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© 2013, Elsevier Editora Ltda.
 
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser
reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos,
fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
 
Revisão Gráfica: Vânia Coutinho Santiago
Revisão Gráfica: Hugo de Lima Corrêa
Editoração Eletrônica: SBNigri Artes e Textos Ltda.
Epub: SBNigri Artes e Textos Ltda.
 
Coordenador da Série: Sylvio Motta
 
Elsevier Editora Ltda.
Conhecimento sem Fronteiras
Rua Sete de Setembro, 111 – 16o andar
20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
 
Rua Quintana, 753 – 8o andar
04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP – Brasil
 
Serviço de Atendimento ao Cliente
0800-0265340
atendimento1@elsevier.com
 
ISBN: 978-85-352-7207-9
ISBN (versão eletrônica): 978-85-352-7208-6
 
Nota: Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer
erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a
comunicação ao nosso Serviço de Atendimento ao Cliente, para que possamos esclarecer ou
encaminhar a questão.
Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas
a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação.
 
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
A255e
Aires, Amanda
Economia brasileira para concursos / Amanda Aires. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
272 p. – (Provas e concursos)
 
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-352-7207-9
 
1. Administração financeira – Brasil – Problemas, questões, exercícios. 2. Serviço público – Brasil
– Concurso. I. Título
13-
02479
CDD: 658.15
CDU: 658.15
Dedicatória
Para ele, o amigo de sempre.
Agradecimentos
Primeiramente, agradeço a Deus pela oportunidade de navegar, mais uma vez, por esse
imenso oceano.
Agradeço a minha família pelo apoio e pelo amor sem medidas. Agradeço a minha mãe
pelo exemplo de dedicação e ao meu pai pelo exemplo de energia. Agradeço em especial a
minha irmã pela infinita felicidade de aumentar a minha querida família. Agradeço a Vital
Bezerra de Melo por ter sido o meu porto seguro ao longo desses anos.
Aos meus queridos amigos de jornada pela economia. Aos meus queridíssimos André
Melo, Vitor Cavalcanti e Iansã Melo Ferreira pelo companheirismo ao longo de mais de
uma década. Aos meus professores de graduação, mestrado e doutorado, fontes inesgotáveis
de conhecimento e dedicação. Em especial aos grandes professores Francisco Cribari, autor
da foto que ilustra este livro, Marcelo Medeiros, autor do prefácio, Ricardo Chaves e Yony
Sampaio. A vocês, devo a economista que me torno diariamente.
Agradeço aos muitos amigos e alunos dos cursinhos preparatórios para concurso. Em
especial ao Eu Vou Passar, onde tudo começou, ao TEC Concursos e ao IGEPP. Sem vocês,
nada seria possível. Agradeço demais ao professor João Antônio, por ter aberto as portas
desse maravilhoso mundo.
Aos muitos que passam ou passaram por essa minha jornada. Aos que aqui estão e aos que
decidiram partir um pouco mais cedo. Aos amigos de ontem, hoje e sempre, o meu mais
profundo agradecimento.
Amanda
A Autora
Amanda Aires
Economista pela Universidade Federal de Pernambuco, com extensão universitária pela
Universität Zürich, na Suíça. Mestra em Economia com ênfase no Sistema Bancário
Nacional, e doutorado na mesma área pela UFPE e Université Laval, no Canadá.
Em 2011, foi premiada pela Febraban – Federação Brasileira de Bancos – no Prêmio
Nacional de Economia Bancária. Além de lecionar em diversos cursos para não economistas
e cursos para graduações e pós-graduações, é professora do Eu Vou Passar das disciplinas de
Microeconomia, Macroeconomia, Econometria, Contabilidade Bancária e Economia
Brasileira.
Prefácio
Compreender a economia brasileira, hoje, é, simultaneamente, uma necessidade e um
desafio. E isso para quaisquer que sejam os objetivos de vida do cidadão. Trata-se de uma
necessidade, pois o Brasil, nas últimas duas décadas, vem se firmando como um ator
internacional de ponta e, consequentemente, suas ações tem tido mais impacto nos cenários
político e econômico mundiais. O Brasil, sem dúvida, importa mais para as relações
internacionais hoje do que em tempos mais remotos. Por outro lado, compreender a
economia brasileira é, também, um desafio, porque o seu grau de complexidade é cada vez
mais elevado, exigindo, não raro, habilidades peculiares.
Escrito em uma linguagem clara e prática, Economia Brasileira para Concursos é uma
obra com uma vocação específica, todavia não excludente. Se ela se destina, precipuamente,
àqueles que desejam se preparar para algum certame, ela também fornece àqueles que
buscam conhecimentos fundamentais da Ciência Econômica um referencial conciso e
objetivo que, sem dúvida, contribui para a compreensão da economia brasileira hoje.
Organizado em oito capítulos e fartamente ilustrado com gráficos, tabelas e figuras,
Economia Brasileira para Concursos encerra um vasto espectro de análise, associando os
aspectos históricos da política econômica brasileira a conceitos basilares da teoria
econômica. Além disso, atestando sua inclinação pedagógica, o livro está municiado de
exercícios resolvidos e comentados com o fito de melhor fixar o conteúdo estudado.
A qualidade rigorosa e elegante da argumentação deriva do perfil de Amanda Aires
Vieira. Ainda jovem estudante de bacharelado, já debutava na pesquisa através do
concorrido Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC – do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq –, se debruçando sobre
questões ligadas aos processos de regionalização do Mercosul e da União Européia. Era
somente o começo de uma trajetória povoada de conquistas. Hoje, Graduada, Mestra e
Doutora em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, a autora já acumula,
apesar da pouca idade, vasta experiência acadêmica, que pode ser constatada através de
suas publicações de caráter científico, seus estágios no exterior (Universität Zürich, na Suíça
e Université Laval, no Canadá), sua prática docente, e sua destacada premiação nacional de
Economia Bancária concedida pela Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN.
Economia Brasileira para Concursos surge, assim, como uma sólida ponte de
aproximação entre a Ciência Econômica e a realidade política do Brasil moderno. Sua
leitura, certamente, irá facilitar o equacionamento da compreensão dos desafios que
marcaram e, ainda hoje, se perfilam no horizonte do nosso país. Boa e proveitosa leitura!
Marcelo de Almeida Medeiros, Ph.D
Professor de Ciência Política da UFPE
Pesquisador do CNPq
Apresentação
Estudar economia brasileira não é tarefa fácil. É difícil porque muitos alunos acham que
a disciplina é história do Brasil disfarçada. Outros argumentam que é muito complicado
estudar economia brasileira sem saber macroeconomia.
Na verdade, eu sempre acreditei que economia brasileira seria uma aplicação da
macroeconomia. Uma forma de consolidar os conceitos macroeconômicos e ver o emprego
dos modelos teóricos na nossa vida real.
Foi com essa busca do entendimento do que seria a economia brasileira e com a
necessidade de analisar a disciplina como uma aplicação da teoria macroeconômica que eu
decidi escrever este livro. Dessa forma, o livro seria uma forma híbrida, algo como
macroeconomia brasileira, ou macroeconomia: uma aplicação tupiniquim. Qualquer coisa
entre essas definições atenderia aos propósitos aqui escritos.
Dessa forma, essa obra configura-se como um livro-texto para estudantes de economia
brasileira, sendo indicado para aqueles que buscam, prioritariamente, a aprovação em
certames públicos.
Com relação à organização do livro, seguiremoso horizonte temporal para facilitar a
compreensão. Dessa forma, à medida que a economia brasileira for apresentada, teremos
intervalos para entender algum conceito macroeconômico julgado chave para a
compreensão daquele período.
Assim, este manual permitirá que os alunos estudem a parte teórica da macroeconomia e,
logo em seguida, vejam a aplicação dos conceitos ao longo dos anos 1930 a 2010. Para
consolidar os conhecimentos, os leitores terão acesso a uma vasta lista de questões
comentadas tanto de macro quanto de economia brasileira propriamente dita nos mais
variados níveis.
É com esse viés de macroeconomia brasileira que espero que você entenda o nosso livro.
Desde já me ponho à disposição para quaisquer críticas e sugestões que possam contribuir
para o aperfeiçoamento desse material.
A autora
Sumário
Capa
Folha de Rosto
Cadastro
Créditos
Dedicatória
Agradecimentos
A Autora
Prefácio
Apresentação
Capítulo 1 – A grande depressão de 1929 e o processo de industrialização no
Brasil
1.1. Introdução
1.2. Macroeconomia em análise: o fluxo circular da riqueza expandido e as
funções do governo
1.3. As funções e as formas de atuação do governo
1.3.1. Função distributiva
1.3.2. Função alocativa
1.3.3. Função estabilizadora
1.3.4. Função reguladora5
1.4. A nova economia industrial brasileira
Alexandre
Highlight
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1.5. Características do PSI
1.6. As dificuldades do PSI
1.6.1. Tendência ao desequilíbrio externo
1.6.2. Aumento da participação do Estado
1.6.3. Aumento do grau de concentração de renda
1.6.4. Escassez de fontes de financiamentos
Capítulo 2 – Os Anos JK e a Transição para o Regime Militar
2.1. Macroeconomia em análise: a função estabilizadora do governo. Por que o
governo precisa interferir na economia?
2.1.1. Produto Interno Bruto – PIB
2.1.2. Política fiscal
2.1.3. Funções consumo e poupança (C, S)
2.1.4. Multiplicador dos gastos do governo
2.1.4.1. Fórmula do multiplicador dos gastos do governo
2.2. O lado monetário da economia
2.2.1. A política monetária
2.2.1.1. Tipos de moeda
2.2.1.2. Funções da moeda
2.2.1.3. Demanda e oferta de moeda
2.2.1.4. Oferta de moeda
2.2.1.4.1. Conceito e composição dos meios de pagamento
2.2.1.4.2. Banco Central do Brasil
2.2.1.4.2.1. Funções do Banco Central
2.2.1.5. Demanda por moeda
2.2.2. Os bancos comerciais criam moeda
2.2.2.1. Diagrama da oferta de moeda
2.2.2.2. Demanda por moeda
2.2.3. Equilíbrio no mercado monetário
2.3. Política monetária
2.4. O modelo IS-LM
2.4.1. A curva IS
2.4.1.1. Derivação da curva IS
2.4.1.2. A inclinação da curva IS
2.4.1.3. A posição da curva IS
2.5. A curva LM
2.5.1. Derivação da curva LM
2.5.2. A inclinação da curva LM
Capítulo 3 – Os Governos Militares – Parte 1: O Plano de Ação Econômica do
Governo
3.1. Reforma tributária
3.2. Reforma monetária-financeira
3.3. Reforma do setor externo
3.4. O milagre econômico
Capítulo 4 – Os Governos Militares – Parte 2
4.1. A economia brasileira e a última fase do regime militar: O II PND
4.2. O governo Figueiredo, a ruptura do padrão de financiamento e a década
perdida
Capítulo 5 – A Economia Brasileira e a Nova República (1985 – 1989)
5.1. O Plano Cruzado (1986)
5.2. O Plano Bresser (1987)
5.3. O Plano Verão (1989)
5.4. Restrição cambial e crescimento econômico
5.5. O desequilíbrio do setor público
Capítulo 6 – Comportamento da Economia Brasileira entre 1990 e 1994
6.1. A primeira metade dos anos 1990
6.2. A mudança de modelo
6.3. Privatização e abertura
6.4. Os anos FHC
6.4.1. A batalha da estabilização
6.4.2. A crise em formação
6.4.3. O segundo governo FHC
6.4.4. As reformas do período
6.4.5. As privatizações
6.5. Uma década de transformações
6.6. O ajuste não foi percebido
Capítulo 7 – A Economia Brasileira Recente e as Políticas de Desenvolvimento
dos Governos Lula e Dilma
7.1. O primeiro mandato do governo Lula
7.2. O segundo mandato do governo Lula
Capítulo 8 – A Crise Econômica Global de 2008
8.1. A resposta da política macroeconômica do Brasil
Referências Bibliográficas
Notas
Capítulo 1
A grande depressão de 1929 e o processo de
industrialização no Brasil
Primeira página do London Herald após a queda da Bolsa de Nova York (1929).1
1.1. Introdução
A Grande Depressão, também chamada, por vezes, de Crise de 1929, foi um período de
prolongada recessão econômica, que teve seu marco inicial entre a quinta-feira, dia 24, e a
terça-feira, dia 29 de outubro de 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930,
terminando, apenas, com a Segunda Guerra Mundial. Foi considerada a maior crise
econômica mundial do século XX.
Os dias-chave dessa crise receberam nomes especiais: o dia 24 foi chamado de “quinta-
feira negra”, o dia 28 foi denominado de “segunda-feira negra” e o dia 29 ficou conhecido
como a “terça-feira negra”, datas importantíssimas para a história econômica mundial.
A Grande Depressão teve origem nos Estados Unidos. Contudo, para entender a crise, é
preciso voltar no tempo e pensar na economia mundial após a Primeira Guerra Mundial.
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os países europeus encontravam-se devastados,
com a economia enfraquecida e com forte retração de consumo. Os Estados Unidos, por sua
vez, lucravam com a exportação de alimentos e produtos industrializados aos países aliados
no período pós-guerra.
Com o reestabelecimento da Europa, os Estados Unidos passaram a exportar ainda mais,
para suprir a demanda do continente afetado pela guerra. Como resultado disso, entre 1918
e 1928 a produção norte-americana cresceu fortemente. A prosperidade econômica gerou o
chamado “american way of life” (modo de vida americano). Havia emprego, os preços
caíam, a agricultura produzia muito e o consumo era incentivado pela expansão do crédito
e pelo parcelamento do pagamento de mercadorias.
Para entender um pouco mais sobre o processo de crescimento da economia norte-
americana, é preciso pensar na definição de sistema econômico. Assim, antes de
analisarmos mais economicamente o processo, é necessário entender, com detalhes, o
funcionamento da economia através do fluxo circular da riqueza expandido.
1.2. Macroeconomia em análise: o fluxo circular da riqueza expandido e as
funções do governo
É necessário compreender as interações entre os agentes econômicos, a fim de melhor
entender as intervenções governamentais. Embora não seja pedida diretamente a
compreensão gráfica do que ocorre em uma economia, em muitos concursos, uma vez
entendida a direção e o que acontece em cada mercado, você não terá dificuldade para
verificar o que acontece em toda a economia, e poderá analisar, com tranquilidade, se
determinada assertiva da questão está correta. Por isso, essa parte do primeiro capítulo do
nosso livro será destinada à compreensão geral do que estudaremos posteriormente. Uma
vez compreendido o “mapa da mina”, faremos menção a ele diversas vezes ao longo de todo
o conteúdo do livro, para que fique bem reforçado e você possa ter uma visão ampliada.
Para compreender a macroeconomia, precisamos, inicialmente, saber o que é um
modelo: um modelo é como um mapa; ele ilustra a relação entre as coisas. Assim como um
mapa não mostra todos os detalhes da paisagem, omitindo árvores e pontos menos
relevantes, o modelo simples não poderá mostrar tudo que acontece na complexidade de
um sistema econômico.2 Contudo, assim como o mapa nos leva ao local onde desejamos
chegar, o modelo simples desenvolvido nessa parte permitirá uma compreensão melhor das
relações econômicas.
Para saber o que acontece em um sistema econômico, é preciso compreender quais são os
agentes econômicos que atuam nesse sistema. Um agente econômico é uma pessoa ou
entidade que toma decisões econômicas. Em uma economia simplificada, dizemos que
existem quatro agentes econômicos: as famílias (que buscam maximizar o nível de satisfação
por meio de um processo de otimização de bem-estar individual), as firmas ou empresas
(que buscam maximizar os lucros, também por meio de um processode otimização dos
lucros), o governo (que busca maximizar o bem-estar social) e o resto do mundo (uma
representação dos três agentes citados que não estão dentro do território em análise).
Esses quatro agentes interagem em espaços chamados mercados. Assim, um mercado é
um local, físico ou não, no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma
unidade monetária ou por outros bens. Em uma economia, existirão três mercados-chave:
bens e serviços (em que são comercializados os bens destinados ao consumo final), fatores
produtivos (em que são comercializados fatores necessários à produção, como trabalho,
terra e capital) e ativos financeiros (que será particionado em quatro: mercado de crédito –
que atende aos consumidores; mercado de capitais – que atende às empresas; mercado
monetário – que atende ao governo; e mercado cambial – que atende ao resto do mundo).
Em uma economia, os quatro agentes (famílias, empresas, governos e resto do mundo) interagem em três mercados: bens e serviços,
fatores produtivos e ativos financeiros.
Antes de estudar a crise econômica de 1929, analisaremos uma economia bem mais
simplificada. Nessa situação, existem apenas dois agentes: famílias e empresas (economia
fechada – não há comunicação com o resto do mundo – e sem governo); e apenas dois
mercados: bens e serviços e fatores produtivos, conforme mostrado na figura a seguir,
denominada fluxo circular da riqueza para uma economia fechada e sem governo.
Figura 1. Fluxo Circular da Riqueza para uma economia fechada e sem governo.
De forma simplificada, nesse fluxo circular da riqueza, as famílias são proprietárias de
fatores de produção (terra, capital e trabalho, e elementos utilizados na produção que não
são exauridos ao final do processo produtivo) e os fornecem às empresas, por intermédio
do mercado dos fatores de produção. As empresas combinam os fatores de produção e
produzem bens e serviços, que são fornecidos às famílias por meio do mercado de bens e
serviços. Essas são as transações que formam os fluxos reais, descritos na figura, como o fluxo
no interior da figura.
Assim, as empresas produzem bens e serviços e os ofertam no mercado de bens e serviços.
Esses produtos serão adquiridos pelas famílias que, para poder pagar por esses bens,
precisam ofertar seus fatores às empresas. Assim, a terra, o capital e o trabalho, que são de
propriedade das famílias, serão utilizados pelas empresas para produzir bens e serviços, os
quais serão consumidos pelas famílias. Seguindo um fluxo indefinido, que se retroalimenta.
Para cada elo do fluxo real, descrito acima, existe um fluxo monetário. Dessa forma,
dizemos que os fluxos reais possuem uma contrapartida monetária, ou seja, são efetuados
pagamentos na moeda corrente: as empresas remuneram as famílias quando adquirem os
fatores de produção e as famílias pagam as empresas pelo consumo dos bens e serviços
produzidos. Essas operações compõem o fluxo monetário. Você deve ter percebido que toda
renda dos agentes se deve a alguma contribuição sua no processo produtivo. Por essa razão,
o fluxo econômico também é denominado fluxo circular da renda. Esse fluxo monetário é
representado na parte exterior da figura 1.
Você deve ter percebido que esse modelo não condiz com a nossa complexa realidade,
mas ele cai na prova! (Veremos como, nos exercícios.)
Não é comum encontrarmos economias fechadas, sem o contato com o resto do mundo, e
é ainda mais improvável encontrar uma economia sem governo. Por isso, embora bastante
simplificado e com informações bastante valiosas, o fluxo acima descrito não se reporta a
uma realidade factível.
Ao observarmos esse aspecto, começaremos a tornar o nosso modelo mais completo.
Adicionaremos o agente GOVERNO na análise. Nessa economia, conforme mostra a figura
2, a seguir, o governo não se comunica diretamente com as empresas. O único contato que o
agente governo estabelece é com outro agente: família. Esse fato deve ser levado em
consideração, pois o governo deseja maximizar, entre outras coisas, o bem-estar social.
Para atingir esse objetivo, o governo deve tirar recursos das famílias ricas (através dos
impostos) e destinar às pobres (através das transferências governamentais), sendo
desnecessário o contato direto com as empresas.
Um ponto importante aqui é que o governo não possui apenas a função de redistribuição
de renda. Ele também deve exercer a função alocativa (que está associada à provisão de
bens públicos), a função estabilizadora (que está ligada à utilização de políticas econômicas
voltadas para a manutenção dos níveis dos indicadores macroeconômicos como inflação,
desemprego e PIB) e a função reguladora (que, como o próprio nome diz, está associada à
regulação da economia. O governo executará essa função por intermédio das Agências
Reguladoras).
Além de tributar e transferir recursos, o governo atua ainda na economia através das
compras governamentais de bens e serviços realizadas no mercado de bens e serviços (tais
compras podem estar associadas às funções alocativa – para o caso da construção dos bens
públicos –, ou estabilizadora – quando as compras do governo são realizadas para aquecer a
economia através do aumento da demanda por bens). Note que, nessa economia, o governo
não atua no mercado de fatores (embora essa prática não seja verificada no Brasil,
adotaremos essa simplificação a fim de evitar a geração de mais problemas).
Um aspecto que você poderá notar posteriormente é que, nesse modelo, a única forma
que o governo tem de se “comunicar” com as empresas é através do mercado de bens e
serviços. Como, nessa economia hipotética, o governo não atua no mercado de fatores,
poderá fazer essa ligação com as empresas por meio da imposição de impostos sobre os bens
(não sobre os rendimentos auferidos pelas empresas) ou ainda impondo preços máximos
ou mínimos, além de tarifas e subsídios. Um último ponto que podemos considerar a
respeito da existência do governo e de seu contato com as empresas diz respeito às compras
governamentais, pois o governo também compra! Tudo isso pode ser visto na figura 2,
abaixo.
Figura 2. Fluxo circular da riqueza de uma economia fechada e com governo.3
Atualmente, a nossa economia começa a ficar um pouco mais alinhada com o que
acontece nos sistemas econômicos mais complexos.
Observe que, apenas com esses pontos iniciais, já começamos a compreender melhor o
Estado e suas funções econômicas governamentais (redução da desigualdade de renda),
assim como a atuação do governo na economia (através de impostos, transferências e
compras governamentais). Entretanto, como mencionado anteriormente, essa é uma versão
bastante introdutória, nada muito complexo. No decorrer do livro, vamos aprofundar esses
conceitos.
Dando continuidade, precisamos verificar o surgimento do agente resto do mundo na
nossa economia, até porque a maioria esmagadora dos países se comunica com outros
países. E como o resto do mundo se comunica com a nossa economia? Por intermédio do
mercado de bens e serviços, comprando produtos nacionais e vendendo produtos de outras
nacionalidades. Assim, quando o resto do mundo adquire nossas mercadorias no mercado
de bens e serviços, estamos exportando, e quando o resto do mundo vende bens no nosso
mercado de bens e serviços, estamos importando. A figura 3 mostra o surgimento do resto
do mundo na economia.
Figura 3. Fluxo circular da riqueza de uma economia aberta.
Até agora, observamos que os quatro agentes se encontram, simultaneamente, somente no
mercado de bens e serviços, cabendo ao mercado de fatores a interação entre empresas e
famílias, apenas.
O modelo até aqui formulado é bastante complexo, mas não mostra a totalidade das
relações existentes entre os agentes. Isso porque, até agora, desconsideramos a existência de
um mercado vital no sistema econômico: o mercado financeiro ou de ativos financeiros.4
Assim como no mercado de bens e serviços, o mercado financeiro também conta com a
presença simultânea dos quatro agentes econômicos: as famílias atuam nesse mercadoenviando a parte da renda não consumida (a poupança privada), as empresas operam no
mercado através da tomada de empréstimos para investimentos e a posterior emissão de
títulos da dívida e emissão de ações, enquanto o GOVERNO e o resto do mundo podem
tanto tomar quanto conceder empréstimos ao sistema financeiro nacional. O fluxo circular
da riqueza expandido é mostrado na figura 4.
Figura 4. Fluxo circular da riqueza de uma economia fechada e com governo.
O fluxo circular da riqueza conecta os quatro setores da economia – famílias, empresas,
governos e resto do mundo – através dos três tipos de mercados: os fundos fluem das
empresas para as famílias na forma de salários (remuneração do fator produtivo trabalho),
juros (remuneração do fator produtivo capital) e aluguéis (remuneração do fator produtivo
terra), por meio do mercado de fatores. Depois de pagar os impostos ao governo e receber
do governo as transferências, a família aloca a renda restante, ou seja, a renda disponível
entre poupança privada e gastos com o consumo. Por meio dos mercados financeiros, a
poupança privada e os fundos do resto do mundo são canalizados para gastos de
investimentos das empresas, tomada de empréstimo pelo governo, tomada e concessão de
crédito de estrangeiros e transações de estrangeiros com ações. Além disso, os fundos fluem
do governo e das famílias para as empresas, para pagar pela compra de bens e serviços.
Finalmente, exportações para o resto do mundo geram um fluxo de fundos que entra na
economia, e as importações levam a um fluxo de fundos que sai da economia.
Assim, quando os gastos de consumo são somados aos bens e serviços, aos gastos de
investimentos pelas empresas, às compras governamentais de bens e serviços e às
exportações, e, em seguida, subtrai-se o valor das importações, o fluxo total de riqueza
representado por esse gasto é o gasto total com bens e serviços produzido em um país, uma
variável muito importante para uma economia, conforme veremos adiante. De modo
equivalente, esse é o valor de todos os bens e serviços produzidos no país, isto é, o Produto
Interno Bruto (PIB) da economia.
Toda essa explicação está, de fato, extremamente simplificada, mas, como já havia
mencionado, essa é uma definição de modelo menos complexa. Porém, depois de tudo que
estudamos até aqui, o que de fato nos interessa em um primeiro estágio?
É interessante que você saiba que no mercado de bens e serviços não existe apenas um
tipo de mercado, mas ALGUMAS estruturas. São elas: Concorrência Perfeita, Concorrência
Monopolística, Oligopólio e Monopólio. Existem ainda outras, como o oligopsônio e o
monopsônio, mas essas nunca são mencionadas nas provas. Há, ainda, o mercado
contestável, mas você vai ouvir falar sobre essa estrutura quando estudar as estruturas de
mercado em Concorrência Perfeita. Além disso, é interessante que você compreenda como
os consumidores e as empresas atuam no mercado de bens e serviços e como o governo
pode influenciar esse mercado. Por fim, é importante que você observe que esses mercados
podem ter falhas e que, quando essas falhas acontecem, cabe ao governo fazer intervenções
através de um processo regulatório!
Exercícios
1. (Analista Judiciário – Economia – STM – 2010) A respeito dos conceitos básicos da teoria econômica, julgue a
questão subsequente.
No fluxo circular de bens e serviços, as empresas demandam fatores de produção que são ofertados pelas
famílias e, nesse processo, os fluxos monetários vão das empresas para as famílias.
Comentários:
Para responder a questão, basta dar uma olhada no fluxo circular da riqueza mais inicial.
Agora, vamos analisar ponto a ponto o que a questão afirma: primeiro, ela chama de
fluxo circular de bens e serviços, o que chamamos previamente de fluxo circular da
riqueza. Embora a nomenclatura seja diferente, dizem respeito ao mesmo assunto.
Continuando, a questão afirma que as empresas demandam fatores de produção que são
ofertados pelas famílias. Pelo gráfico acima, podemos perceber que isso é verdade.
Pelo corte feito no fluxo, é possível ver que as setas mostradas no interior da figura
representam o fluxo real de fatores, “saindo” das famílias e “entrando” nas empresas. Ou
seja, as famílias estão ofertando esses fatores e as empresas estão demandando
(procurando) esses mesmos fatores. A explicação para esse processo, como já vimos, é que as
empresas precisam desses fatores para que seja possível realizar a produção dos bens e
serviços que serão ofertados às famílias. As famílias, por sua vez, precisam ofertar esses
fatores para que seja possível adquirir os bens e serviços que serão oferecidos pelas
empresas.
CURIOSIDADES
Um ponto importante aqui é que você não precisará, necessariamente, fornecer o fator para a empresa que você deseja comprar algo.
Por exemplo, não é porque vou jantar na Pizza Hut que preciso, depois de jantar, lavar os pratos! Na verdade, presto meu serviço para
outra(s) empresa(s) e, com o fluxo monetário recebido pelo(s) meu(s) fator(es), posso adquirir bens e serviços em quaisquer outros
lugares! Esse formato de fluxo acabou por facilitar muito o processo de trocas. Ou seja, as pessoas não ficam mais atreladas às
empresas em que trabalham!
Concluindo, a questão afirma que “e, nesse processo, os fluxos monetários vão das
empresas para as famílias”. Como podemos perceber, nesse ponto, a questão está correta!
Basta observar o sentido das setas que ficam no exterior da figura, “saindo” das empresas e
“entrando” nas famílias!
Gabarito: CERTA.
2. (Economia e Estatística – IJSN-ES – 2010) O modelo do fluxo circular de renda possibilita mensurar o produto da
economia pelas despesas ou pela renda. Na visão das famílias, e considerando o fluxo circular da renda, a
despesa para a aquisição de bens e serviços é equivalente ao valor recebido pela venda dos bens e serviços. Assim,
produto = renda = despesa.
Comentários:
A assertiva afirma que o modelo do fluxo circular de renda possibilita mensurar o
produto da economia pelas despesas ou pela renda, o que é verdade. Apenas para que você
compreenda melhor, eu posso medir o Produto Interno Bruto – PIB – de uma economia
utilizando três óticas diferentes: a produção propriamente dita, a despesa agregada e os
rendimentos. Ou seja, de acordo com essa identidade, tudo que é produzido será comprado
pelos agentes econômicos (as famílias realizam consumo, as empresas fazem investimentos,
o governo faz compras ou gastos governamentais e o resto do mundo compra as nossas
exportações); e, para que seja possível existir o processo de compras, é preciso que os
agentes econômicos possuam renda, seja ela proveniente de trabalho (salário), do fator
terra (aluguéis) ou ainda do fator capital (juros). Então, podemos dizer que toda produção
será igual ao somatório das despesas que, por sua vez, será igual aos rendimentos. Desse
modo, é indiferente você medir o PIB por essa ou aquela ótica – nesse caso, todos os
caminhos levam a Roma!
Dessa forma, ATÉ AQUI, nada errado! Mas a questão continua... Na visão das famílias, e
considerando o fluxo circular da renda, a despesa para a aquisição de bens e serviços é
equivalente ao valor recebido pela venda dos bens e serviços. E eis que achamos o erro!
Vamos ler, novamente, com cuidado.
Veja que a alternativa diz que, para as famílias, a despesa para aquisição de bens (o
consumo das famílias) será equivalente ao valor recebido pela venda de bens e serviços. Mas
as famílias não vendem bens e serviços! Aliás, é importante observarmos que quem vende
bens e serviços é o agente econômico empresa, não o agente econômico família! Nesse caso,
a alternativa é falsa, já que as famílias vendem (ou ofertam) fatores produtivos! E assim, por
causa desse detalhe que passaria perfeitamente despercebido, a questão está incorreta!
Finalmente, a assertiva diz que: Assim, produto = renda = despesa. O que é verdadeiro,
conforme vimos anteriormente!
Gabarito: FALSO.
1.3. As funções e as formas de atuação do governo
Lembra dessa figura?
Na verdade, o que queremosque você analise agora é a função do governo, que está
marcada com o círculo. Veja que o governo se comunica, nesse diagrama, diretamente
apenas com o agente econômico família. Nesse contato, o governo tira dinheiro das famílias
ricas (família do Sr. Silva) e transfere para as famílias pobres (família da Sra. Silva). Com
esse movimento, o governo executa a sua primeira função na economia: a função
Distributiva. Vamos entender o que é essa função.
1.3.1. Função distributiva
Quando ouvimos falar em função distributiva, lembramos imediatamente de impostos e
transferências! Por que isso? Porque o governo (quando atua como um bom planejador
social) deseja distribuir o dinheiro para todo mundo, ora! O governo não quer que o
dinheiro fique concentrado na mão de umas poucas famílias, ele deseja que o dinheiro seja
o mais bem- distribuído possível entre todos que fazem parte de uma economia.
Esse é o caso que citamos acima do Sr. e da Sra. Silva. O governo não quer que o dinheiro
fique todo na mão do Sr. Silva, e vai aplicar um imposto sobre a riqueza dele: o nosso
famoso Imposto de Renda.
Assim, quando o governo estabelece alíquotas de Imposto de Renda, por exemplo, ele
está, na verdade, aplicando um instrumento para efetivar a sua função distributiva,
objetivando reunir recursos para promover uma melhor distribuição de renda na sociedade.
Entretanto, apenas a aplicação do Imposto de Renda (cujas alíquotas atuais variam de
7,5% a 27,5% no Brasil, a depender da renda declarada da pessoa) não indica que o
governo conseguirá realizar uma melhor distribuição. Nesse caso, ele também tem que fazer
uma política de transferências.
Alexandre
Highlight
Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
Highlight
As transferências, por sua vez, caminham no fluxo contrário ao dos impostos (como
vimos na figura acima). Elas são destinadas às pessoas que possuem menor nível de
rendimentos. Exemplos de transferências, no Brasil, são as nossas bolsas: bolsas de estudo,
bolsa família, auxílio gás etc., etc., etc.
No caso brasileiro, infelizmente, os indicadores não corroboram muito essa função do
governo, pois, embora tenhamos uma carga tributária semelhante à observada nos países
europeus, a renda é tão mal distribuída quanto nos países africanos, ou seja, o governo tira
dos ricos e não consegue repassar, integralmente, para os pobres, classificando o Brasil
como um dos países de maior desigualdade de renda no mundo.
Observando o fluxo de saída de rendimentos das famílias ricas (impostos) e entrada de
rendimentos nas famílias pobres (transferências), é possível perceber que a função
distributiva, como mostrado acima no fluxo circular da riqueza expandido, diz respeito
apenas ao contato entre governos e famílias. E é dessa forma que o governo afeta
diretamente os consumidores.
Mas, analisando de uma forma mais ampla, sabemos que o governo não implementa
apenas impostos sobre as famílias, ele pode (e o faz com certa frequência) aplicar impostos
sobre os bens também! Esses tipos de impostos não incidirão diretamente sobre o
consumidor mais rico, mas sobre toda a economia. É como se, olhando o fluxo circular da
riqueza, analisássemos o governo dentro do mercado de bens e serviços, gerando alterações
nos preços.
A partir de então, e até o final das funções do governo, ele não irá mais afetar
diretamente os consumidores, mas atuará de forma indireta, via mercado de bens e
serviços. Vamos ver.
Além do Imposto de Renda, temos ainda, no Brasil, o ICMS, o ISS, o Cide, todos tributos
que não incidem diretamente sobre a renda das pessoas, mas sobre o preço dos bens e
serviços utilizados. Logo, seguindo esse preceito, não serão apenas as famílias ricas que
pagarão os impostos, mas as famílias mais pobres também.
E como esse tipo de imposto pode gerar redução na desigualdade de renda ou melhor
distribuição dos recursos? Simples, a ideia é que esses impostos sejam direcionados, via
transferências, para as famílias mais pobres, fazendo com que elas sejam mais que
reembolsadas pelos gastos com impostos, sendo beneficiados pela implementação do
tributo.
O funcionamento desse tipo de tributação foi visto pelo último edital. De todo modo,
faremos uma revisão para que não fique nenhuma dúvida. Vamos ver isso de forma mais
analítica.
Antes de falarmos sobre impostos, é preciso compreender o que existia antes deles para
que possamos saber qual o seu impacto. Assim, primeiramente, falaremos sobre excedentes
do consumidor e do produtor. Observe que não são excessos, mas excedentes. O que fará
Alexandre
Highlight
toda a diferença. Para entender o que isso significa, comecemos por algo tipicamente
brasileiro.
Seu time está na final do campeonato estadual e você não tem o ingresso. Aliás, os
ingressos estão esgotados. O que você faz? Vai para a frente do estádio negociar com o
cambista, claro!
Você leva no bolso R$ 100,00 e sabe que não poderá pagar mais do que isso (até porque o
cambista não aceita cartão de crédito). Os seus R$ 100,00 são o que os economistas chamam
de preço reserva.
O preço reserva é quanto, no máximo, você está disposto a pagar para adquirir
determinado bem. Nem um centavo a mais. Para isso, basta você se perguntar quanto
pagaria até determinado valor para ter um bem, nem R$ 1,00 a mais.
Observe no gráfico a seguir que os consumidores estariam dispostos a pagar mais do que
o preço de equilíbrio. A diferença entre esses valores corresponde a uma vantagem obtida
pelo consumidor.
No exemplo acima, se você comprar o ingresso por R$ 70,00, terá um ganho de R$ 30,00.
Essa vantagem ocorre até a quantidade de equilíbrio. Então, a região do gráfico delimitada
pelo preço de mercado e a demanda é uma medida do beneficio do consumo, denominada
excedente do consumidor (a área acima da linha de preços e abaixo da curva de demanda
no gráfico).
No caso dos produtores, o raciocínio é semelhante. O benefício na venda de cada
unidade também é definido pela diferença entre o preço que eles recebem e aquele que
estariam dispostos a vender cada unidade.
Pense no cambista. Ele tem um ingresso e quer vendê-lo por R$ 30,00. Caso ele consiga
vender por R$ 50,00, terá um ganho de R$ 20,00. Essa diferença entre o preço que se está
disposto a vender (que normalmente estará associado aos custos) e o preço de venda é o
que chamamos excedente do produtor.
Assim como para os consumidores, esse benefício existe até a quantidade de equilíbrio, e
é denominado excedente do produtor. Graficamente, o excedente do produtor é
representado pela região delimitada pelo preço de equilíbrio e a curva de oferta (a área
acima da curva de oferta e abaixo da linha de preços no gráfico).
A soma do excedente do consumidor com o excedente do produtor pode ser entendida
como uma medida de bem-estar.
E qual a relação existente entre o excedente dos consumidores e produtores e os
impostos governamentais? É isso que veremos agora.
Imagine que o governo implemente determinado imposto. O que isso significa,
economicamente? Significa que nós, consumidores, pagaremos mais e as empresas
receberão menos. No gráfico a seguir, digamos que o imposto signifique uma alíquota total
de R$ 4,00. Nesse caso, essa alíquota é mostrada, graficamente, pela linha vertical que liga a
demanda e a oferta. Veremos.
Nessa situação, o que acontece?
Com a nova alíquota do imposto, os consumidores pagarão agora R$ 7,00 e as empresas
receberão R$ 3,00. No gráfico abaixo os novos preços são mostrados através das setas.
Qual o ganho do governo? O ganho obtido pelo governo será dado pela soma dos
quadrados (A) e (B), mostrados abaixo.
Não é difícil fazer a conta dos ganhos do governo. Basta multiplicar a alíquota pela nova
quantidade vendida, como demonstrado acima. Então, se o governo colocou imposto sobre
um bem, ele vai ganhar uma boa grana. Mas, e o restante da sociedade, estará feliz (em
termos de bem estar) com essa política?
A primeira consequência que podemos observar é que haverá perdas de bem-estar
(perdas de excedentes) tanto para o consumidorquanto para o produtor (veja também no
gráfico acima). Note que quando o governo instaura um imposto, ele ganha, mas a
sociedade perde. Os consumidores as áreas A e C em termos de bem estar e os produtores as
áreas D e B! A questão é que essas não são as únicas perdas para a sociedade! Vejamos mais
detalhadamente no gráfico a seguir.
Observe o seguinte: antes, a nossa quantidade de equilíbrio era Q0, e agora Q0 não está
mais disponível. Logo, também houve outra perda de bem-estar, porque houve uma
limitação da quantidade de equilíbrio, como mostram os triângulos C e D.
Agora ficou fácil conhecer o saldo do imposto para os dois agentes econômicos. Para os
consumidores, a perda é dada pela soma do quadrado (A) e do triângulo (C). Para os
produtores, a perda é dada pela soma do quadrado (B) com o triângulo (D).
Fazendo uma conta simples, temos o seguinte:
Ganho para o governo = + A + B
Perda do consumidor = – A – C
Perda do produtor = – B – D
Resultado = – C – D
Ou seja, sempre que o governo implementar um imposto, haverá perda de bem-estar
para a economia. Essa perda é chamada perda de peso morto. Entendido?
Para finalizar essa parte dos impostos, a perda de peso morto dependerá da elasticidade
do preço da demanda e da oferta. Quanto mais inelásticas forem as curvas, menor será a
perda de peso morto. Logo, como os bens mais necessários possuem, normalmente, a menor
elasticidade-preço da demanda, tendem a ser os bens mais tributados. Assim, justifica-se a
intervenção do governo na imposição de impostos na água mineral, na gasolina etc.
Infelizmente, em termos econômicos, é melhor tributar a água do que o anel de brilhantes.
O anel possui uma grande elasticidade-preço da demanda. A água é quase perfeitamente
inelástica.
Assim, pode-se dizer que, no Brasil, o fato de os impostos incidirem sobre os bens
(principalmente os inelásticos) pode ser considerado o maior problema do sistema
tributário nacional, já que esses bens serão consumidos, prioritariamente, pelas camadas
mais desprovidas, fazendo com que o nosso sistema de arrecadação seja bastante ineficiente.
Exercícios
1. (FCC – Assembleia Legislativa-SP – Agente Técnico Legislativo – Direito (Finanças e Orçamento) – 2010) Suponha a
imposição de um imposto sobre as vendas de um bem comercializado em um mercado em concorrência perfeita. A
arrecadação tributária gerada por esse imposto será:
a) inferior à soma da perda do excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor;
b) igual à perda de excedente do produtor;
c) igual à soma da perda do excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor;
d) superior à soma da perda do excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor;
e) igual à perda de excedente do consumidor.
Comentários:
Para começar, observe que o enunciado da questão fala a respeito da imposição de um
imposto sobre as vendas de um determinado bem, logo, não estamos falando sobre Imposto
de Renda (ou qualquer tipo de imposto que possa incidir na riqueza de um indivíduo), mas
sobre o que denominamos impostos indiretos.
Quando se fala sobre imposto sobre bens, lembramos, imediatamente, de peso morto, ou
aquele valor do excedente do consumidor e do excedente do produtor que fica perdido
com a imposição de um imposto. Nesse caso, é possível observar, pelos gráficos anteriores,
que o ganho com a arrecadação do imposto será menor que a perda gerada por esse.
A alternativa e afirma que a arrecadação tributária será igual à perda de excedente do
consumidor. Pelo que acabamos de dizer antes, esse item é falso. Mas, contudo, ele poderia
ser considerado verdadeiro se estivéssemos falando de curvas de demanda e oferta
infinitamente inelásticas (ou verticais). Nessa situação, o peso morto seria zero e, de fato, a
perda de bem-estar seria exatamente igual ao ganho com a arrecadação. Essa situação, por
sua vez, é algo MUITO marginal na teoria econômica. Assim, via de regra, dizemos que a
arrecadação de impostos será menor que a perda social provocada, gerando, dessa forma, o
que já denominamos perda de peso morto. Vejamos o gráfico a seguir.
Observe que o triângulo que tem as margens mais escuras diz respeito ao peso morto
gerado pela implementação do imposto, enquanto os quadriláteros A e B mostram os
Alexandre
Typewriter
REVISAR
ganhos com a arrecadação dos tributos.
A alternativa d afirma que a arrecadação de impostos será superior à soma da perda do
excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor. Em hipótese alguma há
garantias de que os ganhos com a arrecadação sejam maiores que a soma dos excedentes do
consumidor e do produtor. Logo, a alternativa d é falsa!
A letra c, por sua vez, diz que o ganho com a arrecadação será igual à soma da perda do
excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor. Essa alternativa poderia
estar certa em casos bastante específicos, em que a soma dos quadriláteros A e B coincidisse,
exatamente, com a soma dos triângulos C e D. Como não existe garantia alguma de que isso
acontecerá em todos os casos, a alternativa c também está incorreta.
A letra b afirma que a arrecação dos tributos será igual à perda de excedente do
produtor. Essa afirmativa, assim como na alternativa c, poderia ser verdadeira, mas sob
condições muito específicas, não valendo para os casos mais gerais.
Finalmente, a alternativa a diz que o ganho da arrecadação será inferior à soma da perda
do excedente do consumidor com a perda do excedente do produtor. A diferença entre o
ganho do governo e a perda da sociedade é o que já denominamos, mais de uma vez, de
PERDA DE PESO MORTO!
Gabarito: Letra a.
2. (FunRio – InvestRio – Economia – 2010) A carga tributária brasileira é considerada elevada vis-à-vis os bens e
serviços públicos ofertados, e é superior à de outros países de renda média. Assinale a alternativa que apresenta
um dos problemas associados ao sistema tributário brasileiro.
a) Elevada tributação sobre a renda de pessoas físicas.
b) Concentração da arrecadação na produção e circulação de bens.
c) Ampla participação de impostos sobre o valor adicionado.
d) Alta ineficiência no processo de arrecadação.
e) Reduzida autonomia fiscal de estados e municípios.
Comentários:
Observe que a questão fala sobre a arrecadação tributária e os bens e serviços ofertados
pelo governo brasileiro, ou seja, o poder de o governo promover melhor distribuição de
renda.
A alternativa e afirma que esse problema está ligado à Reduzida autonomia fiscal de
estados e municípios. Ora, a autonomia fiscal de estados e municípios não pode ser
considerada o fator de maior relevância na provisão de bens públicos, já que, mesmo que
existisse mais autonomia, não há garantias de que houvesse melhor provisão dos bens e
serviços de utilidade pública. Logo, tal situação não está atrelada, necessariamente, a uma
melhora na provisão desses tipos de bens.
A letra d, por sua vez, fala sobre a Alta ineficiência no processo de arrecadação.
Alexandre
Typewriter
OK
No caso dessa alternativa, nem é preciso saber economia para perceber que ela é falsa,
não é verdade? Logo, não é possível dizer que a nossa arrecadação tributária é ineficiente,
tendo em vista que o Brasil é um dos países que mais arrecada impostos no mundo!
Para analisar a assertiva c, que afirma que é a Ampla participação de impostos sobre o
valor adicionado que gera problemas no sistema tributário nacional, precisamos
compreender, antes de mais nada, o que vem a ser valor adicionado. O box a seguir mostra
essa definição.
Imagine uma economia bastante simplificada, que produza apenas um bem: o pão.
Como sabemos, para produzir o pão é necessário comprar a farinha de trigo, que, por sua
vez, para ser produzida, precisará de grãos de trigo, que precisarão de sementes etc.
Imagine o seguinte: para produzir R$ 1.200,00 em pães, utilizamos R$ 1.000,00 em farinha
de trigo. Agora imagine que desejamos saber qual a colaboração do setor “produção de
pão” para a economia. Em quanto aumentou o valor produção da economia quando
decidimos produzir pãesem vez de vender apenas a farinha de trigo?
Com base no exemplo acima, é possível perceber que a economia aumentou o seu valor
em R$ 200,00 com a produção de pães. Ou seja, o valor adicionado pelo setor de pães na
economia foi de R$ 200,00.
Em termos mais técnicos, o valor adicionado reside na contribuição que cada unidade
produtiva acrescenta sobre o insumo para repassar o bem ou serviço.
O valor adicionado pode ser expresso pela seguinte fórmula:
Valor adicionado = consumo final – somatório dos
consumos intermediários.
Compreendido? Ou seja, se o governo desejar implementar impostos sobre o valor
adicionado (como o ICMS, por exemplo) para a empresa que paga impostos, ela não
pagará sobre todo o valor de suas receitas, mas tirará o valor dos insumos utilizados para a
produção do bem final.
Quando isso acontece, em vez de termos um problema na arrecadação, teremos maior
eficiência na arrecadação dos impostos, por uma razão simples: se o proprietário da padaria
não pagar os impostos devidos, o dono do moinho de farinha de trigo o fará, logo, o
governo não perderá grandes somas de impostos.
Assim, pode-se dizer que haverá mais problemas no sistema tributário de um país não
quando os impostos são arrecadados em termos de valor adicionado, mas quando há a
incidência de impostos em cascata (ou impostos sobre impostos). Ou seja, o último
produtor (no nosso caso, o dono da padaria) paga todos os impostos – ou ainda quando a
empresa paga impostos sobre as suas receitas totais. Assim, se o produtor deixar de pagar, o
governo perderá todo o ganho que teria com aquela determinada cadeia produtiva, o que
gera muitas perdas para ele, governo. Além disso, os produtores possuem grande incentivo
para fraudar o sistema, gerando, em grande parte dos casos, forte ineficiência na
arrecadação.
Logo, a alternativa c é INCORRETA.
De toda forma, mesmo que, em vez de impostos sobre o valor adicionado, a questão
falasse sobre impostos em cascata, ainda assim não estaria correta, já que a imposição de
impostos em cascata não gera, necessariamente, problemas ligados à não consonância entre
valores arrecadados e valores investidos. Os impostos em cascata explicam, sim, uma maior
ineficiência na arrecadação, mas não respondem ao que a questão pede!
A letra b diz que o problema é a Concentração da arrecadação na produção e circulação
de bens. Eis aí a resposta correta! Por que ela está correta? Porque é só lembrar do que
falamos sobre impostos que incidem sobre os bens. Quanto maior for a incidência dos
impostos sobre os bens, maior tende a ser a participação da população de renda mais baixa
na arrecadação de impostos. Logo, em vez de ser beneficiada com a imposição de um
imposto, a população de menor renda é prejudicada. Esse fato explica por que o Brasil
possui uma forte diferença entre arrecadação tributária e bens e serviços ofertados.
A letra a afirma que a Elevada tributação sobre a renda de pessoas físicas é um dos
problemas associados ao sistema tributário brasileiro. Ora, note que esse é, na verdade, o
método mais eficiente de equalizar a renda (dentre os métodos disponíveis). Quanto maior
a renda, maior a alíquota do imposto. Com isso, o sistema tributário tende a ser mais
equalizado. Logo, como a alternativa a afirma que esse é um problema, ela também é
INCORRETA.
Gabarito: Letra b.
3. (FGV – Sefaz-RJ – Auditor Fiscal – 2010) A respeito do sistema de tributação, analise as afirmativas a seguir:
I. Um sistema eficiente nem sempre é equitativo.
II. Em termos de eficiência econômica, é mais eficiente em um sistema tributário elevar a cobrança de impostos
sobre produtos com baixa elasticidade do que sobre produtos com elevada elasticidade.
III. A utilização de impostos sobre valor agregado introduz o efeito cascata, que eleva a eficiência.
Assinale:
a) se todas as afirmativas forem verdadeiras;
b) se nenhuma afirmativa for verdadeira;
c) se apenas as afirmativas I e II forem verdadeiras;
d) se apenas as afirmativas I e III forem verdadeiras;
e) se apenas as afirmativas II e III forem verdadeiras.
Comentários:
Eis a última questão sobre impostos e a intervenção do governo na economia através da
função distributiva.
Alexandre
Typewriter
REVISAR
Para responder o item I, você precisa conhecer o Sr. e a Sra. Silva!
Para entender melhor a situação do Sr. e da Sra. Silva, é preciso que você lembre de um
conceito econômico bastante importante: o ótimo de Pareto. De acordo com Pareto, para
que um sistema seja dito eficiente, não deve existir forma de melhorar a situação de um
agente econômico sem piorar a de outro.
E nessa definição, qual a palavra que aparece? EFICIENTE! Assim, no caso do Sr. e da
Sra. Silva, fica claro que não é um sistema equitativo, mas é, certamente, um sistema
eficiente. Logo, o item I é verdadeiro. A prova disso é o que vemos através da situação do Sr.
e da Sra. Silva.
E o que dizer sobre o item II? Em termos de eficiência econômica, é mais eficiente em um
sistema tributário elevar a cobrança de impostos sobre produtos com baixa elasticidade do
que sobre produtos com elevada elasticidade. É preciso dizer mais alguma coisa? Não né?
Quanto menor for a elasticidade de um bem com relação aos preços, menores tendem a
ser as perdas de peso morto geradas pela imposição de um imposto. Se um bem possui
curvas de demanda e de oferta com elevadas elasticidades-preço, a imposição de um
imposto tende a gerar grandes perdas de peso morto. Logo, a alternativa II também é
verdadeira.
Com isso, já podemos excluir as letras b, d e e, restando apenas as alternativas a e c.
Para ver qual é a alternativa que gabarita a questão, vamos analisar o item III. Ele diz que
A utilização de impostos sobre valor agregado introduz o efeito cascata, que eleva a
eficiência. Veja que, nesse caso, a alternativa está incorreta, já que os impostos em cascata
tendem a reduzir o nível de eficiência da economia, enquanto os impostos sobre o valor
adicionado (como vimos acima) tendem a aumentar a efiência já que os impostos incidirão
apenas sobre o valor de fato produzido pela empresa, não por toda a receita gerada.
Assim, como o item III é falso, temos que a letra CORRETA é a c. Apenas as afirmativas I e
II são VERDADEIRAS.
Gabarito: Letra c.
Além das transferências e dos impostos, o governo também pode executar a sua função
Alexandre
Highlight
distributiva via mercado de bens e serviços, através do controle de preços – seja por preço
máximo, seja por preço mínimo.
Uma das justificativas para que o governo utilize esse modelo de política é porque nesse
tipo de intervenção, em muitos casos, é possível gerar melhor distribuição de recursos entre
os agentes econômicos. Uma forma de constatar essa prática é a implementação de teto de
preços – ou preço máximo (como os observados para o caso da energia elétrica na maior
parte dos estados) – ou a instituição de um preço mínimo, como o caso do salário mínimo,
que garante uma remuneração mínima para as pessoas que possuem menor qualificação.
Ocorrerá o preço máximo quando o governo instaurar um preço acima do qual
determinada empresa não poderá fixar o seu preço. Isso acontece frequentemente no Brasil
quando falamos das empresas que transmitem energia elétrica, como vimos no exemplo
anterior. Quais são os efeitos da implantação de um preço máximo? Simples, vejamos com a
ajuda do gráfico abaixo.
Primeiro ponto que você deve ter observado: quando falamos em preço máximo, estamos
falando, necessariamente, de um preço abaixo do preço de equilíbrio? Por quê? Porque, se
o governo instituísse um preço máximo acima do preço de equilíbrio, não haveria distorção,
uma vez que, se colocasse um preço muito alto, as empresas desejariam produzir mais,
porém os consumidores só aumentariam o seu nível de consumo por um preço mais baixo.
Nesse processo de ajuste, o preço voltaria ao seu equilíbrio inicial.
Agora que você compreendeu que preço máximo é um preço necessariamente menor
que o preço de equilíbrio, vamos continuar analisando.
No gráfico acima, temos P2, o preço máximo domercado em análise. Também é possível
perceber que P2 é um nível de preços menor que o preço de equilíbrio (P3). O que
acontecerá nesse caso?
Com a instauração, pelo governo, de um preço mais baixo que o preço de equilíbrio, as
empresas passarão a produzir menos e os consumidores desejarão consumir mais. Nesse
caso, como visto no gráfico, haverá a formação de um excesso de demanda: mais bens serão
demandados do que ofertados.
Alexandre
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Alexandre
Highlight
Diferentemente do que acontece em um mercado não regulado, tal intervenção gera uma
distorção que só poderá ser removida do mercado caso haja uma nova intervenção do
governo no sentido de retirar a anterior.
Com o preço mínimo, a análise é exatamente contrária ao que foi visto no caso do preço
máximo. Nessa situação, o governo instaurará um preço mínimo, por exemplo, para um
velho conhecido nosso: o salário mínimo. Você já se perguntou por que existe o salário
mínimo? Ele existe para garantir que determinados funcionários, que não têm qualificação
suficiente, possam ter o mínimo para garantir o seu sustento.
CURIOSIDADES
No formato existente no Brasil, hoje, o salário mínimo pode ser considerado inconstitucional, uma vez que, de acordo com a
Constituição, ele deveria garantir acesso a educação, saúde, alimentação e lazer. Entretanto, com o valor atual do salário mínimo, o
assalariado não consegue atender a todas as suas necessidades.
No caso do salário mínimo ou de qualquer outro preço mínimo, não teremos um preço
menor que o preço de equilíbrio, mas um preço maior, como vimos anteriormente. O efeito
do preço mínimo é mostrado no gráfico abaixo:
Observe que no caso do preço mínimo haverá a formação de um excesso de oferta, e não
um excesso de demanda. Em consequência do aumento do preço que anteriormente
prevalecia no mercado, mais empresas buscarão aumentar o volume ofertado e menos
consumidores irão adquirir o bem.
No que se refere ao salário mínimo, o raciocínio é exatamente o inverso: com o aumento
do salário mínimo, mais pessoas procurarão ofertar a sua mão de obra e menos empresas
buscarão contratar.
Para compreender ainda melhor, vamos dar um exemplo a partir de duas questões do
Cespe.
Exercícios
1. (Cearáportos – Economia – Analista de Desenvolvimento Logístico – 2004) O binômio referente à escassez e à
escolha sintetiza o problema central da ciência econômica. A esse respeito, julgue a questão a seguir.
Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
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OK
Políticas de salário mínimo, que levem à fixação das remunerações substancialmente acima daquelas que
prevaleceriam no livre mercado, conduzem a economia para um ponto situado no interior da curva de possibilidade
de produção.
Comentários:
Analise o seguinte: se o governo aumentar os salários a partir de um aumento dos salários
mínimos, por exemplo, o que acontecerá? Mais pessoas desejarão trabalhar com esse salário
e menos empresas irão contratar, certo? Nesse caso, haverá excesso de oferta por parte dos
trabalhadores. Em razão do aumento dos salários, menos vagas de trabalho estarão
disponíveis, logo, teremos trabalhadores desempregados.
Se você lembrar-se da curva de possibilidade de produção, vai recordar que só é possivel
ser eficiente se TODOS os fatores produtivos estiverem empregados. Com o aumento do
salário mínimo, isso gerará desemprego e o desemprego fará com que a economia se mova
para um ponto dentro da curva de possibilidades de produção.
Gabarito: VERDADEIRA.
2. (Cespe – DPF – Escrivão – Polícia Federal – 2009) Julgue o próximo item, relativo ao estabelecimento de quotas e
preços máximos e mínimos.
Quando o governo adota uma política de preços mínimos para determinado produto, com vistas à garantia de
renda e ao estímulo da produção, ao optar pela política de compra, pagará ao produtor a diferença entre o preço
pago pelo consumidor no mercado e o preço mínimo definido.
Comentários:
Observe, na questão acima, que o governo implementa uma política de preços mínimos.
Em princípio, o que esse procedimento gerará? Como vimos, gerará excesso de oferta. A
questão diz que o excesso de oferta será comprado pela diferença entre o preço pago pelo
consumidor no mercado e o preço mínimo definido, o que não é verdade, pois o preço
pago pelo consumidor é exatamente o preço mínimo, e, nesse caso, o governo pagaria zero.
Absolutamente!
Portanto, para que o governo possa manter a renda da economia, ele deverá pagar
exatamente o preço mínimo, não a diferença.
Gabarito: FALSO.
Para terminar as formas de atuação do governo referentes à execução da função
distributiva, precisamos analisar os três últimos itens: os subsídios, as tarifas e as quotas.
Como são itens de menor conteúdo, estão agrupados.
O subsídio é exatamente o oposto do que foi visto no imposto. Se a alíquota do imposto
pode ser vista como uma perda social, o imposto é visto como o ganho. Contudo, de forma
contrária ao que acontece no caso do imposto, o subsídio aumenta a quantidade de
equilíbrio.
Alexandre
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REVISAR
As quotas referem-se à limitação da quantidade produzida. Nesse caso, embora as
empresas desejem comercializar os bens, não poderão, porque o governo limita a
quantidade.
Por fim, com relação às tarifas, elas são implementadas principalmente no comércio
entre os países – são nada menos que um aumento de preços dos bens importados. Essa
prática ajuda a aumentar a produção doméstica, além de gerar ganhos para os empresários.
Resumindo, toda vez que falarmos sobre a função distributiva do governo, é importante que você lembre primeiramente do objetivo:
equidade de renda. Depois, você deve recordar as formas de atuação: impostos, transferências, preço máximo, preço mínimo. Há
ainda os subsídios, tarifas e as quotas que podem ser utilizados como formas de atuação.
1.3.2. Função alocativa
Agora que já compreendemos de que forma o governo diminui a desigualdade de renda,
vamos compreender como o governo atua no sentido de prover bens e serviços públicos.
Essa ação é o que chamamos de função alocativa.
Muitos alunos confundem as funções alocativa e distributiva, desempenhadas pelo
governo, já que são bastante semelhantes em um ponto: visam melhorar a qualidade de vida
da população de menor renda. Contudo, diferentemente da função distributiva, a função
Alexandre
Highlight
alocativa está ligada à atuação do governo enquanto provedor de bens públicos ou
semipúblicos.
Antes de continuar, vale aqui uma explicação simples sobre os bens públicos. De maneira
diferente do que você viu no direito, em economia, um bem público pode ter origem
privada (embora na maior parte dos casos não haja a produção de bens públicos por
agentes privados). Assim, um bem público é qualquer bem que seja não excludente (ou seja,
de acordo com o Krugman, o fornecedor não pode impedir o consumo do bem por pessoas
que não pagam por ele) e não rival (ou seja, ainda de acordo com o Krugman, quando mais
de uma pessoa pode consumir a mesma unidade do bem ao mesmo tempo). Um bom
exemplo de bens públicos puros seria o farol de navegação marítima. O produtor do farol
não pode impedir que os navios se guiem por ele. Além disso, o fato de uma pessoa utilizar
o farol como guia não impede que outra também o utilize.
De fato não é simples encontrar um bem público puro, por essa razão, além de prover o
bem público puro, o governo também oferece os bens semipúblicos (bens que são rivais e
não excludentes ou não rivais e excludentes).
Dessa forma, quando o governo produz, por exemplo, saúde pública, está atuando
segundo a sua função alocativa. É ainda dentro da função alocativa que podemos chamar o
governo de produtor. Quando produz determinados bens, o governo acaba por prover
produtos e serviços que, no livre mercado, não seriam oferecidos pelas empresas.
Note que, no caso da execução da função alocativa, o governo não entra em contato
direto com qualquer agente econômico. Ele o faz de forma indireta, atuando no mercado
de bens e serviços.
Para melhor compreensão do assunto, veja o exercícioabaixo.
Exercícios
1. (Cesgranrio – BNDES – Engenheiro – 2011) Uma característica fundamental de um bem ou serviço público é a não
rivalidade, isto é, ser:
a) usado ou consumido por todos, a custo social zero;
b) usado ou consumido por alguém, sem impossibilitar outro de fazê-lo também;
c) produzido tanto por empresas públicas quanto por empresas privadas;
d) produzido para mercados cooperativos, e não para mercados competitivos;
e) difícil impedir que uma pessoa não o use, se assim o desejar.
Comentários:
Observe na questão a definição que vimos antes.
Um bem é não rival se, de acordo com o Krugman, mais de uma pessoa pode consumir a
mesma unidade do bem ao mesmo tempo. A partir dessa definição, vamos analisar cada
uma das alternativas.
A letra a afirma que um bem é não rival se ele pode ser usado ou consumido por todos, a
custo social zero. Definição importante: Custo social. Esse custo é dado pela soma do custo
Alexandre
Typewriter
OK
privado com o custo externo (o custo gerado ao meio ambiente, por exemplo, quando há
produção de um bem. A poluição seria um bom exemplo para isso). Logo, se há produção
de um bem, mesmo que não exista o custo externo, existirá, necessariamente, o custo
privado (ou o custo de produção). Dessa forma, a alternativa está errada, por duas razões:
(i) o custo social não é zero quando há utilização do bem; (ii) essa definição não está ligada
ao conceito de não rivalidade.
A letra b diz que a não rivalidade é quando um bem pode ser usado ou consumido por
alguém, sem impossibilitar outro de também fazê-lo. Ou seja, a alternativa b é justamente a
correta. Ela traz, em sua essência, todas as informações necessárias para que você
compreenda o que é a não rivalidade.
A alternativa c diz que a característica de não rivalidade de um bem público é quando
esse bem pode ser produzido tanto por empresas públicas quanto por empresas privadas. A
princípio você pode pensar que essa é a alternativa verdadeira, já que os bens públicos
podem, de fato, ser produzidos tanto por empresas públicas quanto por empresas privadas.
Mas a questão fala, especificamente, sobre a característica da não rivalidade e, sobre isso, a
alternativa não atende o que é solicitado. Logo, a alternativa c é falsa.
A alternativa d, por sua vez, afirma que a característica da não rivalidade é quando o bem
público é produzido para mercados cooperativos, e não para mercados competitivos. Veja
que essa definição está extremamente distante do que vimos até então. Na verdade, ela não
corresponde de modo algum ao que vimos anteriormente. Os bens públicos são produzidos
não para mercados, mas para agentes econômicos.
Finalmente, a letra e afirma que a característica da não rivalidade é quando é difícil
impedir que uma pessoa não o use, se assim o desejar. Difícil? Como assim, difícil? Na
verdade, é impossível impedir que determinada pessoa utilize o bem. Essa é a definição de
não rivalidade. Não que seja difícil, é simplesmente impossível proceder dessa maneira.
Gabarito: Letra b.
Outra forma de atuação do governo quando da execução da função alocativa pode ser
observada através da emissão de subsídios às empresas. Nesse caso, o governo acaba gerando
uma conexão direta com as empresas, provocando o aparecimento de uma nova seta no
diagrama do fluxo circular da riqueza, como vemos abaixo.
No caso acima, podemos observar claramente que esse tipo de intervenção governamental
fere o princípio do fluxo circular da riqueza justamente por cortar o círculo gerado. Em
muitos casos, o governo realiza esse tipo de intervenção via isenção de impostos,
incentivando as empresas a produzir bens que seriam providos pela iniciativa pública.
Finalmente, vale notar que, muitas vezes, quando o governo executa a função alocativa,
está também executando a função distributiva, já que está produzindo bens públicos que
atendem à população de menor faixa de renda (como hospitais públicos, escolas públicas
etc.), e acaba por melhor distribuir os recursos da economia também.
1.3.3. Função estabilizadora
Esta é uma função que o governo realiza na macroeconomia. Ele estabiliza o que
chamamos de ciclos econômicos. De que maneira?
Simples: Todo mundo quer que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresça 15% ao
ano. Certo? Com o crescimento do PIB, mais produtos são gerados, mais empregos são
criados. O Brasil entra em um círculo virtuoso de crescimento. Mas qual o risco de crescer
assim?
O risco é que tal crescimento, quando não realizado de forma sustentável, pode gerar
inflação ou ainda uma recessão em um período posterior, o que seria muito ruim para a
sociedade.
Por esse motivo, o governo busca estabilizar a economia para que ela nem cresça de forma
desordenada nem entre em uma recessão extrema.
Para executar a função estabilizadora, o governo utiliza o que chamamos de políticas
Alexandre
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Alexandre
Highlight
econômicas. As duas mais conhecidas são as políticas fiscal e monetária. A primeira é a
atuação direta do governo no mercado de bens e serviços. A segunda é a atuação no
mercado monetário (uma parte do mercado de ativos financeiros). Por hora, precisamos
que você compreenda que, quando falamos em função estabilizadora, estamos falando da
intervenção do governo na macroconomia, não na micro, como vimos com as funções
distributiva e alocativa.
A seguir, exercícios sobre as três funções estudadas.
Exercícios
1. (FGV – Badesc – Economista – 2010) As funções do governo são:
X. alocativa;
Y. distributiva;
Z. estabilizadora.
Em relação a essas funções são feitas as afirmativas a seguir.
I. Utiliza os instrumentos macroeconômicos para manter adequado o nível de utilização dos recursos produtivos,
sem criar problemas inflacionários.
II. Deve contrabalançar os princípios da equidade e eficiência de forma a não criar incentivos perversos para os
recipientes ou financiadores de políticas sociais.
III. Estabelece incentivos para resolver problemas de ineficência em determinados mercados microeconômicos.
Assinale a alternativa que apresenta a combinação correta entre as funções e as afirmativas.
a) X-I, Y-II e Z-III;
b) X-III, Y-II e Z-I;
c) X-I, Y-III e Z-II;
d) X-II, Y-I e Z-I;
e) X-III, Y-I e Z-II.
Comentários:
Essa questão é bem interessante, porque ela busca as palavras-chave que ligam as funções
do governo.
O item I diz que o governo Utiliza os instrumentos macroeconômicos para manter
adequado o nível de utilização dos recursos produtivos, sem criar problemas inflacionários.
Se a questão falou em instrumentos macroeconômicos, não há o que pensar, Função
Estabilizadora. Logo, Z-I.
Apenas com essa explicação, podemos excluir as alternativas a, c e e, restando somente as
alternativas b e d.
O item II afirma que o governo Deve contrabalançar os princípios da equidade e
eficiência de forma a não criar incentivos perversos para os recipientes ou financiadores de
políticas sociais. Falou-se em EQUIDADE? Vamos lembrar de quem? Da Função
Distributiva. Ora, o governo quer, através de impostos e transferências, reduzir a diferença
de renda entre os ricos e os pobres sem gerar problemas sociais (ou grandes perdas de peso
morto.). Assim, Y-II também está correto.
Apenas com essas duas ligações, já podemos perceber que a alternativa CORRETA é a
letra b. E para terminar a análise, vejamos o item III.
O item III afirma que o governo Estabelece incentivos para resolver problemas de
ineficência em determinados mercados microeconômicos. Esse será o caso da função
alocativa, que é utilizada pelo governo quando esse deseja reduzir as falhas de mercado com
a provisão dos bens públicos!
Gabarito: Letra b.
2. (InvestRio – FunRio – Economia – 2010) Utilização de transferências, produção e provisão de bens ou serviços
públicos e o uso da política econômica visando proteger a de flutua ​ ções bruscas são conceitos ligados,
respectivamente, às seguintes funções básicas da política fiscal:
a) função alocativa – função produtiva – função estabilizadora;
b) função estabilizadora – função alocativa – função distributiva;
c)função alocativa – função distributiva – função estabilizadora;
d) função distributiva – função alocativa – função estabilizadora;
e) função distributiva – função estabilizadora – função alocativa.
Comentários:
Vejamos o enunciado. Primeiro ele fala sobre: Utilização de transferências. Qual a
função do governo que fala de transferências? A FUNÇÃO DISTRIBUTIVA.
Continuando, o enunciado fala sobre produção e provisão de bens ou serviços públicos.
Que função é essa? FUNÇÃO ALOCATIVA.
Por fim, o enunciado fala sobre o uso da política econômica visando proteger de
flutuações bruscas. Tem o que pensar? FUNÇÃO ESTABILIZADORA.
Gabarito: Letra d.
1.3.4. Função reguladora5
Antes de falarmos sobre a função reguladora propriamente dita, é preciso que você note
que na questão anterior ela não foi considerada como uma das funções do governo. Embora
sua importância seja cada vez maior na economia, ainda não existe concordância entre os
economistas sobre sua caracterização ou não como função do governo. Em alguns casos, ela
é considerada como função do governo. Dessa forma, se na prova aparecerem apenas as três
primeiras funções, considere a alternativa como correta. Se aparecerem as quatro funções,
considere essa a alternativa correta.
Primeiro ponto que precisamos saber: Por que os governos regulam?
No Brasi, a preocupação com a regulação tem crescido ao longo dos últimos 20 anos.
Desde o governo Collor, em que se iniciou o processo de privatizações no país, a provisão de
serviços de utilidade pública (como energia, telefonia, gás etc.) tem sido realizada por
empresas privadas. Assim, para evitar que tais empresas realizem práticas abusivas, o
governo atua na economia, regulando as suas ações.
Uma informação importante e que nem sempre é de conhecimento geral diz respeito ao
processo de privatização. Veja que, nesse processo, o governo não deixa de ser o titular do
serviço prestado. Na verdade, com a privatização, o governo apenas muda de posição: deixa
de ser o provedor ou prestador do serviço, e passa a ser o cedente (cede o direito de
produzir determinado bem ou serviço) e o regulador (verifica se os preços ou tarifas
cobrados estão de acordo com as estruturas de custos da empresa).
Entretanto, não são apenas as empresas privatizadas que sofrem regulação. Todo e
qualquer ato de empresas privadas que possam ser caracterizados como abusivos são
analisados pelo governo na implementação de sua função reguladora. Um exemplo não tão
recente diz respeito à parceria entre Tam e Gol na oferta de serviços de voos comerciais.
Embora tal prática fosse extremamente interessante para as duas empresas, não foi
autorizada pelo governo, uma vez que poderia caracterizar a formação de um cartel dentro
do setor aéreo comercial brasileiro.
Assim, seja regulando empresas privatizadas ou empresas privadas, o governo, por meio
da função reguladora, consegue manter o grau de concorrência nos mercados, o que gera
ganhos de eficiência, originando, de forma mais ampla, ganhos de bem-estar.
Para que seja possível regular os mercados, é preciso que o governo utilize instrumentos.
Entre os instrumentos mais frequentes citados nas provas de concurso, as Agências
Reguladoras se destacam, por se encarregarem de zelar pelo interesse público, garantindo o
Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
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fornecimento, a qualidade do serviço e a adequação das tarifas empregadas. De acordo com
o professor Heber Carvalho, os principais objetivos da regulação são:
• o bem-estar do consumidor;
• a melhoria da eficiência alocativa, em que se realiza o maior volume de transações
econômicas, com a geração da maior renda agregada possível;
• a melhoria da eficiência distributiva, em que, em virtude da regulação, é reduzida a
capacidade do produtor de apropriar excedentes econômicos;
• a melhoria da eficiência produtiva, em que se busca o máximo de rendimento ao
menor custo;
• a universalização e qualidade dos serviços (a serem prestados por um preço justo, não
o menor possível);
• a interconexão entre os diferentes provedores (interoperabilidade da rede pública);
• a segurança e proteção ambiental;
• o estabelecimento de regras de concorrência, definindo quais mercados serão abertos,
para quantos concorrentes e como assegurar uma justa competição;
• a determinação da estrutura tarifária, principalmente no que diz respeito ao tipo de
mecanismo de controle das tarifas dos segmentos regulamentados.
Abaixo, vemos as principais funções do órgão regulador:
• a defesa e a interpretação das regras, além da sugestão de novas regras que facilitem as
relações que resolvam os conflitos entre os atores – incluindo os conflitos com o poder
concedente;
• a definição operacional de alguns conceitos fundamentais a serem incluí ​ dos nos
contratos de concessão;
• a investigação e a denúncia de atividades anticompetitivas ou abuso do monopólio
concedido (esse último ponto vale, principalmente, para as empresas privatizadas em
que o serviço de utilidade pública é unicamente oferecido por elas).
• Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): autarquia que tem como função
implementar a política nacional de energia elétrica, assim como fiscalizar as atividades
do setor e prevenir e repreender as infrações da ordem econômica, respeitando o que for
de competência do Cade, além de participar das licitações de contratos de concessão de
energia elétrica.
• Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): autarquia destinada a coordenar a
reestruturação do sistema de telecomunicações, além de participar das licitações de
contratos de concessão de telefonia.
• Agência Nacional do Petróleo (ANP): autarquia vinculada ao Ministério de Minas e
Energia, que fiscaliza e regula as atividades relacionadas à indústria petrolífera.
• Agência Nacional de Saúde (ANS): autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, que
controla e regula a relação entre prestadores e consumidores na área da saúde.
• Superintendência de Seguros Privados (Susep): órgão do Ministério da Fazenda
responsável por fiscalizar o mercado de seguros e previdências privadas.
• Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): autarquia vinculada ao Ministério
da Justiça, que pune infrações à ordem econômica, controla condutas e previne atos de
concentração que possam apresentar danos à concorrência.
Exercícios
1. (Cespe – DPU – Economista – 2010) Acerca do papel do governo na economia, assinale a opção CORRETA.
a) Se o objetivo da política econômica consiste em aumentar o nível de investimento do país, a autoridade
governamental deverá reduzir a poupança bruta do setor privado, aumentar o saldo do governo em conta-corrente
e aumentar o déficit do Balanço de Pagamentos em transações correntes.
b) Para uma economia cuja finalidade da política econômica seja fazer a distribuição equitativa da renda, o governo
deve adotar tributos indiretos e taxas proporcionais.
c) A existência de falhas de mercado que levem à desigualdade na distribuição da riqueza não está relacionada aos
objetivos do Estado, quais sejam eficiência, equidade e estabilidade.
d) Por eficiência, entende-se que os impostos devem ser progressivos, isto é, os agentes que recebem as maiores
rendas devem se enquadrar em uma faixa de tributação mais elevada.
e) As políticas macroeconômicas de estabilização e crescimento econômico incluem as políticas fiscal e monetária,
envolvendo o poder de cobrar impostos e a determinação da oferta de moeda e da sensibilidade da economia às
taxas de juros.
Comentários:
Não iremos analisar a letra a pois o assunto abordado difere do que precisaremos
abordar para as provas. Então, foquemos nas demais alternativas a respeito do papel do
governo.
A letra b diz que Para uma economia cuja finalidade da política econômica seja fazer a
distribuição equitativa da renda, o governo deve adotar tributos indiretos e taxas
proporcionais. Os impostos indiretos é o que já conhecemos como impostos sobre os bens.
O que acontece quando o governo implementa impostos que incidemsobre os bens? Os
menos favorecidos arcam com a maior parte dos impostos, ou seja, em vez de melhorar a
distribuição de renda, a existência de impostos indiretos tende a não reduzir a diferença de
renda entre os agentes econômicos, podendo ainda aumentá-la, caso a distribuição não seja
realizada de forma adequada.
Dessa forma, a alternativa b está incorreta. Para que ela pudesse ser considerada correta,
deveria afirmar que: Para uma economia cuja finalidade da política econômica seja fazer a
distribuição equitativa da renda, o governo deve adotar tributos DIRETOS e taxas
proporcionais.
Alexandre
Typewriter
OK
Observação: A questão das taxas proporcionais está correta (seria como um Imposto de
Renda).
A assertiva c diz que A existência de falhas de mercado que levem à desigualdade na
distribuição da riqueza não está relacionada aos objetivos do Estado, quais sejam eficiência,
equidade e estabilidade. Essa aqui é muito boa! Primeiro: falhas de mercado acontecem
quando o mercado, por alguma razão, não é capaz de funcionar adequadamente. Exemplo:
Quando alguma empresa produz um determinado bem emitindo poluição no meio
ambiente. Nesse caso, cabe ao governo atuar no sentido de regular o mercado para que a
empresa geradora de tal falha seja responsabilizada. Logo, podemos perceber que a
alternativa é falsa, já que esse fato está diretamente ligado aos objetivos do Estado ou, para
simplificar em economia, do governo.
Porém, esse não é o único erro da alternativa. Ela afirma ainda que as funções do governo
são eficiência, equidade e estabilidade.
Vimos que o governo possui quatro funções bem distintas:
• Função Distributiva.
• Função Alocativa.
• Função Estabilizadora.
• Função Reguladora.
Assim, apenas sabendo as funções do governo, podemos concluir que a alternativa está
incorreta.
A letra d afirma que Por eficiência, entende-se que os impostos devem ser progressivos,
isto é, os agentes que recebem as maiores rendas devem se enquadrar em uma faixa de
tributação mais elevada. Essa aqui é aquela que nós chamamos de casca de banana! Para
que a alternativa estivesse certa, seria preciso que a palavra EFICIÊNCIA fosse trocada por
EQUIDADE: Por equidade, entende-se que os impostos devem ser progressivos, isto é, os
agentes que recebem as maiores rendas devem se enquadrar em uma faixa de tributação
mais elevada.
O erro da questão é que ela dá a definição de equidade como se fosse de eficiência.
Quem fala de redução de desigualdade é a equidade, não a eficiência.
Por fim, a letra e, que é a alternativa CORRETA. Ela diz que As políticas
macroeconômicas de estabilização e crescimento econômico incluem as políticas fiscal e
monetária, envolvendo o poder de cobrar impostos e a determinação da oferta de moeda e
da sensibilidade da economia às taxas de juros, o que está correto.
Gabarito: Letra e.
2. (Secont-ES – Ciências Econômicas – Auditor do Estado – 2009) A respeito da função de regulação do Estado e da
atuação das agências reguladoras, julgue a questão a seguir.
Com a introdução do conceito de Estado regulador, foi alterada a suposição de que os serviços públicos devem
necessariamente ser prestados diretamente pelos agentes públicos ou órgãos da Administração direta.
Comentários:
A questão fala primeiro do surgimento da função reguladora do governo. Em seguida,
afirma que esse aparecimento desvinculou a provisão de serviços públicos pelos agentes
públicos ou órgãos da Administração direta, o que é verdadeiro. Lembre-se de que, nessa
situação, embora o governo continue a ser o titular do serviço prestado, ele não é mais o
prestador, cabendo à administração privada o fornecimento do bem ou serviço.
Logo, apenas a partir da função reguladora é que desvinculamos a prestação de serviços
públicos dos órgãos estritamente públicos.
Gabarito: VERDADEIRA.
3. (Secont-ES – Ciências Econômicas – Auditor do Estado – 2009) A respeito da função de regulação do Estado e da
atuação das agências reguladoras, julgue a questão a seguir.
A CF veda que o Estado brasileiro atue diretamente no domínio econômico, explorando atividade econômica de
natureza lucrativa, em qualquer situação.
Comentários:
Economia não é Direito. Ou seja, quando se diz que o governo está atuando diretamente
na economia, isso pode ocorrer via empresas estatais (que caracterizariam a Administração
indireta). Dessa forma, seja via empresa ou não, diremos que há intervenção direta do
governo na economia. As intervenções indiretas seriam via subsídios, por exemplo.
Logo, o governo pode, sim, atuar dentro do domínio econômico, gerando lucros para as
nossas estatais.
Gabarito: FALSO.
Alexandre
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Alexandre
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1.4. A nova economia industrial brasileira
Agora que já entendemos o funcionamento geral do fluxo circular da riqueza expandido,
precisamos entender, com mais detalhes, como funcionava a economia mundial antes de
1929.
No fluxo circular da riqueza abaixo, podemos observar o processo de aquecimento da
economia norte-americana sendo alimentado pelas demandas do resto do mundo.
De acordo com o texto, houve aumento das exportações dos Estados Unidos para o resto
do mundo em razão do período pós-guerra na Europa (o que leva ao envio de bens e ao
recebimento de moeda – mostrado no fluxo acima como uma entrada do resto do mundo
para o mercado de bens e serviços norte-americano).
Com isso, houve também um aquecimento no mercado de bens e serviços norte-
americano, o que gera, por fim, aumento na produção, que por sua vez provoca aumento
no volume de empregos, o que gera mais renda e aquece o consumo, levando, assim, a um
efeito de mais aquecimento na economia daquele país.
Ainda como mencionado acima, não bastasse esse aumento via resto do mundo nos
Estados Unidos, houve ainda incentivo ao consumo por parte do governo via expansão do
crédito e pelo parcelamento do pagamento de mercadorias, o que levou a um crescimento
ainda maior da produção e, em consequência, do consumo e da renda norte-americana.
Enquanto os Estados Unidos viviam um período de prosperidade, no Brasil passávamos
por uma situação um tanto diferente. Com uma economia puramente agroexportadora
baseada na produção de café, o Brasil vinha, desde o início do século XX, observando um
desaquecimento de suas exportações para o resto do mundo.
Embora os Estados Unidos continuassem a importar nossa commodity, o aumento do
consumo era sempre menor que o aumento da produção. Assim, a partir do ano de 1906
(com o convênio de Taubaté) observou-se a necessidade da compra dos excessos da
produção pelo Governo Federal para que fosse possível garantir os empregos da mão de
obra e a lucratividade do setor.
Com a política implementada pelo governo, os produtores de café entendiam de forma
incorreta os recados do mercado: como os preços eram garantidos pelo governo (que, nessa
época, era composto pela oligarquia produtora), os produtores de café passavam a produzir
ainda mais, gerando excedentes maiores, que seriam absorvidos pelo governo durante a
República do Café com Leite.
Com o passar dos anos e o distanciamento dos efeitos da Primeira Guerra Mundial, a
economia europeia se restabeleceu e passou a importar cada vez menos dos Estados Unidos.
Com a retração do consumo na Europa, as indústrias norte-americanas não tinham mais
para quem vender. Havia mais mercadorias que consumidores, ou seja, a oferta era maior
que a demanda. Com efeito, houve uma redução dos preços e da quantidade vendida, o que
gerou um desaquecimento no mercado de bens e serviços dos Estados Unidos, levando a
uma forte redução da produção, o que acarretou redução do nível de emprego, da renda e
do consumo. Ou seja, um círculo vicioso.
Como consequência desse fluxo, houve a queda dos lucros, a retração geral da produção
industrial e a paralisação do comércio, que resultaram na queda abrupta nos preços das
ações da bolsa de valores e, mais tarde, na quebra da própria bolsa. Portanto, a crise de
1929 foi uma crise de superprodução.
Dessa forma, o dia 24 de outubro de 1929 é consideradopopularmente o início da
Grande Depressão, mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir
de julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que se estendeu
até 24 de outubro, quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque, a New York
Stock Exchange, caíram drasticamente, desencadeando a Quinta-Feira Negra.
Apenas para que você compreenda melhor os efeitos da crise, nos Estados Unidos as
pessoas físicas possuem boa parte de suas poupanças aplicadas no mercado de ações,
diferentemente do que acontece no Brasil. Com a redução dos lucros das empresas, as
ações, que são parcelas das empresas, passam a valer menos (você seria sócio de uma
empresa que anda “mal das pernas”?). Assim, quando a lucratividade das empresas
começou a cair, as pessoas passaram a, rapidamente, vender as suas ações, levando ao efeito
“manada”, com todos os acionistas vendendo, simultaneamente, seus ativos. Com isso, os
preços das ações viraram “pó”.
Desse modo, milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes
somas em dinheiro. Essa quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente
os efeitos da recessão já existente, causando grande inflação e queda nas taxas de venda de
produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e
industriais, elevando assim de forma radical as taxas de desemprego. O colapso continuou
na Segunda-Feira Negra (dia 28 de outubro) e Terça-Feira Negra (dia 29).
Outro aspecto que vem sendo apontado como uma das possíveis causas da Grande
Depressão nos anos 1930 foi a superprodução, provocada pelos grandes ganhos de
produtividade industrial, obtidos com os benefícios tecnológicos do taylorismo. Tanto Ford
quanto Keynes já vinham há algum tempo alertando, sem serem ouvidos, que “a aceleração
dos ganhos de produtividade provocada pela revolução taylorista levaria a uma gigantesca
crise de superprodução se não fosse encontrada uma contrapartida em uma revolução
paralela do lado da demanda” que permitisse a redistribuição dos ganhos de produtividade
causados pelo taylorismo, de forma que houvesse redistribuição dessa nova renda gerada,
para dirigi-la ao consumo. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo
período de recessão econômica do século XX. Este período de depressão econômica causou
altas taxas de desemprego, quedas drásticas do PIB de diversos países, bem como quedas
radicais na produção industrial, preços de ações e em praticamente todo medidor de
atividade econômica, em diversos países no mundo.
Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro. Essas consequências,
bem como suas intensidades, variaram de país para país. Além dos Estados Unidos, a
Alemanha, Países Baixos, Austrália, França, Itália, o Reino Unido e o Canadá foram
fortemente atingidos pela crise.
Os efeitos negativos da Grande Depressão alcançaram o ápice nos Estados Unidos em
1933. Naquele ano, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou uma série
de medidas, conhecidas como New Deal. Essas políticas econômicas, adotadas quase
simultaneamente por Roosevelt, nos Estados Unidos, e por Hjalmar Schacht, na Alemanha,
foram, três anos mais tarde, racionalizadas por Keynes em sua obra clássica A teoria geral do
emprego do juro e da moeda, obra até hoje lida em todas as universidades de economia no
mundo todo.
O New Deal, com outros programas de ajuda social, realizado por todos os estados
americanos, ajudou a minimizar os efeitos da Depressão a partir de 1933. A maioria dos
países atingidos pela Grande Depressão começou a recuperar-se economicamente desde
então.
No Brasil, a Grande Depressão, inicialmente, também provocou efeitos significativos. A
partir da retração da economia mundial, e mais especialmente dos Estados Unidos, o
mercado consumidor se retraiu. E mais: nesse período, tivemos ainda crescimento
expressivo da produção de café. Com a redução da demanda e o aumento da oferta, o país
passou a sofrer, rapidamente, os efeitos da crise de 1929.
Nesse período, passávamos também por mudanças políticas: após a república “café com
leite”, ingressávamos em uma nova era, com a posse do presidente gaúcho Getúlio Vargas.
Diante do quadro de total retração econômica mundial, Vargas adotou diversas políticas
visando ir de encontro ao ciclo de depressão mundial. Essas políticas, ratificadas por Keynes,
proporcionaram ao Brasil uma posição de vanguarda no que diz respeito às políticas
econômicas dirigidas pelo governo central.
Porém, antes de comentarmos as mudanças instituídas por Vargas, vamos obsevar como
nosso PIB se comportou nos últimos anos.
Fonte: A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
Uma leitura rápida do gráfico mostra que o PIB brasileiro variou MUITO ao longo dos
anos. Para sermos mais específicos, note que durante a crise de 1930 tivemos uma das
maiores recessões vividas pelo país, comparada, apenas, à situação no final do regime
militar (crise da dívida externa) e do governo Collor – assuntos que serão estudados mais à
frente.
Quando chegou ao poder, Vargas observou que não era mais possível manter uma
economia voltada para fora, ou para o comércio exterior. Com a recessão mundial
acentuada, o nosso café não tinha mais espaço nos mercados internacionais. Era preciso
pensar em dinamizar a economia interna, para que pudéssemos responder à crise
internacional.
Nesse sentido, a primeira política adotada por Vargas foi a política de manutenção da
renda.
Essa é uma política fácil de entender: tinha como resultado a compra, estocagem e
posterior queima do café.
Pois é, e vou dizer mais: existe lógica nessa política.
Vejamos: Qual era a fonte de renda na economia brasileira nessa época?
O café, certo?
Vargas sabia que a economia mundial ia mal, e ainda mais: a economia brasileira
dependia, exclusivamente, do café. O que era preciso? Migrar do café para uma nova
atividade que dependesse menos das oscilações no mercado internacional. Mas, enquanto a
economia não se transformava, Vargas sabia que era necessário manter a renda nacional
por meio da manutenção do centro dinâmico que gravitava em torno das vendas de café.
Para isso, precisava assegurar a demanda do produto brasileiro. Uma vez que a demanda
internacional estava retraída, a solução era garantir uma demanda doméstica. Como nós,
brasileiros, não consumíamos uma quantidade tão grande de café, coube ao governo fazer a
compra das sobras do produto.
A ideia inicial do governo brasileiro não era queimar o café comprado e estocado. Ele
esperava que com o tempo e a retomada do crescimento o preço internacional do café
voltasse a subir e, então, poderia ter lucro com a política de compra, vendendo o produto a
preços mais elevados. Entretanto, a demanda internacional não cresceu depois da crise,
portanto, o preço do café não subiu, o que levou o governo a queimar as sobras do produto.
CURIOSIDADES
Uma pergunta que você pode se fazer é: E por que, em vez de queimar, o governo não fez doação desse café para os mais pobres?
A explicação para isso é simples: Se o governo agisse dessa forma, influenciaria ainda mais o preço para baixo, fazendo com que
houvesse uma redução do preço do café também no mercado doméstico, complicando ainda mais a situação da produção cafeeira.
O gráfico abaixo mostra o volume de café absorvido pelo governo.
Café Destruído pelo Governo Federal e Produção Nacional
(1931 – 1945) – toneladas
Ano
(A)
Toneladas de
Café Destruídas
(B)
Quantidade
Produzida de Café
% de A sobre B
1931 169.547 1.301.670 13,03
1932 559.778 1.535.745 36,45
1933 821.221 1.776.600 46,22
1934 495.947 1.652.538 30,01
1935 101.587 1.135.872 8,94
1936 223.869 1.577.046 14,20
1937 1.031.786 1.460.959 70,62
1938 480.240 1.404.143 34,20
1939 211.192 1.157.031 18,25
1940 168.964 1.002.062 16,86
1941 205.370 961.552 21,36
1942 138.768 829.879 16,72
1943 76.459 921.934 8,29
1944 8.127 686.686 1,18
Total:
1931 a 1944
4.692.855 17.403.717 26,96
Fonte: dados brutos Pelaez (1973) e IBGE (1990)Fonte da figura: A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
Garantida a renda, Vargas sabia que era necessário ainda mudar o eixo dinâmico da
economia. Observou que a economia brasileira não poderia continuar à mercê das
oscilações da economia internacional, uma vez que, em consequência da retração
internacional, o problema não consistia apenas em não exportar. Havia ainda a
impossibilidade de importar. Em razão da taxa de câmbio extremamente desvalorizada,
importar bens de consumo não duráveis tornou-se extremamente custoso para a sociedade
brasileira.
Só para que você entenda melhor o nosso problema, esse período estava fortemente
ligado ao Balanço de Pagamentos. Como, nessa época, importávamos praticamente tudo, a
partir da redução das exportações, encontramos dificuldade para continuar importando,
pois o governo havia desvalorizado o câmbio para incentivar, artificialmente, as exportações.
Nesse ponto, cabe um esclarecimento sobre o que é o Balanço de Pagamentos e como ele
pode ser afetado por uma política macroeconômica de alteração cambial.
Macroeconomia em análise
O Balanço de Pagamentos
Como entender um Balanço de Pagamentos de um país sem confundir com o Balanço Patrimonial
de uma empresa?
O primeiro aspecto que você precisará compreender é que, de forma semelhante ao que acontece
com as empresas, no Balanço de Pagamentos também é registrado o movimento de recursos
financeiros. A diferença é que nesse caso tratamos de movimento financeiro entre países.
É no Balanço de Pagamentos que registramos a compra de um produto importado, as viagens
internacionais e o envio de dinheiro a um parente no exterior, por exemplo.
De forma mais conceitual, o Balanço de Pagamentos tem por objetivo registrar as operações
econômicas entre um país e o resto do mundo. Os autores Simonsen e Cysne definem Balanço de
Pagamentos da seguinte forma: “Define-se Balanço de Pagamentos como sendo o registro
sistemático das transações entre residentes e não residentes de um país durante um
determinado período de tempo.”
O que precisamos esclarecer é o que está destacado na definição acima.
Veja que quando falamos em registro sistemático, estamos afirmando que, de forma semelhante
ao que acontece com o Balanço Patrimonial, no Balanço de Pagamentos seguimos o princípio das
partidas dobradas, ou seja, quando se credita em uma conta, debita-se em outra.
No que diz respeito à diferença entre residentes e não residentes, podemos dizer que a separação
se dá de acordo com o que chamamos de “centro de interesse”. Assim, no caso da Volkswagen,
por exemplo, temos que essa empresa seria não residente, já que o seu “centro de interesses”
não está no Brasil, mas no resto do mundo (nesse caso, na Alemanha). De outra forma, quando
você compra uma passagem para passar um período em Paris, você será considerado um
residente já que o seu “centro de interesse” é o Brasil.
Finalmente, note que o Balanço de Pagamentos de um país considera um determinado período de
tempo, assim como o PIB. Desse modo, dizemos que o Balanço de Pagamentos é uma variável-
fluxo, não variável-estoque.
Deve-se atentar para o fato de que o Balanço de Pagamentos considera que todos os pagamentos
são realizados em dólares americanos. Essa medida é necessária para que se possa comparar os
diversos níveis de Balanço de Pagamentos de muitos países.
A seguir, veremos como o comércio entre dois países pode ser contabilizado.
Contabilização
Em um Balanço de Pagamentos de um determinado país existem dois conjuntos de contas que são
considerados na hora de fazer os lançamentos: as contas operacionais e as contas de reservas (ou
conta de caixa).
As contas operacionais correspondem ao fato gerador do recebimento ou transferência de
recursos do exterior. São exemplos de contas operacionais, de lançamentos nas contas
operacionais: exportação, importação, empréstimos, financiamentos, transferências unilaterais
etc.
Por outro lado, existem as contas de reservas (ou conta caixa). Para cada transação registrada em
qualquer conta operacional, haverá uma contrapartida correspondente de sinal oposto na conta de
reservas (ou conta de caixa).
E como essas entradas e saídas são registradas no BP?
De acordo com o professor Heber Carvalho:
É possível estatuir que a entrada de recursos (de meios de pagamento internacionais) é
considerada um crédito e é lançada com sinal positivo na conta operacional (conta
correspondente ao fato gerador). Por outro lado, a saída de recursos é considerada um
débito e é lançada com sinal negativo na conta operacional.
Assim, veja que o raciocínio para Balanço de Pagamentos difere para o de Balanço Patrimonial de
uma empresa. Quando há uma entrada de recursos, fazemos um crédito na conta operacional que
recebeu os recursos e um débito de igual valor na conta de reserva.
O entendimento desse processo não é difíil. Basta que você imagine que, no Balanço de
Pagamentos, assim como no Balanço Patrimonial, temos que pensar na natureza das contas. Se as
contas operacionais são de natureza credora, aumentos nessas contas só são possíveis por meio
de lançamentos de crédito. Por outro lado, para reduzi-las, é preciso que sejam feitos
lançamentos de débito. Para o caso das contas de caixa, vale o raciocínio inverso, já que elas são
contas de natureza devedora.
Exemplo 1: Importação de um automóvel
Nesse caso, como saiu recurso financeiro da conta operacional de importações (referente ao
pagamento do automóvel), há um débito nessa conta, pois haverá redução dos recursos. Por outro
lado, haverá crédito na conta de reserva, chamada de reservas, contas haveres ou conta caixa de
mesmo valor.
Assim:
D Importações
C Reservas ou haveres ou conta caixa
O que você deve notar é que a conta de reservas acaba trabalhando como uma “vala comum” para
todos os lançamentos do Balanço de Pagamentos, o que não deixa de ser verdade. Uma informação
importante sobre essa conta é que nela é registrada toda a movimentação dos meios de
pagamentos internacionais à disposição de um determinado país. Observe, ainda, que esses meios
de pagamentos são ativos que a autoridade monetária dispõe em seu caixa.
Outro assunto importante que pode ser abordado em provas é a possibilidade de não haver
contrapartida na conta de caixa. Contudo, embora pareça pouco provável, existe tal possibilidade.
Ela ocorre quando há uma doação de um país para outro.
Metodologia de cálculo
Desde 1993, o Balanço de Pagamentos, instituído pela Organização das Nações Unidas, pode ser
estruturado da seguinte forma:
DISCRIMINAÇÃO
(A) Balança Comercial
(B) Serviços
(C) Rendas
(D) Transferências Unilaterais Correntes
(E) Saldo em Conta Corrente / Transações Correntes
TC = A + B + C + D
(F) Conta Capital e Financeira (capitais autônomos)
(G) Erros e Omissões
(H) Saldo Total do Balanço de Pagamentos
BP = E + F + G
(I) Variação das Reservas Internacionais ou Haveres
VRI ou Haveres = -H
É importante citarmos que esta estrutura do Balanço de Pagamentos apresentada acima começou
a ser utilizada em 1993. Antes, era usada uma metodologia semelhante. Atualmente, o Brasil usa a
nova metodologia, por isso, vamos focar nela. Mas é necessário que você saiba que existe uma
anterior que ainda pode ser utilizada por alguns países.
Como entender a Balança Comercial?
Vamos analisar item a item.
A rubrica (A), Balança Comercial, mede os níveis de exportação e importação FOB (free on board,
ou livre de fretes e seguros) de um determinado país. As nossas viagens internacionais, por
exemplo, devem ser contabilizadas nesse item.
Note que a subtração entre exportação e importação origina o saldo da balança comercial,
Finalmente, lembre que as entradas de recursos via exportações geram crédito no Balanço de
Pagamentos, enquanto a saída de recursos, via importações, gera débito.
De forma mais sistemática, podemos representar a rubrica (A) como:
(A) BALANÇA COMERCIAL
* Exportação (FOB)
* Importação (FOB)
A rubrica (B), Serviços, é uma modalidade que está presente na nova metodologia de cálculo doBalanço de Pagamentos. Anteriormente, apenas para que você compreenda melhor, existia a
rubrica Serviços de Fatores e Outros Serviços de Não Fatores. Atualmente, existe a conta de
serviços (que mede o que não foi gerado por algum fator de produção) e a conta renda (que mede o
que foi gerado por algum fator de produção).
Dessa forma, é na rubrica Serviços que são contabilizados os transportes, as viagens
internacionais, os seguros, os serviços governamentais, os royalties e licenças, o aluguel de
equipamentos, computação e informações, dentre outros.
Observe a seguir uma forma mais esquematizada de apresentar a balança de serviços:
(B) SERVIÇOS
* Transportes
* Viagens Internacionais
* Seguros
* Serviços governamentais
* Royalties e licenças
* Aluguel de equipamentos
* Computação e informações
* Outros
No que diz respeito à rubrica (C), Rendas, a forma mais simples de diferenciar o que vai para essa
rubrica ou o que vai para a rubrica (B) é pensar que irá para a rubrica (C) tudo o que for gerado por
um dos fatores produtivos da economia. Assim, salários (remuneração do fator trabalho) e juros
(remuneração do fator capital) são lançados nela.
A forma reduzida de apresentar a rubrica Rendas é mostrada abaixo.
(C) RENDAS
* Remuneração do fator trabalho (salários e ordenados)
* Rendas de investimentos
** Rendas de Investimentos diretos (lucros e dividendos)
** Rendas de Investimentos em carteira (juros)
** Rendas de outros investimentos (juros)
A rubrica (D), transferências unilaterais correntes, refere-se a todos os lançamentos que não
possuem contrapartida financeira. Nesse caso, contabilizam-se as situações em que, por exemplo,
são realizadas doações. E como não há contrapartida financeira, é feito o lançamento na conta (D),
sem que haja um crédito de mesmo valor na conta de reservas.
De forma mais sistemática:
(D) TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS CORRENTES
* Movimento de transferências unilaterais na forma de bens e moeda
Fechando esse grupo de quatro rubricas, temos o Saldo em Conta Corrente ou Transações
Correntes. Esse saldo mede o somatório das quatro contas anteriores. Assim,
TC = A + B + C + D
Aqui, não se tem muito o que pensar não. Os alunos muitas vezes confundem o saldo em
transações correntes com o saldo da balança comercial. Como você já deve ter percebido, falou-se
em balança comercial e é preciso lembrar, necessariamente, da diferença entre exportação e
importação.
Mostrando a rubrica (E) de forma mais sistemática, temos:
(E) SALDO EM CONTA CORRENTE/TRANSAÇÕES CORRENTES
* TC = A + B + C + D
Observe que todas as contas vistas até agora consideram os movimentos ocorridos no mercado de
bens e serviços e no mercado de fatores, por isso faz sentido gerar um saldo.
A partir da conta (F), veremos o que acontece no mercado financeiro, através da Conta Capital e
Financeira do Balanço de Pagamentos. Com a integração dessa conta, teremos contabilizado como
todos os mercados de um país se comunicam com o resto do mundo.
Observação: A conta capital e financeira mede os movimentos de capitais autônomos. A forma
sistemática dessa conta ajuda a compreender melhor.
(F) CONTA CAPITAL E FINANCEIRA
(F.1) CONTA CAPITAL
(F.2) CONTA FINANCEIRA
* Investimentos diretos
* Investimentos em carteira (ou portfólio)
* Derivativos
* Outros Investimentos
Observe que, na conta capital, contabiliza-se, por exemplo, os capitais oriundos de uma empresa
estrangeira que decide investir no Brasil. Os exercícios de concursos e os exemplos de
lançamento ajudarão a compreender melhor.
Finalmente, temos a rubrica (G), Erros e Omissões. Nela são contabilizados todos os erros que não
foram contabilizados nas demais rubricas. Assim como na contabilidade patrimonial, há ajustes
necessários que devem ser realizados para que possa existir o ajuste do balanço.
A rubrica (H), Saldo Total do Balanço de Pagamentos, é, assim como acontece com o saldo em
conta-corrente, o somatório de todas as contas do Balanço de Pagamentos.
Logo: BP = E + F + G.
A última rubrica do Balanço de Pagamentos, Variação das Reservas Internacionais ou Haveres, é
justamente a nossa conta caixa, aquela que, como vimos anteriormente, mede toda a
movimentação dos meios de pagamentos internacionais à disposição de um determinado país.
Apresentando a versão mais completa do Balanço de Pagamentos, temos o seguinte:
Estrutura do Balanço de Pagamentos
A) BALANÇA COMERCIAL
• Exportações (FOB)
• Importações (FOB)
B) SERVIÇOS
• Transportes
• Viagens internacionais
• Seguros
• Serviços governamentais
• Royalties e licenças
• Aluguel de equipamentos
• Computação e informações
• Outros
C) RENDAS
• Remuneração do fator trabalho (salários e ordenados)
• Rendas de investimentos
• Rendas de investimentos diretos (lucros e dividendos)
• Rendas de investimentos em carteira (juros)
• Rendas de outros investimentos (juros)
D) TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS CORRENTES
Movimento de transferências unilaterais na forma de bens e moeda.
E) SALDO EM CONTA CORRENTE/TRANSAÇÕES CORRENTES
TC = A + B + C + D
F) CONTA CAPITAL E FINANCEIRA (CAPITAIS AUTÔNOMOS)
F.1) CONTA CAPITAL
F.2) CONTA FINANCEIRA
• Investimentos diretos
• Investimentos em carteira (ou portfólio)
• Derivativos
• Outros investimentos
G) ERROS E OMISSÕES
H) SALDO TOTAL DO BALANÇO DE PAGAMENTOS
BP = E + F + G
I) VARIAÇÃO DAS RESERVAS INTERNACIONAIS OU HAVERES
VRI ou HAVERES = – H
Vamos ver uma lista de exercícios para poder tirar todas as dúvidas sobre BP?
Exercício
1. (FCC – Sefaz-SP – Agente Fiscal de Rendas – 2006) Sobre o Balanço de Pagamentos é CORRETO afirmar que:
a) um superávit no saldo das transações correntes equivale a uma diminuição dos ativos externos líquidos em poder dos residentes
desta economia;
b) o pagamento de juros sobre empréstimos recebidos do exterior é registrado na conta de capital;
c) há diminuição das reservas internacionais do país, se o saldo do Balanço de Pagamentos é positivo;
d) o valor dos lucros reinvestidos na economia doméstica por residentes no exterior é computado no balanço de serviços;
e) há transferência líquida de recursos para o exterior quando as importações de bens e serviços não fatores apresentam valor maior
que as exportações de bens e serviços não fatores.
Comentários:
Vejamos item a item.
A letra a está incorreta, pois um superávit no saldo das transações correntes equivale a
um aumento dos ativos externos líquidos em poder dos residentes desta economia.
Note que essa alternativa estaria correta se ela falasse em redução dos ativos líquidos em poder
dos NÃO residentes desta economia.
Em seguida, a letra b está incorreta por afirmar que o pagamento de juros sobre empréstimos
recebidos do exterior é registrado na conta de capital. Na verdade, todos os tipos de remuneração
dos fatores produtivos (trabalho, que tem como remuneração o salário, terra, que é remunerada
com o aluguel, e capital, que é remunerado com os juros) são lançados na conta de rendas, não na
conta de capital. Dessa forma, a alternativa está incorreta.
A letra c, por sua vez, também está incorreta, pois todas as vezes que apresentamos saldo positivo
no Balanço de Pagamentos, implica que teremos, necessariamente, aumento nas reservas
internacionais, embora implique, ainda, a redução da poupança externa.
Finalmente, a alternativa d é a correta. De fato, quando fazemos rein​ vestimentos, esse valor será
contabilizado no balanço de serviços.
A letra e está errada por afirmar que há transferência líquida de recursos para o exterior quando
as importações de bens e serviços não fatores apresentam valor maior que as exportações de
bens e serviços não fatores. Na verdade, essa definição será verdadeira se considerarmos que as
importações de bens e serviços de não fatores apresentam valor MENOR que as exportações.
Gabarito: Letra d.
2. (Cespe – Auditor do Tribunal de Contas da União – 2007) Em um mundo onde o comércio entre países é cada vez mais intenso, o estudo
da economia internacional é crucial para o entendimento das questões econômicas. Com relação a esseassunto, julgue a questão:
As vendas de bens e serviços para turistas estrangeiros nas praias nordestinas são contabilizadas, simultaneamente, como crédito na
balança de transações correntes e como débito na conta de capital do Balanço de Pagamentos brasileiro.
Comentários:
Praias nordestinas?
Isso deve ser em Porto de Galinhas, com certeza!
Brincadeiras à parte, a questão não está correta (embora a banca diga o contrário).
Quando algum não residente compra os nossos serviços, isso deverá gerar crédito (entrou um
valor) na conta de serviços, que faz parte das transações correntes (juntamente com a balança
comercial, a conta de renda e as transferências unilaterais).
Da mesma forma, a venda de bens levará a uma alteração na balança comercial (aumento das
exportações), o que gerará, também, crédito.
Como um balanço empresarial, toda vez que temos um crédito, em algum lugar aparecerá um
débito.
Normalmente, um crédito em qualquer conta do Balanço de Pagamentos leva a um débito na conta
de Haveres.
Contudo, a questão afirma que haverá uma variação na conta de capital, o que não é verdade, já que
essa conta analisa, juntamente com a conta financeira, os investimentos diretos, os investimentos
em carteira, os derivativos e outros investimentos.
Assim, em nenhuma hipótese essa questão poderia estar correta.
Gabarito: VERDADEIRA – mas cabe recurso.
3. (Cesgranrio – Analista do Banco Central do Brasil – Área 1 – 2006) É CORRETO afirmar que:
a) no modelo keynesiano de curto prazo, a taxa de juros nominal da economia é determinada por fatores reais enquanto, no modelo
clássico, a taxa de juros real é função da demanda de moeda para fins de especulação;
b) quando um banco comercial adquire divisas de um exportador, há destruição de meios de pagamento da economia;
c) num país importador líquido de capitais, um superávit do Balanço de Pagamentos em conta-corrente implica uma redução de igual
valor em suas obrigações líquidas para com não residentes;
d) o modelo de crescimento de Solow sugere que, quanto mais alta a taxa de poupança da economia, mais baixo deve ser o nível de
renda per capita no estado estacionário;
e) num país exportador líquido de capitais, usualmente o produto interno bruto apresenta valor superior ao do produto nacional bruto.
Comentários:
Vamos por partes, analisando item a item para encontrar o erro.
A letra a está incorreta justamente por dar uma definição equivocada da determinação da taxa de
juros de uma determinada economia. No caso do modelo keynesiano, a determinação da taxa de
juros ocorre no mercado monetário: a taxa de juros real é função da demanda de moeda para fins
de especulação. Já no modelo clássico, essa variável era determinada pela interação entre duas
variáveis reais: a poupança e o investimento. Assim, a letra a não pode ser a alternativa correta da
questão.
Em seguida, a letra b afirma que todas as vezes que um banco comercial adquire divisas de um
exportador, há destruição de meios de pagamento da economia. O que ocorre é justamente o
contrário: como os bancos comerciais estão “dando” moeda doméstica para o exportador, existe a
criação dos meios de pagamentos, não a destruição deles.
A letra correta é a c. Se estamos tratando de um país importador líquido de capitais, um superávit
do Balanço de Pagamentos em conta-corrente implica uma redução de igual valor em suas
obrigações líquidas para com não residentes. Isso deve ser feito para que haja um equilíbrio do
saldo em transações correntes. E deve acontecer, ainda, porque a questão afirma que esse país é
um importador de capitais.
A letra d afirma que o modelo de crescimento de Solow sugere que, quanto mais alta a taxa de
poupança da economia, mais baixo deve ser o nível de renda per capita no estado estacionário.
Segundo a expressão que indica o equilíbrio no estado estacionário, s*f(k) = (sigma + n + m)k*, em
que s é o coeficiente de poupança de determinada economia, vemos que quanto maior esse
coeficiente, maior será o nível de renda per capita no estado estacionário, já que maior será o
stock de capital por unidade de trabalho.
Finalmente, a letra e está incorreta, já que não é verdade que em um país exportador líquido de
capitais, usualmente, o Produto Interno Bruto apresenta valor superior ao do Produto Nacional
Bruto. Na verdade, esse país tenderá a apresentar um PNB superior ao PIB, não o contrário.
Gabarito: Letra c.
4. (Esaf – CVM – Mercado de Capitais – Inspetor da Comissão de Valores Mobiliários/Analista da Comissão de Valores Mobiliários – 2010)
Considere o caso de uma economia aberta de um país pequeno em relação ao resto do mundo, com livre mobilidade de capitais:
a) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica déficit na conta transações correntes;
b) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica a necessidade de entrada de capital externo no país;
c) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional;
d) a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a igualdade entre a poupança interna e o investimento;
e) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada de poupança externa.
Comentários:
A letra a está incorreta por afirmar que o excesso de poupança interna sobre o investimento
implica déficit na conta transações correntes. Na verdade, esse excesso mostra que o país pode
enviar capital para o resto do mundo, não o contrário.
A alternativa b está correta justamente por contradizer a letra a. Veja que quando os investimentos
são superiores ao nível de poupança interna, o país necessitará de capital externo (via poupança
externa) para poder saldar as suas contas.
A letra c está incorreta por afirmar que o excesso de investimento sobre a poupança interna
implica aumento da taxa de juros no mercado internacional. Nesse caso, veja que, como existe
perfeita mobilidade de capital, a taxa de juros doméstica não afeta a taxa de juros internacional, já
que essa é uma pequena economia.
A letra d está incorreta, porque afirma que a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir
a igualdade entre a poupança interna e o investimento. Na verdade, haverá igualdade entre as taxas
de juros nacional e internacional.
Finalmente, a letra e afirma que o excesso de poupança interna sobre o investimento implica a
entrada de poupança externa. Nesse caso, vale justamente o contrário. Haverá saída de poupança
doméstica para o resto do mundo!
Gabarito: Letra b.
5. (Esaf – MPOG – Analista de Planejamento e Orçamento – 2010) Quanto ao Balanço de Pagamentos de um país, sabe-se que:
a) o saldo total do Balanço de Pagamentos é igual à soma da balança comercial com o balanço de serviços e rendas e as transferências
unilaterais correntes, salvo erros e omissões;
b) o saldo das transações correntes, se positivo (superávit), implica redução em igual medida do endividamento externo bruto, no
período;
c) o saldo total do Balanço de Pagamentos é igual à soma da balança comercial com a conta de serviços e rendas, salvo erros e
omissões;
d) a conta Capital e Financeira iguala (com sinal trocado) o saldo total do Balanço de Pagamentos;
e) a conta Capital e Financeira iguala (com o sinal trocado) o saldo de transações correntes, salvo erros e omissões.
Comentários:
Vejamos item a item por que a questão foi anulada.
Note que a letra a está incorreta, pois o saldo em conta-corrente é dado pela soma da balança
comercial com o balanço de serviços e rendas e as transferências unilaterais correntes, salvo
erros e omissões. O saldo do Balanço de Pagamentos considera ainda a conta de capitais e
financeira e os erros e omissões.
A letra b também está incorreta, já que o saldo de transações correntes é igual ao inverso da
poupança externa. Ou seja, quanto maior o saldo em transações correntes, menor será a poupança
externa, o que não implica endividamento externo bruto, mas uma redução da poupança.
Seguindo raciocínio semelhante ao visto na letra a, podemos afirmar quea letra c está incorreta, já
que o saldo do BP é dado não apenas pela soma da balança comercial com a conta de serviços e
rendas, mas também pela conta de capitais e financeira e pelos erros e omissões.
A letra d está incorreta por afirmar que a conta Capital e Financeira iguala (com sinal trocado) o
saldo total do Balanço de Pagamentos. Como já vimos, o saldo do Balanço de Pagamentos é dado
pela soma analisada nas letras a e c. Além disso, esse saldo será igual (com o sinal trocado) à
Variação das Reservas Internacionais ou Haveres.
Finalmente, a letra e também é falsa, uma vez que considera que a conta capital e financeira iguala
(com o sinal trocado) o saldo de transações correntes, salvo erros e omissões. Como vimos, a
conta de capital e financeira não será igual ao saldo em transações correntes. Na verdade, esse
será idêntico (com o sinal trocado) à poupança externa.
Como todas as alternativas estão erradas, a questão foi anulada.
Gabarito: ANULADA.
6. (FCC – Economia – Analista do Ministério Público da União – 2007) Instruções: Utilize as seguintes informações, e somente elas, para
responder à questão.
Importações de bens e serviços não fatores 1.700
Consumo final 6.900
Variação de estoques 900
Formação bruta de capital fixo 2.800
Renda líquida recebida do exterior 100
Déficit do Balanço de Pagamentos em transações correntes 300
O valor das exportações de bens e serviços corresponde a:
a) 1.200;
b) 1.300;
c) 1.400;
d) 1.500;
e) 1.600.
Comentários:
Para resolver essa questão, precisaremos dos seguintes dados:
Importações de bens e serviços não fatores 1.700
Renda líquida recebida do exterior 100
Déficit do Balanço de Pagamentos em transações correntes 300
Veja que existe uma relação entre essas três variáveis e as exportaçãos de bens e serviços.
Exportações – importações + renda líquida recebida do exterior = saldo do Balanço de
Pagamentos em transações correntes.
Com base nessa expressão, fica simples encontrar o resultado:
Exportações – 1700 + 100 = -300
Nesse caso, note que o saldo é negativo, por isso, o sinal antes do valor.
Dessa forma,
Exportações = 1700 – 400 ==> Exportações = 1300, exatamente como afirmado na alternativa (B).
Gabarito: Letra b.
7. (FCC – Analista do Ministério Público da União – 2007) São dadas as seguintes transações de um país com o exterior:
Amortizações de empréstimos recebidos 300
Juros pagos ao exterior 200
Exportação de mercadorias (FOB) recebidas à vista 600
Fretes líquidos recebidos do exterior 120
Donativos recebidos em mercadorias 40
Importação de mercadorias (FOB) pagas à vista 470
Empréstimos líquidos recebidos 140
Investimentos líquidos recebidos 230
Considerando-se apenas essas informações, pode-se concluir que o saldo de transações correntes do país foi:
a) positivo e igual a 240;
b) positivo e igual a 50;
c) nulo;
d) negativo e igual a 40;
e) negativo e igual a 80.
Comentários:
Aqui, é preciso que você se lembre da definição de saldo em transações correntes.
Esse é dado pela seguinte expressão:
Saldo em transações correntes = balança comercial + balança de serviços + balança de rendas +
transferências unilaterais
em que:
balança comercial = exportações FOB – Importações FOB
Para resolver mais facilmente, vamos fechar todas as balanças para só depois fazer a conta do
saldo em transações correntes.
balança comercial = 600 – 470 = 130
balança de serviços = fretes líquidos recebidos do exterior = +120
balança de rendas = juros pagos ao exterior = -200
transferências unilaterais = 0
Somando os valores, temos o seguinte:
saldo em transações correntes = 130 + 120 – 200 = + 50, exatamente como mostrado na letra b.
Gabarito: Letra b.
8. (FCC – Economia– Analista do Ministério Público da União – 2007) No Balanço de Pagamentos,
a) se o saldo de transações correntes for positivo, há exportação de poupança interna;
b) a soma algébrica do saldo de transações correntes com os da conta financeira e de capital é nula;
c) se o saldo de transações correntes for negativo, a poupança do resto do mundo é negativa também;
d) se o saldo da balança comercial for negativo, há transferência líquida de recursos para o exterior;
e) os lucros reinvestidos no país não afetam o volume das reservas internacionais.
Comentários:
A questão foi anulada.
Vejamos a razão da anulação da questão.
Observe que a letra a é falsa, pois o saldo em transações correntes positivo implica poupança
externa negativa. Nesse caso, estamos importando a poupança externa, não exportando.
A letra b, por sua vez, também é falsa, pois a soma do saldo de transações correntes com os da
conta de capital e financeira não é nula. Veja que a soma dessas contas com os erros e omissões
gera justamente o valor da balança de pagamentos.
Em seguida, a letra c é falsa, pois o saldo em transações correntes é o inverso da poupança
externa. Assim, quando um é positivo, o outro será, necessariamente, negativo.
A letra d, por sua vez, é falsa porque se o saldo da balança comercial for negativo, há recebimento
líquido de recursos do exterior.
Finalmente, a letra e é falsa pois os lucros reinvestidos afetarão, sim, o volume de reservas
internacionais.
Como todas as alternativas estão INCORRETAS, a questão foi objeto de anulação.
9. (FGV – Sefaz-RJ – Analista de Controle Interno – 2011) Os dados abaixo são do Balanço de Pagamentos brasileiro de 2010. Assumindo
que essas são as únicas subcontas discriminadas do Balanço de Pagamentos, o saldo da Balança de Serviços e Rendas é:
Discriminação do Balanço de Pagamentos U$ milhões
Viagens internacionais –10,503
Exportação de bens 201,915
Aluguel de equipamentos –13,683
Investimento brasileiro direto –11,500
Seguros –1,113
Empréstimos e financiamentos LP e CP 40,772
Investimento estrangeiro direto 48,462
Royalties e licenças –2,453
Importação de bens –181,649
a) -U$ 7,485 milhões;
b) -U$ 27,751 milhões;
c) U$ 70,249 milhões;
d) -U$ 39,251 milhões;
e) U$ 77,734 milhões.
Comentários:
Antes de responder essa questão, veja que a denominação do Balanço de Pagamentos está de
acordo com a nova metodologia implementada a partir de 1993.
Com base nela, deixam de existir as contas de serviços de fatores e serviços de não fatores, sendo
substituídas pelas contas de serviços e renda.
Assim, entram na contabilidade das contas os seguintes itens:
Aluguel de equipamentos (conta de renda): -13,683
Royalties e licenças (conta de renda): -2,453
Viagens internacionais (conta de serviços): -10,503
Seguros (conta de serviços): – 1,113
Com base nesses valores, temos que o saldo conjunto das duas contas é de -27,751, exatamente o
que é visto na alternativa b.
Gabarito: Letra c.
10. (Esaf – Analista de Comércio Exterior – Grupo 2 – 2012) Não faz parte da conta de serviço do Balanço de Pagamentos as despesas e/ou
receitas realizadas entre residentes e não residentes de um país:
a) com corretagens;
b) com royalties e licenças;
c) com aluguéis de equipamentos;
d) com eventos culturais e recreacionais;
e) com as aplicações em fundos de renda fixa.
Comentários:
Nessa questão, deve-se notar que a banca pede para que se aponte o que NÃO faz parte do balanço
de serviços. 
Para encontrar a questão errada, precisamos saber o que se contabiliza no balanço de serviços. A
lista abaixo mostra os itens contabilizados.
(B) SERVIÇOS
** Transportes
** Viagens internacionais
** Seguros
** Serviços governamentais
** Royalties e licenças
** Aluguel de equipamentos
** Computação e informações
** Outros
A partir dos itens mostrados, podemos ver que as letras b, Royalties e licenças, e c, Aluguéis de
equipamentos, são rapidamente excluídas de nossa resposta por estarem, claramente, apontadas
como itens do Balanço de Serviços.
As letras a, Corretagens, e d, Eventos Culturais e Recreacionais, devem ser lançadas como Outros
serviços.
Assim, a alternativa correta é a letra e, Aplicações em Fundos de Renda Fixa. Como estamos
falando de aplicações financeiras, deve-se contabilizar na Conta financeira e de capital.Logo, a alternativa correta é a letra e.
Gabarito: Letra e.
11. (Esaf – Analista de Comércio Exterior – Grupo 2 – 2012) Com base nas identidades contábeis do Sistema Nacional de Contabilidade, é
INCORRETO afirmar que:
a) para uma economia aberta e com o governo, a conta de distribuição secundária da renda explicita a segunda fase do processo de
distribuição da renda, discriminando os recebimentos e os pagamentos de transferências de renda com o resto do mundo;
b) em uma economia aberta e com o governo, um déficit em transação corrente do Balanço de Pagamentos de um país está
diretamente associado a uma poupança externa negativa;
c) em uma economia fechada e com o governo, os investimentos privados e públicos e os gastos correntes das administrações públicas
devem ser financiados pela poupança privada e pelas receitas líquidas do governo;
d) em uma economia fechada e com o governo, mesmo que exista poupança pública positiva, existirá déficit orçamentário toda vez que a
poupança pública for inferior ao investimento público;
e) em uma economia aberta, a absorção doméstica coincidirá com o produto interno da economia independente do saldo dos balanços
comercial e de serviços.
Comentários:
Como a questão solicita apenas que se encontre a questão incorreta, vamos focar os comentários
sobre esse item, e explicar por que a questão foi anulada.
A letra prevista anteriormente no gabarito era a alternativa b. Ela não pode ser incorreta, já que
existe, de fato, uma relação entre déficit em transação corrente o que implica uma poupança
externa negativa. 
SEXT = -TC
Em que SEXT indica a poupança externa e TC indica o saldo em transações correntes.
Logo, tendo em vista que todas as questões são corretas, a questão foi anulada.
Gabarito: ANULADA
12. (Esaf – Analista de Comércio Exterior – Grupo 2 – 2012) Os dados extraídos do Balanço de Pagamentos de uma economia hipotética,
expressos em milhões de reais em 2003, estão apresentados no quadro abaixo.
Déficit no balanço de transações correntes $ 1.200,00
Superávit em transferências unilaterais correntes $ 200,00
Déficit no Balanço de Rendas $ 800,00
Superávit Balanço de Serviços $ 700,00
Exportações de Mercadorias (FOB) $ 600,00
A partir dessas informações, um analista econômico apurou que o valor das importações de bens e serviços (FOB), em milhões de
reais, realizado pela economia hipotética foi de:
a) $ 600,00;
b) $ 300,00;
c) $ 1.100,00;
d) $ 1.500,00;
e) $ 500,00.
Comentários:
Para resolver essa questão, você deve lembrar que o saldo em transações correntes é dado pela
seguinte expresão:
Saldo na balança comercial + Saldo na balança de serviços + Saldo na balança de rendas +
Transferências unilaterais = Saldo em Transações Correntes
em que o saldo na balança comercial é dado por exportações FOB – Importações FOB
Substituindo os valores, temos o seguinte:
Saldo na balança comercial + 700 – 800 + 200 = -1200
600 – importações FOB + 700 – 800 + 200 = -1200
– importações FOB + 1500 – 800 = -1200
– importações FOB + 700 = -1200
– importações FOB = -1900
– importações FOB = 1900
Como não existe resposta para esse valor, a questão foi anulada.
Gabarito oficial: ANULADA.
Mas, o que aconteceu no Brasil nos anos 1930?
Com a crise, houve uma redução drástica das nossas exportações associada a uma
reversão dos fluxos de capitais. Dessa forma, em vez de entrarem recursos financeiros no
país, esses estavam saindo. Por outro lado, os níveis de importação eram mantidos, o que
levava a um sério problema no Balanço de Pagamentos: o déficit no saldo comercial e a
saída de capitais acabavam por pressionar o Balanço de Pagamentos, o que gerava, em uma
análise, a uma total escassez de divisas. Sem moeda internacional, a manutenção da
importação dos bens se tornava impraticável.
Como resultado, as dificuldades de importações deslocaram a demanda doméstica para
os produtos que passaram a ser produzidos no país. Nesse processo, houve maior
rentabilidade do setor industrial perante o cafeeiro, o que gerou, em última instância, um
fluxo de capitais do setor cafeeiro para o setor industrial. Esse processo de industrialização
vivido pelo Brasil ficou conhecido como Programa/Modelo/Processo de Industrialização
por Substituição de Importações. Nesse processo, começamos a industrializar a nossa
economia com base nos itens listados na pauta de importações.
1.5. Características do PSI
Quando você vir na sua prova uma questão sobre PSI, o que precisará lembrar?
1. O programa de Industrialização por Substituição de Importações foi um programa de
industrialização fechada, ou seja, o país deixou de orientar a sua economia para fora e
passou a orientar a sua produção para atender à demanda doméstica.
Nesse processo, como a nossa indústria era extremamente incipiente, a formação do
parque industrial dependeu de medidas protecionistas por parte do governo. Dentre elas,
devemos citar a política cambial adotada no período.
2. O motor do PSI foi o estrangulamento externo. O quadro abaixo, criado com base no
livro Economia brasileira contemporânea, de A. Gremaud, mostra tal processo.
Vamos entender o esquema.
Com a redução das exportações e a permanência das importações, houve
estrangulamento externo, via déficit, no saldo no Balanço Comercial, processo em que as
divisas internacionais (volume de moeda do resto do mundo que está em nossa economia)
foram insuficientes para atender aos anseios de importação da população.
Com receio dessa evasão de divisas e da escassez de entrada, o governo federal passou a
dificultar as importações (seja fazendo maxidesvalorizações no câmbio, seja fazendo
controles cambiais, taxas múltiplas de câmbio ou ainda implementando tarifas aduaneiras).
Esse fato, além de controlar as importações, também beneficiou a indústria nacional, que se
tornou mais competitiva.
Com a indústria mais fortalecida, os outros setores passaram a migrar os recursos para
investir nesse novo segmento lucrativo da economia. Nesse movimento, novos empregos
foram criados, gerando aumento da renda da economia, o que pressionou o consumo tanto
de bens nacionais quanto de bens importados. Nesse último tipo de demanda, houve
novamente pressão e posterior geração de estrangulamento externo, o que levou a uma
retroalimentação do ciclo.
3. Finalmente, é importante lembrar que o Processo de Industrialização por Substituição de
Importações aconteceu em etapas ou rodadas. Nesse caso, era a pauta de importações
que ditava qual seria a indústria que passaria a ser implantada primeiro. A sequência
abaixo mostra a ordem de implantação da indústria no Brasil. Apenas lembrando, esse
processo foi iniciado no governo Vargas, mas perpassou vários governos, chegando até o
final do regime militar.
Logicamente, esse processo não aconteceu sem problemas. É possível apontar quatro
grupos de problemas gerados no processo de industrialização no Brasil.
1.6. As dificuldades do PSI
1.6.1. Tendência ao desequilíbrio externo
Existem várias razões que explicam esse desequilíbrio (a renda que sai é maior do que a
renda que entra).
(i) O primeiro motivo está ligado à política cambial adotada pelos governos. Como havia
transferência de renda da agricultura para a indústria, esse processo acabava por
desestimular ainda mais o processo de produção agrícola, levando a uma redução forte nas
exportações nacionais.
(ii) Tendo em vista que a nossa indústria era pouco competitiva, graças à proteção do
governo, não conseguíamos ter forças para competir nos mercados internacionais. Logo,
não era possível aumentar as divisas através da promoção da exportação dos bens
industriais.
(iii) Finalmente, como já vimos, uma pressão contínua por bens importados, em razão do
investimento industrial e do aumento da renda, forçava ainda mais o desequilíbrio no
Balanço de Pagamentos nacional.
1.6.2. Aumento da participação do Estado
No processo de industrialização via PSI, o governo possuía quatro funções fundamentais:
(i) adequação do arcabouço institucional à indústria;
(ii) geração de infraestruturabásica;
(iii) fornecimento de insumos básicos;
(iv) captação e distribuição de poupança.
Com tantas demandas em cima do governo, esse precisava ter uma capacidade de
planejamento e financiamento crescentes, e como esses fatores não eram, no Brasil,
plenamente organizados, houve uma séria dificuldade de industrialização no Brasil.
Apenas para você ter ideia da importância do governo no processo de industrialização,
basta olhar o item (iv). Nele, é possível observar que era o governo o provedor de recursos
para a industrialização. Nesse sentido, o governo financiava a industrialização tanto pela
emissão de moeda quanto pelo endividamento externo. Nos dois casos, o poder privado era
beneficiado pelas políticas governamentais de implantação da indústria nacional.
1.6.3. Aumento do grau de concentração de renda
O PSI aumentou ainda mais a concentração de renda graças a alguns fatores:
(i) o aumento do êxodo rural para os grandes centros urbanos (lembre que com a
industrialização houve também a urbanização da população brasileira);
(ii) o investimento da indústria, diferentemente do que acontece no meio rural, é intensivo
em capital, não em mão de obra. Nesse sentido, houve uma série de desequilíbrios no
mercado de trabalho: escassez de oferta para os trabalhadores qualificados; e escassez de
demanda para os trabalhadores não qualificados.
(iii) finalmente, o protecionismo e a concentração industrial permitiam a elevação de
preços e a geração de elevadíssimas margens de lucros para as indústrias, o que tornava os
industriais cada vez mais ricos e os proletários cada vez mais pobres.
1.6.4. Escassez de fontes de financiamentos
Não existiam fontes de financiamento adequadas para o projeto. Entre as explicações
para esse problema, tínhamos a “Lei da Usura”, que impossibilitava a cobrança de taxas de
juros superiores a 12% a.a., a fraca existência de um sistema financeiro nacional organizado
e a ausência de uma reforma tributária ampla na economia nacional.
Apesar de esses entraves dificultarem o Processo de Industrialização por Substituição de
Importações implantado no Brasil, contudo não o extinguiram.
Capítulo 2
Os Anos JK e a Transição para o Regime Militar
Apenas para reforçar, o PSI que tinha como objetivo industrializar os países da América
Latina (para pensar em PSI ou em MSI – Modelo de Substituição de Importações) fez com o
que os governos brasileiros fechassem a economia nacional e passassem a incentivar,
fortemente, o processo de transformação de uma economia inteiramente agroexportadora
para uma economia industrializada.
Nesse sentido, todos os governos entre 1930 e 1979 rezaram pela mesma cartilha. “Vamos
fechar a economia e vamos olhar para dentro! Vamos produzir para os brasileiros e não
vamos deixar que as empresas estrangeiras tragam os seus produtos para cá!”
Era mais ou menos dessa forma que a economia funcionava.
Como vimos, o primeiro a agir desse modo foi Getúlio Vargas. Para responder à crise de
1930, o governo brasileiro passou a comprar os excedentes de produção do café
(posteriormente queimando ou jogando fora) para que, assim, fosse possível manter a
renda da economia (alguns economistas dizem até que a política de Vargas era uma
vanguarda para a posterior economia keynesiana, que se concentra intensamente nos gastos
do governo). Com essa política, o governo Getúlio Vargas fez com que os efeitos da crise no
Brasil fossem bem menores quando comparados com os demais países do mundo.
Após o término da ditadura de Vargas, chamada de “Estado Novo”, em 1945, foi eleito o
presidente Eurico Gaspar Dutra (mandato de 1946 a 1951) que, entre outras iniciativas,
institucionalizou o plano Salte: Saúde, Alimentação, Transportes e Energia. O plano,
infelizmente, não surtiu bons resultados, já que não houve financiamento adequado para
que fosse plenamente implementado de forma eficiente.
Tão logo terminou o mandato de Dutra, Getúlio Vargas retornou ao poder e, com uma
medida bastante contraditória (aumentou o salário de todos os trabalhadores em 100%),
levou a economia a uma crise. Com essa medida, o grau de impopularidade do presidente
aumentou, o que levou à solicitação de seu impeachment. Segundo alguns historiadores, tal
fato teria induzido o presidente a cometer suicídio. É fato, porém, que o segundo governo
Vargas não passou despercebido. Dentre as medidas implementadas por Vargas, podemos
destacar a criação da Petrobras – ainda hoje uma das maiores estatais brasileiras.
Contudo, não houve no período do segundo governo Vargas qualquer plano econômico
voltado diretamente para o crescimento ou desenvolvimento que merecesse destaque.
O seu sucessor, Café Filho, concluiu o mandato e entregou o posto a Juscelino
Kubitschek, que tinha como objetivo fazer o Brasil crescer 50 anos em 5 durante o seu Plano
de Metas.
O Plano de Metas prezou, fundamentalmente, pelo crescimento do país. A ideia era fazer
o Brasil crescer na sua produção industrial. Foi justamente nesse período que vimos o
surgimento da indústria automobilística no país e a construção da malha rodoviária
nacional.
Um ponto importante que deve ser destacado é que a lógica do Plano de Metas vai além
do PSI. Segundo A. Gremaud, o formato de industrialização realizado por JK não
respondeu apenas ao estrangulamento externo. Para o autor, JK também gerou pontos de
germinação, ou seja, ele criou áreas de geração de demandas derivadas da produção
principal.
Como maiores metas dentro do seu governo, JK dividiu o programa em três grandes
áreas:
(i) investimentos em infraestrutura (transporte e energia elétrica);
(ii) estímulo à produção de bens intermediários (aço, carvão, cimento, zinco etc.);
(iii) incentivos à introdução dos setores de consumo duráveis e de capital.
É importante ressaltar que o Plano de Metas não tinha entre seus propósitos a construção
de Brasília. Esse é um assunto que as bancas gostam de abordar, mas que não deve ser
confundido. Existem muitas explicações para a posição da capital nacional, mas em
nenhum momento pode-se dizer que foi uma meta do Plano de Crescimento de Juscelino.
Taxas de crescimento do Produto e setores 1955-1961
Ano PIB Indústria Agricultura Serviços
1955 8,8 11,1 7,7 9,2
1956 2,9 5,5 –2,4 0
1957 7,7 5,4 9,3 10,5
1958 10,8 16,8 2 10,6
1959 9,8 12,9 5,3 10,7
1960 9,4 10,6 4,9 9,1
1961 8,6 11,1 7,6 8,1
Fonte: IBGE
taxas de crescimento da produção industrial no Plano de Metas 1955/62:
ð materiais de transporte: + 711%;
ð materiais elétricos e de comunicações: + 417%;
ð têxtil: + 34%;
ð alimentos: + 54%;
ð bebidas: + 15%.
Fonte da figura: A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
Pelos dados da tabela anterior, retirada do livro Economia brasileira contemporânea, de
A. Gremaud, observamos que o Brasil apresentou crescimento significativo durante o
governo de JK (1956 a 1961), com destaque para o crescimento industrial, que alcançou,
por quatro anos, dois dígitos. É importante notar ainda que, nas duas principais áreas do
PSI, houve crescimento considerável, muito superior às metas previamente estabelecidas
pelo governo, o que demonstra alto poder de crescimento nacional gerado pelo governo JK.
Um ponto importante do Plano de Metas foi o espólio que ele passou para o governo
seguinte (Jânio Quadros). Como não tinha como pagar a conta do volume de gastos,
Juscelino simplesmente mandou o governo, literalmente, imprimir moeda.
Foi dessa forma genial que pagamos a dívida de Brasília, gerando uma inflação
generalizada. Então, o que temos de lembrar quando se fala de JK? Que em seu governo
tivemos forte crescimento associado a um grande processo de inflação. É como diz Milton
Friedman: “Não existe almoço grátis! Alguém está sempre pagando por ele!”
Deve-se ainda ressaltar que, do ponto de vista externo, houve maior deterioração do saldo
em transações correntes nacionais, além de um significativo endividamento externo, que só
tendeu a aumentar nos anos seguintes.
Após a saída de Juscelino do poder, Jânio Quadros tomou posse. Em um governo curto,
Jânio não elaborouqualquer plano que tivesse relevante repercussão nacional. Um dos
problemas para essa ausência de planos foi a brevidade de seu governo. Após menos de sete
meses da sua eleição, Jânio Quadros renuncia e passa o bastão para seu vice (que a essa
altura estava em visita à China), João Goulart. Jango, apesar dos inúmeros problemas
políticos (a oposição achava que ele estaria alinhando muito os pensamentos com a China
comunista), dá início ao Plano Trienal, que tinha como objetivo fazer com que a economia
voltasse ao ritmo de crescimento observado durante o Plano de Metas (7% a.a.). Para isso,
foram implementadas metas específicas para os setores de aço, automóveis e energia.
Assim como o Plano Salte, o Plano Trienal não deu certo. No caso desse último, a
explicação estaria ligada à brevidade de tempo em que o plano foi criado (teria sido criado
em três meses, por Celso Furtado).
João Goulart é deposto em 1o de abril (embora alguns livros indiquem que a deposição
tenha acontecido em 31 de março), e tem início o regime militar.
CURIOSIDADES
Pois é, a revolução ou golpe militar aconteceu, de fato, no dia 1o de abril. No dia 31, contudo, existiam indícios de que a situação não
ia bem, uma vez que não houve transmissão do programa A Hora do Brasil.
Um fato interessante é que, segundo relato de populares, quando a notícia se espalhou pela sociedade, todo mundo achava que era
mentira, já que estávamos no dia 1o de abril.
E então, com o governo militar, realmente crescemos de uma forma “nunca antes vista no
Brasil” (e que não foi vista depois também). A justificativa para esse volume de crescimento
seria a legitimação dos militares no poder. Ou seja, uma vez fazendo o país crescer, não
seria necessário mudar de regime político.
Mas o país não podia crescer sem que antes fosse composta a desordem que existia em
nossas instituições. Foi pensando nisso que o Paeg – Plano de Ação Econômica do Governo,
foi criado. Com as linhas de atuação focadas nas reformas estruturais e nas políticas
conjunturais de controle à inflação, o Paeg “arrumou a casa” para que o Brasil pudesse
viver, finalmente, o crescimento econômico visto durante os anos 1968 e 1973: o Milagre
Econômico viabilizado com o I Plano Nacional de Desenvolvimento.
E sabe por que esse período foi chamado de Milagre Econômico? Porque durante esse
período a economia brasileira conseguiu crescer (cerca de 15% a.a.) sem inflação.
Importante: O crescimento nesse período não conseguiu garantir melhor
desenvolvimento. Foi o que se chamou de Teoria do Bolo: primeiro fazer crescer, para
depois dividir. Infelizmente, não fomos tão bem na segunda parte!
Exercícios
1. (Esaf – Sefaz-RJ – Tecnologia da Informação – 2010) Desde a década de 1940, diversos governos utilizaram o
planejamento como alavanca para o desenvolvimento nacional. Indique qual dos planos abaixo foi elaborado na
fase do “milagre brasileiro”.
a) Plano Salte.
b) I Plano Nacional de Desenvolvimento.
c) Plano Plurianual 1996-1999.
d) Plano de Metas.
e) Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg).
Comentários:
Essa é uma questão muito, muito, muito boa!
Ficou bem mais fácil agora, né?
Assim, como a letra a fala do governo Dutra, e não do regime militar, essa alternativa não
pode estar correta.
Em seguida, a letra b fala sobre o I Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico. Já
ouviu falar sobre ele? Não, né? Pois é, existe uma razão para isso: é porque ele ficou muito
mais conhecido pelo seu resultado: O milagre econômico brasileiro. Ahá! Logo, essa é a
resposta correta. Não apenas o I PND, mas também o subsequente II PND (implementado já
na fase final do regime militar pelo presidente Geisel (1974-1979)), que veremos a seguir,
tiveram como objetivos o crescimento econômico através da implementação das indústrias
de base e de insumos produtivos.
A letra c, como veremos adiante, fala do governo FHC. Mas há um detalhe: o Plano
Plurianual é criado não apenas para um; todos os governos devem ter um PPA. O PPA é um
plano que dita como a política econômica deverá se comportar ao longo de determinado
mandato. Logo, não faz sentido dizer que essa alternativa é a correta.
A letra d afirma que é o Plano de Metas. Pelo que vimos acima, fica claro que não é do
Plano de Metas que estamos falando. O Plano de Metas foi instituído pelo governo JK, que
teve, de fato, forte ritmo de crescimento, mas nada comparado ao observado durante o
“Milagre Econômico”. Por isso, não pode ser verdadeira.
Finalmente, a letra e fala do Paeg, um plano criado para montar os alicerces para a
verdadeira promoção do crescimento econômico, visto durante o período do “Milagre
Econômico”.
2. (BNDES – Profissional Básico – Economia – 2008) Assinale, entre as opções abaixo, a que NÃO corresponde a uma
das principais características da política de industrialização brasileira no pós-guerra.
a) Fornecimento de crédito a longo prazo para implantação de novos projetos.
b) Proteção à indústria nacional, mediante tarifas de importação e barreiras não tarifárias.
c) Participação direta do Estado no suprimento da infraestrutura (energia, transporte).
d) Participação direta do Estado na produção em alguns setores tidos como prioritários (siderurgia, mineração,
petróleo).
e) Intensa preocupação de atender o consumidor doméstico com produtos de qualidade e baratos.
Comentários:
Vamos analisar item por item para ficar claro. Veja que a questão pede o que NÃO
atende. O NÃO está bem tímido, mas merece muita atenção.
Vamos por partes.
A alternativa a afirma que houve fornecimento de crédito de longo prazo para a
implantação de novos projetos. De fato, para que os projetos industriais pudessem ser
implantados, houve a necessidade de tomar crédito. Considerando ainda que as indústrias
só dão retorno depois de um período de maturação, o crédito deveria ter, necessariamente,
natureza de longo prazo. Dessa forma, a alternativa está correta.
A alternativa seguinte, b, afirma que houve proteção à indústria nacional, mediante
tarifas de importação e barreiras não tarifárias. Ora, pelo que vimos, de fato, durante o PSI,
o governo implantou diversos tipos de restrições à importação. Com isso, conseguia garantir
a competitividade das empresas nacionais, o que fortalecia, em última instância, a indústria
nacional. Logo, a alternativa também está correta.
A letra c afirma que houve participação direta do Estado no suprimento da infraestrutura
(energia, transporte). Para confirmarmos a veracidade dessa alternativa, basta pensar no
Plano de Metas ou no Plano Salte. Quais eram os objetivos desses planos? Certamente
objetivos ligados à infraestrutura. Logo, essa alternativa é verdadeira: A infraestrutura
necessária ao processo de industrialização cabia, necessariamente, ao governo brasileiro.
Restam apenas as alternativas d e e. A letra d diz que é a participação direta do Estado na
produção em alguns setores tidos prioritários (siderurgia, mineração, petróleo). Verdade
também. Basta lembrarmos que nesse período foram criadas diversas estatais pelo governo,
como a Petrobras.
Logo, a resposta é a letra e. Contrariamente ao que afirma a alternativa, não houve
preocupação em fornecer produtos de qualidade e baratos. Uma vez que a indústria era
protegida, não houve tamanha preocupação com o mercado interno.
Gabarito: Letra e.
2. (EPE – Economia da Energia – 2006) A política de valorização do café no Brasil, iniciada em 1906 no Convênio de
Taubaté e recorrentemente utilizada para evitar quedas significativas no preço internacional do produto,
apresentava como principais determinantes a(o):
a) retenção de parcela da produção doméstica para reduzir as exportações do produto, prática possibilitada pela
participação brasileira no mercado internacional do café e por sua baixa elasticidade-preço;
b) retenção da produção de café por alguns anos, eliminando as exportações, em decorrência das graves crises
internacionais que afetavam a demanda externa do produto, como ocorreu na década de 1930 (do século XX);
c) punição de produtores de café que ultrapassassemas cotas de produção predeterminadas pelo governo central,
visando à manutenção dos preços internacionais do produto;
d) busca de maior diversificação produtiva nas áreas de plantio do café, evitando a forte dependência dos produtores
em relação a um único item;
e) impedimento do plantio de novas áreas para a produção de café, determinando uma drástica redução estrutural da
oferta internacional de café.
Comentários:
Para ficar diferente, vamos responder essa da última para a primeira:
A letra e afirma que um dos principais determinantes era o impedimento do plantio de
novas áreas para a produção de café, determinando uma drástica redução estrutural da
oferta internacional de café. Ora, durante esse período não houve redução da produção de
café, muito menos impedimento do plantio. Lembre-se que durante a crise de 1929 houve
um processo de superprodução, logo, é impossível que em 1906 tenha havido qualquer tipo
de restrição à produção desse bem.
A letra d, por sua vez, diz que era a busca de maior diversificação produtiva nas áreas de
plantio do café, evitando a forte dependência dos produtores em relação a um único item.
Muito pelo contrário! Antes da industrialização, o café era, de longe, o produto mais
rentável a ser produzido no Brasil. Assim, os empresários destinavam todos os seus esforços
para a produção de café, não para a produção de outros tipos de bens.
A letra c é bem parecida com a letra e. Vejamos: punição de produtores de café que
ultrapassassem as cotas de produção predeterminadas pelo governo central, visando à
manutenção dos preços internacionais do produto. Punição?
Claro que não!
Lembre-se que estamos na época da República do Café com Leite e, assim, há incentivo à
produção, nunca restrição. Dessa forma, assim como as demais questões, a letra c também
está incorreta.
A letra b afirma que era a retenção da produção de café por alguns anos, eliminando as
exportações, em decorrência das graves crises internacionais que afetavam a demanda
externa do produto, como ocorreu na década de 1930 (do século XX). Eliminação das
exportações? Nada disso! Houve, de fato, redução das exportações, mas não eliminação!
Note que a questão estaria certa, não fosse essa palavra.
Nesse caso, vale um conselho: leia com cuidado. Muitas vezes a alternativa tem um
detalhe mínimo que a torna errada. Eis aí o caso.
Finalmente, a letra a é a alternativa correta, porque afirma que houve retenção de parcela
da produção doméstica para reduzir as exportações do produto, prática possibilitada pela
participação brasileira no mercado internacional do café e por sua baixa elasticidade-
preço. Exatamente! Lembra que o governo passou a reduzir as exportações a fim de elevar o
preço do produto no mercado internacional? Com essa prática, o governo objetivava elevar,
pelo menos um pouco, o nível de preços do café que prevalecia internacionalmente.
Gabarito: Letra a.
3. (EPE – Economia da Energia – 2006) O Plano de Metas (1956-1961) marcou uma importante transformação
produtiva brasileira, visando à maior integração da estrutura industrial no país. Para sua montagem, foi
fundamental a identificação de pontos de estrangulamento que representavam setores:
a) cuja oferta não era capaz de responder rapidamente a uma elevação de demanda.
b) cuja expansão era inviável e que deveriam ter prioridade nas importações.
c) periféricos da indústria e com baixa capacidade de geração de emprego.
d) capazes de gerar grande demanda para outras atividades produtivas.
e) compostos por empresas de baixos níveis de produtividade e sofisticação tecnológica.
Comentários:
Opa! Pontos de estrangulamento!
Vamos reforçar:
Toda vez que pensarmos em plano de metas, lembraremos que o governo implementou
diversos investimentos setoriais que serviram para atacar pontos de estrangulamento; outros
investimentos eram realizados para gerar pontos de germinação.
Mas o que seriam esses pontos?
Pontos de estrangulamento: áreas de demanda insatisfeita em função das características
desequilibradas do desenvolvimento econômico.
Pontos de germinação: áreas que geram demanda derivada.
Nesse sentido, os pontos de estrangulamento eram setores em que seria necessário investir
para que fosse possível proporcionar, de fato, o desenvolvimento. Seriam como os gargalos
que existem dentro da estrutura produtiva do país.
Com essa definição na cabeça, vemos que a letra correta é a alternativa a, que afirma que
esses são pontos cuja oferta não era capaz de responder rapidamente a uma elevação de
demanda. Nesse quadro, merece destaque, por exemplo, a infraestrutura já debatida nas
questões anteriores. Como a oferta não crescia rapidamente para responder à demanda
proveniente do setor automobilístico, por exemplo, era caracterizada como um ponto de
estrangulamento para o crescimento da economia.
Vamos ver mais:
A letra b está incorreta já que não se definem essas áreas como espaços cuja expansão era
inviável e que deveriam ter prioridade nas importações. Como já vimos, era possível haver
expansão dos pontos de estrangulamento. O problema é que essa expansão deveria ser
realizada pelo setor público, por meio das políticas governamentais, já que ela exigia muitos
investimentos e era de longo prazo. Além disso, veja que esses pontos não são prioridade nas
importações, até porque não é possível importar estradas.
As letras c, d e e, assim como a b, não estão de acordo com a definição dos pontos. A letra
c afirma que eram periféricos da indústria e com baixa capacidade de geração de emprego.
Veja que esses pontos, por definição, não são pontos periféricos, muito menos com baixa
capacidade de geração de empregos. Lembre-se sempre de que, quando falarmos em obras
públicas, estaremos falando, necessariamente, em setores de alta capacidade de geração de
empregos.
Em seguida, a letra d afirma que esses pontos são capazes de gerar grande demanda para
outras atividades produtivas. Essa seria, talvez, a questão que geraria mais dificuldades.
Vamos entender por que ela está incorreta: veja que os pontos de estrangulamento não são
capazes de gerar demanda para atividades. Pelo contrário, é a redução desses pontos de
estrangulamento que viabiliza outras atividades produtivas. Dessa forma, a questão não
pode estar correta.
Finalmente, a letra e afirma que pontos de estrangulamento são compostos por empresas
de baixos níveis de produtividade e sofisticação tecnológica, o que não tem nada a ver com
a definição vista.
Gabarito: Letra a.
4. (EPE – Economia da Energia – 2006) As proposições abaixo dizem respeito ao Plano de Metas (1956-1961).
I. Entre as técnicas de planejamento utilizadas no Plano de Metas destacaram-se a identificação de pontos de
estrangulamento e pontos de germinação.
II. A elevação da produção de petróleo no País foi um fator essencial para o sucesso do Plano de Metas.
III. A política de valorização do café foi um dos pontos mais importantes para viabilizar a implementação do Plano
de Metas.
É(são) correta(s) apenas a(s) proposição(ões):
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) I e III.
Comentários:
O item I está, de cara, correto, pelo que vimos na questão anterior. Quando se falar em
planos de metas, teremos que lembrar que esse plano é responsável, sim, pela identificação
desses dois tipos de pontos que foram, em última instância, necessários para viabilizar o
processo de industrialização no Brasil.
O item II fala sobre a produção de petróleo no país como fator para o sucesso do Plano
de Metas. Ora, o fator essencial para o sucesso do plano foi o investimento em
infraestrutura, não a produção de petróleo. Finalmente, o item III fala sobre a política de
valorização do café no Plano de Metas.
Veja que essa política foi importante no governo de Getúlio Vargas, não nos demais
governos. A partir de 1945, passamos a dar menos importância ao café e muito mais
importância à indústria que, nesse tempo, já começava a ser mais rentável que o café.
Gabarito: Letra a.
5. (Petrobras – Economista Junior – 2005) Dentre as principais medidas do Plano deMetas, no governo Juscelino
Kubitschek, destaca-se a:
a) criação de comissões setoriais, como o geia;
b) criação da Petrobras, para expandir a exploração de petróleo no país;
c) imposição de uma política salarial concentradora de renda;
d) realização de reformas tributária e administrativa;
e) aplicação de políticas ortodoxas de combate à inflação.
Comentários:
Vamos lá, da última para a primeira!
A letra e afirma que houve aplicação de políticas ortodoxas de combate à inflação, o que
não foi verdade. Para que você se situe, essas políticas só começarão a acontecer, ainda em
caráter híbrido, durante o governo Sarney, nos planos Bresser e Verão. Como políticas de
fato de governo, apenas no Plano Real, no governo Itamar Franco.
A letra d afirma que JK realizou as reformas tributária e administrativa, o que também
não é verdade. De fato, essas reformas foram realizadas, mas alguns anos depois, quando o
governo militar implantou o Paeg (Programa de Ação Econômica do Governo) entre 1964 e
1968. Antes disso, nada tinha sido reorganizado.
A alternativa c afirma que JK realizou a imposição de uma política salarial concentradora
de renda. Não houve uma política nesse sentido. O máximo que se pode dizer é que,
durante o segundo governo de Getúlio Vargas, houve aumento salarial por iniciativa do
presidente, com fins muito mais políticos que de concentração de renda. Logo, a letra c
também está incorreta.
Em sequência, a letra b está incorreta por afirmar que JK criou a Petrobras. Ora, a
Petrobras foi criada em 3 de outubro de 1953, ainda, também, durante o segundo governo
de Getúlio Vargas.
Finalmente, a letra a é a alternativa correta. A criação do Geia (Grupo Executivo da
Indústria Automobilística) foi iniciativa de JK, a fim de incentivar a entrada dessa indústria
no país.
Gabarito: Letra a.
6. (Petrobras – Economista Pleno – 2005) Sobre a economia brasileira, considere as afirmações abaixo.
I. O Plano de Metas teve por objetivo primordial aprimorar as medidas de combate à inflação no Brasil.
II. Entre as principais ações estabelecidas no Plano de Metas estava a política de reserva de mercado.
III. Atacar os pontos de estrangulamento e constituir pontos de germinação eram objetivos primordiais do Plano de
Metas.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
Comentários:
Novamente, mais uma questão que envolve o Plano de Metas do governo JK.
O item I, aviso logo, não é verdadeiro. A razão para isso é simples: o Plano de Metas teria
sido maravilhoso, não fosse um absurdo erro causado na gestão do plano: o financiamento.
Quando o presidente JK decidiu dar andamento ao Plano de Metas, não se preocupou em
saber como esse plano seria financiado. Assim, já na conclusão do plano, por não ter como
pagar os gastos, JK emitiu moeda (siiimmm... ele mandou a Casa da Moeda imprimir!) e,
com isso, houve forte aceleração inflacionária no período. Assim, a alternativa não é
verdadeira.
Em seguida, o item II afirma que o Plano de Metas realizou a política de reserva de
mercado. De fato, para que as empresas pudessem se instalar no Brasil, elas solicitavam ao
governo brasileiro que fosse instalada uma reserva para que outras empresas do mesmo
segmento não concorressem. Com esse tipo de política, o governo tornava interessante a
instalação de determinadas indústrias, como a automobilística, por exemplo.
Finalmente, com relação ao item III não há nem o que pensar, não é? De fato, o governo
buscou reduzir os pontos de estrangulamento e criou os pontos de germinação, como vimos
em praticamente todas as questões anteriores.
Gabarito: Letra d.
7. (IBGE – Análise Socioeconômica – 2010) Os estudiosos da história econômica do Brasil afirmam que a política de
industrialização pela substituição de importações já esgotara suas possibilidades de motivar o investimento e o
crescimento:
a) antes do governo de Juscelino Kubitschek;
b) no início dos governos militares da década de 1960;
c) antes da crise de aumento do preço do petróleo em 1973;
d) antes da crise da dívida externa no final da década de 1980;
e) no início do governo de Fernando Henrique Cardoso.
Comentários:
Essa é uma questão que acaba sendo bastante controvertida. Raciocine comigo: o PSI teve
início nos anos 1930 e se estendeu até, aproximadamente, 1980, quando perde força devido
às duas crises do petróleo. Nesse sentido, as alternativas a, b e c não podem estar corretas,
porque estariam dentro do período. Restam apenas as letras d e e. Então, aqui, cabe um
raciocínio: como o PSI acabou em 1980, mais ou menos, isso não quer dizer que os efeitos
do PSI tenham acabado também nesse período, muitas iniciativas foram concretizadas no
futuro (imagine a instalação de uma fábrica). Assim, não podemos dizer que tão logo o PSI
foi extinto seus efeitos também cessaram. Dessa forma, não se pode dizer que não há efeitos
do PSI nos anos 1980. Logo, o que podemos afirmar, com certeza, é que durante o governo
FHC não houve qualquer herança do PSI.
Gabarito: Letra e.
Vamos em frente com mais teoria macroeconômica!
2.1. Macroeconomia em análise: a função estabilizadora do governo. Por que o
governo precisa interferir na economia?
Para responder a essa questão, vamos ver o gráfico a seguir,1 que mostra a economia
brasileira ao longo de alguns anos:
Fonte da figura : A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
Observe que o crescimento brasileiro ao longo de cem anos parece muito mais um exame
neurológico. Com fortes altas e fortes processos de recessão. Então, será que foi bom para o
país crescer enormemente em um ano para no outro entrar em recessão? Não.
É por isso que o governo utiliza sempre a sua função estabilizadora para evitar essas
grandes variações no crescimento econômico. Assim, no final, o que o governo busca é o que
chamamos de crescimento sustentado (a política do “é melhor crescer pouco por ano, mas
todo ano, a crescer muito em um ano e entrar em recessão no outro”). Para isso, o governo
utilizará dois tipos de política: a política fiscal e a política monetária.
Para que esse conhecimento seja bem aplicado, precisamos saber, primeiramente, como é
determinada a riqueza de um país para, a partir daí, sabermos como o governo pode
influenciar na variação dos valores dessa riqueza, chamada PIB – Produto Interno Bruto –
de uma determinada economia.
2.1.1. Produto Interno Bruto – PIB
Apenas revisando...
O PIB pode ser assim definido: O valor de mercado de todos os bens e serviços finais
produzidos em um país em um dado período de tempo.
Deve-se ressaltar que, nessa definição, é possível observar que todos os bens
contabilizados no PIB devem ser aqueles destinados ao consumo final. Bens intermediários
(utilizados na fabricação de bens finais) não serão contabilizados no PIB, uma vez que o
valor do bem final já considera o valor de todos os bens intermediários utilizados.
Observe-se ainda que toda a produção contabilizada no PIB diz respeito ao que foi
fabricado em um determinado espaço geográfico, em uma unidade de tempo fixada. Assim,
a compra de, por exemplo, apartamentos ou automóveis usados não é contabilizada no PIB
no ano da troca, mas apenas no ano de fabricação.
E como seria determinada essa produção? De acordo com o que chamamos de
identidades contábeis, o PIB, ou seja, toda a produção de uma economia, pode ser obtido
de três formas distintas: pela ótica do produto, da renda e da despesa. As três óticas de
mensuração do produto definem a identidade contábil básica:
PRODUTO = RENDA = DESPESA
Seguindo esse princípio, temos que toda a produção de uma determinada economia será
consumida por um dos quatro agentes econômicos (famílias, empresas, governos e resto do
mundo). E, para que esses agentes possam adquirir tais bens, precisam de renda. É como se
estivéssemos falando do fluxo real e do fluxo monetário no fluxo circular da riqueza
expandido (vamos ver novamente a figura a seguir).
O Produto Interno Bruto ou a produção da economia doméstica sai integralmentedas
empresas, de forma simplificada, já que existem também as importações que acabam
atendendo às demandas internas, e vai ser demandado por todo mundo. Veja que a
produção é direcionada para as famílias, o governo, as empresas e para o resto do mundo.
A pergunta que você pode estar se fazendo agora é: se os bens estão indo para os agentes
econômicos, por que as setas mostram saídas? Porque, nesse caso, para poder obter os bens,
esses agentes econômicos precisam deixar dinheiro no mercado de bens e serviços. Assim, o
fluxo monetário é nada mais que uma contrapartida do fluxo real ou físico.
Então, seguindo esse raciocínio, fica bem clara uma verdade:
Quanto mais os agentes consumirem, mais as empresas produzirão, mais a economia
crescerá. Apenas lembrando, crescimento nada mais é do que uma variação positiva do
PIB.
Simples, imagine que o PIB de determinado país seja de R$ 1.000,00. Agora suponha que
o PIB alcance, no ano seguinte, o valor de R$ 1.200,00. Qual foi o crescimento do PIB nesse
ano? Em termos nominais, essa economia cresceu 20%. Esses 20% é o que chamamos de
crescimento. Quando a economia desacelera, ou seja, quando sai de R$ 1.200 para R$
1.000,00, dizemos que houve recessão. Isto é, recessão é o oposto de crescimento.
CURIOSIDADES
Em 2009, enquanto a China cresceu 9,2%, o Japão apresentou uma recessão de -6,3%. Esse foi um dos motivos para que a China
pudesse ultrapassar o Japão em termos de PIB, ocupando a segunda posição do PIB mundial (perdendo apenas para os Estados
Unidos).
Em resumo, pode-se dizer que em contabilidade nacional toda produção gera renda e
toda produção possui um destino.
Um aspecto que você deve ter observado no fluxo circular expandido da riqueza é que o
agente governo também faz parte da formulação do PIB, logo, sempre que for do seu
interesse, ele pode se movimentar e alterar esse valor.
Certo! E o governo o fará com frequência (seja aumentando ou reduzindo o PIB), pelos
mais diversos objetivos, como a indução da aceleração do crescimento, a redução da
inflação, o aumento do nível de emprego etc.
Quando o governo opera, diretamente, no mercado de bens e serviços, ele fará o que
chamamos de política fiscal.
2.1.2. Política fiscal
A política fiscal se caracteriza pelos gastos do governo, pela tributação e pela política de
endividamento público.
TRIBUTAÇÃO?
Aqui vale um esclarecimento importantíssimo!
O governo pode utilizar os tributos (impostos, taxas e contribuições) não apenas para promover melhor distribuição de renda, mas
também para estabilizar a economia. A função que o governo quer atender quando altera os impostos deve estar clara no enunciado da
questão. Resolveremos algumas questões nesse sentido para que a diferença fique bem evidente.
A política fiscal é uma das principais ferramentas de que o governo dispõe para a
promoção de pleno emprego, da estabilidade de preços e do rápido crescimento
econômico. Como o governo faz isso?
O governo pode utilizar, fundamentalmente, dois instrumentos: os gastos do governo e os
impostos. Mais adiante explicaremos a política de endividamento público.
Vamos começar pelo mais simples: imagine que o governo está alterando os seus gastos.
Suponha que o governo aumente as suas compras governamentais. Esse aumento vai
aquecer o mercado de bens e serviços. Como o governo está demandando mais, as empresas
aumentarão a produção para atender a esse novo volume de compras. Nesse caso, haverá
aumento do PIB da economia.
Assim, caso a economia esteja passando por algum problema de redução de PIB, por
exemplo, o governo pode estabilizar a economia simplesmente aumentando seu volume de
gastos, já que isso implicaria aumento do PIB.
O impacto desse aumento de gastos não acaba por aí. Com o aumento da produção das
empresas, o que acontecerá? Elas contratarão mais, não é isso? O que implica que mais
famílias estarão trabalhando. Logo, se o governo quiser aumentar o número de empregos,
basta tirar a mão do bolso e agir dessa forma.
Aumento de empregos
O crescimento termina aqui? Não! Temos mais efeitos!
Como as famílias possuem, agora, mais renda, vão comprar mais. Ou seja, haverá nova
injeção de compras na economia.
Aumento do Consumo das famílias ↑
E com o aumento do consumo das famílias, as empresas produzirão mais, empregarão
mais, e mais pessoas empregadas consumirão ainda mais, e assim a economia segue
crescendo e, se for o caso, saindo da recessão.
É o que chamamos de círculo virtuoso provocado pelo multiplicador de gastos do
governo (ou seja, quando o governo gasta, esse valor é multiplicado inúmeras vezes).
Assim, quando o governo decide aumentar os seus gastos, ele deseja promover o
crescimento da economia, ou está procurando compensar alguma perda (por exemplo,
redução das exportações porque o resto do mundo está em crise – qualquer semelhança
não é mera coincidência).
Veja que, para promover esse crescimento, o governo precisou apenas colocar a mão no
bolso uma única vez. Todo o restante do efeito foi consequência do fluxo de consumo das
famílias. Assim, para compreender em sua integridade o efeito de uma política fiscal,
precisamos compreender o que faz as famílias consumirem.
2.1.3. Funções consumo e poupança (C, S)
O consumo é o fim e a razão de ser de toda produção
Adam Smith
Quando se fala em variação de PIB no curto prazo, o mais importante componente da
despesa agregada é a despesa planejada com o consumo (C). O importante economista
Keynes acreditava que a renda corrente era o principal determinante das despesas com o
consumo. Segundo o autor, os homens (e principalmente as mulheres) desejam, em regra e
em média, aumentar seu consumo à medida que sua renda aumenta, mas não na mesma
proporção do aumento da renda, ou seja, à medida que a renda disponível (parcela da
renda nacional efetivamente canalizada para as famílias, depois da dedução de impostos e
adição das transferências) das pessoas aumenta, o consumo também aumenta, mas a fração
da renda destinada ao consumo se mantém constante. De acordo com Keynes, a renda
disponível é, de longe, o principal determinante do consumo corrente de uma economia.
Se a renda aumenta, os consumidores elevarão suas despesas planejadas.
Matematicamente, a função consumo é quase assumidamente linear. Se y é a renda
disponível, o consumo é função desta, ou seja, C = f(y). Essa função tem características
crescentes, pois quando a renda cresce o consumo também cresce, e quando a renda
diminui o consumo também diminui. Se uma família tem uma despesa fixa b, e se são
consumidos a% da renda disponível, então a função consumo, denominada equação
comportamental (por captar o comportamento dos consumidores), é dada por:
C(y) = a y + b
Onde a = propensão marginal a consumir que mede o percentual da renda destinada ao
consumo.
b = consumo autônomo independente da renda.
O gráfico abaixo apresenta a função de consumo agregado.
A propensão marginal a consumir (PMgC) é o acréscimo de consumo, dado um
acréscimo na renda nacional:
Segundo a Lei Psicológica fundamental de Keynes, a PMgC é positiva, mas inferior a um.
0 < PMgC < 1
Isso significa que, dada uma variação positiva na renda (Δy), as pessoas reservam uma
parcela para a poupança, de forma que o aumento de consumo (ΔC) é sempre menor que
o aumento da renda, em termos agregados.
O intercepto (consumo autônomo) representa a parcela do consumo que não depende
da renda, mas de outros fatores (riqueza, renda futura, doações etc.). Ou seja, mesmo
quando y = 0, então C = b (as pessoas não deixarão de consumir).
Logicamente, nem tudo é consumido em uma economia. Nesse caso, o que não se
consome se investe ou poupa. Podemos então definir poupança S como a diferença entre a
renda disponível e o consumo. Assim:
S = y – C
S = y – a y – b 
S = (1 – a)y – b
onde b é o consumo autônomo; a é a propensão marginal a consumir e (1 – a) é a
propensão marginal a poupar, que é o acréscimo da poupança agregada, dado um
acréscimo na renda nacional, isto é:
A função poupança também pode ser expressa graficamente:É evidente que sabemos que esse conceito não é tão simples de ser compreendido. O que
gostaríamos, agora, é que você tivesse em mente, principalmente, o conceito de propensão
marginal a consumir, pois ele será de imensa importância quando formos analisar os
impactos do gasto do governo e o multiplicador desses gastos.
2.1.4. Multiplicador dos gastos do governo
Imagine que o governo aumente os gastos de forma autônoma para fazer uma
determinada barragem. O que acontecerá com a renda dos trabalhadores dessa obra
pública? Aumentará.
Com a renda maior, o que essas pessoas farão? Elas consumirão mais. Com o aumento do
consumo nos arredores, o Sr. João, dono de um pequeno mercado, terá que contratar mais
funcionários para poder atender ao aumento do consumo no seu estabelecimento. Com as
contratações, os novos funcionários do Sr. João terão mais renda e passarão a consumir
mais. Esse ciclo de crescimento aumentará em um volume indefinido. Esse aumento é
denominado efeito multiplicador dos gastos públicos.
Você deverá notar que à medida que andamos no ciclo o aumento do consumo será cada
vez menor. Isso se deve a uma razão simples: não consumimos toda a nossa renda. Uma
parte dela vai para a poupança (a função poupança é crescente em relação à renda, ou seja,
quando a renda aumenta, aumentará o volume poupado pela economia também).
E de que depende o poder da política fiscal? Podemos dizer que o efeito da política será
maior quanto maior for a propensão marginal a consumir da economia (ou seja, o quanto o
consumo aumenta quando a renda aumenta). Para analisar essa questão, basta verificarmos
um fato extremo: imagine se as pessoas que trabalham na obra pública não consumissem
nada. Haveria efeito multiplicador? Não. Por outro lado, se as pessoas consumissem toda a
sua renda, o efeito que o Sr. João sentiria no seu mercado seria total.
Todo esse multiplicador pode ser resumido em um cálculo simples, que determina em
quanto a renda da economia crescerá, caso haja um aumento nos gastos autônomos.
2.1.4.1. Fórmula do multiplicador dos gastos do governo
Suponha a equação do equilíbrio entre produção e despesa: Y = C + I + G,
Onde:
A função consumo é dada pela seguinte expressão: C = C0 + c(Y) (onde C0 é o consumo
autônomo e c(Y) mede a propensão marginal a consumir com relação à renda).
O investimento das empresas (ou seja, o gasto que as empresas fazem no mercado de bens
e serviços) é, por simplificação, considerado constante e é dado pela seguinte expressão: I =
I0.
Os gastos do governo, também chamados gastos autônomos, dizem respeito ao gasto do
governo no mercado de bens e serviços. Esses gastos, por hipótese, também são constantes,
em princípio, e dados pela seguinte expressão: G = G0
Para facilitar ainda mais a compreensão, vamos considerar que essa economia é fechada,
ou seja, nem importa nem exporta.
Para que seja possível obter a fórmula do multiplicador, inicialmente consideraremos que
a função investimento é totalmente autônoma e, por simplificação, igual a zero, de forma
que I = I0 = 0.
Veja:
Y = C + I + G
Y = C0 + cY + I0 + G0
Y – cY = C0 + G0
Y(1 – c) = C0 + G0 (1)
Agora imagine que os gastos do governo saiam de G0 e vão para G1. Nesse caso teremos a
seguinte expressão:
Y1(1 – c) = C0 + G0/G1 (2)
Observe que a diferença entre a primeira expressão e a segunda se dá na variação dos
gastos e da renda. Não existe variação no consumo autônomo (C0) nem na propensão
marginal a consumir (c), já que esses termos são fixos no curto prazo, apenas sendo
alterados no longo prazo.
Se subtrairmos a segunda expressão da primeira, teremos o seguinte:
Chamando ainda Y1 – Y de ∆Y e G1 – G0 de ∆G, poderemos reescrever da seguinte
forma:
∆Y . (1 – c) = ∆G
∆Y / ∆G = 1 /(1 – c)
Observando a expressão acima, é possível perceber que o termo na esquerda mede
quanto a renda variou (pode ser para mais ou para menos) quando houve uma variação
nos gastos do governo. A expressão que está no lado direito é justamente o multiplicador
dos gastos do governo.
Como você pode observar, ele não pode ser negativo, já que a propensão marginal a
consumir é um número entre 0 e 1. Assim, o multiplicador dos gastos do governo mede
quanto a renda variou, dado que houve uma variação nos gastos do governo.
Pela simples análise matemática da fórmula, verificamos que, quanto maior a propensão
marginal a consumir (maior o c), maior será o multiplicador dos gastos do governo. Isto é
bastante intuitivo, como já visto anteriormente: quanto mais as pessoas forem propensas a
gastar a renda adicional que obtiverem, mais facilmente a renda será circulada e
multiplicada. Quanto menos as pessoas forem propensas a gastar, isto é, quanto maior a
propensão marginal a poupar (1 – c), menos a renda adicional será circulada e
multiplicada entre os agentes econômicos. Para compreender bem esse raciocínio, basta
lembrar do que acontecerá na empresa do Sr. João, acima.
Exercícios
1. (CESGRANRIO – EPE – Economia da Energia – 2006) Supondo que a propensão marginal a consumir de uma
economia seja igual a 1, o multiplicador dos gastos autônomos será igual a:
a) 0;
b) ∞;
c) 1;
d) – ∞;
e) 100.
Comentários:
Para responder a essa pergunta, basta apenas lembrar da fórmula do multiplicador dos
gastos autônomos do governo, dada por:
Substituindo c por 1, teremos:
Ora, você deve observar que se substituirmos por 1, teremos uma divisão por zero, o que é
uma inconsistência matemática. Para resolver essa questão, precisamos pensar que não
teremos uma divisão por zero, mas uma divisão por um número muito, muito pequeno.
Nesse caso, qualquer número dividido por uma coisa muito pequena, digamos,
0,00000000000000000001 tenderá ao infinito. Logo, a alternativa correta é a letra b.
A alternativa a diz que o multiplicador possui o valor 0. Para verificar por que essa letra
está incorreta, basta observar que em nenhuma hipótese o multiplicador dos gastos do
governo tomará o valor zero, pois sempre estaremos dividindo 1 por alguma coisa. Assim, é
verdadeiramente impossível que o multiplicador seja zero.
A alternativa c também está incorreta, por afirmar que o multiplicador é 1. Essa
alternativa só estaria correta se, e somente se, o valor da propensão marginal a consumir
fosse 0. Esse é o caso extremo que vimos para Sr. João, na explicação inicial. Contudo, como
vimos também, na maior parte esmagadora das análises, a propensão marginal a consumir
será um número diferente de zero. Dessa forma, PMgC igual a zero só é válida para
exemplos mais didáticos.
A assertiva d, por sua vez, está incorreta por associar o multiplicador a um valor negativo.
Como a propensão marginal a consumir é um número que está entre 0 e 1, o multiplicador
nunca tomará um valor negativo. Por fim, a alternativa e está incorreta por afirmar que o
valor do multiplicador será 100. Ora, para alcançar esse valor, a propensão marginal a
consumir da questão deveria ser igual a 0,99.
Gabarito: Letra b.
2. (Cesgranrio – Petrobras – Economista Pleno – 2005) Considere o modelo keynesiano simplificado, em que o
equilíbrio produto-despesa é descrito pela seguinte equação:
Y = C0 + cY + I + G,
onde Y é o produto, C0, o consumo autônomo, c, a propensão marginal a consumir, I, o investimento privado e G,
os gastos do governo. Assumindo que a propensão marginal a consumir é igual a 1, um aumento nos gastos do
governo de G para 2G faz o produto de equilíbrio:
a) dobrar;
b) aumentar infinitamente;
c) aumentar em 2G;
d) aumentar em C0 + i + 2G;
e) manter-se constante.
Comentários:
Como você pode observar, essa questão é simplesmente uma repetição do exercício
anterior, e tem a mesma resposta. Letra b.
Veja que, nesse caso, a alternativa a só seria verdadeira se estivéssemos falando de um
multiplicador quando a propensão marginal a consumir da economia é um valor muito
próximo de 1.
As alternativas c e d não estão corretas porque apenas para casos muito específicos não
apenas da propensão marginal a consumir, mas também da variação dos gastos do governo,
é que seria possível obtermultiplicadores com os valores afirmados.
Por fim, seria impossível manter a renda (ou o produto) constante quando há variação
nos gastos do governo. Importante: Se o governo consumir mais, as empresas produzirão
mais, logo, o Produto Interno Bruto tem que aumentar também.
Gabarito: Letra b.
Veja esta matéria do jornal O Estado de S. Paulo2:
Gastos dos governos caem em ritmo recorde no 4o tri de 2011, diz OCDE.
Gastos dos governos dos 34 países da OCDE recuaram 0,4% no quarto trimestre de
2011, em relação ao terceiro trimestre; recorde anterior de queda nos gastos era de
0,3%, registrado no primeiro trimestre de 1989.
05 de abril de 2012 | 10h 25
Álvaro Campos, da Agência Estado
LONDRES – A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)
divulgou hoje um relatório sobre o PIB dos países membros no quarto trimestre do
ano passado. O estudo aponta que os gastos dos governos do grupo caíram no ritmo
mais rápido desde que esse acompanhamento começou, em 1961, contribuindo para
uma desaceleração no crescimento econômico.
Os gastos dos governos dos 34 países da OCDE recuaram 0,4% no quarto trimestre de
2011, em relação ao terceiro trimestre. O recorde anterior de queda nos gastos era de
0,3%, registrado no primeiro trimestre de 1989.
O PIB combinado dos 34 países da OCDE subiu 0,2% no quarto trimestre do ano
passado, desacelerando em relação à expansão de 0,6% no terceiro trimestre. O PIB
do Brasil cresceu 0,3% nos últimos três meses de 2011, após a retração de 0,1% no
terceiro trimestre.
Note que:
i. a matéria fala de gastos do governo;
ii. trata da política fiscal e seus efeitos nos produtos das economias;
iii. por fim, o que vai acontecer nessas economias quando o governo altera os seus gastos.
Começando pelo título: Gastos dos governos caem em ritmo recorde no 4o tri de 2011,
diz OCDE.
Observação: É justamente o contrário do que tínhamos visto acima.
Redução dos gastos do governo ↓.
Redução da renda ↓ (o fluxo que sai do governo para o mercado de bens e serviços
também será menor, logo, as empresas produzirão menos. Fluxo circular da riqueza
expandido).
A partir da redução da empresa por parte das empresas, existirá:
redução do número de empregos ↓, o que implicará:
redução do consumo das famílias ↓, que implicará um efeito multiplicador, como já
vimos antes.
Logo, o que está acontecendo com a economia mundial, em termos de política fiscal, é
que a economia está em recessão. Todos os governos gastando menos agora provocam
redução generalizada do consumo, o que leva a um aprofundamento da crise.
Quando os gastos do governo aumentam, dizemos que o governo está promovendo uma
política fiscal expansionista, ou seja, ele deseja aumentar a renda e o emprego, por
exemplo. Quando acontece o contrário, o governo está fazendo uma política fiscal
retracionista ou contracionista. Os objetivos do governo quando ele age desse modo não são
apenas reduzir renda e emprego. Como veremos mais adiante, o governo poderá desejar
reduzir a inflação ou o seu grau de endividamento.
2. (Cespe – MEC – FUB – Economista – 2009) A macroeconomia analisa a determinação e o comportamento dos
grandes agregados econômicos, como, por exemplo, renda, níveis de preços e desemprego. Com base nessa
teoria, julgue a questão:
Se a propensão marginal a consumir for igual a 0,8 em uma economia fechada, então um aumento de R$ 1.000,00
dos gastos públicos elevará a renda da economia em R$ 5.000,00.
Comentários:
Conta simples, que já fizemos várias acima.
Dado que na questão a variação nos gastos foi de R$ 1.000,00 e a propensão marginal a
consumir é de 0,8, podemos escrever:
Passando o valor de R$ 1.000,00 para o lado direito e multiplicando por cinco, teremos o
seguinte:
∆Y = 5 * 1.000
∆Y = 5.000
E... Voilà! Nesse caso, de fato, se a renda aumentar em R$ 1.000,00 e a propensão
marginal a consumir for de 0,8, a renda da economia será multiplicada por cinco, o que
implica que a nova renda será de R$ 5.000,00.
Gabarito: VERDADEIRA.
Você pode estar se perguntando se apenas o aumento de gasto público (aumento de G)
tem esse efeito multiplicador. A resposta é NÃO. Na verdade, um aumento em qualquer dos
elementos autônomos da função Y sofrerá esse efeito multiplicador. Ainda no nosso
exemplo numérico, se aumentarmos C0, I0 ou G0, qualquer destes aumentos sofrerá o
efeito multiplicador. A questão é que o governo possui controle sobre o consumo autônomo
ou sobre o nível de investimentos das empresas, por isso, como estamos querendo analisar
os efeitos das intervenções dos governos, não faz sentido estudar multiplicadores do
consumo autônomo ou dos investimentos empresariais.
Outro instrumento utilizado pelo governo como estabilizador da economia é a tributação.
Quando o governo aumenta ou reduz o nível de impostos da economia, ele pode estar
interessado não apenas em fazer melhor distribuição da renda, mas também em, de alguma
forma, estabilizar a economia.
Para ver a veracidade disso, basta lembrar de um exemplo real recente: a redução do IPI
para automóveis e eletrodomésticos da linha branca.
Pois é, a política de redução de impostos implementada pelo governo Lula em 2009 não
tinha nada a ver com melhor distribuição de renda. Na verdade, o objetivo era outro:
aumentar a renda da população. Por que isso? Basta lembrar que em 2009 a economia
brasileira percebeu que a crise mundial não ia gerar apenas uma “marolinha”, como tinha
previsto o então presidente Lula. Na época, a economia brasileira viveu uma recessão
trimestral de 0,9% no PIB. Ou seja, reduzimos o nosso PIB em praticamente 1%. Para evitar
que a crise se aprofundasse na economia, o governo utilizou-se de suas ferramentas
estabilizadoras para reverter o processo. É por isso que se diz, muitas vezes, que as políticas
econômicas implementadas pelos governos são anticíclicas: se a economia cresce demais, a
política é utilizada para frear o ciclo de crescimento desordenado. Se a economia tem
recessão forte, a política é direcionada para gerar maior crescimento.
Aqui vale um ponto de esclarecimento: diferentemente do que acontece com a política
fiscal, que utiliza os gastos do governo, a utilização dos impostos leva a um efeito menor do
que o observado quando são utilizados os gastos do governo. O fluxo circular da riqueza
expandido explica a razão disso:
Veja que, quando o governo promove política fiscal através dos impostos ou das
transferências, ele, necessariamente, está falando com o agente econômico família.
O governo aumenta transferências ou reduz impostos não com o objetivo de intervir
diretamente no mercado de bens e serviços, mas de sugerir que as famílias o façam. Nesse
caso, é como se o governo fizesse uma atuação indireta no mercado. Embora indireto, o
efeito final será exatamente o mesmo do que se observa quando o governo varia os gastos.
Ou seja, quando o governo aumenta os gastos ou as transferências para as famílias ou ainda
reduz os impostos, haverá aumento da renda ou do produto. De forma contrária, quando o
governo reduz os gastos ou as transferências ou aumenta os impostos, o efeito será de
redução da renda ou do produto. A diferença entre os instrumentos está na magnitude do
efeito.
Quando o governo varia os gastos, ele injeta o dinheiro totalmente no mercado de bens e
serviços. Assim, se o governo aumentar os gastos em infraestrutura em R$ 100 milhões,
digamos, o aumento da renda considerará essa injeção financeira.
Contudo, quando o governo implementa uma política fiscal, via impostos, acontece um
amortecimento do efeito da política devido à propensão marginal a consumir.
∆Yd = Y – T
sendo Yd = Renda disponível; T = Tributação
Se a renda das famílias aumenta em R$ 100 milhões, elas vão consumir tudo? Não. Uma
parte da renda vai para a poupança. Assim, se a propensão marginal a consumir for de 0,9,
o que vai para o mercado de bens e serviços, via aumento do consumo e, assim, aumento do
PIB, são R$ 90 milhões, ou seja, R$ 10 milhões a menos.
Resumindo, os tributos podem ser sim utilizados como instrumentos depolítica fiscal,
mas deve-se sempre lembrar que o seu efeito será menor.
1. (Cespe – Ibram – Economista/Analista de Atividades do Meio Ambiente – 2009) Em relação às políticas fiscais e
monetárias, julgue a questão a seguir.
A implementação de uma política fiscal expansionista, por meio do aumento dos gastos públicos no âmbito do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no valor de R$ 100 milhões, produz a mesma expansão da
demanda agregada que uma ampliação dos gastos com programas de transferência do governo federal, do mesmo
montante.
Comentários:
Na primeira parte do item, vemos que há um aumento dos gastos públicos do governo,
logo, se trata da política fiscal expansionista. O importante é saber que há aumento de
gastos públicos, independentemente de o governo promover obras públicas ou se vai abrir e
fechar buracos.
A questão continua dizendo que os gastos foram de R$ 100 milhões e que esses gastos
produzirão o mesmo efeito na demanda agregada, ou seja, no produto da economia
(identidade: produto = despesa = renda) que os gastos com programas de transferências.
E é aí que está o erro. As transferências atuam no mercado de bens e serviços por
intermédio dos consumidores, e, assim, através da propensão marginal a consumir, não é
possível que as transferências gerem o mesmo efeito que os gastos do governo, tendo em
vista que não serão todos os R$ 100 milhões que entrarão na economia via mercado de bens
e serviços, já que esse valor será multiplicado por um número, necessariamente, menor que
1.
Mercado de bens e serviços Política Fiscal
Pelo fluxo circular da riqueza, quando o governo aumenta as transferências, esse valor
não recai diretamente no mercado de bens e serviços, mas incidirá sobre os consumidores.
E consumidores mais ricos fazem o quê? Compram mais. Mas também poupam mais.
Nesse caso, digamos que a propensão marginal a consumir seja de 0,8, o que levará a um
aumento inicial no consumo de R$ 80 milhões, e não de R$ 100 milhões como visto na
questão. Logicamente, haverá um multiplicador nessa economia, mas ele terá efeito menor
quando comparado com o efeito dos gastos autônomos.
Mercado de bens e serviços Política Fiscal
Gabarito: FALSA.
O que você deve estar pensando é como pagar essa conta de aumento de gastos e
transferências ou redução de tributos.
Quando o governo faz determinada política fiscal via aumento de gastos, considerando
que a oferta de moeda é constante (ou seja, o governo não pode financiar os seus gastos
com emissão de moeda), ele dispõe apenas de duas alternativas para financiar os gastos:
(1) receita de impostos, de taxas cobradas pela prestação de serviços e da venda de ativos
ou;
(2) endividamento.
No caso brasileiro, nos últimos anos, o governo vem utilizando o primeiro tipo de
financiamento. Contudo, no passado, como veremos, esse financiamento era realizado,
fundamentalmente, via endividamento (externo ou interno).
Quando a receita do governo, proveniente da arrecadação de impostos e de taxas de
serviços, é igual aos gastos do governo com a compra de bens e serviços mais o valor das
transferências para o público, dizemos que o governo tem seu orçamento equilibrado. Mas
nem sempre o orçamento do governo está equilibrado.
De acordo com o professor Heber, um déficit orçamentário ocorre quando o total das
despesas do governo supera o somatório das receitas provenientes de todas as fontes
possíveis. Quando há déficit orçamentário, o governo precisa tomar emprestado para
financiar o excesso de gastos sobre a receita. Ele toma emprestado emitindo títulos públicos
que prometem pagar determinada taxa de juros ao comprador. O total desses títulos em
poder dos credores do governo, a qualquer momento no tempo, constitui a dívida nacional.
CURIOSIDADES
Um exemplo não muito distante é o que está acontecendo na Europa. A Grécia, na intenção de manter o nível da renda da economia
nacional, passou a se endividar emitindo títulos púbicos com vencimentos no futuro. Qual foi o problema da Grécia? Os vencimentos
chegaram, mas não os recursos para pagar a conta. Assim, o governo agora faz um ajuste para tentar resolver o problema. Um ajuste
doloroso, com a redução dos gastos públicos, o que gera redução da produção nacional, dos empregos e do consumo.
Por outro lado, um superávit orçamentário ocorre quando as despesas do governo são
inferiores ao total de sua receita. Esse superávit orçamentário permite que o governo reduza
a dívida (caso o governo possua). Dentre os orçamentos federal, estadual e municipal, o
orçamento da União é o principal instrumento do que denominamos de política fiscal. Se,
de um lado, uma grande empresa administra seu orçamento de modo a aumentar sua
renda e os lucros, do outro, o governo federal administra seu orçamento com o propósito
de influenciar a direção da economia no futuro.
Assim, mudanças no tamanho do déficit ou do superávit do governo federal são usadas
para identificar se a política fiscal está estimulando ou impondo restrições à demanda
agregada e ao crescimento do produto. É importante destacar, entretanto, que mudanças
no tamanho do déficit público podem ter origem em fontes diferentes.
A primeira é que o estado da economia pode ser a causa da variação do déficit. Durante
uma recessão, como resultado do desaquecimento da economia, a receita tributária
geralmente fica reduzida e a despesa com programas de transferências do governo aumenta
(como aconteceu na Grécia). Isso provocará pressão no orçamento do governo na direção
de um déficit, mesmo que a política não tenha sido alterada. O oposto ocorrerá durante a
fase de expansão do ciclo de negócios. A receita tributária aumenta e as despesas com os
programas de transferência ficam reduzidas, em decorrência do crescimento mais acelerado
da renda. Nesse caso, haverá pressão no orçamento do governo na direção de um superávit
(ou menor déficit).
A segunda é que a própria política fiscal discricionária pode ser a causa de uma variação
no déficit. Os responsáveis pela política podem introduzir, deliberadamente, mudanças na
legislação tributária ou nos programas de gastos do governo, de modo a alterar o tamanho
do déficit (ou superávit) orçamentário. Quando nos referimos a mudanças na política
fiscal, estamos nos referindo a mudanças desse tipo – mudanças deliberadas nas despesas
Alexandre
Typewriter
governamentais, na política tributária ou em ambas, com o objetivo de afetar o tamanho do
déficit ou do superávit orçamentário.
2.2. O lado monetário da economia
2.2.1. A política monetária
Se a política fiscal mexe no fisco do governo, a política monetária, como o próprio nome
sugere, altera o movimento da moeda na economia. Então, para que se possa falar em
política monetária, é necessário antes compreender o que se entende por moeda.
Conceitualmente, o termo “moeda” é usado para denominar tudo aquilo que geralmente
é aceito como meio de trocas de bens e serviços. Assim;
Contudo, a moeda que conhecemos hoje não foi sempre assim. Ao longo de muitos anos
essa moeda foi alterada, até chegar ao que atualmente se convencionou chamar de moeda.
2.2.1.1. Tipos de moeda
Cronologicamente, temos os seguintes tipos de moeda:
a) Moeda-mercadoria: no passado, geralmente, escolhia-se uma mercadoria que fosse
relativamente escassa e não facilmente perecível (nem sempre possível). A história
registra que, em diferentes locais e épocas, foram usados como moeda sal, gado, fumo,
peles, trigo, rum, ostra, carne-seca, ferro, cobre etc.
CURIOSIDADES
Você sabia que o nome salário vem de sal? Pois é, no passado, os soldados recebiam as suas remunerações em sal. Além disso, o sal
foi usado ainda como dotes dados pelos pais aos potenciais maridos de suas filhas.
b) Metais preciosos: sem dúvida, de todas as mercadorias, a preferência maior recaía,
geralmente, sobre os metais, não só pela sua relativa escassez, mas também pela
durabilidade e fácil divisibilidade. Muito embora o ferro, o cobre e o bronze tenham
sido bastante utilizados, houve predominância do uso dos metais preciosos,notadamente
a prata e o ouro, como acontece hoje.
CURIOSIDADES
Você sabia que existe ouro na sua moeda de R$ 1,00? Pois é, conceitualmente, o valor impresso na moeda deve ser exatamente igual
ao seu custo de produção. Contudo, não apenas para o Brasil, mas para a maioria esmagadora dos países, moedas de menor valor
custam mais para ser fabricadas do que o que está impresso no seu valor de face. Assim, caso queira ficar mais rico, derreta as
moedinhas de R$ 0,10 e venda como prata. Você deverá receber um valor maior do que os R$ 0,10.
c) Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor das transações, o manejo de grandes
quantidades de metais preciosos tornou-se problemático pelas dificuldades de transporte
e pelos riscos envolvidos. Pouco a pouco, nota-se o aparecimento de casas de custódia
desses metais em diversos pontos, em diversos países. Essas casas passaram a receber em
depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo em troca um recibo ou
certificado de valor correspondente. Este certificado recebeu a denominação de moeda-
papel, e em geral era aceito nas transações. Sua característica principal era o fato de
possuir lastro integral em ouro, isto é, a qualquer momento o possuidor do certificado
poderia ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou prata. Daí sua
crescente aceitabilidade como meio de pagamento em substituição aos próprios metais
preciosos.
d) Papel-moeda: com o tempo, e diante da crescente demanda por tais certificados – para
atender os negócios em franca expansão –, as casas de custódia passaram a emitir
certificados cujo valor global em circulação excedia o valor total dos metais preciosos ali
depositados. A experiência acumulada pelos custodiadores mostrava que nem todos os
depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos. Além do mais, enquanto
alguns iam para reconverter seus certificados em ouro, outros faziam depósitos de mais
ouro. Assim, com um encaixe metálico menor, era possível garantir a liquidez dos
certificados, isto é, garantir as reconversões que, em média, na semana ou no mês,
correspondiam a apenas uma fração do total dos certificados em circulação.
e) Moeda escritural bancária: é representada pelos depósitos à vista, do público, nos bancos
comerciais – ou seja, as contas-correntes das empresas e dos indivíduos – materializados,
na prática, pelo cheque.
Quase moedas: compreendem o conjunto de ativos do sistema financeiro não monetário,
constituídos por compromissos assumidos pelas instituições financeiras e pelo governo e
caracterizados por extrema liquidez e por possuírem muitas propriedades da moeda. As
principais são: Títulos da Dívida Pública que estejam fora do Banco Central; Depósitos de
Poupança; Depósitos a Prazo.
Sabemos que muitos são os tipos de moeda e a diferença entre eles às vezes não é tão
clara. Como o programa da prova cita especificamente a Política Monetária, não será
necessário esquentar a cabeça para decorar todos os tipos de moeda. Mas é bom saber que
existem vários.
Além dos tipos, a moeda exerce três funções principais dentro de uma economia.
2.2.1.2. Funções da moeda
A moeda exerce simultaneamente as funções de:
• Meio ou instrumento de troca: esta é a função mais importante da moeda, já que
permitiu que a economia como um todo aumentasse sua eficiência, fazendo com que
novos produtos e serviços fossem colocados à disposição dos indivíduos.
A compreensão de que a moeda exerce a função de instrumento de compra pode ser
vista quando compramos algo no mercado de bens e serviços. Para adquirir qualquer
tipo de bem, precisamos dar, em contrapartida, moeda. É desse modo que a moeda
exerce a sua primeira função.
• Medida de valor ou unidade de conta: para entender a função da moeda como
medida de valor, perguntamos: Como é que sabemos que um automóvel Golf é mais
caro que um Polo?
Porque para comprar um Golf precisamos de mais moeda. Ou seja, todos os bens e
serviços de uma economia assumem a forma de preço, que é expresso em uma
unidade monetária comum. Para isso, ela precisa também ter um valor, ser também
uma mercadoria. Ela serve de unidade ou ponto de referência para avaliação dos
bens;
• Reserva de valor: para entender a reserva de valor, podemos pensar da seguinte
forma: quando dizemos que possuímos R$ 100,00 na carteira, estamos dizendo,
também, que podemos comprar, quando quisermos ou precisarmos, tudo aquilo que
tenha um preço igual ou menor que R$ 100,00.
Nesse sentido, a moeda exerce a função de reserva de valor, desde o momento em que a
recebemos até o instante em que a utilizamos para consumo. Pode ser definida como a
representante universal da riqueza.
No passado, toda moeda – ou papel-moeda – era lastreada em ouro (moeda lastreada), o
chamado padrão-ouro. A partir do desenvolvimento do comércio internacional, não foi
mais possível fazer a conversão de moeda em ouro.
Atualmente, existe a moeda fiduciária (de fidúcia, confiança), sem lastro, e sua aceitação
é garantida por lei. Com a passagem do padrão-ouro para a moeda fiduciária, a moeda não
é mais função do estoque de ouro, o que dá às autoridades monetárias maior capacidade de
afetar a quantidade de moeda, de acordo com os objetivos da política monetária.
2.2.1.3. Demanda e oferta de moeda
Assim como as mercadorias e os serviços em geral, a moeda também tem oferta e
demanda. Veremos inicialmente como se compõe a oferta de moeda; depois, analisaremos
os determinantes da demanda de moeda; e, em seguida, verificaremos como se dá o
equilíbrio do lado monetário da economia, para, finalmente, analisarmos os impactos da
política monetária!
2.2.1.4. Oferta de moeda
2.2.1.4.1. Conceito e composição dos meios de pagamento
Oferta de moeda é sinônimo de meio de pagamento, que assim é definido:
Em macroeconomia, dizemos que é o Banco Central o responsável pela emissão de
moeda em uma economia, assim, podemos dizer que ele é o órgão responsável pela
manutenção da base monetária.
Contabilmente, a base monetária é dada pela soma dos valores constantes do chamado
passivo monetário do Banco Central, que se compõe de:
i) papel-moeda em poder do público (PMP);
ii) caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R1);
iii) depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao Banco Central (R2); e
iv) recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, também junto ao Banco Central
(R3).
A base monetária objetiva medir a liquidez, ou seja, as necessidades do setor produtivo
privado (excetuando-se o setor bancário), para satisfazer as transações com bens e serviços.
2.2.1.4.2. Banco Central do Brasil
O Banco Central (Bacen) é a instituição reguladora do sistema financeiro brasileiro
(moeda e crédito). O Bacen atua como banqueiro do governo federal e banco dos bancos
comerciais. Controla o volume de reservas estrangeiras e dos bancos comerciais e, portanto,
controla o volume de moeda escritural que os bancos comerciais podem criar.3
2.2.1.4.2.1. Funções do Banco Central
As funções típicas ou clássicas de um Banco Central são:
a) banco emissor de papel-moeda: cabe ao Banco Central imprimir o papel-moeda e a
moeda metálica dentro da uma economia. Nenhum outro banco pode fazer isso.
b) banqueiro dos bancos comerciais: quando o Banco Itaú, por exemplo, precisa de
dinheiro, não vai pedir ao Bradesco, mas, sim, ao Banco Central. Como o Banco Central
está emprestando dinheiro a outro banco, dizemos que o Banco Central é o banco dos
bancos.
c) banqueiro do Tesouro Nacional: além de emprestar dinheiro aos bancos comerciais, o
Banco Central também pode emprestar dinheiro ao governo federal via Tesouro. Assim,
o Banco Central também é chamado de banco do governo federal.
d) depositário das reservas internacionais do país: quando se falar em compra e venda de
dólar no Brasil, você vai lembrar do Banco Central, pois é nele que fica guardada toda a
reserva em moeda estrangeira do país.
Até aqui, eu sei, a coisa é bem mais descritiva! O que queremos que você note é bem
simples: quem está no controle do Banco Central? O GOVERNO!
Logo, percebemosque, se ele quiser mexer em moeda, ou seja, fazer política monetária, o
fará por meio de intervenções na economia via Banco Central. Simples assim.
2.2.1.5. Demanda por moeda
Se o governo define a oferta de moeda, através do Banco Central, são os outros agentes
(principalmente os consumidores) que determinam a demanda por moeda.
Existem três motivos para demandar moeda:
• Motivo transação
• Motivo precaução
• Motivo especulação (ou portfólio)
O primeiro motivo seria o mais óbvio: precisamos de moeda para adquirir bens e serviços.
Assim, para que os consumidores possam comprar, eles demandam moeda para poder
pagar as suas novas aquisições. Nesse caso, é importante notar que, à medida que a renda
aumenta, as pessoas passarão a consumir mais. Para consumir, precisam de mais dinheiro,
então, necessariamente, demandarão mais moeda. Nesse sentido, o aumento da renda leva
ao aumento da demanda por moeda para transação.
Renda ↑ Consumo ↑ Demanda por moeda ↑
Outro tipo de demanda por moeda é a demanda por moeda para precaução, ou seja, é
aquele volume de moeda que os indivíduos retêm para emergências. À medida que a renda
aumenta acabamos por reter mais moeda, por precaução.
Renda ↑ Demanda por precaução ↑
Finalmente, um último tipo de demanda por moeda: a demanda por especulação. Essa
demanda por moeda surge de um trade-off entre o custo de oportunidade de manter
moeda e a liquidez que a moeda oferece.
O custo de oportunidade de manter moeda depende da taxa de juros de curto prazo. Ou
seja, trocando em miúdos, nós também vamos demandar moeda para especular (para fazer
o nosso dinheiro gerar mais dinheiro). Nessa situação, quanto maior for a taxa de juros,
menos vamos querer comprar bens e serviços, já que vamos querer colocar toda a nossa rica
moedinha no banco para obter rendimentos.
Taxa de juros ↑ Demanda por
especulação ↓
Taxa de juros ↓ Demanda por especulação ↑
É através da relação entre demanda e oferta por moeda que o governo implementa a
política monetária.
Motivo
Variável
dependente
Relação entre variável e demanda por moeda
Transação Renda Direta:
Renda ↑ Demanda ↑
Renda ↓ Demanda ↓
Precaução Renda Direta:
Renda ↑ Demanda ↑
Renda ↓ Demanda ↓
Especulação Taxa de juros Inversa:
Taxa de juros ↑ Demanda ↓
Taxa de juros ↓ Demanda ↑
Observação: Motivos, Transação e Precaução não rendem juros por reter moeda.
2.2.2. Os bancos comerciais criam moeda
Quando é depositado dinheiro em um banco, ele pode emprestar as reservas excedentes,
que levam a novos depósitos no sistema bancário e a um efeito multiplicador sobre a oferta
de moeda. Na prática, como grande parte da base monetária é mantida como moeda, o
multiplicador é menor do que as reservas bancárias divididas pelo coeficiente de reserva.
Veja que o dinheiro que depositamos não fica no banco. Parte dele é emprestada para
outros agentes que, por sua vez, depositam o dinheiro nos bancos... Esse fluxo gira
indefinidamente, fazendo com que se diga que os bancos “criam moeda”.
Veja que o Sr. Silva não sabe o que fazer com o seu dinheiro. Assim, para guardar os seus
ricos R$ 100,00, antes de fazer qualquer investimento, decide colocar no Banco 1. O Banco
1, quando recebe o dinheiro, não vai deixar guardado como o tio Patinhas, ele emprestará
as suas reservas excedentes no mercado. Note que o Banco 1 não poderá emprestar o
volume integral recebido. Assim, uma parte do que é recebido deve ser depositada, via
reservas compulsórias, no Banco Central. No caso da figura acima, 60% do que é recebido
pelos bancos são direcionados para o Banco Central via reservas ou encaixes compulsórios.
Ao emprestar o volume excedente, no caso, R$ 40,00, o Banco 1 cria moeda. Ou seja, em
vez de R$ 100,00, agora, nessa economia, “existe” R$ 140,00: os R$ 100,00 do Sr. Silva e os R$
40,00 que foram emprestados, digamos, para a Sra. Pereira. O Banco 1 criou, de fato,
moeda? Não. Na verdade, é como se o banco colocasse moeda em circulação sem,
necessariamente, imprimir mais moeda.
Esse processo segue indefinidamente pelos bancos 2, 3, 4 etc., e cria o que denominamos
multiplicador bancário.
Mas, finalmente, como podemos compreender a oferta de moeda? O tópico abaixo
mostra como isso pode ser feito.
2.2.2.1. Diagrama da oferta de moeda
Digamos que, de forma simplificada, a oferta monetária é composta pelos meios de
pagamento de uma determinada economia, e é imposta pelo Banco Central de acordo com
os objetivos da política econômica do governo. Chamaremos a oferta de moeda nominal de
Ms. Caso desejemos obter a oferta real de moeda, dividiremos a quantidade nominal de
moeda pelo nível de preços. Assim, a oferta real de moeda é dada por (Ms/P).
Veja que afirmamos que a oferta de moeda dependerá das políticas do governo e não de
outras variáveis. Assim, se o governo determinar que deverá haver aumento da renda via
política monetária, isso implicará, necessariamente, deslocamento da curva de oferta
monetária.
A curva abaixo mostra a oferta de moeda em uma determinada economia em função da
taxa de juros.
Veja que o gráfico apresenta, no eixo das ordenadas (na vertical), a taxa básica de juros
da economia e no eixo das abscissas (na horizontal), os vários níveis de oferta real de moeda
(Ms0/P, Ms1/P, Ms2/P). E o que o gráfico quer demonstrar? Que a oferta de moeda
independe da taxa de juros, tanto que a curva de oferta de moeda é infinitamente
inelástica. E o que faz a curva se deslocar de Ms0/P para Ms1/P? É justamente a política
monetária.
A política monetária atua na oferta de moeda. Logo, quando saímos de Ms0/P para
Ms1/P estamos provocando aumento da quantidade de moeda na economia. Então,
estamos fazendo uma política monetária expansionista. De forma semelhante, se saírmos de
Ms2/P para Ms1/P, estaremos reduzindo a quantidade de moeda, ou seja, efetuando uma
política monetária retracionista.
Apenas lembrando: essa variação da oferta de moeda pode ser dada pelos três
instrumentos: operações no mercado aberto, taxa de redesconto ou reservas compulsórias.
2.2.2.2. Demanda por moeda
Existem três motivos para demandar moeda, isto é, para reter encaixes monetários:
*Motivo transação
*Motivo precaução
*Motivo especulação (ou portfólio)
A primeira pergunta que você pode fazer é: mas por qual razão as pessoas precisam de
moeda?
Se lembrar do fluxo circular expandido da riqueza nos capítulos iniciais deste livro, vai
lembrar que os consumidores realizam consumo, pagam seus impostos e poupam.
Veja que para os consumidores poderem consumir e colocar suas poupanças nos bancos
precisam de moeda.
Assim, a demanda por moeda surge da necessidade de os agentes econômicos darem as
contrapartidas financeiras quando há determinados fluxos reais na economia.
O problema desse processo de contrapartidas é que existe custo em manter moeda em
nosso poder.
Pois é, quando andamos com dinheiro no bolso, estamos deixando de ganhar os
rendimentos que poderiam ser gerados pela aplicação desses recursos no mercado de ativos
financeiros. Assim, existe um trade-off entre o custo de oportunidade de manter moeda e a
liquidez que a moeda oferece. O custo de oportunidade de manter moeda depende da taxa
de juros de curto prazo.
Apenas para que você entenda melhor, quando dizemos que as pessoas demandam
moeda para efetuar compras no mercado de bens e serviços, estamos dizendo também que
isso se deve à demanda por moeda para transação. Desse modo, quanto maior a renda (pela
função consumo), maior será o consumo e maior será, também, a demanda por moeda para
transação. Logo, podemos dizer que a demanda por moeda para transação é uma função
positiva da renda da economia.
Tudo o mais constante, a quantidade de moeda nominal demandada é proporcional ao
nível de preços agregado. Assim, a demanda de moeda pode ser representada também por
meio da curva de demanda de moeda real. Mudanças no gasto agregado real, na tecnologia
e nas instituições deslocam as curvas de demanda de moeda real e nominal.
A demanda por moeda por motivos de transação mostra que as pessoas retêm moedapara
efetuar pagamentos que vencem antes da data de recebimento de sua renda, ou seja, para
fazer face à diferença de datas entre os recebimentos e os gastos diários com alimentação,
transporte etc.
Mas não usamos dinheiro apenas para o consumo. A maioria das famílias reserva uma
parte do seu dinheiro para as emergências. Essa moeda que fica guardada para qualquer
eventualidade chama-se demanda de moeda para a precaução. Existem várias razões que
levam as pessoas a demandar mais ou menos moeda por precaução. Entre as justificativas,
podemos dizer que o grau de incerteza sobre a economia faz com que os agentes
econômicos retenham mais moeda para as eventualidades.
De acordo com o professor Heber Carvalho, claramente, esses saldos monetários
(encaixes monetários) de segurança ou precaução também devem depender da renda do
indivíduo ou da empresa. Quanto maior a empresa, ou mais rica a pessoa, maior a
necessidade de moeda por precaução. Dessa forma, assim como a demanda por transações,
a demanda de moeda por precaução também pode ser escrita como uma proporção da
renda monetária.
Veja que, para o caso da demanda por moeda por precaução, não falamos que ela gera
juros. De fato, a demanda por moeda por precaução seria como o saldo da nossa conta-
corrente, que usamos para qualquer eventualidade.
Finalmente, Keynes deu nova dimensão à moeda ao colocá-la também como forma de
poupança, de acumular patrimônio. Segundo Keynes, as pessoas demandam moeda não
apenas para satisfazer as transações correntes, mas também para especular com títulos,
imóveis etc.
A moeda não apresenta rendimentos nem riscos, especialmente quando a inflação é
baixa. As pessoas, para reduzir os riscos, podem diversificar sua carteira de títulos em vários
títulos e aplicações, inclusive guardando certa quantidade de moeda. Dessa forma, essa
quantidade de moeda também dependerá da rentabilidade dos títulos, ou seja, da taxa de
juros.
Pode-se, então, estabelecer uma relação entre demanda de moeda por especulação e taxa
de juros de mercado. É de se esperar que essa relação seja inversa: quanto maior a taxa de
juros, menos moeda os agentes reterão (que não rende juros) em seu poder. Assim, quanto
maior a taxa de juros, maior a compra de títulos e menor a quantidade de moeda para
especulação.
Graficamente, a curva de demanda por moeda se apresenta negativamente inclinada,
mostrando a relação inversa entre taxa de juros e demanda especulativa por moeda. Pelo
que observamos, quando a taxa de juros se situa em níveis elevados, a demanda por moeda
é praticamente nula, mas à medida que r cai, a demanda especulativa por moeda vai
aumentando. Quando r atinge um nível considerado mínimo, a demanda por moeda se
torna horizontal, indicando que, a esse nível de taxa de juros, todos os indivíduos preferirão
moeda em vez de títulos (tecnicamente, diz-se, então, que nesse ponto a demanda por
moeda é infinitamente elástica à taxa de juros).
E o que leva a curva de demanda por moeda a se deslocar?
Como vimos, a demanda por moeda para especulação mede a relação negativa entre
demanda por moeda e taxa de juros. De acordo com o que mencionamos acima, quanto
maior a taxa de juros, menor será a demanda por moeda. Assim, vamos ter menos moedas e
mais títulos, o que leva a um movimento ao longo da curva de demanda por moeda (a taxa
de juros nesse caso funciona como o preço do “bem” moeda. Logo, movimentos no preço
levam a deslocamentos ao longo da curva de demanda).
Contudo, não é apenas a taxa de juros que afeta a demanda por moeda. Como vimos
acima, a renda também afeta a demanda por moeda. Logo, assim como no caso da
demanda individual de um bem ordinário, a renda afetará a demanda por moeda de
determinada economia. Dessa forma, aumentos na renda deslocam a curva de demanda
por moeda para cima (a moeda é um bem normal), e reduções na renda levam a curva para
baixo.
2.2.3. Equilíbrio no mercado monetário
Assim como nos demais mercados da economia, também é possível estabelecer equilíbrio
no mercado monetário de determinada economia.
A interseção entre as curvas de demanda e oferta monetária geram equilíbrio nesse
mercado:
E o que se gera no equilíbrio no mercado monetário?
Dizemos que quando o mercado monetário está em equilíbrio é determinada a taxa
básica de juros (que, no caso brasileiro, é chamada Selic).
Exercício
(FAURGS – Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul – Agente Fiscal do Tesouro do Estado – 2006) Sobre
o estudo da moeda e dos instrumentos de política monetária, assinale a informação CORRETA.
a) O conceito de base monetária inclui os títulos públicos em poder do público e as reservas mantidas pelos bancos
comerciais no Banco Central.
b) O multiplicador do sistema bancário pode ser definido como o inverso da taxa de redesconto.
c) A curva de preferência pela liquidez é negativamente inclinada, pois mostra que a demanda de moeda para
transações é uma função inversa da taxa de juros.
d) A compra de títulos e a diminuição da taxa de redesconto pelo Banco Central são medidas que colaboram para
cair a taxa de juros.
e) A troca de dólares dos exportadores por moeda nacional, pelo Banco Central, é um exemplo de destruição dos
meios de pagamentos.
Comentários:
Analisaremos item por item.
Para responder a alternativa a, vamos lembrar um conceito visto acima:
Contabilmente, a base monetária é dada pela soma dos valores constantes do chamado
passivo monetário do Banco Central que se compõe de:
i) o papel-moeda em poder do público (PMP);
ii) o caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R1);
iii) os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao Banco Central (R2); e
iv) os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, também junto ao Banco Central
(R3).
Ou seja, pela definição, a alternativa está incorreta por afirmar que O conceito de base
monetária inclui os títulos públicos em poder do público e as reservas mantidas pelos
bancos comerciais no Banco Central. Veja que no conceito analisado os títulos públicos em
poder do público não fazem parte da base monetária da economia. Dessa forma, a
alternativa está incorreta.
Em seguida, a letra b afirma que O multiplicador do sistema bancário pode ser definido
como o inverso da taxa de redesconto. Onde está o erro? Em afirmar que o multiplicador é
o inverso da taxa de redesconto. Ora, pelo que vimos no quadro que mostra o Sr. Silva, é
possível analisar que a força que os bancos possuem para criar moeda dependerá,
necessariamente, dos encaixes compulsórios que vão para o Banco Central, não da taxa de
redesconto. Logo, o multiplicador bancário dependerá, necessariamente, desses encaixes e
é dado pela seguinte fórmula:
multiplicador bancário =
1
reservas (ou encaixes) compulsórias
A letra c, por sua vez, afirma que A curva de preferência pela liquidez é negativamente
inclinada, pois mostra que a demanda de moeda para transações é uma função inversa da
taxa de juros. Um conceito que você deve compreender diz respeito à “preferência pela
liquidez”. Essa curva é mostrada pela curva de demanda por moeda em relação à taxa de
juros. Assim, quanto maior a taxa de juros, maior será o custo de oportunidade de manter
moeda no seu bolso. Logo, os consumidores passarão a aplicar os seus recursos financeiros
em títulos financeiros que gerem maiores rendimentos. O inverso vale quando falamos de
reduções na taxa de juros. E onde está o erro da questão? Está em afirmar que a curva de
preferência pela liquidez diz que a demanda por moeda para transação é uma função da
taxa de juros. Na verdade, é a demanda por moeda para especulação que responde a
variações na taxa de juros, não a demanda por moeda para transação.
Para responder à letra d, precisaremos do conceito de equilíbrio monetário visto acima e
também entender os instrumentos de política monetária. Vejamos: A compra de títulos e a
diminuição da taxa de redesconto pelo Banco Central são medidas que colaboram para cair
a taxa de juros. Observe que a questão fala sobre a compra de títulos e a redução da taxa de
redesconto.A compra de títulos e a redução da taxa de redesconto são formas que o
governo possui de aumentar a quantidade de moeda na economia, ou seja, essa compra leva
ao aumento da oferta de moeda. Vejamos graficamente:
Com o aumento de moeda na economia, haverá deslocamento da curva de oferta de
moeda para a direita, o que levará, necessariamente, a uma taxa de juros mais baixa. Assim,
a alternativa d está correta.
Finalmente, a letra e é falsa, por afirmar que A troca de dólares dos exportadores por
moeda nacional, pelo Banco Central, é um exemplo de destruição dos meios de
pagamentos. Note que a criação ou destruição dos meios de pagamentos envolverá uma
transação entre os setores bancário e não bancário da economia. Nesse sentido, como o
exportador está dando dólares ao setor bancário e está recebendo reais, está havendo uma
criação dos meios de pagamentos, não a destruição.
Gabarito: Letra d.
2.3. Política monetária
A política monetária pode ser definida como um conjunto de medidas adotadas pelo
governo com o objetivo de controlar a oferta de moeda e as taxas de juros, de forma a
assegurar a liquidez ideal da economia do país.
Pelo controle da oferta de moeda, o governo visa à elevação do nível de emprego, à
estabilidade dos preços e a uma adequada taxa de crescimento econômico.
As autoridades monetárias não podem interferir diretamente no cotidiano dos agentes
econômicos, mas através da ação sobre as reservas bancárias e das taxas de juros,
indiretamente induzem o público a alterar o perfil de seus gastos.
Para executar esses objetivos, o governo utiliza três instrumentos fundamentais, que vão
afetar, diretamente, o setor bancário, representado no fluxo circular expandido da riqueza
como o mercado de ativos financeiros.
Os principais instrumentos são:
• Operações no mercado aberto: consistem na compra e venda de títulos públicos por
parte do Banco Central, objetivando regular os fluxos gerais de liquidez da economia.
O funcionamento não é difícil de compreender: imagine que você tenha R$ 50,00 em
títulos do governo. Ou seja, em vez de colocar o seu rico dinheirinho na poupança,
você decidiu emprestar ao governo por meio do que conhecemos no Brasil como
Tesouro Direto.
Suponha ainda que chegou o dia do governo pagar esse dinheiro, ou seja, ele vai
“comprar” o título da dívida dele que estava na sua mão.
Você não vai ao Banco Central buscar esse dinheiro, não é? Ele vai depositar o valor em
sua conta no Banco e você pode ou não retirar a quantia. Para simplificar, digamos
que você não vá buscar o valor no banco. O que acontece? O Banco possui mais
dinheiro para emprestar a outras pessoas (banco não tem dinheiro. Ele usa o dinheiro
dos correntistas para emprestar a outras pessoas). Como agora, nessa hipótese, ele tem
muito dinheiro, já que o governo pagou a ele, pode emprestar o valor cobrando mais
barato pelo empréstimo. O preço do empréstimo é chamado taxa de juros.
Com uma taxa de juros mais baixa cobrada pelos bancos, mais pessoas se interessarão
em fazer empréstimos para, por exemplo, financiar um carro.
Assim, quando vamos ao Banco e fazemos um empréstimo para comprar um carro,
estamos, na verdade, aumentando o nosso nível de consumo, o que vai gerar aumento
da renda da economia.
Logo, quando o governo compra títulos no mercado aberto está, na verdade, colocando
mais dinheiro em circulação para que, com isso, possa baixar o preço do dinheiro (a
taxa de juros), para que as pessoas demandem mais moeda para transação, comprem
mais bens e serviços e façam a produção e o emprego crescerem.
Imagine agora que o governo deseja vender títulos. O que acontece nessa situação? Em
vez de você comprar bens, você vai comprar os títulos que o governo colocou à venda.
Nesse caso, ocorrerá justamente o inverso. Como estará comprando os títulos do
governo, vai deixar de ir ao salão de beleza para comprar esse título. Assim, não vai
mais consumir e, com essa redução do consumo, não serão produzidos mais bens, o
que provocará, em última instância, redução de emprego.
Logo, se o governo quiser aumentar a renda da economia, ele irá, através da política
monetária, com o uso das operações no mercado aberto, comprar títulos e, caso deseje
diminuir a renda da economia, vender títulos.
Objetivo do Governo Como? Consequências
Aumentar
a renda
economia
Comprar títulos
(Mais dinheiro
em circulação)
Redução da taxa de juros;
Maior demanda por transação;
Maior Consumo;
Maior Produção
(Política Monetária Expansionista)
Reduzir a
renda
economia
Vender títulos
(Menos dinheiro
em circulação)
Aumento da taxa de juros;
Menor demanda por transação;
Menor Consumo;
Menor Produção
(Política Monetária
Retracionista)
• Fixação da taxa de reservas compulsórias ou encaixes compulsórios: instrumento
utilizado pelo governo para controlar a oferta de dinheiro dos bancos. Também
conhecidas como depósitos compulsórios, são mantidas pelas instituições bancárias
junto ao Banco Central, em uma proporção dos depósitos à vista mantidos pelos
bancos.
Como funciona: para cada R$ 1,00 que é depositado em um banco comercial, cerca de
R$ 0,60 não ficam no banco comercial para que ele empreste; esse valor vai para o
Banco Central como uma reserva que deve ser feita obrigatoriamente pelo banco.
Assim, se o governo quiser aumentar a renda da economia, via política monetária, vai
deixar mais moeda nos bancos para que possam emprestar à sociedade. Logo, vai
reduzir as reservas compulsórias. Caso deseje que a economia não cresça, irá
aumentar o nível de reservas compulsórias, deixando os bancos sem recursos para
emprestar.
Objetivo do
Governo
Ação do governo Como? Por quê?
Acelerar o
Crescimento da economia
Aumentar a renda
Redução das reservas
compulsórias
Banco tem mais
dinheiro para emprestar à população
Desacelerar o crescimento da Economia Reduzir a renda
Aumento das reservas
compulsórias
Banco tem menos
dinheiro para emprestar à população
• Fixação da taxa de redesconto: o redesconto é um empréstimo que os bancos
comerciais recebem do Banco Central para cobrir eventuais problemas de liquidez. A
taxa de juros sobre esses empréstimos é chamada taxa de redesconto. Uma elevação
desta induz os bancos comerciais a aumentarem suas reservas voluntárias.
Lembra que falamos que o Banco Central era o banco dos bancos? Pois é. É justamente
através dos empréstimos que o Banco Central faz aos bancos comerciais que podemos
dizer que ele é o banco dos bancos. Nesse caso, quando o Banco Central empresta
dinheiro aos bancos, ele cobra em contrapartida uma determinada taxa. Esse valor é
chamado taxa de redesconto.
Quanto maior for a taxa de redesconto cobrada pelo Banco Central aos outros bancos,
menores serão os valores demandados pelos bancos ao Bacen. Assim, menores serão os
valores que esses bancos colocarão a nossa disposição para que possamos, por
exemplo, financiar o nosso carro zero. Logo, se não vamos comprar o nosso carro, as
empresas não produzirão carros novos, o que traz como consequência a redução no
nível de empregos.
Taxa de redesconto cobrada pelo Bacen Consequências
Aumenta
Reduzir a demanda por moeda pelos bancos comerciais
Bancos comerciais terão menor quantidade de moeda à disposição do público
Diminui
Aumentar a demanda por moeda pelos bancos comerciais
Bancos comerciais terão maior quantidade de moeda à disposição do público
Resumindo:
Variações na Política Monetária fazem ocorrer modificações no rendimento dos ativos
financeiros e no custo e disponibilidade de crédito. Tal como a Política Fiscal, ela dá
origem a um efeito multiplicador através de mudanças na taxa de juros que afetam os gastos
agregados e a poupança.
Para consolidar tanta informação, veremos alguns exercícios.
Exercício
1. (Cesgranrio – Inea – Economista – 2007) O aumento do percentual da reserva compulsória que o Banco Central
exige dos bancos reduz a(o):
a) oferta de moeda;
b) demanda por bens públicos;
c) taxa de juros vigente na economia;
d) spread cobrado pelos bancos;
e) gasto do governo.
Comentários:
A questãofala sobre reserva compulsória. Essa reserva diz respeito ao percentual dos
nossos depósitos que não fica com os bancos comerciais e sim com o Banco Central. Logo,
quando o governo institui aumento percentual da reserva compulsória, está, no final das
contas, retirando dinheiro dos bancos comerciais.
Assim, sem dinheiro, os bancos não podem fornecer moeda para o restante da economia,
logo, haverá menos empréstimos sendo concedidos, o que implica menos consumo, menos
produção e menos emprego.
Você deve ficar atento para o fato de que, quando o Banco Central altera as reservas dos
bancos comerciais, está também alterando a base monetária da economia, ou a oferta
monetária, já que essa é composta pelos quatro itens abaixo.
i) papel-moeda em poder do público (PMP);
ii) caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R1);
iii) depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao Banco Central (R2); e,
iv) recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, também junto ao Banco Central
(R3).
Como o R3 fala justamente das reservas compulsórias, o aumento dessas reservas no
Banco Central levará a uma redução na base monetária da economia.
Nesse caso, para ficar claro, é como se esse percentual de aumento deixasse de existir por
Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
um período.
Dessa forma, a alternativa correta é a letra a. A letra b diz que haverá redução na
demanda por bens públicos, o que não tem nenhuma ligação com o enunciado. Na
verdade, não há nenhum condicionante que leve a uma redução da demanda por bens
públicos em economia. Logo, essa alternativa só seria verdadeira sob condições
extremamente especiais.
A alternativa c diz que haverá redução da taxa de juros. Essa afirmação é interessante, já
que o que acontecerá é exatamente o contrário. Como os bancos terão menos dinheiro para
emprestar (já que o Bacen levou uma boa parte), cobrarão uma taxa de juros mais alta pelo
empréstimo, e não o contrário. Assim, quanto maior for a oferta de moeda, menores
tenderão a ser as taxas de juros cobradas pelos governos.
Alteração nas reservas compulsórias Consequências Efeito na taxa de juros
Redução das reservas compulsórias Banco tem mais dinheiro para emprestar à população Baixas taxas de juros
Aumento das reservas compulsórias Banco tem menos dinheiro para emprestar à população Elevadas taxas de juros
Em sequência, a letra d afirma que existirá redução no spread dos bancos. O primeiro
ponto que deve ficar claro é o que chamamos de spread bancário, que é a diferença entre a
taxa de juros cobrada pelos bancos para empréstimos e a taxa de juros com que eles
remuneram o detentor do capital. Por exemplo, se o banco cobra 5% por um empréstimo e
paga 0,5% pelo dinheiro do correntista que está aplicado no banco, o spread bancário será
de 4,5%.
A alternativa acima afirma que haverá redução do spread bancário. Será? Nesse caso, não
podemos dizer com certeza que haverá redução nesse percentual, já que nada indica que
isso acontecerá de fato. Logo, esse item também é falso.
Por fim, a assertiva e diz que haverá redução dos gastos do governo, o que não pode ser
verdade, já que uma política monetária não necessariamente terá contrapartidas nos gastos
do governo!
Gabarito: Letra a.
2. (Cespe – EEPG – Economia e Estatística – IJSN II – 2010) Julgue a próxima questão, relativa à criação e destruição
de moeda, ao multiplicador dos meios de pagamento e aos instrumentos de política monetária.
A expansão monetária origina-se do aumento das operações ativas do Banco Central, do aumento da relação
entre encaixe total sobre depósitos à vista nos bancos comerciais e do aumento da proporção dos meios de
pagamento retidos pelo público em forma de depósitos à vista nos bancos comerciais.
Comentários:
Essa é boa porque considera todos os instrumentos que o governo possui para fazer a
política monetária. O item considera que o governo desejará fazer expansão monetária, que
nada mais é do que uma política monetária expansionista.
Prosseguindo, a alternativa diz que essa expansão será possível se houver aumento da
Alexandre
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Alexandre
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Alexandre
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relação entre encaixe total sobre depósitos à vista nos bancos comerciais. Pelo que vimos
acima, quando o governo deseja fazer expansão da base monetária, não fará aumento dos
encaixes compulsórios, mas redução deles.
Assim, já é possível dizer que a questão é falsa. Em seguida, a questão diz que a expansão
monetária também se origina do aumento da proporção dos meios de pagamento retidos
pelo público em forma de depósitos à vista nos bancos comerciais. Para que você entenda
melhor, quanto maior for a quantidade de dinheiro das pessoas nos bancos, mais eles
podem emprestar a outras pessoas. Nesse caso, se a questão considerasse apenas esse ponto,
ela estaria correta.
Gabarito: FALSO.
3. (Cespe – EEPG – IJSN II – Economia e Estatística – 2010) Julgue a próxima questão, relativa à criação e destruição
de moeda, ao multiplicador dos meios de pagamento e aos instrumentos de política monetária
O Banco Central que pretenda expandir os meios de pagamentos pode obter esse resultado por meio do aumento
dos empréstimos do governo e da compra de títulos da dívida pública em operações de mercado aberto como
instrumentos de política monetária.
Comentários:
Caso o governo queira expandir os seus meios de pagamentos ou a sua base monetária ou
ainda a sua oferta monetária, deve fazê-lo por meio do aumento dos empréstimos do
governo e da compra de títulos da dívida pública em operações de mercado aberto como
instrumentos de política monetária. Nesse caso, temos que o aumento dos empréstimos do
governo expandirá sim a oferta monetária, já que ele poderá conceder mais empréstimos
aos bancos. Além disso, quando o governo compra títulos no mercado aberto está, na
verdade, colocando mais moeda em circulação. Dessa forma, estará fazendo uma política
monetária expansionista.
Gabarito: VERDADEIRA.
4. (Cespe – Sefaz – Ciências Econômicas – Consultor Executivo – 2010) Julgue questão relativa à moeda e à política
monetária.
Os instrumentos mais utilizados pelo Banco Central do Brasil (Bacen) para atuar na execução da política
monetária são alterações nos níveis de reserva legal dos bancos, operações de mercado aberto e alterações nas
taxas de redesconto.
Comentários:
Questão corretíssima. Existem três instrumentos utilizados pelo governo para promover a
política monetária. São eles:
• alterações nos níveis de reserva legal dos bancos (ou as reservas compulsórias ou ainda
os encaixes compulsórios);
• operações de mercado aberto (através da compra e venda de títulos)
• taxas de redesconto. A taxa cobrada pelo Banco Central para emprestar dinheiro aos
bancos!
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Gabarito: VERDADEIRA.
2.4. O modelo IS-LM
O estudo da atuação, simultânea ou não, e dos efeitos das políticas fiscal e monetária
sobre o nível da renda ou produto de equilíbrio é feito, em macroeconomia, através do
chamado sistema IS-LM – materializado em duas curvas que representam situações de
equilíbrio no mercado de bens e serviços e no mercado monetário.
Tudo o que vimos acima, quando analisamos as políticas fiscal e monetária, pode ser
realizado através do modelo IS-LM. Esse modelo se refere a muitas situações da política
econômica, por meio de duas curvas: curva IS (que representa o mercado de bens e
serviços) e curva LM (que representa o mercado monetário). O modelo IS-LM representa o
equilíbrio do lado monetário e do lado real da economia, determinando a taxa de juros e a
renda de equilíbrio que controle a inflação e não desestimule o empresário nacional a
investir, e o nível nacional ou produto de equilíbrio da economia.
No lado real da economia, referente ao mercado de bens e serviços para níveis de juros
mais baixos, teremos níveis de investimento privadodas empresas maiores (isso faz com que
o I da identidade Y = C + I + G + X – M aumente) e, consequentemente, níveis de renda
mais elevados. E, para dado nível de juros mais elevados, observa-se queda no investimento e
na renda. Essa combinação de taxas de juros e níveis de renda é conhecida como curva IS.
A curva é afetada por políticas fiscais expansionistas ou contracionistas, já que políticas
fiscais alteram os gastos do governo (G), o que afetará o nível de renda da economia no
mercado de bens e serviços.
O mercado monetário, que estudamos anteriormente, por sua vez, é representado pela
curva LM, que é formada por uma demanda de moeda para transação positivamente
relacionada com a renda e uma demanda para fins especulativos (que está relacionada com
a taxa de juros).
O equilíbrio da economia ocorre no ponto em que as duas curvas, IS e LM, se cruzam.
Equilíbrio da Economia IS-LM
2.4.1. A curva IS
A IS é uma curva que mostra combinações de níveis de renda (Y) e de taxa de juros (r)
que equilibram o chamado “mercado de bens e serviços”, no sentido de que a poupança
social – dada pela soma da poupança propriamente dita (S) e dos impostos (T) – é igual à
soma dos gastos de investimentos (I) e dos gastos do governo (G).
Ou seja, S + T = I + G.
Por essa definição, constata-se que, para cada nível de renda (Y) existe uma e somente
uma taxa de juros (r) que equilibra ou torna iguais a chamada poupança social (S+T) e os
gastos de investimentos (I) mais as despesas governamentais (I+G).
2.4.1.1. Derivação da curva IS
De onde vem a curva IS? A explicação está nos investimentos realizados pelas empresas no
mercado de bens e serviços.
Vamos raciocinar juntos. O que faz as empresas investirem mais no curto prazo? De forma
simplificada, os economistas afirmam que a taxa de juros afeta os níveis de investimentos
das empresas.
De acordo com esses economistas, taxas de juros mais altas fazem com que menos
empresas possam investir ou, o que é ainda pior: taxas de juros mais altas levam a uma
redução nos investimentos, já que os empresários poderiam encerrar as suas atividades e
aplicar no mercado de títulos do governo, por exemplo.
Logo, com a elevação da taxa de juros, haveria uma redução nos investimentos, o que
provocaria a redução da renda pela identidade contábil analisada anteriormente.
Y = C + I + G + X – M
2.4.1.2. A inclinação da curva IS
Como se pode verificar pela figura acima, a curva IS é negativamente inclinada,
refletindo o fato de que um aumento na taxa de juros reduz os gastos de investimentos,
reduzindo a demanda agregada e, consequentemente, reduzindo o nível da renda de
equilíbrio. De que, então, depende a inclinação da curva IS? Ou seja, o que faz a curva IS
ser mais ou menos inclinada?
Em primeiro lugar, a inclinação da IS depende da elasticidade do investimento em
relação à taxa de juros, isto é, depende da sensibilidade ou resposta do investimento em
relação às variações na taxa de juros. Quanto mais elástico ou mais sensível for o
investimento em relação às variações na taxa de juros, menos inclinada (mais deitada) é a
curva IS, e vice-versa.
Em segundo lugar, a inclinação da IS depende, também, da magnitude do multiplicador
dos gastos do governo. Quanto maior o multiplicador, maior será o efeito de uma variação
dos investimentos sobre o nível da renda de equilíbrio e, portanto, menos inclinada é a
curva IS, e vice-versa. É bom lembrar que a magnitude do multiplicador depende,
essencialmente, da propensão marginal a consumir (b) e da alíquota do imposto (t) –
relembrando, também, que quanto maior b e menor t, maior será o multiplicador.
2.4.1.3. A posição da curva IS
Se movimentos na taxa de juros levam a movimentos ao longo da curva IS, alterações nas
outras variáveis provocam deslocamentos na curva IS.
De tudo o que foi dito até aqui, deve ficar claro que a curva IS se deslocará para a
esquerda sempre que houver redução nos gastos do governo e/ou aumento no nível dos
impostos. Pelo mesmo raciocínio, a curva IS se deslocará para a direita sempre que o
governo aumentar seus gastos e/ou reduzir os impostos.
A curva IS é deslocada por todas as variáveis exógenas (variações em G, T, X, M, C, I), que
não são induzidas pela variação de renda (isto é, por outros fatores, que não variações de
renda). Mais uma vez não deve ser confundida uma variação endógena (que seria um
movimento ao longo da curva IS, motivada por alterações da taxa de juros e da renda) com
uma variação exógena (que representa um deslocamento da curva IS). Assim, um aumento
do consumo, devido a aumento da renda, é uma variação induzida, ao longo da curva IS;
todavia, um aumento do consumo, devido a aumento de patrimônio, é uma variação
exógena, deslocando a IS. O gráfico abaixo representa uma alteração positiva nos gastos do
governo (política fiscal expansionista), o que desloca a curva IS para a direita (linha
tracejada).
O exemplo mais comum que teremos sobre deslocamentos da curva IS diz respeito à
política fiscal. Quando o governo aumenta os gastos do governo, acarreta, via multiplicador
dos gastos do governo, aumento da renda. O que leva, por fim, ao deslocamento da curva IS,
como mostrado abaixo.
Nesse ponto, você deve notar que a partir do aumento dos gastos do governo haverá
aumento da renda e, também, aumento da taxa de juros (veremos esse efeito mais
detalhadamente adiante).
Gráfico da política fiscal expansionista.
2.5. A curva LM
A curva LM mostra combinações de níveis de renda (Y) e de taxas de juros (r) que fazem
o mercado monetário ficar equilibrado, no sentido de que a demanda por moeda é igual à
oferta de moeda.
2.5.1. Derivação da curva LM
Na figura abaixo, à esquerda, observam-se as combinações de taxas de juros e níveis de
renda que tornam a demanda por moeda (ou por encaixes reais) igual à oferta monetária.
Ao nível da renda Y1, a curva de demanda por moeda corresponde a L1. Com a oferta
monetária dada por Ms/P, a oferta e a demanda por moeda se igualam no ponto E1 – que
corresponde à taxa de juros r1. Na figura, o ponto E1 corresponde à combinação do nível
de renda Y1 com a taxa de juros r1, que equilibra o mercado monetário. O ponto E1
corresponde, assim, a um ponto na curva LM.
Suponha, agora, que a renda cresça até Y2. Na figura, à esquerda, este aumento na renda
provoca aumento na demanda por moeda para transação, deslocando a curva de demanda
por moeda para L2. Com a oferta monetária mantida constante, o aumento na demanda
por moeda faz com que a taxa de juros se eleve até r2 – para que o equilíbrio no mercado
monetário seja restabelecido.
Tem-se, então, um novo ponto de equilíbrio (E2) que, transportado para a figura da
direita, nos dá uma nova combinação de renda e taxa de juros (Y2 e r2) que equilibra a
oferta com a demanda por moeda. Repetindo a mesma experiência para outros níveis de
renda, geraremos mais pontos que mostram combinações de Y e de r que equilibram a
oferta e a demanda de moeda. Ligando todos esses pontos teremos a curva LM.
Como é possível observar, a curva LM é positivamente inclinada, refletindo o fato de que,
com uma dada oferta monetária, um aumento no nível de renda aumenta a demanda por
encaixes monetários – o que, como já foi explicado, força o aumento na taxa de juros.
2.5.2. A inclinação da curva LM
Em princípio, podemos afirmar que quanto maior for a demanda por moeda para
transações, isto é, quanto maior for a elasticidade da demanda por moeda em relação à
renda e quanto menos sensível ou menos elástica à taxa de juros for a demanda por moeda,
mais inclinada será a curva LM. Em outras palavras, se a demanda por moeda for muito
insensível à taxa de juros, a curva LM é quase vertical. Se, por outro lado, a demanda por
moeda é muito sensível à taxa de juros, a curva LM é quase horizontal.
Desta forma, a curva LM é afetada por políticas monetárias expansionistas e
contracionistas, como os exemplos citados, respectivamente, abaixo:
i) Política monetária expansionista: aumento do redesconto (empréstimos do Bacen aos
bancos comerciais)que gerará uma liquidez maior no mercado monetário e, com isso,
haverá uma expansão de renda, ou seja, deslocará a cuva LM para a direita. A
diminuição da taxa de redesconto, que nada mais é do que a taxa de empréstimo
cobrada pelo Bacen aos bancos comerciais pelo redesconto realizado, deslocaria a LM
para a direita, pois haveria maior incentivo à tomada de empréstimos pelo Bacen,
considerando que a taxa é baixa, resultando em uma maior liquidez na economia. A
compra de títulos (operação de open market) por parte do governo acarretaria uma
injeção de moeda no mercado, e, com isso, maior liquidez, deslocando a LM para a
direita. E também o recolhimento compulsório mais baixo, que significa que o Bacen
recolherá menos moeda dos depósitos à vista dos bancos comerciais, o que gera maior
liquidez, levando a LM para a direita. O gráfico abaixo mostra esse movimento.
Gráfico da política monetária expansionista.
ii) Política monetária contracionista ou restritiva: diminuição do redesconto (empréstimos
do Bacen aos bancos comerciais) que gerará menos liquidez no mercado monetário e,
com isso, haverá uma retração da renda, ou seja, deslocará a LM para a esquerda. O
aumento da taxa de redesconto, que nada mais é que a taxa de empréstimo cobrada pelo
Bacen aos bancos comerciais pelo redesconto realizado, deslocaria a LM para a esquerda,
pois haveria menor incentivo à tomada de empréstimos do Bacen, considerando que a
taxa é alta, implicando menor liquidez da economia. A venda de títulos (operação de
open market) por parte do governo levaria a uma retração de moeda no mercado e, com
isso, haveria menos liquidez, deslocando a LM para a esquerda. E também o
recolhimento compulsório mais elevado, que significa que o Bacen recolherá mais
moeda dos depósitos à vista dos bancos comerciais, gerando uma menor liquidez,
deslocando a LM para a esquerda.
Vamos aos exercícios!
1. (FAURGS – Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul – Agente Fiscal do Tesouro do Estado – 2006)
Suponha no modelo IS-LM o caso de uma curva IS negativamente inclinada e LM vertical. Este caso exemplifica
uma situação em que:
a) não existe demanda especulativa de moeda e a política fiscal é ineficaz para expandir o nível de renda real;
b) a demanda de investimento é inelástica com relação à taxa de juros;
c) há uma armadilha da liquidez e a política monetária é totalmente ineficaz para expandir o nível de renda real;
d) a expansão do investimento impulsiona o crescimento da renda real, expansão esta que pode ser medida pela
magnitude do multiplicador keynesiano;
e) tanto a política fiscal quanto a política monetária são eficazes, embora apenas parcialmente, para expandir o nível
de renda real.
Comentários:
Aliás, antes ainda de responder às aternativas, vamos desenhar o que a questão está
pedindo:
A curva IS, mostrada negativamente inclinada, está negativamente inclinada, como pede a
questão, e a curva LM é mostrada em formato vertical.
A letra e afirma que tanto a política fiscal quanto a política monetária são eficazes,
embora apenas parcialmente, para expandir o nível de renda real. Você deve notar que, se
o governo fizer política fiscal (que levará a um deslocamento da curva IS), tal procedimento
não levará a efeitos no nível de renda da economia, mas, apenas, na taxa de juros, como
mostrado na figura abaixo:
Dessa forma, como podemos ver na figura, a alternativa está incorreta, porque a política
fiscal, diferentemente do que é afirmado na questão, é ineficiente para expadir a renda.
Assim, se a questão falasse exclusivamente da política monetária, estaria correta.
A letra d afirma que a expansão do investimento impulsiona o crescimento da renda real,
expansão esta que pode ser medida pela magnitude do multiplicador keynesiano. Para
verificar a veracidade da letra d, basta lembrar de como o multiplicador mostra essa relação.
Pelo que vimos, o multiplicador dos gastos dependerá, exclusivamente, da propensão
marginal da economia. Assim, o multiplicador dos gastos não mede as variações dos
investimentos dentro de uma economia. Logo, a alternativa está incorreta.
Em seguida, a letra c afirma que há uma armadilha da liquidez e a política monetária é
totalmente ineficaz para expandir o nível de renda real. Para melhor compreensão, existirá
armadilha da liquidez quando a LM for, necessariamente, horizontal ou ainda se na parte
relevante da economia o equilíbrio macroeconômico se der na parte horizontal. Como
estamos falando de uma curva LM vertical, também chamada de “caso clássico”, a
alternativa c não está correta.
Restaram as letras b e a.
A letra b afirma que a demanda de investimento é inelástica com relação à taxa de juros.
Veja que a demanda por investimento não afeta a curva LM, e sim a curva IS. Uma vez que a
curva IS é negativamente inclinada, não é possível afirmar que a demanda por investimento
é inelástica. Essa afimação apenas seria possível se a curva IS fosse inelástica. Dessa forma, a
letra b não é a correta.
Finalmente, temos apenas a letra a, que afirma que não existe demanda especulativa de
moeda e a política fiscal é ineficaz para expandir o nível de renda real. Veja que, de fato,
quando a economia se encontra em uma situação de curva LM vertical, é porque temos uma
demanda especulativa por moeda inelástica. Como vimos acima, a política fiscal se torna
ineficaz na expansão da renda da economia. Logo, a alternativa a é, de fato, a verdadeira.
Gabarito: Letra a.
2. (BNDES – Profissional Básico: Administração – 2009) Para expandir a demanda agregada por bens e serviços, os
governos podem adotar políticas fiscais expansivas. No gráfico do modelo IS/LM, isto pode ser representado pela
mudança na(s):
a) inclinação da curva LM (mais vertical);
b) inclinação da linha de pleno emprego (mais vertical);
c) posição da curva IS;
d) posição da curva LM;
e) posições de ambas as curvas IS e LM.
Comentários:
Vamos resolver por partes!
Veja que a questão fala, inicialmente, sobre alterações no mercado de bens e serviços.
Logo, quando se fala nesse mercado, estamos falando, necessariamente, sobre a curva IS,
que representa as variações entre renda e taxa de juros ocorrida no mercado de bens e
serviços.
Apenas com esse dado, já podemos afirmar que as alternativas a, d e e estão erradas, uma
vez que a questão não fala sobre alterações no mercado monetário.
Note ainda que, por eliminação, a letra b não pode ser verdadeira, já que no modelo IS-
LM não existe uma linha de pleno emprego. Na verdade, a única curva que expressa a
relação de pleno emprego em uma economia é a curva de oferta agregada de longo prazo.
Assim, ainda por eliminação, a resposta correta passa a ser a letra c, que afirma que existirá
uma mudança na posição da curva IS.
Para responder de forma mais completa, é possível afirmar que, como se trata de uma
política expansionista, podemos dizer, ainda, que haverá deslocamento para a direita da
curva IS.
Gabarito: Letra c.
3. (Termorio – Economista Júnior – 2009) O gráfico abaixo mostra as curvas IS e LM para uma certa economia.
Afirma-se que, neste caso:
a) há uma situação de armadilha da liquidez;
b) o gráfico ilustra a neutralidade da moeda;
c) a inclinação da curva IS no gráfico está errada;
d) a política fiscal seria impotente para estimular a economia;
e) a política monetária seria potente para estimular a economia.
Comentários:
Para simplificar, toda vez que uma determinada economia tiver uma curva LM horizontal
estará, necessariamente, na situação de armadilha da liquidez.
Essa situação é explicada quando a política monetária implementada por determinado
governo não tem qualquer efeito na renda daquela economia. Keynes afirmava que, nessa
situação, os agentes não reagem a variações da taxa de juros no mercado monetário,
fazendo com que a curva LM seja horizontal, como mostrado na figura acima.
Outra hipótese extrema é quando a LM é vertical, chamada de caso clássico. Nessa
situação é a política fiscal que passa a não ter efeito sobre a economia.
Finalmente, vale lembrar que sempreque uma determinada política for impotente, a
outra será, necessariamente, superpotente.
Após essa explicação, é possível verificar que a alternativa correta é a letra a. Como
acabamos de dizer, a economia mostrada na figura está, de fato, em uma situação de
armadilha da liquidez.
A letra b está incorreta, já que quando estamos em armadilha da liquidez não podemos
ter a neutralidade da moeda.
Em seguida, a letra c está incorreta porque a inclinação da curva IS está correta. Lembre-
se que no mercado de bens e serviços (representado pela curva IS) existe uma relação
negativa entre renda e taxa de juros que é verificada pela relação entre a taxa de juros e o
investimento produtivo.
Finalmente, as alternativas d e e estão erradas justamente por mostrarem o inverso do
poder das políticas. A letra d erra ao afirmar que a política fiscal seria impotente nessas
circunstâncias, e a letra e também erra por afirmar que a política monetária seria potente
para estimular a economia. Vale notar que, pelo que vimos, a política monetária será
completamente impotente e a política fiscal será superpotente.
Gabarito: Letra a.
4. (EPE – Analista Economia de Energia – 2007)
O gráfico acima mostra as curvas IS e LM. Uma política monetária contracionista:
a) não afetaria nenhuma curva do gráfico;
b) deslocaria a curva IS para uma posição como AB;
c) deslocaria a curva LM para uma posição como CD;
d) deslocaria ambas as curvas IS e LM para posições como AB e CD;
e) teria o efeito de aumentar a taxa de juros para um nível maior que i*.
Comentários:
Política monetária contracionista: que curva temos que alterar? A curva LM, que
representa as alterações no mercado monetário. Logo, quando se fala em políticas
monetárias, haverá necessariamente um movimento da curva LM e não existirá movimento
na curva IS.
Com essas informações, podemos dizer que as letras a, b e d estão incorretas.
Como sabemos que a política é de cunho retracionista, a curva LM deverá ser deslocada
para a esquerda, não para a direita (esse movimento é resultado de políticas
expansionistas). Dessa forma, a letra c também não está correta.
Resta apenas a letra e. Nesse caso, de fato, como há uma política monetária retracionista,
haverá deslocamento da curva LM para a esquerda da curva original. Com isso, ocorrerá
aumento da taxa de juros associado a uma redução do nível de renda da economia.
Gabarito: Letra e.
5. (Casa da Moeda – Economia e Finanças – 2009) O gráfico abaixo mostra, em linha cheia, as posições iniciais das
curvas IS e LM para um determinado país.
Se um governo adotar uma política fiscal expansiva, ocorrerá que, no gráfico, a:
a) nova posição da IS será como a tracejada;
b) nova taxa de juros da economia será menor que i0;
c) renda tenderá a diminuir abaixo de y0;
d) posição da IS não deverá mudar;
e) taxa de juros não se alterará.
Comentário:
Falou-se, agora, em política fiscal expansiva ou expansionista? Nesse caso, qual curva será
alterada?
Como vimos, a curva a ser alterada será a curva IS. E como sabemos, quando a política é
expansionista (seja ela fiscal ou monetária), a curva será deslocada para a direita. Logo,
com essas duas informações, é possível verificar que a alternativa correta é a letra a, que
afirma que a nova posição da IS será como a tracejada. Veja que a letra b está incorreta,
pois um aumento na IS levará ao deslocamento para a direita o que implicará, em última
instância, o aumento das taxas de juros e do nível de renda da economia. Dessa forma, a
alternativa está incorreta por afirmar que haverá redução da taxa de juros.
Em seguida, a letra c está incorreta por afirmar que a renda tenderá a diminuir. Na
verdade, o efeito de uma política expansionista será o aumento da renda, não a redução.
A letra d erra por afirmar que a posição da IS não deverá mudar. Note que essa questão
estaria correta SE falasse sobre a curva LM, não sobre a curva IS.
Finalmente, a letra e está incorreta por afirmar que não haverá alteração na taxa de juros.
Como acabamos de ver, haverá sim aumento nessa taxa.
Gabarito: Letra a.
6. (Casa da Moeda – Analista de Finanças – 2005) No modelo IS-LM, uma curva de oferta de moeda perfeitamente
elástica resulta em uma curva LM:
a) parcialmente inelástica;
b) parcialmente elástica;
c) de elasticidade igual a 1;
d) perfeitamente inelástica;
e) perfeitamente elástica.
Comentários:
Para responder a essa questão, vale uma dica: se a curva de oferta de moeda for
perfeitamente elástica, a curva LM também será prfeitamente elástica. Assim, não há o que
pensar: a alternativa correta é a letra e.
Gabarito: Letra e.
7. (BNDES – Profissional Básico – Economia – 2008) O gráfico abaixo mostra as curvas IS e LM numa certa economia.
Maiores gastos públicos financiados por novas emissões monetárias
a) expandiriam a produção e a renda acima de yo;
b) reduziriam necessariamente a taxa de juros para baixo de io;
c) reduziriam as importações;
d) deslocariam a IS e a LM para posições tais como AB e CD;
e) provocariam, necessariamente, aumento dos preços.
Comentários:
Essa questão é SUPERINTERESSANTE porque fala da ação combinada das duas políticas:
fiscal e monetária.
Observe que a questão fala que o governo está financiando os seus gastos (opa, falei em
aumento de gastos? Falei em política fiscal expansionista.) com emissão monetária (ou
aumento da oferta de moeda, uma política monetária expansionista). Nesse caso, como há
uma combinação das duas políticas, haverá um deslocamento conjunto das duas curvas para
a direita. Assim, haverá, necessariamente, aumento da renda, como afirmado na alternativa
a.
Vamos analisar por que as demais estão incorretas.
A letra b afirma que haverá, necessariamente, redução da taxa de juros. Veja que esse fato
não pode ser verdadeiro, já que com o deslocamento da IS devido à política fiscal
expansionista haverá pressão para o aumento dos juros, enquanto o deslocamento da curva
LM tenderá a levar à redução dos juros. Logo, a depender do tamanho do deslocamento,
pode ser que a taxa de juros aumente ou diminua.
A letra c é curiosa por afirmar que existirá redução das importações. Até aqui, pelo que
vimos, as importações são uma variável exógena, logo, não haverá qualquer alteração nessa
variável. Contudo, uma análise mais exigente diz que as importações, assim como o
consumo, dependem positivamente da renda. Assim, aumentos na renda (como o visto na
questão) levariam também a aumento nas importações. Nesse sentido, nos dois casos, a
alternativa não pode ser verdadeira.
A letra d, por sua vez, está incorreta por afirmar que a LM se deslocaria para a esquerda.
Já vimos que políticas monetárias expansionistas provocam deslocamento para a direita da
curva LM.
Finalmente, a letra e é falsa por afirmar que essa combinação de políticas acarretará,
necessariamente, aumento nos preços. Como vimos, políticas governamentais não implicam
aumento de preços no curto prazo.
Gabarito: Letra a.
8. (TCE-RO – Economista – 2007)
O gráfico acima mostra as curvas IS e LM. Uma política fiscal expansiva deslocaria a curva IS de sua posição
inicial?
a) Sim, para a posição A B.
b) Sim, para a posição A D.
c) Sim, para a posição C D.
d) Não deslocaria a curva IS.
e) Deslocaria a curva LM.
Comentários:
Tem o que pensar para resolver essa questão? Não, né?!
Quando falamos em política fiscal expansionista, estamos falando, necessariamente, em
deslocamentos da curva IS para a direita. Nesse caso, não há o que pensar: a resposta
correta é a letra a.
Gabarito: Letra a.
9. (Inea – Economista – 2007) Considere o gráfico usual do modelo IS/LM.
Segundo os economistas da escola clássica, neste gráfico, a(s):
a) curva IS deveria ser vertical;
b) curva LM deveria ser vertical;
c) curva LM deveria ser horizontal;
d) curva IS deveria ser horizontal;
e) duas curvas, IS e LM, deveriam ser horizontais.
Comentários:
Essa aqui também não tem o que pensar.
Falou-se no caso clássico, estaremos falando, necessariamente, em curva LM vertical.
Assim, como é mostrado na letra b, a LM será vertical.Vale notar que o gráfico em nada ajudou na nossa resolução. E nem sempre os gráficos
estarão nas provas para auxiliar.
Gabarito: Letra b.
10. (Transpetro – Economista Júnior – 2006) No modelo IS-LM, assumindo a ocorrência da armadilha de liquidez, a
política fiscal será:
a) ineficaz;
b) plenamente eficaz;
c) duas vezes mais eficaz que o multiplicador dos gastos autônomos;
d) afetada pelo efeito da variação da taxa de juros sobre o investimento;
e) afetada pelo efeito da variação da taxa de juros sobre o gasto público.
Comentários:
Armadilha da liquidez?
Resultado: POLÍTICA FISCAL PLENAMENTE EFICAZ.
Nesse caso também não há o que pensar: a resposta correta é a letra b.
Mais uma dica: falou-se em caso clássico, temos a política monetária plenamente eficaz.
Para o caso da armadilha da liquidez, temos que é a política fiscal que se torna plenamente
eficaz.
Gabarito: Letra b.
11. (Petrobras – Economista Júnior – 2008) A gráfico abaixo mostra o modelo IS/LM com duas posições possíveis para
a curva LM: LM1 e LM2.
Em relação à figura apresentada, pode-se afirmar que a(o):
a) armadilha da liquidez do Modelo Keynesiano pode ser representada pela LM2;
b) política fiscal fica impotente no caso da LM ser como a LM2;
c) política monetária fica impotente no caso da LM ser como a LM2;
d) curva IS representa os pontos de equilíbrio no mercado monetário;
e) modelo clássico supõe a LM como a LM1.
Comentários:
A resposta é a letra b. LM vertical, ou caso clássico, e a política monetária passa a ser
ineficiente.
Capítulo 3
Os Governos Militares – Parte 1: O Plano de Ação
Econômica do Governo
Terminamos o capítulo passado falando sobre o governo JK e seu Plano de Metas.
Embora tenhamos visto ainda alguns pontos dos demais governos, chegando, inclusive, ao
governo militar, vamos rever com detalhes esse período. Quais suas características, seus
objetivos e por que precisamos lembrar sempre do governo militar quando falamos sobre a
economia recente.
Fonte da figura: A. Gremaud, Economia Brasileira Contemporânea.
Só para que você entenda, já vimos a maior parte do governo brasileiro, indo dos anos
1930 (ou um pouco antes disso) para o ano 1960, com o plano de Metas (as linhas
horizontais demarcam esses períodos: antes da crise de 1929, o governo Getúlio Vargas e o
governo JK). Hoje, veremos a linha vermelhão quarto segmento de reta horizontal, com o
governo militar (1964-1984).
Antes, porém, de falarmos sobre o governo militar propriamente dito, precisamos falar
sobre a crise dos anos 1960, período que antecedeu o regime militar.
No final dos anos 1960, a situação econômica nacional sofreu um retrocesso. Nesse
período ocorreu uma forte queda nos investimentos, o que levou a uma retração da renda.
Ainda como resultado do Plano de Metas – uma vez que JK não encontrou uma fonte
conveniente de financiamento para o seu plano e optou pela emissão de moeda –, o país
passou por um período de forte aceleração inflacionária.
A tabela abaixo, extraída do livro de Economia brasileira contemporânea, de A.
Gremaud, mostra o retrato da economia brasileira no período.
PRODUTO E INFLAÇÃO: 1961-1965
Ano
Crescimento do
PIB (%)
Crescimento
da Produção
Industrial (%)
Taxa de inflação
(IGP-DI) (%)*
1961 8,6 11,1 33,2
1962 6,6 8,1 49,4
1963 0,6 –0,2 72,8
1964 3,4 5,0 91,8
1965 2,4 –4,7 65,7
Fonte da figura: A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
É importante ressaltarmos que nessa época o índice de inflação alcançou 91,8% a.a., uma
taxa extremamente alta para um país que praticamente não apresentou crescimento.
Em 1o de abril de 1964, então, nesse cenário de inflação e estagnação econômica, ocorre
o golpe militar – ou a revolução.
E é assim, de forma autoritária, que damos início a um período bastante singular da
economia brasileira, que modificará, para sempre, a estrutura nacional.
O primeiro presidente do regime militar no Brasil, Castelo Branco, lançou o PLANO DE
AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO – Paeg. Um plano de reestruturação com duas
linhas de atuação:
è Políticas conjunturais de combate à inflação;
è Reformas estruturais;
Os militares perceberam que, para justificar a presença no poder, seria necessário fazer a
economia crescer. Entretanto, sabiam que antes de aumentar a produção precisariam
organizar o país. E com esse objetivo surge Paeg, criado para reorganizar o país econômica e
estruturalmente.
O primeiro ponto observado pelos militares é que não seria possível crescer com inflação.
Dessa forma, o governo passou a analisar quais eram as ações que poderiam estar
influenciando no processo de aumento de preços:
a) déficit público;
b) política salarial frouxa;
c) falta de controle sobre a expansão do crédito.
Para reduzir o processo inflacionário, o governo passou a adotar diversas políticas que
pudessem estabilizar os preços. As principais medidas estabilizadoras do Paeg são as
seguintes:
a) redução do déficit público;
b) restrição do crédito e do aperto monetário;
c) política salarial.
O governo adotou também novas formas de financiamento e aumentou as tarifas públicas,
visando reduzir o déficit público (gerado pelas diversas políticas que tinham o governo
como promotor da industrialização). Com essa política, o governo provocou a redução dos
gastos, o que implicou a redução da renda, que por sua vez acarretou a redução do
consumo, o que induziu, finalmente, a retração nos preços e a diminuição da inflação.
No que diz respeito à restrição de crédito, o governo aumentou as taxas de juros e
melhorou os mecanismos de controle. Essa retração reduziu o nível de endividamento das
famílias e, assim, o nível de consumo. Finalmente, a fim de diminuir os custos das empresas
com salários, o governo, através da Circular no 10, gerou o arrocho salarial.
Além dessas resoluções, os militares necessitavam desenvolver um processo que pudesse
controlar e criar uma forma de conviver com a alta da inflação. A solução encontrada foi a
correção monetária.
A correção monetária era uma forma “amigável” de conviver com a inflação. O raciocínio
era o seguinte: como a inflação eleva os preços dos bens de consumo, isso faz com que a
população fique mais pobre. A solução para essa “pobreza” era fazer com que os salários
fossem reajustados de acordo com a inflação de bens e serviços. Assim, se os preços
aumentassem 10% e o salário também aumentassem 10%, não sentiríamos a inflação, logo a
inflação não existiria.
Exercícios
1. (EPE – Analista Economia de Energia – 2007) Em 1964 o governo brasileiro começou a implementar um novo
programa econômico conhecido como Paeg, visando, entre outros objetivos:
a) conter paulatinamente o processo inflacionário brasileiro;
b) conter a entrada de investimentos externos especulativos;
c) promover aumentos salariais e a redistribuição de renda no Brasil;
d) reorganizar o mercado financeiro brasileiro e eliminar a correção monetária;
e) aumentar substancialmente o comércio externo brasileiro com os países do Mercado Comum Europeu.
Comentários:
Quando o governo militar instaurou o Paeg (Plano de Ação Econômica do Governo),
tinha como objetivo reorganizar a estrutura nacional e criar um processo de redução da
inflação, que ficou conhecido como correção monetária. Nesse sentido, podemos dizer que
a letra correta que responde à questão é a, que aponta a contenção da inflação como um
dos objetivos da política do governo.
Vejamos por que as demais estão incorretas.
A letra b não pode ser a correta porque o governo militar não conteve a entrada de
investimentos externos especulativos. Na verdade, durante o regime militar houve aumento
do fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil, o que levou, inclusive, a um aumento da
dívida externa.
A letra c também está incorreta. E para que você compreenda por que ela está incorreta,
vai ter que lembrar de uma coisa quando ouvir falar em regime militar:
A teoria do bolo de Delfim Netto. Já ouviu falar sobre ela?
CURIOSIDADES
A teoria do bolo recebeu essa denominação por afirmar que em uma economia era preciso primeiro fazer crescero PIB para depois
repartir os ganhos. De fato, há bastante nexo nessa explicação: para que uma economia cresça, é preciso que existam investimentos e
esses só são possíveis quando as empresas geram algum nível de lucratividade, que só acontece quando elas têm poder de monopólio.
Logo, para que esses investimentos existissem, de fato, era preciso colocar o dinheiro nas mãos dos proprietários, em detrimento dos
trabalhadores. Foi o que Delfim chamou de crescer o bolo. O problema, no Brasil, esteve ligado ao processo de distribuição.
A letra d tem uma pegadinha bem interessante: de fato, houve uma reorganização do
mercado financeiro brasileiro (com a criação do Banco Central, do Conselho Monetário
Nacional etc.), mas não houve eliminação da correção monetária. O que ocorreu, de fato,
nesse período, foi a criação da correção. Como vimos, foi uma forma de o país aprender a
conviver de forma pacífica com o processo inflacionário.
Finalmente, a letra e é falsa, porque não houve um aumento substancial do comércio
externo entre o Brasil e o Mercado Comum do Sul. Na verdade, esse Mercado Comum foi
criado apenas em 1994, quando o presidente Collor estava no poder.
Gabarito: Letra a.
2. (BNDES – Economia – Profissional Básico – 2008) O Paeg (Plano de Ação Econômica do Governo) e as reformas
implementadas em 1964 e nos anos imediatamente subsequentes, no Brasil,
a) aumentaram substancialmente os salários;
b) aumentaram as restrições à entrada de capitais externos;
c) diminuíram a carga fiscal dos contribuintes;
d) criaram o Banco Central do Brasil;
e) eliminaram a correção monetária no país.
Comentários:
Falou-se em reformas promovidas pelo Paeg e você vai lembrar, direto, da criação do
Banco Central (as bancas, de forma geral, adoram esse evento).
Vamos fazer um tour pelas outras alternativas para ver o que está errado nelas. A letra a
está errada porque, como já vimos, não há política governamental de aumento de salários
nessa época, à exceção do aumento salarial dado por Getúlio Vargas no seu segundo
mandato, que acabou gerando o processo de deposição do cargo. Nos demais casos, não
houve política governamental de aumento de salários.
A letra b também não é verdadeira, já que não houve restrições à entrada de capital
estrangeiro no Brasil. Você precisa lembrar que quando se fala em regime militar estamos
conversando sobre endividamento externo no Brasil, logo, era preciso entrar capital
estrangeiro para financiar as nossas contas.
Em seguida, a letra c está errada porque não houve redução da carga tributária dos
contribuintes. Lembre-se que, nessa época, houve ainda a reforma tributária, que criou uma
série de tributos nacionais, estaduais e municipais.
E finalmente, a letra e está incorreta porque a correção monetária foi criada nessa época,
e não extinta.
Gabarito: Letra d.
3. (Petrobras – Economista Junior – 2005) O Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg), iniciado no governo do
marechal Humberto de Alencar Castello Branco, tinha como objetivo fundamental o combate à inflação. Os
gestores do Plano defenderam o diagnóstico de inflação:
a) de custos;
b) estrutural, setorialmente localizada;
c) inercial, determinada por elevação do dólar;
d) causada por excesso de demanda;
e) determinada por preços de commodities.
Comentários:
Essa questão vale uma diferenciação: quando falarmos em Paeg, estaremos falando,
necessariamente, em inflação de demanda, o que é comprovado pela letra d. No período
imediatamente seguinte, no “milagre econômico”, a inflação foi diagnosticada como de
oferta ou de custos. Somente durante a redemocratização é que a inflação foi diagnosticada
como inercial
Logo, não há o que analisar: a inflação durante o início do regime militar está
relacionada, necessariamente, aos excessos de demanda.
Gabarito: Letra d.
Macroeconomia em análise
Inflação
A inflação pode ser definida como o processo persistente de aumento do nível geral de preços,
resultando assim em uma perda do poder aquisitivo da moeda.
Então, quando se fala em aumento generalizado do nível de preços, estamos falando,
necessariamente, da sempre preocupante inflação. E por que essa mocinha é tão preocupante?
Explico.
Primeiro, porque gera um efeito sobre a distribuição de renda da economia: a inflação provoca
redução do poder aquisitivo dos segmentos da população que dependem de rendimentos fixos,
com prazo legal de reajuste (os assalariados). Aqueles com renda livre, como empresas e
especuladores são favorecidos pelo processo inflacionário.
O segundo efeito da inflação incide sobre a alocação de recursos: o processo inflacionário tende a
modificar o perfil de investimentos dos agentes da economia. Os investidores resistem em alocar
seus recursos em projetos de longa maturação, preferindo os de curto prazo.
Quando esse segundo efeito se torna muito forte (nos casos de hiperinflação), os investidores não
aplicam seus recursos em investimentos que podem gerar o crescimento econômico (e deslocar
a nossa curva de possibilidade de produção), preferindo, como vimos acima, os investimentos
financeiros, que possuem um prazo de maturação menor. Assim, além de nos deixar mais pobres,
a inflação ainda condena o ritmo de crescimento da economia.
Finalmente, o último efeito é sobre o Balanço de Pagamentos: se a elevação de preços internos se
dá em ritmo superior aos aumentos de preços internacionais, os produtos produzidos dentro do
país tornam-se mais caros que os produzidos externamente. Isso pode gerar dificuldades de
exportação e estimular as importações, prejudicando os resultados da balança comercial.
Pelos três motivos citados acima, é possível observar que a inflação deve ser evitada. Isso não quer
dizer que devemos ter um processo de deflação, mas um processo de estabilidade de preços.
Assim, nem alto demais nem baixo demais.
Mas de onde vem esse aumento de preço? No item a seguir estudaremos os três tipos de inflação.
Tipos de inflação
Inflação de demanda
Acontece inflação de demanda quando há excesso de demanda agregada em relação à produção
disponível de bens e serviços (oferta agregada). Pode ser entendida como “dinheiro demais à
procura de poucos bens”.
Como comprimir a demanda agregada? Reduzindo o grau de investimento dos agentes
econômicos ou através do governo, aumentando imposto e/ou reduzindo seus gastos. Pelo que
podemos ver, quando o governo gasta demais (através da política fiscal expansionista), gera, no
curto prazo, aumento da renda, mas... pode gerar também aumento da inflação.
Foi exatamente isso que aconteceu no governo Lula. Como o governo gastou demais em 2010, a
presidente Dilma teve que cortar todos os gastos para poder colocar a inflação dentro da meta (que
hoje é de 4,5%, podendo ser 2% para cima ou 2% para baixo).
Inflação de custos
Como o próprio nome diz, a inflação de custos está ligada diretamente aos custos das empresas.
Existem muitos fatores que fazem o preço aumentar do lado da oferta. Abaixo, alguns deles:
• Quedas de produção (ou choques de oferta): ocorrem quando as empresas reduzem,
significativamente, os volumes de produção, devido a greves, falta de matérias-primas ou
quebras de safras.
• Aumento nos preços de produtos importados: os custos de produção das empresas
aumentam e estas repassam a elevação para os preços do produto final.
• Aumentos excessivos de salários: por iniciativa do governo ou decorrente da capacidade de
negociação dos sindicatos dos trabalhadores. Se além da inflação e dos índices reais de
produtividade eleva os custos de produção e pressiona os preços para cima.
• Atuação dos oligopólios: através da “inflação administrada”, quando as empresas aumentam
seus preços visando um lucro maior. Se seus produtos são insumos para a produção de
outras empresas, gera-se a chamada “espiral inflacionária”.
Por fim, a inflação mais complicada: a inflação inercial.
Inflação inercial
Lembra-se de inércia da física? Segundo eu me lembro (eu era péssima em física), a inércia diz
que um corpo em repouso tende a ficar em repouso se nenhuma forçafor aplicada sobre ele.
Além disso, um corpo em movimento uniforme tende a ficar nesse movimento se nenhuma força
for implementada sobre ele.
Ocorre inflação inercial quando os agentes econômicos adaptam suas expectativas a uma dada
taxa de inflação. A taxa de inflação passa a ser incorporada por diferentes instituições no
desenvolver de suas atividades.
Ou seja, a inflação inercial acontece quando os preços sobem hoje porque eles, simplesmente,
subiram ontem. Simples assim. E por que eles subiram ontem? Porque já subiram antes de ontem.
Ou seja, eles não vão parar de subir até que uma “força” consiga pará-los. E para encontrar essa
força para parar é um problema, viu!
Só para você ter uma ideia, como veremos mais na frente, o Brasil lutou durante praticamente 10
anos contra essa danada para poder, finalmente, controlá-la!
Exercícios
1. (FGV – Sefaz-RJ – Auditor Fiscal – 2011) A inflação acumulada nos últimos doze meses encontra-se no mês de abril de 2011 acima da
meta de inflação adotada no país. Para trazer de volta a inflação para a meta, a melhor combinação de políticas monetária e fiscal é,
respectivamente,
a) elevação da Selic e dos gastos do governo;
b) redução da Selic e dos gastos do governo;
c) elevação da Selic e contração dos gastos do governo;
d) redução dos gastos do governo e da Selic;
e) redução dos gastos do governo e elevação da Selic.
Comentários:
Primeiro ponto a se observar ainda no enunciado. Ele fala de inflação e a associa às políticas fiscal
e monetária. Logo, é possível dizer que se trata de uma inflação de demanda: como o governo
aqueceu a economia (seja por aumento da oferta de moeda, seja por aumento dos gastos ou
redução de tributos), isso influenciou o consumo das famílias. Contudo, no curto prazo, a produção
das empresas não responde a esse aumento da demanda, levando a um aumento de preços (lei da
demanda e da oferta: o que está acontecendo é simplesmente um deslocamento da curva de
demanda para cima e para a direita para todos os bens, o que acarreta aumento generalizado no
nível de preços, caracterizando a inflação. Lembre-se de que se o preço de apenas um bem
aumentar, isso não caracteriza inflação. A inflação ocorre quando há aumento generalizado do
nível de preços).
Ainda no enunciado, temos que esse aumento impulsionou a economia a um nível de aquecimento
tão alto que colocou a inflação fora da meta estabelecida pelo governo (máximo de 6,5% a.a.). Para
resolver esse problema, o que o governo deve fazer?
Antes de pensar nas políticas, temos que pensar no resultado e depois voltar para as políticas.
Veja, os preços estão aumentando porque as pessoas estão comprando mais. O que precisamos
fazer? Precisamos fazê-las comprar menos. Como faremos isso? Reduzindo a renda delas.
Quando se fala em redução de renda estamos falando, necessariamente, de políticas
retracionistas.
Logo, para que o governo possa reduzir a inflação, ele terá de adotar as políticas fiscal e monetária
retracionistas.
Vejamos as alternativas.
A alternativa a diz que o governo deve promover a elevação da Selic e dos gastos do governo. Se o
governo aumentar a Selic (a taxa básica de juros da economia, através de uma política monetária
retracionista, via um dos seus instrumentos – operação em mercado aberto, taxa de redesconto ou
encaixes compulsórios), isso deverá gerar, sim, uma redução na renda da economia, já que com
juros mais altos as pessoas irão comprar menos para depositar mais moedas em aplicações
financeiras. Então, até aqui, tudo certo. De fato, um aumento da taxa Selic provoca uma redução da
renda da economia, o que freia a inflação. Contudo, a questão está errada por considerar que o
governo deve aumentar os seus gastos. Como vimos, o aumento dos gastos do governo implica
aumento da renda e aquecimento do mercado de bens e serviços, trazendo como consequência
uma pressão inflacionária.
Logo, a alternativa a não é verdadeira.
A letra b diz que o governo deve fazer uma redução da Selic e dos gastos do governo. Essa é
justamente o inverso do que vimos na alternativa a. Se a primeira alternativa peca quando fala em
aumento dos gastos do governo, a questão atual erra quando diz que o governo deve fazer uma
redução da Selic. Como observamos, para que o governo possa reduzir a renda da economia e,
assim, reduzir a inflação, terá que aumentar a taxa de juros, não o contrário.
Assim como a anterior, a alternativa também não é verdadeira.
A letra c afirma que deverá existir uma elevação da Selic e contração dos gastos do governo.
Finalmente a resposta correta.
Como já demonstramos acima, para que o governo possa reduzir a inflação, ele precisa adotar a
combinação das políticas fiscal e monetária retracionistas. Ou seja, reduzir gastos, aumentar
tributos e ainda aumentar a taxa de juros.
Assim, alternativa correta é a c. Vejamos porque as demais estão incorretas.
A letra d diz que é preciso haver uma redução dos gastos do governo e da Selic. Essa alternativa é
exatamente igual à letra b, apenas com outras palavras, Logo, assim como a anterior, também está
incorreta.
Por fim, a letra e afirma que deverá ser feita uma redução dos gastos do governo e elevação da
Selic. Pois é, exatamente igual à alternativa correta, a letra c.
Logo, não há o que discutir. Nessa prova temos duas alternativas corretas: as letras c e e.
Gabarito Oficial: Letra c – Cabe recurso
2. (Cespe – MPU – Analista de Economia – Perito – 2010) A respeito do desenvolvimento brasileiro no pós-guerra, julgue a questão a
seguir.
Inflação inercial, que é um tipo de inflação de demanda, surgiu no Brasil nos anos 1970 como um padrão autorreprodutor das elevações de
preços e salários.
Comentários:
Bem, pelo que vimos até agora, fica bem claro que a questão está incorreta. A explicação para isso
é que a inflação inercial não é um tipo de inflação de demanda, mas uma inflação específica. Assim,
a questão, já com esse erro conceitual está errada.
Continuando a análise da questão, contudo, podemos notar que todo o resto está correto. De fato, a
inflação inercial se retroalimenta, provocando um efeito em espiral.
Gabarito: FALSO.
Continuando no regime militar...
A correção monetária resolvia o problema apenas parcialmente, uma vez que com o
aumento dos salários haveria aumento nos custos, o que geraria, em última análise,
aumento nos preços dos bens. Assim, podemos verificar que a correção monetária gera
redução na inflação no curto prazo. Além disso, essa redução terá um preço que deverá ser
pago em algum ponto no tempo. A tabela abaixo, também extraída do livro de A. Gremaud,
Economia brasileira contemporânea, mostra como a redução foi desacelerada.
PRODUTO E INFLAÇÃO: 1964-1968
Ano
Crescimento do
PIB (%)
Crescimento
da Produção
Industrial (%)
Taxa de inflação
(IGP-DI) (%)
1964 3,4 5,0 91,8
1965 2,4 –4,7 65,7
1966 6,7 11,7 41,3
1967 4,2 2,2 30,4
1968 9,8 14,2 22,0
Fonte da figura: A. Gremaud, Economia brasileira contemporânea.
Resolvido, em princípio, o problema da inflação, os militares observaram que era preciso
organizar o Brasil para que pudéssemos ter, finalmente, um grande processo de
crescimento. Para tal, o Paeg desenvolveu três reformas institucionais:
a) reforma tributária;
b) reforma monetário-financeira;
c) reforma do setor externo.
3.1. Reforma tributária
Quando entraram no governo, os militares observaram que o nosso sistema tributário era
extremamente defasado para a realidade da época. Sabendo disso, implementaram as
seguintes medidas para torná-lo mais eficiente:
• Transformaram os impostos em cascata (em que você acaba pagando um “imposto em
cima do outro”) em impostos de valor adicionado, como o IPI e o ICM (que mais
tarde seria chamado de ICMS).
• Redefiniram o espaço tributário entre as diversas esferas do governo. Assim, caberia à
União o valor arrecadado com o IPI, o Imposto de Renda, os impostos únicos, o
imposto sobre a exportação, o imposto sobre a importação e o ITR. À Unidade
Federativa caberia o ICM e ao município, o ISS e o IPTU.
Foi ainda no períododos militares no poder que foi criado o Fundo de Participação dos
Estados e dos Municípios.
Além desses impostos, o governo estabeleceu vários fundos parafiscais. Entre os mais
importantes, destacamos o PIS e o FGTS. A criação do FGTS merece destaque. Até antes do
regime militar havia uma lei que dizia que, se o trabalhador tivesse mais de 20 anos como
funcionário de determinada empresa, não poderia ser demitido, o que acabava engessando
o mercado de trabalho. Para tirar esse benefício do trabalhador sem prejudicá-lo demais, os
militares desenvolveram o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Com isso, caso o
trabalhador fosse demitido, ele não seria tão prejudicado a ponto de ficar sem nenhum
recurso financeiro, principalmente os mais idosos. Assim, o FGTS surge também como uma
possibilidade de dar dinamismo ao mercado de trabalho.
Como principais consequências da reforma tributária promovida pelos militares,
podemos citar o aumento na arrecadação, o que possibilitou que o governo tivesse mais
uma forma de financiar os seus gastos que impulsionariam, por fim, o crescimento
econômico.
3.2. Reforma monetária-financeira
Até 1964, o sistema financeiro brasileiro era hiperconfuso. Nesse período, a autoridade
monetária era exercida por quatro instituições diferentes: Sumoc – Superintendência da
Moeda e do Crédito, Conselho da Sumoc, Tesouro Nacional e Banco do Brasil. Observando
tamanha dispersão de autoridade no sistema financeiro e notando ainda a existência de
uma maior complexidade nesse sistema no Brasil, o Paeg desenvolveu uma reforma que
tinha como objetivo criar condições de condução independente da política monetária e
direcionar os recursos da atividade econômica.
Para isso, o governo militar criou quatro grandes medidas:
1. Instituição das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional
Com essa medida, o governo tornava os títulos públicos novos instrumentos de
financiamento, evitando, assim, o financiamento público via emissão de moeda. Como os
títulos não estavam indexados anteriormente (indexados = reajustados por um índice que
nesse caso é o índice de preços), não eram interessantes de ser comprados pelos
investidores. A partir do reajuste via índice de preços, esses títulos passaram a ser mais
interessantes para a compra.
2. Criação do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional
Sim... somente naquele período foram criados o Banco Central e o CMN. No apagar das
luzes de 1964 (31/12) foram criadas as duas instituições mais importantes do sistema
financeiro brasileiro. Deve-se notar que cabe ao CMN a normatização do sistema financeiro
e ao Banco Central a execução da política monetária e a fiscalização do sistema financeiro.
3. Criação do Sistema Financeiro de Habitação e do Banco Nacional de Habitação
A criação desses dois agentes do sistema financeiro está ligada, diretamente, à restrição de
crédito necessária para a redução da inflação. Assim, como o financiamento para a
habitação ficou mais escasso, o governo objetivou, com essa criação, reduzir o déficit
habitacional.
4. Reforma no sistema financeiro e do mercado de capitais
Finalmente, com o objetivo de melhorar o acesso ao crédito para o investimento das
empresas, foi criado o mercado de capitais, que tinha como objetivo direcionar o crédito
para as empresas. Além disso, o sistema financeiro como um todo foi reestruturado. Nessa
estruturação, os agentes financeiros foram caracterizados pela sua especialização, o que ia
de acordo com o modelo do sistema financeiro norte-americano.
Com essas quatro medidas, o governo conseguiu estruturar o sistema financeiro. Faltava
então reorganizar o setor externo, para aprontar a economia para a decolagem.
3.3. Reforma do setor externo
A última reforma promovida pelo governo brasileiro foi ligada ao setor externo. Como
esse setor ficou esquecido por muito tempo e o governo queria retirar recursos para investir
também no exterior, adotou algumas políticas de incentivos.
Para a melhoria do comércio externo, o governo criou incentivos fiscais para a exportação
e modernizou os órgãos ligados ao comércio internacional. Do lado da importação, o
governo retirou os limites quantitativos que existiam e adotou, para proteger a nossa
indústria, um sistema de minidesvalorizações cambiais. Finalmente, no que diz respeito à
atração do capital estrangeiro, houve uma renegociação da dívida externa e o acordo de
garantias para o capital estrangeiro.
Com as reformas consolidadas, pudemos preparar a nossa economia para decolar junto
com o período seguinte, carinhosamente chamado de “milagre econômico”.
3.4. O milagre econômico
Entre os anos 1968 e 1973, o Brasil experimentou as maiores taxas de crescimento do
produto nacional na história recente: taxas de crescimento acima de 10% a.a.
Esse desempenho decorreu de alguns fatores, que vale a pena mencionarmos:
• as reformas institucionais anteriores;
• a capacidade ociosa da indústria;
• o crescimento da economia mundial;
• mudança do diagnóstico da inflação: passou-se a acreditar que a inflação estava ligada
aos custos. Assim, o governo tirou a mão do bolso e começou a gastar via políticas
monetária, fiscal e creditícia.
As principais fontes de crescimento da economia brasileira que possibilitaram o
crescimento foram a retomada do investimento público (sim... governo gastando de novo)
em infraestrutura e das empresas privadas. Além disso, houve ainda um aumento da
demanda por bens duráveis e por bens produzidos pela construção civil. Por fim, vivíamos
ainda um processo de forte exportação. Assim, sob o governo Médici, o mais autoritário de
todos os governos, tivemos os maiores indícios do milagre econômico.
Um ponto importante nesse período foi o plano econômico que governava as políticas do
governo. Embora normalmente não seja dito pela maioria dos livros, foi nesse período que
tivemos a implantação do I PND – Plano Nacional de Desenvolvimento.
Mas o milagre não se resumiu a flores. Foi também nessa época que engrossamos o nosso
endividamento externo: com um crescimento de US$ 9 bilhões de dólares.
O problema é que o milagre demorou pouco... com o fim dos anos de ouro no Brasil,
passamos por dificuldades de ordem interna e externa. E não conseguíamos mais crescer
como antes. Além do problema econômico, temos um problema de legitimidade política:
sem crescer, não há mais a justificativa de manter os militares no poder. É isso que veremos
no ponto seguinte.
1. (Petrobras – Economista Júnior – 2005) O período conhecido como “milagre econômico” (1968-1973) foi marcado
por uma forte expansão do nível de atividade no Brasil e em vários outros países em desenvolvimento. No plano
internacional, qual fator contribuiu para esse crescimento?
a) Grande aumento da liquidez no mercado financeiro internacional, representado pelos eurodólares.
b) Ajuda americana através do Plano Marshall e de outras formas de transferências unilaterais.
c) Forte expansão das exportações de produtos manufaturados e semimanufaturados para a Europa e os Estados
Unidos.
d) Surgimento dos petrodólares, com influência na composição dos novos empréstimos externos.
e) Aquecimento da demanda mundial por commodities, resultante do grande crescimento da economia chinesa.
Comentários:
Essa questão é bem interessante. E é possível cancelar a maioria das alternativas.
Vejamos:
A letra b fala do Plano Marshall, que foi criado depois da Segunda Guerra Mundial para
reconstruir a Europa abalada pela guerra. Isso ocorreu nos idos dos anos 1940, muito longe
da nossa realidade entre os anos de 1968 e 1973. Assim, a alternativa não pode ser
verdadeira.
Pulando a letra c, a letra d afirma que os petrodólares surgiram apenas depois do
primeiro choque do petróleo, em 1973. Logo, essa alternativa também não está correta.
A letra e também não é verdadeira, porque, a essa época, a economia chinesa era de base
socialista e, nesse regime, não se comunicava com o resto das economias de mercado.
Restaram apenas as alternativas a e c. Analisando a última, vemos que não houve, do
nosso lado,uma exportação de produtos manufaturados e semimanufaturados. Lembre-se
que ainda estávamos em processo de industrialização via substituição de importações e,
embora tivéssemos um parque industrial bem considerável nesse período, não tínhamos
competitividade suficiente para fazer frente às produções americanas e europeias.
Dessa forma, fica como alternativa correta a letra a. De fato, o nosso milagre foi
financiado, em grande medida, pelos eurodólares.
Gabarito: Letra a.
2. (Petrobras – Economista Pleno – 2005) A crise econômica brasileira na década de 60 do século passado combinou
baixo crescimento e alta das taxas de inflação. O Plano Trienal e o Plano de Ação Econômica do Governo (Paeg)
visavam, fundamentalmente, criar mecanismos de estabilização de preços e retomada das condições de
crescimento da economia brasileira. Como principal diferença entre esses planos, no que se refere ao diagnóstico
da inflação do período, é CORRETO afirmar que o Plano Trienal:
a) assumia um diagnóstico estruturalista, enquanto o Paeg apontava para o combate a uma inflação de demanda;
b) assumia um diagnóstico de inflação de custos, enquanto o Paeg apontava para o combate a uma inflação de
demanda;
c) fazia um combate de longo prazo à inflação, enquanto o Paeg assumia uma inflação de custos;
d) destacava um diagnóstico estruturalista, enquanto o Paeg apontava para o combate a uma inflação de custos
associada à retração do nível de atividade;
e) supunha uma redução da inflação a partir de reformas estruturais, enquanto o Paeg assumia a necessidade de
forte expansão da economia.
Comentários:
Para responder a essa questão, você precisa lembrar que, para o Paeg, a inflação era
gerada por um excesso da demanda. Assim, apenas com esse dado, vemos que as letras c, d e
e não podem ser verdadeiras.
Restam apenas as alternativas a e b. Nesse caso, para usar o critério de desempate, você
terá que saber que, segundo o Plano Trienal do governo de João Goulart, a inflação era
estrutural, ou seja, só seria possível extinguir a inflação se o governo promovesse diversas
reformas na estrutura da economia.
Gabarito: Letra a.
3. (Termorio – Economista Junior – 2009) No período de 1968 a 1973, conhecido como fase do “milagre”, a economia
brasileira apresentou taxas elevadas de crescimento real do PIB, mas a tendência de aumento da inflação foi
contida. Para tal, um fator importante foi a(o):
a) capacidade ociosa da economia;
b) contenção da demanda via política monetária expansiva;
c) redistribuição da renda para as classes de menor poder aquisitivo;
d) desvalorização cambial da moeda brasileira;
e) crescimento vigoroso das exportações no período.
Comentários:
Essa questão é interessante e vamos responder imediatamente. A alternativa correta é a
letra a. O milagre só conseguiu taxas de crescimento tão expressivas porque havia muita
capacidade ociosa criada nos períodos anteriores e que foram sendo absorvidas apenas
nesse período.
Veja que é impossível um país crescer tanto em tão pouco tempo se não houver uma boa
capacidade ociosa a ser ocupada. E foi justamente esse fator que nos ajudou no período do
milagre.
A letra b, por sua vez, está errada, já que não houve qualquer contenção da demanda.
Como a oferta foi diagnosticada como de custos, o governo não sentiu qualquer necessidade
de fazer políticas de restrição de demanda.
A letra c pode ser respondida lembrando da “teoria do bolo”.
A letra d é verdadeira, contudo, não foi um fator importante para o período do milagre.
Assim, veja que uma alternativa ser verdadeira para o período não implicará ser a resposta
da questão, ok?
Finalmente, a letra e é falsa, já que não houve crescimento vigoroso das exportações nesse
período.
Gabarito: Letra a.
4. (IBGE – Análise Socioeconômica – 2010) Durante o período de 1968 até 1973, a economia brasileira apresentou
taxas de crescimento real do PIB bem elevadas, taxas de inflação diminuindo, redução e eliminação de déficit no
Balanço de Pagamentos. Tal evolução se tornou possível por causa de vários fatores, dentre os quais NÃO se
encontra o(a):
a) quadro de ampla liquidez no mercado financeiro internacional;
b) política deliberada de captação de recursos externos para financiar o balanço de pagamentos.
c) política de minidesvalorizações cambiais, de acordo com a inflação, evitando variações bruscas no câmbio real.
d) redistribuição de renda para os pobres, expandindo rapidamente a demanda interna.
e) existência de capacidade ociosa na economia.
Comentários:
Como essa questão pede a alternativa errada, vamos direto a ela.
Você acha que o governo olhou para as pessoas mais pobres? (Teoria do bolo, teoria do
bolo...) A resposta é NÃO. O governo militar não se interessou em fazer a redistribuião de
renda para os mais pobres. Assim, a letra que responde essa questão é d.
Gabarito: Letra d.
Capítulo 4
Os Governos Militares – Parte 2
4.1. A economia brasileira e a última fase do regime militar: O II PND
O período entre os anos de 1974 e 1985 marca o processo de distensão e finalização do
regime militar, iniciado em 1964 com o governo Castello Branco, seguido dos mandatos dos
presidentes Ernesto Geisel (1974-1979) e João Figueiredo (1979-1985). Economicamente, os
anos entre 1974 e 1985 representam o auge e o esgotamento do processo de industrialização
por substituição de importações no Brasil e delimitam um conturbado contexto
internacional, assinalado pela crise da ordem de Bretton Woods, pelos dois choques do
petróleo e pelo aumento da taxa de juros norte-americana.
Apenas para que você entenda melhor o processo de industrialização por substituição de importações, ele foi iniciado ainda no ano de
1930 pelo então presidente da república Getúlio Vargas. Esse processo de industrialização colocava o governo como a máquina
propulsora do crescimento econômico, protegendo a indústria nacional e incentivando a produção nacional. Assim, entre 1930 e 1979
prevaleceu esse modelo de industrialização na economia brasileira.
Os anos 1970 são marcados pelo fim do período de Bretton Woods e por suas
consequências: redução do crescimento do produto, perda do dinamismo do comércio
mundial, aumento da inflação e da taxa de juros. Entre as causas que geraram o fim desse
período, pode-se apontar o esgotamento da onda de inovações, fator que, até então, gerava
crescimento nas economias capitalistas. Assim, a redução das inovações altera a distribuição
funcional da renda em favor dos trabalhadores (uma vez que os lucros, remuneração dos
empresários, não crescem sem inovações), gerando um desestímulo ao investimento
privado. Dessa forma, a redução do crescimento mundial esteve associada à perda do
dinamismo do investimento empresarial.
Contudo, esse processo poderia ter sido evitado caso houvesse aumento dos gastos
públicos nacionais, pois, uma vez um desses setores fortalecido, tal fato geraria expectativas
de lucros e redirecionaria novos recursos para investimentos. A impossibilidade desse
evento esteve ligada, no que diz respeito aos gastos públicos, à impossibilidade de aumentar
os gastos devido aos crescentes déficits fiscais dos governos.
A economia mundial altera bastante a sua configuração nos últimos dez anos do governo
militar em razão, também, dos dois grandes choques do petróleo. Nos países
industrializados, os choques representam, além do aumento da inflação (originada no
aumento dos preços dos produtos derivados da commodity), a redução das importações e o
posterior aumento das taxas de juros para controle das elevações dos níveis de preços. Para
Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
Alexandre
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Alexandre
Highlight
os países em desenvolvimento/periféricos (onde se enquadra o Brasil), os impactos foram
ainda mais severos: aumento da inflação e dos preços dos produtos importados dos países
centrais, redução do comércio internacional (devido à redução da importação dos países
desenvolvidos), perda das relações de troca, escassez de divisas e déficits comerciais, além
do aumento das taxas dejuros domésticas em resposta ao aumento das taxas internacionais.
Esses efeitos, contudo, foram suavizados no período posterior ao primeiro choque pela
entrada dos petrodólares, que injetaram liquidez ao sistema financeiro e financiaram tanto
países industrializados quanto países em desenvolvimento. Fato semelhante não foi
observado durante o segundo choque, em 1979, o que levou os países desenvolvidos a
aumentarem as taxas de juros, ampliando os efeitos recessivos nos países periféricos.
Foi durante o período após o primeiro choque do petróleo que o governo Geisel (1974-
1979) instituiu o II Plano Nacional de Desenvolvimento – II PND. O último plano
econômico do regime militar foi caracterizado pelo crescimento do PIB e por
transformações na estrutura produtiva nacional, e marca a resposta do Brasil à crise
internacional. No desenvolvimento do plano, optou-se pela ampliação da capacidade de
produção doméstica de bens de capital e petróleo, o que marca o II PND como um plano
de ajuste estrutural, em contraposição às alternativas disponíveis de ajuste conjuntural.
Assim, o II PND foi constituído como um programa de investimentos públicos e privados
que buscava atingir os pontos de estrangulamento que aumentavam a dependência e a
vulnerabilidade externa do Brasil: infraestrutura, bens de produção, energia e exportação,
levando o Brasil a um estágio de potência intermediária. O financiamento desse plano seria
realizado pelo BNDES e pela União através de impostos e empréstimos externos. Os últimos
sendo possíveis graças às melhores condições de crédito originadas da liquidez dos
petrodólares.
As estratégias do plano estavam alicerçadas em quatro pontos:
(i) modificação da matriz industrial, através da ampliação da participação da indústria
pesada;
(ii) mudança na organização industrial, com ênfase na importância da empresa privada
nacional;
(iii) desconcentração regional da atividade produtiva, gerando uma menor centralização
espacial da produção; e, por fim,
(iv) melhoria da distribuição da renda.
Alexandre
Highlight
Alexandre
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Alexandre
Highlight
Alexandre
Highlight
Segundo os objetivos do plano, as inversões em bens de capital e intermediários
combinadas com a modificação das matrizes energéticas e de transportes gerariam, de
forma autônoma, a demanda pela implementação da indústria de bens de capital no Brasil.
O II PND resultou, dessa forma, em avanços para as indústrias de bens intermediários e
de energia, embora esse progresso estivesse ligado à presença de filiais de empresas
multinacionais no Brasil, representando, assim, alta ociosidade e pouca especialização. Em
síntese, pode-se dizer que o ajuste estrutural por meio do II PND não foi capaz de constituir
um novo padrão de crescimento para a economia brasileira, deslocando seu eixo dinâmico
para a indústria de bens de capital. Ao mesmo tempo, não foi capaz de remover a
vulnerabilidade externa expressa nos déficits comerciais elevados e ampliados após o
segundo choque externo.
As figuras 1 e 2 em destaque a seguir mostram, respectivamente, o Produto Interno Bruto
real e a balança comercial durante o governo Geisel (1974-1979).
Produto Interno Bruto Real Brasileiro (destaque para o período do governo Geisel) –
1974-2009. Fonte: IBGE.
Balança Comercial Brasileira (destaque para o período do governo Geisel) – 1974-2009.
Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim/BP.
4.2. O governo Figueiredo, a ruptura do padrão de financiamento e a década
perdida
Com o segundo choque do petróleo, no último ano da década de 1970, as condições de
liquidez internacional mudaram fortemente. A inexistência de petrodólares associada ao
aumento do preço da principal commodity da matriz energética mundial representaram
fortes consequências para a economia brasileira. E é um pouco antes desse período que se
inicia o mandato de João Figueiredo, último governo do regime militar (1979-1985),
marcado por três fases distintas do comportamento do PIB:
(i) 1979-1981: elevadas taxas de crescimento;
(ii) 1981-1983: recessão;
(iii) 1984: recuperação, puxada pelas exportações.
O gráfico mostra, entre os anos de 1979 e 1985, o comportamento da taxa de crescimento
do PIB real brasileiro durante o governo Figueiredo.
Taxa de Crescimento do Produto Interno Bruto Real Brasileiro (destaque para o governo
Figueiredo – na área circulada – e para a segunda metade da década de 1980) – 1974-2009.
Fonte: IBGE.
Os anos 1980 apresentaram várias diferenças quando comparados com os anos do
decênio de 1970. Entre elas, a conclusão do padrão de industrialização, iniciado em 1930 (o
processo de industrialização por substituição de importações), e a alternância de ciclos
econômicos breves de recessão e expansão, aspecto comum a todas as variáveis econômicas,
conforme apresentado no período posterior (entre 1985 e 1989) no último gráfico anterior.
Além disso, o período foi marcado por uma taxa de crescimento próxima ao aumento da
população e pela redução absoluta do investimento, caracterizando os anos 1980 como uma
década de profunda incerteza e ausência de um padrão de crescimento sustentado. Outro
aspecto singular diz respeito à contínua transferência de recursos reais para o exterior via
obtenção de superávits comerciais, em contraposição à absorção sistemática desses nos anos
1970.
A fim de cumprir a obrigatoriedade de transferir recursos reais para o exterior para pagar
a dívida externa, o governo Figueiredo adota uma política econômica com medidas fiscais e
monetárias restritivas e desvalorizações reais da taxa de câmbio com o objetivo de melhor
se ajustar à nova conjuntura internacional. Tal política gera resistências no setor privado e
nas estatais, o que leva a uma nova solução baseada na maxidesvalorização cambial
implementada pelo novo ministro do Planejamento, Antônio Delfim Netto. O ministro
institui, ainda, a correção das tarifas e o controle dos gastos públicos com o objetivo de reter
o crescimento dos preços.
Embora essa nova solução objetivasse a redução dos níveis de preços, a inflação
continuava seguindo tendência de crescimento devido, entre outros fatores, à emissão de
moeda necessária para pagar aos exportadores pelos dólares obtidos com as vendas para o
exterior. O crescimento dos níveis de preços foi ainda potencializado pela nova política de
ajuste salarial trimestral, o que deu à inflação o caráter inercial. A figura 4, a seguir, mostra,
em destaque, a evolução do IPCA entre os anos de 1980 e 1984. Vale salientar que, embora
quando comparada com os períodos subsequentes, como será visto a seguir, a inflação não
aparente ser de grandes proporções, deve-se ter em consideração que, a partir desse
momento, essa variável passa a ser um ponto de grande preocupação para os
desenvolvedores da política econômica brasileira. O gráfico a seguir apresenta o
comportamento da inflação durante o governo João Figueiredo.
Variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA (destaque para o
governo João Figueiredo) – 1980-2009. Fonte: IBGE.
Variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA – 1980-1984. Fonte:
IBGE.
Os problemas de ajuste externo no governo Figueiredo aumentaram com a adição dos
efeitos da crise latino-americana (moratória da dívida externa do México em setembro de
1982) do insucesso das medidas anteriores, além do padrão de financiamento utilizado
durante o II PND baseado no endividamento externo, na utilização dos recursos fiscais e
parafiscais e na criação da moeda indexada. Para resolver a situação, foi adotado um ajuste
recessivo cujo objetivo era reduzir o consumo para aumentar as exportações, através do uso
de política monetária restritiva, o que levou a uma retração do PIB, gerando, por fim, um
processo de recessão na economia nacional. Dessa forma, a considerável redução do
crescimento, a estagnação do produto per capita e a regressão dos investimentos teriam,
durante a década de 1980, associação direta com o desequilíbrio externo pelo qual o país
passava. O gráfico abaixo mostra o comportamento da balançacomercial brasileira no
período.
Balança Comercial Brasileira (destaque para o período do governo Figueiredo e o drive
exportador) –– 1974-2009. Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim/BP.
No que diz respeito às finanças governamentais, os anos 1980 apresentaram o
desequilíbrio do setor público por meio da crise do seu padrão de financiamento externo.
Essa restrição de crédito internacional originada com o segundo choque do petróleo
impacta, duplamente, sobre as finanças públicas. Por um lado, o setor público passa a
ampliar a sua renúncia fiscal e o volume dos subsídios a fim de viabilizar, rapidamente, a
geração de um superávit comercial para fazer face à transferência de recursos reais. Por
outro lado, por ser o principal devedor em moeda estrangeira (nessa época, o setor privado
se endividava junto ao setor público e esse buscava crédito internacional), o governo arca
com o ônus do pagamento de uma carga de juros em elevação.
Como consequência da nova conjuntura de insuficiência de financiamento externo pela
qual passa o setor público, observa-se o aumento da dívida pública interna, efeito originado
da própria rolagem da dívida externa. A expansão da dívida interna está associada à
elevação das taxas de juros que pressionam fortemente para a manutenção dos subsídios
creditícios e a renúncia fiscal durante o período. O gráfico abaixo mostra o comportamento
da dívida do setor público entre os anos de 1981 e 2009, com destaque para a primeira
metade dos anos 1980. No gráfico, observa-se uma taxa de crescimento constante ao longo
dos anos 1980, à exceção do ano de 1985, que detém uma menor taxa devido à melhora das
contas externas e à redução do desequilíbrio das contas públicas. O gráfico em seguida
mostra a evolução da taxa de crescimento da dívida externa, com destaque, também, para a
primeira parte da década de 1980.
Evolução da taxa de crescimento da dívida do setor público (com destaque para a
primeira metade dos anos 1980) – 1981-2009. Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim/BP.
Evolução da taxa de crescimento da dívida externa brasileira (com destaque para a
primeira metade dos anos 1980) – 1981-2009. Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim/BP.
1. (BNDES – Economia – Profissional Básico – 2008) O período de 1974-78 foi de adaptação da economia brasileira e
mundial à enorme alta dos preços do petróleo. Nesse período houve mudanças importantes, tais como:
a) redução substancial dos gastos brasileiros com a importação de petróleo;
b) redução das taxas de juros no mundo e no Brasil, devido à grande oferta de “petrodólares” pelos países
exportadores de petróleo;
c) aumento considerável dos déficits em conta-corrente dos países importadores de petróleo, financiados pela
reciclagem dos “petrodólares” via sistema financeiro internacional;
d) expansão econômica mundial, financiada pela reciclagem dos “petrodólares” promovida pelo sistema financeiro
internacional;
e) grande aumento das exportações brasileiras, mais do que compensando os maiores gastos com a importação de
petróleo.
Comentários:
Quando as bancas falam sobre o período entre 1974-1978 você tem que lembrar da
primeira crise do petróleo ocorrida em 1973. Nesse período, houve um forte aumento no
preço do petróleo, mas, diferentemente do que aconteceu no período anterior, os efeitos
desse aumento foram suavizados pela injeção dos petrodólares: os dólares oriundos dos
lucros exorbitantes gerados pela venda do petróleo.
Nesse caso, a resposta correta é a letra c. Com o aumento do preço do petróleo que é,
ainda hoje, a matriz energética mundial, os países não tiveram muito o que fazer: como a
troca por outra fonte de energia não ocorre rapidamente, houve um aumento nas
importações de petróleo (não porque houve aumento do volume, mas, sim, aumento nos
preços), o que levou a uma retração na conta-corrente dos países importadores. Para
financiar esses déficits, os países passaram a tomar empréstimos externos que viriam dos
próprios exportadores de petróleo. A esses dólares, chamamos de petrodólares.
Vejamos porque as demais alternativas são incorretas.
A letra a está incorreta por afirmar que houve uma redução substancial dos gastos
brasileiros com a importação do petróleo. Pelo que acabamos de ver, houve aumento dos
gastos. Aliás, lembre-se sempre que não houve aumento do volume importado, mas
aumento nos preços, o que impulsionou o aumento nos gastos.
A letra b é bastante interessante. Veja que, com o aumento do preço do petróleo, houve
uma onda de inflação em todos os países importadores já que, como o petróleo estava na
base de praticamente todos os tipos de produção, ocorreu também aumento de custos, o
que ocasionou elevação dos preços dos bens finais. Observando isso, todos os governos
passam a adotar uma política de taxas de juros mais altas, a fim de conter o surto
inflacionário via redução de consumo. Assim, não houve redução das taxas de juros, como
afirmado na alternativa, mas um aumento que tinha como objetivo reduzir o processo
inflacionário.
A letra d também é falsa. A justificativa para essa alternativa é bem simples: é impossível
haver expansão mundial quando há um aumento tão grande no custo dos insumos. Logo,
essa alternativa não pode estar correta.
Finalmente, a letra e também é errada, já que não conseguimos elevar a nossa exportação
no período. Veja que não é apenas o Brasil que entra em crise, mas todos os demais países
importadores de commodity.
Gabarito: Letra c.
2. (EPE – Economia da Energia – 2006) As afirmações abaixo se referem ao II Plano Nacional de Desenvolvimento (II
PND), de 1974.
I. Concentrou seus esforços de investimentos nos setores de infraestrutura, com particular atenção para a área
de energia.
II. Contou com investimentos basicamente implementados pelas empresas estatais.
III. Marcou um período de forte desaceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira.
É(são) correta(s) a(s) afirmação(ões):
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) II e III.
Comentários:
Nessa questão, vamos direto para o item que está errado. Nesse caso, é o item III, pois
durante o II PND ainda conseguimos bons índices de crescimento econômico, chegando a 5
ou 8% a.a. Esse crescimento veio como um efeito do período imediatamente anterior vivido
no milagre econômico. Logo, embora tenhamos observado um certo desaquecimento da
economia (uma vez que crescíamos a uma taxa de até 15% a.a.), não houve uma forte
desaceleração, como é afirmado no item.
Para os demais itens, I e II, como houve um forte aumento no setor de energia, graças ao
aumento nos preços do petróleo, o governo passou a buscar formas de se desvincular da
dependência do petróleo.
Finalmente, o item II é o verdadeiro, porque, como ainda estávamos no último elo do PSI,
os investimentos ainda eram implementados via empresas estatais.
Gabarito: Letra c.
3. (Petrobras – Economista Júnior – 2005) O II Plano Nacional de Desenvolvimento (1974 a 1979) compreendeu um
conjunto de ações voltadas para a complementação do processo de substituição de importações e a expansão da
atividade exportadora no Brasil. Além disso, procurou incentivar a mudança da matriz energética para uma
menor dependência do petróleo. Com relação a esse último objetivo, qual ação foi prioritária?
a) Implementação do Proálcool e do projeto nuclear.
b) Redução dos investimentos em hidroelétricas no país e aumento do investimento em termoelétricas.
c) Expansão das estradas de acesso às rodovias principais e criação da Rodovia Rio-Bolívia.
d) Proibição do uso de rodovias federais para transporte de cargas e incentivo ao uso do álcool.
e) Estímulo à redução dos investimentos na petroquímica e aumento do número de estudantes de engenharia.
Comentários:
Com o aperto causado pela crise do petróleo, o governo brasileiro sentiu uma
necessidade enorme de reduzir a nossa dependência dessa commodity. Analisando isso,
decidiu incentivar a produção de outras matrizes energéticas. Nesse sentido, implementou o
proálcool, uma política direcionada ao aumento da produção de álcool combustívele de
automóveis movidos a esse tipo de fonte de energia. Além disso, instaurou, no Brasil, os
projetos de criação de energia nuclear Angra 1 e 2, como mostrado na alternativa a.
Entre os demais itens falsos, a letra b seria aquela que geraria mais dúvidas, uma vez que
possuímos, no Brasil, muitas hidroelétricas. Veja que a alternativa fala que haveria uma
redução nos investimentos de hidroelétricas, o que não é verdade. Nessa fase, tivemos
investimentos ostensivos em todos os tipos de energias alternativas no país. E como o país
possui muitos rios, nada como aumentar os investimentos nesse tipo de energia.
As alternativas seguintes c e d fazem bem pouco sentido. Tanto a expansão das estradas
quanto a proibição do uso das rodovias federais não influenciam a redução da dependência
do petróleo, logo, não podem ser verdadeiras. Contudo, deve-se notar que, de fato, houve
uma expansão das estradas de acesso às principais rodovias, mas isso não pode ser
contabilizado como um incentivo à mudança da matriz energética.
Finalmente, a letra e erra porque não houve um estímulo à redução dos investimentos na
petroquímica, mas um aumento dos investimentos. Como você vai lembrar, a intenção do
governo era reduzir a dependência do petróleo importado e isso incluía gerar fontes
alternativas e criar um petróleo brasileiro.
Gabarito: Letra a.
4. (Petrobras – Economista Pleno – 2005) O II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), no governo Geisel, foi
montado no sentido de complementar o processo de substituição de importações no Brasil, além de estimular a
criação de setores exportadores e reduzir a dependência de petróleo da economia brasileira. Com relação ao
setor externo, é correto afirmar que:
a) aumentou bastante o fluxo de empréstimos externos para o Brasil, sobretudo os assumidos pelas empresas
estatais;
b) houve uma rápida reversão do saldo comercial brasileiro ainda na década de 1970;
c) observou-se uma grande retração das transferências unilaterais no Balanço de Pagamentos;
d) criou-se uma dívida externa fundamentalmente privada no Brasil naquele momento;
e) foram fortemente elevadas as exportações de petróleo do Brasil com a descoberta dos campos gigantes da Bacia
de Campos.
Comentários:
Falou-se em II PND e não poderemos abrir mão de lembrar da crise do petróleo. Sempre.
Nesse sentido, a única alternativa que responde à questão adequadamente é a a. De fato,
como vimos anteriormente, o volume de empréstimos externos aumentou muito nesse
período para fazer frente aos aumentos de preços do petróleo.
A letra b não é verdadeira, já que não houve uma rápida reversão do saldo comercial
brasileiro. De fato, houve uma redução bastante significativa, mas não se pode afirmar que
houve reversão.
Em seguida, a letra c está incorreta, pois não se observa uma enorme variação das
transferências unilaterais no BP. Observe que esse tipo de transferência de valor acontece
quando um familiar ou qualquer outra pessoa envia recursos que não são contrapartida de
serviços. Assim, nada se pode afirmar sobre fortes variações desse tipo de transação no
Balanço de Pagamentos.
A letra d falha por afirmar que a dívida externa era privada no Brasil. Ao contrário. Era
dívida fundamentalmente pública. Na verdade, isso não quer dizer que as empresas
privadas não ficaram endividadas, elas ficaram, e muito. Contudo, a dívida contraída por
essas empresas era de caráter doméstico. Assim, para poder emprestar recursos para as
empresas privadas, o governo (através de suas estatais) saía em campo para angariar fundos
que pudessem ser emprestados às empresas privadas.
Finalmente, a letra e está errada porque, nesse período, não fazíamos exportações de
petróleo. Lembre-se, fazíamos importação de commodity (aliás, se tivéssemos feito
exportação nessa época, era provável que tudo fosse diferente hoje).
Gabarito: Letra a.
5. (Termorio – Economista Junior – 2009) O Plano Nacional de Desenvolvimento II (II PND), anunciado em 1974, visou,
fundamentalmente, a:
a) promover o desenvolvimento das regiões mais pobres do país;
b) conter a inflação causada pelo período de forte crescimento de 1968 a 1973;
c) fazer um ajuste estrutural na economia brasileira, investindo nos “pontos de estrangulamento”;
d) redistribuir a renda para as classes mais pobres e expandir o mercado interno;
e) colocar a economia brasileira em recessão para equilibrar seu Balanço Comercial.
Comentários:
Essa questão pode ser uma pegadinha para muitas pessoas. Explico a razão justificando
por que a letras b, c, d e e são falsas.
Veja que a letra e não pode ser verdadeira porque o II PND não visou colocar a economia
brasileira em recessão. Ao contrário. Como para se justificar no poder, os militares
precisavam gerar crescimento econômico, jamais objetivariam colocar a economia em
recessão econômica.
Em seguida, a letra d é falsa, pois não houve redistribuição de renda nesse período. Logo,
a alternativa não é verdadeira.
A letra c foi observada durante o Plano de Metas que analisou os pontos de germinação e
de estrangulamento.
A letra b falha, pois o objetivo do governo não era conter a inflação. Assim, restou a letra a
como verdadeira. Realmente, nesse período, a industrialização se concentrou nas regiões
mais pobres do país, como o nordeste.
Gabarito: Letra a.
6. (IBGE – Análise Socioeconômica – 2010) O aumento do endividamento externo brasileiro, durante os anos do
milagre econômico (1968-73), tornou a economia do país vulnerável a eventos externos nos anos imediatamente
subsequentes. Assim, o Brasil foi muito prejudicado pelo(a):
a) fim da guerra do Vietnã e a consequente redução das importações americanas de petróleo;
b) forte aumento dos preços do petróleo em 1973 e em 1979;
c) expansão de crédito no mundo e pela redução das taxas de juros internacionais;
d) mudança no padrão monetário europeu para o euro;
e) mudança política nos EUA, com o impeachment do presidente Nixon.
Comentários:
Depois do milagre econômico o que aconteceu? Os dois choques do petróleo, que
aconteceram em 1973 e 1979, pontuados na letra b. Esses foram os eventos mais importantes
que ocorreram na segunda fase do regime militar.
Gabarito: Letra b.
Capítulo 5
A Economia Brasileira e a Nova República (1985 –
1989)
É com a herança de déficit público crescente e de problemas de restrição de crédito
internacional que se inicia o processo de redemocratização brasileira. O período entre os
anos de 1985 e 1989 é marcado por um conjunto de experiências malsucedidas de
estabilização da inflação que, embora não tenham logrado sucesso duradouro no combate
ao aumento generalizado dos níveis de preços, conseguem gerar momentos de rápido
crescimento.
Do lado político, a nova República passou por dificuldades no processo de
redemocratização, uma vez que o sentimento social já originado com o movimento das
“Diretas já” associava a democracia não apenas à volta das liberdades civis e políticas, mas
também ao fim da inflação, ao retorno do crescimento econômico e à redistribuição da
renda. Além disso, a morte do presidente eleito pelo colegiado, Tancredo Neves, e o
surgimento de uma coalizão partidária heterogênea enfraqueceram o governo de José
Sarney que busca, nas ruas, a legitimidade não validada no Congresso.
A fim de resolver dois problemas simultaneamente (redução da inflação e
reconhecimento da liderança política), Sarney institui o Plano Cruzado. Um plano
heterodoxo (plano que tem a atuação direta do poder político na esfera econômica) que
buscava desindexar a economia, marcado pelo congelamento de preços. Esse plano surge
como a união de duas propostas distintas: a reforma monetária e o choque heterodoxo.
Os economistas ligados à proposta do choque heterodoxo pregavam que a inflação não
estava associada ao aquecimento da demanda (aquilo que vimos na parte de política fiscal,
inflação e crescimento). Segundo essa análise, através de estudos econométricos, concluía-se
que a causa principal da inflação era a própria inflação no período anterior (componente
inercial). Dessa forma, a propostapolítica desses economistas (personificados na pessoa de
Francisco Lopes) era a promoção da desindexação da economia, através do congelamento
de preços. Essa proposta foi implementada também durante os planos subsequentes Bresser
e Verão.
No que diz respeito à proposta da reforma monetária, essa partia do mesmo princípio do
choque heterodoxo. A diferença entre as duas propostas é a introdução de uma moeda
indexada que circularia paralelamente à nacional (essa proposta ficou conhecida,
posteriormente, como proposta Larida, em homenagem aos economistas Pérsio Arida e
André Lara).
Embora a proposta tenha sido aceita, a reforma monetária e o choque heterodoxo não
foram as únicas propostas entregues ao governo. Além dessas e da proposta Larida, uma
outra, chamada Pacto Social, merece destaque, por ser a proposta “queridinha” das bancas.
Para entender o que essa proposta pontuava, pense que os economistas dessa linha
defendiam que os preços dos bens subiam pela ambição de empresários e trabalhadores. De
um lado, os trabalhadores queriam mais aumentos, salários mais altos e maior poder de
compra, o que acabava refletindo em um aumento de custos para o empresário. Como esse
também não queria sair perdendo, aumentava os preços, o que impactava na inflação, que
levava a um aumento nos salários, alimentando a espiral inflacionária.
Assim, segundo os economistas do pacto social, para que a inflação cessasse, era
necessário que empregados e empregadores se unissem, e através de um acordo resolvessem
o “conflito distributivo” das riquezas da economia. Com os trabalhadores se
comprometendo em não pedir mais aumentos, os empresários também se comprometeriam
em não aumentar os preços dos bens. Dessa forma, estaria finalizado o processo de inflação.
Vejamos um exercício sobre essa proposta.
1. (BNDES – Economia – Profissional Básico – 2008) Em 1984, a inflação no Brasil atingiu percentuais acima de 200%
a.a. Alguns economistas defendiam o ponto de vista de que tal situação era causada pelo chamado “conflito
distributivo”. Segundo os proponentes desse diagnóstico,
a) o “conflito distributivo” ocorria, fundamentalmente, entre o setor público e o setor privado, o primeiro,
aumentando os impostos e o segundo, aumentando os preços;
b) o “conflito” poderia ser resolvido através de um Pacto Social, obtido com uma plena redemocratização do país e a
formação de um governo de coalisão;
c) o controle rigoroso do deficit orçamentário do setor público levaria à resolução do “conflito distributivo”;
d) os grupos sociais causadores do conflito deveriam ser contidos e excluídos do processo de redemocratização que
estava ocorrendo;
e) apenas a dolarização da economia poderia resolver o “conflito”, pois os preços e os custos em dólar ficariam
estáveis com a taxa de câmbio estável.
Comentários:
E, aqui, fica BEM CLARA a presença do pacto social nas questões. Para resolver a questão,
vale um bizu: Se surgir “pacto social” no enunciado da questão, procure conflito distributivo
entre as alternativas. Lembre-se ainda que esse conflito acontece entre os empresários e
empregados. Dessa forma, não tem como errar.
Mas a questão acima não deixa isso tão claro.
E foi proposital. A letra correta é a alternativa b. Esse pacto só poderia ser obtido através
da formação de um governo de coalisão.
As demais alternativas estão incorretas.
A letra a é falsa por afirmar que o conflito se dava entre o setor público e o setor privado.
A letra c fala de um rigoroso controle do déficit orçamentário, e, como veremos mais à
frente, não é verdade.
A letra d afirma que os grupos deveriam ser excluídos do processo de redemocratização.
(Como excluir trabalhadores e empresários desse processo?)
Finalmente, a letra e afirma que apenas a dolarização pode resolver o conflito, o que
também já vimos, não pode ser verdadeiro.
Gabarito: Letra b.
5.1. O Plano Cruzado (1986)
Na sua constituição, o Plano Cruzado pregava que a inflação no Brasil possuía forte
caráter inercial. Em economias indexadas, a tendência inflacionária é dada pela própria
inflação no período anterior, podendo ainda ser agravada por choques de oferta ou
demanda.
Desta forma, o Plano Cruzado, instituído em 28 de fevereiro de 1986, possuía as seguintes
metas que deveriam ser cumpridas, a fim de controlar o processo inflacionário existente no
Brasil:
1. Reforma monetária e congelamento de preços: essa medida pregava o estabelecimento
da nova moeda, denominada cruzado, para passar uma imagem de moeda forte. Além
disso, houve a promoção de intervenções nos contratos, associada ao congelamento dos
preços e taxa de câmbio.
2. Desindexação da economia: as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTNs)
foram substituídas pelas Obrigações do Tesouro Nacional (OTNs) com valores
congelados por um ano. Houve ainda a proibição da indexação dos contratos com prazo
inferior a um ano.
3. Índices de preço e poupança: o IPCA substituído pelo IPC para evitar contaminação da
inflação de fevereiro. A poupança passa a ter rendimentos trimestrais para evitar a ilusão
monetária.
4. Política salarial: os salários seriam dados pelo valor médio dos últimos seis meses e
dissídios anuais com correção inferior a 100%. Foi concedido, ainda, um abono de 8%
sobre os salários e de 16% sobre o salário mínimo. Nessa situação, os salários seriam
revistos sempre que a inflação acumulada ultrapassasse 20%. Nessas circunstâncias, seria
acionado o gatilho salarial que daria até 20% de aumento nos salários. Caso a inflação
acumulada superasse esse valor, o gatilho garantiria o reajuste dos 20%. O percentual
restante seria dado quando do acionamento do próximo gatilho.
Inicialmente, o Plano Cruzado obteve sucesso, a inflação nos meses posteriores foi
praticamente nula, e houve crescimento do emprego e dos salários. Mas, enquanto isso, a
situação fiscal piorava, houve redução das receitas, devido aos menores ganhos com
senhoriagem (quanto o governo aufere quando emite moeda para pagar suas dívidas) e o
congelamento de algumas tarifas, além de aumento de gastos (principalmente com
pessoal).
Associadas a esses fatores, a política monetária acomodatícia, a expansão do crédito e o
temor de que a estabilização fosse passageira resultaram na expansão da demanda e na
escassez de muitos produtos. Nesse momento, o governo notou que havia promovido uma
expansão exagerada na oferta de moeda, passando a discutir a viabilidade do
descongelamento (total ou parcial) de preços.
Então, é lançado o Cruzadinho, um pacote fiscal para desaquecer o consumo e financiar
investimentos em infraestrutura e metas sociais. Os aumentos de preços gerados por esses
pacotes foram expurgados do cálculo da inflação, para evitar o gatilho salarial, causando o
descontentamento da população. Além disso, o plano não foi bem- sucedido no
desaquecimento da demanda ou no financiamento da demanda.
No fim de 1986, foi lançado o Cruzado II com o objetivo de aumentar a arrecadação. Na
verdade, o plano foi a válvula de escape para o abandono do congelamento de preços. Os
preços aumentaram, o gatilho salarial foi acionado, e, em fevereiro de 1987, o plano
Cruzado teve fim. Com a piora da situação externa, foi decretada a moratória (ou o calote)
da dívida externa.
De acordo com os próprios formuladores do Plano Cruzado, vários erros foram
cometidos na elaboração e execução do plano, entre eles, destacam-se o diagnóstico de que
a inflação era puramente inercial (desconsiderando a demanda), as políticas fiscal e
monetária frouxas e o congelamento de preços demasiadamente longo e inadequado com
relação aos preços relativos.
5.2. O Plano Bresser (1987)
O plano Bresser, procurando evitar os erros cometidos durante o plano Cruzado,
promoveu um choque deflacionário. A inflação foi diagnosticada como de demanda e
inercial, e o plano tinha elementos heterodoxos e ortodoxos. As principais medidas foram:
1. Juros reais positivos para contrair o consumo.
2. Aumento de tarifas mais corte nos gastos e subsídios para reduzir o déficit público.
3. Congelamentode preços e salários (por três meses), mas não da taxa de juros para evitar
a deterioração das contas externas.
O plano Bresser teve sucesso inicial (inflação reduzida nos dois primeiros meses), mas o
temor de novos congelamentos motivou a remuneração prévia de muitos preços, e a
flexibilização anunciada do congelamento contribuiu para que aumentos fossem repassados
a outros preços, desequilibrando os preços relativos. Somados a isso, os acordos salariais
com categorias do funcionalismo minaram a redução do déficit público. Todos esses fatores
contribuíram para o crescimento da inflação.
5.3. O Plano Verão (1989)
A insatisfação gerada pelos resultados obtidos nos planos anteriores motivou a
radicalização das propostas de indexação, e foi anunciado o Plano Verão. O plano foi
novamente classificado como híbrido, pois apresentava elementos ortodoxos (redução de
despesas, reforma administrativa, limitações à emissão de títulos pelo governo e restrição ao
crédito) e heterodoxos (congelamento de preços e salários, desta vez, por tempo
indeterminado). Uma das medidas do Plano Verão foi a mudança da moeda, para o
Cruzado Novo, com paridade de 1:1 com o dólar.
Como 1989 foi ano eleitoral, o ajuste fiscal não ocorreu. Além disso, os juros foram
incapazes de conter o consumo, pois a população estava preocupada com a explosão dos
preços ao fim do congelamento. O período foi marcado ainda pela insatisfação crescente
dos trabalhadores, que reivindicavam reposições salariais. O resultado de todos esses fatores
foi o crescimento da inflação, já no segundo mês.
5.4. Restrição cambial e crescimento econômico
Os anos de 1980 foram caracterizados pela alternância de ciclos breves de recessão e
expansão, e por uma taxa de crescimento próxima à de aumento da população. Esse
período foi marcado também pela contínua transferência de recursos reais para o exterior
via obtenção de superávits comerciais recorrentes. A obrigatoriedade de transferir recursos
reais para o exterior para servir à dívida externa criou um constrangimento ao
desenvolvimento nacional.
Existem interpretações distintas sobre as razões para o fraco desempenho da economia
brasileira durante a década de 1980. Para uma delas, a necessidade de gerar elevados
superávits comerciais para fazer face ao serviço da dívida restringiu o crescimento
econômico, pois a taxa de acumulação de capital teria que ficar abaixo da taxa de
poupança interna para viabilizar a transferência de recursos.
Todas as variáveis econômicas durante os anos de 1980 revelaram uma grande
variabilidade, com curta duração dos ciclos econômicos. Evidências empíricas permitiram
associar a incompatibilidade entre a geração de superávits e o crescimento. No período
recessivo, os investimentos e as importações caíram, enquanto as exportações cresceram.
Entretanto, no período da retomada de crescimento interno, a situação se inverteu.
Essa incompatibilidade apresentou maior expressão no fraco desempenho dos
investimentos. A dissociação entre investimentos privados e públicos indicava o
esfacelamento do padrão de crescimento que até então existia. Observam-se redução dos
investimentos do setor produtivo estatal, insustentabilidade dos gastos públicos e baixo
patamar de investimentos privados.
A orientação exportadora atuou como elemento dinâmico da economia brasileira
durante o período. Mas, assim como em períodos anteriores, a inserção das exportações foi
fruto dos mecanismos do mercado interno, que promoveu a diversificação da pauta
produtiva. Para um conjunto de setores produtivos, a inserção das exportações foi relevante
como fator de explicação do crescimento.
No entanto, os mercados adicionais originados pela nova inserção das exportações foram
insuficientes para assegurar a elevação e a sustentação da taxa de investimento.
Desempenho medíocre dos investimentos se refletiu negativamente no comportamento das
atividades produtivas.
5.5. O desequilíbrio do setor público
Durante a década de 1980, o setor público intensificou sua ação para viabilizar a geração
de superávits comerciais de modo a fazer face à dívida, o que implicou ampliação da
renúncia fiscal e do volume de subsídios. Paralelamente, o setor arca com o ônus crescente
dos juros da dívida por ser o principal devedor em moeda estrangeira.
A inflação crescente e a retomada do nível de atividade a partir do crescimento das
exportações reduzem a carga tributária em função da renúncia fiscal. Mas a reorientação
do crescimento para as exportações aparece como fator mais relevante para o crescimento
do déficit público. Isso ocorre porque os efeitos da inflação e da recessão podem ser
revertidos pela estabilização e indexação dos impostos, mas o impacto da reorientação do
crescimento necessita de uma reforma tributária.
Entre 1980 e 1984, a redução do déficit público passou a exigir cortes de gastos para
patamares baixíssimos, abaixo das necessidades mínimas para o crescimento econômico,
comprometendo inclusive investimentos de empresas estatais de caráter estratégico.
O período de 1982 a 1984 constitui o de maior crescimento do endividamento público
durante a década, com expansão das dívidas interna e externa como proporção do PIB. A
dívida externa cresce devido à maxidesvalorização cambial e à assunção pelo governo
federal de parte da dívida externa de responsabilidade do setor privado.
A combinação entre cortes de investimentos públicos com a manutenção de incentivos e
subsídios e aumento da taxa de juros criou uma situação de desequilíbrio no financiamento
público. Até 1984 esse desequilíbrio foi contornado pelo financiamento externo, o que não
ocorreu no período seguinte.
Entre 1987 e 1989 a carga tributária bruta sofre queda continuada, tanto pela estagnação
da economia, como pela reorientação do crescimento e aceleração inflacionária. A
defasagem entre preços e tarifas públicas amplia-se durante 1984 e 1989, obrigando
crescentes transferências do Tesouro Nacional às empresas, cujas tentativas de mudança
contribuíram para o crescimento da inflação.
Dada a restrição financeira sobre o setor público nos anos de 1980 foram tentados dois
padrões de ajustamento inconsistentes. Na primeira metade da década, a obtenção de um
superávit primário insustentável, acompanhado da perda de receita e fundado no corte dos
investimentos.
Na segunda metade, a recuperação dos gastos ativos não contribuiu para amenizar as
dificuldades de financiamento do setor público. Além disso, o Tesouro foi obrigado a arcar
com o ônus crescente dos desequilíbrios das empresas estatais, que se tornou um fator de
constrangimento dos gastos públicos.
Apesar dos elevados déficits públicos, a participação da dívida líquida no PIB se manteve
perto de 50% durante o período, e o estoque da dívida foi desvalorizado. Em parte, essa
desvalorização se deve à defasagem entre a inflação que corrige o PIB e os indexadores que
corrigem o valor da dívida. No caso da dívida externa, uma contribuição se deve à
apreciação cambial como efeito do processo inflacionário.
Essa estabilidade da dívida líquida do setor público indica que a questão a ser analisada é
a composição da dívida interna (composição entre as formas de financiamento do déficit).
Nesse sentido, observa-se o crescimento da participação da dívida mobiliária. O
financiamento assume caráter de curtíssimo prazo, com taxas elevadas de juros como forma
de recompensar os riscos de perda patrimonial. Para aplicadores, essa parcela da dívida
pública possui liquidez imediata, de modo que a contrapartida da deterioração do
financiamento público é a possibilidade de conversão dessa liquidez em poder de compra,
gerando hiperinflação. Essa situação ocorreu em 1988 e 1989, apesar dos patamares
elevados para a taxa de juros real.
Assim, o processo de reorientação do crescimento e o déficit público decorrente se
traduziram na mudança da forma de financiamento e ruptura com o investimento público,
promovendo crise de desconfiança e fuga da riqueza para ativos reais e de risco, como a que
se inicia em 1989.Capítulo 6
Comportamento da Economia Brasileira entre 1990 e
1994
6.1. A primeira metade dos anos 1990
O governo Collor, que substituiu o governo Sarney, deu início a um novo período na
economia nacional. Além de escândalos políticos que resultaram no processo de
impeachment, o governo de Fernando Collor é marcado pela ruptura com o modelo
brasileiro de crescimento com elevada participação do estado, proteção tarifária, e da
política industrial subordinada ao combate da inflação. O governo de Itamar Franco, por
sua vez, inicia processo de estabilização que daria fim à indexação.
6.2. A mudança de modelo
Como vimos anteriormente, as principais características do modelo de industrialização
brasileiro do pós-guerra eram:
1. Participação direta do Estado, através de suprimento de infraestrutura e alguns setores prioritários.
2. Proteção à indústria nacional, por meio de tarifas à importação e diversas barreiras não tarifárias.
3. Fornecimento de crédito em condições favoráveis a novos projetos.
Esse modelo brasileiro era compatível com o de substituição das importações (MSI),
defendido pelos economistas da Cepal. Dentre as consequências dessa estratégia para a
economia brasileira, podemos citar: formação de uma estrutura de incentivos distorcida,
viés antiexportador e endividamento do estado. Além disso, as tentativas malsucedidas para
resolver a crise fiscal ocorreram de forma simultânea ao atraso tecnológico da indústria
nacional (especialmente bens de capital).
6.3. Privatização e abertura
Para o governo Collor, a recuperação do atraso industrial passa a ser vista como
necessária para a estabilização duradoura dos preços. Nesse sentido, a nova Política
Industrial e de Comércio Exterior (Pice), implementada ainda no governo Collor, tinha
como objetivo incentivar a competição e a competitividade.
A ênfase da Pice se deu na estratégia de privatização e reforma tarifária no comércio
exterior. Com isso, esperava-se aumento da competição interna e, assim, da eficiência, e
aumento da competitividade das empresas. No entanto, as privatizações no período foram
modestas em razão de diversos fatores: má situação das empresas públicas; dificuldade em
avaliar ativos de diversas estatais por causa da inflação; resistência da população; governo
sem credibilidade; impossibilidade de venda a estrangeiros em alguns setores (previsto na
Constituição); falta de experiência em privatizações; dificuldade em vencer a inflação (que
continuava a ser a principal preocupação do governo).
Macroeconomia em análise
A taxa de câmbio e o modelo IS-LM-BP
E eis que vamos falar de um assunto muito estimado por economistas do mundo inteiro: o modelo
IS-LM-BP. A explicação para que esse modelo seja tão apreciado pelos macroeconomistas é que
ele consegue explicar o que acontece na economia quando o país realiza trocas com outras
economias. É por isso que, nesse caso, há a introdução do Balanço de Pagamentos.
Vamos compreender um pouco mais desse modelo.
O primeiro ponto que você precisará entender é que, com esse modelo, a interação entre a
economia local e a economia do resto do mundo é dada pelo fluxo de importações e exportações
entre esses países. E você deve estar se perguntando: Mas o que leva uma economia a exportar
mais ou menos?
A taxa de câmbio
A variável mais importante que afeta o nível de exportações e importações entre os países é a taxa
de câmbio. Essa taxa mede a relação de “preço” entre as moedas de dois países.
No caso do câmbio do dia 21/1/2013, tínhamos o seguinte:
CÂMBIO
Dólar $
–0.15 %
R$ 2,0420
Euro €
–0.22 %
R$ 2,7190
Alexandre
Highlight
Nesse caso, de acordo com o site do jornal O Estado de S. Paulo, temos que o dólar pode ser
“comprado” por R$ 2,04 e o euro, por R$ 2,7190.
Em termos matemáticos, podemos representar a taxa de câmbio da seguinte forma:
Câmbio =
valor da moeda doméstica
valor da moeda estrangeira
A metodologia utilizada no Brasil leva em conta que o denominador sempre considera o valor
unitário da moeda estrangeira. Dessa forma, para o câmbio do dia 21/01/2013, teríamos o seguinte:
Como, no Brasil, esse valor é alterado diariamente (vamos explicar a razão disso mais à frente), é
preciso saber qual a variável que afeta a taxa de câmbio.
Grosso modo, podemos dizer que tanto a taxa de juros doméstica quanto a taxa de juros
estrangeira afetam a taxa de câmbio de um país. A explicação para isso é simples e ocorre no
mercado de ativos financeiros no fluxo circular da riqueza expandido. Quando há um aumento da
taxa de juros doméstica, por exemplo, isso induz um movimento de capitais para o Brasil. O
raciocínio é válido porque, quando a taxa de juros aumenta, investir em capital financeiro no país
se torna mais atrativo, levando os investidores do mundo inteiro a direcionar seu capital para o
nosso país.
Assim, como os investidores não podem investir diretamente com suas moedas no nosso mercado
de ativos financeiros, precisam fazer a conversão entre as moedas estrangeira e nacional, no
mercado cambial. Com isso, há um aumento da oferta de moeda estrangeira no nosso mercado
cambial, o que faz com que o preço da nossa moeda aumente (já que ela está ficando relativamente
escassa) e o preço da moeda estrangeira diminua (uma vez que ela está ficando excedente). Isso
ocorre em termos de taxa de câmbio. Nesse caso, haverá uma redução da taxa, o que implica dizer
que a nossa moeda está apreciada.
Se fosse o contrário, se houvesse uma saída de capitais para o resto do mundo (no caso da nossa
taxa ser menor que o resto do mundo), nossa moeda seria depreciada, enquanto a moeda
estrangeira seria apreciada. Nesse caso, dizemos que o câmbio está depreciado.
Logicamente, todo esse processo é válido para a situação em que o câmbio pode ser alterado sem
problema algum.
Entretanto, em algumas situações, não é possível alterar a taxa de câmbio facilmente. Nesses
casos, estamos diante de um regime cambial fixo. Nessa situação, é o governo quem determina
qual será o valor da moeda nacional ante a moeda estrangeira, e é ele quem vai manter essa taxa
em um dado patamar.
Para o exemplo anterior, estamos falando de um câmbio flutuante, ou regime de câmbio flutuante.
Há outra variante desse regime: o regime de flutuação suja. Nesse caso, o governo não determina
qual será a taxa de câmbio do país, mas estabelece uma margem em que essa taxa pode variar, é o
que chamamos de bandas cambiais.
Compreendido um pouco sobre taxa de câmbio, passamos a analisar melhor o modelo.
As hipóteses do Modelo IS-LM-BP
Existem duas hipóteses básicas do modelo:
1. Níveis de preços interno e externo são constantes.
2. Mobilidade perfeita de capitais.
Dentre as duas hipóteses, a segunda é, definitivamente, a mais importante.
Uma economia pode apresentar perfeita mobilidade de capital, imperfeita mobilidade de capital ou
ausência de mobilidade de capital. Vamos analisar unicamente o caso da perfeita mobilidade de
capital, porque após tantos anos de experiência em concursos na área de economia, vimos apenas
quatro questões extremamente específicas em relação aos outros tipos de mobilidade.
O modelo com perfeita mobilidade de capitais é conhecido na literatura internacional como
modelo Mundell-Fleming. A característica mais importante desse modelo é que a pequena
economia local possui livre acesso ao mercado de capitais internacional e o resto do mundo, livre
acesso ao seu mercado de capitais. Com isso, a única variável relevante no modelo passa a ser a
taxa de juros, tanto doméstica (i) quanto internacional (i*).
Desse modo, logo constatamos uma primeira diferença entre o nosso modelo IS-LM
anteriormente analisado: nesse há outras variáveis que afetarão o nível de renda e juros de
equilíbrio. A taxa de câmbio é uma delas. Como sabemos que a taxa de câmbio afeta ainda o
Balanço de Pagamentos, via balança comercial, temos que colocar, no modelo, o nosso BP.
Graficamente, o equilíbrio macroeconômico pode ser estabelecido da seguinte forma:
Aqui, algumas explicações são válidas:
Como estamos tratandode perfeita mobilidade de capitais, temos que a curva BP (que mostra o
comportamento do Balanço de Pagamentos) será horizontal.
Além disso, a região acima da curva BP mostra um superávit no Balanço de Pagamentos (via
aumentos na conta de capital). Por outro lado, a parte inferior à curva mostra regiões de déficit no
BP (via reduções ou saídas na conta de capital).
De acordo com o professor Heber Carvalho:
Nessa situação, ainda é importante destacarmos que o Balanço de Pagamentos estará
automaticamente em equilíbrio. Deixe-me explicar por quê: o Balanço de Pagamentos (BP)
registra a entrada e saída de moeda estrangeira do país e é dividido em balanço de transações
correntes e balanço de capitais autônomos. Se há mobilidade perfeita de capitais e as taxas
internas são iguais às externas, então, a entrada de capitais é igual à saída, de forma que o balanço
de capitais autônomos estará em equilíbrio. Por outro lado, se houver déficit no balanço de
transações correntes, isto poderá ser solucionado de forma bastante fácil: basta tomar
empréstimos no exterior, pois há livre acesso ao mercado internacional. No caso de superávit,
basta aplicar no mercado internacional. Ou seja, o balanço de transações correntes estará sempre
em equilíbrio, devido a essa extrema facilidade em se financiar ou investir junto ao exterior.
No equilíbrio, ou seja, sobre a curva BP, vemos que a taxa de juros doméstica é idêntica à taxa de
juros internacional. Nesse caso, o volume de entrada de capitais é igual ao volume de saída de
capitais.
Mas, o que diferencia esse modelo do modelo IS-LM no caso da economia fechada? A diferença
não está apenas na apresentação da curva BP, mas em como a economia reage de acordo com o
tipo de regime cambial a que está submetida.
Assim, para entender melhor, analisaremos o que acontece na economia quando estamos sob um
regime de câmbio fixo ou câmbio flutuante.
Regime de câmbio fixo
Como vimos, sob o regime de câmbio fixo, o governo não permitirá que o câmbio tenha o seu valor
alterado. Isso significa dizer que o governo também não permitirá que a taxa de câmbio doméstica
seja diferente da taxa de câmbio internacional, já que desse modo incentivaria movimentos de
capitais para a economia local, o que força alterações no câmbio.
Assim, sob o regime de câmbio fixo, se o governo desejar fazer uma política fiscal expansionista,
teremos o seguinte efeito:
Observe que, no caso acima, haverá um deslocamento da curva IS para a direita, exatamente como
vimos anteriormente. Nesse caso, a nossa taxa de juros doméstica descola da taxa de juros
internacional. Mas, como estamos em um regime de câmbio fixo, isso não pode ter um caráter
perene. Observando esse descolamento, o governo prontamente faz uma política “corretiva” com
o objetivo de reverter tal situação. Para tanto, ele desloca a curva LM para a direita (como se
houvesse uma política monetária expansionista). De forma gráfica:
Ou seja, o governo só estabilizará o mercado monetário quando a taxa de juros doméstica voltar à
igualdade com a taxa de juros internacional. Nesse caso, dizemos que a política fiscal é
plenamente eficaz sob o regime de câmbio fixo.
Um ponto importante de frisar antes de dar continuidade ao assunto é o que acontece assim que a
curva IS é deslocada (ou seja, antes do deslocamento da LM). Note que há um superávit no Balanço
de Pagamentos. Isso acontece por que como a taxa de juros está temporariamente maior que a
taxa internacional, há entrada de capitais autônomos, o que gera um superávit do BP.
No que diz respeito à política monetária, se o governo desejar fazer uma política expansionista, por
exemplo, isso levará a um deslocamento da curva LM para a direita, como visto abaixo.
Nesse caso, como a taxa de juros doméstica está abaixo da taxa de juros internacional, haverá um
déficit no Balanço de Pagamentos (via saída de capital da conta de capital do BP). Para controlar a
saída de capital, que pressiona a taxa de câmbio da economia, o governo deverá,
sistematicamente, fazer movimentos contrários na curva LM. Desse modo, o governo adotará
ferramentas como se o objetivo fosse fazer uma política monetária retracionista e se manterá
agindo assim até que a taxa de juros volte ao patamar de igualdade, o que acontecerá quando a LM
estiver de volta a sua posição inicial. Assim, podemos dizer que sob o regime de câmbio fixo, a
política monetária é completamente ineficiente.
Regime de câmbio flutuante
Se no regime de câmbio fixo, a política fiscal é plenamente eficaz, o mesmo não é válido quando
falamos do regime de câmbio flutuante. Aliás, como você verá, o resultado é exatamente o inverso.
Vejamos.
Primeiramente, analisemos o caso em que o governo decide fazer uma política fiscal
expansionista. Nessa situação, como já vimos, haverá um deslocamento para a direita da curva IS.
Primeiro aspecto que você deve observar é que com o aumento dos gastos do governo, haverá
aumento da taxa de juros doméstica, fazendo com que haja uma apreciação cambial (lembre-se
que haverá um movimento de capitais para o nosso país, fazendo com que a taxa de câmbio se
reduza). Nesse caso, como não há a intervenção do governo para ajustar a taxa de câmbio, as
importações acabam se tornando mais interessantes (o produto estrangeiro fica relativamente
mais barato) e as exportações ficam menos interessantes. Nessa situação, com o aumento das
importações e redução das exportações, haverá um deslocamento da curva IS para a esquerda (já
que com a redução das exportações, ocorrerá também uma redução do emprego, do consumo, da
renda...). Isso continuará até que a IS volte a sua posição inicial. Logo, sob o regime de câmbio
flutuante, a política fiscal passa a ser pouco eficaz.
Finalmente, analisemos o caso da política monetária sob o regime de câmbio flutuante. Nesse
caso, se o governo adotar uma política monetária expansionista, isso levará a um deslocamento da
curva LM para a direita. Graficamente:
Nessa situação, como observamos, há um déficit no BP proveniente da saída de capitais da conta
de capitais. Com isso, como vimos, haverá uma depreciação da moeda local.
Com a depreciação, ocorrerá também aumento das exportações e redução das importações,
fazendo com que a curva IS (a única que se movimenta quando há alterações do saldo da balança
comercial) se desloque para a direita, à medida que as exportações aumentam. O gráfico abaixo
mostra isso.
Assim, com base no gráfico, podemos observar que, sob o regime de câmbio flutuante, a política
monetária é plenamente eficaz.
Vejamos os exercícios.
1. (Cespe – Auditor do Tribunal de Contas da União – 2007) A macroeconomia lida com os grandes agregados econômicos e, por essa
razão, é importante para se avaliar o desempenho global das economias de mercado. Acerca desse assunto, julgue a questão
subsequente.
Políticas de liberalização do comércio, que resultam em uma maior propensão a importar, não afetam o multiplicador keynesiano,
porque a demanda por bens e serviços importados, atendida por empresas estrangeiras, não altera o PIB local.
Comentários:
Para responder essa questão, precisamos lembrar da seguinte identidade:
Y = C(Y, T, i) + I(Y,i) + G + X(e,Y*) – M(e,Y)
Em que:
E = taxa de câmbio nominal
Y* = Renda do resto do mundo
Veja que a importação depende da renda. Dessa forma, políticas que influenciam a propensão
marginal a importar tendem a aumentar o vazamento do crescimento do PIB da economia local
para o resto do mundo.
O raciocínio é simples:
Um aumento da renda leva a um aumento do consumo, mas não apenas do consumo doméstico,
como também do consumo de bens produzidos fora do país. Dessa forma, ao invés de ter um
crescimento maior da renda, o vazamento levará a um menor crescimento.
Para ficar mais claro, em uma economia aberta, o multiplicador dos gastos do governo é dado pela
seguinte expressão:
Variação da renda / variação dos gastos = 1 / (1 – PMgC + PMgM)
em que PMgM é a propensão marginal a importar.
Como ela aparece na soma no denominador, vai levar a uma reduçãoda razão.
Logo,
Gabarito: FALSO.
2. (Cesgranrio – Analista do Banco Central do Brasil – Área 3 – 2006) No modelo de Mundell-Fleming para uma pequena economia aberta
com perfeita mobilidade de capitais e taxas de câmbio flexíveis, onde se observa a existência de desemprego no curto prazo, uma
política de expansão da oferta de moeda praticada pelo Banco Central terá como uma de suas consequências:
a) a diminuição do produto real;
b) a valorização da taxa de câmbio;
c) o aumento da entrada líquida de capitais externos;
d) o aumento das exportações líquidas;
e) a permanência da taxa de desemprego nos mesmos níveis anteriores.
Quando se falar em economia aberta, você terá que lembrar que, agora, as políticas econômicas
irão afetar não apenas a economia doméstica, como também o resto do mundo.
Comentários:
No caso da questão acima, note que o governo implementou uma política monetária expansionista
através da elevação da oferta de moeda na economia (que pode ter sido realizada via operação de
compra de títulos no mercado aberto, redução da taxa de redesconto ou redução das reservas
compulsórias).
Nesse caso, com o aumento da oferta monetária, há uma redução da taxa de juros da economia
nacional, o que leva a um aumento da produção nacional e do nível de emprego. No lado monetário,
com a redução das taxas de juros (como se observa hoje), há uma saída de capital financeiro do
país, o que acarreta uma maior demanda por moeda estrangeira, depreciando a moeda nacional.
Nesse sentido, por fim, com a moeda nacional depreciada, haverá aumento das exportações e
redução das importações, aumentando as exportações líquidas do país, como afirmado na letra d.
Gabarito: Letra d.
3. (Cesgranrio – Banco Central do Brasil – Analista – 2009) O gráfico abaixo ilustra o modelo IS/LM/BP, representando uma economia em
regime de taxa de câmbio fixa.
Na situação representada no gráfico, a(o):
a) política monetária é impotente;
b) política fiscal é impotente;
c) taxa de desemprego é elevada;
d) mobilidade internacional do capital financeiro é reduzida;
e) Balanço Comercial é superávitário.
Comentários:
Quando determinado governo adota a política de câmbio fixo, ele também abre mão da sua política
monetária, já que existe uma relação forte entre taxa de câmbio e mobilidade de capitais.
Veja que o gráfico da questão mostra uma curva BP perfeitamente horizontal, o que implica
perfeita mobilidade de capitais.
Assim, em uma situação sem câmbio fixo, qualquer movimentação da taxa de juros que seja
promovida pelo governo levará a um movimento de divisas dentro do país, o que modificará a taxa
de câmbio então vigente.
Como a questão fala, em câmbio fixo, o governo sabe que não poderá utilizar esse instrumento
com o objetivo de variar a renda. Dessa forma, a política monetária é completamente ineficaz,
como afirma a alternativa a.
Note que com o regime de câmbio fixo, a política fiscal tende a ser perfeitamente eficaz no curto
prazo. Uma vez que uma variação dos gastos do governo ou dos tributos também acaba afetando o
mercado monetário, o governo atuará via variação na oferta de moeda no sentido de estabilizar a
taxa de juros para manter a paridade cambial. Isso é o que se chama de endogenia da moeda.
Gabarito: Letra a.
4. (Esaf – Inspetor da Comissão de Valores Mobiliários – 2010) Considere o caso de uma economia aberta de um país pequeno em relação
ao resto do mundo, com livre mobilidade de capitais:
a) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica déficit na conta transações correntes;
b) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica a necessidade de entrada de capital externo no país;
c) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional;
d) a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a igualdade entre a poupança interna e o investimento;
e) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada de poupança externa.
Comentários:
A letra a está incorreta por afirmar que o excesso de poupança interna sobre o investimento
implica déficit na conta transações correntes. Na verdade, esse excesso mostra que o país pode
enviar capital para o resto do mundo, não o contrário.
A alternativa b está correta justamente por contradizer a letra a. Veja que quando os investimentos
são superiores ao nível de poupança interna, o país necessitará de capital externo (via poupança
externa) para poder saldar as suas contas.
Em seguida, a letra c está incorreta por afirmar que o excesso de investimento sobre a poupança
interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional. Nesse caso, como há perfeita
mobilidade de capital, a taxa de juros doméstica não afeta a taxa de juros internacional, já que essa
é uma pequena economia.
A letra d está incorreta porque afirma que a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a
igualdade entre a poupança interna e o investimento. Na verdade, haverá uma igualdade entre as
taxas de juros nacional e internacional.
Finalmente, a letra e diz que o excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada
de poupança externa. Nesse caso, vale justamente o contrário. Haverá uma saída de poupança
doméstica para o resto do mundo.
Gabarito: Letra b.
5. (Ceperj – Sefaz-RJ – Oficial de Fazenda – 2011) Em uma economia com perfeita mobilidade de capitais, partindo-se de uma situação de
equilíbrio nos mercados interno e externo, caso o governo adote uma expansão da oferta monetária, as consequências sobre a taxa de
juros do país e a renda seriam:
a) no regime de câmbio fixo, no final do processo de ajuste, o estoque de reservas internacionais do banco central é maior, e a taxa de
juros do país é igual à taxa de juros internacional;
b) no regime de taxa de câmbio flutuante, o novo equilíbrio ocorre com uma taxa de juros do país maior do que a internacional;
c) no regime de taxa de câmbio flutuante, no novo equilíbrio, a renda é inferior à renda de equilíbrio no regime de taxa de câmbio fixa;
d) no regime de câmbio flutuante, no novo equilíbrio, a taxa de câmbio estará em um nível mais elevado, e o Balanço de Pagamentos
possuirá um saldo mais favorável em transações correntes;
e) No regime de câmbio fixo, no novo equilíbrio, a taxa de juros do país seria inferior à taxa de juros internacional, e o Balanço de
Pagamentos não seria afetado.
Comentário:
A primeira coisa que temos que pensar é: caso o governo adote uma expansão monetária, haverá
um aumento da renda nacional e uma redução da taxa de juros da economia.
Vejamos item a item.
A letra a é falsa. Você deve lembrar que no regime de câmbio fixo não é indicado que o governo
adote políticas monetárias expansionistas, mas, se ainda assim ele o fizer, ocorrerá uma saída de
capitais, o que indica que o estoque de reservas internacionais do Banco Central será maior. Além
disso, no processo de ajuste, as taxas de juros voltam a ser idênticas.
A letra b também é falsa, pois se o regime é de câmbio flutuante, haverá redução da taxa de juros
da economia em relação à taxa de juros internacional.
A letra c, por sua vez, é falsa porque a renda de equilíbrio no câmbio flutuante será maior do que
aquela observada no câmbio fixo, quando o governo faz política monetária expansionista.
A letra d é verdadeira, pois no regime de câmbio flutuante, no novo equilíbrio, a taxa de câmbio
estará em um nível mais elevado (já que haverá saída de capitais), e o Balanço de Pagamentos
possuirá um saldo mais favorável em transações corrente (pois haverá um aumento das
exportações).
Finalmente, a letra e é falsa porque no regime de câmbio fixo, no novo equilíbrio, a taxa de juros do
país SERÁ EQUIPARADA à taxa de juros internacional.
Gabarito: Letra d.
6. (FCC –TCE-PR – Economia – Analista de Controle – 2011) No modelo IS-LM para uma economia aberta, em que a taxa de desemprego
está acima da taxa natural, as taxas de câmbio são flexíveis e há mobilidade perfeita de capitais,
a) uma diminuição da tributação,tudo o mais constante, aumentará o produto e a taxa de juros da economia;
b) o resgate de títulos públicos por parte do Banco Central aumentará as importações, se estas forem uma função crescente da renda
do país;
c) a prática de uma política fiscal expansiva provocará uma saída líquida de capitais do país;
d) um aumento da oferta monetária provocará uma entrada líquida de capitais no país;
e) somente a política monetária expansiva é eficiente no sentido de aumentar o produto da economia no curto prazo.
Comentários:
Nessa questão, note que há um fato interessante. Pelo que se tem no enunciado, não é possível
saber se a questão pede a alternativa correta ou incorreta.
Nesse caso, analisando todos os itens, verificamos que a questão pede a alternativa INCORRETA.
Nesse sentido, a letra e é falsa, pois como estamos falando de perfeita mobilidade de capital, a
política fiscal também pode ser utilizada para aumentar o nível de produto no curto prazo. Assim,
considerando a alternativa falsa, eis o gabarito da questão.
A letra a é verdadeira porque uma diminuição da tributação leva a um deslocamento da curva IS
para a direita. Nesse caso, haverá um aumento da renda e também da taxa de juros, como afirmado
na questão.
A letra b é também verdadeira, pois como o resgate dos títulos públicos é um instrumento de
política monetária expansionista, haverá aumento da renda. Nesse caso, se as importações forem
função da renda nacional, também haverá aumento dessas.
Em seguida, a letra c merece um recurso, por uma razão simples.
Então, nesse caso, pode-se dizer se há uma saída líquida de capitais do país ou uma entrada. Como
a política fiscal eleva a taxa de juros da economia, ocorrerá um movimento de entrada de divisas no
país. Por outro lado, a elevação do nível de renda provocará aumento das importações, o que leva a
uma saída de divisas. Como não se pode dizer qual movimento predominará, não é possível afirmar
que a alternativa c é verdadeira ou não.
Finalmente, a letra d também merece recurso. Com o aumento da oferta monetária, haverá
redução da taxa de juros. Com isso, deverá haver um movimento de saída de capitais do país, não
de entrada.
Considerando o volume de inconsistências, pede-se o anulamento da questão.
Gabarito: Letra e, mas caberia recurso.
7. (FCC –TCE-PR – Economia – Analista de Controle – 2011) No modelo IS-LM para uma economia aberta, em que a taxa de desemprego
está acima da taxa natural, as taxas de câmbio são fixas e há mobilidade imperfeita de capitais,
a) aumentos da oferta monetária pelo Banco Central somente atingem o objetivo de aumentar o produto real da economia se a
inclinação da curva BP for maior que a da curva LM;
b) a diminuição da tributação pelo Governo aumenta o nível de produto real da economia, mas em um montante menor do que se a
economia fosse fechada, caso a curva BP seja mais inclinada que a curva LM;
c) o aumento dos gastos do Governo atingirá o objetivo de aumentar o nível de produto real da economia, mas apenas no caso de a
inclinação da curva BP ser menor que a da curva LM;
d) tanto a política monetária quanto a política fiscal expansiva são incapazes de aumentar o nível de produto real da economia porque
as taxas de câmbio são fixas;
e) o resgate de títulos públicos pelo Governo é uma medida eficiente para aumentar o produto real da economia, independentemente da
inclinação das curvas BP e LM.
Comentários:
Note que a letra a é falsa, pois o governo conseguirá aumentar a renda da economia mesmo que a
curva BP seja mais inclinada que a curva LM.
A letra b é verdadeira porque, se a economia for aberta, a redução nos impostos induzirá ao
aumento do consumo de bens nacionais e também de bens importados. Logo, há um “vazamento”
da política.
Assim como a letra a, a alternativa c não pode ser verdadeira, pois o governo conseguirá aumentar
o volume de renda via política fiscal independentemente da inclinação da curva BP.
Por sua vez, embora a taxa de câmbio seja fixa, a imperfeita mobilidade de capital permite que o
governo possa aumentar o volume da renda da economia via políticas fiscal e monetária. Dessa
forma, a letra d também está incorreta.
Finalmente, a letra e está incorreta, pois, caso a curva BP seja horizontal, o resgate de títulos
públicos pelo governo pode não se mostrar eficiente sob o regime de câmbio fixo.
Gabarito: Letra b.
Os dois Planos Collor
Com o objetivo de combater a inflação, o Plano Collor I reintroduziu o cruzeiro, promoveu o
congelamento de preços e aumentou a arrecadação através de novos tributos, reajustes em
algumas alíquotas, suspensão de benefícios e subsídios, redução de ministérios e extinção de
autarquias. A principal medida, no entanto, foi o sequestro da liquidez (ou o confisco das
poupanças) – todas as aplicações que ultrapassavam NCr$ 50.000 (o que equivaleria
aproximadamente US$ 1,200,00) foram bloqueadas por 18 meses e seriam devolvidas em 12 vezes
adicionadas de juros e correção monetária.
Essa mudança recebeu diversas críticas, dentre as quais: comprometia a confiança dos
investidores, limite muito reduzido, prejudicando pequenos poupadores, remuneração proposta
muito inferior a outras operações. Com relação às demais medidas, o plano Collor I também foi
criticado pelo desgaste da estratégia de congelamento dos preços, pelo ajuste fiscal baseado em
aumento de receitas, e pelo seu caráter recessivo. A principal crítica ao plano Collor I foi
formulada por Afonso Pastore, para quem o bloqueio dos ativos monetários restringia apenas o
estoque de moeda indexada, mas não acabava com o processo que a criava, ou seja, não eliminava
seu fluxo.
Após o fracasso do Plano Collor I, foi adotado o Plano Collor II, que pretendia controlar a inflação
por meio da racionalização dos gastos públicos, modernização do parque industrial e término de
qualquer tipo de indexação na economia. Esse plano estava baseado na ideia do Neogradualismo,
segundo a qual a indexação passa a ser baseada na inflação futura.
Segundo a ideia do Neogradualismo, as pessoas se baseariam no comportamento fiscal corrente
do governo, e dele infeririam suas expectativas de inflação. Assim, os cortes fiscais reduziriam a
inflação, o que permitiria novos cortes fiscais, gerando um círculo virtuoso. O plano possibilitou
queda na taxa de inflação por alguns meses, porém, por depender da credibilidade do governo,
essa estratégia logo foi inviabilizada pelos escândalos políticos ocorridos na época e o
subsequente impeachment do presidente Collor.
Plano Real: concepção e prática
Após a deposição do presidente Collor, o mineiro Itamar Franco, seu vice, toma posse. Além de
reintroduzir o “fusquinha” na frota brasileira, o então presidente implementou o Plano Real de
combate à inflação, tendo como condutor o então ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso.
Diferentemente dos demais planos implementados no Brasil até então, o Plano Real foi
originalmente concebido como programa de três fases:
1. ajuste fiscal;
2. criação de um padrão estável de valor, a URV, como estratégia de desindexação da
economia;
3. estabelecimento de uma nova moeda, o real.
Um primeiro erro comum de muitos candidatos é achar que o Plano Real aconteceu no governo
FHC, o que não é verdade. Como acabamos de ver, o plano acontece ainda no governo anterior.
Outro erro também frequente nas provas é achar que o Plano Real foi iniciado em 1994, com a
introdução da moeda real. De fato, o Plano Real começa ainda antes, em 1993, quando o governo
passa a adotar políticas de ajuste fiscal para controlar os efeitos da inflação de demanda na
economia.
Vejamos um exercício sobre o início do plano.
1. (Cespe – TC-DF – Auditor de Controle Externo – 2012) Com relação a políticas econômicas, à dívida pública e ao comportamento da
economia brasileira, julgue a questão seguinte.
Diferentemente de outros planos de estabilização econômica, adotados no Brasil até 1994, o Plano Real, além de não prever o
congelamento de salários, foi abertamente discutido por representantes do governo,pelo Congresso Nacional e pelo público
especializado.
Comentários:
Essa questão poderia gerar certa dúvida quando aponta que o plano foi abertamente discutido por
representantes do governo, pelo Congresso Nacional e pelo público especializado.
De fato, isso é verdade. Diferentemente dos outros planos, implementados entre os governos
Sarney e Collor, o plano Real contou com o apoio não apenas da parte política, mas da elite
intelectual brasileira também. Muitos economistas estiveram envolvidos na elaboração do plano
que não previa o congelamento de preço, mas a ancoragem da inflação na taxa de câmbio. Saiba
também que esse plano se originou na proposta Larida, elaborada pelos economistas Pérsio Arida
e André Lara-Resende, na época do Plano Cruzado.
Gabarito: VERDADEIRO.
O ajuste fiscal era visto como uma das condições principais para o fim da inflação. O
plano Real interpretava o desajuste fiscal da seguinte forma: como, segundo a concepção do
plano real, a inflação possuía um componente de demanda, o plano afirmava que essa seria
originada nas contas orçadas. Uma vez que elas estariam em desequilíbrio, isso acabava
gerando uma pressão nos preços para o consumidor. Considerando que os gastos eram
corroídos pela inflação, e não as receitas, devido à indexação, o déficit fiscal era moderado.
Na fase de ajuste fiscal foram elaborados dois programas: Programa de Ação Imediata –
PAI – e Fundo Setorial de Emergência – FSE. O primeiro teve como objetivo redefinir a
relação entre a União e os estados e municípios, e do Banco Central com os bancos
estaduais e federais, além de combater a sonegação. O PAI ainda estabelecia novos tributos
e incluía um acordo de dívida externa com o FMI e bancos credores.
O FSE era constituído pela desvinculação de algumas receitas do governo federal, para
atenuar a rigidez dos gastos do governo e resolver a questão do financiamento de programas
sociais. O FSE existe até hoje, mas com outro nome: Desvinculação das Receitas da União –
DRU.
Apesar dos esforços implementados pelo governo, o desajuste fiscal não foi revertido,
apenas deixou de se refletir na inflação e passou a se espelhar na relação da dívida sobre o
PIB. Como posteriormente a estabilização foi alcançada, o ajuste fiscal não se mostrou uma
precondição para o combate à inflação.
A segunda fase do Plano Real buscava eliminar o componente inercial da inflação,
partindo do princípio de que seria necessário zerar a memória inflacionária. Mas, em vez de
congelamento de preços, o Plano Real introduziu uma “quase moeda”. O plano era
semelhante à proposta Larida anunciada como alternativa ainda antes do Plano Cruzado,
Alexandre
Typewriter
ok
mas que não previa a criação de uma nova moeda, a “quase moeda” circularia de modo
simultâneo com a anterior, para evitar que a inflação da antiga contaminasse a nova moeda.
Foi estabelecida a Unidade Real de Valor (URV), que recuperou primeiramente a
função unidade de conta, e então a função de reserva de valor. Os preços e salários eram
medidos em URV, mas pagos em cruzeiros com correção diária dos valores.
O entendimento da URV é de fundamental importância para que você compreenda o
Plano Real. A economia do país estava toda indexada, ou seja, todos os contratos estavam
sempre reajustados com base no índice de preço oficial do governo, que passou do IPC para
o IPCA. Assim, era consenso dos economistas de que para desindexar a economia era
preciso indexar a moeda. A criação da URV era justamente isso. Vamos entender como
funcionava.
Aqui, toda a atenção é pouco.
O primeiro problema da inflação nesse período era a sua memória, ou seja, a inflação de
hoje era influenciada pela inflação do mês passado, pela inflação de setembro, agosto,
julho, junho, maio, por exemplo. Ou seja, nesse caso, a inflação, no Brasil, possuía uma
memória longa.
Exemplo:
πoutubro = 0,8 * πsetembro + 0,6 * πagosto + 0,4 * πjulho + 0,2 * πjunho + 0,1 πmaio
Em que π é o símbolo que os economistas utilizam para definir inflação.
Imagine que a inflação do mês de setembro tenha sido de 1, a inflação de agosto de 2,
julho, 3, junho, 0,5 e maio, 4. Nesse caso, veja que essas inflações acumuladas acabam por
influenciar a inflação em outubro, o que gera um efeito ruim na economia hoje.
Assim, para zerar a memória da inflação, os economistas observaram que seria preciso
fazer com que as pessoas notassem que a única inflação importante para determinar o nível
de preços de hoje é a inflação de ontem e, para fazer isso, ou seja, para fazer com que a
memória inflacionária fosse mais curta, era preciso simular uma hiperinflação.
Pois é, eis a verdade dos fatos: para poder controlar o ritmo absurdo da inflação, o
governo precisava fazer com que os preços subissem todos os dias, não apenas todos os
meses.
A estratégia é semelhante ao que vemos nos mercados de ações hoje. Se você vai comprar uma cota de ações da Petrobras, por
exemplo, você não vai se preocupar com o preço da ação na semana passada, mas apenas em como ela fechou ontem. O raciocínio
para o caso da inflação seria semelhante.
Nesse sentido, os preços em cruzeiros reais passaram a ser ajustados diariamente, com
base na URV.
Vamos entender como isso aconteceu.
É nesse momento que surge a introdução da URV – Unidade Real de Valor.
Assim, na segunda fase do Plano Real, todos os preços, incluindo os salários, passaram a
ser contabilizados em Unidades Reais de Valor – URV, e essas unidades tinham uma
paridade com o dólar norte-americano.
Dessa forma, como o dólar norte-americano variava todos os dias, diariamente os preços
eram revisados em cruzeiros reais.
Nesse sentido, o preço da semana passada passou a ter cada vez menos importância na
expectativa de preços hoje, o que encurtou a memória inflacionária da empresa. Assim:
π10 de outubro = 0,8 * π09 de outubro
Com a série de memória eliminada, era necessário, para reduzir a inflação, zerar a
inflação do dia anterior. Se a inflação de 9 de outubro fosse zero, a inflação de hoje seria
zero também. Com essa sistemática, seria possível zerar, de uma vez por todas, a memória
inflacionária das pessoas.
Para compreender como a inflação foi zerada, precisamos, antes, entender como a
economia brasileira tomou a URV como “moeda”, mesmo sem ela ser uma moeda de fato.
A figura abaixo ajuda a compreender esse processo:
Veja que, embora o valor em cruzeiros reais seja variável (como mostra o peso do
pêndulo), o valor em URV fica constante e igual ao dólar.
Como já mencionamos, a partir de 1o de março de 1994, a economia brasileira passou a
ter todos os seus preços em URV, incluindo os salários. Com o passar do tempo, as pessoas
deixaram de pensar a sua moeda como cruzeiros reais e passaram a considerar a URV como
a moeda corrente. Nesse sentido, os cruzeiros reais eram utilizados, apenas, como meio de
pagamento, mas não tinham valor para as pessoas.
O raciocínio para essa conversão era simples: se os preços em cruzeiros reais subiam todos
os dias e o preço em URV se mantinha estável, as pessoas passaram a observar que não
existia inflação nos preços em URV, logo, com essa “moeda”, era possível fazer previsão do
quanto é possível poupar, por exemplo.
E, com a mente das pessoas URVezida, o governo decidiu igualar a URV à nova moeda
criada, o real. Com isso, a não inflação da URV migrou para o real. Assim, em 1o de julho
de 1994, demos início à terceira fase do Plano Real, quando passou a circular a moeda real,
que usamos hoje.
A terceira fase do plano foi caracterizada pela introdução da nova moeda, o real, e pela
fixação da taxa de câmbio. A Medida Provisória no 542 deu início a essa fase, e apresentava
um conjunto de medidas sobrepostas, dentre as quais: lastreamento da oferta monetária
doméstica em reservas cambiais (na equivalência de R$ 1 por US$ 1), fixação de limites
máximos para o estoque de base monetária por trimestre, mudanças no funcionamento do
Conselho Monetário Nacional, para aumentar a autonomia do Banco Central.
A Medida Provisória no 542 foi criticada pela indefinição decertos mecanismos presentes
no documento, em especial o que previa o controle cambial e de estoque monetário
simultaneamente em uma economia com mobilidade de capitais – logo foi esclarecido que
o governo adotaria âncora monetária e câmbio com banda assimétrica (livre para baixo).
No entanto, nenhuma das medidas citadas foi integralmente mantida, e, devido ao
insucesso das metas monetárias, o governo passou a adotar a âncora cambial após apenas
três meses.
Exercícios
1. (Cesgranrio – Banco Central – Área 1 – Analista – 2009) O Plano Real de estabilização da economia brasileira, de
1994, levou inicialmente ao(à):
a) congelamento geral de preços e salários;
b) congelamento da taxa de câmbio R$/US$;
c) estabelecimento de metas de inflação para o Banco Central do Brasil;
d) valorização do real em relação ao dólar norte-americano;
e) forte expansão das exportações.
Comentários:
Observe que essa questão fala sobre a fase INICIAL do Plano Real. Dessa forma, assim que
o Plano Real foi implementado, houve uma valorização da nossa moeda ante o dólar norte-
americano, embora o objetivo do governo fosse manter a paridade de US$ 1,00 = R$ 1,00.
As alternativas a e b dizem respeito aos planos anteriores aplicados durante o Governo
Sarney.
A letra c, por sua vez, diz respeito à segunda fase do Plano Real, iniciada em meados de
1999, quando a âncora cambial foi trocada pelo regime de metas de inflação.
Alexandre
Typewriter
revisar
A letra d é a alternativa correta, pois, como vimos, houve um processo de ancoragem
entre a moeda nacional e o dólar norte-americano.
Nesse sentido, a moeda estrangeira podia valer menos que o real, mas nunca mais.
Por fim, a letra e é falsa, pois houve uma forte elevação das importações associada a uma
contração das exportações devido à valorização cambial.
Gabarito: Letra d.
O comportamento da economia brasileira entre 1990-94 pode ser resumido da seguinte
forma:
1. O crescimento do PIB foi instável, marcado pela retração durante o governo Collor e pela
recuperação de taxas positivas significativas em 1993-1994.
2. A inflação apresentou o mesmo comportamento da década anterior entre 1990-1993, com
baixas significativas apenas após a introdução dos planos econômicos.
3. Houve retração das exportações entre 1990-1991, que voltaram a crescer durante os três
anos seguintes.
4. As importações aumentaram continuamente ao longo de todo o período.
5. Os fluxos de capital para o Brasil também apresentaram um crescimento significativo
durante o período.
6. As contas públicas apresentaram melhora desde o Plano Collor I.
6.4. Os anos FHC
6.4.1. A batalha da estabilização
O primeiro governo FHC foi dominado pelo tema da estabilização, e teve início sob forte
pressão em consequência do superaquecimento da economia; temia-se o crescimento do
consumo que, por ter sido mal-administrado provocou o colapso da estabilidade durante o
plano Cruzado, a crise no México, que aumentava a suspeita de que o regime de câmbio
fixo era inadequado, e a queda das reservas internacionais.
As autoridades reagiram a esse ambiente por meio de um conjunto de medidas que
incluía fundamentalmente uma desvalorização controlada e uma elevação da taxa nominal
de juros. Os efeitos não tardaram a aparecer: a inflação começou a ceder (caindo por
quatro anos consecutivos) e, em contrapartida, o PIB diminui durante o ano de 1995, com
maior impacto sobre a indústria.
Pode-se concluir que, nas difíceis condições de 1995, o Plano Real foi salvo por dois
fatores: a política monetária e a situação do mercado externo. Dificilmente o plano teria
escapado do mesmo destino dos antecessores se não fossem os juros altos, a ampla liquidez e
a busca por atratividades dos mercados emergentes.
6.4.2. A crise em formação
Paralelamente ao êxito no controle da inflação, a gestão macroeconômica deixava dois
flancos expostos: um desequilíbrio externo e uma séria crise fiscal. A razão do desequilíbrio
externo foi o grande crescimento das importações, combinado com um fraco desempenho
das exportações. Os desequilíbrios eram financiados com novos endividamentos e entrada
de IDE. O resultado foi a quase duplicação do déficit de serviços e rendas durante o
primeiro governo FHC.
Todos esses fenômenos eram consequência da forte apreciação cambial verificada nos
primeiros meses do real. Por que as autoridades deixaram a situação chegar a esse ponto é
matéria sujeita a controvérsia. Há três fortes razões: temor de uma repetição dos efeitos da
desvalorização mexicana, que acabou gerando inflação; os anos em que poderia ter sido
colocada em prática eram politicamente cruciais; e manter o câmbio sobrevalorizado era a
esperança de que o resto do mundo continuasse a financiar o país em um processo de
ajustes graduais.
A situação fiscal era caracterizada por déficit primário do setor público consolidado,
equivalente a 7% do PIB em termos nominais, e dívida pública crescente. Muito se discutiu
o papel dos juros, mas, em termos reais, percebe-se a responsabilidade da política fiscal
expansionista. As autoridades imaginavam que os ajustes poderiam esperar até as
privatizações, que cumpririam o duplo propósito de garantir o financiamento externo e
evitar uma maior pressão sobre a dívida pública, sendo um contrapeso à pressão fiscal.
Após três crises externas – México (1994), Ásia (1997) e Rússia (1998) –, nas quais o país
sofreu pelo “efeito contágio”, os ajustes que o governo pretendia fazer ao longo de quatro
anos tiveram que ser implementados imediatamente. Ainda, o instrumento clássico de
combate aos ataques especulativos (taxa de juros elevada) não se mostrava mais eficiente,
além de contribuir para o agravamento da questão fiscal. Foi nesse contexto de crise que se
inicia o segundo governo FHC.
6.4.3. O segundo governo FHC
Faltando poucas semanas para as eleições de 1998, o governo brasileiro começou a
negociar um acordo com o FMI que lhe permitisse enfrentar um quadro externo
extremamente adverso, caracterizado pelo esgotamento da disposição do resto do mundo
em continuar a financiar déficits elevados em conta-corrente.
O acordo contemplava um importante aperto fiscal, sem alterar a política cambial. O
Brasil enfrentou dois obstáculos que se mostraram insuperáveis. O primeiro foi o ceticismo
do mercado, que não acreditava que o país escaparia de uma desvalorização. O segundo foi
a rejeição, pelo Congresso, da cobrança de contribuição previdenciária dos servidores
públicos inativos. Nessas circunstâncias o pessimismo externo aumentou, assim como a
perda de divisas.
No início de 1999, a desvalorização se tornou inevitável, e o governo então deixou o
câmbio flutuar. A desvalorização não teve os efeitos inflacionários, o que pode ser
explicado pelos seguintes fatores:
• A desvalorização ocorreu em um momento de fraco desempenho da produção
industrial, gerando uma contração na demanda que diminuiu as chances de repasses
do câmbio aos preços.
• Desindexação da economia.
• A baixa inflação inicial diminuiu o temor de uma grande elevação dos preços.
• Política monetária rígida, que cumpriu o papel de conter o ritmo de remarcações e de
apreciar o real.
• O cumprimento sucessivo das metas fiscais acertadas com o FMI, aumentando a
confiança na estabilidade econômica.
• Aumento de salário mínimo inferior à taxa de inflação esperada, reduzindo os
reajustes.
• Definição de uma meta de inflação de apenas um dígito.
O panorama começa a mudar quando Armínio Fraga se torna presidente do BC. Foram
anunciadas duas medidas: elevação da taxa de juros básica, e o início dos estudos para a
adoção do regime de metas de inflação. A partir do começo de 1999, o país iniciou um
processo de retomada do crescimento que só viria a ser abortado pela combinação de crises
em 2001, incluindo a crise energética e o “contágio” argentino, que diminuíram a entrada
de capitais, e os ataques terroristas, que abalaram os mercados mundiais. O balanço do
período de 1999 a 2002 é ambíguo. O crescimento continuou baixo, as taxas de juros
elevadas, mas houve melhorada balança comercial, no ajuste fiscal e em termos de inflação.
6.4.4. As reformas do período
Os anos FHC foram caracterizados por marcas positivas importantes: a estabilização dos
preços e as reformas, que deixaram marcas mais profundas na economia. Dentre as
reformas, destacam-se as privatizações, que transferiram para o setor privado empresas
deficitárias e superavitárias com níveis inadequados de investimento. Com a desestatização,
esses gastos deixaram de pressionar as contas públicas.
A mudança no tratamento do capital estrangeiro possibilitou explorar os setores de
mineração e energia. Por outro lado, também mudou o conceito de empresa nacional,
permitindo que firmas com sede no exterior passassem a dispor do mesmo tratamento dado
às empresas constituídas por brasileiros.
No que se refere ao setor financeiro, o governo: instituiu o Programa de Estímulo à
Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, concedendo uma
linha especial de assistência que evitou uma crise financeira como a vivida no México;
privatizou a maioria dos bancos estaduais; facilitou a entrada de bancos estrangeiros,
buscando ampliar a concorrência; favoreceu um processo de conglomeração, que deixou o
mercado com um número menor, porém mais fortes, de instituições; ampliou os requisitos
de capital para a constituição de bancos; e melhorou o acompanhamento e o
monitoramento do nível de risco do sistema por parte do Banco Central.
Outra reforma importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabeleceu
tetos para as despesas com pessoal em cada um dos poderes nas três esferas da Federação, e,
entre vários dispositivos de controle das finanças públicas, proibiu novas renegociações de
dívidas entre entes da Federação. O governo também implementou um rígido programa de
ajuste fiscal – uma restrição orçamentária efetiva, baseada em metas fiscais rígidas. E,
finalmente, o sistema de metas de inflação, ainda que institucionalmente precário pela
ausência de autonomia do Banco Central, caracterizou o compromisso formal com a
estabilização dos preços.
Visto como um todo, esse conjunto de novidades moldou um país mais parecido com as
nações desenvolvidas caracterizadas por economias com menor presença do Estado nas
atividades produtivas, sistemas financeiros sólidos, contas fiscais sob controle e níveis de
inflação relativamente baixos.
6.4.5. As privatizações
As razões do processo de privatização, explicitadas no Programa Nacional de
Desenvolvimento lançado em 1990, seriam: transferir à iniciativa privada atividades
indevidamente exploradas pelo setor público, permitindo que os investimentos fossem
retomados, além de contribuir para a redução da dívida pública e para o fortalecimento do
mercado de capitais.
As privatizações na gestão FHC caracterizaram-se pela venda de empresas prestadoras de
serviços públicos, com ênfase nas áreas de telecomunicações e energia. Durante o primeiro
governo, a privatização era funcional, porque permitia que os déficits públicos não
pressionassem a dívida, e garantia o financiamento de parte do desequilíbrio em conta-
corrente.
As privatizações apresentaram consequências positivas, dentre elas: redução da dívida
pública, aumento da eficiência das empresas privatizadas, redução dos preços
(especialmente no setor de telefonia) e evolução positiva dos resultados fiscais de empresas
estatais.
Por outro lado, o efeito negativo foram os resultados do processo, que ficaram aquém do
planejado.
Dois elementos concorreram para tanto. Primeiramente, a ideia equivocada de que em
razão da desestatização o governo teria mais recursos para gastar em áreas sociais; e a falta
de uma regulação clara que incentivasse o setor privado, combinada com a falta de
investimentos estatais, provocou uma crise energética.
6.5. Uma década de transformações
• 1991-1994: o binômio privatização/abertura introduziu um choque de competição na
economia.
• 1995-1998: a estabilização associada ao Plano Real marcou uma revolução no setor
privado; a possibilidade de comparar preços aumentou a competição entre as
empresas.
• 1999-2002: ocorreu uma mudança do regime. Até 1998, alta inflação, crise externa
e/ou descontrole fiscal sempre estiveram presentes nas crises brasileiras. Mas a partir
de 1999, o Brasil passa a ter condições de atacar os principais desequilíbrios
macroeconômicos.
6.6. O ajuste não foi percebido
Entre 1994 e 2002 não houve um único ano no qual a relação dívida pública/PIB não
tenha aumentado em comparação ao ano anterior. Além disso, o déficit em conta-corrente
permanecia elevado. Desse modo, entre a maioria dos analistas imperava grande ceticismo
sobre o Brasil.
Ao mesmo tempo, o ambiente externo foi desfavorável. As crises econômicas culminaram
em uma maior necessidade de desvalorização cambial, com efeitos negativos sobre a
dinâmica de preços e dos juros. Adiciona-se a esse fato, a inevitável redução dos salários
reais como resultado das condições para o ajustamento externo, e o baixo crescimento do
produto no período. Esse desempenho negativo foi condenado pelo eleitorado em 2002.
Finalmente, com o ingresso do então eleito presidente Lula houve uma reversão da dívida
externa brasileira. Contudo, no que diz respeito à dívida pública interna, persiste o
aumento, tendo em vista que os tributos não conseguem fazer frente aos gastos dos governos.
Exercícios
1. (Cespe – Inmetro – Ciências Econômicas –2010) Com relação à evolução do déficit público e da dívida pública no
Brasil a partir da década de 80 do século passado, assinale a opção Correta.
a) A redução significativa do superávit primário contribuiu para elevar a dívida pública no período 2003-2006.
b) A expansão acelerada do investimento público foi o fator predominante no aumento do gasto público, ocorrido
durante a recente crise mundial.
c) Na década de 80 do século passado, a dívida interna líquida do setor público constituía a quase totalidade da dívida
líquida total.
d) No período anterior à implementação do Plano Real, somente as receitas do governo eram indexadas, e as
despesas do governo, em termos reais, eram reduzidas pela hiperinflação, fato que contribuiu para diminuir o
déficit operacional.
e) A partir de 2003, registrou-se aumento contínuo da relação dívida-PIB.
Comentário:
Atenção para essa questão!
Ela é uma daquelas com grande chance de aparecer na prova.
Ao trabalho!
Primeiro ponto a ser observado: a questão fala sobre déficit e dívida pública a partir da
década de 1980, uma combinação de assuntos que temos que saber muito bem para poder
fazer uma boa prova.
Vejamos item por item para analisar onde está o erro.
Na alternativa a, temos que A redução significativa do superávit primário contribuiu para
elevar a dívida pública no período 2003-2006. Lembre-se de que quando falamos de 2003 até
2006, estamos falando sobre o período do primeiro governo Lula. Nesse período, o governo
intensificou a luta na promoção do que se chamou de superávit primário (receitas do
governo – despesas do governo (sem considerar as despesas com taxa de juros)) para fazer
frente ao pagamento da dívida externa brasileira. Então, analisando somente esse dado, é
possível notar que não há uma redução significativa do superávit primário, mas justamente
o efeito contrário. Apenas com essa informação é possível afirmar que a questão é falsa.
Em seguida, a alternativa b afirma que A expansão acelerada do investimento público foi
o fator predominante no aumento do gasto público, ocorrido durante a recente crise
mundial. Essa crise recente a que se refere a questão é justamente a crise de 2008, iniciada
no mercado imobiliário norte-americano. O aumento da presença do governo na economia
não se deu via aumento do investimento público, mas, sobremaneira, a partir da redução de
impostos. IPI. Então, a questão está incorreta justamente por identificar de forma errada a
intervenção do governo.
Vamos mais à frente!
A letra c diz que Na década de 80 do século passado, a dívida interna líquida do setor
público constituía

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