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1 André Pantoja, MSc Neurologia Adulto DOENÇA DE PARKINSON Diagnóstico e Tratamento Dr. James Parkinson (1755-1828) • Médico cirurgião em Londres, trabalhou por trinta anos em um asilo onde dedicou-se ao bem-estar de pessoas com doenças mentais. • JP escreveu muitos trabalhos relacionados a medicina, entre eles um tornou-se muito famoso: An Essay on the Shaking Palsy (1817). •Foto de micrografia 4 Um ensaio sobre a Paralisia Agitante Londres, 1817 • “Enfermidade caracterizada pela presença de movimentos tremulantes involuntários, diminuição da força muscular, tendência à inclinação do tronco para frente e alteração da marcha. Os sentidos e o intelecto são preservados.” James Parkinson 5 Jean-Martin Charcot França, 1877 • Neurologista francês, pai da Neurologia. • Destacou o tremor como manifestação cardinal e inicial da doença e ressaltou sua presença no repouso unilateral, afetando o membro superior. • Distinguiu duas formas: “Tremulante”e “Rígido- acinética”. • Micrografia. • Relatou a presença de demência em alguns casos. • Pioneiro em propor, em 1877, o tratamento da doença com a Hioscinamina, uma substância de efeito anticolinérgico. 6 Micrografia 7 Doença de Parkinson Epidemiologia • Geralmente, pctes. > 50 anos. Antes de 20 anos é rara (Parkinson Juvenil). Mais comum em homens. • Prevalência = 1 a 3 % da população > 65anos. • Incidência = 20 por 100.000 habitantes/ano. • Risco de desenvolver a doença = 1 em 40. • Maior prevalência = América do Norte e Europa • Mais comum em caucasianos (?). • Associações com vida rural, ingestão de água de poço, cultivo de vegetais, exposição a polpa de madeira e pesticidas (???). NIVEL ESTRUTURA FUNÇAO Estratégia ALTO Áreas associativas + Núcleos da Base + Cerebelo Planejamento (Intenção) do movimento Programação Motora Tática INTERMEDIÁRIO Córtex Motor Primário + Cerebelo Iniciação do programa motor Marcação de tempo e seqüência temporal e espacial Correção de erros durante a execução Execução BAIXO Tronco encefálico + Medula Recrutamento de motoneurônios e interneuronios Ajustes necessários para a postura 9 Anatomia Básica da D.P. • A habilidade em produzir movimento depende de um circuito motor complexo que envolve a subst. negra, os gânglios da base, núcleo subtalâmico, tálamo e o córtex cerebelar. Dopamina é o principal neurotransmissor desse circuito. • Na DP a produção de Dopamina está reduzida. • Há degeneração dos neurônios contendo Melanina (dopaminérgicos) no tronco encefálico, principalmente, na sustância negra e no locus ceruleus. • Sintomas aparecem quando a subst. negra já perdeu 60% dos neurônios dopaminérgicos e o conteúdo de Dopamina é 80% inferior ao normal. Massa de substância cinzenta na base do cérebro envolvida com o planejamento motor, possuindo vários núcleos: Núcleo Caudado, Putamen, Globo Pálido Corpo Amigdaloide Núcleo de Meynert, Núcleo Accubens, Substancia Negra Núcleo subtalamico, Claustrum, Núcleos da Base 13 Anatomia Básica da D.P. Neuropatologia • Os neurônios sobreviventes, na substância negra e no locus ceruleus, contêm inclusões citoplasmáticas eosinofílicas conhecidas como Corpos de Lewy - a característica patológica da doença. •Corpúsculo de • Lewy 16 ETIOLOGIA DA DOENÇA DE PARKINSON • Genética ? • Toxinas exógenas ? • Toxinas endógenas ? • Estresse oxidativo ? I D I O P Á T I C A 17 SINAIS E SINTOMAS DA DOENÇA DE PARKINSON • Tremor em repouso • Rigidez • Bradicinesia - Hipocinesia • Postura fletida • Perda dos reflexos posturais • Fenômeno de parada = “freezing” 18 TREMOR 70% casos • Pode estar presente em um ou mais membros. • É comum nos lábios, queixo e língua. • Geralmente, assimétrico. 4 a 5 ciclos/segundo • Ocorre, tipicamente, quando o membro está em repouso. Desaparece à ação, ressurgindo quando os membros mantêm uma postura. Aumenta ao andar. • “Contar moedas” ou “enrolar pílulas” = flexão /exten- são dos dedos ou do pulso. • Amplitude aumenta em períodos de estresse ou quando pede-se ao paciente que realize alguma tarefa cognitiva • Desaparece durante o sono. 19 RIGIDEZ • Aumento do tônus muscular quando o examinador move os membros, o pescoço ou o tronco do paciente (movimentos passivos). • A rigidez é igual em todas as direções. • Fenômeno da roda denteada (catraca). • A rigidez do membro passivo aumenta quando outro membro é envolvido em um movimento ativo voluntário. 20 RIGIDEZ • Aumento do tônus muscular quando o examinador move os membros, o pescoço ou o tronco do paciente (movimentos passivos). • A rigidez é igual em todas as direções. • Fenômeno da roda denteada (catraca). • A rigidez do membro passivo aumenta quando outro membro é envolvido em um movimento ativo voluntário. 21 BRADICINESIA • Lentidão de movimentos, dificuldade em iniciar movimentos e perda de movimentos automáticos. • A face perde a expressão espontânea = Facies em máscara ou hipomimia ou facies congelada - não traduz o estado emocional do paciente. • Diminuição do piscar. Facies em pomada. • Diminuição da movimentação espontânea = perda da gesticulação, tendência a ficar sentado, imóvel. • Rigidez cérea (como se fosse de cera). • A voz torna-se baixa (hipofonia), com um tom monótono. 22 BRADICINESIA • A bradicinesia da mão dominante leva a uma escrita lenta e com letra pequena (micrografia), dificuldade em fazer barba, escovar dentes, pentear o cabelo, abotoar roupas, maquiar, etc. • O andar é lento, com passos mais curtos e tendência a arrastar os pés. O balanço dos braços diminui. • Bradicinesia do tronco = Dificuldade em levantar-se de uma cadeira baixa, sair de automóveis e virar-se na cama. A bradicinesia é interpretada, erroneamente, pelos pacientes como fraqueza. 23 BRADICINESIA • A saliva escorre pelos cantos da boca devido à incapacidade para deglutir. ( Não há produção excessiva de saliva). • A deglutição pode alterar-se com o avanço da doença . Engasgos e aspirações são preocupações freqüentes. • Dissinergia óculo-cefálica = O doente ao dirigir os olhos para um determinado lado não acompanha com a cabeça o movimento dos olhos. É a característica mais limitante da doença. 24 POSTURA FLETIDA • A rigidez parkinsoniana confere ao doente uma atitude característica: Cabeça em ligeira flexão, tronco ligeiramente inclinado para frente, flexão moderada da perna sobre a coxa e do antebraço sobre o braço. • Ao deambular o doente parece um bloco, com o tronco inclinado para frente, como que à procura do seu centro de gravidade. 25 Cabeça em ligeira flexão, tronco inclinado para frente. 26 PERDA DOS REFLEXOS POSTURAIS • Teste do puxão. • O paciente desaba sobre uma cadeira ao tentar sentar-se (sentar-se em bloco). • Marcha festinante = o paciente anda mais e mais rapidamente, tentando mover os pés para frente para ficar sob o centro de gravidade do corpo em flexão e assim evitar quedas. • A perda dos reflexos posturais leva a quedas e, finalmente, à incapacidade de ficar de pé, sem auxílio. 27 FENÔMENO DE PARADA (BLOQUEIO MOTOR) • Incapacidade transitória na execução de movimentos ativos. • Mais comum nas pernas. Os pés parecem grudados ao solo e então, subitamente se desprendem, possibilitando caminhar novamente.• A parada ocorre subitamente, durando no máximo alguns segundos, de cada vez. • Ocorre, tipicamente, quando o paciente começa a andar (hesitação de partida), tenta virar-se ao caminhar ou aproxima-se de um destino (hesitação de alvo). Freezing 28 Como é feito o diagnóstico da D.P ? • Anamnese + exame neurológico. – Assimetria no início dos sintomas. – Presença de tremor de repouso. – Boa resposta à terapia dopaminérgica. • Não há exames de sangue que façam o diagnóstico. Rotina: Ceruloplasmina, cobre urinário, T4 e TSH. • TC de crânio e RNM de encéfalo, nada revelam de anormal. 29 Como é feito o diagnóstico da D.P. ? • PET Scan ( Tomografia por emissão de positron com flurodopa) – Índice útil da função dopaminérgica do corpo estriado. – Cara e de acesso restrito. • SPECT (Tomografia computadorizada com emissão de fóton único, que utiliza radio- isótopos que ligam-se ao transportador da Dopamina nos terminais nigroestriatais). 30 Como é feito o diagnóstico da D.P. ? • POSSÍVEL = Se uma das características estiver presente: Tremor, rigidez ou bradicinesia. • PROVÁVEL = Se duas das características estiverem presentes (tremor, rigidez, bradicinesia ou instabili - dade postural) ou se uma delas for assimétrica. • DEFINITIVO = Se três das características estiverem presentes, ou se duas das características estiverem presentes, sendo que uma delas apresente-se assime- tricamente. As causas de Parkinsonismo têm de ser excluídas antes de se fazer o diagnóstico da DP •Doença de Parkinson (paralisia agitante) •Hipocinesia, bradicinesia, acinesia, hipertonia acompanhados de tremores de repouso. •Causa: degeneração de neurônios dopaminergicos da substância negra dopaminérgicos. •Doença de Huntington: doença genética autossômica dominante. •Hipercinesia; balismo •Causa: degeneração de neurônios gabaérgicos e colinérgicos dos núcleos da base. Dança harmoniosamente O córtex associativo gera a vontade do movimento e antes que o córtex motor primário inicie a execução dos comandos motores, os núcleos da base, junto com córtex pré-motor, programam um refinado plano motor. Assim, os núcleos da base agem controlando o nível de excitabilidade dos neurônios talâmicos sobre o córtex motor (facilitando ou dificultando a excitabilidade dos neurônios corticais motores). •CÓRTEX CEREBRAL •Estriado •Sub Negra (compacta) • Sub Negra (reticulata) Pálido lateral Pálido medial •TALAMO •N. Anterior N. Subtalâmico •N. motores •Medula e tronco •- GABA •+ •+ Glu •+ •+ Glu •+ •+ DA •- GABA •- GABA •GABA- •T. Córtico espinhal •T. Córtico nuclear Vou dançar Circuito normal •- •CÓRTEX CEREBRAL •Estriado •Sub Negra (compacta) • Sub Negra (reticulata) • Pálido lateral • Pálido medial •TALAMO •N. Anterior • N. Subtalâmico •N. motores •Medula e tronco •- GABA •+ •+ Glu •+ •+Glu •+ •+ DA •- GABA •- GABA •GABA- •T. Cortico espinhal •T. Cortico nuclear DANÇA BALISTICA •Vou dançar As lesões do núcleo subtalâmico causam distúrbios motores como o balismo onde ocorrem movimentos involuntários violentos dos membros. A lesão reduz o efeito inibitório pálido-talâmico e acaba facilitando a excitação tálamo-cortical. HIPERCINESIA 1 Balismo •CÓRTEX CEREBRAL •Estriado •Sub Negra (compacta) • Sub Negra (reticulata) • Pálido lateral • Pálido medial •TALAMO •N. Anterior • N. Subtalâmico •N. motores •Medula e tronco •- GABA •+ •+ Glu •+ •+Glu •+ •+ DA •- GABA •- GABA •GABA- •T. Cortico espinhal •T. Cortico nuclear •5 DANÇA BALISTICA •Vou dançar •Inibição do •N. subtalâmico HIPERCINESIA 2 Coreia de Huntington Degeneração do estriado causam distúrbios motores hipercinéticos. A lesão do estriado aumenta a inibição do pálido sobre o n. subtalâmico. Como conseqüência, é como se o subtalâmico ficasse funcionalmente lesado e ocorreria inibição pálido-talâmica, facilitando a excitação tálamo-cortical. •CÓRTEX CEREBRAL •Estriado •Sub Negra (compacta) • Sub Negra (reticulata) • Pálido lateral • Pálido medial •TALAMO •N. Anterior • N. Subtalâmico •N. motores •Medula e tronco •- GABA •+ •+ Glu •+ •+Glu •+ •+ DA •- GABA •- GABA •GABA- •T. Cortico espinhal •T. Cortico nuclear •5 DANÇA RIGIDAMENTE •Vou dançar HIPOCINESIA Parkinson As lesões da Substancia negra causa distúrbios hipocinéticos. A falta de DA no estriado causa um aumento da atividade inibitória pálido-talâmica, dificultando a excitação cortical motora. Assim o paciente apresenta quase nenhuma expressão facial, movimentos lentos, arrastando os pés quando anda e tremor de repouso dos dedos. 36 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Tremor Essencial ou Familiar • É o distúrbio mais comum// confundido com DP. • Tremor postural das extremidades superiores que não é causado por agentes farmacológicos. • Geralmente, aparece em pacientes acima de 40 anos. • Transmissão autossômica dominante, embora alguns pacientes não tenham histórico familiar de tremor. • O tremor é predominante// postural, com um componente cinético (teste índex-nariz). • A freqüência é mais alta que na DP ( 4 a 12 HZ) • Relativamente simétrico. 37 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Tremor Essencial ou Familiar • Melhor notado com os braços estirados. • Movimento de flexão-extensão ou pronação- supina- ção das mãos. • Piora lentamente com o passar do tempo. • Estresse pode aumentar a amplitude do tremor. • A ingestão de álcool pode, temporariamente, aliviá-lo. • O tremor essencial, habitualmente, atinge o segmento cefálico e a voz, enquanto na DP, caracteristicamente, o tremor ocorre na língua, mandíbulas e lábios. 38 Tremor essencial de cabeça 39 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Tremor Essencial ou Familiar • Não há rigidez, nem bradicinesia associada. • Interfere em funções como escrever ou alimentar- se. A escrita à mão é grande, irregular e trêmula, em notável contraste com a micrografia da DP. • 80% casos têm boa resposta clínica ao uso de Propranolol (até 240 mg/dia) ou Primidona ( 50 mg/dia) 40 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 41 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Tremor Essencial ou Familiar Faça os mesmos desenhos: 42 Diagnóstico Diferencial da D.P. Parkinsonismo • Grupo de distúrbios com características clínicas semelhantes à DP ( tremor, rigidez e / ou bradicinesia), mas de etiologia diferente da DP. • Quase sempre os sinais e sintomas são simétricos. • Raramente o tremor aparece em repouso. • Geralmente, não há resposta à Levodopa . (Exceções: Intoxicação por reserpina, pós- encefalítico, atrofia olivo-ponto-cerebelar, etc) 43 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Parkinsonismo medicamentoso • Neurolépticos • Antieméticos (Metroclopramida é a causa mais comum) • Reserpina • Tetrabenazina • Alfametildopa • Lítio • Antidepressivos tricíclicos • Antivertiginosos • Ácido valpróico (tremor) • Anti-epilépticos (sinais cerebelares) Aguardar 6 meses sem a medicação antes de definir o diagnóstico de Doença de Parkinson. 44 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Parkinsonismo induzido por toxinas • Manganês • Metanol • Etanol • MTPT (derivado sintético da heroína) • Chumbo (saturnismo) 45 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Infecções • HIV • Tuberculose • Sífilis • Parkinsonismo pós-encefalítico (Forma epidêmica de “Encefalite Letárgica” ou “Doença de von Economo” - 1919 a 1926. 46 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Traumatismo Craniano • Lutadores de boxe podem desenvolver a síndrome demência + parkinsonismo + sinais piramidais e cerebelares. “Demência pugilística” •Concussões múltiplas podem causar Lesão Axonal Difusa secundárias às forças de aceleração-desaceleração. 47 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Hidrocefalia de Pressão Normal (Sind. Hakin-Adams) • Alterações cognitivas, demência. • Distúrbios de marcha passos curtos e arrastando os pés, perda dos reflexos posturais e, às vezes, fenômeno de parada) • Incontinência urinária • Tremor é raro. 48 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Doença de Wilson • Mal funcionamento do metabolismo do cobre, com herança autossômica recessiva. • Acomete crianças, adolescentes e adultos jovens. Raríssimo, após os 40 anos. • Baixos níveis de ceruloplasmina e aumento da concentração de cobre no fígado e na urina. • Anel de Kayser - Fleischer • Tremor (“bater asas”) + disartria + rigidez + bradicinesia + distonia + distúrbios psíquicos. 49 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Parkinsonismo Vascular • Pacientes acometidos por infartos cerebrais múltiplos podem vir a sofrer uma progressão paulatina dos sintomas. • Acinesia e rigidez, sem tremor. • Só apresentam parkinsonismo quando estão em pé, andando. Sentados / deitados = motricidade normal. • Evidências clínicas de um AVC. • Uma TCC ou RNM encéfalo deve ser solicitada para a confirmação da doença. 50 TRATAMENTO DA D.P. • Visa o controle dos sintomas, porque nenhum tratamento farmacológico ou cirúrgico impede a progressão da doença. • A doença evolui de forma lenta. Demência pode ocorrer após longos anos. • Maioria se dá bem com a medicação por 4 a 6 anos. • Muitos desenvolvem sério distúrbio de equilíbrio entre 10 e 12 anos de doença. • A Levodopa é o tratamento gold standard ( É um precursor da Dopamina ; aumenta a concentração de Dopamina na corpo estriado). 51 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapias Neuroprotetoras • Retardam a degeneração neuronal, tornando mais lenta a progressão da doença. • Selegilina (Niar®, Jumexil®, Deprilan®) = IMAO, inibe o metabolismo oxidativo da Levodopa e pode reduzir o estresse oxidativo e a formação de radicais livres. • Novos medicamentos estão avaliados - DATATOP: ( Deprenyl and Tocopherol Antioxidative Therapy of Parkinsonism ) – vitamina E ??? 52 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática I.M.A.O. • Inibidores da Monoamino Oxidase ( MAO = Responsável pelo catabolismo da Dopamina, no cérebro) • Selegilina (Niar®) 5 mg 2x/dia • Efeito dura 3 a 4 meses após interrupção da droga. • Retarda a terapia com Levodopa - cerca de 9 meses. • Efeito sintomático fraco. 53 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática I.M.A.O. Medicamentos que devem ser evitados com os IMAO: • Inibidores da recaptação de serotonina (Citalopram, Fluoxetina, Paroxetina e Sertralina) • Antidepressivos tricíclicos e tetracíclicos (maproptilina) • Meperidina • Opiáceos • Dextrometorfano (Silencium®) • Triptofano (Forten® ) SÍNDROME SEROTONINÉRGICA:Confusão, agitação, rigidez, hiperreflexia, tremores, mioclonias, febre, náuseas, diarréia, coma, rabdomiólise e morte . 54 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática - Levodopa • Eficaz na redução da bradicinesia e da rigidez. • Efeito altamente variável sobre o tremor. • Metabolismo oxidativo da Dopamina pode formar radicais livres degeneração neuronal acelerada. • Complicações a longo prazo (4 a 8 anos) em 50% dos casos: – Flutuações motoras (deterioração fim de dose = degeneração neuronal diminui a capacidade de armazenar dopamina derivada da levodopa ) “On e off” – Discinesias (movimentos anormais involuntários) 55 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática Levodopa • Precursor da Dopamina = muitas náuseas e vômitos. • A administração concomitante de Inibidores de Decarboxilase Periférica (Carbidopa ou Benzerazida), reduz a decomposição periférica de Levodopa e permite que mais Levodopa cruze a barreira hematoencefálica Diminui a incidência de náuseas e vômitos. – Levodopa/carbidopa (Sinemet®, Cronomet®) – Levodopa/benzerazida (Prolopa®, Parkidopa®) • Iniciar 1/4 comp 2x/dia e aumentar a cada semana. 56 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática Domperidona • Antidopaminérgico periférico = Antagonista dos receptores dopaminérgicos, que não penetra no SNC. • É usado para evitar as náuseas da Levodopa e dos agonistas da Dopamina • Domperidona = Motilium® 57 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática Agonistas da Dopamina • Estimulam diretamente os receptores pós-sinápticos da Dopamina no corpo estriado. • Benefícios sintomáticos como monoterapia no início da doença ou como coadjuvante da Levodopa. • Torna-se ineficaz como monoterapia dentro de, no máximo, 3 anos deve-se adicionar Levodopa. – Bromocriptina (Parlodel®) - 2,5 mg a 40 mg/dia – Pergolida (Celance®, Pergolide®) - 0,25 mg 3x/dia – Pramipexol (Sifrol®) -0,25mg a 4,5 mg/dia caros 58 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática As medicações dopaminérgicas ( preparações com Levodopa e Agonistas da Dopamina ) não devem ser interrompidas abruptamente. SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA 59 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática Liberador de Dopamina • Antiviral - demonstrou melhorar sintomas da DP em pctes. tratados para gripe asiática, na década de 60. • Aumenta a liberação de Dopamina ( bloqueia a recaptação de Dopamina nos terminais pré-sinápticos). • Nas fases iniciais é eficaz em 2/3 pctes. • Benefício aparece em 2 dias. Comum: Livedo reticular • Adia o uso da Levodopa ou age como adjuvante. • Amantadina (Mantidan®) - 100 mg , 2 x/dia • Contra-indicada nas doenças renais (excr. urinária) 60 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapias Sintomáticas Anticolinérgicos • São eficazes na redução dos tremores. • Mínimos benefícios para rigidez e bradicinesia. • Uso limitado pelos efeitos colaterais = Confusão mental, alucinações, retenção urinária e taquicardia • Contra-indicações: Glaucoma e hipertrofia prostática • Efeitos colaterais : Secura na boca, constipação e borramento visual. • Triexifenidil = Artane® - 2 a 8 mg/dia • Biperideno = Akineton® - 2 mg, 3 a 4 x/dia 61 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Sintomática Inibidores da C.O.M.T. • COMT = Catecol-O-metiltransferase = Uma das principais enzimas responsáveis pelo metabolismo da Levodopa e da Dopamina. • Inibem o metabolismo periférico da Levodopa, aumentando sua disponibilidade central. • Efeito colateral tardio (4 a 12 semanas) = diarréia • Risco de lesão hepática (10 a 100 vezes maior) • Entacapone = Contam® • Tolcapone = Tasmar® Muito caros 62 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Terapia Restauradora Transplante Fetal • Visam substituir os neurônios perdidos = Implante de tecido embrionário. • Células geneticamente criadas, células dopaminérgicas de animais e células de outras partes do corpo estão sendo desenvolvidas para transplante, com possíveis efeitos restauradores. • São cirurgias experimentais. Futuro 63 OPÇÕES TERAPÊUTICAS Cirurgia Extereotáxica • Comum nos anos 50 quando não havia terapia adequada (levodopa). Retomada na década de 80. • Candidatos: Pacientes refratários ao tratamento clínico, com incapacidade funcional. • Demência é contra-indicação formal. • Técnicas: – Neuroestimulação (marcapasso cerebral) – Cirurgia lesiva (destruição de um alvo para modificar sua função). Mortalidade = 1% • Talamotomia (tremor) • Palidotomias (bradicinesia, discinesias e rigidez) •Tratamento Cirúrgico •Talamotomia e Palidotomia •Reduz tremor, rigidez, bradicinesia e discinesia •Não recomendado fazer em ambos hemisférios •Alternativa para pacientes em quetratamento •Medicamentoso não surte mais efeito •Cirurgia DBS Estimulo de áreas do cérebro mediante marca-passo Não altera níveis de dopamina, mas a atividade elétrica Sangramentos no cérebro e formação de trombos •Infecções Escala de Hoehn e Yahr (UPDRS) Tratamento Fisioterapêutico • É importante: realizar uma criteriosa avaliação do paciente, para que se determine o real nível de comprometimento. • Objetivo: – Manter ou aumentar a ADM; – Impedir contraturas e corrigir posturas defeituosas; – Impedir a atrofia por desuso e fraqueza muscular; – Promover e incrementar o funcionamento motor e mobilidade; – Melhorar o padrão de marcha; – Manter ou aumentar a independência funcional nas AVD`s; – Melhorar os padrões de fala, respiração, expansão e mobilidades torácicas. Conduta: Exercícios para ADM: exercícios ativos, ativo- assistidos ou passivos, alongamento passivo e prolongado no máximo comprimento muscular evitando-se os excessos para não promover dor e técnicas de mobilização articular; Exercícios de mobilidade: deve basear-se nos padrões de movimentos funcionais que envolvam os diversos segmentos corporais, enfatizando-se os movimentos extensores, abdutores e rotatórios; Tratamento Fisioterapêutico – Exercícios respiratórios: para aumento da mobilidade da parede torácica e para a melhora da ventilação pulmonar; – Padrão de marcha: busca suplantar as seguintes deficiências primarias: deambulação festinada e arrastada, mau alinhamento postural e reflexos posturais anormais; Tratamento Fisioterapêutico • Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP): – Facilitação: tornar mais fácil; – Neuromuscular: envolvimento de nervos e músculos; – Proprioceptivo: receptores sensitivos que fornecem informações a respeito de movimento e posicionamento corpóreo. – Usada para iniciar uma contração muscular, fortalecer os músculos, aumentar mobilidade e melhorar coordenação dos movimentos. • A repetição da resposta é utilizada para aumentar ou promover aprendizagem motora. • Utiliza uma variedade de estímulos sensoriais como toque e pressão com as mãos para facilitar o movimento. • Estiramento rápido no músculo a ser facilitado, tração ou compressão conforme o padrão desejado e uso de comando verbal para que o paciente seja incentivado ao movimento. • Conceito Neuroevolutivo Bobath – É uma técnica de reabilitação neuromuscular, que usa reflexos e estímulos sensitivos para inibir ou provocar uma resposta motora, preparando para os movimentos funcionais. – Objetivo: modificar os padrões de tônus postural anormal e facilitar padrões motores mais normais. • Hidroterapia: – Objetivos na água são: • Redução da rigidez, • Melhoria ou manutenção da mobilidade das articulações, • Alinhamento da postura pelo encorajamento dos movimentos de extensão, • Aumento da expansão torácica, • Ganho de equilíbrio e coordenação, • Reeducação da marcha. Bibliografia • www.parkinson.org • www.parkinson.med.br • Guyton, Arthur C.; Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica. 2000. 10ª edição. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro-RJ. • Machado, Angelo B. M. Neuroanatomia Funcional. 2ª edição. Ed. Atheneu. São Paulo, SP. • Neuroscience-Exploring the brain, 2º edição, Mark F.Bear, Barry W. Connors, Michael A. Paradiso,2001 editora Lippincott Willians & Wilkins • Brain biochemestry and brain disorders,philip G. Strange Oxford university press,1992 • Parkinson’s Disease and Movement Disorders, 3º edição, Joseph Jankovic, Eduardo Tolosa, editora Willians & Wilkins