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Resumo Medicina Legal

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Aulas – Medicina Legal – Prof. Alessandra 
OBS: Esse resumo contém prints dos slides das aulas da professora, colocados aqui única e exclusivamente com o 
intuito de ajudar no estudo 
Introdução à medicina legal 
*História da medicina legal 
● Período Antigo → os Sacerdotes governavam à base da força e da evocação divina, e acumulavam a função de 
legislador, juiz e médico. Nessa época, as necropsias eram proibidas e o Cadáver era sagrado. Os corpos eram 
embalsamados 
- Código de Hamurabi (Babilônia) → a mais antiga legislação que se tem notícia. Tinha uma rigidez e 
severidade das penas, com reciprocidade entre o crime e a pena e as penas levavam em consideração 
a classe social do ofendido. Era baseado na ideia de Talião (Lei de talião), que diz que a pessoa que 
comete o ato condenável tem de pagar de modo a sofrer a mesma dor → correlação com as 
penalidades para os erros médicos (multas, castigos, etc…); 
- Assim, o Código de Hamurabi já estabelecia relação jurídica entre o Direito e a Medicina; 
● Período Romano → quando há o registro das primeiras necrópsias 
● Período Canônico → a Constituição da Alemanha em 1532 impôs a obrigatoriedade da perícia médica em 
outros casos judiciais, tais como suicídio, aborto, 
envenenamento e má prática da medicina 
OBS: Criminalística no Brasil - conceito de Eraldo Rabello 
(perito criminal) → “disciplina autônoma, integrada pelos 
diferentes ramos do conhecimento técnico-científico, 
auxiliar e informativa das atividades policiais e judiciárias 
de investigação criminal, tendo por objetivo o estudo dos 
vestígios materiais extrínsecos à pessoa física, no que tiver 
de útil à elucidação e à prova das infrações penais e, ainda, 
à identificação dos autores respectivos”. 
*A medicina legal é uma especialidade médica que se 
utiliza dos conhecimentos da medicina para o 
esclarecimento de fatos do interesse da justiça. 
*Sua eficiência é caracterizada pela contribuição do ponto de vista médico para a elaboração, interpretação e 
aplicação das leis. 
*Definições → “A medicina a serviço das ciências jurídicas e sociais” (Genival França) 
*Objetivos 
● O objetivo geral da medicina legal é contribuir para auxiliar o direto na aplicação da justiça, através da 
prestação de serviços; 
● Exame pericial = atividade de observação e interpretação de fatos que é efetuado por um profissional 
habilitado para tal, e que quando cientificamente embasado, se constitui em meio de prova; 
● A prova pericial apresenta-se sob a forma de um relatório onde se descreve o resultado dos exames efetuado 
e se interpreta esses resultados, elaborando-se uma conclusão devidamente fundamentada. 
OBS: Não chega a ser propriamente uma especialidade médica, pois aplica o conhecimento dos diversos ramos da 
Medicina às solicitações do Direito. 
*Medicina legal normativa 
● É uma divisão da medicina, que se presta a examinar e a pronunciar-se sobre situações variadas e complecas 
ao Direito e seus ramos: penal, civil, previdenciária, do trabalho, administrativa, securitária, trânsito e 
desportiva. 
Ou seja, a medicina legal está entre a medicina e o direito 
❖ Requisição de autoridade (medicina) → Perícia médica (medicina legal) 
→ Relato pericial (direito) 
❖ Requisição para perícias no IML (quem pode pedir uma perícia): 
delegado de polícia, promotor de justiça, juiz de direito, autoridade 
militar; 
OBS: A Medicina Legal é a contribuição médica, técnica e biológica às questões 
complementares dos institutos jurídicos e às questões de ordem pública ou privada quando do interesse da 
administração judiciária. É, portanto, a mais importante e significativa das ciências subsidiárias do Direito. 
OBS 2: O médico-legista é o médico habilitado profissional e administrativamente a exercer a medicina legal, por meio 
de procedimentos médicos e técnicos, tendo como atividade principal colaborar com a administração judiciária nos 
inquéritos e processos criminais. Sua lotação é sempre nos Institutos ou Departamentos ou Núcleos Regionais de 
Medicina Legal. Sendo assim, ele deve ser formado em medicina, estar legalmente habilitado a exercer a função de 
médico nos Conselhos Regionais de Medicina de sua jurisdição e ter seu ingresso na função por meio de concurso 
público com edital constando exigências cabíveis ao referido cargo. 
*Perícias 
• Define-se perícia médico-legal como um conjunto de procedimentos médicos e técnicos que tem como 
finalidade o esclarecimento de um fato de interesse da Justiça. Ou como um ato pelo qual a autoridade procura 
conhecer, por meios técnicos e científicos, a existência ou não de certos acontecimentos, capazes de interferir 
na decisão de uma questão judiciária ligada à vida ou à saúde do homem ou que com ele tenha relação. 
*Tipos de perícia médicas – Foro Criminal - Instituto Médico Legal (IML) 
● Corpo de delito – lesão corporal/necroscópico/exame de violência 
sexual (estupro); 
● Exumação; 
● Corpo de delito – exame antropológico/exame clínico de embriaguez 
alcoólica; 
● Exame de verificação da capacidade de imputação penal / Exame de 
cessação da periculosidade; 
*Perito – Função → saber dar respostas ao objetivo da perícia, de forma 
imparcial e objetiva, e traduzir a sua complexidade por palavras simples para 
que os juristas e outros profissionais possam apreciar sobre bases concretas, de modo que a decisão judicial seja 
adequada. Essa função é materializada através de um laudo pericial. 
● No âmbito criminal → perito oficial médico-legista e perito oficial odontolegista → especialistas em vítimas de 
violência 
 
*Perícia – Finalidade 
● Produzir uma prova; 
● A prova constitui o elemento demonstrativo do fato. Assim, tem ela a faculdade de contribuir com a revelação 
da existência ou da não existência de um fato contrário ao direito, dando ao magistrado a oportunidade de se 
aperceber da verdade e de formar sua convicção; 
● As perícias se materializam por meio de laudos, constituídos de uma peça escrita, tendo por base o material 
examinado; 
● As perícias médico-legais de natureza criminal devem ser realizadas nas instituições médico-legais (se o 
paciente estiver internado, faz-se no hospital). 
*Código de ética médica (Capítulo XI - Auditoria e Perícia Médica) 🡪 É vedado ao médico: assinar laudos que ele não 
tenha feito (ou seja, realizado pessoalmente o exame); ser perito ou auditor do próprio paciente, de familiares ou com 
qualquer outra pessoa que tenha relação. 
OBS: A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de 
morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. Além disso, os casos de morte 
violenta, basta o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as 
lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação 
da causa da morte. 
 
*Exame de corpo de delito e das perícias em geral 
● Quando a infração deixar vestígio, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não 
podendo supri-lo a confissão do acusado. 
● Realizado por perito oficial, portador de diploma; Na falta, será realizado por duas pessoas idôneas 
(nomeadas por um juiz), portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica. 
● Serão facultados ao MP, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação 
de quesitos e indicação de assistente técnico. 
● É permitido às partes requerer a oitiva dos peritos para esclarecem a prova ou responderem quesitos. 
● Pericia complexa (abrange mais de uma área) – pode indicar um assistente técnico. 
● Descrever minuciosamente e responder os quesitos. 
● Exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e hora. - A exumação deve ser marcada (dia e 
hora). 
● Autópsia será feita pelo menos 6h depois do óbito, salvo se osperitos, pela evidencia dos sinais de morte, 
julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. 
● Cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados na cena do crime. Além disso, 
a autoridade deve manter a cena até chegar a perícia. 
● Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão as provas 
(fotografias, laudos). 
● Dúvida sobre a identidade do cadáver exumado – Instituto de idenficação estatística 
● Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal 
poderá suprir-lhe a falta. 
● Em casos de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, marco um retorno para o 
paciente (30 dias) – para responder os quesitos. 
● No exame complementar, os peritos terão presentes o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a 
deficiência ou retificá-lo. 
● O juiz não fica adstrito ao laudo, pode rejeitá-lo ou aceitá-lo. 
OBS: Podem as perícias, de uma forma geral, ser realizadas nos vivos, nos cadáveres, nos esqueletos, nos animais e 
nos objetos. 
❖ Nos vivos, visam ao diagnóstico de lesões corporais, determinação de idade, de sexo e de grupo étnico; 
diagnóstico de gravidez, parto e puerpério; diagnóstico de conjunção carnal ou atos libidinosos em casos de 
crimes sexuais; estudo de determinação da paternidade e da maternidade; comprovação de doenças 
profissionais e acidentes do trabalho; evidências de contaminação de doenças venéreas ou de moléstias 
graves; diagnóstico de doenças ou perturbações graves que interessam no estudo do casamento, da separação 
e do divórcio; determinação do aborto; entre tantos. 
❖ Nos cadáveres têm-se como objeto, além do diagnóstico da causa da morte, também da causa jurídica de 
morte e do tempo aproximado de morte, a identificação do morto, e o diagnóstico da presença de veneno em 
suas vísceras, a retirada de um projétil, ou qualquer outro procedimento que seja necessário. Nos esqueletos, 
fundamentalmente, as perícias têm como finalidade a identificação do morto e, quando possível, a causa da 
morte. 
❖ As perícias em animais são bem mais raras, mas não se pode dizer que elas não existem. Em face da 
convivência do homem com os animais domésticos, podem estes, no decurso de um inquérito, apresentar 
algo de esclarecimento, impondo, assim, uma diligência médico-legal. 
❖ Nos objetos, finalmente, não são raras as vezes em que se pedem identificação de pelos; exames de armas e 
projéteis; levantamento de impressões digitais; pesquisas de esperma, leite, colostro, sangue, líquido 
amniótico, fezes, urina, saliva e mucosidade vaginal, nas roupas, móveis ou utensílios. 
*Corpo de delito – Definições 
● É o conjunto dos vestígios materiais resultantes da prática criminosa; 
● É o registro do conjunto de elementos materiais, com todas as suas circunstâncias, que resultam de um fato 
criminoso; 
● Qualquer coisa material relacionada a um crime é passível de um exame 
pericial. É o motivo ou razão da perícia. 
● A falta ou omissão do exame de corpo de delito leva à nulidade do processo, 
conforme tem-se confirmada na prática forense. 
*A perícia, segundo seu modo de realizar-se, pode ser: 
● Percipiendi – é aquela em que o perito é chamado para conferir técnica e cientificamente um fato (ou seja, é 
sobre o fato a analisar); 
● Deduciendi – é aquela em que o perito é chamado para avaliar uma perícia já realizada (com relação aos quais 
possam existir contestação ou discordância das partes ou do julgador). 
OBS: Todavia, tanto na peritia percipiendi como na deducendi existe o que se chama de parte objecti e parte subjecti. 
A parte objetiva é aquela representada pelas alterações ou perturbações encontradas nos danos avaliados. Estas, é 
claro, como estão baseadas em elementos palpáveis ou mensuráveis, vistos por todos, não podem mudar. Essa parte 
é realçada na descrição. No entanto, a avaliação dos elementos da parte objecti pode levar, no seu conjunto, a 
raciocínios divergentes e contraditórios, como, por exemplo, em se determinar a causa jurídica de morte (homicídio, 
suicídio ou acidente), e onde possam surgir conceitos e teorias discordantes. Essa parte subjecti é sempre valorizada 
na discussão. 
*Prova – Definições 
● Prova = conjunto de meios regulares e admissíveis empregados para demonstrar a verdade ou falsidade de 
um fato conhecido ou controvertido. Ou seja, a é o elemento demonstrativo da autenticidade ou da veracidade 
de um fato. Seu objetivo é “formar a convicção do juiz sobre os elementos necessários para a decisão da 
causa”; 
● Prova penal = no processo penal, apura o fato delituoso e sua autoria, para exata aplicação da lei; 
● Prova objetiva (prova pericial) = aquela que advém do exame técnico-científico dos elementos materiais 
remanescentes da infração penal. Seu objetivo é formar a convicção juiz sobre os elementos necessário para 
a decisão da causa; 
● Vestígio = qualquer marca, objeto ou sinal que possa ou não ter relação com o fato invetigado; 
● Evidências = é o vestígio, que após analisado pelos peritos, se confirmou diretamente relacionado com o corpo 
de delito. São elementos exclusivamente materiais; 
● Indícios = toda circunstância conhecida e provada, a partir da qual, mediante raciocínio lógico, chega-se à 
conclusão da existência de outro fato. É a expressão definida para a fase pós-perícia. 
*Classificação dos vestígios 
● Verdadeiros = produzidos diretamente pelo autor da infração; 
● Ilusório = todo elemento encontrado no local do crime que não esteja relacionado às ações dos atores e que 
tenha sido modificado acidentalmente; 
● Forjado = modificado intencionalmente. 
● Intrínsecos = encontrados no corpo humano da vítima (da pele pra dentro). É de competência da Medicina 
Legal; 
● Extrínsecos = encontrados no local do crime. 
OBS: As perícias se materializam por meio dos laudos, constituídos de uma peça escrita, tendo por base o material 
examinado. 
*Infração pena → Ocorre quando uma pessoa pratica qualquer conduta descrita na lei e, através dessa conduta, 
ofende um bem jurídico de uma terceira pessoa. Constituem comportamentos humanos proibidos por lei, sob a 
ameaça de pena 
*Bens jurídicos penais → a vida, integridade física, patrimônio, honra, liberdade, saúde pública, etc 
● Sujeito passivo 
Traumatologia forense 
*Traumatologia médico-legal 
• Estudo sistematizado das lesões por agentes exógenos com a finalidade de fornecer subsídios à justiça; 
• Estuda as diversas modalidades de energias produtoras de violência e causadoras de lesões e estados 
patológicos sobre o corpo humano. 
OU SEJA, a Traumatologia ou Lesonologia Médico-legal estuda as lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, 
produzidos por violência sobre o corpo humano, nos seus aspectos do diagnóstico, do prognóstico e das suas 
implicações legais e socioeconômicas. Trata também do estudo das diversas modalidades de energias causadoras 
desses danos. A convivência no meio ambiental pode causar ao homem as mais variadas formas de lesões produzidas 
por diversos tipos de energias. Essas energias dividem-se em: 
❖ energias de ordem mecânica → é a energia que atua 
sobre um corpo modificando o seu estado de 
repouso ou de movimento e que produz uma lesão; 
❖ energias de ordem física; 
❖ energias de ordem química; 
❖ energias de ordem físico-química; 
❖ energias de ordem bioquímica; 
❖ energias de ordem biodinâmica; 
❖ energias de ordem mista. 
*Mecanismo de produção da lesão 
 
• Todas as lesões são produzidas pela ação de uma energia sobre um instrumento; 
• Quem define o mecanismo de ação do instrumento é a lesão; 
• As lesões produzidas por ação mecânica no ser humano podem ter suas repercussões externa ou 
internamente. Podem ter como resultado o impacto de um objeto em movimento contra o corpo humano 
parado (meio ativo), ou o instrumento encontrar-seimóvel e o corpo humano em movimento (meio passivo), 
ou, finalmente, os dois se acharem em movimento, indo um contra o outro (ação mista). 
 
OBS: Não aceitamos as denominações feridas dilacerantes, cortodilacerantes, 
perfurodilacerantes e contusodilacerantes pelo fato de não existirem 
instrumentos dilacerantes, cortodilacerantes, perfurodilacerantes nem, 
tampouco, contusodilacerantes. 
*Lesões produzidas por ação perfurante 
• O instrumento causador apresenta aspecto pontiagudo, alongado, 
fino e de diâmetro transverso reduzido, e atua pela pressão exercida 
sobre um ponto, afastando as fibras do tecido; 
• Não possuem gume; 
• As lesões são denominadas feridas puntiformes ou punctórias (pela sua exteriorização em forma de ponto); 
• As lesões apresentam abertura estreita, de diâmetro menor que o diâmetro do instrumento causador (graças 
à elasticidade e à retratilidade dos tecidos cutâneos), de pouco sangramento, se prolongando através de um 
túnel que corresponde ao trajeto percorrido pelo instrumento; 
• Exemplos: agulha, furador de gelo, os dentes de um garfo, prego, compasso, etc. 
OBS: A gravidade desses ferimentos depende do caráter vital dos órgãos e estruturas atingidos ou da eventualidade 
de infecções supervenientes. Sua causa jurídica é, na maioria das vezes, homicida e, mais raramente, de origem 
acidental ou suicida. 
EXTRA: Quando o instrumento perfurante é de médio calibre, a forma das lesões assume aspecto diferente, 
obedecendo às leis de Filhos e Langer: 
❖ Primeira lei de Filhos: as soluções de continuidade dessas feridas 
assemelham-se às produzidas por instrumento de dois gumes ou tomam a 
aparência de “casa de botão”; 
❖ Segunda lei de Filhos: quando essas feridas se mostram em uma mesma 
região onde as linhas de força tenham um só sentido, seu maior eixo tem 
sempre a mesma direção; 
❖ Lei de Langer: na confluência de regiões de linhas de forças diferentes, a 
extremidade da lesão toma o aspecto de ponta de seta, de triângulo, ou 
mesmo de quadrilátero. 
*Lesões produzidas por ação cortante 
• O instrumento causador age através de um gume afiado que atua pelo mecanismo de deslizamento sobre os 
tecidos, seccionando as fibras; 
• As lesões são denominadas feridas cortantes; 
• As lesões apresentam forma linear (é devida à ação cortante por deslizamento, principalmente quando um 
instrumento afiado atua em sentido perpendicular à pele), bordas regulares, afastadas e sem trauma (não há 
vestígios de outra ação traumática, em virtude da ação rápida e deslizante do instrumento), predominínio do 
comprimento sobre a profundidade, ausência de vestígios traumáticos em torno da ferida, paredes da ferida 
lisas e regulares, hemorragia abundante e presença de cauda de escoriação voltada para o lado onde terminou 
a ação; 
OBS: O instrumento cortante, agindo por deslizamento e seguindo uma direção em semicurva (como um arco de 
violino) condicionada pelo braço do agressor ou pela curvatura da região ou do segmento atingido, deixa, no final do 
ferimento, e apenas na epiderme, uma cauda de escoriação. Isso, no entanto, não se constitui em regra geral. Ao 
determinar-se cauda de escoriação, subentende-se que é a parte final da ação que provocou a lesão, caracterizada 
pelo traço escoriado superficial da epiderme. Esse elemento tem grande importância no diagnóstico da direção do 
ferimento, na diferença entre homicídio e suicídio, na forma de crime e na posição do agressor. 
 
• Exemplos: navalha, faca, lâmina de barbear, caco de vidro, linha com pó de vidro, capim navalha, etc; 
OBS: O prognóstico desses ferimentos é, em geral, de pouca gravidade, a não ser 
que sejam eles profundos e venham a atingir vasos ou nervos, e até mesmo órgãos, 
como no esgorjamento, levando a vítima, em muitas ocasiões, à morte. 
OBS 2: Ferida em sedenho → ferida que passa por baixo da pele e que não entra 
nas cavidades corporais, seja na cabeça (não adentrando a caixa craniana), no tórax 
(não adrentando a cavidade torácica) ou no abdome (não adentrando a cavidade 
abdominal). 
• Lesões com características especiais produzidas por ação cortante: 
o Esgorjamento → se caracteriza por uma longa ferida transversal do pescoço, de significativa 
profundidade, lesando além dos planos cutâneos, vasculonervosos e musculares, órgãos mais internos 
como esôfago, laringe e traqueia. Sua etiologia pode ser homicida ou suicida; 
o Degolamento; 
o Decaptação → de ocorrência rara e se traduz pela separação da cabeça do corpo e pode ser oriunda 
de outras formas de ação além da cortante. Sua etiologia pode ser acidental ou homicida e, mais 
raramente, suicida. Observam-se com mais frequência as decapitações depois da morte, como forma 
de prejudicar a identificação da vítima; 
o Esquartejamento → traduzido pelo ato de dividir o corpo em partes (quartos), por amputação ou 
desarticulação, quase sempre como modalidade de o autor livrar-se criminosamente do cadáver ou 
impedir sua identificação; 
o Castração → é também uma lesão produzida por ação cortante e tem na maioria das vezes a finalidade 
e o instinto de vingança; 
o Espostejamento. 
• Processo de formação da cicatriz incisa: 
 
*Lesões induzidas por ação contundente 
• O instrumento causador desta lesão atua pela ação produzida por um corpo de superfície que pode agir por 
pressão, explosão, deslizamento, percussão, compressão, descompressão, distenção, torção, fricção, 
contragolpe ou de forma mista. O meio pode ser sólido, líquido ou gasoso; 
• Entre os agentes mecânicos, os instrumentos contundentes são os maiores causadores de dano. Sua ação é 
quase sempre produzida por um corpo de superfície, e suas lesões mais comuns se verificam externamente, 
embora possam repercutir na profundidade; 
• A lesão ocasionada por estes instrumentos é conhecida por contusão; 
• As lesões produzidas por este instrumento podem apresentar as mais variadas formas; 
 
 
• Exemplos: mãos, barra de ferro, para-choque, asfalto, cinto de segurança, água, onda explosiva, martelo, etc; 
OBS: São instrumentos contundentes as armas naturais, como mãos, pés, cabeça, joelhos, as armas ocasionais, como 
bengala, barra de ferro, tijolo, as saliências obtusas e as superfícies duras, especialmente solo e pavimentos, os 
desabamentos, as explosões, os acidentes de veículos e os atropelamentos. 
• Lesões produzidas por ação contundente: 
o Rubefação → ou eritema traumático, caracteriza-se pela congestão repentina e momentânea de uma 
região do corpo atingida pelo traumatismo, evidenciada por uma mancha avermelhada, efêmera e 
fugaz, que desaparece em alguns minutos, daí sua necessidade de averiguação exigir brevidade. Seu 
surgimento é imediato ao trauma. A bofetada na face ou nas nádegas de uma criança, onde muitas 
vezes ficam impressos os dedos do agressor, configura exemplo dessa tipificação lesional. Ao se 
restabelecer a normalidade circulatória regional atingida, desaparecem todos os seus vestígios. A 
rubefação é a mais humilde e transitória de todas as lesões produzidas por ação contundente; 
o Edema traumático → é o acúmulo de líquido no espaço intersticial e é constituído por uma solução 
aquosa de sais e proteínas do plasma, variando de acordo com sua etiologia. Quando aparece em 
determinado local e circunscrito a pequenos volumes chama-se de edema localizado. No estudo das 
lesões decorrentes da ação contundente interessa mais o chamado “edema por ação mecânica 
direta”, que tem como causas principais a torção, a percussão ou a pressão; 
o Equimose → trata-se de lesões que se traduzem por infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos. 
Para que ela se verifique, é necessária a presença de um plano mais resistente abaixo da região 
traumatizada e de ruptura capilar, permitindo, assim, o extravasamento sanguíneo. Em geral, são 
superficiais, mas podem surgir nas massas musculares, nas vísceras e no periósteo. A tonalidade da 
equimose é outro aspecto de grande interessemédico-pericial. De início, é sempre avermelhada. 
Depois, com o correr do tempo, ela se apresenta vermelhoescura, violácea, azulada, esverdeada e, 
finalmente, amarelada, desaparecendo, em média, entre 15 e 20 dias; 
o Hematoma → o maior extravasamento de sangue de um vaso bastante calibroso e a sua não difusão 
nas malhas dos tecidos moles dão, em consequência, um hematoma. Formam-se, no interior dos 
tecidos, verdadeiras cavidades, onde surge uma coleção sanguínea. Pela palpação da região afetada, 
percebe-se a sensação de flutuação. O hematoma, em geral, faz relevo na pele, tem delimitação mais 
ou menos nítida e é de absorção mais demorada que a equimose; 
o Escoriação, erosão epidérmica ou abrasão → definida como o arrancamento da epiderme e o 
desnudamento da derme, de onde fluem serosidade e sangue. A escoriação não cicatriza, não deixa 
marcas (único vestígio de recenticidade é uma mancha rósea, descorada, que desaparece com poucos 
dias). A regeneração da área lesada é por reepitelização. Tem quase sempre como origem a ação 
tangencial dos meios contundentes; 
o Fratura, luxação e entorse → as fraturas decorrem dos mecanismos de compressão, flexão ou torção 
e caracterizam-se pela solução de continuidade dos ossos. São chamadas de diretas, quando se 
verificam no próprio local do traumatismo, e indiretas, quando provêm de violência em uma região 
mais ou menos distante do local fraturado. Já as luxações são caracterizadas pelo deslocamento de 
dois ossos cujas superfícies de articulação deixam de manter suas relações de contato que lhes são 
comuns. São denominadas completas, quando as superfícies de contato se afastam totalmente, e 
incompletas, quando a perda de contato das superfícies articulares é parcial. Por fim, as entorses são 
lesões articulares provocadas por movimentos exagerados dos ossos que compõem uma articulação, 
incidindo apenas sobre os ligamentos; 
o Rotura de vísceras internas → um impacto violento sobre o corpo humano pode resultar em lesões 
mais profundas, determinando rupturas de órgãos internos. Os ferimentos externos nem sempre são 
proporcionais ao caráter grave dos resultados internos. Todas as vísceras estão sujeitas a essa forma 
de lesão. No entanto, as mais comuns são: fígado, baço, rins, pulmões, intestinos, pâncreas e 
suprarrenais; 
o Esmagamento → também chamadas de lesões por achamento, e são provenientes de violenta ação 
por pressão ou compressão sobre o corpo ou parte dele, e que tem como exemplo mais comum 
aquelas produzidas pela passagem de um veículo em movimento. Estas lesões apresentam 
escoriações de arrastão, feridas contusas com desgarramento de retalhos de pele, hematomas, 
fraturas costais, cranianas e dos membros superiores e inferiores, e rupturas viscerais; 
o Lesões produzidas por artefatos explosivos → chama-se de explosão um mecanismo produzido pela 
transformação química de determinadas substâncias que, de forma violenta e brusca, produz uma 
quantidade excessiva de gases com capacidade de causar 
malefícios à vida ou à saúde de um ou de vários indivíduos. 
As lesões produzidas por esses artefatos podem ser por 
ação mecânica e por ação da onda explosiva. As primeiras 
são provenientes do material que compõe o artefato e dos 
escombros que atingem as vítimas. As outras são 
decorrentes das ondas de pressão e sucção, que compõem 
a chamada síndrome explosiva ou blast injury. A lesão mais 
comum é a ruptura do tímpano (“blast” auditiva). 
*Lesões produzidas por ação perfurocortante 
• O instrumento causador desta lesão possui ponta e gume e atua por mecanismo misto, perfurando com a 
ponta (pressão) e cortando com o gume (secção). Agem, portanto, por pressão e por secção (penetram 
perfurando com a ponta e cortam com a borda afiada os planos superficiais e profundos do corpo da vítima); 
• Essas lesões são denominadas feridas perfurocortantes; 
• O aspecto das lesões depende do número de gumes do instrumento causador. As soluções de continuidade 
produzidas por instrumentos perfurocortantes de um só gume resultam em ferimentos em forma de botoeira 
com uma fenda regular, e quase sempre linear, com um ângulo agudo e outro arredondado. Sua largura é 
notadamente maior que a espessura da lâmina da arma usada e o 
seu comprimento, menor que a largura da folha, se o trajeto da 
arma foi perpendicular ao plano do corpo, saindo da mesma 
direção, e maior se agiu obliquamente. Se, ao sair, tomou um 
sentido inclinado, corta mais a pele, aumentando o diâmetro da 
fenda. Os ferimentos causados por arma de dois gumes produzem 
uma fenda de bordas iguais e ângulos agudos. As armas de 
três gumes originam feridas de forma triangular ou estrelada. 
• Exemplos: instrumentos com um gume (como canivete, faca 
de cozinha), com dois gumes (como o punhal, espada e 
peixeira) e com três gumes (lima). 
*Instrumentos perfurocontundentes 
• Mecanismo de ação que perfura e contunde ao mesmo tempo. 
• Arma de fogo, ponta de um guarda-chuva. 
• Lesões produzidas por ação perfurocontundente: devem-se considerar o ferimento de entrada, o ferimento 
de saída e o trajeto. 
o Tiros encostados: Os ferimentos de entrada nos tiros encostados com plano ósseo logo abaixo, têm 
forma irregular, denteada ou com entalhes. É muito comum nos tiros encostados na fronte e chama-
se câmara de mina de Hoffmann. Na redondeza do ferimento, nota-se crepitação gasosa da tela 
subcutânea. Em geral, não há zona de tatuagem nem de esfumaçamento. 
o Ferimentos de entrada nos tiros a curta distância: podem mostrar forma arredondada ou elíptica, orla 
de escoriação, bordas invertidas, halo de enxugo, halo ou zona de tatuagem, orla ou zona de 
esfumaçamento, zona de queimadura, aréola equimótica e zona de compressão de gases. São 
encontradas manifestações provocadas pela ação dos resíduos de combustão ou semicombustão da 
pólvora e das partículas sólidas do próprio projétil expelido pelo cano da arma. 
o Tiro à queima-roupa: Quando além das zonas de tatuagens e de esfumaçamento há alterações 
produzidas pela elevada temperatura dos gases, como crestação de pelos e cabelos, manifestações 
de queimadura sobre a pele e zona de compressão de gases. 
o Ferimentos de entrada de bala nos tiros a distância: diâmetro menor que o do projétil, forma 
arredondada ou elíptica, orla de escoriação, halo de enxugo, aréola equimótica e bordas reviradas 
para dentro. 
o Lesões de saída das feridas: produzidas por projéteis de arma de fogo tem forma irregular, bordas 
reviradas para fora, maior sangramento e não apresenta orla de escoriação, nem halo de enxugo e 
nem a presença dos elementos químicos resultantes da decomposição da pólvora. 
*Lesões produzidas por ação cortocontundente 
• O instrumento causador desta ação, mesmo possuindo gume (quer pelo seu próprio peso, quer pela força 
ativa de quem os maneja), age por ação contundente e sua ação ocorre por mecanismo misto (deslizamento 
e pressão); 
• As lesões são denominadas cortocontusas; 
• As lesões apresentam formas bem variadas, dependendo da característica do instrumento. A característica 
cortante predomina sobre o componente de contusão na medida do gume do instrumento ser mais ou menos 
afiado; 
OBS: São lesões quase sempre graves, fundas, alcançando mais profundamente os planos interiores e determinando 
as mais variadas formas de ferimentos, inclusive fraturas . Não apresentam cauda de escoriação nem pontes de tecidos 
íntegros entre as vertentes da ferida, o que as diferencia das feridas cortantes e contusas, respectivamente. 
• Exemplos: foice, fação, machado, enxada, gulhotina, unhas, dentes. 
Traumatologia forense – energia mecânica: balística terminal 
*Balística é o estudo dos projetis de arma de fogo, a partir do momento em que este sai da arma e trajeto, até chegar 
no ponto final. Toda dinâmica do disparo está envolvida. 
*Ação perfurocontundente 
• As lesões causadas por projéteis de arma de fogo são denominadaslesões perfurocontusas devido ao 
mecanismo de ação do projétil que perfura (projétil propriamente dito) e contunde (onda pressórica 
decorrente do projétil) simultaneamente. 
OBS: Armas de fogo são peças constituídas de um ou dois canos, abertos em uma das extremidades e parcialmente 
fechados na parte de trás, por onde se coloca o projétil, o qual é lançado a distância por causa da força expansiva dos 
gases devida à combustão de determinada quantidade de pólvora. Produzido o tiro, escapam pela boca da arma o 
projétil ou projéteis, gases superaquecidos, chama, fumaça, grânulos de pólvora incombusta e a bucha. 
• No estudo dessas lesões, devem ser considerados: FERIMENTO DE ENTRADA → TRAJETO → FERIMENTO DE 
SAÍDA 
*Cartucho: é a designação genérica das unidades de munição utilizadas nas armas de fogo e retrocarga. 
*Projétil: é a parte do cartucho que foi ou que pode ser 
lançada através do cano, sob ação dos gases resultantes da 
queima dos propelentes. É ele o verdadeiro instrumento 
perfurocontundente, quase sempre de chumbo nu ou 
revestido de níquel ou de outra liga metálica. Os projéteis 
apresentam seu diâmetro ligeiramente maior que o diâmetro 
do cano da arma para impedirem o escape dos gases, se 
aderirem com o raiamento e assumirem o movimento 
rotacional e adquirirem maior estabilidade, maior alcance e 
uma melhor performance aerodinâmica. 
OBS: O estojo geralmente fica no local do crime porque cai no chão. Essa peça vai para balística, mas possui poucos 
elementos. As ranhuras do cano da arma geralmente ficam no 
projetil e este que precisa ser avaliado. Cada arma possui seu 
registro e características específicas do cano (sua identidade) 
e, dessa forma, é capaz de se dizer que determinado projétil 
saiu de determinada arma. 
OBS 2: O projétil grava a ranhura da arma! 
Projéteis – Características quanto ao revestimento 
• Chumbo nu: seu baixo ponto de fusão (~300°C) confere deformidade, derretimento de sua superfície, baixa 
eficiência em munições de alta energia e o chumbamento do cano da arma. 
• Encamisados: é composto de chumbo, porém revestido por uma fina camada (“camisa” ou “jaqueta”) de liga 
não ferrosa (cobre e níquel). Confere maior resistência, maior poder de penetração, maior velocidade e evita 
o chumbamento do cano da arma. 
Classificação quanto a ponta e quanto ao revestimento dos cartuchos (vide imagem abaixo) 
 
Os componentes do disparo de arma de fogo → Ação perfurocontundente – Ferimento de entrada 
• Os ferimentos de entrada, quanto a distância do disparo, podem ser caracterizados em: 
- Tiro à distância; 
- Tiro à curta distância; 
- Tiro encostado. 
Ferimento de entrada – disparo à distância 
• Forma arredondada ou ovalar, bordas invertidas, orla de 
escoriação, halo de enxugo, aréola equimótica. 
• Diz-se que uma lesão tem as características das produzidas 
por tiro a distância quando ela não apresenta os efeitos 
secundários do tiro, e por isso não se pode padronizar essa ou 
aquela distância. 
• TIRO À DISTÂNCIA = ESTIGMAS DO EFEITO PRIMÁRIO 
(projétil). 
• A orla de escoriação, ou anel de Fisch, tem aspecto concêntrico 
nos orifícios arredondados, e em crescente ou meia-lua, nos 
ferimentos ovalares. tem aspecto concêntrico nos orifícios 
arredondados, e em crescente ou meia-lua, nos ferimentos 
ovalares. Não se observa no de saída. 
• Apresenta ainda a aréola equimótica, que tem por origem a 
formação de uma equimose bem justa ao ferimento em face do 
rompimento de capilares, vênulas e arteríolas atingidos pelo projétil. 
Quando presente, tem um colorido violáceo. 
• Os ferimentos de entrada de bala em tiros a distância têm as bordas 
reviradas para dentro , fato explicado pela ação contundente das 
margens do ferimento, o qual, agindo de fora para o interior, deixa-as 
invertidas. 
 
Ferimento de entrada – disparo à curta distância: 20-50 cm 
• Presença de zona de queimação ou chamuscamento, zona de esfumaçamento, zona de tatuagem. Quando se 
encontra estigmas dos efeitos secundários é porque se tratou de um tiro à curta distância. 
• Assim, diz-se que um tiro é a curta distância quando, desferido contra um alvo, além da lesão de entrada 
produzida pelo impacto do projétil (efeito primário) são encontradas manifestações provocadas pela ação dos 
resíduos de combustão ou semicombustão da pólvora e das partículas sólidas do próprio projétil expelido pelo 
cano da arma (efeitos secundários). 
• TIRO À CURTA DISTÂNCIA = ESTIGMAS DOS EFEITOS PRIMÁRIOS (projétil) E SECUNDÁRIOS (elementos da 
combustão). 
• A forma dos ferimentos de entrada em tiros a curta distância é geralmente arredondada ou elíptica, 
dependendo da incidência do projétil. Quanto maior a inclinação do tiro sobre o alvo, maior será o eixo 
longitudinal do ferimento. O ferimento de entrada, quando produzido por projéteis de alta energia, é sempre 
maior que o diâmetro destes. 
• A orla de escoriação ou de contusão, em tais ferimentos, deve-se ao arrancamento da epiderme motivado 
pelo movimento rotatório do projétil antes de penetrar no corpo. Apresenta-se, portanto, como uma orla 
escoriada ou desepitelizada em redor do ponto de impacto na pele. 
• O halo de enxugo ou orla de Chavigny é explicado pela passagem do projétil através dos tecidos, atritando e 
contundindo, limpando neles suas impurezas. É concêntrico, nos tiros perpendiculares, ou em meia-lua, nos 
oblíquos. A tonalidade depende das substâncias que o projétil levava consigo ao penetrar no alvo. Em geral, é 
escura. 
• As bordas invertidas da ferida devem-se à ação traumática de fora para dentro sobre a natureza elástica da 
pele. 
• O halo ou zona de tatuagem é mais ou menos arredondado nos tiros perpendiculares, ou em forma de 
crescente, nos oblíquos. Essa tatuagem varia de cor, forma, extensão e intensidade conforme a pólvora. É 
resultante da impregnação de grãos de pólvora incombustos que alcançam o corpo. 
• A zona ou orla de esfumaçamento é decorrente do depósito deixado pela fuligem que circunscreve a ferida 
de entrada, formado pelos resíduos finos e impalpáveis da pólvora combusta. É também chamada de zona de 
falsa tatuagem, pois, lavando-se, ela desaparece. 
• A zona de queimadura, também chamada de zona de chama 
ou zona de chamuscamento, tem como responsável a ação 
superaquecida dos gases que atingem e queimam o alvo. 
• A aréola equimótica é representada por uma zona 
superficial e relativamente difusa, decorrente da sufusão 
hemorrágica oriunda da ruptura de pequenos vasos 
localizados nas vizinhanças do ferimento. Esta aréola é vista 
bem próximo à periferia do ferimento de entrada, de 
tonalidade violácea, podendo, todavia, estar encoberta por 
outros elementos. 
 
Ferimento de entrada – disparo encostado: não tem pólvora incombusta 
• Com plano ósseo abaixo → ferida com bordas denteadas, 
irregulares ou com entalhes, devido à ação resultante dos gases 
que descolam e dilaceram os tecidos (isso ocorre porque os gases 
da explosão penetram no ferimento e refluem ao encontrar a 
resistência do plano ósseo. É muito comum nos tiros encostados 
na fronte e chama-se câmara de mina de Hof mann); há também 
crepitação gasosa da tela subcutânea da redondeza do ferimento 
e halo fuliginoso na lâmina externa do osso. 
• Sem plano ósseo abaixo → desenho da boca e da massa mira do cano; conduto da ferida enegrecido. 
OBS: Sinal de Werkgaertner → representado pelo desenho da boca e da massa de mira do cano, produzido por sua 
ação contundente ou pelo seu aquecimento. 
OBS 2: Nos tiros dados no crânio, costelas e escápulas, principalmente quando a arma está sobre a pele, pode-se 
encontrar um halo fuliginoso na lâmina externa do osso referente ao orifício de entrada (sinal de Benassi ou de 
Benassi-Cueli 
 
OBS: Sinal do funil de Bonnet → define o sentido do projétil em ossos chatos; 
❖ O diagnóstico diferencial entre o ferimento de entrada e o de 
saída no plano ósseo,principalmente nos ossos do crânio, é feito 
pelo sinal de funil de Bonnet; 
❖ Na lâmina externa do osso, o ferimento de entrada é 
arredondado, regular e em forma de “saca-bocado”. Na lâmina 
interna, o ferimento é irregular, maior do que o da lâmina 
externa e com bisel interno bem definido, dando à perfuração a 
forma de um funil ou de um tronco de cone. O ferimento de 
saída é exatamente o contrário, como um amplo bisel externo, 
repetindo a forma de tronco de cone, mas, desta vez, com a base 
voltada para fora. 
Ferimentos de saída 
• Possuem forma irregular (em forma de fenda ou de desgarro), diâmetro maior que o 
orifício de entrada (pois o projétil que sai não é o mesmo que entrou, deforma-se pela 
resistência encontrada nos diversos planos e nunca conserva seu eixo longitudinal), 
maior sangramento, bordas evertidas (reviradas para fora), não apresenta orla de 
escoriação e não apresenta halo de enxurgo (porque as impurezas do projétil ficam 
retidas através de sua passagem pelo corpo), nem a presença dos elementos químicos 
resultantes da decomposição da pólvora 
OBS 3: Há ferimento produzidos por lesão tangencial da arma de 
fogo. Fica só uma queimadura. Trata-se do “tiro de raspão” (como 
mostrado ao lado). 
 
 
 
 
 
*Trajeto 
• É o caminho percorrido pelo projétil no interior do corpo, podendo terminar em um fundo cego ou transfixar 
o corpo. 
• Trajetória: é todo o percurso do projétil, desde a sua saída da boca do cano até o local de sua parada final. 
• A luz do canal formado pelo projétil apresenta sangue coagulado. 
• Cavitação x trajeto: não importa a distância, o projétil forma uma 
cavidade temporária e outra permanente. Temporária é a cavidade 
formada pelo deslocamento temporário dos tecidos durante a 
passagem do PAF. Permanente é a formação de um túnel 
permanente e menor que a cavidade temporária. 
OBS: Halo equimótico visceral de Bonnet: equimose em qualquer víscera, 
tal como coração, pulmões, intestinos. 
*Ferimentos de entrada e de saída – Projéteis de Alta Energia 
• O ferimento de entrada do projétil é variável, podendo atingir desde o diâmetro do projétil até diâmetros 
muito maiores, na dependência da quantidade de energia transferida pelo projétil no momento do impacto. 
Assim, os ferimentos de entrada produzidos por esses projéteis de alta velocidade foram mudando de forma, podendo 
apresentar vultosas áreas de destruição dos tecidos atingidos, deixando à mostra regiões ou estruturas mais 
profundas, com orifícios muito maiores que o diâmetro do projétil. Outras vezes, a orla de escoriação está ausente ou 
pouco nítida, e as bordas do orifício são irregulares e apresentam radiações. Quando encontram maior resistência, 
como, por exemplo, no tecido ósseo, apresentam-se como verdadeiras explosões. 
• O ferimento de saída do projétil depende do comprimento do trajeto, pois a cavidade temporária atinge a sua 
extensão aos 30 centímetros de diâmetro. A saída geralmente é explosiva (ferimentos de saída, na maioria 
das vezes, têm a forma de rasgões, como se a pele fosse puxada e rasgada). 
*Cartucho – Quanto à energia 
• De baixa energia: 100 a 500 m/s na saída do cano 
• De alta energia: 500 a 1200 m/s na saída do cano 
OBS: Exame de comparação balística em projétil é feito no microscópio comparador balístico. 
Traumatologia forense – energias de ordem físico-química 
*Energias de ordem física compreendem as energias que são capazes de modificar o estado físico dos corpos e com 
isso causar lesão. 
• Modalidades de energias de ordem física: temperatura, eletricidade, pressão atmosféricas, radioatividade, luz 
e som. 
*Homicídio qualificado 
• § 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
II - por motivo futil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa 
resultar perigo comum; 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a 
defesa do ofendido; 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de 
doze a trinta anos. 
*Temperatura 
• Suas modalidades são: o frio, o calor e a oscilação de temperatura. 
 
 Frio – ação localizada 
• A ação localizada do frio, também conhecida como geladura, produz lesões muito parecidas com as 
queimaduras pelo calor e tem sua classificação em graus: primeiro grau, lesão caracterizada pela palidez ou 
rubefação local e aspecto anserino da pele; segundo grau, eritema e formação de bolhas ou flictenas de 
conteúdo claro e hemorrágico; terceiro grau, necrose dos tecidos moles com formação de crostas enegrecidas, 
aderentes e espessas; quarto grau, pela gangrena ou desarticulação. 
 
Frio – ação generalizada 
• Hipotermia é definida como a redução da temperatura corporal central para valor igual ou menor que 35°C. 
• Causa a lentificação dos processos metabólicos, redução das necessidades energéticas teciduais e disfunção 
cerebral e cardiovascular → a ação geral do frio leva à alteração do sistema nervoso, sonolência, convulsões, 
delírios, perturbações dos movimentos, anestesias, congestão ou isquemia das vísceras, podendo advir a 
morte quando tais alterações assumem maior 
gravidade. 
• Na ação generalizada do frio, não existe uma lesão 
típica. A perícia deve orientar-se pelos comemorativos, 
dando valor ao estudo do ambiente e, ainda, aos fatores 
individuais da vítima, tais como: fadiga, depressão 
orgânica, idade, alcoolismo e certas perturbações 
mentais. 
OBS: Indivíduos mais suspceptíveis, como idosos, por exemplo, 
podem vir a óbito mesmo na hipotermia leve 
• Diagnóstico de morte pela ação do frio – Sinais sugestivos de diagnóstico de morte pela ação do frio: 
o pele com flictenas semelhantes às das queimaduras; 
o hipóstases de coloração vermelho-claro → na medicina legal, poucas causas levam a livor vermelho 
claro, mas a morte pelo frio é uma delas (assim como a morte pelo monóxido de carbono); 
o rigidez cadavérica mais precoce, intensa e demorada; 
o sangue fluído e de tonalidade menos escura; 
o congestão polivisceral; 
o disjunção de suturas cranianas (elas se separam); 
o cogumelo de espuma (é comum no afogamento também); 
o erosões e infiltrados hemorrágicos na mucosa gástrica (sinal de Wischnewski). 
OBS: Pessoas suscetíveis à morte por hipotermia: idosos, crianças, moradores de rua. 
Calor difuso – termonoses 
• Ocorre de duas maneiras: a insolação e a intermação. 
• Insolação é o calor proveniente do ambiente em locais abertos ou confinados, contribuindo para tal a 
temperatura, a ação direta dos raios solares e excesso de vapor d’água. 
o Há de se levar em conta também alguns fatores intrínsecos, tais como: estado de repouso ou de 
atividade, patologias preexistentes, principalmente as ligadas aos sistemas circulatório e respiratório, 
o metabolismo basal, hipofunção paratireoidiana e suprarrenal do indivíduo. 
• Intermação é o calor proveniente do ambiente, lugares mal arejados, confinados e sem ventilação adequada. 
• Nos resultados letais, não se encontram características iguais. Podem aparecer: secreção espumosa e 
sanguinolenta das vias respiratórias, precocidade da rigidez cadavérica, putrefação antecipada, congestão e 
hemorragia das vísceras. 
Calor direto – Queimaduras 
• São, portanto, lesões produzidas geralmente por agentes 
físicos de temperatura elevada, que, agindo sobre os tecidos, 
produzem alterações locais e gerais, cuja gravidade depende 
de sua extensão e profundidade 
OBS: Perícia do carbonizado 
❖ Nos casos de carbonização total a primeira providência é 
identificar o morto. Na morte pelo fogo, a perícia também 
deve ter como norma esclarecer se o indivíduo morreu durante o incêndio ou se já se achava morto ao ser 
alcançado pelas chamas. 
❖ Primeiramente, devem-se procurar, no corpo,outras lesões distintas das queimaduras; em seguida, ter-se a 
certeza de que o indivíduo respirou na duração do incêndio, pela pesquisa do óxido de carbono no sangue e 
pela presença de fuligem ao longo das vias respiratórias conhecido como sinal de Montalti. O calor da fumaça 
aspirada provoca também hiperemia e edema da 
laringe, da faringe, da parte superior do esôfago e da 
mucosa traqueobrônquica, nesta com acentuado 
aumento do muco. 
❖ É também importante saber se as lesões provocadas 
pelo calor foram produzidas no vivo ou no morto. As 
flictenas, mesmo podendo ser provocadas no cadáver, 
neste elas não têm conteúdo seroso com exsudato 
leucocitário (sinal de Janesie-Jeliac). No vivo, em 
derredor das flictenas, veem-se, ao microscópio, 
hemácias descoradas, migração leucocitária e edema 
das papilas dérmicas. A escara originada de uma queimadura em vida tem vesículas e eritema em seu redor. 
OBS: Deve-se procurar saber se a pessoa morreu por causa da carbonização ou este fora apenas um meio para 
ocultação de cadáver. 
OBS 2: Sinal de Montalti → encontro de fuligem nas vias aéreas. 
*Eletricidade 
• Corrente elétrica → vibração e escoamento de elétrons entre os 
átomos do condutor elétrico provocada por uma diferença de potencial 
elétrico existente entre o acumulador e o receptor tentando 
estabelecer um equilíbrio entre as fontes. 
 
• Percurso da corrente elétrica 
1. Toda matéria (inclusive elétrons) são atraídos para o centro da Terra; 
2. A corrente elétrica só entra se puder sair; 
3. Em idênticas condições, a corrente elétrica prefere o caminho mais curto; 
4. No condutor de eletricidade, os elétrons da última camada (elétrons livres) caminham do polo de 
menor potencial para o polo de maior potencial; 
5. A corrente elétrica não gosta de OHM; 
6. O corpo humano é um excelente meio condutor de eletricidade por possuir água, sais minerais e 
diâmetro amplo; 
7. Toda corrente elétrica, ao passar por um corpo, gera um campo magnético no local. A imantação de 
metais e a metalização constituem vestígios de que houve a passagem da corrente elétrica. 
8. Toda função orgânica é regulada por impulsos elétricos entre 1 e 1,6 mV de tensão. Quando uma 
corrente externa interage com estes impulsos naturais, quatro fenômenos podem acontecer: 
- Fibrilação ventricular; 
- Tetanização; 
- Parada respiratória; 
- Queimaduras. 
• Energia elétrica → a lesão provocada pela passagem de uma corrente elétrica através do corpo humano pode 
se apresentar através de queimadura dos tecidos e/ou através de um curto-circuito nos sistemas elétricos do 
organismo. 
OBS: Todo paciente que chega no PA por choque elétrico, deve ser internado, monitorizado e tratado como “grande 
queimado”. 
• Efeito elétrico da corrente x efeito térmico → Enquanto a corrente elétrica percorre a superfície da pele, 
converte grande parte da energia elétrica em energia térmica, podendo causar grandes queimaduras nos 
tecidos entre os pontos de entrada e de saída da corrente elétrica. 
• Resistências corporais 
o A resistência máxima do corpo concentra-se a pele e depende do seu estado. 
- Pele seca, áspera, espessa, calosa, queratinizada possui maior resistência e maior proteção. 
- Pele úmida, suada, lisa, delgada possui menos resistência e menor proteção. 
o Os ossos possuem pouca resistência porque está imerso em líquido eletrolítico. 
o ASSIM, o efeito elétrico da corrente predomina quando a pele 
da vítima está molhada e sua resistência reduz-se a tal ponto 
que a vítima não se queima, mas sofre as consequências da 
passagem da corrente elétrica nos tecidos profundos. 
OBS: Marca elétrica de Jellinek → consiste em uma lesão de pele de forma 
circular, elíptica ou estrelada, de consistência endurecida, bordas altas, leito 
deprimido, fixa, indolor e asséptica. 
❖ A lesão mais típica é conhecida como marca elétrica de Jellinek, embora nem sempre 
esteja presente. Constitui-se em uma lesão da pele, tem forma circular, elítica ou 
estrelada, de consistência endurecida, bordas altas, leito deprimido, tonalidade branco-
amarelada, fixa, indolor, asséptica e de fácil cicatrização. Pode apresentar também a 
forma do condutor elétrico. 
Eletrecidade cósmica ou natural 
• Mecanismo de ação do raio → Pode ser por golpe direto ou por golpe indireto. O golpe indireto pode ser 
respingo lateral, exposição por contato e corrente por terra. 
• As lesões causadas pela fulminação ou fulguração assumem o aspecto arboriforme e são 
denominadas sinal de Lichtemberg decorrentes de fenômenos vasomotores (mostrado 
na imagem ao lado). 
• Sinais de fulguração e fulminação: 
1. Imantação dos metais do corpo da vítima – metalização por eletroforese a pele; 
2. Fundição total ou parcial de objetos de metais interligados; 
3. Vestes rasgadas e queimadas. 
 
• Causas de morte por eletroplessão e por fulminação 
o Cardíaca: fibrilação ventricular causando alteração da condução elétrica miocárdica levando a 
desorganização e ineficiência do ritmo cardíaco e choque cardiogênico. 
o Cerebral: hemorragia das meninges, ventrículos e do bulbo, edema generalizado. 
o Pulmonar: tetanização dos músculos respiratórios, apneia, edema dos pulmões e asfixia. 
*Lesões causadas pela ação da pressão atmosférica 
• Mal das montanhas: maioria das pessoas saudáveis aguenta 
até 2500 m de altitude, pois até 2100m a proporção de O2 (21%) 
e N2 (78%) é mantida; o número de moléculas de ambos por 
volume cai com o aumento da altitude, e os os efeitos dependem 
da altitude, da velocidade de subida e da susceptibilidade 
individual. ASSIM, à medida que subimos, essa pressão diminui e 
o ar vem a ficar mais rarefeito. Há diminuição do oxigênio e do 
gás carbônico, e a composição do ar altera o fenômeno da 
hematose. Tais perturbações recebem o nome de mal das 
montanhas, compensadas pela “poliglobulina das alturas”, que 
se constitui em um considerável aumento do número de glóbulos 
vermelhos no sangue e que no indivíduo aclimatado reverte 
espontaneamente em poucos dias. É comum nas altitudes 
acima de 2.500 m, é agravado com o esforço físico e tem como 
sintomas mais comuns cefaleia, dispneia, anorexia, fadiga, 
insônia, tonturas e vômitos. 
o A diminuição da quantidade de O2 aumenta o ritmo e 
a profundidade da respiração; ocorre alteração no 
equilíbrio entre os gases pulmonares e o sangue; 
aumento da alcalinidade do sangue; alteração na 
distribuição de sais no interior das células, distribuição 
de forma diferente da água entre o sangue e os 
tecidos. 
o Sintomas são cefaleia (acima 3000m), fadiga, tontura, falta de ar, sonolência. Os sintomas graves são 
edema cerebral de grande altitude (cefaleia, marcha instável, rebaixamento nível de consciência – 
vasodilatação cerebral em resposta à hipóxia) e edema pulmonar de grande altitude (tosse seca e falta 
de ar em repouso – vasoconstrição da circulação pulmonar com aumento da pressão capilar). 
• Barotrauma do ouvido médio (barotite média): as aeronaves comerciais voam a uma altitude de cruzeiro de 
10000m, com pressurização interna de 544mmHg (equivale a altitude de 2500m) – 71% de oxigênio disponível 
em relação ao nível do mar. 
o Ocorre diminuição da umidade relativa do ar, 
desidratação e ressecamento das secreções 
respiratórias. 
o Durante a aterrissagem a pressão aumenta e a tuba de 
eustáquio comumente não permite a entrada de ar 
(funciona como válvula unidirecional), a não ser que os 
músculos da mastigação e da deglutição trabalhem. 
o O volume de ar existente no ouvido médio vai sendo 
reduzido, criando uma pressão negativa (vácuo) em 
relação ao ambiente, causando o barotrauma (dor, 
vertigem, perfuração do tímpano). 
• Efeitos do aumento de pressão: o grau de solubilidade de um gás em um líquido é diretamente proporcional 
a pressão que ele é submetido. 
o A difusão dos gases nos tecidos na ocasião da compressão pode levar a narcose por nitrogênio(embriaguez); espasmos e tetania muscular por oxigênio; dor nos seios frontais, maxilares e ouvidos 
por dióxido de carbono. 
• Mal dos caixões: Trata-se de doença descompressiva causada 
pela formação de bolhas de nitrogênio que se expandem no 
sangue ou nos tecidos do corpo causando lesões em graus 
variados. 
o Ocorrência em trabalhadores da construção civil que 
utilizavam “caixões” ou “tubulões” pneumáticos 
(Câmaras subaquáticas de compressão) para permitir 
que se trabalhassem a seco em leitos de rios escavando 
fundações, pontes, túneis e edifícios. 
• Doença descompressiva: Causada pela formação de bolhas de 
gás na corrente sanguínea e tecidos ocluindo o suprimento sanguíneo local, causando isquemia e necrose. 
o Ocorre quando o N2 dissolvido nos tecidos durante o mergulho ou compressão em câmera hiperbárica 
não é eliminado adequadamente, durante a subida a superfície ou descompressão. 
o Ocorre com maior frequência nos mergulhos mais profundos, mais longos ou repetitivos e nas subidas 
rápidas a superfície. 
o A subida deve ser bem mais devagar que a descida. 
 
• Lesões por câmera hiperbárica e oxigênio → ajuda a cicatrização pela alta quantidade de oxigênio dentro dela 
 
*Radioatividade 
 
• Raios-x: são radiações eletromagnéticas de alta energia produzidas por aparelhos eletrônicos e originadas nas 
transições eletrônicas do átomo que sofreu excitação ou ionização e que podem causar lesões locais 
(radiodermites) e/ou gerais. 
OBS: As radiodermites agudas do 1 o grau, geralmente 
temporárias, apresentam duas formas: depilatória e 
eritematosa. Essa fase dura cerca de 60 dias e deixa 
uma mancha escura que desaparece muito lentamente. 
As do 2 o grau (forma papuloeritematosa) são 
representadas geralmente por ulceração muito 
dolorosa e recoberta por crosta seropurulenta. Têm 
cicatrização difícil, deixando em seu lugar uma placa 
esbranquiçada de pele rugosa, frágil e de características 
atípicas. As radiodermites do 3 o grau (forma ulcerosa) estão representadas por zonas de necrose, de aspecto 
grosseiro e grave. São conhecidas por úlceras de Röentgen. Nos profissionais que trabalham com raios X, sem os 
devidos cuidados, podem aparecer essas lesões nas mãos (mãos de Röentgen). 
❖ Já em relação as crônicas, essas lesões podem ser locais e apresentar a forma úlcero-atrófica, teleangiectásica 
ou neoplásica. Esta última também chamada de câncer cutâneo dos radiologistas ou câncer röentgeniano, 
quase sempre do tipo epitelioma pavimentoso. Podem ser ainda de efeitos gerais, compreendendo várias 
síndromes: digestivas, cardíacas, oculares – úlcera de córnea e cataratas –, ginecológicas, esterilizantes, 
cancerígenas, sanguíneas e mortes precoces. 
 
• Diagnóstico das lesões causadas por radiações ionizantes: queima dos tecidos em graus específicos, não cresta 
os pelos, lesões tendem a ser localizadas, relação com agente radioativo, graves alterações hematológicas, 
infecções generalizadas, choque séptico. 
Traumatologia forense – asfixiologia forense 
*Art. 121. – Matar alguem: Homicídio qualificado 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
II - por motivo futil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa 
resultar perigo comum; 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a 
defesa do ofendido; 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de 
doze a trinta anos. 
 
*Energias físico-químicas são as energias que atuam por alteração do meio físico (impedem a passagem do ar às vias 
respiratórias) e que produzem alteração química (hipóxia com ou sem hipercapnia) no organismo. 
 
*Asfixia: suspensão da função respiratória por qualquer coisa que se oponha a troca gasosa, nos pulmões, entre o 
sangue e o ar ambiente. 
As = não Fixia = pulso 
OU SEJA, asfixia é a síndrome caracterizada pelos efeitos da ausência ou baixíssima concentração do oxigênio no ar 
respirável por impedimento mecânico de causa fortuita, violenta e externa em circunstâncias as mais variadas. Ou a 
perturbação oriunda da privação, completa ou incompleta, rápida ou lenta, externa ou interna, do oxigênio. 
 
*Para se ter uma respiração normal, deve-se ter oxigênio em quantidade suficiente (aproximada de 21%); 
permeabilidade dos orifícios, das vias respiratórias e do tecido pulmonar; condições de livre expansibilidade torácica; 
sangue circulante em condições de efetuar a hematose pulmonar. 
• Assim, na asfixia, consome-se o oxigênio presente nos pulmões e acumula-se o gás carbônico que se vai 
formando. 
 
OBS: As asfixias mecânicas têm como causa mais frequente o obstáculo nas trocas gasosas pulmonares devido a causas 
externas. Há, no entanto, situações em que as dificuldades de oxigenação dos tecidos não estão no aparelho 
respiratório, mas em outros locais do organismo, nos tecidos, sangue ou nervos, sendo nestes casos uma asfixia de 
causa interna. 
 
*Modalidades de energia de ordem físico-química: 
1. Confinamento 
2. intoxicação por monóxido de carbono 
3. asfixia por outros vícios de ambiente 
4. sufocação direta, sufocação indireta 
5. transformação do meio gasoso em meio líquido 
6. transformação do meio gasoso em meio sólido ou pulverulento 
7. enforcamento 
8. estrangulamento 
9. esganadura. 
 
*Classificação 
• Asfixias – modificação do ambiente respirável 
I – Confinamento 
II – Afogamento (transformação do meio gasoso em meio líquido) 
III – Soterramento (transformação do meio gasoso em meio sólido ou pulverulento) 
• Asfixias - modalidades de sufocação (obstaculação à penetração do ar nas vias respiratórias) 
o Sufocação direta (obstrução da boca e das narinas pelas mãos ou das vias respiratórias mais 
inferiores): 
I – Obstrução dos orifícios respiratórios; 
II – Obstrução das vias aéreas; 
o Sufocação indireta (compressão do tórax): 
I – Compressão do tórax; 
II – Crucificação; 
III – Instabilidade da parede torácica; 
IV – Paralisia da musculatura respiratória. 
 
OBS: Asfixias – constrições do pescoço → I – Enforcamento; II – Estrangulamento; III – Esganadura. 
 
*Sinais gerais de asfixia 
• Nas asfixias mecânicas em geral, existem certos sinais que em conjunto permitem desde logo um diagnóstico, 
porém nenhum é constante e, muito menos, patognomônico. 
• Equimoses em pele e mucosas → Na pele, são arredondadas e de pequenas dimensões, não ultrapassando as 
de uma lentilha, formando agrupamentos em determinadas regiões, principalmente na face, no tórax e 
pescoço, tomando tonalidade mais escura nas partes de declive. As equimoses das mucosas são encontradas 
mais frequentemente na conjuntiva palpebral e ocular, nos lábios e, mais raramente, na mucosa nasal; 
• Sangue escuro e fluido 
• Distensão e edema dos pulmões → Além da acentuada distensão, os pulmões ainda se apresentam com 
relativa quantidade de sangue líquido finamente espumoso. 
• Congestão polivisceral (fígado e mesentério) 
• Manchas de Tardieu (equimoses epicárdicas) → equimoses diminutas, do 
tamanho da cabeça de um alfinete, localizando-se, não raro, sob a pleura visceral, 
mais notadamente nos sulcos interlobares e bordas dos pulmões, no pericárdio e 
no pericrânio, e, nas crianças, no timo. 
OBS: Nas asfixias mecânicas, em geral, alguns fenômenos cadavéricos se processam de 
forma diferente: os livores de decúbito são mais extensos, mais escuros e mais precoces; 
o esfriamento do cadáver se verifica em proporção mais lenta; a rigidez cadavérica, 
mesmo sendo mais lenta, mostra-se intensa e prolongada; e a putrefação é muito mais 
precoce e mais acelerada que nas demais causas de morte. 
 
*Asfixia por confinamento 
• É um tipo de asfixia mecânico-pura 
• É causada pela permanênciado indivíduo num ambiente fechado, sem condições de renovação do ar 
respirável, sendo consumido o oxigênio e acumulado o gás carbônico gradativamente. 
• Lesões externas: cianose facial, equimoses puntiformes de pele e mucosas, hipóstases precoces, abundantes 
e escuras. 
• Lesões internas: equimoses viscerais (Tardieu), congestão polivisceral, pulmões distendidos, sangue escuro e 
fluido. 
 
*Asfixias por intoxicação por monóxido de carbono 
• É um gás incolor, inodoro, insípido, não irritante e com alta difusibilidade pelos tecidos. É formado a partir da 
combustão incompleta de material orgânico. 
• A ação do monóxido de carbono (CO) fixando-se na hemoglobina dos glóbulos vermelhos, impedindo o 
transporte do oxigênio aos diversos tecidos, levando, em consequência, a um tipo especial de asfixia por 
caboxiemoglobinemia. Daí se admitir não se tratar de uma morte por intoxicação, 
mesmo existindo uma ação química sobre a hemoglobina. Na verdade, o que se 
verifica é uma forma de asfixia tissular. 
• A exposição ocorre em: incêndios, autofornos, locais fechados com motores em 
funcionamento, mau funcionamento do sistema de aquecimento. 
• O monóxido de carbono se fixa na hemoglobina dos glóbulos vermelhos formando 
a carboxihemoglobina no sangue e impedindo o transporte do oxigênio aos tecidos 
pela hemoglobina. 
• Sinais externos: tonalidade rósea da pele, rigidez cadavérica tardia e pouco intensa. 
• Sinais internos: sangue fluido e róseo, órgãos internos de coloração carmim, 
hipóstases claras e putrefação tardia. 
 
 
*Asfixias – modalidade sufocação direta 
• Por oclusão dos orifícios respiratórios (boca e das fossas nasais) → ocorre o impedimento da passagem do ar 
respirável através da boca e fossas nasais. Os agentes utilizados podem ser as mãos, travesseiros, saco plástico, 
lençol etc. 
• Por oclusão das vias respiratórias → ocorre por obstrução por corpos estranhos, tais como próteses dentárias, 
base da língua etc. 
• Lesões externas: marcas ungueais ou escoriações ao redor dos orifícios respiratórios. Poderá estar presente, 
na árvore respiratória, o corpo estranho causador de sufocação. 
• Lesões internas: identificação do corpo estranho na árvore respiratória, petéquias pulmonares e do pericárdio, 
congestão encefálica. 
• Causalidade jurídica: homicídio ou acidental. 
 
*Asfixias – modalidade sufocação indireta 
• Ocorre pela compressão do tórax ou do abdome em grau suficiente para 
impossibilitar o tórax de realizar sua expansão. 
• Ex: pânico em grandes aglomerações, peso sobre o tórax, crucificação etc. 
• Lesões externas: máscara equimótica de Morestin (máscara 
equimótica da face, também conhecida como congestão 
cefalocervical, produzida pelo refluxo sanguíneo da veia cava 
superior em face da compressão torácica) – sinal clássico! 
• Lesões internas: pulmões distendidos, congestos, com sufusões 
hemorrágicas subpleurais. Fígado congesto. Sangue escuro e fluido. 
 
 
*Asfixias – modalidade afogamento 
• É produzido pela penetração de um meio líquido ou semilíquido nas vias respiratórias, impedindo a passagem 
de ar aos pulmões. 
• Pode ser completo ou incompleto. 
• Sinais externos: 
o cogumelo de espuma → formado de uma bola de finas bolhas de espuma que cobre a 
boca e as narinas e se continua pelas vias respiratórias inferiores 
o maceração da epiderme → destaca-se como se fossem verdadeiros dedos de luva, 
inclusive desprendendo-se junto com as unhas 
o pele anserina → ocasionada pela contração dos delicados músculos erectores dos pelos, tornando os 
folículos desses pelos salientes 
o retração do mamilo, sacro escrotal e pênis 
o livores cadavéricos avermelhados → livores hipostáticos do cadáver dos afogados tomam tonalidade 
mais clara que nas demais formas de asfixias mecânicas, devido às modificações hemáticas dessa 
síndrome, em face da hemodiluição e pela permanência do corpo em ambiente de temperatura baixa 
o mancha verde da putrefação no tórax (começa no abdome) 
• Sinais internos: presença de líquido nas vias respiratórias (pode não haver), pulmões pesados, crepitantes e 
distendidos, sangue diluído (hidremia), manchas de Tardieu e Paltauf (nos pulmões), Sinal de Brouardel 
(enfisema aquoso subpleural). 
 
OBS: As equimoses subpleurais, também conhecidas como manchas de 
Tardieu, são raras no afogamento. Mais comuns são as manchas de 
Paltauf, de dimensões maiores, de 2 cm ou mais, de contornos 
irregulares, tonalidade vermelho-clara, explicadas pela ruptura das 
paredes alveolares e capilares sanguíneos 
 
OBS: Afogado branco de Parrot, seco ou falso → morte no interior da 
água sem sinais de afogamento, ausência de vestígios de qualquer 
causa de morte. Coloração branca, sem sinais de asfixia e ausência de líquido nas vias aéreas. Há inibição vagal reflexa? 
espasmo de glote? choque térmico? (e essas são as possíveis causas da morte). 
 
*Asfixias – modalidade soterramento 
• Ocorre pela obstrução das vias respiratórias por terra ou substâncias pulverulentas. 
• A situação mais frequente em que ocorre é o desmoronamento ou o 
desabamento. 
• Sinais externos: lesões traumáticas em casos de desabamentos e 
desmoronamentos. 
• Sinais internos: identificação de substâncias semissólidas ou pulverulentas 
no interior das vias respiratórias e por vezes no esôfago e estômago. 
 
 
*Asfixias – modalidade esganadura 
• É a constrição da região anterior do pescoço pelas mãos impedindo a passagem de ar atmosférico pela 
projeção da base da língua sobre a porção posterior da faringe, causando a obstrução da glote. 
• Sinais externos: marcas ungueais, projeção da língua e do globo ocular, congestão de face e conjuntivas e 
petéquias em conjuntiva ocular, face e pescoço. 
• Sinais internos: fratura da cartilagem tireoide e cricoide e dos ossos estiloide e hioide, infiltração hemorrágica 
das estruturas profundas do pescoço. 
 
*Asfixias – modalidade enforcamento 
• Ocorre pela interrupção do ar atmosférico através das vias respiratórias em decorrência da constrição do 
pescoço por um laço fixo que é acionado pelo peso do corpo da própria vítima. 
 
OBS: Se o laço é posterior, é típico. Se é anterior ou lateral, é atípico. 
 
• Sinais externos: sulco oblíquo, ascendente e de profundidade 
desigual, acima da cartilagem tireoide; cabeça voltada para o lado 
oposto ao do nó; língua e olhos projetados externamente; manchas 
de hipóstases nas extremidades dos membros. 
• Sinais internos 
o Lesões musculares: roturas e infiltrações hemorrágicas dos 
músculos cervicais; 
o Lesões vasculares: roturas e infiltrações hemorrágicas em 
carótidas e jugulares; 
o Lesões neurológicas: rotura da bainha do nervo vago; 
o Lesões ósseas: fratura do corpo do hioide e da cricóide; 
o Lesões ligamentares: rotura dos ligamentos cricóideo e tireóideo; 
o Lesões vertebrais: fratura da apófise odontóide da axis, luxação de C2; 
o Lesões laríngeas: rotura das cordas vocais. 
 
*Asfixias – modalidade estrangulamento 
• Ocorre pela constrição do pescoço por um laço acionado por uma força estranha, obstruindo a passagem de 
ar aos pulmões, interrompendo a circulação de sangue ao encéfalo e lesando nervos do pescoço. 
• Nesse tipo de morte, ao contrário do enforcamento, o corpo da vítima atua passivamente e a força constrictiva 
do laço age de forma ativa. 
• Sinais externos: face congesta, língua protrusa, equimoses de face, conjuntiva e pescoço. Sulco horizontal e 
com profundidade uniforme, com rastros ou estrias ungueais. 
• Sinais internos: 
o Lesões musculares: infiltrações hemorrágicas dos músculos do pescoço; 
o Lesões vasculares: roturas e infiltrações hemorrágicas em 
carótidas e jugulares; 
o Lesões neurológicas: rotura da bainha do nervo vago; 
o Lesões ósseas e cartilaginosas: fratura do osso hioide e lesão 
da cricóide e tireóidea; 
o Lesões neurológicas: rotura da bainha do nervo vago. 
 
 
Traumatologia:energias de ordem química, bioquímica, biodinâmica e mista 
*Energias de ordem química são aquelas que atuam através de substâncias que entram em reação com os tecidos 
vivos, causando danos à vida ou à saúde. 
• Podem agir externamente e de modo localizado (cáusticos) e/ou internamente e de modo sistêmico (venenos) 
 
*Cáusticos: são substâncias que provocam reação quando em contato com tecidos vivos causando lesões. 
• Vitriolagem: é o ato de causar lesão tegumentar com substância cáustica e ocasionada intencionalmente pelo 
agressor com o objetivo de causar deformidade permanente à vítima. 
o Obs: O termo vitriolagem vem de “óleo de vitríolo” (ácido sulfúrico). 
 
*Veneno: qualquer substância que, introduzida pelas mais diversas vias no organismo, mesmo homeopaticamente, 
danifica a vida ou a saúde. 
• Assim, é toda substância mineral ou orgânica que, ingerida no organismo ou aplicada em seu exterior, quando 
absorvida, determine a morta, ponha em perigo a vida ou altere profundamente a saúde. 
• Envenenamento: entende-se como o conjunto de elementos caracterizadores da morte violenta ou do dano 
grave à saúde ocorrido pela ação de determinadas substâncias de forma acidental, criminosa ou voluntária. 
• Intoxicação: compreende os sinais e sintomas específicos decorrentes das reações do metabolismo interno do 
organismo como um agente tóxico de origem acidental. 
 
*Diagnóstico 
• Critério clínico (sinais, sintomas e exames da vítima em vida). 
• Critério circunstancial, histórico ou policial (Perinecroscopia) → baseia-se no estudo do local de morte, no 
depoimento de testemunhas, na presença de determinadas substâncias do suposto envenenamento e cartas 
ou bilhetes deixados pela vítima 
• Critério necroscópico (odores peculiares, tonalidade das hipóstases, sinais específicos, ausência de outras 
lesões). 
• Exames complementares – toxicológico, anatomopatológico. 
• Critério médico-legal → este é o mais importante entre os critérios, uma vez que é a síntese de todos os outros 
e um raciocínio lógico, tomando como subsídios de sua dedução dos demais dados disponíveis e a ausência 
de outras lesões que possam justificar o envenenamento. É claro que os subsídios mais valiosos são a análise 
toxicológica ou físico-química e os achados anatomopatológicos colhidos da vítima. Nos casos de morte, o 
diagnóstico do envenenamento deve ter como base a perinecroscopia, a necropsia e os exames 
complementares pertinentes. Dessarte, o envenenamento não é só um diagnóstico toxicológico, clínico ou 
anatomopatológico, mas uma operação médico-legal complexa e multiprofissional em que os peritos reúnem 
e avaliam todos os procedimentos periciais, tendo em vista um resultado lógico e conclusivo. 
 
*Situações clínicas envolvendo substâncias químicas 
• Síndrome de Body-packer: aqueles que transportam no interior do seu organismo (estômago e intestinos) 
drogas ilícitas com a finaldiade de contrabando. São os “mulas” ou “correios”. 
o Os problemas mais graves surgem quando do rompimento de pequenas bolsas ou cápsulas contendo 
drogas no interior do estômago ou dos intestinos, o que vem resultando uma intervenção médico-
legal que aumenta a cada dia. A ruptura dessas bolsas ou cápsulas produz sempre uma invasão maciça 
da droga, principalmente a cocaína, na corrente sanguínea, o que provoca graves danos à saúde e 
quase sempre a morte. Outra complicação é a obstrução intestinal, principalmente quando as 
embalagens são confeccionadas com material resistente. 
o A morte sempre se dá por intoxicação aguda e maciça da droga ingerida, sendo a mais comum a 
cocaína. 
• Síndrome de Body-pusher: define o transporte de pequenas quantidades de drogas nos orifícios naturais, tais 
como a vagina e o ânus. 
 
*Energias de ordem bioquímica 
• São as energias que se manifestam por ação combinada – biológica e química, atuando lesivamente por meio 
negativo (carencial) ou de maneira positica (tóxica ou infecciosa) sobre a saúde, levando em conta as 
condições orgâncias e de defesa de casa indivíduo. 
• Modalidades: 
o Perturbações alimentares → podem ser acidentais ou criminosas. São elas: 
a. Inanição: é o depauperamento orgânico produzido pela redução ou pela privação de 
elementos imprescindíveis ao metabolismo orgânico. Exemplos: greve de fome, abandono de menor, 
vítima presa ou esquecida; 
b. Doenças carenciais: são perturbações orgânicas decorrentes de alimentação insuficiente ou 
da carência de certos elementos indispensáveis, entre os quais principalmente as vitaminas. 
Exemplos: hipovitaminoses ou avitaminoses; 
c. Intoxicações alimentares: a situação mais comum nessas circunstâncias é a ingestão 
alimentar que contém substâncias ou microrganismos nocivos à saúde. Exemplos: toxina das 
bactérias, tais como Salmoneloses e Estafilococcias. 
 
OBS: Aqui, tem-se de fazer a distinção com os envenenamentos. Estes são provocados por substâncias químicas de 
composição definida. E a intoxicação alimentar é produzida por mecanismo de anafilaxia quando da ingestão de 
alimentos deteriorados ou contaminados. 
 
OBS 2: Pais veganos ou vegetarianos que não suprem necessidade de proteínas dos filhos ou aqueles que obrigam as 
crianças a fazer jejum intermitente → precisam ser orientadas pelos pais assistencialistas quanto a importância de 
suplementação nessas crianças. 
 
o Autointoxicações: são perturbações orgânicas causadas pela transformação química e subsequente 
elaboração de substâncias perniciosas na própria constituição física do indivíduo, por deformação 
endógena ou eliminação defeituosa, que causam dano ao organismo. 
Ex: hepatotoxicidade do paracetamol pelo metabólito N-acetil-p-benzoquinonaimina. 
o Infecções: são as complicações locais ou sistêmicas, oriundas de perturbações orgânicas provocadas 
por microrganismos patógenos. 
Ex: raiva, tétano, gangrena gasosa, tuberculose, HIV. 
 
*Energias de ordem biodinâmica 
• Choque: cardiogênico, hipovolêmico, obstrutivo, periférico; 
o O choque é representado pela resposta orgânica a um agente agressor, através de um mecanismo de 
defesa destinado a proteger-se dos efeitos nocivos do trauma. Este mecanismo de compensação tem 
como finalidade primeira o restabelecimento temporário da pressão arterial a fim de manter o fluxo 
sanguíneo nos tecidos mais nobres. 
• Síndrome da falência múltipla de órgãos → caracterizada fundamentalmente pela deterioração funcional 
progressiva de diversos órgãos em pacientes graves e de ocorrências agudas; 
• Coagulação intravascular disseminada → se caracteriza por uma perturbação sistêmica, do tipo trombo-
hemorrágico, sempre por antecedentes patológicos do sistema sanguíneo e desencadeada por complicações 
secundárias. 
 
OBS: Perícia médico-legal nos casos de morte por energias de ordem biodinâmica → fazer necropsia detalhada; excluir 
outras causas de morte violenta; buscar informações hospitalares. 
 
*Energias de ordem mista 
• As energias de ordem mista, também conhecidas como energias de ordem bioquímica e biodinâmica, 
compreendem determinados grupos de ação produtores de lesões corporais ou de morte analisados na 
causalidade de dano. 
• Nesta modalidade de energia, enquadram-se a fadiga, algumas doenças parasitárias e todas as formas de 
sevícias. 
• Fadiga → um complexo de fenômenos biofísicos e bioquímicos acompanhados por uma característica 
desagradável e penosa sensação local e geral ocorrendo quando o organismo é obrigado a um trabalho que, 
por intensidade, duração e rapidez, é de molde a romper o equilíbrio entre as funções anabólicas e catabólicas 
e alterar-lhe os processos normais. 
• Doenças parasitárias 
o É irrefutável a nocividade de certas doenças parasitárias, principalmente no que atine à sua ação 
espoliativa e tóxica. 
o São os helmintos – tênias, bacteriocéfalos, áscaris, filárias, triquinas e tricocéfalos – os maiores 
responsáveis por esse tipo de energia. Responsáveis o são, também,algumas doenças produzidas por 
protozoários e bactérias. 
• Sevícias: são consideradas energias de ordem mista porque mesmo quando se isola apenas um tipo de ação 
(mecânica, física, biodinâmica, bioquímica), a vítima não deixa de apresentar grave comprometimento da 
emotividade, causada por terror, revolta, ódio ou submissão. 
o Exemplos: Síndrome da criança maltratada, síndrome do ancião maltratado, síndrome de 
Munchausen, síndrome da alienação parental, violência contra a mulher, tortura. 
o Síndrome da criança maltratada/Síndrome de Silverman 
- Sintomas: apatia, olhar triste, temerosa, protege o rosto com as mãos ou fechando os olhos 
com a aproximação de pessoas ou impassível ao movimento do examinador. 
- Sinais: lesões cutâneas e fraturas múltiplas de idades diferentes, principalmente em face e 
membros. Marcas de ataduras nos punhos; contradições nas informações dos familiares; hematoma 
subperiósteo em ossos longos dos mmss e mmii, arrancamento epifisário (síndrome metafisária de 
Strauss). 
o Síndrome da criança sacudida ou síndrome da criança chacoalhada: hemorragias meníngeas, edema 
cerebral e hemorragia retiniana. 
o Síndrome de Munchausen → desordem psíquica em que o paciente, de forma compulsiva, simula 
sintomas de doenças para chamar atenção. 
o Síndrome da alienação parental → dano emocional provocado a filho de pais separados, que ocorre 
no contexto de disputa pela custódia da criança, quando um dos genitores tenta difamar o outro 
genitor para obter vantagem nos tribunais. 
Traumatologia – Lesões corporais 
*Conceituação 
• Na Medicina curativa, o conceito de “lesão” se restringe a alteração anatômica ou funcional de um órgão ou 
tecido. 
• Já na Medicina legal, “lesão” envolve qualquer alteração ou desordem da normalidade, de origem externa e 
violenta, capaz de provocar um dano à saúde em decorrência de culpa, dolo, acidente ou autolesão. 
 
OBS: Autolesão não tem efeito jurídico. Exceto se prova de denunciação caluniosa. Ou seja, a autolesão não constitui 
infração penal a não ser que tenha como objeto ferir o corpo ou causar uma doença no sentido de levar vantagem 
pecuniária ou benefícios, como por exemplo na simulação de um acidente de trabalho. 
 
*Lesão corporal 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
 
Lesão corporal de natureza grave 
- § 1º Se resulta: 
 I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
 II - perigo de vida; 
 III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
 IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
- § 2° Se resulta: 
 I - Incapacidade permanente para o trabalho; 
 II - enfermidade incurável; 
 III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
 IV - deformidade permanente; 
 V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
Lesão corporal seguida de morte 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de 
produzi-lo 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. (...) 
 
Lesão corporal culposa 
§ 6° Se a lesão é culposa: Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
 
OBS: Lesão corporal de natureza leve é caracterizada por exclusão, quando a lesão não se enquadra como grave ou 
gravíssima. 
 
OBS 2: Respostas do laudo: sim, não, prejudicado e sem elemento. 
 
*Classificação da lesão corporal quanto a natureza penal 
• Leve 
• Grave 
• Gravíssima 
• Lesões mortais. 
 
*Finalidade do exame de lesões corporais 
• O mapa ser para determinar a natureza da lesão, a sede da lesão, o número de lesões, o tempo da lesão, o 
agente causador da lesão e a gravidade da lesão. 
• As fotografias são anexadas quando o crime é de maior gravidade, tal como crime de tortura. Na necrópsia, 
usa-se o mapa e fotografias. 
 
*Lesões graves: Incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias 
• Para qualquer atividade funcional habitual, tal como dirigir, trabalhar etc; 
• O conceito de incapacidade é conceitual e não anatômico; 
• A incapacidade pode ser total ou parcial → essa incapacidade não tem que ser total, bastando unicamente o 
comprometimento de uma ocupação habitual que incapacite a vítima, mesmo parcialmente, afastando-a, 
física ou psiquicamente, de suas atividades. Portanto, nem se exige uma incapacidade absoluta, nem uma 
privação econômica, basta que a vítima fique impossibilitada de exercer suas ocupações habituais por mais de 
trinta dias. 
 
*Lesões graves: Perigo de vida 
• Probabilidade concreta de morte iminente, ou seja, uma ameaça imediata de um êxito letal; 
• O perigo de vida decorrer de um diagnóstico e não de um mero prognóstico do perito; 
• Há perigo de vida sempre que se faça presumir um desfecho fatal caracterizado por sinais e sintomas graves 
e comprometimento dos sinais vitais; 
• É diferente de risco de vida, que indica uma probabilidade remota de morte. condicionada a possíveis 
complicações e meramente presumido. O risco de vida é um prognóstico, uma presunção, uma probabilidade. 
 
*Lesões graves: Debilidade permanente de membro, sentido ou função 
• Debilidade é o enfraquecimento ou redução da capacidade funcional ou de uso. Deve ser de caráter 
permanente, incidindo sobre um membro, sentido ou função; 
• O conceito é funcional e não anatômico; 
• Deve ser permanente (debilidade transitória não caracteriza tal situação); 
• A sequência do dispositivo penal ainda fala de membro, sentido ou função. 
o Membro: os quatro apêndices do corpo; 
o Sentido: é a faculdade pela qual percebemos as manifestações da vida de relação; 
o Função: mecanismo de atuação dos órgãos, aparelhos e sistemas. 
 
OBS: A perda de um dos órgãos duplos constitui uma debilidade! 
 
*Lesões graves: Aceleração de parto 
• Feto expulso, com vida, antes do termo normal, motivado por agressão física ou psíquica à parturiente, 
continuando a viver após a expulsão; 
• Se o feto morre dolosamente antes, durante ou após o parto, independente da idade gestacional, a condição 
é caracterizada como aborto e a lesão é caracterizada como gravíssima. 
 
*Lesão corporal gravíssima: Incapacidade permanente para o trabalho 
• Incapacidade para exercer qualquer atividade laborativa de forma definitiva; 
• O dano deve ser permanente, incapacitante e causar a dependência de terceiros para a realização de atos 
essenciais da vida; 
• É a invalidez total e permanente. 
• Ex.: Traumatismos encefálicos e medulares com sequelas graves, cegueira completa. 
 
*Lesão corporal gravíssima: Enfermidade incurável 
• A enfermidade deve ter um comprometimento funcional e um caráter permanente; 
• Uma perturbação estável ou de discreta recuperação que permite um relativo estado de saúde; 
• Desse modo, tal enfermidade deve ser representada por um distúrbio ou perturbação que possa repercutir 
de maneira intensa sobre uma ou mais funções orgânicas, que comprometa a saúde e exija cuidados especiais 
e que tenha sido resultado de uma ação dolosa. Além disso, que fique demonstrada pelos meios disponíveis 
a sua incurabilidade; 
• O caráter incurável deve ter um prognóstico de certeza e não de probabilidade. 
• Ex.: Epilepsia decorrente do TCE. 
 
*Lesão corporal gravíssima: Perda ou inutilização de membro, sentido ou função 
• A perda ou inutilização nesse caso compreende o comprometimento funcional em seu grau máximo; 
• O conceito é funcional e não anatômico; 
• O limite entre uma debilidade e uma perda ou inutilização nem sempre é fácil. Se sua debilidade excede o 
limite teórico de 70% da função, já se considera perdida ou inutilizada. 
• Ex.: Paraplegia, cegueira total, anosmia pós-traumática. 
 
*Lesão corporal gravíssima: Deformidade permanente 
• É definida como toda alteração estética grave capaz de reduzir a estética individual; 
• É a perda do aspecto habitual; 
•É a desfiguração notável, visível, aparente e permanente. 
 
*Pena → no crime de lesão corporal, a pena aplicada ao agressor depende da gravidade da lesão, da repercussão 
dessa lesão no organismo da vítima e das sequelas permanentes deixadas pela lesão na vítima. O perito deve 
caracterizar a lesão corporal e não fazer juízo. Também deve ser anotado os danos psicológicos. 
Tanatologia forense 
*Tanatologia médico-legal é a parte da Medicina Legal que estuda a morte e o morto, e as suas repercussões na esfera 
jurídico-social. 
 
*Conceitos 
• Morte encefálica: sua principal aplicação é, sem dúvida, para capacitação do doador de órgãos e tecidos. 
• Morte natural: é aquela oriunda de um estado mórbido adquirido ou de uma perturbação congênita. É a morte 
que ocorre por doenças e pelo inexorável processo de envelhecimento. É aquela que sobrevém motivada 
amiúde por causas patológicas ou por grave formação, incompatível com a vida extrauterina prolongada. 
 
*Legislação sobre morte encefálica: 
Lei n. 9.434/97 
Art. 3º A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento 
deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não participantes 
das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por 
resolução do Conselho Federal de Medicina. 
 
Com a redação da Lei 10.211/2001 
Art. 4º A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade 
terapêutica, dependerá da autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou 
colateral, até o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à 
verificação da morte. 
 
Lei n. 9.175/2017 
Art. 17. A retirada de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano poderá ser efetuada após a morte encefálica, 
com o consentimento expresso da família, conforme estabelecido na Seção II deste Capítulo. § 1º O diagnóstico de 
morte encefálica será confirmado com base nos critérios neurológicos definidos em resolução específica do Conselho 
Federal de Medicina - CFM. 
 
Art. 25. A necropsia será realizada obrigatoriamente no caso de morte por causas externas ou em outras situações nas 
quais houver indicação de verificação médica da causa da morte. § 1º A retirada de órgãos, tecidos, células e partes 
do corpo humano poderá ser efetuada desde que não prejudique a análise e a identificação das circunstâncias da 
morte. § 2º A retirada de que trata o § 1º será realizada com o conhecimento prévio do serviço médico-legal ou do 
serviço de verificação de óbito responsável pela investigação, e os dados pertinentes serão circunstanciados no 
relatório de encaminhamento do corpo para necropsia. 
 
*Definição de morte encefálica 
• Cessação total e irreversível das funções encefálicas, incluindo o tronco encefálico, de causa conhecida e 
constatada de modo indiscutível, caracterizada por coma aperceptivo, ausência de resposta motora 
supraespinhal e apneia. 
 
OBS: Para preencher a declaração de óbito → a data será retroativa e não a data em que houve a captação de óbito. 
 
• É necessário: 
o Identificar a causa do coma e afastar causas reversíveis de coma, tais como os distúrbios metabólicos; 
▪ Algumas condições como encefalopatia hepática, coma hiperosmolar, hipoglicemia e uremia 
podem levar a um coma profundo, sendo que essas alterações metabólicas devem ser 
consideradas antes de se determinar a irreversibilidade das funções encefálicas e esforços 
devem ser feitos para corrigi-las 
o Afastar hipotermia e o uso de medicamentos depressores do SNC. 
▪ A hipotermia pode dar resultado falso-positivo de morte encefálica, particularmente quando 
o corpo está abaixo de 32,2°C (temperatura retal), sendo necessário restauração da 
normotermia antes de qualquer especulação diagnóstica 
▪ Devido ao choque, independendo de sua etiologia, a diminuição de fluxo sanguíneo cerebral 
pode provocar uma suspensão transitória da atividade elétrica cerebral e um quadro clínico 
aparentando morte encefálica. Logo, é imprescindível a tentativa de manutenção da pressão 
arterial antes de diagnosticarmos morte encefálica em vítimas de choque 
▪ Intoxicação por drogas: a parada transitória das funções encefálicas pode ser induzida por 
superdosagem de múltiplas drogas sedantes do sistema nervoso central, como barbitúricos, 
benzodiazepínicos, entre outras. É expressamente recomendável um período de observação 
mais prolongado nos casos em que se aventa essa possibilidade; principalmente quando da 
suspeita de barbitúricos, devido à longa meia-vida dessas drogas, com sua rica recirculação 
êntero-hepática e drástica redução da motilidade gastrintestinal 
 
OBS: Coma aperceptivo e arreativo (Glasgow 3): ausência de qualquer reação ou resposta motora à forte estímulo 
doloroso da região lateral da nuca ou face, compressão supraorbitária, compressão do esterno ou do leito ungueal. 
Ausência de convulsões, tremores, postura em descerebração ou decorticação. 
 
• Reflexos afetados: óculovestibular (explora-se elevando a cabeça do paciente a 30° do plano horizontal; 
determinar previamente por otoscopia a permeabilidade do conduto auditivo e aplicar lentamente 50 ml de 
água a 4°C sobre a membrana timpânica, observando se há desvio ocular. Resposta normal seria desvio em 
direção ao estímulo), pupilar (pupilas ficam fixas e arreativas), córneo-palpebral (explorar utilizando mecha de 
algodão, tocando alternadamente as córneas e observando-se a presença de fechamento palpebral e/ou 
desvio conjugado dos olhos para cima), oculocefálico (explora-se com movimentos rápidos de rotação da 
cabeça no sentido horizontal e flexão e extensão do pescoço. Na resposta normal, observa-se um 
deslocamento ocular no sentido contrário aos movimentos realizados), tosse. 
o Teste de apneia → tem como intuito comprovar se há movimento ventilatório espontâneo pela 
estimulação de centros respiratórios pela hipercapnia de no mínimo 60 mmHg. O teste consiste 
inicialmente em observar se o paciente não realiza nenhum esforço contrário à ventilação mecânica. 
Após 15 min: 
1- Aumentar FiO2 = 100% por 10 minutos; 
2- Desconectar o ventilador e instalar sonda traqueal com fluxo de O2 de 6l/min; 
3- Observar o aparecimento de movimentos respiratórios por 10 min ou até que PaCOs > 55mmHg. 
 
OBS: O período de observação clínica e a documentação da cessação da função cerebral por um período mínimo de 6 
h, juntamente com a ausência de atividade elétrica cerebral ou perfusão sanguínea cerebral, estabelecem um 
diagnóstico de morte encefálica e tornam dispensável a necessidade de reavaliações clínicas. Na ausência desses 
testes complementares, o período de observação clínica deve ser no mínimo de 24 h. Sendo assim, os exames 
complementares não são pré-requisitos necessários para se firmar o diagnóstico de morte encefálica. Apenas se 
reconhece que sendo eles disponíveis permitirão antecipar com segurança esse diagnóstico 
 
• Intervalo entre as duas avaliações clínicas 
 
• Questões relevantes sobre a morte encefálica 
o Hora do óbito: horário do último exame, o qual é a hora da morte perante a lei e a sociedade; 
o Informar a família sempre que houver suspeita, antes da abertura do protocolo; 
o O diagnóstico independe da possibilidade de doação; 
o Notificação é compulsória; 
o O prolongamento artificial desta situação é inútil ao paciente e desgastante para a família e a 
sociedade. 
 
*Declaração de óbito em caso de morte natural 
• As declarações de óbito têm como finalidades principais confirmar a morte, definir a causa mortis e satisfazer 
o interesse médico-sanitário, político e social. O registro de óbito satisfaz a um interesse de ordem pública 
tanto quanto o de nascimento. O atestado de óbito é um documento públicoe preenchido por alguém 
devidamente habilitado, que o faz por obrigação, não por opção. 
• Morte sem assistência médica – nas localidades com SVO, a declaração de óbito será fornecida pelos médicos 
do serviço. Já nas localidades sem SVO, a declaração de óbito deverá ser fornecida pelos médicos do serviço 
público de saúde mais próximo do local onde ocorreu o evento; na sua ausência por qualquer médico da 
localidade. 
 
OBS: Se houver suspeita de crime, traumas, avançado estado de putrefação, deve encaminhar para o IML. 
 
• Morte com assistência médica – a declaração de 
óbito deverá ser fornecida, sempre que 
possível, pelo médico que vinha prestando 
assistência ao paciente. 
o A declaração do paciente internado sob 
regime hospitalar deverá ser fornecida 
pelo médico assistente, e na sua falta 
por médico pertencendo à instituição. 
• Morte fetal – Os médicos que prestaram 
assistência à mãe ficam obrigados a fornecer a 
DO quando a gestação tiver duração igual ou superior a 20 
semanas ou o feto tiver peso corporal igual ou superior a 
500 g e/ou estatura superior a 25 cm. 
• Mortes violentas ou não naturais – A DO deverá, 
obrigatoriamente, ser fornecida por serviços médicos. 
 
OBS: Paciente internado em consequência de causa violenta 
independente do tempo de internamento, o corpo deverá ser 
encaminhado ao IML. 
 
*Fenomenologia cadavérica – Classificação de Borri 
Fenômenos abióticos, avitais ou vitais negativos: 
• Imediatos: perda da consciência, perda da sensibilidade (estão abolidas as sensações táteis, térmicas e 
dolorosas), abolição da mobilidade e do tônus muscular, cessação da respiração (pode ser evidenciada pela 
ausculta pulmonar com ausência dos murmúrios vesiculares), cessação da circulação, cessação da atividade 
cerebral. 
• Consecutivos (ou mediatos): 
a. Desidratação cadavérica: decréscimo de peso (pela evaporação da água 
dos tecidos orgânicos após a morte), pergaminhamento da pele (pele se desseca, 
endurece e torna-se sonora à percussão), modificação dos globos oculares, perda 
da tensão do globo ocular, enrugamento da córnea, mancha da esclerótica (sinal 
de Sommer e Larcher – mancha de cor enegrecida pela transparência do pigmento 
coroidiano). 
b. Esfriamento cadavérico (algor mortis): para temperaturas em torno de 20 a 30 °C, as observações 
registram que a temperatura do corpo cai em torno de 0,5°C/hora nas primeiras 3 horas, e da quarta hora em 
diante, o decréscimo é ao redor de 1°C/hora, até equilibrar-se com a temperatura do ambiente (com a morte 
e a consequente falência do sistema termorregulador, a tendência do corpo é equilibrar sua temperatura com 
o meio ambiente) 
c. Manchas de hipóstases cutâneas (livor mortis ou livores cadavéricos): acúmulo de sangue nas partes 
baixas do corpo por ação da gravidade. Caracterizam-se pela tonalidade azul-púrpura, de certa intensidade e 
percebidas na superfície corporal, e apresentam-se em forma de placas. Começam a aparecer após 2 horas a 
3 horas e tornam-se fixas após 12 horas. Serve para o diagnóstico da realidade da morte, causa da morte, 
estimativa do tempo de morte, estudo da posição em que permaneceu o cadáver depois da morte. 
 
OBS 1: Manchas de hipóstase x equimoses → a maneira de se diagnosticar uma mancha de hipóstase é pressionar 
com o dedo a zona do livor, o que faz desaparecer a tonalidade própria por alguns instantes, isto até sua fixação 
definitiva. Ou incisando a pele e o tecido celular, observando-se o sangue gotejar dos vasos venosos, sua lavagem 
torna o tecido branco. Os vasos e capilares estão intactos, não tem rede de fibrina e quase sempre nas regiões de 
decúbito. Nas equimoses, o sangue encontra-se coagulado e infiltrado nas malhas do tecido, com presença de rede 
de fibrina, capilares rotas e nas diversas regiões do corpo. Mesmo na putrefação, ainda se encontram nos tecidos 
firmemente aderentes os pigmentos hemáticos 
 
OBS 2: Livor mortis pode ocorrer em pacientes terminais em UTI → ou seja, o livor não é patognomônico de morte, 
pois pode estar presente em moribundos 
 
OBS 3: Livor não fixo poderá predizer hora da morte → durante as primeiras 12 h após a morte, estas manchas podem 
mudar de posição conforme a situação do cadáver, para, depois, se fixarem definitivamente. Assim, se um cadáver 
permanece em uma determinada posição durante mais de 12 h, mesmo que se desloque o corpo, permanecem as 
manchas no local da situação inicial. 
 
d. Rigidez cadavérica (rigor mortis): a 
rigidez se instala em razão do aumento do teor 
de ácido lático nos músculos e consequente 
coagulação da miosina. A rigidez é, portanto, 
um fenômeno físico-químico em um estado de 
contratura muscular, devido à ação dos 
produtos catabólicos do metabolismo, 
correspondente a uma situação de vida residual 
do tecido muscular 
 
OBS 4: A rigidez e a flacidez posterior possuem a mesma sequência craniocaudal de instalação. 
 
Fenômenos transformativos: 
• Destrutivos: 
a. Autólise: é o processo de destruição celular causado pelas próprias enzimas celulares e que levam 
à destruição do corpo humano após a morte. Com a morte as células deixam de receber os nutrientes 
necessários à manutenção dos fenômenos biológicos e passam a apresentar fermentação anaeróbica, 
causando acidificação nos tecidos e líquidos do cadáver. Não há nenhuma interferência bacteriana. 
b. Maceração: é processo especial de transformação que sofrem os cadáveres que são mantidos em 
meio líquido. Caracteriza-se pelo destacamento de amplos retalhos de epiderme. É bem mais observado em 
fetos retirados do útero post mortem, mas podem ser vistos em afogados. 
Classificação de Laugley: 
▪ Grau 0 – pele íntegra e aspecto bolhoso 
▪ Grau 1 – epiderme começa a se deslocar 
▪ Grau 2 – epiderme com extensas áreas de deslocamento e, nas cavidades serosas, sufusões 
avermelhada 
▪ Grau 3 – epiderme com extensas áreas de descolamento, fígado de coloração amarelo-
amarronzada e efusões turvas nas cavidades serosas 
c. Putrefação: ocorre pela decomposição fermentativa da matéria orgânica pela ação de germes 
aeróbios e anaeróbios que atuam decompondo o corpo em substâncias mais simples. A putrefação é dividida 
em períodos: 
o Cromático ou de coloração: inicia-se pelo surgimento da mancha verde abdominal, localizada na fossa 
ilíaca direita, após 20-24 horas da morte. 
o Gasoso ou enfisematoso: do interior do corpo vão surgindo os gases da putrefação (enfisema 
putrefativo) que atuam causando bolhas na epiderme e fazendo pressão sobre o sangue que foge para 
a periferia e esboça na derme o desenho vascular. O fenômeno é conhecido como circulação póstuma 
de Brouardel. O período gasoso surge no 3º ao 5º dia. Quando perfurou o abdome dos cadáveres com 
trocater e aproximou os gases à chama de uma vela verificou: 
▪ 1º dia – gases não inflamáveis (fase de coloração); 
▪ 2º ao 4º dia – gases inflamáveis; 
▪ 5º dia em diante – gases não inflamáveis. 
▪ Obs: O enfisema progride até generalizar e fazer a posição de lutador 
o Coliquativo ou de liquefação: compreende a dissolução pútrida do cadáver, ocasião em que as partes 
moles vão reduzindo-se pela desintegração progressiva dos tecidos. Esse período tem início no final 
da primeira semana e se prolonga indefinidamente. 
o Esqueletização: compreende período entre 3 e 5 anos, em que ocorre a completa desintegração dos 
tecidos moles restando apenas os casos, quase livres, do cadáver. 
 
• Conservadores: 
a. Mumificação: as condições ambientais causam desidratação rápida do cadáver, de modo a impedir 
a ação microbiana que conduz o cadáver à putrefação. Ocorre quando o cadáver fica exposto ao ar, em clima 
quente, seco e ventilado. 
b. Saponificação ou adipocera: caracteriza-se pela transformação do cadáver em substância de 
consistência untuosa, mole e quebradiça, dando uma aparência de cera ou sabão. Ocorre quando o cadáver é 
exposto a solo argiloso, úmidoe pouco ventilado. 
c. Calcificação: é um fenômeno transformativo conservador que se caracteriza pela petrificação o u 
calcificação do corpo. Ocorre mais frequentemente nos fetos mortos e retidos na cavidade uterina, 
constituindo-se nos chamados litopédios. Nos cadáveres de menores ou adultos, esse fenômeno é mais raro 
d. Corificação: muito raro, encontrado em cadáveres que foram acolhidos em urnas metálicas 
fechadas hermeticamente, principalmente de zinco 
e. Fossilização: é um fenômeno transformativo conservador extremamente raro e se caracteriza pelo 
fato de o corpo apenas manter sua forma, mas não conservar qualquer componente de sua estrutura orgânica. 
Este processo exige períodos muito longos para sua ocorrência 
 
*Sinais de reação vital (Lesões in vitam) 
• Lesões que não podem ser feitas no corpo post mortem, ou seja, ocorreram quando indivíduo ainda estava 
vivo: equimoses, hematomas, manchas de Tardie e Paultauf, retratilidade dos ossos, coagulação sanguínea, 
presença de crostas, fuligem em vias aéreas no carbonizado, embolia gordurosa pulmonar em 
politraumatizados, presença de infiltração de hemácias em traços de fraturas a MEV, marginação leucocitária, 
presença de macrófagos fagocitando pigmentos de hemossiderina, presença de mediadores de resposta 
inflamatória (catepsina A e D, serotonina, ferro, zinco, cobre, fosfatases, esterases, aminopeptidases). 
 
*Finalidade da necropsia → Diagnosticar a morte; identificar o cadáver; determinar o tempo de morte; estabelecer a 
causa da morte; determinação da energia que causou o dano; estabelecer nexo entre a energia aplicada, a lesão 
encontrada e o agente empregado; tentar caracterizar a emoção do agressor; tentar identificar meios especiais que 
causaram a morte como envenenamento, queimadura, dilaceração de tecidos por meios explosivos, asfixia, crueldade 
manifesta por certos tipos de lesão; solicitar exames subsidiários; demonstrar a incapacidade ou impossibilidade de 
defesa da vítima, seu abandono, sua pouca idade, sua contenção. 
• A necropsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais 
de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. 
Sexologia criminal 
* Sexologia criminal, também chamada de Sexologia forense, é a parte da Medicina Legal que trata das questões 
médico-biológicas e periciais ligadas aos delitos contra a dignidade e a liberdade sexual. 
 
*Legislação 
Estupro 
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir 
que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena – reclusão, de 6 a 10 anos 
§ 1° Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 anos ou maior de 14 anos -
→ Pena – reclusão, de 8 a 12 anos 
§ 2° Se da conduta resulta morte → Pena – reclusão, de 12 a 30 anos 
 
Estupro de vulnerável 
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos: Pena – reclusão, de 8 a 20 
anos 
§ 1° Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência 
mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode 
oferecer resistência. 
§ 3° Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave → Pena – reclusão, de 10 a 20 anos 
§ 4° Se da conduta resulta morte → Pena – reclusão, de 12 a 30 anos 
§ 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento 
da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. 
 
*Constranger: obrigar por força, violentar, coagir, compelir, impedir os movimentos. 
 
*Diferença entre conjunção carnal e ato libidinoso: 
• Conjunção carnal → é a introdução completa ou incompleta do pênis humano na cavidade vaginal, ocorrendo 
ou não ejaculação, excluindo-se a cópula vestibular ou vulvar, bem como o coito oral ou anal. 
o Sinais de conjunção carnal Rotura himenal (não pode ser analisada isoladamente), presença de 
esperma na cavidade vaginal, presença de células de agressor na cavidade vaginal, gravidez, 
contaminação venérea profunda. 
o Obs: DNA do concepto é elemento contra o agressor. 
• Ato libidinoso → é toda prática que tem por fim satisfazer completa ou incompletamente, com ou sem 
ejaculação, o apetite sexual, o qual pode traduzir-se desde a cópula vaginal até as mais variadas situações, 
como coitos anal, vulvar ou oral, toques e apalpadelas em mamas, coxas e vagina. 
 
*Himenologia 
OBS: Como o estupro é um crime que na maioria das vezes deixa vestígios, considera-se indispensável a realização do 
exame pericial para a devida comprovação da conjunção carnal ou de outro ato libidinoso e dos demais elementos 
que caracterizam o referido delito, entre outros as lesões produzidas por violência física, as condições dos grandes e 
pequenos lábios vaginais, do clitóris, do meato urinário, da fúrcula vaginal, do introito da vagina, do períneo e do ânus, 
a identidade, a determinação da idade e o estado mental da vítima e a coleta de material para as provas biológicas 
que confirmem o ato ou identifiquem o autor. 
• O hímen é uma membrana que separa a vulva da vagina. Tem uma face vaginal ou profunda e outra vestibular 
ou superficial. Sua consistência pode ser membranosa (quando é possível ver a vascularização) ou carnosa 
(espesso). Essa membrana apresenta duas bordas, sendo uma delas aderente ou de inserção (sulco ninfo-
himenal) e a outra livre, e recebe a denominação de orla ou altura 
himenal. Seu orifício central é denominado óstio himenal e pode ter 
várias formas. Sua nomenclatura é definida a partir do formato do 
seu óstio. 
 
OBS: Diagnóstico diferencial entre entalhe e ruptura → usa-se um cotonete 
para manobrar a lesão e, no caso do entalhe, o hímen volta à posição 
anatômica. Já a ruptura forma um ângulo agudo e não retorna para a 
posição anatômica inicial. É como se estivesse rasgado. 
OBS 2: Ruptura completa cicatrizada não é elemento para comprovar conjunção carnal ou ato libidinoso. 
 
 
• Hímen complacente é o hímen que permite a 
cópula sem romper-se por ser dilatável, 
distensível ou elástico. Habitualmente a orla 
é franjeada, elástica e estreita e o óstio é 
grande ou no mínimo médio. 
• Carúnculas mirtiformes são retalhos de 
hímen roto pelo coito ou pelo parto, os quais 
se retraem, formando verdadeiros 
trabéculos. 
 
*Como detectar esperma ou sêmen 
Testes de probabilidade na identificação de 
manchas de esperma: 
• Fluorescência à luz ultravioleta 
• Reativo de Florence, Barbiério, Baechi 
• Dosagem da fosfatase ácida prostática (>200 U.K./ml) 
Testes de certeza na identificação de manchas de esperma: 
• Prova de Corin-Stokis (pesquisa de espermatozoides por MC) 
• Presença da glicoproteína p30 
OBS: Em agente vasectomizado, a “ejaculação” é constatada no fluido vaginal através da dosagem de fosfatase ácida 
(acima de 200 UI) ou pela presença de glicoproteína P30 
Presença de células do agressor na cavidade vaginal 
• Coleta de swab vaginal para pesquisa de DNA – até 7 dias 
Gravidez 
• Coleta de sangue para dosagem de beta HCG 
*Outros atos libidinosos 
• Coito ectópico (coito vestibular ou vulvar, coito anal, coito oral, coito interfemoral, coito intergluteo, coito 
intermamário) 
• Masturbação 
• Toques e apalpadelas de áreas erógenas (mamas, vagina, coxas, nádegas) 
*A perícia do crime de estupro 
Histórico 
• Informar a data e horário do exame 
• Informar a idade da pericianda e o que aconteceu (conjunção carnal ou ato libidinoso) 
• Informar o tipo de violência empregada (física, psíquica, grave ameaça ou presumida) 
• Informar a data da última relação consensual (se usou preservativo) ou se era virgem 
• Informar se o agressor utilizou preservativo e se foi realizado algum tipo de higiene íntima após• Informar DUM e se usa algum contraceptivo oral

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