Prévia do material em texto
lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D MÓDULO 3 mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D MATERIAL DE APOIO MÓDULO 3 – MEDICINA LEGAL INTRODUÇÃO A MEDICINA LEGAL A Medicina Legal é uma especialidade pluralista pois aplica o conhecimento de diversos ramos da medicina às necessidades do direito. Seu objetivo é sistematizar e empregar técnicas e métodos que resultam no esclarecimento da verdade e por isso se posiciona com privilégio entre as ciências biológicas (Magalhães, 2004). Hélio Gomes (1958) definiu a Medicina Legal como "Conjunto de conhecimentos médicos e para médicos destinados a servir ao direito, cooperando na elaboração, auxiliando na interpretação e colaborando na execução dos dispositivos legais, no seu campo de ação de medicina aplicada". Sua eficiência está bem caracterizada na sua definição que é contribuir do ponto de vista médico para a elaboração, interpretação e aplicação das leis. Dentro deste contexto de atuação da medicina Legal na área jurídica, podemos destacar: Direito do Trabalho: Infortunística, ambientes insalubres, entre outros. Direito Civil: paternidade, erro essencial, capacidade civil, personalidade civil e direitos do nascituro, entre outros. Direito Penal: Lesões corporais, aborto legal e ilícito, infanticídio, homicídio, emoção e paixão, embriaguez, entre outros. Direito Processual Civil e Penal: Psicologia da testemunha, da confissão, da acareação do acusado e da vítima, das perícias, e de outros processos que ocorrem dentro do âmbito jurídico. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Direito Penitenciário: Psicologia do detento com a finalidade de conceder livramento condicional, entre outros. Quando a autoridade policial ou judicial precisa de auxílio na esfera médica, eles recorrem ao profissional da medicina, o perito médico-legal ou legista para esclarecer esses questionamentos de fato médicos. Denomina-se perícia ou diligência médico-legal todo procedimento médico (exames clínicos, laboratoriais, necropsia, exumação) demandado por autoridade policial ou judiciária, praticado por profissional de medicina visando prestar esclarecimento à Justiça (Croced e Croced Junior, 2009). Segundo Velho, Geiser, Espíndula (2013) a perícia médico legal consiste em utilizar metodologias técnicas do ponto de vista da medicina para auxiliar a justiça e tem como objetivo investigar toda forma de danos ou alterações que atingem o ser humano aplicando o conhecimento da medicina para constatar e descrever com precisão os acontecimentos que acometem o corpo humano. Quanto à área de aplicações médico-legal podemos subdividir. Os principais temas são: Tanatologia Forense: Estuda os aspectos da morte de interesse médico-legal, fenômenos cadavéricos, autópsia, direitos sobre o cadáver, entre outros. Traumatologia Forense: Estuda as lesões corporais sob o ponto de vista jurídico e das energias causadoras da lesão. Antropologia Forense: Estuda a identidade e identificação do homem. Psiquiatria Forense: É o estudo das doenças mentais e suas implicações médico-legais. Infortunística: Estuda basicamente os acidentes do trabalho, doenças adquiridas em ambiente de trabalho, entre outras. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Psicologia Forense: Estuda as relações da capacidade civil e responsabilidade penal dos agentes que cometem infrações penais, psicologia do testemunho e da confissão, etc. Criminologia: é o estudo do crime, do criminoso, da vítima e do controle social. Por mais que a Criminologia, Psiquiatria, Psicologia Forense e Infortunística façam parte de uma das subdivisões da medicina legal, não serão abordados minusciosamente neste curso. TANATOLOGIA FORENSE Tanatologia Forense é a subdivisão da medicina legal que se encarrega do estudo da morte, abordando sobre o conceito do que é morte e suas implicações legais e jurídicas, o diagnóstico da certeza da morte, a causa da morte, o diagnóstico diferencial da morte e os fenômenos cadavéricos. Thanatus (grego) = morte Logia = estudo Tanatologia = Estudo da Morte. As subdivisões e conceitos pertinentes a Tanatologia Forense que estudaremos neste curso são: - Tanatodiagnóstico (morte+diagnose): estuda o conjunto de sinais biológicos e propedêuticos que permitem afirmar o estado de morte real. - Tanatoscopia = tanatopsia = necrópsia (morte + ver = observar): é o exame do cadáver para verificação da realidade e da causa da morte. - Tanatosemiologia (morte+sinal+estudo): parte da tanatologia que estuda os sinais (fenômenos) cadavéricos. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Cronotanatognose (tempo+morte+conhecimento): estuda os meios de determinação do tempo decorrido entre a morte e o exame cadavérico. Definição Médico-Jurídico de Morte: Primeiramente iremos definir o conceito de morte que é muito controverso devido à aplicação na medicina de inúmeras tecnologias capazes de estender as atividades vitais corpóreas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde a definição de morte é a “cessação dos sinais vitais a qualquer tempo após o nascimento sem possibilidade de ressuscitação”, ou seja, a morte é a cessação irreversível das atividades encefálicas, mediante comprovação clínica-neurológica por meio de profissionais competentes. No Brasil os critérios para comprovação e diagnóstico de morte foram definidos em Brasília, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e estão descritos na Resolução 1.480/97 do CFM. Em novembro de 2017 a resolução 2.173 do CFM, definiu o conceito e a admissão de morte seria a partir do momento em que ocorre a parada total e irreversível do quadro neurológico de um indivíduo com causa conhecida, ou seja, houvesse a comprovada morte encefálica. Para tanto, é necessária a realização de dois exames clínicos e um complementar. A resolução cita os sinais neurológicos compatíveis com a morte como, por exemplo, o estado de coma profundo não perceptivo, a ausência de reflexos do tronco, corneano, oculoencefálico, oculovestibular e do vômito, e a positividade do teste de apneia uma única vez. Destaca-se que são excluídos dos critérios acima, os casos de intoxicações metabólicas, intoxicações por drogas ou hipotermia. Também determina a obrigatoriedade do exame complementar em todos os casos autorizados para o diagnóstico que podem ser arteriografia cerebral, doppler trans craniano, cintilografia cerebral e eletroencefalograma. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D O diagnóstico de morte encefálica não pode ser utilizado como único critério devido à possibilidade de reversibilidade em casos de: - Menores de 2 anos; - Morte por hipotermia; - Drogas depressoras do SNC; - Encefalites; - Distúrbios metabólicos ou endócrinos. A parada total e irreversível das funções encefálicas será constatada com a observação desses critérios registrados em protocolo devidamente aprovado pela Comissão de Ética da Instituição Hospitalar.Assim que constatá-la o médico, antes de adotar qualquer medida adicional, deverá comunicar imediatamente tal fato aos responsáveis legais. Quando ocorrer a cessação total de todas as funções vitais do corpo de forma irreversível caracterizando a morte pode observar a instalação de diversos fenômenos cadavéricos. TANATOSCOPIA Tanatoscopia ou Necropsia é um conjunto de procedimentos que investiga a causa mortis do ponto de vista médico-legal. Tem por finalidade determinação da natureza jurídica da morte, diagnóstico do tempo decorrido da morte, bem como obter informações sobre as circunstancias da morte e identificar a vítima (Velhor, Geiser e Espíndula 2013). Uma das finalidades da tanatologia forense é estabelecer o diagnóstico da causa jurídica da morte este esclarecimento é de interesse do processo penal ou civil. No âmbito civil temos como exemplo as apólices de seguro que não são cobertas em casos de suicídio ou requerimento de paternidade. Já no âmbito penal a necropsia é sempre obrigatória em casos de morte violenta e mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D mortes suspeitas a serem esclarecidas, buscando apurar as causas que deram origem ao resultado morte. Para atingir este objetivo, a tanatologia forense realiza algumas distinções entre os tipos de morte, como morte violenta, natural, suspeita, súbita, aparente e real. - Morte de Causa Violenta é aquela que é decorrente de causa externa e tem como a ação letal rápida e intensa, ou mesmo persistente de um agente mecânico, físico ou químico sobre o corpo cujas circunstâncias apresentam indícios de criminalidade. Ex.: Homicídio, suicídio ou acidente. - Morte de Causa Natural é resultante de alterações orgânicas ou perturbações funcionais provocadas por agentes naturais, inclusive os patogênicos sem a participação de fatores externos. Juridicamente ninguém será responsabilizado. Ex: câncer, pneumonia. - Morte de Causa Súbita são os casos de morte imprevisível, sem causa aparente, atingindo pessoas visivelmente em estado de boa saúde. Deve ser sempre investigada. Ex: parada cardíaca. - Morte de Causa Suspeita são os casos de morte nas quais os fatores são desconhecidos e sem causa aparente violenta ou natural. Deve ser sempre investigada. Ex: encontro de uma pessoa já falecida sem lesões aparentes. - Morte Aparente corresponde aos primeiros sintomas da morte real, antes de ocorrer à morte encefálica, com a perda da consciência, sensibilidade, tônus musculares, imobilidade do corpo, parada cardiorrespiratória. As tecnologias atuais permitem que os sinais vitais possam ser restaurados ou mantidos artificialmente. - Morte Real é o estado de morte comprovado por diversos procedimentos, técnicos aceitos pela legislação brasileira, sendo está a cessação efetiva e definitiva da vida. Além destes acima citados temos a morte fetal que ocorre quando há a morte de um feto durante o período da gestação, a morte materna, quando mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D uma mulher morre durante a gestação ou em até 42 dias após o seu término e a morte presumida, caracterizada pela ausência ou desaparecimento de uma pessoa, depois de transcorrido um prazo determinado pela Lei. C.C. Art. 10, 481 e 483. - C.P.P. Art. 1.161 e 1.163 -Lei nº 6.015/73. A morte é um fenômeno intimamente ligado ao direito, pois acarreta em diversas implicações jurídicas, como: - Cessa a personalidade civil adquirida com o nascimento; - Perda da titularidade de direitos, transferindo desde logo os bens para seus herdeiros; - Extingui a punibilidade, entre outras. CAUSAS JURÍDICAS DA MORTE No Brasil adota-se um sistema médico legal de certificação de óbito de acordo com a causa jurídica da morte (morte de causa natural, morte de causa violenta e morte de causa suspeita ou indeterminada), os corpos são enviados a órgãos públicos distintos para investigação da determinação da causa mortis (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). Quando a morte se dá por doença (moléstia) e causas mortis bem definidas, ou seja, causa conhecida, a autopsia não é necessária, e a declaração de óbito deve ser emitida por um médico assistente como, por exemplo, nos casos de morte de causa natural ou mortes assistidas por médicos. As mortes de causa suspeitas ocorrem quando a causa da morte é indeterminada em casos de doença conhecida e o indivíduo não está assistido por um profissional da saúde. Nestes casos a autopsia deverá ser realizada pelo médico patologista para esclarecer a causa da morte. Em alguns estados brasileiros o serviço público responsável chama-se Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Caso o médico patologista do SVO classifique a morte suspeita mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D de competência investigativa do Médico Legista enviará o corpo ao Instituto Médico Legal (IML). Por fim, quando temos a morte de causa violenta, ocorrida por suicídios, homicídios ou acidentes, bem como a morte suspeita, súbita ou indeterminada de indivíduos saudáveis, os corpos serão encaminhados ao IML e deverão ser necropsiados pelos Peritos Médicos Legistas. Destaca-se que as mortes sob custódias também são de competência desde orgão. Instituto Médico-Legal (IML): Órgão Técnico Científico subordinado, hierárquica e administrativamente, a Secretaria de Segurança Pública e ao qual incumbe a prática de perícias médico-legais requisitadas por autoridades policiais, judiciais e administrativas bem como a realização de pesquisas científicas relacionadas à Medicina Legal. Serviços de Verificação de Óbito (SVO): Serviço criado pela legislação de diversos Estados, com a finalidade de se verificar ou esclarecer, mediante exame necroscópico, a causa real da morte, nos casos em que esta tenha ocorrido de forma não violenta sem assistência médica, ou com assistência médica quando houver necessidade e apurar a exatidão do diagnóstico. MORTES DE CAUSA VIOLENTA São definidas como mortes de causa violenta as que decorrem da ação de agentes externos como causas determinantes para o resultado. Entre os exemplos podemos citar suicídios, acidentes de trânsito, homicídios e afogamentos (Magalhães, 2004). mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D A realização da perícia médico legal tem como objetivo dispor de informações que se referem a causa de morte, principalmente: - Identificação do cadáver, - Tipo e sede das lesões, - Instrumento ou meio que as produziram, - Causa da morte, - Nexo causal, - Tempo decorrido do óbito, - Identificação do agente e sua periculosidade, - Existência de agravantes, - Lesões ''intra vitam ou Post Mortem", - Exames laboratoriais relacionados, - Atos libidinosos, - Vestígios de luta e defesa. Hominis excidinis (latim) = Homicidium Homo = homem Caedo = matar Matar o Homem. De acordo com o Código de Processo Penal Brasileiro, art. 121, o Homicídio está tipificado em: - Culposo: Quando o agente não quis o resultado morte, nem assumir o risco de sua produção, mas causou o evento por uma conduta imprudente, negligente ou imperita. Por exemplo: Acidentes de trabalho com máquinas, acidentes domésticos. - Doloso: Quando o agente quis, com sua conduta, causar o resultado morte, ou assumiu o riscode produzi-la. Por exemplo: Acidente de trânsito com embriaguez ao volante. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Simples: É o tipo fundamental enunciado no Art. 121 sem qualquer elemento que possa reduzir ou qualificar a quantidade penal ali estabelecida. - Privilegiado: É o tipo derivado autorizador da especial redução da pena (l/3 a 1/6), quando o réu comete o crime motivado por valor social ou moral, ou pelo domínio de violenta emoção, seguido de provocação injusta da vítima. Por exemplo: o pai que mata o estuprador de seu filho. - Qualificado: É o homicídio que se enquadra nos termos do § 2º do Art. 121 do CP, mediante paga, ou promessa de recompensa, ou motivo torpe, por motivo fútil, emprego de veneno, etc. Suicídio é o ato mediante o qual uma pessoa, livre e conscientemente, suprime a própria vida, ou seja, a auto-eliminação. As vítimas cometem o suicídio de diferentes formas as mais comuns são os empregos de venenos e overdoses medicamentosas, precipitação de lugares altos, utilização de arma de fogo e enforcamento (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). Suicídio (latim) = sui = si caedo = matar Matar a Si A perícia médico-legal realizada mediante um local de crime de suicídio é baseada em encontrar respostas relacionadas a: - Identificação do morto; - Quantidade, tipo e sede das lesões; - Instrumento ou meio que as produziram; - Nexo causal da morte; - Tempo decorrido do óbito. Destaca-se que o suicídio não pode ser evitado, mas pode ser eficazmente combatido através de eficientes medidas profiláticas, tais como: - Educação, mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Assistência médica, - Justiça social, - Combate ao alcoolismo, - Amparo econômico - Proteção à família. O infanticídio é o ato de matar o filho pela mãe, durante ou logo após o parto, sob a influência do estado puerperal. Esse crime é um atenuante pelo conceito do estado puerperal. O Código Penal (CP), passou define infanticídio como “Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após”. Este crime pode ser cometido em duas circunstâncias somado ao período puerperal: - Durante o parto: Período durante o qual a criança está nascendo. Já começou, mas ainda não acabou de nascer. - Logo após o nascimento: Entende-se por logo após, imediatamente depois do parto. Tem-se mais um sentido psicológico que cronológico. Vai desde a expulsão do feto e seus anexos até os primeiros cuidados ao infante nascido. Para compreender estas circunstâncias é necessário conceituar o que é estado puerperal. Os obstetras definem o puerpério como o período que vai desde o deslocamento e expulsão da placenta em volta do organismo materno às condições pré-gravídicas. Tem uma durabilidade de cerca de seis a oito semanas. Portanto os elementos característicos deste crime são feto nascente ou recém-nascido, existência de vida intra-uterina, morte causada pela mãe sob a influência do estado puerperal e nexo causal. A perícia médico-legal neste caso é solicitada para determinar as condições do nascendo ou recém-nascido. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Para esclarecer se o feto nasceu com vida ou nasceu morto, o perito realiza exames chamados de “provas de vida extrauterinas”, também denominadas docimásias. Existem vários tipos de docimásias: pulmonares, extrapulmonares, circulatórias e até visuais. Porém, as mais comuns são docimásia hidrostática pulmonar de Galeno, a docimásia pulmonar histológica de Baltazar e a docimásia (extrapulmonar) gastrointestinal de Breslau (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). A docimásia hidrostática pulmonar de Galeno é dividida em quatro fases e só pode ser realizada até 24 horas após o parto. Isso porque, depois de passadas 24 horas do óbito, inicia-se o processo de putrefação com presença de gases próprios a este fenômeno cadavérico. A baixo estão descritas as fases deste aspecto: - 1ª fase: coloca-se em um recipiente com água o bloco do sistema respiratório (pulmões, traqueia e laringe) junto com a língua, timo e coração. Se os órgãos flutuam, a fase é positiva e não precisando progredir para as outras fases. Se não flutuam, passa-se à fase seguinte. - 2ª fase: ainda com as vísceras imersas, separam-se os pulmões das demais. Se o pulmão flutua e as outras vísceras permanecem no fundo, dá-se a fase por positiva. Se todas as estruturas ficam no fundo, avança-se para a 3ª fase. - 3ª fase: cortam-se os pulmões em vários pequenos pedaços, ainda com os pulmões imersos. Se algum desses pedaços flutuar, a fase é positiva. Se ficar tudo no fundo, vai para a 4ª e última fase. - 4ª fase: esmagam-se com os dedos os fragmentos pulmonares da fase anterior, ainda sob imersão. Se houver desprendimento de pequenas bolhas de ar, a fase é positiva (o recém-nascido nasceu vivo e morreu após). Existem diferenças histológicas entre o pulmão que respirou e o que não respirou, que podem ser visualizadas ao microscópio. A avaliação microscópica de fragmento pulmonar é conhecida como docimásia pulmonar histológica de mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Baltazar. Pode ser feita após 24 h do óbito, pois o perito consegue diferenciar se o ar presente é da respiração ou se são gases da putrefação. A docimásia gastrointestinal de Breslau é a técnica que tem por base a premissa que o recém-nato engole ar junto da primeira respiração. Retira-se o aparelho gastrointestinal (do esôfago ao reto), coloca-o imerso em água. Se as vísceras flutuarem, a docimásia é positiva. Para que a autópsia do feto seja realizada de forma regular, o perito médico-legista deve seguir o protocolo de pesar, medir, ver o sexo, pesquisar os sinais de morte, procurar os sinais de violência externas e descrever a inspeção externa. No momento em que for realizar a inspeção interna, deve-se abrir pacientemente as cavidades, examinar minuciosamente as vísceras e ver se o feto respirou ou não. Em Medicina Legal entende-se que Aborto ou abortamento é a interrupção ilícita da gravidez com a morte do feto. O Direito Brasileiro diz que aborto é um capítulo dos crimes contra a vida, crime praticado contra uma vida humana em formação (Croced e Croced Junior, 2009). Abortamento é o ato de abortar. Expulsão ou extração do concepto vivo ou morto pesando menos de 500g (menor que 22 semanas completas de idade gestacional). Os fetos são classificados em: Feto Inviável - (20 - 24 semanas), Feto Viável - (25 - 34 semanas) e Prematuro - (34 - 36 Semanas). O aborto pode ser espontâneo ou provocado. O aborto espontâneo é aquele natural ou acidental, e têm as seguintes características: - Abortamento Clínico: 15% das gestações terminam espontaneamente entre 4 a 20 semanas de gravidez. - Abortamento Subclínico: Antes de 4 semanas do período gestacional. Acredita-se que as perdas sejam elevadas, ainda que não haja números oficiais. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Abortamento Precoce: Até 12 semanas de gestação. - Abortamento Tardio: Após 12 semanas de gestação. O abortamento provocado é aquele que pode seenquadrar nos termos de Abortamento Terapêutico Legalizados pela Legislação Brasileira e podem ser realizados nas seguintes circunstâncias: - Quando a gestação apresenta perigo vital à mãe e a realização da interrupção cessará o perigo ou quando a criança possui uma enfermidade que ao nascer não sobreviverá. - Confirmação ou concordância de pelo menos dois outros profissionais médicos habilitados, sempre que possível, de que este procedimento se faz necessário. Destaca-se que a intervenção nem sempre é precedida por consentimento da gestante ou de terceiros. O Aborto Criminoso possui inúmeras causas que envolvem alguns aspectos como: - Abortamento Eugênico: causado por fatores sócio-econômicos, por exemplo, quando uma mãe gera uma criança portadora de defeitos físicos e/ou mentais que exigirá cuidados especiais para sua educação e sobrevivência. Envolvem também aspectos psicológicos desencadeados por traumas pelo nascimento da criança defeituosa, física ou mental, no seio da família e da comunidade. - Abortamento Social: o fator econômico figura entre as principais causas de abortamento provocado. - Abortamento por Motivo de Honra: Constitui causa comum de abortamento provocado. - Abortamento Estético: “Injustificável”. Os meios para se abortar podem ser químicos, farmacológicos, mecânicos ou cirúrgicos. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Os objetivos periciais médico-legais para este crime de abortamento é realizar exames de sinais de gravidez na mulher viva ou morta. Os exames devem levar em consideração os seguintes aspectos na mulher viva: - Região da cabeça: Lanugem, sinal de Halban, cloasma gravídico, - Tórax: existência de Glândula mamária, colostro, auréola primitiva e secundária, tubérculos de Montgomery, rede de Haller, - Abdome: presença de pigmentação da linha Alba, entre outros. - Membros inferiores: presença de varize. - Vagina: Sinal de Jacquemier (coloração azul-escura do vestíbulo e do meato). - Genitália externa: presença de edema dos grandes e pequenos lábios, lóquios serossanguinolentos, lesões. - Exame do material que flui através dos órgãos genitais na busca de restos ovulares e membranosos. Na mulher morta, os exames de necropsia devem incluir as seguintes observações: - Verificação dos sinais anteriores citados para a mulher viva, se possível. - Exame dos órgãos internos: útero de volume aumentado, presença de corpo amarelo. - Exame histológico. - Causa de necropsia branca: cirurgia, tétano pós aborto. Abaixo estão os quesitos oficiais que devem constar e ser respondidos na perícia relacionada a aborto: - Houve provocação de aborto? - Qual o meio empregado? - O meio era próprio para produzir o aborto? - Houve expulsão do fruto da concepção? - A gestante sofreu lesão leve ou grave? mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - A gestante é maior de 14 anos? - A gestante é alienada ou débil? - Houve emprego de violência? - Foi provocado como único meio de salvar a gestante? - Houve morte? - A morte sobreveio em função do aborto? - Qual o meio empregado? TANATOGNOSE Tanatognose ou Tanatosemiologia é uma subdivisão da Tanatologia Forense que estuda o diagnóstico da morte por meio dos fenômenos cadavéricos. Esta classificação se dá quanto aos acontecimentos que envolvem o fenômeno da morte (Magalhães, 2004). Os fenômenos cadavéricos são classificados em quatro colocações: - Imediatos: Aqueles que acontecem logo após a morte. - Consecutivos: Aqueles que ocorrem progressivamente após a morte. - Tardios destrutivos: Aqueles que ocorrem com o corpo, dependendo dos locais onde os corpos estão alojados e caracterizam-se por destruir o cadáver. - Tardios conservadores: Aqueles que quando ocorrem com o corpo, dependendo dos locais onde os corpos estão alojados e caracterizam-se por conservar o cadáver. Observaremos que, por meio dos fenômenos tanatológicos a perícia consegue inferir sobre o intervalo post mortem (IPM), o tempo transcorrido entre a morte e o exame pericial que chamamos de Cronotanatognose. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D FENÔMENOS ABIÓTICOS IMEDIATOS Os fenômenos abióticos imediatos ou de presunção ocorrem logo após a morte, mas são exames presuntivos sem a devida comprovação de morte. São necessárias algumas comprovações para que o um indivíduo seja considerado morto realmente. Entre as principais características, podemos citar: - Perda da consciência; - Perda da sensibilidade; - Cessação da respiração; - Cessação dos batimentos cardíacos; - Ausência de pulso; - Abolição do tônus muscular com imobilidade - Fácies hipocrática; - Caimento da mandíbula; - Pálpebras parcialmente cerradas; - Midríase (dilatação pupilar); - Relaxamento dos Esfíncteres. FENÔMENOS ABIÓTICOS CONSECUTIVOS Os fenômenos abióticos consecutivos (mediatos) são capazes de comprovar a morte de um indivíduo ao serem observados e analisados. Entre as principais características podemos citar: - Algor Mortis (Esfriamento Cadavérico); - Rigor Mortis (rigidez cadavérica); - Livor Mortis (Manchas de Hipostáse ou Livores); - Espasmo Cadavérico; - Mancha verde abdominal; mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Decréscimo de peso com pergaminhamento da pele e das mucosas dos lábios; - Mancha da Esclerótica, perda da tensão ocular e formação da tela viscosa. A mancha da esclerótica (sinal de Sommer e Larcher) ocorre por consequência da dessecação da esclerótica, mostrando, no quadrante externo ou interno do olho, uma mancha de cor enegrecida pela transparência do pigmento coroidiano. O espasmo cadavérico é um fenômeno difícil de ser observado, ele caracteriza-se pela rigidez abrupta, generalizada e violenta, sem o relaxamento muscular que precede a rigidez comum (Rigor mortis). Os cadáveres ficam paralisados na posição com que foram surpreendidos pela morte (sinal de Kossu). FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS DESTRUTIVOS Os fenômenos transformativos destrutivos resultam de alterações somáticas do corpo tardias tão intensas que a vida se torna absolutamente impossível, ou seja, quando estão instalados é certeza de morte, são eles: - Autólise, - Putrefação e - Maceração. AUTÓLISE A Autólise ocorre logo após a morte quando cessa a circulação e trocas nutritivas intracelulares ocorre à lise celular (destruição celular). O organismo começa a ser degradado de dentro para fora devido aos lisossomos, organelas celulares responsáveis pela digestão celular, liberarem enzimas proteolíticas. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Este processo inicia a acidificação do corpo (diminuição do pH) e degradação dos tecidos acarretando no início da próxima fase (putrefação). Para a perícia esta acidificação é um sinal comprobatório de morte. É o mais precoce dos fenômenos cadavéricos e não há ação de bactérias. Este processo passa por duas fases: a fase latente logo nas primeiras horas as alterações são apenas no citoplasma da célula; na segunda fase a fase necrótica ocorre o comprometimento do núcleo com o seudesaparecimento. PUTREFAÇÃO A fase da putrefação é dividida em quatro períodos transformativos que se iniciam logo após a autólise pela ação de micróbios aeróbios e anaeróbios. 1a fase - período cromático: Neste momento surge a formação da mancha verde abdominal que marca o início da primeira fase da putrefação, o Período Cromático ou de Coloração, ela localiza-se geralmente na fossa ilíaca direita e posteriormente difunde-se por todo o corpo deixando o corpo com coloração verde enegrecido. Salienta-se que em vítimas de afogamento e recém-nascidos a mancha verde abdominal ocorre no tórax. Nessa fase também a rigidez cadavérica vai se desfazendo dando lugar ao relaxamento muscular. 2a fase - período gasoso ou enfisematoso: No Período Gasoso ou Enfisematoso, segunda fase da putrefação, ocorre a produção de variados gases por ação da microbiota humana, estes gases deslocam-se para partes periféricas do corpo fazendo com que o sangue putrefeito “circule” em busca de áreas de menor pressão, provocando o aparecimento na superfície corporal de flictenas contendo líquido leucocitário hemoglobínico e um mapeado dérmico com aspecto de desenhos em forma arborescente, denominado de circulação póstuma de brouardel. A pressão dos gases leva ao extravasamento de líquidos pelos orifícios do corpo. É também nesta fase que a face fica enegrecida (fácies negroide), o corpo se incha por inteiro e assume uma mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D postura de boxeador, bem como há a protusão da língua e da ocular, nos homens ocorre o aumento da bolsa escrotal. O odor pútrido começa a ser exalado pelo corpo. É comum em decorrência da pressão dos gases, ocorrer o fenômeno do parto post mortem, em mulheres que estavam grávidas em vida. 3a fase – putrefação: No terceiro período da fase da Putrefação (Período Coliquativo) ocorre à dissolução pútrida das partes moles do cadáver pela ação conjunta das bactérias e da fauna necrófaga, esta fase é marcada pela intensa presença de larvas de insetos necrófagos utilizando o corpo como recurso alimentar. O odor é fétido, o corpo perde gradativamente a sua forma. Esse período pode durar um ou vários meses, terminando pela Esqueletização. 4a fase – esqueletização: A fase da Esqueletização consiste quando houve a destruição de todos os tecidos do corpo expondo os ossos. Locais com elevadas temperaturas ou a presença de elevada fauna cadavérica contribuem para que ocorra a esqueletização precoce. MACERAÇÃO Maceração é o fenômeno transformativo destrutivo específico que pode ocorrer em contextos nos quais as vítimas se encontram mortas submersas em meio líquido contaminado (Maceração Séptica), e nos fetos intrauterinos (Maceração Asséptica) retidos a partir do 6º mês de gestação sendo caracterizada pelo enrugamento tecidual e facilmente destacável, corpo amolecido, e a presença de sangue na pele desnuda. FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS CONSERVADORES Os fenômenos conservadores são mumuficação, calcificação, corificação e saponificação. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D MUMIFICAÇÃO Mumificação é um processo transformativo conservador do cadáver, podendo ser produzido por meio natural, artificial e misto. Na mumificação natural são necessárias condições ambientais que garantam a desidratação rápida, de modo a impedir a ação microbiana responsável pela putrefação. É mais comum que ocorra em pessoas magras e crianças/jovens. Ocorre em ambientes de temperatura elevada, secos e bem ventilados, como em solos arenosos, lugares com pouca precipitação pluviométrica. A pele do cadáver adquire aspecto endurecido de couro e coloração parda e escura, sendo possível a constatação de lesões. Os processos artificiais são realizados sempre a pedido dos familiares, mas seguem as orientações normativas ditadas pela legislação sanitária. Ou são em processos artificiais utilizados no sentido de conservação do cadáver para fins didáticos, os quais também estão disciplinados por uma legislação específica. CALCIFICAÇÃO O fenômeno da Calcificação é extremamente raro e se caracteriza pela petrificação ou calcificação do corpo. Ocorre devido à infiltração de sais de cálcio nos tecidos do cadáver. CORIFICAÇÃO A Corificação ocorre em cadáveres que foram acondicionados em urnas metálicas fechadas hermeticamente, principalmente de zinco. SAPONIFICAÇÃO mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D A Adipocera ou Saponificação é um processo transformativo conservador que se caracteriza por transformar o corpo em um aspecto ceroso de consistência untuosa, mole e quebradiço com coloração amarela escura e/ou acinzentado. Quando observamos esse processo ele pode estar instalado em diferentes partes do corpo ou atingi-lo de forma generalizada. Normalmente ocorre em áreas desprovidas de aeração, úmidas e em solos argilosos. Bem como afeta indivíduos obesos ou regiões do corpo com bastante gordura. CRONOTANATOGNOSE A Cronotanatognose é uma ramificação da Tanatologia responsável pelo estudo e análise da estimativa do tempo de morte ou intervalo post-mortem (IPM) (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). Cronotanatognose (grego) khronos = tempo O Intervalo Pós Mortem (IPM) é um importante instrumento de diagnóstico relacionado à prática forense. Esta análise consiste na estimativa do IPM, por meio de exames de diversos fenômenos cadavéricos e análises da presença da fauna cadavérica. Sua principal finalidade é estimar o tempo de morte e auxiliar a investigação, reconstruindo a linha de tempo do delito como, por exemplo: confirmando ou contestando possíveis álibis, estabelecendo a dinâmica do evento e reconstruindo os últimos passos da vítima (Dias e Francez, 2017). Para auxiliar na estimativa de IPM deve-se observar os seguintes fenômenos tanatológicos (França, 2015): mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Algidez: Estima-se que o resfriamento do corpo. Nas primeiras 3 horas a queda de temperatura é de meio grau (0,5°) por hora. A partir da quarta hora ocorre a queda de 1° por hora até o restabelecimento do equilíbrio térmico com o meio ambiente que se dá nas primeiras 24 horas. - Livores Hipostático: Os livores podem aparecer nos primeiros 30 minutos após a morte, mas se tornam visíveis somente depois de 2 a 3 h após a morte, fixando-se definitivamente em torno de 8 a 12 horas do "post mortem" (figura 5). Esta análise pode indicar se o corpo foi movido do local de imobilização final ou se houve qualquer tipo de manipulação no cadáver. A cor dos livores é um importante diagnóstico também, pois varia de acordo com a causa da morte, como por exemplo, livores de coloração vermelho carmim são relacionados à causa de morte por monóxido de carbono; vermelhos mais intensos estão ligados a utilização de cianeto e fluoacetato; pardo- avermelhado a agentes oxidantes energéticos e vermelho claro relaciona-se a ambientes frios. - Rigidez Cadavérica: pode manifestar-se tardia ou precocemente. Inicia- se primeiramente na face e obedece a seguinte ordem, mandíbula e nuca na 1ª e 2ª horas, atinge o toráx nas 2ª e 4ª horas; nos membros superiores 4ª a 6ª horas e nos membros inferiores 6ª a 8ª horas após a morte. Ela desaparece progressivamenteseguindo a mesma ordem de seu aparecimento. É resultante de inúmeros fatores, decorrentes da supressão de oxigênio celular, que impedem a formação de ATP (ácido adenosínicotrifosfórico), modificando a permeabilidade das membranas das células, formando a actomiosina e da ação da glicólise anaeróbica, contribuindo para o acúmulo de ácido láctico. - Mancha Verde Abdominal: esta mancha inicia-se na fossa ilíaca direita em média surge entre 18 a 36 horas após a morte. Estende-se por todo o corpo entre o 3º ao 5º dia do óbito. - Gases de Putrefação: O gás sulfídrico surge entre 9 a 12 horas após o óbito. Logo no início da fase da putrefação o corpo libera gases não inflamáveis mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D (CO2). Do 2º ao 4º dia do óbito as bactérias facultativas produzem os gases inflamáveis (hidrogênio, hidrocarboneto). A partir do 5º dia há a liberação de gases não inflamáveis (N e NH4). - Crioscopia do sangue: é utilizada para afirmar a causa jurídica da morte em contextos de asfixia-submersão, ou seja, diagnóstica o valor do ponto de congelamento do sangue. O Valor normal é de -0,55°C a -O,57°C. Vítimas de afogamento em águas salgadas o ponto de congelação do sangue fica mais negativo, devido a maior concentração molecular de sais ingerida. - Cristais de sangue putrefato: Depois do 3º dia surgem cristais de sangue putrefato (cristais de westenhoffer-Rocha-Valverd) que permanecem até o 35º dia depois da morte. - Conteúdo Estomacal: Este diagnóstico pode sugerir quando ocorreu a última refeição da vítima. A digestão completa se faz no estômago e leva aproximadamente 7 horas. - Decréscimo de peso: Os cadáveres perdem em média 8 g/Kg/dia. Para utilização desse exame deve-se conhecer o peso exato da vítima. - Crescimento dos Pelos: após a morte os pelos das regiões mentonianas e bucinadoras continuam crescendo de 21 milésimos de milímetro por hora. Portanto se for do conhecimento a última vez em que a vítima se barbeou é possível determinar o tempo decorrido após a morte, dividindo o comprimento dos pelos pela constante de 21 milésimos de milímetros. NECROPSIA A Necropsia é o principal exame médico-legal realizado em casos de morte de natureza violenta ou morte suspeita. É obrigatório e indispensável que o exame seja feito por um perito médico-legal (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Necropsia (grego) nekrós = cadáver e morte Ópsis = vista Exame médico realizado após a morte de uma pessoa Segundo França (2015), a necropsia fornece discussão e conclusão através da descrição, subsídios para que certos fatos de interesse da administração da Justiça sejam revelados, tais como a causa jurídica de morte (homicídio, suicídio ou acidente), o tempo estimado de morte, a identificação do morto e outros procedimentos que exijam a prática médico-legal corrente. O termo necrotomopsia seria o mais correto, o qual consiste em estudar o cadáver por cortes, pois tais exames podem ter também a finalidade médico- sanitária, clínica ou anatomopatológica, ou a de esclarecer determinados problemas de interesse da justiça (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). De acordo com o art 162 do Código de Processo Penal (CPP). “A autopsia será feita pelo menos seis (06) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pelas evidencias dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante”. Portanto, a necropsia é dispensável quando as lesões externas já forem suficientes para determinar a causa da morte ou quando não houver necessidade de nenhuma verificação relevante em exame interno. Os principais equívocos médicos na realização dos exames necroscópicos são os seguintes: - Exame externo sumário ou omisso, mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Interpretações por intuição, - Falta de ilustração, - Entendimento errado dos fenômenos post mortem, - Exames realizados no período noturno, - Necropsias incompletas, - Falta de exames subsidiários, - Imprecisão e dubiedade da causa mortis e das respostas aos quesitos, - Incisões desnecessárias e obscuridade descritiva Necropsia branca é o caso em que os peritos não chegam à conclusão da causa mortis, geralmente por razões da limitação da ciência. As Autoridades competentes que podem solicitar a necropsia são: - Juiz de Direito, - Delegado de Polícia, - Autoridade Sanitária, - Promotor de Justiça, - Oficial Militar e - Membro de Conselho Tutelar. EXUMAÇÃO A exumação é o ato de desenterrar o cadáver de onde ele se encontra sepultado, seja por superlotação dos cemitérios ou por questões pessoais ou judiciais (Soares e Guimarães, 2008). Para realizar a exumação por superlotação deve-se respeitar um período de três anos contados a partir do sepultamento para adultos e de dois anos para crianças até seis anos. Quando a exumação é de caráter judicial deve possuir uma finalidade específica, como por exemplo, exames de paternidade, obtenção de novas informações, novas provas, realização de exames complementares para sanar mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D dúvidas, contradições, bem como determinar a identidade e a causa da morte da vítima. A exumação trata-se de um exame que necessita de requerimento de caráter excepcional, pertinente, justificado e extremamente necessário, em face dos danos emocionais e psicológicos causados aos familiares da vítima. A exumação com fins judiciais deve ser requisitada pela autoridade competente, justificando os objetivos e quesitos de acordo com a legislação especifica. Segundo o art. 163 do CPP, em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade policial providenciará para que em dia previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. Parágrafo Único: O administrador do cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de se encontrar o cadáver em lugar não destinado a exumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará o auto. Art. 166 – CPP. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, proceder-se-á o reconhecimento pelo Instituo de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquisição de testemunhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações. Parágrafo Único: Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados que possam ser úteis para a identificação do cadáver. TRAUMATOLOGIA FORENSE A Traumatologia Forense é o campo da medicina legal que estuda as lesões corporais resultantes de traumatismos e seus aspectos médico-legais e jurídicos. Elas podem ser de ordem material ou moral, danosos à saúde física mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSODE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D ou mental. No art. 129 do Código Penal brasileiro, o crime de lesão corporal consiste em seu caput: “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”. Traumatismo (trauma): Qualquer lesão, aberta ou fechada, produzida no organismo pela ação mecânica de um agente exógeno. A Lesão corporal para o direito penal é a consequência de um ato violento capaz de produzir, direta ou indiretamente, qualquer dano a integridade ou a saúde de alguém, ou a identificação de algo que agrava ou perpetua uma perturbação já existente. Já para a medicina ela pode ser anatômica, fisiológica e/ou mental. Classificamos as lesões de acordo com as energias empregadas para causa-las (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). Os tipos de energia podem ser de: - Ordem Física - Ordem Química - Ordem Mecânica - Ordem Físico-química - Ordem Bioquímica - Ordem Biodinâmica - Ordem Mista ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA As energias de ordem física são tipos de energias capazes de modificar o estado físico dos corpos, podendo provocar lesões corporais e até mesmo a morte. As principais formas de energias físicas são: - Temperatura (Calor e Frio). - Pressão atmosférica. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Eletricidade. - Radioatividade. - Luz. Som. CALOR O calor pode lesar o corpo humano por diversas maneiras, dependendo da forma como atinge a pessoa. O calor pode atuar de forma difusa ou direta. As queimaduras oriundas da ação direta do calor em contato com o corpo são classificadas quanto à profundidade e extensão: - Queimaduras de 1º Grau a pele fica avermelhada por causa da vasodilatação dos vasos sanguíneos da derme. - Queimaduras de 2º Grau há um acumulo de líquido abaixo da epiderme com formação de bolhas (flictenas). No caso da queimadura “post mortem” não existe este líquido seroso nas flictenas. - Queimaduras de 3º Grau ocorre morte celular da pele e tecidos moles, por coagulação, com formação de placas chamadas “escaras”. - Queimaduras de 4º Grau considerada a mais grave de todas, ocorre a destruição dos tecidos moles e até dos ossos por ação direta do calor através da carbonização local ou generalizada. INSOLAÇÃO A maioria dos casos de causa acidental é por insolação. Pode ser favorecida e/ou agravada por fatores como alcoolismo, patologias pré- existentes, falta de adequada hidratação, vestimentas inapropriadas entre outros. INTERMAÇÃO mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Intermação pode ser a causa de morte acidental e até de natureza criminal, manifestando-se em espaços confinados ou até mesmo abertos, com excessivo calor radiante e sem arejamento e ventilação suficientes (fator ambiental). Sintomas similares aos descritos na insolação, variando de acordo com cada indivíduo, situação, tempo de exposição ao calor. FRIO O frio causa a constrição vascular e consequente isquemia nos tecidos, resultando em uma hipóxia periférica com trombose vascular, aumento da permeabilidade capilar e edema. A fase terminal consiste em um quadro de gangrena úmida, se a oclusão vascular é incompleta, ou gangrena seca, se a trombose vascular é completa. Destaca-se que o diagnóstico de morte pela ação do frio pode-se observar a hipóstase vermelho-claro, a rigidez cadavérica precoce, o sangue de tonalidade menos escura, e na pele a presença de flictenas semelhantes às das queimaduras. - Geladuras de 1º Grau - palidez; - Geladuras de 2º Grau – eritema; - Geladuras de 3º Grau - necrose; - Geladuras de 4º Grau – gangrena. PRESSÃO ATMOSFÉRICA A pressão atmosférica significa peso do ar. É a pressão exercida perpendicularmente pelo ar atmosférico sobre qualquer corpo nele mergulhado. O corpo humano suporta a pressão de uma atmosfera, ou seja, o peso de uma coluna de mercúrio de 76cm de altura por centímetro quadrado da superfície corporal. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D ELETRICIDADE A eletricidade é uma energia física que se transforma em calor ao passar pelo corpo, como consequência provoca queimaduras que podem levar ao óbito por parada cardíaca. pode ser de origem natural ou artificial. A eletricidade natural pode ser representada pelos raios, quando age letalmente sobre o corpo do homem chama-se fulminação. Quando causa somente lesões externas com aspectos arboriforme, (sinal de Lichtenberg) é conhecido por Fulguração. Quando se origina artificialmente e sua descarga é letal é chamada de eletrocussão, quando causa no corpo somente lesões denomina-se eletroplessão é possivel encontrar a marca de Jellineck. RADIOATIVIDADE As queimaduras produzidas pela radiação (Raio X, Césio, Rádio e Energia Atômica) são chamadas tecnicamente de radiotermites e adquirem aspectos de eritemas (vermelhidão) ou, dependendo da intensidade, se manifestam através de úlceras, havendo uma necrose constante, sem cicatrização levando a alterações genéticas e reprodutivas através da multiplicação de células cancerosas. LUZ E SOM As energias físicas provenientes da luz e o som podem acarretar perturbações neurossensoriais ópticas ou auditivas, vagossimpáticas, neuroses, quando aplicadas diretamente sobre os olhos ou quando a vítima é exposta por períodos prolongados a ambientes de grande poluição sonora. ENERGIA DE ORDEM QUÍMICA mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D As energias de ordem química provocam danos à saúde ao entrar em contato interno ou externo com o organismo. São classificadas em agentes de ação externa provocadas por cáusticos e agentes de ação interna provocada por venenos. Toxicologia: É a ciência que tem por objetivo o estudo do efeito nocivo produzido pela intenção entre o agente químico e o organismo. Agente tóxico: É a substância química capaz de produzir um efeito nocivo através de sua interação com o organismo. Veneno (Legal): É toda substância que ingerida pelo organismo ou aplicado ao seu exterior, sendo absorvida determina a morte, põe em perigo de vida ou altera profundamente a saúde. Toxidade: É a capacidade inerente ao potencial de um agente químico de produzir um efeito nocivo após interação com o organismo. Intoxicação: É o conjunto de sinais e sintomas que evidenciam o efeito nocivo produzido pela interação entre um agente químico e o organismo. Alimento: É toda substância que, quando absorvida, passa a integrar, in natura ou biotransformada, à estrutura e à filosofia do organismo, ou fornece energia para o seu funcionamento. Medicamento: É toda substância que quando absorvida, atua sobre as funções vitais, exarcebando-as ou inibindo-as, para restabelecer a saúde, ou quando usada por qualquer via, elimina ou extermina outros organismos parasitários. Envenenamento: É a morte violenta ou dano grave a saúde ocasionada por determinadas substâncias de forma acidental, criminosa ou voluntária. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D CAÚSTICOS Os caústicos provocam ulcerações nos tecidos,sem tendências a hemorragias, podendo causar danos progressivos pelas queimaduras químicas até a inativação das reações. O crime de vitriolarem provoca lesões produzidas por substâncias cáusticas, como ácidos, os quais agem coagulando as albuminas e provocando intensa desidratação dos tecidos mortos, e as bases cáusticas, as quais são liquefeitas que agem por dissolução dos minerais. VENENO Veneno é considerado qualquer substância que lesa a integridade corporal ou a saúde de um indivíduo, podendo até provocar a morte, mesmo quando administrado em quantidades relativamente pequenas. Consiste em um nome genérico, podendo ser administrado por diversas vias para ingressar no organismo. ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA As energias de ordem mecânica alteram, parcial ou completamente, o estado de inércia de um corpo. Agem por contato atingindo diretamente a superfície corporal. Segundo França (2015), esses meios atuam por pressão, tração, compressão, descompressão, torção, deslizamento e contrachoque. As energias mecânicas podem ser de atuação ativa ou passiva. Ação ativa quando o agente vulnerante projeta-se em contra o corpo em repouso; já a ação passiva ocorre o inverso, o corpo em movimento é lançado contra o agente vulnerante. Também pode ocorrer a ação mista, quando o corpo e o agente vulnerante se chocam mutuamente, estando ambos em movimento. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Os agentes mecânicos responsáveis pelos danos podem ser: - Armas próprias: instrumentos criados com o intuito de atacar ou se defender, de forma a produzir lesões. Ex: armas de fogo, espadas, cassetete, soco-inglês, dentre outras. - Armas impróprias ou eventuais: instrumentos que possuem finalidades e empregos diversos, mas que podem ser utilizados como armas dependendo da situação. Ex: faca de cozinha, pedra, guarda-chuva, entre outros. - Armas naturais: mãos, unhas, dentes, etc. - Animais: cachorro, gato, macaco, elefante, demônio da Tasmânia etc. - Outros meios diversos: explosões, precipitações, etc. Classifica-se os instrumentos mecânicos causadores das lesões em instrumentos de ação mecânica simples (perfurantes, contantes, contundentes) e instrumentos mecânicos de ação composta (pérfurocortantes, pérfurocontundentes e cortocontundentes). INSTRUMENTO PERFURANTE Instrumento perfurante é todo instrumento capaz de produzir uma lesão punctória. Esses instrumentos possuem forma cilíndrica-cônica, são alongados, finos e pontiagudos, tais como: agulha, estilete, prego, alfinete etc. Atuam por pressão através da ponta e afastamento das fibras do tecido. As lesões oriundas desse tipo de ação denominam-se feridas punctiformes ou punctórias, pela sua exteriorização em forma de ponto. A causa jurídica é geralmente homicida, principalmente entre detentos. Esse tipo de lesão também pode ser encontrada em infanticídios, bem como em acidentes domésticos e de trabalho. Não é comum em suicídios. As lesões punctiforme apresentam características de abertura estreita de raro sangramento, pouca nocividade na superfície e, às vezes, de certa gravidade na profundidade, pois pode atingir órgãos internos e, por fim, quase mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D sempre de menor diâmetro que o do instrumento causador, devido à elasticidade e à retratilidade dos tecidos cutâneos. O trajeto dessas feridas é representado por um túnel estreito que se continua pelo tecido lesado, representado no cadáver por uma linha escura. O ferimento de saída, quando isso ocorre, é em geral mais irregular e de menor diâmetro que o de entrada, em face do instrumento atuar nessa fase através de sua parte mais afilada. Quando o instrumento perfurante é de médio calibre, a forma das lesões assume aspecto diferente, obedecendo às três leis de Filhos e Langer. A perícia envolve sempre o exame das lesões em sua forma, aspecto, dimensões e demais caracteres que sirvam não só para a determinação diagnóstica, mas também para pesquisar o instrumento que as produziu. INSTRUMENTO CORTANTE Instrumento cortante é todo instrumento que produz feridas incisas ou cortantes atuando linearmente sobre a pele ou sobre os órgãos. São também conhecidas como feridas fusiformes. Exemplos: navalha, bisturi, faca de gume cerrado. Agem por pressão e deslizamento produzindo a secção uniforme dos tecidos. As lesões possuem bordas nítidas e geralmente regulares, há hemorragia abundante, corte perfeito dos tecidos moles, ausência de outro trauma em torno da lesão. Nessas lesões as extremidades são mais superficiais e a parte mediana mais profunda, nem sempre se apresentando de forma regular. Tem como característica principal a chamada “cauda de escoriação” a qual indica ao perito o “final do corte”, ou seja, o momento de retirada do instrumento ao final da prática lesiva, sendo possível determinar o sentido em que a lesão foi perpetrada. Essa constatação é importante para a diagnose diferencial porque auxilia na definição do sentido do instrumento que causou o ferimento. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D A causa jurídica pode diversificar, porém frequentemente é homicida, mas pode tratar-se de lesão de defesa (indicativo de luta) ou mesmo suicida. A lesão acidental pode ocorrer, mas geralmente é de menor gravidade. A perícia deve ser feita baseada no elemento cortante, número de lesões, sede, direção, características, profundidade, regularidade, lesões de defesa. Existem algumas peculiaridades sobre as lesões causadas por instrumentos cortantes. Listamos as principais: - Sinal de Chavigny: quando lesões incisas se cruzam, a segunda lesão, ao passar pelas bordas afastadas da primeira, modifica seu trajeto que antes era linear, sendo possível determinar a ordem em que as lesões foram produzidas. - Esgorjamento: lesões cortantes ou incisas profundas e localizadas nas faces laterais ou anterior no pescoço. - Degolamento: lesão localizada na face posterior do pescoço. - Decapitação: ato de separar completamente a cabeça do restante do corpo. Pode ter causa homicida, acidental e raramente suicida. - Esquartejamento: ato de dividir o corpo em partes (quartos), por amputação ou desarticulação. Essa prática é comum post mortem, realizada como um meio de se livrar do cadáver, facilitando a ocultação (“desova”) e dificultando a identificação. - Castração: ato de retirada da genitália masculina, por ação cortante. INSTRUMENTO CONTUNDENTE Os instrumentos contundentes são os agentes mais causadores de danos pois consistem em uma maior quantidade de formas de ação, atuando de forma ativa, passiva ou mista e agindo por pressão, explosão, deslizamento, percussão, compressão, descompressão, distensão, torção, fricção, por contragolpe ou de forma mista (Francisco, 2015). mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Os objetos que causam este tipo de lesão mais encontrados em local de crime são classificados de acordo com sua natureza: - Sólido: pau, tijolo. - Líquido: queda n'água, jato d'água. - Gasoso: jato forte de ar sobre pressão. - Naturais: mãos, cabeça, chifres de boi etc. - Usuais: bastão, cacetete etc. - Eventuais: pedra, martelo. As lesões contusas podem se apresentar como lesão fechada, com danos aostecidos externos, podendo apresentar impacto em profundidade. Podem também ser consideradas como lesões abertas, apresentando solução de continuidade provocada pela ação traumática do instrumento vulnerante contundente. A resultante da ação desses instrumentos depende da intensidade do seu movimento, de sua dinâmica traumatizante, e, conjugado este fato, a região do corpo atingida. Os tipos de lesões causadas por qualquer fonte de energia de ordem mecânica podem ser: - Rubefação: alteração vasomotora da região; dura cerca de duas horas no máximo; - Edema: derrame seroso; - Escoriação: perda traumática da epiderme (serosidade, gotas de sangue, crosta); - Equimose: derrame hemático que infiltra e coagula nas malhas do tecido. O exame de lesões deste tipo permite dizer qual o ponto onde se produziu a violência, a natureza do atentado, a data aproximada da violência e podem ainda afirmar se o indivíduo foi encontrado vivo no momento do traumatismo. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D A forma das equimoses significa muito para os legistas pois podem imprimir no corpo da vítima a marca dos objetos que lhe deram origem (equimoses figuradas) com mais fidelidade do que as escoriações. A tonalidade da equimose é outro aspecto de grande interesse médico- pericial, pois a colocação altera de acordo com o tempo decorrido da lesão. Esse estudo cronológico é conhecido por “espectro equimótico de Legrand du Saulle”. A equimose de início é sempre avermelhada, depois, com o correr do tempo, ela se apresenta vermelho escura, violácea, azulada, esverdeada e, finalmente, amarelada, desaparecendo, em média, entre 15 e 20 dias. O Espectro Equimótico de Legrand de Saulle descreve a lesão por meio da análise de sucessão de cores equimóticas que se inicia pelos bordos lesionados. Tem importância pericial para determinar, em alguns casos, a data provável da agressão. A coloração da lesão no decorrer do tempo se apresenta: - 1º dia: lívida ou vermelha, - 2º e 3º dia: arroxeada, - 4º e 6º dia: azul, - 7º ao 10º dia: esverdeada, - 10º ao 12º dia: amarela-esverdeada, - 12º ao 17º dia: amarela, - 17º dia em diante: desaparece. As lesões causadas pelo instrumento contundente podem ser visualizadas em forma de: - Hematoma: é uma coleção hemática produzida pelo sangue extravasado de vasos calibrosos, não capilares, que descola a pele e afasta a trama dos tecidos formando uma cavidade circunscrita onde se deposita. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Bossa sanguínea: é um hematoma em que o derrame sanguíneo impossibilitado de se difundir nos tecidos moles em geral, por planos ósseos subjacentes, coleciona determinando a formação de verdadeiras bossas. - Bossa linfática: são coleções de linfas produzidas por contusões tangenciais, como acontece nos atropelamentos, em que os pneus, por atrição, deslocam a pele formando grandes bossas linfáticas, entre o plano ósseo e os tegumentos. - Luxação: é o afastamento repentino e duradouro de uma das extremidades. - Fratura: é a solução de continuidade, parcial ou total dos ossos submetidos à ação de instrumentos contundente. - Lesão contusa: a lesão possui forma, fundo e vertentes irregulares com as bordas da lesão escovadas, bem como há ângulos obtusos e derrame hemorrágico externo menos intenso do que na ferida incisa. Geralmente as lesões contusas possuem retalhos conservados em forma de ponte, unindo as margens da lesão, contrastando com os tecidos mortificados e nervos, vasos ou tendões, conservados no fundo da lesão. Do ponto de vista jurídico, elas podem caracterizar o instrumento ou meio que as produziu bem como quando foram produzidas, mesmo se após morte. Por fim podem esclarecer a possibilidade de simulações, podendo evidenciar se foi homicídio, acidente ou suicídio. - Encravamento: ferimento produzida pela penetração de um objeto afiado e consistente, em qualquer parte do corpo. - Empalamento: forma especial de encravamento caracteriza-se pela penetração de um objeto de grande eixo longitudinal no ânus ou na região perineal. Podemos listar alguns elementos do ponto de vista médico legal característico destas lesões: mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Lesão em sentido perpendicular (“fratura em saca-bocados” de Strassmann). - Lesão com o afundamento parcial e uniforme com inúmeras fissuras, em forma de arcos e meridianos (sinal do mapa-múndi de Carrara). - Traumatismo tangencial, produz uma fratura de forma triangular com a base aderida à porção óssea vizinha e com o vértice solto e dirigido para dentro da cavidade craniana (sinal em “terraza” de Hoffmann). INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: CORTO-CONTUNDENTE Instrumentos Corto-contundentes são instrumentos que possuem gume, mas agem sobre os organismos influenciados pela ação contundente. Sua ação tanto se faz por pressão e percussão ou deslizamento. Por exemplo: machado, foice, facão, enxada, motosserra, rodas de trem etc. As lesões cortocontusas apresentam características de rompimento da integridade da pele, produzindo feridas irregulares, retraídas e com bordas muito traumatizadas. A forma das feridas varia conforme a região comprometida, a intensidade de manejo, a inclinação, o peso e o fio do instrumento. São em regra fraturas mutilantes, abertas, grandes, com contusões nas bordas, perda de substância e cicatrizam por segunda intenção. A utilização da ação de instrumentos corto-contundentes é mais frequente nos homicídios e nos acidentes, sendo raro no suicídio. Destaca-se que as marcas mordedura ou dentada são exemplos bem peculiares dessas lesões. Podem ser produzidas pelo homem ou por animais e apresentam características próprias. Seu mecanismo de funcionamento tem por base pressão e secção, principalmente quando provocada pelos dentes incisivos, como por exemplo mordida de animais. Os arcos dentários têm fundamental importância pois possuem requisitos biológicos básicos, que são a unicidade, a perenidade e a imutabilidade. Estes princípios auxiliam na mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D identificação de vítimas ou agressores. A análise das mordeduras permite determinar a sequência na produção das mordidas e se elas foram produzidas intra vitam ou post-mortem. Em resumo, a análise das marcas de mordida ajuda a perícia com as seguintes ações: - Identificar a identidade do agressor, - Determinar o grau da violência ou agressão; - Identificar a sequência das mordidas, - Aproximar a data e hora da lesão. INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: PÉRFURO-CORTANTE Instrumento Pérfuro-Cortante são os instrumentos dotados de ponta e gume, capazes de perfurar o organismo e exercem lateralmente uma ação de corte nos tecidos do corpo provocando lesões pérfuroincisas. Exemplos: facas, punhais, canivetes, entre outros. A natureza jurídica pode variar entre lesão corporal, suicídio, homicídio e acidente. As lesões pérfuroincisas se caracterizam pelo predomínio da profundidade sobre a dimensão externa, bordas regulares, podendo apresentar cauda de escoriação dependendo da movimentação do agressor ao penetrar o instrumento ou na retirada, quando o instrumento penetra parcialmente ou completamente no interior do corpo atingindo as víscerasprovocando intensa hemorragia interna e externa. A retratibilidade e elasticidade da pele dificultam na estimativa das dimensões do agente lesivo. As características das lesões podem ser classificadas de acordo com o número de gumes ou bordo cortante no instrumento e tipos de lesões ocasionadas por eles. INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: PÉRFURO-CONTUNDENTE mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Instrumento Pérfuro-contundente é todo agente traumático que ao atuar sobre o corpo, perfura-o e o contunde simultaneamente na maioria das vezes, esses instrumentos são mais perfurantes que contundentes. Os principais instrumentos desta classe são os projéteis de arma de fogo (PAF). Para estudarmos as lesões oriundas da ação perfuro-contusa de projéteis abordaremos alguns conceitos de Balística Forense, uma subárea da Física Forense, aplicados a Medicina Legal. A Balística Forense segundo Rabello (1995) “é a parte do conhecimento criminalístico e médico-legal que tem por objeto, especial, o estudo das armas de fogo, das munições e dos fenômenos e efeitos próprios dos tiros destas armas, no interesse da justiça, tanto penal como civil". Ou seja, é uma ciência que estuda as armas de fogo suas munições, os fenômenos e efeitos provocados pelos tiros, com a finalidade de auxiliar questões judiciais. Arma de Fogo são as peças constituídas de um ou dois canos, aberto numa das extremidades e parcialmente fechados na parte de trás, por onde se coloca o projétil (Velho, Geise e Espíndula, 2013). Podem se classificar: a) Quanto à dimensão: portáteis, semiportáteis e não portáteis. b) Quanto ao modo de carregar: Antecarga e Retrocarga. c) Quanto ao modo de percussão: Perdeneira e Espoleta d) Quanto ao calibre. A munição das armas de fogo compõe-se de cinco partes basicamente: - Estojo ou cápsula: É um receptáculo de latão ou papelão prensado, de forma cilíndrica contendo os outros elementos da munição; - Espoleta: É a parte do cartucho que se destina a inflamar a carga. É constituído de fulminato de mercúrio, de sulfeto de antimônio e de nitrato de bário. - Bucha: É um disco de feltro, cartão, couro, borracha, cortiça ou metal, que se separa a pólvora do projétil, garantindo a presença de oxigênio para a explosão. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Pólvora: É uma substância que explode pela combustão. Há a pólvora negra e a pólvora branca. Esta última não tem fumaça. Ambas produzem de 800 a 900 cm3 de gases por grama de peso. Em geral são compostas de carvão pulverizados enxofre e salitre. Projétil: É o verdadeiro instrumento pérfuro-contundente, quase sempre de chumbo nu ou revestido de níquel ou qualquer outra liga metálica. Os mais antigos eram esféricos. Os mais modernos são cilíndricos-ogivais. Ilustração de uma capsula de arma de fogo O projétil desloca-se da arma graças a combustão da pólvora, quando ganha movimento de rotação propulsão, ao atingir o alvo atuam por pressão, havendo afastamento e rompimento das fibras. O alvo é também atingido por compressão de gases que acompanha o projétil. É de interesse médico legal o estudo do trajeto do projétil no interior do corpo da vítima, auxiliando na determinação de lesões e da causa mortis. A perícia possibilita determinar a orientação e o sentido do tiro (qual a trajetória e trajeto do projétil) e qual foi o orifício de entrada e o de saída, em caso de projétil que transfixou o corpo da vítima (entrada – trajeto – saída). Durante o trajeto, o projétil pode ficar retido no corpo da vítima podendo ser mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D retirado posteriormente por meio de cirurgias ou no exame necroscópico do cadáver. As lesões pérfuro-contusas causadas por projéteis de arma de fogo são constituídas de três partes ao se transfixarem em um corpo: - Orifício de entrada, - Trajeto e - Orifício de saída. O perito consegue inferir a distância que o tiro foi dado ao analisar as lesões, principalmente a de entrada, em alguns casos (tiro encostado, a curta distância ou a distância) por meio da observação da presença ou não dos elementos primários e secundários do tiro. A lesão de entrada pode resultar de único projétil ou múltiplo projétil. O formato da lesão varia de acordo com o ângulo de entrada do projétil no corpo pela ação pérfuro-contundente. Quando o tiro ocorre de maneira perpendicular, a ferida de entrada se apresentará com forma mais redonda, bordos regulares e invertidos; conforme a angulação e inclinação do tiro a lesão pode se apresentar de forma mais oval, linear ou em fenda. Quando o PAF penetra apenas no tecido subcutâneo, geralmente de forma tangencial, não atingindo planos mais profundos e cavidades do corpo, o ferimento denomina-se lesão “em sedenho”. As lesões que atingem a pele tangencialmente sem penetrar na pele são conhecidas “por tiro de raspão”. O orifício de saída, por sua vez, geralmente é maior do que o orifício de entrada. Esta lesão apresenta formato irregular de bordas geralmente evertidas, com maior presença de sangramento. Salienta-se que nos orifícios de saída não há a presença de elementos primários e secundários do tiro. As lesões provocadas por PAF podem apresentar causa jurídica homicida, suicida ou até mesmo acidental. Sendo assim, os exames periciais são fundamentais para a determinação desta diagnose diferencial. Por exemplo em mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D casos de suicídio, geralmente há presença de uma única lesão e a vítima prefere atingir regiões vitais como: cabeça, ouvido ou boca. O impacto do projétil contra o corpo e a sua consequente penetração por ação pérfuro-contundente produzirá a deformação dos tecidos, provocando os elementos primários e secundários do tiro. Há três elementos primários presentes nos orifícios ou ferimentos de entrada provocados por PAF. Abaixo a lista com nome e descrição dos elementos: - Zona de Contusão: arrancamento da epiderme pelo movimento rotatório do projétil antes de penetrar no corpo, pois sua ação é de início contundente. - Aréola Equimótica: zona superficial e relativamente difusa da hemorragia oriunda da ruptura de pequenos vasos localizados nas vizinhanças do ferimento. - Orla de Enxugo: zona que se encontra nas proximidades do orifício, de cor quase sempre escura que se adaptou às faces do projétil, limpando-as dos resíduos de pólvora. Os elementos secundários do tiro são provenientes da detonação da mistura iniciadora e da pólvora, e mais produtos gasosos são expelidos juntamente com o projétil. Quando o tiro atinge o corpo da vítima através desses elementos, o perito pode levantar hipóteses da dinâmica do evento inferindo sobre a distância e a angulação do tiro com relação à vítima. Tais elementos compreendem: a) Zona de Tatuagem: É mais ou menos arredondada, nos tiros perpendiculares, ou de formas crescentes nos tiros oblíquos. É resultante da impregnação de partículas de pólvora incombustas que alcançam o corpo. b) Zona de Esfumaçamento: É produzida pelo depósito de fuligem da pólvora ao redor do orifício de entrada. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e ConsultoraTécnica CRBio 109592/01-D c) Zona de Chamuscamento ou Queimadura: Tem como responsável a ação superaquecida dos gases que atingem e queimam o alvo. d) Zona de Compressão de Gases: Vista apenas nos primeiros instantes no vivo. É produzida graças a ação mecânica dos gases, que acompanha o projétil quando atingem a pele. Conforme foi apontado anteriormente, o perito ao analisar as lesões de entrada e saída em uma vítima consegue inferir a distância em que o tiro foi dado (tiro encostado, a curta distância ou a distância). O tiro encostado é aquele dado com a boca da arma apoiada no alvo. Nesse caso todos os elementos que saem da arma penetram na vítima. A ferida de entrada adquire o aspecto de buraco conhecido como mina de Hoffman, acompanhado de deslocamento trajeto causando uma lesão de entrada com diâmetro geralmente maior do que o do projétil e com as bordas revertidas, com ocorrência do escurecimento do orifício e do início do trajeto por causa deposição de fuligem e resíduos da pólvora. Os três sinais observados no tiro encostado são: - Sinal de Benassi: presença de halo fuliginoso no exterior do plano ósseo. - Sinal de Schusskanol: esfumaçamento presente no túnel produzido pelo PAF, situado entre as lâminas interna e externa de um osso chato. - Sinal de Werkgartner: impressão da boca do cano da arma de fogo ou da massa de mira na superfície da pele atingida. O tiro a curta distância ou à queima-roupa é perpetrado próximo ao alvo a ponto de que o cone das chamas provenientes do disparo atinja o corpo da vítima (zona de chamuscamento), provocando a queimadura da pele, pelos e vestes. O orifício de entrada assume forma arredondada ou ovalar, circundado pelos elementos secundários do tiro (zona de chamuscamento, zona de esfumaçamento e de tatuagem). À medida que a distância do tiro aumenta o diâmetro, essas zonas também aumentam proporcionalmente. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D No tiro à distância, ou de longa distância, não estão presentes os elementos secundários devido a grande distância entre o atirador e a vítima. Mas observa-se nos orifícios de entrada, a orla contusão e o halo de enxugo, com o diâmetro do orifício geralmente menor do que o diâmetro do projétil. A perícia envolve sempre o exame das lesões, das vestes e da munição. São exames da alçada do médico; contudo, como complemento, é necessário que ele seja auxiliado por outros técnicos para o estudo mais especializado. O médico deve ter em mente certas questões para as quais ele busca resposta. Por exemplo: Qual o orifício de entrada? Qual a distância do tiro? Qual a arma usada? A vítima poderia ter realizado certos atos antes da morte? As lesões foram produzidas em vida ou depois da morte? Qual a causa jurídica da morte? ENERGIAS DE ORDEM FÍSICO-QUÍMICA É a parte da Medicina Legal que trata das asfixias. Em sentido genérico entende-se asfixia como a suspensão da função respiratória por qualquer causa que se oponha à troca gasosa nos pulmões, entre o sangue e o ar ambiente (Velho, Gaiser e Espindula, 2013). Asfixias terminais são consequentes de várias doenças que diminuem a área respiratória. Ex: pneumonias agudas, enfisemas, tumores, etc. Asfixias primitivas são aquelas em que o agente atua diretamente numa das partes do aparelho respiratório. Ambas apresentam fisiologia e sintomatologia semelhantes, conforme descrito na lista abaixo: a) Fase de irritação: - Dispnéia inspiratória (1 minuto = consciência) - Dispnéia expiratória (30 segundos = inconsciência e convulsões) b) Fase de Esgotamento: - Pausa (morte aparente) - Período terminal (morte) mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Lesões Externas Internas: - Cianose no rosto - Equimoses Viscerais - Hipóstase precoce - Estase nos órgãos internos - Hipóstase precoce - Lesões musculares - Exolftalmia - Lesões vasculares (Amussat e Friedberg) - Procidência da língua - Fraturas ósseas (hióide) - Cogumelo espumoso - Fraturas de cartilagens - Resfriamento demorado - Luxações de vértebras - Rigidez precoce -Equimoses subserosa da pleura (Tardieu) - Sulco no pescoço - Pulmões congestos e edemaciados - Putrefação mais rápida - Manchas de Paltauf. - Midríase. As Asfixias são classificadas em quatro modalidades: Modificação Física do Meio: - Quantitativa - Confinamento - Qualitativa líquido - Afogamento Sólido - Soterramento - Gases - Gases Tóxicos Constrição no Pescoço: - Laço acionado pelo peso da vítima - Enforcamento - Laço acionado por força externa - Estrangulamento - Mãos do agressor - Esganadura - Obstrução das vias - Sufocação Direta - Mau funcionamento da Caixa Torácica - Sufocação indireta O enforcamento é causado por uma asfixia mecânica que consiste no impedimento a livre entrada e saída de ar no aparelho respiratório por uma constrição no pescoço. Esta constrição se dá por uma corda ou qualquer objeto similar em volta do pescoço da vítima e por um laço que é acionado pelo peso mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D da própria vítima constringindo o pescoço e causando a asfixia até o óbito. Comumente a natureza jurídica do enforcamento é suicídio. O exame da lesão externa causada pelo enforcamento é uma das principais análises que o perito deve realizar para determinar o diagnóstico da causa da morte. O perito analisará em conjunto a posição do cadáver, a presença ou ausência de lesões externas e internas. Ao observar o aspecto do cadáver pode se encontra-lo com a cabeça inclinada para o lado do nó, rosto branco ou cianótico, boca e narina com espuma, língua e olhos procedentes. No enforcamento completo, os membros inferiores estão suspensos, e os superiores, colados ao corpo, com os punhos cerrados mais ou menos fortemente. Quanto à lesão externa observa-se um sulco único ou mais de um, ascendente, que se interrompe no lugar do nó. Este sulco pode estar ausente em situações especiais como nas suspensões de curta duração, nos laços excessivamente moles ou quando é introduzido, entre o laço e o pescoço, um corpo mole. Abaixo estão listados os principais sinais encontrados nos sulcos dos enforcados: - Sinal de Ponsold (livores cadavéricos, em placas, por cima e por baixo das bordas dos sulcos); - Sinal de Thoinot (zona violácea ao nível das bordas do sulco); - Sinal de Azevedo Neves (livores puntiformes por cima e por baixo das bordas do sulco); - Sinal de Neyding (infiltrações hemorrágicas puntiformes no fundo do sulco); - Sinal de Ambroise Paré (pele enrugada e escoriada do fundo do sulco); - Sinal de Lesser (vesículas sanguinolentas no fundo do sulco); - Sinal de Bonnet (marcas da trama do laço). mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Lesões internas também podem ser sinais importantes a serem observados em cadáveres que tem como causa de morte enforcamento. Aqui vamos listar os principais sinais destas lesões: - Lesões da parte profunda da pele e da tela subcutânea do pescoço (sufusões hemorrágicas e equimoses, por exemplo); - Lesões dos vasos: Sinal de Amussat (secção transversal da túnica íntima da artéria carótida comum ao nível de sua bifurcação); - Sinal de Etienne Martin (desgarramento da túnica externa); - Sinal de Friedberg (sufusão hemorrágica da túnica externa da artériacarótida); - Lesão do Aparelho Laríngeo (fraturas da cartilagem tireóide e da cricóide, bem como do osso hióide); - Lesões da coluna vertebral (fraturas ou luxações de vértebras cervicais). O estrangulamento também é causado por uma asfixia mecânica a qual consiste na constrição do pescoço, evitando que a vítima respire. A principal diferença entre o enforcamento e o estrangulamento é que o estrangulamento pode acontecer por meio de uma “corda” com o laço acionado pela força muscular da própria vítima ou de outra pessoa. A morte pode ocorrer devido ao impedimento da penetração do ar nas vias aéreas; por morte circulatória devido à compressão dos grandes vasos do pescoço, que conduzem para o cérebro e por morte nervosa por mecanismo reflexo quando há a inibição vagal. O diagnóstico se dá pela análise das lesões internas e externas. Nas lesões externas o exame do sulco é primordial. O sulco geralmente tem sede, na laringe, sua direção é tipicamente horizontal, raramente se apergaminha (como ocorre no enforcamento), pois, após a morte cessa em geral a força constritiva, que concorre para a escoriação da pele e o aparecimento desse fenômeno. Este sulco é completo, abrangendo todo o pescoço e reproduz o número de mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D voltas que o laço deu, a presença de nós, etc. Sua profundidade é uniforme e os bordos apresentam cor violácea, que contrasta com a palidez do fundo. Quanto à análise do cadáver: A face dos estrangulados é quase sempre tumefeita, vultuosa e violácea, a língua geralmente faz saliência exteriormente, sendo encontrada entre os dentes, a boca pode apresentar espuma esbranquiçada ou branco-sanguinolenta, bem como as narinas, pode ser encontrada equimoses de pequenas dimensões na face, nas conjuntivas, pescoço e face anterior do tórax e otorragia com ou sem ruptura de membrana timpânica. As principais lesões internas causadas pelo estrangulamento estão descritas na lista que segue: - Infiltração hemorrágica em tela subcutânea e musculatura subjacente ao sulco. - Lesões da laringe são excepcionais. - Lesões das artérias carótidas manifestam-se, macroscopicamente, na túnica íntima, pelos sinais de Amussat e Lesser (rupturas transversais) e, na túnica adventícia, pelos sinais de Friedberg (infiltração hemorrágica) e de Etienne Martin (ruptura transversal). - Rupturas musculares. - Fraturas e luxações de vértebras cervicais Esganadura é a constrição da região anterior do pescoço pelas mãos, em que impede a passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias até os pulmões. O óbito acontece principalmente devido a asfixia pela obturação da glote, graças à projeção da base da língua sobre a porção posterior da faringe. É importante também os efeitos decorrentes da compressão nervosa do pescoço, levando ao fenômeno de inibição em que a vítima entra no estado de inconsciência e morte entre 15 e 20 minutos. A natureza jurídica é sempre homicida. Portanto destaca-se o grande valor de seu diagnóstico. O perito deve se evidenciar os elementos que possam mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D identificar o autor desta violência ao realizar o exame pericial, como as marcas das unhas, impressões digitais, fragmentos de cabelos e vestes. As lesões externas essenciais são as marcas ungueais produzidas pelas unhas do agressor. Elas se apresentam de forma semilunar, apergaminhadas, de tonalidade pardo-amareladas. Podem também ter a forma de rastros escoriativos. Em alguns casos, observa-se essas marcas de várias dimensões e sentidos, devido às reações da vítima ao defender-se. A morte por esganadura deixa lesões internas e externas, que apresentam as principais características, de forma geral: Lesões internas locais: - Infiltrações hemorrágicas das estruturas profundas do pescoço. - Lesões do aparelho laríngeo por fraturas da cartilagem tireóide e cricóide e do osso hióide. - Lesões de vasos do pescoço (marcas de França). - Lesões internas à distância: - Apresentam as mesmas características das asfixias em geral. Afogamento é a asfixia mecânica, produzida pela penetração de um meio líquido nas vias respiratórias impedindo a passagem de ar até os pulmões. Havendo a submersão, a morte em ocorre em três fases. O diagnóstico do afogamento torna-se possível pelos exames externo, interno e complementares do cadáver. A presença de lesões intravitam e post mortem concorrem para o diagnóstico diferencial entre o afogado verdadeiro e a simulação de afogamento, assim como a causa jurídica da morte. A natureza jurídica do afogamento pode ser vítima de acidente, suicídio, homicídio e raramente infanticídio. As principais lesões externas observadas no cadáver são: - Hipotermia; - Pele anserina; - Retração do mamilo, escroto e do pênis; mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Maceração da epiderme; - Tonalidade vermelha dos livores cadavéricos; - Cogumelo de espuma; - Erosão dos dedos; - Presença de corpos estranhos sob as unhas; - Equimoses da face e das conjuntivas; - Mancha verde de putrefação no tórax; - Lesões pos mortem produzidas por animais aquáticos. As lesões internas que serão observadas em cadáveres vítimas de afogamento são: - Presença de líquidos nas vias respiratórias; - Presença de corpos estranhos no líquido das vias respiratórias; - Lesões dos pulmões: aumentados, distendidos, enfisema aquoso e equimoses; - Sinal de Brouardel é enfisema aquoso sub pleural (esponja molhada); - Manchas de Tardieu são equimoses sub pleural (raras); - Manchas de Paltauf são Hemorragias subpleurais (equimoses vermelho claro com 2 ou mais cm de diâmetro, devido a ruptura das paredes alveolares); - Diluição do sangue (hidremia); - Crioscopia: aumentada (água doce) e diminuída (água salgada); - Sinal de Wydler é a presença de espuma, líquido e sólido no estômago; - Sinal de Niles é hemorragia temporal; - Sinal de Vargas Alvarado é hemorragia etimoidal; - Sinal de Etienne Martin é congestão hepática; - Equimoses nos músculos e pescoço. O soterramento se dá pela permanência do indivíduo num meio sólido ou semi-sólido, em que as substâncias aí contidas penetram nas vias respiratórias, impedindo a entrada de ar e levando a morte. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D O perito realiza o estudo de reações vitais e o grau de penetração profunda da substância nas vias respiratórias. A natureza jurídica pode ser acidente, e, com relativa frequência, acidente de trabalho, bem como homicídio. As lesões externas são consequentes ao traumatismo externo toráxico, como fraturas costais, hemorrágias, compressões pulmonares. Já as lesões internas devem ser realizadas na necropsia em busca de quais substancias estranhas causaram o impedimento da respiração da vítima. A asfixia por confinamento ocorre devido à restrição de ar ou por excesso de vapor de água e de calor num ambiente restrito e/ou fechado, sem condições de renovação do ar respirável, sendo consumido o oxigênio pouco a pouco e o gás carbônico acumulado gradativamente. Na respiração normal, exige-se um ambiente externo contendo ar respirável, com oxigênio em quantidade aproximada de 21%. Quando no ar atmosférico o oxigênio atinge 7% surgem distúrbios relativamente graves,sobrevivido a morte, se esta taxa é em torno de 3%. No confinamento há uma diminuição progressiva do suprimento de oxigênio ao organismo concomitante aumento do teor de anidro carbônico no sangue (hipercapnéia) simultaneamente, o ar satura-se de vapor d’água, dificultando a eliminação deste pelos pulmões e pela transpiração, o que contribui consideravelmente para que se instale a asfixia. A natureza jurídica da morte por confinamento pode advir de acidente e raramente homicídio e suicídio. É comum observar a morte acidental com recém-nascidos que, dormindo com as mães, são sufocados por estas ou por panos que se encontram sobre o leito. Nos adultos, o acidente poderá resultar de ataques epilépticos, síncopes, embriaguez, etc., caindo a vítima sobre o leito, com o rosto fortemente apoiado contra o travesseiro, ou contra panos que impeçam a respiração. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Marcas ungueais podem ser encontradas ao redor dos orifícios nasais nos casos de sufocação pelas mãos. Quando o agressor usa objetos moles, como, por exemplo, lençóis, vestes, travesseiros e outros estas marcar podem não estar presentes. CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CORPORAIS Lesões corporais são as que atingem a integridade física e psíquica de alguém. A classificação das lesões pode ser dada quanto à quantidade e são descritas como leve, grave e gravíssima (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). As lesões corporais leves são representadas por danos superficiais. São as escoriações, equimoses, hematomas, feridas contusas, algumas entorses, os torcicolos traumáticos, edemas e a maioria das luxações. Muitas dessas lesões permanecem por alguns dias, mesmo assim são classificadas como leves, salvo, se houver incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, o que será lesão corporal grave. São chamadas de lesões “insignificantes” porque voltam à normalidade física ou funcional rapidamente, e por isso passam a ser hodiernamente vistas como de menor importância jurídica. As lesões graves são representadas pelos quatro tipos mencionados no Art. 129. § 1.º do Código Penal: - Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias; - Perigo de vida; - Debilidade permanente de membro, sentido ou função; - Aceleração de parto. Acelerar o parto é o mesmo que antecipar ou induzir o parto da data prevista ou esperada. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D As ocupações habituais são todas e quaisquer atividades corporais comuns. Para avaliar o tempo de duração da incapacidade, os peritos reexaminarão depois de trinta dias, contado da data do crime. O conceito de incapacidade para as Ocupações Habituais por mais de trinta dias não se restringe apenas às situações em que a vítima fique impossibilitada de exercer seu trabalho, mas em todas as oportunidades que alguém, criança ou adulto, pobre ou rico, empregado ou desempregado, fique privado de exercer suas ocupações triviais ou habituais, mesmo que não venha a ser de forma integral ou absoluta. Todavia, essa incapacidade tem de ser real. Por exemplo, não há de ser aquela em que a vítima se recusa a aparecer publicamente até a cura integral. O prazo de trinta dias é um prazo clínico. Só a experiência médico- profissional é capaz de limitá-lo, desde que o indivíduo possa razoavelmente voltar a integrar-se com o seu meio e com as suas necessidades. O que se estabelece nesse critério é muito mais a cura funcional do que a cura física. Causar o perigo de vida constitui-se numa situação de possibilidade de iminência de morte, decorrente de uma agressão vultosa à vítima. Este dano deve ser efetivo e atual, e nunca apenas uma hipótese ou uma conjectura. E um fato presente ou passado, e jamais uma possibilidade de vir a ser um desenlace fatal. Deve ser caracterizado nos sintomas graves e sérios, onde as funções vitais estejam indiscutivelmente comprometidas. Para configurar o perigo de vida também não há necessidade de exame complementar, desde que durante a perturbação patológica oriunda da lesão tenha existido de fato uma possibilidade de morte. A Debilidade Permanente de Membro, Sentido ou Função compreende que membros são os apêndices torácicos ou pélvicos; sentidos, os meios pelos quais nós nos relacionamos e interagimos com o meio ambiente; e função, o mecanismo pelo qual o órgão, aparelhos e sistemas desenvolvem suas atividades (França, 2015). mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Sendo assim, o que interessa avaliar sob tal prisma não é o aspecto físico decorrente do dano produzido e dos órgãos, aparelhos ou sistemas, mas a diminuição evidente da função dos membros, dos sentidos. Assim, por exemplo, a perda de uma mão, de um pulmão ou de um olho, não significa perda propriamente dita, mas debilidade funcional, considerando-se que tais órgãos contribuem no seu conjunto para uma função. O conceito de órgão, sentido ou função, dentro desta discussão, tem um significado fisiológico e não anatômico. O que se cogita avaliar aqui é uma determinada função. As lesões Corporais Gravíssimas de acordo com o art. 129 § 2.º do Código Penal são as ofensas à integridade corporal e geram incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização de membro, sentido ou função; deformidade permanente; aborto. A incapacidade Permanente para o Trabalho configura-se quando, em consequência do dano anatômico ou funcional, o ofendido torna-se inválido de forma total e permanente para o exercício da atividade laborativa. A lei não exige que o membro esteja amputado; basta sua inutilização, sua incapacidade. Enfermidade Incurável é um déficit funcional ou orgânico de natureza congênita ou causado de uma ação lesiva, de evolução crônica ou permanente, que não chegou à cura total. Por exemplo demência senil, epilepsia e diabetes, decorrentes de lesão. A lesão corporal seguida de morte de acordo com o art. 129 § 3.º consiste quando o dolo (vontade) do agente é causar a lesão e de forma culposa (sem intensão) ocorre a morte da vítima. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO O procedimento operacional padrão (POP) é estabelecido por lei e abrange todos os peritos a serviço da justiça. Existe uma ordem que deve ser seguida durante o exame. Iniciar o exame pela análise das vestes, buscas de detalhes que possam influenciar na condução da necropsia e identificação da causa mortis ou autor do crime, como zonas de esfumaçamento, queimadura e tatuagem em caso de morte por arma de fogo. Nos casos de vítimas de projétil de arma de fogo e que o corpo esteja em decomposição, recomenda-se radiografá-lo antes do exame. Examinar todo o cadáver com a finalidade de se constatar as lesões e as alterações externas macroscopicamente visíveis. Recomenda-se agrupá-las conforme sua classificação, descrevendo-as em sua localização, tamanho, número e forma, no sentido craniocaudal, medial para lateral e de anterior para posterior. Descrever todas as lesões ou cicatrizes observadas, mesmo que não se relacionem ao evento em apuração. Acessar as cavidades craniana, torácica e abdominal para análise de possíveis lesões e alterações macroscópicas. A cavidade raquidiana deve ser acessadaquando houver suspeita de trauma raquimedular. A região cervical deve ser dissecada nos casos de enforcamento, estrangulamento, esganadura e trauma raquimedular cervical. A coleta de sangue e urina é recomendada, nos casos de homicídio e morte suspeita. A coleta de material para exame histopatológico deve ser realizada quando a morte for suspeita e nos casos de suspeita de erro médico. Os projéteis recolhidos devem ser individualizados ou separados em letais e não letais, para serem enviados para o exame balístico. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D Procurar identificar os orifícios de entrada e de saída de projétil de arma de fogo, descrever as características da ferida de entrada do projétil para inferir sobre a distância do disparo, antes do exame interno. Descrever o número e posição do gume, nas feridas provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes. Deve-se ilustrar com fotografias e/ou gráficos as lesões externas e internas encontradas. Nos crimes com suspeita de práticas sexuais, deve-se coletar material biológico das áreas suspeitas para exame laboratorial (pesquisa de espermatozoides, dosagem do PSA, exame de DNA), além de amostra referência da vítima (sangue ou swab oral) para exame de DNA. Em necropsia de vítimas do sexo feminino em idade fértil, examinar o útero para verificar a presença de gravidez. Nas necropsias de vítimas de acidentes de trânsito, deve-se coletar sangue para dosagem de alcoolemia, conforme descrito pelo Conselho Nacional de Trânsito por meio da Resolução de nº 432/2013, art. 12: CONTRAN. É vedado ao médico realizar exames médico-legais de corpo em seres humanos no interior de prédios ou dependências da delegacia de polícia, unidades militares, casas de detenção e presídios, conforme descrito no art. 95 do Código de Ética Médica. A dissecação do pescoço e dos vasos sanguíneos também deve ser realizada exclusivamente pelo médico-legista. O contato com os peritos que foram ao local de crime de homicídio é importante para subsidiar a condução da necropsia. Para dosagem de alcoolemia, deve-se coletar sangue (volume de 4ml) de preferência das cavidades cardíacas, ou do interior dos vasos sanguíneos, excepcionalmente de cavidades corpóreas evitando-se, sempre que possível, coletar da cavidade abdominal. As vísceras coletadas deverão ser conservadas mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D em uma temperatura média de 4°C e o material biológico a ser coletado dependerá das condições do corpo. Esta coleta tem por objetivo exclusivamente a identificação de cadáver ou a utilização do material coletado como amostra referência. Deve-se coletar sangue de cavidades internas, grandes vasos ou vísceras do corpo, preferencialmente, câmaras cardíacas. A coleta deste sangue poderá ser realizada por meio de: - Swab esterilizado. - Frasco plástico apropriado com capacidade mínima de 1,0Ml. - Papel próprio para captura e conservação de DNA (cartão FTA). O método de coleta deve ser realizado de acordo com a rotina estabelecida pelo laboratório de DNA para onde as amostras serão enviadas. No caso de coleta de sangue com swab, utilizar pelo menos dois swabs. Após a coleta, deve-se deixar os swabs secar à temperatura ambiente e embalá-los em envelopes de papel ou recipientes secos apropriados, lacrados, identificados em etiquetas impermeáveis contendo as devidas informações pertinentes ao caso, bem como data, tipo de amostra e responsável pela coleta. Caso o perito esteja lidando com um cadáver em estado de decomposição, deverão ser coletadas amostras de duas fontes distintas no mínimo. Abaixo segue a listagem dos tecidos moles que podem substituir o sangue nesta ocasião: - Cartilagem: coletar cartilagem de articulação íntegra, por exemplo, de ombro ou de joelho, na quantidade de aproximadamente 2g ou 2cm2mm, se a decomposição não tiver comprometido este tecido. Para o procedimento, utilizar material (pinça, cabo de bisturi, lâmina de bisturi e tesoura) esterilizado ou descartável. - Dentes: coletar dentes que, preferencialmente, não apresentem sinais de tratamento odontológico nem lesões ou cáries. Deve-se coletar, se possível, molares ou pré-molares, utilizando instrumental odontológico apropriado e mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D esterilizado. Dentes caninos ou incisivos devem ser evitados, pois são úteis nos trabalhos de antropologia forense e odontologia legal na comparação fotográfica com a pessoa desaparecida. Recomenda-se a coleta de, pelo menos, dois dentes. - Ossos longos: coletar amostra, preferencialmente, de fêmur. A amostra é coletada, por meio de um corte de aproximadamente 4-8cm, denominado “janela”, realizado no meio do eixo longo do osso. O corte em janela é importante, pois não separa o osso longo por completo, o que prejudicaria a análise antropológica do cadáver como, por exemplo, a estimativa de altura. Para este corte recomenda-se, preferencialmente, a utilização de uma serra osciladora médica, com lâmina esterilizada. Se não houver este tipo de serra disponível, podem-se utilizar outras serras, tendo o cuidado de se usar sempre lâminas esterilizadas. Se não for possível coletar amostras de fêmur, utilizar outros ossos longos: tíbia, úmero, rádio e ulna. Na impossibilidade de se coletar amostras de ossos longos, a coleta das amostras poderá ser feita a partir de qualquer osso disponível, por exemplo, costela, falanges, ossos do metatarso, hálux, na quantidade de aproximadamente 20g, se possível. Em caso de restos humanos em decomposição e fragmentados, poderá ser coletado qualquer osso disponível, na quantidade de aproximadamente 20g, se possível, e, preferencialmente, ossos que apresentem camada cortical densa. Em casos de corpos carbonizados, também serão necessárias duas amostras distintas no mínimo. Poderão ser coletadas quaisquer das amostras acima mencionadas, a depender das condições do corpo e do grau de carbonização: - Sangue - Músculo esquelético - Cartilagem - Dentes e ossos. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D - Swab da mucosa interna da bexiga urinária: 4 unidades. As amostras de tecido mole (músculo e cartilagem), dente e osso devem ser acondicionadas em frascos plásticos apropriados, lacrados e identificados em etiquetas impermeáveis, contendo as devidas informações pertinentes ao caso, bem como data, tipo de amostra e responsável pela coleta. As amostras devem ser armazenadas em congelamento a -20°C. Se não for possível armazenamento contínuo a temperaturas negativas, armazenar a 4°C. Nos procedimentos de coleta e acondicionamento, não devem ser utilizados formol ou quaisquer outras substâncias que possam prejudicar a análise do material genético presente na amostra. Alguns dos materiais utilizados para a coleta de material biológico não são descartáveis, como tesouras e pinças metálicas. Estes materiais devem ser devidamente descontaminados executando limpeza com água e detergente, seguida de autolavagem ou descontaminação com hipoclorito de sódio a 1%, antes de serem utilizados nos em outros procedimentos de coleta. Nos casos de suspeita de crime sexual, deve-se coletar material biológico das cavidades oral, vaginal e anal do cadáver. Em cadáver do sexo masculino,coletar também material da região peniana (sulco bálanoprepucial). Durante a coleta de material da cavidade vaginal, priorizar a coleta de secreções e não da parede mucosa. Na coleta de material da cavidade anal, umedecer levemente o swab com água destilada e, em seguida, proceder à coleta. As coletas deverão ser realizadas utilizando-se, pelo menos, 4 swabs esterilizados para cada região examinada. Os swabs deverão ser numerados pela ordem de coleta, sendo que o 1° e 2° swab deverão ser enviados para o exame de DNA e o 3° e 4° deverão ser enviados para teste de triagem para detecção da presença de sêmen (PSA e Seminogelina) e pesquisa de espermatozoides. Em casos de suspeita de deposição de secreções ou fluidos (saliva, sêmen, sangue, etc) em outras regiões do corpo como, por exemplo, regiões mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D perioral, tórax, abdome, coxa ou regiões com mordida(s), umedecer levemente o swab com água destilada e em seguida proceder à coleta. A coleta deverá ser realizada, utilizando-se, pelo menos, 2 (dois) swabs esterilizados para cada região. Nos casos de suspeita de ter havido luta corporal entre agressor e vítima, deverá ser coletado material subungueal dos dedos do cadáver a fim de se buscar detectar material biológico do possível agressor. Esta coleta deverá ser realizada com swab esterilizado, conforme exemplificado anteriormente, e, se possível, recorte da extremidade das unhas dos dedos das mãos, utilizando-se tesoura descontaminada ou bisturi, com o cuidado de não ferir a pele dos dedos e de não perder material abaixo das unhas. Deve-se utilizar 1 (um) swab para cada mão, com a respectiva identificação de mão direita e esquerda. Observar a presença de pelos com características diversas aos da vítima. Em caso positivo, coletá-los, com utilização de pinça descontaminada, e embalá-los e armazená-los, conforme recomendação acima. Os erros mais críticos que podem ser cometidos neste ponto de coleta estarão refletidos da seguinte forma nos laudos finais: - Falha no estabelecimento do nexo causal e temporal entre os achados e o fato em apuração. - Falta de iluminação adequada para realização do exame. - Falha no diagnóstico das características das feridas de projéteis de arma de fogo para estabelecer a distância dos disparos de arma de fogo. - Falha no diagnóstico dos trajetos descritos pelos projéteis de arma de fogo no corpo da vítima. - Falha na análise de lesões intra vitam e post mortem. - Falha na análise dos sinais de asfixia e de aspiração de material para a árvore brônquica. - Falha na diferenciação entre estrangulamento, esganadura e enforcamento. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA BRASIL, Código de Ética Médica. Art. 95. https://portal.cfm.org.br/images/PDF/cem2019.pdf BRASIL, Código de Processo Civil Brasileiro. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm BRASIL, Código Penal Brasileiro. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm BRASIL, Código de Processo Penal. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm BRASIL, Lei Federal nº 6.015/73. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015compilada.htm BRASIL, Constituição Federal. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 1.480/1997. Define critérios para diagnóstico de morte encefálica [Internet]. Brasília (DF): CFM; 1997. Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/1997/1480_1997.htm [ Links ] CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA(CFM). Resolução CFM nº 2173, de 23 de novembro de 2017. Define os critérios do diagnóstico de morte encefálica [Internet]. Brasília (DF): CFM; 2017. [citado 2019 Jul 10]. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2017/2173 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Diretrizes do diagnóstico de morte. Resolução 2.173 de 23 de novembro de 2017 do CFM. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20171205/19140504- resolucao-do-conselho-federal-de-medicina-2173-2017.pdf mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Código de Ética Médica. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/images/PDF/cem2019.pdf CROCE Delton, CROCE JUNIOR Delton. Manual de medicina legal. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. DIAS FILHO, Claudemir Rodrigues e FRANCEZ, Pablo Abdon da Costa. Introdução à Biologia Forense. São Paulo: Millennium, 2017 FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. 10ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. FRANCISCO, Raffaela Arrabaça. Evolução dos casos de antropologia forense no Centro de Medicina Legal (CEMEL) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP de 1999 a 2010. Ribeirão Preto. Faculdade de medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 2015. GOMES, Hélio. Medicina Legal. 5. ed., vol. 1. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos s/a, 1958. MAGALHÃES, Teresa. Introdução à Medicina Legal – Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 2004. PEREIRA, Gerson Odilon, GUSMÃO, Luiz Carlos Buarque de, BARROS, Irapuan Medeiros Júnior. Medicina Legal. 2004. http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_gerson.pdf PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO (POP) em perícias médico- legal. Disponível em: https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca- publica/analise-e- pesquisa/download/pop/procedimento_operacional_padrao- pericia_criminal.pdf RABELLO, Eraldo. Balística Forense. Porto Alegre: RVB, 1995. SOARES, Andjara Thiane C., GUIMARÃES, Marco Aurélio – Dois anos de Antropologia Forense no Centro de Medicina Legal (CEMEL) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Medicina, 41 (1): 7-11, 2008. mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com lais.ubaldo.89@gmail.com CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica CRBio 109592/01-D VELHO, Jesus Antonio; GEISER, Gustavo Caminoto e ESPINDULA, Alberi. Ciências Forenses: uma introdução às principais áreas da criminalística moderna. Campinas: Millennium, 2013. www.malthus.com.br VÍDEOS APRESENTADOS EM AULA O que faz um perito médico-legista? Disponível em: https://youtu.be/CqdQ6hMIsSI Domingo Espetacular mostra a difícil rotina dos médicos legistas. Disponível em: https://recordtv.r7.com/e57dbc4b-bd01-42e8-8e92-a894355b50af mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com https://youtu.be/CqdQ6hMIsSI https://recordtv.r7.com/e57dbc4b-bd01-42e8-8e92-a894355b50af