Relativamente ao impacto da deficiência no cotidiano das pessoas e nas suas relações sociais é incorreta: a) a pessoa com deficiência passa por diferentes desafios, pois precisa se adaptar a uma realidade corporal que afetará diretamente suas relações sociais, familiares e comunitárias. Assim, lidar com a deficiência envolve a própria adaptação e aceitação da pessoa com deficiência, bem como a sua relação com as demais pessoas e o meio social. b) em uma sociedade repleta de preconceitos, pouco preparada para atender às especificidades da população com deficiência e com políticas públicas reduzidas, o desafio se torna ainda maior. Nesse sentido, são inúmeras as barreiras de adaptação da pessoa com deficiência, que dificultam as suas relações sociais. Dentre as barreiras sociais, temos o preconceito, o estigma da dependência, a vergonha, a exclusão etc. Essas barreiras sociais se reforçam em decorrência de barreiras estruturais, de ausência ou precariedade de condições de acessibilidade e de políticas sociais adequadas. Com isso, a pessoa com deficiência mantém-se em dificuldade de acessar espaços públicos, escolas, universidades, o transporte público, espaços de lazer, espaços políticos, hospitais e políticas públicas, os quais não contemplam suas especificidades. c) o contexto desafiador ainda deve levar em consideração aspectos políticos, uma vez que lidamos com sujeitos em sua totalidade. Dessa forma, aspectos políticos também vão impactar diretamente a forma como a pessoa com deficiência é atendida na sociedade e como lidará com a sua realidade. Uma pessoa com deficiência e que viva em situação de vulnerabilidade social e econômica apresentará ainda mais dificuldades de acessibilidade, autonomia e visibilidade, uma vez que as barreiras para ela são ainda maiores para acessar determinados espaços, direitos e políticas. d) Souza e Carneiro, quando discutem a relação entre deficiência e pobreza, apontam para uma maior concentração de pessoas com deficiência em famílias de baixa renda, que acessam de forma restrita a bens e serviços que poderiam favorecer suas condições de sobrevivência e bem-estar. Demonstram que a presença de pessoas com deficiência interfere negativamente na renda familiar, já que suas famílias precisam assumir o ônus relacionado aos cuidados que demandam. (Varela; Oliver, 2017, p. 1.774) Nessa perspectiva, nota-se que a ausência ou a falta de efetividade de políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência, que visem a sua autonomia econômica, social e física, dificulta e impacta diretamente a família, as relações sociais e a renda dessa população.