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Bioquímica Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Kelly Cristina de Oliveira Bermar Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Carboidratos • Introdução; • Monossacarídeos; • Dissacarídeos; • Polissacarídeos. · Discorrer sobre a função e a característica dos carboidratos, assim, como seu metabolismo. OBJETIVO DE APRENDIZADO Carboidratos Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Carboidratos Introdução Os carboidratos são basicamente formados por carbono, hidrogênio e oxigênio, conhecidos como poli-hidroxialdeídos ou poli-hidroxicetonas; alguns podem con- ter nitrogênio, fósforo ou enxofre. São altamente solúveis em água e tem como principal função ser fonte de energia. Alguns polímeros de carboidratos atuam como elementos estruturais e protetores nas paredes celulares de bactérias, como lubrificantes de articulações e auxiliam no reconhecimento e na adesão celular. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Os carboidratos são divididos em: • Monossacarídeos: definidos também como açúcares simples, constituídos apenas por um monômero (NELSON, 2014); • Oligossacarídeos: cadeias curtas formadas pela união de monossacaríde- os, sendo os dissacarídeos, formados por duas unidades, os mais comuns (NELSON, 2014); • Polissacarídeos: polímeros formados por mais de 20 monossacarídeos (NELSON, 2014). Monossacarídeos São os mais simples dos carboidratos, sólidos, cristalinos e incolores e a maioria tem sabor doce. Apresentam em sua estrutura química cetona ou aldeído e dois ou mais grupos hidroxilas. Na Unidade 1, falamos sobre gru- pos funcionais. Vale a pena você relembrar. São classificados em relação ao grupo funcional, ao número de carbonos, aos esteroisômeros e quanto à posição do carbono anomérico nas estruturas cíclicas. (NELSON, 2014; VOET, 2014) 8 9 Classificação em Relação ao Grupo Funcional Em relação à presença dos grupos funcionais cetona ou aldeído, os monossacarí- deos são denominados cetose e aldose, respectivamente (Figura 1). (NELSON, 2014) Figura 1 – Estrutura química dos monossacarídeos classificados de acordo com o grupo funcional em aldose e cetose Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Classificação em Relação ao Número de Carbonos Os monossacarídeos apresentam de três a sete carbonos, unidos por ligações simples na forma de cadeias não ramificadas e são denominados trioses (3C), te- troses (4C), pentoses (5C), hexoses (6C) e heptoses (7C). As trioses mais comuns são o gliceraldeído e a di-hidroxiacetona, e as hexoses, a glicose e a frutose. A nomenclatura final dos monossacarídeos faz-se pela presença de aldeído ou cetona e número de carbono, por exemplo, um monossacarídeo que apresenta um aldeído e possui três carbonos é um aldo-triose (Figura 2) (NELSON, 2014). Os monossacarídeos mais comuns na natureza são a glicose e a frutose; ambos são hexoses, fonte de energia e produtos da fotossíntese, respectivamente; porém, a glicose é uma aldose e a frutose é uma cetose. Também são hexoses a galactose, presente no leite, e a manose, encontrada em frutas e árvores. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Nos ácidos nucleicos encontramos as aldo-pentoses D-ribose no RNA e a 2-de- sóxi-D-ribose no DNA. (VOET, 2014) 9 UNIDADE Carboidratos Figura 2 – Classificação dos monossacarídeos em relação ao número de carbonos e grupos funcionais Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Classificação dos Esteroisômeros Os monossacarídeos possuem diversos carbonos quirais, que são carbonos assi- métricos por possuírem quatro ligações com elementos diferentes, o que possibilita a formação de diversos esteroisômeros. (Nelson, 2014) Que tal você ler um pouco mais sobre esteroisômeros, moléculas químicas com a mesma fórmula química e sequência, porém, com diferença no arranjo de seus átomos no espaço? Acesse: https://goo.gl/dXMBMg Ex pl or A classificação dos esteroisômeros se dá pela posição da hidroxila do carbono quiral mais distante dos grupos funcionais aldeído ou cetona e se define por monos- sacarídeo D quando a hidroxila estiver do lado direito e monossacarídeo L quando estiver à esquerda (Figura 3). (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 3 – Classificação dos esteroisômeros de acordo com a posição da hidroxila (OH) mais distante dos grupos funcionais aldeído e cetona Fonte: Adaptado de NeurOtiker 10 11 Classificação Quanto à Posição do Carbono Anomérico nas Estruturas Cíclicas Em solução aquosa, as aldotetroses e todas as pentoses, hexoses e heptoses assumem a forma de cadeias cíclicas ou cadeias carbônicas fechadas em anel. Isso ocorre devido a uma reação entre álcoois (OH) e aldeídos ou cetonas que formam os hemiacetais ou hemicetais. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Os monossacarídeos cujo anel é composto por 6 elementos são denomina- mos piranoses e aqueles que possuem 5 elementos são denominados furanoses. (NELSON, 2014) A forma cíclica da glicose também é chamada de glicopiranose e o anel da fru- tose é conhecido como frutofuranose. Esses monossacarídeos cíclicos possuem dois esteroisômeros denominados anô- meros alfa – α e beta – β, que se distinguem pela posição do grupo hidrolixa (OH) do carbono 1, classificado como carbono anomérico. Esteroisômeros α – alfa apresentam a hidroxila (OH) para baixo e nos esteroisômeros β – beta, a hidroxila está para cima (Figura 4). (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 4 – Formas cíclicas dos monossacarídeos – Piranose e furanose e esteroisômeros alfa – α e beta – β Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Dissacarídeos Os dissacarídeos são formados por uma ligação covalente entre dois monossa- carídeos denominada ligação glicosídica, que ocorre sempre entre a hidroxila de uma molécula de açúcar e o carbono anomérico de outro. 11 UNIDADE Carboidratos Para descrevê-la, iniciamos indicando se o carbono anomérico é alfa ou beta; o número do carbono anomérico seguido por uma seta e o número do carbono ao qual a hidroxila está ligada (Figura 5). Essa ligação é facilmente hidrolisada por ácidos, ori- ginando seus componentes monossacarídeos livres. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 5 – Esquema de uma ligação glicosídica α1 → 4 entre dois monossacarídeos Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons Os dissacarídeos mais comuns são a lactose, composta por β-D-galactose e β-D-glicose, presente no leite numa concentração que varia de 0 a 7%, a sacarose, popularmente conhecida como açúcar de mesa, formada pela união de α-D-glicosee β-D-frutose e a maltose, presentes nos derivados do malte, formado pela união de α-D-glicose e β-D-glicose (Figura 6). (NELSON, 2014; VOET, 2014) A digestão desses dissacarídeos ocorre por ação de enzimas presentes na super- fície das células epiteliais intestinais e consiste na quebra das ligações glicosídicas e liberação dos monossacarídeos (Tabela 1). (NELSON, 2014) Tabela 1 – Enzimas envolvidas na digestão dos principais dissacarídeos. Dissacarídeo Enzima Monossacarídeos liberados Lactose Lactase D-galactose e D-glicose Sacarose Sacarase D-frutose e D-glicose Maltose Maltase 2 D-glicose B-D-galactose B-D-glicose Lactose (β1→4) α-D-glicose B-D-glicose Maltose (α1→4) α-D-glicose B-D-frutose Sacarose (α1→4) Figura 6 – Estrutura química dos dissacarídeos mais comuns Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images 12 13 Polissacarídeos Os polissacarídeos, também conhecidos como glicanos, são os carboidratos mais comuns na natureza, formados por 20 ou mais monossacarídeos com peso molecu- lar médio ou alto. São divididos em homopolissacarídeos, que contém apenas um tipo de mo- nossacarídeo, e heteropolissacarídeos, que contêm dois ou mais tipos diferentes, formando cadeias lineares ou ramificadas (Figura 7). O amido e o glicogênio são homopolissacarídeos de armazenamento nos vegetais e nas células animais, res- pectivamente, encontrados no interior celular, na forma de agrupamentos ou grâ- nulos. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 7 – Esquema da estrutura de homo e heteropolissacarídeos de cadeias ramificadas ou simples Fonte: Adaptado de Nelson & Cox, 2014 O amido é sintetizado por várias células vegetais, sendo encontrado em grande quantidade em tubérculos, como a batata, e em sementes; é formado por dois po- límeros de glicose, a α-amilose e a amilopectina, depositados na forma de grânulos nos vegetais. A α-amilose é um polímero não ramificado, formado pela união de D-glicose e a amilopectina também é formada pela ligação glicosídica entre D-glicoses; porém, altamente ramificada. (NELSON, 2014; VOET, 2014) A digestão do amido consiste na quebra das ligações glicosídicas e liberação dos monossacarídeos de D-glicose para absorção. Esse processo inicia-se na boca, por ação da amilase salivar, que hidrolisa alea- toriamente as ligações glicosídicas no intestino delgado; sob influência da amilase pancreática, o amido é degradado a uma mistura de pequenos oligossacarídeos que 13 UNIDADE Carboidratos são hidrolisados a um resíduo de glicose por vez por ação da enzima α-glicosidade e da enzima desramificadora. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 8 – Estrutura química da amilose e da amilopectina, polímeros que formam o amido, principal polissacarídeo de armazenamento nos vegetais Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons O glicogênio é o principal polissacarídeo de armazenamento em células animais, formado pela união de D-glicoses em cadeias ramificadas, bastante parecido com a amilopectina. É armazenado, na sua maior parte no fígado e também no músculo esquelético; porém, está presente em todas as células, na forma de grânulos cito- plasmáticos. A degradação do glicogênio consiste na quebra das ligações glicosídi- cas e liberação das D-glicose por ação da enzima glicogênio-fosforilase. (NELSON, 2014; VOET, 2014) Figura 9 – Estrutura química do glicogênio, polissacarídeo de reserva nas células animais Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons A Matriz Extracelular (MEC), também chamada de matriz amorfa ou substância fundamental, é formada por um material semelhante a um gel e tem a função de manter as células, como os fibroblastos, unidas e permitir o transporte de nutrientes e oxigênio em tecidos como cartilagem, tendões, pele e parede dos vasos sanguíneos. 14 15 Essa matriz é constituída por heteropolissacarídeos não ramificados denomina- dos glicosaminoglicanos e proteínas, como o colágeno, a elastina e as fibronecti- nas fibrilares. Entre os principais glicosaminoglicanos, temos o ácido hialurônico ou hialuronato, formado por até 50.000 repetições do dissacarídeo ácido-D-glicurô- nico e N-acetil-D-glicosamina (Figura 9) e com massa molecular altíssima (NEL- SON, 2014; VOET, 2014). Ele faz parte do líquido sinovial das articulações, é responsável pela consistên- cia do humor vítreo nos olhos, compõe a matriz celular das cartilagens e tendões, auxiliando na elasticidade e resistência à tensão (NELSON, 2014). O ácido hialurô- nico, quando em solução, ocupa um volume aproximadamente 1.000 vezes maior comparado ao seu estado seco; possui elevada capacidade de retenção de água e dureza, o que limita a sua flexibilidade. Este glicosaminoglicano é extremamente importante na estrutura e organização da derme, pois garante flexibilidade e firme- za à pele. (MORAES, 2017; NELSON, 2014; VOET, 2014) Essas características do ácido hialurônico permitem sua aplicação na estética com a finalidade de preenchimento da boca, em olheira profundas, em sulcos e em rugas. (MORAES, 2017) Ácido-D-glicurônico N-acetilglicosamina Figura 10 – Estrutura química do ácido hialurônico formado por inúmeras (n) repetições do dissacarídeo composto de ácido-D-glicorônico e N-aceltilglicosamina Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images 15 UNIDADE Carboidratos Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Digestão de Carboidratos Vídeo sobre digestão de carboidratos https://youtu.be/O1e9NcTrxFY Leitura Ácido Hialurônico Dentro da Área de Estética e Cosmética Artigo sobre o uso do ácido hialurônico na estética https://goo.gl/TFWzfK Intolerância à Lactose Texto sobre intolerância à lactose https://goo.gl/AP1URz Amido Digestão do amido https://goo.gl/JmMznN 16 17 Referências MORAES, B. R. et al. Ácido hialurônico dentro da área de estética e cosmética, Revista Saúde em foco. São Paulo, 9.ed., 2017. Disponível em: <http://www. unifia.edu.br/revista_eletronica/revistas/saude_foco/artigos/ano2017/062_aci- dohialuronico.pdf>. Acesso em: 21 jun. 2018. NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. Porto Alegre: Artmed, 2014. VOET, D.; VOET, J. G.; Pratt, W. Fundamentos de bioquímica: a vida em nível molecular. Porto Alegre: Artmed, 2014. 17