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Na presença de doença hepática avançada e doença cardiopul- monar grave, o seu uso apresenta uma taxa de mortalidade de aproximadamente 100% no 30º dia após colocação do TIPS. As complicações são: encefalopatia portossistêmica, esteno- se (em até 50%) ou trombose do shunt com ressangramento, trombose da veia porta, sangramentos (hematoma, hemope- ritônio, hemobilia). O shunt cirúrgico deve ser considerado nos casos de hemorra- gia persistente, ou no ressangramento precoce e, quando o TIPS não é disponível. As opções cirúrgicas nessa situação são shunts portossistêmicos e transecção esofágica, e a última se associa com uma mortalidade de até 80% no 30º PO. O shunt esplenor- renal é uma opção efetiva e segura nessas condições. Resposta c. 162. O sangramento de Mallory-Weiss se caracteriza por la- ceração da mucosa e submucosa na junção gastroesofágica, pós-vômitos excessivos. É autolimitado, cessando esponta- neamente, diagnosticado pela história clínica e endoscopia digestiva, seu tratamento é conservador e está associado a condições clínicas que levem a vômitos excessivos – alcoolis- mo agudo, hiperemese gravídica. Resposta e. 163. Trata-se de megaesôfago grau III, conforme classifica- ção abaixo: I Dilatação até 4 cm; retardo no esvaziamento do esôfago; ondas 3as Rx normal. (quase normal) II Dilatação 4-7 cm; Nível de bário + resíduos. Hipotonia. Menos ondas 3as e contratilidade. III Dilatação 7-10 cm; Grande retenção de contraste. Afila- mento distal. Hipotonia. IV Dilatação > 10 cm. Dolicomegaesôfago. Ultrapassa limites do mediastino, invade campos pulmonares e descansa so- bre a cúpula frênica esquerda. Próximos passos: EDA e manometria. Objetivos: a endoscopia irá avaliar sinais de esofagite de estase e a manometria fará o estudo motor que interessa ao diagnóstico primário. Resposta d. 164. O divertículo de Zenker é divertículo de punção (falso diver- tículo e o mais comum de todos) e se localiza no esôfago superior. Os divertículos epifrênicos são localizados nos 10 cm distais do esôfago, em geral 4 a 8 cm acima da JEG, normalmente à direita do esôfago. Estão associados a distúrbios motores do esôfago em mais de 2/3 dos casos. A esofagite de refluxo pode colaborar para ocorrência desse tipo de divertículo tendo em vista o distúrbio motor secundário à DRGE. Os divertículos medioesofágicos é que têm relação com processos cicatriciais dos glânglios paratra- queais e peribrônquicos na maioria dos casos e por vezes estão associados a distúrbios da motilidade esofágica. É claro que nos divertículos epifrênicos a manometria é importante para definir o distúrbio motor associado e guiar o tratamento. Faz parte do tratamento de divertívulos esofágicos a diverticulectomia associa- da à miotomia do cricofaríngeo ou da musculatura hipertrofiado associada ao divertículo. Se isto não é feito, ocorre recidiva do di- vertículo, pois a zona de alta pressão intraluminal fica mantida, e força novamente a herniação da mucosa entre as fibras muscula- res, com ressurgimento do falso divertículo. Point of herniation Zenker’s diverticulum A B C Resposta e. 165. Mallory Weiss se refere à laceração de mucosa e vasos da submucosa da transição esofagogástrica, geralmente causada por vômitos excessivos ou situações de aumento da pressão abdomi- nal, com consequente lesão esofágica. Quadro clínico se resume a sangramento. A certeza diagnóstica somente com EDA. Trata- mento clínico, pois o sangramento cessa sozinho na maioria dos casos, somente indicando-se e, casos específicos, tipo perfuração para peritônio livre, ou piora, apesar do tratamento clínico. Não há relação com câncer de esôfago. Resposta a. 166. Nitratos, bloqueadores dos canais de cálcio, agonistas beta-adrenérgica, teofilina são drogas que agem na muscu- latura lisa e esfincteriana e há muito foram utilizadas para tratamento da acalasia, entretanto os resultados não são sa- tisfatórios. As medicações atuam diminuindo a pressão do esfíncter inferior do esôfago, mas não produzem relaxamen- to adequado dele, mas os resultados farmacológicos no lon- go prazo são desapontadores, devendo o uso restringir-se, quando muito, à forma adjuvante ou quando há inoperabili- dade por doenças concomitantes (afirmação A, correta!). Com o avanço da endoscopia intervencionista e o uso de sondas com balão de polietileno de alta complacência, a dilatação pneu- mática pode ser considerada importante modalidade terapêuti- ca. A técnica consiste em posicionar o balão no EIE e insuflá-lo por 1 a 3 minutos a uma pressão de 300 mmHg (10 a 12 PSI). A fim de obter uma boa resposta terapêutica, deve-se alcançar um diâmetro de até 3 cm na dilatação e reduzir a pressão de repouso para menos de 10 mmHg. A dilatação apresenta índice de suces- so de 55 a 70% dos casos, mas pode-se chegar a 90% de sucesso terapêutico com dilatações múltiplas. Cerca de 15 a 45% dos pacientes necessitam de várias dilatações. Das complicações, a perfuração esofágica é a mais importante e com maior mortali- dade. A incidência pode variar de 0 a 10% (afirmação B, corre- ta!). O tratamento cirúrgico para acalasia é o que proporciona melhores resultados a longo prazo, tendo indicação precisa para megaesôfago não avançado. A operação consiste em seccionar toda a espessura da camada muscular do esôfago distal, cerca de 5 a 7 cm longitudinalmente, e estendendo-se a até 2 cm abaixo da transição esogafogástrica. Essa cardiomiotomia deve ser re- Clínica cirúrgica | Esôfago | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015190