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SUMÁRIO 1.Introdução ...................................................................... 3 2. Etiologia e fisiopatologia da ascite ...................... 3 3. Sinais e sintomas ....................................................... 8 5. Diagnóstico ................................................................12 6. Diagnóstico etiológico ............................................14 7. Tratamento .................................................................18 8. Peritonite bacteriana espontânea (PBE) .........20 Referências bibliográficas ........................................26 3ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 1.INTRODUÇÃO A ascite é definida como o acúmulo de líquido de origem patológica na cavidade abdominal, podendo se ma- nifestar de forma aguda ou crônica. Existem várias doenças que cursam com ascite, como neoplasias, doen- ças cardíacas, infecciosas e hepáti- cas. Sendo assim, a ascite não é uma doença, mas sim uma manifestação de uma patologia. A principal etiolo- gia da ascite é a hipertensão portal, principalmente decorrente da cirrose hepática. Acredita-se que cerca de 60% dos pacientes com cirrose he- pática, cursem com ascite em algum momento da doença. Achados do exame físico, como manobras semio- lógicas também ajudam fortemente no diagnóstico de ascite. Para o esta- belecimento do diagnóstico diferen- cial da ascite, a análise do gradien- te de albumina soro-ascite tem um papel importante no esclarecimento etiológico. Além disso, na avaliação diagnóstica da ascite, a paracentese é o principal método utilizado, indepen- dentemente da sua etiologia. A pa- racentese também pode ter a função de alívio nos pacientes muito sinto- máticos devido a distensão abdomi- nal provocada pelo acumulo de líqui- do. Através desse método é possível verificar a quantidade de polimorfo- nucleares existentes no líquido ascí- tico e com isso fornecer o diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea (PBE). A PBE é a complicação mais comum na ascite de origem hepáti- ca, tendo alta mortalidade e reque- rendo antibioticoterapia e às vezes antibioticoprofilaxia. 2. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DA ASCITE A ascite é consequência de várias alterações anatômicas, fisiopatológi- cas e bioquímicas que ocorrem em pacientes com cirrose hepática. Basi- camente existem 3 grupos de etiolo- gia para a ascite: Hipertensão portal, Doença peritoneal e outras causas de ascite, sendo que os mecanismos de cada grupo se convergem em vários pontos. • Hipertensão portal (HP): É a principal causa de ascite. A HP pode estar presente em várias do- enças. Porém sua principal causa é a cirrose hepática. Os processos patológicos que desencadeiam o aumento da pressão neste sistema pode ser localizados em três regi- ões: pré-hepática, intra-hepática e pós-hepática, sendo o intra-he- pático ainda dividido em pré-sinu- soidal, sinusoidal e pós-sinusoidal. Diversas moléculas, como fatores vasoconstrictores e vasodilatado- res se associam ao fator obstruti- vo mecânico. Entretanto, indepen- dente do local ou origem do insulto, para ocorrer hipertensão portal é necessário um aumento do fluxo 4ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA sanguíneo portal ou aumento da resistência vascular ou de am- bos. Quando ocorre o aumento da pressão no sistema porta, começa a extravasar líquido dos sinusoides hepáticos para a cavidade perito- neal e com isso, forma-se a ascite. Com isso, formação de ascite alivia a pressão no sistema porta. SE LIGA! Sabendo que o líquido que for- ma a ascite vai para o abdome passando pelos sinusoides hepáticos, obstruções pré-sinusoidais, como as que ocorrem na esquistossomose, não costumam apresentar ascite. Apenas em casos incomuns hipoalbuminemia ou cirrose, ocorre a formação de líquido, mas não pela hipertensão portal em si. A cirrose hepática é a causa mais co- mum de HP, caracterizada pela fibro- se, formação de nódulos e capilariza- ção dos sinusoides, com alterações da microcirculação hepática, resultando no aumento da resistência vascular. Essa congestão volêmica secundária ao aumento da pressão no sistema porta leva a ascite. Em relação a cir- rose hepática, algumas teorias foram formuladas com o objetivo de expli- car a ativação do sistema renina-an- giotensina-aldosterona e do siste- ma nervoso simpático, como a teoria do “underfill” (baixoenchimento), o “overflow” (super-fluxo) e da vaso- dilatação esplâncnica. Nessa última teoria, fisiopatologia da hipertensão porta decorre da obstrução ao fluxo sanguíneo, insuficiência renal funcio- nal e vasodilatação arterial esplânc- nica. Além disso, outros fatores como alterações da função renal, alterações de sistemas neuro-humorais e anor- malidades da microcirculação hepáti- ca estão associados. Sendo assim, na cirrose hepática ocorre desregulação hormonal, com aumento da aldos- terona. Através da ativação do eixo renina-angiotensina-aldosterona há retenção de sódio devido a elevada reabsorção de sódio nos túbulos re- nais. Nós sabemos que o sódio re- têm água, portanto, com o aumento do sódio plasmático também ocorre a retenção excessiva de água, que por sua vez, leva ao aumento do volume extracelular. Com isso, esse volume em excesso passará, em algum mo- mento, para a cavidade peritoneal. SE LIGA! Esse mecanismo é tão impor- tante que uma das bases terapêuticas da ascite, é a inserção de dieta hipos- sódica. Nos cirróticos o sistema nervoso simpático (SNS) apresenta níveis au- mentados de norepinefrina que também estimula a reabsorção de sódio. Na teoria underfill, nas fases iniciais da cirrose hepática haveria vasodila- tação periférica e retenção renal de água e sódio. A seguir haveria “over- flow” e escape de fluido para a cavi- dade peritoneal. Enquanto isso, após a piora da vasodilatação periférica, o “underfill” levaria a queda do volu- me efetivo circulante e estimulação 5ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA permanente dos sistemas vasopres- sores. Note que a teoria da vasodila- tação esplâncnica inclui as duas ou- tras teorias. SE LIGA! na ascite pro hipertensão por- tal ocorre a formação de líquido ascítico com baixo teor proteico, é apenas um transudado. FLUXOGRAMA DA FISIOPATOLOGIA DA ASCITE POR HP Hipertensão portal Vasodilatação esplâncnica “Underfiil” arterial Ativação de vasoconstrictores sistêmicos mediado por barorreceptores e ADH Retenção de sódio Aumento do vol. plasmático Ativação dos sistemas retentores de sódio Retenção persistente de sódio ASCITE 6ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA • Doenças Peritoneais: A ascite por doenças peritoneais, como neopla- sias, infecções e inflamações ocor- re por lesões na estrutura perito- neal. Essa estrutura é formada por capilares arteriais, venosos, linfáti- cos, tecido intersticial e mesotélio que regulam a troca de líquido in- tra e extracelular. Portanto, quan- do ocorre lesão dessas estruturas, há alteração do fluxo normal e acú- mulo de líquido na cavidade peri- tonial. Devido ao aumento da per- meabilidade, proteínas, colesterol, glicoses e outras moléculas vas- culares, passam para o líquido as- cítico, determinando portanto um exsudato. Mas lembre-se, quan- do as neoplasias vêm associadas à hipertensão portal (carcinoma hepatocelular, metástases hepáti- cas maciças), estas costumam se apresentar como transudato. Alia- do a esse processo de aumento da permeabilidade vascular, ocorre produção de óxido nítrico, vasodi- latação esplâncnica e ativação do sistema renina-angiotensina. SAIBA MAIS! A dialise peritoneal é um procedimento muito utilizado em pacientes nefrológicos. Esse mé- todo utiliza as propriedades de vascularização da membrana peritoneal para filtrar o sangue e remover o excesso de toxinas e água do corpo. Esse processo ocorre por meio da difusão passiva das substancias para a cavidade peritoneal, onde é infundida uma solução de dialise. Uma das complicações desse procedimento é a formação de ascite e a possibilidadede for- mar uma peritonite bacteriana, principalmente por S. aureus. • Outras causas de ascite: Exis- tem outras causas de ascite que são menos comuns. Geralmente cursam com ascite de pequeno volume, diagnosticada por meio ao acaso por meio de exames de imagem e não estão associadas ao desenvolvimento de sintomas clínicos. ◊ Ascite Pancreática: Ocorre raramente após um quadro de pancreatite, sendo forma- da a partir da formação de uma fístula pancreática com o peritônio. Geralmente é assin- tomática. Entretanto, a análise do líquido ascítico evidencia aumento de proteínas, leucó- citos e amilase, associada com amilase sérica normal. O tra- tamento normalmente é con- servador, com a introdução de dieta parenteral. ◊ Ascite Biliar: Ocorre com a le- são da vesícula ou ductos bi- liares, levando ao extravasa- mento de bile e formação de peritonite. Nesses casos, o 7ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA líquido ascítico normalmente é esverdeado e tem altos níveis de bilirrubina. ◊ Ascite Nefrogênica: se forma devido ao quadro de síndrome nefrótica que leva edema ge- neralizado devido a retensão de sódio e hipoalbuminemia. Nesses casos, o líquido ascíti- co tem baixos níveis proteicos. ◊ Hipotireoidismo: No hipotireoi- dismo pode ocorrer redução da velocidade de drenagem linfá- tica, e aumento da permeabili- dade vascular, ocasionando o acúmulo de líquido em vários locais, incluindo a formação de ascite. Nesses casos, proteína da ascite encontra-se elevada. Dentro de cada grupo, estão presen- tes diversas etiologias (Quadro 1). En- tretanto, cerca de 5% dos pacientes apresentam uma associação de cau- sas para a ascite, como por exemplo, cirrose hepática e insuficiência cardí- aca congestiva. Veja abaixo os prin- cipais grupos etiológicos da ascite, mas lembre-se que 85% das vezes, em um quadro de ascite, estaremos diante de um paciente com cirrose hepática e hipertensão portal. PRINCIPAIS ETIOLOGIAS DA ASCITE HIPERTENSÃO PORTAL Cirrose hepática Hepatite alcoólica Insuficiência cardíaca Insuficiência hepática Síndrome de Budd-Chiari DOENÇAS PERITONEAIS Neoplasias Gastroenterite eosinofílica Tuberculose peritoneal e outras peritonites infecciosas Lupos eritematoso sistêmico OUTRAS CAUSAS DE ASCITE Ascite pancreática Hipotireoidismo Ascite biliar Quadro 1. Etiologia da ascite. Fonte: baseado em Ascite - estado da arte baseado em evidências. FMHUSP, 2009. 8ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 3. SINAIS E SINTOMAS A ascite se manifesta com a junção de sinais e sintomas típicos das do- enças de base que ocasionam a asci- te, associada a sintomas próprios do quadro ascítico. O exame físico de um paciente com ascite pode ser normal em pacientes com ascites pequenas ou extremamente rico, em pacientes com doença hepática avançada, por exemplo. Nesses casos de doença hepática avançada, podem ser en- contrados desnutrição, hepatoesple- nomegalia, icterícia, ginecomastia, aranhas vasculares, eritema palmar e circulação colateral, conhecidas como “cabeça de Medusa” (Figura 1 e 2). Lembre-se, a circulação colateral se forma pela hipertensão porta que promove a recanalização da veia um- bilical devido a alta pressão no siste- ma. Enquanto que o eritema palmar, ginecomastia e telangectasias do tipo “aranhas vasculares” é resultado da hiperproliferação e dilatação de ca- pilares cutâneos, gerado pela altera- ção da homeostase dos hormônios sexuais, gerando hiperestrogenismo e hipoandrogenismo. A ictericia é en- contrada principalmente nos pacien- tes que tem como causa da ascite uma cirrose hepática decorrente de obstruções das vias biliares. Quando a hepatoesplenomegalia, esse acha- do será encontrado principalmente nos pacientes com hipertensão por- tal, levando ao aumento desses ór- gãos por congestão. Ademais, um dos principais sintomas associados a ascite é a distensão abdominal que ocorre quando acumulo de líquido na cavidade visceral. Quando há grande quantidade de líquido ascítico, os ór- gão intratorácicos podem ser pressio- nados, levando ao desconforto respi- ratório. Além disso, a ascite costuma ser indolor, porém, diante de uma ascite muito significante, estruturas podem ser pressionadas e levar ao desconforto abdominal. Outro item importante é o ganho de peso, que serve inclusive para o monitoramen- to da resposta terapêutica na ascite. Diante de um quadro de neoplasia, além do quadro consumptivo, tam- bém podemos encontrar linfonodo- megalia em região supraclavicular ou umbilical, nesse último caso, o linfo- nodo é conhecido como “linfonodo de Irmã Mary Joseph”, sugere câncer como causa da ascite. Nos quadros de etiologia renal ou devido a mixe- dema, geralmente o quadro ascítico faz parte do contexto de anasarca. Em relação a insuficiência cardíaca, a ascite podem vir acompanhada de turgência de jugular, congestão pul- monar ou edema periférico. 9ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Uma complicação importante da as- cite é a peritonite bacteriana espon- tânea (PBE). Nesses casos, o pacien- te pode apresentar além do quadro ascítico, febre, alteração no estado mental e hipersensibilidade abdomi- nal. Veremos mais sobre a PBE em outro tópico a seguir. Figura 1. Quadro clínico da cirrose hepática. Fonte: Patologia Básica Robbins, 9° ed, 2013. 10ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Figura 2. Grande ascite associada a hérnia umbilical. Fonte: Clínica médica. Vol 4: doenças do aparelho digestivo, nutrição e doenças nutricionais. 2. ed, 2016. MAPA MENTAL CLÍNICA DA ASCITE Quadro clínico Ganho ponderal Dor abdominal Edema Desconforto respiratório Melena Desnutrição PBE Distensão abdominal 11ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 4. GRADIENTE DE ALBUMINA SO- RO-ASCITE (GASA) Antigamente através do líquido as- cítico obtido por meio da paracente- se, podíamos classificar esse líqui- do em transudato quando o líquido tinha valores menores que 2,5 g/dl de proteínas ou exsudato quando tem valores maiores que 2,5 g/dl de proteínas. Essa classificação mudou, pois ao utilizar essa classificação em transudato e exsudato temos apenas a análise da quantidade de albumi- na no líquido, não levando em conta os níveis de proteína totais no plas- ma do indivíduo. O problema disso é que sabemos que algumas doenças levam a hipoalbuminemia, como as hepatopatias graves, não permitindo com isso distinguir se passou pou- ca proteína para o líquido pela baixa permeabilidade ou pela falta total de proteínas. Sendo por isso, importante associar a análise dos níveis totais de albumina sérica do individuo com os níveis de proteína do líquido ascítico. É nesse contexto que surge o GASA (Gradiente de albumina soro-ascite) que permite identificar a presença de hipertensão portal, ajudando na avaliação da etiologia da ascite. Ele é obtido subtraindo o valor da concen- tração de albumina no líquido ascítico do valor da concentração plasmática de albumina. Portanto, atualmente o conceito de exsudato e transudato não leva mais em conta apenas os ní- veis de proteínas, mas passou a ser definido com base do GASA. Sendo assim, se o valor do GASA for inferior a 1,1 g/dl, quer dizer que ele possui muitas proteínas no líquido ascítico, sendo portanto, classificado como exsudato. Mas se o valor for maior ou igual a 1,1 g/dl, podemos inferir que temos poucas proteínas no líquido ascítico, o classificando-o como tran- sudato. Ou seja, quanto maior a con- centração de albumina na ascite, me- nor o gradiente. SE LIGA! Lembre-se que exsudato tem grande quantidade de proteína e o tran- sudato tem pequena concentração de proteínas na ascite. O GASA tem espe- cificidade de 98% na avaliação da etio- logia da ascite. GASA menor que 1,1 g/dl = exsudato Sem hipertensão portal GASA maior que 1,1 g/dl = transudato Hipertensão portal Com isso, espera-se que doenças que provoquem aumento da pressão vascular, como aquelas que geram somente hipertensão portal, promo-va pouca saída de proteínas para o espaço extravascular, pois apesar da saída de líquido, a permeabilidade do vaso às proteínas está preservada. Já nas doenças que cursam com lesão do tecido peritoneal, há alteração da permeabilidade dos pequenos vasos, originando um líquido rico em proteí- nas. Veja mais sobre isso no tópico a seguir. 12ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 5. DIAGNÓSTICO O diagnóstico da ascite se dá atra- vés de dados da anamnese, exa- me físico, paracentese e exames complementares. • Anamnese e exame físico: Na anamnese o paciente informa- rá sobre os sinais e sintomas que compõem o quadro clínico da as- cite. Além disso, é provável que ele já saiba a doença de base que está gerando a ascite. Caso ainda não tenha sido investigado, deve ser abordado achados específicos que nos guie ao diagnostico da patologia de base. No exame físico é possível identificar a ascite por meio de manobras semiológicas. Através da manobra de macicez móvel, após delimitar as regiões de timpanismo e macicez, deve-se solicitar ao paciente que vire para um dos lados. Percuta e marque as margens novamente. O indiví- duo sem ascite apresenta as mar- gens entre timpanismo e macicez relativamente constantes (Figura 3). Já no teste da onda líquida ou teste do Piparote, deve-se solicitar ao paciente que comprima a linha média do abdome com firmeza, usando as bordas das mãos para ajudar a interromper a transmissão de ondas pelo tecido adiposo. De- pois disso, deve-se percutir simul- taneamente um dos flancos com a ponta dos dedos, e com a outra mão tente sentir no flanco oposto um impulso transmitido pelo líqui- do (Figura 4). Entretanto, apesar dessas manobras, a ascite só co- meça a ser detectada pelo exame físico quando o acúmulo de fluido excede 500 ml. Por isso, em caso de dúvida disgnóstica ou ascites pequenas, pode ser necessários exames complementares. Figura 3. Macicez móvel. Bates, propedêutica médica / 11. ed., 2015. 13ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA • Paracentese abdominal: A para- centese é a melhor forma de con- firmar a presença de ascite, além de ser terapêutica já que serve para retirar grandes quantidade de líquido. Através da paracentese podemos fazer a análise do líqui- do, determinando várias das suas características. Esse procedimento deve ser realizado de maneira es- téril. O local mais adequado para realização da punção é o quadran- te inferior esquerdo, visto que exis- te menor chance de perfuração de estruturas abdominais e ter parede mais fina. Esse procedimento é se- guro e está associado a baixo risco de complicações. • Exames complementares: Den- tre os exames complementares, a ultrassonografia (USG) é o padrão ouro para o diagnóstico de ascite. Com esse método é possível fazer o diagnóstico de pequenos volu- mes de líquido ascítico (100ml). Na USG, a ascite é vista como co- leções anecoicas (Figura 5). Além disso, ela pode ser usada para di- recionar o local ideal para realiza- ção da paracentese. No caso de dúvida entre ascite e uma tumoral, pode-se utilizar a tomografia com- putadorizada que distingue melhor entre tumores, cistos ou coleções. Figura 4. Teste da onda líquida .Fonte; Bates, propedêutica médica / 11. ed., 2015. 14ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 6. DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO Segundo a literatura, mais que 80% dos casos de ascite terão como etio- logia a cirrose hepática. No entanto, é importante entendermos como se dar o diagnóstico diferencial da ascite. • Diagnóstico laboratorial: Além da anamnese e do exame físico, podemos fazer a análise do líquido ascítico. O aspecto do líquido ascí- tico já nos da pista sobre possíveis diagnósticos. Por exemplo, diante de um líquido hemático, devemos pensar em tuberculose peritoneal ou carcinomatose peritoneal. Na análise laboratorial, podemos fazer a contagem celular, GASA o gram e a cultura geral do líquido ascítico. Além disso, exames como proteí- na total, LDH (lactato desidroge- nase), glicose e amilase, pesquisa de células neoplásicas, pesquisa e cultura para bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), triglicérides e bilirrubina podem ser solicitados diante de uma suspeita especifica. Na contagem de células podemos avaliar a presença de várias doen- ças relacionadas com a ascite: na peritonite bacteriana espontânea (PBE) há aumento dos leucócitos com predomínio de PMN (> 250/ mm3); na tuberculose e na carci- nomatose peritoneal aumentam os leucócitos na ascite com predomí- nio de linfócitos. Figura 5. USG evidenciando ascite Fonte:. Ascite na Ddoença hepática. In: http://www.hepcentro.com.br/ascite.htm 15ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA • GASA: Como já vimos no tópico anterior, o GASA também é usa- do para o diagnóstico da etiologia da ascite. Sendo a principal impor- tância do GASA definir se a ascite tem origem portal ou não portal. O GASA define a classificação de exsudato e transudato atualmen- te. Os sinusoides “capilarizados”, como na cirrose que gera hiper- tensão portal, são menos perme- áveis às proteínas, e por isso o lí- quido ascítico na cirrose hepática tipicamente possui baixos níveis de proteína, gerando um GASA maior ou igual a 1,1g/dL. Ou seja, ao subtrair um valor baixo de pro- teína do líquido ascítico do valor de proteínas séricas totais, chega- mos a um valor maior de GASA. O mesmo acontece com a ascite cardiogênica e etiologias de ascite onde a barreira sinusoidal encon- tra-se íntegra e pouco permeável (ex.:Síndrome de Budd-Chiari). Já em doenças que lesam o peritônio ou aumenta sua permeabilidade, como inflamações, ocorre maior passagem de proteínas para o lí- quido ascítico. Com isso, quando vamos calcular o GASA, ao subtrair altos valores de proteína do líqui- do ascítico das proteínas totais do plasma, encontramos um valor de GASA menor do que 1,1g/dL. Em resumo, um resultado de GASA menor que 1,1 g/dl é sugestivo de câncer ou tuberculose peritoneal. Já um GASA maior ou igual a 1,1 g/dl, deve ser associada a hiper- tensão porta, sendo que 80% dos casos de hipertensão porta serão por cirrose hepática (Quadro 2). CLASSIFICAÇÃO DAS ASCITES PELO GASA GASA ≥ 1.1g/dl Hepatopatias (cirrose, hepatite alcoólica, insuficiência hepática) Congestão Cardiogênica Síndrome de Budd-Chiari GASA <1.1g/dl Malignidades (carcinomatose peritoneal, mesotelioma primário) Infecções (peritonite tuberculosa, peritonite fúngica) Hipoalbuminemia (síndrome nefrótica, desnutrição grave) Quadro 2. Classificação das ascites pelo GASA. Fonte: Baseado em Sabiston Textbook of Surgery. • Concentração total de proteína (CTP): Sabendo que o GASA dis- tingue, com certeza, apenas a ori- gem portal ou não portal da asci- te, não permitindo diferenciar uma etiologia da outra. Porém com a concentração de proteína total po- demos diferenciar ascite cirrótica de ascite cardíaca. Embora ambas tenham GASA maior ou igual a 1,1 g/dL, a proteína total nas ascites cardíacas é maior ou igual a 2,5g/ dL, enquanto na cirrose é menor que 2,5g/dL. Por fim, pacientes com ascite nefrótica apresentam GASA menor 1,1g/dL e proteína total menor 2,5g/dL (Quadro 3). 16ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Além disso, pacientes com nível de proteína na ascite menor 1 g/dl tem alto risco de desenvolver PBE. Sabe-se que pacientes com baixa taxa de proteína na ascite, portanto com uma ascite mais diluída, têm menor concentração de opsoninas no líquido ascítico. GASA MENOR QUE 1,1G/DL GASA MAIOR OU IGUAL A 1,1G/DL CTP maior ou igual que 2,5g/dL Ascite maligna Ascite Cardíaca CTP menor que 2,5g/dL Ascite nefrótica Cirrose Quadro 3. Análise das etiologias com base no GASA e na CTP. Fonte: Baseado em Cecil Medicina Interna. 24. ed., 2012. • Glicose: a concentração de glicose no líquido ascítico é similar ao soro, a menos que esteja sendo consu- mida. Com isso, níveis baixos de glicose pode indicar a presença de células do sangue, bactérias oucélulas carcinomatosas que con- sumem a glicose. • LDH: A maior parte do LDH do lí- quido ascítico é proveniente da lise dos PMN. No líquido ascítico esté- ril de um paciente cirrótico, o LDH fica em torno de 43μm/ml. Diante de valores aumentados de LDH devemos pensar na produção na cavidade peritoneal, geralmente por infecção ou tumor. • Amilase: A pancreatite e perfura- ção intestinal podem causar líquido ascítico com alto valor de amilase. Qualquer segmento do intestino pode liberar amilase quando per- furado, com exceção da vesícula biliar. Na ascite pancreática, a ami- lase pode chegar a 2000 UI/L. • Testes para tuberculose: a pes- quisa direta de bacilo álcool ácido resistente (BAAR) no líquido as- cítico ou a cultura pode ajudar no diagnóstico de tuberculoses peri- toneal.. Além disso, a concentração de proteína do líquido ascítico > 3,0 mg/dl sugere peritonite tuber- culosa. O diagnóstico de peritonite tuberculosa deve ser considerado em todos os pacientes que apre- sentam ascite linfocítica inexplica- da, com o GASA < 1.1 g/dL. • Triglicérides: Os triglicérides de- vem ser solicitados quando o líqui- do ascítico for leitoso. Na ascite qui- losa, o nível de triglicérides é maior que 200 mg/dl, podendo atingir va- lores maiores que 1000 mg/dl31. • Células neoplásicas: Diante da suspeita de carcinomatose perito- neal devemos solicitar a realização da contagem de células neoplási- cas ou até a realização de bloco de parafina para a análise citológica das células tumorais. 17ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA MAPA MENTAL DIAGNÓSTICO DA ASCITE ASCITE PARACENTESEGASA alto ou transudato GASA baixo ou exsudato Ascite cardíaca Ascite nefrótica Testes para tuberculose Citologia oncótica + Amilase >100 Cirrose não complicada Tuberculose peritoneal Carcinomatose peritoneal Ascite pancreática ≥ 2,5g/dl< 2,5g/dl Proteína total < 2,5g/dl ≥ 2,5g/dl Proteína total 18ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 7. TRATAMENTO O tratamento da ascite envolve com- pensação da causa base, associada a redução do volume do líquido ascí- tico. Por exemplo, em casos de asci- te por tuberculose peritoneal, a asci- te só será tratada com o tratamento da tuberculose. O mesmo serve para neoplasias. Para o tratamento da as- cite dos cirróticos, recomenda-se re- pouso e restrição de sal na dieta. A restrição de sódio mais utilizada é a de 88 meq/dia (cerca de 2 gramas de sal), incluindo a soma do sal de todos os alimentos, líquidos e medicações. A restrição hídrica de 1 a 1,5 litros/ dia, deve ser instituída somente nos pacientes com [Na] entre 120 e 125 meq/L. Ou seja, a restrição hídrica não é rotina no tratamento da ascite. Em alguns casos é necessário o uso de diuréticos. Para isso, devemos dosar o sódio sérico e urinário desse pa- ciente para nos guiar no quanto de diurético ele necessitará. Além disso, com o uso do diurético intrahospita- lar, a função renal do paciente deve ser monitorizada a cada dois dias. Pa- cientes com ascite de recente começo, necessita de pouco estímulo diurético (apenas espironolactona) para elimi- nar o excesso de líquido. Já os pacien- tes com ascite crônica deve receber tanto diuréticos de alça, quanto espi- ronolactona. A opção terapêutica que tem mais sucesso é a combinação de doses únicas matinais de espirono- lactona e furosemida, iniciando com 100mg e 40 mg, respectivamente. Deve-se sempre estar atento aos ní- veis séricos de potássio, já que diuré- tico de alça espolia potássio, enquan- to a espironolactona o poupa.. Estas doses podem ser dobradas a cada três dias se o efeito obtido não for sa- tisfatório. Em alguns casos, pode-se usar a espironolactona isoladamente, porém o uso crônico de espironolac- tona pode levar a ginecomastia dolo- rosa. Na indução de diurese, o líquido é perdido inicialmente do espaço vas- cular. Após a queda da pressão intra- vascular, o edema periférico passa a ser mobilizado para repor o volume plasmático. Sendo assim, preferen- cialmente deve-se tratar os pacientes com restrição de sal e diuréticos e não com paracenteses seriadas. Em ca- sos de necessidade do paciente per- der um volume ascítico muito grande, como no desconforto respiratório por ascite volumosa, pode-se realizar a paracentese de alívio. Sempre que for retirado acima de 5 litros de líqui- do ascítico, devemos repor albumina na proporção de 8 a 10 gramas de al- bumina para cada litro de ascite, para evitar complicações. Pacientes que não apresentam diminuição da ascite mesmo com o consumo de menos de 78 meq/dia de sódio, e já estiver re- cebendo dose máxima dos diuréticos por, pelo menos, uma semana, tem resistência aos diuréticos, ou ascite refratária. Nesses pacientes deve ser considerado o transplante de fígado. 19ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA Diante da suspeita de encefalopatia os diuréticos devem ser suspensos e sua introdução debe ser reava- liada. Pacientes com outras causas para formação da ascite (não cirrose) usualmente não respondem ao tra- tamento administrado aos cirróticos. Em pacientes com cirrose por conta de álcool é necessário a cessação do consumo. MAPA MENTAL TRATAMENTO DA ASCITE TRATAMENTO DA ASCITE Restrição hídrica Tratar causa baseRepouso Dieta hipossódica Desconforto respiratório SIM NÃO DIURÉTICOSParacentese de alivio <5L>5L Sem AlbuminaReposição de Albumina 20ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA 8. PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA (PBE) A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma infecção frequente em pacientes com ascite, sobretudo de origem cirrótica. Estima-se que ela acometa cerca de 20% dos pacientes com ascite e hospitalizados. Essa do- ença acarreta em grande morbimor- talidade nesses pacientes. • FISIOPATOLOGIA: Existem várias mecanismos implicados na fisio- patologia da PBE, esses fatores frequentemente atuam em con- junto para o aparecimento da do- ença. Acredita-se que na presente de uma paciente imunodebilitado, alterações da motilidade gástrica, associado ao supercrescimento bacteriano intestinal, predisponha a translocação bacteriana (TB). No entanto, fatores genéticos tam- bém estão relacionados com o aumento da suscetibilidade desse quadro. Sabe-se que na mucosa intestinal existem receptores que comandam a defesa contra agen- tes bacterianos. Em pessoas que possuem mutações nos genes co- dificadores desses receptores, a resposta de defesa pode ser defi- ciente. A translocação bacteriana leva a uma resposta inflamatória, permitindo o surgimento da PBE. 21ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA • QUADRO CLÍNICO: Os sinais e sintomas geralmente são inespe- cíficos ou até assintomático em 10-30% das vezes. Muitas vezes, apesar de não apresentar sintomas abdominais, pode cursar com pio- ra da função renal ou encefalopatia hepática. Os sintomas mais co- muns são a febre, dor ou descon- forto abdominal e raramente pre- sença de íleo paralítico. Veja no quadro a seguir, outros sintomas prevalentes (Quadro 4). MAPA MENTAL FISIOPATOLOGIA DA PBE FISIOPATOLOGIA DA PBE CAUSA BASE DA ASCITE Supercrescimento bacteriano Fatores genéticos Aumento da permeabilidade intestinal Translocação bacteriana Bacteremia prolongada Colonização da ascite PBE 22ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA SINAIS E SINTOMAS DA PBE Febre (69%) Dor abdominal difusa (59%) Desconforto abdominal (49%) Alteração do estado mental (54%) Diarreia (32%) Íleo paralítico (30%) Hipotensão (21-29%) Quadro 4: Sinais e sintomas da PBE. Fonte: Baseado em Sabiston Textbook of Surgery. • DIAGNÓSTICO: Para darmos o diagnóstico da PBE, é necessário termos em mente que a paracente- se é o melhor método disgnóstico, devendo ser realizada em todos os pacientes com ascite. Isso se deve ao fato de que com o líquido ascí- tico podemos fazer o estudo da ci- tologia, bioquímica e microbiologia do material. Caracteristicamente, a PBE é monobacteriana, sendo as bactérias aeróbicas Gram-nega-tivas responsáveis por 60% dos casos (E. coli 30-47% e K. pneu- moniae 10-15%) e 25% Gram- -positivos (Streptococcus pneu- moniae). Na presença de infecção polimicrobiana deve-se suspeitar de peritonite bacteriana secundá- ria. Como a cultura demora 48 h para revelar o resultado, o diag- nóstico já pode ser considerado apenas pelo número de leucócitos. SE LIGA! A positividade da cultura da ascite não é necessária ao diagnóstico de PBE. Com relação a contagem de células, o diagnóstico de PBE é definido pela contagem de Polimorfonucleares no líquido ascítico > 250/ mm³. Sendo que contagem de células > 500 polimorfo- nucleares/ μL são mais específicos. Fitas de DNA A concentração sérica de prote- ínas totais indica o risco de ocorrência e de recidiva dos episódios de PBE, visto que níveis de proteínas totais no líquido de ascite maiores do que 1,5g/dl estão relacionados com incidências de PBE menores do que 1%. Para ascites com concentrações de proteínas totais abai- xo de 1 g/dl, a incidência de PBE poderá atingir valores de 41%. Métodos novos para o diagnóstico tem surgido, como a detecção do DNA bacteriano, possibili- tando a detecção e identificação de mi- crorganismos não cultiváveis, microrga- nismos com crescimento extremamente lento e de microrganismos que exigem meios de cultura especializados. 23ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA • TRATAMENTO: Para instituirmos o tratamento da PBE, temos que lembrar que existem diferença en- tre o tratamento da PBE adquirida na comunidade e a nosocomial. Quando adquirida na comunida- de devemos cobrir, sobretudo co- brir os gram-negativos entéricos e Streptococus pneumoniae. Para isso, o antibiótico de escolha é o cefotaxime, com dose variando entre 4 a 6 g/dia, por 5 dias. Nos casos em que o germe envolvido na PBE é de origem hospitalar, devemos iniciar o tratamento com carbapenêmicos, sendo este regi- me desescalonado o mais breve possível. Além disso, é recomen- dado o uso concomitante de albu- mina no tratamento da PBE, visto que estudos tem demonstrado re- dução dos níveis de citocinas in- flamatórias no plasma e na ascite de pacientes com PBE em uso de albumina. Por fim, a paracentese deve ser repetida, dentro de 48 horas após iniciado o tratamento antimicrobiano da PBE. Deve-se reavaliar o tratamento na ausência de queda mínima de 25% na con- tagem de PMN da ascite. Se a pa- racentese de controle apresentar PMN < 250/mm3 e manutenção dos sintomas, deve-se procurar outros focos de infecção. No en- tanto, se houver aumento do va- lor de PMN, está indicado realizar TC de abdome com contraste para avaliar a presença de abscessos ou perfuração de vísceras ocas. • PREVENÇÃO DA PBE: Nos pa- cientes que possuem alto risco de desenvolver PBE, como nos qua- dros de sangramento digestivo ou com proteínas totais na ascite <1,5g/L, é recomendado a reali- zação de profilaxia para reduzir o risco de um novo quadro de PBE. Sendo recomendada por tempo indeterminado nos pacientes cir- róticos após PBE. Para isso, utili- za-se norfloxacin ou ciprofloxacin. Já aqueles pacientes com hemor- ragia digestiva está indicado o uso de ceftriaxone intravenoso. 24ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA MAPA MENTAL TRATAMENTO/PROFILAXIA DA PBE TRATAMENTO E PROFILAXIA DA PBE Profilaxia para PBE Cirrótico com PBE préviaParacentese Cirrótico com HDA Norfloxacina 400mg/1x/dia Ciprofloxacino 750mg/1x/semana PNM >250 PBES/ Infecção bacteriana espontânea Antibioticoterapia + Albumina Cultura Avaliar ampliação ou manutenção do ATB Manutenção de dor ou febre após 2° dia de ATB Paracentese PNM > que no inicio do quadro PNM em quedaPNM< 250 TC de abdome com contraste Avaliar manter ATB por 48hInterromper ATB 25ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA MAPA MENTAL GERAL Complicações PBE DiagnósticoTratamento Quadro clínico CAUSAS Profilaxia Antibioticoterapia PNM >250 USG de abdome Paracentese diagnóstica Tomografia computadorizada Anamnese + exame físico Cirrose Neoplasias Pancreatite ICC Hipotireoidismo Tuberculose Síndrome nefrótica Desconforto respiratório Dor abdominal Ganho de peso Tratar causa base Dieta hipossódica Paracentese de alivio Diurético ASCITE 26ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery. 20th ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2016. Guedes RR et. al. Peritonite bacteriana espontânea: novas perspectivas. Revista da AMRI- GS, Porto Alegre, 56 (3): 260-267, jul.-set. 2012. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins patologia básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Bates, propedêutica médica / Lynn S. Bickley; Peter G. Szilagyi; tradução Maria de Fátima Azevedo. - 11. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil Medicina Interna. 24. ed. SaundersElsevier, 2012. Ascite na Doença Hepática. In: http://www.hepcentro.com.br/ascite.htm. Acesso em fev. 2020. Júnior DRA et., al. ascite - estado da arte baseado em evidências. Rev Assoc Med Bras 2009; 55(4): 489-96. Recomendações de orientação clínica da EASL para a abordagem da ascite, da peritonite bacteriana espontânea e da síndrome hepatorrenal na cirrose. Journal of Hepatology 2010 vol 53 | 397–417. Olmos, Rodrigo & Santos, Maíra & Lopes, Ranniere & Martins, Herlon. (2012). Ascites. 10.13140/2.1.3852.8001. 27ASCITE E PERITONITE BACTERIANA ESPONTÂNEA