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1 #metodologia queempodera Vergilius José Furtado de Araujo Neto Frederico Cantarino Cirurgia I Cirurgia Geral ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 2022 © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características grá!cas, sem permissão expressa da Editora. Editora Sanar Ltda. Rua Alceu Amoroso Lima, 172 Caminho das Árvores, Edf. Salvador Of!ce & Pool, 3º andar. CEP: 41820-770, Salvador – BA. Telefone: 0800 337 6262 www.sanarmed.com atendimento.med@sanar.com Apostila Base da Medicina 2022: Cirurgia I - Cirurgia Geral Vergilius José Furtado de Araujo Neto Frederico Cantarino Vergilius José Furtado de Araujo Neto Renata Acácio Rocha Gustavo Almeida de Carvalho Silva Richard Veiga Editoração Editora Papagaio Bruno Brum Paulo Cesar de Toledo Matheus Feliciano da Costa Ferreira Jhulia Voltani Fernandes Silva Vinícius Côgo Destefani Caio Nunes Felipe Marques da Costa Título | Autores | Coordenador | Editores | Projeto grá!co | Diagramação | Capa | Edição de textos | Conselho editorial | FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) Ficha catalográ!ca elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes – CRB-8 8846 A663a Araujo Neto, Vergilius José Furtado de (coord.).. Apostila Base da Medicina 2022: Cirurgia I – Cirurgia Geral / Coordenador: Vergilius José Furtado de Araujo Neto; Autores: Vergilius José Furtado de Araujo Neto e Frederico Cantarino. – 1. ed. – Salvador, BA : Editora Sanar, 2022. 370 p.; 21x26,7 cm. Inclui bibliogra!a. ISBN 978-85-5462-275-6 (Residência Médica). ISBN 978-85-5462-273-2 (Revalida). 1. Cirurgia Geral. 2. Medicina. 3. Residência. I. Título. II. Assunto. III. Coordenador. IV. Autores. CDD 617 CDU 616-089 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Medicina: Vários campos da medicina / Cirurgia. 2. Medicina: Cirurgia. APOSTILA BASE DA MEDICINA 2022: CIRURGIA I – CIRURGIA GERAL Referência bibliográ!ca: ARAUJO NETO, Vergilius José Furtado de (coord.). Apostila Base da Medicina 2022: Cirurgia I – Cirurgia Geral. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2022. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 3 AUTORES VERGILIUS JOSÉ FURTADO DE ARAUJO NETO Coordenador e professor de Cirurgia da Sanar. Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo. Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Título de Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela SBCCP. Professor de Técnica Operatória e Cirurgia de Cabeça e Pescoço na Faculdade de Medicina da Universidade Nove de Julho. FREDERICO CANTARINO Residências Médicas em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Univer- sidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atualmente é, na UFJF, Cirurgião do Hospital Universitário e Professor na Faculdade de Medicina, em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo. Tem experiência em cirurgia videolaparoscópica avançada, cirurgia digestiva oncológica, cirurgia hepatobiliolancreática e transplante hepático. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 5 COMO GARANTIR UMA APRENDIZAGEM EFICAZ E UMA RETENÇÃO DURADOURA? Tentar aprender muitas informações e conteúdos juntos e rapidamente pode diminuir a sua habilidade de reter, relembrar e usar esse aprendizado, pois a memorização dos fatos isolados não ajuda a criação de conexões entre os conceitos, além de não estimular a interligação entre o conhecimento prévio e aprendizados novos. Entender e conectar as informações estudadas é essencial tanto para a nossa memória e retenção, quanto para as futuras aprendizagens. Por isso é tão importante garantir que você entendeu o que acabou de estudar e criou as conexões necessárias entre os conceitos. Seguem algumas sugestões para que você possa fazer isso de maneira rápida e e!caz durante os seus momentos de estudo: 1. MAPAS MENTAIS O Mapa Mental é uma ferramenta para organizar, memorizar e analisar melhor um conteúdo especí!co. u Quando fazer: Quando você precisa entender como os conceitos estão inter-relacionados ou memorizar partes importantes do assunto. u Como fazer: A partir do Título e da sua lista de palavras, comece a criar o seu Mapa: a) Enquanto estuda um assunto, comece a escrever uma lista de palavras importantes que você não pode deixar de entender e reter na sua memória. Enquanto faz isso, pense em como essas palavras se conectam entre si. b) Coloque o título no centro da folha. A partir dele, puxe linhas que conectem as informações associadas ao título, que serão algumas das palavras da sua lista. c) Pense em outras conexões subsequentes e vá conectando as palavras umas com as outras seguindo uma lógica, por exemplo: Causa-Efeito, Sintoma-Doença, etc. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 6 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? d) Utilize formas geométricas para distinguir as palavras do seu mapa por categorias, por exemplo, use retângulos para todas as palavras que se encaixam na categoria Causas, use eclipses para as palavras que você encaixa em Efeitos. e) Use cores diferentes para deixar o seu mapa mental ainda mais claro e conectado. De!na as cores que você irá utilizar para cada categoria ou cada tipo de conexão. Ilustração de mapa mental. Essa tarefa pode até demorar um pouco mais no começo, mas, com um pouco de prática, você não vai gastar mais do que 10 minutos para garantir um enten- dimento aprofundado e uma aprendizagem mais e!caz e duradoura. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 7 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? 2. FLUXOGRAMAS Para que a aprendizagem seja realmente signi!cativa, precisamos tam- bém garantir o entendimento dos contextos e das conexões que existem entre os diferentes assuntos. Através do seu Mapa Mental, você garantiu o seu entendimento e criou as conexões necessárias para entender um conceito especí!co. Construindo o seu próprio Fluxograma, você poderá expandir o seu entendimento dos assuntos complexos, conectando vários conceitos importantes entre si e com os seus contextos. u Quando fazer: Os Fluxogramas são ideais para consolidar processos e passo a passos! Por exemplo, você pode começar o seu Fluxograma com uma suspeita diagnóstica, para depois passar pela classi!cação e chegar até o tratamento. u Como fazer: A partir do seu objetivo, de!na o título e os assuntos que irão entrar no seu Fluxograma: a) Depois de ter estudado um assunto mais amplo, pense no quadro completo que você precisa entender e saber. A partir disso, crie a lista de palavras, conceitos e frases mais importantes que você precisa incluir para atingir o seu objetivo. b) Coloque o Título no centro da folha. A partir do título, puxe linhas que conectem as infor- mações associadas ao título, que serão algumas das palavras ou frases da sua lista. c) Pense em outras conexões subsequentes e vá conectando as palavras e os conceitos até sentir que o processo e o conteúdo estão completos. d) De!na e siga uma lógica, por exemplo: Sintoma-Suspeita Diagnóstico-Exames-Classi!ca- ção-Tratamento. e) Utilize formas geométricas para distinguir as palavras do seu "uxograma por categorias, por exemplo, use retângulos para todas as palavrasque se encaixam na categoria Causas, use eclipses para as palavras que você encaixa em Efeitos. f) Use cores diferentes para deixar o seu "uxograma ainda mais claro e conectado. De!na as cores que você irá utilizar para cada categoria ou cada tipo de conexão. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 8 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? No !nal, você terá um grande Fluxograma que não só vai garantir o seu entendi- mento, mas facilitará a revisão dos assuntos mais amplos e ajudará o seu cérebro a aprender, reter e saber usar as informações estudadas. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 9 Como garantir uma aprendizagem eficaz e uma retenção duradoura? 3. RESUMOS Para garantir o entendimento e a retenção das informações estudadas, um outro fator importante é a re"exão. Re"etir sobre o assunto estudado, como os conceitos importantes se conectam entre eles e como aquele aprendizado pode ser aplicado, ajuda você a fazer as conexões necessárias e organizar as informações recebidas para retê-las na memória. Por isso, uma outra atividade essencial na sua rotina de estudo é escrever Resumos. u Quando fazer: Sempre que estudar! Resumos de fechamento são essenciais para a apren- dizagem. u Como fazer: Para executar essa estratégia você irá precisar só de alguns minutos, mas tam- bém de concentração e re"exão. a) Enquanto estiver estudando, leia e escute com atenção. b) Marque ou grife as palavras-chave no texto ou as anote no seu caderno caso você esteja assistindo uma videoaula. c) Assim que terminar de estudar informações novas, olhe para as suas palavras-chave e re"ita sobre 2 perguntas: • O que acabei de aprender sobre o assunto? • Como isso se conecta ou se relaciona com o que eu já sabia? d) Comece a escrever breves respostas de no máximo 10 linhas para cada uma dessas per- guntas. e) Garanta que o seu texto seja sucinto, sem repetições e descrições desnecessárias, mas que responda bem às perguntas acima. 4. O QUE FAZER COM ESSES MATERIAIS DEPOIS? Estudos recentes comprovam que a retenção das informações na nossa memória depende diretamente da quantidade de vezes que acessamos essas informações. Por isso, estudar um assunto pouco, a pouco e não tudo de vez, e revisar com frequência é muito importante para garantir que na hora da prova você irá conseguir lembrar o que aprendeu sem di!culdades. Para aproveitar melhor o seu tempo de estudo e garantir revisões boas e frequentes, você pode usar os seus Mapas Mentais, Fluxogramas e Resumos criados no momento do estudo para revisar os assuntos já estudados ao longo do ano. Isso irá fortalecer as sinapses criadas e garantir a retenção das informações na memória a longo prazo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 11 CONHEÇA A APOSTILA O que você precisa saber: Resumo dos principais pontos que você precisa se atentar ao ler o capítulo, direcionando seu estudo para o que realmente cai na prova. Bullets: Conteúdo organizado de forma objetiva e direta, em listas com marcadores, agilizando a localização das informações. Importância/prevalência do capítulo: Frequência do conteúdo em questões de provas de residência. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 12 Conheça a apostila Títulos e subtítulos numerados: Fácil identi!cação dos diferentes níveis de hierarquia dos tópicos. Dicas: Parte da escrita onde o professor conversa com você e que contém informações essenciais para entender as questões. Subcapítulos em destaque. Número do capítulo. Sumário nas aberturas dos módulos, com indicação dos níveis de importância de cada capítulo. #$%&'()*+#,/%'-.,/0*+#, Indicação da especialidade ou área do capítulo. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 13 Conheça a apostila Questões comentadas: Questões aplicadas nos últimos anos nas principais provas de residência médica. Na primeira parte apresentamos apenas as questões e na segunda o gabarito e os comentários gerais do professor sobre todas as alternativas. Gabarito e comentário das questões, com explicação do professor tanto da resposta correta quanto do motivo de as outras estarem incorretas. Questões sem o gabarito para não direcionar a sua resposta Indicação dos diferentes graus de di!culdade: Indicação da especialidade ou área do capítulo.Título do capítulo. Título do capítulo. Fácil Intermediário Difícil !"#"$%&!'!(:)Q !"#"$%&!'!(:)Q�Q !"#"$%&!'!(:)Q�Q�Q 13 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 14 Conheça a apostila Fixe seus conhecimentos! Ao !nal da apostila e de alguns capítulos você encontrará espaços para construir mapas mentais, "uxogramas ou fazer resumos e, assim, !xar seu conhecimento! Mapas mentais: Ao !nal de cada capítulo você encontrará mapas mentais, sintetizando os assuntos abordados. 14 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 15 SUMÁRIO !"#$%&'()1.)PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2. Capacidade Funcional e Status Performance . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.1. Mets. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.2. Karnofsky . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3. ASA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 4. Exames complementares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 5. Comorbidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5.1. Hipertensão Arterial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5.2. Insuficiência Cardíaca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 5.3. Coronariopatias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5.4. Arritmias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5.5. DPOC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 5.6. Asma. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 5.7. Diabetes Melito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 5.8. Risco Cardiovascular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 6. Transfusão de hemocomponentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 7. Medicamentos no pré-operatório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.1. Betabloqueadores . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.2. Anti-hipertensivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.3. Estatinas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.4. Antiagregantes Plaquetários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.5. Anticoagulantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.6. Corticoides Sistêmicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.7. Antidiabéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 7.8. Levotiroxina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 8. Cuidados nutricionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 8.1. Avaliação do Estado Nutricional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 8.2. Reabilitação Nutricional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 8.3. Via Alimentar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 9. Via aérea difícil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 16 Sumário Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 !"#$%&'()2.)PRINCÍPIOS DA ANESTESIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 2. Tipos de anestesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 2.1. Sedação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3. Anestesia Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 3.1. Anestesia Raquidiana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 3.2. Anestesia Peridural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 3.3. Bloqueios Regionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 4. Agentes inalatórios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.1. Halotano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.2. Enflurano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.3. Isoflurano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.4. Sevoflurano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 4.5. Desflurano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 5. Anestésicos Venosos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 5.1. Propofol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 5.2. Cetamina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 5.3. Etomidato. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 5.4. Benzodiazepínicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 5.5. Dexmedetomidina. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 5.6. Opioides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 6. Bloqueadores neuromusculares (BNM). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 6.1. Despolarizantes (Não Competitivos) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 6.2. Não Despolarizantes (Competitivos) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 7. Anestésicos locais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 !"#$%&'()3.)RESPOSTA METABÓLICA E NUTRIÇÃO EM CIRURGIA . . . . . . . . 69 1. Resposta Endócrino-metabólica Imunológica ao Trauma (REMIT) . . . . . . . . . . . . . . . . 69 1.1. Resposta Imunológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 1.2. Resposta Metabólica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 1.3. Resposta Endócrina. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 1.4. Modulação da REMIT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 2. Suporte nutricional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.1. Avaliação Nutricional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.2. Pré-Operatório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 2.3. Vias de Alimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 2.5. Nutrição Parenteral (NP) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 17 Sumário Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 Questões comentadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 !"#$%&'()4.)BASES DA CIRURGIA E PROCEDIMENTOS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 1. Bases da cirurgia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 1.1. Profilaxia Antimicrobiana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 1.2. Profilaxia de Tromboembolismo Venoso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 2. Procedimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 2.1. Suturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 2.2. Acesso Venoso Central . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 2.3. Acesso Guiado por Ultrassonografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 2.4. Drenagem de Tórax . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 2.5. Paracentese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 !"#$%&'()5.)COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 1. introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 2. Complicações da ferida operatória. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 2.1. Seroma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 2.2. Hematoma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 2.3. Infecção de Ferida Operatória. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 3. Deiscência de ferida operatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 3.1. Ferida Crônica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Mapa mental 1. Complicações de ferida operatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 4. Febre no pós-operatório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 4.1. Pós-Operatório Imediato (ou Intraoperatório). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 4.2. Entre o 2º e o 4º Dia do Pós-Operatório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 4.3. Após o 3º Dia de Pós-Operatório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Mapa mental 2. Complicações de ferida operatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 5. Tromboembolismo venoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 6. Complicações pulmonares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 6.1. Atelectasia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 6.2. Pneumonia e Pneumonite Pós-Aspiração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 Mapa mental 3. Complicações pulmonares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 7. Complicações gastrointestinais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 7.1. Íleo Paralítico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 7.2. Deiscências Gastrointestinais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 18 Sumário 7.3. Fístulas Gastrointestinais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 7.4. Outras Complicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 !"#$%&'()6.)ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 2. Etiologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 3. Como reconhecer que se trata do tipo inflamatório do abdome agudo? . . . . . . . . . . 136 3.1. Falam contra abdome agudo inflamatório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 4. Como suspeitar das causas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 4.1. Pela localização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 4.2. Pela clínica associada e perfil do paciente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 5. Em síntese . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 6. Manejo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 6.1. Exploração cirúrgica sem diagnóstico? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 7. Casos desafiadores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 !"#$%&'()7.)APENDICITE AGUDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 APENDICITE AGUDA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 1.1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 1.2. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 2. Sinais de peritonite ao exame físico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 3. Outros órgãos – sintomas exóticos da apendicite. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 4. Diagnóstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 4.1. Dúvida diagnóstica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 5. Escore de Alvarado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 6. Exames de imagem na apendicite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 6.1. Ultrassonografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 6.2. Tomografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 7. Classificação da apendicite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 8. Manejo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 8.1. A escolha da incisão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 19 Sumário 8.2. Cenários específicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 8.3. Perfuração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 8.4. Diagnóstico indeterminado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 8.5. Antibióticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 8.6. Apendicite em Gestantes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 8.7. Câncer pós-apendicectomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 9. Diagnósticos diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 156 !"#$%&'()8.)ABDOME AGUDO PERFURATIVO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165 2. Quadro clínico geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165 3. Etiologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 4. Diagnóstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 5. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 !"#$%&'()9.)PANCREATITE AGUDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 2. Clínica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 3. Diagnosticando a pancreatite. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 3.1. Enzimas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 3.2. Tomografia no Diagnóstico da Pancreatite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 4. Etiologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 5. Como investigar a etiologia?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 5.1. Primeiro passo – procurar causa biliar: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 5.2. E se não encontrarmos litíase biliar? Investigando demais causas:. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 6. Avaliação da gravidade da pancreatite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 6.1. Complicações Locais da Pancreatite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . 181 7. Manejo da pancreatite. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 7.1. Abordagem Inicial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 7.2. Primeira Semana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 7.3. Suspeitando de Complicações da Pancreatite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 8. Indicações da tomografia na pancreatite aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 9. Procedimentos e intervenções cirúrgicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 10. Complicações tardias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 20 Sumário 10.1. Pseudocisto Pancreático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 10.2. Necrose de Paredes Espessadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 11. Colecistectomia na pancreatite aguda biliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185 12. Métodos de intervenção/Cirurgias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 !"#$%&'()10.)HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 2. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 3. Etiologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 3.1. Como Suspeitar das Causas? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 198 4. Abordagem inicial de um paciente com HDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200 4.1. Endoscopia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 5. Manejo da HDA péptica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 5.1. Endoscopia Diagnóstica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 5.2. Tratamento Endoscópico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 5.3. Tratamento Medicamentoso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 5.4. Tratamento Cirúrgico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 6. Manejo da HDA varicosa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 6.1. Tratamento Endoscópico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 6.2. Tratamento Medicamentoso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 6.3. Sengstaken Blakemore . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 6.4. Intervenções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 6.5. Prevenção de (Res)Sangramento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 7. Outras causas de HDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 7.1. Síndrome de Mallory-Weiss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 7.2. Angiodisplasia e Lesão Dieulafoy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 7.3. Fístula Aortoentérica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 7.4. Úlceras de Cameron . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 7.5. Hemobilia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 !"#$%&'()11.)HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 2. Manifestações clínicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 3. Abordagem inicial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216 4. Colonoscopia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 21 Sumário 5. Métodos adicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 5.1. Angiotomografia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 5.2. Cintilografia com Hemácias Marcadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 5.3. Arteriografia Mesentérica Seletiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 5.4. Enteroscopia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 6. Etiologias possíveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 7. Como manejar o sangramento digestivo baixo? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 7.1. PacientePersistentemente Instável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 7.2. Etiologia Identificada à Colonoscopia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225 !"#$%&'()12.)OBSTRUÇÃO INTESTINAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233 2. Classificações e terminologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233 3. Etiologias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234 4. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234 5. Conduta inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 235 6. Topografando a obstrução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236 7. Tratamento definitivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 7.1. Aderências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 7.2. Hérnias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 238 7.3. Volvo de Sigmoide. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239 7.4. Câncer Colorretal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 8. Íleo biliar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 9. E os transtornos funcionais? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241 9.1. Como Reconhecer os Transtornos Funcionais? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241 9.2. Como Tratar as Pseudo-Obstruções?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242 10. Quando solicitar tomografia de abdome, na obstrução intestinal? . . . . . . . . . . . . . . 242 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 244 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 246 !"#$%&'()13.)DOENÇA DIVERTICULAR DOS CÓLONS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253 3. Fatores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 4. Manifestações clínicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 5. Paciente assintomático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 22 Sumário 6. Diverticulite aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 254 6.1. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 6.2. Diverticulite Aguda Não Complicada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255 6.3. Diverticulite Aguda Complicada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 256 6.4. Complicações Tardias da Diverticulite Aguda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258 7. Hemorragia Digestiva Baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 7.1. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 7.2. Quadro Clínico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 7.3. Manejo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 262 !"#$%&'()14.)ISQUEMIA MESENTÉRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269 2. Etiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269 3. Anatomia vascular abdominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270 4. Fisiopatologia – apresentação aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270 5. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270 6. Abordagem diagnóstica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 7. Manejo e tratamento cirúrgico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271 7.1. Existe Tratamento não Operatório? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 8. Isquemia mesentérica – apresentação crônica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 274 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276 !"#$%&'()15.)HÉRNIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 283 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 283 1.1. Quadro Clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 283 1.2. Diagnóstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284 1.3. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284 2. Hérnia Inguinal. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284 2.1. Anatomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284 2.2. Direta vs. Indireta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285 2.3. Classificações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 286 2.4. Tratamento Eletivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 287 2.5. Tratamento na Urgência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 288 2.6. Recidiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289 2.7. Complicações Cirúrgicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 289 2.8. Tratamento Conservador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 290 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 23 Sumário 3. Hérnia Femoral. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 290 3.1. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291 4. Hérnia Umbilical . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291 4.1. Tratamento Eletivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291 4.2. Encarceramento e Estrangulamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291 5. Hérnia Incisional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291 6. Hérnia gigante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 292 6.1. Estratégias para o Tratamento da Hérnia Gigante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 292 6.2. Síndrome Compartimental Abdominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 292 7. Outras hérnias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 7.1. Hérnias de Spiegel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 7.2. Hérnia de Richter . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 7.3. Hérnia de Littré . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 7.4. Hérnias Lombares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 293 7.5. Hérnia de Amyand. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 7.6. Hérnia de Garengeot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297 !"#$%&'()16.)INFECÇÃO NECROSANTE DE TECIDOS MOLES . . . . . . . . . . . . . . 305 1. Patogenia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 306 2. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 306 2.1. Exames Complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 307 2.2. Tratamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 307 3. Infecções necrotizantes de partes moles de especial interesse cirúrgico. . . . . . . . . . 307 3.1. Gangrena Sinérgica de Meleney: gangrena estreptocócica aguda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 307 3.2. Fasceíte Necrotizante. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 308 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 310 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 311 !"#$%&'()17.)ABDOME AGUDO HEMORRÁGICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317 1.1. Anatomia da Aorta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 317 Mapa mental. Anatomia da aorta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 319 Mapa mental. Origem de sangramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 320 2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 3. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 24 Sumário 4. ETIOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 4.1. Ruptura de Aneurisma de Aorta Abdominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 321 Mapa mental. Ruptura de aneurisma de aorta abdominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 322 4.2. Aneurisma de Artéria Esplênica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 323 4.3. Aneurisma de Artéria Hepática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 323 4.4. Aneurisma de Artéria Mesentérica Superior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 323 4.5. Ruptura de Gravidez Ectópica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 323 Mapa mental. Ruptura de aneurismas de ramos da aorta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 324 5. Exames laboratoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 325 6. Exames de imagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326 7. Condução do caso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 328 !"#$%&'()18.)OUTROS TRANSPLANTES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 335 1.1. Aspectos legais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 336 2. Órgãos transplantáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 336 2.1. Impedimentos e contraindicações. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 336 3. Aspectos técnicos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 4. Compatibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 5. Falha do transplante. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 6. Quando pensar em transplante? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 6.1. Pele: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 6.2. Córnea: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337 6.3. Pulmões: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.4. Coração: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.5. Fígado: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.6. Rins:. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.7. Pâncreas: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.8. Intestino: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338 6.9. Útero: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 339 7. Multivisceral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 339 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 339 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 340 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 342 !"#$%&'()19.)SARCOMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 347 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 347 1.1. Embriologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 347 2. Sarcomas de extremidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 25 Sumário 2.1. Diagnóstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 348 2.2. Métodos de Biópsia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349 2.3. Estadiamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 350 2.4. TRATAMENTO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351 3. Sarcomas de retroperitônio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351 3.1. Diagnóstico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351 3.2. Estadiamento e Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 352 Mapa mental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 353 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 354 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 27 CIRURGIA GERAL ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b96628 CIRURGIA GERAL Sumário Prevalência/importância 1. Pré e pós-operatório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. Princípios da anestesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. Resposta metabólica e nutrição em cirurgia . . . . . . . . . . . . 4. Bases da cirurgia e procedimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. Complicações cirúrgicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. Abdome agudo inflamatório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. Apendicite aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8. Abdome agudo perfurativo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9. Pancreatite aguda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10. Hemorragia digestiva alta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11. Hemorragia digestiva baixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12. Obstrução intestinal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13. Doença diverticular dos cólons. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14. Isquemia mesentérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15. Hérnias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16. Infecção necrosante de tecidos moles . . . . . . . . . . . . . . . . . 17. Abdome agudo hemorrágico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18. Outras transplantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19. Sarcoma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 29 Capítulo 1PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Reconhecer as escalas utilizadas no pré-operatório, principalmente o ASA. u Pacientes coronarianos, que não toleram METS >4, são considerados alto risco cardiovascular; desse modo, necessitam de investigação complementar. u O mais importante dos “riscos” é o risco cardiovascular. u METS >4 + fatores de risco A exame de estresse. u METS <4 + fatores de risco A ponderar angiotomogra!a coronariana ou outro exame complementar. u Saber quais medicamentos devem ser suspensos e quais podem ser mantidos. u Reconhecer uma via aérea difícil e como manejá-la. Para não !car redundante, esse assunto é abordado no tópico “Manejo de Via Aérea”, do capítulo de Trauma, então, não o detalhamos aqui. Agora nós apenas revisaremos a escala de Mallampati, mas não esqueça de ver lá! 1. INTRODUÇÃO Quando falamos em cuidados pré-operatórios, falamos da atenção ao paciente em programação cirúrgica. Isso envolve uma adequada e detalhada avaliação do paciente como um todo, buscando otimizar seu estado geral, reconhecer e controlar suas comorbidades, identi!car e estrati!car seus riscos clínicos e cirúrgicos e estabelecer medidas pro!láticas, para então compor um plano de cuida- dos pré-operatórios completo. Dos cuidados pré-operatórios, participam diversos médicos, além do cirurgião: o clínico generalista, o anestesiologista e especialistas, conforme a neces- sidade, de acordo com o per!l do paciente e sua cirurgia. Além dos médicos, o cuidado é multidis- ciplinar e pode lançar mão ainda de: nutricionistas, educadores físicos e !sioterapeutas. Nesta apostila, falaremos sobre os temas mais relevantes para a sua preparação para a prova de residência médica, no que tange aos Cuidados Perioperatórios. OBS. 1: Dois cuidados perioperatórios pertinen- tes, tanto na vida como na prova, são antibiótico em cirurgia e pro!laxia de TEV. Porém, por ques- tões didáticas de divisão de conteúdos, esses dois assuntos estão no capítulo de “Bases da cirurgia e procedimentos”. Não deixe de conferir. OBS. 2: Cuidados pós-operatórios referentes a com- plicações cirúrgicas estão no capítulo de nome “Complicações Cirúrgicas”. DIA A DIA MÉDICO Em geral, o risco cirúrgico de pacientes saudáveis é extre- mamente baixo. Sendo assim, é importante estrati!car o risco por critérios objetivos. Em sua anamnese, não se esqueça de levar em consideração: W Idade W Prática de atividade física e performance funcional W Uso de medicações "#$%&'()*"+/$&,-+./)*"+ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 30 W Obesidade W Presença de apneia obstrutiva do sono W Uso de álcool, tabaco e outras substâncias W Antecedente pessoal ou familiar de complicações anestésicas 2. CAPACIDADE FUNCIONAL E STATUS PERFORMANCE Um dos passos mais importantes ao lidar com o paciente pré-cirúrgico é a avaliação de sua capaci- dade funcional, re0etida no que o paciente desempe- nha no dia a dia, ou, então, no quão comprometidas estão as atividades básicas do paciente. 2.1. METS O termo METS é uma sigla em inglês referente ao Equivalente Metabólico tolerado pelo paciente. É uma forma de quanti!car a tolerância do paciente em estresse e demanda energética/metabólica (através da estimativa do consumo de oxigênio/kg/ min), sendo avaliado a partir das atividades diárias do paciente, no intuito de inferir sua capacidade funcional habitual. Como avaliamos esses METS? Tabela 1. Atividades diárias e seus equivalentes metabólicos. Atividade METS Caminhar uma quadra ou duas no plano? 2.5 Fazer trabalhos leves em casa, como juntar o lixo ou lavar a louça? 2.5 Fazer trabalhos moderados em casa, como passar o aspirador de pó, varrer o chão ou guardar/carregar mantimentos? 3.5 Fazer trabalhos no jardim/quintal, como usar o rastelo, juntar folhas ou usar a máquina de cortar grama? 4.5 Subir um lance de escada ou caminhar em uma subida? 5.5 Participar de atividades esportivas, como natação, tênis individual ou futebol? 7.5 Atividade METS Fazer trabalhos pesados em casa, como esfregar/lavar o piso, levantar ou deslocar móveis pesados? 8 Correr uma distância curta? 8 Fonte: Gualandro.1 Uma cirurgia sob anestesia geral exige, no mínimo, 4 METS. Um paciente que tolere 4 METS tem melhor prognóstico coronariano e essa é uma das melho- res formas de avaliar o paciente do ponto de vista cardiovascular. Esse paciente só necessitará de avaliação especializada caso outro dado aponte para um risco elevado cardiovascular (como IAM prévio, por exemplo). Já os pacientes que não toleram 4 METS são consi- derados de alto risco cardiovascular e devem passar por avaliação especializada (teste ergométrico, outro teste sob estresse miocárdico ou até mesmo estrati!cação invasiva do risco). DIA A DIA MÉDICO Como, de forma um pouco simpli!cada, triar, logo na anamnese, se o paciente tolera ou não 4 METs? Lembre-se de perguntar 4 coisas: “Você: W Sobe 2 lances de escadas? W Realiza uma faxina pesada? W Corre? W Tem atividade sexual?” Se a resposta for “não” para alguma dessas perguntas, por conta de fadiga ou dispneia, isso é um fator de alerta para um paciente que não tolere 4 METs” 2.2. KARNOFSKY A escala de Karnofsky, por sua vez, avalia o paciente em seu Performance Status. No entanto, ela avalia não numa situação de demanda energética, como no METS, mas, sim, o quão comprometido está o estado basal do paciente. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 31 Tabela 2. Escala de Karnofsky. Porcentagem Descrição das atividades 100% Normal, sem doença. 90% Normal, com poucos sintomas da doença. 80% Normal, com algumas di!culdades pela doença. 70% Capaz de autocuidado, mas incapaz de atividade normal ou trabalho. 60% Autocuidado pouco, dependente de ajuda. 50% Ajuda frequentemente necessitada e atenção médica frequente. 40% Incapaz, necessita de cuidados especiais. 30% Gravemente incapaz, necessitando de hospitalização, mas sem risco de morte. 20% Muito doente, necessita de hospitalizaçãoimediata para suporte ou tratamento. 10% Moribundo, rápida progressão a óbito. 0% Óbito. Fonte: Adaptada pelo autor. A tabela parte de 100% no paciente normal e vai decrescendo a partir do quão comprometido o paciente está. Os pontos-chave da tabela são: u Até 70%, o paciente tem capacidade de auto- cuidado. u Entre 40% e 60%, ele tem necessidade de auxílio de cuidadores. u Entre 20% e 30%, o paciente necessita de cuida- dos hospitalares. 3. ASA A classi!cação da American Society of Anesthesio- logists gradua e estrati!ca o paciente em ASA I a VI, de acordo com seu estado físico e comorbidades. Tabela 3. Classi!cação de ASA. Classificação de ASA I Paciente hígido Sem comorbidades, não tabagista, não etilista. II Doença sistêmica leve Doença sistêmica leve sem limitação funcional. Tabagista ativo, etilismo social, gestação, obesidade graus l e ll, diabetes controlado, HAS controlada. III Doença sistêmica grave Doença sistêmica grave com limitação funcional. Diabetes ou HAS não controlados, obesidade grave, marca- passo, Doença Renal Crônica não dialítica, DPOC, IAM e AVC há mais de 90 dias. IV Doença sistêmica grave que é risco constante à vida IAM E AVC há menos de 90 dias, angina instável, disfunção valvar grave, sepse, Doença Renal Crônica dialítica. V Moribundo, que não irá sobreviver sem a cirurgia Aneurisma aórtico roto, politrauma, hemorragia intracraniana com efeito de massa. VI Morte encefálica Paciente que será submetido à cirurgia de captação de órgãos. *E — Adicionar a letra E a cirurgias de urgência/emergência. Fonte: Adaptada pelo autor. Essa classi!cação tem valor prognóstico (quanto MAIOR o ASA, PIOR o prognóstico e maior a mor- talidade) e também serve de norte aos cuidados pré-operatórios: um dos objetivos é o controle de comorbidades, com potencial melhora do ASA e, por conseguinte, melhora do prognóstico pré-operatório. Assim, temos que saber como !ca o controle das principais comorbidades vistas no pré-operatório. 4. EXAMES COMPLEMENTARES Frequentemente, solicitamos exames complemen- tares no pré-operatório. Mas quais exames devem ser solicitados, de fato? ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 32 De acordo com comorbidades, o paciente pode pre- cisar de exames especí!cos, assim como de acordo com sua idade e a cirurgia proposta. Por exemplo: pacientes diabéticos devem receber avaliação da glicemia e hemoglobina glicada. Adultos >45 anos devem receber avaliação hematimétrica, renal e eletrólitos. Cirurgias de grande porte se bene!ciam de avaliação de coagulograma. Os exames mais solicitados em pré-operatório, “de rotina”, são: Quadro 1. Exames pré-operatórios mais frequentes. Exames pré-operatórios mais frequentes Hemograma completo Ureia e Creatinina Sódio e Potássio Glicemia de Jejum Coagulograma Radiogra!a de tórax Eletrocardiograma Fonte: Adaptada pelo autor. Esses exames servem para nortear alguns cuidados com o paciente e, sobretudo, como ponto de partida para a avaliação complementar pós-cirúrgica do paciente. São realizados na maioria das cirurgias de grande porte em adultos e de acordo com a idade do paciente. A idade a partir da qual se solicitam exames, e qual a combinação de exames a ser solicitada por idade, variam na literatura. De acordo com as Diretrizes Brasileiras, e seguindo a tendên- cia da literatura, a partir dos 40 anos passamos a pedir exames complementares aos pacientes em pré-operatório. Dessa forma, uma das informações mais importan- tes que tiramos aqui é que, em pacientes <40 anos, ASA 1, não há necessidade de solicitar nenhum exame complementar (salvo se a cirurgia em si o demandar). Outros exames, como ecocardiograma, teste de esforço e outros mais, só são solicitados na pre- sença de alteração clínica ou comorbidade que o justi!quem. DIA A DIA MÉDICO Um recurso mnemônico valioso para lembrar qual o paciente merece exame pré-operatório e qual exame pedir é: ABCD – EFGH + Rx tórax + ECG. ABCD é para quem pedir e EFGH é o que pedir: W A: Age >40 anos W B: “Buxa”: Cirurgia de grande porte W C: Comprometimento do estado geral W D: “Dois” ASA 2 ou mais W E: Eletrólitos W F: Função renal W G: Glicemia de jejum W H: Hemograma completo W I: INR (Coagulograma) W + Rx de tórax e eletrocargiograma 5. COMORBIDADES 5.1. HIPERTENSÃO ARTERIAL Quando não controlada, aumenta a incidência de complicações cardíacas, neurológicas e renais (exemplos: edema agudo de pulmão, AVC e injúria renal aguda). Portanto, seu controle é importante! O alvo pressórico é que é controverso. O ideal é um controle ótimo da pressão arterial para níveis normais. Entretanto, para pacientes demasiadamente descontrolados (vamos supor, sustentando níveis pressóricos de cerca de 210 x 160 mmHg), toleram-se níveis não ideais de até 160 x 110 mmHg. Para esses pacientes, devemos solicitar eletrocardio- grama, função renal e eletrólitos no pré-operatório. 5.2. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA A insu!ciência cardíaca deve estar em seu melhor controle possível, segundo os parâmetros clínicos da New York Heart Association. O ecocardiograma ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 33 será útil para caracterizar e quanti!car as disfunções de câmaras e válvulas e medir o débito cardíaco. A presença de insu!ciência cardíaca por si só con- !gura alto risco cardiovascular, sobretudo se na presença de disfunção valvar importante – assim, é importante atentar e procurar uma doença coro- nariana associada. A presença de insu!ciência cardíaca classe funcional lV, em cirurgias eletivas, é responsável por adiar o procedimento cirúrgico. 5.3. CORONARIOPATIAS São, naturalmente, doenças de alto risco cardio- vascular. A presença de uma coronariopatia clínica já conhecida motiva avaliação especializada no pré-operatório, com cardiologista, que realizará investigação complementar. De acordo com sua avaliação clínica e complementar, o cardiologista inicialmente irá estrati!car o risco cardiovascular coronariano do paciente e, após isso, propor uma estratégia de controle e otimização do quadro. Essa estratégia pode envolver desde medidas medica- mentosas simples até angioplastia ou revasculari- zação cirúrgica do miocárdio. Os pacientes com angina estável devem ter sua avaliação clínica com METS realizada e, se neces- sário, exames complementares. A terapia prévia condiciona-se ao estado coronariano do paciente e pode ser clínica-medicamentosa ou mesmo inter- vencionista/cirúrgica. Pacientes com angina instável são de muito alto risco cardiovascular e, a princípio, só devem ser operados em situações de exceção ou emergência. Caso contrário, é de suma importância seu controle coronariano prévio (angioplastia/revascularização). Os pacientes com IAM recente têm que ser avaliados quanto a terem ou não recebido anteriormente a terapia de revascularização. Após revascularizados, funcionam como o paciente da angina estável. É digno de nota, porém, que, após o infarto, depen- dendo do cenário, pode-se operar tão precoce quanto em 30 dias, mas o ideal é aguardar pelo menos 6 meses (e vale lembrar que esse paciente muito pro- vavelmente estará em uso de dupla antiagregação plaquetária com AAS + clopidogrel). O pulo do gato, aqui, porém, é identi!car o paciente sem diagnóstico prévio, oligossintomático ou sob risco coronariano: leia o enunciado em busca da des- crição de sintomas anginosos, IAM prévio relatado direta ou indiretamente ou aquele traçado de sequela de IAM prévio no ECG. Todos esses pacientes, assim como aqueles que tolerem menos que 4 METS, deverão passar por avaliação com especialista e investigação complementar: ecocardiograma de estresse, cintiologra!a miocárdica, angiotomogra!a coronariana ou cineangiocoronariogra!a. 5.4. ARRITMIAS Pacientes com bradiarritmias devemter uma estra- tégia de manejo clara da frequência cardíaca, com atropina a postos, se necessário, para a cirurgia. Pode ser necessário o uso de marca-passo trans- cutâneo ou transvenoso. Pacientes com taquiarritmias devem estar em uso correto dos fármacos que suprimem ou controlam a frequência cardíaca. Nas ditas arritmias de alto grau, com destaque para os bloqueios atrioventri- culares, há um alto risco cardiovascular associado. 5.5. DPOC A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma comor- bidade grave e de importância pré-operatória. O paciente deve ser estimulado a cessar o tabagismo, caso ainda seja tabagista ativo. A avaliação pelo pneumologista se torna necessária e é comple- mentada por uma espirometria. Pacientes Gold I e II, em geral, são candidatos à maioria das cirurgias. Mas os pacientes Gold III e IV são de alto risco respiratório e deve ser ponderado o risco vs. benefício cirúrgico. Buscando-se evitar complicações no pós-operatório (exacerbação de doença/pneumonia/broncosco- pasmo), pode-se lançar mão de terapia inalatória pré-operatória com B2 agonista de longa duração, ipratrópio e/ou corticoide inalatório, associada ou não à ventilação não invasiva no pós-operatório (desde que não haja contraindicação cirúrgica). A !sioterapia respiratória é também importante, tanto no pré quanto no pós-operatório. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 34 5.6. ASMA A asma também deve estar em um controle ade- quado para realizar uma cirurgia eletiva. Esses pacientes se bene!ciam de uma terapia inalatória pré e pós-operatória com B2 agonista de longa duração e corticoide inalatório. 5.7. DIABETES MELITO Doença EXTREMAMENTE prevalente na nossa população e nos enunciados de questão. Traz risco aumentado de eventos desfavoráveis no pós-ope- ratório, sejam eles cardiovasculares, renais ou neu- rológicos, além dos propriamente endócrinos e cirúrgicos. É importante o controle da doença no pré-operatório. Deve-se dosar a glicemia de jejum e hemoglobina glicada no pré-operatório. Assim como na hiperten- são, o controle ideal a níveis normais de glicemia e hemoglobina glicada pode não ser alcançado, tolerando-se limites de glicemia de jejum até 130 e hemoglobina glicada até 7,0. Para esses pacientes, devemos solicitar eletro- cardiograma, hemograma, glicose, função renal e eletrólitos no pré-operatório. 5.8. RISCO CARDIOVASCULAR O mais importante dos “riscos” pré-operatórios é a avaliação de risco cardiovascular. Existem escores e classi!cações para tal, como Goldman, que você, felizmente, não precisa decorar. O risco cardiovascular refere-se à tentativa de iden- ti!car fatores de risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores no pós-operatório, como a síndrome coronariana aguda e, a partir daí, pros- segue-se à investigação ou terapia cardiovascular no pré-operatório. Tabela 4. Principais achados de alto risco cardiovascular. Alto risco cardiovascular IAM recente (<60 dias) Angina instável Arritmias de alto grau Doença valvar hemodinamicamente relevante METS <4 Fonte: Gualandro.1 Encontrou um paciente com alto risco cardiovascular no enunciado? Fique tranquilo. Esse paciente deve receber AAS e sinvastatina. Se ele tolera 4 METS, mas tem fatores de risco, deve ser submetido a um teste de esforço. Se ele não tolera esses 4 METS e tem fatores de risco, deve-se realizar teste com estresse farmacológico. Além disso, pode ser necessário um exame mais profundo e especí!co, como angiotomogra!a coronária ou cineangioco- ronariogra!a. 6. TRANSFUSÃO DE HEMOCOMPONENTES Deve-se transfundir concentrado de hemácias no pré-operatório a pacientes com anemias signi!cati- vas, com hemoglobina <7,0, no geral. Transfunde-se mais precocemente a Hb <9,0, em casos especí!- cos, como coronariopatas ou cirurgias de alto risco especí!co de sangramento. Quanto às plaquetas, utiliza-se o limiar de 50.000 para uma cirurgia eletiva, e plaquetopenias inferiores a esse valor devem ser corrigidas. Para as cirurgias oftalmológicas e neurocirurgia, deve-se utilizar o valor de 100.000 plaquetas como ponto de corte. Por !m, uma coagulopatia manifestada ao labora- tório com RNI alargado >1,5 deve também ser corri- gida. A correção é feita com transfusão de Plasma Fresco Congelado. Se em tempo hábil, a injeção de Vitamina K por 3 dias pode corrigir o problema e, assim, economizar a necessidade do plasma. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 35 7. MEDICAMENTOS NO PRÉ-OPERATÓRIO A regra, no geral, vai ser MANTER as medicações. Vamos nos dedicar aqui, então, às medicações que devem ser ajustadas, substituídas ou suspensas. 7.1. BETABLOQUEADORES São fármacos cardioprotetores e devem sempre ser mantidos. Sua suspensão acarreta aumento de eventos cardiovasculares pós-cirúrgicos. Em coronariopatas, caso não haja uso prévio da medi- cação, essa deve ser introduzida cerca de uma semana antes do procedimento, com o mesmo intuito cardioprotetor. 7.2. ANTI-HIPERTENSIVOS Medicamentos anti-hipertensivos, como inibidores da ECA, devem ser continuados, sem alterações em seu plano de uso. 7.3. ESTATINAS Da mesma forma que os anti-hipertensivos, as estatinas também devem ser continuadas sem alterações em seu plano de uso e introduzidas no paciente de alto risco cardiovascular. 7.4. ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS O AAS tem tendência a ser mantido, uma vez que o benefício de proteção cardiovascular vence o risco de sangramento promovido pela medicação. Entretanto, em casos de baixo risco cardiovascular e/ou alto risco de sangramento cirúrgico (como neurocirurgias ou cirurgias oftalmológicas), pode ser suspenso por 7 dias antes da cirurgia. O clopidogrel, por sua vez, é rotineiramente sus- penso, cinco dias antes do procedimento, assim como a dupla antiagregação plaquetária de AAS + clopidogrel, 7-10 dias antes. 7.5. ANTICOAGULANTES A Varfarina é um potente anticoagulante e eleva muito o risco de sangramento intraoperatório. Para reversão da anticoagulação pela Varfarina, quando necessário (como na impossibilidade de se aguardar a autorreversão após a suspensão do fármaco), pode-se lançar mão de reposição de Vitamina K por 3 dias ou transfusão de plasma fresco congelado. Havendo tempo hábil, porém, a Varfarina é desconti- nuada pelo menos cinco dias antes do procedimento, e é necessário veri!car o RNI num coagulograma. Nesse intervalo, o paciente é mantido sob anticoa- gulação com heparinização plena. As heparinas em uso terapêutico pleno, sejam elas não fracionadas ou de baixo peso molecular, são suspensas 12h antes do procedimento cirúrgico e reintroduzidas 12-24h após o procedimento. Por !m, os novos anticoagulantes orais, como a rivaroxabana (Xarelto®): para os pacientes que uti- lizam os novos antiagregantes plaquetários, como a rivaroxabana, devem ser interrompidos 24 a 48 horas antes do procedimento. 7.6. CORTICOIDES SISTÊMICOS Os corticoides sistêmicos de uso crônico têm importância relacionada à supressão suprarrenal induzida pelo fármaco, expondo o paciente ao risco de insu!ciência suprarrenal no pós-operatório (na recuperação pós-operatória, o trauma cirúrgico exige do paciente elevação da produção de corticoide endógeno – se suprarrenal suprimida, !ca o risco de insu!ciência suprarrenal). Nesses casos, o corticoide sistêmico deve ser man- tido no pré-operatório e sua dose deve ser elevada no intra e pós-operatório por pelo menos 48 horas. Uma estratégia nesse período é a administração do corticoide venoso na forma de hidrocortisona. 7.7. ANTIDIABÉTICOS O uso de metformina eleva o risco de complicações renais no pós-operatório. Outros hipoglicemiantes orais elevam o risco de hipoglicemia, quando sem o ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 36 adequado controleda hiperglicemia. Dessa forma, os hipoglicemiantes são suspensos e substituídos por insulinoterapia, na internação. Em geral, a substituição por insulina regular/rápida “de resgate” (ou seja, apenas de acordo com a gli- cemia capilar seriada) é su!ciente. Pacientes que, por sua vez, já utilizam insulinotera- pia prévia, devem ser mantidos com insulina, mas em dose menor: metade a dois terços da original. 7.8. LEVOTIROXINA A levotiroxina deve ser mantida sempre. Sua des- continuação está relacionada a maior ocorrência de eventos desfavoráveis, como íleo metabólico, no pós-operatório. DIA A DIA MÉDICO Para simpli!car sua vida, aqui vai uma tabela que o ajuda a lembrar o que suspender, o que modi!car e o que man- ter, de medicamentos, no pré-operatório de um paciente. Quadro 2. Medicações no pré-operatório. Medicação Manejo Antidiabéticos orais Substituir por insulina rápida Insulina intermediária prévia Substituir por insulina rápida + intermediária Betabloqueadores Manter AAS Manter OU Suspender 7 dias antes AAS + clopidogrel Suspender 7-10 dias antes, sempre Estatinas Manter Varfarina Suspender 5-7 dias Heparina terapêutica Suspender 12-24h Corticoides Manter + dose extra na indução e por 48h Levotiroxina Manter Anti-hipertensivos Manter Fonte: Autor. 8. CUIDADOS NUTRICIONAIS Talvez uma das medidas mais importantes no pré- -operatório seja a adequada avaliação nutricional seguida de reabilitação nutricional, quando neces- sário. Infelizmente, a prevalência de desnutrição no pré- -operatório é altíssima: 25% dos casos. O paciente desnutrido está sujeito a risco elevado de diversas complicações, tais como: infecção de sítio cirúrgico, infecções de outros sítios, úlcera de decúbito, deis- cência de feridas, fístulas digestivas, entre outras. 8.1. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL A avaliação do estado nutricional do paciente é feita a partir de uma história clínica completa e exame físico minucioso. Existe um modelo de avaliação, chamado Avaliação Subjetiva Global (Avaliação de Detsky), utilizado para isso. Avaliam-se os seguintes parâmetros: padrão de apetite e ingesta, sintomas gastrointestinais, capacidade funcional, estresse e demanda metabólica, associados a dados especí!- cos de exame físico, como perda de gordura/massa muscular e edema de partes moles. Aponta para desnutrição pré-operatória a presença de dois ou mais dos sinais abaixo: Tabela 5. Sinais de desnutrição pré-operatória. Sinal Caracterização Perda ponderal >10% em 6 meses, OU >5% em 1 mês Ingesta calórica insu!ciente Subjetiva ou objetivamente (<50% do ofertado) Perda de massa muscular Quadríceps e deltoides Perda de tecido subcutâneo Tríceps e tórax Piora do estado funcional Medida no handgrip (aperto de mão) IMC reduzido <17 Edema de partes moles Sacral e perimaleolar ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 37 Sinal Caracterização Outros sinais Tireomegalia Úlceras de pressão Alopecia Glossite e queilite angular Fonte: Autor. DIA A DIA MÉDICO Fique atento: nas provas e na vida, sem sombra de dúvi- das, o sinal mais importante para desnutrição é a PERDA PONDERAL não intencional, de 5% do peso em 1 mês ou 10% em 6 meses. 8.2. REABILITAÇÃO NUTRICIONAL O paciente desnutrido deve ser submetido a uma reabilitação nutricional por, pelo menos, 10 a 14 dias, no caso de doenças oncológicas, e por 3 semanas, no caso de doenças benignas, devendo ser ofertado 1,5 a 2,0 g/kg/dia de proteína na dieta. A dieta oferecida ao paciente pode ser plena ou mesmo hiperproteica e hipercalórica, mas !que tranquilo(a): a avaliação das necessidades nutri- cionais do paciente e o cálculo da oferta não são o foco das nossas provas. O mais importante é a determinação da via alimentar. 8.3. VIA ALIMENTAR A via preferencial sempre será a via oral. Alterna- tivamente, pode-se lançar de um dispositivo ou procedimento como via de administração de uma dieta enteral: cateter nasoentérico, gastrostomia ou jejunostomia alimentar. DIA A DIA MÉDICO Mas como escolher entre eles? Um paciente com via oral pérvia, boa aceitação da dieta oral e sem broncoaspiração recebe dieta oral balanceada, em volume satisfatório, associada a suplementos orais enriquecidos. O cateter nasoentérico tem caráter transitório, sendo utilizado como ponte a uma via alternativa de!nitiva cirúrgica ou até correção da causa da má aceitação da dieta. É muito utilizado no pré-operatório de pacientes que têm uma doença cirúrgica, causando impossibilidade alimentar (um tumor esofágico, por exemplo), ou então em pacientes que aguardam uma gastrostomia de!nitiva. Tanto a gastrostomia quanto a jejunostomia alimen- tar são procedimentos cirúrgicos que permitem a realização de dieta enteral plena no paciente. A gastrostomia tem preferência sobre a jejunostomia, por ser mais !siológica para o paciente, e é utilizada quando a via oral está indisponível (disfagia de tran- sição/broncoaspiração) ou há obstrução faríngea/ esofágica. A jejunostomia, por sua vez, é utilizada em casos obstrutivos gástricos. 8.3.1. E a Dieta Parenteral? Imagine que nenhuma via alimentar se encontra adequadamente disponível, resultando em oferta oral ou entérica próxima de zero. Nesses casos, lança-se mão de nutrição parenteral, que é admi- nistrada num cateter venoso central. Quadro 3. Reabilitação nutricional no paciente desnutrido no pré-operatório. Conduta no paciente desnutrido no pré-operatório Reabilitação nutricional antes da cirurgia Via oral preferida Via entérica alternativa quando oral indisponível ou insu!ciente Via parenteral alternativa quando oral e entérica indisponíveis ou insu!cientes Fonte: Autor. DIA A DIA MÉDICO Jejum pré-operatório Ah, disso você já sabe, né? Vai operar qualquer coisa: dieta oral zero, jejum, nada por boca, por 8-12h antes do procedimento, não é mesmo? Não! ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 38 O jejum pré-operatório tem o objetivo de trazer segurança à via aérea. Espera-se um tempo adequado para o esvazia- mento gástrico máximo, de forma a minimizar o risco de broncoaspiração à indução anestésica e intubação. Mas será que o tempo de jejum pré-operatório necessário é o mesmo ao se beber um copo de água ou comer, digamos, um prato de feijoada? Tabela 6. Tempo de jejum pré-operatório. Consistência da ingesta Exemplo Tempo mínimo de jejum Líquidos claros Água, chá Duas horas Líquidos opacos/com resíduo Sucos, leite Quatro a seis horas Dieta sólida Carne, massas etc. Oito horas Fonte: Autor. Portanto, veja que é bem possível manter uma ingesta de líquidos claros até bem próximo do horário da cirurgia. Com isso, nós conseguimos tirar o paciente do “soro de manutenção” pré-operatório, usado nos jejuns prolonga- dos. É possível manter o paciente sem soro e em jejum ao longo do período de espera cirúrgica e o manter hidratado com oferta calórica, permitindo, até duas horas antes da cirurgia, água e xarope de maltodextrina por via oral – o que é o ideal, pois a hidratação venosa excessiva no paciente cirúrgico traz riscos: hiperidratação e congestão pulmonar, edema de extremidades e íleo adinâmico pós-operatório. Em urgências abdominais, porém, não se deve aguardar um tempo de jejum pré-operatório. É uma urgência cirúrgica e o maior tempo de espera para a abordagem acarreta maior risco de agravamento do quadro. E, ainda que se aguardasse, não haveria esvaziamento gástrico adequado, visto que, em abdomes agudos, há um mau esvaziamento gástrico. Nesses casos, o anestesista presume risco de broncoaspiração e procede à estratégia de Intubação em Sequência Rápida. 9. VIA AÉREA DIFÍCIL Como detectar o risco de uma “Via Aérea Difícil”? Ou seja, uma via aérea com risco de falha de intubação orotraqueal? No pré-operatório, podem-se identi!car alguns dados que apontam para isso. O primeirodado é a classi!cação de Mallampati, ao se inspecionar a orofaringe por oroscopia. Os Mallampati III e IV apontam para Via Aérea Difícil. Tabela 7. Classi!cação de Mallampati. Mallampati O que você vê I palato mole, úvula, fauces e pilares amigdalianos visíveis II palato mole, fauces e maior parte da úvula visíveis III palato mole, fauces e base da úvula visíveis IV Apenas palato duro visível Fonte: Autor. Também apontam para via aérea difícil outros dados clínicos, como: anquilose cervical, obesidade cer- vical anterior (“papo”), microstomia e abertura oral inadequada, alteração anatômica orofaríngea/glótica (como tumores). DICA 1A prova normalmente pergunta so- bre o Mallampati lll, a dica é olhar para a úvula: úvula e outras estruturas da orofarin- ge visíveis são Mallampati l. Apenas a úvula visível é Mallampati ll. Úvula parcialmente visível é lll e úvula não vista é lV. Lembre da úvula e mate a questão. Tabela 8. Sinais de Via Aérea Difícil. Apontam para via aérea difícil Mallampati III e IV Anquilose cervical Microstomia (abertura oral menor que 3 dedos) Distância do mento à 0exura cervical menor que 3 dedos Fonte: Autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 39 Figura I. Classi!cação de Mallampati Fonte: material da sanar DIA A DIA MÉDICO Reconhecer um paciente com potencial via aérea difícil é fundamental para realizar intubação eletiva. Além dos critérios citados acima, um de fundamental importância é o antecedente pessoal de via aérea difícil. Se o paciente lhe conta que já houve tentativa prévia de intubação em outra ocasião, e que foi difícil, esse fator, ainda que não haja nenhum outro presente, deve ser levado em consi- deração, e você deve considerar esse paciente com via aérea difícil até que se prove o contrário. E, diante de um paciente com via aérea difícil, o que você faz? W Otimizar o posicionamento do paciente W Otimizar sua técnica de laringoscopia, inclusive com manobras especí!cas (pode ser a Manobra de Sellick ou a Manobra de BURP) W Otimizar material: tubos e laringoscópios de tamanhos diferentes W Deixar dispositivos que otimizam a ventilação à dis- posição (cânula de Guedel, máscara laríngea, tubo laríngeo, por exemplo) W Deixar separado material para puncionar a membrana cricotireoidea e, também, para obter via aérea cirúr- gica de forma emergencial, se necessário, através da cricotireoidostomia convencional REFERÊNCIAS 1. Gualandro DM, Yu PC, Caramelli B, Marques AC, Calde- raro D, Fornari LS, Pinho C, et al. 3ª Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2017; 109 (3 – supl. 1): 1-104. 2. Wells PS, Anderson DR, Rodger M, Ginsberg JS, Kearon C, Gent M, et al. Derivation of a simple clinical model to cate- gorize patients with a probability of pulmonary embolism: increasing the models utility with the SimpliRED D-dimer. Thromb Haemost 2000; 83: 416-20. 3. Figura 1 Banco de Imagens Sanar ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório 40 Cirurgia geral Mapa mental Cuidados Identi!cação e estrati!cação de riscos clínios e cirurgicos Medicamentosos Nutricionais Solicitação de exames O que avaliar? Capacidade funcional Performance status Classi!cação Mallampati Metabólica Física (estado físico) Capacidade de autocuidado METS ASA KARNOFSKY Pré e pós-operatório Paciente Controle de comorbidades Via aérea difícil? Avaliar : - estado nutricional -via alimentar -necessidade de reabilitação alimentar Manter Suspender Substituir Aumentar dose Beta- bloqueadores, estaginas, diuréticos e levotiroxin AAS (?) --> 7D Clopidrogrel --> 5D Dupla antiagregação Varfarina --> ponte com enoxaparina Metformina --> Insulina de resgate Corticoide Para quem pedir O que pedir? A: age > 40a B: Bucha (porte 3 ou 4) C: Compromet. estado geral D: Dois (ASA 2 ou + E: eletrolitos F: func. renal G: gli jejum H: Hb/Ht I: INR Rx + ECG Especí!cos Em função da comorbidade - ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 41 QUESTÕES COMENTADAS (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – HOSPITAIS MUNICIPAIS – 2017) De acordo com a Sociedade Americana de Anestesio- logia (ASA), o tempo de jejum que o paciente deve manter antes de um procedimento cirúrgico é de: A 6 horas para sólidos e 2 horas para líquidos claros B 8 horas para sólidos e 4 horas para líquidos claros C 6 horas para líquidos e/ou sólidos D 8 horas para líquidos e/ou sólidos Questão 1 (HOSPITAL ORTOPÉDICO DE GOIÂNIA – 2017) Com relação ao uso de medicamentos no pré-operatório de uma cirurgia eletiva, assinale a alternativa INCORRETA. A Anticoagulantes orais, como o Clopidogrel, de- vem ter seu uso interrompido aproximadamente de 5 a 7 dias antes da cirurgia eletiva. B Hormônios tireoidianos não necessitam ter seu uso interrompido no pré-operatório. C Medicamentos de uso contínuo, como benzo- diazepínicos e antidepressivos em geral, não ne- cessitam ser descontinuados no pré-operatório. D Alguns autores recomendam suspender a Met- formina 48 horas antes de procedimentos cirúr- gicos eletivos devido ao risco de acidose lática. E Corticoides devem ter seu uso interrompido 24 horas antes de cirurgias eletivas. Questão 2 (HOSPITAL REGIONAL DE MS – ROSA PEDROSSIAN – 2017) Ho- mem asiático saudável, de 18 anos, tem programa- da uma cirurgia no joelho. Quais tipos de exames pré-operatórios são mandatórios para esse tipo de paciente e cirurgia? A Somente hemograma. B Hemograma e coagulograma. C Hemograma, coagulograma e eletrocardiograma. D Somente eletrocardiograma. E Não há necessidade de exames laboratoriais. Questão 3 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE – 2017) As- sinale a alternativa que apresenta o procedimento em que a antibioticopro!laxia é questionável (po- dendo NÃO ser realizada). A Operações para tratamento da obesidade mór- bida em paciente com supressão ácida gástrica por inibidor de bomba de prótons. B Colecistectomia laparoscópica eletiva em pa- ciente de 50 anos, portador de múltiplos cálcu- los na vesícula biliar. C Cirurgia para correção de hérnia incisional eleti- va, com uso de tela protética de marlex. D Colectomia segmentar e anastomose primá- ria, em paciente portador de adenocarcinoma colônico. Questão 4 (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE PERNAMBUCO – 2017) Qual das condutas abaixo NÃO está de acordo com o projeto ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-operatória)? A Jejum pré-operatório curto. B Uso restrito de antieméticos, diminuindo efeitos colaterais. C Uso restrito de drenos e sondas. D Redução de 0uidos intravenosos. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 42 E Nutrição pré-operatória por 10-14 dias, se ne- cessário. Questão 5 (ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL – 2018) Pa- ciente feminina, 45 anos, foi diagnosticada com hérnia inguinal esquerda. É hipertensa e diabética. Quais os exames que devem constar na avaliação pré-operatória? A Coagulograma, ureia e colesterol total e frações. B Hemograma, bilirrubina e glicemia. C Coagulograma, ureia e triglicerídeos. D Hemograma, tempo de protrombina e potássio. E Hemograma, creatinina e glicemia. Questão 6 (HOSPITAL NACIONAL DO CÂNCER – 2018) Um paciente de 63 anos, submetido a uma angioplastia com stent farmacológico há duas semanas, passa por uma consulta pré-operatória para orientações sobre a realização de uma herniorra!a inguinal eletiva (sem sinais de estrangulamento ou encarceramento). Encontra-se em uso de AAS e Clopidogrel. Qual é a recomendação que deve ser dada ao paciente nesse caso? A Adiar a cirurgia até completar pelo menos 30 dias do procedimento e suspender apenas o AAS antes da cirurgia.B Salientar que não há risco aumentado de inter- venção cirúrgica, contanto que sejam mantidas as duas medicações. C Adiar a cirurgia até completar um ano da colo- cação do stent farmacológico. D Realizar a cirurgia após 180 dias do procedimento e suspender ambas as drogas antes da cirurgia. Questão 7 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE - MG – 2021) Os exames pré-cirúrgicos devem sempre ser: A Solicitados somente se houver dúvidas quanto ao procedimento. B Discutidos com a equipe que irá participar da cirurgia. C Solicitados, mas basta uma avaliação do anes- tesista para a realização do procedimento. D Reavaliados quanto à sua necessidade antes do procedimento. Questão 8 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE – MG – 2021) Assinale a alternativa que apresenta a avaliação do risco cardíaco perioperatório e da modi!cação do risco mais acurada. A A avaliação perioperatória do risco cardíaco deve levar à modi!cação do risco durante e após o período perioperatório. B O uso do 2-bloqueador durante o período perioperató- rio é justi!cável para pacientes com mais de 60 anos de idade que serão submetidos à cirurgia eletiva. C A angiográ!ca coronariana é um recurso avaliativo que pode ser usado sem restrições para identi!car pacientes assintomáticos que podem estar em risco de complicações cardíacas perioperatórias. D A avaliação pré-operatória do risco cardíaco resulta na realização de exames e riscos des- necessários. Questão 9 (FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS – MG- 2021)Paciente de 25 anos de idade, portador de hérnia umbilical, será submetido a tratamento cirúrgico. Em seu preparo pré-operatório, é fundamental que seja realizado(a): A Radiogra!a do tórax. B Eletrocardiograma. C Dosagem de glicemia em jejum. D Anamnese e exame físico detalhados. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 43 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 !"#"$%&!'!(: Q Resolução: O jejum pré-operatório varia de acordo com o alimento ingerido e cada vez mais, principal- mente após o desenvolvimento do projeto ACERTO (aceleração da recuperação total pós-operatória), vem diminuindo o tempo de jejum dos alimentos in- geridos. Para líquidos claros, preconiza-se o jejum de 2 horas. Para leite materno, preconiza-se o jejum de 4 horas. Para o leite não materno, preconiza-se o jejum de 6 horas. Para os alimentos sólidos, pre- coniza-se o jejum de 6 a 8 horas. ! )(*+,*-':.A Questão 2 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do autor: A suspensão de medicações no pe- ríodo pré-operatório varia de acordo com o fármaco utilizado pelo paciente e sua ação. Alternativa A: CORRETA. O clopidogrel, que é um ini- bidor do ADP, geralmente é suspenso entre cinco a sete dias antes do procedimento cirúrgico, tempo necessário para o término de sua ação residual no organismo, sem expor o paciente a risco aumenta- do de sangramento. Alternativa B: CORRETA. Hormônios tireoidianos não necessitam ser suspensos no período pré-opera- tório. Alternativa C: CORRETA. Anticonvulsivantes, antide- pressivos e psicotrópicos em geral não necessitam de suspensão pré-operatória também. Alternativa D: CORRETA. A metformina geralmente é suspensa no dia da cirurgia, porém, devido ao risco de acidemia lática, a medicação pode ser suspensa antes, com uso de insulina regular conforme dextro, se necessário. Alternativa E: INCORRETA. Pacientes usuários crônicos de corticoide não podem suspender a medicação no pré-operatório, devido ao risco de desenvolvi- mento de insu!ciência adrenal. Na verdade, estes pacientes devem receber suplementação de corti- coide devido ao uso deste hormônio na resposta metabólica ao trauma. Usualmente, realiza-se in- fusão de 100mg de hidrocortisona E.V na indução anestésica, seguido de 50mg de 8/8 horas por 48 a 72 horas, após a cirurgia. Questão 3 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Resolução: Questão sobre preparo pré-operatório, especi!camente de exames pré-operatórios. Ques- tão frequente nas provas de residência. Importante lembrarmos que, para pacientes com idade menor que 45 anos e sem comorbidades, não há necessi- dade de solicitar exames pré-operatórios. ! )(*+,*-':.E Questão 4 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do autor: A antibioticopro!laxia é realizada nas cirurgias limpas com uso de prótese, nas cirurgias limpa-contaminadas e nas cirurgias contaminadas. Alternativa A: INCORRETA. Cirurgia bariátrica é consi- derada uma cirurgia limpa-contaminada, devendo ser realizada antibioticopro!laxia. Alternativa B: CORRETA. A colecistectomia videolapa- roscópica é considerada uma cirurgia limpa-conta- minada, devido à penetração do trato gastrointes- tinal de forma controlada. Toda cirurgia limpa-con- taminada deve receber antibioticopro!laxia, exceto a colecistectomia videolaparoscópica, de acordo com a edição mais atual do Sabiston. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cirurgia geral 44 Alternativa C: INCORRETA. Herniorra!a incisional é considerada uma cirurgia limpa e, quando há coloca- ção de prótese, deve-se realizar antibioticopro!laxia. Alternativa D: INCORRETA. Colectomia eletiva também é considerada cirurgia limpa-contaminada, devendo ser realizada antibioticopro!laxia. ! )(*+,*-':.B Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: As principais medidas no projeto ACER- TO são: Terapia nutricional perioperatória; Redução de 0uidos endovenosos; Analgesia pós-operatória; Pro!laxia e controle de vômitos pós-operatórios; Abreviação do jejum pré-operatório; Realimentação precoce no pós-operatório; Informação pré-opera- tória; Evidência para uso de drenos e sondas em cirurgias; Deambulação precoce no pós-operatório; Abolição do preparo mecânico de rotina de cólon; Uso racional de antibióticos em cirurgia. A única que não é uma recomendação é a Alternativa B. ! )(*+,*-':.B Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: De acordo com a referência utilizada pelo concurso (Sabiston, 19ª edição), os exames que devem ser realizados para uma mulher de 45 anos, que tem como comorbidades hipertensão e diabetes, devem ser: hemograma, glicemia, função renal, eletrólitos e ECG. Assim, a opção E contempla exames dessa lista. É valido lembrar que indivíduos saudáveis, com menos de 45 anos, submetidos a uma cirurgia de pequeno porte, podem ser encami- nhados para a cirurgia apenas com avaliação clínica. ! )(*+,*-':.E Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Y Dica do autor: Questão sobre recomendações em cirurgia após colocação de stent farmacológico. Te- mos um paciente idoso que foi submetido há duas semanas a uma angioplastia com colocação de stent. Apresenta-se com uma hérnia inguinal sem sinais de encarceramento ou estrangulamento. O tempo de abordagem cirúrgica pode variar de um ano (principalmente stent farmacológico) a 30 dias após a colocação do stent. Entretanto, pode-se acertar a questão atentando-se para o tempo de suspensão dos medicamentos. Alternativa A: INCORRETA. Deve-se suspender o Clo- pidogrel por cinco dias antes de cirurgia. Alternativa B: INCORRETA. Além de haver risco au- mentado de sangramento, deve-se suspender o Clo- pidogrel cinco dias antes da intervenção cirúrgica. Alternativa C: CORRETA. Há a necessidade de aguardar um ano após a colocação do stent farmacológico. Alternativa D: INCORRETA. Não há necessidade de suspenção do AAS. ! )(*+,*-':.C Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: A avaliação pré-operatória é base fundamental para o manuseio do paciente cirúrgico e pode reduzir riscos e contribuir para um melhor desfecho da cirurgia. Nesse contexto, desta- cam-se a história clínica e o exame físico, que são responsáveis, na maioria dos casos, pelo diagnós- tico da doença. A seleção de exames laboratoriais pré-operatórios (testes especí!cos ou exames por imagens) deve ser feita como medida complemen- tar à suspeita clínica. A solicitação indiscriminada e rotineira é desnecessária e implica, além de cus- tosadicionais para a instituição, a possibilidade de resultados falso positivos, com repercussões mais ou menos graves nos pacientes. Alternativa A: INCORRETA. Solicitados, quando ne- cessários, como medida complementar à suspeita clínica do procedimento ou para avaliar risco. Alternativa B: CORRETA. Toda equipe deve estar cien- te e bem informada sobre o quadro especí!co do paciente. Alternativa C: INCORRETA. Avaliados por toda equi- pe cirúrgica. Alternativa D: INCORRETA. Sempre reavaliados antes do procedimento. ! )(*+,*-':.B ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Pré e pós-operatório Cap. 1 45 Questão 9 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Os algoritmos de avaliação de risco perioperatório utilizam os dados obtidos da história e do exame físico e modi!cam o risco durante e após o período perioperatório. O estudo dos registros médicos em prontuários e de !chas anestésicas é útil para resgatar informações pré- vias. Entre as informações obtidas da história, para orientar a avaliação do risco cirúrgico, estão: in- formações sobre a doença de base, que indicou o procedimento cirúrgico, incluindo informações do cirurgião sobre o risco e o local do procedimento, a disponibilidade de suporte técnico de pessoal e de equipamentos, o tipo de anestesia, o tempo cirúrgi- co estimado e a necessidade de transfusão; dados clínicos, sociodemográ!cos e culturais, como idade, sexo, tipo sanguíneo, sorologia positiva para vírus C e aceitação de transfusão; dados para avaliar o estado psicológico/psiquiátrico do paciente; in- vestigação minuciosa de antecedentes cirúrgicos ou anestésicos, que podem revelar complicações potencialmente evitáveis ou alergias; e determina- ção da capacidade funcional, indagando sobre as atividades do cotidiano. ! )(*+,*-':.A Questão 10 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Questão clássica sobre exames pré-operatórios. Pela questão, o paciente sem co- morbidades (ASA 1), <40 anos e cirurgia de baixo risco NÃO demanda necessidade de nenhum exame complementar. Apenas de uma consulta pré-anes- tésica com o que toda consulta deve ter: anamnese e exame físico. ! )(*+,*-':.D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Fixe seus conhecimentos! 46 FIXE SEU CONHECIMENTO COM RESUMOS Use esse espaço para fazer resumos e !xar seu conhecimento! _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 47 Capítulo 2PRINCÍPIOS DA ANESTESIA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u A anestesia geral consiste em uma técnica que promove inconsciência completa, abolição da dor (e atenuação das respostas somáticas nociceptivas e autonômicas. Quando submetido à anestesia geral, o paciente perde a capacidade de respirar espontaneamente, sendo necessária intubação ou suporte ven- tilatório assistido. Didaticamente, dividimos essa técnica em três fases: indução anestésica, manutenção e recuperação anestésica. u Anestesia neuroaxial: obtida pela ação dos anestésicos locais nas raízes nervosas espinhais. Na aneste- sia raquidiana, é injetado conteúdo anestésico no espaço subaracnoide, através de uma punção lombar, gerando um bloqueio que se estende caudal à altura realizada. Já na anestesia peridural, é injetado con- teúdo anestésico no espaço peridural, promovendo anestesia em faixa. u Nos bloqueios regionais, o objetivo é alcançar analgesia na área inervada pelo nervo em questão que foi bloqueado. u Os anestésicos locais são usados em diversas pequenas cirurgias, suturas e procedimentos percutâneos, após injeção tecidual. A e!cácia deles depende do volume, concentração, solubilidade lipídica e pKa. 1. INTRODUÇÃO O advento da anestesia revolucionou o mundo da cirurgia. No princípio, eram utilizados anestésicos voláteis, como éter e clorofórmio, para alcançar: inconsciência, ausência de re"exos, analgesia, rela- xamento muscular e amnésia. Nos dias de hoje, existem diversas drogas que podem ser combinadas de diferentes formas e em diferentes vias de infu- são para alcançar a anestesia. A decisão de qual medicamento e técnica anestésica utilizar leva em conta: as condições clínicas do paciente; presença e gravidade de doenças preexistentes; alergias e/ ou reações adversas prévias; disponibilidade de materiais, equipamentos e fármacos; experiência e preferência do anestesiologista; preferência ou recusa do paciente por determinada técnica; posi- cionamento do paciente durante o ato cirúrgico; o procedimento cirúrgico a ser realizado e as condi- ções de recuperação pós-operatória. 2. TIPOS DE ANESTESIA 2.1. SEDAÇÃO A sedação é um estado alterado de consciência, caracterizado por diferentes níveis de depressão do Sistema Nervoso Central, utilizada principalmente para promover conforto para o paciente durante a realização de procedimentos diagnósticos, terapêu- ticos e/ou procedimentos cirúrgicos de pequeno porte, na maior parte das vezes associada à anes- tesia local. Pode ser divididaem sedação leve, moderada e profunda. u Sedação leve: há um equilíbrio entre o nível de sedação e o estado hemodinâmico e respiratório do paciente, de modo que os re"exos protetores estejam normais e que o paciente consiga res- ponder a comandos verbais. u Sedação moderada: há depressão do estado de consciência e o paciente terá uma resposta força- #$%&'()*+#,/%'-.,/0*+#, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 48 da ao estimulo verbal ou tátil. Ventilação espontâ- nea e função cardiovascular estão preservadas. u Sedação profunda: o paciente di!cilmente res- ponderá a comandos verbais, mas responde a estímulos dolorosos. A ventilação espontânea pode estar comprometida ou ser insu!ciente, necessitando de auxílio ventilatório. Também pode haver comprometimento da função car- diovascular. DIA A DIA MÉDICO A interação entre analgesia e hipnose é fundamental para se entender e de!nir a profundidade anestésica. As respostas somáticas ao estímulo nociceptivo incluem dor e movimento. Porém, hipnóticos em doses altas pro- duzem depressão do Sistema Nervoso Central, e mesmo um estímulo doloroso pode não despertar o paciente. Assim, a atenuação da resposta ao estímulo cirúrgico é alcançada através de analgésicos, anestésicos locais e formatos adjuvantes que irão modular essa resposta. Já o bloqueio das respostas autonômicas (respiração, hemodinâmico, sudomotor e hormonal), necessita de maior profundidade anestésica. No quadro abaixo podemos ver os estímulos e as respos- tas a serem abolidas na anestesia geral, com di!culdade crescente de supressão. Quadro 1. Estimulo de intensidade crescente Resposta abolida Chamar o nome Verbal Toque leve Memória implícita Gritar o nome Memória explícita Sacudir Movimento involuntário Picada Ventilação Estímulo elétrico Sudomotora (lágrima e suor) Apertar o trapézio Pressão arterial Fechamento de pele Frequência cardíaca Incisão cirúrgica Exploração abdominal Retração costal Estimulo de intensidade crescente Resposta abolida Laringoscopia Intubação Fonte: Autoria própria. A partir desses conceitos, podemos concluir que o movi- mento do paciente durante a cirurgia não signi!ca um “despertar”, pois, como vimos, a profundidade anestésica necessária para o bloqueio motor é muito maior que para o bloqueio à dor e para o despertar. 3. ANESTESIA GERAL Técnica utilizada para promover inconsciência asso- ciada à analgesia e atenuação das respostas somá- ticas nociceptivas e autonômicas. O relaxamento muscular, necessário para intubar o paciente e melhorar o acesso cirúrgico, faz parte do bloqueio da resposta motora ao estímulo nociceptivo. Anestesia geral pode ser alcançada com medicações inala- tórias ou venosas. O paciente perde a capacidade de respirar espontaneamente, sendo necessário suporte ventilatório. A técnica costuma ser didaticamente dividida em três fases: u Indução: Fase inicial em que o paciente é levado ao estado de inconsciência e relaxamento mus- cular. É comum ser feita com anestésicos veno- sos em adultos e com anestésico inalatório em crianças. Nessa fase, o paciente perde o drive respiratório e precisará de suporte ventilatório. u Manutenção: Fase em que se usam agentes ina- latórios e/ou venosos para manter a inconsciên- cia, o relaxamento muscular e analgesia durante o intraoperatório. Também é nessa fase que, fre- quentemente, o paciente irá receber analgésicos, antieméticos e anti-in"amatórios que irão agir no intra e no pós-operatório. Etapa de extrema importância, pois o controle do nível de sedação, analgesia e relaxamento muscular têm in"uên- cia direta no intra e no pós-operatório. Sedação super!cial ou analgesia inadequada podem oca- sionar resposta adrenérgica no intraoperatório. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 49 O relaxamento muscular no intraoperatório é de suma importância para alguns tipos de cirur- gia, pois possibilita fechamento de estruturas, como parede abdominal com maior facilidade pelo cirurgião, além de manter a imobilidade do paciente e ausência de re"exos musculares in- voluntários. A analgesia adequada no pós-opera- tório também é fundamental: paciente com dor evita movimentar-se, evita expansão adequada da caixa torácica. Portanto, paciente que rece- beu uma analgesia adequada no intraoperatório, nessa fase de manutenção, associado à correta analgesia no pós-operatório, poderá deambular precocemente e expandir adequadamente os pulmões, diminuindo o risco de tromboses e atelectasias, respectivamente. u Recuperação: É o despertar da anestesia. Fase em que o paciente assume a função ventilatória, o nível de consciência e a capacidade de contra- ção muscular. DIA A DIA MÉDICO Paciente sob efeito de bloqueador neuromuscular com inadequado plano anestésico pode ter uma complicação que chamamos “despertar transoperatório” ou Recall. Quando esse despertar dura mais tempo, pode ocorrer memória explícita (o paciente relata fatos ocorridos no intraoperatório). As consequências podem ser graves, propiciando o desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático a longo prazo. Por outro lado, paciente sob anestesia geral muito profunda tem uma lenti!cação excessiva da atividade cerebral, sendo bastante prejudicial principalmente para idosos e paciente críticos. Taquicar- dia, hipertensão, sudorese, lacrimejamento, taquipneia e movimento podem ser sinais indiretos de inadequação de profundidade anestésica. Porém, existem monitores especí!cos que medem e interpretam a atividade elétrica cerebral, como, por exemplo, o BIS (Índice biexpectral). Valores médios entre 40-60 indicam plano anestésico adequado para o paciente submetido à anestesia geral. Valores superiores a 60 podem indicar super!cialização, e valores inferiores a 40, supressão excessiva da atividade elétrica. Na prática clínica da anestesiologia, fazemos uma asso- ciação didática com a aviação: antes de iniciar o “voo”, checamos todo o equipamento, tomamos conhecimento das comorbidades e características do paciente e do procedimento cirúrgico para planejarmos as medicações a serem utilizadas, acessos, monitorização etc., além de checar os protocolos de segurança. A fase de indução seria o momento de decolagem da aeronave: paciente perde a consciência e o controle da própria ventilação. Nesse momento, ele será intubado ou assistido manual- mente pelo anestesiologista. A fase de manutenção seria o voo propriamente dito, momento em que utilizamos medicações para manter a inconsciência, analgesia e relaxamento muscular e dura o tempo necessário para a realização do procedimento cirúrgico. E, por !m, a fase de recuperação seria a aterrissagem do avião, momento em que o paciente retoma o controle da sua função ven- tilatória, consciência e movimentos musculares. 3.1. ANESTESIA RAQUIDIANA BASES As meninges espinhais possuem três membranas prote- toras: dura-máter, aracnoide e pia-máter. Dura-máter é a mais externa e mais densa. O espaço entre o ligamento amarelo e a dura-máter é chamado de peridural. Entre a dura-máter e a aracnoide !ca o espaço subdural. E entre a aracnoide e a pia-máter !ca o espaço subaracnoideo (a pia-máter é a membrana que está envolta da medula espinal). O anestésico (anestésico local e/ou opioides) é injetado dentro do espaço subaracnoideo através de uma punção lombar, gerando um bloqueio pre- coce e esperado que se estende de forma caudal à altura realizada (podendo ser in"uenciado pela densidade do fármaco). Nessa técnica, o anestésico se mistura com o líquido cefalorraquidiano, por isso são necessárias baixas doses para o efeito dese- jado. É utilizado para cirurgias do andar inferior do abdome ou nos membros inferiores. Pode levar à bradicardia e hipotensão, caso haja bloqueios dos nervos simpáticos cardíacos. Outra complicação comum, acontecendoem até 1/5 dos casos, é a retenção urinária aguda (principalmente quando se administram opiáceos), que tem evolução benigna, com resolução espontânea ou após sondagem vesical de alívio. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 50 3.2. ANESTESIA PERIDURAL BASES As !bras simpáticas pré-ganglionares deixam a medula espinal no nível entre T1-L2. Já as !bras parassimpáticas deixam a medula junto com os nervos craniais e sacrais. Anestesia de neuroeixo (peridural e raquianestesia) pro- move diferentes graus de bloqueio simpático, resultando em bloqueio do tônus simpático e/ou aumento do tônus parassimpático. A gravidade do comprometimento sim- pático depende da extensão do bloqueio medido pelo nível cutâneo: quanto mais alto o bloqueio, maiores as repercussões clínicas. Por exemplo, o bloqueio das !bras simpáticas periféricas (T1-L2) e cardíacas (T1-T4) é res- ponsável por hipotensão, bradicardia, diminuição da contratilidade miocárdica, perda do controle autonômico da bexiga (resultando em retenção urinária). O anestésico é injetado no espaço peridural, que é um espaço virtual dentro do canal vertebral, que se estende do forame magno até o hiato sacral, e é preenchido por tecido gorduroso e conectivo frouxo. A solução anestésica !cará ao redor da raiz nervosa e não no espaço intratecal. Leva a um bloqueio de dermátomos especí!cos, de acordo com a raiz ner- vosa bloqueada. A gordura peridual tem importância na duração do efeito do fármaco. Quanto menos lipossolúvel a medicação (por exemplo, a mor!na), menor será a absorção e maior o tempo de elimina- ção (ou seja, seu efeito durará mais). Traz grandes benefícios no controle álgico pós-cirúrgico, pois é usual deixar um cateter após a punção para repetir a analgesia durante ou até após o procedimento. A anestesia peridural pode ser usada em combinação com outros tipos de anestesia para proporcionar maior conforto aos pacientes. Nos últimos anos, diversos estudos têm mostrado que esse método traz benefícios pós-operatórios, reduzindo a taxa de complicações pulmonares, cardíacas, gastroin- testinais e até a mortalidade em pacientes de alto risco. Além disso, o controle superior da dor reduz a necessidade de opioide parenteral, diminuindo a incidência dos seus efeitos adversos. Anestesia peridural requer maior quantidade de anestésico para que haja o efeito proposto e é de instalação mais lenta e menos previsível. DIA A DIA MÉDICO Cefaleia pós-punção É uma cefaleia holocraniana ou occipital, pulsátil, que piora ao levantar ou sentar e melhora em decúbito dorsal hori- zontal, associada a náuseas, vômitos, diplopia, fotofobia e, às vezes, a hipoacusia. Tem início de horas a poucos dias após procedimentos de punção lombar. Apesar de não ser completamente conhecida, a !siopatologia de tal condição pode ser explicada pela persistência no vazamento de líquor pelo orifício de punção da dura- -máter, levando à hipotensão liquórica. É uma condição autolimitada, ou seja, resolve-se sozinha em até 7 dias. No entanto, em muitos casos, pode ser incapacitante, havendo necessidade de administração de medicamentos para a melhora da dor. O tratamento inclui hidratação oral e endovenosa vigorosa, repouso, analgésicos, agonista 5HT e cafeína. Em alguns casos, quando a dor incapacitante não melhora com tratamento clínico, podemos lançar mão do bloqueio esfenopalatino, que consiste na introdução de cotonete estéril embebido de anestésico local, através das narinas, até a placa cribiforme. Ou em casos ainda mais resistentes, o blood patch, que consiste em retirar 10-20 ml de sangue do paciente por punção venosa estéril e injeção no local da punção lombar, formando, com isso, um tampão sanguíneo no local do orifício remanescente. Costuma ser bastante efetivo (85-95%) já nas primeiras horas. Em caso de falha na primeira tentativa, pode-se tentar uma segunda tentativa. Importante lembrar que a cefaleia pós-punção é mais comum em mulheres jovens, quando a anestesia raqui- diana foi difícil, ou seja, quando necessárias múltiplas punções ou quando houve o que chamamos de acidente de punção, que consiste na perfuração da dura-máter com agulha grossa no momento da peridural, já que, neste caso, o orifício remanescente é maior. 3.3. BLOQUEIOS REGIONAIS Bloqueio de plexos nervosos ou nervos especí!cos com anestésicos locais. Causa analgesia apenas na área inervada pelo nervo em questão. É utilizado para bloquear um membro superior ou inferior, de diferentes formas. Antigamente era realizado apenas com base na anatomia e na parestesia, mas, com o advento da ultrassonogra!a e dos estimuladores de nervos, a técnica vem sendo mais utilizada pelo aumento da segurança e pela facilitação na sua realização. Bloqueios periféricos estão associados ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 51 à melhor qualidade de recuperação pós-cirúrgica e menor tempo de internação. 4. AGENTES INALATÓRIOS 4.1. HALOTANO Devido aos efeitos adversos cardiovasculares (depressão miocárdica e arritmias) e à hepatoto- xicidade, entrou em desuso. É o anestésico volátil de maior potência, ou seja, é aquele que possui a menor concentração alveolar mínima (CAM), que é a concentração necessária do anestésico inalatório no alvéolo para impedir responsividade do paciente durante a incisão cirúrgica em 50% dos pacientes. 4.2. ENFLURANO Possui menos efeitos colaterais que o halotano, porém caiu em desuso, com o advento de agentes mais modernos como iso"urano e sevo"urano. 4.3. ISOFLURANO É a droga mais utilizada por possuir uma boa rela- ção custo-benefício. É mais seguro que o halotano e possui pouco metabolismo sistêmico. Possui um forte odor desagradável e irritante para as vias aéreas, fazendo com que seja necessária a utili- zação de outro agente, comumente um anesté- sico venoso, durante a indução. Leva à redução da pressão arterial, principalmente pela redução da resistência vascular sistêmica. Apresenta mínima depressão miocárdica, mantendo o débito cardíaco pelo aumento da frequência cardíaca. Tem efeito cardioprotetor. Nos pulmões, leva à diminuição do volume corrente e ao aumento da frequência respi- ratória, e inibe a resposta à hipóxia e hipercapnia. Por ser pungente e irritante, pode causar tosse e laringoespasmo na indução inalatória. 4.4. SEVOFLURANO Possui rápido efeito de sedação e despertar. Está indicado para manutenção e indução de anestesia geral em pacientes adultos e pediátricos por pos- suir odor bem tolerado e causar mínima irritação no trato respiratório superior. Leva à redução do débito cardíaco e da pressão arterial, produz depres- são respiratória com redução do volume-minuto e aumento da frequência respiratória. É um potente broncodilatador e in"uencia pouco na pressão intra- craniana. Há relatos de aumento da formação de composto A (tóxico em animais). Em humanos, não há evidencia de toxicidade. 4.5. DESFLURANO É o mais volátil e menos potente de sua classe e necessita de equipamento especializado para ser administrado. É rapidamente eliminado e possui um despertar mais rápido que o sevo"urano. Devido ao seu poder e odor desagradável, não é aconselhável como droga única na indução. Causa efeitos car- díacos semelhantes ao iso"urano e respiratórios semelhantes ao sevo"urano. Porém, pela pungência, pode causar tosse e laringoespasmo. 5. ANESTÉSICOS VENOSOS Diferentemente dos agentes inalatórios, nenhum agente venoso sozinho possui a capacidade de garantir todos os princípios da anestesia. Por isso, eles são utilizados em conjunto. 5.1. PROPOFOL Possui apenas efeitos hipnóticos. É um sedativo potente, com tempo de ação e despertar extrema- mente rápidos. É encontrado em formulações aquo- sas ou em emulsão contendo óleo de soja, lecitina e glicerol. Pode ser utilizado em infusão única para indução ou em infusãocontínua de manutenção para garantir sedação em uma anestesia venosa total. É bastante utilizado em procedimentos endos- cópicos e sedações em geral pelo despertar rápido ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 52 (cerca de 2-8 min após injeção única). O propofol induz à vasodilatação tanto venosa quanto arterial, levando à hipotensão e depressão miocárdica. Seu mecanismo de ação é pela potencialização dos receptores GABA-A e, quando administrado em altas doses, produz padrão de supressão do EEG. DIA A DIA MÉDICO Vamos quebrar dois mitos: a alergia ao ovo não necessa- riamente contraindica o uso de propofol, pois as reações alérgicas estão relacionadas à albumina e não à lecitina. A dor proveniente da injeção de propofol é devida à formula- ção com glicerol e pode ser atenuada com administração prévia de opioide ou lidocaína IV. O propofol, quando utilizado em doses elevadas e por dias consecutivos, pode causar uma condição rara, e quase sempre fatal, chamada de síndrome da infusão do propo- fol. Apesar de não muito bem explicada, acredita-se que alterações mitocondriais levem a um quadro de acidose metabólica grave, depressão cardiovascular, hipertriglice- ridemia, rabdomiólise e outras disfunções. O tratamento consiste em interrupção da droga e suporte clínico. 5.2. CETAMINA BASES O isômero S é 3-4 vezes mais potente do ponto de vista analgésico e apresenta metabolização e recuperação mais rápidas e com menos efeitos colaterais. Produz depressão do SNC dose-dependente, com profunda anal- gesia e amnésia, embora o paciente possa permanecer consciente e manter re"exos de via aérea. Possui efeito dissociativo, garantindo sedação super- !cial e analgesia. Tem como efeito o aumento da pressão arterial, frequência cardíaca e broncodila- tador, por isso é indicada em paciente com hipovo- lemia e choque circulatório (ação vasoconstritora por estímulo simpático). Causa pouca depressão respiratória, por isso pode ser utilizada isoladamente para pequenos procedimentos. DIA A DIA MÉDICO Droga indicada para indução e manutenção anestésica em pacientes instáveis com hipovolemia, choque hemorrágico, sepse, doenças cardíacas congenitas, tamponamento cardíaco, pericardite constritiva e doenças reativas de via aérea. Pode ser usado como sedativo em associação com benzodiazepínicos principalmente em procedimentos mais dolorosos ou em crianças. Ketamina também é bastante utilizada como analgésico multimodal. 5.3. ETOMIDATO É um hipnótico que apresenta estabilidade hemo- dinâmica, mínima depressão respiratória, proteção cerebral e farmacocinética, que permite recuperação rápida, sendo considerado uma boa alternativa para paciente em choque ou com doenças cardiovas- culares. Age por meio do receptor GABA-A com hiperpolarização celular. Devido ao seu potencial de supressão adrenal, é contraindicado em sedação contínua e pacientes com sepse, sendo utilizado apenas na indução anestésica ou sedação de pacien- tes cardiopatas ou chocados. DIA A DIA MÉDICO Etomidato causa alta incidência de náuseas e vômitos, bem como dor local a injeção (por ter propilenoglicol na formulação) que pode ser atenuada com injeção de lidocaína ou opioide previamente. Também pode induzir mioclonias que podem ser atenuadas com uso de ben- zodiazepínicos. 5.4. BENZODIAZEPÍNICOS Classe de sedativos em que seus principais repre- sentantes são o Midazolan (ação curta), Lorazepam (ação intermediário) e o Diazepam (ação longa). Muito usados por possuir efeitos ansiolíticos, amné- sicos e anticonvulsivantes. Atuam como agonistas do GABA (hiperpolarizam os neurônios e reduzem a excitabilidade neuronal). O Flumazenil é um antídoto para essa classe. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 53 5.5. DEXMEDETOMIDINA É alfa-2 agonista seletivo, tem efeito sedativo, ansio- lítico, hipnótico, analgésico e simpatolítico. Existem 3 subtipos de receptores alfa-2, cada um relacionado com um determinado efeito: u Alfa2A: analgesia, hipotensão, bradicardia, seda- ção, hipnose e potencialização de atestésicos. u Alfa2B: vasoconstrição e hipertensão arterial. u Alfa2C: analgesia e hipotermia. DIA A DIA MÉDICO O efeito sedativo da dexmedetomidina se dá pelas vias que promovem o sono, gerando padrões de sono natural. O paciente é facilmente acordado e permanece colaborativo mesmo quando intubado. A analgesia vem pela estimula- ção dos receptores alfa2A e alfa2C, inibindo diretamente a transmissão da dor e reduzindo a liberação de trans- missores excitatórios, como substância P e glutamato. O uso sistêmico da medicação tem um efeito poupador de opioides durante a cirurgia e no pós-operatório. Tabela 1. Efeitos farmacodinâmicos dos anestésicos intravenosos. Efeito Propofol Midazolam Ketamina Etomidato Dexmedetomidina PA Sistêmica Diminui Inalterada ou diminui Aumenta Diminui Diminui FC Inalterada ou diminui Inalterada Aumenta Inalterada ou diminui Diminui RVS Diminui Inalterada ou diminui Aumenta Inalterada ou diminui Diminui Ventilação Diminui Inalterada Inalterada Inalterada ou diminui Inalterada FR Diminui Inalterada Inalterada Inalterada ou diminui Inalterada Fluxo Sanguíneo Cerebral Diminui Inalterada Aumentado ou inalterado Diminui Inalterada Consumo cerebral de O2 Diminui Inalterada Aumentado ou inalterado Diminui Inalterado ou diminuído Pressão intracraniana Diminui Inalterada Inalterada ou diminui Diminui Inalterada Fonte: Autoria propria. 5.6. OPIOIDES BASES Mor!na é um opioide natural considerado forte e é o pro- tótipo contra o qual os demais opioides são comparados em termos de potência. Tem início de ação lento (mínimo 10 minutos após injeção IV) e meia-vida de eliminação em torno de 3 horas (podendo se prolongar em neona- tos e idosos). É metabolizada no fígado, gerando dois metabólitos: M3G (predominante, com pouca a!nidade pelos receptores e, portanto, sem poder analgésico, mas associado à tolerância e neurotoxicidade) e M6G (com alta a!nidade pelos receptores u, sendo mais potente que a mor!na em termos analgésicos). Tantos os metabólicos quanto a mor!na não modi!cada têm eliminação renal, portanto, com prolongado efeito e risco de depressão respiratória em pacientes com disfunção renal. São substâncias derivadas do ópio e atuam em receptores especí!cos no sistema nervoso central, levando à analgesia importante. Possui diversos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 54 representantes (Mor!na, Oxicodona, Tramadol, Remifentanil, Fentanil, Sufentanil, Alfentanil, Codeína e outros), sendo o Sufentanil mil vezes mais forte que a mor!na. O remifentanil possui a menor meia- -vida (poucos minutos) e independe da função renal ou hepática. São muito utilizados em associação com agentes venosos e inalatórios. Em altas doses, possuem pequenos efeitos sedativos e levam à depressão cardiovascular e respiratória. Seu anta- gonista é o Naloxone. 6. BLOQUEADORES NEUROMUSCULARES !BNM" Classe de drogas que atua nos receptores nicotíni- cos de acetilcolina da placa neuromuscular, inter- ferindo na transmissão do impulso do nervo para a !bra muscular, produzindo paralisia muscular. São divididos em duas categorias, de acordo com seu mecanismo de ação: 6.1. DESPOLARIZANTES !NÃO COMPETITIVOS" Os bloqueadores neuromusculares despolarizantes atuam como agonistas, ou seja, simulam a ação da acetilcolina. Ligam-se ao receptor de acetilcolina, abrindo os canais iônicos, gerando um potencial de ação e uma contração da !bra muscular (fas- ciculação). Porém, ao contrário da acetilcolina, o bloqueador não é metabolizado pela acetilcolines- terase da fenda sináptica e permanece ocupando o receptor, fazendo com que a placa motora perma- neça despolarizada por um tempo prolongado. Os canais se fecham,o potencial de ação desaparece e a membrana muscular retorna ao seu estado de repouso, resultando em relaxamento muscular. Como é um bloqueio não competitivo, uma nova contração somente poderá ocorrer quando o blo- queador sair da placa motora e esta se repolarizar. A Succinilcolina é o único bloqueador neuromuscular despolarizante disponível e é um dos BNM mais utilizados por possuir rápido início e curta duração. Devido ao seu mecanismo de ação, pode levar à hipercalemia, devendo ser evitado em grandes queimados e pacientes com traumas musculares extensos. 6.2. NÃO DESPOLARIZANTES !COMPETITIVOS" Atuam de forma competitiva com a acetilcolina na placa neuromuscular, ou antagonistas, por isso, são considerados reversíveis. Eles se ligam aos receptores de acetilcolina da placa motora, impe- dindo a abertura do canal iônico e o surgimento do potencial de ação. Inibidores da acetilcolinesterase (neostigmine) não são antagonistas especí!cos, mas abreviam os efeitos por evitarem a degrada- ção da acetilcolina por essa enzima, aumentando assim sua concentração na placa neuromuscular. Possuem ação mais longa que a Succinilcolina, por isso, são mais indicados na manutenção do bloqueio neuromuscular. Seus representantes são: Rocurônio, Pancurônio, Vecurônio, Cisatracúrio etc. O único que possui antagonista especí!co clinicamente disponível é o Rocurônio: trata-se do Sugammadex. DIA A DIA MÉDICO Bloqueadores neuromusculares são fármacos adjuvantes e não são substitutos dos anestésicos, pois não produzem inconsciência, amnésia ou analgesia. Produzem apenas relaxamento muscular e são usados basicamente em duas situações: relaxamento muscular intraoperatório e intubação traqueal. Fora da anestesia são usados em ambiente de terapia intensiva para facilitar ventilação mecânica. 6.2.1. Hipertermia maligna É uma condição que ocorre em pacientes suscetíveis (herança autossômica dominante), caracterizada por uma resposta hipermetabólica à exposição de algumas drogas anestésicas (Halotano, En"urano, Iso"urano e Succinilcolina). É uma condição latente, potencialmente letal, que se manifesta de imediato quando em contato com determinadas drogas anes- tésicas (principalmente a Succinilcolina), levando à hipertermia, contratura muscular excessiva, hiper- tensão e acidose grave. Sempre que o paciente apresentar elevação dos níveis de CO2 expirado à ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 55 capnogra!a (sinal mais precoce), trismo durante a IOT e febre no intra ou pós-operatório imediato, essa condição deve ser suspeitada. O diagnóstico de!nitivo se dá pela biópsia muscular. Entretanto, sempre que suspeitado, deve-se iniciar o tratamento com resfriamento corpóreo, suporte ventilatório e clínico e modi!car a técnica de manutenção anes- tésica para venosa total. 7. ANESTÉSICOS LOCAIS Os anestésicos locais são substâncias que levam à interrupção na condução do estímulo nervoso através do bloqueio reversível dos canais de sódio na membrana do nervo. Podem ser utilizados para procedimentos percutâneos (suturas, pequenas cirurgias), bloqueios nervosos regionais ou do eixo central (raquianestesia e peridural). A e!cácia dos anestésicos depende de: u Volume: Quanto maior o volume injetado, maior a área anestesiada. u Concentração: Quanto maior a concentração, maior a potência anestésica e menor o tempo de latência. u Solubilidade lipídica: Quanto maior a solubilidade, maior a passagem através da membrana nervosa e, consequentemente, maior e mais rápida a ação. u pKa: Os anestésicos são bases fracas, e, ao se- rem injetados, se comportarão em um equilíbrio entre formas não ionizadas (ativas) e ionizadas (não ativas). Por de!nição, pKa é o pH em que determinada substância estará metade em forma ionizada e metade não ionizada. Os anestésicos locais possuem pKa altos, ou seja, em ambien- tes de pH neutro, apresentam-se mais na forma ionizada (não ativa) do que não ionizada (ativa). Assim, quanto menor o pKa do anestésico, maior a sua potência, pois maior será sua proporção de forma ativa. É esse o motivo pelo qual os anestésicos têm pouca e!ciência em ambientes in"amados e com abscessos, ambientes de pH baixo (ácidos). Pelo mesmo motivo, a diluição do anestésico em solução com bicarbonato de sódio reduz a dor durante a infusão. A maior preocupação ao usar anestésicos locais está relacionada aos efeitos tóxicos sistêmicos, decor- rentes da infusão vascular inadvertida ou superdo- sagem. Os principais sintomas são neurológicos e cardiovasculares e dependem não apenas da sua concentração plasmática, mas da velocidade com que se estabelece essa concentração. O sintoma mais precoce é o formigamento da língua, lábios e gosto metálico. Distúrbios visuais, cefaleia, alte- rações na fala, convulsão, inconsciência, coma e parada cardiorrespiratória podem ocorrer em casos mais graves. O tratamento inicial visa manter oxige- nação cerebral, correção da acidose pela interrupção da infusão de anestésico local, suporte ventilatório, manobras de reanimação e benzodiazepínicos em caso de convulsão. Em casos de arritmias, deve-se lançar mão de amiodarona. A terapia com emulsão lipídica 20% reduz a concentração plasmática de anestésico local e deve ser infundida até a estabi- lização hemodinâmica. DICA 1Qual a dose máxima de lidocaína? - Sem vasoconstritor: 5mg/kg - Com vasoconstritor: 7mg/kg DICA 1Lidocaína a 2% signi!ca que há 20mg para cada ml de solução Lidocaína a 1%, 10mg/ml Os anestésicos locais podem ser associados a um vasoconstritor, levando à redução da velocidade de absorção (aumento do tempo de ação e redução da toxicidade) e redução do sangramento. A preo- cupação dessa mistura encontra-se na promoção de isquemia, principalmente quando infundido em extremidades como dedos, nariz e orelha. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 56 Tabela 2. Tabela comparativa dos anestésicos locais com valores aproximados para infusão intradérmica. Duração em horas Dose máxima sem adrenalina (mg/kg) Dose máxima com adrenalina (mg/kg) Lidocaína 1 a 4 4 7 Ropivacaína 4 a 12 3 — Bupivacaína 5 a 15 2 3 Fonte: Autor. REFERÊNCIAS 1. Pinheiro P. Tipos de anestesia – geral, local e raqui- diana e peridural. MD.Saúde. [Internet]. 2019. [citado em 2020 setembro]. Disponível em: https://www.mdsaude. com/2012/11/tipos-de-anestesia.html. 2. Gamermann PW, Stefani LC, Felix EA. Rotinas em aneste- siologia e medicina perioperatória. Porto Alegre: Artmed; 2017. 616 p. 3. Marciano ABL, Nunes RR. Bases do ensino da aneste- siologia. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Anes- tesiologia; 2017. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 57 QUESTÕES COMENTADAS (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – PI – 2021) Na utilização da lidocaína como anestésico local, para prevenir a toxicidade, devemos evitar utilização acima da dose máxima, que seria: A 0,5mg/kg sem vasoconstritor e 1mg/kg com vasoconstritor. B 1mg/kg sem vasoconstritor e 2mg/kg com va- soconstritor. C 3mg/kg sem vasoconstritor e 5mg/kg com va- soconstritor. D 5mg/kg sem vasoconstritor e 7mg/kg com va- soconstritor. E 7mg/kg sem vasoconstritor e 10mg/kg com va- soconstritor. Questão 1 (ASSOCIAÇÃO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE OURINHOS – SP – 2020) Os opioides são drogas muito utilizadas na analgesia pré-operatória. Sobre os opioides, as- sinale a CORRETA: A Náuseas e vômitos são efeitos pouco comuns após seu uso no pós-operatório. B A retenção urinária aguda é um efeito colateral comum, que pode ser resolvida com sondagem vesical de alívio ou uso de Naloxone. C São drogas hipnóticas que potencializam o re- ceptor GABA, por isso tem seu efeito analgésico importante. D Apesar de ser um analgésico potente, pode de- sencadear rigidez torácicano processo de indu- ção pré-operatória, por isso é contraindicado em pacientes queimados, pois provocam hipercale- mia despolarizante. Questão 2 (HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE BRASÍLIA – DF – 2020) Sobre os anestésicos inalatórios, assinale a CORRETA: A o óxido nitroso é o agente mais escolhido para indução anestésica de pacientes com hiperten- são intra-abdominal. B o halotano é o agente que apresenta alta bio- transformação, por isso deve ser evitado em pacientes que apresentem lesão hepatocelular. C o iso"urano é o agente que apresenta maior Concentração Alveolar Mínima (CAM), por isso é mais potente e sua ação é mais rápida quando comparado ao halotano. D o halotano é o agente que apresenta maior Con- centração Alveolar Mínima (CAM), por isso é considerado o agente inalatório mais potente. Questão 3 (ASSOCIAÇÃO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE OURINHOS – SP – 2021) Qual a droga de escolha para o tratamento de Hipertermia Maligna? A Naloxone B Dantrolene C Flumazenil D Gluconato de cálcio. Questão 4 (HOSPITAL DA AERONÁUTICA DE SÃO PAULO – SP- 2020) Ana- lise as a!rmações abaixo: I. Os anestésicos locais são aqueles capazes de impedir a despolarização do nociceptor, impedindo que a informação de dor alcance o sistema nervoso ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 58 central. POR QUE II Quando os canais de sódio são bloqueados, a despolarização não ocorre. A As duas a!rmações estão corretas e a segunda não justi!ca a primeira. B As duas a!rmações estão incorretas. C Apenas a a!rmação II está correta. D As duas a!rmações estão corretas e a segunda justi!ca a primeira. Questão 5 (HOSPITAL DO CÂNCER DE GOIÁS – GO – 2021) Após a indu- ção de uma anestesia eletiva, o anestesiologista depara-se com uma via aérea difícil não prevista, com falha de intubação na primeira tentativa. De acordo com o algoritmo proposto pela Socieda- de Americana de Anestesiologia (ASA) e adotado pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), o anestesiologista deverá buscar a A restauração da ventilação, seja retornando à ventilação espontânea, ventilando sob máscara facial ou inserindo um dispositivo extraglótico. B realização de nova laringoscopia antes de ven- tilar o paciente, pois o tempo é o fator mais im- portante durante uma intubação. C realização de traqueostomia em situação emer- gencial. D intubação com !broscópio, utilizando tubo orotra- queal de calibre inferior ao da tentativa anterior. Questão 6 (FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – SP – 2018) A utilização de anestésicos locais é prática frequente em Cirurgia Plástica, tanto em procedimentos de urgência quanto em cirurgias eletivas estéticas e reparadoras. Com relação ao uso dos anestésicos locais na prática cirúrgica, pode-se a!rmar que: A A solução de lidocaína com adrenalina pode ser utilizada até a dose máxima de 4-5 mg/kg de peso do paciente.Pode-se reduzir a sensibilidade dolorosa causada pela in!ltração de solução de lidocaína, aumentando-se seu pH. C A utilização de adrenalina na solução anestésica local é útil por reduzir o sangramento, embora não tenha in"uência na duração do efeito anestésico. D O uso da anestesia tumescente restringe a ad- ministração de doses máximas de lidocaína a 5 mg/kg de peso. Questão 7 (SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SINOP – MT – 2018) So- bre a associação entre anestésicos locais e vaso- constritores, assinale a alternativa com a sequência CORRETA: I. A adição de um vasoconstritor em dose ade- quada aumenta a absorção vascular do anes- tésico, permitindo a presença de menor quanti- dade deste no campo operatório, o que resulta em bloqueio mais e!caz e duradouro. (1); II. Uma vantagem da associação de vasoconstritor com anestésicos locais é a importante diminui- ção do sangramento na área operada. (1); III. Reações sistêmicas causadas pelos vasoconstri- tores são bastante comuns e facilmente confun- didas com manifestações psíquicas. Caracteri- zam-se por palidez e taquicardia, acompanhadas de ansiedade. (1); IV. O vasoconstritor menos empregado é a epine- frina, cujo efeito máximo é obtido na concen- tração de 1:200.000. (1) A V – V – V – F B V – F – V – F C F – V – F – V D F – V – V – F E V – F – F – V Questão 8 (HOSPITAL DE CÂNCER DE BARRETOS – SP – 2018) Assinale a alternativa INCORRETA com relação à Hipertermia Maligna: A É uma crise hipermetabólica potencialmente fatal. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 59 B A suscetibilidade à hipertermia maligna é herdada como uma doença autossômica recessiva com penetrância variável. C Manifesta-se durante ou após exposição a um anestésico geral de"agrador em indivíduos sus- cetíveis. D Calcula-se que ocorra em 1 em 30.000 a 50.000 adultos. Questão 9 (FACULDADE DE MEDICINA DO ABC – SP - 2018) Dentre os efeitos sistêmicos provocados pela raquianestesia, assinale a alternativa correta: A os efeitos gastrintestinais do bloqueio subarac- noideo são devidos ao bloqueio parassimpático B um bloqueio sensitivo em nível de T6 não pro- voca alterações cardiocirculatórias importantes C o bloqueio da condução da dor proporciona con- dições satisfatórias para realização de cirurgias D o principal efeito cardiovascular do bloqueio su- baracnoideo é a vasoconstrição periférica ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 60 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 !"#"$%&!'!(: Q Comentário: Na utilização da lidocaína como anes- tésico local, para prevenir a toxicidade devemos evitar utilização acima da dose máxima, que seria 5mg/kg sem vasoconstritor e 7mg/kg com vaso- constritor. A lidocaína é uma aminoetilamida e o protótipo dos anestésicos locais amídicos. É um fármaco com ligação amida de hidrofobicidade moderada. Sua ação possui início rápido e duração média (1-2 horas), com potência moderada. Possui um valor relativamente baixo de pKa e uma grande fração do fármaco encontra-se presente na forma neutra em pH !siológico. Isso resulta em rápida difusão da lidocaína através das membranas e em rápido bloqueio. A duração de ação da lidocaína baseia-se em dois fatores: a sua hidrofobicidade moderada e a ligação amida. A ligação amida im- pede a degradação do fármaco pelas esterases e a hidrofobicidade permite ao fármaco permanecer próximo à área de administração (no tecido local) por muito tempo. É uma opção alternativa para in- divíduos sensíveis aos anestésicos locais do tipo éster. Possui muitas aplicações clínicas como anes- tésico local e pode ser usada em quase todas as situações em que for necessário produzir anestesia local de duração intermediária. Isoladamente ou em combinação com outro anestésico, é o anestésico tópico mais utilizado. ! )(*+,*-':.D Questão 2 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: Os opioides são drogas muito usadas em terapia intensiva primariamente como analgé- sicos, entretanto, também podem potencializar o efeito sedativo de outros agentes. Os principais opioides utilizados são a mor!na, meperidina e fentanil. Independentemente da via de administra- ção, possuem como principais efeitos colaterais o risco de depressão respiratória, euforia, náuseas e vômitos, diminuição da motilidade intestinal, reten- ção urinária, prurido, sedação e potencialização de outros fármacos. Entre os opioides citados, a mor- !na está associada com a maior incidência desses efeitos colaterais. Apesar de esses efeitos serem facilmente manejados com medidas como admi- nistração de oxigênio ou sondagem vesical, o prin- cipal antagonista puro dos opioides é a naloxona. Alternativa A: INCORRETA. Náuseas e vômitos são efeitos muito comuns após o uso de opioides, po- dendo ser manejado com a administração prévia de metoclopramida ou outros agentes antieméticos. Alternativa B: CORRETA. De fato, a retenção urinária agudapode ocorrer após o uso de opioides, visto que esses medicamentos agem na medula espi- nhal sacral, levando à inibição do sistema nervoso parassimpático e por consequência, relaxamento do músculo detrusor, aumentando a capacidade da bexiga. Na maioria dos casos, a retenção urinária aguda é resolvida com sondagem vesical de alívio, mas em casos refratários pode-se usar o Naloxone, antagonista dos opioides. Alternativa C: INCORRETA. Os opioides agem em três tipos de receptores: mu, delta e kappa. Os recep- tores mu são os mais signi!cativos na ação anal- gésica, mas os do subtipo delta e kappa partilham de algumas funções. Alternativa D: INCORRETA. Alguns opioides podem desencadear síndrome da rigidez da parede torá- cica. Entretanto, os opioides são muito utilizados nos pacientes queimados. Não confunda as dro- gas! É a Succinilcolina, um bloqueador muscular ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 61 despolarizante, que pode provocar hipercalemia, devendo ser evitada em pacientes queimados. ! )(*+,*-':.B Questão 3 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Comentário: Questões abordando a anestesiologia inalatória não são comuns nos concursos de resi- dência médica. Apesar disso, esses fármacos são muito utilizados nos procedimentos cirúrgicos e o conhecimento dos anestésicos inalatórios tem se desenvolvido muito desde o início do seu uso em 1844 com o óxido nitroso, até diversos fármacos mais potentes e com maior per!l de segurança. Diversos aspectos acerca da farmacodinâmica e farmacocinética dos anestésicos inalatórios devem ser considerados, como a capacidade de difusão dessas substâncias através dos capilares (levan- do ao equilíbrio do sistema pulmão-circulação) e a concentração alveolar média (CAM). A CAM é a concentração necessária de um fármaco para dei- xar 50% da população insensível ao estímulo do- loroso. Se um anestésico volátil não for potente o su!ciente para levar à analgesia e sedação, ele não poderá ser utilizado de forma isolada para manter a anestesia do paciente, uma vez que a elevação excessiva da concentração alveolar do anestésico volátil causa redução correspondente da fração inspiratória de O2. Alternativa A: INCORRETA. O óxido nitroso é pouco uti- lizado de forma isolada hoje em dia para a indução e manutenção anestésica por apresentar uma CAM muito elevada. Por isso, normalmente ele é usado apenas como adjuvante, com o intuito de agir como agonista de outras substâncias, reduzindo a dose de anestésicos necessárias para levar à anestesia. No caso especí!co da hipertensão abdominal, é necessária a realização de uma anestesia que pre- serve a estabilidade hemodinâmica, uma vez que a piora da hipotensão nesses pacientes causa re- dução da perfusão dos órgãos intra-abdominais, tornando o óxido nítrico um anestésico ruim para esses pacientes. Alternativa B: CORRETA. O halotano é um agente de alta transformação hepática, gerando um metabólito altamente tóxico. Ele causa hepatite leve em 20% dos pacientes e alterações hepáticas graves a cada 10 mil exposições, por isso ele é contraindicado em pacientes que apresentam lesões hepatocelulares. Outra contraindicação desse fármaco é a história de hipertermia maligna. Alternativa C: INCORRETA. Quanto maior a CAM, menor a potência do agente anestésico, portanto o agente com maior CAM é o que apresenta a menor potên- cia anestésica, visto que ele precisa de uma maior concentração alveolar para levar à anestesia. Dito isto, o anestésico inalatório que apresenta a maior CAM é o óxido nítrico. Alternativa D: INCORRETA. O halotano é o agente anestésico inalatório mais potente por apresentar a menor CAM (de apenas 0,75% em pacientes de 40 anos). ! )(*+,*-':.B Questão 4 !"#"$%&!'!(: Q Comentário: A hipertermia maligna é uma síndrome muscular hereditária, fármaco-induzida, principal- mente por agentes inalatórios (halotano, iso"urano) e succinilcolina. Caracteriza-se por acidose meta- bólica, hipercalemia e hipercalcemia, hipertermia, bem como possível rabdomiólise. A conduta preco- nizada é cessar a exposição, administrar anestesia alternativa, hiperventilar o paciente com O2 a 100%, administrar bicarbonato e utilizar o antídoto DAN- TROLE. Este deve ser utilizado na dose de ataque de 2,5 mg/kg, com nova dose a cada 5 minutos. Posteriormente, faz-se 1-2 mg/kg até o desapare- cimento dos sintomas. ! )(*+,*-':.B Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: Os anestésicos locais agem bloquean- do a ação de canais iônicos na membrana celular neuronal, impedindo a neurotransmissão do poten- cial de ação, inclusive o nociceptivo, impedindo que o estímulo sensitivo chegue ao SNC e seja cons- ciente ao paciente. A forma ionizada do anestési- co local liga-se de modo especí!co aos canais de sódio, inativando-os e impedindo a propagação da despolarização celular. Porém, a ligação especí!ca ocorre no meio intracelular, por isso é necessário ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cirurgia geral 62 que o anestésico local em sua forma molecular ultrapasse a membrana plasmática para, então, bloquear os canais de sódio. Sabendo desse meca- nismo de ação, podemos dizer que: os anestésicos locais são aqueles capazes de impedir a despolari- zação do nociceptor, impedindo que a informação de dor alcance o sistema nervoso central PORQUE quando os canais de sódio são bloqueados, a des- polarização não ocorre. Alternativa A INCORRETA. A segunda justi!ca a pri- meira. Alternativas B e C INCORRETAS. As duas a!rmações estão corretas. Alternativa D CORRETA. ! )(*+,*-':.D Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: Os primeiros passos no manuseio são: otimizar a posição do paciente e o uso de vias aéreas acessórias, como a orofaríngea e a nasofaríngea, a aplicação contínua de pressão positiva, checar a profundidade da anestesia, do relaxamento muscular e reduzir a pressão cricoidea. Se a di!culdade per- manecer, por exemplo, se a saturação está caindo ou há pouco dióxido de carbono sendo expirado, de- ve-se pedir ajuda para permitir a técnica com duas pessoas (quatro mãos), mudar o operador e pedir os dispositivos para vias aéreas difíceis. Caso isso não melhore a situação, e a saturação esteja <90%, deve-se considerar uma MV impossível. ! )(*+,*-':.A Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: O valor do pKa de um anestésico local está relacionado com o pH que o anestésico se en- contra, metade em sua forma ionizada (hidrossolú- vel) e metade na forma não ionizada (lipossolúvel). Para que os anestésicos locais exerçam sua ação, através do bloqueio dos canais de sódio dos neurô- nios, é necessário que o anestésico entre na célula (seja lipossolúvel). Quando o anestésico local se encontra em um meio menor que seu pKa (meios ácidos), ele tende a ionizar-se mais e exercer menor ação local. Quando colocado em meio básico, ele se ionizará menos e exercerá maior ação. Alternativa A: INCORRETA. A solução de lidocaína com adrenalina pode ser utilizada até a dose máxima de 7 mg/kg. Quando não se associa vasoconstritor, a dose é menor devido à maior disseminação sistê- mica da droga, sendo a dose máxima preconizada de 4 mg/kg. Alternativa B: CORRETA. Quanto maior o pH, mais bá- sico !ca o meio e menos ionizado !ca o anestésico local, exercendo maior efeito. Alternativa C: INCORRETA. O uso de vasoconstritor aumenta a duração do anestésico local, pois dimi- nui sua absorção sistêmica. Alternativa D: INCORRETA. A anestesia tumescente é uma técnica que envolve a injeção de anestésico local de forma diluída, apresentando menos rea- ções adversas ao paciente. Dessa forma, pode ser utilizada em concentrações um pouco maiores. ! )(*+,*-':.B Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Comentário: A absorção sistêmica dos anestésicos locais é determinante na sua farmacocinética. O uso de vasoconstritores associados aos anesté- sicos locais diminui o sangramento locale, além disso, diminui a absorção sistêmica da droga, au- mentando a duração da anestesia e podendo ser aplicada em concentrações maiores sem desen- cadear intoxicação. Assertiva I: FALSA. O uso de vasoconstritor diminui a absorção sistêmica do anestésico local. Assertiva ll: VERDADEIRA. O uso de vasoconstritores diminui o sangramento local. Assertiva lll: VERDADEIRA. A intoxicação por anes- tésicos locais pode desencadear principalmente sintomas neurológicos e cardiovasculares. Dentre eles, dormência perioral, gosto metálico, tontura, zumbido e alterações visuais são comuns, poden- do ser confundidos com manifestações psíquicas. Assertiva IV: FALSA. A epinefrina é o vasoconstritor mais utilizado em anestésicos locais. ! )(*+,*-':.D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 63 Questão 9 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: A hipertermia maligna é uma patologia hereditária autossômica dominante caracterizada por uma crise hipermetabólica que ocorre após ex- posição a determinadas medicações, como anes- tésicos inalatórios halogenados e relaxantes mus- culares despolarizantes. Alternativa A: CORRETA. Essa é a complicação que, apesar de rara, é a mais temida pelos anestesiolo- gistas, pois é potencialmente fatal. Alternativa B: INCORRETA. A herança é autossômica dominante. Alternativa C: CORRETA. Vide dica do autor. Alternativa D: CORRETA. É uma patologia rara. ! )(*+,*-':.B Questão 10 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Comentário: A raquianestesia promove bloqueio do neuroeixo (sensitivo, motor e autonômico), gerando analgesia, relaxamento e diminuição da resposta do sistema nervoso simpático. Alternativa A: INCORRETA. Esse efeito é decorrente do bloqueio simpático. Alternativa B: INCORRETA. Um bloqueio acima de T6 é considerado alto e é responsável por desenca- dear manifestações cardiovasculares importantes, como hipotensão. Alternativa C: CORRETA. Esse é um dos efeitos da raquianestesia. Alternativa D: INCORRETA. O principal efeito cardio- vascular é a vasodilatação, tendo em vista que há bloqueio do tônus simpático. ! )(*+,*-':.C ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia 64 Cirurgia geral Anestesia Mapa mental Sedação Re"exos protetores preservados pcte responde a comandos verbais depressão do estado de consciência ventilação permanece expontânea ventilação expontânea comprometida / insu!ciente necessita de auxílio ventilatorio Inconsciência + analgesia Bloqueio da resposta motora a dor incosciência e relaxamento muscular promovida por drogas inalatórias e endovenosas despertar da anestesia perda do "drive respiratório" mantém o paciente inconsciente e sem dor Pcte assume função respiratória Recuperação do nível de consciência Leve Moderada Profunda A. geral RecuperaçãoManutenção Fases Indução ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 65 Mapa mental (continuacão) Bloqueio neuroaxial Bloqueio regional Índice Bi-expectral -Se muito super!cial --> despertar transoperatório -Se muito profundo --> danos C.V e neurológicos -Ideal --> BIS entre 40 e 60 memória explícita estresse pós traumático bloqueio e analgesia de : -plexos nervosos -nervos periféricos bloqueio reversível de canais de Na+ E!cácia depende de: -massa -volume -concentração -solubilidade lipídica -toxicidade e pka Sem vaso: 4-5 mg/kg Com vaso: 7 mg/kg Complicações -SNC: convulção -CV: hiportensão e arritmias cirurgias do andar inferior do abd e mmii espaço peridural anestésico no espaço subaracnoideo bloqueio de tônus cimpático punção lombar instalação lenta e menos previsível baixas doses para ter efeito complicação : cefaléia pós punção complicação : cefaléia pós punção Complicações Raiz nervosa espinhal Raquidiana Peridural Anestesia local Doses ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia 66 Cirurgia geral Drogas Anestésicas Endovenosos Halotano Receptores GABA- A Receptor Gaba A sedação super!cial e analgésicaprocedimentos endoscópicos e sedação em geral proteção do SNC estabilidade hemodinâmica não usar em casos de SEPSE (supressão adrenal) Ação vasoconstritora efeito hipótico e Utilizada no choque circulatório, hemorragico e pctes com SEPSE sedativo potentes efeito colateral: Propofol Cetamia Etomidato En"urano Iso"urano Sevo"urano Des"urano Inalatórias Mapa mental ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Princípios da anestesia Cap. 2 67 Dexnedetomidina Agonistas do receptor GABA Antídoto: Flumazenil Atuam nos receptores do SNC Mor!a Oxicodoa Tramadol Remifentanil Fentanil Sufentanil Codeína Despolarizantes Ansiolíticos Amnésicos Anticonvulsivantes Analgesia importate Midazolam (ação curta) Lorazepam (ação interm.) Diazempam (ação lomnga) Benzodiazepínicos Opióides Bloqueadores neuromusculares Subtipos: 2A - analgesia, sedação, hipnose 2B - hipnose 2C- analgesia + hipotermia Efeitos: -sedativo -simpatolítico -ansiolítico -hipnótico -analgésico não- competitivos: -succinilcolina competitivos : -rocurônio -pancurônio -vecurônio -cisatracúrio receptores nicotínicos Receptor Alfa 2 agonista seletivo Subtipos: Mapa mental (continuacão) ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Fixe seus conhecimentos! 68 FIXE SEU CONHECIMENTO COM RESUMOS Use esse espaço para fazer resumos e !xar seu conhecimento! _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 69 Capítulo 3 RESPOSTA METABÓLICA E NUTRIÇÃO EM CIRURGIA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Na vigência de um trauma ao organismo, ele responde com alterações endócrinas, metabólicas e imuno- lógicas. Nesse contexto, você deve saber identi!car os principais hormônios que exercem papel central nessa resposta, bem como as principais consequências clínicas (processo catabólico) provocadas por essas reações metabólicas. u De suma importância também é o manejo do status nutricional do indivíduo. Procure saber as formas de manutenção desse status tanto previamente ao trauma quanto posteriormente, assim como é relevante identi!car as indicações de cada via de alimentação, além das complicações relacionadas à nutrição parenteral. 1. RESPOSTA ENDÓCRINO- METABÓLICA IMUNOLÓGICA AO TRAUMA !REMIT" Todo trauma, toda agressão que leve a uma resposta in"amatória, não importa sua etiologia (cirúrgico, físico, infeccioso etc.), gera no corpo uma série de alterações que têm o objetivo !nal de reparar a lesão e restaurar a homeostase do organismo. Através de complexas interações coordenadas entre as vias metabólicas, endócrinas e imunoló- gicas, o corpo se mobiliza para fornecer nutrientes necessários ao reparo tecidual e à conservação do volume intravascular. O principal de"agrador da REMIT é o trauma teci- dual, e sua intensidade será proporcional ao trauma sofrido e à quantidade de tecido lesado. Grandes queimaduras com comprometimento de extensa superfície corporal e politraumas complexos levam à maior intensidade de REMIT do que traumas cirúr- gicos planejados, especialmente procedimentos menos invasivos, como videolaparoscopia. Ape- sar de ser um processo !siológico, a depender da extensão do trauma, a REMIT pode ser de tamanha intensidade que “sai do controle” e se torna malé!ca, gerando prejuízos ao organismo. O estado metabó- lico prévio do indivíduo tem importante in"uência nessa modulação. Nesses casos, a intervenção médica se faz imprescindível para a manutenção da vida. A lesão celular provoca alterações celulares diver- sas, que causam o aumento da permeabilidade da membrana celular e a liberação de substâncias intra- celulares que executam diversas ações. O aumento da permeabilidade vascular possibilita a perda de plasma sanguíneo no local do traumatismo, onde se acumulam substâncias e há formação do edema. 1.1. RESPOSTA IMUNOLÓGICA BASES DA MEDICINA A resposta inicial do organismo ao trauma cirúrgico é a in"amação aguda. As células participam de modo ativo e importante dessa resposta in"amatória, seja atuando diretamente nesse processo, com fagocitose de partículas ou de microrganismos (ação de neutró!los), ou por ação bioquímica com a produção, armazenamento e liberação de mediadores in"amatórios, que agem em diferentes etapas da resposta ao trauma. #$%&'()*+#,/%'-.,/0*+#, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 70 Cirurgia geral 1.1.1. ATUAÇÃO DO ENDOTÉLIO A lesão de células endoteliais desencadeia uma cascata de reações fundamentais à in"amação. Quando estimuladas por citocinas ou traumas, elas podem sintetizar citocinas e mediadores in"ama- tórios, como: prostaglandinas, tromboxano e fato- res de ativação plaquetária. Tais substâncias são responsáveis por auxiliar na coagulação, aumentar a permeabilidade vascular, facilitar a migração e a adesão de leucócitos. A resposta imunológica ao trauma está intimamente ligada à neuroendócrina e, em diversos momentos, elas se estimulam mutuamente. De forma geral, a resposta imunológica possui duas fases, iniciando pela curta atuação da resposta inata (neutró!los, macrófagos, células NK, sistema complemento etc.) e seguindo com a longa resposta adaptativa. No processo in"amatório pós-traumático, a ativação dos neutró!los e monócitos (que irão se diferenciar em macrófagos) é um dos primeiros acontecimen- tos. Essas células são as responsáveis por produzir uma série de citocinas que, através de ação local e sistêmica, irão coordenar a resposta in"amatória. u Fator de necrose tumoral alfa (TNF-1): também conhecido como catequina, é um mediador libe- rado por macrófagos ativados que têm a função de estimular as defesas imunológicas. Estimula a liberação de outras citocinas como as interleucinas 1, 6 e 8, além de auxiliar na liberação de agentes oxidantes. Em suma, sua atuação culmina com o aumento da atividade fagocitária, ativação do complemento, produção de colagenase, ação tóxica no endotélio e perpetuação na resposta in"amatória. Pode ser inibido através de anticor- pos monoclonais, anti-in"amatórios e cortisol. u Interleucina-1 (IL-1): Produzida por macrófagos, linfócitos e células epiteliais, é responsável pela estimulação de produção hepática de proteínas de fase aguda, TNF, IL-6 e IL-8. Está relacionada com a indução da febre através da associação com as prostaglandinas. u Interleucina-2 (IL-2): Estimula a resposta in"a- matória, tanto inata quanto adaptativa. Atua na liberação do TNF-1. u Interleucina-4 (IL-4): Inibe a ativação do macrófa- go, inibindo assim a proliferação de !broblastos e a formação de colágeno. Possui ação anti-in- "amatória. u Interleucina-6 (IL-6): Estimula o eixo hipotálamo– hipó!se– adrenal, e é conhecida por seu papel na indução da febre. Pode ser usada como quan- ti!cador da in"amação. u Interleucina-8 (IL-8): Quimiotático para neutró- !los e linfócitos, estimula o surto oxidativo por neutró!los e promove angiogênese. u Interleucina-10 (IL-10): Inibidor de macrófagos e neutró!los. É a citocina anti-in"amatória mais potente, com papel fundamental no balancea- mento e controle da in"amação. u Interferon (IFN): Existem 3 tipos (1, 2 e 3): Todos são importantes agentes pró-in"amatórios que promovem liberação de TNF, IL-1 e IL-6. Aumen- tam a capacidade fagocítica de macrófagos e reduzem a replicação viral. 1.1.2. PROTEÍNAS DE FASE AGUDA Durante a fase inicial da in"amação, o fígado, esti- mulado pelo IL-6, produz uma série de proteínas que vão ter diversas funções !siológicas no sistema imune. Clinicamente, a proteína C reativa tem uma importante função por servir de quanti!cador da resposta in"amatória. Além dela, fatores do com- plemento, ceruloplasmina e ferritina fazem parte desse grupo. 1.2. RESPOSTA METABÓLICA Após o trauma, o corpo busca, através da ativação de vias catabólicas, disponibilizar todo o suprimento energético possível para manter a população de células in"amatórias e garantir o reparo tecidual necessário. A glicose é a primeira, e mais e!ciente, linha energética. Armazenada na forma de glico- gênio no fígado (principalmente) e músculos, ela é quebrada através da glicogenólise e será a principal fonte energética pelas primeiras 12 a 24 horas, entretanto, seus estoques são limitados, e outras fontes energéticas são necessárias. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 71 Após o uso de todo glicogênio como substrato energético, as vias de gliconeogênese são ativadas. A quebra do tecido adiposo (lipólise) é uma alter- nativa. Sua quebra fornece 9 kcal por grama, além de ácidos graxo livres(importante fonte de energia para o sistema nervoso central e miocárdio, através da transformação hepática dessa substância em corpos cetônicos) e glicerol, substrato para glico- neogênese. A quebra das proteínas também leva à produção calórica, 4 kcal por grama. Apesar de não ser prioridade energética, a proteólise acontece em situações de estresse ou ausência de outras fontes energéticas. Além das calorias, a quebra de proteínas fornece aminoácidos fundamentais à gliconeogênese. Nesse contexto, é válido ressaltar a importância da alanina (transformada em glicose através do ciclo de Felig) e glutamina (utilizada pelos enterócitos como imunonutriente), que, devido às suas diversas funções no metabolismo, podem encontrar-se criticamente depletadas. Algumas células do nosso corpo (a exemplo dos neurônios) não têm a capacidade de realizar a quebra da proteína ou lipídios, !cando reféns da glicose para produção energética. Nesses casos, quando não há mais glicose ou glicogênio disponível, nosso corpo inicia o processo de gliconeogênese, reação que, apesar de energeticamente ine!ciente, transforma aminoácidos, lactato (através do ciclo de Cori) e glicerol em glicose. 1.2.1. FASES CATABÓLICA E ANABÓLICA Conceitualmente, costuma-se dividir a REMIT em duas fases. A primeira, conhecida como fase cata- bólica, tem início no momento do trauma e duração até 3º ou 5º dia (variável, a depender da extensão do trauma). É o momento de intenso catabolismo. Todo o metabolismo está ativado para aumentar o aporte de nutrientes e tentar restabelecer a homeostase. É quando agem os principais hormônios, citocinas in"amatórias e proteínas de fase aguda vistas aqui. De forma geral, na fase catabólica, encontramos um paciente que apresenta: u Febre u Taquicardia u Oligúria u Hiperglicemia u Redução da massa magra u Amenorreia A fase anabólica, que pode durar até um ano, é marcada pela reconstituição das reservas gastas na primeira reconstrução plástica, cicatrização de feridas e consolidação de suturas. Ela pode ser subdividia em duas fases: u Glicogênica (precoce): fase inicial com balanço nitrogenado positivo, com reconstituição do te- cido muscular, aumento de força muscular, peso, recuperação do apetite e desejo de reintegração ao meio. u Lipogênica (tardia): ganho ponderal principalmente à custa de tecido adiposo (anabolismo lipídico), balanço nitrogenado normal e normalização das funções vitais. 1.3. RESPOSTA ENDÓCRINA 1.3.1. CORTISOL E ACTH Imediatamente após o trauma, estímulos sensoriais vão ao hipotálamo e provocam a liberação do Hor- mônio Liberador da Corticotro!na (CRF), este vai agir na hipó!se, levando à produção e secreção da Corticotro!na (ACTH), por sua vez, o ACTH vai agir no córtex da suprarrenal, estimulando a secreção do cortisol. O cortisol é um dos primeiros e mais importantes hormônios a se elevar. Por de!nição, o cortisol é um hormônio catabólico, e sua ação se concentra na mobilização de proteínas para realização de gliconeogênese e formação de proteínas de fase aguda. De forma geral, o cortisol atinge seu pico nas primeiras 24 horas e tende a normalizar em cinco dias. Entretanto, em situações de croni!cação da in"amação, a manutenção dos altos níveis de cor- tisol pode levar à perpetuação da fase catabólica. A incapacidade de produzir cortisol em resposta a traumas in"amatórios é uma condição grave que leva a choque circulatório e óbito, caso não haja suplementação externa. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 72 Cirurgia geral 1.3.2. CATECOLAMINAS As catecolaminas (adrenalina/epinefrina e noradre- nalina/norepinefrina) são neuro-hormônios que se elevam acentuadamente nas primeiras 48 horas após o trauma. Além da importante estimulação car- díaca e vasoativa, mantendo a volemia e a perfusão tecidual, as catecolaminas têm função metabólica. Estimulam ainda mais a produção de ACTH e agem em sinergia com o cortisol. Estimulam a glicólise, glicogenólise e a gliconeogênese. Aumentam a liberação de aminoácidos e de ácidos graxos. As catecolaminas são as responsáveis pela aperistalse intestinal encontrada nos dias iniciais da REMIT. Em grandes traumas, como os pacientes queimados, é a perpetuação dos altos níveis de catecolaminas que leva ao estado hipermetabólico. 1.3.3. GLUCAGON Hormônio hiperglicemiante produzido pelas célu- las alfa do pâncreas, é o principal estimulador da glicogenólise e gliconeogênese. 1.3.4. INSULINA Importante hormônio anabólico que leva ao arma- zenamento de glicose na forma de glicogênio, for- mação proteica e lipídica. Em consonância com as outras ações hormonais, a insulina mantém-se baixa nos dias iniciais após o trauma para elevar a glicemia. A hipoinsulinemia é decorrente da supres- são pelos hormônios contrainsulínicos e tende a se normalizar após a fase catabólica. 1.3.5. HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (ADH) Como já conhecemos e o próprio nome já diz, o ADH vai aumentar a reabsorção hídrica nos rins, reduzindo o débito urinário e preservando um maior volume plasmático. Para ajudar nessa tarefa, o ADH se eleva nos primeiros 5 dias e também eleva a vasoconstricção esplâncnica. 1.3.6. ALDOSTERONA A queda do volume intravascular, devido ao aumento da permeabilidade vascular e sequestro para o ter- ceiro espaço, é o principal responsável pela ativação do eixo renina–angiotensina–aldosterona. Junto com o ADH, este mineralocorticoide produzido pela suprarrenal age na manutenção do volume plasmático. Atua conservando sódio e eliminando potássio e hidrogênio. Devido à ação conjunta do ADH e aldosterona, a urina após o trauma, além de reduzida, se encontra com baixa concentração de sódio e alta concentração de potássio. Outro efeito encontrado é uma tendência à alcalose mista: alcalose metabólica em consequência da elimi- nação de hidrogênio e alcalose respiratória pela hiperventilação. 1.3.7. HORMÔNIO DO CRESCIMENTO (GH) Apesar de ser um hormônio anabólico, o GH apre- senta um pico nas primeiras 24 horas após o trauma. Sua elevação é decorrente de diversos estímulos e, apesar das ações anabólicas no metabolismo proteico, ele tem uma função catabólica junto aos carboidratos e lipídios. Além disso, na REMIT, o IGF-1, principal executor do anabolismo estimulado pelo GH, !ca suprimido pelas catecolaminas. 1.3.8. HORMÔNIO TIREOIDIANO Mantendo o sentido da preservação energética, nas primeiras 24 horas após o trauma acontece uma queda nos níveis de T3, relacionada à redução da conversão periférica e aumento do turnover hormo- nal. A manutenção dos níveis normais de TSH se deve à alteração na regulação dos mecanismos de retroalimentação, envolvendo a expressão gênica de TRH. Essa situação é comumente chamada de eutireoideo doente. 1.4. MODULAÇÃO DA REMIT Como falado anteriormente, a REMIT é proporcional ao trauma tecidual, por isso, a redução na ferida ope- ratória e a manipulação cirúrgica são as principais medidas para controlar a resposta in"amatória ao trauma. A utilização da videolaparoscopia é uma técnica efetiva nesse sentido e deve ser empre- gada sempre que possível, pois modula a resposta imunológica ao trauma. A utilização excessiva do bisturi elétrico segue o mesmo raciocínio, sendo desencorajada a cauterização excessiva. Cirurgias ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 73 planejadas também levam ao melhor controle da REMIT, uma vez que é possível fazer a devida ava- liação e correção dos distúrbios pré-operatórios. A anestesia tem grande in"uência na modulação REMIT. Sua atuação vai desde a utilização de medi- das ansiolíticas pré-operatórias até técnicas espe- cí!cas, como anestesia peridural e epidural que atenuam a resposta endócrina por bloquear as vias aferentes (neuroeixo), reduzindo a produção de ACTH, cortisol, ácidos graxos livres e aldosterona.DIA A DIA MÉDICO No dia a dia do cirurgião, é importante que ele respeite princípios técnicos fundamentais, para que a agressão cirúrgica seja a menor possível. Entre esses princípios, destacamos: W Manipulação correta e cuidadosa das estruturas orgâ- nicas, que resulta em menor tempo de cirurgia W Escolha correta da via de acesso, procurando o cami- nho mais e!ciente e menos agressivo possível W Hemostasia correta, individualizada e precisa, para que haja a menor perda hemorrágica possível W Cautela com o uso do bisturi elétrico, pelo risco de traumas térmicos e elétricos W Rigoroso cuidado com a assepsia 2. SUPORTE NUTRICIONAL Dé!cits nutricionais ocasionam di!culdade na cica- trização, alterações na resposta imune, catabo- lismo exacerbado, aumento na disfunção orgânica, atraso na recuperação e, em último caso, maior mortalidade. Por isso, todo paciente internado deve ser avaliado quanto ao status nutricional e ter sua meta calórica alcançada, especialmente aqueles na vigência de um processo in"amatório (causado por trauma ou doença clínica). O jejum deve ser evitado ao máximo e todo paciente deve ter uma via de alimentação. Pacientes cirúrgi- cos devem retomar a alimentação o quanto antes, de acordo com sua aceitação. A progressão da consis- tência da dieta deve ser avaliada diariamente, e sua não aceitação ou presença de vômitos devem ser vistas como um sinal de alarme. Nesses casos, deve- -se interromper a progressão e avaliar a presença de complicações operatórias. Como já discutido no capítulo de complicações cirúrgicas, anastomoses intestinais não são contraindicações absolutas para alimentação oral ou enteral. 2.1. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Existem diversos métodos que objetivam a quanti!- cação das reservas de nutrientes de cada paciente. O primeiro e mais importante será sempre anam- nese e exame físico. Histórico de perda de 10% do peso não intencionalmente, anorexia, fraqueza com incapacidade para realizar atividades diárias, IMC <18,5 ou 20% abaixo do peso ideal podem ser sinais de desnutrição. Ferramentas complementares como a bioimpedância podem ser utilizadas para alcançar valores mais exatos. Marcadores laboratoriais também podem ser de grande ajuda para avaliar o status nutricional do paciente. Classicamente, a quanti!cação da albu- mina e transferrina são utilizadas em tal função, entretanto, por possuírem uma meia-vida relativa- mente longa (15 a 20 dias e 8 a 10 dias, respecti- vamente), podem não representar a real situação. A pró-albumina tem sido usada em seu lugar por possuir meia-vida menor (3 dias). Atualmente, a calorimetria indireta é a melhor ferra- menta para quanti!cação dos gastos energéticos. Através da quanti!cação do oxigênio e gás carbô- nico trocados na respiração, é possível fazer uma estimativa de qual foi a produção calórica, uma vez que o O2 é consumido e o CO2 liberado durante a respiração celular. 2.2. PRÉ-OPERATÓRIO O suporte nutricional deve ser considerado no pré- -operatório para todos os pacientes em risco nutri- cional, mesmo que, para isso, a cirurgia tenha que ser atrasada em até 14 dias (quando possível esperar): u Desnutrição u Perda de 10 a 15% de peso em 6 meses ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 74 Cirurgia geral u Albumina <3 u Transferrina <200 Em cirurgias eletivas, o dé!cit metabólico se inicia antes mesmo do ato cirúrgico, com o jejum pré-ope- ratório. O catabolismo é agravado com a resposta in"amatória do trauma cirúrgico e acentuado ainda mais com o jejum pós-operatório. Por isso, garantir o adequado estado nutricional é fundamental. A ingesta de líquidos claros até duas horas antes da cirurgia é segura e é uma das estratégias para com- bater o catabolismo proteico. A ingesta de líquidos ricos em carboidratos nas 24 horas anteriores à cirurgia comprovadamente reduz a perda muscu- lar. Estratégias com dietas imunomoduladoras por cinco a sete dias antes e após o procedimento são recomendadas. 2.3. VIAS DE ALIMENTAÇÃO 2.4. DICA 4Para a prova (e para a vida!), sempre pensar na via de alimentação mais !sioló- gica possível como resposta correta A via preferencial de alimentação é a oral. Quando impossibilitada por sedação, sequelas neurológicas ou por não alcançar a meta nutricional, o próximo passo será a infusão de dieta via enteral através de sondas. As sondas podem ser posicionadas através do nariz e da boca, chegando ao estômago, duodeno ou jejuno. De forma geral, utiliza-se a sonda nasoentérica por garantir mais conforto ao paciente e evitar a distensão gástrica, entretanto, as especi!cidades que indicam cada uma delas devem ser avaliadas caso a caso. Para pacientes com previsão de manter a dieta via sonda por mais de 4 semanas, é indicada a avaliação e confecção de uma gastrostomia como via alimentar. As dietas oral e enteral têm uma grande vantagem em relação à nutrição parenteral: além do suporte nutricional, proporcionam a homeostase do trato gastrintestinal, mantendo o tro!smo da mucosa, "uxo sanguíneo, "ora intestinal e reduzindo a pos- sibilidade de translocação bacteriana. Pacientes com instabilidade hemodinâmica e uso de altas doses de droga vasoativa (>0,5 mcg/kg/min) não podem receber dieta enteral devido à má perfusão tecidual do intestino. 2.5. NUTRIÇÃO PARENTERAL !NP" A nutrição parenteral é de!nida como o forneci- mento de nutrientes de forma total ou parcial atra- vés de acessos venosos. Foi um grande avanço na medicina, pois permitiu que pacientes sobrevivam mesmo com o trato gastrintestinal não funcionante. A fórmula pode variar, mas o padrão é composto 60 a 70% por dextrose, 10 a 20% aminoácidos, 10 a 30% de lipídios, além de vitaminas e outros micronutrientes. A depender da osmolaridade da dieta, ela pode ser infundida em veia periférica ou central. Quando feita através do acesso central, é importante veri!car que a extremidade do cateter esteja na veia cava. Por ser a última escolha como via alimentar, as indi- cações para a nutrição parenteral são compostas pelas contraindicações a outras vias alimentares: u Íleo paralítico e jejum prolongado u Fístulas gastrintestinais Ultimamente, devido à redução dos seus custos e maior con!ança na técnica o uso da NP, tem se tornado mais permissiva, sendo iniciada de forma mais precoce (primeiras 48 ou 72 horas) e até em conjunto com a nutrição enteral para suplementar a oferta calórica. As maiores complicações associadas à dieta paren- teral têm relação com o procedimento de passagem do acesso venoso central: pneumotórax, hematoma, trombose e infecção. É interessante ressaltar que os cateteres utilizados para NP têm uma taxa de infecção superior àqueles utilizados com outras !na- lidades. Esse fato decorre do fato de que a solução infundida fornece melhor meio para o crescimento bacteriano. Além disso, a utilização de NP leva ao aumento da resposta in"amatória. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 75 DIA A DIA MÉDICO REPERCUSSÕES DA DESNUTRIÇÃO CRÔNICA As manifestações da desnutrição são mais evidentes quando a perda involuntária de peso é maior do que 10% do peso corpóreo. Nesses momentos, o indivíduo já apresenta perda de massa muscular, redução de funções respiratórias e cardíacas, diminuição da massa visceral digestiva, com diminuição dos processos digestivos e absortivos, maior permeabilidade do intestino, o que aumenta a chance de antígenos e microrganismos pas- sarem pelo intestino. Quando a perda ponderal chega a 15% em seis meses, isso é indicativo de desnutrição grave. A cicatrização das feridas !ca comprometida, o que favorece a ocorrência de deiscência e posterior fístula de anastomoses e má cicatrização da ferida operatória. Há diminuição expressiva da função do sistema imunoló- gico, especialmente da imunidade celular (tardia),o que favorece a infecção no pós-operatório. Essa imunidade pode estar ainda mais comprometida se houver um estado in"amatório prolongado, ou sangramento. REFERÊNCIAS 1. Gama-Rodrigues JJ, Machado MCC, Rasslan S. Clínica cirúrgica. Hospital das Clínicas FMUSP. Barueri, SP: Manole; 2008. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 76 Cirurgia geral Remit Mapa mental Modulaçao Videolapa- roscopia Bisturi Elétrico Cirurgias planejadas Gliconeogenese + formação de proteínas in"amatórias Glicogenólise + gliconeogenese Mantem volemia + perfusão tecidual bloqueio de vias aferentes diminuição de produção de ACTH, cortisol, Acidos graxos livres, Aldosterona Técnicas cirurgicas minimamente invasivas Anestesia Endócrina Glucagon Proporcional ao trauma tecidual sofrido Cortisol + ACTH Catecolaminas ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 77 Mapa mental (continuacão) Hormônio anabólico Aumenta reabsorção hídrica nos rins Manutenção de vol. plasmático Aumenta nas primairas 24h pós trauma Reduz nas primeiras 24 horas diminui nos primeiros dias pós trauma preserva volume plasmático Retém Na+ Está aumentado nos primeiros 5º dias Elimina K+ e H+ Insulina ADH Aldosterona GH H. tireoidiano ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 78 Cirurgia geral Suporte nutricional Mapa mental (continuacão) Vias de alimentação Calorimetria indireta pós 4 semanas do uso de sondas íleo paralítico jejum prolongado fístuas gastrointestinais Albumina <3% Transferrina < 200 Vômitos Não aceitação da dieta Perda ponderal > 10% Anorexia Fraqueza IMC < 20% do ideal Avaliação Marcadores Laboratoriais Sinais de Alarme Parenteral Status nutricional GastrostomiaOral (via preferencial) Anamnese + Ex. Físico Enteral (sondas) Acesso venoso periférico Acesso venoso central ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 79 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – 2015) A assertiva verdadeira sobre a resposta metabólica ao trauma é a seguinte: A Os primeiros hormônios a serem secretados são o hormônio tireoidiano, a aldosterona e a insulina, na tentativa de manter o volume circulante e a energia necessária para a resposta in"amatória. B Após as primeiras 24 horas de injúria, é que será liberada a insulina e haverá a neoglicogênese para reposição de energia. C A resposta metabólica é atenuada quando se utiliza a videolaparoscopia em vez de realizar uma laparotomia. D Pacientes com jejum de mais de 24 horas não apresentam alterações no mecanismo de gli- cogenólise, nem na utilização da insulina e na diminuição da hiperglicemia compensatória. Questão 2 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE TAUBATÉ – 2018) A nutrição em cirurgia está diretamente correlacionada ao desfecho do sucesso operatório e à mortalidade. Sobre isso, é CORRETO a!rmar: A Paciente desnutrido apresenta exacerbação e aumento no processo cicatricial e morbimorta- lidade pós-operatória. B O metabolismo basal está aumentado em trau- mas, assim como no jejum prolongado, que su- pera uma elevação de até 40%. C De maneira geral, as necessidades calóricas de indivíduos adultos, em sua maioria, se situam entre 250 e 300 kcal/kg/dia. D A nutrição parenteral pode apresentar compli- cações mecânicas, sendo as mais frequentes: pneumotórax, hemohidrotórax e punção arterial acidental. E O paciente desnutrido apresenta diminuição da suscetibilidade a processos infecciosos. Questão 3 (UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO – 2018) Em relação ao metabolismo da água e dos eletrólitos, o efeito da resposta endócrino-metabólica ao trauma produz uma urina com as seguintes características: A volume baixo, densidade alta, baixa concentra- ção de sódio e potássio. B volume aumentado, densidade baixa, alta con- centração de sódio e potássio. C volume baixo, densidade alta, concentração de sódio alta e potássio baixa. D volume aumentado, densidade baixa, concen- tração de sódio e potássio normal. E volume baixo, densidade alta, concentração bai- xa de sódio e alta de potássio. Questão 4 (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – 2018) A resposta endocrinometabólica e imunológica ao trauma (REMIT) corresponde a uma série de altera- ções no organismo que tem como objetivo manter a homeostase e a vida. Com relação a esse processo, assinale a alternativa CORRETA: A Inicialmente ocorre uma fase catabólica que tem como objetivo fornecer glicose para a uti- lização das células através da glicogenólise e ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 80 Cirurgia geral gliconeogênese. Nessa fase, há um aumento de hormônios como catecolaminas, cortisol e insulina. B Essa resposta deveria ser !siológica, porém quan- do as lesões são graves ou ocorre uma infecção secundária, pode haver perda maciça do tecido do organismo e disfunção de múltiplos órgãos. C A proteólise tem como objetivo a liberação de aminoácidos que serão utilizadas na glicogenó- lise para ser convertida em glicose. D A REMIT pode ser atenuada através da via de acesso laparoscópica e da raquianestesia. E Dentre as consequências da REMIT, ocorridas no pós-operatório, pode-se citar: íleo paralitico, febre, edema de ferida operatória e hipoglicemia. Questão 5 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE DUTRA – 2017) Em relação à resposta metabólica ao trauma anesté- sico e cirúrgico, assinale a alternativa INCORRETA: A O trauma e a infecção induzem a mudanças substanciais no metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas na maioria dos órgãos e teci- dos; a resposta metabólica inicial é caracteriza- da pelo realce na gliconeogênese, glicogenólise, proteólise da musculatura esquelética e lipólise. B O grau de dano tissular e a duração da cirurgia correlacionam-se com os níveis de liberação da interleucina-6, a qual estimula a síntese he- pática das proteínas de fase aguda, tal como a proteína C reativa, fator 3 do complemento e procalcitonina. C A secreção de hormônios hipo!sários e a ati- vação do sistema nervoso simpático levam ao catabolismo, com mobilização de substratos para geração de energia, com retenção de sais e água para manter o volume "uido e homeos- tase cardiovascular. D O fígado desempenha um papel importante na resposta ao estresse determinado pelas grandes cirurgias. Ele é considerado um órgão-chave nas alterações cardinais no metabolismo da glicose, proteínas e lipídios. E As citocinas pró-in"amatórias (ex.: fator de necro- se tumoral alfa) têm um efeito hipoglicemiante mediado pelo estímulo na liberação de hormô- nios contrarregulatórios, que incluem o cortisol, adrenalina, noradrenalina e glucagon. Questão 6 (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE – MG – 2021) A respeito de nutrição em pacientes cirúrgicos, as- sinale a alternativa incorreta. A Pacientes com instabilidade hemodinâmica de- vem ser nutridos exclusivamente pela via enteral. B O íleo pós-operatório (dismotilidade intestinal transitória) representa uma di!culdade à pro- gressão da dieta oral. C Pacientes com quadro de desnutrição se be- ne!ciam de preparo nutricional pré-operatório, reduzindo índices de complicação. D O tempo de jejum pré-operatório pode variar de acordo com o porte cirúrgico e tipo de cirurgia ou de anestesia. Questão 7 (HOSPITAL DO CÂNCER DE GOIÁS – GO – 2021) Um paciente de 20 anos, submetido à uma laparotomia explora- dora devido à apendicite aguda complicada, evolui no pós-operatório imediato apresentando intensa resposta in"amatória sistêmica. Nesse caso, quais citocias pró-in"amatóriassão produzidas durante esta resposta? A TNF-2, Interleucina-4 e Interleucina-10. B TNF-1, Interleucina-1 e Interleucina-13. C Interferon-3, TNF-2 e Interleucina-6. D Fator transformador de crescimento 2, Interleu- cina-5 e Interleucina-10. Questão 8 (PUC – SOROCABA – 2021) Qual dos seguintes não é um dos critérios da síndrome da resposta in"amatória sistêmica? A Frequência cardíaca >90 batimentos/min. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 81 B Frequência respiratória >20 incursões/min. C Leucócitos >12.000/mcl ou <4.000/mcl. D AST >250. Questão 9 (ASSOCIAÇÃO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE OURINHOS – SP- 2021) Paciente, 78 anos, foi submetido a esofagec- tomia subtotal transtorácica com piloroplastia por carcinoma espinocelular de terço médio de esôfago. A cirurgia durou sete horas no total, e o paciente foi encaminhado à unidade de terapia intensiva. São alterações esperadas no pós-operatório imediato para este doente: A poliúria, íleo adinâmico, hiperglicemia e elevação da temperatura. B oligúria funcional, íleo adinâmico, hiperglicemia, elevação da temperatura. C oligúria funcional, íleo adinâmico, hipoglicemia e diminuição da temperatura. D poliúria, íleo adinâmico, hiperglicemia e hipo- termia. Questão 10 (SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MACAÉ – RJ – 2021) Sobre as alterações endócrinas e hemodinâ- micas no trauma, marque a alternativa INCORRETA: A A qualidade do controle glicêmico pré-operatório pode ser aferida pela hemoglobina A1c (indicador do controle glicêmico nos últimos três meses). O aumento da produção da glicose, associado a uma queda da taxa de secreção de insulina, le- vam a um quadro de hiperglicemia. A magnitude dessa hiperglicemia é diretamente proporcional à severidade do trauma e/ou lesão tissular. B As proteínas possuem um papel estrutural e funcional no organismo. Dessa forma, a perda proteica no pós-operatório pode levar a dé!cits na cicatrização, prejuízo na resposta imunoló- gica e perda de força muscular. Esta, por sua vez, está relacionada à pior ventilação pulmonar, tosse insu!ciente, menor mobilização e conse- quente aumento de complicações associadas à convalescença e imobilidade, especialmente eventos tromboembólicos. C A insulina é um agente anabolizante do organis- mo promovendo o armazenamento de glicose e ácidos graxos, além da agregação de aminoáci- dos. Porém, o aumento induzido pelo estresse dos hormônios contrarreguladores do seu me- tabolismo (cortisol, glucagon e catecolaminas) acaba por inibir a secreção de insulina, apesar do status hiperglicêmico em que o paciente se encontra. Esse dé!cit funcional da insulina é mais intenso no primeiro dia do pós-operatório e pode se estender por até três semanas em ci- rurgias abdominais não complicadas. D A aldosterona leva a uma diminuição da excre- ção de Na+ e bicarbonato e ao aumento da ex- creção de H+ e Na+, levando a um quadro de “sequestro hídrico” e a uma tendência a edemas pós-operatórios. As catecolaminas (adrenalina e noradrenalina permanecem elevadas por até 12 horas, diminuindo drasticamente após esse período gerando um estímulo à lipogênese e acú- mulo de glicose sérica pelo aumento da insulina circulante no primeiro dia do pós-operatório. E O cortisol permanece elevado por cerca de 4 a 12 horas, porém, quadros infecciosos ou manu- tenção do estímulo à área lesada mantêm seus níveis elevados (p. ex.: fístulas de anastomoses). Os níveis de glucagon se elevam independen- temente da tendência ou não do paciente à hi- perglicemia, promovendo um efeito catabólico, antagonista ao da insulina. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 82 Cirurgia geral GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Y Dica do autor: A resposta metabólica ao trauma corresponde a uma tentativa do organismo de rea- gir a uma agressão, no intuito de fornecer glicose e água para os locais que mais necessitam. Esse processo se dá através da liberação de determina- dos hormônios (contra insulínicos) e mediadores pró-in"amatórios. Pode ser exacerbado quando a agressão é muito intensa, como também pode ser atenuado de acordo com algumas medidas. Alternativa A: INCORRETA. Durante a REMIT, há pre- domínio de hormônios contrainsulínicos. A insuli- na encontra-se diminuída. A aldosterona (devido à ativação do SRAA) encontra-se elevada. O T3 en- contra-se diminuído. O TSH encontra-se em níveis normais ou diminuídos. O T4 livre encontra-se em níveis normais ou ligeiramente aumentados (sín- drome do eutireoideo doente). Alternativa B: INCORRETA. A insulina está inibida na REMIT. A ativação de vias catabólicas, como a gli- coneogênese, se dá através da liberação de hormô- nios contrainsulínicos como cortisol, glucagon, GH e catecolaminas. Alternativa C: CORRETA. A cirurgia videolaparoscó- pica é responsável pela diminuição da resposta imunológica ao trauma. Já o bloqueio peridural é responsável pela diminuição da resposta endócri- na ao trauma. Alternativa D: INCORRETA. Pacientes em jejum pro- longado ativam vias catabólicas para obtenção de glicose, como a via da glicogenólise e da gliconeo- gênese. ! )(*+,*-':.C Questão 2 !"#"$%&!'!(: Q Alternativa A: INCORRETA. A nutrição perioperatória é fundamental para diminuir complicações e mor- bimortalidade em pacientes com indicação de su- porte nutricional. O paciente desnutrido geralmente possui di!culdade no processo cicatricial. Alternativa B: INCORRETA. O metabolismo basal en- contra-se diminuído no jejum prolongado. Por falta de glicose e glicogênio, o processo de respiração celular e formação de ATP !ca comprometido. Vias alternativas para compensar esse dé!cit são ativa- das. Este processo é chamado de gliconeogênese. Alternativa C: INCORRETA. As necessidades gerais calóricas em adultos situam-se entre 30 a 35 kcal/ kg/dia. Alternativa D: CORRETA. Para realização de nutrição parenteral, muitas vezes é necessária a obtenção de acesso venoso central. Durante esse ato, com- plicações mecânicas como pneumotórax e punção arterial acidental podem ocorrer. Alternativa E: INCORRETA. O paciente desnutrido apresenta aumento da susceptibilidade a proces- sos infecciosos. ! )(*+,*-':.D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 83 Questão 3 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: Devemos lembrar que a resposta en- dócrino-metabólica ao trauma é responsável por ativar o sistema renina-angiotensina-aldosterona. Devemos lembrar também a ação da aldosterona, a qual é responsável por ativar a bomba de sódio e potássio no túbulo contorcido distal, levando a uma reabsorção de sódio e aumento da excreção de potássio. Sendo assim, o sódio reabsorvido re- move a água do túbulo por um efeito osmótico. O efeito de tudo isso na urina é: diminuição do seu volume, aumento da sua densidade, diminuição da concentração de sódio (FeNa) e aumento da con- centração de potássio. ! )(*+,*-':.E Questão 4 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Y Dica do autor: A resposta metabólica ao trauma corresponde a uma tentativa do organismo de rea- gir a uma agressão, no intuito de fornecer glicose e água para os locais que mais necessitam. Esse processo se dá através da liberação de determina- dos hormônios (contrainsulínicos) e mediadores pró-in"amatórios. Pode ser exacerbado quando a agressão é muito intensa, como também pode ser atenuado de acordo com algumas medidas. Alternativa A: INCORRETA. A primeira fase da REMIT é a chamada fase catabólica ou adrenérgica-corticoi- de. Nela, as catecolaminas, cortisol, GH, glucagon, ACTH, ADH e aldosterona encontram-se aumenta- dos. Por serem hormônios contrarreguladores da insulina, a insulina encontra-se reduzida. Alternativa B: CORRETA. Quando o trauma é muito in- tenso, a resposta pode ser tão exacerbada que podeprovocar distúrbios orgânicos e descompensação clínica do paciente, podendo levar à insu!ciência de múltiplos órgãos. Alternativa C: INCORRETA. A proteólise é uma via dife- rente e independente da glicogenólise. A proteólise é responsável pelo processo de gliconeogênese, em que as proteínas são convertidas em aminoácidos (alanina e glutamina), sendo que a alanina, através do ciclo de Felig, é transformada em glicose pelo fí- gado. Já a glicogenólise corresponde à degradação de glicogênio hepático e do tecido muscular em glicose. Ambas as vias são ativadas pela REMIT. Alternativa D: INCORRETA. A cirurgia videolaparos- cópica é responsável pela diminuição da resposta imunológica ao trauma. Já o bloqueio peridural é responsável pela diminuição da resposta endócrina ao trauma. A raquianestesia não tem essa capaci- dade de atenuar a REMIT. Alternativa E: INCORRETA. Como na REMIT há dimi- nuição da ação da insulina, geralmente há hipergli- cemia. As demais alterações estão corretas. ! )(*+,*-':.B Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do autor: A resposta metabólica ao trauma corresponde a uma tentativa do organismo de rea- gir a uma agressão, no intuito de fornecer glicose e água para os locais que mais necessitam. Esse processo se dá através da liberação de determina- dos hormônios (contrainsulínicos) e mediadores pró-in"amatórios. Alternativa A: CORRETA. A REMIT é responsável por ativar vias catabólicas através da liberação de hor- mônios contrarreguladores da insulina. As principais vias ativadas são a da glicogenólise e da gliconeo- gênese (proteólise e lipólise). Alternativa B: CORRETA. Quanto maior a duração e a intensidade do trauma, maior a REMIT. Na REMIT, há liberação de citocinas pró-in"amatórias, como a IL-6, que estimula a liberação de proteínas de fase aguda. Alternativa C: CORRETA. A REMIT é responsável por ativar vias catabólicas. Estas vias catabólicas são ativadas por determinados hormônios, como as ca- tecolaminas, GH, ACTH, cortisol e glucagon. Além disso, o SRAA também é ativado, levando à reten- ção de água e sal. Alternativa D: CORRETA. O fígado é responsável por armazenar glicogênio e metabolizar aminoácidos e ácidos graxos, participando ativamente dos proces- sos de glicogenólise e gliconeogênese na REMIT. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia 84 Cirurgia geral Alternativa E: INCORRETA. As citocinas pró-in"amató- rias, em conjunto com os hormônios contrarregula- dores da insulina, possuem efeito hiperglicemiante. ! )(*+,*-':.E Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: Quando pensamos na nutrição de nosso paciente, precisamos ter em mente que existem duas vias, a enteral, que representa a via intestinal da alimentação, ou a via parenteral, que será realizada por meio de acessos venosos do pa- ciente. Daremos sempre preferência pela via ente- ral, por ser a mais !siológica e a que permitir uma adequada tro!a dos tecidos intestinais. Vamos às alternativas. Alternativa A: INCORRETA – Pacientes que se apresen- tam com instabilidade hemodinâmica, possuem con- traindicação formal para a nutrição enteral pelo risco de broncoaspiração que correm. Alternativa B: CORRETA – Comum após a realização de procedimentos cirúrgicos com manipulação de alça in- testinal, o íleo pós-operatório se caracteriza pela dimi- nuição da peristalse intestinal e consequente di/culdade à progressão da dieta oral. Alternativa C: CORRETA – Precisamos entender que du- rante o pós-operatório, o paciente irá precisar de suas reservas energéticas para conseguir passar pelo REMIT de maneira adequada. Assim, em alguns casos, se faz necessário um preparo nutricional durante o pré- -operatório para reduzir os índices de complicações. Alternativa D: CORRETA – Relativo ao risco de broncoas- piração e juntamente com o tipo de anestesia que será realizado, o tempo de jejum que possa ser necessário para o paciente irá variar de acordo com o porte da ci- rurgia e de sua anestesia. ! )(*+,*-':.A Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: Questão que aborda a respos- ta endócrina, in"amatória e metabólica ao trauma (REMIT). Sabemos que há uma resposta corporal a situações de grande estresse, a exemplo de traumas propriamente ditos, grandes cirurgias, entre outros. Essa resposta inclui a prevalência do catabolismo em relação ao anabolismo, visto que o corpo ne- cessita usar suas reservas. Por isso, há resistência à insulina e alta de hormônios catabólicos (gluca- gon, cortisol). Há também aumento de citocinas pró-in"amatórias (IL-1, TNF-alfa) e tendência à re- tenção hídrica, que pode causar hiponatremia. Para responder à questão, basta uma única informação: as citocinas IL-4, IL-10 e IL-13 são anti-in"amató- rias. A única alternativa que não inclui uma delas é a alternativa C, que apresenta apenas citocinas pró-in"amatórias. ! )(*+,*-':.C Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: A síndrome da resposta in"a- matória sistêmica tem um nome autoexplicativo: nela, há uma reação in"amatória que acomete o organismo de forma sistêmica. Os critérios de SIRS incluem frequência cardíaca >90bpm, frequência respiratória >20bpm, temperatura >38ºC ou <36ª, e leucócitos >12.000/mcl ou <4.000/mcl. São ne- cessários dois critérios para o diagnóstico. Logo, a única alternativa que não contém um critério é a AST/TGO. ! )(*+,*-':.D Questão 9 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Estamos diante de uma ques- tão que indaga quais as principais alterações es- peradas no pós-operatório. Devemos lembrar que a cirurgia é um trauma também e, independente- mente do trauma sofrido, o organismo passa por algumas manifestações comuns de acordo com a resposta endócrina, metabólica e imunológica ao trauma, que são: íleo adinâmico, oligúria funcional, alcalose mista, hiperglicemia, elevação discreta da temperatura e anorexia. ! )(*+,*-':.B Questão 10 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Sempre importante lembrar que, após um trauma, temos o aumento do ACTH, do cortisol, das catecolaminas, do glucagon, do ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Resposta metabólica e nutrição em cirurgia Cap. 3 85 GH, do ADH e da aldosterona, enquanto a insulina e o T3 reduzem-se. Atente-se ao fato da questão solicitar a alternativa incorreta! Alternativa A: CORRETA. Realmente pode-se veri!car a qualidade do controle glicêmico pré-operatório pela hemoglobina glicada. Após o trauma cirúrgi- co, pelo aumento dos hormônios contrarregulado- res insulínicos (glucagon, cortisol, catecolaminas) e redução da insulina, ocorre a hiperglicemia, es- tando esta diretamente proporcional à gravidade/ severidade do trauma, Alternativa B: CORRETA. A perda proteica de fato pode gerar dé!cits na cicatrização, prejuízo na resposta imunológica e perda de força muscular, podendo levar a consequências mórbidas. Por isso, devemos garantir que o paciente esteja bem nutrido antes de passar por um procedimento cirúrgico que não seja de urgência/emergência. Alternativa C: CORRETA. O dé!cit funcional da insu- lina realmente é mais intenso no primeiro dia do pós-operatório, podendo se estender por até três semanas em cirurgias não complicadas. Alternativa D: INCORRETA. A aldosterona leva a um aumento da retenção de sódio e água, o que leva a um quadro de “sequestro hídrico” com tendência à formação de edemas pós-operatórios. Não ocorre o aumento da insulina circulante no primeiro dia do pós operatório, e sim, sua redução. Alternativa E: CORRETA. Quadros infecciosos e es- tímulo à área lesada mantêm o cortisol elevado por mais tempo, o que prejudica a cicatrização. O glucagon se eleva independentemente de o pa- ciente ter tendência à hiperglicemia, como forma de o organismo ter um efeito catabólico e permitir a cicatrização. ! )(*+,*-':.D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Fixe seus conhecimentos! 86 FIXESEU CONHECIMENTO COM RESUMOS Use esse espaço para fazer resumos e !xar seu conhecimento! _____________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 87 Capítulo 4 BASES DA CIRURGIA E PROCEDIMENTOS O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Sobre bases da cirurgia u Potencial de contaminação cirúrgica e pro!laxia antimicrobiana u Risco de TEV e pro!laxias u Suturas: • Fechamento de primeira intenção: rápida epitelização. • Fechamento de segunda intenção: é utilizado apenas quando há intensa contaminação local. • Fechamento primário retardado: a ferida é inicialmente deixada aberta por contaminação e, posterior- mente, fechada através de sutura, enxerto ou retalho. u Indicações de utilização do acesso venoso central. u Complicações do acesso venoso central. "#$%&'()*"+/$&,-+./)*"+ 1. BASES DA CIRURGIA 1.1. PROFILAXIA ANTIMICROBIANA BASES O melhor conceito atual de infecção é a aquisição de um microrganismo por um hospedeiro. Após esse contato inicial, esse microrganismo pode ser eliminado pela imunidade do hospedeiro, pode haver uma relação de comensalismo em que o microrganismo se bene!cia sem prejudicar o hospedeiro; pode haver uma simbiose em que há benefício mútuo para ambas as partes (ex.: 0ora natural); e, por !m, pode haver uma doença, quando a relação de comensalismo se torna prejudicial ao hos- pedeiro, normalmente quando houver colonização por microrganismo não habitual à 0ora que não possa ser eliminado pelo hospedeiro. As infecções podem causar doença fulminante, como no caso da Síndrome de Fournier, por exemplo, em que ocorre uma fasciite necrotizante da região perineal ou em uma apendicite complicada, uma úlcera venosa infectada ou osteomielites. A violação da barreira da pele e a manipulação cirúrgica dos órgãos podem ser a porta de entrada para infecções, o que torna tão importante o conceito de pro!laxia anti- microbiana. A pro!laxia antimicrobiana terá o papel de prevenir a infecção do sítio cirúrgico, seja ele super!cial (como infecções de pele e subcutâneo) ou profundo (como coleções cavitárias). É importantíssimo destacar que o antimicrobiano pro!lático é utilizado por tempo reduzido, breve. Inicia-se sua administração 30-60 minutos antes da indução anestésica, já na sala cirúrgica. Repe- te-se a dose em caso de cirurgia prolongada, no intraoperatório, de acordo com a meia-vida da droga. A partir daí, a critério do cirurgião, o antimicrobiano pode ser utilizado por até, no máximo, 24-48 horas, justamente dado o seu caráter pro!lático. Consideramos uma cirurgia como limpa quando ela não viola nenhum trato colonizado do corpo. São ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 88 bons exemplos as cirurgias de pele e de hérnias. Nesses casos, apenas se lida com a microbiota da pele, que sofreu adequada antissepsia. Em geral, nesses casos, não se usa antimicrobiano. Mas se, como nas hérnias, houver uso de telas, lança-se mão de cefazolina ou cefalotina, cefalosporinas de primeira geração, que cobrem adequadamente a microbiota da pele. Uma cirurgia potencialmente contaminada ou lim- pa-contaminada, por sua vez, é aquela em que se viola um trato pouco colonizado do corpo, de forma controlada, sem que haja grande contaminação do sítio cirúrgico. São exemplos: gastrectomias e colecistectomias. Nessas cirurgias, lança-se mão de cefazolina ou, a critério do cirurgião, uma droga que cubra mais especi!camente a microbiota envolvida. No caso de cirurgias do tubo digestivo, a cefoxitina, uma cefalosoporina de segunda geração, é uma ótima escolha. Vale ressaltar que, de acordo com o Sabiston, não é mais indicada a antibioticopro!laxia obrigatória nas colecistectomias. Já a cirurgia contaminada, por sua vez, é aquela que viola de forma não controlada tratos pouco coloni- zados ou, então, controladamente tratos altamente colonizados, como em colectomias. Nesses casos, utilizamos drogas para cobrir de forma mais ou menos intensa a microbiota local envolvida. Para cirurgias digestivas, temos como opções a cefoxi- tina acima mencionada ou, mais especi!camente, a associação de metronidazol a ceftriaxona ou a cipro0oxacino. As cirurgias infectadas não são difíceis de ser com- preendidas: são aquelas em que há infecção do sítio cirúrgico decorrente da doença inicial. Um bom exemplo é a apendicite complicada com infecção adjacente, como um abscesso. O detalhe aqui é: não é pro!laxia antimicrobiana, mas, sim, TERAPIA antimicrobiana. O antimicrobiano será escolhido de acordo com o foco infeccioso e seu uso é prolon- gado. Para infecções do trato digestivo, lança-se mão de metronidazol associado à ceftriaxona ou ao cipro0oxacino. Quadro 1. Classi!cação das cirurgias quanto à contaminação/Antimicrobianos. Classificação Indicação Esquema Limpa Utiliza-se prótese/tela Cefazolina Limpa contaminada Utilizar sempre* Cefazolina OU Cefoxitina ContaminadaUtilizar sempre Cefoxitina OU Metronidazol + Ceftriaxona/ Cipro0oxacino Infectada Utilizar em duração terapêutica Metronidazol + Ceftriaxona/ Cipro0oxacino * Exceção: colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Fonte: Autor. Outros sítios cirúrgicos têm suas peculiaridades. Por exemplo: as cirurgias do sistema nervoso central recebem sempre pro!laxia antimicrobiana, ainda que limpas, pois uma eventual infecção é catastró!ca. Cirurgias do trato geniturinário, por sua vez, lançam mão de quinolonas com maior frequência, haja vista a microbiota local. Cirurgias da orofaringe, por !m, lançam mão de amoxicilina-clavulanato, que cobre adequadamente as populações de gram-positivos e anaeróbios locais. DIA A DIA Existem algumas medidas não medicamentosas que devem ser tomadas para evitar a infecção no pós-ope- ratório. Fique sempre atento a elas no centro cirúrgico: W A sala de operação deve estar limpa, com portas fechadas W Número restrito de pessoas dentro da sala, todas com devido treinamento para não causar contaminação W Paramentação adequada de toda a equipe cirúrgica W Tricotomia feita com tricôtomo elétrico imediatamente antes da cirurgia. Não usar lâmina fria, nem realizar o procedimento na noite anterior da cirurgia W Temperatura adequada da sala ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 89 1.2. PROFILAXIA DE TROMBOEMBOLISMO VENOSO BASES As cirurgias podem apresentar distúrbios de hemosta- sia decorrentes do procedimento técnico propriamente dito ou, então, da doença de base que levou o paciente à cirurgia. Em ambos os casos, os distúrbios podem ser trombóticos ou hemorrágicos, ambos os extremos levando a complicações graves. Em 1860, Virchow atribuiu grande importância à estase venosa crônica dos membros e estabeleceu princípios básicos da !siopatologia da trombose venosa, que hoje conhecemos como tríade de Virchow. São três esses fatores: W Estase venosa W Lesão endotelial W Hipercoagulabilidade sanguínea Os dois primeiros são fatores desencadeantes do pro- cesso de trombose, enquanto a hipercoagulabilidade é um fator predisponente. Toda a lógica de pro!laxia contra eventos trombóticos gira em torno desse princípio. Outra pro!laxia realizada no período pré-operatório é a pro!laxia medicamentosa de tromboembolismo venoso (TEV), que engloba a trombose venosa pro- funda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP). 1.2.1. ESTRATÉGIA MEDICAMENTOSA A pro!laxia é feita com heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada. As heparinas, quando em dose terapêutica, são suspensas 12-24h antes do procedimento, quando estavam em uso por outra indicação. 1.2.2. ESTRATÉGIA NÃO MEDICAMENTOSA A princípio, todo paciente cirúrgico merece a estra- tégia não medicamentosa básica, feita por uso de meias elásticas e deambulação precoce do paciente. Outras estratégias não medicamentosas estão indicadas em situações especí!cas: u Sistema de compressão pneumática intermiten- te de membros inferiores: utilizado quando há indicação de pro!laxia medicamentosa do TEV, mas seu uso é impossibilitado por outra razão. u Filtro de v. cava inferior: realidade utilizada para prevenir que um trombo venoso profundo de membros inferiores se transforme num TEP. 1.2.3. FATORES DE RISCO Existem escores e classi!cações para se estrati!- car o risco de uma TVP de acordo com o paciente, como o Escore de Caprini. Todos esses escores são maçantes e difíceis de decorar para a prova. O importante, para se estabelecer a pro!laxia, é reconhecer quais são os principais fatores de risco para o tromboembolismo venoso. E, para a prova, os mais importantes estão na Tabela 1. Tabela 1. Fatores de risco mais importantes para TEP/TVP, na prova. Fatores de risco mais importantes para TEP/TVP, na prova Idade >60 anos Obesidade Doenças oncológicas Varizes de membros inferiores AVC prévio Imobilização no leito Fraturas de quadril e membros inferiores Fonte: Adaptado pelo autor. Se você identi!car dois ou mais desses fatores no enunciado, o paciente merece pro!laxia medica- mentosa de TEV. 1.2.4. TROMBOSE VENOSA PROFUNDA A trombose venosa profunda é uma complicação pós-operatória bastante frequente e subdiagnosti- cada. Manifesta-se por edema unilateral de membro inferior, frio e mole, com dor e empastamento de panturrilha. O sinal de Homans pode estar presente: a dor na panturrilha à dorsi0exão do pé. Pensou em TVP, o diagnóstico será feito pelo exame de Ultrassom Doppler de membros inferiores. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 90 O tratamento é com anticoagulação plena (hepa- rinização plena) em ambiente hospitalar, seguido de anticoagulação oral domiciliar (varfarina) por 6 meses. O D-dímero estará elevado, mas de forma inespecí!ca, considerando que é usual sua elevação no pós-operatório. 1.2.5. TROMBOEMBOLISMO PULMONAR O tromboembolismo pulmonar é uma complica- ção pós-operatória temida, não tão frequente, mas também subdiagnosticada. Manifesta-se por disp- neia, taquipneia e dor torácica, e pode haver ainda piora ventilatória, gasométrica, cardiovascular ou hemodinâmica. Sua investigação inicial é baseada na clínica, labo- ratório, eletrocardiograma e radiogra!a de tórax, que mostrarão: u Radiogra!a de tórax (opacidade em cunha do infarto pulmonar) u Eletrocardiograma (sobrecarga de VD e padrão S1Q3T3) u Laboratório (D-Dímero alterado, embora altamen- te inespecí!co) Também existe um escore para estrati!car o risco de TEP: Tabela 2. Escore de Wells. Escore de Wells – TEP Pontos TVP ou TEP prévios +1,5 Frequência cardíaca >100 batimentos por min +1,5 Cirurgia recente ou imobilização +1,5 Sinais clínicos de TVP +3 Diagnóstico alternativo menos provável que TEP +3 Hemoptise +1 Câncer +1 Fonte: Wells.2 Não se preocupe em decorar os valores dos pontos da tabela, apenas se familiarize com ela e saiba que: um escore de Wells >7 signi!ca alta probabi- lidade de TEP/TVP. Um escore <1 signi!ca baixa probabilidade. E os escores intermediários 2-6 sig- ni!cam moderada possibilidade. O diagnóstico do TEP é !rmado por uma angioto- mogra!a de tórax em protocolo TEP. O tratamento é feito com anticoagulação plena, como a TVP. Entre- tanto, casos com repercussão hemodinâmica grave podem ser candidatos a !brinólise medicamentosa. 2. PROCEDIMENTOS DICA 1Para estudar procedimentos para provas práticas, elabore em grupo os pro- cedimentos com check lists objetivos, com perguntas fechadas “fez – não fez” dos pontos principais dos procedimentos que discutiremos aqui 2.1. SUTURAS Para que a cicatrização ocorra da maneira adequada, um ferimento deve possuir boa vascularização e estar livre de tecido desvitalizado. Na avaliação ini- cial, toda ferida deve ser lavada com soro abundante e explorada para retirar contaminações, corpos estranhos, além de veri!car seus limites, buscar acometimento de vasos sanguíneos, nervos, ten- dões e ossos. Para alcançar melhor visualização e limpeza, isso pode ser repetido após a anestesia da ferida. Quanto aos tipos de fechamento, podemos clas- si!cá-los em: u Fechamento primário (primeira intenção): É o fechamento imediato da lesão através de sutu- ras, enxertos e retalhos. É o ideal, pois alcança rápida epitelização (24 a 48 horas), levando a melhor resultado estético (há pouca contração da ferida devido à aproximação das suas mar- gens) e funcional. u Fechamento secundário (segunda intenção): A cicatrização acontece sem a junção ativa das bordas: é deixada aberta para fechamento por granulação e retração dos tecidos. É mais demo- rada e pode levar alguns meses, a depender do ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 91 tamanho da ferida. Esse tipo é utilizado apenas quando há intensa contaminaçãolocal, já que leva à contração e defeitos estéticos. u Fechamento terciário (primário retardado): A fe- rida é inicialmente deixada aberta (por infecção ou contaminação), até ser tratada com desbri- damentos, curativos e antibióticos. Em um se- gundo momento, é fechada através de sutura, enxerto ou retalho. Os objetivos da sutura de um ferimento são evitar infecção, auxiliar a hemostasia e garantir um resul- tado estético satisfatório. Fechamento primário é sempre a primeira opção, pois apresenta melhor resultado estético e funcional. Entretanto, fecha- mento por segunda intenção deve ser realizado nos casos de contaminação importante, mordedura animal, perfurações por arma de fogo e atendimento após 18-24 horas. O tempo não é o fator decisivo para que uma ferida possa ser fechada por primeira intenção ou não, mas, sim, uma equação entre os benefícios estéticos e o grau de vitalidade da ferida. Feridas cortantes apresentam melhor prognóstico, menor risco de infecção e melhor cicatrização, quando comparadas a feridas contusas. De forma geral, pode-se suturar uma ferida na face até 24 a 72 horas após o trauma e, em membros, até 18 horas. Feridas que acometem áreas extensas, represen- tando uma ameaça à viabilidade de um membro ou risco de vida, são chamadas feridas complexas. Tais feridas apresentam uma evolução imprevi- sível e costumam necessitar da avaliação de um especialista. Geralmente, são causadas por úlce- ras por pressão, feridas nos membros inferiores de pacientes diabéticos, úlceras vasculogênicas e feridas por radiação. A utilização de antibioticopro!laxia não tem apli- cação prática de forma rotineira, não sendo útil para evitar infecções de feridas, mesmo em lesões extensas. 2.1.1. FIOS DE SUTURA Os !os de sutura utilizados podem ser absorvíveis ou inabsorvíveis, mono!lamentados ou multi!lamen- tados. Os !os absorvíveis, com tempo de absorção mais curto, são utilizados em mucosas, enquanto os !os com maior tempo de absorção são utilizados na derme. O náilon é um !o inabsorvível mono!lamen- tar que causa pouca reação tecidual e é utilizado preferencialmente na maioria das suturas. Os !os multi!lamentares apresentam maior faci- lidade de manuseio e capacidade maior de reter o nó, já os mono!lamentares apresentam menor coe!ciente de atrito, portanto, causam menor grau de lesão tecidual em sua passagem pelo tecido, mas com menor capacidade de retenção do nó. O termo absorvível aplica-se a !os que são degradados e acabam por desaparecer ao longo do tempo, ao passo que os inabsorvíveis atingem um ponto de equilíbrio com o organismo, permanecendo estáveis ao longo do tempo. Tabela 3. Fios cirúrgicos. Fonte: Acervo do autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 92 DIA A DIA De!ne-se como síntese cirúrgica a operação fundamental de aproximação das bordas de tecidos seccionados, de maneira a agilizar o processo de cicatrização e restabe- lecer a continuidade dos tecidos por primeira intenção. O2sucesso de uma sutura é decorrente de uma combinação de boa técnica com boa condição clínica do paciente. No capítulo de cicatrização de feridas, você vai ver que uma das fases de cicatrização é a retração cicatricial. Sendo assim, para que uma sutura tenha sucesso, a aproximação deve ser feita sem tensão e as bordas da linha de sutura devem !car evertidas. Existem diversas técnicas para que esses objetivos sejam alcançados (Figura 1), mas a base de todas é manter a simetria, tanto entre a distância das bordas como na pro- fundidade em que a agulha é inserida no tecido (Figura 2). Figura 1. Tipos de Sutura. A: Algower. B: Donati. C: Simples. D: Intradérmica. E: Chuleio. F: Ponto em X. Fonte: Clínica Cirúrgica / Editores: Joaquim Jose Gama-Rodrigues, Marcel Cerqueira Cesar Machado, Samir Rasslan – Barueri, SP: Manole, 2008. Figura 2. Procedimento correto para everter as bordas da pele. Fonte: Clínica Cirúrgica / Editores: Joaquim Jose Gama-Rodrigues, Marcel Cerqueira Cesar Machado, Samir Rasslan – Barueri, SP: Manole, 2008. 2.2. ACESSO VENOSO CENTRAL A utilização de acessos venosos é extremamente comum. Eles são fundamentais para a aplicação de substâncias (medicamentos, 0uidos, nutrientes etc.) parenterais e monitorização. Existem diversos tipos de acessos venosos e, antes de falar sobre os acessos venosos centrais, vamos fazer uma rápida revisão nos diversos tipos de acessos venosos disponíveis. u Acesso venoso periférico: cateterização de curta duração de veias periféricas dos membros supe- riores, inferiores ou pescoço (veia jugular externa). É o tipo de acesso preferencial para o dia a dia. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 93 Figura 3. Jelco para acesso venoso periférico. Fonte: Adaptado de ANVISA.1 u Cateter venoso central: cateterização de uma veia central (veia jugular interna, veia subclávia ou veia femoral) com posicionamento de um cateter no qual sua ponta esteja localizada na veia cava superior, na veia cava inferior ou no átrio direito. É utilizado em situações especiais, como veremos a seguir. u Cateter de artéria pulmonar (Swan-Ganz): é um cateter especial implantado através das veias jugulares ou subclávias que atravessam as câ- maras cardíacas direitas e !cam posicionadas na artéria pulmonar. Apesar de pouco utilizado, tem a função de fornecer importantes medidas hemodinâmicas do paciente. u Cateter Central de Inserção Periférica (PICC): É um cateter central (pois sua ponta !ca na veia cava), porém, de inserção periférica através das veias cefálica, basílica ou braquial. Como ele é muito longo, sua ponta alcança até as veias cen- trais. É utilizado quando se necessita de aces- sos venosos prolongados. Como desvantagem, apresenta a estenose das veias e acaba sendo contraindicado em pacientes renais crônicos (impede a confecção de fístulas de hemodiálise). Figura 4. Cateter Central de Inserção Periférica (PICC). Fonte: National Cancer Institute.2 u Cateter venoso central implantado (Portocath): É um cateter central em que a sua extremidade externa !ca tunelizada e implantada abaixo do subcutâneo. Em sua extremidade, possui uma esfera de silicone que pode ser “puncionada” através da pele para se utilizar o cateter. É muito utilizado para quimioterapia, pois possui gran- de meia-vida e pode ser utilizado por pacientes ambulatoriais. O paciente vai para casa com o Portocath e, quando volta para nova sessão de quimioterapia, apenas se punciona a esfera de silicone e aplica-se o medicamento. Figura 5. Portocath. Fonte: National Cancer Institute.3 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 94 2.2.1. INDICAÇÕES O acesso venoso central é um procedimento extre- mamente comum na vida do médico. Em algum momento da vida, ele se confrontará com a neces- sidade de uma indicação ou de realizar a passagem do acesso. Diversos motivos podem levar à necessidade da utilização de um acesso venoso central. As mais comuns são: u Di!culdade de acesso venoso periférico u Incompatibilidade da droga com o acesso veno- so profundo – vasopressores, quimioterápicos e nutrição parenteral podem causar reações in0a- matórias importantes nos vasos de menor calibre, também chamadas de 0ebites. Além dessas indicações clássicas, ainda podemos citar outros motivos para conseguir um acesso venoso central, como as descritas abaixo. É impor- tante ressaltar que, a depender do objetivo, o tipo de cateter utilizado no procedimento será diferente, ao exemplo dos cateteres de hemodiálise (popu- larmente conhecidos como Sorensen ou Shilley). u Monitorização hemodinâmica – Graças aos aces- sos venosos centrais, temos parâmetros bem !- dedignos da pressão venosa central, parâmetros cardíacos (via cateter especí!co parapulmonar). u Terapias extracorpóreas – Para terapias em que há uma grande passagem de volume, são necessários vasos de maior calibre, portanto, hemodiálise e plasmaférese. u Passagem de marca-passo transvenoso. u Colocação de !ltro de veia cava. u Posicionamento de stents (praticamente a es- pecialidade hemodinâmica gira em torno de acesso central). Figura 6. Kit de implantação do cateter venoso central. Fonte: Caremax Co.4 2.2.2. CONTRAINDICAÇÕES Assim como todo procedimento em medicina, o acesso venoso central também possui contraindi- cações, porém não existe nenhuma contraindica- ção absoluta, apenas relativa. A coagulopatia (RNI >1,5) e a trombocitopenia (plaquetas <50.000) são as principais delas e, nesses casos, deve-se medir o risco-benefício. As recomendações da literatura nesses casos são que se dê preferência a sítios compressíveis (ao exemplo do femoral) e realiza- ção do procedimento guiado por USG, para que se evitem acidentes de punção e diminua a quantidade de sangramento. Alterações anatômicas dos locais de punção ou lesões de pele na área de punção (queimadura, infecção) também são contraindi- cações relativas e deve-se, se possível, realizar o procedimento em outro sítio. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 95 2.2.3. LOCAIS DE PUNÇÃO Antes de citar os locais de punção, vale ressaltar que a chance de sucesso não depende do local, mas da experiência daquele que realiza o procedimento. Cada sítio de punção possui as suas vantagens e desvantagens, portanto, não existe acesso melhor que outro, mas, sim, acesso mais adequado para o momento. 2.2.3.1. Veia jugular interna BASES A veia jugular interna é a principal veia do pescoço. Ela se une à veia subclávia, para formar a veia braquiocefálica (ou veia inominada). As veias braquiocefálicas direita e esquerda se unem, formando a veia cava superior. A veia jugular interna está protegida pelo músculo ester- nocleidomastoideo e contida dentro de uma bainha que envolve, além da veia, a artéria carótida comum e o nervo vago. É a bainha carotídea. Veja nas !guras 7-9 como é a relação do músculo esterno- cleidomastoideo e da carótida com a veia jugular interna. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 96 Figura 7-9. Anatomia da veia jugular interna. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 97 Fonte: Norton, Niel Scott. Netter, Atlas de cabeça e pescoço. Elsevier, 2007. É o sítio “padrão” de punção, o mais utilizado no dia a dia. A veia jugular interna está localizada posteriormente ao músculo esternocleidomastoide e lateralmente em relação à artéria carótida. Pode ser facilmente puncionada através dos marcos anatômicos da divisão da cabeça clavicular e esternal. Além da facilidade técnica, a possibilidade de ser comprimida, evitando a formação de hematomas (especialmente se punção arterial por acidente), é uma vantagem desse acesso. Pelo fato de estar mais longe, as complicações pulmonares (pneumotórax, hemo- tórax) são menores, mas não inexistentes. Devido à anatomia pulmonar, prefere-se realizar a punção do lado direito, pois desse lado a cúpula pulmonar é mais baixa. Figura 10. Anatomia da veia jugular interna. Fonte: Zollinger.5 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 98 DIA A DIA Algumas dicas para puncionar a veia jugular interna com mais facilidade: W Deixe o paciente em posição de Trendelemburg, de forma a aumentar o retorno venoso W Vire o rosto do paciente para o lado oposto, pois faci- litará a palpação do músculo esternocleidomastoideo W Palpe a carótida e puncione lateralmente a ela, apon- tando para o mamilo ipsilateral Hoje já temos evidência de que a punção com uso de ultrassonogra!a evita complicações. Você deve saber fazer sem, caso não tenha disponível, mas, caso tenha, você identi!cará a veia jugular interna como a estrutura imediatamente lateral à carótida, e com parede de mais fácil colabamento. 2.2.3.2. Subclávia A subclávia se localiza atrás da clavícula até a sua metade !nal, onde ela se expõe, indo em direção à axila. Ela pode ser facilmente puncionada na região intraclavicular na região mediana do osso. Devido à baixa taxa de variação anatômica dessa região, muitos consideram esse o sítio mais fácil de realizar o procedimento. Entretanto, devido à proximidade com o pulmão, os acidentes e complicações são altos. Outra desvantagem desse local é que, pela presença do osso anteriormente, não se consegue comprimir a região em caso de punção arterial, sendo formalmente contraindicada em pacientes com elevado risco de sangramento. Figura 11. Anatomia da veia e artéria subclávia. Fonte: Sanders RJ, Annest SJ. Pectoralis minor syndrome: Subclavicular brachial plexus compression. Diagnostics, 2017; 7(46):1-12. DICA 1Em pacientes com afecção pulmo- nar unilateral em que se optou por acesso venoso subclávio, não realize a punção no lado do pulmão saudável. Caso haja algu- ma complicação, ele !cará com os dois pulmões comprometidos. Portanto, dê pre- ferência a outros sítios de punção ou faça a punção no lado afetado. 2.2.3.3. Femoral Apesar de ser um local com uma anatomia relati- vamente fácil, não é a primeira escolha de acesso, devido à alta taxa de infecções e trombose desen- volvidas nessas punções em comparação com sítios jugulares e subclávia. Comparadas com os outros locais de acesso, as veias femorais são boas para pacientes com coagulopatia, devido à maior ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 99 capacidade de compressão, ou quando outros locais estão esgotados. Por estar longe dos pulmões, também pode ser a primeira escolha em pacientes pneumopatas graves em que uma complicação pulmonar seria desastrosa. Figura 12. Anatomia dos vasos femorais. Fonte: Danckers M, Fried ED. Arterial blood gas sampling technique. Medscape, 2018. 2.2.4. COMPLICAÇÕES As principais complicações imediatas são: u Sangramento u Punção arterial u Arritmias – devido à passagem do !o-guia ou posicionamento do cateter dentro das câmaras cardíacas direitas. u Embolia gasosa – principalmente durante a re- tirada do cateter u Lesão do ducto torácico (com abordagem da veia subclávia esquerda) u Posição incorreta do cateter u Pneumotórax ou hemotórax (principalmente na punção da veia subclávia) As complicações tardias são: u Infecção u Trombose venosa, embolia pulmonar u Estenose venosa u Migração do cateter u Embolização por cateter u Perfuração do miocárdio u Lesão nervosa A punção venosa central deve ser tratada como um procedimento cirúrgico, portanto, toda a parte de preparação será feita da mesma forma como em qualquer intervenção. Então, o paciente deve estar ciente do procedimento a que será submetido, deve haver uma adequada assepsia e antissepsia, posicionamento adequado do paciente e de todos os materiais. 2.3. ACESSO GUIADO POR ULTRASSONOGRAFIA Com a popularização do uso do ultrassom, os aces- sos venosos estão, cada vez mais, sendo realizados com o auxílio do ultrassom. Tal ferramenta é de grande ajuda na redução no número de complica- ções. A técnica utilizada é semelhante, entretanto, se faz a visualização direta da veia através do USG, como demonstrado na !gura a seguir. O ultrassom pode ser utilizado como auxílio em todos os sítios de punção, entretanto, é tecnicamente mais difícil no subclávio devido à interposição óssea. Figura 13. Imagem ultrassonográ!ca dos vasos cervicais para acesso venoso central. SCM: Músculo esternocleidomastoideo, CA:2artéria carótida, IJV: Veia jugular interna. Fonte: Sociedade Paulista de Terapia Intensiva.6ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 100 2.3.1. Descrição Geral da TÉCNICA O posicionamento e a angulação de entrada na punção central vão variar de acordo com o sítio desejado, entretanto, os preceitos técnicos são os mesmos para todos. Atualmente, utiliza-se a técnica de Seldinger com auxílio do !o-guia para executar o procedimento. 1. Preparação dos materiais 2. Posicionamento do paciente 3. Assepsia e antissepsia do local da punção 4. Anestesia local da pele 5. Punção da veia com agulha ��� 3DVVDJHP�GR�¿R�JXLD�SRU�GHQWUR�GD�DJXOKD ��� 5HWLUDGD�GD�DJXOKD�PDQWHQGR�R�¿R�JXLD�QR�OXJDU 8. Incisão da pele (no local da punção adjacente DR�¿R�JXLD�SDUD�IDFLOLWDU�D�LQWURGXomR�GR�FDWHWHU� ��� ,QWURGXomR�H�UHWLUDGD�GR�GLODWDGRU�SHOR�¿R�JXLD ����3DVVDJHP�GR�FDWHWHU�SHOR�¿R�JXLD ���� 5HWLUDGD�GR�¿R�JXLD ����&KHFDJHP�GR�ÀX[R�H�UHÀX[R�HP�FDGD�YLD�GR� cateter ����)L[DomR�GR�FDWHWHU 14. Curativo DICA 1Por !m, é mandatória a realização de uma radiogra!a de tórax (dispensável se acesso femoral) para checar o posiciona- mento do cateter e avaliar complicações. O que vai liberar o uso do cateter e avaliar sua funcionalidade é o teste do 0uxo e re0uxo. A radiogra!a em nada ajuda nessa avaliação. 2.4. DRENAGEM DE TÓRAX Vimos que a drenagem de tórax é um dos prin- cipais tratamentos para lesões torácicas e deve ser utilizada em diversas situações: pneumotórax simples, pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço, hemotórax, pneumotórax aberto etc. (essas situações serão abordadas na parte de trauma torácico, na parte de ATLS). Alguns conceitos referentes ao dreno de tórax cos- tumam cair em prova. Vamos revisá-los. 2.4.1. Cuidados com o paciente e com o dreno u Manter seco o curativo do dreno. u Deambular livremente, desde que o selo d’água seja mantido abaixo do nível da incisão no tórax. u Fisioterapia respiratória intensiva. u Analgesia. u Radiogra!as de tórax de controle (tomogra!a não é necessária de rotina). 2.4.2. Quando retirar o dreno? u Causa base revertida. u Baixo débito (número é divergente na literatura, mas volume deve ser <50-200 ml/24h). u Débito seroso. u Pulmões expandidos na radiogra!a. u Ausência de escape aéreo. u Paciente em ventilação espontânea (sem pres- são positiva por CPAP ou ventilação mecânica). 2.5. PARACENTESE A paracentese é um procedimento simples, no qual uma agulha é inserida na cavidade peritoneal e o líquido ascítico é removido. Ela pode ser diagnóstica ou terapêutica. u Paracentese diagnóstica: remoção de uma peque- na quantidade de líquido para análise laboratorial. u Paracentese terapêutica: remoção de cinco li- tros ou mais de líquido para reduzir a pressão intra-abdominal e aliviar a dispneia associada, dor abdominal e saciedade precoce. 2.5.1. INDICAÇÕES Vamos realizar a paracentese em todos os pacien- tes que apresentem ascite, principalmente quando queremos avaliar: u Nova ascite ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 101 u Líquido ascítico em um paciente com ascite pree- xistente admitido no hospital u Paciente que apresenta sinais de deterioração clínica (febre, dor abdominal, encefalopatia he- pática, deterioração da função renal ou acidose metabólica) 2.5.2. CONTRAINDICAÇÕES RELATIVAS Apesar de ser um procedimento relativamente sim- ples, ainda é um procedimento invasivo, portanto, tudo aquilo que aumentar o risco de sangramento do paciente entrará como uma contraindicação, como coagulação intravascular disseminada clini- camente aparente, !brinólise primária (que deve ser suspeitada em pacientes com hematomas grandes e tridimensionais), distúrbios de coagulação, entre outros. Outro ponto é que, devido ao local da punção, existe uma chance de perfuração intestinal, portanto, todo paciente com íleo maciço com distensão intestinal e presença de cicatriz cirúrgica no local da punção (devido à aderência de alças nesses locais) terá contraindicação relativa. Todavia, o uso de punção guiada pode diminuir esse risco. 2.5.3. COMPLICAÇÕES Complicações graves da paracentese abdominal são incomuns. Alguns exemplos são: vazamento de líquido ascítico (mais comum), sangramento, perfuração e infecção. 2.5.4. PARACENTESE TERAPÊUTICA COM GRANDES VOLUMES Atenção a esse tema. Caso cobrem algo de paracen- tese, esse provavelmente será o tema de escolha. Quando na paracentese terapêutica, em que há saída de grandes volumes, possui uma pequena pecu- liaridade. Quando um volume maior do que 5 litros for removido, para que o paciente não apresente hipovolemia e outras complicações, é necessária a reposição de coloides com o uso de albumina. A regra é a seguinte: u Volume da paracentese >5 litros = reposição de 6 a 8g de albumina por litro. Ex.: saída de 8 litros de líquido ascítico = a 48 a 64g de albumina. Em grande parte dos serviços é usada a albumina a 20% com um frasco em torno de 50 ml. Isso pode variar de local para local. REFERÊNCIAS 1. Gama-Rodrigues JJ, Machado MCC, Rasslan S. Clínica cirúrgica. Hospital das Clínicas FMUSP. Barueri, SP: Manole, 2008. 2. Heffner AC, Androes MP. Overview of central venous access. UpToDate. [Internet]; 2019. [citado 25/07/2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/ overview-of-central-venous-access. 3. Huggins JT, Carr S, Woodward GA. Placement and mana- gement of thoracostomy tubes and catheters in adults and children. UpToDate. [Internet]; 2019. [25/07/2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/ placement-and-management-of-thoracostomy-tubes- -and-catheters-in-adults-and-children. 4. Norton NS. Netter, atlas de cabeça e pescoço. Rio de Janeiro: Elsevier; 2007. 5. Orman ES, Hayashi PH, Bataller R, Barritt AS 4th. A para- centese está associada à redução da mortalidade em pacientes hospitalizados com cirrose e ascite. Clin Gas- troenterol Hepatol. 2014; 12: 496. 6. Runyon BA, Comitê de Diretrizes Práticas da AASLD. Manejo de pacientes adultos com ascite por cirrose: uma atualização. Hepatology. 2009; 49: 2087. 7. Runyon BA. Ascites e peritonite bacteriana espontânea. In: Feldman M, Friedman L, Brandt LJ (Eds). Gastrointestinal e doenças hepáticas de Sleisenger e Fordtran. 8ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010. p. 1517. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos 102 Cirurgia geral Bases da Cirurgia Mapa mental Profilaxia para TEV > 60 anos Obesidade Doença oncológica AVC prévio Imobilização no leito Fratura de mmii e quadril Compressão intermitente de mmii heparina de baixo peso molecular (clexane) heparina não fracionada Filtro de veia cava inferior meias elásticas Indicação para anticoagulação deambulação precoce Quando? Estratégias Gerais Profilaxia antimicrobiana Especí!cas Fator de risco para TEV > 2 12 a 24h antes da cirurgia Medcicamentosa Paciente com TVP Não medicamentosa Cefazolina Cefazolina ou cefoxitina Cefoxitina ou metronidazol + Ceftriaxona / cipro!oxacino Inserção de prótese/tela 30-60 min antes da anestesia No máx 24-48 horas Cirurgias potencialmente contaminadas Cirurgias contaminadas Quando? Administrar Manter ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 103 Mapa mental (continuacão) Procedimentos 1ª, 2ª e 3ª intenção V. jugular interna V. subclávia V. femoral di"culdade de acesso periférico incompatibilidade da droga c/ acesso ven. profundo ex: vasopressores quimioterápicos nutrição parenteral Simples Donnatti Em x Barra grega Chuleio (simples e ancorado) agilizam o processo de cicatrização Onde puncionar? coagulopatia (INR >1,5) Sangramento Arritmias Embokia gasosa Pneumotorax reaproximação das bordas Posicionamento do cateter-V. cava superior -V. cava inferior -Átrio direito trombocitopenia (plaqueta <50.000 hemostasia IndicaçõesPrincipais tipos de sutura Suturas Acesso venoso central Contra indicações relativas Complicações imediatas ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos 104 Cirurgia geral Mapa mental (continuacão) Paracentese > 60 anos Obesidade Doença oncológica AVC prévio Imobilização no leito Fratura de mmii e quadril Agulha na cavidade peritoneal Drenagem de tórax Remoção de líquido ascítico diagnóstica Sangue perfuração infecção Pneumotórax simples e hipertensivo Hemotórax simples e maciço Pneumotorax abero terapêutica Quando?Tipos Complicações gerais ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 105 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (HOSPITAL MUNICIPAL DR. MÁRIO GATTI – SP – 2020) A passagem de cateter venoso central (CVC) pela veia jugular ou subclávia apresenta algumas vantagens em comparação com a femoral, assinale a alterna- tiva que apresenta uma dessas vantagens: A Menor risco de hemotórax. B Menor risco de pneumotórax. C Permite a medida de saturação venosa central. D Menor risco de infecção. Questão 2 (UNICAMP/SP – 2018) A conduta para o paciente que faz uso de warfarina no período pré-operatório é: A Suspender a dose de warfarina do dia anterior, iniciando heparina de baixo peso molecular em dose pro!lática. B Ajustar a dose de warfarina para manter RNI abai- xo de 1,5 no dia da cirurgia, iniciando heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica. C Suspender a dose de warfarina cinco dias antes do procedimento, iniciando heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica. D Substituir a dose de warfarina por anticoagulan- te oral inibidor de fator Xa trinta dias antes do procedimento. Questão 3 (USP – 2018) Homem de 19 anos de idade foi vítima de ferimento abdominal (trans!xante) por projétil de arma de fogo há 90 minutos. No exame clíni- co de entrada no pronto-socorro estava estável hemodinamicamente, com dor à palpação abdo- minal. Foi indicada laparotomia exploradora, que evidenciou lesão em cólon esquerdo e presença de fezes no 0anco e fossa ilíaca, ambos à esquerda. Qual é a classi!cação da cirurgia segundo o poten- cial de contaminação/infecção e qual é a duração da administração de cefalosporina de 3ª geração associado a metronidazol para o caso? A Classi!cação: Cirurgia contaminada; Duração da administração: 48 horas. B Classi!cação: Cirurgia infectada; Duração da administração: 7 dias C Classi!cação: Cirurgia infectada; Duração da administração: 72 horas. D Classi!cação: Cirurgia contaminada; Duração da administração: Dose única. Questão 4 (INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTA- DO DE MINAS GERAIS – MG – 2020) Diversos protocolos em biossegurança são criados e seguidos nos es- tabelecimentos de saúde a!m de evitar a ascensão de casos de infecções hospitalares. Esse tema é tão sensível que se encontra em uma série de in- formativos de Vigilância Sanitária, além de fazer parte dos critérios de Acreditação Hospitalar (sis- temas de avaliação e certi!cação) que, em última análise, gradua a qualidade do serviço prestado. As prevenções da infecção no paciente com enfer- midades cirúrgicas são tomadas em diversos mo- mentos no pré-operatório. Considerando o período imediatamente antes da incisão cirúrgica, julgue as alternativas e marque a correta: ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 106 A Desinfecção é o momento onde aplicam-se so- luções degermantes para retirada de sujidades da pele e Esterilização é a aplicação de soluções alcoólicas ou aquosas sobre a superfície cutâ- nea a !m de eliminar completamente germes e esporos. B O conceito Antissepsia refere-se às medidas tomadas para evitar com que novos germes entrem em contato com o organismo e assep- sia é o momento onde aplicam-se soluções que visam diminuir a microbiota dos instrumentais cirúrgicos. C A aplicação de soluções alcoólicas de iodo so- bre regiões onde ocorre descontinuidade da pele íntegra, como feridas contaminadas, já é tema consolidado e respaldado pela literatura. Não ocorrendo toxicidade celular e a perda da propriedade antisséptica. D A aplicação de materiais plásticos impermeá- veis sobre a mesa cirúrgica, o cuidado para que soluções cristaloides aplicadas na limpeza de cavidade abdominais não escorram pelo cam- po cirúrgico e limpeza do instrumental sujo de sangue são medidas de assepsia tomadas no pré-operatório. Questão 5 (INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS – MG- 2020) O uso de drenos abdomi- nais remete ao princípio da atividade cirúrgica, onde o preceito fundamental era com que secreções não se acumulassem no interior das cavidades sendo aplicados pro!laticamente a !m de evitar infecções ou direcionar fístulas digestivas secundárias às anastomoses digestivas. Estudos observacionais passaram a questionar a aplicação preventiva dos drenos e, com o passar dos tempos, alguns dog- mas vêm sendo derrubados. Referente aos drenos abdominais, julgue a alternativa incorreta: A Drenos laminares como Easy Flow (popularmente conhecido como Penrose Siliconado) apresen- tam capacidade de drenagem por capilaridade. O acúmulo da secreção em sistemas coletores im- provisados como bolsas de colostomias podem gerar um inconveniente de levar os líquidos para dentro da cavidade. B Drenos de Blake e Jackson-Pratt são conside- rados drenos tubulares puros e não possuem sistemas de sucção. C Em procedimentos como esvaziamento axilar e tireoidectomia, a aplicação do dreno tipo Por- to-Vac possui função de evacuações de linfa e de vigilância/evacuação de sangramentos pós- -operatórios, respectivamente. D O uso de drenos sem sistema de sucção neces- sita que o posicionamento seja correto e que o paciente apresente movimentação/mobilização adequados no leito e durante a deambulação. Questão 6 (PROCESSO SELETIVO UNIFICADO – MG – 2020) Paciente do sexo masculino, 48 anos, 75 kg, engenheiro, foi submetido a hepatectomia direita com duração de cinco horas. Houve sangramento considerável no perioperatório com necessidade de hemotransfu- são. Foi utilizada, como antibiótico pro!lático, ce- fazolina, com repique na quarta hora. Não foram administradas doses pós-operatórias. Em relação a esse caso, e ao uso de antibiótico pro!lático em cirurgia, assinale a alternativa CORRETA. A Além de desnecessário, o repique aumentou os riscos de alteração da microbiota e de indução de resistência. B Deveria ter sido associado antibiótico bacte- riostático devido à manipulação de vias biliares. C O antibiótico pro!lático deveria ter sido prolonga- do por 24 horas devido à magnitude da operação. D O sangramento excessivo pode ter interferido na e!cácia do antibiótico pro!lático. Questão 7 (HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE – RS- 2021) Assinale a assertiva correta sobre acesso venoso central. A O transdutor ultrassonográ!co indicado na pun- ção ecoguiada é o convexo de baixa frequência, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 107 por facilitar a identi!cação de estruturas super- !ciais. B A presença de incompressibilidade venosa pelo transdutor ultrassonográ!co é critério para se- leção de outro sítio de punção C A veia jugular interna localiza-se em posição an- terolateral à artéria carótida comum na minoria dos casos D O acesso venoso femoral é indicado preferen- cialmente ao subclávio, por apresentar menor risco de infecção Questão 8 (HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS - SP – 2021) Qual deve ser a estratégia de pro!laxia para trombose venosa profunda para uma mulher de 65 anos de idade, no pós-operatórioimediato de citor- redução, por neoplasia maligna de ovário? A Xarelto 20mg por 1 semana B Deambulação precoce C Enoxaparina 40mg por 3 semanas D Meias elásticas desde o pré-operatório imediato Questão 9 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2021) Homem de 59 anos de idade procura o Serviço de Emergência com dor abdominal em cólica, difusa, há 3 dias, as- sociada à distensão abdominal e parada de elimi- nação de gases e fezes. Refere alteração do hábito intestinal há 3 meses, com necessidade de laxativos para evacuar, além de sangue nas fezes e alteração do formato. Nega vômitos. Não tem antecedentes mórbidos relevantes e nega operações prévias. Ao exame físico está em bom estado geral, corado, desidratado, IMC: 31kg/m2. Semiologias cardíaca e pulmonar normais. Abdome: 0ácido, distendido, pouco doloroso à apalpação, sem sinais de irritação peritoneal e sem massas palpáveis. No toque retal, ausência de fezes na ampola, presença de lesão ul- cerada circunferencial a 6 cm da borda anal e pre- sença de sangue. Realizada tomogra!a de abdome e pelve: ausência de lesões hepáticas, sem líquido livre. Distensão apenas de cólon e espessamento do reto médio distal com linfonodos aumentados no mesorreto. Qual é a conduta? A Ileostomia em alça por laparotomia. B Retossigmoidectomia oncológica e colostomia terminal. C Colostomia em alça por laparotomia. D Amputação de reto com linfadenectomia. Questão 10 (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS – RORAIMA, 2021) Ana- lise as a!rmativas abaixo sobre o acesso vascular por canulação venosa central. I. O posicionamento distal de um dispositivo apropriado de acesso vas- cular deve ter sua extremidade posicionada na veia cava superior ou inferior, dependendo do local da inserção periférica; II. Deve ser dada preferência ao lado direito, pois a cúpula pleural é mais baixa com menor risco de pneumotórax; III. Devem-se evitar punções de veia subclávia esquerda pelo fato de o ducto torácico desembocar nessa posição com maior risco de quilotórax; IV. As principais indica- ções incluem monitorização hemodinâmica invasi- va (pressão venosa central, pressão de artéria pul- monar, débito cardíaco por termodiluição) e aces- so vascular para a infusão de soluções cáusticas, irritantes, hiperosmóticas e vasoativas. Assinale a alternativa que indica todas as a!rmativas corretas. A São corretas apenas as a!rmativas I e III. B São corretas apenas as a!rmativas I, II e III. C São corretas apenas as a!rmativas I, III e IV. D São corretas as a!rmativas I, II, III e IV. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 108 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: O acesso venoso central é um procedimento muito realizado na medicina, particu- larmente no contexto de pacientes manejados em unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico duran- te grandes cirurgias e em pacientes que exigem a ad- ministração de drogas vasoativas, nutrição parenteral e outras substâncias especí!cas, além de auxiliar na monitorização dos pacientes, sendo útil, por exem- plo, para a mensuração da pressão venosa central. São comuns questões abordando a técnica de in- serção dos catéteres venosos centrais e que abor- dam suas complicações e indicações. Alternativa A: INCORRETA. O risco de hemotórax é maior no sítio da veia subclávia, uma vez que pun- ções arteriais inadvertidas não podem ser compri- midas manualmente, o que favorece a ocorrência do hemotórax. Alternativa B: INCORRETA. O risco de pneumotórax é, logicamente, muito maior nos catéteres inseridos na subclávia, em virtude do risco de punção inad- vertida da pleura no ápice pulmonar. Alternativa C: CORRETA. A saturação venosa central deve ser avaliada através de um catéter localizado na entrada do átrio direito ou muito próxima a ele, sendo mais adequado assim realizar essa mensu- ração através de catéteres inseridos no sítio jugular ou subclávio. Alternativa D: INCORRETA. Tema que apresenta controvérsias, no entanto as RCTs realizadas acerca do tema demonstraram aumento do risco de colo- nização no sítio femoral, sem aumento estatistica- mente signi!cativo do risco de infecção. ! )(*+,*-':.C Questão 2 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: A Warfarina deve ser suspensa de 4-5 dias. Para o paciente não !car sem anticoagula- ção, a estratégia é iniciar uma heparina em dose PLENA, de modo que suspenderemos a Heparina Não Fracionada 6h antes da cirurgia, e a Heparina de Baixo Peso Molecular, 24h antes. ! )(*+,*-':.C Questão 3 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: Questão confusa e polêmica, uma vez que existem divergências na literatura, mas vamos aos conceitos primeiramente: Cirurgia CONTAMI- NADA é aquela em que existe uma ferida traumáti- ca com lesão visceral com <6 horas e, nesse caso, utilizamos antibioticopro!laxia por 24-48 horas, mas, caso tenha ocorrido há >6 horas, iremos ter uma ferida/cirurgia INFECTADA e, nesse caso, está indicada a antibioticoterapia. No caso da questão, podemos classi!car como uma cirurgia contami- nada (ocorreu há 90 minutos) e iremos realizar an- tibioticopro!laxia. ! )(*+,*-':.A Questão 4 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: Um dos critérios para uso de antibioticopro!laxia no pré-operatório é o rigor da técnica de antissepsia. Alternativa A: INCORRETA. A desinfecção corres- ponde à remoção de germes da superfície e a este- rilização é a completa destruição da microbiota pre- sente em determinada superfície. Materiais usados durante a cirurgia, como instrumentais, luva, avental, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cap. 4 109 entre outros, são estéreis, mas a pele do paciente/ pro!ssional nunca conseguirá ser esterilizada. Alternativas B e C: INCORRETAS. Antissepsia con- siste na utilização de produtos (microbicidas ou microbiostáticos) sobre a pele ou mucosa com o objetivo de reduzir ou remover os micro-organismos em sua superfície, a exemplo da lavagem das mãos. A assepsia, por outro lado, visa afastar novos mi- croorganismos de um determinado ambiente, com a utilização de luvas, gorros, aventais, entre outros. Alternativa D: CORRETA. Apesar de ter sido libera- da como a resposta correta, se levada ao pé da le- tra, a retirada de sujidade por sangue de materiais consiste na desinfecção e é realizada após o ato cirúrgico. É, de fato, a a!rmativa “mais” correta. ! )(*+,*-':.D Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Q Q Y Dica do professor: A utilização de drenos, ape- sar de controversa, é frequente em procedimentos cirúrgicos. Esses podem ser classi!cados quanto ao material (borracha e silicone), à forma de ação, à atividade (ativos ou passivos) e à estrutura básica. Em relação à ação, os drenos podem ser capilares (saída de secreção ocorre pela superfície externa do dreno, sendo Penrose o grande exemplo), de gra- vitação (com cateteres de grosso calibre, formam um sistema fechado associado a bolsas coletoras) e de sucção (drenagem ocorre devido ao estabe- lecimento de pressão negativa dentro da cavidade a ser drenada). Alternativa A: CORRETA. Drenos laminares costu- mam ser tubulares, maleáveis, de paredes !nais e delgadas, que permitem a drenagem por capilari- dade. Alternativa B: INCORRETA. Os drenos de Blake e de Jackson-Pratt são tubulares com segmentos laminares e, por isso, juntam a drenagem por capi- laridade à drenagem por sucção (pressão). Alternativa C: CORRETA. O dreno Porto Vac con- segue remover acúmulos em áreas de descola- mento amplo, sendo considerado um dreno ativo. Após mastectomia com linfadenectomia ele per- mite a drenagem da linfa e impede a formação de edema e, após tireoidectomia, avalia presença de sangramento e impede a formação de hematomas paratraqueais. Alternativa D: CORRETA. Drenos sem sucção pre- cisam de diferença de pressão entre os meios in- terno e externo (negativa X positiva) e, para isso, dependem da gravidade e dacapilaridade para agir. ! )(*+,*-':.B Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: a antibioticopro!laxia tem como objetivo a prevenção de infecção de sítio ci- rúrgico. Deve ser iniciada 1 hora antes da incisão, com duração máxima de 24 horas, utilizando um fármaco de espectro adequado para a 0ora da re- gião manipulada. Alternativa A: Incorreta. A cefazolina tem meia-vida curta, sendo recomendada seu repique em cirurgias prolongadas a cada 3-4 horas, ou caso ocorra san- gramento signi!cativo. Alternativa B: Incorreta. As cefalosporinas de primei- ra geração estão entre os fármacos mais utilizados na antibioticopro!laxia, não havendo necessidade de associação de outro fármaco pela manipulação de vias biliares. Alternativa C: Incorreta. Não há benefícios em ad- ministrar novas doses de antibiótico após o !m da cirurgia nesse caso. A antibioticopro!laxia prolon- gada está associada a maiores riscos de infecções nosocomiais não relacionadas ao local cirúrgico. Alternativa D: Correta. É recomendado repique da dose de antibiótico em cirurgias com sangramento excessivo, já que pode ocorrer redução dos seus níveis séricos. ! )(*+,*-':.D Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: questão “prática” e direta de cvc guiado por usg. Alternativa A: incorreta. Para melhor visualização de estruturas super!ciais, emprega-se o transdutor reto. Alternativa B: correta. Incompressibilidade da veia re0ete trombose, tornando o acesso inadequado para implante de um cateter. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Bases da cirurgia e procedimentos Cirurgia geral 110 Alternativa C: incorreta. É na maioria. Alternativa D: incorreta. É o contrário, o acesso fe- moral é o que apresenta maiores taxas de infecção na maioria dos serviços. ! )(*+,*-':.B Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Paciente oncológica, com mais de 60 anos de idade, é considerada como de alto risco para desenvolvimento de tromboembolismo venoso! Nessas situações, além de medidas com- portamentais (como deambulação precoce e uso de meias elásticas), é mandatória a quimiopro!laxia com anticoagulante em dose pro!lática. ! )(*+,*-':.C Questão 9 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: Lesão tocável a 6 cm da bor- da anal? Isso é tumor de reto! Um subtipo do tumor de cólon. Para acertar a questão, devemos ter em mente que tumores de reto médio e baixo merecem receber tratamento neoadjuvante! Alternativa A: Precisamos tirar o paciente da urgên- cia obstrutiva (obstrução em alça fechada). Ele tem somente o cólon distendido, isto quer dizer que sua válvula ileocecal é competente! Se !zermos uma ileostomia, ele continuará com o cólon distendido e obstruído. Alternativa B: A retossigmoidectomia oncológica com colostomia terminal (cirurgia de Hartmann) seria uma opção se esse tumor fosse de sigmoide ou reto alto. Se não existisse indicação de terapia neoadjuvante, mas não é o caso. Alternativa C: Correta! Devemos derivar o trânsito intestinal somente, tirar o paciente da urgência obs- trutiva e não abordar o tumor. Dessa forma, o mesmo pode ser estadiado de forma correta, com RM de pelve e realizar a químio e radioterapia neoadjuvante! Para em um segundo momento (8 semanas após), realizar a cirurgia com intuito curativo (retosigmoi- dectomia com excisão total do mesorreto). Alternativa D: A amputação abdominoperineal !ca reservada para tumores localizados na borda anal e que acometem o esfíncter. De qualquer forma, mesmo que estivéssemos frente a uma lesão des- sas, nunca realizamos uma amputação na urgência, pois é uma cirurgia complexa e mórbida. Primeiro o paciente seria submetido à químio e radiotera- pia neoadjuvante, na tentativa de salvar o reto e o esfíncter. ! )(*+,*-':.C Questão 10 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Os acessos venosos centrais são indicados principalmente em casos de di!culda- de de acesso venoso periférico, incompatibilidade da droga com o acesso venoso periférico (como, por exemplo, drogas vasoativas, quimioterápicos, nutrição parietal podem causar 0ebites se adminis- trados em vasos de menor calibre) e monitorização hemodinâmica invasiva. A/rmativa I: CORRETA. O posicionamento da ex- tremidade distal, esperado após um acesso veno- so central, de fato deve ocorrer em uma das veias cavas, dependendo-se do local da punção. A/rmativa II: CORRETA. O lado direito deve ser preferido para a realização dos acessos venosos centrais realmente por este fato da cúpula pleural ser mais baixa. A/rmativa III: CORRETA. Realmente deve-se evitar a realização da punção da veia subclávia esquerda pelo desembocamento do ducto torácico, podendo levar à formação de um quilotórax. A/rmativa IV: CORRETA. Conforme mencionado na dica, essas são indicações do acesso venoso central. ! )(*+,*-':.D ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 111 Capítulo 5COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Comorbidades prévias têm grande in!uência no resultado "nal e complicações de uma cirurgia. u A infecção de ferida operatória acontece em até 30 dias após a cirurgia ou em 1 ano, se houver uso de implante. O principal agente encontrado é o Staphylococcus aureus. u Deiscência é a abertura das suturas cirúrgicas. As principais causas são infecção da ferida operatória, seroma, hematoma e aumento da pressão abdominal. u É importante atentar às várias situações que o paciente pode apresentar no pós-operatório, como febre, tromboembolismo venoso, íleo paralítico e fístulas gastrointestinais. 1. INTRODUÇÃO Complicações cirúrgicas fazem parte do dia a dia de qualquer cirurgião. Podem acontecer por uma variedade de motivos: condição intrínseca do paciente, comorbidades, má técnica cirúrgica ou, até mesmo, sem motivo aparente. A principal medida para evitá-las é ter uma prática cirúrgica cuidadosa, criteriosa, com indicações corretas, atenção ao pós-operatório, análise crítica e construtiva das complicações que já ocorreram, e sempre realizar um pré-operatório bem feito, com identi"cação dos fatores de risco e correção dos fatores modi"cáveis. Interromper tabagismo, perder peso, fazer o controle glicêmico, corrigir desnutrições são medidas de extrema importância e com e"cácia comprovada na redução de complicação. A extensão da cirurgia está diretamente ligada às suas complicações, por isso, a utilização de procedimentos menos invasivos, como a laparoscopia, em detrimento de cirurgias extensas e abertas, é outra medida que bene"cia o paciente, reduzindo as taxas de complicações. 2. COMPLICAÇÕES DA FERIDA OPERATÓRIA 2.1. SEROMA O seroma é uma coleção de gordura liquefeita, soro e líquido linfático que se forma sob a incisão cirúr- gica. Esse líquido, geralmente, é claro, amarelado e um pouco viscoso, sendo encontrado na camada subcutânea, logo abaixo da derme. São represen- tantes das complicações mais benignas após um procedimento cirúrgico, ocorrendo quando se cria um grande retalho de pele no curso da operação, como visto nos casos de mastectomias, dissec- ções auxiliares, dissecção da região inguinal e em grandes hérnias ventrais. No geral, apresentam-se como um edema localizado e bem circunscrito, com desconforto à pressão e ocasional drenagem de líquido claro pela ferida imatura. A prevenção pode ser obtida pela colocação de drenos de sucção sob os retalhos de pele ou no potencial espaço morto criado pela linfadenectomia, de modo que a retirada prematura desses drenos resulta, no geral, em grandes seromas, que requerem aspirações repetidas, sob condições estéreis, seguidas pela #$%&'()*+#,/%'-.,/0*+#, ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 112 Cirurgia geral colocação de curativos compressivos. Quando um seroma reacumula após, pelo menos, duas aspira- ções, deve ser evacuado pela abertura da incisão e feita a limpeza da ferida com gaze umedecida com solução salinapara permitir cicatrização por segunda intenção. Ademais, um seroma infectado também é tratado por drenagem aberta. Figura 1. Coleção de seroma dentro de tela para reparo de hérnia. Fonte: Acervo do autor. Figura 2. Tomogra"a de abdome evidenciando uma tela de reparo para hérnia (pontas de seta) com a presença de seroma (*) e uma parede com aumento do tecido de granulação (seta) entre o seroma e a cavidade abdominal. Fonte: Scott.1 DIA A DIA MÉDICO Seroma é uma das complicações pós-operatórias mais comuns e, por de"nição, é uma coleção de líquido abaixo da ferida (no subcutâneo). Possui caráter benigno, é indolor e se apresenta como um líquido citrino, amarelado, que drena pela incisão operatória. Origina-se da liquefação da gordura, transudação serosa e extravasamento linfático, por isso, ocorre com mais frequência em obesos, cirurgias com grandes descolamentos de pele e linfadenectomias. Seu tratamento pode ser observação e curativo compres- sivo, em casos menores, ou drenagem com expressão da ferida, punção da coleção. A colocação de drenos subcutâneos, especialmente em cirurgias de risco, pode ser uma estratégia para evitá-la. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 113 2.2. HEMATOMA Trata-se de uma coleção anormal de sangue, geral- mente na camada subcutânea de uma incisão recente ou em um espaço potencial na cavidade abdominal após exérese de um órgão, como o hematoma na loja esplênica após uma esplenecto- mia. É uma complicação mais preocupante do que os seromas, pois possui um maior potencial para infecções secundárias. A formação do hematoma se dá com sangramento na camada envolvida após o fechamento da pele, estando relacionado com a hemostasia, depleção dos fatores da coagulação e presença de coagulopatia. As manifestações clínicas variam de acordo com o tamanho e a localização do hematoma, podendo se manifestar como uma tumefação expansiva ou como dor na área da incisão cirúrgica, ou, ainda, como ambas. Quanto aos locais de surgimento, tem-se diferentes manifestações, como: no pescoço: comprometimento de via aérea; no retroperitônio: íleo paralítico, anemia e outras; extremidades e cavidade abdominal: síndrome com- partimental. Para prevenção do hematoma, deve-se corrigir no pré-operatório qualquer anormalidade da coagulação e descontinuar medicamentos que a alterem. Quando o hematoma é pequeno, não exige nenhuma intervenção e acabará sendo reab- sorvido, mas hematomas maiores ou que possam comprometer funções vitais (como obstrução de vias aéreas) podem ser drenados. DIA A DIA MÉDICO Várias condições podem favorecer o surgimento dos hematomas por se relacionarem com a coagulopatia, como: distúrbios mieloproliferativos, insu"ciência hepática e renal, septicemia, de ciência dos fatores de coagulação e também do uso de medicamentos (aspirina, clopidogrel, heparina e outros). Conceito importante: não confundir o termo “hematoma” com “equimose”. Equimose é a alteração dermatológica, o “roxo” na pele, enquanto hematoma é a coleção de sangue formada e organizada. 2.3. INFECÇÃO DE FERIDA OPERATÓRIA É de"nida como a infecção da ferida operatória que acontece em até 30 dias após a cirurgia (ou 1 ano, se houver uso de implante e próteses). É uma com- plicação muito temida que pode ocasionar desde comprometimento estético até o aparecimento de hérnias incisionais. Geralmente tem etiologia de germes de pele, Sta- phylococcus aureus (na maioria das vezes) e outros germes gram-positivos. Ela pode ser vista como um espectro de complicações que vão variar de acordo com a camada de acometimento da infecção, variando em gravidade e tratamento. u Infecção super"cial: Envolve apenas a pele e o subcutâneo. Apresenta-se com hiperemia local, dor, edema ou drenagem purulenta. O tratamen- to deve ser feito com abertura dos pontos para facilitar a drenagem e curativos diários. Antibió- ticos só devem ser utilizados caso o paciente apresente sinais de celulite (hiperemia, além da ferida operatória) e comprometimento sistêmico. u Infecção profunda: Envolve os planos profundos (músculo e fáscia), mas não atinge órgãos inter- nos. Abscessos ou deiscência da sutura podem estar presentes. Aqui deve ser feita a exploração da ferida para avaliar a extensão e, caso haja te- cido desvitalizado, o desbridamento pode ser in- dicado. Antibioticoterapia semelhante à infeção super"cial. A cultura é pouco útil, pois existe alta taxa de contaminação. u Infecção de órgãos ou cavidade: Envolve qual- quer parte que foi aberta e manipulada durante o procedimento cirúrgico. Presença de drena- gem purulenta, abscesso ou cultura positiva de secreção intracavitária fecham seu diagnóstico. Antibiótico será sempre necessário associado a alguma técnica de drenagem da secreção (cirur- gia ou punção). ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 114 Cirurgia geral Tabela 1. Critérios diagnósticos de infecção de ferida operatória. Fonte: Townsend.3 3. DEISCÊNCIA DE FERIDA OPERATÓRIA Deiscência de ferida operatória é a separação das camadas musculoaponeuróticas no início do curso pós-operatório. Está entre as complicações mais temidas, pois há possibilidade de evisceração e necessidade de intervenção imediata, além de haver possibilidade de deiscência repetida, infecção da ferida e formação de hérnia incisional. Essa compli- cação ocorre em cerca de 1%–3% dos pacientes sub- metidos a operações abdominais, ocorrendo com maior frequência com 7–10 dias de pós-operatório, mas pode ocorrer a qualquer momento, entre 1 a até mais de 20 dias. No geral, está relacionada com erros técnicos de suturas muito próximas à margem, muito distantes ou sob grande tensão, e a infecção profunda é uma das causas mais comuns de separa- ção localizada da ferida, além de outros fatores que podem contribuir, como: pressão intra-abdominal aumentada e fatores que in!uenciam adversamente a cicatrização da ferida. A deiscência pode ocorrer sem aviso e a evisceração torna o diagnóstico óbvio, e, nos casos iniciais, a investigação pode ser feita com um aplicador de ponta de algodão estéril ou com o dedo enluvado na ferida, para detecção da deiscência. Para prevenção, pode-se lançar mão de sutura com pontos separados. Uma vez diag- nosticada, o tratamento depende da extensão da separação da fáscia e da presença de evisceração ou contaminação intra-abdominal signi"cativa. Dessa forma, uma deiscência pequena pode ser tratada conservadoramente, cobrindo a ferida com gaze umedecida e uma bandagem abdominal, e, no caso de evisceração, os intestinos devem ser cobertos com uma compressa estéril umedecida com solução salina e o paciente deve ser preparado para retornar à sala de operação com urgência. Durante a reabordagem cirúrgica, realiza-se uma exploração completa da cavidade abdominal para exclusão de foco séptico ou uma deiscência anas- tomótica que possa ter predisposto à deiscência da incisão cirúrgica. O tratamento da infecção tem importância crítica antes de se tentar o fechamento da parede abdominal. Se a fáscia estiver infectada ou necrótica, realiza-se seu desbridamento. Se, após isso, as margens da fáscia não puderem ser aproximadas sem tensão indevida, deve-se consi- derar o fechamento com tela absorvível ou com as próteses biológicas. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 115 Figura 3. Deiscência de ferida operatória. Fonte: Neffa.4 DIA A DIA MÉDICO A deiscência da ferida operatória abdominal pode se apresentar de algumas formas: W Eventração: diz respeito à deiscência apenas da apo- neurose, deixando íntegra a sutura da pele. O paciente evolui com uma hérnia incisional. Seu tratamento é a ressutura da parede, da aponeurose, em caráter eletivo precoce, na mesma internação. W Evisceração: trata-se deuma deiscência completa, tanto da aponeurose quanto da pele, de forma que as vísceras assumem contato com o meio externo. Essa situação é grave e deve ser prontamente resolvida com ressutura de parede em caráter urgente. Aqui o paciente irá se queixar de grande vazamento de líquido pela ferida cirúrgica, correspondendo à saída de líquido peritoneal. Comumente, as alças intestinais são visíveis através da ferida. 3.1. FERIDA CRÔNICA São aquelas que não cicatrizaram completamente em um período de 30 a 90 dias após o procedimento cirúrgico. Essas feridas são mais frequentemente encontradas nos pacientes que fazem uso de altas doses de corticoides, nos imunossuprimidos com câncer, que estejam em quimioterapia, em radiotera- pia, pacientes desnutridos, pacientes com deiscência de sutura, com uma grande base de granulação e pacientes com AIDS. A prevenção dessas feridas geralmente é difícil, mas nas situações em que é possível, medidas como evitar uma operação sobre o local irradiado, orientar um paciente obeso a perder peso antes da cirurgia ou melhorar o estado nutricional antes do procedimento, além de orientar sobre a cessação do tabagismo, podem contribuir para a prevenção. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 116 Cirurgia geral Mapa mental 1. Complicações de ferida operatória Feridas operatórias Complicações Hematoma Deiscência de ferida operatória Infecção Ferida crônica Seroma Prevenção: Drenos de sucção Potencial para Infecções secundárias Prevenção: Suturar com pontos separados Prevenção: Antibióticos MEV Tratamento: Drenagem Tratamento: Drenagem Observar (pequenos) Tratamento: Conservador ou Reabordagem cirúrgica Tratamento: Antibioticoterapia Coleção: Gordura liquefeita; Soro; Líquido linfático Coleção: Sangue Separação das camadas musculoaponeuróticas Contaminação bacteriana do sítio operatório Cicatrização incompleta Localização: Tecido subcutâneo Localização: Tecido subcutâneo Complicação temida Risco de evisceração Principais patógenos: S. aureus e S. coagulase-negativo Mais comum em: Imunossuprimidos; Uso de corticoides; Câncer – Qt ou Rt; Fonte: Supermaterial – Complicações em Cirurgia.7 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 117 4. FEBRE NO PÓS-OPERATÓRIO Apesar de ser muito comum, o diagnóstico dife- rencial de febre no pós-operatório não é simples. Muitas condições, desde etiologias benignas até potencialmente letais, podem levar ao aumento da temperatura corpórea. Por isso, os sintomas asso- ciados e, principalmente, o dia de pós-operatório de início do quadro febril, são de extrema importância para o diagnóstico de"nitivo. 4.1. PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO !OU INTRAOPERATÓRIO" Nesse momento, duas hipóteses são mais prová- veis: infecção preexistente ou reações transfusio- nais. Além disso, vale lembrar de um dos principais diagnósticos diferenciais, a hipertermia maligna. A hipertermia maligna (HM) é uma crise hipermetabó- lica potencialmente fatal que se manifesta durante ou após a exposição a um anestésico geral, em indivíduos suscetíveis. A estimativa é que ocorra um episódio de hipertermia maligna em 1 a cada 30.000–50.000 adultos. Trata-se de uma doença que é herdada e autossômica dominante, com dois genes de suscetibilidade identi"cados em seres humanos e quatro mapeados a cromossomos espe- cí"cos, mas não identi"cados de"nitivamente. Essa mutação resulta em regulação alterada do cálcio no músculo esquelético na forma de !uxo aumentado desse íon proveniente do retículo sarcoplasmático no mioplasma. Alguns agentes anestésicos (halotano, em urano e outros) e relaxantes musculares despo- larizantes (succinilcolina e suxametionina) causam elevação na concentração do cálcio mioplásmico. Quando isso acontece nos pacientes suscetíveis, ocorre uma liberação anormal de cálcio, que provoca ativação prolongada dos "lamentos de músculo, cul- minando em rigidez e hipermetabolismo, o que gera hipóxia celular, acidose lática e hipercapnia, além da geração excessiva de calor, que, se não for tratada, culmina na morte de miócitos e na rabdomiólise (que leva à hipercalemia e mioglobinúria). Por "m, o paciente desenvolve coagulopatia disseminada, ICC, isquemia intestinal e síndrome compartimental. Sus- peita-se de suscetibilidade à HM no pré-operatório no paciente com história familiar de HM ou história pessoal de mialgia após exercício, uma tendência ao desenvolvimento de febre, doença muscular e intolerância à cafeína. Para esses indivíduos, a anestesia deve ser sem de!agrador (barbitúricos, benzodiazepínicos, opioides, propofol, etomidato, cetamina, óxido nitroso e bloqueadores neuromus- culares não despolarizantes). Os indivíduos sem sus- peita de suscetibilidade podem manifestar a doença pela primeira vez durante ou imediatamente após a administração de um anestésico geral de!agrador, com manifestações clínicas variáveis, podendo ser a forma abortiva (taquicardia, arritmia, temperatura elevada e acidose), e outros cursam com a rigidez muscular, sendo que o espasmo do músculo mas- seter é um sinal patognomônico precoce. Outros sintomas incluem: taquipneia, hipercapnia, rubor de pele, hipoxemia, hipotensão, anormalidades eletro- líticas, rabdomiólise e hipertermia. O tratamento é baseado na descontinuação da droga de!agradora, hiperventilação do paciente com O2 a 100%, adminis- tração de anestesia alternativa, concluir a operação, administrar Dantrolene (relaxante muscular) 2,5 mg/ kg em bolus e repetir a cada 5 min, depois 1–2 mg/ kg/h, até normalização ou desaparecimento dos sintomas, checar e monitorizar o paciente (gaso- metria arterial, creatina cinase, eletrólitos, lactato e mioglobina), além de eletrocardiograma, sinais vitais e débito urinário, e devem-se adotar medidas de suporte. 4.2. ENTRE O 2º E O 4º DIA DO PÓS-OPERATÓRIO Destacam-se as condições in!amatórias não infec- ciosas, como a resposta endócrina metabólica ao trauma (REMIT) ou atelectasia. Outras complica- ções, como trombose venosa, embolia gordurosa, hematoma e seroma, também podem ser respon- sáveis. Nesses casos, o paciente não apresenta alterações sistêmicas associadas e o tratamento é de suporte. A fasceíte necrotizante é uma infecção profunda da ferida operatória que, devido a sua rápida evolução, pode se manifestar nos primeiros dias. Hipere- mia, além das bordas da ferida com progressão em horas e presença de gás, podem ser sinais. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 118 Cirurgia geral Antibioticoterapia e intervenção cirúrgica com des- bridamento extenso da área acometida devem ser imediatas. 4.3. APÓS O 3º DIA DE PÓS-OPERATÓRIO As causas infecciosas passam a ser mais prevalen- tes: infecções urinárias em primeiro lugar, seguidas de pneumonias, infecções associadas a cateteres e ferida operatória. O tratamento deve ser direcionado para o foco infeccioso suspeito. Entre o 5º e o 7º dia, atenção especial deve ser dada aos pacientes com anastomose do trato digestivo, pois esses são os dias mais preocupantes para uma deiscência dessa anastomose e extravasamento de conteúdo entérico. DIA A DIA MÉDICO Vale lembrar que a febre é um dos achados mais preocu- pantes no paciente em pós-operatório, podendo ocorrer em até 2/3 dos pacientes, e a sua causa é infecciosa em cerca de 1/3 dos casos. Quando a febre surge antes de 72 horas de pós-operatório, em especial, quando tem surgimento nas primeiras 24–48 horas, deve-se pensar em atelectasia, que normalmente evolui com uma febre baixa. Além disso, outras causas podem ser: infecção necrosante do sítio cirúrgico ou peritonite difusa (cursa, geralmente, com: febre, distensão abdominal e vômitos). O paciente que apresenta febre precoce merece uma avaliação adequada da ferida operatória, justamente devidoà possibilidade de infecção necrosante do sítio operatório. Já a febre que surge após as 72 horas, está associada com outras causas, como: infecção do trato urinário, infecção da ferida operatória (na forma não necrosante), deiscência anastomótica, sinusite, tromboem- bolismo venoso profundo e colite pseudomembranosa (paciente que fez uso prévio de antibióticos). O tratamento é determinado pelos resultados da avaliação do paciente (etiologia da febre/sítio da infecção), sendo que muitos cirurgiões recomendam a diminuição da temperatura com o uso de antitérmicos e, caso haja suspeita de infecção, deve-se entrar com o antibiótico mais adequado para o sítio infeccioso. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 119 Mapa mental 2. Complicações de ferida operatória Febre Pode ocorrer em até 2/3 dos pacientes Pós-operatório Intraoperatório Infecção pré-existente Reação transfusional Diagnóstico diferencial: Hipertermia Maligna Elevação da temperatura Não hipotalâmica Crise hipermetabólica Surge após contato com deflagrador. Um anestésico. Indivíduos suscetíveis Descontinuação da droga + Hiperventilação + Dantrolene PENSE EM ATELECTASIA Infecção do trato urinário; Infecção da ferida operatória; Deiscência anastomótica; Colite pseudomembranosa; Antes de 72h Após 72h Fonte: Supermaterial – Complicações em cirurgia.7 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 120 Cirurgia geral 5. TROMBOEMBOLISMO VENOSO Trombose venosa profunda (TVP) e tromboembo- lia pulmonar (TEP) são espectros de uma mesma doença, sendo o TEP uma complicação da TVP. Ambas as condições são de grande prevalência em pacientes cirúrgicos, chegando a 50%, a depender das condições de base do paciente. Especialmente o TEP, quando não diagnosticado, alcança alta mortalidade, de até 30%. Apesar disso, ambas as condições ainda são pouco diagnosticadas. O melhor tratamento para essas condições é a pro- "laxia, seja mecânica ou química (medicamentosa). Falamos um pouco mais das estratégias de pro"- laxia e suas consequências no capítulo de bases da cirurgia e procedimentos. 6. COMPLICAÇÕES PULMONARES BASES DA MEDICINA Sabe-se que diversos fatores contribuem para uma semio- logia pulmonar anormal após um procedimento cirúrgico, como: diminuição na capacidade residual funcional (rela- cionada com distensão abdominal, incisão dolorosa na região abdominal superior, obesidade, tabagismo, DPOC, decúbito dorsal prolongado e sobrecarga de líquidos, que pode levar a um edema pulmonar). A capacidade vital des- ses pacientes pode estar reduzida em até 50% do normal, durante os dois primeiros dias de pós-operatório. Além disso, o uso de narcóticos inibe de forma signi"cativa o impulso respiratório. Alterações pulmonares após procedimentos cirúr- gicos são muito comuns: a capacidade pulmonar pode reduzir-se em até 50% nos primeiros dois dias de pós-operatório sem haver nenhuma patologia associada (atelectasia, embolia ou infecção). 6.1. ATELECTASIA A atelectasia é a complicação respiratória mais comum no pós-operatório. Isso ocorre através da ação dos anestésicos, da incisão abdominal e dos narcóticos pós-operatórios, que faz com que os alvéolos periféricos entrem em colapso, podendo ocorrer uma derivação pulmonar. Diante disso, caso não haja intervenção imediata, esses alvéolos podem permanecer colapsados, levando ao acúmulo de secreções que podem se infectar por bactérias. O risco parece ser particularmente alto em pacien- tes tabagistas, que sejam obesos e apresentem copiosas secreções pulmonares. A pneumonia pode se desenvolver de forma precoce (2–5 dias após admissão no hospital) ou tardiamente (>5 dias). Possui como principais focos etiológicos: aspiração dos conteúdos orofaríngeos e gástricos. Quanto ao quadro clínico, sabe-se que a atelectasia é a causa mais comum de febre pós-operatória nas primeiras 48 horas, com os pacientes apresen- tando uma febre baixa, mal-estar e diminuição dos murmúrios vesiculares nos campos pulmonares inferiores e, como dito antes, se não tratada de forma agressiva, é muito provável que evolua para pneumonia. Desse modo, com o estabelecimento da pneumonia, o paciente apresenta febre alta, oca- sionalmente, confusão mental e a tosse produtiva (com secreção espessa), leucocitose e radiogra"a de tórax revelando in"ltrados. Caso o paciente não seja prontamente diagnosticado e tratado, poderá evoluir de forma rápida para insu"ciência respiratória e necessitar de intubação. A prevenção da atelectasia e da pneumonia está associada ao controle da dor, que permite que o paciente respire profundamente e consiga tossir. Encoraje o paciente a tossir com a aplicação de um travesseiro sobre o local da incisão abdominal, além de encorajá-lo a respirar profundamente e a tossir, sendo essa a abordagem de tratamento isolada mais valiosa na resolução da atelectasia e da pneumonia. 6.2. PNEUMONIA E PNEUMONITE PÓS-ASPIRAÇÃO Sabe-se que a aspiração de conteúdos orofarín- geos ou gástricos para o trato respiratório é uma complicação grave das intervenções cirúrgicas. A pneumonite por aspiração (relacionada com contato do conteúdo gástrico com a mucosa pulmonar), tam- bém chamada de Síndrome de Mendelson, descreve ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 121 uma lesão pulmonar aguda que resulta da inalação de conteúdos gástricos regurgitados, enquanto a pneumonia por aspiração resulta da inalação de secreções orofaríngeas que são colonizadas por bactérias patogênicas. Dentre os fatores de risco para regurgitação e aspiração, estão: lesão dos esfíncteres esofágicos e re!exos laríngeos, motili- dade GI alterada e ausência de jejum pré-operatório, e, quanto à aspiração orofaríngea, sabe-se que o idoso é bastante suscetível, além dos pacientes com tubo nasogástrico ou debilidade de deglutir e limpar suas vias aéreas. Quanto à clínica, o paciente com aspiração, no geral, apresenta história de vômitos associado à aspiração, manifestando-se com sibilos e respiração ruidosa, enquanto os pacientes que aspiram conteúdo gástrico cursam com tosse e sibi- los. Vale lembrar que alguns pacientes apresentam aspirações silenciosas, sugeridas pela presença de in"ltrado na radiogra"a de tórax ou PaO2 reduzida, e outros pacientes podem ter manifestações mais graves, com apneia e sibilo que progressivamente evoluem para edema pulmonar e SARA. A prevenção da aspiração é obtida com medidas que reduzem o conteúdo gástrico, minimizem a regurgitação e protejam a via aérea. Além disso, é importante que, no pós-operatório, evite-se o uso de narcóticos em excesso, que haja incentivo à deambulação e a alimentação seja adaptada para os pacientes obnubilados, idosos ou debilitados. Com a suspeita de aspiração, o paciente deve ser prontamente monitorado e, se necessário, ele deve ser intubado, seguido de aspiração agressiva da árvore brônquica. Nos pacientes com pneumonite sem 48 horas, está indicada a antibioticoterapia empírica, e aqueles com pneumonia por aspiração também devem receber antibióticos, em especial, que cubram os gram-negativos. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 122 Cirurgia geral Pulmonares Prevenção: Controle da DOR Permite que o paciente respire e consiga tossir. COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS A capacidade vital dos pacientes < 50% do normal Nos 2 primeiros dias ATELECTASIA PNEUMONIA É a complicação mais comum Colapso dos alvéolos Precoce 2 – 5 dias Tardia > 5 dias Devido aos anestésicos Pode culminar em infecção Etiologia Aspiração: Orofaríngea e Gástrica Síndrome de Mendelson Lembrete: A aspiração gástrica pode ocasionar uma pneumonite por aspiração. Mapa mental 3. Complicações pulmonares Fonte: Supermaterial– complicações em cirurgia.7 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 123 7. COMPLICAÇÕES GASTROINTESTINAIS 7.1. ÍLEO PARALÍTICO A obstrução intestinal pós-operatória precoce é considerada como aquela que ocorre em 30 dias após a operação. Essa obstrução pode ser funcional (íleo), decorrente da inibição da atividade intestinal propulsiva, ou mecânica, resultado de uma barreira física. O íleo que ocorre imediatamente após a cirurgia na ausência de fatores precipitantes dura, em média, 2–4 dias, sendo denominado de íleo pri- mário ou pós-operatório. Por outro lado, o íleo que ocorre devido a um fator precipitante e se associa em atraso no retorno da função intestinal é chamado de íleo secundário, adinâmico ou paralítico. Já a obstrução mecânica pode ter como causa uma barreira luminal, mural ou extramural. O mecanismo citopatológico e a etiologia do íleo pós-operató- rio não são bem compreendidos. Vários eventos podem ser desencadeantes em um procedimento cirúrgico abdominal, como: estresse cirúrgico e a manipulação do intestino, resultando em atividade simpática inibitória sustentada e liberação de hor- mônios e neurotransmissores, bem como ativa- ção da resposta in!amatória local, que resulta em supressão do aparelho neuromuscular. Além disso, no pós-operatório imediato, a restrição alimentar e a analgesia narcótica também contribuem para a alteração da motilidade intestinal. A obstrução intestinal mecânica precoce é comumente causada por aderências (cerca de 92% dos casos), !egmão ou abscesso, hérnia interna, isquemia intestinal ou intussuscepção. O íleo pós-operatório afeta prima- riamente o estômago e o cólon. No íleo adinâmico, o estômago, o delgado e o cólon são acometidos. Quanto à obstrução mecânica, sabe-se que ela pode ser completa ou parcial, podendo ocorrer na parte proximal ou distal do delgado. A extensão das mani- festações clínicas varia com a causa, grau e nível de obstrução. Nos casos de obstrução alta, há vômitos no início do curso da doença e podem apresentar distensão mínima ou não apresentar distensão, além da presença de vômito bilioso. Aqueles com obstrução distal vomitam tardiamente no curso da doença e apresentam distensão abdominal mais pronunciada, com vômitos inicialmente biliosos que se tornam mais fecaloides. Outros sintomas que podem surgir são: febre, taquicardia, manifestações de hipovolemia e sepse. O diagnóstico é baseado nos achados clínicos e nos achados radiográ"cos. As radiogra"as abdominais revelam alça intestinal difusamente dilatada por todo o trato intestinal, com ar no cólon e reto, além de níveis hidroaéreos. Nos casos de obstrução mecânica, existe uma pequena dilatação do delgado com níveis hidroaéreos e vál- vulas coniventes espessadas no intestino proximal ao ponto de obstrução e pouco gás, ou nenhum, no intestino distal à obstrução. A tomogra"a é um exame que pode auxiliar no diagnóstico, devendo ser solicitada nos casos de quadros confusos, se as radiogra"as não forem diagnósticas ou se a resposta ao tratamento for inadequada. Figura 4. Emplilhamento de moedas (obstrução do intestino delgado). Supermaterial – complicações em cirurgia.7 As medidas preventivas devem ser iniciadas no período intraoperatório e continuadas no período pós-operatório imediato. Durante o ato cirúrgico, o médico deve manipular de forma suave os tecidos ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 124 Cirurgia geral e limitar a dissecção peritoneal somente ao essen- cial, além de ser evitada a lesão de alças intestinais causadas por instrumentos e utilização de medidas como barreiras antiadesão. No período pós-operató- rio, os eletrólitos devem ser monitorados e qualquer alteração deve ser corrigida. Formas de analgesia alternativa aos narcóticos podem ser usadas, como os AINEs e a colocação de uma epidural torácica com anestésico local. Por "m, quando há suspeita ou diagnóstico de uma obstrução pós-operatória, uma abordagem em três etapas deve ser seguida: reanimação, investigação e intervenção cirúrgica. Logo, uma relaparotomia deve ser realizada se houver uma obstrução de intestino em alça fechada de alto grau ou complicada, intus- suscepção ou peritonite. O íleo adinâmico é tratado mediante a resolução de algumas das anormalidades (possíveis etiologias) e, esperando-se a cura, geral- mente não sendo exigida intervenção cirúrgica. A obstrução mecânica parcial, inicialmente, é tratada de forma expectante, caso o paciente se mantenha estável e com melhora clínica e radiológica. Caso sejam detectados sinais de deterioração, ou se não ocorrerem melhoras, a cirurgia está indicada. DIA A DIA MÉDICO Em resumo, leve para a vida que o íleo adinâmico ou metabólico é uma situação frequente em pós-operatórios diversos, mas principalmente em cirurgias abdominais. O1paciente desenvolve um quadro de obstrução funcional, uma aperistalse devido à manipulação cirúrgica das alças intestinais, alterações in!amatórias (REMIT, infecções) e metabólicas (principalmente hipocalemia). Alguns medi- camentos, como opioides, podem agravar o quadro. Após um procedimento cirúrgico, é normal que haja uma lenti- "cação transitória na peristalse do trato gastrointestinal. O intestino delgado costuma ser o primeiro a recuperar seu trânsito em poucas horas, seguido pelo estômago (24 a 48 horas) e cólon (48 a 72 horas). O íleo paralítico é uma condição diferente: o seu quadro clínico é de dor e distensão abdominal, com parada/redução de eliminação de fezes e !atos, náuseas, vômitos, desidratação e queda do estado geral. Na radiogra"a poderá ser observada dilatação de alças (sobretudo delgado), inclusive com níveis hidroaéreos. Esse quadro é chamado de “pseudo- -obstrução intestinal do delgado”. Diferencia-se, porém, de uma obstrução verdadeira, por apresentar ruídos hidroaéreos abolidos (em vez de aumentados) e ter curso benigno de evolução. O íleo, em geral, é conduzido de forma expectante e conservadora, enquanto se aguarda a autorresolução: jejum, hidratação, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e passagem de sonda nasogástrica. 7.2. DEISCÊNCIAS GASTROINTESTINAIS As anastomoses gastrointestinais podem, por vários motivos, evoluir desfavoravelmente, com deiscên- cias (abertura) e consequente extravasamento de conteúdo gastrointestinal para dentro da cavidade abdominal. Quadro 1. Fatores de risco para deiscência de anastomose. próxima a anastomose. - Técnica cirúrgica: - Tensão na linha de sutura - Perfusão sanguínea na anastomose - Localização da anastomose: - Pâncreas - Duodeno - Esôfago - Colorretais - Fatores locais: - Sepse - Processo inŇĂmatório - Coleção de líquido - Preparação mecânica do intesƟno - Drenos - Malignidade avançada - Radioterapia ou quimioterapia - Cirurgia de emergência - Choque circulatório - Desnutrição e deĮciência vitaminas - Obesidade - Uso de glicocorƟcoide. - Tabagismo Fonte: Acervo do autor. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 125 Essa grave complicação, quando presente, irá gerar um quadro de febre, dor abdominal, sinais de peri- tonite, leucocitose e saída de secreção purulenta/ fecaloide pela ferida. Uma estratégia que não reduz a taxa de complicação, porém reduz a gravidade dessa situação, é a atitude de deixar um dreno de vigilância perto da anastomose. Nesse caso, ao mínimo sinal de saída de secreção fecaloide pelo dreno, pode-se fazer o diagnóstico. O tratamento vai variar de acordo com a evolução do doente. Caso a contaminação se espalhe na cavidade, o paciente esteja com sepse ou com- prometimento do estado geral, será necessária uma nova abordagem cirúrgica para: drenagem da coleção acumulada; lavagem da cavidade; desvio do trânsito intestinal com confecção de ileostomia ou colostomia. A tentativa de fechamentoda deis- cência com sutura cirúrgica é pouco e"caz devido ao processo in!amatório. Caso essa contaminação "que localizada, pode-se realizar uma drenagem percutânea ou, quando já com drenos abdominais, prosseguir com jejum, hidratação, suporte nutricional (nutrição parenteral) e observação. Em um segundo momento, após reduzido o débito da fístula, pode-se reintroduzir a dieta. 7.3. FÍSTULAS GASTROINTESTINAIS Fístulas podem surgir de complicações de anas- tomoses cirúrgicas que evoluem para deiscência, processos in!amatórios (doença de Crohn) ou, até mesmo, de forma intencional (colostomia, ileostomia e cistostomia). A depender do conteúdo da fístula, desnutrição e diferentes distúrbios hidroeletrolíticos podem aparecer. Fístulas altas (gástricas e entéri- cas) podem levar à desidratação importante, pelo alto débito, e hipocalemia. Fístulas pancreáticas ou duodenais podem levar à acidose metabólica pela perda de bicarbonato. A suspeita diagnóstica de uma fístula anastomótica deve ocorrer a partir do quinto dia de pós-opera- tório, quando o paciente apresenta algum desses sintomas: u Taquicardia u Febre u Dor abdominal u Mudança na quantidade e/ou aspecto do dreno de vigilância u Leucocitose O aspecto do dreno, inclusive, dá pistas sobre a origem da fístula. Por exemplo, um débito leitoso, após um esvaziamento cervical, deve levantar a hipótese diagnóstica de fístula linfática. Da mesma forma, um débito bilioso após uma reconstrução gastrointestinal deve levantar a hipótese diagnóstica de fístula de coto duodenal ou re!uxo bilioso em uma gastroenteronastomose. Em caso de dúvida diagnóstica, pode-se, ainda, dosar componentes especí"cos do débito do dreno, como, por exemplo, amilase ou triglicérides. Diante do diagnóstico de fístula, o tratamento está baseado em dois elementos principais: u Suporte nutricional: W É importante lembrar de derivar o trânsito in- testinal do ponto da fístula. Isso pode ser feito através da passagem de uma sonda nasoen- teral, se a fístula for em uma esôfago-gastro anastomose, ou a confecção de uma jejunos- tomia, se a fístula for na gastroenteroanasto- mose, por exemplo. Agora, se a fístula for de coto duodenal em uma reconstrução a BII ou em Y de Roux, ela está fora do trajeto de trân- sito intestinal e a dieta pode ser mantida pela via mais "siológica possível, como a via oral. u Suporte infeccioso: avaliar se não há infecção sistêmica acontecendo. Se ocorrer, deve-se im- plementar o uso de antibióticos parenterais e garantir que não estejam se formando focos de coleção. Em outras palavras, a fístula deve estar bem drenada. Note que não falamos, em um primeiro momento, de reabordagem cirúrgica. Nesses casos de fís- tula, o tempo é melhor que o cirurgião. A fístula, bem drenada, com adequado suporte nutricional e infeccioso, se fecha sozinha. Existem duas exceções a essa regra que devem ser apontadas: u Se o paciente foi submetido a uma ra"a na pare- de do estômago por úlcera gástrica, e, precoce- mente, ocorre deiscência dessa ra"a, o problema cirúrgico original do paciente (que era o “buraco ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 126 Cirurgia geral no estômago”), não foi resolvido. A sutura abriu e, portanto, deve ser precocemente reabordada. u Se a fístula for de uma enteroenteroanastomose, a reabordagem cirúrgica para ressecção do seg- mento "stulizado e nova confecção de anasto- mose é factível com altas chances de sucesso. u Se o paciente evoluir com instabilidade clínica. 7.4. OUTRAS COMPLICAÇÕES É verdade que todos os sistemas podem ser acometi- dos no período do pós-operatório, sendo que os mais frequentemente relacionados com as complicações cirúrgicas são os descritos acima. No entanto, vale a pena lembrar algumas possíveis complicações relacionadas aos demais sistemas do organismo, como: Cardiovascular – Hipertensão pós-operató- ria; Isquemia e infartos perioperatórios; Choque cardiogênico; Arritmias cardíacas; Insu"ciência cardíaca; Renais – Retenção urinária; Injúria renal aguda; Metabólicas – Insu"ciência adrenal (rara, porém potencialmente letal); Crise hipertireoidiana; Hipotireoidismo; Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético; Hepatobiliar – Lesão de ducto biliar; Neurológico – Delírio; Distúrbio cogni- tivo; Psicose; Convulsões; AVC e AIT; Ouvido, nariz e garganta – Epistaxe; Perda auditiva aguda; Sinusite nosocomial; Parotidite. REFERÊNCIAS 1. Scott PD, Harold KL, Craft RO, Roberts CC. Postoperative Seroma Deep to Mesh after Laparoscopic Ventral Hernia Repair: Computed Tomography Appearance and Impli- cations for Treatment. Radiol Case Rep. 2015; 3(1): 128. 2. Gama-Rodrigues JJ, Machado MCC, Rasslan S. Clínica cirúrgica. Hospital das Clínicas FMUSP. Barueri, SP: Manole, 2008. 3. Townsend C, Beauchamp RD, Evers BM, Mattox K. Sabis- ton. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúr- gica moderna. 18ª ed. Rio de Janeiro: Saunders. Elsevier; 2010. 4. Neffa L, Maia VR, Coelho CMS, Araújo IC. Uso da terapia de pressão negativa no tratamento de deiscência em abdominoplastia de paciente pós-bariátrico: relato de caso. Rev. Bras. Cir. Plást. 2019; 34(2): 41-4. 5. Gemperli R, Mendes RRS. Complicações em abdomino- plastia. Rev. Bras. Cir. Plást. 2019; 34(2): 53-6. 6. Rodrigues AJ, Évora PRB, Vicente WVA. Postoperative Respiratory Complications. Medicina (Ribeirão Preto). 2008; 41(4): 469-76. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 127 Complicações Cirúrgicas Mapa mental Ferida Operatória Orgânicas Super"cial Atelectasia Profunda Pneumonia Coleção intracavit[aria Seroma PulmonaresHematoma Deiscëncia Infecção Ferida operatória Abdominais Obstruçao intesitnal Funcional Mecânica Íleo paralítico Bridas Ogilvie Hérnias continua ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 128 Cirurgia geral Mapa mental (continuacão) Orgânicas Febre Abdominais AbdominaisTempo Hematológicas Intra op POI 1o - 2o PO 3o a 5o PO 5o a 7o PO 7o a 10 PO Hemostasia Hipertermia maligna Infec;áo pre existente Nao infecciosas Infeccoes Deiscências Coleções intracavitárias Condição pré existente Reação transfusionalTrombose Hematoma TVP REMIT Urinaria Acessos Sangramento TEP Atelectasia Pneumonia Ferida operatória Complicações Cirúrgicas ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 129 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – 2018) Em relação à infecção do sítio cirúrgico, é correto a"rmar: A O principal fator de risco é a antissepsia inade- quada. B Pode ocorrer em até 30 dias após o procedimento ou em até um ano se houver implante. C É a segunda maior causa de óbito nas unidades de terapia intensiva. D Só pode ser con"rmada quando houver cultura positiva da secreção. E Só pode ser con"rmada quando houver drenagem espontânea de secreção pela ferida operatória. Questão 2 (UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – 2018) A deiscência localizada da ferida operatória após uma laparotomia mediana tem na maior parte das vezes como causa: A Obesidade. B Aumento da pressão intra-abdominal. C Erro técnico. D Desnutrição. E nfecção de planos profundos. Questão 3 (UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS/MS – 2018) Para o seguinte caso, assinale a alternativa INCORRETA. Determinado paciente foi submetido à cirurgia de Hartmann por diverticulite aguda perfurada. No 7º dia do pós-operatório, iniciou com saída de secre- ção espessa, febre e hiperemia da ferida operatória. A Deve-se drenar a ferida operatória, irrigar com solução "siológica e fazer curativo diário. B Iniciar antibioticoterapia. C Está-se diante de um caso de infecção de sítio cirúrgico super"cial. D Colher secreção para culturae antibiograma. E O paciente apresenta deiscência do coto retal. Questão 4 (HOSPITAL DO CÂNCER DE GOIÁS – GO- 2021) Uma mulher de 50 anos, deu entrada no pronto-socorro com dor abdominal há 72 horas. É hipertensa, diabética, obesa e tabagista. Na época, foi feito diagnóstico de abdome agudo perfurativo, sendo submetida à laparotomia exploradora que evidenciou diverticu- lite aguda perfurada. A cirurgia realizada foi uma retosigmoidectomia com anastomose primária. No quinto dia de pós-operatório, a paciente apresentou saída de grande quantidade de líquido sero-hemático por entre os pontos da ferida operatória. A pacien- te encontra-se hemodinamicamente estável, sem febre e com evacuação pastosa. Nesse caso, qual é a principal hipótese diagnóstica? A Deiscência da aponeurose. B Fístula da anastomose. C Infecção de ferida operatória. D Abscesso intraperitoneal. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 130 Cirurgia geral Questão 5 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – 2018) Dentre as complicações possíveis durante um procedimen- to abdominal por videolaparoscopia, é correto a"r- mar que: A A introdução do primeiro trocarte às cegas não oferece risco de complicações, se o pneumope- ritônio foi realizado sem intercorrências e com absoluta segurança. B A introdução do primeiro trocarte pelo método aberto não determina qualquer risco de com- plicação. C A realização do pneumoperitônio precede os dois métodos de introdução do primeiro trocar- te: método às cegas e método aberto. D Durante o pneumoperitônio, pode ocorrer um aumento da PaCO2 (pressão parcial do CO2 ar- terial), em consequência da piora na relação ventilação-perfusão, com o aparecimento de eventuais shunts intrapulmonares. E A introdução do primeiro trocarte às cegas tem o mesmo índice de complicações que o método aberto, porém, em geral, elas são mais graves no método às cegas. Questão 6 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – 2018) Em relação à infecção do sítio cirúrgico, é correto a"rmar que: A O principal fator de risco é a antissepsia inade- quada. B Pode ocorrer em até 30 dias após o procedimen- to ou em até 1 ano, se houver implante. C É a segunda maior causa de óbito nas unidades de terapia intensiva. D Só pode ser con"rmada, quando houver cultura positiva da secreção. E Só pode ser con"rmada, quando houver drena- gem espontânea de secreção pela ferida ope- ratória. Questão 7 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – 2018) Homem de 69 anos de idade deu entrada no pronto-socorro (PS) por motivo de dor abdominal há 2 dias. É hipertenso, diabético, obeso e tabagista. Foi diagnosticado com abdome agudo in!amatório, sendo submetido à laparotomia exploratória que evidenciou diverticulite perfurada. Foi realizada sigmoidectomia a Hartmann. No sexto dia de pós-operatório, o paciente apresentou grande quantidade de líquido sero-hemático por entre os pontos da ferida operatória. Qual é a principal hipóte- se diagnóstica para a complicação pós-operatória? A Deiscência da aponeurose. B Infecção de sítio cirúrgico. C Fístula intestinal. D Hematoma na parede abdominal. Questão 8 (FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS- 2021) Paciente do sexo feminino, 46 anos de idade, obesa, no segundo dia de pós-operatório de colecistecto- mia eletiva, realizada por incisão subcostal direita. Retorna ao hospital 24 horas após alta hospitalar devido à febre e dor na ferida operatória. Avaliação objetiva evidenciou temperatura axilar de 38,6ºC, frequência respiratória de 22 irpm, frequência car- díaca de 84 bpm, pressão arterial de 140x80 mmHg, abdome !ácido, doloroso somente à palpação dos entornos da ferida operatória. Sem outros achados signi"cativos. Qual é a causa mais provável para esse quadro? A Atelectasia B Infecção de ferida operatória C Pneumonia D Fístula biliar por lesão inadvertida do ducto he- pático comum Questão 9 (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP-2021) Homem de 26 anos, previamente hígi- do, vítima de trauma abdominal fechado, foi admi- tido em choque hipovolêmico e tratado mediante ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 131 laparotomia mediana com esplenectomia, enteror- ra"a de lesão jejunal e síntese fascial de parede ab- dominal com sutura contínua. Durante visita beira leito de enfermaria, no sétimo dia de pós-operatório, já em boas condições gerais, apresentou saída de grande quantidade de líquido pela incisão cirúrgica ao se levantar. FERIDA OPERATÓRIA. Qual é o diag- nóstico e a abordagem com melhor resultado para o paciente e menor custo para o sistema de saúde? A Seroma de pele e subcutâneo; retirada de alguns pontos e curativos oclusivos e absortivos. B Hematoma da loja esplênica; exame de imagem e drenagem percutânea. C Infecção de ferida operatória; remoção dos pon- tos da pele e aplicação de terapia por pressão negativa. D Deiscência da ferida operatória; palpação, explo- ração digital e ressutura da parede abdominal. E Deiscência da ferida operatória; palpação, explo- ração digital e ressutura da parede abdominal. Questão 10 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP- 2021) Mulher de 73 anos de idade, está no 5º pós-operatório de gastrecto- mia subtotal com reconstrução à Billroth II devido à hemorragia digestiva alta por úlcera pilórica. En- contra-se em leito de semi-intensiva, recebendo tratamento "sioterápico (respiratório e motor). Está deambulando no corredor com auxílio. Introduzida dieta com água, chá e gelatina há um dia, com boa aceitação e sem vômitos. Equipe da enfermagem notou que o débito do dreno no !anco direito mudou de característica (imagem a seguir) nas últimas 24 horas, com débito de 110ml. Ao exame físico está em bom estado geral, FC: 80bpm, PA:130x80mmHg, afebril, FR: 18ipm. Semiologias pulmonar e cardíaca sem alterações. Abdome com incisão da laparoto- mia mediana de bom aspecto, !ácido, pouco dolo- roso à palpação, sem irritação peritoneal. Dreno no !anco direito conforme imagem (cerca de 90ml). Exames Laboratoriais: Hb: 9,7 g/dl; Ht: 30%; Leuco: 11.570/mm3, PCR: 43 mg/dl; função renal normal. Qual é a principal hipótese diagnóstica e conduta neste momento? A Fístula do coto duodenal; manter dieta via oral. B Fístula do coto duodenal; laparotomia explora- dora. C Fístula da gastroenteroanastomose; nutrição parenteral D Fístula da gastroenteroanastomose; tratamento endoscópico. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 132 Cirurgia geral GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 !"#"$%&!'!(: Q Resolução: A infecção pós-operatória caracteriza-se por uma infecção no local da incisão ou nos tecidos manipulados, podendo ocorrer em até 30 dias da realização do procedimento. Em caso de colocação de qualquer material de corpo estranho (próteses, telas etc.), considera-se o período de até um ano após a cirurgia. Alguns fatores predisponentes ao surgimento dessa complicação são: doenças crô- nicas, obesidade, tabagismo, infecções sistêmicas, desnutrição, imunodepressão, tempo de cirurgia prolongado (superior a 02 horas), grau de conta- minação da cirurgia, tipo de cirurgia como a cirur- gia abdominal. A infecção pode ser diagnosticada através do quadro clínico, drenagem espontânea de secreção, cultura positiva, por meio de exames radiológicos e na reabordagem cirúrgica. ! )(*+,*-':.B Questão 2 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: A deiscência de ferida operatória resulta da separação parcial ou total de qualquer camada da cicatriz cirúrgica, caracterizando uma compli- cação em que uma ferida não cicatriza ou abre ao longo de sua linha de incisão. Alguns fatores de risco estão relacionados ao surgimento dessa complicação, como a idade avançada, cirurgia de emergência, obesidade, diabetes, desnutrição, uso crônico de corticosteroides, erro na técnica cirúrgi- ca, tabagismo,situações que provocam aumento da pressão abdominal, infecção de planos profundos, sendo este último o principal fator predisponente nessa situação. ! )(*+,*-':.E Questão 3 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do autor: O paciente em questão apresenta um quadro clássico de infecção de ferida operató- ria, sendo todos os sintomas relacionados ao foco cutâneo: saída de secreção espessa, febre e hipe- remia. A única alternativa que está totalmente fora do contexto é a letra E. Veja bem: nosso paciente não apresenta nenhuma clínica de deiscência do coto retal, em que o quadro clínico esperado seria dor abdominal, peritonite e até choque. Alternativas A, B, C e D: CORRETAS. Para paciente com infecção de sítio cirúrgico de profundidade interme- diária, conhecida também como super"cial profun- da, deve-se realizar limpeza e drenagem da ferida operatória com curativo diário, antibioticoterapia (devido a repercussões sistêmicas como febre), colher secreções e enviar para cultura. Alternativa E: INCORRETA. O paciente não apresenta clínica compatível com deiscência do coto retal, uma vez que não apresenta peritonite, taquicardia e dor abdominal, principalmente. ! )(*+,*-':.E Questão 4 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: Questões abordando os diferen- tes tipos de complicações cirúrgicas despencam nas provas de residência médica. Uma dica para acertar todas as questões é prestar atenção nos sintomas referidos e no dia de pós-operatório que a paciente se encontra. O enunciado nos apresenta uma mulher com história de saída de líquido sero- -hemático pela ferida operatória cinco dias após uma retossigmoidectomia. Alternativa A: CORRETA. A principal causa de e!uen- te serossanguinolento na ferida operatória é a ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas Cap. 5 133 deiscência de aponeurose. Essa complicação ci- rúrgica geralmente ocorre entre o 5°-8° dia do pós- -operatório. Como consequência da deiscência da aponeurose, podemos ter dois cenários: a eventra- ção que ocorre quando mesmo com a deiscência, a pele continua íntegra e a evisceração que ocorre quando há abertura tanto da aponeurose como da pele. Alternativa B: INCORRETA. As fístulas consistem na comunicação entre duas estruturas, onde uma de- las é uma víscera oca, geralmente o paciente pode se apresentar com sepse, distúrbios hidroeletrolí- ticos, mas não com efusão serossanguinolenta da ferida operatória. Alternativa C: INCORRETA. Na infecção do sítio cirúrgi- co, o paciente costuma apresentar febre associada à hiperemia, dor e calor no colar da incisão. Ape- sar de poder ocorrer até o 10° DPO, é mais comum ocorrer até o 5° DPO. Alternativa D: INCORRETA. O abscesso intra-abdo- minal geralmente cursa com taquicardia, febre e distensão abdominal, ocorrendo principalmente após o 7° a 10° DPO. ! )(*+,*-':.A Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Q Alternativa A: INCORRETA. Independentemente da técnica, a colocação de um trocarte sempre ofe- rece risco de complicações, como sangramento e lesão de vísceras. Alternativa B: INCORRETA. Como na alternativa A, sempre existe o risco de complicações. Alternativa C: INCORRETA. A realização do pneumo- peritônio precede apenas o método às cegas. Alternativa D: CORRETA. A piora da ventilação ocor- re por aumento da pressão perineal e diminuição da mobilidade do diafragma, diminuindo, assim, o volume corrente pulmonar. Alternativa E: INCORRETA. O índice de complicações é menor na técnica aberta quando comparada à técnica às cegas. ! )(*+,*-':.D Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Resolução: A infecção pós-operatória ocorre no local da incisão ou nos tecidos manipulados, podendo ocor- rer em até 30 dias da realização do procedimento. Em caso de colocação de qualquer material de corpo estranho (próteses, telas etc.), considera-se o pe- ríodo de até um ano após a cirurgia. Alguns fatores predisponentes ao surgimento dessa complicação são listados a seguir: doenças crônicas, obesida- de, tabagismo, infecções sistêmicas, desnutrição, imunodepressão, tempo de cirurgia prolongado (superior a duas horas), grau de contaminação da cirurgia, tipo de cirurgia (p. ex.: a cirurgia abdomi- nal). A infecção pode ser diagnosticada através de quadro clínico, drenagem espontânea de secreção, cultura positiva, por meio de exames radiológicos e na reabordagem cirúrgica. ! )(*+,*-':.B Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Q Resolução: Questão sobre quadro clínico clássico de paciente com evisceração iminente, com presença de secreção de conteúdo sero-hemático em gran- de quantidade no pós-operatório. Esse aspecto da secreção é ocasionado em parte por sangue origi- nado do plano musculoaponeurótico que está se rompendo e em parte por líquido ascítico devido ao quadro de in!amação peritoneal (pós-diverticulite aguda). O aspecto desse líquido também pode ser chamado de “água de carne”. ! )(*+,*-':.A Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: As complicações pós-operató- rias são temas frequentes nas provas de residência médica. A principal dica para acertar esse tipo de questão é prestar atenção no tempo entre a cirurgia e o início dos sintomas. Note que o enunciado nos apresenta uma paciente no segundo dia de pós-ope- ratório de uma colecistectomia aberta com incisão subcostal, queixando-se de febre, ligeira dispneia e dor na ferida operatória. Para as provas, sempre a principal causa de febre nos primeiros dois a três dias do pós-operatório é ATELECTASIA PULMONAR. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Complicações cirúrgicas 134 Cirurgia geral Alternativa A: CORRETA. A atelectasia pulmonar é a principal causa de febre no pós-operatório IMEDIA- TO, geralmente após no máximo 2°– 3° DPO. Ela é resultado da de"ciência de recrutamento alveolar após anestesia geral, ocorrendo principalmente em cirurgias de abdome superior. Alternativa B: INCORRETA. Na infecção de ferida ope- ratória, geralmente o paciente apresenta-se com dor, hiperemia e secreção nos bordos da incisão cirúr- gica. Esse quadro tipicamente ocorre até o 5°DPO. Alternativa C: INCORRETA. A pneumonia pós-operató- ria é diferente da pneumonia comunitária. Geralmen- te ocorre após quatro a cinco dias da operação e se associa a longos períodos de intubação ou pacien- tes que têm di"culdade de deglutir as secreções. Alternativa D: INCORRETA. A bile é extremamente ir- ritante para o peritônio. Por isso, diante de lesões da via biliar, geralmente temos peritonite. ! )(*+,*-':.A Questão 9 !"#"$%&!'!(: Q Y Dica do professor: Temos um paciente em PO 7 de laparotomia exploradora + esplenectomia + ente- rorra"a de lesão jejunal + síntese fascial de parede abdominal com sutura contínua após um trauma abdominal fechado que evolui com a saída de gran- de quantidade de secreção pela incisão cirúrgica. Entre o quinto e o sétimo dia de pós-operatório, as complicações que devemos pensar são as deis- cências de feridas operatórias e de anastomoses do trato digestivo. No caso da segunda, o paciente geralmente apresenta febre, dor abdominal, sinais de peritonite, leucocitose, saída de secreção puru- lenta/fecaloide pela ferida, o que não é o caso de nosso paciente, que se apresenta em boas condi- ções gerais e, na imagem fornecida, podemos ver que a secreção é serossanguinolenta, sendo assim o seu quadro compatível com deiscência de ferida operatória. Sua abordagem deve ser realizada com abertura da sutura, palpação, exploração digital para excluir fatores que possam ter desencadea- do a deiscência e ressutura da parede abdominal. Alternativa A: INCORRETA. O seroma de pele e sub- cutâneo costuma ser mais tardio, desenvolvendo-se após o sétimo dia cirúrgico. Alternativa B: INCORRETA. O hematoma de loja es- plênica não cursaria com saída de secreção seros- sanguinolenta pela ferida operatória, mas, sim, com um quadro infeccioso devido o hematoma ser um ótimo meio de cultura para bactérias. O paciente se apresentaria séptico.Alternativa C: INCORRETA. Se houvesse infecção, o paciente apresentaria provavelmente sintomas sistêmicos como febre, além de saída de secre- ção purulenta pela ferida. Deveria ser tratada com antibioticoterapia. Alternativa D: CORRETA. Conforme a dica. ! )(*+,*-':.D Questão 10 !"#"$%&!'!(: Q Q Y Dica do professor: temos aqui uma paciente que está no 5º PO de uma cirurgia em que anastomo- ses abdominais foram confeccionadas. Devemos lembrar, logo de cara, que a partir do 5º PO que as deiscências ocorrem, quando são por intercorrên- cias clínicas, e não técnicas. A paciente da questão apresentou diversos sinais de fístula, como aumen- to do débito do dreno, mudança do aspecto e dor abdominal, apesar de não ter tido taquicardia ou febre. Pelo aspecto bilioso do dreno, temos uma fístula de origem do coto duodenal. Devemos lem- brar que o coto duodenal está fora do trajeto do trânsito intestinal. Sendo assim, podemos manter dieta oral para a paciente. Vamos às alternativas: A Correta. Justi"cativa acima. B Incorreta. Fístulas são, normalmente, de trata- mento conservador, a não ser que haja instabili- dade do paciente ou refratariedade ao tratamento clínico. Operar uma fístula é exceção e não regra. C Incorreta. A fístula é do coto duodenal. D Incorreta. A fístula é do coto duodenal. ! )(*+,*-':.A ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 135 Capítulo 6ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Abdome agudo in!amatório = um dos 5 subtipos de “abdome agudo”. u Quadro clínico geral: dor progressiva + sintomas constitucionais + potencial migração e parietalização da dor. u Os 4 mais frequentes: apendicite aguda, diverticulite aguda, colecistite aguda, pancreatite aguda u Para a prova, é importante reconhecer de qual se trata, pelo enunciado e pistas clínicas, laboratoriais e imaginológicas fornecidas u Nem todo abdome agudo in!amatório é cirúrgico 1. INTRODUÇÃO BASES DA MEDICINA O termo “Abdome Agudo” refere-se à situação de um agravo abdominal agudo de relevante potencial cirúrgico. Subdivide-se em cinco tipos, cinco síndromes distintas e cinco abdomes agudos diferentes: obstrutivo, perfurativo, isquêmico, hemorrágico e in!amatório. DIA A DIA MÉDICO O termo “abdome agudo” é erroneamente utilizado por muitos para denotar um abdome cirúrgico, com perito- nite. Isso não é verdade! Existem abdomes agudos não cirúrgicos, de manejo clínico, e aqueles que são cirúrgicos mesmo na ausência de peritonite. u Chamamos de abdome agudo in!amatório aque- le decorrente de uma afecção in!amatória ou infecciosa intra-abdominal. u Cursa com o sintoma-chave de DOR ABDOMINAL e, não raro, irritação peritoneal. u O objetivo deste capítulo de revisão é pegarmos as dicas e pistas quanto à etiologia do abdome agudo in!amatório. 2. ETIOLOGIAS Quadro 1. Principais etiologias do abdome agudo in!amatório, na prova. Etiologia Tratamento clínico versus cirúrgico Apendicite aguda Cirúrgico Diverticulite aguda Clínico/Cirúrgico Colecistite aguda Cirúrgico Pancreatite aguda Clínico Linfadenite mesentérica Clínico Prenhez ectópica Clínico Fonte: Autor. "#$%&'()*"+/$&,-+./)*"+ ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cirurgia geral 136 3. COMO RECONHECER QUE SE TRATA DO TIPO INFLAMATÓRIO DO ABDOME AGUDO? u A clínica do abdome agudo in!amatório é cen- trada na dor abdominal. u Ela tem caráter progressivo – diferentemente das dores do abdome agudo isquêmico e perfurativo, que são súbitas, a dor do in!amatório se instala e, então, progride gradativamente em intensidade. u A dor é inicialmente visceral (central, menos bem de0nida e caracterizável) na maioria dos casos. A progressão da doença aumenta a intensidade da dor e pode mudar o caráter da dor de visceral para uma dor parietal (caso haja desenvolvimento de peritonite localizada). u Os sintomas constitucionais acompanham o abdome agudo in!amatório: náuseas, vômitos, febre e perda do apetite (hiporexia). u A peritonite pode ocorrer. Caso ocorra, ela é ini- cialmente localizada. A peritonite difusa apenas se desenvolve nos casos em que o abdome agudo faz uma complicação subsequente, perfurativa. BASES DA MEDICINA Como reconhecer peritonite? W Dor à descompressão brusca W Rigidez W Defesa W Dor à percussão 3.1. FALAM CONTRA ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO. Dores súbitas: perfurativo, vascular (isquêmico) ou hemorrágico. Peritonite difusa: perfurativo. DIA A DIA MÉDICO Um abdome agudo inicialmente in!amatório pode se perfurar e se transformar num perfurativo, com peritonite difusa. DIA A DIA MÉDICO Obstrutivo vs. Perfurativo. Ambos cursam com dores progressivas. Obstrutivo não gera peritonite. O abdome agudo in!amatório pode gerar um quadro funcional, com pseudo-obstrução, neste caso, a crono- logia primeiro aponta para a dor in!amatória abdominal e DEPOIS a parada de eliminação de !atos e fezes. W Em oposto, o obstrutivo pode gerar dores abdominais pronunciadas, mas nesse caso a parada de eliminação de !atos e fezes ANTECEDE o quadro de dor ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cap. 6 137 4. COMO SUSPEITAR DAS CAUSAS 4.1. PELA LOCALIZAÇÃO Figura 1. Regiões do abdome. 1. hipocôndrio direito, 2. Epigástrio, 3. Hipocôndrio esquerdo, 4. Flanco direito, 5. Mesogástrio, 6. Flanco esquerdo, 7. Fossa ilílaca direita, 8. Hipogástrio, 9. Fossa ilíaca direita. Fonte: acervo Sanar. Para localizar a dor, nos orientamos pelas nove regiões do abdome (vide 0gura), ou seus quatro quadrantes (superior direito, inferior direito, superior esquerdo, inferior esquerdo). Apontam para causas especí0cas u Hipocôndrio direito: W doenças hepatobiliares. W destaque para colecistite aguda. W outras: colangite, hepatite. u Epigástrio W Pancreatite aguda (sobretudo se irradiada em faixa para !ancos e/ou dorso). W De exceção: apendicite aguda em sua fase inicial, dor visceral. u Flancos W Doenças urológicas. W Infecção do trato urinário? Litíase urinária? u Mesogástrio W Apendicite aguda em sua fase inicial, dor vis- ceral. u Fossa ilíaca direita W Apendicite aguda, até que se prove o contrário. W Diferenciais: V Linfadenite mesentérica V Apendagite epiploica V Doença in!amatória pélvica aguda V Prenhez ectópica V Crohn V Diverticulite de Meckel V Ileítes infecciosas u Hipogástrico W Apendicite aguda, até pode ser, atípica. W Doenças ginecológicas. W Infecção do trato urinário. u Fossa ilíaca esquerda W Diverticulite aguda, até que se prove o contrário. W Diferenciais: V Linfadenite mesentérica V Apendagite epiploica V Doença in!amatória pélvica aguda V Prenhez ectópica 4.2. PELA CLÍNICA ASSOCIADA E PERFIL DO PACIENTE Apendicite aguda: u Caráter migratório da dor (epimesogástrica Æ fossa ilíaca direita) u Peritonite na fossa ilíaca direita u Hiporexia Diverticulite aguda: u A dor pode ser inicialmente hipogástrica. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cirurgia geral 138 u Alteração do hábito intestinal. u Meia idade - idosos. Pancreatite aguda: u Intensos náuseas e vômitos. u Pode simular peritonite. u Potencial gravidade associada. u Eventual litíase biliar ou sintomas colestáticos. Colecistite aguda: u Dor no hipocôndrio direito >6h. u Sinal de Murphy (pausa álgica da inspiração pro- funda, quando em palpação do ponto cístico). Colangite aguda u Quadro colestático somado ao in!amatório. Linfadenite mesentérica u Faixa etária pediátrica. u Quadro viral/gripal associado. Apendagite epiploica u Quadro brando e inespecí0co. u A imagem que é típica: imagem em pera, na TC ou USG. Prenhez ectópica u Idade fértil. u Passado de relação sexual desprotegida. u Atraso menstrual. Doença in!amatória pélvica u Passado de relação sexual desprotegida.u Corrimento vaginal? u Exame ginecológico alterado: dor à mobilização do colo uterino? Dor ao exame bimanual? Crohn u Comportamento recorrente em surto/remissão. u Diarréia com produtos patológicos. Meckel (diverticulite de Meckel) u Idade pediátrica. u Pode haver HDB associada. Ileítes infecciosas u Per0l imunocomprometido. u Exame infeccioso positivo: CMV / tuberculose. Litíase urinária u Hematúria. ITU u Disúria, urgência urinária. u Giordano. u Febre. 5. EM SÍNTESE Tabela 1. Resumo da visão geral do abdome agudo in!amatório Região Doença Característica associada Peritonite localizada? Hipocôndrio direito Colecistite aguda Dor >6h Murphy Não Epigástrio Pancreatite aguda Irradiação em faixa / dorso Náuseas intensas Simula em casos graves Flancos Doenças urológicas Hematúria? Disúria? Giordano? Não ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cap. 6 139 Fossa ilíaca direita Apendicite aguda Dor migratória Hiporexia Sim Doença de Crohn Recorrência (surto-remissão) Diarreia com produtos patológicos Variável Meckel Idade pediátrica Imagem compatível Variável Ileítes infecciosas Imunocomprometidos Somente em casos complicados Fossa ilíaca esquerda Diverticulite aguda Alteração do hábito intestinal Somente em casos complicados Fossas ilíacas (diferenciais) Prenhez ectópica Atraso menstrual Idade fértil Relação sexual desprotegia Variável Doença in!amatória pélvica aguda Relação sexual desprotegida Corrimento Exame ginecológico alterado Variável Linfadenite mesentérica Quadro viral/gripal Idade pediátrica Não Apendagite epiploica Inespecí0co Não Fonte: criação do autor u Espero que esse capítulo e essa tabela ajudem a lidar com as suspeitas etiológicas no abdome agudo in!amatório. u Lembre-se que todas as doenças são plurais e essas são apenas as apresentações mais típicas/usuais. u Bons estudos. 6. MANEJO 1º passo: estabelecer boa suspeita clínica. 2º passo: se necessário, de acordo com per0l de gravidade, estabilização clínica. 3º passo: tentar buscar diagnóstico etiológico: - Com mais dados clínicos (ex.: apendicite aguda). - Com dados laboratoriais (ex.: pancreatite aguda e amilase). - Com dados ultrassonográ0cos (ex.: colecistite aguda). - Com dados tomográ0cos (ex.: diverticulite aguda). 6.1. EXPLORAÇÃO CIRÚRGICA SEM DIAGNÓSTICO? Casos já claramente complicados, com peritonite difusa (se tornaram perfurativos). Casos atípicos, mas cirúrgicos (peritonite localizada), candidatos a exploração por videolaparoscopia (ex.: ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cirurgia geral 140 peritonite na fossa ilíaca direita sem diagnóstico preciso: “não sei o que é, mas é de operar”) Æ só realizar caso o cirurgião sinta-se apto a tratar todos os diagnósticos possíveis. 7. CASOS DESAFIADORES Crianças u Informam mal. u Alta reserva funcional. Idosos u ”Anérgicos”. u Clínica frustra a despeito de doença grave. Grávidas u Grávida sempre assusta a gente. u Alterações 0siopatológicas da gestante emba- ralham o raciocínio. u Útero gravídico desloca estruturas abdominais. REFERÊNCIAS 1. Sabiston DC, & Townsend CM. Sabiston textbook of sur- gery: The biological basis of modern surgical practice. 20th ed. 2019. 2. Browse N. Introduction to the Symptoms and Signs of Surgical Disease. 4th ed. 2010. 3. Browse N. The Investigation and Management of Surgical Disease 1st ed. 2010. 4. Cope Z, Silen W. Cope’s Early Diagnosis of the Acute Abdomen. 22nd ed. Oxford. 2010. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cap. 6 141 Abdome agudo in!amatório Hipocôndrio direito Murphy + sem peritonite Epigástrio Irradiação em faixa Muitos vômitos Central Migratória FID Hiporexia Peritonite FID Hipogástrio / FIE Alteração do hábito intestinal Com ou sem peritonite FIE Fossa ilíaca D ou E Atraso menstrual (hemorragia) Fossa ilíaca D ou E Quadro viral / gripal Idade pediátrica Fossa ilíaca D ou E Relação sexual desprotegida Corrimento vaginal Colecistite aguda Pancreatite aguda Apendicite aguda Diverticulite aguda Prenhez ectópica (rôtarota) Adenite mesentérica DIP Dor abdominal progressiva Mapa mental ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cirurgia geral 142 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE DUTRA - MA - 2021) Abdome agudo in!amatório, obstrutivo, perfurativo ou hemorrágico são designações sindrômicas para um grupo de doenças que tem como tratamento uma operação. Na criança em idade escolar, as- sinale a alternativa que indica a forma de abdome agudo mais frequentemente encontrada e a sua principal causa: A Abdome agudo in!amatório / apendicite aguda. B Abdome agudo obstrutivo / estenose hipertró- 0ca do piloro. C Abdome agudo perfurativo / invaginação intes- tinal. D Abdome agudo in!amatório / colecistite aguda. E Abdome agudo obstrutivo / doença de Hirschs- prung. Questão 2 (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE TERESÓPOLIS COSTANTINO OTTA- VIANO - RJ - 2020) Amanda, nascida e criada no berço do samba, sempre curtia os preparativos deste dia. Após a última feijoada de que participou, queixou-se de dor abdominal moderada seguida de náuseas e vômitos. Após a persistência do desconforto, prefe- riu procurar um serviço de emergência. No Pronto Atendimento foi avaliada; ao exame clínico, apre- sentava-se hemodinamicamente estável e afebril, com o aparelho cardiorrespiratório sem alterações, mas com o exame do abdome revelando peristal- se presente, sendo o mesmo !ácido e doloroso à palpação em hipocôndrio direito, com dor intensa, a ponto de limitar a inspiração, e que se irradiava para o ombro direito. Exames complementares foram solicitados, revelando o leucograma leucoci- tose com desvio para a esquerda e o hepatograma, elevação discreta das transaminases, da fosfatase alcalina e da bilirrubina total (à custa da fração dire- ta). O exame de imagem, realizado na emergência, fechou a hipótese diagnóstica mais provável para o caso acima. Após 48 horas da abordagem inicial, Amanda foi submetida a tratamento cirúrgico. No pós-operatório, Amanda apresentou importante dor em andar superior do abdome, em barra, asso- ciada ao aparecimento de hematomas em região umbilical e !anco direito, sendo internada no CTI. A conduta seguinte foi conservadora, permanecen- do a paciente internada por longo período. Após a alta hospitalar, foi acompanhada no ambulatório da Cirurgia Geral, não apresentando novas intercor- rências. Qual o diagnóstico sindrômico do quadro abdominal da paciente? A Síndrome in!amatória B Síndrome perfurativa C Síndrome isquêmica D Síndrome hemorrágica E Síndrome obstrutiva Questão 3 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UFSC - SC - 2020) Assinale a alternativa correta em relação à síndrome do abdo- me agudo in!amatório. A O sinal do iliopsoas é uma dor no abdome infe- rior e região do músculo psoas que é aliviada quando a coxa é !etida contra uma resistência. B Em raio-x simples de abdômen o achado de ma- terial calci0cado dentro do apêndice (fecalito) é sinal de diverticulite de Meckel. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cap. 6 143 C A dor periumbilical gradual indica irritação peri- toneal visceral, podendo tornar-se mais especi- 0camente localizada no abdome à medida que a doença evolui. D Polisserosite aguda, febre reumática, por0ria e intoxicação crônica por chumbo são causas de dor abdominal aguda, porém não fazem diagnós- tico diferencial com quadros de abdome agudo de resolução cirúrgica. E A amilase sérica deverá ser dosada na inves- tigação de abdome agudo e, se o valor estiver elevado, indica tratamento cirúrgico. Questão 4 (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS - BAHIA-BA- 2020) Paciente, sexo feminino, 36 anos de idade, procurou o Pronto Socorro do Hospital Geral, com queixa de dor em abdome superior há um dia, que evoluiu com piora da intensidade e migração para o hipocôndrio direito há oito horas. A paciente relata também episódios de náuseas, vômitos e hiporexia neste mesmo pe- ríodo. Nega febre ou outros sintomas. Refere qua- dros de dor abdominal prévios que melhoravam com o uso de analgésico comum. Ao exame físi- co, corada, hidratada, anictérica, FC: 98bpm, PA: 126X78mmHg, T: 37,8°C, dor à palpação profunda de hipocôndrio direito com piora à inspiração, levando a interromper a respiração. O médico plantonista solicitou exames laboratoriais e ultrassonogra0a de abdome. De acordo com o caso descrito. Indique o diagnóstico sindrômico e o diagnóstico etiológico, mais prováveis. [Pergunta de resposta discursiva] Gabarito: Síndrome do abdome agudo in!amatório OU Abdome agudo in!amatório E Colecistite Calcu- losa Aguda OU Colecistite Aguda OU Colecistopatia Calculosa Aguda OU Colecistopatia Aguda. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cirurgia geral 144 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 5 !"#"$%&!'!(: Q Comentário: Questão muito simples e direta sobre o principal tipo de abdome agudo na infância. Dor abdominal aguda é uma queixa comum na infância e pode ser provocada por uma ampla variedade de patologias cirúrgicas e não cirúrgicas. Lembre-se que, assim como nos adultos, a principal causa de abdome agudo nas crianças é a apendicite aguda, um tipo de abdome agudo in!amatório. Em segundo lugar, temos o abdome agudo obstrutivo por hérnia inguinais. Lembre-se, ainda, que a apendicite em crianças pode ocorrer antes, durante e após um episódio de IVAS, também podendo ser acompa- nhada de diarreia. ! )(*+,*-':.A Questão 6 !"#"$%&!'!(: Q Comentário: Abdome agudo é uma síndrome clíni- ca caracterizada por dor na região abdominal, não traumática, súbita e de intensidade variável asso- ciada ou não a outros sintomas e que necessita de diagnóstico e conduta terapêutica imediata, que pode ser cirúrgica ou não. O abdome agudo in!a- matório é o tipo de abdome agudo mais comum e é uma consequência de processos in!amatórios/ infecciosos. Tem como principais etiologias: apen- dicite aguda, colecistite aguda, pancreatite aguda e diverticulite aguda. O quadro clínico é de uma dor abdominal insidiosa, contínua, cuja trajetória varia de acordo com a etiologia, e pode ser acom- panhado de náuseas, vômitos, febre. Ao exame fí- sico, algumas manobras podem sugerir a etiologia, como o sinal de Murphy positivo (parada brusca da inspiração durante a compressão do ponto cístico) que sugere colecistite, Blumberg, Rovsing, psoas e obturador que sugerem apendicite. E sinais, como: de Cullen (equimose periumbilical) e Grey-Turner (equimose em !ancos), que podem estar presen- tes na pancreatite. Alternativa A: CORRETA. Diante do quadro da pacien- te, o diagnóstico sindrômico é de uma síndrome in!amatória. A paciente apresentou dor abdomi- nal após ingestão de alimento colecistocinético (feijoada), náuseas e vômitos. Ao exame físico, ab- dome doloroso à palpação em hipocôndrio direito, com dor intensa a ponto de limitar a inspiração, e que se irradiava para o ombro direito, alterações características de uma colecistite aguda, que foi con0rmada por exames laboratoriais e de imagem (provavelmente uma ultrassonogra0a que revelou cálculos), com conduta cirúrgica (colcistectomia). No pós-operatório apresentou uma dor em andar superior do abdome, em barra, associada ao apa- recimento de hematomas em região umbilical e !anco direito, característico de pancreatite aguda (que tem como uma das causas a obstrução por cálculo biliar). Alternativa B: INCORRETA. O abdome agudo perfura- tivo é a terceira causa de abdome agudo, depois do in!amatório e do obstrutivo, podendo ocorrer devi- do a processos infecciosos, neoplásicos, in!ama- tórios, ingestão de corpo estranho, traumatismos, iatrogênicas. No abdome agudo perfurativo a dor frequentemente é de início súbito, intensa e difusa, podendo haver sinais de choque ou de septicemia. Ao exame físico, além da dor à palpação, é possível identi0car a perda da macicez hepática à percussão (sinal de Jobert). Não é a síndrome mais provável. Alternativa C: INCORRETA. No abdome agudo isquê- mico, a dor abdominal é intensa, desproporcional às alterações do exame físico (abdome “inocente”, ou seja, não reativo). O paciente pode apresentar ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Abdome agudo inflamatório Cap. 6 145 náuseas, vômitos, alterações das fezes (“fezes em geléia de framboesa” – necrose instestinal), alteração do ritmo intestinal. Os fatores de risco associados são idade avançada, doença vascular, 0brilação arterial, doenças valvares, cardiopatias, hipercoagulaçao. Embora seja raro, possui uma alta mortalidade. Tem como principais etiologias: isque- mia mesentérica aguda e crônica; colite isquêmica. Não é a síndrome mais provável. Alternativa D: INCORRETA. O abdome agudo hemorrá- gico é caracterizado por hemorragia intra-abdominal espontânea e o sangramento, independentemente de sua etiologia, não advém de traumatismos abdo- minais ou procedimentos. O paciente, além da dor, pode cursar com sinais de choque (pele pálida, fria, sudoreica, tempo de enchimento capilar lenti0ca- do, pulso 0no, taquipenia, taquicardia, redução do débito urinário, hipotensão). Em jovens, está mais associado à ruptura de aneurismas das artérias viscerais; em mulheres a sangramentos por causas ginecológicas e obstétricas e, em idosos, à ruptura de tumores, veias varicosas e aneurismas de aorta abdominal. Não é a síndrome mais provável. Alternativa E: INCORRETA. O abdome agudo obstruti- vo é uma síndrome caracterizada por presença de obstáculo mecânico ou funcional que leve à inter- rupção da progressão do conteúdo intestinal. Tem como principais etiologias: hérnia estrangulada, aderências, doença de Crohn, neoplasia intestinal, diverticulites, fecaloma, impactação por bolo de áscaris, íleo paralítico, oclusão vascular. O pacien- te geralmente apresenta dor abdominal, parada de eliminação de gases e fezes, náuseas, vômitos, dis- tensão abdominal, pode ter sinais de desidratação, infecção e isquemia. Não é a síndrome mais provável. ! )(*+,*-':.A Questão 7 !"#"$%&!'!(: Q Q Comentário: Abdome agudo é uma síndrome clínica caracterizada por dor na região abdominal, não trau- mática, súbita e de intensidade variável associada ou não a outros sintomas e que necessita de diagnósti- co e conduta terapêutica imediata, cirúrgica ou não. O abdome agudo in!amatório é o mais frequente e caracteriza-se por dor insidiosa e com piora progres- siva, febre, peritonite localizada ou difusa; e é causado por apendicite, colecistite aguda, pancreatite aguda, diverticulite, doença in!amatória pélvica, entre outras etiologias. Anamnese detalhada e exame físico minu- cioso são mais importantes do que qualquer exame complementar, mas a ultrassonogra0a de abdome total é geralmente su0ciente para fechar o diagnóstico, na maioria dos casos. O tratamento depende da causa. Alternativa A: Falso! O sinal do iliopsoas é a dor à extensão da coxa direita sobre o quadril contra a resistência em decúbito lateral esquerdo. Pode ser indicativo de apendicite. Alternativa B: Falso! O fecalito calci0cado é um acha- do típico de apendicite e está mais associado à perfuração e formação de abscesso. Alternativa C: Verdadeiro! Trata-se da dor referida, sensação dolorosa super0cial que tem sua origem em estrutura distante do local. Um bom exemplo dessa situação é a dor periumbilical que antecede a dor localizada na fossa ilíaca direita na apendicite. Alternativa D: Falso! É muito importante realizar anamne- se detalhada e suspeitar de causas “atípicas” de quadro semelhante ao abdome agudo de manejo cirúrgico.Alternativa E: Falso! A amilase sérica elevada sugere o diagnóstico de pancreatite aguda e seu manejo consiste de medidas de suporte como a analgesia e hidratação endovenosa. ! )(*+,*-':.C Questão 8 !"#"$%&!'!(: Q Comentário: Os sinais e sintomas clínicos de dor em abdome superior de forma aguda e com evolução rápida nas últimas horas, além de náuseas, vômitos e hiporexia corroboram a suspeita de abdome agudo de etiologia in!amatória. A dor à palpação profun- da de hipocôndrio direito com piora da inspiração, sinal de Murphy é bastante sugestivo de colecisti- te. Dentre as causas de colecistite, a calculosa é a mais prevalente, mas a ultrassonogra0a irá eviden- ciar a presença ou não de cálculos, con0rmando a suspeita clínica, além de outros comemorativos, como espessamento de parede, aumento de diâ- metro, presença de líquido pericolecístico e outros. ! R(*+,*-': Diagnóstico sindrômico: abdome agudo in!amatório; e etiológico: colecistite calculosa aguda. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Fixe seus conhecimentos! 146 FIXE SEU CONHECIMENTO COM FLUXOGRAMAS Use esse espaço para construir !uxogramas e "xar seu conhecimento! FIXE SEU CONHECIMENTO COM MAPAS MENTAIS Use esse espaço para construir mapas mentais e "xar seu conhecimento! ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 147 Capítulo 7APENDICITE AGUDA !"#$%&'()!*/#%+,*-.()!* O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Abdome Agudo In!amatório • Abdome agudo in/amatório é resultado de um processo in/amatório ou infeccioso na cavidade abdominal. u Quadro clínico: dor abdominal difusa, mal caracterizada, início precoce e com intensi0cação progressiva, associado a náuseas e vômitos. u A apendicite aguda pode levar ao quadro de abdome agudo in/amatório. O diagnóstico é clínico e carac- terizado por uma dor inicialmente inespecí0ca, acompanhada de náuseas, anorexia, febre e leucocitose, que migra à fossa ilíaca direita e apresenta peritonite. u Sinais de peritonite ao exame físico e escore de Alvarado. u Diagnósticos diferenciais. 1. INTRODUÇÃO BASES Quando falamos em abdome agudo, pensamos em uma doença abdominal, naturalmente aguda, não traumática, que cursa com sintoma-chave de dor abdominal e tem potencial cirúrgico. O abdome agudo in/amatório é aquele decorrente de um processo in/amatório/infeccioso na cavidade abdominal. E a apendicite aguda é o retrato do típico abdome agudo in/amatório APENDICITE AGUDA BASES O apêndice cecal, também conhecido como apêndice vermiforme, é um pequeno órgão, tubular, localizado no ceco. Mais precisamente, sua base localiza-se na área de con/uência das três tênias cólicas do ceco, na sua porção mais inferior. Por vezes dito “órgão vestigial evolutivo”, sua função não é bem conhecida. Evidências recentes sugerem que o apêndice possa atuar como um reserva- tório de microbiota intestinal (e cada vez mais veremos a in/uência da microbiota intestinal na vida saudável e estados patológicos). 1.1. INTRODUÇÃO A apendicite é desencadeada por uma obstrução do lúmen do apêndice, usualmente por um fecalito (mas diversas outras causas obstrutivas podem ocorrer). ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cirurgia geral 148 FLASHCARD Qual é a causa mais comum de apendicite aguda? Obstrução por fecalito. A obstrução do apêndice funciona como “em alça fechada”. Há sobredistensão, espessamento e edema do apêndice, com intensa in/amação, e posterior isquemia e perfuração. Epidemiologicamente, acomete pessoas de todas as idades e sexos, mas há uma predileção por ado- lescentes e adultos jovens. É a principal causa de intervenções cirúrgicas de urgência. 1.2. QUADRO CLÍNICO A clínica inicial se caracteriza por dor abdominal, difusa, mal caracterizada e inespecí0ca, de caráter visceral e que vem acompanhada, na sequência, de náuseas, vômitos e hiporexia. Aparecem ainda sinais infecciosos sistêmicos, como febre, e, ao laboratório, leucocitose com desvio à esquerda. O avançar do quadro se revela numa dor, então, de caráter parietal, migrada para a fossa ilíaca direita, bem localizada e caracterizada, com sinais locais de peritonite na fossa ilíaca direita, ao exame físico. DICA 1Releia e memorize o quadro típico: dor inicialmente inespecí0ca, acompanha- da de náuseas, anorexia, febre e leucocito- se, que migra à fossa ilíaca direita e apre- senta peritonite. 2. SINAIS DE PERITONITE AO EXAME FÍSICO Quadro 1. Sinais de peritonite ao exame físico. Blumberg Dor à descompressão brusca da fossa ilíaca direita. Rovsing Dor em fossa ilíaca direita ao se palpar a fossa ilíaca esquerda (distensão gasosa retrógrada). Dunphy Dor em fossa ilíaca direita ao tossir. Obturador Dor abdominal à rotação interna da coxa (apêndice pélvico). Psoas Dor abdominal à hiperextensão da coxa (apêndice retrocecal). Queda sobre os calcanhares Dor em fossa ilíaca direita a essa manobra. Fonte: Autor. 3. OUTROS ÓRGÃOS – SINTOMAS EXÓTICOS DA APENDICITE BASES A peritonite parietal ao exame físico, na apendicite aguda, que gera a dor peritoneal típica, é causada por perivisce- rite da ponta do apêndice (in/amação por contiguidade). Figura 1. Variações na posição do apêndice. Fonte: Souza.2 ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cap. 7 149 Dependendo do local para onde a ponta está orien- tada, a in/amação adjacente criada pode gerar sin- tomas atípicos (e razoavelmente frequentes), como: disúria e urgência miccional (bexiga), dor lombar irradiada para a bolsa escrotal (ureter), diarreia (intestino delgado) ou urgência evacuatória (reto). FLASHCARD O que é o sinal de Rovsing? Descompressão da fossa ilíaca esquerda, levando à dor na fossa ilíaca direita, devido ao retorno de gases do lado esquerdo para o lado direito. DIA A DIA Os sintomas exóticos da apendicite não nos afastam da suspeita clínica! É importante conhecê-los e reconhecê- -los, além de ter a tranquilidade de sustentar a hipótese diagnóstica mesmo na presença deles. 4. DIAGNÓSTICO Num quadro clínico típico, o diagnóstico da apen- dicite é clínico. DIA A DIA Cirurgiões fazem diagnóstico clínico. Contudo, na maioria dos hospitais, quem atende o caso no pronto atendimento é um emergencista, assim, acabamos vendo no meio privado uma maior parte de diagnósticos de apendicite aliados a métodos de imagem. Quando há um cirurgião envolvido, aumentam-se os diagnósticos clínicos. Entretanto, nem sempre o quadro é típico e pode haver dúvida diagnóstica. 4.1. DÚVIDA DIAGNÓSTICA A mera presença de sintomas exóticos não necessa- riamente motiva uma dúvida diagnóstica. A dúvida pode ser motivada, mais precisamente por: 1. Ausên- cia de peritonite na fossa ilíaca direita, numa história típica; ou 2. Presença de peritonite na fossa ilíaca direita, numa história atípica. Como lidar? As estratégias são: reavaliação seriada, exames de imagem ou exploração laparoscópica. DIA A DIA A escolha entre as estratégias, na prática, é individualizada. A reavaliação seriada é especialmente útil em casos muito iniciais, de história típica, mas que ainda não desenvolveram peritonite na fossa ilíaca direita. Espera observar-se a migração da dor para a fossa ilíaca direita e o desenvolvimento de peritonite localizada. A exploração laparoscópica se torna pertinente quando há peritonite na fossa ilíaca direita, ainda que sem diagnóstico 0rmado, sob a justi0cativa de: “não sei o que é, mas é de operar”. Nesses casos, o cirurgião deve estar apto a tratar a apendicite ou seus diagnósticos diferenciais. DICA 1Caso, à exploração, o cirurgião não encontre um apêndice com aspecto de apendicite, ele deve procurar diagnósticos alternativos no íleo terminal, ceco e anexos uterinos. Se nenhum outro for encontrado, o apêndice deve ser retirado. Se for encon- trado, o apêndice pode ser retiradoou pre- servado, à escolha do cirurgião. Os exames de imagem se enquadram nos demais casos (que são maioria), em que não se motiva uma intervenção cirúrgica preemptiva, e tampouco é cabível a reavaliação seriada. Para a solicitação ou não desses, o médico deve se pautar na clínica do paciente e no laboratório. Essa análise pode ser feita de forma subjetiva, ou objetiva, com auxílio de um escore. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cirurgia geral 150 5. ESCORE DE ALVARADO O escore de Alvarado é especialmente útil naque- les pacientes com dúvidas de conduta, por quadro clínico ainda atípico, por exemplo. Ele funciona pontuando justamente os dados de uma história típica de apendicite e da avaliação laboratorial. Tabela 1. Escore de Alvarado. Escore de Alvarado Pontos Sintomas Migração da dor 1 Anorexia 1 Náuseas ou vômitos 1 Sinais Defesa em quadrante inferior direito 2 Dor à descompressão brusca 1 Febre 1 Laboratório Leucocitose 2 Desvio à esquerda 1 Fonte: Adaptado de: Alvarado.1 Como interpretar os resultados? O Alvarado alto >7 fala muito a favor de apendicite, e o paciente deve ser operado, sem necessidade de exames complemen- tares. O Alvarado <3 fala muito contra a apendicite e deve-se considerar outro diagnóstico diferencial, ou submeter o paciente a uma reavaliação seriada. O Alvarado intermediário, 4, 5 ou 6, é o da dúvida. É justamente aqui que o Alvarado o orienta a solicitar um exame de imagem. FLASHCARD Escore de Alvarado? Maior ou igual a 7: a favor de apendicite aguda; 4 a 6: investigar com exame de imagem; menor ou igual a 3: contra apendicite aguda. 6. EXAMES DE IMAGEM NA APENDICITE Exames na apendicite: ultrassonogra0a e tomogra0a. 6.1. ULTRASSONOGRAFIA O exame inicial a ser realizado é a ultrassonogra0a abdominal. É um exame simples, não invasivo e rápido. Um exame positivo identi0ca um apêndice dilatado, espessado, alongado, não compressível, espessamento da gordura periapendicular, líquido livre ao redor e com presença de um fecalito em seu interior. Um exame ultrassonográ0co positivo é diagnóstico 0rmado de apendicite, com altíssimo valor preditivo positivo. O problema da ultrassonogra0a está em não se visualizar o apêndice, ou nos casos em que o apêndice está “normal”. Isso porque a ultrasso- nogra0a tem um baixo valor preditivo negativo, isto é, o exame normal tem pouco poder em afastar o diagnóstico de apendicite. Nesses casos, deve-se prosseguir à investigação com uma tomogra0a de abdome. 6.2. TOMOGRAFIA A tomogra0a é o exame mais acurado para a detec- ção da apendicite aguda. É um exame com radiação ionizante e que pode usar contraste endovenoso, logo, deve ser utilizado com sabedoria. As carac- terísticas tomográ0cas da apendicite englobam os mesmos achados da ultrassonogra0a: dilatação, espessamento e alongamento, não compressibi- lidade, espessamento da gordura periapendicular, líquido livre ao redor e fecalito. A tomogra0a vai além e consegue trazer, ainda, informações sobre complicações, coleções, abscessos e perfurações. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cap. 7 151 Figura 2. Aspecto ultrassonográ0co da apendicite, com espessamento de sua parede, aumento do seu calibre e “sinal do alvo”. Fonte: Gaitini.3 Figura 3. Aspecto tomográ0co da apendicite, com espessamento de sua parede, aumento do seu calibre e borramento da gordura periapendicular. Fonte: Gaitini.3 7. CLASSIFICAÇÃO DA APENDICITE De acordo com sua fase evolutiva, a apendicite pode ser classi0cada em: Tabela 2. Fases da apendicite. Fases da apendicite Fase 1 Edematosa Fase 2 Úlcero-/egmonosa Fase 3 Gangrenosa Fase 4 Perfurativa Fonte: Autor. DIA A DIA A melhor classi0cação é a da World Society of Emergency Surgery, de 2015, que nunca apareceu em prova. Traz os seguintes parâmetros: W Grau 0: apêndice normal W Grau 1: apêndice hiperemiado e edemaciado W Grau 2: apêndice com exsudato 0brinoso W Grau 3: apêndice com necrose segmentar, apresen- tando base íntegra W Grau 4: V 4A: presença de abscesso periapendicular V 4B: presença de peritonite regional V 4C: necrose da base do apêndice W Grau 5: presença de peritonite difusa 8. MANEJO No nosso principal cenário, que é a apendicite diagnosticada clinicamente, ou por um método de imagem, o tratamento padrão é a apendicectomia de urgência. 8.1. A ESCOLHA DA INCISÃO Sem mergulhar em técnica operatória, entenda: você pode operar uma apendicite em incisões especí0cas (pequenas incisões locais: McBurney e Davis Roc- key, direto na fossa ilíaca direita), grandes incisões (laparotomias medianas), ou por videolaparoscopia. Como escolher? ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cirurgia geral 152 Para apendicites iniciais e não complicadas, todas são igualmente efetivas. Tendemos a apendicec- tomia videolaparoscópica (quando disponível) ou incisões especí0cas (quando indisponível a via laparoscópica). Para apendicites complicadas, com secreção puru- lenta na cavidade, as incisões especí0cas são um risco, pois não permitem exploração e limpeza da cavidade. Preferimos aqui a apendicectomia video- laparoscópica, ou laparotomias medianas, quando a laparoscopia é indisponível. E, nos casos em que há dúvida diagnóstica, a explo- ração diagnóstica é feita preferencialmente por videolaparoscopia. DICA 1Não há como errar na via videolapa- roscópica. DIA A DIA A apendicectomia videolaparoscópica segue os mesmos princípios técnicos de uma apendicectomia aberta: liga- dura do mesoapêndice + ligadura da base do apêndice + ressecção do apêndice + limpeza da cavidade, se neces- sário. Por videolaparoscopia, isso é feito com trocartes na cicatriz umbilical, fossa ilíaca esquerda e suprapúbico. O mesoapêndice é tratado por clipagem e eletrocauteri- zação. A base do apêndice pode ser tratada de diversas formas: grampeamento, clipadura, amarradura ou sutura. FLASHCARD Qual é a conduta padrão no tratamento da apendi- cite aguda? Apendicectomia por videolaparoscopia. 8.2. CENÁRIOS ESPECÍFICOS Existem outros cenários de apresentação da doença, os quais são tratados de forma distinta. 8.2.1. Tratamento em dois tempos: Imagine uma apendicite com mais de sete dias de curso de doença, sem diagnóstico adequado pre- viamente, com um paciente mais grave e debilitado, ao exame físico com um plastrão in/amatório, e a imagem já complicada com um abscesso – um paciente com uma apendicite complicada, porém uma complicação local, e de evolução arrastada. Nesses casos, uma alternativa à apendicectomia cirúrgica é um tratamento não operatório inicial, com drenagem percutânea (ou transvaginal) do abscesso, seguido de uma apendicectomia posteriormente, após 6-8 semanas. Nesse ínterim, é interessante a realização de colo- noscopia, para que se possa afastar um câncer de apêndice associado. Esse tipo de tratamento é a dita apendicectomia de intervalo. Perceba que a cirurgia é tardia e que, inicialmente, o tratamento é não operatório. 8.3. PERFURAÇÃO Cenário catastró0co: a apendicite perfurada com peritonite difusa fecal/purulenta. Aqui, muito embora a doença inicial tenha sido um abdome agudo in/a- matório, ao chegar para você atender, o paciente se apresentará com um abdome agudo perfurativo. A conduta é como a de todo perfurativo (vale a pena ver o capítulo especí0co). 8.4. DIAGNÓSTICO INDETERMINADO Outro cenário possível é um paciente que se apre- senta com uma história não típica e sinais de peritonite localizada em fossa ilíaca direita. Esse paciente, embora possa haver dúvida diagnóstica, não há dúvida de que necessita de cirurgia. Nes- ses casos, melhor do que se buscar estabelecer um diagnóstico pré-operatório com exames de imagem, o mais adequado é realizar uma explora- ção cirúrgica videolaparoscópica. A abordagem é minimamente invasivae permite estabelecer com precisão o diagnóstico, assim como tratá-lo no mesmo evento. Nesse cenário, o cirurgião pode ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cap. 7 153 encontrar outras doenças, que são diagnósticos diferenciais da apendicite. 8.5. ANTIBIÓTICOS O uso de antibióticos dependerá da fase da apen- dicite. Apendicites não complicadas (Fases 1 e 2) recebem apenas antibiótico pro0lático (até 24 horas). Apendicites complicadas (Fases 3 e 4, e/ ou com abscesso cavitário) recebem antibiótico terapêutico (7 dias). O regime de escolha deve cobrir gram-negativos e anaeróbios: amoxicilina + clavulanato de potássio / ceftriaxona + metronidazol / cipro/oxacino + metronidazol. DIA A DIA A forma prática de lidar com antibióticos é: iniciar à admissão do paciente, quando se faz o diagnóstico de trabalho de apendicite aguda, e manter até a cirurgia. A partir da cirurgia, continuar o antibiótico por sete dias nos casos complicados, ou, se caso pro0lático (apendicite não complicada), descontinuar o antibiótico. 8.6. APENDICITE EM GESTANTES Apendicite em gestante não deve mudar a conduta: o tratamento é operatório. A cirurgia exibe menos risco ao binômio materno-fetal que a apendicite. O desa0o está no diagnóstico: dadas as alterações 0siológicas e anatômicas da gravidez, teremos leucocitose inespecí0ca e um apêndice deslocado cranialmente, além de dores abdominais benignas confundidoras. Nesses casos, o exame ultrassonográ0co pode também estar di0cultado. Podemos até pedir uma tomogra0a, mas, idealmente, substituindo esse exame de radiação ionizante, ao necessitar de uma imagem mais robusta: ressonância magnética. 8.7. CÂNCER PÓS-APENDICECTOMIA Em cerca de 0,5 a 1,0% das apendicectomias, haverá o resultado de neoplasia no anatomopatológico da peça ressecada. O que fazer? Em tumores favoráveis, que são a regra, a própria apendicectomia já foi o tratamento, e basta observar o paciente. Em tumores desfavoráveis, que são exceção, tere- mos que ampliar a cirurgia para uma colectomia direita oncológica. O que aponta para um tumor desfavorável? Tamanho >1cm, base acometida, margem comprometida, neoplasia pouco diferenciada, presença de inva- são angiolinfática e/ou presença de linfonodos comprometidos. 9. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Quais os diagnósticos diferenciais da apendicite que eu preciso saber para a prova? Qualquer qua- dro de dor na fossa ilíaca direita é um diagnóstico diferencial em potencial. Inúmeras doenças são capazes de tal quadro. Para a prova, porém, levamos alguns, abaixo: FLASHCARD Qual é a conduta para um paciente no 7º PO de apen- dicectomia com queixa de hiperemia, dor, drenagem de secreção fétida e abaulamento da ferida? Abertura do ponto da ferida e curativo por segun- da intenção. Quadro 2. Principais diagnósticos diferenciais. Doença Pistas no enunciado da questão Febre tifoide • Febre alta + diarreia intensa. • Epidemiologia compatível. Ileíte por Doença de Crohn • Comportamento de surto e re- missão. • Disenteria (produtos patológicos). • Idade compatível. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cirurgia geral 154 Doença Pistas no enunciado da questão Ileíte infecciosa • Imunossupressão: SIDA, medica-mentos, linfoma, quimioterapia etc. Linfadenite mesentérica • Quadro brando precedido 1-2 se- manas por um quadro gripal, em um pré-adolescente. Apendagite epiploica • Quadro brando com lesão ovaloide hipodensa/hipoecoica paracólica à imagem. Doença in/amatória pélvica • Dor hipogástrica associada. Com- portamento sexual de risco. Corri- mento vaginal. Gestação ectópica • Idade fértil, relação sexual despro-tegida e atraso menstrual. Doença in/amatória pélvica aguda • Comportamento sexual de risco e corrimento vaginal. Fonte: Autor. No aparelho ginecológico, qualquer doença in/a- matória anexial à direita pode mimetizar uma apen- dicite, ao cursar com uma dor de características in/amatórias, mal caracterizada, mas concentrada na fossa ilíaca direita. Você tem que 0car atento ao enunciado da questão em dicas sobre algum sintoma ginecológico associado, como amenorreia (gesta- ção ectópica), amenorreia + queda de hemoglobina (gestação ectópica rota) e corrimento vaginal + relação sexual desprotegida (doença in/amatória pélvica aguda). FLASHCARD Qual é a conduta em um paciente com uma história de dor atípica, sinais de peritonite e dúvida diagnóstica? Exploração cirúrgica videolaparoscópica. A adenite mesentérica é a in/amação e infarto de um linfonodo abdominal, que ocorre geralmente de alguns dias a duas semanas após um quadro gripal viral (procure aquela pista de uma infecção recente de vias aéreas superiores numa criança/ adolescente). É uma doença autolimitada que não demanda tratamento cirúrgico, apenas medidas de suporte, vigilância e controle sintomático. A apendagite epiploica é uma in/amação e infarto de um apêndice epiploico dos cólons que, ocorrendo à direita, pode mimetizar uma apendicite. O diag- nóstico pode ser feito ao exame de imagem, com achado de lesão ovaloide, hipodensa/hipoecoica, paracólica. Essa doença tem curso benigno e autoli- mitado, sendo tratada com suporte e sintomáticos. A cirurgia está reservada para o paciente com refra- tariedade, alarmes ou complicações (obstrução, abscesso etc.). A febre tifoide é uma doença infecciosa, causada pela Salmonella typhi ingerida, que cursa com dor em fossa ilíaca direita marcante, diarreia intensa e febre altíssima, num paciente com história epidemio- lógica de trânsito por área endêmica e de baixo nível socioeconômico. É tratada com antimicrobianos no momento do diagnóstico diferencial. Há a ileíte infecciosa, causada por infecções bacte- rianas ou virais (CMV) do íleo distal, em pacientes imunossuprimidos: SIDA, medicamentos, linfomas, quimioterapias etc. Feito esse diagnóstico diferen- cial, o tratamento será com antibiótico/antiviral e a cirurgia é reservada a complicações (perfurações). A ileíte também é uma manifestação possível na doença de Crohn. Nesses casos, o enunciado trará provavelmente um paciente mais jovem, com quadro com comportamento de surto e remissão de várias crises de dor em fossa ilíaca direita e diarreia de produtos patológicos. Ao momento do diagnóstico diferencial, é tratado com cirurgia apenas se houver complicação de fístula/perfuração. O tratamento aqui é clínico-cirúrgico: controle clínico da doença com imunossupressores e biológicos, e cirurgia para complicações (estenoses e fístulas). Você viu que a apendicite aguda pode perfurar e também que alguns de seus diagnósticos dife- renciais de tratamento clínico podem necessitar de cirurgias, caso perfurem? Pois bem: vejamos a seguir sobre o abdome agudo perfurativo. REFERÊNCIAS 1. Alvarado A. A practical score for the early diagnosis of acute appendicitis. Ann Emerg Med. 1986; 15: 557-64. ebertegoncalvestem poni@ gm ail.com | e963dca2-55b0-4f06-92f8-c5d306f9b966 Apendicite aguda Cap. 7 155 2. Souza SC, Costa SRMR, Souza IGS. (2015). Vermiform appendix: positions and length – a study of 377 cases and literature review. J Coloproctol. 2015; 35(4): 212-6. 3. Gaitini D. Imaging Acute Appendicitis: State of the Art. J Clin imaging sci. 2011; 1: 49. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1. Sabiston, D. C., & Townsend, C. M. Sabiston textbook of surgery: The biological basis of modern surgical practice. 20th ed. 2019. 2. Browse N. Introduction to the Symptoms and Signs of Surgical Disease. 4th ed. 2010. 3. Browse N. The Investigation and Management of Surgical Disease 1st ed. 2010. 4. Cope Z, Silen W. Cope’s Early Diagnosis of the Acute Abdomen. 22nd ed. 2010. 5. Gomes CA, Sartelli M, Di Saverio S, Ansaloni L, Catena F, Coccolini F, et al. Acute appendicitis: proposal of a new comprehensive grading system based on clinical, imaging and laparoscopic !ndings. World Journal of