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lais.ubaldo.89@gmail.com 
CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS 
Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica 
CRBio 109592/01-D 
 
 
MÓDULO 3 
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lais.ubaldo.89@gmail.com 
CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS 
Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica 
CRBio 109592/01-D 
MATERIAL DE APOIO 
MÓDULO 3 – MEDICINA LEGAL 
 
 INTRODUÇÃO A MEDICINA LEGAL 
 
A Medicina Legal é uma especialidade pluralista pois aplica o 
conhecimento de diversos ramos da medicina às necessidades do direito. Seu 
objetivo é sistematizar e empregar técnicas e métodos que resultam no 
esclarecimento da verdade e por isso se posiciona com privilégio entre as 
ciências biológicas (Magalhães, 2004). 
Hélio Gomes (1958) definiu a Medicina Legal como "Conjunto de 
conhecimentos médicos e para médicos destinados a servir ao direito, 
cooperando na elaboração, auxiliando na interpretação e colaborando na 
execução dos dispositivos legais, no seu campo de ação de medicina aplicada". 
Sua eficiência está bem caracterizada na sua definição que é contribuir do 
ponto de vista médico para a elaboração, interpretação e aplicação das leis. 
Dentro deste contexto de atuação da medicina Legal na área jurídica, 
podemos destacar: 
 Direito do Trabalho: Infortunística, ambientes insalubres, entre 
outros. 
 Direito Civil: paternidade, erro essencial, capacidade civil, 
personalidade civil e direitos do nascituro, entre outros. 
 Direito Penal: Lesões corporais, aborto legal e ilícito, infanticídio, 
homicídio, emoção e paixão, embriaguez, entre outros. 
 Direito Processual Civil e Penal: Psicologia da testemunha, da 
confissão, da acareação do acusado e da vítima, das perícias, e de 
outros processos que ocorrem dentro do âmbito jurídico. 
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CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS 
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 Direito Penitenciário: Psicologia do detento com a finalidade de 
conceder livramento condicional, entre outros. 
 
Quando a autoridade policial ou judicial precisa de auxílio na esfera 
médica, eles recorrem ao profissional da medicina, o perito médico-legal ou 
legista para esclarecer esses questionamentos de fato médicos. 
Denomina-se perícia ou diligência médico-legal todo procedimento 
médico (exames clínicos, laboratoriais, necropsia, exumação) demandado por 
autoridade policial ou judiciária, praticado por profissional de medicina visando 
prestar esclarecimento à Justiça (Croced e Croced Junior, 2009). 
Segundo Velho, Geiser, Espíndula (2013) a perícia médico legal consiste 
em utilizar metodologias técnicas do ponto de vista da medicina para auxiliar a 
justiça e tem como objetivo investigar toda forma de danos ou alterações que 
atingem o ser humano aplicando o conhecimento da medicina para constatar 
e descrever com precisão os acontecimentos que acometem o corpo humano. 
Quanto à área de aplicações médico-legal podemos subdividir. Os 
principais temas são: 
 Tanatologia Forense: Estuda os aspectos da morte de interesse 
médico-legal, fenômenos cadavéricos, autópsia, direitos sobre o 
cadáver, entre outros. 
 Traumatologia Forense: Estuda as lesões corporais sob o ponto de 
vista jurídico e das energias causadoras da lesão. 
 Antropologia Forense: Estuda a identidade e identificação do 
homem. 
 Psiquiatria Forense: É o estudo das doenças mentais e suas 
implicações médico-legais. 
 Infortunística: Estuda basicamente os acidentes do trabalho, 
doenças adquiridas em ambiente de trabalho, entre outras. 
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 Psicologia Forense: Estuda as relações da capacidade civil e 
responsabilidade penal dos agentes que cometem infrações 
penais, psicologia do testemunho e da confissão, etc. 
 Criminologia: é o estudo do crime, do criminoso, da vítima e do 
controle social. 
 
Por mais que a Criminologia, Psiquiatria, Psicologia Forense e 
Infortunística façam parte de uma das subdivisões da medicina legal, não serão 
abordados minusciosamente neste curso. 
 
 TANATOLOGIA FORENSE 
 
Tanatologia Forense é a subdivisão da medicina legal que se encarrega 
do estudo da morte, abordando sobre o conceito do que é morte e suas 
implicações legais e jurídicas, o diagnóstico da certeza da morte, a causa da 
morte, o diagnóstico diferencial da morte e os fenômenos cadavéricos. 
 
Thanatus (grego) = morte 
Logia = estudo 
Tanatologia = Estudo da Morte. 
 
As subdivisões e conceitos pertinentes a Tanatologia Forense que 
estudaremos neste curso são: 
- Tanatodiagnóstico (morte+diagnose): estuda o conjunto de sinais 
biológicos e propedêuticos que permitem afirmar o estado de morte real. 
- Tanatoscopia = tanatopsia = necrópsia (morte + ver = observar): é o 
exame do cadáver para verificação da realidade e da causa da morte. 
- Tanatosemiologia (morte+sinal+estudo): parte da tanatologia que 
estuda os sinais (fenômenos) cadavéricos. 
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- Cronotanatognose (tempo+morte+conhecimento): estuda os meios de 
determinação do tempo decorrido entre a morte e o exame cadavérico. 
 
 Definição Médico-Jurídico de Morte: 
Primeiramente iremos definir o conceito de morte que é muito 
controverso devido à aplicação na medicina de inúmeras tecnologias capazes 
de estender as atividades vitais corpóreas. De acordo com a Organização 
Mundial da Saúde a definição de morte é a “cessação dos sinais vitais a 
qualquer tempo após o nascimento sem possibilidade de ressuscitação”, ou 
seja, a morte é a cessação irreversível das atividades encefálicas, mediante 
comprovação clínica-neurológica por meio de profissionais competentes. 
No Brasil os critérios para comprovação e diagnóstico de morte foram 
definidos em Brasília, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e estão 
descritos na Resolução 1.480/97 do CFM. Em novembro de 2017 a resolução 
2.173 do CFM, definiu o conceito e a admissão de morte seria a partir do 
momento em que ocorre a parada total e irreversível do quadro neurológico 
de um indivíduo com causa conhecida, ou seja, houvesse a comprovada morte 
encefálica. Para tanto, é necessária a realização de dois exames clínicos e um 
complementar. 
A resolução cita os sinais neurológicos compatíveis com a morte como, 
por exemplo, o estado de coma profundo não perceptivo, a ausência de 
reflexos do tronco, corneano, oculoencefálico, oculovestibular e do vômito, e a 
positividade do teste de apneia uma única vez. Destaca-se que são excluídos 
dos critérios acima, os casos de intoxicações metabólicas, intoxicações por 
drogas ou hipotermia. Também determina a obrigatoriedade do exame 
complementar em todos os casos autorizados para o diagnóstico que podem 
ser arteriografia cerebral, doppler trans craniano, cintilografia cerebral e 
eletroencefalograma. 
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O diagnóstico de morte encefálica não pode ser utilizado como único 
critério devido à possibilidade de reversibilidade em casos de: 
- Menores de 2 anos; 
- Morte por hipotermia; 
- Drogas depressoras do SNC; 
- Encefalites; 
- Distúrbios metabólicos ou endócrinos. 
A parada total e irreversível das funções encefálicas será constatada com 
a observação desses critérios registrados em protocolo devidamente aprovado 
pela Comissão de Ética da Instituição Hospitalar.Assim que constatá-la o 
médico, antes de adotar qualquer medida adicional, deverá comunicar 
imediatamente tal fato aos responsáveis legais. 
Quando ocorrer a cessação total de todas as funções vitais do corpo de 
forma irreversível caracterizando a morte pode observar a instalação de 
diversos fenômenos cadavéricos. 
 
 TANATOSCOPIA 
 
Tanatoscopia ou Necropsia é um conjunto de procedimentos que 
investiga a causa mortis do ponto de vista médico-legal. Tem por finalidade 
determinação da natureza jurídica da morte, diagnóstico do tempo decorrido 
da morte, bem como obter informações sobre as circunstancias da morte e 
identificar a vítima (Velhor, Geiser e Espíndula 2013). 
Uma das finalidades da tanatologia forense é estabelecer o diagnóstico 
da causa jurídica da morte este esclarecimento é de interesse do processo 
penal ou civil. No âmbito civil temos como exemplo as apólices de seguro que 
não são cobertas em casos de suicídio ou requerimento de paternidade. Já no 
âmbito penal a necropsia é sempre obrigatória em casos de morte violenta e 
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mortes suspeitas a serem esclarecidas, buscando apurar as causas que deram 
origem ao resultado morte. 
Para atingir este objetivo, a tanatologia forense realiza algumas distinções 
entre os tipos de morte, como morte violenta, natural, suspeita, súbita, aparente 
e real. 
- Morte de Causa Violenta é aquela que é decorrente de causa externa e 
tem como a ação letal rápida e intensa, ou mesmo persistente de um agente 
mecânico, físico ou químico sobre o corpo cujas circunstâncias apresentam 
indícios de criminalidade. Ex.: Homicídio, suicídio ou acidente. 
- Morte de Causa Natural é resultante de alterações orgânicas ou 
perturbações funcionais provocadas por agentes naturais, inclusive os 
patogênicos sem a participação de fatores externos. Juridicamente ninguém 
será responsabilizado. Ex: câncer, pneumonia. 
- Morte de Causa Súbita são os casos de morte imprevisível, sem causa 
aparente, atingindo pessoas visivelmente em estado de boa saúde. Deve ser 
sempre investigada. Ex: parada cardíaca. 
- Morte de Causa Suspeita são os casos de morte nas quais os fatores são 
desconhecidos e sem causa aparente violenta ou natural. Deve ser sempre 
investigada. Ex: encontro de uma pessoa já falecida sem lesões aparentes. 
- Morte Aparente corresponde aos primeiros sintomas da morte real, 
antes de ocorrer à morte encefálica, com a perda da consciência, sensibilidade, 
tônus musculares, imobilidade do corpo, parada cardiorrespiratória. As 
tecnologias atuais permitem que os sinais vitais possam ser restaurados ou 
mantidos artificialmente. 
- Morte Real é o estado de morte comprovado por diversos 
procedimentos, técnicos aceitos pela legislação brasileira, sendo está a 
cessação efetiva e definitiva da vida. 
Além destes acima citados temos a morte fetal que ocorre quando há a 
morte de um feto durante o período da gestação, a morte materna, quando 
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uma mulher morre durante a gestação ou em até 42 dias após o seu término e 
a morte presumida, caracterizada pela ausência ou desaparecimento de uma 
pessoa, depois de transcorrido um prazo determinado pela Lei. C.C. Art. 10, 
481 e 483. - C.P.P. Art. 1.161 e 1.163 -Lei nº 6.015/73. 
A morte é um fenômeno intimamente ligado ao direito, pois acarreta em 
diversas implicações jurídicas, como: 
- Cessa a personalidade civil adquirida com o nascimento; 
- Perda da titularidade de direitos, transferindo desde logo os bens para 
seus herdeiros; 
- Extingui a punibilidade, entre outras. 
 
 CAUSAS JURÍDICAS DA MORTE 
 
No Brasil adota-se um sistema médico legal de certificação de óbito de 
acordo com a causa jurídica da morte (morte de causa natural, morte de causa 
violenta e morte de causa suspeita ou indeterminada), os corpos são enviados 
a órgãos públicos distintos para investigação da determinação da causa mortis 
(Pereira, Gusmão e Barros, 2004). 
Quando a morte se dá por doença (moléstia) e causas mortis bem 
definidas, ou seja, causa conhecida, a autopsia não é necessária, e a declaração 
de óbito deve ser emitida por um médico assistente como, por exemplo, nos 
casos de morte de causa natural ou mortes assistidas por médicos. 
As mortes de causa suspeitas ocorrem quando a causa da morte é 
indeterminada em casos de doença conhecida e o indivíduo não está assistido 
por um profissional da saúde. Nestes casos a autopsia deverá ser realizada pelo 
médico patologista para esclarecer a causa da morte. Em alguns estados 
brasileiros o serviço público responsável chama-se Serviço de Verificação de 
Óbitos (SVO). Caso o médico patologista do SVO classifique a morte suspeita 
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de competência investigativa do Médico Legista enviará o corpo ao Instituto 
Médico Legal (IML). 
Por fim, quando temos a morte de causa violenta, ocorrida por suicídios, 
homicídios ou acidentes, bem como a morte suspeita, súbita ou indeterminada 
de indivíduos saudáveis, os corpos serão encaminhados ao IML e deverão ser 
necropsiados pelos Peritos Médicos Legistas. Destaca-se que as mortes sob 
custódias também são de competência desde orgão. 
 
Instituto Médico-Legal (IML): Órgão Técnico Científico subordinado, 
hierárquica e administrativamente, a Secretaria de Segurança Pública e ao 
qual incumbe a prática de perícias médico-legais requisitadas por autoridades 
policiais, judiciais e administrativas bem como a realização de pesquisas 
científicas relacionadas à Medicina Legal. 
 
 
Serviços de Verificação de Óbito (SVO): Serviço criado pela legislação de 
diversos Estados, com a finalidade de se verificar ou esclarecer, mediante 
exame necroscópico, a causa real da morte, nos casos em que esta tenha 
ocorrido de forma não violenta sem assistência médica, ou com assistência 
médica quando houver necessidade e apurar a exatidão do diagnóstico. 
 
 
 MORTES DE CAUSA VIOLENTA 
 
São definidas como mortes de causa violenta as que decorrem da ação 
de agentes externos como causas determinantes para o resultado. Entre os 
exemplos podemos citar suicídios, acidentes de trânsito, homicídios e 
afogamentos (Magalhães, 2004). 
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A realização da perícia médico legal tem como objetivo dispor de 
informações que se referem a causa de morte, principalmente: 
- Identificação do cadáver, 
- Tipo e sede das lesões, 
- Instrumento ou meio que as produziram, 
- Causa da morte, 
- Nexo causal, 
- Tempo decorrido do óbito, 
- Identificação do agente e sua periculosidade, 
- Existência de agravantes, 
- Lesões ''intra vitam ou Post Mortem", 
- Exames laboratoriais relacionados, 
- Atos libidinosos, 
- Vestígios de luta e defesa. 
 
Hominis excidinis (latim) = Homicidium 
Homo = homem 
Caedo = matar 
Matar o Homem. 
 
De acordo com o Código de Processo Penal Brasileiro, art. 121, o 
Homicídio está tipificado em: 
- Culposo: Quando o agente não quis o resultado morte, nem assumir o 
risco de sua produção, mas causou o evento por uma conduta imprudente, 
negligente ou imperita. Por exemplo: Acidentes de trabalho com máquinas, 
acidentes domésticos. 
- Doloso: Quando o agente quis, com sua conduta, causar o resultado 
morte, ou assumiu o riscode produzi-la. Por exemplo: Acidente de trânsito com 
embriaguez ao volante. 
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- Simples: É o tipo fundamental enunciado no Art. 121 sem qualquer 
elemento que possa reduzir ou qualificar a quantidade penal ali estabelecida. 
- Privilegiado: É o tipo derivado autorizador da especial redução da pena 
(l/3 a 1/6), quando o réu comete o crime motivado por valor social ou moral, 
ou pelo domínio de violenta emoção, seguido de provocação injusta da vítima. 
Por exemplo: o pai que mata o estuprador de seu filho. 
- Qualificado: É o homicídio que se enquadra nos termos do § 2º do Art. 
121 do CP, mediante paga, ou promessa de recompensa, ou motivo torpe, por 
motivo fútil, emprego de veneno, etc. 
Suicídio é o ato mediante o qual uma pessoa, livre e conscientemente, 
suprime a própria vida, ou seja, a auto-eliminação. As vítimas cometem o 
suicídio de diferentes formas as mais comuns são os empregos de venenos e 
overdoses medicamentosas, precipitação de lugares altos, utilização de arma 
de fogo e enforcamento (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). 
 
Suicídio (latim) = sui = si 
caedo = matar 
Matar a Si 
 
A perícia médico-legal realizada mediante um local de crime de suicídio 
é baseada em encontrar respostas relacionadas a: 
 - Identificação do morto; 
 - Quantidade, tipo e sede das lesões; 
 - Instrumento ou meio que as produziram; 
 - Nexo causal da morte; 
 - Tempo decorrido do óbito. 
Destaca-se que o suicídio não pode ser evitado, mas pode ser 
eficazmente combatido através de eficientes medidas profiláticas, tais como: 
- Educação, 
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- Assistência médica, 
- Justiça social, 
- Combate ao alcoolismo, 
- Amparo econômico 
- Proteção à família. 
 
O infanticídio é o ato de matar o filho pela mãe, durante ou logo após o 
parto, sob a influência do estado puerperal. Esse crime é um atenuante pelo 
conceito do estado puerperal. O Código Penal (CP), passou define infanticídio 
como “Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o 
parto ou logo após”. Este crime pode ser cometido em duas circunstâncias 
somado ao período puerperal: 
- Durante o parto: Período durante o qual a criança está nascendo. Já 
começou, mas ainda não acabou de nascer. 
- Logo após o nascimento: Entende-se por logo após, imediatamente 
depois do parto. Tem-se mais um sentido psicológico que cronológico. Vai 
desde a expulsão do feto e seus anexos até os primeiros cuidados ao infante 
nascido. 
Para compreender estas circunstâncias é necessário conceituar o que é 
estado puerperal. Os obstetras definem o puerpério como o período que vai 
desde o deslocamento e expulsão da placenta em volta do organismo materno 
às condições pré-gravídicas. Tem uma durabilidade de cerca de seis a oito 
semanas. 
Portanto os elementos característicos deste crime são feto nascente ou 
recém-nascido, existência de vida intra-uterina, morte causada pela mãe sob a 
influência do estado puerperal e nexo causal. 
 A perícia médico-legal neste caso é solicitada para determinar as 
condições do nascendo ou recém-nascido. 
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Para esclarecer se o feto nasceu com vida ou nasceu morto, o perito realiza 
exames chamados de “provas de vida extrauterinas”, também denominadas 
docimásias. Existem vários tipos de docimásias: pulmonares, extrapulmonares, 
circulatórias e até visuais. Porém, as mais comuns são docimásia hidrostática 
pulmonar de Galeno, a docimásia pulmonar histológica de Baltazar e a 
docimásia (extrapulmonar) gastrointestinal de Breslau (Velho, Geiser e 
Espíndula, 2013). 
A docimásia hidrostática pulmonar de Galeno é dividida em quatro fases 
e só pode ser realizada até 24 horas após o parto. Isso porque, depois de 
passadas 24 horas do óbito, inicia-se o processo de putrefação com presença 
de gases próprios a este fenômeno cadavérico. A baixo estão descritas as fases 
deste aspecto: 
- 1ª fase: coloca-se em um recipiente com água o bloco do sistema 
respiratório (pulmões, traqueia e laringe) junto com a língua, timo e coração. 
Se os órgãos flutuam, a fase é positiva e não precisando progredir para as 
outras fases. Se não flutuam, passa-se à fase seguinte. 
- 2ª fase: ainda com as vísceras imersas, separam-se os pulmões das 
demais. Se o pulmão flutua e as outras vísceras permanecem no fundo, dá-se a 
fase por positiva. Se todas as estruturas ficam no fundo, avança-se para a 3ª 
fase. 
- 3ª fase: cortam-se os pulmões em vários pequenos pedaços, ainda com 
os pulmões imersos. Se algum desses pedaços flutuar, a fase é positiva. Se ficar 
tudo no fundo, vai para a 4ª e última fase. 
- 4ª fase: esmagam-se com os dedos os fragmentos pulmonares da fase 
anterior, ainda sob imersão. Se houver desprendimento de pequenas bolhas 
de ar, a fase é positiva (o recém-nascido nasceu vivo e morreu após). 
Existem diferenças histológicas entre o pulmão que respirou e o que não 
respirou, que podem ser visualizadas ao microscópio. A avaliação microscópica 
de fragmento pulmonar é conhecida como docimásia pulmonar histológica de 
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Baltazar. Pode ser feita após 24 h do óbito, pois o perito consegue diferenciar 
se o ar presente é da respiração ou se são gases da putrefação. 
A docimásia gastrointestinal de Breslau é a técnica que tem por base a 
premissa que o recém-nato engole ar junto da primeira respiração. Retira-se o 
aparelho gastrointestinal (do esôfago ao reto), coloca-o imerso em água. Se as 
vísceras flutuarem, a docimásia é positiva. 
Para que a autópsia do feto seja realizada de forma regular, o perito 
médico-legista deve seguir o protocolo de pesar, medir, ver o sexo, pesquisar 
os sinais de morte, procurar os sinais de violência externas e descrever a 
inspeção externa. No momento em que for realizar a inspeção interna, deve-se 
abrir pacientemente as cavidades, examinar minuciosamente as vísceras e ver 
se o feto respirou ou não. 
Em Medicina Legal entende-se que Aborto ou abortamento é a 
interrupção ilícita da gravidez com a morte do feto. O Direito Brasileiro diz que 
aborto é um capítulo dos crimes contra a vida, crime praticado contra uma vida 
humana em formação (Croced e Croced Junior, 2009). 
 
Abortamento é o ato de abortar. 
Expulsão ou extração do concepto vivo ou morto pesando menos de 
500g (menor que 22 semanas completas de idade gestacional). 
 
Os fetos são classificados em: Feto Inviável - (20 - 24 semanas), Feto Viável 
- (25 - 34 semanas) e Prematuro - (34 - 36 Semanas). 
O aborto pode ser espontâneo ou provocado. O aborto espontâneo é 
aquele natural ou acidental, e têm as seguintes características: 
- Abortamento Clínico: 15% das gestações terminam espontaneamente 
entre 4 a 20 semanas de gravidez. 
- Abortamento Subclínico: Antes de 4 semanas do período gestacional. 
Acredita-se que as perdas sejam elevadas, ainda que não haja números oficiais. 
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- Abortamento Precoce: Até 12 semanas de gestação. 
- Abortamento Tardio: Após 12 semanas de gestação. 
O abortamento provocado é aquele que pode seenquadrar nos termos 
de Abortamento Terapêutico Legalizados pela Legislação Brasileira e podem 
ser realizados nas seguintes circunstâncias: 
- Quando a gestação apresenta perigo vital à mãe e a realização da 
interrupção cessará o perigo ou quando a criança possui uma enfermidade que 
ao nascer não sobreviverá. 
- Confirmação ou concordância de pelo menos dois outros profissionais 
médicos habilitados, sempre que possível, de que este procedimento se faz 
necessário. 
Destaca-se que a intervenção nem sempre é precedida por 
consentimento da gestante ou de terceiros. 
O Aborto Criminoso possui inúmeras causas que envolvem alguns 
aspectos como: 
- Abortamento Eugênico: causado por fatores sócio-econômicos, por 
exemplo, quando uma mãe gera uma criança portadora de defeitos físicos e/ou 
mentais que exigirá cuidados especiais para sua educação e sobrevivência. 
Envolvem também aspectos psicológicos desencadeados por traumas pelo 
nascimento da criança defeituosa, física ou mental, no seio da família e da 
comunidade. 
- Abortamento Social: o fator econômico figura entre as principais causas 
de abortamento provocado. 
- Abortamento por Motivo de Honra: Constitui causa comum de 
abortamento provocado. 
- Abortamento Estético: “Injustificável”. 
Os meios para se abortar podem ser químicos, farmacológicos, 
mecânicos ou cirúrgicos. 
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Os objetivos periciais médico-legais para este crime de abortamento é 
realizar exames de sinais de gravidez na mulher viva ou morta. 
Os exames devem levar em consideração os seguintes aspectos na 
mulher viva: 
- Região da cabeça: Lanugem, sinal de Halban, cloasma gravídico, 
- Tórax: existência de Glândula mamária, colostro, auréola primitiva e 
secundária, tubérculos de Montgomery, rede de Haller, 
- Abdome: presença de pigmentação da linha Alba, entre outros. 
- Membros inferiores: presença de varize. 
- Vagina: Sinal de Jacquemier (coloração azul-escura do vestíbulo e do 
meato). 
- Genitália externa: presença de edema dos grandes e pequenos lábios, 
lóquios serossanguinolentos, lesões. 
- Exame do material que flui através dos órgãos genitais na busca de 
restos ovulares e membranosos. 
Na mulher morta, os exames de necropsia devem incluir as seguintes 
observações: 
- Verificação dos sinais anteriores citados para a mulher viva, se possível. 
- Exame dos órgãos internos: útero de volume aumentado, presença de 
corpo amarelo. 
- Exame histológico. 
- Causa de necropsia branca: cirurgia, tétano pós aborto. 
Abaixo estão os quesitos oficiais que devem constar e ser respondidos na 
perícia relacionada a aborto: 
- Houve provocação de aborto? 
- Qual o meio empregado? 
- O meio era próprio para produzir o aborto? 
- Houve expulsão do fruto da concepção? 
- A gestante sofreu lesão leve ou grave? 
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- A gestante é maior de 14 anos? 
- A gestante é alienada ou débil? 
- Houve emprego de violência? 
- Foi provocado como único meio de salvar a gestante? 
- Houve morte? 
- A morte sobreveio em função do aborto? 
- Qual o meio empregado? 
 
 TANATOGNOSE 
 
Tanatognose ou Tanatosemiologia é uma subdivisão da Tanatologia 
Forense que estuda o diagnóstico da morte por meio dos fenômenos 
cadavéricos. Esta classificação se dá quanto aos acontecimentos que envolvem 
o fenômeno da morte (Magalhães, 2004). 
Os fenômenos cadavéricos são classificados em quatro colocações: 
- Imediatos: Aqueles que acontecem logo após a morte. 
- Consecutivos: Aqueles que ocorrem progressivamente após a morte. 
- Tardios destrutivos: Aqueles que ocorrem com o corpo, dependendo 
dos locais onde os corpos estão alojados e caracterizam-se por destruir o 
cadáver. 
- Tardios conservadores: Aqueles que quando ocorrem com o corpo, 
dependendo dos locais onde os corpos estão alojados e caracterizam-se por 
conservar o cadáver. 
Observaremos que, por meio dos fenômenos tanatológicos a perícia 
consegue inferir sobre o intervalo post mortem (IPM), o tempo transcorrido 
entre a morte e o exame pericial que chamamos de Cronotanatognose. 
 
 
 
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 FENÔMENOS ABIÓTICOS IMEDIATOS 
 
Os fenômenos abióticos imediatos ou de presunção ocorrem logo após a 
morte, mas são exames presuntivos sem a devida comprovação de morte. São 
necessárias algumas comprovações para que o um indivíduo seja considerado 
morto realmente. Entre as principais características, podemos citar: 
- Perda da consciência; 
- Perda da sensibilidade; 
- Cessação da respiração; 
- Cessação dos batimentos cardíacos; 
- Ausência de pulso; 
- Abolição do tônus muscular com imobilidade 
- Fácies hipocrática; 
- Caimento da mandíbula; 
- Pálpebras parcialmente cerradas; 
- Midríase (dilatação pupilar); 
- Relaxamento dos Esfíncteres. 
 
 FENÔMENOS ABIÓTICOS CONSECUTIVOS 
 
Os fenômenos abióticos consecutivos (mediatos) são capazes de 
comprovar a morte de um indivíduo ao serem observados e analisados. Entre 
as principais características podemos citar: 
- Algor Mortis (Esfriamento Cadavérico); 
- Rigor Mortis (rigidez cadavérica); 
- Livor Mortis (Manchas de Hipostáse ou Livores); 
- Espasmo Cadavérico; 
- Mancha verde abdominal; 
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- Decréscimo de peso com pergaminhamento da pele e das mucosas dos 
lábios; 
- Mancha da Esclerótica, perda da tensão ocular e formação da tela 
viscosa. 
A mancha da esclerótica (sinal de Sommer e Larcher) ocorre por 
consequência da dessecação da esclerótica, mostrando, no quadrante externo 
ou interno do olho, uma mancha de cor enegrecida pela transparência do 
pigmento coroidiano. 
O espasmo cadavérico é um fenômeno difícil de ser observado, ele 
caracteriza-se pela rigidez abrupta, generalizada e violenta, sem o relaxamento 
muscular que precede a rigidez comum (Rigor mortis). Os cadáveres ficam 
paralisados na posição com que foram surpreendidos pela morte (sinal de 
Kossu). 
 
 FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS DESTRUTIVOS 
 
Os fenômenos transformativos destrutivos resultam de alterações 
somáticas do corpo tardias tão intensas que a vida se torna absolutamente 
impossível, ou seja, quando estão instalados é certeza de morte, são eles: 
- Autólise, 
- Putrefação e 
- Maceração. 
 
 AUTÓLISE 
 
A Autólise ocorre logo após a morte quando cessa a circulação e trocas 
nutritivas intracelulares ocorre à lise celular (destruição celular). O organismo 
começa a ser degradado de dentro para fora devido aos lisossomos, organelas 
celulares responsáveis pela digestão celular, liberarem enzimas proteolíticas. 
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Este processo inicia a acidificação do corpo (diminuição do pH) e degradação 
dos tecidos acarretando no início da próxima fase (putrefação). Para a perícia 
esta acidificação é um sinal comprobatório de morte. 
É o mais precoce dos fenômenos cadavéricos e não há ação de bactérias. 
Este processo passa por duas fases: a fase latente logo nas primeiras horas as 
alterações são apenas no citoplasma da célula; na segunda fase a fase necrótica 
ocorre o comprometimento do núcleo com o seudesaparecimento. 
 
 PUTREFAÇÃO 
 
A fase da putrefação é dividida em quatro períodos transformativos que 
se iniciam logo após a autólise pela ação de micróbios aeróbios e anaeróbios. 
1a fase - período cromático: Neste momento surge a formação da mancha 
verde abdominal que marca o início da primeira fase da putrefação, o Período 
Cromático ou de Coloração, ela localiza-se geralmente na fossa ilíaca direita e 
posteriormente difunde-se por todo o corpo deixando o corpo com coloração 
verde enegrecido. Salienta-se que em vítimas de afogamento e recém-nascidos 
a mancha verde abdominal ocorre no tórax. Nessa fase também a rigidez 
cadavérica vai se desfazendo dando lugar ao relaxamento muscular. 
2a fase - período gasoso ou enfisematoso: No Período Gasoso ou 
Enfisematoso, segunda fase da putrefação, ocorre a produção de variados 
gases por ação da microbiota humana, estes gases deslocam-se para partes 
periféricas do corpo fazendo com que o sangue putrefeito “circule” em busca 
de áreas de menor pressão, provocando o aparecimento na superfície corporal 
de flictenas contendo líquido leucocitário hemoglobínico e um mapeado 
dérmico com aspecto de desenhos em forma arborescente, denominado de 
circulação póstuma de brouardel. A pressão dos gases leva ao extravasamento 
de líquidos pelos orifícios do corpo. É também nesta fase que a face fica 
enegrecida (fácies negroide), o corpo se incha por inteiro e assume uma 
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postura de boxeador, bem como há a protusão da língua e da ocular, nos 
homens ocorre o aumento da bolsa escrotal. O odor pútrido começa a ser 
exalado pelo corpo. É comum em decorrência da pressão dos gases, ocorrer o 
fenômeno do parto post mortem, em mulheres que estavam grávidas em vida. 
3a fase – putrefação: No terceiro período da fase da Putrefação (Período 
Coliquativo) ocorre à dissolução pútrida das partes moles do cadáver pela ação 
conjunta das bactérias e da fauna necrófaga, esta fase é marcada pela intensa 
presença de larvas de insetos necrófagos utilizando o corpo como recurso 
alimentar. O odor é fétido, o corpo perde gradativamente a sua forma. Esse 
período pode durar um ou vários meses, terminando pela Esqueletização. 
4a fase – esqueletização: A fase da Esqueletização consiste quando houve 
a destruição de todos os tecidos do corpo expondo os ossos. Locais com 
elevadas temperaturas ou a presença de elevada fauna cadavérica contribuem 
para que ocorra a esqueletização precoce. 
 
 MACERAÇÃO 
 
Maceração é o fenômeno transformativo destrutivo específico que pode 
ocorrer em contextos nos quais as vítimas se encontram mortas submersas em 
meio líquido contaminado (Maceração Séptica), e nos fetos intrauterinos 
(Maceração Asséptica) retidos a partir do 6º mês de gestação sendo 
caracterizada pelo enrugamento tecidual e facilmente destacável, corpo 
amolecido, e a presença de sangue na pele desnuda. 
 
 FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS CONSERVADORES 
 
Os fenômenos conservadores são mumuficação, calcificação, corificação 
e saponificação. 
 
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 MUMIFICAÇÃO 
 
Mumificação é um processo transformativo conservador do cadáver, 
podendo ser produzido por meio natural, artificial e misto. Na mumificação 
natural são necessárias condições ambientais que garantam a desidratação 
rápida, de modo a impedir a ação microbiana responsável pela putrefação. É 
mais comum que ocorra em pessoas magras e crianças/jovens. Ocorre em 
ambientes de temperatura elevada, secos e bem ventilados, como em solos 
arenosos, lugares com pouca precipitação pluviométrica. A pele do cadáver 
adquire aspecto endurecido de couro e coloração parda e escura, sendo 
possível a constatação de lesões. 
Os processos artificiais são realizados sempre a pedido dos familiares, 
mas seguem as orientações normativas ditadas pela legislação sanitária. Ou são 
em processos artificiais utilizados no sentido de conservação do cadáver para 
fins didáticos, os quais também estão disciplinados por uma legislação 
específica. 
 
 CALCIFICAÇÃO 
 
O fenômeno da Calcificação é extremamente raro e se caracteriza pela 
petrificação ou calcificação do corpo. Ocorre devido à infiltração de sais de 
cálcio nos tecidos do cadáver. 
 
 CORIFICAÇÃO 
 
A Corificação ocorre em cadáveres que foram acondicionados em urnas 
metálicas fechadas hermeticamente, principalmente de zinco. 
 
 SAPONIFICAÇÃO 
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A Adipocera ou Saponificação é um processo transformativo conservador 
que se caracteriza por transformar o corpo em um aspecto ceroso de 
consistência untuosa, mole e quebradiço com coloração amarela escura e/ou 
acinzentado. Quando observamos esse processo ele pode estar instalado em 
diferentes partes do corpo ou atingi-lo de forma generalizada. Normalmente 
ocorre em áreas desprovidas de aeração, úmidas e em solos argilosos. Bem 
como afeta indivíduos obesos ou regiões do corpo com bastante gordura. 
 
 CRONOTANATOGNOSE 
 
A Cronotanatognose é uma ramificação da Tanatologia responsável pelo 
estudo e análise da estimativa do tempo de morte ou intervalo post-mortem 
(IPM) (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). 
 
Cronotanatognose (grego) 
khronos = tempo 
 
 
O Intervalo Pós Mortem (IPM) é um importante instrumento de 
diagnóstico relacionado à prática forense. Esta análise consiste na estimativa 
do IPM, por meio de exames de diversos fenômenos cadavéricos e análises da 
presença da fauna cadavérica. Sua principal finalidade é estimar o tempo de 
morte e auxiliar a investigação, reconstruindo a linha de tempo do delito como, 
por exemplo: confirmando ou contestando possíveis álibis, estabelecendo a 
dinâmica do evento e reconstruindo os últimos passos da vítima (Dias e 
Francez, 2017). 
Para auxiliar na estimativa de IPM deve-se observar os seguintes 
fenômenos tanatológicos (França, 2015): 
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- Algidez: Estima-se que o resfriamento do corpo. Nas primeiras 3 horas a 
queda de temperatura é de meio grau (0,5°) por hora. A partir da quarta hora 
ocorre a queda de 1° por hora até o restabelecimento do equilíbrio térmico 
com o meio ambiente que se dá nas primeiras 24 horas. 
- Livores Hipostático: Os livores podem aparecer nos primeiros 30 
minutos após a morte, mas se tornam visíveis somente depois de 2 a 3 h após 
a morte, fixando-se definitivamente em torno de 8 a 12 horas do "post mortem" 
(figura 5). Esta análise pode indicar se o corpo foi movido do local de 
imobilização final ou se houve qualquer tipo de manipulação no cadáver. A cor 
dos livores é um importante diagnóstico também, pois varia de acordo com a 
causa da morte, como por exemplo, livores de coloração vermelho carmim são 
relacionados à causa de morte por monóxido de carbono; vermelhos mais 
intensos estão ligados a utilização de cianeto e fluoacetato; pardo-
avermelhado a agentes oxidantes energéticos e vermelho claro relaciona-se a 
ambientes frios. 
- Rigidez Cadavérica: pode manifestar-se tardia ou precocemente. Inicia-
se primeiramente na face e obedece a seguinte ordem, mandíbula e nuca na 
1ª e 2ª horas, atinge o toráx nas 2ª e 4ª horas; nos membros superiores 4ª a 6ª 
horas e nos membros inferiores 6ª a 8ª horas após a morte. Ela desaparece 
progressivamenteseguindo a mesma ordem de seu aparecimento. É resultante 
de inúmeros fatores, decorrentes da supressão de oxigênio celular, que 
impedem a formação de ATP (ácido adenosínicotrifosfórico), modificando a 
permeabilidade das membranas das células, formando a actomiosina e da ação 
da glicólise anaeróbica, contribuindo para o acúmulo de ácido láctico. 
- Mancha Verde Abdominal: esta mancha inicia-se na fossa ilíaca direita 
em média surge entre 18 a 36 horas após a morte. Estende-se por todo o corpo 
entre o 3º ao 5º dia do óbito. 
- Gases de Putrefação: O gás sulfídrico surge entre 9 a 12 horas após o 
óbito. Logo no início da fase da putrefação o corpo libera gases não inflamáveis 
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(CO2). Do 2º ao 4º dia do óbito as bactérias facultativas produzem os gases 
inflamáveis (hidrogênio, hidrocarboneto). A partir do 5º dia há a liberação de 
gases não inflamáveis (N e NH4). 
- Crioscopia do sangue: é utilizada para afirmar a causa jurídica da morte 
em contextos de asfixia-submersão, ou seja, diagnóstica o valor do ponto de 
congelamento do sangue. O Valor normal é de -0,55°C a -O,57°C. Vítimas de 
afogamento em águas salgadas o ponto de congelação do sangue fica mais 
negativo, devido a maior concentração molecular de sais ingerida. 
- Cristais de sangue putrefato: Depois do 3º dia surgem cristais de sangue 
putrefato (cristais de westenhoffer-Rocha-Valverd) que permanecem até o 35º 
dia depois da morte. 
- Conteúdo Estomacal: Este diagnóstico pode sugerir quando ocorreu a 
última refeição da vítima. A digestão completa se faz no estômago e leva 
aproximadamente 7 horas. 
- Decréscimo de peso: Os cadáveres perdem em média 8 g/Kg/dia. Para 
utilização desse exame deve-se conhecer o peso exato da vítima. 
- Crescimento dos Pelos: após a morte os pelos das regiões mentonianas 
e bucinadoras continuam crescendo de 21 milésimos de milímetro por hora. 
Portanto se for do conhecimento a última vez em que a vítima se barbeou é 
possível determinar o tempo decorrido após a morte, dividindo o comprimento 
dos pelos pela constante de 21 milésimos de milímetros. 
 
 NECROPSIA 
 
A Necropsia é o principal exame médico-legal realizado em casos de 
morte de natureza violenta ou morte suspeita. É obrigatório e indispensável 
que o exame seja feito por um perito médico-legal (Pereira, Gusmão e Barros, 
2004). 
 
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Necropsia (grego) 
nekrós = cadáver e morte 
Ópsis = vista 
Exame médico realizado após a morte de uma pessoa 
 
Segundo França (2015), a necropsia fornece discussão e conclusão 
através da descrição, subsídios para que certos fatos de interesse da 
administração da Justiça sejam revelados, tais como a causa jurídica de morte 
(homicídio, suicídio ou acidente), o tempo estimado de morte, a identificação 
do morto e outros procedimentos que exijam a prática médico-legal corrente. 
O termo necrotomopsia seria o mais correto, o qual consiste em estudar 
o cadáver por cortes, pois tais exames podem ter também a finalidade médico-
sanitária, clínica ou anatomopatológica, ou a de esclarecer determinados 
problemas de interesse da justiça (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). 
De acordo com o art 162 do Código de Processo Penal (CPP). “A autopsia 
será feita pelo menos seis (06) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pelas 
evidencias dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele 
prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, 
bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração 
penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da 
morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de 
alguma circunstância relevante”. 
Portanto, a necropsia é dispensável quando as lesões externas já forem 
suficientes para determinar a causa da morte ou quando não houver 
necessidade de nenhuma verificação relevante em exame interno. 
 Os principais equívocos médicos na realização dos exames 
necroscópicos são os seguintes: 
- Exame externo sumário ou omisso, 
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- Interpretações por intuição, 
- Falta de ilustração, 
- Entendimento errado dos fenômenos post mortem, 
- Exames realizados no período noturno, 
- Necropsias incompletas, 
- Falta de exames subsidiários, 
- Imprecisão e dubiedade da causa mortis e das respostas aos quesitos, 
- Incisões desnecessárias e obscuridade descritiva 
Necropsia branca é o caso em que os peritos não chegam à conclusão da 
causa mortis, geralmente por razões da limitação da ciência. 
As Autoridades competentes que podem solicitar a necropsia são: 
- Juiz de Direito, 
- Delegado de Polícia, 
- Autoridade Sanitária, 
- Promotor de Justiça, 
- Oficial Militar e 
- Membro de Conselho Tutelar. 
 
 EXUMAÇÃO 
 
A exumação é o ato de desenterrar o cadáver de onde ele se encontra 
sepultado, seja por superlotação dos cemitérios ou por questões pessoais ou 
judiciais (Soares e Guimarães, 2008). 
Para realizar a exumação por superlotação deve-se respeitar um período 
de três anos contados a partir do sepultamento para adultos e de dois anos 
para crianças até seis anos. 
Quando a exumação é de caráter judicial deve possuir uma finalidade 
específica, como por exemplo, exames de paternidade, obtenção de novas 
informações, novas provas, realização de exames complementares para sanar 
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dúvidas, contradições, bem como determinar a identidade e a causa da morte 
da vítima. 
A exumação trata-se de um exame que necessita de requerimento de 
caráter excepcional, pertinente, justificado e extremamente necessário, em face 
dos danos emocionais e psicológicos causados aos familiares da vítima. A 
exumação com fins judiciais deve ser requisitada pela autoridade competente, 
justificando os objetivos e quesitos de acordo com a legislação especifica. 
Segundo o art. 163 do CPP, em caso de exumação para exame 
cadavérico, a autoridade policial providenciará para que em dia previamente 
marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. 
Parágrafo Único: O administrador do cemitério público ou particular 
indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa 
ou de falta de quem indique a sepultura, ou de se encontrar o cadáver em lugar 
não destinado a exumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, 
o que tudo constará o auto. 
Art. 166 – CPP. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, 
proceder-se-á o reconhecimento pelo Instituo de Identificação e Estatística ou 
repartição congênere ou pela inquisição de testemunhas, lavrando-se auto de 
reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos 
os sinais e indicações. 
Parágrafo Único: Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados 
todos os objetos encontrados que possam ser úteis para a identificação do 
cadáver. 
 
 TRAUMATOLOGIA FORENSE 
 
A Traumatologia Forense é o campo da medicina legal que estuda as 
lesões corporais resultantes de traumatismos e seus aspectos médico-legais e 
jurídicos. Elas podem ser de ordem material ou moral, danosos à saúde física 
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ou mental. No art. 129 do Código Penal brasileiro, o crime de lesão corporal 
consiste em seu caput: “ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”. 
 
Traumatismo (trauma): Qualquer lesão, aberta ou fechada, produzida no 
organismo pela ação mecânica de um agente exógeno. 
 
A Lesão corporal para o direito penal é a consequência de um ato violento 
capaz de produzir, direta ou indiretamente, qualquer dano a integridade ou a 
saúde de alguém, ou a identificação de algo que agrava ou perpetua uma 
perturbação já existente. Já para a medicina ela pode ser anatômica, fisiológica 
e/ou mental. Classificamos as lesões de acordo com as energias empregadas 
para causa-las (Pereira, Gusmão e Barros, 2004). 
 
Os tipos de energia podem ser de: 
- Ordem Física 
- Ordem Química 
- Ordem Mecânica 
- Ordem Físico-química 
- Ordem Bioquímica 
- Ordem Biodinâmica 
- Ordem Mista 
 
 ENERGIAS DE ORDEM FÍSICA 
 
As energias de ordem física são tipos de energias capazes de modificar o 
estado físico dos corpos, podendo provocar lesões corporais e até mesmo a 
morte. As principais formas de energias físicas são: 
- Temperatura (Calor e Frio). 
- Pressão atmosférica. 
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- Eletricidade. 
- Radioatividade. 
- Luz. 
Som. 
 
 CALOR 
 
O calor pode lesar o corpo humano por diversas maneiras, dependendo 
da forma como atinge a pessoa. O calor pode atuar de forma difusa ou direta. 
As queimaduras oriundas da ação direta do calor em contato com o corpo 
são classificadas quanto à profundidade e extensão: 
- Queimaduras de 1º Grau a pele fica avermelhada por causa da 
vasodilatação dos vasos sanguíneos da derme. 
- Queimaduras de 2º Grau há um acumulo de líquido abaixo da epiderme 
com formação de bolhas (flictenas). No caso da queimadura “post mortem” não 
existe este líquido seroso nas flictenas. 
- Queimaduras de 3º Grau ocorre morte celular da pele e tecidos moles, 
por coagulação, com formação de placas chamadas “escaras”. 
- Queimaduras de 4º Grau considerada a mais grave de todas, ocorre a 
destruição dos tecidos moles e até dos ossos por ação direta do calor através 
da carbonização local ou generalizada. 
 
 INSOLAÇÃO 
 
A maioria dos casos de causa acidental é por insolação. Pode ser 
favorecida e/ou agravada por fatores como alcoolismo, patologias pré-
existentes, falta de adequada hidratação, vestimentas inapropriadas entre 
outros. 
 INTERMAÇÃO 
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Intermação pode ser a causa de morte acidental e até de natureza 
criminal, manifestando-se em espaços confinados ou até mesmo abertos, com 
excessivo calor radiante e sem arejamento e ventilação suficientes (fator 
ambiental). Sintomas similares aos descritos na insolação, variando de acordo 
com cada indivíduo, situação, tempo de exposição ao calor. 
 
 FRIO 
 
O frio causa a constrição vascular e consequente isquemia nos tecidos, 
resultando em uma hipóxia periférica com trombose vascular, aumento da 
permeabilidade capilar e edema. A fase terminal consiste em um quadro de 
gangrena úmida, se a oclusão vascular é incompleta, ou gangrena seca, se a 
trombose vascular é completa. 
Destaca-se que o diagnóstico de morte pela ação do frio pode-se 
observar a hipóstase vermelho-claro, a rigidez cadavérica precoce, o sangue de 
tonalidade menos escura, e na pele a presença de flictenas semelhantes às das 
queimaduras. 
- Geladuras de 1º Grau - palidez; 
- Geladuras de 2º Grau – eritema; 
- Geladuras de 3º Grau - necrose; 
- Geladuras de 4º Grau – gangrena. 
 
 PRESSÃO ATMOSFÉRICA 
 
A pressão atmosférica significa peso do ar. É a pressão exercida 
perpendicularmente pelo ar atmosférico sobre qualquer corpo nele 
mergulhado. O corpo humano suporta a pressão de uma atmosfera, ou seja, o 
peso de uma coluna de mercúrio de 76cm de altura por centímetro quadrado 
da superfície corporal. 
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 ELETRICIDADE 
 
A eletricidade é uma energia física que se transforma em calor ao passar 
pelo corpo, como consequência provoca queimaduras que podem levar ao 
óbito por parada cardíaca. pode ser de origem natural ou artificial. A 
eletricidade natural pode ser representada pelos raios, quando age letalmente 
sobre o corpo do homem chama-se fulminação. Quando causa somente lesões 
externas com aspectos arboriforme, (sinal de Lichtenberg) é conhecido por 
Fulguração. Quando se origina artificialmente e sua descarga é letal é chamada 
de eletrocussão, quando causa no corpo somente lesões denomina-se 
eletroplessão é possivel encontrar a marca de Jellineck. 
 
 RADIOATIVIDADE 
 
As queimaduras produzidas pela radiação (Raio X, Césio, Rádio e Energia 
Atômica) são chamadas tecnicamente de radiotermites e adquirem aspectos 
de eritemas (vermelhidão) ou, dependendo da intensidade, se manifestam 
através de úlceras, havendo uma necrose constante, sem cicatrização levando 
a alterações genéticas e reprodutivas através da multiplicação de células 
cancerosas. 
 
 LUZ E SOM 
 
As energias físicas provenientes da luz e o som podem acarretar 
perturbações neurossensoriais ópticas ou auditivas, vagossimpáticas, neuroses, 
quando aplicadas diretamente sobre os olhos ou quando a vítima é exposta 
por períodos prolongados a ambientes de grande poluição sonora. 
 
 ENERGIA DE ORDEM QUÍMICA 
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As energias de ordem química provocam danos à saúde ao entrar em 
contato interno ou externo com o organismo. São classificadas em agentes de 
ação externa provocadas por cáusticos e agentes de ação interna provocada 
por venenos. 
 
Toxicologia: É a ciência que tem por objetivo o estudo do efeito nocivo 
produzido pela intenção entre o agente químico e o organismo. 
Agente tóxico: É a substância química capaz de produzir um efeito nocivo 
através de sua interação com o organismo. 
Veneno (Legal): É toda substância que ingerida pelo organismo ou 
aplicado ao seu exterior, sendo absorvida determina a morte, põe em perigo 
de vida ou altera profundamente a saúde. 
Toxidade: É a capacidade inerente ao potencial de um agente químico de 
produzir um efeito nocivo após interação com o organismo. 
Intoxicação: É o conjunto de sinais e sintomas que evidenciam o efeito 
nocivo produzido pela interação entre um agente químico e o organismo. 
Alimento: É toda substância que, quando absorvida, passa a integrar, in 
natura ou biotransformada, à estrutura e à filosofia do organismo, ou fornece 
energia para o seu funcionamento. 
Medicamento: É toda substância que quando absorvida, atua sobre as 
funções vitais, exarcebando-as ou inibindo-as, para restabelecer a saúde, ou 
quando usada por qualquer via, elimina ou extermina outros organismos 
parasitários. 
Envenenamento: É a morte violenta ou dano grave a saúde ocasionada 
por determinadas substâncias de forma acidental, criminosa ou voluntária. 
 
 
 
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 CAÚSTICOS 
 
Os caústicos provocam ulcerações nos tecidos,sem tendências a 
hemorragias, podendo causar danos progressivos pelas queimaduras químicas 
até a inativação das reações. O crime de vitriolarem provoca lesões produzidas 
por substâncias cáusticas, como ácidos, os quais agem coagulando as 
albuminas e provocando intensa desidratação dos tecidos mortos, e as bases 
cáusticas, as quais são liquefeitas que agem por dissolução dos minerais. 
 
 
 VENENO 
 
Veneno é considerado qualquer substância que lesa a integridade 
corporal ou a saúde de um indivíduo, podendo até provocar a morte, mesmo 
quando administrado em quantidades relativamente pequenas. Consiste em 
um nome genérico, podendo ser administrado por diversas vias para ingressar 
no organismo. 
 
 ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA 
 
As energias de ordem mecânica alteram, parcial ou completamente, o 
estado de inércia de um corpo. Agem por contato atingindo diretamente a 
superfície corporal. Segundo França (2015), esses meios atuam por pressão, 
tração, compressão, descompressão, torção, deslizamento e contrachoque. 
As energias mecânicas podem ser de atuação ativa ou passiva. Ação ativa 
quando o agente vulnerante projeta-se em contra o corpo em repouso; já a 
ação passiva ocorre o inverso, o corpo em movimento é lançado contra o 
agente vulnerante. Também pode ocorrer a ação mista, quando o corpo e o 
agente vulnerante se chocam mutuamente, estando ambos em movimento. 
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Os agentes mecânicos responsáveis pelos danos podem ser: 
- Armas próprias: instrumentos criados com o intuito de atacar ou se 
defender, de forma a produzir lesões. Ex: armas de fogo, espadas, cassetete, 
soco-inglês, dentre outras. 
- Armas impróprias ou eventuais: instrumentos que possuem finalidades 
e empregos diversos, mas que podem ser utilizados como armas dependendo 
da situação. Ex: faca de cozinha, pedra, guarda-chuva, entre outros. 
- Armas naturais: mãos, unhas, dentes, etc. 
- Animais: cachorro, gato, macaco, elefante, demônio da Tasmânia etc. 
 - Outros meios diversos: explosões, precipitações, etc. 
Classifica-se os instrumentos mecânicos causadores das lesões em 
instrumentos de ação mecânica simples (perfurantes, contantes, contundentes) 
e instrumentos mecânicos de ação composta (pérfurocortantes, 
pérfurocontundentes e cortocontundentes). 
 
INSTRUMENTO PERFURANTE 
 
Instrumento perfurante é todo instrumento capaz de produzir uma lesão 
punctória. Esses instrumentos possuem forma cilíndrica-cônica, são alongados, 
finos e pontiagudos, tais como: agulha, estilete, prego, alfinete etc. Atuam por 
pressão através da ponta e afastamento das fibras do tecido. As lesões oriundas 
desse tipo de ação denominam-se feridas punctiformes ou punctórias, pela sua 
exteriorização em forma de ponto. 
A causa jurídica é geralmente homicida, principalmente entre detentos. 
Esse tipo de lesão também pode ser encontrada em infanticídios, bem como 
em acidentes domésticos e de trabalho. Não é comum em suicídios. 
As lesões punctiforme apresentam características de abertura estreita de 
raro sangramento, pouca nocividade na superfície e, às vezes, de certa 
gravidade na profundidade, pois pode atingir órgãos internos e, por fim, quase 
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sempre de menor diâmetro que o do instrumento causador, devido à 
elasticidade e à retratilidade dos tecidos cutâneos. O trajeto dessas feridas é 
representado por um túnel estreito que se continua pelo tecido lesado, 
representado no cadáver por uma linha escura. O ferimento de saída, quando 
isso ocorre, é em geral mais irregular e de menor diâmetro que o de entrada, 
em face do instrumento atuar nessa fase através de sua parte mais afilada. 
Quando o instrumento perfurante é de médio calibre, a forma das lesões 
assume aspecto diferente, obedecendo às três leis de Filhos e Langer. 
A perícia envolve sempre o exame das lesões em sua forma, aspecto, 
dimensões e demais caracteres que sirvam não só para a determinação 
diagnóstica, mas também para pesquisar o instrumento que as produziu. 
 
 INSTRUMENTO CORTANTE 
 
Instrumento cortante é todo instrumento que produz feridas incisas ou 
cortantes atuando linearmente sobre a pele ou sobre os órgãos. São também 
conhecidas como feridas fusiformes. Exemplos: navalha, bisturi, faca de gume 
cerrado. Agem por pressão e deslizamento produzindo a secção uniforme dos 
tecidos. 
As lesões possuem bordas nítidas e geralmente regulares, há hemorragia 
abundante, corte perfeito dos tecidos moles, ausência de outro trauma em 
torno da lesão. Nessas lesões as extremidades são mais superficiais e a parte 
mediana mais profunda, nem sempre se apresentando de forma regular. Tem 
como característica principal a chamada “cauda de escoriação” a qual indica ao 
perito o “final do corte”, ou seja, o momento de retirada do instrumento ao final 
da prática lesiva, sendo possível determinar o sentido em que a lesão foi 
perpetrada. Essa constatação é importante para a diagnose diferencial porque 
auxilia na definição do sentido do instrumento que causou o ferimento. 
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A causa jurídica pode diversificar, porém frequentemente é homicida, mas 
pode tratar-se de lesão de defesa (indicativo de luta) ou mesmo suicida. A lesão 
acidental pode ocorrer, mas geralmente é de menor gravidade. 
A perícia deve ser feita baseada no elemento cortante, número de lesões, 
sede, direção, características, profundidade, regularidade, lesões de defesa. 
Existem algumas peculiaridades sobre as lesões causadas por instrumentos 
cortantes. Listamos as principais: 
- Sinal de Chavigny: quando lesões incisas se cruzam, a segunda lesão, ao 
passar pelas bordas afastadas da primeira, modifica seu trajeto que antes era 
linear, sendo possível determinar a ordem em que as lesões foram produzidas. 
- Esgorjamento: lesões cortantes ou incisas profundas e localizadas nas 
faces laterais ou anterior no pescoço. 
- Degolamento: lesão localizada na face posterior do pescoço. 
- Decapitação: ato de separar completamente a cabeça do restante do 
corpo. Pode ter causa homicida, acidental e raramente suicida. 
- Esquartejamento: ato de dividir o corpo em partes (quartos), por 
amputação ou desarticulação. Essa prática é comum post mortem, realizada 
como um meio de se livrar do cadáver, facilitando a ocultação (“desova”) e 
dificultando a identificação. 
- Castração: ato de retirada da genitália masculina, por ação cortante. 
 
 INSTRUMENTO CONTUNDENTE 
 
Os instrumentos contundentes são os agentes mais causadores de danos 
pois consistem em uma maior quantidade de formas de ação, atuando de 
forma ativa, passiva ou mista e agindo por pressão, explosão, deslizamento, 
percussão, compressão, descompressão, distensão, torção, fricção, por 
contragolpe ou de forma mista (Francisco, 2015). 
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Os objetos que causam este tipo de lesão mais encontrados em local de 
crime são classificados de acordo com sua natureza: 
- Sólido: pau, tijolo. 
- Líquido: queda n'água, jato d'água. 
- Gasoso: jato forte de ar sobre pressão. 
- Naturais: mãos, cabeça, chifres de boi etc. 
- Usuais: bastão, cacetete etc. 
- Eventuais: pedra, martelo. 
As lesões contusas podem se apresentar como lesão fechada, com danos 
aostecidos externos, podendo apresentar impacto em profundidade. Podem 
também ser consideradas como lesões abertas, apresentando solução de 
continuidade provocada pela ação traumática do instrumento vulnerante 
contundente. A resultante da ação desses instrumentos depende da 
intensidade do seu movimento, de sua dinâmica traumatizante, e, conjugado 
este fato, a região do corpo atingida. 
Os tipos de lesões causadas por qualquer fonte de energia de ordem 
mecânica podem ser: 
- Rubefação: alteração vasomotora da região; dura cerca de duas horas 
no máximo; 
- Edema: derrame seroso; 
- Escoriação: perda traumática da epiderme (serosidade, gotas de 
sangue, crosta); 
- Equimose: derrame hemático que infiltra e coagula nas malhas do 
tecido. 
O exame de lesões deste tipo permite dizer qual o ponto onde se 
produziu a violência, a natureza do atentado, a data aproximada da violência e 
podem ainda afirmar se o indivíduo foi encontrado vivo no momento do 
traumatismo. 
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A forma das equimoses significa muito para os legistas pois podem 
imprimir no corpo da vítima a marca dos objetos que lhe deram origem 
(equimoses figuradas) com mais fidelidade do que as escoriações. 
A tonalidade da equimose é outro aspecto de grande interesse médico-
pericial, pois a colocação altera de acordo com o tempo decorrido da lesão. 
Esse estudo cronológico é conhecido por “espectro equimótico de Legrand du 
Saulle”. 
A equimose de início é sempre avermelhada, depois, com o correr do 
tempo, ela se apresenta vermelho escura, violácea, azulada, esverdeada e, 
finalmente, amarelada, desaparecendo, em média, entre 15 e 20 dias. 
O Espectro Equimótico de Legrand de Saulle descreve a lesão por meio 
da análise de sucessão de cores equimóticas que se inicia pelos bordos 
lesionados. Tem importância pericial para determinar, em alguns casos, a data 
provável da agressão. A coloração da lesão no decorrer do tempo se 
apresenta: 
- 1º dia: lívida ou vermelha, 
- 2º e 3º dia: arroxeada, 
- 4º e 6º dia: azul, 
- 7º ao 10º dia: esverdeada, 
- 10º ao 12º dia: amarela-esverdeada, 
- 12º ao 17º dia: amarela, 
- 17º dia em diante: desaparece. 
 
As lesões causadas pelo instrumento contundente podem ser visualizadas 
em forma de: 
- Hematoma: é uma coleção hemática produzida pelo sangue extravasado 
de vasos calibrosos, não capilares, que descola a pele e afasta a trama dos 
tecidos formando uma cavidade circunscrita onde se deposita. 
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- Bossa sanguínea: é um hematoma em que o derrame sanguíneo 
impossibilitado de se difundir nos tecidos moles em geral, por planos ósseos 
subjacentes, coleciona determinando a formação de verdadeiras bossas. 
- Bossa linfática: são coleções de linfas produzidas por contusões 
tangenciais, como acontece nos atropelamentos, em que os pneus, por atrição, 
deslocam a pele formando grandes bossas linfáticas, entre o plano ósseo e os 
tegumentos. 
- Luxação: é o afastamento repentino e duradouro de uma das 
extremidades. 
- Fratura: é a solução de continuidade, parcial ou total dos ossos 
submetidos à ação de instrumentos contundente. 
- Lesão contusa: a lesão possui forma, fundo e vertentes irregulares com 
as bordas da lesão escovadas, bem como há ângulos obtusos e derrame 
hemorrágico externo menos intenso do que na ferida incisa. Geralmente as 
lesões contusas possuem retalhos conservados em forma de ponte, unindo as 
margens da lesão, contrastando com os tecidos mortificados e nervos, vasos ou 
tendões, conservados no fundo da lesão. Do ponto de vista jurídico, elas 
podem caracterizar o instrumento ou meio que as produziu bem como quando 
foram produzidas, mesmo se após morte. Por fim podem esclarecer a 
possibilidade de simulações, podendo evidenciar se foi homicídio, acidente ou 
suicídio. 
- Encravamento: ferimento produzida pela penetração de um objeto 
afiado e consistente, em qualquer parte do corpo. 
- Empalamento: forma especial de encravamento caracteriza-se pela 
penetração de um objeto de grande eixo longitudinal no ânus ou na região 
perineal. 
Podemos listar alguns elementos do ponto de vista médico legal 
característico destas lesões: 
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- Lesão em sentido perpendicular (“fratura em saca-bocados” de 
Strassmann). 
- Lesão com o afundamento parcial e uniforme com inúmeras fissuras, em 
forma de arcos e meridianos (sinal do mapa-múndi de Carrara). 
- Traumatismo tangencial, produz uma fratura de forma triangular com a 
base aderida à porção óssea vizinha e com o vértice solto e dirigido para dentro 
da cavidade craniana (sinal em “terraza” de Hoffmann). 
 
 INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: CORTO-CONTUNDENTE 
 
Instrumentos Corto-contundentes são instrumentos que possuem gume, 
mas agem sobre os organismos influenciados pela ação contundente. Sua ação 
tanto se faz por pressão e percussão ou deslizamento. Por exemplo: machado, 
foice, facão, enxada, motosserra, rodas de trem etc. 
As lesões cortocontusas apresentam características de rompimento da 
integridade da pele, produzindo feridas irregulares, retraídas e com bordas 
muito traumatizadas. A forma das feridas varia conforme a região 
comprometida, a intensidade de manejo, a inclinação, o peso e o fio do 
instrumento. São em regra fraturas mutilantes, abertas, grandes, com 
contusões nas bordas, perda de substância e cicatrizam por segunda intenção. 
A utilização da ação de instrumentos corto-contundentes é mais frequente 
nos homicídios e nos acidentes, sendo raro no suicídio. 
Destaca-se que as marcas mordedura ou dentada são exemplos bem 
peculiares dessas lesões. Podem ser produzidas pelo homem ou por animais e 
apresentam características próprias. Seu mecanismo de funcionamento tem 
por base pressão e secção, principalmente quando provocada pelos dentes 
incisivos, como por exemplo mordida de animais. Os arcos dentários têm 
fundamental importância pois possuem requisitos biológicos básicos, que são 
a unicidade, a perenidade e a imutabilidade. Estes princípios auxiliam na 
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identificação de vítimas ou agressores. A análise das mordeduras permite 
determinar a sequência na produção das mordidas e se elas foram produzidas 
intra vitam ou post-mortem. Em resumo, a análise das marcas de mordida ajuda 
a perícia com as seguintes ações: 
- Identificar a identidade do agressor, 
- Determinar o grau da violência ou agressão; 
- Identificar a sequência das mordidas, 
- Aproximar a data e hora da lesão. 
 
 INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: PÉRFURO-CORTANTE 
 
Instrumento Pérfuro-Cortante são os instrumentos dotados de ponta e 
gume, capazes de perfurar o organismo e exercem lateralmente uma ação de 
corte nos tecidos do corpo provocando lesões pérfuroincisas. Exemplos: facas, 
punhais, canivetes, entre outros. A natureza jurídica pode variar entre lesão 
corporal, suicídio, homicídio e acidente. 
As lesões pérfuroincisas se caracterizam pelo predomínio da 
profundidade sobre a dimensão externa, bordas regulares, podendo 
apresentar cauda de escoriação dependendo da movimentação do agressor 
ao penetrar o instrumento ou na retirada, quando o instrumento penetra 
parcialmente ou completamente no interior do corpo atingindo as víscerasprovocando intensa hemorragia interna e externa. A retratibilidade e 
elasticidade da pele dificultam na estimativa das dimensões do agente lesivo. 
As características das lesões podem ser classificadas de acordo com o 
número de gumes ou bordo cortante no instrumento e tipos de lesões 
ocasionadas por eles. 
 
 INSTRUMENTOS DE AÇÃO MISTA: PÉRFURO-CONTUNDENTE 
 
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Instrumento Pérfuro-contundente é todo agente traumático que ao atuar 
sobre o corpo, perfura-o e o contunde simultaneamente na maioria das vezes, 
esses instrumentos são mais perfurantes que contundentes. Os principais 
instrumentos desta classe são os projéteis de arma de fogo (PAF). 
Para estudarmos as lesões oriundas da ação perfuro-contusa de projéteis 
abordaremos alguns conceitos de Balística Forense, uma subárea da Física 
Forense, aplicados a Medicina Legal. 
A Balística Forense segundo Rabello (1995) “é a parte do conhecimento 
criminalístico e médico-legal que tem por objeto, especial, o estudo das armas 
de fogo, das munições e dos fenômenos e efeitos próprios dos tiros destas 
armas, no interesse da justiça, tanto penal como civil". Ou seja, é uma ciência 
que estuda as armas de fogo suas munições, os fenômenos e efeitos 
provocados pelos tiros, com a finalidade de auxiliar questões judiciais. 
Arma de Fogo são as peças constituídas de um ou dois canos, aberto 
numa das extremidades e parcialmente fechados na parte de trás, por onde se 
coloca o projétil (Velho, Geise e Espíndula, 2013). Podem se classificar: 
a) Quanto à dimensão: portáteis, semiportáteis e não portáteis. 
b) Quanto ao modo de carregar: Antecarga e Retrocarga. 
c) Quanto ao modo de percussão: Perdeneira e Espoleta 
d) Quanto ao calibre. 
A munição das armas de fogo compõe-se de cinco partes basicamente: 
- Estojo ou cápsula: É um receptáculo de latão ou papelão prensado, de 
forma cilíndrica contendo os outros elementos da munição; 
- Espoleta: É a parte do cartucho que se destina a inflamar a carga. É 
constituído de fulminato de mercúrio, de sulfeto de antimônio e de nitrato de 
bário. 
- Bucha: É um disco de feltro, cartão, couro, borracha, cortiça ou metal, 
que se separa a pólvora do projétil, garantindo a presença de oxigênio para a 
explosão. 
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Pólvora: É uma substância que explode pela combustão. Há a pólvora 
negra e a pólvora branca. Esta última não tem fumaça. Ambas produzem de 
800 a 900 cm3 de gases por grama de peso. Em geral são compostas de carvão 
pulverizados enxofre e salitre. 
Projétil: É o verdadeiro instrumento pérfuro-contundente, quase sempre 
de chumbo nu ou revestido de níquel ou qualquer outra liga metálica. Os mais 
antigos eram esféricos. Os mais modernos são cilíndricos-ogivais. 
 
Ilustração de uma capsula de arma de fogo 
 
 
O projétil desloca-se da arma graças a combustão da pólvora, quando 
ganha movimento de rotação propulsão, ao atingir o alvo atuam por pressão, 
havendo afastamento e rompimento das fibras. O alvo é também atingido por 
compressão de gases que acompanha o projétil. 
É de interesse médico legal o estudo do trajeto do projétil no interior do 
corpo da vítima, auxiliando na determinação de lesões e da causa mortis. 
A perícia possibilita determinar a orientação e o sentido do tiro (qual a 
trajetória e trajeto do projétil) e qual foi o orifício de entrada e o de saída, em 
caso de projétil que transfixou o corpo da vítima (entrada – trajeto – saída). 
Durante o trajeto, o projétil pode ficar retido no corpo da vítima podendo ser 
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retirado posteriormente por meio de cirurgias ou no exame necroscópico do 
cadáver. 
As lesões pérfuro-contusas causadas por projéteis de arma de fogo são 
constituídas de três partes ao se transfixarem em um corpo: 
- Orifício de entrada, 
- Trajeto e 
- Orifício de saída. 
O perito consegue inferir a distância que o tiro foi dado ao analisar as 
lesões, principalmente a de entrada, em alguns casos (tiro encostado, a curta 
distância ou a distância) por meio da observação da presença ou não dos 
elementos primários e secundários do tiro. 
A lesão de entrada pode resultar de único projétil ou múltiplo projétil. O 
formato da lesão varia de acordo com o ângulo de entrada do projétil no corpo 
pela ação pérfuro-contundente. Quando o tiro ocorre de maneira 
perpendicular, a ferida de entrada se apresentará com forma mais redonda, 
bordos regulares e invertidos; conforme a angulação e inclinação do tiro a 
lesão pode se apresentar de forma mais oval, linear ou em fenda. Quando o 
PAF penetra apenas no tecido subcutâneo, geralmente de forma tangencial, 
não atingindo planos mais profundos e cavidades do corpo, o ferimento 
denomina-se lesão “em sedenho”. As lesões que atingem a pele 
tangencialmente sem penetrar na pele são conhecidas “por tiro de raspão”. 
O orifício de saída, por sua vez, geralmente é maior do que o orifício de 
entrada. Esta lesão apresenta formato irregular de bordas geralmente 
evertidas, com maior presença de sangramento. Salienta-se que nos orifícios 
de saída não há a presença de elementos primários e secundários do tiro. 
As lesões provocadas por PAF podem apresentar causa jurídica homicida, 
suicida ou até mesmo acidental. Sendo assim, os exames periciais são 
fundamentais para a determinação desta diagnose diferencial. Por exemplo em 
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casos de suicídio, geralmente há presença de uma única lesão e a vítima 
prefere atingir regiões vitais como: cabeça, ouvido ou boca. 
O impacto do projétil contra o corpo e a sua consequente penetração por 
ação pérfuro-contundente produzirá a deformação dos tecidos, provocando os 
elementos primários e secundários do tiro. 
Há três elementos primários presentes nos orifícios ou ferimentos de 
entrada provocados por PAF. Abaixo a lista com nome e descrição dos 
elementos: 
- Zona de Contusão: arrancamento da epiderme pelo movimento 
rotatório do projétil antes de penetrar no corpo, pois sua ação é de início 
contundente. 
- Aréola Equimótica: zona superficial e relativamente difusa da hemorragia 
oriunda da ruptura de pequenos vasos localizados nas vizinhanças do 
ferimento. 
- Orla de Enxugo: zona que se encontra nas proximidades do orifício, de 
cor quase sempre escura que se adaptou às faces do projétil, limpando-as dos 
resíduos de pólvora. 
Os elementos secundários do tiro são provenientes da detonação da 
mistura iniciadora e da pólvora, e mais produtos gasosos são expelidos 
juntamente com o projétil. Quando o tiro atinge o corpo da vítima através 
desses elementos, o perito pode levantar hipóteses da dinâmica do evento 
inferindo sobre a distância e a angulação do tiro com relação à vítima. Tais 
elementos compreendem: 
a) Zona de Tatuagem: É mais ou menos arredondada, nos tiros 
perpendiculares, ou de formas crescentes nos tiros oblíquos. É resultante da 
impregnação de partículas de pólvora incombustas que alcançam o corpo. 
b) Zona de Esfumaçamento: É produzida pelo depósito de fuligem da 
pólvora ao redor do orifício de entrada. 
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c) Zona de Chamuscamento ou Queimadura: Tem como responsável a 
ação superaquecida dos gases que atingem e queimam o alvo. 
d) Zona de Compressão de Gases: Vista apenas nos primeiros instantes 
no vivo. É produzida graças a ação mecânica dos gases, que acompanha o 
projétil quando atingem a pele. 
Conforme foi apontado anteriormente, o perito ao analisar as lesões de 
entrada e saída em uma vítima consegue inferir a distância em que o tiro foi 
dado (tiro encostado, a curta distância ou a distância). 
O tiro encostado é aquele dado com a boca da arma apoiada no alvo. 
Nesse caso todos os elementos que saem da arma penetram na vítima. A ferida 
de entrada adquire o aspecto de buraco conhecido como mina de Hoffman, 
acompanhado de deslocamento trajeto causando uma lesão de entrada com 
diâmetro geralmente maior do que o do projétil e com as bordas revertidas, 
com ocorrência do escurecimento do orifício e do início do trajeto por causa 
deposição de fuligem e resíduos da pólvora. Os três sinais observados no tiro 
encostado são: 
- Sinal de Benassi: presença de halo fuliginoso no exterior do plano ósseo. 
- Sinal de Schusskanol: esfumaçamento presente no túnel produzido pelo 
PAF, situado entre as lâminas interna e externa de um osso chato. 
- Sinal de Werkgartner: impressão da boca do cano da arma de fogo ou 
da massa de mira na superfície da pele atingida. 
O tiro a curta distância ou à queima-roupa é perpetrado próximo ao alvo 
a ponto de que o cone das chamas provenientes do disparo atinja o corpo da 
vítima (zona de chamuscamento), provocando a queimadura da pele, pelos e 
vestes. O orifício de entrada assume forma arredondada ou ovalar, circundado 
pelos elementos secundários do tiro (zona de chamuscamento, zona de 
esfumaçamento e de tatuagem). À medida que a distância do tiro aumenta o 
diâmetro, essas zonas também aumentam proporcionalmente. 
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No tiro à distância, ou de longa distância, não estão presentes os 
elementos secundários devido a grande distância entre o atirador e a vítima. 
Mas observa-se nos orifícios de entrada, a orla contusão e o halo de enxugo, 
com o diâmetro do orifício geralmente menor do que o diâmetro do projétil. 
A perícia envolve sempre o exame das lesões, das vestes e da munição. 
São exames da alçada do médico; contudo, como complemento, é necessário 
que ele seja auxiliado por outros técnicos para o estudo mais especializado. O 
médico deve ter em mente certas questões para as quais ele busca resposta. 
Por exemplo: Qual o orifício de entrada? Qual a distância do tiro? Qual a arma 
usada? A vítima poderia ter realizado certos atos antes da morte? As lesões 
foram produzidas em vida ou depois da morte? Qual a causa jurídica da morte? 
 
 ENERGIAS DE ORDEM FÍSICO-QUÍMICA 
 
É a parte da Medicina Legal que trata das asfixias. Em sentido genérico 
entende-se asfixia como a suspensão da função respiratória por qualquer causa 
que se oponha à troca gasosa nos pulmões, entre o sangue e o ar ambiente 
(Velho, Gaiser e Espindula, 2013). 
Asfixias terminais são consequentes de várias doenças que diminuem a 
área respiratória. Ex: pneumonias agudas, enfisemas, tumores, etc. Asfixias 
primitivas são aquelas em que o agente atua diretamente numa das partes do 
aparelho respiratório. Ambas apresentam fisiologia e sintomatologia 
semelhantes, conforme descrito na lista abaixo: 
a) Fase de irritação: 
- Dispnéia inspiratória (1 minuto = consciência) 
- Dispnéia expiratória (30 segundos = inconsciência e convulsões) 
b) Fase de Esgotamento: 
- Pausa (morte aparente) 
- Período terminal (morte) 
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Lesões Externas Internas: 
- Cianose no rosto - Equimoses Viscerais 
- Hipóstase precoce - Estase nos órgãos internos 
- Hipóstase precoce - Lesões musculares 
- Exolftalmia - Lesões vasculares (Amussat e Friedberg) 
- Procidência da língua - Fraturas ósseas (hióide) 
- Cogumelo espumoso - Fraturas de cartilagens 
- Resfriamento demorado - Luxações de vértebras 
- Rigidez precoce -Equimoses subserosa da pleura (Tardieu) 
- Sulco no pescoço - Pulmões congestos e edemaciados 
- Putrefação mais rápida - Manchas de Paltauf. 
- Midríase. 
As Asfixias são classificadas em quatro modalidades: 
Modificação Física do Meio: 
- Quantitativa - Confinamento 
- Qualitativa líquido - Afogamento 
Sólido - Soterramento 
- Gases - Gases Tóxicos 
Constrição no Pescoço: 
- Laço acionado pelo peso da vítima - Enforcamento 
- Laço acionado por força externa - Estrangulamento 
- Mãos do agressor - Esganadura 
- Obstrução das vias - Sufocação Direta 
- Mau funcionamento da Caixa Torácica - Sufocação indireta 
O enforcamento é causado por uma asfixia mecânica que consiste no 
impedimento a livre entrada e saída de ar no aparelho respiratório por uma 
constrição no pescoço. Esta constrição se dá por uma corda ou qualquer objeto 
similar em volta do pescoço da vítima e por um laço que é acionado pelo peso 
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da própria vítima constringindo o pescoço e causando a asfixia até o óbito. 
Comumente a natureza jurídica do enforcamento é suicídio. 
O exame da lesão externa causada pelo enforcamento é uma das 
principais análises que o perito deve realizar para determinar o diagnóstico da 
causa da morte. O perito analisará em conjunto a posição do cadáver, a 
presença ou ausência de lesões externas e internas. 
Ao observar o aspecto do cadáver pode se encontra-lo com a cabeça 
inclinada para o lado do nó, rosto branco ou cianótico, boca e narina com 
espuma, língua e olhos procedentes. 
No enforcamento completo, os membros inferiores estão suspensos, e os 
superiores, colados ao corpo, com os punhos cerrados mais ou menos 
fortemente. Quanto à lesão externa observa-se um sulco único ou mais de um, 
ascendente, que se interrompe no lugar do nó. Este sulco pode estar ausente 
em situações especiais como nas suspensões de curta duração, nos laços 
excessivamente moles ou quando é introduzido, entre o laço e o pescoço, um 
corpo mole. Abaixo estão listados os principais sinais encontrados nos sulcos 
dos enforcados: 
- Sinal de Ponsold (livores cadavéricos, em placas, por cima e por baixo 
das bordas dos sulcos); 
- Sinal de Thoinot (zona violácea ao nível das bordas do sulco); 
- Sinal de Azevedo Neves (livores puntiformes por cima e por baixo das 
bordas do sulco); 
- Sinal de Neyding (infiltrações hemorrágicas puntiformes no fundo do 
sulco); 
- Sinal de Ambroise Paré (pele enrugada e escoriada do fundo do sulco); 
- Sinal de Lesser (vesículas sanguinolentas no fundo do sulco); 
- Sinal de Bonnet (marcas da trama do laço). 
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Lesões internas também podem ser sinais importantes a serem 
observados em cadáveres que tem como causa de morte enforcamento. Aqui 
vamos listar os principais sinais destas lesões: 
- Lesões da parte profunda da pele e da tela subcutânea do pescoço 
(sufusões hemorrágicas e equimoses, por exemplo); 
- Lesões dos vasos: Sinal de Amussat (secção transversal da túnica íntima 
da artéria carótida comum ao nível de sua bifurcação); 
- Sinal de Etienne Martin (desgarramento da túnica externa); 
- Sinal de Friedberg (sufusão hemorrágica da túnica externa da artériacarótida); 
- Lesão do Aparelho Laríngeo (fraturas da cartilagem tireóide e da 
cricóide, bem como do osso hióide); 
- Lesões da coluna vertebral (fraturas ou luxações de vértebras cervicais). 
O estrangulamento também é causado por uma asfixia mecânica a qual 
consiste na constrição do pescoço, evitando que a vítima respire. A principal 
diferença entre o enforcamento e o estrangulamento é que o estrangulamento 
pode acontecer por meio de uma “corda” com o laço acionado pela força 
muscular da própria vítima ou de outra pessoa. 
A morte pode ocorrer devido ao impedimento da penetração do ar nas 
vias aéreas; por morte circulatória devido à compressão dos grandes vasos do 
pescoço, que conduzem para o cérebro e por morte nervosa por mecanismo 
reflexo quando há a inibição vagal. 
O diagnóstico se dá pela análise das lesões internas e externas. Nas lesões 
externas o exame do sulco é primordial. O sulco geralmente tem sede, na 
laringe, sua direção é tipicamente horizontal, raramente se apergaminha (como 
ocorre no enforcamento), pois, após a morte cessa em geral a força constritiva, 
que concorre para a escoriação da pele e o aparecimento desse fenômeno. 
Este sulco é completo, abrangendo todo o pescoço e reproduz o número de 
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voltas que o laço deu, a presença de nós, etc. Sua profundidade é uniforme e 
os bordos apresentam cor violácea, que contrasta com a palidez do fundo. 
Quanto à análise do cadáver: A face dos estrangulados é quase sempre 
tumefeita, vultuosa e violácea, a língua geralmente faz saliência exteriormente, 
sendo encontrada entre os dentes, a boca pode apresentar espuma 
esbranquiçada ou branco-sanguinolenta, bem como as narinas, pode ser 
encontrada equimoses de pequenas dimensões na face, nas conjuntivas, 
pescoço e face anterior do tórax e otorragia com ou sem ruptura de membrana 
timpânica. 
As principais lesões internas causadas pelo estrangulamento estão 
descritas na lista que segue: 
- Infiltração hemorrágica em tela subcutânea e musculatura subjacente ao 
sulco. 
- Lesões da laringe são excepcionais. 
- Lesões das artérias carótidas manifestam-se, macroscopicamente, na 
túnica íntima, pelos sinais de Amussat e Lesser (rupturas transversais) e, na 
túnica adventícia, pelos sinais de Friedberg (infiltração hemorrágica) e de 
Etienne Martin (ruptura transversal). 
- Rupturas musculares. 
- Fraturas e luxações de vértebras cervicais 
Esganadura é a constrição da região anterior do pescoço pelas mãos, em 
que impede a passagem de ar atmosférico pelas vias respiratórias até os 
pulmões. O óbito acontece principalmente devido a asfixia pela obturação da 
glote, graças à projeção da base da língua sobre a porção posterior da faringe. 
É importante também os efeitos decorrentes da compressão nervosa do 
pescoço, levando ao fenômeno de inibição em que a vítima entra no estado de 
inconsciência e morte entre 15 e 20 minutos. 
A natureza jurídica é sempre homicida. Portanto destaca-se o grande valor 
de seu diagnóstico. O perito deve se evidenciar os elementos que possam 
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identificar o autor desta violência ao realizar o exame pericial, como as marcas 
das unhas, impressões digitais, fragmentos de cabelos e vestes. 
As lesões externas essenciais são as marcas ungueais produzidas pelas 
unhas do agressor. Elas se apresentam de forma semilunar, apergaminhadas, 
de tonalidade pardo-amareladas. Podem também ter a forma de rastros 
escoriativos. Em alguns casos, observa-se essas marcas de várias dimensões e 
sentidos, devido às reações da vítima ao defender-se. A morte por esganadura 
deixa lesões internas e externas, que apresentam as principais características, 
de forma geral: 
Lesões internas locais: 
- Infiltrações hemorrágicas das estruturas profundas do pescoço. 
- Lesões do aparelho laríngeo por fraturas da cartilagem tireóide e 
cricóide e do osso hióide. 
- Lesões de vasos do pescoço (marcas de França). 
- Lesões internas à distância: 
- Apresentam as mesmas características das asfixias em geral. 
Afogamento é a asfixia mecânica, produzida pela penetração de um meio 
líquido nas vias respiratórias impedindo a passagem de ar até os pulmões. 
Havendo a submersão, a morte em ocorre em três fases. 
O diagnóstico do afogamento torna-se possível pelos exames externo, 
interno e complementares do cadáver. A presença de lesões intravitam e post 
mortem concorrem para o diagnóstico diferencial entre o afogado verdadeiro 
e a simulação de afogamento, assim como a causa jurídica da morte. 
A natureza jurídica do afogamento pode ser vítima de acidente, suicídio, 
homicídio e raramente infanticídio. As principais lesões externas observadas no 
cadáver são: 
- Hipotermia; 
- Pele anserina; 
- Retração do mamilo, escroto e do pênis; 
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- Maceração da epiderme; 
- Tonalidade vermelha dos livores cadavéricos; 
- Cogumelo de espuma; 
- Erosão dos dedos; 
- Presença de corpos estranhos sob as unhas; 
- Equimoses da face e das conjuntivas; 
- Mancha verde de putrefação no tórax; 
- Lesões pos mortem produzidas por animais aquáticos. 
As lesões internas que serão observadas em cadáveres vítimas de 
afogamento são: 
- Presença de líquidos nas vias respiratórias; 
- Presença de corpos estranhos no líquido das vias respiratórias; 
- Lesões dos pulmões: aumentados, distendidos, enfisema aquoso e 
equimoses; 
- Sinal de Brouardel é enfisema aquoso sub pleural (esponja molhada); 
- Manchas de Tardieu são equimoses sub pleural (raras); 
- Manchas de Paltauf são Hemorragias subpleurais (equimoses vermelho 
claro com 2 ou mais cm de diâmetro, devido a ruptura das paredes alveolares); 
- Diluição do sangue (hidremia); 
- Crioscopia: aumentada (água doce) e diminuída (água salgada); 
- Sinal de Wydler é a presença de espuma, líquido e sólido no estômago; 
- Sinal de Niles é hemorragia temporal; 
- Sinal de Vargas Alvarado é hemorragia etimoidal; 
- Sinal de Etienne Martin é congestão hepática; 
- Equimoses nos músculos e pescoço. 
O soterramento se dá pela permanência do indivíduo num meio sólido ou 
semi-sólido, em que as substâncias aí contidas penetram nas vias respiratórias, 
impedindo a entrada de ar e levando a morte. 
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O perito realiza o estudo de reações vitais e o grau de penetração 
profunda da substância nas vias respiratórias. 
A natureza jurídica pode ser acidente, e, com relativa frequência, acidente 
de trabalho, bem como homicídio. 
As lesões externas são consequentes ao traumatismo externo toráxico, 
como fraturas costais, hemorrágias, compressões pulmonares. Já as lesões 
internas devem ser realizadas na necropsia em busca de quais substancias 
estranhas causaram o impedimento da respiração da vítima. 
A asfixia por confinamento ocorre devido à restrição de ar ou por excesso 
de vapor de água e de calor num ambiente restrito e/ou fechado, sem 
condições de renovação do ar respirável, sendo consumido o oxigênio pouco 
a pouco e o gás carbônico acumulado gradativamente. 
Na respiração normal, exige-se um ambiente externo contendo ar 
respirável, com oxigênio em quantidade aproximada de 21%. Quando no ar 
atmosférico o oxigênio atinge 7% surgem distúrbios relativamente graves,sobrevivido a morte, se esta taxa é em torno de 3%. 
No confinamento há uma diminuição progressiva do suprimento de 
oxigênio ao organismo concomitante aumento do teor de anidro carbônico no 
sangue (hipercapnéia) simultaneamente, o ar satura-se de vapor d’água, 
dificultando a eliminação deste pelos pulmões e pela transpiração, o que 
contribui consideravelmente para que se instale a asfixia. 
A natureza jurídica da morte por confinamento pode advir de acidente e 
raramente homicídio e suicídio. É comum observar a morte acidental com 
recém-nascidos que, dormindo com as mães, são sufocados por estas ou por 
panos que se encontram sobre o leito. Nos adultos, o acidente poderá resultar 
de ataques epilépticos, síncopes, embriaguez, etc., caindo a vítima sobre o 
leito, com o rosto fortemente apoiado contra o travesseiro, ou contra panos 
que impeçam a respiração. 
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Marcas ungueais podem ser encontradas ao redor dos orifícios nasais nos 
casos de sufocação pelas mãos. Quando o agressor usa objetos moles, como, 
por exemplo, lençóis, vestes, travesseiros e outros estas marcar podem não 
estar presentes. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CORPORAIS 
 
Lesões corporais são as que atingem a integridade física e psíquica de 
alguém. A classificação das lesões pode ser dada quanto à quantidade e são 
descritas como leve, grave e gravíssima (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). 
As lesões corporais leves são representadas por danos superficiais. São as 
escoriações, equimoses, hematomas, feridas contusas, algumas entorses, os 
torcicolos traumáticos, edemas e a maioria das luxações. Muitas dessas lesões 
permanecem por alguns dias, mesmo assim são classificadas como leves, salvo, 
se houver incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, o que 
será lesão corporal grave. 
São chamadas de lesões “insignificantes” porque voltam à normalidade 
física ou funcional rapidamente, e por isso passam a ser hodiernamente vistas 
como de menor importância jurídica. 
As lesões graves são representadas pelos quatro tipos mencionados no 
Art. 129. § 1.º do Código Penal: 
- Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias; 
- Perigo de vida; 
- Debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
- Aceleração de parto. 
Acelerar o parto é o mesmo que antecipar ou induzir o parto da data 
prevista ou esperada. 
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As ocupações habituais são todas e quaisquer atividades corporais 
comuns. Para avaliar o tempo de duração da incapacidade, os peritos 
reexaminarão depois de trinta dias, contado da data do crime. 
O conceito de incapacidade para as Ocupações Habituais por mais de 
trinta dias não se restringe apenas às situações em que a vítima fique 
impossibilitada de exercer seu trabalho, mas em todas as oportunidades que 
alguém, criança ou adulto, pobre ou rico, empregado ou desempregado, fique 
privado de exercer suas ocupações triviais ou habituais, mesmo que não venha 
a ser de forma integral ou absoluta. Todavia, essa incapacidade tem de ser real. 
Por exemplo, não há de ser aquela em que a vítima se recusa a aparecer 
publicamente até a cura integral. 
O prazo de trinta dias é um prazo clínico. Só a experiência médico-
profissional é capaz de limitá-lo, desde que o indivíduo possa razoavelmente 
voltar a integrar-se com o seu meio e com as suas necessidades. O que se 
estabelece nesse critério é muito mais a cura funcional do que a cura física. 
Causar o perigo de vida constitui-se numa situação de possibilidade de 
iminência de morte, decorrente de uma agressão vultosa à vítima. Este dano 
deve ser efetivo e atual, e nunca apenas uma hipótese ou uma conjectura. E um 
fato presente ou passado, e jamais uma possibilidade de vir a ser um desenlace 
fatal. Deve ser caracterizado nos sintomas graves e sérios, onde as funções vitais 
estejam indiscutivelmente comprometidas. Para configurar o perigo de vida 
também não há necessidade de exame complementar, desde que durante a 
perturbação patológica oriunda da lesão tenha existido de fato uma 
possibilidade de morte. 
A Debilidade Permanente de Membro, Sentido ou Função compreende 
que membros são os apêndices torácicos ou pélvicos; sentidos, os meios pelos 
quais nós nos relacionamos e interagimos com o meio ambiente; e função, o 
mecanismo pelo qual o órgão, aparelhos e sistemas desenvolvem suas 
atividades (França, 2015). 
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Sendo assim, o que interessa avaliar sob tal prisma não é o aspecto físico 
decorrente do dano produzido e dos órgãos, aparelhos ou sistemas, mas a 
diminuição evidente da função dos membros, dos sentidos. Assim, por 
exemplo, a perda de uma mão, de um pulmão ou de um olho, não significa 
perda propriamente dita, mas debilidade funcional, considerando-se que tais 
órgãos contribuem no seu conjunto para uma função. O conceito de órgão, 
sentido ou função, dentro desta discussão, tem um significado fisiológico e não 
anatômico. O que se cogita avaliar aqui é uma determinada função. 
As lesões Corporais Gravíssimas de acordo com o art. 129 § 2.º do Código 
Penal são as ofensas à integridade corporal e geram incapacidade permanente 
para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização de membro, 
sentido ou função; deformidade permanente; aborto. 
A incapacidade Permanente para o Trabalho configura-se quando, em 
consequência do dano anatômico ou funcional, o ofendido torna-se inválido 
de forma total e permanente para o exercício da atividade laborativa. A lei não 
exige que o membro esteja amputado; basta sua inutilização, sua 
incapacidade. 
Enfermidade Incurável é um déficit funcional ou orgânico de natureza 
congênita ou causado de uma ação lesiva, de evolução crônica ou permanente, 
que não chegou à cura total. Por exemplo demência senil, epilepsia e diabetes, 
decorrentes de lesão. 
A lesão corporal seguida de morte de acordo com o art. 129 § 3.º consiste 
quando o dolo (vontade) do agente é causar a lesão e de forma culposa (sem 
intensão) ocorre a morte da vítima. 
 
 
 
 
 
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 PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO 
 
O procedimento operacional padrão (POP) é estabelecido por lei e 
abrange todos os peritos a serviço da justiça. Existe uma ordem que deve ser 
seguida durante o exame. 
Iniciar o exame pela análise das vestes, buscas de detalhes que possam 
influenciar na condução da necropsia e identificação da causa mortis ou autor 
do crime, como zonas de esfumaçamento, queimadura e tatuagem em caso de 
morte por arma de fogo. 
Nos casos de vítimas de projétil de arma de fogo e que o corpo esteja em 
decomposição, recomenda-se radiografá-lo antes do exame. 
Examinar todo o cadáver com a finalidade de se constatar as lesões e as 
alterações externas macroscopicamente visíveis. Recomenda-se agrupá-las 
conforme sua classificação, descrevendo-as em sua localização, tamanho, 
número e forma, no sentido craniocaudal, medial para lateral e de anterior para 
posterior. 
Descrever todas as lesões ou cicatrizes observadas, mesmo que não se 
relacionem ao evento em apuração. 
Acessar as cavidades craniana, torácica e abdominal para análise de 
possíveis lesões e alterações macroscópicas. A cavidade raquidiana deve ser 
acessadaquando houver suspeita de trauma raquimedular. A região cervical 
deve ser dissecada nos casos de enforcamento, estrangulamento, esganadura 
e trauma raquimedular cervical. 
A coleta de sangue e urina é recomendada, nos casos de homicídio e 
morte suspeita. A coleta de material para exame histopatológico deve ser 
realizada quando a morte for suspeita e nos casos de suspeita de erro médico. 
Os projéteis recolhidos devem ser individualizados ou separados em 
letais e não letais, para serem enviados para o exame balístico. 
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Procurar identificar os orifícios de entrada e de saída de projétil de arma 
de fogo, descrever as características da ferida de entrada do projétil para inferir 
sobre a distância do disparo, antes do exame interno. 
Descrever o número e posição do gume, nas feridas provocadas por 
instrumentos pérfuro-cortantes. 
 Deve-se ilustrar com fotografias e/ou gráficos as lesões externas e 
internas encontradas. 
 Nos crimes com suspeita de práticas sexuais, deve-se coletar material 
biológico das áreas suspeitas para exame laboratorial (pesquisa de 
espermatozoides, dosagem do PSA, exame de DNA), além de amostra 
referência da vítima (sangue ou swab oral) para exame de DNA. Em necropsia 
de vítimas do sexo feminino em idade fértil, examinar o útero para verificar a 
presença de gravidez. 
Nas necropsias de vítimas de acidentes de trânsito, deve-se coletar 
sangue para dosagem de alcoolemia, conforme descrito pelo Conselho 
Nacional de Trânsito por meio da Resolução de nº 432/2013, art. 12: 
CONTRAN. 
É vedado ao médico realizar exames médico-legais de corpo em seres 
humanos no interior de prédios ou dependências da delegacia de polícia, 
unidades militares, casas de detenção e presídios, conforme descrito no art. 95 
do Código de Ética Médica. 
A dissecação do pescoço e dos vasos sanguíneos também deve ser 
realizada exclusivamente pelo médico-legista. O contato com os peritos que 
foram ao local de crime de homicídio é importante para subsidiar a condução 
da necropsia. 
Para dosagem de alcoolemia, deve-se coletar sangue (volume de 4ml) de 
preferência das cavidades cardíacas, ou do interior dos vasos sanguíneos, 
excepcionalmente de cavidades corpóreas evitando-se, sempre que possível, 
coletar da cavidade abdominal. As vísceras coletadas deverão ser conservadas 
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em uma temperatura média de 4°C e o material biológico a ser coletado 
dependerá das condições do corpo. 
Esta coleta tem por objetivo exclusivamente a identificação de cadáver ou 
a utilização do material coletado como amostra referência. Deve-se coletar 
sangue de cavidades internas, grandes vasos ou vísceras do corpo, 
preferencialmente, câmaras cardíacas. A coleta deste sangue poderá ser 
realizada por meio de: 
- Swab esterilizado. 
- Frasco plástico apropriado com capacidade mínima de 1,0Ml. 
- Papel próprio para captura e conservação de DNA (cartão FTA). 
O método de coleta deve ser realizado de acordo com a rotina 
estabelecida pelo laboratório de DNA para onde as amostras serão enviadas. 
No caso de coleta de sangue com swab, utilizar pelo menos dois swabs. Após 
a coleta, deve-se deixar os swabs secar à temperatura ambiente e embalá-los 
em envelopes de papel ou recipientes secos apropriados, lacrados, 
identificados em etiquetas impermeáveis contendo as devidas informações 
pertinentes ao caso, bem como data, tipo de amostra e responsável pela coleta. 
Caso o perito esteja lidando com um cadáver em estado de 
decomposição, deverão ser coletadas amostras de duas fontes distintas no 
mínimo. Abaixo segue a listagem dos tecidos moles que podem substituir o 
sangue nesta ocasião: 
- Cartilagem: coletar cartilagem de articulação íntegra, por exemplo, de 
ombro ou de joelho, na quantidade de aproximadamente 2g ou 2cm2mm, se 
a decomposição não tiver comprometido este tecido. Para o procedimento, 
utilizar material (pinça, cabo de bisturi, lâmina de bisturi e tesoura) esterilizado 
ou descartável. 
- Dentes: coletar dentes que, preferencialmente, não apresentem sinais 
de tratamento odontológico nem lesões ou cáries. Deve-se coletar, se possível, 
molares ou pré-molares, utilizando instrumental odontológico apropriado e 
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esterilizado. Dentes caninos ou incisivos devem ser evitados, pois são úteis nos 
trabalhos de antropologia forense e odontologia legal na comparação 
fotográfica com a pessoa desaparecida. Recomenda-se a coleta de, pelo 
menos, dois dentes. 
- Ossos longos: coletar amostra, preferencialmente, de fêmur. A amostra 
é coletada, por meio de um corte de aproximadamente 4-8cm, denominado 
“janela”, realizado no meio do eixo longo do osso. O corte em janela é 
importante, pois não separa o osso longo por completo, o que prejudicaria a 
análise antropológica do cadáver como, por exemplo, a estimativa de altura. 
Para este corte recomenda-se, preferencialmente, a utilização de uma serra 
osciladora médica, com lâmina esterilizada. Se não houver este tipo de serra 
disponível, podem-se utilizar outras serras, tendo o cuidado de se usar sempre 
lâminas esterilizadas. Se não for possível coletar amostras de fêmur, utilizar 
outros ossos longos: tíbia, úmero, rádio e ulna. Na impossibilidade de se coletar 
amostras de ossos longos, a coleta das amostras poderá ser feita a partir de 
qualquer osso disponível, por exemplo, costela, falanges, ossos do metatarso, 
hálux, na quantidade de aproximadamente 20g, se possível. 
Em caso de restos humanos em decomposição e fragmentados, poderá 
ser coletado qualquer osso disponível, na quantidade de aproximadamente 
20g, se possível, e, preferencialmente, ossos que apresentem camada cortical 
densa. 
Em casos de corpos carbonizados, também serão necessárias duas 
amostras distintas no mínimo. Poderão ser coletadas quaisquer das amostras 
acima mencionadas, a depender das condições do corpo e do grau de 
carbonização: 
- Sangue 
- Músculo esquelético 
- Cartilagem 
- Dentes e ossos. 
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- Swab da mucosa interna da bexiga urinária: 4 unidades. 
As amostras de tecido mole (músculo e cartilagem), dente e osso devem 
ser acondicionadas em frascos plásticos apropriados, lacrados e identificados 
em etiquetas impermeáveis, contendo as devidas informações pertinentes ao 
caso, bem como data, tipo de amostra e responsável pela coleta. 
As amostras devem ser armazenadas em congelamento a -20°C. Se não 
for possível armazenamento contínuo a temperaturas negativas, armazenar a 
4°C. Nos procedimentos de coleta e acondicionamento, não devem ser 
utilizados formol ou quaisquer outras substâncias que possam prejudicar a 
análise do material genético presente na amostra. 
Alguns dos materiais utilizados para a coleta de material biológico não são 
descartáveis, como tesouras e pinças metálicas. Estes materiais devem ser 
devidamente descontaminados executando limpeza com água e detergente, 
seguida de autolavagem ou descontaminação com hipoclorito de sódio a 1%, 
antes de serem utilizados nos em outros procedimentos de coleta. 
Nos casos de suspeita de crime sexual, deve-se coletar material biológico 
das cavidades oral, vaginal e anal do cadáver. Em cadáver do sexo masculino,coletar também material da região peniana (sulco bálanoprepucial). Durante a 
coleta de material da cavidade vaginal, priorizar a coleta de secreções e não da 
parede mucosa. Na coleta de material da cavidade anal, umedecer levemente 
o swab com água destilada e, em seguida, proceder à coleta. 
As coletas deverão ser realizadas utilizando-se, pelo menos, 4 swabs 
esterilizados para cada região examinada. Os swabs deverão ser numerados 
pela ordem de coleta, sendo que o 1° e 2° swab deverão ser enviados para o 
exame de DNA e o 3° e 4° deverão ser enviados para teste de triagem para 
detecção da presença de sêmen (PSA e Seminogelina) e pesquisa de 
espermatozoides. 
Em casos de suspeita de deposição de secreções ou fluidos (saliva, 
sêmen, sangue, etc) em outras regiões do corpo como, por exemplo, regiões 
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perioral, tórax, abdome, coxa ou regiões com mordida(s), umedecer levemente 
o swab com água destilada e em seguida proceder à coleta. A coleta deverá 
ser realizada, utilizando-se, pelo menos, 2 (dois) swabs esterilizados para cada 
região. 
Nos casos de suspeita de ter havido luta corporal entre agressor e vítima, 
deverá ser coletado material subungueal dos dedos do cadáver a fim de se 
buscar detectar material biológico do possível agressor. Esta coleta deverá ser 
realizada com swab esterilizado, conforme exemplificado anteriormente, e, se 
possível, recorte da extremidade das unhas dos dedos das mãos, utilizando-se 
tesoura descontaminada ou bisturi, com o cuidado de não ferir a pele dos 
dedos e de não perder material abaixo das unhas. Deve-se utilizar 1 (um) swab 
para cada mão, com a respectiva identificação de mão direita e esquerda. 
Observar a presença de pelos com características diversas aos da vítima. 
Em caso positivo, coletá-los, com utilização de pinça descontaminada, e 
embalá-los e armazená-los, conforme recomendação acima. 
Os erros mais críticos que podem ser cometidos neste ponto de coleta 
estarão refletidos da seguinte forma nos laudos finais: 
- Falha no estabelecimento do nexo causal e temporal entre os achados e 
o fato em apuração. 
- Falta de iluminação adequada para realização do exame. 
- Falha no diagnóstico das características das feridas de projéteis de arma 
de fogo para estabelecer a distância dos disparos de arma de fogo. 
- Falha no diagnóstico dos trajetos descritos pelos projéteis de arma de 
fogo no corpo da vítima. 
- Falha na análise de lesões intra vitam e post mortem. 
- Falha na análise dos sinais de asfixia e de aspiração de material para a 
árvore brônquica. 
- Falha na diferenciação entre estrangulamento, esganadura e enforcamento. 
 
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 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA 
 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 
BRASIL, Código Penal Brasileiro. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm 
BRASIL, Código de Processo Penal. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm 
BRASIL, Lei Federal nº 6.015/73. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015compilada.htm 
BRASIL, Constituição Federal. 
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CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM nº 
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23 de novembro de 2017. Define os critérios do diagnóstico de morte 
encefálica [Internet]. Brasília (DF): CFM; 2017. [citado 2019 Jul 10]. Disponível 
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CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Diretrizes do diagnóstico de 
morte. Resolução 2.173 de 23 de novembro de 2017 do CFM. Disponível em: 
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O que faz um perito médico-legista? Disponível em: 
https://youtu.be/CqdQ6hMIsSI 
 
Domingo Espetacular mostra a difícil rotina dos médicos legistas. Disponível 
em: https://recordtv.r7.com/e57dbc4b-bd01-42e8-8e92-a894355b50af 
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https://youtu.be/CqdQ6hMIsSI
https://recordtv.r7.com/e57dbc4b-bd01-42e8-8e92-a894355b50af

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