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<p>SIBELE RESENDE PRUDENTE</p><p>Contratos Civis e Empresariais</p><p>2022-01</p><p>UNIDADE I - INTRODUÇÃO À TERORIA GERAL DOS</p><p>CONTRATOS</p><p>1.1 - CONCEITO DE CONTRATO</p><p>É uma das fontes das obrigações. É uma das espécies dos negócios</p><p>jurídicos, deve seguir a ordem jurídica (habitat = ordem legal) e ser</p><p>destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes</p><p>(fundamento), com o objetivo de adquirir (compra e venda), modificar</p><p>(aditivo contratual) ou extinguir (distrato) relações jurídicas de natureza</p><p>patrimonial (efeito = criar direitos e obrigações).</p><p>1.2- REQUISITOS DE VALIDADE : art. 104</p><p>1.2.1- Objetivos:</p><p>a-) Licitude do objeto.</p><p>b-) Possibilidade física ou jurídica do objeto</p><p>A impossibilidade pode ser:</p><p>- absoluta: para todos os homens; efeito liberatório.</p><p>- relativa: circunstâncias pessoais; não invalida e está sujeito</p><p>às perdas e danos.</p><p>- legal ou jurídica: ineficácia do contrato: art. 426.</p><p>c-) Determinação do objeto: se indeterminável o objeto, o contrato</p><p>será inválido e ineficaz.</p><p>d-) Economicidade do objeto: economicamente apreciável.</p><p>1.2.2-Subjetivos:</p><p>a-) Existência de duas ou mais pessoas</p><p>b-) Capacidade: arts. 3º e 4º.</p><p>c-) Aptidão: arts. 496 e 497 (legitimidade X capacidade)</p><p>d-) Consentimento: não pode haver vício</p><p>1.2.3-Formais: a regra é a liberdade de forma; art. 107</p><p>1.3- FORMAÇÃO DOS CONTRATOS</p><p>1.3.1- Elementos indispensáveis: Um contrato precisa obedecer os</p><p>requisitos do art. 104.</p><p>É importante ressaltar ainda, que o acordo de vontades das</p><p>partes contratantes pode ser tácito ou expresso. O tácito não tem</p><p>nada escrito, mas o comportamento leva a entender os fatos;</p><p>ex.:locador recebendo aluguel do sublocatário e dando recibo em seu</p><p>nome – silêncio conclusivo. O expresso se manifesta de forma</p><p>escrita; ex.; de um lado pela oferta e de outro pela aceitação.</p><p>1.3.2- Fases da formação do vínculo contratual:</p><p>a-) negociações preliminares ou tratativas: fase pré-contratual,</p><p>onde são feitos os ajustes, não há ainda direitos e obrigações.</p><p>Posteriormente é a fase da minuta, onde já existe responsabilidade:</p><p>art. 186 e 927. É claro que se houve motivo justo o desistente está no</p><p>seu exercício regular de direito.</p><p>b-) proposta, oferta, policitação ou oblação: uma pessoa toma</p><p>a iniciativa e faz a proposta, que já não faz parte das preliminares,</p><p>porque já é dirigida a outra parte para que aceite ou não. Salvo se a</p><p>prestação for infungível a oferta subsiste, mesmo com a morte ou</p><p>incapacidade superveniente do proponente antes da aceitação;</p><p>ficando os herdeiros ou representantes responsáveis juridicamente,</p><p>tendo apenas o direito de retratação antes ou simultaneamente ao</p><p>conhecimento da outra parte sobre a oferta. Esta força vinculante não</p><p>é absoluta; art. 428.</p><p>c-) Aceitação: é o fecho do ciclo contratual, é a segunda fase</p><p>da formação do contrato. O aceitante é também chamado de oblato.</p><p>Se este vier a falecer ou se tornar incapaz depois da aceitação, o</p><p>contrato já está formado. Se ele falecer antes de pronunciar sua</p><p>resposta o contrato não se poderá formar.</p><p>A aceitação pode ser tácita; art. 432.</p><p>A aceitação deve ser formulada dentro do prazo</p><p>concedido; arts. 430 e 431.</p><p>Se a oferta for alternativa, o oblato deverá indicar na</p><p>resposta a sua opção, caso contrário o ofertante poderá entender que</p><p>constitui qualquer uma delas.</p><p>1.3.3- Local da celebração: art. 435</p><p>1.3.4- Direito de Arrependimento: art. 433</p><p>1.3.5- Proibição do Pacto Sucessório: art. 426</p><p>1.4- FORMA E PROVA DOS CONTRATOS</p><p>A regra é a liberdade de forma: arts. 107; 166, IV e V. Não se pode</p><p>confundir forma com prova. Forma é o envoltório que reveste a</p><p>manifestação de vontade; já a prova é o meio de se demonstrar</p><p>legalmente a existência de um negócio jurídico. Mas quando a lei</p><p>impõe uma forma o ato só pode ser provado com o documento</p><p>exigido. As partes podem contratar sobre a forma, mas não preterir</p><p>forma imposta por lei.</p><p>1.5 INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS</p><p>Arts. 112 ao 114; 423 e 819</p><p>Interpretação integrativa: índices monetários e materiais que não</p><p>existem mais.</p><p>1.6 IMPOSSIBILIDADE DA PRESTAÇÃO</p><p>Absoluta, relativa e jurídica, art. 106. A obrigação só se resolve</p><p>quando for impossibilidade absoluta.</p><p>UNIDADE II- CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS</p><p>2.1-CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS</p><p>a-) considerados em si mesmos: examina os contratos por eles</p><p>mesmos</p><p>b-) reciprocamente considerados: examina os contratos uns em</p><p>relação aos outros.</p><p>2.2- CONTRATOS UNILATERAIS E BILATERAIS</p><p>Essa classificação não leva em conta a quantidade de pessoas</p><p>envolvidas, mas sim os efeitos que o contrato acarreta.</p><p>Nos unilaterais um só dos contratantes assume obrigação em face do</p><p>outro; uma só parte se obriga não havendo qualquer contraprestação da</p><p>outra parte. Essa espécie de contrato apesar de requerer duas ou mais</p><p>prestações volitivas, colocam um só dos contratantes na posição de</p><p>devedor, ficando o outro como credor; ex: doação pura e simples, depósito,</p><p>mandato (gratuito) e fiança.</p><p>Já nos bilaterais também chamados de sinalagmáticos existe uma</p><p>simultânea reciprocidade entre credor e devedor, ambos com direitos e</p><p>obrigações. A característica principal desse contrato é a sinalagma (que no</p><p>grego significa reciprocidade), ou seja, a dependência recíproca de</p><p>obrigações; ex: compra e venda (art. 481), locação, prestação de serviço,</p><p>troca, etc.</p><p>Princípio exceptio non adimpleti contractus: dependência recíproca</p><p>das relações obrigacionais; que é um mero procedimento dilatório, é uma</p><p>provisória condição de inexigibilidade; art. 476. Esse princípio pode ser</p><p>renunciado.</p><p>Art. 477</p><p>2.3- CONTRATOS ONEROSOS E GRATUITOS</p><p>- Onerosos: cada contratante suporta um sacrifício de ordem patrimonial</p><p>com o intuito de obter vantagem correspondente, de forma que ônus e</p><p>proveito fiquem numa relação de equivalência; ex.: locação; uma paga</p><p>para usar o bem e o outro entrega o bem para receber o pagamento.</p><p>- Gratuitos ou Benéficos: oneram somente uma das partes,</p><p>proporcionando à outra uma vantagem; ex: doação pura e simples e</p><p>reconhecimento de filho. Este tipo de contrato é interpretado</p><p>restritivamente; art. 114.</p><p>2.4- CONTRATOS COMUTATIVOS E ALEATÓRIOS</p><p>- Comutativo: a extensão das prestações de ambas as partes é conhecida</p><p>desde o momento da formação do vínculo contratual; é certa,</p><p>determinada e definitiva, apresentando uma relativa equivalência de</p><p>valores; ex: contrato de compra e venda; o vendedor sabe qual preço</p><p>receberá e o comprador qual o bem que passará a ter domínio.</p><p>- Aleatório ("alea" significa sorte): a prestação depende de um evento</p><p>futuro e incerto; ex: o segurado pode vir a receber indenização se</p><p>ocorrer um sinistro; ou nada receber se o sinistro não acontecer; arts.</p><p>458 ao 461 e 757. O jogo e a aposta são também exemplos de contratos</p><p>aleatórios.</p><p>Obs: Há contratos comutativos que podem ser transformados em</p><p>aleatórios se houver cláusula explícita; ex: se um dono de um imóvel</p><p>empreita a abertura de um poço que deverá fornecer no mínimo 20 litros de</p><p>água, e ajusta que o empreiteiro nada receberá se o poço não produzir a</p><p>quantidade desejada.</p><p>2.5- CONTRATOS PARITÁRIOS E POR ADESÃO</p><p>- Paritários: as partes, colocadas em pé de igualdade, discutem os termos</p><p>do contrato, eliminando os pontos divergentes mediante transigência</p><p>mútua com manifestação livre de vontades e fixando as cláusulas</p><p>contratuais.</p><p>- Por Adesão: aquele em que a manifestação de vontade de uma das</p><p>partes</p><p>se reduz a mera anuência a uma proposta da outra. Nesse tipo de</p><p>contrato não existe liberdade de convenção, debate, nem transigência</p><p>entre as partes; uma vez que um dos contratantes se limita a aceitar as</p><p>cláusulas previamente redigidas e impressas pelo outro; ex: contrato de</p><p>seguro. consórcio, transporte, financiamento bancário, entre outros.</p><p>Arts. 423 e 424.</p><p>2.6- CONTRATOS CONSENSUAIS, SOLENES E REAIS</p><p>- Consensuais ou Não-Solenes: para que esse tipo de contrato seja válido</p><p>a norma jurídica exige apenas o acordo das partes, não impondo</p><p>nenhuma norma especial para a sua celebração; ex: compra e venda de</p><p>móveis, locação, mandato.</p><p>- Solenes ou Formais: para que alguns contratos existam perante à lei,</p><p>será necessário que o acordo se processe por meio de formas</p><p>estabelecidas pela lei, caso contrário o contrato será nulo, por lhe</p><p>faltarem requisitos essenciais à sua validade; ex: compra e venda de</p><p>imóveis depende de escritura pública, art. 108; a fiança e o contrato de</p><p>seguro devem ser feitos por escrito (arts. 819 e 758).</p><p>- Reais ("res", "rei" significa coisa): são aqueles que somente se tornam</p><p>válidos com a entrega da coisa, ou seja, a tradição efetiva do objeto do</p><p>ato negocial, antes disso será apenas uma promessa de contratar, e não</p><p>um contrato perfeito e acabado; ex: comodato (empréstimo gratuito para</p><p>uso de coisa infungível), mútuo (empréstimo oneroso de coisa que pode</p><p>ser fungível), e o depósito.</p><p>2.7- CONTRATOS NOMINADOS E INOMINADOS</p><p>-Nominado: são os que recebem da ordem jurídica uma denominação</p><p>legal e própria, estando previstos e regulados, formando espécies definidas.</p><p>O Código Civil rege e esquematiza 23 tipos de contratos; são eles: compra</p><p>e venda, troca, contrato estimatório, doação, locação de coisas, empréstimo,</p><p>prestação de serviço, empreitada, depósito, mandato, comissão, agência,</p><p>distribuição, corretagem, transporte, constituição de renda, seguro, jogo,</p><p>aposta, fiança, sociedade, transação e compromisso.</p><p>- Inominados: são os contratos que não estão disciplinados</p><p>expressamente no Código, porém são permitidos ante ao princípio da</p><p>autonomia das partes, para que as mesmas possam criar figuras contratuais</p><p>que necessitem, desde que não contrariem a lei e os bons costumes; arts.</p><p>425, 421 e 422. Por não haver normas que os regulamentem esses contratos</p><p>deverão detalhar as cláusulas.</p><p>Exs: troca de alguma coisa por obrigação de fazer; contrato de</p><p>locação de caixa forte (locação + depósito); contrato de hospedagem</p><p>(locação de coisas, serviços e depósito de bagagem).</p><p>2.8- CONTRATOS DE EXECUÇÃO IMEDIATA E CONTINUADA</p><p>OU TRATO SUCESSIVO</p><p>- Imediata: são os que terminam mediante uma única prestação; ex:</p><p>compra e venda à vista, troca, entre outros.</p><p>- Continuada: são os que se caracterizam pela prática de atos reiterados,</p><p>solvendo-se num espaço de tempo; ex: compra e venda a prazo. Esses</p><p>contratos também podem sobreviver com a persistência da obrigação;</p><p>ex: locação, fornecimento de mercadoria em que o comprador paga por</p><p>período.</p><p>2.9- CONTRATOS PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS</p><p>- Principais: são os que existem por si só, exercendo sua função e</p><p>finalidade independentemente de outro.</p><p>- Acessórios: são aqueles cuja existência jurídica supõe a do principal,</p><p>pois visam assegurar a sua execução; ex: a fiança é um contrato</p><p>acessório que garante a locação que é o contrato principal; logo a fiança</p><p>não poderá existir sem a locação. A cláusula penal também é um</p><p>exemplo de contrato acessório.</p><p>Obs: A nulidade da obrigação principal acarreta a da acessória, porém a</p><p>desta não implica a da principal; art. 184. Assim como a prescrição da</p><p>obrigação principal acarreta a prescrição da acessória, mas a prescrição de</p><p>direito acessório não atinge a do direito principal.</p><p>2.10- CONTRATOS CIVIS E MERCANTIS</p><p>A tendência atual para a unificação do Direito Privado diminui a</p><p>utilidade prática de se diferenciar as duas espécies de contrato. Contudo, se</p><p>necessário for, podemos dizer que quando ao menos uma das partes é</p><p>comerciante ou empresa o contrato é comercial ou empresarial; se nenhuma</p><p>das partes é comerciante ou empresa o contrato é civil.</p><p>2.11- CONTRATO DE CONSUMO</p><p>Negócio jurídico celebrado entre fornecedor e consumidor, com</p><p>vistas ao fornecimento de produtos ou à prestação de serviços que visem a</p><p>satisfazer necessidades desses consumidores.</p><p>Os elementos da relação de consumo são:</p><p>a-) sujeitos (fornecedor e consumidor);</p><p>b-) objeto (produtos ou serviços)</p><p>c-) finalidade (que o consumidor adquira produto ou se utilize de</p><p>serviço como destinatário final).</p><p>No contrato de consumo o ônus da prova, em regra, não é do</p><p>consumidor, e a interpretação desse contrato é sempre mais favorável ao</p><p>consumidor; arts. 6º, VIII e 47 do CDC.</p><p>2.12- CONTRATO ELETRÔNICO</p><p>É aquele celebrado por meio de programas de computador com</p><p>assinatura codificada ou senha. A segurança de tais contratos é feita por</p><p>biometria, leitura de retina ou processos de codificação secreta, chamada de</p><p>criptografia ou encriptação; contudo essa última deve ser aperfeiçoada</p><p>devido à atuação constante dos hackers.</p><p>Vale dizer, que a contratação em estabelecimento eletrônico é</p><p>considerada entre presentes quando celebrado em tempo real; e que o local</p><p>de ocorrência do delito é o local da tela do computador do consumidor</p><p>ludibriado.</p><p>As dúvidas em relação a esse tipo de contrato são muitas e vão ser</p><p>solucionadas com o tempo, mas devemos sempre nos basear nos princípios</p><p>gerais do direito até que exista realmente uma efetiva regulamentação</p><p>jurídica. Contudo, usamos muito o Código de Defesa do Consumidor e os</p><p>art. 107 e 225 do Código Civil e o Decreto 7.962/2013.</p><p>EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO</p><p>01- Cite e explique os requisitos de validade dos contratos.</p><p>02- Diferencie as impossibilidades contratuais: absoluta, relativa e legal.</p><p>03- Explique a diferença entre um objeto contratual determinado e</p><p>determinável.</p><p>04- Quais são as fases da formação do vínculo contratual?</p><p>05- Explique com suas palavras o artigo 112 do Código Civil.</p><p>06- Diferencie contratos solenes e reais.</p><p>07- Explique com suas palavras o artigo 422 do Código Civil.</p><p>08- (ENADE) Alícia é juíza em uma comarca do interior de instância</p><p>inicial. Ocorre que a ex funcionária da casa de Alícia entrou na justiça</p><p>contra ela reclamando várias verbas trabalhistas, e infelizmente, em virtude</p><p>da comarca ser bem pequena, ela é a única juíza de lá. Portanto, ela está</p><p>atuando como juíza no processo que é movido contra ela mesma. Analise a</p><p>capacidade e a legitimidade dentro do caso concreto.</p><p>09- (ENADE) João, menor impúbere, celebrou sozinho um contrato de</p><p>compra e venda de um filhote da sua cadela de estimação, cobrando</p><p>R$100,00 pelo filhote. Ocorre que sua cadela é campeã da sua raça e seus</p><p>filhotes foram avaliados em R$ 2.000,00 cada um. Analise se esse negócio</p><p>jurídico é nulo ou anulável.</p>

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