII, III e IV), as proteinoquinases cálcio-
dependentes (PKC), as proteinoquinases dependentes 
do GMPc (PKG), as proteinoquinases dependentes do 
AMPc (PKA) e as proteinoquinases ativáveis 
extracelularmente (ERKs), que, até pouco tempo 
atrás, acreditava-se serem ativáveis apenas por 
agentes mitógenos. As proteinoquinases são enzimas 
(i.e., catalisadores biológicos de natureza proteica) 
que regulam a transferência de íons fosfato desde o 
trifosfato de adenosina (ATP) a sítios específicos em 
diversas proteínas. A fosforilação das proteínas 
geralmente incrementa sua função. (A calmodulina é 
uma substância endógena presente nas células. O 
guanililfosfato cíclico [GMPc], o adenosilfosfato cíclico 
[AMPc] e o ATP são nucleosídeos, parentes próximos 
dos nucleotídeos que formam parte da sequência do 
ácido desoxirribonucleico [DNA] e dos diversos tipos 
de ácido ribonucleico [RNA]). 
6.As proteinoquinases CaMKII e PKC favorecem a 
fosforilação dos diversos tipos de receptores ao 
glutamato; ao fazê-lo, os ativam. A fosforilação do 
receptor glutamatérgico de tipo AMPA, por exemplo, 
por intervenção da CaMKII, dura várias horas após a 
indução de potenciação de longa duração. 
7.O papel das proteinoquinases varia conforme a 
enzima e sua localização: pré-sináptica (nas 
terminações axônicas estimuladas) ou pós-sináptica 
(na célula inervada por esses axônios). A PKG é 
necessária nos primeiros minutos após a indução de 
potenciação de longa duração, participa na liberação 
de óxido nítrico (NO) e outras substâncias pequenas 
que estimulam a transmissão glutamatérgica. A PKC 
pré-sináptica fosforila uma proteína chamada GAP-
43, que também regula a liberação de glutamato. 
Posteriormente, e durante 30 a 60 minutos, outras 
isoformas de PKC diferentes das que se encontram 
nas terminações pré-sinápticas participam em 
diversos processos pós-sinápticos, que incluem a 
fosforilação dos próprios receptores glutamatérgicos. 
Com a PKC pré-sináptica, o NO e o monóxido de 
carbono (CO), sintetizados pós-sinapticamente em 
 
1 SEMANA 6. APG 
conjunção com a ação da enzima proteinoquinase G 
(dependentes do GMP cíclico), difundem para a 
terminal pré-sináptica e promovem também a 
liberação de glutamato. 
8.As ERKs e as PKA também fosforilam receptores 
glutamatérgicos; mas seu papel crucial consiste na 
fosforilação de fatores de transcrição de DNA 
presentes no núcleo das células, de 2 a 6 horas após 
a indução da potenciação de longa duração. 
9.O principal fator de transcrição estimulado por 
essas duas enzimas denomina-se CREB (do inglês 
cAMP responsive-element binding protein). A ativação 
do CREB, 2 a 6 horas depois de iniciada a 
potenciação de longa duração, leva o núcleo das 
células pós-sinápticas a produzir RNAs mensageiros 
(mRNAs) que “ordenam” a síntese de numerosas 
proteínas nos ribossomos. Algumas dessas proteínas 
são outros fatores de transcrição, que voltam para o 
núcleo (c-Fos, zif-268) ou se transladam a outros 
lugares da célula. Outras são proteínas de adesão 
celular, que são transportadas às sinapses dessas 
células, alterando sua superfície e, portanto, 
aumentando ou diminuindo sua função. 
10.Em muitos dendritos, há um aparelho de síntese 
proteica que prescinde da síntese de mRNAs pelo 
núcleo e atua formando-as a partir do uso de mRNAs 
preexistentes. Trata-se de um sistema que 
originalmente foi descrito em células tumorais e que, 
nos dendritos apicais de CA1, é imprescindível para a 
síntese de GluR1 – uma das proteínas que compõem 
o receptor glutamatérgico AMPA – e outras proteínas 
também essenciais para a transmissão sináptica e a 
memória. Esse sistema extrarribossomal de síntese 
proteica denomina-se mTOR, sigla da expressão 
inglesa “mammalian target of rapamycin” (alvo para a 
rapamicina nos mamíferos), e é justamente inibido 
pelo antibiótico rapamicina. O sistema mTOR 
depende do fosfoinositol-3-fosfato, da PKA e do fator 
neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) para ser 
ativado. 
 
Atualmente, os estudos psicológicos e 
neurocientíficos sobre a memória psicológica indicam 
que o processo de memorização (codificação, 
armazenamento e futura evocação) de novos 
elementos da memória depende de: 
 Nível de consciência e estado geral do 
organismo: o indivíduo deve estar desperto, 
não muito cansado, calmo, em bom estado 
geral, para que a memorização ocorra da 
melhor maneira possível.  Atenção focal: diz 
respeito à capacidade de manutenção de 
atenção concentrada sobre o conteúdo novo a 
ser fixado. 
 Organização e distribuição temporal: diz 
respeito a distribuir, no processo de 
aprendizado de novas informações, as 
tentativas de aprendizado ao longo de um 
período de tempo mais longo e cadenciado; é 
melhor praticar “pouco e sempre” do que 
tentar memorizar e aprender tudo 
apressadamente, em um único dia (p. ex., no 
dia antes da prova). 
 Interesse e colorido emocional: relaciona-se às 
informações a serem fixadas, assim como ao 
empenho do indivíduo em aprender (vontade e 
afetividade). 
 Conhecimento anterior: elementos já 
conhecidos ajudam a adquirir elementos 
novos, principalmente quando se articulam os 
novos conhecimentos a informações, 
classificações e esquemas cognitivos já bem 
assentados, formando uma cadeia de 
elementos mnêmicos. 
 Capacidade de compreensão do significado da 
informação: buscar entender o significado da 
informação ou conhecimento que se está 
tentando aprender é de fundamental ajuda 
para a memorização. 
 Estabelecimento de um contexto rico e 
elaborado: o contexto e as circunstâncias 
associadas à informação que se quer 
memorizar têm papel central na eficácia da 
memorização. 
 Codificação da informação nova em mais de 
uma via: para o armazenamento mais eficaz 
de uma informação nova, quanto maior for o 
número de canais sensoriaise dimensões 
cognitivas distintas, mais eficaz será a 
fixação. 
 
Os termos amnésia, hipomnésia e hipermnésia 
significam abolição, diminuição e aumento da 
capacidade mnêmica, respectivamente. As alterações 
quantitativas da memória podem ser classificadas de 
duas formas: 
 Quanto ao tempo em que pertencem as 
lembranças: em anterógradas, retrógradas 
e retroanterógradas; 
 Quanto à extensão e ao conteúdo das 
recordações: em generalizadas, lacunares 
e seletivas. 
Amnésia anteroretrógrada: a amnésia (hipomnésia) 
anterógrada também é denominada amnésia 
(hipomnésia) de fixação. Consiste na impossibilidade 
(ou dificuldade) de formar novas lembranças de longo 
prazo – de adquirir novas informações – a partir do 
momento em que o agente patogênico atuou como tal. 
Primariamente ocorre no transtorno amnésico e nos 
quadros demenciais. Ocorre ainda nos quadros de 
delirium e estados crepusculares, em função de 
estarem prejudicadas a atenção e a apreensão da 
realidade (apercepção); nos estados de ansiedade e de 
agitação psicomotora (incluindo a mania), na maioria 
dos pacientes com retardo mental grave, em virtude 
 
1 SEMANA 6. APG 
de uma lesão cerebral, que em geral está presente, e 
de uma dificuldade de apercepção; e na depressão, 
graças ao prejuízo na atenção provocado pelo 
desinteresse. Nos blackouts, que são lacunas de 
memória referentes a episódios de embriaguez 
alcoólica, o distúrbio se dá na fixação. 
Indivíduos com hipomnésia anterógrada 
frequentemente perdem objetos, pois não sabem onde 
os colocaram; não conseguem guardar recados que 
deveriam transmitir; esquecem-se dos nomes e das 
faces de pessoas que acabaram de conhecer; perdem-
se na rua, pois não se lembram por onde passaram 
antes de chegar ali; e têm dificuldade em registrar a 
data corrente. 
Amnésia retrógrada: a amnésia (hipomnésia) 
retrógrada também é conhecida como amnésia 
(hipomnésia) de evocação. Refere-se à impossibilidade 
(ou dificuldade) de recordar eventos anteriores à 
atuação do fator causal do distúrbio mnêmico; não se 
consegue recuperar memórias de longo prazo, as 
quais tinham sido adequadamente fixadas. 
A amnésia retrógrada afeta mais a recordação de 
eventos recentes do que de remotos. Uma forma pura 
de amnésia retrógrada, isto é, não associada à 
amnésia anterógrada, é rara. Ocorre principalmente 
em quadros dissociativos histéricos, sendo 
encontrada ainda em traumatismos 
cranioencefálicos, na intoxicação por monóxido de 
carbono e em lesões talâmicas. 
Amnésia retroanteroretrógrada: a amnésia 
(hipomnésia) retroanterógrada também é denominada 
mista ou de fixaçãoevocação. É a forma mais comum. 
É característica dos quadros demenciais e do 
delirium, podendo ocorrer, ainda, após um 
traumatismo cranioencefálico ou uma aplicação de 
eletroconvulsoterapia. 
Amnésia (hipomnésia) generalizada: na amnésia 
(hipomnésia) generalizada estão afetadas todas as 
recordações de grande parte do passado, 
compreendendo os últimos meses ou anos, ou mesmo 
a vida inteira. Trata-se de um tipo pouco frequente de 
distúrbio mnêmico. A amnésia (hipomnésia) 
generalizada pode ocorrer em seguida a um grave 
traumatismo cranioencefálico, em fase terminal de 
demência e em transtornos dissociativos histéricos 
(como a fuga psicogênica). 
Amnésia (hipomnésia) lacunar: também é chamada 
localizada. Aqui a falha de memória abrange 
especificamente determinado espaço de tempo, de 
limites relativamente precisos, durante o qual houve 
um prejuízo na capacidade de fixação. Todos os 
eventos anteriores e posteriores a esse período foram 
normalmente fixados e são normalmente evocados. 
Ocorre posteriormente a um estado de coma (como 
nas crises convulsivas do tipo grande mal) ou de 
delirium, a estados crepusculares epilépticos e 
histéricos, graves agitações maníacas ou psicóticas, 
um ataque de pânico ou um evento psicológico 
traumático. 
Amnésia (hipomnésia) seletiva: também chamada de 
sistemática. Aqui o que as lembranças têm em 
comum é o seu conteúdo e significado afetivo. É 
observada em quadros dissociativos histéricos (como 
a amnésia psicogênica). Um exemplo de amnésia 
seletiva, que também serve para caracterizar a 
amnésia retrógrada pura, seria o seguinte: uma moça 
briga com o namorado e, depois disso, quando o 
reencontra, não é mais capaz de reconhecê-lo. Além 
disso, não consegue se lembrar de nenhum evento em 
que os dois estiveram juntos. 
Hipermnésia anterógrada: também é chamada de 
hipertrofia de memória. Consiste em capacidade 
exagerada de armazenamento de novas informações. 
Geralmente está restrita a uma habilidade específica: 
memorizar uma grande quantidade de números ou 
nomes; reproduzir na íntegra uma música ou um 
texto extenso após terem sido ouvidos uma única vez; 
ou efetuar cálculos matemáticos muito complexos. 
Pode ocorrer em pessoas normais, porém é mais 
frequente em indivíduos com retardo mental e, mais 
ainda, em autistas – entre os quais a maioria 
apresenta também retardo mental. 
Hipermnésia retrógrada: pode ser observada na 
síndrome maníaca (primária ou secundária). Ocorre 
um excesso de recordações em breve espaço de 
tempo. Embora mais numerosas, as lembranças em 
geral são pouco claras e precisas, não havendo 
controle voluntário sobre elas. Além disso, há ao 
mesmo tempo hipomnésia de fixação. 
Outra forma de hipermnésia de evocação é a memória 
panorâmica – ou ecmnésia, como querem alguns 
autores –, observada em pessoas que estão na 
iminência de morrer. Durante segundos ou poucos 
minutos passam pela mente do indivíduo sua vida 
inteira ou os acontecimentos mais importantes, como 
se fosse um filme projetado com enorme velocidade. 
Uma terceira forma de hipermnésia de evocação pode 
ser encontrada em estados crepusculares epilépticos 
e histéricos, no transe hipnótico, no sonho, no 
delirium e na intoxicação por alucinógenos. Consiste 
em um súbito ressurgimento de recordações que 
estavam aparentemente esquecidas ou em uma 
alteração transitória em que certos eventos 
autobiográficos são recordados de forma mais vívida, 
detalhada e exata do que o habitual. Leme Lopes 
(1980) usou o termo acromnésia para designar esse 
fenômeno. 
Hipermnésia lacunar: é observada em pacientes com 
transtorno de pânico, especialmente em relação à 
rememoração do primeiro ataque; e no transtorno de 
estresse pós-traumático, em relação ao evento 
traumático. 
Hipermnésia seletiva A hipermnésia seletiva ocorre na 
depressão, quanto a fatos dolorosos ou que 
despertem o sentimento de culpa; na mania, quanto a 
sucessos e realizações pessoais; e nos quadros 
delirantes, quanto a fatos que pareçam confirmar o 
seu juízo patológico. 
 
1 SEMANA 6. APG 
A alomnésia também é conhecida como ilusão de 
memória, por se tratar de uma alteração análoga à 
que ocorre na sensopercepção. Aqui as recordações 
de um evento real são deturpadas, distorcidas pelo 
indivíduo de forma involuntária. 
Ocorre em pessoas normais e em situações 
patológicas: no delirium, na demência, no transtorno 
amnésico e nos estados crepusculares, associada a 
alterações quantitativas da memória; na mania e na 
melancolia, por influência do afeto dominante; e, 
ainda, na esquizofrenia e no transtorno delirante, 
como expressão do conteúdo dos delírios. 
A paramnésia também é conhecida como alucinação 
de memória, por se tratar de uma alteração análoga à 
que ocorre na sensopercepção. Trata-se da 
recordação de algo que de fato não ocorreu, de uma 
falsa lembrança, embora para o paciente ela seja 
verdadeira. A fabulação (ou confabulação) seria um 
tipo especial de paramnésia. Fabulação é um termo 
em geral utilizado para designar as alucinações de 
memória que ocorrem em quadros amnésicos de 
origem orgânica como no transtorno amnésico, na 
demência e no delirium. 
As alterações anatômicas relacionadas às 
confabulações compreendemlesões nos corpos 
mamilares, no núcleo dorsomedial do tálamo, assim 
como no córtex orbitofrontal. Entretanto, cerca de 
outras 20 áreas lesadas já foram associadas às 
confabulações, indicando a complexidade de sua 
fisiopatologia. No déjà vu (já visto), o indivíduo tem 
uma sensação de familiaridade diante de uma 
situação (ou objeto) inteiramente nova, como se ele já 
a houvesse vivenciado anteriormente. É muito 
comum, quando vamos a um lugar pela primeira vez, 
a sensação de que estivemos lá antes. 
No jamais vu (nunca visto) ocorre o oposto: há uma 
ausência da sensação de familiaridade diante de uma 
situação já vivenciada uma ou mais vezes no 
passado. O déjà vu e o jamais vu podem ocorrer na 
epilepsia do lobo temporal, na esquizofrenia, em 
síndromes de ansiedade e em pessoas normais. 
A criptomnésia, termo criado por S. Freud, consiste 
na falha relativa ao reconhecimento como pretérito. 
Recordações voltam à mente do indivíduo, mas não 
são reconhecidas como tais, parecendo a ele ideias 
novas, criações originais suas. É o mecanismo dos 
casos de plágio involuntário. O próprio Freud 
reconheceu que havia, inconscientemente, tomado 
para si a autoria de uma hipótese psicanalítica, 
relativa à bissexualidade humana, que seu então 
amigo Fliess lhe comunicara algum tempo antes. 
Representa também um distúrbio quanto ao 
reconhecimento como pretérito. Trata-se de uma 
presentificação do passado: a recordação é tão 
intensa, quase alucinatória, que o paciente se 
comporta como se o evento pretérito estivesse 
ocorrendo naquele momento, como se ele estivesse 
vivendo em uma época anterior de sua vida. Ocorre 
em estados crepusculares histéricos e epilépticos, em 
estados de obnubilação oniroide (como no delirium 
ocupacional), na intoxicação por alucinógenos e na 
demência. Um exemplo de ecmnésia, de natureza 
dissociativa, foi o de uma senhora de mais de 60 anos 
que, após a morte súbita do marido, passou a agir 
como criança, brincava o dia inteiro e ficava 
chamando pelos pais, falecidos havia muito tempo. 
 
Em um simples diálogo com o paciente e na coleta 
dos dados da anamnese, já é possível ter uma 
estimativa razoável sobre a sua memória, 
especialmente quanto a sua capacidade de evocação. 
Observa-se se ele é capaz de precisar os detalhes dos 
fatos narrados e ordená-los cronologicamente. 
Memória de trabalho: observa-se inicialmente o grau 
de habilidade do paciente de prestar atenção e se 
concentrar. Particularmente importante é a 
dificuldade em realizar novas tarefas que incluam a 
execução de várias etapas distintas em uma 
sequência após instrução. Um teste simples é aquele 
incluído no Teste Minimental, quando se solicita ao 
paciente que realize a tarefa: “Veja esta folha de papel 
em minha mão; quero que pegue este papel com sua 
mão direita, que o dobre no meio e, depois, o coloque 
no chão”. 
Também são formas de testar a memória de trabalho 
solicitar que uma pessoa repita números em 
sequência direta (a pessoa sem alterações repete de 5 
a 8 dígitos; 4 é resultado limítrofe; e 3 ou menos 
dígitos, resultado alterado) e sequência inversa 
(normal de 4 a 5 dígitos; 3, resultado limítrofe; e 2 ou 
menos dígitos, alterado). Podese igualmente testar a 
memória de trabalho de natureza visuoespacial, 
utilizando-se labirintos gráficos e quebracabeças. 
De modo geral, todas as condições que afetam as 
regiões pré-frontais causam alteração da memória de 
trabalho. Elas ocorrem em distintas condições 
clínicas, mas sobretudo nas demências, como: 
 Demência frontotemporal (DFT), sobretudo na 
variante frontal da DFT. 
 Demência de Alzheimer (sobretudo na 
variante frontal desta demência). 
 Demências vasculares e demência com corpos 
de Lewy. 
A memória de trabalho pode também estar 
comprometida na esclerose múltipla e no 
traumatismo craniano. Na demência de Alzheimer, o 
componente “sistema executivo” parece ser o que 
mais está prejudicando na memória de trabalho. Em 
quadros psicopatológicos como esquizofrenia, 
transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e 
transtorno obsessivo-compulsivo, também se 
verificam alterações da memória de trabalho. No 
envelhecimento normal, ocorrem frequentemente 
 
1 SEMANA 6. APG 
dificuldades, de leves a moderadas, na memória de 
trabalho. 
Memoria episódica: suspeita-se de alteração da 
memória episódica quando se nota que o sujeito vai 
se tornando incapaz de reter e lembrar informações e 
experiências recentes de maneira correta e acurada. 
Um modo simples de fazer um primeiro rastreamento 
sobre a memória episódica de uma pessoa é contar 
uma pequena história para ela e, alguns minutos 
depois, pedir que a reconte. 
É importante, para avaliar o significado da alteração 
da memória episódica, que sejam investigadas outras 
áreas cognitivas além da memória (como linguagem, 
atenção, habilidades visuoespaciais e funções 
executivas). Por fim, devem ser examinados sinais 
neurológicos focais e alterações de possíveis doenças 
físicas sistêmicas. 
As perdas de memória episódica ocorrem 
principalmente nos transtornos neurocognitivos, 
sobretudo na demência de Alzheimer. Nesses casos, 
os déficits de memória instalam-se de forma lenta e 
progressiva. Também nos transtornos 
neurocognitivos especificamente associados à 
memória, como na síndrome de WernickeKorsakoff, 
ocorre prejuízo marcante da memória episódica. 
Memória semântica: pesquisam-se alterações de 
memória semântica verificando-se a dificuldade do 
paciente em tarefas como nomear itens cujos nomes 
ele previamente sabia (mostrar um relógio, uma 
caneta e uma régua e pedir que o indivíduo os 
nomeie). Deve-se diferenciar as dificuldades leves e 
benignas, como lembrar o nome de pessoas ou outros 
nomes próprios (muito comuns em adultos de meia-
idade e idosos), da verdadeira perda da capacidade de 
lidar com informação semântica. 
Na demência de Alzheimer, há alterações 
pronunciadas da memória semântica. Isso ocorre 
devido à deterioração das regiões mediais e ventrais 
dos lobos temporais e de regiões temporoparietais do 
hemisfério esquerdo. 
Na demência frontotemporal (DFT), na variante que 
afeta mais os lobos temporais (variante semântica da 
DFT), ocorre significativa perda da memória 
semântica, o que leva a dificuldades nas tarefas de 
nomeação e compreensão de palavras isoladas, além 
de empobrecimento dos conhecimentos gerais 
(condição descrita por alguns autores como demência 
semântica). Na variante comportamental da DFT (que 
afeta mais os lobos frontais), a memória semântica 
pode estar menos comprometida. 
Também na demência com corpos de Lewy, embora 
se verifiquem déficits significativos nas funções 
executivas frontais, há relativa preservação da 
memória semântica. 
Memória de procedimentos: suspeita-se da presença 
de alterações da memória de procedimentos quando o 
indivíduo apresenta ou perda de habilidades motoras 
ou visuoespaciais previamente aprendidas, ou grande 
dificuldade em aprender novas habilidades. Por 
exemplo, o paciente pode perder a habilidade de 
escrever à mão ou de digitar em um teclado, de tocar 
um instrumento musical, de pregar um botão ou de 
chutar uma bola. A doença de Parkinson (assim como 
a síndrome de Parkinson por causas vasculares, 
tumorais, etc.) é a condição mais frequente em que se 
observa perda da memória de procedimentos. Outras 
doenças que comprometem a memória de 
procedimentos são doença de Huntington, paralisia 
supranuclear progressiva e degeneração 
olivopontocerebelar. Também tumores, acidentes 
vasculares cerebrais (AVCs), hemorragias, 
degenerações e outras lesões nos núcleos da base ou 
no cerebelo (degeneração cerebelar) podem prejudicar 
a memória de procedimentos.

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