Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

República de Moçambique 
PROMOÇÃO ECONÓMICA DE 
CAMPONESES 
 - SOFALA - 
Financiado pela 
DPA SOFALA 
 
 
 
 
 
 
Metodologia 
Camponês-a-Camponês 
 
 
 
MANUAL para TÉCNICOS 
 
 
 
 
 
 
 1
Beira, Janeiro 2007 
 
CONCEITOS BASICOS ................................................................................... 3 
O que é a metodologia Camponês-a-Camponês? 
Como surgiu a metodologia Camponês-a-Camponês? 
Quais são as principais características da metodologia CaC? 
Quais são as vantagens da metodologia Camponês-a-Camponês? 
Comparação entre a metodologia CaC e a extensão “tradicional/convencional” 
Como funciona a metodologia Camponês-a-Camponês? 
 
O CAMPONÊS PROMOTOR / A CAMPONESA PROMOTORA ...................... 8 
Quem é o promotor / a promotora? 
Como é seleccionado o promotor / a promotora? 
Como deve ser um promotor / uma promotora? 
O que é que faz um promotor / uma promotora? 
O processo de selecção de promotore(a)s 
Selecção da área de trabalho e grupo de assistidos 
O papel das mulheres promotoras 
 
RELAÇÃO PROMOTOR(A) – CAMPONESES ................................................ 15 
Qual é o papel do promotor / da promotora do grupo? 
Como é a relação entre promotore(a)s e os camponeses assistidos? 
 
RELAÇÃO PROMOTOR(A) – EXTENSIONISTA ................................................. 19 
Como é a relação entre o(a) promotor(a) e o técnico extensionista? 
 
CAPACITAÇÃO ............................................................................................ 21 
Aprendizagem participativo 
Como é capacitado o promotor? 
Como são capacitados os camponeses assistidos pelo promotor? 
A importância de encontros regulares 
 
TROCAS DE EXPERIÊNCIA ............................................................................ 23 
O que é uma troca de experiência? Para que fazemos trocas de experiência? 
Quem pode participar numa troca de experiência? 
Quem pode organizar uma troca de experiência? 
 
MONITORIA E AVALIAÇÃO DO TRABALHO DO(A) PROMOTOR(A) .............. 25 
Como é feita a monitoria do trabalho do(a) promotor(a)? 
A importância da recolha de dados e de registos 
Como é feita a avaliação do trabalho do(a) promotor(a)? 
Quais são os incentivos para o promotor / a promotora? 
 
ASPECTOS CRÍTICOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA METODOLOGIA ..................... 30 
 2 
 
CONCEITOS BASICOS 
 
O que é a metodologia Camponês-a-Camponês? 
• é uma metodologia de extensão participativa baseada na 
comunidade 
• implica a assistência directa aos camponeses por outros camponeses 
• os camponeses aprendem uns com os outros e trocam 
conhecimentos sobre técnicas e praticas de produção e 
organização entre eles 
• usa a estrutura de camponeses promotores ou promotoras 
• possibilita encontrar soluções para problemas locais comuns 
• facilita inovações locais: técnicas e tecnologias que são 
adaptadas à realidade e às necessidades da comunidade 
 
 
 
A metodologia CaC é considerada como uma metodologia de extensão 
• de baixo custo, 
• abrangente, que possibilita um aumento no numero de famílias 
camponesas assistidas, 
• participativa, com envolvimento das comunidades, e 
• comunicativa, tanto verticalmente (camponeses-promotor e 
promotores-extensionista) como horizontalmente (camponês-
camponês, promotor-promotor e extensionista-extensionista), o que 
promove o trabalho em equipa. 
 3 
Como surgiu a metodologia Camponês-a-Camponês? 
A metodologia se originou em áreas onde os serviços de extensão 
públicos ou do Governo são fracos por causas como difícil acesso, 
falta de técnicos, falta de meios e dinheiro. Então os camponeses se 
auto-organizaram e escolheram aqueles camponeses com muita 
experiência e conhecimento para ensinar aos outros camponeses 
aquilo que eles sabem. Assim as famílias camponesas dessa zona 
continuaram a trabalhar sozinhas e conseguiram aumentar e melhorar 
a sua produção. Pouco a pouco este método de trabalho se espalhou 
por muitas outras zonas. 
As primeiras aplicações da metodologia são dos anos 1920 na China. 
Nas ultimas três décadas, a metodologia foi aplicada sobretudo na 
América Central e do Sul, com o movimento mais forte de “campesino 
a campesino” na América Central. 
 
 
Quais são as principais características da metodologia CaC? 
A metodologia Camponês-a-Camponês tem três elementos ou 
características principais: 
• Promotores: são camponeses que capacitam outros camponeses 
nas suas comunidades; ele/ela experimenta e aplica novas 
técnicas ou tecnologias na sua machamba; ele/ela tem uma 
machamba modelo e é um camponês exemplar 
• Capacitação participativa: são realizados encontros em grupo 
para planificar, aprender, capacitar e treinar, trocar experiências, 
debater problemas e soluções; os camponeses aprendem uns dos 
outros 
• Trocas de experiência: são feitas visitas entre camponeses para 
conhecer outras condições e meios/situações de trabalho para 
trocar ideias e experiências; os camponeses se organizam e trocam 
conhecimento entre si 
 
 4 
Quais são as vantagens da metodologia Camponês-a-Camponês? 
• facilita a assistência de um maior numero de famílias camponesas 
• os camponeses duma zona podem ser assistidos mesmo com 
pouca presença do técnico extensionista 
• implica a participação de grupos/associações de camponeses 
e/ou da comunidade 
• o promotor / a promotora é camponês / camponesa membro da 
comunidade ou dum grupo ou duma associação de camponeses 
e vive na mesma zona que os camponeses assistidos, é conhecido 
por todos e conhece os problemas da comunidade ou do grupo. 
 
 
Comparação entre a metodologia CaC e a extensão 
“tradicional/convencional” 
A seguir, são ressaltados alguns aspectos numa comparação entre 
metodologias de extensão tradicionais ou convencionais e a 
metodologia Camponês-a-Camponês: 
• Linguagem: a comunicação e compreensão são mais fáceis, já 
que promotores e camponeses falam a “mesma língua” 
(literalmente e culturalmente) 
• Relevância: os promotores compreendem melhor os 
constrangimentos e as dificuldades, potenciais e aspirações de 
outros camponeses porque eles vem do mesmo “meio” 
• Disponibilidade: os promotores muitas vezes podem estar 
disponíveis em tempos e a horas mais convenientes para os 
camponeses que assistem em comparação com técnicos 
extensionistas (isto é especialmente válido se os extensionistas não 
moram na zona onde trabalham) 
• Prestação de contas: os promotores que trabalham na sua própria 
comunidade são mais directamente responsáveis frente aos 
camponeses que assistem em comparação com técnicos 
extensionistas (isto é especialmente válido se a comunidade ou o 
grupo assistido contribui aos custos de trabalho do promotor) 
• Credibilidade: os promotores tem os mesmo background (origem / 
bagagem de conhecimento) e são camponeses nas mesmas 
condições que outros camponeses da sua comunidade; as 
demonstrações deles em relação a novas tecnologias e praticas 
 5 
podem, portanto, ser mais convincentes que aquelas feitas por 
extensionistas profissionais 
• Sustentabilidade: os promotores ficam nas comunidades e se 
calhar continuarão a perseguir iniciativas ligadas à agricultura ou 
ao desenvolvimento rural em geral por muito tempo 
 
 
Como funciona a metodologia Camponês-a-Camponês? 
A figura abaixo explica o funcionamento da metodologia Camponês-
a-Camponês: 
 
Técnico(a)
 6
 
 
No centro do sistema está o camponês promotor e a camponesa 
promotora. Este permite que o extensionista consegue assistir mais 
camponeses do que em sistemas de extensão de assistência directa. 
 
O promotor / A promotora é um(a) camponês(a) modelo que 
• recebe informações do técnico extensionista e 
• expande a informação e os seus conhecimentos para outros 
camponeses; 
• recebe informações dos camponeses que assiste e 
• comunica a informação ao técnico extensionista. 
Promotor(a) (1-n)
Camponeses assistidos pelo promotor 
Vizinhos que adoptam tecnologias 
(assistidos indirectamente) 
capacitação, reflexão sobreas 
melhores prácticas, troca de 
informações, conhecimentos e 
experiência 
transmissão de conhecimentos e 
informação, trocas de experiência 
processo de 
aprendizagem 
(transmissão e 
troca de 
informações e 
conhecimentos) 
de cima para 
baixo e de baixo 
para cima 
 C1 C2 C3 C4 C5 Cn
 V1 V2 V3 V1 V2
 
Cada extensionista atende vário(a)s promotore(a)s: é difícil 
recomendar um numero mínimo ou máximo, mas tendo em conta as 
distancias que seriam necessárias de ser percorridas e as condições de 
trabalho nas DDAs, uma média de 5 promotore(a)s por extensionista 
parece ser um numero adequado/realista para garantir um 
acompanhamento regular e intensivo dos mesmos. 
 
Cada promotor assiste vários camponeses ou agregados familiares. 
Aqui também é difícil estabelecer um mínimo ou um máximo 
recomendado, já que dependerá sempre da dispersão das casas ou 
machambas dos camponeses assistidos, dos meios disponíveis para a 
deslocação do promotor e de que tão activo é o promotor. Num 
inquérito feito entre promotore(a)s de 5 distritos da Província de Sofala, 
a média de camponeses assistidos directamente pelo(a)s 
promotore(a)s era de 22 camponeses. De forma geral, o promotor 
deveria trabalhar próximo da sua área residencial, num raio não muito 
superior a 10 km pois assim iria permitir que assistisse os camponeses 
pertencentes ao seu grupo e também poderia realizar trabalhos na 
sua própria machamba. 
 
Num segundo nível, são assistidos indirectamente aqueles vizinhos de 
camponeses assistidos directamente pelo promotor que imitam as 
experiências e praticas deles. 
 
É importante ressaltar que a metodologia Camponês-a-Camponês é 
participativa e implica um processo de aprendizagem, que inclui 
transmissão de conhecimentos e troca de informações e experiências, 
de cima para baixo e de baixo para cima. Trata-se de uma 
metodologia de extensão que implica muita comunicação, tanto 
verticalmente (camponeses-promotor, promotores-extensionista) como 
horizontalmente (camponês-camponês, promotor-promotor, 
extensionista-extensionista) e promove o trabalho em equipa. 
 
 
 7 
 
O CAMPONÊS PROMOTOR / A CAMPONESA PROMOTORA 
 
Quem é o promotor / a promotora? 
Os camponeses activos na metodologia Camponês-a-Camponês são 
atribuídos diversos nomes: promotores, activistas, camponeses 
extensionistas, camponeses animadores, promotores rurais, facilitadores 
locais, etc. 
 
O camponês promotor / A camponesa promotora 
• é um(a) voluntário(a) disposto(a) a apoiar sua comunidade ou 
grupo e seleccionado(a) por essa comunidade ou grupo 
• é um(a) camponês(a) com muita experiência e conhecimento de 
agricultura e/ou pecuária 
• é um(a) camponês(a) que gosta de ensinar outros camponeses do 
grupo, da associação ou da comunidade para todos crescerem 
juntos 
• é um(a) camponês(a) com alguma ou pouca formação escolar 
que a partir de formação baseada em experiências e praticas de 
campo aumentou o seu conhecimento e pode transmiti-lo aos 
outros camponeses 
• é um(a) camponês(a) modelo ou exemplar, com a melhor machamba 
em relação à machamba de outros camponeses na zona 
• basicamente desempenha o papel de “técnico do grupo” 
 
O papel do promotor nas comunidades é de servir como elemento 
dinamizador de processos de mudanças na sua comunidade, 
promovendo processos de desenvolvimento rural, quer dizer: tem de 
ser capaz de 
• resolver os problemas relacionados com questões agro-pecuárias e 
organizacionais junto com os camponeses da sua zona, 
• acelerar ou mudar o desenvolvimento rural com base nos recursos 
locais sem ou com apoio externo. 
 8 
Como é seleccionado o promotor / a promotora? 
• normalmente o grupo ou a associação e/ou a comunidade 
escolhe o(a) promotor(a) (mas existem outras abordagens, 
descritas abaixo na parte “o processo de selecção de 
promotore(a)s”) 
• o técnico extensionista assiste e acompanha o processo 
• é importante explicar e discutir as características e as tarefas do(a) 
promotor(a) com o grupo/associação e/ou a comunidade antes 
de fazer a escolha 
• os critérios de selecção estão ligados às características dum(a) 
promotor(a) que estão descritas abaixo, mas também à questão 
de si o promotor devia ser um especialista ou generalista. 
Ter promotores especializados numa área só (por exemplo 
pecuária ou pulverização) pode implicar custos muito elevados já 
que um numero muito grande de camponeses tem de ser treinado. 
Generalistas ou promotores polivalentes sabem “um pouco de 
tudo” e são capazes de responder a uma grande variedade de 
problemas, vão poder ganhar credibilidade e confiança da 
comunidade, encaram os problemas com uma visão mais 
abrangente, mas podem falhar em dar respostas mais detalhadas 
à problemas e dificuldades pontuais resultando numa perca de 
credibilidade se não sabem a que fontes de informação recorrer 
para solucionar o problema específico. 
 
Como deve ser um promotor / uma promotora? 
• deve ser camponês(a) 
• deve viver na zona onde trabalha – ele(a) tem de conhecer os 
problemas dos camponeses da zona ou do grupo para poder 
ajudar a solucionar estes problemas 
• deve ser activo(a) – deve ter iniciativa criativa 
• deve ser exemplar – deve demonstrar na sua machamba o que 
ele(a) ensina 
• deve ter vontade de trabalhar e servir à comunidade e/ou ao grupo 
• deve divulgar/difundir/partilhar informação e conhecimentos com 
os camponeses que assiste e com o técnico extensionista da zona 
• deve visitar os trabalhos dos camponeses que assiste 
• deve permitir que os camponeses da zona visitem a sua machamba 
 9 
• deve ser honesto(a) e serio(a) 
• deve ser voluntário(a) 
• deve ser paciente 
• deve saber ensinar/comunicar 
• deve ser aceite e respeitado pelos camponeses do grupo e/ou da 
comunidade 
 
O que é que faz um promotor / uma promotora? 
O promotor / A promotora 
• ensina aos outros camponeses - transmite conhecimentos aos 
outros camponeses sobre técnicas, praticas e tecnologias 
• informa aos outros camponeses – transmite mensagens aos 
camponeses 
• visita aos outros camponeses e acompanha os trabalhos deles 
• é exemplar: aplica e demostra tecnologias na sua machamba 
• convida aos outros camponeses a verem a sua machamba modelo 
• identifica problemas e soluções junto aos grupos e/ou à comunidade 
• identifica necessidades de formação do grupo e/ou da comunidade 
• regista informações e transmite aos técnicos extensionistas 
• promove e organiza trocas de experiência ao nível local entre 
camponeses 
• participa em reuniões na comunidade 
• elabora planos de actividades ou de negócios junto com os grupos 
e a comunidade 
 10
 
 
O promotor faz um trabalho em regime voluntariado, quer dizer não 
remunerado. 
Camponeses que trabalham como voluntários podem fazer o trabalho 
pelo desejo de servir a sua família, os seus amigos e/ou a sua 
comunidade, por querer desempenhar um papel mais importante na 
comunidade e ganhar maior respeito e reconhecimento, ou por 
motivos religiosos. 
Mas estos camponeses geralmente não estão em condições de ficar 
muito tempo fora da sua machamba sem receber alguma 
remuneração. Conflitos podem surgir quando os promotores 
começam a sentir-se discriminados em comparação aos técnicos 
extensionistas pagos, cujo trabalho não é muito diferente. 
Ao trabalhar com promotores é sempre importante tomar em conta 
que os camponeses precisam de tempo suficiente para atender as 
suas próprias machambas (que são machambas modelo!), 
experimentar e implementar o que eles ensinam, já que de outra 
maneira perdem credibilidade. Se a demanda para os serviços do 
promotor aumenta e ele começa a negligenciar as suas próprias 
responsabilidades, o tema da remuneração ou de um subsidio pode 
ser levantado. 
De forma geral e para resumir: é muito importante que os promotores 
se identifiquem ainda com a comunidade e que fiquem sempre mais 
dependentesdo suporte e da aceitação pelo meio local que de um 
possível apoio externo. 
 
 11 
O processo de selecção de promotore(a)s 
O processo de selecção é um aspecto muito delicado da metodologia 
Camponês-a-Camponês. Existem diferentes abordagens ou 
procedimentos, com as suas respectivas vantagens e desvantagens. 
 
(1) Selecção pela comunidade 
O promotor / A promotora é escolhido(a) pela comunidade onde 
mora e onde vai trabalhar. 
Num primeiro passo, são organizados encontros de esclarecimentos 
sobre a metodologia Camponês-a-Camponês nas comunidades 
(mobilização/sensibilização), começando ao nível dos lideres locais e 
tradicionais; num segundo passo, são discutidos os “termos de 
referência” do(a) promotor(a), os deveres e as responsabilidades 
dele(a), junto com as comunidades; num terceiro passo são 
seleccionados candidatos a promotore(a)s na comunidade; num 
quarto e ultimo passo é feita a selecção definitiva do(a)s 
promotore(a)s na comunidade (decisão). 
Vantagens são: participação e envolvimento da comunidade em 
todo o processo; os camponeses identificam-se com a metodologia; a 
comunidade pode seleccionar pessoas que apoia e em quem confia; 
lideres locais e tradicionais são respeitados na sua função. 
Desvantagens são: possivelmente sempre as mesmas pessoas são 
seleccionadas ou camponeses são seleccionados na base do seu 
status socio-económico ou dos contactos ou influência que tem, em 
vez das capacidades que tem; possivelmente o promotor é escolhido 
por um grupo dentro da comunidade e não representa a comunidade 
inteira, não podendo responder adequadamente às necessidades da 
comunidade inteira. 
 
(2) Selecção por grupos ou associações 
Organizações de camponeses (grupos, associações, clubes de 
negócios, cooperativas) tem a possibilidade de oferecer treinamento e 
capacitação de camponeses a camponeses. Estas organizações 
também tem a costume de se reunir regularmente e geralmente 
possuem um lugar de reunião. No melhor dos casos, as organizações 
demandam os serviços que precisam, tem membros que são 
capacitados, tem membros com capacidade para treinar outros e 
 12 
tem potencial de recolher fundos como para poder pagar os seus 
técnicos extensionistas “privados”. 
Uma desvantagem, em termos de abrangência da metodologia 
Camponês-a-Camponês usando este tipo de selecção, é que os 
promotores ligados a grupos ou associações na maioria dos casos só 
vão fornecer os seus serviços a membros dos mesmos. 
 
(3) Selecção por extensionistas e/ou ONGs/projectos 
Existem casos em que extensionistas1 e/ou ONGs/projectos escolhem 
pessoas dentro das comunidades pelas seguintes razões: o processo é 
mais rápido e conveniente, existe a possibilidade de “quebrar” elites 
locais, oferece a oportunidade de igualar desigualdades de género. 
Desvantagens são: não é um processo participativo; os promotores 
seleccionados podem ser vistos como funcionários do Estado ou da 
organização e podem não ser aceites pelas comunidades, o que 
dissocia os promotores da base. 
 
(4) Selecção “natural” 
Implica trabalhar com aqueles camponeses que demonstraram maior 
interesse e vontade de serem promotores. 
Vantagens são: o promotor demonstrou o seu interesse e a sua 
vontade ao longo de um período determinado; o promotor 
demonstrou a sua efectividade no trabalho de campo e foi avaliado 
positivamente pela comunidade ou pelos grupos/associações; muito 
sustentável. 
Desvantagens são: o processo é muito longo e envolve o treinamento 
de um numero muito grande de promotores potenciais para chegar à 
selecção “natural” ao final. 
 
 
 13
1 Veja figura de “camponês de contacto“ que surge no âmbito da metodologia 
de Treino e Visita. 
 
Selecção da área de trabalho e grupo de assistidos 
• o promotor / a promotora não devia trabalhar num raio superior a 
10 km para assegurar a assistência regular aos camponeses 
• o promotor / a promotora deve trabalhar com camponeses que 
moram próximos da sua residência, preferentemente membros 
dum grupo ou uma associação 
 
 
O papel das mulheres promotoras 
Geralmente mulheres são conhecidas por terem mais paciência, 
sentido de responsabilidade e uma visão mais global da situação que 
homens. 
Mas o trabalho das mulheres enfrenta muitos desafios: elas tem menos 
tempo disponível porque trabalham nas suas machambas, em casa e 
cuidam das crianças. Há casos em que elas não são igualmente 
respeitadas pelas comunidades que promotores masculinos. Muitas 
vezes as mulheres subestimam o seu trabalho e são muito mais 
susceptíveis à e desmoralizadas por criticas. Os maridos delas podem 
não estar de acordo com o trabalho delas como promotoras, 
especialmente se isto implica trabalhar com outros homens. 
Incluir mulheres no trabalho de extensão da a oportunidade a elas de 
ganhar em auto-estima e auto-valorização, de falar mais abertamente 
sobre as necessidades delas e promove uma maior aceitação e 
reconhecimento das suas necessidades e dos seus direitos, 
contribuindo para uma maior igualdade em termos de género. 
As promotoras sempre devem receber um apoio especial. Na 
implementação da metodologia Camponês-a-Camponês sempre 
devem ser procurados instrumentos e maneiras de trabalho que 
facilitam a participação activa das mulheres. 
 14 
 
RELAÇÃO PROMOTOR(A) – CAMPONESES 
 
Qual é o papel do promotor / da promotora do grupo? 
 
 
 
O promotor / A promotora do grupo é um agente importante no 
desenvolvimento da sua comunidade. A sua tarefa é ajudar aos 
camponeses a se capacitar para organizar e gerir as suas actividades. 
 
Essencialmente, o trabalho do(a) promotor(a) consiste em facilitar as 
coisas, executando três papeis principais: 
● Conselheiro do grupo 
Deverá fortalecer o espírito de iniciativa, as capacidades de 
organização e planificação dos grupos nas comunidades rurais. 
● Formador participativo 
Deverá ensinar aos membros do grupo a adquirir capacidades 
básicas, conhecimento de técnicas e solução de problemas. 
● Elo de ligação 
Deverá facilitar a comunicação entre o grupo e varias 
instituições, sejam do Governo, de ONGs e projectos, 
compradores de produtos agrícolas, vendedores de insumos, 
entre outros. 
 
 15 
Como é a relação entre promotore(a)s e os camponeses assistidos? 
• os camponeses recebem informações e mensagens do promotor / 
da promotora 
• o(a) promotor(a) responde às necessidades de assistência dos 
grupos e/ou da comunidade 
• os camponeses recebem assistência do promotor / da promotora 
o na machamba do(a) promotor(a) – os camponeses visitam a 
machamba do(a) promotor(a) (machamba modelo ou 
machamba escola) onde vêm as técnicas ou tecnologias 
aplicadas pelo promotor / pela promotora e podem discutir sobre 
as vantagens e receber informação sobre como fazer o mesmo 
trabalho. Este método é o mais encorajado, uma vez que ele 
permite aos outros camponeses de conhecerem a parcela do 
promotor vendo que tecnologia poderão adoptar e que eles tem 
oportunidade igual. Este tipo de assistência é mais efectivo na 
disseminação de informações e promove a comunicação e troca 
de experiências, já que as dúvidas ou conhecimentos são 
partilhados em benefício mútuo. 
o na machamba do camponês – o(a) promotor(a) visita as 
machambas dos camponeses a pedido deles e dá orientações ou 
recomendações sobre como fazer ou melhorar o trabalho. A 
assistência individual é um método que tem a desvantagem de 
não permitir maior intercâmbio com outros camponeses mas pode 
ser eficiente se a visita resultar na solução do problema do 
camponês ou da família assistida e pode implicar a adaptação de 
uma tecnologia à uma situação muito especifica. Este método de 
assistência implica um maior investimento do tempo do promotor, 
tempo que faltará para trabalhar na sua própria machamba, e 
poderá promover individualismo e ciúmes entre camponeses que 
não podem ser atingidos individualmente. Em muitas zonas esta 
forma de assistência enfrenta o problemade feitiço. 
o através de visitas acompanhadas – o promotor / a promotora, 
junto com camponeses e/ou técnicos visitam a machamba de um 
camponês assistido pelo promotor e podem trocar ideias e 
conhecimentos. As vantagens são as mesmas que no caso da 
assistência na parcela demonstrativa. Alem destas vantagens 
implica uma rotação, o que significa que os camponeses sempre 
vem de perto machambas e experiências novas, promovendo 
ainda mais a troca de experiências e conhecimento. Também 
neste caso podem ser enfrentadas dificuldades na pratica por 
crenças em feitiço. 
 16 
• o(a) promotor(a) acompanha as actividades dos camponeses 
assistidos por ele(a) 
• o(a) promotor(a) aplica técnicas ou tecnologias na sua 
machamba modelo e permite que os outros camponeses visitem a 
sua machamba 
• o(a) promotor(a) recebe informações ou mensagens dos 
camponeses da sua zona 
• o(a) promotor(a) ajuda a tornar forte os grupos ou as associações 
na comunidade 
• o(a) promotor(a) ajuda aos grupos e/ou à comunidade a 
identificar seus problemas e a encontrar soluções 
• o(a) promotor(a) ajuda aos grupos e/ou à comunidade a definir 
visões e metas e planificar actividades 
• o(a) promotor(a) organiza trocas de experiência entre 
camponeses ao nível local para aprenderem uns dos outros 
• o grupo e/ou a comunidade recompensa ao promotor / à 
promotora pelo trabalho feito 
 
 
 
 17 
O promotor tem sobretudo duas funções importantes: 
 
(1) Conhecer a realidade e experimentar, o que significa: 
• conhecer particularmente a realidade da comunidade local dele 
• fazer pequenos campos para testar a nova tecnologia 
• facilitar ver ou observar o que acontece e os seus resultados 
• permitir fazer comparação e medição dos resultados 
• fazer registro colectivo de informações do campo 
• transmitir os seus conhecimentos e as suas experiências a outros 
camponeses, aumentando o conhecimento local 
• continuar a desenvolver a nova tecnologia com os outros 
camponeses 
 
(2) Organizar, o que significa: 
• tornar forte as organizações, grupos, associações ou clubes de 
camponeses assistidos na comunidade 
• permitir que os camponeses entre eles, especialmente as 
mulheres e os homens, combinem como fazer o trabalho 
• encontrar formas de organizar grupos de camponeses para 
resolver seus problemas nas suas machambas 
• apoiar os camponeses da comunidade a serem donos do que 
ocorre na sua zona. 
 
 
 18 
 
RELAÇÃO PROMOTOR(A) – EXTENSIONISTA 
 
Como é a relação entre o promotor / a promotora e o técnico 
extensionista? 
• o técnico recebe informações do promotor / da promotora sobre 
os problemas e as necessidades dos camponeses 
• o técnico prepara e passa informações aos promotores 
• o técnico acompanha o trabalho e as actividades do promotor e 
dá orientações técnicas 
• o técnico visita a machamba modelo do promotor e as 
machambas dos camponeses assistidos pelo promotor 
• o técnico é um facilitador 
• são organizadas reuniões e encontros regulares entre técnicos e 
promotore(a)s para 
o trocar ideias e experiências 
o discutir problemas e soluções 
o receber formações ou capacitações 
o organizar e planificar as actividades dos promotores e das 
promotoras 
• o técnico assiste o promotor / a promotora em montar ensaios de 
diferentes tecnologias e em por em pratica novas experiências 
• o promotor pode recorrer ao técnico para receber assistência 
especifica em caso de problemas que não consegue solucionar 
sozinho junto aos camponeses 
 
 19 
Na metodologia Camponês-a-Camponês, é aplicado o processo de 
capacitação por acompanhamento. O acompanhamento é um 
procedimento de capacitação que o camponês e o técnico realizam 
na pratica. Não se pretende que o técnico extensionista seja quem 
realiza as actividades para demonstração ao camponês, nem 
tampouco que o camponês faça as actividades baixo direcção do 
técnico – espera-se que técnicos e camponeses realizem 
conjuntamente as actividades. Para isto os técnicos tem de assumir um 
novo papel de simples acompanhantes, respeitosos pelas actividades 
de interesse das comunidades e/ou grupos e realizando ume 
verdadeira planificação e capacitação participativa. Pretende-se 
extrair a capacitação do meio habitual abstracto e escolarizado para 
converter a ela num processo eminentemente pratico e adequado 
aos modos de aprendizagem tradicionais e localmente usados. 
 
A capacitação “on-farm” (na machamba) é um método que permite 
uma capacitação regular dos promotores em diversas matérias, sejam 
da área agrícola ou de outras áreas afins. Providencia-se uma 
capacitação prática que permite uma maior assimilação dos assuntos 
ou práticas introduzidas por meio de exercícios práticos. Idealmente, 
esta capacitação é organizada pelo extensionista para um grupo de 
promotores. 
Se não for possível organizar formações em machambas 
escolas/modelo, UTVs ou CDRs por falta de meios da parte do técnico, 
é importante encontrar alternativas que possam garantir uma 
formação pratica dos promotores. 
 
O técnico é apenas o facilitador do processo, não é o actor principal 
nem um fiscal do processo. O camponês é o principal realizador – ele 
possui o conhecimento. Na implementação da metodologia 
Camponês-a-Camponês é importante o acompanhamento regular e 
constante do promotor por parte do técnico. O promotor deve sentir 
de perto a presença do técnico: desta maneira, todas dificuldades, 
erros e problemas podem ser prontamente resolvidos e só assim pode-
se estabelecer uma relação de parceria entre o técnico e o promotor. 
 
 20 
 
CAPACITAÇÃO 
 
Aprendizagem participativa 
• é um método criativo para a solução de problemas onde cada 
membro do grupo participa activamente 
• começa pelas necessidades e os problemas do grupo 
• utiliza e aproveita as capacidades, os conhecimentos e a 
experiência de cada um dos membros do grupo 
• permite aos participantes de aprender fazendo 
• acontece num lugar onde os participantes se sentem a vontade 
• da um espaço às mulheres: é importante incluir sempre a mulher 
de forma activa em todos os trabalhos 
 
Como é capacitado o promotor? 
• através do acompanhamento regular do técnico extensionista da 
zona 
• através de formações e treinamentos práticos em machambas 
modelo ou machambas escola 
• através de encontros regulares, intercâmbio de ideias e trocas de 
experiência com outros promotores e técnicos 
 
 21 
Como são capacitados os camponeses assistidos pelo promotor? 
• através do acompanhamento das suas actividades pelo promotor 
e pelo técnico da zona, durante visitas à sua machamba 
• através de visitas à machamba do promotor e de outros 
camponeses assistidos pelo promotor 
• através de encontros regulares, intercâmbio de ideias e trocas de 
experiência com outros camponeses, promotores e técnicos 
 
 
 
A importância de encontros regulares 
Encontros regulares entre técnicos extensionistas e promotores, alem 
das reuniões que servem para a capacitação, são importantes 
elementos da metodologia Camponês-a-Camponês. 
Estas reuniões são programadas pelos promotores e facilitadas pelos 
técnicos, mas a agenda da reunião deve ser definida pelos 
promotores de cada localidade. As reuniões tem por finalidade fazer a 
avaliação colectiva do trabalho realizado, os avanços conseguidos, os 
problemas encontrados e planificar actividades e acções correctivas 
relevantes para o mês seguinte (no caso de encontros mensais). 
Portanto, estes encontros servem para fazer um plano, quer dizer: 
• organizar as actividades dos promotores em conjunto com os 
mesmos e a quem assistem 
• definir metas, acções e metodologias/instrumentos 
• combinar com outros camponeses para realizar o trabalho. 
 
Os técnicos aproveitam estes encontros para lançar novos desafios 
para os promotores, programar as formações e definir datas para as 
visitas de troca de experiência à diferentes zonas. Normalmente, neste 
tipo de reuniões não só se dá enfoque à agricultura mas tambémse 
podem incluir assuntos gerais vividos pela comunidade. 
 22 
 
TROCAS DE EXPERIÊNCIA 
 
O que é uma troca de experiência? Para que fazemos trocas de 
experiência? 
• significa aprender uns dos outros 
• significa apresentar a outros o que temos feito, o que sabemos 
fazer e como fazemos 
• servem para adquirir conhecimentos 
• significa realizar visitas a outros camponeses e/ou promotore(a)s 
para captar diferentes maneiras de trabalhar, diferentes e novas 
experiências e depois transmiti-las aos outros no grupo e/ou na 
comunidade 
• significa participar activamente e discutir problemas e soluções, 
partilhar conhecimentos e informações 
• significa ver experiências novas, conhecer avanços conseguidos 
por outros promotore(a)s, camponeses ou técnicos, aprender 
delas, adaptar elas às necessidades e possibilidades da própria 
machamba ou comunidade e aplicar os conhecimentos 
• estimula aos participantes a melhorarem a sua maneira de praticar 
a agricultura, vendo como outros camponeses das outras zonas 
praticam a agricultura e resolvem os seus próprios problemas 
• pode ser ao nível local, dentro da mesma comunidade, dentro do 
distrito ou fora do distrito 
• pode acontecer a todos os níveis (ao nível dos técnicos 
extensionistas, dos promotores e dos camponeses assistidos), tanto 
verticalmente (camponeses-promotor, promotores-extensionista) 
como horizontalmente (camponês-camponês, promotor-promotor, 
extensionista-extensionista) 
 
 23 
Quem pode participar numa troca de experiência? 
• camponeses 
• promotore(a)s 
• técnicos extensionistas 
• outros membros da comunidade 
 
Quem pode organizar uma troca de experiência? 
• camponeses entre eles 
• o promotor / a promotora da zona 
• o técnico extensionista da zona 
 
A ter em conta 
• devem-se definir objectivos antes de realizar a troca de experiência 
• a troca de experiência deve resultar num beneficio ou numa 
mudança para os participantes 
• deve-se fazer um seguimento após a realização duma troca de 
experiência para assegurar que os conhecimentos adquiridos 
sejam aplicados 
• trocas de experiência sempre implicam visitas a outros 
camponeses, mas é importante aclarar que também podem e 
devem ser organizadas ao nível local. Muitas vezes não acontecem 
trocas de experiências entre promotores de uma mesma zona. 
Portanto: não sempre tem de implicar deslocações a localidades 
muito distantes, dentro e fora do distrito e da Província, mas podem 
muito bem ser organizadas e devem ser encorajadas ao nível local. 
 24 
 
MONITORIA E AVALIAÇÃO DO TRABALHO 
DO(A) PROMOTOR(A) 
 
Como é feita a monitoria do trabalho do(a) promotor(a)? 
• o extensionista deve realizar visitas de monitoria e supervisão 
regulares ao promotor / à promotora e aos camponeses assistidos 
por ele(a) 
• o extensionista deve estar sempre ao corrente do trabalho 
realizado pelo(a) promotor(a) 
• em reuniões regulares entre promotores e técnicos 
o os promotores entregam os seus relatórios 
o discutem-se dificuldades ou problemas encontrados pelos 
promotores 
o faz-se uma programação de acções a seguir 
 
 
A importância da recolha de dados e de registos 
É importante para os membros do grupo/associação, da comunidade 
e para o técnico extensionista conhecer quê actividades foram feitas 
pelo(a) promotor(a). Também é importante comunicar informações 
sobre a campanha agrícola e problemas ou dificuldades encontradas 
na comunidade ou no grupo/associação. Portanto, manter um registo 
de actividades e informação é uma das tarefas do(a) promotor(a). 
 
 
 
 
 25 
Quê significa manter um registro? 
Fazer um registro é manter a informação sobre as actividades 
desempenhadas pelo(a) promotor(a) para referencias futuras (por 
exemplo, informação sobre as culturas produzidas, pragas e doenças, 
rendimentos e outros). O promotor / A promotora deve manter registros 
simples, de modo que todos os membros do grupo/associação e 
técnicos ou outros interessados compreendam. 
 
Porquê é importante ter registros? 
• ajuda ao promotor / à promotora a recordar o que fez 
• ajuda ao promotor / à promotora a recordar o que aconteceu na 
sua machamba e nas machambas dos camponeses assistidos 
• dá informações e números para o seguimento das actividades 
• ajuda ao promotor / à promotora e ao extensionista a tomar 
melhores decisões 
• dá informações e números para a avaliação do trabalho do(a) 
promotor(a) 
 
Quando, onde e como manter registos? 
Os registros devem ser feitos de forma regular (por exemplo, 
diariamente, semanalmente o mensalmente), assim como em reuniões 
e sempre que se realizam actividades. 
A informação deve ser registada em cadernos, de preferencia não em 
folhas soltas. Os registos devem ser guardados em pastas para evitar a 
perda de informação. 
Encorajar o uso de fichas ou mapas simples para registar a informação. 
Encorajar a escrever tudo que achar que é importante para assegurar 
uma melhor produção e assistência dos camponeses. O técnico 
extensionista deve fornecer mapas de acompanhamento, controle, 
monitoria ou outros. Encorajar contacto entre promotore(a)s para ver 
como ele(a)s fazem os seus registos. 
 
 26 
Como é feita a avaliação do trabalho do(a) promotor(a)? 
A avaliação do trabalho do(a) promotor(a) acontece a vários níveis: 
• auto-avaliação: o promotor / a promotora faz-se um conjunto de 
perguntas e avalia se o seu trabalho contribuiu em alguma coisa 
na vida da comunidade ou do grupo/associação. 
Possíveis perguntas são: O seu trabalho ajuda a resolver as necessidades 
sentidas pela povoação da sua zona? / Como promotor, é possível criar 
uma boa comunicação entre camponeses? / O seu trabalho não traz 
problemas ou conflitos dentro da comunidade? / Ė fácil de fazer? / Os 
camponeses assistidos adoptam e aplicam as técnicas e conhecimentos 
transmitidos? / Quais são as vantagens ou benefícios que obtém como 
resultado do trabalho? 
• avaliação por parte dos camponeses individuais directamente 
assistidos pelo promotor. O técnico devia visitar regularmente 
machambas de camponeses assistidos directamente pelo(a) 
promotor(a), seleccionadas aleatoriamente. Nestas visitas terá a 
possibilidade de conversar com eles sobre a qualidade dos serviços 
prestados pelo(a) promotor(a) e verá os resultados da assistência. 
• avaliação por parte da comunidade ou do grupo que beneficia 
dos serviços do promotor, através de encontros regulares ou 
palestras organizadas para este fim 
• avaliação por parte dos outros promotores da zona, durante as 
reuniões e os encontros regulares com o técnico ou durante as 
trocas de experiência realizadas 
• avaliação por parte do técnico de ligação, mediante as visitas de 
assistência regulares à machamba do(a) promotor(a) e durante as 
reuniões e os encontros regulares com o(a)s promotore(a)s. 
 
A realização de concursos por zonas de assistência pode ser um 
instrumento para encorajar a competição (salutar) entre promotores 
em cada localidade, assim como entre comunidades de um distrito 
para identificar e premiar os que melhor manejam os recursos naturais. 
Mesmo sendo a capacitação a meta e o verdadeiro beneficio dos 
participantes, estes concursos incentivam a participação e 
reconhecem o esforço mediante a entrega de prémios (sementes, 
alfaias, etc.). 
 
A modalidade de avaliação (A que nível é feita? De quanto em 
quanto tempo? Só oralmente o também por escrito? Quais são as 
consequências de um desempenho fraco de um promotor?) deve ser 
 27 
acordada com a comunidade ou o grupo que beneficia dos serviços 
do promotor (de preferencia ao introduzir a metodologia na zona) e 
vai depender sempre do nível de acompanhamento que o técnico de 
ligação pode garantir. 
 
 
Quais são os incentivos para o promotor / a promotora? 
O promotor é um voluntário que presta serviços à comunidade ou 
grupo/associação. A motivação do(a) promotor(a) vem de ver 
mudanças nas vidas dos camponeses assistidos por ele(a) e ser um 
indivíduorespeitado no grupo/associação e na comunidade. 
Os camponeses assistidos pelo(a) promotor(a), são os clientes dele(a). 
Eles vão estar dispostos a apoiar o promotor / a promotora se acharem 
que os serviços prestados pelo(a) promotor(a) são valiosos para eles e 
ajudam a melhorar a sua situação. 
Tendo em conta que o promotor irá trabalhar em regime voluntariado, 
é importante distinguir entre meios de trabalho e incentivos. Ambos 
deverão ser definidos caso a caso e deverão ser acordados com a 
comunidade ou o grupo em que vai trabalhar o promotor. 
Meios de trabalho são aqueles instrumentos que o promotor precisa 
para o seu trabalho quotidiano. Podem ser: material de papelaria 
(cadernos ou papel, esferográficas, pastas, etc.), material didáctico 
(folhetos, manuais, panfletos, etc.), botas, capa de chuva, corda, 
bicicleta (em caso que o raio que o promotor tem de cobrir para 
assistir os camponeses na sua zona seja muito grande), etc. 
Especialmente no caso dos meios de trabalho mais caros (como no 
caso de uma bicicleta, por exemplo), é importante que sejam 
entregues em publico e não directamente ao promotor por separado, 
mas à comunidade ou ao grupo que o promotor vai assistir (mas não 
para eles usarem, claro) que serão responsáveis de assegurar o uso 
“correcto” do meio de trabalho por parte do promotor e que terão o 
direito de tirar o mesmo do promotor em caso que o desempenho dele 
não seja satisfatório ou em caso que ele usa o meio 
inadequadamente. No caso ideal os meios de trabalho são fornecidos 
de forma regular de acordo com as necessidades do promotor pela 
comunidade ou pelo grupo que se beneficia dos serviços prestados 
pelo promotor, o que garante a sustentabilidade do sistema. 
 28 
Incentivos servem para a motivação do promotor e podem implicar 
um acompanhamento regular por parte do técnico de ligação, 
participação em formações e trocas de experiência, possibilidades de 
promoção, assim como a entrega de bens materiais como forma de 
reconhecimento pelo bom trabalho feito. Bens que são entregues 
podem ser: sementes, plantas melhoradas, animais de raça 
melhorada, bicicleta, alfaias, etc. Também no caso dos incentivos é 
válido: a sustentabilidade é maior se os incentivos são fornecidos pela 
comunidade e/ou o grupo assistido. 
Nem os meios de trabalho nem os incentivos entregues aos promotores 
deviam fazer o promotor dependente dum projecto ou programa (seja 
do Estado ou de parceiros de cooperação): estes nunca deviam ser a 
motivação dos camponeses para participar na implementação da 
metodologia Camponês-a-Camponês e trabalhar como promotor e 
não deviam separar o promotor significativamente da comunidade – 
isto promove paternalismo e dependência externa. Pelo contrario, os 
meios de trabalho e os incentivos entregues deviam ser sempre 
definidos para promoverem a capacidade de auto-sustento do 
promotor, sustentabilidade do sistema e o uso de recursos localmente 
disponíveis para a comunidade ou para o grupo. O ideal seria a 
comparticipação da comunidade ou do grupo assistido pelo 
promotor. No caso de promotores que estão ligados à associações ou 
grupos de camponeses, é possível de ter o total dos meios de trabalho 
e dos incentivos financiados pelo grupo, através de cotas e jóias 
pagas, ficando o promotor praticamente contratado desse grupo. 
Meios de trabalho e incentivos serão sempre entregues na base do 
resultado e duma avaliação positiva do trabalho do(a) promotor(a). 
 
 
 29 
 
ASPECTOS CRÍTICOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA METODOLOGIA 
 
Por ser uma metodologia participativa e uma metodologia suportada 
pelos próprios camponeses, vai ser difícil o quase impossível ter uma 
aplicação uniforme da metodologia na Província ou no pais inteiro. 
Portanto, a aplicação de forma particular e própria de cada zona, a 
procura de soluções locais e a organização diferente do trabalho 
devem ser encorajadas e aceites como versões diferentes da 
metodologia Camponês-a-Camponês. 
 
Apenas alguns aspectos chaves para uma aplicação bem sucedida 
da metodologia Camponês-a-Camponês são os seguintes: 
• identificar camponeses que estão motivados, tem vontade de 
trabalhar, tem capacidade e são aceites pela comunidade e/ou 
pelo grupo como promotores 
• encorajar a participação de mulheres em todos os trabalhos 
• encorajar mulheres a trabalharem como promotoras, mas sempre 
tendo em conta que elas carregam com o peso triple do trabalho 
na casa, na machamba e como promotoras 
• garantir o acompanhamento regular dos promotores pelos 
técnicos extensionistas das zonas respectivas 
• encorajar a avaliação regular do trabalho do(a) promotor(a), por 
parte dos camponeses, das comunidades e/ou grupos assistidos e 
por parte do técnico de ligação 
• organizar reciclagens e formações regulares de promotore(a)s e 
técnicos extensionistas 
• para a implementação bem sucedida da metodologia 
Camponês-a-Camponês com promotores como provedores de 
serviços de extensão, não é suficiente simplesmente estabelecer as 
estruturas institucionais; a metodologia está baseada na vontade 
dos camponeses de mudar a sua situação; eles tem de estar 
conscientes dos seus direitos e capacidades; auto-estima dos 
camponeses que confiam nas suas capacidades e nos seus 
colegas é essencial para eles poderem demandar os serviços que 
eles precisam e serem capacitados por e também capacitar a 
outros camponeses 
 30 
• quanto à sustentabilidade da metodologia, experiências diversas 
mostram que promotores só oferecem os seus serviços ao longo 
prazo se são compensados de alguma maneira para o seu 
trabalho – a pergunta é: quem vai cobrir os custos? No caso dos 
próprios camponeses assistidos, provavelmente deixará de fora 
aqueles camponeses mais pobres; no caso de associações, grupos 
ou clubes de camponeses, só cobrirá os gastos para a assistência 
dos membros dos mesmos; no caso dos serviços públicos de 
extensão rural, significaria assumir um compromisso com os 
promotores que fazem o trabalho de extensionistas auxiliares, mas é 
de duvidar se teriam os meios financeiros necessários disponíveis; 
no caso de ONGs ou projectos/programas, a sustentabilidade é 
nula porque uma vez que o financiamento para, o promotor com 
muita certeza também vai parar de trabalhar 
• montar um sistema de incentivos que promove o auto-sustento 
do(a) promotor(a), a sustentabilidade e o uso de recursos 
localmente disponíveis na comunidade, encorajando a 
comparticipação por parte da comunidade ou dos camponeses 
assistidos pelo(a) promotor(a) 
• promover a reciclagem ou rotação dentro da equipa do(a)s 
promotore(a)s, no sentido de que um(a) promotor(a) não devia 
ficar como promotor(a) para sempre, uma vez eleito(a), 
especialmente não se o trabalho dele(a) não for satisfatório 
• outros ... 
 
 31 
 
As ideias chaves a reter sobre a metodologia CaC: 
• o camponês é o principal realizador e actor, ele possui o 
conhecimento 
• o técnico extensionista é só um facilitador do processo 
• o camponês aceita fazer ensaios na sua machamba 
• o camponês ensina a outros camponeses com exemplos 
práticos 
• começar sempre devagar e não forçar ninguém 
• fazer poucos ensaios mas bem feitos 
• incluir sempre a mulher em todos os trabalhos 
• aprender fazendo com os outros 
• apresentar o que temos feito e o que sabemos fazer 
• todos sabemos algo ... ninguém sabe tudo 
• transmitir informações e conhecimento 
• a palavra convence ... o exemplo arrasta 
• é melhor uma ideia em 100 pessoas do que 100 ideias 
em 1 pessoa 
 
 32 
REFERENCIAS 
 
FAO (2000): The group promoter´s resource book, Roma. 
GTZ (2005): Reader – Extension Approaches, Eschborn. 
Medinaceli, Carlos / Peigné, Alain (1999): Pachamaman Urupa – Guía 
metodológica para la capacitación de campesino a campesino, 
Ruralter, Perú. 
Mussoi, Eros (2004): Relatório da Consultoria “Metodologias de 
Extensão” na Província de Sofala, Viena. 
PACDIB (2002): Manual de orientação técnica – Metodologia 
Camponês-a-Camponês,Búzi. 
PROMEC (2006): Levantamento sobre a metodologia Camponês-a-
Camponês nos distritos de Búzi, Chibabava, Dondo, Machanga e 
Nhamatanda, Beira. 
PROMEC (2006): Encontro sobre o sistema de extensão “Camponês-a-
Camponês” no dia 22 de Abril de 2006, Beira. 
Weinand, Julia (2002): Farmer-to-Farmer Extension – Opportunities and 
constraints of reaching poor farmers in Southern Malawi, Universität 
Hohenheim. 
 
 33 
ANEXOS 
 
 
Abordagem do PROMEC em relação à metodologia CaC 
 
 
Guião sobre o processo de selecção de promotore(a)s 
 
 
Instrumentos de trabalho da metodologia CaC 
 
 
Guião sobre como realizar encontros com promotore(a)s 
 
 
Modelo de ficha de acompanhamento dos camponeses 
 
 
Modelo de ficha de avaliação do desempenho de promotore(a)s 
 
 34 
Abordagem do PROMEC em relação à metodologia CaC 
 
Apostamos na metodologia CaC porque é uma metodologia de extensão: 
 de baixo custo, 
 abrangente, que possibilita um aumento no numero de famílias 
camponesas assistidas, 
 participativa, com envolvimento das comunidades, e 
 comunicativa, tanto verticalmente (camponeses-promotor e 
promotores-extensionista) como horizontalmente (camponês-
camponês, promotor-promotor e extensionista-extensionista). 
 
A intervenção do PROMEC nesta área vai complementar a primeira 
área de intervenção do projecto: fortalecimento de grupos para 
efectuarem negócios rurais. A meta é de ter no mínimo um promotor 
por cada grupo/associação/clube de produtores que é membro do 
grupo e presta serviços aos membros do grupo ou clube de negócios. 
 
O promotor será um promotor polivalente que sabe “um pouco de 
tudo” e poderá garantir uma assistência básica aos membros do grupo 
nas seguintes 4 áreas: técnicas básicas de produção, CaC, 
associativismo e agro-negócios. 
 
As vantagens de ligar os promotores aos grupos são as seguintes: 
• vai contribuir ao fortalecimento dos grupos, já que terão assistência 
básica garantida 
• um grupo/associação/clube é um grupo coeso onde os membros 
se conhecem, que tem a costume de se reunir regularmente, o que 
facilita a troca de informações e experiências de camponeses a 
camponeses, assim como o trabalho do promotor em termos de 
assistência/formação 
• um grupo/associação/clube tem potencial de recolher fundos 
para fornecer os meios de trabalho ou incentivos para o promotor 
deles 
• a sustentabilidade é maior porque o grupo é fortalecido, os 
membros são capacitados para demandar os serviços que eles 
precisam e o trabalho dos promotores pode ser remunerado pelo 
grupo/associação/clube. 
 
Num primeiro passo vai ser feito um levantamento do potencial e da 
capacidade dos grupos para determinar, conjuntamente com a DDA, 
quais vão ser os grupos que doravante vão cooperar com o projecto. 
 35 
A ideia é assistir intensivamente um numero menor de grupos, mas ter 
uma abordagem mais sistemática e abrangente. 
Num segundo passo é feita a selecção de um promotor dentro do 
grupo: se já existe um promotor, pode ser confirmado; se ainda não 
existe, vai ser eleito um membro do grupo com vontade de exercer o 
trabalho do promotor. 
Num terceiro passo é feita uma planificação ao nível dos grupos e dos 
promotores que vai servir para: 
• definir objectivos, visão e estratégias do grupo 
• definir as tarefas/responsabilidades do promotor (necessidades de 
assistência por parte dos membros do grupo) e as 
tarefas/responsabilidades do grupo 
• determinar as necessidades de formação dos membros e lideres 
do grupo 
• determinar as necessidades de formação dos promotores 
• elaborar um plano de uso e aproveitamento da machamba do 
promotor que vai servir como base para a assistência ao promotor, 
mas também como capacitação do promotor e dos membros do 
grupo para realizarem planificações similares ao nível das 
machambas deles com apoio do promotor 
• definir como será feita a avaliação do desempenho do promotor 
• definir como será feito o monitoramento das actividades e do 
desenvolvimento do grupo. 
 
Observações: 
• a planificação ao nível dos grupos pode implicar que a 
implementação da metodologia CaC será diferente de um grupo 
para outro 
• os promotores ligados a grupos deverão prestar serviços aos 
membros do grupo em primeiro lugar, mas poderão também assistir 
a outros membros da comunidade 
 
 36 
Guião sobre o processo de selecção de promotore(a)s 
 
(1) Reuniões com lideres tradicionais, comunidades, lideres de 
grupos/associações para introduzir o conceito da metodologia 
CaC 
 
Agenda dos encontros: 
a) Propósito do encontro 
b) Introdução do conceito da Metodologia CaC 
c) Explicação dos procedimentos para a selecção do promotor 
 
(a) Propósito do encontro 
 Fazer um historial do trabalho de extensão rural na zona, fazendo 
alusão ao numero reduzido de camponeses ou famílias assistidas. 
Dizer por exemplo, quantas pessoas o técnico assiste agora e com 
este novo método a DDA espera assistir muitos camponeses. 
 Explicar a necessidade de alargar a cobertura na assistência as 
famílias camponeses 
 Explicar as dificuldades da DDA em recursos humanos para garantir 
uma cobertura efectiva aos camponeses 
 
(b) Introdução do conceito da metodologia CaC 
 Explicar que a DDA encontrou uma forma mais eficaz de aumentar 
o número de famílias assistidas mas que para isso conta também 
com a colaboração de todos lideres tradicionais e a comunidades 
pois este método de trabalho vai ser feito por pessoas voluntárias 
que irão trabalhar em benefício da comunidade 
 Explicar como este método de trabalho funciona na comunidade 
e como elas se vão beneficiar com este trabalho: conceito da 
metodologia CaC, vantagens, tarefas do promotor, etc. 
 
(c) Explicação dos procedimentos para a selecção do promotor 
 
 
(2) Selecção do promotor – passos 
 Reunir a comunidade ou o grupo/associação 
 Explicar como método de trabalho funciona e quais são as 
vantagens para a comunidade ou o grupo/associação 
 Explicar quais são as características dum(a) promotor(a) e quais 
são as suas tarefas – é preciso explicar que a escolha deve ter em 
consideração o aspecto de conhecimento, experiência e 
 37 
capacidade de transmitir aos outros aquilo que o promotor sabe e 
é ensinado pelo técnico 
 Pedir que se apresentem voluntário(a)s que estão interessados a 
desempenhar o papel de promotor(a) 
 Proceder à escolha do(a) promotor(a) – em caso de que 
houverem muitos candidatos e o processo de escolha estiver a ser 
difícil então optar por votação secreta 
 Selecção do(a)s promotore(a)s 
- Deve-se fazer apresentação pública (todos promotores de 
pé) e questionar se realmente estes são os promotores que 
eles escolheram ou não ? 
- Insistir e perguntar se todos concordam ou não 
 
 38 
Instrumentos de trabalho da metodologia CaC 
 
Possíveis instrumentos de trabalho a serem aplicados na 
implementação da metodologia Camponês-a-Camponês são os 
seguintes: 
• machamba modelo/escola que demonstra a aplicação bem 
sucedida de tecnologias e praticas 
• ensaios e demonstrações sobre diferentes tecnologias e culturas ou 
variedades 
• realização de encontros locais regulares entre promotores como 
forma de troca de experiência e conhecimento 
• realização de visitas de troca de experiência dentro e fora do 
distrito e da Província 
• organização de dias de campo 
• participação em feiras agrícolas 
• promoção de encontros/reuniões com os promotores e as 
populações 
• programas de radio que podem incluir entrevistas a camponeses 
exemplares, camponeses assistidos por promotores, técnicos 
extensionistas, debates e informação geral sobre as tecnologias e 
praticas 
• produção e distribuição de panfletos, manuais, folhetos e fotos 
• documentação de boas experiências e praticas para divulgação 
a outras zonas 
• realização de concursos entre promotores duma zona ou dum 
distrito ao redor dum tema comum como instrumento de avaliação 
do trabalho do(a)s promotore(a)s 
• e outros ... 
 
 39 
Guião sobrecomo realizar encontros com promotore(a)s 
 
 Reunião quinzenal dos promotores – passos 
 Preparar uma agenda dos pontos a serem discutidos 
 Reunião organizada pelos promotores da zona 
 técnico extensionista é convidado dos promotores 
 
 Reunião mensal dos promotores – passos 
 Preparar uma agenda dos pontos a serem discutidos 
 Reunião organizada pelo técnico extensionista da zona 
 Promotores devem entregar relatório das actividades do 
mês anterior 
 Pode servir também para treinar os promotores, discutir 
problemas e dificuldades encontradas pelos promotores 
 Deve servir para programação de acções e formação para 
mês seguinte 
 
De forma geral, o papel do técnico pode ser resumido da seguinte 
maneira: 
● preparar listas de participantes 
● organizar o local da reunião de maneira tal que as pessoas se 
sintam a vontade e se possam ver uns aos outros 
● guiar as discussões (abertura da sessão, conduzir a discussão, 
moderar, resumir os argumentos de forma regular) 
● formular as perguntas, sondar as opiniões e ouvir dos participantes 
● admitir pontos de vista e opiniões de todos os participantes; pedir 
aos outros de prestar atenção e ouvir a todos 
● estimular ideias criativas 
● animara cada um dos participantes a fazer a sua contribuição, 
especialmente às mulheres 
● procurar métodos práticos para promover e encorajar a 
participação das pessoas 
● estar atento a como reagem os participantes uns frente a outros 
● fazer uma avaliação conjunta do encontro ao final 
● fazer um relatório sobre o encontro realizado resumindo os 
resultados 
 
 40 
Modelo de ficha de acompanhamento dos camponeses 
 
 
 41 
Modelo de ficha de avaliação do desempenho de promotore(a)s 
 
 
 42 
	 REFERENCIAS

Mais conteúdos dessa disciplina