Que os idosos são vítimas de violências e discriminações não resta qualquer dúvida. As estatísticas estão aí para comprovar essa lamentável situação. Entretanto, o que é preciso fazer com mais intensidade é trabalhar melhor as estratégias para enfrentar esse problema. (...) Em relação às desigualdades sociais, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 40% dos brasileiros com idade igual ou superior a 60 anos têm renda per capita abaixo de um salário mínimo, o que coloca esse contingente populacional em condição de grande vulnerabilidade. Sobre a existência de uma rede de proteção e defesa dos idosos, os serviços disponíveis são muito precários. Sobre a legislação criminal, as penas previstas no Estatuto do Idoso representam, na realidade, um estímulo à violência, já que praticamente todas as punições previstas contemplam os agressores com medidas brandas (penas alternativas à prisão), quer dizer, respostas desproporcionais à gravidade dos delitos cometidos, principalmente porque atingem, em sua grande maioria, idosos com a autonomia comprometida. Portanto, a natureza das violências que a população idosa sofre coincide com a violência social que o Brasil vivencia e produz nas suas relações e introjeta na sua cultura.