Prévia do material em texto
Gestão de pessoas em Farmácia Prof.ª Keila Regina Mota Negrão, Prof.ª Sabrina Petrola, Prof. Renato da Silveira, Prof. Yan Bernardes Vieites Castro dos Santos, Prof. Enrique Jesús Sánchez Elvira, Prof.ª Raysa Geaquinto Rocha Descrição Conceitos fundamentais de gestão de pessoas, mudanças, conflitos e trabalho em equipes de alta performance. Propósito O farmacêutico é um profissional que trabalha sempre em equipe. Seja como gestor ou como colaborador, é fundamental entender como lidar com as pessoas de maneira que todos possam contribuir para o atingimento das metas mantendo o ambiente organizacional agradável. Objetivos Módulo 1 Gestão do trabalho Identificar os principais processos da área de gestão de pessoas, bem como o planejamento e o controle como funções do gestor. Módulo 2 Gestão de conhecimento Descrever os conceitos de dado, informação e conhecimento, além do conceito de conhecimento organizacional. Módulo 3 Gestão da mudança e de con�itos Identificar os elementos que caracterizam a mudança organizacional e suas dificuldades, bem como os conflitos nas relações de trabalho e como solucioná-los. Módulo 4 Trabalho em equipe de alta performance Identificar o trabalho em equipe como competência central para o desenvolvimento profissional e as características das equipes de alta performance. Introdução Para falarmos em gerir pessoas e o trabalho que realizam, precisamos entender a área de gestão de pessoas, tão vital nas organizações, bem como a sua importância e os principais processos. Vamos analisar o papel do gestor no planejamento e controle das ações realizadas a fim de atingir as metas estabelecidas. Veremos, ainda, como gerir os dados e informações obtidos a fim de gerar conhecimento que possa ser utilizado de maneira estratégica pela empresa. As mudanças podem ocorrer em diferentes partes das organizações e nem sempre são bem aceitas, por isso vamos entender os principais obstáculos impostos às mudanças e a resistência que normalmente decorre desse cenário. Além disso, veremos os tipos de conflitos que podem surgir nas relações de trabalho e quais são as alternativas para resolvê-los. Por fim, entenderemos a importância do trabalho em equipe e quais são as características de uma equipe de alta performance. 1 - Gestão do trabalho Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais processos da área de gestão de pessoas, bem como o planejamento e o controle como funções do gestor. Gestão de pessoas: qual seu papel? As últimas décadas testemunharam mudanças profundas no papel da área de gestão de pessoas dentro das organizações. Tradicionalmente, os gerentes viam a função de recursos humanos como basicamente administrativa e pessoal. Para eles, a área de gestão de pessoas se concentrava no gerenciamento dos benefícios exigidos em lei e das atividades rotineiras, como folhas de pagamentos e outras funções operacionais; fatores que, de acordo com essa mentalidade, mensuravam a influência do RH sobre o bom funcionamento da empresa. A área passou a ser considerada estratégica a partir do momento em que se tornou possível medir a eficácia das suas ações e entender de que forma favorecem o aumento da performance e dos resultados organizacionais. Desenvolveu-se uma nova ênfase sobre estratégias de negócios e sobre a relevância dos processos da área de gestão de pessoas. Cada vez mais, passa-se a conhecer e reconhecer que o alinhamento da área com a estratégia da empresa garante melhores resultados. Um dos principais motivos é a valorização dos ativos intangíveis como fonte de vantagem competitiva sustentável. Se as empresas buscam fortalecer essa vantagem competitiva, cabe à área de gestão de pessoas, portanto, maximizar a contribuição das suas atividades para alcançar esse mesmo objetivo. Ativos intangíveis As competências dos empregados para a realização das atividades, o clima para a ação em busca de resultados, que envolve a motivação e o compromisso de todos e a capacidade da empresa de melhorar seus processos internos são exemplos de recursos intangíveis. Vantagem competitiva sustentável É a maneira como uma empresa se diferencia de seus concorrentes. Em um ambiente competitivo, as empresas precisam entregar produtos e/ou serviços que sejam raros, difíceis de imitar, além de oferecer real valor aos clientes (PRAHALAD; HAMEL, 1998). Principais processos da gestão de pessoas As organizações utilizam informações do ambiente para formular suas estratégias de recursos humanos e desenvolver os processos da área. Por exemplo: Ambiente externo Deve-se considerar as leis e os regulamentos, as ações de entidades, como sindicatos e associações, as condições econômicas e políticas, os aspectos socioculturais e a competitividade entre empresas. Ambiente interno Deve-se analisar as influências relacionadas à missão da organização, à visão, aos objetivos e às estratégias, ao alinhamento em torno de um propósito e à cultura organizacional, à natureza das tarefas e ao estilo de gestão. Os principais processos da área são: Recrutamento é a fase inicial de preenchimento de uma vaga em aberto. É feito de duas formas: recrutamento interno, atraindo pessoas que já trabalham na empresa, mas em outra área ou função; recrutamento externo, quando busca candidatos que não têm vínculo com a empresa. Já a seleção é o processo de escolha do candidato mais adequado para ocupar a vaga. É o processo de socialização dos novos colaboradores, cujo principal objetivo é familiarizá-los com a cultura da empresa, consolidando os valores organizacionais. São apresentadas as diretrizes estratégicas, como missão, visão e valores, e, ainda, a filosofia e o propósito, a estrutura organizacional, as políticas de educação, a gestão do desempenho e os benefícios, além do papel do colaborador e da sua função para os resultados, da lista de feriados, dos canais de comunicação interna etc. Trata-se do processo da área de RH que busca identificar as potencialidades e deficiências de cada colaborador por meio da avaliação de suas competências. Essa avaliação permitirá ao gestor identificar os colaboradores que não estão alinhados ao perfil funcional exigido; propor melhorias voltadas para crescimento e desenvolvimento do capital humano; embasar as progressões e promoções nas carreiras e recompensar os colaboradores que entregam os melhores resultados. Nesse processo, define-se como será o sistema de recompensas dentro da organização para estimular os colaboradores a entregarem resultados por meio de seu trabalho. O conjunto de recompensas abrange: a remuneração variável, a remuneração fixa e os benefícios a que o colaborador terá direito. A remuneração variável está vinculada ao acompanhamento da performance ou do desempenho de alguém. Por exemplo: comissão sobre vendas. A remuneração fixa trata-se da parcela fixa paga ao empregado. Por exemplo: salário. Os benefícios são vantagens concedidas ao empregado que atendem a suas mais variadas necessidades, como saúde, segurança, reconhecimento e realização profissional. Por exemplo: plano de saúde; bolsas de estudos, vale transporte. Gestão da remuneração é um dos processos essenciais para a área de RH, pois afeta o estilo de vida que as pessoas terão e Recrutamento e seleção lntegração (onboarding) Gestão do desempenho Gestão da remuneração seu valor para a organização, sem gerar uma estrutura compensatória que desequilibre a capacidade da empresa e seus custos de operacionalização. São os processos responsáveis pelo aumento do capital intelectual da empresa. As atividades da área envolvem o diagnóstico das necessidades de qualificação, o planejamento das ações e a avaliação dos programas realizados internamente. Com a redução do prazo de validade dos conhecimentos, é inquestionável a relevância da área para qualquer organização, já que é sua responsabilidade instalar, desenvolver e consolidar as competências desejáveispara a realização do trabalho. Diz respeito às ações da empresa que buscam implementar melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais nos ambientes de trabalho. Em linhas gerais, os programas de QVT são estruturados em oito categorias: remuneração justa e adequada; higiene, saúde e segurança no trabalho; oportunidades para o colaborador usar e desenvolver suas competências; oportunidades de progresso e segurança no emprego; integração social na organização; obediência a leis e normas sociais; equilíbrio entre trabalho e vida privada; e significado social do trabalho realizado pelo colaborador. A área de gestão de pessoas também é responsável por outros processos, como: Análise e descrição dos cargos. Planejamento de carreira dos colaboradores. Acompanhamento da cultura organizacional, garantindo que seja um dos fatores impulsionadores para o desempenho da organização. Atividades operacionais que abrangem a gestão administrativa dos colaboradores. Cumprimento das rotinas trabalhistas exigidas pela legislação. Planejamento como função do gestor Diferentemente do que muitos podem imaginar, planejar não é tentar prever o futuro. Planejar, na verdade, é o processo pelo qual as pessoas e as organizações preparam-se para enfrentá-lo, afinal, os contextos dinâmicos e permeados de incertezas nos quais atuamos exigem que Treinamento, desenvolvimento e educação Qualidade de vida no trabalho (QVT) se defina para onde devemos caminhar e de que forma poderemos alcançar nosso objetivo. Preparar-se para o futuro faz parte do cotidiano de qualquer gestor, independentemente da sua área de atuação. Experimente observar o trabalho de algum gestor e logo perceberá que, para alcançar os objetivos desejados, sua função é decidir o que e quando será feito aquilo que é necessário. No contexto organizacional, tais decisões são essenciais para que uma organização cresça de forma sustentável e sobreviva em longo prazo. Em uma definição bem simples: o ato de planejar, como parte integrante do processo de gestão, é decidir o que será feito hoje para atingir o que desejamos no futuro. Segundo Sobral e Peci a função planejamento é: A função responsável pela definição dos objetivos da organização e pela concepção de planos que integram e coordenam suas atividades. (SOBRAL; PECI, 2008, p. 132) O processo de planejamento é fundamental para as organizações que atuam em ambientes de elevada competição, uma vez que nos ajuda a: Conquistar mercados. Reter nossos clientes atuais. Lidar com os fornecedores. Atender às expectativas do governo. Contribuir para a comunidade em que estamos inseridos. Acompanhar as tendências na área de tecnologia. Refletir as mudanças culturais da sociedade. Garantir a atração de talentos capazes de entregar os resultados desejáveis. Vantagens do planejamento Investir em planejamento traz inúmeras vantagens. Vejamos algumas: Foco Mantém o foco nos esforços ao promover a coordenação e a integração das atividades. Todos seguem na mesma direção para que as decisões sejam tomadas em conformidade com aquilo que foi planejado. Alinhamento Promove o alinhamento das pessoas aos objetivos organizacionais, esclarecendo qual é o papel, a contribuição de cada empregado e os comportamentos considerados estratégicos para o alcance dos propósitos. De�nição de parâmetros Define os parâmetros de controle, pois, quando estabelecemos objetivos, conhecemos os padrões de desempenho desejáveis que subsidiarão o controle. Maximização da e�ciência Maximiza a eficiência, uma vez que se otimiza o uso dos recursos, estabelecendo prioridades. Senso de direção Proporciona senso de direção, já que ele indica quais caminhos devemos seguir, direcionando os esforços para um objetivo comum. Autoconhecimento organizacional Potencializa o autoconhecimento organizacional, visto que, ao analisar o ambiente, a empresa passa a entender o contexto em que atua. Além disso, o planejamento nos ajuda a sair da rotina da operação diária para nos concentrarmos no futuro da organização. Afinal, ainda que não seja completamente previsível, também não é completamente incerto. Numa organização, o futuro se torna incerto quando há insuficiência de informações sobre o comportamento da concorrência, dos consumidores, dos fornecedores, as fontes de financiamento e outros segmentos relevantes do ambiente. (MAXIMIANO, 2011, p. 174) Alguns eventos podem ser previstos com certo grau de precisão, pois representam consequências de atos e decisões passadas. Uma falha grave no processo produtivo, que tenha afetado a qualidade e a confiabilidade de um produto, certamente comprometerá os índices de satisfação dos clientes e as vendas. Portanto, é importante planejar para lidar com as adversidades. Você pode se planejar para lidar com as adversidades, mas também com as futuras oportunidades. É por meio do planejamento que as organizações elevam o grau de controle sobre o futuro das situações internas e das relações com o ambiente externo. Algumas necessidades, baseadas em fatos ou cenários conhecidos, fazem com que os investimentos em planejamento sejam vistos como essenciais para interferir no curso dos acontecimentos e alterar a situação futura. Planejar é uma das tarefas mais importantes de toda e qualquer instituição. Criação de planos para implementar as ações Você sabe como planejar a operacionalização das atividades de forma coordenada, focando o como fazer por meio de um plano de ação? Todo plano de ação descreve como colocar em prática os objetivos definidos. Uma das ferramentas mais usadas para esse desdobramento, no planejamento de nível operacional em curto prazo, é o plano de ação 5W2H, que agora você vai aprender a utilizar. O 5W2H, como o nome diz, é estruturado a partir de sete diretrizes: What? (O que será feito?) Quais ações devem ser executadas? O 5W2H é uma ferramenta amplamente utilizada em ambientes de trabalho que ajuda a garantir o compromisso e o foco das pessoas em torno dos objetivos comuns, além de ser excelente para garantir o alinhamento de todos. Afinal, cada pessoa sabe exatamente qual é a sua responsabilidade no processo e o quanto ela impacta a atividade das demais. Também garante maior atenção ao planejamento dos recursos financeiros, adequando-o à realidade da organização. Who? (Quem fará o quê?) Quem são os responsáveis pela realização das ações? When? (Quando será feito?) Quais são os prazos para realização das ações? Why? (Por que será feito?) Quais são os indicativos de necessidade, da importância e da justificativa de se executar cada ação? Where? (Onde será feito?) Qual é o local onde serão realizadas as ações? How? (Como será feito?) Quais são os meios para a execução das ações? How much? (Quanto custará?) Quanto custará a realização das ações? A importância do planejamento Conheça agora a importância do planejamento para o alcance de seus objetivos pessoais e, em uma organização, para o atingimento de suas metas. Acompanhamento das atividades É claro que, depois de todo esse tempo para pensar e planejar as atividades, você precisa destinar um momento para acompanhar o que está sendo feito e verificar se os planos estão funcionando na prática. Um dos maiores problemas do planejamento é tirá-lo do papel e transformá-lo em realidade, convertendo aquilo que foi planejado em resultados concretos. Dica Acompanhar a execução dos planos permitirá a você, gestor, melhores resultados. O que é o controle? O controle é a última função do processo administrativo, mas não a menos importante. Afinal, qualquer ação gerencial precisa alcançar resultados, e é exatamente por meio de uma política de controle efetiva que conseguiremos monitorar os processos para garantir que sejam realizados conforme o planejado, além de corrigir os desvios significativos encontrados nesse caminho. Logo, se você está pensando que a função controle tem estreita ligação com o planejamento,está correto. Eles estão, sim, intrinsecamente relacionados, veja: Correlação entre planejamento e controle. No planejamento, definimos os objetivos que se pretende atingir. Em sequência, a função controle avalia o alcance desses objetivos, comparando o desempenho real com o desejado (ideal), estabelecido durante o planejamento. Além disso, fornece informações importantes que poderão subsidiar planejamentos futuros. Com base nisso, vamos definir um conceito: Controles são procedimentos estabelecidos pela organização, executados diretamente por pessoas ou por meio de sistemas informatizados, para garantir, com confiança, o atingimento dos objetivos de um negócio. Um controle eficaz permite que todas as atividades sejam realizadas de acordo com o que foi planejado. Identi�cação das necessidades de informação O controle deve ser usado para medir aquilo que é importante, nossos processos críticos, que levam ao desempenho esperado pela empresa. Não crie expectativas de que poderá controlar tudo, isso é impossível e nem vale a pena, porque você perderá tempo com o que não é o mais relevante para se obter sucesso. Em linhas gerais, as empresas identificam suas necessidades de informação em três questões: Quais informações nos darão apoio nas operações diárias? Como podemos acompanhar o progresso dos planos de ação? Quais informações nos darão subsídio para o processo de tomada de decisão? Essas três perguntas são essenciais para que você, como gestor, possa começar a pensar nas suas necessidades de informação e desenhar seu sistema de controle (FNQ, 2008). Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Um dos principais papéis da área de gestão de pessoas na contemporaneidade, sem dúvida, é sua participação como parceira estratégica para o alcance dos objetivos organizacionais. Isso ocorre quando a área: I – Foca suas atividades nos procedimentos legais de contratação. II – Avalia o desempenho das pessoas com base em assiduidade e pontualidade. III – Desenvolve as competências essenciais que geram vantagem competitiva. Está correto o que é dito em A I, apenas. B III, apenas. C I e II, apenas. Parabéns! A alternativa B está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EO%20fortalecimento%20do%20conjunto%20correto%20de%20compet%C3%AAncias%20permitir%C3%A Questão 2 Marcos valoriza o planejamento em sua organização, pois sabe que ele: I. Facilita o alcance dos resultados quando estabelece prioridade. II. Permite a análise de contextos de forma intuitiva. III. Potencializa o autoconhecimento organizacional. Está correto o que se afirma em Parabéns! A alternativa C está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EAs%20organiza%C3%A7%C3%B5es%20utilizam%20informa%C3%A7%C3%B5es%20dos%20ambientes% D I, II e III. E I e III, apenas. A I e II. B II e III. C I e III. D I, II e III. E III apenas. 2 - Gestão de conhecimento Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os conceitos de dado, informação e conhecimento, além do conceito de conhecimento organizacional. Dado e informação: qual a diferença? Antes de tudo, alguns questionamentos: O que exatamente é o conhecimento? Como o conhecimento se relaciona com as informações? Qual é o papel dos dados nesse processo? Embora usemos os termos dado, informação e conhecimento como sinônimos em muitas ocasiões, há importantes distinções teóricas entre os três conceitos. Neste módulo, entenderemos melhor o que significa cada um desses termos e como se relacionam com a gestão do conhecimento nas organizações. Dado Segundo Angeloni (2008), os dados podem ser entendidos como fragmentos de conhecimento que ainda não passaram por tratamento lógico ou que ainda não foram contextualizados. Os dados descrevem eventos e características individuais de modo relativamente organizado, mas, sem contextualização, acabam sendo pouco informativos. Em outras palavras, quando tomados isoladamente, os dados não contêm um significado intrínseco, não passam informação alguma. Para ilustrar, considere a seguinte tabela: Cliente Dia Hora Valor da compra 5935731 21/02/2021 10:10 R$ 69,00 Cliente Dia Hora Valor da compra 8216877 21/02/2021 10:33 R$ 141,00 6609672 21/02/2021 11:00 R$ 90,00 9381306 21/02/2021 11:02 R$ 272,00 8816372 21/02/2021 11:17 R$ 335,00 Tabela: Dados coletados por um mercado. Yan Bernardes Vieites Castro dos Santos. O que podemos concluir após analisar essa tabela? Foi disposta uma série de dados sobre o consumo dos clientes de um mercado, como o código de identificação do cliente, o dia, a hora, o valor e o método de pagamento da compra. No entanto, esses dados não são tão informativos por si só. As informações pessoais do cliente, como gênero, data de nascimento e bairro de moradia não estão disponíveis na tabela, e o número de identificação não diz muito sobre quem está realizando a compra. É difícil estabelecer padrões sem uma análise mais detalhada. Ainda não sabemos qual é a média do valor gasto, qual é a proporção de pagamentos feitos por dinheiro ou cartão, ou, ainda, se há distinções no consumo em diferentes períodos do dia ou entre dias da semana. Isso é particularmente relevante nos dias de hoje, em que as organizações contam com bases de dados cada vez mais volumosas. Com o avanço da tecnologia, essas organizações puderam passar a coletar e armazenar uma quantidade cada vez maior de informações sobre seus clientes e funcionários e até mesmo sobre a concorrência. Pensando nisso, as empresas têm investido cada vez mais na gestão da informação. Os dados não surgem simplesmente para as empresas: a coleta de dados sobre clientes, funcionários e demais áreas de interesse faz parte de uma estratégia ativa das empresas para entender melhor os processos internos e externos. Exemplo Quando fazemos o cartão de fidelidade em um mercado, preenchemos um formulário com dados pessoais. Esses dados podem ser posteriormente cruzados com nossos hábitos de consumo. Quais dados coletar exatamente? Por mais que essas questões possam passar despercebidas pelo consumidor típico, tudo isso é cuidadosamente pensado pelas empresas. Com o acúmulo cada vez maior de dados por parte das empresas, também é necessário um investimento maciço em tecnologia da informação. Os dados são armazenados em bancos de dados computadorizados que requerem cada vez mais espaço e esforço em termos de categorização. Em resumo, há cada vez mais dados disponíveis, mas, sem o tratamento adequado, eles podem não dizer muito. Informação De acordo com Chiavenato (2009), informação representa o conjunto de dados com certo significado, ou seja, dados que conseguem reduzir a incerteza ou aumentar o conhecimento a respeito de determinado assunto. Por um lado, os dados não ajudam a compreender as questões de interesse por si só, como vimos. Por outro, os dados servem de insumo para a geração de valiosas informações. Segundo Davenport e Prusak (1998), após coletados e armazenados, os dados podem ser transformados em informações por meio de um processo que envolve: Compreensão dos principais objetivos com os dados coletados. Necessidade de agrupar os dados de acordo com semelhanças e padrões. Análise matemática ou estatística dos dados. Contextualização Categorização Cálculo Exclusão de possíveis erros na base de dados. Resumo dos dados de forma simples e objetiva, por meio, por exemplo, do uso de tabelas e gráficos, que tornam imensas bases de dados compreensíveis após uma mera inspeção visual. Com acesso aos dados sobre os clientes e sobre seu consumo, é possível tratá-los para gerar importantes informações. Por exemplo, o mercado pode traçar um perfil mais detalhado sobre seus clientes: São homens ou mulheres em sua maioria? Qual é sua idade média? Em que bairro moram? É possível entender melhor o padrão de consumodos clientes como um todo, não importando necessariamente a qual grupo pertencem. Assim, cabem os seguintes questionamentos: Correção Condensação ou síntese 1 Quais são os dias de maior venda? 2 Quais são os meses em que os clientes ficam menos sensíveis ao preço? 3 Quanto os clientes gastam em média por visita ao mercado? Todas essas perguntas estão relacionadas a informações de grande importância para o tomador de decisão de qualquer empresa. Atenção! Apesar de os dados serem essenciais para a geração de informações, vivenciamos hoje um paradoxo do excesso de dados, que pode prejudicar a obtenção dessas informações. Com o crescente influxo de novos dados, seu processamento e a consequente obtenção de informações para instruir a tomada de decisão se tornam cada vez mais difíceis. Em meio a tantas opções, fica difícil escolher qual dado analisar exatamente. Também fica mais complexo entender o que o amontoado de informações quer dizer de fato. Portanto, para obter informações, pode ser preciso passar os dados por um filtro que exclua boa parte daquilo que não é tão necessário e deixe, por fim, somente o essencial. Conhecimento Assim como os dados precisam ser devidamente analisados e sintetizados para que possam se transformar em informação, a informação também precisa ser interpretada para, então, transformar-se em conhecimento. O conhecimento representa, portanto, o passo subsequente rumo à tomada de decisão ou até mesmo as descobertas importantes que podem guiar o processo de inovação, veja: Sequência de geração de conhecimento e inovação. Vivemos na sociedade do conhecimento (ou sociedade pós-industrial). Nela, o conhecimento é considerado a principal mercadoria, materializada por meio dos serviços amplamente comercializados nos dias de hoje. 4 Quantas vezes por semana fazem compras? 5 Nos dias em que há divulgação nos veículos de mídia, a procura aumenta? O conhecimento é tão relevante justamente porque se situa próximo ao último degrau rumo à inovação. Diferentemente das demais fontes de vantagem competitiva, como a terra e a indústria, o conhecimento (ou capital cultural) é intrínseco aos seres humanos. Veja uma síntese criada por Davenport e Prusak (1998, p. 18) das principais características que separam os três conceitos: Já entendemos que o conhecimento representa uma peça fundamental no processo de inovação e na sociedade pós-industrial. Contudo, resta ainda entender quais são os diferentes tipos de conhecimentos existentes dentro das organizações e como eles interagem para impulsionar a implementação de novas ideias. Qual a importância da gestão do conhecimento e da inovação nas Dado Simples observação sobre o estado do mundo. Facilmente estruturado; Facilmente obtido por máquinas; Frequentemente quantificado; Facilmente transferível. Informação Dado dotado de relevância e propósito. Requer unidade de análise; Exige consenso em relação ao significado; Exige necessariamente a mediação humana. Conhecimento Informação valiosa da mente humana, que inclui re�exão, síntese e contexto. De difícil estruturação; De difícil captura em máquinas; Frequentemente tácito; De difícil transferência. organizações? Confira agora a importância da gestão do conhecimento e da inovação nas organizações. Conhecimento tácito e explícito De acordo com Nonaka e Takeuchi (2004), a inovação reflete a evolução entre dois tipos distintos de conhecimento: Tácito Tem um caráter bastante subjetivo por estar intimamente relacionado com fatores como crenças, valores e experiências individuais. Assim, como esse tipo de conhecimento parte de um ponto bem particular, fica difícil sistematizá-lo e codificá-lo sob a forma de linguagem. É adquirido pela prática (know-how) e, geralmente, é avaliado por meio dela. Esse conhecimento está vinculado diretamente a seu detentor e não está presente de forma muito acessível. É justamente em função desse grau de inacessibilidade que o detentor do conhecimento tácito consegue garantir uma vantagem competitiva para a organização. Explícito Reflete todo aquele conhecimento já traduzido para a linguagem formal. Portanto, ele pode ser facilmente expresso em palavras, números, gráficos, fórmulas, e assim por diante. Esse tipo de conhecimento é objetivo, sistemático, racional e muito acessível para terceiros, independentemente de crenças, experiência e vivências pessoais. A difusão do conhecimento explícito é mais fácil que a do conhecimento tácito, porque o primeiro pode ser naturalmente armazenado, replicado e compartilhado entre múltiplas pessoas ou organizações simultaneamente. Basta pensar em um documento de texto que pode ser armazenado no computador e, posteriormente, enviado para diversos contatos dentro de uma organização de forma simultânea. Exemplo Conhecimento tácito: Conhecimento que um chef de cozinha renomado tem e emprega ao fazer seus pratos. Por meio da prática e da experiência com acertos e erros ao longo dos anos, o chef consegue preparar pratos elaborados sem nem se dar conta de como sabe tudo aquilo. Esse conhecimento já está cristalizado no know-how desse profissional. Muitas vezes, chefs de cozinha lançam livros com algumas de suas receitas ou publicam dicas em colunas especializadas no assunto como forma de difundir esse conhecimento. No entanto, um mero leitor desses assuntos muito provavelmente não conseguirá replicar a receita com a mesma maestria do chef de cozinha. Quem nunca se decepcionou na cozinha, não é mesmo? Você sabe por que isso acontece? Resposta Porque o livro passa os detalhes que podem ser entendidos de forma mais objetiva — conhecimento explícito —, mas toda a técnica por trás da execução do prato fica a cargo do conhecimento tácito, que é subjetivo e demanda certo grau de experimentação pessoal. Os dois conhecimentos são, portanto, parte fundamental do processo de aprendizado e, no contexto organizacional, do processo de inovação. Espiral do conhecimento Embora tenham importantes distinções conceituais, os conhecimentos tácito e explícito se comunicam constantemente para impulsionar o avanço dentro das empresas. De modo geral, devido a seu caráter pessoal e subjetivo, o conhecimento tácito serve como ponto de partida do processo da inovação. Já o conhecimento explícito reflete o ponto final desse processo. No entanto, um não necessariamente supera o outro em termos de importância. O conhecimento explícito só pode ser formalizado na medida em que interpretações subjetivas de contextos particulares permitem generalizações mais claras sobre outras situações de relevância para a organização. A criação do conhecimento organizacional pode ser entendida como a sistematização e difusão do conhecimento gerado pelos indivíduos e propiciado pela organização. De acordo com Nonaka e Takeuchi (2004), o processo de criação de conhecimento nas organizações se relaciona com a interação dos conhecimentos tácito e explícito de forma articulada e cíclica. Esse fenômeno é chamado de espiral de conhecimento, na qual é fundamental o papel dos indivíduos, que interagem e possibilitam a geração contínua de novos conhecimentos. Mas como ocorre exatamente esse processo? A conversão cíclica do conhecimento pode ser destrinchada a partir de quatro padrões principais: Socialização Combinação Externalização Internalização Confira: Espiral do conhecimento. Vejamos cada um desses padrões: Reflete a conversão de um conhecimento tácito em outro conhecimento de mesma natureza. Nesse estágio do processo, o poder de criação de conhecimento é relativamente limitado. Afinal, ocorre, basicamente, a transferência dos conhecimentos tácitos de um indivíduo para outro sem a criação de qualquer tipo de conhecimento explícito propriamente dito. Esse processo acontece por meio de observação, imitação e prática. A chave é a experiência. Um exemplo de socialização é quando um Socialização (de tácito para tácito) funcionário mais antigo dentro de uma empresa passa seus conhecimentos para um funcionário recém-chegado. A partir do momento em que os indivíduos se tornam capazes de sistematizar o conhecimento obtido por meio de observação e prática, há uma conversão do conhecimento tácito para o conhecimento explícito. Como o conhecimento resultante dessa conversão pode ser mais facilmente transferido para os demais, há maior chance de que o conhecimento gere inovações. A abertura a novas ideias e o incentivo à sistematização dos conhecimentos pessoais são de extrema importância para a condução dessa etapa dentro do contexto organizacional. Da mesma forma que o conhecimento tácito pode ser transferido por meio de um processo de socialização, os fragmentos de conhecimento explícito também podem ser combinados para gerar um conhecimento novo. Nesse estágio, conhecimentos estruturados são transferidos, por exemplo, por meio de apresentações de resultados e trocas de e-mails para gerar novos conhecimentos objetivos e acessíveis aos demais — isto é, conhecimentos explícitos. Nessa etapa, os conhecimentos sistemáticos e as padronizações são consumidos pelo indivíduo e, então, adaptados com base nas experiências e nos valores desse mesmo indivíduo ou da organização na qual ele atua. Para que essas etapas se concretizem de forma cíclica e produtiva dentro do contexto organizacional, é preciso que haja um amplo incentivo às atividades de grupo e à troca de conhecimentos coletivos. Todo o processo de conversão do conhecimento apresentado resulta em inovação, mas passa, primeiro, pela troca entre os indivíduos. Na sociedade pós-industrial em que vivemos, o conhecimento prevalece. Portanto, é necessário criar uma estrutura que favoreça sua troca e sua sistematização dentro das empresas. Externalização (de tácito para explícito) Combinação (de explícito para explícito) Internalização (de explícito para tácito) Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O processo de inovação envolve diversos estágios. Contextualização, categorização, cálculo, correção e condensação são utilizadas na transição entre quais estágios? A De conhecimento para informação. B De informação para dados. C De dados para informação. D De dados para conclusão. Parabéns! A alternativa C está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EOs%20est%C3%A1gios%20envolvidos%20no%20processo%20de%20inova%C3%A7%C3%A3o%20abrang Questão 2 (TRT ‒ Analista ‒ 2017) Cada vez mais, as empresas trabalham com dados, informações e conhecimentos. Uma organização cria e utiliza conhecimento, transformando-o de tácito em explícito, e vice- versa. Um dos quatro modos de conversão do conhecimento é Parabéns! A alternativa C está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3ENa%20espiral%20do%20conhecimento%2C%20a%20combina%C3%A7%C3%A3o%20se%20refere%20ao E De conhecimento para dados. A a socialização (de explícito para tácito), que procura compartilhar e criar conhecimento por meio de experiência direta. B a externalização (de tácito para explícito), que procura articular conhecimento explícito por meio do diálogo e da reflexão. C a combinação (de explícito para explícito), que procura sistematizar e aplicar o conhecimento explícito e a informação. D a internalização (de implícito para tácito), que procura aprender e adquirir novo conhecimento tácito na prática. E a transferência (de explícito para tácito), que procura sistematizar e aplicar o conhecimento explícito e a informação. 3 - Gestão da mudança e de con�itos Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os elementos que caracterizam a mudança organizacional e suas di�culdades, bem como os con�itos nas relações de trabalho e como solucioná-los. Mudanças e seus sujeitos De forma simples, podemos dizer que uma mudança é uma diferença que se manifesta em dois momentos temporais sucessivos. Ou seja: a diferença só pode ser percebida se conhecemos como algo era em um momento anterior e como é depois. A diferença afeta uma situação, uma pessoa, um lugar, uma coisa, uma organização e qualquer outro elemento que possa mudar. A partir daí, podemos analisar o que mudou, a que ou a quem afetou a mudança, como mudou e por que mudou, entre outros aspectos. Veremos, a seguir, os três sujeitos da mudança que estão interrelacionados: o ambiente, as organizações e as pessoas. Mudança no ambiente O ambiente no qual se encontra uma pessoa muda constantemente. Pode ser mais restrito ou amplo, sendo diferentes as variáveis que atuam, bem como suas caraterísticas. Assim, a globalização ou as mudanças tecnológicas podem ser fatores gerais do ambiente, enquanto a existência de um novo competidor no mercado ou a chegada de um novo chefe no escritório seriam fatores ambientais mais próximos. Exemplo A experiência dos membros de uma organização em relação a mudanças passadas também constitui o contexto. Assim, uma experiência recente negativa na modificação dos critérios da avaliação de desempenho, poderá provocar resistências. Mudança nas organizações Na medida em que o ambiente se transforma, as organizações devem mudar para se adaptar a essas transformações. Todas as organizações se encontram em um ambiente ou contexto particular, por exemplo: Companhia transnacional Opera em diferentes ambientes. Pequeno mercado de bairro Está condicionado por um ambiente específico, do mesmo modo. Desse modo, as organizações, tanto públicas quanto privadas, têm sua atuação condicionada pelo seu contexto, reagem diante desse ambiente mutável e aproveitam as oportunidades que surgem nele. Por outro lado, as organizações podem ser também agentes de mudança. As mudanças podem ser drásticas, como alterar o seu nome, ampliar o negócio para outros mercados ou criar novos produtos e serviços. Também podem ser mudanças importantes, como firmar uma parceria, impulsionar uma nova cultura organizacional ou abrir um escritório. Por fim, as organizações podem realizar alterações menos impactantes, como mudar a estrutura hierárquica, o programa de incentivos dos colaboradores ou a decoração dos seus locais. Mudança nas pessoas Considerando que as organizações são formadas por pessoas, o sucesso das transformações organizacionais dependerá da vontade delas para apoiar as mudanças. Nesse sentido, são múltiplos os fatores que influenciam na atitude das pessoas diante das mudanças. Veremos o papel fundamental dos membros das organizações na gestão da mudança, um dos obstáculos principais do processo. Para que uma empresa ou instituição mude, as pessoas devem mudar também. Todos os colaboradores, em diferentes níveis hierárquicos, devem assumir a mudança. Isso requer um esforço, normalmente dirigido, para absorver conhecimento, aprender certas competências, realizar ações específicas ou mudar de hábitos. As facilidades e dificuldades para desenvolver esse processo dependem do seu ambiente, no qual a organização e sua cultura são fatores determinantes. Obstáculos e resistência às mudanças Na hora de gerenciar as mudanças, o normal é enfrentar obstáculos dentro da organização. Na medida em que o escopo seja maior e o tempo para implementá-las seja menor, os obstáculos estarão mais presentes. A seguir, veja as barreiras mais comuns durante o gerenciamento das mudanças organizacionais: Resistência dos colaboradores Esse obstáculo é um dos principais. As razões são diversas e terá mais peso uma ou outra, de acordo com a natureza da mudança. Uma reestruturação do organograma pode gerar resistências por medo da perda de poder. A redução da planilha vai criar incertezas nos colaboradores, e um novo processo de trabalho pode implicar a oposição de quem acredita que o processo anterior era melhor. Problemas de comunicação Esse obstáculo pode aumentar a resistência às mudançasdos colaboradores. A comunicação efetiva das ações a serem realizadas é crucial, sobretudo quando a mudança não é participativa. Às vezes, a informação compartilhada é limitada, não se ajusta à realidade da organização, transmite- se tarde ou as mensagens são erradas. Falta de concretização da mudança Esse obstáculo ocorre quando os líderes da organização têm uma visão geral do que querem mudar, mas os planos para implementar a mudança são imprecisos. Quando isso acontece, as mensagens são confusas e os meios utilizados para alcançar a mudança são insuficientes. Custos excessivos Esse obstáculo ocorre quando as decisões não são tomadas com base nos recursos disponíveis. Os recursos econômicos são limitados e podem impedir que uma mudança aconteça ou que aconteça da maneira prevista. U d l j li t ã t d Já a resistência às mudanças é uma atitude que experimentamos tanto na nossa vida pessoal quanto na profissional. No caso das mudanças nas organizações, é lógico que há resistências diante de decisões que realmente prejudicam os colaboradores. Se, por exemplo, a mudança envolve trabalhar em um escritório menor, perder poder na hierarquia, demitir trabalhadores ou diminuir os salários, é normal que as pessoas reajam negativamente. No entanto, é comum que as resistências ocorram inclusive com mudanças que não sejam desfavoráveis. A resistência pode ser: Ativa Quando as pessoas reclamam ou combatem publicamente a mudança. Passiva Quando não se expressa o desconforto publicamente, mas não se assume nem se executa a decisão tomada. Desse modo, alguns motivos da resistência são por prejuízo real, outros psicológicos e outros pela forma como é implementada a mudança. Vejamos os motivos mais frequentes: Uma empresa pode almejar ampliar sua atuação para todos os estados do Brasil, por exemplo, mas não dispor de financiamento suficiente para abrir novos escritórios. Tempo insuficiente Esse obstáculo ocorre quando a contratação de novos trabalhadores, os treinamentos, a incorporação de novas tecnologias ou a oferta de serviços inovadores são processos demorados, apesar de na maioria das vezes o ambiente obrigar a realização de mudanças ágeis e o mercado exigir o adiantamento do resto da competência. Além disso, as organizações enfrentam certos prazos que devem ser atendidos, como um leilão, uma campanha de vacinação ou o desenvolvimento de um produto antes do período natalino. Impacto negativo As pessoas resistem se uma medida na organização as prejudicam pessoalmente. Falta de convencimento A dit As pessoas acreditam que a mudança não é necessária e que se deve manter a situação como está. Aversão à imposição As pessoas sentem que a mudança está sendo imposta, pois ocorre sem a comunicação nem participação adequada, o que gera resistência. Medo do desconhecido As pessoas não gostam de ser surpreendidas e o futuro é incerto; existe uma preferência pelo que já é conhecido. Relutância em enfrentar assuntos impopulares As pessoas adiam a mudança para não encararem a situação; por ela ter um escopo incômodo ou difícil de tratar, é adiada para não se encarar a situação. Medo do fracasso As pessoas que trabalham sentem que não estão preparadas para a mudança, que suas competências não são suficientes ou que não se adaptarão à nova realidade. Interrupção de hábitos As pessoas podem ter a rotina quebrada, ter atividades que estavam arraigadas em seu dia a dia destruídas devido às mudanças. São muitas as motivações pessoais para resistir às mudanças. Isso evidencia por que é o elemento mais difícil de vencer na hora de tomar decisões importantes nas organizações. De fato, a mudança terá sucesso se os objetivos pretendidos puderem ser atingidos respeitando os elementos que geram mais resistência nos colaboradores. Ou seja, desenhando um plano de ação que evite ou supere as motivações da resistência à mudança. Como vencer a resistência às mudanças? Veja como desenvolver competências para se adaptar às mudanças. Con�itos nas relações de trabalho Empresas que investem tempo e energia para estabelecer métodos claros de comunicação criam confiança entre os funcionários, o que leva ao aumento do moral e da produtividade geral. As equipes trabalham juntas de forma mais eficiente e os gestores são mais transparentes sobre as mudanças que impactam suas equipes. Interrupção de relações As pessoas veem relações familiares ou de amizade serem interrompidas e, com isso, as relações sociais são afetadas pela mudança. Falta de respeito ou con�ança As pessoas não respeitam os superiores que promovem a mudança ou ficam desconfiadas, de forma que a mudança não é aceita. Veja as quatro habilidades necessárias para uma comunicação bem- sucedida: Ouvir Realmente estar aberto a entender o outro e falar quando não entender. Assertividade Ser direto e objetivo ao falar. Comunicação não verbal Saber posicionar o corpo e quais gestos usar. Inteligência emocional Gerir as respostas referentes às emoções e aos sentimentos. São diversos os benefícios de uma comunicação efetiva: Rápida resolução de problemas. Produtividade. Fluxo de trabalho consistente. Melhora na imagem profissional. Resposta positiva dos colegas. Melhoria nas decisões. Falha na comunicação Naturalmente, é essencial identificar e resolver as falhas de comunicação. A produtividade, as relações de trabalho e o moral não serão eficientes se você tiver problemas de comunicação no local de trabalho. Se os problemas de comunicação não forem tratados, poderá ocorrer: Perda de lucro. Maior rotatividade. Erros. Imagem pública negativa. Muitos não conseguem ter uma comunicação eficiente por vários motivos. Dentre eles: Não se comunicar — o relacionamento interpessoal é baseado em presunções. Acreditar que a situação ficará pior se o assunto for abordado. Usar a ferramenta de comunicação errada — fazer uma reunião que deveria ser um e-mail, por exemplo. Não definir responsabilidades — esperar que o outro adivinhe. Tentar estar certo sempre — deixar o ego sobressair. Fazer uma comunicação unilateral — ficar na defensiva, não ouvir, não tentar entender, interromper quem está falando e falar demais. Dar feedbacks ou retornos exclusivamente negativos. Ignorar as diferenças culturais e linguísticas na comunicação. Não ter assertividade. Mas como resolver o problema? A comunicação interna pode ser melhorada com: Questionários. Caixas de sugestões. Anúncios e atualizações enviados ao grupo. Boletins informativos. Desenvolvimento de rituais de reconhecimento aos melhores funcionários. Reuniões individuais para feedback também precisam ser valorizadas. Os feedbacks podem ser concedidos de forma natural ou podem ser solicitados. É importante se lembrar de não misturar comunicação pessoal com comunicação profissional. Os problemas de comunicação geram consequências à convivência e ao desempenho no trabalho. Exemplo Algumas consequências das falhas de comunicação são: Negatividade. Desconfiança, absenteísmo e baixo moral. Relacionamentos interpessoais ruins. Ausência de partilha do conhecimento. Trabalho duplicado. Informações limitadas a certos grupos ou funcionários. O importante é analisar como você se comunica e estar aberto a mudanças para transformar sua comunicação. Veja algumas sugestões para melhorar sua comunicação no ambiente de trabalho: Resolução de con�itos 1 Dar abertura para ouvir os outros, ser um bom ouvinte. 2 Utilizar a tecnologia para democratizar e partilhar informação. 3 Criar espaço para partilha de ideias. 4 Participar de eventos externos para melhorar a conexão dos membros. Quando a comunicação falha, conflitos podem surgir. É importante saber lidar com eles da melhor forma possível. Os métodos alternativos de resolução de conflitos estão presentes em diversos países. São formas de desafogar o judiciário e agilizar a resolução de desavenças. As legislações vigentesainda são recentes. Também existem acordos internacionais sobre tais procedimentos, pois são comuns em contratos internacionais. Vamos analisar esses métodos. Autotutela Esse método de resolução de conflitos é popularmente conhecido como “fazer justiça com as próprias mãos”. Em outras palavras, trata-se de resolver o conflito sem o auxílio de outras pessoas. A imposição da vontade de uma das partes em detrimento da outra é exceção, pois representa um perigo à paz social. A sua permissão está relacionada à defesa de direitos que estejam sendo violados, por exemplo, a legítima defesa e a paralisação coletiva do trabalho. No ambiente de trabalho, os conflitos devem ser levados aos responsáveis pela resolução, ao superior hierárquico que poderá organizar a melhor estratégia para evitar um desgaste nas relações interpessoais na empresa. Autocomposição Esse método consiste na solução do conflito pelos próprios envolvidos. Não há envolvimento de terceiros. O fim do problema acontece quando: Uma das partes desiste da disputa. A outra parte aceita a desistência (submissão). Ambas as partes fazem concessões recíprocas (transação). As partes colaboram na resolução do problema. Em determinadas ocasiões, não haverá certo ou errado, apenas divergências de pontos de vista que podem levar ao aparecimento de conflitos. Em algumas situações é preciso saber recuar e entender que a multiculturalidade do ambiente de trabalho requer prudência e ponderação nas expressões individuais. Exemplo Em uma situação na qual uma pessoa leva jaca ou mexerica para o ambiente de trabalho, tornando o ambiente marcado pelo cheiro dessas frutas, aparentemente não há ilicitude ou infração a regras. Porém, se um colega avisa, com assertividade, que não é uma conduta indicada, por uma questão de boa convivência, a fim de se evitar conflitos, seria recomendado não levá-las mais. O funcionário poderia escolher maçã, pera etc., deixando as frutas com cheiro forte para outros ambientes. Nesse exemplo, os colegas de trabalho resolvem um conflito sem precisar levar a situação ao chefe. Heterocomposição A heterocomposição é um gênero de métodos de resolução alternativas de conflitos. Sempre que houver um terceiro que não faz parte da relação conflituosa, será uma heterocomposição. Portanto, mediação, conciliação e arbitragem são espécies de heterocomposição extrajudicial. No ambiente de trabalho, vamos aproveitar o exemplo das frutas. Caso o funcionário continue a levar mexerica, porque é sua fruta preferida, ou porque ganhou um saco delas, ou, ainda, porque tem um pé de mexericas no quintal, o incômodo aos colegas permanecerá. Os colegas já conversaram com a pessoa, mas isso não resolveu a questão. Eles, então, resolvem falar com o chefe de departamento, que pede ao funcionário que pare com o comportamento. O chefe aproveita para estipular uma regra: comidas com cheiro forte não serão mais permitidas no local de trabalho. Nesse exemplo, a contribuição de uma terceira pessoa que não faz parte diretamente do conflito traz o caráter de heterocomposição, diferente da autocomposição, na qual as partes chegaram a um acordo sem a necessidade de envolver outra pessoa. Mediação e conciliação A mediação é um processo interativo iniciado na Grécia antiga, aprimorado pela lei romana, no qual um terceiro imparcial auxilia as partes em conflito na resolução por meio do uso de técnicas especializadas de comunicação e negociação. Todos os participantes da mediação são encorajados a participar ativamente do processo, pois a mediação é um processo “centrado nas partes”, principalmente nas necessidades, nos direitos e nos interesses delas. O mediador utiliza várias técnicas para direcionar o processo construtivamente auxiliando as partes a encontrarem sua solução ideal. Um mediador gerencia a interação entre as partes, facilitando a comunicação aberta. A mediação também é avaliativa, na medida em que o mediador analisa questões e normas relevantes. O mediador não fornece conselhos prescritivos às partes. Principais benefícios da mediação: Custo menor que o de um processo judicial. Confidencialidade. Maior controle das partes na resolução do conflito. Compliance (ou seja, agir de acordo com a norma e regulamento). Compromisso mútuo das partes. O suporte do mediador. A mediação difere da conciliação pois, na conciliação, muitas vezes, as partes precisam restaurar uma relação, seja pessoal ou seja profissional. A conciliação também é um método alternativo de resolução de conflitos. As partes em conflito utilizam um conciliador, que se reúne com cada uma delas tanto separadamente como juntas, na tentativa de resolver suas diferenças. O objetivo é diminuir as tensões, melhorando as comunicações, interpretando questões, encorajando as partes a explorar soluções potenciais e as ajudando a encontrar um resultado aceito mutuamente. Saiba mais Há um método de “conciliação” muito similar à negociação. O conciliador auxilia cada uma das partes a desenvolver independentemente uma lista de todos os resultados que desejam obter da conciliação, do mais ao menos importante. O conciliador reúne-se com as partes, encorajando-as a ponderar os objetivos, um de cada vez, começando pelo menos importante e trabalhando para o mais importante para cada parte, por sua vez. As partes raramente colocam as mesmas prioridades em todos os objetivos, e geralmente têm alguns objetivos que não são listados pela outra parte. Assim, após rodadas negociando os objetivos, o conciliador constrói uma sequência de sucessos por meio das cessões que cada um faz, ajudando as partes a criarem uma atmosfera de confiança. Mediação no trabalho Uma grande variedade de disputas ocorre no ambiente de trabalho, incluindo disputas entre membros da equipe, alegações de assédio, disputas contratuais e pedidos de indenização aos trabalhadores. Em geral, as disputas no local de trabalho acontecem entre pessoas que têm uma relação de trabalho contínua, indicando que a mediação ou uma investigação no local de trabalho seria apropriada como processo de resolução de conflitos. Entretanto, a complexidade das relações, envolvendo segurança, hierarquia e competitividade, pode dificultar a mediação. Os departamentos de uma empresa têm pessoas com as mais diversas personalidades e culturas, portanto é natural que existam alguns conflitos e adaptações necessárias. Geralmente, o superior imediato e os gestores do departamento pessoal têm o papel de mediador nas situações conflituosas. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As mudanças organizacionais encontram obstáculos frequentes que acontecem em diferentes contextos. Alguns dos mais importantes são Parabéns! A alternativa B está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EEfetivamente%2C%20alguns%20dos%20obst%C3%A1culos%20comuns%20s%C3%A3o%20esses%20tr% Questão 2 Sobre a autotutela, escolha a alternativa correta. A tempo insuficiente, empresa ampla demais e a cultura organizacional. B comunicação ineficiente, ausência de suporte especializado e falta de concretização da mudança. C custos elevados, falta de apoio e agentes de mudança. D estratégia transformacional, interrupção de hábitos e tempo insuficiente. E grau de incerteza, nível de comportamento individual e problemas de comunicação. A É o principal método de resolução de conflitos extrajudiciais. Parabéns! A alternativa C está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EA%20lei%20brasileira%20pro%C3%ADbe%20fazer%20justi%C3%A7a%20com%20as%20pr%C3%B3prias% 4 - Trabalho em equipe de alta performance Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o trabalho em equipe como competência central para o desenvolvimento pro�ssional e as características das equipes de alta performance. Importância do trabalho em equipe no ambientecorporativo Vamos nos concentrar agora no desenvolvimento da competência trabalho em equipe. Afinal, você já parou para refletir sobre sua atuação em cada uma das equipes pelas quais passou ao longo de sua jornada de trabalho? B Pode ser usada sempre que houver uma disputa de interesses. C É exceção e deve ser evitada. D É semelhante à heterocomposição. E Suas regras estão na Lei n° 9.307/1996. Com experiências positivas ou negativas, é preciso se preparar para o trabalho em equipe. Cada vez mais valorizada pelas empresas, essa é uma competência central para seu desenvolvimento pessoal e profissional. Certas atividades e determinados resultados dependem do trabalho em equipe. Por isso, diversos modelos e várias teorias apresentam os melhores formatos para compor, organizar, conduzir e reconhecer equipes. Embora haja algumas diferenças entre as propostas de cada autor, um aspecto permanece comum entre elas: Todas as propostas a�rmam que trabalhar em equipe representa a melhor maneira de aumentar a produtividade e alavancar os resultados nas organizações. Diferença entre grupo e equipe Você conhece o conceito de equipe? Para compreender esse conceito, é preciso entender que há diferença entre uma equipe e um grupo de trabalho. Equipe é um grupo de pessoas que trabalha em conjunto para alcançar objetivos comuns com alto grau de interdependência. Para que as pessoas consigam um excelente desempenho quando trabalham juntas, é essencial ter: Engajamento Compromisso Ambos são fundamentais para alcançar os resultados esperados. Uma equipe gera sinergia positiva por meio do esforço coordenado. Ela funciona muito melhor quando seus membros entram em acordo sobre a participação de cada um, reconhecendo sua contribuição para o alcance dos objetivos organizacionais. E você? Reconhece quando está trabalhando em grupo ou em equipe? Atividade discursiva Vamos imaginar que você trabalhe com Renata, uma pessoa que sempre prioriza o trabalho individual, valorizando, nas reuniões, a todo instante, suas conquistas pessoais. Sabendo da importância de se trabalhar em equipe, quais competências você acha que ela precisa desenvolver? Digite sua resposta aqui Chave de resposta A capacidade de escutar para aceitar as contribuições dos demais membros do grupo, compartilhar seu conhecimento e aprender com os demais, além de ter a disciplina para responsabilizar-se pelas realizações coletivas. Vantagens do trabalho em equipe Leia com atenção o texto a seguir, que o ajudará a identificar essas vantagens: Imagine um lugar para trabalhar onde o medo foi substituído pela esperança e pela confiança; onde todos os funcionários acreditam que a companhia também é deles; onde nós controlamos processos, e não pessoas; onde nós encaramos problemas como oportunidades e os enfrentamos procurando descobrir o que está errado, e não quem está errado ou quem é culpado; onde nós medimos os sistemas em vez das pessoas e definimos procedimentos em vez de autoridade; onde nós perguntamos “Como posso ajudá-lo?” em vez de dizer “Isso não faz parte do meu trabalho”; onde buscamos uma resposta para cada problema em vez de vermos um problema em cada resposta; onde o único erro e a verdadeira falha são a falha de não tentar. Imagine uma companhia onde os gerentes são professores e auxiliares em vez de simplesmente chefes e feitores. Imagine uma empresa onde o pessoal diz “Pode ser difícil, mas é possível” em vez de “Pode ser possível, mas é muito difícil”. Imagine uma companhia onde o medo de ser franco, leal e honesto foi substituído por um ambiente de franqueza sem medo. (LOWE; MCBEAN apud VERGARA, 2006) Esse texto compartilha algumas ideias, por exemplo: A motivação para aprender. A criação a partir de diferenças individuais. A ajuda mútua. A confiança. O conflito como forma de crescimento. O compromisso com a empresa. A possibilidade de compartilhamento da responsabilidade, do conhecimento e da vivência de cada um dos membros que compõem o grupo. Essas são algumas das vantagens de se trabalhar em equipe as quais Renata não conhecia. Tais características são essenciais para a construção de um ambiente de trabalho em que todos gostariam de estar. Ciclo de vida das equipes Imagine seu primeiro dia de trabalho em alguma organização com outras pessoas que também estão formando uma equipe. Na primeira reunião, você se sentiria seguro para emitir uma opinião sem quaisquer restrições? Provavelmente não, certo? O motivo para isso é simples: você não conhece aquelas pessoas e ainda não sabe em quem pode confiar. Com o tempo, todos se conhecerão melhor, a confiança se estabelecerá e a comunicação tenderá a ficar mais transparente. Para que a equipe consiga alcançar um elevado desempenho, as lideranças também precisam legitimar-se e os conflitos devem ser vistos como fonte de desenvolvimento. Isso exige tempo e maturidade de todos os envolvidos. Vários autores, como Robbins e Judge (2014), classificam as equipes em estágios, definindo características específicas para cada um deles. São eles: Nascimento Quando um grupo começa a trabalhar junto, seus integrantes estão naturalmente se conhecendo; por essa razão, a comunicação ainda é cautelosa e a confiança, reduzida. O desempenho, por sua vez, é baixo: quase não há troca de conhecimento. A cautela é a palavra que melhor define esse momento. Maturidade Quando as lideranças já se fazem presentes pelo exemplo, o que garante o senso de propósito, a clareza de objetivos e a discussão produtiva. As pessoas já têm mais liberdade para questionar os procedimentos, enquanto o conflito, mediado pelo líder, torna-se uma parte integrante do processo. Esse nível de maturidade é fundamental para que haja criação a partir das diferenças. Declínio Quando a excessiva autoconfiança (certeza de que tudo sempre dará certo), a perda de interesse e certas decisões que, muitas vezes, não são bem explicadas afetam a motivação das pessoas, fazendo elas perderem o senso de propósito. Caso não haja intervenção direta do líder nesse momento, os processos tendem a falhar, e o desempenho, a cair consideravelmente. Transformação Quando a equipe passa a ressignificar o seu propósito. Afinal, mudanças estratégicas e estruturais exigem tal atitude por parte das lideranças, que, inclusive, devem convidar o time para estabelecer outros caminhos com a participação de todos. A partir daí, novos elos de confiança são construídos: a equipe aceita que precisa melhorar e busca aprender formas diferentes para desenvolver seus processos. Com o aparecimento dos primeiros resultados, a confiança se restabelece. Agora que você já conhece os estágios que compõem o ciclo de vida de uma equipe, certamente ficará mais fácil definir as características das equipes de alto desempenho. Características das equipes de alta performance Nas equipes de alto desempenho, seus membros apresentam um consenso em relação ao propósito, que reflete os compromissos sociais e o legado que a organização deixará para a sociedade. Ao líder, cabe divulgar o propósito por meio de seu discurso e cultivá-lo, modelando o caminho de todos pelo seu exemplo. O trabalho coletivo é valorizado, já que todos compreendem e apoiam os objetivos da equipe, gerando, dessa forma, clareza e alinhamento no desenvolvimento das atividades. É responsabilidade do líder compartilhar a visão entre os membros de uma equipe, apontando o caminho a ser seguido e contagiando-os para que permaneçam nessa direção. Comunicação aberta A comunicação deve ser aberta em uma equipe de alto desempenho; afinal, todos devem ter acesso às informações e ao motivo pelo qual as decisões são tomadas. Uma comunicação aberta precisa ser clara, objetiva e transparente. As pessoas devem ter a liberdade de dizer o que pensam sobre o trabalho, falando abertamente sobre os erros passados e as lições aprendidas, além de conversarem entre si independentemente do nível hierárquico que ocupam.O diálogo franco deve ser algo valorizado pelos membros de um grupo para que os conflitos possam ser solucionados por meio da integração. Robbins e Judge (2014) apontam as seguintes estratégias para lidar com um conflito: Como você pôde observar, existem táticas de luta, de fuga e de diálogo, mas qual delas é a melhor? A integração, sem dúvida, é a estratégia mais adequada na maior parte dos cenários. Cabe ao líder da equipe, no entanto, ter a sensibilidade para escolhê-la de acordo com o problema a ser gerenciado. A capacidade de escutar é outra habilidade que deve ser desenvolvida para que a comunicação flua sem barreiras. A prática da escuta ativa melhora o diálogo, facilita a interpretação correta das mensagens e abre espaço para a discussão saudável. Escuta ativa Reorganiza o que ouvimos para repetir a mensagem com as nossas palavras. Isso nos ajuda a perceber se ela foi codificada da forma correta pela outra parte. Fuga Consiste em ignorar um conflito, o que aumenta a frustração e a intensidade das mágoas e dos ressentimentos, gerando problemas futuros no relacionamento dos membros do grupo. Barganha Apesar de as partes conflitantes estarem empenhadas em uma batalha, existe um equilíbrio de forças até se chegar, de forma relutante, a um acordo. Ele ocorre quando há concessões de ambas as partes. Integração Busca conjunta para a solução de divergências e antagonismos. Trata-se de um processo mais demorado, exigindo paciência e capacidade de fazer concessões. Uso de poder Ocorre quando uma das partes, para atingir a solução preferida, impõe-se em relação à outra. Con�ança e respeito mútuo Os membros de uma equipe precisam estabelecer a confiança e o respeito mútuo. Além de demonstrarem consideração por ideias que não confirmam o seu modelo mental, devem adotar um comportamento flexível quando houver a necessidade de ceder em prol do coletivo. Nosso modelo mental é a maneira como enxergamos e interpretamos o mundo à nossa volta. Isso depende da profissão, da educação e dos valore pessoais construídos ao longo da vida. Cristalizar esse modelo, não abrindo espaço para novas verdades, ideias e posições, impede que você se adapte e seja flexível às mudanças que fazem parte da sociedade pós-moderna. Liderança compartilhada Em equipes de alta performance, a liderança é compartilhada entre os membros do grupo. Ela será exercida por quem tiver as melhores qualificações para o trabalho em cada situação. Desse modo, todos se sentem responsáveis pelo desempenho geral, compartilhando as tarefas e permanecendo envolvidos em um intenso processo participativo de tomada de decisão. Procedimentos de trabalho e�cazes O sucesso de uma equipe só estará garantido se ela for eficaz. Isso exige o desenvolvimento de uma competência denominada orientação para resultados, o mapeamento dos processos que devem ser realizados e a avaliação constante da performance de todos por meio de indicadores de desempenho. Atenção! O cuidado para evitar desperdícios deve ser redobrado. Existe, portanto, a necessidade de compreender os processos padronizados para melhorá-los sempre por meio da redução de custos, de uma maior rapidez na entrega ou do aumento da contribuição de valor aos clientes. Essa cultura de excelência pode ser atingida das seguintes formas: Cooperação intersetorial Competências multidisciplinares Incentivo à inovação Criação a partir das diferenças As diferenças individuais e os conflitos devem ser amplamente utilizados para criar e inovar, garantindo, assim, a maximização dos resultados. Por isso, é interessante conhecer a opinião de cada um dos membros da equipe sobre os assuntos tratados e avaliar as divergências existentes em espaços destinados a debates construtivos e criativos. Em situações de conflito, deve-se privilegiar o comportamento colaborativo, o que requer a interação com o outro de forma empática, mantendo-se aberto a posições contrárias ao seu ponto de vista. Não se deixe levar pela emoção em momentos de tensão. Capacidade de adaptação e �exibilidade Heráclito, famoso filósofo grego, percebeu que não se pode pisar duas vezes no mesmo rio. Sua água não é a mesma e a pessoa também não é. Essa ideia é importante para entendermos a natureza das organizações; afinal ela defende a transformação como algo presente em seu cotidiano. As equipes, portanto, precisam oferecer espaços para o fortalecimento da capacidade de adaptação face às necessidades de mudança, atuando não apenas (e prontamente) a fim de sanar problemas, mas também (e de forma proativa) com o objetivo de detectar novas oportunidades no mercado. Essa cultura de mudança deve favorecer o questionamento dos padrões aos quais estamos habituados a cumprir e a melhoria contínua dos processos que executamos, revisando constantemente normas, rotinas e procedimentos vigentes. Re�exão Você se considera uma pessoa com capacidade de adaptação? Para responder a essa pergunta, é preciso avaliar seu quociente de adaptabilidade (QA), ou seja, a capacidade de se posicionar e prosperar em um ambiente de mudanças rápidas e frequentes. De acordo com Natalie Fratto: O QA não é apenas a capacidade de absorver novas informações, mas de descobrir o que é relevante, deixar para trás noções obsoletas, superar desafios e fazer um esforço consciente para mudar. Esse quociente envolve também características como flexibilidade, curiosidade, coragem e resiliência. (FRATTO apud BBC, 2020) Por isso, o QA tem um grande impacto nas nossas vidas e carreiras. Aprendizagem contínua A música O que é, o que é, do cantor brasileiro Gonzaguinha, desmistifica a ideia de que uma pessoa estuda, aprende e, em seguida, ocupa um lugar de trabalho em determinada organização sem se preocupar com seu desenvolvimento contínuo. Aprender faz parte da vida: ter a capacidade de ser um eterno aprendiz permite que você, como profissional, possa manter-se atualizado em relação a novos conhecimentos e habilidades necessários para a realização do trabalho em um mundo acelerado por suas mudanças. A convergência entre espaço de trabalho e aprendizagem é uma característica das equipes de alta performance. Para a construção desse ambiente, as organizações devem investir em programas de aprendizagem que demonstrem seu compromisso com a educação dos empregados, migrando do modelo único de sala de aula para outro que privilegie formas de aprendizagem por meio do conceito de aprendizagem em qualquer hora e em qualquer lugar. Características das equipes de alta performance Confira oito características das equipes que possuem alto desempenho. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 José queixou-se com Marina, sua colega de trabalho, sobre a situação em que se encontrava sua equipe. De acordo com ele, os colegas estavam desmotivados, havendo uma excessiva autoconfiança conquistada por sucessos do passado, perda de interesse sobre o que acontecia com os outros e o mais grave: demonstrações de arrogância. Afinal, eles acreditavam que eram os melhores. Mais experiente, Marina desafiou José a dizer em qual estágio a sua equipe se encontrava. Depois de muito pensar, ele respondeu: Parabéns! A alternativa A está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EO%20caso%20narrado%20por%20Jos%C3%A9%20%C3%A9%20caracter%C3%ADstico%20das%20equip se.%20Em%20geral%2C%20isso%20ocorre%20pela%20cren%C3%A7a%20de%20que%20o%20sucesso%20do%20pass Questão 2 Marina resolveu comemorar os últimos resultados obtidos por sua equipe. Durante a reunião de comemoração, ela disse que tais resultados são decorrentes das características da equipe, pois todos os membros: I. Compreendem e apoiam os objetivos da equipe, o que gera clareza no desenvolvimento das atividades. II. Estão comprometidos com a ajuda mútua. A Acomodação B Individualismo C Desempenho D Formação E Encerramento III. Atuam prontamentepara gerir tanto os problemas quanto as oportunidades. IV. Sentem-se responsáveis pelo desempenho geral, compartilham as tarefas e se envolvem em um intenso processo participativo de tomada de decisão. Está correto o que se afirma em Parabéns! A alternativa D está correta. %0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c- paragraph'%3EAs%20caracter%C3%ADsticas%20de%20uma%20equipe%20de%20elevado%20desempenho%20s%C3% se%20aos%20itens%20II%2C%20III%20e%20IV.%3C%2Fp%3E%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%2 Considerações �nais Nesse conteúdo, pudemos entender melhor a área de gestão de pessoas e seus principais processos além de o papel do gestor no planejamento e controle dos processos da área que coordena. Vimos ainda como gerir os dados e informações recebidas de diferentes formas a fim de gerar conhecimento que seja útil na tomada de decisão do gestor. Pudemos ver também como gerir as mudanças e os conflitos que surgem no ambiente organizacional, entendendo os motivos pelos quais existem e as metodologias para superá-los. Por fim, entendemos a importância do trabalho em equipe e as características das equipes de alta performance. A I e II. B I, III e IV. C I, II e III. D I, II, III e IV. E II e III. Podcast Para encerrar, ouça um pouco mais sobre as equipes de alta performance. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Leia: 5 descuidos que podem prejudicar o ambiente de trabalho (e como evitá-los), do Great Place to Work. Das redes sociais à inovação, de Maria Inês Tomael e outros. Estas são as competências essenciais para o trabalho em equipe, de Sofia Esteves, publicado na revista Exame. Trabalho em equipe: competência e diferencial competitivo, de Cíntia Félix. Assista ainda à palestra do especialista Jason Clarke, Embracing Change, sobre as formas de vencer as resistências das pessoas frente às mudanças. Referências ANGELONI, M. T. (org.). Organizações do conhecimento: infraestrutura, pessoas e tecnologia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BBC. O QUE é o QA e porque ele pode ser mais importante que o QI no mercado de trabalho. G1, 30 nov. 2019. Consultado na internet em: 02 jun. 2022. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: o capital humano das organizações. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. DAVENPORT, T.; PRUSAK, L. Working knowledge. Boston: Harvard Business Press, 1998. FIALHO, F. A. P. et al. Empreendedorismo na era do conhecimento. Florianópolis: Visual Books, 2006. FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. FNQ. Cadernos Compromisso com a Excelência: Resultados. São Paulo: FNQ, 2008. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 2004. OZAKI, Y.; AVONA, M. E. Gestão do conhecimento. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2016. PRAHALAD, C.; HAMEL, G. A competência essencial da corporação. In: MONTGOMERY, C.; PORTER, Michael. (org.). Estratégia – A busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1998. ROBBINS, S.; JUDGE, T. Fundamentos do comportamento organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. 12. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2008. VERGARA, S. C. Gestão de pessoas. 5. ed. São Paulo: Atlas Editora, 2006. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material O que você achou do conteúdo? Relatar problema javascript:CriaPDF()