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ALÉM	DO	APARENTE
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
Elaborado	por	Sônia	Magalhães
Bibliotecária	CRB9/1191
Guedes,	Olinda
G924Além	do	aparente	:	um	livro	sobre	constelações	familiares	/	Olinda	Guedes.
² ¹⁵ –	1.	ed.	–	Curitiba,	2015.
²⁴ 	p.	;	²¹	cm
Inclui	bibliografias
ISBN	978-85-8192-650-6
1.	Psicologia.	2.	Relações	humanas.	I.	Título.
CDD	20.	ed.	–	150
Editora	e	Livraria	Appris	Ltda.	Rua	General	Aristides	Athayde	Jr.,	1027	–	Bigorrilho	Curitiba/PR	–	CEP:	80710-520	Tel:	(41)	3156-4731	-	(41)	3030-4570	http://www.editoraappris.com.br/
Printed	in	Brazil
Impresso	no	Brasil
Olinda	Guedes
ALÉM	DO	APARENTE
-	um	livro	sobre	Constelações	Familiares	-
Curitiba	-	PR
2015
Editora	Appris	Ltda.
1a	Edição	-	Copyright©	2015	dos	autores
Direitos	de	Edição	Reservados	à	Editora	Appris	Ltda.
Nenhuma	parte	desta	obra	poderá	ser	utilizada	indevidamente,	sem	estar	de
acordo	com	a	Lei	n°	9.610/98.
Se	incorreções	forem	encontradas,	serão	de	exclusiva	responsabilidade	de	seus
organizadores.
Foi	feito	o	Depósito	Legal	na	Fundação	Biblioteca	Nacional,	de	acordo	com	as
Leis	n°s	10.994,	de	14/12/2004	e	12.192,	de	14/01/2010.
FICHA	TÉCNICA
EDITORIAL Sara	C.	de	Andrade	Coelho	Augusto	V.	de	A.	Coelho
ASSESSORIA	EDITORIAL Camila	Dias	Manoel
COMITÊ	EDITORIAL Edmeire	C.	Pereira	-	Ad	hoc.	Iraneide	da	Silva	-	Ad	hoc.	Jacques	de	Lima	Ferreira	-	Ad	hoc.	Marli	Caetano	-	Análise	Editorial
DIREÇÃO	-	ARTE	E	PRODUÇÃOAdriana	Polyanna	V.	R.	da	Cruz
DIAGRAMAÇÃO Adriana	Polyanna	V.	R.	da	Cruz
WEBDESIGN Carlos	Eduardo	H.	Pereira
GERENTE	COMERCIAL Eliane	de	Andrade
LIVRARIAS	E	EVENTOS Dayane	Carneiro	|	Estevão	Misael
ADMINISTRATIVO Selma	Maria	Fernandes	do	Valle
Autora:	Olinda	Roseli	Pereira	Guedes
Fotografia:	Eduarda	Albuquerque	e	Olinda	Guedes
Caligrafia	capa	(modelo):	Noili	Grigoletti
Revisão,	organização	de	texto,	correção	ortográfica	e	palpites:	Susy	Guedes
Tradução:	Agnes	Vercauteren	Lorena	Kim	Richter	e	Renate	Christina	Becker
Studio:	Chácara	Colibri	–	Serra	da	Graciosa	-	Piraquara	-	PR
Retaguarda:	Cizinho	Pereira	Guedes
Capa:	Juliane	Turcovic	Guedes
Textos	dos	ditados	e	transcrições	de	áudios	e	vídeos:
Alaídes	Tortato	Zanoni
Jania	Salvadore
Juciene	de	Souza
Keila	Tavares	Okuda
Marinez	da	Silva	Amatti
Regina	Almeida
Sandra	de	Fátima	Brantes
Zulmira	Theis	Martins
Contribuições	(capítulos	adicionais):	Regis	Teixeira	Coelho	e	Ruud	Knaapen
Filmagens:	Elmo	Macedo	Brugnolo,	Jefferson	Luiz	Barbosa,	Marinez	da	Silva
Amatti,	Sandra	Regina	Zawadzki
Depoimentos:	alunos	do	curso	de	Formação	em	Constelações	Familiares
IMAGEM	DA	CAPA:
Tela:	“Primeiros	Passos”	-	1890
Vincent	Willem	van	Gogh
30	de	Março	de	1853	-	29	de	Julho	de	1890
Vincent	van	Gogh	fez	21	cópias	deste	desenho	originalmente	produzido	por
Jean-François	Millet	(1814	–	1875),	pintor	francês	da	escola	realista.
Encontrava-se	internado	voluntariamente	em	um	manicômio	e	resolveu
“treinar”	uma	interpretação,	ou	melhor,	“uma	improvisação”	da	obra	do	artista
que	tanto	admirava,	da	mesma	forma	-	dizia	numa	carta	a	seu	irmão	Theodore
van	Gogh	-	que	os	músicos	eruditos	desenvolviam	uma	execução	própria	de	uma
composição	clássica.¹
Porque	Van	Gogh	representa	o	amor	dos	sistemas.
O	quanto	as	crianças	amam	os	seus	pais,	seus	irmãos.
O	amor	dos	irmãos.	O	quanto	as	crianças	amam.
Vincent,	sua	vida	não	foi	em	vão;
o	amor	nunca	é	em	vão.
1	Fonte:	http://blog.humanarte.net/2014/10/arte-inconsciente-5-van-gogh.html.
Acesso:	10/03/2015.
O	TÍTULO
Inspirado	na	obra	de	Nilton	Bonder	–	“O	Segredo	Judaico
da	Resolução	de	Problemas”,	Imago,	1995.
Ao	longo	da	história,	o	povo	judeu	experimentou	inúmeras
situações	de	ameaça	à	sobrevivência,	tanto	do	ponto	de	vista
individual	como	coletivo.
A	soma	das	experiências	acumuladas	em	séculos	de
ensinamentos,	resultou	em	uma	visão	única	do	mundo,
batizada	de	Ídiche	Kop,	ou	“cabeça	de	judeu”.
De	acordo	com	essa	tradição,	em	que	a	pergunta	é	tão
importante	quanto	a	resposta,	pensar	é	preciso.	As
reviravoltas	da	realidade	dependem	do	raciocínio	e	da
percepção	acurada,	não	apenas	da	fé.
Por	meio	de	parábolas	e	pequenos	contos,	o	rabino	Nilton
Bonder	decodifica	a	perspicácia	do	povo	judeu	em	quatro
diferentes	dimensões:
“o	aparente	do	aparente”,
o	“oculto	do	aparente”,
“o	aparente	de	oculto”	e
“o	oculto	do	oculto”.
Estes	temas	se	cruzam	e	mantém
um	equilíbrio	controverso:
O	tolo	prevalece	sobre	o	sábio,
e	o	silêncio	sobre	a	resposta.
Marcada	pelo	otimismo,	a	obra	surpreende	pela	fluidez	com
que	maneja	temas	complexos,	tornando-os	acessíveis	ao
grande	público	sem,
no	entanto,	perder	em	profundidade.
Pode	parecer	indecifrável,	mas	são	apenas	os	diferentes	graus
de	apresentação	de	um	problema.
Assim	nasce:	“Além	do	Aparente”	–	um	livro	sobre
Constelações	Familiares
“Agora	que	vocês	sabem	estas	coisas,	felizes	serão	se	as	praticarem.”
João	13:17
Para	aqueles	que	oram.
Para	todos	aqueles	que	nos	abençoam	com	milagres
“A	alegria	é	um	pássaro	que	só	vem	quando	quer.	Ela	é	livre.	O	máximo	que
podemos	fazer	é	quebrar	todas	as	gaiolas	e	cantar	uma	canção	de	amor,	na
esperança	de	que	ela	nos	ouça.	Oração	é	o	nome	que	se	dá	a	esta	canção	para
invocar	a	alegria.”
Rubem	Alves
Die	Früchte	können	wir	nur	genießen	‚wenn	es	die	Bäume	gibt.
Bert	Hellinger,	wegen	Ihrer	Arbeit,	Ihrem	Mut,	Ihrer	Achtung	und	Präsenz,
wegen	Ihrem	Ja-sagen	‚wegen	all	dem	ist	dieses	Werk.
Sophie	Hellinger,	Ihre	Präzens	bereichert	uns.
In	Dankbarkeit!
Só	podemos	saborear	os	frutos	se	existirem	as	árvores.
Bert	Hellinger,	por	causa	de	seu	trabalho,	coragem,	atenção	e	presença,	por
dizer	sim,	por	tudo,	esta	obra	é.
Sophie	Hellinger,	por	mais.
Gratidão!
GRATITUDE
Ao	lidar	com	o	sofrimento	causado	por	um	elemento	estranho	dentro	da	sua
concha,	a	ostra	produz	uma	substância	que	envolve	esse	elemento	e	o	transforma
numa	pérola.	Bonita	metáfora	a	indicar	as	possíveis	escolhas	que	podemos	fazer
pela	vida	afora.
Este	livro	é	fruto	do	cultivo	dedicado	e	persistente,	das	horas	de	estudos,
observações	e	pesquisas	em	uma	jornada	de	três	décadas	de	leituras	e	escutas
atentas	das	histórias	de	vida	que	me	contam	–	conchas	que	se	abrem	para
mostrar	suas	pérolas.
DEDICO	esta	obra	aos	meus	queridos	alunos,	estudantes	e	apaixonados	pela
vida.	Já	sabem	que	o	conhecimento	liberta	e	que,	com	sabedoria,	é	possível	ser
mais	feliz	e	usufruir	da	liberdade	suficiente	que	o	destino	nos	reserva.
Com	vocês	construímos	outro	recorde,	um	milagre:	antes	mesmo	de	este	livro
existir,	vocês	já	haviam	adquirido	mil	exemplares.	Ah!	Orgulho	do	meu	coração.
As	turmas	cheias,	vocês	chegando,	todas	as	almofadas	ocupadas,	é	o	presente
que	sempre	pedi	a	Deus:	que	eu	pudesse	sempre	honrar	o	talento	que	d’Ele
recebi,	colocando-o	a	serviço	da	humanidade,	a	serviço	da	vida.	Para	Ele,	meu
coração	inteiramente	grato!
De	vocês	recebo	tantos	presentes.	Este	livro	também	é	um	presente.
De	você,	Keila	Okuda	Tavares,	recebi	um	e-mail	no	mês	de	julho	de	2013,	onde
estavam	todos	os	“ditados”	da	exposição	oral	dialogada,	reflexões	feitas	durante
a	Formação	em	Constelações	Familiares	que	realizou.	Por	isto	sou	tão	orgulhosa
de	vocês,	estudantes	amados.	Sempre	sou	surpreendida	com	tantos	presentes.
Por	sua	causa,	Keila,	esta	obra	veio	mais	rápido.	Gratidão!
A	você,	Noili	Grigoletti,	porque	disse	sim,	sua	bela	arte	em	caligrafia	deixou	a
capa	deste	livro	muito	mais	bonita.	Gratidão!
A	você,	minha	especial	Lorena	-	Juliane	Turcovic	Guedes,	seu	sim,	seu	talento	e
serenidade	sempre	me	encantam.	A	capa	deste	livro	é	fruto	de	sua	habilidade
maravilhosa	em	criar,	em	tornar	realidade	o	que	está	no	campo	dos	pensamentos.
Quando	vejo,	eu	sinto	um	tantinho	do	que	os	pais	sentem:	orgulho	de	ver	que
aqueles	a	quem	entregamos	a	vida,	são	nós	melhores.	Como	um	artista,	a	cada
pincelada	sua	obra	fica	mais	extraordinária.	Assim	Ele	nos	faz.	Gratidão	aos	seus
pais,	João	e	Sueli,	por	terem	dito	sim	e	tê-las	trazido	para	nós:	a	você	e	a	Kuka,
nossa	primogênita	amada,	que	nos	fez	tios,	avós,	bisavós,	pais!
Para	vocês,	pelas	preciosasatitudes,	agradeço	também.	Este	livro	é	mais,	por
causa	de	cada	um,	e	vocês	sabem	bem	o	porquê:
Alice	Mesquita,	André	Ribeiro,	Antonio	Manuel	Vicente	Inácio	Duarte,	Antonio
Onofre	Neves,	Bernhard	Joseph	Lenz,	Diego	Baliero,	Eugenia	Tuczek	Romaiv,
Jair	Santos,	João	Alberto	Costenaro	Juarez	Mocelin,	Larry	Carlos	Marchioro,
Leliane	Tobar	Galan,	Lorena	Kim	Richter,	Luis	Henrique	de	Oliveira,	Marinez
Amatti,	Marisa	de	Souza,	Marli	Caetano,	Renate	Christina	Becker,	Rose	Mari
Silva,	Sizumi	Claudia	Sato	Suzuki,	Vera	Lucia	Mendes	de	Oliveira
Gratidão	a	todos	que	contribuíram!
AGRADEÇO	À	MINHA	FAMÍLIA	por	todo	apoio,	gentileza,	carinho	e	cuidado
para	comigo.	Fazer	nascer	uma	obra	não	é	um	passe	de	mágica.	Exige	dedicação,
trabalho	árduo	e	paciência.	Tantas	vezes	nos	retiramos	para	poder	criar	e	compor
cada	parágrafo.
Especialmente	à	minha	mana	Susy,	apoio,	mais	que	intelectual,	fraterno	e
espiritual.	Meu	porto	seguro	nesta	terra!	Cuida	e	zela	por	mim,	mesmo	quando
eu	só	estou	um	pouco	cansada.
Ao	meu	pai,	Cizinho	Pereira	Guedes,	pelas	flores,	frutos	e	até	borboleta.	Como
haveria	de	não	gostar	de	escrever	em	seu	lar?	Com	suas	bênçãos	a	vida	flui	com
tanto	sabor.
A	minha	mãe,	Carmelita	Neves	Guedes	que,	lá	no	céu,	sorri	para	tudo	isto	e	se
alegra	com	minhas	tranças	e	andanças.
Para	Emma	Pereira	Guedes,	minha	5.a	sobrinha,	que	nasceu	no	lar	de	sua	família
enquanto	estas	páginas	também	tomavam	forma,	meu	amor	especial.	Em	vocês,
Josiane	(Kuka),	Juliane	(Lorena),	Elliot,	Elli	e	Emma,	vemos	alegremente	a	vida
seguir	adiante.
O	amor	desta	família	nos	aquece	o	coração:	Alonso,	o	bebê	amado	que	eu
desejei	para	nossa	casa,	hoje	com	sua	esposa	Kim	e	seus	lindos	filhos,	tem	sido
inspiração	e	alegria	para	todos	nós,	sobre	a	gostosura	de	ser	o	lar	que	desejamos
ter.
Por	fim,	agradeço	a	Antonio	Renato	Margaridi	Júnior.	Juntos	temos	construído
nossa	canção.	Com	você	experimento	novamente	a	oportunidade	de	conviver
com	a	grandeza	da	vida	que	se	mostra	por	meio	do	amor	conjugal,	da	infância	e
da	pureza	do	coração	das	crianças.	Constato	mais	uma	vez	o	quanto	os	filhos
amam	seus	pais.	Grata	por	me	permitir	fazer	parte,	gratidão	por	tudo!
Em	memórias	póstumas,	para:
Francisca	Barth	-	seu	cobertor	continua	conosco,	seu	sorriso	e	vontade	de
partilhar	sempre.	Agora	você	está	no	céu,	certamente	cultivando	e	saboreando
morangos.
Denise-Marie	Villiger	–	lembro-me	que,	algumas	vezes,	você	disse:	“As
misericórdias	se	renovam	a	cada	manhã.”	Sua	alegria	e	ternura	continuam
conosco.	A	doçura	do	seu	coração	ilumina	nossa	memória.
Lenir	Luft	Scheerem	–	com	sua	alegria,	sua	capacidade	de	amar	e	de	compor
novas	equações,	você	se	despede	enquanto	este	livro	é	editado.	Para	você,	para
seus	olhos	tão	felizes,	nosso	amor	e	gratidão	por	tantos	momentos
compartilhados.	Também	sabemos	que	nossos	corações	continuam	unidos	e	sua
luz,	agora,	é	nossa	luz.
Porque	sabemos	que	somos	eternos	e	acomodamos	em	saudades	a	vontade	de
nos	abraçarmos.	Até	hora	destas!
Agora	é	nossa	alegria	celebrando.	Vocês	aí	e	nós	aqui,	no	paraíso	do	céu	e	do
céu	na	terra.
Se	não	falas,	vou	encher	o	meu	coração
com	o	teu	silêncio,	e	aguentá-lo.
Ficarei	quieto,	esperando,	como	a	noite	em	sua	vigília
estrelada,	com	a	cabeça	pacientemente	inclinada.
A	manhã	certamente	virá,	a	escuridão	se	dissipará,	e	a	tua	voz	se	derramará	em
torrentes	douradas	por	todo	o	céu.
Então	as	tuas	palavras	voarão	em	canções	de	cada	ninho	dos	meus	pássaros,	e
as	tuas	melodias	brotarão	em	flores	por	todos	os	recantos	da	minha	floresta.
Rabindranath	Tagore
Alguém	perguntou	a	um	velho	mestre:
-	Como	você	consegue	ajudar	outras	pessoas?	Elas	frequentemente	o	procuram	e
lhe	pedem	conselho	em	assuntos	que	você	mal	conhece.	Apesar	disso,	sentem-se
melhor	depois.
O	mestre	lhe	respondeu:
-	Quando	alguém	para	no	caminho	e	não	quer	prosseguir,	isso	não	depende	do
saber.	Ele	busca	segurança	onde	é	preciso	coragem,	e	quer	liberdade	onde	o
certo	não	lhe	deixa	escolha.	E	com	isso	fica	dando	voltas.	O	mestre,	porém,	não
cede	ao	pretexto	e	à	aparência.	Busca	o	centro	e,	recolhido	nele,	aguarda	que
uma	palavra	eficaz	o	alcance,	como	o	navegador	que	abre	suas	velas	ao	vento.
Quando	alguém	o	procura,	encontra-o	no	mesmo	lugar	aonde	ele	próprio	precisa
chegar,	e	a	resposta	vale	para	os	dois.	Pois	ambos	são	ouvintes.
E	o	mestre	acrescentou:	“No	centro	sentimos	leveza.”
(HELLINGER,	1996,	p.	15.)
APRESENTAÇÃO
Além	do	Aparente	–	um	livro	sobre	Constelações	Familiares
Susy	Guedes
Bert	Hellinger,	ao	desenvolver	o	método	das	Constelações	Familiares,	despertou
para	uma	visão	inédita	da	realidade	humana,	enquanto	indivíduo	e	enquanto
coletividade.	Ao	mesmo	tempo,	esta	metodologia	impressiona	e	surpreende
pelas	soluções	alcançadas:	a	depressão	que	cede	lugar	à	alegria,	a	confiança	no
lugar	da	hiperatividade	(TDHA	–	Transtorno	de	Déficit	de	Atenção	e
Hiperatividade),	a	remissão	espontânea	das	doenças,	a	prosperidade	finalmente
possível	e	simples,	a	justiça,	o	amor	fluindo	entre	casais,	entre	a	criança	e	seus
pais.
Ao	escrever	este	livro,	Olinda	Guedes	nos	presenteia	com	reflexões	profundas	e
esclarecedoras	sobre	os	princípios	sistêmicos	–	pertencimento,	compensação	e
ordem,	e	sobre	como	a	vida	retribui	com	soluções	quando	se	faz	o	que	é
necessário.
Resultado	de	anos	de	estudo	sobre	Constelações	Familiares,	as	reflexões	aqui
apresentadas	são	consequências	da	interação	entre	a	autora	e	seus	alunos	para
compreensão	e	aprendizagem	desta	metodologia	e	do	pensamento	sistêmico	para
lidar	com	os	principais	sofrimentos	da	humanidade:	pobreza,	infelicidade	e
doença.
Além	do	Aparente	é	um	livro	intrigante	e	esclarecedor,	pode-se	lê-lo	como	uma
prosa,	como	um	poema	ou	simplesmente	percebê-lo	como	uma	melodia	que
desperta	o	coração	para	as	dinâmicas	simples	e	reais	que	trazem	o	amor	de	volta.
Porque	a	felicidade	pode	ser	aprendida	e,	segundo	Hellinger,	ela	se	aprende	por
meio	do	amor.
PREFÁCIO	OU	ALGO	SOBRE	OS	DITADOS
A	vista	do	meu	ponto:
Por	favor,	leia	esta	obra	somente	se	tiver	a	intenção	de	ampliar	sua	consciência	e
percepção	da	realidade.	O	tempo	é	precioso	demais	para	defender	premissas.
Este	livro	é	resultado	de	tantos	encontros,	módulos	da	Formação	em
Constelações	Familiares,	dos	“ditados”	–	momentos	em	que	os	estudantes,	com
dedicação	e	atenção,	ouvem	a	professora,	com	seus	lápis	e	cadernos	anotam
linha	por	linha,	palavra	por	palavra.
Às	vezes,	dizem:	“me	perdi;	o	que	foi	dito	mesmo?”
E	com	atenção	renovada,	continuam.
Ao	final	de	cada	trecho,	de	cada	texto,	de	tantos	ditados,	brincamos:	quantas
linhas	foram?	Caíram	fichas?	E	assim,	vêm	os	insights.
Insights	são	cliques	que	nos	levam	para	diante,	como	bem	disse	um	dos	alunos.
Somos	todos	alunos,	na	vida,	encontrando	mais	e	mais	a	luz	do	conhecimento.
A	intenção	é	que	possa	servir	como	inspiração	para	a	jornada	de	muitos,	como
fonte	de	entendimento	para	as	diversas	situações	da	vida,	como	oportunidade	de
elevar	a	percepção	uma	oitava	acima,	onde	possamos	assumir	a	nossa	vida	como
protagonistas,	compreendendo	e	integrando	o	“perpetrador	e	a	vítima”	que	mora
em	todos	nós.
A	felicidade	tem	um	custo.	Os	infelizes	não	precisam	fazer	nada.
Talvez	você	possa,	ao	ler	este	livro,	imaginar-se	sentado	sobre	confortáveis
almofadas,	ao	lado	de	colegas,	com	seu	caderno	e	lápis,	anotando	tudo	sobre
felicidade	e	compreendendo	as	bênçãos	e	a	perfeição	da	Existência.
Gostaria	também	que	lesse	este	livro	do	jeito	que	quiser	e	apreciar.	Leia
capítulos,	partes,	frase,	palavras.	Saboreie.	Nem	pense	que	tem	a	obrigação	de
começar	e	concluir.	Porque,	afinal,	a	vida	é	uma	deliciosa	aventura	e	cada	um
está	autorizado	a	criar	a	sua	canção.
Sugiro	que	este	livro	seja	saboreado,	porque	um	livro	é	como	um	alimento.	Se
não	for	saboreado,	não	cumpre	integralmente	o	seu	propósito.
Saciar	fomes!	Sim.	O	conhecimento	sacia	a	fome	da	alma.	Porque	a	alma	sabe
que:	sem	conhecimento,	sem	liberdade.
Apreciarei	receber	sua	cartinha	contando	suas	percepções	e	entendimentos.	Será
que	poderá	fazer	isto?	As	trocas	tanto	nos	enriquecem.
Até	a	próxima	edição,até	breve!
Abraços	felizes,
Olinda	Roseli	Soares	Camargo	de	Godoy	de	Campos	Penteado	Dourado	de
Santana	Francisco	Neves	e	Pereira	da	Silva	e	Pereira	Guedes
autora@anaueteino.com.br
https://www.facebook.com/OlindaGuedes
https://www.facebook.com/pages/Além-do-Aparente/796956470392949
mailto:autora@anaueteino.com.br
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https://www.facebook.com/pages/Al�m-do-Aparente/796956470392949
SUMÁRIO
As	leis	do	amor	e	os	movimentos	que	curam
Lealdades	ou	o	amor	que	nunca	se	cansa
Quem	pertence?
Movimentos	que	curam:	benevolência	retidão	compaixão
Relações	conjugais	relacionamentos	entre	pais	e	filhos
O	que	é	necessário	para	que	o	relacionamento	conjugal	exista	e	tenha	futuro
Com	quem	a	criança	deve	ficar	ou	algo	sobre	alienação	parental
O	relacionamento	conjugal	influenciando	o	relacionamento	com	os	filhos
Sintomas	e	doenças	–	o	que	cura	e	o	que	faz	adoecer
O	que	você	precisa?
As	dinâmicas	que	fazem	adoecer
Constelações	organizacionais
O	êxito	essencial
Os	dois	sucessos
O	que	está	a	serviço	da	vida
Tem	uma	escola	no	meio	do	caminho	(para	o	sucesso)
O	êxito	na	rotina
Por	que	isso	acontece	comigo?	-	temas	existenciais
Bênçãos	inesperadas
Noites	escuras	da	alma
Ordens	da	ajuda
As	ordens	da	ajuda
As	diversas	dinâmicas	que	atuam	na	alma
REFERÊNCIAS
CONTRIBUIÇÕES
COMPARTILHANDO…
INDICADOR	PROFISSIONAL
CAPÍTULO	I
AS	LEIS	DO	AMOR	E
OS	MOVIMENTOS	QUE	CURAM
PERTENCIMENTO
COMPENSAÇÃO
ORDEM
CONCORDAR
AGRADECER
PEDIR
REPARAR	DANOS	CAUSADOS
Fazemos	tudo	para	pertencer,
inclusive	permanecemos	infelizes,	pobres	ou	doentes.
Bert	Hellinger²	organizou,	de	maneira	ímpar,	todo	o	conhecimento	sistêmico	e	o
tornou	disponível	para	o	caminho	da	cura,	do	bem	estar	e	do	desenvolvimento
humano.	A	técnica	das	Constelações	pode	ser	compreendida	por	meio	dos
conhecimentos	da	Biologia,	pesquisados	por	Maturana³,	Varela⁴	e	Rupert
Sheldrake⁵,	notáveis	cientistas	contemporâneos.	É	deste	último	o	conceito	do
“campo	ciente”,	ou	seja,	eu	posso	não	saber,	você	pode	não	saber,	mas	nós
sabemos.	O	“nós”	é	o	campo,	um	campo	invisível.	Sheldrake	diz	que	a
informação	se	encontra	presente	sempre	no	agora,	não	tem	passado,	os
indivíduos	acessam	essas	informações	com	um	único	propósito,	o	da
sobrevivência,	para	assegurar	a	permanência	da	vida.
Hellinger	percebeu	que	cada	pessoa	está	comprometida	com	o	destino	do	grupo;
todo	indivíduo	está,	acima	de	tudo,	muito	mais	a	serviço	do	seu	sistema,	do	que
a	serviço	do	seu	próprio	querer.	Ele	constata	que	nós	temos	uma	pequena
liberdade	diante	do	destino,	pequeníssima	liberdade,	que	consiste	apenas	em
concordar	ou	discordar.	É	importante	compreender	aqui	o	significado	de
concordar:	aceitar	o	dado	como	verdadeiro,	real,	existente.	Não	significa	atribuir
ao	mesmo	um	juízo	de	valor,	de	certo	ou	errado.	A	negação	do	destino	nos
coloca	em	conflito	(falta	de	sintonia)	com	ele,	o	que	inviabiliza	o	caminho	da
cura,	da	reconciliação	e	da	felicidade.	Só	quem	concorda	com	o	seu	destino	pode
se	reconciliar;	por	meio	desse	movimento	é	possível	tomar	do	destino	apenas
aquilo	que	fortalece	e,	assim,	curar,	transformar	o	que	enfraquece.	Quem
discorda	permanece	pequeno	e	infeliz.
Hellinger	também	percebeu:	quando	atuamos	em	sintonia	com	o	sistema	ao	qual
pertencemos,	nossa	consciência	fica	tranquila.	Por	isso,	muitas	vezes	fazemos
algo	que	perante	os	outros	parece	totalmente	mau,	totalmente	errado.	Entretanto,
isso	foi	feito	de	“consciência	tranquila”,	porque	quando	agimos	“igual”,	tendo	as
mesmas	atitudes,	vivenciando	os	mesmos	valores,	nos	sentimos	pertencentes	e
seguros.
Deste	modo,	Pertencimento	é	o	primeiro	princípio	sistêmico	observado,	dentro
de	um	conjunto	que	Hellinger	nominou	de	Leis	do	Amor.	Outros	chamam	de
Leis	da	Vida	ou	Princípios	da	Vida,	Princípios	Sistêmicos	ou,	simplesmente,
Princípios.
Fazemos	tudo	para	pertencer,	inclusive	permanecemos	infelizes,	pobres	ou
doentes.	Não	nos	curamos,	não	prosperamos	e	não	nos	tornamos	felizes	para
dizer	aos	nossos	antepassados,	à	nossa	família	de	origem	e	família	atual:	“eu	sou
um	de	vocês,	eu	sou	leal”.
Compõem	nossa	família	de	origem	todos	os	que	vieram	antes	de	nós.	Todos	que
conduziram	a	vida,	geração	após	geração	até	chegar	ao	agora.
Por	família	atual	compreendemos	o	cônjuge,	os	filhos,	netos,	bisnetos.	Os	pais	e
seus	descendentes.
Observamos	o	quanto	essa	fome	de	pertencimento	é	real,	por	exemplo,	quando
uma	pessoa	diz	“eu	já	fiz	de	tudo,	mas	não	consigo	me	livrar	desta	enxaqueca,
ou:	desta	falta	de	dinheiro,	ou:	desta	falta	de	amor…”.	No	nível	aparente	do
aparente	o	indivíduo	quer	ser	mesmo	feliz,	próspero	e	saudável.	Contudo,	além
do	aparente,	não	podemos	tomar	nada	que	nos	faça	sentirmos	melhores	do	que
os	outros,	porque	sentir-se	melhor	é	o	mesmo	que	ser	diferente.	O	que	é
diferente	não	pertence;	a	alma	faz	de	tudo	para	pertencer,	a	qualquer	preço,
porque	somente	pertencendo	é	que	se	experimenta	segurança,	e,	assim,	tem-se	a
percepção	de	que	poderá	manter-se	vivo.	Mesmo	se	destruindo,	mesmo
sofrendo.	O	preço	pode	ser	uma	depressão	profunda,	ou	uma	doença	gravíssima,
ou	uma	falta	de	dinheiro	inexplicável.
Atua	sobre	nós,	também,	o	Princípio	da	Compensação	ou	Princípio	do
Equilíbrio,	que	é	a	segunda	Lei	do	Amor.	Sempre	a	alma	deseja	retribuir	o	que
recebeu.	O	desejo	de	retribuir	o	que	recebeu	é	uma	constante	em	nossa	alma.
Portanto,	sentir-se	endividado	ou	sentir-se	credor	são	movimentos	naturais	da
nossa	alma;	é	o	que	nos	mantém	vinculados	ao	sistema.	É	o	que	faz	com	que	a
vida	seja	passada	adiante.	Os	pais	são	credores	e	os	filhos,	devedores;	os	filhos
reparam	suas	dívidas	para	com	os	pais	passando	a	vida	adiante.
Os	filhos	só	conseguem	agradecer	aos	pais	quando	fazem	algo	extraordinário
com	suas	vidas,	sem	desejar	nenhuma	recompensa;	a	maneira	mais	grandiosa
para	fazer	isso	é	passar	a	vida	adiante.	Quem	tem	filhos	honra	seus	pais	e	pode
finalmente	tomar	a	vida	em	toda	a	sua	plenitude.	Quando	essa	oportunidade	não
é	concedida,	eles	também	podem	ser	honrados	quando	os	filhos	escolhem	fazer
algo	extraordinário	para	o	mundo,	sem	esperar	recompensa.	Algo	que	se
aproxime	do	amor	gratuito	dos	pais,	dessa	condição	infinita,	imensurável	de
passar	a	vida	adiante,	é	a	prática	do	amor	incondicional.
Mas	quem	diz	“eu	não	quero	ter	filhos”	só	pode	tomar	da	vida	um	pouco	menos,
esse	é	o	preço.	Ao	decidir	por	isso,	uma	pessoa	deixa	de	ter	créditos	perante	a
vida,	pois	quem	não	toma	integralmente	o	amor	dos	pais,	não	pode	tomar
integralmente	as	outras	bênçãos	da	vida.
Se	um	dia,	os	pais	tivessem	tido	essa	mesma	atitude,	a	vida	não	chegaria	até	este
filho.	Eles	se	submeteram	a	tudo,	colocaram	em	risco	suas	vidas,	sua	segurança,
suas	carreiras	profissionais	para	nos	entregar	a	vida.	Enfrentaram	o	mistério,	o
desconhecido,	lidaram	com	seus	medos	e	apreensões,	suportaram	a	culpa	de
oferecer	um	mundo	ainda	com	tanto	a	ser	feito,	suportaram	a	culpa	de	ver	os
filhos	lidarem	com	a	vida	exatamente	como	ela	é.	Como	agradecer	a	tudo	isso?
Somente	dizendo:	“Sim,	eu	também!	Sim,	eu	também	concordo	e	passo	a	vida
adiante.”	O	amor	dos	pais	é	de	graça.
Quando	recebemos	algo	bom,	retribuímos	com	um	pouco	mais	e	quando
causamos	um	dano	devemos	proceder	à	reparação,	a	fim	de	que	o	equilíbrio	se
restabeleça.
Para	permanecer	vivo,	o	sistema	precisa	estar	organizado.	Organização	tem	a	ver
com	ordem,	com	hierarquia,	ou	seja,	cada	um	deve	ocupar	o	seu	lugar.	Ordem:
esta	é	a	terceira	Lei	do	Amor.	Quando	alguém,	por	algum	motivo,	não	puder
ocupar	o	seu	lugar,	outro	alguém	fará	isso.
PARA	ENTENDER
Uma	mulher	morre	jovem,	deixando	órfã	uma	pequena	criança.	Posteriormente,
uma	bisneta	dessa	mulher	que	morrera	jovem,	poderá,	desde	muito	pequena,
muito	cedo,	querer	cuidar	e	zelar	de	sua	mãe	que,	pessoalmente,	não	passou	pela
orfandade.	Pois	bem,	essa	bisneta,	hoje,	assume	o	lugar	de	sua	bisavó,	que	não
pôde	experimentar	a	maternidade,	e	projeta	em	sua	mãe	a	imagem	da	avó,	que
vivenciou	a	experiência	da	criança	que	não	pôde	usufruir	os	cuidados	maternos.
No	aparente,	essa	história	nem	é	comentada,	tãodistante,	está	esquecida…	e	essa
bisneta,	hoje	adolescente/jovem/adulta	(não	importa),	experimenta	uma	sensação
inexplicável	de	medo	de	separação,	sendo	vista	pelas	pessoas	como	alguém
carente,	dependente,	apegada.	E,	pelo	que	ela	aparenta,	lhe	é	aplicado	um
“rótulo”.
“Rótulos”,	geralmente,	revelam	o	quanto	tantas	pessoas	estão	solitárias	e
incompreendidas	perante	aqueles	que	serão	beneficiados	diretamente	porque
alguém	está	fazendo	as	“tarefas”	mais	difíceis.
Chamamos	de	“tarefas”	tudo	aquilo	que	deveria	ser	vivenciado	para	que	o
pertencimento,	a	compensação	e	a	ordem	não	fossem	princípios	violados;
entretanto,	devido	a	fatos,	acontecimentos,	essas	“tarefas”	não	puderam	ser
completas.	Por	exemplo:	o	amor	e	o	cuidado	entre	pais	e	filhos,	o	respeito	e	a
ética	entre	os	sócios	de	uma	empresa,	a	solidariedade	entre	irmãos,	a	compaixão
para	com	aqueles	que	sofrem,	a	gratidão	para	com	aqueles	que	muito	fizeram,
etc.
No	aparente,	a	violência	dos	pais	para	com	um	filho	fica	no	passado,	mas	no
além	do	aparente,	este	desamor	permanece	e	pode	se	mostrar,	no	agora,	por	meio
de	uma	ansiedade	profunda	em	um	dos	integrantes	desses	sistemas.
Sabemos	que	uma	das	“dinâmicas”	que	sustenta	a	ansiedade	é	“…	papai,	sem
você…	eu	tenho	que	ir	rápido	demais	para	o	futuro.	Sozinho	eu	tenho	medo	do
amanhã!”
Tarefas	desafiantes	são	cumpridas,	independente	da	vontade	do	indivíduo,	para	a
finalidade	de	tornar	algo	completo	dentro	do	destino,	assegurando	assim,	a
perpetuação	da	vida.
Portanto,	para	que	possamos	assumir	o	nosso	lugar	no	sistema	ao	qual
pertencemos,	todos	aqueles	que	vieram	antes	de	nós	precisam	ter	o	seu	bom
lugar.	Todos,	todos!
Faz	parte	também	da	ordem,	o	sistema	maior	ao	qual	pertencemos.	A	sociedade
humana	é	formada	pela	união	homem	e	mulher,	os	quais	somente	estão	em
harmonia	e	reconciliados	quando	reconhecem	mutuamente	o	lugar	de	cada	um	e
assumem,	respectivamente,	suas	funções.
SOBRE	SERVIR	E	SER	SERVIDO
NA	TRADIÇÃO	JUDAICO-CRISTÃ,	o	maior	serve	o	menor	–	e	aqui	o	sentido
de	servir	é	exatamente	o	que	Jesus	Cristo	fez	na	última	ceia,	conforme	o	relato
em	João	13:4-14.	Assim,	o	homem	serve	e	a	mulher	é	servida.	O	homem	vem
em	primeiro	lugar,	depois	a	mulher	e	depois	os	filhos.	Portanto,	quando	a	mãe
está	amparada	pelo	seu	marido,	pelo	pai,	então	ela	pode	amparar	e	cuidar	dos
filhos.	Porém,	um	homem	só	pode	assumir	o	seu	lugar,	andar,	zelar	e	prover	se
ele	estiver	reconciliado	com	a	sua	mãe.	E	uma	mulher	só	poderá	aceitar	ser
cuidada,	protegida	e	amada	se	ela	estiver	reconciliada	com	o	seu	pai;	isso	é	a
ordem.
Faz	parte	também	da	ordem,	que	os	pais	não	sejam	“amigos”	dos	filhos,	ou	seja,
que	preservem	sua	intimidade,	medos,	preocupações	e	segredos.	Quando	os
filhos	se	tornam	confidentes	dos	pais,	estes	se	enfraquecem.	E,	quando	os	filhos
querem	consertar	os	pais,	aqueles	também	se	enfraquecem.	A	hierarquia	mostra
que	os	pais	são	os	grandes	e	os	filhos,	os	pequenos.	Pais	são	pais,	filhos	são
filhos.	Só	assim	o	sistema	se	fortalece	e	entra	em	equilíbrio.
²	Bert	Hellinger,	terapeuta	alemão	idealizador/criador	da	terapia	sistêmica
denominada	Constelação	Sistêmica	Familiar.
³	Humberto	Maturana,	biólogo	chileno,	crítico	do	Realismo	Matemático	e
criador	da	teoria	da	Autopoiese	e	da	Biologia	do	Conhecer,	junto	com	Francisco
Varela.	Um	dos	propositores	do	pensamento	sistêmico	e	do	construtivismo
radical.
⁴	Francisco	Varela,	biólogo	chileno,	escreveu	sobre	sistemas	vivos	e	cognição,
autonomia	e	modelos	lógicos.	Escreveu	“Princípios	de	Autonomia	Biológica”,
um	dos	textos	básicos	da	Autopoiese,	teoria	que	desenvolveu	com	Humberto
Maturana.
⁵	Rupert	Sheldrake,	biólogo	inglês.	Pesquisador	do	conhecimento	que	está	além
da	mente	racional,	do	conhecimento	disponível	em	todos	os	sistemas,	que
chamou	de	“campo	ciente”	ou	campos	morfogenéticos.
CAPÍTULO	II
LEALDADES
OU
O	AMOR	QUE	NUNCA	SE	CANSA
Hellinger	trouxe	à	luz	uma	percepção	fundamental	para	a	cura:	ele	observou	que
quando	existe	um	sofrimento,	quando	existe	um	desequilíbrio,	é	apenas	a	voz	do
sistema	pedindo	inclusão,	compensação	ou	ordem.
Todos	os	desequilíbrios,	todos	os	sintomas,	todas	as	dores	que	são	inexplicáveis,
persistentes	e	repetitivas	têm	a	função	de	manter	o	pertencimento,	“olham	para
uma	vinculação	com	o	sistema”.	Não	sou	“eu”	e	não	é	“você”,	é	o	“nós”,	o
grande	“nós”	fluindo	por	meio	do	indivíduo.	Normalmente	pensamos	como	“eu”
e	desejamos,	a	partir	do	ego,	do	intelecto	e	da	razão,	combater	aquele	sintoma,
resolver	a	situação	ou	buscar	o	equilíbrio.	O	intelecto,	a	mente,	a	razão	servem
apenas	para	resolver	situações	corriqueiras,	tarefas	cotidianas.
O	que	é	do	sistema	permanece	e	a	pessoa	chega	à	conclusão	“sou	assim	mesmo”,
“para	mim	não	adianta,	as	coisas	não	dão	certo”.	E,	novamente,	a	partir	do	ego,
ela	diz	“mas	eu	vou	tentar	de	novo,	quero	ver,	eu	não	desisto”,	e	assim	segue	e
os	emaranhamentos	permanecem.	Pode	até	ganhar	dinheiro,	porém,	não	se	sentir
próspera,	pode	até	não	ter	doença,	mas	mesmo	assim	não	se	sentir	saudável.
Pode	não	ter	depressão,	mas	não	sente	a	bênção	da	vida.	Durante	todo	o	tempo
permanecemos	vinculados	ao	sistema;	ou	nos	vinculamos	pela	felicidade	ou	pela
dor,	que	também	é	amor.
Para	um	sistema	só	existe	um	tempo:	o	agora.	Nem	passado,	nem	futuro.	Somos
nossos	pais,	avós,	bisavós,	trisavós	e	todas	as	gerações	antes.	Todos	eles	estão
em	mim	e	eu	estarei	em	todos	os	meus	descendentes.	A	dor	de	um	indivíduo
reflete	a	dor	de	todos,	e	a	cura	de	um	indivíduo	contribuirá	para	a	cura	de	todos.
Muitas	vezes	experimentamos	sensações	inexplicáveis	de	angústia,	ou	de	temor,
ou	de	irritação,	sensações	que	não	correspondem	à	nossa	vida	atual,	porém	ela
está	ali,	sendo	quase	possível	segurar,	fotografar,	medir,	pesar,	tão	real	se
apresenta.	E	quando	perguntamos	“a	quem	isso	pertence?”,	talvez
imediatamente,	surja	a	imagem	de	um	homem	ou	de	uma	mulher	dentro	de	nós,
ou	até	mesmo	de	um	povo.
Às	vezes	a	angústia	é	o	choro	da	mãe	que	não	pôde	prantear	a	perda	do	seu	filho,
a	dor	no	coração	do	pai	que	teve	que	ir	para	a	batalha,	mas	outras	vezes	pode	ser
também	a	dor	da	criança	que	nunca	foi	incluída.
Quando	nos	abrimos	para	essa	compreensão,	os	vínculos	interrompidos	do	amor
são	refeitos	e,	finalmente,	esses	sentimentos	inexplicáveis	cedem	lugar	para	uma
sensação	de	presença	e	de	paz,	indescritíveis,	porque	mesmo	que,	no	aparente	do
aparente,	tudo	esteja	um	rebuliço,	além	do	aparente,	internamente,	a	sensação	é
de	totalidade,	de	empoderamento,	de	amor,	de	capacidade,	de	confiança,	de
entrega.	E,	se	fecharmos	nossos	olhos	e	olharmos	para	nossa	família	de	origem	e
para	a	nossa	atual,	eles	estarão	sorrindo	para	nós.
Entretanto,	como	tudo	é	movimento,	talvez	imediatamente	percebamos	que,	no
rosto	de	algum	desses	integrantes,	em	algum	rosto	dos	nossos,	surja	um	pedido,
uma	dor,	uma	necessidade.	E	como	estamos	abertos,	fazemos	isso
imediatamente:	“Olá,	você	é	um	de	nós,	você	também	pertence,	eu	sinto	muito	e
agora	podemos	dizer	sim	para	a	vida,	sim,	nós	servimos”.
Quando,	no	sistema,	algo	ou	alguém	foi	excluído,	quer	seja	por	ter	cometido	um
erro	ou	simplesmente	porque	foi	abortado	(não	importa	o	modo),	ou	assassinado,
esquecido,	isso	permanece	no	sistema	“pedindo”	inclusão,	esperando	seu	bom
lugar.	Quando	uma	injustiça	acontece	e	não	ocorre	uma	reparação,	isso	também
permanece.	Quando	alguém	não	tem	um	bom	lugar,	quando	a	ordem	é	violada,
isso	também	gera	emaranhamentos.	O	que	gera	emaranhamentos	é	sempre	a
violação	desses	princípios	sistêmicos:	exclusão,	injustiça,	desrespeito,	desonra.
Portanto,	emaranhamentos	são	consequências	da	violação	dos	princípios	do
pertencimento,	compensação	e	ordem.
SOBRE	AQUELES	QUE	FORAM	IMPEDIDOS	DE	ENTRAR.
POR	EXEMPLO:	aconteceu	um	aborto	na	família.
Os	pais	colocam	isso	no	esquecimento	e	realmente,	quando	pensam	nos	seus
filhos,	contam	somente	os	vivos	e	dizem:	“nós	temos	três	filhos”,	porém,	eles
tiveram	mais	quatro	filhos	abortados.	Quantos	filhos	eles	têm?	Três	ou	sete?
Geralmente,	um	desses	filhos	se	torna	hiperativo.	Crianças	hiperativas	estão
sempre	procurando	por	algoimportantíssimo.	Quando	algo	vital	precisa	ser
encontrado,	reconhecido,	ter	ou	encontrar	o	seu	lugar,	temos	muita	pressa.
Temos	toda	pressa	do	mundo	e	nada	mais	importa	tanto	do	que	encontrar	o	que
se	está	a	procurar.	Lembra-se	de	quando	você	esqueceu	onde	colocou	a	chave	do
carro	ou	não	sabe	onde	foi	parar	aquele	documento	importante?	Você	conseguia
se	concentrar	em	outra	coisa?	Conseguia	ficar	sentado,	parado,	esperando?
Além	do	aparente,	a	criança,	por	meio	da	velocidade,	dos	movimentos	rápidos,
está	procurando	seus	irmãos,	na	maioria	das	vezes,	ou	os	irmãos	de	algum
antepassado.	Deste	ponto	de	vista,	não	existe	pessoa	desatenta.	Existe	apenas	a
atenção	sendo	dedicada	ao	que	é	essencial	para	que	seu	sistema	se	equilibre.	Não
existem	crianças	distraídas,	existem	crianças	ocupadíssimas,	trabalhando	para	os
seus	pais.
Antes	do	sucesso,	o	amor	aos	pais.
A	COMPREENSÃO	DESCORTINA	HORIZONTES	DE	CURA
Quando	vivemos	conscientes	e	temos	a	compreensão	destes	princípios,	podemos
nos	deixar	conduzir,	curar	os	emaranhamentos,	prevenir	que	outros
emaranhamentos	aconteçam	e	assegurar	um	futuro	de	felicidade,	a	saúde	e	a
prosperidade	para	todos.
Só	assim	podemos	amar.	E	quando	o	amor	não	flui	por	meio	da	alegria,	ele
assegura	sua	existência	por	meio	da	dor,	angústia,	tristeza,	autodestruição.
Somos,	em	primeiro	lugar,	a	consciência	coletiva.	Sim,	todos	nós	somos,	em
primeiro	lugar,	essa	consciência	que	chamamos	de	arcaica,	que	podemos	traduzir
por	“meu	amor	por	todos	é	sempre	maior	que	meu	amor	por	mim,	porque	sem
vocês	a	vida	não	chegaria	até	mim”.	Por	isso	permanecemos	pobres,	doentes	e
infelizes.	Por	meio	dos	nossos	limites	permanecemos	leais,	iguais,	pertencentes.
É	possível	curar	quando	e	se	for	dito:	“eu	não	serei	melhor	que	você	se	me	tornar
feliz,	próspero	e	saudável	porque,	querido	avô,	querida	avó,	queridos	pais,	aqui
em	mim,	finalmente	nós	podemos.	Vejam	como	é	bom	ser	feliz,	próspero	e
saudável,	como	é	bom	que	agora	nós	podemos,	finalmente,	experimentar	alegria
de	viver”.	Uma	mulher	poderá	resolver	suas	questões	afetivas	se
disser/vivenciar:	“Querida	bisavó,	podemos	ter	alegria,	sim,	alegria	de	amar	os
homens,	podemos	finalmente	experimentar	a	vida	boa	e	feliz	que	sempre
desejou”.
CAPÍTULO	III
QUEM	PERTENCE?
Todos	pertencem,	os	bons	e	os	maus,	todos.
Ouvistes	que	foi	dito:	Amarás	ao	teu	próximo,
e	odiarás	ao	teu	inimigo.
Eu,	porém,	vos	digo:	Amai	aos	vossos	inimigos,	e	orai	pelos	que	vos	perseguem;
para	que	vos	torneis	filhos	do	vosso	Pai	que	está	nos	céus;	porque	ele	faz	nascer
o	seu	sol	sobre	maus	e	bons,	e	faz	chover	sobre	justos	e	injustos.
Mateus	5:43-45
O	nosso	sistema	familiar	ou,	simplesmente,	o	nosso	sistema,	é	composto	pela
família	atual,	pela	família	de	origem,	pela	pátria	atual,	pela	pátria	de	nossos
antepassados	e	por	todos	aqueles	que,	sem	eles,	a	vida	não	teria	sido	possível;
por	exemplo,	um	doador,	um	sócio	da	empresa	da	família	que	“carregou”	essa
empresa	quando	o	outro	estava	doente;	todos	fazem	parte	do	sistema.	Também
fazem	parte	aqueles	que	atuaram	como	obstáculo	à	vida,	como	os	assassinos.	Às
vezes,	também	fazem	parte	os	animais	da	família:	um	cachorro	que	salvou	uma
criança	da	morte.	Então,	nosso	sistema	é	composto	por	todos	e	por	tudo	que	fez
com	que	nossa	vida	chegasse	até	aqui.
Todos	pertencem,	os	bons	e	os	maus,	todos .	O	pertencimento	é	experimentado
profundamente	nos	emaranhamentos.	Não	depende	da	nossa	vontade,	ele	é	uma
força	que	atua	em	nós.	Uma	criança	pode,	por	exemplo,	ficar	profundamente
irritada	porque	seu	pai	não	é	mais	respeitado,	mas	é	considerado	mau	e	errado	e,
nesse	sentido	o	“bando”	quer	bani-lo,	a	sociedade	julga	e	abandona.	As	crianças
sempre	se	colocam	ao	lado	dos	excluídos,	daqueles	que	não	foram	honrados,	dos
injustiçados	e	assim,	colocam	seus	pequenos	ombros	sob	o	fardo	que	eles	estão	a
carregar.	Porque	criança	não	exerce	julgamento,	seu	coração	é	totalmente	livre
para	amar	todos	e	as	primeiras	pessoas	a	quem	devotam	esse	amor	são	seus	pais.
Toda	criança	ama	os	seus	pais.
TODA	CRIANÇA	AMA	OS	SEUS	PAIS
Entretanto,	é	cada	vez	mais	comum	ouvir	os	pais	dizerem:	“não	sei	por	que	essa
criança	não	gosta	de	mim”.	A	criança	talvez	carregue	a	memória	da	injustiça,	da
exclusão,	do	desrespeito	cometido	contra	um	ex-cônjuge,	mesmo	que	ninguém
conte	para	ela,	isso	acontece	com	muita	frequência.
Não	é	que	a	criança	não	gosta	dos	pais.	Além	do	aparente	ela	está	conectada	e
profundamente	identificada	com	aquele	ex-cônjuge	que	é	rejeitado,
desqualificado,	excluído.	A	alma	dessa	criança	está	lá	junto	dele,	amando-o,
incluindo-o,	fazendo	por	ele	o	que	o	sistema	necessita	para	permanecer	vivo.
Lembre-se:	um	sistema	jamais	deixará	que	uma	parte	sua	seja	excluída	-	a	vida
do	sistema	é	a	inclusão	de	todas	as	suas	partes.	Então,	a	partir	de	quando	os	pais
se	respeitarem,	sem	julgamento,	concordando	com	os	seus	destinos,	com	aquele
que	foi	excluído,	dando	aquele	que	é	“mau,	errado	e	leviano”	um	bom	lugar	em
seu	coração⁷,	esta	criança	não	mais	precisará	estar	ocupada	em	ficar	junto	desse
indivíduo	e	estará	livre	para	a	reciprocidade	do	amor	entre	ela	e	seus	pais	(pai,
mãe).
O	movimento	do	amor	é,	acima	de	tudo	e	sempre,	em	direção	a	assegurar	a
permanência	da	vida.	Já	sabemos	que	os	três	princípios	sistêmicos	asseguram
isso:	pertencimento,	compensação	e	ordem.	É	natural	para	o	espírito	buscar	a
inclusão,	o	equilíbrio	entre	o	dar	e	o	receber	e	o	respeito	ao	lugar	de	cada	um.
A	violação	de	quaisquer	das	Leis	do	Amor	exige	reparação	dos	danos	causados,
para	que	a	harmonia	retorne	ao	sistema.	Temos	aí	a	oportunidade	para	a	prática
das	virtudes	do	coração:	gratidão,	generosidade,	benevolência,	compaixão	e
honra.
Desse	modo,	a	Lei	do	Pertencimento	é	atendida	por	meio	da	inclusão,	o	que
exige	de	nosso	coração	a	prática	da	generosidade	e	da	benevolência.	Se	o
Princípio	da	Compensação	foi	violado,	o	restabelecimento	do	equilíbrio	se	dará
mediante	o	exercício	da	compaixão.
O	terceiro	princípio	da	Ordem	-	convida	a	honrar	e	respeitar	o	próprio	lugar	e	o
lugar	do	outro.	Inclui	também	disciplina,	perseverança,	método,	bem	como	se
deixar	conduzir	por	algo	já	estabelecido.	Orienta	sobre	o	que	é	ser	pai,	mãe,
filho,	como	se	comporta	quem	é	servido	e	sobre	quem	serve.
O	princípio	da	Ordem	nos	deixa	livres	para	sermos	criativos,	dentro	da
segurança	do	que	já	é	estabelecido.	Estabelece	parâmetros	e	limites,	por
exemplo,	se	sou	pai/mãe,	isso	já	está	pronto.	Então	fico	livre	para	agir	do	jeito
que	quiser	desde	que	eu	permaneça	grande	e	sirva	aos	filhos.	Poderíamos
chamar	esse	princípio	de	“princípio	da	liberdade”.
	Pertencer	ao	sistema	não	resulta	de	merecimento,	mas	da	participação	do
indivíduo	no	fluxo	da	vida	desse	sistema	mediante	suas	ações,	quaisquer	que
sejam	elas.
⁷	Um	bom	lugar	no	coração:	significa	admitir,	serenamente,	sem	julgamentos,	o
indivíduo	presente	no	sistema.	O	movimento	é	o	do	“sim,	você	faz	parte,	você	é
um	de	nós”.
CAPÍTULO	IV
MOVIMENTOS	QUE	CURAM:
BENEVOLÊNCIA	RETIDÃO	COMPAIXÃO
⁸Benevolência	sf	(lat	benevolentia)
Que	expressa	a	qualidade	de	alguém	que	é	benevolente,	ou	seja	demonstra	afeto
e	estima	em	relação	a	alguém.
Retidão	sf	(lat	rectitudine)
Característica,	condição	ou	qualidade	do	que	é	reto.	Conformação	demonstrada
por	um	senso	de	integridade,	de	justiça,	de	quem	possui	um	caráter	integro	e	se
comporta	a	favor	da	razão,	da	lei,	do	dever:	retidão	de	proceder.	Característica
daquele	que	segue	os	preceitos	da	lei,	da	legalidade.
COMPAIXÃO	sf	(lat	compassione)
Sentimento	de	pesar	que	nos	causam	os	males	alheios,	bem	como	uma	vontade
de	ajudar	o	próximo.	Sentimento	de	simpatia	ou	de	piedade	para	com	o
sofrimento	alheio,	associado	a	vontade	ou	ao	desejo	de	auxiliar	de	alguma
forma:	doar	dinheiro	para	campanhas	humanitárias	é	uma	atitude	que	envolve
muita	compaixão.
Dicionários	são	excelentes	fontes	de	consulta	não	apenas	para	se	procurar	o
significado	de	termos	desconhecidos,	mas	também	para	aprofundar	o
conhecimento	de	palavras	que	costumamos	usar	ou	ouvir	com	frequência,	sem
refletir	no	seu	significado.	É	enriquecedoreste	exercício.
Amor	é	o	movimento,	o	fluxo	de	energia	entre	os	elementos	conectados	no
sistema.	Tal	conexão	é	experimentada	por	nós,	pela	primeira	vez,	no	primeiro
local	onde	nos	tornamos	presente/presença	no	sistema.	Que	lugar	é	esse?	É	na
nossa	mãe.	Fomos	colocados	lá	por	um	sentimento	entre	nosso	pai	e	nossa	mãe,
pela	força	da	vida,	que	é	maior	que	qualquer	ser	humano.
Talvez,	do	ponto	de	vista	aparente,	alguém	possa	dizer	“não,	não	foi	um	ato	de
amor	de	meus	pais	que	me	gerou;	na	verdade,	foi	um	acidente,	eles	nem	queriam
que	seu	ato	sexual	resultasse	em	um	filho…”	Isso	é	o	aparente,	representa
apenas	fatos	visíveis,	contingências	e	circunstâncias	mediante	as	quais	o
princípio	gerador	da	vida	foi	acionado.	O	princípio	que	gera	vida	é	o	Amor,	o
movimento	que	aproxima	e	une	duas	células	prontas,	plenas	de	todos	os
recursos,	preparadas	pela	Inteligência	Divina,	que	se	fundem	para	gerar	um	ser
humano	completo.
A	violação	das	Leis	do	Amor	interrompe	seu	movimento.	O	que	cura	o
movimento	interrompido	do	amor	é	o	mundo	bom	e	belo.	É	essa	fome	natural	de
todos	nós,	esquecida	às	vezes,	corrompida	outras	tantas.	Esquecemo-nos	dela.
Então,	de	algum	modo	ela	será	“lembrada”:	por	meio	dos	excessos	de	comer,
beber,	trabalhar,	falar,	comprar,	querer,	etc.	O	mundo	bom	e	belo	só	pode	ser
tomado	por	meio	do	olhar	da	mãe.	A	criança	procura	o	olhar	da	mãe,	a	voz	da
mãe,	o	coração	da	mãe,	o	acalanto	da	mãe.	E	ela	procura	na	mãe	também	o	pai,
no	olhar	a	permissão	para	tomar	as	bênçãos	da	vida,	como	bem	disse	Rubem
Alves:
“Van	Gogh	tem	uma	delicada	tela	que	representa	esta	cena:	o	pai,	jardineiro,
interrompeu	seu	trabalho,	está	ajoelhado	no	chão,	com	os	braços	estendidos	para
a	criança	que	chega,	conduzida	pela	mãe.	O	rosto	do	pai	não	pode	ser	visto.	Mas
é	certo	que	ele	está	sorrindo.	O	rosto-olhar	do	pai	está	dizendo	para	o	filhinho:
“Eu	quero	que	você	ande”.	É	o	desejo	de	que	a	criança	ande,	desejo	que	assume
forma	sensível	no	rosto	da	mãe	ou	do	pai,	que	incita	a	criança	à	aprendizagem
dessa	coisa	que	não	pode	ser	ensinada	nem	por	exemplo	e	nem	por	palavras”.
O	movimento	que	cura	o	vínculo	interrompido	do	amor	é	sempre	na	direção	da
benevolência	e	da	compaixão.	Quatro	movimentos,	atitudes,	sustentam	esse
processo.
EU	SOU	GRATO.
O	PRIMEIRO	MOVIMENTO	é	o	Movimento	da	Gratidão,	o	ato	de	agradecer,
pois	somente	quem	agradece	pode	tomar	a	grandeza	da	vida	e	usufruir	a	bênção
do	que	lhe	foi	ofertado.	A	ausência	da	gratidão	consiste	no	não	reconhecimento
daquilo	que	se	recebeu	e,	consequentemente,	o	sentimento	é	de	que	há	uma	falta,
um	débito,	uma	carência,	o	que	leva	ao	movimento	da	queixa,	da	murmuração.
A	postura	de	ingratidão	perante	a	vida	faz	“perecer	no	deserto”.	Quem	conhece	a
trajetória	do	povo	hebreu	mediante	o	relato	bíblico,	especialmente	nos	livros	de
Êxodo	e	Números,	sabe	a	consequência	das	repetidas	queixas	do	povo	contra
Deus	que,	realizando	grandes	milagres,	os	guiava	para	a	terra	de	abundância:
toda	a	geração	que	saiu	do	Egito,	menos	dois	homens	(Josué	e	Calebe)	não
chegou	à	Terra	Prometida	-	morreu	no	deserto.	Os	que	entraram	em	Canaã	foram
os	gerados	durante	a	peregrinação	que	durou	quarenta	anos	e	que	podia	ser	feita
em	algumas	semanas,	segundo	afirmam	estudiosos	de	geografia	bíblica.
Aquele	que	exige,	interrompe	o	movimento	em	direção	ao	amor,	em	direção	à
vida;	quem	exige	já	perdeu.	É	a	gratidão,	e	não	a	exigência,	que	abre	as	portas	da
abundância.	O	fruto	de	um	coração	grato	é	a	generosidade,	ao	passo	que	um
coração	exigente	se	torna	ganancioso	e	avarento.	Este,	ainda	que	possuindo
muito,	“perece	agarrado	ao	saco	de	dinheiro”.
EU	PRECISO,	POR	ISSO	PEÇO.
O	SEGUNDO	MOVIMENTO	é	o	de	reconhecer	aquilo	que	se	precisa,	o
Movimento	do	Pedir;	pedir	ao	outro,	que	tem	a	liberdade	de	conceder	ou	não.
Pedir	é	uma	atitude,	acima	de	tudo,	de	humildade,	que	leva	a	reconhecer	o	valor
do	outro	e	o	valor	do	que	se	precisa.	Um	pedido	não	existe	para	ser	atendido,
mas	para	que	um	importante	aspecto	do	sistema	seja	reconhecido:	a
interdependência,	fundamental	para	que	seja	atendida	a	Lei	do	Pertencimento.
Quando	peço	ao	outro	algo	que	não	posso	obter	por	mim	mesmo,	reconheço	que
necessito	do	outro.	O	estado	de	pleno	pertencimento	ao	sistema,	tanto	meu,
quanto	do	outro,	se	verifica	quando	estou	aberto	tanto	a	dar	quanto	a	receber.
Este	é	o	exercício	necessário	de	humildade,	porque	só	com	a	humildade	se	dá	o
pertencimento,	se	reconhece	que	o	outro	não	é	maior,	nem	menor,	ele	apenas
pode	me	ajudar,	apoiar.	Ele	apenas	é	diferente,	é	o	outro.
Na	visão	sistêmica,	ser	diferente	não	é	ser	desigual,	ou	seja,	cada	um	é	visto	na
sua	singularidade,	e	por	isso,	não	há	maiores	ou	menores	(desigualdade),	todos
somos	iguais,	porque	somos	diferentes	(singulares).	Logo,	ser	humilde,	no	ponto
de	vista	sistêmico,	nada	mais	é	do	que	estar	exatamente	no	seu	lugar,	no	mesmo
nível	em	que	o	outro	se	encontra,	não	acima	dele	como	ser	superior,	nem	abaixo,
como	inferior.	Mas	não	é	suficiente	saber	que	cada	um	está	no	seu	lugar;	é
também	necessário	saber	que	cada	um	está	no	seu	lugar	em	conexão	com	o
outro,	em	interconexão	com	todo	o	sistema.
EU	DIGO	“SIM”
O	TERCEIRO	MOVIMENTO	é	o	Movimento	de	Concordar	e	concordar
significa	dizer	“sim”,	concordar	atende	ao	Princípio	da	Ordem,	para	o	que	está
posto,	para	o	que	é	e	evita	pensamentos,	julgamentos	com	relação	a	situações,
fatos,	acontecimentos	sobre	os	quais	não	é	possível	nenhuma	intervenção
pessoal	para	mudança.	Concordar	fortalece	e	poupa	energia	para	ser	dedicada	ao
que	é	essencial,	concordar	é	um	movimento	de	profunda	paz	e	de	reverência	pela
vida.	Concordar	sustenta	os	estados	de	paz,	serenidade,	assertividade	e	sucesso;
só	tem	sucesso	quem	concorda.	Quem	concorda	age,	produz.	Quem	discorda,
neste	contexto	permanece	infantilizado.	Muitas	vezes,	o	protestar,	o	criticar
apenas	esconde	uma	conduta	passiva	esperando	que	outros	façam.
Byron	Katie	(2009),	uma	autora	americana,	diz	“Ame	a	realidade	e	sua	vida	se
transformará.”	Talvez	possamos	compreender	estes	conceitos	lembrando	a	não
reatividade,	a	assertividade,	o	não	ficar	remoendo	pensamentos,	sentimentos,
conversas	que	não	fortalecem	a	ninguém.	Apenas	trazem	um	sentimento
temporário	de	ter	razão	por	ser	vítima,	perpetrador	ou	salvador.
Concordar,	dentro	da	abordagem	sistêmica,	não	significa	“achar	certo”	ou	“achar
errado”,	pois	isto	é	julgamento.	Dentro	de	um	sistema,	um	fato	não	precisa	da
nossa	opinião	pessoal,	individual,	para	ser	o	que	é.	O	fato	simplesmente	é.
Julgamentos	sempre	remetem	ao	“que	poderia	ter	sido	e	que	não	foi”,	o	que
impede	os	movimentos	que	podem	ser	realizados	em	direção	à	cura	e	apenas
contribui	para	manter	os	emaranhamentos	ou	até	mesmo	intensificá-los.
Evidentemente	que,	na	vida,	há	contextos	onde	é	necessário	e	de	bom	senso
utilizar	a	noção	de	certo/errado,	porém	não	quando	se	está	a	buscar	a	cura
profunda,	para	situações	que	se	apresentam	com	suas	raízes	“além	do	aparente”.
Aqui,	a	sabedoria	do	discernimento,	como	sempre,	é	valiosa.
É	comum	ouvir	a	frase	“pare	de	falar	e	faça	alguma	coisa”.	Esta	fala	comum,	de
pessoas	comuns,	revela	um	saber	inerente	sobre	o	grande	potencial	que	temos
para	criar	um	mundo	melhor.	Este	desejo,	natural	em	muitas	pessoas,	é	apenas	a
conexão,	a	consciência	do	profundo	movimento	do	espírito	em	sua	essência.
Toda	fala	precisa	ser	seguida	de	espaços	de	silêncio.	Silêncio	para	sentir	não
apenas	o	que	foi	dito,	mas	o	que	não	foi	dito,	o	que	ficou	para	além	das	palavras
proferidas.
EU	SINTO	MUITO.
O	QUARTO	E	ÚLTIMO	MOVIMENTO	é	o	de	reparar	os	danos	causados.	É	o
Movimento	de	Lamentar,	de	modificar,	de	arrepender-se,	de	pedir	e	também	dar
uma	nova	chance,	assim,	“setenta	vezes	sete”.	É	o	movimento	que	dá	acesso	ao
perdão.	Perceba:	como	se	fosse	uma	porta,	a	chave	para	abri-la	é	a	atitude	do
arrependimento,	que	significa	disposição	sincera	em	mudar	de	direção.	E,	pela
interdependência,	na	qual	se	assenta	o	princípio	do	dar	e	receber,	a	atitude	do
coração,	neste	movimento	do	perdão	é:	“eu	sinto	muito	e	eu	concordo	que	o
perdão	seja	para	mim	e	para	você	e	paratodos	os	envolvidos”.
É	o	movimento	do	profundo	relacionamento	com	Deus,	onde	deixamos	com	Ele
o	incompreensível,	o	irreparável	e	o	irrecuperável.	Só	perdoa	quem	é	maior	e	só
Deus	é	maior,	porque	apenas	Ele	tem	toda	condição	de	assumir	a	magnitude	de
uma	dívida	humanamente	impossível	de	ser	paga.	Assim,	o	perdão	destina-se
aos	danos	causados	que	não	podem	ser	reparados	pela	condição	humana,
portanto	o	perdão	é	reservado	a	situações	restritas	da	existência.	As	mortes,
suicídios,	homicídios,	crimes	de	guerra,	pouquíssimas	situações.	Todas	as	outras
situações	precisam	ainda,	neste	movimento	do	perdão,	ter	uma	dedicação
suficiente	para	reparar	os	danos	causados.
Na	tradição	cristã	temos	na	oração	modelo,	ensinada	por	Jesus,	o	trecho	que	trata
do	perdão:	“Perdoa	as	nossas	dívidas,	assim	como	perdoamos	aos	nossos
devedores.”	(Mateus	6:12).	Encontramos	aqui	o	perdão	de	Deus,	cuja	concessão
está	condicionada	à	disposição	humana	de	também	perdoar.	O	incompreensível,
o	irreparável,	o	irrecuperável,	o	“humanamente	impossível”	fica	para	Deus.	E	o
possível	fica	para	o	ser	humano.
A	desculpa	não	pode	ser	“de	graça”,	ela	precisa	ser	conquistada	por	meio	de
atitudes;	ela	pode	ser	concedida	por	meio	da	compreensão	do	todo,	do	não
julgamento	e	do	entendimento	da	corresponsabilidade:	se	alguém	errou,	onde	eu
colaborei	ou	deixei	de	colaborar	para	que	isto	ocorresse?	O	que	eu	fiz	ou	deixei
de	fazer	para	que	isso	não	ocorresse?	O	lamentar	é	acima	de	tudo	um	movimento
consciente,	de	ampliação	da	consciência:	ninguém	acerta	e	erra	sozinho.
Conceder	e	conquistar	uma	compreensão,	uma	oportunidade	de	reparação	pelos
danos	causados	é	sempre	uma	oportunidade	e	sinal	de	evolução	de	nosso	nível
de	consciência.
SOBRE	A	JUSTIÇA	E	APLICAÇÃO	DE	PENALIDADES
EM	UMA	SOCIEDADE	REALMENTE	EVOLUÍDA,	alguém	que	cometeu	um
crime	talvez	fosse	“condenado”	a	cultivar	hortaliças,	a	reformar	escolas,
aprenderia	a	cantar	ou	tocar,	faria	coisas	para	doentes	ou	idosos,	por	muitos	e
muitos	anos.	Talvez	vivesse	como	um	monge	e	aprenderia	a	meditar	e	respirar
para	poder	voltar	à	vida,	servindo	à	vida.	É	disso	que	fala	o	quarto	movimento.
Em	tudo	o	que	for	possível,	deve	haver	reparação/restituição,	quer	de	maneira
direta	ou	indireta.	Vide	a	história	de	Zaqueu,	relatada	em	Lucas	19:2-10.	Tomar
com	responsabilidade	a	consequência	das	nossas	ações	e	que	todo	dano	causado
pode	ser	reparado	se	não	por	nós,	por	Deus.	Assim,	tudo	pode	ser	reparado	por
nós	e	por	Deus¹ .
⁸	Fonte:	http://www.significados.com.br/.	Acesso	em	08/03/2015.
	Fonte:http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/63-rubem-alves.Acessoem
08/03/2015.
¹ 	Salmos	86:5	“Porque	tu,	Senhor,	és	bom,	e	pronto	a	perdoar,	e	abundante	em
benignidade	para	com	todos	os	que	te	invocam.”
CAPÍTULO	V
RELAÇÕES	CONJUGAIS
RELACIONAMENTOS	ENTRE	PAIS	E	FILHOS
Sentir-se	certo,	exatamente	como	se	é,
é	uma	das	fomes	da	alma.
“Honra	a	teu	pai	e	a	tua	mãe,
para	que	te	vá	bem,	e	sejas	de	longa	vida
sobre	a	terra.”	-	Efésios	6:2a,3.
Existe	uma	ordem	entre	a	criança	e	seus	pais	e	a	ordem	é:	primeiro	os	filhos
recebem	e	depois	eles	passam	adiante.	O	amor	da	criança	em	direção	aos	pais	é
sempre	na	direção	do	futuro,	é	sempre	para	frente.	Quando	a	criança	está	ferida,
quando	o	vínculo	desse	amor	foi	interrompido,	a	vida	não	vai	para	frente,	a
criança	adoece,	não	aprende,	não	floresce.	Porém,	isso	não	acontece	só	com	uma
criança,	isso	acontece	com	todo	o	filho,	todas	as	pessoas,	independentemente	da
idade.
Quando	a	vida	vai	para	frente	é	porque	estamos	reconciliados	com	os	nossos
pais.	Quando	adoecemos,	fracassamos	ou	ficamos	infelizes	precisamos	recuperar
o	vínculo	do	amor	que	um	dia	foi	interrompido	entre	nós	e	nossos	pais.	Ou	entre
os	nossos	pais	e	os	pais	deles.	Quando	algo	não	aconteceu	diretamente	conosco,
mas	aconteceu	com	nossos	pais,	avós,	bisavós	e	outros	pertencentes	ao	sistema,
e	nós	carregamos	isso,	chamamos	de	comportamentos	ou	sentimentos	adotados.
Hellinger,	no	livro	Ordens	do	Amor	(2003,	p.	398),	comenta	sobre	a	Análise	do
Script,	uma	ferramenta	da	Análise	Transacional,	uma	teoria	de	personalidade,
desenvolvida	por	Eric	Berne.	Ele	diz	que	por	meio	da	identificação	de	quais
filmes,	histórias,	músicas	que	comovem	uma	pessoa,	é	possível	perceber
claramente	quais	são	suas	histórias	sistêmicas,	verdades,	experiências	não
comentadas	pelos	integrantes	daqueles	sistemas,	entretanto,	que	marcam
profundamente	criando	padrões,	scripts.	Gerando	lealdades	e	emaranhamentos.
Um	exemplo	é	quando	uma	pessoa	se	sente	tão	triste	e	tão	só,	revelando	com
isso	a	memória	de	uma	orfandade	no	sistema.	Contudo,	é	a	bisavó	que	foi	órfã.
Os	sentimentos	adotados	são	sentimentos	que	não	correspondem	aos	estímulos
do	agora,	pois	eles	apontam	para	emaranhamentos,	para	situações	que	estão
ainda	à	espera	de	se	completarem.	São	sentimentos	exagerados	de	tristeza,	raiva,
medo,	desproporcionais	aos	estímulos,	ao	momento	presente,	gerando,	muitas
vezes,	expressões	assim:	“mas,	que	exagero!”	“Não	era	para	tanto!”	“Fulano	é
desequilibrado,	qualquer	coisa	o	tira	do	sério,	é	pavio	curto,	não	leva	desaforo
para	casa!”
Eckhart	Tolle	(2007,	p.116)	nominou	estas	reações	de	“Corpo	de	Dor”.	Uma
reação	que	é	consequência	de	uma	emoção	experimentada	por	si	mesmo	ou	por
outros	integrantes	do	sistema,	seja	nesta	geração,	na	infância,	por	exemplo,	ou
em	outras	gerações.
Esse	corpo	de	dor	se	torna	maior	que	o	próprio	indivíduo;	é	constituído	de
grandes	sofrimentos	que	todos	carregam:	crianças,	homens,	mulheres,	nações.
A	ordem	sempre	é:	o	amor	dos	pais	flui	de	graça	para	os	filhos.	Quando	essa
ordem	é	violada,	os	filhos	não	podem	crescer,	é	como	se	já	estivessem
endividados.	Só	pode	crescer	quem	tem	créditos.	E	o	amor	de	graça	dos	pais	é
essencial	para	crescer,	é	este	amor	que	gera	créditos.	Alguns	permanecem
crianças,	esperando	o	amor	de	graça	chegar.	Perante	o	sofrimento	podemos
perguntar:	“que	idade	eu/nós	temos	aqui?”.	Imediatamente	surge	uma	imagem	de
quem	é	e	a	idade	que	se	tem	ali.
O	princípio	da	Compensação	diz	aqui	que	o	pai	e	a	mãe	são	sempre	certos	um
para	o	outro,	porque	foi	por	meio	deles	que	a	vida	foi	possível.	Não	existe	outra
hipótese	e	é	este	o	movimento	que	fortalece.	Porque	o	filho	é	o	pai	e	a	mãe
juntos.	Lembre-se	sempre:	“sem	meu	pai	e	minha	mãe,	eu	não	existiria.	A	vida
fluiu	para	mim	por	meio	deles	dois.	Se	a	vida	tivesse	fluido	por	meio	de	um
deles	com	outro	cônjuge,	outro	filho	ou	filha	teria	sido	gerado	e	não	eu”.	Se	o
pai	e	a	mãe	são	certos	um	para	o	outro,	logo	o	filho	também	o	é.	Sentir-se	certo,
exatamente	como	se	é,	é	uma	das	fomes	da	alma.	Quando	a	criança	sente-se
certa	como	é,	pode	experienciar,	criar,	alegrar-se,	descobrir-se	no	mundo.	Só
assim	é	possível	o	pertencimento,	porque	se	essa	fome	–	sentir-se	certa
exatamente	como	é	–	não	for	saciada,	o	indivíduo	vai	experimentar	o
pertencimento	adoecendo,	entristecendo	ou	empobrecendo.
Uma	das	ideias	sistêmicas	é	de	que	“o	todo	é	mais	do	que	a	simples	soma	das
partes”.	Assim,	quando	olhamos	para	uma	criança,	temos	diante	de	nós	o	pai	e	a
mãe	dessa	pessoa	e	algo	mais.	Por	isso,	os	pais	que	estão	ligados	à	vida	se
sentem	tão	felizes	diante	de	seus	filhos,	por	conta	do	algo	mais.	Esse	algo	mais
tem	a	força	e	o	potencial	para	a	cura	dos	emaranhamentos.	Por	isso,	os	pais
ficam	tão	felizes	quando	percebem	a	singularidade	dos	filhos.
Podemos,	então,	dizer	aos	nossos	pais,	aos	nossos	avós,	a	todos	os	nossos
antepassados:	“a	vida	é	maior”.	E,	ao	dizer	isso,	podemos	perceber	como	todos	e
tudo	se	acalma;	pertencimento,	reconhecimento,	reverência.	Este	é	o	lugar	certo,
onde	a	vida	é	maior,	onde	ela	vem	primeiro.	Só	quando	este	princípio	é	violado	é
que	a	morte	se	faz	presente.	Portanto,	o	que	é	certo	é	sempre	a	vida	e	quando
estamos	a	serviço	da	vida,	ela	permanece.	Por	isto,	é	tão	natural	o	homem	sentir
falta	da	mulher	e	a	mulher	sentir	falta	do	homem.	A	vida	é	masculino	e	feminino
juntos.	Sem	essas	duas	energias,	a	vida	não	consegue	seguir	adiante.	Uma
mulher	é	sempre	mais	com	um	homem	e	um	homem	é	sempre	mais	com	uma
mulher.	E	eles	são	mais	juntos,porque	somente	assim	é	possível	passar	a	vida
adiante.
CAPÍTULO	VI
O	QUE	É	NECESSÁRIO
PARA	QUE	O	RELACIONAMENTO	CONJUGAL
EXISTA
E
TENHA	FUTURO
Amor	do	coração
Amor	da	Sexualidade
Amor	à	vida
“Te	amo	sem	saber	como,
nem	quando,	nem	onde,
te	amo	diretamente
sem	problemas	nem	orgulho:	assim	te	amo
porque	não	sei	amar	de	outra	maneira.”
Pablo	Neruda¹¹
O	AMOR	DO	CORAÇÃO	é	querer	bem	ao	outro,	é	querer	fazer	o	outro	feliz,
essa	é	a	ordem.	Quem	procura	outro	para	se	fazer	feliz	tem	menos	para	oferecer,
portanto	não	pode	tomar	o	amor	para	entregá-lo,	servi-lo	ao	outro;	pois	nesse
“estado	de	necessidade	de	ser	feliz”,	precisa,	antes,	servir-se	do	amor.	Além	do
aparente,	está	pronto	para	receber	e	não	pronto	para	dar.	Só	pode	dar	aquele	que
tem	em	abundância.	E	qual	é	a	medida	da	abundância?	É	quando	se	tem	o
suficiente	para	si	e	para	o	outro.
Os	insatisfeitos	permanecem	infantilizados;	para	os	infelizes,	nada	basta.	Eles
ainda	estão	esperando	algo	de	seus	pais.	Se	se	tornarem	completos	e	felizes,	o
que	farão	com	sua	lealdade	e	emaranhamento?	Se	aprovarem	os	seus	cônjuges,	o
que	fazer	com	a	mamãe	que	sempre	dizia	que	a	vida	conjugal	é	um	sofrimento?
Se	estiverem	felizes,	o	que	fazer	com	um	ditado	na	família:	“Ruim	com	ele,	pior
sem	ele!”?
O	sucesso	no	relacionamento	conjugal	é	“eu	tomei	e	recebi	o	suficiente	da	vida,
portanto	eu	posso	servir”.	A	ordem	aqui	também	é	“eu	me	proporciono	alegria
verdadeira,	por	isso	eu	posso	alegrar-me	com	o	outro,	posso	ajudar	o	outro	a
viver	a	sua	felicidade”.	Isso	vale	para	todos	os	relacionamentos.	Quem	espera	do
outro	está	impedido	de	tomar.	O	que	conduz	ao	fracasso	é	a	carência.	O	que
conduz	ao	sucesso	é	a	plenitude	e	esse	amor	precisa	ser	tomado	dos	pais.
Todo	o	amor	em	nós	vem	dos	pais,	vem	dos	antepassados	e	parte	de	nós	para
todos	os	outros	relacionamentos	-	conjugal,	profissional,	fraternal.	Observa-se
que,	quem	não	está	reconciliado	com	os	seus	pais,	está	impedido	de	amar,	busca
no	amor	do	cônjuge	o	amor	dos	pais.	Um	relacionamento	fracassa	quando
negamos	que	o	amor	dos	pais	está	nos	pais.	Os	relacionamentos	só	podem	ser
bem	sucedidos	quando	estamos	plenos	do	amor	dos	pais.	Isso	vale	para	todos	os
relacionamentos,	não	somente	o	conjugal.
Muito	bem:	esse	“rio	do	Amor”	que	fluiu,	desde	nossas	remotas	origens
familiares	até	nós,	tem	seu	leito	no	curso	da	história,	com	todos	os	fatos,	todos
os	acontecimentos;	eventos	que	se	completaram	e	outros	que	ficaram
incompletos,	realizados	por	todos	os	que	vieram	antes,	os	quais	ficam	no	registro
dessa	memória	coletiva,	nesse	“campo	ciente”,	onde	o	“eu”	pode	não	saber	de
modo	consciente,	mas	“nós”	sabemos.
O	AMOR	SEXUAL	caracteriza	e	define	que	o	relacionamento	é	conjugal.	Sem	o
vínculo	da	sexualidade,	o	relacionamento	conjugal	se	desfaz.	Quando	um
cônjuge	deseja	o	outro,	diz:	“eu	quero	me	unir	a	você”	e	quando	o	outro	retribui
com	o	seu	“sim”,	equilibra	o	relacionamento.	E	então	eles	podem	realizar	o
terceiro	movimento,	que	é	ter	algo	em	comum,	e	essa	aliança	são	os	filhos.	Por
meio	da	sexualidade,	um	homem	e	uma	mulher	declaram	que	eles	são	certos	um
para	o	outro	e	só	assim	a	vida	pode	seguir	adiante.	Quem	tem	prazer	na
sexualidade,	internamente	diz	“sim”	para	a	vida.	A	sexualidade	é	a	força	maior	a
serviço	da	vida;	por	isso	um	homem,	quando	está	junto	a	uma	mulher	e	uma
mulher	está	junto	a	um	homem,	eles	desejam	um	ao	outro	e	desejam	ter	filhos.
Um	filho	é	a	expressão	tangível	da	aliança	entre	o	homem	e	a	mulher,
indissolúvel	–	um	filho	é	para	sempre:	“O	que	Deus	uniu	o	homem	não	separa!”
(Mc,	10:9).
AS	DIFICULDADES	DA	SEXUALIDADE	são	dificuldades	em	tomar	a	vida.
Para	o	exercício	pleno	da	sexualidade	é	preciso	tornar-se	adulto	e,	ao	mesmo
tempo,	ter	vivenciado	uma	infância	feliz.	Só	a	partir	dessas	duas	condições	é
possível	desejar	ao	outro	e	concordar	em	ser	desejado.	Quando	um	cônjuge
deseja	o	outro	muito	mais	e	é	rejeitado,	o	princípio	da	compensação	é	violado.
Cria-se	um	desequilíbrio	porque	aquele	que	mais	desejou	fica	devedor,	aquele
que	rejeitou,	tem	créditos	em	excesso;	isso	interrompe	o	fluxo	de	amor	entre	o
casal.
O	que	mais	abençoa	uma	criança	é	quando	internamente	ela	sabe	“que	foi	com
prazer”,	nem	que	seja	no	momento	de	sua	concepção,	aquele	homem	e	aquela
mulher,	masculino	e	feminino,	viven-ciaram	o	prazer,	a	alegria	da	vida.	Nem	que
seja	somente	na	concepção.	A	criança	se	fortalece	quando	ela	percebe	que	aquela
aliança	foi	desejada.
Portanto,	para	ser	um	casal,	precisam	estar	unidos	por	meio	do	amor	do	coração,
do	amor	sexual	e	de	um	amor	maior,	os	filhos.	Quando	estes	não	existem	por
uma	impossibilidade,	quando	essa	bênção	não	é	concedida,	o	casal	pode
permanecer	unido	se	encontra	uma	causa,	um	propósito	onde	eles	possam	fazer
algo	parecido	com	o	que	os	pais	fazem	para	os	filhos:	a	prática	do	amor
incondicional,	da	gratuidade	e	da	generosidade.
O	QUE	ABENÇOA	os	filhos	é	a	alegria	da	mãe	ser	mulher	e	a	alegria	do	pai	ser
homem.	Desta	forma	o	masculino	e	o	feminino	estão	em	harmonia	naquele	ser
porque,	às	vezes,	quando	o	pai	e	a	mãe	não	tomaram	a	si	próprios	e	nem	um	ao
outro,	isso	pode	sustentar	as	dinâmicas	da	homossexualidade:	“eu	vou	buscar	o
igual	perfeito”	-	a	mulher	ou	o	homem	-	para	os	pais	do	sexo	oposto.	A	mulher
busca	outra	mulher	para	completar,	na	alma	da	mãe,	o	equilíbrio	do	feminino	a
fim	de	presentear	o	pai.	O	mesmo	acontece	na	homossexualidade	masculina:
busca-se	o	homem	perfeito	para	presentear	a	mãe.	Evidentemente	que	existem
também	tantas	outras	dinâmicas,	tantas	outras.
O	relacionamento	entre	os	pais	tem	precedência	sobre	o	relacionamento	com	os
filhos.	Antes	os	pais	se	respeitam	e	se	cuidam,	para	que	assim	o	respeito	e	o
cuidado	com	os	filhos	possam	realmente	fazer	efeito.	Muitas	vezes	o	vínculo	do
amor	entre	a	criança	e	seus	pais	é	interrompido	pelo	fato	dos	pais	viverem	em
conflito.	A	paz	entre	os	pais	fortalece	o	vínculo	entre	eles	e	também	com	a
criança,	porque	uma	criança	é	os	seus	pais.	“os	filhos	não	somente	tem	os	seus
pais,	como	são	os	seus	pais”	(HELLINGER,	2008,	p.	33).
Por	isso	o	relacionamento	dos	pais	tem	precedência.	Quando	a	mãe	diz	“eu	cuido
dos	meus	filhos”,	se	isso	é	real	nós	ouviremos	“eu	respeito	e	honro,	eu	cuido,	eu
zelo	do	meu	relacionamento	com	o	pai	dessa	criança”.	E	quando	o	pai	diz	“eu
cuido	dos	meus	filhos”,	nós	ouviremos	o	mesmo	“eu	honro,	eu	zelo,	eu	respeito
o	meu	relacionamento	com	a	mãe	deles”.	E	isso	não	tem	nada	a	ver	com	o	estado
civil	deles.	Uma	criança	cujos	pais	não	mais	vivem	juntos	conjugalmente,	porém
se	respeitam	e	estão	em	paz,	experimentará	um	“estado	de	alma”	diferente
daquela	cujos	pais	estão	em	conflito.
O	QUE	SENTEM	OS	FILHOS?
PARA	COMPREENDERMOS	melhor,	imaginemos	e	façamos	um	paralelo:	o
que	sente	um	filho	que	percebe	que	entre	seu	pai	e	sua	mãe	há	honra	e	respeito	e
o	que	sente	outro	filho	diante	de	uma	briga	real	entre	seus	pais	-	ele	irá	procurar
fazer	alguma	coisa,	qualquer	coisa,	gritar	com	seus	pais	pedindo	que	parem,
chamar	o	vizinho,	chorar,	ficar	desesperado…	o	que	mais?	Qual	é	seu	“estado	de
alma”?
Sem	chance	para	a	serenidade	e	toda	condição	necessária	para	tocar	a	vida	de
modo	normal,	estudando,	vivendo	de	modo	saudável,	etc.	No	aparente	pode	estar
tudo	bem,	porém,	além	do	aparente,	há	um	“estado	de	guerra”,	um	conflito	sério.
No	coração	do	pai,	a	mãe	não	tem	um	bom	lugar	e	vice-versa.	No	aparente,	“um
não	quer	enxergar	o	outro	nem	pintado	de	ouro”,	porém	no	filho,	estão	juntos.
E	o	filho	fará	tudo	para	que	a	paz	se	faça,	porém,	como	é	um	processo	além	do
aparente,	o	“trabalho”	do	filho	pelos	pais	se	manifesta	em	atitudes	deste	que
trarão	mais	infelicidade,	sofrimento,	dor.	Um	filho	com	problemas	está
trabalhando	para	seus	pais,	para	seu	sistema.	Enquanto	não	houver	a	reabilitação
da	honra	e	do	respeito,	isto	é,	a	reconciliação,	não	haverá	paz.
¹¹	Poema	recitado	por	Patch	Adams,	no	filme	“O	Amor	é	Contagioso”
CAPÍTULO	VII
COM	QUEM	A	CRIANÇA	DEVE	FICAR
OU
ALGO	SOBRE	ALIENAÇÃO	PARENTAL
Quem	critica	o	pai,	ofende	a	criança;
quem	desqualifica	a	mãe,	fere	o	filho.
“Pai
Meperdoa	essa	insegurança
É	que	eu	não	sou	mais	aquela	criança
Que	um	dia	morrendo	de	medo
Nos	seus	braços	você	fez	segredo
Nos	seus	passos	você	foi	mais	eu
Pai
Eu	cresci	e	não	houve	outro	jeito
(…)
Longos	anos	em	busca	de	paz”
Fábio	Júnior,	“Pai”
Se	uma	criança	convive	com	pais	que	se	criticam	enquanto	pessoas,	sua	energia
é	destinada	para	se	proteger,	comprometendo	seu	desenvolvimento,	seu	sucesso,
felicidade	e	saúde.
Quem	não	respeita	o	destino	do	outro,	não	é	reconhecido	como	alguém	que
inspire	confiança	o	suficiente	para	ser	um	aliado.
Portanto,	a	criança	deve	permanecer	próxima	à	figura	parental	que	honra	o
relacionamento	e	respeita	a	outra	figura	parental.
Em	um	tribunal	seria	perguntado	à	criança:	“quem	respeita	mais	um	ao	outro?”.
Seria	observado	quem	honra	mais,	quem	está	menos	ressentido,	mais
reconciliado	e	esta	criança	seria	orientada	a	permanecer	mais	próxima	a	esse
pai/mãe.	Aqui	não	nos	referimos	à	“guarda”	no	sentido	jurídico,	mas	aquele	que
tem	mais	condições	de	ser	o	“guardião”	do	bom	desenvolvimento	da	criança.
Um	relacionamento	só	pode	dar	certo	quando	um	cônjuge	diz	ao	outro	“eu	tomo
você	e	tudo	o	que	une	a	mim	e	a	você,	inclusive	seus	pais	e	sua	família	de
origem,	eu	concordo	com	isso,	eu	te	tomo”.	As	maiores	bênçãos	fluem	dos	pais
para	os	filhos,	quando	cada	um	dos	cônjuges:
1.	Concorda	com	o	seu	destino	–	seja	o	filho	inteligente,	bem	humorado,	irritado
ou	desinteressado.
2.	Respeita	mãe	e	pai	do	jeito	que	são.	Por	meio	de	sua	vida,	este	cônjuge
também	honra	seus	pais	e	mantém-se	pertencente	ao	seu	sistema.
3.	Sabe	que	o	filho	não	é	seu,	que	o	filho	é	“o	pai	e	a	mãe”.	Coisas	nos
pertencem,	pessoas	não.
4.	Cuida	da	própria	felicidade.	Os	filhos	sentem	que	têm	permissão	para	a
alegria,	a	saúde	e	a	prosperidade	quando	os	pais	são	bem	sucedidos,	saudáveis	e
felizes.
MEU	FILHO	OU	NOSSO	FILHO?
UM	PRINCÍPIO	importantíssimo	dentro	de	um	sistema	é	o	da	alteridade.	O	que
é	alteridade?	Alteridade	é	um	substantivo	feminino	que	expressa	a	qualidade	ou
o	estado	do	que	é	outro	ou	do	que	é	diferente.	É	antônimo	de	identidade	(do	que
é	idêntico).	Em	Filosofia	tem	o	sentido	de	circunstância,	condição	ou
característica	que	se	desenvolve	por	relações	de	diferença,	de	contraste.
Assim,	a	alteridade	fala	da	necessária	presença	do	outro	para	a	construção	do
“eu”,	ou	seja,	o	“eu”,	na	sua	forma	individual,	só	pode	existir	por	meio	de	um
contato	com	o	“outro”;	o	indivíduo	é	resultado	de	suas	relações	com	o	outro	e
das	interações	sociais,	ou	seja,	as	relações	sociais	produzem	em	cada	indivíduo,
alterações	que	o	caracterizam	como	pertencente	a	determinado	sistema,	a
determinada	cultura.
Neste	sentido,	a	alteridade	no	sistema	prevê	que	nenhum	elemento	se	sobrepõe
ao	outro,	porque	cada	indivíduo	se	reconhece	como	tal	por	causa	desse	“outro”.
E	a	interdependência	prevê	que	uma	mudança	ocorrida	em	um	elemento,	afeta
todo	o	sistema	e,	portanto,	todos	os	demais	elementos.
Por	isso	que	não	faz	sentido	os	pais	dizerem	“meu	filho”,	pois	esse	filho	só	foi
possível	por	causa	do	outro.	O	adequado	é	dizer	“nosso	filho”,	pois	assim	o
outro	é	reconhecido	e	o	princípio	da	honra	é	atendido.
CAPÍTULO	VIII
O	RELACIONAMENTO
CONJUGAL
INFLUENCIANDO
O
RELACIONAMENTO
COM	OS	FILHOS
-	Uma	criança	é	seu	pai	e	sua	mãe	e	algo	mais.	-
Um	cônjuge	não	deveria	ter	a	pretensão	de	mudar	o	outro;	isso	é	o	que	o	faz	ruir
qualquer	relacionamento.
Quando	queremos	mudar	alguém,	significa	que	pensamos	que	esta	pessoa	é
errada.	Entretanto,	isso	desonra	a	família	a	que	pertence.	Ao	criticar,	ao	querer
mudar,	desonra	a	família	de	origem	de	seu	parceiro.	O	cônjuge	jamais	pode
mudar,	porque	mudar	significaria	perder	a	dignidade,	significaria	separar-se	de
sua	família	de	origem,	significa	deixar	de	ser,	de	fazer	a	tarefa	que	lhe	é
designada	para	que	pertença	(pobre,	doente	ou	infeliz).	Nunca	deixamos	de	ser
leais,	porque	lealdade	significa	pertencimento.
Não	existe	exercício	espiritual	maior	do	que	casar-se	e	ter	os	seus	filhos.	Quem
tem	um	relacionamento	conjugal,	tem	mais.	Mais	desafios,	mais	aprendizados,
mais	oportunidades,	mais.	Um	solteiro	tem	sempre	menos,	menos	um	pouco.	E
um	casal	que	tem	filhos,	tem	ainda	muito	mais,	muito	mais	força.	Uma	pessoa
que	tem	filhos	é	mais,	serve	mais,	oferece	mais	e	então	recebe	mais.	Uma	cliente
disse	certa	vez:	“meu	orçamento	era	tão	apertado,	eu	nunca	imaginava	que	seria
suficiente	para	mais	nada.	Entretanto,	quando	nosso	filho	nasceu,	o	milagre	veio:
o	dinheiro	era	mais	que	suficiente	para	mim,	era	suficiente	para	nós	dois.	Parece
existir	um	tipo	de	providência	divina	que	vem	junto	com	nossos	filhos	que	provê
a	nós,	pais,	do	que	é	necessário	para	ampará-los	e	servi-los.”
OS	SINTOMAS,	os	sofrimentos	pedem	sempre	uma	reconciliação,	uma
reconciliação	com	os	pais	e	tudo	o	que	isso	significa.
Então	quando	um	cônjuge	toma	o	outro,	ele	precisa	estar	reconciliado	com	os
próprios	pais	para	tomar	as	bênçãos	deles	e	tomar	o	outro	com	os	seus	próprios
pais.	Por	isso	está	escrito	“deixará	o	homem	seu	pai	e	sua	mãe	e	unir-se-á	à	sua
mulher”	(Mc	10:7).	Aqui	sabemos	que	deixar	significa	liberar-se	dos
julgamentos,	significa	crescer,	significa	parar	de	implicar,	significa	esperar,
significa	criar	o	novo.	Porque	só	quem	deixa	pode	tomar.
Deixar	não	quer	dizer	abandonar	os	pais	-	uma	atitude	de	profunda	desonra	-	ou
libertar-se	deles	-	um	ato	impossível,	pois	um	filho	só	existe	por	causa	de	seus
pais.	Deixar	pai	e	mãe	significa	simplesmente	considerar	um	ciclo	relacional
completo	-	o	período	vivido	na	família	de	origem	-	para	iniciar	outro	-	a	própria
família.	Este	ato	altera	todo	o	sistema,	pois	novas	conexões	serão	formadas.	O
novo	casal	conectará	dois	sistemas	familiares	diferentes	que	partilharão	os
destinos,	que	influenciarão	as	histórias	que	começam	a	ser	escritas	a	partir	de
então.	Por	isso,	em	certo	sentido	está	certo	quando	se	diz:	“você	não	se	casa
apenas	com	seu	cônjuge,	mas	com	toda	a	família”.
O	sucesso	em	um	relacionamento	conjugal	depende	exclusivamente	de	tomar	os
próprios	pais,	ou	seja,	tomar	o	essencial	deles	-	a	vida	que	fluiu	deles	para
formar	você.	Depende	de	crescer,	tornar-se	adulto,	assumir	a	condição	de
responsabilizar-se	pela	própria	vida:	“Se	algo	me	faltou,	agora	eu	faço.”
Compreender	que	os	pais,	antes	de	tudo	são	humanos	e	estão,	assim	como	os
filhos,	a	serviço	do	destino	de	seus	sistemas.
Geralmente	é	o	inverso	disso	que	acontece:	“Eles	não	me	deram	amor,	atenção,
tempo	e	segurança,	então	agora	você	me	dá.”	Ninguém	pode	dar	a	alguém	o	que
os	pais	deveriam	dar,	a	não	ser	a	própria	pessoa.	Só	ela	tem	acesso	aos	seus	pais.
Quando	ouvimos	“você	tem	que	se	libertar	dos	seus	pais”,	deveríamos	apagar	a
frase.	Dizer	isto	é	o	mesmo	que	dizer:	“arranque	o	seu	braço	que	este
reumatismo	não	vai	mais	lhe	incomodar.”	Todo	o	nosso	ser	reage	de	modo
rápido	e	preciso	perante	uma	incoerência	desta.	Por	mais	que	se	reclame	dos
pais,	os	filhos	amam	os	seus	pais	e	precisam	deles.
Naturalmente	percebemos	na	alma	uma	sensação	de	culpa,	necessidade	de	nos
afastarmos	de	quem	os	critica	e,	se	temos	alguma	liberdade	com	essa	pessoa,
entramos	em	conflito	com	ela.	Por	isso,	muitos	cônjuges	têm	conflito,	porque
um	diz	ao	outro:	“Faça	melhor,	capriche.	Como	você	é	descuidado!	Nossa…
você	é	igualzinho	seu	pai!”	Deste	modo,	nem	um	e	nem	outro	ficam	livres	para
ser	o	algo	mais.	Somos	o	pai,	a	mãe	e	algo	mais,	nesta	ordem.	Enquanto	não
tomamos	o	pai	e	a	mãe,	enquanto	não	os	honramos,	não	podemos	ser	o	algo
mais.	A	depressão	é	um	vazio,	vazio	do	pai	ou	da	mãe	e	do	algo	mais.
Um	relacionamento	conjugal	proporciona	a	oportunidade	do	exercício	do	amor
do	coração,	do	querer	bem	ao	outro,	incondicionalmente,	pelo	que	é	e	dedicar-se
à	felicidade	do	outro	porque	se	é	feliz.	Hellinger	disse	certa	vez:	anote	vinte
pecados	que	você	desculparia,	multiplique	por	três	e	aumente	mais	alguns.
Assim,	irá	verdadeiramente	usufruir	e	ter	felicidade	em	seu	relacionamento.
O	maior	espelho	é	o	outro:	o	que	admiramos	ou	o	que	não	gostamos	mostra
muito	mais	quem	somos	do	que	aquilo	que	o	outroé.	Oportunidades	de
crescimento.	Decidir	por	conhecer-se,	cuidar	do	outro,	realizar	um	propósito,
caminhar	lado	a	lado,	só	é	possível	para	adultos.	Numa	sociedade	infantilizada,
onde	o	prazer	está	em	primeiro	lugar	e	a	cultura	do	descarte	rápido	cada	vez
mais	vigente,	as	pessoas	são	privadas	desta	oportunidade	maravilhosa	de	uma
vida	de	companheirismo,	de	prazer,	de	crescimento,	respeito	e	maturidade.
Jirina	Prekov	também	nos	convidou,	em	um	seminário,	a	refletir	sobre	este	tema:
qual	a	maior	fome	de	um	ser	humano?	E	nos	fez	perceber	que	nossa	maior	fome
é	a	de	sermos	aceitos	exatamente	pelo	que	somos.	Que	somos	suficientes,	que
não	seremos	abandonados	apesar	de	não	sermos	perfeitos.
Em	uma	cerimônia	de	casamento,	digo	sempre,	a	única	exigência	deveria	ser:
todos	descalços.	Principalmente	os	noivos.	Porque,	para	uma	vida	conjugal
suficientemente	feliz,	se	faz	necessário	considerar	que	o	destino	do	outro	é
sagrado.	Que	uma	relação	pressupõe	cuidado,	sensibilidade,	ternura,	rigor.	A
história,	a	vida	de	uma	pessoa	é	construída	a	um	preço	que	não	é	possível
descrever.	Por	isto,	diante	do	outro,	reverência.	Sem	julgamento,	sem	orgulho,
sem	salto	alto.	Humildade.	Assim	é	possível	prosseguir.
O	amor	não	é	romântico.
O	amor	é	exigente.
As	frases	numa	cerimônia	seriam:
“Eu	tomo	a	você	e	tudo	o	que	une	a	mim	a	você.”
“Concordo	com	seus	pais,	seus	hábitos,	características,	comportamentos,
destino,	antepassados,	futuro.	Concordo	e	honro.”
E	o	relacionamento	só	será	bem	sucedido	se	estas	frases	puderem	ser	ditas	com
toda	verdade,	de	todo	o	coração.	As	separações	tantas	vezes	vivenciadas	com
tanta	dor,	aconteceram	e	acontecem	pela	ausência	do	compromisso	mútuo	com	a
verdade	destas	declarações,	as	quais,	ainda	que	não	tenham	sido	proferidas,	são
princípios	que	sustentam	qualquer	relacionamento	conjugal.
CAPÍTULO	IX
SINTOMAS	E	DOENÇAS	–
O	QUE	CURA	E	O	QUE	FAZ	ADOECER
Um	sintoma	é	um	caminho.
A	cura	é	uma	jornada.
SER	SAUDÁVEL	É	UMA	CONSEQUÊNCIA,	É	UM	EFEITO.
É	um	efeito,	sobretudo	de	amar	o	sintoma,	de	“concordar”	com	ele.	Lembre	do
significado	de	concordar,	já	mencionado	anteriormente	neste	livro.	Todo	sintoma
traz	uma	mensagem,	um	sintoma	é	um	anjo,	é	um	mensageiro.	Quando
“brigamos”	com	o	sintoma,	ele	pode	temporariamente	desaparecer,	mas	esse
mensageiro,	esse	anjo,	tem	uma	qualidade:	não	desiste,	é	perseverante.	Ele	faz
de	tudo	para	a	mensagem	chegar	ao	destinatário,	ele	se	disfarça	muitas	vezes	de
várias	roupagens,	mas	é	o	mesmo	anjo,	é	o	mesmo	mensageiro,	é	a	mesma
mensagem.
No	início	pode	ser	em	forma	de	resfriado.	A	mensagem	precisa	ser	entregue,
então	ela	chega	na	forma	de	um	sintoma.	Contudo,	o	destinatário	diz	“vou	tomar
um	comprimido	e	logo	desaparece”.	Só	o	resfriado	que	desaparece,	pois	o
mensageiro	permanece,	ela	dá	meia	volta	e	dali	a	algum	tempo,	quem	sabe,
aparece	uma	tosse.	O	destinatário	diz:	“agora,	bastam	três	comprimidos	e	eu	já
resolvo	tudo	isso”.	E,	aparentemente,	resolve.	Mas	o	anjo,	mensageiro,	o
sintoma	retornará…	Depois	de	um	tempo,	pode	surgir	um	reumatismo	e	talvez,
neste	momento,	aumente	a	dose:	“sete	comprimidos	e	isso	já	se	resolve”.	Ledo
engano,	não	se	resolve.	Então	a	pessoa,	o	destinatário	diz	“ah,	é	assim	mesmo”,
e	adapta	a	sua	vida	ao	sintoma.
COMO	SE	FOSSE	MÁGICA
MUITAS	VEZES	ocorre	algo	assim,	como	um	filme,	algo	mágico:
“…	um	dia	algo	acontece,	ou	porque	ele	foi	à	igreja,	ou	lendo	um	capítulo	de	um
livro,	encontrado	num	banco	de	aeroporto,	ou	quando	está	cantando,	dançando,
ele	tem	uma	sensação	incrível,	agora	sim,	teve	um	milagre.	Nem	um,	seis,	sete
comprimidos.	Algo	incrível	aconteceu,	inexplicável,	sem	receita.	Essa	pessoa
sabe	que	está	curada,	mas	o	que	a	curou	é	impossível	de	ser	descrito.	Não	é	a
oração,	não	é	o	conhecimento,	não	é	o	canto	e	não	é	a	dança.	É	algo
extraordinário	que	aconteceu	com	o	seu	ser,	que	excede	a	qualquer
entendimento.	A	pessoa	e	“seu	anjo”	respiram	aliviados	e	felizes,	tornando-se
uma	unidade.	O	sintoma	está	integrado,	coordenado,	ele	é	agora	“dentro”,	essa
parte	excluída	é	agora	pertencente.	Algo	tornou-se	completo!	Uma	cura
aconteceu.”
O	primeiro	sinal	de	uma	doença	é	quando	a	pessoa	sente-se	bem	e
desconfortável	ao	mesmo	tempo,	é	comum	esta	frase:	“não	sei	o	que	há
comigo”.	Isso	significa	que	ela	já	está	doente,	“não	sei	o	que	há	comigo”	é	sinal
de	exclusão,	tem	algo	pedindo	para	ser	incluído,	percebido.	Algo	pedindo	para
tornar-se	completo.	O	que	precisa	ser	incluído	para	o	bem-estar	tornar-se
presente?
O	caminho	para	a	saúde	é	incluir-se.	Todo	sintoma	significa,	em	primeiro	lugar,
uma	autoexclusão.	Alguns	médicos	sabem	bem	disso	e	perguntam	aos	seus
clientes:	“O	que	se	passa	com	você?	Quero	que	você	medite	como	está	sua	vida;
onde,	na	sua	vida	o	amor,	o	humor	e	a	alegria,	precisam	estar	mais?”.
Uma	doença	também	pede	para	trilharmos	um	segundo	caminho,	o	caminho	da
ordem.	É	fundamental	para	curar-se,	reordenar.	Não	somente	tarefas,	mas
principalmente	a	missão	e	o	propósito,	nem	sempre	o	quê,	mas	sempre	o	como.
E	quando	acontece	uma	cura	verdadeira,	existe	um	sinal,	e	o	sinal	é	uma	frase
dita	espontaneamente:	“eu	sou	outra	pessoa”	e	tem	sempre	um	sorriso	junto	a
isso.
Já	o	terceiro	caminho	para	a	cura	é	um	caminho	que	os	orientais	conhecem
muito,	o	caminho	da	gratidão	e	da	generosidade.	Gratidão	e	generosidade	são
partes	essenciais	desse	caminho.	Um	sintoma	aparece	quando	violamos	essa
ordem	de	ajuda,	quer	seja	quando	exigimos	mais,	quando	oferecemos	demais,	ou
simplesmente	quando	damos	as	costas,	desqualificando	tudo	de	bom	que	nos	é
dado.	Na	abordagem	sistêmica,	chamamos	esse	caminho	de	“equilíbrio	entre	o
dar	e	o	receber”	ou	princípio	da	compensação.
UM	SINTOMA	é	uma	bênção,	é	a	vara	e	o	cajado	do	pastor	sendo	usados	para
tanger	a	ovelha	a	fim	de	que	retorne	ao	seu	lugar	seguro,	é	uma	oportunidade	de
voltar	para	casa,	é	uma	oportunidade	de	ampliar	a	presença.	Este	termo	-
presença	-	é	o	mesmo	empregado	por	Eckhart	Tolle,	em	seu	livro	“O	Poder	do
Agora”	(2003,	p.	94).	Ali,	o	autor	discorre	sobre	o	que	chama	de	“estado	de
presença”	e	explica	que,	em	certo	sentido,	o	estado	de	presença	poderia	ser
comparado	à	espera	cuja	analogia	Jesus	empregou	em	algumas	das	suas
parábolas.	Não	se	trata	da	habitual	espera	enfadonha	ou	inquieta,	uma	recusa	do
presente.	Não	é	uma	espera	na	qual	a	atenção	tem	seu	foco	nalgum	ponto	do
futuro	e	o	presente	é	percebido	como	um	obstáculo	indesejável	que	nos	impede
de	alcançar	o	que	desejamos.	Existe	um	tipo	de	espera	que	requer	prontidão
total.	Alguma	coisa	pode	acontecer	a	qualquer	momento	e,	se	não	estivermos
absolutamente	acordados	e	calmos,	vamos	perdê-la.
Um	sintoma	sempre	é	um	caminho	que	se	abre	na	direção	de	um	tesouro.	Curar-
se	significa	tornar-se	mais	por	meio	do	menos.	Para	que	a	cura	aconteça	é
fundamental	desapegar-se;	desapegar-se	dos	medos,	dos	pensamentos,	das	ideias
-	todos	carregados	do	peso	do	julgamento	-	e	poder	perceber	o	que	é.
Simplesmente	perceber	o	corpo	como	um	sistema,	ouvir	o	que	ele	precisa;	ouvir
a	si	mesmo	como	um	grande	sistema	genético,	emocional,	familiar	e	perceber
qual	a	tarefa	aqui,	qual	a	oportunidade	de	aprendizado	há	naquele	sintoma.
A	medicina	sabe	um	pouco	deste	princípio	quando	diz:	“você	precisa	diminuir	o
sal,	o	açúcar,	a	ingestão	de	álcool,	de	carboidratos,	a	quantidade	de	trabalho,
etc.”,	porém,	somente	isso	não	cura.
É	preciso	atuar	em	nível	de	identidade	e	criar	mudanças	no	ser.	Por	exemplo,	ser
menos	preocupado,	menos	apegado,	menos	exigente,	menos	vítima	-	tomar	a
vida,	a	sua	vida	e	viver,	simplesmente	viver	e	vivê-la	com	aquilo	que	é	exclusivo
dela	e	não	da	vida	de	outros.	A	cura	chega	quando,	a	partir	do	movimento	de
soltar,	é	possível	a	condição	extraordinária	de	tomar.	Um	sintoma	sempre	pede
uma	mudança,	quem	tem	um	sintoma	tem	um	pedido	do	corpo	para	mudar	algo.
O	que	é	preciso	mudar	aqui,	que,	se	acontecer,	o	sintoma	se	transforma	em
saúde,	o	sintoma	se	transforma	em	força	e	recurso.	O	quê?	O	quê?	Para	que	a
cura	aconteça,	as	transformações	precisam	ir	além	das	intervenções	no	ambiente
e	das	intervenções	no	comportamento.As	intervenções	são	eficazes	quando	ajustamos	a	nossa	identidade	por	meio	da
meditação	sobre	as	nossas	crenças	e	valores,	transformando-os.	E	a	primeira
crença	a	ser	modificada	é:	um	sintoma	não	é	uma	doença,	ele	é	um	sinal	da
grande	inteligência	do	nosso	corpo	físico.	Um	sintoma	não	é	um	castigo,	um
erro;	um	sintoma	é	uma	bênção.	Um	sintoma	é	a	vida	se	manifestando,	é	uma
oportunidade.	Um	sintoma	é	amor	-	a	energia	que	conecta	os	elementos	no
sistema,	da	qual	falamos	anteriormente.	Amor	para	com	o	pai,	com	a	mãe,	com
os	antepassados,	para	com	a	vida.	Um	sintoma	é	apenas	uma	oportunidade	de
incluir,	de	equilibrar	o	dar	e	o	receber	e	de	ordenar.
Um	sintoma	se	transforma	em	recurso	quando	nós	o	honramos.	Por	meio	desse
respeito	e	reverência,	é	possível	escutar	o	que	ele	nos	diz.	Curar-se	também	é
uma	condição	de	adulto,	pois	um	adulto	faz	o	necessário	perante	o	que	a	vida	lhe
mostra,	lhe	apresenta.
Se	estamos	em	equilíbrio,	a	nossa	“criança	interna”¹²	demonstra	um	estado	de
serenidade	e	paz	para	com	o	sintoma;	porque	ela	sabe	o	que	a	fortalece	e	o	que
faz	crescer,	evoluir.	Intuitivamente	as	crianças	“amam”	os	sintomas,	elas
atribuem	especial	importância,	enfatizam	de	modo	intenso	quando	cortam	o
dedo	ou	quebram	o	braço.	Demonstram	um	tipo	singular	de	emoção,	como	se
fosse	a	alegria	que	sinaliza	a	volta	para	casa,	o	cuidar	do	ser,	o	salto	quântico,
um	novo	nível	de	consciência.
UM	REMÉDIO	ÚNICO
O	QUE	VERDADEIRAMENTE	cura	não	tem	receita.	O	que	é	paliativo	tem
nome,	tem	fórmula,	mas	o	que	verdadeiramente	torna	completo	não	tem
palavras.	A	cura	sempre	é	uma	jornada	pessoal	e	intransferível.	Na	maioria	das
vezes,	quando	temos	um	sintoma,	estamos	olhando	para	uma	exclusão.	Estamos
cegos,	surdos	e	insensíveis.	A	dor	é	o	que	chama	para	a	vida,	é	o	incompleto	em
seu	movimento	natural	de	incluir,	compensar	e	ordenar.	É	a	sabedoria	de	nossa
alma	desperta	e	atenta	para	nos	servir	em	tudo	o	que	direciona	para	o	mais,	para
o	que	nos	fortalece	e	une.
O	sinal	para	tornar	completo	é	a	dor.	A	dor	é	a	ponte	entre	a	cura	e	o	sintoma,
significa	a	possibilidade	da	escuta.	Somente	quando	se	escuta	a	voz	que	chama,
podemos	atender.	Pode-se	dizer	que	a	dor	é	a	expressão,	a	“voz”	do	sintoma,
portanto	dor	é	a	sinalização	da	vida	em	movimento	sistêmico;	vida	é	espírito.
Por	isso	podemos	nos	alegrar	com	a	dor,	porque	ela	é	a	voz	do	espírito.
Uma	dor	crônica	significa	que	estamos	surdos	há	muito	tempo.	Uma	doença
crônica	mostra	uma	dinâmica	antiga	que	não	é	ouvida,	na	maioria	das	vezes,	há
muitas	gerações;	algo	que	espera	por	tornar-se	completo	há	muito.	Pode-se
chamar	a	doença	crônica	de	surdez	crônica,	pois	o	corpo	fala,	mas	não	é	ouvido.
Quem	ouve?	O	“eu”.	Se	entre	o	“eu”	e	o	corpo	tem	o	ego,	ou	seja,	julgamentos,
medos,	expectativas,	ambições,	arrogância,	o	“eu”	não	consegue	ouvir	o	corpo.
Quando	existe	a	presença	do	ego,	das	ideias,	do	individualismo	(eu	posso,	eu
faço,	eu	aconteço!)	existe	uma	violação	da	ordem.	Ao	invés	do	eu	pertencer	ao
corpo,	é	o	corpo	que	me	pertence,	e	falamos	isso	de	maneira	tão	inocente,
falamos	“é	meu	corpo,	eu	mando	nele”,	fazemos	também	passeatas	com	as
faixas	“liberdade,	o	corpo	é	meu!”,	“direito	para	fazer	com	o	corpo	o	que
quiser”.	Essa	é	a	violação	da	ordem,	o	“eu”	maior	que	o	corpo.	Quanta
presunção!	Maior	que	o	corpo	individual	é	o	“nós”,	o	sistema	no	qual	o	corpo	se
insere.	No	corpo	se	manifestam	as	ressonâncias	do	sistema.	No	sistema	se
manifestam	as	ressonâncias	das	tantas	violações	de	ordem,	de	tantos	“eus”
subjugando	corpos…	E	novamente	reverberam	as	ressonâncias,	sentidas	por
todos,	de	tantos	modos,	tantos…
Para	curar	é	necessário	recuperar	a	ordem:	eu	pertenço	ao	meu	corpo,	eu	sou
dele.
“Amado	corpo,	o	que	você	quer	de	mim?”
¹²	Conceito	desenvolvido	por	Erick	Berne.	Segundo	esse	autor,	nossa	psique	é
estruturada	em	três	estados	de	ego,	três	modos	de	interagir	com	a	realidade,
distintos	entre	si,	e	seus	comportamentos	são	instalados	em	partes	específicas	do
cérebro.	Fonte:	http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Berne.	Acesso:	Dez/2014.
CAPÍTULO	X
O	QUE	VOCÊ	PRECISA?
-	o	corpo	sabe	–
“A	vontade	não	é	livre	-	é	um	fenômeno	vinculado
por	causa	e	efeito	-	mas	há	algo	por	trás
da	vontade	que	é	livre”
Swami	Vivekananda
O	corpo,	tão	sábio,	vai	mostrar	exatamente	o	que	cura,	imagens	internas	que
curam,	ações,	transformações,	mudanças	necessárias.	Para	isso	é	preciso	escutar,
ele	é	generoso	e	ele	mostra.	Essas	imagens	internas	muitas	vezes	são	abstratas;
por	exemplo,	a	pessoa	diz	“a	minha	vida	precisa	de	mais	colorido”;	ela	também
pode	dizer:	“eu	também	preciso	de	luz”,	“preciso	de	mais	leveza”	ou:	“a	vida
está	muito	quadrada,	precisa	ficar	mais	redonda”.	Muitas	vezes	essas	imagens
são	acompanhadas	de	sensações.	Naturalmente	com	as	imagens	surgem	frases,
como:	“minha	vida	tem	que	ficar	mais	macia,	mais	leve”.	Muitas	vezes	essas
imagens	são	acompanhadas	por	percepções	auditivas,	que	são	maravilhosas,	tais
como	“é	preciso	mudar	o	ritmo,	diminuir,	sair	do	monótono”.	O	corpo	é	sábio	e
diz.	Imagens	curam.	Imagens	completam!
Essas	imagens	pertencem	a	alguém,	à	outra	parte	do	“eu”.	Talvez	exista	um	“eu”
com	apenas	oito	aniversários,	esperando	por	isso,	talvez	esteja	em	uma	escola,
num	quintal	de	uma	casa.	Talvez	tenha	apenas	quatro	meses	de	idade,	talvez	a
mamãe	esteja	em	um	caixão,	o	papai	chora,	seus	irmãos	também	e	ele	espera,
espera	até	hoje.	Esta	parte	do	“eu”	é	uma	parte	tão	antiga,	porque	é	a	minha
bisavó.	Mas	ela	está	ali	tão	viva,	não	envelhece,	permanece	“agora”,	sem
envelhecer.
Quando	recebe	o	que	precisa,	o	abraço,	o	coração	que	acolhe,	reconhece	e
ampara,	imediatamente	ela	sorri	para	mim	e	toma	o	que	é	oferecido,	então
acontece	o	milagre,	tudo	muda	e	o	sintoma	desaparece,	integra-se	no	eu,
fortalecendo	o	eu	por	meio	do	espírito.	E	a	pessoa	tem	uma	sensação	plena	de
vida	nova,	todo	sistema	novo.	Algo	tornou-se	completo.
Sinais	de	milagre	são	rejuvenescimento,	disposição,	vitalidade,	sono	tranquilo,
tolerância,	assertividade.	A	pessoa	fica	mais	bonita,	com	alegria	nos	olhos,
sensação	de	que	simplesmente	a	vida	flui,	os	objetivos	são	realizados,	tanta	coisa
boa	acontece	sem	ter	que	fazer	quase	nada,	ao	mesmo	tempo	uma	disposição
para	fazer	tudo	o	que	for	necessário,	sem	esforço,	sem	sobrecarga,	sem	luta.
Todos	esses	são	sinalizadores	de	que	o	milagre	já	aconteceu,	o	milagre	é.	O
milagre	nunca	é	estático,	ele	sempre	se	amplia.	Por	isso	a	cura	verdadeira	de
uma	doença	está	no	campo	dos	milagres.	Além	da	doença	desaparecer,	além	da
doença	não	poder	ser	identificada	do	ponto	de	vista	médico,	o	indivíduo
efetivamente	se	percebe	outra	pessoa,	com	uma	nova	vida.	Uma	pessoa	melhor,
mais	feliz,	mais	próspera.	Uma	pessoa	mais,	muito	mais.	Alguém	que	se	torna
um	tanto	mais	completo.
Por	isso,	muitas	vezes	acontece:	apesar	dos	médicos	dizerem	que	os	exames	já
não	apontam	doença	alguma,	a	pessoa	continua	apreensiva.	Isso	significa	que	a
doença	pode	ter	desaparecido,	mas	o	sintoma	ainda	está	aí.	O	contrário	também
acontece.	O	médico	diz:	“você	tem	uma	doença	grave,	já	é	uma	metástase	e	não
existe	nada	a	ser	feito”,	mas	o	processo	de	cura	continua,	porque	a	pessoa	está
em	sintonia	com	o	corpo.	Começa	a	escutar	o	seu	ser	e	aí,	muitas	vezes,	faz-se
necessário	o	suporte	do	curador.	Pouco	a	pouco,	ela	começa	a	se	sentir	saudável,
curada.	Então,	vai	ao	médico	novamente	e	ele	diz:	“vamos	realizar	de	novo	os
exames”;	nos	exames	não	existe,	agora,	nenhum	sinal	da	doença.	Essa	pessoa
pergunta	ao	médico:	“Doutor,	o	que	eu	faço?”	e	esse	médico,	por	meio	do	seu
curador	interno,	diz:	“fique	longe	de	nós”.	Isso	aconteceu	em	um	intervalo	de	15
dias,	entre	o	diagnóstico	do	sintoma	e	o	diagnóstico	do	milagre	que	a	medicina
chama	de	remissão	espontânea.	A	medicina	diz	que	o	corpo	tem	uma	capacidade
natural	de	remissão,	mas	não	se	sabe,	ao	certo,	como	tudo	acontece.	Tornar-se
completo	é	inexplicável	mesmo.
O	que	cura	é	sempre	um	movimento	na	direção	do	incluir,	equilibrar	o	dar	e	o
receber,	ordenar.	Esse	movimento	nós	chamamos	de	caminho	da	cura,	outros
chamam	de	jornada	da	cura,	outrossimplesmente	observam	como	um	tempo	de
contrariedade,	onde	a	vida	obriga	a	fazer	o	que	é	necessário.	Quando
compreendemos	que	curar-se	é	uma	jornada	de	inclusão	e	reconciliação,
compreendemos	também	que	a	ordem	precisa	ser	honrada.
Quando	um	sintoma	surge,	ele	mostra	que	a	direção	deve	ser	do	presente	para	o
passado,	que	o	caminho	para	a	cura	sempre	é	daqui	para	lá,	do	agora	para	uma,
duas	ou	três	gerações	anteriores.
Um	sintoma	sempre	é	uma	mensagem,	uma	memória	sistêmica,	um	sintoma	é	o
sistema	informando	e	o	corpo	comunicando.	Um	sintoma	nunca	é	uma	expressão
individual.	Esse	entendimento	possibilita	percebermos	o	sintoma	como	uma
oportunidade	de	cura	para	o	sistema,	por	meio	do	indivíduo	que	o	carrega.
Portanto,	um	sintoma	é	sempre	uma	bênção,	uma	oportunidade	de	completar-se,
de	cura	de	algo	sistêmico	para	o	qual	esse	indivíduo	está	a	serviço.
Neste	sentido,	um	processo	de	cura	é	um	processo	de	meditação.	Por	meio	dele
olhamos	para	trás,	para	tudo	aquilo	que	não	pôde	ser	incluído,	compensado	ou
ordenado.	Um	sintoma	sempre	pede	a	condição	da	humildade,	pois	para	curar	é
necessário	tornar-se	pequeno	diante	de	tudo	o	que	é,	deixar-se	conduzir	até
aquilo	que	é.
A	condição	para	a	cura	é	concordar	com	o	sintoma,	pois	quando	um	sintoma	é
combatido,	quando	um	sintoma	recebe	a	informação	que	diz	“eu	quero	me	livrar
de	você”,	ele	se	torna	mais	forte,	pois	não	podemos	nos	livrar	de	um	sintoma.
Ele	pode	ser	transformado	em	uma	força	e	em	cura	quando	cumpriu	sua	missão
no	sistema	a	que	pertence.
Além	do	aparente,	um	sintoma	é	o	primeiro	sinal	de	que	podemos	ser	curados.
De	que	podemos	nos	tornar	completos.	Quem	pode?	“Nós”,	o	sistema.	Nunca
curamos	o	sistema	para	o	indivíduo,	mas	podemos	curar	o	sistema	por	meio	do
indivíduo,	essa	é	a	ordem.	Quem	carrega	o	sintoma	é	um	mensageiro	de	boas
novas	para	o	sistema,	por	isso	sentimos	um	impulso	natural	de	proteger	aquele
que	carrega	um	sintoma.
Porém,	por	conta	dos	nossos	emaranhamentos,	ficamos	também	com	medo
diante	de	um	sintoma.	E	ao	invés	de	ajudar,	enfraquecemos,	sentimos	medo
porque	algo	nos	toca:	oferece-se	logo	um	comprimido.	Os	sintomas	podem
desaparecer,	mas	eles	voltam	no	tempo	certo	para	que	a	mensagem	seja	ouvida.
Eles	sempre	voltam	até	que	sua	mensagem	seja	ouvida.	Permanece	até	ser
ouvido,	até	que	o	vínculo	do	amor	seja	reestabelecido	onde	quer	que	ele	tenha
sido	interrompido,	até	que	se	torne	completo.
Quando	uma	pessoa	se	cura,	nós	observamos	que	ela	se	torna	outra	pessoa;	como
se	fosse	um	milagre,	ela	é	outra	pessoa.	Amigos	dizem:	“nem	parece	que	você
sofreu	tanto,	você	está	melhor	agora,	melhor	do	que	antes”.	A	própria	pessoa,	ao
olhar-se	no	espelho,	sente-se	totalmente	diferente,	porque	algo	aconteceu.	Dias,
meses,	anos,	mas	finalmente	aconteceu.	É	outra	pessoa,	sente-se	mais	feliz,	mais
próspera,	mais	saudável,	mais	empoderada.	O	que	fez	foi	ligar-se	e	se	deixar
conduzir	pelo	profundo	movimento	do	espírito	e	quando	isso	acontece,	as
mágoas	são	dissipadas,	os	sentimentos	desaparecem.
A	gratidão,	que	começou	pela	aceitação	do	sintoma	e	a	proatividade	no	sentido
de	entender	sua	mensagem,	se	intensifica,	se	expande,	simplesmente	gratidão.	A
isso	nós	chamamos	de	“estado	de	graça”.	Esse	indivíduo	sabe,	compreende	que
está	integrado,	completo.	Portanto,	um	ser	saudável	é	um	ser	que	pertence.	E
aquele	que	está	curado	também	poderia	dizer	“eu	sou	um	convertido”.	Quando
alguém	está	verdadeiramente	curado,	um	dos	sinais	é	ser	frequentemente
confundido	como	uma	pessoa	religiosa,	porque	quem	está	curado	está	religado.
Um	sintoma	é	um	sinal	de	um	movimento	interno	de	“não”.	É	sinal	e	um
movimento	de	desordem	perante	a	vida.	Normalmente	um	sintoma	pede	uma
reverência	à	vida.	Um	filho	que	confronta	com	o	pai,	se	castigará	por	isso.
Aquele	que	vem	depois	não	tem	direito	de	triunfar	perante	um	antepassado.	A
sensação	do	triunfo	sempre	leva	a	um	sintoma	e	triunfo	aqui	é:	“eu	sou	melhor
que	você”.	Quando	experimentamos	isso	perante	nossos	pais,	adoecemos.
Portanto,	quando	não	nos	tornamos	humildes	perante	nossos	pais,	é	obrigatório
tornarmo-nos	humildes	diante	de	uma	doença.	Querer	combater	uma	doença	a
qualquer	preço	é	o	mesmo	que	querer	consertar	os	pais,	os	antepassados.	Por
isso	o	movimento	que	cura	é	sempre	a	aceitação	consciente,	concordar,	dizer
“sim”	para	o	que	for	e	como	for.
Apesar	do	sintoma,	não	se	está	doente.	Apesar	da	dor	não	há	sofrimento.
CAPÍTULO	XI
AS	DINÂMICAS	QUE	FAZEM	ADOECER
Pertencemos	por	meio	do	amor	ou	por	meio	da	dor.
Existir	é	sempre	amor!
“Temos	o	grande	privilégio	de	sermos
capazes	de	ajudar	os	outros	a	se	curarem
e	as	únicas	qualificações	necessárias
são	o	amor	e	a	compaixão.
Edward	Bach
Três	dinâmicas	básicas	resultam	em	doenças	graves,	acidentes,	suicídios	e
homicídios	nas	famílias.
A	primeira	dinâmica	é	“eu	sigo	você”.	O	pai	morreu	prematuramente	e	o	filho
tem	a	necessidade	de	segui-lo	na	morte	e	no	seu	destino,	então	ele	diz	“eu	sigo
você”.	Ao	tornar-se	adulto	tem	os	seus	filhos	e	esses	filhos	notam	que	o	pai	tem
necessidade	de	seguir	alguém	na	morte,	acontecem	acidentes	banais	onde	a	vida
fica	em	risco,	intoxicações,	etc.
Aqui	acontece	a	segunda	dinâmica:	os	filhos	assumem	o	trabalho	para	o	pai,
então	diz:	“melhor	eu	do	que	você”;	ou:	“eu	vou	em	seu	lugar”.	No	Hospital
Erasto	Gaertner¹³	há	muitas	crianças	com	essas	dinâmicas,	fazendo	tudo	pelos
seus	pais;	elas	dizem	“queridos	pais,	eu	faço	tudo	por	vocês”.	Todas	as	crianças
amam	seus	pais	e	todos	os	pais	necessitam	dos	filhos.
A	terceira	dinâmica	é	a	expiação	de	uma	culpa.	Nesse	caso,	a	ideia	é	de	que,	por
meio	do	próprio	sofrimento,	com	a	própria	morte,	evita-se	a	morte	de	outra
pessoa.	Mas	a	compensação	só	é	válida	em	outro	nível,	no	nível	da	boa	culpa,
pois	a	boa	culpa	fortalece,	a	boa	culpa	atua	de	maneira	reconciliadora	para
aquele	que	causou	algum	dano	e	reparadora	para	aquele	que	sofreu	algum	dano.
A	“BOA	CULPA”
“Boa	culpa”	é	o	sentimento	de	se	ter	feito	algo	errado,	de	algo	que	ameaça	o
bem	estar,	a	harmonia,	o	equilíbrio,	a	ordem.	Este	sentimento	é	consciência	do
erro	e,	ao	mesmo	tempo,	consciência	do	que	deve	ser	feito	para	reparar	o	dano
causado.
A	DOENÇA	COMO	CAMINHO
Doenças	apenas	mostram	caminhos	onde	o	amor	foi	ferido.	Doenças,	mortes
precoces,	são	apenas	tentativas	da	alma	para	que	o	amor	volte	a	fluir.	A	doença
também	é	uma	expiação	pela	recusa	da	honra.	Triunfar	perante	os	pais	e	os
antepassados	custa	muito	mais	do	que	curvar-se	diante	deles.	No	caso	do	câncer,
por	exemplo,	podemos	ver	muitas	vezes	a	dinâmica	do	“eu	não	me	rendo”.	A
pessoa	não	consegue	se	curvar	diante	dos	pais.
Esta	dinâmica	também	é	vista	na	obesidade.	Ao	invés	de	dar	um	lugar	na	alma	a
uma	pessoa	que	rejeitam	ou	negam,	ingerem	algo	que	faz	engordar	e	adoecer.	Os
obesos	dão	a	essas	pessoas	um	lugar	em	sua	gordura	ao	invés	do	lugar	no
coração,	mesmo	que	isso	custe	a	sua	saúde,	a	sua	vida.
Portanto,	uma	doença	sempre	é	benéfica	para	a	alma.	Ela	sempre	tem	um
impulso	curativo.	As	doenças	graves	e	as	doenças	crônicas	mostram	que	naquela
família	existe	uma	urgência	do	destino.
Portanto,	a	paz	e	a	reconciliação	constituem	o	movimento	que	cura.	A	doença
sempre	pede	uma	mudança,	sempre.	Doenças	são	processos	de	cura	para	a	alma,
mesmo	que	o	corpo	físico	não	possa	se	recuperar,	a	alma	pode	ser	totalmente
curada,	pode	tornar-se	completa.
¹³	Hospital	localizado	na	cidade	de	Curitiba-PR-Brasil,	com	trabalho	voltado	ao
tratamento	clínico	e	cirúrgico	de	pessoas	com	doenças	oncológicas.
CAPÍTULO	XII
CONSTELAÇÕES	ORGANIZACIONAIS
Será	que	é	tempo
Que	lhe	falta	pra	perceber?
Será	que	temos	esse	tempo
Pra	perder?
E	quem	quer	saber?
A	vida	é	tão	rara
Tão	rara.
Lenine,	in:	Paciência
Podemos	ter	êxito	na	vida	quando	tomamos	completamente	o	nosso	pai	e	a	nossa
mãe.	Tomar	completamente	pai	e	mãe	significa	tomar	a	vida	que	eles
entregaram.	Tomar	a	vida	não	é	uma	teoria,	tomamos	a	vida	quando	a	nossa
presença	traz	alegria	e	quando	nos	alegramos	com	o	outro.	Muitas	vezes	o
insucesso	e	o	fracasso	constituem	um	modo	de	nos	mantermos	leais	ao	sistema,de	mantermos	o	pertencimento	vivendo	todos	no	insucesso,	no	menos.	O
sofrimento	dentro	de	um	sistema	é	uma	maneira	de	manter	a	sobrevivência	nele,
uma	forma	de	lealdade,	de	se	manter	pertencente.
O	que	acontece	se	tenho	êxito?	Quem	olha	para	mim	com	amor	se	tenho
sucesso?	Quem	se	sente	menos	a	partir	da	minha	prosperidade?	Torno-me	mais
ou	menos	quando	ganho	dinheiro?	O	êxito	na	profissão	depende	de	uma
sensação	de	êxito	na	vida.	E	a	sensação	básica	de	êxito	na	vida	vem	da	mãe.
Hellinger	fala	sobre	isto	no	livro	“Êxito	na	Vida,	Êxito	na	Profissão”.
Somente	a	mãe	pode	permitir	que	o	filho	sinta-se	poderoso	e	capaz,	que	o	filho
viva.	Somente	a	mãe	pode	permitir	que	o	filho	veja	o	pai,	que	o	filho	veja	o
outro,	portanto,	é	a	mãe	que	libera	o	caminho	para	o	sucesso,	porque	o	sucesso	é
o	pai.	E	o	que	leva	ao	sucesso	é	o	tempo.
Quem	honra	o	tempo	tem	sucesso!
O	tempo	é	a	moeda	mais	cara	que	existe,	a	mais	preciosa.	O	tempo	é	o	amor	da
mãe	e	quem	toma	o	amor	da	mãe	pode	tomar	o	sucesso.	Talvez	a	criança	que	foi
afastada	precocemente	de	sua	mãe,	ao	invés	de	querer	ir	para	o	trabalho,	pode
querer	ficar	dormindo.
Quem	muito	quer	dormir,	espera	e	precisa	do	amor	da	mãe.	Só	depois	que
tomamos	esse	amor	proveniente	da	mãe,	podemos	crescer,	nos	tornar	fortes	para
trabalhar.
O	primeiro	grande	êxito	na	vida	de	uma	pessoa	está	ligado	à	concepção,	à	união
entre	o	pai	e	a	mãe,	esta	é	a	primeira	experiência	de	parceria	de	uma	criança,	o
masculino	e	o	feminino	para	formar	um	ser.	Nenhum	melhor	que	o	outro,	ambos
necessários.	Essa	experiência	de	êxito	fica	armazenada	no	inconsciente.
Poucos	são	os	que	demonstram	um	estado	de	leveza	e	presença,	um	continuum
na	vida,	uma	alegria	inexplicável,	que	vivem	em	um	estado	de	graça.	Quem	vive
neste	estado,	tem	o	pai	e	a	mãe	em	si,	em	harmonia,	nenhum	mais	ou	menos	que
o	outro.
O	SEGUNDO	GRANDE	ÊXITO	ESTÁ	LIGADO	AO	NASCIMENTO.	Muitas
vezes	o	êxito	não	é	experimentado	durante	o	nascimento,	por	exemplo,	quando	o
bebê	vem	ao	mundo	por	meio	do	“auxílio”	de	uma	intervenção	cirúrgica
desnecessária	(cesárea)	ou	do	fórceps.	A	memória	dessa	experiência	fica
presente	na	profissão,	pois	a	relação	da	criança	com	a	sua	mãe	é	a	relação	da
pessoa	com	a	sua	profissão.	A	relação	da	criança	com	o	pai	é	a	relação	da	pessoa
com	o	sucesso.	Quando	olhamos	para	o	sucesso,	entre	nós	e	ele	sempre	está	o
pai	e	a	mãe.
Para	ter	sucesso	é	preciso	antes
se	reconciliar	com	o	pai	e	com	a	mãe.
UM	DOS	MODOS	DE	PUNIR	OS	PAIS	é	manter-se	sem	êxito,	é	fracassar.
Nada	preocupa	mais	os	pais	que	um	filho	fracassado,	doente	e	infeliz.	Portanto,
os	efeitos	da	reconciliação	com	o	pai	e	a	mãe	é	a	saúde,	felicidade	e
prosperidade.	Reconciliar	com	eles	não	é	considerar	certas	ou	erradas	as	suas
ideias,	reconciliar	com	eles	é	honrá-los.
Isso	é	uma	experiência	do	coração,	uma	experiência	sensorial,	uma	experiência
quase	que	de	conversão.	Não	os	honramos	por	suas	atitudes,	nem	porque	se
tornaram	pais	melhores,	honramos	porque	eles	nos	entregaram	a	vida,	e	somente
a	honra	é	capaz	de	demonstrar	gratidão	para	com	aqueles	que	nos	entregam	algo
tão	especial,	essencial:	a	vida.	Eles	nos	entregaram	a	vida,	portanto	não
disputamos	com	eles,	não	os	confrontamos	e	nem	os	tratamos	como	iguais	a	nós,
nós	os	honramos.	Permanecemos	humildes	perante	nossos	pais,	porque	com
todas	as	adversidades,	eles	nos	entregaram	a	vida	e	não	há	nada	maior	do	que
isso.
Quem	honra	os	pais	toma	a	bênção	essencial	e	depois	toma	todas	as	outras
bênçãos.	Não	existe	sucesso	“apesar	de	tudo”,	só	existe	sucesso	“a	partir	dos
pais”.
“Honra	a	teu	pai	e	a	tua	mãe	(que	é	o	primeiro
mandamento	com	promessa),	para	que	te	vá	bem,
e	sejas	de	longa	vida	sobre	a	terra.”
(Efésios	6:2-3).
CAPÍTULO	XIII
O	ÊXITO	ESSENCIAL
-	Somente	serve	quem	serve.	-
A	mim	ensinou-me	tudo.
Ensinou-me	a	olhar	para	as	cousas,
Aponta-me	todas	as	cousas	que	há	nas	flores.
Mostra-me	como	as	pedras	são	engraçadas
Quando	a	gente	as	tem	na	mão
E	olha	devagar	para	elas.
Fernando	Pessoa	–	O	Guardador	de	Rebanhos
QUAL	É	O	ÊXITO	ESSENCIAL	PARA	A	VIDA?
TRÊS	PRINCÍPIOS	SISTÊMICOS	atuam	na	vida,	nos	relacionamentos,	na
saúde	e	também	na	profissão.	Quando	nos	perguntamos	sobre	os	êxitos
essenciais,	olhamos	para	o	princípio	do	pertencimento,	para	o	que	precisa	ser
incluído	e	que,	ao	ser	incluído,	tudo	mais	surgirá.	Por	exemplo,	o	essencial	para
a	planta	é	a	terra,	os	nutrientes	e	a	água.	Tudo	mais	segue	a	isso.	Não	é	essencial
podar,	não	é	essencial	retirar	as	ervas	daninhas	do	entorno,	porque	elas	se
equilibram	por	si	só.	Primeiro	o	que	é	essencial;	este	é	um	dos	três	princípios
sistêmicos,	que	fala	sobre	a	precedência,	sobre	o	que	deve	vir	primeiro.	Quando
entendemos	que	para	o	êxito,	a	dedicação	e	o	empenho	são	fundamentais,
porém,	não	essenciais,	o	estresse	desaparece.	O	estresse	aponta	para	uma
dinâmica	de	violação	da	ordem,	substituindo	o	essencial	pelo	que	vem	em
seguida.
Os	estresses,	a	estafa,	apontam	também	para	uma	violação	do	princípio	da
compensação.	Esquecer	o	equilíbrio	entre	o	dar	e	o	receber:	oferecer	demais	ou
exigir	demais.	Sempre	que	surge	o	“demais”,	existe	o	desequilíbrio	entre	o	dar	e
o	receber.	Poderíamos	chamar	de	infelizes	aqueles	que	se	esqueceram	do
equilíbrio	entre	o	dar	e	o	receber.	Esqueceram	que	o	essencial	nós	tomamos	de
graça;	a	maior	felicidade	é	o	estado	de	graça.	Esse	é	o	estado	que	não	tem	preço,
que	não	é	consequência	de	nada.	De	graça	significa	“é	seu	porque	você	é”.
O	estado	de	bem-aventurança	abre	as	portas	para	todos	os	êxitos,	sendo	que
bem-aventurança	é	a	mãe,	todos	os	êxitos	é	o	pai.	Assim,	podemos	ver	os	três
princípios	sistêmicos	atuando	também	na	profissão.
Primeiro:	O	que	precisa	ser	incluído?	O	que	é	essencial,	o	que	é	necessário	ser
feito?
Segundo:	Como	estou	retribuindo	aquilo	que	recebo?	Sou	grato	ou	exigente?
Sou	pleno	ou	carente?	O	meu	trabalho	serve	a	quem?	O	meu	trabalho	serve	a
quê?	Ou	quero	que	o	meu	trabalho	me	sirva?
Terceiro:	Qual	é	o	lugar	que	o	trabalho	ocupa	na	minha	vida?	Eu	quero	tirar	dele
ou	oferecer	para	ele?	Eu	observo	meu	trabalho	como	algo	vivo?	Estou	a	serviço
dele	ou	ele	de	mim?	Como	eu	me	sinto	em	relação	ao	trabalho:	abençoado	ou
castigado?
Pense	por	um	momento:	tudo	o	que	existe	de	suporte	à	vida	neste	mundo	é	fruto
do	trabalho.	No	sentido	mais	básico	do	básico,	um	ser	humano	nativo	das
florestas	precisa	trabalhar,	no	mínimo	que	seja,	para	obter	o	alimento,	ter	abrigo
e	proteger	a	si	e	sua	prole.	Assim,	nossos	pais	nos	deram	a	vida	-	essencial	-	e	o
trabalho	a	sustenta	-	fundamental.	Logo,	depois	dos	nossos	pais,	devemos	ter	o
trabalho	em	elevada	honra.	Por	meio	dele	cumprimos	o	mais	elevado	propósito
que	cada	elemento	tem	dentro	do	sistema:	servir.	Sim,	cumpre	seu	propósito
aquele	que	está	a	serviço	da	vida.
Poderíamos	resumir	a	fórmula	para	o	êxito	em:	pertenço	ao	meu	trabalho,	eu
sirvo.
Ele	está	a	serviço	da	vida	e	eu	a	serviço	dele.
A	partir	do	estado	de	graça,	experimento	a	felicidade	e,	então,	o	sucesso	chega,
pois	a	felicidade	vem	antes	do	sucesso.	Quem	tem	felicidade	tem	êxito.
Podemos	pensar,	então,	que	qualquer	estudo,	qualquer	aperfeiçoamento	deveria
vir	em	função	de,	deveria	vir	para	que.	E	não	como	propósito	final.
O	essencial	é	servir	e	tudo	o	mais	deve	dar	suporte	a	isso.	Só	tem	sucesso	quem
serve.	Quem	não	serve	e	só	trabalha	não	tem	êxito.
PAUSA	POÉTICA
Convido	Khalil	Gibran	para	nos	apresentar	um	trecho	de	seu	livro	“O	Profeta”,
sobre	o	Trabalho:
Depois	um	operário	lhe	disse:	Fala-nos	do	Trabalho.
E	ele	respondeu,	dizendo:
Vós	trabalhais	para	poder	manter	a	paz	com	a	terra	e	a	alma	da	terra.
Pois	ser	ocioso	é	tornar-se	estranho	às	estações	e	ficar	afastado	da	procissão	da
vida	que	marcha	majestosamente	e	com	orgulhosa	submissão	em	direção	ao
infinito.
Quando	trabalhais	sois	uma	flauta	através	da	qual	o	sussurro	das	horas	se
transforma	em	música.
Qual	de	vós	quereria	ser	uma	cana	muda	e	silenciosa,	quando	tudo	o	resto	canta
em	uníssono?
Sempre	vos	disseram	que	o	trabalho	é	uma	maldição	e	o	labor	um	infortúnio.
Mas	eu	digo-vos	que	quando	trabalhaisestais	a	preencher	um	dos	sonhos	mais
importantes	da	terra,	que	vos	foi	destinado	quando	esse	sonho	nasceu,	e	quando
vos	ligais	ao	trabalho	estais	verdadeiramente	a	amar	a	vida,	e	amar	a	vida
através	do	trabalho	é	ter	intimidade	com	o	segredo	mais	secreto	da	vida.
Mas	se	na	dor	chamais	ao	nascimento	uma	provação	e	à	manutenção	da	carne
uma	maldição	gravada	na	vossa	fronte,	então	vos	digo	que	nada,	exceto	o	suor
na	vossa	fronte,	apagará	aquilo	que	está	escrito.
Também	vos	foi	dito	que	a	vida	é	escuridão,	e	no	vosso	cansaço	fazeis-vos	eco
de	tudo	o	que	os	cansados	vos	disseram.
E	eu	digo	que	a	vida	é	mesmo	escuridão	exceto	quando	existe	necessidade,	e
toda	a	necessidade	é	cega	exceto	quando	existe	sabedoria.
E	toda	a	sabedoria	é	vã	exceto	quando	existe	trabalho,	e	todo	o	trabalho	é	vazio
exceto	se	houver	amor;	e	quando	trabalhais	com	amor	estais	a	ligar-vos	a	vós
mesmos,	e	uns	aos	outros,	e	a	Deus.
E	o	que	é	trabalhar	com	amor?
É	tecer	o	pano	com	fios	arrancados	do	vosso	coração,	como	se	os	vossos	bem
amados	fossem	usar	esse	pano.
É	construir	uma	casa	com	afeto,	como	se	os	vossos	bem	amados	fossem	viver
nessa	casa.
É	semear	sementes	com	ternura	e	fazer	a	colheita	com	alegria,	como	se	os
vossos	bem	amados	fossem	comer	a	fruta.
É	dar	a	todas	as	coisas	um	sopro	do	vosso	espírito,	e	saber	que	todos	os
abençoados	defuntos	estão	à	vossa	volta	a	observar-vos.
Muitas	vezes	vos	ouvi	dizer,	como	se	estivésseis	a	falar	durante	o	sono,	“Aquele
que	trabalha	o	mármore	e	encontra	na	pedra	a	forma	da	sua	própria	alma	é
mais	nobre	do	que	aquele	que	trabalha	a	terra.
E	aquele	que	agarra	o	arco-íris	para	o	colocar	numa	tela	à	semelhança	do
homem,	é	mais	do	que	aquele	que	faz	as	sandálias	para	os	nossos	pés.”
Mas	eu	digo,	não	no	sono,	mas	no	despertar,	que	o	vento	não	fala	mais
docemente	com	o	carvalho	gigante	do	que	com	a	mais	ínfima	erva;	e	é	grande
aquele	que,	sozinho,	transforma	a	voz	do	vento	numa	canção	tornada	doce	pelo
seu	amor.
O	trabalho	é	o	amor	tornado	visível.
E	se	não	sabeis	trabalhar	com	amor	mas	com	desagrado,	é	melhor	deixardes	o
trabalho	e	sentar-vos	à	porta	do	templo	a	pedir	esmola	àqueles	que	trabalham
com	alegria.
Pois	se	fizerdes	o	pão	com	indiferença,	estareis	a	fazer	um	pão	tão	amargo	que
só	saciará	metade	da	fome.
E	se	esmagardes	as	uvas	de	má	vontade,	essa	má	vontade	contaminará	o	vinho
com	veneno.
E	se	cantardes	como	anjos	mas	não	apreciardes	os	cânticos,	estareis	a
ensurdecedor	os	ouvidos	do	homem	às	vozes	do	dia	e	às	vozes	da	noite.
(GIBRAN,	1975,	p.	23)
CAPÍTULO	XIV
OS	DOIS	SUCESSOS
-	só	aquele	que	está	reconciliado
com	os	pais	pode	tomar	o	sucesso	−
Tecendo	a	Manhã
Um	galo	sozinho	não	tece	uma	manhã:
ele	precisará	sempre	de	outros	galos.
De	um	que	apanhe	esse	grito	que	ele
e	o	lance	a	outro;	de	um	outro	galo
(…)
para	que	a	manhã,	desde	uma	teia	tênue,
se	vá	tecendo,	entre	todos	os	galos.
João	Cabral	de	Melo	Neto
TEMOS	DOIS	TIPOS	DE	SUCESSO.
O	primeiro	é	construído	a	partir	da	necessidade	do	ego,	a	partir	do	medo,	da
escassez,	a	partir	da	dinâmica	“apesar	de”,	da	violação	da	ordem,	independente
da	bênção	dos	pais	e	antepassados.	São	sucessos	construídos	a	partir	de
emaranhamentos.	Quando	a	noite	escura	da	alma	se	apresenta	para	esses,	ela
vem	na	forma	de	um	grande	vazio,	de	uma	necessidade	de	graça,	de	bem-
aventurança.
Normalmente	acompanha	esse	sucesso	a	depressão,	ou	certa	sensação	de
melancolia,	vazio.	Se	a	pessoa	consegue	escutar	a	voz	do	coração	e	se	deixa
guiar	pela	pequena	luz	que	existe	na	noite	escura,	torna	completo	algo	e	assim
surge	um	novo	sucesso.	Às	vezes,	deixa	uma	determinada	profissão,	trabalho,
modifica	completamente	a	vida.
O	segundo	tipo	de	sucesso	é	originado	a	partir	de	uma	sensação	de	servir,	a	partir
do	espírito.	Esse	sucesso	geralmente	é	reconhecido	pela	prosperidade,	mas
também	por	uma	paz	profunda.	Quem	tem	esse	sucesso	geralmente	é
considerado	não	só	bem	sucedido,	como	também	uma	pessoa	sábia	e	generosa,
sempre	tem	uma	mão	estendida	para	ajudar.
Atuam	no	âmbito	da	política	as	dinâmicas	profundas	de	sobrevivência,	de
explorador	e	explorado,	de	perseguidor	e	de	vítima.	O	poder	da	política	não	é	um
poder	da	alma,	é	um	poder	rodeado	de	perigos.	É	um	poder	onde	se	têm	aliados	e
adversários.	É	um	poder	cuja	dinâmica	é	“dormir	com	o	inimigo”.	É	um	poder
que	demanda	estar	à	espreita	do	perigo,	de	estar	atento	ao	perpetrador	e	à	vítima.
O	poder	de	fazer	o	bem	vai	além	da	política.	Aqueles	que	realmente	querem
fazer	o	bem	e	estão	livres	para	isso,	o	fazem	à	revelia	das	eleições,	pois	sabem-
se	eleitos	pela	vida	para	servir.	São	pessoas	como	Ghandi¹⁴,	Madre	Teresa¹⁵,
Muhammad	Yunus¹ .	O	poder	da	política	sempre	envolve	ameaças,	o	outro	poder
-	o	de	fazer	o	bem	-	inclui	sempre	uma	sensação	de	profunda	confiança,	em	ter	o
suficiente,	pertencimento	e	segurança.
O	trabalho	está	em	primeiro	lugar	e	em	segundo	lugar	está	a	profissão,	pois	o
trabalho	serve	à	profissão.	Algumas	pessoas	dizem:	“vou	fazendo	esse	trabalho
aqui	e	acolá	até	que	eu	possa	me	dedicar	à	profissão	que	eu	quero”.	Portanto,	o
trabalho	vem	em	primeiro	lugar;	sem	o	trabalho	não	há	proventos	necessários	ao
sustento	da	vida.	O	trabalho	está	a	serviço	da	vida	e	da	família,	inclusive	do
descanso,	do	estar	com	a	família.
Quem	é	bem	sucedido	tem	uma	família	que	olha	o	seu	trabalho	com	amor.	Quem
é	bem	sucedido	inclui	o	trabalho	junto	à	sua	família.	Quando	o	trabalho	se
sobrepõe,	se	sobressai,	deixando	a	família	em	segundo	plano	ao	invés	de	estar	a
serviço	dela,	esse	trabalho	não	gera	sucesso.
O	lugar	certo,	a	ordem	certa	é:	em	primeiro	lugar	o	trabalho	servindo	à	vida.
Esta	é	a	ordem,	a	vida	não	gira	em	torno	do	trabalho,	é	o	trabalho	que	serve	à
vida,	que	flui	a	partir	da	vida.	Então	o	trabalho	serve	também	à	profissão,	à
realização,	à	alegria	e	ao	êxtase.
A	realização	no	trabalho,	o	sucesso	verdadeiro,	cria	uma	sensação	de	paz
profunda	e	ao	mesmo	tempo	de	entusiasmo.
O	sucesso	é	resultado	da	atitude	de	olhar	para	o	essencial.	Aquele	que	é	bem
sucedido	sabe,	mantém	em	foco	o	essencial,	essa	é	a	ordem.	Honrar	o	trabalho
gera	êxito.	Em	uma	organização,	em	uma	empresa,	o	trabalho	é	realizado	por
pessoas,	por	isso	o	líder	mais	bem	sucedido	é	aquele	que	serve.	Ele	serve	às
pessoas	para	que	elas,	junto	com	ele,	sirvam	ao	propósito,	à	missão	da	empresa.
Portanto,	a	função	de	um	líder	é	“criar	condições	para”.	Essa	também	é	a	função
dos	indivíduos	dentro	dos	seus	sistemas.
Os	pais	bem	sucedidos	criam	condições	para	seus	filhos	alcançarem	suas	metas	e
finalmente	realizar	um	propósito.	O	propósito	em	uma	família	é	a	felicidade,
consequência	de	uma	vida	com	sentido.	A	felicidade	em	uma	família	equivale	ao
lucro	nas	organizações.
O	lucro	está	a	serviço	da	vida	assim	como	a	felicidade.	O	lucro	justo	significa
“eu	ofereci	algo	valioso	e	recebo	um	tanto	mais	por	isso”.	A	partir	do	lucro	todos
ganham,	a	vida	se	sustenta,	seguindo	adiante	com	segurança.	Portanto,	uma
empresa	é	algo	sagrado	porque	ela	organiza	o	trabalho	que	sustenta	vidas.	É	algo
vivo,	é	sempre	mais	do	que	a	soma	dos	seus	proprietários,	colaboradores,
clientes	e	produto,	é	um	organismo	vivo.
Poderíamos	observar	o	dinheiro	como	sendo	a	representação	desse	lucro;	por
meio	dele	declaramos	que	podemos	seguir	adiante,	podemos	cuidar	da	vida.	O
dinheiro	é	uma	energia	viva.	Quem	não	está	reconciliado	com	seus	pais,	não	fica
satisfeito	com	nenhuma	quantia	de	dinheiro.	Quem	está	reconciliado	com	os	pais
percebe	que	o	dinheiro	flui	naturalmente.	Estar	reconciliado	com	os	pais
significa	também	estar	reconciliado	com	os	irmãos,	não	existe	“me	dou	bem
somente	com	os	meus	pais”.	As	exceções	no	amor	são	exclusões,	são	dívidas.
Quando	devemos	muito	não	podemos	ir	adiante.	Só	vamos	para	adiante	quando
somos	credores,	quando	temos	crédito.	Essa	dinâmica	também	atua	no	trabalho.
Já	observaram	que	os	melhores	líderes	são	aqueles	que	estão	em	paz	com	suas
mães?	Quem	está	em	paz	com	a	mãe	lidera	naturalmente.	Dificuldades	de
relacionamento	com	irmãos	se	refletem	em	dificuldades	de	relacionamentos	com
seus	pares,	e	assim	pordiante.
A	fartura	do	leite	para	o	bebê	no	seio	da	sua	mãe	e,	ao	mesmo	tempo,	o
movimento	essencial	da	sucção,	gera	uma	certeza	de	que	o	sucesso	flui
naturalmente.	Sendo	assim,	a	prosperidade	é	uma	condição	natural	da	dedicação.
A	ordem	do	sucesso	é	primeiro	tomar	os	pais,	segundo	estar	a	serviço	da	vida	e
terceiro	confiar	que	é	de	graça,	ou	seja,	pela	gratuidade	de	uma	fonte	infinita.
Como	assim?	Bem,	o	ar	que	respiramos	e	o	calor	do	Sol	que	torna	possível	a
vida	neste	planeta,	não	vêm	em	uma	fatura	para	nós	no	final	do	mês,	certo?	E
todos	recebem	estas	dádivas	independente	do	mérito.	Por	isso	é	de	graça!
O	trabalho	é	um	meio	para	servir	a	vida;	portanto,	o	trabalho	sempre	está	em
primeiro	lugar,	sem	ele	a	vida	perece,	porém	ele	só	faz	sentido	se	estiver	a
serviço	da	vida.	A	serviço	do	que	na	vida?	Podemos	nos	perguntar.	Acima	de
tudo,	a	serviço	de	sustentar	a	vida.	Constatamos	sempre,	mesmo	em	famílias
numerosas,	que	o	trabalho	sempre	foi	suficiente	para	sustentar	todas	as	vidas,
muitas	vezes	como	um	milagre,	para	prover	o	suficiente	para	que	a	vida	siga
adiante.	Diferente	dos	outros	objetivos	para	os	quais	muitas	vezes	a	renda	do
trabalho	é	insuficiente,	o	trabalho	sempre	é	generoso	e	farto,	pois	quem	deseja
prosperidade	precisa,	antes	de	tudo,	encontrar	uma	causa	para	a	qual	se	dê	com
gratuidade,	e	a	maior	causa	é	a	vida.
Honra	o	trabalho	aquele	que,	de	graça,	oferece	o	seu	talento	às	tarefas	diárias.
Aquele	que,	generosamente,	se	dedica	ao	trabalho,	a	vida	retribui.	Retribui	com
bênçãos	e	milagres.	Aquele	que	busca	oferecer	somente	na	medida	em	que
recebe,	cria	escassez.	O	trabalho	é	a	dedicação	à	vida	e	por	meio	dele	a	vida
pode	seguir	adiante.	Quem	honra	o	trabalho,	honra	a	vida.	Portanto,	só	aquele
que	está	reconciliado	com	os	pais	pode	tomar	o	sucesso;	quando	estamos
reconciliados	com	nossos	pais	nos	alegramos	que	eles	se	orgulhem	de	nós.
Quando	o	vínculo	do	amor	com	os	pais	está	interrompido	causamos	dor,	e	não
existe	dor	maior	para	os	pais	do	que	o	fracasso	dos	filhos.	Há	três	modos	de
fracassar:	a	pobreza,	a	tristeza	e	a	doença.
Para	ter	sucesso	é	preciso	tornar-se	adulto,	porque	somente	o	adulto	é	capaz	de
fazer	o	que	é	necessário.	O	insucesso	muitas	vezes	carrega	a	dinâmica	“querido
papai	eu	fico	esperando	você”.	A	infelicidade	muitas	vezes	carrega	a	dinâmica
“querida	mamãe	eu	continuo	esperando	você”.	O	sucesso	tem	a	dinâmica
“querido	papai	e	mamãe,	obrigado”	e	esse	movimento	é,	principalmente,	voltado
para	a	mãe.	O	dinheiro	carrega	a	dinâmica	do	amor	do	pai,	e	o	tempo,	a	moeda
mais	preciosa,	o	amor	da	mãe.	Portanto,	quem	aproveita	bem	o	tempo	e	usufrui
do	dinheiro,	honra	os	pais.	Quem	tem	tempo	ocioso	diz	“eu	tomo	menos	o	amor
da	mãe”.	Quem	desperdiça	o	tempo	internamente	diz	“não	me	importo	com	o
seu	amor”.	O	mesmo	vale	para	o	dinheiro.	A	profissão	é	a	mãe	e	o	dinheiro	é	pai.
Por	meio	da	profissão	o	dinheiro	chega,	a	profissão	quando	é	honrada	libera	a
prosperidade.
O	conhecimento	está	a	serviço	da	profissão	e	toda	a	profissão	precisa	do	suporte
do	conhecimento.	Todo	aquele	que	é	reconciliado	com	seus	pais	gosta	mais	da
sua	profissão.	E	um	dos	sinais	de	reconciliação	com	os	pais	é	a	fome	do
conhecimento.	Quem	não	gosta	de	estudar	quer	morrer.	A	criança	pequena	que
não	quer	ir	para	a	escola	quer	morrer.	Quem	toma	o	conhecimento	toma	a	vida.
¹⁴	Mohandas	Karamchand	Gandhi,	mais	conhecido	popularmente	por	Mahatma
Gandhi	(do	sânscrito	“Mahatma”,	“A	Grande	Alma”)	foi	o	idealizador	e
fundador	do	moderno	Estado	indiano	e	o	maior	defensor	do	Satyagraha
(princípio	da	não	agressão,	forma	não	violenta	de	protesto)	como	um	meio	de
revolução.
¹⁵	Madre	Teresa	de	Calcutá.	Missionária	católica	de	etnia	albanesa,	nascida	na
capital	da	atual	República	da	Macedônia	e	naturalizada	indiana,	beatificada	pela
Igreja	Católica	em	2003.	Considerada,	por	alguns,	a	missionária	do	século	XX,
fundou	a	congregação	“Missionárias	da	Caridade”,	tornando-se	conhecida	ainda
em	vida	pelo	cognome	de	“Santa	das	sarjetas”.
¹ 	Muhammad	Yunus.	Em	2006	ganhou	o	prêmio	Nobel	da	Paz.	Autor	do	livro
“O	banqueiro	dos	pobres”.
CAPÍTULO	XV
O	QUE	ESTÁ	A	SERVIÇO	DA	VIDA
Quem	está	reconciliado	com	os	pais
segue	naturalmente	o	curso	da	vida;
o	curso	natural	da	vida	é	o	êxito
sempre	fortalecido	pelos	obstáculos.
“É	comum	a	gente	sonhar,	eu	sei,
quando	vem	o	entardecer
Pois	eu	também	dei	de	sonhar
um	sonho	lindo	de	morrer
Vejo	um	berço	e	nele	eu	me	debruçar
com	o	pranto	a	me	correr
E	assim	chorando	acalentar	o	filho	que	eu	quero	ter
Dorme,	meu	pequenininho,
dorme	que	a	noite	já	vem.”
Toquinho,	in:	O	filho	que	eu	quero	ter.
O	QUE	É	O	SUCESSO?
Sucesso	é	tudo	o	que	está	a	serviço	da	vida,	é	tudo	o	que	sustenta	a	vida.	O
maior	sucesso	é	passar	a	vida	adiante,	o	segundo	sucesso	é	sustentar	essa	vida.
Portanto,	o	trabalho	ocupa	o	primeiro	lugar	porque	sem	ele	a	vida	não	segue
adiante.	Trabalhar	significa	estar	em	movimento,	conectado	com	um	propósito	e
tomar	os	efeitos	disso,	desse	movimento.	Trabalhar	significa	movimentar-se
junto	com,	em	direção	de,	para	quê.	Portanto,	o	sucesso	é	conquistado	com	o
outro,	em	sintonia	com	o	outro	e	com	o	propósito.
A	primeira	sintonia	acontece	quando	o	pai	e	a	mãe	se	alegram	com	o	filho
exatamente	como	o	filho	é.
A	partir	dessa	alegria	os	pais	podem	considerar	o	seu	trabalho	um	sucesso;
somente	a	partir	dessa	alegria	os	pais	podem	perceber	o	filho,	tudo	o	que	ele
carrega.	Assim,	é	possível	apoiá-lo	para	que	obtenha	êxito	na	vida.	Aqueles	que
percebem	a	alegria	dos	pais	para	com	sua	vida,	caminham	com	passos	firmes.	A
dificuldade	com	o	êxito	significa	dificuldade	básica	em	sentir-se	aprovado	pelos
pais.	Honrar	os	pais	é	o	caminho	do	adulto	para	o	sucesso.	Alegrar-se	com	o
outro	é	uma	condição	natural	do	amor	do	coração.	Todo	adulto	tem	a
oportunidade	do	êxito	porque	todo	adulto	pode	abrir	o	coração	para	os	seus	pais.
Isso	é	feito	a	partir	do	movimento	do	espírito,	do	sensorial,	do	coração,	onde	não
há	nem	tempo	e	nem	espaço,	onde	tudo	é	agora,	e	então,	podemos	ir	até	os
nossos	bisavós	e	dizer	a	eles:	“obrigado	pelos	pais	dos	meus	pais,	eles	são	certos
para	mim”.	Quando	vou	até	os	meus	avós	e	digo	a	eles:	“obrigado	pelos	meus
pais”	e	quando	vou	até	meus	pais	e	ofereço	flores	e	digo:	“eu	me	alegro	com	a
vida,	obrigado”.
Assim,	a	alegria	que	ficou	esperando	pode	finalmente	se	realizar.	Esta	é	uma
experiência	que	espera	acontecer	intensamente	quando	um	bebê	nasce.	Quando
os	pais	podem	olhar	a	criança	que	procura	o	olhar	desses	pais	e	pode	ouvir	deles,
saber	deles,	que	eles	se	alegram	com	algo.	Porém	muitas	vezes	essa	experiência
é	interrompida.	O	indivíduo	permanece	infantilizado,	criança,	esperando	se
sentir	certo,	certo	em	tudo,	para	que	algo	se	complete.	No	lugar	certo,	na	hora
certa,	com	as	pessoas	certas.	É	um	longo	caminho	de	volta	para	casa.
Dentro	dos	sistemas,	o	micro	repete	o	macro.
Quem	procura	a	profissão	certa,	por	exemplo,	procura	a	sua	origem,	procura	a
sua	família	de	origem.
Quem	está	feliz,	reconciliado	com	a	mãe,	lidera.
Quem	está	reconciliado	com	o	pai	sabe	ganhar	dinheiro.
Quem	está	reconciliado	com	a	mãe	pode	prosperar.
Por	isso	o	êxito	significa	“primeiro	o	que	vem	primeiro”.
Tem	êxito	aquele	que	sabe	ordenar	e	se	submete	à	ordem.	E	o	que	vem	primeiro
é	reconciliar-se	com	o	pai	e	com	a	mãe.	Os	sinais	de	reconciliação	são:	ânimo,
energia,	criatividade,	tolerância,	serenidade,	alegria,	disponibilidade,
generosidade	e	gratuidade.
Quem	está	reconciliado	com	os	pais	segue	naturalmente	o	curso	da	vida;	o	curso
natural	da	vida	é	o	êxito	sempre	fortalecido	pelos	obstáculos.
Os	obstáculos	são	aliados	do	êxito,	sempre	estão	a	serviço	do	êxito.	Assim	como
ser	“espremido”	durante	o	nascimento,	ao	passar	pelo	canal	do	parto,	é
fundamental	para	a	respiração	do	bebê.	Quando	não	respeitamos	obstáculos,
criamos	problemas.
CAPÍTULO	XVI
TEM	UMA	ESCOLA	NO	MEIO	DO	CAMINHO	(PARA	O
SUCESSO)
Quando	a	escola	tem	um	bom	lugar	no	coração	da	família,	a	criança	ao	crescer,
estará	em	paz	no	mundo	do	trabalho.
Não	se	tratam	só	de	prédios,	salas,	quadros,
Programas,horários,	conceitos…
Escola	é,	sobretudo,	gente
Gente	que	trabalha,	que	estuda
Que	alegra,	se	conhece,	se	estima.
Paulo	Freire
Quando	a	escola	tem	um	bom	lugar	no	coração	da	família,	a	criança	ao	crescer,
estará	em	paz	no	mundo	do	trabalho.
Quando	a	escola	tem	dificuldade	de	ver	a	criança	e	tudo	o	que	ela	traz,	cria-se
uma	oposição	à	escola,	o	que,	posteriormente,	refletirá	em	uma	oposição	ao
mundo	do	trabalho.
O	mundo	do	trabalho	é	representado	pela	empresa.	Portanto,	o	movimento
sindical	começa	em	um	movimento	de	exclusão	da	escola	para	com	o	indivíduo.
Neste	contexto,	tornar-se	sindicalista	significa	“precisamos	ser	vistos,
precisamos	de	justiça”.
Contudo,	é	um	movimento	a	partir	da	dor	que	recria	a	dor.	É	uma	criança
chamando	em	um	choro	coletivo	“me	dê	o	meu	lugar,	olhe	para	mim”,	isso	é	o
que	acontece	numa	passeata,	num	protesto.	Normalmente	as	injustiças
permanecem	e	acontecem	ali	também.
Muitas	vezes,	assim	como	a	escola	violou	o	pertencimento,	o	empregador,	a
empresa,	o	colaborador,	o	funcionário,	violam	o	equilíbrio	entre	o	dar	e	o
receber.
Aprendemos	a	honrar	os	líderes	quando	nos	sentimos	honrados	por	meio	do
servir	gratuito	de	nossos	pais	e	primeiros	professores.
Aquele	que	sente	que	foi	servido	e	cuidado	de	forma	gratuita	e	generosa	pelos
seus	pais,	ou	por	outras	pessoas,	avós,	tios,	primeiros	professores,	sabe	respeitar
os	líderes	e	a	liderança,	trata-se	de	um	processo	natural.
CAPÍTULO	XVII
O	ÊXITO	NA	ROTINA
-	Rotina	é	mãe.	–
Só	quieto.
Nossa	mãe	era	quem	regia,
e	que	ralhava	no	diário	com	a	gente
—	minha	irmã,	meu	irmão	e	eu.
Guimarães	Rosa	–	A	Terceira	Margem	do	Rio
Rotina	significa	ordem.	A	partir	da	ordem	é	possível	segurança	para	prosseguir.
Quem	está	em	paz	com	a	rotina	está	em	paz	com	sua	mãe.	As	tarefas	da	rotina
representam	o	pai.	Rotina,	repetição,	disciplina	é	a	mãe.	Nada	demanda	mais
presença	do	que	a	rotina;	por	meio	da	rotina,	do	cotidiano,	podemos	servir	e
descobrir	quem	somos.	Somente	diante	da	mãe	podemos	descobrir	quem	somos.
Por	isso	a	rotina	é	tão	desafiante	para	muitos.
Quando	o	vínculo	de	amor	com	a	mãe	está	interrompido,	a	rotina	é	insuportável,
as	coisas	simples	do	cotidiano	são	enfadonhas.	Só	a	mãe	libera	o	caminho	do
amor	em	direção	ao	pai.	Portanto,	quem	tem	dificuldades	com	a	rotina
dificilmente	está	feliz	com	a	profissão,	com	o	trabalho.
Rotina	significa	amor	de	mãe.	Nela	nos	sentimos	seguros	e	livres	para
manifestarmos	os	nossos	talentos.	Quem	tem	dificuldades	com	a	rotina	também
tem	dificuldades	com	a	profissão.	Rotina	significa	“sim,	eu	sirvo”.	Dentro	da
ordem	e	do	rotineiro	estamos	amparados	e	seguros	para	crescer,	para	manifestar
os	nossos	dons	e	os	nossos	talentos,	para	servir.	A	dificuldade	com	a	rotina
revela	a	dificuldade	com	a	ordem	e	dificuldades	com	a	ordem	se	revelam
também	em	relação	ao	dinheiro.
A	equação	é:	dificuldade	com	rotina	=	violação	da	ordem	+	ausência	da	figura	da
mãe	+	ausência	da	figura	do	pai.	Tudo	isso	é	igual	a	menos	saúde,	menos	alegria
e	menos	prosperidade.	Todo	aquele	que	prospera,	que	é	saudável	e	feliz,	se
submete	a	uma	rotina	muito	simples	e	disciplinada.	E	simples	aqui	significa	o
certo,	o	necessário	para	cumprir	um	propósito.	E	o	propósito	da	rotina	é	sempre
nos	proteger	e	amparar	para,	fortalecidos	e	seguros,	podermos	crescer	e	servir	à
vida.
E	esse	é	o	mesmo	papel	da	mãe.	Durante	a	gestação	seu	corpo	segue	uma	rotina
rigorosa	e	assim	podemos	tomar	a	vida.	Quem	está	em	paz	com	a	rotina,
internamente	tem	uma	frase	“sim,	querida	mamãe”.	E	quem	diz	sim	para	a	mãe,
diz	também	sim	para	o	pai;	sem	pai	não	existe	mãe.	Portanto,	quem	está	em	paz
com	a	rotina,	está	em	paz	com	o	trabalho	e	com	o	sucesso,	com	a	mãe	e	com	o
pai.
Rotina	significa	alegria	de	vida.
Quem	se	cansa	com	a	rotina	ainda	precisa	admirar-se	com	a	mãe,	precisa	tomar
as	bênçãos	da	mãe.	Desprezamos	a	rotina	porque	nos	esquecemos	de	honrar	a
mãe.
Os	irmãos	representam	aqueles	que	carregam	conosco.	Os	irmãos	são	uns	para
os	outros,	apoio	e	fortalecimento	para	realizar	a	tarefa	essencial	daquele	sistema.
Com	irmãos	podemos	dizer:	“tudo	é	mais	fácil,	tudo	é	possível	porque	você	está
comigo	e	eu	estou	com	você”.
Quando	uma	criança	quer	um	irmão	ela	quer	saber:	“eu	realmente	sou	uma
bênção	para	você?”,	“você	tomaria	novamente	o	meu	pai?”,	“você	tomaria
novamente	a	minha	mãe?”,	“você	concorda	realmente	que	eu	seja?”,	“você
realmente	me	entregaria	a	vida?”
Os	irmãos	ensinam	a	importância	de	compartilhar	e	de	colaborar,	de	trabalhar
juntos,	do	trabalho	em	equipe.
CAPÍTULO	XVIII
POR	QUE	ISSO	ACONTECE	COMIGO?	-
TEMAS	EXISTENCIAIS
-	oportunidade	de	tomar	algo	novo	na	vida	−
“Cheguei	à	janela
Porque	ouvi	cantar.
É	um	cego	e	a	guitarra
Que	estão	a	chorar.”
Fernando	Pessoa,
in:	O	cego	e	a	guitarra¹⁷
Uma	crise	existencial	quer	dizer	oportunidade	existencial.	Quando	se	percebe
que	além	do	perigo,	ali	também	mora	uma	grande	oportunidade,	acontece	o	que
chamamos	de	salto	quântico.
Uma	crise	existencial	é	uma	oportunidade	de	tomar	algo	novo	na	vida,	de	iniciar
um	novo	vórtice	na	espiral;	sofrimento	significa	o	encontro	de	duas	forças.	Uma
crise	existencial	também	é	o	futuro	convidando	a	ser	novo	e	a	deixar	o	conforto
do	que	já	é	conhecido.	O	encontro	dessas	duas	forças	faz	surgir	o	novo,	e	novo
aqui	significa	menos	emaranhado,	também	significa	mais	livre,	também	significa
reconciliado.
É	uma	oportunidade	para	nos	tornamos	mais	amorosos,	confiantes,	criativos	e,
principalmente,	mais	compassivos.	Se	após	uma	crise	existencial	o	nível	de
compaixão	permanecer	o	mesmo	ou	menor	que	antes,	foi	realmente	uma
oportunidade	desperdiçada	pelo	livre	arbítrio.
O	indivíduo	pode,	a	partir	de	uma	crise,	tornar-se	mais	sábio	ou	mais	amargo.	E
só	é	possível	experimentar	como	uma	oportunidade	as	dores	da	vida,	por	meio
do	conhecimento.	Para	atravessar	crises,	para	atravessar	a	noite	escura,	é	preciso
uma	luz,	e	a	luz	é	o	conhecimento.	Quem	entra	em	uma	crise	existencial	é
naturalmente	matriculado	em	uma	classe	e,	por	meio	do	conhecimento,	poderá
sair	dela	um	novo	ser.
É	o	Jonas	e	sua	experiência	a	partir	da	barriga	do	grande	peixe¹⁸.
Uma	crise	é	entrar	novamente	naquele	ventre	e	deixar-se	conduzir	por	algo
maior.	Uma	crise	não	mata	ninguém,	porém	um	indivíduo	pode	ficar	exausto	se
não	compreender	que	não	há	nada	a	fazer	para	sair	da	barriga	do	peixe.	Um	novo
ser	que	nasce	ou	não.	E	a	isso	chamamos	trauma	ou	ainda	Síndrome	do	Estresse
Pós-Traumático.	Quem	esquece	que	pode	transformar	crises	em	oportunidades,
geralmente	desenvolve	essa	síndrome,	que	nada	mais	é	do	que	a	consequência	de
não	se	deixar	conduzir	pela	barriga	do	peixe,	de	lutar	contra	ela.
BRITADEIRA,	VINAGRE	OU	VINHO?
A	vida	está	mais	para	uma	britadeira,	ou	você	sai	dela	polido,	ou	despedaçado,
dizia	Elizabeth	Kluber	Ross.	Ou,	como	sempre	diz	meu	amigo,	Bernhard	Joseph
Lenz:	“com	o	passar	dos	dias	podemos	nos	transformar	em	vinagre	ou	em	um
vinho	raro,	saboroso	e	de	muito	valor”.	Depende	de	nossa	atenção.
¹⁷	Fonte:	http://www.releituras.com/fpessoa_cego.asp.	Acesso:	08/03/2015
¹⁸	Metáfora	relacionada	a	uma	passagem	bíblica	do	Antigo	Testamento.
CAPÍTULO	XIX
BÊNÇÃOS	INESPERADAS
-	ou	a	vida	trabalhando	em	sintonia	com	algo	maior	–
Não	sei	se	a	vida	é	curta	ou	longa	para	nós,
mas	sei	que	nada	do	que	vivemos	tem	sentido,
se	não	tocarmos	o	coração	das	pessoas.
Cora	Coralina
Porque	coisas	ruins	acontecem	com	pessoas	boas?
Porque	acontecem	situações	corriqueiras	que	contrariam	a	realização,	os
objetivos,	o	bom	andamento	das	coisas?
As	coisas	ruins,	estas	situações	sem	importância	coletiva,	poderiam	ser
chamadas	de	frustrações	das	nossas	expectativas.	Quando	a	realidade	não	condiz
com	as	nossas	ideias,	chamamos	os	resultados	de	“coisas	ruins”:	uma	perda	no
mercado	de	ações,	reprova	em	um	concurso,	frustração	em	um	negócio.
Quando	observamos	que	uma	pessoa	boa	está	passando	por	“coisas	ruins”,
geralmente	oferecemos	um	tipo	de	piedade,	oferecemos	a	má	percepção	que
impede	essa	pessoa	de	aproveitar	a	riqueza	de	sua	vida.
Essas	tais	“coisas	ruins”	não	existem.Existem	bênçãos	inesperadas,	bênçãos	que
não	correspondem	à	nossa	ideia	de	uma	vida	romântica.	Toda	vez	que	“uma
coisa	ruim	acontece	a	uma	pessoa	boa”,	tem	ali	um	convite	para	o
amadurecimento,	para	alcançar	um	novo	nível	de	consciência.
Por	meio	desses	aparentes	obstáculos,	aprendemos	o	que	jamais	seria	ensinado
em	uma	escola.	Temos	a	grande	possibilidade	de	nos	elevarmos	da	condição
mediana	para	a	condição	extraordinária,	do	medíocre	para	o	sábio.	Alguns
desperdiçam	essas	oportunidades	ímpares,	assumindo	a	condição	de	vítima.
As	“coisas	ruins”	são	oportunidades	extraordinárias	de	reconhecer-se.
Reconhecer	habilidades	e	talentos	ainda	não	experimentados.	Não	existem
vítimas,	existem	pessoas	privilegiadas.	Indivíduos	que	são	chamados	ao	mais,
que	são	chamados	ao	exercício	de	um	bem	um	pouco	maior.	São	apenas	convites
para	despertar,	despertar	o	essencial	que	vai	conduzir	a	um	novo	nível	de
consciência,	a	uma	condição	ampliada	do	amor.	Ao	amor	que	serve	e	ao	amor
que	aprende.
“Coisas	ruins”	não	permitem	que	se	permaneça	do	mesmo	jeito.	“Coisas	ruins”
são	anjos	disfarçados	de	nuvem	escura.	É	preciso	paciência	e	perseverança	para
perceber	a	grande	luz	que	há	nesse	trecho	difícil	da	jornada,	para	atravessar	esse
deserto	pessoal,	onde	o	desamparo,	a	inquietude,	a	solidão,	o	desespero	são	tão
presentes,	onde	tudo	o	que	se	aprendeu	parece	não	servir	de	nada…	e	o	cálice
parece	tão	amargo.
É	o	momento	de	pedir,	de	estar	o	mais	próximo	possível	em	sintonia	com	o
movimento	do	espírito	e	se	deixar	conduzir	e	guiar.
A	nuvem	escura	é	apenas	anúncio	da	luz	que	vai	chegar,	mas	a	maioria	afasta	os
olhos	da	nuvem	e	olha	para	baixo	e,	ao	desviar	o	olhar,	perde	a	luz	que	brilha,
que	sinaliza.	Perde	a	oportunidade	do	salto	quântico.
Há	vários	modos	de	perder	essa	oportunidade:
O	primeiro	é	reclamar,	sentir-se	vítima,	nada	fazer,	não	aceitar	ajuda,	nenhuma
ajuda	serve.
O	segundo	é	fugir,	buscar	na	medicação	soluções	que	a	química	sozinha	não	é
capaz	de	proporcionar.	Medicamentos	são	importantes	e	estão	a	serviço	da	vida,
entretanto,	quando	utilizados	isoladamente	seus	efeitos	se	tornam	restritos	ao
sintoma	e	limitantes	para	o	todo,	para	a	cura.
O	terceiro	é	ir	para	os	tribunais,	ou	seja,	atacar.
Essas	três	atitudes	impedem	que	a	preciosidade	da	experiência	seja	tomada	e
enriqueça	a	vida.	Portanto,	existem	coisas	extraordinárias	que	acontecem	para	as
pessoas	despertarem.
Existe	um	livro	chamado	“Ame	a	realidade”	(KATIE,	2009),	cuja	autora	diz	que
sofremos	com	situações	por	conta	das	histórias	que	contamos	sobre	elas.	E	ela
questiona	seus	leitores	sobre	qual	seria	outra	história	tão	ou	mais	verdadeira	do
que	essa,	que	se	fosse	contada	sobre	essa	mesma	situação,	que	você	perceberia
como	uma	grande	oportunidade	e	não	como	um	problema.
Os	temas	existenciais	são,	talvez,	os	únicos	temas	reais.	Podemos	chamar
também,	ao	invés	de	temas	existenciais,	de	oportunidades	essenciais.	De
oportunidades	reais.
Uma	crise	existencial	traz	consigo	oportunidades	ímpares	de	mudança,	de
transformação,	de	encontro	com	aquilo	que	é	mais	precioso	na	existência.	A
crise	existencial	é	uma	oportunidade	obrigatória	de	ser	melhor.	De	todo	o
sistema	ser	melhor.	Quando	alguém	passa	por	uma	crise	existencial,	todo	o
sistema	tem	a	oportunidade	de	ser	melhor,	de	curar-se,	de	elevar	o	seu	nível	de
consciência,	de	ir	para	outro	vórtice	da	espiral.
Os	sistemas	evoluem	de	maneira	circular,	nunca	de	maneira	linear.	Em	crises
existenciais	todo	o	sistema	é	mobilizado,	cada	integrante.	Porém,	a	maioria
reage,	a	maioria	resiste,	se	torna	vítima,	se	queixa	e	assim	desperdiça	a
oportunidade	que	chega	para	todos	por	meio	daquele	que	sofre.
Aquele	que	sofre	é	o	mensageiro	de	uma	grande	oportunidade	de	cura	para	o
sistema.	Ele	é	aquele	que	mostra.	Alguém	em	uma	crise	existencial	está
carregando	algo	que	foi	esquecido	no	sistema,	está	fazendo	para	todos.	Todos
aqueles	que	lembram	podem	efetivamente	se	curar.
Uma	crise	existencial	é	uma	angústia	profunda,	uma	depressão,	uma	grande
infelicidade,	uma	“euforia	descontrolada”.	É	o	desequilíbrio	experimentado
durante	muitos	dias.
Uma	crise	existencial	geralmente	tem	um	ciclo	de	mais	de	seis	meses.	Aqui
podemos	incluir	todos	os	sintomas	que	a	medicina	não	consegue	tratar	por	meio
da	alopatia,	cujos	sintomas	escapam	à	ação	dos	medicamentos:	gagueira,
angústia,	depressão	profunda,	euforia,	dislexia,	esquizofrenia.
Todos	os	sintomas	que	o	indivíduo	percebe	ou	que	o	seu	entorno	percebe	que	é
algo	inexplicável,	são	sintomas	que	são	desproporcionais	à	experiência	do	agora.
Porém	são	sintomas	que	apontam	para	o	profundo	amor	que	une	a	todos	do
sistema.	São	sintomas	que	mostram	e	que	comprovam	que	o	tempo	do	espírito	é
diferente	do	tempo	do	intelecto.
O	tempo	do	espírito	é	circular,	não	existe,	não	foi	e	apenas	é.	O	tempo	do
intelecto	divide	passado,	presente	e	futuro.	A	violação	do	pertencimento,	da
compensação	e	da	ordem	em	um	grau	elevado,	cria	um	corpo	de	dor	sistêmico.	E
esse	corpo	de	dor	se	manifesta	por	meio	das	crises	existenciais,	quando	não	por
meio	das	psicoses,	da	bipolaridade,	da	dislexia,	da	gagueira,	mas	também	por
meio	das	“noites	escuras	da	alma”.	Alguém	pode	estar	sempre	doente,	pobre	e
infeliz,	ou	durante	um	tempo.	Esses	também	são	temas	existenciais	que	são
dores	da	alma	do	sistema.
Podemos	perguntar:	“quem	ficou	excluído?”,	“quem	foi	injustiçado?”,	e	“quem
não	teve	um	bom	lugar?”.	Só	é	possível	curar	uma	crise	existencial,	uma	psicose,
por	meio	do	amor,	pertencimento,	equilíbrio	entre	o	dar	e	o	receber	e	da	ordem.
Em	um	indivíduo	em	crise	existencial	não	há	quase	nenhum	espaço	para	o	eu,
para	a	dimensão	pessoal.	A	sua	energia	e	a	sua	consciência	estão	quase	que	cem
por	cento	tomadas	pela	dimensão	da	consciência	coletiva	e	da	consciência
espiritual.	Uma	psicose	é:	“eu	carrego	as	dores	de	muitas	gerações”.	O	que	foi
esquecido	por	muitas	e	muitas	décadas	é	lembrado	de	maneira	intensa,	agora,
por	meio	desse	sintoma.
A	memória	das	crianças	que	são	abortadas	permanece	nos	sistemas	e	origina
muitas	vezes	as	compulsões,	principalmente	na	área	da	sexualidade.	As	crianças
“querem	nascer,	querem	um	lugar”.	E	isso	atua	sobre	o	homem	e	sobre	a	mulher.
As	compulsões	podem	ser	curadas	pelo	feminino.	É	a	mulher	que	autoriza	que	a
vida	siga	adiante,	sem	a	mulher	autorizar,	a	criança	não	tem	um	lugar.	Quando	a
mulher	exclui	um	homem,	ele	se	torna	compulsivo.	A	compulsão	é:	“faço	tudo
para	ter	um	lugar”.	Muitas	mulheres	pensam	que	não	fazem	nada	mal	quando
rejeitam	seus	companheiros	e	aqui	isto	significa:	“eu	não	me	importo	com	você,
eu	excluo	você”,	e	esse	é	o	princípio	da	compulsão.	Quem	não	tem	um	lugar	no
corpo,	não	sente	que	tem	um	lugar	no	mundo.
A	maioria	das	crianças	são	vistas	como	empecilhos.
Empecilhos	para	o	sucesso,	sossego	e	até	mesmo	para	a	beleza.	Por	isso	os
homens	são	muito	mais	vítimas	da	compulsão	do	que	as	mulheres.	A	mulher
pode	dar	um	lugar	no	seu	corpo,	pois	tem	o	potencial	de	gerar	vidas,	de	acolher
em	seu	ventre	o	sêmen	e	possibilitar	que	uma	criança	ganhe	a	vida.	Mesmo
sendo	uma	menina	que	não	teve	lugar	no	corpo	de	sua	mãe,	ela	pode	ser	leal	à
mãe	e	continuar	rejeitando.
E	o	menino	pode	ser	leal	ao	próprio	pai	e	às	vítimas	e	tentará	obter	um	lugar	no
corpo	feminino	por	meio	de	uma	aparente	compulsão	sexual.	Atrás	de	um
aparente	desejo	de	adentrar	no	corpo	feminino,	da	sexualidade,	existe	um	ser
humano	clamando	pelo	direito	de	existir.
CAPÍTULO	XX
NOITES	ESCURAS	DA	ALMA
-	toda	a	noite	escura	traz	em	si	a	luz	divina	—
“Now	I	understand
what	you	tried	to	say	to	me
and	how	you	suffered	for	your	sanity
and	how	you	tried	to	set	them	free
they	would	not	listen	they	did	not	know	how
perhaps	they’ll	listen	now
For	they	could	not	love	you,
but	still	your	love	was	true
and	when	no	hope	was	left	in	sight
on	that	Starry,Starry	night
you	took	your	life	as	lovers	often	do.
But	I	could›ve	told	you	Vincent,
this	world	was	never	meant	for	one	as	beautiful	as	you”
Vincent	(Starry	Starry	Night)	–	Don	McLean¹
Um	tributo	a	Vincent	Van	Gogh
Agora	eu	entendo
O	quevocê	tentou	me	dizer
E	como	você	sofreu	por	sua	sanidade
E	como	você	tentou	os	libertar
Eles	não	queriam	ouvir
Eles	não	sabiam	como
Talvez	eles	te	ouçam	agora
Porque	eles	não	podiam	te	amar
Mas	mesmo	assim	seu	amor	era	verdadeiro
E	quando	não	havia	mais	esperança
Naquela	noite	estrelada
Você	tirou	sua	própria	vida,
Como	amantes	geralmente	fazem
Mas	eu	poderia	ter	te	falado,	Vincent,
Esse	mundo	não	foi	feito	para	alguém	tão	bonito	quanto	você
Os	cientistas	descobriram	que	o	que	existe	de	mais	poderoso	para	aliviar	a	dor	é
uma	enzima	produzida	pela	lagarta	no	estágio	de	crisálida,	para	que	ela	suporte
se	transformar	em	borboleta.	Para	que	haja	a	transformação,	é	fundamental
suportar.
Para	transformar	existe	a	sensação	de	dor,	entretanto	também	existe,
naturalmente,	algo	em	nós	que	permite	suportar	a	dor	e	alçar	novos	voos.	É
necessário	apenas	encontrar	o	essencial,	que	possibilita	o	suporte	para	a
transformação.	Quando	há	sofrimento	significa:	“ainda	precisamos	descobrir	o
essencial”.	Toda	a	noite	escura	traz	em	si	a	luz	divina.	Luz	divina	significa
libertação.	São	João	da	Cruz² 	(2007)	dizia	que	a	noite	escura	da	alma	faz	parte
daqueles	que	estão	em	profunda	evolução	espiritual.
A	noite	escura	da	alma	precede	o	encontro	com	o	divino.	É	um	tempo	de	solidão,
de	introspecção,	de	deserto	pessoal.	E	é	nele	que	encontramos	o	oásis,	um
espaço	sagrado	onde	se	dá	o	entendimento,	o	milagre,	a	cura,	a	transformação.
A	noite	escura	da	alma	exige	conversão.	Só	sai	da	noite	escura	da	alma	aquele
que	se	converte,	que	por	si	só,	por	uma	vontade	pessoal	faz	o	necessário.	E,	a
partir	da	ajuda	encontrada	se	converte,	muda	de	direção,	alcança	um	novo
vórtice	da	espiral,	tornando-se	uma	pessoa	melhor.	Quem	tomou	a	grandeza	das
suas	noites	escuras	da	alma	sabe	o	que	é	isso.	Olha	para	trás	e	diz	“sou	muito
melhor	hoje”.	Aqueles	que	desperdiçam	dizem:	“Deus	me	livre	de	tanto
sofrimento”,	continuam	fugindo	até	agora.
Uma	noite	escura	da	alma	se	mostra	por	meio	do	financeiro,	do	corpo	físico	e
dos	relacionamentos.	Perder	dinheiro,	ficar	doente,	ser	abandonado,	traído.
Quando	dizemos	“sim”	para	ela,	podemos	tomar	a	sua	grandeza.
A	noite	escura	da	alma	traz	a	oportunidade	de	crescimento	sistêmico,	é	sempre
“nós”,	o	sistema,	que	tem	uma	oportunidade	para	a	cura.
As	psicoses	são	longas	noites	escuras	da	alma	do	sistema.	Hellinger	diz	que
temos	três	tipos	de	esquizofrenia,	de	loucura.	Uma	delas	é	a	dislexia,	depois	a
bipolaridade	e	por	fim,	a	gagueira.	Junto	com	a	dislexia	está	o	autismo,	pois	a
dislexia	é	uma	forma	de	autismo,	uma	manifestação	de	loucura,	de
esquizofrenia,	de	alguém	trabalhando	no	sistema	para	outras	realidades,	em
outro	espaço	e	em	outro	tempo.
As	psicoses	são	um	corpo	de	dor	dentro	do	sistema,	formado	há	muitas	gerações.
Vemos	crianças	trabalhando	arduamente	para	seus	sistemas.	Crianças,	a	partir
dos	dois,	três	anos,	mostram	claramente	a	grande	tarefa	que	estão	carregando,
por	exemplo,	por	meio	da	gagueira.
A	bipolaridade	é	a	presença	do	perseguidor	e	da	vítima	ao	mesmo	tempo.
A	presença	constante	do	sentimento	de	vítima,	a	identificação	com	a	vítima,	ou
seja,	um	emaranhamento	que	resulta	em	depressão.	Também	há,	ao	mesmo
tempo,	a	identificação	com	o	perseguidor	–	sentimentos	de	euforia	-	que	cria	a
bipolaridade.	A	euforia	é	ao	mesmo	tempo,	o	sentimento	de	“eu	posso	tudo”	e	de
“eu	não	tenho	limites”,	junto	com	o	sentimento	da	vítima,	de	querer	fugir	a	toda
velocidade.
Quando	a	pessoa	se	identifica	com	a	vítima,	ela	está	depressiva	e	permanece
assim	por	muitos	meses.
Ao	sair	dessa	situação,	ela	permanece	poucos	meses	na	dimensão	pessoal	e
depois	começa	a	se	identificar	com	o	perseguidor	e	a	consciência	coletiva,	sem
espaço	para	o	eu,	a	consciência	pessoal.
E	o	que	impede	a	cura	é	que	o	indivíduo	experimenta	solidão	ao	ouvir:	“você
está	louco”	e,	de	um	jeito	moderno:	“você	é	bipolar”.	Como	disse	Caetano
Veloso,	músico	brasileiro:	“De	perto	ninguém	é	normal.”	Portanto,	não	somente
eles	os	loucos,	somos	todos	nós,	cada	um	com	seu	destino	e	suas	tarefas.
Sem	aliados	não	há	cura	para	a	solidão.
Sem	pertencimento,	sem	alegria.
Todos	estamos	ocupados,	uns	mais.
“Levai	as	cargas	uns	dos	outros,
e	assim	cumprireis	a	lei	de	Cristo.
(…)	cada	qual	levará	o	seu	próprio	fardo.”
Carta	de	Paulo	aos	Gálatas,	6:2,5
PARA	A	ALMA	só	existe	o	nós	e	o	agora,	e	cada	integrante	desse	sistema
carrega	uma	parte	desse	sistema.	Nós	poderíamos	dizer	também	que	cada
integrante	se	encarrega	de	algo	que	precisa	ser	curado	no	sistema:
pertencimento,	compensação	e	ordem.
Alguns	integrantes	carregam	o	mais	desafiante,	o	mais	difícil.	Nada	é	deixado
para	trás.	Nada!
Tudo	precisa	ter	um	bom	lugar.
As	dinâmicas	dos	sofrimentos	dentro	dos	sistemas,	das	dores	e	feridas
profundas,	são	mostradas	e	carregadas	por	alguns	integrantes	deste	sistema.	Na
maioria	das	vezes,	um	integrante	se	encarrega	disso.
As	grandes	dores,	os	grandes	danos	sofridos	são	“esquecidos”	pelos	integrantes.
Não	se	fala	nisso,	colocam	uma	pedra	em	cima	e	vida	nova!	Não	é	assim
mesmo?	Porém,	a	alma	não	esquece.	A	alma	é	justa,	totalmente	justa.
Muitas	vezes,	os	integrantes	do	sistema,	que	carregam	as	dores	mais	intensas	são
excluídos,	porque	eles	são	considerados	os	fracassados,	doentes,	criminosos,
confusos.
Enquanto	aquele	dano	não	for	reparado,	a	dor	não	cessa.	E	este	é	o	papel	dos
irmãos,	ou	daqueles	do	sistema	que	estão	livres:	apoiar	aqueles	que	carregam,
que	tem	a	missão	mais	importante.
Fome	da	ordem:	a	alma	não	só	deseja	que	todos	tenham	um	lugar,	porém,	precisa
também	que	todos	tenham	o	lugar	certo!	Inclusive	um	grande	sofrimento,	precisa
ter	o	lugar	certo!
Por	exemplo:	na	alma,	todo	o	sistema	sabe	que	o	lugar	certo	do	perseguidor	é
junto	da	vítima.
Isso	se	mostra	em	nosso	cotidiano	quando	uma	vítima,	quando	um	sequestrado
se	nega	a	denunciar	o	seu	agressor	e	faz	inclusive,	tudo	para	protegê-lo.
Quando	estes	sofrimentos	intensos	não	são	curados	através	do	amor,	eles	buscam
a	cura	por	meio	da	dor.	Ou	seja,	quando	estes	emaranhamentos	não	são
integrados	a	partir	da	consciência,	do	estado	de	presença,	eles	buscarão	a	cura
por	meio	de	todas	as	oportunidades,	inclusive	o	inevitável.
O	que	chamamos	de	inevitável?	O	que	chamamos	de	sofrimento,	de	dor?	As
psicoses,	suicídios,	as	doenças	incuráveis	e	duráveis,	por	exemplo,	as	doenças
degenerativas,	as	dores	profundas	da	alma	são	experimentadas	também,	através
das	noites	escuras.
AS	NOITES	ESCURAS	DA	ALMA	são	oportunidades	para	reconciliação	com	o
sistema,	com	a	vida.
Ninguém	pode	evitar	uma	noite	escura.
Uma	noite	escura	é	uma	grande	oportunidade.	Então,	quando	uma	ou	mais
dessas	três	fomes	-	pertencer,	compensar	ou	ordenar	-	não	estão	saciadas,	não
foram	atendidas,	quando	algo	extremamente	significativo	ficou	em	aberto,	será
mostrado	novamente	no	sistema.	Aparentemente	será	algo	estranho,
desproporcional,	porém	isso	faz	todo	o	sentido	nalgum	lugar	da	linha	do	tempo,
que	chamamos	de	passado.
Tantas	vezes	não	compreendemos,	por	exemplo,	a	síndrome	do	pânico,	delírios,
alucinações,	impulsos	para	matar	ou	para	morrer,	ou	para	perder	dinheiro,	ou
para	ganhar	dinheiro…	tudo	que	é	exagerado	agora,	mostra	algo	do	que	foi
esquecido,	que	está	pedindo	a	cura.
Quando	a	cura	nos	alcança?
A	cura	só	nos	alcança	quando	estamos	presentes,	quando	deixamos	de	julgar,
quando	usamos	o	pensamento	como	meditação,	como	espaço	de	silêncio.	A	cura
só	pode	acontecer	quando	deixamos	de	estar	do	lado	de	fora	da	vida	e	entramos
nela	e	permitimos	que	todos	os	demais	também	permaneçam	nela.	É	quase	como
deixar	a	mente	descansar,	deixar	os	pensamentos	silenciarem	e	permitir	que	o
coração	atue	em	toda	a	sua	sabedoria.
Na	vida,	não	estamos	na	plateia.	E	quando	nos	sentimos	pertencentes	e
cocriadores	de	todas	as	cenas,	a	cura	começa	a	acontecer.
As	depressões	profundas	são	dinâmicas	ligadas	ao	movimento	do	amor
interrompido.	Revelam	que	uma	criança	não	pôde	tomar	o	amor	de	seus	pais.	A
depressão	profunda	não	é	o	oposto	da	alegria,	mas	é	o	oposto	do	pleno	e	do
cheio.
Experimenta-se	ali	uma	sensaçãoprofunda	de	vazio…	vazio,	vazio,	vazio,	vazio.
O	choro	não	é	da	tristeza,	mas	é	o	choro	que	busca	o	acalanto,	a	proteção	e	a
recuperação	desse	vínculo.	É	a	alma	desejando,	buscando	recuperar	esse	vínculo
de	amor.	A	alma	de	quem?	É	a	memória	que	permanece	viva,	esperando	o	amor
fluir	novamente.
A	depressão	profunda,	na	maioria	das	vezes,	é	carregada	por	integrantes	de
gerações	posteriores	àquele	que	teve	o	vínculo	do	amor	interrompido.	Por
exemplo:	o	avô	ficou	órfão,	teve	que	sobreviver	e	o	neto	tem	uma	vida
aparentemente	boa	com	seus	pais,	com	seus	irmãos,	com	seu	trabalho,	porém	ele
carrega	no	coração	uma	sombra,	uma	dor,	um	vazio	que	ele	não	sabe	por	quê.
A	dinâmica	é	reexperimentada,	porque	dizem	a	ele:	“-	Por	que	você	é	desse
jeito?”,	“-	Por	que	você	é	assim?”,	“-	Você	é	mal	agradecido!”,	“-	Olha	tudo	de
bom	que	você	tem!…”,	então	essa	pessoa	sente-se	mais	e	mais	solitária,
absolutamente	solitária,	sozinha	na	vida,	igual	ao	avô,	porque	o	avô	não	teve
tempo	de	sentir	a	sua	própria	dor.	O	avô	precisou	garantir	a	sobrevivência	física.
Como	agora	o	neto	tem	tudo,	materialmente	falando,	essa	dor,	pode	finalmente
vir	à	luz.	E	o	que	cura	aqui	é	uma	única	pergunta:	“-	Quem	está	sofrendo
assim?”	E	os	pais	desse	filho	poderão	olhar	para	esse	filho	e	o	ajudarão,	se
disserem	a	ele:	“-	Querido	filho,	você	tem	carregado	tanto	para	nós.	Você	tem
carregado	uma	das	partes	mais	difíceis,	uma	das	maiores	dores	de	nossa	família.
Quando	nós	olhamos	para	você,	nós	olhamos	para	essa	grande	dor	e	amamos
você	e	respeitamos	em	você,	aquele	que	sofreu.	E	através	de	você,	nós	podemos
dar	àquele	que	sofreu,	aquilo	que	ele	precisa.”
Você	conhece	alguém	que	sofre	assim?	O	que	você	acha	que	aconteceria	com
essa	pessoa	se	ela	ouvisse	essas	palavras?	Tocado,	curado,	incrédulo,	aliviado…
Já	percebeu	o	quanto	nos	incomodamos	somente	para	o	menos?	Mas	não	nos
incomodamos	para	quem	é	privilegiado	para	o	mais!	Por	exemplo:	“-	Por	que
você	ganhou	na	Mega	Sena?”.
No	intelecto	está	o	corpo	de	dor.	Para	recebermos	a	cura,	temos	que	estar	mais
meditativos,	menos	no	intelecto.	O	intelecto	é	reativo.
Na	vida	não	tem	solidão,	na	vida	tem	uma	grande	interdependência.
Viver	a	vida	não	é	só	quando	estamos	sem	fazer	nada	ou	viajando	e,	então,
quando	voltamos	a	trabalhar	ou	a	cuidar	de	uma	criança,	pensamos:	a	vida	é
interrompida.	Viver	a	vida	é	viver	todos	os	instantes	e	parar	de	fragmentar	a
existência	em	tempo	de	trabalho	e	tempo	férias.
Eu	respeito	seu	destino,	eu	honro	seu	destino.
O	movimento	do	não	julgamento	é	não	olhar	o	outro	dizendo:	“-	Por	que	é	que
você	não…”,	“-	Não	entendo	porque	que	você	tem	tanto	apego	com	essa
pessoa…	tem	tanta	coisa	boa	pra	fazer,	e	você	fica	aí	chorando,	não	abrindo
mão”.
Julgar	é	ser	medíocre.	O	Cristo	deu	exemplo:	“-	Pai,	perdoa-os	porque	eles	não
sabem	o	que	fazem”.
Qual	é	o	preço	da	mediocridade	e	ignorância?	É	o	sofrimento.
Não	é	chegar	e	dizer:	“-	Levanta	a	cabeça,	sacode	a	poeira	e	dá	a	volta	por
cima…”	Que	discurso	medíocre!	Mas,	dizer:	"-	Eu	não	sei	o	que	faria	no	seu
lugar,	mas	eu	vou	te	dar	um	abraço,	eu	não	sei	o	que	eu	posso	pra	te	ajudar…
quer	dar	uma	volta	e	caminhar	comigo?	Vamos	tomar	um	chazinho.”
O	que	acontece	com	a	dor,	quando	a	pessoa	escuta	isso?	Ela	recebe	a	cura,	por
causa	da	inclusão.
Não	é	pelo	o	ego,	não	é	pelo	o	intelecto,	é	pelo	acolhimento,	pelo	não
julgamento,	pelo	amor	e	compaixão.
A	noite	escura	é	a	sensação	do	vazio,	é	a	sensação	de	estar	num	túnel	e	procurar
a	luz	e	não	saber	onde	está	a	luz.
A	noite	escura	é	a	revelação	das	dores	guardadas	na	alma	do	sistema.
A	noite	escura	é	o	movimento	do	espírito	na	direção	da	reconciliação.	É	a
oportunidade	de	todo	um	sistema.
Uma	noite	escura	pode	ser	uma	doença	grave,	pode	ser	uma	tristeza	profunda,
pode	ser	uma	angústia	terrível,	pode	ser	sensações	inexplicáveis	de	sofrimento
que	são	mostradas	através	da	expressão:	“-	Eu	não	sei	o	que	eu	tenho,	eu	não
entendo	o	que	eu	tenho,	ninguém	entende	o	que	eu	tenho”.	“-	Eu	sei	que	eu
tenho	tudo	e	que	eu	não	tenho	motivos	para	tanto	sofrimento,	mas	eu	tenho	tanto
sofrimento”.	E	o	psiquiatra	não	consegue	acertar	os	remédios,	nem	o
neurologista,	nem	o	consultor	e	nem	o	psicólogo	tem	a	fórmula.
Jung	dizia	que	esses	processos	são	processos	alquímicos	que	chamamos	de
individuação.	Elizabeth	Kubler-Ross,	no	livro	“A	Roda	da	Vida”,	diz	que	todos
encontramos	esses	momentos.	São	momentos	que	somos	colocados	dentro	de
uma	britadeira	(uma	máquina	de	quebrar	pedras)	e	então,	ou	saímos	da	britadeira
despedaçados	ou	polidos…	e	como	vamos	sair	dela,	depende	de	nós.	Porém,
entrar	na	britadeira	é	inevitável.
São	João	da	Cruz,	assim	como	Hellinger,	chama	esses	momentos	da	vida	de
“noites	escuras	da	alma”.
Na	noite	escura	da	alma	podemos	encontrar	a	luz	divina…	e	isso	é	o	mais
maravilhoso!	Percebemos	que	estamos	nos	transformando	em	algo	novo.
Que	o	que	era	não	é	mais	e	percebemos	também	que	aquilo	que	seremos	ainda
não	nos	foi	revelado.
Muitas	vezes	depois	da	noite	escura,	a	pessoa	muda	de	cidade,	muda	de
profissão,	muda	os	móveis	da	casa,	muda	as	músicas	que	ouve,	muda	até	a
velocidade	da	fala	e	não	se	reconhece	no	espelho.
Quando	a	noite	escura	passa?
Quando	ouvimos:	“-	Meu	Deus,	como	você	está	diferente!	meu	Deus	como	você
mudou…	você	está	brilhando!	Você	parece	uma	pessoa	tão	viva,	tão	viva,	tão
viva!…”	Isso	significa	que	a	noite	escura	já	passou,	porque	quando	a	noite
escura	ainda	está	lá,	a	sombra	é	percebida	no	rosto,	no	olhar,	no	coração.
É	na	noite	escura	que	conhecemos	a	verdadeira	alegria.
Sincronicidade	é,	em	outras	palavras,	o	movimento	do	espírito.
Quando	Cristo	foi	para	o	deserto,	era	a	noite	escura.	E	quando	veio	o	momento
mais	difícil	da	vida	dele,	ele	já	tinha	se	conectado	com	a	luz	divina.	Ele	já	tinha
passado	pelo	deserto.
A	noite	escura	é	uma	espécie	de	morte	e	que	quando	nós	conseguimos	voltar
para	esse	corpo,	parecemos	que	somos	outra	pessoa,	mais	amadurecida,	mais
compassiva,	mais	sábia,	percebendo	outras	oportunidades.	E	somos	gratos	pela
nossa	existência.
Tem	gente	que	ao	se	deparar	com	uma	noite	escura,	suicida-se,	ou	toma	muitos
remédios,	ou	briga	muito	com	as	pessoas,	ou	vai	parar	nos	tribunais.
Não	tomar	a	luz	divina	é	olhar	para	a	escuridão,	voltado	de	costas	para	a	luz
divina.
Enquanto	brigamos	com	a	noite	escura,	adiamos	o	momento	de	tomar	a	luz
divina.
Quem	toma	a	noite	escura,	quem	concorda,	medita,	silencia,	procura	com
sabedoria	o	entendimento	deste	momento	da	vida,	a	transformação	acontece.	Em
quanto	tempo?	Depende…
Como	ir	além	da	noite	escura,	como	fazer	esta	travessia?
Demora	mais;	se	brigarmos	com	a	realidade,	poderemos	experimentar	a	noite
escura	durante	décadas	-	quando	concordamos	com	a	noite	escura,	ela
desaparece.	A	noite	escura	só	dura	muito,	só	é	sofrida	demais	se	brigarmos	com
ela.
Se	o	nosso	nível	de	consciência	estiver	no	nível	de	Moisés,	dura	40	anos.
Se	estivermos	no	nível	da	consciência	do	Cristo,	40	dias.	É	o	estado	de	presença
e	atenção	que	faz	o	sofrimento	durar	menos.
¹ 	Fonte:	https://www.youtube.com/watch?v=P6B0pELZj1E.	Acesso:
08/03/2015.
² 	Frade	carmelita	espanhol,	famoso	por	suas	poesias	místicas	e	que	foi
proclamado	26°	Doutor	da	Igreja	pelo	Papa	Pio	XI.
CAPÍTULO	XXI
ORDENS	DA	AJUDA
-	Ajuda	significa	um	profundo
interesse	na	felicidade	do	outro.	−
Quando	o	mundo	abandonar	o	meu	olho.
Quando	o	meu	olho	furado	de	beleza
for	esquecido	pelo	mundo.
Que	hei	de	fazer.
Manoel	de	Barros
O	que	nos	move	para	a	ajuda	é	uma	consciência	arcaica,	uma	consciência	antiga
sobre	o	quanto	já	recebemos,	o	quanto	dependemos	uns	dos	outros	para
sobrevivermos.
É	o	princípio	da	compensação	atuando	sobre	nós	de	modo	amplo	e	irrestrito.
Uma	força	atua	sobre	nós	no	sentido	de	retribuirmos.	Por	isso	nos	sentimos	bem
em	ajudar,	porque	ajudar	significa	“recebi	tanto	e	então	posso	passar	adiante”.	O
outro	movimento	é:	“eu	preciso	suportar,	ser	credor”.	Para	ajudar	é	preciso
suportar	que	o	outro	tenha	uma	dívida	comigo;	para	ajudar	é	fundamental	dar	ao
outro	a	oportunidade	de	retribuir;	a	retribuição	acontece	pormeio	de	dois
movimentos.
Uma	ajuda	pode	ser	recompensada,	reconhecida;	retribuo	esse	bem	por	meio	do
sucesso.	O	segundo	movimento	de	retribuição	é	passar	a	vida	adiante.
Só	pode	ser	ajudado	aquele	que	ajuda,	aquele	que	só	espera	ajuda	não	pode
tomar,	ainda	é	uma	criança	esperando	a	bênção	dos	pais.	Talvez,	a	primeira	ajuda
que	podemos	realmente	oferecer	é	possibilitar	a	reconciliação	do	indivíduo	com
o	seu	sistema.	Depois	disso	todas	as	outras	ajudas	poderão	ser	tomadas.
A	ajuda	por	si,	só	é	eficaz	quando	é	permeada	por	um	movimento	do	coração,	da
admiração,	da	boa	percepção	e	da	humildade.	Só	assim	a	ajuda	libera.	Ajuda
significa	um	profundo	interesse	na	felicidade	do	outro.
Portanto,	todas	as	relações	influenciam	as	nossas	vidas,	nenhum	relacionamento
é	neutro,	ou	ele	ajuda,	ou	ele	atrapalha,	ou	nos	fortalecemos	ou	enfraquecemos.
Os	relacionamentos	que	curam	nos	tornam	mais	unidos,	ajudar	significa
crescermos	juntos.	“Agora	você	deve	um	pouco	para	mim	e	quando	deixo	você
me	ajudar	recupero	meus	créditos.”	Ajudar	significa	oferecer	o	que	já	se
recebeu,	significa	pensar	“nós”	e	deixar	de	pensar	“eu”.	Quando	ajudar	significa
querer	consertar	o	outro	ou	a	sua	realidade,	a	ajuda	já	fracassou.
Quando	o	ajudar	é	mobilizado	pelo	“nós”,	todos	se	fortalecem,	ninguém	se
sobrecarrega.	Quando	alguém	está	cansado	de	ajudar	significa	que	“ajudou
errado”,	quis	carregar	pelo	outro.	Muitas	vezes,	desejamos	a	ajuda,	porém,	o	que
verdadeiramente	desejamos	é	a	aprovação	de	nossos	pais,	é	sermos	aceitos
incondicionalmente	para	encontrarmos	a	nossa	alegria	e	a	nossa	força.
Normalmente,	essa	é	a	primeira	ajuda	que	queremos	e	enquanto	não	a
encontramos,	permanecemos	crianças,	dependentes	e	carentes.
Permanecemos	em	conflito	esperando	o	perfeito.	Quem	espera	o	perfeito,	seja
dos	filhos,	seja	do	trabalho,	seja	do	cônjuge,	espera	o	amor	dos	pais.	A	bênção
dos	pais	é	a	perfeição	que	o	nosso	coração	deseja.	Sem	a	bênção	dos	pais	não
conseguimos	viver.	Sem	a	bênção	dos	pais	entramos	em	conflito,	não	podemos
ser	ajudados.
Para	ajudar	é	importante	lembrar-se	das	três	dimensões	da	nossa	consciência.
Permanecemos	o	tempo	todo	transitando	nessas	três	dimensões.
A	primeira	é	a	consciência	pessoal.	Nessa	dimensão	escolhemos,	temos	uma
sensação	de	liberdade,	de	“eu	posso”,	temos	consciência	de	nossas	preferências.
Quero	amarelo,	prefiro	salgado,	levanto	cedo,	vou	de	bicicleta,	etc.	Esta	é	a
primeira	dimensão	da	nossa	consciência,	nela	tudo	está	resolvido,	nela	somos
práticos	e	lógicos,	a	razão	funciona	e	ela	resolve.
A	segunda	dimensão	é	a	da	consciência	coletiva,	nessa	dimensão	fica	um	pouco
mais	complicado.	Quer	ir	para	o	norte	e	de	repente	vai	para	o	leste,	adora	passear
de	bicicleta	e	ganha	um	problema	no	joelho,	gosta	do	amarelo	e	só	encontra
verde	e	marrom.	Essa	dimensão	significa	emaranhamentos,	conflitos,	situações
inexplicáveis.	Agora	que	tem	o	trabalho,	quero	sair	dele	e	ninguém	entende	por
que.
É	na	segunda	dimensão	que	existem	os	conflitos	conjugais,	que	o	dinheiro	não	é
prosperidade,	que	o	amor	não	traz	alegria.	A	segunda	dimensão	é	o	nosso	script
de	vida,	a	dimensão	dos	condicionamentos,	do	“ter	que”,	“não	posso”,	entre
outras	coisas.
A	terceira	dimensão	é	a	dimensão	da	consciência	do	espírito;	nela	está	a
sensação	da	paz	profunda,	da	graça,	da	bem-aventurança.	Na	terceira	dimensão
da	consciência	não	existe	separação	e	diferença	entre	a	minhoca	e	a	águia,	entre
a	árvore	e	a	galinha,	entre	a	estrela	e	ameba,	nenhuma	diferença.
Na	terceira	dimensão	não	existem	os	opostos	e	é	lá	que	desejamos	chegar.	Lá	é	o
estado	de	presença	onde	simplesmente	posso	estar,	lá	a	alegria	não	é	reativa	e	a
saúde	não	é	a	ausência	de	sintomas.	Nesta	dimensão	os	milagres	acontecem	e
podemos	celebrar.	Não	existe	ego,	eu,	indivíduo;	existe	o	todo,	o	nós.	É	a	melhor
dimensão	da	ajuda,	porque	somente	nessa	dimensão	podemos	ter	a	boa
percepção.
CAPÍTULO	XXII
AS	ORDENS	DA	AJUDA
-	gratidão	e	discernimento	–
“Gracias	a	la	vida	que	me	ha	dado	tanto
Me	ha	dado	la	marcha	de	mis	pies	cansados
Con	ellos	anduve	ciudades	y	charcos
Playas	y	desiertos,	montañas	y	llanos
Y	la	casa	tuya,	tu	calle	y	tu	pátio
Gracias	a	la	vida	que	me	ha	dado	tanto
Me	ha	dado	la	risa	y	me	ha	dado	el	llanto
Así	yo	distingo	dicha	de	quebranto
Los	dos	materiales	que	forman	mi	canto
Y	el	canto	de	ustedes	que	es	el	mismo	canto
Y	el	canto	de	todos	que	es	mi	propio	canto”
Violeta	Parra,	Gracías	a	la	vida
Graças	à	vida	que	me	deu	tanto
Me	deu	a	marcha	de	meus	pés	cansados
Com	eles	andei	cidades	e	charcos
Praias	e	desertos,	montanhas	e	planícies
E	a	casa	sua,	sua	rua	e	seu	pátio
Graças	à	vida	que	me	deu	tanto
Me	deu	o	riso	e	me	deu	o	pranto
Assim	eu	distingo	fortuna	de	quebranto
Os	dois	materiais	que	formam	meu	canto
E	o	canto	de	vocês	que	é	o	mesmo	canto
E	o	canto	de	todos	que	é	meu	próprio	canto
A	PRIMEIRA	ORDEM	DA	AJUDA	é	dar	somente	o	que	se	tem	e	pedir	somente
o	que	se	necessita.	Dar	o	que	se	tem	significa	respeito	pela	própria	humanidade,
significa	considerar	os	limites	de	si	mesmo	e	do	outro.	Quem	pede	mais	do	que
necessita	é	como	um	filho	mal	agradecido,	sempre	quer	mais	e	não	pode	tomar	o
que	lhe	é	concedido.	Quem	quer	mais	do	que	necessita,	desonra	o	que	lhe	é
dado.
A	SEGUNDA	ORDEM	DA	AJUDA	é	permanecer	humilde	dentro	dos
contextos.	Inclinar-se	dentro	da	realidade	e	servir	a	ela	sem	pretensão	de
mudança.	Servir	confiante	de	que	há	milagres,	porém	sem	a	pretensão	de	mudar
os	destinos,	de	combater	sintomas	ou	curar	doenças.	A	segunda	ordem	da	ajuda
é,	portanto,	permanecer	a	serviço,	em	sintonia	com	as	três	dimensões	da
consciência,	humildes	em	unidade	e	confiantes.
A	TERCEIRA	ORDEM	DA	AJUDA	é	considerar	que	a	ajuda	só	é	possível	em
uma	relação	de	adultos,	quem	ajuda	não	é	o	maior,	o	ajudado	não	é	vítima,
menor.	Para	ajudar	é	preciso	a	capacidade	de	suportar	que	o	outro	sofra,	de
confiar	que	cada	um	tem	o	seu	destino	e	uma	pequena	liberdade.	O	primeiro
compromisso	do	“ajudador”	é	ajudar	o	outro	a	estar	na	sua	consciência	de
adulto.	Quem	está	na	consciência	do	adulto	assume	a	responsabilidade	por
aquilo	que	realmente	fez.	A	vítima	não	quer	ser	ajudada,	ela	quer	ter	razão.	A
vítima	quer	brilhar	mostrando	o	seu	sofrimento,	a	vítima	não	consegue	ficar	na
dimensão	do	adulto.
A	QUARTA	ORDEM	DA	AJUDA	é	se	colocar	diante	do	outro	incluindo	todo	o
seu	sistema.	Olhamos	para	o	indivíduo,	para	a	dor,	e	para	todo	o	seu	sistema,
inclusive	os	seus	pais,	seus	avós,	todos	eles.	Aqui	também	nos	colocamos	ao
lado	de	quem	contra	o	qual	se	tem	uma	queixa.	A	quarta	ordem	fala	da	inclusão,
todos	têm	um	bom	lugar.	Não	existem	perseguidores	ou	vítimas,	quem	ajuda
olha	para	o	sistema	como	um	todo.
A	QUINTA	ORDEM	DA	AJUDA	é	o	não	julgamento,	é	amar	o	outro	mesmo
que	nada	se	modifique.	Para	ajudar	é	preciso	abrir	mão	das	expectativas	para	que
o	outro	mude.	A	quinta	ordem	da	ajuda	é	não	julgar.	O	outro	permanece	com	o
seu	destino	e	eu	com	o	meu.	“Ajudador”	e	ajudado	permanecem	livres	e	abertos
para	os	milagres.	Marianne	Franke-Gricksch,	em	um	de	seus	seminários,
afirmou	que	para	ajudar	é	necessário,	antes	dar	um	lugar	no	coração	àquela
pessoa,	àquele	sofrimento,	àquela	existência,	àquele	destino.	Só	assim
poderemos	oferecer	alguma	ajuda.
Quando	“decidimos”	algo	em	nossa	vida,	tudo	o	que	está	entre	nós	e	o	sonho
também	acorda,	por	isso	quando	um	objetivo	nos	atrai,	uma	tarefa	de	vida	nos
chama	é	importante	ficarmos	atentos	ao	sistêmico.
Observarmos	que	tudo	o	que	está	na	segunda	dimensão,	na	dimensão	da
consciência	coletiva,	surge.	Se	em	um	sistema	existe	a	necessidade	de
reconciliação	com	a	vida,	esta	necessidade	vai	aparecer.	Talvez	uma	criança	não
tenha	sido	acalantada,	talvez	faltasse	proteção.	Esta	memória	permanece	na
consciência	coletiva	e	quando	o	eu	decide	por	uma	boa	vida,	por	uma	boa	e	feliz
vida,	o	que	impedia	surge,	e	surge	para	ser	curado.	Esse	“eu”	precisa	se	manter
meditativo	e	aberto	para	a	cura.	Porque	somente	por	meio	dela	o	objetivo	será
alcançado.	Quando	estabelecemos	uma	meta	e	surgem	os	sofrimentos,	isso	é	um
sinal	de	que	tocou	aspectosadormecidos	da	nossa	consciência	coletiva.
Quando	recebemos	algo	é	preciso	que	o	coração	esteja	aberto	para	aquilo	que
nos	é	oferecido.	Para	receber	ajuda	é	preciso	suportar	a	culpa	de	ficar	devendo,	e
culpa	significa	perder	a	inocência.	Muitos	lidam	com	aquilo	que	lhe	é	ofertado
com	a	postura	da	abstinência	para	manter	a	inocência;	para	não	dever	nada	a
ninguém,	esta	pessoa	diz:	“nunca	me	deram	o	suficiente”,	“eu	não	tenho	porque
agradecer”,	“eu	não	preciso	nada	de	ninguém”,	“eu	me	viro”.	Essa	é	a	postura	da
abstinência,	aparentemente	“nada	tomo	e	nada	devo”,	como	não	tomei	nada	de
ninguém,	ninguém	pode	cobrar	nada	de	mim.
O	segundo	modo	de	não	receber	ajuda,	de	não	tomar	algo,	de	não	ficar	devendo,
de	não	perder	a	inocência,	é	por	meio	da	prestimosidade.	Antes	mesmo	que	algo
seja	pedido,	já	é	oferecido,	fazemos,	adivinhamos	o	que	se	precisa,	mas	nunca	se
precisa	de	ajuda,	é	sempre	autossuficiente,	“não	quer	dever	nada	para	ninguém”,
“tem	vergonha	de	pedir”	ou	“constrangido	em	ser	ajudado”.	Adivinhar	o	que	o
outro	precisa	e	nunca	precisar	ou	aceitar	ajuda.	Gostar	mais	de	ajudar	do	que	ser
ajudado	e	quando	lhe	agradecem	sente-se	incomodado,	não	gosta	de	elogios.
Prefere	que	a	ajuda	não	seja	reconhecida,	faz	muito,	mas	ainda	assim	sente	que
não	merece	o	prêmio,	que	deveria	fazer	melhor,	estudou	muito,	mas	não	sente-se
pronto	para	atuar	profissionalmente.
PRESTIMOSIDADE	É	UM	RIO	DISFARÇADO	DE	LAGO.
O	indivíduo	não	troca,	ele	só	ajuda,	ele	salva.	Existem	muitos	“ajudadores”
prestimosos;	eles	fazem	milhares	de	cursos	e	dizem	“eu	ainda	não	estou	pronto”.
Porque,	se	sentisse	pronto,	seria	o	mesmo	que	ficar	devendo	(para	os
professores,	escolas,	pesquisadores,	devendo	para	todos	aqueles	que	trouxeram	à
luz	e	viabilizaram	esse	conhecimento),	então,	assim	mantém-se	inocente,	não	se
sente	devedor,	não	experimenta	a	boa	culpa	que	nos	une	enquanto	humanidade,
enquanto	seres	pertencentes	a	um	grande	e	único	sistema,	não	se	torna	adulto.
Permanece	infantilizado,	num	movimento	além	do	aparente,	dizendo	aos	pais:
“Eu	não	preciso	de	vocês.”
O	tempo	todo	precisamos	experimentar	inocência,	porém	sem	a	culpa	nós	não
crescemos.	Quando	concordo	que	você	me	dê	algo,	eu	perco	a	minha	inocência,
mas	você	ganha	a	minha	inocência.	Quando	você	concorda	em	receber	algo	de
mim,	eu	recupero	meus	créditos	e	você	me	dá	a	chance	da	minha	culpa	diminuir.
Por	isso	crescemos	sempre	quando	ajudamos	e	somos	ajudados.	Aquele	que
sempre	ajuda,	oferece	ajuda,	fica	rico	sozinho,	fica	solitário.	Portanto,	faz	parte
do	crescimento	e	da	prosperidade,	dever	uns	para	os	outros	e	reparar	essas
dívidas.	Você	me	oferece	algo	bom	e	eu	aceito.	E	você	precisa	de	algo	que	eu
ofereço	e	você	toma,	e	eu	retribuo	um	pouco	mais.	E	da	próxima	vez	você	me	dá
um	pouco	mais	e	nós	prosperamos.	Porém,	só	podemos	dar	o	que	temos	e	tomar
o	que	precisamos.
A	boa	culpa	é	aquela	que	nos	move	em	direção	a	reparar	um	dano	ou	retribuir
um	bem.	Que	nos	move	a	dizer:	“eu	sinto	muito”,	“eu	esqueci	o	seu	aniversário”,
“eu	peguei	pesado	com	você”,	“não	deveria	ter	falado	desse	modo	com	você”.
A	boa	culpa	é	a	fiel	guardiã	para	que	a	justiça	se	faça	para	nós,	para	o	sistema.	É
a	boa	culpa	que	se	faz	com	que	se	confesse	um	crime	e	que	se	queira	repará-lo,	a
boa	culpa	nos	dá	coragem	e	nos	fortalece,	nos	torna	humanos	e	iguais,	e	nos
coloca	em	evolução.
A	má	culpa	é	o	oposto	disso.	A	má	culpa	é	o	julgamento.	Ela	nos	aprisiona,
entristece,	deprime.	A	má	culpa	geralmente	olha	para	o	que	não	pode	acontecer	e
julga.	Quanta	presunção	temos!	A	condição	de	vítima	é	tão	comum,	muito	mais
comum	do	que	pensamos…
Além	do	aparente,	a	vitimosidade,	muitas	vezes,	vem	disfarçada	de	pessoa
consciente	e	de	valor.	A	má	culpa	é	a	postura	da	criança	que	teve	pais	punitivos,
ela	usa	o	chicote,	“por	que	eu	fiz?”,	“por	que	comigo?”,	“que	horrível!”,	“ai,	que
angústia!”.	A	má	culpa	aprisiona,	ninguém	cresce.	Todos	queremos	escapar!	A
boa	culpa	nos	torna	mais.
CAPÍTULO	XXIII
AS	DIVERSAS	DINÂMICAS
QUE	ATUAM	NA	ALMA
Todos	os	filhos	amam	seus	pais
e	todos	os	pais	necessitam	de	seus	filhos.
“Conheço	um	velho	ditado	que	é	do	tempo	dos	‘a	gás’
Diz	que	um	pai	trata	dez	filhos,	dez	filhos	não	trata	um	pai.
Sentindo	o	peso	dos	anos,	sem	poder	mais	trabalhar,
O	velho	peão	estradeiro	com	seu	filho	foi	morar.
O	rapaz	era	casado	e	a	mulher	deu	de	implicar:
-	Você	manda	o	velho	embora	se	não	quiser	que	eu	vá.
E	o	rapaz,	coração	duro,	com	seu	velho	foi	falar.”
Teddy	Vieira	de	Azevedo,	in:	Couro	de	Boi.
Existem	duas	dinâmicas	que	atuam	na	alma:	a	dinâmica	do	“eu”	e	a	dinâmica	do
“nós”.	Chamamos	de	consciência	individual	as	dinâmicas	do	“eu”.	A	consciência
individual	é	pequena,	restrita	e	liderada	pelas	dinâmicas	do	“nós”,	que
chamamos	de	consciência	arcaica	ou	coletiva.
Todas	as	vezes	que	aquilo	que	acontece	conosco	é	logo	compreendido,
vivenciado	e	transformado,	está	atuando	a	consciência	individual.	Todas	as	vezes
que	experimentamos	situações	que	não	compreendemos,	que	ficam	estagnadas,
são	difíceis	de	compreender,	de	elaborar,	passar,	é	a	consciência	coletiva	ou
consciência	arcaica	atuando	sobre	o	“eu”.
Na	consciência	coletiva	ou	arcaica	estão	todas	as	memórias	do	sistema,	tudo	o
que	está	em	aberto,	tudo	o	que	não	foi	reconciliado,	ordenado	ou	reparado.
Todos	os	seres	estão	a	serviço	da	vida.	Tudo	e	todos.
Todos	os	filhos	estão	a	serviço	dos	pais,	esta	é	uma	das	ordens	do	amor.
Todos	os	filhos,	independentes	da	idade,	estão	trabalhando	para	os	pais,	para	os
antepassados.	Se	alguém	for	excluído	do	sistema,	o	filho,	apesar	de	ser	bem
tratado	pelos	pais,	pode	mostrar-se	rebelde	e	triste.	Esse	filho	mostra	que	alguém
que	precisa	ser	incluído	está	ali,	dando	a	oportunidade	de	ser	incluído	naquele
descendente.
Por	isso	é	tão	importante	que	os	pais	não	tomem	como	uma	responsabilidade
pessoal	um	conflito	com	um	filho;	que	tomem	sim,	com	a	consciência	sistêmica
e,	com	sabedoria,	ajudem	a	tornar	completo	o	que	se	mostra.
As	ordens	do	amor	dizem	que	tudo	o	que	vem	antes	tem	precedência.	Por	isso
compreendemos	porque	tantas	pessoas	têm	a	sensação	de	não	ir	para	adiante.
Essa	também	é	uma	das	ordens	do	amor,	primeiro	o	que	veio	antes,	primeiro	o
passado	e	depois	o	futuro.	Desse	ponto	de	vista	não	existe	passado,	só	existe	um
grande	agora	com	aquilo	que	é	necessário	ser	feito.
Quando	a	vida	não	vai	para	adiante,	então,	vá	para	trás.	É	lá	que	estão	o	êxito,	a
alegria,	a	saúde.
A	consciência	coletiva	é	a	consciência	arcaica	que	simplesmente	se	mostra	por
meio	da	pobreza,	da	infelicidade	ou	da	doença.	Ela	não	é	justa	e	nem	injusta,	ela
é.	Ela	impera	e	ela	exige,	não	tem	negociação.	Na	consciência	individual
pensamos	que	somos	livres,	porém	as	ordens	do	amor	dizem	que	antes	de	sermos
livres,	somos	leais.	Lealdade,	aqui,	significa	eu	junto	com	você,	eu	carrego	com
você.
Faz	parte	da	consciência	arcaica	também	os	talentos	e	os	dons,	as	habilidades
naturais,	o	que	não	é	de	domínio	da	pessoa,	os	sucessos	inexplicáveis.	As
profissões	que	prosperam	contrariando	todas	as	estatísticas.	A	consciência
arcaica	pode	ser,	por	exemplo,	uma	facilidade	com	a	lógica.	A	consciência
individual	então	é	a	escolha	do	indivíduo,	ele	pode	ser	engenheiro,	matemático,
mecânico	ou	caixa	de	supermercado.	A	consciência	arcaica	é	o	talento,	a
consciência	individual	é	o	que	eu	faço	com	ele.	Por	isso	entendemos	que,
quando	uma	pessoa	está	reconciliada	com	os	seus	pais,	ela	pode	se	reconciliar
com	os	talentos	que	lhe	foram	entregues.
A	consciência	individual	só	tem	espaço	quando	a	consciência	coletiva	está	em
paz,	organizada	e	completa.	Portanto,	todos	os	filhos	trabalham	para	seus	pais.	E
eles	sabem:	o	que	os	seus	filhos	fazem	para	eles	não	tem	preço.	Por	isso	os	filhos
agradecem	os	pais	pela	vida	e	os	pais	retribuem	amparando	cada	filho	na	sua
missão	para	com	o	sistema.
Quando	os	pais	exigem,	o	amor	se	perde.	Quando	os	pais	amparam,	os	filhos
podem	realizar	a	sua	missão.
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18.	TOLLE,	Eckhart.	O	Poder	do	Agora:	Um	guia	para	a	iluminação	espiritual.
Rio	de	Janeiro:	Sextante,	2002.	222	p.	Trad.:	Iva	Sofia	Gonçalves	de	Lima.
19.	__________________.	Um	Novo	Mundo:	O	despertar	de	uma	nova
consciência.	Rio	de	Janeiro:	Sextante,	2007.	267	p.	Trad.:	Henrique	Monteiro.
CONTRIBUIÇÕES
Reginaldo	Teixeira	Coelho
e
Ruud	Knaapen
A	CONSCIÊNCIA	SISTÊMICA
E	OUTRAS	CONSIDERAÇÕES
²¹
Reginaldo	Teixeira	Coelho²²
A	seguir	algumas	reflexões	para	o	entendimento	desta	forma	nova	de	pensar	–	o
pensamento	sistêmico	–	que	tem	sido	a	base	das	novas	ciências	como	a	Ecologia,
a	Cibernética,	a	Física,	a	Psicologia,	a	Medicina	vibracional,	e	como	podemos
utilizar	essa	nova	visão	uma	vida	mais	feliz.
Na	ciência	sabemos	que	ninguém	cura	ninguém.	As	pessoas	se	curam	e	nós
terapeutas	fazemos	apenas	uma	coisa:	tratamos	a	pessoa,	a	auxiliamos	no
processo	de	cura,	pois	todos	nós	temos	esta	ordem	interna.	Esta	ordem	divina
está	presente	dentro	de	cada	um	de	nós	na	forma	de	nossa	consciência,	que	é	um
estado	de	ser	e	se	manifesta	em	vários	níveis	de	percepção:	sinestésica,
cognitiva,	motora,	ideomotora,	mental,	verbal	espiritual	(GROF,	1976).	Nesse
momento	estamos	conscientes	de	várias	coisas,	de	alguns	pensamentos,	que	acho
bonito	ou	feio,	ou	memórias	do	que	se	passou	durante	o	dia,	e	isto	forma	um
campo	de	consciência	no	qual	estamos	nesse	momento.	Mas	se	fecharmos	os
olhos	e	formos	para	dentro,	vamos	perceber	outras	coisas	que	estão	se	passando
e	que	não	percebemos.	Se	formos	mais	fundo,	vamos	ao	encontro	de	áreas	mais
profundas	que	na	consciência	normal	não	percebemos.
O	mais	complicado	para	entendermos	é	que	a	mente	não	está	no	cérebro,	está
além	do	cérebro,	que	é	apenas	um	sistema	orgânico,	biológico,	energético,	que
na	realidade	é	como	o	HD	do	nosso	biocomputador.	O	cérebro	efetua	as	ligações
nervosas	e	promove	também	o	campo	da	consciência,	mas	a	consciência	em	si
está	no	corpo	inteiro	e	também	está	além	do	corpo.	A	mente	está	além	do	corpo
(GROF,	1976),	do	cérebro,	ou	seja,	a	mente	está	onde	está	nosso	pensamento,	se
penso	que	estou	no	Sol,	“estou	no	sol”,	se	penso	que	estou	naquela	árvore,	então
minha	mente	sai	de	dentro	de	mim	e	estou	perto	daquela	árvore.	A	mente	tem
esta	capacidade	de	expansão	e	contração	que	vai	além	da	percepção.	Os	nossos
instintos	então	no	nosso	corpo	através	dos	órgãos	de	nossos	sentidos,	da	pele,	da
visão,	das	sensações,	e	passam	por	vias	nervosas.
O	nosso	cérebro,	por	sua	vez,	tem	três	níveis	anatômicos	-	filogenéticos,	um
cérebro	primitivo	anfíbio,	reptiliano,	o	prosencéfalo,	um	cérebro	mamífero,	o
mesencéfalo	e	um	cérebro	hominídeo,	o	córtex.	Todas	as	coisas	que	recebemos
como	estímulo	são	passadas	por	vias	aqui	dentro	que	se	autocomunicam	com
várias	áreas	do	cérebro,	e	estas	áreas	visuais,	da	fala	sensorial,	de	integração	da
consciência,	é	onde	fica	gravado	o	nosso	sistema	de	crença,	tudo	aquilo	que	nos
provoca	ou	provocou	dor	e	nos	afasta	da	dor,	então	esta	é	a	parte	cérebro	que
evita	todas	as	dores,	e	a	área	da	transcendência	da	consciência	(córtex	frontal)
onde	surge	o	novo,	todas	as	possibilidades	novas,	onde	podemos	atingir	um	novo
estado.
Muitos	desses	instintos	não	conseguem	chegar	até	lá	e	as	conexões	ficam
interrompidas	e	interceptadas	pela	área	de	integração	que	evita	a	dor	ou	medo	da
dor	(PENFIELD,	1975).	Temos	aqui	um	corpo	que	une	os	dois	hemisférios	e
aqui	temos	uma	área	muito	importante	que	é	o	tálamo	e	o	hipotálamo,	onde	a
Medicina	diz	que	está	a	consciência.
Quando	um	estímulo	consegue	chegar	até	essa	região,	ele	torna-se	consciente	no
sujeito,	com	a	parte	mecânica	e	elétrica	de	nosso	cérebro.	Temos	ao	mesmo
tempo	muitas	experiências	iguais	aos	anfíbios,	sensoriais	de	calor,	de
temperatura,	como	um	animal	bem	primitivo,	mas	temos	um	corpo	mamífero
com	desejos,	com	raivas,	e	também	um	cérebro	que	tem	imagem	das	situações,	e
que	apresenta	essas	imagens	através	da	escrita,	de	símbolos,	de	formas.	Tudo
isso	acontece	ao	mesmo	tempo.	O	que	temos	de	consciência	de	tudo	isso	é
mínimo,	como	se	fosse	um	foco	de	um	projetor.	Então,	ele	vai	ver	apenas
determinadas	áreas	e	outras	ele	não	percebe,	mas	elas	estão	atuando.
Quando	mais	básicas	são	nossas	necessidades,	menos	consciência	temos	delas.	O
que	comi	já	passou	para	meu	intestino	delgado,	e	vai	descendo	e	eu	não	tenho
consciência	disso.	E	é	básico,	como	a	sede.	Mas	o	que	aconteceu	para	isso
mover,	não	sei,	pois	quanto	mais	básica	a	necessidade,	menos	consciência	temos.
Então	somos	mais	consciência	do	mundo	das	imagens,	do	córtex,	que	hoje	é	o
que	impera,	pois	vivemos	em	uma	sociedade	onde	uma	série	de	estímulos	para	o
pensamento,	pensar,	comprar,	discriminar,	e	ficamos	muitos	presos	ao	mundo
das	imagens,	fazendo	informações	que	dependem	de	informações	corticais	e
esquecemos	totalmente	que	a	base	de	tudo	isso	é	a	nossa	vida	instintiva,	animal,
que	sem	ela	a	vida	não	vai	acontecer.
Então,	aquela	ideia	antiga	dos	primeiros	filósofos	que	organizaram	a	ciência,
como	René	Descartes	(CAPRA,	1980),	que	foi	um	dos	filósofos	que	abriu	o
estudo	para	o	campo	científico,	com	o	“penso,	logo	existo”,	é	uma	distorção,
pois	existimos	antes	de	pensar,	o	pensamento	não	é	a	base	de	existir.	Uma	célula,
que	não	tem	um	cérebro	igual	ao	nosso,	também	está	existindo.	Então	existimos
antes	de	pensar.	Essa	ideia	de	funcionamento	se	chama	neuropsicofisiologia	–
como	funcionam	as	diversas	áreas	do	cérebro	relacionadas	com	os	campos	da
consciência	(PENFIELD,	1975).
Num	nível	psicológico,	existem	três	níveis	básicos	de	consciência	que	se
manifestam	no	nosso	corpo,	pois	o	corpo	é	a	manifestação	disso	tudo.	O	corpo
mostra	o	que	chamamos	de	consciência,	ele	fala	para	nós	a	cada	momento.
Temos	um	nível	de	consciência	individual,onde	montamos	a	nossa	imagem	de
nós	mesmos,	a	partir	das	experiências	da	primeira	infância	que	tivemos	com	pai
e	mãe,	que	revelam	também	se	as	nossas	necessidades	básicas	biológicas	foram
satisfeitas	ou	não	(FREUD,	1955).
Muitas	vezes	estamos	cheios	de	buracos	de	necessidades	não	satisfeitas,	como
fome,	sede,	necessidade	de	suporte	e	afago	e	não	fomos	atendidos,	e	criou-se	o
buraco.	Tais	faltas	desequilibram	o	corpo	e,	se	são	muitas,	se	transformam	em
trauma	ou	criam	um	padrão	de	comportamento.	Depende	de	nossa	nutrição
básica,	começando	desde	a	amamentação,	que	é	o	primeiro	contato,	depois	o
contato	do	rosto	da	mãe	com	o	filho,	e	isso	vai	elaborando	e	montando	um	senso
de	nós	mesmos,	que	só	é	dado	na	criação	e	pelo	contato	(SHELDRAKE,	1981).
Construímos	a	realidade	do	mundo	através	da	interação	que	temos	primeiro	com
nossa	mãe,	em	seguida	como	ambiente.	Se	deixarmos	uma	criança	quieta,	sem
interagir	com	ela,	mesmo	que	a	alimentemos	com	uma	máquina,	ela	até	se
desenvolve,	mas	ficará	retardada,	pois	não	vai	ter	interação	e	não	vai	construir
dentro	de	si	uma	ideia	de	si	mesma,	pois	o	si	mesmo	só	vem	por	meio	da
interação,	depende	do	outro,	sem	o	outro	não	existimos.
O	segundo	campo	foi	estudado	pelos	psicanalistas	do	início	do	século	passado,	e
por	uma	série	de	estudiosos	que	tentaram	mapear	isso	e	ver	como	nós	montamos
a	imagem	de	nós	mesmos,	através	de	experiências	como	também	de	momentos
que	foram	projetados	pelos	nossos	pais.	Somos	uma	colcha	de	retalhos,	mas	com
um	modelo	biológico,	as	nossas	células	já	trazem	um	programa	de	nosso	ser,	os
nossos	ossos	vibram	como	um	corpo	mental	de	estruturas	básicas	da	humanidade
(VARELA,	1991b).
Nosso	potencial	já	está	inscrito	no	corpo,	e	vamos	crescendo	e	esse	potencial	vai
se	realizando,	e	com	a	estimulação	externa	vai	se	desenvolvendo,	ou	não,
dependendo	do	que	acontecer	no	ambiente.
Existe	o	registro	acumulado	que	vai	trazer	isso	para	o	nosso	corpo	e	fazê-lo
transparecer	tudo	aquilo	que	somos.	São	os	arquétipos,	são	fórmulas,	ou	formas
fixas	dentro	do	inconsciente	coletivo,	que	vão	dirigir	a	nossa	existência.
Imaginamos	que	somos	muito	autônomos,	mas	não	temos	autonomia	quase
nenhuma,	pois	somos	conduzidos	por	essas	forças	do	inconsciente.
Encontramos	também	outro	campo,	que	também	é	um	grande	modulador:	é	o
campo	da	família,	o	inconsciente	da	família,	e	pelo	qual	estamos	aqui
interessados,	e	poderíamos	ficar	dias	e	anos	falando	sobre	ele.	Cada	um	tem	a
sua	força.	E	a	força	mais	forte	vem	dos	arquétipos.	E	um	segundo	nível	que	vem
dos	mitos	familiares,	das	histórias	familiares,	do	qual	somos	o	plasma	e	a	força
que	nos	traz	aqui,	pois	todos	nós	trazemos	a	família,	tanto	no	nível	biológico
quanto	no	aspecto	psicológico,	comportamental	(HELLINGHER,	2003).
Esse	nível	tem	uma	força	muito	intensa	que	vai	atuar	na	nossa	personalidade,	na
nossa	persona.	A	personalidade	é	o	som	que	atravessa	a	máscara	(palavra	usada
no	teatro	grego),	onde	as	pessoas	usavam	máscaras	que	chamavam	de	persona.
Então	tinha	a	máscara	da	raiva,	máscara	da	inveja,	máscara	do	orgulho,	máscara
do	ciúme,	e	tinha	alguém	que	falava	por	trás	dessa	máscara,	a	persona	que	falava
por	trás	da	máscara.	A	personalidade	é	quem	fala	por	trás	da	máscara.
A	máscara,	que	intermedia	a	nossa	Essência	com	os	outros	e	com	o	mundo.	Não
posso	ficar	totalmente	sem	máscara.	Às	vezes	tiramos	um	pouco.	Na	máscara
social	agora	estou	sendo	o	professor,	mas	sou	também	homem,	marido,	filho,
etc.	A	sociedade	também	exige	de	nós	uma	atitude,	então	usamos	a	máscara.
Então,	em	determinados	modelos	usamos	determinadas	atitudes,	pois	isso	cai
bem	naquele	momento.	Mas	só	que	isso	chegou	às	vias	do	absurdo,	pois	ficamos
muito	mais	ligados	na	máscara	do	que	na	Essência.	A	nossa	sociedade	exacerbou
um	domínio	da	imagem.	O	século	XX	foi	o	século	da	imagem,	do	cinema,	da
televisão,	etc.,	e	a	imagem	se	tornou	algo	de	exagerado	na	nossa	vida,	e	ficamos
muito	presos	a	essas	demandas.
Perdemos	e	temos	perdido	cada	vez	mais	o	contato	com	essas	forças	que	vêm	lá
dos	arquétipos,	devido	ao	acúmulo	de	imagens	falsas,	temos	que	ser	tantas	coisas
ao	mesmo	tempo	e	esquecemos	quem	somos.	O	pior	é	que	impomos	isso	ao
nosso	corpo,	além	de	ter	os	impulsos	internos	do	que	você	é,	ainda	temos	que
atender	essas	imagens,	para	ser	esse	outro,	que	na	realidade	não	vai	fazer	muita
diferença.	Adquirimos	os	conceitos	de	moda,	de	chique,	de	brega,	etc.,	mas	tudo
é	máscara.	A	Essência	é	aquilo	de	perene	em	nós	e	sentimos	perdidos	quando
distanciados	Dela.
Ficamos	perdidos	no	meio	de	tantos	“querer	ser”,	que	por	fim	se	tornam	nada.	A
televisão	manda	ser	de	uma	forma,	o	social	de	outra,	tentamos	nos	identificar
cada	vez	com	uma	máscara.	Nosso	Eu	fica	enfraquecido,	e	uma	grande	parte	da
força	que	vai	atuar	vem	desse	inconsciente	coletivo	familiar	que	trazemos,	que
estamos	dentro	dele,	e	vai	nos	acompanhar	até	a	hora	de	nossa	morte.	Minha
família	está	comigo,	tanto	no	sentido	biológico	quanto	comportamental.
Inconsciente,	em	cada	um	de	seus	níveis,	tem	as	suas	leis,	padrões,	regras	e
dinâmicas	de	comportamento.
A	história	da	nossa	família	vem	com	um	destino	comum	(HELLINGHER,
2003).	Toda	família	tem	uma	tragédia	comum,	uma	desgraça	comum,	alegrias
comuns,	bens	comuns.	Todas	essas	coisas	são	comuns	entre	nós.	Cada	um	tem	as
suas	estórias,	mas	somos	muito	iguais,	mesmo	na	terceira	geração	lembramos
outros	que	estavam	lá.	Esta	é	uma	força	plasmadora	que	vem	direcionar	e
ordenar	uma	série	de	dinâmicas	na	nossa	vida	atual.
A	teoria	sistêmica,	desenvolvida	logo	após	a	Segunda	Guerra	Mundial,	foi	uma
tentativa	de	dar	um	conceito	geral	para	a	ciência	num	mundo	esfacelado,	e	o
conceito	geral	veio	da	Biologia	de	Bertalanffy	(LORIEDO,	PICARDI,	2000).
Observamos	que	a	vida	no	planeta	se	organiza	em	sistemas	cada	vez	mais
complexos.	Começando	pelos	sistemas	de	nosso	corpo,	formado	por	vários
sistemas	que	pertencem	a	um	sistema	maior:	o	sistema	circulatório,	o	sistema
linfático,	o	sistema	nervoso,	o	sistema	sensorial,	que	fazem	parte	do	todo	maior.
Um	sistema	desses,	sozinho,	não	funciona,	eles	estão	interligados	para	o
funcionamento	do	Ser	como	um	todo.
Assim	em	uma	célula	também	existe	uma	representação	da	unidade	do	corpo.	Na
célula	há	uma	representação	do	sistema	nervoso,	do	digestivo,	nas	suas
estruturas	internas…	Então,	um	conjunto	de	células	em	um	tecido	de	um	órgão
tem	uma	mente	em	comum,	e	age	de	uma	mesma	forma,	por	isso	que	existe	a
diferenciação	dos	tecidos:	os	tecidos	da	pele	são	todos	desenvolvidos	para
receber	estímulos	nervosos,	sensações	nervosas,	respirar,	diferentemente	do
tecido	que	reveste	o	estômago,	mas	todas	vieram	de	uma	mesma	célula
resultante	da	união	entre	óvulo	e	espermatozoide,	que	se	diferenciaram	e	fazem
parte	de	um	todo,	como	numa	teia.	Esse	é	o	pensamento	sistêmico:	o	todo	na
unidade	e	a	unidade	formando	todos	cada	vez	maiores.	As	células	renascem	com
uma	determinada	função	e	têm	uma	consciência	comum.
Estarei	ligado	ao	sistema	de	minha	família,	que	é	o	primeiro	sistema	de	ligação,
que	já	está	ligado	ao	sistema	da	sociedade,	da	cidade	onde	você	mora,	a	cidade
ligada	ao	estado,	e	o	estado	ligado	ao	país,	e	o	país	está	ligado	à	raça,	e	a	raça	ao
planeta,	e	o	planeta	ao	sistema	solar,	e	este	ao	sistema	galático,	que	está	ligado
ao	restante	do	universo,	e	o	universo	está	em	nós.	Estou	no	universo,	sou	o
universo.	Parece	algo	separado,	mas	todos	estão	no	universo,	e	somos	seres
universais	e	somos	seres	extraterrenos.	Provavelmente	para	os	lunáticos	somos
extraterrenos.	O	todo	está	na	parte	e	a	parte	está	no	todo.
Esse	é	o	pensamento	sistêmico,	que	é	a	realidade,	pois	não	existe	nada	separado.
O	eu	e	o	outro	não	somos	separados,	não	é	uma	relação	linear,	é	apenas	um
modelo	para	que	possamos	estudar.	A	relação	verdadeira	é	eu/outro,	outro/eu.	O
ego	age	assim	como	se	eu	fosse	assim,	minhas	coisas	são	essas,	eu	sou
importante,	o	meu	pensar	é	importante,	mas	onde	se	desenvolveu	o	pensar	dele?
Ele	dependeu	de	todo	mundo.
Existem	pessoas	que	se	acham	e	afirmam	“eu	me	fiz”:	têm	uma	Mercedes,	um
carro	luxuoso	para	mostrar	parao	mundo	inteiro	que	ele	se	fez,	lindo	e
maravilhoso.	É	uma	ilusão.	Mas	depois	vai	lá	para	o	consultório	procurar	o	‘eu’
dele.
Voltando	para	a	terapia	familiar,	falaremos	um	pouco	sobre	Bert	Hellinger,	que	a
desenvolveu.	Antigo	padre	e	missionário	junto	dos	Zulus,	na	África	do	Sul,	por
16	anos,	e	com	eles	aprendeu	uma	série	de	formas	de	como	manter	a	integridade,
a	saúde,	a	homeostase,	nas	relações	familiares	e	sociais.	Retornando	à	Europa,
estudou	Psicologia,	e	dentro	dela	estudou	várias	abordagens,	pois	na	Psicologia
existem	muitas	formas	de	se	trabalhar,	não	apenas	a	Psicanálise	ou	Lacan.
Cada	abordagem	dentro	da	psicologia	tem	a	sua	riqueza	e	a	sua	ciência.	Bert
Hellinger	passou	por	várias	abordagens,	pela	Psicanálise,	Gestalt	Terapia,
Hipnoterapia,	pelo	Grito	Primal,	PNL,	e	organizou	um	sistema	fundamentado	em
muitos	princípios.	Passou	a	trabalhar	basicamente	com	sistemas	familiares	e
redescobriu	alguns	princípios	baseados	em	diversos	pesquisadores	os	quais
denominou	“as	ordens	do	amor”.
A	experiência	que	nos	liga	por	laços	de	sangue	é	a	experiência	do	amor.	E	o
amor	não	é	uma	coisa	idealizada.	Ele	vai	se	manifestar	das	formas	mais
paradoxais.	Tais	ordens	nos	fazem	estar	ligados	por	essa	experiência	sanguínea	e
um	destino	comum.	Ele	observou	que	quando	se	transgridem	essas	ordens,	se
promove	a	repetição	dos	padrões	patológicos	e	desgraças	do	sistema.
A	primeira	ordem	que	ele	identificou	foi	a	da	Pertinência.	Ela	é	bem	biológica,
pois	todos	os	seres	vivos	necessitam	sentir	que	pertencem	a	algum	grupo;	os
cachorros	gostam	de	pertencer	ao	grupo	de	cachorros,	os	macacos	de	pertencer
ao	grupo	de	macacos,	e	essa	é	uma	necessidade	biológica	de	pertencer	a	um
grupo,	a	uma	família,	a	uma	situação.
Todos	os	excluídos	sentem-se	desequilibrados,	fora.	Ninguém	quer	se	sentir	fora.
A	lei	da	pertinência	diz	o	seguinte:	quando	numa	geração	alguém	foi	excluído,
porque	enlouqueceu,	ou	empobreceu,	ou	faliu,	e	as	outras	pessoas	nunca	mais
falaram	e	o	excluíram,	quando	chega	a	nova	geração,	alguém	que	nasce	no
mesmo	campo	sanguíneo	pega	de	novo	o	mesmo	padrão	e	repete	a	mesma
história	inconscientemente.
Consciência	é	o	saber	de	todos,	e	“inconsciente”	é	o	que	está	dentro	disso,	o
prefixo	‘in’	significa	dentro,	e	dentro	da	consciência	há	um	in,	que	não
percebemos,	mas	o	in	está	relacionado	com	a	estrutura	interna.	Temos
consciência	de	muitas	coisas	e	muita	inconsciência,	vindas	de	gerações,	que
estão	dentro	de	nós.	Parece	que	não	sabemos,	mas	está	dentro	e	não	percebemos.
Então	o	padrão	se	repete	de	novo	nos	sobrinhos,	netos,	bisnetos.	Ocorrem
suicídios,	loucuras,	até	que	alguém	veja,	alguém	da	família	presta	atenção	e	vê,
com	consciência,	e	inclui	todos	na	alma,	pois	a	alma	pede	inclusão	de	todos
(HELLINGER,	2003).	Temos	uma	alma	individual,	e	temos	a	alma	de	nossa
família,	que	está	ligada	à	alma	de	nossa	raça.
As	pessoas	que	foram	abusadas,	usadas,	mortas,	para	que	nossos	ancestrais
pudessem	ter	tido	um	a	padrão	de	vida	alto,	como,	por	exemplo,	um	avô	que
matou	outros	e	a	família	do	morto	ficou	mal;	os	que	usaram	trabalho	escravo
para	se	enriquecer;	a	corrupção,	que	provoca	fome	em	muitos;	então	alguém	vai
pagar,	no	sentido	de	redimir,	por	isso.
Alguém	pode	se	identificar	com	as	vítimas	de	nossa	família	e	fica	com	raiva	da
família	toda;	isso	percebemos	nos	surtos	psicóticos,	que	na	maioria	das	vezes
consiste	na	emergência	dessa	consciência	adormecida	e	aparece	de	repente.	A
pessoa	está	bem	e	por	volta	dos	20	anos	começa	a	agredir	todo	mundo,	não	fala
coisa	com	coisa,	vai	para	o	hospital	psiquiátrico,	toma	injeção	de	psicofármaco,
e	ninguém	sabe	o	que	aconteceu.	Se	prestarmos	mais	atenção	ao	que	estas
pessoas	estão	falando,	veremos	que	elas	falam	pedaços	dessas	histórias	passadas
com	as	quais	estão	identificadas.	Já	trabalhei	em	hospital	psiquiátrico	e	eu	sei	o
que	é.	Aparecem	os	pedaços	das	histórias	que	estão	desconectadas.
A	segunda	ordem	é	a	da	Inocência	e	Culpa	(HELLINGER,	2003).	As	crianças,
por	um	amor	inocente,	tendem	a	pegar	para	si	o	peso,	as	responsabilidades	e
assuntos	que	os	pais	não	resolveram	sobre	si	mesmos,	e	muitas	vezes	elas
adoecem	para	manter	o	sistema	unido.
Por	exemplo,	o	pai	casou	com	uma	pessoa	de	quem	não	gostava	porque
engravidou	e	teve	que	casar.	Ficou	com	tanta	raiva	de	ter	perdido	a	liberdade,
mas	ficou	na	situação,	se	sentindo	malogrado.	Então	muitas	vezes	como	não
pode	bater	na	mulher,	agride	os	filhos,	e	os	filhos	se	colocam	para	apanhar	no
lugar	da	mãe	para	que	pai	e	a	mãe	fiquem	juntos	e	eles	consigam	sobreviver,
porque	o	filho	depende	do	pai	e	da	mãe,	mas	isso	está	acontecendo	num	nível
inconsciente,	ou	seja,	dentro	do	consciente.	Outro	exemplo:	o	pai	está	casado
com	a	mulher	com	quem	tem	filhos,	mas	tem	uma	amante	e	gosta	muito	da
amante,	então	a	filha	copia,	não	o	modelo	da	mãe,	mas	sim,	o	da	amante	do	pai,
mesmo	sem	conhecê-la.	Identifica-se	com	a	amante	porque	quer	trazer	aquela
experiência	de	amor	para	dentro	da	casa.	A	mãe	tinha	um	grande	amor	antes	de
casar,	e	não	casou	porque	ele	tinha	problema	de	alcoolismo	e	a	família	não	o
queria.	Por	isso	se	casou	com	um	marido	arrumado,	com	um	cara	certinho,	e
ficou	infeliz.	Então	um	filho	copia	aquele	sujeito,	um	grande	amor	da	mãe	e	não
o	marido.
A	terceira	ordem	é	o	Dar	e	Receber	(HELLINGER,	2003).	A	natureza	dos	pais	é
dar	para	os	filhos,	cuidar	dos	filhos,	e	a	natureza	dos	filhos	é	receber,	pegar,
dizer	eu	quero	isso,	aquilo.	Quando	isso	se	inverte,	causa	problema,	e	há	pais
que	querem	tomar	o	lugar	dos	filhos	e	filhos	que	querem	dar	no	lugar	dos	pais.
Isso	aconteceu	muito	nas	áreas	rurais,	quando	se	tinha	muitos	filhos	para	ter
braços	para	trabalhar.	Então	muitas	crianças	não	tinham	nem	infância	e	nem
adolescência,	trabalharam	desde	cedo	e	se	sentiram	roubadas	no	direito	de	tomar.
De	outro	lado	vemos,	também,	na	sociedade	burguesa	um	abuso	dos	filhos
querendo	mais	do	que	os	pais	podem	dar.
A	quarta	ordem	é	a	do	Tempo	(HELLINGER,	2003).	Quem	chega	primeiro	no
sistema	tem	prioridade.	No	sistema	familiar	quem	chega	primeiro	é	o	pai	e	a
mãe,	e	depois	é	o	relacionamento	do	pai	e	da	mãe	que	é	importante,	em	seguida
vem	o	primeiro	filho,	o	segundo,	o	terceiro	e	assim	por	diante.	Quando	um	filho
mais	novo	quer	tomar	o	lugar	do	filho	mais	velho,	cria-se	um	emaranhado;	ou
quando	o	filho	quer	entrar	no	meio	do	relacionamento	do	pai	e	da	mãe,	criam-se
problemas	gravíssimos;	ou	quando	um	filho	quer	tomar	o	lugar	ou	do	pai	ou	da
mãe,	porque	o	pai	é	doente,	cria	problema.	Ele	nunca	vai	ser	o	pai,	ele	pode	ser	o
filho	mais	velho.	Isso	cria	emaranhado	sistêmico	que	pode	levar	ao	suicídio,	a
surtos	psicóticos	e	a	falências	financeiras.
Referências
1.	CAPRA,	Fritjof.	O	Tao	da	Física.	Editora	Cultrix,	São	Paulo.	1980.
2.	GROF,	STANISLAV,	Realms	of	the	Human	Unconscios,	Dutton,	Nova	York,
1976.
3.	VARELA,	Francisco;	COUTINHO,	Antonio.	Second	Generation	Immune
Networks,	Immunology	Today,vol.	12,	n°	5	pp.	159-166.1991b.
4.	FREUD,	Sigmund.	Psychoanalysis	and	telepathy.	The	Complet	Works	of
Sigmund	Freud,	vol.	18.	Londres:	Hogarth	Press.	1955.
5.	PENFIELD,	Wilder.	The	Mystery	of	the	Mind.	Princeton,	N.J.:	Princeton
University	Press,	1975.
6.	SHELDRAKE,	Rupert.	A	New	science	of	Life:	The	Hypothesis	of	Formative
Causation.	Londres:	Blond	and	Briggs	Ed.	1981.
7.	LORIEDO,	Camillo;	PICARDI,	Angelo.	Dalla	teoria	generale	dei	sistemi	alla
teoria	dell’attaccamento:	percorsi	e	modelli	della	psicoterapia	sistemico-
relazionale.	Franco-Angeli.	Ed.	Milano.	Italy,	2000.
8.	HELLINGER,	Bert.	As	Ordens	do	Amor.	Editora	Cultrix.	São	Paulo,	2003.
COACHING	COM	CAVALOS
-	um	tanto	de	história	e	de	destino	–
Ruud	Knaapen²³
***
Em	2012,	Olinda	Guedes	perguntou	se	eu	percebia	um	ganho	numa	colaboração
entre	o	Instituto	Anauê-Teiño	e	Bureau	Wind.	Com	minha	mente	não	poderia
responder	à	pergunta,	mas	o	meu	coração	tinha	uma	resposta.	Dizia	algo	como:
“Nós,	holandeses,	vivemos	abaixo	do	nível	do	mar	e	por	isso	somos	bons	em
manter	a	água	sob	controle.”
Talvez	tenhamos	inconscientemente,	também	um	pouco	de	medo	da	água,	medo
daquilo	queflui.	Desde	a	grande	enchente	nós	decidimos:	isto	não	acontecerá
nunca	mais.	Amor	e	medo	de	água	andam	de	mãos	dadas.	Secretamente	ainda
acreditamos:	se	nos	contermos	internamente,	podemos	exorcizar	o	mal	que	vem
de	fora.	Para	nós	holandeses,	os	brasileiros	representam	o	“deixar	fluir”.	Para
nós,	vocês	têm	acesso	direto	ao	coração.
Talvez	vocês,	às	vezes,	desejam	diques	ou	um	leito	seguro.	O	coração	também
precisa	ter	um	leito	seguro	rumo	ao	destino.	Se	juntamos	essas	duas	forças,	surge
um	movimento,	um	movimento	com	um	destino.	Quando	penso	em	coaching
com	cavalos,	vejo	o	potencial	de	um	campo	vigoroso	se	desenvolvendo,
alimentado	a	partir	de	duas	fontes,	duas	culturas,	duas	almas	que	caminham
juntas	e	se	tornam	mais	e	que	ainda	mantêm	as	suas	características	próprias.
Eu	realmente	não	sei	se	usei	literalmente	essas	palavras,	mas	sei	que	esta	era	a
essência	da	resposta.	E	sei	que	a	resposta	simplesmente	surgiu	como	se	fosse	a
coisa	mais	natural	do	mundo.	Como	se	nessa	altura	o	movimento	já	tivesse
iniciado.	Acredito	que	as	palavras,	às	vezes	não	vêm	de	nós,	mas	sim,	através	de
nós.	Às	vezes,	até	mesmo	do	futuro,	então	o	destino	já	está	em	nós	e,	enquanto
pessoas,	estamos	ainda	a	caminho.
História
Quando,	em	1999,	eu	fiz	os	primeiros	atendimentos	de	coaching	com	cavalos,
muitos	na	Holanda	gozavam	da	minha	cara.	O	que	um	cavalo	pode	nos	ensinar?
Naquela	época,	meu	foco	principal	eram	questões	de	liderança.	E	me	lembro	de
um	gerente	que,	no	final	de	uma	sessão,	veio	até	mim	e	disse:	“Eu	nunca
experimentei	isto	antes,	é	inacreditável	a	velocidade	com	que	isso	acontece.
Aquele	cavalo	me	entendeu	em	1	segundo.	Eu	não	compreendo.	Mas	também
tenho	um	pedido	a	você”.
Agradeci	o	elogio	e	perguntei-lhe	o	que	era	pedido	e	ele	respondeu:	“Por	favor,
não	escreva	um	relatório	disto	para	colocar	no	teu	site	e	nem	conte	a	outras
pessoas.	Se	ficarem	sabendo	que	a	minha	equipe	fez	um	coaching	com	cavalos,
ninguém	mais	vai	nos	levar	a	sério.	Isso	pode	ser	desastroso	para	minha
reputação	e	da	minha	equipe”.	Naquela	época	não	fluía.
O	cavalo	como	espelho	do	que	ainda	não	foi	visto.
No	início,	trabalhei	muito	tempo	com	a	hipótese	de	que	os	cavalos
instintivamente	respondiam	à	incongruência	ou	incompletude	do	participante.
Traduzi	isso	popularmente	como	“o	cavalo	coloca	de	volta	o	que	você	deixa	de
fora,	o	que	ainda	é	muito	doloroso	para	olhar”	ou	“o	cavalo	tira	a	divisória	entre
o	consciente	e	o	inconsciente”.	Muitas	vezes,	se	trata	de	uma	discrepância	entre
os	sentimentos	conscientes	e	inconscientes	ou	autoimagens.	Quando	são
discrepâncias,	o	cavalo	parece	se	orientar	antes	pela	parte	repelida	(às	vezes,
inconsciente)	da	consciência	do	que	pela	parte	mostrada	ou	desejada.
Cavalos	só	podem	mostrar	o	que	sentem,	sem	julgamento.	Quando	nós	nos
mostramos,	consciente	ou	inconscientemente,	diferente	de	como	estamos
naquele	momento,	isto	é	imediatamente	refletido	nas	reações	do	cavalo.	O
aspecto	interessante	para	o	participante	é	que	o	cavalo	reage	mais	fortemente
àquilo	que	o	participante	repele.	O	participante	fica	assim	cara	a	cara	com	uma
parte	de	si	mesmo	que	ele	prefere	(ainda)	não	olhar.	(De:	O	cavalo	a	serviço	do
conjunto,	Paardendiepgang).
A	manada	quer	ser	completa.
O	próximo	passo,	em	algum	momento	em	2004,	foi	a	percepção	de	que	o
participante	não	entra	só	enquanto	indivíduo	no	picadeiro,	mas	com	todo	o	seu
rebanho	interior:	o	sistema	do	qual	faz	parte	e	do	qual	toda	a	informação	está
guardada	nele,	como	se	fosse	uma	cópia,	uma	condensação	aonde	o	todo	está
sempre	presente.	O	todo	não	permite	que	pessoas	ou	acontecimentos	dolorosos
sejam	excluídos.	Cavalos	sentem	isto.
Uma	equipe	de	colegas	fica	na	beira	do	picadeiro	olhando	como	sua	gerente
realiza	a	missão	de	fazer	contato	com	o	cavalo.	Ela	tenta	de	tudo,	mas	o	cavalo
não	dá	nenhuma	resposta.	Ela	toca	o	cavalo,	contorna-o,	empurra-o	e,
finalmente,	com	muita	energia	lança	a	corda	por	trás	do	cavalo.	O	cavalo
parece	ficar	cada	vez	mais	inativo.	Silêncio	total	no	haras,	até	mesmo	nos
estábulos.	Quanto	mais	a	mulher	investe	no	contato,	mais	o	cavalo	se	afasta.	E
lentamente	fecha	os	olhos	e	se	torna	completamente	inacessível	à	participante.
Silêncio	completo.
Quando	percebo	isto	enquanto	facilitador,	sinto	subitamente	um	medo,	medo	de
que	o	cavalo	morra,	mesmo	sabendo	que	isto	seria	impossível.	Num	piscar	de
olhos	eu	percebo	que	esta	informação	vem	do	sistema.	Pergunto:	“Quem	ou	o
que	está	inevitavelmente	perdido	ou	não	está	mais	acessível?”.	Vejo	que	um
choque	passa	pela	equipe.	A	mulher	se	assusta.	Há	pessoas	de	sua	equipe	que
faleceram	em	um	acidente	e,	desde	então,	ela	se	consumia	pela	culpa.	Como	se
ela	pudesse	ter	impedido.	Isso	era	um	fardo	pesado	que	impedia	de	reconhecer	a
perda.
A	partir	de	então,	o	trabalho	com	cavalos	também	ganhou	uma	dimensão
sistêmica.	Depois	do	Workshop	no	Brasil,	em	2012,	surgiu	outra	dimensão:	o
poder	de	destinos.
O	poder	de	destinos
Que	este	trabalho	veio	entretanto	desenvolvendo	o	seu	caminho	também	no
Brasil	indica	que	o	destino	deste	trabalho	já	estava	lá.	Isso	é	não	local.	Em	2011,
Agnes	Vercauteren	nos	contatou.	Ela	nasceu	na	Bélgica,	vive	e	trabalha	há	mais
de	35	anos	no	Brasil	e	é	amiga	de	Sandra	Regina	Zawadzki,	que	há	algum	tempo
estava	desenvolvendo	um	trabalho	sistêmico	com	cavalos.
Sandra,	como	eu,	também	tinha	experimentado	que	os	clientes	em	conexão	com
os	cavalos	rapidamente	ganhavam	acesso	à	essência	da	sua	questão,	seu	coração
e	seu	rebanho	interior.	Através	de	Ursula	Franke,	uma	consteladora	renomada,
souberam	que	havia	alguém	na	Holanda,	que	também	fazia	um	trabalho
sistêmico	com	cavalos.	Desde	então	o	campo	atuou.	O	destino	já	estava	escrito.
Em	2012	iniciou-se	o	primeiro	Treinamento	Coaching	Sistêmico	com	Cavalos,
organizado	pelo	Instituto	Anauê-Teiño,	sob	a	coordenação	de	Olinda	Guedes.
Tudo	aconteceu	rapidamente.
Ao	mesmo	tempo,	estou	convencido	de	que	esse	conhecimento	é	universal	e
não-local:	está	em	igual	medida	acessível	a	todos	e	em	qualquer	lugar.	É	uma
fonte	que	está	disponível	para	todos	em	igual	medida.	Fontes	tendem	a	ser	maior
na	medida	em	que	se	vai	tomando	mais	e	passando	adiante.	Quando	Sandra	e	eu
nos	conhecemos	em	2012,	não	conseguíamos	nos	fazer	entender	pelo	idioma.	O
conhecimento	sobre	cavalos	há	muito	tempo	havia	alcançado	nossos	corações:
quando	tratávamos	de	coaching	com	cavalos	éramos	imediatamente	levados	a
outro	campo	aonde	a	língua	falada	realmente	assumia	um	papel	menor.
Aparentemente,	este	tipo	de	partilha	de	conhecimentos	acontece	em	outro	nível	e
não	através	da	troca	explícita	da	linguagem	verbal.	Destinos	operam	a	partir	do
futuro,	a	partir	“daquilo	que	chama”.	Os	brasileiros	têm,	de	uma	ou	de	outra
maneira,	mais	confiança	nisto,	comparado	aos	holandeses.	Com	estas
experiências	aprendemos	a	nos	deixar	ser	guiados	pelo	chamado,	nem	tanto	a
partir	da	cabeça,	mas	a	partir	do	coração.	O	coração	está	sempre	no	momento
certo,	já	a	cabeça	vem	apenas	depois,	as	vezes	uma	fração	de	segundo	mais
tarde.
Por	vezes,	o	coração	proporciona	no	trabalho	com	os	cavalos,	intervenções	que
não	entendemos	com	a	cabeça.	Os	cavalos	funcionam	como	um	guia	indicando
para	onde	ir,	o	que	realmente	importa.	O	que	ressoa	com	o	destino.
O	caso	seguinte	é	um	exemplo.	Quando	a	intervenção	surgiu,	eu	realmente	não
sabia	do	que	se	tratava,	mas	foram	as	reações	do	cavalo	que	deixaram	surgir	a
frase.	Uma	frase	vinda	do	coração.
A	história	do	coração
“Eu	não	sei	como	deixar	a	organização	onde	eu	trabalho,	acho	que	tenho	que
fazer	alguma	coisa	aqui”,	diz	ele,	um	homem	de	cerca	de	60.	O	facilitador	pede
para	ele	entrar	no	picadeiro	para	olhar	juntos	o	que	acontece.	O	homem	entra
passando	pelo	cavalo.	O	cavalo	permanece	imóvel	sem	qualquer	resposta	ou
reação.	O	único	fato	que	pode	ser	observado	é	que	o	cavalo	parece	ainda	mais
fixado	em	sua	posição.	Ele	olha	para	fora	do	picadeiro,	a	cabeça	baixa	e	parece
querer	entrar	em	movimento,	mas	não	pode	se	mover.
Lentamente	o	homem	chega	mais	perto	e	fica	no	ombro	do	cavalo.	Eles	olham
na	mesma	direção.	O	facilitador	diz:	“Não	sei	do	quese	trata,	mas	posso	fazer
uma	sugestão,	uma	frase	que	você	poderá	falar?”
O	homem	acena	com	a	cabeça.
“Diga	para	aquilo	que	o	cavalo	representa:	Obrigado.”	O	homem	olha	para	o
facilitador,	sem	compreender,	mas	fala	a	frase	apresentada.	Seu	rosto	muda	de
cor.	Você	gostaria	de	acrescentar:	“E	agora	deixo	você	ir”?
Ele	sinaliza	com	a	cabeça,	parece	agora	saber	do	que	se	trata	e	fala	a	frase.
Então,	lentamente,	o	cavalo	se	move	para	longe	dele.	Assim	se	conclui	a	sessão.
Na	conversa	posterior	o	homem	indica	que	está	claro	para	ele	que	a	sua	questão
não	era	sobre	a	sua	saída	da	organização.	Ele	enfrenta	um	desafio	muito
diferente:	sua	parceira	a	qual	ele	cuidou	muito	tempo	está	doente.	Ele	precisa
dar	permissão	para	ela	ir.	Seu	dilema	em	torno	da	despedida	em	relação	ao	seu
empregador	é	mais	fácil	de	encarar	do	que	o	dilema	que	realmente	aconteceu
aqui.
Em	ressonância	com	o	seu	destino
Cavalos	revelam	se	estamos	em	ressonância	com	o	que	nos	é	dado,	com	o	que
somos:	nossa	família,	nossas	habilidades,	nossas	falhas	e	nossos	desejos.	Se	o
nosso	rebanho	interior	está	completo	e	em	ordem.	Se	cada	um	do	nosso	rebanho
tem	um	lugar	em	nosso	coração.	E	tem	outra	coisa	que	ficou	claro	para	mim
graças	ao	Brasil:	os	cavalos	nos	mostram	se	estamos	em	ressonância	com	o
nosso	destino.	Se	fizermos	isso,	então	vivemos	“a	favor	do	vento”.	Se	não,
sentimos	dificuldades	e	precisamos	fazer	esforços	adicionais.	Cavalos	nos
mostram	imediatamente,	sem	rodeios.	Hellinger	disse	uma	vez:	Sabedoria	é
saber	o	que	é	possível.	Aparentemente	cavalos	“sabem”	isto	também.
Este	campo	também	tem	um	destino	e	destino	chama.
A	potência	deste	trabalho	e	as	muitas	aplicações	que	podem	se	dar	no	Brasil	são
imensas.	A	novidade	do	processo	e	a	energia	dos	brasileiros	são	um	grande
impulso	para	o	trabalho	na	Holanda.	Sou	grato	pelas	ideias	que	temos	colhido
juntos	até	agora,	mas	ainda	mais	curioso	por	onde	este	campo	nos	levará	no
futuro.
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²¹	Texto	organizado	tendo	como	referência	palestra	proferida	na	Universidade	de
Brasília	-	Programa	da	Reitoria	de	atualização	de	conhecimentos	–	Brasília	–	DF
–	4	de	novembro	de	2005.
²²	Psicólogo	clínico	pela	UFMG.	Diretor	da	ABC	sistemas	–	Associação
Brasileira	de	Consteladores	Sistêmicos.
²³	Ruud	Knaapen:	holandês,	psicólogo,	coach,	funddor	do	Bureau	Wind
(www.wind.nu),	especialista	em	Constelações	Familiares	e	Organizacionais	-
Instituto	Bert	Hellinger.	Trabalha	com	consultoria	de	processos	de	mudança	e
desenvolvimento	humano	e	de	organizações.	Realiza	treinamentos	na	Holanda,
Bélgica	e	Brasil.
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COMPARTILHANDO…
Alunos,	estudantes,	gente	que	faz	parte
do	caminho	e	mora	no	coração.
Gente	que	inspira,	dedica	e	realiza.
Orgulho	de	professora,	alegrias	de	servir!
Primeiramente	venho	agradecer	a	Olinda	Guedes	por	todos	os
ensinamentos	e	por	todo	o	amor	que	ela	transmite	por	meio	de	sua	presença
e	de	suas	palavras.
Quando	comecei	a	formação	em	constelação	sistêmica	familiar	e	organizacional,
estava	cheio	de	dúvidas	e	muitas	crenças	limitantes.	Conforme	os	módulos
foram	acontecendo,	pude	perceber	como	o	amor	chegou	até	mim	e	como	ele	age.
“O	amor	não	tem	pressa,	o	amor	não	se	cansa”.	É	assim	que	vejo	o	amor	em
minha	vida,	mostrando	sempre	os	melhores	caminhos	a	serem	percorridos.
Pude	compreender	que	sempre	que	agimos	com	amor,	nada	pode	dar	errado,	só
precisamos	estar	presentes	e	em	sintonia	com	nossos	objetivos.
A	expectativa	sempre	me	trazia	muita	infelicidade	e	arrependimento;	pude
completar	muito	a	respeito	disso,	pois	nada	melhor	do	que	estar	em	constante
agradecimento	por	todos	os	fatos	que	acontecem	em	nossas	vidas,	certas	ou
erradas,	boas	ou	ruins,	bonitas	ou	feias.
Quando	conseguimos	agradecer,	o	amor	e	a	felicidade	podem	andar	lado	a	lado
conosco.
Pedro	Henrique	Lazarin	da	Silva
Cascavel	-	PR
Em	2001	fiz	o	primeiro	de	muitos	cursos	com	Olinda	Guedes.	Começamos
com	a	Programação	Neurolinguística,	depois	vieram	os	Florais	de	Bach,	a
Leitura	corporal,	o	Renascimento	e,	para	coroar	este	caminho	de
crescimento,	chegou	para	nós	alunos,	as	constelações	sistêmicas	familiares	e
tudo	o	mais	que	este	conhecimento	alavanca!
Neste	caminhar	de	discípula	com	uma	Mestra,	cresci	muito	em	todos	os
aspectos,	do	campo	intelectual	ao	espiritual,	e	assim	preparada	também	me	pus	a
serviço	da	humanidade	e	trabalho	hoje	como	terapeuta	sistêmica.
Recebi	uma	base	que	me	ofereceu	força,	conhecimento	e	estrutura	interna	para
atuar	como	curadora!
Olinda	Guedes	ensina,	sendo!
Minha	eterna	gratidão!
Com	amor,
Fernanda	Raquel	Lenz	Ravanello
União	da	Vitória	-	PR
Inspira-me	relatar	um	fato	que	ocorreu	comigo,	e	começo	a	escrever.	Deu-se
em	agosto	de	2013.	Participei	de	um	encontro	de	supervisão	em	constelação
sistêmica	familiar,	no	Instituto	Anauê-Teiño	com	Olinda	Guedes	e,	com
pessoas	que	também	estavam	ali	com	o	mesmo	propósito.
Participar	de	grupos	em	constelação	sistêmica	familiar,	nos	remete	a	memórias
dos	nossos	antepassados.	Durante	as	explanações	e	colocações	do	grupo,	percebi
uma	tristeza,	e	a	sensação	que	o	meu	corpo	estava	estranho	e	me	sentindo	feia,
pois	nesse	ano	completei	sessenta	anos.
Penso	que	estava	em	desarmonia	comigo	e	com	o	meu	sistema,	não	estava	me
sentindo	em	paz	e	feliz.
A	impressão	que	tive	foi	a	presença	de	minha	mãe	em	mim	naquele	momento.
Embora	sendo	vaidosa,	tinha	momentos	que	a	mesma	apresentava	tristeza,	teve
dez	filhos,	penso	o	quanto	foi	trabalhoso.	Será	que	mesmo	falecida	está
influenciando	a	minha	vida?
Sim.	Num	determinado	momento,	senti	vontade	de	falar	o	que	estava	se
passando	comigo.	Olinda	com	todo	o	seu	saber	expressou:	você	está	linda,	não
era	o	que	estava	sentido	mas	teve	o	seu	grau	de	importância	e	aquele	estado
passou	a	se	modificar	lentamente.	Estava	ali	uma	memória	do	passado	que
desejava	ser	reconhecida.	É	bíblico:	“Dizei	uma	só	palavra	e	meu	servo	será
curado”.	Meu	rosto	naquele	instante	se	iluminou.	Ajustar	ao	mundo	o
reconhecimento	do	meu	eu,	e	também	o	reconhecimento	do	outro	parece	ter	sido
muito	valioso.
A	transformação	foi	ocorrendo	espontaneamente,	sinto	hoje	que	algo	se
completou.	Dava	pouca	importância	aos	meus	sentimentos	e	ao	meu	eu	interior.
Será	que	nas	veredas	da	vida	é	assim?	Passei	a	perceber	e	admirar	a	beleza	das
pessoas,	que	são	meigas	e	o	seu	modo	de	falar,	a	expressão	de	ternura	e	afeto,
uns	com	os	outros.
Despertou	também	em	mim,	ser	amorosa,	delicada,	reverenciar,	honrar	e
agradecer	aos	meus	familiares.	A	vida	nos	traz	desafios	e	momentos	difíceis,	é
nosso	papel	não	procurar	evitá-los.	E	que	o	bem,	a	ternura,	as	relações	de	amor	e
as	possibilidades	de	encontro…	estão	além	de	nossa	consciência,	é	assim:	EU
SOU	FELIZ!
A.Z
Curitiba	–	PR
Lembro-me	o	quanto	me	fascinou	um	movimento	que	não	sabia	do	que	se
tratava:	via	pessoas	sendo	chamadas	para	representar	uma	questão	de	uma
amiga,	isto	em	2007,	e	o	quanto	esta	amiga	estava	radiante	no	dia	seguinte,
lembro-me	também	o	quanto	desejei	isto	para	mim.
Desde	então,	este	movimento	chamado	Constelação	Sistêmica	Familiar,	entrou
em	minha	vida,	surgindo	a	oportunidade,	que	não	sei	como	surgiu,	sei	que	estava
lá	na	primeira	turma	de	Formação	Sistêmica	Fenomenológica,	da	mestra	Olinda
Guedes.
Em	cada	um	dos	módulos,	que	eram	mensais,	era	uma	sucessão	de
conhecimento,	aprendizado,	curas	e	uma	nova	visão	de	ver	a	vida,	baseada	em
três	princípios	básicos,	chamadas	de	Leis	do	Amor,	que	são	Pertencimento,
Compensação	e	Ordem.
Foram	muitas	constelações,	pois	o	aprendizado	ocorria	por	meio	de	vivência,
dos	próprios	alunos	trazendo	suas	questões,	e	teve	uma	questão	que	um	aluno
trouxe	cujo	tema	era:	“Síndrome	das	Pernas	Inquietas”.
Olinda	chamou	alguns	representantes,	eu	torciapara	que	não	fosse	chamada,
pois	queria	acompanhar	de	olhos	bem	abertos,	cada	movimento,	pois	minhas
pernas	também	eram	inquietas,	o	que	me	obrigava	sempre	dormir	com	um	peso
sobre	as	pernas.
Quando	os	representantes	entraram	no	campo,	todo	o	movimento	levava	a	crer
que	estavam	todos	em	uma	guerra,	e	todo	um	movimento	intenso	dos
representantes	que	pareciam	que	lutavam,	fugiam	e	se	escondiam	e	tudo	isto
penetrava	em	minha	alma	e	me	levou	a	terra	de	meus	antepassados,	aqueles
representantes	também	eram	meus,	eu	sentia	a	dor,	o	medo,	a	sensação	que	eu
tinha	era	como	se	todos	estes	personagens,	“meus	antepassados”,	estivessem
dentro	de	minha	perna,	tudo	era	muito	intenso	e	quando	a	constelação	terminou,
tudo	passou,	lembro-me	que	senti	um	o	frescor	da	brisa.
Já	se	passaram	oito	anos,	desde	então	minhas	pernas	não	precisam	mais	de	peso
sobre	elas,	estava	curada.	Não	me	lembro	se	agradeci	o	suficiente	ao	meu	colega
de	classe,	se	ainda	é	tempo,	deixo	aqui	também	meu	agradecimento,	e	como	é
bom	sentir	a	minhas	pernas	pacificadas.
E.	T.	Romaniv
Curitiba	-	PR
No	ano	de	2012	decidi	iniciar	a	formação	em	Constelações	Familiares	com	o
intuito	de	utilizar	esse	conhecimento	no	meu	trabalho	e	ajudar	cada	vez
mais	meus	pacientes.	A	princípio	achei	tudo	diferente,	pois	acostumada	com
os	cursos	da	área	da	Saúde,	eu	esperava	uma	sala	de	aula	com	carteiras,
projetor	multimídia	e	uma	professora	ministrando	o	tema	da	“aula”.	Mas	o
que	encontrei	foi	uma	sala	de	paredes	azuladas,	almofadas	coloridas,
música	de	meditação	ao	fundo,	chá	de	manjericão	e	pessoas	com	pantufas	e
abraços	demorados.
Acostumada	com	outro	tipo	de	ambiente	e	práticas	de	ensino,	tive	um	pouco	de
receio	do	que	estaria	por	vir,	mas	algo	me	dizia	que	seria	bom.	E	foi	muito	bom!
Na	primeira	noite	de	atividades	percebi	que	sim,	estava	no	lugar	certo,	fazendo	a
coisa	certa	para	mim	e	para	minha	vida.	Ao	término	do	primeiro	módulo	percebi
que	a	primeira	pessoa	a	ser	auxiliada	com	as	novas	informações	não	seria	um
paciente	meu	e	sim	eu	mesma.
Na	primeira	viagem	de	volta	para	casa	experimentei	uma	sensação	de	imensa
satisfação	pelo	o	que	estava	acontecendo	comigo.	A	cada	módulo	ficava	cada
vez	mais	encantada	com	o	que	aprendia.	A	cada	módulo	vivenciava	muitas
transformações	na	minha	maneira	de	pensar	e	agir.	Sempre	ficava	analisando
(tenho	esse	hábito	de	ficar	analisando)	como	tudo	era	pensado	e	executado	para
que	o	aprendizado	fosse	além	dos	limites	super-ficiais,	para	que	ele	realmente
tocasse	de	forma	inesquecível	o	nosso	consciente	e	inconsciente.
Tudo	era	muito	intenso,	não	somente	pelo	fato	do	conteúdo	teórico	das
Constelações	Familiares	ser	muito	profundo,	mas	pelo	fato	de	que	ele	era
percebido	e	internalizado	por	meio	de	experiências	sensoriais	únicas.	Como	não
sentir	minha	mãe	e	meu	pai	tão	próximos	a	mim	(mesmo	ele	já	não	estando	mais
entre	nós)	ao	fazer	uma	visualização	criativa	durante	uma	meditação?	Como	não
me	transportar	para	a	época	da	minha	infância	e	não	me	emocionar	ao	ouvir	uma
canção	que	fala	de	pais	e	filhos?	Olinda	Guedes	com	sua	experiência	e
percepção,	sempre	estruturou	tudo	de	uma	forma	especial	para	um	aprendizado
igualmente	especial.
Senti-me	tão	feliz	e	plena	com	tudo	que	absorvi	durante	os	meses	de	formação,
que	resolvi	enviar	à	“minha	querida	professora”	as	transcrições	de	suas	falas
para	que	ela	as	divulgasse	a	outras	pessoas.	Falas	que	não	poderiam	permanecer
somente	no	meu	caderno,	falas	que	mereciam	ganhar	o	mundo	e	transformar
outras	pessoas	também.	Estou	ansiosa	para	ver	os	frutos	da	sementinha	que
ajudei	a	plantar.	Era	o	mínimo	que	podia	fazer	para	expressar	de	alguma	forma	a
minha	gratidão.
E	em	relação	à	observação	da	minha	querida	professora,	só	tenho	a	dizer	que	eu
me	encanto	sempre	de	formas	diferentes	com	os	módulos	e	na	prática	vejo	como
o	conhecimento	dessas	informações	me	ajudam	como	pessoa,	professora	e
profissional	da	saúde.	Aplicando	o	que	já	sei	tenho	ajudado	meus	familiares,
alunos	e	pacientes.	Por	isso	não	tem	como	não	prestar	atenção!	Ainda	mais	pelo
método	como	você	estrutura	as	atividades	do	curso	de	formação.
Keila	Okuda	Tavares
Fisioterapeuta	e	Professora
Cascavel	-	PR
INDICADOR	PROFISSIONAL
Estar	a	serviço	da	humanidade	e	realizar	o	seu	talento.
Poderia	ser	este	o	lema	de	cada
um	dos	profissionais	aqui	listados.
Acima	de	tudo	são	profissionais	que	conheço	e	sei	que,	para	além	de	uma
relação	de	prestação	de	serviços,	são	pessoas,	são	instituições	comprometidas
com	o	bem	comum.
Com	os	votos	que	esta	iniciativa	faça	chegar	a	muitos	a	informação	de	onde
podem	encontrar	soluções	que	estejam	buscando,	ficarei	feliz	em	saber	de	suas
percepções	e	resultados.
Se	você	conhece	profissionais	ímpares,	com	soluções	que	fazem	a	diferença	para
a	humanidade,	por	favor,	escreva	e	conte	para	nós:	autora@anaueteino.com.br.
Teremos	prazer	em	conhecer	tais	indicações	e,	quem	sabe,	elas	possam	fazer
parte,	imediatamente,	do	INDICADOR	PROFISSIONAL	em	nosso	site,	e	na
próxima	edição	do	livro.
ADRIANA	DE	CASTRO	SANTOS
Terapeuta	(individual,	casais	e	família),	Microfisioterapeuta,	Constelações
Familiares.
Rua	dos	Azulões,	s/n°/	1026/	Qd-2/	Gleba	B
65075-060	São	Luís	–	MA
Tel.:	98	98839	527198	98126	1222
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ALAIDES	TORTATO	ZANONI
Psicóloga,	Psicoterapeuta,	Psicodramatista	e	Consteladora.
Rua	Macapá,	877
82620-110Curitiba	-	PR
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Tel.:	41	3082	099441	8416	4419
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Terapeuta,	Constelações	e	Reiki
Rua	Ilha	de	Paquetá,	581
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Tel.:	45	9932	5432
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Médica	de	Família	e	Homeopata
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83040-510	São	José	dos	Pinhais	-	PR
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FERNANDA	LENZ	RAVANELLO	-	Humanitus
Avenida	Getúlio	Vargas,	186/	11-12
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Tel.:	42	3522	689342	8801	2234
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FERNANDO	EING	GONÇALVES	–
Fundador	da	técnica	terapêutica	TOQ;	Reprogramação	Biológica,
Constelação	Sistêmica	Familiar	e	Organizacional,	PSYCH-K®,
Master	Practitionerem	Programação	Neurolinguistica	(PNL),
Coaching	Sistêmico,	Medicina	Judaico	Auschiwitziana
Unoclin	Terapias	Rua	Recife,	348
85810-030Cascavel	-	PR
Tel.:	45	3038	110145	9816	7983
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FERNANDO	LINHARES	DE	ALMEIDA
Engenheiro	Civil
Construções	Ecológicas	-	industriais,	comerciais	e	residenciais	-	“Chaves	na
Mão”
Tel.:	419616	6395
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GEMMA	BOCCALON	BONETI
Psicanalista	e	Professora	(mestre	em	educação)
Tel.:	46	9926	0525gemaboneti@yahoo.com.br
GIANE	MIGLIORINI
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Enfermeira,	Doula,	Terapeuta	Sistêmica	Familiar	e	TOQ
Espaço	Bem	Estar	Av.	Honório	Babinski,	57
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Tel.:	42	3635	639442	9801	0341
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Música	caipira
Tel.:	41	3324	1017vq@uol.com.br
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JAIR	SALVADORI	&	JANIA	SALVADORI
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Espaço	Quasar	Terapias	Rua	Pedro	Américo,	118
858130369Cascavel	-	PR
Tel.:	45	3096	866345	9993	2733
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JEFFERSON	LUIZ	BARBOSA
BPNC	Sistemas	Tecnologia	da	Informação	Ltda.
ATEF	-	Auditoria	Tributária	Eletrônica	Federal
Tel.	:	41	8863	121541	3296	4495
jefferson@bpnc.com.br
www.bpnc.com.brwww.atef.com.br
mailto:jefferson@bpnc.com.br
JOÃO	ALBERTO	COSTENARO
Coach	Pessoal	e	Executivo	Empresarial	e
Consultor	Empresarial	das	áreas	Comercial	e	de	Marketing	–	com	a	Visão
Sistêmica	da	Constelação	Familiar	de	Bert	Hellinger.
Curitiba	–	PRseleta@seleta.com.br
Tel.:	41	3336	840041	9996	8400
JUCIENE	DE	SOUZA
Educadora,	Terapeuta	Holística	de	Regressão,	Terapeuta	Sistêmica	Familiar	e
Organizacional,	Renascedora,	Coach	em	Programação	Neurolinguística
Rua	Fernando	Ferrari,	930
85877-000São	Miguel	do	Iguaçu	-	PR
Tel.:	45	9933	1720
jucieneborgesdesouza@gmail.com
KEILA	OKUDA	TAVARES
Fisioterapeuta	/	Crefito	28584-F	e	Microfisioterapia
Tel.:	45	9912	5885Cascavel	-	PR
Facebook:	Microfisioterapia	-	Keila	Okuda	Tavares
LAURA	CRISTINA	COELHO	SCHABATURA
Seção	de	Acompanhamento	de	Servidores
Tel.:	41	3210	151741	9289	2825Curitiba	-	PR
laura.schab77@gmail.com
LAYLLA	MARQUES	COELHO
mailto:jucieneborgesdesouza@gmail.com
mailto:laura.schab77@gmail.com
Nutricionista	(gestantes,	introdução	aos	alimentos,	vegetarianismo)	e	Doula
Rua	Padre	Anchieta,	820
80410-030	Curitiba	–	PR
Tel.:	41	9810-4855
layllanutri@gmail.com
www.facebook.com/laylla.coelho.3
LELIANE	TOBAR	GALAN
Coach	Executivo	Empresarial	–	Abordagem	individual	e	de	grupo.
Consultora	Organizacional	–	Desenvolvimento	de
Lideranças	e	equipes
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São	Paulo	–	Capital
Tel.:	11	99121	3249
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LENITA	O.	KRUGER	BARRETO
Psicóloga,	Psicoterapeuta,	Constelações	Familiares	e	Pedagogia	Sistêmica
Rua	Comendador	Norberto,	222
85012-270	Guarapuava	-	PR
Tel.:	42	3035	301942	9921	1212
lenitakb@gmail.com
LEOMAR	MEITH
mailto:galaninternational@terra.com.br
mailto:lenitakb@gmail.com
Graduado	em	Filosofia;	Constelações	Sistêmicas	Familiares	e
Organizacionais,	Reprogramação	Biológica,	Reiki,	Practitioner	e
Master	em	PNL
Tel.:	45	3240	202045	9915	248845	9124	323545	8811	3005
www.evoluart.com.br
LORENA	KIM	RICHTER
Psicóloga	clínica	e	tradutora	(alemão-português)
Rua	Afonso	Pena,	159/	304
20270-244Tijuca	-	RJ
Tel.:	21	9869	98743
lorenakim@hotmail.com
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mailto:lorenakim@hotmail.com
LOURDES	MARIANI
Graduada	em	Educação	física,	Terapeuta,	Consteladora	familiar,	Renascedora,
Professora	de	Yoga,	Massagem	Reparentalizadora,	Master	Trainer	e	Coach	(c/
PNL)
Rua	Conselheiro	Laurindo,	809/	710
80060-100Curitiba	-	PR
Tel.:	41	9611	306741	9201	433441	3079	3067
lourdesmariani2@gmail.com
LUCIANO	THOMAS
Instrutor	de	Yoga	&	Musicoterapeuta
Escola	de	Yoga	Arjavam	Alameda	Prudente	de	Moraes,	327
mailto:lourdesmariani2@gmail.com
80430-220Curitiba	–	PRTel.:	41	8707	6946
lucianothomas@yahoo.com.brwww.grupohoo.com.br
LUIS	HENRIQUE	DE	OLIVEIRA
Constelações	familiares,	PNL	e	Hipnose	Ericksoniana
Rua	Doutor	Vergueiro,	411/	02
CEP	99070-170Passo	Fundo	-	RS
Tel.:	54	9207	785254	8116	4865
luisho@me.com
MARIANNE	SCHAFFNER
Terapeuta,	Coach,	Reiki,	Tarot,	Renascimento	e	Constelações	Familiares
mailto:luisho@me.com
Rua	Artur	Nisio,	416
85813-270Cascavel	-	PR
Tel.:	45	9838	1999
m.schaffner777@gmail.comwww.umoasis.com
MARINEZ	AMATTI
Cantora,	Violonista	e	Professora	de	Cantos	e	Encantos
Curitiba-PR
Tel.:	41	9834	577341	9132	5773
marinezamatti@gmail.com
www.facebook.com/MarinezSAmatti
mailto:marinezamatti@gmail.com
http://www.facebook.com/MarinezSAmatti
MARISA	DE	SOUZA
Espaço	Viver	Bem	Rua	Minas	Gerais,	413
85813-030Cascavel	-	PR
Tel.:	45	9911	4114
marisacurasistemica@gmail.com
MILENA	PATRICIA	DA	SILVA
Terapeuta,	Constelações,	Constelações	com	bonecos,	Doula,	Coaching
Sistêmico,	Master	em	PNL
Rua	Conselheiro	Laurindo,	809/	709
80060-100Curitiba-PR
Tel.:	41	9824	0240
mailto:marisacurasistemica@gmail.com
milenakpsilva@gmail.com
www.facebook.com/milena.patricia.716
NOEMY	CAMARGO	MUNIZ
Terapeuta	Holística
Avenida	Joaquim	Luiz	de	Souza,	861
87570-000Francisco	Alves	-	PR
Tel.:	44	9810	1323
noemy201177@hotmail.com
OSMAR	MARTINS	&	ZULMIRA	THEIS	MARTINS
Terapeutas;	Reiki,	Renascimento,	Coach,	Master	em	PNL,	Constelações
familiares	–	individual	e	grupo
mailto:milenakpsilva@gmail.com
http://www.facebook.com/milena.patricia.716
mailto:noemy201177@hotmail.com
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Psicopedagoga,	Especialista	em	Neuropsicologia	e
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Holística,	Terapeuta	Floral,	Consteladora
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Consteladora,	Formadora	de	Consteladores	Familiares	no	Brasil	e	México,
autora	de	técnicas	“O	Movimento	do	Espírito,	através	dos	bonecos,	nas
Constelações	Individuais”	e	técnica	de	atendimento	em	3D,via	Internet.
Membro	da	Hellinger	Sciencia.	Em	2010	criou	a	CBCS	-	Comunidade	Brasileira
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http://www.interacaosistemica.com.br
INSTITUTO	RUBEM	ALVES
Associação	fundada	pelo	escritor	Rubem	Alves	para	programas	inovadores	junto
à	educação
www.institutorubemalves.org.br
Campinas	–	SP	Tel.:	19	3386	0704
http://www.institutorubemalves.org.br
PILAR	NUNES	DE	ARAUJO	SCHARA	MORETZSOHN
DDE	Comunicação	-	Consultoria	e	Assessoria	em	Comunicação,	Eventos,
Treinamentos	e	Networking
Tel.:	41	9241	294421	98205	5883
pilar@ddecomunica.com
www.ddecomunica.com
mailto:pilar@ddecomunica.com
http://www.ddecomunica.com
INSTITUTO	ANAUÊ-TEIÑO
Escola	de	Saberes	Úteis
A	Escola	de	Saberes	Úteis	do	Instituto	Anauê-Teiño
oferta	formação	permanente	em:
Constelações	Familiares,	Organizacionais	e	Educacionais.
Direito	Sistêmico
Pedagogia/Educação	Sistêmica
Programação	Neurolinguística	–	Excelência	em	Comunicação
Renascimento
As	formações	são	desenhadas	segundo	os	princípios
sistêmicos,	num	formato	circular,
onde	o	aluno	pode	iniciar	a	qualquer	tempo
e	concluir	seus	estudos	de	acordo	com	sua	agenda.
Palestras,	oficinas,	seminários,	treinamentos	e
consultorias	também	estão	disponíveis	em	nosso	portfólio.
Seja	nosso	representante	local.
Fale	conosco
41	9919	7071
www.anaueteino.com.br
contato@anaueteino.com.br
“A	felicidade	pode	ser	aprendida.”
Bert	Hellinger
http://www.anaueteino.com.br
mailto://contato@anaueteino.com.br
A	comunidade	é	o	espírito,	a	luz-guia	da	tribo;	é	onde	as	pessoas
se	reúnem	para	realizar	um	objetivo	específico,	para	ajudar	os
outros	a	realizarem	seu	propósito	e	para	cuidar	umas	das	outras.
Sobonfu	Somé
	Cover Page
	Capa
	Rosto
	Créditos
	Sumário
	As leis do amor e os movimentos que curam
	Lealdades ou o amor que nunca se cansa
	Quem pertence?
	Movimentos que curam: benevolência retidão compaixão
	Relações conjugais relacionamentos entre pais e filhos
	O que é necessário para que o relacionamento conjugal exista e tenha futuro
	Com quem a criança deve ficar ou algo sobre alienação parental
	O relacionamento conjugal influenciando o relacionamento com os filhos
	Sintomas e doenças – o que cura e o que faz adoecer
	O que você precisa?
	As dinâmicas que fazem adoecer
	Constelações organizacionais
	O êxito essencial
	Os dois sucessos
	O que está a serviço da vida
	Tem uma escola no meio do caminho (para o sucesso)
	O êxito na rotina
	Por que isso acontece comigo? - temas existenciais
	Bênçãos inesperadas
	Noites escuras da alma
	Ordens da ajuda
	As ordens da ajuda
	As diversas dinâmicas que atuam na alma
	REFERÊNCIAS
	CONTRIBUIÇÕES
	COMPARTILHANDO…
	INDICADOR PROFISSIONAL

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