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1 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL AUTORIA Géssica Germana Fonseca Carlos Alberto Motta Pratti André Murilo de Souza Cavalcante 32 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL F676l Fonseca, Géssica Germana. Logística empresarial / Géssica Germana Fonseca, Carlos Alberto Motta Pratti, André Murilo de Souza Cavalcante. – Vitoria : Multivix, 2018. 65 f. : il. ; 30 cm Inclui referências. 1. Logistica empresarial 2. Logistica reversa 3. Supply chain management I. Pratti, Carlos Alberto Motta II. Cavalcante, André Murilo de Souza III. Faculdade Multivix IV. Título. CDD: 658.78 EDITORIAL Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix 2017 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com R E I T O R A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999 atua no mercado capixaba, desta- cando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com quali- dade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colabora- dores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referên- cia em qualidade educacional. GRUPO MULTIVIX BIBLIOTECA MULTIVIX (DADOS DE PUBLICAÇÃO NA FONTE) FACULDADE MULTIVIX Diretor Executivo Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretora Acadêmica Eliene Maria Gava Ferrão Penina Diretor Administrativo Financeiro Fernando Bom Costalonga Conselho Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente do Conselho Editorial) Kessya Penitente Fabiano Costalonga Carina Sabadim Veloso Patrícia de Oliveira Penina Roberta Caldas Simões Revisão Técnica Alexandra Oliveira Alessandro Ventorin Graziela Vieira Carneiro Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo Carina Sabadim Veloso Maico Pagani Roncatto Ednilson José Roncatto Aline Ximenes Fragoso Genivaldo Félix Soares Multivix Educação a Distância Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia Direção EaD Coordenação Acadêmica EaD 54 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL R E I T O R APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretor Executivo do Grupo Multivix Aluno (a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão de quali- dade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprovada pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Institu- ições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo entre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, procura fazer a sua parte, investindo em projetos sociais, ambientais e na promoção de oportuni- dades para os que sonham em fazer uma facul- dade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre man- tendo a credibilidade, segurança e moderni- dade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! SUMÁRIO INTRODUÇÃO 7 PRINCIPIOS DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL 8 2.1 PAPEL DA LOGÍSTICA 9 2.2.1 ATIVIDADES PRIMÁRIAS 9 2.2.2 ATIVIDADES DE APOIO 10 EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA 11 3.1 ANTES DE 1950 11 3.2 ENTRE 1950 E 1970 11 3.3 ENTRE 1970-1990 12 3.4 PÓS 1990 13 3.5 IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA LOGÍSTICA 13 LOGÍSTICA INTEGRADA 14 4.1 FLUXO DE MATERIAIS 15 4.2 FLUXO DE INFORMAÇÕES 16 4.3 BARREIRAS A INTEGRAÇÃO INTERNA 16 4.4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 17 4.5 SISTEMAS DE AVALIAÇÃO 17 4.6 PROPRIEDADE DO ESTOQUE 17 4.7 TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO 18 4.8 CAPACIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO 18 SUPPLY CHAIN MANAGEMENT 19 FUNÇÕES OPERACIONAIS DA LOGISTICA 24 6.1 PRINCÍPIOS DA ARMAZENAGEM 24 6.1.1 CUSTOS DA ARMAZENAGEM 25 6.1.2 TIPOS DE ARMAZÉM 26 6.1.3 SETE PASSOS DA ARMAZENAGEM 27 1 2 3 4 5 6 76 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 1 INTRODUÇÃO A logística empresarial é vital para a economia e para a empresa individual. É fator chave para incrementar comércio regional e internacional. Sistemas logísticos eficien- tes e eficazes significam melhor padrão de vida de todos. Na firma individual, ativida- des logísticas absorvem uma porção significativa de seus custos individuais. O conceito de logística, existente desde a década de 40, foi utilizado pelas forças ar- madas norte-americanas. Este se relacionava com todo o processo de aquisição e fornecimento de materiais durante a 2º guerra mundial, e foi utilizado por militares americanos para atender a todos os objetivos de combate da época. Segundo definição, Logística é o ramo da ciência militar que lida com a obtenção, manutenção e o transporte de materiais, pessoal e instalação. Porém esta definição esta focada num contexto militar. Uma melhor definição sugere que: a logística é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo efi- ciente e economicamente eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes. A missão da Logística é dispor a mercadoria ou serviço certo, no lugar certo, no tempo certo e nas condições desejadas, ao mesmo tempo em que fornece a maior contri- buição à empresa. 6.2 ESTOQUE 29 6.2.1 TIPOS DE ESTOQUE 29 6.2.2 CUSTOS ASSOCIADOS A ESTOQUES 30 6.2.3 OBJETIVOS DO ESTOQUE 30 6.2.4 ALGUNS CONCEITOS E TÉCNICAS DE CONTROLE DE ESTOQUE 31 6.3 JUST IN TIME (JIT) 31 6.4 MOVIMENTAÇÃO 32 6.4.1 PRINCÍPIOS DA MOVIMENTAÇÃO 33 TRANSPORTE 37 7.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MODAIS 38 7.2 MODAL FERROVIÁRIO 39 7.3 MODAL RODOVIÁRIO 40 7.4 MODAL DUTOVIÁRIO 40 7.5 MODAL AQUAVIÁRIO 41 7.6. MODAL AEROVIÁRIO 42 7.7 FATORES QUE AFETAM OS CUSTOS DE TRANSPORTE 42 7.8 INTEGRAÇÃO ENTRE MODAIS 43 7.9 MULTIMODALIDADE 44 DISTRIBUIÇÃO FISICA 46 8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO “UM PARA UM” 46 8.2 SISTEMAferroviário convencional. Consiste na adaptação de uma carreta que é acoplada a um vagão ferroviário igualmente adaptado, conhecido como truck ferroviário. Com este sistema, pode ser criado um trem específico ou misto, ou seja, com outros tipos de vagões. No Brasil, existem alguns desenvolvimentos da tecnologia car less, um deles é chama- do Rodotrilho. O transporte de carga utilizando uma das formas citadas acima ainda é pouco repre- sentativo no Brasil. Outro dado interessante é que no Brasil não existe um fluxo regular 4544 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL de tecnologia car less. Entretanto, estamos passando por um momento em que essas operações vão torna-se realidade. Há alguns fatores que podem aumentar a intermodalidade, são eles: a) Melhorar a eficiência e reduzir custos nas interfaces b) Modernizando equipamentos c) Melhorando acessos d) Melhorando e barateando armazenagem e) Funcionando ininterruptamente f) Simplificando os procedimentos burocráticos g) Atualizando legislação e normas referentes ao trabalho nos terminais. Os principais fatores para evolução da intermodalidade no Brasil estão relacionados com ações infra-estruturais que dependem de investimentos privados e públicos, re- gulamentação do OTM e investimentos em ativos que viabilizem esta prática e tam- bém do posicionamento das empresas (embarcadores) em avaliar sistematicamente as alternativas que estão surgindo. 7.9 MULTIMODALIDADE Transporte multimodal de cargas, é aquele que regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um OTM (Operador de Transporte Multimodal). O transporte multimodal de cargas compreende além do transporte em si, os serviços de coleta, de unitização, dezunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga para o destinatário, bem como a realização de todos os serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive de consolidação e desconsoli- dação documental de cargas. A multimodalidade é: a) Integração logística perfeita de todos os modais; b) Um importante instrumento de vendas para micro, pequenas e médias empresas; c) Ferramenta fundamental para uma política de exportação competitiva, se o país a quiser ter, para dar meios adequados de concorrer ao mercado internacional; d) Estrutura tributária simplificada; e) Menor burocracia. f) Redução de custos diretos e indiretos; g) Otimização das matrizes de transporte e sua infra-estrutura; h) Maior eficácia energética; i) Redução ou diminuição das ineficiências resultantes da utilização sucessiva dos vários modais, sem planejamento e coordenação única; Os principais obstáculos são: a) Estrutura tributária complexa, b) Superposição com outros encargos fiscais federais e municipais; c) Falta de investimento público em infra-estrutura intermodal; d) Falta de ambiente legal e econômico estável para atrair investimentos privados; A multimodalidade e a intermodalidade são operações que se realizam pela utiliza- ção de mais de um modal de transporte. Isto quer dizer transportar uma mercadoria do seu ponto de origem até a entrega no destino final por modalidades diferentes. A intermodalidade caracteriza-se pela emissão individual de documento de transpor- te para cada modal, bem como pela divisão de responsabilidade entre os transporta- dores. Na multimodalidade, ao contrário, existe a emissão de apenas um documento de transporte, cobrindo o trajeto total da carga, do seu ponto de origem até o ponto de destino. Este documento é emitido pelo OTM, que também toma para si a respon- sabilidade total pela carga sob sua custodia. 4746 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 8 DISTRIBUIÇÃO FISICA Segmento da logística empresarial que corresponde ao conjunto das operações asso- ciadas à transferência de bens desde o local de sua produção até o local de destino e ao fluxo de informações. A distribuição física deve garantir que os bens cheguem ao destino em boas condi- ções comerciais, oportunamente e a preços competitivos. 8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO “UM PARA UM” Na distribuição um para um, o carregamento do veiculo é realizado de forma a lotá-lo completamente. Ao carregar o caminhão, vai se acomodando a carga nos espaços dis- poníveis, visando o melhor aproveitamento possível de sua capacidade. Esse aspecto é importante, pois na distribuição um para muitos, não se consegue, com freqüência um bom aproveitamento do espaço dentro do veiculo. Na linguagem do pessoal de trans- portes, este tipo de distribuição um para um é denominado transferência de produtos. A distribuição um para um, é influenciada por alguns fatores, quando encarada sob o ponto de vista logístico. São eles: • Distância entre o ponto de origem e o ponto de destino; • Velocidade operacional; • Tempo de carga e descarga; • Tempo porta a porta; • Quantidade ou volume do carregamento (medida em toneladas, metros cúbi- cos, paletes, etc.); • Disponibilidade de carga de retorno; • Dimensões e morfologia das unidades transportadas; • Valor unitário; • Acondicionamento (carga solta, paletizada, a granel, etc.); • Grau de fragilidade; • Compatibilidade entre produtos de natureza diversa; • Custo total. 8.2 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COMPARTILHADA OU “UM PARA MUITOS” Neste tipo de distribuição, o veiculo é carregado no CD do varejista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, e executa um roteiro de entrega pré-determi- nado. A distribuição um para muitos é influenciada por alguns fatores, quando encarada sob o ponto de vista logístico. São eles: • Divisão da região a ser atendida em zonas ou bolsões de entrega, sendo cada bolsão alocado normalmente a um veiculo; • Distância entre o CD e o bolsão de entrega; • Tempo de parada em cada cliente; • Tempo de ciclo(necessário para completar um roteiro e voltar ao deposito); • Freqüência das visitas às lojas ou aos clientes(diária, dia sim, dia não, semanal); • Quantidade de mercadoria (medida em toneladas, metros cúbicos, caixas, pale- tes) a ser entregue em cada loja ou cliente do roteiro; • Densidade da carga; • Dimensões e morfologia das unidades transportadas; • Valor unitário; • Acondicionamento (carga solta, paletizada, a granel); • Grau de fragilidade; • Compatibilidade entre produtos de natureza diversa; • Custo global. 4948 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL No caso da distribuição um para muitos, a escolha do tipo de veiculo mais apropriado para um serviço depende de vários fatores, destacando-se os seguintes: • Distância do bolsão, ou zona de entrega, até o deposito ou CD; • Densidade, medida em número de pontos visitados por KM 2, no bolsão; • Tempo médio de parada em cada cliente visitado; • Quantidade média de mercadoria entregue em cada visita; • Velocidade média de percurso. Por outro lado, dependendo dos fatores condicionantes e das características do veícu- lo, o roteiro de distribuição num determinado bolsão pode ficar limitado pela capaci- dade do veículo, ou pelo tempo disponível dentro da jornada de trabalho. Uma outra possibilidade seria a adoção de um veiculo de pequena capacidade de carga, para uma rota em que as entregas são feitas com certa rapidez. O veículo sairia lotado do CD, mas tenderia a voltar muito cedo para o deposito, já que o roteiro de entregas seria completado bem antes do fim do dia. Uma possibilidade de correção seria obrigar o veiculo a realizar mais de uma viagem por dia, mas essas soluções nem sempre é aceitável na prática. A situação ideal é aquela que leva a um equilíbrio entre os dois fatores. Isto é, o veiculo é plenamente utilizado na sua capacidade, ao mesmo tempo em que trabalha duran- te todas as horas úteis do dia. Nem sempre se pode chegar a essa solução ideal, mas devemos buscar uma configuração que se aproxime ao máximo dela. No fundo, o que se esta buscando é a solução que, atendendo as necessidades dos clientes, apresenteo menor custo possível. 8.3 CROSS DOCKING No correr dos anos, a distribuição tem seguido dois padrões. Pelo primeiro padrão, denominado de distribuição baseada na fonte, as empresas centralizavam estoques e despachavam para as localidades dos clientes, por meio de entregas parceladas ou menor que carga de caminhão. Ambiente ideal da distribuição baseada na fonte: • Alto valor/produtos de baixo peso; • Disponibilidade de estoque é uma preocupação; • Ciclos de entrega curtos não são necessários; • Itens de lenta movimentação com padrões de demanda instáveis. Pelo segundo padrão, denominado de distribuição baseada no mercado, as empresas estocam localmente, atendem aos pedidos do cliente por meio do deposito local e despacham aos clientes da região. Ambiente ideal da distribuição baseada no mercado: • Produtos de baixo valor agregado; • Altos custos de transporte; • Ciclos de entrega curtos; • Padrões de demanda estáveis; • Entregas parceladas. Um novo padrão tem sido considerado pela empresas- o cross docking- que combina o melhor dos dois padrões. Ambiente ideal para o cross docking: • Produtos de alto valor; • Entregas parceladas; • Disponibilidade de estoque; • Custos de estocagem e manuseio são significativos; • Acomoda qualquer padrão de entrega de itens de lenta ou de rápida movimen- tação. O cross docking pode ser definido como uma operação de distribuição em que os pro- dutos são recebidos, selecionados e encaminhados para outro veículo. No entanto, essa operação necessita de grande exatidão quanto ao tempo de entrada e saída de produtos. 5150 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL O investimento em estoque é substancialmente reduzido pela eliminação de múlti- plos locais de estocagem e a sincronização é obtida com a otimização da utilização dos recursos do armazém. Este tipo de operação também elimina altos custos de manuseio de produtos que ocorrem no sistema de distribuição baseado no mercado. Podem eliminar ainda os longos ciclos de tempo da distribuição baseada na fonte, quebrando as cargas cheias em locais de separação em que os produtos são redirecionados para entrega local. Na operação cross docking, os ativos (estoques e armazéns) são substituídos por in- formações. Pode se perceber quão critico e importante é ter sistemas de informação de alto nível e capacidade de planejamento, de modo a evitar gargalos no tempo de entrega e saída de produtos de um veiculo para outro. No entanto, ela pode não servir para todo tipo de circunstancias e deve ser cuidadosamente avaliada. Existem três níveis de cross docking: a) O nível 1 o do cross docking paletizado, em que os produtos chegam de várias fábricas ou fornecedores e vão para outro veiculo diretamente para clientes, sem nenhuma outra seleção ou preparação; b) O nível 2 é o do cross docking com separação, em que os produtos são recebidos e separados por caixas para uma região especifica; c) O nível 3 é o do cross docking com separação e reembalagem. Esse é o nível em que o conceito de depósito expande para atividades que são tradicionalmente realizadas nas fabricas e, assim, posiciona a função de distribuição como uma peça vital ao sucesso de uma empresa. 9 LOGÍSTICA REVERSA E A RESPONSABILIDADE EMPRESARIAL Os bens industriais apresentam ciclos de vida útil de algumas semanas ou de alguns anos, após o que serão descartados pela sociedade, de diferentes formas, constituindo os produtos de pós - consumo e os resíduos sólidos em geral. Estes produtos ou materiais de pós- consumo, se não retornarem ao ciclo produtivo de alguma forma, em quanti- dades adequadas, constituir-se-ão em acúmulos que excederão, em alguns casos, as diversas possibilidades e capacidades de “estocagem” dos mesmos, transformando-se em “problemas” ambientais com “visibilidade” crescente no limiar de nosso século. A Logística Reversa, uma nova área da Logística Empresarial, preocupa-se em equa- cionar a multiplicidade de aspectos logísticos do retorno ao ciclo produtivo destes diferentes tipos de bens industriais, dos materiais constituintes dos mesmos, bem como dos resíduos industriais, através de reutilização controlada do bem e de seus componentes ou da reciclagem dos materiais constituintes, dando origem a maté- rias primas secundárias que se reintroduzirão ao processo produtivo. As diferentes alternativas e formas de comercialização, desde a captação dos bens de pós- consumo ou dos resíduos industriais até a sua reutilização ou através do reapro- veitamento de seus materiais, constituem os Canais de Distribuição Reversos. A redução do ciclo de vida mercadológico dos produtos, a introdução de novas tecno- logias e materiais na constituição dos mesmos, a obsolescência precoce dos produtos, a vertiginosa febre de novos lançamentos de produtos, o alto custo de reparos face ao pre- ço do bem, entre outros motivos, tem aumentado as quantidades de bens descartados. Este Novo Momento Histórico, de alta descartabilidade, tem gerado uma crescente sensibilidade ecológica na sociedade, pela proximidade ao seu cotidiano, causada pela “visibilidade” progressiva dos excessos destes descartes, somando-se à crescente proximidade dos desastres ecológicos. Esgotam-se as capacidades dos “Sistemas de Disposição Final Tradicionais” destes bens 5352 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL de pós – consumo, os aterros de diversas classificações e a incineração, aumentando os custos ecológicos a serem pagos pela sociedade se não adequadamente equacionados. A Logística Reversa tem sido utilizada como uma importante ferramenta de aumento de competitividade e de consolidação de imagem corporativa, quando inserida na estratégia empresarial e em particular na estratégia de Marketing Ambiental, em empresas que privilegiam uma visão de Responsabilidade Empresarial em relação ao Meio Ambiente e à Sociedade. Para tanto, é necessário equacionar corretamente os diversos aspectos envolvidos no estabelecimento dos “Canais de Distribuição Reversos” dos materiais e produtos de pós - consumo, ambiente de atuação da Logística Reversa, estabelecer as adequadas relações de parcerias entre as empresas das cadeias reversas, o “Supply Chain” Reverso, estabelecer relações positivas na busca de soluções com diferentes áreas de governo, permitindo melhor aplicabilidade das “Legislações Ambientais” e detectar as “Ten- dências Ecológicas” da sociedade que darão o suporte às estratégias modernas de Marketing Ambiental e valorizarão a imagem corporativa da organização. Fatores Tecnológicos, Econômicos, Legislativos, Logísticos, e mais recentemente, os Ecológicos influem diferentemente na organização destes “ Canais de Distribuição Reversos”, e as empresas necessitam planejar convenientemente suas estratégias ade- quando-as aos novos paradigmas e tendências de consumo da sociedade moderna. Esta atuação de Responsabilidade Ambiental, além de impactar positivamente na imagem institucional das empresas, permitirá que uma Nova Economia de negócios se intensifique com enormes possibilidades de geração de empregos, de serviços e de desenvolvimento tecnológico, tanto mais “visível” quanto maior a consciência da sociedade ao desenvolvimento sustentado. Diversos autores caracterizam as atitudes ou fases empresariais relativamente ao meio ambiente, entre os quais o Council of Logistics Management (C.L.M.), que em uma pesquisa junto a 17 empresas, na década de 90, constatou 3 principais atitudes em- presariais neste sentido: Atitude Reativa, Atitude Pró Ativa e Atitude de Busca de Valor. A atitude empresarial reativa em relação ao meio ambiente é caracterizada pelo cum- primento da legislação e regulamentos, revelando uma visão introspectiva, ou em ou- tras palavras, os impactos de seus produtos ou processos ao meio ambiente não fazem parte das reflexões estratégicas da empresa. No sentido de se desembaraçar de seus resíduos utiliza a venda ou a simples retirada dos mesmos evitando custosde disposi- ção final. Desta forma a organização empresarial não prevê atividades especiais para a gestão do meio ambiente e nenhum comprometimento da hierarquia superior. Empresas que revelam uma visão pró – ativa em relação à responsabilidade ambien- tal caracterizam-se pelo comprometimento da hierarquia superior com os problemas ambientais designando, em sua organização, áreas especializadas para o equaciona- mento dos problemas ligados à gestão ambiental e visando antecipar-se aos regula- mentos e legislações, adquirindo experiência em sua especialidade setorial e colabo- rando eventualmente com os poderes públicos no correto estabelecimento destas legislações. Estabelece programas e diretrizes de gestão de resíduos e desenvolve suas redes logísticas reversas evitando os impactos negativos de seus produtos e pro- cessos ao meio ambiente . Desenvolve vantagem competitiva através de performance superior no cumprimento das legislações existentes, através de modificações em seus produtos tornando-os menos agressivos ao meio ambiente, . Empresas que se encontram na fase de agregar valor aos seus produtos, processos e serviços, através da responsabilidade ética com a sociedade e com o meio ambiente, caracterizam-se por desenvolver as atividades com visão sistêmica da empresa em sua cadeia produtiva, ou seja, desenvolveram capacidade empresarial de agregar valor aos seus produtos e serviços na medida em que sejam efetivamente perceptíveis aos clientes e à sociedade através de uma cultura empresarial comprometida com estes valores. Esta cultura permeada ao longo de todos os níveis hierárquicos garante um elevado grau de satisfação e orgulho dos colaboradores que se traduzirá em maior criatividade em suas funções e em processos de melhorias constantes. Desta forma, empresas nesta fase de desenvolvimento organizacional, elaboram suas estratégias através desta visão holística do novo ambiente empresarial, obtendo retor- nos em reduções de custos operacionais, ganho de competitividade, e reforço de sua imagem corporativa. Dentre suas principais ações estratégicas neste sentido incentiva as diversas áreas especializadas na concepção e operação de redes de distribuição reversas, de sistemas de reciclagens internos e em parcerias nas cadeias reversas, além de outras atividades relacionadas. As empresas que apresentaram esta visão estraté- gica, nesta pesquisa, são as de melhor performance e normalmente líderes em seus setores de negócios, tendo como principais metas: • Criação de imagem diferenciada e de novas oportunidades de lucros através da 5554 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL introdução das preocupações ambientais em sua reflexão estratégica corporativa. • Busca constante de produtos e processos de menor impacto ao meio ambiente em acordo com os princípios do desenvolvimento sustentado. Selecionamos algumas atitudes típicas destas empresas líderes que buscam agregar valor às suas atividades empresariais através desta visão ética e responsável quanto ao impacto de seus produtos ao meio ambiente: • Avaliação dos produtos e processos através da Análise de Ciclo de Vida Ambiental A Análise do Ciclo de Vida Útil dos Produtos estuda o impacto ambiental dos produtos desde a extração das matérias-primas para a sua fabricação, seus insumos , transportes, distribuição direta e reversa, uso , manutenção , até a sua disposição final, tornando-se também conhecida com a expressão: “análise dos produtos do berço ao túmulo”. As recentes normas ISO 14000, sobre Sistemas de Gestão Ambiental, contemplam esta técnica nos capítulos referentes ao inventário, avaliação do impacto e interpreta- ção do ciclo de vida dos produtos. A idéia fundamental é a de que se tenha um instrumento para decidir qual o nível de impacto ambiental de um produto ao longo de sua vida e poder compará-lo em todas as fases desta, o que poderá trazer muitas surpresas às considerações atuais. Altamente científico e complexo poderá tornar mais claro alguns casos clássicos como o da escolha da melhor alternativa: embalagem retornável ou descartável. Do ponto de vista econômico analisaríamos os custos comparados de produção para o mesmo volume envasado, os custos logísticos integrados, os custos administrativos, ganhos em vantagens competitivas, etc. Do ponto de vista do impacto ambiental examinarí- amos que a retornável possui longa vida e portanto, produção menor facilitando sua reciclabilidade, entre outros, enquanto que a descartável é mais leve e tem melhor concepção logística acarretando menor poluição no transporte, etc. Possivelmente haverá maior clareza nas decisões da sociedade sobre qual o ônus de cada agente que intervêm na forma de destinação final dos produtos. Nesta nova visão poderia ser imputado, de forma objetiva, os correspondentes custos ecológicos até a disposição final do produto, em função de sua maior ou menor reciclabilidade. Estas mesmas técnicas têm sido empregadas, mais recentemente, por organismos oficiais visando esclarecer definições e classificações ambientais dos produtos e pro- cessos, de forma a regulamentar o utilizações de rótulos ou selos ambientais, cuja tendência ao uso será crescente no mercado global. • Concepção dos produtos visando reduzir impactos ao meio ambiente e facilitan- do o ciclo reverso do pós consumo ( Design for Recycling) O projeto dos produtos é o momento ideal para a consideração dos impactos dos mesmos e de seus materiais constituintes ao meio ambiente prevendo a facilidade de desmontagem, separação dos materiais constituintes, identificação dos mesmos. O projeto das linhas de desmontagens de automóveis, computadores, eletrodomésticos, etc., permitem grandes economias e redução dos impactos ambientais. A redução dos 10 tipos diferentes de plásticos para 1 único tipo na construção dos computa- dores pela empresa IBM e o sistema de 1 parafuso de desmontagem utilizado nos computadores japoneses permite facilidade nas linhas reversas de desmontagens. Corresponde a desenvolver, modificar, produtos e serviços que satisfaçam às tendên- cias de novas exigências que os consumidores passam a apresentar por maior sensi- bilidade ecológica. • Criação de Vantagem Competitiva através da Distribuição Reversa Utilizando-se de relações de parcerias e constituindo o verdadeiro “Supply Chain” Re- verso estas empresas líderes e de alta responsabilidade ética têm conseguido exce- lente retorno mercadológico e de imagem corporativa através da criação das redes de distribuição reversas ( “Take Back Products Programs” ) de bens duráveis ou de seus componentes e através de diferentes formas de montagem das redes reversas de se- mi-duráveis e descartáveis. São conhecidos os exemplos de empresas como a Dupont e Xerox nos Estados Unidos, e diversos exemplos de empresas bem sucedidas nas áreas de descartáveis, como as embalagens de latas de alumínio, óleos lubrificantes, listas telefônicas, papel de imprensa, etc. Estas empresas antecipam-se às legislações e restrições impostas pela sua regula- mentação, participando em sua concepção e se responsabilizando pela coleta e tra- tamento de seus produtos e materiais, terminada a sua utilidade inicial, evitando os impactos negativos ao meio ambiente. 5756 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL • Extensão dos Conceitos de Responsabilidade Ambiental Empresas com este posicionamento estratégico exigem comportamentos éticos e de responsabilidade ambiental de seus parceiros de negócios, rede de fornecedores e clientes. Tratando-se de uma atitude empresarial de demonstração de cultura de Qualidade Total, além da certificação ISO 14000, as empresas deverão apresentar-se com estas características na disputa de competitividade nos mercados globais . 9.1 PROJETO DA REDE LOGÍSTICA REVERSA Conforme vimos, cresce o número de empresas que buscam uma posição pró ativa e de aumento de valor de seus produtos e serviços através da redução do impacto destes ao meio ambiente.Desenvolver sua rede de distribuição logística reversa diretamente ou através de parcerias, convênios com poderes públicos, em cooperativas, etc., revela- -se uma das principais preocupações para a consecução destes objetivos operacionais. Destacamos a seguir alguns aspectos relevantes do estabelecimento de um projeto de rede de distribuição reversa operacionalizada através da Logística Reversa. Preliminarmente deve-se estabelecer uma distinção entre os diversos canais de dis- tribuição reversos (CDR) quanto ao tipo de bem disponibilizado e quanto à forma de reaproveitamento dos bens ou de seus materiais constituintes. Desta maneira os classificaremos em CDRs de bens duráveis, semi–duráveis e descartáveis e em CDRs de materiais ou de produtos. As características do projeto serão significativamente di- ferentes em cada um destes casos. Produtos duráveis, com vida útil de alguns anos a algumas décadas, poderão ser dis- ponibilizados por término de vida útil, quando o bem não apresenta interesse e fun- cionalidade de qualquer espécie, ou por obsolescência operacional, quando, embora em funcionamento, não apresenta interesse ao primeiro possuidor. No primeiro caso a rede de distribuição reversa estará interessada no aproveitamento de seus materiais constituintes e em seus componentes eventuais enquanto no segundo caso o objetivo do projeto de distribuição reverso será o reaproveitamento do bem em uma extensão de sua utilidade. Os bens semi-duráveis, com vida útil de alguns meses a dois anos, apresentam carac- terísticas intermediárias entre os duráveis e os descartáveis sendo portanto considera- dos em cada caso específico. Ou seja, a rede reversa poderá se constituir de reapro- veitamento de componentes ou de extensão de uso (reuso) dos bens originais bem como de seus materiais constituintes. Os bens descartáveis, com algumas semanas de vida útil, apresentam interesse na reciclagem dos materiais constituintes dos mesmos, que poderão dar origem a pro- dutos de mesma espécie ou de outras espécies do produto original. Podemos pois classificar alguns grandes grupos de projetos de redes de distribuição reversas que caracterizam os diversos tipos de Canais de Distribuição Reversos (CDRs) ou “Supply Chain” Reversos: a) Quanto à Similaridade do Produto Fabricado com Materiais Reciclados e do Pro- duto de Pós –Consumo Coletado. a.1 Canais de Distribuição Reversos de Ciclo Aberto. De materiais como os metais, plásticos, vidros, papéis, etc., nos quais estes mate- riais são extraídos de diferentes produtos de pós – consumo que os contém, vi- sando a sua reintegração ao ciclo produtivo substituindo matérias-primas novas. a.2 Canais de Distribuição Reversos de Ciclo Fechado. De produtos como latas de alumínio, latas de aço, baterias de automóvel, etc., nos quais os materiais são extraídos destes produtos de pós – consumo para a fabricação de um produto equivalente. b) Quanto ao Nível de Integração Empresarial e Participação b.1 Empresas Integradas na Distribuição Reversa b.1.1. “Supply Chain” Reverso de Pós – Consumo Originados de Bens Duráveis e Semi Duráveis. Empresas se encarregam de todas as fases de distribuição reversa até o reapro- veitamento dos subconjuntos ou para reposição ou para novas montagens. 5958 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL b.1.2. “Supply Chain” Reverso de Resíduos de Pós – Consumo Originados de Bens Descartáveis Empresas se encarregam de todas as fases desde a coleta do pós- consumo até a reintegração dos materiais reciclados ao ciclo produtivo. b.2. Não integradas b.2.1. “Supply Chain” Reverso de Pós – Consumo Originados de Bens Duráveis e Semi Duráveis. Empresas utilizam-se de outros agentes para a consecução das diferentes etapas de reaproveitamento dos bens de pós – consumo através de comercialização de serviços ou de compra de produtos nas diversas fases. b.2.2. “Supply Chain” Reverso de Pós – Consumo Originados de Bens Descartáveis. Empresas compram materiais processados em diversas etapas dos canais reversos. b.3. Empresas que não Utilizam os Pós – Consumo Nestes casos a empresa estará interessada na montagem de uma rede logística reversa para assegurar-se do destino dos bens de pós – consumo originados de seus produtos, vendendo-os ou comercializando parcerias de utilização dos mes- mos nas diversas etapas reversas. Pelo exposto pode-se vislumbrar algumas opções estratégicas que devem ser examinadas no projeto de uma rede logística reversa, onde as vantagens e des- vantagens de cada alternativa face ao ambiente operacional característico do mercado examinado, o posicionamento empresarial, as competências internas da empresa, além de outros fatores comuns aos estudos estratégicos empresa- riais deverão compor a análise. Os casos de projetos envolvendo bens de alto valor relativo observa-se uma ten- dência natural em soluções de ciclos fechados e integrados totalmente de forma a garantir os volumes em escala econômica de processamento empresarial além de integrar os lucros das operações individuais em cada etapa reversa. Entretanto a maior parte dos casos de projetos de redes reversas empresariais envolve decisões e ações nos ambientes externos e internos à empresa que pre- cisam ser cuidadosamente equacionados, parcerias externas em prestação de serviços, envolvimento com associações de classe, processos de educação da so- ciedade, mobilizações junto aos poderes públicos, entre tantos outros aspectos a serem estudados. C) Quanto aos Objetivos Principais O objetivo dos projetos de rede logística reversa poderão se constituir de um ou mais dos exemplos abaixo listados ou eventualmente de outros não especificados: • Objetivo Econômico: visualização de ganhos financeiros na operação de reapro- veitamento dos produtos ou materiais de pós- consumo; • Objetivo Mercadológico: diferenciação de serviços de pós venda; • Obediência à Legislação: existentes ou futuras, visando nestes casos adquirir ex- periência para contribuir com a elaboração de normas e regulamentações; • Prevenção de risco à continuidade dos negócios: muito similar ao anterior mas neste caso a empresa visa mitigar os efeitos nocivos dos impactos dos pós con- sumo de seus produtos evitando que a regulamentação futura interfira nos re- sultados dos negócios; • Ganho de Imagem Corporativa; • Outros eventuais. 6160 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 10 PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO A terceirização é uma pratica antiga. Esta pode ser vista desde os tempos bíblicos até nos dias de hoje. Apesar de antiga esta prática, a terceirização de serviços logísticos é uma das mais novas tendências do Supply Chain. A logística, incluindo a prestação de serviços, é um setor em fase de crescimento e de transformação. O crescimento deste setor é resultado das empresas terceirizarem serviços de uma forma geral, focando apenas no seu know-how. O abandono do paradigma de verticalização nas modernas cadeias de suprimento criou demandas, que em grande parte, supridas por outros agentes econômicos. Par- te desses agentes surgiram da redefinição ou diversificação de seus antigos negócios (as empresas transportadoras, por exemplo), dando origem a prestadores de serviços logísticos ( NOVAIS, 2001). A Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML, 2003), define operador logístico como: o fornecedor de serviços logísticos, especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas, nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes. Já Fleury (2000), apresenta seguinte definição de operador logístico: “Um fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessi- dades logísticas de seus clientes, de forma personalizada”. Segundo Novaes (2001),“é o prestador de serviços logísticos que tem competência reconhecida em atividades logísticas, desempenhando funções que podem englobar todo o processo logístico de uma empresa - cliente, ou somente parte dela.” Fleury (2000) reforça a característica de integração de todas as atividades logísticas, de uma forma própria a cada cliente. Desta forma, pode-se entender que o operador logístico deve trabalhar de forma sincronizada na busca da racionalização do custo e tempo do seu cliente, oferecendo um serviço que agregue valor ao cliente final e que este o perceba. De acordo com Novaes (2001) “o prestador de serviço logístico pode ser denominado, em inglês, de third-party logistics ou logistics provider”. Em algumas definições mais amplas, o termo é usado para simplesmente descrever o fornecimento de serviços, incluindo as formas mais simples e tradicionais, como transporte e armazenagem. Ou seja, o termo prestador de serviço logístico agrega todo tipo de atividade logística não refletindo necessariamente os avanços tecnológicos e operacionais que dão sustenta- ção ao moderno Supply Chain. Segundo Novaes (2001 p. 328): Os PSL podem ser classificados, em dois grupos básicos de prestadores de serviços. Eles são identificados, gerando um terceiro grupo, denominado híbrido. a) PSLs baseado em ativos, ou seja, empresas que detêm ou alugam a terceiros ati- vos tangíveis e oferecem outros serviços logísticos, como ampliação natural de sua atividade central. É o caso, por exemplo, de uma companhia de armazéns, que pode fornecer serviços de embalagens, etiquetagem ou montagem final, além dos serviços tradicionalmente ofertados aos clientes. b) PSLs baseados em administração e no tratamento da informação: são empresas que operam na administração de atividades, e que não detêm ou alugam ativos tan- gíveis, mas fornecem a seus clientes, recursos humanos e sistemas para administrar toda ou parte de suas funções logísticas. c) O tipo híbrido ou integrado, conforme Africk e Calkins citado por Novaes (2001), corres- ponde aos PSLs que oferecem serviços logísticos físicos e administrativos ao mesmo tempo. 10.1 DIFERENÇAS ENTRE PRESTADOR DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS E PRESTADOR DE SERVIÇO TRADICIONAL A utilização de operadores logísticos é, sem duvida nenhuma, uma das mais impor- tantes tendências da logística empresarial moderna, tanto local, quanto global. 6362 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL Contudo, a contratação de um PSL não significa uma simples transferência de res- ponsabilidade a terceiros. Ao contrario, o trabalho em parceria é difícil, uma intensa troca de informações e continua adaptação são pré-requisitos para o sucesso de um processo de outsourcing de serviços (NOVAES, 2001). Analisando o histórico do 3PLs, são várias as origens destas empresas. Um exemplo disso, são as empresas Exel Logistics , Transportadora América, etc. O quadro abaixo apresenta as diferenças entre o prestador de serviços logísticos e transportadora tradicional. A nível operacional, o prestador de serviço tradicional visa atender a sua função bási- ca, concentrando em uma atividade especifica. O prestador de serviço logístico faz o básico, além de oferecer múltiplas atividades integradas, tais como: estoque, armaze- nagem, transporte, postponement, etc. Em relação ao custo, o prestador de serviço tradicional visa reduzir custo especifico de cada atividade, já no prestador de serviços logísticos visa reduzir os custos totais na logística, melhorando serviços e aumentando a flexibilidade. A nível contratual, nas empresas tradicionais este contrato é de curto período; já nos prestadores de serviços logísticos esse período tendem a ser de longo prazo. Há que destacar que este tipo de contrato, delega maior flexibilidade aos PSLs para realização dos serviços. Os PSLs contratados podem assim dispor de formas mais criativas para desenvolver e aprimorar as atividades logísticas que executam. Ao mesmo tempo, os contratos passaram a conter cláusulas com penalidades para os PSLs, no caso do não- -atendimento dos objetivos propostos (NOVAES,2001). O prestador de serviço tradicional não possui uma gama de serviços variados, já os PSLs possui uma série de atividades englobando transporte, armazenagem, desenvol- vimento de projetos, etc. O operador logístico veio para atender a uma necessidade do mercado consumidor que procura organizações ágeis, em resposta para atender a uma demanda que pode surgir a qualquer momento e em qualquer lugar do globo. Toda a organização que tem um planejamento estratégico e deseja adotar uma abordagem inovadora para serviços logísticos, deve contratar um operador logístico para manter e ampliar sua vantagem competitiva. 10.2 FUNÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO A razão para querer terceirizar serviços deve-se iniciar com a identificação da necessi- dade de mudança do sistema logístico da organização e a possibilidade de terceiriza- ção de algumas, ou de todas as atividades que o compõem. Podemos destacar as seguintes fases deste processo de contratação: consciência da necessidade; a formação da aliança e o gerenciamento desta; análise de ben- chmarking interno; análise de benchmarking externo; negociação do contrato e ge- renciamento da terceirização. 6564 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL De acordo com Novaes (2001): As várias atividades logísticas ,supcetiveis de serem subcontratadas, podem ser agrupadas de acordo com a sua posição na cadeia de suprimentos, no qual pode identificar dois grandes grupos ( a logística de suprimento e logística de distribuição) e seis subgrupos. 10.3 CARACTERÍSTICAS DE UM PSL Antes de atribuir qualidades ao PSL, é necessário identificar os ganhos potenciais ad- vindos com a decisão de terceirizar. Existem quatro dimensões de ganhos potenciais: a) redução de custo - ocorre com a diminuição de despesas administrativas, redu- ção de estoques e diminuição de custo de transporte; b) Melhoria da qualidade de serviços - esta melhoria decorre de maior disponibili- dade de estoque, pontualidade nas entregas,etc; c) Aumento da rentabilidade do negocio - terceirizando certas atividades, o nível de investimento em ativos se reduz, maior eficiência,etc; d) Crescimento de market-share - advém da entrada em novos segmentos de mer- cado, ou expansão nos mercados já explorados. Reconhecendo os ganhos potenciais da terceirização, o próximo passo consiste em identificar as características necessárias de um PSL. Este tipo de serviço tende cami- nhar na direção de uma parceria, que exige o mínimo de compatibilidade entre as necessidades e características dos parceiros. Essas características de compatibilidade podem ser agrupadas em quatro classes: a) Atitudes gerenciais - que diz respeito a atitude das empresas em questões como o treinamento de empregados, valorização do trabalho em equipe e cooperação técnica com terceiros; b) Padrões de convivência - envolve a predisposição para fixação de objetivos co- muns; c) Filosofia empresarial - refere-se a estratégias de crescimento, política de investi- mentos e de inovação de produtos e processos; d) Estrutura/imagem - refere-se ao tamanho relativo comparativamente ao do con- tratante, solidez financeira e a sofisticação gerencial 11 REFERÊNCIAS Alvarenga, A.C. e Novaes, A.G. Logística Aplicada: Suprimentos e Distribuição Física. Editora Edgard Blucher,2000. CAVANHA FILHO, Armando Oscar. Logística: novos modelos. Rio de Janeiro: Quali- tymark, 2001. FLEURY,Paulo Fernando, WANKE, Peter. FIGUEIREDO.Kleber Fossati. Logistica Empre- sarial. Editora Atlas,2000. NOVAES, Antonio Galvão. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estra- tégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, 2001. NOVAES, A. G. e Valente, A. e Passaglia, E. “Gerenciamento de Transportes e Frotas”. Editora Pioneira,2008. SLACK, Nigel. et. al.. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1996. 66 LOGÍSTICA EMPRESARIAL MUL T I V I X . E DU . B R 1INTRODUÇÃO 2 PRINCIPIOS DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL 2.1 PAPEL DA LOGÍSTICA 2.2.1 ATIVIDADES PRIMÁRIAS 2.2.2 ATIVIDADES DE APOIO 3 EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA 3.1 ANTES DE 1950 3.2 ENTRE 1950 E 1970 3.3 ENTRE 1970-1990 3.4 PÓS 1990 3.5 IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA LOGÍSTICA 4 LOGÍSTICA INTEGRADA 4.1 FLUXO DE MATERIAIS 4.2 FLUXO DE INFORMAÇÕES 4.3 BARREIRAS A INTEGRAÇÃO INTERNA 4.4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 4.5 SISTEMAS DE AVALIAÇÃO 4.6 PROPRIEDADE DO ESTOQUE 4.7 TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO 4.8 CAPACIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO 5 SUPPLY CHAIN MANAGEMENT 6 FUNÇÕES OPERACIONAIS DA LOGISTICA 6.1 PRINCÍPIOS DA ARMAZENAGEM 6.1.1 CUSTOS DA ARMAZENAGEM 6.1.2 TIPOS DE ARMAZÉM 6.1.3 SETE PASSOS DA ARMAZENAGEM 6.2 ESTOQUE 6.2.1 TIPOS DE ESTOQUE 6.2.2 CUSTOS ASSOCIADOS A ESTOQUES 6.2.3 OBJETIVOS DO ESTOQUE 6.2.4 ALGUNS CONCEITOS E TÉCNICAS DE CONTROLE DE ESTOQUE 6.3 JUST IN TIME (JIT) 6.4 MOVIMENTAÇÃO 6.4.1 PRINCÍPIOS DA MOVIMENTAÇÃO 7 TRANSPORTE 7.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MODAIS 7.2 MODAL FERROVIÁRIO 7.3 MODAL RODOVIÁRIO 7.4 MODAL DUTOVIÁRIO 7.5 MODAL AQUAVIÁRIO 7.6. MODAL AEROVIÁRIO 7.7 FATORES QUE AFETAM OS CUSTOS DE TRANSPORTE 7.8 INTEGRAÇÃO ENTRE MODAIS 7.9 MULTIMODALIDADE 8 DISTRIBUIÇÃO FISICA 8.1 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO “UM PARA UM” 8.2 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COMPARTILHADA OU “UM PARA MUITOS” 8.3 CROSS DOCKING 9 LOGÍSTICA REVERSA E A RESPONSABILIDADE EMPRESARIAL 9.1 PROJETO DA REDE LOGÍSTICA REVERSA 10 PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO 10.1 DIFERENÇAS ENTRE PRESTADOR DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS E PRESTADOR DE SERVIÇO TRADICIONAL 10.2 FUNÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO 10.3 CARACTERÍSTICAS DE UM PSL 11 referênciasDE DISTRIBUIÇÃO COMPARTILHADA OU “UM PARA MUITOS” 47 8.3 CROSS DOCKING 48 LOGÍSTICA REVERSA E A RESPONSABILIDADE EMPRESARIAL 51 9.1 PROJETO DA REDE LOGÍSTICA REVERSA 56 PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO 60 10.1 DIFERENÇAS ENTRE PRESTADOR DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS E PRESTADOR DE SERVIÇO TRADICIONAL 61 10.2 FUNÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇO LOGÍSTICO 63 10.3 CARACTERÍSTICAS DE UM PSL 64 REFERÊNCIAS 65 7 8 9 10 11 98 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 2 PRINCIPIOS DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL Os princípios da logística estão intimamente ligados às ações de qualquer Operação Logística. Para que a logística cumpra seus objetivos, a coisa certa precisa estar no lugar certo, no tempo certo, tendo por base informações integradas que dão as dire- trizes corretas. Toda atividade logística se importa em ter os bens ou serviços operados agregando valor de: a) Lugar: estar no lugar certo, no lugar onde deverá ser adquirido ou consumido (ex.: consumidor com sede no estádio de futebol, cerveja sendo vendida gelada neste e a cerveja em temperatura ambiente no supermercado). b) Tempo: estar no tempo certo de ser consumido (ex.: cerveja chegando ao estádio para a partida de futebol). c) Qualidade: estar adequado ao consumo, não estar com suas características ideais alteradas (ex.: lata de cerveja furada, problemas de higiene, cerveja sem gás). d) Informação: informar de forma adequada o abastecimento (ex.: vendedor de cerve- ja informando a venda da cerveja gelada: “Vai uma geladinha aí, doutor?”). Este interessante exemplo da venda da cerveja gelada no estádio nos permite analisar, na prática, os efeitos da logística na agregação de valor ao produto. O indivíduo que vai a um estádio de futebol sabe que normalmente não é permitido ingressar no mesmo com artefatos perigosos (entre eles garrafas e latas), pois podem causar danos a outros. Em outras palavras: a) Diante de um calor tropical, o torcedor não resiste a uma cerveja para se refrescar (e se hidratar) b) Um copo grande de 300 mililitros custa R$ 3,00, que o torcedor paga com satisfação c) No supermercado, a cerveja (que não estará gelada), custa R$ 0,85. d) O consumidor pagou 253% a mais e ainda ficou satisfeito (mesmo que seu time tenha perdido). 2.1 PAPEL DA LOGÍSTICA A logística exerce a função de responder por toda a movimentação de materiais, den- tro do ambiente interno e externo da empresa, iniciando pela chegada da matéria- -prima até a entrega do produto final ao cliente. Suas atividades poder ser divididas da seguinte forma as atividades primárias e as atividades de apoio. 2.2.1 ATIVIDADES PRIMÁRIAS As atividades primárias são primordiais para atingimentos dos objetivos logísticos de custo e nível de serviços já que ou elas contribuem com a maior parcela do custo to- tal da logística ou elas são essenciais para a coordenação e o cumprimento da tarefa logística. Transportes: Atividade muito importante pois absorve de um a dois terços dos custos logísticos. É essencial, pois nenhuma firma moderna pode operar sem providenciar a movimentação de suas matérias-primas ou de seus produtos acabados de alguma forma. Adiciona valor de lugar ao produto. Manutenção de Estoques: Para se atingir um grau razoável de disponibilidade de pro- duto, é necessário manter estoques, que agem como reguladores entre a oferta e a demanda. Responsável por aproximadamente um a dois terços dos custos logísticos. Agrega valor de tempo ao produto. Processamento de Pedidos: Sua importância deriva no fato de ser um elemento críti- co em termos de tempo necessário para levar bens e serviços ao clientes. 1110 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 2.2.2 ATIVIDADES DE APOIO Apesar de transportes, manutenção de estoques e processamento de pedidos serem os principais elementos que contribuem para a disponibilidade e a condição física de bens e serviços, há uma série de atividades adicionais que apoia estas atividades primárias. Elas são: Armazenagem: Refere-se à administração do espaço necessário para manter estoques. Envolve problemas como: localização, dimensionamento da área, arranjo físico, confi- guração do armazém. Manuseio de Materiais: Está associada com a armazenagem e também apoia a ma- nutenção de estoques. Está relacionada à movimentação do produto no local de es- tocagem. Embalagem de Proteção: Seu objetivo é movimentar bens sem danificá-los além do economicamente razoável. Obtenção: É a atividade que deixa o produto disponível para o sistema logístico. Trata da seleção das fontes de suprimento, das quantidades a serem adquiridas, da progra- mação de compras e da forma pela qual o produto é comprado. Não deve ser con- fundida com a função de compras, pois esta envolve detalhes de procedimento, tais como a negociação de preços e avaliação de vendedores, que não são relacionados com a tarefa logística. Programação do Produto: Enquanto a obtenção trata do suprimento (fluxo de en- trada), a programação do produto lida com a distribuição (fluxo de saída). Refere-se primariamente às quantidades agregadas que devem ser produzidas, quando e onde devem ser fabricadas. Manutenção de Informação: Nenhuma função logística dentro de uma firma pode- ria operar eficientemente sem as necessárias informações de custo e desempenho. Manter uma base de dados com informações importantes - por exemplo: localização dos clientes, volumes de vendas, padrões de entregas e níveis de estoques - apoia a administração eficiente e efetiva das atividades primárias e de apoio. 3 EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA 3.1 ANTES DE 1950 Até cerca de 1950, a logística permaneceu num estado de dormência. Não havia ne- nhuma filosofia dominante para guiá-lo. As empresas fragmentavam a administração de atividades-chave em logística. Geralmente, o transporte se concentrava na gerência de produção; os estoques eram responsabilidade de marketing. Começaram então a parecer alguns pioneiros, tais como Arch Shaw e Fred Clark que identificaram a natureza da distribuição física e a forma como ela discordava da criação de demanda do marketing. Muitos dos conceitos logísticos utilizados são provenientes da logística militar da Segunda Guerra Mundial, somente depois é que esse exemplo militar conseguiu influenciar as atividades logísticas das empresas comerciais. No Brasil, a prioridade era o mercado interno, e o esforço maior, a industrialização, como no Governo de Juscelino Kubitschek. Este período ficou conhecido como mi- lagre econômico, o Brasil renasce com as montadoras de automóveis e um parque siderúrgico. A ferrovia é esquecida e considerada como um sistema de transporte ul- trapassado, mais de 10.000 km são removidos, destruídos e rodovias são construídas por cima de linhas férreas. 3.2 ENTRE 1950 E 1970 Entre as décadas de 50 e 70, com um ambiente voltado para novidades na área admi- nistrativa, realmente houve a decolagem da teoria e prática da logística. O ambiente era propício para novidades do pensamento administrativo. Muito tempo depois é que percebeu a necessidade de transformar a logística empre- sarial em uma disciplina. Algumas condições econômicas e tecnológicas contribuíram para o desenvolvimento da logística. São elas: a) Alterações nos padrões a atitudes da demanda dos consumidores; 1312 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL b) Pressão por custos nas indústrias; c) Avanços na tecnologia de computadores; d) Experiência Militar; No Brasil a década de 60 foi marcada pela desoneração de impostos das exportações. Neste período, o Brasil se fecha para as importações, as industrias locais tem o privilé- gio do mercado interno. Há muitos investimentos em infra-estrutura como estradas, portos, armazéns, aeroportos, energia e saneamento. 3.3 ENTRE 1970-1990 A partir da década de 70, a logística empresarial passou para o estado de semi-matu- ridade, já que os princípios básicos amplamente definidos estavam proporcionando benefícios a empresas. Mesmo assim, a aceitação do mercado ainda era vagarosa,uma vez que as empresas se preocupavam mais com a geração de lucros do que com o controle de custos. Contudo, algumas forças de mudança e eventos influenciaram cada vez mais a logística, como a competição mundial, a falta de matérias-primas, a sú- bita elevação de preços do petróleo, o aumento da inflação mundial. Houve mudança de filosofia que passou de estímulo de demanda para melhor gestão de suprimentos. A partir da década e 80, o desenvolvimento da logística tornou-se revolucionário em virtude de fatores, como explosão da tecnologia da informação, alterações estruturais surgidas nos negócios e na economia dos países emergentes, formação de blocos econômicos e no fenômeno da globalização. Na década de 70, o parque industrial brasileiro se diversificou e os incentivos fiscais e financeiros consolidados pelo Programa de Benefícios a Exportação permitiram o an- damento das exportações de produtos manufaturados e semi-manufaturados. Na década de 80, a geração de superávits comerciais, estava voltada para o pagamen- to da dívida externa. Intensificou a venda de carros, mas existiam fortes restrições à importação de máquinas a e equipamentos. 3.4 PÓS 1990 A logística é entendida como a junção da administração de materiais com a distri- buição física. Isto leva a crer que futuramente a produção e a logística se aproximarão cada vez mais não só em conceito, mas também em prática. No Brasil, esta década é marcada pela abertura dos portos às importações, desenhada pelo governo Collor. Os programas de incentivos às exportações são suspensos e só voltam em 1994. Destaque: o ressurgimento da Embraer, exportadora de aviões. 3.5 IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA LOGÍSTICA Uma empresa compete com as outras empresas com base em uma ou mais priori- dades competitivas. São consideradas vantagens competitivas existentes: TEMPO QUALIDADE FLEXIBILIDADE CUSTO • Rápido tempo de entrega; • Entrega no tempo; • Velocidade no desenvolvimento de novos produtos. • Projeto de alta performance; • Qualidade consistente. • Customização; • Flexibilidade de volume. OPERAÇÕES DE BAIXO CUSTO Os objetivos operacionais consistem em: Resposta Rápida,Variância Mínima, Estoque Mínimo, Consolidação da movimentação, Qualidade e Apoio ao ciclo de vida. O maior desafio da logística é: Avaliar os trade offs de custo/ serviço, ou seja, equilibrar as expectativas de serviço e os gastos de modo a alcançar os objetivos da empresa. Neste caso os trade-offs entre transporte e localização; custo e serviço. Os custos logísticos consistem em quase 60% dos custos totais das empresas, pode- mos destacar os principais custos logísticos em: estoques, transportes, armazenagem, embalagens, etc. 1514 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 4 LOGÍSTICA INTEGRADA Hoje, a logística é entendida como a integração tanto da administração de materiais como a distribuição física. Entretanto, esta integração leva a ligações muito mais es- treitas com a função de produção/operação em muitas firmas, de modo que pode se esperar que produção e logística se aproximarão muito mais em conceito e prática. A logística é vista como a competência que vincula a empresa a seus clientes e for- necedores. As informações recebidas de clientes e sobre eles fluem pela empresa na forma de atividades de vendas, previsões e pedidos. As informações são filtradas em planos específicos de compras e de produção. No momento do suprimento de produ- tos e materiais, é iniciado um fluxo de bens de valor agregado que resulta, por fim, na transferência de propriedades de produtos acabados aos clientes. Assim, o processo tem duas ações inter-relacionadas: fluxo de materiais e fluxo de informações. 4.1 FLUXO DE MATERIAIS O gerenciamento operacional da logística abrange a movimentação e a armazena- gem de materiais e produtos acabados. As operações logísticas têm início com a ex- pedição inicial de materiais ou componentes por um fornecedor, e terminam quando um produto fabricado ou processado é entregue ao cliente. A partir da compra inicial de materiais ou componentes, o processo logístico agrega valor movimentando estoque quando e onde necessário. Se tudo ocorrer normal- mente, os materiais ganham valor em cada fase de sua transformação em estoque acabado. Para dar apoio à manufatura, o estoque em processo deve ser movimentado para satisfazer a montagem final. O custo de cada componente e de sua movimentação torna-se parte do processo de agregação de valor. O valor final agregado ocorre ape- nas com a última transferência de propriedade dos produtos aos clientes na data e nos locais especificados. O ponto importante é que, qualquer que seja o tamanho e o tipo da empresa, a lo- gística é essencial e requer uma atenção contínua. Para melhor compreensão, é útil dividir as operações logísticas em três áreas: • Distribuição Física: Atividades relacionadas com o fornecimento de serviço ao clien- te. Estas atividades incluem recebimento e processamento de pedidos, posiciona- mento de estoques, armazenagem e manuseio e transporte dentro de um canal de distribuição. Incluem a responsabilidade pela coordenação com o planejamen- to de marketing em áreas como formação de preços, apoio promocional, níveis de serviço ao cliente, padrões de entrega, manuseio de mercadoria devolvida e apoio ao ciclo de vida. O principal objetivo da distribuição física é ajudar na geração de receita, prestando níveis estrategicamente desejados de serviço ao cliente, ao me- nor custo total. • Apoio a manufatura: Atividades relacionadas com o planejamento, a programação e o apoio as operações de produção. Incluem o planejamento do programa mes- tre e a execução de atividades de armazenagem do estoque semi-acabado, manu- seio, transporte e sequenciamento de componentes. Incluem a responsabilidade 1716 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL pela armazenagem de estoque em locais de fabricação e pela máxima flexibilida- de na coordenação de postergação, tanto de montagem final quanto geográfica, entre operações de produção e distribuição física. • Suprimento: Atividades relacionadas com a obtenção de produtos e materiais de fornecedores externos. Inclui execução do planejamento de recursos, localização de fontes de suprimento, negociação, colocação de pedidos, transporte de saída, recebimento e inspeção, armazenagem e manuseio e garantia de qualidade. In- cluem a responsabilidade pela coordenação com fornecedores em áreas como programação, continuidade de suprimento, investigação, assim como pesquisas que levem a novas fontes ou programas de suprimento. O principal objetivo do suprimento é dar apoio a produção ou a revenda, proporcionando compras em tempo hábil, ao menor custo total. 4.2 FLUXO DE INFORMAÇÕES O fluxo de informações identifica locais específicos dentro de um sistema logístico em que é preciso atender a algum tipo de necessidade. As informações abrangem as três áreas operacionais. O principal objetivo na especificação de necessidades é planejar e executar operações logísticas integradas. Em cada área da logística, existem necessidade diferentes de movimentação segundo o porte dos pedidos, a disponibi- lidade de estoque e a urgência de atendimento. O objetivo de compartilhamento de informação é resolver essas diferenças. É importante enfatizar que as necessidades de informações seguem caminhos paralelos ao trabalho real executado na distribuição física, no apoio a produção e no suprimento. Embora essas áreas executem o trabalho real da logística, a informação facilita a coordenação do planejamento e o controle das operações de rotina. Sem informação precisa, o esforço despendido pelo sistema logístico pode ser em vão. 4.3 BARREIRAS A INTEGRAÇÃO INTERNA As organizações não implementam a integração da logística interna pacificamente. É importante reconhecer obstáculos, ou barreiras, que frequentemente inibem o pro- cesso de integração interna. As barreiras a integração originam-se de práticas tradicio- nais relativas àestrutura organizacional, aos sistemas de avaliação, a propriedade do estoque, a tecnologia de informação e a capacidade de transferir conhecimento. 4.4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional tradicional prejudica a implementação de qualquer pro- cesso interfuncional. A maioria das organizações está tradicionalmente estruturadas de modo a dividir a autoridade e responsabilidade de conformidade com o enfoque funcional. A prática tradicional é reunir todas as pessoas relacionadas com a execução de um trabalho específico em um departamento, como controle de estoque, opera- ções de deposito. Cada uma dessas áreas é responsável por alcançar sua própria ex- celência funcional. No entanto, a integração bem-sucedida de um processo logístico requer que os executivos transponham a estrutura organizacional e adotem a coorde- nação interfuncional. 4.5 SISTEMAS DE AVALIAÇÃO Sistemas de avaliação tradicionais também dificultam a coordenação entre funções. A maioria dos sistemas de avaliação retrata a estrutura organizacional. Para que se ob- tenha sucesso na integração de funções logísticas, é necessário desenvolver um novo conjunto de indicadores de desempenho. 4.6 PROPRIEDADE DO ESTOQUE O estoque pode ajudar uma função específica a alcançar sua missão. A abordagem tradicional de propriedade de estoque é manter um suprimento adequado para se ter tranquilidade e oferecer uma proteção em face da incerteza operacional da de- manda. A questão básica é a relação custo/benefício e os riscos de obsolescência de estoque ou de localização. 1918 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 4.7 TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A tecnologia de informação é o recurso-chave para se obter integração. Da mesma forma que a avaliação de desempenho, os aplicativos de sistemas de informações costumam ser criados tomando como base a estrutura organizacional. Até que sejam desenvolvidos esquemas para a transferência de informações, os aplicativos existentes podem funcionar como barreiras à integração do processo devido à dificuldade de compartilhamento de dados vitais em tempo hábil. 4.8 CAPACIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO Na esfera empresarial, conhecimento é poder. Restrições da capacidade de comparti- lhar experiências são uma barreira adicional a integração. Deficiências no processo de transferência de informação ou de conhecimento costumam fomentar um enfoque funcional, que leva ao desenvolvimento de uma forma de trabalho composta de es- pecialistas. Deficiências na transferência de conhecimento também podem criar uma barreira para a manutenção do nível de integração quando um funcionário experiente se aposenta ou, por qualquer outro motivo, sai da empresa. Situação mais grave ocor- re quando a empresa não desenvolve procedimentos e sistemas para a transferência de conhecimento entre as funções. Os procedimentos de transferência desse tipo de conhecimento e experiência são difíceis de padronizar. 5 SUPPLY CHAIN MANAGEMENT É uma abordagem de gestão empresarial voltada a oferecer o máximo de valor agre- gado nos produtos e serviços ao cliente e o máximo de retorno sobre o investimento do ativo fixo (o investimento das organizações no negócio), através da gestão efetiva e otimizada dos fluxos de materiais, produtos, informações e recursos financeiros, de extremo a extremo da cadeia (do início ao fim da área de atividade), desde as fontes de suprimentos até o consumidor final. É a integração de todos os componentes da cadeia de negócios, sem verticalizar (assumir a operação) as atividades, mas com a focalização (dedicação ao que é importante) de cada empresa em seu negócio princi- pal. Exemplo prático: a indústria automobilística, no exemplo da fábrica de caminhões da Volkswagen, buscou em toda a cadeia de fornecedores a otimização máxima ao seu negócio, entregando a eles parte das funções de montagem dos veículos. Para uma maior compreensão deste conceito, é necessário entender primeiro o con- ceito de canal de distribuição. O conceito de canal de distribuição pode ser definido como conjunto de unidades organizacionais, instituições e agentes internos e exter- nos, que executam as funções que dão apoio ao marketing de produtos e serviços de determinada empresa. Entre as funções de suporte ao marketing incluem-se compras, vendas, informações, transporte, armazenagem, estoque, programação da produção e financiamento. Qualquer unidade organizacional que execute uma ou mais funções de suporte ao marketing é considerado um membro do canal de distribuição. Os diversos membros participantes de um canal de distribuição podem ser classificados em dois grupos: membros primários e membros especializados. Membros primários são os que parti- cipam diretamente, assumindo o risco pela posse do produto, e incluem fabricante, atacadistas, distribuidores e varejistas. Membros secundários são os que participam in- diretamente, basicamente por meio da prestação de serviços aos membros primários, não assumindo o risco da posse do produto. Exemplos mais comuns são as empresas de transporte, armazenagem, processamento de dados e prestadoras de serviços lo- gísticos integrados. Com a evolução do conceito de marketing e, mais especificamente, das práticas de segmentação de mercado e do lançamento continuo de novos produtos, juntamente 2120 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL com o surgimento de novos e variados formatos de varejo, os canais de distribuição vêm-se tornando cada vez mais complexos. Por outro lado, o aumento da competição e a cada vez maior instabilidade dos mercados levaram a uma crescente tendência a especialização, por meio da desverticalização/terceirização. O que muitas empresas buscam nesse processo é o foco em sua competência central, repassando para pres- tadores de serviços especializados a maioria das operações produtivas. Uma das prin- cipais conseqüências desse movimento foi o crescimento da importância dos presta- dores de serviços logísticos. A combinação de maior complexidade com menor controle, conseqüência da desver- ticalização, tem levado ao aumento dos custos operacionais nos canais de distribuição. O crescente número de participantes trabalhando num ambiente competitivo e de pouca coordenação é a principal razão para o crescimento de custos. A solução para esse problema passa necessariamente pela busca de maior coordenação e sincroniza- ção, mediante um processo de cooperação e troca de informações. É esse esforço de coordenação nos canais de distribuição, por meio da integração de processos de negó- cios que interligam seus diversos participantes, que está sendo denominado de Supply Chain Management. Em outras palavras, o SCM representa o esforço de integração dos diversos canais de distribuição por meio da administração compartilhada de proces- sos-chave de negócios que interligam as diversas unidades organizacionais e membros do canal, desde o consumidor final até o fornecedor inicial de matérias-primas. Em suma, o SCM é uma abordagem sistêmica de razoável complexidade, que implica alta interação entre os participantes, exigindo a consideração simultânea de diversos trade-offs. O SCM vai além das fronteiras organizacionais e considera tanto os trade-offs internos quanto os interorganizacionais, relativamente a quem se deve responsabilizar pelos estoques e em que estágio do canal as diversas atividades deveriam ser realizadas. Considerando os benefícios que podem ser obtidos com a correta utilização do con- ceito de SCM, surpreende verificar que tão poucas empresas o tenham implementa- do. As razões são basicamente duas: a novidade do conceito, ainda em formação e pouco difundido entre os profissionais; e a complexidade e da dificuldade de imple- mentação do conceito. SCM é uma abordagem que exige mudanças profundas em práticas arraigadas, tanto no nível dos procedimentos internos, quanto no nível exter- no, no que diz respeito ao relacionamento entre os diversos participantes da cadeia. Em nível interno, torna-senecessário quebrar as barreiras organizacionais resultantes da prática do gerenciamento por silos, que se caracteriza pela perseguição simultânea de diversos objetivos funcionais conflitantes, em detrimento de uma visão sistêmica em que o resultado do conjunto é mais importante que o resultado das partes. Que- brar essa cultura arraigada e convencer os gerentes de que deverão estar preparados para sacrificar seus objetivos funcionais individuais em benefício do conjunto tem-se mostrado uma tarefa desafiante. Alcançá-la implica abandonar o gerenciamento de funções individuais e buscar a integração das atividades por meio da integração das atividades por meio da estruturação de processos-chaves na cadeia de suprimentos. Entre os processos de negócios considerados chave para o sucesso de implementação do SCM, os sete mais citados encontram-se no quadro abaixo: 1- RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES 2- SERVIÇO AOS CLIENTES 3- ADMINISTRAÇÃO DE DEMANDA 4-ATENDIMENTO DE PEDIDOS 5- ADMINISTRAÇÃO DO FLUXO DE PRODUÇÃO 6- COMPRAS/SUPRIMENTOS 7- DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS Resumidamente, estes sete processos-chaves têm como objetivos principais: 1. Desenvolver equipes focadas nos clientes estratégicos, que busquem um enten- dimento comum sobre características de produtos e serviços, a fim de torná-los atrativos para aquela classe de clientes; 2. Fornecer um ponto de contato único para todos os clientes, atendendo de forma eficiente a suas consultas e requisições; 3. Captar, compilar e continuamente atualizar dados de demanda, com o objetivo de equilibrar a oferta com a demanda; 4. Atender aos pedidos dos clientes sem erros e dentro do prazo de entrega com- binado; 5. Desenvolver sistemas flexíveis de produção que sejam capazes de responder ra- pidamente às mudanças nas condições do mercado; 2322 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 6. Gerenciar relações de parceria com fornecedores para garantir respostas rápidas e a contínua melhoria de desempenho; 7. Buscar mais cedo possível o envolvimento dos fornecedores no desenvolvimento de novos produtos. A experiência tem demonstrado que a montagem de equipes para gerenciamento de processos na cadeia de suprimentos é um grande desafio. Para isso, é necessário um esforço dedicado de pessoas compromissadas. As equipes servem para quebrar as barreiras organizacionais e devem envolver todos os que participam das atividades relacionadas com a colocação e distribuição dos produtos no mercado. Uma das primeiras perguntas para quem pretende fazer a mudança para equipes é saber quem deve participar da equipe de Supply Chain. A idéia é que haja um grupo permanente de membros-chaves e um grupo de participantes esporádicos, que se- riam convocados quando necessário. Existe um conjunto de características que tendem a contribuir para o sucesso das equipes de SCM: o estabelecimento de objetivos e metas claras em áreas chaves (tem- po de entrega, índice de disponibilidade, giro de estoques, entrega no prazo); a de- terminação do papel de cada membro da equipe na perseguição dos objetivos; o estabelecimento de uma estratégia de implementação; e a formalização de medidas quantitativas de desempenho para medir os resultados alcançados. Embora a montagem de equipes seja importante, a utilização de todo o potencial só irá ocorrer se a empresa conseguir interligar-se aos participantes externos na cadeia de suprimentos. Esses participantes incluem fornecedores, distribuidores, prestadores de serviços e clientes. Dada a natureza colaborativa que deve possuir a cadeia de suprimento, torna-se cru- cial selecionar os parceiros corretos. O que se deseja são empresas que não apenas sejam excelentes em termos de seus produtos e serviços, mas que também sejam sólidas e estáveis financeiramente. A relação de parceria na cadeia ampliada deve ser vista como um acordo de longo prazo. Muito importante também é lembrar que a cadeia de suprimento ampliada necessita um canal de informações que conecte todos os participantes. A maioria das grandes empresas possui os requisitos tecnológicos para fazer a integração. O problema é que elas estão utilizando de forma incorreta. Idealmente, a informação que se torna dis- ponível quando o consumidor efetiva a compra deveria ser imediatamente compar- tilhada com os demais participantes da cadeia, ou seja, transportadoras, fabricantes, fornecedores de componentes e de matéria-prima. Dar visibilidade as informações do ponto de venda, em tempo real, ajuda todos os participantes a gerenciar a verdadeira demanda de mercado de forma mais precisa, o que permite reduzir o estoque na cadeia de suprimento de forma substancial. Fica evidente que a implementação do conceito de SCM exige mudanças significati- vas tanto nos procedimentos internos quanto nos externos, principalmente no que diz respeito ao relacionamento com clientes e fornecedores. No Brasil, o principal esforço para implementação do conceito está sendo feito no âm- bito do movimento ECR Brasil. Liderando o processo estão os fabricantes de produtos alimentícios e bebidas, por um lado, e os supermercados do outro.embora seja enor- me o potencial para redução de custos na cadeia, um conjunto de mudanças profun- das precisa ser efetuado. No caso dos supermercados, por exemplo, existe um amplo conjunto de antigas práticas que estão muito arraigadas e que podem ser considera- das como barreiras ao bom andamento de projetos de SCM. Entre essas práticas se destacam: o relacionamento com os fornecedores, ainda fortemente dominado pela política de queda de braço mensal com relação aos preços dos produtos; a grande maioria dos produtos recebida diretamente nas lojas, o que dificulta o controle do re- cebimento e a avaliação de desempenho dos fornecedores; as empresas organizadas em silos funcionais, com compras, logística e administração das lojas sendo gerencia- das de forma independente e isolada; mão-de-obra atualmente disponível não possui a formação ou capacitação necessária para operar com base nos novos requisitos do SCM; a tecnologia de informação ainda apresenta fortes deficiências, principalmente no que diz respeito aos softwares de análises de dados, e também aos procedimentos para manutenção dos cadastros de produtos e fornecedores. São muitos os desafios, mas enormes as oportunidades da implementação do concei- to de SCM no Brasil. O momento é extremamente favorável para esta nova oportuni- dade, que certamente irá aumentar a competitividade e lucratividade das empresas que ousarem e saírem na frente. 2524 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 6 FUNÇÕES OPERACIONAIS DA LOGISTICA 6.1 PRINCÍPIOS DA ARMAZENAGEM É possível estabelecer alguns princípios básicos de armazenagem: a) Planejamento - avaliação prévia da área de armazenagem antes de aceitar a contratação e um determinado lote a armazenar, verificando a existência de con- dições físicas e técnicas. b) Flexibilidade Operacional - Adaptabilidade de praças, corredores, portas e equi- pamentos disponíveis em uma área de armazenagem, de forma a receber com facilidade, simultânea ou sucessivamente, produtos com diferentes característi- cas de manuseio. c) Simplificação do fluxo - desenvolvimento, adaptação e ou implantação do arran- jo físico de uma área de armazenagem, levando em conta as características dos equipamentos disponíveis e a localização de portas e corredores, com o objetivo de simplificar ao máximo os fluxos de entrada e de saída, de forma a obter a maior produtividade possível. d) Integração- planejar a integração do maior número de atividades possível simul- taneamente, coordenando todas as operações. e) Otimização do espaço físico - armazenamento técnico e seguro, possibilitando a fácil movimentação da maior quantidade possível de mercadorias em uma única área de armazenagem, observando a resistência estrutural do piso e a ca- pacidade volumétrica da área. f) Otimização de equipamentos e mão de obra - analise, desenvolvimento,pa- dronização, sistematização e implantação de procedimentos direcionados ao dimensionamento e a racionalização dos equipamentos de movimentação e equipes de trabalho. g) Verticalização - aproveitar os espaços verticais da melhor maneira possível, sem perder de vista a segurança. h) Mecanização - avaliação quanto a real necessidade e relação custo - beneficio da mecanização dos procedimentos de movimentação de mercadorias. i) Automação - avaliação quanto a real necessidade e relação custo-beneficio de automatizar o gerenciamento da armazenagem, sistema de controle e demais sistemas administrativos. j) Controle- planejamento, implantação e acompanhamento metódico de um adequado sistema de registros dos recebimentos, tempo de permanência da armazenagem, entregas e controle do inventário físico de mercadorias, possibili- tando a sua identificação e retirada imediatas. k) Segurança - dotar a área de armazenagem de sistemas que garantam a integri- dade física das mercadorias armazenadas. l) Preço - compatibilidade dos preços calculados a partir da estrutura de custos resultante do planejamento empresarial com o praticado pelas empresas con- gêneres no mercado. 6.1.1 CUSTOS DA ARMAZENAGEM Os custos básicos de uma operação de armazenagem que requerem maior atenção em seu controle são os descritos abaixo. 1. Espaço para armazenagem e atendimento de pedidos 2. Forma de ocupação do espaço físico destinado à armazenagem 3. Equipamento utilizado 4. Mão-de-obra empregada 5. Sistema de controle da armazenagem O sistema de armazenagem a ser empregado difere para cada tipo de material, políti- ca de estoques que a empresa emprega e mercado em que atua. Para tanto, teremos diversos tipos de sistemas de armazenagem, com tecnologias cada vez mais diferen- ciadas ao longo das necessidades da empresa. 2726 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 6.1.2 TIPOS DE ARMAZÉM Citaremos a seguir os principais tipos de organizações existentes na área de armazenagem. 1. Armazéns/Terminais EADI – Estações Aduaneiras do interior Foco: armazenamento de mercadorias retidas na alfândega e execução de proces- sos primários de fabricação (sem transformação de produto). 2. Armazéns/Terminais Carga Geral Foco: armazenamento de mercadorias gerais, não tendo especialização. 3. Armazéns/Terminais Frigoríficos Foco: armazenamento de mercadorias que necessitam de refrigeração controlada. 4. Armazéns/Terminais Portuários: Públicos e Privados Foco: armazenamento de cargas retidas na alfândega, em recintos portuários con- trolados. 5. Armazéns/Terminais Aeroportuários: Públicos e Privados Foco: armazenamento de cargas sujeitas à alfândega em recintos aeroportuários controlados. 6. Armazéns/Terminais Contêineres Foco: armazenamento de contêineres, podendo ser retidos na alfândega ou não. 7. Armazéns/Terminais Granéis: Líquidos e Sólidos Foco: armazenamento de mercadorias sem embalagem, em estado natural. 8. Armazéns/Terminais Industriais ou Comerciais - Centros de Distribuição Foco: realizar a gestão dos estoques de mercadorias na distribuição física. As atividades englobam recepção, expedição, manuseio e armazenagem de merca- dorias, administração de informações, emissão de notas fiscais, conhecimentos de transporte e outros documentos e, em alguns casos, agregação de valor intrínseco (físico), como a colocação de embalagens e rótulos e a preparação de kits comerciais (compre dois e leve três, por exemplo). 6.1.3 SETE PASSOS DA ARMAZENAGEM Os sete passos de desenvolvimento de um plano para a armazenagem adequada, profissional e lucrativa serão observados abaixo. 1. Entender o processo atual de armazenagem • Como base para o processo do Plano Estratégico, as seguintes perguntas deverão ser totalmente respondidas: • Qual a variedade dos SKUs (itens de estoque unitário) que está sendo oferecida? • Qual a quantidade adicional dos SKUs solicitada pelos seus clientes? • Qual a quantidade adicional dos SKUs que o marketing está solicitando ou consi- derando? Quais são os atuais processos de atendimento feitos pelo armazém? 2. Estabelecer objetivos, prioridades e critérios de avaliação • Interagir com a liderança da empresa para estabelecer os objetivos de curto, médio e longo prazos para a Armazenagem Ideal. Entender as prioridades da organização com relação ao serviço ao cliente, às ameaças competitivas, pontos fracos, pontos fortes e oportunidades, redução de inventário, restrições de capacidades e outros fatores que podem impactar a direção estratégica da armazenagem. Ao mesmo tempo, entender o critério de avaliação a ser utilizado na análise qualitativa de ní- veis e abordagens alternativas para a Armazenagem Ideal. 3. Estabelecer um Banco de Dados • Obter as seguintes informações operacionais: • Previsão de mercado para negócio global e crescimento dos SKUs. • Histórico de pedidos para determinar o perfil do pedido e análise ABC. • Características do produto (isto é, definições da carga unitária). • Atual layout da instalação, local e restrições. 2928 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL • Atuais custos de armazenagem. • Critérios de avaliação e fatores econômicos. • Atuais procedimentos de estocagem, separação e embalagem • Visão mensal dos níveis de estoque por produto • Grau de informatização utilizado no armazém 4. Identificar e documentar estratégias alternativas para Armazenagem Adequada. • Usando os dados que foram coletados, determinar o que é comum entre as vá- rias ofertas de produto, ou seja, verificar o que é de uso comum. Depois, analisar o processo de produção para determinar em que ponto a Armazenagem Ideal será mais benéfica e menos obstrutiva, como será geradora de ganhos operacionais. Ela- borar e analisar abordagens alternativas sob medida, incluindo o desenvolvimento das necessidades de equipamento, materiais, mão-de-obra, sistemas e capital. Em cada alternativa, revisar o processo de adequação para determinar o tempo do ci- clo e, então, compará-lo com o atual “lead-time” do pedido (período que demora para atender plenamente o pedido de reposição). Baseado na análise, determinar o correto mix de produtos genéricos para realizar o inventário de produtos acabados. Uma vez determinado o mix, projetar os níveis apropriados de inventário. Baseado nestas projeções, desenvolver configurações e/ou opções alternativas de estocagem. Definir projeção de espaço, equipamento e pessoal para cada alternativa. 5. Avaliar as estratégias alternativas do sistema de controle • Avaliar as estratégias alternativas disponíveis do sistema de administração do ar- mazém que atendam à funcionalidade global de Armazenagem Ideal. Assegurar que a solução WMS (Sistema de Gerenciamento de Armazéns) possa incorporar uma função de programação de atividades. • É crítico que seja estabelecida uma lista de requisitos. 6. Avaliar planos estratégicos alternativos da Armazenagem Ideal • Definir os custos de investimento, instalação e operação de cada alternativa. Exe- cutar uma análise econômica e uma análise qualitativa. Selecionar a melhor alter- nativa estratégica de Armazenagem Ideal, baseada nas avaliações econômicas e qualitativas globais. 7. Desenvolver um plano de ação • O Plano Estratégico de Armazenagem Ideal selecionado deve ser traduzido em um plano de ação da empresa. O plano de ação deve estar em fase e ilustrar cla- ramente os sistemas de movimentação de materiais, sistemas de estocagem, sis- temas de produção e embalagem e sistemas de controle de material para o Plano Estratégico da Armazenagem recomendado. 6.2 ESTOQUE 6.2.1 TIPOS DE ESTOQUE 1. Estoque de Proteção ou Hedge Inventory - É feito quando excepcionalmente está previsto um acontecimento que pode colocar em risco o abastecimento normal de estoque e gerar uma quebra na produção e/ou vendas. Normalmente são greves, problemas de novas legislações, período de negociação de nova ta- bela de preços, etc. 2. Estoque de Segurança ou Safety Stock - Quantidade mantidaem estoque para suprir nas ocasiões em que a demanda é maior do que a esperada e/ou quando a oferta para repor estoque ou de matéria-prima para fabricá-la é menor do que a esperada e/ou quando o tempo de ressuprimento é maior que o esperado e/ ou quando houver erros de controle de estoque que levam o sistema de controle a indicar mais material do que a existência efetiva. 3. Estoque em trânsito - Refere-se ao tempo no qual as mercadorias permanecem nos veículos de transporte durante sua entrega. 4. Estoque Inativo - Refere-se a itens que estão obsoletos ou que não tiveram saída nos últimos tempos. Este tempo pode variar, conforme determinação do próprio administrador do estoque. 5. Estoque Máximo - Refere-se a quantidade determinada previamente para que ocor- ra o acionamento da parada de novos pedidos, por motivos de espaço ou financeiro. 6. Estoque Médio - Refere-se a quantidade determinada previamente, que conside- ra a metade do lote normal mais o estoque de segurança. 3130 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 7. Estoque Mínimo - Refere-se a quantidade determinada previamente para que ocorra o acionamento da solicitação do pedido de compra. Às vezes é confundido com “Estoque de Segurança”. Também denominado “Ponto de Ressuprimento”. 8. Estoque Pulmão - Refere-se a quantidade determinada previamente e de forma estratégica, que ainda não foi processada. Pode ser de matéria-prima ou de pro- dutos semi-acabados. 9. Estoque Regulador - É normalmente utilizado em empresas com várias unida- des/filiais, onde uma das unidades tem um estoque maior para suprir possíveis faltas em outras unidades. 10. Estoque Sazonal - Refere-se a quantidade determinada previamente para se an- tecipar a uma demanda maior que é prevista de ocorrer no futuro, fazendo com que a produção ou consumo não sejam prejudicados e tenham uma regularidade. 6.2.2 CUSTOS ASSOCIADOS A ESTOQUES Excluindo o custo de aquisição da mercadoria, os custos associados aos estoques po- dem ser divididos em três categorias: a) Custo de pedir- Incluem os custos fixos administrativos associados ao processo de aquisição de quantidades requeridas para reposição de estoque. Os custos de pedir são definidos em termos monetários por pedido; b) Custos de manter estoque- Estão associados a todos os custos necessários para manter certa quantidade de mercadorias por um período de tempo; e c) Custo total- É definido como a soma dos custos de pedir e de manter estoque. 6.2.3 OBJETIVOS DO ESTOQUE a) Objetivos de Custo - O objetivo é encontrar um plano de suprimento que mini- mize o custo total; b) Objetivos de Nível de pedir- O objetivo é obter o máximo equilíbrio entre a pro- dução e o custo total de estoque, de um lado, e o nível de serviço prestado aos clientes, de outro lado. 6.2.4 ALGUNS CONCEITOS E TÉCNICAS DE CONTROLE DE ESTOQUE a) Métodos de empurrar estoque (tipo push)- Um método popular de gestão de inventário, especialmente quando há mais de um depósito no sistema de distri- buição, é alocar estoques aos armazéns conforme a necessidade esperada nos mesmos. Este enfoque é particulamente vantajoso quando os lotes econômicos de produção ou compra são maiores que as necessidades de curto prazo dos de- pósitos. As questões básicas que o método deve responder são: quanto estoque deve ser enviado para cada depósito? Como alocar as sobras do balanço entre oferta e demanda entre os diversos armazéns? b) Métodos de puxar estoques (tipo pull) - Pode-se manter controle mais apurado dos estoques se cada local de armazenagem for tratado separadamente dos outros. Apenas o estoque necessário para atender a demanda daquele ponto precisa ser mantido. • Estoque para demanda- Um dos sistemas de puxar estoques mais simples e comum. Muitos métodos de fácil entendimento, apesar de não serem os te- oricamente mais eficientes, são os melhores na prática, pois são sempre bem executados. A idéia básica do método é manter os níveis de inventário propor- cionais a sua demanda. • Ponto de Reposição- Conhecido também como método do estoque mínimo, objetiva manter investimento ótimo em estoques. Ou seja, caso o estoque esteja muito elevado, os custos de sua manutenção serão excessivos. Caso esteja muito baixo, podem-se perder vendas ou ocasionar freqüentes paradas na produção. 6.3 JUST IN TIME (JIT) Visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade e sem desperdícios. Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento da quantidade necessária de componentes, no momento e em locais corretos, utilizando o mínimo de recursos. A técnica JIT é vantajosa quando (1) os produtos têm alto valor unitário e necessitam 3332 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL de alto nível de controle, (2) necessidades ou demandas são conhecidas com alto grau de certeza, (3) os tempos de reposição são pequenos e conhecidos e (4) não há bene- fício econômico em suprir-se com quantidades maiores que as requeridas. O JIT requer os seguintes princípios: a) Qualidade - deve ser alta porque distúrbios na produção por erros de qualidade reduzirão o fluxo de materiais; b) Velocidade - essencial em caso de pretender atender à demanda dos clientes diretamente conectados com a produção, em vez de por meio dos estoques; c) Confiabilidade - pré-requisito para se ter um fluxo rápido de produção; d) Flexibilidade - importante para que se consiga produzir em lotes pequenos, atin- gir fluxo rápido e lead time curtos; e) Compromisso - Essencial comprometimento entre fornecedor e comprador de modo que o cliente receba sua mercadoria no prazo e no local determinado sem que haja qualquer tipo de problema em seu processo de entrada de mer- cadorias para venda. 6.4 MOVIMENTAÇÃO A análise de terceirização ou não das atividades de armazenagem está diretamente ligada à crítica dos seguintes itens::Foco da organização, Nível de risco estratégico, Ge- renciamento: disponibilidade e filosofia, Capital: custo e disponibilidade, Mão-de-obra, Flexibilidade, Controle. Mas ainda podemos focar claramente que a decisão em realizar o processo de arma- zenagem e, consequentemente, a movimentação de materiais foca-se em duas con- tundentes perguntas: Sua organização possui, atualmente, gerenciamento suficiente para uma nova operação de armazenagem? Se a resposta for não, qual é o risco de uma terceirização com pessoas desconhecidas? 6.4.1 PRINCÍPIOS DA MOVIMENTAÇÃO 1. Princípio do planejamento: É necessário determinar o melhor método, do ponto de vista econômico, para a movimentação de materiais, considerando-se as con- dições particulares de cada operação. 2. Princípio do sistema integrado: Devemos planejar um sistema que integre o maior número de atividades de movimentação, coordenando todo o conjunto de operação. 3. Princípio do fluxo de materiais: É fundamental planejar o fluxo contínuo e pro- gressivo dos materiais. 4. Princípio da simplificação: Devemos procurar sempre reduzir, combinar ou elimi- nar movimentação e/ou equipamentos desnecessários. 5. Princípio da gravidade: A força motora mais econômica é a gravidade. Ao arma- zenar, lembre-se de usá-la para evitar empilhadeiras, esteiras etc. 6. Princípio da utilização dos espaços (Princípio da verticalização): O aproveitamento dos espaços verticais contribui para o descongestionamento das áreas de movi- mentação e para a redução dos custos da armazenagem. 7. Princípio do tamanho da carga (Unitização): A economia em movimentação de materiais é diretamente proporcional ao tamanho da carga movimentada. 8. Princípio da segurança: A produtividade aumenta conforme as condições de tra- balho tornam-se mais seguras. 9. Princípio da mecanização - automação: Usar equipamento de movimentação mecanizado ou automático sempre que possível e viável. 10. Princípio da seleção de equipamento: Na seleção do equipamento de movi- mentação, considerar todos os aspectos do material a ser movimentado, o movi- mento a ser realizado e o(s) método(s) a ser(em) utilizado(s).11. Princípio da padronização: Padronizar métodos, bem como tipos e tamanhos dos equipamentos de movimentação e das cargas utilizadas. 12. Princípio da flexibilidade: Procurar sempre equipamentos versáteis, pois o seu valor é diretamente proporcional à sua flexibilidade. 13. Princípio do peso morto: Quanto menor for o peso próprio do equipamento móvel em relação à sua capacidade de carga, mais econômicas serão as condi- 3534 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL ções operacionais. 14. Princípio do tempo ocioso: Reduzir tempo ocioso ou improdutivo, tanto do equi- pamento quanto da mão-de-obra empregada na movimentação de materiais. 15. Princípio da movimentação: O equipamento projetado para movimentar mate- riais deve ser mantido em movimento. 16. Princípio da manutenção: Planejar a manutenção preventiva e corretiva de to- dos os equipamentos de movimentação. 17. Princípio da obsolescência: Substituir os métodos e equipamentos de movi- mentação obsoletos sempre que métodos e equipamentos mais eficientes vie- rem a melhorar as operações. 18. Princípio do controle: Empregar o equipamento de movimentação de materiais para melhorar o controle de produção, controle de estoques e preparação de pedidos. 19. Princípio da capacidade: Usar equipamentos de movimentação para auxiliar a atingir a plena capacidade de produção. 20. Princípio de desempenho: Determinar a eficiência da movimentação de mate- riais em termos de custo por unidade movimentada. A escolha de um determinado equipamento de movimentação está condicionada não só à carga que este deverá transportar, mas também às condições em que operará. Quando for destinado ao uso interno em indústrias, armazéns, lojas etc., corredores e altura do local são fatores determinantes da escolha. Seguem abaixo dez dicas de como selecionar adequadamente seu equipamento de movimentação para suas atividades logísticas. 1. Tipo de carga a ser movimentada • Cronologicamente, a primeira consideração a ser feita antes de se determinar qual o equipamento de movimentação mais adequado é quanto ao tipo de carga ou material a ser movimentado. • Também é importante definir se este equipamento será utilizado para transportar um ou mais tipos de cargas. Estes fatores determinam não somente que tipo de equipamento de movimentação deverá ser considerado para as operações, mas também quais acessórios serão exigidos. 2. Peso da carga a ser movimentada • A próxima consideração é com respeito ao peso da carga. Naturalmente, o peso é um aspecto determinante da capacidade do equipamento de movimentação a ser adquirido. Porém, nesta consideração deve-se incluir a maneira como a carga será movimentada. 3. Dimensões da carga a ser movimentada • Como as dimensões variam, este é o próximo aspecto a ser considerado. Duas cargas com o mesmo peso, mas de dimensões diferentes, podem requerer tipos diferen- tes de equipamentos de movimentação, já que suas dimensões alteram o centro de gravidade da carga, variando a capacidade do equipamento de movimentação. 4. Ciclo de movimentação das cargas Ao analisar-se o local de trabalho onde o equipamento de movimentação operará, é necessário considerar as distâncias que serão percorridas. Este fator é importante especialmente no caso das áreas externas. Quando as distâncias a serem percorridas são grandes, são necessários equipamentos de movimentação de maior velocidade. 5. Tipo de terreno a ser percorrido • Existem áreas externas pavimentadas e não-pavimentadas. No caso das áreas pavi- mentadas, é necessário determinar o tipo de piso (concreto, asfalto, madeira etc.), já que este piso terá que suportar o peso do equipamento de movimentação jun- tamente com o peso da carga a ser transportada e o peso do operador da máqui- na. Este mesmo aspecto deve ser considerado ao se analisar as áreas internas. Em uso, os equipamentos de movimentação criam cargas máximas momentâneas, denominadas cargas dinâmicas, que ocorrem durante o deslocamento. Como re- gra geral, as cargas em movimento são aproximadamente 20% maiores do que as cargas estáticas. • No caso de terrenos não-pavimentados, é necessário considerar se o terreno é ir- regular etc. • Estes fatores podem afetar a estabilidade do equipamento de movimentação e, 3736 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL portanto, determinam não somente o modelo do equipamento de movimenta- ção, mas também o tipo e tamanho dos acessórios a serem utilizados. 6. O percurso a ser percorrido tem rampas? • As rampas limitam a capacidade dos equipamentos de movimentação pela tra- ção disponível nas rodas e pela força disponível para mover e empilhar a carga. É importante considerar o grau de inclinação da rampa na especificação do equipa- mento de movimentação, para que este seja capaz de vencê-la. 7. O percurso tem passarelas aéreas, pontes? • Estas considerações também são muito importantes, já que os equipamentos de movimentação, com suas torres de elevação, possuem dimensões variadas, sendo necessária a escolha de um tipo que permita a passagem sob pontes, túneis etc. 8. Qual a largura do corredor? • Em locais internos de operação, um fator crítico é a largura do corredor por onde o equipamento de movimentação será movimentado. Considerando-se que o equi- pamento precisa posicionar-se de frente à estrutura de estocagem, é necessário que o corredor permita tal manobra. 9. Qual a largura a ser utilizada para a estocagem? • Muitas empresas, como as de transportes, exigem movimentação de cargas aéreas fechadas em vagões ou caminhões-baú, além do empilhamento interno em estru- turas porta-paletes. Para satisfazer a essas necessidades, existem torres de elevação de diversos tamanhos e alturas. 10. Qual o tipo da indústria ou quais suas características ambientais? • As indústrias alimentícias, farmacêuticas e outras apresentam um aspecto adicio- nal a ser considerado: contaminação dos seus produtos por gases. Da mesma for- ma, alguns ambientes fechados não permitem este tipo de poluição para não prejudicar a saúde e a produtividade dos funcionários. Estes fatores devem ser cuidadosamente analisados, pois determinarão a escolha do tipo de motor que acionará o equipamento de movimentação: a óleo, a gasolina, gás liquefeito de petróleo (GLP) ou elétrico. 7 TRANSPORTE O transporte é a área operacional da logística que posiciona geograficamente o esto- que. As necessidades do transporte podem ser atendidas das três maneiras básicas. Em primeiro lugar, pode-se operar uma frota exclusiva de veículos. Em segundo lugar, podem-se fazer contratos com empresas de transportes. Em terceiro lugar, a empresa pode contratar os serviços de várias transportadoras que oferecem serviços diversos de transporte de cargas individuais. Esses três tipos de transporte são normalmente cha- mados de privado, contratado e transporte comum (eventual), respectivamente. Do ponto de vista do sistema logístico, três fatores são fundamentais para o desempenho do transporte: custo, velocidade e consistência. O custo do transporte é o pagamento pela movimentação entre dois pontos geográ- ficos e as despesas relacionadas com o gerenciamento e a manutenção de estoque em trânsito. A velocidade do transporte é o tempo necessário para completar uma movimentação específica. A velocidade e o custo do transporte relacionam-se de duas maneiras. Em primeiro lugar, as empresas de transporte capacitadas para fornecer um serviço mais rápido normalmente cobram taxas mais altas. Em segundo lugar, quanto mais rápido o serviço de transporte, mais curto será o intervalo de tempo durante o qual o estoque ficará em trânsito e indisponível. Portanto, um aspecto crítico no processo de seleção do modal de transporte mais indicado é o equilíbrio entre a velocidade e o custo do serviço. A consistência do transporte abrange variações do tempo necessário para executar uma movimentação específica considerando diversos carregamentos. A consistência é um reflexo da confiabilidade do transporte.Sem consistência no transporte, será necessária a formação de maiores estoques de segurança como medida de proteção contra atrasos imprevisíveis no serviço. A consistência do transporte afeta o risco de falta do produto, dado o nível de estoque comprometido, tanto do lado do vendedor quanto do lado do comprador. Existem três aspectos do transporte que os profissionais devem ter em mente com relação à rede logística. Primeiro, a seleção de instalações estabelece uma estrutura de rede que gera o conjunto de necessidades de transporte e limita as alternativas. Segundo, o custo total do transporte envolve mais do que a fatura do frete. E, terceiro, 3938 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL todo o esforço no sentido de integrar a capacitação do transporte em um sistema logístico pode ser inviabilizado se o serviço de entrega for esporádico e inconsistente. 7.1 CLASSIFICAÇÃO DOS MODAIS Os cinco modais de transporte básicos são o ferroviário, o rodoviário, o aquaviário, o du- toviário e o aéreo. A importância relativa de cada modal pode ser medida, em termos da quilometragem do sistema, volume de tráfego, receita e natureza da composição do tráfego. A tabela abaixo resume a estrutura de custos fixos- variáveis de cada modal. Ferroviário • Altos custos fixos em equipamentos, terminais, vias férreas etc; • Custo variável baixo Aquaviário Custo fixo médio (navios e equipamentos); Custo variável baixo (capacidade para transportar grande quantidade de tone- lagem). Rodoviário • Custos fixos baixos (rodovias estabelecidas e construídas com fundos públi- cos); • Custo variável médio (combustível manutenção). Dutoviário • Custo fixo mais elevado (direitos de acesso, construção, requisitos para con- troles das estações de bombeamento); • Custo variável mais baixo (nenhum custo com mão-de-obra de grande im- portância) Aeroviário • Custo fixo alto (aeronaves e manuseio e sistemas de carga); • Alto custo variável (combustível, mão-de-obra, manutenção, etc). 7.2 MODAL FERROVIÁRIO A ferrovia é basicamente um transportador lento de matérias- primas ou manufatu- rados de baixo valor para longas distâncias. A distância média da viagem é de 535 milhas, com velocidade média de 20 milhas horárias. A distância média diária para um vagão é de cerca de 57 milhas diárias. As baixas velocidades e pequenas distâncias diárias percorridas refletem o fato que o vagão gasta 88% de seu tempo carregando e descarregando, locomovendo-se de um ponto a outro dentro do terminal, sendo clas- sificado e agregado em composições ou mesmo ficando inativo durante uma queda sazonal de demanda. Existem duas formas de serviço ferroviário, o transportador regular e o privado. Um transportador regular vende seus serviços para qualquer usuário, sendo regulamenta- do em termos econômicos e de segurança pelo governo. Já o transportador privado pertence a algum usuário particular, que o usa com exclusividade. O transporte é realizado tanto com carga cheia ou carga parcial. A carga cheia refe- re-se a um carregamento com tamanho predeterminado, geralmente igual ou maior que a capacidade média de um vagão para o qual se aplica uma taxa particular. O frete de carga cheia é menor do que o frete de carga parcelada, refletindo o menor volume de manuseio exigido. 4140 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 7.3 MODAL RODOVIÁRIO O transporte rodoviário difere do ferroviário, pois serve rotas de curta distância de pro- dutos acabados ou semi-acabados. As vantagens inerentes do uso de caminhões são (1) o serviço porta a porta, de modo que não é preciso carregamento ou descarga en- tre origem e destino, como frequentemente ocorre com os modos aéreo e ferroviário; (2) a freqüência e a disponibilidade de serviços e (3) sua velocidade e conveniência no transporte porta a porta. 7.4 MODAL DUTOVIÁRIO Até hoje, o transporte dutoviário oferece um rol muito limitado de serviços e capaci- dades. Petróleo bruto e derivados são os principais produtos que têm movimentação economicamente viável por dutos. A movimentação do duto é bastante lenta, sendo apenas cerca de 3 a 4 milhas ho- rárias. A lentidão é contrabalançada pelo fato de que o transporte opera 24 horas por dia e sete dia por semana. Com relação ao tempo de trânsito, o transporte dutoviário é o mais confiável de todos, pois existem poucas interrupções para causar variabilidade nos tempos de entrega. Fatores meteorológicos não são significativos e bombas são equipamentos altamente confiáveis. Além disso, a disponibilidade de dutos é limitada apenas por seu emprego por outros usuários. Danos e perdas são baixos, pois (1) líquidos e gases não estão sujeitos a danos no mesmo grau que produtos manufaturados e (2) a quantidade de perigos que podem ocorrer na operação dutoviária é limitada. 7.5 MODAL AQUAVIÁRIO O transporte marítimo é o modal mais utilizado no comércio internacional ou longo curso refere-se ao transporte marítimo internacional. Inclui tanto os navios que rea- lizam tráfego regular, pertencentes a Conferências de Frete, Acordos Bilaterais e os outsiders, como aqueles de rota irregular, os “tramps”. 4342 LOGÍSTICA EMPRESARIAL LOGÍSTICA EMPRESARIAL 7.6. MODAL AEROVIÁRIO O transporte aéreo tem tido uma demanda crescente de usuários no segmento de cargas com serviço regular, mesmo apesar de seu frete exceder o valor do frete rodovi- ário mais de três vezes e quatorze vezes o ferroviário. A vantagem do modo aéreo está em sua velocidade sem paralelo, principalmente para longas distâncias. A disponibilidade e a confiabilidade podem ser consideradas boas sob condições nor- mais de operação. A variabilidade do tempo de entrega é baixa em termos absolutos, apesar de o tráfego aéreo ser bastante sensível a falhas mecânicas, condições mete- orológicas e congestionamentos. Comparando-se sua variabilidade com seu tempo médio de entrega, a situação se inverte, pois se apresenta então como um dos modais menos confiáveis. 7.7 FATORES QUE AFETAM OS CUSTOS DE TRANSPORTE O custo de transportar um produto a uma certa distância varia em função: a) Do transporte utilizado; b) Das características do produto: densidade, facilidade de armazenagem, facilida- de de manipulação, risco de roubo, danos e necessidades de embalagens apro- priadas; c) E de diversos outros fatores externos: localização, natureza e força da regulamenta- ção, equilíbrio do tráfego de fretes, sazonalidade na movimentação de produtos. 7.8 INTEGRAÇÃO ENTRE MODAIS A integração entre modais pode ocorrer entre vários modais (aéreo-rodoviário, ferro- viário-rodoviário, aquaviário-ferroviário, aquaviário-rodoviário) ou ainda entre mais de dois modais. Nessas operações, os terminais possuem papel fundamental na viabilidade econô- mica da alternativa. O mais preocupante é que são justamente os terminais uma das principais barreiras ao desenvolvimento do intermodalismo no Brasil. Uma das principais técnicas utilizadas no intermodalismo está relacionada ao acopla- mento entre modais. Focando a integração entre modal rodoviário e o ferroviário, esse tipo de abordagem pode ser classificada da seguinte forma: • Container on flatcar (Cofc): Caracteriza-se pela colocação de um contêiner sobre um vagão ferroviário. Também existe a possibilidade de posicionar dois contai- neres sobre um vagão para aumentar a produtividade da ferrovia. Nos EUA e na Europa, esse tipo de operação é comum. Entretanto, no Brasil, para muitos tre- chos seria inviável, principalmente devido as restrições de altura em túneis. • Trailer on flatcar (Tofc): Também conhecido como piggyback, teve origem nos primórdios da ferrovia norte-americana. Consiste em colocar uma carreta (semi- -reboque) sobre um vagão plataforma. Essa operação tem como principal bene- fício reduzir custos e tempo com o transbordo da carga entre modais, evitando investimentos em equipamentos de movimentação em terminais rodo-ferroviá- rios; • Car less: Como o próprio nome sugere, é uma tecnologia que não utiliza o vagão