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Tratamento farmacológico da dor em cuidados paliativos ● “A dor é uma experiência sensorial e emocional desgradável associada ou semelhante à associada a dano tecidual real ou potencial do tecido.” - International Association for the Study of Pain (2020) ● dor total = físico + emocional + social + espiritual Classificação da dor ● temporal: aguda e crônica ● mecanismo ○ nociceptiva: somática e visceral ○ neuropática: lesões no sistema nervoso ○ neuroplástica: disfuncional e/ou psicogênica; sem alterações no SN ○ mista/complexa Manejo da dor em cuidados paliativos ● cuidados paliativos: abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e suas famílias, que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida (OMS, 2017) ● somente 14% das pessoas que têm indicação de CP, recebem essa assistência ● presente em ○ 80% dos pacientes com AIDS ○ 60% dos pacientes com doenças cardiovasculares e respiratórias ○ 66,6% dos pacientes com câncer e doença avançada e mestastática→ 55% dos pacientes durante o tratamento + 39,3% dos pacientes após o tratamento ○ em 38% dos casos, essa dor é moderada a grave ● barreiras para o manejo da dor ○ equipe de saúde: falta de formação no tema; mitos sobre dor e uso de opioides; seguimento inadequado dos casos ○ pacientes e familiares: mitos sobre a intratabilidade da dor; “dor é normal”; aspectos culturais e religiosos ○ sistêmicas: falta de padronização e de acesso ao uso de opioides Avaliação da dor ● dor como 5º sinal vital ● escala visual analógica da dor (EVA) ● PQRST ○ Provocadores e Precipitantes ○ Qualidade da dor ○ Região e Radiação ○ Severidade e Sintomas associados ○ Tempo e Tratamento Terminologias da dor ● hiperalgesia: aumento da resposta a um estímulo que normalmente é doloroso ● hipoalgesia: diminuição da resposta a estímulo normalmente dolorosos ● analgesia: ausência de dor em resposta à estimulação que normalmente é dolorosa ● hiperestesia: aumento da sensibilidade à estimulação de qualquer caráter, podendo especificar qual o tipo de hiperestesia (hiperestesia térmica, hiperestesia tátil, etc) ● hipoestesia: diminuição da sensibilidade à estimulação de qualquer caráter, podendo especificar qual o tipo de hipoestesia (hipoestesia térmica, hipoestesia tátil, etc) ● disestesia: sensação anormal desagradável, espontânea ou revoada ● parestesia: sensação anormal, espontânea ou evocada ● alodinia: dor resultante de um estímulo que normalmente não provoca dor (ex.: água tocando a pele, toque do tecido na pele ou vento na área de dor) Princípios do tratamento da dor ● avaliação cuidado do sintoma do paciente ● reconhecer o tipo de dor ● manejo de acordo com a intensidade da dor ● intervalos regulares independentemente se há dor ou não ● compreender o arsenal terapêutico disponível ● reavaliação contínua do paciente ● uso adequado de RESGATES ● atenção nos detalhes ● titulação diária com medicamento de ação curta até remissão dos sintomas ● uso de adjuvantes ● prevenção dos efeitos adversos ● reavaliação diária do paciente (acessibilidade à equipe de saúde) ● avaliação da pessoa ○ capacidade funcional ○ evolução da doença de base ○ função hepática ○ função renal ○ sintomas associados ○ interações medicamentosas ○ potencial de reabilitação ○ tratamentos não medicamentosos ● tratamento não medicamentoso ● escala da dor da OMS ○ se pular degrau mantem o anterior ○ não possui sentido prescrever opioide fraco com opioide forte Analgésicos não opioides Fármacos adjuvantes ● corticoesteroides ● antidepressivos ● neurolépticos ● anticonvulsivantes ● miorrelaxantes ● psicoestimulante ● capsaicina ● bisfosfonatos Opioides fracos Codeína ● opioide natural ● maior efeito antitussígeno ● efeito constipante→ associar laxante sempre quando usar opioide ● prescrever a cada 4 horas ○ 7,5 a 60 mg/4h ● equipotência analgésica: 1/10 da morfina oral ● sem formulação parenteral ● dose máxima recomendada: 60mg/4h Tramadol ● opioide sintético com ação moduladora do SNC ● metabolizado no fígado em muitos metabólitos ● inibe a recaptação de noradrenalina e serotonina ● maior biodisponibilidade oral (100 vezes mais potente) ● dose: 50-100 mg VO/IV/SC de 6h/6h ● dose máxima: 400 mg/dia ● diminui o limiar convulsivo ● equipotência analgésica: ⅙ a 1/10 da morfina oral ● uso concomitante com ondansetrona reduz o efeito analgésico!→ não prescrever essa associação!! usa plasil dramin slah qualquer outra coisa ● dor moderada: + eficiente fazer dose baixa de morfina do que usar codeína 3º degrau Farmacologia dos opioides ● conjugação hepática ● excreção pelos rins (90-95%) ● Cmax ○ VO: 60 min ○ SC: 30 min ○ IV: 10-15 min ● meia-vida pós equilíbrio (24h)→ VO/SC/IM/IV: 3-5 horas Morfina de ação rápida ● dimorf ou dolomoff ● comprimidos de 10 e 30mg ● solução oral: 10mg/mL (32 gotas = 10mg) ● dose administrada a cada 4 horas ● ideal para titulação da dose e resgates ● dose inicial: ○ VO: 5-10mg ○ SC: 2-3mg ● catabólito: morf 6 glucuron é dialisável ● conversão oral:parenteral = 3:1 Morfina parenteral ● dimorf injetável: ampolas de 2mg/2mL e 10mg/mL ● metabolismo hepático e excreção renal ● pode ser diluído em SF0,9% ou SG5% ● conversão oral:parenteral = 3:1 ● usar em bolus em situações específicas→ evitar usar morfina em bolus→ concentração plasmática muito alta + risco de efeitos adversos e a concentração cai muito rápido ● preferir IV contínua ou SC ● opioide forte de escolha para titulação ● dose inicial em virgens de opioides: 5mg VO ou 1-2mg IV/SC ● resgates: 15 min (IV), 30 min (SC) e 1h (VO) Morfina de longa duração ● dimorf LC: cápsulas de 30, 60 e 100mg ● uso a cada oito a 12 horas ● conversão rápida:longa = 1:1 ● início de ação: 3 a 4 horas ● evitar o uso através de sondas ● nunca triturar os microgrânulos Oxicodona ● Oxycontin: comprimidos de 10, 20 e 40mg ● alta biodisponibilidade ● duas vezes mais potente que a morfina ● ausência de metabólitos ativos ● sistema bifásico de liberação ● não amassar e nem quebrar os comprimidos ● muito viciante ● disponível apenas por VO no Brasil Metadona ● mytedom: ampolas 10mg/mL ● metabolismo hepático e excreção fecal e urinária: 50% de excreção intestinal e 50% de excreção renal ● opção desejável para pacientes com insuficiência renal ● meia-vida longa e imprevisível ● boa opção para dor neuropática – antagonista NMDA ● uso com cautela em pacientes cardiopatas (prolongamento QT e arritmias) ● posologia inicial: 5mg VO (2,5mg-IV/SC) a cada 12, 8 ou 6h ● náuseas podem significar intoxicação por opioide Fentanil transdérmico ● DUROGESIC TD: adesivos com liberação de 25, 50, 75 ou 100mcg/h ● início de ação: 12 a 24h ● troca dos adesivos a cada 72 horas ● evitar calor local e hipertermia ● conversão: 25mcg/h = 60mg de morfina oral ● resgates devem ser feitos com Morfina de ação rápida ● dose máxima = 300-400mcg/h ● 100x mais potente que morfina Eventos adversos e tolerância ● náuseas e vômitos ● sonolência ● confusão mental ● constipação intestinal ● boca seca ● sudorese ● prurido ● retenção urinária ● depressão respiratória ● efeito adverso x toxicidade ○ EA: começa assim que começa o remédio e tende a melhorar conforme o paciente desenvolve tolerância ○ toxicidade: aparece mais tardiamente Toxicidade ● depressão respiratória (FR < 8 ipm = naloxone 0,04 mg IV a cada 3 min) ● rebaixamento do nível de consciência ● miose ● hiperalgesia ● alodinia ● mioclonias (contração breve, em onda, de um músculo ou grupo de músculos) ● conduta: hidratação, redução da dose em 25-30%, rotação de opioides Opioides na insuficiência hepática ● morfina: diminuir doses de 3 a 10x ● metadona: não recomendada ● fentanil: aumento significativo da meia vida + alto risco de toxicidade ● oxicodona: não utilizar ● codeína: não utilizar ● tramadol: não utilizar Opioides na insuficiência renal ● metadona: droga recomendada ● morfina: diminuição significativa da eliminaçãodo metabólito ativo que é 15x mais neurotóxico que a morfina. A diálise peritoneal não retira o catabólito ● fentanil: droga segura e é considerada a DROGA DE ESCOLHA Doses de resgate ● opioides de ação rápida ● não utilizar opioides de liberação controlada ● 5 a 10% da dose total das 24h ● via oral, preferencialmente, a cada hora por “no máximo” três vezes ● esperar o tempo para atingir a Cmax ○ VO: 60 minutos ○ SC: 30 minutos ○ IV: 10 a 15 minutos Ajuste final dos opioides ● aumento progressivo até o controle da dor (ESAS <= 3) ou efeito colateral intolerável ● conversão para opioide de ação prolongada ● resgate preferencial com a mesma droga Dor pouco responsiva a doses crescentes de opioides ● risco aumentado de efeitos adversos ● alternativa: considerar rotação de opioides ● uso de adjuvantes ● abordagem não farmacológica ○ TENS ○ calor/frio ○ acupuntura ○ massagem ○ meditação Rotação de opioide ● reduzir 25% da dose do “novo” opioide por conta da tolerância cruzada ● morfina 60mg/dia VO = Metadona 12mg/dia VO ● metadona 9mg/dia (arredonda para 10mg) VO 4º degrau ● intervenção para bloqueio de gânglios ● analgesia intervencionista ● preciso acompanhar e reavaliar o paciente frequentemente para controle efetivo da dor ● não tem sentido associar opioides fortes e fracos ● não esquecer dos ADJUVANTES, sobremaneira a dexametasona em pacientes com câncer ● atentar para os sinais de toxicidade, comorbidades e interações medicamentosas