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ANATOMIA - PRÓSTATA É um órgão em formato de noz, de consistência fibroelástica, com peso de 20-30g (varia conforme a idade). Localiza-se inferiormente à bexiga, sendo atravessada pela primeira porção da uretra, limitada anteriormente pela sínfise púbica e posteriormente pelo reto. Morfologia: ● 30% estroma fibromuscular - forma a parede anterior da próstata ● HBP → zona de transição - face anterior da próstata ● CAP → zona periférica a maioria - situa-se posterolateralmente, é a porção mais volumosa. Representa 70% de tecido glandular. ● O volume da próstata aumenta com a idade CÂNCER DE PRÓSTATA O grande câncer prostático é o ADENOCARCINOMA. Representa cerca de 30% das neoplasias malignas em homens, sendo a segunda causa de morte por câncer, atrás apenas de câncer de pulmão. É o 5 câncer mais comum no mundo No BR é o segundo mais comum no homem, atrás do de pele não-melanoma. 1 a cada 8 homens terão dx de Ca de próstata. Cerca de 60-75% dos tumores são impalpáveis ao toque retal e restritos à glândula. Fatores de risco: ● Afrodescendentes (mais frequente e mais grave); ● História Familiar Positiva; ● Idade avançada ( > 65 anos); ● Mutações BRCA-1 e BRCA-2 ● Mutação HPC-1 ● Obesidade ● IGF-1 ● Localidade com pouca exposição ao sol; ● Dieta rica em gordura. Fatores protetores: estudos recentes ● vit D ● calcio ● atividade sexual - número de ejaculações (21x/mês) Etiopatogenia: Pode ser lesão histológica + clínica oculta ou com clínica manifestada. Na fase oculta a doença está em iniciação, quando há manifestações ela está em progressão e é como se tivesse sido “ativada” pelos fatores predisponentes. Tipos Histológicos: Mais comum: Adenocarcinoma (95% dos casos); Outros tipos são: sarcoma, carcinoma Espinocelular (CEC), carcinoma de células transicionais com subtipos histológicos do câncer de próstata. Localização: Adenocarcinoma na maioria das vezes se localiza na zona periférica (75%). Obs.: A zona periférica da próstata é uma região fácil de ser tocada. 25% está na região transicional que é uma região que acontece a Hiperplasia prostática benigna (HPB). 5% está na região central. Screening: Não é consenso! O que tem que ser feito é dividir com o paciente a responsabilidade pelo rastreio. Pode ser indicado para: ● A partir de 50 anos, ou ● A partir de 45 anos com fator de risco (HMF positivo; paciente da raça negra) ● Acima de 75 anos, só rastreio se expectativa de vida > 10 anos. Considerações: ● O PSA deve ser dosado a cada dois anos ou mais (e não anualmente) ● O valor de referência do PSA para considerar a realização de biópsia é 3 ng/ml PSA: O antígeno prostático específico (PSA) é uma glicoproteína expressa tanto pelo tecido prostático normal quanto neoplásico. Densidade do PSA: - O PSA sérico é então dividido pelo volume da próstata para dar uma densidade de PSA, com valores de densidade de PSA mais altos (maiores que 0,15 ng / mL / cc) sendo mais sugestivos de câncer de próstata, enquanto valores mais baixos são mais sugestivos de hiperplasia prostática benigna (BPH) Havendo a decisão pelo rastreio, ele é feito por dois exames que são complementares: toque retal e PSA (antígeno prostático específico). Mas basta que um deles esteja alterado para indicar uma biópsia prostática. ● Toque retal = Suspeito se nódulos na próstata OU regiões endurecidas: ○ Referenciar para biópsia prostática, realizada através de USG transretal ● PSA = a partir de 4ng/ml, independente do toque retal. Se menor de 60 anos, o ponto de corte passa para acima de 2,5ng/ml: ○ Referenciar para biópsia prostática, realizada através de USG transretal Refinamentos do PSA (usado mais no contexto de PSA borderline, próximo do ponto de corte): 1. Velocidade de progressão do PSA > 0,75 ng/ml/ano → indica biópsia 2. Densidade > 0,15 → indica biópsia 3. Fração livre < 25% → indica biópsia (o CA de próstata libera o PSA complexado a proteína, e não livre) A biópsia dará o diagnóstico do câncer, e dará o grau de diferenciação tumoral → score de Gleason. Quadro clínico: Na maioria das vezes o paciente é assintomático. Com a evolução da doença surgem sintomas miccionais: Polaciúria; Disúria; Diminuição da força e do calibre do jato urinário; Noctúria. Pode surgir edema de MMII por compressão de linfonodos periféricos. Classificação: Escore de Gleason (grau de diferenciação): somar as 2 histologias mais frequentes (x+y) O score 1 é o mais diferenciado (mais parecido com o tecido normal), e o escore 5 é o menos diferenciado. ● O menor Gleason é 2 (1+1) ● O pior Gleason é 10 (5+5) ● Gleason <= 6 diferenciado (baixo risco) ● Gleason 7 - intermediário (médio risco) ● Gleason 8-10 - indiferenciado (alto risco) Diagnóstico: Estadiamento TNM: ● Toque retal ○ É positivo quando nota-se nodularidade, induração ou assimetria lobar acentuada ● PSA ○ Marcador de dano ao epitélio prostático, não exclusivo ao câncer. ○ inibidores da 5-alfa redutase reduz o valor do PSA → multiplicar por 2 ○ Causas de aumento de PSA não malignas: HPB, prostatite, ejaculação, infarto prostático, retenção urinária, massagem prostática, trauma perineal.. ● Gleason - Biópsia Transretal da Próstata Guiada por USG (Bx-TRUS) ○ Coleta de 12 fragmentos dos dois lados da glândula, além de coletas adicionais se existir áreas suspeitas OBS: Principal sítio de metástase do CA prostático = TECIDO ÓSSEO! (região lombar, fêmur proximal, pelve) Se PSA > 20 ou Gleason >= 8, tumor T3 ou T4, sintomas de metástase ósseas - provável CA avançado ● Cintilografia óssea (procurar focos de metástase) ○ mais sensível para metástases esqueléticas ● TC/RNM abdominopélvica (procura de linfonodos regionais) T1 = toque retal normal (não palpável). - T1c - mortalidade de 8% T2 = confinado à próstata, mas palpável ao toque retal. - t2a - 20% obito em 5 anos T3 = extensão extracapsular - 75% de óbitos em 5 anos T4 = invasão de órgãos adjacentes (bexiga, reto...). N (linfonodos) e M (metástase): N0 = não tem linfonodo N1 = tem M0 = não tem metástase a distância M1 = tem metástase - N+ M+ → chance alta de evoluir para óbito em 2 anos Dx diferencial: Entram as patologias que determinam elevação de PSA e/ou alterações ao toque retal: - HPB - Prostatite crónica - Hiperplasia de pequenos ácinos - Neoplasia intraepitelial de alto grau (PIN). Tratamento: Doença Estratégias Localizada (T1 ou T2) - Prostatectomia radical +/- linfadenectomia - Radioterapia (se paciente com aumento do risco cirúrgico) Opção na doença localizada (T1 ou T2): vigilância ativa (PSA < 10, Gleason ≤ 6) Localmente avançada (T3 ou T4) Metastática Terapia antiandrogênica: - Orquiectomia bilateral (retirada dos testículos) - Agonista GnRH (goserilina, leuprolide) - Antiandrogênicos (flutamida) Ao dar o agonista GnRH, pelos níveis permanecerem constantemente elevados, não haverá pulsatilidade da liberação, não estimulando LH, impedindo as células de Leydig a liberarem testosterona.