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Dedicatória
Para minha esposa, Sara. Para minha sogra, Gildete. Para
minha filha, Alice, que enche a minha vida de alegria.
Para minha mãe, Ilza, cujo amor e graça sou diariamente
inspirado.
Para meu pai, Lupério, e irmãos, Miguel e Nilson.
Alan Ruas. Soli Deo Gloria
Sumário
Prefácio
Agradecimentos Ideologia de Gênero: Definição Introdução: A Criação da
Família Capítulo 1: O Plano de Antônio Gramsci A Escola de Frankfurt A
Estratégia Gramsciana no Brasil A Política LGBT no Brasil Destruição ou
Adulteração da Bíblia Capítulo 2: Deus e o Gênero Macho e Fêmea O
Casamento na Perspectiva da Ideologia de Gênero Capítulo 3: O Casamento
na Perspectiva de Deus O Casamento Bíblico O Casamento Bíblico É
Monogâmico O Casamento Bíblico É Heterossexual O Casamento Bíblico É
de Jugo Igual No Casamento Bíblico, Homem e Mulher São Iguais Desiguais
No Casamento Bíblico, os Papeis dos Cônjuges São bem Definidos O “para
quê” da Criação da Mulher O “para quê” da Criação do Homem Os Benefícios
do Casamento de Acordo com a Bíblia Os Filhos no Lar Cristão Capítulo 4:
Moral e Imoral: Quem os Qualifica é o Amor?
Capítulo 5: Esperança para os Homossexuais Conclusão:
O Propósito da Família Deus Está no Controle da História, portanto, Descanse
Nele!
Prefácio
Tenho a subida honra e grande alegria de apresentar aos
leitores o livro A família na perspectiva de Deus: Uma resposta
à ideologia de gênero. Faço-o com retumbante entusiasmo e
isso por algumas razões que passo a elencar:
Primeiro, porque conheço o autor da obra. Alan Ruas é
ministro do evangelho, homem de vida irrepreensível, de
conduta ilibada, que escreve não como um teórico, mas como
um servo do Altíssimo, como um intérprete fiel das Escrituras.
Segundo, porque sua obra é apologética sem deixar de
ser pastoral. Alan é um erudito. Sua mente peregrina garimpou
obras importantes antes de escrever seu texto. O conteúdo que
o leitor tem em mãos é fruto de um laborioso trabalho. O
esforço laboral do autor aparece em cada página desta
consistente obra.
Terceiro, porque o autor traz à baila um assunto polêmico
e atual, que ocupa a mídia e as discussões nos centros
acadêmicos, nos parlamentos e nas cortes. Faz isso com
perícia invulgar. Busca fontes primárias. Expõe as entranhas
desse grande conflito que marca a sociedade hodierna. Mostra
como essa tentativa insana de desconstruir a família esteve na
pauta de grandes pensadores do passado e como essa
tentativa ainda insiste em atacar os alicerces da família.
Quarto, porque o autor deixa claro que a família foi
instituída por Deus. O próprio Deus estabeleceu princípios
permanentes que devem regular a família. O casamento é
heterossexual, monogâmico, monossomático e indissolúvel. O
casamento foi instituído por Deus para cumprir o mandato
cultural, social, moral e espiritual. Os papéis no casamento
precisam ser entendidos para que não haja competitividade
entre marido e mulher, mas complementaridade.
Quinto, porque o autor não apenas conhece com
profundidade o assunto em tela, mas o expõe com clareza
diáfana, com eloquência notória e com fidelidade inegociável às
Escrituras.
Minha palavra final é de congratulações a Alan Ruas pela
primorosa obra e de recomendação efusiva aos leitores. Estou
certo de que sua vida será impactada com a leitura deste
precioso livro.
Boa leitura! 
Hernandes Dias Lopes
Agradecimentos
A Deus, razão da minha existência, bem maior. Deus, creio,
tem sido o meu maior incentivador, pois Ele — no dizer do
apóstolo Paulo — “é quem efetua em [nós] o querer como o
realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl 2.13). Deste modo, a
minha crença é de que Deus nos impulsiona a produzir obras
que glorifiquem o seu santo nome (Tg 1.17). Portanto, a Ele
toda honra e glória.
Ao Rev. Hernandes Dias Lopes pelo carinho e atenção
direcionados a minha pessoa. Ao Rev. Itamar Bezerra pelas
orientações enquanto conversávamos acerca desse material.
Ideologia de Gênero: Definição
A ideologia de gênero é uma espécie de dicotomismo da
pessoa humana, pois separa o corpo do seu aspecto psicológico,
com intuito de separar o sexo biológico do gênero. Os ideólogos de
gênero, portanto, com isso, ensinam que o gênero não deve ser
definido a partir do sexo biológico, mas da psicologia de cada
indivíduo. Destarte, a ideologia de gênero sustenta a “tese” de que
cabe ao indivíduo definir o seu gênero independente da sua
realidade biológica e, por conseguinte, fazer com que a sua
sexualidade atenda as indicações subentendidas do aspecto
psicológico do seu corpo. Deste modo, na linguagem dos ideólogos
de gênero uma pessoa tem autonomia total para abjurar a sua
biologia, o seu sexo constituído geneticamente já que os
cromossomos XY e XX, os órgãos sexuais, isto é, biológicos, não
devem determinar o gênero em uma determinada pessoa. Assim,
uma pessoa que nasceu com órgão genital/biológico feminino, mas
que psicologicamente se vê menino, homem, e consequentemente
deseja ser homem, pode fazer o que a sua vontade quer, deseja,
pois a vontade, isto é, a psique é que determina o gênero e não a
condição biológica.
Contudo, a Palavra de Deus não ensina assim, pois Gênesis
1.27 diz que Deus criou macho e fêmea, homem e mulher,
masculino e feminino. Macho e fêmea são gêneros, e esses gêneros
são definidos por Deus a partir da realidade biológica, pois Adão foi
chamado de homem e Eva de mulher (Gn 3.16-20) já que a
constituição anatômica de ambos correspondia ao sexo biológico. O
genótipo definiu o fenótipo, por isso homem nasce com pênis e
mulher com vagina. Pênis e vagina são órgãos reprodutores, por
esse motivo Deus disse a Adão e Eva, ao macho e a fêmea:
“crescei e multiplicai” (Gn 1.28; 4.1). Homem e mulher na união
sexual podem reproduzir, mas homem com homem e mulher com
mulher não, pois a condição natural ou biológica do gênero
masculino e feminino impossibilita o masculino com o masculino
reproduzir tanto quanto o feminino com o feminino. Portanto, a Bíblia
só nos apresenta dois gêneros: o masculino e o feminino; gêneros
determinados a partir do sexo biológico. Assim, o sexo determina o
gênero em uma pessoa e não o seu aspecto psicológico.
Introdução: A Criação da Família
Nos últimos séculos a discussão em torno dos sexos foi
ganhando um espaço enorme na agenda das Universidades, [1]
pois inúmeros conceitos foram surgindo em torno da questão da
pessoa do homem e da mulher. Destarte, a família conjugal,
formada a partir da união matrimonial heterossexual, passou a
ser atacada, já que, na perspectiva de muitos segmentos
filosóficos e políticos desses últimos séculos, sua origem não se
deu por meio da união de um macho e uma fêmea no
casamento, uma vez que macho e fêmea se relacionavam
sexualmente sem compromisso nas civilizações antigas:
sustentam os segmentos filosóficos associados ao marxismo.
Logo, homem e mulher, de acordo com tais filosofias, não
necessitavam passar pelo casamento para manter relação
sexual um com o outro; o sexo era livre. Deste modo, o conceito
de família nas civilizações antigas estava para além da união
por meio do casamento do homem e da mulher. O marxismo
encabeçou uma filosofia contra a instituição da família. Karl
Marx [2] desconsiderava a família conjugal, formada por pai,
mãe e filhos, como uma família original. [3]
Na perspectiva de Marx, a família nas civilizações primitivas
tinha outro formato. [4] Segundo ele, a família que conhecemos
foi inventada em um momento da história pelo capitalismo. [5]
Na verdade, Marx, com a intenção de banir o sistema
capitalista, criou algumas teses, a saber: defendeu que o
problema da desigualdade social que, por conseguinte,
resultava na luta de classes, estava na má distribuição da
propriedade privada; [6] contudo, não se deu por satisfeito em
entender que só estava na má distribuição da propriedade
privada, passando subsecutivamente também a atacar a família
tradicional, pois passou a sustentar que a estirpe do que
chamava de desigualdade social era mantida por meio da
família tradicional, visto que ela [a família tradicional ou nuclear]havia sido criada pelo capitalismo.
Em Marx portanto é o capitalismo que gera a distribuição
desigualitária de recursos no seio da sociedade: “muitos com
pouco e poucos com muito” [7]; a concentração do poder
econômico nas mãos de alguns leva o que o marxismo
classificou de luta de classes.
A definição de classe social, tal como vemos atualmente, é segundo a ótica
de Marx. Ele separava as classes pelo seguinte aspecto: a relação dos donos
do capital e os vendedores de força de trabalho, que é o patrão e o
proletariado. Em nossa sociedade, as demais classes, independente da
situação econômica, partilham de um mesmo objetivo corriqueiro: lucrar. De
acordo com a história e os preceitos de Karl Marx e Friedrich Engels, a origem
da humanidade está fundamentada tão somente na luta de classes. Tal luta se
deu no decorrer dessa linha do tempo, em que os burgueses oprimiam os
proletariados. Quando surgiu a ideia de propriedade privada e dos meios de
produção, a sociedade começou a ser desmembrada em classes, que foram
as duas já mencionadas anteriormente. Dessa forma, o capitalismo está
ligado diretamente com as classes sociais. A divisão de classes sociais na
sociedade, segundo Marx, só acabará quando o capitalismo for extinto do
sistema político-econômico da organização social. Antigamente, nas
sociedades mais primitivas, não havia a hierarquização da sociedade. [8]
O macho burguês teria introduzido um conceito novo de
família que [tornou-se convencional] com intuito de aprisionar a
humanidade no sistema econômico capitalista, responsável, no
dizer de Marx, pela desigualdade socioeconômica.
Em suma, na cabeça de Marx, o macho burguês
proprietário dos meios de produção (terra, matérias-primas,
máquinas e instrumentos de trabalho) teria percebido que uma
espécie de família deveria ser criada para que o sistema
econômico capitalista fosse levado adiante. Assim, criou a
família convencional, a que conhecemos hoje.
Se alguém perguntasse a Karl Marx “que instituição
mantém o capitalismo vivo?” ele responderia, com certeza, a
família convencional. [9] A família tem um artífice, o macho
burguês, detentor do capital; e, por isso, a desigualdade
perdurava, já que o capitalismo teria criado a família
convencional, nuclear ou conjugal.
Deste modo, a família conjugal, segundo a ótica marxista,
foi instituída com o propósito de levar o espólio capitalista. Nas
entrelinhas, Marx ensinava que a família convencional foi
pensada e criada com um único propósito — aprisionar a
humanidade no sistema econômico capitalista. O blog
Marxismo Cultural declara em um dos seus artigos que a família
conjugal na visão marxista ajuda a manter o modo de produção
capitalista, já que ela [família conjugal] faz parte da
superestrutura ideológica cuja base econômica que a determina
é o modo de produção capitalista, eis a declaração:
Segundo os termos Marxistas, o modo de produção Capitalista é a base
econômica subjacente da sociedade e a família faz parte da superestrutura
ideológica. A base econômica determina a superestrutura ideológica. Para um
Marxista, não se pode destruir a família sem destruir o capitalismo; se o
capitalismo cria a família, então mal o capitalismo desapareça, a família
desaparecerá. [10]
Assim o marxismo fechou a questão, responsabilizando a
família, e, por conseguinte, passou a atacar a família
abruptamente com “venenos” ideológicos como: o sexo na
sociedade primitiva era livre; as mulheres se engravidavam sem
ter a necessidade da participação masculina na criação e
educação dos seus filhos. Por não existir família, o homem
[macho burguês] teve, segundo Marx, a necessidade de se
impor, criando a família.
Tais argumentos serviriam, para aos poucos, ir minando o
conceito da família conjugal nas gerações vindouras.
O projeto do Manifesto comunista, [11] escrito por Marx e Engels, em
1848, era acabar com o capitalismo, e tudo que estivesse associado
a ele, posto que sustentavam que a família conjugal fazia parte da
estrutura ideológica do capitalismo e, por conseguinte, levava o
capitalismo adiante, ela deveria ser destruída.
Marx foi um ateu [12] declarado. Nutria um sentimento perverso
contra o cristianismo. Foi um ferrenho inimigo dos cristãos.
Eguinaldo Hélio de Souza, acerca da hostilidade de Marx ao
cristianismo, escreveu:
Marx não era apenas um ateu. Era inimigo do cristianismo. Ele não deixou a
religião de lado, colocou-se contra ela. Uma coisa é não acreditar que Deus
exista. Outra coisa é lutar por tirar do coração das pessoas a confiança nesse
Deus. Ele adquiriu todo seu arsenal anti Deus com o falso teólogo Bruno
Bauer e o filósofo Feuerbach. Deles se escreveu em seus tempos de
estudante. O ateísmo de Marx certamente era de uma espécie extremamente
militante. Ruge escreveu a um amigo: “Bruno Bauer, Karl Marx, Christiansen e
Feuerbach estão formando uma nova “Montagne” (grupo mais radical da
Revolução Francesa) e fazendo do ateísmo o seu lema. Deus, religião,
imortalidade são derrubados de seu trono e o homem proclamado Deus. E
George Jung, um jovem próspero advogado de Colônia e partidário do
movimento radical, escreveu a Ruge: “Se Marx, Bruno Bauer e Feuerbach
juntos fundarem uma revista teológico-filosófica, Deus faria bem em cercar-se
de todos os seus anjos e se entregar à autopiedade, pois estes certamente o
tirarão de seu céu”. [13]
Tamanha era a hostilização de Marx para com Deus. O
cristianismo foi alvo dos ataques marxistas. Marx não hesitava
em desconsiderar as ideias fundamentais do cristianismo. A
família instituída por Deus foi veemente atacada. Os discípulos
dele levaram seu legado adiante. O veneno ideológico do
marxismo, contra a família conjugal, ganhou corpo e força nos
escritos de Friedrich Engels. [14]
Friedrich Engels, autor da obra A Origem da Família, da
Propriedade Privada e do Estado, [15] por exemplo, foi um
marxista que reproduziu o que Marx ensinou acerca da família,
pois a apresentação que é feita nessa obra, no que diz respeito
à família, estabelece uma desconstrução do que conhecemos
como família tradicional ou conjugal. Engels ensina, na obra em
questão, que a família atual conhecida como tradicional foi
inventada visando interesses capitalistas.
Engels cita [supostas pesquisas] feitas pelo advogado
americano Lewis Henry Morgan [16] com intuito de desconstruir
a ideia da família conjugal, restritiva. Segundo ele, Morgan fez
uma pesquisa experimental com civilizações antigas e chegou à
conclusão de que existem conexões de sistemas de parentesco
em escala global. Assim Engels cita Morgan:
Morgan, que passou a maior parte de sua vida entre os iroqueses, ainda hoje
estabelecidos no Estado de Nova York, e foi adotado por uma de suas tribos
(a dos senekas), encontrou um sistema de consanguinidade vigente entre
eles, que entrava em contradição com seus reais vínculos de família. Reinava
ali aquela espécie de matrimônio facilmente dissolúvel por ambas as partes,
que Morgan chamava “família sindiásmica”. A descendência de semelhante
casal era patente e reconhecida por todos; nenhuma dúvida podia surgir
quanto às pessoas a quem se aplicavam os nomes de pai, mãe, filho, filha,
irmão ou irmã. Mas o uso atual desses nomes constituía uma contradição. O
iroquês não somente chama filhos e filhas aos seus próprios, mas, ainda, aos
de seus irmãos, os quais, por sua vez, o chamam pai. Os filhos de suas irmãs,
pelo contrário, ele os trata como sobrinhos e sobrinhas, e é chamado de tio
por eles. Inversamente, a iroquesa chama filhos e filhas os de suas irmãs, da
mesma forma que os próprios, e aqueles, como estes, chamam-na mãe. Mas
chama sobrinhos e sobrinhas os filhos de seus irmãos, os quais a chamam de
tia. Do mesmo modo, os filhos de irmãos tratam-se, entre si, de irmãos e
irmãs, e o mesmo fazem os filhos de irmãs. Os filhos de uma mulher e os de
seu irmão chamam-se reciprocamente primos e primas. E não são simples
nomes, mas a expressão das ideias que se tem do próximo e do distante, do
igual ou do desigual no parentesco consanguíneo; ideias que servem de base
a umsistema de parentesco inteiramente elaborado e capaz de expressar
muitas centenas de diferentes relações de parentesco de um único indivíduo.
Mais ainda: esse sistema se acha em vigor não apenas entre todos os índios
da América (até agora não foram encontradas exceções), como também
existe, quase sem nenhuma modificação, entre os aborígines da Índia, as
tribos dravidianas do Dekan e as tribos gauras do Indostão. As expressões de
parentesco dos tamilas do sul da Índia e dos senekas-iroqueses do Estado de
Nova York ainda hoje coincidem em mais de duzentas relações de parentesco
diferentes. E, nessas tribos da Índia, como entre os índios da América, as
relações de parentesco resultantes da vigente forma de família estão em
contradição com o sistema de parentesco. [17]
Notem que Engels tenta estabelecer com base em uma
suposta pesquisa uma espécie de família totalmente oposta à
do Éden e, por conseguinte, de toda a Bíblia. A chamada
“família sindiásmica” seria, na pesquisa de Morgan, segundo
Engels, a família original. No começo, quer insinuar ele, não
existia esta estrutura familiar que conhecemos — pai, mãe e
filhos. A família restritiva não existia entre os povos antigos,
pois filhos no contexto familiar antigo tinham vários pais e
mães, assim Engels afirma: “Os sistemas de parentesco e
formas de família a que nos referimos diferem dos de hoje no
seguinte: cada filho tinha vários pais e mães”. [18]
Nitidamente, a sugestão de que a ideia de um pai e uma
mãe da família restritiva não existia nos povos antigos. Ele vai
mais longe quando declara:
No sistema americano de parentesco, ao qual corresponde a família
havaiana, um irmão e uma irmã não podem ser pai e mãe de um mesmo filho;
o sistema de parentesco havaiano, pelo contrário, pressupõe uma família em
que essa é a regra. Encontramo-nos frente a uma série de formas de família
que estão em contradição direta com as até agora admitidas como únicas
válidas. [19]
Nessa declaração ele sugere que irmãos podem ser pais
de um mesmo filho. Mais adiante ele escreve: “Não só na época
primitiva irmão e irmã eram marido e mulher, como também,
ainda hoje, em muitos povos é lícito o comércio sexual entre
pais e filhos”. [20] A relação incestuosa é condenada pela Bíblia
(Gn 19.30-38). Incesto é pecado. Filhos, de acordo com a
Bíblia, só podem ser gerados por um homem e uma mulher não
consanguíneos. Levítico 18.9 declara: “A nudez de tua irmã,
filha de teu pai ou filha de tua mãe, nascida em casa ou fora da
casa, a sua nudez não descobrirás”. Significa que irmãos
biológicos tendo sido criados juntos ou não, não podem copular
um com o outro.
Existem casos de irmãos que casaram sem saber que
eram irmãos. E só depois de anos de relacionamento conjugal
descobrem que são irmãos. O que deve ser feito nesses casos?
Eu entendo que a partir do momento que ambos se certificam
que são irmãos devem romper com o que Deus condena; pois,
é condenável pela Escritura Sagrada, é pecado. Pecado
confessa e deixa (Pv 28.13; 1Jo 1.5-10).
O caso dos Irmãos Patrick Stuebing e Susan Karolewski
que tiveram quatro filhos juntos chamou a atenção do mundo. O
caso ocorreu na Alemanha — que vê o incesto como crime.
Patrick foi condenado por crime de incesto e cumpriu três anos
de sentença na Alemanha. O casal de irmãos teve quatro filhos
juntos, dois dos quais descritos como portadores de deficiência
física. [21]
Patrick e Susan moveram um processo junto a Corte
Europeia de Direitos Humanos, alegando que tinham o direito
de viver uma vida em família, porém perderam e assim a
Alemanha estava autorizada a banir o incesto.
A surpresa foi que Patrick confessou ter se envolvido com
Susan depois de saber que ela era sua irmã biológica. O que
noticiava, na época, era que eles haviam se envolvido sem
terem ciência que eram irmãos.
Em entrevista à BBC em 2007, Patrick contou ter reencontrado a irmã Susan
somente aos 23 anos, quando viajou até Leipzig em 2000 para conhecer a
sua família biológica. Depois da morte da mãe, os dois afirmaram ter se
apaixonado.
“Eu não sabia que tinha um irmão quando era mais nova. Conheci Patrick e
fiquei surpresa”, admitiu na época Susan Karolewski, em entrevista à BBC.
Ela disse não sentir culpa pelo relacionamento incestuoso, e que esperava
conseguir mudar a legislação alemã. “Só quero viver com a minha família e
ser deixada em paz pelas autoridades e pela Justiça”. [22]
A Bíblia em Levítico 18.12 declara: “A nudez da irmã de teu
pai não descobrirás; ela é parenta de teu pai”. Levítico 20.17
declara: “E, quando um homem tomar a sua irmã, filha de seu
pai ou filha de sua mãe, e ele vir a nudez dela, e ela vir a sua,
torpeza é; portanto, serão extirpados aos olhos dos filhos do
seu povo; descobriu a nudez de sua irmã; levarão sobre si a
sua iniquidade”. Levítico 20.19 declara: “Também a nudez da
irmã de tua mãe ou da irmã de teu pai não descobrirás;
porquanto descobriu a sua parenta, sobre si levarão a sua
iniquidade”. Deuteronômio 27.22 declara: “Maldito aquele que
se deitar com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe! E
todo o povo dirá: Amém!”. A Bíblia é taxativa — sexo entre
irmãos biológicos é pecado.
Engels sustenta ainda a ideia que homens tinham várias
mulheres e mulheres tinham vários homens.
A concepção tradicional conhece apenas a monogamia, ao lado da poligamia
de um homem e talvez da poliandria de uma mulher, silenciando como
convém ao filisteu moralizante sobre o fato de que na prática aquelas
barreiras impostas pela sociedade oficial são tácita e inescrupulosamente
transgredidas. O estudo da história primitiva revela-nos, ao invés disso, um
estado de coisas em que os homens praticam a poligamia e suas mulheres a
poliandria, e em que, por consequência, os filhos de uns e outros tinham que
ser considerados comuns. É esse estado de coisas, por seu lado, que,
passando por uma série de transformações, resulta na monogamia. Essas
modificações são de tal ordem que o círculo compreendido na união conjugal
comum, e que era muito amplo em sua origem, se estreita pouco a pouco até
que, por fim, abrange exclusivamente o casal isolado, que predomina hoje.
[23]
Sabemos que o intuito é deduzir que no começo da
civilização era assim, mas temos ciência que não era assim,
pois Deus criou um homem e uma mulher, isto é, Adão e Eva. O
casamento na perspectiva de Deus é monogâmico. O homem
por causa do pecado perverteu o que o Senhor Deus instituiu.
Deus criou o homem para ter uma única mulher e vice-versa
(Gn 4.1; Dt 17.17; 1Co 7.2; 1Tm 3.2,12).
Jesus Cristo citou Gênesis 2.24 como uma prova clara de que a poligamia (ter
mais de uma esposa) e o divórcio (exceto em caso de adultério) são
condenados por Deus (Mt 19.5). O apóstolo Paulo, escrevendo sob inspiração
do Espírito Santo, disse que há somente uma saída moral e legítima para o
caminho deixado por Deus para o sexo — o casamento (1Co 7.2). [24]
Apesar disso, os marxistas entendem que a poligamia, o
divórcio, entre outras coisas, eram naturais em civilizações
antigas. O propósito por detrás é atingir a família conjugal, pois
sugerem que [ela] foi criada e imposta por uma ação
discricionária do macho burguês. O homem [macho] teria criado
a família com intuito de subjugar a mulher e manter os
interesses do capital. A filósofa Marilena Chauí, articulista
política, tem defendido esse ponto de vista marxista. Segundo
Chauí, os pais são déspotas e quem defende a família é uma
besta. [25]
O excomunista Júlio Severo no blog Diário de um
exComunista, acerca da intenção do marxismo em relação à
família, elucida:
Marx, no Manifesto Comunista, compreende interações sociais como um
computador leria um código binário: algo puramente racional, objetificado.
Para este a família é uma instituição que deve ser abolida, pois é baseada
somente no capital, no ganho individual.
Assim, homens explorariam mulheres, pais explorariam crianças, e todos
viveriam em clima de guerra. Tais ideias foram endossadas por Gramsci, que
não pestanejou em acrescentar mais bobagem ao caldo, igualmente propondo
a destruição da “famíliaburguesa”. Para estes esquerdistas não existe amor.
Será que nasceram de uma máquina chocadeira? [26]
É certo afirmar, portanto, que na perspectiva marxista a
família foi institucionalizada pelo homem [macho] com intuito de
dominar. Assim, a família como conhecemos surgiu em um
momento em que o ser humano [do sexo masculino] percebeu
a necessidade de ser o mandatário nas relações que já existiam
na sociedade.
A mulher não estabelecia compromisso com o homem por
meio do casamento e tampouco tinha a necessidade de manter-
se em um relacionamento com ele; vivia livre e relacionava-se
com vários homens, justamente por ser a sociedade anterior a
instituição da família tradicional. Segundo o marxismo, tal
modelo de sociedade desnuda a ideia de que para um homem
e uma mulher se relacionarem sexualmente tinham que passar
pelo casamento. Nas palavras de Engels:
Reconstituindo retrospectivamente a história da família, Morgan chega, de
acordo com a maioria de seus colegas, à conclusão de que existiu uma época
primitiva em que imperava, no seio da tribo, o comércio sexual promíscuo, de
modo que cada mulher pertencia igualmente a todos os homens e cada
homem a todas as mulheres. E, com efeito, que encontramos como forma
mais antiga e primitiva da família, cuja existência indubitável nos demonstra a
História, e que ainda hoje podemos estudar em certos lugares?
O matrimônio por grupos, a forma de casamento em que grupos inteiros de
homens e grupos inteiros de mulheres pertencem-se mutuamente, deixando
bem pouca margem para os ciúmes. Além disso, numa fase posterior de
desenvolvimento, vamos nos deparar com a poliandria, forma excepcional que
exclui, em medida ainda maior, os ciúmes, e que, por isso, é desconhecida
entre os animais. Todavia, como as formas de matrimônio por grupos que
conhecemos são acompanhadas de condições tão peculiarmente
complicadas que nos indicam, necessariamente, a existência de formas
anteriores mais simples de relações sexuais e assim, em última análise, um
período de promiscuidade correspondente a passagem da animalidade à
humanidade. As referências aos matrimônios animais conduzem-nos, de
novo, ao mesmo ponto de onde devíamos ter partido de uma vez para
sempre. Que significam relações sexuais sem entraves? Significa que não
existiam os limites proibitivos vigentes hoje ou numa época anterior para
essas relações. [27]
De maneira artificiosa ele sugere que as “formas de
matrimônio por grupos que conhecemos são acompanhadas de
condições tão peculiarmente complicadas que nos indicam,
necessariamente, a existência de formas anteriores mais
simples de relações sexuais”. A forma simples, menos
complicada é a forma excepcional que ele chama de
“poliandria”, “casamento” de mulher com vários homens, pois,
assim escreveu: “Existiu uma época primitiva em que imperava,
no seio da tribo, o comércio sexual promíscuo, de modo que
cada mulher pertencia igualmente a todos os homens e cada
homem a todas as mulheres”. [28]
O casamento entre o sexo masculino e feminino não era o
ponto determinante para sustentação e multiplicação da espécie
humana, ensinavam os marxistas de plantão. Contudo, quando um
homem e uma mulher se uniam e procriavam, formando uma
família, as crianças dessa relação deveriam ser educadas pelo
estado. Deste modo, a família serviria apenas para a procriação.
O comunista George Orwell, em seu livro 1984, ensinou
que “o indivíduo é criado pelo estado. A família serve apenas
para procriação”. [29] A intenção do marxismo é implantar um
sistema que seja capaz de desconstruir a família original.
Cristãos não seguem as orientações dos homens depravados.
O que o homem depravado definiu. O que o homem pecador
perverteu.
A família foi criada por Deus com um pai, uma mãe, isto é,
um homem e uma mulher (Gn 2.24) e daí vieram os filhos (Gn
4.1-2). Portanto, a ideia exposta por Engels fundada em
pesquisas voltadas aos comportamentos dos homens
pecadores não serve de base para estruturar um argumento em
torno da origem da família.
É certo dizer que tanto Engels quanto Marx ensinavam
que a religião cega as pessoas, noutras palavras, em se
tratando da família, que a família apresentada na Bíblia foi
criada, inventada, para que as suas ideias [marxistas satânicas]
fossem aceitas.
Mas, devemos crer na Bíblia ou no marxismo? Claro que
na Bíblia. A Bíblia é a Palavra de Deus; assim, a Bíblia ensina
que a humanidade começou a partir do casamento de Adão e
Eva. Começou com o casamento monogâmico. Não começou
com a poliandria, nem com a poligamia.
Infelizmente no Brasil existem muitos segmentos políticos
filosóficos que seguem o idealismo marxista [30] e, por isso,
temos visto tantos ataques à família nestes últimos anos.
O que a maioria das pessoas teima em observar é que quanto mais
desestabilizada estiver uma sociedade, maiores as chances de uma revolução
triunfar. E quanto menos união familiar houver, maiores as chances do papai-
estado assumir a educação dos cidadãos, como no livro 1984, de George
Orwell. Você trocaria sua mãe por um partido político? Na prática é isso que
os comunistas querem. E estão conseguindo. [31]
O socialismo [marxista [32]] no Brasil tem representado
muito bem o seu pai Karl Marx, pois a família tem sido atacada
ferozmente. No Brasil e no mundo os ideais marxistas têm
causado estragos terríveis; no dizer de Eguinaldo Hélio de
Souza: “A violência gratuita, o imenso rio de sangue, a
perseguição religiosa, principalmente contra o cristianismo, o
ataque à família tradicional são apenas alguns dos frutos
podres do marxismo”. [33]
Devemos ficar atentos a ideologias políticas que fazem de
tudo para que a família seja destroçada. Vivemos um momento
difícil em nosso país. Hoje se fala muito em ideologia de
gênero. Muitos partidos políticos de linha ideológica marxista
estão levantando a bandeira da desconstrução sutil da família;
ardilosamente estão fazendo uso do poder político para invadir
escolas primárias com intuito de imprimir ideologias que têm
como meta desconstruir a família tradicional. Como citado, a
filósofa Marilena Chauí, articulista política de um partido de
esquerda, marxista, em uma escola declarou que quem
defende a família é um besta. Ela ainda declarou que pais
[homens] são déspotas.
Na verdade, a intenção por detrás dessa frase é incentivar
a homossexualidade, pois no dizer do movimento lésbico,
associado ao feminismo, que tem suas raízes no marxismo:
“Não se pode ser heterossexual e ser-se ao mesmo tempo um
bom socialista ou uma boa feminista”. [34] Destarte, muitos
jovens espalhados pelo mundo, adeptos de tais segmentos
ideológicos, foram abraçando a homossexualidade.
Os jovens foram instados a envolverem-se em relacionamentos
homossexuais de modo a que pudessem demonstrar as suas credências
esquerdistas. Hanif Kureishi, na sua novela “The Buddha of Suburbia”, toca
neste assunto numa cena onde um jovem ator indiano bissexual pede ao seu
amigo socialista que o beije para demonstrar o seu compromisso com a causa
socialista. Esta forma de pensar eventualmente desenvolveu-se até ao ponto
de se tentar demonizar por completo a heterossexualidade. [35]
Demonizar a heterossexualidade, nas entrelinhas, é
destruir a união estabelecida por Deus na criação entre um
homem e uma mulher (Gn 2.18-25). Vejam que o foco está na
destruição da família tradicional. A ideia do sexo livre, do sexo
entre pessoas do mesmo sexo, tem sido também uma maneira
de desestabilizar a família tradicional, formada por um pai
[macho] e por uma mãe [fêmea] como aponta o texto de
Gênesis 2.18-25.
A família conjugal é o princípio da criação de Deus. É o que
é natural — a heterossexualidade é natural —, união entre sexo
oposto, isto é, um homem e uma mulher. A homossexualidade é
portanto inatural, assim declarou Paulo acerca da
homossexualidade em Romanos 1.26 e 27, a saber:
26 [...] as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por
outro, contrário à natureza;
27 semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da
mulher, se inflamaram mutuamenteem sua sensualidade, cometendo torpeza,
homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do
seu erro.
Portanto, de acordo com a Palavra de Deus, é um
comportamento inatural, não natural.
Muitos segmentos ideológicos associados ao marxismo
estão ganhando corpo na sociedade nos últimos anos e,
infelizmente, pessoas das mais variadas faixas etárias estão
sendo arrebatadas por tais ideologias.
A ideologia de gênero, seguindo a mesma intenção de
desconstruir a família tradicional [formada a partir do
casamento] por um homem e uma mulher, tem sido nesses
últimos anos o estopim dos embates em torno das questões
que envolvem as funções de homem e de mulher na sociedade.
O movimento feminista, [36] influenciado pelo marxismo,
encabeçou a ideologia de gênero, passando a defender que as
funções específicas para o homem e para a mulher na
sociedade estão baseadas em conceitos machistas, em que o
homem mostra o seu desejo, como sempre mostrou, de
sobrepujar a mulher e, por isso, tais especificações devem ser
revistas e reformuladas.
O feminismo é um inimigo cruel da família tradicional;
ensina, como ensinava Karl Marx, que não se pode destruir o
capitalismo sem destruir a família, por isso, os constantes
ataques à família nos últimos anos. O projeto feminista gira em
torno da desconstrução da família. Em resposta à pergunta: Por
que é que as feministas atacam à família? O blog Marxismo
Cultural responde: “As marxistas-feministas começaram a
acreditar que, tal como a família era um aspecto do capitalismo,
o capitalismo não poderia ser destruído sem a destruição da
família”. [37]
O idealismo do movimento feminista ganhou projeção no
mundo por meio dos escritos da francesa Simone de Beauvoir,
ativista política feminista. Em seu livro O segundo sexo [38]
Simone ensina que “nenhum destino biológico, psíquico,
econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio
da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse
produto intermediário entre o macho e o castrado que
qualificam o feminino”. [39] Deste modo, no dizer de Simone, a
figura atual da mulher foi construída pela civilização.
Conquanto, segundo a Bíblia a família foi criada por Deus
(Gn 1.27-28) a partir da criação do homem e da mulher no
Éden. A descrição da criação do homem e da mulher, isto é,
Adão e Eva no Gênesis, estabelece o momento em que Deus
criou a família, pois a família surge a partir da união dos
primeiros seres humanos criados (Gn 2.18-24). Vejam que o
verso 24 estabelece a união do homem e da mulher, formando
uma só carne. Deste modo, podemos concluir que a família
originalmente começou com a união do primeiro homem [Adão]
com a primeira mulher [Eva], pois Deus criou o homem e a
mulher e os uniu por meio do casamento (Gn 2.21-24).
A origem da família, portanto, é antiga. A data em que ela
foi criada é a mesma da criação da mulher. A família começa
então com a criação da mulher. Deus cria a mulher para o
homem com esse objetivo. Os anos que a mulher tem de
criada, a família tem de instituída.
Deus deu aos regentes do jardim do Éden [Adão e Eva] o
mandato social, pois disse a ambos: “Crescei e multiplicai” (Gn
1.28); eles atenderam a ordem de Deus, pois, em Gênesis 4.1
diz que Adão coabitou com sua mulher (esposa) e teve filhos,
isto é, Caim e Abel. A família começa, portanto, no Éden com
Adão e Eva, nossos primeiros pais.
Deus, quando cria Adão e Eva, dá a eles três mandatos, a
saber: um mandato Cultural; um mandato Social e um mandato
Espiritual.
O mandato Cultural implicava e implica [40] em cuidar da
Terra e dominá-la. Temos em Gênesis 1.28 o domínio e
sujeição e em Gênesis 2.17 a guarda e o cultivo. Eles deveriam
guardar, dominar e cultivar a Terra.
Todas as formas de vida na terra foram, de forma específica, colocadas sob a
supervisão dos vice-gerentes humanos. Com esta responsabilidade, veio o
privilégio de usar as plantas, seus frutos e sua semente para manter a vida e
a energia para realizar as tarefas reais.
A humanidade poderia responder obedientemente ao mandato cultural para a
glória de Deus por causa da sua criação à imagem e semelhança de Deus.
Deus, através da exposição deste mandato, colocou a humanidade em um
relacionamento singular com o cosmos. Na realidade, foi um relacionamento
de governador sobre o domínio cósmico. Mas este governo envolvia trabalho.
O trabalho é, consequentemente, tanto um privilégio real como também uma
responsabilidade. [41]
Já o mandato Social implicava e implica [42] na união do
macho e da fêmea por meio do casamento. Em Gênesis1.28
temos a ordem crescei e multiplicai. Adão e Eva, homem e
mulher, deveriam unir-se por meio do casamento e gerar filhos
e filhas.
O relacionamento tinha que ser visto como um de igualdade diante de Deus.
Mas, para cumprir o mandato, a fêmea tinha que cumprir seus papéis
decretados como ajudadora apropriada, parturiente e mãe cuidadora. O
macho tinha que cumprir seus papéis reconhecendo a fêmea como carne de
sua carne e osso de seus ossos. Ele tinha que trabalhar com ela como agente
real mas também tinha que servir como cabeça, deixando seus pais, tomando
a mulher e se unindo a ela; e assim eles poderiam ser frutíferos como
parceiros casados equivalentes. Este mandato provê a base divinamente
ordenada para o casamento, para a família restrita e a família extensiva — os
clãs, as nações e a comunidade da humanidade de todo o mundo. O mandato
social é a base para o mandato cultural. Da família se desenvolve a sociedade
e a cultura. [43]
E, por fim, o mandato Espiritual, que implicava e implica
[44] na obediência à Palavra de Deus. Adão e Eva foram
chamados a cuidar e governar sobre a Terra, mandato Cultural;
foram chamados a crescer e multiplicar sobre a Terra, mandato
Social; mas, também foram chamados a viver em obediência a
Santa Palavra de Deus (Gn 2.17), mandato Espiritual.
Deus ordenou que eles não comessem do fruto da árvore
do conhecimento do bem e do mal e, devendo obedecer à
Palavra de Deus — ao mandato Espiritual.
A família, portanto, nasce no Éden. A humanidade cresce e
se multiplica quando Deus, por meio do casamento, une Adão e
Eva, fazendo-os uma só carne e, a partir daí, nasce a família.
Crescei e multiplicai, disse Deus (Gn 2.28). Assim,
O tão conhecido princípio da sociologia, a — família e a célula mater da
sociedade é, na verdade, uma percepção bíblica! Por isso mesmo a família
tem o seu caráter — sagrado, por ter sido criada por Deus com dois
propósitos: para a sua glória e a felicidade humana. Pense nas
consequências do princípio do mandato social nas relações marido/esposa,
família/igreja e família/sociedade. São quase inumeráveis. Assim, casamento
não é invenção humana, é mandato de Deus que deve ser obedecido e
cumprido. Nos três primeiros capítulos de Gênesis vemos diversas referências
às este mandato:
1. Deus abençoou e ordenou ao homem a fecundidade, multiplicação e o
enchimento da terra. Este último seria parte da estratégia para o exercício do
mandato cultural, do domínio e sujeição (Gn 1.28). Observe que a
fecundidade é uma das bênçãos do pacto da criação. É por isso que a
esterilidade é um tema frequente nas Escrituras, Deus demonstrando que é o
Senhor da vida e é Ele quem traz essa bênção.
2. Deus ordenou a união de homem e mulher como uma só carne (esse é o
comentário do autor do texto de Gênesis em 2.24). O homem deixa pai e mãe
para formar uma união nova entre dois indivíduos que tem a tarefa de fazer o
outro pleno no Senhor, assim como a herança que recebem dele (os filhos
são herança de Deus — Salmo 127). [45]
Gerard Van Groningen em A família da Aliança, acerca da
origem da família, pondera:
A família não aconteceu simplesmente, nem se desenvolveu com o tempo
dentro de um contexto social. A família foi planejada. Deus a planejou; Deus a
fez existir a partir de sua palavra. Ele fez isso de forma germinal. Ele deu
ordens específicas e concisas que alguém poderia considerar realmente
pesadas, mas elas foram claras. O que ele decidiu fazer, ele trouxe à
existência. Como ela deveria serformada e qual era o seu propósito foi
claramente estabelecido. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes
do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a
terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o
homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os crio”
(Gn 1.26,27).
Por favor, tome nota: o verso 26 nos diz que Deus falou no plural: “Façamos”.
Deus não estava falando com anjos, eles não são cocriadores, eles são seres
criados. O Deus trino estava falando dentro do infinito de si mesmo. [...] Deus
criou homem e mulher, ambos têm a sua imagem, ambos representam e
espelham Deus. A mulher faz isso tanto quanto o homem e juntos, o homem e
a mulher, receberam a ordem para serem frutíferos. Eles deveriam aumentar
seu número, deveriam encher a terra e conquistar isso juntos. [46]
Contudo, notem o que Simone de Beauvoir afirma em seu
livro O segundo sexo:
[...] pensa-se ainda em certas sociedades primitivas de filiação uterina, que o
pai não participa de modo algum na concepção do filho: as larvas ancestrais
infiltrar-se-iam sob a forma de germes no ventre materno. Com o advento do
patriarcado, o macho reivindica acremente sua posteridade; ainda se é
forçado a concordar em atribuir um papel à mulher na procriação, mas admite-
se que ela não faz senão carregar e alimentar a semente viva: o pai é o único
criador. [47]
O intento de desconstruir a ideia da família conjugal é
perceptível. Infelizmente, de maneira sagaz, Simone tenta
desconsiderar que a raça humana cresceu e multiplicou por
meio da família conjugal, isto é, da união entre o homem e a
mulher por meio do casamento. Deus criou o homem e a
mulher e celebrou o casamento entre ambos. O homem sem a
mulher não poderia constituir uma descendência. A mulher sem
o homem também não poderia constituir uma descendência;
por isso, Deus criou o homem e a mulher e só depois disse
“crescei e multiplicai” simplesmente por ser, a partir da criação
de ambos, possível à espécie humana crescer e multiplicar.
Entender que o pai não participava de modo algum da
concepção do filho é um absurdo e é claro que Simone não
sustentava tal mito, mas o que ela tenta fazer é desconsiderar a
importância do homem na vida da mulher, romper os laços.
Homem e mulher se completam. A família começa a partir da
união dos dois por meio do casamento.
Mas, infelizmente, Simone sugere que o casamento foi
inventado pelo homem para aprisionar a mulher, assim ela
pondera evocando o código romano:
É impressionante, por exemplo, que o código romano, a fim de restringir os
direitos das mulheres, invoque “a imbecilidade, a fragilidade do sexo” no
momento em que, pelo enfraquecimento da família, ela se torna um perigo
para os herdeiros masculinos. É impressionante que no século XVI, a fim de
manter a mulher casada sob tutela, apele-se para a autoridade de Santo
Agostinho, declarando que “a mulher é um animal que não é nem firme nem
estável”, enquanto à celibatária se reconhece o direito de gerir seus bens. [48]
Quando a Bíblia fala que o homem é o cabeça da mulher
no casamento (Ef 5.23) a Bíblia não está sugerindo
aprisionamento da mulher por parte do homem, mas
simplesmente um papel no lar. Deus definiu desde o princípio
esses papéis. Cabeça indica representação. Adão representava
a mulher no Éden e todos os seus descendentes que haveriam
de vir (Rm 5.12). Deste modo, a Queda (Gn 3) só acontece
quando Adão come do fruto, pois ele era o representante
federal da humanidade. A humanidade não estava em Eva no
Éden, mas em Adão, assim escreveu Paulo aos Romanos:
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo
pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque
todos pecaram.
Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é
levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou a morte desde Adão
até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da
transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir (Rm 5.12-
14).
Adão era o cabeça no casamento com Eva.
O homem foi criado primeiro e foi chamado primeiro à responsabilidade
depois do pecado (Gn 3.9-9). O restante das Escrituras coloca o macho como
sendo cabeça sobre o lar. Infelizmente estes são princípios da aliança que
temos negligenciado constantemente, não compreendendo bem o que é o
casamento, quais os papéis e funções no mesmo e, por consequência,
enfrentando inúmeros problemas dentro de nossas comunidades. O princípio
bíblico do marido como cabeça tem sido minado dia a dia por novas teorias
sociais e psicológicas. Elas não só atingem a família, marido, esposa e filhos,
mas também atingem a igreja e a sociedade como um todo. A mulher não
mais ocupa o papel de ajudadora, mas tem que sair em busca de sua
realização pessoal, carreira, independência e autonomia. Quando tomados de
forma distorcida esses elementos se tornam destruidores da família. [49]
O sinal do pacto na Antiga Aliança era a circuncisão, é o
que está descrito em Gênesis 17.1-14 e portanto só faria parte
do povo do pacto quem fosse circuncidado. Conquanto, as
mulheres não podiam ser circuncidadas, pois a circuncisão é a
retirada do prepúcio do órgão sexual masculino. Neste caso,
como ficavam as mulheres na Antiga Aliança? Fora do pacto?
Claro que não! Pois, elas eram representadas quando casadas
pelo esposo, quando solteiras, pelo pai.
Foi Deus quem instituiu o casamento. Marcos10.6-9
elucida:
6 porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. 7 Por
isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], 8 e, com
sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas
uma só carne. 9 Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.
Deus criou a mulher para unir-se [50] com o homem só por
meio do casamento (Gn 2.24; Ef 5.31). Casamento é benção. O
primeiro milagre de Jesus foi em uma festa de casamento (Jo
2.1-11). Casamento não deve ser encarado como prisão, como
cárcere privado imposto sobre a mulher com o intuito de tolher
sua liberdade. A relação marital deve ser prazerosa, pois o
casamento segundo o Senhor-Deus é explicitude de
cumplicidade e é a partir do casamento, na perspectiva de
Deus, que nasce a família.
A família foi criada por Deus. Deus criou o homem e a
mulher (Gn 1.27) e formou a partir dos dois a família (Gn 2.24).
Portanto, a origem da família formada por pai, mãe e filhos teve
origem no “princípio” e não no fim do século 18 e começo do
19, como afirma Marilena Chauí. A família na história começou
no Éden, deste modo, ela é muito antiga.
CAPÍTULO 1: O PLANO DE ANTÔNIO
GRAMSCI [51]
O plano de implantar o socialismo científico [52] no mundo
não morreu com Marx e Engels, pois Antônio Gramsci, marxista
apaixonado pelos ideais explicitados por Marx e Engels,
emergiu no mundo acadêmico com uma teoria estratégica para
que a ditadura do proletariado fosse implantada no ocidente.
O Padre James Thornton assim descreveu Antônio
Gramsci:
Nascido na obscuridade na ilha de Sardenha em 1891, Gramsci não era um
candidato primário a ser alguém que causaria um impacto significativo no
século 20.
Gramsci estudou Filosofia e História na Universidade de Turim, e rapidamente
se tornou num marxista aplicado, alistando-se no Partido Socialista Italiano.
Imediatamente após a Primeira Grande Guerra, ele estabeleceu o seu próprio
jornal radical, A Nova Ordem, e pouco depois ajudou a fundar o Partido
Comunista Italiano. [53]
Como já exposto até aqui, o marxismo foi e continua
sendo um ferrenho inimigo da família conjugal: a família do
Éden. Deste modo, assim como Marx e Engels, Gramsci vai
atacar a família nuclear, propondo uma desconstrução do que a
fundamenta, isto é, o cristianismo, num sentido estrito, Deus.
Deus é o fundamento da família, pois foi Ele que a instituiu.
James Joll reproduz o pensamento de Gramsci contra a
religião na seguinte declaração:
Nós somos parte do movimento da reformamoral e intelectual… cuja primeira
premissa foi a de que o homem moderno pode e deve viver sem o apoio da
religião… sem a religião revelada, a religião positivista a religião mitológica ou
qualquer outro de seus ramos que se queira nomear. “Na consciência dos
homens, o Príncipe [o Partido] assume o lugar da divindade ou o imperativo
categórico e torna-se a base de um moderno laicismo e uma completa
laicização de todos os aspectos da vida e todo relacionamento habitual. [54]
Na perspectiva marxista de Gramsci uma nova ordem
deveria ser implantada na sociedade. Que ordem? O socialismo
marxista. Uma vez que para Marx “a religião é o ópio do povo” e
“a autoconsciência do homem é a mais alta divindade que
existe”, [55] ela, a religião, deve ser desconstruída. Os valores
religiosos devem ser revogados por uma nova era — a
construção de uma nova hegemonia. Não abruptamente, mas
paulatinamente.
Hegemonia [56] em Gramsci de acordo com Ricardo Costa
é:
[…] a capacidade de um grupo social unificar em torno de seu projeto
político um bloco mais amplo não homogêneo, marcado por contradições
de classe. […] Logo, a hegemonia é algo que se conquista por meio da
direção política e do consenso e não mediante a coerção. Pressupõe,
além da ação política, a constituição de uma determinada moral, de uma
concepção de mundo, numa ação que envolve questões de ordem
cultural, na intenção de que seja instaurado um “acordo coletivo” através
da introjeção da mensagem simbólica, produzindo consciências falantes,
sujeitos que sentem a vivência ideológica como sua verdade. [57]
Segundo Gramsci, “toda relação de hegemonia é
necessariamente uma relação pedagógica”. [58] Em suma:
É uma relação social ativa de modificação do ambiente cultural
existente. Na luta hegemônica, a difusão da nova concepção de mundo,
a criação do novo terreno ideológico exige uma ampla reforma intelectual
e moral. É preciso que a ideia penetre no povo, torne-se costume,
persuasão e fé coletiva. A nova concepção de mundo, para que se
transforme em realidade prática, terá que ser vivida pelas massas com a
intensidade das crenças populares, como uma fé. [59]
A mudança virá com a implantação de uma nova maneira
de enxergar o mundo e seus valores. Assim, de acordo com
Gramsci, o marxismo não havia logrado êxito no ocidente pela
razão de Marx ter adotado a “revolução armada” como
estratagema de implantação.
Karl Marx defendia a ideia de que a sociedade era injusta porque explorava o
trabalhador. Era necessário que através de um método revolucionário
(armado), a classe trabalhadora tomasse posse do governo, implantando uma
ditadura do proletariado, controlando os meios de produção. E essa ditadura
seria uma ponte para uma sociedade que, ao final, seria justa, sem classes,
sem governo.
Em suma, o ideal de Marx era a implantação de um paraíso terrestre, de uma
sociedade justa, perfeita, através do poder criativo do mal. [...] Afirmar a força
criativa do mal, do negativo, que da destruição faz surgir algo de bom é um
princípio da filosofia hegeliana.
“Dê asas à maldade e acontecerá algo de bom”. Foi o que Hegel
propôs com a sua dialética. Marx levou tal conceito à prática. No caso de
Marx e da revolução armada, a luta seria suprassumida, levada para
cima. Matar, destruir, hostilizar a civilização, trazer abaixo a ordem foi o
caminho adotado (ou proposto) por ele para a produção de uma ordem
superior. [60]
Marx imaginou, segundo Gramsci, que a ditadura do
proletariado só podia ser implantada por meio da força —
guerra.61 Na verdade, a guerra [violência] nunca foi e nunca
será a solução para nada. O padre Paulo Ricardo em uma
palestra sobre a origem do marxismo cultural, sobre essa visão
de Marx afirmou:
Marx previa que haveria um conflito pan-europeu; um conflito da Europa
inteira; uma guerra da Europa inteira. E quando acontecesse esse conflito os
trabalhadores, os proletários oprimidos ao invés de pegar nas armas para
lutarem contra outros trabalhadores de outros países iriam se unir entre si
contra os seus patrões, contra os seus opressores. Então, por exemplo,
quando estourasse a guerra os trabalhadores da Alemanha iriam se unir com
os trabalhadores da França contra os patrões; era isso que a doutrina clássica
marxista previa: um conflito pan-europeu e nesse conflito pan-europeu a
panela de pressão iria estourar e os trabalhadores iriam lutar pelos seus
interesses de classe; não haveria trabalhador lutando contra trabalhador, mas
iriam lutar contra os seus patrões.
Marx morreu; e como Marx previa aconteceu realmente o conflito pan-europeu
alguns anos depois — é o que nós conhecemos hoje como Primeira Guerra
Mundial, que aconteceu de 1914 a 1918. Acontece, porém que o que Marx
previu, que os trabalhadores iriam se unir, não aconteceu. O kaiser da
Alemanha Wilhelm II disse: “não há mais partido, somos todos alemães e os
alemães todos se uniram contra os outros países. O que aconteceu? Horror
dos horrores para os marxistas: eles viram trabalhadores pegarem em armas
e matar outros trabalhadores de outros países, ou seja, trabalhadores
pegaram em armas para defender o interesse dos capitalistas, isto para os
marxistas era pior do que o apocalipse. [61]
Deste modo, logo após o término da guerra em 1918
marxistas em todo o mundo estavam desesperançosos quanto
à implantação do comunismo no Ocidente. Contudo, havia
restado uma “luz no fim do túnel”, pois em 1922 o marxismo
ascende na Rússia com Lênin.
Lênin, marxista, em 1917 liderou a chamada “Revolução
Russa” com intuito de destituir a autocracia imperial e implantar
o comunismo — ele logrou êxito, pois em 1922 os chamados
bolcheviques [integrantes da facção do Partido Operário Social-
Democrata Russo], que estavam sob sua liderança, com a
ajuda do Exército Vermelho, destituíram o governo provisório,
instalado logo depois da queda da autocracia imperial, por
conseguinte, criaram a União Soviética sob o sistema político
comunista. [62] Segue abaixo uma imagem que revela a Guerra
Civil gerada pela revolução russa:
[63]
“Nesse contexto, a Revolução de Outubro tornou-se o
modelo de todas as revoluções sociais, impondo-se em
diversos países, independente da diversidade de condições
culturais e históricas, como foi o caso na Alemanha.” [64]
O próprio Lênin reproduziu isso, pois em um discurso
declarou: “Mais uma vez torna-se evidente que o curso da
revolução proletária é idêntico em toda parte. Primeiro os
soviéticos se formam, depois espalham-se e se desenvolvem;
depois disso aparece, na prática, a questão: sovietes,
Assembleia Nacional ou Assembleia Constituinte. A maior
estupefação invade os chefes, e finalmente a revolução
proletária”. [65] Por essa razão, marxistas passam a “sonhar”
com a probabilidade de implantação do comunismo no
Ocidente.
A disputa entre esquerda e direita passa a ser
contundente. Adeptos do socialismo marxista passam a pensar
em um meio de gerar uma revolução do proletariado no
Ocidente, como a que houve na Rússia, para que o comunismo
marxista fosse içado. Porém, logo depois da Primeira Guerra
Mundial os movimentos de direita [na Alemanha] passam a
concentrar força no Partido Nacional Socialista, que deu a
vitória a Adolf Hitler em uma eleição direta. Com Hitler no poder
[na Alemanha] começa uma ferrenha perseguição contra os
defensores da revolução do proletariado. Deste modo, os
partidos de esquerda, que representavam os trabalhadores,
passam a ser perseguidos em toda a Europa. Um “balde de
água fria” começa a ser derramado no plano de implantar o
comunismo marxista por meio de uma revolução armada.
Marxistas em toda a Europa começam a ser perseguidos e
presos com a ascensão do nazismo encabeçado por Hitler.
Logo depois, vem a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e,
por conseguinte, o milagre econômico com o pós-guerra e a
consolidação do stalinismo na Rússia Soviética. [66]
A União Soviética esteve sob administração de Lênin de
1922 a 1924. O esforço de anos de revolução não durou muito,
pois com a morte de Lenin em 1924 muitas coisas mudaram já
que dentro do partidocomunista “uns acreditavam que a
revolução tal como ocorrera na Rússia deveria ser expandida
para outros países no mundo, enquanto uma ala acreditava que
a revolução deveria ser restrita ao que viria a ser a União
Soviética”. [67]
O representante maior do primeiro argumento era Leon Trotsky, enquanto
Stalin defendia que a revolução deveria ficar na Rússia. Após a morte de
Lênin, as duas correntes de pensamento entraram em choque para definir
quem seria o sucessor. Passado algum tempo de debate, o partido escolheu a
corrente de Stalin, assumindo este a liderança da União Soviética.
O governo de Stalin começou rigoroso, o líder do partido assumiu uma
conduta de ditador e passou a caçar e matar todos que pudessem causar
alguma ameaça ao sistema. Trotsky, derrotado, saiu insatisfeito e passou a
ser um grande crítico do governo stalinista. Como punição, Stalin mandou
matar a machadadas o opositor que estava exilado no México. [68]
Mais uma vez o “sonho” de implantar o comunismo
marxista fora da Rússia cai por terra. Stalin se uniu aos Estados
Unidos na Segunda Guerra Mundial contra Hitler. Esquerda e
direita juntos mais uma vez. O que havia acontecido na
Primeira Guerra foi reproduzido na Segunda. Trabalhadores
lutando ao lado de seus patrões contra o “insano” Hitler. Assim
escreveu o mestre em história pela UFJF Antônio Gasparetto:
Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin, juntamente com a União
Soviética, esteve ao lado dos combatentes ao nazismo e foi decisivo na
derrota sofrida pela Alemanha de Hitler. A União Soviética e os Estados
Unidos se configuraram como os grandes vencedores da guerra, em 1945.
A esperança de que o comunismo marxista haveria de ser
implantado em solo ocidental, logo após a Primeira Guerra
Mundial, em função do resultado satisfatório da Revolução
Russa de 1917, havia mais uma vez morrido.
Marxistas concluíram então que a visão de que por meio
de uma revolta do proletariado nasceria uma guerra onde
trabalhadores espalhados pelo mundo tomariam o poder, não
vingaria. Pois, os resultados obtidos não foram os esperados, já
que ao invés da implantação da ditadura do proletariado veio a
consolidação do capitalismo — em boa parte do mundo.
Portanto, em síntese, a estratégia marxista da “revolução
armada” não poderia ser mais vista como uma boa estratégia
para a implantação do comunismo. Uma nova teoria deveria ser
construída; foi exatamente isso que Gramsci havia percebido.
Uma vez que Gramsci percebeu que Marx estava
equivocado quanto ao meio de implantar o socialismo, criou a
chamada “revolução intelectual”.
Basicamente, o que Gramsci propôs foi a renovação da metodologia
comunista e a racionalização e actualização das estratégias antiquadas de
Marx. É de ressalvar que a visão futura de Gramsci era inteiramente marxista
e ele aceitava a validade da visão do mundo marxista. Onde ele se distinguia
dos demais era no processo através do qual a tal visão do mundo obteria a
vitória. Gramsci escreveu que:
... pode e deve existir uma "hegemonia política" mesmo antes de se assumir o
poder governamental, e de modo a que se possa exercer a liderança política
ou hegemonia, não se pode contar apenas com o poder ou com a força
material que são dadas pelo governo. O que ele quis dizer é que é dever dos
marxistas conquistar as mentes e os corações das pessoas, e não depositar
as esperanças futuras só na força ou no poder. [69]
O que seria essa “revolução intelectual”? Inverter os
valores morais já instalados na sociedade. Na perspectiva de
Gramsci, o comunismo [70] deveria atingir as pessoas de uma
maneira que elas viessem a amá-lo. A guerra poderia impor o
sistema comunista sobre as pessoas pela força, mas elas
nunca iriam amá-lo, pois ninguém consegue amar um opressor.
O mundo ocidental não foi atingido, segundo Gramsci,
pelos ideais da “Revolução Russa” por ela ter sido uma
“revolução armada”. A revolução de Lênin durou algum tempo,
mas ficou localizada e automaticamente foi perdendo força;
justamente por não ser a “revolução armada” o ideal para que o
sistema político comunista seja implantado em uma esfera
social maior, afirmava Gramsci.
Em 1926, na Itália, Gramsci foi condenado a 20 anos de
prisão por Benito Mussolini. Na prisão, ele teve a liberdade para
pensar e escrever. Logo, foi nos anos em que esteve preso que
escreveu 10 cadernos chamados “cadernos do cárcere”
contendo todo o seu esquema estratégico de implantação do
comunismo. Na verdade, ele, ao escrever, teve o intento de
criar uma engenharia social que fosse capaz de destruir valores
já encarnados por gerações anteriores na cultura ocidental, pois
acreditava que existiam valores morais e políticos, já instalados
na sociedade ocidental que, como travas, impediam o avanço
do comunismo.
Quais seriam essas travas? Na visão de Gramsci, na
sociedade ocidental existiam três travas que impediam o
avanço do comunismo, a saber: 1) a lógica grega, que tem por
base a busca pela verdade e a necessidade de uma coerência;
2) o direito romano, que tem como premissa a propriedade
privada que, por sua vez, implantou nas pessoas o conceito da
obtenção de imóveis ou propriedades, com base na
meritocracia; 3) a moral judaico-cristã, que tem como base os
Dez Mandamentos.
Em síntese, a proposta é estabelecer uma nova ordem de
valores. Gramsci percebeu que o caminho para se estabelecer
o comunismo de maneira preeminente seria desconstruindo
valores morais já definidos. Os valores cristãos deveriam ser
revogados, pois segundo ele a moral cristã estava poluída.
James Joll, referindo-se às palavras de Gramsci acerca da
moral cristã, escreveu:
…em 1917, publicou uma tradução de If, de Kipling, como “um breviário para
os anticlericais” (Breviario per Laici), exemplo de moral não poluída pelo
cristianismo, que pode ser aceita por todos os homens. [71]
O cristianismo possui uma moral poluída, afirmava
Gramsci; deste modo, a moral cristã deveria ser destruída. Mas,
como? Ele desenvolveu um processo com etapas.
Etapas para o processo
A primeira fase para se obter a "hegemonia cultural" duma nação é a
debilitação dos elementos da cultura tradicional: As igrejas são, portanto,
transformadas em clubes politicamente motivados, que colocam ênfase na
"justiça social" e no igualitarismo, e onde as doutrinas milenares e os
ensinamentos morais são "modernizados" ou reduzidos até ao ponto da
irrelevância; 2. A educação genuína é substituída por currículos escolares
"emburrecidos" e "politicamente corretos", e os padrões [acadêmicos] são
reduzidos de um modo dramático;
3. Os órgãos de informação são moldados de modo a serem instrumentos de
manipulação em massa, e instrumentos de assédio e descrédito das
instituições tradicionais e dos seus porta-vozes;
4. A moralidade, a decência, e as virtudes do passado são ridicularizadas
incessantemente;
5. Os membros tradicionais e conservadores do clero são caracterizados
como falsos, e os homens e mulheres virtuosos são classificados de
hipócritas, convencidos e ignorantes. [72]
No esquema gramsciano, a implantação do comunismo
marxista viria paulatinamente, comendo pelas beiradas; de
maneira discreta, mas eficaz. A cultura vigente deveria ser
debilitada para que costumes outrora não aceitos fossem aos
poucos sendo aceitos e assim um novo modo de enxergar a
vida e o mundo transpusesse novas gerações.
O Padre James Thornton acerca disso escreveu:
As tentativas de demolição de tal barreira revelaram-se improdutivas uma vez
que só geraram forças contrarrevolucionárias poderosas, consolidando-as e
tornando-as potencialmente mortíferas. Devido a isto, em vez dum ataque
frontal, seria muito mais vantajoso e menos perigoso atacar a sociedade do
inimigo subtilmente com o propósito de transformar a mente colectiva da
sociedade gradualmente durante um período de algumas gerações da
precedente visão de mundo cristã para uma mais de acordo com o marxismo.
[73]
Deste modo, na linguagem gramsciana a cultura não é
mais um suporte de apoio à herança nacional, e um veículo
para a transmissão dessa herança para as geraçõesfuturas,
mas sim um meio de "destruir as ideias ... apresentando aos
jovens não os exemplos heroicos, mas apresentando de modo
deliberado e agressivo os degenerados”. [74]
Desta forma, no plano estratégico de implantação do
comunismo gramsciano, a cultura é o meio pelo qual se
implanta valores avessos aos valores já encarnados no senso
comum, valores morais e valores políticos. Assim, os valores
cristãos seriam os mais atacados, pois eles estabelecem regras
comportamentais que descartam qualquer ameaça ou
enfrentamento em nome de uma filosofia de poder. Gramsci via
a moral cristã como uma moral poluída, justamente por ser ela
contra qualquer manifestação contrária a vontade de Deus.
Gramsci deduziu que o mundo civilizado havia sido saturado com o
cristianismo por 2000 anos e que o cristianismo era a filosofia dominante e o
sistema moral na Europa e na América do Norte. De forma prática, a
civilização e o cristianismo encontravam-se inextricavelmente ligados. O
cristianismo tinha se tornado tão integrado na vida diária de quase todos,
incluindo da vida dos não-cristãos que viviam em terras cristãs, e era tão
universal que formava quase uma barreira impenetrável para a nova
civilização revolucionária que os marxistas queriam criar. [75]
Deus, no esquema gramsciano, deve ser marginalizado.
Os valores morais definidos por Ele, para a vida em sociedade,
devem ser enfraquecidos e consecutivamente destruídos. Deste
modo, os valores familiares já encarnados na cultura ocidental,
há anos, passaram a ser atacados.
Foi assim que militantes gayzistas, feministas e abortistas ganharam espaço
no espectro político. Se antes homossexuais eram assassinados por Stalin ou
Hitler, hoje são sordidamente usados como manobra política. Se antes
mulheres eram maltratadas pelos esquerdistas, hoje têm suas histerias
políticas incentivadas pelos vermelhos. Vale tudo para chegar à revolução,
não é mesmo?
[...] a alarmante feminilização da família, através do crescimento do número
de divórcios, do igualitarismo totalitário e da ridicularização do homem. Não
por acaso, em todo o mundo observam-se inúmeras inversões de valores
familiares tradicionais. Em meio à neurose feminista, a figura paterna é
minimizada e mulheres tornam-se pedaços de carne na TV. No mais,
incentivam-se o assassinato de bebês e o abandono de idosos. Perde-se o
sentido do matrimônio. Perde-se o sentido da união. Qual é o próximo passo?
Crianças criadas pelo estado, como queria o Sr. Marx? [76]
A família sempre esteve na mira dos marxistas. Lutaram e
lutarão contra ela. O projeto de Gramsci inclui aceitar tudo que
estiver na contramão do usual, convencional, assim
gramscistas estão prontos a aceitar qualquer ideologia que seja
contra a família tradicional, daí a razão da ideologia de gênero
ter sido tão aceita em nosso tempo. Na verdade, tudo que for
útil para descontruir valores cristãos, na ótica gramscista
marxista, deve ser abraçado.
O projeto do mal desenvolvido por Gramsci foi levado
adiante por intelectuais na Alemanha. Em julho de 1924, em
Frankfurt, cidade alemã, um movimento liderado por filósofos,
psicólogos e sociólogos marxistas trouxe para o “século XX as
primeiras noções sobre Indústria Cultural e Cultura de Massa”.
[77]
A ESCOLA DE FRANKFURT
A destruição dos valores cristãos da família também esteve
presente na chamada Escola de Frankfurt. Escola formada por
intelectuais marxistas. [78] Segundo Barbara Freitag, autora de
A teoria crítica: ontem sempre:
Escola de Frankfurt designa, então, a instituição dos trabalhos de um grupo
marxista não ortodoxo que, em 1920, permanece à margem de um marxismo-
leninismo clássico, seja na versão teórico-ideológica, seja na linha militante e
partidária. [79]
É válido considerar que “o nome escola é sinônimo de
tendência, apenas. Bastante comum é o aluno perguntar o
endereço da escola em Frankfurt ou mesmo indagar sobre a
existência física dela. Mas, deve-se pensar escola como
tendência, movimento”. [80]
Tudo começou quando a partir do Instituto de Pesquisa
Social da Universidade de Frankfurt marxistas criaram a
chamada teoria crítica da sociedade. [81]
Com o advento da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918),
o marxismo passou a viver uma crise teórica, pois como já
ponderei, Marx previu uma guerra entre trabalhadores e
patrões, em que trabalhadores se uniriam e pegariam em armas
contra seus patrões. Estouraria, na perspectiva marxista, na
Europa essa guerra; assim, como Marx havia previsto, de fato
houve a guerra; a guerra veio, mas não aconteceu o que Marx
havia previsto em relação aos trabalhadores e seus patrões,
pois o inverso aconteceu. Trabalhadores se uniram com seus
patrões para lutarem juntos em defesa dos interesses do
mesmo país: alemães trabalhadores e patrões estavam do
mesmo lado. Para os marxistas, esse fato foi o nunca
imaginado. O marxismo estava, por essa razão, em crise. A
teoria marxista [da revolução armada do proletariado contra
seus patrões] havia sido na prática desconsiderada. [82]
Por essa razão, marxistas passaram a buscar uma
resposta para o que havia acontecido. Muitos chegaram à
conclusão de que houve uma alienação [83] do proletariado, ou
seja, os trabalhadores haviam alienado os seus direitos de
classe quando lutaram junto com seus patrões. A indagação
pós-guerra em torno dessa questão foi: Quem havia alienado o
trabalhador? A resposta foi: “a civilização ocidental”. [84]
Consequentemente, a Escola de Frankfurt surge com o
propósito de desconstruir os valores encarnados na civilização
ocidental, pois, assim como Gramsci, os filósofos marxistas de
Frankfurt chegaram à conclusão de que de fato existia no
Ocidente uma maneira de entender a vida que não permitia a
implantação do marxismo e, por isso, passam a criticar a
sociedade ocidental. Todos os valores vigentes passam a ser
ridicularizados. A cultura ocidental, na linguagem dos
intelectuais de Frankfurt, deveria ser dizimada. Censuras
escritas das mais variadas foram feitas à sociedade ocidental. A
Escola de Frankfurt passou a disseminar a chamada, como já
expus, “Teoria Crítica”, uma espécie de “Revolução Intelectual”
desenvolvida por Gramsci. Os valores cristãos estavam na mira
dos letrados críticos da sociedade ocidental.
Em Gramsci, vimos a primeira tentativa de resolver o
problema da crise do marxismo no Ocidente. Destarte, a Escola
de Frankfurt é a segunda tentativa, ambas possuem uma
semelhança estratégica de implantação do marxismo no
Ocidente, a destruição dos valores cristãos desenvolvidos no
Ocidente. Assim como Nietzsche [85] havia apregoado a
libertação do Ocidente dos valores cristãos, os intelectuais de
Frankfurt estavam fazendo. Como bem ponderou o filósofo
católico Padre Paulo Ricardo:
Uma segunda reação à crise marxista foi a reação pessimista da Escola de
Frankfurt, que via a civilização ocidental como algo extremamente negativo. A
tentativa de desconstrução do mundo ocidental era a força de seu trabalho,
através da proposição da Teoria Crítica como um caminho a ser adotado,
numa atitude de constante crítica e destruição ante a civilização ocidental. Se
ela cair, o mundo será melhor. A Escola de Frankfurt, porém, não tinha um
projeto para o pós-destruição, pois também acreditava no poder criativo do
mal, na certeza de que se houvesse destruição, a ordem, de alguma maneira
desconhecida, iria surgir. [86]
Em suma, a tese levantada pela Escola de Frankfurt foi de
que para construir é preciso destruir. Na verdade, o intento era
estudar a civilização ocidental com o propósito de destruí-la. [87]
A influência teórica de Hegel, [88] de Nietzsche [89] e de Freud
[90] esteve presente nos escritos oriundos da Escola de
Frankfurt.
Intelectuais como Max Horkheimer, [91] Herbert Marcuse [92] e
Theodor W. Adorno, [93] expoentes dessa escola, passaram a
propalar a visão marxista contra a cultura cristã. Brutalmente
atacavam os valores cristãos; neles “a cultura tradicional cristã é
qualificada de ‘repressiva’, ‘eurocêntrica’, ‘racista’ e, desde logo,
indigna da nossa contínua devoção. Parao seu lugar, o primitivismo
puro mascarado de ‘multiculturalismo’ é colocado como o novo
modelo”. [94]
Contudo, Horkheimer, Marcuse e Adorno, entre outros
intelectuais da Escola de Frankfurt, não permaneceram muito
tempo em Frankfurt, pois logo que o nazismo eclodiu com força
na Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, eles tiveram que
fugir para os Estados Unidos. Conquanto, apesar de terem
saído da Europa por medo de uma represália nazista, não
deixaram de disseminar o veneno da Escola de Frankfurt em
solo americano. Nos Estados Unidos, eles se fixaram na
Columbia University. [95]
Assim, de Frankfurt, em função da ameaça nazista, no ano
de 1934 o Instituto de Pesquisa Social foi transferido para New
York. [96] A localidade do Instituto havia sido mudada, mas a
intenção, não. Logo, a Escola de Frankfurt, por meio dos seus
representantes, tentou minar a sociedade americana, atacando
os valores já presentes nela, com intuito de fazer com que uma
revolução acontecesse.
Os Estados Unidos, de origem cristã protestante, foram
formados a partir dos valores cristãos, que estavam muito bem
definidos e enraizados em sua cultura; portanto, foi contra
esses valores que os intelectuais de Frankfurt se insurgiram.
Passaram a atacar a família tradicional americana.
Max Horkheimer determinou que a aliança profunda dos americanos à família
tradicional era um indício da nossa inclinação nacional para o mesmo sistema
fascista de onde eles tinham fugido. Explicando a conexão entre o fascismo e
a família americana, ele declarou: Quando a criança respeita na força do seu
pai uma relação moral e aprende deste modo a amar o que a sua
racionalidade reconhece como sendo um fato, ele experimenta o seu primeiro
treino do relacionamento autoritário burguês. [97]
Comentando de forma crítica a teoria de Horkheimer,
Arthur Herman escreve no seu livro The Idea of Decline in
Western History [A ideia do declínio na história ocidental]: [98]
A família moderna típica envolve, portanto, "uma resolução sadomasoquista
do complexo de Édipo", produzindo uma deficiência psicológica, a
"personalidade autoritária". O ódio do indivíduo pelo pai é suspenso e
permanece por resolver, tornando-se, no seu lugar, numa atração pela figura
autoritária forte que ele obedece de modo inquestionável. [99]
A família tradicional em Horkheimer é terreno fértil para que
sistemas autocráticos, discricionários como o fascismo, venham
nascer. Horkheimer fundamenta-se em seu próprio
entendimento e não em fatos reais. Assim Rolf Wieggershaus
escreveu sobre as afirmações de Horkheimer:
O que Horkheimer tinha a dizer, dizia-o baseando-se em seu conhecimento
dos escritores pessimistas da época burguesa, que ele tanto apreciava, e
quase sem se referir a estudos científicos. Como seu artigo sobre
generalidades em Studien über Autorität und Familie e seu estudo, também
publicado em 1938, sobre a mudança da função da dúvida, Montaigne und
Funktion der Skepsis (Montaigne e a função do ceticismo), esse exemplo
mostrava, por sua vez, até que ponto ele confiava em seu olhar dialético além
das coisas, sem se deter muito tempo em pesquisar os fatos. [100]
A visão dele sobre a família tradicional é de que ela deve
ser revogada. Veja que o princípio marxista de que a família
tradicional é um mal à sociedade, na verdade ao socialismo, é
mantido, pois no dizer de Marx, como já dito, é ela que mantém
o capitalismo. Assim escreveu Marx acerca da família:
Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados ante essa proposta
infame dos comunistas. Quais são as bases da família atual, da família
burguesa? O capital, o ganho individual. Em sua plenitude, a família só existe
para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da
família entre os proletários e na prostituição pública. A família burguesa
desvanece-se totalmente com o desvanecer de seus complementos, e uma e
outra com o desvanecer do capital. (....) As declamações burguesas sobre a
família e educação, sobre os vínculos sublimes entre pais e filhos, tornam-se
cada vez mais repugnantes pela ação da indústria moderna: os laços
familiares dos proletários são destruídos e as crianças são transformadas em
meros artigos de comércio e instrumentos de trabalho. [101]
Portanto, por detrás de toda essa tentativa de associar a
família a algo ruim, está a velha ideia marxista de que a família
foi criada pelo macho burguês com intuito de expandir e
sustentar o capitalismo na civilização ocidental e, por isso, ela
deve ser destruída.
Adorno reproduziu as ideias de Horkheimer sobre a família
tradicional. Escreveu o livro A personalidade autoritária com
intuito de disseminar as concepções que tinha acerca da família
cristã. Chegou a dizer a exemplo de Horkheimer que a “América
estava pronta para ser tomada pelos seus próprios fascistas
domésticos”. [102]
Horkheimer vê o sistema econômico predominante [o
capitalista] como meio de dominação. Portanto, diz ele, que
existe uma estrutura socioeconômica que submete pessoas de
maneira direta e indireta ao seu domínio. Assim diz ele:
O processo de produção influencia os homens não só da maneira direta e
atual, tal como eles o experimentam em seu próprio trabalho, mas também da
forma como ele se situa dentro das instituições relativamente fixas, ou seja,
daquelas que só lentamente se transformam, como a família, a escola, a
igreja, as instituições de artes e semelhantes. Para compreender o problema
por que uma sociedade funciona de uma maneira determinada, por que ela é
estável ou se desagrega, torna-se necessário, portanto, conhecer a respectiva
constituição psíquica dos homens nos diversos grupos sociais [...]
Conceber o processo econômico como fundamento determinante significa
encarar todas as demais esferas da vida social em sua relação variável com
ele e compreendê-lo, não na sua forma mecânica isolada, mas em conjunto
com as aptidões e disposições específicas dos homens, desenvolvidas de
certo por ele mesmo. [103]
Deste modo, há uma relação em que indivíduos
pressionam e são pressionados, o que ele chamou de relação
sadomasoquista. [104] A família tradicional dentro desse sistema
é levada a ter um progenitor que a representa; esse progenitor
é o macho burguês, que impõe sobre sua prole uma condição
de submissão. [105]Acerca disso escreve Horkheimer:
(...); porém, a circunstância de que na família burguesa normal o homem
possui dinheiro, este pode em forma substancial, e decide sobre seu uso,
torna “seus” mulher, filhos e filhas, também nos tempos modernos, deixa a
vida destes amplamente em suas mãos, força-os à sujeição à sua liderança e
comando. Assim como, na economia dos últimos séculos, o poder direto cada
vez menor obriga os homens a aceitar a relação de trabalho, assim também,
dentro da família, a agitação racional, a obediência espontânea substituem a
escravidão e a submissão. [106]
O processo de produção no sistema econômico capitalista,
portanto, contribui para que o autoritarismo patriarcal continue.
[107] Em suma, Horkheimer ensina que o pai, no modelo de
família burguês, por ser a instância econômica que sustenta a
todos, passa a ter dos membros da família submissão ao seu
poder. Por conseguinte, os filhos se projetam no pai, pois
passam a enxergar vantagem e, por isso, se submetem. Assim
pondera Horkheimer:
Os caminhos que levam ao poder são traçados, no mundo burguês, não pela
realização de juízos de valor morais, mas pela hábil adaptação às
circunstâncias. Disto o filho fica sabendo muito convincentemente a partir das
condições da sua família. Pense ele do seu pai o que quiser: se não quiser
provocar pesadas recusas e conflitos, tem de subordinar-se e conquistar a
sua satisfação. Para ele, enfim, o pai sempre tem razão; ele representa poder
e sucesso, e a única possiblidade de o filho manter no seu íntimo a harmonia
entre os ideais e a ação obediente, abalada às vezes até o término da
puberdade, é atribuir ao pai, isto é, ao forte e rico, todas as qualidades
julgadas positivas. Porque, então, o poder econômico e educativodo pai é, de
fato, nas circunstâncias dadas, indispensável para os filhos, porque na sua
função educativa e administrativa, mesmo na sua rigidez, até a transformação
da sociedade inteira, se impõe uma real necessidade social, embora de
maneira problemática, assim também no respeito dos seus filhos não se pode
separar o elemento racional do irracional, e a infância, na família pequena,
converte a autoridade num hábito, que une de forma imperceptível a
execução de uma função social qualificadora com o poder sobre as pessoas.
[108]
Deste modo, Horkheimer conecta a autoridade paterna ao
seu poder econômico. Por essa razão, ele afirma referindo-se
ao pai: “Ele é o senhor em casa, porque ganha o dinheiro ou,
pelo menos, o possui”. [109] O que acontece quando esse pai
perde a sua fonte de poder, ou seja, a sua renda ou seu
emprego? Segundo Horkheimer, ele [pai] perde a sua
autoridade. Assim escreve:
Da influente posição do homem na família depende, essencialmente, o efeito
em prol da autoridade, sua posição doméstica de poder emana de seu papel
de provedor. Se ele deixa de ganhar ou de ter dinheiro, se perde sua posição
social, seu prestígio na família também periclita. [110]
Portanto, podemos considerar que na visão da Escola de
Frankfurt, assim como foi na visão de Gramsci, de Marx e
Engels:
O casamento é caracterizado como uma conspiração dos homens como
forma de perpetuar um sistema maligno de domínio sobre as mulheres e as
crianças. A família é descrita como uma instituição perigosa. O casamento e a
família, os tijolos de construção da nossa sociedade, são centrados na
violência e na exploração. [111]
“Segundo os gramscianos, a família patriarcal é precursora
do fascismo, do nazismo e até de todas as formas de
perseguição racial”. [112]
Crucial para o sucesso gramsciano é o desaparecimento de todo o estilo de
vida e toda a civilização passada da memória coletiva. A América antiga, de
vidas não reguladas, cidades limpas, estradas sem crime, entretenimento
moralmente edificante, e um estilo de vida voltado para a família, já não se
encontra viva nas mentes de muitos americanos. Mal isso desapareça por
completo, não haverá mais qualquer oposição à nova civilização marxista, o
que demonstra de forma única que através do método gramsciano é de fato
possível "marxizar o homem interior”[...]. [113]
Assim também sustentavam os intelectuais da Escola de
Frankfurt. O mal disseminado contra a família conjugal pela
Escola de Frankfurt está sendo reproduzido de maneira
sorrateira em vários lugares do mundo.
Infelizmente constatamos a tentativa de desconstruir a
família em nosso tempo. Em vários países do mundo, a
ideologia de gênero tem sido aceita. A ideia do sexo livre no
Brasil e no mundo vem causando males terríveis, desde os
anos 60; pois, os índices de AIDS e de gravidez precoce têm
aumentado a cada dia. Vivemos uma epidemia imoral no
tocante ao sexo. Sexo sem freio, sem pudor.
Ou não foi esse o ensino do intelectual da Escola de
Frankfurt, o Sr. Herbert Marcuse? Claro que foi! Pois ele
ensinou que a cultura ocidental escravizou indivíduos a
negligenciarem seus desejos sexuais. Ele vai dizer que o
sistema socioeconômico capitalista restringe o sexo à
procriação. Assim escreveu: “A cultura capitalista sacrifica o
prazer humano ao deus do lucro máximo, portanto ao princípio
do desempenho econômico. Para isso, o corpo humano deve
ser deserotizado, deixando a sexualidade restrita as zonas
genitais, isto é, as áreas de procriação”. [114]
Noutras palavras, o corpo humano foi submetido ao
trabalho e, por conseguinte, a uma mentalidade que restringe o
sexo a procriação. Por isso sustenta [ele] que o sexo foi
restringido a uma relação marital, ou seja, ao casamento. Sexo
para além da relação marido e mulher torna-se imoral.
Marcuse, com base na psicanálise freudiana, ensina que o
pudor existente na civilização no tocante ao sexo é em função
de uma subjugação efetiva dos instintos. O homem tornou-se
um ser de desejos eróticos reprimidos. Assim escreveu
Marcuse:
A subjugação efetiva dos instintos, mediante controles repressivos não é
imposta pela natureza, mas pelo homem. O pai primordial, como arquétipo da
dominação, inicia a reação em cadeia de escravização, rebelião e dominação
reforçada, que caracteriza a história da civilização. Mas, desde a primeira pré-
histórica restauração da dominação, após a primeira rebelião contra esta, a
repressão externa foi sempre apoiada pela repressão interna: o indivíduo
escravizado introjeta seus senhores e suas ordens no próprio aparelho
mental. A luta contra a liberdade reproduz-se na psique do homem, como a
autorrepressão do indivíduo reprimido, e a sua autorrepressão apoia, por seu
turno, os senhores e suas instituições. É essa dinâmica mental que Freud
desvenda como a dinâmica da civilização. [115]
O homem moderno deveria então atingir a maturidade da
liberdade sexual, pois só assim se libertará do sentimento de
culpa diante de um ato sexual que venha fugir dos parâmetros
usuais do sistema burguês. Acerca disso Marcuse escreveu:
A libertação psicanalítica da memória faz explodir a racionalidade do indivíduo
reprimido. À medida que a cognição cede lugar à recognição, as imagens e
impulsos proibidos da infância começam a contar a verdade que a razão
nega. A regressão assume uma função progressiva. O passado redescoberto
produz e apresenta padrões críticos que são tabus para o presente. [116]
Em suma, Marcuse ensina que cada indivíduo deve lutar
contra os padrões impostos. O tabu imposto no tocante ao sexo
deve ser rompido. Na linguagem dele “é preciso, então, que o
homem reprimido, puritano, faça sexo. Daí surge o lema de
Marcuse: faça amor, não faça a guerra. A revolução hippie é
fruto direto do pensamento de Marcuse”. [117]
De acordo com Padre Paulo Ricardo, Marcuse ensina que:
fazendo sexo os jovens iriam se tornar pacifistas, não fariam guerras, o que
faria com que o sistema capitalista caísse. Assim, o movimento hippie e
Woodstock, que pareciam ser fruto da decadência do modelo da sociedade
americana, fruto do capitalismo decadente e materialista, na realidade são
fenômenos inoculados na sociedade americana pelos marxistas. [118]
Ele ainda diz, destacando a intenção da Escola de
Frankfurt, tendo em vista que Marcuse foi um dos seus
representantes:
A Escola de Frankfurt buscou, dessa forma, alavancar a revolução marxista
mudando a forma de a pessoa se relacionar com a sua própria sexualidade,
pois percebeu que ao impor um novo padrão de sexualidade, a implantação
da sociedade socialista se tornava mais fácil. Porém, não é verdade que ao
destruir a moral sexual, surja automaticamente uma sociedade melhor. Para
que os jovens da década de 70 transgredissem, violentassem a própria
consciência, as regras morais eram necessárias altas doses de drogas para
que a libertinagem sexual fosse vivenciada. Só assim diziam não à moral
cristã, conservadora. [119]
O mundo está de cabeça para baixo! O que está por
detrás de tudo isso? Um projeto maléfico: destruir para
reconstruir. Se o sexo livre causará males como a AIDS vamos
incentivar, pois a intenção é destruir. Se o sexo livre diminuirá
entre os jovens o desejo pelo casamento, vamos incentivar,
pois a intenção é desconstruir a ideia de que a família começa a
partir do casamento [120]. Deste modo, os filhos gerados ficarão
sem a presença do pai [o macho] discricionário e assim a
família tradicional aos poucos desaparecerá e logo, por ser ela
um meio de manutenção do capitalismo inventado pelo macho
[burguês], o capitalismo desaparecerá.
Portanto, o que vemos hoje parece uma conquista, mas no
fundo no fundo é uma desgraça. Trata-se de um projeto
encabeçado pelo Sr. Antônio Gramsci chamado “Revolução
Intelectual”.
A ESTRATÉGIA GRAMSCIANA NO BRASIL
O que estamos vendo hoje no Brasil é reflexo do que foi
desenvolvido por marxistas no passado. Estamos vendo a
ideologia de gênero sendo aceita com muita facilidade em
nosso país. A política LGBT é hoje [creio eu] a ferramenta mais
eficaz adotada por gramscistase pelos adeptos da Escola de
Frankfurt para primeiro debilitar e depois destruir a família
tradicional.
Hoje não associam a família tradicional ao fascismo, ao
nazismo, pois não colou, não vingou; contudo, estão tentando
minar o conceito de família com a ideologia de gênero, já que
insistem em dizer que uma família pode ser formada por
pessoas do mesmo sexo: casais homossexuais.
Não devemos nunca permitir que sejamos levados a marchar de modo
precipitado, como um rebanho, rumo à formação de opiniões e julgamentos
estimulados e orquestrados pelo sensacionalismo da imprensa e dos outros
mestres dos média (SIC). Em vez disso, devemos resistir calmamente as suas
técnicas de manipulação mental. [121]
Propostas das mais variadas estão tramitando no
Congresso Nacional Brasileiro. Estamos vendo o que marxistas
no passado sonhavam ver: uma possível destruição dos valores
cristãos pertinentes a família do Éden. Portanto, como escreveu
o Padre James Thornton:
Nós, como cidadãos, temos que exercer poderes persuasivos sobre os
nossos representantes eleitos. Ao fazermos isto, a nossa mentalidade deve
ser, em absoluto, uma de intransigência por parte dos políticos. De igual
modo, ao escolhermos os nossos representantes eleitos nos mais variados
níveis, devemos olhar para homens e mulheres que se recusam a abdicar dos
seus princípios. Os homens e as mulheres honrados que nós formos eleger e
que se não abdicam dos seus valores, têm que estar cientes da estratégia
gramsciana de subversão cultural; eles têm que ser capazes de reconhecer
as tácticas e as estratégias que estão a ser usadas para minar as instituições
sobre as quais assentam as nossas liberdades. Construir esse entendimento
irá, por sua vez, requerer a formação dum eleitorado com princípios e
educado, que irá transmitir este conhecimento aos nossos representantes e
responsabilizá-los mal eles tenham obtido um cargo eletivo. [122]
Temos que estar cientes de que o que vemos no Brasil dos
últimos anos tem suas raízes em Gramsci. A intenção de
desconstruir os valores morais existentes faz parte da chamada
“Revolução Intelectual” gramscista, como já elucidado. A
intenção não é promover uma guerra armada, mas uma guerra
ideológica. Mudar os conceitos. Subverter a verdade.
Lembre-se, o lema é: destruir para construir.
Entretanto, não é construir segundo os moldes cristãos,
mas sim do marxismo. O marxismo é ateu, não crê em Deus. O
marxismo é contra princípios cristãos. Portanto, em relação ao
nosso voto temos que analisar antes de votarmos em um
determinado candidato.
Você, cristão, que ama a família, que ama os valores
estabelecidos pelo próprio Deus, deve, em nome de Jesus, ficar
atento, pois infelizmente os gramscistas estão atuando e,
lembre-se, atuam sorrateiramente: debilitar para derrubar foi o
indicado por Gramsci. Deste modo, primeiro se debilita para
depois destruir, e isso se faz de maneira lenta e sorrateira. Os
meios usados são diversos, mais precisamente a TV e a
INTERNET se tornaram na atualidade os meios mais usuais
para propalar inúmeros venenos contra os valores morais do
cristianismo.
O Blog Hypeness Inovação e Criatividade para todos, por
exemplo, apresenta uma matéria, confeccionada por Bruna
Rasmussen, explicitando o seguinte: “Novas configurações de
famílias provam que o amor vai além do tradicional pai + mãe +
filhos”. [123] Bruna apresenta o que tem sido chamado na
atualidade de “nova configuração de família”. O que seria? A
resposta é simples: um modelo de família totalmente oposto ao
do Éden. Assim escreveu ela:
A família não é mais apenas aquela formada por um pai, uma mãe e um filho.
A família brasileira, mais do que nunca, vem também em novas
configurações. Mães e pais solteiros, divorciados que unem suas famílias,
casal de homossexuais que têm filhos de um relacionamento heterossexual
anterior, crianças que são criadas pelos avós, pessoas que só tem seu animal
de estimação como família, praticantes do poliamor, heterossexuais que
adotam, homossexuais que adotam, casais sem filhos, amigos que moram
juntos, três gerações que dividem o mesmo teto, casais divorciados que vivem
na mesma casa: as possibilidades são diversas. [124]
Na verdade, ela [Bruna] começa o seu texto citando um
adesivo chamado “família feliz” que ficou muito conhecido em
2011 por estar nas traseiras dos automóveis. Até aí tudo bem; o
problema está na afirmação que ela faz: “A Justiça Brasileira
tem mostrado grandes avanços no que diz respeito à
desbiologização da família e à quebra do modelo familiar
baseado em uma relação heterossexual monogâmica em que o
pai é a figura-chefe”. [125] Aí está o grande problema: a
promoção da quebra “do modelo familiar baseado em uma
relação heterossexual monogâmica em que o pai é a figura-
chefe”. [126] Nessa frase constatamos nitidamente o que o
marxismo havia proposto em 1884.
Ou você já se esqueceu da nossa introdução? Esqueceu-
se? Por gentileza, recorra a ela, pois lá apresento a proposta de
Engels, amigo de Marx, que confeccionou o livro A origem da
família, da propriedade privada e do Estado, publicado em
1884. Que proposta? A de quebrar o modelo familiar da criação
de Deus, isto é, o modelo baseado em uma relação
heterossexual monogâmica em que o pai [homem] é o cabeça
(Ef 5.22-24 — trataremos dessa questão mais adiante).
A tese de Engels, recapitulando, é de que nas civilizações
antigas o modelo de família era outro, portanto, esse tradicional
foi criado em um momento da história, como bem reproduziu a
filósofa Marilena Chauí: “A família tradicional foi criada no fim
do século 18 e início do 19”, como já havia citado.
O psiquiatra e terapeuta de família e de casal Marcos
Naime Pontes, segundo Bruna, em entrevista ao Blog
Hypeness disse: “O que hoje nós chamamos de ‘novas
configurações de família’ é algo que sempre existiu, embora
sem que houvesse um reconhecimento público ou jurídico”.
[127] Ainda, segundo ela, diz ele:
Uma definição que me agrada é a de pensar que a minha família é composta
por aqueles com quem eu conto. Hoje, todas as formas de família são aceitas
pela Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF). Pelo IBGE, a
única forma não aceita de família é a de um grupo de adultos que mora no
mesmo local sem laços de sangue ou relacionamentos romântico-afetivos.
Nesse caso, o IBGE classifica esse grupo como ‘moradia em conjunto. [128]
Portanto, o que Bruna descreve é o que marxistas no
passado planejavam e sonhavam ver. Infelizmente hoje
estamos vendo a desvalorização da família conjugal, original.
Como bem apresentou Bruna:
Famílias do Brasil
O Censo de 2010 do IBGE mostra que a família brasileira se multiplicou,
trazendo 19 laços de parentesco, contra 11 presentes no censo de 2000. O
conceito tradicional de família, composta por um casal heterossexual com
filhos, esteve presente em 49,9% dos lares visitados, enquanto que em 50,1%
da vezes, a família ganhou uma nova forma. As famílias homoafetivas já
somam 60 mil, sendo 53,8% delas formada por mulheres. Mulheres que vivem
sozinhas são 3,4 milhões, enquanto que 10,1 milhões de famílias são
formadas por mães ou pais solteiros. [129]
As chamadas “famílias” homoafetivas, gays, estão a cada
dia aumentando, afirma Bruna. A grande questão é: “Como fica
a cabeça de uma criança criada por duas mulheres ou dois
homens?” Em uma discussão acerca de como ficaria a cabeça
de uma criança que não foi criada por um pai e uma mãe
[modelo tradicional de família], Bruna coloca:
Novas famílias e as crianças
Em uma enquete pública no site da Câmara dos Deputados, questiona-se o
posicionamento da sociedade em relação ao Estatuto da Família. ‘Você
concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união
entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família?’
Até o momento em que escrevo este texto, mais de 5 milhões de votos já
foram computados, sendo 53,6% deles para “Sim” e 46,08% para “Não”.
Em muitos dos comentários, cita-se Deus e a Bíblia como bases para
concordar com o Estatuto e questiona-se a influênciados novos
conceitos de família no desenvolvimento das crianças. [130]
Ficar com a Bíblia ou com opiniões alheias a ela é uma
questão a ser considerada hoje. Se você conhece a Bíblia, você
deve saber que a família começou a partir da criação da mulher
[Eva], como já ponderado na introdução. Deus já havia criado o
homem [Adão] e logo que criou a mulher, uniu-o a ela,
formando portanto a família conjugal, a que conhecemos hoje.
Conquanto, segundo Bruna: “A fortaleza em que se colocava a
distinção entre o masculino e o feminino, bem como a
constituição tradicional da família deixa, aos poucos, de existir”.
[131]
Além disso, ela [Bruna] afirma, como afirmou Simone de
Beauvoir, que o conceito usual de feminino e masculino foi
imposto, pois assim escreveu:
É crescente a insatisfação com delimitações por causa de gênero. Cores,
brinquedos e profissões ainda hoje são encarados como masculinas ou
femininas, mas a consciência de que isso é um limite culturalmente imposto e
que está prestes a ruir está cada dia mais presente.
A diversidade sexual, a igualdade de gêneros e a pluralidade afetiva não
representam ameaça à família, mas integram-se como novas possibilidades.
[132]
Limite cultural imposto é o que diz Bruna. Infelizmente isso
não começou com ela, mas com movimentos encabeçados por
ideologias marxistas. O projeto do mal de desconstruir valores
cristãos faz uso do que for preciso para que seu objetivo seja
atingido. Os intelectuais da Escola de Frankfurt, com relação à
família, usaram no passado métodos de associação com intuito
de destruí-la quando associaram a família tradicional americana
ao fascismo e nazismo, ambos odiados pela massa popular.
Na atualidade, a política LGBT tem sido a grande
estratégia de frankfurtianos e gramscistas para a efetiva
destruição dos valores cristãos.
A POLÍTICA LGBT [133] NO BRASIL
O movimento LGBT brasileiro tem pouco mais de 30 anos.
Nesses 30 anos de história em solo brasileiro, lésbicas, gays,
bissexuais, travestis e transexuais uniram-se em torno de uma
militância política. Aos poucos foram ganhando espaço em
vários ambientes da sociedade.
Há 50 anos, a prática dos gays, das lésbicas, dos
travestis, dos bissexuais e dos transexuais era veementemente
combatida. Hoje em alguns ambientes não conservadores é
amplamente aceita.
Vivemos um momento em que a tônica do movimento
LGBT [a ideologia de gênero] tem ganhado cada vez mais
espaço na sociedade. Infelizmente estamos vendo o que
algumas gerações não sonhavam ver; a promiscuidade sexual.
Abominações das mais variadas na esfera sexual. A
pansexualidade, por exemplo, pessoas que se relacionam com
várias outras sexualmente. É triste a realidade que tem
abarcado a sociedade do nosso tempo.
A chamada Parada Gay inicialmente contava com poucos
participantes. A primeira aconteceu em 1995 no Rio de Janeiro
e contou com apenas 500 pessoas pró-LGBT. Letícia Naísa, em
um artigo intitulado “Relembramos como foi a primeira Parada
LGBT do Brasil”, escreveu:
O ano era 1995 e a comunidade LGBT brasileira começou a dar os primeiros
passos para o que conhecemos hoje como a Parada LGBT. Naquele ano,
aconteceu no Rio de Janeiro a 17ª Conferência do ILGA (Associação
Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex) que terminou
com uma pequena marcha na praia de Copacabana. No ano seguinte,
aconteceu um ato na Praça Roosevelt, em São Paulo, com cerca de 500
pessoas para reivindicar direitos às pessoas LGBT. A partir daquele ato,
diversos grupos em prol das causas LGBT começaram a se reunir para
organizar uma marcha anual na Avenida Paulista. O movimento ainda era
conhecido como GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes). [134]
Da primeira à segunda o número foi aumentando. A
segunda ocorreu em São Paulo no ano de 1997, já com um
número maior de pessoas — cerca de 2000 pessoas.
Letícia confirma:
Em 1997 aconteceu a primeira Parada LGBT na cidade de São Paulo, que
contou com cerca de duas mil pessoas, quase um grão de areia perto dos
milhões que comparecem nas paradas mais recentes. Inicialmente inspirada
pelas marchas que aconteciam na Europa e nos EUA, quase 20 anos depois,
muita coisa mudou. A manifestação cresceu muito e ganhou novas causas,
agregou diferentes públicos, ganhou espaço em diversas cidades brasileiras e
tomou para si a maior avenida de São Paulo de forma definitiva. Neste meio
tempo também, a luta pelos direitos também cresceu e a causa pauta muitos
debates e discussões na sociedade. [135]
De lá para cá o número foi aumentando. Em 2016 a
Parada Gay contou com aproximadamente 190 mil pessoas,
segundo a PM, embora os organizadores terem falado em 2
milhões de pessoas. [136] Não sei quem está com a verdade,
mas sei que é alarmante o que temos visto nesses últimos
anos, pois nessas Paradas Gays há escárnios terríveis a fé
cristã.
Na Parada Gay de 7 de maio de 2015, na cidade de São
Paulo, por exemplo, a transexual Viviany Beleboni desfilou
presa a uma cruz — de acordo com ela, como uma forma de
protesto. Ela tentou equiparar o sofrimento de Cristo à dor e a
humilhação dos homossexuais. [137] Uma blasfêmia. A dor e a
humilhação de Cristo são incomparáveis.
As Paradas Gays possuem um objetivo — mostrar força
política com intuito de tornar a ideologia de gênero pró-LGBT
popular e aceitável juridicamente. Palavras e expressões
ouvidas e conhecidas só no mundo LGBT hoje são bem
familiares na sociedade.
Palavras e expressões como “homofobia”, “homoafetividade”,
“homoparentalidade”, “heteronormatividade”, “sair do armário”, “nome social”,
“lésbicas”, “gays”, “bissexuais”, “travestis” e “transexuais”, antes de uso
restrito inclusive no universo da população LGBT, hoje são utilizadas ampla e
crescentemente por vários setores da sociedade, especialmente pelos meios
de comunicação de massa, o que contribui para a diminuição do
estranhamento e do exotismo tradicionalmente associados a práticas sexuais
não restritas ao universo da heterossexualidade. [138]
É claro e notório que o idealismo político LGBT a cada dia
vai se encorpando. O estratagema é mostrar força com intuito
de conquistar espaços nas ambiências sociais por meio de
políticos e de propostas políticas.
O primeiro resultado alcançado pela política LGBT veio em
1985 quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) deixou de
definir a homossexualidade como uma patologia. Antes de
1985, o comportamento homossexual era visto pelo (CFM)
como uma doença [patologia], uma anormalidade. Contudo, só
em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial de Saúde
passou a desconsiderar a homossexualidade uma patologia.
Foi um feito para a política LGBT. Esse dia passou a ser
comemorado como Dia Internacional de Combate a Homofobia.
Aqui no Brasil por meio do Decreto Presidencial de 4 de junho
de 2010. O Governo Federal instituiu o dia 17 de maio como o
Dia Nacional de Combate à Homofobia.
Foi a partir daí que o termo homossexualismo foi mudado
para homossexualidade. Muitas pessoas são censuradas por
usarem o termo homossexualismo na atualidade. Conheço um
jovem que foi brutalmente ridicularizado por gays e
simpatizantes por ter empregado o termo homossexualismo
com intuito de referir-se a práticas homossexuais. Deste modo,
associar o comportamento homossexual ao termo
homossexualismo hoje é escárnio a homossexualidade.
A razão segundo o manual ABGLT (Manual de Comunicação LGBT)
é que em 1973 os Estados Unidos tiraram “homossexualismo” da
lista dos distúrbios mentais da American Psychology Association,
passando a ser usado o termo “homossexualidade”. [139] Deste
modo, associar o termo homossexualismo ao comportamento
homossexual é considerar a homossexualidade uma “doença”. De
acordo com a política LGBT o termo é pejorativo. Na verdade, foi a
militância política LGBT que construiu essa ideia em torno do termo
homossexualismo, pois insistiam em dizer que o sufixo “ismo” de
homossexualismo denota doença. Em homossexualidade o sufixo é
“dade”; de acordo com o manual ABGLT, esse sufixo indica um
“modo de ser”.
Portanto, a intenção por detrás da mudança está emconsiderar o comportamento homossexual um “um modo de
ser” e não um comportamento sexual. Por intermédio da
expressão “modo de ser” estão dizendo que a
homossexualidade é “uma condição” e não “uma preferência
aprendida ou imposta”. De acordo com o que irei expor adiante,
acerca da não existência de um “gene gay”, de um “hormônio
gay”, de um “cromossomo gay”, concluirei que só existem dois
cromossomos, o X e o Y; só existe uma determinação genética
do sexo, que é o sistema XY. Destarte, poderemos concluir que
a homossexualidade é um comportamento aprendido; é
psicossocial. Não é uma doença, ninguém nasce gay, assim, é
algo aprendido. Contudo, a militância política LGBT tem um
propósito primordial — fazer com que a homossexualidade seja
definida como uma condição de ser, como algo “genético”.
A política LGBT — que sempre lutou para que a
homossexualidade não fosse tratada como uma patologia —
teve sua primeira conquista aqui em solo brasileiro. Hoje cada
vez mais a ideologia de gênero (carro chefe da política pró-
LGBT) vem ganhando espaço em nosso país.
A ideia defendida pela ideologia de gênero de que existem
inúmeros gêneros e cabe a cada indivíduo definir o seu gênero
tem sido abraçada por muitos segmentos sociais em nosso
tempo. A política pró-LGBT tem sido abertamente defendida em
programas de televisão. O programa Amor e Sexo, da Rede
Globo, apresentado por Fernanda Lima, é um dos que tem
defendido a ideia dos inúmeros gêneros. No dia 02/03/2017,
com uma bancada mista — gays e simpatizantes —, Fernanda
Lima abre a discussão em torno da política LGBT. No decorrer
do programa, Fernanda passa a definir conceitos de gênero de
acordo com a visão LGBT. Ela diz:
Gente o sexo é biológico; é aquele no qual você nasce. A identidade de
gênero é cultural; o ser humano pode não se identificar com o sexo biológico.
Orientação sexual é a inclinação do seu desejo, ou seja, por quem você se
sente atraído amorosa ou sexualmente. Isso não é de hoje. Isso não é coisa
de moda. Isso não é papo do “Amor e Sexo”. Essa diversidade sempre existiu
ao longo de toda a nossa história. A diferença é que hoje as pessoas não
precisam viver escondidas ou frustradas por não poderem ser como se
sentem de verdade. O mundo vem mudando, ouvindo outras vozes, afinando
pensamentos e multiplicando a possibilidade de vivê-lo em plenitude. [140]
Identidade de gênero é, portanto, “o gênero com que a
pessoa se identifica. Orientação sexual depende do gênero pelo
qual a pessoa desenvolve atração sexual e laços românticos".
Os gêneros são diversos: transgênero; transexual; Cross-
Dresser; Drag-Queen, entre outros. As políticas pró-LGBT,
desta maneira, classificam os gêneros já que os gêneros são
diversos em sua perspectiva. De acordo com Fernanda Lima, a
Comissão de Direitos Humanos de Nova Iorque passou a
considerar mais de 33 “nomenclaturas de gêneros”, [141] ou
seja, hoje o conceito binário de gênero, isto é, masculino e
feminino [macho e fêmea] deixou de ser único.
A televisão, portanto, tem ensinado que a identidade de
gênero é definida a partir da percepção que cada pessoa passa
a ter de si. Noutras palavras, se um homem se enxerga com
vagina ele pode optar pela transexualidade.
O Ministério da Saúde implantou o processo transexualizador no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Portaria nº 1.707, de 18 de
agosto de 2008, em serviços de referência devidamente habilitados
atualmente existentes em quatro capitais: Goiânia, Porto Alegre, Rio de
Janeiro e São Paulo. Trata-se da regulamentação, em âmbito nacional, de
uma política que engloba cirurgia, assistência e cuidados com os transexuais.
[142]
Na Câmara dos Deputados, o deputado Jean Wyllys
(PSOL/RJ) e a deputada Erica Kokay (PT/DF) elaboraram o
Projeto de Lei 5002/2013 — Lei de Identidade de Gênero.
Segundo os autores do projeto, Jean Wyllys e Erika Kokay, os empecilhos
para a identificação legal daqueles que se sentem como pertencentes a outro
gênero é mais um problema que leva a preconceitos e exclusão de
transexuais, travestis, transgêneros e intersexuais. O projeto recebe o nome
de “João W. Nery” em homenagem a um ex-professor universitário que teve
de renunciar a toda sua vida, carreira, registros e diploma para ser tratado
como homem, já que civilmente era registrado como mulher. A Lei, portanto,
visa garantir direitos legais de registro e mudança de sexo a quem, no âmbito
interno e pessoal, já vive em gênero diferente do que foi registrado ao nascer.
[143]
O projeto em seu segundo artigo nega, como faz a política
LGBT, os dois únicos gêneros descritos na Bíblia — o
masculino e o feminino — quando pondera:
Entende-se por identidade de gênero a vivência interna e individual do gênero
tal como cada pessoa o sente, a qual pode corresponder ou não com o sexo
atribuído após o nascimento, incluindo a vivência pessoal do corpo. [144]
Aqui Wyllys e Kokay fazem uma distinção entre gênero e
sexo atribuído. Gênero não está associado ao sexo atribuído
após o nascimento, mas à vivência interna e individual de cada
pessoa. Assim como Simone de Beauvoir, ambos atribuem, nas
entrelinhas, que o conceito binário de gênero descrito na Bíblia
foi imposto, e não definido por Deus. Mas, qual seria a intenção
por detrás de tal conceito? O artigo 3º responde, vejamos:
Artigo 3º – Toda pessoa poderá solicitar a retificação registral de sexo e a
mudança do prenome e da imagem registradas na documentação pessoal,
sempre que não coincidam com a sua identidade de gênero autopercebida.
[145]
Talvez você não tenha entendido. Vou lhe explicar: se por
“identidade de gênero, entende-se a vivência interna e
individual do gênero tal como cada pessoa o sente, a qual pode
corresponder ou não com o sexo atribuído após o nascimento,
incluindo a vivência pessoal do corpo” — como pondera o artigo
primeiro do referido projeto —, uma pessoa que nasceu
homem, com pênis, pode, em se percebendo mulher, optar por
uma cirurgia de mudança de órgão, ou seja, transformar seu
pênis em vagina. Logo, a transexualidade é clamada no artigo
3º. Mudança do órgão sexual e do nome. Portanto, a pessoa
que nasceu com pênis e, por isso, foi chamada de Roberto, em
se percebendo Roberta, mulher, com vagina, poderá fazer a
solicitação da mudança do órgão genital e do nome. Na
sequência, por meio do artigo 4º, propõem:
Artigo 4º – Toda pessoa que solicitar a retificação registral de sexo e
a mudança do prenome e da imagem, em virtude da presente lei, deverá
observar os seguintes requisitos:
I – ser maior de dezoito (18) anos;
II – apresentar ao cartório que corresponda uma solicitação escrita, na
qual deverá manifestar que, de acordo com a presente lei, requer a
retificação registral da certidão de nascimento e a emissão de uma
nova carteira de identidade, conservando o número original;
III – expressar o/s novo/s prenome/s escolhido/s para que sejam
inscritos. [146]
No artigo 5º Wyllys e Kokay escancaram de uma vez por
todas a verdadeira intenção da política LGBT quando solicitam
da justiça brasileira que a criança ou adolescente [menores de
18 anos] tenham “autonomia” independente da vontade dos
pais para optarem pelo transexualidade. Não entendeu? Vou
tentar esclarecer: uma criança de 8 ou 10 anos, menino, que de
repente se percebeu menina e passou a não aceitar seu
pingulim, poderá apelar para a mudança por uma vagininha. Se
os pais ou qualquer outra pessoa responsável se recusar a
atender os apelos da criança, ela [criança] poderá recorrer à
assistência da Defensoria Pública para autorização judicial.
Eis o artigo:
Artigo 5º – Com relação às pessoas que ainda não tenham dezoito (18) anos
de idade, a solicitação do trâmite a que se refere o artigo 4º deverá ser
efetuada através de seus representantes legais e com a expressa
conformidade de vontade da criança ou adolescente, levando em
consideração os princípios de capacidade progressiva e interesse superior da
criança, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
§1° Quando, por qualquer razão, seja negado ou não seja possível obter o
consentimentode algum/a dos/as representante/s do adolescente, ele poderá
recorrer a assistência da Defensoria Pública para autorização judicial,
mediante procedimento sumaríssimo que deve levar em consideração os
princípios de capacidade progressiva e interesse superior da criança.
Hoje, como já elucidado, o Ministério da Saúde implantou
o processo transexualizador no âmbito do Sistema Único de
Saúde (SUS). Contudo, ainda que a transexualidade seja
amparada pelo (SUS) não é amparada juridicamente, ou seja, o
Sistema Nacional de Saúde realiza o desejo de um homem
transformar seu “pênis” em uma “vagina”, mas o sistema
jurídico brasileiro não assegura aos transexualizados a
mudança de nome, por exemplo: um transexualizado terá uma
vagina no lugar do pênis, mas continuará com o nome de
batismo. Roberto não mudará para Roberta. Continuará sendo
Roberto mesmo com uma vagina no lugar do pênis. [147]
A astúcia da política LGBT é maligna. Programas infantis
apresentando personagens gays é o que vemos hoje, o filme A
Bela e a Fera, versão 2017, por exemplo, apresentando
personagens gays. A intenção é clara: fazer com que crianças
que não possuem entendimento sobre gênero sexual ou
sexualidade passem a absorver a ideologia de gênero, que
prega o sexo livre, que prega a transexualidade, que prega a
homossexualidade. Em síntese, que prega uma sexualidade
sem freios, sem limites, sem escrúpulos — promíscua.
“Marx e Engels” continuam exalando o veneno do mal
contra a família instituída por Deus. Na verdade, a maioria dos
partidos que encabeçaram e continuam encabeçando tais
propostas são marxistas. Portanto, estão — como já
reproduzido — representado muito bem o seu pai — Karl Marx.
Infelizmente os absurdos propostos por essa ideologia
política de esquerda [marxista] — que em nome do sujo tenta a
todo custo minar com o que acreditam ser favorável ao
socialismo — tem tido resultados nesses últimos anos. Ou você
não lembra do caso do garoto de 9 anos, da cidade de Sorriso
(MT), que apelou para a mudança de sexo perante a justiça e
obteve êxito?
[…] o juiz Anderson Candiotto, da 3ª Vara da Comarca de Sorriso, a 420 km
de Cuiabá, determinou a alteração no registro de nascimento, bem como a
mudança no campo de sexo de masculino para feminino. O defensor público
que atuou em defesa da família do menino argumentou, no processo, que ele
nasceu com anatomia física contrária à identidade sexual psíquica. Segundo a
Justiça, a criança se veste como menina e se porta como tal. [148]
“Entretanto, não há no Brasil uma legislação que
regulamente e determine a alteração imediata do registro civil.
Assim, resta ao transexual pleitear judicialmente a alteração”.
[149]
A questão é que a política LGBT tem conquistado muito do
que planejou nesses últimos anos. No ano de 1995, Marta
Suplicy, na época deputada federal, apresentou o projeto de Lei
nº 1.151/95 que estabelece a união civil entre pessoas do
mesmo sexo. A partir daí as discussões em torno da
conjugalidade homossexual foi ganhando espaço nunca
imaginados na sociedade brasileira. Programas de televisão,
revistas e jornais passaram a discutir a união civil entre
homossexuais como a transexualidade.
A Globo, por exemplo, passou a apresentar em sua pauta
de novelas casais gays. No ano de 2013, foi ao ar a novela das
9 “Amor a Vida” que apresentou o primeiro beijo gay da
teledramaturgia brasileira.
O ator Mateus Solano fazia na trama um personagem gay
chamado Felix que se envolveu com Niko, personagem
desenvolvido pelo ator Thiago Fragoso. Depois de idas e
vindas, Felix e Niko fecham a trama com um inusitado beijo gay.
O país parou. Das praças às calçadas de cada cidade que
forma a nossa federação o assunto não girava em torno de
outra questão: o inusitado beijo gay do Sr. Felix da novela Amor
a Vida. A novela Amor a Vida foi seguida por inúmeras outras
trazendo personagens gays. Desde então, infelizmente cenas
gays em novelas e seriados nacionais não são mais inusitadas.
Deste modo, a ideologia de gênero foi ganhando espaço
nas mídias televisivas. O poder da mídia televisiva é enorme.
Muitas pessoas são influenciadas por programas de TV. É certo
dizer que a televisão dita comportamentos: as novelas, as
séries e os programas transmitidos, sem sombra de dúvida,
estabelecem “modismos” que são abraçados pela sociedade
que os acompanham. Os bordões de novelas são provas.
Quem não lembra do bordão: “É tudo culpa da Rita”? Bordão
usado por Carminha, personagem vivido pela atriz Adriana
Esteves, na novela “Avenida Brasil”. Portanto, o que a TV
apresenta como legal, aprazível, é abraçado por muitos.
Valério Cruz Brittos e Jonathan Reis declararam [em
22/02/2011] no artigo intitulado “Mídia televisiva moldando
famílias, comportamentos e influência”:
O poder de manipulação e alienação exercido pela televisão ainda é muito
grande, notadamente no Brasil, embora o receptor filtre este consumo a partir
de um conjunto de outras mediações. No mínimo, isto limita os
comportamentos sociais, impondo padrões e prejudicando quem não
consegue neles integrar-se. Por exemplo, o modelo de beleza próprio dos
programas de humor e telenovelas torna-se um referencial, difícil de ser
alcançado por quase toda a população. Isto influi diretamente na
sociabilidade, de forma que a sociedade, na forma como concebida hoje, está
diretamente colada no que é a TV e suas práticas.
Em 2009, dois estudos recentes do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) mostraram que as telenovelas apresentadas nos
últimos 40 anos vêm moldando as famílias em aspectos como número de
filhos e divórcios. A análise de 115 novelas transmitidas pela Rede Globo, nos
horários das 19 e 20 horas, constatou famílias com menos filhos,
comportamento reproduzido no cotidiano social. A emancipação feminina
mostrada, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, incentivou a
independência, repercutindo no número de divórcios.
Os personagens televisivos influenciam o comportamento das pessoas em
seu círculo social. O deslumbre causado pela mídia repercute na sociedade,
onde situações que antes não eram assimiladas pela maioria passam a ser
aceitas [...] [150]
O modismo televisivo do momento é a ideologia de
gênero. Programas, só para exemplificar, como SuperPop,
Amor e Sexo, Altas Horas, Fantástico, estão, quando podem,
dando pinceladas em prol da ideologia de gênero. Talvez você
esteja se perguntando: Mas qual seria o propósito? A resposta
é simples: influenciar e manipular pessoas a viverem de acordo
com a ideologia de gênero ou a favor dela.
Acerca disso escreveu Rev. J. Lewis escreveu:
A televisão acentua as imagens que se movem em contraste com a
linguagem escrita e falada (o resultado mais tangível da nossa era pós-
moderna). Como uma mídia fundamentada na imagem, a TV não deixa a
imaginação da pessoa pintar qualquer quadro na tela de sua mente, mas, ao
invés, é a TV que pinta a imagem para você.
Na realidade, nos está sendo ditado, de um modo bem atormentador e
subversivo, o que pensar sobre qualquer tipo de problema moral. Além disso,
criatividade, pensamento independente e ingenuidade são todos descartados,
para se criar uma enorme coleção de dados armazenados num sistema de
computador, de tal modo que pode ser facilmente localizado pelo usuário
(Assistiu à TV à noite passada? Aquilo não foi um grande show!?). Os únicos
visionários num show de TV são os produtores e diretores que decidem para
a audiência o que lhes será ou não processado. Não pense nem por um
momento que eles não estão enviando uma mensagem por meio do que
produzem. [151]
O Fantástico iniciou uma série, a partir de 12 de março de
2017, intitulada “Quem sou eu?”. Crianças, adolescentes e
adultos transgêneros. Corpo de homem, mente de mulher;
corpo de mulher, mente de homem. Pessoas que não se veem
psicologicamente como nasceram biologicamente. O que fazer?
O Fantástico prontamente respondeu: é a identidade de gênero
que vai definir. Transgênero é a pessoa que nasceu mulher ou
homem, mas não se identificou com o gênero masculino ou
feminino. Pessoas quenasceram com genitália feminina, mas
com mente masculina e vice-versa. Portanto, genitália
masculina, ou feminina, mas mente feminina, ou masculina.
[152]
Essa é uma inversão de valores brutal, terrível. Não existe
na ciência evidências de que geneticamente isso seja possível.
O que deve ser entendido então é que crianças podem ser
ensinadas, influenciadas, induzidas a adotarem
comportamentos opostos a sua condição natural.
Alguém já disse que tudo isso não passa de modismo. As
crianças são as primeiras a serem influenciadas.
Dr. Joel Beeke dá algumas estatísticas surpreendentes em seu ensaio literário
“É a TV Realmente Tão Má?” mostrando como a TV em geral encoraja o
telespectador a ver atentamente as pessoas quebrarem cada um dos Dez
Mandamentos. Dr. Beeke diz: “Um estudo chegou à conclusão que durante o
tempo transcorrido até uma criança chegar aos 14 anos, pelo menos 18.000
assaltos e assassinatos violentos acontecem diante dos seus olhos. Um outro
estudo confirmou que a criança média entre cinco e treze anos de idade
embebedam-se em 1.300 assassinatos cada ano, de modo que violência,
assaltos e assassinatos não mais falam a mensagem do pecado ou as suas
consequências. Assassinatos, ódios, ações e palavras violentas assumem o
papel de comportamento normal. A média dos programas para crianças
contém trinta e oito atos de violência por hora (programa para adultos: vinte)”.
Ele continua a dizer: “Nos lares americanos 35% dos horários da refeição são
gastos na frente do aparelho de TV. Cada noite, centenas de pais percebem
que os programas que surgem são desmoralizantes e prejudiciais para seus
filhos, contudo eles mesmos estão tão famintos para deleitar-se no pecado
que estes programas contêm que frequentemente deixam seus filhos assisti-
los também, não tendo qualquer poder de controle”. [153]
Infelizmente pais ausentes ou condescendentes
autenticam determinados modismos absorvidos por seus filhos.
Quando eu tinha uns 12 anos pensei que pudesse voar. Mas o
que teria me influenciado a pensar assim? O filme de
Superman. Febre na época. Saía de casa com uma toalha
amarrada em meu pescoço, como se fosse a capa do
Superman; andando, mas imaginando estar voando. Criança
tem imaginação fértil! Quantas mães que se maquiam perto de
suas filhinhas e logo elas [as filhinhas] aparecem na sala da
casa com o rosto borrado de maquiagem, até filhos homens.
Criança é esponja — absorve tudo que ouve e faz tudo que vê!
Permitir que uma criança decida acerca de sua sexualidade é
um absurdo.
O desenho animado O Fantástico Mundo de Bobby (Bobby
´s Word) [154] exemplifica muito bem o ser criança.
Estreou no dia 8 de setembro de 1990 pela Fox Kids nos
Estados Unidos. No Brasil, o desenho foi ao ar no ano de 1991
em um programa apresentado por Mara Maravilha,
posteriormente pelo programa Bom Dia & Cia, do SBT,
apresentado por Jackeline Petkovic. O desenho narra a história
de Bobby, um garoto de 4 anos que tinha uma imaginação
muito fértil; “explorava o universo divertido, complexo e cheios
de confusões dentro da mente infantil”. [155] Marcos Bonilha,
acerca do desenho, declara:
O Fantástico Mundo de Bobby, na minha opinião, é o desenho que reflete
claramente nossa infância, com nossos medos de escuro, bicho papão,
insegurança em relação ao sexo oposto, o conflito com o mundo adulto e as
frustrações com as coisas, hoje banais para quem é adulto, que gostávamos.
Afinal, quem não soltava a imaginação na infância não foi uma criança feliz ou
normal. [156]
Volto a enfatizar: criança tem mente fértil! Portanto, cabe
aos pais pô-las no caminho certo, na direção certa. Deus ensina
que é dos pais a responsabilidade de educar seus filhos de
acordo com a Bíblia. “Ensina a criança no caminho em que
deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!”
(Pv 22.06), diz o Senhor. Ensinar no caminho e não o caminho.
É estar presente; é caminhar junto. Volto a dizer — pais
ausentes e condescendentes autenticam determinados
modismos absorvidos por seus filhos.
O caso do garoto de 9 anos, da cidade de Sorriso (MT),
revela que os pais foram condescendentes com o que o filho
havia imaginado, vislumbrado. A família não orientou a criança;
os pais foram complacentes. Assim declara o G1 Mato Grosso
TV Centro América: “A família já chamava a criança por outro
nome de menina havia pelo menos três anos. Inclusive, os pais
tinham conseguido, em 2012, uma decisão judicial em caráter
liminar para que o menino pudesse usar uniforme feminino e
fosse tratado como menina na escola”. [157]
Ora bolas! Se essa criança quisesse se matar os pais iriam
aceitar? Talvez você esteja dizendo: “apelou”. Mas verão que
não. Há um modismo macabro espalhando terror nos últimos
meses [158] na internet: o chamado jogo Baleia Azul ou Blue
Whale. O jogo teve origem na Rússia. São desafios, a exemplo,
de um “game”: 50 desafios ou fases que devem ser passadas.
Nas palavras de Júlio Boll, blogueiro do jornal Gazeta do Povo:
Adolescentes são convocados para grupos fechados no Facebook e no
WhatsApp para participar da Baleia Azul, que consiste em cumprir 50 desafios
pré-estabelecidos por curadores que normalmente também são adolescentes
com perfis falsos nas redes sociais. Entre as tarefas, estão mutilar os braços
com facas, assistir filmes de terror na madrugada e, na tarefa final, cometer
suicídio. [159]
Na Rússia, casos de suicídio entre adolescentes estão
sendo atribuídos ao jogo.
Em fevereiro, dois casos na Rússia foram atrelados ao jogo, que muito
provavelmente se originou na terra de Putin. Um deles foi o da adolescente
Yulia Konstantinova, de 15 anos, que postou pistas de que estava
participando do jogo e acabou com sua morte, em fevereiro. Estima-se que
mais de 130 casos russos de suicídio estão atrelados ao Blue Whale. Nada foi
confirmado nas últimas semanas. [160]
Aqui no Brasil alguns casos de suicídio atrelados ao jogo.
A morte da estudante Maria de Fátima da Silva Oliveira, de 16 anos, que
morava em Vila Rica, uma pequena cidade a 1.270 km de Cuiabá (MT) [...]
Maria de Fátima foi encontrada morta nesta terça-feira (11) dentro de uma
represa no bairro Inconfidentes, na região central da cidade. Saiu de casa
sozinha, vestindo apenas a roupa do corpo, por volta das 3h15, enquanto pais
e irmãos dormiam. Deixou o celular em cima da cama (bloqueado com
senha), não levou dinheiro. Antes de entrar na represa para o mergulho sem
volta, deixou os chinelos na beira. [161]
A mãe de Maria de Fátima, Antônia Carlos da Silva, de 39
anos, em entrevista declarou que:
[…] a jovem tinha alguns cortes nos braços e nas coxas há cerca de dois
meses. Além disso, a mãe chegou a encontrar um papel em que a estudante
havia escrito com a própria letra regras a serem cumpridas, como “abrace os
seus pais e diga a eles que os ama”, “peça desculpas”, “tire a sua vida”. O
documento está com a polícia.
Antônia disse que em nenhum lugar do papel havia referência ao Baleia Azul,
mas disse que tinha uma cronologia a ser seguida. Assustada, ela chamou a
filha para conversar sobre o assunto. “Perguntei o que era aquilo e ela me
respondeu que não era nada. Que era uma bobagem. Disse: ‘Você acha que
vou me matar, mãe?’”, conta Antônia. “Perguntei se ela precisava de ajuda e
ela disse que não. Na hora, eu preferi acreditar nela. Aquilo não podia estar
acontecendo comigo”, diz a mãe.
Uma semana se passou e Antônia continuava aflita, preocupada com a filha,
que não dormia mais direito e passava as noites acordada com o celular e o
fone de ouvido. Mas não sabia o que fazer. Na noite de segunda-feira (10),
Antônia dormiu antes das 22h. A filha estava no quarto, no celular. Paula, a
irmã mais velha que dividia o quarto com Maria de Fátima, também foi dormir.
Acordou às 3h04 para desligar o ventilador. A irmã estava lá ainda, deitada,
mas acordada. Paula voltou a dormir, mas acordou novamente às 3h38,
quando o celular tremeu com uma mensagem de texto da operadora. Ao olhar
para o lado, viu que Maria de Fátima não estava mais na cama. [162]
A triste realidade é que Maria deFátima cometeu suicídio.
A pergunta que deve ser feita é: “Qual a razão desse jogo ser
destinado exclusivamente a crianças e adolescentes?” A
resposta é simples: “Falta de capacidade para discernir a
gravidade do proposto”.
Os modismos são facilmente abraçados por crianças e
adolescentes. É muito mais fácil convencer uma criança e um
adolescente, acerca de algo, do que um adulto. Crianças e
adolescentes são presas fáceis de lobos vorazes. A política
LGBT sabe disso e, por isso, está apelando para crianças e
adolescentes.
Quem é pai sabe que um filho ou filha de 3 ou 5 anos
tende a imitar os pais, ou melhor, as pessoas próximas. Criança
é esponja: absorve o que ouve e vê.
A psicopedagogia ensina que pais de crianças de 1 a 3
anos devem evitar palavrões, gritos, brigas para que a criança
não absorva. Opa! Será que assim como podem absorver tais
malefícios, não podem absorver uma identidade feminina, vinda
da mãe, no caso dos meninos; e uma identidade masculina,
vinda do pai, no caso das meninas?
Crianças são influenciadas. Portanto, transgêneros não
nascem. Transgêneros surgem no processo de socialização de
cada pessoa. A mente feminina em um corpo masculino é
produto de uma percepção desejada, aprendida — uma
preferência por algo que não corresponde ao natural.
Ao perceberem tais comportamentos em seus filhos e
filhas, pais devem orientar acerca do que é normal, não
estimular. Quantos meninos são induzidos por um fator externo
a portarem-se como meninas: usar batom, usar roupa feminina.
Crianças são facilmente induzidas, manipuladas a adotarem
determinados comportamentos. Quem nunca se imaginou
sendo o Batman? Os pais devem colocar na cabeça dos seus
filhos que existe uma distinção entre “ser” e “imaginar ser”.
Existem limites. A responsabilidade é dos pais em impor esses
limites sobre seus filhos.
Quando Wyllys e Kokay propõem que seja levado em
consideração o desejo do adolescente em fazer a cirurgia
transexualizadora estão tentando tirar de cena a intervenção de
um capaz para julgar o que é lícito ou não na vida de um
adolescente ou criança; isto é, a responsabilidade dos pais
sobre seus filhos. O pai pode privar o filho de acessar o jogo
Baleia Azul, mas não poderá privá-lo de uma cirurgia
transexualizadora, já que o que deve ser levado em conta de
acordo com Wyllys e Kokay são “os princípios de capacidade
progressiva e interesse superior da criança”. [163] A criança não
tem capacidade para entender tantas coisas, explica a
psicologia, mas tem capacidade para entender que não é
homem ou mulher e, por isso, poderá passar por uma cirurgia
mudando o seu órgão sexual biológico. Que absurdo! A
malignidade está escancarada em tal proposta.
O que é conveniente à política LGBT é explicitamente
aceito, o que é inconveniente é explicitamente rejeitado. O
interesse do mal é desconstruir o que Deus construiu. A Palavra
de Deus [Bíblia] ensina que a responsabilidade é do pai. É o pai
que deve indicar o caminho para o filho andar e não o filho que
deve tomar as rédeas da sua vida. Em Gênesis 17, Deus
instituiu a circuncisão, o corte da carne do prepúcio do órgão
sexual masculino. O pai é que deveria circuncidar o filho. A
responsabilidade era do pai. Assim disse o Senhor Deus a
Abraão:
9 Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua
descendência no decurso das suas gerações.
10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua
descendência: todo macho entre vós será circuncidado.
11 Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de
aliança entre mim e vós.
12 O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas
vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a
qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe.
Uma criança de oito dias não podia dizer o que desejava
ao pai. No Velho e no Novo Testamento, a responsabilidade de
educar os filhos é dos pais. Deuteronômio 6.6-9 declara:
6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;
7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua
casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.
8 Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal
entre os olhos.
9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.
Efésios 6.4 declara: “E vós, pais, não provoqueis vossos
filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do
Senhor”. [164] O Código Civil Brasileiro ensina que é “direito
irrenunciável, levando-se em conta a vulnerabilidade da criança
e do adolescente” [165] dos pais educar seus filhos:
Ao adentrar na esfera familiar, mais precisamente quanto à responsabilidade
dos pais sobre os filhos menores [...] Nesse sentido, o ordenamento jurídico
confere aos pais deveres em virtude do exercício familiar, como logo se
evidencia na Carta Magna de 1988, donde no art. 227, caput e art. 229,
atribuem à família o dever de educar, bem como outras obrigações, in verbis:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança,
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde,
à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores [...]
O Estatuto da Criança e do Adolescente confere aos pais:
Além das obrigações materiais, as afetivas, morais e psíquicas, conforme
preconizado no art. 3º do referido estatuto, onde toda criança e adolescente
possuem direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, a fim de lhes
proporcionar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade.
Nessa mesma esteira, o Código Civil de 1916, no art. 1521, previa a
responsabilidade dos pais pelos atos ilícitos praticados pelos filhos menores,
que estivessem sob o seu poder e companhia e, posteriormente com o
Código Civil de 2002, mais precisamente no art. 932, inciso I, o termo “poder”
foi substituído por “autoridade”, visando esclarecer que a responsabilidade é
somente dos pais que exercem, de fato, a autoridade sobre o filho. [166]
J. C. Ryle em um artigo intitulado “Como educar a
criança?” chama-nos atenção com as seguintes palavras:
Lembre-se: crianças nascem com uma evidente inclinação para o mal.
Portanto, se deixarmos que elas escolham por si próprias, com certeza farão
a escolha errada. A mãe não pode prever como será o seu tenro bebê quando
crescer; alto ou baixo, forte ou fraco, sábio ou tolo; ele poderá se tornar uma
coisa ou outra — é tudo uma incerteza. Mas há algo que uma mãe pode dizer
com certeza: ele possuirá um coração corrupto e pecaminoso. Faz parte da
nossa natureza agirmos errado. Deus diz que “a estultícia está ligada ao
coração do menino” (Pv 22.15). “A criança entregue a si mesma vem a
envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15 - Almeida Versão Atualizada). Portanto, se
desejamos agir sabiamente para com nosso filho, não devemos deixá-lo sob a
direção de sua própria vontade. [167]
A criança é vulnerável, suscetível a ser marionetada com
mais facilidade. A política LGBT as tem como alvo, pois sabe
que facilmente conseguirá imprimir nelas a ideologia de gênero;
daí a razão de alguns programas infantis estarem, de maneira
covarde, apresentando personagens gays. O que estão fazendo
é uma crueldade: “assim como um pedófilo induz com balas e
chupetas uma criança a tocar suas partes íntimas”. A criança é
atraída, induzida. Em nome de um “alívio de consciência” estão
tentando manipular crianças a adotarem a homossexualidade e
tantos outros comportamentos contrários à vontade de Deus.
A ideia é a seguinte: se a criança está manifestando a
homossexualidade é por ter nascido assim; daí todos que
passam a ser, passam a ser por terem nascido assim. Além de
tentar formar a cabeça de uma nova geração de acordo com a
ideologia de gênero.
A política LGBTtem ganhado um espaço significativo na
sociedade dos nossos dias. Como ponderei, desde que a
proposta da legalização da união civil entre pessoas do mesmo
sexo foi apresenta em 1995 na Câmara dos Deputados [168]
pela Marta Suplicy, na época deputada federal, que o debate
sobre a legalização do casamento gay tornou-se pertinente ao
nosso sistema legislativo [bicameral].
As duas câmaras legislativas que compõe o poder
legislativo federal brasileiro, isto é, a Câmara dos Deputados e
Senado Federal, têm vivido nos últimos anos uma tensão em
torno da legalidade da conjugalidade homossexual.
Atualmente Marta é senadora da República e foi no
Senado Federal que ela apresentou o projeto de lei nº 612, de
2011, apelidado “casal do mesmo sexo”. A PLS 612/2011
“Altera os arts. 1.723 e 1.726 do Código Civil, para permitir o
reconhecimento legal da união estável entre pessoas do
mesmo sexo”. [169]
De 1995 a 2011 quanta coisa mudou no cenário político
brasileiro, pois o que era considerado “anormal” tem sido
considerado normal. A CCJ do Senado (Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania) aprovou no dia 08/03/2017 o
projeto de lei nº 612, de 2011. [170] A Câmara Federal, em
1995, havia rejeitado a proposta advinda da, na época,
deputada Marta Suplicy. Vinte e dois anos depois, Marta passa
a enxergar a possibilidade da alteração nos arts 1.723 e 1.726
do Código Civil para que casais gays possam, perante a lei,
casarem-se.
Foram 17 votos favoráveis e uma abstenção. A comissão tem 27 integrantes.
A decisão é terminativa, ou seja, o projeto de lei pode ser encaminhado para a
Câmara dos Deputados para aprovação, se não houver pedido de recurso
para votação no plenário do Senado nos próximos cinco dias úteis. Na
Câmara dos Deputados, o PLS 61/2011 será encaminhado à respectiva CCJ
onde vai tramitar nas mesmas condições (só vai a plenário sob recurso). Uma
vez aprovado na Câmara, segue para sanção presidencial. Cabe ao
presidente dar a assinatura final para o assunto, sancionando ou vetando a
legislação. [171]
Como ficará o Código Civil se aprovado definitivamente? “Se
aprovado e sancionado, o projeto de lei altera a definição de
família estabelecendo que a entidade familiar seria "a união
estável entre duas pessoas" — atualmente, o Código Civil
reconhece como entidade familiar "a união estável entre o
homem e a mulher"”. [172] Conquanto,
Em 2011, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por unanimidade, a união
estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Na prática, a
decisão significou que as regras que valem para relações estáveis entre
homens e mulheres serão aplicadas aos casais gays. Em 2013, o Conselho
Nacional de Justiça aprovou resolução que obriga os cartórios de todo o país
a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em
casamento em função de divergências de interpretação sobre o tema. [173]
Absurdo! Absurdo! Os valores de Deus para a família
estão sendo pisoteados. Contudo, sabemos que o fim dos que
abraçam tais práticas é trágico. Deus não poupará os que se
insurgem contra os seus mandamentos; contra a Santa
Escritura.
Eu creio que não tardará para que o Código Civil Brasileiro
seja mudado. O casamento gay será aprovado [penso eu] tarde
ou cedo por ele. É válido considerar que:
O casamento igualitário ou homoafetivo existe no Brasil desde 2013, quando
o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) emitiu uma resolução determinando
que todos os cartórios do País realizassem casamentos entre pessoas do
mesmo sexo. A decisão, contudo, não tem a mesma força do que uma lei e
pode ser contestada por juízes, dificultando o processo. [174]
Nos Estados Unidos, a Suprema Corte “decidiu que a lei
federal que definia o casamento como sendo união apenas
entre homem e mulher era inconstitucional, por violar o direito à
liberdade e à igualdade, garantidos pela quinta emenda da
constituição”. [175] Lembrando que os estados americanos têm
autonomia para legislar sobre vários assuntos, porém sobre o
casamento gay não podem mais, pois “essa decisão da
Suprema Corte [...] impede qualquer legislação estadual
contrária ao casamento gay”. [176]
Homens podem legislar positivamente a favor de tais
práticas, porém nós, enquanto servos de Deus, não poderemos
assinar embaixo, pois o que Deus condena deverá sempre ser
condenado por sua Igreja. No primeiro século da era cristã,
havia a adoração ao imperador. O imperador romano exigia
adoração para si. Cristãos genuínos não se curvavam ao
imperador, pois entendiam que deviam adorar só a Deus (Êx
20.3-5); curvavam-se à morte, mas não curvavam aos pés do
homem mortal.
Portanto, cabe-nos uma pergunta: Como cristãos, o que
devemos fazer? Não podemos deixar de falar o que as
Escrituras ensinam sobre isso; conquanto, devemos descansar
no Senhor Deus! Pois a história está nas mãos dEle.
Apocalipse 6.12-17 assim descreve:
12 Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O
sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue,
13 as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada
por vento forte, deixa cair os seus figos verdes,
14 e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então,
todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar.
15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos
e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos
penhascos dos montes
16 e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-
nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro,
17 porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-
se?
Neste dia, Deus julgará e condenará todos os
comportamentos que foram contrários à sua vontade.
DESTRUIÇÃO OU ADULTERAÇÃO DA BÍBLIA
A política LGBT tem como meta destruir a Bíblia ou
adulterá-la. A Bíblia condena o comportamento homossexual,
pontuando com muita propriedade que tal comportamento é
abominável. Deste modo, quem deseja viver entregue às orgias
sexuais, vai tê-la como inimiga. A frase “a Bíblia não deve ser
vista como única regra de fé e prática” é dita por muitos hoje em
dia. A pergunta que temos que fazer é: O que está por detrás
de tal frase? Nitidamente o desejo e o interesse de
desconsiderar a Bíblia como palavra de Deus. [177]
A Bíblia para indivíduos de vida imoral é “juiz
condenatório”, pois ela apresenta o Deus Santo que abomina o
pecado (Is 59.2). A bissexualidade é pecado. O lesbianismo é
pecado. Todas essas práticas sexuais são abomináveis perante
o Santo Deus. Deus criou — como ponderei reiteradas vezes —
o homem e a mulher para que ambos se envolvessem no
casamento sexualmente.
Sexualidade maniqueísta — binária é condenável. A
bissexualidade adotada por muitos jovens na atualidade é
condenada pela Bíblia. Moças e rapazes que em nome de uma
“nova experiência na esfera sexual” passam a adotar a
bissexualidade. Ouvi uma moça em um determinado programa
de TV justificando sua bissexualidade. Ela dizia ter se envolvido
só com homens durante muito tempo, mas em uma
determinada manhã acordou tendo um desejo enorme de se
envolver com uma mulher; desejo que, no dizer dela: “havia
arrebatado a sua alma”. Saiu de casa por volta das 7h da
manhã e logo no elevador do prédio em que residiu cruzou com
uma linda jovem de sorriso contagiante. Ela dizia — eu não
conseguir tirar aquela “garota” da minha cabeça; fiquei aquele
dia desejando-a. Depois de vê-la quis conhecê-la; e foi aí que
descobri a minha bissexualidade. Envolvemo-nos. Ficamos
quase cinco meses juntas, mas não deixamos de nos envolver
com homens. Depois dessa experiência, passei a ficar um
tempo com um namorado e quando me “enfastio” procuro uma
namorada, assim vou levando a minha vida.
A triste realidade do nosso tempo tem sido essa. Vivemos
as aberturas para os indevidos. É certo afirmarmos que tais
práticas sempre acompanharam a sociedade, contudo,
certamente hoje tornaram-se natural, normal. O contrário é não
estar na crista da onda; é não adotar o que tem sido adotado.
Infelizmente as coisas tendem a piorar.Jesus já havia dito que
nos últimos dias os comportamentos aberrantes dos homens
intensificariam (Mt 24.10-12). Não há, portanto, em Jesus Cristo
a aceitação da iniquidade. O pecado é condenado. É repudiado.
O salário do pecado é a morte (Rm 6.23).
Todos os indivíduos que possuem desejos pecaminosos e
vivem em nome deles vão praguejar a Bíblia. O diretor da
versão de 2017 do filme A Bela e a Fera, Bill Condon, é prova,
pois em uma entrevista declarou: “meu desejo é rasgar páginas
da Bíblia”. Talvez você não saiba, mas Bill é gay assumido.
A revista Passport, voltada ao público gay, entrevistou Bill
em 2012. E foi nessa entrevista que ele, depois de ter sido
questionado sobre a primeira coisa que fazia ao entrar num
hotel, respondeu: “meu desejo é rasgar páginas da Bíblia”. [178]
Percebam que Bill, por ser gay, revela o seu desejo de rasgar
da Bíblia que a homossexualidade é pecado. Aquilo que ele
pratica.
O desejo de fazer com que tal prática venha se tornar
aceitável em quem a pratica é absurdo! Talvez a razão seja
uma consciência de que tal comportamento é impudico. A
consciência deve acusar, deve clamar. Por dentro, na alma,
deve doer. Lembre-se que a lei de Deus está impressa nos
corações e mentes dos homens (Rm 2.14-15); por isso, a
consciência acusa. Portanto, é certo dizer que existem certas
ideias que são congênitas. Todos nós nascemos com elas.
Deus imprimiu a Sua Lei no coração e mente dos homens. É
uma condição congênita.
Entretanto, com a Queda de Adão, nós, seus
descendentes, nascemos em pecado (Sl 51.5). Essa condição
pós-adâmica pertinente a nossa natureza deturpou a lei
impressa por Deus em nós. Noutras palavras, o pecado que
passou a fazer parte da nossa natureza ofuscou essa lei,
contudo, o pecado em nós não a excluiu — deturpou-a, mas
não a excluiu.
O pecado original [179] imprimiu essa condição na
natureza humana (Rm 5.12). Significa dizer que homens e
mulheres, sem exceção, possuem a consciência do certo e
errado perante o criador. No trivial, todos sabemos o que é
pecado. Portanto, temos a razão da incomodação. Apelam para
a falta de aceitação, para a cultura, mas no fundo a razão do
incomodo está na lei natural que de maneira latente pondera
—“homem deve se envolver com mulher, e mulher, com
homem”. Todas as relações na esfera sexual que fogem do que
é natural [180] a consciência acusa. A questão está no que Deus
imprimiu em cada homem e em cada mulher, e não no que a
cultura imprimiu.
A política gay no entanto insiste em sustentar a ideia de
que se trata de imposição do processo de socialização de cada
indivíduo e, por isso, o repúdio, a falta de aceitação social. Em
nome dessa ideologia lutam para que seja desconstruída da
sociedade a ideia de que relacionamento afetivo deve existir
somente entre um homem e uma mulher.
Nunca houve uma cena de homossexualidade em todas
as versões do filme A Bela e a Fera, porém, na versão de 2017,
dirigida por Bill Condon, não há uma, mas duas. A relação
homoafetiva entre o vilão Gastón e seu assistente Lafou
estampou nas telas do cinema a tentativa de Bill em fazer com
que o relacionamento homossexual torne-se aceito, normal.
Segundo o portal Gospel Prime, Condon disse que “era algo
bom ter um momento exclusivamente gay em um filme da
Disney”. [181]
As crianças são o público-alvo. Vejam que a intenção é
marcar uma nova geração com a ideia de que é natural o
relacionamento homossexual. Hoje inúmeros desenhos
animados estão trazendo cenas de homossexualidade.
Infelizmente estamos vivendo a época em que políticas
voltadas a defender tais práticas estão ganhando cada vez mais
espaço na sociedade. O alvo principal delas é adulterar ou
rasgar das páginas da Bíblia textos que condenam a
homossexualidade.
Os textos de 1Samuel 18.1-3 e 2Samuel 1.26 são usados
por homossexuais como base para sustentarem que a Bíblia
não condena a homossexualidade. Os textos falam da relação
entre Jônatas e Davi. Eis o que dizem ambos os textos:
Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou
com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. Saul, naquele dia,
o tomou e não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai. Jônatas e Davi
fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma (1Sm 18.1-
3).
Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para
comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”
(2Sm 1.26).
Segundo os homossexuais as expressões “excepcional era
o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” e “a alma de
Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua
própria alma…” evidenciam a homossexualidade entre Jônatas
e Davi. Conquanto, será que os homossexuais estão certos?
Davi teve um relacionamento homossexual com Jônatas?
É evidente que não! Em primeiro lugar a palavra “ligou” usada nesse texto, no
hebraico, é a mesma palavra usada em Gênesis 44.30 para expressar o
relacionamento de amor (ligação) de Jacó para com seu filho Benjamim, ou
seja, não era uma palavra comumente usada para indicar relacionamentos
eróticos ou de homossexualidade. Foi usada na Bíblia para indicar uma
ligação especial fraterna. Em segundo lugar, uma observação básica do
contexto nos mostra que se trata de uma amizade verdadeira e forte. A leitura
de todo o contexto da história desses dois homens de Deus mostra que
Jônatas entendia claramente que seu pai Saul perderia o trono e que Davi era
o escolhido do Senhor para reinar. Nesse sentido Jônatas mostra
compromisso de amizade e lealdade ao futuro rei, mesmo ainda ele não
sendo o rei empossado (1Sm 23.15-18; 1Sm 18.4-5; 1Sm 20.12-29).
A amizade entre Jônatas e o rei Davi não está contrária as indicações bíblicas
sobre o exercício de amor ao próximo por ser relatada como intensa, pelo
contrário, está dentro do padrão exigido pela Lei: “…mas amarás o teu
próximo como a ti mesmo” (Lv 19.18). Esse é o padrão máximo do exercício
do amor fraternal: Amar como se ama a si mesmo. Infelizmente em nosso
tempo cheio de malícia e maldade, quando um homem exerce o amor para
com seu próximo da forma que a Bíblia orienta, é taxado por muitos como
sendo um homossexual “no armário”. Davi e Jônatas se amaram conforme a
Lei e não em descumprimento da Lei tendo uma relação homossexual. [182]
A expressão usada por Samuel “o amor ultrapassa o amor
de mulheres” não indica de maneira nenhuma um
relacionamento homossexual entre Davi e Jônatas, pois:
Desde quando a relação homossexual ultrapassa o amor de mulheres? Onde
está esse parâmetro? Quem o determinou? Fica claro que taxar essa
declaração de Davi como sendo um indício de homossexualidade é um grave
erro de interpretação! Uma breve olhada no contexto mostra que Davi presta
uma homenagem póstuma a Jônatas, que acabara de morrer. Davi destaca a
lealdade e compromisso de Jônatas para com Ele. Tal compromisso de
Jônatas, para Davi, não era comparável nem ao amor de um relacionamento
amoroso entre homem e mulher. É evidente que Davi não teve a intenção de
colocar o amor de amigos como sendo superior ao amor conjugal hetero, mas
o de destacar a impressionante abnegação de Jônatas para com ele, o que
fez com que a amizade deles fosse especial, forte e única.
O livro de provérbios destaca que existem amizades tão fortes que podem até
superar o amor de irmãos: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo;
mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Provérbios 18.24). Era esse
tipo de amor especial, forte, leal, compromissado que havia entre Jônatas e o
Rei Davi, conforme os relatos bíblicos! [183]
Portanto, “concluímos que, qualquer tentativa de dizer que
o rei Davi e Jônatas tinham uma relação homossexual, está
contrária ao que os textos expressam, sendo uma tentativa de
“forçar” o texto para que ele se enquadre em desejos e
pensamentos humanos, o que é reprovável”. [184]
Vimos que os homossexuais tentam adulterar a Bíblia com
o intento de articularem que é normal perante a Bíblia a prática
homossexual, mas eles ainda tentam tirar da Bíblia ou, como
explicitou Bill Condon, rasgar textosque condenam a
homossexualidade.
Hoje existe a Bíblia Gay, intitulada “Graça sobre graça”.
Essa Bíblia foi lançada nos Estados Unidos em 2012. De
acordo com o portal Gospel Prime: “Após centenas de debates
entre a comunidade LGBT e os evangélicos sem uma solução
definitiva, um grupo de ativistas decidiu publicar a primeira
Bíblia Gay”. [185] O criador dessa Bíblia é paranaense,
residente em Brasília-DF. Marvel Souza é o seu nome. Ele se
intitula pastor e é gay assumido. Mantém um relacionamento
homossexual com Raphael Lira. [186] Marvel Souza adultera o
texto bíblico. Vejam o comentário dele do texto de Levítico
20.13:
O texto de Levítico 20.13 na Bíblia Comentada Graça sobre Graça:
“Da mesma forma, qualquer homem que se deitar com outro homem,
como se esse fosse a sua mulher, fizeram abominação. Ambos devem
ser mortos, e seu sangue cairá sobre eles”. Nota explicativa: o texto se
refere a uma possível relação de adultério, pois relata um homem que
tem mulher, ou seja: casado, e mesmo assim tem relações sexuais com
outro homem, usando-o como passivo da relação. O adultério é
totalmente condenável em qualquer relação pautada em votos de
fidelidade, amor, companheirismo, cumplicidade e respeito. [187]
Levítico 20.13 condena a homossexualidade, o texto está
condenando o relacionamento gay, o deitar com outro homem. A
questão aqui não é o adultério, mas a homossexualidade. A Bíblia
condena o adultério, mas aqui especificamente está condenando a
homossexualidade. Relacionamento sexual com alguém do mesmo
sexo é abominação perante Deus. “Se um homem deitar com outro
homem, como se fosse mulher”. É claro no texto “deitar com outro
homem, como se fosse mulher”. Manter relação sexual com outro
homem, como se fosse mulher. O sexo deve ser praticado entre um
homem e uma mulher. Homem possui pênis; mulher, vagina. Esses
órgãos sexuais os unem, fazendo-os uma só carne. [188] O sexo
anal é proibido. O homem quando se relaciona sexualmente com
outro homem está cometendo dois pecados, a saber: primeiro, a
homossexualidade; segundo, o sexo anal.
O canal anal não possui nenhuma característica para a prática
sexual. Pelo contrário, a fisiologia torna evidente o fato de que o único
lugar do corpo da mulher (não é necessário afirmar que o
homossexualismo é um pecado, porque isto é clarividente) propício a ter
relação sexual com o homem (seu marido, somente) é o canal vaginal e
este pelo orifício genital. Mas o que isto significa? Significa que o poder
criativo de Deus é visto "pelas coisas que estão criadas" e isso se
desdobra em dizer que Deus projetou o corpo do homem e da mulher
para terem relações sexuais de maneira instituídas por Ele mesmo e tal
fato é plenamente visível na criação. [189]
Portanto, a interpretação dada por Marvel na chamada
Bíblia Graça sobre Graça, a Bíblia Gay, é perniciosa. Destarte,
podemos considerar que essa Bíblia Gay tem como objetivo
desconsiderar textos canônicos [190] que condenam a
homossexualidade. Os comentários pró-LGBT do autor da
Bíblia Gay podem ser resumidos na seguinte frase: “uma
pessoa não escolhe ser gay, mas pode escolher Jesus”. O gay
não vai deixar de ser aceito por Jesus por ser gay.
Com relação à interpretação que dá aos textos bíblicos que
condenam a homossexualidade, Marvel declarou:
[...] elaborar uma Bíblia Comentada não significa adulterar textos bíblicos,
mas explicá-los ou compartilhar um conhecimento específico sobre
determinado texto, por isso, é totalmente infundada a ideia de que eu estaria
produzindo textos diferentes das Sagradas Escrituras, adequando-os para
uma linguagem própria dos homossexuais. Na verdade, o trabalho de
comentários bíblicos visa fomentar a discussão sobre os temas propostos
para esta obra (inclusão eclesial dos homoafetivos, transexuais, espaço das
mulheres no cristianismo, inclusão de pessoas com necessidade especiais,
combate ao racismo), mostrando que há espaço para todos no reino de Deus,
biblicamente falando e que interpretações são interpretações, cada um pode
ter a sua, mas precisamos acreditar em algo. É provável que para muitos as
interpretações feitas e os ajustes textuais dos textos bíblicos não sejam
aceitáveis, porém, muitos acreditarão e terão a vida e prática de fé pautada
nisto. Um dos piores atos de desumanidade é privar as pessoas do direito de
escolher o que querem para si. [191]
A Bíblia é taxativa em dizer que a homossexualidade é
pecado, portanto, não é uma questão de interpretação. Os
textos são claros. Não é preciso fazer um estudo profundo para
perceber qual é o posicionamento da Bíblia acerca da
homossexualidade. A Bíblia condena. Ela chama o
relacionamento homossexual de abominação. A ideia de que as
pessoas têm “o ‘direito’ de escolherem o que querem para si”
na perspectiva bíblica não é válida. A Bíblia ensina que temos
que lutar contra a nossa carne: a vontade da carne, desejos
pecaminosos, devem ser mortificados, abatidos. Paulo vai
destacar isso na carta aos Romanos 8. Eis as Palavras de
Paulo:
5 Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas
os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.
6 Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e
paz.
7 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à
lei de Deus, nem mesmo pode estar.
8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de
Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é
dele.
10 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa
do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça.
11 Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os
mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos
vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós
habita.
12 Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se
constrangidos a viver segundo a carne.
13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se,
pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.
O cristão é chamado a viver de acordo com a vontade de
Deus. O que não agrada a Deus não pode ser feito, deve ser
evitado. Quem ama a Jesus vive obedecendo-o. O próprio
Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz e me
seguem” (Jo 10.27). Deste modo, não é o que queremos que
devemos seguir, fazer; mas o que Deus quer. Por isso, se Deus
condena a homossexualidade, ela deve ser evitada.
Eva quis seguir o seu coração e pecou contra Deus. Deu
ouvidos a serpente e acrescentou algo à Palavra de Deus, pois
disse o que Deus não havia dito quando declarou que do fruto
da árvore do conhecimento do bem e do mal não podiam nem
tocar (Gn 3.2-3); Deus havia dito que não podiam comer (Gn
2.17). A declaração “não tocar” não fazia parte da Palavra de
Deus.
O juízo de Deus contra os que adulteram sua Palavra não
tardará, pois assim declarou João em Apocalipse 22.18-20:
18 Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se
alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos
escritos neste livro;
19 e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus
tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se
acham escritas neste livro.
20 Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem
demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!
 CAPÍTULO 2: DEUS E O GÊNERO
MACHO E FÊMEA
Deus possui sexo? O teólogo Paul K. Jewett em seus
comentários acerca de Deus às vezes usa a expressão “ela”
para Deus. [192] Destarte, em Paul abre-se um espaço para que
feministas como a Sra Elizabeth Johnson pensem assim.
Elizabeth escreveu um livro, intitulado She Who Is (Ela, quem
é?), em que ela trata da necessidade de se usar uma
linguagem exclusivamente feminina para Deus. [193]
Acerca disso John Frame, teólogo americano, escreveu:
Johnson e algumas outras feministas procuram ter ambos os conceitos.Ela
insiste que nossa noção do feminino (logo, o Deus feminino) poderia incluir
“intelectual, artístico”, “liderança pública” e igualmente “orgulho e ira”. Ela
elogia a religião de Ishtar (no Antigo Testamento, Astarte ou Astoreth, a
esposa de Baal, Jz 2.13; 10.6; 1Sm 7.3-4; 12.10) ao encontrar em sua deusa
“a fonte do poder e soberania divina personificada na forma feminina” que
promove guerra e exerce julgamentos. Sobre esta base, traços de
masculinidade e feminilidade são essencialmente os mesmos. O que a
sociedade necessita entender é que eles podem ser encontrados tanto nas
mulheres como nos homens. [194]
Em síntese, segundo Frame, Johnson estabelece para o feminismo
a necessidade de criar para si uma divindade tipicamente feminina.
Ele [Frame] ressalta:
Não está claro que espécie de deus uma deidade feminina poderia ser.
Poderia ela ser mais nutridora, bondosa, receptiva e afetuosa do que a
deidade masculina da teologia patriarcal? Ou, ela seria tão poderosa,
dominante e agressiva como qualquer homem, não obstante, de algum modo
ainda ser feminina? Johnson usualmente parece favorecer a última
alternativa, com alguma inconsistência, como temos visto. Mas qual é a
característica feminina acerca desta deidade? Se a sua feminilidade não é
física, podemos julgar sua natureza somente pelos traços do caráter e
personalidade. Mas acerca da descrição de Johnson, os traços da deusa são
comuns a machos e fêmeas. Assim, é difícil discernir o que Johnson
realmente entende ao afirmar quando diz que Deus é feminino. [195]
É notório que a intenção de Johnson é desconstruir o que
acredita ter sido inventado por uma teologia patriarcal ou
masculina acerca de Deus. Ela sugere a criação de uma
teologia feminina, ou seja, que defina Deus como sendo do
sexo feminino, pois na linguagem dela foi imposto sobre as
mulheres algo muito desqualificador pelos homens em nome de
Deus. Nas entrelinhas, ela sugere que a ideia de submissão
das mulheres [esposas] aos homens [esposos], entre outras,
vem de uma concepção teológica de Deus totalmente
masculina. Uma vez que a teologia que define a submissão
feminina no casamento ao masculino advêm de um sistema
teológico totalmente patriarcal. Por isso, segundo ela o
feminismo deveria criar uma teologia voltada aos interesses da
mulher.
Dessa forma se faz necessário destacar que não existem
nas Escrituras indicações acerca de Deus como sendo do
gênero masculino ou feminino uma vez que Deus é incorpóreo
(como a Bíblia ensina em Jo 4.24). Conquanto é válido ressaltar
que “figuras” de gêneros são atribuídas a Deus, de acordo com
John Frame:
Apesar de Deus ser o Criador, e por isso o modelo tanto para as virtudes
“masculinas” e “femininas” (mas que estas sejam bem definidas), as figuras
bíblicas de Deus como gênero, lhes é relevante, e que são
predominantemente masculinas. Os pronomes e verbos que se referem a
Deus são sempre masculinos na Escritura, e as figuras que usa para si
(Senhor, Rei, Juiz, Pai, marido) são tipicamente masculinas.
Todavia, há algumas figuras femininas de Deus na Bíblia. Em Deuteronômio
32.18, Deus, através de Moisés, repreende Israel, dizendo:
Abandonaste a Rocha que te gerou;
E te esqueceste do Deus que te deu o nascimento. Nesta figura, Deus usa
tanto funções masculinas como femininas na origem de Israel. [196]
Como bem ponderou Frame, os pronomes e verbos que se
referem a Deus são sempre masculinos na Escritura, contudo,
isso não significa que a Bíblia superestima o sexo masculino
em detrimento do feminino. As feministas se equivocam quando
sustentam que os pronomes e verbos usados na Bíblia para
Deus sempre no masculino estão de certa forma discriminando
a mulher. Por isso, concluem que a questão até na Bíblia limita-
se a uma percepção teológica puramente masculina, como se a
Bíblia tivesse sido escrita com essa finalidade. A Bíblia é
patriarcal, afirmam. Foi influenciada pela cultura patriarcal
dominante. Destarte, o feminismo deve entender Deus a partir
da ótica da mulher e não do homem — Deus então deve ser
definido como “Ela” e não como “Ele”. Nas palavras da
feminista Simone de Beauvoir:
[...] ante a Eva pecadora, a Igreja foi levada a exaltar a Mãe do Redentor. Seu
culto tornou-se tão importante que se pôde dizer que no século XIII Deus se
fizera mulher; uma mística da mulher desenvolve-se, portanto, no plano
religioso. [197]
Em nome de um conceito atribuem a Deus o que a Bíblia,
Sua Palavra, não atribui. É certo que todas as invenções
oriundas de sistemas humanísticos sempre vão tentar colocar
como palavra de Deus o que é na verdade palavra do homem.
As feministas fazem isso. A ideologia de gênero faz isso.
Deus não é macho e nem fêmea, contudo, macho e fêmea
foram criados à imagem de Deus (Gn 1.27). Deus comunicou
ao homem e à mulher atributos próprios do Seu Ser, portanto,
homem e mulher possuem inerentes em si características que
os distinguem dos demais seres criados uma vez que imagem e
semelhança indicam pessoalidade. Homens e mulheres são
seres pensantes; que raciocinam; que possuem inteligência.
Ambos receberam de Deus tais habilidades. Deste modo, nesse
sentido, não existe diferença entre o homem e a mulher: ambos
são iguais quanto ao ser, [198] como já explicado. Em Deus se
encontram, pois Deus os fez para que se tornassem uma só
carne. Deus não criou a mulher para ser capacho do homem e
nem o homem para ser manipulado pela mulher. Homem e
mulher foram criados para que juntos se complementassem (Gn
2.24) e glorificassem a Deus (Gn 2.17).
Portanto, é claro na Escritura Sagrada que macho e fêmea
são gêneros opostos que se completam. “Opostos” por serem
homem e mulher (Gn 1.27); por ser o homem do sexo
masculino e a mulher do sexo feminino. Deus, que não é macho
e nem fêmea, que não faz parte do “clube da luluzinha” e nem
do “clube do bolinha” criou homem e mulher para que fossem
um por meio do casamento. Portanto, dizer que Deus
supervaloriza o gênero masculino é o mesmo que dizer que
Deus faz acepção de pessoas. Mas, sabemos pela Bíblia que
Deus não faz acepção de pessoas (Dt 1.17; 10.17; At 10.34).
Paulo escrevendo aos Gálatas disse: “Destarte, não pode
haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem
nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl
3.28). Deus é Deus de homens e mulheres. Homens e
mulheres são convidados a curvarem-se diante desse Deus.
Entretanto, é válido destacar que o “Deus [que] não faz
acepção de pessoas” não pode ser usado para justificar a
homossexualidade, o travestismo, a transexualidade e os
demais conceitos equivocados de gêneros adotados pela
ideologia de gênero. Equivocados por existir de acordo com a
Bíblia só o gênero feminino e masculino.
Temos na criação o conceito binário de gênero, isto é,
macho e fêmea. Não existem outros gêneros além desses de
acordo com a Bíblia.
O CASAMENTO NA PERSPECTIVA DA IDEOLOGIA DE
GÊNERO
O que ensina a ideologia de gênero? Como já elucidado, a
ideologia de gênero surge com o feminismo proposto pela
francesa Simone de Beauvoir, pois na linguagem dela a mulher
deveria ser definida a partir da própria mulher. A mulher dona
de casa, mãe, boa esposa, foi inventada; definida a partir do
homem. Portanto, a questão funcional da mulher na sociedade
deveria ser debatida, pois o “cárcere do eterno feminino” no
qual a mulher está submetida advém de um sistema patriarcal
— em que a mulher é privada de olhar para ela como um “ente”
fora desse cárcere.
A mulher, por volta dos anos 1950, lutava por direitos
igualitários, como poder votar e participar do curso natural da
sociedade ocupando posições de destaque; contudo, algo
maior deveria acontecer, ela [mulher] passar a olhar para si a
partir da sua própria ótica. A mulher careceria de sair do
cárcere imposto sobre ela pela cultura patriarcal dominante: a
cultura masculina, patriarcal, que havia definido o papel da
mulher na sociedade por anos. Logo, a mulher foi impedida de
ir além do papel de “dona de casa”, isto é, do “lar” imposto
sobre ela pelo idealismo cultural do patriarcado, ensinavaSimone.
Deste modo, o feminismo proposto por Simone de
Beauvoir encabeçou o debate sobre os gêneros tendo em vista,
a priori, que a mulher foi dominada e subjugada, mas deveria se
libertar do jugo imposto pelo macho sobre si — daí nasceu o
lesbianismo intelectual —, entendendo que a relação conjugal
existente deveria ser invertida. A mulher portanto deveria —
partindo do princípio de que ela deve se definir a partir dela —
envolver-se maritalmente com outra mulher; e nessa relação
uma assumiria o papel de homem, e outra, de mulher. Destarte
passou-se a discutir a questão do gênero não considerando
mais a questão binária, isto é, de dois únicos gêneros.
O site Olga, em um artigo intitulado “Feminismo é
revolução: Simone de Beauvoir em três atos”, destaca a
iniciativa do ENEM em citar a obra de Beauvoir, com as
seguintes palavras:
Que o trabalho intelectual das mulheres é menos valorizado que o dos
homens não é nenhuma surpresa. Aprendemos na escola e sabemos de cor o
nome de filósofos, cientistas e autores masculinos, mas mesmo grandes
mentes femininas têm menos destaque que alguns pensadores medíocres por
uma falta de visibilidade e descrédito que têm raiz no machismo. E é nesse
cenário de invisibilidade sistemática que, entre as poucas intelectuais
femininas de renome mundial, está a francesa Simone de Beauvoir.
Filósofa, Simone, entre muitos feitos, é autora do livro O segundo sexo,
considerado uma das obras estruturantes e fundamentais do feminismo
ocidental. Sua obra foi revisitada no ENEM deste ano, que contou com uma
questão que trazia o seguinte trecho: “Ninguém nasce mulher: torna-se
mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a
fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que
elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam
o feminino”. [199]
Assim, em nosso país, o movimento da ideologia de
gênero, que começou com Simone, assumiu abertamente que o
papel de pai, próprio do homem, e de mãe, próprio da mulher,
pode ser exercido por um homem ou por uma mulher, pois,
segundo os defensores da ideologia de gênero, o que deve ser
considerado não é a pessoa do homem ou da mulher, mas a
“função psicológica” de pai e mãe. Nesse sentido, um homem
pode exercer o papel de mãe, como uma mulher pode exercer o
papel de pai; tanto quanto dois homens e duas mulheres podem
exercer “ambos os papéis”, como tem acontecido hoje entre os
casais do mesmo sexo — homossexual — em que entre dois
homens ou duas mulheres um é o pai e o outro é a mãe.
A homossexualidade é pecado. Deus condena tal prática.
Moisés, em Levítico 18.22 e 20.13, ensina que tal prática é
abominação. Assim pondera Moisés: “Com homem não te
deitarás, como se fosse mulher; é abominação” (Lv 18.22). “Se
também um homem se deitar com outro, como se fosse mulher,
ambos praticam cousa abominável [...]” (Lv 20.13).
Assim, a relação homossexual é abominação perante o
Senhor. A sociedade pode aceitar; pode aplaudir, mas o Senhor
Deus não aceitará, pois para Ele tal relacionamento é
abominável. Talvez alguém com intuito de defender tal prática
abominável dirá: “Mas isso é o que ensina o Antigo Testamento,
deste modo, tornou-se obsoleto, pois com a vinda de Jesus a lei
mosaica foi abolida. Estamos na era no Novo Testamento. A era
do amor. Aceita tudo, desde que seja com amor”. Tal raciocínio
é satânico, pois o Novo Testamento ensina evocando o
princípio da criação que a relação sexual natural é entre um
Adão, isto é, homem, e uma Eva, isto é, mulher.
As principais passagens que abordam a questão homossexual, no entanto,
encontram-se nas cartas do apóstolo endereçadas às igrejas de Roma e da
cidade de Corinto, na Grécia. Tanto em Roma como na Grécia antiga o
homossexualismo era uma prática comum. Era, ainda, considerado imagem
ideal do erotismo e modelo de educação para os jovens.
Contudo, apesar da prática homossexual ser considerada normal em Roma, o
homossexualismo passivo desonrava os romanos, que eram educados para
serem ativos, serem senhores. A posição passiva era reservada para os
escravos e para as mulheres, para os quais, aliás, era um dever. A História
registra que dos quinze primeiros imperadores de Roma, só Cláudio era
exclusivamente heterossexual. Mas foi o imperador Júlio César que ganhou a
fama, só sendo tolerado pela posição que ocupava e por suas conquistas
bélicas. Dele diz-se que “era homem de todas as mulheres e mulher de todos
os homens”. [200]
Paulo, como já citado, escrevendo aos Romanos ensina
que o comportamento homossexual é inatural (Rm 1.26-27);
escrevendo aos coríntios ele ensina que os “efeminados” e os
“sodomitas” não herdarão o reino dos céus (1Co 6.9).
As palavras empregadas por Paulo em 1Coríntios 6.9 em
grego são ‘malakos’, para efeminados, e ‘arsevókoitês’, para
sodomitas.
Esse era exatamente o contexto em que o apóstolo Paulo vivia quando
escreveu a primeira referência bíblica do Novo Testamento sobre o
homossexualismo, dirigindo-se à igreja de Roma. Usando a autoridade que
tinha de pregador da Palavra de Deus, ele não fez distinção entre
homossexualismo ativo ou passivo. Afirmou, sim, que o homossexualismo
contrariava os propósitos morais, sexuais, sociais e espirituais de Deus para
homens e mulheres. [201]
Segundo alguns, Paulo, ao usar ‘malakos’ [efeminados]
não está fazendo referência ao relacionamento homossexual,
porém a palavra é empregada exatamente neste sentido, pois
“m’alakos’” no tempo de Paulo indicava exatamente
relacionamento homossexual. Nas palavras de Gedeon Martins:
Malakos do grego, mole, macio, suave e efeminado, era usada para se referir
aos homens que eram passivos nas relações sexuais com outros homens. A
ideia de suave, mole e etc, era pelo fato de esses homens terem a atitude
usual da mulher na relação sexual com outros homens. Nos nossos dias a
melhor tradução para esse termo seria “homossexuais passivos”, esses não
herdarão o reino dos céus. [202]
Enquanto efeminados [malakos] faz referência ao
homossexual passivo, a palavra ‘arsevókoitês’ [sodomitas] faz
ao ativo. Acerca de ‘arsevókoitês’, Gedeon Martins também
elucida:
‘Arsevókoitês’ do grego, sodomita, pederasta, homossexual. Esse termo é a
junção de duas outras palavras gregas: ‘arse’, que quer dizer macho; e,
‘koitê’, que quer dizer leito nupcial, relação sexual, coito. Seria aquele que faz
sexo com outro homem, ou ainda, aquele que é ativo na relação
homossexual. Em outras palavras é o “homossexual ativo”, esses, também,
não herdarão o reino dos céus. Isso significa que tanto aquele que é ATIVO
quanto o que é PASSIVO estão pecando e sendo, assim, indignos do reino
dos céus. [203]
João Luiz Santolin escreveu um artigo intitulado “O
homossexualismo e a Bíblia” em que trabalha com os termos
usados por Paulo em 1Coríntios 6.9 — efeminados e sodomitas
— tendo em vista o mesmo significado. Eis o comentário de
Santolin:
As palavras sodomitas e efeminados usadas em 1Coríntios 6.9 têm
significados distintos: sodomita vem do pecado de Sodoma e tornou-se
sinônimo universal de homossexualismo ativo (quando o homossexual faz o
papel de “marido” na relação com outro homem); e efeminado é quando o
homossexual faz o papel de passivo (ou seja, o de “mulher” na relação sexual
com outro homem) e, também, quando tem trejeitos femininos ou gosta de
vestir-se com roupas de mulher (no caso de travestis). [204]
O lesbianismo, que é a relação sexual homossexual entre
mulheres, enquadra-se na prática sexual abominável aos olhos
do senhor. “A palavra lésbica vem da ilha de Lesbos, na Grécia,
onde vivia uma poetisa e sacerdotisa chamada Safo. Ela
iniciava mulheres no homossexualismo (daí os adjetivos lésbica
ou mulheres sáficas)”. [205] Lesbianismo e homossexualismo
são a mesma coisa, justamente por ser relação com o mesmo
sexo. Lesbianismo, mulher com mulher, portanto
homossexualismo.
A tentativa da ideologia de gênero de tentar inverter o que
é natural na relação sexual é maligna, pois as Escrituras
claramente ensinam que o natural é homem se relacionarcom
mulher, e mulher com homem, não o oposto.
A tentativa do ativismo gay nos últimos anos tem sido
desconsiderar a ideia bíblica do casamento heterossexual.
Existe um projeto por parte dos ativistas gays de fazer com que
as gerações futuras concebam a homossexualidade como algo
natural. Sustentam a ideia de que os desejos homossexuais
são inatos e, por isso, afirmam que os comportamentos deles,
portanto, não podem ser considerados pecaminosos, por serem
inevitáveis. Um indivíduo homossexual, nesse sentido, não
pode deixar de ter comportamentos alheios ao que ele é por
natureza. Assim, um homem quando se relaciona com outro
homem, está se relacionando por uma questão natural. Porém,
a ciência, de maneira categórica, em nenhum lugar do mundo,
afirma que existe um gene gay, mas um único sistema chamado
XY de determinação do sexo.
Caio Fábio, ex-pastor presbiteriano, que teve um ministério
magnífico de 1981 a 1994, tem defendido a ideia que um
indivíduo pode nascer gay e, por isso, a sua homossexualidade
não é condenada por Deus. Nas entrelinhas, ele faz uma
distinção entre quem nasce gay e quem se torna gay. Caio tem
um filho homossexual. Segundo ele, em um determinado dia,
seu filho, depois de muitos anos, declarou a ele sua
homossexualidade dizendo: “Pai, eu tentei de todas as formas,
namorei com mulheres; fiz de tudo para que o desejo que eu
sentia por homens não prevalecesse em mim, mas não
consegui”. [206] Fundado nas palavras do filho, Caio Fábio
passou a enxergar a homossexualidade como uma condição
genética. [207] Ele sustenta que não é resultado da condição da
pecadora natureza humana, noutras palavras, resultado da
maldição de Deus sobre a raça humana por causa da Queda de
Adão.
Caio deve ter se esquecido que o homem se tornou o que
se tornou por ter desobedecido a Deus. Tais comportamentos
anormais passaram a existir por causa do rompimento do
homem com Deus em Adão (Rm 1.21-27). Deus puniu a Adão e
em Adão todos os seus descendentes (Rm 1.12). O homem
pós-adâmico é pecador por natureza (Sl 51.5 e 57.3). O seu
coração é desesperadamente corrupto (Jr 17.9). O pecado é
uma maldição. O comportamento homossexual é pecaminoso,
portanto, é uma maldição.
A homossexualidade masculina, segundo Betty Friedan —
uma das patronas do movimento feminista no século 20 —, está
associada ao papel exclusivo que a mulher exerce como
esposa e sua limitação ao lar. Eis o que ela escreveu:
O papel materno na homossexualidade foi esmiuçado por Freud e os
psicanalistas. Porém a mãe cujo filho se torna homossexual não é geralmente
emancipada, competindo com o homem no mundo, e sim o verdadeiro
paradigma da mística — uma mulher que vive através do filho, e cuja
feminilidade é virtualmente usada em seduzi-lo, prendê-lo a si, de tal modo
que ele jamais consegue amadurecer para amar outra mulher, ou enfrentar
sozinho a vida de adulto. O amor por outros homens disfarça o sentimento
proibido e excessivo pela mãe; o ódio e repulsa por todas as outras mulheres
é uma reação à única mulher que o impediu de se tornar homem. São
complexas as condições deste sentimento exagerado entre mãe e filho. Freud
escreveu: “Em todos os casos examinados observamos que os futuros
invertidos passam na infância por uma fase de intensa, mas curta fixação em
uma mulher (em geral a mãe) e depois de superá-la identificam-se com essa
mulher e transformam a si mesmos em objeto sexual, isto é, agindo em bases
narcisistas, procuram rapazes que se parecem com eles próprios fisicamente,
e a quem desejam amar como sua mãe os amou. [208]
Nos Estados Unidos da época de Friedan, a
homossexualidade masculina havia aumentado e muitas
perguntas foram feitas acerca da razão do aumentado da
homossexualidade masculina. Uma razão levantada foi a
“emancipação feminina”. Friedan combateu essa tese levantada
em seu escrito “Mística Feminina”; pois assim escreveu:
Segundo a mística, a masculinização da mulher americana, causada pela
emancipação, educação, iguais direitos, profissões, está produzindo uma raça
de homens cada vez mais femininos. Mas será esta a verdadeira explicação?
Para ser exato, as cifras de Kinsey não indicam aumento de
homossexualidade nas gerações que assistiram à emancipação da mulher. O
relatório Kinsey revelou em 1948 que 37% dos homens americanos haviam
tido pelo menos alguma experiência homossexual, que 13% eram
predominantemente homossexuais (durante três anos pelo menos, entre os
16 e os 35), e 4% exclusivamente homossexuais — cerca de 2.000.000 de
homens. Mas não havia evidência de que o grupo homossexual fosse maior
ou menor hoje do que nas gerações anteriores.
Tenha ou não havido um aumento de homossexualidade nos
Estados Unidos, a verdade é que nos últimos anos houve uma explosão
de suas mais francas manifestações. Não creio que isso se relacione
com a adoção nacional da mística feminina, que glorifica e perpetua, em
nome da feminilidade, uma imaturidade passiva, transmitida de mãe a
filhos. Os homossexuais — e também os dom juans, cuja compulsão
para provar sua potência é muitas vezes causada por uma
homossexualidade inconsciente — são, assim como as mulheres ávidas
de sexo, eternamente infantis, temerosos da velhice, agarrando-se à
mocidade em sua contínua procura de tranquilidade por meio da magia
sexual. [209]
“Baseando-se nas palavras de Freud, poderíamos dizer que
tal excesso de amor-ódio é quase implícito no relacionamento
mãe-filho, quando seu papel exclusivo de esposa e mãe e sua
limitação ao lar a forçam a viver através do filho”, [210] diz
Friedan. Ela cita Freud com intuito de dizer que a causa da
homossexualidade masculina crescente nos Estados Unidos no
século 20 devia a um fator psicossocial.
Portanto, o comportamento homossexual masculino e
feminino está associado há fatores externos à pessoa; na
percepção de Friedan, no que ela identificou como relação de
ódio-amor do filho com a mãe. Destarte, é certo dizer que não
só o gay do sexo masculino, mas também o do sexo feminino
passou por algum trauma que o fez adotar tal comportamento
na esfera sexual.
Não existe condição genética. Ninguém nasce gay. Os
cromossomos X e Y são chamados de cromossomos sexuais.
São eles quem definem o sexo. No sistema de determinação do
sexo, o genótipo [211] XY é do sexo masculino e o XX é o do
sexo feminino. Não existe portanto outro sistema genético
capaz de determinar outro sexo, como o homossexual.
Acerca dos “Cromossomos sexuais e herança genética:
Padrões de herança diferentes em homens e mulheres”, Maria
Graciete Carramate Lopes, licenciada pelo Instituto de
Biociências da USP e professora de ciências da Escola
Lourenço Castanha em São Paulo, escreveu:
Nas células da espécie humana existem 23 pares de cromossomos, dos quais
22 pares não apresentam diferenças entre machos e fêmeas e são chamados
de autossomos. Os dois outros cromossomos, chamados de heterossomos ou
cromossomos sexuais apresentam diferenças: enquanto as mulheres
apresentam dois cromossomos sexuais perfeitamente homólogos, que foram
denominados XX, os homens possuem um cromossomo X e um outro, não
totalmente homólogo a X, e que foi denominado Y.
Todos os gametas (óvulos) formados por meiose em uma mulher possuem o
cromossomo X, enquanto os homens podem formar gametas
(espermatozoides) que apresentam o cromossomo X e outros, que
apresentam o cromossomo Y. Por isso dizemos que as mulheres são o sexo
homogamético e os homens são o sexo heterogamético. [212]
A ideia de um suposto gene gay vem do cientista
americano Dean Hammer. Ele:
afirmava com "99,5% de certeza" haver encontrado indícios da existência de
um ou mais genes ligados à orientação sexual na região q28 do cromossomo
X (ou Xq28). Um segundo estudo, realizado pelo mesmo grupo dois anos
depois, chegou a resultados semelhantes. [213]
Contudo:
Em 1999 o canadense George Rice examinou amostras genéticas de 52
duplas de irmãos gays e disse não ter encontrado sinais de que algum gene
do Xq28 pudesse desempenhar qualquer papel relevante na orientação
sexual. Essa guinada forneceu munição pesadapara os céticos, que
procuraram desmoralizar totalmente o trabalho de Hammer. O americano
tentou argumentar que havia diferenças metodológicas importantes entre os
dois estudos (como a forma pouco criteriosa pela qual o grupo canadense
decidia quem era homossexual ou não), mas o estrago junto à opinião pública
já estava feito. Hammer mudou de área e foi estudar a genética da religião.
[214]
A Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, depois de
uma longa análise do genoma humano, passou a afirmar que
não existe um gene gay. A conclusão que os pesquisadores
chegaram foi de que o comportamento homossexual tem a ver
com fatores psicossociais. [215] Noutras palavras, tem a ver
com o ambiente que crescem. Portanto, há uma influência
externa determinante: um trauma.
Muitos jovens passam a considerar que são gays por
questões que se limitam ao meio em que viveram. Um
professor-pastor que tive no curso de teologia, formado em
Aconselhamento Pastoral nos Estados Unidos, em uma aula
nos informou acerca de um caso de um jovem que estava
vivendo uma crise de identidade em sua sexualidade. O
professor havia o recebido em seu gabinete pastoral. Depois de
várias sessões de aconselhamento o jovem declarou ao
professor-pastor que pensava ser gay. O pastor-professor
curioso indagou-o: Mas, qual a razão de você está se
considerando gay? Prontamente ele respondeu: tenho ouvido
que quem apara os pelos pubianos na região hipogástrica é
gay; eu costumeiramente aparo os meus, assim sendo, tenho
pensando — será que sou gay?
Quantas histórias como essa conhecemos. Jovens que
são estigmatizados por terem a voz fina, por cruzarem as
pernas, sendo conduzidos a pensar que são gays. Infelizmente
muitos se entregam a relação homossexual em função de
serem induzidos, até por pais, a partirem para a
homossexualidade. Ter voz fina, cruzar as pernas, achar um
homem bonito, não indica que alguém é gay. A sociedade às
vezes fabrica gays com esses comentários. Crianças que são
sugestionadas a adotarem a homossexualidade. Já parou para
pensar: que a voz fina, o cruzar as pernas, e tantas outras
coisas, associadas ao feminino pela sociedade, podem estar
associados ao meio em que as pessoas vivem? Não podemos
definir o comportamento sexual de alguém com base nesses
fatores. Tive um professor que tinha a voz fina, que cruzava as
pernas, que tinha todos os trejeitos afeminados, que era
homem; casado, pai de família. E tenho plena certeza que você
conhece muitos. Não podemos deixar as nossas impressões
definirem em nós o que o outro é.
O mundo do outro não deve nunca ser definido a partir do
nosso. A homossexualidade é presente na vida de muita gente
por razões psicossociais, mas, com certeza uma que tem sido
extremamente capaz de influenciar o comportamento
homossexual na vida de alguém tem sido os estigmas postos,
estigmas do tipo: fulano é gay! Veja como ela fala? Fulano é
gay! Veja como ele anda? Fulano é gay por ter dito que o Brad
Pitt é bonito, pois homem que é homem não acha outro homem
bonito, logo só pode ser gay. São essas e outras coisas que
têm embaralhado a cabeça de muitos jovens a questionarem a
sua sexualidade; e, por isso, muitos passam a viver indagando
a sua própria heterossexualidade.
Outra questão psicossocial é o abuso sexual na infância. A
maioria dos gays sofreu abuso sexual na infância ou algum
trauma envolvendo a identidade sexual que lhe é própria. Só
existe uma determinação genética do sexo, que é o sistema XY.
Em algumas espécies animais, incluindo a humana, a constituição genética
dos indivíduos do sexo masculino é representada por 2AXY e a dos gametas
por eles produzidos, AX e AY; na fêmea, cuja constituição genética é indicada
por 2AXX, produzem-se apenas gametas AX. No homem a constituição
genética é representada por 44XY e a dos gametas por ele produzidos, 22X e
22Y; na mulher 44XX e os gametas, 22X. Indivíduos que formam só um tipo
de gameta, quanto aos cromossomos sexuais, são denominados
homogaméticos. Os que produzem dois tipos são chamados de
heterogaméticos. Na espécie humana, o sexo feminino é homogamético,
enquanto o sexo masculino é heterogamético.
 [216]
Essa é a descrição cientifica para o único sistema genético
que existe, o sistema XY. Não há portanto um gene gay. Todo
veículo de comunicação que tenta induzir a sociedade a pensar
que o comportamento homossexual é inato, está sendo
mentiroso, pois não existe no mundo um cientista sequer que
sustente a existência de um gene gay com propriedade. Todos
usam argumentos vagos, sem consistência científica.
Deus criou um homem e uma mulher. O sistema genético
XY. Os cromossomos X e Y. Macho e fêmea. Alguém já disse:
“Deus não criou Adão e Ivo, mas Adão e Eva” (Gn 1.27; 2.21-
22). Brian Schwertley acerca disso escreveu:
No princípio Deus criou um homem (Adão) e uma mulher (Eva). Deus não
criou dois homens (e.g., Adão e Antônio) ou duas mulheres (e.g., Eva e
Tereza). Deus criou primeiro Adão do pó da terra; então criou Eva da costela
de Adão. Eva foi criada para ser esposa de Adão. A Bíblia diz que eles
estavam nus e contudo não se envergonhavam. A criação de Deus de um
homem e uma mulher para serem marido e esposa é o padrão ou paradigma
para a sanção de Deus das relações sexuais normais, morais e abençoadas.
“A união do matrimônio é ordenada por Deus, e estes preceitos sagrados não
devem ser poluídos pela intromissão de uma terceira parte, de qualquer sexo”
(F. F. Bruce).
[…] A Bíblia condena toda atividade sexual fora do casamento monogâmico e
heterossexual: homossexualismo, sexo antes do casamento, poligamia,
adultério, bestialismo e assim por diante. “Não deixeis que vos enganem com
palavras vãs”, diz Paulo, “porque é em razão destas coisas sobrevêm a ira de
Deus sobre os filhos da desobediência” (Ef 5.6). [217]
Contudo, se a ciência chegasse a conclusão com base na
genética que de fato existe um gene gay, como ficaria o
portador desse gene gay perante Deus? Ele seria livre para
praticar o que Deus abomina (Lv 18.22) por ter nascido com tal
disposição? Em nome de uma condição inata poderia ceder às
inclinações homossexuais que seriam causas naturais do seu
ser? Ou teria que se abster delas em nome do que a Palavra de
Deus ensina? É certo dizer que existem inúmeros desejos
pecaminosos que tomam conta do ser humano por ser ele
pecador, contudo, a recomendação bíblica é: mortificar os feitos
do corpo, os desejos pecaminosos da carne (Rm 8.13).
O ser humano nasce pecador, não se torna pecador
quando peca, mas peca por ter nascido pecador (Sl 51.5; 58.3);
portanto, é natural o ser humano desejar e praticar
abominações perante Deus (Rm 3.12-18; 1.26-27). Porém, o
que é natural em função de ser o ser humano — o que é — não
significa que ele pode se render aos desejos escusos da sua
vontade pecaminosa e tornar-se alvo do amor de Deus, uma
vez que Deus abomina as obras da carne (Gl 5.19-21). Deste
modo, o comportamento homossexual que é condenado por
Deus, sendo resultado de uma condição natural, ou não, deve
ser resistido. Os efeminados e os sodomitas não herdarão o
reino dos céus (1Co 6.9), afirma a Palavra de Deus. A questão
está portanto no que Deus definiu e não no que o homem
entende ser inato. O casamento deve ser heterossexual, pois
Deus fez o homem e a mulher para que viessem a se tornar
uma só carne por meio do casamento. Na perspectiva de Deus,
tanto não crentes quanto crentes devem adotar o casamento
heterossexual. A ordem natural impregnada na natureza é que
macho deve se envolver com fêmea. Relação entre pessoas do
mesmo sexo é inatural, vai contra a ordem natural.
Portanto, o casamento gay é condenado por Deus. A
sociedade pode aprovar, contudo, a palavra de Deus reprovará,
como reprova. O casamento possui uma peculiaridade na
perspectiva de Deus, a manutenção da espécie humana. O
sexo praticado fora do casamento é pecado, por isso, é por
meio do casamento, de acordo com a Bíblia, que a espécie
humana é mantida, multiplicada (Gn 1.26). Tanto o casamento
de um homem com outro homem, quanto de uma mulher com
outra mulher,não poderão cumprir o mandato social [218] dado
por Deus a Adão e a Eva e, por conseguinte, aos seus
descendentes, pois só homem possui espermatozoide e só
mulher possui ovário e útero, a união perfeita para que a raça
humana continue crescendo e multiplicando. O casamento
homossexual é um mal a espécie humana, pois a põe na
estrada da sua própria extinção: homem com homem não
consegue procriar; assim como mulher com mulher. Portanto,
se o mundo se tornasse homossexual, em um curto tempo a
raça humana deixaria de existir, por isso tal prática é inatural.
CAPÍTULO 3: O CASAMENTO NA
PERSPECTIVA DE DEUS
A Bíblia é a Palavra de Deus (2Tm 3.16-17; 2Pe 1.20-21).
De acordo com Paulo e Pedro, é a revelação de Deus. Deste
modo, Deus se revelou por meio dela. Portanto, o que a Bíblia
ensina acerca do casamento é o que Deus requer.
A. A. Hodge falando das Escrituras afirma:
... a Escritura ensina de fato um perfeito sistema de doutrina e todos os
princípios necessários à regulamentação prática das vidas dos indivíduos, das
comunidades, das igrejas. Quanto mais diligentes forem os homens no estudo
da Bíblia e mais frequentemente puserem em prática as suas instruções, tanto
menos lhes será possível crerem que qualquer item da regra perfeita é
incompleto quando àquilo que o homem deve crer a respeito de Deus, e dos
deveres todos que Deus requer do homem. [219]
A palavra usada pelo apóstolo Paulo ao se referir às
Escrituras inspiradas no texto de 2Timóteo 3.16 é
“theopneustos” formada de “theos”, “Deus”, e “pneuma”,
“respirar, soprar, inspirar”. Significa literalmente respirado por
Deus. Traduz a ideia de algo divinamente soprado para fora, ou
seja, exaltado de Deus ou fôlego de Deus. Derek Williams faz
alocução ao elucidar esse texto “do exercício do poder de
Deus”. [220] Vincent Cheung faz um belo comentário do texto de
2Timóteo 3.16. Eis o comentário:
A implicação é tremenda. A Escritura não contém mera opinião humana e
nem mesmo a interpretação humana da revelação divina, mas ela veio
“diretamente” de Deus, por assim dizer, e dessa forma, não há diferença entre
o que a Escritura diz e o que Deus pensa ou o que Deus diz. A Escritura é o
que Deus pensa e o que Deus diz. Esse sendo o caso, não há diferença entre
a autoridade de Deus e a autoridade da Escritura. Entender a Escritura é
entender a mente e a vontade de Deus, e desobedecer a Escritura é
desobedecê-lo. Assim como alguém não pode permanecer diante de Deus e
dizer: “Eu te obedecerei, mas não obedecerei ao que tu dizes” — visto que
obedecer ou desobedecer um é obedecer ou desobedecer o outro — ninguém
pode dizer: “Eu obedecerei a Deus, mas não a Bíblia”, pois não há diferença.
[221]
No entendimento de Vincent Cheung, temos que entender
o “toda Escritura foi inspirada por Deus” considerando que
Paulo estava fazendo referência aos escritos do Antigo
Testamento e aos que Deus estava concedendo aos apóstolos,
inclusive o que ele estava encaminhando a Timóteo. Assim
elucida Vincent:
Paulo escreve que “Toda Escritura é o sopro de Deus”. Há algum debate
sobre a tradução correta de “Toda Escritura”. Certamente, devemos sempre
aspirar a tradução mais precisa, mas os perigos de outras traduções para a
frase têm algumas vezes sido exagerados. Que a traduzamos como “toda
Escritura” ou “cada Escritura” não faz nenhuma diferença essencial — a
primeira declara que a Escritura como um todo é inspirada, e a última declara
que cada parte da Escritura é inspirada. De qualquer maneira, tudo da
Escritura e cada parte dela é o sopro de Deus. É, portanto, irracional assumir
que Paulo deve se referir somente ao Antigo Testamento quando ele diz “Toda
Escritura”. Como Robert Reymond escreve, Paulo estaria disposto a incluir e
“quase certamente incluiu, dentro da categoria técnica de ‘toda Escritura' os
documentos do Novo Testamento, incluindo os seus, também”. Visto que os
documentos do Novo Testamento são considerados como inspirados e até
mesmo chamados de “Escritura”, podemos com certeza considerá-los como o
“sopro de Deus”. Tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento são
“Escritura”, e eles constituem um livro que é a nossa Bíblia. Portanto, não há
problema em se considerar o versículo como afirmando: “A Bíblia inteira é o
sopro de Deus”. De fato, não há escusa para pensar de outra forma. [222]
Destarte, Deus inspirou, ou seja, soprou a sua palavra a
homens por Ele escolhidos, e pelo Espírito Santo foram
movidos para escrever as palavras sopradas por Ele (2Pe
1.21).
A perspectiva de Deus em relação à vida é a revelação que
foi registrada, isto é, a Bíblia Sagrada, as Santas Escrituras.
Deste modo, a verdade de Deus no que tange a vida de modo
geral é o que a Bíblia ensina. Deste modo, o casamento na
perspectiva de Deus é o casamento bíblico.
O CASAMENTO BÍBLICO
E como é o casamento bíblico? É monogâmico,
heterossexual e de jugo igual, isto é, entre um homem e uma
mulher. Assim corrobora Brian Schwertley:
Monogâmico e heterossexual, o casamento é a única maneira de se ter sexo
sem pecado e culpa. “Honrado entre todos seja o matrimônio, e o leito
[matrimonial] sem mácula; mas Deus julgará os fornicadores e adúlteros” (Hb
13.4 [todas as versões NKJV]). Qualquer coisa contrária a ordenança da
criação do casamento entre um homem e uma mulher é pecaminoso e
inaceitável perante Deus. [223]
Analisaremos, a seguir, as três questões que abarcam o
casamento bíblico, a saber: a monogamia, a
heterossexualidade e o jugo igual. Vejamos:
O CASAMENTO BÍBLICO É MONOGÂMICO
Deus criou o casamento. O casamento, portanto, nasceu
no coração de Deus; foi Deus que criou o homem e a mulher e
os uniu por meio do casamento (Gn 1.27 e 2.21-24). Não há
relato de duas mulheres sendo criadas para o homem, mas de
uma mulher; também não há relado de dois homens, mas de
um, portanto, o casamento criado por Deus é monogâmico.
No dizer de João Calvino: “O Senhor quando instituiu o
matrimônio... também [o] santificou com sua bênção”. [224] O
casamento que foi criado e é abençoado por Deus é entre um
homem e uma mulher. O texto de Gênesis 2.24 que diz “Por
isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne” foi reproduzido por Jesus
em Mateus 19.5, ou seja, o casamento válido para Deus é o
casamento monogâmico, justamente por ser entre um homem e
uma mulher. O texto diz “deixa o homem e se une a sua
mulher”; não diz “deixa o homem e se une as suas mulheres”.
As partes finais dos versos em questão, isto é, Gênesis 2.24 e
Mateus 19.5 reforçam a monogamia, pois dizem: “tornando-se
os dois uma só carne”. Os dois, e não três, ou quatro, devem
tornar uma só carne.
Portanto, a apologia que Engels faz a poligamia e a
poliandria em sua obra A origem da família, da propriedade
privada e do Estado, como exposto na introdução, é uma
tentativa de perverter os valores de Deus para o casamento.
Portanto, escreveu Calvino:
[...] se os cônjuges reconhecem que sua união é abençoada pelo Senhor,
sejam por isso admoestados a que se não deve ela conspurcar por imoderada
e dissoluta concupiscência... Pelo que, não pensem os cônjuges que tudo
lhes é lícito; pelo contrário, tenha cada um sua esposa sobriamente e, por sua
vez, a esposa o marido, assim agindo para que não admitam nada indigno da
honorabilidade e da moderação do matrimônio. [225]
A relação conjugal, portanto, limita o sexo aos cônjuges.
Deste modo, destaca-se em Calvino um dos propósitos do
casamento que é evitar a concupiscência. Mas houve homens
na Bíblia que tiveram mais de uma mulher? Verdade! A questão
é: “Estavam andando de acordo com o proposto por Deus no
Éden [no Princípio]?”. Claro que não! A poligamia passou a
fazer parte da vida dos homens depois do pecado.
Ela negava o Princípio do marido e a esposa serem uma única carne
(Gn 2.24; Mt 19.5), e levou a muitos problemas conjugais. Tanto Abraão
como Jacó sofreram muitas tristezas por causa disso (Gn 21.9ss.; 30.1-
24), e Davi e Salomão se desviaram por causa de suas esposas pagãs
(2Sm 5.13; 1Rs 11.1-3). Somente através da monogamia é possívelevitar o ciúme dentro da família e ilustrar corretamente o relacionamento
de CRISTO com o crente (Ef 5.23ss.). [226]
Norman Geisler e Thomas Howe escreveram:
A monogamia é o padrão de Deus para os homens. Isso está claro nos
seguintes fatos: (1) Desde o princípio Deus estabeleceu este padrão ao criar o
relacionamento monogâmico de um homem com uma mulher, Adão e Eva (Gn
1.27; 2.21-25). (2) Esta ficou sendo a prática geral da raça humana (Gn 4.1),
seguindo o exemplo estabelecido por Deus, até que o pecado a interrompeu
(Gn 4.23). (3) A Lei de Moisés claramente ordena: “Tampouco para si
multiplicará mulheres” (Dt 17.17). (4) A advertência contra a poligamia é
repetida na própria passagem que dá o número das muitas mulheres de
Salomão (1Rs 11.2): “Não caseis com elas, nem casem elas convosco”. (5)
Jesus reafirmou a intenção original de Deus ao citar esta passagem (Mt 19:4)
e ao observar que Deus “os fez homem e mulher” e os juntou em casamento.
(6) O NT enfatiza que “cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o
seu próprio marido” (1Co 7.2). (7) De igual forma, Paulo insistiu que o líder da
igreja deveria ser “esposo de uma só mulher” (1Tm 3.2-12). (8) Na verdade, o
casamento monogâmico é uma prefiguração do relacionamento entre Cristo e
sua noiva, a Igreja (Ef 5.31-32). [227]
Ainda, Norman e Thomas ressaltam:
A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob
circunstância alguma. De fato, a Bíblia revela que Deus puniu severamente
aqueles que a praticaram, como se pode ver pelo seguinte: (1) A primeira
referência à poligamia ocorreu no contexto de uma sociedade pecadora em
rebelião contra Deus, na qual o assassino “Lameque tomou para si duas
esposas” (Gn 4.19,23). (2) Deus repetidamente advertiu polígamos quanto às
consequências de seus atos: “para que o seu coração se não desvie” de Deus
(Dt 17.17; cf. 1Rs 11.2). (3) Deus nunca ordenou a poligamia — como o
divórcio, ele somente a permitiu por causa da dureza do coração do homem
(Dt 24.1; Mt 19.8). (4) Todo praticante da poligamia na Bíblia, incluindo Davi e
Salomão (1Cr 14.3), pagou um alto preço por seu pecado. (5) Deus odeia a
poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família
(cf. Ml 2.16). [228]
Deste modo, concluímos destacando que a relação sexual
que começa no casamento [entre um homem e uma mulher]
limita-se a um homem e uma mulher. O que Engels propõe é
uma desconstrução do princípio do casamento judaico-cristão,
isto é, a monogamia. Pois, quando ele afirma que “existiu uma
época primitiva em que imperava, no seio da tribo, o comércio
sexual promíscuo, de modo que cada mulher pertencia
igualmente a todos os homens e cada homem a todas as
mulheres”, [229] está sugerindo a violação do que Deus instituiu.
O CASAMENTO BÍBLICO É HETEROSSEXUAL
Já sabemos que o casamento bíblico é heterossexual.
Portanto, mesmo que projetos de lei sejam aprovados a favor
do casamento homossexual [pessoas do mesmo sexo] não
significa que teremos que aceitá-lo como sendo a verdade de
Deus para o casamento. No entanto, não devemos ser rudes,
ásperos com casais gays, pois Deus nos chama a ser
proclamadores da paz e não da guerra (Mt 5.9).
A igreja deve anunciar às boas novas da salvação. Ela
nunca deve se render a mentira, como também nunca deve se
render à guerra. Ela nunca deve se utilizar de paus e pedras
com intuito de machucar ninguém. Jesus nos ensina a abraçar
o pecador e não a apedrejá-lo. Ou você se esqueceu da mulher
adúltera? Lembre-se: ela foi pega em adultério pelos fariseus. A
lei dizia que ela deveria ser apedrejada, como bem
reproduziram perante Jesus (Jo 8.4-5). Os senhores fariseus já
estavam prontos para apedrejá-la; contudo, Jesus os
interrompeu, ensinando-os que o melhor caminho para se tratar
o pecador é o amor, o abraço, o estender a mão (Jo 8.7-11).
Digo isso pela razão de ver pessoas que se dizem cristãs
dando pedradas em pessoas que necessitam de ajuda e não de
pedradas. O pecador precisa encontrar-se com Jesus. Precisa
mudar de rumo, de caminho e encontrar-se com Jesus. O
pecado escraviza pessoas (Jo 8.34-36). Pessoas pecam
freneticamente por serem escravas do pecado (v. 34-35).
Conquanto, é certo dizermos o que a Bíblia ensina. O que
Deus prescreveu. Portanto, existem dois lados aqui: primeiro, o
lado da necessidade de expormos a verdade; segundo, o lado
de sabermos expor essa verdade. A verdade deve ser exposta
sem agitação, sem promover estardalhaços, pois ela fala por si
mesma. Proclamar a verdade é o papel da Igreja de Cristo,
portanto, todas as decisões tomadas pelo judiciário, seja no
Brasil, ou em qualquer outro lugar do mundo, favoráveis ao
casamento gay, devem ser vistas pela igreja como uma afronta
a Deus e Sua Santa Palavra.
Sabemos, como já elucidado, que projetos de Lei tramitam
no Congresso Nacional Brasileiro a favor do casamento gay.
Sabemos que a Suprema Corte americana legalizou o
casamento homossexual. Porém, não podemos, em nome
disso, nos calarmos, cruzarmos os braços e dizermos: “tá tudo
bem!”. Pois as Escrituras nos ensinam que a função da Igreja é
proclamar a salvação; é chamar o pecador ao arrependimento.
Assim escreveu Paulo aos Romanos 10.11-15:
11 Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido.
12 Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o
Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.
13 Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
14 Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão
naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
15 E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão
formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!
Destarte, anunciaremos ao mundo que o casamento que
Deus aprova é entre um homem e uma mulher, pois Deus criou
os seres humanos "macho e fêmea". “DEUS criou uma Eva
para Adão e não um Ivo”.
O contexto no qual a mulher foi criada [...] tem a ver com necessidade,
complementaridade, companhia, atração e até oposição (uma contraparte), de
acordo com o vocabulário utilizado em hebraico. O homem foi levado a
nomear os animais, mas segundo o texto, “não se encontrou para o homem
alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse” (Gn 2.20). A tradução
correspondesse foi dada ao termo (neged). Que inclui o sentido de oposição,
contraparte, companheira, alguém contra, que lhe mostre o outro lado, outro
ponto de vista. Não para por aí. O trocadilho com as palavras homem e
mulher em hebraico (ish e ishah) fazem com que a aliança seja estabelecida
entre eles a fim de originar a humanidade. [230]
Oposto indica diferente, ou seja, outro sexo, isto é, outro
gênero. Deus criou do homem a mulher “oposta” no sentido de
ser “não homem”, isto é, macho; para que nesse outro sexo, o
homem se encontrasse. A mulher, portanto, é “outro” sexo,
gênero, criado para relacionar-se com o sexo que já havia sido
criado, isto é, o sexo masculino. É claro no Gênesis que Deus
criou o casamento heterossexual. Não há dúvida disso. Assim,
pode a justiça legalizar o casamento gay, mas Deus nunca
aprovará; Deus nunca assinará embaixo. O casamento
homossexual é contra, como já disse, a natureza. É um inimigo
da espécie humana já que a procriação só é possível entre
casais heterossexuais.
O falecido médico, Enéas Ferreira Carneiro, em uma
entrevista à jornalista Marília Gabriela afirmou:
O comportamento homossexual masculino ou feminino fere as leis da
natureza. Ele é uma variante [...] espúria. A natureza fez homens e mulheres
para procriarem. Se a homossexualidade for estimulada a um ponto em que a
maioria da população se torne homossexual — eu pergunto: Quanto tempo
durará a espécie humana? Ao que eu saiba homens com homens e mulheres
com mulheres não procriam. [...] A homossexualidade é uma aberração da
natureza. Eu sou professor de medicina para deixar bem claro a função. Eu
não aprendi lendo jornais e nem vendo notícias; eu estudei. Passei a minha
vida inteira estudando; eu sei exatamente do que eu estou falando: os
indivíduostêm cromossomos XY. XY são homens e XX são mulheres. Não
adianta tentar colocar silicone, injetar hormônios, e fazer toda essa
metamorfose externa. O fenótipo se modifica, mas o genótipo é o mesmo.
Homem é homem e mulher é mulher querendo ou não. Ele [homem] pode ter
todas as atividades, inclusive os atributos externos de mulher, mas se alguém
tirar uma célula do corpo dele e tiver o mínimo de informação científica vai ver
que ele continua sendo homem. [231]
O Tribunal de Estrasburgo, na França, se reuniu para votar
a favor ou contra o casamento gay. Eram “47 juízes dos 47
países do Conselho da Europa, que compõem o Tribunal de
Estrasburgo (o tribunal mais importante sobre direitos humanos
do mundo)”. [232] A decisão foi unânime contra o casamento
homossexual. Enquanto a Suprema Corte americana votou a
favor, o Tribunal de Estrasburgo votou contra, entendendo que
o casamento gay ou homossexual é contra a natureza.
O parecer foi baseado em uma série de recitais filosóficas e antropológicas
baseadas na ordem natural, senso comum, relatórios científicos e, claro, no
direito positivo. Neste último principalmente a sentença foi baseada no artigo
nº 12 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Esse artigo é
equivalente aos artigos dos tratados de direitos humanos, como é o caso de
17° do Pacto de San Jose e nº 23 do Pacto Internacional sobre os Direitos
Civis e Políticos. Na resolução histórica, o Tribunal decidiu sobre o que
realmente é a família. “O conceito tradicional de casamento, ou seja, a união
de um homem e uma mulher”. [233]
O princípio da relação marital natural foi invocado: relação
heterossexual. Graças a Deus por essa decisão. Louvemos ao
Senhor.
O CASAMENTO BÍBLICO É DE JUGO IGUAL
O casamento bíblico, como vimos, é monogâmico e
heterossexual; conquanto, resta destacar, que ele é celebrado
entre pessoas que comungam a mesma fé, por isso, é de jugo
igual.
Assim escreveu o Rev. Angus Stewart:
1Coríntios 7.39 ordena que se um cristão for se casar, deve fazê-lo “somente
no Senhor”. Obviamente isso proíbe o casamento com incrédulos e, portanto,
namorá-los, pois o propósito do namoro é verificar se é a vontade de Deus
que você se case com aquela pessoa. O pecado de cristãos professos
namorando e se casando com incrédulos levou à apostasia da igreja existente
antes do dilúvio e à destruição do mundo antigo pelo dilúvio (Gn 6.1-2)! [234]
Existe uma grande discussão acerca de quem seriam os
“filhos de Deus" de (Gn 6.2). Uns acreditam que se trata de
anjos, e outros, que se trata de homens: descendentes de Sete
[filhos de Deus] que se envolveram com as filhas dos homens,
descendentes de Caim, portanto, ímpias. [235] Eu fico com a
posição que ensina que os filhos de Deus são os descendentes
de Sete que se envolveram com as filhas dos homens —
descendentes de Caim.
Talvez você esteja se perguntando: “Mas qual a razão de
alguns pensarem ser “os filhos de Deus” anjos? Existe um livro
apócrifo que circulava no primeiro século, que endossa a visão
de que os “filhos de Deus” em Gênesis 6.2 são anjos que se
envolveram sexualmente com as “filhas dos homens”
[mulheres] chamado Livro de Enoque. Judas faz menção desse
Livro em sua carta (v. 14); daí a razão de alguns pensarem
assim. Outra razão é que em alguns textos do Antigo
Testamento anjos são chamados “filhos de Deus”. Só para
exemplificar, Jó 1.6.
No entanto, no caso da carta de Judas, penso que Judas
está tratando não do episódio relatado em Gênesis 6.2, mas da
Queda de Satanás e dos anjos que caíram com ele, pois
sustentar que houve uma segunda Queda de anjos, e que esta
Queda se deu por eles terem se envolvido sexualmente com
mulheres, é insustentável diante das palavras de Jesus, uma
vez que ele ensina, em Mateus 22.30, que os anjos são
assexuados: "Na ressurreição, as pessoas não se casam nem
são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu".
Aqui Jesus, indiscutivelmente, ensina que os anjos são
assexuados.
Portanto, fica difícil pensar na possibilidade dos “filhos de Deus”, em
Gênesis 6.2, serem anjos. Penso que o texto faz referência aos
descendentes de Sete [filhos de Deus], como já explicitado, que se
envolveram com as descendentes de Caim [filhas dos homens]. O
povo de Deus se envolvendo com os ímpios. Caim é taxado de filho
do Maligno em 1João 3.12.
Uma outra dificuldade é pelo fato das Escrituras
apresentarem os anjos como espíritos (Hb 1.14); espíritos não
possuem uma forma original. Deste modo, como anjos teriam
se envolvido com mulheres? Por meio da transfiguração?
Teriam se transformado em humanos, com órgão sexual? Ou
possuído homens? Penso que ambas as possibilidades seriam
difíceis, pois o próprio Cristo teve que se encarnar para tornar-
se humano. Deus na pessoa do Filho [Jesus] nasceu de uma
mulher, foi humanamente gestado no ventre de Maria por obra
do Espírito Santo (Mt 1.18). Assim sendo, fica difícil aceitar que
os anjos possuíam a habilidade de se tornarem humanos como
num passe de mágica.
A alternativa da possessão fica também difícil de aceitar,
pois os adeptos dessa linha defendem que da relação dos anjos
com as mulheres nasceram os Nefilins (gigantes) — seres
híbridos, mistura de humanos com anjos (Gn 6.4) —, que
deixaram de existir depois do dilúvio, pois o dilúvio, segundo
essa interpretação, aconteceu com a finalidade de eliminá-los.
Contudo, Gênesis 6.5 ensina que foi por causa da maldade do
homem ter se multiplicado na terra que Deus anunciou o dilúvio
(Gn 6.11-17). Possessão é possuir a mente, é utilizar o corpo
(Mc 5.1-9), mas não transmitir por meio dela [no caso em
questão] a essência do possuidor. Os anjos, portanto, poderiam
ter possuído homens para que eles se envolvessem com
mulheres, mas não poderiam transmitir sua essência. Pelas
razões mencionadas, acho complicado associar os anjos
presos em prisão, de Judas 6, por ter Judas citado o Livro de
Enoque, com “os filhos de Deus”, de Gênesis 6.2.
A questão da designação de anjos com “filhos de Deus”
em alguns textos do Antigo Testamento não pode nos fazer
pensar que Gênesis 6.2 também se trata de anjos, pois cada
texto tem seu contexto. Não podemos ferir o contexto em que a
expressão “tomaram para si mulheres” está inserida, uma vez
que tal expressão indica que “os filhos de Deus” se envolveram
sexualmente com mulheres e, como vimos, anjos não podem
fazer sexo, pois são assexuados (Mt 22.30).
Em suma, Gênesis 6.2 trata-se do povo de Deus se
envolvendo com ímpios, pagãos. Por isso, devemos entender
que uma das razões de Deus ter punido a humanidade com o
dilúvio foi o casamento de crentes com descrentes; o jugo
desigual. Deus não aprova o casamento de crentes com
descrentes.
O Rev. Angus Stewart exorta destacando:
Desobedecer ao mandamento de Deus casando-se (ou namorando) um não-
cristão é uma das diversas maneiras pelas quais um(a) filho(a) de Deus
coloca sobre seus ombros (o doloroso) jugo desigual: “Não vos ponhais em
jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a
justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2Co 6.14).
Dessa forma, diz a Confissão de Fé de Westminster: “A todos os que
são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar, mas é
dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam
a verdadeira religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas
ou outros idólatras; nem os piedosos prender-se a jugo desigual por
meio do casamento com os que são notoriamente ímpios em suas vidas,
ou que mantêm heresias perniciosas” (XXIV:III). [236]
Ele ainda esclarece dizendo:
Mas e se alguém for salvo após ter se casado, e Deus não tiver convertido a
outra parte, seja esposo ou esposa; ou, o que dizer se um cristão se casar,
pecando, com um incrédulo? Isso significa que eles deveriam se divorciar?
Não! “Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula,
e esta consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem
marido incrédulo e este consente em viver com ela, não deixe o marido” (1Co
7.12-13). [237]
Volto a dizer:“uma das razões de Deus ter punido a
humanidade com o dilúvio foi o casamento de crente com
descrente”. A quantidade de moças casando com rapazes que
não professam fé em Jesus, em nosso tempo, tem aumentado.
Moças crentes que infelizmente têm casado com rapazes
descrentes. Rapazes crentes também casando com moças
descrentes. Deus não aprova o casamento misto. Deus não
abona o casamento do crente com um descrente. Portanto, se
você moça, se você rapaz, que está prestes a casar com um
descrente, se casar, saiba: “Deus não estará assinando
embaixo, ou seja, aprovando”
Finalizarei essa parte acerca do casamento bíblico destacando que
o manual de conduta do cristão não é a Constituição Brasileira; a
americana; a ideologia de gênero; e muito menos os ensinos
marxistas; mas a Bíblia. A Bíblia é a verdade de Deus. A bússola
moral do cristão. Assim escreveu Paulo aos Filipenses: “Finalmente,
irmãos, tudo o que é verdade, tudo o que é respeitável, tudo o que é
justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é da boa
fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que
ocupe o vosso pensamento” (4.8).
Dr. Martin Lloyd-Jones comenta este verso e diz: O problema que é proposto
a nós por este particular texto é todo o problema de relacionamento entre o
cristianismo e a cultura. Agora eu tenho certeza que muitos, senão a maioria
do povo cristão, está interessada nessa questão, porque ela é de real
significado e importância. Em vista de tudo isto, eu sugeriria a você o que
Paulo estava dizendo aos filipenses: Todo o seu pensamento e todas as suas
ações devem ser controlados pelo evangelho. Todo pensamento deve ser
trazido em sujeição a ele. Que toda a nossa vida seja um tributo e um
testemunho ao louvor do nosso Redentor. [238]
NO CASAMENTO BÍBLICO, HOMEM E MULHER SÃO
IGUAIS DESIGUAIS
No dizer de Ivone Botelho:
O casamento pode ser a mais feliz ou infeliz das experiências da vida. As
pessoas se casam porque se amam e querem estar juntas e felizes. Quando
Deus criou o homem e a mulher, os criou para se complementarem. São
cooperadores iguais em valor diante de Deus. [239]
O Rev. Brian Abshire assim escreveu: “As mulheres
compartilham igualdade de honra com os homens, mas têm
funções diferentes: ‘… dando honra à mulher… como sendo
vós os seus coerdeiros da graça da vida” (1Pe 3.7). [240]
Portanto, homens e mulheres são iguais em honra, mas
diferentes quanto às funções que devem desempenhar no
casamento. São iguais em honra, conquanto existem diferenças
no tocante a maneira de enxergar a vida, o mundo.
Hernandes Dias Lopes em Casados & felizes escreveu:
O homem é muito diferente da mulher. Ele tem uma cosmovisão
profundamente distinta da cosmovisão da mulher. O homem vê as coisas, as
sente e interpreta de forma diferente da mulher. Alguns escritores
contemporâneos tentam descrever essa diferença entre o universo masculino
e o feminino pelo título provocante de seus livros: O homem é de Marte, a
mulher é de Vênus. Por que os homens mentem, e as mulheres choram? Por
que os homens fazem sexo, e as mulheres fazem amor? [241]
Ele continua agora destacando as características que
diferem o homem da mulher:
Deus fez a mulher diferente do homem, embora a partir deste. Deus é criativo,
e Sua criação expressa Sua bondade e esplêndida sabedoria. Cada pessoa é
um universo singular. Cada pessoa do Universo tem impressões digitais
únicas. Uma das caraterísticas que diferem o homem da mulher é que esta é
atraída pelo que ouve, e o homem é despertado pelo que vê. Dessa forma, a
mulher deve ser mais atenta com sua apresentação pessoal, e o homem,
mais cauteloso com suas palavras. [242]
Conquanto, Tim LaHaye adverte:
O casamento pode ser a mais feliz, ou a mais medíocre, ou a mais infeliz das
experiências da vida. Deus criou os sexos opostos para se complementarem.
Ele quis que homem e mulher se unissem em matrimônio de modo que cada
um pudesse dar ao outro aquilo que falta. [243]
Em síntese, as diferenças pertinentes ao modo de enxergar
o mundo não estabelecem inferioridade ou superioridade do
homem perante a mulher, pois homem e mulher têm a mesma
dignidade diante do Senhor.
Na Bíblia, apesar da distinção de funções que dão a aparência de
inferioridade da mulher, na realidade a mulher é tratada com consideração e
respeito. E quando surgiram mulheres capazes, não foram impedidas de
projetar-se na sociedade. Exemplos disso vemos em Débora, que governou
Israel como juíza e autoridade máxima (Jz 4.4,5); Abigail, que foi superior a
seu marido Nabal. Num impasse criado entre Davi e Nabal, a prudência e a
habilidade de Abigail conquistaram a admiração de Davi e o demoveram de
destruir sua família (1Sm 25); Ester, escrava judia, tornou-se rainha e arriscou
sua vida para impedir a destruição de seu povo (Et 4 e 7); e Priscila, descrita
como mulher cristã, firme na fé e na doutrina, foi capaz de, com seu marido,
ensinar a um pregador a melhor doutrina (At 18.26). Ademais, com seu
marido, Priscila arriscou sua vida para proteger a do apóstolo Paulo (Rm
16.3,4). [244]
Nitidamente percebemos a Bíblia dignificando a mulher. A
palavra idônea destaca que a mulher é igual ao homem quanto
ao ser, portanto, não há distinção em relação ao ser do homem
e da mulher como ensinava Aristóteles.
Aristóteles ensinava que a mulher é um homem inferior e
que a sua função na criação era procriar. Acerca da visão de
Aristóteles, Simone de Beauvoir escreveu:
Aristóteles imagina que o feto é produzido pelo encontro do esperma com o
mênstruo; nessa simbiose a mulher fornece apenas uma matéria passiva,
sendo o princípio masculino, força, atividade, movimento, vida. E essa
também a doutrina de Hipócrates que reconhece duas espécies de sêmens:
um fraco ou feminino e outro forte, masculino. A teoria aristotélica perpetuou-
se através de toda a Idade Média e até a época moderna. [245]
A desvalorização da mulher na filosofia grega chegava ao
extremo: Pitágoras chegou a dizer que a mulher teria surgido
das trevas; absurdos como esse sustentavam a filosofia grega.
[246] Entretanto essa não é a visão da Bíblia, pois a Bíblia diz
que a mulher foi criada por Deus, assim como o homem (Gn
1.27). Adão logo após a formação da mulher faz uma
declaração referindo-se a ela: “Esta, afinal, é osso dos meus
ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto
do varão foi tomada” (Gn 2.23).
A palavra “varoa” vem do hebraico “ishah” e indica que
Adão havia percebido que ela havia sido tirada dele. Essa
confissão de Adão atesta a igualdade no tocante ao ser do
homem e da mulher.
O homem, portanto, não é superior a mulher como
afirmava o Marquês de Sade. [247] Francis Schaeffer destaca a
visão de Sade em A morte da razão falando da moralidade
moderna com as seguintes palavras:
O homem é mais forte que a mulher. A natureza assim o fez. Portanto o
macho tem o direito de fazer da fêmea o que lhe apraz. A ação por que Sade
foi posto em prisão, tanto sob a monarquia como sob a República — tomar
uma prostituta e resgatá-la para seu próprio prazer — era de natureza "reta e
própria". É disso que derivou nosso termo sadismo. Contudo, cumpre não
esquecer que o mesmo se relaciona com um conceito filosófico. O sadismo
não é o simples prazer em torturar alguém, fazê-lo sofrer. Implica em que o
que é, é certo e o que a natureza decreta em plena força é totalmente próprio
e justo. [248]
Sade defendia que o homem é superior à mulher e, por
isso, entendia que o homem podia fazer o que bem entendesse
com uma mulher; foi em nome da filosofia da superioridade do
homem sobre a mulher que ele resolveu abusar de uma mulher.
Infelizmente ideias malignas como essa às vezes tomam conta
da sociedade. Por isso precisamos dizer que a Bíblia apresenta
o homem e a mulher como sendo iguais.
O feminismo tenta colocar a mulher em uma condição de
ser superior ao homem. Assim escreveu Simone:
Os defensores da mulher esforçam-se, em resposta, por demonstrar sua
superioridade. Eis alguns dos argumentos em que se apoiaram, até o século
XVII, os apologistas dosexo fraco: "A mulher é superior ao homem porque:
Materialmente: Adão foi feito de barro e Eva de uma costela de Adão. Pelo
local: Adão foi criado fora do paraíso, Eva dentro do paraíso. Pela concepção:
A mulher concebeu Deus, o que o homem não pôde fazer. Pelo aparecimento:
Cristo depois da morte apareceu a uma mulher, Madalena. Pela exaltação:
Uma mulher foi exaltada acima do coro dos anjos, a bem-aventurada Maria. . .
" [249]
Entretanto, biblicamente o homem não é superior à mulher
e nem a mulher superior ao homem. O apóstolo Paulo, em
1Coríntios 11.3-11, faz questão de dizer que a mulher e o
homem são iguais quanto ao ser, pois Paulo usa as duas
pessoas da Trindade, isto é, o Pai e o Filho para dizer que o
que existe é uma distinção econômica ou funcional e não de
ser, vejamos:
3 Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o
homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.
4 Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua
própria cabeça.
5 Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a
sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada.
6 Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso, que rape o cabelo. Mas, se
lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar véu.
7 Porque, na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele
imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem.
8 Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem.
9 Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a
mulher, por causa do homem.
10 Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como
sinal de autoridade.
11 No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o
homem, independente da mulher.
É válido salientar que Paulo aqui está destacando a
submissão da mulher para com o homem e por isso ele faz uso
da função do Pai e do Filho na obra da redenção. Cabeça não
indica superioridade: Paulo não está ensinando que o Pai é
superior ao Filho quanto ao ser, mas que ambos são iguais em
essência, conquanto sejam distintas as funções. Deste modo, o
que existe entre o homem e a mulher é uma distinção de função
e não de ser. É digno de nota que a distinção funcional não
existe por uma distinção de ser, mas por outras implicações
apresentadas pela Escritura Sagrada, a saber: Primeiro —
porque a mulher foi feita do homem (1Co 11.3,8). Segundo —
porque a mulher foi feita para o homem (1Co 11.9). Terceiro —
porque o homem foi criado primeiro (1Tm 2.12-13). Quarto —
porque o pecado entrou no mundo pela mulher (1Tm 2.14).
Temos então que entender que ambos não foram criados iguais
em autoridade. Deus traçou uma estrutura de autoridade para
os homens, distinta das mulheres.
Desta forma, são iguais quanto ao ser, mas desiguais
quanto à função. A mulher foi criada por Deus da “costela do
homem”, portanto, o material usado por Deus estabelece
igualdade entre ambos quanto ao ser, contudo, ela foi criada
para ser auxiliadora, ajudadora do homem (Gn 2.18). A mulher
é igual ao homem ontologicamente, mas possui um papel
diferente do homem no casamento — papel de ajudadora.
A ajudadora foi construída por Deus que tomou uma costela do macho. O
verbo deverá ser tomado para significar o que o verbo "formar" comunica em
Gênesis 2.7.
Deus tomou o que, por conta própria, não se poderia formar em um outro ser
humano. Deus realizou outro milagre de criação e, fazendo assim, indicou
uma conexão singular e mais intimamente relacionada entre Adão e sua
ajudadora. Eles eram da mesma carne e sangue, mas também diferentes em
sua origem porque Deus usou, não mais um pouco de pó, mas uma parte do
que tinha formado antes como seu agente real. [250]
A mulher sempre foi representada pelo homem diante de
Deus; ela foi criada como auxiliadora idônea, a palavra
auxiliadora significa “ajudadora”, ou seja, aquela que ajuda,
auxilia o seu esposo. É digno de nota que o termo “ajudadora” é
traduzido na Septuaginta trazendo a ideia de uma palavra que
no Novo Testamento traz o sentido de médico, ou, aquele que
socorre um aflito.
É fato que a mulher foi criada com a finalidade de
satisfazer as necessidades de seu esposo. A palavra idônea
significa “oposto”, indicando literalmente de acordo com o
oposto do homem, portanto, vejam que ela complementará o
homem naquilo que lhe falta. Conquanto ela seja igual ao
homem, não existem funções distintas em razão de serem
distintos quanto ao ser, mas por Deus ter estabelecido assim. A
mulher, portanto, deve entender que a submissão não tem a ver
com inferioridade, mas com uma função estabelecida pelo
próprio Deus a ela no casamento.
A Trindade Santa nos ensina muito bem essa questão:
Jesus é o filho sempre submisso e obediente ao Pai. Ele não se
tornou obediente e submisso ao Pai com a encarnação, pois a
sua pessoa que é submissa ao Pai. Mas como podemos chegar
a essa conclusão? Entendendo que Ele se encarnou em uma
natureza e não em uma pessoa. A pessoa de Cristo que é
submissa ao Pai, portanto, Ele — Cristo — sempre foi submisso
ao Pai. Entretanto, essa submissão não tem a ver com
inferioridade, como ensinava Ário de Alexandria, [251] mas com
espontaneidade. Jesus sempre quis ser submisso ao Pai. Ele é
da mesma essência, natureza. Ele é Deus, conquanto, na
Trindade Econômica, Ele é o Filho submisso ao Pai.
A mulher deve aceitar o seu papel no casamento
espontaneamente. Deve olhar para a relação que há na
Trindade — o Filho é submisso ao Pai; o Espírito Santo procede
do Pai e do Filho, mas nenhum é maior que o outro. A mulher,
por ser submissa ao seu esposo, não está sendo inferior, está
simplesmente sendo obediente a Deus.
“Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que
teme ao SENHOR, essa sim será louvada” (Pv 31.30).
NO CASAMENTO BÍBLICO, OS PAPÉIS DOS
CÔNJUGES SÃO BEM DEFINIDOS
A mulher dos moldes atuais é fruto de uma construção
social e não do que nasce — afirmava Simone de Beauvoir —
uma das patronas do movimento feminista. Assim, as funções
estabelecidas pela civilização no curso dos anos não têm nada
a ver com o que o homem é, e com o que a mulher é
biologicamente, mas com o que se construiu em torno do
homem e da mulher; por isso, começou-se a discutir a questão
do gênero, pois na linguagem dos adeptos do idealismo
feminista sexo e gênero são duas coisas distintas: “Sexo aponta
para as determinações naturais e diferenças biológicas entre
homem e mulher. Entende-se por gênero, o papel que ambos,
homem e mulher, têm e exercem na sociedade”. [252] Destarte,
o gênero que a mulher possui na sociedade lhe foi atribuído,
uma vez que o gênero não é peculiar ao sexo, mas à
determinação social atribuída ao sexo. Gênero não tem a ver
com o que é natural, mas com o que é determinado, imposto.
A mulher, portanto, no dizer do feminismo, sofre por anos
uma imposição de gênero que a tem condicionado a viver
sendo menos do que ela pode ser na sociedade. A feminista
Betty Friedan em seu livro Mística feminina [253] ensina que a
mulher que vive de acordo com a cultura que apregoa que
mulher boa é aquela que foi educada para ser dona de casa,
boa mãe, boa esposa etc., acaba tendo distúrbios psicológicos
terríveis — da depressão ao consumismo. Assim escreveu ela:
Poucas donas de casa recorrem ao suicídio, mas há provas de que a mulher
paga um alto preço físico e emocional por fugir ao seu desenvolvimento. Ela
não é biologicamente mais frágil, conforme sabemos agora. Em todos os
grupos etários morrem menos mulheres que homens. Mas nos Estados
Unidos, desde que as mulheres assumiram o papel exclusivo de donas de
casa, perderam o entusiasmo, a alegria, o sentido de vida que são as
características da verdadeira saúde humana. Na década de 50, psiquiatras,
analistas e médicos de todas as especialidades observaram que a síndrome
da dona de casa parecia tornar-se cada vez mais patológica. Os ligeiros
sintomas impossíveis de diagnóstico — bolhas, mal-estar, nervosismo e
fadiga — tornaram-se ataques cardíacos, úlceras, hipertensão,
broncopneumonia. A perturbaçãoemocional indefinida tornou-se colapso
nervoso. Entre as jovens donas de casa dos subúrbios ensolarados, somente
nesta última década, houve um fantástico aumento de psicoses maternas,
depressões leves e suicidas e alucinações puerperais. [254]
Na perspectiva de Friedan, a mulher deve enxergar mais
além — deve enxergar além da cultura imposta sobre o
feminino. Assim ela escreveu:
Se a mulher não realizar esse esforço para tornar-se tudo o que tem
possibilidade de ser desperdiçará seu potencial humano. A mulher de hoje
que não possui objetivo, propósito, ambição orientando seus dias para o
futuro e levando-a a evoluir para além do punhado de anos em que seu corpo
preenche a função biológica, está cometendo uma espécie de suicídio.
A mística feminina conseguiu enterrar vivas milhões de mulheres. Não há
maneira de fugir ao seu confortável campo de concentração, exceto fazendo
um esforço — o esforço humano que vai além do biológico, além das estreitas
paredes do lar — a fim de colaborar na criação do porvir. Somente por meio
de um compromisso pessoal com o futuro poderá sair da armadilha doméstica
e realizar-se verdadeiramente como esposa e mãe, concretizando suas
possibilidades de ser humano independente e singular. [255]
Portanto, a mulher deve romper com a única forma de vida
que lhe foi imposta — ser do lar. Mulher que vive entregue ao
lar vive sem identidade e, cedo ou tarde, se aperceberá de que
foi um tempo sem importância — o vivido entregue ao lar.
Assim ponderou Friedan:
Em 1940, menos de um quarto das mulheres americanas trabalhava fora de
casa; as que o faziam eram quase todas solteiras. Uma minoria de 2,5% eram
profissionais de carreira. As mães dos soldados com 18 a 30 anos em 1940
haviam nascido no século XIX, ou em princípios do século XX, criando-se
portanto antes que a mulher conquistasse o direito do voto, gozasse de
independência, liberdade sexual, cultura e as oportunidades profissionais da
década de vinte. A maioria não era feminista, nem produto do feminismo, e
sim mulheres que viviam a tradicional existência da dona de casa e mãe.
Seria de fato a educação, os sonhos de carreira, a independência que as
deixavam frustradas e descarregando essa frustração nos filhos? Até um livro
que contribuiu para a formação da nova mística — Their Mother's Sons (Filhos
da mamãe), de Edward Strecker — confirma o fato de que elas não eram nem
profissionais, nem feministas, nem poriam em prática a educação recebida,
caso a tivessem. Viviam para os filhos, não tinham interesses além do lar, das
crianças, da família ou da própria beleza. Na verdade, correspondiam à
própria imagem da mística feminina. [256]
Na perspectiva de Friedan a vida restringida ao lar causa
estragos na mulher — a “mamãe” dedicada se exclui de ser
mulher. Ela tenta em todo o seu livro Mística feminina alavancar
a ideia de que ser mãe, esposa, do lar, é tornar-se depressiva e
transtornada. Mulher na perspectiva feminista.
 [257]
Assim declarou a feminista Clara Zetkin: “A mulher é
escrava do homem e ficará nessa condição até que alcance sua
independência econômica”. [258]
A tese de Friedan resume-se em dizer que “mulher feliz
não é a que vive como esposa, como mãe, mas a que trabalha
fora, a que consegue sua independência”.
As feministas se recusam a ver que ser dona de casa proporciona a uma
mulher mais tempo na cozinha do que qualquer aficionado por gastronomia
pode ter, mais oportunidades de ler do que qualquer bibliotecária, mais
chances de moldar o caráter das crianças que qualquer super babá, mais
tempo para fazer o bem do que qualquer mulher engajada em obras sociais,
mais tempo para decorar a sua casa do que qualquer decoradora ou arquiteta
e mais tempo para ler estatísticas econômicas do que qualquer economista.
Ficar em casa cria mais oportunidades para desenvolver os seus interesses,
habilidades, capacidades e modos de servir do que qualquer outro trabalho lá
fora. Ainda assim, as feministas empurram as mulheres em cubículos,
dizendo-lhes que apenas dessa forma elas terão uma vida, se sentirão
realizadas, e estarão em contato com o mundo exterior. [259]
A luta pela “emancipação feminina” é o que está em
destaque em sua obra, conquanto tenha ido longe para
defender sua tese, fazendo uso de vários argumentos para
dizer que a mulher que é só mãe e esposa vive infeliz,
depressiva.
Segundo William Einwechter:
A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que
trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural.
O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tt 2.4-5) ou é
desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram
algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera
do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente
e significante para as esposas e mães de hoje. [260]
A Bíblia ensina que a função principal da mulher é ser mãe
(1Tm 2.15). Não sou contra a mulher trabalhar, contudo, não
posso concordar com Friedan que a realização da mulher está
na independência ou autonomia feminina — o que ela chama
de “emancipação feminina”. O papel principal da mulher-esposa
é cuidar da casa; do lar. Ela deve se preocupar com os seus
afazeres domésticos prioritariamente.
Acerca disso escreveu Rebecca VanDoodewaard:
O feminismo quer que as pessoas acreditem que todas as mulheres devem e
podem ter carreiras glamorosas, mas a maioria das mães que trabalham fora
de casa têm empregos menores, gastam seu dinheiro com babás, e voltam
para um lar “bagunçado” no final de um dia de trabalho. Algumas mulheres
têm de trabalhar devido a certas circunstâncias. Algumas amam os seus
empregos, e um crente pode exercer qualquer vocação legítima para a Glória
de Deus, mas a imagem que as feministas pintam está muito longe da
realidade. Esse quadro cor-de-rosa é perpetuado pela suposição cultural de
que as mulheres que ficam em casa fazem isso porque elas não podem fazer
nenhuma outra coisa, e que ficar em casa significa que você vive em uma
bolha de brinquedos, pratos e lavanderia. [261]
Em Tito 2.4-5 encontramos a seguinte lição: “A fim de
instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a
seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa,
bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não
seja difamada”.
John MacArthur Jr., em resposta à pergunta “É errado uma
esposa trabalhar fora de casa?”, afirmou:
A questão de esposas trabalhando fora de casa é uma que ela e seu marido
devem chegar a um entendimento a partir de uma perspectiva bíblica, e então
permitir que o Espírito Santo oriente em sua situação específica.
Tito 2.4-5 ensina que as mulheres devem ser prudentes (isto é, conhecer suas
prioridades). Quais são as prioridades que uma mulher casada deveria
adotar? Sua primeira deveria ser satisfazer as necessidades de sua família. O
versículo 4 diz que as esposas devem amar seus maridos e filhos, para serem
“amantes do esposo” e “amantes dos filhos” (como lemos literalmente no
grego). O versículo 5 diz que as mulheres deveriam ser “boas donas de casa”.
Essa frase é uma palavra no grego (oikourgos) e significa “trabalhadores do
lar” ou “trabalhadores no lar”. 1Timóteo 5.14 enfatiza o mesmo ponto dizendo
que as esposas devem “governar a casa”. Essa frase no grego (oikodespoteo)
significa “guardar a casa”. A prioridade de uma esposa, portanto, é cuidar do
seu lar. Ela mostra seu amor por seu esposo e filhos fazendo do lar um
refúgio de paz e descanso para a família, amigos e hóspedes. [262]
Sendo assim, em que momento a mulher-esposa pode
trabalhar? Biblicamente há três prioridades para as esposas:
primeira, ser “amantes do esposo” e “amantes dos filhos”(Tt
2.4-5); segunda, utilidade dando à luz filhos (1Tm 2.15); e
terceira, estar envolvida no cuidado para com as necessidades
do pobre e desprivilegiado (Pv 31.21). Deste modo:
Uma esposa que satisfaz essas três prioridades provavelmente será uma
pessoa muito ocupada. Se ela ainda tiver tempo sobrando, então estará livrepara buscar atividades empreendedoras e criativas fora do lar. Sem dúvida, as
mulheres que são mais livres para fazer isso são as solteiras e aquelas
casadas, mas ainda sem filhos. Mas mesmo essas mulheres deveriam se
assegurar que estão cumprindo suas responsabilidades no lar antes de
saíram para o local de trabalho. [263]
Friedan lutou por um ideal ferindo um princípio bíblico. De
acordo com William Einwechter:
O homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de
responsabilidade econômica compartilhada.
A visão da nossa era é que o homem não é mais responsável do que a
mulher por prover as necessidades financeiras da família. Feministas creem
que o ensinamento bíblico que o homem é o provedor da família (1Tm 5.9) é
parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu
domínio por fazerem delas economicamente dependentes dos homens. [264]
Mas os anos se passaram. Os tempos são outros.
Vivemos num tempo onde feministas não lutam mais por
formação em uma Universidade, por um trabalho, por
“emancipação feminina” simplesmente; em suma, por sair de
casa, como Friedan. Lutam por uma realidade macabra.
Assustadora. Agora não é mais a “emancipação feminina”, é a
ideologia de gênero a discussão do momento.
A ideologia de gênero nasce com Simone de Beauvoir.
Acerca disso, Augustus Nicodemos pondera:
O movimento feminista, que tem origem na década de 50 com as suffragettes
na França, eram mulheres que começaram o movimento por direitos iguais.
Sufrágio — o voto não era permitido para mulheres na Europa, e na França,
em particular. As mulheres começaram a fazer movimentos para terem o
direito de votar como os homens. A partir daí, o movimento foi ganhado
adesão e força e elas [feministas] estenderam os direitos iguais também para
o mercado de trabalho — mulheres que queriam ter acesso ao trabalho, à
Universidade, poder estudar e ter uma profissão; e se realizar nessas
profissões. Então, o movimento feminista queria coisas que se eu vivesse na
época provavelmente concordaria com tudo isso; claro, a mulher tem que ter
direito de votar, de trabalhar, de entrar para uma Universidade, de se
desenvolver intelectualmente; isso aí eu não tenho dificuldade. O problema é
que no desenrolar do movimento feminista, começaram a aparecer algumas
feministas como a Betty Friedan, por exemplo, que escreveu um livro que na
verdade foi a Simone de Beauvoir (SIC). A Simone de Beauvoir escreveu um
livro intitulado O segundo sexo, onde ela lançou a teoria-mãe da ideologia de
gênero hoje. O pessoal fala de ideologia de gênero como se fosse uma coisa
nova, mas tá lá em Simone de Beauvoir na década de 60. Ela escreveu um
livro em que diz que na cultura em que nós vivemos a mulher é definida pelo
homem. É o homem quem define o papel da mulher. E o papel da mulher,
geralmente, naquela época, era relegado a três “cas”; cozinha, criança e
igreja. Portanto três coisas que era o papel da mulher: ela tinha que cuidar
das crianças, fazer a comida e podia ir para a igreja; e ela [a Simone de
Beauvoir] se revoltou contra isso dizendo que a mulher que tem que se definir
e essa definição ela não pode ser a luz do sexo masculino, mas dela mesma.
Isso deu, inclusive, a base intelectual para o surgimento do movimento do
lesbianismo. O lesbianismo intelectual nasce com essa teoria — de que a
mulher tem que se definir e, para se definir, ela tem que se definir à luz de
outra mulher e não do homem. Nessa época, entra o movimento do
lesbianismo no movimento feminista e portanto todo movimento da
homossexualidade e os ativistas gays. [265]
O movimento feminista em seus primórdios tinha uma
proposta, hoje a proposta é outra; lutam por uma realidade
antagônica à Bíblica quanto ao papel que a mulher deve
exercer enquanto esposa. O ideal do feminismo do início dos
anos 50 era lutar pelo direito ao voto, a entrada da mulher na
Universidade e no mercado de trabalho; de Simone de Beauvoir
para cá o movimento feminista tornou-se “avesso” ao
masculino, uma vez que muitas feministas passaram a
sustentar que mulher deve se envolver afetivamente com
mulher — relacionamento “sexual” deve ser entre mulheres —
mulher com mulher. Quando uma mulher é casada com um
homem, ou se envolve com um, elas [as feministas] incentivam
a não submissão. Hoje a mulher dona de casa, mãe cuidadosa,
que se dedica ao lar é ridicularizada. Frases como “lá em casa
a dona de casa é ele e não eu” são bem ouvidas. Quantos
casos de homens casados que estão ocupando o papel da
mulher [esposa] no casamento.
Vivemos a febre da “inversão de papéis”, não só em
relação a quem trabalha ou fica em casa. Mas a quem é
homem e mulher, quem é do gênero masculino e feminino.
Gênero é o que cada um decide ser em função de como se ver,
é autoidentificação. Masculinidade e feminilidade podem estar
no macho ou na fêmea, nos sexos. Os gêneros são diversos,
não existem apenas dois — masculino e feminino. O conceito
binário de gênero, isto é, masculino e feminino, tonou-se
inadequado.
Dos inúmeros gêneros que existem, eis alguns:
• Os intersexuais ou hermafroditas (pessoas com ambos os órgãos
sexuais, masculino e feminino);
• Os transexuais (operação de mudança de sexo);
• As drag queens e kings (travestis);
• Os transgêneros ou bigêneros (travestis de tempo integral ou parcial);
• Os andróginos (ambos papéis de gênero masculino e feminino ao
mesmo tempo).
Além dos inúmeros gêneros, há mais de uma orientação sexual:
• Os heterossexuais;
• Os homossexuais;
• Os bissexuais;
• Aqueles que têm prazer sexual por meios anormais (oral ou anal, sexo
grupal, sexo sadomasoquista, que é mencionado sem julgar);
• Os autoeróticos;
• Os assexuais;
• Os pansexuais;
• Os pedófilos. [266]
Dr. Peter Jones, acerca da funesta realidade que abarca a
sociedade por causa da ideologia de gênero, alerta-nos quanto
ao propósito dos homossexuais com as seguintes palavras:
Está se tornando cada vez mais claro que o debate nacional sobre o
casamento do mesmo sexo é mais amplo do que os homossexuais “se
casando”. Os homossexuais estão começando a admitir que eles querem o
que Mollenkott propõe, isto é, a destruição do conceito da monogamia e do
casamento tradicional completamente. O que eles querem é uma sociedade
que reconheça toda união sexual como normal — até mesmo a poligamia e
ligações sexuais de grupo.
Para Mollenkott, essa diversidade é um “mundo utópico pelo qual vale a pena
lutar… [onde] as pessoas são valorizadas em suas complexidades em vez de
serem atacadas por não se classificarem organizadamente em um ou dois
sexos possíveis”. Aí estão as “novas dimensões” que se tornam possíveis
quando eliminamos o Deus da Bíblia. A meta é “fazer a sociedade avançar
para atitudes e políticas que favoreçam a liberdade e a justiça para todos”.
Para Mollenkott, a divisão legal das pessoas como homem e mulher é tão
errada quanto a divisão das pessoas como negras e brancas. Em tal
sociedade (utópica, justa), “todo mundo quer ter sua própria sexualidade
exclusiva, apaixonando-se… pelo ser inteiro da outra pessoa, não só os
órgãos sexuais dessa pessoa… As pessoas seriam unissexuais, escolhendo
se identificar em qualquer ponto do espectro da sexualidade”. As crianças
seriam criadas de acordo com a escolha sexual dos pais. [267]
Virginia Ramey Mollenkott, americana, ex-professora de
literatura, foi cristã por um bom tempo, mas em um momento da
vida passou a abraçar a homossexualidade, tornando-se uma
feminista lésbica. Desenvolveu teologia voltada ao movimento
LGBT e incentivou a poligamia, as ligações sexuais de grupo —
suruba. Na atualidade, o sexo promíscuo tomou conta da
sociedade. Vivemos uma babel no que diz respeito à
sexualidade. Em um dado momento, o movimento feminista,
que havia começado com o propósito de promover a chamada
“emancipação feminina”, passou, especialmente na atualidade,
a defender a diversidade de gênero e a promiscuidade. Uma
sexualidade promíscua.
Na atualidade, as feministas de plantão, e todos os
movimentos ideológicos voltados à política LGBT, vivem
atacando opapel que a mulher exerce na sociedade, com
intuito de promover uma abertura social para a ideologia de
gênero. Homem e mulher ocupam então o gênero que bem lhe
agradar, pois o gênero não define o sexo. Deste modo, uma
mulher pode se vestir como homem e um homem pode se vestir
como mulher, entre tantas outras coisas bizarras. Uma vez que,
no dizer da ideologia de gênero, feminino e masculino [gênero]
têm a ver com o que foi determinado e não com o que é natural,
um sexo [homem ou mulher] portanto pode se tornar feminino
ou masculino.
A ideologia de gênero ensina que os papéis desenvolvidos
por homens e mulheres no concurso dos anos é resultado de
uma imposição. O homem teria, segundo o movimento
feminista, imposto sobre a mulher uma condição que a
discrimina, subjugando-a a viver à margem do que de fato ela
deveria viver. Mulheres que se entregam ao serviço doméstico,
a serem mães, estariam vivendo sob essa imposição, uma vez
que o papel que cabe às mulheres na sociedade deve eximila
dessa perspectiva masculina imposta sobre ela, como destaca
Betty Friedan em seu livro Mística feminina. Assim, a mulher,
segundo o idealismo feminista, tem sido há anos massacrada
pelo homem.
Rosa Maria Rodrigues de Oliveira, em um artigo intitulado
“Sexualidade moral e direito: A exclusão dos sujeitos”,
claramente destaca:
A razão androcêntrica permeou historicamente a construção da ciência
jurídica, e coube à crítica feminista suscitar seu questionamento. Ina
Pretorius, definindo o primado androcêntrico, dirá que “por androcentrismo
devemos entender a estrutura preconceituosa que caracteriza as sociedades
de organização patriarcal, pela qual — de maneira ingênua ou propositada —
a condição humana é identificada com a condição de vida do homem adulto.
Às afirmações sobre o homem (= ser humano), derivadas dos contextos da
vida e da experiência masculinas, os pensadores androcêntricos atribuem
uma validade universal: o homem (= ser humano) é a medida de todo o
humano”. [268]
Notadamente ela ensina que o homem [macho] foi e está
sendo a medida do humano. A reação do feminismo, segundo
ela, é pela liberdade da mulher à imposição do macho sobre a
fêmea, e tal imposição deve ser vencida. O sistema patriarcal
foi imposto; a mulher o engoliu historicamente “goela a baixo” e
silentimente por anos sujeitou-se. Ela continua destacando:
Alda Facio comenta o entendimento da crítica feminista com relação ao
androcentrismo — não se trata da necessidade de comprovar sua existência
ou não, mas de uma constatação histórica: parte-se da condição de vida das
mulheres pobres, das vítimas de maus-tratos, da violência e assédio sexuais,
da excessiva carga de trabalho, da impossibilidade que a maioria das
mulheres ainda têm de participar efetivamente na tomada de decisões
políticas, da falta de acesso a modernas tecnologias, como realidades
comprovadas em inúmeros estudos feitos pelas Nações Unidas, governos,
universidades e grupos de mulheres. Esta constatação é fundamental para a
autora, pois permite que não se caia no embuste patriarcal segundo o qual
cada vez que as mulheres procuram aprofundar e teorizar sobre sua condição
de gênero e posição nesta sociedade, “pede-se que iniciemos pela
demonstração de que realmente existe esta discriminação, opressão e
subordinação de todas as mulheres, seja a que classe, etnia, habilidade,
preferência sexual, idade, nacionalidade, pertença — exigência com a qual
muitas de nós tratamos de cumprir constantemente —, para logo acusar-nos
de não entender ou não teorizar sobre as causas desta opressão”. [269]
Há portanto segundo ela, pelas razões destacadas, a
necessidade de uma compreensão exata das diferenças entre
os sexos — homem e mulher —,
questão que remete ao conceito de gênero necessário para a investigação
das diferenças inerentes ou aprendidas entre os sexos, o que pode servir
como ponto de apoio para compreensão da exclusão das pessoas que vivem
a experiência homoerótica como entes capazes de direitos e obrigações. O
esforço de uma análise de gênero representa, assim, para o fenômeno
jurídico, assumir a perspectiva de seres humanos que ocupam uma posição
desprivilegiada do ponto de vista do poder, implicando aí não apenas as
mulheres, mas todos os outros personagens de alguma forma excluídos no
cenário social, em especial os homossexuais, uma vez que o androcentrismo
sobre a ciência do direito contribuiu para supressão do pleno exercício de
seus direitos, furtando-lhes até o momento a condição de sujeitos de direito.
[270]
Citando Jeanine N. Philippi continua argumentando:
Liberdade, igualdade e razão traduziram (...) as especificidades do sujeito do
direito e traçaram contornos do fundamento ético do sistema jurídico
moderno. (...) A noção de igualdade formal, veiculada pelo sistema normativo
estatal, evoca uma concepção de pessoa forjada a partir de elementos
comuns a todos os seres humanos — nem sempre nomeados ou admitidos —
que acabam por conformar um arquétipo do qual decorre o gênero e a
humanidade jurídica de referência. (...) O direito, portanto, sutilmente integra e
marginaliza seus sujeitos. A classificação das pessoas em categorias distintas
de exercício das prerrogativas legais traduz, enfim, o paradoxo do princípio
formal da igualdade jurídica; pois, na mesma medida em que o ordenamento
jurídico reconhece a todos os seres humanos uma personalidade genérica
que os iguala frente à lei, especifica, da mesma forma, a capacidade de ação
que distingue os sujeitos a partir de determinados “predicados legais”, o que,
por sua vez, acaba abrindo espaço para que o legislador crie discriminações
em relação a determinados grupos de indivíduos que, em virtude de
interesses políticos, econômicos ou preconceitos morais, o direito insiste em
não proteger. [271]
A discussão de gênero torna-se a nova arma do
movimento feminista. Enquanto, com Friedan discutia-se a
questão da mulher — só do lar — como um mal à identidade da
mulher, agora os gêneros masculino e feminino, definidos por
Deus, [272] passam a ser revistos, pois passou-se a crer que a
questão binária prevalecente no tocante aos gênero humanos
deveria ser revista.
A ideologia de gênero advinda do desejo de segmentos
minoritários insatisfeitos com a falta de aceitação da sociedade
majoritária com seus comportamentos promíscuos e
subversivos a questões morais naturais trouxe para a pauta da
sociedade [da atualidade] discursões do tipo: Qual o verdadeiro
papel da mulher? Homem e mulher: quem pode defini-los?
Homem pode tornar-se mulher e mulher pode tornar-se
homem? Essas indagações trazidas à sociedade para serem
discutidas na ótica do movimento feminista e LGBT,
proponentes da ideologia de gênero, já possuem respostas,
pois gênero é uma questão que envolve a percepção que um
indivíduo tem de si mesmo, por exemplo, se a mulher, pessoa
com órgão sexual feminino, isto é, vagina, se vê como homem,
deve, portanto, se comportar como homem. O gênero, na
ideologia de gênero, é definido a partir da percepção que o
indivíduo tem de si mesmo. A sexualidade pode ser definida a
partir da percepção do gênero que cada um passa a adotar
para si, pois existem mais de dois gêneros [como citado
anteriormente].
A ideologia de múltiplos gêneros gerou uma visão
totalmente alheia ao que a Bíblia ensina acerca da mulher.
Segundo segmentos feministas a Bíblia é patriarcal, foi
manipulada. Deus é machista. A Bíblia é machista. Foi escrito
só por homens. Exclui a mulher de ir além do papel de
auxiliadora. A descrição bíblica da mulher deve ser repudiada,
por ter sido a Bíblia escrita por homens machistas. [273]
Davidson diz:
Hoje, o feminismo é a ideologia de gênero da nossa sociedade. Desde as
universidades até as escolas públicas, da mídia até as Forças Armadas, o
feminismo decide as questões, determina os termos do debate, e intimida
oponentes em potencial ao ponto do silêncio absoluto. [274]
Deste modo, vai dizendo que a mulher sofreu uma
imposição sobre si. O homem impôs sobre ela um gênero, um
papel que ela não deveria ter aceitadoe não deve aceitar.
Vejam que na ideologia de gênero o papel da mulher como
mãe, esposa, é questionado; visto como algo imposto. A mulher
submissa, boa esposa, é um papel que a limita, que a
discrimina. A mulher como auxiliadora idônea descrita na Bíblia
é plenamente repudiada pela ideologia de gênero, encabeçada
pela feminista Simone de Beauvoir.
Contudo, de acordo com a Bíblia, a mulher foi criada com
um propósito. Deus criou a mulher para o homem para ser sua
auxiliadora. O papel que cabe a mulher na perspectiva de Deus
no casamento é de ser submissa ao seu marido (1Pe 3.5). Mas,
de acordo com o feminismo, a Bíblia teria sido maquiada,
manipulada por homens que tinham justamente o interesse de
subjugar a mulher. Por isso, as feministas ensinam que a Bíblia,
com sua visão patriarcal que foi criada, deveria ser reformulada.
Deste modo, Deus, de acordo com a teologia feminista, não tem
nada a ver com isso. Tudo não passa de uma intenção
machista de estabelecer em nome de Deus uma ordem de
valores que excluem a mulher de ser mais do que ela tem sido
no concurso dos anos.
H. Wayne House, falando das raízes do movimento
feminista, comenta:
O surgimento do Movimento de Libertação da Mulher a partir de
meados do século XX ajudou a criar uma consciência crítica feminista.
Essa consciência, ao interagir com a Bíblia e as tradições teológicas
cristãs, tem buscado uma nova investigação de paradigmas antigos e
uma nova agenda de estudo. [275]
Continua House:
Apela a uma “hermenêutica de suspeita” feminista mais abrangente. Parte do
reconhecimento de que a Bíblia foi escrita, traduzida, canonizada e
interpretada por homens. O cânon da fé ficou centralizado no homem. Por
meio da reconstrução teológica e exegética, as mulheres novamente devem
assumir o lugar de destaque que ocuparam na história cristã primitiva.
Entende que a Bíblia promove uma estrutura patriarcal opressora e rejeita a
sua autoridade. Rejeita totalmente as tradições judaico cristãs como
irremediavelmente voltadas para o masculino. [276]
Uma vez que a ideologia de gênero representa um ataque
cruel à visão bíblica acerca da função que cabe ao homem e a
mulher na criação, temos que considerar o que Deus, por
intermédio da Sua Palavra, fala do homem e da mulher. As
feministas ensinam como vimos que o sexo não define a
função, mas é isso que a Bíblia ensina?
Segundo o ensino bíblico quem definiu as funções para o
homem e para a mulher foi Deus e não a sociedade — não
partiu do homem, mas de Deus definir o papel do homem e da
mulher no relacionamento conjugal, no casamento.
O sexo define a função na perspectiva de Deus, pois
homem possui uma função e mulher possui outra função e,
deste modo, a questão não está fundamentada na natureza de
ambos, mas na formação de ambos. Deus, ao formar o homem,
deu a ele autoridade sobre todos os animais; assim como deu à
mulher (Gn 1.28), ainda que algumas funções foram dadas
especificamente ao homem e outras à mulher desde a criação
de ambos. Trataremos primeiro da mulher, vejamos.
O “PARA QUÊ” DA CRIAÇÃO DA MULHER
A mulher foi criada para o homem (Gn 2.18): “Disse mais o
Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei
uma auxiliadora que lhe seja idônea”. É Deus que toma a
iniciativa de fazer a mulher e unir o homem à mulher; temos
aqui a criação do casamento; a instituição da família [como já
elucidado].
Contudo, o “para o homem” não indica de maneira
nenhuma que a mulher foi criada para ser escrava do homem
ou maltratada pelo homem. A mulher não foi criada para ser
vista como uma propriedade do homem com carimbo, em que o
homem pode fazer o que bem entender com ela. Mas indica
“para auxiliar” o homem. Ajudar o homem dentro do lar.
Portanto, ambos devem trabalhar juntos, tendo em vista o papel
que cabe a cada um dentro do lar. Deste modo, o homem não
pode enxergar a sua mulher [esposa] como uma máquina que
deve ser controlada, como ele faz com a TV da “sala de estar”,
fazendo uso do controle remoto. Pois toda mulher possui
vontades e desejos próprios. Cabe então ao marido saber ser
dócil e compreensivo e não uma espécie de escravocrata do lar.
Segunda função da mulher: foi criada para ser auxiliadora
[ajudadora] idônea do homem (Gn 2.8): “Far-lhe-ei uma
auxiliadora que lhe seja idônea”, diz Deus. A mulher portanto
não foi criada para chefiar o homem; mandar no homem,
controlar o homem, mas para ser sua auxiliadora idônea.
Auxiliar significa socorrer, ajudar, ser uma espécie de escudo do
homem, livrando-o de perigos, de complicações — e não uma
rival do homem. Em síntese, é ser uma esposa que não mede
esforços para socorrer, ajudar seu esposo. “A forma verbal
desta palavra significa basicamente auxiliar ou suprir aquilo de
que um indivíduo não pode prover por si só. A Septuaginta a
traduz com uma palavra que o Novo Testamento usa com o
sentido de “médico”(Mt 15.25). Ela transmite a ideia de socorrer
alguém aflito, [277] como já ponderado.
Eva, portanto, foi feita para auxiliar Adão. O Dr. Joel
Beeke comentou Gênesis 2.18 da seguinte forma:
O verso 18 diz ela foi feita “para” o homem, “uma auxiliadora idônea [ou
adequada] para ele”. Nesta condição perfeita pré-queda, toda mulher tem um
indício para sua posição única, dada por Deus, no casamento. Ela deve ser
uma “ajudadora idônea” para seu marido. Gênesis 2.18 enfurece
grandemente as feministas radicais como também, algumas vezes, é motivo
de preocupação, senão de ansiedade, para outras mulheres. Falar de mulher
sendo feita para o homem, ou da sua necessidade de ser obediente ao
homem no casamento, é anátema. Muitas mulheres — e mesmo homens —
acham tais ideias ultrapassadas, injustas e preconceituosas contra as
mulheres. Nossa natureza humana decaída nunca se agrada de renunciar a
sua desejada independência. O homem não quer ser sujeito a Deus e a
mulher não quer ser sujeita ao homem. O Rev. J. Fraanje escreveu uma vez
que “independência — hoje talvez devêssemos dizer “autonomia” — é a
palavra escrita do lado de dentro do portão que leva para fora do Paraíso”.
Necessitamos de um pensamento claro nesta discussão hoje. Nós
precisamos compreender, primeiro que tudo, que a palavra ajudadora não é
um termo depreciativo. Deus nos criou para servi-lO e para ajudar o nosso
próximo. [278]
Percebam que as Escrituras empregam o mesmo termo a
Deus.
É uma honra para uma mulher ajudar seu esposo, pois ajuda é uma
palavra usada frequentemente, com referência ao próprio Deus nos
Salmos (10.14; 22.11; 28.7; 46.1; 54.4; 72.12; 86.17; 119.173,175; 121.1-
2, NIV). Se Deus não está envergonhado de ser uma ajuda para
pecadores decaídos, porque deveríamos nós olhar com desdém para
Eva por ser a “ajudadora” do seu não decaído esposo? [279]
Desta maneira, o termo “auxiliadora” claramente enaltece o
papel da mulher na criação, pois traz a ideia do que faltava no
homem: o homem necessitava de uma parceira, e Deus
concedeu esse privilégio a ele ao criar a mulher. A mulher como
auxiliadora é benção na vida do homem, pois atenderá o que
falta em sua pessoa, em sua vida; é o complemento necessário.
A saudosa escritora Wanda de Assumpção corrobora
destacando que:
A palavra do original hebraico usada para descrever essa ajudadora é “ezer”,
que significa “a pessoa que está diante de outra, cercando, dando apoio,
suporte”. Ela é usada no capítulo 2 de Gênesis duas vezes para se referir à
mulher, e em mais de cinquenta vezes no restante do Antigo Testamento para
se referir a Deus como o ajudador do Seu povo. Assim, a mulher, em sua
maneira feminina de ser, reflete algumas das características do próprio Deus.
[280]
Conforme exposto, o ideal da criação da mulher é a
mulher ajudando o homem, sendo parceira do homem.
Portanto, romper com o ideal da criação é o mesmo que romper
com Deus e consequentemente entender que Deus está
equivocado. Deus uniu o homem e a mulher estabelecendo
papéis fundamentais para cada um, e quando um não assume
o papel que lhe cabe a relação desanda. O caos se estabelece
no que tange à relação homem e mulher; muitos casamentos
entramem crise justamente por não atenderem a orientação de
Deus.
Passemos então a outra função da mulher, a saber: a
submissão ao homem [esposo]. A mulher é chamada na Bíblia,
quando casada, a ser submissa ao seu esposo (1Pe 3.1).
Vincent Cheung, comentando esse texto, diz: “O versículo não
diz que toda mulher deve se submeter a todo homem, mas que
toda mulher deve se submeter ao seu marido. Embora esse
seja o testemunho consistente da Escritura (Ef 5.22; Cl 3.18; Tt
2.5), muitos cristãos professos se opõem a ele, usando várias
táticas para neutralizá-lo”. [281]
Paulo, em Efésios 5:22-24, diz: “As mulheres sejam
submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o
marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça
da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como,
porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres
sejam em tudo submissas ao seu marido”.
A palavra usada por Paulo para cabeça é “kephale” e
indica “guia ou aquele que orienta, que tem autoridade”.
Comentando o texto de Gênesis 2.23, em que Adão dá nome à
mulher, Joel Beeke pondera: “Seu ato de dar o nome à sua
esposa reforçou sua liderança e autoridade sobre ela”, [282]
contudo não indica autoridade discricionária.
Acerca disso John Crotts escreveu:
A esposa quer ser liderada por seu marido porque Deus a designou para ser
liderada, embora a mulher em nada seja inferior ao homem. Deus estabeleceu
papéis distintos para ambos. Em Gênesis 2.18, Deus relata a origem do
matrimônio: "Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja
só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea". Deus fez Eva sob medida
para ser auxiliadora de Adão.
É possível pendurar quadros na parede usando uma chave inglesa, mas um
martelo faz o trabalho muito melhor. Sabemos que ferramentas funcionam
melhor quando desempenham a função para a qual foram criadas.
Infelizmente, muitas mulheres são obrigadas a tomarem a liderança nas
coisas espirituais porque o "Sr. Martelo" está inerte na frente da TV! Por
conseguinte, tanto maridos como esposas serão mais bem-sucedidos quando
exercerem os papéis que receberam de Deus. [283]
No entanto, o homem não foi posto na vida da mulher para
subjugá-la, mas para amá-la e portanto essa autoridade deve
ser regada com amor (Ef 5.25): amar como Cristo amou a Igreja
significa abnegação, renúncia. Deus é lógico, pois qual mulher
não seria submissa a esse amor? Qual mulher não escutaria
esse amor? Quando um homem [esposo] ama a sua esposa
como Cristo amou a Igreja, com certeza haverá por parte da
mulher [esposa] disponibilidade para ouvir esse homem,
escutar, seguir; conquanto, o contrário também será
evidenciado quando esse homem não amar sua esposa —
como Cristo orienta.
A última função, dentre outras, da mulher que ponderarei é
a de mãe. A mulher tem a grande missão de ser mãe. Paulo
escrevendo a Timóteo destaca essa grande missão da mulher.
Vejamos:
A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a
mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio.
Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas
a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, será preservada
através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e
santificação, com bom senso (1Tm 2.11-15).
Temos aqui a declaração de que cabe a mulher como
esposa não subjugar o seu esposo, mas aprender com ele e
conservar a sua missão de mãe. Existem muitas mulheres
casadas que estão invertendo os papéis em nome do idealismo
do feminismo, pois o índice de mulheres casadas que estão
fora de casa trabalhando em tempo integral e têm deixado seus
filhos com babás é altíssimo. Mulheres-mães que não são
presentes na vida dos seus filhos. As consequências têm sido
desastrosas, pois é claro na sociedade dos nossos dias o
número de jovens que cresceram sem a presença da mãe —
revoltados.
MacArthur comentando o texto de 1Timóteo 2.15 assim
escreveu:
A palavra grega para dar à luz filhos (teknogonia) significa não somente gerar
filhos, mas também abrange a ideia de educá-los. Esse versículo ensina
também que infundir valores nos filhos é parte do papel de uma mãe.
Deuteronômio 6.6-7, Provérbios 1.8 e 6.20 nos dizem que deveria ser
ensinado aos filhos os princípios da Escritura (começando com a verdade do
evangelho). As mães desempenham uma parte crucial nesse processo. [284]
Voddie Baucham Jr. também ponderou comentando o
mesmo texto, destacando:
Enquanto eu nunca argumentaria que uma mulher não pode trabalhar, eu
tenho defendido que de uma mulher é requerido que ela seja uma “dona de
casa” (Tt 2.5; cf. 1Tm 5.14), e que, como tal, ela deve priorizar o seu lar e
qualquer “trabalho” que ela faz não deve interferir no seu chamado primário
de esposa e mãe. Assim, a mulher do fazendeiro que ajuda na colheita, a
mulher do padeiro que trabalha ao seu lado, ou a mulher do contador que
trabalha como sua recepcionista nos negócios da família, estão todas em uma
categoria diferente da tão chamada “mulher de carreira” (o termo não é meu)
que gasta sua vida de “ajudadora idônea” (Gn 2.18) para outro homem (ou
para uma corporação), em vez de para o seu marido. Alistair Begg colocou
isso bem: Senhoras, a maternidade é um trabalho de tempo integral. Não
brinque consigo mesma, achando que você pode ser uma recepcionista e
uma mãe; que você pode ser uma datilógrafa e uma mãe; que você pode ser
uma vice-presidente e uma mãe. Uma das duas coisas vencerá. Agora, olhe
para a sua Bíblia e pergunte o que você deve fazer. (Alistair Begg, “Biblical
Principles for Parenting.” Truth for life podcast).
Deixe-me dizer que eu não sou tão “estúpido” a ponto de ignorar
completamente o fato de que existem muitas mulheres (como minha mãe) que
são abandonadas por homens pecadores, egoístas, imaturos e/ou
irresponsáveis (tanto o pai de seus filhos ou o próprio pai delas) e que, assim,
não têm qualquer escolha a não ser trabalhar e sustentar seus filhos.
Tampouco eu culpo mulheres cujos maridos ficaram inválidos, por um motivo
ou outro, por serem aquelas que sustentam a família. Estou falando da nossa
aceitação cultural obstinada de uma visão que vê a mulher como um mero
meio de produção. Estou falando da ideia exposta na cosmovisão marxista,
que vê a saída das mulheres de seus lares como um duplo feito: 1) Dobrar a
produtividade do coletivo, e 2) colocar as crianças debaixo da autoridade do
estado (via creches e escolas públicas), que, para o marxista, é deus
encarnado. [285]
O papel da esposa quando se torna mãe é exercer —
preservar sua missão de mãe — significa dizer que ela tem que
estar presente na vida dos seus filhos.
A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída
pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na
creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.
A responsabilidade da maternidade é vista em termos muito diferentes do que
no passado. O chamado bíblico para a mãe de estar com suas crianças, amá-
las, treiná-las, ensiná-las e protegê-las (1Tim 2.15; 5.14) é rejeitado pela visão
feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua
individualidade e realização própria. [286]
Mas podemos também considerar que o texto também
aponta para a esposa que não se tornou mãe querer se tornar,
pois preservar a missão de mãe indica não deixar de ser mãe
no casamento.
Hoje percebemos um número enorme de mulheres que
casam e passam um bom tempo no casamento se dedicando a
outras coisas e se esquecem de preservar a missão que Deus
concedeu a cada uma delas. Deus disse ao primeiro casal, isto
é, Adão e Eva: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e
sujeitai-a” (Gn 1.28). Alguém poderia afirmar, mas isso foi para
Adão e Eva, pois havia a necessidade da multiplicação da
espécie humana — só era eles! É claro que a necessidade era
maior na época de Adão e Eva, contudo, o mandado continua
valendo; Deus continua conclamando os casais cristãos:
“Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a”.A família da Aliança precisa expandir, precisa crescer,
precisa povoar a Terra. Obviamente que deve-se fazer um
planejamento para que os filhos venham em um bom momento.
O que não se pode entender é que só foi para Adão e Eva, pois
se assim for, estaremos andando na contramão da vontade de
Deus.
Os casais devem planejar com cuidado para terem filhos;
a mulher em especial deve se alegrar com a possibilidade de se
tornar mãe no casamento, pois os filhos são herança do Senhor
(Sl 127.3). Ser mãe é benção.
Minha esposa há 1 ano e 2 meses se tornou mãe; o prazer
que ela tem de cuidar de nossa filha é admirável. Ela sempre
me dizia antes de engravidar que o seu maior sonho era ser
mãe e poder amamentar. Vejo o brilho nos olhos dela diante de
nossa pequena Alice, é um amor sem igual. Cuidar de nossa
filha tem sido fantástico para ela. A vida muda trezentos e
sessenta graus, mas vale à pena: vale a pena ver o sorriso da
nossa filha; vale a pena poder ouvir papai, mamãe; vale a pena
preservar a missão de mãe.
O “PARA QUÊ” DA CRIAÇÃO DO HOMEM
O homem foi criado por Deus e recebeu de Deus algumas
responsabilidades. Porém, o feminismo introjetado no Ocidente
tem ganhado muito espaço, e os papéis pertinentes a homens e
mulheres entrelaçados pelos laços do matrimônio estão sendo
brutalmente feridos. Assim alertou William Einwechter, dizendo:
A liderança masculina na família foi substituída por uma organização
“igualitária” em que marido e esposa “compartilham” as
responsabilidades da liderança na família.
A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1Co 11.3-12; Ef 5.22-
23) e senhor do seu lar (1Pe 3.5-6) é considerada por feministas algo tirânico
e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar
fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de ambos,
homens e mulheres, zombam da noção de que a esposa deve se submeter à
autoridade do marido. [287]
Portanto, é extremamente importante destacarmos o que a
Bíblia ensina, pois hoje estamos vivendo a inversão dos papeis.
Passemos então às funções do homem. A primeira função do
homem como esposo é exercer o papel de cabeça [líder] dentro
do seu lar. Acerca disso, John Crotts escreveu:
[...] importa aos homens liderarem suas famílias porque Deus os fez líderes.
Em 1Coríntios 11.3 lemos: "Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça
de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de
Cristo". Esta verdade ecoa em Efésios 5.22-23, que diz: "As mulheres sejam
submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o
cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este
mesmo o salvador do corpo".
Você notou que nenhum destes versos ordena que o esposo se torne o
cabeça ou líder de sua casa? Deus diz que o esposo é o líder. A única
pergunta é se ele é um bom líder ou não! [288]
Muitos homens casados perderam a autoridade dentro dos
seus lares. Não exercem o papel que lhes cabe na vida dos
seus entes queridos. Homens, pais, que não conseguem ser
bons exemplos para seus filhos por serem toscos, agressivos,
descontrolados emocionalmente. Paulo escrevendo a Timóteo
ensina que é responsabilidade do homem [casado] cuidar dos
seus: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e
especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do
que o descrente” (1Tm 5.8). É claro e notório aqui que Paulo
está se dirigindo ao pai de família cristão e destacando seu
papel como pai de família, como chefe do lar. O homem [pai de
família] tem que entender a sua responsabilidade como chefe
do seu lar, que é de cuidar da sua família: esposa, filhos.
Quando ele não cumpre seu papel, segundo o texto, está sendo
pior que um descrente, um homem sem fé em Deus, não
cristão.
Há cerca de cinco anos conheci a história de um homem
que havia se casado muito novo com uma linda jovem. Casou-
se sem muitos recursos. Teve muitas dificuldades para montar
sua vida financeira longo no início do casamento. E o resultado
foi o descontrole emocional, pois de um homem dócil, passou a
ser agressivo, descontrolado emocionalmente. A sua esposa já
não aguentava mais a vida que estavam levando: as brigas
tomavam conta da vida do casal.
Certo dia, ela resolveu sair de casa, deixá-lo. Mas graças
a Deus ele resolveu recorrer a um pastor conhecido da família.
Contou toda a história ao pastor e logo o pastor lhe orientou a
procurar sua esposa e retomar sua vida. Assim ele fez: pediu
perdão a sua esposa e ela o perdoou, mas disse que muitas
coisas precisariam mudar, ela destacou a sua falta de liderança,
a sua falta de compromisso com o casamento, o seu
descontrole emocional. Ele ouvindo-a reconheceu que estava
tomado por um sentimento de descompromisso com a vida de
casado e, por isso, não reagia bem diante das dificuldades, mas
prometeu mudança. Os anos se passaram e esse casal
conseguiu superar a crise.
Às vezes o problema que ronda muitas famílias tem um
nome específico — ausência do homem [esposo] exercendo
seu papel de pai, de marido [provedor] na vida da sua família.
O homem, quando casa, assume uma responsabilidade
diante de Deus e dos homens de honrar sua família, de ser o
líder dela, orientando-a, guiando-a. Homens que não exercem a
liderança que lhes cabe na vida da família põem a vida de todos
em risco.
Davi o grande rei de Israel se ausentou da vida dos seus
filhos e o resultado foi amargo: o caso que envolveu Amnom,
Tamar e Absalão, filhos de Davi, é um triste exemplo de um pai
que se ausenta da vida dos seus filhos. Tudo começou quando
Amnom, movido por um sentimento doentio (2Sm 13.2),
estuprou Tamar (2Sm 13.14). Davi é informado do que Amnom
havia feito com Tamar, irrita-se por causa do ocorrido, mas não
faz nada (2Sm 13.21), pois o texto não diz que Davi agiu
punindo Amnom; apresenta-o injuriado, mas não agindo. A
sequência da história é mais esclarecedora com relação à falta
de punição de Davi contra a atitude de Amnom, pois apresenta
Davi aceitando a solicitação de Absalão para que Amnom fosse
até ele para ajudá-lo na tosquia de suas ovelhas (2Sm 13.25-
27). Mal sabia Davi que Absalão planejava vingar Tamar
matando Amnom e foi exatamente isso que Absalão fez contra
Amnom (2Sm 13.28-33). Dois anos haviam se passado desde o
ocorrido (2Sm 13.23). Davi havia reconsiderado, mas Absalão
não havia. O verso 32 revela a displicência de Davi como pai,
pois apresenta Jonadabe escancarando a Davi que Absalão,
desde que Amnom estuprou Tamar, tinha exatamente essa
intenção contra Amnom. Davi sente muito a morte de Amnom
(2Sm 13.31, 36). O resultado de tudo isso foi a fuga de Absalão
de Jerusalém (2Sm 13.37-38), além de um filho revoltado
contra o pai (2Sm 15).
Quantos pais, a exemplo de Davi, estão vivendo com seus
filhos e estão displicentes com relação às inclinações dos
mesmos para com a vida: pais que não sabem por onde seus
filhos andam e com quem andam. Muitos filhos se perdem na
vida por terem pais ausentes. Quantas histórias conhecemos de
filhos que se perderam por terem pais displicentes. É triste
quando um homem não assume o seu papel de líder em sua
casa: na vida dos seus entes queridos.
Minha mãe sempre conta a história do filho que saía de
casa e voltava todos os dias com um brinquedo diferente, mas
o pai não inquiria o filho acerca de como estava obtendo
aqueles brinquedos. Os anos se passaram, o filho saiu de casa
definitivamente, não mantendo contato com o pai. Conquanto,
certo dia, o telefone da casa do pai toca, era um delegado de
polícia informando-o que seu filho estava preso e queria vê-lo.
O pai prontamente foi até a delegacia.
O delegado, diante da cela do filho na delegacia, por
alguns segundos, não ouviu nada nem do pai e nem do filho,
mas de repente o filho agarrou a mão do pai com muita força e
disse: Pai o senhor é o responsável por eu estar aqui! Eu?
Indagou o pai. Sim, o senhor, continuou o filho. Pai, lembra dos
brinquedos que eu sempre levava para casa? Lembro, disse o
pai. Aqueles brinquedos eram roubados, eu os pegava dos
meus colegas e os levava para casa e, comoo senhor não
falava nada, eu permanecia com eles; cresci, pai, imaginando
ser certo pegar dos outros o que não me pertencia, e olha o
resultado. O delegado prontamente disse ao pai: pais
displicentes na vida dos seus filhos estragam seus filhos,
comprometem a vida deles.
O homem foi chamado para exercer sua liderança como
chefe de família. Deus deu ao homem a responsabilidade de
manter a família, cuidar dela em todos os sentidos: o pai de
família deve ser o guardião da sua família. Pedro destaca em
sua Primeira Epístola no capítulo 3.7 que ao marido cabe: 1)
viver a vida no lar com discernimento — ser interessado na vida
da sua família, na agenda dos membros da sua família, com
intuito de perceber o que falta, o que precisa mudar; noutras
palavras não ser displicente; 2) honrar sua mulher — considerar
as suas fraquezas hormonais, entendendo que ela é a parte
mais fraca; 3) dignificá-la como mãe, como esposa, dona de
casa — reconhecendo o seu valor como esposa em sua vida.
No dizer de Pedro, tanto um quanto outro, isto é, esposo e
esposa são herdeiros da mesma graça, o que indica que não há
razão de manter a disputa dentro do lar, a falta de cuidado de
um para com o outro, pois tanto o esposo quanto a esposa são
herdeiros da mesma salvação, da mesma bondade de Deus.
Não existe distinção portanto entre um e outro.
A consequência para o esposo, pai de família, que não
assume o seu papel dentro do seu lar é não ter suas orações
ouvidas por Deus. Deus “fecha os ouvidos” para esse marido
relapso, displicente.
A segunda função do homem como esposo é o seu dever
de amar a sua mulher de forma abnegada. Já destacamos o
que Paulo ensina aos homens casados em Efésios 5.25,
conquanto é válido destacarmos a partir daqui a abnegação que
o esposo deve ter para com a sua esposa. O amor abnegado
que o marido deve externar para com sua esposa ensinado
aqui de forma sublime é para ser seguido, pois Paulo faz
questão de dizer como o esposo deve amar a sua esposa:
como Cristo amou a Igreja. E como Cristo amou a igreja?
Entregando-se por ela. Doando-se por ela. Morrendo por ela.
Será que os homens estão cumprindo esse princípio Bíblico?
Assim, fala John Crotts aos homens:
[...] o matrimônio representa a imagem de Cristo e da igreja e mostra a
importância de homens que lideram sua família. Deus diz que os casais, em
seu proceder, representam o traço característico de como Jesus Cristo se
relaciona com sua igreja. "As mulheres sejam submissas ao seu próprio
marido, como ao Senhor: porque o marido é o cabeça da mulher, como
também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo.
Como porém a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam
em tudo submissas a seus maridos. Maridos, amai vossas mulheres, como
também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5 22-25).
Você transmite a verdade de Cristo se lidera sua esposa com amor, sacrifício
e abnegação. Porém, se você é um egoísta incapacitado ou um ríspido
ditador, está mentindo sobre Jesus diante do mundo que lhe observa. [289]
Os cristãos devem zelar para que a Palavra de Deus seja cumprida.
Sei que cristãos pecam por serem pecadores (1Jo 1.8) e por isso
muitas vezes fraquejam, conquanto devem ser luz do mundo e sal
da terra (Mt 5.13-16). São chamados a serem exemplos de conduta
em todas as esferas da vida. Portanto, quando entendem que a
vontade de Deus é que, como esposos, venham amar suas esposas
como Cristo amou a Igreja e que esse papel é digno, pois nada é
tão nobre como se doar em prol de alguém, colheram as
implicações de quem se entrega: o amor recíproco, o exaurimento
dos males oriundos do egoísmo e das paixões narcisistas.
Deste modo, a responsabilidade que envolve o homem no
casamento é de amar a mulher. Gênesis 2. 21 diz: “Então o
senhor fez cair pesado sono sobre o homem, e este
adormeceu; tomou uma das costelas e fechou o lugar com
carne”.
Temos aqui a primeira cirurgia da história, e foi com
anestesia – “Deus fez cair pesado sono sobre o homem e este
adormeceu” – anestesia [rs].
É válido destacar que nessa cirurgia Deus tira do homem
um pedaço da sua costela. Por que Deus não tirou da cabeça
ou dos pés?
Tomás de Aquino, pensador do século 18, dizia que Deus
não tirou da cabeça para que a mulher não mandasse no
homem; não tirou dos pés para que ela não fosse pisada pelo
homem, não se tornasse capacho do homem, mas tirou do lado
para que fosse sua amiga; de debaixo dos braços para ser
protegida pelo homem; de perto do coração para ser centro dos
seus afetos, do seu amor. A mulher foi feita para ser esposa do
homem (Gn 2.18-24) e centro dos seus afetos, da sua atenção,
do seu cuidado (Gn 2.22-23).
Maridos devem amar as suas esposas como Cristo amou a Igreja. A
entrega de Cristo pela Igreja é portanto a analogia de como esse
amor deve ser destilado pelo esposo na direção da sua esposa:
amar sem reservas, sem ressalvas, pois Cristo amou a sua Igreja
incondicionalmente. Não havia nada na Igreja que pudesse fazer
com que Cristo viesse amá-la. Cristo amou-a sem que ela pudesse,
a partir dela, exigir esse amor por algo praticado de bom por ela
com relação a Cristo. Deste modo, é um amor incondicional. Além
de incondicional, é abnegado — Cristo passou a servir para que a
sua Igreja fosse servida (Fl 2.7-8); Cristo serviu a Igreja com a
salvação, presenteou-a com a vida eterna (1Pe 1.3-4). O marido
deve entender que o amor abnegado para com a sua esposa é o
ideal, pois assim ensina a Palavra de Deus.
A terceira função do homem como esposo é o seu dever
de ser sacerdote do seu lar. Logo depois de destacar que o
esposo deve amar sua esposa como Cristo amou a Igreja,
Paulo esclarece que o esposo é o sacerdote da esposa no lar
cristão, pois a linguagem que Paulo usa no em Efésios 5.26
“[...] purificando-a com a lavagem da água" é uma linguagem
sacerdotal advinda do Antigo Testamento. É claro que não é
literal: “O esposo não tem que fazer uso da água para purificar
sua esposa” como faziam os sacerdotes (Êx 30.17-21). Cada
sacerdote tinha que se purificar antes de se apresentar diante
de Deus como mediador. Entretanto, Paulo faz uso desse
costume sacerdotal veterotestamentário para conscientizar o
esposo cristão de que ele é um sacerdote em seu lar. Deste
modo, deve o esposo cristão zelar pela integridade moral de
sua esposa; ele tem que pastorear sua esposa, ensiná-la a ler a
Bíblia, a ter uma vida de oração. O maior professor de Bíblia da
esposa deve ser seu esposo. O maior exemplo de vida cristã na
igreja para a esposa deve ser seu marido.
O esposo deve incentivar à esposa a fazer os cultos
domésticos, a sentar com seus filhos e ensinar a Palavra de
Deus. Infelizmente muitos não adotam a prática do culto
doméstico. O culto doméstico é um momento em que a família
se reúne para, em casa, apresentar um culto a Deus e
consequentemente sair edificada pelo momento que tiveram
juntos, agradecendo a Deus pela família e por tudo que Deus
tem concedido a eles. Pais cristãos que são omissos, não
fazendo o que a Palavra de Deus ensina, acabam perdendo o
privilégio de construir um lar aos pés do Senhor.
Em suma, com relação aos papéis que cabem ao homem e
a mulher no casamento, consideremos as palavras do pastor e
escritor Augustus Nicodemos Lopes:
Maridos devem amar a suas mulheres como a si mesmos e esposas devem
ser submissas a seus maridos. Para as pessoas que não são cristãs, que não
temem a Deus, nem respeitam a sua Palavra, isso é um problema; elas
simplesmente não seguem essa orientação. Para elas, o divórcio é uma
solução da qual poderão lançar mão se as coisas piorarem (e, às vezes, antes
mesmo de chegarem a esse ponto). Entretanto, para os cristãos, que sabem
que Deus odeia o divórcio (Ml 2.16), todos os esforços legítimos devem ser
empreendidos para a manutenção dos laços matrimoniais, quando estes
estão ameaçados pelos problemas que costumam rondar a estabilidade da
família. [290]
Que possamos em nome de Jesus lutar pelo que Deus
instituiu. Não podemos ficar de braços cruzados vendo o que
estáacontecendo com as famílias em nosso tempo. Até dentro
de muitas igrejas evangélicas perdeu-se o compromisso com os
valores definidos pelo próprio Deus para a família. Deste modo,
nas palavras de William Einwechter:
Homens devem ser homens e tomar sobre si a carga total da
responsabilidade confiada a eles por Deus. Homens devem parar de se
intimidar com a retórica feminista e devem promover a ordem de Deus em
suas famílias sem receio.
A tarefa de reconstrução da família de acordo com a Palavra de Deus
também faz necessário que a igreja ensine fielmente o que a Bíblia diz
sobre a família, e em muitos casos, a alterarem a estrutura de suas
igrejas e ministérios (que também foram feminizados) para fortalecerem
a família em vez de miná-la. Faz-se necessário que pastores e anciãos
respeitem a instituição pactual da família, parem de entregar o senhorio
de suas famílias, parem de perseguir aqueles homens que buscam uma
“desfeminização” das suas próprias famílias. Faz-se necessário que
pastores e anciãos sejam um exemplo para o rebanho na
“desfeminização” das suas próprias famílias. E faz-se necessário que
professores e pregadores com a coragem e a convicção de João Knox e
João Calvino exponham as mentiras venenosas do dogma feminista e
declararem e defendam o padrão bíblico para a família desde o púlpito.
[291]
OS BENEFÍCIOS DO CASAMENTO DE ACORDO COM
A BÍBLIA
Marx, Engels, Simone de Beauvoir, entre outros citados,
desconsideram a importância do casamento, contudo, nós
cristãos temos que valorizá-lo, pois:
O conceito bíblico de casamento é único e diferente de todos os demais.
Muitas pessoas pensam que o casamento é apenas a legalização da atração
física ou, então, simplesmente uma conveniência humana, fruto da
necessidade social. Entendemos, porém, pela Escritura, que o casamento é
uma instituição divina, algo criado e ordenado por Deus para a raça humana.
[292]
O marxismo e o feminismo causaram um estrago horrível
na mentalidade ocidental com relação ao casamento, ao
ensinarem que a família conjugal foi inventada pelo macho
burguês.
A instituição social que o feminismo tem mirado como uma das mais
opressivas a mulher é a família tradicional. Por “família tradicional” queremos
dizer a estrutura familiar desenvolvida na sociedade ocidental, sob a influência
direta do cristianismo e a Bíblia. Na família tradicional, o homem é o cabeça
do lar e o responsável por prover as coisas necessárias para o sustento da
vida. A mulher é a “mantenedora do lar”, e sua principal responsabilidade é o
cuidado com as crianças. A família tradicional assim definida é de acordo com
o plano bíblico para o lar. Feministas odeiam a família que é padronizada de
acordo com a Palavra de Deus porque é contrária a tudo que aceitam como
verdade. Portanto, seu objetivo é a destruição total da família tradicional. A
feminista Roxanne Dunbar disse claramente: “Em última análise, queremos
destruir os três pilares da sociedade de classes e castas — a família, a
propriedade privada e o estado”. Feministas buscam subverter a família
tradicional, e no seu lugar almejam uma instituição social radicalmente
diferente que é moldada segundo o dogma feminista. [293]
Simone, uma patrona intelectual do feminismo, apregoou a
libertação da mulher dos moldes do casamento bíblico. Desde
Marx que a família vem sendo atacada. Assim, esse tipo de
mentalidade vem tomando conta do mundo. Por isso:
O casamento, como instituição, tem sofrido alterações radicais, especialmente
no Ocidente, em virtude de diversas mudanças sociais: o crescimento do
número de jovens que praticam o sexo antes do casamento como resultado
do afrouxamento dos padrões morais da sociedade moderna; o aumento da
idade média em que as pessoas se casam; mais e mais mulheres casadas
seguindo uma carreira profissional e deixando o lar e os filhos em segundo
plano; a liberalização das leis concernentes ao divórcio; a legalização do
aborto em vários países; a melhora na eficácia e a facilidade de acesso aos
meios de controle da natalidade; as mudanças nos papéis tradicionais do
homem e da mulher. [294]
William Einwechter assim escreveu:
... a feminização da família foi estabelecida no Ocidente! O conceito cristão de
família foi substituído pela ideia feminista de família: divórcio fácil substituiu a
visão pactual do casamento; igualitarismo substituiu a liderança masculina; o
homem e a mulher como provedores em parceria substituiu o homem como
provedor; a esposa e mãe que trabalha fora do lar substituiu a mulher como
dona do lar; a mãe como uma empregada profissional substituiu a mãe como
cuidadora de suas crianças; “planejamento familiar” e “controle de natalidade”
substituíram a grande família. [295]
Casamento é benção. Foi Deus quem criou o casamento.
Portanto, o casamento deve ser visto assim. Muitos
casamentos se tornam um “inferno” pela razão dos cônjuges
não seguirem as orientações estabelecidas por Deus para a
relação marital. Por essa razão, é válido destacar que o
casamento possui alguns benefícios tanto para o homem
quanto para a mulher, a saber: preencher o vazio que há
naturalmente no homem e na mulher (v. 18) — “não é bom que
o homem esteja só”. Para o reformador João Calvino, Deus
criou a mulher para que a solidão existente na vida do homem,
por falta de par semelhante a ele, viesse a ser dizimada. [296]
É válido considerar, segundo Tim LaHaye, que:
[...] os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26), e
receberam uma alma eterna (Gn 2.7), e um simples parceiro não era
suficiente para as necessidades emocionais e espirituais do homem. Foi
por essa razão que Deus planejou que o homem e a mulher fossem bem
mais do que parceiros — que fossem auxiliadores. Nisso é que está o
segredo de um casamento feliz. [297]
Deus percebe que faltava algo na vida do homem, que
havia uma solidão permeando o homem e, por isso, faz a
mulher para preencher o vazio, para dizimar a solidão. O
homem [macho] estava só no sentido de não ter “outro”
semelhante e, ao mesmo tempo, diferente dele. “Outro” que
pudesse lhe complementar. Por isso, Deus criou a mulher,
“outro sexo” igual e diferente. Igual por ser da mesma
“essência” e diferente por ser do “sexo oposto”, isto é, feminino.
Masculino e feminino se complementariam. Assim foi o que
aconteceu, pois ambos se tornaram uma só carne por meio do
casamento. A solidão existente na vida do homem [macho],
constatada pelo próprio Deus, havia sido sanada com a criação
da mulher (Gn 2.24).
Por isso, o versículo 19 fala da criação dos animais para
valorizar a mulher. Deus está dizendo ao homem, nas
entrelinhas, o seguinte — a mulher é mais importante que os
animais. Aqui devo destacar duas lições a vocês. Primeira lição
— a mulher possui um lugar de destaque na vida do homem;
ela não é como um animal; não deve ser vista e tratada como
um animal; como uma coisa; um objeto; ela não deve ser
coisificada. A segunda lição — relacionamento conjugal não
deve ser pautado na ética animal, [298] mas na ética
matrimonial [sexo dentro do casamento]; fidelidade. Deste
modo, homem e mulher são chamados a preencher a solidão —
o homem a preencher a solidão que há na mulher e a mulher a
preencher a solidão que há no homem — sendo um fiel ao
outro.
Outro benefício que o casamento possui é fazer do
homem e da mulher um só corpo (v. 23). E disse o homem:
"Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne".
Casamento pede poesia — essa é uma poesia magnífica
dedicada a mulher, pois osso e carne fazem parte do corpo; o
osso é a parte dura e sólida que forma o esqueleto humano, e
esqueleto traz a ideia de estrutura. Portanto, no casamento o
homem passa a ser a estrutura da mulher, e a mulher, do
homem. Noutras palavras, um não poderá viver mais sem o
outro. Por conseguinte, também podemos destacar aqui a ideia
de afinidade, que significa vínculo de parentesco ocasionado no
casamento.
O casamento proporciona afinidade justamente por ser a
junção de osso com osso, conquanto os ossos sem a carne não
podem se movimentar, pois a estruturahumana sem carne é
carcaça. Da mesma forma, casamento sem afinidade é igual a
carcaça; só tem estrutura, mas não tem afinidade,
relacionamento sadio.
A carne possui tecidos — um dos tecidos é o tecido
muscular — responsáveis por todos os movimentos do nosso
corpo desde os batimentos cardíacos até o ato de caminhar.
Quando disse “esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da
minha carne”, Adão expressa a Eva o seguinte: meus
sentimentos são compartilhados com você; meus sonhos são
compartilhados com você; minha vida é tua; eu sou teu.
Outro benefício do casamento são os filhos. Os filhos, na
perspectiva de Deus, devem ser concebidos a partir do
casamento. Deus instituiu o casamento também com a
finalidade de, a partir dele, povoar a terra (Gn 1.28); portanto, a
ideia de filhos fora do casamento, como insinuou Engels, não
está de acordo com a vontade de Deus.
Os filhos dentro do lar cristão devem ser bênçãos. Deus a
eles escreve, por meio de Paulo, em Efésios 6.1-4:
1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
2 Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa),
3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.
4 E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e
na admoestação do Senhor.
OS FILHOS NO LAR CRISTÃO
Efésios 6.1-4 é um dos textos bíblicos que explicitam os
papéis que cada membro da família cristã possui. Os versos 1 e
2 do capítulo 6 destacam o papel dos filhos no lar cristão. O
verso 1 ensina que os filhos devem ser submissos aos pais
como consequência natural da submissão a Deus. A expressão
“obedecei a vossos pais no senhor...” indica a ambiência
pactual que a família cristã, família da aliança vive.
Em Deuteronômio 28, Moisés evidencia bênçãos
decorrentes da obediência a Deus e maldições decorrentes da
desobediência — no pacto [acordo]. É preciso lembrar que
Deus fez um pacto com seu povo, em que seu povo deveria
manter-se fiel aos seus mandamentos. Êxodo 20 retrata essa
realidade. Portanto, Paulo está dizendo: “Filhos vocês devem
obedecer vossos pais assim como vocês devem obedecer
vosso Deus”. Escute: “Os filhos devem obediência aos pais [no
lar cristão] como os servos de Deus devem obediência a Deus”.
Mas qual a razão? Justamente por ser dos pais a
responsabilidade de orientar seus filhos nos caminhos do
Senhor. Submeter-se significa escutar as orientações dos pais,
o ensino dos pais, as lições expostas pelos pais. Obviamente
que pais crentes vão ensinar para seus filhos os caminhos do
Senhor Deus. Os filhos de pais crentes são filhos do pacto.
Pedro, em seu discurso no dia da festa judaica conhecida como
Pentecostes, vai ensinar que os filhos de pais crentes são filhos
do Senhor (At 2.39). Como disse o salmista: “são herança do
Senhor” (Sl 127.3).
Portanto, obedecer [escutar] pai e mãe é um compromisso
dentro do acordo firmado entre o povo de Deus e Deus. Escutar
pai e mãe é ordem de Deus. Sendo assim, os filhos devem
escutar seus pais e não as novelas, e não os filmes, e não os
coleguinhas. Infelizmente constatamos muitos filhos rebeldes
que não escutam seus pais e, por isso, temos visto um índice
enorme de jovens e adolescentes perdidos, entregues a
realidades comportamentais deploráveis.
Filhos que não escutam seus pais por estarem dando
ouvidos ao mundo, estão caminhando em uma areia movediça;
podem se machucar profundamente como muitos estão se
machucando.
O segundo papel dos filhos no lar cristão que o texto
destaca precisamente no verso 2 é honrar pai e mãe. O que
isso significa? Significa demostrar respeito pelo pai e pela mãe
conforme a instrução do mandamento de Deus: “Honra a teu
pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu Deus, te ordenou, para
que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra
que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Dt 5.16).
A palavra honrar, no texto de Efésios 6.2, significa
“estimar, fixar valor, ter honra ou reverenciar”. Independente das
circunstâncias. Quantos filhos não honram seus pais;
desprezam seus pais por serem pobres ou despreparados
intelectualmente. Filhos que se envergonham dos seus pais. É
triste ouvir de uma mãe ou de um pai: “Meu filho [ou filha] tem
vergonha de mim!”. Quantos pais são abandonados em asilos
por seus próprios filhos. É triste a realidade que abarca muitas
famílias, até cristãs, na atualidade.
Filhos [no lar cristão] devem honrar seus pais. Devem
enxergar seus pais com respeito, com admiração. Que Deus
conceda a você [leitor] a felicidade de ter pais que se sintam
honrados por você, pois obedecer e honrar os pais é
mandamento com promessa.
É benção, como ensina o versículo 3.
Desobedecer a Deus causa consequências terríveis na
vida, assim como desobedecer pai e mãe; “por ser o mesmo
que desobedecer a Deus” (Dt 5.16). Por isso que é justo [gr.
dikaios], ou seja, agradável a Deus.
CAPÍTULO 4: MORAL E IMORAL: QUEM
OS QUALIFICA É O AMOR?
Alguns pastores da atualidade têm ensinado que com
amor tudo pode. Deste modo, um jovem pode transar com uma
jovem antes do casamento, desde que haja amor entre eles.
Um homem pode ter relação sexual com outro homem, desde
que haja amor entre ele e o outro homem. Em síntese, ensinam
que sexo entre homem e mulher com amor pode ser praticado
fora do casamento; sexo pode ser praticado entre pessoas do
mesmo sexo, desde que entre elas exista amor. A sociedade
tem vivido de acordo com tal ideologia. Contudo, quem define o
que deve ser praticado na esfera comportamental é Deus. Deus
quem define o que é certo e errado, o que pode e o que não
pode. É a Palavra de Deus que define o que é moral e imoral
nas relações humanas.
Existem comportamentos que são condenados por Deus. As
obras da carne, os desejos pecaminosos que redundam em
comportamentos desprezíveis perante Deus. Deus proíbe e
condena as obras da carne, sejam elas quais forem. O homem
ou a mulher, que vive de acordo com as obras da carne, vive
caminhando para a condenação eterna (Gl 5.19-21). Existe uma
teologia que ensina que em nome da graça Deus aceita tudo,
portanto, tudo é permitido. Relacionamento homossexual, se for
regado com amor, não pode ser proibido e muito menos
condenado. Deus aceita tudo, desde que seja em nome do
amor.
Somos pessoas compostas por duas realidades ou
substâncias [uma material e outra imaterial], por isso, somos
uma unidade psicossomática (psykhé-alma) + (soma-corpo) =
alma-corpo. Assim, ambas precisam ser sustentadas.
Quem vive em detrimento mais da carne, que é corrupta,
já que foi contaminada pelo pecado original, vive segundo o
curso desse mundo, mas quem vive mortificando “os desejos”
do corpo, na linguagem paulina, certamente viverá (Rm 8.13).
Paulo, em Romanos 8, faz uso da metáfora da carne e do
Espírito — substâncias que compõem o ser humano — com
intuito de evidenciar as duas realidades existentes no mundo: a
carnal — voltada aos prazeres do corpo, portanto, mundana; e
a espiritual — voltada as orientações de Deus para a vida.
Segundo percebemos no texto mencionado, especialmente dos
versos 1 ao 11, a vida, segundo o “pendor” [299] de uma ou
outra, dita os comportamentos de uma pessoa. Por
conseguinte, podemos dizer que existe um pendor que norteia
comportamentos, ou seja, duas evidências no tocante a
inclinação comportamental no curso da existencialidade de
cada pessoa: a inclinação para a carne e a inclinação para o
Espírito.
O termo “cogitar” das coisas da carne que aparece no
verso 5 significa insistir a respeito de algo que satisfaz a carne
e não a Deus. “Cogitar” das coisas do Espírito significa insistir a
respeito de algo que satisfaz a Deus, que agrada a Deus. Deste
modo, quem “anda” nos caminhos da carne externa as obras da
carne: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias,
inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões,
facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes
a estas […]” (Gl 5.19-21). Porém, quem “anda” nos caminhos
do Espírito externa “o fruto” do Espírito: “amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão,domínio próprio […]” (Gl 5.22-23).
Paulo, com muita propriedade, destaca os resultados de
quem vive tanto nos caminhos da carne quanto nos caminhos
do Espírito. Os resultados de quem percorre os caminhos da
carne: morte (Rm 8.6). Um dos desdobramentos dos caminhos
da carne na vida é a morte física, pois quem vive dando lugar
aos desejos cavernosos da carne se entrega aos mais
arriscados costumes, hábitos, como a bebida alcoólica.
Quantos morrem de cirrose? Quantos morrem de acidentes
automobilísticos, por causa da embriaguez? Também o sexo
sem compromisso é causa de muitas mortes, a AIDS, doenças
sexualmente transmissíveis etc. Outro dos desdobramentos dos
caminhos da carne na vida é morte eterna. Morte eterna não
significa deixar de existir por toda a eternidade, mas ficar
separado de Deus por toda a eternidade. Morte eterna é o
oposto de vida eterna, que segundo a teologia bíblica é a
comunhão com Deus em Cristo por toda a eternidade. Nas
Escrituras, vida eterna é sinônimo de comunhão com Deus.
Adão, quando pecou, não perdeu a imortalidade no
sentido de que fisicamente não podia morrer e por ter
desobedecido a Deus passou a morrer. De maneira nenhuma
podemos pensar assim, pois as Escrituras indicam que Adão
passou a morrer não por ter sofrido uma transformação em sua
condição anatômica, mas por ter perdido a comunhão com
Deus por causa da desobediência, uma vez que vida eterna é
igual à comunhão com Deus. É fato que alguns pais da Igreja
defendiam a ideia da imortalidade de Adão que foi perdida com
a queda, o que seria uma espécie de imortalidade condicionada
a obediência, mas os reformadores preferiam chamar a
condição de vida de Adão no Éden de “vida natural perfeita’’. Eu
fico com a visão dos reformadores, pois entendo que o que
aconteceu com Adão foi um afastamento da fonte de vida,
Deus. Alguém poderia perguntar: Se Adão não tivesse caído,
ele morreria mesmo assim? Não, visto que Adão gozava de
comunhão perfeita com Deus. Segundo o texto de Gênesis 3, a
morte física e espiritual passou a fazer parte da realidade do
homem pós-queda. Deste modo, percebemos que a morte é
fruto da descomunhão com Deus, logo, a vida eterna é fruto da
comunhão com Deus.
Em suma, podemos dizer que os que vivem segundo a
carne não vivem em paz (Rm 8.6) por uma questão óbvia: Um
adúltero vive em paz? Um mentiroso vive em paz? Um ladrão
vive em paz? É claro que não, em razão de viverem na
contramão da vontade de Deus, destarte são inimigos de Deus
(Rm 8.7). Mas os resultados de quem percorre os caminhos do
Espírito são maravilhosos; opostos aos resultados amargos
promovidos pelos caminhos da carne. A paz (Rm 8.6),
tranquilidade, será notável na vida de quem segue os caminhos
do Espírito, pois é lógico que quem não mente, adultera, rouba
etc., tem paz em relação à sua consciência e interação social.
Na consumação de todas as coisas, a vida eterna será
evidente na vida de quem percorre, no curso da vida, pelos
caminhos do Espírito, dado que “nenhuma condenação recairá
sobre os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
É estranho à Escritura Sagrada qualquer tipo de ideologia
que apregoa “o proibido proibir” em nome da graça de Deus.
Existe uma vertente teológica [muito antiga] que ensina que a
graça de Deus é mais que abundante e, por isso, aos que por
ela foram alcançados não está a necessidade de cumprir as
exigências da Lei Moral de Deus. C. E. B. Cranfield, em seu
comentário de Romanos 6, comenta:
No versículo 1, Paulo refere-se a falsa conclusão que, ele sabe, alguns serão
inclinados a tirar do que foi dito em 5.20b, a saber, que deveríamos continuar
pecando para que a graça se multiplicasse muito mais, e a rejeita
enfaticamente. Os versículos de 2 a 11, cuja finalidade é justificar o repudio
desta falsa conclusão, estão todos relacionados com a morte do cristão e a
ressurreição com Cristo […]. [300]
A má compreensão de que a justificação pela fé possibilita
uma vida voltada às más obras foi algo que Paulo teve que
combater. Uma heresia que surgiu e causou transtornos na vida
da igreja. Paulo combateu essa heresia, que ficou conhecida
como antinomiana. Os antinomianos ensinam que a Lei Moral
não deveria ser observada, pois a graça é que garante a
salvação e não a observância à Lei Moral de Deus. Eram
contrários a Lei Moral. Paulo, em Romanos 6, escreve
combatendo essa heresia dizendo: “Que diremos, pois?
Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais
abundante? De modo nenhum! […]” (Rm 6.1-2a). John Stott
escreve acerca da distorção antinomiana dizendo:
Insinuavam, por implicação, que o evangelho de Paulo, ao anunciar a
gratuidade da graça, na verdade incentivava a desobediência à lei — aliás,
colocando até um prêmio para o pecado, já que prometia aos pecadores o
melhor de ambos os mundos: eles podiam pecar livremente neste mundo,
sem o menor perigo de perder o direito ao mundo vindouro. O termo técnico
usado para descrever os que defendem esse argumento é "antinomianos",
pois eles se colocam contra a lei moral (nomos) e pensam que podem
dispensá-la. O antinomianismo tem uma longa história no seio da igreja. Nós
já o encontramos no Novo Testamento, nos falsos mestres que Judas
descreve como "ímpios, que transformam a graça de nosso Deus em
libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor”. [301]
Vejam que claramente Paulo descarta a vida sem
restrições, entregue aos desejos pecaminosos da carne. O
contrário era ensinado pelos antinomianos. Pregavam a
possibilidade de uma vida entregue aos desejos mais escusos,
apinhados dos mais perniciosos males. Eram adeptos da vida
libertina, da vida sem restrições; sem limites; sem leis para
delimitá-la. O horror imoral prescrito pelos antinomianos levou o
apóstolo Paulo a escrever, em Romanos 7, acerca da vigência
da Lei Moral e de sua funcionalidade.
Paulo descreve a lei de Deus como santa (Rm 7.12), ou
seja, separada para ser guardada, observada pelos servos de
Deus: ela serve de parâmetro para quem já está salvo, mas não
é meio de salvação. A lei não salva, mas mostra qual é a real
condição do homem diante de Deus; pecador, incapaz de
guardá-la e de ser salvo por meio dela (Rm 7.7-13). “Pecar
contra a lei é pecar contra o Deus da lei. Quando transgredimos
um mandamento da lei de Deus, nos colocamos em oposição
ao próprio Deus”. [302]
A função da lei portanto é mostrar que o homem é pecador
(Rm 7.7-8); incapaz de cumprir toda a exigência dela e ser
salvo por meio dela. Portanto, Paulo estabelece que a
justificação se dá por meio da fé em Cristo (Rm 5.1); a
justificação é pela fé em Cristo e não pelas obras da lei.
Martinho Lutero, no século 16, foi o ferrenho defensor da
justificação pela fé. Lutero ensinou que o homem não é
justificado pelas obras, mas sim pela fé em Cristo.
A salvação não vem por intermédio das boas obras, mas
por meio da fé em Cristo Jesus, afirmava Lutero. Contudo,
segundo Sproul em seu Comentário de Romanos, Martinho
Lutero foi acusado de antinomiano por ter levantado a bandeira
da justificação pela fé, assim diz Sproul:
Na época da Reforma, no século XVI, Lutero foi acusado de antinomianismo;
“anti” significa "contra" ou "oposição a", e nomos é a palavra grega para "lei".
Antinomian significa, portanto, "se opor à lei de Deus" ou "contra a lei de
Deus”. A Igreja Católica Romana temia que as pessoas iriam tomar a doutrina
da sola fide, a justificação pela fé somente, como uma licença para pecar. Se
a justificação é somente pela fé, sem obras, o leigo vai entender que isso
simplesmente significa ele é salvo pela graça, somente pela fé, para que ele
possa viver, no entanto, ele quer viver. Era fundamental para os reformadores
do século XVI responder a essa acusação porque eles tinham a mesma
preocupação. Eles lembraram seus amigos na Igreja Católica Romana que
Paulo aborda essa questão em Romanos 6. Lutero respondeu à acusação,
explicando que somos justificados pela fé, mas não por uma fé que está
sozinha. [...] a justificação pela fé nunca foi destinada por Deus como uma
licença para pecar.
Toda vez que o evangelhoé pregado, o demônio do antinomianismo bate à
porta e diz que se somos justificados pela fé, então as obras não contam, e se
as obras não contam, em seguida, as obras não importam. O trabalho que
fazemos nunca vai contribuir para a nossa justificação; nesse sentido, nossas
obras não contam. O fruto da verdadeira fé, o fruto da verdadeira justificação,
será sempre a conformidade com a imagem de Cristo. Isso é o que Paulo está
começando a significar para nós. [303]
A consciência da lei é boa, pois estabelece a perfeita e
agradável vontade de Deus para os homens. Estabelece o
modo de vida que agrada a Deus, direcionando-nos a caminhar
em conformidade com a imagem de Cristo.
Sproul, falando sobre a má compreensão dos teólogos
católicos a respeito da “justificação pela fé” em seu livro Como
devo viver neste mundo?, observa:
Teólogos católicos romanos no século XVI expressaram temor dessa
distorção do conceito bíblico da justificação. Eles temiam que a insistência de
Martinho Lutero na justificação somente pela fé desencadearia um dilúvio de
iniquidade por parte daqueles que entenderiam a doutrina precisamente
nestes termos. O movimento luterano foi rápido em ressaltar que embora a
justificação seja somente pela fé ela acontece por um tipo de fé que não está
sozinha. A menos que a santificação do crente seja evidenciada pela
verdadeira conformidade com os mandamentos de Cristo, é certo que
nenhuma justificação autêntica aconteceu realmente nele. [304]
A bondade da lei está nas suas orientações para a vida.
Vejam que todas as recomendações da lei são para a vida, são
para garantir o bem-estar do homem, são para prover alento
para o homem pecador, escravo do pecado (Rm 7.18-23). É
bússola para quem não quer andar pelos caminhos enlameados
pela lama danosa do pecado; contudo, é remédio amargo para
quem escolhe os caminhos do mal moral, da desobediência (Dt
28.15).
Em se tratando da salvação na vida de alguém, a
obediência à lei se mostra como sinal de que a graça de Deus
se tornou operante, pois Jesus, em João 10.27, disse: “As
minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem”. Os
puritanos na Inglaterra diziam que o eleito possui duas marcas
— a marca da orelha e a marca dos pés; ouvem e seguem as
palavras de Jesus. Jesus resumiu a Lei Moral de Deus em amar
a Deus e ao próximo (Mt 22.34-40), portanto a realidade em se
tratando da lei de Deus é de observá-la. Não existe a opção de
um salvo viver sem ter a lei de Deus como regra para a vida.
“No século I, os cristãos eram chamados de "pessoas do
caminho”. Jesus chamou seus discípulos a andarem no
caminho estreito e a entrarem pela porta estreita que conduz à
vida. Enquanto advertiu sobre o caminho largo que conduz à
perdição (Mt 7.13-14)”. [305]
É claro e notório nos escritos de Paulo que a Lei Moral não
se tornou obsoleta. Conquanto, existem correntes que
descartam a necessidade de viver de acordo com a Lei Moral
na era pós-apostólica. Interpretam equivocadamente os textos
bíblicos ao considerarem a Lei Moral inadequada para a vida da
Igreja. Na era neotestamentária, várias ideologias macabras
ganharam espaço ensinando a liberação dos desejos da carne.
Os nicolaítas e os balaamitas foram dois grupos que
causaram inúmeras dificuldades no campo da moral nas igrejas
cristãs do primeiro século. Acerca dos balaamitas, Pedro e
Judas registram: "Os quais, deixando o caminho direito, erraram
seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o
prêmio da injustiça” (2Pe 2.15). "Ai deles! Porque entraram pelo
caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de
Balaão, e pereceram na contradição de Coré." (Jd 11). Temos
no Apocalipse a indicação de igrejas que estavam sendo
influenciadas por tais heresias. À Igreja de Pérgamo Jesus
escreve: “Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens
lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava
Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que
comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem.
Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o
que eu aborreço” (Ap 2.14-15).
Balaão é um personagem do Antigo Testamento que
aconselha o rei Balaque a adotar um estratagema diferente
contra os israelitas. Balaque tinha a intenção de destruir o povo
de Israel (Nm 22.6,11) e para isso busca o profeta Balaão (Nm
22.5). Hernandes Dias Lopes, acerca de Balaão, escreve:
Balaque contratou Balaão para amaldiçoar a Israel. Balaão prostituiu os seus
dons com o objetivo de ganhar dinheiro. O deus de Balaão era o dinheiro.
Mas quando ele abria a boca só conseguia abençoar. Então Balaque ficou
bravo com ele. Aí por ganância, aconselhou Balaque a enfrentar Israel não
com um grande exército, mas com pequenas donzelas sedutoras. Aconselhou
a mistura. Aconselhou o incitamento ao pecado. Aconselhou a infiltração, uma
armadilha. Assim, os homens de Israel participariam de suas festas idolatras e
se entregariam à prostituição. E o Deus santo se encheria de ira contra eles e
eles se tornariam fracos e vulneráveis. [306]
A tática passada por Balaão a Balaque foi de incitar o povo
de Israel com mulheres moabitas a pecarem contra Deus. A
arte da sedução advinda de Balaão foi uma pedra de tropeço
para o povo de Israel, pois funcionou; o povo seguiu a idolatria,
as festas sacrificiais pagãs. A Igreja de Pérgamo estava
incorrendo no mesmo erro dos filhos de Israel, pois alguns dos
seus membros haviam cedido à doutrina de Balaão, noutras
palavras, estavam adotando comportamentos pagãos. A
mistura do sagrado com o profano: o ecumenismo religioso;
estavam participando das festas cultuais pagãs, além da
imoralidade sexual que era tolerada.
Os nicolaítas sustentavam a ideia de que quanto mais o
crente pecasse mais abundante seria a graça de Deus sobre
sua vida. Hernandes expõe o ponto de vista da doutrina
maligna dos nicolaítas dizendo:
Os nicolaítas ensinavam que o crente não precisa ser diferente. Quanto mais
ele pecar maior será a graça. Quanto mais ele se entregar aos apetites da
carne, maior será a oportunidade do perdão. Eles faziam apologia ao pecado.
Eles defendiam que os crentes precisam ser iguais aos pagãos. Eles deviam
se conformar com o mundo. Cristo odeia a obra dos nicolaítas. Ele odeia o
pecado. O que era odiado em Éfeso era tolerado em Pérgamo. [307]
O liberalismo moral tem sido malignamente presente em muitos
contextos denominados evangélicos em nosso tempo. A antiga ideia
de que a graça é abundante e, por isso, não há necessidade de se
preocupar com os comportamentos pecaminosos, tem sido, nas
entrelinhas, a consciência de muitos que se apresentam como
cristãos. O índice de imoralidade entre os chamados evangélicos
hoje é altíssimo; uma grande porcentagem dos cognominados
evangélicos levam uma vida dupla, uma vida com “um pé na igreja e
outro no mundo”. É assustador vermos pessoas que se classificam
como evangélicas adotando comportamentos imorais, pecaminosos.
Faz uns 2 anos que tive a infelicidade de assistir um programa de
TV que estava entrevistando uma garota de programa que se dizia
evangélica.
O nível de aceitação do que é imoral entre os chamados
evangélicos modernos é agigantado, pois temos pessoas que
ganham a vida desempenhando atividades que não se afinam
com o ensino escriturístico, dizendo serem evangélicas e sendo
aceitas em muitos segmentos denominados evangélicos. Além
de garotas de programa que se declaram evangélicas, temos
músicos, dos mais variados estilos, que levam uma vida voltada
a bebedices, a prostituição, a drogas, declarando-se
evangélicos. Destarte, temos um número enorme de
evangélicos nominalistas: aqueles que só são no nome, na
teoria, mas não na prática; não vivem de acordo com o
evangelho autêntico de Cristo (Tg 1.22).
A salvação se dá unicamente pela graça de Deus, isso é
fato, contudo os que são pela graça alcançados vivem de
acordo com os ensinos de Jesus Cristo. Paulo destaca que os
que estão em Cristo estão mortos para o pecado; mortos para
uma vida voltada ao pecado (Rm 6.2-14). Cristo nos resgatou
pela graça bendita do Pai parasermos praticantes de boas
obras; “para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em
amor” (Ef 1.4; 2.1-10). Portanto, a graça não exclui a lei, pois a
lei serve como guia para os que já estão na graça [salvos].
Deste modo, ao revogar a lei em nome da graça, fica evidente
que o indivíduo não foi alcançado pela graça, pois não há
salvação para a libertinagem moral, mas sim para a
santificação.
Temos que entender que a salvação é ato de graça, deste
modo, não depende do esforço humano alcançá-la, conquanto
os que por ela foram alcançados evidenciam por meio dos seus
frutos. Jesus disse que conhecemos a árvore pelos frutos (Mt
7.16; Lc 6.44), destarte os frutos da salvação na vida do salvo
são inevitáveis. Deus é luz, diz João em 1João 1.5, e quem é
de Deus vai andar na luz guardando os mandamentos de Deus
(1Jo 2.3). “Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus
mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (1Jo
2.4). Viver justificando o pecado em nome da graça é viver na
mentira e no engano, é ser cristão nominal. Aqueles que vivem
assim estão, infelizmente, no engano maligno, além de estarem
perdendo tempo. Estão na terrível ilusão de “uma vez salvo,
salvo para sempre” independente da vida que levarem.
Os calvinistas são conhecidos como os que ensinam que
“uma vez salvo, salvo para sempre”, pois defendem a doutrina
da eleição, porém não ensinam, como pensam alguns, que
“uma vez salvo, salvo para sempre” indica poder pecar à
vontade, pelo contrário, os calvinistas ensinam que os
genuinamente salvos perseverarão até o fim (Ap 2.11), não
terão uma vida entregue ao pecado. Calvino foi um ferrenho
defensor da vida voltada à santificação. Nas Institutas, Calvino
escreveu que os cristãos dependem da lei, tendo em vista que
ela os direciona a fazer a vontade de Deus. Assim escreveu
Calvino:
“Os crentes… se beneficiam da lei porque dela aprendem mais
completamente, cada dia, qual é a vontade do Senhor…Isto é como se um
servo, já preparado com total disposição de coração para se recomendar ao
seu senhor, tivesse de descobrir e considerar os caminhos de seu senhor,
para se conformar e se acomodar a estes. Além disso, embora sejam
impulsionados pelo Espírito e mostrem-se dispostos a obedecer a Deus, os
crentes ainda são fracos na carne e prefeririam servir ao pecado e não a
Deus. Para a nossa carne, a lei é como uma chicotada em uma mula ociosa e
obstinada, uma chicotada que a faz animar-se, levantar-se e dispor-se ao
trabalho”. [308]
Os teólogos calvinistas, em todos os tempos, sempre
ensinaram a vida voltada à piedade; os puritanos, calvinistas
ingleses, insistiam na vida pura, foram chamados de puritanos
justamente por insistirem na vida voltada à piedade, à
santificação.
Rogamos a Deus para que a igreja contemporânea
entenda que a vida com Deus deve ser de santificação, de
dedicação à guarda dos seus santos mandamentos (1Jo 3.1-
10).
Nas palavras de Vincent Cheung:
Alguns apologistas do homossexualismo argumentam que a lei de Deus
condena somente a prostituição ritual masculina. Eles argumentam que o
moderno homossexualismo não tem nada a ver com o homossexualismo
pagão e idólatra praticado nos tempos antigos. Deus claramente condena a
prostituição masculina e os ritos cúlticos de fertilidade associados a ela;
Deuteronômio 23.17-18 se aplica à prostituição cúltica. Mas Levítico 18.22 e
20.13 não mencionam a prostituição cúltica em lugar algum. “Se um homem
se deitar com outro homem como se fosse mulher, ambos cometeram
abominação. Devem ser mortos. Seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20.13).
A tentativa de consolidar todas as proibições contra o homossexualismo
dentro de algo que somente concorde com a antiga prostituição cúltica revela
um óbvio viés pró-homossexual por parte destes intérpretes. Eles forçam o
texto bíblico à um molde pró-homossexual. Eles estão sendo desonestos com
a clara intenção da Palavra de Deus. Eles estão lendo suas próprias
pressuposições pró-homossexuais na lei de Deus. É ilegítimo condensar três
proibições distintas (Lv 18.22, 20.13; Dt 23.17-18) em apenas uma.
Intérpretes pró-homossexuais sabem disto, mas não se importam, porque eles
não estão interessados na verdade; eles estão interessados somente em
justificar seu comportamento mau e pervertido. Além disso, sua interpretação
pode ser usada para justificar a relação sexual com ovelhas e cabras, porque
a bestialidade também era parte dos ritos cúlticos de fertilidade. Não se
engane. Deus é contra o homossexualismo em todas as suas formas, tanto
ritual quanto pessoal.
Os argumentos em favor do homossexualismo são nada mais que
lamentáveis desculpas para um comportamento que Deus condena e irá
claramente julgar. “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?
Não vos enganeis. Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem
homossexuais , nem sodomitas, nem ladrões, avarentos, nem bêbados, nem
maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1Co 6.9-10).
Homossexualismo foi condenado por Deus, séculos antes da chegada da lei
(e.g., Gn 19). Ele é explicitamente condenado pela lei de Deus (Lv 18.22,
20.13). Como será mostrado, ele é também claramente condenado no Novo
Testamento pelo apóstolo Paulo. [309]
O Dr. Augustus Nicodemos destaca duas consequências
perigosas da ideologia de gênero:
Primeiro: todas as diferenças sexuais naturais, criadas por Deus de acordo
com a Bíblia, são abolidas. Você pode se reinventar. Segundo, não é difícil de
perceber que a instituição familiar e valores são desafiados. Da mesma forma,
não existe mais certo e errado nestes assuntos. A ideologia de gênero
representa, no fim das contas, um ataque severo à cosmovisão bíblica pela
cosmovisão pagã. [310]
A Palavra de Deus, como exposto, condena as obras da
carne. O comportamento homossexual é obra da carne,
condenável aos olhos do Santo Deus (Is 6.3). Deus é Santo e
condena o pecado (Hb 12.14). O relacionamento homossexual
é pecaminoso. Deus destruiu Sodoma e Gomorra por haver lá,
provavelmente, tais práticas.
Joe Dallas faz a seguinte afirmação:
Houve uma tentativa de estupro homossexual, e os sodomitas com certeza
eram culpados de outros pecados além do homossexualismo. Mas, tendo em
vista o número de homens dispostos a participar do estupro, e as muitas
outras referências — tanto bíblicas como extrabíblicas — aos pecados
sexuais de Sodoma, é provável que o homossexualismo era amplamente
praticado entre os sodomitas. Também é provável que o pecado pelo qual
eles são chamados foi um dos muitos motivos porque o juízo final caiu sobre
eles. [311]
Em Juízes 9 encontramos os homens da cidade de Gibeá,
chamados de filhos de Belial, tentando abusar de um homem. A
prática homossexual é mencionada nesse texto. Esses homens
queriam abusar do homem que estava dentro da casa, mas o
dono da casa implorava para que eles não abusassem do
referido homem. Assim diz o texto no verso 22:
... eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial)
cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa,
dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o
conheçamos. 23 E o homem, dono da casa, saiu a eles e disselhes: Não,
irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em
minha casa, não façais tal loucura. ... 25 Porém aqueles homens não o
quiseram ouvir. [312]
Com o propósito de que tal abominação não acontecesse,
o ancião senhor da casa ofereceu a filha virgem e a concubina
(Jz 9.24) para que eles abusassem delas. Diz o verso 25 que foi
entregue a eles a concubina para que abusassem dela; e foi o
que fizeram (Jz 19.25).
Segundo o escritor Júlio Severo essa passagem se refere à
homossexualidade. Nas palavras de João Luiz Santolin:
Severo afirma que os judeus, por não terem eliminado de seu meio os
costumes dos povos pagãos, acabaram sendo influenciados por eles e
sofrendo graves consequências sociais e morais: “O fato é que os
costumes dos cananeus que habitavam no meio do povo de Benjamin
acabaram minando toda sua resistência moral. O homossexualismo,que
era comumente praticado nas religiões cananeias, foi aos poucos sendo
introduzido na vida social do povo de Deus. “Como consequência, as
ruas de Gibeá deixaram de ser seguras. Nelas, agora, rondavam
estupradores homossexuais. Foi por isso que o velho se dispôs a acolher
os viajantes em casa. Ele quis protegê-los de um eventual abuso
sexual”. [313]
Santolin alerta:
A tragédia moral de Gibeá é um alerta para a comunidade cristã de todos os
tempos. Ela mostra que não só a sociedade secular, mas também os próprios
crentes são suscetíveis de perder a aversão pelas opiniões e práticas sexuais
erradas. O ex-povo de Deus de Gibeá foi destruído porque não amou a
Palavra do Senhor, nem obedeceu a ela. [314]
O conhecido, já falecido, pastor Nehemias Marien foi o
primeiro pastor evangélico a celebrar um casamento gay em
junho de 1998. O mundo evangélico ficou chocado. Mas era de
se esperar, pois Neemias demonstrou inúmeras vezes ter se
apostatado da Sã Doutrina. Foi um apóstata. Um homem que
causou muitos estragos na mentalidade dos que ainda não
estavam firmes na fé, conquanto, sabemos que Deus guarda o
seu povo dos falsos profetas (Mt 7.15) — o termo usado por
Jesus “acautelai-vos” é “mantenham a mente de vocês longe
dos falsos profetas, fujam deles”. Simon Kistemaker,
comentando Mateus 7.15, assim corrobora:
Jesus adverte seus ouvintes: “Acautelem-se dos — literalmente,
mantenham (sua mente) fora de — falsos profetas”. Motivo: ainda que
eles venham “vestidos de ovelhas”, com roupas de lã, como se fossem
mesmo ovelhas, contudo interiormente, são lobos devoradores,
selvagens (cf. 10.16; Lc 10.3; Jo 10.12; At 20.29). Parece que eles são
fingidos, hipócritas. [315]
A Igreja de Cristo não dá e não dará ouvidos aos falsos
profetas e, por isso, que Ela continua e continuará, com a graça
de Deus, se insurgindo contra tais práticas abomináveis.
CAPÍTULO 5: ESPERANÇA PARA OS
HOMOSSEXUAIS
Que atitude as igrejas devem tomar perante a
homossexualidade? Repudiá-la com violência. Tratá-la com “paus” e
“pedras”? Brian Schwertley sabiamente nos responde:
É verdade que muitas pessoas odeiam homossexuais. Alguns até se
envolvem em atos de violência contra gays. Mas é preciso lembrar que as
pessoas que se envolvem em tais atividades estão pecando contra Deus; eles
não estão de todo vivendo de acordo com a lei de Cristo. O verdadeiro cristão
ama o homossexual e mostra isto pela forma como o trata, de uma maneira
correta, de acordo com a lei de Deus (1Jo 5.3). Calúnia, violência, ódio e
desprezo nunca deveriam ser atitudes de um cristão contra homossexuais; os
cristãos devem proteger os homossexuais de ataques pessoais. Todavia,
enquanto os cristãos devem amar os homossexuais tratando-os corretamente,
eles também devem amá-los sendo biblicamente honestos para com eles. A
atitude de alguém contra o homossexualismo não deve ser moldada por
nossa cultura pagã e variável, mas pela revelação inspirada e infalível de
Deus, a Bíblia. A Bíblia oferece esperança ao homossexual porque ela fala a
verdade e proclama perdão dos pecados por meio de Jesus Cristo. [316]
Deste modo, fiquemos com as palavras de Schwertley, agindo
com o homossexual com amor e não com violência. Não somos
soldados de Hitler, não somos soldados Skinheads — somos
soldados de Cristo. Cristo nos ensinou o amor e não a violência.
Portanto, devemos estabelecer o que a Bíblia ensina com relação a
homossexualidade, contudo, não podemos agir em nome de Deus
atacando gays com violência. Cenas de violência contra qualquer
pessoa seja ela gay, heterossexual, devem ser tratadas com
repulsa. Devemos mostrar biblicamente o pecado, mas não
podemos pagar o pecado com outro pecado — a violência. Desta
maneira, cristãos que agem violentamente contra gays não estão
agindo como Cristo agia e age. Cristo, diante da mulher adultera,
que estava prestes a ser apedrejada — violentada fisicamente —
disse: “Vai e não peques mais” (Jo.8.11), como já elucidado.
Infelizmente, nos comportamos muitas vezes como os escribas
e fariseus, pois enchemos o nosso coração de ódio contra quem
precisa de amor. Lembrem-se: o homossexualismo é pecado, como
a mentira, como o adultério, como o roubo, como a idolatria. É o que
Paulo diz em 1Coríntios 6.9 e 10: “Nem homossexuais passivos
[efeminados] ou ativos [sodomitas], nem impuros, nem idólatras,
nem adúlteros, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem
maldizentes, nem roubadores, herdarão ao reino de Deus”.
Lembrem-se: um homossexual pode ser alcançado pela graça
de Deus. Ser transformado — quem pratica a homossexualidade
pode mudar de vida. Deus muda pessoas. Deus muda
comportamentos.
Muitos cristãos estão reproduzindo a célebre frase gay em
relação à homossexualidade: “uma vez gay, sempre gay”. Os
ativistas gays costumam dizer que quem é gay nunca deixará de ser
gay.
Infelizmente, muitos cristãos sustentam essa mesma ideia por
não crerem no poder regenerador da graça de Deus. Assim como
Deus regenera uma prostituta, como fez com Raabe (Tg 2.25 e Hb
11.31), regenera homossexuais, como Paulo sugere no texto de
1Coríntios 6.9-11 quando escreveu “tais fostes alguns de vós” (v.
11). Fostes o quê? Efeminados [homossexual passivo], sodomitas
[homossexual ativo], idólatras, adúlteros, ladrões, avarentos,
bêbados, maldizentes e roubadores (v. 10-11). Fostes — passado —
não são mais. Foram lavados, santificados, justificados em o nome
do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do Nosso Deus, afirma Paulo
(v. 11).
Se em Corinto havia pessoas que eram gays, pessoas que
haviam saído da homossexualidade, por qual razão hoje Deus não
pode mais transformar, mudar, uma determinada pessoa com tal
comportamento?
O ex-gay há mais de 14 anos e hoje pastor, José Ramos de
Souza Neto, no programa Vejam Só, [317] testemunhou que assim
como ele muitas pessoas têm abandonado a homossexualidade.
Inclusive em uma reportagem, apresentada pelo programa, dois ex-
gays mostram que é possível sair da homossexualidade. Logo
depois, o ex-gay José Ramos de Souza Neto, em resposta à
pergunta “É possível abandonar a homossexualidade?”, feita por
Eber Cocareli, pastor e apresentar do programa Vejam Só, afirmou:
“É possível, vai depender da vontade, do querer de quem está
envolvido com a homossexualidade”. Ele cita uma jovem que deixou
um relacionamento homossexual de mais de dez anos. “Ela quis
sair”, afirmou ele! [318]
Existem casos de pessoas, como afirma José Ramos de
Souza Neto, que saem da homossexualidade sem terem passado
pela regeneração, por isso é possível fora da igreja sair da
homossexualidade, mas, por ser um pecado que encarcera
pessoas, entendemos que uma libertação certa e completa vem da
graça de Deus (2Co 5.17). Contudo, há casos de pessoas que não
se converteram e deixaram de vez a homossexualidade pelo pai,
pela mãe, por causas diversas, mas isso não significa que Deus não
agiu para que a libertação do comportamento homossexual
acontecesse, pois entendemos que Deus age por meio da sua
Graça Comum [319] sobre os homens. Existem pessoas que não são
salvas, convertidas, mas que não praticam comportamentos
horrendos, como: o homicídio, o roubo, entre outros. A pergunta que
você deve estar fazendo é: “Mas qual é a razão?”. A resposta está
na Graça Comum de Deus. Deus, sobre a vida de alguns, exerce a
sua graça, que chamamos de comum e por isso que, dentre tantos,
alguns não se tornam homicidas, gays, ladrões, entre tantas outras
coisas. Todo homem é pecador (Rm 3.9-18); é capaz de ser o pior
ser humano possível, por ser naturalmente pecador. Quantos se
surpreendem quando um amigo, um irmão “boa gente” comete um
ato criminoso e dizem: Mas você?
Portanto, a ideia de que uma vez gay, gay para sempre é um
improcedente prático. José Ramos de Souza Neto é prova viva de
que o lema “uma vez gay, gay para sempre” é improcedente, pois
ele foi gay por anos. Aos 17 anos, passou a viver com um homem
mais velho. Viveu por anos esse relacionamento homossexual, no
entanto, conseguiu deixar a homossexualidade. [320] Um jovem que
viveu por anos a homossexualidade e foilibertado dela. Hoje ele
relata que Deus pode libertar pessoas que vivem na
homossexualidade. Michael Horton, comentando o texto de
1Coríntios 6.9-11, destaca que há “esperança para os
homossexuais”. Eis o comentário:
A igreja de Corinto, como as igrejas de hoje, tinha ex-fornicadores, ex-
adúlteros, ex-ladrões, e assim por diante. Embora muitos cristãos nunca
foram culpados dos pecados particulares listados, todo cristão era impuro
antes de ter sido salvo. Todo cristão é um ex-pecador. Cristo veio para o
propósito de salvar pecadores (Mt 9.13). Essa é a grande verdade do
cristianismo: nenhuma pessoa pecou de maneira tão profunda ou prolongada
que não possa ser salva. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”
(Rm 5.20). Mas alguns tinham deixado de ser assim por um tempo, e estavam
voltando ao seu antigo comportamento.
Paulo usa “mas” (alla, a mais forte partícula adversativa grega) três vezes
para indicar o contraste da vida cristã com a vida mundana que ele tinha
acabado de descrever. “Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas
fostes justificados.” Não fazia diferença o que eles eram antes de serem
salvos. Deus pode salvar um pecador de qualquer e todo pecado. Mas faz
uma grande diferença o que um crente é após a salvação. Ele deve viver uma
vida que corresponda à sua limpeza, sua santificação e sua justificação. Sua
vida cristã deve ser pura, santa e justa. A nova vida produz e requer um novo
tipo de vida. [321]
Deus convida o pecador para mudar de vida confessando os
seus pecados e deixando-os (1Jo 1.5-10).
CONCLUSÃO
O PROPÓSITO DA FAMÍLIA
O propósito da família é viver para a glória de Deus.
Famílias são convidadas a adorar a Deus por meio de Jesus
Cristo. Existem famílias que estão afastadas de Deus. Estão
rendidas a realidades que desagradam a Deus. Filhos viciados
em entorpecentes, dominados pelo crack, pais alcoólatras,
mães depressivas.
A realidade de muitas famílias da atualidade tem sido
horrível. Os jornais apresentam — dia após dia — realidades
chocantes que envolvem famílias. Pais que estupram filhas,
filhas e filhos que matam pais, esposos que assassinam
esposas, mães que abandonam seus filhos. A realidade que
abarca muitas famílias da atualidade tem sido macabra.
O caminho da restauração para famílias que estão
atoladas na lama do pecado é a cruz de Cristo. Talvez a sua
família esteja passando por um mundo de extrema dificuldade.
Jesus é a solução.
A família feliz na perspectiva judaico-cristã é a que
caminha seguindo as orientações da Palavra de Deus [Bíblia]
(Dt 6.4-9; 2Tm 1.3-5 e 3.15-17). A família cristã está alicerçada
na cruz de Cristo, por isso, ela tem livre acesso a Deus Pai. Ela
caminha em direção a vontade do Pai. Ela segue as
orientações da Palavra do Pai. Segundo Augustus Nicodemos:
Não podemos dissociar espiritualidade da vida familiar. Todos nós queremos
ser bons cristãos, cheios do Espírito Santo; disso não temos dúvida. Podemos
começar a ser cheios do Espírito Santo colocando em ordem nosso
casamento e nosso relacionamento com os filhos ou com os pais. Não
podemos deixar de ver que a vida espiritual afeta diretamente o casamento e
a família. [322]
Seguir as propostas dos segmentos associados à política
LGBT é viver na contramão da vontade de Deus. Vivemos na
época em que o certo é burlar os mandamentos de Deus.
Infelizmente a sociedade dos nossos dias está cada vez mais
distante de Deus. As famílias estão cada vez mais sendo
influenciadas por ideologias que negam os preceitos divinos.
Casamento gay, transexualidade, travestismo, sexo sem
compromisso. A política LGBT crescendo de maneira
assustadora. Estamos vivendo a era da desconstrução dos
valores cristãos.
DEUS ESTÁ NO CONTROLE DA HISTÓRIA,
PORTANTO, DESCANSE NELE!
Deus perdeu as rédeas da história? O mal triunfará sobre
o bem? A igreja será engolida pelos segmentos da ideologia de
gênero? Talvez essas perguntas estejam fazendo parte da sua
mente e coração em função do que estamos vivendo na
atualidade, mas o que temos que entender é que Deus está no
controle de tudo.
Tudo tem o seu tempo determinado, como pondera
Salomão em Eclesiastes 3.1-14, a saber:
1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo
do céu:
2 há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de
arrancar o que se plantou;
3 tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
4 tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de
alegria;
5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e
tempo de afastar-se de abraçar;
6 tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar
fora;
7 tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
8 tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
9 Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga?
10 Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os
afligir.
11 Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no
coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez
desde o princípio até ao fim.
12 Sei que nada há melhor para o homem do que regozijar-se e levar vida
regalada;
13 e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e
desfrutar o bem de todo o seu trabalho.
14 Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode
acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam
diante dele.
Os opostos existentes na vida são permitidos por Deus.
Morte e vida. Paz e guerra. Alegria e tristeza. Mas com que
razão? Diz Salomão “para que os homens temam diante dele”
(v. 14, parte final). Portanto, os males fazem parte dos
propósitos de Deus “para que os homens temam diante dele”.
São juízos de Deus contra a impiedade. Deus não ia
deixar [como não deixa] os pecados dos homens impunes. A Ira
Dele se revela do céu, diz Paulo, contra toda perversão dos
homens (Rm 1.18). Deus pune o pecado (Gn 11.11-13; 19.1-
29).
Hoje Deus tem julgado os ímpios por meio de juízos
parciais. As trombetas do Apocalipse [323] (caps. 8; 9; 11.15-
19), só para exemplificar, são juízos parciais de Deus contra a
humanidade impenitente.
Deste modo, temos que entender que não existe acaso,
sorte ou azar. Deus faz todas as coisas de acordo com sua
Santa e Perfeita Vontade. Ele é Deus, Senhor de tudo e de
todos. Tudo quanto acontece debaixo do sol, acontece de
acordo com a vontade permissiva de Deus. Deus controla tudo.
Ele tem o domínio de tudo.
Teus, ó SENHOR, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o
esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu, ó SENHOR, é o
reino; tu estás acima de tudo. A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre
todas as coisas. Nas tuas mãos estão a força e o poder para exaltar e dar
força a todos. [324]
Portanto, não podemos temer o avanço do mal, pois o mal
avança de acordo com a vontade permissiva de Deus. O mal
precisa amadurecer [e está amadurecendo] para que o
julgamento definitivo venha.
Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol
se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do
céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa
cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando
se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar.
Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo
escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos
montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos
da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou
o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.12-17).
A progressão do mal não indica que o mal está triunfando,
mas que ele está amadurecendo para que o ponto certo da
maldade entre os homens chegue. A indagação que permeia a
mente de letrados e iletrados é: Se Deus é bom por que existe
o mal? Levou Marx [e outros] a desconsiderar“O Concurso
Providencial de Deus”. Acerca do Concursus Providencial de
Deus o Dr. Heber Carlos de Campos minutou:
É Deus o autor dos males que há no mundo, inclusive os morais? Como
podemos combinar a sua natureza santa com o que acontece de mal no
mundo? Ele opera sozinho?
É necessário que entendamos o governo de Deus teleologicamente, isto é,
como que objetivando um fim. Seu governo é uma presença real entre os
homens e Sua atividade continuada, que tem um curso histórico, caminha
para o seu cumprimento final. Deus dirige a nossa história, e nós somos os
seus agentes. Deus escreve a história e nós a fazemos. Mas essas duas
últimas frases poderiam levar ao conceito errôneo de que fazemos a história
sozinhos. De modo algum! Deus não está ausente dos eventos e dos atos
que os homens praticam. Ele participa em tudo o que fazemos. É aqui que
entra o difícil problema do concursus.
Este assunto relacionado diretamente com a providência divina é uma
expansão do aspecto da preservação e, ao mesmo tempo, o que dá suporte a
toda obra providencial de Deus. Todavia, é mais prudente tratar o concursus
propriamente dito não como mais uma forma de providência, mas o concursus
está mais ligado ao modus operandi de Deus para que os seus propósitos
providenciais sejam devidamente realizados na vida do universo em geral, e
de suas criaturas em particular. Portanto, para que Deus preserve, sustente,
dirija o mundo torna-se necessária a sua participação em todos os eventos e
decisões, a fim de que todos os seus decretos sejam cumpridos. [325]
Portanto, temos que entender que Deus atua. O mal
presente no mundo não exclui a presença de Deus ou a
“Imanência Divina” da e na história. Muitos deram respostas
equívocas a indagação “Se Deus é bom, por que existe o mal?”.
Luís Sayão acerca disso escreveu:
A tentativa cristã de lidar com esse tripé "Deus todo-poderoso", "Deus todo-
amoroso" e "existência do mal", mostrando que a despeito do mal, Deus
continua justo, bom e poderoso foi historicamente denominada Teodiceia. A
palavra foi cunhada em 1710 pelo filósofo alemão Gottfried Leibnitz (1646-
1716). Seu sentido é "justificação de Deus" (do grego theós "Deus" e dikê
"justiça"). A dificuldade do problema foi bem definida pelo filósofo escocês
David Hume (1711-1776) numa retomada do antigo filósofo grego Epicuro
(341-270 a.C.). Conforme escreveu David Hume: “As antigas perguntas de
Epicuro permanecem sem resposta. Quer ele (Deus) impedir o mal, mas não
é capaz de fazê-lo? Então ele é impotente (i.e, não é onipotente). Pode ele
fazê-lo, mas não o deseja? Então ele é malévolo. Não é ele tanto poderoso
como o deseja fazê-lo? De onde, pois, procede o mal? [326]
A ideia que Deus está distante, ausente e, por isso, o mal
existe, ou, que Deus é incapaz de resolver o problema do mal
por ser “impotente” é falsa. Deus age. Deus concorre para que
tudo aconteça de acordo com sua santa e perfeita vontade (Ef
1.11).
O mal moral [pecado] não tem Deus por seu autor, pois
Deus é Santo (Isa 6.3 e 59.2) — Ele não pode pecar.
Habacuque assim declarou: “Tu és tão puro de olhos, que não
podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que,
pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o
perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hb
1.13). Tiago corroborou: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou
tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal
e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13).
Deste modo, Deus não criou o pecado — Ele permitiu a
entrada do pecado no mundo, mas não é o seu autor. O Diabo
é o pai da mentira, a mentira é um pecado, portanto, o pecado
tem um pai, Satanás (Jo 8.44). Mas é certo dizer que todas as
calamidades que existem no mundo, desigualdades, fomes,
dores, pobrezas, doenças e tantas outras, no dizer do profeta
Isaías — Deus quem as cria. Assim diz Isaías: “Eu formo a luz e
crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço
todas estas coisas” (Is 45.7).
Esse mal faz referência aos males naturais. Apocalipse
apresenta esse assunto em seus capítulos 8 e 9 quando nos
apresenta as “Sete Trombetas”. As “Sete Trombetas” são juízos
contra os homens impenitentes, rebeldes. Deus punindo os
homens por sua rebeldia e impenitência. Portanto, a ideia que
diz que Deus está distante, que Deus não quer saber dos
assuntos dos homens, é falsa. Heber Carlos de Campos define
“O Concursus Providencial de Deus” da seguinte forma:
Escrevendo aos efésios Paulo afirma categoricamente que Deus "faz todas as
coisas de acordo com o conselho da sua vontade"(Ef 1.11). Isto quer dizer
que nada do que acontece neste mundo é à parte do cumprimento da vontade
de Deus e sem que ele esteja envolvido. A palavra grega que é traduzida
como "faz" é energeo (de onde vem a palavra portuguesa energia, que é a
comunicação de poder ou o fato de Deus trabalhar), que indica o fato de Deus
energizar cada obra na qual ele participa. Sem a energia ou o poder divino,
nenhum evento acontece e nenhuma obra é feita. A vontade de Deus opera
de modo que em todas as coisas tem participação. Nenhum evento que
acontece no mundo está fora da providência de Deus. Portanto, quando
tratamos da palavra concurso, estamos tratando da participação divina em
todos atos e eventos da história, em cooperação com as causas secundárias,
que são os seres criados. [327]
Deste modo, temos que entender que nada,
absolutamente nada, acontece por acaso. Deus está no
controle. Ele tem a chave do posto do abismo (Ap 9.1).
Temos que lembrar que o mal moral nos dias de Noé havia
chegado ao seu limite e Deus o puniu com o dilúvio. Assim
descreve Moisés [328] em Gênesis 6:
1 Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas,
2 vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram
para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.
3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem,
pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.
4 Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os
filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos;
estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.
5 Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e
que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;
6 então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso
lhe pesou no coração.
7 Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que
criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me
arrependo de os haver feito.
8 Porém Noé achou graça diante do SENHOR.
9 Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus
contemporâneos; Noé andava com Deus.
10 Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11 A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.
12 Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente
havia corrompido o seu caminho na terra.
13 Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra
está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com
a terra.
14 Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a
calafetarás com betume por dentro e por fora.
15 Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de
cinquenta, a largura; e a altura, de trinta.
16 Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca
colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo
e um terceiro.
17 Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir
toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra
perecerá.
18 Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus
filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos.
É interessante que no tempo de Noé o mal moral tinha
atingido o casamento. A família foi brutalmente atacada. O sexo
libertino, promíscuo, havia tomado conta daquela sociedade.
Jesus vai ensinar que nos últimos dias — tempo do fim — os
homens estarão vivendo como nos temposde Noé, eis o que
Jesus diz: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos
dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam e davam-
se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio
o dilúvio e destruiu a todos” (Lc 17.26-27). Ele vai indicar a
espécie de relacionamento que se dava nos dias de Noé
quando cita os dias de Ló em Sodoma e Gomorra, eis o que ele
diz nos versos seguinte: “O mesmo aconteceu nos dias de Ló:
comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e
edificavam; mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do
céu fogo e enxofre e destruiu a todos. Assim será no dia em
que o Filho do Homem se manifestar” (Lc 17.28-30).
Em Sodoma e Gomorra, a homossexualidade corria solta.
Relacionamentos homossexuais eram praticados em Sodoma e
Gomorra. Eduardo Ribeiro Mundim, acerca da
homossexualidade em Sodoma e Gomorra, escreveu:
Sodoma e Gomorra legaram o termo sodomia, usado para descrever
pejorativamente o ato sexual anal, hetero e homossexual, podendo se
estender ao coito com animais e crianças. Ambas, acredita-se, destruídas em
função exclusiva da homossexualidade dos seus habitantes.
Judas enfatiza que estas cidades “se entregaram à imoralidade e a relações
sexuais antinaturais”, “fornicaram, deram-se a vícios contra a natureza” (Bíblia
do Peregrino), “por se terem prostituído, procurando unir-se a seres de uma
natureza diferente” (Bíblia de Jerusalém). O grego original é “foram após outra
carne”; o comentarista da Bíblia de Jerusalém propõe que o pecado delas foi
terem atentado contra anjos. Mas em outras passagens a Bíblia usa
expressões mais diretas e claras para falar de homossexualismo. E o caráter
angelical dos visitantes era desconhecido. Talvez a opção mais correta seja
entender uma referência educada ao bestialismo.
Levando em conta todos os textos bíblicos, a conclusão que se impõe é que
Sodoma e Gomorra eram cidades absolutamente corrompidas, em todas as
esferas, do privado ao social. Assim como em outras situações bíblicas
(como, por exemplo, os Evangelhos) cada autor inspirado usou o aspecto do
episódio que dizia respeito ao assunto que ele abordava. Foram punidas por
se encontrarem fora da possibilidade de arrependimento, em rebelião aberta e
de longa data. Não há um pecado que sobreponha ao outro. [329]
Todos os segmentos sociais que têm como base a
ideologia de gênero têm visto a Bíblia como inimiga e, por
conseguinte, veem o Deus dela como um inimigo. A sociedade
está vivendo um “caos moral” no tocante a sexualidade —
justamente por não se curvar à Bíblia. O ensino bíblico tem sido
adulterado. Há casos de cortes de textos bíblicos que
condenam a homossexualidade. Existe a Bíblia Gay, como já
citado, que é a Bíblia adulterada, cortada e adequada à
realidade dos que vivem a imoralidade no tocante a
sexualidade. Contudo, podem adulterá-la, cortar as partes que
condenam a homossexualidade, mas com certeza não ficarão
impunes perante o tribunal de Deus.
Aos que acrescentam ou tiram textos da Bíblia, a própria
Bíblia diz em Apocalipse 22.18 a 19:
18 Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se
alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos
escritos neste livro;
19 e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus
tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se
acham escritas neste livro.
A política para se aceitar o homossexualismo como natural
tem se agigantado nos últimos anos, porém a Igreja de Cristo
irá sempre se posicionar contra, pois ela tem compromisso com
Deus e não com a sociedade.
A sociedade poderá aprovar majoritariamente o
casamento gay, a mulher como cabeça do lar, a subjugação dos
valores de Deus revelados na Bíblia, contudo não ficará
impune. Deus há de julgar no tempo certo cada comportamento
de cada pessoa. Todos os homens e mulheres um dia estarão
diante do tribunal de Deus e lá não haverá justificativas ou
propostas de lei para que se legalize o que para Deus é
abominável. Assim escreveu João em Apocalipse 20.11-15:
11 Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença
fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.
12 Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do
trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E
os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava
escrito nos livros.
13 Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os
mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas
obras.
14 Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo.
Esta é a segunda morte, o lago de fogo.
15 E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado
para dentro do lago de fogo.
Tudo que hoje está sendo permitido, e que é condenado
por Deus, será condenado, receberá uma sentença. João vê
uma grande meretriz na revelação apocalíptica, como está
descrito no capítulo 17. A meretriz na opinião da maioria dos
teólogos reformados representa a busca humana pelo prazer;
prazer que é oferecido a partir do mundo inteiro. Podemos
considerar em síntese que a grande meretriz do capítulo 17 é
um dos instrumentos de Satanás [aliada do dragão] para
manter os ímpios na vida incrédula, de orgias, de
promiscuidade e, por conseguinte, tentar induzir até crentes a
viverem adotando e aceitando práticas comportamentais
imorais.
O verso 1 do capítulo 17 diz que ela está assentada sobre
muitas águas. O que significa isso? Significa o mundo inteiro,
portanto, nações, povos, estão sendo seduzidos por ela a
viverem na promiscuidade, na imoralidade, pois o verso 2
ensina que com ela, primeiro, se prostituem os reis da terra, ou
seja, os governantes do mundo. Como eles se prostituem? O
verso responde: “com o vinho da sua devassidão”, que significa
literalmente “prostituição, vida promiscua”, pois a palavra para
devassidão no grego é porneia [prostituição]. É válido destacar,
ainda, que porneia pode abranger relações sexuais ilícitas
como: homossexualismo, lesbianismo, relações com animais.
Assim, os reis da terra se embriagam, passam a viver. Mas só
os reis da terra? Claro que não, pois o verso em questão diz
também: “se embriagaram os que habitam sobre a terra” (parte
final). Portanto, a embriaguez é geral — um torpor de
imoralidades instrumentalizado pelo dragão, Satanás (Ap 12.7-
18).
A meretriz, portanto, é o símbolo do pecado, das
imoralidades, das atrocidades imorais que imperam no mundo;
já que ela está vestida de vermelho [escarlata], diz o verso 4. O
vermelho indica o pecado, a devassidão moral. O verso 4 ainda
diz que ela segura na mão um cálice de ouro, um copo, taça. É
o que ela está oferecendo ao mundo: poder, glamour — é o que
atrai os homens. O assustador é o que está dentro dessa taça.
Abominações de abominações, o cálice está transbordante de
abominações da sua prostituição. É o que é oferecido ao
mundo.
Essa grande meretriz é identificada como: “BABILÔNIA, A
GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES
DA TERRA”. Babilônia foi uma cidade dos tempos de Ninrode
(Gn 10.10) e Nabucodonosor (2Rs 24.10-11). Porém, entendo
que essa mulher não é uma cidade apenas, pois na história ela
foi Babilônia, ela foi Roma; conquanto, hoje [como já disse], ela
é a busca pelo prazer confinado às coisas imorais, revelado nas
bebedices, tanto quanto no sexo ilícito, ou seja, o prazer
pecaminoso.
Volto a dizer: “tudo que hoje está sendo permitido e que é
condenado por Deus será condenado, receberá uma sentença”.
Pois assim viu João:
09 [..] chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se
prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio,
10 e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu,
grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou
o teu juízo (Ap 18.9-10).
19 Lançaram pó sobre a cabeça e, chorando e pranteando, gritavam: Ai! Ai da
grande cidade, na qual se enriqueceramtodos os que possuíam navios no
mar, à custa da sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada!
20 Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus
contra ela julgou a vossa causa.
21 Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e
arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada
Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada (Ap 18.19-21).
A política LGBT, juntamente com o feminismo, possuem
um propósito — desconsiderar as verdades fundamentais do
cristianismo no tocante à família. As propostas de lei que
tramitam no Congresso Nacional para que casamentos gays
sejam legalizados, para que do calendário escolar sejam
abolidos os dia dos pais e das mães, para que crianças possam
ser adotadas por casais gays, são propostas que ferem a
Palavra de Deus.
Os ativistas gays e o movimento feminista com muita
ferocidade estão se insurgindo contra a família instituída por
Deus, a família conjugal. A proposta de legalizar o
relacionamento homossexual é uma afronta à Palavra de Deus.
Conjunção carnal entre pessoas do mesmo sexo é abominação.
A relação sexual biblicamente é permitida entre um homem e
uma mulher no casamento.
As feministas alegam que a visão judaico-cristã da família
é machista, pelo fato de estabelecer um papel para a mulher
[esposa] de submissão ao seu esposo no lar, conquanto elas
esquecem que o papel mais difícil de ser exercido é o do
homem, já que o seu papel é amar a sua esposa como Cristo
amou a Igreja. O desafio para o homem é enorme. Não
podemos deixar de destacar que o homem cristão possui uma
responsabilidade enorme na família: amar a sua esposa de
forma abnegada, cuidar do seu lar com afinco. Não há portanto
machismo, mas funções estabelecidas pelo próprio Deus.
Homem e mulher devem seguir as orientações dadas por Deus
e assim seguir a vida a dois.
Os casamentos dos nossos dias têm sofrido muito por
causa da falta do exercício do papel que cabe ao homem e a
mulher na relação conjugal. Muitos casamentos se tornam
ringues onde os pugilistas se tornam o esposo e a esposa, um
contra o outro e, por isso, passam a trocar ofensas e até
pontapés, em muitos casos. Um palco de horror, de
desrespeito.
Casamento que não se submete às orientações da
Palavra de Deus não subsiste. Homem e mulher que passam a
viver juntos por meio do casamento e não entendem o papel
que cabe a cada um, sofrem amargamente e, por conseguinte,
traumatizam-se com o casamento e no casamento.
O idealismo do movimento feminista não é o ideal, pois a
tentativa de inverter o que Deus estabeleceu só causará
transtornos como tem causado em muitos casais. Que Deus
tenha cada vez mais misericórdia dos homens e mulheres do
nosso tempo.
Estamos vivendo numa época similar a que Noé viveu.
Estamos inseridos em um contexto moralmente antagônico à
moral cristã. Está sendo difícil encarar tudo o que estamos
vendo, mas temos que entender que tudo faz parte do propósito
de Deus. Não fomos chamados por Deus para entender a
profundidade dos seus propósitos; fomos chamados a nos
submeter a Sua Soberania, ao Seu Senhorio e descansarmos
Nele. A mente do Senhor é insondável. Assim escreveu Paulo
em Romanos 11.33-36:
33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de
Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus
caminhos!
34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu
conselheiro?
35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a
glória eternamente. Amém!
Em Apocalipse 10.4, João é proibido de escrever as
cousas que os sete trovões haviam falado a ele. Assim
descreve João: “Logo, que falaram os sete trovões, eu ia
escrever, mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em
segredo as cousas que os sete trovões falaram e não as
escrevas”.
Rev. Hernandes Dias Lopes, acerca da razão pela qual
João é convidado a não escrever as cousas que os sete trovões
haviam falado a ele, escreveu:
• Não nos é informado por que João agora não pode escrever sobre o
conteúdo dos sete trovões. Esses trovões são semelhantes à voz
poderosa de Deus que é como o trovão (Sl 29.3). Esse número
precisaria ser sete, visto que há em torno do trono sete espíritos, sete
tochas, sete chifres e sete olhos. Esses trovões estão dirigidos aos
inimigos de Deus.
• O contexto pode nos ajudar a entender porque sempre que a palavra
"trovões" aparece em Apocalipse é para falar de um aviso de iminentes
manifestações da ira de Deus (Ap 8.5; 11.19; 16.18). O juízo está se
aproximando, mas João não tem autorização para falar sobre o seu
conteúdo.
• Essa revelação, semelhante àquela que Paulo teve no céu, não pode
ser anunciada (2Co 12.4). João a entendeu, mas não recebeu
autorização para escrevê-la. Não devemos especular o que Deus não
nos revelou.
• A voz de Deus é geralmente comparada com trovões (Sl 29; Jó 26.14; 37.5;
Jo 12.28-29).
• O significado da ordenança para João guardar segredo sobre as vozes
dos sete trovões é a seguinte: Não podemos nunca saber nem
descrever todos os fatores e agentes que determinam o futuro.
Sabemos o significado dos sete candeeiros, dos sete selos, das sete
trombetas, das sete taças. Mas não nos foi dado saber sobre o
significado da mensagem dos sete trovões (v. 4). Isso, porque há outras
forças trabalhando; há outros princípios que estão operando neste
universo. Portanto, tenhamos cuidado em fazer predições a respeito do
futuro.
• O anjo está anunciando que não haverá mais tempo antes que o fim
venha. O fim não será mais adiado. Está na hora de responder as
orações dos santos. O propósito divino será alcançado plenamente.
[330]
Será impossível entendermos plenamente os propósitos de
Deus, conquanto é certo dizer que o mais tosco, o mais imoral
comportamento não será suficiente para destituir Deus de sua
glória. Deus é a própria glória. Deus não precisa dos homens
para ser glorioso, Deus já é glorioso, assim declararam Isaías,
Davi e Moisés:
Eu sou o Senhor; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a
imagens o meu louvor (Is 42.8).
Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas
mãos. (Sl 19.1).
Então disse Moisés: "Peço-te que me mostres a tua glória". E Deus
respondeu: "Diante de você farei passar toda a minha bondade e diante de
você proclamarei o meu nome: o Senhor. Terei misericórdia de quem eu
quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão"
(Êx 33.18-19).
Deus é soberano: é o Senhor absoluto da história! Deste
modo, todos os comportamentos toscos, marcados por uma
realidade comportamental de imoralidades, por mais
degradantes que sejam acontecem de acordo com a vontade
permissiva de Deus.
Gordon Haddon Clark corrobora:
Deus não é o autor do pecado; isto é, Deus não faz nada pecaminoso. Mesmo
aqueles cristãos que não são calvinistas devem admitir que Deus em algum
sentido é a causa do pecado, pois ele é a única causa última de todas as
coisas. Mas Deus não comete o ato pecaminoso, nem aprova ou recompensa
o mesmo. [331]
Deus “odeia” o pecado, como disse Isaías: “o pecado faz
separação entre Deus e o os homens” (59.2). Conquanto, a
entrada do pecado no mundo [descrita em Gn 3] não tirou Deus
do controle da história. Deus está no controle de tudo. Portanto,
Deus não é surpreendido pelas atitudes dos homens. Ele não
diz: “fulano errou? Que pena! Eu não imaginava que pudesse
errar! Fulano virou gay? Que tristeza! Que pena!”. Deus está
ciente por ter feito o livro da história. A história não está sendo
escrita, ela já foi escrita. Quem a escreveu? Deus! Os homens
não escrevem a história; eles não são os senhores da história.
Só existe um Senhor — Deus.
Portanto, as coisas más acontecem por Deus permitir e
quando elas acontecem cumprem o que Deus determinou
permitir. A lógica é a seguinte: se Deus decretou permitir na
eternidade, quando elas acontecem no tempo Deus é
glorificado por aquilo que Ele decretou estar acontecendo.Portanto, temos que descansar em Deus. Ele é o autor da
história. A história está em suas mãos.
Apocalipse 5 ratifica isso quando ensina que a história está
nas mãos do cordeiro, isto é, Jesus Cristo, o Deus-homem. A
história não corre solta. Não anda desgovernada. Não é como
um carro sem freio descendo ladeira abaixo; ela possui rédeas
e essas rédeas estão nas mãos do Cordeiro — Jesus Cristo.
Ele está com o Livro da História em suas mãos. Ele que abre a
história, ele que governa a história. Tudo, portanto, que
acontece está sob o seu domínio, controle. Eis o que João
descreve em Apocalipse 5:
1 Vi, na mão direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por
dentro e por fora, de todo selado com sete selos.
2 Vi, também, um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno
de abrir o livro e de lhe desatar os selos?
3 Ora, nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia
abrir o livro, nem mesmo olhar para ele;
4 e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem
mesmo de olhar para ele.
5 Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de
Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
6 Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos,
de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como
sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
7 Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no
trono;
8 e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro
anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e
taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos,
9 e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe
os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que
procedem de toda tribo, língua, povo e nação
10 e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão
sobre a terra.
11 Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e
dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares,
12 proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de
receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e
louvor.
13 Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo
da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele
que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a
glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.
14 E os quatro seres viventes respondiam: Amém! Também os anciãos
prostraram-se e adoraram.
Essa mensagem vem com intuito de fazer a Igreja
descansar. O mundo estava indo de mal a pior, Domiciano
estava massacrando os cristãos. Antes dele, Nero havia, por
volta do ano 64, torturado e matado muitos cristãos. O pavor e
o medo pairavam sobre o arraial do povo de Deus. Roma era
um antro de imoralidade. Homossexualismo e orgias sexuais
faziam parte da sociedade romana.
O mal estava e está, portanto, crescendo, agigantando-se,
contudo Deus mostra a João quem de fato manda; quem de
fato governa:
10 os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra
sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e
depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando:
11 Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder,
porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a
existir e foram criadas (Ap 4.10.11).
Deste modo, podemos concluir destacando:
“PORQUE DELE, E POR MEIO DELE, E PARA ELE SÃO
TODAS AS COISAS. A ELE, POIS, A GLÓRIA
ETERNAMENTE. AMÉM!” (Rm 11.36).
◆◆◆
Alan Ruas, que é casado com Sara Arandas Rocha e pai da
Alice, é ministro presbiteriano, bacharel em Teologia pelo
Seminário Presbiteriano do Norte, Teólogo pelo Instituto
Superior de Educação – FATEH e escritor.
É autor dos livros “A teologia do mal: os artifícios satânicos
para destruir a igreja” e “Crianças na mira de lobos: um alerta
quanto à ideologia de gênero aos pais e professores que zelam
pela família”.
 
[1] Muitos centros universitários com o advento do iluminismo, fruto
da Revolução Francesa (1789-1799), foram influenciados pelo
existencialismo. O filósofo Jean Paul Sartre (1905-1980), pai do
existencialismo, ditou a “mente” dos que abraçaram a crença na
autossuficiência do homem e o resultado foi tentar varrer da sociedade
os fundamentos cristãos. Ideologias contra a fé cristã das mais várias
foram criadas e difundidas pelo mundo. A teologia foi influenciada pelo
existencialismo, assim pondera H. Wayne House “Os teólogos
existenciais afirmam que precisamos desmitificar ou ‘desmitologizar’ a
Escritura. Desmitologizar a Escritura significa rejeitar não a Escritura ou
a mensagem cristã, mas a cosmovisão de uma época antiga. Isso
implica em explicar tudo o que é sobrenatural como um mito. Por
consequência, a parte importante da fé cristã passa a ser a experiência
subjetiva, e não a verdade objetiva. A Bíblia, quando desmitologizada,
não fala acerca de Deus, mas acerca do homem” (HOUSE, Wayne H.
Teologia Cristã em Quadros. São Paulo: Editora vida, 1999, p. 16).
[2] Nasceu em 5 de maio de 1818 na Alemanha e faleceu em 14 de março de
1883 em Londres, Inglaterra. Marx é o “pai” do socialismo científico. O
socialismo de Marx ficou conhecido como científico pela oposição feita ao
capitalismo. Marx construiu inúmeros argumentos em torno de uma tese
contra o capitalismo. Diferente dos socialistas utópicos, ele não vivia, como
viviam os socialistas utópicos, preocupado em mostrar como seria uma
sociedade ideal, mas em desconstruir por meio de um sistema, que ficou
conhecido como socialismo, o capitalismo. Procurou entender as raízes do
capitalismo e mostrar que o sistema do capitalismo causa muitos estragos na
sociedade e deve ser destruído; para isso criou um sistema “político filosófico”
que influenciou uma parcela significativa da sociedade, mas não o mundo;
Marx não conseguiu o que pretendeu. Marxistas em todo o mundo eram
taxados de subversivos, contra o Estado; e, por isso, perseguidos e presos.
Além de atacar o sistema capitalista, Marx atacou ferozmente o cristianismo, a
Igreja — ensinou que “a religião é o ópio do povo”. Ateu declarado, mesmo
sendo judeu. A religião deveria ser banida da sociedade, afirmava Marx.
Destarte, o marxismo insistia em ensinar que as verdades do cristianismo
deveriam ser negadas, abandonadas.
[3] A família original foi formada por Deus quando Deus criou o
homem e a mulher (Gn 2.18-25) [a Família do Princípio]. Estou tendo o
cuidado de classificar a família institucionalizada por Deus como original
em função dos argumentos levantados contra a família na atualidade
pela ideologia de gênero. A ideologia de gênero insiste em defender que
a família formada por pai, mãe e filhos foi inventada em um momento da
história. Portanto, todas as vezes que eu me reportar à família restritiva,
tradicional, convencional, nuclear e conjugal estarei me referindo à
família original, a que Deus instituiu no Éden, pois são termos usados
para designar a família criada por Deus.
[4] Segundo marxistas, o conceito de família “conjugal, restritiva”
composta por pai, mãe e filhos é bem novo. A filósofa Marilena Chauí
ensina que a família que conhecemos hoje foi inventada no século 18 e
começo do 19. Quem a inventou? Assim como Marx, Chauí diz que foi o
capitalismo. Mas com que propósito o capitalismo teria inventado a
família? Responde ela: “para possibilitar a transmissão do capital”.
(NARLOCH, Leandro. Marilena Chauí ensinou errado os alunos do
colégio Oswald sobre a origem da família <http://veja.abril.com.br/
blog/cacador-de-mitos/marilena-chaui-ensinou-errado-os-alunos-do-
colegio-oswald-sobre-a-origem-da-familia/>. Acesso em: 29/03/2017).
Deste modo, na perspectiva dela a família tradicional deve ser destruída,
negada pelas gerações futuras. O ideal marxista continua presente em
muitas mentes e corações em nossotempo.
[5] Sistema que “busca o lucro através das atividades comerciais.
Encontramos a origem do sistema capitalista na passagem da Idade
Média para a Idade Moderna. Com o renascimento urbano e comercial
dos séculos XIII e XIV, surgiu na Europa uma nova classe social: a
burguesia” (Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/capitalismo/>.
Acesso em: 29/03/2017).
[6] “Em Marx a propriedade privada capitalista se desvela não como
a realização da liberdade, mas apenas uma determinada forma histórica
da produção, ela mesma, dotada de limites e contradições que se
instauram na posição/deposição simultânea do agente que opera a
produção dos homens em sua atividade objetiva. A liberdade
redundando no mundo do capital, em seu contrário, como se vê, em
especial, no interior da relação entre capital e trabalho” (JOSÉ, Antônio
Lopes Alves. Propriedade privada e liberdade em Hegel e Marx.
Disponível em:
<http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/intuitio/article/view/4221
>. Acesso em: 29/03/2017).
[7] Entendo que a razão da desigualdade socioeconômica — “poucos
com muito e muitos com pouco” — não está diretamente associada a um
sistema econômico, mas a Queda de Adão (Gn 3). O pecado entrou no
mundo com a desobediência de Adão (Rm 5.12), pois os homens [seus
descendentes] tornaram-se maus, naturalmente egoístas, sanguinários
— desumanos (Gn 6.5); Paulo, escrevendo aos romanos no capítulo 3.9-
18, explicita isso. Portanto, de acordo com a Escritura Sagrada todo mal
que envolve a sociedade — desde a Queda de Adão — tem uma causa;
o pecado. Os selos do Apocalipse são juízos de Deus contra a
desobediência dos homens — contra o pecado. Deus pune o pecado. O
segundo selo — cavalo vermelho — fala de guerra (Ap 6.3-4); o terceiro
selo — cavalo preto — fala da fome, da pobreza, da desigualdade
socioeconômica. A expressão “e não danifiques o azeite e o vinho” que
aparece na parte final do verso 6 indica “produtos que descrevem vida
regalada [...]. Os ricos sempre sabem garantir o seu luxo, enquanto a
população passa fome. No mesmo mundo que reina a fome, reina
também o esbanjamento, o luxo, a desigualdade” (DIAS LOPES,
Hernandes. Estudos no Livro do Apocalipse. São Paulo: Editora Hagnos,
2005, p.70). O homem sem Deus é egoísta — só pensa em si. Logo, em
um mundo de homens que só pensam em si, com certeza, reinarão as
desigualdades e as injustiças.
[8] Disponível em: <http://classe-social.info/classe-social-marx.html>.
Acesso em: 30/03/2017.
[9] Marx faz uma distinção entre a família a partir do século 18 da
família das civilizações primitivas. De acordo com ele, o conceito de
família foi mudado nos últimos séculos. Entre os povos primitivos, de
acordo com o marxismo, não existia a família conjugal, restrita a pai,
mãe e filhos; mas, a família tribal. É fato que nas civilizações antigas
existia um ajuntamento de famílias que viviam interligadas, conquanto
pai, mãe e filhos dentro desse ajuntamento tribal formavam famílias
restritivas, ou seja, o grupo “chamado tribal” era formado por famílias.
Cada indivíduo que pertencia ao grupo tribal pertencia a uma família
especifica — restritiva. A Bíblia narra, no Livro do Êxodo, um povo que
havia saído do Egito caminhando no deserto [um grande grupo] com
milhares e milhares de pessoas que pertenciam a famílias restritivas —
pais específicos, irmãos específicos: o capítulo 18 de Êxodo fala da
família de Jetro, sogro de Moisés. Deste modo, pais, mães e filhos,
formavam famílias restritivas. A família de Moisés descreve um pai,
Moisés; uma mãe, Zípora e filhos — Gerson e Eliezer (Êx 18.2-4).
Destarte, é incorreto sustentar a ideia da família tribal com intuito de
desconsiderar a família conjugal. “Família tribal” é genérico, pois abrange
grupos associados a interesses e obrigações comuns, conquanto família
com pai, mãe e filhos restringe-se a relação conjugal; Deus instituiu a
família conjugal, ela começou no Éden. A família tribal, ou, grupo tribal
surge em função da formação de famílias. O que acontecia na verdade?
A resposta é: famílias se ajuntavam e formavam um grupo de famílias
que passavam a viver juntas.
[10] Disponível em:
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2012/12/porque-e-que-as-
feministas-atacam_12.html>. Acesso em: 25/03/2017.
[11] Composto por uma introdução, seguida de três capítulos e uma
conclusão. O idealismo comunista foi imprimido nas páginas do
Manifesto Comunista por Marx e Engels. Para a sua preparação
reuniram-se comunistas de diversas nações do mundo. Foi publicado em
muitas línguas, portanto espalhado pelo mundo. O comunismo tem o
Manifesto como a sua Bíblia. Marx e Engels destacam logo no primeiro
capítulo a relação entre burgueses e proletários apresentando o que
ficou conhecido como “luta entre essas duas classes”. Em suma, o texto
do Manifesto “critica a produção capitalista e as consequências de
organização social que esse tipo de produção causou” (JARDIM,
Gustavo. Manifesto Comunista Disponível em:
<http://www.infoescola.com/sociologia/manifesto-comunista/>. Acesso
em: 29/03/2017).
[12] Ateu é todo aquele que diz que Deus não existe — que não
acredita na existência de Deus.
[13] Karl Marx. Vida e pensamento. David McLellan, Vozes, p. 54
<http://www. cacp.org.br/omarxismo-na-visao-de-um-apologista-cristao/>.
Acesso em: 25/03/2017.
[14] Alemão que viveu de 1820 a 1895. Junto com Karl Marx fundou
o chamado socialismo científico.
[15] Primeira publicação foi em 1884.
[16] Nasceu em 21 de novembro de 1818 em Nova Iorque (EUA) e
faleceu em 17 de dezembro de 1881 em Rochester, Nova Iorque. O livro
em que Morgan explicita a experiência que teve com alguns povos
primitivos é intitulado A Sociedade Antiga, de 1877.
[17] Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_pro
priedade_privada_estado.pdf>. Acesso em: 30/03/2017.
[18] Ibid.
[19] Ibid.
[20] Ibid.
[21] A ciência ensina que a probabilidade de dois genes recessivos
associados a uma doença grave se encontrarem é enorme na
formação de filhos de incesto; “sabiamente, a natureza criou um
recurso que faz com que genes problemáticos fiquem guardadinhos
em seu cromossomo esperando para, quem sabe um dia, serem
extintos. São os genes recessivos, que para virem à tona precisam
juntar suas forças a outro idêntico a eles. Digamos que você tenha
um recessivo ligado à fenilcetonúria, uma doença rara que causa
retardo mental. Para que um filho seu nasça com problemas, você
teria que encontrar um parceiro que também tenha esse gene
(menos de 2% de risco). E, mesmo assim, a chance de os dois
recessivos se encontrarem seria de apenas 25% (lembra das aulas
de genética?). Fazendo as contas, o risco não passa de 0,5%. Entre
parentes, o jogo muda. Considerando o cruzamento genético e o
papel do ambiente no desencadeamento de problemas, as chances
de um recessivo se manifestar é de 50%. No caso da fenilcetonúria, portanto,
o risco é 100 vezes maior que entre desconhecidos” (VIRGINIA, Anna
Balloussier. Por que filhos de incestos nascem com problemas genéticos?
http://super.abril.com.br/saude/por-que-filhos-de-incestos-nascem-comproble-
mas-geneticos/>. Acesso em: 31/03/2017). Todo pecado tem consequências.
Deus não deixa o pecado impune (Rm 1.18). O juízo de Deus se revela;
infelizmente muitas pessoas sofrem por desobedecerem aos mandados de
Deus.
[22] Disponível em: <http://new.d24am.com/noticias/mundo/irmaos-que-
tiveram-quatro-filhos-perdem-processo-por-incesto/55742>. Acesso em:
31/03/2017.
[23] Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_pro
priedade_privada_estado.pdf>. Acesso em: 31/03/2017.
[24] SCHWERTLEY, Brian. Homossexualismo: Uma análise bíblica
<http://www.monergismo.com/textos/homossexualismo/homossexualism
o_schwertley.htm>. Acesso em: 03/04/2017.
[25] Disponível em:
http://jovempan.uol.com.br/programas/radioatividade/ marilena-chaui-
afirma-que-quem-defende-familia-e-uma-besta.html>. Acesso em:
18/11/2016.
[26] SEVERO, Julio. A destruição da família como meio para
revolução (Marxismo cultural,Parte II)
<http://diariodeumexcomunista.blogspot.com.br/2013/09/a-destruicao-da-
familia-comomeio-para.html> Acesso em: 25/03/2017.
[27] Disponível em:
<http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_engels_origem_pro
priedade_privada_estado.pdf>. Acesso em: 25/03/2017.
[28] Ibid.
[29] SEVERO, Julio. Op. Cit.
[30] Os principais são: PT, PCdoB, PSTU, PCB, PCO, PSOL e PPL.
Nos últimos anos foi explicitado um projeto para atacar a família
tradicional. Não se esqueçam — entendem que podem acabar com o
capitalismo se acabarem com a família, por isso, tantas propostas
voltadas à ideologia de gênero nos últimos anos.
[31] SEVERO, Julio. Op. Cit.
[32] Existe uma diferença entre socialismo marxista e socialismo
utópico. Karl Marx deu ao socialismo um aspecto científico por ter
levantado uma tese a favor de um sistema de governo que pudesse
opor-se ao capitalismo. Marx constrói seu argumento, ou tese, com base
em fatos observáveis, por isso, seu socialismo passa a ser considerado
científico; diferente daquele que pensava em viver numa sociedade ideal
de maneira platônica, pois não apresentava alternativas ou fatos
observáveis que pudessem direcionar a possibilidade da concretude do
idealizado. Enquanto os socialistas utópicos eram tratados como
sonhadores, os marxistas eram tratados como ameaça. O socialismo
utópico cai com o advento do socialismo marxista no meio político. Como
um sistema científico, o socialismo marxista, passa então a
desconsiderar tudo que na sua ótica contribuiu para que o seu rival, o
capitalismo, surgisse e desenvolvesse. A religião para Marx era uma
espécie de droga maldita, pois segundo ele no concurso dos anos ela
serviu mais para beneficiar o capitalismo do que o socialismo e, por isso,
deveria ser extinta. A família convencional de igual modo. Marx abriu
uma ferrenha guerra contra a família conjugal, tradicional; de maneira
maldita sustentava a ideia da não criação da família por Deus, mas pelo
capitalismo e, por conseguinte, lutou para imprimir na sociedade um
modelo de família anti-cristão.
[33] Disponível em:
<http://conspiratio3.blogspot.com.br/2015/08/marx-era-marxista-frases-
do-manifesto.html>. Acesso em: 25/03/2017.
[34] Disponível em:
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2012/12/porque-e-que-as-
feministas-atacam_12.html> Acesso em: 27/03/2017.
[35] Ibid.
[36] “Feminismo é um movimento político, filosófico e social que
defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. O ‘embrião’
do movimento feminista surgiu na Europa em meados do século XIX,
como uma consequência dos ideais propostos pela Revolução Francesa,
que tinha como lema a ‘Igualdade, Liberdade e Fraternidade’. As
mulheres queriam estar inseridas no turbilhão de mudanças sociais que
estas revoluções traziam, principalmente para se sentirem mais cidadãs
em uma sociedade historicamente regida pelo patriarquismo. No entanto,
o feminismo só começou a se popularizar no mundo ocidental nas
primeiras décadas do século XX, questionando o poder social, político e
econômico monopolizado pelos homens” (Disponível em:
<https://www.significados.com. br/feminismo/>. Acesso em: 12/11/2016).
[37] Disponível em:
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2012/12/porque-e-que-as-
feministas-atacam_12.html>. Acesso em: 12//11/2016.
[38] Publicado em 1949. É considerada uma das obras mais
importantes do movimento feminista. Simone defende que a mulher foi
no concurso dos anos subjugada pelo homem e que deveria tomar seu
lugar no mundo. Ela passa uma visão totalmente equivocada acerca do
que a Bíblia ensina acerca do homem e da mulher no tocante ao papel
que cada um tem na criação de Deus.
[39] O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
[40] Continua vigente.
[41] MEISTER, Mauro. Teologia bíblica, 2002, p. 54.
[42] Continua vigente.
[43] MEISTER, Mauro. Op. Cit., p. 56.
[44] Continua vigente.
[45] Ibid.
[46] HARRIET, Gerard Von Groningen. A família da Aliança. São
Paulo: Editora Cultura Cristã, 1997, p. 31-32.
[47] BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo. São Paulo: Difusão
Europeia do Livro, 1970, p. 29.
[48] Ibid., p. 16.
[49] MEISTER, Mauro. Op. Cit, p. 56-57.
[50] Sexualmente. O texto de Mateus 1.18-25 ensina que José só
possuiu Maria depois do casamento. Maria havia sido desposada (v. 18);
prometida em matrimônio a José. José havia estabelecido um
compromisso com Maria. O costume da época era primeiro solenizar
perante testemunhas um compromisso mútuo de fidelidade entre os
noivos. A mulher desposada era vista como esposa, mas o casamento
propriamente não havia ainda acontecido, daí a razão de José não ter
tido relação sexual com ela ainda (v. 18). Havia um compromisso solene,
votos de fidelidade; e esses votos não podiam ser violados. A mulher
tinha que manter-se fiel ao homem até o casamento, quando ela violava
os votos era apedrejada, castigada com a morte (Dt 22.23,24). A razão
do verso 19 dizer que José resolveu deixar Maria secretamente depois
de ter sido informado que ela estava grávida, foi não vê-la morta, ele
mostrou, com essa atitude, amá-la. Mas, logo o anjo esclareceu tudo a
ele (v. 20) e tudo se resolveu.
[51] Nasceu na Sardenha/Itália em 27 de abril de 1891; “foi líder e
fundador do Partido Comunista Italiano. Conheceu e admirou a URSS de
Lênin. Encarcerado por ordem de Mussolini, morreu em 1937, aos 46
anos, com saúde precária, pouco tempo depois de ser posto em
liberdade”. (Disponível em: <http://www.voltemosadireita.com.br/a-
teologia-de-antonio-gramsci/>. Acesso em: 21/04/2017).
[52] “O socialismo, a princípio, apareceu como uma corrente de
pensamento que se propunha a pensar um modelo ora cooperativista,
ora harmônico de sociedade, buscando uma conciliação das
perspectivas liberais e a igualitaristas do iluminismo. Foi o caso, por
exemplo, dos pensadores Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier
(1772-1837) e Robert Owen (1771-1858). A proposta desses autores
acabou sendo classificada, posteriormente, como socialismo utópico,
pois eles não propunham uma ação efetiva de transformação da
realidade. Esse termo “socialismo utópico”, isto é, uma forma de
socialismo que nunca se realizaria, foi elaborado pela tradição de
pensamento associada ao socialismo científico — modelo de socialismo
elaborado por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895)
que ficou conhecido também como marxismo”. (FERNANDES, Cláudio.
Socialismo e comunismo, existem diferenças?
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/socialismo-comunismo-
existem-diferencas.htm> Acesso em: 22/04/2017).
[53] Disponível em:
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2014/01/o-gran-dioso-plano-
de-antonio-gramsci.html>. Acesso em: 21/04/2017.
[54] Apud Pr. Marcos Paulo. Disponível em:
<http://www.voltemosadireita.com. br/a-teologia-de-antonio-gramsci/>.
Acesso em: 21/04/2017.
[55] MCLELLAN, David. As ideias de Marx. São Paulo: Editora
Cultrix, 1993, 9ª edição, p. 35.
[56] Processo em que a maneira de pensar de toda a sociedade
esteja voltada a revolução. A ideia de que as mudanças devem ser
aceitas [a revolução deve ser encarada como algo natural]. Só para
exemplificar: se o casamento convencional é o heterossexual, uma
revolução no casamento deve acontecer — de heterossexual para
homossexual — e assim por diante. Em síntese, o mundo deve estar
com a ideia fixa de revolução, para que, em vindo a revolução, as
mudanças sejam aceitas. Tudo começa de maneira paulatina; primeiro
muda-se valores já instalados na sociedade, conceito de família, entre
outros; para depois mudar o conceito de sistema de governo. “A esse
processo Gramsci chamou de “modificação do senso comum”. Para que
houvesse o predomínio da mentalidade marxista, não havia a
necessidade de uma grande estrutura que sustentasse o saber. Bastava
apenas uma ideologia convincente, numa espécie de jogo de marketing.
Para o marxismo, sem sombra de dúvida, não existe a verdade, mas um
jogo de marketing” (Disponível em:
<http://mentalidadeesquerdista.blogspot.com.br/2013/05/cursorevolucaoe
-marxismocultural.html>. Acesso em: 25/04/2017).
[57]Disponível em: <https://pcb.org.br/fdr/index.php?
option=com_content&-view=article&id=8:antonio-gramsci-e-a-construcao-
da-nova-hegemonia&catid=-2:artigos>. Acesso em: 21/04/2017.
[58] Concepção dialética da História. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 1991, 9ª edição, p. 37.
[59] COSTA, Ricardo. Antonio Gramsci e a construção da nova
hegemonia <https://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&-
view=article&id=8:antonio-gramsci-e-a-construcao-da-nova-
hegemonia&catid=2:artigos>. Acesso em: 25/04/2017.
[60] Curso Online, Gratuito e de Excelência Acadêmica: Revolução e
Marxismo Cultural. Aula 1. Ministrado pelo teólogo e filósofo católico
Padre Paulo Ricardo. O curso está disponível em:
<http://mentalidadeesquerdista.blogspot.com.br/2013/05/cursorevolucaoe
marx-ismocultural.html>. Acesso em: 25/04/2017.
[61] Disponível em: <http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-
o-itiner%-C3%A1rio-hist%C3%B3rico-do-marxismocultural>. Acesso em:
22/04/2017.
[62] LUIS, João de Almeida Machado. Brancos x Vermelhos.
<http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=520>
Acesso em: 27/04/2017.
[63] Disponível em: <https://www.google.com.br/search?
q=G+em+de+mulher+trabalhando&client=firefoxab&source=lnms&tbm=is
ch&sa=X&ved=0ahUKEwjzqZ3dwr7TAhVDS5AKHfbfD0MQ_AUIBigB&bi
w=1280&bih=689#tbm=isch&q=imagem+revolu%C3%A7%C3%A3o+rus
sa+de+1917&imgrc=idNYh2R_e--TPzM>. Acesso em: 25/04/2017. “A
revolução de outubro só foi possível depois de muitos esforços e
sacrifícios da classe operária e dos camponeses, oprimidos e entregues
à miséria durante o czarismo. A guerra foi sempre um elemento
desencadeador de revoltas, tanto no ensaio geral de 1905 (durante a
guerra Rússia-Japão) como na revolução de 1917 (participação da
Rússia na Primeira Guerra Mundial). (Disponível em:
<http://www.esquerda.net/dossier/revolucaorussa-passo-passo/17389>.
Acesso em: 25/04/2017).
[64] MATOS, Olgária C. F. A Escola de Frankfurt — Luzes e sombras
do iluminismo. São Paulo: Editora Moderna, 1998, p. 14.
[65] Ibid., p. 16.
[66] Ibid., p. 5.
[67] GASPARETTO, Antonio Junior. Stalin
<http://convertmypdftoword.com/>. Acesso em: 27/04/2017.
[68] Ibid.
[69] JAMES, Padre Thornton. O grandioso plano de Antonio Gramsci.
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2014/01/o-grandioso-plano-de-
antonio-gramsci.html>. Acesso em: 25/04/2017.
[70] Cláudio Fernandes, em resposta à pergunta “Socialismo e
comunismo, existem diferenças?”, elucidou: “Do marxismo nasceu, a um
só tempo, um método de compreensão do processo histórico chamado
materialismo histórico e materialismo dialético que foi profundamente
inspirado na filosofia hegeliana. Esta pode ser entendida como um
método de compreensão das relações de produção econômicas,
sobretudo expresso na teoria da mais-valia e da exploração e, por fim,
como uma proposta revolucionária de implantação de uma sociedade
socialista por meio da “ditadura do proletariado”, cuja fase última seria o
comunismo — termo que já havia sido usado por Robert Owen, mas que
só se tornou popular com a tradição marxista. A primeira experiência
revolucionária socialista foi a Comuna de Paris ocorrida em 1871, na
qual convergiam várias correntes do socialismo que circulavam até
então. A proposta comunista de viés estritamente marxista só veio a ser
executada pela primeira vez com os bolcheviques na Rússia. Lênin, um
dos líderes da Revolução Russa de 1917, foi um dos principais
responsáveis pela implantação da perspectiva revolucionária do
socialismo científico, que aspirava a implantação da sociedade
comunista. Dessa forma, com a Revolução Russa, o termo comunismo
disseminou-se pelo mundo” (Disponível em:
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/socialismo-comunismo-
existem-diferencas.htm>. Acesso em: 22/04/2017).
[71] Apud Pr. Marcos Paulo. Disponível em:
<http://www.voltemosadireita.com.br/a-teologia-de-antonio-gramsci/>.
Acesso em: 22/04/2017.
[72] JAMES, Thornton. Op. Cit.
[73] Disponível em:
<http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2014/01/o-grandioso-plano-de-
antonio-gramsci.html>. Acesso em: 25/04/2017.
[74] Ibid.
[75] Ibid.
[76] SEVERO, Julio. Op. Cit.
[77] COELHO, Vania. Escola de Frankfurt
<http://literacomunicq.blogspot.com. br/2011/04/escola-de-
frankfurt.html>. Acesso em: 25/04/2017.
[78] Na verdade, a intenção inicial era criar um “Instituto para
Marxismo” semelhante ao Instituto Marx e Engels, localizado em
Moscou, Rússia (Matos, Olgária C. F. Op. Cit., p. 74).
[79] COELHO, Vania. Op. Cit.
[80] Ibid.
[81] Uma crítica aos valores culturais da civilização ocidental. (Matos,
Olgária C. F. Op. Cit., p. 88-90). Na verdade, no dizer de Marcos Nobre
“repetir o que Marx havia dito”. (NOBRE, Marcos. “Max Horkheimer: A
teoria crítica entre o nazismo e o capitalismo tardio”. In: Curso livre de
teoria crítica (vários autores). Campinas: Papirus, 2011, p. 35).
[82] Curso Online, Gratuito e de Excelência Acadêmica: Revolução e
Marxismo Cultural. Aula 3. Reação a Crise Marxista. Ministrado pelo
teólogo e filósofo católico Padre Paulo Ricardo. Op. Ct.
[83] “Um alienado, segundo o marxismo, é alguém que renunciou
aos seus direitos de classe para dá-los a outra pessoa. Quando ele para
de lutar pelos seus direitos de classe, está servindo a outra classe” (Ibid).
[84] Curso Online, Gratuito e de Excelência Acadêmica: Revolução e
Marxismo Cultural. Aula 3. Reação a Crise Marxista. Ministrado pelo
teólogo e filósofo católico Padre Paulo Ricardo. Op. Ct. “O socialismo,
para Marx, é uma sociedade que permite a efetivação da essência do
homem superando sua alienação. É nada mais nada menos que a
criação das condições para o homem verdadeiramente livre, racional,
ativo e independente; é a consecução do objetivo profético: a destruição
dos ídolos” (FROMM, Erich. Conceito marxista de homem. Tradução de
Octávio Alves Velho. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983, p. 64).
[85] Filósofo alemão que escreveu entre 1883 e 1885 a obra Assim
falava Zaratustra, um livro que desconsidera os valores morais e chama
a sociedade moderna a quebrar os valores morais encarnados nela.
Nisso se incluiriam os valores morais do cristianismo — os valores
cristãos deveriam ser desconsiderados. Nietzsche faz uma crítica severa
aos valores morais do cristianismo.
[86] Curso Online, Gratuito e de Excelência Acadêmica: Revolução e
Marxismo Cultural. Aula 3. Reação a Crise Marxista. Ministrado pelo teólogo e
filósofo católico Padre Paulo Ricardo. Op. Ct.
[87] Ibid.
[88] Filósofo alemão que viveu de 1770 a 1831. Método da destruição
para a reconstrução. A dialética hegeliana alavanca exatamente isso,
pois ela traz a ideia da Tese, Antítese e Síntese. “A tese é uma afirmação
ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do
conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova
que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese,
então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese
gerando uma nova síntese, em um processo em cadeia infinito.”
(SANTOS, Rui de Souza. Dialética: Tese, Antítese e Síntese <https://dia-
da-terra.blogspot.com.br/2011/07/dialeticatese-antitese-e-sintese.html>
Acesso em: 27/04/2017). Portanto, em Hegel esse processo é continuo;
por isso, os intelectuais de Frankfurt não sabiam o que poderia acontecer
logo após a extinção dos valores culturais já encarnados na civilização
ocidental — não tinham uma previsão de como [tudo] recomeçaria.
[89] Alemão. Viveu de 1844 a 1900. Insistia em defender a ideia que
os valores existentes na cultural do Ocidente deveriam ser revogados.
Foi a partir da filosofia de Nietzsche que surgiu o termo niilismo, que
significa aniquilamento; reduzir a nada os valores tradicionais.
[90] Médico austríaco que viveu de 1856 a 1939. Criador da
psicanálise. Freud falava sobre “ mal-estar na civilização”. No tocante a
esse assunto escreveu: “Nisso nos guardamos de apoiar o preconceito
que diz que a cultura equivaleria a aperfeiçoamento, seria o caminho
traçado para o homem chegar à perfeição. (...). Em terceiro lugar,

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