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Regiões e estruturas anatômicas importantes 
 
 
Divisão do abdome em quadrantes 
 
 
 
Estruturas localizadas nessas regiões 
 
 
Exemplos de dores características dessas regiões 
 
 
Características semiológicas da dor 
 Localização. 
 Irradiação. 
 Intensidade: leve, moderada, intensa. 
 Início: gradual ou súbita? Aguda ou crônica? 
 Tipo de dor: pontada, cólica, aperto etc. 
 Fatores que exacerbam ou aliviam a dor. 
 
Sinais e sintomas – Aparelho digestivo 
 Dispepsia: grupo heterogêneo de sintomas 
localizados no andar superior do abdome, na 
maior parte das vezes na região epigástrica, 
atribuídos a alterações gastroduodenais. 
 Plenitude pós-prandial: sensação de 
persistência prolongada de alimentos no 
estômago após uma refeição, gerando 
desconforto; “sensação de cheio”. 
 Saciedade precoce: sensação de que o 
estômago está cheio após o início de uma 
refeição, impedindo que seja terminada. 
 Anorexia: perda do apetite. Pode ser causada 
por patologias que não necessariamente estão 
associadas ao aparelho digestivo. 
 Pirose: dor em queimação na região 
retroesternal. Geralmente está relacionada a 
doença do refluxo esofágico; mas pode estar 
associada a doenças cardíacas. 
 Epigastralgia: dor em queimação na região 
epigástrica. Geralmente está relacionada ao 
estômago – gastrite, ulceras; 
 Náuseas e vômitos: buscar características – 
cheiro, cor; o odor fecalóide é comum em 
obstruções do intestino delgado. 
 Hematêmese: eliminação de vômito em borra 
de café ou com sangue vermelho-vivo. 
Semiologia do abdome 
 Melena: eliminação de sangue com coloração 
escura nas fezes. Sangramento em porções mais 
altas do TGI, pode ser um sinal de câncer do 
cólon. 
 Hematoquezia: eliminação de sangue vivo nas 
fezes. Pode ser causada por hemorroidas, 
sangramentos m porções mais baixas do TGI - 
no cólon, divertículo. 
 Diarreia: aumento da frequência de evacuação 
e alteração da consistência. 
 Constipação: diminuição da frequência de 
evacuação. Leva 3 dias ou mais para defecar 
novamente por semana. 
 Icterícia: coloração amarelada da pele e das 
escleróticas, devido a níveis aumentados de 
bilirrubina. Exemplo: colecistite, litíase – 
doenças em outros órgãos; hepatite, doenças 
genéticas etc. 
 
 Icterícia: prurido indica icterícia colestática ou 
obstrutiva. 
o Acolia: a excreção de bile pelo 
intestino é totalmente obstruída; as 
fezes tornam-se cinzentas ou claras, 
devido à ausência de bile  fezes muito 
claras. 
o Colúria: o nível de bilirrubina 
conjugada aumenta no sangue, podendo 
ser excretada pela urina, cuja coloração 
se torna castanho-amarela escura ou cor 
de chá  urina escurecida. 
 
Sinais e sintomas – Sistema urinário (SU) 
 Poliúria: aumento do volume urinário superior 
a 3L em 24h. 
o Diabetes e doenças do aparelho 
urinário. 
 Polaciúria: aumento da frequência de micções 
(sintoma clássico de doenças do SU). 
o Associada a patologias prostáticas 
 Noctúria: aumento da frequência urinária à 
noite, às vezes definida pelo fato de o paciente 
acordar mais de uma vez para urinar. 
o Associada a patologias prostáticas. 
 Disúria: dor ao urinar (geralmente sensação de 
ardência ou queimação). 
 Incontinência urinária: eliminação 
involuntária da urina. 
o Infecção urinária e alterações 
anatômicas ou neurológicas 
(paraplegia). 
 Hematúria: existência de sangue na urina. 
o Litíase renal, infecção urinária, 
neoplasia de bexiga. 
o Pode ser macro ou microscópica – 
sumário de urina (exame). 
 
Dor renal 
 Dor no flanco, no rebordo costal posterior ou 
abaixo dele, próximo ao ângulo costovertebral. 
 Essa dor pode irradiar-se para frente, na direção 
do umbigo. 
Dor ureteral 
 Dor intensa e sentida como cólica. 
 Costuma se originar no ângulo costovertebral, 
circundando o tronco. 
 Irradia para o quadrante inferior do abdome ou, 
às vezes, a região superior da coxa, os testículos 
ou os lábios do pudendo. 
 (Tende a ter mais irradiação em relação à dor 
renal). 
o Nefrolitíase. 
 
 
TÉCNICA DE EXAME FÍSICO 
 Local iluminado. 
 Exposição do abdome: desde a região acima do 
processo xifoide até a sínfise pubiana; além 
disso, a região inguinal deve ficar visível, 
enquanto a genitália permanece coberta. 
 Os braços devem ficar ao lado do corpo ou 
cruzados no tórax, em decúbito dorsal. 
 O exame das regiões dolorosas deve ser feito 
por último. 
 Examinar sempre à direita do paciente. 
INSPEÇÃO 
Verificar a existência de: 
 Cicatrizes: se já fez alguma cirurgia anterior e 
a cicatrização não foi realizada adequadamente, 
o paciente pode sentir dor. Podem indicar a 
presença de alguma hérnia no local da cicatriz 
(cirúrgica, de traumas). 
 Estrias: estrias violáceas podem indicar 
Cushing (excesso de cortisol – patologia 
endócrina). 
 
 Veias dilatadas: varizes em cabeça de medusa, 
uma via colateral de veias umbilicais 
recanalizadas que se irradiam abdome acima, 
com o objetivo de descomprimir a hipertensão 
venosa portal  (esquistossomose, patologias 
do fígado). 
o A direção do sangue é fugindo do 
umbigo. 
o Vasos superiores drenam para veias 
mais superiores e vasos inferiores 
drenam para veias mais inferiores. 
o Veias em direção perimbilicais. 
 
 
 Circulação colateral tipo cava inferior: outro 
tipo de dilatação venosa, que ocorre devido à 
dilatação da veia cava inferior. 
o A circulação é lateral e o fluxo de 
sangue é sempre em direção 
ascendente. 
OBS: circulação colateral do tipo cava superior: o 
sangue realiza uma dilatação em vasos superficiais 
no tórax. 
 
 
 Pulsações: pode ser visível no epigástrico. 
o Paciente muito magro e longilíneos 
(pulsações aórticas). 
o Nem toda pulsação é normal, podem ser 
evidências de aneurismas. 
 
 Umbigo: observe o contorno e a localização, 
bem como sinais de inflamação (sinais 
flogísticos – crianças) ou protusão, que são 
sugestivos de hérnia umbilical. 
o Analisar se a hérnia umbilical é 
redutível ou não. 
o Descrever tamanho, se há presença ou 
não de inflamação etc. 
o Se ela piora com algumas manobras, 
como a manobra de Valsalva. 
o Manobras de Valsalva (o médico pede 
ao paciente para tossir ou para soprar a 
sua mão sem deixar que o ar escape), 
aumentando assim a pressão intra-
abdominal e fazendo com que o 
conteúdo herniário se insinue através 
fraqueza (defeito) da parede abdominal. 
 
 
HÉRNIAS: exteriorização/tumerações de 
estruturas intra-abdominais na parede abdominal. 
 Podem ser: umbilical, epigástrica, inguinal, 
femoral, incisão cirúrgica (cesariana, 
colecistectomia). 
 
 Erupções cutâneas ou equimoses: encontradas 
em pacientes com hemorragia intraperitoneal 
ou retroperitoneal, por exemplo. 
 
Sinal de Cullen: sinal de equimose periumbilical. 
 Relacionado com hemorragia retroperitonial, 
principalmente à pancreatite aguda, além de 
ruptura de aneurisma de aorta ou à gravidez 
ectópica. 
Sinal de Grey-Turner: equimoses nos flancos. 
 Leva de 24h a 48h para aparecer. 
 Está associado à pancreatite aguda. 
Ambos são sinais de sangramento. 
 
INSPEÇÃO 
Forma do abdome 
 Escavado: paciente muito magro. 
 Plano 
 Semigloboso: intermediário entre plano e 
globoso. 
 Globoso: obesidade, ascite – acúmulo de 
líquido na cavidade abdominal - (pode ser 
causada por hipertensão portal, 
insuficiência cardíaca, cirrose, neoplasia), 
visceromegalias (hepatomegalia). 
 Batráquio: possui abdome globoso, mas 
apresenta qdilatação acentuada dos flancos 
quando em decúbito dorsal. 
o Ex: ascite. 
 Avental: cai sobre as coxas quando está de 
pé. Ex: obesidade, pacientes que realizaram 
bariátrica. 
 
Peristaltismo 
 Pode ser visível em pessoas muito magras. 
 Está aumentado nas obstruções intestinais. 
Depois da INSPEÇÃO, é realizada a AUSCULTA 
e a PALPAÇÃO fica por último, pois nela 
estimula-se a peristalse, o que pode fornecer 
informaçõeserrôneas. 
 
AUSCULTA 
Fornece informações importantes sobre a 
motilidade intestinal. 
 Ausculte o abdome antes de efetuar a percussão 
ou a palpação, porque essas manobras 
modificam a frequência dos sons intestinais. 
 Os sons normais consistem em estadilos e 
gorgolejos, que ocorrem em uma frequência de 
5 a 34 por minuto  são chamados de ruídos 
hidroaéreos (RHA). 
o Ouvir de mais: obstrução intestinal, 
diarreia. 
o Ouvir de menos: apendicite  abdome 
agudo. 
 Usar o diafragma do estetoscópio. 
 Sopros podem indicar estenoses arteriais. 
o Sopro aórtico. 
o Sopro da artéria renal (pode ser uma 
causa de hipertensão arterial). 
 
Depois da ausculta, segue-se para a percussão ou 
para a palpação. 
PERCUSSÃO 
A percussão auxilia na avaliação da quantidade e 
da distribuição dos gases no abdome, de possíveis 
massas solidas ou cheias de líquido e das 
dimensões do baço. 
 O timpanismo costuma predominar, em função 
dos gases existentes no sistema digestório. 
 São típicas regiões esparsas de macicez, em 
virtude de haver líquido e fezes. 
 As áreas de macicez podem indicar útero 
gravídico, tumor ovariano, distensão da bexiga, 
ascite, hepatomegalia ou esplenomegalia. 
 
 
 
 
Delimitação do fígado 
 Inicia-se percutindo de cima, ouvindo um som 
claro pulmonar, ao chegar no 5°/6° espaço 
intercostal, na linha hemiclavicular, o som fica 
submaciço/maciço. 
 O som maciço é onde está o fígado e o baço. 
 Ao passar da borda inferior do fígado, o som 
fica timpânico, devido ao som das alças 
intestinais. 
 Nem sempre ele é palpável, por isso, a 
importância da percussão. 
 
 
Sinal de Torres-Homem: área dolorosa à 
percussão, localizada e circunscrita em uma 
determinada área do fígado, onde tem uma 
inflamação. 
 Sinal característico de abscesso hepático. 
 
Sinal de Jobert: refere-se ao desaparecimento da 
macicez e aparecimento de hipertimpanismo na 
região hepática – área em que o som deveria ser 
maciço. 
 É um sinal observado nos grandes 
pneumoperitônios (ar na cavidade 
peritoneal). 
 
 
Percussão do baço 
Percuta o espaço intercostal mais baixo na linha 
axilar anterior esquerda. O som nessa região 
costuma ser timpânico. 
 Peça ao paciente que respire fundo e torne 
a percutir. Quando o tamanho do baço for 
normal, a nota de percussão permanecerá, 
em geral, timpânica. 
 Se qualquer um desses testes ou ambos 
forem positivos, preste atenção especial à 
palpação do baço. 
o Baço normal: som timpânico. 
o Esplenomegalia: baço aumentado – 
som maciço. 
 Geralmente não é palpável, por isso, a 
importância da percussão. 
o Paciente obeso dificulta a manobra. 
 
 
 
 
 
Sinal de Piparote (ascite) 
 Comprima a linha média do abdome com 
firmeza. Essa compressão ajuda a interromper 
a transmissão de ondas pelo tecido adiposo. 
 Outro achado na ascite é a macicez móvel de 
decúbito. 
o Sente-se uma onda líquida quando 
realizada a manobra, indicando ascite. 
o Se não sentir esse líquido, é tecido 
adiposo. 
o Para ter esse sinal positivo, deve-se ter 
uma quantidade considerável de 
líquido. Porém, pacientes com ascite e 
pouco líquido podem mostrar sinal 
negativo nesse teste, mesmo tendo 
ascite. 
 
 
 Pode-se percutir o abdome para determinar a 
presença de ascite. 
 Quando o paciente não tem líquido, geralmente 
todo o abdome está timpânico, pois tem gás  
o som não muda ao movimentar o paciente. 
 Quando o paciente tem líquido, ouve-se som 
maciço. Esse líquido é móvel  macicez móvel 
de decúbito. 
 
Sinal de Giordano 
Dor à compressão ou à punhopercussão sugere 
PIELONEFRITE, mas também pode ter uma causa 
musculoesquelética. 
 Sinal positivo: pielonefrite (infecção 
urinária alta). 
 Sinal negativo: litíase renal (nefrolitíase). 
 
PALPAÇÃO 
A palpação suave do abdome é particularmente útil 
para identificar dor à palpação, resistência 
muscular e alguns órgãos ou massas superficiais. 
 Fazer palpação superficial e depois profunda. 
 Verifique se há quaisquer massas e registre sua 
localização, forma, tamanho, consistência, 
hipersensibilidade, pulsações e mobilidade com 
a respiração ou com a mão examinadora. 
 
Palpação do fígado 
 Peça ao paciente que respire fundo. 
 Procure sentir a borda do fígado quando ela 
desce de encontro às pontas de seus dedos. 
 Se o fígado for palpável, a borda hepática 
normal é macia, bem delimitada e regular, 
com superfície lisa. 
 Durante a inspiração, o fígado é palpável 
cerca de 3 cm abaixo do rebordo costal 
direito, na linha hemiclavicular. 
 Na maioria dos pacientes não é possível 
palpá-lo. 
 
Técnica do gancho 
Posiciona-se do lado direito do paciente e busca-se 
o fígado, enquanto o paciente inspira. 
 
 
Palpação do baço 
 O baço aumentado de tamanho é palpável 
cerca de 2 cm abaixo do rebordo costal 
esquerdo, durante a inspiração profunda. 
 A extremidade (ponta) do baço é palpável 
em aproximadamente 5% dos adultos 
normais. 
 
 
Palpação em decúbito lateral direito – baço 
pequeno. 
 
 
SINAIS DE PERITONITE 
Peritonite – inflamação do peritônio parietal – é 
um sinal de abdome agudo  todo quadro agudo 
abdominal que exige uma tomada de atitude 
imediata. 
Os sinais de peritonite incluem: 
 Sinal de tosse positivo. 
 Defesa (contração voluntária da 
musculatura). 
 Rigidez (contração involuntária da 
musculatura). 
 Descompressão dolorosa. 
 Dor à percussão. 
As causas de peritonite incluem: 
 Apendicite. 
 Colecistite. 
 Perfuração da parede intestinal. 
 
PONTO DE MCBURNEY 
 A apendicite é 3x mais provável quando há 
rigidez e dor à palpação do ponto de McBurney. 
 Nem toda apendicite ocorre nesse local. 
 
 
SINAL DE BLUMBERG 
 Quando há dor à compressão brusca no ponto 
de McBurney. 
 Sugestiva de apendicite. 
 
SINAL DE ROVSING 
 Dor no quadrante 
inferior direito 
durante 
compressão do lado 
esquerdo. 
 Sinal sugestivo de 
apendicite. 
 
 
SINAL DO PSOAS 
 Coloque sua mão logo acima do joelho direito 
do paciente e peça que ele eleve essa coxa 
contra sua mão. 
 Outra alternativa é solicitar ao paciente que vire 
para o lado esquerdo e estique a perna direita na 
altura do quadril. 
 A intensificação da dor abdominal provocada 
por uma dessas manobras constitui o sinal do 
psoas positivo, sugestivo de irritação do 
músculo psoas por um apêndice inflamado. 
 
 
SINAL DE MURPHY 
 Sugestivo de colecistite aguda. 
 Parada da inspiração à compressão do ponto 
cístico – local anatômico onde está a vesícula. 
 
Exemplos de descrição de exame físico 
 Abdome plano, indolor, normotenso, sem 
visceromegalias ou massas palpáveis, ruídos 
hidroaéreos presentes. 
 Addome globoso, flácido, indolor, fígado 
palpável a 6 cm do RCD na LHC, sinal de 
piparote +, RHA +. 
 Abdome semigloboso, rígido, doloroso 
difusamente à palpação, porém, mais acentuado 
no ponto de McBurney com sinal de Blumberg 
e Rovsing +, RHA ausentes  apendicite.

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