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30 Ascite Rodrigo Antonio Brandão Neto Hassan Rahhal Fernando Salvetti Valente PONTOS IMPORTANTES Ascite é definida como acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal. Todos os pacientes com ascite no exame físico sem diagnóstico etiológico devem ser submetidos à paracentese diagnóstica. Os exames diagnósticos séricos e do líquido ascítico devem ser solicitados de acordo com as hipóteses diagnosticas, embora contagem de células no líquido ascítico com diferencial, cultura e concentração de albumina sempre devam ser solicitados. Um dos passos mais importantes na avaliação de uma ascite é a realização do gradiente de albumina soro-ascite (GASA). As etiologias da ascite podem ser divididas em relacionadas à hipertensão portal (GASA aumentado) e em não relacionadas à hipertensão portal (GASA diminuído). As causas de ascite devem ser investigadas em uma sequência objetiva e custo-efetiva. Pacientes cirróticos com novos sintomas sistêmicos ou abdominais devem ser avaliados para a hipótese diagnóstica de peritonite bacteriana espontânea (PBE). O tratamento da ascite depende da etiologia e em cirróticos inclui diuréticos e paracentese, que podem ser necessários em pacientes com ascite refratária. INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES Ascite é definida como acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal. A origem do termo vem do grego askites, que significa saco ou bolsa. Pode ocorrer por múltiplas causas, incluindo neoplasia maligna; no entanto, a relação entre cirrose e ascite é extremamente importante. Cirrose Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar hepática é responsável por 85% das ascites, e ascite está presente em 30% dos pacientes cirróticos no diagnóstico, ocorrendo em 58% dos restantes nos próximos 10 anos ou 5 a 10% de incidência ao ano. A presença de ascite em pacientes cirróticos é associada com mortalidade de 15% em 1 ano e 44% em 5 anos. O diagnóstico de ascite tem sido complicado recentemente pela epidemia de obesidade no mundo, e a sensibilidade do exame físico para detecção de ascite é relativamente baixa, variando entre 50 e 94%, com especificidade de 30 a 80%. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA A cirrose hepática, como já pontuado, é a principal causa de ascite. Outras causas de ascite são resumidas na Tabela 1. ▷ TABELA 1 Principais causas de ascite Etiologia Frequência Cirrose hepática 81-85% Neoplasias malignas 10% Insuficiência cardíaca 3-5% Tuberculose 1,6-5% Diálise 1% Doença pancreática 1% Outras causas 2% O aparecimento de ascite no paciente cirrótico é o evento final de uma série de alterações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas. A presença de hipertensão portal é uma condição essencial para aparecimento da ascite. Pressão portal maior do que 12 mmHg é necessária para que ocorra retenção de líquido, e a reversão da hipertensão portal pode levar ao desaparecimento da ascite. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar A partir do aparecimento da hipertensão portal, mudanças importantes na circulação esplâncnica ocorrem, como a abertura de colaterais portossistêmicos que servem de shunts nessa circulação. Além disso, ocorre aumento da circulação de mediadores inflamatórios e produtos de origem bacteriana. Essas alterações são secundárias a um supercrescimento bacteriano intraluminal, aumento da permeabilidade capilar e translocação bacteriana. A presença de shunts portossistêmicos, associada à diminuição da capacidade hepática de metabolização desses mediadores, leva a um processo de vasodilatação esplâncnica, e ocorre o que chamamos de circulação hiperdinâmica do paciente cirrótico, com aumento de débito cardíaco, diminuição da resistência vascular periférica e da pressão arterial. Haverá, então, diminuição do volume circulante efetivo com consequente ativação de barorreceptores e sistemas vasoativos, com aumento da produção de norepinefrina, endotelina, prostaglandinas, vasoconstritores e ativação do sistema renina-angiotensina e produção de ADH, que diminuirão a perfusão renal, causarão retenção líquida e aparecimento da síndrome hepatorrenal e ascite. Classicamente duas teorias foram criadas para explicar o aparecimento da ascite nesses pacientes, underfilling e overflow. Na teoria do underfilling, a pressão portal aumentada levaria ao extravasamento de fluido, e a hipovolemia resultante levaria a ativação do sistema renina- angiotensina-aldosterona, responsável por retenção de sódio e água, aumento do volume plasmático e da pressão portal. A teoria do overflow propõe que o evento primário seja a retenção de sódio e água, expansão plasmática e aumento da pressão portal com extravasamento líquido. As duas teorias parecem contribuir para o aparecimento da cirrose em diferentes momentos, mas o mecanismo fisiopatológico mais aceito é a combinação de ambas associadas à vasodilatação generalizada que ocorre nesses pacientes. Há evidências mais recentes de que o volume circulante efetivo nesses pacientes se encontra diminuído, e há ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Além disso, em estágios mais avançados, o aumento da secreção do hormônio antidiurético parece apresentar papel preponderante para o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Novas Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar teorias para o aparecimento da cirrose precisaram, necessariamente, incluir esses fatores. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A principal queixa do paciente geralmente está relacionada ao aumento do volume abdominal. A abordagem inicial é descartar outras causas para o sintoma, principalmente distensão gasosa das alças intestinais ou massas intra- abdominais. A epidemia mundial de obesidade cria uma dificuldade diagnóstica nesses pacientes, com o panículo adiposo sendo ocasionalmente confundido com ascite. A distensão abdominal causada pela ascite é na maioria das vezes indolor, exceto em caso de inflamação associada ou grande volume de ascite. Podem ocorrer desconforto respiratório e dispneia por compressão pulmonar pelo líquido ascítico. Saciedade precoce também é um dos sintomas relatados. Os pacientes podem ter edema periférico e, caso apresentem peritonite bacteriana espontânea (PBE), podem ocorrer febre ou confusão mental. O exame físico é parte essencial no diagnóstico, com a capacidade de detectar volumes a partir de 1.500 mL coletados na cavidade. A manobra mais sensível para essa detecção é a macicez móvel. Em pacientes sem macicez móvel e com distensão abdominal, a chance de ascite estar presente é de apenas 10%. A sensibilidade do exame físico e a sua especificidade variam de 50 a 94% e 29 a 82% respectivamente. O diagnóstico pode ser realizado em ascites de menor volume com a ultrassonografia, que pode detectar a partir de 100 mL de volume. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ FIGURA 1 Fisiopatologia da ascite em pacientes cirróticos. Uma vez definido que o paciente apresenta ascite, deve-se pensar no diagnóstico diferencial daspossíveis etiologias, com diferentes achados em diferentes patologias. Assim, vale pesquisar: Fatores de risco para doença hepática, que incluem: consumo de álcool (risco aumentado de cirrose com consumo de álcool > 80 g/dia em homens e 20 g/dia em mulheres em 10 anos) ou situações de risco aumentado de contaminação por vírus da hepatite (uso de drogas injetáveis, práticas sexuais de risco etc.). Avaliar antecedente de tuberculose, realização de diálise, doenças associadas como lúpus eritematoso sistêmico (LES) e esclerodermia, que podem estar associadas a hepatite autoimune ou cirrose biliar primária, insuficiência cardíaca, neoplasias, doença pancreática, obesidade, diabetes, doenças sexuais transmissíveis. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Exame físico: deve-se procurar achados sugestivos de doença cardíaca como estase jugular, edema periférico e B3; estigmas de doença hepática como telangectasias e hipertrofia de parótidas; achados sugestivos de doença neoplásica como nódulos supraclaviculares (alto risco de neoplasia), abdome escavado, nódulos em parede abdominal ou nódulo periumbilical (nódulo sister Mary-Joseph) também são importantes. A ascite pode ainda ser graduada conforme seu tamanho: Grau 1: ascite pequena, detectada apenas por exame de imagem. Grau 2: ascite moderada, com distensão discreta do abdome. Grau 3: grande ascite com importante distensão abdominal. EXAMES COMPLEMENTARES Os exames complementares servem para confirmar a presença de ascite. Exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome detectam ascite em quantidades menores do que 100 mL, que seriam impossíveis de se detectar pelo exame físico. Ultrassonografia pode ainda auxiliar a paracentese. O exame fundamental para o diagnóstico de ascite é a paracentese diagnóstica com envio do líquido para análise clínica. A paracentese deve ser realizada com todos os cuidados assépticos e paramentação adequada. A punção do líquido ascítico é realizada através de punção na linha média ou na fossa ilíaca esquerda (no 1/3 distal da linha que liga o umbigo à crista ilíaca anterossuperior). Quando a punção é realizada acima da linha média, é necessário esvaziar a bexiga antes da realização do procedimento. É necessário ainda evitar a punção próxima a cicatrizes cirúrgicas abdominais para se evitar perfuração de alças intestinais aderidas à cicatriz. A presença de coagulopatia não é contraindicação ao procedimento, embora coagulação intravascular disseminada (CIVD) e fibrinólise sejam contraindicações relativas. Não é necessária a realização de transfusão de plasma fresco congelado (PFC) antes do procedimento e uma análise de custo observou que é necessária a transfusão de 50 a 100 unidades de PFC para prevenir a Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar transfusão de uma única unidade de concentrado de hemácias. Hematoma de parede abdominal ocorre em cerca de 1% dos pacientes, e complicações mais graves como hemoperitônio ou perfuração de parede intestinal ocorrem somente em cerca de 0,1%, mesmo em pacientes com importantes alterações no coagulograma. Em particular, em pacientes com peritonite bacteriana espontânea (PBE), um atraso na realização da paracentese implica um aumento da mortalidade de até 3,3% por hora. Contraindicações à paracentese são: Paciente não cooperativo. Infecção de parede abdominal. Gestação. Coagulopatia grave (CIVD e aumento da fibrinólise). Distensão grave de alças intestinais. A punção do líquido ascítico tem indicação formal em todos os pacientes com ascite de etiologia indefinida. Outras indicações estabelecidas pela literatura incluem: Na admissão hospitalar. Condições clínicas suspeitas de infecção, dor abdominal ou febre. Encefalopatia hepática. Anormalidades laboratoriais que sugerem infecção. Deterioração da função renal. Sangramento gastrointestinal (descartar PBE). A análise do líquido ascítico deve verificar a concentração de albumina. Em 1991 foi demonstrado por Runyon et al. que o gradiente de albumina soro-ascite (GASA), que representa diferença entre a concentração de albumina sérica e do líquido ascítico, conseguia definir com acurácia de 97% das ascites causadas por hipertensão portal. O GASA pode ser interpretado da seguinte maneira: GASA = albumina sérica – albumina do líquido ascítico. GASA > 1,1 g/dL = hipertensão portal. GASA < 1,1 g/dL = ausência de hipertensão portal. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar As ascites podem, portanto, ser divididas conforme o resultado do GASA como verificado na Tabela 2. ▷ TABELA 2 Principais causas de ascite conforme GASA Ascite com GASA aumentado Ascite com GASA diminuído Cirrose Carcinomatose peritoneal Hepatite alcoólica Tuberculose peritoneal Cirrose cardíaca Ascite pancreática Ascites mistas Obstrução ou infarto intestinal Metástases hepáticas maciças Ascite biliar Insuficiência hepática fulminante Síndrome nefrótica Budd-Chiari Vazamento linfático pós- operatório Trombose de veia porta Serosite em doenças inflamatóriasMixedema Síndrome de obstrução sinusoidal Figado esteatótico da gravidez Em pacientes com ascite mista, com componentes tanto de hipertensão portal como de exsudativo, o GASA costuma corresponder à hipertensão portal; exceto em pacientes com albumina sérica < 1,5-2,0 g/dL, em que pode ocorrer falso-negativo para hipertensão portal. A contagem de proteínas totais do líquido ascítico também pode ser mensurada. É muito importante a contagem total de células e seu diferencial, pois contagens acima de 250 células polimorfonucleares são diagnósticas de PBE. O líquido ascítico também deve ser submetido a realização de cultura, idealmente em frascos de hemocultura. Esse procedimento aumenta a taxa de detecção de crescimento bacteriano para 80%. Em nossa experiência institucional, mesmo com o uso rotineiro de frascos de hemocultura, 40% das ascites neutrocíticas apresentam cultura negativa. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Outros testes que podem ser utilizados em pacientes com ascite com GASA aumentado incluem LDH, glicose e fosfatase alcalina, e podem ajudar inclusive na diferenciação entre peritonite bacteriana espontânea e peritonite secundária (vide Capítulo “Peritonite bacteriana espontânea”). Os exames do líquido ascítico também podem avaliar outras etiologias de ascite com GASA diminuído: Amilase:pode ser útil, quando a relação da amilase do líquido ascítico sobre o sérico > 0,4 ou > 6, que sugerem, respectivamente, perfuração intestinal com peritonite secundária e ascite pancreática. Bilirrubina: aumento da bilirrubina no líquido ascítico sugere perfuração biliar. Adenosina deaminase: valores > 40 U/L sugerem o diagnóstico de tuberculose com sensibilidade próxima a 100% (especificidade de 92%); em pacientes com cirrose, a sensibilidade cai para aproximadamente 60%. Outros exames úteis na tuberculose peritoneal incluem: – Pesquisa de micobactérias: sensibilidade de 0-2%. – Cultura: cultura de 1 L do líquido tem sensibilidade de 62-83%. – Laparoscopia: sensibilidade próxima de 100%. A citologia oncótica é outro exame importante e será positiva em quase 100% dos casos de carcinomatose peritoneal. Entretanto, um terço dos casos de ascite por câncer não terá carcinomatose, e nestes a citologia é quase sempre negativa. Dessa forma, a sensibilidade global da citologia para ascite por neoplasia maligna será de 58 a 75%. A laparoscopia com biópsia é o método de escolha para diagnóstico de tuberculose peritoneal e carcinomatose peritoneal com sensibilidade próxima de 100%. Além dos exames do líquido ascítico, a coleta de hemograma completo, função renal, função hepática, INR, proteínas totais e frações é indicada. Os principais exames indicados na investigação da ascite são resumidos na Tabela 3. ▷ TABELA 3 Principais exames complementares em pacientes com ascite no departamento de emergência Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ TABELA 3 Principais exames complementares em pacientes com ascite no departamento de emergência Exames aplicados a todos os pacientes Albumina no líquido ascítico Contagem total de células com diferencial Exames conforme suspeita clínica Proteínas totais e frações no líquido ascítico (LA) Cultura do LA Glicose no LA DHL no LA Triglicérides no LA Amilase no LA Bilirrubinas no LA Citologia oncológica no LA Fosfatase alcalina no LA CEA no LA DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL O diagnóstico diferencial da ascite envolve um diverso grupo de patologias, que podem ser diferenciadas, como já comentado, pelo GASA. Iremos comentar algumas das condições que podem cursar com ascite além da cirrose hepática. Tuberculose peritoneal A tuberculose peritoneal (TP) pode ocorrer por diversos mecanismos, incluindo disseminação hematogênica de bacilos de um sítio pulmonar primário ou por ruptura de focos na cavidade peritoneal, resultando na formação de focos de necrose caseosa limitados por fibrose em locais que aderem às alças intestinais. Pode ainda ocorrer por lesões em órgãos adjacentes, como intestino ou tubas uterinas e finalmente por contaminação Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar direta do peritônio em pacientes com insuficiência renal crônica em diálise peritoneal. A TP pode cursar com dor abdominal e febre, e o líquido ascítico tem em geral de 500 a 2.000 céls./mm3 com predomínio linfocítico. As manifestações clínicas e laboratoriais esperadas na TP são resumidas na Tabela 4. A doença tem um curso subagudo, e cerca de 70% dos pacientes apresentam os sintomas por mais de 4 meses antes do diagnóstico ser realizado. A ascite é o sinal clínico mais comum, ocorrendo em 93% dos pacientes, dor abdominal ocorre em 73% dos casos e febre ocorre em 58%. Outros sintomas incluem sudorese noturna e distensão abdominal, que ocorrem em pouco menos da metade dos casos. Diarreia também é descrita em até 40% dos pacientes. Outros achados incluem hepatomegalia e esplenomegalia. O GASA na tuberculose é quase sempre < 1,1, exceto em pacientes com hipertensão portal associada. O diagnóstico microscópico por BAAR, devido à natureza paucibacilar da TP, tem sensibilidade inferior a 10%. O isolamento do bacilo na cultura do líquido ascítico tem uma sensibilidade maior, mas requer um mínimo de 10 a 50 mL de ascite, com amostra ultracentrifugada e, em seguida, cultivada em meio Lowenstein- Jensen. Esse método tem sensibilidade de cerca de 35%. A cultura demora de 15 a 45 dias para ter resultado mesmo com uso de sistemas como o BACTEC. O aumento da adenosina deaminase (ADA) em valores > 40 U/L tem sensibilidade de 96 a 100%, especificidade de 98%, valor preditivo positivo de 95% e valor preditivo negativo de 97 a 98% para o diagnóstico de TP. A reação de amplificação de genes por PCR é um teste rápido para isolar o bacilo entre 24 a 48 horas, mas é pouco utilizada na prática clínica. ▷ TABELA 4 Achados mais frequentes da tuberculose peritoneal Achado clínico Frequência Ascite 35-100% (na maioria dos estudos, ascite em mais de 90% dos casos. A ascite é ausente na fase fibroadesiva da doença) Dor abdominal 49-84% Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ TABELA 4 Achados mais frequentes da tuberculose peritoneal Achado clínico Frequência Febre 50-90% Distensão abdominal 52-73% Perda de peso 40-90% Diarreia Até 30% Constipação 7-30% Astenia e anorexia > 80% Anemia 50-80% Cicatriz TB radiográfica 33% Defesa abdominal 31% Massa abdominal à palpação 12% Hepatomegalia 2-8% Esplenomegalia 2-4,5% As biópsias cirúrgicas ou laparoscópicas permanecem sendo o meio mais efetivo para confirmar o diagnóstico de TP. Essas biópsias são realizadas por laparotomia ou idealmente por laparoscopia. As taxas de sensibilidade e especificidade são de 93 e 98%, respectivamente. Peritonite associada a diálise peritoneal A peritonite associada a diálise peritoneal ainda é uma entidade relativamente comum; ocorre em até 45% dos pacientes nos primeiros 6 meses do início da terapia, e pode ocorrer durante as trocas de banhos de diálise ou por infecções cutâneas associadas. Em geral, é associada a microrganismos Gram-positivos, mas a porcentagem de agentes Gram-negativos tem aumentado. Os pacientes geralmente apresentam quadro de dor abdominal ou febre. Os achados clínicos esperados são resumidos na Tabela 5. A Tabela 6 Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar resume os germes mais frequentes associados à ascite relacionados à diálise peritoneal. O diagnóstico é realizado quando a contagem de leucócitos for > 100 céls./mm3 com mais de 50% de neutrófilos (em 85% dos casos > 500 neutrófilos/mm3) ou pesquisa direta de Gram ou cultura positivas. Recentemente tem sido descrita ascite associada a hemodiálise, que parece ocorrer por sobrecarga de volume e alterações de balanço hídrico durante a diálise. O prognóstico desses pacientes é ruim e o manejo é com diuréticos, semelhante ao caso de pacientes com ascite por cirrose. ▷ TABELA 5 Achados clínicos na peritonite por diálise peritoneal Achado clínico Frequência Dor abdominal 60-90% Febre 25-53% Náuseas e vômitos 30-50% Diarreia 10% Dialisado turvo 84-95% Hipotensão 18% ▷ TABELA 6 Microbiologia da peritonite associada a diálise peritoneal Microrganismos Frequência Otávio Barcelos Destacar Otávio BarcelosDestacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ TABELA 6 Microbiologia da peritonite associada a diálise peritoneal Gram-positivos: Staphylococcus epidermidis Staphylococcus aureus Streptococcus sp. Gram-negativos E. coli Klebsiella Pseudomonas sp. Enterobater sp. Outros Gram-negativos Cultura negativa Polimicrobiana Fungos Outros microrganismos 60-75% 30-40% 15-20% 5-15% 15-30% 5-10% 5% 5% 5% 5% 5-10% 5% < 2% 5-10% Ascite associada a malignidade A ascite neoplásica pode ocorrer por múltiplos mecanismos. Entre eles, podemos citar: Carcinomatose peritoneal: 53%. Metástases hepáticas com hipertensão portal: 13%. Metástases hepáticas com carcinomatose: 13%. Carcinoma hepatocelular e cirrose: 13%. Ascite quilosa: 7%. Budd-Chiari secundário a oclusão por malignidade: raro. As ascites neoplásicas geralmente têm > 500 céls./mm3 com predomínio de células linfomononucleares e o seu principal diagnóstico diferencial é a tuberculose peritoneal. Cerca de 95% dos pacientes apresentam GASA ≥ 1,1 e conteúdo de proteínas totais do líquido ascítico > 2,5 g/dL. A glicemia sérica e do líquido ascítico tem resultados semelhantes, mas o LDH do líquido ascítico é geralmente maior que o sérico. O diagnóstico pode ser realizado pela citologia do líquido ascítico, que tem sensibilidade de 60 a Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar 75%, mas o diagnóstico definitivo é realizado pela laparoscopia com biópsia com sensibilidade próxima a 100%. Ascite quilosa A ascite quilosa é relativamente rara, sendo definida por concentrações de triglicérides > 200 mg/dL. Pode ocorrer por obstrução dos ductos linfáticos secundários a doença maligna, exsudação de linfa de vasos retroperitoneais através de fístula ou obstrução do ducto torácico por trauma com fístula linfoperitoneal. As etiologias da ascite quilosa incluem: Cirrose: 0,5 a 1% das cirroses cursam com ascite quilosa. Malignidade: linfoma representa de 30-50% dos casos. Alterações congênitas. Doenças inflamatórias (principalmente filariose). Pós-radioterapia. Pós-trauma. Insuficiência cardíaca. Síndrome nefrótica. Linfangioleiomiomatose. Ascite hemorrágica Definida por uma contagem de hemácias > 50.000/mm3. Pode ocorrer em até 5% dos pacientes com cirrose e 20% dos pacientes com neoplasia maligna e em 10% dos casos de carcinomatose peritoneal. As causas incluem: Cirrose. Malignidade. Cisto ovariano roto. Tuberculose. Parasitoses. Insuficiência cardíaca. Doenças inflamatórias. Trauma. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Diálise peritoneal. Ascite pancreática Representa o acúmulo de líquido pancreático na cavidade peritoneal. Tipicamente cursa com níveis de amilase > 1.000 U/L e a relação amilase do líquido ascítico/amilase sérica costuma ser próxima a 6. Ascite na insuficiência cardíaca Costuma cursar com GASA > 1,1, mas, ao contrário da cirrose, a concentração de proteínas do líquido ascítico usualmente é > 2,5 g/dL. A dosagem de peptídeo natriurético cerebral (BNP) tanto sérico como no líquido ascítico está geralmente aumentada, e um estudo de nossa instituição demonstrou a utilidade do BNP sérico para o diagnóstico diferencial com a ascite por cirrose hepática. Ascite pela síndrome de Budd-Chiari Outra situação que cursa com GASA > 1,1, mas apresenta concentração de proteínas do líquido ascítico > 2,5 g/dL. O diagnóstico pode ser confirmado pela realização de Doppler de artérias supra-hepáticas. Os pacientes frequentemente têm associação com trombofilias, como a mutação do fator V de Leyden ou condições como hemoglobinúria paroxística noturna. O tratamento da ascite, além da coagulação, segue os mesmos princípios do tratamento da ascite nos pacientes com cirrose hepática. TRATAMENTO O tratamento depende da etiologia da ascite. Em pacientes com ascite por cirrose hepática, recomenda-se a interrupção imediata do consumo de álcool e dieta hipossódica (consumo diário de sódio deve ser menor do que 2 g/dia). A quantidade de líquidos ingeridos não precisa ser reduzida (a Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar restrição de água livre só é indicada com hiponatremia significativa com valores de sódio sérico abaixo de 120 mEq/L). O repouso deve ser reservado aos pacientes com ascite refratária. O tratamento deve ser iniciado com diuréticos. A internação do paciente e a monitorização do sódio urinário podem facilitar o manejo inicial. O uso de diuréticos deve ser parcimonioso e deve ser evitado caso haja piora da função renal. O objetivo é manter uma perda de 0,5 a 1 L por dia, que pode ser monitorizada com a pesagem diária do paciente. Os diuréticos poupadores do potássio, antagonistas da aldosterona, são a escolha inicial quando se decide por monoterapia em dose inicial de 100 mg que pode ser aumentada até 400 mg ao dia. O uso associado de diuréticos de alça, como a furosemida, é indicado pela maior parte da literatura e é conduta padrão em nosso serviço. A recomendação no caso da combinação de diuréticos de alça com espironolactona é de usar na proporção de 40 mg de furosemida combinados com 100 mg de espironolactona, com dose máxima de 160 mg de furosemida e 400 mg da espironolactona, que pode ser dividida em duas tomadas diárias. Quando não há resposta a diuréticos, a ascite pode ser considerada refratária. Os critérios para essa definição são os seguintes: Falha em perder com dose máxima de diuréticos mais de 300 g ao dia. Falha em excretar mais que 78 mmol de sódio por dia com uso de diuréticos. Azotemia (piora da função renal). Hipercalemia. Aparecimento de outras complicações do uso de diuréticos, como encefalopatia hepática. Menos de 5% dos pacientes têm critérios de ascite refratária, e nestes, outras modalidades terapêuticas podem ser necessárias. A paracentese de alívio está indicada em pacientes com desconforto significativo pela ascite. A reposição de albumina é indicada quando se retira mais do que 5 L de líquido ascítico (reposição de 8-10 g de albumina por litro retirado, incluindo os 5 L iniciais). Paracenteses com retirada de Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar menos de 5 L de volume não indicam necessariamente a reposição de albumina, mas as diretrizes de 2018 sugerem que nesses casos seja realizada reposição com expansores plasmáticos como Dextra-70 ou mesmo salina fisiológica, com a albumina como opção. A descompressão portal com TIPS é uma alternativa para os casos que não respondem ao tratamento clínico. Tem resposta satisfatória em mais de 80% dos casos, embora esteja associada a complicações, como encefalopatia hepática. Um dispositivo criado recentemente é a alfapump, que conecta o líquido ascítico com a bexiga, eliminando-o pela urina. Infelizmente, o dispositivo é associado com lesão renal aguda em > 80% dos pacientes e não deve ser utilizado. O tratamento cirúrgico para a ascite, com as derivações peritônio- venosas, ainda pode ser utilizado, mas está caindo em desuso pelas altas taxas de complicações como infecção e obstrução dos cateteres em longo prazo. O tratamento definitivo para as ascites refratáriasé o transplante hepático. O transplante é contraindicado se o paciente não estiver abstinente ao álcool e só pode ser realizado com indicações específicas e conforme a disponibilidade. A Tabela 7 apresenta o tratamento da cirrose em pacientes com cirrose hepática. O tratamento da tuberculose peritoneal é semelhante ao da tuberculose em outros sítios, com duração de 6 a 9 meses com esquema quádruplo. ▷ TABELA 7 Tratamento da ascite associada a cirrose hepática Abstinência absoluta de álcool Educação: consumo diário menor que 88 mEq de sódio Restrição de água apenas quando hiponatremia Restrição proteica apenas quando encefalopatia refratária Diureticoterapia combinada Dose máxima:160 mg de furosemida e 400 mg de espironolactona Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ TABELA 7 Tratamento da ascite associada a cirrose hepática Paracentese de repetição TIPS e derivação Transplante hepático A ascite associada a infecção de cateter de diálise peritoneal tem como opções para o tratamento: Cefazolina ou outra cefalosporina de primeira geração se baixa incidência de cepas meticilino-resistentes ou vancomicina se alta taxa de cepas meticilino-resistentes. Cobertura Gram-negativos com cefalosporina de terceira geração ou aminoglicosídeo. Tratamento preferencialmente intraperitoneal por 10 a 21 dias, com medicação intravenosa obrigatória em casos de choque séptico. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar ▷ FIGURA 2 GASA: gradiente de albumina soro-ascite; PBE: peritonite bacteriana espontânea. INDICAÇÕES DE INTERNAÇÃO, TERAPIA INTENSIVA E SEGUIMENTO Os pacientes com ascite por cirrose hepática com complicações como PBE ou síndrome hepatorrenal têm indicação de internação hospitalar. A peritonite associada a diálise peritoneal também usualmente tem seu tratamento iniciado no ambiente hospitalar. Em outras condições, a internação depende das condições do paciente e complicações associadas. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar 1. 2. 3. ▷ FIGURA 3 Abordagem simplificada da ascite no departamento de emergência. Pacientes com quadro de choque ou rebaixamento de nível de consciência têm indicação de internação em UTI. Todos os pacientes irão necessitar de acompanhamento ambulatorial até a resolução da condição que levou ao aparecimento da ascite. LITERATURA RECOMENDADA Bailey C, et al. Hepatic failure: an evidence-based approach in the emergency department. Emergency Medicine Practice. April 2010;12(4):122. Disponível em: www.ebmedicine.net. Bernardi M, Caraceni P, Navickis RJ, Wilkes MM. Albumin infusion in patients undergoing large-volume paracentesis: a meta-analysis of randomized trials. Hepatology. 2012;55:1172. Ahuja V. Abdominal tuberculosis. www.uptodate.com 2022. Acesso 30 jan 2022. Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar Otávio Barcelos Destacar