Prévia do material em texto
RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER ANOMALIAS DENTÁRIAS: 1. GEMINAÇÃO, FUSÃO E CONCRESCÊNCIA: Geminação: definida como um único dente aumentado ou unido (duplo) no qual a contagem dentária é normal quando o dente anômalo é considerado como um. Canal único coroa com espaço. Fusão: é definida como o aumento de um único dente ou dente unido (duplo), no qual a contagem dentária revela a falta de um dente quando o dente anômalo é contado como um. Coroa unida e raízes separadas com canais separados. Concrescência: consiste na união de dois dentes pelo cemento, sem confluência da dentina. Normalmente pela raiz. 2. CÚSPIDE EM GARRA É uma cúspide adicional bem delimitada localizada na superfície de um dente anterior, que se estende pelo menos da metade da distância da junção amelocementária até a borda incisal. A cúspide em garra representa a continuação ou a extensão de um cíngulo normal, um cíngulo aumentado, uma pequena cúspide acessória ou, finalmente, a formação completa da cúspide em garra. Normalmente em caninos. 3. DENTE INVAGINADO – DENS IN DENT O dente invaginado consiste em uma profunda invaginação da superfície da coroa ou da raiz, limitada pelo esmalte. Classificado em 3 tipos: o Tipo I: invaginação confinada à coroa. É o mais comum (79%). o Tipo II: invaginação abaixo da junção amelocementária e termina em um fundo cego, são invaginações de grandes dimensões podem se tornar dilatadas e conter esmalte distrófico na base da dilatação. Em alguns casos, o revestimento de esmalte é incompleto e existem canais comunicando-a à polpa. Essas conexões podem resultar em necrose pulpar muito antes de o ápice ser fechado. Tem 15% de chances de ser comum. o Tipo III: se estende através da raiz e perfura a área apical ou lateral radicular, sem que haja qualquer comunicação imediata com a polpa. O esmalte que delimita a invaginação é substituído pelo cemento próximo à perfuração radicular. Que leva a uma RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER comunicação direta da cavidade oral com o tecido intraósseo perirradicular e, muitas vezes, produz lesões inflamatórias mesmo na presença de polpa vital. 4. TAURODONTIA A taurodontia consiste no aumento do corpo e da câmara pulpar de um dente multirradicular, com deslocamento apical do assoalho pulpar e da bifurcação das raízes. Essa forma de molares foi encontrada nos homens de Neandertal e o formato do taurodente lembra aquela dos dentes molares dos animais ruminantes. Diagnóstico: através de exame radiográfico. Pode ser classificado em: o Hipotaurodontia: leve. o Mesotaurodontia: médio. o Hipertaurodontia: grave. 5. DILACERAÇÃO Conceito: A dilaceração consiste na angulação anormal ou curvatura na raiz ou, eventualmente, na coroa do dente. Etiologia: idiopática, em alguns casos por trauma. 6. MICRODONTIA ISOLADA: Conceito: Em uma dentição normal não é incomum. O incisivo lateral superior é mais frequentemente afetado e, caracteristicamente, aparece como uma coroa conoide sobre uma raiz que normalmente é de comprimento normal. Lateral conoide é um microdente. Tratamento: restaurados com coroas totais de porcelana. 7. INCISIVOS DE HUTCHINSON Conceito: é um quadro de hipoplasia de esmalte pela sífilis congênita, apresentam coroas com forma semelhante à ponta de uma chave de fenda, com maior diâmetro no terço médio da coroa e terço incisal constrito. A porção média da borda incisal geralmente apresenta um chanfro central hipoplásico. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Tratamento: Restaurações de resina composta, facetas ou coroas totais. 8. MOLARES EM AMORA Conceito: assim como os incisivos de Hutchinson, os molares em amora também são uma hipoplasia de esmalte pela sífilis congênita. Se afunilam em direção à superfície oclusal, com uma superfície constritiva. A anatomia oclusal é anormal, com várias projeções globulares desorganizadas que lembram a superfície de uma amora. PATOLOGIA PULPAR Complexo Dentina-Polpa: A polpa é o tecido conjuntivo vascularizado que ocupa a parte central do dente, cuja função principal é manter a vitalidade da dentina e, consequentemente, do dente. A polpa e a dentina formam um único complexo, pois estão intimamente relacionadas morfologicamente e fisiologicamente. Etiologia das lesões pulpares: Se dá por três diferentes fatores etiológico. o Agentes físicos: traumatismo, calor (broca de alta rotação); o Agentes químicos: iatrogênicos (uma cagada do CD), clareamento dentário que entra em contato com a polpa desprotegida, principalmente por uma exposição cervical da polpa ou por erosões cervicais; o Agentes biológicos: bactérias (lesão de carie); Mecanismos de ação: atuação local, onde pegou o agente. Resposta pulpar: é inespecífico, vai acontecer indiferente de quem causou. Resposta inata: do próprio organismo. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Tipos de dentina: 1. Primária; 2. Secundária 3. Reparadora, reacional ou patológica. Classificação das patologias pulpares: são alterações que acometem a polpa dentária e que levam a uma patologia. 1. Reações produtivo-reparativa; 2. Reação degenerativa; inicia o processo de inflamação. 3. Inflamações; 4. Necrose pulpar. 1. REAÇÕES PRODUTIVO-REPRTIIVAS: Formação de dentina terciária (reacional) e esclerose dentinária. Etiologia: cárie, desgastes, atrição. Patogenia: ocorre frente a um estimulo de baixa intensidade, levando a uma reação da polpa; Aspecto micro: dentina canaliculada, dentina laminar e dentina cementóide. dentina tubular regular aplicada sobre a dentina primária. Os odontoblastos sofrem alterações degenerativas, a dentina secundária fisiológica fica mais irregular e com menos túbulos. Diagnóstico: o Clinico: quando se tem acesso a dentina; o Radiográfico: deformações radiopacas da câmara pulpar. 2. REAÇÃO DEGENERATIVA: Formação de trombos, nódulos pulpares, atrofia reticular e fibrose pulpar. Nódulos pulpares: 1. Etiopatogenia: desconhecida, estimulo de baixa intensidade e boa capacidade reacional da polpa. 2. Classificação histopatológica: nódulos canaliculares, laminares e amorfos. 3. Classificação quanto a localização e aspecto radiográficas: a. nódulo livre: solto dentro da polpa. b. nódulo aderente: aderido a parede lateral da polpa. c. nódulo incluso: dentro da dentina. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Aderente e incluso: spot de lâmpada. O aderente é o adaptador da lâmpada e o incluso é a lâmpada. Atrofia reticular: perda da disposição em paliçada característica da camada odontoblástica levando ao aparecimento de espaços vazios (vacúolos), que definem a presença da atrofia reticular. Além disso observamos a polpa mais fibrosa e menos celularizada. 3. INFLAMAÇÕES PULPARES o Pulpite reversível: o tecido é capaz de retornar. Em estado normal de saúde se os estímulos nocivos forem retirados. HIPEREMIA PULPAR: Conceito: A inflamação pulpar pode ser iniciada por processos cariosos ou contatos prematuros (trauma oclusal). Após a ação do agente agressor ocorre, inicialmente, uma reação inflamatória incipiente que se caracteriza pelo aumento do aporte sanguíneo no tecido pulpar. Características histopatológicas: há um aumento do número de vasos e infiltrado inflamatório, sendo que, alguns estão preenchidos por hemácias caracterizando a hiperemia.Quadro início: dor, provocada, passageira e localizado. não é feito biópsia! o Pulpite irreversível: é quando o nível de inflamação está bem elevado e se desenvolve, no qual a polpa foi danificada além do ponto de recuperação. PULPITE INFILTRATIVAS: Conceito: É quando o teto da câmara pulpar está fechado e o agente agressor não é removido ou tem maior capacidade lesiva, a polpa responderá com uma reação inflamatória. Inicialmente, esta reação se forma na zona odontogênica sendo a pulpite infiltrativa parcial. No momento em que o exsudato inflamatório progride para a polpa central temos então a pulpite infiltrativa total. Esses quadros de pulpite infiltrativa podem ser agudos ou crônicos. Os agudos estão associados a agentes agressores de maior intensidade e formação de exsudato inflamatório em maior quantidade o que gera dor. As crônicas decorrem de estímulos de baixa intensidade e resposta inflamatória com menor quantidade de exsudato e não há dor. Características histopatológicas: edema hiperemia e infiltrado de neutrófilos. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Quadro clinico: dor espontânea, pulsátil e difusa, paciente não sabe onde é a dor. PULPITE ABSCEDADA AGUDA: Conceito: É um processo mais rápido. A dor é intensificada com a aplicação de calor ou de frio. Descrição histopatológica: pus em cavidade não pré formada, hiperemia, edema, infiltrado de neutrófilos. Quadro clinico: dor espontânea, contínua, pulsátil, difusa. PULPITE ABSCEDADA CRÔNICA: Conceito: Uma lesão de baixo grau e de longo prazo. Descrição histopatológica: pus em cavidade não pré formada infiltrado de linfócitos e plasmócitos, macrófagos, fibroblastos, calcificação distrófica. Quadro clinico: algumas vezes assintomático. Pode ser ocasionado por uma lesão de cárie. PULPITE ULCERADO AGUDA: Descrição histopatológica: pus em contato com a cavidade oral (polpa exposta), hiperemia, edema, infiltrado de neutrófilo. Quadro clinico: dor provocada, pulsátil, independe do estímulo, pus em contato com a cavidade bucal. Comportamento padrão: Neste caso, dói porque o pus gera um gás e este gás causa pressão nas paredes do dente, quando se abre este dente, o gás se libera e dá um alívio devido à falta da pressão. PULPITE ULCERADA CRÔNICA: Descrição histopatológica: pus em contato com o meio externo, infiltrado de linfócitos e plasmócitos, macrófagos, fibroplasia, calcificação distrófica (dentina). Quadro clínico: dor provocada, baixa intensidade, pus em contato com o meio externo. PULPITE PROLIFERATIVA OU POLIPO PULPAR Conceito: representa aumento inflamatório da polpa que tipicamente se desenvolve nos dentes de pacientes jovens com grandes exposições pulpares. Etiologia: Traumatismo e/ou cárie podem resultar em defeitos coronais extensos sem teto dentinário; tais defeitos podem ser ocupados por crescimento polipoide de tecido de granulação hiperplásico que se projeta da câmara pulpar. Tratamento: como a inflamação é irreversível, é necessária extração dentária ou terapia endodôntica. Descrição histopatológica: infiltrado de linfoplasmocitário, macrófagos, fibroplasia, neoformação de vasos - tecido de granulação. Necrose superficial ou revestimento epitelial. Quadro Clínico: formação exuberante de tecido ocupando a cavidade pulpar - molares de pacientes jovens. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER 4. NECROSE PULPAR Conceito: A polpa dental degenera-se completamente, sendo substituída por líquido seroso ou purulento ou por tecido necrótico seco. Deve-se suspeitar de necrose pulpar quando o dente não responder ao teste de sensibilidade elétrica ou térmica. A necrose pulpar parcial (necrobiose pulpar) ocorre frequentemente e pode ficar isolada à parte coronal ou a um canal de um dente com várias raízes. Os dentes com polpas necróticas apresentam sintomas que variam de nenhuma dor até uma dor aguda, com ou sem sensibilidade na mordida e hiperoclusão. 1. NECROSE SÉPTICA: É causada por agentes microbianos. o Agentes biológicos: presença de cáries que podem alcançar a polpa. 2. NECROSE ASSÉPTICA: É causada pela atuação de agentes químicos ou físicos. o Químico: peroxido do clareamento. o Físico: trauma (cair do cavalo, causar uma intrusão), calor (fumo e calor da broca). Tratamento: necropulpectomia (remoção da polpa necrosada). Prognóstico: mesmo das lesões inflamatórias PATOLOGIA DO PERIAPICE: Introdução: Se desenvolve no perispírito, a partir de uma agressão, tem uma saída, que é no periápice. Primeira possibilidade: sempre vai ser o reparo. Dente com necrose de polpa, fazemos a radiografia. Anatomicamente a região ao redor dos ápices está absolutamente normal. Isso porque apesar da polpa estar necrosada, neste momento temos um equilíbrio entre agressão e resistência e não se desenvolve lesão. Mas isso pode mudar. Segunda possibilidade: Lesões grave são causadas por necrose de polpa: 1. Abcesso periapiapical: lesão de natureza aguda 2. Granuloma periapical: lesão de natureza crônica 3. Cisto radicular (também chamado de cisto periapical) - lesão de natureza crônica 4. Cisto residual o Na endodontia que define é o tipo de dor. o Na perio terá outras classificações, definidas para cada área. PERIODONTITE APICAL AGUDA (PERICEMENTITE) Conceito: Não está entre as lesões mencionadas anteriormente porque é a única dos grupos que pode ter como causa necrose de polpa ou pode se desenvolver por trauma em dentes vitais. Diagnostico clinico: percussão = apertamento, mais correlacionado ao ligamento periodontal. Dor aguda ao toque ou à percussão. Ligamento periodontal (o sistema de amortecimento do dente) que está inflamado. O paciente não consegue ocluir. Também é comum relatar a sensação de dente estruído (relato de dente alto), isso porque o ligamento periodontal está inflamado. Diagnóstico radiográfico: Radiografia periapical – mais indicado! Observa-se nesses casos que o espaço radiolúcido (quando RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER passa luz), (que normalmente tem de 1 a 2 mm e representa o ligamento periodontal) está ligeiramente alargado (processo inflamatório). O osso é ligeiramente reabsorvido e o espaço fica ligeiramente mais largo. Classificação de radiopacidez: Radiolúcido = escuro – tec fino – mole tecido Radiopaco = claro + mineralizado – tec duro Tratamento: É necessário eliminar o agente etiológico. Se a causa for necrose pulpar deve- se realizar a endodontia ou em última análise extrair o dente. Se a causa for trauma e o dente tiver vitalidade, deve-se eliminar o fator traumático. Qualquer tipo de força pode exacerbar a pericementite. Exemplos: Ex 1: Dor decorrente de tratamento ortodôntico é uma pericementite traumática, mas de um modo geral são de muitos dentes. Ocorre até que a força se estabilizar. Quando estabilizada, a resposta inflamatória involui. Ex2: Restauração alta, o paciente morde e faz contato prematuro, desenvolve-se assim um caso de pericementite. Pericementite traumática. Eliminando esse contato prematuro, que ao final de 1 ou 3 dias o quadro reverte. 1 . ABCESSO PERIAPIAL AGUDO Etiologia: necrose de polpa de um dente. Os abcessos são sempre de natureza aguda. Para formar um abcesso ocorre necrose por liquefação de neutrófilos (leucócito que predomina em processos agudos). Características radiográficas: O processo inflamatório induz a reabsorção do osso naquela região, apresentando radiograficamente uma imagem radiolúcida,mal definida ou pouco delimitada, porque o exsudato radiografado é líquido ou semissólido. Bordos não definidos. Clinicamente: Análise histológica é possível através da coleta do material por curetagem. No Conceito: Lesão inflamatória aguda. Ocorre uma necrose de polpa aguda. Caracteriza-se por uma coleção purulenta localizada no periápice de um dente. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER processamento, o exsudato é perdido. A imagem do abcesso periapical observada no microscópio apresenta as características gerais de abcesso, ou seja, uma coleção de células inflamatórias agudas que são predominantemente neutrófilos. Características histopatológicas: Um mar de leucócitos polimorfonucleares frequentemente misturados com exsudato inflamatório, resíduo celular, material necrótico, colônias bacterianas ou histiócitos. 1.2 ABCESSO FENIX: Conceito: É o abcesso periapical que se originou pela agudização ou exacerbação de uma lesão periapical crônica que pode ser granuloma periapical ou o cisto radicular. Quando tem duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Agudização = infiltrado crônico, quando é tônico, indolor, volta ao processo agudo. Estava em standby e resolveu voltar. O que determina que ele é sintomático = sinais evidentes, dor intensa. Os Abcessos periapicais podem ser classificados como sintomáticos e assintomáticos. o Sintomáticos: Abcesso periapical com sinais evidentes ou e/ou sintomas que são subjetivos. São esses os sintomas: Dor intensa no local do abcesso, dor à percussão do dente que tem necrose de polpa e causou o abscesso, sensação de dente estruído, tumefação (aumento de volume dos tecidos da região), formação de fistula e outros sintomas que acompanham quadros inflamatórios agudos como dor de cabeça, mal estar, febre e calafrio. o Assintomático: não tem sinal e nem sintomas, tende a perder o dente mais rápido. A cortical vai dar a informação de quando a inflamação é gruda ou crônica. Quando crônica a cortical vai ficar definida. Quando aguda a cortical não vai aparecer, fica tipo uma nuvem. Fístula = tem menor resistência do tecido é o trajeto que possibilita a essa coleção purulenta se drenada. É o canal anormal entre uma cavidade e a mucosa/pele. Parúlide = Bolinha amarela com a secreção. Abertura da fístula na gengiva. Em muitas situações quando se comprime essa abertura, o pus desloca. − pode ser decorrente de abcesso periapical que teve como causa a necrose de polpa ou; − pode se formar em função de um abcesso periodontal. Tratamento das duas lesões: É diferente se for um abcesso periodontal trata-se o periodonto ou se for uma lesão por necrose de polpa, trata-se o canal ou se faz uma extração. 2. GRANULOMA PERIAPICAL: Conceito: Lesão de natureza crônica. É a mesma situação, dente com polpa necrosada. Quando a resistência tecidual é boa, o organismo envolve a agressão numa tentativa de circunscrever e eliminar o fator agressor. Tecido inflamatório crônico, que é denominado tecido de granulação (linfócitos, plasmócitos, macrófagos e vasos sanguíneos de pequeno calibre). O granuloma periapical é então uma resposta defensiva no periápice aos estímulos que vem da polpa necrosada com acumulo de tecido RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER de granulação. Para ocupar a região o tecido de granulação também induziu a reabsorção óssea, restando somente tecido de granulação (que é o tecido mole). Se a causa é removida a tendencia é cicatrizar. Dessa forma, feito um tratamento endodôntico ou se extrair o dente, aos poucos o tecido de granulação vai sendo progressivamente substituído por tecido cicatricial e como é intraósseo, acaba recalcificando. No controle radiográfico de normalidade as vezes leva meses ou até um ano para se restabelecer. Preservar. Clinicamente: A maioria dos granulomas periapicais é assintomática, mas a dor e a sensibilidade podem se desenvolver se ocorrer exacerbação aguda. Tipicamente, o dente envolvido não demonstra mobilidade ou sensibilidade significante à percussão. Os dentes afetados revelam geralmente uma perda da lâmina dura apical. Características radiográficas: A maioria das lesões é descoberta no exame radiográfico de rotina. As radiolucências associadas variam de pequenas lesões pouco perceptíveis a lucências que ultrapassam 2 cm de diâmetro. A lesão pode ser circunscrita ou mal definida, podendo ou não demonstrar uma borda radiopaca circundante. Características histopatológicas: Tecido conjuntivo denso exibindo uma resposta crônica com infiltrado inflamatório predominantemente de linfócitos (asterisco amarelo) e plasmócitos (asterisco verde), vasos de neoformação (setas amarelas) e fibras colágenas. _____________________________________________ 3. CISTO RADICULAR / CISTO PERIAPICAL Conceito: Lesão de natureza crônica. Os Restos Epiteliais de Mallassez formam uma massa epitelial maior no meio do tecido de granulação e muitas vezes quando isso acontece, as células mais internas dessa massa ficam distantes da fonte de nutrição e podem sofrer necrose isquêmica (por falta de sangue). Quando isso acontece, passamos a ter no periápice do dente uma cavidade que não é anatômica, mas sim patológica e revestida por epitélio (células dos restos epiteliais de Mallassez que não morreram) e em volta o tecido de granulação. Neste momento, deixamos de ter o granuloma periapical e passamos a ter o cisto periapical. Clinicamente: Não se tem sintomas, a menos que haja uma exacerbação inflamatória Figura 1 . Radiolucências periapicais discretas associadas aos ápices do primeiro molar mandibular RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER aguda. Além disso, se o cisto chegar a um tamanho grande, pode ser observado inchaço e sensibilidade. O movimento e a mobilidade dos dentes adjacentes são possíveis. Não responde ao teste pulpar térmico e elétrico. Características radiográficas: Radiografia é idêntica ao do granuloma periapical. Podem se desenvolver até mesmo em pequenas radiolucências periapicais. Uma perda da lâmina dura é observada ao longo da raiz e uma radiolucidez arredondada cerca o ápice dentário afetado. A reabsorção radicular é comum. Com a dilatação, a radiolucidez nivela enquanto se aproxima dos dentes adjacentes. Características histopatológicas: Cavidade virtual revestida por epitélio estratificado pavimentoso não ceratinizado (exibindo projeções em arco) e circundada por cápsula fibrosa contendo infiltrado inflamatório linfoplasmocitário, macrófagos e cristais de colesterol. Tratamento: Biopsia excisional. o Cisto residual: é quando após a extração de um dente com cisto apical ou granuloma periapical, o cisto permanece. Quando um cisto não é retirado no momento da extração. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER CISTOS ODONTOGÊNICOS: ETIOPATOGENIA: Derivados do epitélio odontogênico DIAGNOSTICO: aspectos clínicos, radiográficos e histopatológicos. CLASSIFICAÇÃO: Desenvolvimento: o Cisto dentígero; o Cisto de erupção; o Ceratocisto odontogênico; o Cisto odontogênico ortoceratinizado; o Cisto gengival do adulto; o Cisto periodontal lateral; o Cisto odontogênico calcificante. Inflamatório: o Cisto periapical radicular; o Cisto periapical residual. CISTO DENTÍGERO: Origem: pela separação do folículo pericoronário da coroa de um dente incluso. É o cisto odontogênico de desenvolvimento comum, impede de erupcionar. Uma lesão indolorque gera a expansão dos maxilares. Frequentemente, envolvem: 3º molares inferiores, 3º molares superiores, caninos superiores e 2º pré-molar inferior. Geralmente, em pacientes entre 10 e 30 anos de idade, com ligeira predileção por homens. Aspectos radiográficas: Imagem radiolúscida em torno dos dentes. Dente retido. Aspectos microscópicos: Uma cavidade virtual revestida por tecido epitelial de origem odontogênica, composto por células achatadas, geralmente uma, duas ou mais camadas de células, circundados por uma cápsula fibrosa. Não encontra infiltrado inflamatório. CERATOCISTO ODONTOGÊNICO: Conceito: Cisto de desenvolvimento que apresenta características clínicas e histológicas distintas dos demais cistos odontogênicos. Tem alta taxa de recidiva. Origem: remanescentes de lâmina dentária. • 60% dos casos são diagnosticados entre os 10 e 40 anos; • Apresentam leve predileção pelo sexo masculino; Tratamento: Remoção cirúrgica. Características clínicas: crescimento anteroposterior, não causa expansão dos maxilares. Podem existir múltiplos cistos. Descrição microscópica: Cavidade revestida por epitélio estratificado pavimentoso paraceratinizado geralmente com cinco a oito camadas de células de espessura. A superfície RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER do epitélio mostra-se corrugada com células achatadas. Por vezes, lâminas de ceratina podem estar sendo destacadas para o interior da cavidade. A camada basal epitelial é composta por células dispostas em paliçada, na maior parte da lâmina de aspecto colunar com núcleos hipercromáticos. A interface entre o epitélio e o tecido conjuntivo é plana. A cápsula fibrosa é delgada com alguns focos de hemorragia. Fraca adesão entre epitélio e conjuntivo (epitélio descola do tecido conjuntivo). Características radiográficas: Mais de uma lesão podem ser uma síndrome de Gorlin. Síndrome de Gorlin ou síndrome do carcinoma nevoide basocelular: é uma condição autossômica dominante que exibe alta penetrância e expressividade variável. É causada por mutações do gene patched. Sua maior característica é o desenvolvimento do ceratocisto, o que conduz a um diagnóstico precoce. CISTOS DE ERUPÇÃO: Conceito: Em criança, mais comum nos ICS e 1MP. Histopatologicamente: a cavidade cística é revestida por epitélio estratificado não-ceratinizado fino pode ser observada abaixo da mucosa de superfície. Características clínicas: é um aumento de volume bem delimitado, em formato de cúpula, localizado sobre o dente em erupção. Sua coloração varia entre translúcida à azularroxeada, sendo a última associada ao acúmulo de sangue no fluido cístico ou em sua cápsula. Características radiográficas: O exame radiográfico revela uma área radiotransparente associada de algum modo à coroa de um dente em erupção (SHAFER, 1985). CISTO GENGIVAL DO ADULTO: Conceito: É uma lesão incomum. Considerada contraparte dos tecidos moles do cisto periodontal lateral. Tem predileção por caninos e PM inferiores. Pacientes na 5ª e 6ª década de vida. Origem: Na mucosa alveolar ou gengival vestibulares. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Aspectos clínicos: aparecem como um nódulo indolor, em forma de cúpula, menor de 0,5 cm de diâmetro podendo ter tamanho maior. São de cor azulada ou cinza-azulada. Aspectos histológicos: são similares àquelas do cisto periodontal lateral, consistindo em um revestimento epitelial delgado e achatado, com ou sem placas focais que contêm células claras. Pequenos ninhos de células claras ricas em glicogênio, que representam restos de lâmina dentária, também podem ser observados no tecido conjuntivo circunjacente. Algumas vezes, o revestimento cístico é tão fino que é facilmente confundido com o revestimento endotelial de vasos sanguíneos dilatados. Tratamento: excisão cirúrgica. CISTO PERIODONTAL LATERAL Conceito: Cisto odontogênico que ocorre ao longo da superfície lateral da raiz de um dente. É uma lesão assintomática, detectada através de exames radiográficos de rotina. Frequentemente, em pacientes entre a 5ª e 7ª década de vida. Aspectos radiográficos: observa-se áreas radiotransparente bem circunscrita, localizada lateralmente à raiz ou raízes de um dente com vitalidade. A maioria, tem menos de 1cm de diâmetro. As lesões maiores podem causar divergência das raízes. Aspectos histopatológicos: o cisto periodontal lateral tem uma cápsula fibrosa fina, geralmente não-inflamada, revestida por epitélio com espessura de apenas uma a três células achatadas ou cuboides. Em alguns casos, é possível identificar espaçamento nodulares do limitante epitelial. CISTO ODONTOGÊNICO ORTOCERATINIZADO: Conceito: Os cistos odontogênicos ortoceratinizado constituem de 7 a 17% de todos os cistos ceratinizados dos maxilares. Tem predileção por adultos jovens e homens do que mulheres (2:1). Frequentemente, em mandíbula, do que maxila (3:1). Aspectos histológicos: o revestimento é de epitélio estratificado pavimentoso com superfície ortoceratinizada, de espessura variável. Não tem os núcleos. Super tranquilo de tratar. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Características clínicas: o tamanho pode variar de menos de 1cm até lesões extensas maiores de 7cm. Características radiográficas: geralmente surge como uma radiolucidez unilocular, porém pode se apresentar CISTO ODONTOGÊNICO CALCIFICANTE: Conceito: Lesão incomum, com comportamento clínico variável. Predominantemente intraósseo, afetando igualmente maxila e mandíbula. A média de idade de pacientes afetados é de 33 anos. 1/3 dos casos está associado a um dente incluso. Aspectos radiográficos: geralmente, apresenta-se como uma lesão radiolúscida unilocular, bem delimitada. Em até metade dos casos, é possível identificar estruturas radiopacas. Histopatologia: o limitante epitelial apresenta células semelhantes aos ameloblastos. Grandes células-fantasmas eosinófilas estão presentes no interior do revestimento. TUMORES ODONTOGÊNICOS Conceito: Grupo complexo de neoplasias de diversos tipos histológicos e comportamentos clínicos e assim como a odontogênese, demostram variadas interações indutoras entre o epitélio odontogênico e o ectomesênquima odontogênico. Folículo pericoronário: é o que envolve o dente incluso, se coloca um alerta nas extrações de siso incluso, pois no ligamento multilocular. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER periodontal há os restos epiteliais de Mallassez, onde pode-se converter a um cisto ou ainda um tumor odontogênico, no folículo. Classificação: (OMS 2017) 1. TUMORES ODONTOGÊNICOS EPITELIAIS: o Ameloblastoma o Tumor Odontogênico Escamoso o Tumor Odont. Epitelial Calcificante (Tumor de Pindborg) o Tumor Odont. Adenomatóide 2. TUMORES ODONTOGÊNICOS MESENQUIMAIS: o Fibroma Odontogênico o Mixoma Odontogênico o Cementoblastoma o Fibroma Cemento-ossificante 3. TUMORES ODONTOGÊNICOS MISTOS: o Fibroma ameloblástico o Tumor Odontogênico Primordial o Odontoma (composto e complexo) o Tumor Dentinogênico de Células Fantasmas AMELOBLASTOMA: Conceito: Os ameloblastomas são tumores benignos que se originam do epitélio odontogênico. Tumor odontogênico de maior significado clínico. Tem crescimento lento, localmente invasivo, indolor. Podem apresentar 3 manifestações clínicas: o Convencional; o Unicístico; o Periférico. Aspecto Radiográfico: Lesão radiolúcida multilocular.Muitas vezes lembram “bolhas de sabão” ou “favos de mel”. AMELOBLASTOMA FOLICULAR Aspectos histopatológicos: É o mais comum. Ilhas de epitélio lembram o epitélio órgão do esmalte em um estroma de tecido conjuntivo fibroso maduro. As ilhas de epitélio apresentam as células centrais lembrando o órgão do esmalte e as células na periferia lembrando os ameloblastos. Podem apresentar formações císticas no interior das ilhas. Múltiplas ilhas de epitélio odontogênico exibindo diferenciação colunar periférica com polarização invertida. As zonas centrais lembram o retículo estrelado do esmalte e exibem focos de degeneração cística. AMELOBLASTOMA PLEXIFORME Aspectos histopatológicos: Longos cordões ou placas de epitélio odontogênico anastomosados. Esses cordões ou placas são circundados por células colunares ou cúbicas semelhantes a ameloblastos, no centro, lembra o retículo estrelado do órgão do esmalte. Estroma vascular e arranjado frouxamente. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Cordões anastomosados de epitélio odontogênico. AMELOBLASTOMA ACANTOMATOSO Aspectos histopatológicos: Quando uma metaplasia escamosa está associada com a formação de ceratina nas porções centrais das ilhas epiteliais de um ameloblastoma folicular. Ilhas de ameloblastoma exibindo diferenciação pavimentosa central. AMELOBLASTOMA UNICÍSTICO Ameloblastomas unicísticos são encontrados na mandíbula, usualmente nas regiões posteriores. Aspectos histopatológicos: Existem 3 variações: o Luminal: o tumor está confinado à superfície luminal do cisto. o Intraluminal: um ou mais nódulos de ameloblastoma projetam-se do limite cístico para luz do cisto. o Plexiforme: quando o nódulo do tumor que se projeta para luz apresenta um padrão plexiforme. Ameloblastoma Unicístico (Tipo Luminal). O cisto é revestido por epitélio ameloblástico que exibe uma camada basal hipercromática e polarizada. As células epiteliais sobrejacentes estão frouxamente conectadas e lembram o retículo estrelado. Ameloblastoma Unicístico (Tipo Intraluminal Plexiforme). Fotomicrografia do aumento de volume intraluminal que surge de sua parede cística. O detalhe mostra o aumento de volume intraluminal em maior aumento. MIXOMA ODONTOGÊNICO Conceito: é uma lesão mesenquimal benigna que mimetiza microscopicamente a polpa dentária ou o tecido conjuntivo folicular. É um tumor odontogênico relativamente comum, representando 1 a 17% de todos os tipos de tumor. Essa neoplasia benigna é infiltrativa e pode recorrer após tratamento inadequado. Características clínicas: Comum dos 25 a 30 anos, não há predileção por sexo. Em qualquer parte da mandíbula e maxila. Origem: ectomesênquima odontogênico. RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER Aspectos histopatológicos: É constituído de células redondas e fusiformes com arranjo estrelado, dispostas em um abundante estroma mixóide frouxo, que contém apenas umas poucas fibrilas colágenas. FIBROMA AMELOBLÁSTICO: Conceito: Ocorre em crianças e adolescentes. Composto de epitélio neoplásico e tecido conjuntivo mixomatoso neoplásico. Frequentemente associado a um dente impactado. Tratamento: por curetagem ou excisão Prognóstico: excelente, raramente recidiva. Aspectos radiográficos: lesão bem circunscrita e cercada por margem esclerótica. Podem ser uniloculares ou multiloculares e podem estar associada a coroa de um dente impactado. Aspectos histopatológicos: Tecido conjuntivo mixóide de aspecto primitivo, semelhante a polpa dentária e faixas ou fileiras de epitélio odontogênico com duas camadas de células. Cordões de células epiteliais odontogênicas (setas pretas). Ilhas de células epiteliais odontogênicas (setas brancas). Centro das ilhas lembrando retículo estrelado (asterisco). Células periféricas colunares altas em paliçadas (setas amarelas). Tecido conjuntivo rico em células com núcleo volumoso e poucas fibras colágenas (estrela). ODONTOMAS Conceito: Os odontomas são tumores odontogênicos mistos, já que são compostos de tecido dentário mineralizado tanto de RESUMO PATO BUCAL PAOLA SCHNEIDER origem epitelial quanto de origem mesenquimal. Esses tecidos completamente diferenciados são uma mistura de esmalte e dentina. Biologicamente, os odontomas podem ser considerados como hamartomas, em vez de neoplasias. São os tumores odontogênicos mais comuns. Essas lesões calcificadas podem assumir duas classificações. o Odontomas compostos: podem surgir como numerosos dentes rudimentares ou em miniatura. o Odontomas complexos: podem se apresentar como conglomerações amorfas de tecido mineralizado. Características Clínicas: São lesões de crianças e adultos jovens que a maioria é descoberta na segunda década de vida. A variação de idade, pode alcançar até fases mais tardias da idade adulta. A maxila é afetada um pouco mais frequentemente do que a mandíbula. Os odontomas compostos ocorrem na região anterior dos ossos maxilares, enquanto que os odontomas complexos ocorrem na região posterior. Não há predileção por gênero. Os sinais clínicos sugestivos de um odontoma são um dente decíduo retido ou impactado e tumefação do rebordo alveolar. Não produzem sintomas. Tratamento e Prognóstico: Os odontomas são tratados por excisão local simples e o prognóstico é excelente. ODONTOMA COMPOSTO Aspectos radiográficos: Coleção de estruturas semelhantes ao dente, de forma e tamanhos variados, circundados por uma pequena zona radiotransparente. Aspectos histopatológicos: Apresenta várias formações que lembram pequenos dentes unirradiculares no interior de uma matriz fibrosa frouxa. ODONTOMA COMPLEXO Aspectos radiográficos: Massa calcificada com radiodensidade de estrutura dentária, envolvida por estreita margem Radiotransparente. Aspectos histopatológicos: Constituídos de grande quantidade de dentina tubular madura, a qual circunda fendas ou cavidades circulares que continham esmalte maduro, removido durante a descalcificação.