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EMBOLIA PULMONAR Emily Gabriela Gamero Problemas Clínicos do Adulto na Urgência e Emergência. DEFINIÇÃO 01 EPIDEMIOLOGIA 02 FISIOPATOLOGIA 03 CLÍNICA 04 TÓPICOS DIAGNÓSTICO 05 TRATAMENTO 06 DEFINIÇÃO 01 Oclusão de artérias pulmonares por trombos que se originam de outro local (êmbolos), classicamente de veias de grosso calibre ou da pelve. (TAPSON V. F. 2022) https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-pulmonares/embolia-pulmonar-ep/embolia-pulmonar-ep Condições que dificultam o retorno venoso e causam lesão ou disfunção endotelial, especialmente em pacientes com estado hipercoagulável subjacente Fatores de Risco TABELA 1: Fatores de Risco para tromboembolismo pulmonar (BRANDÃO et al, 2022, p.1464) Risco Alto (OR > 10) Risco Intermediário (OR < 9) Risco Baixo (OR < 2) - Antecedentes - IAM < 3 meses - Internação recente por IC ou FA - Artroplastia (quadril ou joelho) - Fratura MMII - Lesão Medular - Politrauma - IC descompensada - Artroscopia (joelho) - AVE (acometim. motor) - Ins. Resp. Aguda - Infecção ITU, PAC, HIV - Cateter Ven. Central - Neoplasias - metást. - Quimioterapia - Parto e puerpério - Uso de anticpc.oral - Idade avançada - HAS - Viagem prolongada ou fator de imobilide - Obesidade - DM - Gravidez - Laparoscopia - Veias varicosas - Repouso leito > 3d. Epidemiologia 02 TEP é a terceira maior causa de doença cardiovascular no mundo, com 75 a 269 casos para cada 100.000 habitantes. Nos Estados Unidos estimam-se 600.000 a 900.000 episódios de TEP por ano. Um estudo realizado pelo JBP observou que têm aumento do número de internações hospitalares por TEP: a média de internações no Brasil em 2008 e 2019, respectivamente, foi de 2,57/100.000 habitantes e 4,44/100.000 habitantes. Fisiopatologia 03 You can enter a subtitle here if you need it Classificação do TEP O padrão temporal de apresentação: •Agudo – Sintomas e sinais imediatamente após a obstrução dos vasos pulmonares. •Subaguda – Dias ou semanas após o evento inicial. •Crônica – Desenvolvem lentamente sintomas de hipertensão pulmonar ao longo de muitos anos (ou seja, hipertensão pulmonar tromboembólica crónica; HPTEC). Classificação da TEP: Maciço → PAs < 90mmHg ou queda ≥ 40mmHg na sistólica basal por mais de 15 minutos Moderado/Grande → Pressão Normal + Dilatação/discinesia de VD no ECO Pequeno/Moderado → Pressão normal e sem disfunção de VD Espiral da Morte na Fisiopato da TEP Pós-carga de VD aumentada Dilatação de VD Insuf. Tricúspide ↑ Tensão Parede VD Ativação Neuro-hormonal Inflamação MIocárdio ↑Demanda de O2 do VD Shunting Arteriovenoso Isquemia de VD; lesão hipóxica ↓Contratilidade do VD ↓Saída do VD ↓Pré-carga do VE ↓PA sistêmica ↓Perfusão coronariana no VD↓Entrega de O2 do VD MORTE Choque Obstrutivo Adaptado de Brandão et al, 2022, p.1469 Clínica 04 You can enter a subtitle here if you need it TEP Periférico: - Hemoptise - Dor pleurítica - Dispneia Leve - Infarto Pulmonar Manifestações por local de obstrução: TEP Proximal: - Dispneia Grave - Dor retroesternal - Lipotimia - Síncope - Choque Obstrutivo Adaptado de Brandão et al, 2022, p.1471 TABELA 2: Sinais e sintomas em pacientes com tromboembolismo pulmonar confirmado na chegada ao departamento de emergência (BRANDÃO et al, 2022, p.1472) Sinal/sintoma Prevalência Sinal/sintoma Prevalência - Dispneia em Repouso - Dor Torácica Pleurítica - Dispneia aos esforços - Edema Assimétrico de MMII - Esforço Respiratório - Tosse Seca - Dor Torácica - Tontura - Diaforese 50,1% 39,4% 27% 23,5% 16,4% 22,9% 15,2% 12,2% 11,7% - Dor Abdominal - Estertores - Febre - Sudorese - Hemoptise - Dor Unilateral de MI - Síncope - Alteração do Nìvel de Consciência - Angina 10,7% 8,4% 9,7% 7,1% 7,6% 5,9% 5,5% 4,8% 3,9% Sinais e Sintomas Diagnóstico 05 GOLIN; SPROVIERI; PESSOA, 2012, p. 238 - 241 Algoritmo: Diagnóstico de TEP História, Exame Físico e Cenário Clínico Determinar Probabilidade Clínica ECG e Raio-x de TóraxPaciente no PS Paciente Hospitalizado Dímero D Normal Elevado TEP Descartado Angio TC de Tórax Cintilografia Pulmonar se Alergia ao Contraste/IRC Normal TEP DescartadoPositivo Duvidoso TEP Confirmado US Doppler de MMII Considerar Arteriografia Pulmonar TABELA: Escore de probabilidade clínica (Wells) Fatores de Risco Sinais Clínicos e Sintomas de TVP 3,0 Diagx alternativo menos provável que TEP 3,0 FC> 100 BPM 1,5 Imobilização Ou Cirurgia Nas últimas 4 semanas 1,5 Tromboembolismo Venoso Prévio 1,5 Hemoptise 1,0 Câncer 1,0 Probabilidade Baixa (<2), Intermediária (2-6), Alta (>6). Diagnóstico Diferencial ● Pneumonia ● Pneumotórax ● Asma ● DPOC exacerbada ● Edema Pulmonar ● IAM ● Pericardite ● ICC ● Dissecção De Aorta ● Hipertensão Pulmonar ● Neoplasia Pulmonar ● Fratura de Costela ● Costocondrite ● Mialgia TABELA: Exames Complementares Raio-x de Tórax Oligemia /Sinal de Westermark Alargamento do Ramo Descendente de Artéria Pulmonar Direita/Sinal de Palla Corcova de Hampton / Infarto Pulmonar Atelectasia Elevação de Cúpulas Frênicas Derrame Pleural Gasometria Arterial Hipocapnia Hipoxemia Acidose Metabólica (TEP Maciço) P [A-a]O2 > 20 mmHg (gradiente alvéolo-arterial de 02) Dosagem Sérica De Dímero D Elevada TABELA: Exames Complementares ECG Taquiarritmias / Taquicardia Sinusal BRD Desvio de Eixo / Direita P. Pulmonale Padrão S1Q3T3 Onda Tinvertida / derivações precordiais Ecocardiograma Dilatação/ hipocinesia de VD Desvio do Septo IV p/ esquerda Regurgitação em valva Tricúspide Acinesta da Parede livre do VD poupando o ápice,Êmbolo em Câmara direita ou artéria Pulmonar (ECO Transesofágico) Tratamento 06 GOLIN; SPROVIERI; PESSOA, 2012, p. 240 - 243 ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO TEV: Sem Instabilidade Hemodinâmica Instabilidade Hemodinâmica ↓BNP ↓Troponina ↓VD na TC ↑BNP ↑Troponina ↑VD na TC ECOCARDIOGRAMA Sem Disfunção de VD Disfunção de VD Somente Anticoagulação Considerar Fibrinólise / Embolectomia Algoritmo para Tratamento de TEP TEP Estratificar o Risco Baixo ou Intermediário Alto Somente Anticoagulação Consid. Fibrinólise ou Embolectomia Heparina; HBPM ou Fondaparinux Heparina Warfarina, RNI alvo (2,0 - 3,0) por 6 meses Suspender Anticoagulação se TEP causado por cirurgia ou trauma Para TEP idiopático, manter anticoagulação por duração indefinida HNF Intravenosa HNF Intravenosa IV - Doses Dose Inicial: 80U/kg Manutenção: 18U/kg TTPa (segundos) RT (Controle) Dose de Infusão Ajustada <35 <1,2 80U/kg, em bolus, ↑4U/kg/h 35 a 45 1,2 a 1,5 40U/kg, em bolus, ↑2U/kg/h 46 a 70 1,5 a 2,3 Sem alterações 71 a 90 2,3 a 3 ↓2U/kg/h >90 >3 Pausa de 1 hora; -13U/kg/h Monitoração - TTPa antes da infusão - 1o dia: 6/6h; até ajuste de dose, após: - Diariamente ou após ajuste de dose Reversão - Anticoagulação - Protamina 1mg/100 U de HNF Efeitos Adversos Sangramento, trombocitopenia induzida por heparina, osteoporose HBPM e Inibidor do Fator Xa Heparina de Baixo Peso Molecular Dose Enoxaparina 100UI antifator Xa/kg a cada 12 horas (1 mg = 100 U antifator Xa Nadroparina 900UI antifator Xa a cada 12 horas Inibidor específico do fator Xa Dose Fondaparinux 7,5 mg, SC, 1 x/dia (5 mg, SC, 1x / dia se peso < 50kg ; 10mg, SC, 1x / dia, se peso > 100kg) Reversão da anticoagulação Até oito horas do uso de enoxaparina: Protamina 1mg/100UI antifator Xa; se persistência de sangramento doses adicionais de protamina 0,5mg Situações Especiais Pacientes com clearance de creatinina < 30 ml/min têm maior risco de sangramentos (preferir uso de HNF) P. Obesos podem requerer controle de atividade antifator Xa Duração da Anticoagulação Primeiro episódio secundário a fatores de risco reversíveis Mínimo: três meses Primeiro episódio de TEV idiopático De seis a 12 meses Considerar permanente TEV recorrente (dois ou mais episódios) Permanente Primeiro episódio, fatores de risco permanentes Dozemeses ou permanente Em câncer, três a seis meses HBPM, seguidos de anticoagulação permanente ou até resolução TEV e gestação Seis semanas a três meses após o parto Anticoagulante oral associado a efeitos teratogênicos e risco de sangramento fetal Durante gestação: HNF ou HBPM Fibrinolíticos Estreptoquinase 250.000 UI, IV, em 30 minutos + 100.000 U/h por 24 horas Tempo de infusão poderá ser prolongado por até 72 horas (segundo estudos iniciais), porém infusões em menor tempo parecem se relacionar a lise mais rápida do coágulo e menor taxa de sangramento rt-PA (alteplase): 100 mg, IV, em 2 horas 0,6 mg/kg (máximo 50 mg, IV, em < 15 minutos - pacientes com forte suspeita clínica de TEP em iminência ou em PCR) REFERÊNCIA AMADO, Veronica Moreira; SANTANA, Alfredo Nicodemos Cruz. Desafios assistenciais aos pacientes com tromboembolismo pulmonar no Brasil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 48, 2022. BRANDÃO, N. E. T. O. et al.. Manual de medicina de emergência: disciplina de emergências clínicas: Hospital das Clínicas da FMUSP. 16. MANOLE. 2022 GOLIN, Valdir; SPROVIERI, Sandra Regina Schwarzwälder; PESSOA, Adriana Rodrigues (Edit). Condutas em urgências e emergências para o clínico. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atheneu, 2012. 1258 p. ISBN: 9788538802747. Overview of acute pulmonary embolism in adults - UpToDate https://www.uptodate.com/contents/overview-of-acute-pulmonary-embolism-in-adults?search=tromboembolismo%20pulmonar&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1 Obrigada!