Prévia do material em texto
• Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais: AINES, porém tem mais aplicações do que essas. • Os corticoides são quimicamente semelhantes entre si e aos derivados do colesterol (cortisol e aldosterona), já os AINES não tem uma estrutura química semelhante que os une. O que os une é o seu emprego terapêutico, ou seja, seu mecanismo de ação. • Os Aines surgem quando se entende que a ação comum deles é baseado na inibição de substâncias pró- inflamatórias que nós produzimos como metabolitos do ácido araquidônico. • Os prostanoides e derivados são oriundos do ácido araquidônico e são produzidos por todas as células do nosso corpo. Eles formam uma família que é constituída por 20 carbonos, chamados de Eicosanóides, cuja primeira substância descoberta foi a prostaglandina. • Os Aines funcionam inibindo uma enzima específica: a COX, impedindo a produção de prostaglandinas. • Como os Aines não agem na LOX, ela permanece funcional, de modo que os mediadores derivados da ação dela ainda vão ser formados (leucotrienos e lipoxinas). • A COX está muito presente no envoltório nuclear e no reticulo endoplasmático. Existem três subtipos da COX: COX1 COX2 e COX3. A cox 3 ainda está sendo estudada. • A COX1 é constitutiva, muito importante para a manutenção e integridade do nosso corpo, é constantemente expressa. Farmacologia AINES Heloisa Madeiro- Turma 44 O ácido araquidônico é derivado do acido linoleico e do ômega 6 e está esterificado nas membranas plasmáticas das células no nosso corpo. Quando uma célula é lesada seja ela de origem química ou física, esse ácido araquidônico é desterificado pela ação da enzima Fosfolipase A2 (vimos nos corticosteroides que eles inibem essa enzima). Quando esse ácido é liberado ele vira substrato de enzimas (COX e LOX) originando os mediadores pró-inflamatórios: derivados prostanoides (prostaglandinas, prostaciclinas e leucotrienos) que favorecem muito o processo inflamatório. Por isso que os aines não conseguem resolver muitos processos inflamatórios graves e mais sérios, uma vez que alguns mediadores pro- inflamatórios ainda vão ser formados. → Protege as células epiteliais gástricas contra o suco gástrico, estimulando a produção do muco gástrico. → Nas plaquetas contribui para formação do tromboxano, que favorece a formação de coágulo. → Nas células endoteliais, favorece a formação das prostaciclinas (um tipo de prostaglandina) que combatem a formação do coágulo. De modo que existe uma “luta” entre a influência coagulante (tromboxano) e anticoagulante (prostaciclina). A COX1 é responsável pelo equilíbrio entre essas substâncias de modo que pessoas saudáveis não tem apresentam problemas. → Nos rins, a estimulação adrenérgica gera vasoconstricção que diminui o fluxo sanguíneo renal responsável por nutrir o próprio nefron (não regenerável). Então toda vez que se tem um fluxo sanguíneo renal reduzido o corpo produz prostaglandina através da COX1, que favorece vasodilatação e mantém o fluxo sanguíneo, importante para nutrição do nefron. Então COX 1 é importante para manutenção da integridade renal. • A COX2 é super expressa em processos inflamatórios, e favorece a produção dos Eicosanóides. Está presente nos macrófagos, monócitos, músculo liso, endotélio, epitélio e neurônios. • Desse modo, seria interessante no processo farmacológico que os Aines inibissem somente a COX2, já que a COX1 é importante para manutenção fisiológica do nosso corpo (constitutiva). Porém, as medicações utilizadas não são seletivas para a COX2, o que gera as reações adversas. • Efeitos colaterais: ulcerações, hemorragia mucosa gástrica, redução fluxo sanguíneo renal, alteração da coagulação sanguínea (pela ação em COX1). • Alguns medicamentos como Tylenol Paracetamol e Dipirona atuam também na COX3, mas o conhecimento sobre ela é incipiente, está presente no SNC, mas não é tão disseminada pelo corpo quanto as outras duas. • O mecanismo geral dos Aines é inibir a ciclooxigenase (COX). • Papel anti-inflamatório: Processos inflamatórios promovem vasodilatação que favorece e aumenta a permeabilidade vascular gerando edema. Esse edema pode comprimir nervos e estruturas, o que gera dor. Nesse caso, o uso de aines diminui a permeabilidade vascular (porque diminui o número de prostaglandinas) e diminui indiretamente a dor pela redução do edema. Em algumas condições, como por exemplo na dengue, que há diminuição do número de plaquetas, haverá também menor síntese de tromboxano, reduzindo a capacidade coagulante do corpo. Com isso, favorece-se a formação das prostaciclinas tendendo a gerar hemorragia. Por isso que muitos medicamentos anti-inflamatórios são contraindicados em caso de dengue. • Papel antipirético: Infecções que causam mobilizações de células de defesa, como os macrófagos, e liberação de mediadores pró- inflamatórios, entre eles a prostaglandina que age no hipotálamo regulando a temperatura para cima, para facilitar metabolicamente a capacidade de defesa do corpo. Como os Aines agem bloqueado a ação da COX, não temos a produção de prostaglandina, o que favorece a queda da temperatura corporal. • Papel analgésico: as prostaglandinas são substâncias álgicas, que favorecem dor (porque na presença dessas substâncias álgicas os receptores ficam mais sensíveis). Então a redução da liberação das prostaglandinas inibe a estimulação dolorosa. • Papel antitrombótica: O AAS (ácido acetilsalicílico) em especial tem tropismo pelas plaquetas, inibindo a produção de tromboxano, causando afinamento sanguíneo. Mais recentemente observou-se que o AAS é um fator importante na prevenção de câncer de colon e reto (grande estudo, indivíduos que tomavam aas todos os dias tinham menor incidência de câncer). • Os Aines são classificados em: 1. Salicilatos → Ácido acetilsalicílico é o protótipo. → Inibem de forma irreversível a COX (o único grupo com essa característica), o que aumenta o perigo de seu uso em casos de dengue por exemplo. → Propriedades farmacológicas: excelente analgésico, antipirético, anti-inflamatório. → Inibem agregação plaquetária (por isso que existe o AAS infantil) e previne o câncer de colón e reto. → Utilizações variáveis (impressionante dentro da farmacologia) e mais de 100 anos de uso. → Farmacocinética: São ácidos fracos, absorvidos no intestino. Possuem baixa fração ligada a proteínas plasmáticas, de modo que a sua biodisponibilidade é alta. É liberado na urina 25% inalterado. → Efeitos adversos: inibição da produção do muco gástrico, gerando lesão gástrica. Podem desencadear reações alérgicas. Pioram asma, pois inibem a via da COX, de modo que a LOX atua gerando leucotrienos que podem causar broncoespasmo. Distúrbios hemostáticos. Alteração do equilíbrio ácido-base e eletrolítico: ocasiona aumento da respiração, o AAS por ser ácido em altas quantidades aumenta a acidose metabólica, então o corpo na tentativa de compensar libera CO2 estimulando a expiração para reduzir o h+ no sangue, então o indivíduo expira muito, gerando alcalose respiratória e consequentemente perda de bicarbonato renal para compensar a alcalose, de modo que retorna ao estado de acidose. 2. Derivados do Paraminofenol → Inibe de forma não competitiva e reversível a COX. → Propriedades farmacológicas: Bom analgésico e antipirético, mas não é um bom anti-inflamatório, porque tem muita dificuldade de agir devido a sua grande quantidade de hidroperóxidos o que diminui a capacidade da substância de interagir fisicamente com a COX. Age em COX3: espasmos musculares cerebrais. → É bem absorvido por via oral, suas concentrações máximas no plasma duramde 30 a 60 minutos. → Tempo de meia vida de 6 a 8h. → É inativado no fígado em doses terapêuticas, sendo 90 a 100% liberado inalterado na urina. → Efeitos adversos: reações cutâneas alérgicas. Pode causar intoxicação aguda (náuseas, vômitos, anorexia, dor abdominal). Uso crônico aumenta o risco de lesão renal. 3. Derivados dos Fenamatos → Inibição competitiva reversível rápida da COX. → Propriedades farmacológicas: Analgésicos e anti-inflamatórios. → Efeitos adversos: contraindicado em crianças (suspeita de que pode causar síndrome de rey), Dispepsia, Diarréia severa, Inflamação intestinal, Anemia hemolítica autoimune. O Ác. mefenâmico (Ponstan) é muito utilizado para cólicas. 4. Derivados do Ácido Heteroaril Acético → Inibe de forma não seletiva e reversível a COX. → Propriedades farmacológicas: Anti- inflamatórios (tolmetina > cetorolaco), Analgésicos (cetorolaco > tolmetina) e Antipiréticos (tolmetina > cetorolaco). → Efeitos adversos: Dor epigástrica, Dispepsia, Náuseas e vômitos, Ulcerações gástricas, Nervosismo, Ansiedade, Insônia, Vertigem, Distúrbios visuais, Cefaleia, Dor no local da injeção (cetoloraco). Síndrome de Reye: doença grave, rapidamente progressiva e muitas vezes fatal, que acomete o cérebro (encefalopatia) e o fígado (hepatite fulminante) e pode ocorrer em crianças (até 14). Está relacionada ao uso de Salicilatos em conjunto com uma infecção viral. Salicilismo: o uso exagerado de AAS altera o mecanismo dos íons no ouvido interno, alterando o funcionamento da fisiologia do ouvido interno, o que gera náusea, tontura, entre outros sintomas. Em situações de dengue que não se pode indicar AAS, se indica outras medicações para combater febre e dor. Se isso não for bem orientado as pessoas exageram no uso, o que pode causar hepatite medicamentosa por Tylenol, isso porque parte da metabolização do paracetamol converte o metabólito tóxico (N-acetil-benzoquinona- imina) e em grandes quantidades essa via fica sobrecarregada. Em doses normais nosso corpo conjuga parte desse metabolito com a glutationa. Em doses elevadas ocorre a depressão das reservas de glutationa e acúmulo do metabolito toxico, que lesa os hepatócitos e aumenta as enzimas hepáticas. O cetoloraco possui ação analgésica muito intensa e é muito utilizado em situações oncológicas para postergar o uso de opioides. Sua administração é parenteral, para dores pós-operatórias ou crônicas. 5. Derivados do ácido fenilacetico (diclofenato) → Inibe de forma competitiva e reversível a COX e reduz a concentração do ácido araquidônico (contribui para sua metabolização e assim contribui para a diminuição da formação dos prostanoides). → Propriedades farmacológicas: Anti- inflamatório e analgésico. → Efeitos adversos: distúrbios gastrointestinais, dispepsia, náuseas e vômitos, sangramento, ulcerações e perfurações, nervosismo, ansiedade, insônia, vertigem, reações cutâneas e alérgicas e redução da função renal (inibe produção de prostaglandina que é importante para a vasodilatação renal). 6. Derivados da Pirazolona (dipirona) → Inibição competitiva e reversível rápida da COX. → Propriedades farmacológicas: Anti- inflamatório, Analgésicos e antipiréticos. → Efeitos adversos: náuseas e vômitos, desconforto gastrointestinal, úlceras, hemorragias e perfurações, hepatites, estomatites ulcerosas, nefrites, anemia aplásica, leucopenia, agranulocitose e trombocitopenia, reações cutâneas, retenção de líquido e edema. Dipirona é analgésico e antipirético. Está associada a agranulocitose, leucopenia e trombocitopenia, ou seja, diminuição das células de defesa da medula óssea. Fenilbutazona é analgésico e anti- inflamatório. 7. Inibidores seletivos de Cox2 → Inibição competitiva e reversível da COX-2. → Propriedades farmacológicas: Anti- inflamatória e analgésica central. → Efeitos colaterais gástricos muito menores do que a cox1. → Se ligam extensamente as proteínas. (há poucas informações sobre farmacocinética e farmacodinâmica). → Tempo de meia vida: lumiracoxibe (2- 6h), celecoxibe e valdecoxibe (6-12h), rofecoxibe (15-18h). Foram retirados do mercado, pois muitas pessoas começaram a utilizar inibidores de cox2 e começaram a morrer de infarto e AVC em período muito curto de tempo. Após isso descobriu-se que diferentemente do que se pensava (que apenas a cox1 tinha atuação no endotélio na produção de prostaciclina), a cox2 também é responsável e mais do que a cox1 para produzir prostaciclinas pelos endotélios, de modo que esses fármacos bloqueiam seletivamente o efeito benéfico vascular da prostaciclina.