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Patologia do Sistema Urinário Prof. Eduardo Garrido IFNMG 2023 Néfrons • Cada rim pode ter de 1 a 4 milhões de néfrons. • Corpúsculo renal • Cápsula renal (ou de Bowman) • Glomérulo renal (ou de Malpighi). • Túbulos renais • Contorcido proximal • Alça reta descendente • Alça reta ascendente • Contorcido distal • Duto coletor Afinal, o que o rim faz? Compensação Formação da urina e outras funções Produção de urina • Filtração • Secreção • Reabsorção • Em resumo: • Urina = Substâncias Filtradas + Substâncias Secretadas – Substâncias Reabsorvidas Produção de hormônios e Prostaglandinas • Eritropoietina: estimula a produção de hemácias • Calcitriol (1,25-di-hidroxicolecalciferol): forma ativa da vitamina D, ajuda a regular a atividade do cálcio • Renina: converte o angiotensinogênio em angiotensina I • Prostaglandinas: libera renina e ADH Mecanismos de defesa Mecanismos de defesa • Corpúsculo renal • Membrana basal glomerular • Mesângio glomerular • Túbulos • Interstício • Vasculatura Respostas à lesão – Corpúsculo renal • Necrose, espessamento de membrana, respostas inflamatórias, atrofia, esclerose e perfusão reduzida - decorre de imunocomplexos, tromboembolismos e bacterioses. • Nefropatias com perdas proteica – Síndrome nefrótica e síndrome nefrítica. • Hipótese do néfron intacto • Hipótese da hiperfitração • Teoria da deposição complexa Resposta à lesão - Túbulos • Atrofia • Apoptose • Degeneração tubular aguda • Necrose tubular aguda • Lesão nefrotóxica • Nefrose Resposta à lesão - Interstício • Hiperemia, edema e infiltrados inflamatórios • Fibrose • Inflamação linfofolicular • Nefrite intersticial • Nefrite tubulointersticial Resposta à lesão - Vasculatura • Hiperemia e congestão • Hemorragia e trombose • Infarto Injúrias renais Anomalias do desenvolvimento • Agenesia / Aplasia • Hipoplasia • Cistos renais • Congênitos • Adquiridos ou de Retenção • Rins extra numerários • Displasia renal • Persistência de lobulação fetal • Ectopia renal Alterações Circulatórias • Hiperemia Ativa • Processos inflamatórios; tóxicos; infecciosos • Hiperemia Passiva ou Congestão • Insuficiência cardíaca (Curta e longa duração) • Hemorragia • Processos traumáticos • Envenenamentos • Processos tóxicos e infecciosos (Petéquias) • Infarto Pigmentações e depósitos • Hemossiderose • Pigmentos biliares • Nefrocalcinose Uremia • Azotemia: aumento na concentração de derivados nitrogenados no sangue (ureia e creatinina). • Uremia: identifica sinais clínicos derivados da azotemia. • Classificação da uremia • Pré-renal: dieta e hepatopatias • Renal: doença ou insuficiência renal • Pós-renal: obstruções do TUI. Trato urinário Inferior Considerações gerais •Urotélio • Epitélio de transição estratificado • Válvula vesicoureteral: Impede o refluxo de urina para a uretra. •Continência / micção • Bexiga x uretra: Enquanto a bexiga acumula urina a uretra se estenosa. Quando a bexiga se contrai a uretra relaxa, permitindo o fluxo urinário. • M. detrusor da bexiga Mecanismos de defesa • Fluxo urinário: Dificulta a aderência bacteriana. • Urina ácida: Impede o desenvolvimento bacteriano. • Mucina: Dificulta a aderência bacteriana. • IgA: Possui ação bactericida. • Altas concentrações de uréia e sais inorgânicos / Alta osmolaridade: Leva a perda de água celular da bactéria para o meio, determinando sua morte. Particularidades anatômicas e funcionais • Ocorrem normalmente, não devendo ser confundidas com alterações patológicas. • Em cães • Contração vesical post mortem: Pode ser diferenciada da contração ante mortem. A bexiga contraída post mortem estica-se facilmente, o que não ocorre na contraída ante mortem. • Em equinos • Alta produção de muco: torna a urina do equino naturalmente turva, podendo ser confundida, na pelve renal, com uma pielonefrite supurativa. • Em suínos • Dilatação ureteral distal • Em bovinos • Nódulos linfáticos Anomalias do desenvolvimento • Ureteres • Agenesia: não formação do ureter, podendo ser uni ou bilateral, no último caso incompatível com a vida. • Ectopia: o ureter se acopla em uma região diferente do normal (trígono vesical). Predispõe a formação de urólitos e infecções. • Duplicação: alterações congênitas dos rins (fusão renal ou rim gigante) são normalmente concomitantes com a formação de ureteres duplos. Anomalias do desenvolvimento • Uretra • Agenesia • Duplicação • Ectopia • Hipospadia: Abertura anormal da uretra, normalmente, na região ventral do pênis. • Fístula retovesical: Comunica o reto à bexiga ou à vagina Agenesia ureteral Anomalias do desenvolvimento • Bexiga • Divertículo: saculação em fundo cego, onde pode acumular-se urina, predispondo às infecções. • Duplicação • Persistência de úraco: O não fechamento do úraco predispõe às infecções e o fechamento parcial predispõe à formação de cálculos e ao rompimento da bexiga. • Obs.: O úraco é o canal de ligação entre a bexiga e o meio uterino durante a gestação, que após o nascimento regride, originando o ligamento médio da bexiga. Divertículo Anomalias Adquiridas •Ureteres Deslocamento Dilatação Constrição •Bexiga Retroflexão dorsal Dilatação Hipertrofia Ruptura Obs: Podem ter como causas: traumas, neoplasias obliterantes ou urólitos. •Uretra Deslocamento Dilatação Divertículos Distúrbios Circulatórios •Ureteres •Hemorragias • Urolitíases •Uretra •Hemorragias • Neoplasias • Urolitíases •Bexiga •Hemorragias •Hematúria enzoótica bovina: Causa: metabólitos tóxicos de samambaia (Pteridium aquilinum) ingerida pelo animal. Lesões hemorrágicas e hemangiomatosas na mucosa da bexiga •Petéquias Cólera Peste suína africana Cistite aguda Ruptura Salmonelose •Obs: Petéquias sem presença de inflamação é indicativo de septicemia. Peste suína africana Febre catarral maligna Hemorragia em bexiga Urolitíases Urolitíases • É a presença de cálculos nas vias urinárias (urólitos). • Cálculos: concreções formadas pela precipitação de sais orgânicos ou inorgânicos associado a uma matriz orgânica proteica • Composta de debris celulares ou outro material que sirva como núcleo para o cálculo. • Podem ocorrer em qualquer parte do trato urinário inferior. Urolitíases • Possuem tamanhos, formas e coloração variáveis, dependendo de sua localização e de sua constituição. • Causam obstruções e lesões no TUI. –necrose, ulceração, estase urinária com predisposição ao crescimento bacteriano. • Uretrite hemorrágica e afecções ascendentes (cistites e pielonefrites) –Dificuldade para urinar (estrangúria), dor à micção (disúria) e hematúria • Mais frequentes em machos devido ao maior comprimento e menor diâmetro da uretra, principalmente em animais castrados devido à estenose da uretra associada à falta de estimulação hormonal. Locais mais comuns de obstruções por urólitos • Bovinos: arco esquiático e flexura sigmoide • Ovinos: apêndice vermiforme Locais mais comuns de obstruções por urólitos • Caninos: osso peniano • Felinos: uretra Fatores predisponentes • pH urinário: possibilita a precipitação dos sais. • pH ácido predispõe a precipitação de oxalatos. • pH alcalino predispõe a precipitação de estruvita e carbonatos • Infecções bacterianas • colônias bacterianas, juntamente com o epitélio esfoliado e os leucócitos podem servir de núcleo , ao redor do qual se depositam os constituintes minerais dos cálculos. • Nutrição: • Alimentos ricos em fosfato • Plantas contendo oxalato (antúrio, copo de leite, Oxalis tetraphylla) • Deficiência de Vit. A (induz metaplasia no epitélio de transição) • Rações comerciais ricas em Magnésio (síndrome urológica) Fatores predisponentes • Desidratação • Aumenta a concentração de sais nos rins e bexiga. • Estrógeno• Aumenta a descamação do epitélio vesical. • Trifolium subterraneum • Hiperstrogenismo • Produção excessiva de estrogênio • Administração de suplementos de estrogênio • Cistos ovarianos • Tumor de ovário • Tumor testicular: leydigocitoma Fatores predisponentes • Defeitos hereditários • Dálmatas excretam quantidades elevadas de ácido úrico na urina devido a um defeito hepatocelular que impede a conversão de ácido úrico em alantoína. Tipos de urólitos Tipos de urólitos •Sílica • Comum em ruminantes • Gramíneas com 4 a 5% de sílica • 1% da sílica da dieta é secretada na urina e 60% é reabsorvida • Desequilíbrio hidroeletrolítico (concentração urinária até 5x maior) • Cálculo grande, firme, esbranquiçado ou marrom escuro, radio-opaco e laminado Tipos de urólitos •Estruvita • Conhecido, erroneamente, como fosfato triplo, formado por fosfato amoníaco magnesiano • Mais frequente em cães, mas ocorre também em gatos e ruminantes • Mais frequente em fêmeas, devido a associação com infecções do TUI (aumento do pH, diminuindo a solubilidade e aumentando a ionização do fosfato trivalente) • Cálculos brancos ou cinzas, com aspecto de giz, liso e quebradiço. Aparece como um único e grande cálculo ou múltiplo e arenoso • Importante na síndrome urológica felina • Dietas com 0,15 a 1% de magnésio • Acúmulo amorfo de proteínas, debris celulares e cristais de estruvita (“plug” uretral) • Disúria, polaquiúria, hematúria e anúria. Tipos de urólitos •Xantina •Metabólito das purinas •Primário • Defeito na xantina oxidase •Secundário • Iatrogênico pelo uso de alopurinol • Urato • Hiperuricemia • Hiperamonemia • Hiperuricosúria • Hiperamonúria • Acidúria • Predisposição genética (defeito autossômico do dálmata) • Múltiplos, duros, concentricamente laminados, marrom • esverdeados. Na bexiga apresenta se esférico e menor que 5 mm Tipos de urólitos • Oxalato de cálcio • Dietas pobres em cálcio podem predispor a formação deste cálculo • Aumento na concentração de hidroxiprolina devido a reabsorção óssea (liberada na degradação do colágeno da matriz óssea) • Duros, pesados, amarelos ou brancos, lisos ou apresentando projeções • Tendem a ser solitários e grandes. Mono-hidratado Di-hidratado Tipos de urólitos • Cistina • Pode ser puro ou misturado com outros sais • Ocorre em cães e raramente em gatos • Acredita-se que ocorre devido a uma reabsorção defeituosa nos túbulos proximais • Pequeno, irregular, macio, friável, gorduroso, amarelo a marrom avermelhado, tornando-se verde quando exposto a luz. Alterações decorrentes dos urólitos • À necropsia • Bexiga túrgida e distendida ou rompida, com ureteres e pelve renal distendidas. • Parede vesical adelgaçada • Eventualmente apresenta equimoses ou hemorragia difusa na mucosa • Quando a urina é liberada pode conter coágulos, a bexiga apresenta flacidez da parede e presença de ulceração • Ruptura Antemortem • Coágulo e fibrina no local da ruptura • Peritonite • Histopatologia • Inflamação • Hemorragia • Ulceração de mucosa • Proliferação de células caliciformes • Degeneração e necrose da musculatura lisa Inflamações • Ureterite • Lesões pouco exsudativas ou proliferatívas • Ascendentes • Cistite • Diferentes tipos de exsudato: supurativa, hemorrágica, fibrinosa ou intersticial. • Cistite enfisematosa: formação de coleções gasosas devido à ação bacteriana sobre a glicose. Ocorre, portanto, associada à glicosúria • Uretrite • Inflamações transitórias • Catéter: lesão mecânica. • Obs: Maior incidência em fêmeas devido a uretra curta e larga em relação à do macho, facilitando as infecções ascendentes. • As lesões mecânicas (urólitos, catéter, traumas) e as de origem bacterianas são as maiores causas de inflamação do TUI. Bexiga: Processos Inflamatórios •Causas • Retenção urinária • Urolitíase •Classificação • Quanto ao Curso • Agudo • Crônico • Quanto ao Exsudato • Catarral • Purulenta • Fibrinosa • Hemorrágica Hematúria enzoótica • Aspectos clínicos • Etiologia • Lesões Neoplasias do TUI •Raras em uretra e ureteres • Tumores metastáticos são mais comuns que os tumores primários nestes órgãos. • Bexiga (1% das neoplasias em animais) • Epiteliais • Papilomas e carcinomas de células transicionais(96% das neoplasias vesicais), papilomas e carcinomas de células escamosas e adenocarcinomas e carcinomas de células indiferenciadas • Mesenquimais • Fibroma / fibrossarcoma, leoimioma / leiomiossarcoma, rabdomiossarcoma, linfossarcoma e hemangioma / hemangiossarcoma Papiloma de bexiga Carcinoma de células transicionais Hemangiossarcoma Balanopostite • O touro é frequentemente acometido de inflamação da glande (balanite) em conjunto com a do prepúcio (postite). • O prepúcio longo e abertura estreita da bainha prepucial são fatores predisponentes para esta afecção. Acropostite / Acrobusite / Fimose • Refere ao processo inflamatório da extremidade do prepúcio, afecção que pode resultar em incapacidade reprodutiva e perdas econômicas. Vulvovaginite • A infecção vaginal parece ser mais frequente em novilhas e fêmeas jovens, mas tem sido encontrada em animais de todas as idades. Muitas são as possíveis causas desta síndrome, incluindo fatores irritantes, traumáticos, deficiências nutricionais e agentes infecciosos, como alguns vírus, bactérias e protozoários. Slide 1: Patologia do Sistema Urinário Slide 2 Slide 3 Slide 4: Néfrons Slide 5: Afinal, o que o rim faz? Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37: Formação da urina e outras funções Slide 38: Produção de urina Slide 39: Produção de hormônios e Prostaglandinas Slide 40 Slide 41: Mecanismos de defesa Slide 42: Mecanismos de defesa Slide 43: Respostas à lesão – Corpúsculo renal Slide 44: Resposta à lesão - Túbulos Slide 45: Resposta à lesão - Interstício Slide 46: Resposta à lesão - Vasculatura Slide 47: Injúrias renais Slide 48: Anomalias do desenvolvimento Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62: Alterações Circulatórias Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69: Pigmentações e depósitos Slide 70 Slide 71 Slide 72 Slide 73 Slide 74 Slide 75 Slide 76 Slide 77 Slide 78 Slide 79 Slide 80 Slide 81 Slide 82 Slide 83 Slide 84 Slide 85 Slide 86 Slide 87 Slide 88 Slide 89 Slide 90 Slide 91 Slide 92 Slide 93 Slide 94 Slide 95 Slide 96 Slide 97 Slide 98 Slide 99 Slide 100 Slide 101 Slide 102 Slide 103 Slide 104 Slide 105: Uremia Slide 106 Slide 107 Slide 108 Slide 109: Trato urinário Inferior Slide 110: Considerações gerais Slide 111 Slide 112: Mecanismos de defesa Slide 113: Particularidades anatômicas e funcionais Slide 114: Anomalias do desenvolvimento Slide 115: Anomalias do desenvolvimento Slide 116 Slide 117: Anomalias do desenvolvimento Slide 118: Divertículo Slide 119 Slide 120 Slide 121 Slide 122 Slide 123 Slide 124: Urolitíases Slide 125: Urolitíases Slide 126: Urolitíases Slide 127: Locais mais comuns de obstruções por urólitos Slide 128: Locais mais comuns de obstruções por urólitos Slide 129: Fatores predisponentes Slide 130: Fatores predisponentes Slide 131: Fatores predisponentes Slide 132: Tipos de urólitos Slide 133: Tipos de urólitos Slide 134: Tipos de urólitos Slide 135: Tipos de urólitos Slide 136: Tipos de urólitos Slide 137: Tipos de urólitos Slide 138: Alterações decorrentes dos urólitos Slide 139 Slide 140 Slide 141 Slide 142 Slide 143 Slide 144 Slide 145: Inflamações Slide 146: Bexiga: Processos Inflamatórios Slide 147 Slide 148: Hematúria enzoótica Slide149: Neoplasias do TUI Slide 150 Slide 151 Slide 152: Balanopostite Slide 153: Acropostite / Acrobusite / Fimose Slide 154: Vulvovaginite