Prévia do material em texto
1
2
3
João José Saraiva da Fonseca
Osvaldo Neto Sousa Costa
METODOLOGIA DO
ENSINO DA MATEMÁTICA
1ª Edição
Sobral/ 2017
4
5
Sumário
Apresentação do Professor
Sobre os autores
Unidade de Estudo I: A História da Matemática
Introdução
Origem
A Matemática no século XX
A Matemática no Brasil
O Ensino da Matemática
Etnomatemática
A História da Matemática
Matemática Crítica
Modelagem Matemática
Resolução de Problemas
Contribuição da resolução de problemas para o Ensino da Matemática
Modelo para resolução de problemas
Diferença entre problema e exercício
O professor e a formação para o Ensino da matemática
Unidade de Estudo II: Epistemologia do pensamento matemático
A Epistemologia Genética de Jean Piaget
A construção do pensamento lógico matemático
Provas Operatórias de Piaget
Unidade de Estudo III: O ensino da Matemática e as competências para o
cotidiano
6
Elementos essenciais para o Ensino da Matemática
Avaliação Matemática
O Currículo do Ensino da Matemática a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais
A Comunicação Matemática
Bibliografia
Bibliografia Web
7
Apresentação do Professor
A Matemática está inserida na vida do ser humano, de forma que, está
presente em tudo que fazemos ou desenvolvemos. Portanto, é necessário que seja
trabalhada nas séries iniciais do ensino fundamental como instrumento de leitura,
interpretação e análise de problemas que, as crianças enfrentam no cotidiano. A
busca pela resolução, e solução de problemas faz revisar concepções, modificar
ideias antigas, inventar procedimentos e elaborar novos conhecimentos.
Dentro desta perspectiva é necessário ajudar o estudante a aprender
matemática e a organizar situações didáticas que, contribuam efetivamente para que
ele se envolva em atividades intelectuais.
Esta disciplina foi estruturada com o objetivo de propiciar reflexões sobre a
Metodologia do Ensino de Matemática, bem como propor discussões com os mais
atuais teóricos em Educação Matemática, objetivando estruturar sua prática
pedagógica.
Seu aproveitamento efetivo é necessário para que a disciplina lhe ofereça
estratégias didáticas interessantes e aplicáveis em sala de aula. A troca de
experiências produz novos conhecimentos.
Os autores!
8
Sobre os autores
João José Saraiva da Fonseca, pós-Doutor em Educação pela Universidade de Aveiro em
Portugal, Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2008),
Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1999)
(validado no Brasil pela Universidade Federal do Ceará), Especialista em Educação
Multicultural pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1994). Graduou-se em
Ensino de Matemática e Ciências pela Escola Superior de Educação de Lisboa
(validado no Brasil pela Universidade Estadual do Ceará). Pesquisador na área da
produção de conteúdo para educação a distância. Atualmente desempenha a função
de Pró-Diretor de Inovação Pedagógica das Faculdades INTA - Sobral CE.
Osvaldo Neto Sousa Costa, Especialista em Gestão, Supervisão e Orientação
Educacional. Graduado em Pedagogia, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú
(UVA). Atua como professor efetivo na Escola de Ensino Fundamental Inácia Ro-
drigues/ Cariré- CE. Possui experiência docente em Institutos de Educação Superior,
atuando em disciplinas nos cursos de licenciatura.
9
A História da
Matemática
1
10
11
Introdução
Aprender matemática é um direito básico de todas as pessoas e uma
resposta às necessidades individuais e sociais de natureza cultural, prática e cívica
que tem a ver ao mesmo tempo com o desenvolvimento dos estudantes enquanto
indivíduos e membros da sociedade. Neste sentido, seria impensável que não se
proporcionasse a todos a oportunidade de aprender matemática de um modo
realmente significativo. Isto implica que todas as crianças e jovens devem ter
possibilidade de constatar, a um nível apropriado, com as ideias e os métodos
fundamentais da matemática e de apreciar o seu valor e a sua natureza. A
matemática pode contribuir de um modo significativo e insubstituível, para ajudar os
estudantes a se tornarem indivíduos não dependentes, mas pelo contrário
competentes críticos e confiantes nos aspectos essenciais em que a sua vida se
relaciona com a matemática (ABRANTES; SERRAZINA ; OLIVEIRA, 1999).
Origem
A matemática ('ciência', conhecimento' ou 'aprendizagem'=inclinado a
aprender') é a ciência do raciocínio lógico e abstrato. A matemática estuda
quantidades, medidas, espaços, estruturas, variações e estatísticas.
A História da matemática parte do princípio de que o estudo da construção
histórica do conhecimento matemático leva a uma maior compreensão da evolução
do conceito. (D’AMBROSIO, 1989).
Os homens das cavernas não conheciam os números e nem sabiam contar.
No decorrer dos anos sentiram a necessidade de utilizar a contagem. Com isso
surgiu os números. Nesse período o homem realizava atividades como: a caça e
pesca, plantar, criar animais. A partir do momento que sentiram a necessidade de
verificar se havia perdido algum animal, passava a representá-lo com uma pedra, a
cada animal que saia para pastar, uma pedra era separada.
Com o passar do tempo houve a necessidade de efetuar contagens mais
extensas, com isso cada civilização desenvolveu o seu próprio sistema numérico de
12
forma sistematizada. No antigo Egito foi desenvolvido um sistema de base 101, na
Babilônia foi desenvolvido um sistema com base 60, na Grécia um sistema de
representação alfabético, já na Índia utilizavam um sistema decimal.
Mas, o que é sistema numérico decimal?
Uma parte significativa do que se denomina hoje matemática provém de
ideias que originalmente estavam centradas nos conceitos de número, grandeza e
forma. Em um determinado período considerou-se que a matemática se ocupava no
mundo em que nosso sentido percebia. A partir do século XIV a matemática pura
libertou-se das limitações sugeridas apenas pela natureza. Ao analisar o surgimento
evolutivo desta disciplina parece pouco provável que tal noção tenha sido uma
descoberta apenas de um individuo, ou de uma tribo. O seu surgimento deu-se de
forma gradual surgida tão cedo no desenvolvimento humano quanto ao uso do fogo,
talvez haja 3.000 anos.
É suposto que o surgimento da matemática venha em resposta a
necessidades práticas, entretanto estudos antropológicos sugerem outras
possibilidades de origem. Estudos relevantes apontam que a arte de contar surgiu
com uma conexão entre rituais religiosos primitivos e que o aspecto ordinal
precedeu o conceito quantitativo. O conceito de número inteiro se perdeu com o
O sistema decimal é um sistema de numeração de posição que
utiliza a base dez. Os dez algarismos indo-arábicos : 0 1 2 3 4 5 6 7
8 e 9 servem para contar unidades, dezenas, centenas, etc. Da
direita para a esquerda, cada algarismo tem um valor diferente
segundo sua posição no número: assim, em 111, o primeiro
algarismo significa 100, o segundo algarismo 10 e o terceiro 1.
Fonte: http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia_numeros.pdf
http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia_numeros.pdf
13
tempo da antiguidade pré-histórica. Se a história dos números nos parece imprecisa
imagine a aplicação na geometria.
PARA SABER MAIS:Leia a obra: Introdução à História da Matemática. Nesta obra, o autor
narra a História da Matemática desde a Antiguidade.
A Matemática no século XX
A matemática proposta no século XX foi essencialmente caracterizada por
tendências que já eram percebidas no fim do século XIX. A ênfase dada nas
estruturas subjacentes comuns, que indicam correspondências entre áreas da
matemática que tinham sido consideradas até aquele momento, é uma teoria que
pode se configurar nesta tendência. Dentre os aspectos mais notáveis, na
matemática contemporânea, vem o ressurgimento da geometria, ainda que em
forma moderna. Ao findar o século as atitudes com relação ao futuro da matemática,
não estão de acordo com os pensamentos pessimistas do final do século XVIII, nem
o otimismo de Hilbert (todo problema matemático bem colocado tem uma solução)
ao fim do século XIX. Parece que a História é apoiada pela reflexão de André Weil,
que surgiu em um período ainda mais sombrio. (BOYER, 2003).
Baseado no estruturalismo de Bourbaki e Piaget resultou em uma reforma
mundial de ensino, conhecida como Matemática Moderna. Com a pretensão de livrar
cálculos sem sentido e com a reforma da Matemática Moderna incentivou a criação
de grupos de estudos e pesquisas com a finalidade de transformar a instrução
matemática em educação matemática. (D’ AMBRÓSIO, 2007).
A instrução matemática era entendida como a transmissão de conhecimento,
pois o estudante não tinha a possibilidade de exercitar seu raciocínio enquanto que
14
a educação matemática, o estudante tinha a possibilidade de pensar por si próprio.
Diante da ruptura histórica, a vida contemporânea e o advento das novas
tecnologias passaram a depender do computador. De acordo com D’ Ambrosio
(1989) o uso de computadores: procura possibilitar ao estudante criar e fazer
matemática, assumindo fazer parte integrante do processo de construção de seus
conceitos.
Matemática no Brasil
No Brasil, a História da Matemática indica que a formação do matemático
voltada para a pesquisa, teve seu marco na década de 30, conforme destaca
D’Ambrósio (2007, p.56):
(...) Em 1933 foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade de São Paulo e logo em seguimento a Universidade do Distrito
Federal, foi mudada em Universidade do Brasil em 1937. Nessas
instituições inicia-se a formação dos primeiros pesquisadores Modernos de
Matemática no Brasil. (...)
Foi através da criação das Faculdades de Letras, Filosofia e Ciências que,
surgiram os primeiros cursos de licenciatura para formação de professores de
matemática do antigo ginásio que, corresponde ao então atual 6º ao 9° ano. Nesse
período, as séries iniciais eram de responsabilidade de professores oriundos do
curso normal equivalente ao ensino médio atual, com a disciplina matemática nas
três séries. No entanto, o modelo adotado nas licenciaturas era de três anos
dedicados ao estudo da matemática e ao término do curso o estudante recebia o
titulo de bacharel. Com mais um ano no curso com as disciplinas pedagógicas,
como: Didática Geral, Didática Especial da Matemática e Psicologia da Criança e do
Adolescente, o estudante adquiria o titulo de licenciado para ensinar matemática.
A literatura utilizada nessa época era de origem francesa com uma
mesclagem de algumas produções didáticas brasileiras, dos quais se merece
destaque, a de Júlio Cesar de Melo e Souza no qual se inspirou na literatura árabe e
passou a escrever sobre o pseudônimo de Malba Tahan, as coleções de Jácomo
15
Stávale, Ary Quintella e Algacyr Munhoz Maeder, também são de importância para a
História da Matemática no Brasil.
O Brasil passou três décadas nos moldes tradicionais sem propostas de
inovação, apenas nos conteúdos sugeridos por essas literaturas. Na década de 60,
surgiu o primeiro grupo de estudos de matemática, liderado por Osvaldo Sangiorgi,
em São Paulo.
Posteriormente começaram a surgir novos grupos nos Estados do Rio
Grande do Sul e Rio de Janeiro, justamente no período em que diferentes países do
mundo passaram a discutir questões relativas à educação matemática, influenciada
pelo movimento da Matemática moderna. Esse movimento marcou o inicio de
mudanças na metodologia do ensino da Matemática, dessa forma começou a
conceber uma lógica de organização das operações realizadas dentro do universo
de conjuntos numéricos em consonância com teoremas, fórmulas, axiomas e
demonstrações peculiares ao conhecimento matemático.
Atualmente, o professor de Matemática das séries iniciais do Ensino
Fundamental é formado pelo curso de Licenciatura Plena em Pedagogia,
trabalhando com turmas do 6° ao 9° ano, enquanto que para o Ensino Médio são
formados em licenciatura plena em Matemática.
O Ensino da Matemática
As tendências pedagógicas mencionam às concepções teóricas dos
modelos pedagógicos que, são estruturadas para qualquer tipo de saber, inclusive o
matemático. Elas foram elaboradas por Dermeval Saviani (1991) que desenvolveu
um esquema lógico baseado na criticidade. As teorias foram classificadas em:
“teorias não-críticas” e “teorias críticas”.
O quadro abaixo mostra de forma literal ou sintética as ideias de Dermeval
Saviani (1990):
16
Classificação das Teorias
Concepções Teóricas / Modelos Pedagógicos
Não – Críticas (liberais)
Pedagogia Tradicional
Ensino Tradicional
Concepção Humanista Moderna Escola Nova (Pedagogia Renovada)
Concepção Humanista Moderna Tecnicista
Crítico Reprodutivistas
Violência Simbólica: não apresentam propostas pedagógicas, visto que entendem a
escola como instrumento de reprodução das condições sociais. Fundamentos
Metodológicos do Ensino de Língua Portuguesa- Revisão
Dialéticas Pedagogia Histórico-Crítica: excluindo experiências esporádicas
Progressistas - Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. Esta corrente encontra
pouca ressonância na prática pedagógica dos educadores brasileiros.
Pedagogia Libertadora: tem sido empregada com êxito em vários setores dos
movimentos sociais (sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas e
alfabetização de adultos).
A partir dos conhecimentos sobre as tendências pedagógicas, os
responsáveis pelo ensino da matemática, propõem que o ensino não poderia mais
continuar dentro dos moldes tradicionais, e partiram para a busca de alternativas
que colocassem o processo de ensino e aprendizagem dentro das práticas
pedagógicas em sintonia com modelos mais atuais de educação.
Desta forma, existem cinco modelos de tendências para o ensino de
matemática que são denominadas: Etnomatemática, História da Matemática,
Matemática Crítica, Modelagem Matemática e Resolução de Problemas. Será
definida de forma sintética cada uma dessas tendências:
17
Etnomatemática
O prefixo Etno é semelhante à etnia, um grupo de pessoas que possuem a
mesma língua, a mesma cultura e os mesmos rituais religiosos. Para D’Ambrósio
(1993), a etnomatemática “é a matemática usada por um grupo cultural definido na
solução de problemas e nas atividades do dia a dia”. O termo surgiu, após o
fracasso da Matemática tradicional, que possuía um componente comum, uma só
visão, uma só verdade. Sem espaço para questionamentos. Paralelamente ao
ensino tradicional crescia uma corrente alternativa entre os educadores, que
percebiam que não havia espaço dentro da matemática para o saber empírico do
estudante.
Etnomatemática valoriza a matemática dos diferentes grupos culturais.
Propõe-se uma maior valorização dos conceitos matemáticos informais construídos
pelos estudantes através de suas experiências, fora do contexto da escola.
(D’AMBROSIO, 1989).
Segundo D’Ambrósio (1993), o conceito de etnomatemática é um corpo de
artes, técnicas, modo de conhecer, explicar e entender em ambientes com diferentes
culturasas competências e habilidades de comparar, classificar, ordenar, medir,
contar, inferir e transcender através do saber matemático e outros que fluem do
ambiente natural e cultural dos seres humanos.
O programa Etnomatemática, tem em sua proposta um rompimento de
parâmetros do ensino tradicional, quando propõe uma adequação sociocultural
através de formas de trabalhar, que estejam de acordo com o cotidiano dos mais
diferentes espaços naturais da sobrevivência humana:
O Programa Etnomatemática tem importantes implicações
pedagógicas. Educação é, em geral, um exercício de criatividade.
Muito mais de transmitir ao aprendente teorias e conceitos feitos,
para que ele as memorize e repita quando solicitado em exames e
testes, a educação deve fornecer ao aprendente os instrumentos
comunicativos, analíticos e tecnológicos necessários para sua
sobrevivência e transcendência. Esses instrumentos só farão sentido
se referidos à cultura do aprendente ou explicitados como tendo sido
18
adquiridos de outra cultura ou inserido num discurso crítico. O
programa Etnomatemática destaca a dinâmica e a crítica dessa
aquisição. (D’AMBROÓSIO, 1993, p.3)
A etnomatemática é um programa de um campo de pesquisa com uso na
prática pedagógica do ensino de matemática, que foge dos modelos tradicionais
quando abre espaço para um sistema que utiliza tecnologia da informação e
comunicação, ajustando-se nas exigências de uso dos saberes matemáticos no
contexto sociocultural dos ambientes naturais dos seres humanos. É um misto de
ciência pura, entendida como verdade absoluta e ciência advinda do saber popular.
Esse misto consegue juntar harmoniosamente ciência e sabedoria popular.
Segundo Sebastiani Ferreira (1997), considera a etnomatemática como uma
proposta metodológica, em que os estudantes são preparados para realizar
pesquisa de campo. O procedimento de coleta de dados, que culmina com a análise
da pesquisa em sala de aula, a ação mais importante consiste no retorno nos
resultados da pesquisa de campo à comunidade. De acordo com ele, “... o Programa
Pedagógico da Etnomatemática é [...] um dos paradigmas mais completos da
educação de hoje” (FERREIRA, 1997, p.44).
A História da Matemática
A tendência da Educação Matemática propõe colocar a construção histórica
do pensamento matemático como, mecanismo de compreensão da evolução dos
conceitos, dando ênfase aos obstáculos das dificuldades epistemológicas inerentes
a sua evolução. A metodologia utilizada pela História da Matemática em sala de
aula ou pesquisas conduz os estudantes ou pesquisadores a verificar que, as
teorias expostas como acabadas, resultam sempre em desafios da sociedade. Para
os matemáticos, o grande esforço, quase sempre é diferente dos resultados
obtidos e mostrados após o processo de descoberta.
Dentro desse contexto, o conhecimento matemático é exposto como uma
criação humana em diferentes culturas e momentos históricos da evolução. Essa
19
ação poderá ser usada pelos professores, para desenvolver junto aos estudantes
atitudes e valores dados ao desenvolvimento da relevância pelo estudo matemático.
Sobre isto, vale a pena observar as considerações:
Ao revelar a matemática como uma criação humana, ao mostrar
necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes
momentos históricos, ao estabelecer comparações entre os
conceitos e processos matemáticos do passado e do presente, o
professor tem a possibilidade de desenvolver atitudes e valores mais
favoráveis do aluno diante do conhecimento matemático. BRASIL,
(1997, p.34)
A tendência Histórica da Matemática propõe ao estudante a oportunidade de
perceber que é um conjunto de conhecimentos em constante evolução que
desempenha um importante papel na sua formação. De forma a permitir também a
interdisciplinaridade com outros conhecimentos, apresentando-os como parte da
cultura universal e indispensável à sobrevivência humana.
Matemática Crítica
Para você compreender o propósito da Educação Matemática Crítica,
perguntamos primeiro o que significa ser crítica? Como o conhecimento matemático
pode auxiliar no exercício de uma postura crítica? No primeiro momento, podemos
dizer que ser crítico pode estar relacionado a alguma pessoa ou algum aspecto da
realidade procurando ou identificando alternativas para algo.
No século XX, o mundo foi aluído pela segunda guerra mundial, além do
conflito diante da ameaça de armas nucleares, domínio ideológico e econômico, de
forma que esse processo que o mundo vivenciou teve influência do socialismo
marxista, que embasou a teoria histórico-crítica.
Os mais diferentes setores da sociedade foram influenciados por essa teoria.
A educação foi uma delas, no ensino de matemática surgiu à vertente denominada
20
“Educação Matemática Crítica”. Novas coordenadas foram propostas ao currículo de
Matemática do ensino primário ao secundário, e tinha como principal ideal a
reorganização do ensino da matemática diante as grandes transformações da
ciência e sociedade. Uma das intenções dessa vertente era elevar o nível cientifico
da sociedade escolarizada, no entanto, foi barrado por um movimento internacional
liderado pelos Estados Unidos da América, chamado de Matemática Moderna que
contribuiu com a organização dos conteúdos através da teoria dos conjuntos, e ao
mesmo tempo colocou uma linguagem lógica em todos os níveis de ensino, que
causou problemas de aprendizagem principalmente no nível elementar.
O professor dinamarquês Ole Skovsmose é um dos principais responsáveis
por divulgar o movimento da “educação matemática crítica” ao redor do mundo. Com
Mestrado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Copenhague e Doutorado
em Educação Matemática pela Royal Danish School of Education Studies,
Skovsmose, defende em seus trabalhos o direito à democracia e o ensino de
matemática a partir de trabalhos com projetos. Para ele, a Educação Matemática
crítica possui um importante papel no mundo. Skovsmose questiona as práticas
tradicionais, muitas vezes realizadas sem reflexão, como a ênfase excessiva na
realização de listas de exercícios, que pode comprometer a qualidade da aula de
matemática e acredita que a Educação Matemática Crítica possui um importante
papel no mundo atual, sobretudo em função do avanço tecnológico. (D’ AMBRÓSIO,
1993).
Skovsmose sempre se preocupou com os países localizados fora dos
centros de poder, o que o levou a viajar pelo mundo orientando e desenvolvendo
pesquisas. Está sempre em contato com professores e pesquisadores da África do
Sul, Colômbia e Brasil. Em nosso país, ele visita anualmente o programa de Pós-
Graduação da Universidade Estadual Paulista - UNESP, em Rio Claro, São Paulo.
Atualmente, Skovsmose é professor do Departamento de Educação, Aprendizagem
e Filosofia da Universidade de Aalborg, na Dinamarca. Tem livros publicados em
português, como Educação.
21
A Educação Matemática Crítica propõe uma prática pedagógica de sala de
aula que deve ser baseada em um cenário de investigação, de forma a convidar os
estudantes a formular questões e a pesquisar explicações.
Modelagem Matemática
A Modelagem Matemática procura estudar e formalizar fenômenos do dia a
dia. Um aspecto essencial da atividade de modelagem consiste em construir um
modelo (matemático) da realidade que queremos estudar, trabalhar com tal modelo
e interpretar os resultados obtidos. Busca que o estudante se torne mais consciente
da utilidade da matemática para resolver e analisar problemas do cotidiano.
(D’AMBROSIO, 1989).
O professor tem ao dispor diversas propostas de trabalho. A sua escolha é
influenciada por múltiplas variáveis: o ponto de vista do professor a respeito da
disciplina ensinada, seu ponto de vista a respeito dos objetivos gerais do ensino e a
respeitodos objetivos que considera específicos da matemática, seu ponto de vista
a respeito dos estudantes (suas possibilidades, suas expectativas), a imagem que
faz das demandas da instituição de ensino (explícitas, implícitas e supostas), da
demanda social e também dos pais dos estudantes (CHARNEY, 2001, p.38)
Várias são as propostas de trabalho para o ensino de matemática e as
diversas propostas se complementam, sendo difícil, num trabalho escolar,
desenvolver a matemática de forma rica para todos os estudantes se enfatizarmos
apenas uma linha metodológica.
Resolução de Problemas
A resolução de problemas apresenta-se nas propostas educacionais atuais
como um elemento que favorece a construção de conhecimento matemático. A
experiência tem mostrado que o conhecimento matemático, ganha significado
quando os estudantes têm situações desafiadoras para resolverem e trabalharem no
desenvolvimento das estratégias de resolução, daí a solução de problemas como
ponto de partida da atividade matemática. A Declaração Mundial sobre Educação
22
para Todos da UNESCO, indica explicitamente a resolução de problemas como um
dos instrumentos de aprendizagem essenciais.
Conforme D’ Ambrósio (1989) a resolução de problemas visa à construção
de conceitos matemáticos, pelo estudante, através de situações que estimulam a
sua curiosidade matemática. Através de suas experiências com problemas de
natureza diferente, o estudante interpreta o fenômeno matemático e procura explicá-
lo dentro de sua concepção da matemática envolvida.
No trabalho com resolução de problemas, o papel do estudante, é participar
de um esforço coletivo para construir a resolução de um problema, com direito a
ensaios e erros, exposição de dúvidas, explicitação, raciocínios e validação de
resultados. Dessa forma, terá oportunidade de ampliar seus conhecimentos acerca
de conceitos e procedimentos matemáticos, bem como, de ampliar a visão que tem
do mundo em geral e desenvolver sua autoconfiança. Nessa perspectiva, a
resolução de problemas, possibilita aos estudantes, mobilizar conhecimentos e
organizar as informações de que eles dispõem para alcançar novos resultados
(BRASIL, 1999).
Contribuição da resolução de problemas para o Ensino de
Matemática
Um dos objetivos da utilização da resolução de problemas no ensino de
matemática é conseguir que os estudantes pensem matematicamente, que não
aprendam apenas regras, técnicas e estratégias prontas e acabadas, mas que
cheguem também a compreender os conceitos subjacentes à prática da matemática.
(RABELO, 2002). Um problema deve apresentar um desafio, a necessidade da
elaboração de um planejamento e a validação do processo de solução.
O ensino de matemática com o auxílio da resolução de problemas deve
possibilitar aos estudantes:
Usar uma abordagem de resolução de problemas para investigar e
compreender o conteúdo matemático;
23
Formular problemas a partir de situações matemáticas e do
cotidiano;
Desenvolver e aplicar estratégias para resolver uma grande
variedade de problemas;
Verificar e interpretar resultados comparando-os com o problema
original;
Adquirir confiança para usar a Matemática de forma significante.
Os estudantes mais velhos podem ainda generalizar soluções e estratégias
para novas situações problemas (MATOS; SERRAZINA, 1996).
O ensino da resolução de problemas pode ser de três tipos:
Ensino para a resolução de problemas valoriza a aquisição de
técnicas e conhecimentos matemáticos, que podem ser úteis na
implementação de estratégias para a resolução de problemas;
No ensino acerca da resolução de problemas são relacionados
procedimentos e estratégias, com o objetivo de modelar
comportamentos capazes de ajudar os estudantes a se tornarem
mais aptos em resolver problemas;
No ensino através da resolução de problemas, todos os conteúdos
matemáticos são apresentados no contexto de situações
problemas.
Modelo para a resolução de problemas
O modelo proposto por Polya (1995), na sua obra A arte de resolver
problemas considera quatro fases:
1ª - Compreensão do problema – Analisar detalhadamente o enunciado até
encontrar, com precisão, quais são os dados e a sua condição. Muitas vezes as
dificuldades encontradas na compreensão do problema advêm de dificuldades de
leitura e de compreensão do texto. Mostra-se assim, indispensável, num primeiro
24
passo, trabalhar o texto cuidadosamente até à sua compreensão. Os estudantes
procuram os dados do problema sem muito critério, operam com esses dados de
qualquer forma e dão respostas que não têm sentido ou plausibilidade. Torna-se,
pois, necessário alertá-los para a importância de procurar dados de uma maneira
consciente, ver quais as condições que relacionam esses dados e interpretar o
sentido que têm relativamente ao que é pedido. (SARRAZINA, 1993).
Para compreender o problema é necessário fazer alguns questionamentos:
a) O que se pede no problema?
b) Quais são os dados e as condições do problema?
c) É possível fazer uma figura, um esquema ou um diagrama?
d) É possível estimar uma resposta?
2ª - Estabelecimento de um plano – Tentar, usando a experiência passada,
encontrar um plano de ação, um método de solução. Isso, pode acontecer
gradualmente, ou, então, após várias tentativas. É preciso encontrar conexões entre
os dados. Ou seja:
a) Qual o plano para resolver o problema?
b) Que estratégia pode-se tentar desenvolver?
c) Lembrar de um problema semelhante que pode ajudar a resolver.
d) Organizar os dados em tabelas e gráficos.
e) Tentar resolver o problema por partes.
3ª - Execução do plano – Experimentar o plano de solução passo a passo. O
plano proporciona apenas um roteiro geral. É preciso examinar e executar os
detalhes um a um, até que, tudo fique perfeitamente claro, ou seja:
a) Executar o plano elaborado, verificando-o passo a passo.
b) Efetuar todos os cálculos indicados no plano.
c) Executar todas as estratégias pensadas para resolver o mesmo
problema.
25
4ª - Reflexão sobre o que foi feito – Checar o resultado por outros
caminhos. Efetuar uma revisão crítica do trabalho realizado, checando o resultado e
o raciocínio utilizado, ou seja:
a) Examinar se a solução obtida está correta.
b) Existe outra maneira de resolver o problema?
c) É possível usar este método para resolver outros problemas?
Diferença entre problema e exercício
Um pormenor que, por vezes, suscita alguma discussão é a relação entre
exercício e problema e recorrem a vários autores, para distinguirem sete tipos de
problemas:
1. O exercício formulado de uma maneira explícita, em que, o contexto é
inexistente e em que as estratégias de resolução se resumem à aplicação de regras
e algoritmos conhecidos que conduzem à solução que, regra geral, é única:
Calcular o valor de x²-3x, para x=2.
2. Os problemas de palavras que, de uma forma geral se distinguem dos
exercícios na medida, em que é clara e explícita a presença do contexto do
problema:
Um cliente comprou num dia 2,3 metros de fazenda. No dia seguinte,
comprou mais 1,5 metros da mesma fazenda. Quantos metros de fazenda comprou
no total?
3. Os problemas para descobrir, caracterizados por uma formulação e um
contexto explícito, em que, as estratégias de resolução envolvem regra geral a
26
descoberta de um truque que conduz à solução que, nestes problemas, é regra
geral, única:
Usando apenas 6 fósforos, formar quatro triângulos equiláteros.
4. Os problemas que consistem em provar uma conjectura, em que a
formulação é explícita e onde a solução é, normalmente, única:
Usando os casos de semelhança de triângulos, mostre que a altura relativa à
hipotenusa, divide um triângulo retângulo em dois triângulos semelhantes.
5. Os problemas da vida real, em que a formulação e o contexto não sãototalmente explícitos no respectivo enunciado, sendo pelo contrário, necessário
proceder a recolha de informação complementar. Normalmente, a resolução desse
tipo de problema envolve a criação de um modelo matemático que, traduza a
situação apresentada, a aplicação de técnicas matemáticas na exploração do
modelo e a tradução dos resultados obtidos, para a situação da vida real, a fim de,
confirmar a validade da situação encontrada:
Construir uma planta de um estádio – um campo de futebol e uma pista de
atletismo.
6. As situações problemas, em que o contexto é apenas parcialmente
explícito e, em que as estratégias de resolução, além de envolverem a exploração
do contexto, implicam a reformulação do problema e a exploração de novos
problemas.
27
O produto de três números inteiros consecutivos é sempre um número par
de múltiplos de 3. Comentar a situação se substituirmos produto por soma.
7. As situações ainda não problemas, em que não há qualquer formulação do
problema e em que é feito um convite à exploração do contexto:
Considere uma página cheia de números:
0 1 2 3
4 5 6 7
8 9 10 11
12 13 14 15
... ... ... ..
Apesar de não ser a única dimensão a considerar, um aspecto essencial para
caracterizar um problema é o fato de ser uma atividade para a qual o aluno não
dispõe de um método de resolução imediato. “Não dispõe de um processo ou
algoritmo que ele sabe previamente que conduzirá à solução”. (MATOS;
SARRAZINA, 1996)
O professor e a formação para o Ensino da Matemática
O docente e a formação para o Ensino da Matemática, na educação infantil e
nas séries iniciais do ensino fundamental têm sido muito questionados em função
das propostas de formações iniciais e também nas agências de formadores de
profissionais para este ramo do saber. Segundo D’Ambrósio (2007), as qualidades
de um professor de matemática, estão sintetizadas em três categorias:
emocional/afetiva, política e conhecimento.
28
Nessa definição, várias questões são esclarecidas no processo de formação
do educador para trabalhar o ensino da matemática. Dentre essas questões, há de
indagar sobre o comando do saber matemático que possui caráter abstrato, onde
seus conceitos e resultados têm origem no mundo real, destinados às muitas
aplicações em outras ciências e inúmeras aplicações práticas do cotidiano. Com
relação à formação do professor de matemática, a racionalidade formativa mostra
que, as competências e habilidades são capazes de responder as exigências e
multiplicidades das situações que transpõem o exercício da docência na sociedade
do conhecimento, da ciência, da informação e tecnologia.
Essas competências e habilidades respondem também as exigências para a
formação do professor com relação a interdisciplinaridade e a investigação do
cotidiano, da prática pedagógica pela pesquisa e domínio intrínsecos a profissão
docente.
Pensar a formação de professores implica, portanto, pensar que o
exercício da docência, conforme Tardif (1991), requer a mobilização
de vários tipos de saberes: saberes pedagógicos (reflexão sobre a
prática educativa mais ampla), saberes das disciplinas (envolvem
vários campos do conhecimento e concretizam-se pela
operacionalização dos programas), saberes curriculares
(selecionados no contexto da cultura erudita) e os saberes da
experiência (constituem-se saberes específicos no exercício da
atividade profissional).(BRITO, 2006, p.45)
De forma resumida, há de se entender que, em uma sociedade complexa
onde a rapidez das informações e mudanças proporcionadas pelo avanço das
ciências e tecnologias é constante, a formação do professor de matemática, requer
reflexões e ações dinâmicas propostas para construir e reconstruir saberes que são
necessários à prática pedagógica reflexiva.
29
Epistemologia do
pensamento matemático
2
30
31
A Epistemologia Genética de Jean Piaget
A Teoria cognitiva desenvolvida por Jean Piaget (1896-1980) chamada de
epistemologia genética está, articulada em dois conceitos: Epistemologia (estudo do
conhecimento) e Gênese (origem). Têm como principio a existência entre a
continuidade dos processos biológicos de morfogênese e adaptação ao meio e a
inteligência. Sua dedicação consistia no estudo da origem do conhecimento, como
se dá o processo de aquisição do conhecimento menos organizado para um mais
organizado. De forma que, a teoria de Piaget é uma teoria primeiramente do
desenvolvimento e os esquemas de conhecimento são precisamente o que se
desenvolve.
Devido à pertinência do seu trabalho e suas preocupações epistemológicas,
biológicas, psicológicas e lógica matemática, tem sido difundida e aplicada no
ambiente educacional, em especial na Didática. Para Piaget, a evolução da lógica e
da moral, pode ser resumida em quatro estágios de desenvolvimento mental:
sensório-motor, intuitivo ou simbólico, operatório concreto e operatório
formal.
Quando a criança nasce sua maneira de conhecer o mundo, sobretudo,
predominantemente seu desenvolvimento é o das percepções e movimentos. Não
podendo dizer ainda, que a criança pensa. Sua evolução se dá à medida que,
aprende a coordenar suas sensações e movimentos, a esse estágio, denominamos
de sensório-motor. Aproximadamente por volta dos dois anos, a compreensão
infantil passa por um salto, derivado da descoberta do símbolo. É o período em que
está centrada em si mesma, tanto no aspecto da afetividade, quanto no
conhecimento. De forma que, vive em um mundo de ausência de normas que só é
superado aos quatro anos de idade, tornando mais associável, sendo capaz de
aceitar as normas do mundo exterior.
O egocentrismo deve ser entendido no aspecto intelectual, visto que não
consegue transpor em pensamento a experiência de vida. Dos sete aos doze anos,
que é o terceiro estágio, a lógica não é mais puramente intuitiva, mas passa a ser
32
operatória, sendo que a criança é capaz de interiorizar ações de maneira concreta. A
criança fica presa às experiências vividas, o pensamento é mais coerente de forma a
permitir construções mais elaboradas. O egocentrismo diminui, de forma que o
discurso lógico tende a ser mais objetivo, confrontado com a realidade e com outros
discursos.
A adolescência é o ultimo estágio, período em que aparecem as
características, que farão parte da vida adulta. O pensamento lógico atingirá o
estágio das operações abstratas, onde o adolescente será capaz de distanciar-se da
experiência, de tal forma a pensar por hipóteses.
O desprendimento da própria subjetividade é sinal que o egocentrismo
intelectual está em processo de superação. Essa superação afetivamente se
caracteriza pela cooperação e a reciprocidade. A faculdade de reflexão leva a
sistematização autônoma das regras e a deliberação.
A evolução das estruturas mentais segue uma construção equivalente aos
estudos da lógica, ou seja, os progressos da inteligência em seus sucessivos
estágios seguem uma ordem coerente, podendo ser retratada em suas diversas
etapas.
O desenvolvimento intelectual para Piaget, ocorre por meio de duas
características inatas aos quais denomina-se: organização (construção de processos
simples ) e adaptação (mudança contínua que ocorre no indivíduo na interação com
o meio). Segundo Piaget, as crianças elaboram seu próprio conhecimento. Essa
elaboração pode ser limitada a exata relação das mesmas com o seu ambiente. A
partir dessa interação é que Paperte (1985), um dos companheiros de estudo de
Piaget, propõe que a ação físico-mental do individuo, se dá através de condições
para a construção do conhecimento.
Pesquisadores piagetianos,dentre eles Inhelder (1963), analisaram que a
construção do conhecimento comprovaram que a ordem dessa construção é a
33
mesma, não havendo diferenças estruturais, desde que, sejam asseguradas
condições externas de superação de seus limites.
A construção do pensamento lógico matemático
O conhecimento lógico matemático é uma construção e resultado da ação
mental da criança sobre o mundo. E não é inerente ao objeto. Ele é concebido a
partir das relações que a criança dispõe em sua prática de pensar o mundo, da
mesma forma que o conhecimento físico é construído a partir das ações sobre os
objetos (PIAGET, 1978).
O número é um conceito do conhecimento lógico matemático, pois se
caracteriza como uma operação mental e fundamenta-se das relações que não
podem ser observáveis. O pensamento lógico matemático está fundamentado em
construções mentais que se deve a diversos estados de abstração. O pensamento
do sujeito para Piaget (1978) é construído com a participação considerável do grupo
social que está inserido. Dessa forma, por meio de aquisições feitas a partir das
relações sociais, o conceito de pensamento e as regras lógicas, excedem os limites
da atividade individual, considera a colaboração e a participação entre os indivíduos.
Os princípios lógicos são leis normativas necessárias às trocas interindividuais do
pensamento, definidos por uma necessidade social, em objeção a desorganização
das representações espontâneas do sujeito.
Piaget (1978) analisou a gênese e evolução do pensamento lógico da criança
ao adulto, com o objetivo de determinar o modo de sua construção. Ele buscava um
esclarecimento estrutural das ações observadas nas crianças. Essa indagação
forneceu um principio importante com respeito a estas ações: as atitudes do sujeito
estão organizadas de maneiras distintas de acordo com as várias etapas do
desenvolvimento. As formas de organização das atitudes do sujeito, de acordo com
o autor, são a constituição de um conjunto que a partir, dessa ação “organizadora”,
criam conceitos que passam a interagir uma totalidade coordenada e estruturada.
Aparece então, a tarefa de especificar qual estrutura de conjunto que viabiliza
34
obtenção cognitiva, característica de cada período de desenvolvimento da
inteligência.
Deste modo, para compreender o que uma criança pode ou não fazer em
determinada etapa e construir a outra, é necessário à descoberta da estrutura do
conjunto que está permeando.
A partir dessa constatação, Piaget (1978), em suas pesquisas procurou expor
como surge no sujeito, à elaboração das estruturas de conjunto, que são
características, dos períodos operatórios do pensamento da criança utilizando-se,
para uso da linguagem da lógica e da matemática. Essa lógica apresenta-se como
uma formação intermediária entre lógica natural dos indivíduos e a lógica formal dos
lógicos.
Três estágios básicos são destacados por Piaget (1973), para melhor
entendimento do processo evolutivo das estruturas cognitivas. Na criação dos
primeiros esquemas de natureza lógico-matemática, as crianças se firmam em
ações sensório-motoras sobre objetos materiais e através de repetições
espontâneas, que chegam ao domínio e generalização da ação (estágio pré-
operatório). O segundo período está caracterizado pelo aparecimento das
operações, as ações em pensamento; a criança ainda depende dos objetos
concretos nessa fase, para que as ações se constituam em conceitos (estágio
operatório concreto). Por fim, atingem o estágio das operações sobre os objetos
abstratos de forma que já não dependem mais de ações concretas ou de objetos
concretos, é o estabelecimento do pensamento puramente abstrato ou formal.
O conhecimento lógico matemático é resultado da ação direta das crianças
sobre o objeto. Desta maneira, não pode ser ensinado por repetição ou
verbalização. Quando Piaget (1973) propôs uma autoconstrução do conhecimento
pela criança, estava sugerindo que existisse uma capacidade cognitiva genérica, de
forma que sua aplicação seria aos diferentes tipos de percepções, seria
autoinstaurada por estágios, da percepção sensório-motora para a espacial, para
verbal concreta, para as abstrações da linguagem e para operações matemáticas.
35
Provas Operatórias de Piaget
As provas operatórias de Jean Piaget constituem-se de provas clássicas de
experimentação em Psicologia genética e servem para acompanhar nas crianças as
noções que são objetos de estudo da epistemologia (como a noção de tempo,
espaço, conservação, causalidade, número, etc.). De forma que, a escola de
Genebra tem buscado dar conta do nascimento da inteligência e do
desenvolvimento das operações intelectuais.
Através das provas podemos descrever o grau de aquisição de noções- chave
de desenvolvimento cognitivo, dos quais os conteúdos levam em consideração cada
uma delas de modo específico. Algumas provas referem-se à noção de
conservação, referida aos aspectos numéricos, geométricos ou físicos, e outras
propõe indagações sobre questões vinculadas às classes e as relações.
O nível de construção alcançado pela criança, em cada grau de aquisição das
noções mútua faz alusão, ao grau de estrutura operatória que subjazem em cada
etapa do desenvolvimento. Através das provas de diagnóstico operatório é possível
constatar o nível do pensamento atingido pela criança ou o nível de estrutura
cognitiva com que o sujeito é capaz de operar em cada situação presente.
As idades de obtenção das estruturas de pensamento, da mesma forma que
os intervalos se classificam como as condições socioculturais, e mais
especificamente com as escolares, as provas de diagnóstico operatório são
situações experimentais bastantes elaboradas, que nos permitem descrever quais
pensamentos da criança através do estudo do grau, até que ponto são assimilados
ou não a essas noções em uma estrutura operatória, e se os julgamentos da criança
resistem às argumentações contrárias que são formuladas.
Basicamente são utilizadas as mesmas técnicas em todas as provas. É feito
uma interrogação às crianças na presença de fenômenos observáveis e ou
manipuláveis, apresentando como proposta fazer uma relação entre eles. O modo
de subordinação está de acordo aos problemas específicos que são colocados, isso
36
faz com que o desenvolvimento interrogatório, seja modificado conforme trate os
problemas de natureza lógica ou de fenômenos físicos.
PARA SABER MAIS:
Leia sobre as Provas Operatórias de Piaget. Acesse:
www.reeduc.com.br/mod/resource/view.php?id=465
Veja abaixo o Quadro de Resumo das Provas Operatórias baseado em
uma Proposta de Visca.
Seis anos: seriação; conservação de pequenos conjuntos discretos de
elementos.
Sete anos: seriação; conservação de pequenos conjuntos discretos de
elementos; conservação de matéria; conservação de superfície;
conservação de líquido; mudança de critério, inclusão de classes, espaço
unidimensional.
Oito a nove anos: conservação de peso (se não conseguir, aplique a de
matéria); conservação de comprimento; conservação de superfície;
conservação de líquido; mudança de critério; quantificação da inclusão de
classes; interseção de classes, espaço bidimensional.
Espaço unidimensional; espaço bidimensional (9 anos).
Dez a onze anos: conservação de volume, peso, interseção.
http://www.reeduc.com.br/mod/resource/view.php?id=465
37
O Ensino da Matemática
e as Competências para
o Cotidiano
3
38
39
Elementos essenciais ao ensino da Matemática
A questão essencial do ensino da matemática é que o estudante seja capaz
de repetir ou refazer, mas também, de ressignificarem situações novas, de adaptar,
de transferir seus conhecimentos para resolver novos problemas (CHARNAY, 2001).
Alguns educadores têm manifestado a necessidade de modificar
profundamente as condições em que se processa a aprendizagem da matemática.
Trata-se de uma transformação de mentalidades que tem implicado modificações de
objetivos, ideias e métodos. Diversas alterações têm sido apontadas como
necessárias para modificar este estado:
A utilização de uma gestão de sala de aula que contribua para
que os estudantes construam o seu próprio conhecimento, o que
significa que o professor deve deixar de ser o centro de interesse
da turma. Deve permitir que os estudantes, comuniquem-se muito
mais com os outros, que aprendam uns com os outros. Mas,
simultaneamente, deve haver lugar para uma exploração
individual quando tal for necessário. A questão central é que o
estudante se torne um participante ativo em vez de receptor
passivo.
A utilização de materiais que permita uma boa base para a
formação de conceitos, o que implica na alteração da forma como
a utilização de suportes materiais tem vindo a ser encarada. Ao
dar aos estudantes a oportunidade de experimentar a
matematização através da manipulação de materiais, não
estamos apenas a fomentar uma atividade lúdica, mas estamos a
criar situações que favorecem o desenvolvimento do pensamento
abstrato. A formação de conceitos, pertence à essência da
aprendizagem da matemática e ela tem de ser fundamentalmente
experiencial. A aprendizagem é um processo de crescimento
caracterizado por etapas distintas. Ela deve partir do concreto
40
para o abstrato, com uma participação ativa do estudante e um
período mais ou menos longo de contato informal, pois é
necessário antes da formalização de um conceito.
A ligação da matemática ao real passa em formar pessoas que
possuam uma cultura matemática que lhes permita aplicá-las a
matemática nas suas atividades e na sua vida diária. O professor
deve saber propor a execução de projetos de trabalho que
utilizem conceitos matemáticos, ou saber “agarrar” as ideias que
os estudantes proponham.
Uma abordagem da matemática voltada para a resolução de
problemas defende que, ao invés de, um conhecimento factual e
estático os estudantes passem a ter um conhecimento dinâmico,
capaz de se adaptar a um mundo em mutação. (MATOS;
SERRAZINA, 1996).
Avaliação matemática
A avaliação dos estudantes na disciplina de Matemática envolve
interpretação, reflexão, informação e decisão sobre os processos de ensino e
aprendizagem. A principal finalidade da avaliação é contribuir para a melhoria da
formação dos estudantes (PONA; SOUSA; DIAS, 2005).
Apontam-se passos a seguir pelo professor durante o processo de avaliação
do conhecimento matemático dos estudantes:
Determinação dos conhecimentos do estudante a serem avaliados
(conhecimento, capacidade de resolução de problemas, de raciocínio e de se
comunicar matematicamente);
Especificação do conteúdo a ser avaliado (envolve a análise da extensão e
profundidade do conhecimento);
41
Seleção das tarefas para avaliar os conhecimentos. (MATOS;
SARRAZINA,1996).
No desenvolvimento do processo de avaliação, algumas prévias devem ser
respondidas pelo professor:
Como articular as atividades de avaliação com as restantes atividades
desenvolvidas nas aulas, bem como, relacionar os conteúdos programáticos
com as necessidades e especificidades dos estudantes?
Sendo a avaliação um processo continuo inerente ao próprio processo de
ensino e aprendizagem, com que frequência se pode/deve proceder
registros dessa avaliação? (PONA; SOUSA; DIAS, 2005).
Antes de iniciar o processo de avaliação é essencial que o professor planeje.
O planejamento é indissociável a prática da avaliação. Neste processo de planejar e
avaliar, os primeiros elementos sobre os quais se devem buscar uma explicitação
são os objetivos da prática docente, em termos de competências, habilidades e
atitudes a se desenvolver e de conceitos e procedimentos a se construir. [...] A
clareza dos objetivos de ensino auxilia, o trabalho de planejar, avaliar e replanejar a
atividade docente, conduzindo o professor a uma maior compreensão do
desenvolvimento da aprendizagem do estudante e da sua própria intervenção
pedagógica. Tal procedimento, intenciona mapear a relação entre o ensino e a
aprendizagem para o ajustamento do planejado, dos objetivos pretendidos, da
intervenção docente em função das necessidades de aprendizagem dos educandos.
PARA SABER MAIS:
Leia o artigo Matemática Lúdica no Ensino Fundamental e Médio. Ele trata do
ensino da matemática de forma lúdica. Quando crianças ou jovens brincam,
demonstram prazer e alegria em aprender. Eles têm oportunidade de lidar com suas
energias em busca da satisfação de seus desejos. Acesse:
http://www.somatematica.com.br/artigos.php?pag=3
http://www.somatematica.com.br/artigos.php?pag=3
42
O currículo do ensino da Matemática a partir dos
Parâmetros Curriculares Nacionais
A elaboração de um currículo envolve tanto a seleção de temas quanto à
construção de experiências de aprendizagem para os estudantes. Enquanto que, a
perspectiva tradicional de currículo está estreitamente associada às ideias de
“documento oficial”, a perspectiva moderna dá cada vez mais importância ao
professor como ator essencial na interpretação, elaboração e reformulação do
currículo, adaptando-o às situações concretas.
Um dos fatores fundamentais do desenvolvimento do currículo é a evolução
da Matemática, chamando à atenção para novos temas e, ao mesmo tempo,
permitindo um novo olhar sobre temas já conhecidos. Ele valoriza atualmente uma
abordagem menos formalista, mais geométrica, rica em aplicações e em referências
históricas e mais próximas das práticas matemáticas informais em curso na
sociedade.
As orientações curriculares atuais do ensino da disciplina sublinham também,
a importância de trabalhar o desenvolvimento de capacidades como a resolução de
problemas, o raciocínio, a comunicação e o pensamento crítico e de atitudes e
valores como o gosto pela Matemática, à autonomia e a cooperação. Para atingir
esses objetivos é necessário proporcionar aos estudantes experiências
diversificadas, baseadas em tarefas matematicamente ricas, realizadas num
ambiente de aprendizagem motivador. Tudo isto, implica alterações significativas
tanto no papel do professor quanto no dos estudantes. (PONTE, 2006)
As orientações curriculares apontam também para a necessidade de:
Definição de objetivos atendendo aos valores / atitudes,
capacidades/aptidões e conhecimentos;
Existência de temas transversais;
Construção de conceitos a partir de situações concretas;
Abordagem de conceitos sob diferentes pontos de vista;
43
Abordagem de conceitos a partir de progressivos níveis de rigor
e formalização;
Ligação da Matemática com a tecnologia;
Existência de interdisciplinaridade;
A diversificação das formas de recolha de dados para avaliação
dos alunos;
Ligação da Matemática com a vida real. (FEVEREIRO;
BELCHIOR, 1998).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o 3º e 4º ano do Ensino
Fundamental explicitam o papel da Matemática no ensino, propondo-se contribuir
para a sua melhoria por duas formas:
Constituindo um referencial que orienta a prática escolar e dá
possibilidade ao acesso a um conhecimento matemático, visando
à inserção do estudante, como cidadão, no mundo do trabalho
das relações;
Referenciar a formação de professores e orientar a elaboração de
materiais didáticos.
44
Para a concretização destes propósitos os Parâmetros Curriculares
Nacionais propõem no 3º e 4º ciclo:
Incorporaro estudo dos recursos estatísticos denominados como
“Tratamento de Informação”;
Privilegiar no estudo dos números e operações o desenvolvimento
do sentido numérico e a compreensão dos diferentes significados
das operações;
O documento aponta para diversas variáveis:
Valorização pelo estudante do papel da matemática, enquanto
instrumento para compreender o mundo à sua volta e de vê-la como área
do conhecimento que, estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de
investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas;
Desenvolvimento no estudante da autoconfiança em relação à capacidade
de construir conhecimentos matemáticos, cultivar a autoestima, respeitar
o trabalho dos colegas e ser perseverante na procura de soluções;
Seleção de conteúdos em função da sua relevância social e sua
contribuição para o desenvolvimento intelectual do estudante;
Exploração dos conteúdos nas dimensões: conceito, procedimentos e
atitudes tendo a resolução de problemas como ponto de partida do fazer
matemática na sala de aula;
Apresentação dos objetivos em termos das capacidades a aperfeiçoar e
dos conteúdos necessários para desenvolvê-las, destacando a história da
matemática e das tecnologias da informação e comunicação para esse
processo;
Apontar as possíveis conexões interdisciplinares, multidisciplinares e
transversais;
Enquadrar a avaliação no processo de ensino aprendizagem, envolvendo
as suas dimensões processuais e diagnósticas.
45
Apresentar a álgebra incorporada nos demais blocos de
conteúdos, privilegiando o desenvolvimento do pensamento
algébrico e não o exercício mecânico do cálculo;
Enfatizar a exploração do espaço, de suas representações e a
articulação entre a geometria plana e espacial.
No que diz respeito aos Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio, eles
propõem-se trabalhar para além do desenvolvimento de conhecimentos práticos,
contextualizados, que respondam às necessidades da vida contemporânea, o
desenvolvimento de conhecimentos mais amplos e abstratos, que correspondam a
uma cultura geral e a uma visão de mundo.
De acordo com esses critérios isto é, particularmente relevante, pois a
crescente valorização do conhecimento e da capacidade de inovar, demanda
cidadãos capazes de aprender continuamente, para o que é essencial mais do que
um treinamento específico, uma formação geral.
Apresentar a Matemática integrada com as Ciências e com as suas
Tecnologias é para os PCN´s do Ensino Médio, um claro sinal do entendimento da
necessidade de promoção da interdisciplinaridade, bem como da importância da
obtenção e análise de informações, a avaliação de riscos e benefícios em processos
tecnológicos para a cidadania e para a vida profissional.
Um dos pontos de partida desse processo é considerar, como conteúdo do
aprendizado matemático, científico e tecnológico, aspectos do cotidiano dos
estudantes, da escola e de sua comunidade próxima. A partir daí, é necessário e
possível transcender a prática imediata e desenvolver conhecimentos de alcance
mais universal. A aprendizagem da Matemática e a construção do conhecimento
matemático devem ser no Ensino Médio, mais do que memorizar resultados. O
domínio de um saber fazer Matemática e de um saber pensar matemático passa por
um processo, cujo começo deve ser baseado na resolução de problemas de
diversos tipos, com o objetivo de elaborar conjecturas, de estimular a busca de
regularidades, a generalização de padrões, a capacidade de argumentação,
46
elementos fundamentais para o processo de formalização do conhecimento
matemático e para o desenvolvimento de habilidades essenciais à leitura,
interpretação da realidade e de outras áreas do conhecimento. Todo esse processo
deve ser centralizado na contextualização e em projetos interdisciplinares.
A partir destas referências, os PCN´s apontam como objetivos do ensino de
Matemática no Ensino Médio, levar o estudante a:
Compreender os conceitos, procedimentos e estratégias
matemáticas que permitam desenvolver estudos posteriores e
adquirir uma formação científica geral;
Aplicar seus conhecimentos matemáticos a situações diversas,
utilizando-os na interpretação da ciência, na atividade tecnológica
e nas atividades cotidianas;
Analisar e valorizar informações provenientes de diferentes
fontes, utilizando ferramentas matemáticas para formar uma
opinião própria que lhe permita expressar-se criticamente, sobre
problemas não somente da Matemática, mas também das outras
áreas do conhecimento e da atualidade;
Desenvolver as capacidades de raciocínio e resolução de
problemas, de comunicação, bem como o espírito crítico e
criativo;
Utilizar com confiança, procedimentos de resolução de problemas
para desenvolver a compreensão dos conceitos matemáticos;
Expressar-se oral, escrita e graficamente em situações
matemáticas e valorizar a precisão da linguagem e as
demonstrações em Matemática;
Estabelecer conexões entre diferentes temas matemáticos e o
conhecimento de outras áreas do currículo;
Reconhecer representações equivalentes de um mesmo conceito,
relacionando procedimentos associados às diferentes
representações;
47
Promover a realização pessoal, mediante o sentimento de
segurança em relação às suas capacidades matemáticas, o
desenvolvimento de atitudes de autonomia e cooperação.
No domínio das competências e habilidades o documento propõe-se
desenvolver nos estudantes a possibilidade de:
Comunicar;
Ler e interpretar textos de Matemática;
Ler, interpretar e utilizar representações matemáticas (tabelas,
gráficos, expressões etc);
Transcrever mensagens matemáticas da linguagem corrente para
linguagem simbólica (equações, gráficos, diagramas, fórmulas,
tabelas etc.) e vice-versa;
Exprimir-se com correção e clareza, tanto na língua materna,
quanto na linguagem matemática, usando a terminologia correta;
Produzir textos matemáticos adequados;
Utilizar adequadamente os recursos tecnológicos como
instrumentos de produção e de comunicação;
Utilizar corretamente instrumentos de medição e de desenho;
Investigar;
Identificar o problema (compreender enunciados, formular
questões etc);
Procurar, selecionar e interpretar informações relativas ao
problema;
Formular hipóteses e prever resultados;
Selecionar estratégias de resolução de problemas;
Interpretar e criticar resultados numa situação concreta;
Distinguir e utilizar raciocínios dedutivos e indutivos;
Fazer e validar conjecturas, experimentando, recorrendo a
modelos, esboços, fatos conhecidos, relações e propriedades;
Discutir ideias e produzir argumentos convincentes;
Contextualizar social e culturalmente o conhecimento;
48
Desenvolver a capacidade de utilizar a Matemática na
interpretação e intervenção no real;
Aplicar conhecimentos e métodos matemáticos em situações
reais, em especial em outras áreas de conhecimento;
Relacionar etapas da história da Matemática com a evolução da
humanidade;
Utilizar adequadamente calculadoras e computador,
reconhecendo suas limitações e potencialidades.
PARA SABER MAIS:
Leia os Parâmetros Curriculares Nacionais : Matemática. Esta disciplina sempre foi
para alguns estudantes. Algo que foge à sua possibilidade de compreensão, de
pouca utilidade prática, gerando representações e sentimentos que afastarão o
estudante do conhecimento matemático. Acesse:
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf
A Comunicação Matemática
A comunicação matemática é um aspecto importante do processo de ensino-
aprendizagem. É através da comunicação oral e escrita, que os estudantes dão
sentido ao conhecimento matemático que vai sendo construído. Esta comunicação
desenvolve-se com base na utilização de diversos tipos de materiais,bem como de
diferentes modos de trabalho e na gestão do espaço e do tempo realizada pelo
professor.
A comunicação inclui a leitura, a interpretação e a escrita de pequenos textos
da matemática, sobre a matemática ou em que haja informação matemática. Na
comunicação oral, são importantes as experiências de argumentação e de discussão
em grande e pequeno grupo, assim como, a compreensão de pequenas exposições
do professor. (MATOS, 2005).
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf
49
O ensino-aprendizagem da Matemática envolve como vimos interações dos
estudantes entre si e entre os estudantes e o professor. Duas dessas formas de
interação assumem um papel fundamental, a comunicação e a negociação de
significados. A comunicação refere-se à interação dos diversos intervenientes na
sala de aula, utilizando uma linguagem própria, que é um misto de linguagem
corrente e de linguagem matemática. A negociação de significados respeita ao modo
como estudantes e professores expõem uns aos outros o seu modo de encarar os
conceitos e processos matemáticos, os aperfeiçoam e ajustam ao conhecimento
matemático indicado pelo currículo.
A comunicação é habitualmente analisada através do discurso dos diversos
intervenientes. Na linguagem comum, discurso significa uma longa intervenção por
parte de um orador, muitas vezes revestida de certa formalidade. No sentido técnico
da linguística, discurso tem um significado muito diferente. Indica o modo como os
significados são atribuídos e partilhados por interlocutores em situações concretas e
contextualizadas. Envolve tanto o modo quanto as ideias são apresentadas como
aquilo que elas veiculam implicitamente. Deste modo, o discurso pode ser oral,
escrito ou gestual e existe necessariamente, sob uma ou outra forma, em toda a
atividade de ensino-aprendizagem (PORTUGAL, 2005).
A comunicação é um processo fundamental da atividade matemática em que
estão envolvidos professor e estudante, no decorrer da aula. A comunicação é a
essência do ensino e da aprendizagem da matemática escolar. A comunicação, pela
sua natureza, assume um estatuto de transversalidade face a outros processos
matemáticos, como a resolução de problemas (MENEZES, 2005).
Nas aulas de Matemática, os intervenientes no discurso são o professor e os
estudantes. De um modo geral, o discurso é controlado pelo professor, podendo
este atribuir aos estudantes uma participação mais ou menos significativa. Por outro
lado, os estudantes, nem sempre aceitam completamente o controle do seu
discurso, procurando exprimir-se por meios próprios, por vezes, declarado conflito
com as intenções do professor. (PORTUGAL, 2005)
A natureza e o papel da comunicação na aula de Matemática são
substancialmente diferentes, consoante às teorias de aprendizagem, que se adotam
50
como instrumento de análise. Em uma aula de inspiração construtivista, os
estudantes falam, o professor ouve. Essa aula adota uma pedagogia centrada no
estudante, pois o professor assume o papel de ouvinte atento e também de
questionador, tentando, desse modo, clarificar o pensamento do estudante. A
aprendizagem é uma mudança individual de acordo com etapas de
desenvolvimento, servindo a linguagem para a expressão do pensamento.
Analisar o processo comunicativo da aula de Matemática requer instrumentos
conceituais apropriados. Propõem-se quatro modos de comunicação matemática:
Comunicação unidirecional - é associado ao ensino tradicional, dominando
o professor o discurso da aula, apresentando os conceitos e explicando os modos
de resolução dos exercícios. O papel dos estudantes é ouvir o professor falar, para
depois reproduzir. Este modo de comunicação aproxima-se do monologismo.
Comunicação contributiva - pressupõe a participação dos estudantes no
discurso da aula, o que a distingue da modalidade anterior. Contudo, apesar da
mudança quantitativa da intervenção, não existe uma alteração significativa da
qualidade das interações, uma vez que, a participação dos estudantes se concretiza
sob a forma de intervenções de baixo nível cognitivo.
Comunicação reflexiva - a comunicação reflexiva pressupõe que aquilo
que o professor e os estudantes fazem na aula, se torna subsequentemente um
objeto explícito de discussão. Como o conhecimento matemático se encontra no
discurso, nas suas mais variadas formas, esse discurso passa a ser objeto de
reflexão. Esse modo de comunicação representa um avanço em relação aos
anteriores, uma vez que o exercício do papel de validação do saber matemático se
descentraliza e democratiza na aula.
Comunicação instrutiva - de natureza diferente dos anteriores, uma vez
que tem uma dimensão metacognitiva. A comunicação instrutiva “é aquela em que o
curso da experiência da sala de aula é alterado como resultado da conversação”
(BRENDEFUR; FRYKHOLM, 2000, p. 148).
51
A comunicação oral tem um papel fundamental na aula de Matemática. Ela é
imprescindível para que os estudantes possam exprimir as suas ideias e confrontá-
las com as dos seus colegas. Ela é determinante para que os estudantes aprendam
acerca da disciplina, quer sobre os conteúdos, quer sobre a própria natureza da
Matemática.
A condução do discurso na sala de aula é parte importante do papel do
professor. Ele deve colocar questões e propor tarefas que facilitem, promovam e
desafiem o pensamento de cada estudante. Para isso, o professor precisa saber
ouvir com atenção as ideias dos estudantes e pedir-lhes que as clarifiquem e
justifiquem, oralmente ou por escrito. Ele tem de gerir a participação dos estudantes
na discussão e decidir quando e como encorajar cada estudante a participar. A
condução do discurso impõe ao professor constantes decisões — o que deve ser
aprofundado, quando se deve introduzir notações matemáticas e linguagens
matemáticas quando deve fornecer informação, quando deve deixar os estudantes
lutarem com uma dada dificuldade, etc. O professor pode tomar três atitudes:
Expor normalmente para introduzir novas palavras ou termos,
novas maneiras de pensar, novas ideias, novas formas de trabalho.
A exposição pode ser criticada quando se transforma na única
forma de interação na sala de aula e o professor assume um
controle excessivo que, conduz a dependência do aluno face às
suas idéias e técnicas.
Questionar no sentido não tanto de tornar inteligível, mas sim, o de
apontar caminhos, esboçar hipóteses, sugerir abordagens.
Conjecturar pela qual promove em sala de aula, um ambiente em
que os alunos procuram tentar justificar o que foi dito por evidência
ou argumento.
Um ambiente de conjectura possibilita que os estudantes expressem seu
pensamento quando estão inseguros e escutem os outros quando estão certos
sobre um tópico, pois acreditam que podem justificar por evidência e argumento.
52
Desse modo os estudantes são encorajados a investigar e terá que procurar
confrontar o que foi dito com a experiência.
A comunicação escrita proporciona uma oportunidade também importante de
expressão das ideias matemáticas. Os registros efetuados no quadro e no caderno
do estudante desempenham um papel estruturante, muitas vezes decisivo das
atividades de aprendizagem. Na prática, a produção escrita por parte dos estudantes
tende a ser muito limitada, reduzindo-se muitas vezes à realização de cálculos
necessários à resolução de exercícios e problemas. No entanto, hoje reconhece-se
que ela pode ter um papel mais importante no ensino da Matemática. Assim,
começa a pedir-se cada vez mais aos estudantes para redigirem relatórios ou
ensaios explicando e justificando os seus raciocínios. (PORTUGAL, 2005).
PARA SABER MAIS:
Assista ao filme A Corrente do Bem. Eugene Simonet (Kevin Spacey), um
professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus estudantes em uma de suas
aulas que eles criem algoque possa mudar o mundo.
Assista também ao filme Uma mente brilhante que retrata a vida real de
John Nash (Russell Crowe), um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um
teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava.
53
Bibliografia
ABRANTES, Paulo, SERRAZINA, Lurdes, OLIVEIRA, Isolina. Metodologia do
Ensino de Matemática. Lisboa: Ministério da Educação. Departamento da
Educação Básica, 1999.
AMARAL, Lourdes, ALPENDRE, Beatriz. Matemática.In LAGO, Samuel Ramos
(Ed.). PCN´S da teoria à prática. Campina Grande do Sul: Editora Lago, 1998
BOYER, Carl B. História da matemática - São Paulo. 2° edição, 2003
BRASIL, Ministério da Educação, SEF. Educação de Jovens e Adultos Ensino
Fundamental – 2º segmentos. DF: MEC, 2001.
BRENDEFUR, J., & FRYKHOLM, J. (2000). Promoting mathematical communication
in the classroom: Two preservice teachers’ conceptions and practices. Journal of
Mathematics Teacher Education, 3(2), 125-153. F
BRITO, Antonia Edna. Formar Professores: rediscutindo o trabalho e os saberes
docentes IN MEDES SOBRINHO, José Augusto de Carvalho e CARVALHO,
Marlene Araújo. FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PRÁTICAS DOCENTES:
olhares contemporâneos. Belo Horizonte, Autêntica. 2006.
CARVALHO, Dione Lucchesi de. Metodologia do ensino da matemática. 2. ed.
São Paulo: Cortez, 2004.
CHARNEY, Roland, Aprendendo com a Resolução de Problemas. Porto Alegre:
Artmed, 2001.
CHEVALLARD, Y. et al. Estudar Matemática. Ed Artmed. SP, 2001.
D’AMBROSIO, Beatriz S. Como ensinar matemática hoje. Temas e debates, v. 2,
n. 2, p. 15-19, 1989.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Educação Matemática: uma visão do estado da
arte. Proposições, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 7-17, 1993.
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas:
Papirus, 2007.
54
EVES, HAWARD. Introdução à história da matemática. Campinas: Unicamp,
2004.
FEVEREIRO, Maria Isabel; BELCHIOR, Maria do Carmo. A Matemática na Revisão
Curricular. Informat, Lisboa, n. 1, p.10-15, 1998.
KAMII, Constance. A criança e o número. Campinas: Papirus, 2004
MATOS, José Manuel, SERRAZINA, Maria de Lurdes, Didática da Matemática.
Lisboa: Universidade Aberta, 1996.
MELO, Guiomar Namo de. Afinal, o que é competência? Brasília: Nova Escola,
v.18, n. 160, p. 14, março de 2003.
BRASIL, Ministério da Educação - Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros curriculares nacionais - terceiro e quarto ciclos do ensino
fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: Mec/sef,
1998.
BRASIL, Ministério da Educação - Secretaria de Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros curriculares nacionais - ensino médio: Parte III: Ciências da
Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: Mec/semtec, 1999.
BRASIL, Ministério da Educação - Secretaria de Educação Básica. Parâmetros
curriculares do ensino médio em debate: matemática. Brasília: Mec/seb, 2005.
PIAGET, Jean. Problemas de epistemologia genética. Piaget J. Os pensadores.
São Paulo: Abril Cultural, p. 211-71, 1978.
____________ Biologia e conhecimento: ensaio sobre as relações entre as
regulações orgânicas e os processos cognoscitivos. 1973.
POLYA, G. A Arte de Resolver Problema. Rio de Janeiro: Interciência, 1995.
RABELO, Edmar Henrique. Textos Matemáticos: produção, interpretações e
resolução de problemas. Petrópolis: Editora: Vozes, 2002.
55
SAVIANI, D. Escola e Democracia. 2ª edição. São Paulo: Cortez editora e Editora
Autores Associados, 1984.
_____________. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2ª edição.
São Paulo: Cortez editora e Editora Autores Associados, 1991.
SEBASTIANI, Eduardo Ferreira. Etnomatemática: uma proposta metodológica.
Universidade Santa Úrsula. Rio de Janeiro, 1997.
SERRAZINA, M. Lurdes. Concepções dos professores do 1º Ciclo relativamente à
Matemática e práticas de sala de aula. Revista Quadrante, v. 2, n. 1, p. 127-136,
1993.
TOLEDO Marília, TOLEDO, Mauro. A construção da matemática. São Paulo: FTD,
1997.
56
57
Bibliografia Web
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares
nacionais: matemática/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,
1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf Acesso em
28/03/2016.
D’ AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação Matemática da Teoria à Prática.
Campinas,SP: PAPIRUS, 1996 (Coleção Perspectivas em Educação Matemática).
Disponícel em:
https://books.google.com.br/books?id=NkGnY25OShcC&printsec=frontcover&dq=ed
uca%C3%A7%C3%A3o+matem%C3%A1tica:+da+teoria+a+pr%C3%A1tica&hl=pt-
BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=educa%C3%A7%C3%A3o%20matem%C3%
A1tica%3A%20da%20teoria%20a%20pr%C3%A1tica&f=false Acesso em
28/03/2016.
GITIRANA, Verônica. Avaliação em Matemática Disponível em: <
http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/aas/aastxt2b.htm> Acesso em 27 mar.
2016.
GONÇALVES, Jéssica dos Anjos. A internet como sala de aula: a autonomia de
alunos da 1ª série do Ensino Médio da Aprendizagem de Matemática. Cachoeirinha,
RS, 2013. Disponível em: http://www.somatematica.com.br/artigos.php Acesso em
28/03/2016.
MATOS, José Manuel. Brochura Matemática. Disponível em:
http://phoenix.sce.fct.unl.pt/jmmatos/EDUMAT/GESTFLEX/BMAT.HTM Acesso em
07 mar. 2016.
MENEZES, Luís. Desenvolvimento da comunicação matemática em professores
do 1.º ciclo no contexto de um projeto de investigação colaborativa. Disponível
em: < http://fordis.ese.ips.pt/docs/siem/texto38.doc> Acesso em 17 mar. 2016.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf
https://books.google.com.br/books?id=NkGnY25OShcC&printsec=frontcover&dq=educa%C3%A7%C3%A3o+matem%C3%A1tica:+da+teoria+a+pr%C3%A1tica&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=educa%C3%A7%C3%A3o%20matem%C3%A1tica%3A%20da%20teoria%20a%20pr%C3%A1tica&f=false
https://books.google.com.br/books?id=NkGnY25OShcC&printsec=frontcover&dq=educa%C3%A7%C3%A3o+matem%C3%A1tica:+da+teoria+a+pr%C3%A1tica&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=educa%C3%A7%C3%A3o%20matem%C3%A1tica%3A%20da%20teoria%20a%20pr%C3%A1tica&f=false
https://books.google.com.br/books?id=NkGnY25OShcC&printsec=frontcover&dq=educa%C3%A7%C3%A3o+matem%C3%A1tica:+da+teoria+a+pr%C3%A1tica&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=educa%C3%A7%C3%A3o%20matem%C3%A1tica%3A%20da%20teoria%20a%20pr%C3%A1tica&f=false
https://books.google.com.br/books?id=NkGnY25OShcC&printsec=frontcover&dq=educa%C3%A7%C3%A3o+matem%C3%A1tica:+da+teoria+a+pr%C3%A1tica&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=educa%C3%A7%C3%A3o%20matem%C3%A1tica%3A%20da%20teoria%20a%20pr%C3%A1tica&f=false
http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/aas/aastxt2b.htm
http://www.somatematica.com.br/artigos.php
http://phoenix.sce.fct.unl.pt/jmmatos/EDUMAT/GESTFLEX/BMAT.HTM
http://fordis.ese.ips.pt/docs/siem/texto38.doc
58
PONA, Fátima, SOUSA, Helena Isabel, DIAS, Isabel Cristina. Avaliação em
Matemática: pense nisto! Disponível em:
http://www.apm.pt/apm/revista/educ74/pense_nisto.pdf Acesso em 15 mar. 2016.
PONTES, João Pedro. O currículo de matemática do ensino secundário.
Disponível em: http://www.educ.fc.ul.pt/didmat/txapoio/FinMatDidMat.doc. Acesso
em: 01mar. 2016.
PORTUGAL, Ministério da Educação. IIE. Didática da matemática. Disponível em:
< http://www.iie.min-edu.pt/public/matematica/didactica.pdf> Acesso em 15 mar.
2016.
VARGAS, Giuliano. Matemática Lúdica no Ensino Fundamental e Médio, 2010.
Disponível em: http://www.somatematica.com.br/artigos.php?pag=2 Acesso em
28/03/2016.
VERGNAUD, Gérard. A Matemática além dos números. In: Revista Pátio. Edição
13. Jun/2012. Disponível em: https://www.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/7149/a-
matematica-alem-dos-numeros.aspx Acesso em 28/03/2016.
http://www.apm.pt/apm/revista/educ74/pense_nisto.pdf
http://www.educ.fc.ul.pt/didmat/txapoio/FinMatDidMat.dochttp://www.iie.min-edu.pt/public/matematica/didactica.pdf
http://www.somatematica.com.br/artigos.php?pag=2
https://www.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/7149/a-matematica-alem-dos-numeros.aspx
https://www.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/7149/a-matematica-alem-dos-numeros.aspx
59
60