“Sob a magia do dionisíaco torna a selar-se não apenas o laço de pessoa a pessoa, mas também a natureza alheada, inamistosa ou subjugada volta a celebrar a festa de reconciliação com seu filho perdido, o homem. Espontaneamente oferece a terra as suas dádivas e pacificamente se achegam as feras da montanha e do deserto. O carro de Dionísio está coberto de flores e grinaldas: sob o seu jugo avançam o tigre e a pantera” (NIETZSCHE, 1999, p. 31).
Fonte: NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
A citação acima, retirada da obra O nascimento da tragédia, apresenta a concepção nietzschiana do dionisíaco como força reconciliadora entre o ser humano e a natureza. Em uma aula de Estética e Filosofia da Arte, estudantes discutem como Nietzsche reelabora a tradição filosófica ao propor que a arte nasce da tensão entre duas forças: Apolo e Dionísio. Um dos alunos observa que, para Nietzsche, o dionisíaco representa a embriaguez, a fusão com o todo e a superação dos limites individuais. Outro colega complementa dizendo que essa visão foi influenciada pela filosofia de Schopenhauer. A professora propõe, então, que reflitam sobre como Nietzsche reelabora os conceitos de vontade e representação por meio dessas figuras mitológicas.
Durante uma aula sobre Estética e Filosofia da Arte, os estudantes foram convidados a refletir sobre a origem da arte segundo Nietzsche. A professora apresentou a ideia de que a arte trágica grega nasce da tensão entre o apolíneo e o dionisíaco. Um dos alunos comentou que o dionisíaco representa a dissolução do eu e a união com a natureza, enquanto o apolíneo simboliza a forma, a medida e a racionalidade. Outro estudante destacou que Nietzsche reelabora os conceitos de Schopenhauer sobre vontade e representação, substituindo-os pelas figuras de Dionísio e Apolo. A discussão girou em torno da importância dessas forças na constituição da experiência estética.
Com base na situação apresentada e nos fundamentos da Estética e Filosofia da Arte, é correto afirmar que:
A
ele se utiliza das figuras gregas de Zeus e Hades para pensar a relação entre o bem e o mal na filosofia.
B
entende que a arte é uma emanação da vontade divina, por isso aproxima sua filosofia do cristianismo.
C
foi fortemente influenciado por Schopenhauer e propôs a reelaboração dos temas da vontade e representação a partir das figuras de Dionísio e Apolo.
D
Nietzsche acreditava que toda a filosofia sobre a arte deve partir do referencial da racionalidade exata como a presente na física e na matemática.
Ed
mês passado
Vamos analisar as alternativas uma a uma: A) Ele se utiliza das figuras gregas de Zeus e Hades para pensar a relação entre o bem e o mal na filosofia. - Esta afirmação não é correta, pois Nietzsche não foca nessas figuras para discutir a relação entre bem e mal, mas sim em Apolo e Dionísio. B) Entende que a arte é uma emanação da vontade divina, por isso aproxima sua filosofia do cristianismo. - Essa afirmação não é precisa, já que Nietzsche critica a ideia de vontade divina e se distancia do cristianismo. C) Foi fortemente influenciado por Schopenhauer e propôs a reelaboração dos temas da vontade e representação a partir das figuras de Dionísio e Apolo. - Esta alternativa está correta, pois Nietzsche realmente foi influenciado por Schopenhauer e utilizou as figuras de Dionísio e Apolo para discutir a vontade e a representação. D) Nietzsche acreditava que toda a filosofia sobre a arte deve partir do referencial da racionalidade exata como a presente na física e na matemática. - Esta afirmação é incorreta, pois Nietzsche valoriza a experiência estética que vai além da racionalidade exata. Portanto, a alternativa correta é: C.
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