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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
Dicler Ferreira
CONTRATOS (PARTE GERAL)
1. Introdução
Hoje estudaremos a parte geral inerente aos contratos. Ou seja, as regras que são aplica-
das a todas as modalidades contratuais. No Código Civil o assunto está sendo tratado nos art. 
421 ao 480.
Um contrato é um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito correspondido 
pela vontade, da responsabilidade do ato firmado, resguardado pela segurança jurídica em seu 
equilíbrio social, ou seja, é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral. É o acordo de vontades, 
capaz de criar, modificar ou extinguir direitos.
As cláusulas contratuais criam lei entre as partes, porém são subordinados ao Direito Po-
sitivo. As cláusulas contratuais não podem estar em desconformidade com o Direito Positivo, 
sob pena de serem nulas.
No Brasil, cláusulas consideradas abusivas ou fraudulentas podem ser invalidadas pelo 
juiz, sem que o contrato inteiro seja invalidado. Trata-se da cláusula geral rebus sic stantibus 
(ou revisão judicial dos contratos), que objetiva flexibilizar o princípio da pacta sunt servanda 
(força obrigatória dos contratos), preponderando, assim, a vontade contratual atendendo à 
Teoria da Vontade.
Mas Dicler, o que é rebus sic stantibus e pacta sunt servanda?
A cláusula geral rebus sic stantibus especifica que as partes de um contrato devem con-
siderar a situação de fato existente no momento de sua celebração, podendo assim invocá-la 
como forma de rompimento caso mudanças substanciais ocorram de forma extraordinária e 
imprevisíveis, que modificam o equilíbrio do acordo trazendo desvantagem a uma das partes.
A expressão rebus sic stantibus pode ser traduzida como “estando assim as coisas”.
Voltaremos a este assunto ainda nesta aula.
Quanto ao princípio da pacta sunt servanda, também o veremos mais adiante.
Ou seja, você pode percebder que esta aula será cheia de novidades. Sendo assim, pegue 
aquela sua disposição extra que estava escondida e vamos em frente.
2. PrIncíPIos contratuaIs
1) Princípio da autonomia de vontade: representa a liberdade das partes estipulando o que 
lhes convier. Ou seja, a liberdade como uma garantia no exercício de atividades econômicas. 
As partes possuem a liberdade de escolher o tipo de contrato, de escolher a pessoa com quem 
se irá contratar, de celebrar ou não o contrato e de escolher o conteúdo do contrato, sem haver 
interferência estatal.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
Dicler Ferreira
Ao final de 2019, a Lei n. 13.874/2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica – 
DDLE) alterou alguns artigos do Código Civil. Sendo assim, penso ser prudente destacar as 
alterações que ela promoveu.
REDAÇÃO ANTIGA
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.
REDAÇÃO NOVA
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima 
e a excepcionalidade da revisão contratual.
Podemos perceber que a autonomia de vontades está consubstanciada na primeira parte 
do art. 421 do CC. Além disso, seguindo os ditamente da DDLE, temos dois princípios relacio-
nados com a liberdade contratual.
Os princípios da intervenção mínima e da da excepcionalidade da revisão contratual pre-
ceituam a intervenção subsidiária e excepcional do Estado sobre o exercício de atividades 
econômicas.
Além disso, a Lei n. 13.874/2019 também inseriu o art. 421-A no CC:
Art. 421-A. Os contratos civis e empresariais presumem-se paritários e simétricos até a presença 
de elementos concretos que justifiquem o afastamento dessa presunção, ressalvados os regimes 
jurídicos previstos em leis especiais, garantido também que:
I – as partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das cláu-
sulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução;
II – a alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada e observada; e
III – a revisão contratual somente ocorrerá de maneira excepcional e limitada.
Por fim, devemos saber que o princípio da liberdade contratual é limitado. Um exemplo de 
limite está no art. 426 do CC ao proibir a herança de pessoa viva como objeto de contrato.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
Dicler Ferreira
A doutrina denomina “pacto de corvina” o contrato que tem como objeto a herança de 
pessoa viva.
2) Princípio da função social dos contratos (art. 421 do CC): o contrato por ser um veículo 
de circulação de riqueza, centro da vida dos negócios e propulsor da expansão capitalista pos-
sui uma função social que é promover a realização de uma justiça comutativa, reduzindo as 
desigualdades substanciais entre os contratantes.
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida nos limites da função social do contrato.
O princípio da função social do contrato limita a autonomia de vontade.
É possível afirmar que o atendimento à função social pode ser enfocado sob dois aspectos:
• aspecto individual: relativo aos contratantes, que se valem do contrato para satisfazer 
seus interesses próprios;
• aspecto público: é o interesse da coletividade sobre o contrato.
Nessa medida, a função social do contrato somente estará cumprida quando a sua finali-
dade — distribuição de riquezas — for atingida de forma justa, ou seja, quando o contrato repre-
sentar uma fonte de equilíbrio social.
3) Princípio da supremacia da ordem pública: significa que a autonomia de vontade é rela-
tiva, pois está sujeita à lei e aos princípios da moral e da ordem pública, ou seja, representa um 
limite à liberdade de contratar.
Vejamos o art. 2.035, parágrafo único do CC:
Art. 2.035. Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem 
pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade 
e dos contratos.
Atualmente a intervenção do Estado na vida contratual é tão intensa que pode ser facilmen-
te notada em vários setores (ex.: telecomunicações, consórcios, seguros, sistema financeiro 
etc.) que se configura um dirigismo contratual. Ou seja, apesar das pessoas terem liberdade 
para contratar, devem observar as normas (ex.: Código de Defesa do Consumidor, Lei do Inqui-
linato, Lei da Usura etc.) imperativas (que ordenam algum ato) e proibitivas (que vedam algum 
ato) impostas pelo Estado.
4) Princípio do consensualismo: tal conceito decorre da moderna concepção de que o 
contrato resulta do consenso, do acordo de vontades, independentemente da entrega da coisa.
Vejamos um exemplo no contrato de compra e venda:
Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes 
acordarem no objeto e no preço.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
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Os contratos são em regra consensuais, porém, são admitidas duas exceções:
• nos contratos solenes ou formais, enquanto o ajuste não for reduzido a escrito, não ha-
verá uma formação válida;• nos contratos reais, que só se formam com a entrega da coisa, também não basta um 
simples consenso entre os contratantes.
5) Princípio da relatividade dos contratos: baseia-se na idéia de que os efeitos do contrato 
atingem apenas as partes contratantes, ou seja, aqueles que manifestaram a vontade em cele-
brá-lo. Entretanto, o referido princípio encontra exceções expressamente consignadas em lei, 
tal como ocorre na estipulação em favor de terceiro (será estudada no decorrer desta aula) e 
na convenção coletiva de trabalho (o acordo feito pelo sindicato beneficia toda uma categoria).
6) Princípio da obrigatoriedade dos contratos (art. 427 do CC): representa a força vincu-
lante das convenções feitas pelas partes contratantes. Já sabemos que ninguém é obrigado à 
contratar, mas se o fizer deverá cumprí-lo. Tal princípio tem dois fundamentos:
• necessidade de segurança nos negócios;
• intangibilidade ou imutabilidade do conteúdo do contrato decorrente da convicção de 
que o acordo faz lei entre as partes (pacta sunt servanda).
Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, 
da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.
Estudaremos no tópico “formação dos contratos” as situações detalhadas onde a propos-
ta perde a sua força vinculante e deixa de ser obrigatória.
7) Princípio da boa-fé (art. 422 do CC): este conceito exige que as partes se comportem de 
forma correta não só durante as tratativas, como também durante a formação e o cumprimen-
to do contrato. Pode ser dividido em duas partes: boa-fé subjetiva (concepção psicológica) e 
boa-fé objetiva (concepção ética).
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua 
execução, os princípios de probidade e boa-fé.
Apesar do art. 422 do CC mencionar que o princípio da boa-fé deve ser observado durante 
a conclusão do contrato e na sua execução. A doutrina entende que deve haver uma extensão 
do princípio para as fases pré-contratual e pós-contratual. Esse é o entendimento obtido por 
meio do Enunciado 25 da I Jornada de Direito Civil:
Enunciado 25: O art. 422 do Código Civil não inviabiliza a aplicação pelo julgador do princípio da 
boa-fé nas fases pré-contratual e pós-contratual.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
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O quadro a seguir faz uma diferenciação entre essas duas partes.
BOA-FÉ SUJETIVA BOA-FÉ OBJETIVA
Trata-se de um estado psicológico 
de inocência. É a boa-fé do: “eu não 
sabia”, ou seja, o indivíduo ignora um 
possível vício.
Exemplo: posse de boa-fé.
É uma cláusula geral implícita em 
todos os contratos, ela tem status 
principiológico, e que se traduz 
em uma regra de conteúdo ético e 
exigibilidade jurídica.
No dispositivo legal citado (art. 422 do CC), é consagrada a boa-fé objetiva fundando-se 
em uma regra de conteúdo ético.
Obs.: � Importante!
 � A máxima do Direito Romano ainda vigente no Direito Brasileiro “nemo potest venire contra 
factum proprium” significa que ninguém pode se opor a fato a que ele próprio deu causa.
Um dos grandes efeitos do princípio da boa-fé objetiva se traduz na proibição de que uma 
parte se comporte de forma contraditória aos seus próprios atos anteriores. Ou seja, não é 
lícito uma pessoa fazer valer um direito se contrapondo a uma conduta anterior interpretada 
objetivamente segundo a lei, segundo os bons costumes e a boa-fé.
Para exemplificar, temos o contrato de prestações periódicas com o pagamento sendo 
feito, reiteradamente, em outro lugar, conforme o art. 330 do CC.
Art. 330 do CC – O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor 
relativamente ao previsto no contrato.
Imagine que um credor concorde, durante um contrato de prestações periódicas, com o 
pagamento em lugar diverso do convencionado. Posteriormente, ele não poderá surpreender o 
devedor com a exigência literal do contrato.
O assunto foi alvo de discussão na IV Jornada de Direito Civil e resultou no Enunciado 362 
que menciona o art. 422 do CC:
Enunciado 362 – A vedação do comportamento contraditório (venire contra factum proprium) funda-se 
na proteção da confiança, tal como se extrai dos arts. 187 e 422 do Código Civil.
Suppressio, surrectio e tu quoque são conceitos correlatos à boa-fé objetiva.
Na supressio, um direito não exercido durante determinado lapso de tempo não poderá mais 
sê-lo, por contrariar a boa–fé. A surrectio é a outra face da suppressio, pois consiste no nasci-
mento de um direito, consequente à continuada prática de certos atos. Sobre o conceito tu quo-
que, aquele que descumpriu norma legal ou contratual, atingindo com isso determinada posição 
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jurídica, não pode exigir do outro o cumprimento do preceito que ele próprio já descumprira. Ou 
seja, o tu quoque veda que alguém faça contra o outro o que não faria contra si mesmo.
Veja o esquema para facilitar:
3. classIfIcação dos contratos
1) Contratos unilaterais, bilaterais (sinalagmáticos) e plurilaterais
Nos contratos unilaterais, existe obrigação para apenas uma das partes. Pode ser exem-
plificado pela doação pura, pelo depósito e pelo comodato.
Nos contratos bilaterais ou sinalagmáticos, os dois contratantes possuem responsabi-
lidades recíprocas, ou seja, um com o outro, sendo esses reciprocamente devedores e cre-
dores. Nesta espécie de contrato não pode um dos lados antes de cumprir suas obrigações, 
exigir o cumprimento do outro. O nome provém do grego antigo synallagma, que significa 
“acordo mútuo”.
Exemplo: na compra de um produto, o contratante (consumidor) e o contratado (vendedor) 
combinam de acertar a quantia em dinheiro somente no término do serviço do contratado (en-
trega do produto); o contratado só pode cobrar após entregar o produto e o contratante só o 
paga ao receber o objeto negociado.
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Contratos (Parte Geral)
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Os contratos plurilaterais são aqueles que possuem mais de duas partes contratantes, 
como nos contratos de consórcio e de sociedade.
2) Contratos onerosos e gratuitos
Os contratos onerosos, são aqueles que as duas partes auferem vantagens – sendo estes 
bilaterais – como exemplo, a locação de um imóvel; o locatário paga ao locador para poder 
usar o bem, e o locador entrega o que lhe pertence para receber o pagamento.
Nos contratos gratuitos, somente uma das partes obtém proveito, como na doação pura.
Em regra os contratos gratuitos também são unilaterais e os contratos onerosos também 
são bilaterais.
3) Contratos comutativos e aleatórios
O contrato comutativo é o que, uma das partes, além de receber prestação equivalente a 
sua, pode apreciar imediatamente essa equivalência, como ocorre na compra e venda. Ou seja, 
há prestação e contraprestação certas.
Nos contratos aleatórios, as partes se arriscam a uma prestação inexistente ou despropor-
cional, como exemplos, seguros, empréstimos. Simplificando, é o contrato de decisões futuras 
onde há uma incerteza na contraprestação.
Os arts. 458 a 461 do Código Civil tratam do assunto:
Art. 458. Se o contratofor aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a 
existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, 
desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.
O art. 458 do CC corresponde à compra de uma “esperança”, quando o comprador assume 
o risco da existência da coisa (ex.: comprar a ninhada de uma cadela). Trata-se de um contrato 
do tipo emptio spei. É um tipo de contrato aleatório em que um dos contratantes, na alienação 
de coisa futura, toma a si o risco existente da coisa, ajustando um preço, que será devido inte-
gralmente, mesmo que nada se produza sem que haja dolo ou culpa do alienante.
Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de vi-
rem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua 
parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada.
Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o 
preço recebido.
O art. 459 do CC se assemelha ao dispositivo anterior, entretanto é assumido um risco na 
quantidade da coisa e não na existência. Trata-se de contrato do tipo emptio rei speratae onde 
se não vier nada, ou se nada for produzido, o preço não será devido. Desta forma, se a cadela 
não der cria, o preço pago deve ser devolvido. Por outro lado, se for esperado que a cria tenha 
4 filhotes e tivermos apenas 2, nada poderá ser reclamado.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
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Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assu-
mido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não 
existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato.
Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser anulada como dolosa 
pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a consumação do risco, a que no 
contrato se considerava exposta a coisa.
Os arts. 460 e 461 do CC tratam do risco da coisa já existentes, mas sujeitas a perecimento 
ou depreciação. Como exemplo temos o risco assumido quando se compra um produto com 
data de validade a vencer em breve dependendo do fim da greve da Receita Federal. A incer-
teza decorre da possibilidade do produto vencer e ainda não ter passado pelo desembaraço 
aduaneiro.
Risco na existência emptio spei
Risco na quantidade emptio rei speratae
4) Contratos consensuais ou reais
Contratos consensuais são os que se consideram formados pela simples proposta e acei-
tação. Já os contratos reais, são os que se formam com a entrega efetiva do produto, a en-
trega deste não é decidida no contrato, mas somente as causas do que irá acontecer depois 
dessa entrega.
Para exemplificar, estudaremos na próxima aula que a compra e venda é consensual, por 
outro lado o depósito e o mútuo são reais.
5) Contratos nominados (típicos) e inominados (atípicos)
Contratos nominados ou típicos são os regulamentados por lei. Alguns dos regidos pelo 
Código Civil são: compra e venda, troca, doação, locação, empréstimo, depósito, mandato, ges-
tão, edição, representação dramática, sociedade, parceria rural, constituição de renda, seguro, 
jogo e aposta, e fiança. Os contratos inominados ou atípicos (art. 425 do CC) são contrários 
aos nominados, não necessitando de uma ação legal, pois estes não estão definidos em lei, 
precisando apenas do conceito básico inerente aos contratos (ex.: que as partes sejam livres, 
que os produtos sejam lícitos etc.).
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste 
Código.
É muito comum o examinador afirmar nas questões de prova que não se pode celebrar 
contratos atípicos, mas tal afirmativa está errada. Os contratos atípicos são permitidos, desde 
que sejam observadas as regras gerais inerente aos contratos.
6) Contratos solenes (formais) e não solenes
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
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Contratos solenes são os que necessitam de formalidades nas execuções após ser con-
cordado por ambas as partes, dando a elas segurança e algumas formalidades da lei, como 
na compra de um imóvel, sendo necessário um registro em cartório para que este seja válido. 
Os contratos não solenes são aqueles que não precisam dessas formalidades, necessitando 
apenas da aceitação de ambas as partes.
7) Contratos principais e acessórios
Os contratos principais são os que existem por si só, sendo independente de outros. Os 
contratos acessórios são emendas do contrato principal, sendo que estes necessitam do ou-
tro para existirem.
Como exemplo temos o contrato de locação como principal e o contrato de fiança como 
acessório.
8) Contratos paritários ou por adesão
Os contratos paritários, são os que realmente são negociados pelas partes, discutindo e 
montando-o dentro das formalidades da lei. Ou seja, há possibilidade de se negociar as cláu-
sulas contratuais.
Já os contratos de adesão, se caracterizam por serem prontos por uma das partes e acei-
tos pelas outras, sendo um pouco inflexíveis por excluir o debate ou discussão de seus termos. 
Um exemplo comum é o contrato que você assina quando contrata uma operadora de telefone 
móvel. VIVO, OI, TIM, CLARO, dentre outras, entregam ao cliente um contrato pré-escrito.
Os art. 423 e 424 do CC tratam do contrato de adesão.
Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á 
adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
Imagine que você vá a uma empresa de telefonia e assine com ela um contrato de presta-
ção de serviços. Como a empresa irá propor o contrato e você será o aderente, caso haja algu-
ma cláusula do contrato ambígua ou contraditória, a interpretação deverá ser favorável a você.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do 
aderente a direito resultante da natureza do negócio.
Creio ser interessante um exemplo para aplicação do art. 424 do CC.
Imagine uma pessoa que vai ser fiador celebrando um contrato de fiança. Sabemos que a 
fiança é um contrato acessório que garante um contrato principal. Caso o devedor do contrato 
principal não pague a dívida, então o fiador poderá ser responsabilizado por ela. Porém, na 
fiança existe um benefício de ordem, ou seja, a dívida deve ser cobrada primeiro do devedor 
principal para, caso a obrigação não seja paga, ser cobrada do fiador.
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Contratos (Parte Geral)
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Nos moldes desta situação, imagine que o contrato de fiança seja de adesão (sem possibi-
lidade de discutir as cláusulas) e uma das cláusulas estipule que o fiador renuncia ao benefício 
de ordem e, por isso, a dívida possa ser cobrada diretamente dele.
Através do art. 424 do CC conclui-se que a cláusula ora mencionada é nula, pois está esti-
pulando uma renúncia antecipada a um direito resultante do contrato de fiança.
Percebaque apenas a cláusula será nula, mas o restante do contrato será válido.
001. (VUNESP/PREFEITURA DE GUARUJÁ – SP/PROCURADOR/2021) Assinale a alternati-
va correta sobre a interpretação dos contratos.
a) Os contratos presumem-se não paritários e não simétricos, salvo se celebrados entre em-
presários ou entre pessoas que não apresentem características de hipossuficiência.
b) As partes negociantes poderão estabelecer parâmetros objetivos para a interpretação das 
cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão ou de resolução.
c) A alocação de riscos definida pelas partes deve ser respeitada, observados os princípios da 
intervenção máxima e da possibilidade de revisão geral dos contratos.
d) Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua exe-
cução, os princípios de probidade e boa-fé que, entretanto, não se aplicam na fase pós-contratual.
e) São válidas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada a direito resultante da natureza 
do negócio, bem como as que o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.
a) Errada. Está em desacordo com o art. 421-A do CC, pois os contratos civis e empresariais 
presumem-se paritários e simétricos até a presença de elementos concretos que justifiquem o 
afastamento dessa presunção.
b) Certa. Está em conformidade com o art. 421-A, I, do CC.
c) Errada. Está em desacordo com o art. 421, parágrafo único do CC, pois os princípios corretos 
são os da intervenção mínima e da excepcionalidade da revisão contratual.
d) Errada. Está errada ao afirmar que o princípio da boa-fé não se aplica na fase pós-contratual.
A assertiva E está equivocada ao afirmar que as cláusulas em questão são válidas, pois o art. 
424 do CC dispõe de forma diversa.
Letra b.
9) Contratos de execução instantânea, diferida e continuada
Tal classificação leva em consideração o momento em que os contratos devem ser 
cumpridos.
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Contratos (Parte Geral)
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São contratos de execução instantânea ou imediata aqueles que se consumam em um só 
ato, sendo cumpridos imediatamente após a sua celebração (ex.: compra e venda à vista).
Os contratos de execução diferida também devem ser cumpridos em um só ato, mas em 
um momento futuro (ex.: entrega em determinada data).
Já os contratos de trato sucessivo ou de execução continuada são os que se cumprem por 
meio de atos reiterados (ex.: prestação de serviços).
O esquema gráfico a seguir permite uma visualização da classificação em pauta:
10) Contratos preliminares e definitivos
O contrato preliminar (pactumm de contrahendo) é o que tem por objeto a celebração de 
um contrato definitivo. Ou seja, por meio de um contrato preliminar, as partes se comprome-
tem a celebrar, no futuro, um contrato definitivo. Pode-se dizer que o contrato definitivo é o 
objeto do contrato preliminar.
Os arts. 462 a 466 disciplinam o contrato preliminar.
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Contratos (Parte Geral)
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Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais 
ao contrato a ser celebrado.
Pelo art. 462 do CC é possível concluir que ao celebrar um compromisso de compra e ven-
da de bem de bem imóvel de alto valor, por ser um contrato preliminar, pode ser utilizado um 
instrumento particular como forma, apesar da compra e venda definitiva de bem imóvel de alto 
valor necessitar de uma escritura pública como forma (vide art. 108 do CC).
Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e 
desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir 
a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive.
Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente.
De acordo com o art. 463 do CC, o contrato preliminar dá aos contratantes o direito de exi-
gir o contrato definitivo.
002. (CEBRASPE/SEFAZ-CE/AUDITOR FISCAL/2021) Firmado o contrato preliminar, com o 
preenchimento dos requisitos legais, surge o direito de as partes exigirem a celebração do de-
finitivo, se não pactuado o arrependimento.
Segundo o art. 463 do CC, concluído o contrato preliminar, desde que dele não conste cláusula 
de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assi-
nando prazo à outra para que o efetive.
Certo.
Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadim-
plente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da 
obrigação.
Por meio do art. 464 do CC, é possível que um contrato preliminar adquira, através de sen-
tença judicial, força de contrato definitivo.
Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte considerá-lo 
desfeito, e pedir perdas e danos.
A inexecução do contrato preliminar pode acarretar indenização por perdas e danos.
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Contratos (Parte Geral)
DIREITO CIVIL
Dicler Ferreira
Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, 
deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assi-
nado pelo devedor.
O contrato preliminar unilateral ou de opção é aquele onde apenas uma das partes é obri-
gada a celebrar o contrato definitivo, ao passo que a outra o celebra se quiser. Dessa forma, a 
parte obrigada deve manifestar prazo para a outra parte se manifestar. Decorrido esse prazo o 
bem poderá ser alienado a terceiros.
003. (CEBRASPE/CODEVASF/ASSESSOR JURÍDICO: DIREITO/2021) Se a promessa de con-
trato for unilateral, ela ficará sem efeito caso o credor não se manifeste no prazo previsto.
A assertiva está em conformidade com o art. 466 do CC.
Certo.
4. formação e lugar dos contratos
Os contratos são a convergência de duas vontades contrapostas: a parte que faz a propos-
ta (uma declaração receptícia – que precisa ser aceita) é a parte proponente ou policitante e a 
parte que aceita é chamada de aceitante ou oblato.
Muita gente me pergunta como decorar isso. O método que eu uso é bem simples: conso-
ante (P) de Proponente combina com consoante (P) de Policitante, ao passo que vogal (A) de 
aceitante, combina com vogal (O) de Oblato.
Os contratos reais formam-se com a entrega da coisa e os contratos formais, com a re-
alização da solenidade ou do instrumento próprio. Tratam-se das exceções ao princípio do 
consensualismo.
São fases da formação dos contratos:
1. Negociações preliminares: são conversações anteriores à proposta que visam preparar 
as bases do futuro contrato;
2. Proposta ou policitação ou oferta: é a declaração de vontade dirigida a alguém com 
quem se quer contratar, contendo todas as cláusulas essenciais do negócio. Pode ser de dois 
tipos: entre presentes e entre ausentes;
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