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MEDICINA - 4º SEMESTRE
Medicina Legal 
Introdução: 
Século XIX ocorreu a maturidade da 
medicina legal. 
Os primeiros documentos médico-legais 
surgiram ao findar do período colonial, sob influência 
dos autores franceses, italianos e alemães. 
Para Oscar Freire, a evolução da medicina 
legal no brasil, compreende 3 fases: 
1. Estrangeira: fim do período colonial 
até Agostinho de Souza Lima. Em 1832 as 
escolas médico cirúrgicas do RJ e Bahia são 
transformadas em faculdades oficiais, contendo 
a cadeira de medicina legal. 
2. De transição: com Agostinho de 
Souza Lima o ensino da medicina legal assuma 
caráter prático. 
3. De nacionalização: com a posse de 
Raimundo Nina Rodrigues, em 1895, como 
catedrático de medicina legal da faculdade de 
medicina da Bahia. Teve como discípulos Júlio 
Afranio Peixoto e Oscar Freire, que organizou a 
medicina legal em SP. A ele se atribuiu a 
criação da autêntica escola brasileira de 
especialidade. 
Noções de direito processual e penal: 
Sujeitos do processo: 
Juiz. 
Singular, engloba todos os crimes, com 
exceção aos contra a vida. 
Tribunal do juri: julga se é culpado ou 
inocente. A pena é aplicada pela juiz. 
Réu: o indiciado, contra quem presume-se 
que tenha provas suficientes para que o MP 
denuncie. 
Advogado do réu: obrigatório. 
MP: representante da sociedade. 
Atos/Etapas processuais: 
Notitia Criminis: indício ou ocorrência de 
natureza criminosa que chega ao conhecimento da 
autoridade policial. 
Boletim de ocorrência (BO) - delegacia de 
polícia: registro da notícia crome que aciona o 
aparelho da polícia judiciária. 
Inquérito policial (IP): fase de investigação 
para apontar a autoria e juntada de provas. 
Indiciado: apontado agente do delito. 
Perícias e perit: 
Prova: elemento demonstrativo da 
autenticidade ou da veracidade de um fato. 
Exame corpo de delito: conjunto de 
elementos sensíveis denunciadores do fato 
criminoso, são os elementos materiais perceptíveis, 
resultantes da infração penal. Pode ser feito em 
qualquer “corpo” como pessoa ou parte dela, objeto, 
lugar, etc. 
↳Descrito no Art. 158. 
Períc ia médico- lega l : conjunto de 
procedimentos médicos e técnicos que tem como 
finalidade o esclarecimento de um fato de interesse 
da justiça. É o documento elaborado por perito e 
que passa a fazer parte integrante do processo. 
Pode ser: 
↳Direta: realizada pelo perito em contato 
direto com a pessoa ou no material submetido a 
exame. 
↳Indireto: é realizada pelo perito, levando 
em conta dados fornecidos anteriormente sobre o 
fato ou já registrado em outros documentos. 
Perito: pessoas técnicas, especialistas, 
qualificadas e experientes em certos assuntos, a 
quem incumbe a tarefa de esclarecer a respeito de 
assuntos próprios de suas profissões. 
Perito oficial: profissional que realiza a 
perícia, em função de ofício. Funcionário d 
repartição oficial, cuja atribuição é a prática pericial. 
O código de processo penal determina a 
exclusividade dos peritos oficiais para exame técnico. 
Perito louvado ou nomeado: indicado pelo 
juiz. É imparcial e justo. 
Assistentes técnicos: profissional indicado 
pelas partes para acompanhar os exames do perito 
do Juiz. 
Perícia contraditória: diferentes peritos 
chegam a conclusões diversas sobre a mesma 
matéria médica. Cada qual fará o seu laudo. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !1
MEDICINA - 4º SEMESTRE
Código do processo penal: 
↳Art. 158: quando a infração deixar 
vestígios, será indispensável o exame de corpo de 
delito, direto ou indireto. Conjunto de elementos 
sensíveis denunciadores do fato criminoso, 
resultantes da infração penal. 
↳Art. 159: o exame de corpo de delito e 
outras perícias serão realizados por peritos oficiais, 
portador de diploma de curso superior. Caput 1: na 
falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso 
superior preferencialmente na área específica. 
Caput 2: os peritos não oficiais prestarão o 
compromisso de bem e fielmente desempenhar o 
cargo. Caput 7: Tratando-se de perícia complexa 
que abranja mais de uma área de conhecimento 
especializado, poer-se-á designar a atuação de mais 
de um perito oficial, e a parte indicar mais de um 
assistente técnico. 
↳Art. 160: os peritos elaborarão o laudo 
pericial, onde descreverão minuciosamente o que 
examinarem, e responderão aos quesitos 
formulados. 
↳Art. 161: o exame de corpo de delito 
poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora. 
↳Art. 162: a autópsia será feita pelo 
menos 6 horas depois do óbito, salvo se os peritos, 
pela evidência de sinais de morte, julgarem que 
possa ser feita antes daquele prazo, o que 
declararão no auto. 
↳Art. 163: em caso de exumação para 
exame cadavérico, a autoridade providenciará para 
que, em dia e hora previamente marcados, se 
realize a diligência, da qual se lavrará auto 
circunstanciado. 
↳Art. 164: os cadáveres serão sempre 
fotografados na pos ição em que forem 
encontrados, bem como, na medida do possível, 
todas as lesões externas e vestígios deixados no 
local do crime. 
↳Art. 167: não sendo possível o exame 
de corpo de delito, por haverem desaparecido os 
vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a 
falta. 
Document médico legais: 
Toda notificação escrita, firmada por 
médico, sobre matéria médica de interesse jurídico. 
É uma declaração escrita por um médico, para 
servir de prova. 
Classificação: 
No t i f i c a çõe s : s ão comun i c a çõe s 
compulsórias feitas pelos médicos às autoridades 
competentes de um fato profissional, por 
necessidade social ou sanitária. Assim como os 
crimes de ação pública e de que tiveram 
conhecimento e que não expõe o cliente a 
procedimento criminal. A omissão de notificação 
configura crime previsto no Art. 269 do código 
penal. 
↳Doenças ou agravos. 
↳Todos os casos de esterilização 
cirúrgica. 
↳Todas as ocorrências de morte 
encefálica. 
↳Usuários ou dependentes de drogas, 
preservando a identidade das pessoas. 
Atestado: é uma simples declaração de 
matéria médica, de consequências jurídicas, prestada 
por pessoa legal e profissionalmente qualificada. 
↳Condições para que este documento 
produza seus efeitos: que o médico tenha 
realmente praticado o ato; que o médico esteja 
legalmente habilitado, ou seja, que tenha autorização 
legal para o exercício da medicina. 
↳Tipos: sanidade, doença e óbito. 
↳Atestados de saúde ou doença: são 
dirigidos em folha de receituário, sempre por 
profissionais legalmente habilitados. 
↳Atestado falso: é chamado de atestado 
gracioso, de favor ou complacente quando 
fornecido a alguém por amizade ou por qualquer 
outro motivo. Não se efetiva o ato médico. É 
punível nos termos do código penal. 
Prontuários: registro da anamnese do 
paciente, dos cuidados médicos prestados, assim 
como dos documentos pertinentes a essa 
assistência. O prontuário pode produzir efeitos 
jurídicos de grande significado médico-legal. 
Pertence ao paciente. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !2
MEDICINA - 4º SEMESTRE
Relatório (auto e laudo): é o documento 
resultante de atuação médica em Serviços Médico 
Legal, Repartição Oficial equivalente ou por 
determinação judiciária. É a descrição mais 
minuciosa de uma perícia médica afim de responder 
a solicitação da autoridade policial ou judiciária frente 
ao inquérito. 
↳Narração escrita minuciosa de todas as 
operações de uma perícia médica determinada por 
autoridade policial ou judiciária. Quando o exame é 
ditado por um escrivão, o documento chama-se 
Auto, e quando redigido após perícia chama-se 
Laudo. 
Parecer: é o estudo apresentado por um 
médico ou por uma junta médica, respondendo a 
questões a serem esclarecidas. Utilizado quando 
dúvidas são levantadas em um processo ou quando 
as partes de contradizem. Representa a voz mais 
experiente. 
↳É a resposta a uma consulta feita por 
interessado a um ou mais médicos, a uma comissão 
de profissionais, ou uma sociedade científicasobre 
fatos recentes à questão a ser esclarecida. 
↳Opinião de profissional competente 
para esc larecer eventua is dúv idas sobre 
determinado fato, é emitido como uma resposta a 
uma consulta médico legal, podendo ser suscitado 
por: divergências quanto à perícia; avaliar peças 
processuais sob a ótica médico-legal; retrospectiva 
de matéria médica de interesse jurídico. 
Depoimentos orais: esclarecimentos não 
escritos no âmbito dos tribunais. 
Atestado de óbito: 
Em 1976, o ministério da saúde adotou 
uma DO padronizada, vigente até hoje. 
A certidão de óbito é um documento 
emitido pelo cartório de Registro Civil da comarca 
ocorreu o óbito, a partir do assento lavrado em livro 
próprio. O registro é requisitado pela agência 
funerária contratada, a qual enviará todos os dados 
e documentos necessários para o assento. É o 
documento necessário para que ocorra o 
sepultamento. É um documento importante para a 
abertura do processo de inventário, do pedido de 
pensão pela morte do falecido. 
O atestado de óbito é parte integrante de 
um documento complexo chamado declaração de 
óbito. 
Finalidade da DO: 
Da parte legal: ela confirma e define a 
causa mortis. 
Da parte sanitária: ela serve para o 
controle de epidemias, estatística, liberação do 
corpo para inumação e ritos fúnebres. 
A quem incumbe a DO? 
Óbitos clínicos: aquele que assistiu o 
paciente durante a evolução do processo patológico. 
Mortes naturais não assistidas: médicos do 
S.V.O 
Mortes violentas/suspeitas: médicos legais 
do IML. 
↳Resolução CFM 1.290/08-06-1989: Art 2. 
É dever do médico atestar o óbito do paciente ao 
qual vinha prestando assistência, ainda que o mesmo 
ocorra fora do ambiente hospitalar, exceto em caso 
de morte violenta ou suspeita. Art. 3: quando o óbito 
ocorrer em hospital caberá ao médico que houver 
dado assistência ao paciente a obrigatoriedade do 
fornecimento de atestado de óbito ou, em seu 
impedimento, ao médico de plantão. Art. 5: é 
vedado ao médico cobrar qualquer remuneração 
pelo fornecimento do atestado de óbito. 
↳Código de ética médica: Art. 83: 
atestado de óbito quando não o tenha verificado 
pessoalmente, ou quando não tenha prestado 
assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o 
fizer como plantonista, médico substituto ou em 
caso de necropsia e verificação médico-legal. Art. 
84: deixar de atestar óbito de paciente ao qual 
venha prestando assistência, exceto quando ouvir 
indícios de morte violenta. O médico assistente pode 
atestar óbito como substituto, desde de que saiba a 
causa da morte. 
O médico assistente está IMPEDIDO de 
firmar a DO nos seguintes casos: 
- Que serão feitos pelo IML: 
1. Morte violenta. 
2. Morte suspeita. 
3. Cadáveres desconhecidos. 
4. Presos sob a responsabilidade do 
estado. 
5. M o r t e s p o r p a t o l o g i a s 
decorrentes no transcurso do tratamento 
de traumas (doença metatraumática) 
- Que serão feitos pelo SVO: 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !3
MEDICINA - 4º SEMESTRE
1. Mo r te na tu r a l sem causa 
determinada, sem assistência médica. Obs: 
em locais onde não há SVO, cabe ao 
médico da Secretaria de Saúde firmar no 
atestado a morte sem assistência médica. 
↳Regulamento dos Cemitérios do 
Município de SP Ato nº326, 21 de março de 1932: 
os enterramentos não podem, como regra, ser 
feitos antes de 24 horas do falecimento, salvo em 
casos especiais de moléstias contagiosas e 
epidemias, ou ainda se o cadáver apresentar sinais 
inequívocos de princípio de putrefação. 
↳Parecer-consulta CFM nº04/96: peças 
anatômicas retiradas por ocasião do ato cirúrgico ou 
de membro amputado: em nenhum caso cabe DO, 
dado que não se tem um óbito. Fazer relatório e 
inumar as partes, ou incinerá-las. 
Preenchimento do atestado de óbito: 
Tentar sempre que possível, caracterizar 
a causa direta ou terminal com um dos possíveis 
choques: 
- Choque hipovolêmico: perda de volume 
circulante, com redução do retorno venoso e 
diminuição do débito cardíaco e da oferta de 
oxigênio. 
- Choque cardiogênico: incapacidade 
primária do coração de fornecer débito cardíaco 
suficiente para as necessidades metabólicas. Sua 
principal causa é a perda súbita de massa 
muscular por IAM. 
- Choque séptico: estágio avançado de 
uma síndrome progressiva, denominada sepse. É 
causado por uma variedade de microrganismos. 
- Choque anafilático: as reações alérgicas 
do tipo I, são mediados por anticorpos IgE. A 
reação ocorre pouco tempo depois da exposição 
ao alérgeno, e é caracterizada por sensação de 
sufocamento, broncoespasmo, edema laríngeo, 
angioedema, respiração ruidosa, transudação 
pulmonar e alterações cutâneas agudas 
urticariformes. 
- Choque neurogênico: insuficiência 
circulatória periférica aguda de causa neurogênica 
acontece nos casos de sofrimento intenso do 
tronco cerebral, precedendo a morte encefálica, 
com falência hemodinâmica e vasodilatação 
generalizada por perda do tônus vasomotor 
simpático, ou em lesões da medula espinhal alta, 
caracterizando o “choque espinhal”. 
Traumatologia ou lonologia médico-
legal: 
Se a vítima demora muito tempo para 
aparecer no IML para exame corporal, as provas 
acabam sendo inconclusivas por perda de evidência. 
As testemunhas acabam esquecendo do evento 
com detalhes também. 
As descrições são importantes nos vivos 
para saber e definir se a vítima sofreu uma lesão 
quais tipos e como que ocorreu. 
A traumatologia forense estuda as lesões 
e estudos patológicos, imediatos ou tardios, 
produzidos por violência sobre o corpo humano, 
assim como as diversas energias causadoras de 
lesão. 
As energias causadoras de lesão podem 
ser: 
1. Energias físicas de ordem mecânica: 
estuda movimento - energia cinética - que 
determina as lesões. Exemplos: soco, tiro, 
queda, acidente automobilístico, facada). 
2. Energias físicas de ordem não 
mecânica: exemplo radiação, calor, fogo, frio, 
eletricidade. 
3. E n e r g i a s q u ím i c a s : e x emp l o 
queimadura por ácido. 
4. Energ i a s b ioqu ím icas : g rande 
interação com o organismo, exemplo sepse. 
5. Energias fisicoquímicas: exemplo 
asfixia. Por esganadura. A constrição do 
pescoço pelas mãos do agressor chama-se 
esganadura, causa alterações químicas no 
sangue que levam a morte). 
6. Energias mistas. 
Energias físicas de ordem mecânica: 
Tipos de lesões: 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !4
MEDICINA - 4º SEMESTRE
1. Lesões punctórias ou puntiformes: 
possui forma de ponto e é causada por um 
agente perfurante. É algo que perfura a pele 
causando uma lesão. Além de ser em forma de 
ponto, é profunda. Característica de ser mais 
profunda do que extensa. Exemplo: marca de 
agulha na pele. A agulha perfura dos tecidos e 
afasta os tecidos, e tende a fechar sozinho. 
2. Lesões incisas: é um corte. Causam 
incisão. Causada por instrumento bem afiado, 
como faca, bisturi, folha de papel. Esse agente 
tem outras características: lâmina, rígido para 
perfurar a pele, formato cilíndrico fico e com 
ponta. O agente que causa a lesão incisa é 
chamado agente cortante. Exemplo: faca 
deslizando sobre a pele. Lesão em formato 
biconvexo alongado, podendo ser as bordas 
mais aberta ou mais fechadas (a depender do 
tipo de agente cortante, exemplo: papel vs 
faca). Lesão é caracterizada por ser mais 
extensa do que profunda, secciona os tecidos. 
Ao seccionar os tecidos e os vasos sanguíneos 
causa muito mais sangramento, são lesões que 
sangram muito mais. 
3. Lesões contusas: contusão. O agente 
causador é chamado de contundente. 
4. Lesões perfuro-incisas: causa por 
agente perfuro-cortante, como penetrar uma 
faca pelo tecido como facada. Há muito 
sangramento, mas a lesão é mais profunda do 
que extensa. É caracterizada pela profundidade. 
O sangramento não para. 
5. Lesões perfuro-contusas: causada por 
um agente perfuro-contundente, como um 
projétil de arma de fogo, espeto de churrasco 
enfiando na pele, ponta do guarda-chuva. Além 
de ser perfurante, causa um orifício com asbordas irregulares. É uma lesão perfurante mas 
ao mesmo tempo que causa uma contusão. A 
borda é irregular por causar uma fricção no 
tecido. Costuma ser uma lesão sangrante. 
6. Lesões corto-contusas: causada por 
agente corto-contundente. Há presença de 
gume e instrumento afinado e contusão. Como 
uma machadada. O corte é mais profundo só 
que com borda irregular, com equimose. 
Por exemplo: uma faca, muito afiada, e ao 
ser passada na pele causa uma extensa lesão incisa, 
a faca é um agente cortante. Se esta mesma faca é 
usada para dar uma facada é um agente perfuro-
cortante. Se esta mesma faca é usada para dar em 
cima de uma pessoa causando um galo, é um 
agente contundente. 
↳por t an to , A LESÃO É QUEM 
DETERMINA O AGENTE e não o contrário. Isso 
porque o mesmo agente pode causar diversos tipos 
de lesão. Dependendo da forma como o objeto for 
usado, vai ter um determinado tipo de lesão, e 
somente após a lesão que se determina o agente. 
Lesões punctórias ou puntiformes: 
São causadas por agentes perfurantes, ou 
seja, que agem por pressão causando afastamento 
dos tecidos, penetrando-os. Exemplo: uma agulha ao 
penetrar a pele (A agulha vai ser um objeto 
perfurante se, e somente se, a lesão for 
puntiforme). 
Externamente tem aparência circular e 
pequena. É uma lesão mais profunda do que 
extensa. É pouco sangrante. Se os danos são 
menores ou não, é questionável. O diâmetro da 
lesão é menor do que o instrumento que causou a 
lesão, porque pela elasticidade da pele a tendencia 
dos tecidos é voltar para o original (se for causada 
em morto, a tendencia é ter o mesmo diâmetro do 
que causou). 
Características: tenha ponta, seja rígido, 
seja fino. Exemplos: agulha, caneta bic, prego, garfo. 
Lesões puntiformes causadas por um 
objeto perfurante que possuem um diâmetro maior, 
o aspecto da lesão ficará um furo com um 
d iâmetro ma ior , mas como at inge uma 
profundidade, como músculo, deforme a lesão, 
causando uma lesão alongada, dando aspecto de 
uma lesão incisa. Para diferenciar é preciso avaliar as 
diversas lesões para ver o formato a orientação 
dela. 
↳Primeira lei de Filhos: as soluções de 
continuidade dessas feridas assemelham-se às 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !5
MEDICINA - 4º SEMESTRE
produzidas por instrumento de dois gumes ou 
tomam a aparência de “casa de botão” (biconvexa 
alongada). 
↳Segunda lei de Filhos: quando essas 
feridas se mostram numa mesma região onde as 
linhas de força tenham um só sentido, seu maior 
eixo tem sempre a mesma direção. 
↳Lei de Langer: na confluência de 
regiões de l inhas de forças diferentes, a 
extremidade da lesão toma o aspecto de ponta de 
seta, de triangulo, ou mesmo de quadrilátero. 
Lesões incisas: 
São causadas por agentes cortantes, ou 
seja, que agem por deslizamento através de uma 
borda aguçada a que se dá o nome de gume ou 
fio, seccionando as fibras dos tecidos. 
A lesão é mais extensa do que profunda, 
com bordas lisas e regulares com ângulos muito 
agudos, mais profunda no terço inicial, e causa de 
escoriação (isso permite dizer se a lesão foi feita da 
direta para a esquerda ou da esquerda para direita), 
geralmente são muito sangrantes. 
A cauda de escoriação é a área menos 
profunda e mais superficial do que o começo, 
caracterizando como sendo a cauda de escoriação. 
Em lesões causada por bisturi por cirurgião não há 
cauda de escoriação, pois o bistura entra e sai em 
90º. 
↳Lesão causada da esquerda para a 
direita do paciente. 
Sinal de Chavigny: como sabe qual foi a 
primeira lesão a ser produzida. Ao chegar no 
hospital ou ao IML com a lesão estrelada, é 
necessário suturar para saber qual foi a lesão 
primária e a lesão secundária. Ao recompor a lesão, 
sabe-se qual foi a primeira lesão. 
Lesões específicas: 
- Esquertejamento: divisão do corpo em 
partes para ocultação ou para dificultar 
identificação - feito post morten), 
- Espostejamento: fragmentação do 
corpo mas não pós mortal, redução do corpo a 
fragmentos diversos e irregulares, como 
acidentes ferroviários), 
- Decapitação: separação da cabeça do 
corpo, também para dificultar a identificação), 
- Esgorjamento: lesão transversal e 
profunda na região anterior do pescoço, como 
linha de cerol, ataques para matar em 
emboscada), 
- Degolamento: lesão em outras partes 
do pescoço, principalmente posterior, muitas 
vezes com lesão na coluna). 
Lesões contusas: 
Causada por agente contundente, que age 
por pressão e deslizamento na maioria da vezes. 
Meios ou instrumentos geralmente com 
superfície plana que atua sobre o corpo. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !6
Os c í rcu los em 
vermelho caracterizam a 
lesão como puntiforme, onde 
o objeto penetra mas ao sair 
a lesão cursa na direção das 
fibras, não interessando como 
o objeto tenha sido colocado. 
O preto é para comparar 
com uma lesão incisa que 
não respeita as fibras. 
MEDICINA - 4º SEMESTRE
Superfície lisa, áspera, anfractuosa ou 
irregular. Geralmente são sólidos, mas podem ser 
líquidos ou gasosos. 
Contusão: ativa (quando o objeto vai em 
direção a pessoa), passiva (quando a peessoa vai 
em direção ao objeto) ou mista. 
Contusão, ferimento contuso e ferida 
contusa. 
A. RUBEFAÇÃO: 
Vermelhidão, congestão repentina e 
momentânea. Há reação inflamatória, onde provoca 
o avermelhamento. Exemplo: um tapa que fica um 
vermelho temporário. 
Não é considerada um crime de lesão 
corporal por ser uma lesão temporária. Não houve 
traumatismo. 
B. ESCORIAÇÃO: 
Arrancamento da camada superficial da 
pele, deixando a derme aberta. Existe saída de 
sangue e serosidade. Existe uma restituição da 
epiderme quando há cicatrização. Se o ralado for 
muito intenso e chega na muscular, há uma lesão 
mais completa e profunda havendo cicatriz. 
A escoriação realizada em um cadáver 
nunca formará casquinha de cicatrização (crosta 
hemática). ↝ Necessário descrever sobre a crosta 
hemática. Se ela já estiver aderida ou se soltando 
quer dizer épocas diferentes. 
Abrasão é um sinônimo de escoriação. 
Lesão de arraste: estriações paralelas. 
C. EQUIMOSE: 
Infiltração hemorrágica nas malhas dos 
tecidos, por rotura de capilares = mancha. 
Prova irrefutável de reação vital. Em 
cadáver pode chutar e bater, fazer o que quiser, 
mas não irá formar equimose. 
Podem aparecer tard iamente, em 
rompimento de vasos muito internos, pode 
aparecer tardiamente e em outro local que não o 
de origem. 
Normalmente imprimem o objeto que foi 
usado. 
V íb i ce s são t i po s de equ imose 
semelhantes a cobrinhas e ondulações. 
Tonalidade da equimose: avermelhada ↝ 
vermelho escura ↝ violácea ↝ azulada ↝ 
esverdeada ↝ amarelada. 
Espectro equimótico de Legrand du 
Saulle: 1º dia vermelha; 2º e 3º dia violácea; 4º a 6º 
dia azul; 7º a 10º dia esverdeada; 12º dia amarelada; 
15º a 20º dia desaparecimento. 
D. HEMATOMA: 
Causado por ruptura de vasos de grande 
calibre. Há formação de volume. 
Quantidade de sangue que não se infiltra 
nas malhas de tecido. 
Os hematomas podem ser internos, com 
reabsorção mais demorada. Podem sumir sozinhos 
mas as vezes precisam ser drenados. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !7
MEDICINA - 4º SEMESTRE
O s h e m a t o m a s p o d e m n ã o 
necessariamente aparecer na pele, as vezes podem 
estar localizados intramuscularmente ou no cérebro. 
Lesão lácero-contusa: 
É uma contusão que vence a barreira da 
pele e causa abertura do tecido. 
O fundo da lesão é irregular, possui 
pontes de tecido conjuntivo conectando as lesões. 
São menos sangrantes do que as lesões 
incisas. 
Exemplo: um soco que abre o supercílio é 
muito fácil de ocorrer. 
A. Fraturas: podem ser abertas ou 
fechadas, perda da contiguidade óssea. 
B. Luxações: alteração da articulação. 
Quando o osso sai da articulação. 
C. Entorses: partes moles como tendão; 
secção ou apenas um estiramento. 
D. Explosões: deslocamento de ar. 
E. Encravamento: não são meramente 
contusos . O d iâmetro aumentado do 
encravamento deixará uma contusão, umaequimose. 
F. Lesões por precipitação e por 
desaceleração: batida de carro no muro. É 
muito danoso para os órgãos porque faz com 
que eles se choquem com a “parede” interna. 
Lesões pérfuro-incisas: 
Causadas por agente pérfuro-cortante, 
perfurando com a ponta e cortando com o gume. 
Age por deslizamento e pressão. 
É uma lesão muito sangrante. Fica com 
aspecto biconvexo-alongado. Possui bordas lisas 
irregulares, duas ou mais caudas. É profunda e 
sangrante. 
Lesões corto-contusas: 
Causada por agente corto-contundente, 
portador de gume e com ação contundente, agindo 
por deslizamento, pressão e percussão (pancada). 
Apresenta bordas regulares e contundidas, 
forma variável, geralmente profunda, características 
cortantes e contundentes, sem cauda de 
escoriação, sem pontes de tecido íntegro no 
interior de cada lesão. 
Exemplo é a machadada: lâmina, corte 
mas também lesão contusa. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !8
MEDICINA - 4º SEMESTRE
Lesão perfuro-contusa: 
Causada por um agente pérfuro-
contundente, que atua através de uma ponta, 
perfurando e contundindo os tecidos. Age por 
pressão. 
A ação contusa pode ser pela largura do 
objeto ou por sua ponta romba ou sua velocidade. 
A lesão apresenta orifício circular ou 
ovalado. Bordas invertidas ou evertidas. A 
profundidade é maior do que a extensão. É o caso 
do projétil de arma da fogo. 
Lesão por projétil de arma de fogo: pode 
ser transfixante ou não. Orifício de entrada e orifício 
de saída. O mais importante é o trajeto que o 
projétil fará e mostra quais órgãos foram atingidos e 
se há lesão interna. Para a medicina legal é muito 
importante o orifício de entrada. O trajeto fará um 
túnel ou uma cavidade permanente por onde ele 
passa, deixando também uma cavidade temporária e 
vai causar lesões em órgãos adjacentes. 
↳Projétil: existem vários tipos, diversos 
tamanhos, formatos. Os projéteis de .38 são muito 
menos perigosos do que os de fuzil, e causam 
menos danos. 
↳Orla de escoriação: ponto de contato. 
Epiderme que é arrancada pela ação contundente, 
formando a orla de escoriação. Pode esclarecer a 
inclinação do tiro. Está presente em qualquer 
distância. 
↳O disparo a longa distância é circular e 
ovalado com as bordas invertidas. Há presença de 
equimose nas bordas. Há presença de escoriação 
porque há lesão da epiderme mas a derme está 
íntegra. Há orla de escoriação e enxugo. ↝ Orifício 
de entrada. 
↳Disparo a média distância: orla de 
escoriação e enxugo, presença de zona de 
tatuagem (zona de impregnação da pólvora). 
↳Disparo a curta distância: orla de 
escoriação e enxugo, zona de tatuagem, zona de 
esfumaçamento. 
↳Disparo a queima roupa: orla de 
escoriação e enxugo, zona de tatuagem, zona de 
esfumaçamento, zona de chamuscamento. 
↳Disparo encostado: apresenta forma 
variada, irregular e estrelada. orla de escoriação e 
e n x u g o , z o n a d e t a t u a g em , z o n a d e 
esfumaçamento, zona de chamuscamento estará 
presente dentro da pele. Sinal de câmara de mina 
de Hoffmann, aparência de câmara de mina de 
carvão, dentro está cheio de fuligem. Sinal de 
Benassi é a impregnação de fuligem e pólvora no 
osso, como no caso do crânio, ele permanece 
mesmo em indivíduos mortes há muito tempo. Sinal 
de Puppe-Werkgaertner, em regiões onde não tem 
partes ósseas em baixo, terá a marca da boca da 
arma e da massa de mira na pele, causando uma 
equimose. 
↳Orifício de saída: é irregular, forma 
estrelada, bordas evertidas, maior sangramento, não 
apresenta orla de escoriação e de enxugo. 
↳Sinal de Bonnet: é visto em ossos 
chatos, os ossos chatos são compostos por lâmina 
dura de osso compacto recheado de osso 
esponjoso. Quando o projétil passa, ele deixa 
orifícios diferentes na tábua interna e na tábua 
externa. Quando o projétil atinge a lamina óssea 
externa do crânio, apresenta resistência devido a 
segunda camada de osso compacto, fazendo 
apenas um furinho, na lâmina interna, como não 
tem resistência por não ter mais osso embaixo, ele 
abre e faz um rasgo. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !9
MEDICINA - 4º SEMESTRE
↳A partir disso, dá para saber se o tipo 
foi de frente para trás ou de trás para frente. 
Embriaguez alcoólica e toxicofilia: 
Toxicofilia: 
É o estado de intoxicação periódica ou 
crônica, nociva ao indivíduo ou à sociedade, 
produzida pelo repetido consumo de uma droga 
natural ou sintética. 
Tóxico ou droga: grupo muito grande de 
substâncias naturais, sintéticas ou semi-sintéticas que 
podem causar tolerância, dependência e crise de 
abstinência. 
Tolerância: necessidade de doses cada 
vez mais elevadas para ter efeitos semelhantes. 
Dependência: interação existente entre o 
metabolismo orgânico do viciado e o consumo de 
determinada droga. 
Crise ou síndrome de abstinência: 
síndrome caracterizada por náuseas, vômitos, 
irritabilidade, anorexia e distúrbios do sono. Sinais e 
sintomas desagradáveis, geralmente o oposto do da 
droga. 
Hábito: uso constante com tendência a 
aumentar a dose. 
Variedade de drogas: 
- Maconha: extraída da canabis sativa. 
Consumo em forma de xaropes, pastilhas, 
infusões, bolos de folha para mascar, e cigarros 
ou cachimbos. O princípio ativo é o THC. Os 
principais efeitos são fuga da realidade, 
prostração ou agitação, lassidão, olhar perdido à 
distância, memória afetada, falta de orientação no 
tempo e no espaço, perda da ambição, valorizam 
apenas o presente, ilusão de prolongamento da 
vida, sensação de flutuar entre as nuvens. Não 
causa dependência física. 
- Morfina: alcalóide derivado do ópio. Via 
intramuscular. Período de estado caracterizado 
por emagrecimento, palidez, envelhecimento 
precoce, queda de cabelo, impotência sexual, e 
caquexia. 
- Heroína: é sintética, um éter diacético 
da morfina. Injetado ou misturado ao fumo. 5 
vezes mais potente que a morfina. 
- Cocaína: aumenta a dopamina cerebral. 
Causa grave depressão após uso. Pode ser 
aspirada, injetada ou esfregada na mucosa 
gengival. Os sintomas de intoxicação aguda são: 
excitação motora, agitação, confusão mental, 
ansiedade, loquacidade, afasia, paralisia, tremores, 
convulsões, taquicardia, hipertensão, dor 
precordial, polipnéia, síncope respiratória, náuseas, 
vômitos e oligúria. O seu uso crônico pode causar 
perfuração do septo nasal e lesão no SNC. As 
mortes quase sempre são causadas por 
perturbações cardíacas. 
- LSD: semi sintético. É extraída da 
ergotina do centeio. É a droga com o maior 
poder alucinógeno conhecido. Utilizada em 
tabletes de açúcar. Reações de megalomania, 
depressão profunda, perturbações paranóicas e 
confusão geral. 
- Ecstasy: MDMA. Causa aumento da 
dopamina e serotonina cerebral por cerca de 10 
horas. Causa alucinações e graves alterações 
ACV e AR. 
- Barbitúricos: a embriaguez barbitúrica é 
caracterizada por tremores, perturbação da 
marcha, disartria, sonolência, estado confusional, 
apatia e bradipsiquia. 
- Ópio: extraído das cápsulas de papoula. 
Usada em formas de cigarro. Possui uma fase de 
excitação geral seguido de depressão e 
hiperatividade. 
- Anfetamina: é a bala. Ritalina, dexedrina, 
predulin, lisdexanfetamina. Causa degeneração das 
células cerebrais. Utilizadas para evitar a 
sonolência, desinibir, e euforizar. Causa delírios, 
paranóias, hipertensão arterial , tremores, 
inquietação psicomotora, incapacidade de 
atenção, obinubilação e confusão mental. É a 
droga mais usada e facilmente adquirida no brasil. 
- Crack: o efeito é semelhante a cocaína. 
É a cocaína não refinada + NaHCO3. É 10 vezes 
mais potente que a cocaína. Usada através de 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !10
MEDICINA - 4º SEMESTRE
cachimbos. Mais usada nas cidades do sudeste e 
sul. Possui maior poder de viciar e produzir danos. 
- Cogume lo : a luc inógeno natura l . 
Manifestação colérica, hepatorrenal e neurológica. 
- Cola de sapateiro: euforia e alucinação. 
Fase mais avançada causa lesões na medula, rins 
e nervos periféricos. 
- Merla: opção mais barata do crack. 
Efeitoscom duração de 15 minutos, no início bem 
estar, depois agitação e nervosismo. O primeiro 
órgão a ser atingido é o fígado, com hepatite 
tóxica, depois destruição dos neurônios. 
- “Oxi”: obtido da mistura da pasta base 
de cocaína com querosene, gasolina, cal virgem 
ou solvente usado em construções. A droga é 
geralmente consumida numa mistura com o 
cigarro comum ou com o cigarro de maconha. 
Age no sistema nervoso, proporcionando 
sensações var iadas que dependem das 
características do usuário, podendo proporcionar 
desde prazer e alívio até angústia e paranóia. 
Embriaguez alcóolica: 
Embriaguez: conjunto de manifestações 
neuropsicossomáticas resultantes da intoxicação 
etílica aguda, de caráter episódico e passageiro. 
Alcoolismo: síndrome psico orgânica 
resultante do uso crônico de álcool ou etanol. 
Formas de embriaguez: 
- Fisiológica: excitação, confusão e 
sonolento. 
- Patológica: agressivo, excito-motora, 
convulsiva, e delirante. 
Embriaguez alcóolica aguda: 
- Manifestações clínicas: congestão das 
conjuntivas, taquicardia, taquipnéia, taquiesfigmia, 
hálito alcóolico acético. 
- Manifestações neurológicas: alterações 
no equilíbrio, marcha embriosa ou cerebelar, 
alterações da coordenação motora, disartria, 
alteração do tônus muscular, inibição da 
sensibil idade tátil , térmica e dolorosa, e 
fenômenos vagais. 
- Manifestações psíquicas: alterações do 
humor, da senso-percepção e do curso de 
pensamento. Atividades caracterizadas pelo 
exagero e pelo ridículo. Ato sexual prejudicado. 
Formas de embriaguez: 
- Culposa: imprudência ou negligência de 
beber exageradamente e de não conhecer os 
seus efeitos - não isenta de responsabilidade. 
- Acidental: por engano, achou que era 
inócua e tinha alto teor alcóolico ou usou 
medicamento que potencializou o efeito - pode 
isentar de responsabilidade. 
- Força maior: incapaz de prever ou 
resistir. Exemplo: em ambiente que todos bebem, 
bebe para não ficar em desacordo. 
- Preordenada: agente se embriaga para 
adquirir funções psíquicas que favoreçam a 
prática criminosa. Agravante de pena. 
- Habitual: vive sob dependência do 
álcool, bebe frequentemente, equilibra reações e 
esconde inibições. 
- Patológica: ingestão de pequenas doses 
com manifestações intempestivas: agressiva e 
violenta (tendência ao crime); excitação motora 
(raiva e destruição); convulsiva (impulso 
destruidores e sanguinários); e delirante (delírios 
com tendência a autoacusação). 
Código de transito: 
- Art. 3: confirmação da alteração da 
capacidade psicomotora em razão da influência 
de álcool ou de outra substância psicoativa que 
determine dependência dar-se-á por meio de 
exame de sangue; exames realizados por 
laboratórios especializados; teste em aparelho 
destinado à medição do teor alcóolico no ar 
alveolar; verificação dos sinais que indiquem a 
alteração da capacidade psicomotora do 
condutor. 
- Art. 6: infração prevista no art. 165 do 
CTB: exame de sangue qualquer concentração 
de álcool por litro de sangue (0,0 dg/L de 
sangue); teste de etilômetro > ou = 0,05 mg/L 
de ar alveolar expirado; sinais de alteração da 
capacidade psicomotora. 
- Art. 7: o crime previsto no art. 306 do 
CTB: exame de sangue > ou = 6 dg/L de 
sangue; teste de etilômetro > ou = 0,34 mg/L 
de ar alveolar expirado; sinais de alteração da 
capacidade psicomotora. 
“É obrigatório a realização do exame de 
alcoolemia para vítimas fatais de trânsito”. 
Responsabilidade criminal: 
Código penal: 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !11
MEDICINA - 4º SEMESTRE
1. É considerado inimputável aquele que 
não tem condições de autodeterminação na 
data do crime ou que seja inteiramente incapaz 
de entender o caráter ilícito do fato. É isento 
de pena. Exemplo: portadores de doença 
mental. 
2. P o d e h a v e r I n e x i s t ê n c i a d e 
responsabilidade no caso de embriaguez 
absoluta e por força maior, acidental, patológica 
ou fortuita. 
3. Aquele que é dependente crônico do 
álcool, vulgarmente conhecido como alcoólatra, 
pode ser tido como inimputável quando em 
razão do alcoolismo perder a capacidade 
entender ou de querer. É Imputável quem se 
coloca de forma culposa ou dolosa em 
condições de inconsciência e comete delito. 
4. A Embriaguez Preordenada, aquela na 
qual o agente bebe para se encorajar a 
cometer o crime, não o isenta de pena, 
mesmo que não tenha plena consciência do 
que faz no momento do fato. Aplica-se aqui a 
Teoria da “actio libera in causa”. E ainda a pena 
é agravada se, se coloca deliberadamente no 
estado de embriaguez com finalidade para a 
prática do delito. 
5. Em relação à inimputabilidade pela 
idade o Código Penal adotou o critério biológico. 
Assim, basta que a pessoa tenha menos de 18 
anos na data da conduta para ser inimputável. 
6. Contravenção penal: apresentar-se 
publicamente em estado de embriaguez, de 
modo que cause escândalo ou ponha em 
perigo a segurança própria ou alheia. 
7. Servir bebidas alcoólicas a menores 
de 18 anos, pessoas embriagadas, doente 
mentais, ou juridicamente proibidas de 
freqüentar lugares em que se consomem 
bebidas. 
Já a embriaguez completa proveniente de 
caso fortuito ou força maior que deixe o agente 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do 
fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento, isenta-o da pena. 
Em caso de o agente não possuir plena 
capacidade de, ao tempo da ação ou omissão, 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento, em função 
de embriaguez proveniente de caso fortuito ou 
força maior, sua pena poderá ser reduzida de um a 
dois terços. 
Asfixias médico-legais: 
Ocorre quando cara órgão, tecido, célula, 
organela não mais dispõe do oxigênio vital para a 
própria produção energética. É um estado de 
anóxia. 
Mecânica: interferência ou impedimento 
da respiração de modo físico. 
Química: interferência no metabolismo 
respiratório. 
Englobam as asfixias que envolvem os 
alvéolos e as vias aéreas. 
A asfixia é a síndrome caracterizada pelos 
efeitos da ausência de oxigênio no ar respirado por 
impedimento mecânico de causa fortuita, violenta ou 
externa em circunstâncias as mais variadas. Ou a 
privação completa ou incompleta, rápida ou lenta, 
interna ou externa do oxigênio. 
 A maioria das asfixias medico-legais são 
relacionadas a uma causa externa de óbito. Nenhum 
dos senhores está autorizado a assinar uma DO por 
causa externa, salvo em situações muito particulares. 
As mortes violentas são sempre atribuição do 
médico legista. Nos aspectos jurídicos é necessário 
definir as causas básicas da morte. A causa jurídica é 
associada a investigação e ao juízo do magistrado. 
Existem algumas causas por asfixias que são por 
homicídios ou os homicídios são muito prováveis. No 
exame necroscópico sempre há indícios de 
materialidade do crime, como o material que foi 
usado no crime. A autoria é quase possível ser 
determinada, como em uma esganadura cervical 
tem um padrão de unha bem especifico, mordedura 
também marca a arca dentária. Pelo código penal, a 
asfixia em um homicídio doloso é sempre 
qualificadora (que torna um crime qualificado, é 
algum elemento que agrava o crime, por ex, matar 
a tiro vs. matar queimada ↝ matar queimada é um 
crime qualificado pois é mais bruto e causa mais 
sofrimento). 
**DO é preenchida de baixo para cima, 
sendo que embaixo sempre as causas básicas, meio 
causas intermediárias e no topo a causa que 
provocou a morte (causa terminal) exemplo: edema 
agudo de pulmão (causa terminal) por afogamento 
(causa básica). 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !12
MEDICINA - 4º SEMESTRE
Afogamento e esganadura são formas 
que causam sofrimento. 
Exame necroscópico: tecnica de exame e 
tecnica de pericia criminal. Há o encontro de 
cadáver, perinecroscopia e depois necroscopia. 
Encontro de cadáver: quando se encontra o 
cadáver, necessário isolamento do local e procura 
de elementos que podem indicar presença de 
terceiros.Exame perinecroscópio: exame externo 
do cadáver e da vítima; na asfixia tem vários sinais 
indicativos que podem ser encontrados. Necrópsia: 
exame interno e confirmação dos achados na 
procura externa. ↝ chamado de centrípeto. 
Baseado nos exames, as asf ix ias 
mecânicas possuem encontros em comum: 
•fenômeno cadavérico: com esfriamento mais 
demorado; rigidez é mais intensa e prolongada; 
putrefação é mais precoce e acelerada porque as 
células ja estão privadas de oxigênio antes do óbito; 
as hipóstases são mais precoces, abundantes e de 
tonalidade escura, devido a falta de oxigênio no 
sangue. •externas: cianose da pele principalmente 
face e extremidades (face, língua, unha); pode ter 
equimoses conjuntivas; presença de cogumelo d 
espumas presentes nos afogados e alguns tipos de 
asfixias. •internas: equimoses viscerais; manchas de 
Tardieu ou Paltauf; congestão visceral; fluidez 
sanguínea, principalmente nos afogados. 
O local mais comum de petéquias são na 
face, conjuntival, pulmão e coração. As hemorragias 
conjuntivais são pequenas mas podem apresentar 
um padrão maior; ocorre no vivo então é chamado 
de petéquias ou de equimose. 
Equimoses viscerais (Tardieu): pericárdio, 
pericrânio, pulmão e timo. 
O cogumelo de espuma pode conter 
conteúdo proteico. É indicativo de asfixia. 
Os sinais gerais de asfixia podem estar 
ausentes e não são suficientes para atestar e firmar 
o diagnóstico de uma asfixia. 
Classificação das asfixias: •asfixias por 
alteração da dinâmica respiratória: asfixias por 
constrição do pescoço; asfixias por sufocação; 
•asfixias por alteração do meio ambiente: oxiprivas; 
soterramento; afogamento. 
ASF IX IAS POR CONSTR IÇÃO 
CERVICAL: 
Vão ter efeitos semelhantes na patologia. 
Podem matar uma pessoa por: constrição 
do seio carotídeo causando uma parada cardíaca; 
compressão venosa da jugular causando cianose e 
petéquias na face; compressão carotídea e perda 
da consciência; obstrução da via aérea impedindo o 
fluxo aéreo. 
- ENFORCAMENTO: 
É a modalidade da asfixia mecânica 
determinada pela constrição do descoco por um 
laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto 
dado, agindo o próprio peso do individuo como 
força viva. 
Natureza jurídica: suicida, homicida ou 
acidental. 
Na execução legal ocorre um traumatismo 
raquimedular, onde a pessoa não morre por asfixia 
mas sim por traumatismo raquimedular. Englobam os 
executados a mando do governo. 
Os locais de enforcamento: nível em que 
consiga colocar o laço no pescoço ↝ se o laço 
estiver muito alto é indicativo de que alguém o 
tenha colocado lá. Pode ser enforcado em pé, 
joelhos dobrados, ajoelhado, sentado ou deitado. 
Os tipos são típicos e atípicos. •típico: um 
sulco cervical obliquo onde o nó esta na parte 
occipital da cabeça. •os atípicos os nós se localizam 
em outros locais que não na parte occipital da 
cabeça. 
O sulco cervical é normalmente obliquo, 
de baixo para cima, e de frente para trás. O nó não 
encosta na pele, então a marca chega ate a metade 
lateral do pescoço e na parte traseira não apresenta 
sinais. Os bordos são desiguais pois a porta superior 
é mais marcada e a inferior nem tanto. 
Normalmente localizado mais superiormente quase 
encostando no limite com o queixo. 
Sinais externos: faces congestas e as 
vezes pálidas, porque ha interrompimento da 
drenagem venosa; petéquias conjuntivais e às vezes 
na pele; livores cadavéricos (mancha roxa) acima do 
sulco; língua protusa; livores cadavéricos nas 
extremidades. 
Sinais internos: equimoses do subcutâneo 
e musculatura cervical; sufusões adventícias dos 
grandes vasos cervicais (sinal de Friedberg); rotura 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !13
MEDICINA - 4º SEMESTRE
de musculatura cervical; fratura do osso hióide; 
fraturas de cartilagens laríngeas; rotura da tireoide; 
lesões vertebrais; sinais gerais de asfixia; rotura 
transversal da íntima da carótida (sinal de Amussat). 
- ESTRANGULAMENTO: 
Asfixia mecânica por constrição do 
pescoço por laço tracionado por qualquer outra 
força que não seja o próprio peso da vitima. 
Natureza jurídica: homicidio, acidente, 
suicidio. 
Sinais externos: •sulco cervical único ou 
múltiplo. Características produzidas pelo laço: 
geralmente transverso e horizontal (às vezes 
oblíquo); contínuo, faltando a interrupção ao nível do 
nó, que encosta no pescoço; bordos iguais por 
uniformidade do decalque. •cianose na face. •lesões 
de ataque e defesa (eventualmente). 
**ao redor podem ter escoriações, 
tendem a ter mais de uma linha e podem mudar o 
plano. A equimose pode ser mais difusa e não 
seguem o padrão da corda. 
Sinais internos: •sinais gerais de asfixia; 
•congestão do cérebro e das meninges; 
•hemorragias dos músculos cervicais; •lesões de 
cartilagens cervicais e osso hióide. 
- ESGANADURA: 
Efetivada pelas mãos do oponente 
podendo atuar ainda os joelhos, os pés e as 
gravatas com os membros. 
É definida como o uso dos segmentos 
corporais do oponente para efetivação da manobra. 
É SEMPRE homicida. 
Podem ser: atípicas (uso de joelhos, braço, 
entre outro) ou típicas (uso das mãos). 
Sinais externos: petéquias conjuntivais; 
equimose no pescoço; escoriação no pescoço 
(estigmas ungueais nas esganaduras típicas ↝ marca 
de unhas e dedos); sinais de ataque e defesa. 
Sinais internos: sinais gerais de asfixia; 
infiltrações sanguíneas dos planos do pescoço (as 
lesões são mais difusas por conta de briga e a 
pressão não ficou somente em uma posição só); 
fraturas das cartilagens da laringe; fratura do hióide. 
- SUFOCAÇÃO: 
É a modalidade de asfixia mecânica 
produzida por impedimento da passagem do ar 
respirado por meio direto ou indireto de obstrução. 
Direta: é a obstrução com impedimento 
de entrada de ar pela boca e/ou narinas e/ou vias 
aéreas. Exemplo: engasco com carne, criança que 
engole moeda ↝ bloqueio da traqueia. 
Indireta: consiste no bloqueio à expansão 
torácica extrinsecamente (movimentos respiratórios). 
Ou seja, os movimentos do tórax são impedidos. 
Exemplo: compressão do tórax; morte de Jesus na 
cruz porque não conseguia expandir o tórax devido 
ao peso em cima dele. 
Sufocação direta: •acidental: crianças 
menores de 1 ano dormindo com pai e mãe; 
ataques epiléticos, síncopes, embriaguez/superfícies 
macias e nos RN entre colchão e barra do berço/
crianças maiores com sacos plásticos envolvendo a 
cabeça. •criminosa: oclusão manual, normalmente 
relacionada a superioridade de forças do agressor, 
gerando impossibilidade da vitima se defender; 
infanticídio (quando mãe mata a criança em 
decorrência de um estado puerperal, a pena é 
menor; ocasionada em bebês recém-nascidos); 
smorthering (envolver a cabeça com panos; 
normalmente acompanhada de água nos panos para 
dificultar ainda mais a passagem de ar); violência 
sexual (como durante o estupro, o estuprador 
tampa a boca e as vias aéreas e a vítima não 
respira mais adequadamente); amordaçamento. 
•suicida: sacos plásticos ao redor da cabeça. 
ASFIXIAS OXIPRIVAS: 
- CONFINAMENTO: 
 A asfixia do indivíduo enclausurado em 
um espaço restrito e fechado, sem renovação de ar 
atmosférico, por esgotamento de oxigênio e 
aumento gradativo de gás carbônico. 
- GASES INERTES: 
Ambientes saturados de gases inertes e 
pouco tóxicos como butano, metano, propano, 
entre outros, que agem como bloqueadores 
mecânicos da respiração. 
 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !14
MEDICINA - 4º SEMESTRE
- SOTERRAMENTO: 
Quando o meio gasoso foi substituído por 
meio sólido (terra, areia, farinha, entre outros). 
A natureza jurídica da maioria dos casos é 
acidental, podendo, no entanto, ser homicídio. 
Sinais externos: lesões contusas pelo 
impacto do material soterraste; resíduos do meio 
nas vias respiratórias. 
Sinais internos: sinais gerais de asfixia; sinais 
de sólidos na via aéra. 
- AFOGAMENTO: 
É a modalidade da asfixia, na qual ocorre a 
troca do meio gasoso por meio líquido, impedindo a 
troca gasosa. 
Diferenças entre afogamentoem água 
dose e água salgada: •água doce ↝ fibrilação 
ventricular, alteração hidroeletrolítica, sangue diluído, 
e diminuição do volume sanguíneo. •água salgada 
↝ edema pulmonar, hiperosmolar, volume 
sanguíneo aumentado. 
Sinais externos: pele anserina; cogumelo 
de espuma; erosão nos dedos; resíduos minerais e/
ou vegetais na pele e roupa; corpos estranhos sob 
as unhas; maceração epidérmica; lesões de pele por 
arrastamento no fundo; lesões pós-mortais 
produzidas por peixes e crustáceos. 
Sinais internos: presença de líquidos nas 
vias respiratórias; presença de corpos estranhos no 
liquido das vias respiratórias; manchas de Paltauf nos 
pulmões; diluição do sangue; presença de líquidos 
no sistema digestivo. 
I m p l i c a ç õ e s : s e a m o r t e f o i 
verdadeiramente por afogamento típico; estando o 
indivíduo dentro da agua, se foi morte natural ou 
violenta; se o cadáver foi colocado em meio líquido 
para simular afogamento. 
PAULA R. C. PENTEADO - T6 !15
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