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Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 1 CÁRIE CÁRIE DENTAL É uma doença infecciosa, crônica e multifatorial, caracterizada pela desmineralização dos tecidos duros dentais. Pode ser sintomática ou assintomática. É considerada um problema de saúde pública, com consequências para a saúde em geral: Consequências locais. Consequências sistêmicas. Autoestima afetada. PELÍCULA ADQUIRIDA DO ESMALTE (PAE) É um filme orgânico derivado principalmente da saliva e aderido ao esmalte dentário. Caracteriza-se por ser uma camada membranosa amorfa com espessura de 0,1 a 0,3mm. Presente nas superfícies dentais e sólidas. Normalmente, apresenta-se livre de microrganismos e atua como uma barreira protetora. BIOFILME DENTAL Bactérias colonizam e crescem na superfície do dente (película adquirida do esmalte). Formado por comunidades microbianas bem organizadas e aderidas a superfície dentária, sendo envolvidas por uma matriz extracelular. Apresenta uma maior quantidade de microrganismos do que de restos alimentares. Torna-se clinicamente detectável somente após atingir determinada espessura. Caracteriza-se como uma massa globular visível com superfície nodular e cor branco-amarelada. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 2 Após 30 dias, temos o acúmulo máximo de biofilme. SIGNIFICADO O termo cárie vem do latim carious, que significa destruição, putrefação, ou seja, é a destruição localizada de tecidos mineralizados do dente. DOENÇA CÁRIE Doença infecciosa e transmissível. De origem multifatorial. Caracterizada pela perda localizada de tecido. DINÂMICA DA DOENÇA A superfície do esmalte dentário apresenta um comportamento altamente dinâmico com o meio bucal. A quantidade de íons “perdidos” pelo esmalte (desmineralização – DES) é igual ou semelhante aquela que o meio ambiente fornece (remineralização – RE). Ocorre apenas quando há associação de alguns importantes fatores: Dentes. Microrganismos (Streptoccus mutans). Alimento (carboidratos). Tempo. Pode estar relacionada à fatores sociais. O processo dinâmico se baseia em 3 pilares: Dieta: ingestão de açúcar. Microrganismos: produzem ácidos. Hospedeiro: pH abaixo de 5,5. MICRORGANISMOS ENCONTRADOS COM MAIOR FREQUÊNCIA Os principais causadores da doença cárie são os Streptococcus mutans e os Streptoccus salivarius (apresentam elevado potencial cariogênico). Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 3 CLASSIFICAÇÃO I. Localização anatômica: De fissura: De superfície lisa: De cúspide: De raiz: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 4 II. Quantidade de tecido destruído: Incipiente: Cavitária: Grande destruição: III. Progressão da lesão: Ativa ou aguda: Cor da camada superficial: pigmentação clara. Consistência da camada superficial: macia, friável, massa necrótica. Dor: normalmente sensível ao frio, a doces e aos ácidos. Progressão: rápida, geralmente expõe a polpa. Tipo de dentina sob a camada superficial: dentina sensível, descalcificada. Crônica: Cor da camada superficial: pigmentação escura. Consistência da camada superficial: dura e até mesmo ebúrnea. Dor: normalmente assintomática. Progressão: lenta, processo intermitente. Tipo de dentina sob a camada superficial: dentina assintomática, esclerótica e pigmentada. Estacionária: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 5 Processo carioso interrompido. Área afetada dura remineralizada. Coloração acastanhada ou escura. Pode ser incipiente quando muito avançada. IV. História pregressa da lesão: Primária: lesões em superfícies dentárias intactas, naturais. Secundária: lesões que se desenvolvem adjacentes à restaurações pré-existentes. V. Tipo de tecido envolvido: Esmalte: Ativa: coloração branca, opaca, rugosa, não reflete a luz. Inativa: mancha branca, lisa e brilhante ou pigmentada. Esmalte e dentina: Ativa: tecido amolecido de cor amarelada/marrom clara. Inativa: tecido duro e coloração escurecida. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 6 Esmalte, dentina e raiz: DIAGNÓSTICO Um bom diagnóstico é feito por meio de uma boa anamnese, exame clínico e exame radiográfico. PREVENÇÃO Escove os dentes pelo menos três vezes ao dia, e use o fio dental diariamente. Evitar lanches com alimentos açucarados ou ricos em amido. Visitar o dentista duas vezes ao ano para limpezas e exames. __________________________________________________________________________________________ CISTOS INTRODUÇÃO Cisto é uma cavidade patológica com conteúdo fluido ou semifluido que não tem acúmulo de pus e geralmente é revestido por um epitélio e suportado por tecido conjuntivo fibroso. Classificação: Cistos Odontogênicos: origem em remanescentes do epitélio odontogênico. Cistos odontogênicos de desenvolvimento. Cistos odontogênicos inflamatórios. Cistos não odontogênicos: origem em restos epiteliais do tecido de cobertura dos processos primitivos que participam na formação embrionária da face e dos maxilares. CISTOS ODONTOGÊNICOS ♛ ORIGEM São cistos revestidos por um epitélio derivado do epitélio odontogênico e se originam da proliferação de remanescentes epiteliais associados à formação dos dentes. Esses remanescentes podem ser a lâmina dental, o epitélio reduzido do esmalte (ERE) e a bainha epitelial de Hertwig. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 7 Podem ser originados durante o desenvolvimento ou por processos inflamatórios. Os fatores que provocam os cistos de desenvolvimento são desconhecidos, entretanto eles não advêm de uma inflamação como é o caso dos cistos de origem inflamatória. Possuem uma cápsula de tecido conjuntivo revestida por epitélio. Geralmente são lesões benignas e assintomáticas. Pode acometer tanto a mandíbula quanto a maxila. ♛ TRATAMENTO Na maioria dos casos o tratamento é feito por marsupialização ou enucleação: Marsupialização: é feito um acesso sem romper o cisto, para aplicar medicação, suturando para mantê-lo aberto. Esse tratamento é feito em cistos maiores e pode haver infecção secundária, por essa razão é necessário uma boa higienização e acompanhamento profissional regular até o fim do tratamento. Enucleação: o cisto é removido por completo, com descompressão ou não. Esse tratamento é feito em cistos menores, e pode ser realizado após uma marsupialização. ♛ CISTOS ODONTOGÊNICOS DE DESENVOLVIMENTO CISTO DENTÍGERO Origem: epitélio reduzido do esmalte (ERE) Patogênese: Acúmulo de fluído entre o ERE e a coroa do dente incluso. O cisto vai da junção amelocementária de um lado até o outro do dente. Inflamação periapical de um dente decíduo sobrejacente e periocoronarite. Também conhecido como cisto folicular. Características clínicas: Pode acometer qualquer dente incluso. É o cisto mais comum dos ossos gnáticos (20%). São lesões extensas, acarretando em assimetria facial e reabsorção dos dentes adjacentes. Dentes acometidos: 3° molares inferiores, caninos, 3° molares superiores, 2° pré-molares inferiores e elementos supranumerários. Pacientes: Geralmente, acometem pacientes leucodermas do sexo masculino entre 10 e 30 anos de idade. Por serem lesões assintomáticas, na maioria das vezes, é um achado radiográfico. Contudo, se houver agudização, pode causar dor. Características radiográficas: Jéssica Wellen de Araújo Brandão PatologiaMaxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 8 Caracterizam-se por uma imagem radiolúcida unilocular associada a coroa de um dente incluso. Apresentam margens bem definidas e radiopacas e são cistos maiores. O cisto vai da junção amelocementária de um lado até o outro do dente. Em relação à coroa, o cisto pode estar central, lateral ou circunferencial. O circunferencial é como os outros, circunda a coroa e vai da junção amelocementária de um lado até o outro, mas circunda mais o dente. Geralmente o lateral reabsorve as raízes dos dentes que estão sob ele. Características histopatológicas: Cisto não inflamado: tem uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso arranjado frouxamente, com substância fundamental amorfa (glicosaminoglicanos), revestimento epitelial com 2 a 4 camadas não queratinizadas e a junção entre o epitélio e o conjuntivo é plana. Cisto inflamado: é mais espesso que o não inflamado. Tem uma cápsula fibrosa e mais fibras colágenas com infiltrado inflamatório crônico variável, o revestimento epitelial é hiperplásico e possui cristas epiteliais. Pode apresentar superfície queratinizada e áreas de células mucosas. Tratamento: geralmente é realizada a enucleação cística junto com a remoção do dente incluso afetado. Quando possível, o dente é mantido e é feita uma erupção ortodôntica assistida. Em alguns casos pode ser que seja possível a remoção parcial da parede cística. Nos cistos grandes é realizada a marsupialização. Prognóstico: excelente e é rara a recidiva. Podem haver complicações e transformação neoplásica, o que pode gerar ameloblastomas, carcinomas de células escamosas ou carcinomas mucoepidermóide intra-ósseos. Diagnóstico diferencial: pode ser confundido com um alargamento do folículo dental, se ultrapassar 2,5 mm é um cisto dentígero. Pode se assemelhar também com um ceratocisto odontogênico e ameloblastoma unicístico, por isso deve ser realizado o exame histopatológico. CISTO DE ERUPÇÃO Origem: epitélio reduzido do esmalte (ERE). Patogênese: Causado pela separação do folículo dentário que envolve a coroa de um dente em erupção que está recoberto pelos tecidos moles do osso alveolar sobrejacente. Há uma deposição de colágeno no tecido gengival. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 9 Características clínicas: Aumento de volume translúcido de consistência mole na mucosa gengival que recobre o dente. Geralmente, ocorre em crianças menores de 10 anos. Também conhecido como hematoma de erupção. Dentes acometidos: incisivos decíduos inferiores, 1° molares permanentes e incisivos decíduos superiores. Características histopatológicas: apresenta epitélio oral de superfície na porção superior, a lâmina própria subjacente mostra infiltrado inflamatório variável e a cavidade cística é revestida por espitélio escamoso não queratinizado. Tratamento e prognóstico: Geralmente se rompe por traumatismos mastigatórios, mas pode ser realizada uma ulotomia (incisão na gengiva para liberar espaço para a erupção do dente permanente). O prognóstico é favorável. CISTO GENGIVAL DO RECÉM- NASCIDO Origem: remanescentes da lâmina dentária. São pequenos, superficiais, com conteúdo de queratina e encontrados na mucosa alveolar. Características clínicas: Apresenta-se como pequenas pápulas esbranquiçadas, não ultrapassando 2 a 3mm de diâmetro. Acomete mais o rebordo alveolar superior. Características radiográficas: Ocorrem apenas na mucosa, por isso não há características radiográficas. Características histopatológicas: Exibe um revestimento epitelial delgado e achatado, com uma superfície luminal paraqueratótica. O lúmen contém fragmentos de queratina. Diagnóstico diferencial: são semelhantes às pérolas de Epstein e nódulos de Bohn (cistos similares). Tratamento: as lesões involuem espontaneamente, podendo haver a ruptura do cisto em contato com a superfície oral. CISTO PERIODONTAL LATERAL Origem: remanescentes da lâmina dentária. É um tipo raro de cisto odontogênico (2%), localizado na superfície radicular lateral de um dente com vitalidade (que o diferencia de um cisto radicular, que está associado com infecção pulpar). Características clínicas: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 10 É assintomático, podendo ser um achado radiográfico. Geralmente, acomete pacientes entre a 5ª e 7ª décadas de vida. Dentes acometidos: pré-molares, caninos e incisivos laterais. Uma possível variante clínica do cisto periodontal lateral é o cisto odontogênico botrióide (lesão rara caracterizada pelo aspecto multilocular típico semelhante a um cacho de uvas). Características radiográficas: Possui imagem radiolúcida lateral a raiz de um dente. Apresenta menos que 1cm de diâmetro. Pode apresentar aspecto policístico (cisto odontogênico botrióide). Diagnóstico diferencial: pode ser confundido com um queratocisto odontogênico ou com um cisto radicular lateral (dente com infecção pulpar). Características histopatológicas: Apresenta uma cápsula fibrosa delgada, geralmente sem inflamação. Tem um revestimento epitelial contando com 1 a 3 camadas de espessura, formado por células escamosas achatadas ou cubóides. Possui focos de células claras ricas em glicogênio, que podem estar espalhadas entre as células do revestimento epitelial. Tratamento: baseado no procedimento de enucleação conservadora, na qual não há remoção do dente afetado. Prognóstico: Favorável, uma vez que recidivas são incomuns. Em casos de botrióides a taxa de recidiva é maior, pois no ato de remoção o profissional pode deixar resquícios do cisto. CISTO GENGIVAL DO ADULTO Origem: remanescentes da lâmina dentária e restos de Serres. É um cisto periodontal lateral de tecidos moles, muito comum entre a 5ª e 6ª décadas de vida. Pode ser localizado na região de caninos e pré-molares inferiores, gengiva vestibular e mucosa livre. Características clínicas: Se apresenta como um nódulo indolor em forma de cúpula, menor que 0,5cm, de coloração azulada ou cinza-azulada. Pode causar reabsorção em taça e quando é muito grande, pode causar reabsorção óssea. Características radiográficas: Acomete apenas tecido mole, ou seja, não possui características radiográficas. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 11 Características histopatológicas: Apresenta características similares ao cisto periodontal lateral. Possui revestimento epitelial delgado e achatado e revestimento endotelial em vasos dilatados. Pode se apresentar com ou sem placas focais (células claras). Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito com excisão cirúrgica simples. Apresenta prognóstico excelente. QUERATOCISTO Origem: remanescentes da lâmina dentária. Corresponde de 3 a 11% dos cistos odontogênicos, apresentando um mecanismo de crescimento e comportamento biológico diferenciado (considerado um tumor). Características clínicas: Apresenta prevalência de 60% em indivíduos do sexo masculino entre 10 e 40 anos de idade. 60 a 80% dos casos localizam-se no corpo posterior e ramo da mandíbula. São cistos que crescem sem causar expansão óssea. Os pequenos são assintomáticos, já os maiores podem causar dor, edema, drenagem (havendo uma inflamação acompanhada). Características radiográficas: Caracteriza-se por uma área radiolúcida de margens radiopacas bem definidas. As lesões grandes podem apresentar-se multiloculadas. 25 a 40% dos casos são relacionados a um dente não erupcionado. Características histopatológicas: A cápsula é delgada e friável, com lúmen contendo lâminas de queratina. O epitélio é pavimentoso estratificado com 6 a 8 células de espessura. A superfície luminal exibe células epiteliais paraqueratóticas onduladas e camada basal epitelial se apresenta com células hipercromáticas e em paliçada. Tratamento e prognóstico: Pode ser feita a enucleação e curetagem após a marsupialização para espessamento capsular. A tendência à recidiva varia de 5 a 62%, devido a presença de fragmentos císticos ou lâmina dental. Necessita de acompanhamento clínico e radiográfico, apresentando bom prognóstico. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 12 OBSERVAÇÃO: Pode estar associado com a síndrome do carcinoma nevóide basocelular, fazendo com que o paciente apresente múltiplos queratocistos. É uma condição hereditária autossômica dominante, devido a uma mutação do gene de Patched. Caracteriza-se pela presença de múltiplos carcinomas basocelulares da pele, queratocistos odontogênicos, calcificações intracranianas, anomalias das costelas e vértebras, pequenas depressões palmo-plantares e por uma circunferência craniana aumentada. CISTO ODONTOGÊNICO GLANDULAR Origem: epitélio reduzido do esmalte. É um cisto raro, de comportamento agressivo. Apresenta características glandulares e salivares. Também conhecido como cisto sialo-odontogênico. Características clínicas: Acomete, em maior frequência, adultos de meia-idade. Ocorre com maior frequência (75%) na região anterior da mandíbula. Apresenta tamanhos e sintomatologias variáveis. Características radiográficas: Apresenta-se como uma imagem radiolúcida unilocular ou multilocular, com margens bem definidas e bordas escleróticas. Características histopatológicas: Possui epitélio escamoso com espessura variável, além células cúbicas à colunares ciliadas e pequenos microcistos e agrupamentos de células mucosas no epitélio. Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito com enucleação e curetagem ou ressecção em bloco (em casos de lesões multiloculares). A taxa de recidiva é de 30%. CISTO ODONTOGÊNICO CALCIFICANTE Origem: epitélio reduzido do esmalte. Também conhecido como tumor odontogênico cístico calcificante, ou tumor dentinogênico de células fantasmas ou cisto de Gorlin. Características clínicas: É um cisto predominantemente intraósseo que acomete, em 65% dos casos, incisivos e caninos de maxila e mandíbula. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 13 Ocorre em pacientes durante a 2ª e 3ª décadas de vida. É uma lesão rara e conta com uma diversidade histopatológica e comportamento clínico variável. Pode estar associado à outros tumores. Nele, ocorre uma calcificação de células fantasmas. Características radiográficas: Apresenta imagens radiolúcidas, uniloculares, com margens bem definidas e com estruturas radiopacas na lesão. Pode estar associado a um dente não erupcionado e causa reabsorção radicular ou divergência dos dentes adjacentes. Características histopatológicas: Possui formas císticas, ou seja, não neoplásicas em 86 a 98% dos casos. Seu revestimento epitelial possui de 4 a 10 camadas de células cubóides ou colunares, com células epiteliais fantasmas (que perderam seu núcleo). Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito por meio de excisão cirúrgica simples e o prognóstico é favorável. ♛ CISTOS ODONTOGÊNICOS INFLAMATÓRIOS CISTO PERIAPICAL (RADICULAR) Origem: resíduo de Malassez. O epitélio no ápice de um dente não vital (com infecção ou necrose pulpar) é estimulado por uma inflamação. É um cisto de crescimento lento. Características clínicas: Geralmente são assintomáticos, uma vez que o dente está necrosado e não responde à testes térmicos. É possível que haja mobilidade dos dentes adjacentes pela reabsorção óssea causada pelo cisto. Características radiográficas: Apresenta uma radiolucidez arredondada ao redor dente. Esse dente perde a lâmina dura e, comumente, sofre reabsorção radicular. Características histopatológicas: Tem um epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado, preenchido por líquido e células descamadas. Tratamento: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 14 Pode ser realizado o tratamento endodôntico, uma cirurgia apical retrógrada ou uma exodontia, de acordo com a gravidade do caso. CISTO PERIAPICAL (RADICULAR) RESIDUAL Origem: restos do elemento dentário, que induzem a formação de uma cavidade cística. Características radiográficas: É uma lesão redonda ou oval radiolúcida e de tamanho variável, localizada dentro da crista alveolar no sítio de uma extração prévia. Tratamento: Pode ser realizada uma excisão cirúrgica, uma enucleação/ marsupialização/ descompressão e acompanhamento clínico e radiográfico. CISTO PARADENTÁRIO Origem: remanescentes do epitélio reduzido do órgão do esmalte ou de restos epiteliais do periodonto. Localizado na região distal ou vestibular de 3° molares parcialmente erupcionados com um histórico de pericoronarite. É um cisto inflamatório incomum. Características radiográficas: Se apresenta como uma lesão radiolúcida, com margens bem delimitadas, adjacente a dentes semi-inclusos. Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito com a remoção cirúrgica dos cistos e dos dentes associados. ♛ CISTOS NÃO ODONTOGÊNICOS ❥ Geralmente se desenvolvem na linha de fusão dos ossos da face. São decorrentes do aprisionamento de remanescentes epiteliais e provenientes do ectoderma durante os processos embrionários da boca e da face. CISTO PALATINO DO RECÉM-NASCIDO Origem: I: processos palatinos que se encontram e se fusionam na linha mediana, podendo ficar aprisionadas pequenas ilhas de epitélio. Formam os chamados de pérolas de Epstein, que se encontram ao longo da rafe palatina. II: remanescentes epiteliais derivados do desenvolvimento das glândulas salivares menores do palato. Formam os chamados de nódulos de Bohn, que se encontram dispersos no palato duro, muitas vezes perto da junção com o palato mole. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 15 São lesões semelhantes aos cistos gengivais do recém-nascido, porém de origem diferente. Características clínicas: Ocorrem em 65 a 85% dos recém-nascidos. Caracterizam-se por pequenas pápulas brancas ou branco-amareladas, variando entre 1 a 3mm de tamanho, ao longo da linha média (próximo à junção dos palatos duro e mole). Apresentam-se em grupos de 2 a 6 cistos ou isolados. Características histopatológicas: São preenchidos por queratina e revestidos por epitélio escamoso estratificado. Em alguns casos, podem comunicar com a superfície da mucosa. Tratamento: São lesões inócuas e nenhum tratamento é necessário. Regridem espontaneamente, uma vez que, provavelmente, o epitélio degenera ou os cistos se rompem. CISTO NASOLABIAL Também conhecido como cisto nasoalveolar e cisto de Klestadt. É um cisto de tecido mole, que ocorre ao nível da prega nasolabial, abaixo da asa do nariz. Origem: I: originado de remanescentes epiteliais retidos ao longo da linha de fusão dos processos nasal lateral, nasal mediano e maxilar. II: sugere que estes cistos se desenvolvem pela deposição de epitélio do ducto nasolacrimal devido à sua localização e histologia semelhantes. Características clínicas: Apresenta-se como uma tumefação do lábio superior, lateralmente à linha média, causando elevação da asa do nariz. Pode elevar a mucosa do vestíbulo nasal e apagar o sulco mucolabial. O cisto pode se romper espontaneamente e drenar para a cavidade oral ou nasal. Implicação clínica: obstrução nasal e/ou dificuldade no uso de próteses. Geralmente é indolor, exceto se houver infecção secundária. Aproximadamente, 10% sãobilaterais. Maior prevalência entre a 4ª e 5ª décadas de vida e maior incidência em mulheres (3:1). Características histopatológicas: Formado por um epitélio colunar estratificado com células caliciformes e ciliadas e cápsula de tecido conjuntivo fibroso e tecido muscular. Tratamento e prognóstico: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 16 O tratamento é feito por excisão cirúrgica completa do cisto por acesso intra-oral e pode ser necessária a retirada da mucosa nasal para remoção completa. A recidiva é rara. CISTO GLOBULOMAXILAR Origem: epitélio retido durante a fusão da porção globular do processo nasal mediano com o processo maxilar. Como estas estruturas estão primariamente unidas, não ocorre fusão. Atualmente, acredita-se que são de origem odontogênica. Características clínicas: Desenvolve-se entre o canino e o incisivo lateral superior. Ocasionalmente, pode estar entre o incisivo central e lateral. Características radiológicas: Apresenta-se como uma lesão r/adiolúcida unilocular bem circunscrita. Características histopatológicas: Associado à cistos periapicais, queratocistos e cistos periodontais laterais. O cisto globulomaxilar é a origem odontogênica da lesão. CISTO DO DUCTO NASOPALATINO Também chamado de cisto do canal incisivo. Origem: remanescentes do ducto nasopalatino. É o cisto não odontogênico mais comum, acometendo cerca de 1% da população. Características clínicas: É mais comum entre a 4ª e 6ª décadas de vida, com predileção pelo sexo masculino. Apresenta natureza intermitente, muitas lesões são descobertas em exames radiográficos de rotina. Os principais sinais e sintomas são tumefação da região anterior do palato, drenagem e dor. Localiza-se próximo ou na linha média da região anterior da maxila, entre os ápices dos incisivos centrais. Características radiográficas: As radiografias, frequentemente, revelam uma área radiográfica bem circunscrita. Apresenta-se como uma área radiolúcida, redonda ou oval, sob a forma de coração com bordas esclerosadas e acima dos ápices dos incisivos centrais. Características histopatológicas: Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 17 Possui epitélio escamoso estraficado (em 3/4 dos casos), ou epitélio colunar pseudoestratificado (em 1/3 dos casos), ou epitélio colunar simples (menos frequente), ou epitélio cúbico simples (menos frequente). Apresenta áreas de transição entre o epitélio colunar pseudoestratificado para epitélio escamoso estratificado, além de áreas de revestimento cuboidal achatado. Tratamento e prognóstico: São tratados por enucleação cirúrgica sob recomendação de biópsia. O melhor acesso é por retalho palatino. A recorrência é rara. CISTO PALATINO MEDIANO É um cisto fissural raro. Origem: epitélio retido ao longo da linha de fusão embrionária dos processos palatinos laterais da maxila. Diagnóstico diferencial: este cisto é difícil de ser diferenciado do cisto do ducto nasopalatino. Características clínicas: Apresenta maior incidência em adultos jovens. Caracteriza-se por ser uma lesão assintomática, localizada na linha média do palato duro. Configura-se por uma tumefação firme ou flutuante de cerca de 2cm de diâmetro. Critérios de diagnóstico: Aparência grosseira simétrica ao longo do palato duro. Ausência de comunicação com o canal incisivo. Posterior à papila palatina. Formato circular ou ovóide na radiografia. Características histopatológicas: Frequentemente limitado por epitélio escamoso estratificado. Em alguns casos, tem sido relatada a presença de epitélio colunar pseudoestratificado ciliado. Uma inflamação crônica pode estar presente na cápsula do cisto. Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito por remoção cirúrgica. Não há recorrência. CISTO MANDIBULAR MEDIANO Teoricamente, representa um cisto fissural na linha média anterior da mandíbula. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 18 Origem: provavelmente se desenvolve de restos epiteliais retidos durante a fusão das metades da mandíbula. Na verdade, a mandíbula se desenvolve de uma única proliferação bilobulada de mesênquima com um istmo central na linha média. Conforme a mandíbula se desenvolve, o istmo desaparece. Por não haver fusão de processos limitados por epitélio, não é possível ocorrer retenção epitelial. O mais provável é que quase todos os cistos da linha média são de origem odontogênica. CISTO EPIDERMÓIDE DA PELE Também chamado de cisto folicular da pele e cisto infundibular. É limitado por um epitélio semelhante à epiderme. Origem: desenvolvem-se após inflamação localizada do folículo piloso. Características clínicas: Comuns: áreas da cabeça, pescoço e costas propensas a acne. Incomuns: antes da puberdade, a menos que estejam associados com a síndrome de Gardner. Adultos jovens do sexo masculino são mais propensos a desenvolver na face. Raramente podem se desenvolver na boca. Geralmente ocorrem na linha média do assoalho da boca. São lesões nodulares subcutâneas, flutuantes, que podem ou não estar associadas a inflamações. Características histopatológicas: A cavidade cística é limitada por epitélio escamoso estratificado e o lúmen é preenchido por queratina degenerada. Observa-se uma camada de células granulares bem desenvolvida. Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito por excisão cirúrgica conservadora. A recorrência é incomum e a transformação maligna pode ser relatada, porém é rara. CISTO DERMOIDE É uma malformação cística de desenvolvimento incomum. O cisto é limitado por um epitélio semelhante a epiderme e contém estruturas anexas da derme na parede do cisto. Geralmente é classificado como uma forma benigna de teratoma. Um teratoma verdadeiro é um tumor de desenvolvimento constituído por tecidps originados das três camadas germinativas: ectoderma, mesoderma e endoderma. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 19 Os teratomas da cavidade oral são raros e frequentemente de natureza congênita. Na cavidade oral podem ser observados cistos semelhantes revestidos de anexos cutâneos em suas paredes. Características clínicas: Ocorrem mais comumente na linha média do assoalho da boca e, ocasionalmente, podem se localizar lateralmente ou desenvolver em outros locais. São mais comuns nas crianças e adultos jovens (15% dos casos são congênitos). Os principais sinais e sintomas são indolores, de crescimento lento e de aspecto borrachóide. Quando localizado acima do músculo gênio-hióideo, a tumefação sublingual pode deslocar a língua superiormente. Quando localizado abaixo do músculo gênio-hióideo, pode causar tumefação submentoniana, dando aparência de “queixo duplo”. Características histopatológicas: São limitados por epitélio escamoso estratificado queratinizado e apresenta uma camada de células granulares proeminente. A parede do cisto é constituída de tecido conjuntivo fibroso que contém um ou mais apêndices cutâneos (glândulas sebáceas, folículos pilosos ou glândulas sudoríparas). Tratamento: O tratamento é feito por remoção cirúrgica e quando o cisto se localiza acima do músculo gênio-hióideo é feita uma incisão intra-oral e, quando se localiza abaixo do músculo gênio- hióideo é feito um acesso extra-oral. Prognóstico: Casos de recorrência são incomuns e existem raros relatos de transformação maligna para um carcinoma de células escamosas. CISTO DO DUCTO TIREOGLOSSO Também chamado de cisto do tratao tireoglosso. Normalmente o epitélio do ducto tireoglosso sofre atrofia e o ducto se oblitera. Origem: remanescentesdeste epitélio podem persistir e dar origem a cistos ao longo deste trato. A causa para a degeneração cística é incerta. Características clínicas: Desenvolvem-se geralmente na linha média e podem ocorrer em qualquer local, desde o forame cego na língua até a chanfradura supraesternal. Pode ser submentoniano. Em 60 a 80% dos casos, é abaixo do osso hioide. Raramente é intralingual. São mais frequentes nas duas primeiras décadas da vida. Não há predileção por sexo. Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 20 Os principais sinais e sintomas são indolores, tumefações móveis e flutuantes. Características histopatológicas: São, frequentemente, revestidos por epitélio escamoso estratificado ou colunar e, ocasionalmente, pode ser cúbico ou epitélio do intestino delgado. Algumas vezes, estão presentes vários tipos de epitélio. Pode aparecer tecido da tireoide na parede. Tratamento e prognóstico: O melhor tratamento é feito pela técnica de Sistrunk. A taxa de recorrência é menor que 10% com a cirurgia e a ocorrência de carcinomas oriundos deste cisto é rara (1%). CISTO LINFOEPITELIAL CERVICAL Também chamado de cisto da fenda branquial. Origem: I: desenvolve de remanescentes das fendas branquiais devido a região ser de aparatos dos arcos embrionários. II: origina da degeneração cística do epitélio da glândula parótida que ficou retido nos nódulos linfáticos cervicais. Características clínicas: São móveis, flutuantes e indolores. Situam-se na região lateral do pescoço e tem cerca de 1 a 10cm. Mais comum em indivíduos entre 20 a 40 anos. Podem fistular para a pele da mucosa bucal por infecção ou sequela cirúrgica. Características histopatológicas: Mais de 90% desses cistos são limitados por epitélio escamoso estratificado, que pode ou não ser queratinizado. Alguns apresentam epitélio respiratório. A parede do cisto contém tecido linfoide, muitas vezes com formação de centros germinativos. Tratamento e prognóstico: O tratamento é feito por remoção cirúrgica. Quase nunca há recorrência e raros casos de transformação maligna tem sido relatados. CISTO LINFOEPITELIAL ORAL É uma lesão incomum da boca que se desenvolve no tecido linfoide oral. O tecido linfoide normalmente é encontrado na cavidade oral e faringe (anel de Waldeyer). Jéssica Wellen de Araújo Brandão Patologia Maxilofacial I Cárie e Cistos – 3° TVC 21 Microscopicamente, mostra-se semelhante ao cisto da fenda branquial, porém de tamanho muito menor. A estreita relação com o epitélio de revestimento da mucosa dá origem às invaginações para o tecido amigdalino que, por sua vez, dá origem às bolsas cegas ou criptas. Características clínicas: É uma massa submucosa pequena, branca ou amarela, contendo camadas de queratina. Tem cerca de 1cm de tamanho, apresenta-se firme ou mole e é assintomático (salvo casos de traumatismo, que provocam dor). A mucosa se apresenta macia e não ulcerada e a queixa é feita devido a tumefação ou drenagem. Acomete o assoalho bucal, a superfície ventral, a margem lateral, a amídala e o palato mole. Apresenta maior incidência em adultos jovens. Características histopatológicas: Possui cavidade limitada por um epitélio escamoso estratificado sem projeções para o conjuntivo. É, tipicamente, paraqueratinizado com células epiteliais descamadas preenchendo a luz do cisto. O aspecto mais notável é a presença de tecido linfoide na parede do cisto. Em muitas ocasiões, este tecido linfoide circunda o cisto. Tratamento e prognóstico: O cisto linfoepitelial oral é comumente tratado por excisão cirúrgica. A recorrência não é comum. Caso seja possível o diagnóstico clinicamente de forma característica, não há necessidade de biópsia.