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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DA COMARCA DE MÉVIO, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, por meio de seu advogado, infra-assinado, vem, à presença de Vossa Excelência, apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fulcro nos artigos 389 e seguintes do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: I – DA SÍNTESE FÁTICA Conforme narrado na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, Mévio é proprietário de duas mercearias e, durante uma viagem ao Paraguai, adquiriu diversas mercadorias para revenda, deixando de recolher o valor de R$18.950,00 em impostos referentes a essas mercadorias. Diante disso, Mévio foi encaminhado à Delegacia de Polícia Federal, onde foi instaurado Inquérito Policial para apurar os fatos. Finalizado o Inquérito Policial, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra Mévio pelo crime previsto no artigo 334 do Código Penal, que trata do crime de descaminho. II – DO DIREITO II.I – DA NEGATIVA DO CRIME DE CONTRANBANDO Primeiramente, insta salientar que a conduta de Mévio não se amolda ao tipo penal descrito no artigo 334 do Código Penal, pois não configura o crime de contrabando. O crime de contrabando exige a intenção específica do agente de subtrair ao Fisco o pagamento do imposto devido. No caso em tela, não há elementos nos autos que comprovem tal intenção. Mévio adquiriu as mercadorias no Paraguai para revenda em suas mercearias, o que demonstra sua boa-fé e desconhecimento da legislação aduaneira. Ademais, não se configura a clandestinidade da entrada das mercadorias no país, pois estas foram apreendidas em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal, durante o retorno de Mévio do Paraguai. Tal fato demonstra a intenção do réu em regularizar a situação, buscando declarar as mercadorias e recolher os impostos devidos. II.II – DA AUSÊNCIA DE DOLO A caracterização do crime de contrabando exige o dolo específico do agente, ou seja, a vontade livre e consciente de subtrair ao Fisco o pagamento do imposto. No presente caso, não há provas que demonstrem o dolo de Mévio. Ao contrário, sua conduta indica que este agiu de boa-fé, acreditando que estava procedendo de forma regular. A ausência de conhecimento da legislação aduaneira por parte do réu, por si só, não configura dolo, mas sim culpa, que, no caso em questão, não é suficiente para a caracterização do crime de contrabando Além disso, a denúncia não apresenta elementos probatórios capazes de comprovar a materialidade do delito imputado a Mévio, tampouco a sua efetiva participação no suposto crime de descaminho. A simples apreensão das mercadorias durante a abordagem policial não é suficiente para configurar o delito, sendo necessária a comprovação da ciência e da vontade do acusado em praticar o ilícito. Nesse sentido, ressalta-se que não há nos autos qualquer prova que vincule Mévio à prática do crime de descaminho. Ademais, a mera posse das mercadorias não configura, por si só, a prática do delito, sendo indispensável a demonstração da intenção dolosa do acusado em burlar o fisco. II.III – DA ATIPICIDADE DA CONDUTA Diante do exposto, verifica-se que a conduta de Mévio não corresponde ao tipo penal do artigo 334 do Código Penal, pois não se configuram os elementos subjetivos do crime, quais sejam a intenção específica e o dolo. Portanto, a conduta de Mévio é atípica, não configurando crime de contrabando. Diante disso, requer-se a absolvição sumária de Mévio por ausência de prova da materialidade e da autoria do crime imputado, nos termos do artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal. III – DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Vossa Excelência: a) A declaração de atipicidade da conduta de Mévio, com a consequente absolvição sumária do réu, nos termos do artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal; b) A condenação do Estado ao pagamento das custas processuais, nos termos do artigo 829 do Código de Processo Penal. Dá-se à causa o valor de R$18.950,00 (dezoito mil novecentos e cinquenta reais). Termos em que, Pede deferimento. Local e data Advogado OAB EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DA COMARCA DE