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MEDICINA - 4º SEMESTRE Medicina Legal Introdução: Século XIX ocorreu a maturidade da medicina legal. Os primeiros documentos médico-legais surgiram ao findar do período colonial, sob influência dos autores franceses, italianos e alemães. Para Oscar Freire, a evolução da medicina legal no brasil, compreende 3 fases: 1. Estrangeira: fim do período colonial até Agostinho de Souza Lima. Em 1832 as escolas médico cirúrgicas do RJ e Bahia são transformadas em faculdades oficiais, contendo a cadeira de medicina legal. 2. De transição: com Agostinho de Souza Lima o ensino da medicina legal assuma caráter prático. 3. De nacionalização: com a posse de Raimundo Nina Rodrigues, em 1895, como catedrático de medicina legal da faculdade de medicina da Bahia. Teve como discípulos Júlio Afranio Peixoto e Oscar Freire, que organizou a medicina legal em SP. A ele se atribuiu a criação da autêntica escola brasileira de especialidade. Noções de direito processual e penal: Sujeitos do processo: Juiz. Singular, engloba todos os crimes, com exceção aos contra a vida. Tribunal do juri: julga se é culpado ou inocente. A pena é aplicada pela juiz. Réu: o indiciado, contra quem presume-se que tenha provas suficientes para que o MP denuncie. Advogado do réu: obrigatório. MP: representante da sociedade. Atos/Etapas processuais: Notitia Criminis: indício ou ocorrência de natureza criminosa que chega ao conhecimento da autoridade policial. Boletim de ocorrência (BO) - delegacia de polícia: registro da notícia crome que aciona o aparelho da polícia judiciária. Inquérito policial (IP): fase de investigação para apontar a autoria e juntada de provas. Indiciado: apontado agente do delito. Perícias e perit: Prova: elemento demonstrativo da autenticidade ou da veracidade de um fato. Exame corpo de delito: conjunto de elementos sensíveis denunciadores do fato criminoso, são os elementos materiais perceptíveis, resultantes da infração penal. Pode ser feito em qualquer “corpo” como pessoa ou parte dela, objeto, lugar, etc. ↳Descrito no Art. 158. Períc ia médico- lega l : conjunto de procedimentos médicos e técnicos que tem como finalidade o esclarecimento de um fato de interesse da justiça. É o documento elaborado por perito e que passa a fazer parte integrante do processo. Pode ser: ↳Direta: realizada pelo perito em contato direto com a pessoa ou no material submetido a exame. ↳Indireto: é realizada pelo perito, levando em conta dados fornecidos anteriormente sobre o fato ou já registrado em outros documentos. Perito: pessoas técnicas, especialistas, qualificadas e experientes em certos assuntos, a quem incumbe a tarefa de esclarecer a respeito de assuntos próprios de suas profissões. Perito oficial: profissional que realiza a perícia, em função de ofício. Funcionário d repartição oficial, cuja atribuição é a prática pericial. O código de processo penal determina a exclusividade dos peritos oficiais para exame técnico. Perito louvado ou nomeado: indicado pelo juiz. É imparcial e justo. Assistentes técnicos: profissional indicado pelas partes para acompanhar os exames do perito do Juiz. Perícia contraditória: diferentes peritos chegam a conclusões diversas sobre a mesma matéria médica. Cada qual fará o seu laudo. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !1 MEDICINA - 4º SEMESTRE Código do processo penal: ↳Art. 158: quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto. Conjunto de elementos sensíveis denunciadores do fato criminoso, resultantes da infração penal. ↳Art. 159: o exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por peritos oficiais, portador de diploma de curso superior. Caput 1: na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica. Caput 2: os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo. Caput 7: Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poer-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. ↳Art. 160: os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. ↳Art. 161: o exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora. ↳Art. 162: a autópsia será feita pelo menos 6 horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência de sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. ↳Art. 163: em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. ↳Art. 164: os cadáveres serão sempre fotografados na pos ição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. ↳Art. 167: não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. Document médico legais: Toda notificação escrita, firmada por médico, sobre matéria médica de interesse jurídico. É uma declaração escrita por um médico, para servir de prova. Classificação: No t i f i c a çõe s : s ão comun i c a çõe s compulsórias feitas pelos médicos às autoridades competentes de um fato profissional, por necessidade social ou sanitária. Assim como os crimes de ação pública e de que tiveram conhecimento e que não expõe o cliente a procedimento criminal. A omissão de notificação configura crime previsto no Art. 269 do código penal. ↳Doenças ou agravos. ↳Todos os casos de esterilização cirúrgica. ↳Todas as ocorrências de morte encefálica. ↳Usuários ou dependentes de drogas, preservando a identidade das pessoas. Atestado: é uma simples declaração de matéria médica, de consequências jurídicas, prestada por pessoa legal e profissionalmente qualificada. ↳Condições para que este documento produza seus efeitos: que o médico tenha realmente praticado o ato; que o médico esteja legalmente habilitado, ou seja, que tenha autorização legal para o exercício da medicina. ↳Tipos: sanidade, doença e óbito. ↳Atestados de saúde ou doença: são dirigidos em folha de receituário, sempre por profissionais legalmente habilitados. ↳Atestado falso: é chamado de atestado gracioso, de favor ou complacente quando fornecido a alguém por amizade ou por qualquer outro motivo. Não se efetiva o ato médico. É punível nos termos do código penal. Prontuários: registro da anamnese do paciente, dos cuidados médicos prestados, assim como dos documentos pertinentes a essa assistência. O prontuário pode produzir efeitos jurídicos de grande significado médico-legal. Pertence ao paciente. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !2 MEDICINA - 4º SEMESTRE Relatório (auto e laudo): é o documento resultante de atuação médica em Serviços Médico Legal, Repartição Oficial equivalente ou por determinação judiciária. É a descrição mais minuciosa de uma perícia médica afim de responder a solicitação da autoridade policial ou judiciária frente ao inquérito. ↳Narração escrita minuciosa de todas as operações de uma perícia médica determinada por autoridade policial ou judiciária. Quando o exame é ditado por um escrivão, o documento chama-se Auto, e quando redigido após perícia chama-se Laudo. Parecer: é o estudo apresentado por um médico ou por uma junta médica, respondendo a questões a serem esclarecidas. Utilizado quando dúvidas são levantadas em um processo ou quando as partes de contradizem. Representa a voz mais experiente. ↳É a resposta a uma consulta feita por interessado a um ou mais médicos, a uma comissão de profissionais, ou uma sociedade científicasobre fatos recentes à questão a ser esclarecida. ↳Opinião de profissional competente para esc larecer eventua is dúv idas sobre determinado fato, é emitido como uma resposta a uma consulta médico legal, podendo ser suscitado por: divergências quanto à perícia; avaliar peças processuais sob a ótica médico-legal; retrospectiva de matéria médica de interesse jurídico. Depoimentos orais: esclarecimentos não escritos no âmbito dos tribunais. Atestado de óbito: Em 1976, o ministério da saúde adotou uma DO padronizada, vigente até hoje. A certidão de óbito é um documento emitido pelo cartório de Registro Civil da comarca ocorreu o óbito, a partir do assento lavrado em livro próprio. O registro é requisitado pela agência funerária contratada, a qual enviará todos os dados e documentos necessários para o assento. É o documento necessário para que ocorra o sepultamento. É um documento importante para a abertura do processo de inventário, do pedido de pensão pela morte do falecido. O atestado de óbito é parte integrante de um documento complexo chamado declaração de óbito. Finalidade da DO: Da parte legal: ela confirma e define a causa mortis. Da parte sanitária: ela serve para o controle de epidemias, estatística, liberação do corpo para inumação e ritos fúnebres. A quem incumbe a DO? Óbitos clínicos: aquele que assistiu o paciente durante a evolução do processo patológico. Mortes naturais não assistidas: médicos do S.V.O Mortes violentas/suspeitas: médicos legais do IML. ↳Resolução CFM 1.290/08-06-1989: Art 2. É dever do médico atestar o óbito do paciente ao qual vinha prestando assistência, ainda que o mesmo ocorra fora do ambiente hospitalar, exceto em caso de morte violenta ou suspeita. Art. 3: quando o óbito ocorrer em hospital caberá ao médico que houver dado assistência ao paciente a obrigatoriedade do fornecimento de atestado de óbito ou, em seu impedimento, ao médico de plantão. Art. 5: é vedado ao médico cobrar qualquer remuneração pelo fornecimento do atestado de óbito. ↳Código de ética médica: Art. 83: atestado de óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, ou quando não tenha prestado assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o fizer como plantonista, médico substituto ou em caso de necropsia e verificação médico-legal. Art. 84: deixar de atestar óbito de paciente ao qual venha prestando assistência, exceto quando ouvir indícios de morte violenta. O médico assistente pode atestar óbito como substituto, desde de que saiba a causa da morte. O médico assistente está IMPEDIDO de firmar a DO nos seguintes casos: - Que serão feitos pelo IML: 1. Morte violenta. 2. Morte suspeita. 3. Cadáveres desconhecidos. 4. Presos sob a responsabilidade do estado. 5. M o r t e s p o r p a t o l o g i a s decorrentes no transcurso do tratamento de traumas (doença metatraumática) - Que serão feitos pelo SVO: PAULA R. C. PENTEADO - T6 !3 MEDICINA - 4º SEMESTRE 1. Mo r te na tu r a l sem causa determinada, sem assistência médica. Obs: em locais onde não há SVO, cabe ao médico da Secretaria de Saúde firmar no atestado a morte sem assistência médica. ↳Regulamento dos Cemitérios do Município de SP Ato nº326, 21 de março de 1932: os enterramentos não podem, como regra, ser feitos antes de 24 horas do falecimento, salvo em casos especiais de moléstias contagiosas e epidemias, ou ainda se o cadáver apresentar sinais inequívocos de princípio de putrefação. ↳Parecer-consulta CFM nº04/96: peças anatômicas retiradas por ocasião do ato cirúrgico ou de membro amputado: em nenhum caso cabe DO, dado que não se tem um óbito. Fazer relatório e inumar as partes, ou incinerá-las. Preenchimento do atestado de óbito: Tentar sempre que possível, caracterizar a causa direta ou terminal com um dos possíveis choques: - Choque hipovolêmico: perda de volume circulante, com redução do retorno venoso e diminuição do débito cardíaco e da oferta de oxigênio. - Choque cardiogênico: incapacidade primária do coração de fornecer débito cardíaco suficiente para as necessidades metabólicas. Sua principal causa é a perda súbita de massa muscular por IAM. - Choque séptico: estágio avançado de uma síndrome progressiva, denominada sepse. É causado por uma variedade de microrganismos. - Choque anafilático: as reações alérgicas do tipo I, são mediados por anticorpos IgE. A reação ocorre pouco tempo depois da exposição ao alérgeno, e é caracterizada por sensação de sufocamento, broncoespasmo, edema laríngeo, angioedema, respiração ruidosa, transudação pulmonar e alterações cutâneas agudas urticariformes. - Choque neurogênico: insuficiência circulatória periférica aguda de causa neurogênica acontece nos casos de sofrimento intenso do tronco cerebral, precedendo a morte encefálica, com falência hemodinâmica e vasodilatação generalizada por perda do tônus vasomotor simpático, ou em lesões da medula espinhal alta, caracterizando o “choque espinhal”. Traumatologia ou lonologia médico- legal: Se a vítima demora muito tempo para aparecer no IML para exame corporal, as provas acabam sendo inconclusivas por perda de evidência. As testemunhas acabam esquecendo do evento com detalhes também. As descrições são importantes nos vivos para saber e definir se a vítima sofreu uma lesão quais tipos e como que ocorreu. A traumatologia forense estuda as lesões e estudos patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por violência sobre o corpo humano, assim como as diversas energias causadoras de lesão. As energias causadoras de lesão podem ser: 1. Energias físicas de ordem mecânica: estuda movimento - energia cinética - que determina as lesões. Exemplos: soco, tiro, queda, acidente automobilístico, facada). 2. Energias físicas de ordem não mecânica: exemplo radiação, calor, fogo, frio, eletricidade. 3. E n e r g i a s q u ím i c a s : e x emp l o queimadura por ácido. 4. Energ i a s b ioqu ím icas : g rande interação com o organismo, exemplo sepse. 5. Energias fisicoquímicas: exemplo asfixia. Por esganadura. A constrição do pescoço pelas mãos do agressor chama-se esganadura, causa alterações químicas no sangue que levam a morte). 6. Energias mistas. Energias físicas de ordem mecânica: Tipos de lesões: PAULA R. C. PENTEADO - T6 !4 MEDICINA - 4º SEMESTRE 1. Lesões punctórias ou puntiformes: possui forma de ponto e é causada por um agente perfurante. É algo que perfura a pele causando uma lesão. Além de ser em forma de ponto, é profunda. Característica de ser mais profunda do que extensa. Exemplo: marca de agulha na pele. A agulha perfura dos tecidos e afasta os tecidos, e tende a fechar sozinho. 2. Lesões incisas: é um corte. Causam incisão. Causada por instrumento bem afiado, como faca, bisturi, folha de papel. Esse agente tem outras características: lâmina, rígido para perfurar a pele, formato cilíndrico fico e com ponta. O agente que causa a lesão incisa é chamado agente cortante. Exemplo: faca deslizando sobre a pele. Lesão em formato biconvexo alongado, podendo ser as bordas mais aberta ou mais fechadas (a depender do tipo de agente cortante, exemplo: papel vs faca). Lesão é caracterizada por ser mais extensa do que profunda, secciona os tecidos. Ao seccionar os tecidos e os vasos sanguíneos causa muito mais sangramento, são lesões que sangram muito mais. 3. Lesões contusas: contusão. O agente causador é chamado de contundente. 4. Lesões perfuro-incisas: causa por agente perfuro-cortante, como penetrar uma faca pelo tecido como facada. Há muito sangramento, mas a lesão é mais profunda do que extensa. É caracterizada pela profundidade. O sangramento não para. 5. Lesões perfuro-contusas: causada por um agente perfuro-contundente, como um projétil de arma de fogo, espeto de churrasco enfiando na pele, ponta do guarda-chuva. Além de ser perfurante, causa um orifício com asbordas irregulares. É uma lesão perfurante mas ao mesmo tempo que causa uma contusão. A borda é irregular por causar uma fricção no tecido. Costuma ser uma lesão sangrante. 6. Lesões corto-contusas: causada por agente corto-contundente. Há presença de gume e instrumento afinado e contusão. Como uma machadada. O corte é mais profundo só que com borda irregular, com equimose. Por exemplo: uma faca, muito afiada, e ao ser passada na pele causa uma extensa lesão incisa, a faca é um agente cortante. Se esta mesma faca é usada para dar uma facada é um agente perfuro- cortante. Se esta mesma faca é usada para dar em cima de uma pessoa causando um galo, é um agente contundente. ↳por t an to , A LESÃO É QUEM DETERMINA O AGENTE e não o contrário. Isso porque o mesmo agente pode causar diversos tipos de lesão. Dependendo da forma como o objeto for usado, vai ter um determinado tipo de lesão, e somente após a lesão que se determina o agente. Lesões punctórias ou puntiformes: São causadas por agentes perfurantes, ou seja, que agem por pressão causando afastamento dos tecidos, penetrando-os. Exemplo: uma agulha ao penetrar a pele (A agulha vai ser um objeto perfurante se, e somente se, a lesão for puntiforme). Externamente tem aparência circular e pequena. É uma lesão mais profunda do que extensa. É pouco sangrante. Se os danos são menores ou não, é questionável. O diâmetro da lesão é menor do que o instrumento que causou a lesão, porque pela elasticidade da pele a tendencia dos tecidos é voltar para o original (se for causada em morto, a tendencia é ter o mesmo diâmetro do que causou). Características: tenha ponta, seja rígido, seja fino. Exemplos: agulha, caneta bic, prego, garfo. Lesões puntiformes causadas por um objeto perfurante que possuem um diâmetro maior, o aspecto da lesão ficará um furo com um d iâmetro ma ior , mas como at inge uma profundidade, como músculo, deforme a lesão, causando uma lesão alongada, dando aspecto de uma lesão incisa. Para diferenciar é preciso avaliar as diversas lesões para ver o formato a orientação dela. ↳Primeira lei de Filhos: as soluções de continuidade dessas feridas assemelham-se às PAULA R. C. PENTEADO - T6 !5 MEDICINA - 4º SEMESTRE produzidas por instrumento de dois gumes ou tomam a aparência de “casa de botão” (biconvexa alongada). ↳Segunda lei de Filhos: quando essas feridas se mostram numa mesma região onde as linhas de força tenham um só sentido, seu maior eixo tem sempre a mesma direção. ↳Lei de Langer: na confluência de regiões de l inhas de forças diferentes, a extremidade da lesão toma o aspecto de ponta de seta, de triangulo, ou mesmo de quadrilátero. Lesões incisas: São causadas por agentes cortantes, ou seja, que agem por deslizamento através de uma borda aguçada a que se dá o nome de gume ou fio, seccionando as fibras dos tecidos. A lesão é mais extensa do que profunda, com bordas lisas e regulares com ângulos muito agudos, mais profunda no terço inicial, e causa de escoriação (isso permite dizer se a lesão foi feita da direta para a esquerda ou da esquerda para direita), geralmente são muito sangrantes. A cauda de escoriação é a área menos profunda e mais superficial do que o começo, caracterizando como sendo a cauda de escoriação. Em lesões causada por bisturi por cirurgião não há cauda de escoriação, pois o bistura entra e sai em 90º. ↳Lesão causada da esquerda para a direita do paciente. Sinal de Chavigny: como sabe qual foi a primeira lesão a ser produzida. Ao chegar no hospital ou ao IML com a lesão estrelada, é necessário suturar para saber qual foi a lesão primária e a lesão secundária. Ao recompor a lesão, sabe-se qual foi a primeira lesão. Lesões específicas: - Esquertejamento: divisão do corpo em partes para ocultação ou para dificultar identificação - feito post morten), - Espostejamento: fragmentação do corpo mas não pós mortal, redução do corpo a fragmentos diversos e irregulares, como acidentes ferroviários), - Decapitação: separação da cabeça do corpo, também para dificultar a identificação), - Esgorjamento: lesão transversal e profunda na região anterior do pescoço, como linha de cerol, ataques para matar em emboscada), - Degolamento: lesão em outras partes do pescoço, principalmente posterior, muitas vezes com lesão na coluna). Lesões contusas: Causada por agente contundente, que age por pressão e deslizamento na maioria da vezes. Meios ou instrumentos geralmente com superfície plana que atua sobre o corpo. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !6 Os c í rcu los em vermelho caracterizam a lesão como puntiforme, onde o objeto penetra mas ao sair a lesão cursa na direção das fibras, não interessando como o objeto tenha sido colocado. O preto é para comparar com uma lesão incisa que não respeita as fibras. MEDICINA - 4º SEMESTRE Superfície lisa, áspera, anfractuosa ou irregular. Geralmente são sólidos, mas podem ser líquidos ou gasosos. Contusão: ativa (quando o objeto vai em direção a pessoa), passiva (quando a peessoa vai em direção ao objeto) ou mista. Contusão, ferimento contuso e ferida contusa. A. RUBEFAÇÃO: Vermelhidão, congestão repentina e momentânea. Há reação inflamatória, onde provoca o avermelhamento. Exemplo: um tapa que fica um vermelho temporário. Não é considerada um crime de lesão corporal por ser uma lesão temporária. Não houve traumatismo. B. ESCORIAÇÃO: Arrancamento da camada superficial da pele, deixando a derme aberta. Existe saída de sangue e serosidade. Existe uma restituição da epiderme quando há cicatrização. Se o ralado for muito intenso e chega na muscular, há uma lesão mais completa e profunda havendo cicatriz. A escoriação realizada em um cadáver nunca formará casquinha de cicatrização (crosta hemática). ↝ Necessário descrever sobre a crosta hemática. Se ela já estiver aderida ou se soltando quer dizer épocas diferentes. Abrasão é um sinônimo de escoriação. Lesão de arraste: estriações paralelas. C. EQUIMOSE: Infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos, por rotura de capilares = mancha. Prova irrefutável de reação vital. Em cadáver pode chutar e bater, fazer o que quiser, mas não irá formar equimose. Podem aparecer tard iamente, em rompimento de vasos muito internos, pode aparecer tardiamente e em outro local que não o de origem. Normalmente imprimem o objeto que foi usado. V íb i ce s são t i po s de equ imose semelhantes a cobrinhas e ondulações. Tonalidade da equimose: avermelhada ↝ vermelho escura ↝ violácea ↝ azulada ↝ esverdeada ↝ amarelada. Espectro equimótico de Legrand du Saulle: 1º dia vermelha; 2º e 3º dia violácea; 4º a 6º dia azul; 7º a 10º dia esverdeada; 12º dia amarelada; 15º a 20º dia desaparecimento. D. HEMATOMA: Causado por ruptura de vasos de grande calibre. Há formação de volume. Quantidade de sangue que não se infiltra nas malhas de tecido. Os hematomas podem ser internos, com reabsorção mais demorada. Podem sumir sozinhos mas as vezes precisam ser drenados. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !7 MEDICINA - 4º SEMESTRE O s h e m a t o m a s p o d e m n ã o necessariamente aparecer na pele, as vezes podem estar localizados intramuscularmente ou no cérebro. Lesão lácero-contusa: É uma contusão que vence a barreira da pele e causa abertura do tecido. O fundo da lesão é irregular, possui pontes de tecido conjuntivo conectando as lesões. São menos sangrantes do que as lesões incisas. Exemplo: um soco que abre o supercílio é muito fácil de ocorrer. A. Fraturas: podem ser abertas ou fechadas, perda da contiguidade óssea. B. Luxações: alteração da articulação. Quando o osso sai da articulação. C. Entorses: partes moles como tendão; secção ou apenas um estiramento. D. Explosões: deslocamento de ar. E. Encravamento: não são meramente contusos . O d iâmetro aumentado do encravamento deixará uma contusão, umaequimose. F. Lesões por precipitação e por desaceleração: batida de carro no muro. É muito danoso para os órgãos porque faz com que eles se choquem com a “parede” interna. Lesões pérfuro-incisas: Causadas por agente pérfuro-cortante, perfurando com a ponta e cortando com o gume. Age por deslizamento e pressão. É uma lesão muito sangrante. Fica com aspecto biconvexo-alongado. Possui bordas lisas irregulares, duas ou mais caudas. É profunda e sangrante. Lesões corto-contusas: Causada por agente corto-contundente, portador de gume e com ação contundente, agindo por deslizamento, pressão e percussão (pancada). Apresenta bordas regulares e contundidas, forma variável, geralmente profunda, características cortantes e contundentes, sem cauda de escoriação, sem pontes de tecido íntegro no interior de cada lesão. Exemplo é a machadada: lâmina, corte mas também lesão contusa. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !8 MEDICINA - 4º SEMESTRE Lesão perfuro-contusa: Causada por um agente pérfuro- contundente, que atua através de uma ponta, perfurando e contundindo os tecidos. Age por pressão. A ação contusa pode ser pela largura do objeto ou por sua ponta romba ou sua velocidade. A lesão apresenta orifício circular ou ovalado. Bordas invertidas ou evertidas. A profundidade é maior do que a extensão. É o caso do projétil de arma da fogo. Lesão por projétil de arma de fogo: pode ser transfixante ou não. Orifício de entrada e orifício de saída. O mais importante é o trajeto que o projétil fará e mostra quais órgãos foram atingidos e se há lesão interna. Para a medicina legal é muito importante o orifício de entrada. O trajeto fará um túnel ou uma cavidade permanente por onde ele passa, deixando também uma cavidade temporária e vai causar lesões em órgãos adjacentes. ↳Projétil: existem vários tipos, diversos tamanhos, formatos. Os projéteis de .38 são muito menos perigosos do que os de fuzil, e causam menos danos. ↳Orla de escoriação: ponto de contato. Epiderme que é arrancada pela ação contundente, formando a orla de escoriação. Pode esclarecer a inclinação do tiro. Está presente em qualquer distância. ↳O disparo a longa distância é circular e ovalado com as bordas invertidas. Há presença de equimose nas bordas. Há presença de escoriação porque há lesão da epiderme mas a derme está íntegra. Há orla de escoriação e enxugo. ↝ Orifício de entrada. ↳Disparo a média distância: orla de escoriação e enxugo, presença de zona de tatuagem (zona de impregnação da pólvora). ↳Disparo a curta distância: orla de escoriação e enxugo, zona de tatuagem, zona de esfumaçamento. ↳Disparo a queima roupa: orla de escoriação e enxugo, zona de tatuagem, zona de esfumaçamento, zona de chamuscamento. ↳Disparo encostado: apresenta forma variada, irregular e estrelada. orla de escoriação e e n x u g o , z o n a d e t a t u a g em , z o n a d e esfumaçamento, zona de chamuscamento estará presente dentro da pele. Sinal de câmara de mina de Hoffmann, aparência de câmara de mina de carvão, dentro está cheio de fuligem. Sinal de Benassi é a impregnação de fuligem e pólvora no osso, como no caso do crânio, ele permanece mesmo em indivíduos mortes há muito tempo. Sinal de Puppe-Werkgaertner, em regiões onde não tem partes ósseas em baixo, terá a marca da boca da arma e da massa de mira na pele, causando uma equimose. ↳Orifício de saída: é irregular, forma estrelada, bordas evertidas, maior sangramento, não apresenta orla de escoriação e de enxugo. ↳Sinal de Bonnet: é visto em ossos chatos, os ossos chatos são compostos por lâmina dura de osso compacto recheado de osso esponjoso. Quando o projétil passa, ele deixa orifícios diferentes na tábua interna e na tábua externa. Quando o projétil atinge a lamina óssea externa do crânio, apresenta resistência devido a segunda camada de osso compacto, fazendo apenas um furinho, na lâmina interna, como não tem resistência por não ter mais osso embaixo, ele abre e faz um rasgo. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !9 MEDICINA - 4º SEMESTRE ↳A partir disso, dá para saber se o tipo foi de frente para trás ou de trás para frente. Embriaguez alcoólica e toxicofilia: Toxicofilia: É o estado de intoxicação periódica ou crônica, nociva ao indivíduo ou à sociedade, produzida pelo repetido consumo de uma droga natural ou sintética. Tóxico ou droga: grupo muito grande de substâncias naturais, sintéticas ou semi-sintéticas que podem causar tolerância, dependência e crise de abstinência. Tolerância: necessidade de doses cada vez mais elevadas para ter efeitos semelhantes. Dependência: interação existente entre o metabolismo orgânico do viciado e o consumo de determinada droga. Crise ou síndrome de abstinência: síndrome caracterizada por náuseas, vômitos, irritabilidade, anorexia e distúrbios do sono. Sinais e sintomas desagradáveis, geralmente o oposto do da droga. Hábito: uso constante com tendência a aumentar a dose. Variedade de drogas: - Maconha: extraída da canabis sativa. Consumo em forma de xaropes, pastilhas, infusões, bolos de folha para mascar, e cigarros ou cachimbos. O princípio ativo é o THC. Os principais efeitos são fuga da realidade, prostração ou agitação, lassidão, olhar perdido à distância, memória afetada, falta de orientação no tempo e no espaço, perda da ambição, valorizam apenas o presente, ilusão de prolongamento da vida, sensação de flutuar entre as nuvens. Não causa dependência física. - Morfina: alcalóide derivado do ópio. Via intramuscular. Período de estado caracterizado por emagrecimento, palidez, envelhecimento precoce, queda de cabelo, impotência sexual, e caquexia. - Heroína: é sintética, um éter diacético da morfina. Injetado ou misturado ao fumo. 5 vezes mais potente que a morfina. - Cocaína: aumenta a dopamina cerebral. Causa grave depressão após uso. Pode ser aspirada, injetada ou esfregada na mucosa gengival. Os sintomas de intoxicação aguda são: excitação motora, agitação, confusão mental, ansiedade, loquacidade, afasia, paralisia, tremores, convulsões, taquicardia, hipertensão, dor precordial, polipnéia, síncope respiratória, náuseas, vômitos e oligúria. O seu uso crônico pode causar perfuração do septo nasal e lesão no SNC. As mortes quase sempre são causadas por perturbações cardíacas. - LSD: semi sintético. É extraída da ergotina do centeio. É a droga com o maior poder alucinógeno conhecido. Utilizada em tabletes de açúcar. Reações de megalomania, depressão profunda, perturbações paranóicas e confusão geral. - Ecstasy: MDMA. Causa aumento da dopamina e serotonina cerebral por cerca de 10 horas. Causa alucinações e graves alterações ACV e AR. - Barbitúricos: a embriaguez barbitúrica é caracterizada por tremores, perturbação da marcha, disartria, sonolência, estado confusional, apatia e bradipsiquia. - Ópio: extraído das cápsulas de papoula. Usada em formas de cigarro. Possui uma fase de excitação geral seguido de depressão e hiperatividade. - Anfetamina: é a bala. Ritalina, dexedrina, predulin, lisdexanfetamina. Causa degeneração das células cerebrais. Utilizadas para evitar a sonolência, desinibir, e euforizar. Causa delírios, paranóias, hipertensão arterial , tremores, inquietação psicomotora, incapacidade de atenção, obinubilação e confusão mental. É a droga mais usada e facilmente adquirida no brasil. - Crack: o efeito é semelhante a cocaína. É a cocaína não refinada + NaHCO3. É 10 vezes mais potente que a cocaína. Usada através de PAULA R. C. PENTEADO - T6 !10 MEDICINA - 4º SEMESTRE cachimbos. Mais usada nas cidades do sudeste e sul. Possui maior poder de viciar e produzir danos. - Cogume lo : a luc inógeno natura l . Manifestação colérica, hepatorrenal e neurológica. - Cola de sapateiro: euforia e alucinação. Fase mais avançada causa lesões na medula, rins e nervos periféricos. - Merla: opção mais barata do crack. Efeitoscom duração de 15 minutos, no início bem estar, depois agitação e nervosismo. O primeiro órgão a ser atingido é o fígado, com hepatite tóxica, depois destruição dos neurônios. - “Oxi”: obtido da mistura da pasta base de cocaína com querosene, gasolina, cal virgem ou solvente usado em construções. A droga é geralmente consumida numa mistura com o cigarro comum ou com o cigarro de maconha. Age no sistema nervoso, proporcionando sensações var iadas que dependem das características do usuário, podendo proporcionar desde prazer e alívio até angústia e paranóia. Embriaguez alcóolica: Embriaguez: conjunto de manifestações neuropsicossomáticas resultantes da intoxicação etílica aguda, de caráter episódico e passageiro. Alcoolismo: síndrome psico orgânica resultante do uso crônico de álcool ou etanol. Formas de embriaguez: - Fisiológica: excitação, confusão e sonolento. - Patológica: agressivo, excito-motora, convulsiva, e delirante. Embriaguez alcóolica aguda: - Manifestações clínicas: congestão das conjuntivas, taquicardia, taquipnéia, taquiesfigmia, hálito alcóolico acético. - Manifestações neurológicas: alterações no equilíbrio, marcha embriosa ou cerebelar, alterações da coordenação motora, disartria, alteração do tônus muscular, inibição da sensibil idade tátil , térmica e dolorosa, e fenômenos vagais. - Manifestações psíquicas: alterações do humor, da senso-percepção e do curso de pensamento. Atividades caracterizadas pelo exagero e pelo ridículo. Ato sexual prejudicado. Formas de embriaguez: - Culposa: imprudência ou negligência de beber exageradamente e de não conhecer os seus efeitos - não isenta de responsabilidade. - Acidental: por engano, achou que era inócua e tinha alto teor alcóolico ou usou medicamento que potencializou o efeito - pode isentar de responsabilidade. - Força maior: incapaz de prever ou resistir. Exemplo: em ambiente que todos bebem, bebe para não ficar em desacordo. - Preordenada: agente se embriaga para adquirir funções psíquicas que favoreçam a prática criminosa. Agravante de pena. - Habitual: vive sob dependência do álcool, bebe frequentemente, equilibra reações e esconde inibições. - Patológica: ingestão de pequenas doses com manifestações intempestivas: agressiva e violenta (tendência ao crime); excitação motora (raiva e destruição); convulsiva (impulso destruidores e sanguinários); e delirante (delírios com tendência a autoacusação). Código de transito: - Art. 3: confirmação da alteração da capacidade psicomotora em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência dar-se-á por meio de exame de sangue; exames realizados por laboratórios especializados; teste em aparelho destinado à medição do teor alcóolico no ar alveolar; verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor. - Art. 6: infração prevista no art. 165 do CTB: exame de sangue qualquer concentração de álcool por litro de sangue (0,0 dg/L de sangue); teste de etilômetro > ou = 0,05 mg/L de ar alveolar expirado; sinais de alteração da capacidade psicomotora. - Art. 7: o crime previsto no art. 306 do CTB: exame de sangue > ou = 6 dg/L de sangue; teste de etilômetro > ou = 0,34 mg/L de ar alveolar expirado; sinais de alteração da capacidade psicomotora. “É obrigatório a realização do exame de alcoolemia para vítimas fatais de trânsito”. Responsabilidade criminal: Código penal: PAULA R. C. PENTEADO - T6 !11 MEDICINA - 4º SEMESTRE 1. É considerado inimputável aquele que não tem condições de autodeterminação na data do crime ou que seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. É isento de pena. Exemplo: portadores de doença mental. 2. P o d e h a v e r I n e x i s t ê n c i a d e responsabilidade no caso de embriaguez absoluta e por força maior, acidental, patológica ou fortuita. 3. Aquele que é dependente crônico do álcool, vulgarmente conhecido como alcoólatra, pode ser tido como inimputável quando em razão do alcoolismo perder a capacidade entender ou de querer. É Imputável quem se coloca de forma culposa ou dolosa em condições de inconsciência e comete delito. 4. A Embriaguez Preordenada, aquela na qual o agente bebe para se encorajar a cometer o crime, não o isenta de pena, mesmo que não tenha plena consciência do que faz no momento do fato. Aplica-se aqui a Teoria da “actio libera in causa”. E ainda a pena é agravada se, se coloca deliberadamente no estado de embriaguez com finalidade para a prática do delito. 5. Em relação à inimputabilidade pela idade o Código Penal adotou o critério biológico. Assim, basta que a pessoa tenha menos de 18 anos na data da conduta para ser inimputável. 6. Contravenção penal: apresentar-se publicamente em estado de embriaguez, de modo que cause escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia. 7. Servir bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, pessoas embriagadas, doente mentais, ou juridicamente proibidas de freqüentar lugares em que se consomem bebidas. Já a embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior que deixe o agente inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, isenta-o da pena. Em caso de o agente não possuir plena capacidade de, ao tempo da ação ou omissão, entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento, em função de embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior, sua pena poderá ser reduzida de um a dois terços. Asfixias médico-legais: Ocorre quando cara órgão, tecido, célula, organela não mais dispõe do oxigênio vital para a própria produção energética. É um estado de anóxia. Mecânica: interferência ou impedimento da respiração de modo físico. Química: interferência no metabolismo respiratório. Englobam as asfixias que envolvem os alvéolos e as vias aéreas. A asfixia é a síndrome caracterizada pelos efeitos da ausência de oxigênio no ar respirado por impedimento mecânico de causa fortuita, violenta ou externa em circunstâncias as mais variadas. Ou a privação completa ou incompleta, rápida ou lenta, interna ou externa do oxigênio. A maioria das asfixias medico-legais são relacionadas a uma causa externa de óbito. Nenhum dos senhores está autorizado a assinar uma DO por causa externa, salvo em situações muito particulares. As mortes violentas são sempre atribuição do médico legista. Nos aspectos jurídicos é necessário definir as causas básicas da morte. A causa jurídica é associada a investigação e ao juízo do magistrado. Existem algumas causas por asfixias que são por homicídios ou os homicídios são muito prováveis. No exame necroscópico sempre há indícios de materialidade do crime, como o material que foi usado no crime. A autoria é quase possível ser determinada, como em uma esganadura cervical tem um padrão de unha bem especifico, mordedura também marca a arca dentária. Pelo código penal, a asfixia em um homicídio doloso é sempre qualificadora (que torna um crime qualificado, é algum elemento que agrava o crime, por ex, matar a tiro vs. matar queimada ↝ matar queimada é um crime qualificado pois é mais bruto e causa mais sofrimento). **DO é preenchida de baixo para cima, sendo que embaixo sempre as causas básicas, meio causas intermediárias e no topo a causa que provocou a morte (causa terminal) exemplo: edema agudo de pulmão (causa terminal) por afogamento (causa básica). PAULA R. C. PENTEADO - T6 !12 MEDICINA - 4º SEMESTRE Afogamento e esganadura são formas que causam sofrimento. Exame necroscópico: tecnica de exame e tecnica de pericia criminal. Há o encontro de cadáver, perinecroscopia e depois necroscopia. Encontro de cadáver: quando se encontra o cadáver, necessário isolamento do local e procura de elementos que podem indicar presença de terceiros.Exame perinecroscópio: exame externo do cadáver e da vítima; na asfixia tem vários sinais indicativos que podem ser encontrados. Necrópsia: exame interno e confirmação dos achados na procura externa. ↝ chamado de centrípeto. Baseado nos exames, as asf ix ias mecânicas possuem encontros em comum: •fenômeno cadavérico: com esfriamento mais demorado; rigidez é mais intensa e prolongada; putrefação é mais precoce e acelerada porque as células ja estão privadas de oxigênio antes do óbito; as hipóstases são mais precoces, abundantes e de tonalidade escura, devido a falta de oxigênio no sangue. •externas: cianose da pele principalmente face e extremidades (face, língua, unha); pode ter equimoses conjuntivas; presença de cogumelo d espumas presentes nos afogados e alguns tipos de asfixias. •internas: equimoses viscerais; manchas de Tardieu ou Paltauf; congestão visceral; fluidez sanguínea, principalmente nos afogados. O local mais comum de petéquias são na face, conjuntival, pulmão e coração. As hemorragias conjuntivais são pequenas mas podem apresentar um padrão maior; ocorre no vivo então é chamado de petéquias ou de equimose. Equimoses viscerais (Tardieu): pericárdio, pericrânio, pulmão e timo. O cogumelo de espuma pode conter conteúdo proteico. É indicativo de asfixia. Os sinais gerais de asfixia podem estar ausentes e não são suficientes para atestar e firmar o diagnóstico de uma asfixia. Classificação das asfixias: •asfixias por alteração da dinâmica respiratória: asfixias por constrição do pescoço; asfixias por sufocação; •asfixias por alteração do meio ambiente: oxiprivas; soterramento; afogamento. ASF IX IAS POR CONSTR IÇÃO CERVICAL: Vão ter efeitos semelhantes na patologia. Podem matar uma pessoa por: constrição do seio carotídeo causando uma parada cardíaca; compressão venosa da jugular causando cianose e petéquias na face; compressão carotídea e perda da consciência; obstrução da via aérea impedindo o fluxo aéreo. - ENFORCAMENTO: É a modalidade da asfixia mecânica determinada pela constrição do descoco por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto dado, agindo o próprio peso do individuo como força viva. Natureza jurídica: suicida, homicida ou acidental. Na execução legal ocorre um traumatismo raquimedular, onde a pessoa não morre por asfixia mas sim por traumatismo raquimedular. Englobam os executados a mando do governo. Os locais de enforcamento: nível em que consiga colocar o laço no pescoço ↝ se o laço estiver muito alto é indicativo de que alguém o tenha colocado lá. Pode ser enforcado em pé, joelhos dobrados, ajoelhado, sentado ou deitado. Os tipos são típicos e atípicos. •típico: um sulco cervical obliquo onde o nó esta na parte occipital da cabeça. •os atípicos os nós se localizam em outros locais que não na parte occipital da cabeça. O sulco cervical é normalmente obliquo, de baixo para cima, e de frente para trás. O nó não encosta na pele, então a marca chega ate a metade lateral do pescoço e na parte traseira não apresenta sinais. Os bordos são desiguais pois a porta superior é mais marcada e a inferior nem tanto. Normalmente localizado mais superiormente quase encostando no limite com o queixo. Sinais externos: faces congestas e as vezes pálidas, porque ha interrompimento da drenagem venosa; petéquias conjuntivais e às vezes na pele; livores cadavéricos (mancha roxa) acima do sulco; língua protusa; livores cadavéricos nas extremidades. Sinais internos: equimoses do subcutâneo e musculatura cervical; sufusões adventícias dos grandes vasos cervicais (sinal de Friedberg); rotura PAULA R. C. PENTEADO - T6 !13 MEDICINA - 4º SEMESTRE de musculatura cervical; fratura do osso hióide; fraturas de cartilagens laríngeas; rotura da tireoide; lesões vertebrais; sinais gerais de asfixia; rotura transversal da íntima da carótida (sinal de Amussat). - ESTRANGULAMENTO: Asfixia mecânica por constrição do pescoço por laço tracionado por qualquer outra força que não seja o próprio peso da vitima. Natureza jurídica: homicidio, acidente, suicidio. Sinais externos: •sulco cervical único ou múltiplo. Características produzidas pelo laço: geralmente transverso e horizontal (às vezes oblíquo); contínuo, faltando a interrupção ao nível do nó, que encosta no pescoço; bordos iguais por uniformidade do decalque. •cianose na face. •lesões de ataque e defesa (eventualmente). **ao redor podem ter escoriações, tendem a ter mais de uma linha e podem mudar o plano. A equimose pode ser mais difusa e não seguem o padrão da corda. Sinais internos: •sinais gerais de asfixia; •congestão do cérebro e das meninges; •hemorragias dos músculos cervicais; •lesões de cartilagens cervicais e osso hióide. - ESGANADURA: Efetivada pelas mãos do oponente podendo atuar ainda os joelhos, os pés e as gravatas com os membros. É definida como o uso dos segmentos corporais do oponente para efetivação da manobra. É SEMPRE homicida. Podem ser: atípicas (uso de joelhos, braço, entre outro) ou típicas (uso das mãos). Sinais externos: petéquias conjuntivais; equimose no pescoço; escoriação no pescoço (estigmas ungueais nas esganaduras típicas ↝ marca de unhas e dedos); sinais de ataque e defesa. Sinais internos: sinais gerais de asfixia; infiltrações sanguíneas dos planos do pescoço (as lesões são mais difusas por conta de briga e a pressão não ficou somente em uma posição só); fraturas das cartilagens da laringe; fratura do hióide. - SUFOCAÇÃO: É a modalidade de asfixia mecânica produzida por impedimento da passagem do ar respirado por meio direto ou indireto de obstrução. Direta: é a obstrução com impedimento de entrada de ar pela boca e/ou narinas e/ou vias aéreas. Exemplo: engasco com carne, criança que engole moeda ↝ bloqueio da traqueia. Indireta: consiste no bloqueio à expansão torácica extrinsecamente (movimentos respiratórios). Ou seja, os movimentos do tórax são impedidos. Exemplo: compressão do tórax; morte de Jesus na cruz porque não conseguia expandir o tórax devido ao peso em cima dele. Sufocação direta: •acidental: crianças menores de 1 ano dormindo com pai e mãe; ataques epiléticos, síncopes, embriaguez/superfícies macias e nos RN entre colchão e barra do berço/ crianças maiores com sacos plásticos envolvendo a cabeça. •criminosa: oclusão manual, normalmente relacionada a superioridade de forças do agressor, gerando impossibilidade da vitima se defender; infanticídio (quando mãe mata a criança em decorrência de um estado puerperal, a pena é menor; ocasionada em bebês recém-nascidos); smorthering (envolver a cabeça com panos; normalmente acompanhada de água nos panos para dificultar ainda mais a passagem de ar); violência sexual (como durante o estupro, o estuprador tampa a boca e as vias aéreas e a vítima não respira mais adequadamente); amordaçamento. •suicida: sacos plásticos ao redor da cabeça. ASFIXIAS OXIPRIVAS: - CONFINAMENTO: A asfixia do indivíduo enclausurado em um espaço restrito e fechado, sem renovação de ar atmosférico, por esgotamento de oxigênio e aumento gradativo de gás carbônico. - GASES INERTES: Ambientes saturados de gases inertes e pouco tóxicos como butano, metano, propano, entre outros, que agem como bloqueadores mecânicos da respiração. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !14 MEDICINA - 4º SEMESTRE - SOTERRAMENTO: Quando o meio gasoso foi substituído por meio sólido (terra, areia, farinha, entre outros). A natureza jurídica da maioria dos casos é acidental, podendo, no entanto, ser homicídio. Sinais externos: lesões contusas pelo impacto do material soterraste; resíduos do meio nas vias respiratórias. Sinais internos: sinais gerais de asfixia; sinais de sólidos na via aéra. - AFOGAMENTO: É a modalidade da asfixia, na qual ocorre a troca do meio gasoso por meio líquido, impedindo a troca gasosa. Diferenças entre afogamentoem água dose e água salgada: •água doce ↝ fibrilação ventricular, alteração hidroeletrolítica, sangue diluído, e diminuição do volume sanguíneo. •água salgada ↝ edema pulmonar, hiperosmolar, volume sanguíneo aumentado. Sinais externos: pele anserina; cogumelo de espuma; erosão nos dedos; resíduos minerais e/ ou vegetais na pele e roupa; corpos estranhos sob as unhas; maceração epidérmica; lesões de pele por arrastamento no fundo; lesões pós-mortais produzidas por peixes e crustáceos. Sinais internos: presença de líquidos nas vias respiratórias; presença de corpos estranhos no liquido das vias respiratórias; manchas de Paltauf nos pulmões; diluição do sangue; presença de líquidos no sistema digestivo. I m p l i c a ç õ e s : s e a m o r t e f o i verdadeiramente por afogamento típico; estando o indivíduo dentro da agua, se foi morte natural ou violenta; se o cadáver foi colocado em meio líquido para simular afogamento. PAULA R. C. PENTEADO - T6 !15 Medicina Legal Introdução: Perícias e peritos: Documentos médico legais: Traumatologia ou lesonologia médico-legal: Embriaguez alcoólica e toxicofilia: Asfixias médico-legais: