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Capítulo sobre lesão celular: robbins valéria 
Aula 1: lesão celular 
Etiologia x Patogenia: Enquanto a etiologia se refere a 
por que a doença surge, a patogenia descreve como a 
doença se desenvolve. 
VISÃO GERAL DAS RESPOSTAS CELULARES AO ESTRESSE 
E AOS ESTÍMULOS NOCIVOS 
As células são participantes ativos em seu ambiente, 
ajustando constantemente sua estrutura e função para 
se adaptarem às demandas de alterações e de estresse 
extracelular. 
Quando encontram um estresse fisiológico ou um 
estímulo patológico, podem sofrer uma adaptação, 
alcançando um novo estado constante, preservando 
sua viabilidade e função. Um diferente tipo de 
estressor, a desregulação metabólica e lesão crônica 
subletal podem estar associados a acúmulos 
intracelulares. Discutiremos todos eles abaixo. 
ADAPTAÇÃO: 
Adaptação não significa lesão 
As principais respostas adaptativas são hipertrofia, 
hiperplasia, atrofia e metaplasia. Se a capacidade 
adaptativa é excedida ou se o estresse externo é 
inerentemente nocivo, desenvolve-se a lesão celular. 
Dentro de certos limites, a lesão é reversível e as células 
retornam a um estado basal estável; entretanto, um 
estresse grave, persistente e de início rápido resulta em 
lesão irreversível e morte das células afetadas, que 
pode se dar por necrose ou apoptose. A lesão se 
desenvolve por falta de adaptação. 
A morte celular é resultante de várias causas, incluindo 
isquemia (redução do fluxo sanguíneo), infecções, 
toxinas e reações imunes. 
Ex: O miocárdio submetido a uma carga aumentada e 
persistente, como na hipertensão ou com estenose de 
uma valva, se adapta sofrendo hipertrofia — um 
aumento do tamanho das células individuais e 
finalmente de todo o coração — para gerar necessitada 
força contrátil maior. Se o aumento da demanda não for 
atenuado ou se o miocárdio for submetido a um fluxo 
sanguíneo reduzido (isquemia), devido a uma oclusão 
em artéria coronária, as células musculares sofrerão 
lesão. 
Obs: mesmo a lesão leve pode ter impacto clínico. 
 
 
ADAPTAÇÕES CELULARES AO ESTRESSE 
As adaptações são alterações reversíveis em número, 
tamanho, fenótipo, atividade metabólica ou das 
funções celulares em resposta às alterações no seu 
ambiente 
Adaptações fisiológicas: representam respostas 
celulares à estimulação normal pelos hormônios ou 
mediadores químicos endógenos (p. ex., o aumento da 
mama e do útero, induzido por hormônio, durante a 
gravidez) 
Adaptações patológicas: respostas ao estresse que 
permitem às células modularem sua estrutura e função 
escapando, assim, da lesão. 
Tais adaptações podem ter várias formas distintas. 
HIPERTROFIA: 
Aumento do tamanho das células que resulta em 
aumento do tamanho do órgão. Obs: não é aumento do 
número de células. 
A hipertrofia pode ser fisiológica ou patológica e é 
causada pelo aumento da demanda funcional ou por 
fatores de crescimento ou estimulação hormonal 
específica. 
Um exemplo de hipertrofia celular patológica é o 
aumento cardíaco que ocorre com hipertensão ou 
doença de valva aórtica. 
Ainda tratando dos miócitos, existe um LIMITE para a 
hipertrofia. O coração que sofre com um processo de 
estresse crônico pode leva-lo ao limite. Caso esse 
processo continue além desse limite (estressor 
progressivo que leva a morte celular), as fibras 
cardíacas começam a regredir e sofrer lise e perda de 
seus elementos contráteis, em casos extremos ocorre 
morte dos miócitos, por apoptose ou necrose. No 
quadro clínico, esse processo leva o nome de 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA. 
MECANISMO: 
A hipertrofia é consequência de um elevado número de 
proteínas produzidas intracelularmente. 
Essas proteínas são produzidas como fruto de uma 
ação conjunta de sensores mecânicos, fatores de 
crescimento e agente vasoativos. Os sensores de 
crescimento são ativados quando ocorre aumento da 
carga de trabalho, e eles próprios induzem a produção 
de fatores de crescimento e agonistas. 
 
Essas ações atuam por duas vias bioquímicos: (1) 
fosfoinositídio 3-cinase/Akt e (2) a via da Proteína G. A 
primeira via é a principal para os casos de hipertrofia 
fisiológica induzida por aumento da demanda 
funcional. Já a segunda é a principal em casos 
patológicos. 
HIPERPLASIA 
a hiperplasia ocorre se o tecido contém populações 
celulares capazes de se dividir; ocorre 
simultaneamente com a hipertrofia e sempre em 
resposta ao mesmo estímulo. 
A hiperplasia pode ser fisiológica ou patológica. Em 
ambas as situações, a proliferação celular é estimulada 
por fatores de crescimento que são produzidos por 
vários tipos celulares. 
Os dois tipos de hiperplasia fisiológica são: 
(1) hiperplasia hormonal, quando ocorre uma 
multiplicação celular por estimulação de hormônios, 
exemplificada pela proliferação do epitélio glandular da 
mama feminina na puberdade e durante a gravidez e 
(2) hiperplasia compensatória, ocorre quando existe 
lesão tecidual ou ressecção parcial, na qual cresce 
tecido residual após a remoção ou perda da porção de 
um órgão. Por exemplo, quando o fígado é 
parcialmente removido, a atividade mitótica das 
células restantes inicia-se 12 horas depois, restaurando 
o fígado ao seu peso normal. Após a restauração da 
massa do fígado, a proliferação celular é “desligada” 
pelos vários inibidores de crescimento. 
A maioria das formas de hiperplasia patológica é 
causada por estimulação excessiva hormonal ou por 
fatores do crescimento/ agentes patológicos. 
Com relação aos fatores hormonais, tem-se como 
exemplo a hiperplasia prostática benigna e a 
hiperplasia endometrial. Nos agente patológicos, existe 
o papilomavirus, um vírus que causa hiperplasia 
cutâneas pela estimulação de fatores de crescimento 
por genes virais ou pelas célular infectadas, como 
verrugas e epitélio hiperplástico. 
Vale ressaltar que a hiperplasia patológica e o câncer 
são fenômenos diferentes, porém, aquela é um terreno 
fértil para esta neoplasia. Pois na primeira não ocorre 
variação genética enquanto na segunda sim. Portanto, 
embora as hiperplasias prostáticas e endometriais 
sejam benignas e controladas, futuramente elas podem 
a vir a ter proliferação cancerosa 
A hiperplasia é também uma resposta importante das 
células do tecido conjuntivo na cicatrização de feridas 
na qual os fibroblastos e os vasos sanguíneos que 
proliferam auxiliam o reparo. Nesse processo, os 
fatores de crescimento são produzidos pelos leucócitos 
em resposta à lesão e pelas células na matriz 
extracelular 
É importante notar que, em todas essas situações, o 
processo hiperplásico permanece controlado; se os 
sinais que a iniciam cessam, a hiperplasia desaparece. 
ATROFIA 
A atrofia é um processo de adaptação inverso ao da 
hipertrofia e da hiperplasia, ou seja, DIMINUI O 
TAMANHO CELULAR E O NÚMERO DE CÉLULAS, 
reduzindo, portanto, a massa e o tamanho dos tecidos 
e órgão. Ela acontece em decorrências de diversas 
etiologias, fisiológicas (processos embriológicos) ou 
patológicos. 
Dentre os patológicos tem-se: 
REDUÇÃO DA CARGA DE TRABALHO: Isso acontece 
geralmente em músculos esqueléticos, quando ele 
diminui sua carga de trabalho ocorre sua redução. 
Exemplo disso é em caso de fraturas ósseas e se faz uso 
de cilindro de gesso imobilizando o músculo. Porém, 
quando a carga de trabalho volta a ser utilizada após a 
cura da fratura e da remoção do cilindro, o músculo 
volta ao seu tamanho original. Com um desuso mais 
prolongado desses músculos, pode ocorrer apoptose 
celular e aumento da reabsorção óssea, levando a uma 
osteoporose por desuso. 
SUPRESSÃO DO SUPRIMENTO SANGUÍNEO: 
consequência de aterosclerose que se desenvolve 
lentamente. Esse processo é mais intenso para os 
idosos, já que se encontra em estágios mais avançados 
podendo prejudicar o cérebro e o coração. 
NUTRIÇÃO INADEQUADA: a falta de absorção de 
nutrientes pode fazer com que o corpo esteja em um 
estágiode desnutrição proteica-calórica profunda 
(marasmo) e use medidas extremas para a própria 
sobrevivência como a degradação muscular para 
obtenção de energia 
Mecanismo de ação da atrofia: 
resulta na diminuição da síntese proteica e aumento da 
degradação das proteínas nas células 
METAPLASIA: 
É uma alteração reversível no qual um ORGANISMO 
CELULAR DIFERENCIADO SE TORNA DE UM OUTRO 
TIPO TAMBÉM DIFERENCIADO. Esse processo 
adaptativo acontece com a substituição de um tipo 
celular sensível ao estresse a um outro tipo mais 
adaptado a suportar. 
Dentre as metaplasias epiteliais, um exemplo comum é 
a colunar para a escamosa. Dito isso, são as células do 
trato respiratório, com todo as suas diferenciações, que 
se modificam mais comumente devido ao estresse 
crônico como casos de fumantes habituais de cigarro, 
as células epiteliais colunares, ciliares da traqueia e dos 
brônquios com frequência são substituídas por outro 
tipo de célula, estratificado. 
Existem, outros exemplos como no caso da deficiência 
ou excesso de vitamina A, além de cálculos nos ductos 
salivares e biliares, porém a alteração é quase sempre 
a mesma, de algum tecido celular mais sensível para 
outro mais resistente, não o contrário. 
Contudo, essa alteração é uma faca de dois gumes, uma 
vez que de modificam para suportar estímulos mais 
estressantes (fator positivos), acabam perdendo as 
suas funções normais. 
No caso do tecido respiratório, ele se torna mais 
suscetível a infeções pois a secreção de muco e as ações 
dos cílios dos epitélios colunares são perdidos. Além 
disso, influência que predispõe a metaplasia, se 
persistirem pode despertar uma malignidade no tecido 
metaplastico. 
VISÃO GERAL DA LESÃO CELULAR E MORTE CELULAR 
Se dividem basicamente em Lesão Reversível e 
Irreversível. As reversíveis são aquelas que quando o 
estímulo estressor é removido, a célula volta ao seu 
estado normal de funcionamento. Já as irreversíveis, 
ocorre quando a célula já sofreu muito dano pelo 
estímulo estressor de tal modo que não existe a 
possibilidade de retorno à normalidade funcional 
mesmo com a suspensão do estímulo estressor. A 
consequência da lesão irreversível é a morte celular, 
este procedimento podo ocorrer em três modos, 
necrose, apoptose e necroapoptose. 
Enquanto a necrose constitui sempre um processo 
patológico, a apoptose auxilia muitas funções normais 
e não está necessariamente associada à lesão celular 
patológica. Além disso, a apoptose, em certos papéis 
fisiológicos, não desencadeia uma resposta 
inflamatória 
característica necrose apoptose 
Tamanho celula aumentado diminuido 
Mem.plasmatica rompida intacta 
Conteúd.celulares Digestão enzimática: 
extravazam da célula 
intactos 
Inflamação.adjacente frequente não 
Patoló ou fisioló Invariavelmente 
patológica 
Sempre 
fisiológica 
 
CAUSAS DA LESÃO CELULAR: 
1) PRIVAÇÃO DE OXIGÊNIO (HIPÓXIA): é a 
diminuição da concentração de oxigênio 
disponível as células, reduzindo a produção de 
energia pela respiração oxidativa, causando, 
portanto, lesão celular. Causas: 
 
a) Isquemia: obstrução do vaso de modo que o 
fluxo sanguíneo não atinja a célula 
b) Insuficiência cardiorrespiratória: resultando 
em oxigenação inadequada 
c) Problema no transporte do oxigênio: 
anemias ou envenenamento por monóxido de 
carbono (produção de monóxi-hemoglobina 
mais estável que a dióxi-hemoglobina) 
d) Diminuição do volume sanguíneo: perda 
sanguínea 
2) AGENTES FÍSICOS: choque mecânico, alterações de 
temperatura, radiação, choque elétrico 
3) AGENTES QUÍMICOS E DROGAS: substancias comuns 
do próprio organismo em altas concentrações 
(oxigênio, glicose, íons), venosos residuais (arsênio, 
cianeto, mercúrio), poluentes ambientais. 
4) AGENTES BIOLÓGICOS: vírus, bactérias, fungos, 
protozoários, parasitas 
5) DEFEITOS GENÉTICOS: 
6) DESVIOS NUTRICIONAIS: 
ALTERAÇÕES MORFOLOGICAS DAS LESÕES CELULARES 
A função celular pode ser perdida antes que ocorra a 
morte celular, e as alterações morfológicas na lesão (ou 
morte) celular surgem mais tarde (Fig. 1-7). Por 
exemplo, as células miocárdicas tornam-se não 
contráteis após 1-2 minutos de isquemia, embora não 
morram até que 20-30 minutos de isquemia tenham 
decorrido 
Existem mudanças celulares que caracterizam uma 
lesão celular reversível ou irreversível sabendo que 
ambas podem ser eventos de um único processo 
estressor. Levando em consideração esse processo 
citado, as alterações morfológicas variam desde as 
estruturas moleculares e funções bioquímicas como 
condensação da cromatina, descolamento do RE, à 
mudanças de maiores proporções como tumefação 
celular, degeneração da membrana plasmática, sendo 
esses eventos ocorridos em sequência cronológica. 
LESÃO REVERSÍVEL: 
Ex: musculatura dolorida após exercício 
Na lesão reversível, morfologicamente são vistos dois 
fenômenos: TUMEFAÇÃO CELULAR E DEGENERAÇÃO 
GORDUROSA. A tumefação celular ocorre devido à 
perda da capacidade da célula em estabelecer a 
homeostasia iônico e, portanto, equilíbrio líquido. A 
causa desse processo é diminuição do funcionamento 
das bombas e canais iônicos dependentes de ATP 
presentes nas membranas celulares. tumefação celular 
é a primeira manifestação de quase todas as formas de 
lesão celular. 
Já a degeneração gordurosa ocorre pela formação de 
vacúolos lipídicos formados intracelular em 
consequência a hipóxia. 
Dentre as alterações ultramicroscópicas temos: 
1. alterações da membrana plasmática: formação de 
bolhas, apagamento e perda de vilosidades 
2. alteração nas mitocôndrias: tumefação e 
aparecimento de pequenas unidades amorfas. 
3.Dilatação do retículo endoplasmático 
4. Alterações nucleares: desagregação dos elementos 
fibrilares e granulares. 
 
LESÃO IRREVERSÍVEL: 
Lesões suficienteente graves relacionadas ao influxo de 
cálcio e alterações na permeabilidade da membrana 
citoplasmática. 
 
MECANISMOS DA LESÃO CELULAR: 
-depleção de ATP 
- influxo de cálcio 
-acúmulo de radicais livres derivados do O2 
-defeitos na permeabilidade da membrana 
Agora que já discutimos as causas da lesão celular e da 
necrose, e suas correlações morfológicas e funcionais, 
consideraremos em mais detalhes as bases moleculares 
da lesão celular e ilustraremos os princípios 
importantes com alguns exemplos selecionados de 
tipos comuns de lesão. 
# vários princípios gerais são relevantes para a maioria 
das formas de lesão celular: 
➢ A resposta celular ao estímulo nocivo 
depende do tipo de lesão, sua duração e sua 
gravidade. Assim, pequenas doses de toxina ou 
breves períodos de isquemia podem levar a 
lesão celular reversível, enquanto altas doses 
de toxina ou isquemia mais prolongada podem 
resultar em lesão celular irreversível e morte 
celular. 
➢ As consequências de um estímulo nocivo 
dependem do tipo, status, adaptabilidade e 
fenótipo genético da célula lesada. A mesma 
lesão gera diferentes resultados dependendo 
do tipo celular; assim, o músculo estriado 
esquelético da perna se acomoda à isquemia 
completa por 2-3 horas sem lesão irreversível, 
ao passo que o músculo cardíaco morre depois 
de apenas 20-30 minutos. 
 
➢ A lesão celular resulta de alterações 
bioquímicas e funcionais em um ou mais dos 
vários componentes celulares essenciais. Os 
alvos mais importantes dos estímulos nocivos 
são: (1) as mitocôndrias e sua habilidade em 
gerar ATP e ERO em condições patológicas; (2) 
desequilíbrio na homeostasia do cálcio; (3) 
danos às membranas celulares (plasmática e 
lisossômica) e (4) danos ao DNA e ao 
dobramento das proteínas. 
 
DEPLEÇÃO DE ATP (diminuição) 
O ATP, o estoque de energia da célula, é produzido 
principalmente por fosforilação oxidativa do difosfato 
de adenosina (ADP) durante a redução do oxigênio no 
sistema de transporte de elétrons das mitocôndrias. 
Além disso, a via glicolítica pode gerar ATP, na ausênciade oxigênio, usando a glicose derivada a partir da 
circulação ou a partir da hidrólise do glicogênio 
intracelular. 
As principais causas de depleção de ATP são a redução 
do suprimento de oxigênio e nutrientes, o dano 
mitocondrial e as ações de algumas toxinas ex: cianeto. 
Os tecidos com maior capacidade glicolítica (como o 
fígado) são capazes de sobreviver melhor à perda de 
oxigênio do que os tecidos com capacidade limitada 
para a glicólise (p. ex., o cérebro). 
 
*A depleção significativa de ATP tem amplos 
efeitos em muitos sistemas celulares críticos: 
-A atividade da bomba de sódio na membrana 
plasmática dependente de ATP é reduzida, resultando 
em acúmulo intracelular de sódio e efluxo de potássio, 
o que causa tumefação celular. 
- Ocorre aumento compensatório na glicólise 
anaeróbica, na tentativa de manter as fontes de energia 
celular. Como consequência, as reservas de glicogênio 
intracelular são rapidamente exauridas e o ácido lático 
se acumula, levando à diminuição do pH intracelular e 
à diminuição da atividade de muitas enzimas celulares. 
- A falência na bomba de Ca2+ leva ao influxo de Ca2+, 
com efeitos danosos em vários componentes celulares. 
 
 
Principais mecanismos bioquímicos e sítios de lesão 
celular. ATP, trifosfato de adenosina; ERO, espécies de 
oxigênio reativo. 
 
DANOS E DISFUNÇÕES MITOCONDRIAIS: 
As mitocôndrias podem ser vistas como “minifábricas” 
que produzem energia de sustentação da vida, na 
forma de ATP, mas são também componentes críticos 
da lesão e morte celular. 
As mitocôndrias são sensíveis a vários tipos de 
estímulos nocivos, incluindo hipóxia, toxinas químicas 
e radiação. Os danos mitocondriais resultam em graves 
anormalidades bioquímicas: 
 
• Falha na fosforilação oxidativa levando a depleção 
progressiva de ATP, culminando na necrose da célula. 
• A lesão mitocondrial frequentemente resulta na 
formação de um canal de alta condutância na 
membrana mitocondrial, chamado de poro de 
transição de permeabilidade mitocondrial. A abertura 
desse canal leva à perda do potencial de membrana da 
mitocôndria. 
• As mitocôndrias contêm também várias proteínas 
que, quando liberadas para o citoplasma, informam à 
célula que há uma lesão interna e ativam a via de 
apoptose. 
INFLUXO DE CÁLCIO 
O cálcio extracelular depletado retarda a morte celular 
após hipóxia e exposição a algumas toxinas. 
Normalmente, o cálcio livre no citosol é mantido por 
transportadores de cálcio dependentes de ATP. 
A isquemia e certas toxinas causam aumento da 
concentração do cálcio citosólico, inicialmente por 
causa da liberação de Ca2+ armazenado 
intracelularmente e, mais tarde, do cálcio que resulta 
do influxo aumentado através da membrana 
plasmática. 
O aumento do cálcio citosólico ativa várias enzimas, 
com efeitos celulares potencialmente prejudiciais. 
O aumento dos níveis de Ca2+ intracelular resultam, 
também, na indução da apoptose, através da ativação 
direta das caspases e pelo aumento da permeabilidade 
mitocondrial. 
ACÚMULO DE RADICAIS LIVRES DERIVADOS DO O2 
(estresse Oxidativo) 
Quando gerados nas células, atacam os ácidos 
nucleicos, assim como uma variedade de proteínas e 
lipídios celulares. Além disso, os radicais livres iniciam 
reações autocatalíticas. 
As espécies reativas do oxigênio (ERO) são um tipo de 
radical livre derivado do oxigênio. 
A lesão celular envolve danos causados pelos radicais 
livres; essas situações incluem a lesão de isquemia-
reperfusão, lesão química e por radiação. 
O óxido nítrico (NO) é outro radical livre reativo 
produzido pelos leucócitos e outras células. 
* A geração de radicais livres aumenta sob várias 
circunstâncias: 
• Na absorçãode energia radiante 
(p. ex.,luzultravioleta,raiosX). 
• No metabolismo enzimático de substâncias químicas 
exógenas 
• Na inflamação, onde os radicais livres são produzidos 
pelos leucócitos. 
-> As glutationa peroxidases (GSH) constituem uma 
família de enzimas cuja principal função é proteger as 
células da lesão oxidativa. 
-> Os antioxidantes endógenos ou exógenos (p. ex., as 
vitaminas E, A, C e o b-caroteno) podem bloquear a 
formação de radicais livres ou removê-los. 
 
As espécies reativas do oxigênio causam lesão celular 
através de três principais reações: 
-Peroxidação lipídica das membranas 
-Ligação cruzada e outras alterações das proteínas. 
-Lesões do DNA 
As ERRO são produzidas normalmente, mas, para evitar 
seus efeitos lesivos, suas concentrações intracelulares 
são rigorosamente reguladas nas células saudáveis. 
 
Geração, remoção e papel das espécies reativas de oxigênio (ERO) na lesão celular. Esses radicais livres são removidos 
por decomposição espontânea e por sistemas enzimáticos especializados. A produção excessiva ou a remoção 
inadequada resulta em acúmulo de radicais livres na célula que lesa os lipídios (por peroxidação), proteínas e DNA, 
resultando em lesão celular.
 
DEFEITOS NA PERMEABILIDADE DA MEMBRANA 
O aumento da permeabilidade da membrana, levando 
posteriormente a lesão franca da membrana, é uma 
característica consistente da maioria das formas de 
lesão celular que culmina em necrose. 
A membrana plasmática pode ser danificada por 
isquemia e por várias toxinas microbianas, por 
exemplo. 
Vários mecanismos podem contribuir para os danos à 
membrana: 
Diminuição da síntese de fosfolipídios. Nas células, a 
produção de fosfolipídios pode ser reduzida sempre 
que houver queda dos níveis de ATP. 
 
Aumento da degradação dos fosfolipídios. Uma lesão 
celular acentuada está associada ao aumento da 
degradação dos fosfolipídios da membrana 
ERO 
 
 
Aula 2 valéria: morte, necrose e apoptose 
Morte celular reconhece o tecido morto como corpo 
estranho -> reação inflamatória 
Morte regulada não tem o mesmo significado de morte 
programada: toda morte programada é regulada, mas 
nem toda morte regulada é programada 
➢ Ex: célula decidiu morrer por necrose para eliminar 
o vírus, já que a apoptose foi inibida pelo invasor 
(morte regulada, mas não foi uma morte programada 
de apoptose) 
Há três tipos de lesão celular: 
-necrose 
-apoptose 
-necroptose 
NECROSE: 
Necrose significa morte celular em organismo vivo e 
seguida de autólise. Além da autólise, quando há 
necrose são liberadas DAMP (HMGB1, uratos e 
fosfatos) que induzem a reação inflamatória. 
A necrose representa sempre um processo patológico. 
Já a apoptose pode desempenhar uma série de funções 
normais e não necessariamente é associada a lesão 
celular 
Necrose é o tipo de morte celular que está associado à 
perda da integridade da membrana e extravasamento 
dos conteúdos celulares, leva a dissolução das células, 
por conta da ação degradativa de enzimas nas células 
lesadas letalmente 
Os conteúdos celulares que escapam sempre iniciam 
uma reação local do hospedeiro, conhecida como 
inflamação, no intuito de eliminar as células mortas e 
iniciar o processo de reparo subsequente 
 
 
 
-Morfologia da necrose: 
A necrose é caracterizada por alterações no citoplasma 
e no núcleo das células lesadas 
1) Alterações citoplasmáticas. As células necróticas 
exibem aumento da eosinofilia (isto é, coloração rósea 
do corante eosina), atribuível em parte às proteínas 
citoplasmáticas desnaturadas que se ligam à eosina e, 
em parte, à perda do RNA citoplasmático, perdendo a 
basofilia (basofilia refere-se à coloração azul do corante 
hematoxilina). 
2) A célula pode ter aparência homogênea mais vítrea 
do que a de células normais, principalmente devido à 
perda de partículas de glicogênio. 
3) Seguido pela digestão enzimática, esse processo 
ocorre pelos lisossomos da própria célula e dos 
leucócitos que deixa-as com aspecto vacuolado e 
aparece ter sido roído por traças. 
4) Ao final, a célula morta pode ser substituída por 
massas fosfolipídicas grandes e espiraladas, figuras de 
mielina, derivadasdas membranas celulares lesadas. 
Essas figuras de mielina podem ser fagocitadas ou 
serem degradadas em ácido graxos e desses últimos 
podem a vir a sofrer um processo de calcificação pelo 
processo de saponificação. 
5) Concluído o processo necrótico, sempre ocorre 
liberação do conteúdo intracelular para o espaço 
extracelular, podendo causar inflamação no local 
despejado. 
Em microscopia eletrônica, são observados as 
seguintes características: 
1) Descontinuidade da membrana plasmática e das 
organelas 
2) Dilatação acentuada das mitocôndrias com 
aparecimento de grandes densidades amorfas 
3) Figuras de mielina intracelular, restos amorfos e 
agregado de material felpudo, provavelmente 
representando proteínas desnaturadas 
-As alterações nucleares, seguem as seguintes etapas: 
1. CARIÓLISE: Esmaecimento basofílico da cromatina, 
reflete a perda do DNA pela degradação enzimática das 
endonucleases (núcleo sombreado) 
2. PICNOSE: Retração nuclear e aumento da basofilia, 
condensação da cromatina numa massa basofílica 
solida e encolhida (núcleo contraído) 
3. CARIORREXE: Fragmentação do núcleo picnotico até 
o seu desaparecimento completo. (fragmentação) 
Obs: As alterações nucleares assumem um dos três 
padrões, todos devidos à degradação da cromatina e 
do DNA. 
PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL 
A necrose de um conjunto de células em um tecido ou 
órgão, por exemplo, na isquemia miocárdica, resulta 
em morte de todo o tecido e, algumas vezes, do órgão 
inteiro. 
As necroses teciduais são definidas quando ocorre a 
morte de várias células. Normalmente, os padrões 
morfológicos dos tipos de necrose tecidual são 
importantes de serem reconhecidos, pois podem 
apresentar uma mesma causa base. Dentre esses 
padrões temos: 
NECROSE DE COAGULAÇÃO: é a mais comum. é a forma 
de necrose tecidual na qual a arquitetura básica dos 
tecidos mortos é preservada por, pelo menos, alguns 
dias. Ocorrem quando as células sofrem um processo 
de isquemia o que causa desnaturação proteica das 
estruturas e das enzimas proteolíticas, bloqueando 
assim a proteólise das células mortas. A inativação 
dessas enzimas não alteram a morfologia estrutural das 
células necrosadas, permanecendo anucleadas e 
eosinofílicas. O tecido assim permanece até que seja 
fagocitado depois de alguns dias ou semanas por 
leocócitos, sofrendo ação das enzimas lisossomais. A 
necrose de coagulação é característica de infartos 
(áreas de necrose isquêmica) em todos os órgãos 
sólidos, exceto o cérebro. 
O cérebro, ao invés de ser necrose de coagulação, faz 
uma necrose liquefativa. 
NECROSE LIQUEFATIVA: a é observada em infecções 
bacterianas focais ou nas infecções fúngicas porque os 
micróbios estimulam o acúmulo de células 
inflamatórias e as enzimas dos leucócitos a digerirem 
(“liquefazer”) o tecido. 
Ocorre o oposto da necrose de coagulação, pois é 
resultado da digestão das células mortas. A digestão é 
causada pelos leucócitos, formando uma massa viscosa 
líquida, resultado da grande concentração de 
leucócitos mortos e de células fagocitadas. 
a morte por hipóxia, de células dentro do sistema 
nervoso central, com frequência leva a necrose 
liquefativa. 
Seja qual for a patogenia, a liquefação digere 
completamente as células mortas, resultando em 
transformação do tecido em uma massa viscosa 
líquida. Finalmente, o tecido digerido é removido por 
fagocitose. Se o processo foi iniciado por inflamação 
aguda, como na infecção bacteriana, o material é 
frequentemente amarelo cremoso e é chamado de pus. 
NECROSE GANGRENOSA: membro que tenha perdido o 
seu suprimento sanguíneo, geralmente membros 
inferiores e que sofreu necrose, tipicamente uma 
necrose de coagulação. Quando uma infecção 
bacteriana se superpõe, a necrose de coagulação é 
modificada pela ação liquefativa das bactérias e dos 
leucócitos atraídos (resultando na chamada gangrena 
úmida). 
NECROSE CASEOSA: ocorrida em focos de infecção 
tuberculosa, mostra o retrato de como fica o pulmão 
do indivíduo com tecidos semelhante a um queijo. 
Diferentemente da necrose de coagulação, a 
arquitetura do tecido é completamente obliterada, e os 
contornos celulares não podem ser distinguidos. A área 
de necrose caseosa é frequentemente encerrada 
dentro de uma borda inflamatória nítida. 
NECROSE GORDUROSA| ESTEATONECROSE: Ocorre de 
devido a uma liberação de lipases pancreáticas, pelo 
pâncreas, que faz com que os adipócitos do peritônio 
sejam quebrados em ésteres de triglicerídeos (ácidos 
graxos). Ao exame histológico, os focos de necrose 
exibem contornos sombreados de adipócitos 
necróticos, com depósitos de cálcio basofílicos, 
circundados por uma reação inflamatória. Ocorre na 
pancreatite aguda. 
Aspecto amarelo dourado, placas parecidas com 
parafna de velas 
Obs: O extravasamento de proteínas intracelulares 
através da membrana celular rompida e, por fim, para 
a circulação fornece meios de detectar a necrose 
tecido-específica, usando-se amostras de sangue ou de 
soro. Por exemplo, o músculo cardíaco contém uma 
isoforma única da enzima creatina cinase e da proteína 
contrátil troponina, enquanto o epitélio do ducto 
hepático biliar contém uma isoforma, resistente à 
temperatura, da enzima fosfatase alcalina, e os 
hepatócitos contêm transaminases. A lesão irreversível 
e a morte celular nesses tecidos são caracterizadas por 
níveis séricos aumentados dessas proteínas, e as 
medidas desses níveis séricos são usadas clinicamente 
para diagnosticar o dano a esses tecidos. 
 
 
LESÃO MIOCÁRDICA 
Lesão reversível: 0-30min 
Lesão irreversível: 20-60min 
Microscopia Eletrônica (ME): reconhecida após 30min 
↑ das enzimas séricas: 2 horas 
Microscopia Ótica (MO): reconhecida após 4-12 horas 
Macroscopia: reconhecida após 12h-24 horas 
• Indicativos de infarto na necropsia: vasos 
interrompidos/obstruídos, pois dependendo do tempo 
de morte não há alterações macroscópicas visíveis 
 
EVOLUÇÃO DA NECROSE 
 
• Regeneração (nem todas as células conseguem se 
regenerar) Se a destruição é pequena e o estroma é 
pouco alterado, há regeneração completa, como ocorre 
no fígado após hepatites discretas. Se a necrose é 
extensa, a trama reticular sofre colapso, e os 
hepatócitos não conseguem organizar-se no lóbulo 
hepático e formam nódulos 
• Cicatrização Processo em que os tecidos destruídos 
são substituídos por tecido conjuntivo cicatricial. 
Ocorre quando a lesão é extensa e, sobretudo, se as 
células afetadas não têm capacidade regenerativa. Pela 
contração dos miofibroblastos, a cicatriz tende a se 
retrair e a reduzir o volume da área comprometida. 
• Encistamento (transformação de tecido necrótico em 
cistos) Cisto = cavidade necrótica com líquido em seu 
interior 
• Eliminação (ex: furúnculo) Se a área de necrose 
alcança um canal que se comunica com o meio externo, 
o material necrosado é eliminado, originando uma 
cavidade. Na tuberculose pulmonar, o material caseoso 
é eliminado pelos brônquios, formando as cavernas 
tuberculosas 
• Calcificação (deposição de sais de cálcio no tecido 
necrosado) 
 
EXEMPLOS DE LESÃO CELULAR E NECROSE 
Lesão isquêmica e Hipóxica 
Tipo de lesão celular mais comum na medicina clínica. 
Isquemia ou redução do fluxo sanguíneo para um 
tecido é a causa mais comum de lesão celular aguda. 
Ao contrário da hipóxia, na qual a produção de energia 
através da glicólise anaeróbica continua, a isquemia, 
por causa da redução do fluxo sanguíneo, também 
compromete a distribuição de substratos para a 
glicólise. Consequentemente, a geração de energia 
anaeróbica também cessa nos tecidos isquêmicos. Por 
essa razão, a isquemia lesa os tecidos mais 
rapidamente que a hipóxia. 
O primeiro alvo da isquemia é a respiração celular, com 
parada da produção de ATP. A perda da função da 
membrana dependente de energia provoca influxo de 
sódio e água. 
As principais alteraçõescelulares em células privadas 
de oxigênio são a diminuição de geração de ATP, a lesão 
mitocondrial e a acumulação de ERO, com suas 
consequências. 
➔ A alteração bioquímica mais importante nas 
células hipóxicas que leva a lesão celular é a 
redução da geração de ATP intracelular, como 
consequência do suprimento reduzido de 
oxigênio. 
O músculo cardíaco cessa a contração dentro de 60 
segundos de oclusão coronária. Se a hipóxia continuar, 
a piora da depleção de ATP causará degeneração 
adicional, com perda das microvilosidades e a 
formação de “bolhas”. 
OBS: Se o oxigênio for restaurado, todas essas 
perturbações serão reversíveis e, no caso do miocárdio, 
a contratilidade retornará. 
Se a isquemia persistir= lesão irreversível e necrose. 
A morte é principalmente por necrose, mas a apoptose 
também contribui; a via apoptótica é ativada pela 
liberação de moléculas pró-apoptóticas das 
mitocôndrias. 
Lesão de isquemia-reperfusão 
A restauração do fluxo sanguíneo pode resultar em 
restauração das células se elas foram lesadas de modo 
reversível. No entanto, a restauração do fluxo 
sanguíneo para tecidos isquêmicos, mas não mortos, 
pode resultar em morte das células que não estavam 
irreversivelmente lesadas, pois: 
- Uma nova lesão pode ser iniciada durante a 
reoxigenação devido a uma produção aumentada de 
ERO. 
Os mecanismos de defesa antioxidantes celulares 
também podem ser comprometidos pela isquemia, 
favorecendo a acumulação de radicais livres 
- A inflamação, que é induzida pela lesão isquêmica, 
pode aumentar com a reperfusão, devido ao influxo 
aumentado de leucócitos e proteínas plasmáticas. 
- A ativação do sistema complemento também 
contribui para a lesão de isquemia-reperfusão. 
Lesão química (tóxica) 
As substâncias químicas induzem lesão celular por um 
dos dois mecanismos gerais: 
• Algumas substâncias químicas atuam diretamente 
pela combinação com um componente molecular 
crítico ou com uma organela celular. Por exemplo, 
no envenenamento por cloreto de mercúrio ele se 
liga aos grupamentos sulfidrila das várias proteínas 
de membrana celular, causando inibição do 
transporte dependente de ATP e aumento da 
permeabilidade da membrana. 
 
• Muitas outras substâncias químicas não são 
biologicamente ativas, mas devem ser primeiro 
convertidas a metabólitos tóxicos reativos, que 
então agem sobre as células-alvo. Essa modificação 
é normalmente realizada pelo citocromo P-450, no 
fígado e outros órgãos. Embora os metabólitos 
possam causar danos à membrana e lesão celular, 
o mecanismo mais importante de lesão envolve a 
formação de radicais livres. 
 
O tetracloreto de carbono (CCl4) — que é amplamente 
utilizado na indústria de limpeza a seco, é convertido, 
principalmente no fígado, ao radical livre tóxico CCl3. 
 
GANGRENA 
É uma forma de evolução da necrose hipóxica 
resultante da ação de agentes externos (ex: bactérias) 
sobre o tecido necrosado 
➢ Geralmente atinge as necroses isquêmicas Tecido 
morto pode ter contaminação por bactérias purulentas 
→ anaeróbios produtores de enzimas que liquefazem 
os tecidos mortos e produzem gases fétidos que se 
acumulam em bolhas juntamente com o material 
liquefeito → liquefação do tecido já necrosado por 
isquemia → gangrena úmida/pútrida → Comum em 
necroses no trato digestivo, nos pulmões e na pele 
 Pode ocorrer também desidratação → tecido 
desidratado/seco com aspecto de pergaminho → 
gangrena seca → extremidades de dedos, de artelhos 
e da ponta do nariz, geralmente por lesões vasculares 
como as que ocorrem no diabetes melito 
Pode ocorrer também gangrena gasosa → forma um 
tecido fétido, com bolhas. É secundária à contaminação 
com microrganismos do gênero Clostridium que 
liberam enzimas proteolíticas e lipolíticas e grande 
quantidade de gás, formando bolhas → É comum em 
feridas infectadas e foi muito frequente na Primeira 
Guerra Mundial, quando, geralmente, era fatal 
APOPTOSE: 
A apoptose é uma via de morte celular, induzida por um 
programa de suicídio no qual as células destinadas a 
morrer ativam enzimas que degradam seu próprio DNA 
e as proteínas nucleares e citoplasmáticas. 
Rapidamente, as células mortas e seus fragmentos são 
removidos antes que seus conteúdos extravasem e, por 
isso, a morte celular por essa via não induz uma reação 
inflamatória no hospedeiro. 
A apoptose difere da necrose, que é caracterizada pela 
perda da integridade da membrana, digestão 
enzimática das células, extravasamento dos conteúdos 
celulares e, frequentemente, uma reação no 
hospedeiro. 
# A apoptose e a necrose algumas vezes coexistem, e a 
apoptose induzida por alguns estímulos patológicos 
progride para a necrose. 
 
CAUSAS DA APOPTOSE: 
ocorre normalmente em muitas situações e funciona 
para eliminar células potencialmente prejudiciais e 
células que tenham sobrevivido mais que sua utilidade. 
É também um evento patológico quando as células são 
lesadas de modo irreparável, especialmente quando a 
lesão afeta o DNA ou as proteínas da célula; nessas 
situações, a célula lesada de modo irreparável é 
eliminada. 
Apoptose em situações fisiolígicas: 
- Destruição programada de células durante a 
embriogênese. A expressão morte celular programada 
foi criada originalmente para denotar a morte de tipos 
celulares específicos, em tempos definidos, durante o 
desenvolvimento de um organismo. 
- Involução de tecidos hormônios-dependentes sob 
privação de hormônio, tal como a célula endometrial, 
que se desprende durante o ciclo menstrual. 
-Morte de células que já tenham cumprido seu papel, 
como os neutrófilos na resposta inflamatória aguda e 
os linfócitos, ao término da resposta imune. 
- Morte celular induzida por linfócitos T citotóxicos, um 
mecanismo de defesa contra viroses e tumores que 
mata e elimina células neoplásicas e infectadas por 
vírus. 
Apoptose em condições patológicas 
A apoptose elimina células que estão geneticamente 
alteradas ou lesadas de modo irreparável, sem iniciar 
uma reação severa no hospedeiro, mantendo mínima a 
lesão tecidual. 
A morte por apoptose é responsável pela perda de 
células em vários estados patológicos: 
- Lesão de DNA. A radiação, as drogas citotóxicas 
anticâncer, os extremos de temperatura e mesmo a 
hipóxia podem lesar o DNA diretamente ou através da 
produção de radicais livres. Se os mecanismos de 
reparo não podem competir com a lesão, a célula 
dispara mecanismos intrínsecos que induzem a 
apoptose. 
OBS: Esses estímulos nocivos causam apoptose se a 
lesão é leve, mas doses maiores do mesmo estímulo 
resultam em morte celular por necrose. 
A indução de apoptose em células cancerosas é um 
efeito desejado dos agentes quimioterápicos, muitos 
dos quais funcionam danificando o DNA 
- Acúmulo de proteínas anormalmente dobradas. As 
proteínas impropriamente dobradas podem surgir de 
mutações nos genes que codificam essas proteínas ou 
devido a fatores extrínsecos, como a lesão causada por 
radicais livres. 
- Lesão celular em certas infecções, particularmente as 
infecções virais, nas quais a perda de células infectadas 
é devida em grande parte à morte apoptótica que pode 
ser induzida pelo vírus. 
- Atrofia patológica no parênquima de órgãos após 
obstrução de ducto, como ocorre no pâncreas, na 
parótida e no rim. 
 
 
 
 
 
MECANISMOS DA APOPTOSE: 
A apoptose resulta da ativação de enzimas chamadas 
caspases. A ativação das caspases depende de um 
equilíbrio finamente sintonizado entre vias 
moleculares pró e antiapoptóticas. Duas vias distintas 
convergem para a ativação de caspase: via mitocondrial 
e via receptor de morte. 
OBS: Embora essas vias possam interagir, geralmente 
são induzidas sob diferentes condições. 
 
Via mitocondrial (intrínseca) da apoptose: 
A escolha entre a sobrevivência e a morte celular é 
determinada pela permeabilidade da mitocôndria, que 
é controlada poruma família de mais de 20 proteínas. 
Quando as células são privadas de fatores de 
crescimento e outros sinais de sobrevivência ou são 
expostas a agentes que lesam o DNA ou acumulam 
quantidades inaceitáveis de proteínas anormalmente 
dobradas, um grupo de sensores é ativado. Esses 
sensores são membros da família Bcl-2, as chamadas 
“proteínas BH3” 
Eles ativam dois membros pró-apoptóticos das famílias 
bax e Bak que se dimerizam e se inserem dentro da 
membrana mitocondrial, formando canais através dos 
quais o citocromo c e outras proteínas mitocondriais 
extravasam para o citosol. Esses sensores também 
inibem as moléculas antiapoptóticas, aumentando o 
extravasamento de proteínas mitocondriais. O 
citocromo c, em conjunto com alguns cofatores, ativa a 
caspase 9. Outras proteínas que extravasam das 
mitocôndrias bloqueiam as atividades dos antagonistas 
das caspases, os quais funcionam como inibidores 
fisiológicos da apoptose. O resultado final é a ativação 
da cascata de caspases, levando, finalmente, à 
fragmentação nuclear. 
As células privadas de fatores de crescimento não 
apenas ativam as proteínas pró-apoptóticas Bax e Bak, 
mas mostram também níveis reduzidos de Bcl-2, 
levando portanto,mais tarde, em direção à morte. 
De modo contrário, se as células forem expostas a 
fatores de crescimento e outros sinais de 
sobrevivência, elas sintetizarão membros 
antiapoptóticos da família Bcl-2. Essas proteínas 
antagonizam Bax e Bak, limitando, portanto, o escape 
das proteínas mitocondriais pró-apoptóticas. 
 
 
Via receptor de morte da apoptose (extrínseca): 
Muitas células expressam moléculas de superfície, 
chamadas receptores de morte, que disparam a 
apoptose. 
A maioria dessas moléculas são receptores membros 
da família do fator de necrose tumoral (TNF) que 
contêm em suas regiões citoplasmáticas um “domínio 
de morte” conservado, assim chamado porque medeia 
a interação com outras proteínas envolvidas na morte 
celular. 
A via receptor de morte está envolvida na eliminação 
de linfócitos autorreativos e na eliminação de células-
alvo por alguns linfócitos T citotóxicos. 
 
Ativação e função das caspases: 
As vias mitocondrial e de receptor de morte levam à 
ativação de caspases desencadeantes, caspase 9 e 8, 
respectivamente. As formas ativas dessas enzimas são 
produzidas e clivam outra série de caspases chamadas 
de caspases executoras. Essas caspases ativadas clivam 
numerosos alvos, culminando na ativação das 
nucleases, que degradam as nucleoproteínas e o DNA. 
As caspases degradam também os componentes da 
matriz nuclear e do citoesqueleto, promovendo a 
fragmentação das células. 
 
 
Remoção das células apoptóticas: 
As células apoptóticas atraem os fagócitos produzindo 
sinais de “coma-me”. 
Em células saudáveis, a fosfatidilserina está presente 
no folheto interno da membrana plasmática, mas nas 
células apoptóticas esse fosfolipídio move-se para fora 
e é expresso no folheto externo da membrana, onde é 
reconhecido pelos macrófagos, levando à fagocitose 
das células apoptóticas. 
Tem sido demonstrado que numerosos receptores de 
macrófagos estão envolvidos na ligação e fagocitose 
das células apoptóticas. Esse processo de fagocitose 
das células apoptóticas é tão eficiente que as células 
mortas desaparecem sem deixar traços e a inflamação 
é virtualmente ausente. 
IMPORTANTE: Mesmo em situações comuns, como a 
isquemia, foi sugerido que a morte celular inicial pode 
ser parcialmente atribuída à apoptose, sendo a necrose 
o tipo dominante de morte celular tardia, com a piora 
da isquemia. 
EXEMPLOS DE APOPTOSE: 
os exemplos selecionados e listados a seguir ilustram o 
papel das duas vias de apoptose na fisiologia normal e 
na doença. 
-privação de fator de crescimento 
- lesão de DNA. 
- acúmulo de proteínas anormalmente dobradas 
- apoptose de linfócitos autorreativos 
Lesão de DNA: A exposição das células à radiação ou a 
agentes quimioterápicos induz lesão de DNA e, se a 
lesão for muito grave para ser reparada, dispara a 
morte por apoptose. 
 
 
-Acúmulo de Proteínas Anormalmente Dobradas: 
Estresse do RE 
Durante a síntese normal de proteínas, as chaperonas, 
no RE, controlam o dobramento de proteínas 
recentemente sintetizadas, e os polipeptídios mal 
dobrados são ubiquitinados e direcionados para a 
proteólise. Entretanto, se proteínas não dobradas ou 
anormalmente dobradas se acumulam no RE devido a 
mutações herdadas ou perturbações ambientais, 
induzem uma resposta celular protetora, chamada de 
resposta de proteína não dobrada (Fig. 1-24). Essa 
resposta ativa as vias de sinalização que aumentam a 
produção de chaperonas e retardam a translação da 
proteína, reduzindo, assim, os níveis de proteínas mal 
dobradas na célula. Em circunstâncias nas quais o 
acúmulo de proteínas mal dobradas ultrapassa essas 
adaptações, o resultado é o estresse do RE, que ativa 
caspases que levam à apoptose. 
A morte celular causada por uma proteína 
anormalmente dobrada é atualmente reconhecida 
como característica de uma gama de doenças 
neurodegenerativas, incluindo as doenças de 
Alzheimer, Huntington e Parkinson, e provavelmente 
diabetes tipo II. 
 
- Apoptose de Linfócitos Autorreativos 
Linfócitos capazes de reconhecer antígenos próprios 
são produzidos normalmente em todos os indivíduos. 
Se esses linfócitos encontram antígenos próprios, as 
células morrem por apoptose. 
A deficiência de apoptose dos linfócitos autorreativos é 
uma das causas de doenças autoimunes. 
 
 
NECROPTOSE 
Morte celular programada independente de caspases 
➢ Morfologicamente e bioquimicamente semelhante 
a necrose, mas não se associa à ativação de caspases e 
pode ser bloqueada por fármacos ou por inibição 
gênica 
Patogeneticamente é desencadeada por esteato-
hepatites, pancreatite aguda, doenças 
neurodegenerativas, em certas infecções virais, por 
ativação de receptores com domínio da morte, após 
agressão por radicais livres, substâncias tóxicas, hipóxia 
ou por sobrecarga de Ca++. 
Ligação a um receptor de superfície (FNTR1) 
Mecanismo não bem conhecido induz o aumento da 
permeabilidade lisossomal, aumento dos ERO, danos 
mitocondriais, depleção de ATP, alteração das 
organelas 
AUTOFAGIA 
A autofagia (“comer a si próprio”) refere-se à digestão 
lisossômica dos próprios componentes da célula. 
Constitui mecanismo de sobrevivência, em períodos de 
privação de nutrientes, de tal modo que a célula 
privada de alimento sobrevive ingerindo seu próprio 
conteúdo e recicla os conteúdos ingeridos para 
fornecer nutrientes e energia 
A autofagia é iniciada por várias proteínas que 
percebem a privação de nutrientes e estimulam a 
formação do vacúolo autofágico. Com o tempo, a célula 
privada de nutrientes não perdurará canibalizando a si 
mesma; nesse estágio, a autofagia pode também 
sinalizar a morte celular por apoptose. 
A autofagia está envolvida também na remoção de 
proteínas anormalmente dobradas, por exemplo, em 
neurônios e hepatócitos. Portanto, a autofagia 
defeituosa pode ser a causa de morte de neurônios, 
induzida pelo acúmulo dessas proteínas, 
subsequentemente gerando doenças 
neurodegenerativas. 
 
 
 
CONGESTÃO E EDEMA 
Em condições normais, quando o sangue passa através 
dos leitos capilares, proteínas plasmáticas são retidas 
na vasculatura e há um movimento líquido de água e 
eletrólitos dentro dos tecidos. Esse equilíbrio quase 
sempre é perturbado por condições patológicas que 
alteram a função endotelial, aumentam a pressão 
vascular ou diminuem o conteúdo de proteína no 
plasma, e tudo isso promove edema. 
HIPEREMIA E CONGESTÃO: 
Hiperemia e congestão se referem a aumento do 
volume sanguíneo em um tecido. 
Hiperemia é um processo ativo resultante da dilatação 
arteriolar e aumento do influxo sanguíneo, como 
ocorre em locais de inflamação ou no músculo 
esquelético em exercício.Congestão (menor retorno venoso) é um processo 
passivo resultante do comprometimento do fluxo de 
saída do sangue venoso de um tecido. Pode ocorrer 
sistemicamente, como na insuficiência cardíaca, ou 
localmente, em consequência de obstrução venosa 
isolada. Os tecidos congestionados têm coloração azul-
avermelhada anormal (cianose) originária do acúmulo 
da hemoglobina desoxigenada na área afetada. 
Congestão e edema normalmente ocorrem juntos 
➢ Congestão é clinicamente percebida como cianose, 
mas nem tudo que é cianose, é congestão (pode 
ocorrer cianose sem congestão associada). Em uma IC 
grave pode ocorrer congestão e cianose 
simultaneamente 
MORFOLOGIA: 
• Congestão pulmonar aguda (maior volume de 
sangue, pulmão mais pesado, ↑volume). Muitas 
hemácias extravasadas, fora do espaço vascular → 
dilatação 
• Congestão pulmonar crônica (macrófagos com 
hemossiderina presentes → hemossiderófagos, 
importante sinal de ICC) 
• Congestão hepática aguda (fígado maior e mais 
pesado, mais avermelhado devido a grande quantidade 
de sangue na região central do lóbulo hepático, relação 
com IC direita) 
• Congestão passiva crônica hepática (fígado em noz 
moscada, alternâncias de áreas escuras e claras, 
refletem a região do lóbulo hepático. Isquemia crônica. 
Volume diminuído porque atrofia. Geralmente há 
algum grau de esteatose). ICC crônica 
 
EDEMA: 
o edema é um acúmulo de fluido intersticial dentro dos 
tecidos. O fluido extravascular também pode se 
acumular em cavidades corporais, como na cavidade 
pleural (hidrotórax), na cavidade percárdica 
(hidropericárdio) ou na cavidade peritoneal 
(hidroperitônio ou ascite). 
Anarsaca é o edema grave, generalizado, caracterizado 
por profundo inchaço dos tecidos subcutâneos e 
acúmulo de fluido nas cavidades corporais. 
 
Os mecanismos do edema inflamatório relacionam-se, 
principalmente, a maior permeabilidade vascular. 
O movimento de fluido entre os espaços vascular e 
intersticial rege-se, sobretudo, por duas forças opostas: 
a pressão hidrostática vascular e a pressão osmótica 
coloide. A pressão hidrostática aumentada ou a 
pressão coloide osmótica diminuída causa maior 
movimento de água para dentro do interstício. Isso, por 
sua vez, aumenta a pressão hidrostática tissular e, 
eventualmente, um novo equilíbrio é alcançado. O 
excesso de fluido do edema é removido por drenagem 
linfática e retornado à circulação sanguínea. 
 
Microcirculação: onde ocorrem as trocas de líquidos 
entre o espaço intravascular e o espaço intersticial ➢ A 
microcirculação é contínua, em condições fisiológicas o 
edema não se desenvolve. 
Quando há alterações nesse equilíbrio (perda da 
barreira vascular, aumento da pressão hidrostática, 
diminuição da pressão oncótica, obstrução dos vasos 
linfáticos) → edema se desenvolve 
 
CAUSAS DO EDEMA (fisiopatologia) 
Aumento da pressão hidrostática: a (compressão da 
parede vascular ↑ pressão da parede). 
Aumentos locais da pressão intravascular podem 
resultar do retorno venoso comprometido — por 
exemplo, uma trombose venosa profunda na 
extremidade inferior pode causar edema restrito à 
porção distal da perna afetada. Aumentos 
generalizados da pressão venosa, com resultante 
edema sistêmico. 
IC descompensada causa edema em decorrência desse 
mecanismo, cirrose hepática (hipertensão porta), 
obstrução do retorno venoso (trombos, compressão 
extrínseca por neoplasias, imobilização, força de 
gravidade em posição ortostática → paciente acamado) 
Vários fatores aumentam a pressão hidrostática venosa 
em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. O 
débito cardíaco reduzido leva à hipoperfusão dos rins, 
deflagrando o eixo renina-angiotensina-aldosterona e 
induzindo retenção de sódio e água, por exemplo. 
Por ser o hiperaldosteronismo secundário uma 
característica comum do edema generalizado, a 
restrição de sal, os diuréticos e os antagonistas da 
aldosterona também são valiosos no tratamento do 
edema generalizado. 
Diminuição da pressão oncótica do plasma: 
Determinada pelas proteínas do plasma (principal 
proteína do plasma é albumina), a ingestão ou 
absorção reduzida de proteínas causa a diminuição da 
pressão oncótica (doenças renais, síndrome nefrótica, 
desnutrição, cirrose hepática, gastroenteropatias) 
Na síndrome nefrótica os capilares glomerulares 
danificados passam a extravasar, levando à perda de 
albumina (e de outras proteínas plasmáticas) na urina 
e ao desenvolvimento de edema generalizado. 
OBS: ocorre redução da síntese de albumina no quadro 
de doença hepática grave (ex:cirrose) e desnutrição 
proteica. 
 
Obstrução linfática (linfedema): 
Líquido acumulado no espaço intersticial drena para os 
vasos linfáticos, se há obstrução, esse líquido extravasa 
(inflamações, parasitoses como filariose, neoplasias em 
linfonodos, retirada cirúrgica de linfonodos como no 
câncer de mama, radioterapia). 
Linfonodo Sentinela: exemplo com CA de mama → as 
células malignas se disseminam para os linfonodos 
regionais (nesse caso, axilares). Na investigação do 
linfonodo sentinela se injeta um corante na região dos 
linfonodos próximos do tumor (nesse caso, na axila) → 
o primeiro linfonodo a ficar azulado é o primeiro 
linfonodo da cadeia linfática, chamado Linfonodo 
Sentinela, retira-se esse linfonodo e verifica-se a 
presença ou não de tumor (se o linfonodo sentinela 
tiver tumor, retiram-se todos os linfonodos, caso não 
haja tumor, não há necessidade de remover os 
linfonodos → pode causar edema) 
 
Retenção de sódio e água: 
A excessiva retenção de sal (e obrigatoriamente sua 
água associada) pode induzir o edema aumentando a 
pressão hidrostática (devido à expansão do volume 
intravascular) e reduzindo a pressão osmótica 
plasmática. 
 
MORFOLOGIA (O edema pode ser): 
1. Subcutâneo (facilmente identificado, forma cacifo). 
Diferentes distribuições relacionadas com a causa. 
Pode ser difuso ou localizado 
- Na ICC depende do decúbito 
- Na disfunção renal o edema é sempre generalizado 
2. Pulmonar 
Insuficiência Cardíaca Esquerda (ICE), Síndrome da 
Angustia Respiratória Adulta (SARA), infecções, reações 
de hipersensibilidade. Em necropsias, pesa-se os 
pulmões para avaliar → líquido espumoso e rosado é 
característico de edema pulmonar, além do aumento 
de peso 
Edema Agudo de Pulmão: presença de líquido 
espumoso e rosado dentro dos espaços alveolares e 
dentro das vias respiratórios (brônquios e traqueia) → 
em processos graves, o paciente pode eliminar esse 
líquido pela cavidade oral 
Na microscopia: alvéolos distendidos de forma 
compensatória e outros alvéolos preenchidos com 
líquido rosado 
3. Cerebral 
Localizado ou difuso. Pode ser decorrente de abcesso, 
neoplasias, crises hipertensivas, encefalite ou 
obstrução do fluxo venoso 
Cérebro aumenta de tamanho, mas não consegue se 
expandir por conta das limitações da calota craniana → 
achatamento dos giros e estreitamento dos sulcos 
Tecido mais brilhante, limites anatômicos das 
estruturas fica borrado 
 
 
TROMBOSE E EMBOLIA 
A hemostasia normal consiste em uma série de 
processos regulados que mantêm o sangue em estado 
fluido, sem coágulos, nos vasos normais, formando ao 
mesmo tempo e rapidamente um tampão hemostático, 
localizado no sítio de lesão vascular. A contraparte 
patológica da hemostasia é a trombose. 
Tanto a hemostasia como a trombose envolvem três 
elementos: parede vascular, plaquetas e cascata de 
coagulação. 
Trombose: processo patológico caracterizado pela 
solidificação do sangue dentro dos vasos ou do 
coração, no indivíduo vivo 
Coágulo: massa não estruturada de sangue fora dos 
vasos ou do coração, formada por coagulação pós-
morte. 
TRÍADE DE VIRCHOW 
3 elementos para o desenvolvimento da trombose: • 
•Lesão Endotelial* 
• Alteração do fluxo 
• Hipercoagulabilidade 
1- LESÃO ENDOTELIAL Não precisa que ocorra umdesnudamento ou necrose da célula, podem ser 
alterações sutis e morfologicamente imperceptíveis, já 
são suficientes para promover trombose 
Células endoteliais normais expressam uma variedade 
de fatores anticoagulantes que inibem a agregação 
plaquetária e a coagulação, e promovem fibrinólise; 
após a lesão ou a ativação, porém, esse equilíbrio se 
altera, e as células endoteliais adquirem numerosas 
atividades pró-coagulante. 
 
2- ALTERAÇÕES NO FLUXO LAMINAR 
O normal é as células ficarem no centro (mais rápidas) 
e o plasma na periferia (mais lento) 
Estase: fluxo estagnado, isso ocorre junto com o 
aumento da pressão hidrostática → vazamento de 
líquidos do espaço intravascular para o espaço 
extracelular, o que faz com que os elementos celulares 
fiquem amontados. Proximidade das células com o 
endotélio causam alterações, como a isquemia, fluxo 
mais lento, sangue com baixo teor de O₂, desequilibro 
entre as forças coagulantes e anticoagulantes 
Turbulência: Dilatação vascular (como um aneurisma) 
Bifurcação e ramificações. A turbulência contribui para 
trombose arterial e cardíaca por causar lesão ou 
disfunção endotelial, e também por formar 
contracorrentes e bolsas locais de estase. A estase é um 
fator importante no desenvolvimento de trombos 
venosos. 
estase e fluxo sanguíneo turbulento (caótico) têm os 
seguintes efeitos deletérios: 
• Ambos promovem a ativação das células endoteliais 
e aumentam a atividade pró-coagulante. 
• A estase também torna lenta a eliminação dos fatores 
de coagulação ativados e impede o influxo de 
inibidores de fator de coagulação. 
 
O fluxo sanguíneo turbulento e estático contribui para 
a trombose. 
Dilatações aórticas e arteriais anormais, chamadas 
aneurismas, criam estase local e, consequentemente, 
um local para trombose. O infarto agudo do miocárdio 
resulta em não contração focal do miocárdio. O 
remodelamento ventricular após infarto mais remoto 
pode levar à formação de um aneurisma. 
 
3- HIPERCOAGULABILIDADE 
É infrequente a contribuição da hipercoagulabilidade 
para a trombose arterial ou intracardíaca, mas é um 
importante fator de risco subjacente para trombose 
venosa. 
A hipercoagulabilidade primária (herdada) com mais 
frequência é causada por mutações no fator V 
(mutação de Leiden) e nos genes da protrombina. 
Os estados hipercoaguláveis primários menos comuns 
incluem deficiências herdadas de anticoagulantes, 
como antitrombina III, proteína C ou proteína S; os 
pacientes afetados tipicamente apresentam trombose 
venosa e tromboembolismo recorrente na 
adolescência ou no início da vida adulta. 
 
Secundário (adquirido): Síntese aumentada de fatores 
pró-coagulantes ou diminuição de fatores 
anticoagulantes 
 
• Fumantes 
• Idosos 
• Fibrilação atrial infarto do miocárdio, lesão tecidual 
(cirurgia, fratura, queimadura) * 
• Sedentarismo, imobilização por tempo prolongado* 
• Neoplasias malignas extensas e avançadas (células 
tumorais sintetizam fatores pró-coagulantes) 
• Hormônios, AC oral, gestações (hipercoagulabilidade 
pelo aumento da síntese hepática dos fatores de 
coagulação e redução da síntese de antitrombina III) 
• Obesidade 
MORFOLOGIA DO TROMBO: 
Os trombos, em geral, estão firmemente aderidos em 
seu local de origem e tipicamente se propagam na 
direção do coração. Assim, os trombos arteriais 
crescem em direção retrógrada ao ponto de aderência, 
enquanto os venosos se alongam na direção do fluxo 
sanguíneo. 
A porção propagante de um trombo tende a fixar-se 
mal e, portanto, é propensa a fragmentação e migração 
através do sangue como êmbolo. 
Os trombos podem ter laminações macroscopicamente 
(e microscopicamente) aparentes chamadas linhas de 
Zahn; essas linhas são encontradas em trombos que se 
formam em sangue fluido. 
Trombos Murais: ocorrem nas câmaras cardíacas ou no 
lúmen aórtico 
A contração miocárdica anormal ou a lesão 
endomiocárdica promovem os trombos cardíacos, 
enquanto as placas ateroscleróticas ulceradas e a 
dilatação aneurismática promovem trombose aórtica. 
Oclusivo: artérias menores e veias. Locais de estase 
Vermelho: venoso → Flebotrombose (90% afeta as 
veias das extremidades inferiores) 
Branco: arterial 
Mistos: são os mais comuns 
Hialinos: arteríolas e vênulas 
 
 
 
CARACTERISTICAS MACROSCÓPICAS DO TROMBO: 
- Dividido em cabeça, corpo e cauda 
➢ O corpo é sempre de acordo com o ponto de adesão 
na parede vascular, a cauda é posterior, em direção a 
câmara cardíaca e mais longa, cabeça fica à 
frente/acima do corpo 
- Secos, opacos e friáveis 
- Adesão à parede 
- Linhas de Zahn → “gordura de galinha” com aspecto 
de casca de cebola, padrão laminar concêntrico com 
alternação de fibrina e hemácias 
As Linhas de Zahn são laminações concêntricas de 
fibrina, plaquetas e hemácias e podem ser vistas macro 
e microscopicamente. 
 
EVOLUÇÃO DO TROMBO: 
Crescimento/propagação do trombo: O trombo 
aumenta por acréscimos de plaquetas adicionais e 
fibrina, que aumentam a margem de oclusão ou 
embolização .vascular 
Embolização: os trombos se desalojam e se deslocam 
para outros locais 
Lise/Dissolução: a fibrinólise desmancha o trombo. 
Não há como saber qual trombo vai sofrer lise e qual 
não vai. 
Organização: substituição do trombo por um tecido 
conjuntivo vascularizado, a partir do ponto de adesão 
da parede se inicia uma reação inflamatória → forma 
tecido conjuntivo vascularizado, que pode ocluir a luz 
vascular ou pode ficar incorporado a parede. Esse 
tecido conjuntivo cicatricial não regride, fica ali para 
sempre 
Calcificação: deposição de sais de cálcio, trombo fica 
inativado por essa deposição. 
Infecção: processos infecciosos levam a lesão 
endotelial pela ativação de mediadores químicos que 
lesionam a parede vascular. Na área cardíaca, 
favorecem o surgimento de trombos rugosos 
(vegetações vasculares) 
 
 
 
 
ASPECTOS CLÍNICOS: 
Significação clínica quando obstruem vasos ou 
embolizam. Dependendo da extensão e do vaso 
acometido podem causas a morte 
Assim, embora os trombos venosos possam causar 
congestão e edema distais, a embolização é mais 
significativa clinicamente (exemplo: da veia profunda 
da perna até o pulmão) 
Por outro lado, embora os trombos arteriais possam 
embolizar, a obstrução vascular (que causa infartos 
miocárdicos ou cerebrais) é muito mais importante 
Flebotrombose (trombose venosa): fatores 
predidponentes repouso e imobilização, trauma, 
cirurgias, queimaduras, idade avançada, ICC 
Ocorre com mais frequência em veias profundas (Veias 
Poplíteas, Femorais e Ilíacas) ou superficiais (Veias 
Safenas Varicosas) da perna. Trombos em veias 
profundas tem maior risco de embolização 
➢ Embora tais TVPs possam causar dor local e edema, 
a obstrução venosa normalmente é compensada pelo 
fluxo colateral, sendo as tromboses de veia profunda 
assintomáticas em aproximadamente 50% dos 
pacientes e reconhecidas somente após a embolização. 
 
Trombose arterial e cardíaca: relacionada a 
aterosclerose e infartos do miocárdio 
Trombos murais cardíacos e aórticos podem embolizar 
perifericamente; cérebro, rins e baço são os principais 
alvos. 
 
EMBOLIA 
Consiste na existência de um corpo sólido, líquido ou 
gasoso (êmbolo) transportado pelo sangue, capaz de 
obstruir um vaso 
A maioria dos êmbolos surgem de trombos → 
tromboembolismo 
Pode causar uma obstrução parcial ou total/oclusiva 
ÊMBOLOS VENOSOS: vão para os pulmões 
ÊMBOLOS ARTERIAIS: vão para o cérebro, intestino, 
rins, baço e membros inferiores (75%) 
 
 
TROMBOEMBOLISMO PULMONAR: 
Principal causa de morte por doença pulmonar em 
pacientes hospitalizados . 60%-80% são silenciosos. 
Morte súbita quando 60% ou mais da circulação 
pulmonar é comprometida. um êmbolo grande que 
bloqueia uma grande artéria pulmonar pode causar 
morte súbita. 
Com frequência, ocorrem múltiplos êmbolos,sequencialmente ou como uma saraivada de êmbolos 
menores provenientes de um trombo único e maior; 
um paciente que teve um êmbolo pulmonar está em 
grande risco de ter mais trombos. 
Aembolia para pequenos ramos pulmonares nas 
terminações arteriolares normalmente causa infarto. 
- Múltiplos êmbolos, que ocorrem com o tempo, 
podem causar hipertensão pulmonar e insuficiência 
ventricular direita (cor pulmonale). 
Evolução do tromboembolismo pulmonar: 
• Lise 
• Organização 
• Recanalização (quando os vasos se orientam de tal 
forma que atravessam o trombo e recuperam 
parcialmente o fluxo sanguíneo) 
 
TROMBOEMBOLISMO SISTÊMICO: 
80% intracardíacos (maioria associado ao infarto), de 
dentro do coração ou de grandes vasos 
Em oposição aos êmbolos venosos, que se alojam 
principalmente no pulmão, os êmbolos arteriais podem 
se deslocar praticamente para qualquer parte 
Refere-se a êmbolos na circulação arterial 
Aneurisma aórtico (grande vaso) 
• Placas ateroscleróticas → causam lesão endotelial 
(com o desenvolvimento do trombo ela pode 
fragmentar-se e ganhar a circulação e ter um impacto 
distante de seu ponto de origem) 
• Vegetações valvulares 
• Êmbolo paradoxal → quando o trombo tem origem 
na circulação venosa e por um defeito de septo 
interatrial ou interventricular ele vai para a circulação 
arterial 
As consequências dos êmbolos arteriais dependem de 
suprimento vascular colateral, vulnerabilidade 
tecidual, isquemia e calibre do vaso; a maioria dos 
êmbolos arteriais causa infarto tecidual. 
 
EMBOLIA GORDUROSA 
A lesão por esmagamento de tecido mole ou a ruptura 
de sinusoides vasculares medulares (fratura de osso 
longo) libera na circulação glóbulos de gordura 
microscópicos. 
Uma minoria de pacientes desenvolve embolia de 
gordura sintomática, caracterizada por insuficiência 
pulmonar, erupção cutânea neurológica, anemia, 
trombocitopenia e erupção petequial difusa, que é fatal 
em 10% dos casos. 
Os sinais clínicos e sintomas aparecem 1-3 dias após a 
lesão, como o início súbito de taquipneia, dispneia, 
taquicardia, irritabilidade e agitação, que podem 
progredir rapidamente para delírio ou coma. 
Promove agregação plaquetária e irritação endotelial 
→ corpo estranho dentro da circulação 
A patogenia da síndrome dos êmbolos de gordura 
envolve obstrução mecânica e lesão bioquímica. A 
patogênese envolve obstrução mecânica por 
microêmbolos neutros de gordura, seguida por 
agregação plaquetária e eritrocitária local. A 
subsequente liberação de ácido graxo causa lesão 
tóxica ao endotélio; a ativação de plaqueta e o 
recrutamento de granulócitos contribuem para os 
radicais livres, proteases e eicosanoides. 
Edema e hemorragia (e membranas pulmonares 
hialinas) podem ser vistas microscopicamente 
Consequências relacionadas a obstrução vascular e a 
irritação bioquímica 
Principais destinos: pulmões e SNC 
Causas: 
• Fratura de ossos longos (politraumatismo) 
• Traumatismo extenso ou queimadura do tecido 
adiposo 
• Lipoaspiração 
 
EMBOLIA GASOSA 
Ar entra dentro da circulação → corpo estranho 
Sintomas surgem quando há grandes volumes de ar 
(>100mL) 
Bolhas de gás na circulação podem coalescer e obstruir 
o fluxo vascular causando lesão isquêmica distal. 
1- Procedimentos obstétricos (pós-parto após a 
debridação da placenta, contração uterina faz com que 
a pressão fique muito negativa e propicia entrada de ar) 
2- Lesão da parede torácica (fratura de costelas) 
3- Doença da descompressão (“mal dos caixões”) → 
grandes pressões atmosféricas, gases se dissolvem no 
sangue e no momento da descompressão brusca, esse 
gás sai da circulação e forma bolhas 
IMPORTANTE: Uma forma particular de embolia 
gasosa, chamada doença da descompressão, é causada 
por alterações súbitas na pressão atmosférica 
As bolhas gasosas na vasculatura pulmonar causam 
edema, hemorragias e atelectasia focal ou enfisema, 
levando à angústia respiratória, as chamadas 
sufocações. 
Uma forma mais crônica da doença da descompressão 
é a chamada doença dos caixões, na qual êmbolos 
gasosos recorrentes ou persistentes nos ossos levam à 
necrose isquêmica multifocal; com mais frequência são 
afetadas as cabeças dos fêmures, tíbias e úmeros. 
A doença da descompressão aguda é tratada 
colocando-se a pessoa afetada em uma câmara de alta 
pressão, para forçar o gás a voltar à solução, E 
subsequente descompressão lenta. 
 
EMBOLIA AMNIÓTICA: 
Mortalidade de até 80%, as que sobrevivem são 85% de 
déficit neurológico 
Ocorre dispneia súbita e grave, cianose e choque 
hipotensivo, seguido por convulsões e coma. 
Sintomas: Dispneia, cianose, choque, alterações 
neurológicas 
Causas: A causa de base é a entrada do líquido 
amniótico (e seus conteúdos) na circulação materna via 
lacerações nas membranas placentárias e/ou ruptura 
da veia uterina. 
Compromete a circulação pulmonar, pacientes 
suscetíveis a lesão bioquímica endotelial (agregação 
plaquetária). Quadro grave, com evolução desfavorável 
e alta mortalidade 
• A ativação bioquímica da coagulação e do sistema 
imune são responsáveis pela morbidade e mortalidade, 
mais do que a obstrução mecânica vascular. 
 
o A embolia gasosa é exemplificada pelo mal dos 
caixões 
o A embolia sólida tumoral é uma via de disseminação 
de neoplasias malignas 
o Na embolia amniótica pode-se encontrar elementos 
celulares fetais em pulmões 
o A embolia gordurosa manifesta-se inicialmente por 
disfunção respiratória e neurológica

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