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TRAUMATOLOGIA FORENSE 2 Faculdade de Minas Sumário TRAUMATOLOGIA FORENSE ....................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 1 – INTRODUÇÃO ....................................................................................... 4 2 – CONCEITO DE TRAUMATOLOGIA FORENSE: ................................... 5 3 – CONCEITO DE LESÃO CORPORAL .................................................... 5 3.1 – Tipos de lesão corporal ....................................................................... 7 3.2 - AS LESÕES PRODUZIDAS POR AÇÃO MECÂNICA: ...................... 13 4 - TANATOLOGIA FORENSE .................................................................. 17 4.1 - Fenômenos Cadavéricos, Necropsia e Exumação ............................ 20 4.2 - Tanatognose ou Cronotanatognose ................................................... 22 4.3 - Direitos sobre o Cadáver ................................................................... 25 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 28 file:///W:/CIÊNCIAS%20SOCIAIS/ANTROPOLOGIA%20FORENSE/TRAUMATOLOGIA%20FORENSE/APOSTILA%20DE%20TRAUMATOLOGIA%20FORENSE.docx%23_Toc134191236 3 Faculdade de Minas NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 4 Faculdade de Minas 1 – INTRODUÇÃO A Medicina Legal é a área da Medicina onde são estudados os meios de auxiliar a justiça na elucidação dos fatos, que só podem ser desvendados com o conhecimento médico, sendo esta composta de regras médicas, jurídicas e técnicas, para realização de perícias, as quais irão elucidar a verdade sobre um fato em que a justiça está interessada em descobrir toda a verdade. O nosso tema de estudo são as lesões corporais, sendo esta uma das mais importantes, a Traumatologia Médico-Legal, chamada pelos doutrinadores de Traumatologia Forense, tem vital importância, pois é responsável em fornecer elementos fundamentais que levam a compreender as causas que produziram lesões a um indivíduo, analisa as características e o grau do dano causado, mostra qual a forma de energia, e os objetos utilizados. 5 Faculdade de Minas 2 – CONCEITO DE TRAUMATOLOGIA FORENSE: A Traumatologia Médico Legal é responsável pelo estudo das lesões e estados patológicos, que são produzidos na forma de violência sobre o corpo humano, sendo elas recentes ou tardias, com maior interesse nas áreas, penais e trabalhistas, e menor na área cível. Para Hélio Gomes ¨ Estuda as lesões corporais, que são infrações consistentes no dano ao corpo ou à saúde, física ou mental, e resultantes de traumatismos, tanto materiais como morais". O estudo da Traumatologia forense para FRANÇA (2008) é o ramo da Medicina Legal que estuda a ação de uma energia externa sobre o organismo do indivíduo (FRANÇA, 2008), ou seja, é o estudo das lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por violência sobre o corpo humano. 3 – CONCEITO DE LESÃO CORPORAL É o que atinge a integridade física ou psíquica dos ser humano, representam os elementos que determinaram o crime, determinadas legalmente no Código Penal Brasileiro no art.129 e parágrafos , são classificadas quanto a sua intensidade em : leve, grave e gravíssimas. “Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave” (...) Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo é o que padece da lesão. 6 Faculdade de Minas Para Nelson Hungria no Direito penal, a lesão corporal é "toda e qualquer ofensa ocasional à normalidade funcional do corpo ou organismo humano, seja do ponto de vista anatômico, seja do ponto de vista fisiológico ou psíquico". Para FRANÇA, (2008) as lesões corporais são, vestígios deixados pela ação da energia externa ou agente vulnerante, que podem ser, fugazes, temporárias ou permanentes, podendo ser superficiais ou profundas. 7 Faculdade de Minas 3.1 – Tipos de lesão corporal As lesões Corporais podem ser de natureza: LESÃO LEVE: A lesão de natureza leve é aquela onde há ausência das lesões grave e gravíssima, onde é registrado de forma pericial a existência da ofensa, consubstanciada em dano anatômico (comprometimento da integridade corporal) ou perturbações funcionais (comprometimento da saúde). Usualmente a lesão apurada no primeiro exame ( corpo de delito) requer novo exame dentro de 30 dias ( exame complementar), para se confirmar a inexistência das consequências mencionadas nos parágrafos do artigo 129 do CP, concluímos assim que é configurada como lesão leve, as lesões não tidas como grave ou gravíssima. A pena para esses casos é de três meses a um ano de detenção, e, conforme a Lei n.9.099/95, em seu art.88, a instauração de inquérito policial e a ação penal dependem da representação da vítima. 8 Faculdade de Minas As consequências das lesões leves são equimoses, escoriações e feridas contusas, o percentual em relação ao total das lesões corporais é de 80%. LESÃO GRAVE: Lesão Corporal Grave ocorre quando o agente utiliza-se de culpa, a vontade de causar e ofender à sua vítima, será considerada grave se causar: Incapacidade para as ocupações habituais normais durante 30 dias, ou debilidade permanente de membros, sentido ou funções. A debilidade é a perda de força o enfraquecimento, resultado de um dano anatômico ou funcional, portanto, as funções passíveis de debilitação são as atividades de órgão ou aparelhos do corpo Humano (rins,coração,olhos,ouvidos e mastigação). A determinação legal encontra - se no § 1o do art.129, CP, que em seus incisos resultem em: I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV - aceleração de parto: O perigo de vida, antes não era considerada uma lesão grave, por a recuperação ocorrer menos de um mês, se enquadrando nas lesões leves, com o advento do 9 Faculdade de Minas Código Penal de 1940 esta falha foi corrigida, sendo relacionado a gravidade com o risco que o paciente estaria correndo, decorrente da ofensa recebida. Aceleração de parto, trauma físico ou psíquico, existe a antecipação do parto com expulsão do feto, desrespeitando o período fisiológico,quando ocorrer o óbito fetal, e o resultado for aborto, a lesão transforma-se em gravíssima. A perícia médica deve ser realizada logo após a lesão no menor espaço de tempo, e pode ser repetida após trinta dias, buscando constatar se a vítima já está apta a exercer suas atividades e ocupações habituais. Para a doutrina, e essa é uma posição majoritária, a incapacidade cessa quando a vítima reúne condições razoáveis de retomar suas ocupações, sem que haja risco de agravamento da lesão. Conforme estudos, as lesões causadas por fraturas, são as que mais incapacitam, alcançando período superior a trinta dias, com exceção das fraturas nasais, onde a recuperação da vítima é menor. 10 Faculdade de Minas LESÃO GRAVÍSSIMA: A definição doutrinária para lesões corporais de natureza gravíssima é decorrente do agravamento punitivo elencado no § 2o do art.129 do Código Penal brasileiro, e vinculam-se com as lesões que venham a causar: I - incapacidade permanente para o trabalho; II - enfermidade incurável; III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente; V – aborto. As lesões com maior probabilidade de colocar em risco a vida da vítima são: ➢ Feridas penetrantes do abdômen e do tórax; ➢ Hemorragias abundantes; Estados de choque; Queimaduras generalizadas; ➢ Fraturas de crânio e da coluna vertebral, sendo assim, só cabe ao perito determinar se há risco que levem o paciente a morte por se tratar de um prognóstico médico. Debilidade permanente de membro, sentido ou função, ocorre quando há perda de força, o enfraquecimento, resultante de um dano anatômico ou funcional. Inclui-se ainda nesta categoria a perda de um ou dois dedos, os membros, braços e pernas, são os apêndices do corpo, podendo ficar debilitados permanentemente em consequência de lesões. Os Sentidos são visão, audição, tato, olfato e paladar, mecanismos sensoriais responsáveis pelo relacionamento do indivíduo com o mundo, podem ser afetados causado por traumas direto sobre um desses órgãos, ou no crânio, embora, os órgãos como, rins, coração, olhos, ouvidos, mastigação, também ficam passiveis de parcial debilitação. 11 Faculdade de Minas A Incapacidade pode ser permanente para o trabalho, sendo definitiva, porém, a lei trata de qualquer atividade, não apenas ao trabalho específico da vítima. A enfermidade Incurável, é qualquer estado mórbido de lenta evolução, que venha a resultar na morte da vítima ou que, mesmo tendo cura, está se dê a longo prazo. Perda ou Inutilização: de membros, sentido ou função: Decorre da Mutilação ou Inutilização permanente de membro, sentido ou função. Mesmo que continue existindo o apêndice físico sua inoperância, ou perda de funcionamento, caracterizam o tipo penal. Deformidade Permanente: Os danos aparentes, estéticos que afetem a subjetividade da vítima aborrecendo ou causando-lhes incômodo; podendo inclusive afetar sua autoestima. Aborto: A situação aqui descrita faz referência ao aborto preterintencional, quando o agente quer apenas lesionar a vítima, mas acaba provocando o aborto. 12 Faculdade de Minas LESÃO SEGUIDA DE MORTE: Quando correr a lesão corporal e o resultado for morte, o artigo 129 § 3º - e as evidencias apontarem que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo, a Traumatologia Médico Legal será, essencial para oferecer os elementos técnicos e científicos ao juízo, pois esta fornece dados objetivos de que forma a à pessoa foi efetuada, observados a natureza e os resultados graves. 13 Faculdade de Minas 3.2 - AS LESÕES PRODUZIDAS POR AÇÃO MECÂNICA: Energia mecânica é aquela capaz de modificar um corpo em seu estado de repouso ou de movimento, produzindo neste, lesões. Podem ser causados por armas, punhais, revólveres, facas, foices, machados, ou por punhos, pés, dentes, ou qualquer outro meio, máquina, animais, veículos, explosões. 14 Faculdade de Minas Os resultados podem repercutir interna ou externamente, podendo ocorrer com o impacto de um objeto em movimento contra um corpo parado, ou o contrário, ou ainda, com os dois em movimento. FERIDA PUNCTÓRIA: Os instrumentos perfurantes, como chave de fenda, é capaz de produzir uma lesão punctória. FERIDA INCISA: A faca é instrumento cortante, contem gume e produz a ferida incisa. FERIDA CONTUSA: O choque de superfícies pode se dar de forma ativa ( quando o instrumento é projetado contra a vítima) ou passiva ( quando a vítima vai de encontro ao objeto, como ocorre numa queda). Devido à elasticidade da pele, esta se conserva íntegra e a lesão se produz em nível profundo. São várias: • escoriação: quando o atrito do deslizamento lesa a superfície da pele; • raspão/arrastamento, atropelamentos etc. sendo a equimose a contusão mais frequente causada pelo soco, que geram bossas e hematomas, que podem ser sanguíneas. 15 Faculdade de Minas AS LESÕES MISTAS são aquelas causadas por instrumento que reúnem dois lados, o Pérfuro cortante ( punhal- canivete) Lesão pérfuro-incisa, Instrumento corto contundente ( machado-foice) Lesão cortocontusa, Instrumento pérfuro contundente ( projétil) Lesão pérfurocontusa, causam fraturas, cicatrizes, infecção. Os Instrumentos cortantes atuam pelo deslizamento de um gume sobre uma linha, seccionando os tecidos. Ex. lâmina de barbear, bisturi, já os Instrumentos contundentes, agem pela pressão exercida sobre uma superfície pelo seu peso ou energia cinética de que estejam animados, esmagando os tecidos. 16 Faculdade de Minas Percebam nas imagens onde se inicia o deslizamento e onde termina o deslizamento. Busque, sempre, localizar a cauda de escoriação A mesma energia que lesa as estruturas superficiais do corpo humano, pode ser transmitida às estruturas profundas. Dependendo de sua intensidade, da resistência natural das estruturas profundas e da sua condição momentânea, fisiológica ou patológica, a energia transmitida pode ser suficiente para dar causa a lesões das estruturas profundas (fraturas ósseas, luxações, rupturas ou contusões de órgãos internos). Ex: porrete, solo, pedra arremessada; 17 Faculdade de Minas 4 - TANATOLOGIA FORENSE A Tanologia estuda a causa da morte e as circunstâncias em que ela ocorreu. Entende-se por morte a cessação total e permanente das funções vitais, fato que ocorre de forma assíncrona nos organismos pluricelulares (COSTA FILHO, 2010). Os diagnósticos da morte em seres humanos são realizados a partir de morte cerebral e morte encefálica. A morte cerebral ou cortical é atribuída pela perda das funções cerebrais relacionadas com a consciência do ser humano, já a morte encefálica é a perda das funções cerebrais como um todo. Segundo a Resolução n. 1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina são utilizados como parâmetros para a constatação da morte encefálica o coma perceptivo com ausência de atividade motora supraespinal e apneia. O Brasil utiliza do diagnóstico da morte encefálica para casos de transplantes de órgãos entre seres humanos. A morte pode ser classificada de diversas formas: 18 Faculdade de Minas a) Quanto à extensão: a.1) Celular ou histológica: quando os sistemas celulares se tornam inutilizados; a.2) Anatômica: morte total do organismo. b) Quanto à reversibilidade: b.1) Aparente: é o estado patológico passageiro que simula a morte.Caracteriza-se por inconsciência, movimentos respiratórios e batimentos cardíacos imperceptíveis, imobilidade. Exemplo: como epilético e a morte aparente do recém-nascido; b.2) Relativa: as funções nervosas, circulatórias e respiratórias param, porém, podem ser revertidas por manobras terapêuticas; b.3) Absoluta ou real: Inatividade encefálica causando a ausência definitiva das atividades biológicas. c) Quanto à maneira: c.1) Natural: provocada por agentes naturais, alterações orgânicas, patogenia, entre outras; c.2) Violenta: provocada por agentes externos, pode ser acidental, criminosa ou voluntária; c.3) Suspeita: quando não há indícios que determinem se a morte foi natural ou violenta. d) Quanto ao processamento: d.1) Súbita: sem causa aparente, instantânea, pode advir de doença desconhecida; d.2) Agônica: aquela que leva tempo. e) Quanto à causa jurídica: e.1) Homicídio: por ação ou omissão de outro agente; e.2) Suicídio: por ação ou omissão do próprio agente; 19 Faculdade de Minas e.3) Acidente: causas externas ATENÇÃO: Enquanto a morte natural resulta de uma patologia, pois é natural que um dia se morra, a morte violenta é consequência de ato praticado por outra pessoa (homicídio), ou por si mesma (suicídio), ou em razão de acidentes, sempre existindo responsabilidade penal a ser apurada. Já a morte presumida poderá ser declarada se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida ou se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. O Código Civil estabelece as hipóteses de aplicação da declaração de morte presumida. A comoriência ocorre quando dois ou mais indivíduos falecem na mesma ocasião não se podendo averiguar se um precedeu o outro (CC, Art. 8º). 20 Faculdade de Minas 4.1 - Fenômenos Cadavéricos, Necropsia e Exumação O exame necroscópico ou a popularmente chamada necropsia deve ser realizado pelo médico objetivando a identificação das causas e circunstâncias que levaram a morte, a necropsia também objetiva a identificação da vítima. A autópsia (outro termo utilizado para o exame necroscópico) poderá ser solicitada pelo Ministério Público, por autoridade judiciária ou pela autoridade judicial. Durante a necropsia, o médico-legista deve cumprir o protocolo realizando todos os exames necessários, bem como os complementares utilizando-se de recursos documentais, como fotografia e radiografia a fim de subsidiar o laudo do exame. Nos casos de exumação, esse procedimento ocorre quando uma segunda necropsia deva ser realizada tendo em vista a suspeita de morte violenta no curso do processo, a identificação da vítima gerar dúvida necessária de esclarecimento ou devido à necessidade de revisão da necropsia inicial. A exumação não é procedimento simples, o Art. 163 do Código de Processo Penal estabelece que nos 21 Faculdade de Minas casos de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado e os profissionais devem seguir protocolos rígidos, como: fotografar a área durante todos os passos da operação; anotar cuidadosamente, todos os achados; deve-se realizar o isolamento e a limpeza do corpo, no próprio local, para posteriormente ser retirado e acondicionado para o transporte; amostras de terra devem ser coletadas. Ainda sobre a análise cadavérica, é importante que eu te informe sobre alguns fenômenos que se apresentam após a morte instalada: a) Fenômenos abióticos imediatos: são aqueles comuns, ocorridos logo após a morte, como parada respiratória e circulatória, palidez, faces hipocráticas e imobilidade. b) Fenômenos abióticos consecutivos: aqueles que se sucedem a partir da morte declarada, como rigidez cadavérica, machas de hipóstase, desidratação do cadáver, resfriamento corporal e ainda os espasmos cadavéricos. c) Fenômenos transformativos: podem ser destrutivos ou conservadores. Destrutivos: autólise (processo anaeróbico intracelular), putrefação (atividade bacteriana, apresenta coloração esverdeado ou enegrecida do cadáver e segue quatro fases, a gasosa, de coloração, coliquativa e esqueletização) e maceração (diminuição da consistência corporal). 22 Faculdade de Minas Conservadores: saponificação/adipocera (corpo com aspecto de sabão sinal de Thouret), mumificação (desidratação intensa do cadáver), corificação (a pele do cadáver apresenta aspecto, cor e consistência de couro curtido processo de Della Volta), calcificação ou petrificação (infiltração dos tecidos do cadáver por sais de cálcio, gerando aparência pétrea). 4.2 - Tanatognose ou Cronotanatognose A Cronotanatognose observa os meios para determinação do tempo decorrido entre a morte e o exame cadavérico. Para tanto, o perito deve observar certos aspectos com fins de determinar o tempo da morte, quanto maior o intervalo de tempo, maior a dificuldade que o perito terá em determinar o lapso transcorrido. Vejamos: Resfriamento do cadáver: em média ocorre de 1ºC a 1,5ºC por hora, contudo sofre influência de diversos fatores, como posição do corpo, vestuário, ambiente, idade, entre outros. Rigidez cadavérica: tem início na primeira hora e ocorre de cima para baixo, e se generaliza entre duas e três horas, atinge o pico máximo entre cinco e oito horas após o óbito (regra de Fávero). Sofre influência de temperatura, ambiente, causa mortis, entre outras. Livores cadavéricos: surgem nas primeiras três horas após a morte e tornam-se fixos por volta da 12ª hora e atingem a intensidade na 14ª hora. Sofrem influência da gravidade, entretanto não se forma mais depois de 24 horas. 23 Faculdade de Minas Livores de hipóstase acentuadamente escuros em um caso de morte por asfixia. Aspecto característico dos livores em um cadáver que permaneceu por algum tempo em ducúbito ventral. Putrefação: esse fenômeno é utilizado para determinar o tempo de morte não recente, as fases da putrefação são: a) Fase de coloração – tem início entre a 18ª e 24ª hora após a morte e apresenta macha verde abdominal; 24 Faculdade de Minas b) Fase gasosa – inicia-se por volta da 48ª hora após o óbito (circulação póstuma de Brouardel), com duração de aproximadamente trinta dias, atingindo o grau máximo entre o 5º e 7º dia após o óbito; c) Fase coliquativa – inicia-se no fim da segunda semana e se prolonga indefinidamente (pele rompe, orifícios abrem); d) fase de esqueletização – inicia-se na 3ª semana após o óbito, mais ou menos e dura aproximadamente seis meses. 25 Faculdade de Minas Existe também uma classificação que deve ser observada pelo perito quando da análise de estimativa do tempo de morte fetal intrauterino, qual seja: Grau 0 – óbito de menos de oito horas apresentam pela de aspecto bolhoso; Grau 1 – óbito entre oito e vinte e quatro horas apresenta o início do descolamento da epiderme; Grau 2 – Óbito de mais de vinte quatro horas apresenta grande descolamento cutâneo e derrame serossanguinolento avermelhado nas cavidades serosas; Grau 3 – óbito de aproximadamente quarenta e oito horas apresenta derrames das cavidades serosas e o fígado aparenta cor amarelo-amarronzada. 4.3 - Direitos sobre o Cadáver 26 Faculdade de Minas O Código Civil Brasileiro preconiza que a personalidade, qualidade do ente considerado pessoa, cessa com a morte. Nesse sentido e considerando que a morte é irreversível,em que se perde a capacidade corporal e cerebral, o cadáver passa a ser compreendido como coisa, que no Direito Civil, é tudo aquilo que carece de personalidade. Entretanto, a lei conferiu respeito ao que um dia foi pessoa, de modo que instituiu alguns ordenamentos jurídicos que tratam dos direitos do cadáver. Além do Código Civil, a Lei n. 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, que trata da remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento, permitiu que os órgãos e as partes do corpo humano, post mortem, podem ser dispostos gratuitamente para fins de transplante ou tratamento. Outra lei que trata sobre o direito do cadáver é a Lei n. 8.501, de 30 de novembro de 1992, que dispõe sobre a utilização de cadáver não reclamado, para fins de estudos ou pesquisas científicas. O texto normativo trata que será destinado para estudo o cadáver não reclamado que se apresente sem qualquer documentação ou identificado, sobre o qual inexistem informações relativas a endereços de parentes ou responsáveis legais e dá outras providências. Ainda sobre o direito do cadáver, a lei penal traz em seu escopo, um capítulo específico que trata sobre os crimes contra o respeito dos mortos, vejamos: Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária: Art. 209. Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência. Violação de sepultura: Art. 210. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária: Pena – reclusão, de um a três anos, e multa. Destruição, subtração ou ocultação de cadáver. 27 Faculdade de Minas Art. 211. Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele: Pena – reclusão, de um a três anos, e multa. Vilipêndio a cadáver. Vilipêndio a cadáver: Art. 212. Vilipendiar cadáver ou suas cinzas: Pena – detenção, de um a três anos, e multa. 28 Faculdade de Minas REFERÊNCIAS ALVES, Dary; Xavier, Sofia; Hugo, Victor. Sinopse de medicina legal, Fortaleza: Universidade de Fortaleza, 1997. EÇA, A. J. Tanatologia e Traumatologia. Em: Roteiro de Medicina Legal. Rio de Janeiro. 2003. ESPÍNDULA, A. Outros tipos de perícia. Em: Perícia Criminal e Cível. Uma visão geral para peritos e usuários da perícia. Millenium Editora, 2.a Ed. Campinas, SP. 2006. FÁVERO, Flamínio. Medicina legal: introdução ao estudo da medicina legal, 11a ed.Belo Horizonte, Editora Itataia Ltda, 1980. FRANÇA, G. V. Traumatologia Médico-Legal. Em: Medicina Legal. Guanabara Koogan, 8.a Ed. Rio de Janeiro. 2008. GOMES, Hélio. Medicina legal, 10a ed. Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos, 1968 MIRABETE, JÚLIO FABBRINI. Manual de direito penal, 16a ed. São Paulo: Atlas,2000. MARTINS, C. L. Traumatologia. Em: Medicina Legal. 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