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INTRODUÇÃO ÀS METODOLOGIAS ÁGEIS W BA 07 25 _v 1. 2 22 © 2019 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Tayra Carolina Nascimento Aleixo Revisor Ana Carolina Greef Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Lobo, Carlos Eduardo d’Araujo Vilaça L799i Introdução às metodologias ágeis / Carlos Eduardo d’Araujo Vilaça Lobo. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 98 p. ISBN 978-85-522-1489-2 1. Desenvolvimento ágil de software. 2. Scrum (Desenvolvimento de software). I. Lobo, Carlos Eduardo d’Araujo Vilaça. II. Título. CDD 005 Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ mailto:editora.educacional%40kroton.com.br?subject= http://www.kroton.com.br/ 3 3 INTRODUÇÃO ÀS METODOLOGIAS ÁGEIS SUMÁRIO Apresentação da disciplina 4 Origens dos Métodos Ágeis: Manifesto Ágil 6 Scrum, XP e Lean: Princípios comuns 24 Análise Comparativa 42 Balanceando Agilidade e Disciplina 61 Kanban aplicado aos Métodos Ágeis 85 Pessoas: Empoderamento e Energização 106 Pessoas: Gestão da Mudança 127 44 Apresentação da disciplina Ágil é usado como adjetivo para aquele que trabalha de maneira eficaz e rápida. Isso já indica o objetivo almejado: Simplificar os modelos de gestão e controle, garantindo a efetividade. Isso significa flexibilidade para atender um cliente em constante mudança – mesmo depois de fechado o escopo, e cada vez mais exigente em prazo, qualidade e custo. Como forma de identificar os métodos ágeis – embora não exista consenso sobre o tema, serão chamados ágeis os métodos que permitam entregas em partes, defendam a interação e cooperação, admitam mudanças como normais e serem simples de ser assimiladas. Dentre os diversos métodos ágeis, pode-se destacar três: • O Lean, que se originou na Toyota, mas que não é exclusividade das fábricas de automóveis. Desde o início, o intuito, o objetivo do Lean foi tornar a operação rápida e flexível, além da alta qualidade. • O SCRUM é um método ágil que busca entregar o produto ou desenvolvimento, com a melhor qualidade possível, em sucessivos tiros curtos de trabalho que normalmente representam subconjuntos do produto – Sprints. • E o eXtreme Programming – XP, o método ágil mais utilizado no mundo para o desenvolvimento de software. Tanta flexibilidade e agilidade sacrifica muito os controles. Até quando deve-se avançar sem correr riscos em excesso. Existe aqui um tradeoff entre disciplina e controle do risco. Quando vale o esforço do controle e quando investir em agilidade e flexibilidade. 55 5 Ainda será abordado o uso do kanban em conjunto com as metodologias ágeis. O kanban é uma excelente ferramenta de controle dos processos. Tornando os controles visuais. Dado que o Manifesto Ágil faz uma opção evidente por privilegiar as pessoas, é necessário discutir o fator humano. O método ágil é responsivo, nada melhor que operar com indivíduos e empresas responsivas também. Para isso será necessário organizar times de trabalho e garantir a motivação. E finalmente, o que se espera do gestor, o líder, dos times ágeis. Finalmente será discutido processo de implementação da gestão ágil de projetos. Como evitar riscos e problemas na gestão da mudança. 66 Origens dos Métodos Ágeis: Manifesto Ágil Autor: Carlos Lobo Objetivos • Apresentar a origem dos Métodos Ágeis; • Discutir os objetivos dos Métodos Ágeis; • Explorar o Manifesto Ágil. 77 7 1. Introdução Segundo o dicionário Dicio, “ágil”, quando usado como adjetivo, indica movimento com excesso de facilidade ou que se move de maneira rápida; veloz. Ou ainda, que se comporta ou trabalha de maneira eficaz e rápida; diligente, expedito e trabalhador. Que acha uma solução rápida para; que se consegue desenrolar com facilidade; vivo e rápido. Valendo destacar que ágil é sinônimo de desembaraçado, veloz e diligente, dentre outros. Deste modo, já se torna claro o fim último dos métodos ágeis. Por um lado, simplificar os modelos de gestão e controle, e, por outro, torná-los mais efetivos. De um modo muito geral, respondendo à demanda dos clientes cada vez mais exigentes em termos de prazo, qualidade e custo. 2. Desafios em Serviços na Gestão de Projetos A gestão de projetos pode ser uma área complexa e vasta. Os projetos podem ser pequenos e de curta duração. Entretanto, podem ser longos e ter custo elevado. Considere a extração de petróleo em alto mar. A gestão do projeto deve considerar, além da instalação e extração, os riscos envolvidos neste processo. A resposta para isso tem sido a utilização de sistemas de gestão e metodologias de projeto muito completas. Exemplos de sistemas de gestão são o Primavera, que hoje pertence a Oracle. Já como metodologias de gestão de projetos podem ser citadas a PMBoK - Project Management Body of Knowledge, do PMI, metodologia de domínio público com origem no Estados Unidos, ou o Prince2 – Método de gestão de projeto com raízes na Europa. Embora o valor destas ferramentas e métodos seja inegável, em dadas circunstâncias, como exemplo na organização da Olimpíada de Londres – feita com o Prince2, em alguns projetos o seu uso pode se tornar difícil ou burocrático. Assim surgiu a necessidade de se desenvolver métodos alternativos, mais adequados em alguns ambientes e/ou problemas. 88 PARA SABER MAIS Você pode se aprofundar na revisão do PMBOK e Prince2 consultando: Manual prático do plano de projeto: utilizando o PMBOK Guide, de Ricardo Vargas (2009). Onde se aborda a gestão do projeto, utilizando-se o PMBoK. Prince2: a practical handbook de Colin Bentley (2012). Este texto é similar ao Guia do PMBoK, porém se utiliza do Prince2. Como o Manifesto Ágil se baseia na crítica da gestão tradicional de projetos, é importante que você a conheça para melhor compreender as mudanças introduzidas. 2.1 Em Busca da Relevância Perdida A maioria dos sistemas de gestão, e, em especial, quase todos os modelos de gestão de custos nas empresas, baseia-se na ultrapassada ideia de que o custo de um produto é fundamentalmente o custo da matéria-prima ou componentes e pouco mais. Isso já não é verdade na indústria, onde depreciação e outros itens são maiores que o custo da mão de obra direta. Se considerarmos o setor de serviços, ou setores onde a inovação é rápida e determinante, gerir a empresa somente através da perspectiva financeira pode ser muito pouco eficaz. Algumas alternativas foram desenvolvidas com o intuito de dar relevância ao sistema de gestão. E possivelmente a mais relevante na área de gestão estratégica e financeira tenha sido o BalancedScorecard (Kaplan e Norton, 1996). 99 9 2.2 Balanced Scorecard O Balanced Scorecard (Kaplan e Norton, 1992) - apresentado na figura 1, acrescenta às medidas financeiras tradicionais para auferir desempenho três perspectivas adicionais - dos clientes, do processo interno do negócio e do crescimento e aprendizado da organização. Isto habilita que as empresas acompanhem seus resultados financeiros enquanto monitoram o progresso da construção de capacidade e obtenção das disponibilidades intangíveis que elas precisarão para crescer no futuro (LOBO, 2003). Figura 1 | Integração das diferentes perspectivas para a Companhia Fonte: Adaptada de Kaplan e Norton, 1992. Assim, implementar o Balanced Scorecard requer estabelecer objetivos, metas, indicadores de desempenho e plano de ação para cada uma das perspectivas, e todas a partir do plano estratégico da companhia. A figura 2 traz essa visão integrada do modelo. 1010 Figura 2 | Integração das Medidas de Desempenho via Balanced Scorecard Fonte: Adaptada de Kaplan e Norton, 1992. O Scorecard possibilita reunir medidas de desempenho e planejamento estratégico, e por consequência da estratégia da empresa. Assim, dada a visão estratégica, estabelecem-se objetivos e mede-se o desempenho da operação sob os pontos de vista financeiro, satisfação do cliente, aprendizado e crescimento da organização, e do processo interno. Note que ao invés de termos diversos e difusos indicadores de desempenho para suportar a gestão do negócio, o Balanced Scorecard propõe um conjunto mínimo de indicadores necessários para controlar o negócio em suas diversas perspectivas. Para desdobrar o plano estratégico para toda a empresa, Kaplan e Norton (2000) propõem o mapa estratégico. Na figura 3 Kaplan e Norton apresentam um exemplo genérico. 1111 11 Fonte: Kaplan e Norton (2000). Outros modelos similares também foram desenvolvidos e um exemplo é o Tableau de Bord. Mora Corral e Vivas Urieta (2001) propõem cinco etapas para implementação do Tableau de Bord. As etapas são: I. Visão e missão da organização; II. Definição dos objetivos estratégicos; III. Determinação de áreas-chave de resultado; IV. Definição de objetivos operacionais; V. Seleção de indicadores. 2.3 Sistema de Estratégia Minimalista Este sistema tem como objetivo o abandono de excessos que prejudicam a agilidade. Ele busca uma gestão que evita excessos, desperdícios e foca na satisfação do cliente/consumidor. Figura 3 | Mapa Estratégico 1212 Segundo Rocha, 2016, este sistema busca conquistar os 4 Es, são eles: • Elegância; • Eloquência; • Eficiência; • Êxito. Nesse sentido, esta proposta de estrutura estratégica baseia-se nos 4Cs (LAUTERBORN, 1990): • CLIENTE conhecido e cadastrado. • CONVENIÊNCIA e entrega. • COMUNICAÇÃO de mão dupla ou interativa com o cliente. • CUSTO centrado na capacidade de pagamento do cliente. Os 4Cs de Lauterborn surgiram em oposição aos tradicionais 4Ps do marketing: Preço, Produto, Praça e Promoção. 3. Visão e Valores dos Métodos Ágeis Os Métodos Ágeis oficialmente tiveram origem em uma reunião de gestores de projetos da área de software que buscavam soluções mais rápidas e práticas para os desafios que enfrentavam. Essa reunião ocorreu nos Estados Unidos, em 2001, e deu origem ao que ficou conhecido como Manifesto Ágil. A visão buscada pelo grupo – explicitada na figura 4 – foi simplificar e tornar mais rápido e flexível o processo de desenvolvimento de soluções de software. Os valores definidos por eles foram: • Valorizar os indivíduos e as interações entre estes – é sabido que são as interações que fomentam a inovação, em detrimento de procedimentos e ferramentas; • Software funcional em detrimento de uma documentação mais completa; 1313 13 • Mais colaboração com o cliente e menos contratos e negociações; e • Mais flexibilidade para se adaptar às mudanças e menos atenção ao planejamento detalhado. E note que estes quatro valores buscados não querem dizer que se vá abandonar a prática tradicional, apenas que os primeiros serão mais valorizados que os outros. Figura 4 | Valores dos Métodos Ágeis Fonte: Adaptada de Fowler e Highsmith (2001). 3.1 Manifesto Ágil Como se pode constatar no Manifesto Ágil, hoje em dia praticamente não há metodologia de gestão de projetos que não tenha incorporado alguns dos seus 12 princípios. Os princípios do Manifesto Ágil, segundo Fowler e Highsmith (2001), são: • A mais alta prioridade é satisfazer o cliente através da entrega antecipada e contínua de valor. 1414 O que se propôs entregar? Qual é o negócio? Definir quais são os compromissos primordiais de sua empresa traz clareza e mostra qual é a mensagem a ser veiculada tanto para consumidores como para parceiros e fornecedores. • Acolher bem mudanças nos requisitos, mesmo quando já tivermos avançado desenvolvimento. Processos ágeis estão subordinados à mudança para a vantagem competitiva do cliente. A imprevisibilidade nos negócios é o desafio atual. A proposta é usar a imprevisibilidade como uma oportunidade a ser explorada, ao contrário de uma ameaça. Tenha em vista que a comunicação contínua com o cliente, objetivo do manifesto ágil, gera feedbacks, e estes geram mudanças. • Faça entregas frequentes. Embora este princípio esteja ligado ao desenvolvimento de software, sua aplicação em desenvolvimento de produto é imediata. O objetivo é fazer entregas frequentes em subconjuntos independentes, de modo incremental. Isso é essencial nas metodologias ágeis. Isso ajuda a reduzir tempo de ciclo total de desenvolvimento e aproxima o cliente do processo. Evidentemente, entrega não é sinônimo de lançamento. Em inglês são usados delivery e release. O primeiro indica o tipo de entrega que se busca aqui. Já o segundo indica lançamento do produto – versão final. • Pessoal de negócios e desenvolvimento trabalham juntos diariamente durante o projeto. Note que o Manifesto Ágil está focado no desenvolvimento de produtos ou serviços customizados. Não se trata de produtos padrão. O desenvolvimento é feito a partir de requisitos básicos e amplos. Apenas uma visão geral do produto 1515 15 desejado. A comunicação frequente da área de negócios com o desenvolvimento é fundamental para que os requisitos funcionais sejam detalhados. • Desenvolva os projetos com pessoal motivado, dê-lhes o ambiente e o suporte que eles necessitam e acredite neles para entregar o projeto. As ferramentas e tecnologias são importantes, mas são as pessoas que fazem a diferença. No fim, são elas que fazem a diferença entre sucesso e fracasso. O melhor gestor não consegue garantir a entrega de um projeto do produto. Mesmo usando processos ágeis. Ele irá precisar confiar que seu time tome as decisões corretas. • O método mais eficiente e efetivo de prover informações para um time de desenvolvimento é conversando diretamente. Uma grande preocupação dos críticos do Manifesto Ágil é sua pouca preocupação com a documentação. O objetivo aqui é resgatar a função inicial da documentação. Compartilhar informações com o intuito de compartilhar conhecimento e gerar inovação. Note que existe o conhecimento explícito e o tácito. ASSIMILE Na visão de dois pensadores japoneses, Nonaka e Takeushi (1995), existe um ciclo de geração de conhecimento que se inicia na interiorização do conhecimento, passa por um processo de exteriorização até a socialização na organização. E por outro lado, migra de conhecimento implícito para o explícito. A figura 5 apresenta o modelo de Nonaka e Takeushi. 1616 Figura 5 | Conhecimento Organizacional Fonte: Adaptada de Nonaka e Takeushi (1995). • O produto em desenvolvimento é o indicador básico de progresso. É comum encontrar times de desenvolvimento de projeto que não perceberam que estavam atrasados até ser tarde demais. Até todos os prazos estarem perdidos. Por isso a entrega em 1717 17 partes do projeto, subconjuntos, é tão importante. As entregasfracionadas funcionam tanto para o time quanto para o cliente, que dá feedback em tempo real com o desenvolvimento. • Processos ágeis promovem o desenvolvimento sustentado. Os patrocinadores (Sponsors), projetistas e usuários devem ser capazes de manter o ritmo constante indefinidamente. Áreas de desenvolvimento costumam exigir muitas horas-extras e sobrecarga de trabalho. Como será discutido no curso de lean, uma forma de desperdício é a sobrecarga de trabalho (muri), que compromete a produtividade. Um processo ágil baseia-se em indivíduos que se mantêm alertas e criativos durante todo o desenvolvimento do projeto. Novamente, pode-se referenciar o lean que defende uma carga de trabalho nivelada com a demanda a fim de se manter o ritmo constante. • Atenção contínua a excelência técnica e um bom projeto aumentam a agilidade. No passado, durante a década de 1990, na área de desenvolvimento de sistemas foi usado o RAD (Rapid Application Development) como forma de acelerar o desenvolvimento. Isso era feito com algum sacrifício do desempenho e qualidade. Os métodos ágeis enfatizam a qualidade do projeto, pois sem qualidade é impossível manter a agilidade. • Simplicidade – a arte de maximizar o trabalho não realizado – é essencial. A simplicidade pode ser desdobrada em: • Minimalismo; • Qualidade do projeto; • Regras geradoras. Minimalismo no projeto e desenvolvimento de produtos e serviços significa incluir realmente e somente o necessário. 1818 Pense o iTunes da Apple como exemplo. Praticamente não existem controles e ajustes a serem feitos. E isso não faz o sistema ser pior que os outros. Por outro lado, qualidade no projeto • Os melhores projetos e requisitos emergem de times autônomos de trabalho. Segundo Petroski (1994), os melhores projetos e especificações nascem mais do desenvolvimento e interações do time do que de especificações prévias. • Em intervalos regulares o time analisa como ser mais efetivo, então sintoniza e ajusta seu comportamento de acordo. TEORIA EM PRÁTICA Considere um grande banco de varejo. Somente na sede da empresa trabalham aproximadamente 20.000 pessoas, todas em funções de backoffice. Este banco decidiu pelo método ágil para a gestão da operação. Esta iniciativa foi capitaneada pela diretoria da empresa. Seu maior desejo era reduzir a burocracia e as atividades desnecessárias. Tenha em vista que os bancos seguem uma série de regras estabelecidas pelo banco central e outras autoimpostas. A principal destas é o acordo de Basiléia, versões I, II e III. Basicamente estes acordos visam garantir a liquidez do sistema financeiro, definindo o mínimo de reservas internas que cada banco deve manter para desempenhar suas atividades dentro de um risco aceitável. 1919 19 Agora considere as seguintes questões que a direção deve resolver para que o método ágil de gestão se efetive: 1. O método ágil transfere poder de decisão da alta gerência para os indivíduos que estão na linha de frente, de quanto poder estamos dispostos a abrir mão? Se os executivos não cederem parte do status e poder, usar um método ágil não se encaixará. 2. Como preparar os stakeholders para a mudança? A diretoria do banco deverá de convencer o conselho da empresa, empregados e negociar com órgãos reguladores. 3. Como rever a estrutura do banco para focá-la no cliente – mas, ao mesmo tempo, mantê-la fluida, flexível? 4. Qual é o ponto de equilíbrio entre supervisão e autonomia? Como estabelecer metas adequadas para os times e controlá-los? 5. Como suportar os indivíduos provendo a sua formação, já que eles não foram contratados para trabalhar dentro do método ágil de organização e gestão. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Dentre as afirmativas a seguir, qual delas se baseia em um valor do Manifesto Ágil? a. A documentação e manuais não devem ser pesados. b. As reuniões diárias, realizadas de pé, devem durar 15 minutos ou menos. 2020 c. Garantir que o software esteja funcionando é o melhor caminho para mitigar os riscos. d. Seja receptivo a mudanças nos requisitos, mesmo já avançado no desenvolvimento. e. As interações entre os indivíduos envolvidos no projeto podem provocar demoras e atrasos. Ao contrário do contato com o cliente, que é sempre bem-vindo. 2. Assinale a afirmativa correta: a. O Balanced Scorecard sempre tem 4 perspectivas. b. A ideia básica no Balanced Scorecard é criar uma estratégia corporativa. c. Uma ideia importante que o BSC traz é aumentar o número de KPIs utilizados para gerir o negócio, não se limitando apenas aos indicadores financeiros. d. Eventualmente as empresas utilizam sinalizadores de tráfego vermelho/verde para priorizar os planos de ação. e. O BSC não pode ser usado em conjunto com sistemas de controle de orçamento. 3. Quando um especialista em métodos ágeis diz que a arte de dizer não é mais uma das mais importantes, ele se refere à: 2121 21 a. Necessidade de limitar o escopo de um projeto. b. Estrutura de gestão que busca manter um controle estrito da equipe de desenvolvimento. c. Evitar o desenvolvimento de funcionalidades desnecessárias. d. Natural necessidade que manter o desenvolvimento restrito, evitando extrapolar o orçamento inicial. e. O desejo de manter a carga de trabalho equilibrada e constante ao longo de todo o desenvolvimento do projeto. Referências Bibliográficas ÁGIL. Dicionário online Dicio, 31 jan. 2018. Disponível em: https://www.dicio.com.br/ agil/. Acesso em: 31 jan. 2018. BENTLEY, Colin. Prince2: a practical handbook. Routledge, 2012. FOWLER, Martin; HIGHSMITH, Jim. The agile manifesto. Software Development, v. 9, n. 8, p. 28-35, 2001. CORRAL, Antonio J. Mora; URIETA, Carlos Vivas; MONOGRAFIA, A. E. C. A. Nuevas herramientas de gestión pública: el cuadro de mando integral. Asociación Española de Contabilidad y Administración de Empresas, 2001. KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. Using the balanced scorecard as a strategic management system. 1996. KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. Having trouble with your strategy? Then map it. Focusing Your Organization on Strategy—with the Balanced Scorecard, v. 49, 2000. LAUTERBORN, Bob. New marketing litany. Advertising age, v. 61, n. 41, p. 26-26, 1990. LOBO, Carlos Eduardo d’Araujo Vilaça. Aplicação do projeto axiomático para o desenvolvimento de sistemas de medição de desempenho para manufatura. 2003. 149p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica, Campinas, SP. https://www.dicio.com.br/agil/ https://www.dicio.com.br/agil/ 2222 NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. The knowledge creation company: how Japanese companies create the dynamics of innovation. Oxford University Press; 1 edition (May 18, 1995). PETROSKI, Henry. The evolution of useful things. Vintage, 1994. ROCHA, Rodrigo. SEM – Sistema de Estratégia Minimalista: como 4 Es podem tornar a sua vida mais leve e levar a sua empresa ao sucesso. São Paulo: HSM, 2016. 184 p. VARGAS, Ricardo. Manual prático do plano de projeto: utilizando o PMBOK Guide. Brasport, 2009. Gabarito Questão 1 – Resposta: D a) A documentação e manuais não devem ser pesados. Embora um valor do Manifesto Ágil seja priorizar o funcionamento do software em detrimento da documentação extensa, isso não significa que esta deva ser pobre. b) As reuniões diárias, realizadas de pé, devem durar 15 minutos ou menos. Embora a afirmativa seja verdadeira, ela não é um valor direto do Manifesto Ágil. Esta ideia é sim um desdobramento da valorização do indivíduo e as interações dentre estes. c) Garantir que o software esteja funcionando é o melhor caminho para mitigar os riscos. Garantir que o software que o cliente irá testar esteja funcionando corretamente é um valor, mas não porque este mitigue os riscos. d) Seja receptivo as mudanças nos requisitos, mesmo já avançado no desenvolvimento. Verdadeira. e) As interações entre os indivíduos envolvidos no projeto podem provocar demoras e atrasos. Ao contráriodo contato com o cliente, que é sempre bem-vindo. 2323 23 Questão 2 – Resposta: D a) Falsa. O BSC não precisa ter obrigatoriamente 4 perspectivas. A estratégia da companhia deve definir as perspectivas. Entretanto, as 4 comumente utilizadas são as mais relevantes na maioria dos casos. b) Falsa. O BSC não cria a estratégia da companhia. Ele suporta a sua implementação. c) Falsa. O BSC não aumenta os KPIs de controle da companhia. Muito pelo contrário, ele limita sua quantidade e cada área ou setor da empresa passa a focar somente nos KPIs relevantes para eles. d) Verdadeiro. e) Falso. Na verdade, o plano orçamentário faz parte da perspectiva financeira do BSC. Questão 3 – Resposta: C a) Necessidade de limitar o escopo de um projeto. Falsa. Limitar o escopo é importante, mas o objetivo é evitar o desenvolvimento de funcionalidades desnecessárias. b) Estrutura de gestão que busca manter um controle estrito da equipe de desenvolvimento. Falsa. A visão ágil busca dar maior autonomia à equipe de frente do projeto. c) Verdadeira. d) Natural necessidade de manter o desenvolvimento restrito, evitando extrapolar o orçamento inicial. Falsa. Embora este objetivo seja atingido, ele é buscado evitando-se o desenvolvimento de funcionalidades desnecessárias. e) O desejo de manter a carga de trabalho equilibrada e constante ao longo de todo o desenvolvimento do projeto. Falsa. Novamente este desejo é verdadeiro, mas não está ligado à necessidade de o gestor dizer vários “nãos”. 2424 Scrum, XP e Lean: Princípios comuns Autor: Carlos Lobo Objetivos • Apresentar as metodologias ágeis: Scrum, XP e Lean; • Discutir suas visões e premissas; • Explorar os pontos em comum e principais diferenças. 2525 25 1. Introdução O lean tem sua origem nos projetos de melhoria da eficiência desenvolvidos por Taiichi Ohno na fábrica Nagoya da Toyota, na segunda metade da década de 1950. Desde o início, o intuito foi tornar a operação rápida e flexível, além da alta qualidade (OHNO, 1988). O Scrum é um método ágil que busca entregar o produto ou desenvolvimento com a melhor qualidade possível, em sucessivos tiros curtos de trabalho – Sprints. Já o eXtreme Programming – XP, segundo ANWER e AFTAB (2017), tem sido o método ágil mais utilizado no mundo para o desenvolvimento de software. Neste tema serão comparados os princípios, características e práticas essenciais do Scrum XP e Lean. Incialmente será feita uma revisão das três metodologias e, na sequência, a comparação entre elas. 2. Scrum O Scrum data de 1993 e foi desenvolvido por Jeff Sutherland, sendo hoje o método ágil mais popular. Pode-se ver o Scrum sendo aplicado com sucesso em projeto de software, desenvolvimento de produtos e serviços, bancos, construção civil, etc. Não obstante, o Scrum tem sido usado como uma alternativa simples e de fácil compreensão ao PMBoK, cuja estrutura é extremamente minuciosa e exige o planejamento detalhado antes do início do projeto. Pois o Scrum foca no controle do andamento do projeto. Para facilitar, o controle é realizado em subconjuntos, denominados sprints. Por meio de contínuos sprints, o projeto é desenvolvido de modo incremental. Como forma de manter o controle do escopo e objetivo do projeto, o Scrum faz uso de backlogs. Assim, existem o product backlog e o sprint backlog. O primeiro diz respeito ao produto final do projeto, enquanto o segundo aponta o objetivo de cada subconjunto – segmento ou sprint, do projeto. Assim, o product backlog se desdobra em diversos sprint backlogs. 2626 Os sprints são definidos a partir dos requisitos funcionais estabelecidos com o cliente final, em que cada requisito corresponde a um sprint. E a partir do sprint backlog são definidas as atividades que serão atribuídas ao scrum team – time de desenvolvimento. A duração de cada sprint não é pré-definida, por isso esta pode ser maior ou menor de acordo com a complexidade das atividades apontadas para o sprint. Entretanto, se busca definir sprints que não durem mais que quatro semanas. Sprints maiores devem ser divididos em conjuntos menores sempre que possível. No seu encerramento é feita uma reunião de fechamento, o sprint review meeting. Ao contrário de outros métodos ágeis, o Scrum funciona com alguma hierarquia. Ou seja, existem papeis e funções claramente definidos. E o sucesso do Scrum depende da observância destas funções. Na figura 1 é demonstrada a lógica de operação do Scrum em termos de gestão de entrega baseada em subconjuntos. Figura 1 | Lógica de Operação do Scrum Fonte: Adaptada de CRUZ (2017). 3. XP Em 1997 foi desenvolvido o eXtreme Programming – XP, que defende a excelência do desenvolvimento de sistemas e se baseia em: 2727 27 • Agilidade. • Economia. • Qualidade. Agilidade para entregar rapidamente as encomendas. Economia para não consumir mais recursos do que os necessários no desenvolvimento do sistema, e qualidade na entrega. Entretanto, o XP se diferencia de outros métodos ágeis de desenvolvimento de softwares, pois foca no processo em si. Ou seja, o XP parte de um compromisso de entrega e de um conjunto de comportamentos – valores, que garantam o resultado final. Resumidamente, estes valores (compromissos) assumidos pelo time desenvolvimento do sistema são: • Simplicidade nas soluções. • Comunicação constante. • Respeito. De modo complementar aos valores ou compromissos assumidos pela equipe de desenvolvimento, temos as boas práticas de desenvolvimento indicadas na visão do XP: • Comunicação constante com o cliente. • Uso de metáforas no planejamento e estrutura do projeto. • Reuniões de planejamento. • Reuniões diárias de alinhamento. • Desenvolvimento modular. • Entregas e testes frequentes. • Design simples. • Refatoração (refactoring) ou melhoria contínua. 2828 Como o próprio nome diz, “eXtreme” indica ações extremas. Assim, o resultado disso são as seguintes práticas: • Já que testar o software, ou mesmo o produto, é fundamental, podemos testá-lo continuamente – o tempo todo. • Fazer revisões do produto também é considerada uma boa prática, logo se deve revisá-lo sempre. • A prática de refatorar o projeto, ou fazer melhorias, é também indicada. Então as melhorias devem ser contínuas. • Os testes finais de integração também são importantes, logo devem ser feitos todo o tempo. A integração é um pré-requisito do desenvolvimento, devendo ser mantido ao longo deste. • Como em outras metodologias de projeto, a simplicidade deve ser buscada. Então, na XP não basta o sistema funcionar, tem que ser simples. • E por fim, como a interação rápida e curta é desejável, devemos fazê-la o mais curta possível. A figura 2 apresenta de maneira geral as boas práticas do XP em funcionamento e os ciclos rápidos de desenvolvimento ao longo de todas as etapas. 2929 29 Figura 2 | Diagrama de planejamento e feedback Fonte: Adaptada de WELLS (2001). ASSIMILE No XP a proposta é controlar as entregas parciais – sempre com qualidade e eficiência, através de estórias. E estas estórias têm paralelo com os requisitos funcionais estabelecidos pelo cliente. Na figura 3 é feito o processo de transição do cronograma tradicional para o plano dentro da metodologia do XP. 3030 Figura 3 | Planejamento na XP Fonte: Adaptada de Wells (2009). 4. Lean Como apontado na introdução deste tema, o intuito aqui é explorar a visão e os princípios fundamentais do lean para ser possível sua comparação com o Scrum e o XP. Um autor que fez uma análise dos fundamentos do lean – que estão muito além da fabricação de automóveis -, foi Steven Spear. 3131 31 Note que os 5 princípios são usados em conjunto com o mapa de fluxo de valor. Estes não serão discutidos aqui. O foco são os fundamentos do lean, por isso o discutiremos segundo a visão de Spear. O artigo resultado desta pesquisa foi publicado como “Decodificando o DNA da Toyota” (SPEAR e BOWEN, 1999). Aqui é citado a Toyota, pois a origem do leanremete à montadora japonesa propriamente dita. 4.1 O DNA do Lean O DNA da Toyota foi publicado pela primeira vez em 1999 por Steven Spear (SPEAR e BOWEN, 1999). Nesse artigo ele buscou apresentar o que efetivamente guia o pensamento das pessoas na Toyota a produzir as soluções que são vistas. Este modelo foi especificamente testado na área da saúde, dando origem ao que se conhece por Lean Healthcare (SPEAR e KENAGY, 2005) e (SPEAR, 2005). A figura 4 apresenta o modelo desenvolvido por Steven Spear. Figura 4 | Valores dos Métodos Ágeis Fonte: Adaptada de Spear e Bowen (1999). 3232 A regra 1 do DNA da Toyota diz respeito à atividade realizada. Ela define que toda atividade deve ser definida em termos de não só o que fazer e como fazer, mas qual deve ser o resultado esperado da atividade. Assim, é possível ao próprio indivíduo aferir se o resultado da atividade tem a qualidade esperada ou não. O melhor exemplo desta regra é o trabalho padronizado preenchido de acordo com estes requisitos. Já a regra 2 diz respeito à comunicação. Ela prega a comunicação direta – sem intermediários, entre processos cliente e fornecedor. E estabelece que esta comunicação deve ser binária – sim ou não. O maior representante desta regra é o kanban – sistema de cartões usado para comunicar a necessidade ou não de reabastecimento. A regra 3 é contra intuitiva. Ela indica que os fluxos de material e informação devem ser únicos – sem alternativas ou bifurcações, sem processos em paralelo. Isso simplifica muito a gestão e controle do sistema. E mesmo quando um problema ocorre e a regra 1 não é atendida, um fluxo de socorro é acionado para suportar e corrigir o problema – a cadeia de ajuda. Por último, a regra 4 – na figura 5 -, estabelece o método científico de teste e introdução de melhorias. Fundamentalmente, seguindo o plano do PDSA (MOEN, 2009). Assim, através da regra 4, as outras 3 regras são melhoradas ao longo do tempo. 3333 33 Figura 5 | Objetivo da Regra 4 Fonte: Elaborada pelo autor. Note que a Regra 4, diferentemente das 3 regras iniciais, estabelece o método científico para o desenvolvimento de melhorias no sistema – desenhado com as 3 regras iniciais. Por isso Spear chama a Toyota de uma comunidade de cientistas, pois as melhorias são sempre desenvolvidas segundo o método científico de experimentação. A Regra estabelece critério, meta para as melhorias. Como estado ideal, o processo deve: • Operar na velocidade da demanda do cliente - nem mais rápido, nem mais devagar. • Livre de defeitos ou problemas de qualidade. • Operar em fluxo unitário de trabalho. Ou seja, sem produção em lotes ou acúmulos de trabalho ao longo do processo. • Sem desperdícios ou perdas – menor custo possível. • Ser ágil e flexível, respondendo prontamente ao cliente e às oscilações da demanda. • E seguro para o time de operação (física e mentalmente). 3434 PARA SABER MAIS Você pode se aprofundar no método científico de experimentação em funcionamento na Toyota lendo a seção “The Experiments of Toyota Production System”, no artigo Decoding the DNA of The Toyota Production System. 5. Pontos comuns e diferenças entre Scrum, XP e Lean Note que Scrum e XP são declaradamente consideradas metodologias ágeis, enquanto o Lean, originário da Toyota e desenhado com propósito diverso, tem muitos pontos em comum com o Manifesto Ágil. Quando o Lean é aplicado no setor de serviços ou no desenvolvimento de produtos, os valores do Lean, especialmente as regras 2 e 3, encontram grande paralelo com o XP e Scrum. Veja a figura 6 a seguir. Figura 6 | Paralelo entre Lean, Scrum e XP Fonte: Elaborada pelo autor. 3535 35 Vários autores argumentam que o Lean pode e deve ser um modelo cultural para a empresa. David Mann (2014) argumenta que uma cultura de excelência, a cultura lean, somente é atingida através do sistema de gestão. As boas práticas de gestão devem reforçar o comportamento esperado pelo time. Assim, pode-se transformar boas práticas em hábito. E assim moldar uma cultura de excelência. Note como a cultura de excelência não pode ser atingida diretamente, muito menos medida. Por isso o autor faz a ligação entre o modelo de gestão e a cultura. Dentre Lean, XP e Scrum, Lean é a abordagem que mais pode influenciar a cultura da empresa. Já a Scrum tem uma abordagem mais pragmática e voltada para o desenvolvimento de produtos e serviços em geral. O Scrum nasceu do Manifesto Ágil e rapidamente se tornou uma alternativa adequada ao PMBoK, como já foi discutido. Assim, o Scrum é um exemplo claro de metodologia de gestão. A XP, por outro lado, é um representante claro do Manifesto Ágil na área de desenvolvimento de software – com certeza o mais utilizado atualmente, mas é praticamente sem sentido em outras áreas. Em outras palavras, o Scrum é mais adequado ao desenvolvimento de produtos e serviços. TEORIA EM PRÁTICA Um tradicional fabricante do setor metal mecânico, de conjuntos mecânicos feitos sob encomenda e a partir de projetos desenvolvidos para a realidade de cada cliente (engineer to order), decidiu investir em programa de desenvolvimento ágil em sua área de projetos. Tradicionalmente, neste setor, e em especial nesta empresa, a área de projetos é um diferencial e vantagem competitiva da empresa. Entretanto, a diretoria considera que depois de conseguir reduzir o prazo de fabricação dos conjuntos, chegou o momento de fazer o mesmo na área de projetos. 3636 Na fábrica foi aplicado o lean com grande sucesso e impacto positivo sobre todos os indicadores de interesse, embora a aplicação de lean na fábrica e PCP não tenha sido a convencional, dado que se trata de uma indústria típica de ETO. Mas isso não quer dizer que o mesmo possa ser feito em Projetos. É comum se ouvir comentários anônimos na área dizendo que eles não são uma fábrica. São diferentes. Você foi indicado pelo Diretor responsável pela área de Projetos como líder da mudança. E agora precisa decidir como conduzir esse processo. A área funciona como um banco de projetistas – 60 pessoas que se organizam em times para cada projeto que entra na área. A área comercial, quando fecha um novo negócio, estabelece um líder para atender esse cliente, e este escolhe, segundo suas preferências, o time de projetistas que trabalharão com ele no atendimento do cliente. Além de funcionar como um banco de projetistas, a área também se organizava por especialidade. Ou seja, os projetistas se dedicavam a determinados conjuntos mecânicos. Isso, em princípio, foi bom. Gerou um certo grau de especialidade, o que permitiu atender melhor aos clientes. Entretanto, dedicar os projetistas por especialidade gerou gargalos – falta de projetistas em algumas especialidades durantes alguns períodos e simultaneamente era comum se observar ociosidade em outras especialidades. Para piorar o cenário, o pessoal da área comercial começou a ter os seus projetistas preferidos. Assim era comum acelerar ou freiar projetos só para poder estar disponível quando o projeto/ comercial solicitasse. 3737 37 Vale ainda comentar que os projetos costumam levar de 3 a 6 meses na área de engenharia. E embora os projetistas trabalhem para o líder da área comercial, para garantir o funcionamento da área ainda existe um gerente de projetos e 3 supervisores. Agora considere as seguintes questões que você precisará responder durante a mudança para uma metodologia ágil: 1. Qual abordagem deve ser utilizada? Lean, Scrum ou XP? Poderia se pensar em uma abordagem mista? Se sim, como? 2. A estrutura hierárquica da futura área de engenharia deve repetir a estrutura atual? Por quê? E como a estrutura – qualquer que seja, deve operar concomitantemente com a área comercial e seu líder do projeto? 3. Como conduzir a mudança frente a equipe de projeto, dado que muitos projetistas têm mais de 10 anos de empresa e são inclusive reconhecidos pelos clientes? 4. Considerando-se uma matriz RACI, quem mereceatenção e cuidado para mitigar o risco de problemas e surpresas durante a implementação? 5. É possível usar alguns princípios do XP no plano de mudança? Quais e Por quê? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Considerando-se a 4ª Regra do DNA da Toyota, descrita por Steven Spear, pode-se afirmar que: 3838 a. Envolve o mínimo de etapas possível. b. Todas as atividades estão claras, óbvias, consistentes para o staff e clientes. c. Toda melhoria se baseia no ciclo do PDSA. d. Responsabilidade de todos é responsabilidade de nenhum. e. Toda melhoria se baseia na observação direta. 2. Qual das afirmativas a seguir é verdadeira sobre o uso da estória no XP? a. A estória do cliente é o ponto de partida do XP. b. A estória não pode ser descrita em mais de uma página. c. Uma estória suscinta representa uma funcionalidade apontada pelo cliente. d. Cada estória deve representar uma funcionalidade completa solicitada pelo cliente. e. As estórias são escritas pelo cliente. 3. Considerando-se o Scrum, devem fazer parte do backlog do produto ou serviço: a. Todos os subconjuntos planejados que compõem o produto ou serviço completo. 3939 39 b. As atividades pendentes dos sprints anteriores e os subconjuntos planejados que compõem o produto ou serviço completo. c. As estórias de cada sprint. d. O Scrum Master de cada sprint. e. Todos os subconjuntos planejados que ainda não foram desenvolvidos e que compõem o produto ou serviço completo. Referências Bibliográficas ANWER, Faiza; AFTAB, Shabib. SXP: Simplified Extreme Programing Process Model. International Journal of Modern Education and Computer Science, v. 9, n. 6, p. 25, 2017. CRUZ, Fábio. Scrum e PMBOK unidos no Gerenciamento de Projetos. Brasport, 2017. MANN, David. Creating a lean culture: tools to sustain lean conversions. Productivity Press, 2014. MOEN, Ronald. Foundation and History of the PDSA Cycle. In: Asian Network for Quality Conference, 2009. p. 18. OHNO, Taiichi. Toyota production system: beyond large-scale production. crc Press, 1988. SPEAR, Steven J. Fixing health care from the inside, today. Harvard business review, v. 83, n. 9, p. 78, 2005. SPEAR, Steven; BOWEN, H. Kent. Decodificando o DNA do Sistema Toyota de Produção. Harvard Business Review, p. 97-106, 1999. SPEAR, Steven J.; KENAGY, John. Deaconess-Glover Hospital (C). Harvard Business School, 2005. WELLS, Don. Extreme Programming: A gentle introduction, 2002. Disponível em: www.extremeprogramming.org. Acesso em: 18 mar. 2002. ___________ Extreme Programming: A gentle introduction, 2009. Disponível em: www.extremeprogramming.org. Acesso em: 23 fev. 2019. 4040 Gabarito Questão 1 – Resposta: E a) Envolve o mínimo de etapas possível. Verdadeira, mas se refere à 3ª regra. b) Todas as atividades estão claras, óbvias, consistentes para o staff e clientes. Verdadeira, mas se refere à 1ª regra. c) Toda melhoria se baseia no ciclo do PDSA. Não é obrigatório. A regra 4 indica o método científico, que, por exemplo, pode se basear no PDSA. d) Responsabilidade de todos é responsabilidade de nenhum. Verdadeira, mas se refere à regra 3. e) Toda melhoria se baseia na observação direta. Verdadeira. Esse é um princípio forte dentro do lean. Questão 2 – Resposta: D a) A estória do cliente é ponto de partida do XP. Falsa. O ponto de partida do XP são os requisitos funcionais apontados pelo cliente. b) A estória não pode ser descrita em mais de uma página. Falsa. É desejável e muito recomendado, mas uma estória suscinta não é obrigatória. c) Uma estória suscinta representa uma funcionalidade apontada pelo cliente. Verdadeira. As estórias suscintas correspondem às estórias. 4141 41 d) Cada estória deve representar uma funcionalidade completa solicitada pelo cliente. Falsa. A estória pode representar um requisito para a funcionalidade desejada. e) As estórias são escritas pelo cliente. Falsa. As estórias devem ser redigidas pelo líder de projeto na XP. Questão 3 – Resposta: E a) Todos os subconjuntos planejados que compõem o produto ou serviço completo. Falso. O backlog de produto indica somente o que resta ser desenvolvido do projeto do produto. b) As atividades pendentes dos sprints anteriores e os subconjuntos planejados que compõem o produto ou serviço completo. Falso. As atividades que ficarem pendentes, atrasadas, de um Sprint, não entram no backlog do produto. c) As estórias de cada Sprint. Falso. As estórias são criadas ao entrarem em desenvolvimento. d) Scrum Master de cada sprint. Falso. O Scrum Master do projeto, ou mesmo do Sprint, não faz parte da descrição do backlog do produto. e) Todos os subconjuntos planejados que ainda não foram desenvolvidos e que compõem o produto ou serviço completo. Verdadeiro. 4242 Análise Comparativa Autor: Carlos Lobo Objetivos • Comparar as principais metodologias ágeis; • Explorar pontos fortes e fracos das metodologias ágeis abordadas; • Traçar um perfil com recomendações para melhor usar das metodologias ágeis propriamente ditas. 4343 43 1. Introdução A presente abordagem parte do pressuposto que você conhece o Manifesto Ágil e, também, os princípios do que se poderia chamar de os três mais relevantes representantes do Manifesto: Lean, Scrum e XP. Cabe destacar que o XP, e especialmente o Lean, não guardam uma ligação de causa-efeito com o Manifesto (BECK, 2001). Agora, será feita uma análise comparativa de três métodos ágeis de gestão, não nos restringindo aos mais representativos. E já cabe reforçar que alguns destes métodos nasceram voltados para o desenvolvimento de software – dada a origem do Manifesto Ágil, e a sua aplicação em outras áreas necessita de revisão e adequação. Por fim, para entender se há a possibilidade de indicar uma dada metodologia de gestão como sendo ágil ou não, será usado o rol de critérios indicados abaixo (ABRAHAMSSON et al., 2017): 1. Permitir o desenvolvimento incremental; 2. Ser cooperativo (tanto interno como com o cliente); 3. Adaptativo (admite mudanças em qualquer ponto do desenvolvimento); 4. Ser direto (o método é fácil de ser entendido). ASSIMILE Pode ser difícil definir quais metodologias de projeto podem ser chamadas de ágeis e quais não. Muitos destes métodos foram desenvolvidos antes do Manifesto Ágil (BECK, 2001). Assim, pode-se sintetizar os métodos ágeis como frameworks de trabalho que possibilitam a cooperação com o cliente e dentro da equipe de projeto, o desenvolvimento e entregas incrementais, possibilitar mudanças a qualquer tempo de projeto e, por fim, ser de fácil entendimento. 4444 2. Outras Metodologias Algumas outras metodologias serão exploradas para ampliar o escopo de comparação. Embora o objetivo não seja elencar as mais importantes, ou fazer uma revisão completa do tema, podemos apontar as mais relevantes: Família Crystal de Metodologias, FDD (Feature Driven Development ou Desenvolvimento Guiado por Funcionalidades), DSDM (Dynamic Systems Development Method ou Método de Desenvolvimento de Sistemas Dinâmico). 2.1 Família Crystal de Metodologias A família de metodologias Crystal é um conjunto de boas práticas que tendem a se ajustar ao projeto em função da sua complexidade e impacto financeiro. Segundo o autor Cockburn (2004), o termo “Crystal” pretende caracterizar o projeto em duas diferentes dimensões: tamanho e criticidade; ainda sob a analogia, admitindo diferentes composições de “minerais”, “cores” e “dureza”. A metodologia busca, por exemplo, simplificar as práticas de controle de projetos mais simples, que envolvem equipes menores, e cujo impacto financeiro em caso de falha for pequeno ou nulo. Assim, à medida que se avança para projetos maiores, com equipes maiores e impacto financeiro crescente, as práticas buscam ser mais rigorosas. Veja a figura 1 a seguir. O nível de criticidade do projeto vai de confortável (uma falha aqui ainda deixa os envolvidos em situação confortável) até Vida ou Morte (falhas simplesmente não poderocorrer). Os níveis C, D, E, L vêm dos termos equivalentes em inglês: Comfort, Discretionary Money, Essencial Money e Life. E o tamanho do projeto – medido pelo tamanho da equipe -, vai de branco (6 pessoas) até vermelho (80 pessoas), ou mesmo além. 4545 45 Figura 1 | Dimensões da Crystal Fonte: Adaptado de Cockburn (2002). Analisando-se a Figura 1, observa-se que existem 3 metodologias Crystal Clear distintas, e que devem ser aplicadas de acordo com o custo potencial da falha. Além disso, de acordo com a quantidade pessoas envolvidas no projeto, existem as famílias de metodologias Crystal Yellow, Orange e Red. De acordo com Abrahamsson et al. (2002), todas as famílias Crystal têm padrões para a gestão, produto em desenvolvimento, envolvimento, ferramentas, padrões e funções a serem usadas no processo de desenvolvimento. Além disso, as famílias Crystal têm alguma flexibilidade de uso quanto ao tamanho do time. Assim, a Crystal Clear, por exemplo, poderia ser aplicada em projetos E8/D10. A figura 2 apresenta um ciclo de entrega utilizando-se a Crystal Orange. 4646 Figura 2 | Um Ciclo de Desenvolvimento segundo a Crystal Orange Fonte: Adaptada de ABRAHAMSSON et al. (2002). A seguir são elencados os principais elementos que existem na família Crystal. 2.1.1 Políticas Padrão Em termos de políticas predefinida, Cockburn (2002) identifica as seguintes características principais na família Crystal de metodologias: • Entregas incrementais; • Acompanhamento do projeto através de milestones que representem funcionalidades implementadas; • Envolvimento direto do usuário final; • Revisão de cada release com dois usuários; 4747 47 • Teste automatizado das funcionalidades desenvolvidas; • Workshop de alinhamento do produto e metodologia em cada ciclo de desenvolvimento – início e no meio do ciclo. 2.1.2 Produtos em Desenvolvimento Para o desenvolvimento dos produtos, Cockburn (2002) identifica, dentre outras, as características: • Documentação dos requisitos – Somente para a Crystal Orange; • Na Crystal Clear o cronograma é fundamentalmente o plano de entrega dos releases, enquanto na Crystal Orange um cronograma formal é necessário; • Sequência de releases pré-definida; • Modelos comuns compartilhados; • Manual do usuário; • Testes (Crystal Clear pede a documentação destes testes); • Migração do código final. 2.1.3 Ferramentas, Padrões e Atividades Em termos de ferramentas, Abrahamsson et al. (2002) reforça que a Crystal Clear requer: • Compilador; • Ferramenta de controle de versões e configuração; • Quadros brancos para substituir a documentação tradicional. Já na Crystal Orange, as ferramentas mínimas são: • Ferramentas de programação, controle de prazos, comunicação, testes, desenho e medição do desempenho. 4848 Já em termos de padrões, o Crystal Orange sugere o uso de notação padrão, convenções de projeto, padrões de formatação e qualidade (Cockburn, 1998). 2.1.4 Práticas De acordo com a figura 2, as metodologias Crystal têm um conjunto de práticas recomendadas. Dentre outras, seguem as que mais se destacam: • Staging; • Paralelismo e fluxo; • Estratégia de diversidade holística. O staging é o sistema apresentado na figura 2. Implica em planejar cada ciclo de implementação – ou incremento, em intervalos de 1 a 3 meses. O time deve decidir o que consegue entregar a cada ciclo. O paralelismo e fluxo guarda grande semelhança com o Lean. A proposta é estabelecer o máximo de atividade de desenvolvimento em paralelo que sejam possíveis manter. Para isso são importantes o monitoramento e o acompanhamento dos planos de trabalho, a estabilidade e a sincronização (Cockburn, 1998). 2.2 FDD – Feature Driven Development Criado em Cingapura entre 1997 e 1999 por Peter Coad (Chief Architect), Jeff De Luca (Project Manager) e Stephen Palmer (Development Manager), o FDD é um método ágil que reúne as melhores práticas de outros métodos, com técnicas orientadas por modelos que se adaptam às maiores equipes e projetos (Palmer, 2001). A sua orientação básica é focar nas funcionalidades, o que permite à equipe de projeto realizar um planejamento incremental, isto é, por 4949 49 fases. Esse tipo de atuação ajuda a dar agilidade ao desenvolvimento de soluções em ambientes de extrema incerteza, em que as mudanças são inevitáveis. Na figura 3 é apresentado o processo fundamental de 5 etapas de desenvolvimento de projetos com o FDD. A programação por FDD começa com a visão global do negócio, já que esse método considera o todo mais importante que cada uma das partes separadamente. Passa- se, então, para o detalhamento do produto com a subdivisão por áreas a serem modeladas, culminando na descrição de cada funcionalidade. Por se tratar de uma ferramenta com foco no desenvolvimento, assim como o XP, o FDD pode ser perfeitamente integrado ao Scrum. Figura 3 | Os 5 Processos da FDD Fonte: Adaptada de Plamer e Felsing (2002). Assim como todos os demais métodos ágeis, o FDD também recomenda as melhores práticas elencadas abaixo, que visam criar o ambiente propício para o desenvolvimento de projetos: • Desenvolvimento por funcionalidades; • Um único programador é responsável pela funcionalidade desenvolvida; • Controle de qualidade em todas as fases do projeto; • Gerenciamento de configurações; • Integração contínua das funcionalidades; • Planejamento incremental; • Teste de software. 5050 De modo similar ao modelo esquemático apresentado para as metodologias Crystal, pode-se apresentar o FDD. Veja a figura 4. Figura 4 | Os Processos da FDD de Projetar e Construir o Produto por Funcionalidade Fonte: Adaptado de de ABRAHAMSSON et al. (2002). 2.3 DSDM O DSDM - Dynamic System Development Model, é um dos métodos ágeis mais antigos, de 1994, empregados não só no desenvolvimento de projetos como no meio tecnológico. Um tanto diverso dos demais métodos ágeis, ele é o framework mais usado quando se bsuca uma estrtura para desenvolvimento rápido de aplicação (RAD – Rapid Development Development) (Stapleton, 1997) O DSDM é um framework sem fins lucrativos e não-proprietário para desenvolvimento RAD, mantido pelo consórcio DSM. E o princípio 5151 51 fundamental do DSDM é de, ao invés de fixar as funcionalidades do produto e depois ajustar o prazo e os recursos para executá-lo, é preferível fixar o prazo e recursos, e depois ajustar a quantidade de funcionalidades possível. Entre as suas melhores práticas estão o desenvolvimento incremental e iterativo, a colaboração entre cliente e equipe, além da integração de funcionalidades. Vale ressaltar que o DSDM diverge dos demais métodos ágeis tanto em sua estrutura, que é composta por processos interligados de modelagem, concepção, construção e implementação, como na gestão do tempo, que não é flexível, até permitindo que as funcionalidades mudem, mas desde que os prazos de execução continuem os mesmos. Na figura 5 é apresentado o diagrama de processo do DSDM. Figura 5 | Diagrama de Processo do DSDM Fonte: Adaptada de STAPLETON (1997). 5252 2.4 Conclusão Existem muitas outras metodologias que se encaixam dentro dos princípios básicos dos métodos ágeis: Desenvolvimento incremental e colaborativo, ser adaptativo e direto. PARA SABER MAIS Você pode se aprofundar nos diversos métodos ágeis consultando o artigo Agile software development methods: Review and analysis, de Abrahamsson, Pekka et al. (2017). Neste artigo, os autores fazer revisão dos métodos ágeis em busca das características comuns que os definem. E depois fazem uma revisão dos principais métodos. Um destes métodos é o RUP – Rational Unified Process. Método similiar as metodologias Crystal e a FDD. 3. Análise Comparativa Nesta seção é feita uma análise comparativa dos diversos métodos ágeis abordados aqui. Tenha em vista que esta é uma análise qualitativa, e de que todos atendem às principais necessidades buscadas nos métodos ágeis: simplicidade na gestão e desenvolvimento,e parceira com o cliente final. 5353 53 Tabela 1 | Análise Comparativa Fonte: Elaborada pelo autor. TEORIA EM PRÁTICA Considere-se gestor de projetos da Green Future. A Green é uma startup do setor de mobilidade urbana. Sua proposta de valor é oferecer transporte simples e barato para os habitantes das grandes cidades do mundo. Para isso ela está desenvolvendo um projeto de aluguel de lambretas diretamente pela web. Assim, os usuários localizam as lambretas da Green através de um app, fazem o pagamento via app com o cartão de crédito e liberam a mesma para seu uso. Ao final, o usuário “fecha” a corrida e estaciona em local adequado. 5454 Para que o projeto seja lançado estão sendo desenvolvidos dois projetos simultaneamente. O primeiro é o projeto do app. Já o segundo é o projeto da própria lambreta, pois se busca um custo reduzido para mesma, e por outro lado um design inovador – e que limite seu uso em caso de furto. Você foi indicado pelo Diretor responsável pela área de Projetos como líder dos mesmos. E como especialista cabe a você escolher as metodologias adequadas para a gestão e desenvolvimento dos projetos. Então seu desafio é apresentar para o Diretor responsável como serão estruturados e geridos os dois projetos. O Diretor marcou uma apresentação formal com ele e os demais diretores para que você apresente este plano. Algumas informações importantes sobre o projeto e as equipes de desenvolvimento: • O desenvolvimento do app será feito por uma pequena equipe interna, que futuramente fará as melhorias e manutenções no aplicativo, e por diferentes equipes geograficamente dispersas ao redor mundo. Estas equipes foram contratadas de acordo com suas competências específicas. Isso foi bom, porque garante a expertise, mas pode dificultar a integração final. E como dividir o trabalho pode não ser simples. • Já o projeto da lambreta deve ser feito na Itália. Novamente na escolha pesou a expertise da empresa terceira. A Itália é conhecida pelas grandes empresas de design. A dificuldade é a distância do Brasil até lá. Além da comunicação e fuso horário. Agora considere as seguintes questões que você precisará responder ao preparar o plano para apresentar na reunião de diretoria: 5555 55 1. Qual abordagem deve ser utilizada? A mesma para os dois projetos ou frameworks distintos? Qual será a sua proposta? 2. Devo fazer uma apresentação detalhada e rica nos pormenores da organização dos dois projetos ou ser mais conciso como apregoa os planos desenvolvidos com o Lean? 3. Como equacionar e gerir equipes geograficamente separadas? 4. Como garantir que a integração das partes? Como reter o conhecimento? 5. Quais são os riscos envolvidos? Como se poderia mitigar estes riscos 6. Prepare os slides para a reunião. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. De que modo se pode traçar um paralelo entre o 1º princípio do lean e a abordagem diferenciada da DSDM? a. O foco em estabelecer um fluxo contínuo do primeiro em paralelo ao pragmatismo da segunda. b. O conceito de valor para o cliente do primeiro é similar à abordagem de projeto e desenvolvimento do segundo. c. Ambas metodologias se baseiam no ciclo PDSA. 5656 d. O lean parte do princípio de entender o que é importante para o cliente e aumentar continuamente este valor. E, de modo similar, a abordagem da DSDM foca nas funcionalidades acordadas com o cliente. e. O DSDM buscou no lean o foco no cliente e por isso foca nas funcionalidades acordadas e factíveis. 2. Considerando-se a comunicação – verbal e escrita, qual é a grande diferença entre FDD e Scrum/XP? a. A comunicação com o cliente é priorizada nas três metodologias. Entretanto, Scrum e XP também priorizam a comunicação e interação dentro da equipe de desenvolvimento, enquanto a FDD não explicita esta prioridade. b. A FDD segue a orientação de Beck no Manifesto Ágil, enquanto XP e Scrum não. c. A comunicação é tratada de modo formal na FDD, pois esta prevê projetos de grande porte, que efetivamente necessitam de uma ferramenta estruturada para isso. Já Scrum e XP não priorizam a comunicação, pois os membros do time de projeto devem, obrigatoriamente, estar próximos fisicamente. d. Como Scrum é mais focado na gestão do projeto e XP e FDD são voltadas para o desenvolvimento do produto, a comunicação é melhor desenvolvida e tratada no primeiro. e. No Scrum e na XP a documentação é importante, mas não se dá uma grande ênfase a ela. Já a FDD acredita que a documentação deve ser desenvolvida com critério e revista regularmente. 5757 57 3. Como Scrum e Lean se opõem à XP, FDD e DSDM? a. Os princípios do Scrum e Lean são aplicáveis ao desenvolvimento de projetos de produtos ou serviços, enquanto as demais somente se usam no desenvolvimento de software. b. Scrum e Lean são claramente métodos de gestão, enquanto as demais são metodologias de desenvolvimento. c. Scrum e Lean são derivados, inspirados no Manifeito Ágil de Beck, enquanto o segundo grupo é anterior ao Manifesto. d. Lean e Scrum não têm uma estrutura clara de papéis e responsabilidades, enquanto as demais, sim. e. Scrum e Lean podem ser combinados em um modelo de aplicação misto. Já a FDD, XP e DSDM, não. Entretanto, é impossível combinar metodologias do primeiro com as do segundo. Referências Bibliográficas ABRAHAMSSON, Pekka et al. Agile software development methods: Review and analysis. arXiv preprint arXiv:1709.08439, 2017. ANWER, Faiza; AFTAB, Shabib. SXP: Simplified Extreme Programing Process Model. International Journal of Modern Education and Computer Science, v. 9, n. 6, p. 25, 2017. BECK, Kent et al. The agile manifesto. 2001. COCKBURN, A. Surviving Object-Oriented Projects. 1998. _____________. Agile software development joins the” would-be” crowd. Cutter IT Journal, v. 15, n. 1, p. 6-12, 2002. 5858 _____________. Crystal clear: a human-powered methodology for small teams. Pearson Education, 2004. STAPLETON, Jennifer. DSDM, dynamic systems development method: the method in practice. Cambridge University Press, 1997. Gabarito Questão 1 – Resposta: B a) O foco em estabelecer um fluxo contínuo do primeiro, em paralelo ao pragmatismo da segunda. O foco em fluxo do lean se refere ao 3º princípio. E este não guarda paralelo com o pragmatismo do DSDM. b) O conceito de valor para o cliente do primeiro é similar à abordagem de projeto e desenvolvimento do segundo. Verdadeiro, pois no DSDM a gestão e desenvolvimento do produto se dá pelas funcionalidades acordadas com o cliente. c) Ambas metodologias se baseiam no ciclo PDSA. Errado. d) O lean parte do princípio de entender o que é importante para o cliente e aumentar continuamente este valor. E, de modo similar, a abordagem da DSDM foca nas funcionalidades acordadas com o cliente. As descrições de ambos, Lean e DSDM, são verdadeiras. Entretanto, não existe um paralelo evidente. e) O DSDM buscou no lean o foco no cliente e por isso foca nas funcionalidades acordadas e factíveis. Errado. 5959 59 Questão 2 – Resposta: E a) A comunicação com o cliente é priorizada nas três metodologias. Entretanto, Scrum e XP também priorizam a comunicação e interação dentro da equipe de desenvolvimento, enquanto a FDD não explicita esta prioridade. Falsa. A FDD também indica a integração interna. b) A FDD segue a orientação de Beck no Manifesto Ágil, enquanto XP e Scrum não. Falsa. Na verdade, é justamente o contrário. c) A comunicação é tratada de modo formal na FDD, pois esta prevê projetos de grande porte, que efetivamente necessitam de uma ferramenta estruturada para isso. Já Scrum e XP não priorizam a comunicação, pois os membros do time de projeto devem, obrigatoriamente, estar próximos fisicamente. Embora as afirmativas sejam verdadeiras, a razão para uma comunicação não estruturada no Scrum/XP é o fato de se priorizar a interação entre os indivíduos. d) Como Scrum é mais focado na gestão do projeto e XP e FDD são voltadas para o desenvolvimentodo produto, a comunicação é melhor desenvolvida e tratada no primeiro. Embora seja verdade, a conclusão sobre a comunicação está errada. e) No Scrum e na XP a documentação é importante, mas não se dá uma grande ênfase a ela. Já a FDD acredita que a documentação deve ser desenvolvida com critério e revista regularmente. Verdadeira. 6060 Questão 3 – Resposta: B a) Os princípios do Scrum e Lean são aplicáveis ao desenvolvimento de projetos de produtos ou serviços, enquanto as demais somente se usam no desenvolvimento de software. Falso. Os princípios da XP, FDD e DSDM são aplicáveis em outros ambientes. b) Scrum e Lean são claramente métodos de gestão, enquanto as demais são metodologias de desenvolvimento. Verdadeiro. c) Scrum e Lean são derivados, inspirados no Manifesto Ágil de Beck, enquanto o segundo grupo é anterior ao Manifesto. Falso. d) Lean e Scrum não têm uma estrutura clara de papéis e responsabilidades, enquanto as demais, sim. Falso. Na verdade, somente o Lean não traz consigo uma recomendação clara de organização. e) Scrum e Lean podem ser combinados em um modelo de aplicação misto. Já a FDD, XP e DSDM, não. Entretanto, é impossível combinar metodologias do primeiro com as do segundo. Falso. As combinações das metodologias do primeiro grupo com as do segundo são possíveis. 6161 61 Balanceando Agilidade e Disciplina Autor: Carlos Lobo Objetivos • Entender o tradeoff existente entre controle e agilidade; • Analisar os riscos intrínsecos aos métodos ágeis; • Circunscrever a gestão de riscos na gestão de projetos, sob a ótica das metodologias ágeis; • Discutir como mitigar ou quando aceitar o risco dentro da realidade de negócios. 6262 1. Introdução Segundo o dicionário Oxford (2018), a palavra de língua inglesa Tradeoff indica o equilíbrio alcançado entre dois diferentes recursos desejáveis, mas ao mesmo tempo incompatíveis. À título de ilustração, na área econômica a expressão tradeoff pode indicar a troca de um ativo por outro. Ou seja, podem existir cenários onde seja muito difícil ou mesmo impossível maximizar duas variáveis dependentes, simultaneamente. Por exemplo, é sabido que a perda com alimentos perecíveis em supermercados é alta. Na área de hortifrúti, por exemplo, ela costuma ser especialmente alta. Neste caso, quanto maior for o volume total vendido, menor a perda – que não acompanha as vendas de forma linear. Por outro lado, se o supermercado reduzir o estoque de hortifrúti, poderá perder vendas e, por outro lado, a perda será muito reduzida. Na gestão de projetos existe um tradeoff evidente entre disciplina ou controle do risco, e agilidade. Como disse Aristóteles, a virtude está no meio. Ou seja, é preciso exercitar o balanceamento entre as vantagens e desvantagens – notadamente, o risco associado à falta de disciplina, das metodologias ágeis, e fazer o melhor uso delas de acordo com cada caso ou empresa. 2. Risco O termo risco é aplicado sem demérito às mais diversas áreas de atuação do homem: Medicina, Operações, Projetos, Ambiental, Lazer, etc. Aqui o foco será o risco financeiro, consequência da não entrega no prazo de um projeto em desenvolvimento. Comumente, acredita-se, empiricamente, que a gestão de risco se orienta pela total eliminação ou redução da exposição ao risco. 6363 63 Existe um senso comum de que ao limitarmos ou eliminarmos os riscos, estamos agindo corretamente. Somente esse senso comum explica as centenas de bilhões de reais aplicados em poupança no Brasil. Justificado apenas pela garantia do “risco zero”. Hoje, as empresas entendem que essa definição é uma limitação importante à sua atuação. O risco, se explorado com inteligência, é essencial ao sucesso de qualquer empresa. Ou seja, ter 100% de certeza e controle de um projeto certamente será mais custoso, eliminará qualquer flexibilidade e adaptatividade às demandas do cliente, e os benefícios alcançados podem não ser atingidos ou não há uma relação de custo/benefício atraente. Para concluir, considere a inovação. Schumpeter definiu o empresário inovador como o responsável por novos produtos para o mercado, por meio de combinações mais eficientes dos fatores de produção (SARKAR, 2010). O empreendedor, independentemente do porte da empresa em que atua, é o agente da inovação e da “destruição criativa”, esta entendida como a força propulsora não só do capitalismo como também do progresso material. Quase todos os negócios, por mais fortes que pareçam em dado momento, acabam declinando e muitas vezes desaparecendo, e quase sempre porque não foram capazes de inovar. Assim temos um tradeoff entre o lucro, de um lado, e a limitação à exposição a certos tipos de riscos, do outro. O gerenciamento dos riscos dentro de uma organização cabe à alta direção ou mesmo ao conselho de administração da mesma. No âmbito da gestão do projeto, esta gestão cabe ao líder do projeto. Independentemente do método de gestão, ágil ou convencional, o líder do projeto deve fazer a gestão do risco. 6464 2.1 Definição de Risco O risco é retratado na área financeira como sendo a variância ou o desvio em relação a uma média. Ou seja, existe um determinado resultado esperado e ocorre um desvio em relação ao mesmo. Na área de projetos o conceito de risco está associado à probabilidade de insucesso. Seja porque o prazo não foi cumprido, seja porque as funcionalidades desejadas pelo cliente não foram implementadas. De acordo com o PMI (Project Management Institute), no PMBoK (Project Management Body of Knowledge), e sabendo que neste texto a questão do risco é abordada no contexto do projeto, pode-se então falar de uma gestão de risco dentro do escopo da gestão do projeto. Nesse sentido, ainda de acordo com Vieira (2003, p. 4): Toda gestão de projeto é um gerenciamento de riscos, alegando ainda que “o gerenciamento dos riscos é o trabalho principal de uma gestão de projetos, baseado na visão em que as técnicas de gestão são também técnicas de prevenção de riscos (algumas reduzem o risco de atrasos; outras reduzem o risco de estourar o orçamento, etc.). Na prática, os gerentes devem começar a identificar os riscos associados aos projetos desde a sua fase inicial. 2.2 Gestão de Riscos no PMBoK Para se fazer uma análise adequada da gestão de riscos nos projetos dentro das metodologias ágeis, será feita uma revisão desse processo segundo o PMBoK. Na figura 1 é apresentada a relação entre riscos e o impacto destes de acordo com o ciclo de vida do produto. Note que o risco está ligado à incerteza. Ou seja, no projeto o risco está ligado ao desconhecimento, ou seja, à falta de informações sobre o projeto. 6565 65 Figura 1 | Incertezas versus Impacto do Risco no Ciclo de Vida do Produto Fonte: Adaptada de Dinsmore e Cabanis-Brewin (2006). Outras variáveis importantes para serem consideradas na mensuração do risco são o próprio cliente – e quanto ele conhece o projeto em elaboração, e o tipo de contrato firmado entre as partes –, fornecedor e cliente. Este contrato pode ser mais complexo e completo, ou mais simplista. A figura 2 ilustra o comportamento destas duas variáveis e seu impacto sobre o risco. Figura 2 | Riscos futuros envolvidos no projeto do produto Fonte: Adaptado de Kerzner (2006, p. 336). 6666 Segundo Scofano et al. (2013), a gestão de riscos busca mitigar as incertezas de projeto ao longo do ciclo de vida do projeto de forma estruturada. E esta gestão é fundamental para que as empresas desenvolvam seus projetos e implementem suas respectivas estratégias com os resultados planejados. O PMBoK (2008) aponta seis processos para o controle e mitigação de riscos: 1. Planejamento do gerenciamento de riscos; 2. Identificação de riscos; 3. Análise qualitativa de riscos; 4. Análise quantitativa de riscos; 5. Planejamento de respostas a riscos; e, 6. Monitoramento de respostas a riscos. Naturalmente, como ocorre em qualquer processo, em cada um destes processossão necessárias entradas para o seu desenvolvimento, as ferramentas e técnicas usados no processamento propriamente dito, e as saídas do mesmo. Na figura 3 é apresentada a gestão de riscos dentro deste modelo. Figura 3 | Processos da Gestão de Riscos Fonte: PMBoK (2008). 6767 67 E será usado o modelo do SIPOC para analisar as recomendações em cada um dos processos recomendados – Figura 4. Mais à frente, a relação entre gestão de riscos e o modelo SIPOC ficará mais clara. Figura 4 | SIPOC Fonte: Próprio Autor. 2.2.1 Planejar o Gerenciamento de Riscos O planejamento da gestão dos riscos deve ser realizado ainda no início do projeto do produto. Pois nesta etapa é possível alocar recursos a tempo de suportar os processos posteriores. A figura 5 mostra os principais elementos envolvidos neste processo de planejamento. Figura 5 | Planejamento do Gerenciamento de Riscos - SIPOC Fonte: Adaptada de PMBoK (2008). 6868 ASSIMILE A metodologia do PMBoK prevê duas ferramentas muito úteis na gestão dos riscos: • Estrutura Analítica do Projeto (EAP); • Estrutura Analítica dos Riscos (EAR). A EAP é a versão condensada do projeto do produto: Escopo, cronograma, Recursos e Riscos, dentre outros. Já a EAR é focada na causas-raiz do risco, classificando e definindo os riscos aos quais o projeto está exposto. Na EAR também são discutidos possíveis riscos que podem ocorrer e suas respectivas fontes. 2.2.2 Identificar os Riscos De acordo com o PMBoK (2008), neste segundo processo, determinam-se todos os possíveis riscos. Para isso a equipe é estimulada a cooperar para a identificação dos possíveis riscos. Este processo perdura por todo o projeto até a entrega final, dado que os riscos mudam ao longo do desenvolvimento. A figura 6 apresenta o SIPOC deste processo. 6969 69 Figura 6 | Identificação de Riscos - SIPOC Fonte: Adaptada de PMBoK (2008). 2.2.3 Realizar a análise qualitativa dos Riscos Segundo o PMBoK (2008), a análise qualitativa de riscos procura mensurar a chance de ocorrência de cada um dos riscos identificados e seus impactos. Assim, é possível priorizar ações de contenção de acordo com o impacto e probabilidade de cada um dos riscos. Na figura 7 é apresentado o SIPOC deste processo. 7070 Figura 7 | Análise Qualitativa dos Riscos - SIPOC Fonte: Adaptada de PMBoK (2008). 2.2.4 Realizar a análise quantitativa dos Riscos A análise quantitativa de riscos busca mensurar matematicamente os riscos para o cumprimento do projeto. Assim se focam somente os riscos com impacto substancial. Na figura 8 são apresentadas as entradas, processo e output do processo (PMBOK, 2008). 7171 71 Figura 8 | Análise Quantitativa dos Riscos - SIPOC Fonte: PMBoK (2008). PARA SABER MAIS Existe toda uma área de conhecimento voltada para mensuração de riscos. Para se aprofundar, sugere-se Scofano et al. (2013). O autor aponta três ferramentas para mensurar os riscos: 1. VME: Valor Monetário Esperado. Fundamentalmente é obtido pela multiplicação entre Probabilidade e Impacto. 2. Árvore de Decisão: Pode-se chegar ao VME através das probabilidades dos diferentes cenários, riscos e impactos previstos, usando-se uma árvore de decisão. 3. Simulação de Monte Carlo: Modelo de simulação para conversão dos riscos e incertezas, assim como impactos em potencial, no VME. 7272 2.2.5 Planejar as respostas aos Riscos Segundo Scofano et al. (2013), o resultado deste processo de preparação de respostas aos riscos, ilustrado na figura 9, deve ter a: • Identificação dos envolvidos – áreas ou indivíduos; • Responsabilidade acordada para resposta ao risco. Assim, busca-se que os riscos identificados sejam encaminhados para os responsáveis adequados. Figura 9 | Planejamento de resposta aos Riscos - SIPOC Fonte: PMBoK (2008). 2.2.6 Monitorar e Controlar os Riscos De acordo com o PMBoK (2008), neste último processo – apresentado na figura 10 - é feito o monitoramento e controle dos riscos identificados, eventuais riscos residuais e, por último, novos riscos que possam surgiram durante o projeto. Segundo Scofano et al. (2013), o ponto-chave neste processo é a comunicação, assim é necessário estabelecer reuniões para revisão. E o plano de respostas aos riscos precisa ser monitorado para se certificar da sua execução. 7373 73 Figura 10 | Monitoramento e Controle dos Riscos - SIPOC Fonte: PMBoK (2008). 3. Gestão de Riscos em Ambiente Ágil: Balanceando Agilidade e Controle Como visto na seção 2, é evidente que o Manifesto Ágil e todas as metodologias que se balizaram diretamente ou não por ele, mas hoje incluídas no mesmo conjunto, não planejam guiar-se pelos processos tradicionais de gestão de riscos como os sugeridos no PMBoK. Muito pelo contrário, estas metodologias veem no risco uma oportunidade de melhor atender o cliente final. De acordo com NYFJORD (2008), e apresentado na tabela 1, ao se colocar as metodologias ágeis ao lado dos métodos de gestão de riscos comumente utilizados, vê-se que muito pouco é utilizado nos métodos ágeis. O que pode ser considerado um exagero da gestão tradicional é quase uma ausência nos métodos ágeis. 7474 Tabela 1 | Resposta dos Métodos Ágeis à Gestão de Riscos Fonte: Adaptada de NYFJORD (2008). Ainda variando-se o nível de controle do projeto, pode-se chegar na figura 11, a seguir. Note que um projeto desenvolvido no menor tempo possível – Velocidade Máxima -, embora possa ser desejável, termina com um custo maior que o necessário. Enquanto um projeto desenvolvido com o mínimo de riscos – Certeza -, termina com um custo superior ao mínimo e tem um tempo de duração muito maior que o necessário. Ou seja, o excesso de controle acaba sendo contraproducente. Além disso, temos os estágios de controle intermediários – Flexibilidade e Vazão -, nestes existe um compromisso entre controle e flexibilidade. Assim quando se privilegia a adaptabilidade se entra no modelo Flexibilidade, cujo custo é ligeiramente maior. Quando, por outro lado, prioriza-se a entrega, termina-se no custo mínimo, com um pequeno acréscimo no tempo de desenvolvimento. 7575 75 Figura 11 | Tempo versus Custo de acordo com o controle Fonte: Elaborada pelo autor. Como apontado em diversos artigos, não existem modelos “puros” de gestão ágil, especialmente quando se trata de projetos de alto impacto e escopo complexo. Assim alguns dos processos de gestão de risco aqui apresentadas se justificam. Evidentemente que o contrário também é verdadeiro. Projetos de pequeno porte realmente podem prescindir desta gestão dado que o custo não justifica o benefício almejado. Cabe ao gestor do projeto tomar a decisão de quanto e como controlar o processo de desenvolvimento do produto nas metodologias ágeis. 4. Conclusão Como discutido ao longo desta aula, embora os métodos ágeis de desenvolvimento de projetos sejam muito valiosos e produzam muitos resultados em termos de gestão e simplificação desejados, ainda tem um gap em termos de gestão de riscos. Algumas das práticas de controle usadas no PMBoK poderiam ser adaptadas para os métodos ágeis como forma de balancear agilidade e disciplina. Até porque podem garantir custos menores de desenvolvimento. 7676 TEORIA EM PRÁTICA Uma empresa farmacêutica organiza eventos científicos para divulgação de seus produtos entre médicos convidados. Algumas vezes estes eventos são congressos de 2 ou 3 dias de duração. Em outros casos, são somente patrocínio – custo, para que um médico convidado participe de um congresso aberto onde será apresentado algum trabalho sobre um produto desta empresa farmacêutica. A empresa organiza ou participa de 300 eventos por ano a um custo de 9 Mi US$ anuais. Para isso, ela tem uma equipe dedicada para fazer a gestão destes eventos. A equipe hoje tem 7 pessoas. Mas a parte logística do evento – passagens, translados e hospedagem, é terceirizada para um operador logístico de grande porte. Os serviços de organização do espaço do evento,recursos de multimídia, serviço de alimentação e outros, também é subcontratado via empresa de logística. Essa área de eventos é responsável pela contratação e pagamento aos prestadores de serviço, embora a verba pertença à área de negócios que solicitou o evento. A lista de médicos convidados para os eventos chega através dos representantes da empresa que os visitam regularmente. A área de eventos usa um sistema específico – workflow -, para aprovar os nomes dos médicos convidados para tais eventos. Por exemplo, o médico convidado precisa atuar na área específica do congresso. O médico também não pode desempenhar nenhuma atividade junto à ANVISA. Ambos os exemplos geram problemas com a área de compliance. E isso é um problema porque tanto médicos quanto representantes eventualmente se esquecem que existe esta restrição. 7777 77 Algumas informações importantes sobre o processo como um todo • Toda comunicação e registro de informações sobre convidados e eventos é feita em “powerpoints” e circula entre os diversos atores via email. • A empresa de logística usa um sistema de TI, e a farmacêutica outro, para controle dos eventos. • Considerando-se email e sistemas de TI diferentes para controles, checagem e pagamentos que são feitos no SAP, são aproximadamente 15 sistemas de TI distintos envolvidos de alguma forma no processo. • A empresa farmacêutica tem 6 diferentes áreas de negócios demandando eventos para esta área. Os solicitantes dos eventos – os gerentes das áreas de negócio, que somam mais de 30 pessoas diferentes - costumam não dar a atenção às informações relevantes, como: existe verba para pagar o evento? Estou convidando os médicos certos? O local que estou pedindo é factível? As datas escolhidas para o evento são adequadas? Dentre outras. E focam por exemplo no cardápio, na decoração, na temperatura do ar condicionado etc. • As falhas são comuns, e apesar do esforço e orçamento, a satisfação da área de negócios com a qualidade dos eventos e dos médicos com problemas logísticos e prazos é baixíssima. Você foi contratado com consultor de metodologias ágeis para, junto com o gestor da área de eventos, desenvolver um projeto para reestruturar a área e o processo como um todo a fim de eliminar as falhas e melhorar a satisfação dos clientes internos e externos. 7878 Agora considere as seguintes questões: 1. Qual abordagem deve ser utilizada? Quais são os riscos do projeto? 2. Como desenvolver este projeto? Qual deve ser a equipe? 3. Qual é um plano mínimo de mitigação dos riscos? 4. Qual deve ser a meta deste projeto e como medi-la? 5. Como integrar matricialmente todos os envolvidos no processo de gestão de eventos? 6. Como garantir que os stakeholders do projeto sejam atendidos? 7. Como simplificar o processo sempre sacrificar as precauções com compliance? 8. Como balancear controle e padronização com agilidade na organização dos eventos? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Quais são os métodos tradicionais de gestão de risco comumente aceitos? a. Plano de gestão dos riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. 7979 79 b. Planejamento do gerenciamento de riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. c. Plano de gestão de riscos, Identificação de riscos; Análise dos riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. d. Análise preliminar dos riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. e. Análise preliminar dos riscos, Identificação de riscos; Análise de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. 2. Quando se consideram as variáveis tempo de desenvolvimento dos projetos e o custo do mesmo, o que caracteriza um projeto dito “Velocidade Máxima”? a. O desenvolvimento de um projeto em Velocidade Máxima indica executar o projeto no menor prazo possível, o que assegura entregar o projeto no menor prazo e custo. b. O desenvolvimento de projeto do produto em Velocidade Máxima indica sacrificar completamente as ações de controle para colocar todo o esforço no desenvolvimento. Isso assegura o desenvolvimento no menor prazo possível e minimiza o custo. 8080 c. O projeto desenvolvido em velocidade máxima resulta na entrega do mesmo no menor tempo possível. Sacrificam-se todos os controles de risco para focar na entrega do produto propriamente dito. Normalmente implica em custos adicionais. d. O projeto executado em velocidade máxima segue estritamente os princípios do Manifesto Ágil. O único controle relevante é a entrega do produto. Então nenhum controle é feito. Isso reduz esforços desnecessários, minimizando os custos e o tempo de desenvolvimento. e. Velocidade máxima significa colocar recursos adicionais no desenvolvimento a fim de garantir o menor prazo de execução. Normalmente isso gera algum custo adicional. 3. Considerando-se a EAP, Estrutura Analítica do Projeto, pode-se afirmar que: a. A EAP só é usada na gestão e controle tradicionais de projetos. Nos métodos ágeis não há equivalente. b. A EAP é essencialmente uma declaração de escopo, o que todos os métodos ágeis de alguma forma possuem. c. A EAP é composta do escopo do projeto e da análise dos riscos do projeto - EAR. d. Nos métodos ágeis não existe uma EAP propriamente dita, mas existe um equivalente. Entretanto, nem todos os métodos ágeis têm na EAP uma análise de riscos como esta é conhecida (EAR).. 8181 81 e. A EAP existe, em forma e conteúdo, na gestão tradicional de projetos, a EAR somente nos métodos ágeis. Referências Bibliográficas BECK, Kent et al. The agile manifesto. 2001. DINSMORE, Paul C.; CABANIS-BREWIN, Jeannette (Ed.). The AMA handbook of project management. Amacom Books, 2006. KERZNER, H. Gestão de Projetos: as melhores práticas (LB Ribeiro, Trad.). 2006. NYFJORD, Jaana. Towards integrating agile development and risk management. 2008. Tese de Doutorado. Institutionen för data-och systemvetenskap (tills m KTH). PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos - Guia PMBOK. 4. ed. Newtown Square, Pennsylvania, USA: Project Management Institute, 2008. RASMUSSON, David. SIPOC picture book: A visual guide to SIPOC/DMAIC relationship. Oriel Incorporated, 2006. SARKAR, Soumodip. Empreendedorismo e inovação. Escolar Editora, 2010. SCOFANO, C. R. F. et al. Gestão de risco em projetos: análise das etapas do PMI-PMBOK (Project Management Institute). In: XI Congresso Online de Administração. 2013. TRADEOFF. Dicionário online do Oxford. VIEIRA, Marconi. Gerenciamento de projetos de tecnologia da informação. 2. Ed. Elsevier Brasil, 2013. Gabarito Questão 1 – Resposta: B a) Plano de gestão dos riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. b) Planejamento do gerenciamento de riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de 8282 riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. c) Plano de gestão de riscos, Identificação de riscos; Análise dos riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. d) Análise preliminar dos riscos, Identificação de riscos; Análise qualitativa de riscos; Análise quantitativa de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. e) Análise preliminar dos riscos, Identificação de riscos; Análise de riscos; Planejamento de respostas a riscos; e Monitoramento de respostas a riscos. Os processos clássicos para a gestãode riscos apontados pelo PMBoK são seis: I. Planejamento do gerenciamento de riscos; II. Identificação de riscos; III. Análise qualitativa de riscos; IV. Análise quantitativa de riscos; V. Planejamento de respostas a riscos; e VI. Monitoramento de respostas a riscos. Questão 2 – Resposta: C a) O desenvolvimento de um projeto em Velocidade Máxima indica executar o projeto no menor prazo possível, o que assegura entregar o projeto no menor prazo e custo. Falso. O custo costuma ser maior. b) O desenvolvimento de projeto do produto em Velocidade Máxima indica sacrificar completamente as ações de controle para colocar todo o esforço no desenvolvimento. Isso assegura o desenvolvimento no menor prazo possível e minimiza o custo. 8383 83 Falso. O custo costuma ser maior. c) O projeto desenvolvido em velocidade máxima resulta na entrega do mesmo no menor tempo possível. Sacrificam-se todos os controles de risco para focar na entrega do produto propriamente dito. Normalmente implica em custos adicionais. Verdadeiro. d) O projeto executado em velocidade máxima segue estritamente os princípios do Manifesto Ágil. O único controle relevante é a entrega do produto. Então nenhum controle é feito. Isso reduz esforços desnecessários, minimizando os custos e o tempo de desenvolvimento. Falso. O custo se eleva. e) Velocidade máxima significa colocar recursos adicionais no desenvolvimento a fim de garantir o menor prazo de execução. Normalmente isso gera algum custo adicional. Falso. O custo aumenta, mas não obrigatoriamente por se usar recurso adicional. Questão 3 – Resposta: B a) A EAP só é usada na gestão e controle tradicionais de projetos. Nos métodos ágeis não há equivalente. Falso. Nos métodos ágeis existe alguma declaração de escopo como a EAP. b) A EAP é essencialmente uma declaração de escopo, o que todos os métodos ágeis de alguma forma possuem. Verdadeiro. c) A EAP é composta do escopo do projeto e da análise dos riscos do projeto - EAR. 8484 Falso. EAP e EAR não são documentos independentes. A EAP é feita no início do projeto e a EAR passa por todo o projeto. d) Nos métodos ágeis não existe uma EAP propriamente dita, mas existe um equivalente. Entretanto, nem todos os métodos ágeis têm na EAP uma análise de riscos, como esta é conhecida (EAR). Falso. Nenhum método ágil tem documento similar à EAR. e) A EAP existe, em forma e conteúdo, na gestão tradicional de projetos, a EAR somente nos métodos ágeis. Falso. A EAR só existe na gestão tradicional de projetos. 8585 85 Kanban aplicado aos Métodos Ágeis Autor: Carlos Lobo Objetivos • Entender o princípio por trás do Kanban; • Como funciona o Kanban como meio de controle; • Como usar o Kanban em conjunto com as metodologias ágeis; • Aplicação digital do Kanban. 8686 1. Introdução Nesta aula será abordado o uso do kanban em conjunto com as metodologias ágeis. Note que não se trata de uma metodologia em si – uma alternativa às metodologias ágeis. O kanban é uma ferramenta. E como tal, deve ser utilizada quando os problemas para os quais este se aplique estiverem presentes. E aqui, trata-se de controle. O kanban é uma excelente ferramenta de controle dos processos. Fora esta característica – o uso do kanban como mecanismo de controle –, seu uso e forma podem ser bastante amplos. Segundo Anderson (2010), na maioria das implementações do kanban foi possível se obter as seguintes melhorias no processo: • Controle visual; • Limitador do WIP (work in process); • Feedback rápido; • Política de controle explícita. Assim como o Scrum, o uso regular do Kanban é dependente da organização do time de trabalho e da liderança em estimular seu uso. 2. Kanban O termo kanban, termo japonês, indica quadro de sinalização usado para comunicação de ideias e informações. A partir da sua utilização pela Toyota, este passou a designar o sistema usado para controlar o estoque em processo, a produção ou o estoque de componentes comprados (ESPARRAGO, 1988). Embora o conceito seja muito simples, a implementação é muito diversa. Podendo ir de cartões físicos circulando entre áreas ou empresas até versões digitais dos mesmos para controlar áreas de serviços e desenvolvimento de projetos. E o campo de aplicação deixou há muito a indústria automotiva, passou pela área de serviços – até bem pouco tempo a gestão de produção de sanduíches no McDonalds era feita via kanban - e chegou à gestão de projetos. 8787 87 2.1 Princípio do Kanban Resgatando os princípios lean, mais especificamente a regra 2 diz: cada conexão cliente-fornecedor deve ser direta e deve haver uma maneira inequívoca de sim ou não para enviar solicitações e receber respostas (SPEAR e BOWEN, 1999). O kanban está ligado à 2ª regra. Esta diz respeito à comunicação. Ela especifica que a comunicação seja direta, sem intermediários entre os processos cliente e fornecedor. E fixa que esta comunicação deve ser binária – sim ou não, fez ou não fez. Assim, o maior representante desta regra é o kaban – sistema de cartões usado para comunicar a necessidade ou não de reabastecimento/ação. Na figura 1 é mostrado o tipo de comunicação buscado com a segunda regra identificada por Spear. Comunicação direta e simples. Figura 1 | Regra 2 do DNA da Toyota Fonte: Adaptada de SPEAR e BOWEN (1999). PARA SABER MAIS Para conhecer melhor o DNA da Toyota, leia o artigo de Steven Spear em: Decodificando o DNA do Sistema Toyota de Produção. Este artigo pode ser encontrado em: Referência completa: SPEAR, Steven; BOWEN, H. Kent. Decoding the DNA of the Toyota Production System. Harvard Business Review, set./out. 1999, pp. 96-106. http://apics-sgv.org/dnlds/20110622%20Toyota-%20DNA%20of%20TPS-Obara.pdf 8888 O DNA da Toyota foi publicado a primeira vez em 1999 por Steven Spear (SPEAR; BOWEN, 1999). Neste artigo, os autores buscaram apresentar o que efetivamente guiava o pensamento das pessoas na Toyota a produzir as soluções que são hoje vistas. Este modelo foi especificamente testado na área da saúde, dando origem ao que se conhece por Lean Healthcare (SPEAR e KENAGY, 2005; SPEAR, 2005). 2.2 Funcionamento do Kanban no Controle da Produção De acordo com ESPARRAGO (1988), a Toyota acabou desenvolvendo o kanban para atender os objetivos de: • Reduzir WIP; • Manter o estoque total não maior que alguns dias, ao invés de semanas; • Reduzir custos com estoque alto; • Melhorar a qualidade. Com o kanban, a Toyota pôde passar a “observar” os problemas acontecerem simplesmente retirando cartões do sistema. Isso permitiu a Toyota exercitar o sistema produtivo e tomar as contramedidas necessárias para sanar os problemas. Assim, o cartão kanban é, antes de tudo, um cartão de autorização. Ou seja, o fluxo de informação representado pelos cartões kanban autoriza a produção ou fluxo de material a prosseguir. Para ilustrar o conceito melhor, observe a figura 2. Este era o esquema básico do McDonalds quando o modelo de produção era make-to-stock – Atualmente o McDonalds opera em um assembly-to-order. Note que o atendente do caixa entrega os sanduíches a partir de um supermercado – gôndola, de sanduíches. E a gôndola funciona como um quadro kanban para a cozinha, que decide o que, quando e quanto produzir, com base nas prateleiras, mais ou menos vazias, da gôndola. 8989 89 Figura 2 | Exemplo de sistema kanban de produção nas lojas do McDonalds Fonte: Elaborado pelo autor. Ainda sobre a figura 2, pode-se dizer que o exemplo de kanban em questão é um kanban de produção. Ele autoriza a produção dos sanduíches. Somente a retirada de um destes da gôndola autoriza a cozinha a produzir para sua reposição. Para completar os exemplos de uso do kanban na área de operações, cabe comentar sobre o kanban de retirada (withdraw kanban). Como exemplo do kanban de retirada será usado o sistema de reposição de cervejas nas gôndolas de um supermercado – conforme a figura 3. Figura 3 | Exemplo de sistema kanban de retiradaem um supermercado. Fonte: Elaborada pelo autor. 9090 Os dois modelos apresentados nas figuras 2 e 3 operam segundo o gráfico apresentado na figura 4. O perfil do estoque ao longo do tempo forma o dente de serra observado no gráfico. Assim, a posição de estoque fica oscilando entre um ponto de mínimo e máximo. O kanban faz o controle visual do estoque através do disparo da reposição no momento correto. Figura 4 | Gráfico da posição de estoque e sua representação visual - kanban Fonte: Elaborada pelo autor. PARA SABER MAIS Para conhecer com maior profundidade o uso do kaban na indústria e serviços, consulte Tardin et al. (2001). Neste trabalho se explora o uso do kanban e da gestão visual do controle de processos. Assim como são demonstrados os cálculos. Referência completa: TARDIN, Gustavo Guimarães et al. O sistema puxado e o nivelamento da produção. 2001. 9191 91 Estes exemplos das figuras 2 e 3 podem ser considerados casos típicos do uso do kanban para criar sistemas de reabastecimento ou produção puxada. Na seção a seguir será feita uma discussão do sistema kanban aplicado à área de serviços. ASSIMILE Uma ferramenta importante que o controle do processo via quadro kanban possibilita é o nivelamento da produção. O conceito de nivelamento da produção, por sua vez, indica: produzir todo o mix de produtos em quantidade proporcional à demanda, no prazo correto e com o mínimo de inventário (Coleman; Vaghefi, 1994). O nivelamento da produção associado ao quadro kanban é conhecido como Heijunka box. O termo Heijunka significa “mudança no horizonte de planejamento”. Neste quadro os cartões kanban são colocados em sequência em uma régua de tempo, e assim é possível determinar quando o produto ficará pronto. 2.3 Kanban na Área de Serviços Os exemplos e conceitos e exemplos associados ao kanban podem ser transpostos para a área de serviços ou o desenvolvimento de projetos – área de atuação das metodologias ágeis. Deste modo, o controle visual proporcionado pelo kanban suporta de modo bastante complementar as metodologias ágeis. Note que a aplicação tradicional do kanban foi desenvolvida para produtos padronizados e representam a quantidade de um determinado item. Quando se utiliza o kanban na gestão de projetos não se estará controlando a entrega de de uma dada quantidade de itens iguais. 9292 O kanban na gestão de projetos é usado para indicar a entrega de uma dada quantidade de trabalho. Esta quantidade de trabalho representada por um cartão kanban deve ter uma representação física forte. Na fábrica ou na logística esta representação física é dada pela unidade de armazenamento – caixa, embalagem ou outro qualquer. Quando se associa o kanban às metodologias ágeis, este deve ser utilizado para representar os subconjuntos ou itens que as próprias metodologias usam para fazer a gestão do projeto através de entregas incrementais e plenamente funcionais. 2.4 CONWIP CONWIP é a abreviação para a expressão “Constant Work-In-Process”. Ou seja, é um sistema desenhado para manter a quantidade de trabalho em processo constante. Em qualquer sistema onde o fluxo de trabalho seja volumoso e a variedade alta, ou seja, muitos projetos distintos simultaneamente, o COMWIP evita filas de espera ao longo processo excessivamente altas. A figura 6, a seguir, ilustra conceitualmente o CONWIP. Ao invés de controlar o fluxo de trabalho em cada etapa, como no Kanban, o CONWIP usa um único ponto do fluxo de trabalho para controlar a vazão. Este ponto pode ser a saída do processo ou a atividade gargalo do fluxo. O sistema empurrado, como já comentado, guia-se exclusivamente pela ocupação do próprio recurso, sem se orientar pelo sistema como um todo. 9393 93 Figura 6 | Sistemas de Controle de Fluxo: Kanban, CONWIP e Empurrado Fonte: Elaborada pelo autor. O controle visual baseado no conceito CONWIP apresenta uma possibilidade para o controle visual do estoque em processo em dada área. Com ele é possível monitorar e limitar o estoque em processo (WIP). De outro modo, pode-se observar como a quantidade de cartões kanban no quadro de controle servem para controlar o total de estoque – ou trabalho em processo (CONWIP). Este quadro também funciona como uma heijunka, dado que mostra o sequenciamento do trabalho. 2.5 Controles Visuais Os controles visuais foram desenvolvidos com o objetivo de compartilhar o status do processo junto a todos os envolvidos. Ou seja, o controle visual tem o objetivo de monitorar um determinado processo, com recursos gráficos de visualização facilitada. Nesse sentido, o termo “gestão visual” está aplicado de forma equivocada, dado que gestão implica em tomar ações, governar, Kanban Puxado CONWIP Puxado Empurrado 9494 dirigir ou administrar. Ou seja, a gestão é uma atividade muito mais ampla e complexa. Mas, evidentemente, a gestão faz uso dos controles visuais para tal. Comumente o quadro kanban aplicado ao desenvolvimento de projetos refere-se a um time específico de projeto. E todos os quadros têm alguns elementos mínimos comuns: • O fluxo do processo, usualmente representado por diferentes colunas do quadro; • Itens em desenvolvimento – são os cartões que circulam pelo processo/quadro e representam itens, requisitos em desenvolvimento, subconjuntos, features ou outro elemento que tenha sentido físico; • O modelo de gestão puxada – os responsáveis por realizar as atividades, puxam o próximo item do quadro ao terminarem o precedente. O sistema é autogerido e o status do projeto é visível para todo o time. E os benefícios usuais buscados com os controles visuais são: • Melhora a comunicação dentre os membros do time de projeto; • Dá foco para o time de projeto; • Ajuda a identificar desperdícios e gargalos; • Garante o controle do processo. A figura 8 apresenta um exemplo de quadro kanban de uma área de desenvolvimento de projetos de engenharia. Este quadro permite a visualização direta do status de todos os projetos em desenvolvimento. Além disso, também se controla a quantidade de trabalho em processo. O quadro representa o trabalho de um único engenheiro da área. Cada projetista da área tem seu próprio quadro de gestão. Existem dois tipos de quadros de controle visual: o físico – ou off-line, e o quadro digital – ou on-line. Não existe uma recomendação sobre qual 9595 95 usar. Esta decisão depende das condições. Quadros físicos são mais fáceis de desenhar e testar. A implementação pode ser muito rápida. Isso estimula a comunicação dentro do time. E mesmo atualmente, quando todos estão familiarizados com as ferramentas digitais, o quadro e cartão físico estimula o sentido de propriedade e responsabilidade pelo processo. Uma desvantagem é a dificuldade em manter o histórico do ocorrido e sua atualização ser manual. Outra dificuldade, bem maior, é como usar o quadro físico quando a equipe de projeto não está no mesmo local de trabalho. Isso praticamente inviabiliza seu uso. Já o controle visual via aplicação web – feito em tempo real, é cada vez mais robusto, intuitivo e muito produtivo. Uma vantagem importante é estar disponível em qualquer lugar, a qualquer momento. Um ponto forte dos sistemas kanban online possibilidade a coleta de dados sobre o processo, o que pode ser de muita ajuda na identificação de gargalos, tempo de processo, e lead time, dentre outros. 3. Controles Visuais Digitais Neste estágio se busca apresentar algumas soluções para implementação de quadros kanban digitais (on-line). O objetivo aqui não foi ser extensivo ou conclusivo. Apenas foram relacionados os mais comumente utilizados. Também se buscou relacionar soluções web que funcionem gratuitamente. Por isso foram selecionados o Trello e o Asana. O primeiro sistema de controle visual é o Trello, um dos sistemas mais utilizados atualmente. A confiabilidade do sistema é alta e existem diversos plug-ins que permitem customizar os quadros e desenvolver aplicaçõespersonalizadas. A figura 9 traz um exemplo dele. 9696 Figura 9 | Exemplo de quadro Kanban usando o Trello Fonte: www.trello.com. Outro sistema muito robusto e simples de ser usado é o Asana. Ele tem um sistema de gestão de projetos que permite a visualização em gráfico de Gantt, por exemplo. Vide a figura 10. Figura 10 | Quadro kanban feito no Asana Fonte: www.asana.com. 9797 97 4. Kanban como suporte para as metodologias ágeis Ao longo de toda esta aula foi explorado como kanban e metodologias ágeis podem se integrar. Em resumo, pode-se apontar algumas práticas relevantes que se buscam ao integrar kanban e metodologias ágeis (JYOTHI e RAO, 2012): 1. A ideia de limitar o trabalho em andamento (WIP) e a importância dada ao fluxo ao do processo; 2. O Product Owner precisa decidir a cadência de trabalho e assim regular os itens que entram em desenvolvimento ou devem aguardar. Esse controle é feito diretamente no quadro kanban; 3. Reuniões em pé, junto ao quadro kanban e envolvendo líder e time, realizadas uma vez por semana para planejamento das estórias ou entregas incrementais; 4. O quadro kanban pode ser usado pelo time, ao invés dos quadros com as estórias das metodologias ágeis onde ficam os itens em desenvolvimento. 5. Conclusão Como discutido ao longo desta aula, o uso do kanban – digital ou não, como sistema de controle no desenvolvimento de projetos pode ser útil, pois: 1. Possibilita um melhor controle do processo de desenvolvimento – limitando o WIP e estimulando o fluxo do processo. 2. Estimula a melhoria do processo – pois torna o fluxo visível e estimula o kaizen. 9898 Entretanto, dado a flexibilidade do kanban, é importante customizar sua aplicação para efetivamente maximizar todos os benefícios possíveis. TEORIA EM PRÁTICA O mercado de fidelidade voltado para a retenção dos clientes deixou de ser restrito às companhias áreas. Hoje estes programas de fidelidade buscam ser um incentivo para recompensar os seus clientes e encorajar a repetição de negócios. Com o intuito de reforçar a fidelidade, estes programas têm crescido muito. Focando neste setor, foi criada uma startup chamada Fidelity. Seu objetivo é atuar no setor do varejo alimentar, embora a Fidelity não atue diretamente no setor. A proposta é reunir dentro do mesmo programa de fidelidade diferentes redes pequenas e médias de supermercados. E poder oferecer para os usuários benefícios em todas as empresas associadas, não se limitando a uma única rede de supermercados, como seria o normal. Isso é bom para o consumidor, que tem acesso a uma rede maior, com maiores oportunidades, e excelente para o supermercadista, que dá acesso a benefícios para seus clientes que não poderiam ser ofertados. Por fim, a Fidelity oferece para as redes de supermercados associadas ao programa, dados e análises bastante completas sobre o comportamento do seu cliente regular. Isso possibilita o lançamento de promoções e outras estratégias de marketing mais bem direcionadas. Recentemente a Fidelity tem enfrentado alguns problemas: 9999 99 • Supermercados associados instatisfeitos com o baixo volume de sugestões de marketing oferecidos pela Fidelity. Além disso, eles também consideram o tempo para fornecimento destas informações muito elevado. Devido ao lead time elevado, só é possível fazer uma campanha de marketing por mês. • Os consumidores têm recebido ofertas sem sentido para eles. Por exemplo, produtos femininos ofertados para homens, dentre outros problemas. • Internamente, a Fidelity tem crescido rapidamente em pessoas, mas isso não tem se refletido em um atendimento melhor. É comum ver a equipe trabalhando muitas horas depois do dia de trabalho para tirar o atraso nas campanhas. Mesmo datas especiais, como dia das mães e Black Friday, geram confusão e atraso. A empresa, além das áreas de suporte comumente usadas, como RH e Financeiro, tem três áreas críticas: Data Mining, Comercial e Marketing. As áreas ficam fisicamente separadas, até porque a forma de trabalho destas áreas é bastante díspar. Data mining precisa de silêncio para produzir as análises. Marketing promove várias discussões em grupo para estimular a criatividade e sinergia. E o comercial é a confusão comum em toda área comercial. No intuito de sanar estes problemas, que a empresa considera naturais dado o acelerado crescimento, você, analista de RH, foi encarregado de implementar uma metodologia ágil e controle visual via kanban. 100100 Agora considere as seguintes questões que você precisará responder ao preparar junto com o gerente da área de eventos para este projeto: 1. Como envolver áreas tão diferentes em um projeto? Essa união deve perdurar ou só existirá durante o projeto? 2. Qual abordagem deve ser utilizada? Quais são os riscos do projeto? 3. Como desenvolver este projeto? Qual deve ser a equipe? 4. Qual deve ser a meta deste projeto e como medi-la? 5. Como integrar matricialmente todos os envolvidos no processo de gestão de eventos? 6. Como garantir que os stakeholders do projeto serão atendidos? 7. Qual deve ser o croqui do quadro kanban para gerir a futura operação? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. O uso do kanban reforça as práticas ágeis na medida em que: a. Ajuda na visualização dos itens em desenvolvimento e destes em relação aos demais – priorizando os mais importantes ou críticos. 101101 101 b. Garante o balanceamento do volume de trabalho para os times de desenvolvimento, evitando sobrecarga ou ociosidade pontual. c. Especialmente útil para fazer o nivelamento da demanda. d. A principal aplicação do kanban é funcionar como um controle de pendência (to do list). e. O controle visual proporcionado pelo kanban só se aplica no desenvolvimento de projetos quando usado em conjunto com o Scrum. 2. A análise quantitativa dos dados do funcionamento do sistema kanban oferecem informações sobre: a. Os tempos de processamento, lead time e ajuda na remoção de gargalos. b. A eficiência do processo, monitorando-a e aumenta-a. c. A expectativa para o término ou execução de atividades ou itens específicos. d. O kanban permite o controle do estoque em processo (work-in-process), os tempos de espera ao longo de todo o processo e a maximização da utilização do gargalo. e. Todas as alternativas anteriores. 3. Quando se trata do kanban on-line, pode-se apontar como benefícios relevantes para a gestão de documentos: 102102 a. A facilidade de se anexar documentos com os dados do projeto ao cartão kanban. b. Estabelecer times de projeto. c. Convidar qualquer indivíduo para participar do projeto. d. Compartilhar e colaborar nas atividades pendentes em desenvolvimento. e. Todas as alternativas anteriores. Referências Bibliográficas ANDERSON, David J. Kanban: successful evolutionary change for your technology business. Blue Hole Press, 2010. Coleman, B. Jay, and M. Reza Vaghefi. “Heijunka (?): A key to the Toyota production system.” Production and inventory management jornal, v. 35, n. 4 (1994): 31. ESPARRAGO JR, Romeo A. Kanban. Production and Inventory Management Journal, v. 29, n. 1, p. 6, 1988. JYOTHI, Veerapaneni Esther; RAO, K. Nageswara. Effective implementation of agile practices-incoordination with lean Kanban. International Journal on Computer Science and Engineering, v. 4, n. 1, p. 87, 2012. SPEAR, Steven J. Fixing health care from the inside, today. Harvard business review, v. 83, n. 9, p. 78, 2005. SPEAR, Steven; BOWEN, H. Kent. Decodificando o DNA do Sistema Toyota de Produção. Harvard Business Review, p. 97-106, 1999. SPEAR, Steven J.; KENAGY, John. Deaconess-Glover Hospital (C). Harvard Business School, 2005. TARDIN, Gustavo Guimarães et al. O sistema puxado e o nivelamento da produção. 2001. 103103 103 Gabarito Questão 1 – Resposta: A a) Ajuda na visualização dos itens em desenvolvimento e destes em relação aos demais, priorizando os mais importantes ou críticos. Verdadeiro.b) Garante o balanceamento do volume de trabalho para os times de desenvolvimento, evitando sobrecarga ou ociosidade pontual. Parcialmente correto. Somente quando o kanban é usado com o heijunka, este ajuda a prever e identificar sobrecargas pontuais. c) Especialmente útil para fazer o chamado nivelamento da demanda. Somente quando o kanban é usado em conjunto com o quadro heijunka, é possível fazer o nivelamento da demanda. d) A principal aplicação do kanban é funcionar como um controle de pendência (to do list). Embora seja verdadeira, a aplicação do kanban traz muitos outros benefícios mais importantes. e) O controle visual proporcionado pelo kanban só se aplica no desenvolvimento de projetos quando usado em conjunto com o Scrum. Falso. Praticamente todas as metodologias ágeis comportam e se beneficiam do kanban. Questão 2 – Resposta: C a) Os tempos de processamento, lead time e ajuda na remoção de gargalos. 104104 Falso. O uso do quadro kanban ajuda na identificação dos tempos de processo e do lead time, mas não ajuda na remoção do gargalo – salvo que o identifica. b) A eficiência do processo, monitorando-a e aumenta-a. Falso. O controle via kanban promove um excelente sistema de monitoramento, mas não contribui diretamente para aumentar a eficiência dos processos. c) A expectativa para o término ou execução de atividades ou itens específicos. Verdadeiro. d) O kanban permite o controle do estoque em processo (work- in-process), os tempos de espera ao longo de todo o processo e a maximização da utilização do gargalo. O sistema kanban não contribui diretamente para aumentar a utilização do recurso gargalo do processo. e) Todas as alternativas anteriores. Falso. Questão 3 – Resposta: A a) A facilidade de se anexar documentos com os dados do projeto ao cartão kanban. Verdadeiro. b) Estabelecer times de projeto. Falso. Não tem relevância para a documentação do projeto, embora importante para a gestão do projeto. c) Convidar qualquer indivíduo para participar do projeto. Falso. Não tem relevância para a documentação do projeto, embora importante para a gestão do projeto. 105105 105 d) Compartilhar e colaborar nas atividades pendentes em desenvolvimento. Falso. Não tem relevância para a documentação do projeto, embora importante para a gestão do projeto. e) Todas as alternativas anteriores. Falso. 106106 Pessoas: Empoderamento e Energização Autor: Carlos Lobo Objetivos • Discutir a relevância das pessoas em qualquer projeto; • Meios para motivar e gerir equipes de projeto; • Relembrar a ideia de liderança; • Exemplificar formas de organização e gestão de times de projeto. 107107 107 1. Introdução Independente da metodologia ágil, ou mesmo do controle visual usado na gestão do projeto, fica muito claro no Manifesto Ágil (BECK, 2001) que as pessoas são elemento crítico nestas novas abordagens de gestão. Note que na declaração de intenções do Manifesto Ágil está explícita a preferência pelos indivíduos e as interações dentre eles, em detrimento de uma documentação mais robusta. Quando se trata de metodologia ágil, a consequência direta da necessidade de rapidez e adaptabilidade a um mundo cada vez mais turbulento e disruptivo é precisar de pessoas e empresas responsivas. (COCKBURN e HIGHSMITH, 2001). Assim, o fator humano no contexto das metodologias ágeis não é secundário. Um indivíduo responsivo indica uma pessoa com uma postura proativa para tomar para si e solucionar um problema. Nesta aula serão abordados dois pontos críticos deste cenário: como organizar os times de trabalho de forma a garantir-lhes autonomia e motivação; e segundo o papel crítico desempenhado pela liderança. 2. Visão do Indivíduo na Organização Neste tópico será discutida a organização do trabalho, tema com mais de 100 anos de pesquisas, já que na indústria esta questão mereceu grande atenção desde os tempos de Ford. De outro modo, será discutida a motivação de equipes e indivíduos e, por outro lado, o papel desempenhado pela liderança. O estilo de liderança também não tem uma formulação única, mas será elencado nas discussões aqui empreendidas. Alguns indicativos da relevância do indivíduo dentro da organização são os modelos que existem. O primeiro deles é o Toyota Way de Liker (2005). 108108 Conforme apresentado na figura 1, Liker propôs o modelo dos 4Ps: Filosofia, Processo, Pessoas e Parceiros, e, por fim, Solução de Problemas. A maior inovação trazida pelo modelo dos 4Ps foi sair da visão baseada em processo, trazendo 3 novas perspectivas: filosofia de longo prazo, pessoas e parceiros, e, também, a solução de problemas. Figura 1 | Modelo dos 4Ps Fonte: LIKER (2005). Note que este modelo é na verdade uma estratégia completa de produção. Esta estratégia baseia-se em uma filosofia de orientar as decisões de gestão em uma visão de longo prazo, através das pessoas. Nessa estratégia, o lean busca desenvolver pessoas e fornecedores com uma visão de longo prazo, fugindo das decisões de curto prazo normalmente baseadas somente no custo. Outro modelo, voltado para implementação eficaz de estratégias de negócio, é discutido no livro “Execução” (BOSSIDY; CHARAN, 2007). Neste livro, os autores discutem o que todas as empresas acabam tendo em comum: Estratégia, Pessoas e Operações. Entretanto, só algumas 109109 109 conseguem implementar no prazo e de forma eficaz a sua Estratégia. Dado que o projeto de Operações é basicamente conhecido, recai sobre as Pessoas o destino da implementação da estratégia, e normalmente o sucesso ou insucesso da companhia. A figura 2 apresenta este modelo. Note que o modelo é tridimensional, ou seja, explicita como os processos relacionados às pessoas suportam a integração entre Estratégia e Operações. Depois, como a Estratégia promove a integração entre Pessoas e Operações, e, por último, como Operações promove a ligação entre Pessoas e Estratégia. Na figura 2, dado o foco nos indivíduos, limitou-se a apresentação dos processos relacionados às Pessoas. Figura 2 | Modelo Estratégico Fonte: BOSSIDY e CHARAN (2007). Bossidy e Charam ainda advogam que cabe ao líder, e a mais ninguém, colocar as pessoas certas em cada uma das funções e lideranças locais. Apontam ainda que isso não ocorre normalmente por: • Falta de conhecimento: Os líderes podem não conhecer suficientemente os líderes nomeados por eles para os projetos; 110110 • Falta de coragem: Os líderes podem não ter a coragem de separar os indivíduos com alto desempenho dos pouco eficazes e tomar as devidas ações. • Buscam conforto psicológico: Os líderes podem escolher somente indivíduos com os quais eles fiquem confortáveis – psicologicamente. Ao invés dos mais capacitados para o objetivo desejado. Aqui, buscou-se reforçar a relevância dos indivíduos nas organizações, independentemente das metodologias ágeis. Embora o lean na visão do Toyota Way também seja uma metodologia ágil. 3. Organização do Trabalho Neste tópico será discutida a motivação de equipes e indivíduos. E por outro lado, o papel desempenhado pela liderança. O estilo de liderança também não tem uma formulação única, pois depende da situação. 3.1 Motivação e organização de times No dicionário, “Motivação” significa: ato ou efeito de motivar, de despertar o interesse por algo. [Psicologia] Reunião das razões pelas quais alguém age de certa forma; processo que dá origem a uma ação consciente. Por muito tempo se tem pesquisado o que motivaria as pessoas a serem mais produtivas. Muitos modelos foram desenvolvidos, mas ainda não existe um consenso sobre um modelo geral aplicável em diferentes cenários. De qualquer modo, existe consenso de que os fatores que influenciam a motivação do indivíduo podem ser divididos em intrínsecos e extrínsecos. Fatores intrínsecos são aqueles resultantes da própria atividade profissional: as metas e aspirações do indivíduo. Ou seja, satisfação 111111 111 com o trabalho realizado,possibilidade de crescimento, relações sociais, razões espirituais etc. Já os fatores extrínsecos são aqueles que dependem do ambiente, ou as necessidades básicas do ser humano: salário, espaço de trabalho, responsabilidade etc. A pirâmide de Maslow – apresentada na figura 3, descreve o comportamento do ser humano frente ao que o motiva. Figura 3 | A Pirâmide de Maslow Fonte: Adaptada de MACLEOD (2007). Pessoas Um time de trabalho pode parecer com um grupo ágil, sem sê-lo. A diferença, à primeira vista, pode ser tênue. É difícil para um time ágil funcionar dentro de uma organização mais rígida, assim como um time rígido funcionaria mal em uma organização ágil. No projeto ágil típico coexistem diferentes stakeholders: 112112 • Gerente executivos e de negócios; • Líder de projeto; • Equipe de projeto; • Cliente final; • Dentre outros. Time Como visto do Manifesto Ágil, o projeto baseia-se fortemente na colaboração e comunicação. Assim, o time é fundamental para o bom desempenho e entrega do projeto. A falta de empatia com o cliente, ou membros do time que não consigam trabalhar juntos, podem comprometer o resultado final do projeto, dado que afetam o ambiente de colaboração. A química do time e o turnover são dois fatores importantes a serem considerados em times ágeis. Dado que as metodologias ágeis não priorizam a documentação, a alta rotatividade de pessoal pode levar à perda de conhecimento crítico para o projeto. Embora seja possível promover uma rotação da equipe por todas as atividades em desenvolvimento ou áreas, a perda de um indivíduo importante pode ser catastrófica. Este é, sem dúvida, um risco a ser avaliado e controlado pelo gestor do projeto. A XP – por exemplo, reconhece a necessidade de reter o conhecimento desenvolvido ao reter os indivíduos. Os times ágeis normalmente são autogerenciados e trabalham em intensa colaboração, como prega o Manifesto Ágil, como elementos de dentro e fora da própria organização. Times autogeridos não significa não ter um líder, e estes podem ser formados e desfeitos em diferentes configurações, muitas vezes, de acordo com os objetivos Exemplos O Spotify é um aplicativo de streaming oriundo da Suécia. A empresa possui 1.500 funcionários, todos dedicados ao produto – único, 113113 113 da empresa. E grande parte destes funcionários participa do desenvolvimento e aperfeiçoamento do produto. Para se organizar, o Spotify dividiu suas equipes em unidades muito pequenas. Cada unidade cuida de determinada funcionalidade do seu aplicativo, possuindo um PO (Product Owner) próprio, que é o responsável por alimentar as equipes com as histórias dos usuários que deverão ser desenvolvidas. Cada Squad possui autonomia por escolher, desenvolver e implantar em produção alterações no software. As Squads no Spotify são agrupadas em tribos, que são áreas de negócio, por exemplo, para o aplicativo mobile existe uma tribo de mobile, formada por diversas Squads, que possuem domínio sobre determinada função do app. Cada tribo possui um líder de tribo, esse líder é responsável por garantir o ambiente propício para existência das Squads e promover a devida interação entre elas, podendo estipular encontros periódicos para que possam compartilhar trabalho e experiências. A figura 4 apresenta o modelo implementado. Figura 4 | Exemplo de Organização de Times na Spotify Fonte: Adaptada de KNIBERG e IVARSSON (2012). 114114 Para fomentar o compartilhamento de ideias, tecnologias e inovação, o Spotify criou os Chapters. Estes são formados por profissionais com o mesmo escopo de trabalho, por exemplo, desenvolvedores que estejam em uma mesma tribo, mas em Squads diferentes. Podem possuir reuniões periódicas ou fóruns para compartilhar dúvidas e soluções de problemas. Por fim, as Guilds. Elas são formadas por pessoas-chave que estejam espalhadas entre as tribes e squads. Esses grupos possuem um coordenador próprio. Naturalmente, pode-se observar que este modelo é uma variação da organização matricial. O lean, oriundo da Toyota, tem seu próprio modelo de organização do trabalho. Ele se baseia em times de trabalho capitaneados por um líder. Veja o modelo na figura 5. Figura 5 | Organização em Times de Trabalho de acordo com o Lean Fonte: Elaborada pelo autor. Embora o modelo lean de organização abdique em certo grau da autonomia dos times de trabalho, é a existência destes que garantem produtividade, qualidade e prazo. Os líderes de time de grupo no Lean têm a responsabilidade de realizar as entregas nos prazos pré- estabelecidos, mas não a autoridade sobre os membros do time. Ou 115115 115 seja, eles são responsáveis por entregar a produtividade esperada, mas sem ascendência hierárquica sobre o time. Na Toyota, a proporção é de, em média, 1 líder para cada grupo de 4 indivíduos. Em outras empresas, onde o ritmo de produção é mais lento, esta proporção costuma ser maior, chegando a 7 ou 8 indivíduos por time. Acima desta quantidade, o efeito positivo sobre a produtividade do time começa a decair. Embora estes exemplos não sejam exaustivos quanto às possibilidades de organização do trabalho em times, cabe apresentar um terceiro modelo, conforme apresentado na figura 6. Figura 6 | Organização de Times em Projetos Complexos Fonte: Elaborada pelo autor. Pense em um projeto grande e complexo, com o envolvimento de dezenas de pessoas e vários requisitos funcionais razoavelmente independentes. Este modelo, desdobramento de uma organização 116116 matricial, pode ser útil. Os projetistas respondem verticalmente para suas estruturas hierárquicas de onde são oriundos. Entretanto, durante o projeto, estes são alocados para times de projeto responsáveis por algum subconjunto do projeto. Uma vez que o projeto do subconjunto seja entregue, o time se desfaz e os indivíduos podem ser realocados para outros times, com outros objetivos. ASSIMILE Não existe uma estrutura organizacional única e que se aplique em qualquer empresa e em qualquer ambiente. Mesmo empresas que adotem estruturas não convencionais, podem fazê-lo pontualmente e usando soluções combinadas de estrutura. A maioria, embora não todas, das formas de organização são derivadas da organização matricial na sua forma original. A estrutura matricial é a mistura, forte ou fraca, das estruturas convencionais funcional e por projetos. 3.2 Liderança Naturalmente, para que os times de trabalho funcionem da maneira esperada, depende-se sobremaneira da liderança. Depende do líder, no método ágil, dar foco nos fatores humanos do projeto em desenvolvimento: parceria, talento, habilidade e comunicação. Estes atributos são a preocupação básica de qualquer time ágil de trabalho. O desenvolvimento das habilidades individuais é importante, assim cada 117117 117 indivíduo poderá entregar mais valor, de maneira sinérgica, à equipe, com o passar do tempo. Segundo CORAM e BOHNER (2005), o DSDM - Dynamic System Development Model, por exemplo, aponta as diferenças entre gerentes tradicionais de projetos e os gerentes ágeis. Uma destas é: O gestor de projetos tradicional normalmente irá focar em garantir um contrato detalhado com os clientes sobre a totalidade do sistema a ser entregue, com os custos e cronogramas. No projeto com a DSDM, o gerente de projeto está focado em estabelecer uma relação colaborativa com os clientes. Ainda segundo CORAM e BOHNER (2005), o líder de projeto tem duas funções-chave: gerenciar o projeto e liderar o time. E segundo, os métodos ágeis, os desafios em ambas as funções, são completamente distintos dos métodos convencionais. Times ágeis de trabalho contam com pessoal experiente e normalmente são responsáveis por grandes desafios. Assim, um líder do estilo coach ou mentor é mais efetivo. Assim, a liderança se dá basicamente pela colaboração ao invés do comando e controle. Isso representa uma mudança cultural, dado que este tipo de líder deve compartilharalgumas decisões. Veja a figura 7 sobre os tipos de liderança possíveis. 118118 Figura 7 | Liderança Situacional Fonte: Adaptada de Hersey & Blanchard (1986). Além das funções do líder serem distintas, os líderes de projeto devem ser muito mais envolvidos com o projeto que nos métodos convencionais. No SCRUM, o gerente de projeto se reúne com o time diariamente. Como visto anteriormente, reuniões curtas e frequentes com o time são o usual no time ágil. E os gerentes também têm de se envolver mais com a colaboração com o cliente, ao invés de focar em definir entregáveis e contratos. 119119 119 PARA SABER MAIS Para conhecer melhor as funções desempenhadas pelo líder lean na Toyota, veja: O Modelo Toyota de Liderança Lean: Como conquistar e manter a excelência pelo desenvolvimento de lideranças (LIKER e CONVIS, 2013). Neste livro, os autores defendem a ideia de que uma das razões para o sucesso da Toyota está na capacidade dos seus líderes conhecerem profundamente as atividades e o trabalho em desenvolvimento. E por outro lado, sua capacidade de desenvolver, treinar e liderar pessoas. O próprio conceito de learning organisation baseia-se no líder da Toyota. Ainda segundo LIKER e CONVIS (2013), existem seis características importantes que este líder precisa ter: I. Disposição e desejo de liderar; II. Conhecimento do trabalho; III. Responsabilidade pelo trabalho; IV. Habilidade para a melhoria contínua; V. Habilidade de liderança; VI. Habilidade de ensinar. 4. Conclusão Nesta seção foram discutidos três elementos fundamentais que são muito impactados pelos métodos ágeis: 120120 I. Pessoas; II. Estrutura Organizacional; e III. Liderança. Note que o comportamento e talentos esperados das pessoas são distintos. O envolvimento e comprometimento esperados são maiores. A motivação para estas é maior, embora a responsabilidade também o seja. Nesse sentido, o método ágil promove a comunicação e interações constantes. O indivíduo deve estar apto para isso. Concomitantemente, a organização do trabalho também é distinta. As formas tradicionais de organização – funcional e projetizada - não funcionam. A unidade fundamental da organização passou a ser o time de trabalho, mesmo que este se forme e desfaça muitas vezes ao longo do tempo, de acordo com as necessidades. O ambiente de mudança constante pode não ser confortável para qualquer indivíduo. Por fim, o papel-chave desempenhado pela liderança. O líder deve comandar menos e operar muito mais como um mentor. Ele tem muito mais responsabilidade e muito menos postura autoritária ou centralizadora, mesmo porque muitos times são autogeridos. Na verdade, se o líder não for capaz ou mesmo não almejar esta liderança, usar um método ágil de gestão pode não ser apropriado. TEORIA EM PRÁTICA A Schédio, palavra grega para indicar desenho, é uma startup da área de design industrial. Ela atende empresas de diferentes ramos e áreas. Desde a indústria de computadores com projetos de teclados, mouses e fones de ouvido para uso profissional, passando por utensílios domésticos como lavadoras e fogões de última geração, e chegando a veículos automotores de duas e quatro rodas. 121121 121 A Schédio tipicamente nasceu da experiência e talento do seu fundador, que começou como o projetista principal da empresa, e se expandiu muito. Atualmente são quase duas centenas de projetistas. Como em muitas outras startups, o talento em projetos do fundador não foi acompanhado do talento para a gestão operacional. Incialmente, para fazer frente às demandas tão diversas, a equipe se organizou pelos segmentos dos clientes: Automotivo, linha branca, hardware, dentre outros. Essa ideia foi boa, trouxe algum benefício da especialização, embora tenha gerado alguns momentos de ociosidade em algumas equipes. Isso não foi um problema muito grande porque o cliente paga por essa ociosidade quando é atendido por uma equipe de talento e especializada em sua área de negócios. Para fazer frente às necessidades de organização, os líderes de área mais experientes tornaram-se naturalmente os supervisores das áreas de projeto. Algumas áreas de suporte também foram se formando e crescendo de acordo com a demanda: RH, Finanças, etc. Algumas áreas cresceram demais e entre supervisores e projetistas foi necessário colocar um coordenador. Isso aconteceu quando o trabalho administrativo da área se tornou tão grande que o supervisor praticamente deixou suas atividades de projeto. Além disso, os supervisores começaram a proteger seus projetistas e, mesmo quando ociosos, recusavam-se a cedê-los para outras áreas com receio de não os receber de volta no futuro. Isso cria algum ressentimento entre os supervisores. 122122 Recentemente, a Schédio tem sofrido com a concorrência de outras empresas menores que estão ganhando alguns clientes antigos dela: • Alguns clientes gostam dos projetos entregues pela Schédio. A qualidade não costuma ser uma queixa frequente. Entretanto, custo elevado e prazo longo, poucas vezes cumprido, levam os clientes quase ao desespero. • O tempo total desde a colocação do pedido por um cliente até sua entrega e aprovação final pode durar desde um mês até vários meses em projetos mais complexos. • Nem sempre o melhor projetista, o mais experiente, tornava-se um líder eficaz. Isso é especialmente ruim, pois a empresa perdia um projetista experiente e ganhava um supervisor deficiente. E uma vez feita a mudança, as possibilidades de solução são muito limitadas. • As mudanças de escopo do projeto, mesmo depois da contratação ou mesmo próximo da entrega final, têm sido uma tendência crescente e a Shédio ainda não sabe como tratar esta questão. Atender o cliente ou mostrar o contrato assinado? Neste cenário, você foi contratado para estudar, propor e implementar uma metodologia ágil que permita a Schédio se adaptar a estas dificuldades e manter-se à frente da concorrência. Agora considere as seguintes questões que você precisará responder ao preparar uma proposta para a Schédio. 123123 123 1. Qual deve ser a estrutura organizacional futura? Esta deve ser perene ou mutável no tempo? Como alocar as áreas de suporte para melhorar o serviço? 2. O melhor modo de organização é o baseado na área de atuação dos clientes? 3. Como romper as fronteiras das áreas que algumas vezes são tratadas como ilhas independentes? 4. O sucesso de um time de projeto é só dele ou da empresa? 5. Como escolher o líder para um projeto específico? A liderança deve ser permanente ou baseada no projeto em desenvolvimento e na expertise de cada projetista? 6. Como atuar para ser mais flexível no atendimento ao cliente e garantir custos e principalmente, prazos reduzidos? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. São exemplos de organização de times de trabalho inspirados na organização matricial: a. Times de trabalho no Lean e Guilds, Chapters e Tribes. b. Guilds, Chapters e Tribes como na Spotify, e modelo de organização de times baseados em subconjuntos ou funcionalidades do produto final. 124124 c. Somente no modelo da Spotify - Guilds, Chapters e Tribes. d. Somente no modelo de times do Lean. e. Nos modelos de times baseados em subconjuntos, ou em times semiautônomos como no Lean. 2. As maiores responsabilidades do líder de time no método ágil é: a. Apontar as atividades de cada membro e responsabilizar-se pela produtividade. b. Responsabilizar-se pela produtividade e fomentar o crescimento de cada indivíduo do time. c. Monitorar e controlar tempos e prazos, assim como controlar a produtividade individual de cada membro do time. d. Fomentar a colaboração dentre os membros do time e distribuir o trabalho dentre os indivíduos. e. Todas as alternativas anteriores. 3. Segundo a Pirâmide de Maslow, a ordem das necessidades do indivíduo, a sequência correta é: a. Fisiologia, Segurança, Estima, Realizações Pessoais e Social. b. Fisiologia, Segurança, Estima,Social e Realizações Pessoais. 125125 125 c. Segurança, Social, Estima e Realizações Pessoais. d. Fisiologia, Segurança, Social, Estima e Realizações Pessoais. e. Nenhuma das alternativas anteriores. Referências Bibliográficas BECK, Kent et al. The agile manifesto. 2001. BOSSIDY, Larry; CHARAN, Ram. Execução. Elsevier Brasil, 2004. COCKBURN, Alistair; HIGHSMITH, Jim. Agile software development: The people factor. Computer, n. 11, p. 131-133, 2001. CORAM, Michael; BOHNER, Shawn. The impact of agile methods on software project management. In: 12th IEEE International Conference and Workshops on the Engineering of Computer-Based Systems (ECBS’05). IEEE, 2005. p. 363-370. KNIBERG, Henrik; IVARSSON, Anders. Scaling Agile@ Spotify. online, UCVOF, ucvox. files, 2012. LIKER, Jeffrey K. The toyota way. Esensi, 2005. LIKER, Jeffrey K.; CONVIS, Gary L. O Modelo Toyota de Liderança Lean: Como conquistar e manter a excelência pelo desenvolvimento de lideranças. Bookman Editora, 2013. MCLEOD, Saul. Maslow’s hierarchy of needs. Simply psychology, v. 1, 2007. Gabarito Questão 1 – Resposta: B Guilds, Chapters e Tribes como na Spotify, e modelo de organização de times baseados em subconjuntos ou funcionalidades do produto final. Estes modelos originam-se no modelo matricial. Em ambos, o indivíduo está ligado a um grupo de trabalho específico, mas responde hierarquicamente a um outro líder que se mantém constante ao longo do tempo. 126126 Questão 2 – Resposta: B Responsabilizar-se pela produtividade e fomentar o crescimento de cada indivíduo do time. No modelo de time ágil, o líder deve responsabilizar-se diretamente pelo atendimento dos prazos (ou pela produtividade) e fomentar o crescimento de cada membro do seu time. Questão 3 – Resposta: D Fisiologia, Segurança, Social, Estima e Realizações Pessoais. 127127 127 Pessoas: Gestão da Mudança Autor: Carlos Lobo Objetivos • Discutir o processo de mudança; • Entender os riscos envolvidos no processo de mudança para um método ágil; • Como mitigar os riscos envolvidos. 128128 1. Introdução Nesta seção será discutida a gestão da mudança de uma organização que busque implementar um método ágil de gestão. De outro modo, discutiremos a gestão das mudanças que ocorrem ao longo de um projeto e como as metodologias ágeis simplificam a adequação de escopo, prazos etc. Mesmo em um mundo em constante e intensa transformação, possivelmente na maioria das empresas o que deveria ser simples, não é. As mudanças costumam encontrar a resistência das pessoas. É importante ressaltar que ninguém gosta de mudanças. Mesmo mudanças que pareçam fáceis, podem representar um grande desafio, especialmente no tocante às percepções dos indivíduos sobre as mudanças. Ou seja, o entendimento das pessoas sobre o que está mesmo ocorrendo e, consequentemente, seu comportamento frente à mudança. Tal fato sugere que fatores subjetivos impactam na aceitação ou rejeição acerca da mudança. Desse modo, normalmente se pode inferir o nível de resistência às mudanças pela avaliação da cultura organizacional. 2. Cultura Organizacional Segundo Chiavenato (1999), cultura organizacional é: [...] o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos através de normas, valores, atitudes expectativas compartilhados por todos os membros da organização. Ela refere-se ao sistema de significados compartilhado por todos os membros e que distingue uma organização das demais. Constitui o modo institucionalizado de pensar e agir [...]. A essência da cultura de uma empresa é expressa de maneira como ela faz seus negócios, a maneira como ela trata seus clientes e funcionários, o grau de autonomia ou liberdade que existe em suas unidades ou escritórios e o grau de José Paulo Fernandes Realce 129129 129 lealdade expresso por seus funcionários com relação à empresa. A cultura organizacional representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização e reflete a mentalidade que predomina na organização. Ou seja, a cultura organizacional não é algo que se possa colocar inteiramente em um documento. Também não é totalmente mensurável – embora faça parte de muitos planejamentos estratégicos! Mas todo novo funcionário em uma empresa qualquer aprende rapidamente ou não se adequa e acaba de algum modo deixando a empresa. Dito de outra maneira, a cultura é o conjunto de regras informais e não documentadas que fazem os indivíduos se comportarem de determinado modo. Ela também direciona as ações do dia a dia, permitindo que a empresa atinja seus objetivos e metas. Desse modo, já se percebe que a mudança da gestão tradicional de projetos para um dado método ágil não é trivial. E mesmo após as mudanças implementadas, frente às primeiras dificuldades, os indivíduos podem retomar as práticas – cultura - anteriores. Isso pode ocorrer quando o time se vê frente a uma situação nova e fora de sua zona de conforto. Segundo Chiavenato (1999), a cultura organizacional compõe-se de: • Artefatos: as coisas concretas que cada indivíduo vê, ouve e sente quando se depara com uma organização; • Valores compartilhados: são as justificativas aceitas por todos os membros, ou seja, os valores relevantes que se tornam importantes para as pessoas e que definem as razões pelas quais elas o fazem; • Pressupostos básicos: são crenças inconscientes, percepções, sentimentos e pressuposições dominantes nos quais as pessoas acreditam. 130130 E cada um destes três elementos podem se apresentar de forma visível – tecnologia, estrutura organizacional, títulos, etc., ou de forma invisível – padrões de influência e poder, sentimentos, posturas, dentre outros. Assim, pode-se resumir a ideia de que a cultura organizacional se forma a partir dos valores de cada indivíduo e da interpretação – positiva ou negativa, que estes fazem da realidade da empresa. Ainda de acordo com Edgar Schein, a cultura é extremamente importante e não deve esperar realizar uma mudança circunstancial nela dentro de um curto espaço de tempo. Além disso, ele argumenta que você não muda a cultura tentando mudá-la diretamente. Ainda, Shook (2010) vai além e faz uma proposta para influenciar positivamente a cultura, como ilustrado na figura 1. Figura 1 | Mecanismo de mudança da cultura Fonte: SHOOK (2010). De acordo com Shook (2010) e diversos outros autores, como Mann (2014), um modelo mais pragmático de alterar a cultura é usar a gestão e controle dos processos para reforçar as posturas desejadas e criar hábitos. E a partir destes hábitos influenciar a cultura organizacional existente. Ou seja, ao invés de mudar o modo de pensar das pessoas para mudar o modo de agir, passa-se a mudar o modo de agir para alterar o modo de pensar. A figura 2 ilustra este mecanismo em funcionamento. 131131 131 A consequência disso é simples. O sistema de gestão é a ferramenta certa para estimular e cobrar os hábitos desejados e indiretamente influenciar a cultura organizacional. Mann chega a advogar que o sistema de gestão é o elemento que sempre faltou para que empresas ocidentais conseguissem emular o modelo Toyota (Lean) de produção, obtendo resultados financeiros similares. Figura 2 | Processo de mudança comportamento e cultura Fonte: Mann (2014). PARA SABER MAIS Para se aprofundar em um exemplo de mudança cultural que se tornou um grande exemplo de sucesso, consulte o artigo escrito por Shook (2010): 132132 SHOOK, John. How to change a culture: Lessons from NUMMI. MIT Sloan Management Review, v. 51, n. 2, p. 63-68, 2010. Neste artigo é descrito o processo de formação da NUMMI, empresa criada em jointventure pela GM e Toyota. Foi a primeira experiência com operações da Toyota nos US. Fundamentalmente, a GM forneceu as instalações e o pessoal, e a Toyota, a gerência da fábrica e o modelo de gestão. 3. Resistência a Mudança Segundo De Resende et al. (2011), a resistência à mudança aparece mesmo em companhias que aparentemente estão dispostas amudar. E isso ocorre porque, basicamente, as pessoas não querem mudar. Segundo Cohen e Fink (2003): As pessoas resistem à mudança quando consideram que suas consequências são negativas. Embora as pessoas sejam diferentes em termos de sua disposição em antever consequências negativas, e mesmo quando suas razões pareçam lógicas ou até equivocadas a quem está de fora, as pessoas não resistem automaticamente às mudanças. As pessoas resistem às mudanças por alguma razão e a tarefa do gerente é tentar identificar essas razões e, quando possível, planejar a mudança de modo a reduzir ou eliminar os efeitos negativos e corrigir as percepções errôneas. Kotter e Schlesinger (apud CHIAVENATO et al, 2005) apontam algumas contramedidas para a resistência à mudança: 1. Comunicação e educação: Fazer a prévia comunicação da mudança às pessoas para ajudá-las a compreender a lógica e a necessidade da mesma. José Paulo Fernandes Realce 133133 133 2. Participação e envolvimento: Inserir as pessoas no processo. Torná-las parte da mudança. 3. Facilitação e apoio: Facilitar e apoiar às pessoas a se ajustarem à mudança mais rapidamente. 4. Negociação e acordo: Oferecer algo de valor em troca da implementação da mudança. 5. Manipulação e cooptação: Buscar influenciar as pessoas. 6. Coerção: Finalmente, a resistência pode ser tratada de forma coercitiva por meio da ameaça explícita ou implícita. Note que esta lista de contramedidas é de cunho voltado para orientação e não garante o sucesso do processo de gestão da mudança. A combinação destas contramedidas possivelmente é o mais indicado. A combinação é indicada porque as causas para a resistência podem ser lógicas, psicológicas ou sociológicas. O gestor do processo de mudança deve estar atento para identificar corretamente as causas para usar a contramedida apropriada. Segundo Silva e Vergara (2003), para que a mudança seja adotada como sua, o indivíduo deve se tornar um verdadeiro ator na mudança, se não sujeito da mesma. Em suma, é preciso engajar as pessoas na mudança. Assim, por mais necessária e racional que seja a mudança propriamente dita, o gestor não deve ignorar a subjetividade existente na percepção dos envolvidos, podendo aparentar até mesmo uma possível falta de interesse e consequentemente criando resistência ao novo. Em resumo, é necessário que os indivíduos possam ser sujeitos da mudança e expressarem suas preocupações para que o pensamento lógico possa se estabelecer. Só assim a mudança poderá ser efetiva. 134134 4. Gestão do dia a dia Como visto, o sistema de gestão é a ferramenta adequada para criar hábitos e mudar a cultura organizacional – ou implantar processos ágeis de criação. Assim, uma alternativa é usar a gestão do dia a dia no suporte à mudança. A figura 3 apresenta este modelo de gestão proposto por Mann (2014). Figura 3 | Processo de Gestão do dia a dia Fonte: Adaptada de Mann (2014). David Mann sugere 3 reuniões diárias com o objetivo de escalar os principais níveis na estrutura da empresa. Estas reuniões – similares às indicadas no SCRUM - têm como objetivo discutir e resolver os problemas que impediram que se atingisse os objetivos para o período – dia - anterior. Estruturalmente, as reuniões seguem o esquema da figura 4. 135135 135 Figura 4 | Processo de Gestão do dia a dia Fonte: Adaptado de Mann (2014). ASSIMILE David Mann sugere pelo menos três reuniões estruturadas e encadeadas: 7. A reunião de nível 1 ocorre diariamente. Nela, o líder do time discute com os respectivos membros o desempenho no dia anterior e, quando possível, direciona os problemas. Esta reunião é breve e realizada no próprio local de trabalho. 8. No nível 2 ocorre uma reunião entre os líderes de time e nível acima – líderes de grupo ou coordenadores. Nesta reunião, os principais problemas – e em especial os que não foram sanados na reunião de nível 1 – são discutidos. 136136 9. Finalmente, no 3º nível é feita uma reunião entre o gerente e os líderes de time. 5. Conclusão Nesta seção foram discutidas as dificuldades que podem ser esperadas no processo de mudança de uma gestão tradicional para o método ágil. A resistência à mudança é conhecida e esperada. Assim, é função do gestor tomar as contramedidas corretas para de forma proativa, atuar e garantir o sucesso da implementação. Também foi apontado que é impossível atuar diretamente sobre a cultura de uma companhia. E o atalho correto é atuar ou estimular as posturas e comportamentos desejados até que estes se tornem hábitos. Aí sim, a cultura organizacional estará sendo mudada e, consequentemente, o uso de métodos ágeis de gestão estarão mais próximos de se tornar realidade. TEORIA EM PRÁTICA A Rapport é uma startup especializada em sistemas de TI para análise de dados para a elaboração de relatórios com indicadores de performance de interesse do usuário. Eles oferecem um produto padrão para uso geral e soluções customizadas, onde é feita a adaptação para o ERP da empresa, assim como a coleta integrada e direta de dados da operação do cliente. A Rapport nasceu e cresceu criando soluções sob encomenda. Depois de se tornar famosa pelas soluções customizadas, entrou no mercado com um produto padrão 137137 137 para clientes menores que precisavam de uma solução mais simples e de custo reduzido. Essa ideia pareceu boa na época. Atualmente, a área de finanças defende que o produto seja descontinuado porque o a margem é baixa e toda empresa acaba tendo de se envolver do suporte e revisões regulares das versões deste produto. Além disso, eles argumentam que este produto não faz parte da atividade principal da Rapport. Atualmente, a Rapport tem cerca de 400 engenheiros de software envolvidos diretamente no atendimento aos clientes para customização e implementação de soluções específicas. Além destes, a empresa conta com uma área comercial e as áreas de suportes comuns: RH, Finanças, TI, Compras, dentre outras. Os gestores da Rapport nunca pensaram, ou melhor, não chegaram a considerar importante como organizar o trabalho e motivar as pessoas. Assim, tanto a área comercial quanto o desenvolvimento das soluções customizadas para os clientes e o produto padronizado da Rapport, têm equipes dedicadas. Os engenheiros são envolvidos nos projetos de acordo com a necessidade. Eles ficam em departamentos que se formaram com o crescimento da companhia. Cada departamento é focado em uma funcionalidade do sistema. Mesmo o comercial não tem alguma segmentação. O indivíduo, ao conhecer a necessidade do cliente, decide se deve oferecer a solução padrão ou uma customização. Isso foi bom no início. Mas eventualmente alguém considera que o comercial ofereça uma solução customizada – cujo preço é maior – para um cliente que seria bem atendido pela solução padrão. 138138 O comercial fez isso pois tende a oferecer soluções de preço maior, afinal a comissão que eles recebem é proporcional. Por fim, cabe esclarecer que a solução padrão é desenvolvida pelos engenheiros de software nos períodos de ociosidade. Essa solução pareceu uma boa forma de nivelar a carga de trabalho e aproveitar os momentos de baixa no mercado. Estas dificuldades de organização interna levou a Rapport a contratar supervisores para cada grupo de 10 engenheiros de software. Estes supervisores não têm competências na área técnica, sua função é distribuir o trabalho e apurar a produtividade de cada engenheiro. Dado que os custos são elevados e os prazos não atendem mais à demanda de mercado, a Rapport decidiu implantar a gestão ágil e estabelecer algum tipo de organização em times. A preocupação é a resistência. Os engenheiros pensam que isso os transformará em algum tipo de robô, onde sua liberdade e criação serão restringidas. As cobranças sobre eficiência e prazos também não deixam as pessoas felizes. Elas não entendem as razões para tanto. Pensam tratar-se de perseguição. De outro modo, as pessoasem geral ficaram um tanto preocupadas quando entrou um MD novo para dirigir a empresa depois da entrada de um grupo de investimento que, além do aporte de capital necessário para o crescimento da empresa, assumiu o controle da mesma. Neste cenário você foi contratado para estudar, propor e implementar uma metodologia ágil que permita a Rapport 139139 139 se adaptar a estas dificuldades e manter-se à frente da concorrência. Agora como MD da empresa você considera promover uma grande mudança na organização. Evidentemente, para fazê-la, será preciso mudar a cultura organizacional da empresa. Só assim será possível implementar um método ágil de gestão e alguma forma de times de trabalho. Embora exista alguma resistência às mudanças, como é natural, você avalia que a figura do supervisor não é bem-vista pela empresa, e consequentemente não está entregando os resultados esperados. Essa pode ser uma oportunidade a ser aproveitada. Neste cenário, faça um plano de mudança da cultura operacional, estrutura e modelo de gestão da Rapport. Algumas questões que precisam ser respondidas são: 1. Como efetivamente modificar a cultura organizacional para que ela se torne uma empresa ágil? 2. Qual método ágil adotar? Quais os prós e contras dele? 3. Qual deve ser a estrutura organizacional futura? Esta deve ser perene ou mutável no tempo? Como alocar as áreas de suporte? Qual é o papel futuro do supervisor? 4. Como romper as fronteiras das áreas de desenvolvimento? 5. A área comercial está funcionando como desejado? O que fazer para aperfeiçoar sua atuação? 6. Que melhoria introduzir para diminuir os prazos de desenvolvimento exigidos pelo mercado? 7. Como vencer as resistências internas? 140140 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. As razões para a resistência as mudanças são de ordem: a. Lógica, sociológica e psicológica. b. Lógica, psicológica e motivacional. c. As razões para a resistência às mudanças nunca são lógicas. Quando se analisa racionalmente as mudanças, elas são mais fáceis de serem transpostas. d. Falta de comunicação e participação. e. Falta de participação e as razões psicológicas como medo e apreensão sobre o desconhecido. 2. Sobre o modelo descrito por Mann para a gestão do dia a dia podemos afirmar que: a. Como modelo, tem 3 elementos principais: Controles visuais, Liderança e Contabilidade diária dos resultados. Esta última é feita através de pelo menos 3 reuniões encadeadas e de forma a escalar a estrutura hierárquica, cujo objetivo é identificar e solucionar os problemas que ocorreram no período anterior. b. Embora existam diferentes elementos, a principal e mais importante figura no modelo de gestão do dia a dia é o líder do time. Ele é o responsável direto pela reunião de nível 1 e abastece de informações a reunião de 2º nível. Além disso, ele dá o ritmo para o time na linha de frente. 141141 141 c. Em tese, nenhum problema deve chegar até a reunião de nível 3. Esta reunião é fundamentalmente uma revisão do visto nas duas primeiras. Todos os problemas devem ter sido endereçados, ou mesmo resolvidos, antes. d. As 3 reuniões de contabilidade diária de resultados devem ser formais, como sugerido no SCRUM, documentadas e registradas para consulta posterior. Normalmente estas reuniões precisam ser feitas em sala apropriada para tal. e. Nenhuma das alternativas anteriores. 3. Algumas ações para contornar ou mesmo evitar a reconhecida resistência à mudança, incluem: a. Alinhamento, comunicação, envolvimento e coerção. b. Inserção das pessoas na mudança, facilitação e apoio e coerção. c. Coerção, cooptação e delegação. d. Socialização, facilitação e negociação. e. Nenhuma das alternativas anteriores. Referências Bibliográficas CHIAVENATO, Idalberto. Comportamento Organizacional: a teoria e a prática de inovar. Rio de Janeiro: Campos, 2005. ______. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. 142142 COHEN, R. Allan; FINK, L. Stephen. Comportamento Organizacional: conceitos e estudos de casos. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003. DE REZENDE, Frederico Pifano; DE FREITAS, Flávio Ozorio; DE OLIVEIRA SILVA, Elizângela Aparecida Toledo. Cultura organizacional e resistência a mudança. 2011. MANN, David. Creating a lean culture: tools to sustain lean conversions. Productivity Press, 2014. SCHEIN, Edgar H. Organizational culture and leadership. John Wiley & Sons, 2010. SHOOK, John. How to change a culture: Lessons from NUMMI. MIT Sloan Management Review, v. 51, n. 2, p. 63-68, 2010. SILVA, José R. G. da; VERGARA, Sylvia C. Sentimentos, subjetividade e supostas resistências à mudança organizacional. Revista Administração de Empresas, 2003. Gabarito Questão 1 – Resposta: A Lógica, sociológica e psicológica. Questão 2 – Resposta: B Embora existam diferentes elementos, a principal e mais importante figura no modelo de gestão do dia a dia é o líder do time. Ele é o responsável direto pela reunião de nível 1 e abastece de informações a reunião de 2º nível. Além disso, ele dá o ritmo para o time na linha de frente. Questão 3 – Resposta: B Inserção das pessoas na mudança, facilitação e apoio e coerção. 1. Comunicação e educação: Fazer a prévia comunicação da mudança às pessoas para ajudá-las a compreender a lógica e a necessidade da mesma. 2. Participação e envolvimento: Inserir as pessoas no processo. Torná-las parte da mudança. 143143 143 3. Facilitação e apoio: Facilitar e apoiar as pessoas a se ajustarem à mudança mais rapidamente. 4. Negociação e acordo: Oferecer algo de valor em troca da implementação da mudança. 5. Manipulação e cooptação: Buscar influenciar as pessoas. 6. Coerção: Finalmente, a resistência pode ser tratada de forma coercitiva por meio da ameaça explícita ou implícita. Sumário Apresentação da disciplina Origens dos Métodos Ágeis: Manifesto Ágil Objetivos 1. Introdução 2. Desafios em Serviços na Gestão de Projetos 3. Visão e Valores dos Métodos Ágeis Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Scrum, XP e Lean: Princípios comuns Objetivos 1. Introdução 2. Scrum 3. XP 4. Lean 5. Pontos comuns e diferenças entre Scrum, XP e Lean Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Análise Comparativa Objetivos 1. Introdução 2. Outras Metodologias 3. Análise Comparativa Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Balanceando Agilidade e Disciplina Objetivos 1. Introdução 2. Risco 3. Gestão de Riscos em Ambiente Ágil: Balanceando Agilidade e Controle 4. Conclusão Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Kanban aplicado aos Métodos Ágeis Objetivos 1. Introdução 2. Kanban 3. Controles Visuais Digitais 4. Kanban como suporte para as metodologias ágeis 5. Conclusão Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Pessoas: Empoderamento e Energização Objetivos 1. Introdução 2. Visão do Indivíduo na Organização 3. Organização do Trabalho 4. Conclusão Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito Pessoas: Gestão da Mudança Objetivos 1. Introdução 2. Cultura Organizacional 3. Resistência a Mudança 4. Gestão do dia a dia 5. Conclusão Verificação de leitura Referências Bibliográficas Gabarito