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TRAUMATOLOGIA FORENSE 
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Faculdade de Minas 
Sumário 
 
TRAUMATOLOGIA FORENSE ....................................................................... 1 
NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 
1 – INTRODUÇÃO ....................................................................................... 4 
2 – CONCEITO DE TRAUMATOLOGIA FORENSE: ................................... 5 
3 – CONCEITO DE LESÃO CORPORAL .................................................... 5 
3.1 – Tipos de lesão corporal ....................................................................... 7 
3.2 - AS LESÕES PRODUZIDAS POR AÇÃO MECÂNICA: ...................... 13 
4 - TANATOLOGIA FORENSE .................................................................. 17 
4.1 - Fenômenos Cadavéricos, Necropsia e Exumação ............................ 20 
4.2 - Tanatognose ou Cronotanatognose ................................................... 22 
4.3 - Direitos sobre o Cadáver ................................................................... 25 
REFERÊNCIAS .......................................................................................... 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
file:///W:/CIÊNCIAS%20SOCIAIS/ANTROPOLOGIA%20FORENSE/TRAUMATOLOGIA%20FORENSE/APOSTILA%20DE%20TRAUMATOLOGIA%20FORENSE.docx%23_Toc134191236
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de 
um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade 
capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua 
formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos 
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, 
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de 
publicações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de 
forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma 
base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de 
uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
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1 – INTRODUÇÃO 
 
A Medicina Legal é a área da Medicina onde são estudados os meios de auxiliar a 
justiça na elucidação dos fatos, que só podem ser desvendados com o 
conhecimento médico, sendo esta composta de regras médicas, jurídicas e 
técnicas, para realização de perícias, as quais irão elucidar a verdade sobre um fato 
em que a justiça está interessada em descobrir toda a verdade. 
O nosso tema de estudo são as lesões corporais, sendo esta uma das mais 
importantes, a Traumatologia Médico-Legal, chamada pelos doutrinadores de 
Traumatologia Forense, tem vital importância, pois é responsável em fornecer 
elementos fundamentais que levam a compreender as causas que produziram 
lesões a um indivíduo, analisa as características e o grau do dano causado, mostra 
qual a forma de energia, e os objetos utilizados. 
 
 
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 2 – CONCEITO DE TRAUMATOLOGIA FORENSE: 
A Traumatologia Médico Legal é responsável pelo estudo das lesões e estados 
patológicos, que são produzidos na forma de violência sobre o corpo humano, 
sendo elas recentes ou tardias, com maior interesse nas áreas, penais e 
trabalhistas, e menor na área cível. 
Para Hélio Gomes ¨ Estuda as lesões corporais, que são infrações consistentes no 
dano ao corpo ou à saúde, física ou mental, e resultantes de traumatismos, tanto 
materiais como morais". 
O estudo da Traumatologia forense para FRANÇA (2008) é o ramo da Medicina 
Legal que estuda a ação de uma energia externa sobre o organismo do indivíduo 
(FRANÇA, 2008), ou seja, é o estudo das lesões e estados patológicos, imediatos 
ou tardios, produzidos por violência sobre o corpo humano. 
 
3 – CONCEITO DE LESÃO CORPORAL 
 
É o que atinge a integridade física ou psíquica dos ser humano, representam os 
elementos que determinaram o crime, determinadas legalmente no Código Penal 
Brasileiro no art.129 e parágrafos , são classificadas quanto a sua intensidade em : 
leve, grave e gravíssimas. 
“Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
Lesão corporal de natureza grave” 
(...) 
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. 
 
Sujeito passivo é o que padece da lesão. 
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Para Nelson Hungria no Direito penal, a lesão corporal é "toda e qualquer ofensa 
ocasional à normalidade funcional do corpo ou organismo humano, seja do ponto de 
vista anatômico, seja do ponto de vista fisiológico ou psíquico". 
Para FRANÇA, (2008) as lesões corporais são, vestígios deixados pela ação da 
energia externa ou agente vulnerante, que podem ser, fugazes, temporárias ou 
permanentes, podendo ser superficiais ou profundas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.1 – Tipos de lesão corporal 
As lesões Corporais podem ser de natureza: 
LESÃO LEVE: 
A lesão de natureza leve é aquela onde há ausência das lesões grave e gravíssima, 
onde é registrado de forma pericial a existência da ofensa, consubstanciada em 
dano anatômico (comprometimento da integridade corporal) ou perturbações 
funcionais (comprometimento da saúde). 
Usualmente a lesão apurada no primeiro exame ( corpo de delito) requer novo 
exame dentro de 30 dias ( exame complementar), para se confirmar a inexistência 
das consequências mencionadas nos parágrafos do artigo 129 do CP, concluímos 
assim que é configurada como lesão leve, as lesões não tidas como grave ou 
gravíssima. 
A pena para esses casos é de três meses a um ano de detenção, e, conforme a Lei 
n.9.099/95, em seu art.88, a instauração de inquérito policial e a ação penal 
dependem da representação da vítima. 
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As consequências das lesões leves são equimoses, escoriações e feridas contusas, 
o percentual em relação ao total das lesões corporais é de 80%. 
 
 
 
 
 
 
 
 LESÃO GRAVE: 
Lesão Corporal Grave ocorre quando o agente utiliza-se de culpa, a vontade de 
causar e ofender à sua vítima, será considerada grave se causar: Incapacidade para 
as ocupações habituais normais durante 30 dias, ou debilidade permanente de 
membros, sentido ou funções. 
A debilidade é a perda de força o enfraquecimento, resultado de um dano anatômico 
ou funcional, portanto, as funções passíveis de debilitação são as atividades de 
órgão ou aparelhos do corpo Humano (rins,coração,olhos,ouvidos e mastigação). 
A determinação legal encontra - se no § 1o do art.129, CP, que em seus incisos 
resultem em: 
 I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias; 
 II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
 IV - aceleração de parto: 
 
O perigo de vida, antes não era considerada uma lesão grave, por a recuperação 
ocorrer menos de um mês, se enquadrando nas lesões leves, com o advento do 
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Código Penal de 1940 esta falha foi corrigida, sendo relacionado a gravidade com o 
risco que o paciente estaria correndo, decorrente da ofensa recebida. 
 
Aceleração de parto, trauma físico ou psíquico, existe a antecipação do parto com 
expulsão do feto, desrespeitando o período fisiológico,quando ocorrer o óbito fetal, 
e o resultado for aborto, a lesão transforma-se em gravíssima. 
 
A perícia médica deve ser realizada logo após a lesão no menor espaço de tempo, e 
pode ser repetida após trinta dias, buscando constatar se a vítima já está apta a 
exercer suas atividades e ocupações habituais. 
 
Para a doutrina, e essa é uma posição majoritária, a incapacidade cessa quando a 
vítima reúne condições razoáveis de retomar suas ocupações, sem que haja risco 
de agravamento da lesão. 
 
Conforme estudos, as lesões causadas por fraturas, são as que mais incapacitam, 
alcançando período superior a trinta dias, com exceção das fraturas nasais, onde a 
recuperação da vítima é menor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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LESÃO GRAVÍSSIMA: 
A definição doutrinária para lesões corporais de natureza gravíssima é decorrente 
do agravamento punitivo elencado no § 2o do art.129 do Código Penal brasileiro, e 
vinculam-se com as lesões que venham a causar: 
I - incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incurável; 
III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função; 
 IV - deformidade permanente; 
 V – aborto. 
 
As lesões com maior probabilidade de colocar em risco a vida da vítima são: 
➢ Feridas penetrantes do abdômen e do tórax; 
➢ Hemorragias abundantes; Estados de choque; Queimaduras generalizadas; 
➢ Fraturas de crânio e da coluna vertebral, sendo assim, só cabe ao perito 
determinar se há risco que levem o paciente a morte por se tratar de um 
prognóstico médico. 
Debilidade permanente de membro, sentido ou função, ocorre quando há perda de 
força, o enfraquecimento, resultante de um dano anatômico ou funcional. Inclui-se 
ainda nesta categoria a perda de um ou dois dedos, os membros, braços e pernas, 
são os apêndices do corpo, podendo ficar debilitados permanentemente em 
consequência de lesões. 
Os Sentidos são visão, audição, tato, olfato e paladar, mecanismos sensoriais 
responsáveis pelo relacionamento do indivíduo com o mundo, podem ser afetados 
causado por traumas direto sobre um desses órgãos, ou no crânio, embora, os 
órgãos como, rins, coração, olhos, ouvidos, mastigação, também ficam passiveis de 
parcial debilitação. 
 
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A Incapacidade pode ser permanente para o trabalho, sendo definitiva, porém, a lei 
trata de qualquer atividade, não apenas ao trabalho específico da vítima. 
A enfermidade Incurável, é qualquer estado mórbido de lenta evolução, que venha a 
resultar na morte da vítima ou que, mesmo tendo cura, está se dê a longo prazo. 
Perda ou Inutilização: de membros, sentido ou função: Decorre da Mutilação ou 
Inutilização permanente de membro, sentido ou função. Mesmo que continue 
existindo o apêndice físico sua inoperância, ou perda de funcionamento, 
caracterizam o tipo penal. 
Deformidade Permanente: Os danos aparentes, estéticos que afetem a 
subjetividade da vítima aborrecendo ou causando-lhes incômodo; podendo inclusive 
afetar sua autoestima. 
Aborto: A situação aqui descrita faz referência ao aborto preterintencional, quando o 
agente quer apenas lesionar a vítima, mas acaba provocando o aborto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 LESÃO SEGUIDA DE MORTE: 
Quando correr a lesão corporal e o resultado for morte, o artigo 129 § 3º - e as 
evidencias apontarem que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de 
produzi-lo, a Traumatologia Médico Legal será, essencial para oferecer os 
elementos técnicos e científicos ao juízo, pois esta fornece dados objetivos de que 
forma a à pessoa foi efetuada, observados a natureza e os resultados graves. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.2 - AS LESÕES PRODUZIDAS POR AÇÃO MECÂNICA: 
Energia mecânica é aquela capaz de modificar um corpo em seu estado de repouso 
ou de movimento, produzindo neste, lesões. Podem ser causados por armas, 
punhais, revólveres, facas, foices, machados, ou por punhos, pés, dentes, ou 
qualquer outro meio, máquina, animais, veículos, explosões. 
 
 
 
 
 
 
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Os resultados podem repercutir interna ou externamente, podendo ocorrer com o 
impacto de um objeto em movimento contra um corpo parado, ou o contrário, ou 
ainda, com os dois em movimento. 
 
FERIDA PUNCTÓRIA: Os instrumentos perfurantes, como chave de fenda, é capaz 
de produzir uma lesão punctória. 
FERIDA INCISA: A faca é instrumento cortante, contem gume e produz a ferida 
incisa. 
FERIDA CONTUSA: O choque de superfícies pode se dar de forma ativa ( quando o 
instrumento é projetado contra a vítima) ou passiva ( quando a vítima vai de 
encontro ao objeto, como ocorre numa queda). Devido à elasticidade da pele, esta 
se conserva íntegra e a lesão se produz em nível profundo. 
São várias: 
• escoriação: quando o atrito do deslizamento lesa a superfície da pele; 
 
• raspão/arrastamento, atropelamentos etc. sendo a equimose a contusão mais 
frequente causada pelo soco, que geram bossas e hematomas, que podem 
ser sanguíneas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AS LESÕES MISTAS são aquelas causadas por instrumento que reúnem dois 
lados, o Pérfuro cortante ( punhal- canivete) Lesão pérfuro-incisa, Instrumento corto 
contundente ( machado-foice) Lesão cortocontusa, Instrumento pérfuro contundente 
( projétil) Lesão pérfurocontusa, causam fraturas, cicatrizes, infecção. 
Os Instrumentos cortantes atuam pelo deslizamento de um gume sobre uma linha, 
seccionando os tecidos. Ex. lâmina de barbear, bisturi, já os Instrumentos 
contundentes, agem pela pressão exercida sobre uma superfície pelo seu peso ou 
energia cinética de que estejam animados, esmagando os tecidos. 
 
 
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Percebam nas imagens onde se inicia o deslizamento e onde termina o 
deslizamento. Busque, sempre, localizar a cauda de escoriação 
 
A mesma energia que lesa as estruturas superficiais do corpo humano, pode ser 
transmitida às estruturas profundas. Dependendo de sua intensidade, da resistência 
natural das estruturas profundas e da sua condição momentânea, fisiológica ou 
patológica, a energia transmitida pode ser suficiente para dar causa a lesões das 
estruturas profundas (fraturas ósseas, luxações, rupturas ou contusões de órgãos 
internos). 
 Ex: porrete, solo, pedra arremessada; 
 
 
 
 
 
 
 
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4 - TANATOLOGIA FORENSE 
 
A Tanologia estuda a causa da morte e as circunstâncias em que ela ocorreu. 
Entende-se por morte a cessação total e permanente das funções vitais, fato que 
ocorre de forma assíncrona nos organismos pluricelulares (COSTA FILHO, 2010). 
Os diagnósticos da morte em seres humanos são realizados a partir de morte 
cerebral e morte encefálica. A morte cerebral ou cortical é atribuída pela perda das 
funções cerebrais relacionadas com a consciência do ser humano, já a morte 
encefálica é a perda das funções cerebrais como um todo. Segundo a Resolução n. 
1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina são utilizados como parâmetros para 
a constatação da morte encefálica o coma perceptivo com ausência de atividade 
motora supraespinal e apneia. 
O Brasil utiliza do diagnóstico da morte encefálica para casos de transplantes de 
órgãos entre seres humanos. 
A morte pode ser classificada de diversas formas: 
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 a) Quanto à extensão: 
 a.1) Celular ou histológica: quando os sistemas celulares se tornam 
inutilizados; 
 a.2) Anatômica: morte total do organismo. 
b) Quanto à reversibilidade: 
 b.1) Aparente: é o estado patológico passageiro que simula a morte.Caracteriza-se por inconsciência, movimentos respiratórios e batimentos 
cardíacos imperceptíveis, imobilidade. Exemplo: como epilético e a morte 
aparente do recém-nascido; 
 b.2) Relativa: as funções nervosas, circulatórias e respiratórias param, 
porém, podem ser revertidas por manobras terapêuticas; 
 b.3) Absoluta ou real: Inatividade encefálica causando a ausência 
definitiva das atividades biológicas. 
c) Quanto à maneira: 
 c.1) Natural: provocada por agentes naturais, alterações orgânicas, 
patogenia, entre outras; 
c.2) Violenta: provocada por agentes externos, pode ser acidental, 
criminosa ou voluntária; 
 c.3) Suspeita: quando não há indícios que determinem se a morte foi 
natural ou violenta. 
d) Quanto ao processamento: 
 d.1) Súbita: sem causa aparente, instantânea, pode advir de doença 
desconhecida; d.2) Agônica: aquela que leva tempo. 
e) Quanto à causa jurídica: 
e.1) Homicídio: por ação ou omissão de outro agente; 
e.2) Suicídio: por ação ou omissão do próprio agente; 
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e.3) Acidente: causas externas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATENÇÃO: 
Enquanto a morte natural resulta de uma patologia, pois é natural que um dia se 
morra, a morte violenta é consequência de ato praticado por outra pessoa 
(homicídio), ou por si mesma (suicídio), ou em razão de acidentes, sempre existindo 
responsabilidade penal a ser apurada. 
Já a morte presumida poderá ser declarada se for extremamente provável a morte 
de quem estava em perigo de vida ou se alguém, desaparecido em campanha ou 
feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. O 
Código Civil estabelece as hipóteses de aplicação da declaração de morte 
presumida. A comoriência ocorre quando dois ou mais indivíduos falecem na 
mesma ocasião não se podendo averiguar se um precedeu o outro (CC, Art. 8º). 
 
 
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4.1 - Fenômenos Cadavéricos, Necropsia e Exumação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O exame necroscópico ou a popularmente chamada necropsia deve ser realizado 
pelo médico objetivando a identificação das causas e circunstâncias que levaram a 
morte, a necropsia também objetiva a identificação da vítima. A autópsia (outro 
termo utilizado para o exame necroscópico) poderá ser solicitada pelo Ministério 
Público, por autoridade judiciária ou pela autoridade judicial. Durante a necropsia, o 
médico-legista deve cumprir o protocolo realizando todos os exames necessários, 
bem como os complementares utilizando-se de recursos documentais, como 
fotografia e radiografia a fim de subsidiar o laudo do exame. 
Nos casos de exumação, esse procedimento ocorre quando uma segunda 
necropsia deva ser realizada tendo em vista a suspeita de morte violenta no curso 
do processo, a identificação da vítima gerar dúvida necessária de esclarecimento ou 
devido à necessidade de revisão da necropsia inicial. A exumação não é 
procedimento simples, o Art. 163 do Código de Processo Penal estabelece que nos 
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casos de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, 
em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto 
circunstanciado e os profissionais devem seguir protocolos rígidos, como: fotografar 
a área durante todos os passos da operação; anotar cuidadosamente, todos os 
achados; deve-se realizar o isolamento e a limpeza do corpo, no próprio local, para 
posteriormente ser retirado e acondicionado para o transporte; amostras de terra 
devem ser coletadas. 
Ainda sobre a análise cadavérica, é importante que eu te informe sobre alguns 
fenômenos que se apresentam após a morte instalada: 
 a) Fenômenos abióticos imediatos: são aqueles comuns, ocorridos logo após 
a morte, como parada respiratória e circulatória, palidez, faces hipocráticas e 
imobilidade. 
 b) Fenômenos abióticos consecutivos: aqueles que se sucedem a partir da 
morte declarada, como rigidez cadavérica, machas de hipóstase, desidratação 
do cadáver, resfriamento corporal e ainda os espasmos cadavéricos. 
 c) Fenômenos transformativos: podem ser destrutivos ou conservadores. 
 
Destrutivos: autólise (processo anaeróbico intracelular), putrefação (atividade 
bacteriana, apresenta coloração esverdeado ou enegrecida do cadáver e segue 
quatro fases, a gasosa, de coloração, coliquativa e esqueletização) e maceração 
(diminuição da consistência corporal). 
 
 
 
 
 
 
 
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Conservadores: saponificação/adipocera (corpo com aspecto de sabão sinal de 
Thouret), mumificação (desidratação intensa do cadáver), corificação (a pele do 
cadáver apresenta aspecto, cor e consistência de couro curtido processo de Della 
Volta), calcificação ou petrificação (infiltração dos tecidos do cadáver por sais de 
cálcio, gerando aparência pétrea). 
 
4.2 - Tanatognose ou Cronotanatognose 
A Cronotanatognose observa os meios para determinação do tempo decorrido entre 
a morte e o exame cadavérico. 
Para tanto, o perito deve observar certos aspectos com fins de determinar o tempo 
da morte, quanto maior o intervalo de tempo, maior a dificuldade que o perito terá 
em determinar o lapso transcorrido. 
Vejamos: 
 
Resfriamento do cadáver: em média ocorre de 1ºC a 1,5ºC por hora, contudo sofre 
influência de diversos fatores, como posição do corpo, vestuário, ambiente, idade, 
entre outros. 
 
Rigidez cadavérica: tem início na primeira hora e ocorre de cima para baixo, e se 
generaliza entre duas e três horas, atinge o pico máximo entre cinco e oito horas 
após o óbito (regra de Fávero). Sofre influência de temperatura, ambiente, causa 
mortis, entre outras. 
 
Livores cadavéricos: surgem nas primeiras três horas após a morte e tornam-se 
fixos por volta da 12ª hora e atingem a intensidade na 14ª hora. Sofrem influência da 
gravidade, entretanto não se forma mais depois de 24 horas. 
 
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Livores de hipóstase acentuadamente escuros em um caso de morte por asfixia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aspecto característico dos livores em um cadáver que permaneceu por algum tempo em 
ducúbito ventral. 
 
Putrefação: esse fenômeno é utilizado para determinar o tempo de morte não 
recente, as fases da putrefação são: 
a) Fase de coloração – tem início entre a 18ª e 24ª hora após a morte e 
apresenta macha verde abdominal; 
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b) Fase gasosa – inicia-se por volta da 48ª hora após o óbito (circulação 
póstuma de Brouardel), com duração de aproximadamente trinta dias, 
atingindo o grau máximo entre o 5º e 7º dia após o óbito; 
 c) Fase coliquativa – inicia-se no fim da segunda semana e se prolonga 
indefinidamente (pele rompe, orifícios abrem); 
 d) fase de esqueletização – inicia-se na 3ª semana após o óbito, mais ou 
menos e dura aproximadamente seis meses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Existe também uma classificação que deve ser observada pelo perito quando da 
análise de estimativa do tempo de morte fetal intrauterino, qual seja: 
Grau 0 – óbito de menos de oito horas apresentam pela de aspecto bolhoso; 
Grau 1 – óbito entre oito e vinte e quatro horas apresenta o início do descolamento 
da epiderme; 
Grau 2 – Óbito de mais de vinte quatro horas apresenta grande descolamento 
cutâneo e derrame serossanguinolento avermelhado nas cavidades serosas; 
Grau 3 – óbito de aproximadamente quarenta e oito horas apresenta derrames das 
cavidades serosas e o fígado aparenta cor amarelo-amarronzada. 
 
4.3 - Direitos sobre o Cadáver 
 
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O Código Civil Brasileiro preconiza que a personalidade, qualidade do ente 
considerado pessoa, cessa com a morte. Nesse sentido e considerando que a morte 
é irreversível,em que se perde a capacidade corporal e cerebral, o cadáver passa a 
ser compreendido como coisa, que no Direito Civil, é tudo aquilo que carece de 
personalidade. 
 Entretanto, a lei conferiu respeito ao que um dia foi pessoa, de modo que instituiu 
alguns ordenamentos jurídicos que tratam dos direitos do cadáver. 
Além do Código Civil, a Lei n. 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, que trata da 
remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e 
tratamento, permitiu que os órgãos e as partes do corpo humano, post mortem, 
podem ser dispostos gratuitamente para fins de transplante ou tratamento. 
Outra lei que trata sobre o direito do cadáver é a Lei n. 8.501, de 30 de novembro de 
1992, que dispõe sobre a utilização de cadáver não reclamado, para fins de estudos 
ou pesquisas científicas. O texto normativo trata que será destinado para estudo o 
cadáver não reclamado que se apresente sem qualquer documentação ou 
identificado, sobre o qual inexistem informações relativas a endereços de parentes 
ou responsáveis legais e dá outras providências. 
Ainda sobre o direito do cadáver, a lei penal traz em seu escopo, um capítulo 
específico que trata sobre os crimes contra o respeito dos mortos, vejamos: 
Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária: 
Art. 209. Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária: 
 Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
 Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, 
sem prejuízo da correspondente à violência. 
Violação de sepultura: 
 Art. 210. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária: Pena – reclusão, de um a 
três anos, e multa. 
Destruição, subtração ou ocultação de cadáver. 
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Art. 211. Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele: Pena – reclusão, de um 
a três anos, e multa. Vilipêndio a cadáver. 
Vilipêndio a cadáver: 
Art. 212. Vilipendiar cadáver ou suas cinzas: Pena – detenção, de um a três anos, e 
multa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ALVES, Dary; Xavier, Sofia; Hugo, Victor. Sinopse de medicina legal, Fortaleza: 
Universidade de Fortaleza, 1997. 
EÇA, A. J. Tanatologia e Traumatologia. Em: Roteiro de Medicina Legal. Rio de 
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