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F A V E N I I V A N E T E S I L V A D E O L I V E I R A O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO EDUCACIONAL BOA VISTA – RORAIMA 2020 O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO EDUCACIONAL F A V E N I ALUNA: IVANETE SILVA DE OLIVEIRA 1º) RESUMO Este trabalho tem por finalidade analisar os benefícios das práticas do Psicopedagogo na instituição escolar. Perguntas que são inseridas neste artigo, de quais contribuições verdadeiras trás este profissional no contexto escolar, e quais são os seus desafios??? Houve a necessidade deste profissional desde a tempos remotos, ainda no Século XIX na Europa, devido aos problemas de aprendizagem dos alunos na escolaridade e dos métodos de ensinos inadequados, além do excesso de alunos matriculados nas escolas. Diante destas dificuldades, houve grande necessidade deste tipo de profissional (psicopedagogo) para orientar o processo educativo, para melhor desenvolvimento e maturidade, tanto os alunos, como aos professores de pedagogia. O Psicopedagogo tem um papel importante na resolução das dificuldades apresentadas tanto por alunos, quanto dos professores, de forma preventiva, explicando as causas principais desses problemas, inserindo padrões evolutivos, normais e patologias, bem como influências sofridas pelo alunos advindas das famílias, dos relacionamentos entre eles mesmos e com os professores, com objetivo de seu desenvolvimento no contexto escolar. Palavras chave: Psicopedagogia, instituição escolar, dificuldade de aprendizagem. 2º) INTRODUÇÃO O objetivo principal desta monografia é conhecer o papel do Psicopedagogo no sistema de Pedagogia, e o que ele trás na práticado dia a dia dos alunos e dos professores. O Psicopedagogo tem seu trabalho reconhecido nas instituições escolares porque desenvolvem um trabalho multidiciplinar, com diversas áreas de atuações, desempenhando as seguintes funções: a) realização do diagnóstico e intervenção psicopedagógica; b) desenvolvimento de pesquisas e estudos científicos relacionados ao processo de aprendizagem; c) atendimento aos alunos e pais; d) orienta os professores, etc; De acordo com BOSSA (2000), a psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda, o problema de aprendizagem. Como se preocupa com esse problema, deve ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem, estudando assim as características da mesma. É necessário comentar que a Psicopedagogia é comumente conhecida como aquela que atende crianças com dificuldades de aprendizagem. É notório o fato de que as dificuldades, distúrbios ou patologias podem aparecer em qualquer momento da vida e, portanto, a Psicopedagogia não faz distinção de idade ou sexo para o atendimento. A escolha do tema vem de encontro com as grandes dificuldades de transtornos de aprendizagem dos alunos em aprender as matérias escolares e as adversidades que os professores têm com tais problemas, além daqueles enfrentamentos com os alunos revoltados, mal educados e sem controle. Então, as escolas necessitam do Psicopedagogo, que tem uma formação multidisciplinar, assentada em diversas ciências. A aprendizagem deve ser voltada para atividades individual ou de grupos humanos, incorporando informações e experiências para promover modificações estáveis na personalidade e na dinâmica dos alunos, professores e até dos pais. O objetivo principal da psicopedagogia é a apredizagem do convívio das partes envolvidas, tais como: família, escola e sociedade, com pleno desenvolvimento. "Para o Psicopedagogo, aprender é um processo que implica pôr em ações diferentes sistemas intervêm em todo o sujeito: a rede de relações e códigos culturais e de linguagem que, desde antes do nascimento, têm lugar em cada ser humano à medida que ele se incorpora a sociedade" (BOSSA, 1994, pag. 51). KIGUEL (1983) ressalta que Psicopedagogia encontra-se em fase de organização de um corpo teórico específico, visando à integração das ciências pedagógicas, psicológica, fonoaudiológica, neuropsicológica e psicolinguística para compreensão mais integradora do fenônemo da aprendizagem humana. Este trabalho objetiva conhecer, a princípio, a importância do ensino pedagógico nas escolas, deste profissional da Psicopedagogia, ressalvando sua relação com os alunos diante das tarefas, considerando resistências, bloqueios, lapsos, hesitações, repetição, sentimentos de angústias, em primeiro plano de sua atuação, vindo depois, a análise e investigação sobre a importância da escola e dos professores com relação aos problemas de aprendizagem, importante, mas em segundo plano. Psicopedagogia se propôs como solução necessária nas escolas com a finalidade de compreensão das diversas e múltiplas dificuldades dos problemas de aprendizagem dos educandos, dando nova direção institucional para fazer pensar e refazer conceitos escolares, dando oportunidade aos professores para entender os alunos em suas múltiplas dimensões e atitudes frente ao processo de ensino-aprendizagem. E, para as instituições de ensino, esses profissionais dão instrumentos para entender as demandas dos alunos com dificuldades de aprendizagem, que é o foco principal. 3º) DESENVOLVIMENTO A HISTÓRIA DA PSICOPEDAGOGIA Históricamente, segundo BOSSA (2000) os primórdios da Psicopedagogia ocorreram na Europa, ainda no século XIX, evidenciada pela preocupação com os problemas de aprendizagem na área médica. Acreditava-se na época que os comprometimentos na área escolar eram provenientes de causas orgânicas, pois procurava-se identificar no físico as determinantes das dificuldades do aprendente. Com isto, constitui-se um caráter orgânico da Psicopedagogia. De acordo com BOSSA (2000), a crença de que os problemas de aprendizagem eram causados por fatores orgânicos perdurou por muitos anos e determinou a forma de tratamento dada à questão do fracasso escolar até bem recentemente. A denominação "Psicopedagógico" foi escolhida em detrimento ao "Médico Pedagógico". Já Jorge Visca relata: "A Psicopedagogia foi uma ação subsidiária da medicina e da psicologia, perfilou-se como um conhecimento independnete e complementar, possuidora de um objeto de estudo ao processo de aprendizagem e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios" (VISCA,2007, pag.23). Portanto, a Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia gradativamente e está condicionada por vários fatores. Esse objeto, que é um sujeito a ser estudado por outro sujeito, adquire características específicas a depender do trabalho clínico ou preventivo, como diz GOLBERT (2007), "a definição do objetivo de estudo de psicopedagogia passou por fases distintas em diferentes momentos históricos que repercutiam nas produções científicas, pois ele era entendido de várias maneiras". Segundo, Silva (2012, p.9) primeiramente, o trabalho psicopedagógico prioriza a reeducação, o processo de aprendizagem era avaliado em função dos seus déficits e o trabalho era para vencer esses déficits. O objeto em questão era o sujeito que não aprendia, concebendo-o a "não-aprendizagem". Alícia Fernandes apud Bossa (2007), refere que o processo evolutivo pelo qual essa nova área de estudo se estruturou, entende-se que o objeto de estudo é sempre o sujeito "aprendendo".A Psicopedagogia em dias atuais, trabalha com equipamento biológico com disposição afetiva e intelectual, que interfere na forma de relação do sujeito com o meio sóciocultural do sujeito. Um dos principais objetivos do surgimento da Psicopedagogia foi investigar as questões da aprendizagem ou do não-aprender em algumas crianças. Por um longo período atríbuia-se exclusivamente à criança a patologia do não-aprender. Foi na Europa, no século XIX que médicos pedagogos e psiquiatras Levantaram questões sobre o não aprender, entre eles: Maria Montessori, Decroly e Janine (GASPARIAN, 1997, p.15). Ao longo do séc. XIX surgem teorias relacionadas à ciência e a teoria evolucionista de Charles Darwin que enquadra o homem dentro do esquema da evolução biológica, abolindo as linhas divisórias das ciências naturais, humanas e sociais (BOSSA, 2007). A partir dessas idéias, começou nas escolas testes que procuravam explicar as diferenças de rendimentos dos alunos e o acesso diferenciado a diversos graus de escolarização. Esse conhecimento científico foi a base do pensamento dos psicólogoss e educadores, que aos poucos, o conceito de "anormalidade" se deslocou das psiquiatrias para as escolas, e sua causa era atribuída a "anomalia anatomafisiológica", termo esse, apresentado nos trabalhos de Janine Mery, psicopedagoga. O objetivo do tratamento psicopedagógico é o desaparecimento do sintoma e a possibilidade do sujeito aprender normalmente em condições melhores enfatizando a relação que ele possa ter com a aprendizagem, ou seja, que o sujeito seja o agente da sua própria aprendizagem e que se aproprie do conhecimento (BOSSA,2007,pag.21). Temos as contribuições de Lemme (2009) ao enfatizar: "Dificuldade de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de desordens, manifestadas por dificuldades na aquisição e no uso da audição, da fala, da leitura, da escrita, do racio- cínio ou das habilidades matemáti- cas. É importante não se confundir dificuldade de aprendizagem com fracasso escolar, que embora tenham semelhanças na forma de se manifes tarem, pertencem a categorias diferentes". O trabalho psicopedagógico não é uma reeducação, mas sim, como uma terapia centrada na aprendizagem, não se dirigindo para o público específico, mas para todos nós humanos aprendentes: crianças, jovens ou velhos, que atuam na vida, enquanto aprendemos e ensinamos para contribuirmos com a sociedade. A Psicopedagogia contribui com a inserção e manutenção dos alunos com necessidades especiais (NEE) no ensino regular, chamado de "inclusão". Matricular alunos com NEE em sala de aula e não criar estratégias para sua permanência e sucesso escolar invibializa todo o movimento nas escolas, devendo assim, tais alunos com NEE, ter acompanhamento e estímulos para uma aprendizagem efetiva. A importância do Psicopedagogo escolar, a qual cumpre uma relevante função social, que é socializar os conhecimentos que dispõe, inserindo o sujeito, seja a idade que tiver, no mundo cultural de forma organizada na sociedade. O Psicopedagogo Institucional é profissional qualificado para lidar com as dificuldades de aprendizagem, contribuindo sempre, para a superação da mesma, que os alunos têm, observando com análise de situações concretas, identificando pertubações no processo de aprendizagem e também promover orientações didático-metodológicas no espaço escolar de acordo com as características dos indivíduos e grupos, através de jogos e da tecnologia disponível e atualizada, ensinando de maneira saudável e prazerosa. Na prática psicopedagógica na escola iplica num trabalho de caráter preventivo com assessoramento no contexto educacional, incluindo questões metadológicas, relacionais e sócioculturais, englobando o ponto de vista do aluno e do professor e com a participação da família e da sociedade. Escola e sociedade não são isoladas, pois o ensino, seja público ou privado, representam nossa sociedade. "A escola caracteriza-se como um espaço concebido para a realização do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento históricamente construído; lugar do qual muitas vezes, os desequilíbrios não são compreendidos (GASPARIAN,1997,p.24). Ressalvamos que, o Psicopedagogo não resolve sózinho os inúmeros problemas existentes na escola, devendo acontecer um trabalho de equipe entre gestores, equipe técnica, professores, alunos, pessoal de apoio e família. O Psicopedagogo é contratado da escola para ver o "todo" da instituição. Barbosa ressalta, ainda, que "a Psicopedagogia, como área que estuda o processo ensino/aprendizagem, pode contribuir com a escola na missão de resgate do prazer no ato de aprender e da aprendizagem nas situações prazerosas". O Psicopedagogo sabe que para aprender são necessárias condições cognitivas (abordar o conhecimento) afetivas (estabelecer vínculos), criativas (colocar em prática) e associativas (para socializar). As propostas educacionais com conhecimento científico só terão sentido se beneficiar o lado social, engajado ao cotidiano, para encontrar soluções. Toda mudança no ambiente escolar deve ser escalonada e sucessiva, com prioridade e hierárquia de ações. Portanto, o Psicopedagogo é um profissional com perpectiva de mero "resolvedor" de problemas, mas um profissional que pode ajudar a escola a remover obstáculos que se interpõe entre os sujeitos e o conhecimento e na formação de cidadãos com práticas educativas que favoreçam processos de humanização e a reapropriação da capacidade de pensamento crítico. As ações realizadas pelo psicopedagogo junto com o sujeito com "transtorno" procura promover a reelaboração do processo de aprendizagem, assim sendo essa intervenção propicia uma mudança na ação do sujeito em relação à aprendizagem. (Serrat, 2002,p.56) A Psicopedagogia contribui para o trabalho com atividades lúdicas com as crianças em qualquer faixa etária, fazendo os alunos assimilarem melhor os conteúdos trabalhados e sem dúvidas, fazendo-os viajar através da imaginação com a brincadeira que é de extrema importância para o desenvolvimento psicológico, social e cognitivo da criança que expressará todos seus sentimentos em relação ao mundo em que se vive. A regulamentação da profissão do Psicopedagogo teve que ocorrer após aparecimento como prestação de serviços, devido a sua demanda social, onde a existência de crianças que não conseguiam sucesso nas escolas. Foi legalizado para que o exercício da Psicopedagogia seja prestado por profissionais graduados em 3º Grau, portadores de certificados de cursos em Pós-Graduação em Psicopedagogia, ministrados em estabelecimentos de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal. (Código de Ética, 1996,s/p.). A Associação Brasileira de Psicopedagogia contribui para que esta atividade se torne profissão e que tenha organizações adequadas com atividades, obrigações e comportar responsabilidades com conciência de grupo.O Projeto de Lei n° 3124 de 15/05/97 que regulamenta a Psicopedagogia foi aprovado em 03/09/1997 pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara Federal, foi votado pela Comissão de Educação e Cultura e Desporto em 12/09/2001. Finalizando, é essencial o Pisicopedagogo reconhecer o Código de Ética e sua regulamentação, pois ele tem o propósito de estabelecer parâmetros e orientar os profissionais da Psicopedagogia brasileira, quanto aos princípios, normas e valores e a boa conduta do profissional. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho tem por objetivo ressalvar a importância do Psicopedagogo Educacional nas escolas, com ações psicopedagógicas ampliadas e atualizadas de procedimentos completos e com funções multidiciplinar exercidas por este profissional. Psicopedagogo é um profissional especializado em transpor e remover obstáculos entre o sujeito e o conhecimento, formando cidadãos com práticas educativas que favoreçam processos de humanização e conquistas da capacidade de pensar de forma crítica. Este trabalho deixa claro para o psicopedagogo que sua prestação de serviços na sociedade é de auxiliar na construção do aluno e não apenas um transmissor de conteúdos do currículo escolar, mas de ensinarem postura de como os alunos devem relacionar com o conhecimento, com responsabilidade pelo saber-fazer em seu contexto educacional, criando cidadãos para uma transformação fundamentada na consciência crítica, reflexiva e política para construir uma sociedade com novos pensamentos para ter progresso na sociedade civil. A função do Psicopedagogo é complexa e dedicada numa ação interdisciplinar dedica-se a áreas de planejamento educacional e de acessoria pedagógica, colabora com planos educacionais e lúdicos no âmbito das organizações, atuando numa modalidade cujo caráter é clínico institucional, ou seja, realiza diagnóstico institucional e propostas operacionais pertinentes. Portanto, o estudo psicopedagógico atinge seus objetivos quando amplia a compreensão sobre as características e necessidaes de atender aos alunos com dificuldades de aprendizagem, abrindo espaços para que as escolas viabilize recursos para atender suas necessidades e demandas, analisando sempre, o Projeto Político Pedagógico em suas propostas de ensino e no que se valoriza a aprendizagem. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alícia Fernandes apud Bossa (2007). O Objeto do estudo é o sujeito aprendendo. Barbosa LMS. A Psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2001; Bossa, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. RS, Artimed, 2007. BRASIL; FERNANDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990; GASPARIAN, Maria Cecília Castro. Contribuições do modelo relacional sistêmico para a psicopedagogia institucional, - São Paulo: Lemos Editorial, 1997 GOLBERT (2007) O estudo da psicopedagogia passou por fases distintas em diferentes momentos históricos; KIGUEL (1983) Integração da Psicopedagogia com outras ciências; LEMMEL (2009) Na psicopedagogia "não confundir dificuldade de aprendizagem com fracasso escolar" SANCHES - YACANO, Manoel BONALS, Joan e colaboradores. Avaliação psicopedagógica. RS, Artmed, 2008; SILVA (2012), p.9) Trabalho psicopedagogo prioriza a reeducação; VISCA, (2007,pag.23) Psicopedagogia subsidiária da medicina e da psicologia;