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TRAUMA CRANIOENCEFALICO AULA 7 – URGÊNCIA E EMERGÊNCIA I É um dos tipos mais comuns de trauma. Responsável por 90% dos óbitos no pré-hospitalar que estão relacionados ao TCE. 50% dos casos de morte geral no trauma, estão relacionados ao TCE. Segundo o ATLS, 75-80% dos TCE são considerados leves. 10-15% são TCE moderados e 10% são graves. Como avaliamos o TCE em leve, moderado e grave? ESCALA DE COMA DE GLASGOW. ANATOMIA Seguindo da porção mais externa para mais interna: → Couro cabeludo → Crânio → Meninges COURO CABELUDO: as lesões do couro cabeludo são preocupantes devido a rica vascularização. O sangramento é intenso e dependendo o paciente pode evoluir com choque hemorrágico hipovolêmico. Cuidado: pacientes que serão submetidos a longos transportes – maior risco. Fazer o controle vascular adequado. CRÂNIO: é divido em duas porções: abóboda (recobre o encéfalo) e a base do crânio. Abóboda é mais fina nas regiões temporais (maior probabilidade de ocorrência de fratura). Cuidado: fratura na região temporal deve chamar atenção para possível lesão associada da artéria meníngea média. A base do crânio é firme e áspera e ocasiona lesões por meio de movimentos de aceleração e desaceleração. MENINGES: recobrem o cérebro. Da camada mais externa para a interna: → Dura-máter → Aracnoide → Pia-máter Exerce uma intima relação entre as membranas e o estudo das lesões cerebrais focais, ou seja, os hematomas estão relacionados as lesões nessas regiões. A dura-máter é a membrana fibrosa e resistente. Adere firmemente a superfície interna do crânio. A aracnoide é a porção intermediaria das meninges. Nessa região, temos as veias em ponte – da superfície do cérebro até a dura-máter. Pia-máter é a camada que recobre intimamente o encéfalo. Cuidado – armadilhas da letra D: pacientes que tem rebaixamento do nível de consciência, mas não é por TCE. → Hipoglicemia → Hipotensão → Uso de álcool → Drogas AVALIAÇÃO ABCDE. Em pacientes vítimas de TCE, avaliamos o nível de consciência, avaliação da função pupilar e déficit motor lateralizado que o paciente pode ter. Informações relevantes para equipe neurocirúrgica: Presença de sinal focal – se o paciente não mexe mais o lado esquerdo/direito. Uso de medicações, alergias. FRATURAS DE CRÂNIO São frequentes. Ocorrência de lesão cerebral não depende obrigatoriamente da presença de uma fratura. Tipos de fraturas: → Fraturas lineares simples → Fratura com afundamento → Fraturas abertas → Fraturas da base do crânio FRATURAS LINEARES SIMPLES Não necessitam de tratamento cirúrgico, na maioria das vezes. Conseguimos observar se a linha de fratura cruza algum território vascular como a região temporal. Ficar atento com a probabilidade de hematomas intracranianos decorrentes das lesões vasculares. FRATURAS COM AFUNDAMENTO Tratamento dirigido para a lesão cerebral subjacente. Indicação cirúrgica se a depressão supera a espessura da calota craniana. Afundou suficiente para superar a espessura da calota. Principal sequela: crise convulsiva. FRATURAS ABERTAS Ocorre o rompimento da dura-máter e comunicação entre o meio externo e o parênquima cerebral. O tratamento é cirúrgico – fazer o desbridamento, ou seja, tirar aquela área lesada e fazer uma sutura da laceração novamente. Reconstruir a meninge. FRATURA DE BASE DE CRÂNIO O diagnóstico é difícil através de raio-x. Achados comuns semiológicos: → Fistula liquórica através do nariz (rinorreia) ou do ouvido (otorreia). É um liquido hialino, claro, transparente. → Equimoses na região mastoidea ou pré-auricular (Sinal de Battle). → Equimoses periorbitarias (Sinal de graxinim) sinal de Battle sinal de Graxinim Além desses, temos outros achados comuns: → Lesões do VII e VIII pares cranianos – paralisia facial e perda da audição. Cuidado: suspeita de fratura de base de crânio, nunca realizar procedimentos nasais como sondagem nasogastrica pois pode ter migração dessa sonda para o parênquima cerebral. Fazer sondagem orogastrica e não nasogastrica. LESÕES CEREBRAIS DIFUSAS São lesões que o paciente pode desenvolver durante um trauma cranioencefelico. Geralmente são produzidas pela desaceleração súbita do SNC dentro do crânio com interrupção da função cerebral, ou seja, o paciente apaga. Temos a lesão cerebral difusão temporária que é uma concussão cerebral. E o outro tipo acontece um envolvimento estrutural definitivo que é a Lesão Anoxal Difusa (LAD). Envolve um comprometimento definitivo. CONCUSSÃO CEREBRAL: Acontece uma perda temporária da função neurológica. O paciente evolui com amnesia e confusão + perda temporária da consciência. Por exemplo, lutadores de MMA, UFC que o paciente toma uma pancada e apaga. Logo ele começa a recuperar a consciência e volta ao normal. – nocaute. O desaparecimento é rápido. Geralmente antes do paciente chegar na sala de emergência já acorda com Glasgow 15. A amnesia do paciente é retrograda. A memória vem sendo recuperada em uma sequência temporal. Do mais antigo ao recente. LESÃO AXONAL DIFUSA É primeiramente um diagnóstico da anatomia patológica. – Biopsia do cérebro e observa ruptura de prolongamentos de axônios. O critério diagnostico é a presença de coma (Glasgow 3) decorrente de TCE, o paciente precisa ter tido TCE. O coma tem que ser com duração de mais de 6h. Alteração importante no nível de consciência já no momento do trauma. Já está com Glasgow 3. Classificação: LAD leve: como por mais de seis horas, porém menos do que 24h. o paciente tem déficit neurológio e de memória. A mortalidade é em torno de 15%. LAD moderada: coma por mais de 24h, mas não é acompanhada de decorticação ou descerebração. A recuperação clinica costuma ser incompleta e tem mortalidade de 24%. LAD grave: estado comatoso por mais de 24h e coexistem sinais de de envolvimento do tronco encefálico como descerebração. Suspeitar de LAD grave quando não existe sinais de lesões expansivas intracraniana (tomografia normal – não tem hematoma, desvio, hipertensão) e ausencia de hipertensão intracraniana. O prognóstico é sombrio e a mortalidade é em torno de 21%. Diagnostico: → TC de crânio serve para excluir a possibilidade de lesão expansiva e hipertensão intracraniana. Fazer TC para ver se tem indicação cirúrgica, se tem hematoma, lesão arterial. → Ressonância magnética por difusão Tratamento: suporte clinico sem indicação cirúrgica. – intubação, estabilização hemodinâmica, quadro ventilatório. LESÕES CEREBRAIS FOCAIS São os hematomas decorrentes do TCE. Esses hematomas exercem efeitos de massa (o sangue ocupa um lugar que não existe) levando a desvio da linha média e hipertensão intracraniana. Principais lesões focais: → Hematoma subdural → Hematoma epidural → Hematomas intracerebrais HEMATOMA SUBDURAL: é a lesão focal mais comum. Causa mais comum de efeito de massa no TCE. Presente até em 30% dos traumas graves. Principais fatores de risco: atrofia cortical (idosos e alcoólatras) e usuários de anticoagulantes. Esses hematomas se formam no espaço subdural, decorrente de ruptura das veias em ponte. Lesão unilateral em 80% das vezes. Localização mais comum: regiao frontotemporopariental. O paciente evolui com alteração do nível de consciência progressiva, quanto maior os sangramentos mais achados clínicos a gente tem. Também déficit lateralizados, anisocoria, posturas patológicas e arritmias respiratórias. Pode evoluir para Síndrome de hipertensão intracraniana (volume e velocidade de instalação do hematoma influencia muito). Além disso, pode apresentar Tríade de Cushing: hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia. TC de crânio é o exame de escolha. Avaliamos uma imagem hiperdensa, acompanha a convexidade cerebral (imagem em crescente), edema cerebral e desvios na linha média.Quanto maior o sangramento, mais ele vai empurrando o cérebro para o lado, desviando a linha media. Tratamento: Se o paciente tem desvio da linha média > ou igual a 5mm – CIRURGIA. Drenagem do hematoma através de craniotomia. O prognostico é sombrio e a mortalidade de até 60%. HEMATOMA EPIDURAL: bem menos frequente que o subdural. 0,5% das vítimas de TCE que não se encontram em coma. E 9% das vítimas em estado comatoso. Tem sangue no espaço entre a face interna da abóboda craniana e o folheto externo da dura-máter. Sangramento decorrente de lesões do ramo ARTERIAL meníngea média que cruzam o osso temporal. Não costuma vir acompanhado de grande dano ao córtex cerebral subjacente. Hematoma epidural é de instalação imediata. Manifestação clínica: intervalo lúcido. Com a pancada da região temporal, o paciente evolui com concussão cerebral – perda de consciência temporária. Assim, em poucos minutos ele tem recuperação da concussão. Só que associado a isso, ele teve a lesão da A. meníngea média e fica sangrando até que ele tenha uma lesão expansiva dentro do crânio e perde a consciência novamente. Exames complementares: radiografia simples (fratura de crânio que cruza o trajeto dos ramos da artéria meníngea media). E TC do crânio – método diagnostico de escolha. → Lesão hiperdensa → Biconvexa na maioria dos casos – artéria - pressão → Edema cerebral → Desvio da linha média → Apagamento das estruturas do sistema ventricular → Localização temporal, temporopariental e frontotemporoparietal são os mais frequentes. Tratamento cirúrgico: Hematoma sintomático com pequenos desvios da linha média > ou igual 5mm e hematomas assintomáticos com espessura maior que 15mm. É realizado uma Craniotomia ampla frontotemporoparietal, remoção do hematoma e coagulação das aéreas de hemorragia. Intervenção neurocirúrgica precoce nas primeiras 2h melhora o prognostico do paciente. HEMATOMA INTRACEREBRAIS: consiste em graus variados de hemorragia patequial, edema e destruição tecidual. Responsável por 20-30% dos casos de TCE grave. É ocasionada por desaceleração que o encéfalo sofre no crânio (golpe ou contragolpe). Gravidade do déficit neurológico varia conforme o tamanho da lesão. É um quadro semelhante ao AVCi em território de A. cerebral média. O aparecimento de epilepsias pós-traumática pode acontecer. E todos os pacientes com hematoma intracerebrais devem ter sua TC de crânio repetida em 24h para que seja identifica uma possível mudança no padrão do exame. CONDUTAS NO TCE No atendimento inicial, no pre ou intra: avaliar o ECG sempre. TCE LEVE: 13-15 pontos. Costumam apresentar concussão e geralmente estão conscientes e falando durante o exame. A maioria dos pacientes apresentam evolução favorável e recuperam sem complicação. No TCE leve a TC de crânio nem sempre é indicada. Indicação: Anormalidades na TC de crânio e/ou paciente permanecer sintomático (cefaleia, vomito) – internação e avaliação do neurocirurgião. Paciente sintomático, desperto e alerta, sem alteração neurológica = observar por várias horas + reexaminar e se tudo estiver normal = alta para o paciente com observação domiciliar por 24h. Orientar os acompanhantes sobre os sinais de alerta como: dor de cabeça, sonolência, alteração do estado mental. Retornar imediatamente ao serviço de emergência. TCE MODERADO: ECG de 9-12 pontos. 15% dos casos. Ainda conseguem obedecer a comandos mais simples, geralmente estão confusos ou sonolentos e podem apresentar algum déficit neurológico focal. Sempre realizar TC. E avaliação sempre TCE GRAVE: 10% das vítimas de TCE. ECG < ou igual a 8. As ações devem ser mais imediatas: evitar instabilidade hemodinâmica, hipoxemia e retenção de CO2. – via aérea artificial – intubação orotraqueal + ventilação mecânica com 100% de O2. FiO2=1. Recomendação gerais no tratamento: → IOT + VM → PIC pressão intracerebral – drenagem → PAS > ou igual 100 ou 110 mmHg. Sempre manter a perfusão cerebral do paciente → Solução salina a 3% - ajuda a diminuir o edema cerebral → Manitol → Cabeceira elevada a 30° → Hiperventilacao leve – diminuir a retenção de CO2 → Fenitoína – prevenção de convulsão pós- traumática → Hipotermia (melhora PIC e oferece neuroproteção, porém não melhora o prognostico) → Barbitúrico – diminuição do metabolismo cerebral e redução da PIC → Glicocorticoides não utiliza mais. TRAUMA DE FACE De forma geral, essas lesões não ameaçam a vida do paciente. A principal complicação é um sangramento profuso de orofaringe através da lesão da artéria maxilar e palatina – ramos da carótida interna. Sangra muito. Pode oferecer dificuldade para intubação. IOT para proteção da via aérea por causa do sangramento na orofaringe. Tratamento: tamponamento mais rápido possível. Se falhou no tamponamento: ligadura da carótida externa ou embolização angiográfica. Fraturas de face são melhores diagnosticas pela TC de face (plano coronal com cortes de 1mm). Além das faturas, podemos observar opacificacao dos seios maxilares e etmoidais. – Sangue dentro dos seios maxilares e etmoidais. Classificação das fraturas de face (Le Fort): Le Fort tipo I: ocorre a disjunção dentoalveolar. Linha de fratura transversa, separando o osso de suporte dentoalveolar e o palato. Le Fort tipo II: linha de fratura que separa o osso maxilar e nasal do osso frontal. Le Fort tipo III: linha de fratura se estende lateralmente posteriormente pelo assoalho da orbita, em direção a fissura orbitaria inferior. Associado a traumatismo extenso das estruturas da linha média da face. O reparo cirúrgico está indicado em casos de perda de função e também por razoes estéticas. Cuidado: reparo cirúrgico das fraturas maxilofaciais não representa prioridade em uma vítima de politrauma com lesões graves associadas. anatomia avaliação fraturas de crÂnio lesões cerebrais difusas lesões cerebrais focais condutas no tce trauma de face