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1 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO Hiv / Aids Introduçao • A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) foi reconhecida pela primeira vez nos Estados Unidos no verão de 1981 em homossexuais acometidos por pneumonia e sarcoma de Kaposi; • Pouco depois, a doença foi diagnosticada por usuários de drogas injetáveis de ambos os sexos; • Em 1984 ficou claramente comprado que o vírus da imunodeficiência humana era o agente etiológico da aids, que pertence a família dos retrovirus humano. Os pacientes infectados pelo hiv evoluem para grave disfunção do sistema imunológico à medida que vão sendo destruídos os linfócitos T CD4+, uma das principais células-alvo do vírus. A contagem de linfócitos TCD4+ é um importante marcador para estimar o prognóstico e avaliar a indicação de início de terapia antirretroviral. Uma coisa é você ter o HIV, outra coisa é ter AIDS, na AIDS a doença tem repercussão sistêmica e o doente corre risco de infecção oportunísticas. • O número de linfócitos T CD4+ deve estar abaixo de 350 células mm3 de sangue para ser considerada a existência de AIDS. A etiologia: • O HIV (1 e 2) é um retrovírus, com genoma constituído por RNA; • Para se multiplicar, necessita de uma enzima chamada de transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral em DNA; • É alvo farmacológico. O principal alvo é célula TCD4+, sendo que pode atacar também os linfócitos T helper, os macrófagos e as células dendríticas. A epidemiologia: • No Brasil, o número de casos registrados supera os 700.000, sendo 65% no sexo masculino e 35% no sexo feminino, porém, a epidemia vem se estabilizando com o tempo; • A maioria dos casos está entre 25 a 39 anos, mas vista na regiao sudeste; • No Brasil, estima-se que 83% dos portadores de HIV estejam diagnosticados e 52% recebem terapia antirretroviral. A notificação de infecção pelo HIV é compulsória no Brasil, mesmo que não haja manifestações clínica da AIDS. A fisiopatologia: • A via de transmissão mais frequente é a sexual; • O HIV vai comprometer os linfócitos, que podem ser destruídos diretamente pela ação do vírus ou de forma indireta por apoptose; A transmissão pode ser: • Contato sexual desprotegido; • Contato com sangue, hemoderivados e tecidos; • Transmissão vertical; • Aleitamento materno. A via de transmissão mais frequente é a sexual; O HIV atravessa o epitélio da mucosa genital e, já na submucosa, começa a procurar pelos linfócitos T CD4+. • Os vírions, que são os vírus imaturos do HIV, irão procurar os linfonodos, onde a replicação se torna ainda mais intensa e, então, se espalham por todos os tecidos e órgãos do corpo. 2 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO Em média, leva cerca de 10 anos desde a infecção primária e o surgimento da AIDS, porém, esse tempo pode ser mais curto naqueles pacientes com reposta imune menos efetiva. O quadro clínico: • A infecção por HIV se apresenta em três fases clínicas: • Infecção primária ou aguda; O tempo entre o contágio e o aparecimento de anticorpos anti-HIV é chamado de tempo de soroconversao; Alguns sintomas e sinais: febre, mialgia, cefaleia, dor ocular, rash cutâneo, aumento dos linfonodos. Nesse momento, milhões de cópias do vírus circulam, aumenta muito a chance de transmissão; Ocorre um aumento na contagem de células TCD4+ e resposta imune celular e humoral contra o HIV. • Fase crônica assintomática/latência clínica; É uma fase que dura geralmente 10 anos; Paciente não faz terapia pois é assintomático; O exame físico costuma ser normal; Pode existir linfodenopatia generalizada em alguns casos, plaquetopenia, uma anemia de doença crônica e até mesmo uma leve leucopenia. Aumento da carga viral do vírus, com declínio do TCD4. • AIDS ou SIDA: • Sudorese noturna, fadiga, emagrecimento, diarreia, sinusopatias e pneumonias bacterianas de repetição; • Candidíase oral; • Leucoplasia pilosa oral; • Gengivite; • Herpes-zóster; • Plaquetopenia. Os testes para detecçao da infecçao pelo HIV podem ser divididos, basicamente, em quatro grupos: • Teste de detecção de anticorpos; • ELISA; • Imunofluorescência indireta; • Western-blot. • Teste de detecção de antígeno; • Teste de amplificação do genoma do vírus. • Teste de detecção de anticorpo: • É voltado para situações emergenciais, que requer o uso profilático com antirretrovirais; Tratamento: • Detectou o paciente com HIV, deve encaminhar para o infectologista; • Inibidores da transcriptase reversa; § Bloqueia ação da transcriptase reversa. • Inibidores da protease; § Age no último estágio da formação do HIV, impedindo a ação da enzima protease. • Inibidores de fusão. As doenças oportunísticas: • Quando TCD4 < 200; • Podem ser relacionados a graus variáveis de imunodepressão. 3 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO • Criptocose: • Infecção fúngica sistêmica mais comum no paciente com AIDS; • É um fungo que vive no ambiente; • O doente se infecta por meio da aspiração do patógeno; • A meningite é a principal forma de acometimento da doença, e entre seus sintomas estão cefaleia e febre. • Lesão de molusco contagioso: Um sinal de mal prognóstico: • Contagem de leucócitos <20 células/uL no líquor; • Alteração do estado mental; • Hipertensão intracraniana; • Titulação de látex para cryptococcus sp acima de 1:1024 no líquor. A punção lombar diagnóstica deve ser sempre realizada na suspeita clínica de meningite criptocócica e ausência de contraindicação ao procedimento. • A hipertensão intracraniana é a principal causa de morte por meningite; • NEUROTOXOPLASMOSE: • A toxoplasmose é a causa mais comum de lesões neurológicas focais com efeito de massa em pacientes infectados pelo HIV; • A presença clínica varia de acordo com a topografia e a quantidade de lesões cerebrais; • Pacientes com essa complicação apresentam cefaleia e evolução insidiosa; • Febre; • Convulsão; • Alteração do estado mental; • Sinais focais como hemiparesia; • Afasia. Presença de diminuição de fluxo cerebral. • Pneumocistose: PCP: É a causa mais comum de doença pulmonar oportunista em imunodeprimidos pelo HIV; • As manifestações clínicas comuns: febre, tosse seca e dispneia progressiva; • Fadiga e perda de peso também são sintomas frequentes; • Tosse com expectoração purulenta é uma manifestação rara. Os principais achados do exame físico são: • Taquipneia; • Taquicardia; • Ausculta pulmonar; • Pode ter presença de estertores finos ao final da expiração; • Sibilos, sinais de condensação pulmonar ou derrame pleural são raramente encontrados; • O exame físico é normal em até 50% dos casos. Os achados sugestivos: • Baixa de leucócitos; • Dispneia progressiva aos esforços; • Presença de febre, taquipneia e/ou taquicardia ao exame físico; • DHL elevada; • Hipoxemia em repouso; 4 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO • Ausenca de uso ou utilização irregular de quimioprofilaxia para PCP. O diagnóstico definitivo é realizado pela identificação do agente por meio das colorações azul de toluidina; Pode ser feito exame de escarro; Amostra biológica por meio de broncoscopia com lavado pode ser feita também. • Doença citomegálica: É um vírus que permanece em estado latente após a infecção primária; • Os principais sítios de infecção: • Retina; • Aparelho digestivo; § Pulmão, fígado, vias biliares e sistema nervoso central. O diagnóstico é sugerido pelo aspecto endoscópico de ulceração clássica da mucosa mediante biópsia. • Candidíase esofágica e orofaríngea: A candidíase é a infecção mais comum em pacientes com imunodepressão pelo HIV, ocorrendo em mais de 80% na era pré-TARV (terapia antirretroviral); Normalmente esse quadro não causa febre. • O diagnóstico é clínico; • Cultura pouco útil; • Endoscopiaé indicada quando existe persistência dos sintomas mesmo com o tratamento antifúngico. • Histoplasmose: • A infecção se dá por inalação de esporos presente no solo, particularmente ambientes ricos em fezes de aves e morcegos; • A doença pode ocorrer por infecção primária ou reativação endógena de uma anterior; • Os pacientes com essa patologia apresentam linfócito tcd4 maior que 300; • Pneumonia é a principal forma de apresentação, sendo o infiltrado pulmonar retículo-nodular difuso a apresentação radiológica mais característica. O diagnóstico laboratorial é feito por cultivo micológico e/ou exame histopatológico de espécimes obtidos por raspado ou biópsia de lesões. Os métodos de coloração de Gomori/Grocott e o isolamento em cultura apresentam boa precisão diagnóstica. • Sarcoma de Kaposi: O mais frequente tumor oportunista é o sarcoma de kaposi, e pode ser observado em 20% dos pacientes com AIDS. PREP: • Profilaxia pré-exposição; • Uso de medicamentos todos os dias, que possibilita o organismo de se preparar caso entre em contato com o organismo; • O SUS fornece; • Associa dois retrovirais; 5 JEAN LUQUE | UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO • A PrEP não protege das outras IST ou das hepatites. PEP: • Profilaxia pós exposição; • É a prevenção de urgência à infecção pelo HIV; • Hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis; • Casos de violência sexual; • Relação sexual desprotegida; • Acidente ocupacional. Fazer 4 perguntas: • O tipo de material biológico é de risco para HIV; • O tipo de exposição é de risco? • O tempo transcorrido entre a exposição e o atendimento foi menor de 72 horas? • A pessoa exposta é não reagente para o HIV no momento do atendimento? • Se todas as respostas forem SIM, a PEP para o HIV está indicada.