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Aids (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) Introdução A pandemia da aids começou em 1981- A identificação do agente causal ocorreu em 1983, com a descoberta de um retrovírus citopático denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV) - Esse primeiro vírus passou a se chamar HIV-1 com a descoberta posterior de um segundo tipo, HIV-2- Em 1987 surgiu o primeiro medicamento que demonstrou eficácia no tratamento da doença, tendo como mecanismo de ação a inibição da transcriptase reversa - A infecção do HIV pode ser dividida nos seguintes estágios:- Transmissão viral;1. Infecção primária, também denominada aids aguda ou síndrome aguda da soroconversão;2. Soroconversão;3. Período de latência clínica com ou sem linfadenopatia persistente generalizada;4. Infecção sintomática inicial pelo HIV, anteriormente conhecida como complexo relacionado à aids5. Aids propriamente dita, definida como paciente sintomáticos ou os assintomáticos com menos de 350 células Cd46. Etiopatogenia É causada por um retrovírus (família Retroviridae) do gênero Lentivirus da espécia HIV- Possui dois tipos biológicos, o HIV-1 e o HIV-2- Suas características são curso crônico da doença, longo período de latência clínica, replicação viral persistente e envolvimento do sistema nervoso central - O quadro clínico causado pelo HIV-2 tem curso mais benigno, causando menor imunodeficiência que o HIV-1- Ambos os tipos replicam nas células T Cd4- Diâmetro de 100nm- Envolvido por membrana lipoproteica- Contém 72 complexos de glicoproteínas integrados na membrana lipídica. Cada um deles é composto por trímeros de uma proteína externa (gp120) e uma proteína transmembrana (gp41) - O vírus é composto de 2 cópias de RNA- As partículas virais possuem todos os equipamentos enzimáticos necessários para sua replicação intracelular:- Transcriptase reversa Integrase Protease Depende de 3 genes:- Gag (grupo antígeno) Pol (polimerase) Env (envelope) Genes que expressam constituintes da partícula viral: vif, vpr, vpu, nef- Gene pol: expressa a formação da transcriptase reversa, integrase e protease- Vpu: importante no processo de saída do vírus da célula do hospedeiro- Vif: afeta a gênese morfológica do vírus- O HIV penetra no organismo a partir da mucosa genital- A glicoproteína (GP-120) se liga às células dendríticas do epitélio cervicovaginal por meio dos receptores Cd4. Qualquer célula que tenha esses receptores é suscetível à infecção quando em contato com o HIV - A ligação da GP-120 ao Cd4 é crucial para a entrada do vírus na célula. Portanto, a molécula Cd4 é um receptor primário e necessário para o HIV-1 e HIV-2 - Entretanto, existem correceptores que precisam atuar para que a infecção seja efetiva- CCR5: é correceptor necessário para isolados de HIV trópicos para monócitos- CXCR4: é um receptor quimiocina usado pelos isolados de HIV-1 com tropismo para linfócitos T- Isolados HIV-1 monocitotrópicos: se propagam mais facilmente em cultura de macrófagos e são incapazes de infectar a linhagem de células T imortalizadas, mas são capazes de infectar linfócitos T primários derivados do sangue periférico - Isolados HIV-1 linfocitotrópicos: facilmente propagáveis em culturas de linhagem de células T e crescem pobremente em macrófagos, também são capazes de infectar as células T primárias do sangue periférico. - HIV-1 M-trópicos se ligam unicamente aos receptores CCR5 que surgem nas fases iniciais da infecção - variantes não indutoras de sincício - HIV T-trópicos se ligam aos receptores CXCR4 que surgem nas fases mais avançadas da doença - células indutoras de sincício - Existem vírus que conseguem se ligar a ambos os correceptores- Pessoas que possuem a variante homozigota e não expressam o correceptor CCR5 são resistentes à infecção pelo HIV, enquanto heterozigotos apresentam doença de evolução lenta - Quando o HIV entra nas células T, há uma conversão do RNA viral em dNA viral no citoplasma. Esse processo é mediado pela enzima transcriptase reversa. O resultado é acúmulo de dNA proviral no citoplasma - Há ativação celular para integração ao genoma do hospedeiro- Quando o dNA entra no núcleo, há transcrição dos genes do HIV para o genoma do hospedeiro- Findado o processo, dá-se início a replicação viral e síntese de proteínas virais- A nova membrana lipídica desses vírus é formado pela membrana do próprio hospedeiro, integrando proteínas, fosfolipídios e colesterol da célula deste último - As células infectadas se fundem com linfócitos T Cd4 e disseminam no organismo, sendo detectadas nos linfonodos regionais dentro de 2 dias - Nessa etapa, o indivíduo não possui resposta imune, e o paciente apresenta carga viral elevada. É nessa hora que podem ocorrer manifestações clínicas de uma infecção aguda viral semelhante à da mononucleose infecciosa. - Depois disso, o organismo adquire imunidade específica mediada pelos linfócitos T Cd8. A carga viral cai nessa etapa e os sintomas da síndrome aguda desaparecem. - A partir disso começa a etapa latente da infecção até que se inicie o quadro de aids. Nessa etapa, o vírus se multiplica principalmente nos centros germinativos dos linfonodos - Com a evolução da replicação, o número de células presentes nos gânglios diminui até que haja esgotamento dos centros germinativos. Por fim, a concentração do vírus na corrente sanguínea aumenta nas fases terminais da aids - Epidemiologia Embora tenha se iniciado no grupo de homossexuais masculinos, a doença vem apresentando tendências de heterossexualização, feminização, envelhecimento e pauperização do paciente. - A transmissão se faz por relação sexual, pelo sangue, pelo aleitamento materno e vertical, seja durante a gestação ou durante o trabalho de parto. - 50% a 90% dos pacientes com infecção primária pelo HIV apresentam sintomas inespecíficos 2 a 4 semanas após ocorrer a transmissão do vírus - O paciente é capaz de transmitir o vírus em quaisquer etapas da evolução clínica- As formas de prevenção são: uso de camisinha, prevenção da transmissão vertical com AZT e outros antirretrovirais, evitar amamentação por mães soropositivas e não usar sangue ou hemoderivados de HIV positivos - Diagnóstico É baseado na detecção de anticorpos contra o HIV (sorologia) OU detecção de antígenos do HIV- Exames sorológicos O teste padrão é o ELISA- O material pode ser sangue, saliva ou líquor- As amostras sanguíneas são submetidas a um teste de triagem para a detecção de anticorpos e antígenos. Isso pode ser feito por meio do ELISA - Os testes que detectam o antígeno p24 reduzem a janela imunológica, tornando-se positivo cerca de 5 a 10 dias antes do aparecimento dos anticorpos anti-HIV - Etapa I do diagnóstico - testes imunoenzimáticos Exame positivo + quadro clínico/história epidemiológica compatível = valor preditivo positivo próximo a 100%- As amostras reagentes devem ser submetidos a um segundo imunoensaio por princípio metodológico diferente ou em busca de outro antígeno. O resultado pode ser "reativo", "não reativo" e "indeterminado" - Resultado não reativo: não há infecção pelo HIV. Pode ocorrer falso-negativo se o exame for realizado durante a janela imunológica. OBS: janela imunológica é o intervalo de tempo entre o momento da infecção e a positivação da sorologia, com duração, em média, de 14 a 21 dias, podendo em poucos casos se estender por até 6 meses. Resultado indeterminado: há reatividade em apenas um dos métodos. Causas: soroconversão, fase terminal da doença ou reação cruzada com anticorpos inespecíficos (gestação, doenças autoimunes, neoplasias). Deve ser repetido em 30 dias. Soroconversão > reativo / indeterminado > não reativo Resultado reativo: presença de anticorpos anti-HIV, indicando infecção. Pode ocorrer falso-positivo e a causa mais comum é a vacinação contra HIV, presença de autoanticorpos ou erro técnico. Amostras com resultado reagente na etapa I devem ser submetidas à etapa II.- Etapa II - testes confirmatórios (Western Blot) O mais utilizado é o WB. Detecta a presençade anticorpos contra diferentes proteínas (antígenos) do HIV, as quais podem ser do core, da polimerase ou do envelope. - O resultado vem expresso em bandas e exige a presença de pelo menos 2 das 3 proteínas virais.- Resultado negativo: ausência de bandas Resultado positivo: ao menos 2 bandas Resultado indeterminado: qualquer padrão de bandas que não corresponda aos critérios No caso de reagentes em ambas as etapas, o laudo consta como "amostra reagente para HIV". É feita uma coleta de segunda amostra para comprovação. No caso de segunda amostra reagente, o diagnóstico é definido - Outros testes Teste rápido: técnica ELISA simplificada. Indicado em acidentes com material biológico, gestantes não testadas no pré-natal, parturientes e puérperas não testadas, quando não há infraestrutura laboratorial, parceiros de pessoas com HIV, abortamento espontâneo, ISTs, tuberculose, hepatites virais. - Teste da saliva: teste EIA. Suas vantagens são a facilidade da coleta da amostra, custos reduzidos e a melhor aceitação dos pacientes - OBS: a detecção de anticorpos anti-HIV antes de 18 meses de idade não caracteriza infecção, uma vez que pode ter ocorrido transferência vertical pela placenta. Detecção de antígenos do HIV Feito a partir do PCR- Podem identificar o antígeno viral p24 ou o RNA do HIV- Não substituem a sorologia, mas são úteis em situações específicas, como no caso de resultados sorológicos contraditórios e no período de janela imunológica após a exposição ao vírus - Exames para avaliação e o acompanhamento Contagem de linfócitos Cd4+ Feito a partir com citometria de fluxo com sangue fresco, com menos de 18 horas- Valores normais: 800 a 1000 células/mm3- Contagem de linfócitos Cd4+ inferior a 200 células/mm3 é diagnóstico de aids, mesmo em pacientes assintomáticos- Quantificação do RNA do HIV plasmático (carga viral do HIV) Avalia a concentração do HIV no plasma, que está relacionado ao número de linfócitos infectados presentes na circulação sanguínea, nos gânglios e tecidos. É feito por PCR - As indicações são: avaliar o prognóstico da infecção, monitorar a resposta ao tratamento, avaliar o risco de transmissão vertical e definir o tipo de parto, diagnóstico de infecção aguda pelo HIV enquanto a sorologia ainda está negativa. - Testes de resistência São úteis para ajudar o clínico a escolher o melhor esquema antirretroviral, especialmente para pacientes que já fizeram uso de múltiplas drogas - Análise genotípica: por meio de PCR, é feito o sequenciamento à procura de mutações associadas a resistência a cada antirretroviral - Análise fenotípica: avalia a capacidade do vírus se multiplicar na presença de concentrações estabelecidas de antirretrovirais (semelhante ao antibiograma). É mais cara e leva mais tempo para obtenção de resultados. - Exames inespecíficos úteis para a avaliação e o acompanhamento Hemograma Deve ser realizado na primeira avaliação do paciente e depois a cada 3 a 6 meses.- Comum a ocorrência de anemia, leucopenia e plaquetopenia mesmo em pacientes assintomáticos. Pode ser a primeira alteração detectada para a suspeita do diagnóstico de HIV. - Valores abaixo de 2.000 linfócitos/mm3 estão relacionados com contagem de Cd4+ inferior a 200 células/mm3- Bioquímica do sangue Avaliação basal para identificar possíveis doenças multissistêmicas- Devem incluir: TGO, fosfatase alcalina, gama-GT, bilirrubina, ureia, creatinina, glicemia, triglicerídeos, colesterol total e frações, desidrogenase lática. - Sorologias para sífilis (VdRL), toxoplasmose, hepatites virais Faz o rastreamento para possíveis grupos de risco e alvos de estratégias profiláticas- O resultado pode ser falso-negativo em caso de imunodepressão grave (Cd4+ <100 células/mm3)- RX de tórax Identificação de tuberculose assintomática- PPd - prova tuberculínica Útil para a indicação de quimioprofilaxia da tuberculose- Se o teste inicial der negativo, deve ser repetido anualmente- Teste positivo: induração igual ou superior a 5mm 48 a 72 horas após a injeção subcutânea- Exame ginecológico com colpocitologia pelo papanicolau Realizado na avaliação inicial da paciente e repetido após 6 meses e, a seguir, anualmente- Retrovírus - HIV quarta-feira, 7 de junho de 2023 10:04 Página 1 de INFECTO Realizado na avaliação inicial da paciente e repetido após 6 meses e, a seguir, anualmente- Identifica lesão escamosa intraepitelial e câncer cervical associados a persistência da infecção pelo papilomavírus humano (HPV) - Exame de urina (EAS, exame tipo I, sumário de urina) Útil para avaliar alterações renais e monitoração de efeitos colaterais de medicamentos- Exame parasitológico de fezes Avaliação inicial para identificação e tratamento de parasitoses- Manifestações clínicas da infecção pelo vírus HIV Introdução Caracteriza-se por perda progressiva da imunidade celular e incapacidade do organismo de frear a multiplicação viral - HIV-1: grupos M, N e O- HIV-2: oito grupos, de A a H- A evolução da doença tem relação com o grupo e o subtipo ao qual o vírus pertence- HIV-1, subtipo B do grupo M > predomina no Brasil- Por ser politrópico, infecta quase todas as células do organismo. Esse tropismo ocorre pela estrutura da membrana- A patogenia do HIV é o resultado das suas propriedades biológicas e da competência imunológica do hospedeiro- O alvo principal são os linfócitos T Cd4. As maiores reservas celulares desse linfócito em repouso são os tecidos linfáticos e as áreas linfoides do intestino - O HIV promove modificações na membrana celular, formação de sincícios e apoptose e necrose por ação direta das proteínas virais ou efeitos de citocinas. - Nos macrófagos, há perda de função fagocítica e aumento de produção de citocinas pró-inflamatórias. Ademais, perdem a quimiotaxia e mecanismos de lise dos parasitos intracelulares - Os monócitos infectados diminuem a capacidade de migração a determinados estímulos- Células NK perdem sua citotoxicidade direta e dependente de anticorpos- A infecção por HIV estimula inicialmente a resposta inata- Os anticorpos específicos contra o HIV são sintetizados 1 ou 2 semanas após a infecção no sangue e fluidos corporais, com predomínio da subclasse IgG1 - A desregulação das células T leva à proliferação de células B. entre as imunoglobulinas liberadas por estas células, estão os autoanticorpos. Isso explica a associação do HIV com alterações autoimunes envolvendo vasos sanguíneos, articulações e músculos. Também foram identificados autoanticorpos contra plaquetas, nervos periféricos, células T, esperma, plasma seminal, hidrocortisona, eritropoietina e tiroglobulina. - Formas clínicas A história natural da infecção pelo HIV, sem tratamento, tem duração média de 8 a 10 anos entre a infecção e a morte do paciente - O reconhecimento e a terapêutica precoce tem relação com a sobrevida prolongada- O diagnóstico clínico inclui sinais e sintomas causados pelo HIV, por infecções oportunistas e neoplasias.- Infecção aguda. Síndrome retroviral aguda Após 2 dias: vírus migram para os linfonodos regionais, alterando sua arquitetura, destruindo centros germinativos e diminuindo sua função imunológica. - Após 5 dias: viremia, com intensa migração para o SNC- Em carca de 40% dos pacientes, a fase aguda é assintomática.- Período 1 a 4 semanas: síndrome febril inespecífica, com febre elevada ou moderada, acompanhada de cefaleia, dor retro orbitária, sudorese noturna, mialgia, artralgia, odinofagia. - Em pacientes com resposta inflamatória mais forte, a sintomatologia pode ser mais intensa: vômitos, diarreia, hepatite subclínica, gengivites, candidíase oral, ulcerações de boca, esôfago, ânus e vagina, adenomegalia nas cadeias cervicais e axilares. - Pode ter exantema macular não pruriginoso, com início na face e tronco, e depois em membros- A adenomegalia é simétrica, com duração superior a 30 dias- Os gânglios tem 0,5 a 2cm ou mais de diâmetro, móveis, consistência elástica, indolores.- OBS: no câncer, são imóveis, endurecidos e indolores.No aumento reativo à infecção, os linfonodos ficam dolorosos As manifestações mais graves são pneumonite, meningoencefalite viral e pneumocistose.- A gravidade dos primeiros sintomas está associada a mau prognóstico de progressão para aids- Essa síndrome precede a elevação dos anticorpos- Os sinais e sintomas são mediados por células e produção de citocinas pró-inflamatórias.- Exames de laboratório: replicação viral com mais de 1 milhão de vírus por ml, intensa depleção de células T Cd4 e aumento de células T Cd8. O ARN viral é detectado em pequenas quantidades nos primeiros 2 a 4 dias e plenamente em 7 a 10 dias. - Os anticorpos específicos se elevam algumas semanas após a infecção aguda, num período conhecido como janela imunológica, que varia de 2 semanas a vários meses. - Diagnósticos diferenciais: síndrome da mononucleose causada por vírus Epstein-Barr, citomegalovírus e toxoplasma, sífilis secundária, dengue, infecção gonocócica disseminada, paracoccidioidomicose aguda, tuberculose ganglionar e leucemias e linfomas. - Requer atendimento na maioria das vezes e internação hospitalar em 10% dos casos.- Vantagens do diagnóstico precoce: prolongar a fase assintomática, prevenir as doenças oportunistas, acompanhar os avanços terapêuticos, auferir direitos e benefícios sociais, evitar comportamentos de risco e interromper a cadeia epidemiológica. - Quase totalidade dos casos tem evolução autolimitada, com a recuperação do paciente que permanece assintomático. - Durante a fase aguda, o diagnóstico se faz da seguinte forma:- Antes de 4 semanas: carga viral➢ Depois de 4 semanas: ELISA➢ Infecção crônica assintomática e linfadenopatia generalizada persistente Ocorre após a fase aguda- Fase de latência clínica, mas não virológica- Ocorre uma replicação viral lenta e persistente, que vai eliminando as células T Cd4+ por citotoxicidade direta ou apoptose por via indireta - A replicação ocorre nos tecidos linfáticos, que se tornam o maior reservatório de HIV- Paciente transmite por sangue, esperma e secreções genitais- Após a fase aguda, o paciente pode permanecer com linfadenopatia generalizada persistente em 50% a 70% dos pacientes infectados - Sintomas: longos períodos de febre (38°C a 39°C), intermitente ou contínua, emagrecimento, fadiga, sudorese noturna e diarreia. - Exames laboratoriais podem estar inalterados e a biópsia do gânglio mostrar linfadenopatia reacional inespecífica- Diagnóstico diferencial: sarcoidose, linfomas, tuberculose ganglionar, paracoccidioidomicose, sífilis secundária, toxoplasmose e as outras causas de adenomegalia crônicas - Síndrome Pré-aids Os primeiros sinais de baixa imunidade são doenças menos graves: candidíase oral de repetição, leucoplasia pilosa, herpes zoster em pacientes com menos de 60 anos, queilite angular, gengivite e úlceras recorrentes na boca e infecção respiratória alta de repetição, candidíase vulvovaginal persistente ou resistente, angiomatose bacilar - Alterações cutâneas: turgor e elasticidade diminuídos, exacerbação de lesões prévias, psoríase e dermatite seborreica, hiper ou hipocromias, furunculoses. - Depois de um tempo, os sintomas que estavam acontecendo aumentam o grau de gravidade e intensidade- Diagnóstico diferencial: outras síndromes consumptivas, anemias graves, diabetes descompensados, gastrenterites crônicas, tuberculose, colagenoses, neoplasias e outras causas de febre prolongadas - Aids É definido paciente portador de aids aquele com dois testes de triagem para detecção de anticorpos anti-HIV e um teste confirmatório reagentes, que tenha contagem T Cd4 no sangue abaixo de 350/mm3, independentemente de outras causas de imunodeficiência, ou que apresente uma doença definidora de aids com qualquer nível de TCd4 - Existem três tipos de progressão nos pacientes infectados não tratados:- Progressores rápidos: perdem rapidamente a imunidade, evoluindo para aids em menos de 3 a 5 anos. 4% a 10% dos pacientes 1. Progressores médios: evoluem no tempo de 8 a 11 anos. 55% a 80%2. Não progressores lentos: permanecem na fase latente por mais de 10 anos, controlando a multiplicação viral. 10% a 15% 3. Dentro desse grupo, 1% são os controladores de elite. Esses pacientes apresentam viremia persistentemente baixa, menos de 50 cópias/mL ➢ Fatores que influenciam o risco da evolução:- Pessoas que tiveram a fase aguda sintomática com mais de 2 semanas de duração > progressão mais rápida➢ Infecções transfusionais têm o pior prognóstico➢ Idade > pior em idosos➢ Fatores genéticos➢ Desnutrição➢ Coinfecções com outros vírus encurtam o tempo de latência, por suprimir a imunidade celular.➢ Portadores de HIV-2 têm um período de latência maior que a dos infectados por HIV-1- HIV-1 do grupo A tem evolução mais lenta em relação às infecções do HIV-1 do grupo B- HIV-1 do grupo N causa uma forma aguda mais grave- Síndrome consumptiva Perda inexplicável de 10% do peso corpóreo, acompanhada de febre e diarreia, não atribuíveis a outras condições associadas à aids - É indicador de progressão para a aids- Perda de mais de 30% do peso corporal ideal > maior gravidade- Desnutrido: paciente com perda ponderal superior a 10% do próprio peso com elevada perda proteica- Alterações dermatológicas na infecção por HIV Estão presentes em todas as fases da infecção- Podem ser de 3 tipos: infecções, tumorais ou iatrogênicas- Outras lesões podem ocorrer por exacerbação de doenças prévias- Exantema da fase aguda: gravidade depende da resposta imunológica do hospedeiro.- Essas alterações ocorrem pela perda da imunidade- Com o tratamento, algumas dessas alterações diminuíram, mantiveram-se inalteradas ou aumentaram (herpes- zoster, farmacodermias, sífilis e lipodistrofias) - Alterações do Sistema Nervoso Podem aparecer na fase aguda, mas são predominantes na fase tardia- O vírus tem tropismo pelo SNC- Na maioria são vírus macrofagotrópicos- As células multinucleadas que se formam e a mielopatia vacuolar representam as lesões quase patognomônicas da infecção por HIV no sistema nervoso - As células mais atingidas são as gliais e o endotélio dos capilares- A resposta autoimune se deve ao mimetismo molecular, já que o HIV tem proteínas semelhantes às das células dos sistemas nervosos central e periférico - A entrada do vírus no SNC precisa ser pela barreira hematoencefálica- Causa desmielinização cortical, com reação inflamatória e perda de função local- As manifestações neurológicas vão desde discretas alterações de comportamento até graves plegias, incoordenações motoras e demência. - Meningoencefalites Pode ocorrer em formas graves da fase aguda- Liquor: claro, discreta pleocitose mononuclear, glicose normal e moderado aumento de proteínas- Sintomas iguais a das outras meningoencefalites virais. Duram até 14 dias e a evolução é benigna- Encefalite Pode aparecer em qualquer fase e provoca atrofia cerebral- Sintomas: febre, cefaleia, perda de memória e uma progressiva síndrome demencial. Pode também ter crises convulsivas. - A presença de ARN viral no liquor confirma o diagnóstico- Prognóstico é grave e o paciente morre em algumas semanas ou meses- Mielites No período de latência, as mielites transversas são sinais de mau prognóstico- Início insidioso, com graus de retenção urinária e fecal- Pode regredir e reaparecer com mais intensidade- Apresenta paresias de membros inferiores e incontinência de esfincteres.- Exame histológico da medula: mielopatia vacuolar dos tratos piramidais anterior e lateral e das colunas posteriores. Lesões mais evidentes na medula torácica - Síndrome demencial Sinal de infecção grave- Graus variáveis de disfunção motora, cognitiva e comportamental- Pode iniciar com discreta lentidão psíquica seguida de apatia para as tarefas habituais- Disfunção motora: desequilíbrio e incoordenação- Disfunção cognitiva: dificuldade de concentração e memorização- Disfunção comportamental: irritabilidade, isolamento, depressão e apatia- Nas fases mais tardias os sintomas agravem e aparecem os sintomasmotores apráxicos- A demência subcortical é de fácil diagnóstico e estava presente em 25% dos pacientes na fase pré-aids- Sistema nervoso autônomo Sintomas: sudorese noturna intensa e prolongada, hipotensão postural grave, impotência sexual, bradicinesia, lipotimias e paradas cardiorrespiratórias - Distúrbios psiquiátricos Página 2 de INFECTO Distúrbios psiquiátricos Os infectados geralmente apresentavam distúrbios afetivos anteriores à doença, os quais agravam com o decorrer do tempo - Pode ocorrer delirium: comprometimento cortical que reduz a capacidade de manter a atenção a estímulos externos, desorganiza o pensamento, causa alucinações, distúrbios do sono e atinge a memória recente. - Outras manifestações neurológicas O HIV pode causar neuropatias sensitivas, distais, múltiplas mononeurites ou polirradiculopatias progressivas- Podem ser causadas por produtos tóxicos celulares ou virais, reações autoimunes e de resposta à infecção- Sintomas são bilaterais- Diagnóstico diferencial > síndrome de Guillain-Barré quando ocorre diminuição da força nos segmentos proximais dos quatro membros. A diferença é que Guillain-Barré começa nos membros inferiores apenas. - Alterações do sistema digestório Atinge todas as pessoas infectadas, sendo encontrado o vírus em pacientes em todas as fases- Alvos principais são as células TCd4 os macrófagos da lâmina própria- Esses fatores quebram a barreira imunológica, facilitando a disseminação de bactérias para a circulação sanguínea- A presença do vírus nas células enterocromafins é a causa das alterações eletrolíticas e da má absorção que leva à desnutrição - Os HIV que infectam as células do intestino se diferenciam como os que infectam o SNC- São vírus CCR5 macrofagotrópicos produtores de citocinas, que em quantidades moderadas alteram a permeabilidade e em grandes quantidades têm efeito tóxico provocando apoptose - Alterações pulmonares O HIV atinge os pulmões, diferencia-se, podendo causar alterações imunológicas- Duas etapas: antes e após o acesso às drogas profiláticas e às combinações antirretrovirais- Antes: doenças oportunistas e hospitalares- Depois: tuberculose, hipertensão pulmonar, carcinomas broncogênicos, linfomas e síndrome de reconstituição imunológica - Infecções oportunistas São causadas por agentes etiológicos de baixa patogenicidade, que aproveitam a imunodeficiência para promover infecções disseminadas - Órgãos mais atingidos: SNC, TGI e pulmões.- São dificilmente erradicadas, precisam ser controladas na fase aguda, necessitam de uso de medicações profiláticas até reestabelecimento da imunidade - O uso dos antirretrovirais potentes combinados reduziu a sua incidência, aumentado a qualidade e quantidade de vida dos pacientes - Leucoplasia pilosa Lesão específica da mucosa oral de imunossuprimidos- Agente etiológico: vírus Epstein-Barr- Exame físico:➢ Superfície de contornos irregulares formada por vilosidades microscópicas semelhante a pelos, não se desprendem ao tentar removê-las. - São indolores. - Causa sensação de hipertrofia das papilas. - Localizadas nas bordas da lingua bilateralmente.- Formas graves: superfície dorsal da língua- Histopatologia: acantose, hiperparaqueratose, células balonizantes e ausência de infiltrado inflamatório.- Diagnóstico diferencial: candidíase hiperplásica crônica, líquen plano e leucoplasia associada ao uso do tabaco- Candidíase Atingem 80% a 90% dos pacientes com aids- Apresentação mais frequente é a de orofaringe- Formam placas pseudomembranosas brancas de diferentes diâmetros na mucosa oral, nas gengivas, na região peridental, no palato, na mucosa geniana, de fácil remoção, indolores, rodeadas por halo de hiperemia - Quando retiradas, deixam uma superfície avermelhada, às vezes hemorrágica- Causam sensação desagradável na boca, dificultando a degustação. Na língua, causa ardência e dor também- Nos estágios avançados de imunossupressão, invade o esôfago e TGI.- As formas esofagianas e traqueais são critérios de aids- Tuberculose A infecção pelo HIV aumenta a incidência de tuberculose já que facilita a infecção primária e, com maior frequência, a reativação da infecção latente. - Já a tuberculose eleva a mortalidade da aids por aumentar a replicação viral, acelerando o curso da doença- É a doença oportunista mais frequente depois da candidíase oral e em muitos a primeira manifestação da aids- É mais frequente em níveis abaixo de 350 células/mm3- No Brasil, aproximadamente 15% dos pacientes com tuberculose são soropositivos- Nos indivíduos com contagem de Cd4 acima de 350, a clínica é igual à dos pacientes imunocompetentes.- Abaixo de 350, as imagens radiológicas podem dificultar o diagnóstico. Quando não há resposta inflamatória para o bacilo, a radiografia estará normal - Nas formas extrapulmonares os órgãos mais atingidos são fígado, baço, sistema nervoso central, medula e sistema geniturinário. - Sintomas prolongados de febre vespertina, sudorese noturna, astenia, anorexia e emagrecimento.- Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) É uma doença subaguda e desmielinizante causada pelo poliomavírus JC e infecta oligodendrócitos.- Atinge 4% dos pacientes com TCd4+ abaixo de 200 células/mm3- Desmielinização limitada à substância branca no cérebro, de início insidioso, sem febre e sem alterações de consciência - Sinais e sintomas: lesão límbica (alteração da saciedade, sexualidade e distúrbios socioafetivos), ataxia, déficit motor localizado, alterações cognitivas e distúrbios visuais. - Progride com deficiência intelectual, evoluindo para demência, cegueira parcial e alterações na fala- TC: áreas hipodensas na substância branca, mais numerosas nas regiões parieto-occipitais- Leva o paciente a morte em 6 a 9 meses- Pneumocistose Causado pelo pneumocystus jirovecii, um fungo unicelular encontrado nos pulmões dos pacientes imunodeprimidos - A multiplicação produz um exsudato alveolar espumoso, onde predominam células mononucleares- Consolidação do parênquima, espessamento da membrana alveolar, edema e fibrose- Infecção oportunista dos pacientes com aids e TCd4+ inferior a 200/mm3- Pode ter início insidioso ou quadro agudo- A ausculta pulmonar não revela a gravidade das lesões que aparecem nas radiografias ou na tomografia computadorizada - Nos casos mais graves de imunodeficiência, pode haver disseminação hematogênica para o fígado, rins, baço e retina - Pneumocistose é doença definidora de aids- Tem perigo de contágio a partir de secreções respiratórias e de fômites- Na TC, gera padrão de opacidade em vidro fosco- Diagnóstico de certeza é obtido a partir do exame de escarro colhido em jejum, fixado na coloração May-Grunwald- Giemsa ou a de Gomori-Grocott - Toxoplasmose Entre as infecções oportunistas que atingem o SNC, a toxoplasmose cerebral é a mais frequente- Causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário intracelular obrigatório- Os pacientes com aids adoecem nas formas graves da imunodeficiência, TCd4+ abaixo de 100 células/mm3- Ocorre reativação de infecção latente- Forma mais frequente é a encefalite abscedada- Sintomas: durante 2 semanas ou mais, surge febre, cefaleia intensa e constante, alterações de comportamento, fotofobia, sinais de intensidade variável e progressivos de localização, como monoplegia, hemiplegia espástica, síndromes cerebelares, crises convulsivas, confusão mental, obnubilação e coma. - A coriorretinite é diagnosticada no fundo de olho- Diagnóstico: história e exame físico + confirmação sorológica do HIV + imagens de TC ou RM- TC/RM: abscessos múltiplos, com halo periférico e sinais de efeito de massa e edema cerebral. A localização mais comum é nos núcleos da base e regiões corticais. - Sorologia para toxoplasmose não ajuda, já que não há reposta imune humoral- Diagnóstico diferencial: abcessos de outras etiologias e com os linfomas primários de SNC.- O toxoplasma pode causar meningoencefalites com liquor claro com as mesmas características das meningoencefalites virais - Os esquemas terapêuticospara o HIV diminuíram a frequência da neurotoxoplasmose- Criptococose Causada pelo Cryptococcus neoformans, um fungo que invade o organismo pelas vias respiratórias.- No paciente com aids, atinge quase todos os órgãos e tecidos, nem sempre dando sinais e sintomas.- A infecção mais grave e frequente é a meningoencefalite insidiosa- Sintomas: cefaleia intensa, vômitos, febre baixa ou moderada, fotofobia, alterações sensoriais, alterações de consciência e de comportamento e, por último, paralisias de nervos cranianos e sinais de irritação meníngea - Somam-se ao longo de 2 ou 3 semanas- Ocorre quando o nível imunitário está abaixo de 100 células/mm3- Diagnóstico: punção lombar mostrando líquor claro com pleocitose discreta de mononucleares, glicorraquia pouco alterada e discreta elevação da proteinorraquia. - Diagnóstico diferencial: meningoencefalite tuberculosa e por toxoplasma- Criptosporidíase Causado pelo Cyiptosporidium sp., um protozoário unicelular e intracelular que infecta o epitélio digestório e respiratório. - A contaminação é pela água, com ingestão dos oocistos.- Os oocistos são eliminados nas fezes- Em imunocomprometidos, são encontrados da faringe até o reto, vias aéreas e vias biliares, sendo o intestino delgado o local mais acometido. - Os quadros mais graves ocorrem com níveis abaixo de 100 células/mm3- Sintomas: náuseas, vômitos e dor abdominal em cólica. A diarreia aquosa é persistente e parecida com a da cólera, às vezes com muco, muito fétida e de difícil controle. - As evacuações tem número de 10 a 20 vezes por dia- Causa perda diária de 10 litros de água e eletrólitos- Isosporíase Causada por Isospora belli, um protozoário que atinge principalmente o duodeno- Contaminação é por água poluída com fezes- Sintomas: náuseas e vômitos, dor abdominal, febre e diarreia aguda de evacuações aquosas, que levam o paciente a desidratação, emagrecimento, síndrome de má absorção, esteatorreia e hipoalbuminemia - Surgem após 1 semana da contaminação- Ocorre em níveis abaixo de 100 células/mm3- A biópsia de duodeno mostra atrofia parcial ou total das vilosidades, tendo correlação com a carga parasitária- Microsporidiose São protozoários primitivos intracelulares obrigatórios- As principais espécies são o Encephaliozoon cuniculi, que tem tropismo para o SNC, e o Enterocitozoon bieneusi que causa infecção intestinal - Aparece quando os níveis estão abaixo de 100 células/mm3- A contaminação é por ingestão ocasional de esporos- Sintomas: anorexia, diarreias crônicas, síndrome de má absorção, caquexia, colangite esclerosante. Em algumas situações causa hepatite fulminante, peritonite com ascite e queratite - E. Bieneusi acomete mais o jejuno, onde causa uma reação inflamatória com infiltrados mononucleares- Micobacterioses Atípicas (Infecção pelo Complexo Mycobacterium avium-intracellulare - MAC) São as doenças causadas pelo M. avium e o M. intracellulare- A infecção é adquirida por ingestão ou inalação, a qual evolui com quadro disseminado e prognóstico reservado- Atinge cerca de 10% dos pacientes que estão com níveis de TCd4+ abaixo de 50 células/mm3- A colonização é comprovada em escarro e fezes- O duodeno e os gânglios regionais são o local mais atingido- Sintomas: febre elevada e prolongada com ou sem sudorese noturna, astenia, emagrecimento acentuado, dor abdominal e diarreia, levando à síndrome de má absorção - Pode haver ileíte terminal e obstrução extra-hepática e intestinal, causadas por adenomegalia adjacente- Diagnóstico é feito po biópsia ou aspirado ganglionar- Citomegalovirose O citomegalovírus (CMV) pertence à família dos Herpesviridae e tem tropismo por células de revestimento endotelial e fibroblastos, induz o aumento de seu tamanho e forma inclusões citoplasmáticas - É adquirido precocemente e permanece como infecção latente- Nos pacientes com HIV, o vírus causa lesões retinianas, encefálicas, no TGI e em outros órgãos.- SNC: encefalite subaguda, alterações de consciência, incontinência de esfíncteres e até demência, além de neuropatias periféricas e polirradiculoneurites similares a Guillain-Barré. Evolução pode causar arreflexia profunda, paralisia de membros inferiores e ascender até causar insuficiência respiratória e morte. - Coriorretinites: 60% a 70% das infecções no pacientes com TCd4 abaixo de 50 células/mm3. a lesão inicia unilateralmente e progride para o outro olho por conta da viremia associada. O diagnóstico é por fundo de olho. É uma emergência clínica que, se não tratada, leva à cegueira. - TGI: causa diversas ulcerações e colite pseudomembranosa. O diagnóstico diferencial é de esofagite por HIV, - Página 3 de INFECTO TGI: causa diversas ulcerações e colite pseudomembranosa. O diagnóstico diferencial é de esofagite por HIV, candidíase esofágica grave e esofagites por herpes simples tipo 1 - Pode causar quadro semelhante ao da mononucleose com febre, exantema maculopapular, leucopenia, linfopenia e púrpura trombocitopênica - Suprarrenais: hemorragia necrosante da medula ou toda glândula- Raramente causa pneumonias intersticiais focais ou difusas, cujo aspecto radiológico se confunde com a pneumocistose e criptococose pulmonar - Lesões sistêmicas causadas pelo HIV Olhos: coriorretinite- Mucosa oral: aftas dolorosas- Sistema hematopoiético: anemia, leucopenia, plaquetopenia. É comum TVP- Gânglios: hiperplasia reacional, aumento dos centros germinativos, substituição do tecido linfático por colágeno e fibrose - Nefropatia: insuficiência renal crônica, glomerulonefrite- Coração: infecção direta dos miócitos, pericardite, miocardite e calcificação da artéria coronariana e espessamento das carótidas - Endotélio: causa doenças CV- Articulações: artropatias generalizadas- Adrenais: distúrbios endócrinos- Varicela-zóster Nos imunodeprimidos é comum a reativação do vírus- O acontecimento disso em pacientes jovens, sobretudo quando afeta a face ou mais de um dermátomo, indica baixa imunidade - Não é definidora de aids- Vírus herpes simples 1 e 2 É reativado quando há queda da imunidade- Em pacientes com aids, as reativações são frequentes e causam destruição tecidual extensa nas regiões perianais e genitais. - Sintomas incluem ardência, dor moderada e prurido local. Horas depois aparece o eritema e uma pequena pápula, que se transforma em bolha e rompe, deixando úlceras secas ou úmidas, dolorosas, de tamanhos variáveis, que coalescem - Nos olhos, causa de ceratoconjuntivites, uveítes e blefarites- Lesões cutâneas prevalecem na região cervical e sacro- Complicações graves: esofagites, encefalites, meningoencefalites, necrose hepatoadrenal e infecções bacterianas associadas - Papilomavírus Humano (HPV) A limitação da infecção depende dos linfócitos T, por isso em pacientes com aids o vírus se dissemina com facilidade - Causam lesões verrucosas, sendo que alguns HPV são associados à carcinogênese, especialmente os 16 e 18 que infectam a região genital - Vírus da hepatite B (HBV) Como tem via de transmissão em comum com HIV, as coinfecções são frequentes, sendo que 70 a 90% dos pacientes com HIV têm marcadores sorológicos reagentes para HBV - As coinfecções aumentam a morbidade e mortalidade de cada vírus isolado- Quando a hepatite é adquirida após a soroconversão, o risco de cronificar aumenta- O HBV está nos linfócitos T periféricos, exacrbando a replicação do HIV- Diagnóstico é feito por marcadores sorológicos- Nos pacientes com marcadores não reagentes é indicada a vacinação- Vírus da hepatite C (HCV) Entre 10 a 40% dos pacientes com HIV são coinfectados pelo HCV- O HCV induz a proliferação dos linfócitos T Cd4 no tecido hepático, facilitando a multiplicação do HIV- A interação entre HIV e HCV por citocinas celulares aumenta a multiplicação dos dois- Infecções bacterianas recidivantes Ocorrem pela redução da fagocitose e da capacidade de apresentação de antígenos, e também pela supressão das respostas celular e humoral - As mais frequentes são por microrganismos piogênicos, como estreptococs,hemófilos e estafilococos- As salmoneloses costumam ocorrer- Sífilis Causa aumento da carga viral do HIV e baixa de número de T Cd4 transitórias- As formas clínicas da sífilis em soropositivos são exuberantes, rapidamente progressivas e muito graves- Síndrome inflamatória de reconstituição imune Ocorre após as primeiras semanas de terapia antirretroviral- Causada pelo retorno da resposta imune para agentes que antes não estavam sendo combatidos- Ocorre em 8% a 40% dos pacientes- O prognóstico é bom e as medicações contra aids e doenças associadas não devem ser interrompidas- Neoplasias na aids A evidência do aumento do risco de sarcoma de Kaposi e linfoma não Hodgkin em pacientes HIV-positivo é consistente e a ocorrência tem sido chamada de doença definidora de aids - O uso de antirretrovirais diminuiu a ocorrência de mortes relacionadas com as neoplasias definidoras de HIV em até 70% - Contudo, o número de pessoas que vivem com HIV/aids aumentou, deixando-os mais vulneráveis à mesma gama de neoplasias associadas com o envelhecimento - Sarcoma de Kaposi É uma neoplasia maligna multifocal resultante da proliferação anormal do endotélio vascular, tanto dos vasos sanguíneos como dos linfáticos. - Os pacientes com aids tem 100.000 vezes mais possibilidade de desenvolver o SK que a população em geral- Risco é maior para homossexuais- A incidência de SK pulmonar em pessoas com SK cutâneo é de 47% a 75%- Etiopatogenia O HHV-8 está associado à etiopatogenia do SK- É um vírus da família herpes- Pode se envolver na patogênese de seis formas:- Soroprevalência alta de anticorpos anti-HHV-8 em casos de SK1. Associação temporal2. Detecção de dNA do vírus nas células tumorais3. Transformação de proteínas, fatores apoptóticos e citocinas inflamatórias por genes do HHV-8 que têm certa homologia com genes humanos 4. Estimula a proliferação endotelial microvascular das células5. Impacto de drogas antivirais na incidência do SK6. Manifestações clínicas Em pacientes com aids, com a pele e as mucosas frequentemente acometidas- Representado por lesões que variam desde pápulas e nódulos violáceos até lesões vegetantes e eventualmente necróticas - Podem ser localizadas ou acometer vários sítios- Pode ocorrer prejuízo na drenagem linfática, resultando em grande edema, principalmente em membros inferiores e face - O acometimento visceral do SK é mais frequente no TGI e pulmões- No tubo digestivo, é mais comum na boca, no estômago, no duodeno e no reto. Nestes sítios, é geralmente oligossintomático, podendo determinar obstruções e sangramentos - O SK pulmonar é bastante sintomático e com alta letalidade, sendo o tempo de vida médio de 3 meses- Sintomas: dispneia, tosse importante não produtiva, dor torácica e menos frequentemente febre; broncoespasmos e hemoptoicos eventualmente acontecem Diagnóstico RX tórax: infiltrado reticulonodular formando a imagem do tumor, infiltrado intersticial difuso, derrame pleural bilateral e acometimento de linfonodos hilares - Broncoscopia: lesões pequenas de coloração avermelhada e aspecto vascularizado, bem visualizadas na mucosa endobrônquica - Punção com biópsia do parênquima tem baixa eficácia e muitos riscos de complicação- Endoscopia digestiva: lesões são nodulares e de aparência vascularizada, variando em tamanho e número- O diagnóstico do comprometimento mucocutâneo se faz através da biópsia- Prognóstico Pode ter curso lento ou rapidamente progressivo- Com a terapia antirretroviral, houve melhora significativa do prognóstico, verificando-se remissão completa do SK na maioria dos pacientes tratados - Tratamento A conduta é iniciar a terapia antirretroviral e aguardar a evolução- As lesões podem regredir espontaneamente dentro de 3 a 6 meses- Em casos graves, pode-se fazer quimioterapia sistêmica- Linfoma não Hodgkin São 60 vezes mais comuns em pacientes com aids- 3% a 10% dos pacientes com aids vão desenvolver LNH em algum estágio da sua doença- Diferem quanto ao envolvimento de sítios extranodais e envolvimento primário de SNC ocorre em torno de 10% desses pacientes - Etiopatogenia Fatores etiológicos: estímulo dos linfócitos B, desregulação de citocinas e infecções por vírus oncogênicos.- LNH associados ao HIV: linfoma imunoblástico e de Burkitt, linfoma cerebral primário, linfoma pleural primário ou linfoma plasmablástico de cavidade oral - Manifestações clínicas Envolvimento extranodal está presente na maioria dos pacientes no momento do diagnóstico- Doença gastrintestinal ocorre pincipalmente no estômago. Pode ocorrer linfomas de cavidade oral ou anorretais.- Doença hepática ou biliar é comum, sendo diagnosticada quando causa obstrução intra ou extra-hepáticas- Sinais: surgimento de massas em qualquer área do corpo, linfadenopatias assimétricas, sintomas GI inexplicáveis, doença hepática obstrutiva ou febre de origem obscura - Envolvimento do SNC: crises convulsivas, alteração da personalidade e da vigília, cefaleia e déficit focal, como a paresia - Diagnóstico A biópsia de lesões suspeitas é o método para confirmação diagnóstica- Em pacientes com HIV, lesões primárias em SNC não são facilmente diferenciadas de toxoplasmose cerebral.- A presença de lesão única pela RM é indicativo de LNH LCR: dual citoproteico, presença de células neoplásicas e aumento de concentração proteica Tratamento Quimioterapia sistêmica com múltiplas drogas associadas- Linfoma de Hodgkin Ocorrem principalmente os LH de celularidade mista e depleção de linfócitos, com risco relativo muito alto, sobretudo em usuários de drogas IV - Pode levar ao linfoma anaplásico- Infecção monoclonal pelo Epstein-Barr tem sido importante como fator etiológico- Manifestações clínicas Iguais às do LNH- Características: crescimento agressivo, diagnóstico em estágio avançado, manifestações extranodais, pouca resposta ao tratamento, alto grau de recaída e prognóstico ruim - Diagnóstico Biopsia do linfonodo é mais importante que a punção do gânglio- Tratamento Quimioterapia + antirretrovirais- Câncer cervical invasivo Apresenta em pacientes com HIV maior agressividade- Mulheres expostas ao HPV tem maior risco- O HIV aumenta o risco em 4 vezes- O desenvolvimento de neoplasia cervical ocorre muitos anos após a detecção de neoplasia intraepitelial cervical- Diagnóstico Métodos cito e histopatológicos são rápidos, de fácil execução e de baixo custo > Papanicolau- Tratamento Depende da extensão da lesão, variando de conização a histerectomia- Câncer anal Fortemente associada à infecção pelo HPV, particularmente os tipos 16 e 18- Entre homossexuais, 50% a 75% são portadores assintomáticos de HPV- Fatores de risco: homossexualidade, prática de sexo anal, condilomatose anal e tabagismo- Cânceres de célula escamosa podem ser muito agressivos- Diagnóstico A presença e a magnitude dos vários achados relacionados ao HPV indutor de neoplasia anal estão relacionadas á gravidade da infecção pelo HPV - Tratamento Extirpação cirúrgica, radioterapia e quimioterapia com mitomicina ou cisplatina e 5-fluorouracil- Página 4 de INFECTO Extirpação cirúrgica, radioterapia e quimioterapia com mitomicina ou cisplatina e 5-fluorouracil- Tratamento do HIV O primeiro passo é vincular o paciente para promover a adesão ao tratamento- O início imediato do tratamento antirretroviral (TARV) está recomendado para todas as pessoas vivendo com HIV (PVHIV), independentemente do seu estágio clínico e/ou imunológico - A recomendação tem embasamento não só nos benefícios em relação à morbimortalidade do HIV, mas também na diminuição da transmissão, o impacto na redução da tuberculose e a disponibilidade de opções terapêuticas mais cômodas e bem toleradas - Nenhuma estratégia é totalmente eficaz sem considerar a importância de reforçar a adesão à TARV- Esquema de TARV inicial preferencial para adultos Adultos em início de tratamento: TdF/3TC + dTG- Coinfecção TB-HIV sem critérios de gravidade: TdF/3TC/EFV.- Concluindo o tratamento completo para TB, poderá ser feita a mudança (switch) doEFV para dTG➢ Coinfecção TB-HIV com um ou mais critérios de gravidade (LT-Cd4+ <100cél/mm3 / presença de outra infecção oportunista / necessidade de internação hospitalar/doença grave/tuberculose disseminada) TdF/3TC+RAL - Concluindo o tratamento completo de TB, deverá ser feita a mudança do RAL para dTG em até 3 meses➢ Prevenção do HIV Diagnosticar e tratar as pessoas com IST e HV- Usar preservativo masculino, feminino e gel lubrificante- Tratar todas as pessoas vivendo com HIV/aids- Testar regularmente para o HIV, outras IST e HV- Profilaxia pós-exposição (PEP)- Profilaxia pré-exposição (PrEP)- Prevenir a transmissão vertical- Imunizar para HBV e HPV- Redução de danos- Indicações para PrEP Gays e HSH, pessoas trans e profissionais do sexo➢ Relação sexual anal ou vaginal, sem uso de preservativo, nos últimos seis meses;- Episódios recorrentes de ISTs- Uso repetido de PEP- Parcerias sorodiscordantes para o HIV➢ Relação sexual anal ou vaginal com uma pessoa infectada pelo HIV sem preservativo- Indica-se para a PrEP a combinação de tenofovir associado a entricitabina, em dose fixa combinada TdF/FTC, VO, uso contínuo, um comprimido ao dia - OBS: PrEP sob demanda. 2 comprimidos 2 a 24h antes da relação > 1 comprimido 24h após a dose inicial > 1 comprimido 24h após a segunda dose Transmissão vertical A terapia inicial deve sempre incluir combinações de três ARV, sendo dois ITRN/ITRNt associados a um INI- Esquema preferencial para gestantes em início de tratamento: TdF + 3TC + RAL- Acidentes pérfuro-cortantes Educação do profissional de saúde- Uso de TARV (PEP)- TdF + 3TC/dTG➢ Diagnóstico precoce e TARV Educação- facilidade de diagnóstico no SUS- Uso de TARV em assintomáticos- Leucoplasia pilosa oral Candidíase oral Página 5 de INFECTO