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Próstata Anatomopatologia – prof: Larissa Kerr Anatomia: Órgão infra-peritoneal (no Robbins está retro- peritoneal, mas a prof considera infra-peritoneal). Porque está abaixo do peritoneo (membrana serosa que reveste as paredes da cavidade abdominal). Está na pelve. Glândula que tem em torno de 20g nos adultos jovens e entra em processo de diferenciação (aquisição máxima de função) durante a puberdade quando há aquisição de características sexuais externas e inter- nas. O principal hormônio responsável pela aquisição de função máxima é a testosterona que em produções excessivas tem relação com a patogênese (mecanismo de doença) da hiperplasia e câncer de próstata. A próstata tem um ápice e uma base. É considerada uma estrutura piramidal. Órgão que tem uma cápsula incompleta (parcial). Lobo direito, lobo esquerdo. Relação da próstata Superiormente: Bexiga urinária masculina finaliza na base da próstata. A Uretra começa na transição do colo da bexiga com a próstata. (uretra prostática) Posterior: reto. por isso a idéia do toque retal. A próstata é apoiada sobre a parede do reto. Relação íntima entre os 2 Póstero-superior: vesículas seminais. Das vesículas seminais vem o ducto deferente (começou no testícu- lo) associa com as vesículas seminais e desemboca no utrículo prostático. A próstata normal contém várias regiões distintas, incluindo uma zona central (ZC), uma zona periférica (ZP), uma zona de transição (ZT) e uma zona periuretral. Carcinomas surgem na zona periférica e podem ser palpados durante o exame digital do reto. Hiperplasia nodular surge na zona de transição e tem maior probabilidade de produzir obstrução urinária mais precocemente que o carcinoma. (na aula é dito que surge mais na zona de transição, enquanto que no Robbins afirma ser na central, pode-se partir do pré-suposto que a zona de transição faz parte da central). A próstata é composta por: ácinos, ductulos, ductos, estroma fibromuscular. Histologia: é formada por ácinos que vão se unindo por ductos pequenininhos, depois ductos maiores que terminam no utrículo prostático. Então, a secreção produzida pela célula que está dentro do ácino vai passando pelos ductos, é eliminada dentro do utrículo prostático na ejacula- ção. O ácino prostático é constituído por dois tipos de células: Célula basal (mioepitelial): mais achatada, é a célula tronco, fica voltada para a membrana basal, azul na imagem a baixo; Célula colunar glandular (acinar): produtora da secreção prostática que se acumula no ácino e vai ser eliminada junto com o sêmen, célula em vermelho na imagem a baixo. Esses dois grupos de epitélio estão apoiados no estroma fibromuscular, tem células fibroblasto (célula base do tecido conjuntivo) + células mioblastos (de musculatura lisa) = células estromais. Fisiologia: A célula glandular é produtora da secreção prostática e é marcada na imunohistoquimi- ca pelo PSA (antígeno específico da próstata). É componente do citoplasma (marrom) que se corou pelos anticorpos postos naquela lamina. O PSA está presente na célula glandular normal. PSA é antígeno especifico da próstata, não do câncer. Alterações desse antígeno fazem inferência com o câncer de próstata. Testosterona é produzida no testículo. 1. Hipotálamo produz LHRH (hormônio liberador de hormônio luteinizante) 2. Hipófise anterior libera LH (hormônio luteinizante) que no caso dos homens atua no testículo. 3. Testículo realiza a produção de testosterona através de subprodutos androgênicos (dentre eles, aqueles produzidos na zona reticular da suprarrenal). Com 10-14 anos ocorre à puberdade e o despertar desse eixo e a testosterona produzida atua sobre a próstata fazendo diferenciação tecidual. A próstata nasceu com a intenção de produzir a secreção prostática (essa é a diferenciação máxima dela). Secreção prostática: dá volume ao sêmen e essa secreção também faz com que ele se torne liquefeito depois da ejaculação. (sai mais espesso e vai ficando mais fluido). • A testosterona atua pelo mecanismo fisiológico: Na célula do estroma fibromuscular, a testosterona é transformada em di-hidrotestosterona (hormônio muito mais ativo e potente do que a testosterona porque possui maior afinidade pelo receptor nuclear de andrógeno da célula). Essa transformação é feita pela enzima 5-alfa- redutase tipo 2 no estroma fibromuscular da próstata. A tipo 1 não é detectada na próstata, mas existe na pele e no fígado, convertendo testosterona em dihidrotestosterona circulante que pode agir na próstata por mecanismos endócrinos. A dihidrotestosterona se liga ao receptor de andrógeno nuclear presentes em células prostáticas estromais e epiteliais ativa a transcrição de genes dependentes de andrógeno maior produção de vários fatores de crescimento ex: fator de crescimento de fibroblasto 7. Permitindo que adquira potencial de hiperplasia, hipertrofia e aquisição de diferenciação tecidual. Na puberdade esse processo acontece de maneira fisiológica na célula estromal cresce de tamanho e a próstata cresce também. Pode ocorrer de maneira Patológica no aumento benigno da próstata (hiperplasia prostática benigna ou hiperplasia nodular), no qual os fatores de crescimento induzidos pela dihidrotestostero- na atuam aumentando a proliferação de células estromais e diminuindo a morte de células epiteliais. Os fatores de crescimento estimulam os 2 tipos celulares, mas a transformação de testosterona em di- hidrotestosterona acontece somente na célula estromal. 3 processos patológicos envolvem a próstata: inflamação, aumento nodular benigno e tumores. Inflamações As infecções são agrupadas em 4 tipos Aguda: em geral é bacteriana Crônica o Crônica bacteriana o Crônica não bacteriana o Crônica granulomatosa Mais importantes: aguda bacteriana (por conta da clinica) e a granulomatosa. Prostatite bacteriana aguda: Patogenia: são as mesmas bactérias que causam infecção no trato urinário, como a Escherichia coli e outras gram negativas, geralmente por refluxo intra-prostatico de urina da uretra posterior ou por vias linfo-hematogênicas. O processo de colonização dessas bactérias (a chegada na estrutura prostática) é ao contrario da secreção prostática (ácinos ductulos ductos maiores desembocam no utrículo prostático). Através da uretra peniana a bactéria entra pela uretra prostática e faz o caminho inverso (utrículo prostático ductos maiores ductulus ácinos). Sintomas: Parecidos com infecção de uretra e bexiga urinaria. disúria (dor ao urinar), pode ter hematúria (presença de eritrócitos na urina), pode ter quadro sistêmico com febre, desconforto generalizado, pode ter dor referida na região perineal. Morfologia: Próstata fica mais amolecida e bastante dolorosa. Diagnóstico: É difícil porque o Urologista e clinico primeiramente pensam em cistite/uretrite (por conta de os sintomas serem parecidos). Dessa forma, muitas vezes tratam achando que era cistite e uretrite, o paciente não melhora porque a próstata tem irrigação sanguínea relativamente escassa. Por conta disso, é difícil alcançar níveis altos de antibiótico de potencial adequado para conseguir matar a bactéria. Às vezes é tratado e permanece com manutenção dos sintomas, então, o diagnostico é retrógrado. Pode ser estabelecido pela cultura de urina e dos sintomas clínicos. Prostatite bacteriana crônica: História de infecção recorrente de trato urinário, patogenia igual a da aguda, mesmos organismos. Sintomas: Possui sintomas arrastados, dor lombar, disuria (dor ao urinar), as vezes o paciente não tem febre. Tem mais desconforto na região do períneo (região de sustentação para os órgãos pélvicos) e hipogástrio (divisão anatômica a cima da região pélvica), Também pode ser assintomá- tica. Diagnostico: através da cultura da secreção prostática, envia para o laboratório vê se é de crescimento bacteriano (cultura bacterianapositiva) e faz teste de sensibilidade à antibióticos. Assim, consegue tratar aquela bactéria específica. Prostatite abacteriana crônica: é a forma mais comum de prostatite, é clinicamente indistinguível da bacteriana, mas não há histórico de infecções recorrentes de trato urinário e as secreções prostáticas dão mais de 10 leucócitos por campo, mas com culturas bacterianas negativas. OBS: Esses quadros infecciosos NÂO tem indicação de biopsia de próstata. Até porque, principal- mente nas agudas, o toque retal é extremamente doloroso. Então, como é processo bacteriano costuma ter pus, dor, a próstata fica mais amolecida e dolorosa (normalmente não é assim). Além disso é contraindicado, pois pode provocar sepse ( inflamação em diversos órgãos). OBS: Esses 2 processos (prostatite bacteriana crônica e a aguda) podem aumentar o PSA. Às vezes o paciente vai ao medico com PSA elevado, faz exame físico que não tem toque retal alterado e, até mesmo, algumas vezes faz biopsia. No entanto, era só um processo inflamatório crônico que aumentou o PSA, não era causado por câncer de próstata. Prostatite granulomatosa crônica: Patogenia: pode ser especifica (quando um agente etiológico é identificado) ou inespecífica. Tal inflamação resulta da obstrução de ductos que se rompem levando ao extravasamento de secreções prostáticas no estroma. Prostatite tuberculosa: atualmente é rara, em geral é encontrada após o comprometimen- to pulmonar ou disseminação miliar. Os granulomas são semelhantes aos de outros locais afetados pela doença, possuem necrose caseosa. Prostatite crônica secundária ao uso de BCG: comum nos EUA, o BCG (cepa de micobacté- ria atenuada) é utilizado na imunoterapia como tratamento para câncer, pois tem efeito estimulante na resposta imunitária contra antígenos tumorais. É usado principalmente no tratamento contra o câncer de bexiga. Durante essa terapia pode se observar alguns efei- tos colaterais, dentre eles a prostatite granulomatosa crônica. Morfologia: granulomas com necrose caseosa e células de langhans gigantes. Endurecimento da próstata e aumento de sua consistência, Se esse paciente vier fazer toque retal, o urologista sente a próstata mais endurecida (diagnóstico diferencial com câncer de próstata). OBS: Malacoplaquia: doença inflamatória de causa desconhecida que pode acometer vários órgãos, inclusive a próstata, suas lesões podem ser confundidas com carcinomas. (a prof não falou em aula, mas é citado no Bogliolo). Aumento benigno Hiperplasia Prostática Benigna (mioadenomatosa) ou Hiperplasia Nodular Extremamente comum em homens com mais de 50 anos. Hiperplasia mio adenomatosa Mio muscular relativo ao estroma Adenomatosa relativo ao epitélio glandular. Patogênese: Uma alteração no processo fisiológico que acontece na puberdade explica a patogênese. Há um estimulo maior de transformação de testosterona em di-hidrotestosterona e hiper- estímulo ao fator de crescimento nuclear. PROVAAA!! Célula estromal começa a aumentar em numero (hiperplasia). multiplicação do numero de células, mantendo a diferenciação. Então tem muito mais célula estromal (fibroblasto e musculatura lisa). Células epiteliais glandulares tem a interrupção de morte celular. Continua nascendo normalmente (continua sendo célula-tronco produzindo mesma quantidade de células que deveriam ser produzidas). Mas no telômero há desregulação, assim, não sabe quando é hora de morrer. Como nasce mais célula e as que estão lá não morrem, há aumento popu- lacional dessas células. OBS: Paciente NÃO fica mais viril. OBS: apesar de haver uma redução de testosterona nos idosos, o nível de dihidro-testosterona continua normal. Morfologia: a próstata que deveria pesar 20g, pesa 100g. O aumento é originado na zona de transição, os nódulos inicias são compostos quase que totalmente por células estromais e mais tarde surgem nódulos do epitélio glandular, podem progredir até as paredes laterais da uretra, chegando a comprimi-la e formando um orifício em forma de fenda (uretra em forma de fenda). Nódulos que contêm + glândulas: tecido amarelo rosado, consistência mole e liquido prostático branco leitoso. Nódulos de estroma fibromuscular: cinza e duro. A biopsia por agulha não obtém amostras da zona de transição. Aspectos clínicos: Obstrução uretral causada pelo aumento de tamanho dos nódulos e a contração dos músculos lisos. O aumento da resistência ao fluxo urinário provoca hipertrofia e distensão da bexiga, acompanhada de retenção urinária (incapacidade de esvaziar completamente a bexiga) a urina residual pode ser fonte de infecções. Os sintomas são nicturia (Inversão do volume urinário, ou seja, urina mais a noite do que de dia), Noctúria (urinar mais a noite do que o habitual) polaciúria (micção frequente), disúria (dor ao urinar), uso de musculatura abdominal para aumentar pressão intra-abdominal e conseguir urinar, jato urinário mais fraco, aumento do gotejamento pós-miccional. Tratamento: Mudanças comportamentais: evitar tomar muito líquido no final do dia, diminuir ingestão de bebida alcoólica e substancias como cafeína porque aumenta a frequência urinária. Medicamentos: o Bloqueadores dos receptores adrenergicos: utiliza medicação que relaxe o tônus muscular como é musculatura lisa visceral, é inervado pelo sistema autônomo sim- pático e parassimpático. O tônus ficaria maior pelo simpático, então, usa bloquea- dor dos receptores adrenérgicos. O mais comum é o Duomo que atua inibindo os receptores adrenérgicos, assim, o SN simpático não consegue atuar e a musculatura fica mais relaxada. o Inibidor da transformação de testosterona em diidrotestosterona: Finasterida. Consequência disso é que, como a di-hidrotestosterona é o componente hormonal mais potente, altera libido, dificuldade para ereção, impotência sexual. Dependen- do do paciente, ele prefere partir para a cirurgia do que usar a Finasterida. Cirurgia: Paciente pode ser prostatectomizado (prostatectomia parcial). Como é por problema urinário e não por câncer, pode tirar só a parte mais próxima da uretra que é o que está dando sintomas. (pode deixar a zona periférica). Importância de manter zona pe- riférica- ao redor dessa zona tem plexos nervosos que levam à continência urinaria e a e- reção. RTU (Ressecção trans-uretral): urologista, sob anestesia, entra com endoscópio pela uretra peniana e com a sonda que fica sempre enchendo agua na bexiga, começa a “raspar” in- ternamente a próstata. O arame circunferencial tem capacidade de raspar e cauterizar ao mesmo tempo. Assim, o cirurgião vai cavando/ raspando e ao mesmo tempo cauterizando. Vai fazendo um buraco, melhorando o tamanho, o epitélio (na frente e atrás) consegue reepitelizar essa porção que foi arrancada e ele melhora os sintomas de obstrução urinaria. Vantagens: feito por endoscopia (não precisa abrir o abdome) então não sai com corte, boa recuperação e mantem estruturas da periferia da próstata. Consequências da hiperplasia prostática benigna: 1. Processos infecciosos: prostatite crônica que é mais comum em pacientes jovens, mas se o paciente mais velho tiver hiperplasia, é bem provável que tenha associação com infecção. Isso porque se tem distúrbio de micção, ele tem uma tendência maior a ter acumulo de bactérias que podem fazer processo retrogrado e colonizarem a próstata. 2. Hipertrofia do músculo: detrusor, a bexiga é composta por peritônio (superiormente), tecido adiposo (ao redor), musculatura lisa (detrusor), submucosa e mucosa. O que acontece é que se o paciente tem que vencer obstrução (uretra com diâmetro menor). Assim, começa a fazer força para urinar. Dessa forma, faz hipertrofia do músculo detrusor da bexiga e aumenta tanto em tamanho, a bexiga fica tão espessa que é possível ver as trabéculas de musculatura lisa do músculo detrusor que hipertrofiou para o paciente conseguir vencer a obstrução e poder urinar. 3. Resíduo pós-miccional:Termina de urinar, mas não consegue esvaziar por completo porque não consegue fazer a força suficiente para eliminar o restinho que ficou. Como sempre sobra urina, ela pode ficar colonizada por bactérias. Pacientes podem ter colonização bacteriana crônica. 4. Divertículos vesicais: No processo de hipertrofia do músculo detrusor, as vezes, entre um feixe e outro, a parede fica mais frouxa e forma uma dilatação para fora denominada divertículo vesical. Nos locais em que é mais frouxa a mucosa vai externamente formando um saco (diver- tículo). Câncer de Próstata Tecido irregular crescendo desde a próstata para a região da bexiga. Crescimento por contiguida- de – quando a doença cresce/espalha se relacionando com as estruturas ao redor. O câncer de próstata costuma surgir na zona periférica (surge no ácino). Adenocarcinoma de epitélio glandular: do tipo acinar (é do acino) e é crônica. Esse é o tipo histológico mais comum de câncer de próstata. É uma neoplasia maligna. Neoplasia- distúrbio da proliferação e crescimento com perda da diferenciação. Maligna- pode dar metástase linfática e sanguínea, se retirar ele pode voltar, crescimento mais agressivo, pode levar a caquexia (tem consumo do paciente). Mecanismo (patogenia): O câncer de próstata também tem relação com a testosterona. Como a di-hidrotestosterona atua no núcleo permitindo proliferação celular, esse mecanismo + algumas mutações em alguns genes específicos como: PI3K, BRCA2, MLH1, MLH2 TMPRSS2- Genes mutados que atuam durante a transformação da testosterona em di-hidrotestosterona. Mecanismo inicial é similar (dependente da testosterona),mas depende de mutações gênicas que fazem com que aconteça uma proliferação celular autônoma e anormal com perda de controle (diminuindo ou perdendo a diferenciação e proliferando de maneira exacerbada a ponto de conseguir alcançar corrente sanguínea, linfática..). Morfologia: Quando olhar no microscópio o adenocarcinoma acinar da próstata a glândula fica pequena, e, normalmente, tem algumas alterações nucleares. Não existe dupla camada de células, célula mioepitelial não está presente no câncer, uma das maneiras de diagnosticar é não ver essa célula. Esta mais na periferia, então o tumor é mais detectado no toque retal que reconhece que a consistência prostática está alterada, mais endurecida, assim, suspeita de adenocarcinoma acinar. As neoplásicas produzem antígeno especifico da próstata, por isso tem elevação do PSA. No perineuro (uma das 3 camadas de tecido conjuntivo que envolvem os feixes de fibras nervosas que formam o nervo) existe o inicio da vascularização linfática. Adenocarcinoma acinar (vermelho) abraçando o filete nervoso (laranja). Essa célula neoplásica está dentro do perineuro, assim, então as primeiras metástases vão ocorrer vai pela corrente linfática. A primeira cadeia linfática que drena a próstata é a cadeia obturatória (cadeia pélvica profunda, associada aos vasos ilíacos internos). Depois da cadeia obturatória segue para linfonodos lombares (próximos da coluna vertebral lombar) e linfonodos para-aórticos até chegar novamen- te no sistema venoso na ordem de distal para proximal na drenagem linfática. A disseminação hematogênica ocorre principalmente para os ossos, em particular o esqueleto axial, com maior freqüência coluna lombar, femûr proximal, pelve, coluna torácica e as costelas. Adenocarcinoma ductal: menos comum, nasce no ducto, toque retal não está alterado porque o ducto está próximo da zona central, por isso que nem todo toque retal dá alterado, nesses casos é importante os exames de triagem. Não é todo câncer que aumenta o PSA, o ductal não aumenta tanto o PSA como o de célula acinar (que tem como função produzir o PSA). Fatores de risco: Sabe-se que é menos comum em asiáticos e mais comum em negros, além de serem mais graves. Possível explicação genética: o gene do receptor de andrógeno tem uma sequência polimorfa que codifica a glutamina, extensões mais curtas de poliglutamina apresentam maior sensibilidade ao andrógeno, as mais curtas são encontradas em afroamericanos, as medianas em caucasianos e as maiores em asiaticos. Mais comum em homens a cima de 50 anos. Recomenda-se que a triagem para o câncer de prostáta seja iniciada aos 40 anos. Tem relação com alimentação e comportamento, pois pacientes orientais que migram para ocidente tem maiores frequências de câncer isso porque tem relação comportamen- tal/Alimentação. Consumo de gordura foi implicado, e produtos supeitos de prevenir ou retardar incluem os licopenos (encontrados em tomates), produtos de soja e vitamina D. Tem espectro muito variado - Alguns pacientes com câncer de próstata morrem com o câncer, mas não pelo câncer. Já em outros são muito agressivos.Tratamento precisa ser in- dividualizado. Biópsia: dificuldade originada de quantidade escassa de tecido disponível para o exame histológi- co removido em biópsia por agulha e também pelo fato de que as amostras têm poucas glândulas malignas em meio às benignas. Em aproximadamente 80% dos casos o tecido removido além de carcinoma também abriga supostas lesões precursoras, citadas como neoplasias intraepiteliais prostáticas de alto grau (acinos prostatícos benignos), predominantes na zona periferica, junto com o cancêr. Classificação: Sistema de Gleason é a classificação que o patologista usa na hora que olha no microscópio e quanto mais diferente for a estrutura, maior será o grau de Gleason. Vai de 1-5. 1: glândula neoplásica maligna parecida com a normal. 5: glândula neoplasia tão diferente que nem parece glândula (não tem estrutura com lúmen, as vezes é até mesmo cordonal- tapete de célula neoplasia). A maioria dos tumores contém mais de um padrão, então o grau de Gleason vai ser laudado na maneira de pontuação de gleason, que é a mistura de 2 números do grau de Gleason. Patologista vê a biopsia, identifica o primeiro padrão glandular mais frequente e o segundo mais frequente. Dessa forma, combina os dois para dar a pontuação. Um tumor com grau dominante 3 e grau secundário 4 obteria uma pontuação de 7. Tumores com apenas um padrão são tratados como se seu grau primário e secundário fossem os mesmo, então o número dobra de valor, o menor é 2 (1+1, bem diferenciado) e o maior é o 10 (5+5, menos diferenciado). Se 3 padrões estiverem na biopsia, o grau mais comum e o maior são somados (acredito que um é ignorado na pontuação). Quanto maior o grau e o score de Gleason, pior o prognóstico. Então a pontuação vai de 2-10 e são agrupados em 4 grupos relacionados à diferenciação. Quanto maior, mais distante está do normal. PROVA 2,3,4,5 e 6: considerados adenocarcinomas acinares bem diferenciados – melhor o prognósti- co. 7 (3+4): moderadamente diferenciado. 7 (4+3): moderado à pouco diferenciado 8,9,10: pouco diferenciados à indiferenciados. Diferentemente da matemática, aqui a ordem dos fatores altera o produto. Isso porque o primeiro numero é o mais frequente e o outro é o segundo padrão mais frequente. Dessa forma, se o fator mais frequente for o 4, é pior do que se for o 3. Estadiamento: Também é importante para a seleção da forma de terapia apropriada. T é relativo ao tumor: T tem relação com o percentual, extensão e o comprometimento das estruturas que estão ao redor. o T1: É o achado incidental cuja lesão é clinicamente inaparente. Alguns fragmentos de câncer de próstata apareceram no laboratório. A palpação, toque retal, ultrassom, tudo normal, mas ele possuía próstata aumentada e ao fazer algum outro procedimento en- controu. o T2: Quando tem envolvimento da próstata restrito a próstata (Nenhuma outra estrutura foi comprometida, nem cápsula). Tira a próstata e ao ver no microscópico existia tumor apenas dentro da próstata. T2a: Comprometimento de menor ou igual a 5% de um dos lobos (direito ou esquer- do). T2b: Mais de 5% de um lobo apenas (D/E). T2c: Envolvimentode ambos os lobos (dois lados, direito e esquerdo), mesmo que se- ja 1%. o T3: Extensão extra prostática local, o câncer ultrapassou a próstata, mas não muito. Ex: Ultrapassou a cápsula ou cresceu para a vesícula seminal. T3a: Cresce infiltrando a cápsula. T3b: Cresce para cima, alcançando vesícula seminal de um dos dois lados (T3B) *Os mais encontrados são t2c e t3 o T4: Se cresce o câncer cresce comprometendo colo da bexiga, uretra peniana, reto (pos- teriormente), estruturas de assoalho pélvico (musculatura, osso da pelve), crescimento por continuidade. Maior T. N: relativo ao linfonodo: Qualquer disseminação do tumor para o linfonodo, independente da extensão, registra a presença ou ausência desse achado (N0 ou N1). M: Metástase o M0: sem metástase à distância; o M1: metástases à distância. Aqui existe um refinamento de A , B e C: A. M1A: Metástase para linfonodos distantes. Quando o linfonodo comprometido não é o linfonodo que drena aquele órgão (relativo à aquela cadeia linfática), é considerada me- tástase à distância. Exemplo: O linfonodo acometido num câncer de próstata seria o da cadeia obturatória (cadeia pélvica interna próxima à ilíaca interna), seria M1 (está próxi- mo a cadeia- linfonodo regional).Se encontrar um adenocarcinoma de próstata em um linfonodo próximo à região cervical, é considerado M1A. (metástase à distância). B. M1B: Metástases ósseas. C. M1C: Para outros órgãos como pulmão, fígado e cérebro. Curso clínico: O câncer de próstata é o segundo mais comum no sexo masculino (o primeiro é o de pele). Em questão de mortalidade se assemelha à mortalidade do câncer de colon. Esses pacientes, normalmente, não tem sinais e sintomas. Se crescesse perto da uretra teria sintomas de prostatismo. No entanto, comumente o câncer cresce na periferia, por conta disso o paciente com câncer de próstata, em geral, é assintomático. Por isso a necessidade dos exames de triagem para facilitar o diagnostico inicial e posterior tratamento. Às vezes o sintoma aparece quando já entrou na corrente sanguínea e linfática. O câncer de próstata pode crescer por: Contiguidade -infiltrando na vesícula seminal, uretra peniana, estruturas do assoalho pélvico (como musculatura e ossos), pode entrar na corrente linfática (ir para outros linfonodos) ou pode dar metástases à distancia. PROVA: Principal órgão comprometido por metástase à distância no câncer de próstata são os ossos - da pelve, coluna vertebral (principalmente lombossacral), costela, fêmur proximal. Paciente com mais de 60 anos que se queixa de dor de coluna lombar é obrigatório fazer raio-x porque pode ser uma metástase do câncer de próstata. Imagem: medula óssea vermelha com nódulos branquinhos (neoplasias metastáticas do câncer de próstata). Ela está branca porque a metástase costuma produzir matriz óssea. PROVA: Metástases ósseas do câncer de próstata são osteoBLASTICAS. São células que produzem matriz óssea. Se não souber de onde veio a metástase, fizer biopsia incisional e ver que é adenocarcinoma, mas não sabe dizer se é realmente da próstata porque está muito diferente chama de adenocarcinoma pouco diferenciado ou indiferenciado. Marcadores imunohistoquimicos: utilizados para biopsia de próstata, principalmente em diagnósticos difíceis. O câncer de próstata ele tem apenas uma camada de células, não possui a célula mioepitelial. Pode utilizar marcador nos casos em que há dificuldade de dizer que é câncer: Citoqueratina de alto peso molecular - é um marcador imunohistoquimico para célula mioepitelial. (marca primeira camada de células – células da camada basal que estão na por- ção mais voltada para a membrana basal). (imagem) Ou seja, as outras glândulas não tem a célula mioepiteliais anormais. Jamais analisa a imunohistoquimica sem a histopatolo- gia/morfologia. Deve ser feita uma junção. Racemase: Marca o citoplasma da célula neoplásica (não a mioepitelial como anteriormente). Exames: 3 exames que são feitos na triagem: Imagem: Em geral ultrassom de rins e vias urinárias ou um mais especifico (como o transretal- como o reto está perto da próstata, é possível identificar melhor a estrutura da prostata). Agora também pode utilizar a ressonância magnética multioaramétrica (exame extremamen- te detalhado que identifica os principais lugares suspeitos de um câncer). Toque retal: É urologista dependente, assim, se ele for experiente saberá dizer se é um toque retal normal ou não. (NÃO NECESSARIAMENTE TEM QUE DAR ALTERADO PARA SUSPEITAR DE CANCER). Dosagem de PSA sérico: Acaba sendo um problema porque o PSA não é especifico de câncer, mas sim da próstata. Desse modo, pode indicar outras alterações, como prostatites, aumento de próstata (que é normal com o envelhecimento). Também, à medida que o homem enve- lhece o PSA tende a se elevar. Nos laboratórios o limite máximo de normal é até 4ng/ml. Alguns laboratórios utilizam 2,5 ng/ml (mas isso dá mais falsos positivos). Aumentam PSA pode ser relação sexual, esforço físico extenuante (trabalhar na construção civil- não dosar o PSA no final da semana, mas sim em uma segunda de manhã), impacto na região de períme- tro (bicicleta, cavalo), processos infecciosos e inflamatórios ou câncer. Existem 4 refinamentos do PSA: Dosagem de PSA livre/PSA total. Normalmente nos casos suspeitos para câncer, além de ter dado alterado o PSA. PSA total no câncer de próstata está aumentado (diminui essa relação). O resultado é menor nos casos de câncer e é maior nos casos de hiperplasia prostática. PSA sérico em relação ao volume da próstata: como se descontasse o volume prostático aumentado que pode ter acontecido por uma hiperplasia. PSA em relação a faixas etárias PROVA: Como a próstata aumenta de tamanho com o passar da idade, é comum o PSA aumentar à medida que a pessoa vai ficando mais velha. Mais comum em pessoas com mais de 65 anos. Pico da incidência é entre 65-75 anos de câncer de próstata. Paciente a próstata está tão aumentada de tamanho que considera-se que a parte aumentada também está produzindo PSA. É necessário analisar sempre individualmente, ou seja, se esse paciente tem PSA normal, mas toque alterado, pede-se exame de imagem e às vezes precisa fazer a biópsia porque pode ser câncer. Velocidade do PSA: Mesmo que o paciente tenha dosagem considerada normal, existe uma dosagem bem problemática na urologia (valores entre 4-10) o Abaixo de 4 é normal o Acima de 10 é anormal Digamos que o PSA deu 4 (em cima do muro) e o toque retal está OK, ultrassom OK; Não necessariamente manda pra biópsia, mas sim acompanha ao longo do tempo o PSA. Então tem que fazer pelo menos 3 dosagens no intervalo de 1,5 ano-2 anos. Aumentos maiores do que 0,75 nanogramas/1ml em 1 ano são considerados anormais (mesmo com os outros exames normais) indicação de ser submetido a biopsia de próstata. Biopsia de próstata: (biópsia incisional) paciente sob sedação é posicionado o ultrassom dentro do reto e no espaço do períneo (entre a bolsa escrotal levantada e o ânus) se faz coleta de material com uma pistola que perfura a pele, chega até a próstata no local que o médico quer (com uso de ultrassom) e colhe material de 6 regiões diferentes. Sempre tentando pegar na periferia que é o local mais comuns. Ápice direito, Ápice esquerdo, Lobo médio direito, Lobo médio esquerdo, Base direita, Base esquerda. Depois da biopsia incisional se tem o diagnostico, se vier de adenocarci- noma acinar, avalia qual será a conduta. Não são todos os pacientes com biopsia de câncer de próstata que devem ser submetidos à prostatactomia total. Isso porque há varias consequências, como, por exemplo a lesão de gânglios que podem gerar ao paciente uma insuficiência urinária e hipotensão sexual. Dessa forma, o paciente pode não optar por tal. Paciente tem câncer com score de Gleason pequeno, descoberto por acaso (porque o PSA era normal, toque normal, mas havia hiperplasia notada por conta de alteraçãomiccional). Ao fazer a raspagem notou-se um câncer pequeno, nesse caso não opera o paciente, mas sim faz vigilância ativa. Vigilância ativa: Paciente possui um câncer de próstata, mas tem score de Gleason pequeno, jovem, bem orientado (sabe que vai voltar daqui 6 meses), achado incidentais, a vigilância ativa caberia à esse paciente, que seria pedir para ele retornar em 6 meses com o PSA atualizado, novo exame de imagem e para realizar novo toque retal. Nesse caso, o paciente não possui histórico familiar de câncer, neoplasia, se sente bem e os critérios anteriormente citados, volta com PSA estável/normal, não vai operar. Radioterapia: Pode fazer apenas a incidência externa/radiação externa ou com cápsulas de radioterapia (braquiterapia) e colocar dentro da próstata. Essa radioterapia localizada dá menos efeitos colaterais, mata neoplasia e pode ser suficiente para que o paciente viva anos bem. Prostatectomia radical: Casos mais graves (Score de Gleason 7 pra cima com PSA mais elevados e faixas etárias maiores) tem indicação de fazer direto a prostatectomia, tira a próstata com a intenção de curar por conta de um câncer de próstata. Diferentemente da hiperplasia que poderia tirar a parte mais do meio, aqui precisa retirar: Próstata + capsula incompleta que a próstata possui + vesículas seminais + porções mais distais de ductos deferentes + pedaço de colo da bexiga e, ás vezes, pedaço da uretra que encaminha para a uretra peniana. Nesse procedimento o patologista examina: Margem da uretra peniana, margem do colo vesical (superiormente à bexiga), porção mais proximal da vesícula seminal de ambos os lados. 1. Pinta com tinta nanquim preta (lado direito) e azul (lado esquerdo). 2. Próstata é cortada do ápice para a base, todos os fragmentos são analisados no microscópio. Ao cortar a próstata transversalmente, vê a uretra no centro, porção anterior esquerda, porção posterior esquerda, porção anterior direita e porção posterior direita. É avaliado o local onde o urologista cortou para retirar a próstata. O câncer é mais comumente na periferia, se encontrá-lo encostado onde passou a tinta, a chance de ter ficado câncer na pelve do paciente é muito grande, isso é denominado estado das margens. São 3 Margens: radial, uretral e vesical. 3 fatores prognósticos extremamente importantes e todos dependem do patologista o Score de Gleason o Estado das margens (comprometidas ou livres) o Estadiamento patológico (TNM) Dessa forma, o patologista tem grande responsabilidade, pois dependendo do que dizer acerca dos fatores acima, o paciente terá condutas diferentes (operação/quimio/radio/castração hormonal de testosterona). Castração hormonal de testosterona: inibir a produção de testosterona para que a célula não cresça. Dependendo dos resultados, o urologista poderá informar o tempo de vida do paciente.