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( Toce II ) Acesso Venoso Central 1. Introdução; · A punção venosa central pode ser feita com cateter simples com protetor de agulha tipo Intracath®, cateter de duplo ou triplo lúmen tipo Shiley, pela técnica de Seldinger modificada. · Os cateteres de longa permanência tunelizáveis, tipo PermCath®, e cateteres com introdutores removíveis por sistema de separação bilateral (Pell Away) também podem ser utilizados. 2. Considerações anatômicas; · A escolha do local de punção para o acesso venoso central deve se basear em algumas variáveis, como as condições clínicas do paciente, a habilidade e a experiência do médico. · A técnica pode ser aplicada em diversas localizações para cateterizar diferentes vasos, como subclávias, jugulares internas e externas e femorais. · A disposição anatômica da veia jugular interna direita, bem como seu fácil acesso no pescoço, tornou-a primeira opção para punção venosa, e a veia jugular interna esquerda a segunda, seguida pelas veias subclávias direita e esquerda e, por último, as veias femorais direita e esquerda. · Deve-se considerar também o lado em que será realizada uma futura fístula arteriovenosa e se há ou não trombose ou estenose de algum segmento. · A experiência do médico também deve ser levada em conta, pois se ele for mais experiente com o acesso via subclávia, seu índice de complicações na tentativa de um acesso jugular certamente será maior. · Para determinar o local, a direção e o método de punção: a) Jugular Interna; · Via Posterior; · Identificar a inserção esternal do músculo esternocleidomastóideo e traçar uma linha imaginária desse feixe. Identificar a clavícula e traçar-lhe uma linha imaginária. Com a união das duas linhas imaginárias, traçar sua bissetriz, o local de inserção da agulha será onde essa bissetriz encostar na margem lateral do feixe clavicular do músculo esternocleidomastóideo. · Palpar esse ponto e verificar a posição da artéria carótida. · Introduzir a agulha em um ângulo de 30° em relação à pele, avançando caudalmente e por baixo do feixe clavicular do músculo esternocleidomastóideo. Direcionar a agulha para a fúrcula esternal. Manter aspiração na seringa. · Identificar a margem lateral do músculo esternocleidomastóideo. · O ponto de punção deve estar aproximadamente 5 cm acima da clavícula ou exatamente acima do ponto no qual a veia jugular externa cruza o músculo. Palpar esse ponto e verificar a posição da artéria carótida. · Introduzir a agulha em um ângulo de 30° em relação à pele, avançando caudalmente. Direcionar a agulha para a fúrcula esternal. Manter aspiração na seringa. · Via Central; · Identificar a inserção clavicular e esternal do músculo esternocleidomastóideo. · Assinalar o ápice do triângulo formado pelas duas inserções, que deve estar aproximadamente 3 cm acima da clavícula. · Palpar a artéria carótida medialmente a esse ponto para verificar sua posição. Introduzir a agulha em um ângulo de 30° com a pele, dirigindoa ao mamilo homolateral, avançando caudalmente. b) Subclávia; · Infraclavicular; · Introduzir a agulha 1 a 2 cm caudalmente à clavícula e um pouco medialmente a seu ponto médio, de modo que ela possa passar sob a clavícula. · Avançar com a agulha paralelamente à parede anterior do tórax e o mais próximo possível da borda inferior da clavícula, em direção à fúrcula esternal. · Supraclavicular; · Inserir a agulha na fossa supraclavicular 1 cm lateral à inserção clavicular do músculo esternocleidomastóideo e 1 cm posterior à clavícula. · A agulha deve ser orientada a 45° do plano sagital e 10 a 15° acima do plano horizontal, direcionando-se ao mamilo contralateral. c) Femoral; · Identificar o pulso femoral e inserir a agulha medialmente a esse pulso, em uma angulação de 45° e em direção cefálica. 3. Indicações; · Administrar rapidamente líquidos em pacientes hipovolêmicos. · Nutrição parenteral prolongada. · Acesso venoso quando não houver possibilidade de obter um acesso periférico. · Acesso venoso quando as extremidades estiverem comprometidas por trauma, frio intenso, queimaduras ou lesões cutâneas extensas, infectadas ou não. · Marca-passo cardíaco provisório. · Cateter de Swan-Ganz Hemodiálise ou plasmaférese. · Administrar medicamentos que não possam ser ministrados perifericamente, como fármacos vasoativos e soluções irritantes ou hiperosmolares. 4. Contraindicações; · Terapia anticoagulante ou fibrinolítica. · Deformidades por cirurgia prévia ou queimaduras que alterem a região a ser puncionada. · Impossibilidade de tolerar um pneumotórax por pneumopatia. · Risco maior de pneumotórax nos pacientes em ventilação mecânica ou com pressão expiratória final positiva (PEEP). 5. mATERIAL; · Principal; · Agulha de punção. · Cateter. · Dilatador. · Fio-guia. · Lâmina nº 11. · Seringa. · Fio de sutura (náilon 3-0). · Porta agulha. · Tesoura. · Assepsia; · Gazes estéreis. · Polivinilpirrolidona-iodo (PVP-I; Povidine®) ou clorexidina. · Máscara. · Gorro. · Avental. · Luvas estéreis. · Campos esterilizados. · Anestesia; · Seringa. · Agulha. · Lidocaína a 1% (10 ml). · Infusão; · SF 0,9%. · Equipo estéril. · Suportes. · Curativo; · Gazes estéreis. · Tintura de benjoim. · Esparadrapo ou Micropore. 6. Avaliação e preparo do paciente; · Explicar o procedimento ao paciente e aos familiares, relatando suas complicações potenciais. · Deve-se obter consentimento por escrito do paciente ou responsável, se possível. · A avaliação abrange: · Exame clínico à procura de deformidades locais. · Tempos de protrombina, tromboplastina parcial ativada e contagem de plaquetas. · Determinar se o paciente tolera a posição de Trendelenburg, que por si só aumenta a pressão venosa. 7. TÉCNICA; · Posicionar o paciente, dependendo do local a ser puncionado. · Em caso de jugulares e subclávias, o paciente deve estar em posição de Trendelenburg e com a cabeça rodada para o lado oposto. · Utilizar coxim no nível dos ombros para os acessos supraclavicular e infraclavicular. · Realizar assepsia e colocar os campos estéreis. · Introduzir a agulha no vaso, com o bisel apontado para o lado em que se deseja introduzir o cateter (ou fio-guia), a 45° do plano. · A punção venosa central deve ser feita com uma seringa com soro fisiológico conectada à agulha. · A introdução da agulha deve ser feita com pressão negativa, aspirando-se a seringa constantemente. Enquanto na punção arterial, o sangue fluirá pela agulha; na punção venosa, o sangue se misturará ao soro fisiológico. · Passar o fio-guia flexível através da agulha, ultrapassando sua extensão com folga. · A ponta do fio-guia é curvada em “J” para evitar lesões da íntima do vaso. · Para a introdução do fio-guia, utilizar a ponteira “retificadora”, uma pequena ponta de plástico que facilita o uso do fio-guia, “retificando” a ponta em “J”. · Também é possível retificar o fio-guia em “J” fazendo uma manobra com a mão não dominante: prender o fio com os 3º, 4º e 5º dedos e utilizar polegar e indicador como pinça, para esticá-lo. · Retirar a agulha, sem retirar o fio-guia. · Em nenhum momento, deve-se retirar o fio-guia sem retirar a agulha. · Aumentar a incisão da punção com uma lâmina nº 11 – SE NECESSÁRIO. · Passar o dilatador pelo fio-guia, com movimentos rotatórios. · Retirar o dilatador, com compressão do local para evitar hematomas e sangramentos. · Passar o cateter pelo fio-guia. · Retirar o fio-guia, deixando o cateter no local. 8. CUIDADOS APÓS O PROCEDIMENTO; · Os cuidados dependem do local de punção, mas, no geral, deve-se: · Auscultar o tórax para verificar se os ruídos respiratórios são simétricos. · Solicitar exame radiológico do tórax para confirmar a posição exata do cateter e excluir a possibilidade de pneumotórax. · Retirar, examinar e trocar o curativo diariamente. · Se o cateter for utilizado como via de hiperalimentação, trocar o curativo apenas 3X/semana. · Em caso de febre, fazer cultura de sangue periférico e do cateter. · Na impossibilidade de detectar outro foco infeccioso, retirar o cateter. · Evitar o uso do mesmo cateterpara diversas finalidades e conexões em “Y”. 9. Complicações; · Hemorragia; · Hematoma no local de punção. · Hemorragias vultosas: lesões em vasos de grande calibre, nos pacientes com alteração da crase sanguínea, ou em locais em que a compressão é difícil. · Perfuração de Órgão Próximo; · Pneumotórax. · Perfuração do miocárdio. · Infecção: consequente à contaminação local durante a passagem do cateter ou nas trocas de curativos. · Pode associar-se a bacteremias. · O cateter contaminado deve ser retirado imediatamente. · Flebite e trombose: pouco frequente em vasos calibrosos. · A osmolaridade da substância infundida deve ser compatível com o calibre do vaso. · Estenose em veias centrais: 40% dos pacientes com cateteres em veia subclávia, e 10% dos pacientes com cateteres em veia jugular desenvolvem obstrução venosa. · Embolia gasosa: pode-se diminuir essa complicação, colocando o paciente em posição de Trendelenburg ao prepará-lo para o procedimento. · Secção de cateter e embolia. · Infusão de líquido no mediastino ou hidrotórax. · Verificar sempre se há refluxo de sangue pelo equipo - Hemotórax. · Punção de vaso não desejado. · Progressão do cateter por trajeto não desejado. 10. rETIRADA DO CATETER; · Utilizar luvas de procedimento. · Remover todo o esparadrapo e os pontos de segurança. · Pedir ao paciente para inspirar profundamente, expirar e segurar. · Remover o cateter em um só movimento, sem força, enquanto o paciente estiver segurando a respiração. · Se houver dificuldade, tentar rodar o cateter. · Pressionar o local por, no mínimo, 5 min, para evitar sangramento. · Fazer curativo oclusivo. 11. REFERÊNCIAS; 1. Procedimentos médicos: técnica e tática / Alexandre Campos Moraes Amato. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Roca, 2016.