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G393 Ges tão logística da cadeia de suprimentos [recurso eletrônico] / Donald J. Bowersox ... [et al.] ; revisão técnica: Alexandre Pignanelli ; tradução: Luiz Claudio de Queiroz Faria. – 4. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2014. Editado também como livro impresso em 2014. ISBN 978-85-8055-318-5 1. Logística Empresarial. 2. Administração – Material – Logística. I. Bowersox, Donald J. CDU 658.7 Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB-10/2052 Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 2 1/10/14 4:33 PM 32 PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos A logística envolve a gestão do processamento de pedidos, estoques, transportes e a combi- nação de armazenamento, manuseio de materiais e embalagem, todos integrados por uma rede de instalações. Seu objetivo é apoiar as necessidades operacionais de suprimento, manufatura e atendimento ao cliente na cadeia de suprimentos. Dentro de uma empresa, o desafio é coorde- nar a competência funcional em uma cadeia de suprimentos integrada voltada para o serviço aos clientes. No contexto mais amplo da cadeia de suprimentos, é essencial a sincronização operacional com os clientes e com os fornecedores de matéria -prima e serviços para unir as operações internas e externas, tornando -as um processo integrado. A logística refere -se à responsabilidade de projetar e administrar sistemas para contro‑ lar o transporte e a localização geográfica dos estoques de matérias ‑primas, de pro‑ dutos em processo e acabados pelo menor custo total. Alcançar o menor custo total significa que os ativos financeiros e humanos aplicados na logística devem ser mínimos. Também é necessária para manter as despesas operacionais no nível mais baixo possível. As combinações de recursos, habilidades e sistemas necessários para alcançar uma logística supe- rior são difíceis de integrar, mas, uma vez alcançada, é difícil os concorrentes reproduzirem essa competência integrada. Este capítulo concentra -se na contribuição da logística à gestão integrada da cadeia de su- primentos. Em primeiro lugar, são enfatizados o custo e o serviço. Em seguida, a proposição de valor logístico é desenvolvida. Depois, as funções tradicionais que se combinam para criar o processo logístico são analisadas. Posteriormente, os objetivos da logística integrada são avalia- dos. Por fim, a importância da sincronização logística para a integração da cadeia de suprimen- tos é destacada em termos da estrutura e da dinâmica do ciclo de atividades. A LOGÍSTICA EMPRESARIAL É GRANDE E IMPORTANTE É Por Meio Do ProceSSo logístico que a matéria -prima chega até a capacidade produtiva de uma nação industrializada e os produtos acabados são distribuídos aos consumidores. O recente cres- cimento do comércio global expandiu o tamanho e a complexidade das operações logísticas. A logística agrega valor aos processos da cadeia de suprimentos quando o estoque é es- trategicamente posicionado para gerar vendas. Criar valor logístico é algo dispendioso. Embora difícil de medir, a maioria dos especialistas concorda que a despesa anual para rea- lizar a logística nos Estados Unidos em 2010 foi de aproximadamente 8,3% dos $ 14,59 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB), ou $ 1,211 trilhão.1 As despesas de transporte em 2010 foram de $ 769 bilhões, o que representou 63,5% do custo logístico total. Como ilustra a Tabela 2.1, a logística empresarial é realmente um grande negócio! Apesar das elevadas despesas com logística, seu ponto empolgante não é o refreamento ou a redução de custos. A empolgação vem de entender de que modo as empresas usam a compe- tência logística para ajudar a obter vantagens competitivas. Empresas que têm uma competên- cia logística de alto nível conquistam vantagens competitivas como resultado de fornecer um serviço superior a seus clientes mais importantes. As que têm melhor desempenho usam uma tecnologia da informação capaz de monitorar a atividade logística global em tempo real. Tal tecnologia identifica problemas operacionais potenciais e facilita a ação corretiva antes de a falha ocorrer no serviço. Em situações em que a correção oportuna não é possível, os clientes podem receber um aviso antecipado dos problemas que estão ocorrendo, eliminando, assim, a surpresa de uma falha inevitável no serviço. Em muitas situações, ao se trabalhar em colabora- 1 Rosalyn Wilson, 22nd Annual “State of Logistics Report,” Council of Supply Chain Management Professionals. Oak Brook, IL, June 2011. Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 32 1/10/14 4:33 PM esaito Retângulo Logística CAPÍTULO 2 33 ção com clientes e fornecedores, é possível tomar uma medida corretiva para evitar paralisações operacionais ou falhas dispendiosas no serviço ao cliente. Por apresentarem um desempenho acima da média do setor em relação à disponibilidade de estoque, à velocidade e consistência das entregas e eficiências operacionais, empresas com sofisticação logística são parceiras ideais para a cadeia de suprimentos. A PROPOSIÇÃO DE VALOR LOGÍSTICO atÉ aqUi, eStabeleceMoS que a logística deve ser administrada como um esforço integrado para atingir a satisfação do cliente pelo menor custo total. A logística realizada dessa maneira gera valor. Nesta seção, discutiremos com mais detalhes os elementos da proposição de valor logístico – serviços e minimização dos custos. BENEFÍCIOS DOS SERVIÇOS Praticamente qualquer nível de serviço logístico pode ser realizado se uma empresa estiver disposta a aplicar os recursos necessários. No ambiente operacional de hoje, o fator limitador é econômico, e não tecnológico. Por exemplo, um estoque dedicado pode ser mantido em pro- ximidade geográfica a um cliente importante. Uma frota de caminhões pode ser mantida em constante estado de prontidão para realizar entregas. Para facilitar o processamento de pedi- dos, podem ser mantidas comunicações dedicadas em tempo real entre um cliente e a opera- ção logística de um fornecedor. Dado esse alto grau de prontidão logística, um produto ou componente pode ser entregue minutos depois do recebimento de uma solicitação do cliente. A disponibilidade pode ser ainda mais rápida quando um fornecedor concorda em consignar estoques dentro das instalações de um cliente, eliminando a necessidade de realizar operações logísticas quando um produto é solicitado. A logística necessária para apoiar a consignação é realizada antes de surgir no cliente a necessidade do produto. Embora esse compromisso extre- mo com os serviços possa constituir o sonho de um gerente de vendas, ele é dispendioso e normalmente não é necessário para apoiar a maior parte das expectativas dos clientes e das operações de produção. A questão estratégica fundamental é como ter um desempenho melhor que o dos concor- rentes, com uma boa relação custo -benefício. Se uma matéria -prima específica não estiver disponível no momento em que é necessária na produção, pode causar a paralisação de uma fábrica, resultando em um custo significativo, na perda de vendas potenciais e até na perda de negócios com um cliente importante. O impacto de tais falhas sobre o lucro pode ser expressi- vo. Em contrapartida, o impacto de um atraso inesperado de um ou dois dias na entrega de TABELA 2.1 Custos logísticos nos Estados Unidos, 1980 ‑2010 ($ bilhões, exceto PIB). Ano PIB nominal ($ trilhões) Custo de Manutenção de Estoques Custos de Transportes Custos Administrativos Custo Logístico Total Logística (% do PIB) 1980 2,80 220 214 17 451 16,1 1985 4,22 227 274 20 521 12,3 1990 5,80 283 351 25 659 11,4 1995 7,40 302 441 30 773 10,4 2000 9,82 374 594 39 1.007 10,3 2005 12,43 395 739 46 1.180 9,5 2010 14,60 396 769 47 1.212 8,3 Fonte: Adaptado de Rosalyn Wilson, 22nd Annual “State of Logistics Report”, Council of Supply Chain Management Professionals. Oak Brook, IL, 2011. Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 33 1/10/14 4:33 PM 34 PARTE 1 Gestão logística da cadeiade suprimentos produtos para reposição de estoque nos depósitos pode ser mínimo ou mesmo insignificante em termos de impacto sobre o desempenho operacional total. Na maioria das situações, o impacto de uma falha logística sobre a relação custo -benefício está diretamente relacionado à importân- cia do serviço para o cliente. Quanto mais significativo o impacto da falha no serviço sobre a empresa de um cliente, maior a prioridade dada ao desempenho logístico sem erros. O desempenho logístico básico é medido em termos de disponibilidade de estoque, desem- penho operacional e confiabilidade do serviço. O termo serviço logístico básico descreve o nível de serviço que uma empresa presta a todos os clientes. A disponibilidade envolve ter estoques para atender às constantes necessidades dos clien- tes em termos de matérias -primas ou produtos. O paradigma tradicional tem sido: quanto maior a disponibilidade desejada, maiores a quantidade e o custo do estoque. A tecnologia da informação, que facilita a flexibilidade do sistema, está proporcionando novas formas de obter alta disponibilidade para os clientes sem um investimento igualmente elevado em estoques. As informações que facilitam a flexibilidade em relação à disponibilidade do estoque são funda- mentais para chegar ao desempenho logístico de alto nível. O desempenho operacional lida com o tempo necessário para entregar o pedido de um clien- te. O desempenho operacional envolve a velocidade e a consistência da entrega. Naturalmente, a maioria dos clientes deseja uma entrega rápida. No entanto, ela tem importância limitada se não for consistente com a entrega seguinte. Um cliente obtém poucos benefícios quando um fornece- dor promete entrega no dia seguinte mas em geral se atrasa. Para obter operações sem obstáculos, as empresas normalmente se concentram primeiro na consistência da entrega e depois buscam melhorar a velocidade da entrega. Outros aspectos do desempenho operacional também são im- portantes. O desempenho operacional de uma empresa pode ser avaliado de acordo com sua flexibilidade para atender a solicitações incomuns e inesperadas dos clientes. Outro aspecto do desempenho operacional é a frequência das falhas e, quando elas ocorrem, o tempo normal de re- cuperação. Poucas empresas desempenham seu papel perfeitamente o tempo todo, por isso é im- portante estimar a probabilidade de algo dar errado. As falhas referem -se à probabilidade de erros no desempenho logístico, como produtos danificados, variedade incorreta ou documentação sem rigor. Quando ocorrem as falhas, a competência logística de uma empresa pode ser medida pelo tempo de recuperação. O desempenho operacional preocupa -se com o modo como uma empre- sa lida com todos os aspectos das solicitações dos clientes, incluindo falhas no serviço, dia após dia. A confiabilidade do serviço envolve os atributos relacionados à qualidade da logística. O segredo da qualidade é a medição cuidadosa da disponibilidade e do desempenho operacio- nal. Apenas com uma medição abrangente do desempenho é possível determinar se as opera- ções logísticas em geral estão atingindo os objetivos desejados em termos de serviço. Para alcançar a confiabilidade do serviço, é essencial identificar e implementar a disponibilidade do estoque e as medições de desempenho operacional. Para que o desempenho logístico atenda constantemente às expectativas dos clientes, é essencial que a administração esteja comprome- tida com a melhoria contínua. A qualidade logística não ocorre com facilidade, ela é produto de um cuidadoso planejamento apoiado por treinamento dos funcionários, dedicação operacio- nal, medições abrangentes e melhoria contínua. Para incrementar o desempenho em serviços, é necessário estabelecer objetivos de modo seletivo. Alguns produtos são mais críticos que ou- tros devido à sua importância para o cliente e sua relativa contribuição ao lucro. O nível do serviço logístico básico deve ser realista em termos das expectativas e solicitações dos clientes. Na maioria dos casos, as empresas se confrontam com situações em que os clientes têm potencial de compra significativamente diferente. Alguns clientes exigem serviços exclusi- vos ou especiais com valor agregado. Portanto, os administradores devem perceber que os Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 34 1/10/14 4:33 PM Logística CAPÍTULO 2 35 clientes são distintos e que os serviços fornecidos devem ser criados para atender a diferentes solicitações e potenciais de compra. Em geral, as empresas tendem a ser excessivamente otimis- tas quando se trata do compromisso com o desempenho do serviço básico ao cliente. A incapa- cidade de atender constantemente a um objetivo de serviços básicos com expectativas muito altas pode resultar em mais problemas operacionais e de relacionamento com os clientes do que se objetivos menos ambiciosos fossem definidos desde o início. Compromissos com serviços extremamente abrangentes também podem diluir a capacidade de uma empresa satisfazer a solicitações especiais de clientes com alto potencial. MINIMIZAÇÃO DE CUSTOS O foco da logística pode ser rastreado a partir de progressos relativamente recentes da teoria e da prática do custo total. Em 1956, uma monografia clássica que descrevia o potencial de eco- nomia utilizando transporte aéreo proporcionou uma nova perspectiva em relação ao custo logístico.2 Em um esforço para explicar sob que condições um meio de transporte de alto custo poderia ser justificado, Lewis, Culliton e Steele conceitualizaram o modelo logístico do custo total, que foi definido para incluir todos os gastos necessários para atender aos requisitos logís- ticos. Os autores ilustraram uma estratégia de distribuição de peças eletrônicas na qual o alto custo variável do transporte aéreo direto da fábrica para o consumidor era mais do que com- pensado por reduções nos custos de estoque e depósito. Eles concluíram que o modo logístico de menor custo para prestar o serviço desejado ao cliente era centralizar o estoque em um de- pósito e fazer entregas usando o transporte aéreo. O conceito de custo total não havia sido aplicado anteriormente às operações logísticas. Provavelmente, devido ao clima econômico da época e ao afastamento radical da prática tra- dicional, a proposição de custo total gerou muita discussão. A prática administrativa predomi- nante, reforçada pelo controle contábil e financeiro, era concentrar-se em alcançar o menor custo possível para cada função individual da logística com pouca ou nenhuma atenção aos trade‑offs do custo total integrado. Os administradores tradicionalmente se concentravam em minimizar o custo funcional, como transportes, na expectativa de que tal esforço levaria a custos combinados mais baixos. O desenvolvimento do conceito de custo total abriu as portas para a avaliação de como os custos funcionais se relacionam e causam impacto um no outro. Aprimoramentos subsequentes proporcionaram entendimento mais abrangente dos compo- nentes do custo logístico e identificaram a necessidade crítica de desenvolver habilidades de aná- lise do custo funcional e do custeio baseado em atividades. No entanto, a implementação do processo logístico eficaz continua sendo um desafio no século XXI. Diversas práticas antigas de contabilidade, ainda em uso, constituem barreiras à implementação completa de soluções logís- ticas de custo total. GERAÇÃO DE VALOR LOGÍSTICO A chave para alcançar a liderança logística é conhecer a fundo a arte de combinar a competên- cia operacional e o compromisso com o atendimento às expectativas e solicitações fundamen- tais dos clientes. Esse compromisso com o cliente, em uma estrutura de custos exata, é a proposição de valor logístico. Constitui um compromisso exclusivo de uma empresa com um indivíduo ou grupos de clientes selecionados. A empresa comum busca desenvolver e implementar uma competência logística geral que satisfaça às expectativas dos clientes com um custo total realista.Muito raramente um dos dois 2 Howard T. Lewis, James W. Culliton, and Jack D. Steele, The Role of Air Freight in Physical Distribution (Boston: Harvard University Press, 1956). Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 35 1/10/14 4:33 PM 36 PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos – menor custo total ou melhor serviço possível ao cliente – constituirá a estratégia logística adequada. Da mesma forma, a combinação desejada será diferente para clientes diferentes. Um esforço logístico bem projetado deve proporcionar alto impacto sobre o cliente ao mesmo tempo que controla a variação operacional e minimiza o comprometimento de estoques. Acima de tudo, ele deve ser relevante para clientes específicos. As ferramentas que ajudam a administração na medição dos trade‑offs entre custo e serviço avançaram significativamente. Formular uma estratégia sensata exige habilidade de estimar o custo operacional necessário para atingir níveis alternativos de serviços. Da mesma forma, ní- veis alternativos de desempenho do sistema são irrelevantes, a menos que sejam vistos como estratégias gerais para suprimento, manufatura e atendimento aos clientes. O projeto da cadeia de suprimentos é o foco da Parte III. Empresas líderes percebem que um sistema logístico bem projetado e bem administrado pode ajudar a obter vantagens competitivas. Na verdade, como regra geral, empresas que con- quistam uma vantagem estratégica com base na competência logística estabelecem a natureza da concorrência no setor em que atuam. O FUNCIONAMENTO DA LOGÍSTICA no contexto Da geStão da cadeia de suprimentos, a logística existe para transportar e po- sicionar estoques com o objetivo de conquistar benefícios relacionados ao tempo, ao local e à propriedade desejados pelo menor custo total. O estoque tem valor limitado até que esteja posicionado no momento e no local certos para apoiar a transferência de propriedade ou a criação de valor agregado. Se uma empresa não satisfaz consistentemente aos requisitos de tempo e de local, ela não tem nada para vender. Para que uma cadeia de suprimentos extraia o máximo de benefício estratégico da logística, toda a gama de trabalho funcional deve estar integrada. As decisões em uma área funcional terão impacto sobre o custo de todas as outras. É essa inter -relação de funções que desafia a implementação bem -sucedida da gestão logísti- ca integrada. A Figura 2.1 apresenta uma representação visual da natureza inter -relacional das cinco áreas do trabalho logístico: (1) processamento de pedidos; (2) estoques; (3) transpor- tes; (4) armazenamento, manuseio de materiais e embalagem; e (5) rede de instalações. O trabalho integrado relacionado a essas áreas funcionais gera as habilidades necessárias para obter valor logístico. PROCESSAMENTO DE PEDIDOS O valor da informação acurada para alcançar um desempenho logístico superior tem sido his- toricamente subestimado. Embora muitos aspectos da informação sejam essenciais para as ope- rações logísticas, o processamento de pedidos é de extrema importância. A ausência de compreensão total dessa importância resultou da falta de entendimento de como a distorção e as falhas operacionais no processamento de pedidos impactam as operações logísticas.3 O benefício do rápido fluxo de informações está diretamente relacionado ao equilíbrio do trabalho. Não faz muito sentido uma empresa acumular pedidos em um escritório de vendas local durante uma semana, enviá -los a um escritório regional, processar os pedidos em lote, designá -los a um depósito de distribuição e depois enviá -los por frete aéreo para obter uma entrega rápida. Por outro lado, a comunicação via Internet de pedidos diretamente do cliente, combinada com transporte mais lento e menos dispendioso por terra, pode gerar um serviço de 3 Benson P. Shapito, V. Kasturi Raugau, and John J. Sviokla, “Staple yourself to an order,” Harvard Business Review, July-August 1992, pp. 113-121. Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 36 1/10/14 4:33 PM Logística CAPÍTULO 2 37 entrega mais rápido e constante por um custo total mais baixo. O objetivo principal é equilibrar os componentes do sistema logístico. A previsão e a comunicação das solicitações dos clientes são as duas áreas de trabalho logís- tico impulsionadas pela informação. A importância relativa de cada faceta da informação ope- racional é diretamente associada ao grau em que a cadeia de suprimentos está posicionada para funcionar de modo puxado ou empurrado. Esse equilíbrio entre operações impulsionadas pela capacidade de resposta e pela previsão, discutido no Capítulo 1, constitui a mudança de para- digma básica que está ocorrendo no projeto das cadeias de suprimentos do século XXI. Quanto mais puxado o projeto da cadeia de suprimentos, maior a importância de informações acuradas e oportunas relacionadas ao comportamento de compra do cliente. Na maioria das cadeias de suprimentos, as solicitações dos clientes são transmitidas no formato de pedidos. O processamento desses pedidos envolve todos os aspectos de administra- ção dessas solicitações, incluindo o recebimento inicial do pedido, a entrega, o faturamento e a cobrança. As habilidades logísticas de uma empresa são tão boas quanto sua competência no processamento de pedidos. ESTOQUES As necessidades de estoque de uma empresa estão diretamente ligadas à rede de instalações e ao nível desejado para o serviço ao cliente. Teoricamente, uma empresa pode estocar todos os itens vendidos em todas as instalações dedicadas a servir a cada cliente. Poucas empresas po- dem sustentar tal estratégia de estoques suntuosa porque o risco e o custo total são proibitivos. O objetivo de uma estratégia de estoques é conseguir o desejado serviço ao cliente com o míni- mo de comprometimento de estoque. O excesso de estoque pode compensar deficiências no projeto básico de um sistema logístico, mas acabará resultando em um custo logístico mais alto que o necessário. Estratégias logísticas devem ser projetadas para manter o menor investimento financeiro possível em estoques. O objetivo principal é conseguir o máximo de giro do estoque ao mesmo tempo que as necessidades de serviço são satisfeitas. Uma estratégia de estoques sensata baseia- -se na combinação de cinco aspectos do desdobramento seletivo: (1) segmentação dos principais clientes; (2) rentabilidade do produto; (3) integração dos transportes; (4) desempenho baseado no tempo; e (5) desempenho competitivo. Gestão logística integrada Processamento de pedidos Transportes Estoques Rede de instalações Armazenamento/ Manuseio de materiais/ Embalagem FIGURA 2.1 Logística integrada. Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 37 1/10/14 4:33 PM 38 PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos Toda empresa que vende a uma variedade de clientes diferentes enfrenta uma demanda irregular. Alguns clientes são altamente lucrativos e têm excelente potencial de crescimento; outros não. A rentabilidade dos negócios de um cliente depende dos produtos comprados, do volume, do preço, dos serviços com valor agregado exigidos e das atividades complementares necessárias ao desenvolvimento e à manutenção de um relacionamento duradouro. Uma vez que os clientes altamente lucrativos constituem o mercado principal de toda empresa, as estra- tégias de estoque devem se concentrar neles. A chave para a segmentação logística eficaz está nas prioridades de estoque dedicadas a apoiar os clientes essenciais. A maioria das empresas passa por uma variação substancial no volume e na lucratividade das diversas linhas de produtos. Se nenhuma restrição for aplicada, uma empresa pode descobrir que menos de 20% de todos os produtos comercializados são responsáveis por mais de 80% do lucro total. Embora a regra conhecida como regra dos 80/20 – ou princípio de Pareto – seja comum nos negócios, os administradores devem evitar tais resultados implementando estratégias de estoque baseadasna classificação ABC. Uma avaliação realista do valor incremental agrega- do pelo estoque de produtos com baixa lucratividade ou baixo volume é fundamental para evitar o excesso de estoque. Por motivos óbvios, uma empresa deseja oferecer alta disponibilidade e entrega consistente de seus produtos mais lucrativos. No entanto, pode ser necessário um alto nível de apoio a itens menos lucrativos com o intuito de fornecer um serviço completo a clientes importantes. A armadilha que se deve evitar é o alto desempenho de serviços em itens menos lucrativos adquiridos por clientes eventuais ou sem importância. Portanto, a análise da lucrativi- dade da linha de produtos é essencial no desenvolvimento de uma política seletiva de estoques. O plano de estocagem do produto em uma instalação específica tem impacto direto sobre o desempenho do transporte. A maioria das tarifas de frete baseia -se no volume e no tamanho da carga. Sendo assim, uma estratégia sensata pode ser estocar uma gama ou variedade suficiente de produtos em um depósito para poder montar cargas consolidadas. A economia correspondente em transportes pode mais que compensar o aumento do custo de manter o estoque. O grau de comprometimento de uma empresa com a entrega rápida de produtos para atender aos requisitos de estoque de um cliente é um importante fator competitivo. Se produtos e materiais puderem ser entregues rapidamente, os clientes não terão necessidade de manter grandes estoques. Da mesma forma, se as lojas puderem ser reabastecidas rapidamente, menos estoque de segurança será necessário. A alternativa ao acúmulo de estoques e à manutenção de estoques de segurança é receber um reabastecimento de estoque preciso e no momento correto. Embora tais programas baseados no tempo reduzam o estoque do cliente ao mínimo, a econo- mia deve ser calculada em relação a outros custos da cadeia de suprimentos que ocorrem como resultado do processo logístico sensível ao tempo. Por fim, as estratégias de estoque não podem ser criadas em um vácuo competitivo. Normalmente, uma empresa é mais desejada que seus concorrentes se puder prometer e cum- prir uma entrega rápida e consistente. Portanto, pode ser necessário posicionar o estoque em um depósito específico para obter vantagens competitivas mesmo que tal investimento aumen- te o custo total. Políticas de desdobramento seletivo de estoques podem ser essenciais para obter uma vantagem de serviço ao cliente ou para neutralizar um ponto forte de um concorrente. Os estoques de matérias -primas e componentes existem em um sistema logístico por motivos diferentes daqueles do estoque de produtos acabados. Cada tipo de estoque e seu nível devem ser vistos por uma perspectiva de custo total. Entender a inter -relação entre processamento de pedidos, estoques, transportes e rede de instalações é fundamental para a logística integrada. Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 38 1/10/14 4:33 PM Logística CAPÍTULO 2 39 TRANSPORTES O transporte é a área operacional da logística que movimenta e posiciona geograficamente os estoques. Devido à sua importância fundamental e ao custo visível, o transporte tradicional- mente tem recebido considerável atenção dos administradores. Quase todas as empresas, gran- des e pequenas, têm gestores responsáveis pelo transporte. As necessidades relacionadas ao transporte podem ser satisfeitas de três maneiras básicas. Primeiro, pode -se operar uma frota particular de veículos. Segundo, podem ser feitos contratos com especialistas dedicados ao transporte. Terceiro, uma empresa pode contratar os serviços de uma ampla variedade de transportadoras que prestam diferentes serviços conforme necessário, de acordo com os tipos de cargas. Do ponto de vista do sistema logístico, três fatores são funda- mentais para o desempenho nos transportes: (1) custo; (2) velocidade; e (3) consistência. O custo do transporte é o pagamento por carregamento entre duas localizações geográ- ficas e as despesas de manter o estoque em trânsito. Os sistemas logísticos deveriam utilizar transportes que minimizam o custo total do sistema. Isso pode significar que o método menos dispendioso de transporte pode não resultar no menor custo total da logística. A velocidade do transporte é o tempo necessário para completar uma movimentação específica. A velocidade e o custo do transporte se relacionam de duas maneiras. Primeiro, empresas transportadoras capazes de oferecer um serviço mais rápido normalmente cobram tarifas mais altas. Segundo, quanto mais rápido o serviço de transporte, menor o tempo em que o estoque fica em trânsito e indisponível. Portanto, um aspecto crítico da seleção do método de transporte mais desejável é o equilíbrio entre a velocidade e o custo do serviço. A consistência do transporte refere -se às variações no tempo necessárias para realizar uma movimentação específica em certo número de carregamentos. A consistência reflete a confiabili- dade do transporte. Durante anos, os gerentes de transporte têm identificado a consistência como o atributo mais importante do transporte de qualidade. Se um envio entre dois locais leva três dias na primeira vez e seis na seguinte, a variação inesperada pode gerar sérios problemas operacionais na cadeia de suprimentos. Quando o transporte não é consistente, é necessário fazer estoques de segurança para se proteger contra interrupções no serviço que têm impacto sobre o comprometi- mento geral do estoque do comprador e do vendedor. Com o advento da nova tecnologia da in- formação para controlar e registrar a situação dos carregamentos, os gerentes logísticos começaram a buscar uma movimentação mais rápida ao mesmo tempo que mantinham a consistência. A velocidade e a consistência se combinam para gerar o aspecto da qualidade do transporte. No projeto de um sistema logístico, deve -se conseguir um equilíbrio delicado entre o custo do transporte e a qualidade do serviço. Em algumas circunstâncias, o transporte lento e de baixo custo é satisfatório. Em outras, um serviço mais rápido pode ser essencial para atingir objetivos operacionais. Encontrar e administrar o composto de transporte desejado por toda a cadeia de suprimentos é uma responsabilidade importante da logística. ARMAZENAMENTO, MANUSEIO DE MATERIAIS E EMBALAGEM As três primeiras áreas funcionais da logística – processamento de pedidos, estoques e transpor- tes – podem ser organizadas em uma variedade de arranjos operacionais diferentes. Cada ar- ranjo tem potencial para contribuir em um nível específico de serviço ao cliente com um custo total associado. Em essência, essas funções se combinam para gerar uma solução sistemática para a logística integrada. A quarta funcionalidade – armazenamento, manuseio de materiais e embalagem – também é parte integrante da solução operacional da logística. No entanto, essas funções não têm o status independente das discutidas anteriormente. O armazenamento, o manuseio de materiais e a embalagem são partes integrantes de outras áreas logísticas. Por Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 39 1/10/14 4:33 PM 40 PARTE 1 Gestão logística da cadeia de suprimentos exemplo, o estoque normalmente precisa ser armazenado em momentos específicos ao longo do processo logístico. Veículos de transporte exigem o manuseio do material para uma carga e descarga eficiente. Por fim, os produtos são manuseados com mais eficiência quando em- balados em caixas para transporte ou em outros tipos de carregamentos. Quando são necessárias instalações de distribuição em um sistema logístico, uma empresa pode escolher entre contratar os serviços de um especialista em armazenamento ou operar sua pró- pria instalação. A decisão é mais abrangente do que simplesmente selecionar uma instalação para armazenar o estoque, já que muitas atividades que agregam valor podem ser realizadas durante o tempo em que os produtos estão armazenados. Exemplos de tais atividades incluem classificação, sequenciamento,separação de pedidos, consolidação do transporte e, em alguns casos, a modificação e a montagem do produto relacionadas a estratégias de postponement. Dentro do depósito, o manuseio de materiais é uma atividade importante. Os produtos de- vem ser recebidos, movimentados, armazenados, classificados e montados para atender os requi- sitos do pedido do cliente. A mão de obra direta e o capital investidos em equipamentos de manuseio de materiais são elementos significativos do custo logístico total. Quando realizada de forma inadequada, a manipulação pode resultar em substancial dano ao produto. Isso signi- fica que, quanto menos um produto é manuseado, menor é o potencial de danos. Existe uma variedade de dispositivos mecanizados e automatizados para ajudar no manuseio de materiais. Em essência, cada depósito e sua capacidade de manuseio representam um minissistema dentro do processo logístico total. Finalmente, uma parte importante da armazenagem é o recebimento, processamento e disposição das devoluções e do estoque danificado. Chamada geralmente de logística reversa, a maioria das empresas enfrenta a necessidade de processar e dispor o excesso de estoque e os itens danificados e/ou defeituosos. Para ajudar na eficiência no manuseio, os produtos em forma de latas, garrafas ou caixas normalmente são embalados em unidades maiores. Essa unidade maior, denominada caixa principal, tem duas funções importantes. Primeiro, serve para proteger o produto durante o processo logístico. Segundo, ela facilita o manuseio pois gera apenas um volume grande em vez de uma enorme quantidade de pequenas embalagens. Para conseguir manuseio e transporte eficientes, é comum as caixas principais serem consolidadas em unidades de carga maiores. Quando integrados de maneira eficaz às operações logísticas de uma empresa, o armazena- mento, o manuseio de materiais e a embalagem facilitam a velocidade e a facilidade geral do fluxo de produtos por todo o sistema logístico. Na verdade, muitas empresas desenvolveram processos para movimentar variedades de produtos das fábricas diretamente para lojas com pouco manuseio e armazenamento intermediários. PROJETO DA REDE DE INSTALAÇÕES A economia clássica negligenciou a importância da localização das instalações e do projeto geral da rede para as operações eficientes. Quando os economistas originalmente discutiram as relações de oferta e demanda, os diferenciais de localização das instalações e de custo do transporte foram considerados inexistentes ou iguais entre os concorrentes.4 Nas operações de negócios, no entanto, o número, o tamanho e a relação geográfica das instalações utilizadas para executar operações de 4 Alfred Weber, Theory of the Location of Industries, trad. Carl J. Friedrich (Chicago: University of Chicago Press, 1928); August Lösch, Die Rümliche Ordnung der Wirtschaft (Jena: Gustav Fischer Verlag, 1940); Edgar M. Hoover, The Location of Economic Activity (New York: McGraw -Hill Book Company, 1938); Melvin L. Greenhut, Plant Location in Theory and Practice (Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1956); Walter Isard et al., Methods of Regional Analysis: An Introduction to Regional Science (New York: John Wiley & Sons, 1960); Walter Isard, Location and Space Economy (Cambridge: The MIT Press, 1968); and Michael J. Webber, Impact of Uncer‑ tainty on Location (Cambridge: The MIT Press, 1972). Gestao Logistica_4ed_completo_eletrônico.indd 40 1/10/14 4:33 PM Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Página em branco