Prévia do material em texto
O processo da doença e o sofrimento psíquico Para Brant e Minayo (2004), do ponto de vista conceitual, sofrimento e dor não se confundem, mas também não se distinguem com facilidade. É possível afirmar que a principal forma de diferenciar a dor e o sofrimento é: C. a dor está intimamente relacionada com o fisiológico e o sofrimento com a representação simbólica. Segundo Helman (2006), a dor é algo que acompanha o ser humano ao longo de sua vida. Do ponto de vista fisiológico, a dor é um sinalizador orgânico que aponta para uma lesão ou para o mau funcionamento corporal. Surge quando um nervo ou uma terminação nervosa sofre um estímulo doloroso de dentro do próprio corpo ou vindo de fora. Sua existência cria um instinto de proteção, podendo gerar uma reação involuntária ou voluntária, que corresponde respectivamente a ações: B. antomática e aprendida. Segundo Sartor (2017), no hospital, o sujeito sofre um processo de despersonalização, em que surge a impressão de que ele é estranho a si mesmo, podendo apresentar-se passivo até mesmo frente a novos fatos e perspectivas existenciais, pois, por meio do discurso médico, deixa de ter um significado próprio para significar a partir de diagnósticos realizados sobre sua patologia. A característica apresentada por Sartor pode gerar no paciente um quadro de sofrimento psicológico que poderia ser classificado como: A. depressão. Segundo Spíndola e Macedo (1994), em um passado recente, o homem enfrentava a morte quase sempre em casa, junto de seus familiares e amigos, recebendo carinho, atenção e tendo seus últimos desejos atendidos. Na atualidade, no hospital, o homem morre cercado de estranhos, de pessoas com as quais supostamente não tem afinidade. A relação dos médicos com a morte, na maioria das vezes, é impessoal, fria e objetiva, em função de sua característica profissional. E como esses autores veem o papel do cuidador de enfermagem? E. No início, envolve-se emocionalmente, mas no decorrer do processo de internação eles acabam se distanciando também. Percebe-se o sofrimento psíquico da família, principalmente nas pesquisas descritas a partir de depoimentos de mães que acompanham as crianças internadas para tratamento de doenças, como nas pesquisas de Milanesi et al. (2006) e Costa, Mombelli e Marcon (2009). As duas pesquisas apontam sofrimento psíquico das mães mediante o próprio processo de hospitalização. Ambas as pesquisas relacionam a internação do filho e o sofrimento psíquico dos pais principalmente com: D. desestruturação da dinâmica familiar.