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CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA
ADRIANA IRIS SAVI DE ALMEIDA
ARTHUR DE OLIVEIRA SIQUEIRA 
BRUNO FERREIRA AMORIM
ISABELLA DE FREITAS CARREIRO DO EGITO 
MARIA LUIZA LIMA
MARIA RENNARA SOUZA HOLANDA 
THAÍZA PASSOS DA SILVA
DOENÇA CELÍACA 
1. INTRODUÇÃO
 A doença celíaca é um distúrbio autoimune do intestino delgado desencadeado pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Apesar de sua prevalência relativamente baixa em comparação com outras condições gastrointestinais, a doença celíaca representa um desafio significativo de saúde pública devido à sua natureza crônica e aos potenciais impactos negativos na qualidade de vida dos afetados.
2. ETIOLOGIA
 A principal causa da doença celíaca é a predisposição genética. Indivíduos com certos genes estão mais propensos a desenvolver a condição. Com isso, a exposição ao glúten, uma proteína encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio, desempenha um papel crucial no desenvolvimento da doença. Fatores ambientais, como infecções virais e o momento da introdução de glúten na dieta, também podem influenciar no desenvolvimento da doença celíaca.
 Em pessoas geneticamente suscetíveis, quando o glúten entra em contato com as vilosidades intestinais causa uma reação adversa. Essa reação é mediada pelo sistema imunológico e resulta em danos à mucosa intestinal. As vilosidades intestinais são pequenas projeções semelhantes a dedos que revestem a parede interna do intestino delgado, aumentando significativamente a área de superfície disponível para a absorção de nutrientes. Cada vilosidade contém uma rede de capilares sanguíneos e linfáticos, através dos quais os nutrientes absorvidos são transportados para o restante do corpo. Logo, quando uma pessoa com doença celíaca consome alimentos que contêm glúten, ocorre uma reação imunológica desencadeada por componentes específicos do glúten, como as gliadinas e as gluteninas. Essa resposta imunológica desencadeia uma cascata de eventos que leva à inflamação e à lesão das vilosidades intestinais.
3. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, SINAIS E SINTOMAS
 A doença celíaca pode apresentar manifestações clínicas variáveis, são elas:
 
· Clássica: apresenta sintomas gastrointestinais, como diarreia, perda de peso e dor abdominal.
· Atípica: pode ter sintomas menos óbvios, como anemia, irritabilidade ou fadiga, sem manifestações gastrointestinais evidentes.
· Latente: quando os marcadores da doença estão presentes, mas os sintomas ainda não se desenvolveram.
· Sintomas Gastrointestinais:
· Diarreia crônica ou constipação;
· Dor abdominal recorrente;
· Inchaço abdominal;
· Flatulência excessiva;
· Náusea e vômito;
· Perda de apetite;
· Sintomas Extraintestinais:
· Fadiga persistente e fraqueza;
· Anemia (deficiência de ferro);
· Perda de peso inexplicada;
· Falta de crescimento em crianças;
· Osteoporose ou osteopenia (perda de densidade óssea);
· Irritabilidade ou mudanças de humor;
· Dores articulares e musculares;
· Dormência ou formigamento nas extremidades;
· Úlceras aftosas recorrentes na boca;
· Problemas de Pele:
· Dermatite herpetiforme: uma erupção cutânea caracterizada por bolhas e coceira intensa, geralmente nas extremidades, como cotovelos, joelhos, costas e nádegas;
· Sintomas Neurológicos:
· Dor de cabeça crônica;
· Problemas de equilíbrio e coordenação;
· Alterações de humor, incluindo ansiedade e depressão;
· Dificuldade de concentração e problemas de memória;
· Sintomas em Crianças:
· Retardo no crescimento e desenvolvimento;
· Baixa estatura;
· Irritabilidade e choro excessivo;
· Dificuldades de aprendizado e comportamentais;
4. FATORES DE RISCO
· Genética / Histórico Familiar: pela doença estar associada a certos genes, especialmente o HLA-DQ2 e o HLA-DQ8. Estes genes desempenham um papel importante na resposta imunológica do corpo ao glúten. Se um indivíduo herda variantes desses genes de seus pais, ele tem uma maior predisposição genética para desenvolver doença celíaca.
· Presença de Outras Condições Autoimunes: pessoas com outras doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, têm um risco aumentado. Pois ambas as doenças compartilham o mesmo mecanismo genético, especificamente no gene/ alelos HLA-DQ2. 
· Infecções Virais: podem aumentar o risco de desenvolver a patologia devido à sua capacidade de desencadear respostas imunológicas e inflamatórias no corpo, potencialmente desregulando o sistema imunológico e tornando-o mais propenso a desenvolver respostas autoimunes, como a doença celíaca. 
· Introdução Precoce de Glúten na Dieta: a introdução de glúten antes dos 4-6 meses de idade pode influenciar o desenvolvimento da doença.
· Sexo: é mais frequente em crianças, e nas mulheres o risco de desenvolver é 1,5 vezes maior em relação aos homens, ou seja, é mais comum em individuos do sexo feminino.
· Idade: tende a manifestar-se nos dois primeiros anos de vida, porém há chances de ocorrer um segundo pico entre os 20 e 30 anos.
· Outras Doenças Gastrointestinais: pessoas com certas condições gastrointestinais têm um risco aumentado.
5. EPIDEMIOLOGIA 
 O quadro epidemiológico da doença celíaca no mundo e no Brasil mostra uma tendência crescente no reconhecimento e diagnóstico da condição, embora a prevalência varie significativamente entre diferentes regiões e populações.
 Estima-se que afete aproximadamente 1% da população mundial. Países europeus, como Finlândia, Suécia e Itália, têm algumas das taxas mais altas de prevalência da doença, com números superiores a 1%. Na América do Norte, os Estados Unidos e o Canadá também relatam uma prevalência significativa. A doença celíaca é menos comum em regiões como África e Ásia, embora esteja sendo cada vez mais reconhecida em diferentes partes do globo. 
 Estudos epidemiológicos no Brasil sugerem uma prevalência da patologia em torno de 1% da população, o que está em linha com as estimativas globais. Nos últimos anos, houve um aumento significativo na conscientização sobre a doença celíaca no Brasil, tanto entre profissionais de saúde quanto entre o público em geral. Isso tem levado a um aumento no número de casos diagnosticados e ao desenvolvimento de recursos e apoio para pacientes celíacos. O acesso a alimentos sem glúten, essenciais para o manejo da doença celíaca, tem melhorado gradualmente no Brasil, embora ainda existam desafios em termos de disponibilidade e custo, especialmente para populações de baixa renda.
6. CONCLUSÃO
 Conclui-se que a compreensão abrangente da doença celíaca é essencial para melhorar o diagnóstico precoce, otimizar o manejo clínico e promover a qualidade de vida dos pacientes afetados. Avanços contínuos na pesquisa são fundamentais para desenvolver novas estratégias terapêuticas e abordagens preventivas, visando reduzir a carga global da doença.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/download/57843/42208
http://www.eloizaquintela.com.br/guide_lines/DCA%20CELIACA%20III.PDF
https://www.scielo.br/j/rpp/a/p64RksLvgp6FkbHQf8KGGNS/?lang=pt
http://andreiatorres.com/blog/2019/5/9/doena-celaca-com-iga-negativo-e-tratamento-em-pacientes-resistentes
RIO DE JANEIRO
2024
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